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GEOGRAFIA

História da Geografia
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

HISTÓRIA DA GEOGRAFIA

Da Grécia Antiga à Geografia Humanista

Relações Sociedade-Natureza:
• Mediada pela técnica (tecnologia): o homem modifica o espaço em que
vive por meio da técnica
• Milton Santos em “A Natureza do Espaço”
–– Meio Natural
• Não é um meio pré-técnico, mas com técnicas simples
• Há grande dependência das condições naturais:
–– clima
–– solo
–– disponibilidade de água
• Não há elemento natural que justifique a existência de Brasília
–– Meio Técnico
• Pós-Revolução Industrial
• Máquinas e ferrovias
• Processo de tecnificação (não há tanta dependência do natural)
–– Meio Técnico-Científico-Informacional
• Mundo cada vez mais artificial
• Início do pós II Guerra Mundial e consolidação com a Revolução Informa-
cional
• A cidade entra no campo
• O mundo “encolhe”
• Intencionalidade da ciência (mistura de ciência + técnica) (invenções enco-
mendadas pelo mercado)
• Desorganização dos territórios
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Direto do concurso
27. (TPS de 2011) Na aurora dos tempos, os grupos humanos retiravam do es-
paço que os circundava, isto é, do pedaço da natureza que lhes cabia, os
recursos essenciais à sua sobrevivência. Na medida em que a divisão do
trabalho se acentua, uma parte cada vez maior das necessidades de cada
grupo, de cada comunidade, tem de ser
procurada na área geográfica de uma outra coletividade. A noção de espa-
ço como suporte biológico dos grupos humanos, de suas atividades, exige
agora uma interpretação menos literal. Essa noção não pode mais aplicar-se
corretamente, com a expansão da área de atividade indispensável à exis-
tência, a um grupo isolado, mas à humanidade em geral. (Milton Santos.
Por uma geografia nova. São Paulo: Ed. Hucitec/EDUSP, 1978, p. 167 com
adaptações).
Assinale a opção em que se expressa corretamente a ideia apresentada pelo
autor nesse fragmento de texto.
a. O imperialismo advém da necessidade de domínio tecnológico de meios
naturais diferenciados.
b. Os recursos naturais disponíveis para a coletividade são finitos, e o cresci-
mento populacional inevitavelmente provoca seu escasseamento, gerando
um desequilíbrio na relação entre a população e seu território.
c. A concepção de Estado está intimamente relacionada à defesa dos re-
cursos essenciais para a sobrevivência das sociedades, aspecto do qual
decorrem as guerras, que são, por isso, inevitáveis.
d. A situação de isolamento garante a uma comunidade a manutenção do
equilíbrio na relação de um grupo humano com sua base espacial.
e. Conforme as sociedades se tornam mais complexas, as relações humanas
intensificam-se e a explicação da vida social, então, extrapola a escala
local.
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Livros
• Milton Santos:
–– Metamorfoses do Espaço Habitado
–– Por uma outra globalização
• Geografia: Conceitos e Temas
–– Cada autor trabalha um conceito
–– 3 primeiros artigos (espaço, região e território)

GEOGRAFIA: UMA GÊNESE GREGA E UMA GÊNESE ALEMÃ

Grécia Antiga

Produção geográfica inegável: Para os gregos, a geografia não é um campo


mapas, viagens de estudo específico: nunca isolado

Noção de mundo: entorno do mediterrâneo Fazem uma descrição do mundo: o mundo segundo
Anaximandro (século VI a. C);
Eratóstenes calcula a circunferência do planeta
quase perfeitamente (cerca de 200 a. C).

Além de geógrafo, o grego é filósofo, historiador, astrônomo e matemático

Dessa forma, possuíam saber geográfico, ainda que não possuíssem uma
ciência estruturada. Esta veio da gênese alemã, no século XIX, em que o conhe-
cimento de mundo era quase completo. Também nessa época a geografia se
estrutura como campo específico de estudos.
Esses acontecimentos ocorreram no século XIX em razão do Positivismo
(separação dos campos de estudo) e pela influência de Kant (XVIII).
Na primeira metade do XIX, dois prussianos são influenciados por Kant: Hum-
boldt (viajante) e Ritter (1ª cátedra). É possível perceber, por esses dois pensado-
res, a dualidade da geografia: um viajante (descritivo e particularista, como os rela-
tos dos viajantes) e um catedrático (explicativo e generalista, como a cosmologia).
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Ritter tinha formação de historiador e filósofo e seu foco estava na sociedade,


na geografia humana. Entre uma de suas obras principais está a Geografia Com-
parada. Nunca saiu da Europa.
Humboldt tinha formação de geólogo e botânico e seu foco era a natureza, a
geofísica. Sua grande obra, terminada por seus alunos, foi Cosmos. Foi o último
dos enciclopedistas.
Tanto Ritter quanto Humboldt morreram antes da unificação alemã. Isso é
uma das razões pela qual a geografia surgiu na Alemanha (Prússia). Naquela
época, havia uma preocupação com a unidade territorial e a formação de um
país, o que fez com que a geografia se tornasse importante.
Antônio Carlos R de Moraes faz um paralelo entre a Sociologia e a Geografia:
para ele, a Sociologia surge na França porque ali havia uma sociedade de clas-
ses mais bem estruturadas, e a Geografia surge na Alemanha porque ali havia a
preocupação com o território.
Assim, o estudo do espaço é muito importante nessa área, antes um conjunto
de reinos. Daí a necessidade de unificá-los e transformá-los num país.

Correntes do Pensamento Geográfico

A primeira corrente do pensamento geográfico foi o Determinismo (ambien-


tal, geográfico ou ratzeliano) cujo grande nome é Friedrich Ratzel (2ª metade do
XIX). Pai da geografia política, o conceito central de sua obra é o Espaço Vital.
Em sua concepção, fortemente influenciada por Darwin, os grupos humanos
crescem como organismos vivos e se expandem à custa de Estados vizinhos.
Assim, o Estado precisa se nutrir de territórios para continuar crescendo e, caso
isso não ocorra, ele perecerá. Daí a justificativa do expansionismo alemão.
O Espaço Vital oferece o equilíbrio entre natureza e sociedade. O território
precisa atender às necessidades da sociedade. A natureza, por sua vez, deter-
mina a condição social.
Os seguidores de Ratzel tornaram-se mais deterministas do que ele próprio.
Um exemplo disso é Huntington, que associa clima e desenvolvimento (natureza
abundante não fomenta a ética do trabalho).
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Resposta Francesa

Os franceses, temerosos das ideias que se difundiam na Alemanha, lançam


mão do Possibilismo (termo cunhado no início do XX por Lucien Lefebvre). A
Escola Possibilista tem como representante central Paul Vidal de la Blache, pai
da geografia regional. Sua frase de maior destaque é: “a natureza propõe, e
o homem dispõe”. Também estudando a relação homem-natureza, la Blache
inverte o peso da natureza na relação com o homem: ela oferece possibilidades.
La Blache denuncia os interesses políticos de Ratzel, ainda que possua seus
próprios.
O resultado da derrota francesa na Guerra Franco-Prussiana foi o avanço na
geografia francesa.

Conceito de Gêneros de Vida

La Blache traz como conceito principal de sua obra o de Gêneros de Vida, em


oposição ao Espaço Vital, de Ratzel. Esse conceito questiona o expansionismo
alemão, mas não o colonialismo francês. Os grupos sociais desenvolvem técni-
cas para aproveitar as possibilidades oferecidas pela natureza ao longo dos anos.
• O espaço alemão fornece possibilidades ao povo alemão, então a invasão
alemã é injusta.
• A ação francesa na África e na Ásia é justa, pois não se desenvolveu tec-
nologia nessas regiões para que se ofereçam possibilidades para esses
povos (são povos atrasados).

GABARITO

27. e

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pelo professor Helges Samuel Bandeira.
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