Você está na página 1de 10

RELATÓRIO GERAL DA VISITA TÉCNICA

1. INTRODUÇÃO

A construção civil é um ramo muito antigo que tem se aprimorado ao longo do tempo. A
tecnologia e evolução nos processos construtivos tem trazido grandes resultados para o setor, que,
todavia, continua intimamente relacionado à prestação de serviço (mão de obra), o que acarreta
sempre um grande volume de colaboradores expostos a riscos de acidentes de trabalho, riscos esses
que no caso da construção civil podem trazer como consequência lesões físicas graves e até um
próprio óbito. Por tais motivos o ramo da construção civil é um dos mais problemáticos quando
tratamos do tema “segurança do trabalho”.
Segurança do trabalho pode ser entendida como o conjunto de medidas que são adotadas
visando minimizar os acidentes de trabalho, as doenças ocupacionais, bem como proteger a
integridade e a capacidade de trabalho dos funcionários. É umas das áreas, cujo o objetivo é
identificar, avaliar e controlar situações de risco, proporcionando um ambiente de trabalho mais
seguro e saudável para os colaboradores.

2. CARACTERÍSTICAS DO EMPREENDIMENTO

Nome da obra:​ Jardins dos Ipês.


Nome da construtora/Incorporadora:​ Emplavi - Investimentos Imobiliários LTDA.
Localização:​ SQNW 104 Projeção D e E Setor Noroeste – Brasília / DF
Data da visita​: 23/03/2017 (Quinta-feira)
Vocação da Obra:​ Empreendimento Residencial.
Prazo de entrega:​ 36 meses, com início em outubro de 2015.
Número de funcionários na obra:​ 224 pessoas
Placa de Identificação da obra​ ​Imagem via satélite da Localização da obra

3. CARACTERÍSTICAS GERAIS DA OBRA


Um Edifício Residencial com área total de 28.389,61m², contendo 6 (seis) pavimentos, uma
cobertura, 2 (dois) subsolos e um pilotis. Apartamentos com quatro suítes em 84 (oitenta e quatro)
unidades, sendo eles com 160,60m² a 184,32m², além de coberturas privativas com quatro suítes de
322,87m² a 365,92m². O empreendimento ainda inclui 14 (quatorze) elevadores, área de lazer,
academia, piscina, salão de festas, brinquedoteca.

3.1 SISTEMA CONSTRUTIVOS E ESPECIFICAÇÃO DOS MATERIAIS


- ​Estrutura​: Superestrutura de concreto armado;
- ​Fundação:​ Estaca hélice continua;
- ​Vedação Externa​: Alvenaria em bloco de concreto;
- ​Vedação Interna:​ Bloco cerâmico;
- Coberturas:​ Impermeabilizada com manta asfáltica;
- Tipo de Locação:​ Gabarito;
- Movimentação de Terra:​ Escavação e reaterro sendo utilizando o mesmo material.

4. INSPEÇÃO DE SEGURANÇA NO CATEIRO DE OBRAS

A obra possui ótima sinalização de segurança, verificou-se que os funcionários utilizam seus
respectivos uniformes, além de utilizarem todos os Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s), a
exemplo de capacete de proteção, óculos de proteção, protetores auriculares, luvas e botas de
segurança. O canteiro em geral e os demais ambientes são limpos e bem organizados, com amplo
espaço para circulação de máquinas e pessoas, possui isolamento nas áreas de poços (elevadores),
contém guarda corpo na cobertura, e em caso de escavações o local é isolado provisoriamente e
sinalizado com fita preta zebrada.
Também foi possível a verificação dos Equipamentos de Proteção Coletiva (EPC’s) como
por exemplo, plataforma de proteção primária e secundária, guarda-corpos de proteção de periferia
e escadas, andaimes com guarda-corpos das cabeceiras, rodapés, tela galvanizada, sinalização,
galerias de passagem.

5. NÃO-CONFORMIDADES OBSERVADAS
Foi observado um funcionário realizando uma atividade com equipamento serra circular,
tipo policorte, fazendo exigência de postura de trabalho inadequada, situação proibida conforme a
NR 17 do M.T.E que trata da adaptação da ergonomia nos ambientes de trabalho.

Uso de EPI inadequado


Extintor com altura elevada Posição de Trabalho Inadequada

5.2. SUGESTÕES DE MELHORIA


Para a primeira imagem, temos um colaborador utilizando uma luva de látex para
desenvolver a atividade de corte e assentamento de cerâmica, desta forma, identificamos que este
tipo de luva não é recomendado para esta atividade, tendo em vista que ele trabalha com material
perfurocortante no caso a cerâmica, sendo aplicado uma luva em malha tricotada com característica
anti-corte, desta forma não corre o risco de ocorrer acidente com ele neste aspecto
Na segunda imagem, temos um extintor de incêndio instalado em altura elevada em local
onde existe fiação elétrica e demais materiais presentes, de modo, a dificultar o fácil acesso do
equipamento em caso de princípios de incêndio, desta forma a equipe sugere o que a NR 23 exige,
que é a instalação do extintor a 1,60m a contar do piso acabado e sem qualquer obstrução, desta
forma, em caso de necessidade o equipamento estará de fácil acesso. Foi verificado que este
equipamento é de classe ABC, indicado para as três principais classes de incêndio, por isto, neste
quesito o equipamento atende a necessidade, conforme o local de sua instalação.
Na terceira imagem podemos constatar um operário realizando um trabalho com serra
policorte em posição inadequada, onde tivemos a percepção que ele estando nesta posição de
trabalho, fica mais propenso a sofrer acidentes com o equipamento neste caso um corte, e também
pode ser constatado que sua posição inadequada pode trazer problemas de coluna grave com o
passar o tempo, por isso, mediante a situação, indicamos que o operário exerça esta atividade em
bancada de trabalho adequada, que servirá como apoio para a realização dos cortes na madeira e
também a adaptação correta de sua postura de trabalho, de modo a deixar a coluna em posição ereta
que é o indicado em caso de trabalhos realizados na posição em pé.

Estes abaixo, são os equipamentos e processo de trabalho sugeridos para melhoria do


processo inerentes as falhas que identificamos e que trazem riscos aos funcionários da obra e para a
própria obra como um todo.

Luva anti-corte Extintor Instalado Adequadamente Posição Adequada em bancada

6. POLÍTICAS DE SEGURANÇA DO TRABALHO ADOTADAS NA OBRA

Placas de sinalização de segurança orientativas ao uso dos EPI’s nos locais de risco.

Os Equipamentos de Proteção Coletiva instalados e dimensionados.


Organização do canteiro de obra e segregação dos resíduos perigosos foram observados por todos os
locais de trabalho.

Utilização dos equipamentos de proteção para trabalho em altura, armários individuais e


equipamentos elétricos energizados protegidos.

Delimitação e restrição de locais de alto risco para acidentes a até compromisso socioambiental,
fazem parte da política de segurança da empresa.

7. PERGUNTAS SOBRE SST REALIZADAS PELA EQUIPE DE ACADÊMICOS

A equipe de acadêmicos do curso de engenharia civil do IESB, realizou uma entrevista com
a engenheira civil ​Stefani Jardim que é responsável pela obra visitada, as perguntas foram
baseadas nos critérios da segurança do trabalho de modo geral, que são adotados pela empresa para
seus funcionários durante o dia a dia nas rotinas de trabalho, segue-se o que foi debatido:

1) Existe algum tipo de capacitação para os colaboradores no âmbito de segurança do


trabalho?
Resp: Sim, quando o colaborador é contratado, em seu primeiro dia de trabalho ele passa por um
treinamento de integração onde são apresentadas as normas de segurança e a sistemática de
trabalho da empresa, e também um treinamento da NR 18 (Condições e meio ambiente de
trabalho na indústria da construção) e a da NR 35 (Trabalho em altura).

2) Os colaboradores fazem exames periódicos?


Resp: Sim, cada colaborador faz os exames nos períodos estabelecidos pela NR 07 – PCMSO
(Programa de controle médico de saúde ocupacional).

3) A empresa proporciona algum período de descanso? É proposto algum grupo laboral?


Resp: Sim, eles possuem períodos de descanso, porém não há nenhuma atividade voltada para
ergonomia dos colaboradores como por exemplo, ginástica corporal.

4) Qual e a política de segurança com os funcionários terceirizados? Quem é responsável


pela segurança deles?
Resp: A empresa contratante dos funcionários é responsável por fornecer todos os equipamentos de
segurança necessários para a atividade que deverá ser executada. A empresa que terceiriza o
serviço fiscaliza a utilização e cobra da empresa contratante caso necessário. Em todo caso as
duas empresas, contratante do colaborador e contratante do serviço terceirizado, são
responsáveis pelos colaboradores.

5) Qual o procedimento em caso de acidentes?


Resp; Depende da gravidade do acidente, sendo um acidente de pequenas proporções é feita a
investigação do acidente, por consequência é feito um relatório de investigação, atendimento de
primeiros socorros, caso necessário, e posteriormente a abertura da CAT. Em caso de acidentes
graves pode se fazer necessário acionar corpo de bombeiro ou até mesmo a polícia.

6) Já ocorreram acidentes? Quais?


Resp: Sim, um colaborador estava trabalhando na concretagem de uma laje, tropeçou em um
negativo, caiu e quebrou uma costela, onde foi necessário acionar o corpo de bombeiros para o
resgate. O outro acidente que ocorreu foi um assoalhamento de laje que cedeu devido ao
excesso de carga, e um colaborador estava lá no momento vindo a cair, mas nesse caso não
houve lesão.

7) A empresa fornece os EPI’s e EPC’s?


Resp: Sim, a empresa fornece e instala todos os equipamentos de segurança necessários para a
proteção do colaborador, e também assegura a substituição de equipamentos que não estão
perfeitamente em condições de uso, de acordo com o que ele propõe. Ex: botas ou luvas furadas.

8) O que pode acontecer se o funcionário se recusar a utilizar os equipamentos de


proteção?
Resp: Aos funcionários que se recusem a utilizar será aplicada advertência, suspensão ou até
demissão, conforme previsto em lei.
9) Existe controle e fiscalização da utilização de EPI’s pelos colaboradores? Quem exerce
essa função?

Resp: Sim, os colaboradores são fiscalizados continuadamente pelo engenheiro e pelo técnico de
segurança, funcionários da parte administrativa, e até mesmo os próprios colaboradores
fiscalizam uns aos outros. Conta-se também com a CIPA (Comissão interna de proteção de
acidentes) que também estão habilitados a fiscalizá-los.

10) Qual fase da obra é mais propícia à acidentes?


Resp: A fase estrutural como fase crítica, pois grande parte das atividades são executadas em altura,
e também por esta fase serem realizadas algumas atividades simultaneamente, o que favorece a
ocorrência de acidentes.

11) Existe fiscalização por meios de órgãos públicos? Com que frequência?
Resp: Sim, a fiscalização é feita por parte do Ministério do Trabalho. Houve fiscalização na semana
anterior, onde não houve nenhuma notificação nem autuação, porém a fiscalização é bem
esporádica, algum tempo atrás acontecia de uma forma mais intensificada.

12) Como é feita a vistoria dos EPC’S?


Resp: O técnico de segurança do trabalho é responsável pela gestão e fiscalização da segurança do
trabalho na obra dele, logo ele tem por dever orientar o mestre de obras, engenheiro e
encarregado quanto a necessidade de instalação de novos equipamentos, ou se equipamentos de
proteção coletiva já instalados estão satisfazendo as necessidades ou não.

13) É feito controle de riscos biológicos?


Resp: Sim, além de manter a limpeza do local são feitas dedetizações e desratizações periódicas na
obra.
A engenheira de segurança Stefani Jardim, implantou um método chamado auditoria cruzada,
onde técnicos de segurança do trabalho de obras diferentes, revezam entre si, fiscalizando
mensalmente a obra um do outro através de um check-list (planilha – Excel) que computa uma nota
avaliativa no final, o que proporciona melhoria no aspecto da segurança e acarreta também maior
motivação aos técnicos de segurança do trabalho.

8. SUGESTÕES DE MELHORIAS POR PARTE DA EQUIPE DE FORMA GERAL

As sugestões para por parte da equipe para melhoria da segurança no canteiro, compreende
que além do fornecimento dos dispositivos adequados aos riscos de cada atividade, deve-se exigir o
seu uso e estar sempre atentos às trocas e manutenções dos equipamentos, intensificando a
fiscalização para estimular a adoção da prática da segurança por parte dos funcionários, ficar atentos
ao cumprimento de normas de segurança do trabalho além das que já fazem parte do programa da
empresa, estas normas devem ser cumpridas para garantir condições mais seguras além de evitar
multas para a empresa, a exemplo da NR 5 (CIPA), NR 6 (Equipamentos de proteção Individual),
NR 10 (Segurança nos Serviços com Eletricidade), NR 33 (Espaço confinado) que são normas
voltadas principalmente para a atuação em canteiros de obra.
Soluções tecnológicas especializadas no segmento da construção civil também são aliadas
perfeitas para essa missão, pois ajuda a acompanhar a saúde dos trabalhadores, como por exemplo,
um bom programa de medicina ocupacional, de modo, a seguir os exames necessários aos
funcionários deste setor, utilização de aparelhos de medições ocupacionais, a exemplo de ruídos e
vibrações, programas de saúde voltados para os funcionários, como por exemplo, ginástica laboral,
palestras sobre drogas e doenças sexualmente transmissíveis, entre outros, e programas que ajudam
a controlar a entrega e registro dos equipamentos de proteção por parte do SESMT e dos
funcionários, além de treinamentos direcionados a atividades presentes na obra..

9. CONCLUSÃO

Com tudo que foi observado e acompanhado, verificamos que a obra visitada utiliza os
EPI`s e EPC`s, se preocupando com a saúde e integridade dos colaboradores. Foi constatado
também que a organização dos materiais, equipamentos e a gestão dos resíduos trazem um grande
diferencial para a obra. Durante o período da visita foram identificadas somente três falhas, as quais
estão propensas a ocorrer os acidentes de trabalho, contudo sugerimos a devidas melhorias
viabilizando evitar os acidentes. Gostaríamos de enfatizar a ótima recepção e parabenizar a
Engenheira Stefani Jardim, que nos acompanhou e esclareceu as dúvidas da equipe, por sua insigne
gestão de segurança na obra.

10. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

NR, Norma Regulamentadora Ministério do Trabalho e Emprego. NR-18 – Condições e Meio


Ambiente de Trabalho na Industria da Construção. Acesso em 25 mar de 2017. Disponível em
<http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR18/NR18atualizada2015.pdf>

NR, Norma Regulamentadora Ministério do Trabalho e Emprego. NR- 35 – Trabalho em Altura.


Acesso em. 15 mar de 2017. Disponível em
http://trabalho.gov.br/images/Documentos/SST/NR/NR35.pdf
Jardim dos Ipês. Disponível em: < http://emplavi.com.br/produto-detalhes/jardins-dos-ipes> Acesso
em: 25 mar de 2017

ERGONOMIA, SAÚDE E SEGURANÇA


DO TRABALHO

Visita Técnica na Obra do Jardins dos Ipês


Para Avaliação das Condições de Segurança do Trabalho
Março – 2017
IDENTIFICAÇÕES

Instituição de Ensino: IESB


Curso: Engenharia Civil
Período: 7º Semestre
Disciplina: Ergonomia, Saúde e Segurança do Trabalho
Docente: Vamberto Machado

ALUNOS
Aline Souza Alves – Matrícula / 1412140303
Alex Igor Mendonça Abud – Matrícula / 1322140039
Danilo Lourenço de Ávila – Matrícula / 1322140050
Gabriele Silva Correia – Matrícula / 1322140005
Jeferson Ribeiro de Sena – Matrícula / 1322140057
Maria Paulina Laurentino Araújo – matrícula / 1322140024