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Casos para revisão e consolidação da matéria em aula II

1 Refira se concorda com as afirmações que se seguem, justificando, de forma concisa, a sua posição:

a) Se o devedor se opuser, o credor pode recusar o cumprimento oferecido por um terceiro.

b) O devedor que cumpra uma obrigação cujo prazo de prescrição ordinário já decorreu cumpre uma obrigação natural.

c) A remissão, pelo credor, de um dos devedores solidários pode não implicar sempre a liberação dos outros na parte correspondente ao devedor exonerado.

d) O devedor de uma obrigação natural, cumprindo, não pode repetir o que prestou, a menos que o tenha feito na convicção errada de que a tal estava obrigado.

e) Na dação em cumprimento (datio in solutum), a prestação efetuada pelo devedor extingue a obrigação.

2 António é devedor de Bento por força de um contrato de empreitada. O valor em

dívida cifra-se em 100.000€, tendo as partes convencionado que o pagamento seria feito em 10 prestações.

a) Suponha, primeiro, que António não pagou a segunda das prestações devidas. O que pode fazer Bento?

b) Qual o prazo de prescrição das mensalidades não pagas?

c) Suponha, agora, que António, com alguns problemas de liquidez, se propõe antes entregar a Bento um terreno de que é proprietário, a fim de extinguir a dívida. Bento concorda. O terreno vale, na verdade, 105.000€. Quid iuris?

d) Imagine que, para pagamento de uma das prestações, António entregou a Bento um cheque. Quando se extinguiu a obrigação?

e) Por fim, imagine que as partes haviam convencionado que o preço seria pago apenas ao fim de seis meses.

a. Entretanto, Bento ouve comentários de alguns vizinhos de António, dizendo que que este estaria com problemas financeiros e, quem sabe, em riscos de ficar insolvente. O que poderá fazer Bento?

b. Imagine, agora, que António decide pagar a quantia em dívida dois meses antes do prazo acordado, por ter herdado de um tio certa quantia. António entende que deveria ter direito ao benefício resultante do pagamento antecipado. Tem razão?

3 Antunes é credor de Bártolo no valor de 1.000€. O crédito, porém, ainda não se

venceu. Por seu turno, Bártolo é credor de Antunes no valor de 1.500€. Bártolo declara

pretender compensar os dois créditos. Quid iuris? A resposta seria a mesma se Bártolo fosse credor de Camilo, irmão de Antunes?

4 António, produtor de azeite em Vila Nova de Foz Côa, vendeu a Bento, com loja em Lagos, 500 litros de azeite. Convencionou-se, quanto ao lugar do cumprimento, que António deveria entregar os 500 litros a um transportador.

a) Suponha que António cumpriu, na data aprazada, entregando os 500 litros de azeite a um transportador certificado. Uma intempérie fortuita destruiu a mercadoria, durante o percurso. Bento exige, agora, que António separe outros 500 litros de azeite. Aprecie a pretensão de Bento.

b) Imagine, desta feita, que, feita a entrega, Bento ficara de pagar a António, seu grande amigo, quando quisesse. Sem que nada o fizesse prever, Bento faleceu, ao fim de dois meses. Quid iuris?

5 - Artur, Berto, Camilo e Diana são donos de um estabelecimento comercial de venda de

vinhos, licores e aguardentes. Em Janeiro deste ano contraíram uma dívida de 4.000€ pelo fornecimento de vinhos por parte do viticultor Ernesto. Na data do vencimento, Artur não pagou invocando ser credor de Filipe, fornecedor de pipas a Ernesto. Por sua vez, Berto alegou não ter que pagar nada pelo facto de Ernesto ter renunciado à solidariedade em seu favor. Camilo, a quem Ernesto só veio pedir 1.000€, também não pagou pois Ernesto não quis receber os 4.000€. Diana veio a pagar a totalidade da dívida e pretende, agora, acertar contas com os outros devedores.

a) Aprecie as razões invocadas por Artur, Berto e Camilo.

b) Refira a forma como vai ser feito o aludido acerto de contas.

c) Suponha que o litígio com Camilo originou um processo judicial que levou à absolvição desse devedor. Qual a eficácia da decisão para os outros devedores?

d) Em Janeiro de 2015, Luís, tendo em vista uma festa de confraternização, comprou no estabelecimento 30 garrafas de um certo vinho, a pagar num dia de Fevereiro do mesmo ano. O comprador não pagou no vencimento e, em Abril do presente ano, foi interposta uma ação para o pagamento da dívida. Como pode ser contestada a ação?

e) Suponha agora que Ernesto vendeu a Joana uma garrafa de vinho do Porto rara. Joana recebeu e pagou a garrafa com dinheiro furtado a uma amiga. Ernesto veio a conhecer o facto e, passados uns meses, a amiga de Joana veio pedir a restituição do dinheiro com um acréscimo pela desvalorização ocorrida. O que devia ter feito Ernesto? Será devido o que Joana reclama?