Você está na página 1de 42

UM ESTUDO COMPARATIVO DA ABORDAGEM EVANGELÍSTICA

BÍBLICA, EM LUTERO E CONFESSIONAL LUTERANA.

Monografia apresentada à Faculdade
de Teologia do Seminário Concórdia,
São Leopoldo, Departamento de
Teologia Histórica e Exegética em
cumprimento dos requisitos ao grau
de Bacharel em Teologia

Aluno:________________________
Anselmo Ernesto Graff

Novembro de 1997

Conselheiro:________________________
Prof.: Gérson Luis Linden

SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 3

1. UMA INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA DO EVANGELISMO .................. 5
1.1 A Posição Luterana Confessional sobre Evangelismo ........................ 9
1.2 Como Lutero é compreendido na perspectiva evangelística ...............13

2. A VISÃO BÍBLICA DE MISSÃO NOS DOIS TESTAMENTOS ........... 22
2.1 O universalismo do Antigo e do Novo Testamentos de acordo com Gê-
nesis 12.1-3, Isaías 49.6 e Mateus 28.19 .......................................... 22
2.2 A Função do Povo de Deus no Antigo e no Novo Testamentos segundo
Êxodo 19.5-6 e 1 Pedro 2.9 ............................................................. 25
2.3 O “Testemunhar” à luz de Isaías 43.9-12 e Atos 1.8 ........................ 29
2.4 O Crescimento do início da Igreja Cristã e suas implicações à igreja
hoje de acordo com Atos 2.42-47 .................................................... 31
2.5 A ação de Deus e da sua Palavra na obra evangelística à base de Isaías
55.11 e Marcos 4.26-29 ............................................................... 35

CONCLUSÃO .......................................................................................... 38

BIBLIOGRAFIA ...................................................................................... 40

3

INTRODUÇÃO

Evangelismo tem sido um assunto bastante explorado nos últimos anos. Muitos
livros foram escritos objetivando ensinar e motivar os cristãos à missão, a fim de que a
igreja de Cristo cresça e se desenvolva. Essencialmente, o conteúdo destas obras pretende
despertar o povo de Deus para a natureza missionária da igreja de Cristo. Além disso, há
envolvida também, a intenção de oferecer programas ou fórmulas para o avivamento
evangelístico da igreja.

Porém, de certa maneira a proliferação destes expedientes literários, os quais visam
também implantar filosofias evangelísticas, causaram algumas hesitações quanto à
abordagem coerente nesse campo. Na ânsia de fazer a igreja crescer numericamente, tem se
discutido a adoção e têm se adotado métodos evangelísticos para concretizar este objetivo.
Contudo, muitas vezes quando este alvo do progresso numérico não é atingido, geralmente
passa a se questionar o desempenho da igreja como agente missionário de Deus. E aí é que
está o caráter problemático do tema: o que define a missão como autêntica do ponto de
vista da Palavra de Deus? Quando a igreja é missionária, somente quando há crescimento
quantitativo? Como o povo de Deus executou suas funções missionárias no Antigo e no
Novo Testamento? O que Lutero, o reformador luterano fez como evangelista e falou sobre
o evangelismo? E baseado nas respostas a estas questões, qual é o lugar dos métodos ou
programas evangelísticos?

A estas indagações é que este estudo comparativo focalizará seu exame. Para tanto,
alguns aspectos históricos serão considerados a partir da posição de Lutero, da Ortodoxia e
do Pietismo. Além disso, serão analisados alguns textos de cunho missionário nos dois
testamentos e observada a posição luterana confessional de acordo com alguns dos seus
documentos.

4

O objetivo principal deste trabalho não será esgotar o assunto sobre Evangelismo,
nem trazer respostas definitivas sobre todas as facetas envolvidas nesta área. Todavia,
procurará colocar luz sobre os fundamentos teológicos básicos da missão, conferindo-lhes a
solidez e a coerência necessários, a fim de entender e fazer corretamente evangelismo no
final deste século.

mas dos príncipes evangélicos. Para tornar o assunto mais complicado. in a nervous and defensive reaction against its critics. visando tornar a igreja mais efetiva e fiel na missão de levar o Evangelho de Cristo às nações. Lutheran Orthodoxy. afirmando que o mandato evangelístico da Grande Comissão não é mais válido e que o apostolado estabelecido por Jesus Cristo estava agora extinto3.1964. Mas por outro lado. 1984. mas que a única marca necessária seria a fé verdadeira 1 O documento é a Constituição Dogmática da Igreja Católico-Romana (Lumen Gentium. bem como uma busca por reencontrar o avivamento interno.120 3 “To make matters worse. numa reação nervosa e defensiva contra seus críticos. seus teólogos afirmaram que a missão de levar o Evangelho a outras nações não é mais tarefa dos cristãos em geral. diante das críticas romanas pela posição acima adotada. Um dos teólogos ortodoxos.67) . a Ortodoxia Luterana. 5 1. Esta foi uma reafirmação tanto do caráter missionário da igreja. p. mas do estado2. Johan Gerhard (1585-1637). went so far as to maintain that the evangelistic mandate of the great commission was no longer valid. Vista na perspectiva histórica. and that the apostolate established by Jesus Christ was now defunct” ( Sherer. lembrou. UMA INVESTIGAÇÃO HISTÓRICA DO EVANGELISMO O Concílio Vaticano II (1962-1965) elaborou um dos seus documentos mais importantes1 introduzindo-o com a frase: “Cristo é a luz das nações”.) 2 Rudnick. Foi mantido o caráter teocêntrico de Lutero e sua ênfase na missão como obra do Deus Triúno. o pensamento missionário sofreu algumas dessas mudanças. foi ainda mais longe. a missão do ponto de vista luterano viveu períodos de mudanças e descontinuidades revelando esta mesma preocupação missionária. p. Na época da Ortodoxia Luterana. não da igreja. 1926. que a extensão e o número de cristãos não são marcas da verdadeira igreja.

p. pp. de acordo com sua instituição8 E este pensamento causou a reação de um luterano leigo.68) 6 Rudnick.26 9 Sherer.6 Somente aquela parte relacionada com o batismo e o ensino permaneceriam válidos segundo os teólogos ortodoxos. 1926. A grande comissão não tem validade contínua em sua forma original. que foi uma voz isolada clamando no deserto. 1593. apud W. but the apostolate had expired in its original sense. a fim de administrar e despensar os sacramentos de Cristo. instituído e ordenado pelo próprio Deus.69 . 1926. “. the great commission had no continuing validity in its original form. Tome 5. vol.9 4 Ibid. (Vol II. p. p. apud Ibid. p. acabou tornando-se um mártir da intransigência ortodoxa.4 Sherer lembra outra vez Gerhard para sustentar seu ponto de vista de que a Ortodoxia de certa maneira estava dizendo não à missão com esta postura. Loci Theologyci . and the apostles had no real successors” ( Ibid.7 Em síntese.120 7 Sherer.. apud Gerhard. p. por possuírem o conhecimento natural de Deus.. pp. Este conceito foi apregoado pela faculdade de teologia da Universidade de Wittenberg no século XIX.2. mas o apostolado expirou no sentido original e os apóstolos não tem sucessores. 146-156) 8 Chemnitz.422-434 5 “. Ele defendeu o conceito de que a grande comissão tem validade e que os cristãos têm responsabilidade pessoal pelos descrentes. a sua ênfase sobre Mt 28..Berlim 1866. 6 determinada pelas Santas Escrituras.”5 Ainda de acordo com o pensamento ortodoxo.. o qual desafiou a Ortodoxia considerando sua teologia missionária como imoral e não bíblica.52-53. o pensamento ortodoxo rejeita a validade da grande comissão no sentido da responsabilidade pessoal do cristão em evangelizar os não-cristãos.. It had been intended for the original apostles. Esta tinha sido planejada para os apóstolos originais. os pagãos estão sem justificativas. Grössel..68. Justinian Weltz (1621-1688). p. Mas Weltz. Tome 6. 1984..68.19 estava antes no Ofício eclesiástico e espiritual.

1984. mesmo que o ponto de vista de Lutero tenha sido mantido 10. Este foi um movimento importante dentro do luteranismo. A doutrina da fé é. foi a pura doutrina e a correta administração dos sacramentos. 7 Assim. que mesmo os irregenerados podem obter. a experiência pessoal é o fundamento da certeza em matéria de conhecimento teológico. p. Também reafirmou a validade da grande comissão e abriu as portas para a criação de cruzadas missionárias voluntárias. pois em geral insistia no melhoramento moral e dos costumes. ao invés de serem cura d’almas.72 . embora salutar.114. 12 Esta não deixou de ser uma preocupação da Ortodoxia. enquanto aos leigos foram relegados a um papel passivo. levantaram-se algumas barreiras dogmáticas para a obra evangelística da igreja. pois. Os pastores foram considerados como os guardiões da verdade. com o envio de missionários para pregar o evangelho a pessoas em outros países. acessível sem o auxílio do 10 A ênfase teocêntrica de lutero: missão é obra do Deus Triúno. Apenas o cristão regenerado pode ser verdadeiro teólogo e possuir conhecimento real da verdade revelada. (Hägglund. com sua ênfase no uso devocional das Escrituras por indivíduos e grupos menores. As metas propostas pelo Pietismo colocaram as bases para um novo impulso missionário. Aquele considerou conhecimento morto. do que a justificação pela fé como base para a obra missionária de Deus.281). 11 Rudnick. que estava bem ciente da finalidade prática da teologia. além da recuperação do sacerdócio universal dos crentes. 13 Sherer.11 Esta situação inaugurou um movimento de renovação e reação: o Pietismo e cujo objetivo foi a reforma e a santidade de vida. p. A missio Dei foi domesticada dentro das fronteiras clericais e a maior preocupação. além de serem os únicos autorizados a proclamar o evangelho. 1926.13 De acordo com Spener. pois proporcionou uma nova motivação missionária aos luteranos. No entanto. gradualmente a iniciativa divina foi substituída pelo planejamento e organização humanas e foi colocada em relevo antes a regeneração pelo Espírito. Spener contrastava o conhecimento físico com o espiritual. p.12 bem como a piedade.

que do ponto de vista histórico não houve uma uniformidade na interpretação nos meios luteranos. Pode se demonstrar inclusive. Por um lado. por conseguinte. dos meios da graça e da base teológica sadia para toda prática eclesial. E vista nessa dimensão. havia dois extremos que não deram o real equilíbrio à teologia do evangelismo.15 As percepções missionárias ao longo da história observadas até aqui. a Ortodoxia Luterana desenvolveu e conferiu o refino necessário à doutrina bíblica luterana. mas.1926. mas descuidou-se da abordagem prática desta teologia. apontam para uma certa complexidade do assunto. ao fazer da missão uma tarefa especial de grupos e indivíduos regenerados. visto que de acordo com as abordagens desenvolvidas. uma vez que no período da Ortodoxia a necessidade de se afirmar a verdadeira doutrina restaurada no tempo da Reforma. especialmente com respeito à missão. É verdade que é preciso entender estas posições contextualmente. Porém. p. ao invés da igreja como um todo.73 . a Ortodoxia Luterana contribuiu positivamente ao evangelismo.282 15 Sherer. para ser adquirido no verdadeiro sentido do termo. os Pietistas separaram igreja e missão e desconectaram o Batismo do genuíno sacerdócio universal. Por outro lado. Pode se concluir. p. deve-se ter experiência pessoal e renascer através do Espírito. como mero conhecimento externo. 8 Espírito. pois a obra da missão passou a ser vista como causa daqueles grupos de interesse especial. o Pietismo conferiu ao luteranismo a necessária e nova motivação missionária. que estes dois extremos desequilibraram e impuseram uma compreensão limitada sobre o assunto. teve a sua primazia. 1989. quanto à maneira de se entender e aplicar a missão.14 Assim. mas promoveu em demasia a vida santificada e inadvertidamente esqueceu do verdadeiro conceito de igreja. a posição geral adotada neste período pode ser considerada como 14 Hägglund. pois acrescentou seu toque de pureza à teologia luterana.

uma cristologia e soteriologia saudáveis. antes da justificação pela fé. como agentes da missão divina. 9 extremada. o evangelismo. a mensagem da salvação em Jesus Cristo. Esta foi uma posição extremada e que promoveu excessivamente o lado prático do que não deve ser desvinculado da teologia sistemática. métodos ou estratégias missionárias. deixou lacunas no que também deveria ter sido de consideração prática. cuja elaboração final ocorreu em 1580 e que contém os principais documentos confessionais do luteranismo. as doutrinas do homem e do pecado. bem como o sacerdócio universal dos cristãos restabelecido. 16 Livro de Concórdia. visto que sua preocupação essencialmente dogmática. Esta ausência pode ser explicada levando em conta que o Livro de Concórdia não foi preparado para ser um livro-texto para classes de evangelismo. De fato as Confissões Luteranas providenciam as bases teológicas para missão. a grande comissão de Jesus foi reafirmada e reaplicada. O Pietismo surgiu objetivando dar novos contornos ao evangelismo. É verdade que não há alusões diretas sobre missão. 1. O foco nem mesmo estava mais sobre a igreja e os meios da graça. Mas a pretensão pietista em construir uma teologia em oposição a da Ortodoxia. porém o conceito de missão está embutido. Este período redirecionou o pensamento missionário luterano.1 A POSIÇÃO LUTERANA CONFESSIONAL SOBRE EVANGELISMO Tem-se notado que o documento confessional 16 da igreja luterana em seu índice remissivo não apresenta referências às palavras “missão” “missionário” ou “evangelismo”. mais implícita do que explicitamente. evangelizar. E neste sentido. mas para consolidar a doutrina confessional luterana. mas na autonomia de indivíduos regenerados. Gradualmente a Missio Dei foi substituída pela iniciativa humana e enfatizada a vida piedosa. . acabou ultrapassando limites. dando-lhe uma nova moldura e resgatando os cristãos de sua passividade.

Da Eterna Presciência e Eleição de Deus. que isso tome efeito entre nós e que destarte seu nome seja exaltado. pode ser adicionada a observação do artigo XXVIII da Confissão de Augsburgo que confere à igreja. de todas as maneiras. para libertar e redimir seu povo do poder do diabo e a fim de governar como Rei da Justiça. o Catecismo Maior tem seções que são significativas do ponto de vista missiológico. em primeiro lugar. temos de ater-nos. 10 O Livro de Concórdia pode não ser um livro texto para cursos de missão. p. estende-se a todos os homens. isto é. coisas eternas serão conferidas. por conseguinte aqui.XXVIII . para proclamar o evangelho ao mundo.Declaração Sólida XI . but it can serve adequately by providing the theology needed for proclaiming the Gospel to the World” (Ji. a preocupação evangelística dos autores confessionais. Além disto. como também a fim de que alcance assentimento e adesões entre outros homens e marche poderosamente pelo mundo universo. Pedimos. o Espírito Santo e a Vida Eterna. Esse poder é exercido pelo ensino ou pregação da palavra e pela administração dos sacramentos. rija e firmemente.Do Poder Eclesiástico.18 A esta referência do caráter universal do evangelho. Nas explicações iniciais o Reino de Deus é identificado como a Obra de Deus enviando ao mundo seu filho Jesus Cristo. trazidos pelo Espírito Santo. 88. como poder eclesiástico a função mediadora na evangelização. a fim de muitos deles. 19E quando este encargo é posto em prática. será possível verificar nas passagens bíblicas sobre missão. pela Santa Palavra de Deus e por uma vida cristã. queremos considerar nossa eleição eterna para salvação proveitosamente. 1996. E para convencer o mundo desta verdade. 28 19 Confissão de Augsburgo . que a aceitamos.145) 18 Fórmula de Concórdia . da mesma forma também a promessa do evangelho é universal. mas pode servir adequadamente ao prover a teologia requerida. no fato de que. assim como se dá com a pregação do arrependimento. da vida e da bem-aventurança. tanto para que nós. virem ao reino da graça e se 17 “The Book of Concord may not be a textbook for mission courses. nisso permaneçamos e diariamente progridamos. Se portanto.17 E analisada sob esta perspectiva. foi dado o Espírito Santo para que Ele persuada e ilumine as pessoas desta redenção. Justiça Eterna. 665. 8-9 .

Dentre as quais estão a cristologia. seus autores pavimentaram o caminho a uma teologia missionária segura e fiel. a doutrina sobre os sacramentos e da questão sobre a autoridade da igreja. a soteriologia. O conceito confessional contemporâneo O posicionamento teológico luterano sobre missão foi reiterado num documento elaborado especialmente para este propósito. clarificar e fortalecer o 20 Catecismo Maior . esta não foi direcionada para preencher eventuais lacunas a respeito de modelos missionários. Ao desenvolver com clareza as principais doutrinas. pela Comissão de Teologia e Relações Eclesiais da LCMS e cujo título é: “A Theological Statement of Mission” . Por um lado. este arranjo possibilitou a formulação de uma teologia central sólida e da qual as demais podem derivar igualmente com solidez e coerência. na pregação da palavra e na administração dos sacramentos. Este documento teve como objetivo.21Sua formulação manifesta o desejo do Sínodo em encorajar o desenvolvimento de uma missão saudável e de que o povo de Deus possa ser instrumento na proclamação do Evangelho salvador. provendo elementos teológicos sólidos para a formulação de uma teologia evangelística coerente em todos os tempos. ainda que de maneira concisa mas compreensiva.Segunda Petição. mas que havia doutrinas cuja necessidade de afirmação era mais imediata. 11 tornarem partícipes da redenção para que dessa maneira todos juntos fiquemos eternamente em um só reino. como a missão. a atenção preferencial sobre estas doutrinas acabou absorvendo as demais e sugerindo aparentemente um tom de superficialidade a outros assuntos também importantes. Mas por outro lado. Mas aqui é preciso lembrar que quando da sua elaboração. mas formulam suas idéias evangelísticas. agora principiado.O Pai Nosso . ao declarar a igreja como instrumento de evangelização. 463. E esta posição é compreensível à medida que se entenda de que a questão proeminente daquela época não foi a missão em si.52 21 A elaboração deste documento ocorreu em novembro de 1991.20 As confissões não aludem a modelos missionários.

ele se preocupa com todos. constantemente lhe é lembrada de suas próprias necessidades pelo mesmo amor e perdão. mesmo com suas inúmeras imperfeições” 24 7. 3. é Ele que convence o mundo a confiar na palavra do perdão. p. Sem esta iniciativa. é a graciosa iniciativa de Deus em salvar o homem que é incapaz de fazê-lo por suas próprias forças. 23 A missão de Deus deve ser dirigida e aplicada a todos. os membros do único corpo de Cristo “da única santa igreja cristã” trabalham junto na missão de Deus. pois todos os homens escutaram a voz do tentador e mantém-se rebelados por natureza contra Deus.22 São oito os conceitos desenvolvidos e que moldam o pensamento luterano sobre missão: 1. No Batismo Deus chama cada um tanto para dentro da sua família. Mesmo a própria igreja. p. 5. não há salvação. tanto o presente. (Ibid.25 22 Theological Statement of Mission.. Todos necessitam ser curados da doença mortal. como o doador. A missão de Deus é para todos.22) 24 “The Lord has called the church into existence and he carries out his mission in and through the church despite its many imperfections” (Ibid. “God’s mission is to and for everyone”23. 2. sem distinção.26) . A missão de Deus só é tornada possível pelo Espírito Santo. Quando ela trabalha para levar o amor e perdão. bem como para se envolver na tarefa de estender a outros o evangelho salvador. 4. estendendo-nos todas as bençãos da sua cruz e nos garantindo o privilégio de carregar a nossa própria cruz para seu benefício e do evangelho. O povo de Deus sabe que fora da Igreja. “O Senhor chamou a igreja à existência e Ele executa sua missão na e através da igreja. p. onde Cristo não é pregado. “O segue-me de Cristo” tem sido falado a cada um de nós. 6. 12 entendimento do Sínodo do fundamento teológico sobre o qual está baseada a missão do ponto de vista luterano.. o Pecado. Em seu chamado ao Discipulado. A missão de Deus é minha missão. Não se envolver em passar a outros o que Deus nos tem concedido gratuitamente é entender mal e representar mal. O plano reconciliador e restaurador de Deus está em Jesus Cristo. a missão deve Ser centralizada Nele. a vida seria em trevas e sem esperança. Missão começa no coração de Deus. A cada membro individual da igreja é dada a tarefa da missão. A missão de Deus é nossa missão.6.

pois Ele a executa através do seu povo. É Ele que determina a pauta e a executa. seu conteúdo permite um entendimento claro sobre este tema. Em linhas gerais. 1. 1926. o papel do povo de Deus é agir como instrumentos em nome do Senhor da missão e participar nesse empreendimento divino. p. insistindo no fato de que o reformador foi fiel ao comando missionário. extending to us all the blessings of his cross and granting us the privilege of carrying our own cross for his sake and the Gospel’s. Deus providencia oportunidades e abre as portas para o testemunho. Gustav Leopold Plitt (1836-1880) fez algumas observações sobre Lutero e a missão. este documento confere a devida sobriedade à missão.26 Nestas considerações.27) 26 O desenvolvimento destes oito pontos está no documento elaborado pela CTCR. pois o fim está se aproximando e se constata cada vez mais pessoas vivendo e morrendo sem o verdadeiro conhecimento do Senhor Jesus Cristo. especialmente com respeito à grande e central verdade de qualquer empreendimento missionário: só há missão quando é apresentado o Salvador Jesus Cristo. p. Christ’s “Follow me!” has been spoken to each one of us. Estruturado sobre as verdades resgatadas pelos confessores luteranos. com Sua Palavra e Sacramentos.8-31. o amor de Cristo deveria motivar os empreendimento missionários.. uma dos questionamentos a respeito da sua obra é: Foi ele um missionário? As respostas mais comuns manifestadas por estudiosos de Lutero27 o colocam como evangelista.2 COMO LUTERO É COMPREENDIDO NA PERSPECTIVA EVANGELÍSTICA Quando se relaciona Lutero ao evangelismo. embora não no sentido moderno desta 25 “In his call to discipleship. No entanto. 13 Nosso envolvimento pessoal na missão de Deus acontece onde estamos. (Sherer. p. onde Deus nos colocou. Not to be involved in passing on to others what God has freely given us is to misunderstand and misrepresent both the gift and the Giver” (Ibid. 27 Além de Werner Elert e Walter Holsten.55) . o aspecto normativo da missão está no envolvimento de Deus nesta obra. E o último ponto abordado neste documento é a respeito da urgência da missão de Deus.

p. especialmente corrigindo as deficiências na proclamação do puro Evangelho. além de promover o alívio de consciência a tantas pessoas com a descoberta da justiça pela fé. nem todos compreenderam o reformador luterano como um missionário. Werner Elert (1885-1954). do que julgar Lutero por modelos dos movimentos missionários do século XIX. 29 Elert.30 Este julgamento sobre Lutero foi contestado e refutado por outro estudioso de Lutero.385 30 “Warneck was critical of Luther chiefly because the reformer had no issued a call in support of a regular sending of messengers of the Gospel to non-christians nations.28Porém. antes o sentido mais profundo da missão como estabelecido pela Reforma. alguém que destemidamente desafiou os poderes eclesiais da sua época.1926. afirmando Lutero como missionário. p. como alguém que estimulou sua geração a pensar.54) 31 Elert. with the view of Christianizing them ” (Sherer. especialmente porque o reformador não emitiu um chamado em assistir o envio regular de mensageiros do Evangelho para as nações não cristãs visando cristianizá-las. Este repele a atitude crítica de Warneck.1962.54) . e que traduziu as Santas Escrituras na linguagem do povo. mas como alguém que se deu a si mesmo ao empreender a reforma da igreja. p.32 28 A marca do evangelismo no pensamento moderno é de alguém cuja característica geralmente atribuída é de um estrategista ou que é enviado a outros países.31 Walter Holstein observou que agora é tempo de compreender. No entanto. Certamente não no sentido moderno da palavra e atribuições. quem o criticou afirmando que a Reforma Luterana foi desapontadora da perspectiva missionária. apud Warneck. Foi Gustav Warneck (1834-1910). apud Holstein. 1962.29 Warneck foi um critico de Lutero.385 32 “Walter Holsten observed that it was now time to grasp the deeper meaning of God’s Mission as laid bare by Reformation rather than judging Luther by standards of the 19th-century missionary movement” (Sherer. p. 14 função. A censura de Warneck estava baseada principalmente no fato de que Lutero não havia fundado agências missionárias.

34 Lutero também esclarece seu conceito sobre o cumprimento da pregação do Evangelho. isto seria em oposição ao caráter dinâmico do Evangelho e da igreja. 15 Como Lutero se pronuncia sobre o evangelismo Que Lutero é um incentivador à evangelização fica evidente quando ele próprio se pronuncia sobre o assunto. visto que os apóstolos já os teriam alcançado com sua pregação. “O Reino de Cristo passa por todo o mundo (Christi Regnum per totum Mundum transit). “nicht swey odder drey volck.. p.387 . A idéia de alguns teólogos de que a igreja hoje não está mais compromissada a pregar entre os pagãos. é totalmente estranha a Lutero..35 A trajetória do Evangelho não está no passado. Além do que. apud Luther. quando se observa alguns dos seus comentários: escrevendo sobre Cl 1. sondern die gantze welt”. mas é um ato progressivo e contínuo que não expira. 1962. p.386) 35 Ibid. diz Lutero. mas ao mundo todo”.23 e Mc 16. É totalmente improvável não ver em Lutero um autêntico missionário.36 Elert reforça este conceito de continuidade baseando-se nas palavras de Lutero que disse: “A pregação do Evangelho começou com os apóstolos e continua.33 Falando sobre o Salmo 117 ele acrescenta o comentário de que “o Evangelho e o Batismo devem ser levados a todo o mundo” e ainda sobre Ageu 2 “não apenas a duas ou três nações. (Ibid. é levado a lugares distantes por pregadores aqui e lá 33 Elert.387 36 Ibid. assim como para Melanchthon..386 34 “das Evangelium und die Tauffe müssen durch die gantze wellt komen”. p.15 ele conclui que o Evangelho não pode ficar restrito a alguns lugares. Quando ele expressa que este já cumpriu sua missão em todas as nações. p. mas deveria encher todo o globo. no tempo presente”. ele pode estar se referindo a detalhes geográficos e enfatizando que em todas as nações há cristãos.

“É sua obrigação de pregar aos descrentes e ensinar o Evangelho. Não é possível estar satisfeito em pregar somente àqueles que já são cristãos. está sempre na ofensiva e deve ir a todas as nações. mas Ele não diz que todos o aceitarão.389 41 Ibid.42 37 “The preaching of the Gospel was begun through the apostles and continues.389) .39 Para Lutero a missão apostólica tem continuidade hoje e. even though no one calls him to do this” (Ibid. no sentido de que ele tenha o direito e o poder para ensinar...389 39 Ibid. o reformador luterano passa a focalizar o tema de maneira prática. Quando ele está num lugar onde não há cristãos. mas no ambiente já cristão.388 40 Ibid. a fim de que o número de cristãos possa se tornar maior. aqui é preciso observar que sua proclamação em si não garante o seu sucesso. como um dever do amor cristão.... p.”37 O Evangelho está sempre a caminho. mas ele está debaixo da obrigação de fazê-lo. ele pode correr o risco de perder sua alma e incorrer no desfavor de Deus. and is carried farther through the preachers here and there in the World. 16 no mundo. Só que isto ainda não foi cumprido totalmente e o tempo da pregação continua e está em vigor. cada um não só deveria ser um missionário. p. Deus prometeu o Evangelho a todos os pagãos. nesta perspectiva.” (Ibid. p..41 Uma objeção poderia aqui ser abordada: Não deveria ser este cristão chamado para executar esta tarefa? Certamente sim.. mas é preciso ter sempre como alvo àqueles aos quais a pregação do Evangelho ainda não alcançou.. Se o cristão agir de outra forma. p.. p. mesmo que ninguém o chame para esta tarefa”.40E esta incumbência está sobre todos os cristãos. visto que servos estão indo pelas rodovias e mares para levar o Evangelho.389 42 “There it is his obligation to preach to the erring heathen and non-Christians. ele será alguém intimamente chamado e ungido por Deus para realizar este trabalho.. and to teach the Gospel as a duty of Christian love. p.38 Todavia. Os apóstolos fizeram um começo e estão nos convocando para nos engajarmos neste empreendimento.387) 38 Ibid.

p. Martinho Lutero desenvolve ainda a legitimação para esta que é a melhor obra do cristão.45da regeneração e da unção do Espírito Santo. tanto que a considera a melhor obra de todas.44 De fato Lutero tinha em alta estima a obra missionária entre os não-cristãos. A igreja está fundada sobre o sacerdócio de Cristo e deste deriva o sacerdócio dos cristãos e cuja função é conferida através do Batismo. oramos pelo outros. conquanto sejam cristãos.47 43 Lutero. p. por isso é que falo” (v. p. ensinar e difundi-la. e os pecadores s econverterão a ti”. ajudar alguém sair da idolatria para o conhecimento de Deus. Cristo tornou-se o Sumo Sacerdote e Ele orou por mim e adquiriu por mim a fé e o Espírito.314) 47 “Thus all of us may say.314) . Em sua teologia. (v. para que Deus também lhes conceda a fé. Eles são ordenados e ungidos com o Espírito Santo para exercer o ofício sacerdotal em Cristo. intercedemos e nos sacrificamos a Deus e proclamamos a Palavra um ao outro”. e no Salmo 51 Ele diz de todos os cristãos: “Ensinarei aos transgressores os teus caminhos. pray for others. Todos são sacerdotes. fundamentando-a sobre o sacerdócio de todos os crentes. por isso também falamos. como diz Paulo: “Nós entretanto temos o mesmo espírito da fé. ele não desconecta esta atividade com o envio destes missionários. Christ has become the high priest and he has prayed for me and gained for me faith and the Spirit. Pelo Evangelho de Cristo. Se há pessoas que não ouviram a proclamação da Palavra de Deus.. Assim todos nós podemos dizer.10). também têm o dever de confessar.46 Lutero clarifica este conceito afirmando que através do Batismo todos temos sido ordenados como sacerdotes.13) e o profeta no Salmo 116: “Eu cri.390 46 “The Priesthood means: We stand before God. a eles devem ser enviados mensageiros que a anunciem. intercede with and sacrifice ourselves to God and proclaim the Word to one another” ( Althaus. apud Luther.13) 43 Embora Lutero coloque sobre cada cristão individual o dever e o direito de pregar a Palavra.” (2 Co 4. “O sacerdócio significa: nós estamos diante de Deus. Por esta razão eu também sou um sacerdote e devo continuar a orar pelas pessoas do mundo..197 44 Ibid.390 45 Ibid. for this reason I am also a priest and should continue to pray for the people of the World that God would also give faith to them” (Althaus. 17 Tendo eles a Palavra de Deus e por Ele são ungidos. p. p.

48 Esta posição de Lutero não entra em conflito com o seu conceito de ministério público.. esta é a glória da comunidade”. tanto dentro da comunidade. Numa abordagem prática de Lutero nesta direção. o qual confere o direito de pregar a Palavra somente àqueles chamados por uma congregação. nota 87 49 “The community as a whole possesses the power and the unlimited authority and duty of such preaching. dentre estes evangelismo. quando não há pregadores disponíveis. orar pelos outros. Cada um é responsável pelo seu irmão. p. p. therefore I speak.314.50Um outro estudioso de Lutero51reuniu uma variedade de 48 Althaus.315) 50 “The Whole Church is full of the forgiveness of sins” (Ibid.315) 51 Ewald M.49 Numa congregação todos são chamados para testemunhar. I believe. A comunidade como um todo possui o poder e ilimitada autoridade e o dever desta pregação. cuja função não é conferida por ordenação. ministrar o ofício das chaves. celebrar o Sacramento do Altar. “Toda a igreja está cheia do perdão dos pecados. Todo o que tem a fé em Cristo. Dentro desses limites.” (Ibid. Lutero tem em mente o “sacerdócio espiritual”. Todo aquele que crê não pode fazer diferente. p. . batizar. como rito externo. por isso eu falo. Aqui. Whoever believes can do nothing else. Plass compilou em um volume algumas das declarações mais importantes de Lutero sobre duzentos tópicos de preocupação prática. todos são chamados para proclamar a Palavra a outros. tem também o poder para perdoar os pecados sob a autoridade de Cristo. apud Luther. Esta unção confere-lhe pelo menos sete direitos no exercício de sua função sacerdotal: pregar a Palavra de Deus. julgar doutrinas e discernir espíritos. ele aponta e lembra que falar sobre o perdão dos pecados é pregar o Evangelho. bem como fora dela. Isto é verdade porque ele limita estes direitos aos cristãos apenas num território genuinamente missionário ou em tempos difíceis de calamidades. Eu creio. mas o cristão é ungido em seu coração pelo Espírito Santo. 18 Todos os cristãos têm o poder e devem cumprir a ordem para pregar e se aproximar diante de Deus e interceder em favor de si e dos outros..

784f . 1170).53 Em outras afirmações. para o conhecimento de Deus pelo Evangelho. onde Lutero salienta o testemunho de José a seus irmãos. Em seus comentários sobre Gn 45. A mais nobre e maior obra e o serviço mais importante que alguém pode efetuar para Deus sobre a terra. A melhor de todas as obras é que o pagão tenha sido guiado da idolatria para o conhecimento de Deus. 50 . pelos quais olhamos com desprezo para o pecado e a morte. e não fique em silêncio.22. 1958.” (W . what remains to be done? Go.9-11. Lutero quer dar ênfase à obra missionária que começa no lar e na família. who endues hearts with joy and with the peace of soul by which we look with contempt on sin and death. and especially those who are entrusted to us. muitos vêm à fé e o Reino de Cristo é ampliado nesta maneira”.. 19 declarações do reformador que lhe conferem atributos de alguém extremamente preocupado com o evangelismo.957-958) 53 “The godly rejoice when the Gospel is widely spread. E esta utilidade será melhor exercida servindo e ajudando o próximo. The noblest and greatest work and the most important service we can perform for God on earth is bringing other people. and Christ’s kingdom is increased in this way” (W 40 II .959) 54 “After we have learned to know God in His Son and have received the forgiveness of sins and the Holy Spirit. pois é lá que está a imediata responsabilidade missionária.SL 7. ele observa: Depois de termos aprendido a conhecer Deus em seu Filho e termos percebido o perdão dos pecados e o Espírito Santo.E Gal 3. que veste os corações com alegria e com a paz da alma.466 . é trazer outras pessoas e especialmente aqueles que nos são confiados. Plass. “O justo regozija quando o Evangelho é espalhado largamente. o reformador luterano quer influenciar os cristãos de todos os tempos a perceberem que suas vidas objetivamente têm o propósito de serem úteis a outras pessoas. You are not the only one to be saved. to the knowledge of God by the Holy Gospel” (W 53. Que Lutero engrandece o empreendimento missionário individual do cristão também está notório quando ele fala da alegria que ele sente pelo sucesso do Evangelho como um dos frutos do Espírito de Gl 5. 363 . Você não é o único a ser salvo. bem como instruindo e ensinando seu irmão o caminho para vir também a Cristo.SL 9.SL 13a. 712 . pela maravilhosa providência de Deus. 415 . o que resta a ser feito? Vai. apud Luther pp.54 52 “The very best of all works is that the heathen have been led from idolatry to the knowledge of God (W 47.52 De uma maneira especial. many come to faith. and do not be silent.E 2. p.E 44.463 . Ibid.

267 .. p. mas até como uma obrigação que lhe foi atribuída. Ele coloca o evangelismo pessoal. concede a todos os cristãos a capacidade sacerdotal. E então é possível notar um tom insistente e estimulante do reformador à missão. No entanto Ele permite que os batizados vivam a fim de que possam guiar outros a fé. cuidadosamente distinguido do ministério público da Palavra. 20 Lutero complementa que se o propósito principal da existência do cristão não fosse levar outros a Deus em Cristo. 612 . bem como dão um valor significativamente prático à missão. tão logo começasse a crer.SL 9. na igreja e fora dela. 1711f . o cristão pode exercitar seu sacerdócio fazendo missão no lugar em que ele viver. como fez Warneck. Quando se contempla o pensamento de Lutero sobre evangelismo.335 .367 .E 51. que. este conceito muda. E o caráter dinâmico conferido por Lutero à missão.960) 55 Ibid. mostrando-lhes o que Deus fez por cada um. quando ele é analisado da perspectiva moderna de missão.55 É certo concluir que Lutero pode ser julgado como alguém não-missionário.961 (W 12. não apenas como um direito ou privilégio do cristão.SL 2.E op ex 10. na família. permite concluir ainda que pela unção pessoal do Espírito Santo no Batismo. No entanto.. p. Lutero entende que esta é a melhor obra feita diante e para Deus. Lutero faz do evangelismo pessoal um projeto de vida e este seu posicionamento está baseado sobre o sacerdócio universal dos cristãos. Deus o deixaria morrer logo depois do batismo. desaparecem definitivamente tanto as críticas que lhe foram feitas. Ibid. 44. sinalizar a alguém descrente o caminho ao conhecimento de Deus. Todos possuem a unção do Espírito Santo para serem missionários em suas vidas. 968) . quando são observadas as suas declarações sobre evangelismo e num contexto mais amplo.

sadio e coerente sobre evangelismo. 1962. onde o destaque é a pregação do arrependimento para perdão dos pecados e o testemunhar destas coisas.6 E MATEUS 28.19 O chamado feito a Abraão em Gn 12.3 é o início da restauração da humanidade que se alienou de Deus e rompeu a comunhão com seu criador. 21 2. ISAÍAS 49. Porém. a busca por uma teologia equilibrada e fiel sobre missão não pode estar confinada a alguns textos do Novo Testamento. Se este argumento é admissível. p. 2. nem estar restrita a casos isolados no Antigo Testamento.47-48. a mesma ênfase poderia ser conferida às suas palavras de despedida em Lc 24. mas em todo o testemunho.16-20.1 O UNIVERSALISMO DO ANTIGO E DO NOVO TESTAMENTOS DE ACORDO COM GÊNESIS 12. O lugar proeminente dado a esta passagem se deve ao fato de que estas foram as últimas instruções dadas por Jesus aos seus discípulos antes de retornar ao seu Pai. estão incluídas todas as famílias da terra. tanto do Antigo quanto do Novo Testamento. como por exemplo o envio de Jonas a Nínive.17 . cuja ênfase também é ressaltada em At 1. E disse o Senhor para Abraão: Sai tu da tua terra e dos teus parentes e da casa do teu pai para a terra que te causarei ver. Consideramos de grande importância que a “teologia da missão” não seja baseada apenas na faixa estreita de alguns “textos missionários”.56 E esta parece ser uma aproximação teológica coerente e sadia. E farei de ti um grande povo e te abençoarei e engrandecerei o teu nome. a fim de construir um pensamento teológico próprio.8.1-3. Sê uma benção e abençoarei os que te 56 Blauw. E neste chamado à restauração particular. A VISÃO BÍBLICA DE MISSÃO NOS DOIS TESTAMENTOS O ponto de partida de um considerável número de estudos exegéticos abordando a missão tem sido a grande comissão ordenada por Jesus em Mt 28.

o fato de que Deus irá justificar pela fé os gentios.6: E disse: insignificante é que sejas o meu servo. pois é o batismo que efetua a circuncisão não feita por mãos humanas. . A promessa feita a Abraão tem alcance universal. Gl 3. Paulo também está tornando evidente que as bênçãos prometidas a todos não estão baseadas na lei.1-3 a promessa de benção ocupa o lugar central. o próprio apóstolo esclarece que a benção de Abraão alcança a todos em Jesus Cristo (Gl 3. mas às espirituais e por isso eternas.14).26-27).1-3) Deus chamou a Abraão e lhe prometeu uma posteridade. além do que a circuncisão é coisa do passado e o que vale é ser nova criatura (Gl 6. todos os povos. Em ti serão abençoadas todas as famílias da humanidade.17 . em sua carta aos Gálatas (3. Gl 3. No entanto. 22 abençoarem . mas pelo próprio Cristo (Cl 2. quando a obtenção das nações prometidas a Abraão estão submetidas à exigência da circuncisão. O verbo e o substantivo ocorrem cinco vezes ressaltando esta verdade. um povo especial. o que eqüivale dizer. pois os gentios não estão debaixo dela. não de descendência sangüínea. Em Gn 12. mas todos aqueles que pela fé se tornam os filhos de Abraão (Rm 4. Com isto pode-se concluir que o batismo é um dos meios para que a promessa de bênção feita a Abraão se estenda a todos os povos (2 Co 5. assim como Abraão. para causar restauração às tribos de Jacó e preservar aqueles de Israel que foram recuperados.15). além de incluir a humanidade toda.7). Neste ponto poderia se objetar com Gn 17.11-12).7) Paulo descobre na linguagem deste texto. Assim conclui-se que a promessa de bênção não está limitada a coisas temporais. E os que te tratarem com desprezo amaldiçoarei. Também te estabeleci como luz para as nações. Bênçãos de Deus geralmente são conectadas à prosperidade e bem-estar materiais. (Gn 12. Um outro texto do Antigo Testamento que transparece o caráter da universalidade da obra salvadora de Deus é Is 49. Contudo.11 . em Cristo Jesus. para ser minha salvação até as extremidades da terra. Foi e é intenção de Deus abençoar o globo inteiro.

diante de sua face.1 . e o conjunto todo aponta para a missão de Jesus fora de Israel. ou grupo étnico. Há algo maior envolvido. O profeta Isaías proclama a intenção de Deus em estender sua Salvação a todas as nações. 1950. 58Parte deste texto também é usado por Paulo em At 13.30-32 . mas todas as nações (Bromiley. 59 O termo  não denota uma classe especial. p. Jo 8. ao lado de Gn 12. ele não exclui. 9.5-6. Sua obra é iluminar e causar salvação a todas as nações e extremidades da terra. Para o servo. 23 Este texto faz parte do segundo canto do Servo Sofredor. A promessa original de Deus neste texto é dar fim à situação em que Israel está como nação.2 . a fim de que ela seja brilhada e não escondida.14-16) da salvação. quando o caráter universal da missão é reforçado.1-3 e Ex 19.47. Mas esta volta e restauração são fundamentalmente uma questão de importância espiritual. Esta inclinação invariável e favorável a todos.59Luz que é a salvação e o próprio Cristo (Lc 2.10). coincide com a era messiânica.395 58 Concórdia Self Study Bible. É questão de levar os exilados de volta à terra do SENHOR.1090. servir aos propósitos salvadores do Senhor tão somente às tribos de Jacó e os remanescentes de Israel parece ser “insignificante”.6) para todos os povos. Nos dois fatos há um abismo temporal. Theological Dictionary. Eles são portadores e refletores (Mt 5.12) e que é atribuída ao povo de Deus. 11. No 57 Ridderbos. mas revela todo o seu caráter e propósito salvador. é corroborada por sua Palavra no Novo Testamento. mas uma profunda unidade. que é restaurar sua existência nacional e assim ser levada de volta à Palestina. pela proclamação da luz aos gentios. A volta do exílio faz parte da obra redentora de Deus. Abridged in one volume.201) . assim como a vinda do seu filho Jesus Cristo e que se estende além dos limites de Israel (Is 2. é algumas vezes mencionado como sendo a grande comissão do Antigo Testamento.57 Este retorno na visão do profeta. Este versículo. p. p. Ele é luz e mediador (Is 42. até os confins da terra.

19-20 Jesus não é exclusivista. 1992. De qualquer maneira. A outra conclusão é de que o ensino da Palavra é o outro meio da graça. Por um lado. o povo de Deus fará missão levando este ensino às extremidades da 60 A maior parte das traduções trás como “ide”.17). ensinando-os a observar tudo quanto vos ordenei”. a todas as famílias. 24 evangelho de Mt 28.  .2. pelo qual o Espírito Santo cria a fé salvadora e receptora dos benefícios universais da salvação de Cristo (Gl 3. nem excludente e com autoridade diz aos seus discípulos: “Indo60. A sua tarefa seria fazer discípulos daqueles que seriam encontrados.746) .9 O Deus da salvação não é excludente e sua intenção salvadora é universal desde o princípio. 13.5-6 E 1 PEDRO 2.1-3 . a matéria da discussão aqui é sobre qual foi e é o papel do povo de Deus neste processo. Porém. 2. a ênfase está no fazer discípulos e este deveria ser o foco central. fazei discípulos de todas as nações. que nele toda a humanidade seria abençoada. alguns têm concluído que Jesus não ordenou seus discípulos a “ir”. o batizar e o ensinar continuam sendo a todas as nações. é preciso considerar também o fato de que quando um particípio é ligado a um imperativo. Mas por ser um particípio. p.9. O Filho de Deus confirma o que foi prometido a Abraão.2 A FUNÇÃO DO POVO DE DEUS NO ANTIGO E NO NOVO TESTAMENTO SEGUNDO ÊXODO 19. Há de fato dois recursos utilizados por Deus em seu empreendimento missionário. mas um meio da graça pelo qual alguém recebe os benefícios da redenção universal efetuada pelo Filho de Deus. então há uma força imperativa no verbo precedente . batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. 25-27). É o meio que legitima as promessas de bênçãos feitas a Abraão e conferida a todos os que têm fé (Gn 12. É sua vontade e objetivo de que todas as nações conheçam a sua luz. Gl 3. ( Morris. Destas palavras de Jesus pode-se concluir que o Batismo é mais do que um mero sinal. E neste seu mandato. Todavia. Rm 10.

Deus separa primeiro a fim de que seu povo reflita sua presença no mundo das nações. e os salvos são enviados para anunciar entre as nações a glória do SENHOR (Is 66.64 A santidade atribuída a Israel não deve ser entendida como qualidade ética. p. como na conclusão.4). a tua salvação (vv.16). para que se conheça na terra o teu caminho. “O que os sacerdotes são para um povo. E esta tarefa de atração é atribuída a Israel como povo resgatado da escravidão egípcia e o qual tem as suas funções. cuja instituição foi anterior (Ex 28. nações também irão ao monte do SENHOR para aprender da sua palavra e andar na sua luz (Is 2. A idéia de Deus não está se referindo a Israel como um povo constituído inteiramente de sacerdotes. sereis para mim propriedade pessoal dentre todos os povos.19-20).5-6 quando o SENHOR fala a Moisés: Agora.24 64 Ibid. 63 A salvação não está confinada a um povo especial.. tanto em sua abertura. 61 Blaw.24 . O Salmo 67. se realmente ouvirdes a minha voz a guardardes a minha aliança. 63 Blaw.1).20- 21. Vós sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa.2-5). mas este aparente particularismo é o instrumento para os propósitos universais de Deus com referência ao mundo todo. mas que este povo cumprirá sua função sacerdotal no meio dos outros povos. as nações serão atraídas pelo povo de Deus (Zc 7. algumas delas expressas em Ex 19. 25 terra. Estas são as palavras que proclamarás aos filhos de Israel.61pois “as ilhas esperarão por sua palavra” (Is 42. p. 1962. pois toda a terra é minha. 1962. mas no sentido de estar consagrado para um serviço especial. apresenta esta verdade: Seja Deus gracioso para conosco e nos abençoe. e faça resplandecer sobre nós o seu rosto. em todas as nações. p.nos Deus e todos os confins da terra o temerão (v. no sentido de ministrar no tabernáculo.1-2).62 Por outro lado.39 62 Jonas é outro exemplo deste “método” missionário instituído por Deus. Israel como povo será para o mundo”. Abençoe.7). 14.

o povo de Deus que crê em Cristo toma o lugar de Israel no Novo Testamento. 1 Co 1. povo de sua propriedade particular. Assim como o povo do Antigo Testamento foi resgatado da velha escravidão egípcia e separado para cumprir sua função sacerdotal. mas que agora recebestes (1 Pe 2. Os belos nomes atribuídos por Deus à igreja. 26 A presença abençoada de Deus em Israel é sinal de bênção e presença no mundo. E assim alguns foram enviados para as nações a fim de anunciarem a Palavra de Deus (At 13. Israel foi separado por Deus para apelar continuamente com sua função sacerdotal.65 Fazer missão atraindo as nações pela sua postura sacerdotal. Assim como no Antigo Testamento. o povo do Novo Testamento e de todos os tempos. p. a fim de proclamardes os grandes feitos Daquele que vos chamou da escuridão para a sua maravilhosa luz. mas sim e especialmente ao mundo. quando nem todos tinham a função sacerdotal no sentido de oficiar no tabernáculo.9). Pela graça de Deus as funções de Israel são atribuídas à igreja. Por um lado. Mas vós sois uma raça escolhida. Este ofício sacerdotal não se restringe ao templo. E esta separação tem um significado prático e de resposta envolvido. no Novo Testamento as funções também são variadas na proclamação dos grandes atos de Deus. A continuidade destes expedientes divinos permanecem na era messiânica. Por outro lado. pode-se concluir que existe outra similaridade entre os povos de Deus em ambos os testamentos. um sacerdócio real. mas que agora sois povo de Deus.28 . E nesta relação funcional.9-10). profética e de servir como exemplo às nações. Vós que no passado não éreis povo. vós que não recebestes misericórdia. todos devem ouvir a respeito da salvação adquirida por Ele. devem ser considerados como serviço de testemunho à 65 Ibid.30. pois os crentes em Cristo são também um povo separado e consagrado por Deus. que este povo igualmente cumpra sua função particular de atender aos anseios salvadores universalistas de Deus. foi chamado das trevas do mundo para a luz de Cristo (Rm 8. nação santa. o próprio Jesus comissiona seu povo a ir às nações.4)..

3 O “TESTEMUNHAR” À LUZ DE ISAÍAS 43.68 É significativo notar que Deus está concedendo basicamente a mesma função ao seu povo. É altamente significativo servir como testemunha em relações pessoais. e vos chamarão ministros de nosso Deus.8 Há envolvida uma grande importância e uma grande responsabilidade em ser testemunha na esfera legal e secular. Esta proclamação não é apenas atividade cristã interna. 27 humanidade.12: obediência às autoridades e patrões..9-12 E ATOS 1. 2.5).666: “Mas vós sereis chamados sacerdotes do SENHOR. A igreja de Cristo foi separada por Ele. tanto no Antigo Testamento. amizade. embora que esta atitude também faça parte da função sacerdotal (1 Pe 2.133 68 Algumas das boas obras que glorificam a Deus no mundo estão descritas na seqüência do texto de 1 Pe 2. mas o louvor da comunidade de Cristo deve ecoar no mundo e para o mundo. comereis as riquezas das nações.12 até 3. para que com suas presenças sacerdotais e proféticas dentro da comunidade e na sociedade. espírito de tranqüilidade. p. outros possam ser atraídos para dentro da família de Deus. quando o apóstolo Pedro passa a discutir poste- riormente o papel do povo consagrado por Deus. Parece claro e lógico concluir. respeito e amor mútuo entre os cônjuges. que estar a serviço de Deus não significa proclamar apenas louvores dentro do templo. “seja a vossa conduta digna de louvor no meio das nações” (1 Pe 2. . agir com honestidade. sacerdotes que estão a serviço de Deus servindo e oficiando. e na sua glória vos gloriareis”. especialmente quando isto significa proteger e afirmar verdades ou salvar vidas.12).129 67 Ibid. 1962. 66 Blaw. julgamentos ou transações. na sociedade e no mundo. como no sentido de Is 61. amor aos irmãos. humildade e misericórdia.67 Esta verdade pode ser observada. p. assim com Israel o foi. como no Novo Testamento.

220 .84 72 Pieper. Antes de mim nenhum deus se formou e depois de mim não haverá. (Is 43. Eu. p. p. eu sou o SENHOR e fora de mim não há salvador. a realizei e a fiz ouvir e não há entre vós um deus de outra espécie e vós sois minhas testemunhas.9-12) Israel é testemunha do único Deus verdadeiro e salvador. 28 Deus também se utiliza deste expediente para executar seus propósitos e divulgar sua verdade salvadora e o seu poderoso nome. declara o SENHOR e o meu servo a quem escolhi. Quem dentre eles anunciou isto e fez nos ouvir as primeiras coisas. declara o SENHOR. Todas as nações sejam congregadas ao mesmo tempo e os povos unidos. 1979. p. 1994. a fim de que saibais e creiais em mim e entendais que eu sou. como pela capacidade de fazê-lo oralmente.72 69 Bíblia Tradução Ecumênica. Israel cumprirá sua função de servo de Deus. tanto por sua existência em si. desafiando o seu povo a testemunhar em seu benefício. mas o de testemunhar. Eu a anunciei. Apresentem as suas testemunhas e que elas se justifiquem e sejam ouvidas e digam:é verdade. entender e crer que Deus foi. propósito para o qual foi chamado. 70 Ridderbos. O papel a ser cumprido por Israel não é acidental. mas especialmente por sua intervenção na sua história e através dela na história do mundo. p.360 71 Leupold. 1950. As razões para esta escolha estão baseadas em tudo o que este povo já experimentou em seu relacionamento íntimo com o SENHOR e que lhes fizeram saber. não como de algum poder dominador de outras nações.71 Executando esta tarefa. Vós sois as minhas testemunhas. nota e. este é um serviço que Israel pode Lhe prestar.69E é num contexto de julgamento de ídolos que não salvam. mas como servo do SENHOR. é e sempre será o único Deus. Eu sou Deus.672. Já no Antigo Testamento o seu povo havia sido chamado para testemunhar. 1971.70 E de fato esta é a função atribuída a Israel. que o SENHOR apresenta o caso e revela sua defesa. Não por suas declarações.

Testemunha do único e verdadeiro Deus que causa a salvação. “O homem é apenas instrumento de produção e o mandamento surge apenas em segundo lugar”. creiam. que nenhum outro nome foi dado entre os homens. que virá sobre vós e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém. Por isso. poderoso e capaz para libertar e salvar. Este chamado do povo de Deus não se expira.8). o SENHOR os lembra dos requisitos indispensáveis a fim de que eles cumpram suas funções adequadamente. Que eles saibam.19). senão Jesus Cristo (At 4. para que este se torne o poder motivador.108 . A esta convocação o apóstolo Pedro responde positivamente na casa de Cornélio em Cesaréia. p. E deste conteúdo a comunidade cristã não pode deixar de falar e testemunhar (At 4. Deus age primeiro para instrumentalizar o homem a fim de que ele desempenhe o que dele é esperado.20). a fim de testificar a respeito do que não pode haver dúvida: a ressurreição do seu Filho Jesus Cristo ao terceiro dia. o de testemunhar. Deus continua se utilizando deste expediente. entender e crer. a qual estava os impedindo de cumprir a sua incumbência. visto que “sereis minhas testemunhas”é futuro. Eles são o testemunho vivo do único e verdadeiro Deus. há também nos requisitos: é preciso saber. A sucessão de testemunhas está instituída pelo Senhor Jesus e a continuidade funcional do povo do Antigo Testamento mantida nos cristãos a partir do Novo Testamento. Deus atua antes de tudo com o seu Evangelho. que a torna apta a cumprir sua tarefa de testificar a respeito da obra salvadora de Cristo. quando testemunha a respeito de toda a obra redentora de Jesus (At 10. 29 A natureza dessa lembrança tem sua origem na cegueira de Israel (Is 42. entendam perfeita e claramente e sejam convencidos que Deus se manifestou graciosamente na sua história.73 A comunidade cristã é portadora da unção do Espírito Santo. 73 Blaw. envolvido em poder e salvação. Jesus o reafirma ao povo da Nova Aliança antes de ser elevado às alturas: “mas recebereis poder do Espírito Santo. Se há continuidade na função.39-42). Esta função da comunidade de Cristo não será levado a efeito sob algum imperativo. pelo qual há salvação. causa sua proclamação e causa o seu povo ouvi-la.12). como em toda a Judéia e Samaria e até às extremidades da terra” (At 1. 1962.

. também muitíssimos sacerdotes obedeciam à fé” (At 6. o Filho de Deus e único Salvador. E em 1984 o Sínodo conquistou apenas uma pessoa para cada setenta membros comungantes. E assim Deus chamou e continua chamando a seu povo a testemunhar a favor Dele e a defender o seu nome com palavras e ações. A nossa igreja e outras não vivem hoje o mesmo quadro. Também no testemunhar não há interrupção. como sendo o único nome “dado entre os homens. A utilização deste recurso vai de encontro à própria situação contextual vivida pelo povo de Deus em todos os tempos. Em ambos os testamentos o povo de Deus é chamado a testificar a respeito de Deus também oralmente. aproximadamente 25% das congregações não conseguem sequer um convertido adulto por ano.. 1987.42-47 “E havendo um acréscimo naquele dia de quase três mil pessoas”(At 2. “A igreja na verdade tinha paz. pelo qual importa que sejamos salvos” (At 4. o acréscimo de novos membros não está sendo mais tão elevado.4 O CRESCIMENTO DO INÍCIO DA IGREJA CRISTÃ E SUAS IMPLICAÇÕES À IGREJA HOJE DE ACORDO COM ATOS 2. 30 A similaridade funcional do povo de Deus em toda a história não se esgota no sacerdócio. Segundo uma estatística divulgada no Sínodo de Missouri. Embora a responsabilidade de evangelizar continue sendo proclamada e ensinada e a Palavra de Deus pregada.74 74 No Documento elaborado pela Comissão de Teologia e Relações Eclesiais da Igreja Luterana- Sínodo de Missouri.41). Parece indubitável que uma das características do início da igreja cristã foi o intenso crescimento numérico. O acréscimo de novos membros parece ter sido algo comum e natural. o nome de Jesus Cristo. No Novo Testamento e em todos os tempos.7). 2. No Antigo Testamento o nome do SENHOR era colocado sob julgamento e confrontado com a idolatria comum àquela época.31).4 .crescia em número” (At 9. quando seu nome é anunciado meramente como um exemplo moral ou sua divindade é posta em dúvida. “Crescia a Palavra de Deus e em Jerusalém se multiplicava o número dos discípulos.12). tanto quanto foi na igreja primitiva. foi e está sendo anunciado imprecisamente. p. Evangelização e Crescimento da igreja.

a fim de verificar e procurar um possível diagnóstico para esta situação de aparente estagnação. são alguns componentes da vida em comunidade da igreja primitiva e que resultaram em crescimento numérico daquela congregação. As estatísticas da Igreja Evangélica Luterana do Brasil apontam para uma situação similar. com a observação de que estes números correspondem a 70. Dia após dia devotavam-se unânimes no templo. E assim Lucas está apto a esboçar o quadro de uma congregação modelar. dia a dia.188 luteranos. Em cada vida começava a se produzir temor e muitos prodígios e sinais eram feitos através dos apóstolos e todos os que creram estavam unidos e tinham tudo em comum.146 luteranos no Brasil.42-47) Neste texto não há mensagens enigmáticas. Talvez seja necessário contemplar o procedimento do seu povo no tempo em que o “Senhor acrescentava-lhes. de acordo com os números oficiais do Anuário Luterano de 1997.58% dos formulários enviados às congregações (p. Louvavam a Deus e gozavam da simpatia de todo o povo. Antes do crescimento quantitativo. A nova vida produzida pelo Espírito Santo. Devotavam-se ao ensino dos apóstolos. Do sermão de Pedro proclamado um pouco antes. 31-33).555 luteranos. No entanto. conclui-se que estes ensinos estavam centrados na pessoa e obra de Jesus Cristo (At 2. nem coisas demasiadamente difíceis de compreender. acrescidos dos restantes 29.23-24. 31 Esta realidade parece não ser exclusividade dos luteranos dos Estados Unidos. O que há. E vendiam os bens e as propriedades e os repartiam entre todos. há 207. partiam pão de casa em casa.47). E o Senhor começou a adicionar a cada dia os que iam sendo salvos. o que eqüivale dizer. segundo dados estatísticos de 1994. os que iam sendo salvos” (At 2.129). ao partir do pão e às orações.76 75 Segundo o Anuário Luterano de 1996 há 161. houve progressos espirituais qualitativos. (At 2. Os dados de 1995. deveriam atingir 208. tomando o alimento com alegria e simplicidade de coração. que não houve crescimento algum em termos numéricos.75 Diante deste quadro talvez seja necessário recorrer aos ensinos do próprio Senhor da igreja em sua palavra. pelo arrependimento e através do Batismo foi alimentada e estimulada. à comunhão. E o primeiro elemento que constituiu aquela comunidade de convertidos foi a adesão e o compromisso aos ensinos de Jesus comunicados pelos apóstolos. de acordo com a necessidade de cada um.42% que não haviam sido computados na estatística anterior. .

24. visto que esta pode ter sido muitas vezes celebrada num contexto de refeições (1 Co 10. cujo significado original é participação.10-12. Esta conclusão é feita considerando a aparente distinção feita por Lucas no texto: os vv. é preciso ressaltar que esta disposição da igreja não se esgotava pela busca da instrução apostólica apenas. At 8.44-47). na linguagem cristã o sentido das palavras pode dizer respeito à celebração da Santa Ceia. a comunhão dos santos. 42-43 tratando da vida espiritual do povo Deus no templo e os vv.36-43 e de uma maneira especial no discurso de Paulo em At 13. 76 Esta mesma ênfase cristocêntrica é notória também em outros textos no livro de Atos. A mesma fé criada pelo Espírito Santo no mesmo Senhor e que criou a unidade interna. 4. se manifestou em unidade externa e foi demonstrada pela ajuda material aos necessitados. presença no culto corporativo e no louvor a Deus (vv. pois Lucas acrescenta outras respostas práticas envolvidas no comportamento dos primeiros cristãos e as quais são acrescentadas por Lucas em seguida. 4. Os cristãos estavam vivendo em verdadeira família e exercitando o suporte mútuo entre eles. partilha. ser ensinado e ensinar (Ne 8. 11. 10.5).77a celebração da Santa Ceia nutriu e alimentou sua fé e os manteve em comunhão com o Senhor Jesus. 12. na simplicidade.31). Este espírito de comunhão que se evidenciou na alegria. relacionamento íntimo.16.16-41.33. outros foram atraídos a também ouvir o ensino apostólico. A vida do povo de Deus se notabilizou em um constante diálogo com Deus (At 3. 32 A atenção ao ensino é a resposta dos apóstolos à grande comissão ordenada por Jesus (Mt 28. no culto público e no desfrutar dos meios da graça. causou um grande impacto fora da comunidade cristã. O mais provável neste contexto é de que o “partiam o pão de casa em casa e tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de coração”do v. . Todavia. Contudo.46. e vai de encontro às próprias necessidades do povo de Deus de todos os tempos.20). 77 A expressão em si pode se referir à refeição normal e diária.1. quando também era pronunciada sobre o pão uma bênção especial. Outra expressão desta comunidade foi o “partir do pão”. aumentando o número dos que iam sendo salvos de acordo com a vontade do Senhor. diga respeito às refeições regulares. Uma outra evidência prática da sua fé foi a oração. A primeira destas qualidades práticas é a comunhão.20-34).8. tais como 4. 44-46 apresentando a fé ativa dos cristãos uns com os outros no seu dia a dia.

O homem é incapaz de controlar ou prever o crescimento no Reino de Deus. 78 Sasse expressou esta opinião num sermão sobre At 2. as murmurações dos helenistas. Um outro fator que deve ser levado em consideração é a ação decisiva de Deus no acréscimo de pessoas àquela congregação. especialmente no sentido numérico. Esta verdade não só limita a atuação humana no processo de crescimento da igreja. pois eles também foram pecadores pelos quais Cristo morreu. isto pode ser discutível à medida que seu exemplo seja tomado na perspectiva da lei. 33 A primeira comunidade cristã da igreja primitiva reflete o estado de uma congregação ideal e que pode servir de modelo às igrejas ainda hoje. no dia 27 de junho de 1943. A descrição daquela congregação é modelar. mas seu exemplo será mal usado. A disposição da primeira congregação dos santos é exemplar. antes de mais nada.. p. como uma comunidade composta de pecadores e cuja marca permeia as igrejas de todos os tempos. 79 Ibid. o teólogo Hermann Sasse lembra que se esta igreja original deve ser apreciada como um exemplo. No entanto. bem como na imprevisível resistência humana à sua Palavra.78 A fraqueza de seus membros gerou problemas como de Ananias e Safira (At 5). durante a segunda guerra mundial e cujo conteúdo está no livro We Confess the Church. bem como o submete totalmente à Palavra e vontade de Deus.131 .127.42-47. caso ela seja copiada ignorando o fato de que aqueles cristãos não foram melhores do que os cristãos de todos os tempos. p. contudo. pois isto estaria em desacordo com o poder supremo do Evangelho e sua ação. que pleiteavam maior atenção às suas viúvas (At 6) e as controvérsias doutrinárias sobre a circuncisão e que motivaram a realização do primeiro concílio da igreja cristã (At 15). também como um grupo constituído de pecadores justificados e santificados por Cristo e que viveram diariamente o arrependimento e o perdão dos pecados.79 Esta igreja acima descrita. ela não pode deixar de ser igualmente entendida e reconhecida. No entanto. geralmente é tomada como paradigma a fim de que se alcance o mesmo sucesso missionário.

48 . 23.12). A razão desta eficácia não é mágica. E estas incumbências Deus confere a pessoas falhas.80 Neste contexto particular (vv. p. que não deixa de entregar a mensagem. “A Palavra é de Deus. mas recuperadas por Ele.29.11).10. regando a 80 Young. p. mas pelo seu caráter divino.14-16). batizar (Mt 28.11 E MARCOS 4.10) à chuva e à neve.5 A AÇÃO DE DEUS E DA SUA PALAVRA NA OBRA EVANGELÍSTICA À BASE DE ISAÍAS 55. fará o que eu desejo e terá sucesso para o que eu a enviei” (Is 55. mas não antes de produzirem o seu efeito.1-6).384 . A Palavra poderosa de Deus é comparada (v. Jr 1.9 -3. “Assim será a minha Palavra que sair da minha boca. não retornará para mim vazia. pregar o arrependimento e o perdão dos pecados (Lc 24. ser luz. Para tornar isto possível. 34 2.26-29 Diante do que foi exposto até aqui. Deus se utiliza de instrumentos. ela Lhe pertence e por esta razão cumpre sua tarefa”.46-47).16). refletir a salvação (Mt 5. Neste sentido Deus ordena ensinar (Mt 28. entretanto. O peso da ação está na Palavra e Deus mostra como esta opera. testemunhar (At 1. as bênçãos da salvação parecem ser predominantes. Mas até que ponto vai esta responsabilidade pessoal? Como Deus age neste processo? Já no Antigo Testamento é possível notar que o profeta Isaías sinaliza em nome do SENHOR aos limites da atuação do homem nas missões divinas que lhe são conferidas. nem submetida à competência humana.20). expedientes e meios a fim de propagar o seu Evangelho e atrair sempre mais pessoas a Ele. Como um mensageiro.384 81 Ibid. fica evidente que a vontade do Senhor da igreja é de acrescentar a cada dia o número dos que chegam ao conhecimento e adesão confiante da verdade salvadora. embora que o poder desta sua Palavra é eficaz também para pronunciar a condenação ao incrédulo81 (Jo 12.19).8) e exercer o sacerdócio (1 Pe 2. Rm 1. assim sua Palavra não retorna sem antes executar a sua missão. 1972. as quais descem do céu e retornam a ele (como vapor)..

83 até a sua consumação em glória no dia do julgamento 82 Esta parábola tem sido interpretada de diferentes maneiras ao longo da história. p.266). ou durante o dia. na “colheita” do Juízo Final. a semente germina e cresce. 35 terra a fim de que esta produza plantas e sementes.11). primeiro o ramo. E é somente esta semente envolvida em poder. Lc 8. apto para causar a salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16). que pode superar esta oposição e cultivar um solo favorável para sua germinação.14. E esta verdade também é corroborada pelo Novo Testamento (1 Co 3.15-20). que o leva ao pleno desenvolvimento. O empecilho para que esta semente poderosa por si só não atinja os seus objetivos positivamente é o solo mal preparado.82 O foco desta Parábola está sobre a semente lançada na terra em conexão com a natureza do crescimento do reino de Deus.265). E começou a dizer: o Reino de Deus é assim como um homem que lançou a semente na terra. Blomberg (p. 1952. é preciso notar que a manifestação inicial e final é da mesma pessoa.170) e Craig L. o próprio coração do homem que resiste (At 7. mas poderosa capacidade do Evangelho. A terra frutifica por si mesma.170 . uma razão desconhecida. depois o grão cheio na espiga. que está em si mesmo. a interpretação acima adotada parece ser a mais coerente e é apoiada por estudiosos como William Lane (p. e que se opõe e obstrui a atuação desta palavra (Mc 4. quando conta a Parábola da Semente (Mc 4. mas imprevisível germinação e crescimento da Palavra. Embora o centro deste ensino de Jesus repouse na garantida.6) e verificável de uma maneira bem especial nos ensinos do Mestre Jesus. que confere-lhe o poder para esta não voltar vazia e produzir o efeito de acordo com sua eficácia. crescimento e amadurecimento. É a misteriosa. E quando o fruto está maduro. p. Há uma causa não visível. 1974. salvar ou condenar. A manifestação do Reino de Deus vem e é conduzida por iniciativa de Deus. Há uma unidade inseparável entre a Palavra. sem intervenção humana. pois a colheita chegou.51). sem que ele saiba como. No século XIX por exemplo. 83 Lane. ou que sua ênfase tenha sido escatológica. depois a espiga. defendia-se este ensino de Jesus como se estivesse tratando a respeito da evolução do Reino de Deus na sociedade humana (Taylor. logo se lhe coloca a foice.26-29) e a qual é identificada com a Palavra (Mc 4. No entanto. quer ele durma ou levante à noite. seu cumprimento e a vontade de Deus.

que não é estéril. mas que germina e frutifica. 36 final. . Jesus revela o poder eterno da sua Palavra. ainda que invisivelmente.

Se hoje não é comum o crescimento numérico da igreja. a fim de que ele retenha sua condição de cristão e a igreja sua função missionária. enquanto a fonte de motivação é o amor de Deus. quando esta permanece fiel ao puro Evangelho. especialmente quando a eficácia está direcionada para o método em si. Os pontos de vista divergentes na Ortodoxia e no Pietismo nos alertam para o perigo de se comprometer a missão ainda hoje. em sua verdadeira função. dentro e fora do templo. como uma obrigação especial de cada membro da igreja. A natureza desta sua participação está na unção particular do Espírito Santo no Batismo. compromete-se a autenticidade do evangelismo. no seu ensino. A autenticidade da missão a nível de igreja está na proclamação fiel da Palavra. a solução possivelmente não seja recorrer a métodos ou estratégias missionárias. mas na intensificação do ensino. da oração. dos quais ela também depende. compromete-se a autenticidade da missão. caso este seja apresentado em embalagem e tom legalista. como pecador. Foi demonstrado plenamente na Palavra de Deus e em Lutero. Não há igreja que não seja missionária. da . na Santa Ceia e na pregação do arrependimento e perdão dos pecados. Quando deixa de se ensinar o sacerdócio universal. 37 CONCLUSÃO Falar ou escrever sobre evangelismo por certo continuará sendo um tema sujeito a interpretações variadas e diferentes abordagens. quando se está inclinado a adotar um dos dois extremos por eles escolhidos. Por outro lado. caso não se ressalte a responsabilidade pessoal de cada cristão em sua vida nesta tarefa. no Batismo. pois de qualquer maneira ela está se auto-aplicando o perdão e o amor de Deus. ainda que nenhum membro convertido seja acrescido. Por um lado. que a autenticidade da missão está no cristão refletir em sua vida e em suas palavras o que Jesus Cristo está fazendo por ele.

ele pode causar o impacto do Evangelho salvador e efetuar a mais nobre e maior obra aos olhos de Deus: guiar alguém da descrença ao conhecimento de Deus e à salvação. Essencialmente é no sacerdócio. Lutero é que apresenta uma proposta missionária prática e objetiva. Baseada no sacerdócio universal dos cristãos. para assim cada cristão entender. no ensino. no testemunho. ele coloca o evangelismo pessoal como um projeto de vida autêntico e útil a cada cristão. no indo ao mundo e no atraindo do mundo. A similaridade funcional do povo de Deus ao longo da sua história pôde ser percebida neste estudo. que Israel e igreja cumprem sua função evangelística a fim de trazer outros à contemplação da glória e salvação de Deus. Onde ele está. 38 pregação do Evangelho e da nutrição espiritual pelos sacramentos. crer e se convencer do grande amor de Deus demonstrado a ele na cruz do Senhor Jesus. na presença no mundo. .

39 .

. Edições Paulinas. Paul. 40 BIBLIOGRAFIA A Bíblia de Jerusalém. 1979. Eerdmans Publishing Company. Rudolph. Porto Alegre. The Churchbook Matthew 13-28. Concórdia Editora. 1996. Abridged in one volume. ANUÁRIO LUTERANO 1996. Matthew. Craig L. Igreja Evangélica Luterana do Brasil. Germany. Downers Grove. Grand Rapids. Theological Dictionary of the New Testament. A Natureza Missionária da Igreja. Interpreting the Parables. Johanes. São Paulo. 1997. 1990. Frederick Dale. Volume 2. BLOMBERG. BROMILEY. 1991. Eerdmans Pu- blishing Company. Elliger et W. BRUCE. The Book of Acts. Concórdia Editora. K. The Comission on Theology and Church Relations . 1985. Geoffrey W. William B. BÍBLIA TRADUÇÃO ECUMÊNICA. November. Grand Rapids. Igreja Evangélica Luterana do Brasil. ANUÁRIO LUTERANO 1997. São Paulo.Missouri Synod. 1966. Fortress Press Philadelphia. Aste. Interversity Press. A THEOLOGICAL STATEMENT OF MISSION. São Paulo. 1990. BRUNER. ALTHAUS. BLAW. Michigan. William B. Porto Alegre.F. Edições Loyola. The Theology of Martin Luther. 1985. 1994. 1988. F. Michigan. BÍBLIA HEBRAICA STUTTGARTENSIA. Deutshe Bibelgesellschaft.

Parecer da CTCR da Igreja Luterana . DAVIDS. The Gospel According to Mark. 1989. Concordia Self. Martinho. Werner. Michigan.Sínodo de Missou- ri. Saint Louis. ELERT. 1989. LUTERO. Porto Alegre. Eerdmans Publishing Company. As Confissões da Igreja Evangélica Luterana. Editoras Sinodal e Concórdia. HÄGGLUND. Arnaldo Schüler. 1979. Saint Louis. Bengt. São Leopoldo. A Lutheran Understanding of Mission: Biblical and Confessional. Concórdia Editora. Concordia Pu- blishing House. Peter H. Obras Selecionadas de Momentos Decisivos da Reforma. Exposition of Isaiah. The First Epistle of Peter. An Enchiridion. Baker Book House. FRANZMANN. Saint Louis. Word. Volume 22. Com Especial Referência ao Movimento “Church Growth”. 1974. Won Yong. The Structure of Lutheranism. Porto Alegre.C. Martin H. 1993. CONCORDIA SELF-STUDY BIBLE. LANE. JI. New International Version. & ROEHRS. Concordia Publishing House. História da Teologia. 1990. Pelo Evangelho de Cristo. 1984. Grand Rapids. Eerdmans Publishing Company. 1981. April 1996. LIVRO DE CONCÓRDIA. Porto Alegre. Concordia Publishing House. CHEMNITZ.Study Com- mentary. 1962. Grand Rapids. trad. 1993. Concordia Publishing House. Martin. 41 Dallas. Michigan. Grand Rapids. Wi- lliam B. Concordia Journal. and Sacraments. Editoras Sinodal e Concór- dia. Porto Alegre. 4 ed. 1983. Ministry. H. Walter R. William L. 1971. Michigan. Number 2. Chapters 40-66. Word Publishing. Saint Louis. Evangelização e Crescimento da Igreja. . São Leopoldo. William B. LEUPOLD.

Speaking the Gospel Through the Ages. Waco. YOUNG. Grand Rapids. Michigan. 27 ed Erwin e Kurt Aland. New York. Commentary Acts. Comparative Studies in World Mission Theology. Concordia Publishing House. 1993. Wisconsin. Volume 3. Saint Louis. Texas. 1979. William B. Augsburg Publishing House. Deutshe Bibelgesellschaft. Eerdmans Publishing Company. We confess the Church. Edições Vida Nova. Saint Louis. TAYLOR. Saint Louis. 1987. SMITH. RIDDERBOS. 1992. Martin’s Press. Chapters 40-66. August. Concordia Publishing house. 1971. 1995. Word Biblical Commentary. Church & Kingdom. Gordon J. Genesis 1-15. Isaías. PLASS. . Robert H. 1986. We Confess Series. Grand Rapids. Edward J. Baker Book House. Isaiah II. 1958. The Book of Isaiah. The Gospel According to Matthew. 42 MORRIS. Northwestern Publishing House. 1987. Mark. An Exposition of Isaih 40-66. Milton L. Minneapolis. Gospel. 1984. The Gospel According to St. James A. Vincent. Leon. PIEPER. 1963. Concordia Publishing House. St. NOVUM TESTAMENTUM GRAECE. SASSE. Concordia Publishing House. Hermann. São Paulo. What Luther Says. J. Michigan. Milwaukee. WENHAM. Publisher. Ewald M. SHERER. A History of Evan- gelism. 1970. Saint Louis. RUDNICK. Word Books. Stuttgart.