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Análise – Quarteto n. 1 op.51 – J.

Brahms

Schoenberg destacou a importância de Brahms, quando, em seu discurso “Brahms: o


progressista”, apontou os fatores que fariam com que Brahms se inserisse definitivamente na
história da música do seu tempo, o século XIX – apesar da sua reconhecida admiração pelos
clássicos, principalmente por Beethoven:

“In the famous essay he wrote in 1933 and revised in 1947,

Schoenberg wanted to free Brahms from the label "classicist"

in order to prove his "progressivity. With this intention,

he was initially able in great measure to segregate

the parameters of harmony, rhythm, and motivic material. "

Brahms teria se colocado à parte dos seus contemporâneos num movimento de resgate dos
princípios clássicos. E Schoenberg sinaliza que, apesar disso, ele apresenta em suas
composições usos e procedimentos coincidentes com seus contemporâneos, que, por conta
disso, atingiram patamares de grande importância na história da música.

Já nos seus primeiros compassos do Quarteto que está sendo analisado, é possível observar,
de forma sintética, alguns desses usos e procedimentos.

(Análise harm. Comp. 1 a 9)

Apesar da rigidez formal da peça, o que mostra a aproximação do Quarteto às estruturas


formais clássicas, algumas formalidades já aí se mostram mais frágeis, como a ausência de
afirmação da tonalidade, geralmente associada ao uso de cadências para a tônica já no
primeiro grupo temático. Brahms aqui, contudo, se distancia já no gesto único da primeira
frase, encaminhando o Dó Menor do primeiro compasso ao distante Bb Menor, que inicia o
trecho seguinte.

Do ponto de vista harmônico, Schoenberg “(...) cites the first theme of op. 51, no. 1, as an
example of harmonic extension (...)” . Contudo, “In that analysis, inter-vallic relationships
dominate to the extent that they can be taken as a "classic demonstration" of developing
variation. But to suggest that Schoenberg advocated limiting analysis to intervallic
relationships would be to underestimate his sense of compositional integration.”

Em outras palavras, apesar de Schoenberg apontar o que chamou de expansão harmônica na


obra de Brahms, decretando sua proximidade com seus contemporâneis, podemos estender a
análise a outros aspectos que evidenciam essa expansão, para além da relação intervalar.

Do ponto de vista da gestualidade, por exemplo, esta expansão também está presente.
Enquanto o violino I realiza semifrases rápidas cada vez mais ascendentes, os graves, em
contrapartida, realizam um largo movimento descendente até o final da frase. O gesto pode
ser, portanto, encarado como um bloco, uma unidade em expansão.

Esta percepção de bloco é acentuada pela construção dinâmica que, para além das expressas
indicações na partitura, vem do trabalho de instrumentação principalmente fundado na
sobreposição de camadas, como mostra a maneira com que o violino II dobra o violino I e
como mostra o uso de acordes na viola e violino II, à semelhança de um tutti orquestral.
Também importante para esta construção é a densidade de notas dos instrumentos mais
graves, representado pelo pedal em tremolo.

A construção funciona como um único bloco que se expande em harmonia, direcionalidade e


dinâmica. E quando chega ao ápice, cessa rapidamente em duas marcações fortes seguidas de
cesuras (ataque + ressonância e pausa).

- reforçar a dualidade estrutura e expressão ou expressão pelo rigor estrutural

- fidelidade à forma delimita Brahms, mas muito pouco

- rigor estrutural impresso na complexidade da peça > tratamento motívico e procedimento


(citar as notas supérfluas da bio) > argumento do artiguista:

- como é o resto da exposição (mostrar que aquilo que falei sobre o primeiro trecho) (lembrar
de citar o ritornelo)

- como é o desenvolvimento? (semelhança diferena com clássicos)

- reexposição e coda > proximidade com clássicos

Cm – Bbm – Ab – Ab/G – Gbm/F > baixo descendente e agudo ascendente /> movimento
estruturante da expansão harmônica