Direito do Trabalho Resumido - Edson Braz da Silva Vol.

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UNIDADE I - PROTEÇÃO DO TRABALHO DA MULHER 1) Antecedentes históricos Ao lado das normas gerais de proteção ao trabalho, existem princípios próprios de tutela do trabalho feminino. “Dois fatores levaram a mulher para a empresa, transformando-a, de dona-decasa, em operária e técnica: O primeiro foi a necessidade de manutenção do lar. A mulher passou a ser colaboradora do marido, do irmão, do pai ou dos filhos na luta pela conquista de melhores meios de subsistência, quando não se viu coagida a responder, sozinha, pela segurança e pelo bem-estar de uma família inteira. O segundo tem ligações com a história. Ocorreu quando os varões foram convocados para as frentes de batalha e as indústrias, os campos e as casas comerciais necessitavam de alguém que substituísse os soldados de então. Voltando a paz, regressando ao lar os soldados de ontem, ocorreu um fenômeno grave e curioso. A mulher, pela sua debilidade física, foi considerada trabalhador de categoria secundária, por isso mal remunerada. Pela má remuneração, ela se via obrigada a trabalhar além de suas forças. E em decorrência das necessidades curvava-se às imposições dos empresários. Criava-se um círculo vicioso, que punha em risco a integridade física e a saúde da mulher. O advento da Máquina serviu para equilibrar o desnível. Exigindo menor esforço do operário a máquina diminuiu a diferença entre a produtividade do homem e da mulher. Ao desenvolvimento da técnica é que devemos a primeira idéia de igualdade jurídica e econômica para o trabalho dos dois sexos. Duas grandes correntes de opinião se chocaram no debate desse problema. Uma que propugnava a exclusão completa da mulher dos serviços fabris, citando o alto grau de desajuste da mulher obreira do lar, a infância ao abandono, bem como o ambiente imoral e promíscuo do trabalho. A segunda, mesmo admitindo os inconvenientes do trabalho feminino, mas com visão realista do século, levantava-se contra a teoria anterior, acusando-a de roubar da mulher o seu meio próprio de subsistência e de colaborar para maior folga do orçamento familiar. É adotando esta corrente, vitoriosa sobre as barreiras do reacionarismo, que a lei trabalhista nacional abriu, em princípio, todos os escritórios, todas as oficinas, todos os estabelecimentos de trabalho à mulher, providenciando normas que resguardassem esses trabalhos.1 A legislação reguladora do trabalho, considerando todas as adversidades encontradas pelas mulheres trabalhadoras, tanto as decorrentes da estrutura física própria quanto as derivadas do excesso de atividades no lar e na rotina profissional, capazes de causar-lhes fadiga nervosa, dedicou especial interesse em criar um sistema de efetiva proteção ao trabalho feminino, como veremos a seguir. 2 1.2. Direito protetor e direito promocional Anteriormente o legislador buscava proteger o trabalho da mulher editando normas que chegavam a inibir o seu ingresso no mercado de trabalho, a proteção era um incentivo à discriminação da mulher na escolha daquele que ocuparia o posto de trabalho. Hoje a orientação é outra, busca-se promover o acesso da mulher aos postos de trabalho, limitando-se a proteção ao mínimo necessário e naquilo que exigir a sua condição física peculiar e o dom da maternidade. Os preceitos reguladores do 1RUSSOMANO, Mozart Victor, Comentários à CLT, Vol.I, 13ª Edição, Ed.Forense, p. 336 2 NASCIMENTO, Amauri Mascaro -

Curso de direito do trabalho. 12 ed. p.587/8
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por exemplo. 2. nos artigos 389 e 390 da CLT.F. 7º. XVIII. 5º. 6. revogado em 2001. 3. Sendo nulas quaisquer cláusulas de regulamento de empresa ou de contratos de trabalho. mediante incentivos específicos. Ver artigo 392. Assim. sem prejuízo do emprego e do salário integral (art. preceitua no art. § 4°. 5. ambos da C. I. desde que não colidentes com a proteção especial do trabalho da mulher nas duas dimensões citadas. XXX.244/2001. cor ou estado civil. XX. No caso de parto antecipado. condições físicas e de maternidade. razões pelas quais entendo não recepcionados pela C. mediante atestado médico. como. ficando proibido o trabalho da grávida no período de 4 semanas antes e 92 dias após o parto.F.Direito do Trabalho Resumido .. Formação do Contrato As condições para a formação do contrato de emprego da mulher são idênticas às previstas para a contratação do homem. Medicina e segurança Em razão da peculiar condição física da mulher e em proteção à maternidade. as normas de segurança e medicina do trabalho contêm algumas regras diferenciadas e especiais de proteção ao trabalho feminino. que homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações. nos seus termos.1 – Licença-maternidade 3 Nos termos do artigo 7°. A Constituição Federal de 1988. Salário A Constituição Federal. idade. no art. esses períodos de repouso poderão ser aumentados de mais 2 semanas cada um. 3 Ver Lei 10. Em casos excepcionais. mandando proteger o mercado de trabalho da mulher. que importem em restrições no emprego por motivo de casamento ou de gravidez. I. a mulher tem direito à licença-maternidade de 120 dias.. considerando o preceito do artigo 5º. 4. Vide Lei n 10. Enquanto o artigo 377 da CLT diz que a adoção de medidas de proteção ao trabalho das mulheres é considerada de ordem pública. a proteção do mercado de trabalho da mulher. Proteção da Maternidade O fato de a mulher contrair casamento ou de encontrar-se grávida não justifica a rescisão do seu contrato de emprego. em hipótese alguma. e prevê. a redução de salário.2 trabalho masculino são aplicáveis ao feminino. de exercícios de funções e de critério de admissão por motivo de sexo. não justificando.F/88 os artigos 376. nos termos da lei. qualquer diferenciação nas condições do trabalho feminino que não tenha por base a sua condição física distinta da masculina ou a proteção da maternidade será inconstitucional. baseada nessa nova orientação.393. ambos da CLT. 7º. e especialmente o ditame do 7°. art. cujo afastamento será determinado por atestado médico. individual ou coletivo. XX. Jornada de Trabalho e Períodos de descanso A jornada de trabalho da mulher tem a mesma duração e sofre as mesmas restrições previstas para o trabalho masculino em idênticas condições. da C. da CLT).Edson Braz da Silva Vol. e 386 da CLT.421/15/04/2002 2 . I c/c 393. 6. proíbe a diferença de salários. conforme artigo 392 da CLT.

a mulher terá um repouso remunerado de 2 semanas. É garantido à empregada. assegurada a retomada da função anteriormente exercida. § 3°). desde que o cumprimento de suas obrigações seja prejudicial à gestação. 392 da CLT está parcialmente alterado pela C.2 inviabilizando o afastamento antes do parto. mediante convênio com o INSS.213/91. seis consultas médicas e demais exames complementares. A nova redação do art.4.sem ônus para o patrão. Rescisão do contrato Mediante atestado médico. mesmo assim a mulher terá direito aos 120 dias de licença. não alterou a carência com relação à mulher com vínculo de emprego.876. o patrão antecipa o pagamento e depois vai se ressarcir com os pagamento devidos ao INSS. basta existir o vínculo de emprego na época própria da licença. fez retornar o pagamento do benefício sistema anterior. de 26/11/99. contados do dia do efetivo afastamento por motivo de parto (art. 93. Atenção: Lei recente. mesmo que prematuro. 3) Não há carência. Considera-se abortamento para esse fim a expulsão prematura do útero do produto da concepção antes da 28ª semana de gravidez e.dispensa do horário de trabalho pelo tempo necessário para a realização de. e a licença é de 120 dias.876. 6. Evidentemente que a situação drástica de resilição do contrato somente será permitida se inviável a transferência de função autorizada pelo inciso I.Direito do Trabalho Resumido . II .00 Ver Lei 10710. nos termos do § 4° do artigo 392 da CLT: I . Portanto.transferência de função. 5/8/2003. 392.2 Salário-maternidade Durante a licença-maternidade a mulher recebe o salário integral e todos os direitos e as vantagens que tenha adquirido. ou seja. Como se verifica. de agosto de 2003. Creche/berçário e intervalo para amamentação 3 . 3048/99 – art. do § 4°. o art. sem prejuízo do salário e demais direitos. a partir daí. No caso de empregada doméstica esse pagamento fica sempre a cargo do próprio INSS. Atenção: 1) Quem paga o salário-maternidade é o INSS e não o empregador comum ou doméstico. considera-se parto.700. quando as condições de saúde o exigirem. não se justifica a perseguição as gravidas.F. § 5º . ficando-lhe assegurado o direito de retornar à função que ocupava antes de seu afastamento (art. 2) O benefício do salário maternidade dá-se em relação a cada emprego. pode a empresa efetuar o seu pagamento diretamente a empregada e deduzi-lo do recolhimento mensal das contribuições devidas ao órgão da previdência.3. Abortamento não criminoso Em caso de abortamento não criminoso. sendo-lhe facultada no retorno a reversão à função anteriormente ocupada. do artigo 392 da CLT.Edson Braz da Silva Vol. 6. 395 da CLT). o salário-maternidade é encargo do INSS. 25. A empresa pode inclusive contratar trabalhador temporário para substituir a empregada em licença. Nos termos do artigo 1° da Lei n° 9. no mínimo. Ver teto STF 12. comprovado por atestado médico oficial.5. dada pela Lei n° 9. inciso III. porém. Salário maternidade – Dec. logo após o retorno ao trabalho. durante a gravidez. 6. que deu nova redação ao artigo 71. da Lei n° 8. à mulher grávida é facultado romper o compromisso resultante de qualquer contrato de trabalho. 6.

cor. § 2° e Portaria n° 3.recusar emprego. assim o exigir. ou mediante reembolso de despesas. foi editada a Lei n° 9. com seis incisos e um parágrafo. o dirigente.296/86. corrigidas monetariamente. e cuidando especificamente da proteção do trabalho da mulher contra ato discriminatório. corrigida monetariamente e acrescida dos juros legais. pública e notoriamente. podendo essa exigência ser suprida por meio de creches mantidas pela empresa ou com ela conveniadas. indireta e fundacional de quaisquer dos Poderes da União. para cada 4 hora de trabalho. São sujeitos ativos desses crimes: a pessoa física empregadora. 390-E. da remuneração do período de afastamento. dos Estados. em dobro. Proteção contra práticas discriminatórias para efeitos de admissão ou permanência da mulher no emprego Em complementação às regras da CLT. ao empregado é facultado optar entre a readmissão (o termo correto seria reintegração) com ressarcimento integral de todo o período de afastamento. submetidas às normas do Sistema Único de Saúde . Sem prejuízo da sanção penal. b) promoção do controle de natalidade. com pena de detenção de 1 a 2 anos e multa. à idade. veda: I . Quando o rompimento da relação de trabalho dá-se por ato discriminatório. Se reduzida ou ampliada a jornada normal. II . onde seja permitido às empregadas guardar sob vigilância e assistência os seus filhos no período de amamentação. exame. direto ou por delegação. com o mínimo exigido no artigo 400 da CLT. acrescidas dos juros legais. elevado em cinqüenta por cento em caso de reincidência. em especial as relacionadas ao trabalho da mulher. à cor ou situação familiar. que configurem: a) indução ou instigamento à esterilização genética. até que ele complete 6 meses de idade ou por período superior a critério médico.2 Nos estabelecimentos com pelo menos 30 trabalhadoras com mais de 16 anos de idade. essas infrações são passíveis das seguintes cominações: I . prescrevendo como crime as práticas discriminatórias. o representante legal do empregador. a mulher tem direito a dois intervalos de 30 minutos cada um durante a jornada de trabalho normal máxima. declaração ou qualquer outro procedimento relativo à esterilização ou a estado de gravidez. é obrigatória a existência de local apropriado.publicar ou fazer publicar anúncio de emprego no qual haja referência ao sexo.multa administrativa de dez vezes o valor do maior salário pago pelo empregador. laudo. assim não considerado o oferecimento de serviços e de aconselhamento ou planejamento familiar. conforme 389. as seguintes modalidades: I . idade. do Ministério do Trabalho. situação familiar ou estado de gravidez. inserindo na CLT os artigos 373-A. de órgãos públicos e entidades das administrações públicas.a exigência de teste.SUS.a adoção de quaisquer medidas. nos moldes previstos na Lei n° 9. II .Direito do Trabalho Resumido . 390-B. 7. computados na jornada. ressalvando as disposições legais destinadas a corrigir as distorções que afetam o acesso da mulher ao mercado de trabalho e certas especificidades estabelecidas nos acordos trabalhistas. e acrescentando ao art. haverá um intervalo de 30 minutos. como definido na legislação trabalhista. 4 . de 13/04/1995 .Edson Braz da Silva Vol. Essa lei. salvo quando a natureza da atividade seja notória e publicamente incompatível. perícia. promoção ou motivar a dispensa do trabalho em razão de sexo. Para amamentar o próprio filho.DOU 17/04/1995.029/95. foi editada a Lei No 9. direta. salvo quando a natureza da atividade a ser exercida.799/99. atestado.029. Em 26/05/99. realizados através de instituições públicas ou privadas. para efeitos admissionais ou de permanência da relação jurídica de trabalho. de iniciativa do empregador. 390C.proibição de obter empréstimo ou financiamento junto a instituições financeiras oficiais. com dois incisos. ou a percepção. mediante pagamento das remunerações devidas. do Distrito Federal e dos Municípios. 392 o parágrafo 4°. II .

b.considerar o sexo. para defesa da relação de emprego contra dispensas arbitrárias ou sem justa causa. como o direito objetiva proteger a maternidade. é ilegal para seu empregador despedi-la durante a referida ausência ou data tal que o prazo do aviso prévio termine enquanto durar a ausência acima mencionada.Quando uma mulher se ausentar de seu trabalho em virtude dos dispositivos do art. formação profissional e oportunidades de ascensão profissional.1. IV .Art. já que podem ocorrer situações que nos conduzam à deslocação do termo inicial da garantia para além do momento do início da gravidez. III . A esta conclusão se chega pelo método teleológico. SP. LTr Editora. ocultando seu estado gravídico ao empregador que a despedira. b) Termo inicial e final O termo inicial da garantia constitucional foi fixado “desde a confirmação da gravidez” e estende-se até cinco meses após o parto. veda a dispensa arbitrária ou sem justa causa da empregada gestante. dos ADCT. 7. a cor ou situação familiar como variável determinante para fins de remuneração. mediante exibição de um atestado médico que indica a data provável de seu parto. para que tenha a estabilidade provisória.” Mais à frente. o artigo 10. cor. de qualquer natureza. Constituição Federal . em razão de sexo. II. dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias.Toda mulher a qual se aplica a presente convenção tem o direito. no momento da concepção. Tanto na doutrina como na jurisprudência.Edson Braz da Silva Vol. a uma licença de maternidade.84/85. O professor Amauri Mascaro Nascimento entende que “A Constituição dispõe que o início da estabilidade da Gestante ocorrerá com a confirmação da gravidez. sob pena de premiar-se que as verbas concernentes ao direito só são devidas a partir do momento em que o empregador teve ciência do ajuizamento da correspondente ação”.exigir atestado ou exame.Direito do Trabalho Resumido . porém só depois que o fizer será protegida. II. I. p. reivindicar os créditos resultantes da estabilidade muitos meses depois da concepção. a idade. V . em empresas privadas. A confirmação é um ato formal a ser praticado. idade. Não nos parece. O professor Nei Frederico Cano Martins argumenta que “ a interpretação gramatical da regra poderia levar à conclusão de que o direito nasceria sempre após a confirmação do evento.por exemplo. VI . Caberá à interessada a demonstração da gravidez. 5 . o professor Ney aduz “que a regra antes referida não é absoluta. que deve sobrepor-se à interpretação literal. 10.impedir o acesso ou adotar critérios subjetivos para deferimento de inscrição ou aprovação em concursos. não se poderá admitir que o direito retroaja àquele momento. ratificada pelo nosso ordenamento jurídico em 18/06/65. III da presente convenção (licença de maternidade). desde a confirmação da gravidez até cinco meses após o parto. VI . já que. na admissão ou permanência no emprego. da C.proceder o empregador ou preposto a revistas íntimas nas empregadas ou funcionárias. Estabilidade Provisória no Emprego. b. que seja esta a melhor interpretação. acontecer de a gestante. para comprovação de esterilidade ou gravidez. 1995. há de se entender que ele nasce. situação familiar ou estado de gravidez.F. foi muito discutida a necessidade ou não de a empregada comunicar o seu estado gravídico ao empregador. Se. realmente. pelo Decreto de promulgação 58. a) Legislação aplicável * Convenção 103 da OIT (1952).820 de 14/06/66: Art.2 III . entretanto. A Estabilidade Provisória da Gestante Enquanto não editada a lei complementar prevista no artigo 7°.

Todavia. independe. quando da dispensa. p. 66. Ver OJ 88 SDI c) Garantia de emprego ou de salários? O efeito normal das estabilidades é o direito de permanecer no emprego ao longo do lapso de tempo coberto pelas garantias. já que a empregada preferirá em muitos casos a indenização à volta ao emprego. Ac. 1989. o Enunciado poderá. SP. pois. sendo-lhe assegurados os salários relativos ao período de estabilidade provisória. essa circunstância para reivindicar os salários previstos no art.. p. Configura-se o suporte fático do direito com o implemento de duas condições. fica impossível a garantia de estabilidade provisória da gestante” (TST. contudo.5. “Exegese do art. baseando-se na ponderação de que o instituto tem o fito de defender a maternidade em si e. servindo o atestado médico apenas para determinar o início da gestação e fixar o termo ad quem da estabilidade e seus efeitos jurídicos. vez que transferirá o ônus para a Previdência.2 Diverge o critério agora adotado da concepção objetiva sufragada pelos Tribunais do Trabalho segundo a qual a garantia. Confirmação da gravidez e dispensa imotivada” (TRT-12ª Reg. A garantia à empregada gestante consagrada no art. (Comentários aos Enunciados do TST. 3ª T. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias não estabeleceu o requisito de ciência do empregador em relação ao evento. Editora Revistas dos Tribunais. que a presente Súmula seja repensada. o direito individual da gestante. Suponha-se que determinada empresa realmente não soubesse do estado de gestação de sua empregada.Direito do Trabalho Resumido . a exceção de cometimento de falta grave. Prevaleceu. não. para que ali permaneça até o termo final da garantia. assegura-lhe apenas o direito a salários e vantagens correspondentes ao período e seus reflexos. dificultar um acordo. já que para tanto contribui mensalmente.8. 3ª T. pela sua finalidade social. assim o termo confirmação deve eqüivaler a concepção. o direito a estabilidade não pode depender de um laudo médico. junho/93. Entretanto. 6 . quando não permite a reintegração. 10. José Luiz Vasconcelos Ac. Editora Saraiva. “É irrelevante o conhecimento. n. do estado gravídico da empregada. 1ª T 4. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. 590. pelo empregador. 392 da CLT” (TST RR 6. “Empregada grávida que ignorava tal estado no momento da despedida não pode invocar posteriormente. 5140/91). É um direito seu. não foi esse o entendimento adotado pelo TST. inclusive. 1976/92.Edson Braz da Silva Vol. II. 10.736/90. inciso II. indo além mesmo da vontade das partes. Relator Ministro Afonso Celso) Sendo a gravidez um fato biológico. Urge. Mas ao tomar conhecimento coloca o emprego à disposição. p. Relatora Juíza Lígia Maria G. Villar. 2ª Edição.743/91. “b”.A garantia de emprego à gestante não autoriza a reintegração. 459. Francisco Antônio de Oliveira discordando desse posicionamento argumenta “ que a Súmula ora comentada não se afina com a realidade e constitui mesmo incentivo ao despedimento.972/92. in Trabalhista. da comunicação da gravidez.712/89. RR 33. Conseqüência lógica seria o direito de a empregada despedida no curso do período da estabilidade ser reintegrada ao emprego. 1ª T. Ac. 507). SP. 1993. “Com a falta de comprovação do estado gravídico. Ac. 975/92). para que se efetive. RR 16. a tese objetiva que defende a desnecessidade da comunicação para a aquisição do direito.” Direito do Trabalho Constitucional de 1988. Súmula 244.” (TST. com respaldo na Súmula que não permite a reintegração. letra “b”.

(Citando nossa tese. Logo. da empregadora.141/90. contrato de experiência. as partes já sabem o prazo de vigência do contrato quando o assinam. expressamente. de 28/10/2003. Por sua 7 . 390-B. p. do art. 8. por via constitucional. ao enumerar os direitos concedidos. A determinação do prazo é inconciliável com a idéia de estabilidade (TST. preceitua que as vagas dos cursos de formação de mão-de-obra. Curso de Previdência Social. Em virtude disto. Mas não lhe deu as vantagens do inciso I (proteção à relação de emprego contra despedida arbitrária). tem-se entendido que fato superveniente . 9. não é aplicável aos domésticos”. de alguma maneira. Cnéa Moreira Ac. Editora Forense. 1993.F. TRT 10ª Reg. alínea “b”. 2ª T. letra “b”. se vencido esse período. porque esse privilégio foi concedido pelo art. 10. e no Enunciado 142/TST não se aplica a empregada contratada por prazo determinado. defendida na condição de Procurador do Trabalho oficiante nos autos) A Lei dos Benefícios da Previdência Social (Lei nº 8. 1ª T. O empregador só arcará com essa parcela se. entres eles. A proteção prevista na C.Direito do Trabalho Resumido . “Não se aplica à doméstica gestante a garantia da proibição da dispensa arbitrária ou sem justa causa prevista no art. Fomento à Formação Profissional feminina O art. parece-nos certo concluir que a gestante doméstica não tem direito à estabilidade provisória (da comprovação da gravidez até cinco meses após o parto). da CF/88 dos quais a doméstica foi excluída pela omissão do parágrafo único deste preceito constitucional. 712/91). e) A empregada doméstica Russomano assinala “Há um ponto também relevante que precisa ser esclarecido: o mencionado parágrafo único. portanto. do artigo 7º. 10. hoje essa tese está acatada na Lei n°.7º.não obsta a ruptura do contrato no seu termo final. II. que. Estabilidade Provisória à gestante. 410. às empregadas domésticas inclui. RJ. Relator Juiz Sebastião Machado Filho. por se referir este dispositivo exclusivamente aos empregados beneficiados por esse direito previsto no inciso I. RR 12. o auxílio-maternidade (inciso XVIII).799/99.213. sem a participação. do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. não podendo haver a resilição contratual enquanto viger o prazo estipulado pelas partes. in casu. Ac.601/98 que regula o contrato de trabalho de fomento ao emprego.o estado gravídico posterior à assinatura . como vimos. inciso II. Entendemos existir compatibilidade relativa entre as estabilidades provisórias e os contratos a termo.Edson Braz da Silva Vol. como regulamentação provisória do inciso I.. ministrados por instituições governamentais.2 Atenção: A Resolução 121. obstar que a empregada receba o benefício da Previdência Social. serão oferecidas aos empregados de ambos os sexos. a garantia passa a ser de salário. introduzido na CLT pela Lei n° 9. de 24/07/91. Ver OJ 116 c/c 106 SDI d) A estabilidade provisória e os contratos a Termo Nesses tipos de contratos. Aliás. mudou a redação do Enunciado 244 reconhecendo a estabilidade da gestante como garantia de emprego enquanto vigente o período de estabilidade e. 2ª Edição. em seu artigo 73) disciplina que em relação à empregada doméstica o pagamento do benefício relativo ao período de 28 dias antes do parto e 92 dias posterior é pago diretamente pela Previdência Social. do ADCT. in Revista LTr 55-04/480. pelos próprios empregadores ou por qualquer órgão de ensino profissionalizante.3.

da Constituição Federal.1. A responsabilidade do empregador face à estabilidade provisória da gestante é objetiva. a possibilidade de renúncia pela gestante da estabilidade provisória.99 . 9. Min. A confirmação dá conta que na data da emissão do aviso prévio. OIT . I. alínea “b”. sociedades cooperativas. retirou do âmbito do direito potestativo do empregador a possibilidade de dispensar imotivadamente a empregada. 7° limitou os direitos concedidos aos trabalhadores domésticos.1ª Turma . 396). (TRT 18ª Região. CLT . XX. Octavio Galloti – DJU 18/8/2000 e Informativo STF n° 199) EMENTA: estabilidade provisória – gestante – empregada doméstica. inciso II. consagrada nessa regra constitucional. o art. mas tão-somente da verificação pelo empregador do implemento das condições aquisitivas do tempo intervalar: filho de até seis meses (parágrafo único. Data do julgamento 02/012/99) EMENTA: estabilidade provisória da gestante. Esses programas especiais de formação de mão-de-obra poderão.RO n° 19143/98 Relª.artigos 372 a 401. n° 7810/99. 9. sociedades civis. e art. 392-A Jurisprudência EMENTA: Intervalo para amamentação. Inciso XVIII).2. 396 da CLT).0 – Ac. 14) EMENTA: Não se estende à mãe adotiva o direito à licença. também mencionado no art. Juíza Cristiana Maria V. A proteção à maternidade. O direito ao intervalo para amamentação decorre de lei. Legislação pertinente à proteção do trabalho da mulher 9.3ª R . 7°. 7°. II ADCT.pág. Juiz Heiler Alves da Rocha.art. 7º. Sendo permitido ao empregador. RO 3712/99.Convenção n° 3. Confirmação da gravidez. art. trata da proteção à maternidade. Recurso a que se nega provimento. ou a própria empregada. a 8 . Conhecimento pelo Empregador. 390-C obriga às empresas com mais de cem empregados. Recurso a que se nega provimento. 390E. Rel. É de salientarse que o parágrafo único do referido art.Constituição Federal . 9. de ambos os sexos. Fenelon .1ªT .RE 197.Lei n° 9. XXX. 10. do ADCT. (TRT . 9.807-RS – Rel. também firmar convênios com estas entidades para o desenvolvimento de ações conjuntas. não a contemplando com a pretendida estabilidade provisória prevista no art. portanto. 10. nos termos do art. por tratar-se de norma de ordem pública de caráter irrenunciável.4.799/99 9. Rel. Estabilidade Provisória.Edson Braz da Silva Vol. (STF. ficando sujeito ao legislador ordinário o tratamento da matéria. inciso I.029/95 e Lei n° 9. ser ministrados pelo empregador associado a entidade de formação profissional. instituído em favor da empregada gestante pelo inciso XVIII do art. pouco importando que ele.Direito do Trabalho Resumido . 5º.2 vez. órgãos e entidades públicas ou entidades sindicais. DJU 16/12/98 – LTr.07. Ministro Leonaldo Silva. ( TST – RR 246738/96. ou no seu curso. A garantia de emprego à Gestante constitui direito constitucionalmente assegurado.5 Licença Mãe Adotante Ver art. tivesse conhecimento do estado gravídico à epoca da despedida injusta. 4ª T. Leis extravagantes . não podendo as trabalhadoras dela disporem. desde a confirmação do estado gravídico até cinco meses após o parto. independentemente de solicitação (art. dos Atos das Disposições Constitucionais Transitórias. pessoa jurídica. a manterem programas especiais de incentivos e aperfeiçoamento profissional da mão-de-obra. Ac. 63-03/367) EMENTA: Gestante. XXVIII. visando à execução de projetos relativos ao incentivo ao trabalho da mulher.3.DJMG 16. Inviável. A Constituição Federal de 1988 somente concedeu à empregada doméstica a concessão da licença gestante ( art. não incluindo no rol a proteção contra a despedida arbitrária ou sem justa causa prevista no inciso I. 10.

7. p. Mozart Victor. e atual. Nei Frederico Cano . ALVES. 4. NASCIMENTO.Direito do Trabalho Resumido . Orlando e GOTTSCHALK. rev.SEBRAE/GO. 22ª edição. Data do julgamento 02/12/99) Referência Bibliográfica: 1. Valentin . Ivan D.84/85.Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho . Editora Saraiva. 5. MARTINS. Aldivino A da Silva.São Paulo: Saraiva. Amauri Mascaro.Curso de Direito do Trabalho . 1995. Forense. 1977. Rodrigues e MALTA. Editora Saraiva.e ampl. rev. 8. e aum. Constituição da República Federativa do Brasil.Curso de direito do trabalho. 6. nos termos do disposto no art. Comentários à Consolidação das Leis do Trabalho.4ª ed.São Paulo : Saraiva.Rio de Janeiro: Forense. 1994. 7788/99. Rel. 16ª edição. 1988. São Paulo : Atlas. Goiânia-1995.Manual de direito do trabalho . II. Pedro Paulo Teixeira. Elson .20ª ed. 11. 9.Direito do trabalho. Cristóvão Piragibe Tostes . e aum. ed. São Paulo. Rio de Janeiro: Ed. 1990.3ª ed. MANUS. 3. . RUSSOMANO. Délio .1997 ROCHA. Atualizada em 30/08/2003 9 . do ADCT. Maria Nívea Taveira . GOMES. 8ª ed. Rio de Janeiro : Edições Trabalhistas. 1996. CARRION. 12. rev. SP. 1932 . . 10. 2. (TRT 18ª Região – RO 3520/99.Direito do trabalho .Teoria e prática do direito do trabalho. 5.1951 . . 1995. está amparada pela estabilidade provisória. LTr Editora.atual. 1995. 13ª ed. CLT Saraiva 1997. 10. . “b”.Estabilidade Provisória no Emprego. ed. MARANHÃO. Ac.2 obreira já se encontrava grávida.Edson Braz da Silva Vol.Rio de Janeiro : Fundação Getúlio Vargas.

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