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Nosso Jardim – Alceu Sebastião Costa

Pássaros, matas e quintais – Alceu Sebastião Costa


Amante em flor – Rosângela do Valle Dias
Apaixonante reencontro – Gui Oliva
Balanceio – Sylvia Cohin
Menos – Gui Oliva
Queria um bonde – Gui Oliva
O sino – Sylvia Cohin
Senhor de mim – Sylvia Cohin
Tentei a homenagem – Gui Oliva
Não sei... Sylvia Cohin
Réplica Inspiradora – Alceu Sebastião Costa
Lixo Atômico – Líria Porto
Sugestão – Reinaldo Franzoni
Planeta à míngua – Alceu Sebastião Costa
Atitude – Alceu Sebastião Costa
Percebe – Mercília Rodrigues
Ato de amor – Moacir Sader
Sedução – Lêda Yara
Teu Olhar – J.R. Cônsoli
O sol virá – Tito Olívio Henriques
O sinal do adeus – Vera Mussi
Meu Tejo Ribatejano – Eugênio de Sá
(Sextilhas) – Essa palavra Saudade – Eugênio de Sá
Junto al mar – Maria Sánchez Fernández
Paz no mundo – Carmo Vasconcelos
Canção à vida – Carmo Vasconcelos
Sol da vida – Ferdinando©
Os Estatutos do homem – Thiado de Mello
Sobre o amor - Eliane Couto Triska
A serenata - Adélia Prado
Achados e Perdidos – Gui Oliva
A tristeza disse adeus... Vera Mussi
Ao som de uma canção – Lêda Mello
Vítimas da vida – Ferdinando©
Poetas, são imortais – Lauro Kisielewicz
Um olhar apenas – Eugênio de Sá
Pelos olhos do coração – Alceu Sebastião Costa
Teimosia – Alceu Sebastião Costa
Viés – Marcos Milhazes
Canção para um homem e um rio – Marina Colasanti
O amor – Marcos Milhazes
Reflexão matinal – Alceu Sebastião Costa
Ver_a_cidade – Alceu Sebastião Costa
S.O.S. Terra – Alceu Sebastião Costa
Llevame escritor – Victoria Lucía Aristizábal
Traduzir-se – Ferreira Gullar
Por onde andarão os mestres – Cleide Canton
Sou inteiro – José Geraldo Martinez
O poeta e o sabiá – Duo de Primavera – Alceu Sebastião Costa
Encontre a primavera – Américo Pita
NOSSO JARDIM

Alceu Sebastião Costa

Pela janela vejo a sentinela,

Imponente, coisa mais bela,

Admiro a sua cor amarela,

O Outono cobre de flor a “Primavera”.

Não existe “prima”, só a “rima”,

Da poesia feita com estima

Para alguém que se venera,

Tão verdadeira, por isso é “vera”.

A tiara amarela no topo da “Primavera”

Dá a ela charme de manequim na passarela,

Alvo da ave que a deixa com calor,

Esse apressado e apaixonado Beija-Flor.

Sentado na varanda, ao cair da tarde,


Observo a natureza com a sua arte,

Só o olfato é castigado pelo duro açoite,

Do aroma sufocante da perfumada “Dama da Noite”.

Nosso jardim, enfim, possui o encanto de lindas flores,

Cenário alegre pela suavidade das suas cores,

Sou grato aos céus pelo privilégio desses favores,

Coroados pela sinfonia de pássaros cantores.

“Os olhos vêem... o coração enxerga”.


PÁSSAROS, MATAS E QUINTAIS.

Poeta Alceu Sebastião Costa

Dez/2007

Estando no Portal da Serra, em Serra Negra,

onde os pássaros voam livremente e espalham

seus cantos cheios de encantos nas matas e quintais:

Por algum momento, desligue-se do que ficou para trás,

feche os olhos, abra os ouvidos ao canto lamurioso do

tico-tico, aos arrulhos do casal de pombos, ao gorjeio

do sabiá, aos “gritos” do bando arruaceiro de maritacas,

ao estridente dueto do casal de joão-de-barro, à provocação

do bem-te-vi, ao pio lúgubre da coruja na escuridão noturna,

à voz, enfim, da passarada que vive solta nestes restos de matas e

quintais. Depois, jogue no astral o seu pedido de reconciliação com


Deus.

Com certeza, Ele não fará ouvidos moucos aos penitentes e humildes
corações.

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AMANTE EM FLOR
Rosângela do Valle Dias

Quando a manhã vem clareando,

entre as folhas da felicidade ,

voando, suavemente,

na sombra do flamboyant,

sou aquela borboleta azul...

Norteada pelo teu amor,

tento divisar o caminho

e alcançar,

num vôo adivinho,

o ninho da tua espera.


Sigo a correnteza do rio,

atravesso a mata ...

Toco em cada flor

a luz do sol que brilha em tua alma .

Teu chamado trilha o meu destino!

Num momento sublime,

carícias de um rápido pousar,

sinto a tua presença ...

No calor dos nossos avessos,

no desfrute dos toques travessos,

sou mais amante e amada...

Tu és o pólen do meu amor.

Sou a tua amante em flor!

BH/MG

03.08.2007

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APAIXONANTE REENCONTRO

Gui Oliva

Santos/SP 16/05/07

hoje foi um dia especial...ele,

depois de um tempo ido,

retornou inteiro ao meu convívio.

Nesta tarde fria, novamente aceitou,

meus beijos e minhas carícias

e, sorrateiro, mirando meu olhar sentenciou:

insuportável ficar sem teus chamegos,

sem sorver tuas delícias.

Com minhas mãos alisei todo seu macio corpo,

entrelaçados na loucura, novamente fomos uno,

com meu olhar cruzei o seu...ar de insano,


e ele, soprou-me ao ouvido linda valsa,

e eu desejei tanguear um tango em duo,

foi lindo o reencontro...apaixonante...

eu e meu piano!!!

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Balanceio

voando no balanço que me embala

ponho os pés no viés do horizonte

mas o açoite do empuxo do galeio

vem, me repuxa,

e eu já sem fala,

volto,

ainda que me amedronte...

mergulho rumo às nuvens no meneio

corpo solto, num vertigo que avassala...

quanto tempo nessa lida?

há quem conte?

céu e terra, cara a cara...

eu no meio...

fecho os olhos

a sorver o que não cala...


Sylvia Cohin

21.10.2008

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MENOS

Eu queria ser, de tudo, menos um pouco

eu queria ser menos emoção,

o meu diapasão menos agudo

ou não tão rouco,

eu queria ser menos ilusão.

Seria muito bom se eu fosse menos sonho,

seria ótimo não confrontar tanto a realidade,

eu queria ter menos disciplina naquilo que proponho

e ser, também, menos conformada com a desigualdade.

Eu queria esperar do amor bem menos,

queria pautar, no coração, menos desejos,

queria chorar menos os meus ais.

Eu queria viver menos lampejos,

pois só assim compreenderia o pedir

menos... para os meus tantos quero mais.


Gui Oliva

Santos/ 07/11/06

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QUERIA IR DE BONDE

Diga-me qual razão querido amigo

sentir a perda que nos impuseram

porque quiseram acabar contigo.

Lançaram-te como um perdido

do trânsito já quedado em transe,

em tua carcaça não viram o abrigo.

E o plácido trilhar agora não esconde

o que eles fizeram também comigo,

mataram meu direito...ir de bonde!

Gui Oliva

Santos/SP 20/02/09

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O Sino
Soa o tempo em badaladas

toque triste ou de euforia

pelo sino anunciadas,

as novas de cada dia...

Lá no alto a ressoar

toda gente ouve o que toca

o som que fica no ar

e corre de boca em boca

Chama para o catecismo

canta morte e casamento,

novena, missa, batismo,

do cimeiro espalha o vento

O seu toque é o que levanta

quem dorme ao nascer do dia

e embalando a Hora santa

repica uma Ave Maria

Rege a vida nas aldeias


comadres e benzedeiros,

as faladeiras sem peias,

meretrizes e santeiros...

O pequeno sacristão

que os toques sabe de cor,

agarra a corda na mão,

e badala com fervor

O toque que ele executa

no bronze que não reluz,

põe sempre o povo na escuta,

fazendo o Sinal da Cruz

E haja perdão pros pecados

procissão e penitência

água benta e uns trocados

pela paz da consciência...

O sino do campanário

marca o Tempo e nós também,

da meninice ao vigário

do Santo Terço ao Amém.

Sylvia Cohin

11.09.2004 republicando em 25.02.2009

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Senhor de Mim
Qual marca-passo

que me acompanha,

teus olhos vítreos são meus vigias

e tuas garras cheias de sanha,

me deixam marcas todos os dias.

O teu compasso,

é meu tormento

e enquanto busco o teu afago lento,

oculto em mistério impenetrável,

a tua marcha eterna

e inexorável,

Chronos governa.

Senhor de mim,

(que eu não me esqueça)


Sou teu festim

De ti se lembre meu coração

E nada faça que seja em vão

Posto que és Tempo,

e eu... só Pressa.

Sylvia Cohin

Porto, 27.12.2007

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Tentei a homenagem
Gui Oliva

Eu tentei escrever um poema

em homenagem ao Poeta

que fez da vida

uma dedicação à poesia

e, como sempre ousou sinceridade,

escreveu... assumindo como confissão...

"os meus poemas sou eu"!*

Mas falho nesse meu intento em conclusão

porque não tenho, como o Mestre Poeta,

o dom da concisão,

não sei lidar amorosamente com as palavras*,

só tenho a coragem para, como se diz,

reconhecer...sou da poesia

muito menos do que uma aprendiz.


Mas ainda assim tomo nas mãos,

da razão à revelia,

minha pena insana

e tento...tento dedilhar

toda a reverência que eu desejaria,

para brindar a vida-versos de Quintana!

Santos/SP 15/11/06

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Não sei.....
Sylvia Cohin

(uma alusão a nossos papos inesquecíveis...)

Não sei se penso ou se digo,

mas sinto...

Não sei se quero ou desdenho,

não minto...

Do morse de meus dedos

voejam segredos.

Escondem-se entre linhas,

espaços brancos que recheio...

São traços, são bainhas,

pespontos onde chuleio

pensamento ou devaneio...

Não sei se devo...

Devia?

Que respondam os meus dedos

esses cofres que sem medos


Afoitos ou reservados...

Insolentes destemidos...

Costuram tantos 'tecidos'

que exprimindo-se agitados,

Falam do que eu nem sabia...


Brasil, 17.11.2008

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RÉPLICA INSPIRADORA
Alceu Sebastião Costa
Desperto pelo canto desolado

Do galo madrugador,

Na varanda acomodado,

Busco a sintonia com Deus Nosso Senhor.

Uma vez conectados,

Terra e céu em harmonia,

Cabeça e tronco inclinados,

Rezo em silêncio a Ave Maria.

Depois, devagar, elevo o olhar

Pela encosta verdejante.

Quando alcanço o último patamar,

Vejo o Cristo radiante.

Réplica do Corcovado,
Braços abertos em cruz,

O povo todo acordado

Sob as bênçãos de Jesus.

Por certo, poucos se dão conta

Da proteção do Redentor,

Porém, esta poesia, ora pronta,

Espelha, sem distinção,

Além de louvor e gratidão,

A relação de amor entre criatura e Criador.

Serra Negra, 04 de fevereiro de 2009.

Nota do Autor

Dedico ao povo de Serra Negra – SP,

cidade cenário de inspiração deste poema.

Foto: José Ernesto Ferraresso

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“a mão que governa o verso balança o mundo”

(líria porto)

se a lua cair do céu

além dos cacos quebrados

aonde vamos guardar

olhares enamorados?
e se as estrelas em greve

não quiserem mais piscar

será que vais resistir

voltaremos a brincar?
se o sol apagar o facho

e tornar-se um astro frio

eu vou agüentar viver

como vel(h)a sem pavio?


se a terra onde moramos

depois da judiação
quiser se vingar dos homens

nós mulheres - escapamos?


sei não

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Sugestão
Reinaldo Franzoni

Faça o seguinte:

assopre o pensamento triste,

deixe escorrer a última lágrima,

conte até vinte.

Abra então a janela,

aquela que dá para o vôo dos pardais,

procure a luz que pisca lá na frente

(evite as sombras que ficaram lá pra trás).

Ao encontrá-la,

coloque-a dentro do peito


de tal jeito, que possa ser notada

do lado de fora;

acrescente agora uma pitada de

poesia,

do tipo que passa por nós todos os dias

e nem sequer consegue ser notada;

aumente o brilho, com toda a intensidade

de que um sorriso é capaz.

A felicidade é o seu limite,

e o paraíso é você mesmo quem faz !!!

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Planeta à míngua
Alceu Sebastião Costa

(In: O melhor da Poesia Brasileira 1997-2007; p.33)

Minguante não só a lua,

Que pouco clareia minha rua;

Minguante também a Paz,

Quase fora de cartaz.

Minguante o alimento na Terra,

Em vez do arado, armas de guerra;


Minguante o respeito pelo semelhante,

O homem cada vez mais arrogante.

Minguante o calor da Amizade,

Prevalece o culto da Vaidade;

Minguante a chama do Amor,

Ofuscada pelas trevas do Terror.

Minguante o brilho do romantismo,

Que deu lugar ao opaco materialismo;

Minguante até a nossa paciência,

Diante de tanta irreverência.

Minguada, Senhor, seja essa força minguante;

Salvar o Planeta é nossa missão mais importante.

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Atitude
Quando eu era ainda pequeno,

Não há engano, bem me lembro,

Meus pais me ensinaram a rezar,

Agradecer por nascer num bom lar,

Ter o pão para dividir com os irmãos,

Primeiras lições dos princípios cristãos.

Hoje, fazendo parte da ala dos veteranos,

Pode ser que até cometa muitos enganos,

Mas acho que, no mundo atual, competitivo,

Fazem falta pais como os meus, assim o digo,

Cujos valores sagrados derivavam do respeito,

Diferente do agora, que toma o avesso pelo direito,

Desvairado, rédeas soltas, a galope, cabelos ao vento,

Trancafia Deus no céu e não vê este Planeta morrendo.


Alceu Sebastião Costa

NOTA: esta publicação tem uma história: o poeta distribuiu o desenho de um arame farpado com a frase: “Por que algumas
pessoas insistem em transformar pássaros em arame farpado?”, com a intenção de que pudesse ser aproveitado em alguma
ocasião, fosse ela qual fosse. Comentou à época o sentido grande e valioso da imagem. Então aproveitei o arame farpado à
minha maneira, incluindo-o numa formatação imaginativa e devolvi ao poeta para que colocasse palavras dele quais
quisesse. Retribuiu com este belo poema, muito atual às necessidades do mundo atual que incluo junto aos trabalhos de
ECOLOGIA - PLANETA TERRA do Bouquet de Cravos & Conchavos. Posteriormente será atualizada na página de
Poesias em Textos.

Poeta Alceu, com gratidão, agradeço a sua bondade. Michèle

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Percebe...
Mercília Rodrigues

Sou o pingo de chuva,

em terra sedenta .

Sou a mão e a luva,

no amor que apascenta !

Sou semente levada,

pela água que desce ..

Sou a fé renovada,

na dor que fenece ...

Sou folha que voa,

em vento viajor.
Sou alguém que perdoa,

pois sou pecador !

Sou gota caída,

sou semente-embrião .

Sou folha esvaída.

Sou amor-coração!

Abril de 2007

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Ato de Amor
Texto de Moacir Sader do livro
Outra vida, nova chance

Controlemos a paixão

e todos os sentimentos inferiores,

lutemos conosco,

pois somos nosso rival para a ascensão de

nosso espírito.

Cultivemos o amor e a fraternidade de modo

prático em todos os lugares onde estivermos.

Ainda que aparentemente pequeno,

cada ato de amor é grandioso.

http://www.moacirsader.com

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SEDUÇÃO

Lêda Mello

Bates à minha porta


às horas mortas...
Morta estou, de cansaço, pela espera.
Espera!
Que buscas a essas horas,
quando a espera
vestiu todos os sonhos de cansaço?

Chegas ao meu retiro,


onde respiro
os haustos da saudade sem sentido.
Sentindo?
Que sabes do sentir
quando a saudade
despiu todas as ânsias dos sentidos?

Chegas às horas mortas...


Que importa
se vens por uma noite ou uma vida?
Vencida,
acolho-te, sem espera e sem cansaço,
no espaço sem pudor do meu abraço.

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Teu Olhar

J.R.Cônsoli

O verde dos teus olhos me ensandece,

Lembra-me o mar, suas ondas debruçantes,

São meus faróis nas noites soluçantes,

Geram esperanças quando amanhece.

Nesse caminho vão, de luz e trevas,

Em que consiste a nossa vida breve,

Os dias passam, e cada vez mais leve

Fica-me a faina, porque tu me elevas.

E desse olhar-amor, que nos conduz,

Onde circulam astros do universo,


Faço a razão primeira do meu verso.

Se acaso, um dia, não houver mais luz,

E o firmamento desfazer-se em breus,

Ah, ainda verei luz Nos olhos teus.

28-02-2010.

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O SOL VIRÁ

Tito Olívio Henriques

Um dia o Sol virá, num carro de ouro,


Sublime, esplendoroso, fascinante!
Ao ver a luz no teu cabelo louro,
Há-de afagá-lo assim como um amante!

Vaidoso, do seu alto miradouro,


Há-de beijar teus lábios um instante,
Abraçará teu corpo, como um mouro,
Osculará teus olhos, ofegante!

E tu, toda a tremer de comoção,


Sentindo pelo corpo um tal calor,
Vais ser deusa e ser Vénus de marfim.

E nessa suave, doce confusão


Ficarás a saber o que é o amor
E então vais renascer só para mim...

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O Sinal do Adeus

Vera Mussi
20 de fevereiro/2010

http://www.veramussi.com.br/

Poesias Especiais

Outro adeus... Uma vez mais...

Adeus, não quer dizer "nunca mais"...

Vamos entender a definição do "jamais"...

É preciso compreender que ainda não deu certo...

Tal amor que floresceu na mente incoerente...


Com a semente estéril, decerto !

Nesse adeus...
É a felicidade que pede para sobreviver,
Sem lamentos nem tormentos...

Na verdade é o instante supremo que morre...


Para renascer no próximo amanhecer...
É, com certeza, estar distante
De uma dor amante, sem tristeza!
É escolher viver longe do "amor exigente"!

É de Deus, tal ordem,

Aos amantes aprisionados...


Para viverem o prêmio da liberdade,

Apaixonados...

Pela Graça da felicidade!

Nosso adeus...

A morte de um passado...

Que se descobre vivo pelo aprendizado

O sentimento será purificado

Antigo desejo que nunca se realiza

Inusitado sonho que se eterniza...

Na saudade!

E por amor, só por amor...

Tanta amizade!

O sinal do adeus...
É o final do pensamento

Que ao etéreo voa...

Sem qualquer questionamento

Entre o céu e a terra ecoa...

É o segredo que restou,

Sem emoção nem enredo,

Porque no coração se encerra...

A canção do sentimento!

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MEU TEJO RIBATEJANO

Eugênio de Sá

(ABRIL DE 2001)

Ó meu rio, minha água amiga

Que fartas o Ribatejo

Em silêncio, a deslizar

Vais moldando as tuas margens

P’ra te poderes espreguiçar.

Tejo inteiro, aficionado,

De amplas e verdes lezírias

E toiros de tourear

Onde corcéis lusitanos

Fendem a erva macia

A golpes de galopar.
Da chamusca herdas recortes

De casario a brilhar,

Da labuta dos campinos,

Dos odores de torricado

E d’alma ribatejana

Com fandangos a vibrar.

És água mansa, tranquila,

Em Santarém a passar

Caprichas em rodopios,

Deixas tonto quem te vê,

Como criança a brincar.

Ao avistares Vila Franca

Convidas os avieiros

P’ra no teu leito os deitar

Eles vão e sonham com peixe,

Lançam a esperança a pescar.

Passas ao Mouchão de Alhandra,

Vês lindas aves voar

Envolves-te na reserva,

Paraíso à flor da água,

Que tão bem sabes amar.

Depois, com Lisboa à vista,

Embriagado de espaço,

Vaidoso, queres-te mostrar


Ondulas, cheiras o vento

E deitas-te mansamente

Vais adormecer no mar.

RIO AMIGO – RIO ALGOZ

Os rios, que Deus também criou, não são só mágoa, frustração, desolação e morte. São
ritmos de vida, incansáveis fecundadores de chãos produtivos, autêntica e abençoada
riqueza.

São cheiros de terra molhada, suaves caudais que a terra encaminha e que a terra
agradece. São alegria, são peixe, são vida, são beleza, testemunhas silenciosas das gestas
e do labor dos povos.

Pena que continuem, também eles, vítimas de tantas agressões.

É pois tempo de lhes prestar preito. Aqui fica o meu, aquele que me é mais chegado: o
nosso Tejo.

Publicado no Jornal Vida Ribatejana

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(Sextilhas)

Essa palavra: Saudade

Eugénio de Sá

Quando no peito o coração se aperta

E a nossa alma parece deserta

Como tomada por causa doentia,

Quando estranha saudade nos invade

E um sentido de perda e de ansiedade

Nos confrange cá dentro e angustía;

Quando imagens, momentos, evocamos

E até os cheiros no ar que respiramos

Parecem tão presentes e reais,


Que imensa frustração de nós se apossa

Face à certeza que então nos acossa;

De não os revivermos nunca mais

Porque a bela palavra “nostalgia”

Com que enfeitamos prosas e poesia,

Que viaja conosco a outras eras

Ou que nos traz saudade verdadeira,

É trucidante, bárbara, açoiteira

Pois não se ressuscitam as quimeras

Mas, não se é poeta sem melancolia!

- Sem dor, o nosso ser não se extasia

P’ra nos configurar os sentimentos

Sem alma, os nossos versos perderiam

A fantasia, a chama, e deixariam

De nos mostrar os seus encantamentos

Bogotá, Colombia

Outubro de 2009

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Junto al mar

María Sánchez Fernández

Evocarás mi nombre

cuando el mar acaricie tus orillas

y te duerma blandamente los sentidos

con arrullos y nanas de ternura.

Evocarás mis ojos

─ tan prendidos de mar ─,

cuando bogues errante entre la niebla

buscando mis estrellas en tu cielo.

Evocarás mis labios

cuando el coral se encienda bajo el agua


e ilumine tu noche como un faro

y se pierda en la hoguera de tus labios.

Evocarás mi risa

cuando la espuma juegue con las algas

y salpique el espejo de tu alma

y ponga cascabeles en tu risa.

Evocarás mi cuerpo

en la danza ondulante de las olas;

en el morir dorado de la tarde;

en el rumor velado del silencio.

Evocarás mi alma

cuando el cáliz vacío de tus horas

rebose de néctares y mieles

y anuncie marejadas en el alba.

“En los silencios del alma”

Asesora Cultural en España del

Círculo Universal de Poetas y Escritores

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Paz ao Mundo

Carmo Vasconcelos

Jamais se alcança a paz entre o tumulto

Do egoísmo em desmedida proporção,

Qual ópio que embebeda o coração

E doa à mente errada falso indulto.

A paz é agasalho dado ao imo,

Oferta da tranquila consciência,

Quando usa a plena acção, sem contundência,

E do amor faz bordão de fiel arrimo.

Ausente a paz, soçobram as nações,


Esmorecem as almas em martírio,

E sucumbem os corpos em delírio!

Livremo-nos de fúteis ambições;

Supremacias vãs – solo infecundo...

E pintemos de Paz o mapa-Mundo!

Lisboa/Portugal

28/Fevº/2010

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

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CANÇÃO À VIDA

Carmo Vasconcelos

Eu canto a cada alvorada

Que à vida me traz de novo;

Canto a alegria de um povo

Que ri de alma atormentada!

Canto o riso da criança

E a sua pura inocência;

Canto a minha irreverência

E a minha eterna esperança!

E canto as searas repletas

E o Sol em cada manhã;

Canto um melhor amanhã


Pra justiças incompletas!

Canto a vida que não pára,

A noite que segue o dia;

Canto até, quem tal diria,

O silêncio que os separa!

Canto os peixes e este mar

E as nascentes de água fria;

Canto esta minha alegria

E o meu desejo de amar!

Canto a deusa poesia,

Meus devaneios risonhos;

Canto a ilusão dos meus sonhos

E a minha doce utopia!

Canto o ter sido nascida

E o nosso Deus Criador!

Canto o meu profundo amor

Pela dádiva da Vida!

Lisboa/Portugal/2005

In E-Book “Luas e Marés”

http://carmovasconcelos.spaces.live.com

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SOL DA VIDA

Ferdinando©

Nasceste pura, milionária de amores


Trazes nos olhos o orbe da esperança,
As tuas mãos suavizam nossas dores
Como a brisa, abraça a hora mansa....

Dos teus lábios, nasce o mel mais puro


Nas melódicas canções de primavera,
Liberta alvorada, no largo do futuro...
Na exacta dimensão da nossa espera!

Na manhã com teu olhar incendiado


Engravidas de sorrir...o loiro prado
E dás o verde á campina já despida!...
És o sol que nasceu das madrugadas,
Adormeces no longe das quebradas,
E fazes do teu sonho, a luz da vida!

Germany 17-03-10

SEARA DE CULTURA

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Os Estatutos do Homem
(Ato Instituicional Permanente)

A Carlos Heitor Cony

Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade.


agora vale a vida,
e de mãos dadas,
marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II
Fica decretado que todos os dias da semana,
inclusive as terças-feiras mais cinzentas,
têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

Artigo III
Fica decretado que, a partir deste instante,
haverá girassóis em todas as janelas,
que os girassóis terão direito
a abrir-se dentro da sombra;
e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro,
abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV
Fica decretado que o homem
não precisará nunca mais
duvidar do homem.
Que o homem confiará no homem
como a palmeira confia no vento,
como o vento confia no ar,
como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único:
O homem, confiará no homem
como um menino confia em outro menino.

Artigo V

Fica decretado que os homens


estão livres do jugo da mentira.
Nunca mais será preciso usar
a couraça do silêncio
nem a armadura de palavras.
O homem se sentará à mesa
com seu olhar limpo
porque a verdade passará a ser servida
antes da sobremesa.

Artigo VI
Fica estabelecida, durante dez séculos,
a prática sonhada pelo profeta Isaías,
e o lobo e o cordeiro pastarão juntos
e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII
Por decreto irrevogável fica estabelecido
o reinado permanente da justiça e da claridade,
e a alegria será uma bandeira generosa
para sempre desfraldada na alma do povo.
Artigo VIII
Fica decretado que a maior dor
sempre foi e será sempre
não poder dar-se amor a quem se ama
e saber que é a água
que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX
Fica permitido que o pão de cada dia
tenha no homem o sinal de seu suor.
Mas que sobretudo tenha
sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X
Fica permitido a qualquer pessoa,
qualquer hora da vida,
uso do traje branco.

Artigo XI
Fica decretado, por definição,
que o homem é um animal que ama
e que por isso é belo,
muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII
Decreta-se que nada será obrigado
nem proibido,
tudo será permitido,
inclusive brincar com os rinocerontes
e caminhar pelas tardes
com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único:
Só uma coisa fica proibida:
amar sem amor.

Artigo XIII
Fica decretado que o dinheiro
não poderá nunca mais comprar
o sol das manhãs vindouras.
Expulso do grande baú do medo,
o dinheiro se transformará em uma espada fraternal
para defender o direito de cantar
e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.
Fica proibido o uso da palavra liberdade,
a qual será suprimida dos dicionários
e do pântano enganoso das bocas.
A partir deste instante
a liberdade será algo vivo e transparente
como um fogo ou um rio,
e a sua morada será sempre
o coração do homem.

Santiago do Chile, abril de 1964. Thiago de Mello

Amadeu Thiago de Mello, nascido em Barreirinha em 30 de março de 1926 é


um poeta brasileiro. Natural do Estado do Amazonas, é um dos poetas mais
influentes e respeitados no país, reconhecido como um ícone da literatura
regional. Conhecido internacionalmente por sua luta em prol dos direitos
humanos, pela ecologia e pela paz mundial, o autor foi perseguido pela
ditadura militar implantada no Brasil em 1964. Foi obrigado a deixar sua
terra, tendo se exilado no Chile, até a queda de Salvador Allende.

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Sobre o amor

Eliane Couto Triska

Amo-te nas perenes primaveras,

No estio dos setembros repetidos,

Nas letras comungando com as esperas

Dos livros - os penhores nunca lidos.

No balé dos meus sonhos te adiantas

Te dando à inocência... Tudo em vão!

Meu corpo, o repasto... e tu jantas

E encontras o pulsar de um coração


Amo-te como o sol beija na testa,

A semente a eclodir no solo bruto.

Céu-risos, o perfume, o ar em festa

Da terra chora o útero em luto.

Já chega o junho, amor...Já é tão tarde!

Se fiel ao amor?.. Nem sei se o tenho!

Nem sei se é própria a dor do amor que invade

O amor ou se é igual a que eu contenho.

Amo-te, nos lamentos outonais.

É meia noite... Ah! inquietações

E, em tua boca doce...Quero mais!

E durmo, arquitetando ilusões.

Que importam meus cantos solitários

- Se, um a um, a cega pauta tomba -

Darem vozes aos tempos libertários,

Se afogam-se à noite. Grande onda!

Amo-te qual farrapo e descrente.

Se descrente, o desejo só embriaga.

Eis-me à sede, à deriva e indigente,

Sem um chão, um cobertor. Dá-me água!

Amor, não vês? Sujeita ao teu domínio,


Afundo-me nos choros sem pudores.

Tu mentes! Pois se és filho do destino

Por que só dás a mim tuas próprias dores?

Canoas, RS-Brasil

Autora do livro *Os tempos e sua voz*

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A SERENATA

Adélia Prado

Uma noite de lua pálida e gerânios


ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
- só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?

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Achados e Perdidos

Gui Oliva

Amor é isso?

é tudo isso, amor,

e mais aquilo,

submisso o coração

só com ele inteiriço,

insolente perdição de
achados e perdidos.

Dói e machuca

pois eu digo,

pior é não senti-lo,

ainda que sem compromisso

de esperas sinceras,

distâncias sem cobranças

em cúmplices alianças.

Travesso, gozador,

imprevidente

impõe ciúme ardente,

faz-se em choros e risos

desses de adolescente,

uma palavra só, um gesto,

ou um desse beijo pleno.

Aquieta-se, senhor de si,

cabotino e sereno,

explode em travessuras,

se os corpos aproxima

perde a lucidez,

a sensatez

sepulta a rotina.

E seus cansaços

ele sacia à plenitude

quando lança,
e quando enlaçar

os corpos lassos,

está provado:

não só de olhares

o amor começa,

identidade extrema,

almas gêmeas,

olhares outros

cativos, libertários,

começo e fim,

término sem início

não termina...

para esse amor

coração inclina,

tens a resposta

ou parte dela,

estou disposta

se essa for,

pra valer,

tua proposta!

agosto/2003

revisão/2010

www.vidaemcaminho.com.br

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A tristeza disse adeus ...

Vera Mussi

Na certeza de uma
felicidade adquirida ...
Fomos surpreendidos
pela saudade de um adeus
Sem despedida !

A tristeza quer dizer adeus


ao ontem desprezado...
Agora...
É presente de um passado
a pedir, mais uma vez,
O perdão de outrora!

Sublimes sentimentos,
já acomodados
Superam os momentos
Bem guardados...
Relíquias amalgamadas
entre os bons pensamentos...
Desejam o futuro que grita
em nossas mentes festejadas!

O sonho do "eu e tu"


Despediu-se de " nós"
No entanto...palpita
Suave carinho
Sobrevive nos versos
Novo ninho ...
Nesse canto do universo
Solidário

Desta vez...
(sem a nossa voz)
A tristeza disse adeus
Ao coração solitário !

Janeiro/2009

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AO SOM DE UMA CANÇÃO

Lêda Mello

Vindo de longe, doce melodia


traz ao presente um tempo do passado.
Chega tão vivo, imerso em nostalgia,
que faz sentir uma presença, ao lado.

Lembrando cenas de um amor perfeito,


febril, vibrante em horas de paixão,
entrega amante no macio leito.
Depois, suave, enchendo o coração,

paz de criança em colo adormecida,


canção de amor acalentando a vida,
calor de abraço em noites invernais.
Hoje é saudade a distante quimera,
de um sonho lindo que cansou da espera,
de um tempo ido que não volta mais.

Arapiraca (AL) - Brasil

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VÍTIMAS DA VIDA

Ferdinando©

Germany 29-04-10

Do tempo nascem séculos a conversar,


Com a idade que semeia a pobreza...
O pranto, é a bandeira em cada olhar
Hasteada sobre as brumas da tristeza.

Desfilam mentiras, para nos vergar


Rasgando a verdade e a beleza,
Anoitecem e madrugam com o luar
E ficam todo o dia à nossa mesa!

Quando o vento chora com as fontes,


Os Profetas falam a olhar os montes,
Na espera que a concórdia vá nascer...

A amizade está no dia que não vem...


- Pois de nada, vale aquilo que se tem,
Se não temos a liberdade de o viver!

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POETAS, SÃO IMORTAIS
Lauro Kisielewicz

Poetas, são imortais,


parece muito,
mas não é demais,
posto que suas falas,
seus versos e expressões,
acalentam corações,
despertam emoções,
e seguem por muitas mãos,
alcançando outros irmãos,
muito além das fronteiras,
superando ribanceiras,
transitando por trincheiras
transpõe campos minados,
descrevendo a guerra,
aborda a vida e a morte
para o poeta tanto faz...
trata da vida dos excluídos,
enaltece alguns desvalidos,
homenageia mães e pais,
e incansavelmente,
segue em frente,
buscando amor e paz!
E se morre o poeta,
partindo para a eternidade,
deixa para a posteridade
o seu pensar e seu falar,
mas sobretudo ele deixa,
como herança à humanidade
seu jeito simples de amar.

Maio de 2.006

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Num olhar apenas...
Eugénio de Sá

Escreveste aquele tempo, num olhar apenas

Enquanto, amena, c’o as mãos me acenaste

Eu lia-te a esperança, na expressão serena

E tu lias-me o pranto quando me deixaste.

Foram dias, e meses, anos... sem te ver!

E enquanto os silêncios nos distanciavam

Eu sonhava-te a vida, ditosa, a correr

Mas já teus olhos outros procuravam.

E de longe te vi, com as mãos me acenaste


Procurei-te no olhar a esperança, mas serena

Vagamente os teus olhos nos meus repousaste;

Tu fitavas, sem ver, os restos desta pena

E eu lia, nos silêncios, a esperança que mataste

Escreveras outro tempo, num olhar apenas!

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PELOS OLHOS DO CORAÇÃO

A gruta não grita...

Apenas ouve!

Ouve o silêncio nativo,

Vezes do vento o silvo

Ou o farfalhar de asas noturnas,

Em revoadas curtas e soturnas

A gruta não grita...

Apenas ouve!

Ouve o cantar do riacho,


Que, com postura de macho,

Vence todas as barreiras

Dos remansos e corredeiras.

A gruta não grita...

Apenas ouve!

Diferente do meu peito,

Onde, à luz do bem feito,

Pulsa e grita, atento ao cenário de dor,

Um coração voltado ao resgate do Amor.

A gruta não grita...

Apenas ouve!

O meu coração ouve e grita,

Pois não sucumbe à desdita

De nascer e viver só para morrer,

Deixando ao compasso da sorte

A busca e a razão do novo amanhecer.

Alceu Sebastião Costa

11 de maio de 2010

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TEIMOSIA

Alceu Sebastião Costa

O delírio.Vôo delirante.

Olhar à frente. O nada.

O vôo. Vôo errante.

O pouso forçado. N'água.

A queda. A asa quebrada.

O socorro ausente.

De repente, à sua frente

O tudo.

O anjo, que é alado,


Mas não é ave,

Se faz presente.

Sopra a esperança de voltar.

Voar. A rota retomar.

Atravessar a escuridão,

a aridez do deserto.

A pressa de chegar.

Aonde?

Ao infinito,

Que a Deus esconde.

Se o encontrar, nada em vão.

Valeu!

Tudo pela missão,

Com amor cumprida

pelo planeta Terra.

Pela vida.

Alceu Sebastião Costa

( Texto da obra poética do Autor "Extratos da Criação",

SHAN Editores Ltda Porto Alegre-2004 ).


Sobre a tela: "Esperança Alada"

120x80cm - óleo sobre tela – 2009

“Muitos já me perguntaram o porque desata menininha, tão bonitinha, estar de asas. Eu respondi
que, quis retratar uma imagem de esperança, ou de espera pela esperança. Quando olhei esta figura
pela primeira vez, tive a sensação de que esta menina estava esperando algo em especial. Percebi
que em seu rosto havia uma expressão de angústia e, um pouco de revolta. Observando o cenário
onde ela está e os pés calçados de uma sandália simples, percebi que se tratava, mais uma vez, de
um cenário de pobreza. Talvez não de miséria, como em outras obras minhas, mas de pobreza. A
esperança é a própria menina, a negrinha de sandálias e roupa humilde. Um anjo que nos mostra um
futuro de mudança, um futuro de paz. Esperança de dias melhores. Esperança da boa educação, da
distribuição de renda justa, de uma boa alimentação nas casas dos sertanejos, dos operários, dos
peões, dos trabalhadores braçais. Esperança dos orpimidos de classes inferiores, necessitados de
dignidade e respeito. Estes são, os verdadeiros trabalhadores e construtores do nosso país. Estes
esperam por mudanças, estes esperam por dias melhores, estes esperam por iniciativas dos mais
abonados, dos mais ricos. A "Esperança Alada" é do próprio povo, pertence a estea classe ou
camada social, é uma personagem que vive junto ao povo e o conduz à própria Esperança.”
[Henderson L. Uxitisky]

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VIÉS
Marcos Milhazes

Malfadada minha vida


Deixaste-me sem guarida
Nem a margarida devolveste-me
Minha marca em ti,
já não mais registra,
o fim da minha agonia

Saíste pela tangente,


evitaste o inerente,
tão claro como a noite
Foste em forma de açoite
Evitaste-me, tal gelo
na luta com o Sol

Flagrante foi, sua intenção daninha


Meus versos, até meus escritos secastes
como Nordeste
Ânsia escrava do espúrio
Estúpido fui
Demente sua partida, tornei-me
Um pano, como uma tesoura cega,
que não mais tem direito a ele.

Sim, no fim sem esperar,


pela mão salvadora ou da autora.
Na minha aflição nômade,
desorientado se a vida seguia ou escorria, ria!

Que pela opção do destino,


tornei-me a linha rebelde ao pano.
Não percebia que andava certo como as serpentes,
ou ambulava em oblíquo
Torto como foi o nosso colóquio de amor...

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Canção para um Homem e um Rio

Marina Colasanti

Porque era um homem sincero


eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas sincero não era
era só homem
e deixei nos junquilhos a esperança
de dar à minha espera serventia.

Porque era um homem forte


eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas forte ele não era
era só homem
e entre pedras deixei o meu desejo
de abandonar o arado, a forja, e a lança.

Porque podia me amar


eu o levei ao rio entre junquilhos.
Mas amante não era
era só homem
e na água afoguei a minha sede
de palavras mais doces que ambrosia.

Porque era um homem


só homem
eu o levei ao rio entre junquilhos.

In: COLASANTI, Marina. Rota de colisão. Rio de Janeiro: Rocco, 1993

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O amor
Marcos Milhazes

O amor não se delega


e muito menos se renega.
Ele sempre se rega e
nunca se nega.
Quer sempre o que carrega
E se entrega como diz a
tal da bendita regra.

A paixão que espere.


A lucidez que se supere.
A razão que não se desespere.
Mas que também espere.

E ele soberano aparece primeiro


Como mestre que o é
de todos os sentimentos
alados e proclama.

Eu o amor a
despeito da dor
que por muitas vezes me
descarta ou adia
Sempre começarei e
recomeçarei
Todo o santo dia...

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REFLEXÃO MATINAL

Alceu Sebastião Costa

Mal acaba a noite e o dia amanhece,

O poeta, enlevado, faz a sua prece;

Pouco pede, muito favor agradece,

A nova jornada ao Criador oferece.

De pé, fazendo da janela um telão,

Mãos postas, em posição de oração,

Penitente, põe a nu o seu coração

E leva ao Pai a súplica do perdão.

Depois, dá ouvidos ao silvo do vento,

Cuja mensagem, de dor e sofrimento,

Focaliza o pobre exposto ao relento,

Relegado ao plano de um cão sarnento,


Que tirita de frio sob a laje do viaduto,

Ou de vítima de uma lei inconsequente,

Que esquece preso o infeliz inocente,

Crédulo na evidente presteza do indulto.

Mas o poeta tira de letra tanto insulto

E transforma em poema a sua reza,

Esculpido na base da pedra bruta,

Expressão de boa fé em sua conduta,

Princípio fundamental do que se preza.

Antes de benzer-se, do alto da janela,

Para o jardim, uma última olhadela

Dá conta das aves tomando a refeição,

Na passarela do criativo Amigo Fiore,

Bom sujeito de alma e coração.

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VER-A-CIDADE

Alceu Sebastião Costa

05 de maio de 2010

Tenho vontade de ver a cidade

Livre dessa tenaz voracidade

Dos usurpadores da felicidade.

Ver de novo a sua veracidade

Nua e crua,

A lua azul clareando a rua,

O nostálgico neon da esquina famosa,

O galho ostentando a bela rosa


Do amor do menino e da menina,

Não da dor de Hiroshima;

Do viço da moralidade,

Não do doce flanar ao vento

Da desairosa impunidade.

Ah! Como eu gostaria,

Além de prosa e de poesia,

De ver-a-cidade,

Sem o descaso da banalidade!

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S.O.S. TERRA

Alceu Sebastião Costa

Disperso, meu olhar passeia até o longe,

Que é ali, onde o Criador se esconde;

No seu trajeto, os pássaros voam livres,

Aos bandos, cruzam os espaços sem limites,

São mensageiros da fé e da esperança,

Silenciosos, procuram as rotas de bonança,

Evitam os raios, as tempestades, a cerração,

Tudo que possa pôr em risco o sucesso da missão;

Chegam às cavernas do infinito na hora certa,

Entregam ao eco a difusão do brado de alerta,


O aviso à humanidade, alheia e omissa,

De que é hora de acordar, livrar-se da preguiça,

Pôr em prática o que é o desejo do coração,

Desfraldar a paz e salvar a terra da destruição.

Então, recolho o meu olhar disperso, caio em mim,

Saio em busca do mutirão e pela boa causa dou o meu sim.

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LLEVAME ESCRITOR

Victoria Lucía Aristizábal

Bogotá Colombia

Julio de 2010

Llévame, amigo soñador

A recorrer contigo,

Tomados de las manos,

Cabalgaré sobre tu piel de arcano

Y hasta el fondo del mar sobre la espuma,

En nuestro atard
ecer sin bruma,
Hablaremos de amor con el ocaso,

A nuestro paso

Se abrirá el camino de luz hasta la estrella,

Hasta la más rutilante, la más bella,

Y con la cual soñé,

Cuando empezaste amarme y cuando yo te amé.

Desde allí miraremos el pasado

Cargado de ausencias y de olvidos,

De nidos destrozados,

Anclado a la nostalgia y derruido

Y en el último girón de una neblina

Viajaremos los dos con rumbo inexistente

No importa si al norte o al poniente

A la rosa o a la luna

Si toda mi fortuna

Está en tus besos y en haberte amado,

Que más dar ser mariposa

O el duende azul que se quedó encantado

En el país del embeleso?

No regresemos amigos soñador


Viajemos siempre

En esta caravana de colores

Pensando en ser mejores escritores

En la nave de amor que fue nuestra

Repleta de sueños y valores

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TRADUZIR-SE
*Ferreira Gullar

Uma parte de mim


é todo mundo:
outra parte é ninguém:
fundo sem fundo.

uma parte de mim


é multidão:
outra parte estranheza
e solidão.

Uma parte de mim


pesa, pondera:
outra parte
delira.

Uma parte de mim


é permanente:
outra parte
se sabe de repente.

Uma parte de mim


é só vertigem:
outra parte,
linguagem.

Traduzir-se uma parte


na outra parte
- que é uma questão
de vida ou morte -
será arte?

*Ferreira Gullar, pseudônimo de José Ribamar Ferreira (São Luís, 10 de


setembro de 1930) é um poeta, crítico de arte, biógrafo, tradutor,
memorialista e ensaísta brasileiro e um dos fundadores do
neoconcretismo. Prêmio Camões (2010)

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POR ONDE ANDARÃO OS MESTRES

Cleide Canton

Calaram-se

ao som trincado dos velhos cristais.

Apagaram-se as chamas

das velas douradas

e as sombras pálidas

perambulam pelos cantos sem luz,

tentando encontrar

um motivo qualquer
que justifique o desmoronar

dos altares erguidos aos seus deuses...

Estranhos deuses!

Em que lugar do espaço se escondem?

Em que falácia dançam seus ensinamentos?

Em quantos disfarces

os usurpadores

se mostram aos incautos

e a quantos ganham

com a sedução das palavras

bem direcionadas,

com argumentos que pecam

pela negação de princípios.

O pó de ouro cobre o latão

e as novas teses aproveitam o brilho,

ensaiam novos passos

para a mesma dança,

na cirrada luta

para cobrir os erros,

abafar os indícios,

apagar as evidências.
O mal toca o coração dos bons

que se perdem na defesa das virtudes.

Não os domina,

mas endurece seus conceitos,

salga suas palavras,

tinge suas esperanças,

perturba sua visão do bem.

Nada pior que o silêncio dos mestres,

encolhidos na covardia da solidão,

enquanto os demais se ufanam

na proclamação da própria sabedoria.

Um dia

o sol nascerá vestido de festa,

o riso brotará sem razões,

e cada qual

verá o seu próprio céu.

Volverá a luz

e, com ela,

os cegos enxergarão,

os surdos ouvirão,

os pequenos-humildes,
os verdadeiros bem-aventurados,

vestir-se-ão da força

e serão os únicos

profetas da paz.

SP, 27/08/2010

9:00 horas

"Sem a razão, o homem se perde em falsos conceitos, deixa-se dominar


pelos vícios do "eu sou" e adapta seus hábitos à cegueira do fanatismo".

Cleide Canton

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SOU INTEIRO !

José Geraldo Martinez

A parte, que tu me deste,


guardo até hoje no coração!
É de tua alma... limpa e agreste,
daquelas de um azul celeste,
na palma da tua mão!

Assim eu quis e fui feliz...


Por ela caminhei encantado!
Tornei-me menino aprendiz .
Em chão de giz , pousei meu cavalo alado!

A parte que tu me deste,


é mais do que merecia...
Um sentimento que a minha alma aquece,
um amor que a tudo veste,
de encanto, pureza e magia!
A parte que tu me deste,
é exata metade que não tinha !
Faço-me fonte que jorra candura,
caindo dos olhos ternura,
banhando-te o peito, amada minha!

Sou inteiro, sou pleno...


Grande qual a noite infinita,
a beijar as flores aflitas,
com lábios de manso sereno!

Sou vento!
Vastidão dos desertos...
Tempestades e vulcões,
chuva beijando os torrões,
arco-íris, no firmamento!

Sou ave livre,


com todo poder de voar...
As avalanches nos declives,
um rio manso em deslize,
sou areia, sou mar...

Sou completo!
Com o poder das quatro estações...
Sonhos de amor, réu confesso,
manifesto...
No brilho das constelações!

A parte que tu me deste,


é bússola que deu-me um norte...
Além de um amor contrito,
por Deus prescrito...
Ah, meu amor! Além morte!

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O Poeta e o Sabiá
Duo da Primavera

Insones madrugadores,

Insanos compositores;

No front, fiéis soldados,

No pódio, reverenciados;

Menestréis abnegados,

Trovadores apaixonados;

Tão criativos sonhadores

Quanto realistas semeadores;


Arquitetos da arte do poetar,

Missionários do Amor e da Paz.

Mês de agosto, sabiá cantando,

Cheiro da Primavera chegando.

Alceu Sebastião Costa

Serra Negra, 26 de agosto de 2010

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Encontre a primavera

Autor: Américo Pita(*)

Procure a Primavera
em qualquer canto:
nos quintais, nos canteiros, nos recantos
dos jardins, onde a florada prolifera.
Procure nos caminhos.
procure com carinho...
e encontre a Primavera.

E quando sentir, pelas manhãs,


um ar primaveril, risonho e lindo,
nos pés de flamboyans,
nos pés de tamarindos
e perceber que o fascínio
da sua alma se apodera,
não pare, siga em frente,
seja mais paciente...
e encontre a Primavera.

E quando,

na aleluia de luz do seu jardim,


ouvir um som, como um clarim,
é a passarada, que no cantar se esmera.
E quando, enfim,
sentir o perfume de um jasmim
e choverem pétalas perfumosas
e miríades de cores luminosas,
como se Deus descesse em seu jardim...
e quando sentir que a vida
não é apenas fantasia, nem quimera...
leia as mensagens das rosas nos canteiros...
e na fronde angelical dos jasmineiros
encontre a primavera.

E antes que a solidão, o desencanto


e a nostalgia lhe prostrarem em pranto
como trovões próximos
que sua alma desespera,

jogando-o nos abrolhos,

deixando nódoas ardentes nos seus olhos


e fragmentando a moldura da alma...
prossiga, tenha calma...
e encontre a Primavera.

E na graça deste quadro reluzente,


jogue fora a tristeza, siga em frente,
e encontre a primavera.

Abra sua janela

e deixe um raio de sol beijar sua existência


e capture o perfume das rosas,
sem nomes e sem rótulos,
para acariciarem, com toda sua essência,
o mundo inteiro, a atmosfera, a estratosfera...
Encha de júbilo o seu coração,
segure o mundo na palma da mão
e eternize a Primavera.
(*) Manoel Américo de Carvalho Pita - Escritor, poeta e pesquisador da cultura
nordestina, santanense lá do pé da serra grande, (Serra do Gado), onde os acordes do
seu violão ainda ecoam.

Nota do blog (Michèle): Texto gentilmente repassado pela poeta


Vera Mussi. A rosa da foto também, gentilmente, foi colhida no
Bouquet de Cravos & Conchavos pelo autor, clicada por mim lá
na Praça da Liberdade, Belo Horizonte das Minas Gerais num
instante que a natureza já proclamava a chegada da primavera.

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