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Ministério da Justiça e Segurança Pública


Secretaria Nacional de Segurança Pública

POLÍCIA COMUNITÁRIA II

MJ
BRASÍLIA
2017
3
Presidente da República
Michel Temer

Ministro da Justiça e Segurança Pública


Torquato Lorena Jardim

Secretário Executivo
José Levi Mello do Amaral Júnior

Secretário Nacional de Segurança Pública


Carlos Alberto dos Santos Cruz

Diretor do Departamento de Ensino, Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal


Rinaldo de Souza

Coordenadora-Geral de Ensino
Ana Paula Garutti da Silva

Coordenador de Análise de Eventos de Aprendizagem


Armando Slompo Filho

Secretaria Nacional de Segurança Pública

4
Ministério da Justiça e Segurança Pública
Secretaria Nacional de Segurança Pública

POLÍCIA COMUNITÁRIA II

MJ
BRASÍLIA
2017
5
© 2017 Secretaria Nacional de Segurança Pública
Todos os direitos reservados. É permitida a reprodução total ou parcial desta obra, desde que seja citada a fonte
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ISBN: xxxxxxxxxx

Equipe Responsável
Diretor do Departamento de Ensino, Pesquisa, Análise da Informação e Desenvolvimento de Pessoal
Rinaldo de Souza

Coordenadora-Geral de Ensino
Ana Paula Garutti da Silva

Coordenador de Análise de Eventos de Aprendizagem


Armando Slompo Filho

Equipe de apoio
Alisson Inacio Melzzi (Roteirista e diagramador - Benner)
Bernadete Cordeiro (Assessora pedagógica e revisora)
Celso Nenevê (Conteudista 1ª versão)
Elias Milaré Junior (Coordenador do projeto - Benner)
Frank Paris (Designer - Benner)
Gabriel Bruno Martins (Roteirista e diagramador - Benner)
Ivanildo Alves Pereira (Câmara Técnica)
João Bosco Silvino Júnior (Conteudista 2ª versão)
Júlio César Luís da Silva (Câmara Técnica)
Luciana Brum Pinheiro (Câmara Técnica)
Magali lima brito (Câmara Técnica)
Rafael Vitória Alves (Revisor - Benner)

6
Ficha Catalográfica elaborada pela Biblioteca do Ministério da Justiça

7
Sumário
Objetivos do curso .............................................................................................................................................. 12
Estrutura do curso............................................................................................................................................... 13
MÓDULO 1 - Processo “Conhecer” ................................................................................................................... 14
Apresentação do Módulo ................................................................................................................................... 14
Objetivos do Módulo .......................................................................................................................................... 14
Estrutura do Módulo .......................................................................................................................................... 14
Aula 1 - O que é Polícia Comunitária? ............................................................................................................. 15
1.1 Conceito de Polícia Comunitária ................................................................................................................................. 15
1.2 Aspectos a serem compreendidos a partir da conceituação ...................................................................................... 16
1.2.1 Cultura ..................................................................................................................................................................... 16
1.2.2 União ........................................................................................................................................................................ 18
1.2.3 Comunidade e polícia .............................................................................................................................................. 19
1.2.4 Ações eficientes ....................................................................................................................................................... 20
1.2.5 Fatores ofensivos à segurança pública .................................................................................................................... 21
Aula 2 - Como funciona Polícia Comunitária em algumas polícias? ............................................................ 21
2.1 Japão ........................................................................................................................................................................... 22
2.1.1 O sistema de policiamento comunitário.................................................................................................................. 22
2.2 Guatemala................................................................................................................................................................... 24
2.3 Brasil ........................................................................................................................................................................... 25
2.3.1 Como o sistema japonês influenciou São Paulo? .................................................................................................... 25
2.3.2 Como o sistema japonês influenciou o Rio Grande do Sul? .................................................................................... 26
2.3.2 Como o sistema japonês influenciou o Rio Grande do Sul? .................................................................................... 27
2.3.4 Como funciona o apoio brasileiro a terceiros países? ............................................................................................. 29
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................................... 31
MÓDULO 2 - Processo “Normatizar” ................................................................................................................ 35
Apresentação do Módulo ................................................................................................................................... 35
Objetivos do Módulo .......................................................................................................................................... 35
Estrutura do Módulo .......................................................................................................................................... 35
Aula 1 - Importância das normas e doutrinas de Polícia Comunitária ......................................................... 35
Aula 2 - Normas de Polícia Comunitária ......................................................................................................... 38
2.1 Estrutura das Normas ................................................................................................................................................. 38
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................................... 40
MÓDULO 3 - Processo “Conscientizar” ............................................................................................................ 43
Apresentação do Módulo ................................................................................................................................... 43
Objetivos do Módulo .......................................................................................................................................... 44
Estrutura do Módulo .......................................................................................................................................... 44
Aula 1 - Mudanças de cultura organizacional e liderança ............................................................................. 44
1.1 Mudança de cultura organizacional............................................................................................................................ 44
1.2 Mudando comportamentos da Liderança .................................................................................................................. 47
8
Aula 2 - Mudando comportamentos da comunidade ..................................................................................... 47
2.1 Os 13 pilares da organização comunitária .................................................................................................................. 48
2.2 Identificação de líderes de uma comunidade............................................................................................................. 50
2.2.1 A reunião com os líderes ......................................................................................................................................... 50
Aula 3 - Como elaborar projetos sociais .......................................................................................................... 52
3.1 Projetos sociais e sua relação com a prevenção primária .......................................................................................... 52
3.2 Estrutura básica de um projeto .................................................................................................................................. 53
3.3 Característica de um projeto ...................................................................................................................................... 54
3.4 Outras formas de aproximação .................................................................................................................................. 54
Aula 4 - Mudando comportamentos do policial executor ............................................................................. 56
4.1 Ferramentas que favorecem a conscientização ......................................................................................................... 56
4.1 Ferramentas que favorecem a conscientização ......................................................................................................... 57
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................................... 59
MÓDULO 4 - Processo “Difundir” ..................................................................................................................... 63
Apresentação do Módulo ................................................................................................................................... 63
Objetivos do Módulo .......................................................................................................................................... 63
Estrutura do Módulo .......................................................................................................................................... 63
Aula 1 - Como e qual a razão de divulgar? ...................................................................................................... 64
1.1 Mudança de cultura organizacional............................................................................................................................ 64
1.2 Como divulgar ............................................................................................................................................................. 64
Aula 2 – Porta-voz .............................................................................................................................................. 65
2.1 Importância do Porta-voz ........................................................................................................................................... 65
2.2 Relacionamento com a imprensa ............................................................................................................................... 66
2.3 Algumas dicas para a comunicação efetiva ................................................................................................................ 66
Aula 3 – Compartilhamento de boas práticas ................................................................................................. 67
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................................... 68
MÓDULO 5 - Boas práticas de Polícia Comunitária ....................................................................................... 71
Apresentação do Módulo ................................................................................................................................... 72
Objetivos do Módulo .......................................................................................................................................... 72
Estrutura do Módulo .......................................................................................................................................... 72
Aula 1 - Boas práticas de âmbito nacional ...................................................................................................... 72
1.1 Mudança de cultura organizacional............................................................................................................................ 72
1.2 Bases Móveis .............................................................................................................................................................. 73
1.3 Projeto USP Segura ..................................................................................................................................................... 75
1.4 Integração entre vizinhos e polícia ............................................................................................................................. 76
1.5 Equoterapia................................................................................................................................................................. 77
1.6 Companhia Legal......................................................................................................................................................... 78
1.7 TV PMMG Mirim ......................................................................................................................................................... 78
1.8 Projetos dentro da Cracolândia .................................................................................................................................. 79
1.9 Projeto Lutando Pela Paz ............................................................................................................................................ 79
9
1.10 Arca de Noé e Bem-Estar Mulher ............................................................................................................................. 80
1.11 Projeto Música Além do Coração ............................................................................................................................. 81
1.12 Projeto Casamento Comunitário .............................................................................................................................. 81
1.13 Escolinha de Ciclismo Mirim Califórnia ..................................................................................................................... 82
1.14 Proteção às mulheres ............................................................................................................................................... 82
1.15 Projeto Funk, Polícia e Arte da Paz ........................................................................................................................... 83
1.16 Boxe na Praça............................................................................................................................................................ 84
Aula 2 - Boas práticas de âmbito internacional .............................................................................................. 84
2.1 Guatemala................................................................................................................................................................... 84
2.2 El Salvador................................................................................................................................................................... 85
2.3 Estados Unidos............................................................................................................................................................ 86
EXERCÍCIOS.......................................................................................................................................................... 88
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ........................................................................................................................ 89

10
Prezado(a) aluno(a), seja bem-vindo(a) ao Curso Polícia Comunitária II.
No curso Polícia Comunitária você discutiu:
• O contexto de surgimento da noção de polícia comunitária;
• Compreendeu e analisou diferentes conceitos;
• Identificou as diferenças entre a polícia comunitária e outras formas de orientação das organizações de
segurança pública;
• Compreendeu a noção de participação social em segurança pública;
• Identificou formas de mobilização social;
• Aplicou ferramentas de gestão de qualidade ao policiamento comunitário;
• Reconheceu a relevância da participação social no campo de segurança pública; e
• Compreendeu a noção de vulnerabilidade social, articulada a contextos e serviços especializados a
populações específicas.

Agora é hora de aprimorar esses conhecimentos com o curso Polícia Comunitária II, que é fruto do
Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre Japão e Brasil, sendo signatários brasileiros a Secretaria Nacional
de Segurança Pública do Ministério da Justiça e Segurança Pública (SENASP -MJ/SP), Agência Brasileira de
Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), Brigada
Militar do Rio Grande do Sul (BMRS) e Polícia Militar do Estado de São Paulo (PMESP), e do lado japonês a
Agência Nacional de Polícia do Japão (ANPJ) e a Agência de Cooperação Internacional do Japão (Japan
International Cooperation Agency – JICA).
A finalidade do curso é auxiliar instituições policiais e comunidades a transformarem “Polícia
Comunitária” em instrumento permanente para promover a cultura da paz e da não violência, por intermédio
de quatro processos elementares: Difundir, Conhecer, Conscientizar e Normatizar.
Esses processos elementares (conhecer, normatizar, conscientizar e difundir) auxiliam a diagnosticar os
pontos fortes e os aspectos a serem melhorados, tanto na polícia quanto na sociedade.
A falha em um ou mais desses processos (que não são sequenciais, porém são complementares)
tem levado os organismos policiais a viverem ciclos aparentemente insolúveis, consideravelmente exaustivos e
sensivelmente intermináveis na busca por um padrão de qualidade na aplicação do conceito de união da
comunidade com a polícia.
Assim, os processos se traduzem como parâmetros a serem contemplados e observados,
decompostos e examinados, constantemente, tal como um check-list que pode ser aproveitado tanto por
unidades menores, com efetivo mínimo, quanto pela corporação como um todo.

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É possível comparar os processos de Polícia Comunitária àqueles operacionais dos quais dispõem todas
as polícias, como mostra o exemplo a seguir, de um diagnóstico operacional.
Exemplo: Se uma Unidade Policial, em análise de dados criminais, constata que a maioria dos
homicídios está acontecendo nos bares da área norte, das 23h30min às 03h00min, qual providência tomará a
Unidade Policial para prevenir e, assim, reduzir tal incidência?
Certamente, ela se reunirá com órgãos públicos de fiscalização de postura de alvará de funcionamento,
vigilância sanitária, Conselho Tutelar, entre outros, e, em conjunto, desenvolverá operações entre 23h30min e
03h00min, na área norte (Encontre-o nos anexos dentro do curso).
As operações serão especialmente em bares e arredores, saturando com diversas viaturas e realizando
buscas pessoais, que, inevitavelmente, culminarão com a prisão em flagrante de criminosos com armas de fogo,
apreensão de drogas proscritas e armas brancas, localização de foragidos da justiça e, pelos demais órgãos, o
descobrimento de bares sem alvará de funcionamento ou com funcionamento em período irregular, que serão
autuados ou lacrados. Além disso, serão notadas irregularidades quanto aos insumos alimentícios fornecidos,
haverá o amparo a crianças em situação de risco e, ao término do tempo de ações, é bem provável que os
homicídios diminuirão.
É importante observar que a sequência do exemplo é baseada em processos operacionais. Os processos
serão o objeto de estudo deste curso.
Mas onde estão disponíveis os “Processos” de Polícia Comunitária?
Afinal, onde é que as instituições estão errando e como estão identificando, de maneira sistematizada,
o foco de atuação para melhorar a união entre a comunidade e a polícia?
O estudo do conteúdo deste curso possibilitará que você conheça os processos elementares de polícia
comunitária, e, por meio de perguntas, possa aferir em quais sua instituição ou seu local imediato de trabalho
estão avançados e em quais ainda não alcançaram níveis satisfatórios.
Ainda, terá a oportunidade de conhecer boas práticas e a grata chance de participar de uma avaliação
inédita e sensacional, denominada “Diagnóstico Local/Institucional de Polícia Comunitária”.

Bom estudo!

Objetivos do curso

Ao final do estudo deste curso, você será capaz de:


• Ampliar seus conhecimentos sobre Polícia Comunitária a partir do estudo dos seus processos
elementares.
• Caracterizar os processos elementares de Polícia Comunitária.
• Avaliar sua instituição ou posto de trabalho diante da implantação e gerenciamento dos processos
estudados.
• Analisar boas práticas nacionais e internacionais de Polícia Comunitária.

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Estrutura do curso

Este curso está estruturado nos seguintes módulos:


Módulo 1 – Processo Conhecer
Módulo 2 – Processo “Normatizar”
Módulo 3 – Processo “Conscientizar”
Módulo 4 – Processo “Difundir”
Módulo 5 – Boas Práticas de Polícia Comunitária

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MÓDULO
Processo “Conhecer”
1

Apresentação do Módulo

De acordo com Michaelis (2017), a palavra “conhecer” significa “saber, adquirir informações sobre
alguma coisa, ter noção ou ideia sobre algo”. Sendo assim, neste módulo você conhecerá o que é “Polícia
Comunitária”. E fará isso a partir da ampliação de alguns conceitos que você já estudou no curso anterior; assim
como por meio da análise das práticas de Polícia Comunitária no Japão (Sistema Koban) e das polícias da
Guatemala e do Brasil.

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


• Ampliar o conceito de Polícia Comunitária, estudando os conceitos mais contemporâneos e os seus
elementos.
• Analisar as práticas de Polícia Comunitária implementadas no Japão (Sistema Koban), na Guatemala e
em três estados brasileiros (MG, SP e RS).
• Verificar a contribuição do Sistema Koban para as práticas de Polícia Comunitária no Brasil.

Estrutura do Módulo
Este módulo está estruturado nas seguintes aulas:
Aula 1 – O que é Polícia Comunitária
Aula 2 – Determinação da distância de tiro
Aula 3 – Como funciona Polícia Comunitária em algumas polícias?

14
Aula 1 - O que é Polícia Comunitária?

Responda com a máxima sinceridade a estas duas perguntas:

A sua instituição policial conhece o significado de “Polícia Comunitária”, desde os policiais executores
até o nível gerencial?

A comunidade que você protege sabe do que se trata a Polícia Comunitária?

1.1 Conceito de Polícia Comunitária

Para implantar a Polícia Comunitária é preciso, antes de tudo, entender seu conceito.
“Polícia Comunitária é uma filosofia e uma estratégia organizacional que proporciona uma nova
parceria entre a população e a polícia. Tal parceria se baseia na premissa de que tanto a polícia quanto a
comunidade devem trabalhar juntas para identificar, priorizar e resolver problemas contemporâneos tais como
crime, drogas, medo do crime, desordens físicas e morais, e em geral a decadência do bairro, com o objetivo de
melhorar a qualidade geral de vida da área.” (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994, p. 4-5, grifo nosso)
É possível abstrair do conceito anterior (TROJANOWICZ; BUCQUEROUX, 1994) que a Polícia
Comunitária é uma filosofia (do modo que se relaciona à maneira de pensar) e uma estratégia (portanto,
conecta-se ao modo de agir) organizacional (de toda a organização).
A Polícia Comunitária provoca uma mudança tanto no campo da abstração (nos pensamentos) quanto
na concretude das ações de todos os membros e da própria organização, no sentido de que polícia e
comunidade devem “trabalhar juntas” (unidas) na identificação, priorização e resolução dos problemas (de
crime, medo e desordem), com o objetivo final de melhorar a qualidade de vida na área.
Ainda de acordo com Trojanowicz e Bucqueroux (1994), a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), por
meio da sua atual diretriz de Polícia Comunitária – DPSSP 3.01.06/2011 (2011, p. 20-21) –, subdivide esse
conceito em seis partes fulcrais (clique nos itens abaixo e conheça cada uma delas):
Filosofia - Pode ser definida como o estudo geral sobre a natureza das coisas e suas relações entre si,
ou ainda, como uma forma de compreender e pensar sobre determinado assunto.
Estratégia - É a arte de usar os meios disponíveis ou as condições que se apresentam para atingir
determinados objetivos – ou, também, a forma de fazer e de utilizar recursos para atingir certa finalidade.
Organizacional - Da organização, no caso específico, da Polícia Militar. No entanto, como vimos
anteriormente, pode-se aplicar a qualquer estrutura que possua uma função policial, de fiscalização ou de
atendimento à comunidade.
Parceria - É a reunião de uma ou mais pessoas para um fim de interesse comum ou ação de mais de
um ator para alcançar um objetivo comum a todos os atores sociais.
Problema - Definido basicamente como uma questão levantada para consideração, discussão, decisão
ou busca de solução.

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Qualidade de vida - Conjunto de condições ou situações que delineiam o viver e o conviver do cidadão
na comunidade.
Observe que o conceito se encerra reafirmando a lógica comunitária, quando fala do objetivo de
melhorar a qualidade de vida geral da área. Isto é, atender às peculiaridades do espaço territorial específico
de uma dada comunidade. Assim, a Polícia Comunitária sai de um modelo fixo-societário (delineado para
atender toda uma sociedade, como se essa fosse homogênea), para assumir um modelo customizado
(descentralizado/personalizado) às demandas e aos anseios de cada comunidade em particular.
Dentro dessa perspectiva dialética* de construção do conhecimento, é necessária a apresentação de
um novo conceito que agrega uma compreensão síntese da nossa discussão:
Polícia Comunitária é a cultura de união entre comunidade e polícia, objetivando o desenvolvimento
de ações eficientes para a redução de fatores ofensivos à segurança pública. Autor: Cap. PM Luciano Quemello
Borges (PMESP).
*A palavra “dialética” está sendo utilizada para representar o diálogo necessário e constante entre modelo de polícia e a
realidade.
A partir da definição contemporânea do Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP), você está
convidado(a) a analisar criteriosamente um leque de aspectos nela contidos. São eles:
• Cultura.
• União.
• Comunidade e polícia.
• Ações eficientes.
• Fatores ofensivos à segurança pública.

Estude a seguir sobre cada um deles.

1.2 Aspectos a serem compreendidos a partir da conceituação


1.2.1 Cultura
“Cultura” remete à dedução de que Polícia Comunitária deve ser reconhecida e declarada como o
conjunto de conhecimentos, experiências, padrões de comportamento, hábitos e condutas que sejam capazes
de beneficiar a todos.
Recorrendo a uma explicação técnica do termo “cultura”, encontramos em Claval (2007) uma
abordagem que muito se relaciona à lógica de pertencimento a uma comunidade (própria da Polícia
Comunitária):
“A cultura é para Vidal La Blache e seus alunos, como para Ratzel e os geógrafos alemães, aquilo que
interpõe entre o homem e o meio e humaniza as paisagens. Mas é também uma estrutura geralmente
estável de comportamentos que interessa descrever e explicar” (p. 35, grifo nosso).
Acerca dessa perspectiva de estrutura geralmente estável de comportamentos, é relevante informar
que em estudos etnográficos, conforme explica Wagner (2010), há um choque cultural (entre quem estuda e
quem é estudado). Desse modo, o antropólogo/pesquisador terá suas predisposições culturais confrontadas

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para compreender o que está sendo descrito como cultura. Assim, esse mesmo autor fala de dois conceitos-
chave para se estudar a cultura: “Objetividade relativa” e “Relatividade cultural”.
Braga et al. (2014, no prelo) afirmam que objetividade relativa trata-se da ideia de que o pesquisador
parte do referencial de sua cultura para estudar as outras; já a relatividade cultural refere-se à presunção da
equivalência entre as culturas (situa o observador e o observado em posição de igualdade).
Tendo consciência da dimensão cultural existente no conceito de Polícia Comunitária, para o 1º Ten.
PM Tiago Farias Braga (PMMG) é importante entender que a Polícia Comunitária não é superior à Polícia
Tradicional. Elas são complementares entre si.
É necessário perceber que, por exemplo, o controle do crime e o tempo de resposta no atendimento
de ocorrências continuam sendo alvos perquiridos no policiamento comunitário. Porém, a polícia passa a ter
um objetivo maior de melhorar a qualidade de vida geral da área, abrangendo não só o enfrentamento
do crime, mas também da desordem e do medo.
De acordo com o Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP), a cultura que objetiva melhorar a
qualidade de vida, quando arraigada, contraria modelos dominantes – em especial o estilo de atuação de
polícia reativa, em que a segurança coletiva se baseia meramente em sublimes números de prisões de criminosos
e pelo qual a comunidade tem contato com a polícia apenas quando a impulsiona a atender seu chamado
emergencial.
Essa postura mais afastada da comunidade tem sido questionada e reprovada por grandes estudiosos
de segurança pública ao redor do mundo.
“O desempenho dos órgãos policiais que atuam de maneira reativa no controle e redução do crime é
apontado como um problema que tem afetado a eficiência e a eficácia do serviço policial e o seu relacionamento
com a população em vários países do mundo.” (SKOLNICK, 2001)
A assertiva não significa dizer que “prender criminosos” é algo descartável. Seria um absurdo
afirmar isso! Significa dizer, porém, que não deve ser esse o cerne daqueles que protegem o povo.
A questão é o modo de considerar e majorar as atribuições, pois: em qualquer um dos continentes as
polícias patrulham preventivamente e interagem com a comunidade. Ainda assim, acontecem crimes. Em
resposta, o policial tenta levar o autor aos cuidados da justiça pela prisão em flagrante (que é medida de
exceção) ou pelas investigações.
Vamos relembrar as diferenças entre Policiamento Tradicional e Polícia Comunitária, estudadas no
curso anterior. Reveja-as no quadro elaborado por PERES (1998, p. 10).

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Você, enquanto policial, sempre vai optar por unir-se com a comunidade e prender criminosos. O que
distingue uma instituição de outra é o quão apurado é o seu enfoque quanto a essas missões.
Ou seja, por qual desses dois prismas sua instituição é reconhecida pela população: a polícia que está
próxima dos cidadãos enquanto enfrenta o crime ou a polícia que enfrenta o crime porém está longe dos
cidadãos?

Importante!
A sociedade pede uma atitude mais adequada dos corpos policiais. Deseja, sobretudo, uma polícia proativa
que respeite a dignidade da pessoa humana, que seja gentil com o cidadão, sem perder, entretanto, a
legalidade e a energia necessárias para pugnar, simultaneamente, o crime.

Como cultura, é basilar compreendermos que não podemos nos limitar às ideias que compõem e
alimentam discursos vazios e cíclicos. Precisamos ir além dos estudos meramente teóricos e das reflexões que
nunca prosperam. Devemos mergulhar na prática, cientes daquilo que temos que fazer e, mais importante,
como fazer.
A Polícia Comunitária deve ser difundida e deve influenciar toda a polícia e a comunidade. Essas,
fortalecidas pelo consenso e associadas pelo mesmo interesse, assumem juntas um lento e delicado embate
contra o atual cenário a ser superado.
Por isso, quando se fala em “fazer Polícia Comunitária em lugares que não estavam habituados a essa
cultura”, estamos lidando com uma tarefa nada fácil. Pois mudar costumes é um processo desafiador, cansativo
e de mensuração não imediata.

1.2.2 União

Você observou também no conceito que essa cultura é de “união” entre polícia e comunidade.
União significa ajuntamento, acima da frágil aproximação ocasional ou do simples intuito de junção.

Ajudar uma idosa a atravessar a faixa de pedestres é, por si só, Polícia Comunitária?

18
Não.

Colocar uma criança no assento da viatura para que ela se divirta ao acionar a sirene é, por si só, Polícia
Comunitária?
Não.

Esses dois gestos são atos de gentileza, educação e amabilidade. É certo que são gestos que devem ser
estimulados, pois são importantes na medida em que contribuem demasiadamente para a união da polícia com
a comunidade, já que a simpatia gera aproximação.
Portanto, sempre trate com gentileza, educação e amabilidade qualquer pessoa, pois isso abre as portas
para que Polícia Comunitária seja feita.
Todavia, quando uma instituição policial preocupa-se mais com a vitrine que com a profundidade real
do que é Polícia Comunitária, cria-se uma barreira que, cada vez mais, cresce e dificulta o entendimento geral.
A “Teoria da Árvore e da Orquídea”, desenvolvida pelo Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP),
procura tornar claras tais perspectivas. Veja, a seguir:
A árvore é um vegetal forte, robusto, resistente, de tronco lenhoso e com raízes bem fixadas. Tem um
papel vital para a humanidade, produzindo nosso oxigênio em grandes proporções, garantindo a paisagem e
o equilíbrio natural, oferecendo madeira para nos abrigar, sombra para nos proteger, frutos para nossa
subsistência, entre outros benefícios.
Já a orquídea é uma planta ornamental que cresce sobre as árvores, utilizando-as como apoio para
buscarem luz. Ela se alimenta do material em decomposição que cai das árvores e se mistura às suas frágeis
raízes, contudo, não é parasita. As orquídeas são belíssimas nas inúmeras cores, formas e tamanhos.
Ambas são importantes para a natureza e, assim sendo, devem ser preservadas pela humanidade.
Contudo, as árvores são essenciais para a sustentabilidade e sobrevivência do planeta, enquanto as
orquídeas dão sua contribuição de uma forma mais modesta.

Para refletir:
É fundamental que as comunidades e as instituições policiais assimilem essa teoria e, quando decidirem aceitar
Polícia Comunitária, que admitam ser primordial o envolvimento leal de todos na mudança de cultura – e
tenham em mente a seguinte pergunta: “O que eu quero para minha polícia e para minha comunidade: uma
cultura de Polícia Comunitária forte, robusta, resistente e com raízes bem fixadas, vital para todos e que oferece
uma série de benefícios (como uma árvore) ou uma Polícia Comunitária ornamental e acessória, colorida mas
com raízes frágeis, útil porém em pequena escala, (como uma orquídea)?”

1.2.3 Comunidade e polícia

Polícia Comunitária impõe a assídua comunhão de esforços como um dever.

19
Sempre na mesma esteira e aliados estão a “polícia”, que tem a obrigação legal de proteger vidas (fazer
respeitar e cumprir as leis), e a “comunidade”, que é o grupo de pessoas que se relacionam em determinada
região e partilham de tradições históricas, econômicas, políticas, religiosas, entre outras.
Dentro dessa perspectiva, vale ressaltar que, no ano de 1829, o ex-primeiro-ministro britânico e
policiólogo, Sir Robert Peel*, afirmou de forma genuína que “a polícia” e “o povo” são uma coisa só*. Isto é,
todo agente e organismos policiais fazem parte, efetivamente, de uma ou mais comunidades, assim, não há
como a polícia trabalhar de maneira efetiva sem a participação da comunidade. Seguindo a mesma linha, Braga
(2015) assevera que tal premissa serviu de base para a eclosão da filosofia de Polícia Comunitária em outras
partes do mundo, no século seguinte.
*Sir Robert Peel “foi primeiro-ministro britânico de 1834 a 1835 e novamente de 1841 a 1846. É mais conhecido pela criação
do Departamento Policial de Londres quando ele ocupava a função de ‘Home Secretary’, dando origem a alcunha de ‘Bobbies’ para os
policiais londrinos” (PMMG, 2011, p. 18).
*“A polícia deve esforçar-se para manter constantemente com o povo um relacionamento que dê realidade à tradição de que
a polícia é o povo e o povo é a polícia.” (PMMG, 2011, p.18-19, grifo nosso)

1.2.4 Ações eficientes

Nos dizeres do 1º Ten. PM Tiago Farias Braga (PMMG), os organismos policiais, como órgãos da
Administração Pública (AP), devem atender ao princípio constitucional da eficiência, o qual foi inserido no caput
do artigo 37 da Carta Magna, com advento da Emenda Constitucional (EC) número 19, de 04 de junho de 1998;
e para tanto, suas ações devem ser eficientes.
Para o Cap PM Luciano Quemello Borges (PMESP), quando explanamos sobre o objetivo da Polícia
Comunitária (que é o desenvolvimento de ações eficientes para a redução de fatores ofensivos à segurança
pública) estamos entrando na seara de um imprescindível fragmento dessa cultura: o Policiamento Comunitário.

Importante!
Sim! Polícia Comunitária é uma coisa, Policiamento Comunitário é outra! Você já estudou sobre isso, lembra?

Ao passo que Polícia Comunitária é “o que deve ser feito”, uma ideia, ou uma filosofia – nos dizeres
de Robert Trojanowicz (1999) –, Policiamento Comunitário é “como deve ser feito”. Isto é, são os atos
evidenciados, os mecanismos para proceder, as atividades e os movimentos que possibilitam a diligência rumo
à mudança para a tranquilidade social de maneira operativa, duradoura e estável.
Polícia Comunitária não é a polícia do futuro. É a polícia do “agora”. Ou, como citou o Comissário Geral
da Polícia Nacional Civil da Guatemala, Ervin Mayen Véliz (21 de novembro de 2016), da Subdireção Geral de
Operações daquele país: “Polícia Comunitária não é apenas uma opção. É a única opção”.
As ações devem ser, de fato, eficientes. Devem realmente solucionar os problemas da comunidade.

E quais problemas são esses?

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É o que você saberá a seguir!

1.2.5 Fatores ofensivos à segurança pública

Tais fatores representam os maiores riscos aos direitos fundamentais do cidadão, entre eles, a
segurança pública. Os fatores precursores (aqueles que conduzem ao crime) encontram na Polícia Comunitária
uma medida eficaz de reversão.
Você pode enxergar os fatores de risco e fatores de proteção cada qual em um lado de uma balança.
Os fatores de risco são exposições à influência de familiares e amigos que usam ou vendem drogas;
que roubam ou são corruptos; à falta de acesso à cultura e educação formais, condições financeiras e dignidade;
entre outros. Em resumo, são todos os itens que pesam na balança de uma forma negativa.
Os fatores de proteção são considerados como tópicos que injetam proteção à pessoa, como bons
exemplos; ações que lhe conferem valores e virtudes; esportes; música; etc.
A Polícia Comunitária trabalha diretamente com prevenção primária. Não busca redução imediata e
desesperada de índices criminais. No entanto, como verá neste curso, os resultados em locais em que há Polícia
Comunitária são, entre muitos, a redução de crimes, em curto e em médio prazos (não em longo, como ainda
se discursa de forma não científica).

Importante!
A prevenção primária é uma coletânea de fatores de proteção entregues gratuita e amistosamente pela polícia
à comunidade. Ela resolve problemas de modo efetivo.

Aula 2 - Como funciona Polícia Comunitária em algumas polícias?

Conhecer Polícia Comunitária também significa “analisar” outras polícias e sua própria instituição.
Muitas vezes a instituição procura fora soluções que, em alguns casos, estão dentro, necessitando apenas de
decisões estratégicas para que possam ser colocadas em prática. Além disso, após análise e comparação, as
práticas exitosas podem ser importadas ou recriadas. Por que não?
Como amostragem, foram selecionadas, para este módulo, práticas de Polícia Comunitária das polícias:
• do Japão (sistema Koban);
• da Guatemala;
• do Brasil (Rio Grande do Sul - Brigada Militar; Minas Gerais – PMMG; São Paulo - PMESP, selecionadas
pelo Japão como Estados-Modelo no “Projeto de Difusão Nacional de Polícia Comunitária”
(Encontre-o nos anexos dentro do curso)).
Esses três países possuem vínculo derivado de Acordos de Cooperação Técnica, que serão detalhados
adiante.
As perguntas que se fazem nessa ocasião para você são as seguintes:
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A sua instituição analisou a história da Polícia Comunitária em outras instituições policiais?

A sua instituição analisou o que ela própria tem de desenvolvido de prática de Polícia Comunitária?

É conveniente realçar que um modelo policial não pode ser transportado num pacote fechado de uma
região para outra. Há de se respeitarem as peculiaridades locais e, em contraparte, conceber que é perfeitamente
natural, e até mesmo salutar, que uma polícia importe determinadas atividades preexistentes bem-sucedidas e
as adapte à sua realidade.

Vamos então conhecer as práticas de Polícia Comunitária?

2.1 Japão

Antes de conhecer a prática de Polícia Comunitária do Japão, conheça um pouco sobre o país.
A palavra “Japão” significa “Origem do Sol” ou “Terra do Sol Nascente”.
O Japão é um país localizado na Ásia Oriental, subdividido em 47 Províncias.
Em 2017, houve registro de aproximadamente 128 milhões de habitantes, dos quais cerca de 14
milhões vivem na capital Tóquio.
É uma monarquia constitucional unitária que conta com imperador e parlamento.
A língua oficial é o japonês e a moeda o Iene.
Destaca-se por ser a terceira maior economia e maior expectativa de vida do planeta.

2.1.1 O sistema de policiamento comunitário

Em 1874, quando o país vivia a retomada de seu desenvolvimento econômico e expansionismo, foi
criado seu sistema de policiamento comunitário.
Logo nas primeiras décadas após a implantação do policiamento comunitário, o povo japonês assistiu
a duas expressivas vitórias em guerras, contra a China e Rússia, tornando-se a nação asiática mais influente.
Em 1945, quando se encerrava a Segunda Guerra Mundial, após os bombardeios atômicos em
Hiroshima e Nagasaki, o Japão se rendeu.
De acordo com o Maj. PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS), em seu livro “Boas Práticas na Gestão
da Segurança Pública”, com o término da 2ª Guerra Mundial e ocupação americana, houve grande influência no
modelo policial. O resultado foi uma reforma do sistema policial, com estrutura composta por Polícia Nacional
e Municipal com o objetivo de garantir a gestão democrática e a descentralização da força policial.
Após o término da ocupação americana, em 1954, a polícia japonesa voltou ao modelo provincial nas
47 Polícias Regionais, retomando o poder no Governo Central por meio da Agência Nacional de Polícia. Porém
as Comissões de Segurança, cujo sistema foi desenvolvido no período sob a influência norte-americana, foram

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mantidas. Essas comissões tinham como objetivo o acesso democrático aos serviços da polícia, vigente até os
dias de hoje (MACHADO, 2017, no prelo).
Atualmente, o país tem a Polícia Nacional e as Estaduais interligadas, civis e uniformizadas. Juntas, elas
realizam ciclo completo.
O povo japonês é muito respeitado por seus valores, tradições e pela colaboração com instituições
públicas e particulares, incluindo a polícia.
Antigamente, havia no Japão pequenos postos policiais, chamados “Kobansho”. Em 1881, eles foram
denominados “Hashutsusho”; e, em 1994, a pedido da população, tornaram-se “Koban”.
“Ko” significa troca e “Ban” vigilância.
Logo, “sistema de vigilância por troca”, em que a instalação física do Koban é referência para a
comunidade procurar a polícia, enquanto a polícia oferece atenção à comunidade.
Em 1888, nascia o “Chuzaisho”.
“Chuzai” é a residência onde trabalha e “sho” é o local.
Ou seja: “instalação em que o policial mora e trabalha” com a família, geralmente situada em áreas
rurais ou cidades menores. Na ausência do policial, a esposa, remunerada para tal, atende aos solicitantes.
Todos os policiais do Japão têm Polícia Comunitária incutida em seus princípios.
O funcionamento do Sistema Koban gira em torno de uma instalação física que funciona como
referência para a comunidade. E uma de suas principais atividades são, segundo Brandão e outros (2011, p. 83),
as visitas comunitárias (Junkai renraku). Veja no quadro abaixo como funciona esse sistema:
Como procedimentos, estão as visitas comerciais e residenciais, feitas mediante completo cadastro dos
imóveis, com atualização periódica de dados (como nome de moradores, quantidade de pessoas na família,
funcionários de um estabelecimento, entre outros).
Quando não há ninguém na casa visitada pelo policial, ele deixa um cartão avisando que lá esteve.
Tal sistemática foi adotada pela PMESP para o funcionamento de suas Bases Comunitárias de
Segurança.

Saiba mais
Confira o modelo por meio do cartão de visita. (Disponível na plataforma digital do curso).

Para o Major PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS), pode-se dizer que toda a polícia é estruturada
para “ser comunitária”. Os excedentes, complementos e funções diversas concorrem para o desempenho da
polícia no território, articulado por regiões, com ampla cobertura e ramificações em todo o país (MACHADO,
2017, no prelo).
Tanto no Japão quanto nos três Estados-Modelos de Polícia Comunitária do Brasil (Minas Gerais, Rio
Grande do Sul e São Paulo), as normas direcionam o policial recém-formado para trabalhar em atividades de
policiamento comunitário, objetivando que o jovem profissional tenha um contato direto com a comunidade à
qual irá servir.
A influência do sistema japonês de policiamento comunitário é enorme: os Kobans e Chuzaishos estão
presentes em diversos países. A Agência de Cooperação Internacional do Japão (Japan International

23
Cooperation Agency - JICA) é uma agência governamental independente que coordena a assistência oficial ao
desenvolvimento em nome do Governo nipônico.
Essa assistência é um braço do Ministério das Relações Exteriores do país. O objetivo é apoiar, assistir
e contribuir para o desenvolvimento socioeconômico dos países em vias de desenvolvimento. Tais apoios foram
iniciados em 1954, após o Japão ter assinado o Plano Colombo, pelo qual se comprometeu a auxiliar países
necessitados.
A JICA possui escritórios e representações em diversos países. Seus focos são o desenvolvimento
inclusivo e dinâmico, a abordagem da agenda global, a redução da pobreza por intermédio de crescimento
equitativo, a melhoraria da governança e o alcance da segurança humana.
A JICA faz isso oferecendo assistência integrada mediante cooperação técnica e financeira, além de
apoio abrangente com políticas de melhorias institucionais nos países em que atua.

2.2 Guatemala

Viajando da “Terra do Sol Nascente” para a América Central, você chegará ao segundo país estudado
neste módulo: Guatemala.
Conheça um pouco da Guatemala.
Subdividida em 22 Departamentos, tem registro, em 2017, de aproximadamente 15,5 milhões de
habitantes. Desses, cerca de 2,5 milhões mora na capital, Cidade da Guatemala.
A palavra “Guatemala” significa “Lugar com muitas árvores”.
É uma república democrática constitucional.
Destaca-se por sua biodiversidade e suntuosos vulcões.
A língua oficial é o espanhol, mas possui dezenas de línguas maias, xincas e garífunas.
A moeda é o Quetzal.
O país enfrenta seus grupos de crime organizado. Para proteger a comunidade, foi criada, em 1997, em
seus moldes atuais, a Polícia Nacional Civil (PNC) da Guatemala.
O artigo 10 da Lei Orgânica da PNC prevê que seu princípio básico de atuação é a relação com a
comunidade.
Em 2014, o Ministério do Governo publicou a “Política Nacional de Prevenção da Violência e do Delito-
Segurança Cidadã e Convivência Pacífica-2014-2034”, contemplando a Polícia Comunitária como prioridade de
Governo para o período.
Mas por que estudar a Guatemala neste Módulo?
Logo saberemos!

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2.3 Brasil

Diferente do Japão e Guatemala, no Brasil, a segurança pública se organiza de acordo com artigo 144,
da Constituição Federal. Não há ciclo completo de polícia.
Apesar de todos os Estados brasileiros possuírem excelentes práticas de Polícia Comunitária, no âmbito
nacional, os exemplos deste módulo baseiam-se nas experiências do Rio Grande do Sul (Brigada Militar),
Minas Gerais (PMMG) e São Paulo (PMESP). Isso porque são instituições em que o processo de implantação
da filosofia de Polícia Comunitária se iniciou há mais de duas décadas. Durante esse processo, acumularam
experiência no desenvolvimento de projetos no contexto de segurança pública nacional. Por esse motivo,
figuram como estados modelo no Acordo de Cooperação Técnica celebrado entre Brasil e Japão, que tem como
objetivo o estabelecimento de um sistema contínuo e autossuficiente de multiplicação da filosofia de Polícia
Comunitária pelas instituições brasileiras.

2.3.1 Como o sistema japonês influenciou São Paulo?

Em 1831 foi criada a Polícia Militar do Estado de São Paulo.


Desde então, ela desenvolveu incontáveis ações de Polícia Comunitária, como “Alerta Geral”, “Projeto
Vida”, atividades de Postos Policiais-Militares, “Bombeiros nas Escolas”, “Policiamento Escolar”, Conselho de
Segurança de Bairro (CONSEB) etc.
Em 1985, foram instituídos os Conselhos Comunitários de Segurança (CONSEG), com a finalidade de
apoiar a polícia nas relações com a comunidade. Existem 476 em funcionamento, coordenados pela Secretaria
de Estado da Segurança Pública.
Em 1992, diante de intensos questionamentos da sociedade quanto ao caráter reativo da PMESP,
diversos policiais foram enviados para determinadas partes do mundo para conhecerem modelos e práticas
plausíveis e adaptáveis à realidade local.
Em 1993, mediante convênio entre as secretarias da Educação e da Segurança Pública do Estado de
São Paulo, passou a ser aplicado o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD). Seu
objetivo é reduzir fatores de risco para crianças entre 4 e 12 anos de idade. Esse importante Programa de
Responsabilidade Social beneficiou, até o final de 2016, mais de 9 milhões de jovens do Estado, contando com
716 instrutores policiais.
Em 1997, a PMESP publicou legislação que implantou oficialmente no Estado a Polícia Comunitária
como filosofia e estratégia institucional e criou a Comissão Estadual de Implantação da Polícia Comunitária.
Nesse ano, o sistema Koban era inaugurado na PMESP: nasciam os Postos Comunitários de Segurança
(PCS).
Em 1998, os PCS passaram a se chamar Bases Comunitárias de Segurança (BCS).
Em 1999, foram criadas muitas BCS e, como já havia Postos Policiais-Militares (PPM) em que residiam
policiais com familiares (em especial no interior paulista), as instalações foram nomeadas como Bases
Comunitárias de Segurança Distrital (equivalentes ao Chuzaisho). Hoje em dia, há no Estado centenas de BCS,
BCSD e PPM.

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Em 2000, foi inaugurado o Departamento de Polícia Comunitária e Direitos Humanos que, em 2003,
tornou-se Divisão de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos (DAMCo).
Em 2006, publicaram-se as Normas para o Sistema Operacional de Policiamento (NORSOP), que deram
ênfase à prevenção primária e Polícia Comunitária, estimulando as ações de aproximação com a comunidade
como potente ferramenta institucional.
Em 2008, a DAMCo foi alçada para Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos (DPCDH).
A DPCDH possui um Departamento de Polícia Comunitária, outro de Direitos Humanos e o que cuida
da Responsabilidade Social, englobando o PROERD.
O Departamento de Polícia Comunitária tem como competência assessorar a PMESP no que tange ao
planejamento e execução das atividades educacionais e científicas referentes à Polícia Comunitária.
Conta com a Divisão de Polícia Comunitária e de Prevenção Criminal que, por sua vez, possui a Seção
de Relações Comunitárias e Análise de Políticas Públicas em Prevenção Criminal e a Seção de Relações
Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia Comunitária.
A PMESP é, portanto, Polícia Comunitária desde 1831, quando foi criada. Em 1997, os sistemas Koban
e Chuzaisho foram acrescentados como mecanismos de intensa aproximação da comunidade com a polícia – o
que estreitou laços de confiança e colaborou sobremaneira para a comunidade paulista.
A PMESP é referência nacional e internacional em Polícia Comunitária, entre muitos motivos, graças à
sua tradição em boas e exemplares práticas para servir à comunidade, às inferiores taxas de homicídios por
100.000 habitantes, à produção de conhecimento, ao intercâmbio com outros Estados brasileiros e países e,
sobretudo, à influência do Japão.

2.3.2 Como o sistema japonês influenciou o Rio Grande do Sul?

A Brigada Militar, força histórica, com nome peculiar no Rio Grande do Sul, começou a desenvolver o
patrulhamento ostensivo em meados de 1967.
No interior do Estado, onde havia uma pequena população, a Corporação empregava destacamentos
policiais, como no modelo japonês, com policiais residentes com suas famílias, guarnecendo as regiões distritais
rurais.
Na Capital do Estado, em 1956, o 9º BPM passou a executar o policiamento a pé no Aeroporto Salgado
Filho, na Estação Férrea, na Estação Rodoviária e nas ruas do Centro.
Aos finais de semana, policiava bailes, festas, solenidades e eventos desportivos, comissionando duplas
de policiais, batizadas de “Pedro e Paulo”. Isso foi um marco fundamental na consolidação da nova forma de
atuar, anteriormente baseada em quartéis com emprego geralmente em grandes frações e eventos especiais.
Esse modo se ampliou até a década de 1980, por meio do policiamento de quarteirão nas diversas
cidades do Estado do Rio Grande do Sul. Nesse processo, o policial era encarregado de patrulhar pequenas
áreas a pé. 
Também em 1967, foi inaugurado o rádio patrulhamento com o incremento de veículos, rádios
veiculares e guarnições pequenas para patrulhar e atuar cotidianamente por meio do 11º BPM.

26
As cidades foram crescendo e a polícia foi assumindo novas tarefas, como o policiamento ambiental,
as guardas prisionais, entre outras. Foram, também, aprimorando as ações já realizadas, por meio do uso de
tecnologias agregadas, dos Centros e Salas de Operações da Corporação, dos serviços de Emergência e
Despachos de Patrulhas, avanços nas Técnicas e Táticas de Polícia etc.  
Em meados de 2013 a Corporação passou a dar ênfase na articulação e descentralização do
policiamento comunitário, por meio do modo de “Núcleos de Policiamento Comunitário”. Ele é baseado nas
experiências de frações no interior do Estado e focado na atuação do policial residente no bairro onde
exerce o policiamento, com recursos pactuados com municípios, Corporação e Governo Estadual.
Esses PMs atuam rotineira e proativamente. Além de atenderem às demandas, desenvolvem a
prevenção com visitas comunitárias, palestras e repressão qualificada no perímetro. Sem base fixa, levam sempre
com eles os equipamentos de proteção, armas individuais e a viatura.
Por ocasião das experiências no Acordo de Cooperação Técnica Brasil x Japão, essa forma de atuação
recebeu incrementos na difusão, treinamento e intercâmbio de boas práticas do modelo japonês na atividade
dessas frações de policiamento.
Hoje o Sistema Koban serve de inspiração e molda algumas práticas de Programas de policiamento
comunitário, especialmente os Núcleos de Policiamento Comunitário, que serão abordadas no Módulo 5
deste nosso curso (MACHADO, 2017, no prelo).

2.3.2 Como o sistema japonês influenciou o Rio Grande do Sul?

No dia 9 de junho de 1775, diante do enfraquecimento das Companhias de Dragões e de seu


desempenho insatisfatório, o Governador de Minas Gerais, Dom Antônio de Noronha, extinguiu-a. Em seu lugar,
criou o “Regimento Regular de Cavalaria de Minas”, apenas com alistados mineiros que receberiam seus
vencimentos dos cofres da Capitania.
À Força recém-criada, que pertenceu a Joaquim José da Silva Xavier (o Tiradentes: Protomártir da
Independência e Patrono Cívico da Nação e das Polícias Brasileiras), caberia cumprir missões de natureza militar
por meio de ações e operações de enfrentamento dos tumultos, insurreições e defesa do território da Capitania
e da Pátria. Também teria posições de natureza policial, na prevenção e repressão de crimes, mantendo em
ordem a população (Fonte: portal da PMMG – acessado em 26/06/2017).
Em seus 242 anos de existência, a PMMG teve mudanças em seu protocolo operacional, conforme o
contexto em que atuava. Não obstante, o seu papel básico de “servir e proteger” a população mineira, desde
sua eclosão, foi sempre a viga-mestra de seu trabalho, mesmo com as ações de Polícia Comunitária ainda
tímidas. De acordo com PMMG (2002), somente com a abertura democrática, ao final da década de 1980, a ideia
de uma polícia orientada para a solução de problemas e melhoria da qualidade de vida de comunidades ganhou
força no Brasil.
Nesse sentido, os primeiros trabalhos de Polícia Comunitária, desenvolvidos no Estado de Minas Gerais,
deram-se na transição da década de 1980 para 1990. Eles aconteceram por meio de parcerias entre Polícia
Militar, Município e outras entidades – além de um policiamento distrital que se assemelhava com os Chuzaichos
Japoneses, conforme falava a antiga diretriz de Polícia Comunitária (DPSSP 04/2002):

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“Em Minas Gerais, a Polícia Militar investiu no desenvolvimento do conceito de defesa social que
sustentasse a aproximação polícia/comunidade e numa maior participação da comunidade nas ações policiais,
no policiamento distrital que representou uma das primeiras tentativas de sedimentação da polícia comunitária,
similar às “casas-distritais” japonesas e no desenvolvimento de projetos sociais em parceria com o município e
outras entidades.” (PMMG, 2002, p. 3).
Nota-se que, de forma institucionalizada, a implantação da filosofia de Polícia Comunitária na PMMG
somente ocorreu na década de 1990, com a elaboração da Diretriz de Planejamento Operacional (DPO)
3008/93. Ressalta-se que tal institucionalização da filosofia “ainda é muito nova se comparada com a história
bicentenária da instituição” (PMMG, 2011, p. 11).
Desde então, atuações em parceria (e.g. os Conselhos Comunitários de Segurança Pública –
CONSEP*) e um robusto portfólio de serviços comunitários foram desenvolvidos, em busca de melhor atender
às necessidades específicas das comunidades mineiras.
*Em muitas Unidades Federativas do Brasil, tais conselhos possuem a denominação de CONSEG.
De forma sucinta e genérica, a DPSSP 3.01.06/2011 apresenta nove experiências já executadas, que
podem servir como referência para a criação e desenvolvimento de novos serviços de acordo com a realidade
operacional e cultural de cada unidade:

• Base Comunitária (BC).


• Base Comunitária Móvel (BCM).
• Grupo Especializado no Atendimento à Criança e Adolescente em Situação de Risco (GEACAR).
• Grupamento Especializado em Áreas de Risco (GEPAR).
• Rede de Vizinhos Protegidos.
• Jovens Construindo a Cidadania (JCC).
• Patrulha Rural.
• Patrulha de Prevenção à Degradação do Meio Ambiente (PPMAmb).
• Programa Educacional de Resistência às Drogas e Violência (PROERD).

Essa lista é meramente exemplificativa. Há vários outros serviços de polícia comunitária, como A
Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica (PPVD), Patrulha de Policiamento Escolar (PPE) etc.

Saiba mais
Para conhecimento de mais alguns serviços, visite o portal da PMMG e veja listados 26 serviços operacionais
e 15 especializados.
Embora as listas sejam apenas exemplificativas, destaca-se que a PMMG possui um arcabouço normativo-
doutrinário demasiado rico. Os serviços ou programas de policiamento comunitário contam com uma Diretriz
ou Instrução que os regulam no âmbito institucional. Com base na produção doutrinária, intercâmbio de
experiências e excelentes serviços prestados, a PMMG é referência nacional e internacional em matéria de
Polícia Comunitária.

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2.3.4 Como funciona o apoio brasileiro a terceiros países?

Desde 1997, parcerias informais e formais para troca de conhecimentos, Acordos de Cooperação
Técnica, Protocolo de Intenções e outros pactos foram celebrados entre o Governo do Japão (representado pela
Agência Nacional de Polícia do Japão – ANPJ) e o Governo do Brasil. Elas são intercedidas pela Agência de
Cooperação Internacional do Japão (Japan International Cooperation Agency – JICA) e, num primeiro momento,
pelo Governo do Estado de São Paulo, sendo sempre a executora técnica a PMESP.
Depois, os acordos passaram a ser intercalados também pela Agência Brasileira de Cooperação (ABC)
do Ministério das Relações Exteriores (MRE) e pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do
Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJ/SP). Ao lado da PMESP, configuraram como atores a Brigada Militar
do Rio Grande do Sul (BMRS) e Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG).
Governos de outros países, como Guatemala, Honduras, El Salvador e Costa Rica, interessaram-se pela
experiência brasileira e firmaram convênios com São Paulo para serem beneficiados pela matéria, permeados
por seus respectivos escritórios nacionais da JICA.
Constantemente são tecidos muitos arranjos institucionais para definir ações de apoio a outros países
pela PMESP, o que amplia sua agenda política externa e o horizonte de conhecimentos bilaterais ou trilaterais.
Essas cooperações são muito importantes para o Brasil, pois são baseadas tipicamente na solidariedade
de ofertar boas experiências e práticas, desprovidas de intenções de contrapartidas comerciais e, ainda, aliviam
tensões.
No dia 29 de março de 2012 foi celebrado entre o Governo do Estado de São Paulo, a JICA e a ABC o
Protocolo de Intenções, de vigência contínua, para cooperação técnica na área de policiamento comunitário
em benefício a terceiros países.
Quanto à Guatemala, de 2009 a 2016, 46 policiais da PNC foram capacitados no Brasil, por intermédio
do Curso Internacional de Multiplicador de Polícia Comunitária. Os alunos capacitados por esses cursos
oferecidos integraram o plano de ação para estabelecimento da “Guia Prática de Prevenção Policial”.
Em 2014 a Guatemala solicitou ao Japão e ao Brasil apoio para disseminação da cultura de Polícia
Comunitária em território guatemalteco.
Em novembro de 2015 oficiais da PMESP estiveram no país para apoiar os detalhes do denominado
“Projeto de Fortalecimento da Capacitação dos Recursos Humanos da Polícia através da Divulgação da Filosofia
de Polícia Comunitária”, que é o atual estágio de implantação da cultura de Polícia Comunitária no país.
Em 2016, estiveram na Guatemala oficiais da PMESP para prestarem assessoria técnica na elaboração
de Guias Práticos de Polícia Comunitária da PNC. Esses eram baseados no Modelo Policial de Segurança Integral
Comunitária (MOPSIC) daquele país, dentro do projeto proposto.
Nessa oportunidade, foram feitas análises de assuntos expostos em 8 mesas técnicas:
• “Guia Prático de Prevenção Policial da Violência e Delito a Nível Local”;
• “Guia de Ferramentas para o Projeto de Diagnóstico de Segurança”;
• “Guia Prático para Abordagem a Meios de Comunicação”;
• “Guia Prático de Prevenção Policial em Centros Educativos”;

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• “Guia de Orientação Normativa para a Segurança Cidadã”;
• “Guia de Atividades Preventivas Eventuais”;
• “Guia de Planificação Operacional”;
• “Guia de Estudo e Definição de Demarcação”.

Em geral, os Acordos de Cooperação Técnica na seara federativa contemplam algumas obrigações.

Governo Federal

Por intermédio da Secretaria Nacional de Segurança Pública (SENASP) do Ministério da Justiça e


Segurança Pública:
a) Proporcionar cursos em parceria com os Estados-Modelo, Agência de Cooperação Internacional do
Japão, Agência Nacional de Polícia do Japão, Agência Brasileira de Cooperação do Ministério de Relações
Exteriores;
b) Fornecer materiais didáticos e certificados;
c) Custear gastos com docentes;
d) Acompanhar o trabalho realizado pelos capacitados.

Estados-Modelo

São Paulo, Rio Grande do Sul e Minas Gerais, por intermédio de suas Polícias Militares:
a) Criar e fomentar Diretorias, Departamentos, Coordenadorias ou Gerências de Polícia Comunitária;
b) Incluir o tema como disciplina específica em suas formações;
c) Repassar informações à SENASP sobre ações de policiamento comunitário;
d) Participar de fóruns de discussões;
e) Apoiar as visitas de peritos japoneses;
f) Realizar palestras e seminários sobre o tema;
g) Providenciar indicação de discentes dos cursos, tanto nacionais quanto aqueles realizados no Japão;
h) Disponibilizar multiplicadores desses conhecimentos para outros Estados.

Como contraparte, o Governo japonês custeia a estrutura global.


Em 2017, 50 Oficiais da PNC Guatemala foram capacitados pela PMESP em liderança, comunicação e
gestão de Polícia Comunitária.

Saiba mais
Confira na íntegra a versão em espanhol do MOPSIC. (Disponível na plataforma digital do curso).

30
Finalizando...

Neste módulo, você estudou que:

• Para realizar Polícia Comunitária é preciso, antes de tudo, entender seu conceito. O Cap. PM Luciano
Quemello Borges (PMESP) apresenta o conceito mais contemporâneo: “Polícia Comunitária é a cultura
de união entre comunidade e polícia, objetivando o desenvolvimento de ações eficientes para a redução
de fatores ofensivos à segurança pública.”

• O conceito mais contemporâneo de Polícia Comunitária traz uma perspectiva mais dialética. Ele vai além
do modelo fixo-societário (delineado para atender toda uma sociedade, como se essa fosse homogênea),
para adentrar a um modelo customizado (descentralizado/personalizado) às demandas e anseios de
cada comunidade em particular.

• A compreensão desse conceito envolve os seguintes aspectos: cultura; união; comunidade e polícia;
ações eficientes e fatores ofensivos à segurança pública.

• Conhecer Polícia Comunitária também significa “analisar” outras polícias e sua própria instituição. Sendo
assim, foram selecionadas práticas de Polícia Comunitária das polícias: do Japão (sistema Koban); da
Guatemala; e do Brasil (Rio Grande do Sul -Brigada Militar, Minas Gerais - PMMG e São Paulo - PMESP,
selecionadas pelo Japão como Estados-Modelo no “Projeto de Difusão Nacional de Polícia Comunitária”).

EXERCÍCIOS

1. Assinale a alternativa correta:

a) Polícia Comunitária pressupõe que o fato de prender criminosos não é algo muito relevante, pois na cultura
de Polícia Comunitária não é necessário se preocupar com a prisão de criminosos.
b) Quando você ajuda uma idosa a atravessar uma faixa de pedestres ou quando uma criança se aproxima da
viatura policial e recebe o sorriso de um policial, isso já é o suficiente para afirmar que se está fazendo totalmente
Polícia Comunitária.
c) Gestos de gentileza não são, sozinhos, Polícia Comunitária, porém são importantes, já que contribuem para
que haja Polícia Comunitária e, dessa forma, devem ser estimulados.
d) Quanto ao sentido primacial do vocábulo “cultura” dentro da definição de Polícia Comunitária, remete à
dedução de que Polícia Comunitária deve ser reconhecida, mas não declarada, como um conjunto de
conhecimentos e experiências.
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2. Leia as afirmativas abaixo:
I - Polícia Comunitária deve ser difundida influenciando toda a polícia e a comunidade.
II - A comunidade e a polícia devem estar fortalecidas por decisão de apenas uma das partes.
III - Comunidade e polícia assumem juntas um lento e delicado embate com o atual cenário a ser superado.
IV - Polícia Comunitária é cultura do simples intuito de junção com a comunidade.

Quais das afirmativas são verdadeiras?


a) I e III
b) I e II
c) II e III
d) IV e I

3. Assinale a alternativa incorreta:

a) Muitas vezes a instituição procura fora soluções que, em alguns casos, estão dentro e os líderes não as
conhecem.
b) É possível adaptar boas práticas de Polícia Comunitária de um país para outro.
c) Considerando que a cultura da população japonesa é diferente da cultura da população brasileira, não se
pode adaptar o sistema Koban no Brasil.
d) A Polícia Comunitária na Guatemala recebeu influência do Brasil.

4. Assinale a alternativa correta:

a) Todos os Estados brasileiros possuem excelentes práticas de Polícia Comunitária.


b) O sistema Koban foi adotado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo em 1831.
c) A Base Comunitária Móvel implementada pela Polícia Militar de Minas Gerais recebeu influência direta do
Canadá.
d) Os Núcleos de Policiamento Comunitário da Brigada Militar do Rio Grande do Sul são baseados em
instalações físicas policiais.

32
GABARITO

Questão 1.
Resposta: c

Questão 2.
Resposta: a

Questão 3.
Resposta: c

Questão 4.
Resposta: a

33
34
Processo “Normatizar”
MÓDULO
2

Apresentação do Módulo

De Neste módulo, você terá acesso a conhecimentos técnicos e teóricos capazes de auxiliá-lo(a) a
normatizar e doutrinar sobre “Polícia Comunitária” em sua instituição policial.

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


• Reconhecer a importância das normas e doutrinas de Polícia Comunitária.
• Enumerar os itens da estrutura das normas de Polícia Comunitária.

Estrutura do Módulo

Este módulo está estruturado nas seguintes aulas:


Aula 1 – Importância das normas e doutrinas de Polícia Comunitária
Aula 2 – Normas de Polícia Comunitária

Aula 1 - Importância das normas e doutrinas de Polícia


Comunitária

Para implantar a cultura de Polícia Comunitária, é vital nutrir a polícia de legislação e doutrina.
A sua organização policial possui leis e doutrina estabelecidas? Elas são suficientes para sedimentar a
Polícia Comunitária com ampla compreensão e, sobretudo, de maneira que todos saibam o que fazer e como
fazer?
Em 1997, a Polícia Militar do Estado de São Paulo - PMESP elaborou uma Nota de Instrução que
implantou oficialmente no Estado a Polícia Comunitária como filosofia e estratégia institucional no Brasil.
O policiamento comunitário realizado por Bases Comunitárias de Segurança, Bases Comunitárias de
Segurança Distrital, Postos Policiais-Militares e Bases Comunitárias Móveis foi regulamentado por um Programa
de Policiamento específico.
35
Com o advento das Normas para o Sistema Operacional de Policiamento - NORSOP, muitos avanços
foram conquistados. As Normas deram ênfase à prevenção primária e Polícia Comunitária, estimulando as ações
de aproximação com a comunidade como potente ferramenta institucional. Foram as NORSOP que ofereceram
aos gerentes a possibilidade jurídica de inovar e criar mecanismos para promover a união da polícia com a
população.
Livros, publicações e estudos científicos ramificados servem como suporte doutrinário para alimentar o
debate e nortear ações da PMESP.

Isso é normatizar!

No Rio Grande do Sul, em 2001, foi registrada a pioneira Diretriz de Polícia Comunitária, estabelecendo
os princípios e fundamentos para a Corporação, adequando suas ações de competência à nova realidade
Constitucional e social.
Nessa década, houve edições de cursos e treinamentos nesta filosofia de interação, e inserção da
temática nos currículos de Cursos de Formação da Instituição. A corporação, em todos os seus níveis,
compreendeu e conheceu a relevância da Filosofia e da Estratégia de Polícia Comunitária.
Ainda assim, em 2015, a Brigada Militar envidou esforços para atualizar doutrinas, especialmente a que
trata da Polícia Comunitária e que atualmente estão reunidas na Diretriz Geral da Brigada Militar nº33 de 17
de novembro de 2015, acreditando que a mudança efetiva advirá na implementação de boas práticas e de
programas de modo metódico, inspirados nesta filosofia.

Isso é normatizar!

No ano de 1993, a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG), por meio da Diretriz de
Planejamento Operacional (DPO) 3008/93, normatizou pela primeira vez sua atuação no âmbito de polícia
comunitária, a implantando como filosofia e estratégia organizacional.
Contudo, como bem se abstrai da leitura da DPSSP 3.01.06/2011, toda mudança enfrenta muita
resistência interna e também na própria comunidade: “destaca-se as constantes interpretações equivocadas
dessa filosofia de polícia e a falta de conhecimento de sua origem e real objetivo” (PMMG, 2011, p. 11).

Isso é normatizar!

Como você aprendeu no módulo anterior, o artigo 10 da Lei Orgânica da PNC Guatemala prevê que seu
princípio básico de atuação é a relação com a comunidade.
Em 2014, o Ministério do Governo daquele país assinou a “Política Nacional de Prevenção da Violência e
do Delito-Segurança Cidadã e Convivência Pacífica-2014-2034”, contemplando a Polícia Comunitária como
prioridade de Governo para o período.
Isso é normatizar!

36
Não é possível implantar Polícia Comunitária sem uma base legal e sem doutrina. Tanto a norma
quanto o estudo da norma servem para orientar os policiais a seguir o caminho trilhado, justamente, pelo que
está escrito.
A normatização consegue auxiliar a instituição policial militar a melhorar a relação entre “Segurança
Pública” e comunidade, na medida em que prioriza rumos, otimiza esforços e qualifica seus integrantes a seguir
os parâmetros estabelecidos.
A normatização é imprescindível. Ela estabelece objetivos, sem os quais não é possível sequer delinear
as ações a serem desenvolvidas. Além disso, é importante para centralizar processos, reduzir desperdícios
nos esforços e definir tarefas.
Uma vez alcançada a padronização (partindo dos gerentes, mas com a participação dos policiais
executores), ela deve ser ricamente documentada, o que concederá clareza para o entendimento.
Um dos exemplos de conteúdo são as Normas para o Sistema Operacional de Policiamento PM
(NORSOP) da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Em seu subitem 6.1.1., há previsão da tradução fiel do que é Polícia Comunitária. Ele cita que a segurança
pública (que é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos) é um sistema que tende a ser mais eficiente
quando, além de contar com maior interação de todos os órgãos que o integram, passa a dispor também da
efetiva colaboração da sociedade. E a sociedade deve ser estimulada a participar do processo de formação de
ideias e propostas que busquem propiciar mecanismos voltados ao controle e/ou redução dos indicadores de
ilegalidade. Isso diminui a violência e a perda de vidas e bens, melhorando os níveis de preservação da ordem
pública e, consequentemente, melhorando a qualidade de vida.
A interação é característica marcante da Polícia Comunitária, que é uma filosofia e uma estratégia
institucional.
Enquanto filosofia deve permear todos os níveis e ser absorvida por todos os membros da Instituição
Policial-Militar.
Enquanto estratégia deve direcionar todos os esforços, medidas e programas institucionais, nos diversos
níveis gerenciais.
O direcionamento estratégico deve criar condições para que a Instituição possa se aproximar de seu
público externo (representado pelas diversas comunidades), conseguindo dele respaldo, cooperação, parceria,
participação e informações. Essas conquistas contribuem para a preservação da ordem pública, para a obtenção
do grau de segurança pública desejado e aceitável e para a melhoria da qualidade de vida do ambiente.
Ou seja,
Fica claro que o dever de toda a Instituição é pautado na própria norma.
Já no subitem 6.1.3, a NORSOP privilegia a ênfase à prevenção primária e embasa as ações de
aproximação. Faz isso quando trata que, embora na ação de presença resida o fundamento mais visível do efeito
preventivo do sistema de policiamento da PMESP, não se pode ignorar que há outros componentes voltados a
esse objetivo. E esses componentes têm limites restringidos apenas pelo sistema legal vigente e pela criatividade
dos Comandantes.

37
A utilização de métodos de prevenção primária (cujo custo é menor, mas que apresentam maior
produtividade por seus efeitos mais duradouros) deve ser incentivada.

Mas o que é prevenção primária?

A prevenção primária pode ser definida como o conjunto de ações destinadas a evitar ou reduzir a
ocorrência e a intensidade de infrações penais e perturbações da ordem. Ela ocorre por meio da identificação,
avaliação, remoção ou redução das condições propícias ou fatores precursores, visando minimizar os danos à
vida e à integridade física da pessoa humana, à propriedade e ao ambiente (adaptação do conceito de
“Prevenção de Desastre” do “Glossário de Defesa Civil, Estudos de Riscos e Medicina de Desastres”, de Castro,
Antônio L. C.; 02. ed., 1998; Ministério do Planejamento e Orçamento).
Além disso, há normas na PMESP que garantem o funcionamento e definem as atividades das Bases
Comunitárias de Segurança, Conselhos de Segurança Comunitária, entre outras.

Aula 2 - Normas de Polícia Comunitária

2.1 Estrutura das Normas

Sejam elas estratégicas, táticas ou operacionais (conforme peculiaridades de cada Estado), as normas
de Polícia Comunitária de uma instituição policial (por exemplo, Diretrizes, Notas, Ordens etc.) possuem da
seguinte estrutura:

Finalidade

É o propósito para o qual se destina a norma. Exemplo: a presente Diretriz tem como finalidade
padronizar em âmbito institucional a Polícia Comunitária como cultura a ser seguida por todos os integrantes.

Situação

É uma sucinta descrição sobre a importância da aceitação da cultura de Polícia Comunitária que, por
sua vez, é subdividida em:
Breve histórico da instituição.
Princípios que norteiam.
Conceito de Polícia Comunitária.
Objetivos.
Amostragem de como funciona outras polícias.

38
Exemplo: A Polícia Militar de XXX, que possui XX anos de existência, sempre pautou pelo respeito
integral ao cidadão.
Dessa forma, a Polícia Comunitária (que é a cultura de união entre comunidade e a polícia, objetivando
o desenvolvimento de ações eficientes para a redução de fatores ofensivos à segurança pública, empregada
com sucesso em países como Japão, Canadá e Estados Unidos da América) deve ser estratégia para diminuir
crimes e melhorar a qualidade de vida da população.

Forma de implantação

Contém as metas, etapas, ferramentas de apoio e necessidades.


Exemplo: A partir desta data, todas as Unidades Policiais da instituição deverão (objetivos),
fragmentadas trimestralmente com resultados estatísticos (metas/etapas), com apoio dos órgãos de ensino
(ferramentas de apoio) e com reuniões comunitárias (necessidades, onde também se incluem gastos
previstos, recursos humanos e materiais).

Finalidade

Para conceder argumentos técnicos e científicos às normas propostas. Significa credibilidade. Espaço
para citar diretrizes correlatas.

Saiba mais
Conheça a Diretriz para Produção de Serviços de Segurança Pública (DPSSP) 3.01.06/2011 – CG. (Disponível
na plataforma digital do curso).
Conheça a Diretriz Geral da Brigada Militar – Polícia Comunitária – DGBM Nº 33, de 17 de novembro de 2015.
(Disponível na plataforma digital do curso).
Conheça os mecanismos de implementação de Polícia Comunitária na Guatemala, versão em espanhol .
(Disponível na plataforma digital do curso).

Finalizando...

Neste módulo, você estudou que:

• Para implantar a cultura de Polícia Comunitária é vital nutrir a polícia de legislação e doutrina.
• Não é possível implantar Polícia Comunitária sem uma base legal e sem doutrina, pois tanto a norma
quanto o estudo da norma servem para orientar os policiais a seguir o caminho trilhado, justamente,
pelo que está escrito.

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• As normas de Polícia Comunitária de uma instituição policial (por exemplo, Diretrizes, Notas, Ordens
etc.), sejam elas estratégicas, táticas ou operacionais, conforme peculiaridades de cada Estado, são
dotadas da seguinte estrutura: finalidade, situação, forma de implantação e referências bibliográficas.

EXERCÍCIOS

1. Assinale a alternativa correta:

a) Para implantar a cultura de Polícia Comunitária, é vital nutrir a polícia de legislação, mas não de doutrina.
b) Para implantar a cultura de Polícia Comunitária, é vital nutrir a polícia de doutrina, mas não de legislação.
c ) O artigo 10 da Lei Orgânica da PNC Guatemala prevê que seu princípio básico de atuação é a polícia reativa.
d) Em 2014, o Ministério do Governo da Guatemala assinou a “Política Nacional de Prevenção da Violência e do
Delito-Segurança Cidadã e Convivência Pacífica-2014-2034”, contemplando a Polícia Comunitária como
prioridade de Governo para o período.

2. Relacione a primeira com a segunda coluna quanto aos itens da estrutura das
normas de Polícia Comunitária:

(a)Finalidade
(b) Situação
(c) Forma de implantação
(d) Referências bibliográficas

( ) Servem para conceder argumentos técnicos e científicos às normas propostas.


( ) É uma sucinta descrição sobre a importância da aceitação da cultura de Polícia Comunitária.
( ) É o propósito para o qual se destina a norma. Exemplo: a presente Ordem de Serviço tem como finalidade
padronizar em âmbito institucional a Polícia Comunitária como cultura a ser seguida por todos os integrantes.
( ) Contém as metas, etapas, ferramentas de apoio e necessidades.

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GABARITO

Questão 1.
Resposta: d

Questão 2.
Resposta: d, b, a, c.

41
42
Processo “Conscientizar”
MÓDULO
3

Apresentação do Módulo

Após conhecer o que é Polícia Comunitária (módulo 1) e saber que é vital normatizar (módulo 2), você
aprenderá agora que é preciso “aceitar” Polícia Comunitária, mediante “conscientização da polícia e da
comunidade, em todos os níveis”. Essa é uma das tarefas mais difíceis e importantes!
Por ser um dos módulos mais complexos, muitas perguntas devem ser feitas:

A sua polícia aceitou, em todos os escalões, que é imprescindível adotar “Polícia Comunitária” como
realidade, e não como mera propaganda?

A maioria dos integrantes de sua instituição aprovou a mudança cultural que partiu da polícia reativa
para a polícia de proximidade com a população?

Os policiais de rua, que são os executores da cultura de Polícia Comunitária, possuem o perfil para
realizar projetos comunitários?

Os policiais executores estão plenamente envolvidos? Eles estão capacitados?

Cada um deles é devidamente reconhecido pelo nível gerencial?

Os gerentes têm preparo em Liderança, Gestão de Pessoas, Planejamento Estratégico e possuem inteira
fidelidade institucional e comprometimento com a cultura de Polícia Comunitária?

A comunidade entende o significado de prevenção primária?

As pessoas sabem seus papéis dentro de uma Organização Social e da Mediação Comunitária?

Os projetos e ações de aproximação da comunidade com a polícia são eficientes?

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Por meio de reflexões, o estudo deste módulo indicará pistas para as mudanças necessárias e, assim,
respondermos a essas questões.

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


• Reconhecer a importância de conscientizar a comunidade, os policiais executores e a liderança de uma
instituição policial sobre a relevância dos valores incutidos e a eficácia da cultura de Polícia Comunitária,
de maneira a facilitar a aceitação global.
• Identificar os aspectos que estão presentes nas mudanças necessárias para que ocorra a conscientização.

Estrutura do Módulo

Este módulo está estruturado nas seguintes aulas:


Aula 1 – Mudanças de cultura organizacional e liderança
Aula 2 – Mudando comportamentos da comunidade
Aula 3 – Como elaborar projetos sociais
Aula 4 – Mudando comportamentos do policial executor

Aula 1 - Mudanças de cultura organizacional e liderança

Para implantar a cultura de Polícia Comunitária, é vital nutrir a polícia de legislação e doutrina.
A sua organização policial possui leis e doutrina estabelecidas? Elas são suficientes para sedimentar a
Polícia Comunitária com ampla compreensão e, sobretudo, de maneira que todos saibam o que fazer e como
fazer?

1.1 Mudança de cultura organizacional

A transformação da roupagem de um organismo policial interfere nos rumos da polícia e de seus


policiais, no destino da sociedade e de suas pessoas.
“Cultura organizacional é o conjunto de hábitos e crenças estabelecidos por meio de normas, valores,
atitudes e expectativas compartilhadas por todos os membros da organização. Constitui o modo
institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização. Representa as percepções dos dirigentes e
funcionários e reflete a mentalidade que predomina.” (CHIAVENATO, 1999, p. 138)

44
Se uma instituição policial pretende “aceitar” Polícia Comunitária, deve levar em conta que se trata de
um processo. Durante essa etapa, uma das maiores pressões que a instituição pode sofrer é daqueles que
esperam da Polícia Comunitária respostas insólitas e rápidas para tudo.
Ela pode, sim, oferecer diminuição instantânea dos índices criminais e agilizar a melhoria da qualidade
de vida local. Contudo, seu propósito maior é reduzir fatores ofensivos à segurança pública, como: Falta
de civilidade, Ausência de respeito às diferenças e Fome, pobreza e uso de drogas.
A Polícia Comunitária também inibe condições desfavoráveis nas áreas de educação, política, saúde,
economia, lazer, urbanização etc.

Importante
Tamanho processo requer prazo maior que os anseios podem prever.

O que os gerentes e policiais executores fazem em suas rotinas de trabalho são frutos de um
alinhamento “do que praticam” e “do que acreditam que seja correto a ser praticado”. Como você estudou no
módulo 2, todas as instituições policiais possuem ou deveriam possuir normas que regulamentam a atuação
de seus integrantes, baseadas e dotadas de valores.
Tanto os gerentes quanto os policiais executores são graduados nos centros de ensino institucionais
para atender bem à comunidade. Devem fazer isso com respeito e valores adquiridos ou reforçados nos
bancos escolares. Assim apresentam as normas, os valores e as atitudes dos professores no âmbito de ensino.
“Serão as explicações compartilhadas pelo grupo em face da sua experiência vivida que tecerão os laços
entre os homens. As respostas aprendidas levarão, obrigatoriamente, a valores, e esses a comportamentos, sem
que seja possível uma avaliação consciente de sua origem. Em última instância, o grupo é ensinado sobre o que
é ou não correto, e norteará sua ação a partir daí.” (PINTO; VERGARA, 1998)
Conforme ensinamentos do Maj. PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS), para distinguir o
policiamento comunitário de qualquer outra forma de atuação, devemos atribuir um método para se obter
resultados positivos. Ele deve refletir a filosofia na prática e forma de operação do serviço. Se não houver
insistência nesse aspecto, o policiamento comunitário será uma falácia e terá pouca importância para todos os
envolvidos. 
“[...] Devido ao fato de, no policiamento comunitário moderno, o “policiamento comunitário” ser tão
popular - mas tão vago -, muitos vão concluir que se trata de um movimento somente retórico - isto é -, uma
frase para tornar o policiamento mais palatável.” (SKOLNICK; BAILEY, 2002, p. 15)
A Polícia Militar de Minas Gerais (2002) enfatiza que Polícia Comunitária “Não é um programa e muito
menos Relações Públicas” ao abordar o conceito do Departamento de Polícia do Condado de Baltimore. Em
seguida, o antigo instrumento normativo incentiva a pensar que a Polícia Comunitária não é “perfumaria”,
“clientelismo” ou “assistencialismo”. Trata-se de uma filosofia e estratégia organizacional cuja a base é a
comunidade.
Atualmente, tem-se essa concepção ainda mais clara na distinção entre “árvore” e “orquídea”, proposta
no livro “Diagnóstico de Polícia Comunitária” do Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP).

45
Efetuar prisões é eficaz?
Muito.

É necessário?
Sempre foi, é e será. Mas não é o objetivo central de uma instituição policial: é a consequência da
quebra da normalidade.
E para manter a normalidade, imprescindível se faz a união da polícia com a população.

O modo institucionalizado de pensar e agir que existe em uma organização, como mencionou
Chiavenato (2005), representa as percepções não só dos funcionários, mas dos dirigentes, e reflete a mentalidade
que predomina.
Qualquer país que aceitou Polícia Comunitária tem também as suas tropas de elite, de controle de
distúrbios civis, de repressão qualificada em áreas vulneráveis e seus patrulheiros – e todas devem ter harmonia
entre si.
As polícias de todo o mundo possuem processos e procedimentos muito semelhantes, tanto
operacionais quanto administrativos, com algumas diferenças conforme suas estéticas, legislações, sociedades
e outros fatores.
É certo dizer que não há lugar algum em que a polícia “não trabalhe pela comunidade” e “não envide
esforços para prevenir e enfrentar o crime”.
Mudar cultura é um desafio tanto para a organização quanto para os gerentes e executores, que terão
suas rotinas alteradas.
“É delicado mudar o que para os funcionários de uma organização sempre foi tido como “normal”,
como se a empresa fizesse parte da sua vida, pois é ali que ele passa a maior parte do seu dia. O espaço ocupado
pelas organizações na vida contemporânea faz com que elas sejam um elemento de primeira grandeza no
imaginário das pessoas e em suas construções sobre a realidade. É de se esperar, por exemplo, que as mudanças
promovidas pelas organizações afetem as identidades dos indivíduos e alterem significativamente a forma como
eles compreendem suas relações com o mundo, inclusive com a própria organização.” (VERGARA; SILVA, 2013)
Não basta uma ordem, uma norma ou um decreto para mudar a cultura policial, como um passe de
mágica “a partir de hoje, conforme esse documento, toda nossa instituição é comunitária”.
É preciso influenciar o policial executor, o gerente e a comunidade.
Um desafio e tanto, não?
Mais importante que saber o que é Polícia Comunitária ou analisá-la, é aceitá-la nos níveis gerenciais
e executores e diagnosticar se a instituição policial e a comunidade lhe dão verdadeira importância ou a
tratam apenas como propaganda sem vigor.

Para Refletir
Prezado(a) aluno(a), pense nisso:

46
As pessoas resistem às mudanças por alguma razão. A tarefa do gerente é tentar identificar essas razões e,
quando possível, planejar a mudança de modo a reduzir ou eliminar os efeitos negativos e corrigir as
percepções errôneas (COHEN; FINK, 2003, p. 350).

1.2 Mudando comportamentos da Liderança

“Existem quatro tipos de personalidades no trabalho: sonhadores para ter a ideia, analisadores para
ter certeza de que as ideias vão funcionar, indutores para persuadir essas ideias e controladores para fazer
com que as coisas sejam feitas.” (BOOTHMAN, 2012, p. 78, grifo nosso)
No tema “Polícia Comunitária”, conclui-se que os gerentes de uma instituição policial deveriam ser
sonhadores, pela missão que abraçaram, e, por ofício, analisadores, indutores e controladores.
Mas nem sempre é assim.
Nenhum ser humano é autossuficiente em talentos, por isso, trabalha-se em equipe: um completa a
carência de adjetivos do outro.
O que um gerente policial não pode abrir mão é, minimamente, de seu controle. Ele precisa coordenar
e fiscalizar a mudança de cultura de sua polícia, cercando-se de bons analisadores para lhe darem um norte,
indutores para fazer com que se cumpram as ordens e sonhadores para idealizarem relevantes produtos para
a comunidade.
A ele, gerente, compete encabeçar o processo e influenciar a transformação de seus policiais e da
sociedade.

Aula 2 - Mudando comportamentos da comunidade

Conscientizar a comunidade também é imprescindível, pois Polícia Comunitária não é uma cultura
unilateral, que só da polícia depende ou sobrevive. Mobilizar pessoas é fazê-las compreender que a polícia
é parcela da comunidade.
Um comerciante que não reside em determinado bairro, mas que ali possui um estabelecimento
comercial, também é membro dessa comunidade. Nesse caso, de duas, onde mora e onde trabalha, e da terceira,
com menor sensação de pertencimento: onde transita. Da mesma forma acontece com o policial e com milhares
de profissionais.
Para que a comunidade saiba que a polícia local está atuando dentro dos princípios de Polícia
Comunitária, o módulo Difundir tratará especialmente do fator “Comunicação”. Esse é o elo concreto
para que uma “Organização Comunitária” seja instituída e para que funcione de maneira a atender a
todos os anseios comuns.
Veja a seguir alguns parâmetros primordiais para estimular a sociedade a participar desse
processo.

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2.1 Os 13 pilares da organização comunitária

Para envolver a comunidade no contexto de Polícia Comunitária é vital respeitar “Os 13 Pilares da
Organização Comunitária”, desenvolvidos pelo Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP). Clique nos ícones e
veja cada um deles:

Clareza: o “recado” da polícia às pessoas deve ser direto e completo, com palavras fáceis de serem
compreendidas e que revelem o objetivo da parceria entre comunidade e a instituição policial.

Continuidade: não basta dizer que ali tem uma Polícia Comunitária, fazer uma reunião, uma
arrecadação anual de presentes de Natal para as crianças do bairro e nada mais. Continuidade é marca de
confiança, é estar sempre junto com os moradores, comerciantes e população itinerante.

Clareza: o “recado” da polícia às pessoas deve ser direto e completo, com palavras fáceis de serem
compreendidas e que revelem o objetivo da parceria entre comunidade e a instituição policial.

Sinceridade: se o objetivo da parceria entre comunidade e polícia deixar um ponto de interrogação


sobre as verdadeiras intenções, Polícia Comunitária não funcionará e receberá o rótulo de plataforma de agrado
ou política.

Metodologia: definir quais projetos, quem participará e como será feito revela organização, regras e
mecanismos de ação – e isso é um pilar forte para Polícia Comunitária.

Audição: o monólogo não é bem-vindo. O correto é a polícia ser ouvida pela comunidade e a
comunidade ser ouvida pela polícia. Dentro dessa perspectiva, deve-se levar em conta que o policiamento
comunitário vai muito além que simplesmente implementar patrulhas a pé, ciclopatrulha ou postos de
policiamento comunitário.

Metodologia: definir quais projetos, quem participará e como será feito revela organização, regras e
mecanismos de ação – e isso é um pilar forte para Polícia Comunitária.

Audição: o monólogo não é bem-vindo. O correto é a polícia ser ouvida pela comunidade e a
comunidade ser ouvida pela polícia. Dentro dessa perspectiva, deve-se levar em conta que o policiamento
comunitário vai muito além que simplesmente implementar patrulhas a pé, ciclopatrulha ou postos de
policiamento comunitário.
Deve-se redefinir o papel do policial na rua, de um tão somente “combatente”, para um efetivo
“solucionador de problemas” e “ombudsman do bairro”. Essa ausculta solucionadora de problemas pode ser

48
verificada na apostila de Polícia Comunitária (elaborada pelo então Cap. PM Alexandre Magno juntamente com
o Cel. PM Cícero Nunes Moreira, ambos da PMMG).

Prática: De acordo com a “Teoria da Árvore e da Orquídea”, que você aprendeu no módulo 1, de nada
adianta muitas palavras e promessas de que isso ou aquilo será feito, se não houver ações da polícia que possam
mostrar à comunidade que algo está sendo praticado para a melhoria da qualidade de vida geral. Logo, as
pessoas serão conscientizadas e darão passos para dentro das instituições policiais. Com isso, o enlace será
estabelecido e receberá engrenagem suficiente para manter a cultura respirando.

Convencimento: é preciso convencer polícia e comunidade de que o envolvimento é a única solução


para o fenômeno da violência.

Estímulo: necessário reverter o desinteresse e a inércia da comunidade pelas questões afetas à


segurança pública. Nessa perspectiva de convencimento e estímulo da população, torna-se oportuno lembrar
da “Hierarquia das Necessidades” ou “Pirâmide” do saudoso psicólogo americano Abraham Harold Maslow, na
qual a “Segurança” é situada como a segunda mais importante necessidade humana, sendo superada apenas
pelas necessidades fisiológicas.
Logo, é de suma importância que a comunidade se sinta estimulada a se preocupar com as questões
afetas à sua própria segurança.

Encorajamento: imprescindível quebrar o medo da comunidade em se aproximar da polícia, quer o


medo de sofrer represálias do crime, quer o medo de acreditar que a polícia é válvula de resolução do que lhe
aflige.

Cultura atemporal: mostrar a todos que Polícia Comunitária não tem data marcada para terminar, mas
é sim uma cultura definitiva, que será aprimorada com o tempo, conforme necessidades e novos desafios que
se apresentarem aos signatários. Polícia Comunitária não é sazonal, é atemporal.

Desqualificação de negatividade: as lideranças negativas ou de cunho meramente politiqueiro


devem ser desestabilizadas e excluídas do contexto.

Olhos, ouvidos e voz: enquanto a comunidade funciona como os “olhos e os ouvidos” na cultura de
Polícia Comunitária, a polícia deve estar configurada como a “voz” da sociedade e trajada dessa missão. É peça
no sistema para levar às autoridades constituídas seus clamores. Por exemplo: se as pessoas reclamam de uso
de drogas em uma praça mal iluminada, a polícia “tradicional e reativa” se limitaria a intensificar o policiamento
com buscas pessoais e prisões.
Já a Polícia Comunitária, além de intensificar com buscas pessoais e prisões, conduziria o problema da
falta de iluminação em próprio coletivo (que é um fator facilitador de crime, denominado ambiente) ao Poder
Público Municipal.

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2.2 Identificação de líderes de uma comunidade

Os líderes de uma comunidade, geralmente, são religiosos, grupos esportivos, amigos de bairro,
entidades (governamentais ou não), associações comerciais, entre outros. Uma vez identificados, devem ser
elaboradas planilhas (para organizar seus dados), inspiradas no modelo japonês. Elas catalogam moradores e
comerciantes. Devem ser sigilosas e, portanto, armazenadas com o maior cuidado possível, pois conterão dados
pessoais como nome, telefone e endereço.

Disponíveis na plataforma digital do curso, você pode conferir exemplos de planilhas, tanto para visitas
comunitárias em estabelecimentos comerciais, como para visitas comunitárias em residências.

Em seguida, é a hora do contato com essas lideranças. Elas serão visitadas pelos policiais que explicarão
em poucas palavras do que se trata o projeto proposto, o quão importante é a parceria da polícia com a
comunidade e irão sugerir uma reunião.
É interessante que essa reunião se adeque mais aos horários da comunidade que às preferências da
Unidade Policial. Estabelecer logo de início regras rígidas e unilaterais podem gerar desconforto e desinteresse.

Importante
Que nessa primeira reunião participem somente os líderes previamente identificados.

Mas por que é importante que a reunião inicial seja apenas com os líderes?

Porque serão eles os captadores de membros do projeto. Serão eles a multiplicarem as ideias e a
construírem a organização comunitária, tudo no entorno do projeto explanado pela Unidade Policial.

2.2.1 A reunião com os líderes

Na data da reunião, compete à polícia fazer uma breve apresentação do que é Polícia Comunitária, dos
resultados em outras localidades, da importância da parceria e qual é a intenção do projeto.
Vídeos e depoimentos de cidadãos conferem maior credibilidade à intenção.

Saiba mais
Confira (na plataforma digital do curso) o depoimento de um morador da cidade de São Carlos/SP,
convidando a população para fazer parte de um projeto.

Se durante essa palestra for possível distribuir material ilustrado sobre o trabalho da polícia, dicas de
segurança e outros, a atenção da comunidade será ainda maior!
50
Feita a explanação da polícia, é o momento de ouvir a comunidade.
De tudo sendo lavrado ata, cada líder comunitário terá um tempo pré-determinado para expor os
problemas de sua rua, de seu bairro e de sua cidade.
Após todas as manifestações, o Comandante local, que estará nessa reunião, deixará claro que uma
triagem será feita de todos os anseios. Com isso, define-se quais dos problemas expostos são de solução
imediata por parte da atuação única da polícia e quais serão remetidos para outros órgãos, pleiteando a solução.
Em um curto prazo, serão enviados, na forma de e-mail ou mensagens – ou até mesmo em outra
reunião –, o que foi deliberado, para que haja início ao processo de confiança.

Exemplos:
Da demanda exposta pelo Sr. XX quanto a jovens usando drogas na praça central. Foi efetuado contato
com o Conselho Tutelar e fizemos operação conjunta, resultando na prisão de dois maiores pelo crime de tráfico
de drogas e aliciamento de menores, na acolhida de duas garotas que estavam sendo submetidas à prostituição
e de três adolescentes fazendo uso de drogas.

Da demanda exposta pelo Sr. YY, quanto aos buracos da Rua Y que estavam causando acidentes fatais.
A polícia intensificou operações de trânsito e notificou, pelo Ofício nº 123456, a Secretaria Municipal de Trânsito.
Essa se comprometeu a adotar as providências quanto ao recapeamento asfáltico da via.

Da demanda exposta pelo Sr. WW, quanto ao aumento de roubos mediante arma de fogo no
cruzamento da Rua W com a Avenida Z. O policiamento foi intensificado e, na noite retrasada, dois autores
foram presos em flagrante delito pelo crime.

Pode-se perceber claramente que a polícia atuou, nos três exemplos citados, como a solução dos
problemas trazidos pela comunidade, seja em conjunto; fazendo sua parte e cobrando de outros órgãos; ou
atuando sozinha.
Essas atitudes são o “coração” da Polícia Comunitária!
A Constituição Federal  Brasileira de 1988  marca o processo de descentralização das ações
governamentais para os municípios. Com isso, a articulação entre as diferentes forças de segurança, bombeiros,
guardas municipais e secretaria de segurança pública com representantes da sociedade civil requer um  Gabinete
de Gestão para agir conjuntamente no diagnóstico de prioridades e na formulação de ações integradas de
combate à violência e à criminalidade.
Criados por Decretos municipais, os GGIM devem ter suas ações desenvolvidas pelos integrantes, com
competência legal e autoridade para deliberar e decidir pelo órgão que representa (Maj. PM André Marcelo
Ribeiro - BMRS)
Mas atenção!
Certos cuidados devem ser adotados pela polícia quando lida com Organização Comunitária.

51
1. A política é bem-vinda dentro do estado democrático de direito. Mas utilizar-se da Organização
Comunitária como palanque de meros e ineficazes discursos eleitoreiros, de cunho aproveitador e
sem inserção na cultura real de Polícia Comunitária, é algo que deve ser compelido tão logo
comece.

2. Se determinado policial começar a se beneficiar pessoalmente com favores de comerciantes e


moradores, incluindo o ganho de presentes e serviços, a Organização Comunitária se torna um
grupo de lucro – e isso é o afundamento de qualquer projeto.

3. Nas reuniões, o Comandante local é mediador, ouvinte e interlocutor. Logo, deve sempre
demonstrar o cunho social da Organização Comunitária, que não pode estar relacionada
diretamente à ideologia, a partidos políticos, a religiões específicas ou ao comércio exclusivo.

4. A prestação de contas gera credibilidade e estimula ainda mais a mobilização social. A comunidade
ficar sem resposta da polícia nutre o descrédito.

5. Deve-se evitar conflitos em reuniões.

6. Manter informações dos participantes em sigilo absoluto, preservando sua integridade física e a de
seus familiares.

7. Estimular a denúncia anônima.

8. Permitir sugestões, estar aberto às criticas.

Aula 3 - Como elaborar projetos sociais

3.1 Projetos sociais e sua relação com a prevenção primária

Os projetos sociais são prevenção primária pura. Eles devem ser estimulados pelas instituições policiais
e serem contemplados pela comunidade com zelo e carinho.
Quando um organismo policial recebe os jovens de uma favela dentro de uma Unidade Policial e com
eles interage com aulas de esportes, educação e outros temas (valendo-se da identificação de talentos
institucionais), tem-se prevenção primária, incutindo nesses jovens valores e virtudes. Isso colabora para uma
sociedade melhor, e então, reduz crimes. Um raciocínio simples, mas que não é compartilhado por todos.

52
Saiba mais
Veja o vídeo do Projeto Lutando pela Paz. na plataforma digital do curso.

E quais são os três grandes desafios para que aconteça um projeto social que envolva
comunidade e polícia?
De acordo com estudos do Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP), são eles:

Iniciativa do policial: se o policial executor, que está nas ruas, na ponta da linha, em contato direto
com o povo, não quiser que haja um projeto social, esse não acontecerá. O primeiro desafio é, portanto, que o
policial “queira fazer”. Muitas vezes ele não quer, e isso se dá por diversas razões, sendo as mais comuns: queixa
de falta de efetivo e recursos materiais, má vontade do policial (que está condicionado a se limitar a patrulhar e
nada mais) e experiências anteriores de frustração de seus projetos, quer por dificuldades impostas por seus
chefes, pares ou pela própria comunidade.

Apoio do Comandante: de nada adiantará a iniciativa do policial se o Comandante imediato não


“comprar” a ideia e jogar um “balde de água fria” no projeto proposto. É certo que a decisão compete ao
Comandante, mas muitos deles estão cegos quanto ao que é Polícia Comunitária. Pois na maior parte de seu
tempo não são “cobrados” quanto aos projetos, mas sim quanto à redução de índices criminais. É preciso que,
uma vez capacitados e conscientizados, os Comandantes apoiem projetos, quer com remodelação, quer com
estrutura e anuência.

Participação da comunidade: o projeto recebeu a iniciativa do policial e o apoio do Comandante,


mas, assim que é submetido à comunidade, ele sofre resistência. Isso porque, assim como os organismos
policiais, a comunidade também conhece aquela polícia reativa, e, no início, é natural que recue diante da oferta
de um projeto que, ao final, será útil. Destarte, compete à instituição policial, com os conhecimentos adquiridos
pela impressão que se tem daquela sociedade, das condições outorgadas e dos ensinamentos adquiridos,
mormente os contidos no presente módulo, conscientizar pessoas. E, como dito, não é uma tarefa fácil!

Conforme você observou nas boas práticas de muitas polícias no transcorrer deste curso, a falta de
efetivo policial e de recursos materiais não são desculpas para realizar um projeto, que requer somente o que
já foi ensinado: iniciativa do policial, apoio do Comandante e participação da comunidade.
Fechando esse triângulo, a coisa acontece – e acontece muito bem!

Mas como deve ser elaborado um projeto que seja capaz de conscientizar a comunidade de que
a cultura de Polícia Comunitária é o caminho para a tranquilidade das pessoas?

3.2 Estrutura básica de um projeto

53
Eis a estrutura básica de um projeto:

Nome: Preferencialmente curto, tal como um slogan, que cause identificação direta com aquela
comunidade.

Público-alvo: Dividido entre a categoria de pessoas a serem beneficiadas (crianças, adolescentes,


negros, mulheres, idosos etc.) e a quantidade de pessoas a serem beneficiadas.

Objetivo: É o destino da empreitada.


Por exemplo: em uma área de tráfico e uso de drogas, retirar jovens para participarem de oficinas
literárias em uma Unidade Policial ou em um salão de uma igreja.

Recursos humanos: É a previsão de quantos policiais serão empregados.

Recursos materiais: Viaturas, instalações e gastos decorrentes.

Periodicidade: É a frequência de funcionamento.

Administrador: É o responsável pela organização, desenvolvimento e medidas a serem adotadas para


que o projeto se concretize.

3.3 Característica de um projeto

Um projeto é, também, revestido de algumas características:

Temporário: Porque, se atingir sua finalidade, pode ser substituído por outro que se adeque às novas
demandas da comunidade.

Não pessoal: Se um projeto sobreviver dependendo exclusivamente de determinado policial, ele se


torna frágil.

Executável: Projetos que precisem de muitas viaturas e de muitos policiais, que tenham uma frequência
exaustiva ou que demandem excessivos gastos financeiros, tornam-se, por vezes, uma responsabilidade acima
das possibilidades do policial, da Unidade Policial e da comunidade.

3.4 Outras formas de aproximação

54
Não se deve confundir um Projeto com outras formas de aproximação e conscientização da
comunidade.
Por isso, você aprenderá agora a diferença entre esses mecanismos.

Gentileza policial: como exposto no Módulo 1, quando você ajuda uma idosa a atravessar a faixa de
pedestres ou quando deixamos uma criança brincar no interior de uma viatura, você está fazendo algo positivo
e cortês. Todavia, isso sozinho não é uma ferramenta autossuficiente para a redução de fatores ofensivos à
segurança pública. Isso é sim educação, gentileza, bons modos e relações públicas, que é, certamente, um passo
fundamental para que se chegue à cultura de Polícia Comunitária. Nesse sentido, ajudar a idosa ou bem tratar
a criança é obrigação moral e cívica de qualquer pessoa, incluindo o policial.

Ação beneficente: no inverno arrecadar agasalhos, no Natal dar presentes e no Dia das Crianças
realizar uma apresentação ou visitação são ações beneficentes, pontuais, isoladas e que muitos órgãos fazem.
Assemelham-se mais à gentileza policial que a um Projeto ou Programa (que serão explicados adiante). É ação
positiva, mas não deve ser tida, por si só, como ação própria e pura de Polícia Comunitária, mas sim de relações
públicas, que auxiliam o “caminhar” para a união entre comunidade e polícia.

Ação de informação: panfletos com dicas de segurança, palestras em escolas, entrevistas em órgãos
de mídia para acalmar, dar explicações ou prestar contas à sociedade são potentes ferramentas que reduzem
fatores ofensivos à segurança pública, logo, são ações de Polícia Comunitária.

Networking operacional: quando um Comandante gerencia grupos de trocas de informações, sejam


em reuniões presenciais (como as de Conselhos Comunitários de Segurança) ou virtuais (por aplicativos de
conversa on-line, mensagens ou redes sociais), a Polícia Comunitária é fortalecida em grau elevado. Da mesma
forma, quando o patrulheiro possui uma lista de contatos que lhe transmitem licitamente informações e dados
de onde estão armazenadas armas ou drogas, por exemplo, isso é Polícia Comunitária. Essa sensação é
percebida, também, nos atendimentos telefônicos emergenciais ou de Unidades Policiais, em que o cidadão é
bem acolhido e seu problema é solucionado.

Projeto: é uma ação de continuidade que trabalha a raiz dos problemas de uma comunidade local,
com cunho temporário.

Programa: é quando o Projeto ganha tamanho vulto, em razão de sua eficácia, que passa a contemplar
toda a sociedade servida pela instituição policial, não só a local. Ele deixa de ser algo temporário e passa à
condição de permanente, ou seja: “programado”.

Com ou sem projeto, é possível mobilizar a comunidade. Entretanto, o projeto funciona como um fator
“estimulante” de aproximação, divisão de papéis (responsabilidade solidária) e, consequente, solução para os
problemas corriqueiros que sufocam as pessoas, mormente a violência.

55
Nessa esteira solidária de cidadania, deve-se lembrar que a Constituição Federal Brasileira (1988), em
seu artigo 144, ao mesmo tempo em que assevera que a “Segurança Pública é dever do Estado”, também deixa
claro que é “direito e responsabilidade de todos” (grifo nosso).

Aula 4 - Mudando comportamentos do policial executor

4.1 Ferramentas que favorecem a conscientização

Para facilitar também a conscientização do próprio policial executor quanto à importância da cultura
de Polícia Comunitária, muitas ferramentas, além das já ensinadas neste módulo, são preciosas.
As duas principais formas de conscientizar o policial executor e os líderes a aceitarem Polícia
Comunitária são:
Capacitação: Para todos, o conhecimento, a exemplo daquele oferecido por este curso, é fundamental
para que ele saiba sua real missão e o verdadeiro propósito da Polícia Comunitária. Em específico para as
lideranças, é primordial uma boa formação de gestão, administração e planejamento estratégico.

Legenda: Discente de PM de Estado disseminador partilha suas


experiências com colegas de outras PM, durante aula de Troca de
Experiências, 6ª Edição do Curso Internacional, Auditório do
Quartel do Comando Geral, Porto Alegre, RS, Julho de 2015.
Fonte: Adjuntoria de Polícia Comunitária.

Legenda: Curso de Polícia Comunitária coordenado pela PMESP


em benefício da Polícia Nacional Civil da Guatemala.
Fonte: acervo do conteudista.

56
Legenda: Curso de Polícia Comunitária sediado em Minas Gerais,
2015, com a participação de diverso Estados.
Fonte: acervo do conteudista.

Reconhecimento: As polícias reativas têm o hábito de privilegiar e elogiar tão somente aqueles
policiais que prendem criminosos e que apreendem armas e drogas. Não que isso seja descartável, muito pelo
contrário: se a Organização Comunitária é o “coração” de Polícia Comunitária, o enfrentamento ao crime são os
“pulmões”. Todavia, há de se valorizar também aquele policial que produz o estreitamento entre comunidade e
polícia, pois isso influenciará os demais a também elaborarem boas práticas atinentes ao tema. Isso gera
pertencimento.

4.1 Ferramentas que favorecem a conscientização

Muito se fala do “Perfil do Policial Comunitário”, mas isso é uma redundância, já que todo policial serve
à comunidade.
Todavia, assim como há o perfil de policial para trabalhar com ações táticas especiais, com serviços
administrativos, com formação de novos policiais etc., também há o do policial com maior aptidão para trabalhar
com projetos e programas.
Esse policial apresenta as seguintes características:

1. Voluntário.
2. Capacitado em Polícia Comunitária e/ou Liderança Comunitária e/ou Gestão Comunitária, seja por
cursos ou experiência profissional.
3. Hábil em comunicação e expressão verbal/corporal.
4. Detentor de autonomia setorial de atuação; relevância da responsabilidade territorial. Para o Maj.
PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS), a região sob responsabilidade de um gestor deve ser
dividida entre os Policiais disponibilizados naquela região. Cada subdivisão renomeada como
postos, conforme a estrutura disponível. A partir disso, cada policial tem seu quinhão de
responsabilidade. Assim ocorre, por exemplo, nos Koban do Japão, nas Bases Comunitárias de
Segurança fixas e móveis da PM em São Paulo e Minas Gerais, no Rio Grande do Sul, nos Núcleos
e, também, em algumas polícias dos EUA.
5. Preferencialmente deve estar fixado como referência para a comunidade (evitando, caso possível, a
rotatividade).

57
Finalizando...

Neste módulo, você estudou que:


• A transformação da roupagem de um organismo policial interfere nos rumos da polícia e de seus
policiais, no destino da sociedade e de suas pessoas.

• O que os gerentes e policiais executores fazem em suas rotinas de trabalho são frutos de um alinhamento
“do que praticam” e “do que acreditam que seja correto ser praticado”.

• O que um gerente policial não pode abrir mão é, minimamente, de seu controle. Ele precisa coordenar
e fiscalizar a mudança de cultura de sua polícia, cercando-se de bons analisadores para lhe darem um
norte, indutores para fazer com que se cumpram as ordens e sonhadores para idealizarem relevantes
produtos para a comunidade.

• Mobilizar pessoas é fazê-las compreender que a polícia é parcela da comunidade.

• Na data da reunião, compete à polícia fazer uma breve apresentação do que é Polícia Comunitária, dos
resultados em outras localidades, da importância da parceria e qual é a intenção do projeto.

• Os projetos sociais são prevenção primária pura. Dessa forma, devem ser estimulados pelas instituições
policiais e serem contemplados pela comunidade com zelo e carinho.

• Não se deve confundir um Projeto com outras formas de aproximação e conscientização da comunidade.

• Com ou sem projeto, é possível mobilizar a comunidade, entretanto, o projeto funciona como um fator
“estimulante” de aproximação, divisão de papéis (responsabilidade solidária) e consequente solução para
os problemas corriqueiros que sufocam as pessoas, mormente a violência.

• Assim como há o perfil de policial para trabalhar com ações táticas especiais, com serviços
administrativos, com formação de novos policiais etc.,. também há o do policial com maior aptidão para
trabalhar com projetos e programas.

• A falta de efetivo policial e de recursos materiais não são desculpas para realizar um projeto, que requer
somente o que já foi ensinado: iniciativa do policial, apoio do Comandante e participação da
comunidade.

58
EXERCÍCIOS

1. Assinale a alternativa incorreta:

a) A transformação da roupagem de um organismo policial interfere nos rumos da polícia e de seus policiais,
no destino da sociedade e de suas pessoas.
b) A mudança de cultura não altera as rotinas da organização.
c ) O gerente policial precisa coordenar e fiscalizar a mudança de cultura de sua polícia, cercando-se de bons
analisadores para lhe darem um norte, indutores para fazer com que se cumpram as ordens e sonhadores para
idealizarem relevantes produtos para a comunidade.
d) Conscientizar a comunidade é imprescindível, pois Polícia Comunitária não é uma cultura unilateral, que parte
da Polícia e só dela depende ou sobrevive.

2. Assinale a alternativa incorreta:

a) Mobilizar pessoas é fazê-las compreender que a polícia é parcela da comunidade.


b) Conscientizar a comunidade não requer abdicar de vaidades e de segundas intenções.
c) As pessoas não serão dominadas pela sensação de pertencimento se a conscientização se der com
envolvimento puro.
d) Se o objetivo da parceria entre comunidade e polícia deixar um ponto de interrogação sobre as verdadeiras
intenções, Polícia Comunitária não irá funcionar e receberá o rótulo de plataforma de agrado ou política.

3. Leia as alternativas abaixo:


I - O correto é a polícia ser ouvida pela comunidade e a comunidade ser ouvida pela polícia.
II - Um dos pilares da Organização Comunitária é o Convencimento, que pressupõe convencer apenas a
polícia de que o envolvimento é a única solução para o fenômeno da violência.
III - É necessário mostrar a todos que Polícia Comunitária tem data marcada para terminar, pois não é
uma cultura definitiva.
IV - As lideranças negativas, de cunho meramente politiqueiro, devem ser desestabilizadas e excluídas
do contexto.
Quais das afirmativas são verdadeiras?

a) I e II
b) I e IV
c) II e III
d) I, III e IV

59
4. Relacione corretamente a primeira com a segunda coluna:

(a) Gentileza policial


(b) Ação beneficente
(c) Ação de informação
(d) Projeto

( ) São ações pontuais, isoladas e que muitos órgãos fazem. Assemelham-se mais à gentileza policial que a um
Projeto ou Programa.
( ) É obrigação moral e cívica de qualquer pessoa, incluindo o policial, mas sozinha não é uma ferramenta eficaz
para a redução de fatores ofensivos à segurança pública.
( ) Panfletos com dicas de segurança, por exemplo. São potentes ferramentas que reduzem fatores ofensivos à
segurança pública, logo, são ações de Polícia Comunitária.
( ) É uma ação de continuidade que trabalha a raiz dos problemas de uma comunidade local.

60
GABARITO

Questão 1.
Resposta: b

Questão 2.
Resposta: a

Questão 3.
Resposta: b

Questão 4.
Resposta: b, a, c, d

61
62
Processo “Difundir”
MÓDULO
4

Apresentação do Módulo

Neste módulo você estudará os mecanismos para disseminar, interna e externamente, as boas práticas
de Polícia Comunitária desenvolvidas pelos organismos policiais.
As perguntas a seguir o ajudarão a refletir sobre a sua instituição.

A sua instituição domina a arte da Comunicação?


Ela divulga o que faz, interna e externamente?
Todos os níveis organizacionais aproveitam as oportunidades para fazer Marketing corporativo?

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


• Identificar mecanismos para disseminar, interna e externamente, as boas práticas de Polícia Comunitária
desenvolvidas pelos organismos policiais.
• Reconhecer a importância do Porta-voz.
• Valorizar o compartilhamento de boas práticas.

Estrutura do Módulo

Este módulo está estruturado nas seguintes aulas:


Aula 1 – Como e qual a razão de divulgar?
Aula 2 – Porta-voz
Aula 3 – Compartilhamento de boas práticas

63
Aula 1 - Como e qual a razão de divulgar?

1.1 Mudança de cultura organizacional

Costumam dizer por aí que a propaganda é a alma do negócio!


Essa frase é aplicada perfeitamente também em Polícia Comunitária.
Divulgar os bons feitos é essencial, já que muitos órgãos da mídia não o fazem, em detrimento de
ocorrências policiais específicas, como aquelas pontuais de abuso de autoridade, que garantem maior audiência
em programas televisivos e rendem mais à imprensa.
O compromisso da polícia é com a “vida”, e não com a “venda” (de tragédias). Logo, disseminar boas
práticas é uma oportunidade singular de se reverter o quadro de imagem negativa que a polícia causa em
determinados segmentos sociais, quer por seus erros, quer pela supervalorização midiática.
Essa divulgação não deve ser somente externa, mas também interna. É muito comum que Unidades
Policiais próximas umas das outras sequer conheçam o trabalho alheio, que na maioria das vezes é praticado de
forma impecável pela outra, mas não é propagada.

E como divulgar?

1.2 Como divulgar

Disseminar as leis e a doutrina de Polícia Comunitária para todos os integrantes da Instituição é


alimentar e aperfeiçoar o processo “Difundir”.
O conteúdo pode ser explorado mediante instrução em pleno serviço (On Job Training), home page
institucional, vídeos de curta duração para sensibilizar, gotas de instrução na rede de rádio dos patrulheiros etc.
As cartilhas, folders, revistas e outras formas de mensurações visuais de dicas e de divulgação da cultura
de Polícia Comunitária, sejam aquelas destinadas aos policiais sejam as delimitadas para a comunidade, são
potentes ferramentas na etapa de difundir.
Redes sociais, por exemplo, são muito acessadas hoje em dia. Não é à toa que existem “comunidades
virtuais”.
Todas essas ferramentas servem para a difusão, tanto externa quanto interna.
Veja, na plataforma do curso, alguns exemplos de itens dessa natureza desenvolvidos pela
Polícia Militar do Estado de São Paulo.

Saiba mais
• Conheça o Folder do Núcleo de Polícia Comunitária da Brigada Militar do Rio Grande do Sul acessando
a plataforma do curso.

64
• Conheça alguns exemplos de folders e cartilhas, na plataforma do curso, tanto de dicas de
autoproteção quanto de divulgação de serviços da PMMG
• Para acessar o acervo de “Dicas PM” da Polícia Militar de Minas Gerais e receber uma benéfica
orientação cognitiva de autoproteção, basta acessar a plataforma do curso.

Saiba mais
As Polícias dos três Estados-modelo de Polícia Comunitária disponibilizam informações às comunidades por
intermédio dos seus portais. Clique em cada uma para conhecer:
• Brigada Militar do Rio Grande do Sul
• Polícia Militar do Estado de São Paulo
• Polícia Militar de Minas Gerais

Aula 2 – Porta-voz

2.1 Importância do Porta-voz

Se possível, as Unidades Policiais, respeitadas as peculiaridades de cada Instituição, devem conter seu
próprio “Porta-voz”.
Os Comandantes locais precisam conhecer e manusear adequadamente as estatísticas criminais e ações
de prevenção/prisões/apreensões efetuadas, em conjunto com esse Porta-voz. Por sua vez, ele deve ter
conhecimentos institucionais amplos, boa verbalização/dicção e estreitamento com os veículos de comunicação,
além de seguir a doutrina de seu organismo policial e estar alinhado ao que for definido pelo Comandante.
A instituição policial necessita pautar pelo bom enlace com os meios de comunicação, primando por
uma excelente convivência com os profissionais da mídia.
É fundamental a figura de um Porta-voz para evitar conflitos de informações – que podem criar uma
imagem distorcida da polícia.
A comunicação deve ser transparente, em especial com números estatísticos verdadeiros, sempre
citando a fonte de obtenção dos dados.
É de suma importância primar pela retroalimentação da comunicação: a confiança facilita o contato
com a comunidade, e isso torna fluente a comunicação, que alimenta a confiança.

65
Esse é um círculo virtuoso!
Deve-se ter cautela quanto à comunicação pessoal. O cuidado com os gestos, a postura e a oratória
devem vir ser observados desde os patrulheiros até os Porta-vozes. A comunicação pessoal é mais importante
que a institucional, já que a comunidade reconhece a polícia pelas atitudes de seus policiais.

2.2 Relacionamento com a imprensa

Um dos trabalhos de um Porta-voz é mostrar à imprensa que ela tem responsabilidade social e
compromisso com a verdade dos fatos.
As “notas de imprensa” precisam circular constantemente, com notícias positivas, enviadas para todos
os líderes da Instituição e para todos os cadastrados da imprensa.

Importante
Regras de ouro:
O Porta-voz divulga, mas é o Comandante que autoriza a divulgação!
A imprensa não pode ficar sem resposta. Se a imprensa ficar sem resposta, ela divulgará o que quiser!

As entrevistas, porém, podem ser fracionadas: a comunicação estratégica institucional, com temas
delicados, feita pelo Porta-voz.
Já os Comandantes locais e os policiais executores podem falar apenas da rotina e das prisões de suas
áreas.

Importante
Jamais manifestar opiniões pessoais nas entrevistas!

2.3 Algumas dicas para a comunicação efetiva

1. Não usar códigos típicos policiais para falar com o cidadão.


2. Respeitar as características individuais do cidadão.
3. Ter paciência com diferentes formas de expressão das pessoas e da imprensa.
4. Prestar atenção às necessidades do cidadão. O problema dele pode parecer pequeno para você,
mas quando ele procura um policial é porque, naquele momento, o problema significa para ele o
maior do mundo.

66
5. Centralizar por Unidade Policial o registro de e-mails, endereços e telefones de todos os meios de
comunicação da área.
6. Elaborar discursos institucionais com início e final padronizados. Por exemplo: no começo a oratória
revelando que a Instituição está compromissada com o cidadão e, ao final, disponibilizar os serviços
pelo atendimento telefônico de emergência.

Importante
É fundamental, como dito no Módulo 3, que a Instituição capacite os policiais executores e os líderes em
comunicação por meio de cursos.

Aula 3 – Compartilhamento de boas práticas

Você estudou anteriormente que muitas vezes a “própria polícia não sabe o que sua polícia pratica de
bom”.
Para reverter esse cenário, a formatação de um banco de dados institucional que centraliza as boas
ações, gerenciadas por uma Diretoria, Centro ou Divisão de Polícia Comunitária (conforme particularidades
estatais) é fator de captação de argumentos técnicos e de ações positivas.
Essas ações, no entanto, não podem ficar à deriva em plataforma virtual. Elas precisam ser disseminadas
amplamente, para que os líderes reúnam condições de avaliar a aplicabilidade na área sob seu comando e,
sobretudo, ilustrar aos policiais executores e para a comunidade uma máxima vital: “é possível fazer a diferença!”.
Porventura, um problema que requer solução da polícia, pode ser encontrado até mesmo dentro da
sua Instituição ou em uma polícia vizinha.
Por isso, se você realiza uma boa prática, compartilhe!
Talvez sua solução pode servir a uma comunidade vizinha.

Finalizando...

Neste módulo, você estudou que:


• Disseminar as leis e a doutrina de Polícia Comunitária para todos os integrantes da Instituição é alimentar
e aperfeiçoar o processo “Difundir”.

• Se possível, as Unidades Policiais, respeitadas as peculiaridades de cada Instituição, devem conter seu
próprio “Porta-voz”.

• É de suma importância primar pela retroalimentação da comunicação: a confiança facilita o contato com
a comunidade (e isso torna fluente a comunicação), que alimenta a confiança.

67
• Um dos trabalhos de um Porta-voz é mostrar à imprensa que ela tem responsabilidade social e
compromisso com a verdade dos fatos.
• Muitas vezes a “própria polícia não sabe o que sua polícia pratica de bom”. Para reverter esse cenário, a
formatação de um banco de dados institucional que centraliza as boas ações, gerenciadas por uma
Diretoria, Centro ou Divisão de Polícia Comunitária (conforme particularidades estatais) é fator de
captação de argumentos técnicos e de ações positivas.

EXERCÍCIOS

1. Assinale a alternativa incorreta:

a) Divulgar os bons feitos é essencial, já que muitos órgãos da mídia não o fazem.
b) Disseminar boas práticas é uma oportunidade ímpar de se reverter o quadro de má imagem que a polícia
causa em determinados segmentos sociais, quer por seus erros, quer pela supervalorização midiática.
c ) A divulgação das boas práticas deve ser somente externa, não sendo necessária internamente.
d) É muito comum que Unidades Policiais próximas umas das outras sequer conheçam o trabalho alheio – que
na maioria das vezes é praticado de forma impecável pela outra, mas não é propagada.

2. Assinale a alternativa correta:

a) As cartilhas, folders, revistas e outras formas de mensurações visuais de dicas e de divulgação da cultura de
Polícia Comunitária são ferramentas de relações públicas – e não de Polícia Comunitária.
b) Não é importante que as Unidades Policiais contenham seu próprio “Porta-voz”.
c ) Os Comandantes locais devem conhecer e manusear adequadamente as estatísticas criminais e ações de
prevenção/prisões/apreensões efetuadas, em link com o Porta-voz.
d) O Porta-voz não precisa ter conhecimentos institucionais amplos, pois isso compete ao Comandante local.

3. Assinale a alternativa incorreta:

a) O Porta-voz precisa ter boa verbalização/dicção e estreitamento com os veículos de comunicação.


b) O Porta-voz deve seguir o que considera justo declarar em entrevista, sem atentar para a doutrina de seu
organismo policial.
c) A instituição policial deve pautar pelo bom enlace com os meios de comunicação, primando por uma
excelente convivência com os profissionais da mídia.
d) É fundamental a figura de um Porta-voz para evitar conflitos de informações, que podem criar uma má
imagem da polícia.

68
4. Assinale a alternativa incorreta:

a) A comunicação deve ser transparente, em especial com números estatísticos verdadeiros, sempre citando a
fonte de obtenção dos dados.
b) Quanto à comunicação pessoal, deve-se ter cautela, desde os patrulheiros aos Porta-vozes, referente aos
gestos, postura e oratória.
c) A comunicação institucional é mais importante que a pessoal.
d) A confiança facilita o contato com a comunidade – e isso facilita a comunicação, que alimenta a confiança.

69
GABARITO

Questão 1.
Resposta: c

Questão 2.
Resposta: c

Questão 3.
Resposta: b

Questão 4.
Resposta: c

70
Boas práticas de Polícia Comunitária
MÓDULO
5

71
Apresentação do Módulo

Neste módulo você terá oportunidade de conhecer boas práticas de Polícia Comunitária nos âmbitos
nacional e internacional.

Objetivos do Módulo

Ao final do estudo deste módulo, você será capaz de:


• Conhecer, por meio da apresentação de boas práticas, como algumas polícias conseguiram se unir com
a comunidade por intermédio de ações, projetos, programas e outros.

Estrutura do Módulo

Este módulo está estruturado nas seguintes aulas:


Aula 1 – Boas práticas de âmbito nacional
Aula 2 – Boas práticas de âmbito internacional
Aula 3 – Compartilhamento de boas práticas

Aula 1 - Boas práticas de âmbito nacional

Como você estudou, um projeto ou programa fortalece a junção entre comunidade e polícia e facilita
o elo de confiança para a solução de problemas comuns.
Confira agora as práticas de sucesso!

1.1 Mudança de cultura organizacional

A atuação do policiamento comunitário em núcleos, por meio da divisão da área total de uma região
em áreas menores, com responsabilidade atribuída a um grupo de policiais e sem a referência de uma base fixa
ou móvel, atende aos princípios da filosofia de Polícia Comunitária.

72
Adotada pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, essa estratégia aproveita as potencialidades das
relações comunitárias em regiões onde predominam populações residentes, nas quais a participação popular é
mais efetiva, pois é exercida por meio das associações de moradores e entidades setoriais e com os órgãos de
segurança pública.
Trata-se de fração elementar constituída por até quatro Policiais Militares encarregados de executar o
policiamento ostensivo em seus princípios, fundamentos, métodos e atribuições constitucionais legais, sem base
fixa, em perímetro urbano ou rural, subordinados à fração Policial Militar regular.
Os policiais integrantes são residentes das regiões de abrangência do bairro atribuído ao núcleo de
policiamento comunitário. Organizam suas rotinas e escalas cotidianas, exercendo na essência suas funções de
polícia.
Foi pensado como forma de não dispender investimentos públicos em estruturas físicas e incentivar e
promover a responsabilidade territorial nos níveis de execução.
Em dezembro de 2016, a Brigada Militar operava 115 Núcleos em 19 cidades, com 388 PMs residentes
em 267 bairros, empregando 114 viaturas, relacionando-se com 121 associações de moradores, atendendo uma
população aproximada de 1.179.000 habitantes residentes nos diversos bairros que compreendem os perímetros
de encargos dos PMs dos núcleos.

Saiba mais
Saiba mais sobre os núcleos da BMRS, acessando a plataforma do curso.

Legenda: Comitiva da Polícia japonesa e da JICA visitam a residência de um policial de núcleo em Caxias do
Sul, Rio Grande do Sul, em 2016.
Fonte: Major PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS).

1.2 Bases Móveis

Tanto em São Paulo quanto em Minas Gerais e Rio Grande do Sul há o policiamento comunitário móvel
efetuado por bases veiculares.

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A Base Comunitária Móvel (BCM) foi uma adaptação do Koban que a PMMG desenvolveu primeiramente
na 20ª Companhia PM do 16º BPM, conforme se abstrai da leitura do Manual de Policiamento Comunitário
produzido pelo Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP)*.
*NÚCLEO DE ESTUDOS DA VIOLÊNCIA DA UNIVERSIDADE DE SÃO PAULO. Manual de Policiamento Comunitário: Polícia e
Comunidade na Construção da Segurança [recurso eletrônico] / Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (NEV/USP).
– Dados eletrônicos. – 2009, 104 p.
“Em Belo Horizonte, militares da 20ª Companhia do 16º Batalhão e moradores da região noroeste se
uniram para conter a onda de crimes no comércio e criaram o Serviço de Policiamento Comunitário Móvel.
Um trailer, adaptado para esse serviço, passou a ficar nas localidades diagnosticadas como mais
sensíveis para tentar reduzir o número de crimes.” (NEV/USP, 2009, p. 87).
As Bases Móveis, presentes nos três Estados-Modelo, inspiraram, inclusive, o Japão. Pois, após o êxito
de tal adaptação, elas foram expandidas para polícias dos demais entes federados.
A diretriz de Polícia Comunitária da PMMG define a BCM da seguinte maneira:
“Estabelecido pela 3.03.07/2010-CG. É um serviço policial preventivo, prestado por uma equipe de
policiais militares, que utilizam como referência uma viatura (tipo trailer ou Van) e, com o apoio da
comunidade, desenvolvem o policiamento orientado para o problema com o objetivo de reduzir o crime, medo
do crime e a desordem pública em áreas com alta densidade populacional sazonal.” (POLÍCIA MILITAR DE
MINAS GERAIS, 2011, p. 26, grifo nosso).
Verifica-se pela leitura acima que as diferenças básicas para a Base Comunitária (BC) – totalmente
inspirada no sistema Koban – são a referência física (na BC é uma edificação – imóvel) e a densidade populacional
da área (na BC será sempre alta, enquanto que na BCM será somente sazonalmente).

Saiba mais
Saiba mais sobre essa exitosa experiência em Minas Gerais, acessando a plataforma do curso.

Na Brigada Militar, o uso das Bases Móveis Comunitárias (BMC) transcende a tradição de emprego de
veículos motor-home por forças policiais. Estão sendo aplicadas para a redução de alguns indicadores de
violência e criminalidade em espaços urbanos, sobretudo o medo do crime. A operação se baseia na
necessidade de ter um efetivo atuante em parte do período diuturno, dentro de uma área de
responsabilidade territorial.
É mais uma estratégia pontual que pode ser utilizada pelo Comandante local, a fim de resolver
problemas de aumento de índices criminais, problemas de desordem e demandas comunitárias pelo tempo que
for necessário, visando à solução desejada.

Saiba mais
Saiba mais sobre as Bases Móveis Comunitárias da BMRS e também sobre o também o trabalho da
Patrulha Escolar no Rio Grande do Sul acessando a plataforma do curso.

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Assim como em Minas Gerais e Rio Grande do Sul, em São Paulo, há centenas de Bases Comunitárias
Móveis (BCM).
No contexto paulista, a definição é a de que são trailers ou viaturas tipo perua “van”, com adaptação
para emprego no policiamento comunitário, visando fazer frente às circunstâncias que necessitem de presença
policial não permanente, sendo empregada, após criteriosa avaliação do Comando local, onde haja necessidade
ocasional ou transitória, ainda que periódica.
Exemplos: dias de pagamento, espetáculos públicos, competições desportivas, festas religiosas ou
típicas, movimento comercial, etc., com guarnição básica de três PM, que pode ser reforçada em casos de
cobertura de eventos.

Saiba mais
Conheça o Memorial Descrito de um dos muitos modelos de Base Comunitária Móvel de São Paulo,
acessando a plataforma do curso.

1.3 Projeto USP Segura

Sobre a Polícia Comunitária na USP:

1. A implantação da filosofia de Polícia Comunitária na USP teve base legal no Termo de Cooperação
celebrado no dia 8 de setembro de 2015, entre a Universidade de São Paulo e a Secretaria de Segurança
Pública.
2. No mês de setembro de 2015, a Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos (DPCDH) da
Polícia Militar do Estado de São Paulo, em parceria com o Comando de Policiamento Área Metropolitano
Cinco (CPA/M-5), formou dezenas de policiais militares pelo Estágio de Policiamento de Bases
Comunitárias, destinado a capacitar os profissionais que atuavam no campus da USP.
3. Atualmente, instrução em pleno serviço sobre Polícia Comunitária é ministrada por instrutores da DPCDH
e CPA/M-5 para os policiais militares que trabalham na instituição de ensino em epígrafe.
As viaturas patrulham de acordo com Cartão de Prioridade de Patrulhamento (pontos de estacionamento
e áreas de policiamento definidas por índices criminais e maior circulação de pessoas).
A maioria dos alunos e professores quer a presença da polícia na USP, porém a minoria que não deseja
a polícia manifesta-se.

Pesquisa revelou que as maiores preocupações dos pais de alunos da USP são, primeiramente, as festas,
em seguida drogas e violência.
O que mais incomoda os alunos e os professores é o crime de roubo.
A diminuição dos crimes foi percebida, inclusive pela imprensa.

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Saiba mais
confira a reportagem “Crimes caem na USP” e saiba mais sobre o projeto USP Segura acessando a
plataforma do curso.
Fonte: Comando de Policiamento de Área Metropolitano Cinco da Polícia Militar do Estado de São Paulo,
2017.

1.4 Integração entre vizinhos e polícia

Um grande e bem-sucedido exemplo é o programa em que há a união entre moradores e o organismo


policial, com foco nos vizinhos, aplicado em diversos Estados do Brasil e em muitos países – e todos guardam
semelhanças no funcionamento.

Na Polícia Militar do Estado de São Paulo, foi instituído o “Programa Vizinhança Solidária”. De acordo
com a Diretriz nº PM3 – 002/02/13, de 13 de junho de 2013, o Programa em epígrafe é um conjunto de medidas
destinadas a estimular os integrantes de determinada comunidade à mudança de comportamento diante de
fatos ou condutas que possam afetar a ordem pública da localidade onde vivem, trabalham ou estudam,
conscientizando-os de sua importância e responsabilidade nos assuntos relacionados à segurança pessoal e
coletiva e mobilizando-os a realizar ações de prevenção primária na preservação da ordem pública.
Em suma, é a união dos vizinhos entre si, coordenados por um tutor de bairro que tem contato direto
com o policiamento local, na maioria dos casos por aplicativos de conversa on-line, e tem atingido expressiva
diminuição de índices criminais onde foi aplicado.
Fonte: Seção de Relações Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia
Comunitária da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São
Paulo, 2017.

Na Polícia Militar de Minas Gerais, existe a “Rede de Vizinhos Protegidos”, conforme a DPSSP
3.01.06/2011. O objetivo é a seguridade social e preventiva entre vizinhos, visando à parceria entre a
comunidade de um determinado bairro e a PMMG. Tal programa é desenvolvido por meio da formação de
grupos de cinco ou seis vizinhos com a intenção de se autoprotegerem contra furtos em residências.
Os componentes da rede são responsáveis pela vigilância das residências, como nos casos de viagens,
ausência etc.
Cada família que pertence à rede terá informações de todas as famílias componentes da rede, tais
como: nomes completos, telefone residencial e pessoal (celulares).
As famílias que participam do projeto têm fixadas na parte externa de suas casas placas indicando que
estão sendo monitoradas pela rede de vizinhos protegidos (Polícia Militar de Minas Gerais, 2011).

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É importante frisar que, atualmente, a PMMG atualizou a Instrução nº 3.03.011/2011-CG, produzindo a
Instrução 3.03.11/2016*. Ela define que a metodologia passou a englobar diversos tipos de “Redes de Proteção
Preventiva” em todo o Estado, tais como “de Vizinhos Protegidos, Comerciantes, Condomínios Residenciais,
Imóveis Rurais, Escolas, Indústrias, Bancos, entre outros segmentos lícitos e idôneos” (MINAS GERAIS, 2016, p.
06).
*Regula a implantação da Rede de Proteção Preventiva nas comunidades do Estado de Minas Gerais. 2.ed. rev. Belo Horizonte:
Seção Estratégica de Emprego Operacional (EMPM/3), 2016.
Salienta-se que, independente das diferentes denominações adotadas pelas PPMMs do Brasil, as
experiências de “vizinhança em alerta” se inspiraram no modelo “Neighbourhood Watch” (Vigilância de bairro),
que foi demasiadamente difundido nos Estados Unidos.

1.5 Equoterapia

Outro exemplo de projeto é a Equoterapia, cujo público-alvo, em geral, são pessoas portadoras de
necessidades especiais da comunidade.
Na cidade de Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo, funciona o Centro de Equoterapia do
Pelotão Montado do 3º Batalhão de Polícia Militar do Interior. O projeto começou no ano de 2000. No início,
eram apenas dois praticantes. Em 2016, possuía uma lista de espera com mais de 400 pessoas portadoras de
necessidades especiais. O praticante é inscrito e, assim que chamado, passa por uma análise feita pela equipe
multidisciplinar, composta por psicólogo, fisioterapeutas, pedagogo e fonoaudiólogo. Estando apto para iniciar
o tratamento, é assistido pelo período de 6 meses, por intermédio de 2 sessões semanais, cada uma com 30
minutos de duração. Desde o início, atendeu aproximadamente 380 praticantes.

Saiba mais
Saiba mais sobre o projeto de equoterapia, acessando a plataforma do curso.
Fonte: Comando de Policiamento do Interior Três da Polícia Militar do Estado de São Paulo, 2016.

Na Polícia Militar de Minas Gerais, o Centro de Equoterapia do Regimento de Cavalaria Alferes


Tiradentes, por meio de ação integrada entre os conveniados para assistência médica, social, psicopedagógica
e fisioterapêutica, na promoção da saúde, atende gratuitamente às pessoas com deficiência. O objetivo é
promover o bem-estar à pessoa com necessidades especiais em seu campo de ação.
Atualmente, são atendidos 110 praticantes semanalmente no CERCAT. Desses, 11 participam do grupo
pré-esportivo (fase mais avançada da equoterapia). Atividades que extrapolam o âmbito do cuidado vão desde
brincadeiras voltadas às crianças até celebrações em datas especiais.
Além de Minas Gerais e São Paulo, muitos países e Estados brasileiros que trabalham com cavalarias
também repetem esse precioso serviço, como é o caso da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

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1.6 Companhia Legal

Um projeto criado em 2016 tem surtido bons efeitos em Ribeirão Preto, interior do Estado de São Paulo,
na área da 3ª Companhia do 51º Batalhão de Polícia Militar do Interior. É o “Companhia Legal”, cujos objetivos
são proporcionar conhecimentos das atividades da Polícia Militar e aumentar a credibilidade na
Instituição.
Ele funciona mediante visitas de escolas às instalações da Companhia da Polícia Militar do Estado de
São Paulo do município, e as crianças de 10 a 12 anos de idade recebem palestras sobre a estrutura da polícia,
noções de civismo e cidadania, esclarecimentos sobre a investidura militar, como se tornar um Policial Militar,
modalidades de policiamento, história da PM, regras de trânsito etc.

Saiba mais
Confira a matéria produzida pelo programa televisivo “Realidade das Ruas” acessando a plataforma do
curso.
Fonte: Comando de Policiamento do Interior Três da Polícia Militar do Estado de São Paulo, 2016.

1.7 TV PMMG Mirim

O personagem “PM Amigo Legal” é o mascote da Polícia Militar de Minas Gerais.


Trata-se de um educador para a prevenção, para a cultura da paz e um amigo das crianças e
adolescentes. Esse instrumento de comunicação, que alcança grande sucesso com o público infantil, até 2016
só figurava nas solenidades ou em algumas peças publicitárias eventuais.
Na busca de potencializar as suas ações e valorizar as alternativas de interação com a comunidade, a
sua modernização fez-se necessária. Dentro dessa lógica, a melhor forma da comunicação da Polícia Militar se
fazer competitiva no mercado é sendo inovadora e criativa.
Inserida na era mobile, a instituição se viu provocada a romper paradigmas e inovar na forma de
comunicar-se com as crianças. Foi nesse cenário que um canal na rede social de vídeos mais acessada do mundo
(o YouTube) foi vislumbrado como uma grande oportunidade de interação do mascote com esse público
conectado.
A linguagem rápida e sem complicações que os vídeos na internet oferecem aos internautas garante
inúmeras visualizações, curtidas e seguidores na plataforma. Contudo, o grande desafio era: como ter
competitividade na atenção da “garotada”, por meio de um canal institucional da Polícia Militar, entre tantos
canais de youtubers, jogos e atualidades?
Assim sendo, foi criada em maio de 2016, a TVPMMG Mirim. Um canal totalmente lúdico, com uma
roupagem leve e descontraída com o objetivo de levar informações de segurança e cidadania para o cidadão
do futuro. O protagonista do canal, o PM Amigo Legal, apresenta os conteúdos na forma divertida de desenhos
animados, cantando, dançando e, principalmente, respeitando o formato que as crianças gostam de ver. Todos

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os vídeos possuem pelo menos uma mensagem edificadora para a assimilação de valores como ética, respeito,
justiça e legalidade.

Saiba Mais
Saiba mais sobre a TV PMMG MIRIM acessando a plataforma do curso.

1.8 Projetos dentro da Cracolândia

Situada na área do 13º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, centro de São Paulo/SP, a Base
Comunitária de Segurança “Nova Aliança” coloca em prática muitos projetos que aproximam comunidade e
polícia, numa região desafiadora, conhecida como “Cracolândia”.
Um deles é o “Momento com Deus”, culto ecumênico semanal que reúne moradores, comerciantes,
dependentes químicos, líderes religiosos e policiais militares em torno da fé. Para as crianças e adolescentes, a
Base desenvolve o projeto “Momento Cívico”, em que os jovens participam de cerimônia de respeito à bandeira
no Brasil entoando o Hino Nacional. Isso colabora com sua formação ética, moral e cívica. A Base organiza
cuidadosamente os detalhes da tradicional “Festa Junina”, onde a criançada dança, diverte-se, ganha presentes
e experimenta muitos doces e salgados típicos desse festejo.
Mas o trabalho da Base não para por aí. Os policiais militares apoiam o projeto “Despertar”, da
Secretaria de Esportes do Município. Nele as crianças e adolescentes da comunidade são beneficiados com
atividades como futebol, vôlei, basquete, arte, terapia e desenhos (e ao final de cada dia os jovens ainda ganham
um lanchinho).
Fonte: Seção de Relações Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia
Comunitária da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São
Paulo, 2016.

1.9 Projeto Lutando Pela Paz

O projeto tem como escopo atender crianças, pré-adolescentes e adolescentes que vivem em situação
de risco e vulnerabilidade social. Leva a eles a prática de uma arte marcial – que serviria não só como uma
atividade física, mas como uma ferramenta axiológica capaz de promover nesses jovens valores como cidadania,
respeito, disciplina e valorização dos estudos, assim como afastá-los do envolvimento com as drogas e outras
atividades ilícitas.
Por meio de reuniões, detectou-se a necessidade da comunidade de busca de ocupação para jovens
de diversos bairros da Subárea da 153ª Cia PM/43° BPM, em especial das áreas de risco. Dentro da Companhia
existia o espaço físico acessível para a prática de capoeira, e com a alocação de tatames desmontáveis, pode-se
também exercitar outras artes, tais como defesa pessoal e karatê.
Em meados de agosto de 2010, houve uma iniciativa dos policiais militares pertencentes à Cia PM
mencionada, no sentido de trazer o “Capoeira Cidadã” para atuar dentro de sua área física. E com isso se ampliou

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a visão do projeto por meio de uma ação mais abrangente, na qual houvesse não só a capoeira, mas outras
artes, dando mais opções de escolha ao jovem.
Os projetos tiveram dois objetivos: o estímulo à atividade física e a promoção de valores nos jovens.
Isso se deu a partir da combinação de ações e estratégias. Para alcançar esses propósitos, foram realizadas
atividades semanais, mensais, bimestrais e quadrimestral.

Atividade semanal
Treinamentos (voltados para o objetivo I).

Atividade Mensal
Palestras (voltadas para o objetivo II).

Atividade bimestral
Lazer/Cultura, tais como idas ao cinema, caminhadas (hiking etc.), churrascos etc. (voltados para ambos
os objetivos, porém, mais para o segundo).

Atividade Quadrimestral
Acolhida de Feedback e verificação de resultados, os quais mostram como tem sido a progressão. Isso
é feito por meio de verificação com instrutores, alunos e diretoras das escolas que comportam os alunos e
registros.

Posteriormente, por meio do esforço dos militares, o projeto “Conexão Dança” (que tem os mesmos
fundamentos, mas é voltado para a prática de balé para meninas) também foi incorporado ao projeto “Lutando
Pela Paz”.
Atualmente, o projeto está em outras Cias PM dentro e fora da cidade de Governador Valadares/MG
(e.g. Frei Inocêncio, Mathias Lobato etc.) e foi fundada uma Associação composta por civis e militares (esses
como conselheiros técnicos) para uma representação mais inclusiva do projeto em todos os âmbitos.

1.10 Arca de Noé e Bem-Estar Mulher

É na Zona Leste de São Paulo/SP, área do 29º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, que dois
interessantes projetos são efetivados pela Base “Jardim Maia”.
O mais tradicional, que funciona desde 2013, é o “Arca de Noé”. Nele crianças e adolescentes carentes
(da própria comunidade) na faixa etária de 5 a 14 anos recebem aulas das artes marciais.
Em 2015, a Base iniciou também o projeto “Bem-Estar Mulher”, com aulas de pilates voltadas para o
público feminino adulto, para manutenção da saúde física e psicológica.
Vale destacar que ambos os projetos contam com instrutores formados na área de saúde e as aulas
acontecem nas instalações físicas da própria Base.

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Fonte: Seção de Relações Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia
Comunitária da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São
Paulo, 2017.

1.11 Projeto Música Além do Coração

O projeto “Música Além do Coração”, criado e idealizado pelo então comandante do GPM de
Codisburgo, no ano de 2006, tem o intuito de aproximar a comunidade da Polícia Militar naquela cidade pacata
do interior de Minas Gerais – em que se percebia receio das ações de polícia.
Com o objetivo de mostrar que o papel da PM era mais amplo do que a repressão imediata de infrações
e explicar importância dos procedimentos preventivos (como blitz, abordagem policial etc.), reuniões com
inúmeras lideranças comunitárias foram realizadas para estabelecer um diálogo sólido entre polícia e população
local.
A polícia começou a se fazer presente em escolas, creches, asilos e festas tradicionais, sempre levando
aos presentes a palavra de algo novo que seria feito para a comunidade. Isso alicerçou uma relação de
respeito, confiança e solidariedade, ao invés de medo como outrora. Desse diálogo, a polícia e a comunidade
resolveram empreender hortas comunitárias, acolheram os mais vulneráveis (e.g. o Sargento PM Leonardo
passou a ser o “Papai Noel” do Asilo, nas celebrações natalinas) e reativaram a banda da cidade – tornando-a
referência nacional, por meio do projeto “Música Além do Coração”.
Por incentivo do projeto, os músicos tiveram a oportunidade de (além de tocar em inúmeras cidades
do país) fazerem apresentações com muitos artistas famosos, como o cantor Milton Nascimento.
Nesse cenário de crescimento, o “sargentinho” (como é conhecido) deu seu testemunho de vida para
a rede Globo, no quadro “um por todos e todos por um” do apresentador Luciano Huck.
Com o projeto, promoveu-se o exercício da cidadania e o fomento do protagonismo infanto-juvenil,
de forma a aumentar o senso de coesão e colaboração comunitária.

Saiba Mais
Acesse a plataforma do curso para saiber mais sobre o projeto assistindo aos vídeos das duas matérias em
que o projeto foi destaque no referido programa de TV.

1.12 Projeto Casamento Comunitário

Promovido pelo Núcleo de Policiamento Comunitário do Bairro José Alexandre Zachia (Passo Fundo,
RS), o projeto contou com a participação de 20 casais do Bairro. Nele são oferecidas palestras preparatórias
ministradas por pessoas convidadas pelo Núcleo de Policiamento Comunitário, duas vezes por mês, até a data
marcada para a cerimônia civil e religiosa coletiva.

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A participação da Brigada Militar junto das comunidades pode ser desenvolvida de várias formas,
diferentemente do exclusivo atendimento de ocorrências.
Em uma visão preventiva, de valorização da imagem institucional e de interação comunitária, busca-se
com esse projeto o desenvolvimento do sentimento a proteção da família e a inclusão social por meio da
regularização do estado civil dos casais.

1.13 Escolinha de Ciclismo Mirim Califórnia

Na cidade de Osvaldo Cruz, interior do Estado de São Paulo (área do 25º Batalhão de Polícia Militar do
Interior), a Base Comunitária de Segurança “Osvaldo Cruz” organiza desde 2000 a “Escolinha de Ciclismo Mirim
Califórnia”, que contribui para a melhoria da qualidade de vida de crianças de 7 a 12 anos.
E como funciona?
Durante cinco sábados as crianças recebem instruções de trânsito, em especial sobre ao
comportamento esperado por um ciclista e noções de manutenção da bicicleta e pronto-socorrismo. Além disso,
os jovens aprendem sobre civismo, cidadania, defesa do meio ambiente, saúde e higiene bucal e a protegerem-
se das drogas, pedofilia e bullying.
Com 37 turmas formadas para multiplicar o bem, o projeto já atendeu mais de 850 crianças ao longo
de seus 15 anos de existência.
Fonte: Seção de Relações Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia
Comunitária da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São
Paulo, 2017.

1.14 Proteção às mulheres

Os Estados de Minas Gerais, Rio Grande do Sul e São Paulo mantêm boas práticas de patrulhamento
comunitário em defesa das mulheres.
Na Brigada Militar do Rio Grande do Sul, funciona o Programa de Prevenção à Violência Contra a
Mulher: Patrulhas “Maria da Penha”.
Conhecida como “Patrulha Maria da Penha”, em alusão à Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, que
estabelece mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, foi a forma que a Brigada
Militar encontrou para atender de modo qualificado e segmentado as demandas por proteção das
mulheres e na repressão delitiva nas regiões cujos indicadores são elevados.
Essa programação prevê a atuação preventiva pré e pós-delitual mediante sensibilização dos
operadores de segurança pública para com o tema, instrumentalizando as ações de enfrentamento da violência
doméstica e intrafamiliar contra o gênero feminino e servindo de anteparo para futuros eventos que atentem
contra a integridade da vida de mulheres. Ocorre por meio de guarnições constituídas especialmente para esse
fim.

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Sendo uma estratégia específica, esse Programa se orienta pela filosofia de Polícia Comunitária e sua
operação baseia-se nos seguintes institutos:

Atuação coordenada de Prevenção a Violência Contra a Mulher, mediante roteiro de ações.

Pré-existência de medida protetiva de urgência (MPU) exarada por Juiz, que passa a ser objeto da atuação
pontual da patrulha, em visita residencial de verificação e proteção.

Rede de atendimento para o enfrentamento da violência contra a mulher, com Instituições estaduais e
municipais para encaminhamento e proteção às vitimas de forma personalizada.

Patrulha “Maria da Penha, constituída em Batalhões das regiões de acordo com indicadores”.

1.15 Projeto Funk, Polícia e Arte da Paz

O projeto surgiu na Base Comunitária de Venda Nova, cidade de Belo Horizonte/MG, em face do
problema de um baile Funk realizado nos finais de semana em um estabelecimento conhecido como Quadras
da Vilarinho*.
A “Quadras da Vilarinho” é um antigo centro de lazer para a comunidade de Venda Nova**. Com o
passar do tempo, vários públicos passaram a frequentar o local como forma de diversão. Variando de acordo
com o ritmo da moda, o local já foi frequentado por carnavalescos, pagodeiros, adeptos de house music e, desde
o início dos anos 2000, tem sido frequentado pelos funkeiros.
Devido à grande quantidade de pessoas que frequentam o local, alguns tipos de problemas ocorriam
na região, como depredações de ônibus, brigas de gangues, denúncias de prostituição infantil, entre outras. Em
razão disso, essas reclamações da comunidade chegaram à Polícia Militar.
A comunidade foi envolvida em todo o processo utilizando a metodologia IARA. Inicialmente isso
ocorreu pelo compartilhamento de todas as ações, após atuando como jurada na seleção das músicas – o que
foi fundamental para diminuir o preconceito da comunidade em relação aos funkeiros e principalmente para
legitimar toda execução do projeto, compartilhando a responsabilidade.
Com o envolvimento da polícia e de representantes de todos os demais atores (moradores,
comerciantes, MC’s e outros), foi possível estabelecer um consenso sobre limites de sons, quebrou-se o
preconceito vindo do desconhecido e permitiu-se promover a arte com respeito aos demais envolvidos no
processo.
Fonte: Cap. PM Ronan Sassada, da Polícia Militar de Minas Gerais.
*Vilarinho é o nome de uma das principais avenidas da região norte de Belo Horizonte. Nessa avenida, situa-se um conjunto
de quadras onde são realizadas atividades desportivas e culturais que incorporaram o mesmo nome, sendo amplamente conhecida na
região como “Quadras da Vilarinho”.
**Venda Nova é um distrito localizado na região norte de Belo Horizonte.

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É importante frisar a simplicidade do pensamento de que o projeto não só promoveu a arte, o diálogo
e a compreensão, mas também gerou uma economia de desgaste humano e logístico na atuação tradicional de
polícia que antes era repetidas vezes empenhada com grande aparato para enfrentar o problema. Em outros
termos, com método, o problema virou solução.

1.16 Boxe na Praça

Em Guarulhos/SP, área do 15º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano, as crianças de 6 a 12 anos


recebem um carinho bastante especial da Polícia Militar do Estado de São Paulo, pois a Base Comunitária de
Segurança “Vila Galvão” não poupa esforços para manter dois grandes projetos sociais vivos e consolidados.
Um deles é o “Força Mirim”: desde 2008, as crianças vestem uniformes semelhantes aos da PMESP e
participam de eventos cívicos e militares, colaborando sobremaneira com a formação de bons cidadãos. O
slogan é “Educar hoje para não punir amanhã”.
Uma das ferramentas de maior sucesso para manter as crianças longe dos crimes é a prática desportiva.
Pensando nisso, a Base coloca em prática desde 2010 o projeto “Boxe na Praça, Lutando por um futuro melhor”,
em que as crianças aprendem com o pugilismo diversos valores, como a importância do treinamento, da
disciplina e do respeito pelo adversário.
Fonte: Seção de Relações Institucionais Nacionais e Internacionais e de Cooperação em Polícia
Comunitária da Diretoria de Polícia Comunitária e de Direitos Humanos da Polícia Militar do Estado de São
Paulo, 2017.

Saiba Mais
Conheça outros projetos de Polícia Comunitária desenvolvidos pelas Bases Comunitárias de Segurança, Bases
Comunitárias de Segurança Distrital e Postos Policiais-Militares da Polícia Militar do Estado de São Paulo.
Projetos da Brigada Militar do Rio Grande do Sul e conheça também a “Unidade Paraná Seguro (UPS)”,
acessando a plataforma do curso.

Aula 2 - Boas práticas de âmbito internacional

2.1 Guatemala

Na Guatemala, boas práticas foram observadas pelo Cap. PM Luciano Quemello Borges (PMESP).

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“Polícia seu amigo”
É um manual de prevenção à violência e ao delito no âmbito escolar, direcionado a jovens, mediante
13 lições, com foco na prevenção primária. Acesse a plataforma do curso e conheça esse manual (versão em
espanhol).

“Programa educacional de resistência às drogas e à violência”


É como o PROERD brasileiro, porém baseado no DARE norte-americano.

“Programa de educação e treinamento para resistência às gangues”


A sigla é GREAT. Nascido nos Estados Unidos da América e franqueado para vários países, é destinado
a minimizar o envolvimento dos jovens com grupos criminosos.

“Escola para pais de família”


Serve para ensinar os pais a educarem seus filhos sobre prevenção à violência.

“Pintando a paz”
Projeto pelo qual os jovens produzem grafismos como manifestação de arte e carregam mensagens de
harmonia, em oposição às pichações de gangues.

“Comissário por um dia”


Os jovens beneficiados pelos programas “Polícia seu amigo” e “DARE” podem realizar seus sonhos de
serem policiais por um dia, trajando uniformes e participando da rotina policial.

“Liga atlética policial”


Envolve a juventude em atividades recreativas, culturais, sociais e educativas para mantê-la ocupada
em seu tempo livre.

“Plano porta a porta”


São visitas comunitárias para oferecer maior segurança às residências e comércios, como as realizadas
pelos Kobans do Japão e pelas Bases Comunitárias de Segurança em São Paulo. O objetivo é identificar lugares
com maior incidência criminal e aumentar seu patrulhamento, a pé ou veicular, estimular a aproximação entre
vizinhos e unir os moradores em torno de medidas preventivas.

2.2 El Salvador

A Polícia Nacional Civil de El Salvador desenvolve ações de Polícia Comunitária que têm contribuído
muito para a redução de crimes e para a melhoria de imagem institucional.

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Saiba Mais
Conheça mais sobre as ações de Polícia Comunitária em El Salvador acessando a plataforma do curso (versão
em espanhol).

2.3 Estados Unidos

Boas práticas foram observadas pelo Maj. PM André Marcelo Ribeiro Machado (BMRS) nos Estados
Unidos.

Washington: no Departamento de Polícia Metropolitana há Unidade de Ligação para Lésbicas, Gays,


Bissexuais e Transgêneros (LGBTLU). Oficiais da Unidade de Ligação LGBT palestram sobre estratégias de
policiamento na comunidade e a procura de informações que levem à prevenção de crimes de ódio.

Baltimore: Departamento de Polícia de Escolas Públicas. Algumas cidades têm em seus departamentos
Unidades específicas, equivalentes a Companhias ou Batalhões estruturados e atuando exclusivamente como
Polícia Escolar Pública. Realizam todas as atividades de sua competência, desde o patrulhamento preventivo,
repressão e investigação e programas de prevenção primária, com educação e orientação de crianças e jovens
contra a violência e crimes.

Dayton, Ohio: Programa de Treinamento para Agentes Assistentes de Vizinhança (NAO -


 Neighborhood Assistance Officer): também chamados de “oportunidades de voluntariado”, os cidadãos
voluntários com “apoio oficial” fazem uma valiosa contribuição com base no seu conhecimento da comunidade.
As atribuições gerais desses assistentes são: patrulhar e observar a vizinhança acionando a tropa regular da
polícia em caso de atividades suspeitas observadas; apoiar o trânsito e aglomerações em acidentes,
emergências, incêndios, desastres naturais e cenas de crime; vigiar casas em períodos de férias; e incrementar a
visibilidade da polícia para evitar crime na vizinhança.

Divisão de Polícia de Huber Heights: Academia Cidadã. Consiste em uma estratégia desenvolvida
por vários Departamentos Policiais de cidades como Dayton e Centerville em Ohio, onde há Programas de
Integração com uma base curricular e um programa de disciplinas, focados nas áreas de atuação policial, em
que são ofertadas para lideranças, cidadãos idôneos e autoridades voluntarias, um curso de Policial Honorário.
Abordam-se os seguintes tópicos:  história do Departamento, leis sobre detenções, buscas e apreensões,
resposta a resistência e agressão, armas de fogo, violência doméstica, aplicação das Leis de Trânsito, normas
profissionais e comunicações, investigações criminais e SWAT, prevenção do uso de drogas, procedimentos em
tiroteios e sistema judicial.

Huntsville e Birmingham, Alabama: Oficial de Assuntos Multiculturais. Escritório de Assuntos


Multiculturais que serve como a entidade primária para apoiar as vastas culturas étnicas, nas áreas de

86
desenvolvimento cívico, econômico, educativo e social. Trabalha-se sobre a relação do policiamento
comunitário com as minorias.

Finalizando...

Neste módulo, você estudou que:


• Há boas práticas de Polícia Comunitária implementadas nacional e internacionalmente, conhecendo-as.

87
EXERCÍCIOS

A partir do conteúdo que estudamos, reflita sobre as questões abaixo.

1. Você conheceu neste módulo diversos programas e projetos desenvolvidos por


polícias do Brasil e do mundo. Cite um ou mais projetos de sua Instituição Policial.

2. Em sua Instituição Policial, o que pode ser feito para que os projetos e os
programas de união da comunidade com a polícia possam melhorar ou até mesmo
serem implantados?

88
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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TROJANOWICZ, Robert C.; BUCQUEROUX, Bonnie. Policiamento comunitário: como começar.
Trad. Mina Seinfeld de Carakushansky. 3. ed. São Paulo, SP: Polícia Militar do Estado de São
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Mestrado de Gestão Integrada do Território da Univale. 2011. No prelo.
WAGNER, Roy. A invenção da cultura. São Paulo: Cosac Naify, 2010.
POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS. Diretriz para a Produção de Serviços de Segurança
Pública nº 04/2002 - CG – Regula a Filosofia de Polícia Comunitária na Polícia Militar de Minas
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Estudos Recomendados

Tema: Polícia Comunitária:

BAYLEY, David H. Nova polícia: Inovações nas Polícias de seis cidades Norte-Americanas.
Volume 2 - Coleção Polícia e Sociedade. 2. ed. São Paulo: EDUSP 2006
BRODEUR, Jean-Paul. Como Reconhecer um Bom Policiamento: Problemas e Temas .
Volume 4 - Coleção Polícia e Sociedade. 1. ed. São Paulo: EDUSP. São Paulo, 2002

90
CAMARGO, Carlos Alberto de. Cidadania e Autoridade. São Paulo: PMESP: Força Policial, 1997,
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Monografia, CSP-II/92, 1992
CATHALA, Fernand. Polícia: Mito ou Realidade. SP: Mestre Jou. 1973
CAVALCANTE NETO, Miguel Libório. O Policiamento Comunitário em SP: Perspectivas Para
o Futuro. São Paulo: PMESP, Monografia, CSP-I/99, 1998
COSTA, Júlio C. Diretrizes para Implantação e Implementação da Polícia Interativa.
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CRUZ, Hermes B. Filosofia do Policiamento Comunitário. Apostila de Polícia Comunitária. SP:
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FERREIRA, Carlos Adelmar. Implementação da Polícia Comunitária – Projeto para uma
Organização em Mudança. SP: PMESP, CSP-II/95, Monografia, p.56
HESSELBEIN, Frances; et al. Comunidade do Futuro. Futura, São Paulo. 2001
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Experiência em São Paulo. Relatório da USP: Núcleo de Estudos da Violência, 1998
MONET, Jean-Claude. Polícias e Sociedades na Europa. Volume 3 - Coleção Polícia e Sociedade.
2 ed. São Paulo: EDUSP, 2006
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Comunitário. São Paulo: PMESP/JICA, 2004
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o Policiamento Comunitário e Qualidade Total no Atendimento. SP: PMESP, 1999
BRANDÃO, Ailton Araújo e outros: Programa de Policiamento Comunitário –Sistema Koban
– Adaptado pela Polícia Militar do Estado de São Paulo. Imprensa Oficial do Estado de São
Paulo. São Paulo, 3ª Ed 2011

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Tema: Comunicação Eficaz

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MENDES, Eunice e JUNQUEIRA, L. A. Costamenta. Comunicação sem medo: um guia para falar
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BANDLER, Richard. Usando sua mente: as coisas que você não sabe que não sabe: programação
neurolinguística; tradução Heloísa de Melo Martins Costa. 7. ed. São Paulo: Summus, 1987.
BANDLER, Richard; GRINDER, John. Sapos em príncipes: programação neurolinguística;
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Pensamento, 2007.

CASTILHO, Áurea. A Dinâmica do Trabalho em Grupo. Rio de Janeiro: Qualitymark, 2010.

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DILTS, Robert; EPSTEIN, Todd A. Aprendizagem Dinâmica 1; tradução Denise Maria Bolanho.
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GILLEN, Terry. Assertividade; tradução Edith Nicole Laniado. São Paulo: Ed Nobel, 1997.
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NEGRELLI JUNIOR, Neil Hamilton. A regra de ouro. São Paulo: Santa Luzia Editora, 2008.
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resultados que você quer; tradução Carlos Henrique Trieschmann. Rio de Janeiro: Qualitymark,
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O’ CONNOR, Joseph; SEYMOUR, John. Introdução a Programação Neurolinguística: como
entender e influenciar as pessoas; tradução Heloísa Martins-Costa. São Paulo: Summus, 1995.
ROBBINS, Anthony. Poder sem limites: o caminho do sucesso pessoal pela programação
neurolinguística; tradução Muriel Alves Brazel. 11. ed. Rio de Janeiro: Best Seller. 2009.

Tema: Planejamento Estratégico

FALCONI, Vicente. O verdadeiro poder: praticas de gestão que conduzem a resultados


revolucionários. 2ª Ed. Nova Lima: Falconi Editora, 2013.
LAS CASAS, Alexandre Luzzi. Qualidade total em serviços: conceitos, exercícios, casos práticos.
4ª Ed. São Paulo: Atlas, 2004.
SENGE, Peter M., A quinta disciplina: arte e prática da organização que aprende. Trad. Gabriel
Zide Neto. 25ª Ed. Rio de Janeiro: BestSeller, 2009.

94