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Eletricidade Básica

CURSO DE FORMAÇÃO DE OPERADORES DE REFINARIA


FÍSICA APLICADA
ELETRICIDADE BÁSICA

1
Eletricidade Básica

2
Eletricidade Básica

FÍSICA APLICADA
ELETRICIDADE BÁSICA
NESTOR CORTEZ SAAVEDRA FILHO

EQUIPE PETROBRAS
Petrobras / Abastecimento
UN´S: REPAR, REGAP, REPLAN, REFAP, RPBC, RECAP, SIX, REVAP
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CURITIBA
2002
Eletricidade Básica

333.7 Saavedra Filho, Nestor Cortez.


S112 Curso de formação de operadores de refinaria: física aplicada,
eletricidade básica / Nestor Cortez Saavedra Filho. – Curitiba : PETROBRAS :
UnicenP, 2002.
50 p. : il. (algumas color.); 30 cm.

Financiado pelas UN: REPAR, REGAP, REPLAN, REFAP, RPBC,


RECAP, SIX, REVAP.
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1. Eletricidade. 2. Eletromagnetismo. I. Título.
Eletricidade Básica

Apresentação

É com grande prazer que a equipe da Petrobras recebe você.


Para continuarmos buscando excelência em resultados, dife-
renciação em serviços e competência tecnológica, precisamos de
você e de seu perfil empreendedor.
Este projeto foi realizado pela parceria estabelecida entre o
Centro Universitário Positivo (UnicenP) e a Petrobras, representada
pela UN-Repar, buscando a construção dos materiais pedagógicos
que auxiliarão os Cursos de Formação de Operadores de Refinaria.
Estes materiais – módulos didáticos, slides de apresentação, planos
de aula, gabaritos de atividades – procuram integrar os saberes téc-
nico-práticos dos operadores com as teorias; desta forma não po-
dem ser tomados como algo pronto e definitivo, mas sim, como um
processo contínuo e permanente de aprimoramento, caracterizado
pela flexibilidade exigida pelo porte e diversidade das unidades da
Petrobras.
Contamos, portanto, com a sua disposição para buscar outras
fontes, colocar questões aos instrutores e à turma, enfim, aprofundar
seu conhecimento, capacitando-se para sua nova profissão na
Petrobras.

Nome:

Cidade:

Estado:

Unidade:

Escreva uma frase para acompanhá-lo durante todo o módulo.

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Eletricidade Básica

Sumário
1 PRINCÍPIOS DA ELETRICIDADE ................................................................................. 7
1.1 O que é Eletricidade? ................................................................................................ 7
1.2 Processos de Eletrização........................................................................................... 8
1.3 Interações entre cargas elétricas: força e campo elétrico ......................................... 11
1.4 Trabalho e Potencial Elétrico ................................................................................. 12
1.5 Corrente Elétrica ..................................................................................................... 13
1.6 Força Eletromotriz .................................................................................................. 14
1.7 Resistência Elétrica: Leis de Ohm .......................................................................... 14
1.8 Associação de Resitores ......................................................................................... 16
1.9 Leitura de Resistores – Código de Cores ............................................................... 16

2 PRINCÍPIOS DE ELETROMAGNETISMO ................................................................. 18


2.1 Magnetismo ............................................................................................................ 18
2.2 Interação entre corrente elétrica e campo magnético: Eletromagnetismo .............. 19
2.3 Cálculo da Intensidade do Campo Magnético ........................................................ 19
2.4 Campos Magnéticos na Matéria ............................................................................. 21
2.5 Fluxo Magnético ..................................................................................................... 22
2.6 Indução Eletromagnética ........................................................................................ 23

3 ELETROMAGNETISMO: APLICAÇÕES .................................................................... 25


3.1 O Gerador de Corrente Alternada ........................................................................... 25
3.2 Geradores Polifásicos ............................................................................................. 27
3.3 Gerador de Corrente Contínua................................................................................ 28
3.4 Corrente Alternada x Corrente Contínua ................................................................ 29
3.5 Transformadores ..................................................................................................... 30
3.6 Capacitores ............................................................................................................. 30
3.7 Indutores ................................................................................................................. 32
3.8 Capacitores, Indutores e Corrente Alternada .......................................................... 33
3.9 Potência em Circuitos CA ...................................................................................... 34
3.10 Circuitos Trifásicos ................................................................................................. 35

4 COMPLEMENTOS ........................................................................................................ 37
4.1 Medidas Elétricas ................................................................................................... 37
4.2 Unidades de Medidas ............................................................................................. 39
6 EXERCÍCIOS ................................................................................................................. 40
Eletricidade Básica

Princípios da
Eletricidade 1
de experiências feitas em 1906. Mas como este
1.1 O que é Eletricidade?
modelo ajuda nossa compreensão sobre a na-
Embora os fenômenos envolvendo eletri-
tureza da eletricidade?
cidade fossem conhecidos há muito tempo (to-
Freqüentemente, falamos em “carga elé-
dos já devem ter ouvido falar da famosa expe-
trica”. O que vem a ser isto? Suponha que você
riência do americano Benjamin Franklin sol-
tem um corpo “carregado com carga negati-
tando pipa em um dia de tempestade), somen-
va”. Considerando que, as cargas que conhe-
te durante o século XIX, investigações, mais
cemos são aquelas representadas nos átomos,
científicas foram feitas. Faremos, então, uma
os prótons (positivos) e os elétrons (negativos),
breve discussão sobre os fenômenos elétricos.
então, um corpo com “carga negativa”, na ver-
Hoje sabemos que a explicação da natu-
dade, é um corpo em cujos átomos há um maior
reza da eletricidade vem da estrutura da maté-
número de elétrons do que de prótons. Ou, de
ria, os átomos. Na figura 1, vemos um esboço
maneira contrária, outro corpo com carga po-
de um átomo dos mais simples, o de Lítio.
sitiva é aquele em que o número de elétrons é
Temos o núcleo deste átomo, que é composto
menor do que o número de prótons. Esta vari-
por dois tipos de partículas: os prótons, partí-
ação de cargas positivas para negativas em um
culas carregadas positivamente, e os nêutrons,
corpo é feita mais facilmente variando o nú-
que têm a mesma massa dos prótons, só que
mero de elétrons do corpo, já que como eles
não são partículas carregadas.
estão na periferia dos átomos, são mais facil-
mente removíveis.
Conceito de Carga Elétrica: Como con-
seqüência do que colocamos acima, toda car-
ga que aparece em um corpo é um múltiplo da
carga de cada elétron, uma vez que, para tor-
narmos um corpo negativamente carregado,
fornecemos a este 1 elétron, 2 elétrons, assim
por diante. Da mesma maneira, para tornar-
mos o corpo carregado positivamente, é ne-
cessário “arrancar” de cada átomo um elétron,
dois elétrons, etc. Este processo de variação
FIGURA 1 do número de elétrons dos átomos é chamado
de ionização. Um átomo cujos elétrons não
Orbitando ao redor do núcleo temos par- estejam em mesmo número de seus prótons é
tículas cerca de 1836 vezes mais leves que os chamado de íon. Assim, de uma maneira ge-
prótons, os elétrons, que apresentam cargas ral, toda carga Q pode ser calculada da seguinte
negativas de mesmo valor que as dos prótons. forma:
Em seu estado natural, todo átomo tem o mes-
mo número de prótons e elétrons, ou seja, é Q = Ne
eletricamente neutro. Na verdade, a figura está
bem fora de escala para facilitar o desenho, já Em que N é o número de elétrons forneci-
7
que o diâmetro das órbitas dos elétrons varia dos (no caso de carga negativa) ou retirados
entre 10 mil a 100 mil vezes o diâmetro do (no caso de cargas positivas) do corpo e e, a
núcleo! O modelo da figura foi proposto pelo chamada carga elétrica fundamental, que é a
físico inglês Ernest Rutherford, após uma série carga presente em cada próton ou elétron.
Eletricidade Básica
Trabalharemos com o Sistema Internacio-
nal de Unidades (SI), mais conhecido como
MKS (Metro, Kilograma, Segundo), para de-
finirmos as unidades de medida das grande-
zas físicas utilizadas em nossos estudos.

Carga elétrica: Coulomb [Q] = C

A carga elétrica fundamental, em Coulombs,


vale aproximadamente 1,6 x 10-16 C. Este valor
é muito pequeno! Daí temos que, para conse-
guir cargas de 1 Coulomb, é necessária trans-
FIGURA 2.3 – Os panos de lã se repelem.
ferência de vários elétrons entre corpos então,
podemos concluir esta seção afirmando, então, Isso acontece porque, ao esfregarmos a lã
que os fenômenos elétricos são aqueles envol- contra o vidro, os dois inicialmente neutros,
vendo transferências de elétrons entre corpos. provocamos uma transferência de elétrons do
E em relação aos prótons? Há processos envol- vidro para a lã. É um processo semelhante ao
vendo os prótons especificamente, que são do que acontece quando usamos um pente de plás-
domínio da Física Nuclear, no entanto, tais even- tico para pentear o cabelo. Uma questão funda-
tos não fazem parte dos objetivos deste curso. mental que podemos formular é porque lã e vi-
dro atraem-se e lã repele lã e vidro repele vi-
1.2 Processos de Eletrização dro? O vidro perdeu elétrons, ficando carrega-
Eletrização por Atrito: Podemos reali- do positivamente, ao contrário da lã, que ao re-
zar uma experiência simples utilizando um ceber os elétrons, adquiriu carga negativa. Che-
pano de lã e um bastão de vidro. Ao esfregar- gamos, então, a uma lei básica da natureza:
mos um no outro, podemos notar que o vidro
atrai a lã e vice-versa (figura 2.1). Contudo, se Cargas de mesmo sinal repelem-se,
repetirmos a experiência com um conjunto cargas de sinais opostos atraem-se.
idêntico ao acima e aproximarmos os dois bas-
tões de vidro, notaremos que estes se repelem Isto explica, em parte, a estrutura do áto-
(figura 2.2), o mesmo acontecendo com os dois mo, onde os prótons positivos atraem os elé-
panos de lã (figura 2.3). trons negativos.
Condutores e Isolantes: Será que todo
material tem facilidade para que os elétrons
possam se mover, facilitando processos como
o descrito acima? Isto depende, na verdade,
da distribuição dos elétrons nos átomos que
constituem o material. Materiais em que os elé-
trons estão mais livres dos respectivos núcle-
os dos átomos são os condutores. De maneira
oposta, materiais em que os elétrons não po-
dem mover-se livremente, porque estão muito
FIGURA 2.1 – O vidro e a lã se atraem.
presos aos núcleos, são os chamados isolan-
tes. Há, ainda, uma classe intermediária de ma-
teriais, os semicondutores, como o nome já
indica, materiais que podem conduzir eletrici-
dade em condições operacionais específicas,
que, porém, não serão nosso objeto de estudo
neste curso. Como exemplo de bons conduto-
res temos os metais como ferro, cobre, ouro.
8 Isolantes conhecidos são a borracha, o vidro,
a cerâmica. A eletrização por atrito ocorre em
qualquer tipo dos materiais citados, ao passo
que as próximas duas que descreveremos ocor-
FIGURA 2.2 – Os bastões de vidro e a lã se repelem. rem principalmente em condutores.
Eletricidade Básica
Um conceito importante dos materiais iso- Este tipo de eletrização pode gerar um
lantes é o de rigidez dielétrica. Quando um iso- choque elétrico. Isto é o que acontece quando
lante é submetido a uma tensão elétrica muito tocamos uma tubulação metálica ou um veí-
grande, pode acontecer que ele permita a pas- culo que está eletrizados. O contato do nosso
sagem de eletricidade. Quando isto acontece, corpo com a superfície do veículo, por exem-
dizemos que aconteceu a ruptura de um plo, faz com que haja uma rápida passagem
dielétrico. A rigidez dielétrica fornece o valor de cargas elétricas através do nosso corpo, daí
máximo da tensão elétrica que um isolante aparecendo a sensação de choque elétrico.
suporta sem que sofra ruptura. A rigidez O “Efeito Terra”: A Terra, por ter dimen-
dielétrica de um isolante diminui com o au- sões bem maiores que qualquer corpo que pre-
mento da espessura do isolante, da duração da cisemos manipular, pode ser considerada um
aplicação da tensão elétrica e da temperatura.
grande “depósito” de elétrons. Se ligarmos
Eletrização por contato: Supondo que uma esfera carregada positivamente (figura 4a)
dois corpos condutores, como as duas esferas à Terra, por meio de um fio, verificamos que
metálicas da figura 3.a. A esfera A já está car- rapidamente ela perde sua eletrização, fican-
regada positivamente, enquanto a esfera B está do neutra. Isto acontece devido à subida de
neutra. Se colocarmos as duas em contato, a elétrons da Terra, que neutralizam a carga po-
tendência é que ambas atinjam uma situação de sitiva da esfera. Da mesma maneira, ao ligar-
equilíbrio. Para que isso ocorra, a esfera B ten- mos uma esfera de carga negativa, esta tam-
de a neutralizar A, através de uma passagem bém perde sua carga, já que seus elétrons des-
de elétrons (cargas negativas) de B para A (fi- cem para a Terra. Não esqueça que sempre ra-
gura 3b), até que as duas atinjam a mesma car- ciocinamos em termos do movimento dos elé-
ga, pois, desta forma, nenhuma das duas esfe- trons (cargas negativas), que, como já discuti-
ras “sentirá” a outra mais eletrizada. Assim, a mos, por ocuparem a periferia dos átomos, têm
carga final de cada uma delas será a metade das
uma mobilidade maior que os prótons.
cargas iniciais do sistema (figura 3c), neste
exemplo, metade da carga inicial de A.
Elétrons Elétrons

FIGURA 4a

FIGURA 3.a – A positivo e B neutro estão isolados e


afastados. Um efeito da eletrização por contato, que
leva a uma aplicação do efeito terra, é o possí-
vel surgimento de faíscas elétricas, o que em
uma refinaria de petróleo pode adquirir pro-
porções catastróficas. Nas baías onde é feito o
carregamento de combustíveis em caminhões,
estes podem estar carregados eletricamente e,
no momento da conexão do mangote ao cami-
FIGURA 3.b – Colocados em contato, durante breve nhão, uma faísca entre eles pode detonar uma
intervalo de tempo, elétrons livres vão de B para A. explosão, caso haja a presença de gases com-
bustíveis na área. Para minimizar este risco, o
caminhão é conectado ao solo (aterrado) an-
tes do início do bombeamento de combustí-
vel. Deste modo, o caminhão ficará com car-
ga neutra.
9
Eletrização por Indução: Este tipo de
eletrização faz uso da atração de cargas de si-
FIGURA 3.c – Após o processo, A e B apresentam-se nais opostos, como na seqüência mostrada na
eletrizados positivamente. figura 5.
Eletricidade Básica
A estrutura de um pára-raios consiste em
1. Ao aproximarmos da esfera do uma haste metálica colocada no ponto mais
eletroscópio um corpo eletrizado alto da estrutura a ser protegida. A extremida-
negativamente, o eletroscópio sofre de inferior da haste é conectada a um cabo
indução eletrostática e as lâminas se
abrem. condutor, que desce pela estrutura e é aterrado
ao solo. Na extremidade superior da haste, te-
mos um terminal composto de materiais com
Lâminas de ferro alto ponto de fusão, para suportar as altas tem-
peraturas provocadas pela passagem da des-
carga elétrica. O formato desta extremidade,
que é pontiagudo, faz uso de uma propriedade
2. Ligando-se o eletroscópio à Terra, dos condutores, o poder das pontas. Em um
as lâminas se fecham, pois os condutor, a densidade de cargas é maior em
elétrons escoam para a Terra.
regiões que contêm formato pontiagudo. Lá a
densidade de cargas é maior, bem como o cam-
po elétrico. Assim, por serem regiões de alto
campo elétrico, tais pontas favorecem a mobi-
lidade das cargas elétricas através delas. Se a
3. Desfazendo-se a ligação com a nuvem carregada estiver acima da haste, nesta
Terra e afastando-se o corpo
eletrizado, o eletroscópio se eletriza são induzidas cargas elétricas intensificando
positivamente. Observe que, o campo elétrico na região entre a nuvem e a
novamente, as lãminas se abrem. haste, produzindo assim uma descarga elétrica
através do pára-raios.
Nuvem
FIGURA 5

Descargas Atmosféricas: Durante tem-


pestades, raios e trovões ocorrem em abundân-
cia. Como tais fenômenos envolvem descar- Isoladores
Haste metálica
gas elétricas, é necessária a proteção das ins-
talações de uma refinaria.
O surgimento de raios em tempestades
vem do fato de que as nuvens que as causam
estão carregadas eletricamente. Assim, surgem
campos elétricos entre partes destas nuvens,
entre nuvens próximas e entre nuvens e o solo.
Como o ar é isolante, é necessário o surgimento
de um forte campo elétrico entre as nuvens e o
solo, para que seja possível vencer a rigidez
dielétrica do ar. Quando isto acontece, a cor- FIGURA 5.1
rente elétrica pode passar pelo ar, fazendo com A construção de pára-raios é normatizada
que haja a descarga elétrica da nuvem para o pela Associação Brasileira de Normas Técni-
solo, através do efeito terra. A luz que acom- cas (ABNT), onde "o campo de proteção ofe-
panha o raio, chamada de relâmpago, aparece recido por uma haste vertical é aquele abran-
por causa da ionização devido à passagem de gido por um cone, tendo por vértice o ponto
cargas elétricas pelo ar. Isto também gera um mais alto do pára-raios, e cuja geratriz forma
forte e rápido aquecimento, causando a expan- um ângulo de 60o com a vertical". Tal arranjo
são do ar e produzindo uma onda sonora de está ilustrado na figura abaixo. Assim, vemos
grande intensidade, que chamamos de trovão. que a partir de um pára-raios de altura h, o
Prevenção de Descargas Atmosféricas: raio de proteção é dado por r = 3 h .
Para evitar efeitos desastrosos das descargas
10 atmosféricas, é utilizado um aparato muito
60o
h
popular chamado de pára-raios. Ele tem por
finalidade oferecer um caminho mais eficien- r= 3h
te e seguro para as descargas elétricas, prote-
gendo edificações, tubulações, redes elétricas,
depósitos de combustível, etc. FIGURA 5.2
Eletricidade Básica
1.3 Interações entre cargas elétricas: trário ao do campo elétrico que atua na região
em que ela se encontra (figura 7b).
força e campo elétrico G G
Já vimos no exemplo da lã e do vidro que se q > 0, F e E têm mesmo sentido (fig. 7a)
G G
cargas elétricas sofrem atração ou repulsão se q < 0, F e E têm sentidos opostos (fig. 7b)
G G
dependendo do seu sinal. Uma expressão para F e E têm sempre mesma direção.
o módulo da força entre elas é dada pela Lei
de Coulomb:

Kq1q2
F= (F em Newtons)
d2
FIGURA 7a FIGURA 7b

Ainda a partir da equação acima, podemos


exprimir as unidades de medida do campo elé-
trico no Sistema Internacional de Unidades:
E = F/q ⇒ [E] = N/C
Por exemplo, se colocarmos uma distribui-
ção de cargas na presença de uma distribuição
de cargas na presença de um campo de 5 N/C
ele exercerá uma força de 5 Newtons em cada
Coulomb de carga.
Para representarmos graficamente o cam-
po elétrico, podemos recorrer ao desenho das
linhas de campo elétrico, que obedecem às
seguintes regras:
FIGURA 6 1. As linhas de campo elétrico começam
nas cargas positivas e terminam nas
Sendo q 1 e q 2 , os valores das cargas cargas negativas;
elétricas, K , a constante eletrostática 2. As linhas de campo elétrico nunca se
(K = 9 x 109 N.m2/C2) e d, a distância entre as cruzam;
cargas. 3. A densidade de linhas de campo elétri-
Podemos observar que esta força é trocada co dá uma idéia da intensidade do cam-
entre as cargas mesmo no vácuo, ou seja, não po elétrico: em uma região de alta den-
depende de um “meio” que faça com que uma sidade de linhas, temos um alto valor
carga “sinta” a presença da outra. Quem faz do campo elétrico.
este papel é o Campo Elétrico, que é uma me- De uma maneira geral, as linhas de cam-
dida da influência que uma carga elétrica exer- po elétrico representam a trajetória de uma
ce ao seu redor. Quanto maior o valor de uma carga positiva abandonada em repouso em um
carga elétrica, mais atração ou repulsão ela campo elétrico pré-existente.
pode exercer sobre uma carga ao seu redor,
portanto, maior também o valor do seu campo
elétrico. Se colocarmos uma carga qo em uma
região do espaço onde existe um campo elé-
trico E, a relação entre a força que vai atuar
sobre esta carga e o campo elétrico é:
G G
F=q0 E FIGURA 8.1 FIGURA 8.2

Devemos ter cuidado com esta equação,


já que ela relaciona vetores! Se a carga qo for 11
positiva, temos que F = qoE, ou seja, força e
campo tem o mesmo sentido (figura 7a). Do
contrário, se qo for negativa, F = –qoE, o que
significa que a força sobre qo tem sentido con- FIGURA 8.3
Eletricidade Básica
1.4 Trabalho e Potencial Elétrico é positivo, ou seja, a carga moveu-se esponta-
neamente. Daí temos que:
Podemos lembrar de alguns conceitos que
já estudamos em Mecânica e pensar da seguin- • Cargas positivas movem-se para pon-
te maneira: colocamos uma carga q em repou- tos de menor potencial;
so em uma região onde atua um campo elétri- • Cargas negativas movem-se para pon-
co. Este campo vai fazer com que aja na carga tos de maior potencial.
uma força de módulo F = qE. Como a partícu- Lembrando que no SI a unidade de traba-
la estava em repouso, pela 2.a Lei de Newton lho e energia é o Joule (J), a unidade de dife-
(F = ma), a força vai fazer com que esta partí- rença de potencial é expressa em Volt (V):
cula adquira uma aceleração, saindo do repou-
so e por conseqüência, deslocando-se. Ora, já [∆V] = Volt = J/C
sabemos que quando uma força provoca des-
locamento em um corpo, dizemos então que Interpretando esta unidade, temos, por
ela realiza trabalho sobre este corpo. Como exemplo, que uma diferença de potencial de
lembramos também, energia é a capacidade 12 Volts significa que em uma distribuição de
de realizar trabalho. Tendo em vista, então que, cargas colocada em um campo elétrico este cam-
o campo elétrico provocou o deslocamento da po realiza um trabalho de 12 Joules sobre cada
nossa carga q, realizando trabalho sobre a car- Coulomb de carga.
ga, concluir que o campo elétrico armazena Desta definição de Volt podemos também
energia. medir o campo elétrico em outra combinação
Como poderíamos medir que regiões do de unidades do SI:
campo elétrico fornecem a maior capacidade
de realizar trabalho? Uma maneira seria me- [E] = V/m
dir o próprio valor do campo elétrico. Quanto
maior o valor do campo, maior a força que ele A diferença de potencial é também cha-
mada de ddp ou Tensão. Uma ddp aparece
pode exercer, maior também o trabalho reali-
entre dois corpos quando eles têm a tendência
zado. Outra maneira, alternativa, é a que des-
de trocar cargas elétricas entre si.
crevemos a seguir. Na figura abaixo, o corpo A está carrega-
Na figura 9, temos representado um cam- do positivamente, portanto está com falta de
po elétrico formado entre duas placas carrega- elétrons. O corpo B tem carga negativa, estan-
das com cargas de sinais opostos. do com excesso de elétrons. Se ligarmos os
dois ou os colocarmos em contato, haverá um
fluxo de elétrons de B para A, como já discu-
timos na eletrização por contato, até que o equi-
líbrio de cargas seja estabelecido. Quando isto
acontece, dizemos que existe uma diferença
de potencial (ddp) ou tensão entre os corpos
A e B. Podemos, agora, simplificar dizendo
que se há uma tensão entre dois corpos, ao
colocarmos os dois em contato (diretamente
ou por um fio), haverá uma movimentação de
FIGURA 9
cargas entre eles, até que o equilíbrio seja es-
tabelecido, quando a ddp torna-se zero.
Queremos deslocar a carga positiva Q do
ponto A ao ponto B marcados na figura. Defi-
nimos então a diferença de potencial entre os
pontos A e B (VA– VB) como:

12 ∆V = VA – VB = W/Q

, em que W é o trabalho realizado pelo


campo elétrico ao deslocar a carga de A até B.
Como Q é positiva, se VA > VB, temos que W FIGURA 10
Eletricidade Básica
1.5 Corrente Elétrica Podemos fazer uma analogia com um caso
Em um condutor, os elétrons livres, aque- envolvendo a energia potencial gravitacional
que já conhecemos da mecânica. Na figura 13,
les que podem se mover devido a diferenças
de potencial, executam um movimento desor- temos um fluxo de água da caixa mais alta para
a mais baixa devido à diferença de altura en-
denado através do condutor. Contudo, se este
condutor for utilizado para conectar dois cor- tre as duas, ou seja, devido à diferença de po-
tencial gravitacional. Assim, o fluxo de água
pos com uma diferença de potencial entre si,
(que seria o análogo da nossa corrente elétri-
como na figura 11, haverá um fluxo de elé-
trons ordenados através do condutor, porque ca), vai do maior potencial gravitacional (cai-
xa alta) para o menor potencial gravitacional
o corpo que está com carga negativa vai for-
necer elétrons para o corpo carregado positi- (caixa baixa). A tubulação entre as caixas fa-
ria o papel do condutor através do qual flui a
vamente através do caminho formado pelo
corrente elétrica.
condutor.

FIGURA 11

A este movimento ordenado de elétrons FIGURA 13


através de um condutor sujeito a uma tensão,
chamamos de corrente elétrica. Como po- Intensidade de corrente elétrica: Pode-
demos ver na figura 12, o movimento de car- mos reparar que quanto mais carga passar de
gas se dá do corpo negativo (ou pólo negati- um corpo para o outro, maior o fluxo de car-
vo) para o corpo (ou pólo) positivo. No en- gas entre eles e, intuitivamente, maior a cor-
tanto, por um acidente histórico, foi atribuí- rente elétrica entre estes corpos. Tomando
do à corrente o sentido do pólo positivo para como base a figura 14, podemos definir a in-
o negativo, assim prevalecendo até hoje. É tensidade de corrente elétrica, i, da seguinte
lógico que ao pensarmos em metais conduto- maneira:
res como os do exemplo acima, este sentido,
embora adotado, está errado, mas em algu-
mas soluções iônicas, em baterias, por exem-
plo, este sentido coincide com o correto. Por
uma questão de uniformidade, vamos adotar
o sentido convencional da corrente em nosso
curso.
FIGURA 14

∆q
i=
∆t

, em que ∆q é a quantidade de carga que passa


por uma seção transversal do condutor por in- 13
tervalo de tempo (∆t). Quanto maior a corren-
te elétrica, mais carga passa pela mesma se-
ção do condutor em um mesmo intervalo de
FIGURA 12 tempo. No sistema internacional de unidades,
Eletricidade Básica
SI, definimos a unidade de medida da corren- Como fontes de fem temos pilhas secas,
te elétrica: baterias, geradores, célula fotovoltáica, entre
outros.
Corrente: Ampère. Símbolos de fontes de fem:
[i] = A = C/s
bateria ou geradores de corrente
No momento, o conhecimento abordado já contínua
nos dá uma idéia das grandezas envolvidas,
porém, um pouco, retornaremos a definição de
gerador de corrente alternada
Ampère. Por exemplo: se uma corrente de 2 A (gerador eletromecânico)
passa por um condutor, significa que se tomar-
mos uma seção transversal à corrente, a cada
segundo, passam 2 Coulombs de carga por ali. fonte regulável de tensão

Se lembrarmos o pequeno valor da carga de um


elétron (e = 1,6 x 10–19 C), imagine quantos elé- FIGURA 16
trons estão passando a cada instante! Então,
cuidado: ao manipularmos circuitos ou apare- Retomando nossa analogia com o exem-
lhos elétricos, temos por vezes o hábito de esti- plo anterior das caixas d'água, a fem faria o
marmos o “perigo” associado apenas olhando papel de uma bomba que levaria a água da
para a tensão (220V, 110V, por exemplo), mas caixa inferior de volta à caixa superior, man-
da definição de corrente elétrica, mesmo uma tendo assim um fluxo de água constante pelas
baixa tensão pode ocasionar uma corrente alta, tubulações.
ou seja, o operador pode estar exposto a uma
passagem de alta quantidade de cargas elétri-
cas pelo seu corpo, e conseqüentemente, aos
efeitos maléficos que isto pode ocasionar.

1.6 Força Eletromotriz


Partindo de nossa idéia inicial da origem
da ddp, os dois corpos ligados por um condu-
tor rapidamente atingiriam o equilíbrio de car-
gas, fazendo com que a corrente elétrica entre
eles cessasse. No entanto, em circuitos elétri-
cos, não é isto o que observamos. Logo, preci- FIGURA 17
samos de um mecanismo que reponha as car-
gas que foram deslocadas de um corpo para
outro, mantendo assim a ddp constante, assim
como a corrente elétrica entre os dois corpos. 1.7 Resistência Elétrica: Leis de Ohm
Esse mecanismo é o que chamamos de Força Ao ligarmos um condutor metálico a uma
Eletromotriz (fem), cuja unidade de medida fonte de fem, circulará uma corrente elétrica
também é o Volt (V). através dele. Em uma série de experiências
deste tipo, em 1827, George Simon Ohm veri-
ficou que se fosse variada a fem, a corrente
elétrica também variava. E mais: o quociente
entre a fem utilizada e a corrente medida era
constante:

V1 V2
14 = = ... = R
i1 i2

Na fórmula acima, R é a Resistência Elé-


FIGURA 15 trica do corpo por onde passa a corrente. Sua
Eletricidade Básica
unidade de medida é o Ohm, representado pela , em que ρ é a resistividade, um parâmetro de-
letra grega Ω. Daí temos a 1.a Lei de Ohm: pendente do material, medido em Ω.m. O in-
verso desta grandeza é chamada de condutivida-
V = Ri de do material, σ, cujas unidades são (Ω.m)–1. O
inverso da resistência é a condutância, medi-
, que é uma relação linear, ou seja, ao dobrar- da em Ω–1 ou Siemens.
mos a ddp (V), a corrente (i) também dobrará,
e assim por diante. Resistências que não são 2) Temperatura do condutor: Quanto me-
alteradas ao variarmos a ddp são chamadas de nor a temperatura, menor a agitação dos
resistências ôhmicas. átomos que compõem o material, as-
A explicação para o surgimento da resis- sim, menos os átomos dificultam a pas-
tência elétrica mais uma vez reside na estrutu- sagem da corrente elétrica. Deste com-
ra da matéria, a maneira como os átomos se portamento temos que a resistência elé-
arranjam no interior de um corpo. Como po- trica de um corpo depende de sua tem-
demos ver na figura 18, os elétrons percorrem peratura. A relação entre resistência e
o condutor em um único sentido e, ao longo temperatura é dada por:
deste caminho, vão “esbarrando” no núcleo dos
outros átomos do material. Isto termina por R = Ro(1 + α∆T)
dificultar a passagem da corrente elétrica, sen-
do então a origem da resistência elétrica. em que Ro é a resistência à temperatura To, ∆T
= (T – To) é a variação de temperatura a que o
corpo foi submetido e α é um parâmetro do
material do qual é feito o corpo, sendo medi-
do em oC–1.
No circuito ilustrado abaixo, temos uma
bateria (fonte de fem) ligada em série com uma
lâmpada comum, incandescente. A energia
fornecida pela bateria faz com que a corrente
FIGURA 18 circule pelo fio, acenda a lâmpada através do
Efeito Joule (transformação de energia elétri-
Elementos que apresentam resistência elé- ca em energia térmica e luminosa) e continue
trica são chamados de resistores, e são represen- circulando, fechando assim o circuito. A po-
tados esquematicamente das maneiras abaixo: tência dissipada por Efeito Joule é dada por:
R R
Pot = Ri2

FIGURA 19

Parâmetros que influenciam na resis-


tência elétrica:

1) Dimensões do condutor: Seja o condutor


cilíndrico mostrado abaixo, de compri-
mento L e seção transversal de área A. A
resistência é calculada por:
FIGURA 21

ρL
R= Sabemos que para uma dada bateria, não
A podemos acender uma infinidade de lâmpadas.
Isso acontece por causa da perda ou transfor-
mação de energia que ocorre nos resistores. 15
uma vez que a energia elétrica está sendo per-
dida, isto significa que a capacidade de reali-
zar trabalho pelo circuito também está dimi-
FIGURA 20 nuindo. De fato, um resistor não diminui a in-
Eletricidade Básica
tensidade da corrente que passa por ele, mas 1.9 Leitura de Resistores – Código de
provoca uma queda do potencial através dele
dada pela Lei de Ohm (V = Ri). Assim, ao
Cores
percorrermos o circuito, medimos uma queda Há resistores dos mais diversos tipos e
de potencial através dele por causa da resis- valores de resistência. Ao escrevermos o va-
tência de fios e equipamentos que fazem parte lor de uma resistência, há algumas convenções
do mesmo, quando completamos a volta no a serem observadas.
circuito, chegando ao outro pólo da fonte de Alguns exemplos:
fem (bateria, pilha, gerador), esta se encarre- Resistência de 5 ohms: R1 = 5 Ω
ga de “subir” o potencial novamente, para que
o movimento das cargas possa continuar pelo Resistência de 5,3 ohms: R2 = 5R3 Ω = 5R3
circuito, mantendo a corrente elétrica. Por cau- Resistência de 5300 ohms: R3 = 5k3 Ω = 5k3
sa de efeitos como este, não podemos trans-
portar correntes elétricas por grandes distân- A colocação da letra R (Resistência) ou
cias sem perdas nas linhas de transmissão. Por- do prefixo k (quilo, que equivale 1000 unida-
tanto, há todo um desenvolvimento técnico por des) no lugar da vírgula é para evitar que uma
trás da transmissão da energia, como a alta ten- falha de impressão da vírgula possa ocasionar
são de saída nas usinas geradoras e necessida- a leitura errada da resistência.
de de subestações que controlem a tensão da Embora alguns resistores tragam impres-
eletricidade a ser distribuída para uso sos o valor da resistência, o código de cores é
residencial e comercial. muito utilizado, já que em alguns casos os
resistores são tão pequenos que impossibilita-
riam a leitura de qualquer caractere impresso
1.8 Associação de Resitores nele. A tabela abaixo representa o código:
Cor 1.o anel 2.o anel 3.o anel 4.o anel
Resistores em série
A corrente que passa por cada um dos Preto – 0 x1 –
resistores é a mesma, já que eles estão no mes- Marrom 1 1 x10 1%
mo ramo do circuito. Vermelho 2 2 x102 2%
Esquema: Laranja 3 3 x103 3%
Amarelo 4 4 x104 4%
A B
R1 R2 Verde 5 5 x105 –
Azul 6 6 x106 –
Violeta 7 7 – –
VAB = V1 + V2 i = i 1 = i2 Req = R1 + R2
Cinza 8 8 – –
Branco 9 9 – –
Resistores em paralelo Ouro – – x10–1 5%
A corrente divide-se pelos dois ramos do Prata – – x10–2 10%
circuito, e a tensão entre os terminais dos Sem cor – – – 20%
resistores é a mesma.
Tomemos como exemplo um resistor que
Esquema:
possui os seguintes anéis coloridos:
i1

R1
A i i B
→ →

R2 Verde
→ Azul
16 i2 Marrom
Prata
1 1 1 FIGURA 22
VAB = V1 =V2 i = i1 + i2 R = R + R Para evitar equívocos como definir o 1o
eq 1 2
anel pela esquerda ou pela direita, ele é sem-
Eletricidade Básica
pre o mais próximo das extremidades do
resistor. Na nossa figura, é o da esquerda, que
é verde. Para identificarmos o valor do resistor,
tomamos as duas primeiras cores em seqüên-
cia, no caso, verde e azul. Consultando a tabe-
la, temos 5 do verde e 6 do azul, 56.
O terceiro anel é o multiplicador, que pode
ser um múltiplo (quilo, mega, etc) ou submúl-
tiplo (deci, centi) do valor obtido nos dois pri-
meiros anéis. No nosso exemplo, o terceiro
anel é marrom, cujo valor é 10. Assim, o valor
da resistência é 56 x 10 = 560 Ω.
Finalmente, o quarto anel é a tolerância
no valor da resistência, ou seja, a margem de
erro admitida pelo fabricante. No nosso
resistor, o quarto anel é prata, dando uma tole-
rância de 10%. Assim, a leitura de nossa re-
sistência é:

R = (560 ± 10%) Ω

O que significa isto? Considerando-se que,


10% de 560 é 56, os valores possíveis para a
resistência estariam entre:

560 – 56 = 504 Ω (valor mínimo).

560 + 56 = 616 Ω (valor máximo).

Anotações

17
Eletricidade Básica

Princípios de
Eletromagnetismo
Passaremos agora à discussão dos fenô-
2
menos necessários para a compreensão do fun-
cionamento de geradores e circuitos de cor-
rente alternada, que são os fenômenos que en-
volvem a junção de eletricidade com magne-
tismo. Faremos uma breve exposição dos fe-
nômenos magnéticos mais simples, para de-
pois abordarmos o eletromagnetismo propria-
mente dito. FIGURA 23

2.1 Magnetismo Interação entre imãs: Novamente aqui te-


mos um comportamento que lembra a eletri-
Os fenômenos mais básicos do magne-
cidade: os imãs podem sofrer atração ou
tismo, como a pedra magnetita (óxido de fer- repulsão por outro imã, dependendo da posi-
ro, Fe3O4) atrair o ferro, foram relatados des- ção dos pólos. Pólos diferentes atraem-se, pó-
de a Antiguidade na Ásia Menor. A magnetita los iguais, repelem-se.
é um imã natural, isto é, pode ser encontrado
na natureza. Contudo, quase que a totalida-
de dos imãs utilizados pelo homem são fei-
tos industrialmente, podendo existir imãs
FIGURA 24.1
temporários (feitos de ferro doce) e perma-
nentes (feitos de ligas metálicas, geralmente
contendo níquel ou cobalto). As proprieda-
des magnéticas de um material também são
definidas pela estrutura dos átomos que o
compõem, embora de maneira mais sutil do
que os fenômenos elétricos. Na verdade, cada
átomo tem as suas propriedades magnéticas, FIGURA 24.2
que combinadas no todo, podem determinar
se um corpo macroscópico apresentará este
Campo Magnético: Assim como cargas
tipo de comportamento. Vamos em seguida
elétricas, os imãs exercem influência em regi-
relatar algumas características básicas do
ões do espaço ao seu redor. Representamos
magnetismo. também as linhas de campo magnético, que
exibem as mesmas propriedades que as linhas
Pólos Magnéticos: Assim como na ele- de campo elétrico. Porém, neste caso, elas nas-
tricidade temos as cargas positivas e negati- cem no pólo norte e morrem no pólo sul.
vas, no magnetismo, os equivalentes são o pólo
norte e pólo sul. Tais pólos estão sempre
posicionados nas extremidades de um imã. Os
18 pólos magnéticos sempre surgem aos pares,
não sendo possível separá-los. Se partirmos um
imã ao meio, o que teremos como resultado
são dois imãs menores, cada um com os seus
respectivos pólos norte e sul. FIGURA 25
Eletricidade Básica
O campo magnético, representado por H, uma corrente colocando limalha de ferro em
tem sua unidade de medida o Ampère por um papel cujo plano é perpendicular ao fio.
metro no SI. As linhas de campo são circunferências
centradas no fio. Quanto mais longe do fio,
[H] = A/m menor a intensidade do campo magnético.

2.2 Interação entre corrente elétrica e


campo magnético: Eletromagnetismo
Experiência de Oersted
No começo do século XIX, o físico dina-
marquês Hans C. Oersted fez uma experiên- Vista em Vista de Vista lateral
cia envolvendo um circuito, percorrido por perspectiva cima
uma corrente elétrica, e uma bússola colocada FIGURA 27
próxima ao circuito. Quando nenhuma corrente
percorria o circuito, a bússola permanecia ali-
nhada com o campo magnético terrestre. Po- O físico francês André Marie Ampère es-
rém, ao fechar o circuito, com a corrente flu- tudou campos magnéticos criados por corren-
indo através dele, o ponteiro da bússola orien- tes e formulou uma regra para sabermos o sen-
tava-se de maneira perpendicular à corrente tido das linhas de campo ao redor de fios. En-
elétrica. volvemos o condutor com a nossa mão direi-
Bússola ta, o polegar acompanha o sentido da corrente
e os demais dedos o sentido das linhas de cam-
po magnético.

FIGURA 28

2.3 Cálculo da Intensidade do Campo


Magnético
FIGURA 26.1
Bússola Em torno de um condutor
µoi
H=
2π r
, em que µo é a constante de permeabilidade
do vácuo, medida em Henry por metro (H/
m), i é a corrente que percorre o fio e r é a
distância radial medida a partir do meio do
fio.

No Centro de uma Espira


Neste caso a regra da mão direita é alte-
FIGURA 26.2 rada, o polegar indica o sentido do campo e
os demais dedos acompanham o sentido da
Isto evidencia que uma corrente elétrica corrente.
cria um campo magnético ao seu redor. Tal fato 19
µ oi
possibilita uma série de aplicações, como os H=
eletroímãs, discutidos a seguir. 2R
Podemos observar as linhas de campo
magnético ao redor de um fio percorrido por , em que R é o raio da espira.
Eletricidade Básica
te no seu interior. A intensidade deste campo
é dada por:

µ o Ni
H=
l

, em que N é o número de espiras do solenóide


e l, o seu comprimento. No exterior do
solenóide, o campo é praticamente nulo.

FIGURA 29 Força do Campo Magnético sobre um


fio com corrente
No interior de um Solenóide (ou bobina) Considerando que uma corrente elétrica
Aqui a regra da mão direita é a mesma do produz um campo magnético ao seu redor, se
caso da espira. A superposição dos campos de colocarmos este condutor percorrido por uma
cada espira que compõe o solenóide produz corrente em uma região que já contém um cam-
um campo semelhante àquele de um dipolo po magnético, teremos a interação entre estes
magnético (figura 30). Por isso, o solenóide é dois campos, o que já ocupa a região e o gera-
bastante utilizado para a produção de do pela corrente, ou seja, teremos uma força
eletroímãs, colocando-se uma barra de ferro magnética atuando sobre o fio condutor. A in-
no interior do solenóide. tensidade desta força pode ser calculada como
se segue:

Fm = H oil sen θ

, em que Ho é o valor do campo magnético


externo (não o causado pela corrente!), i é a
corrente elétrica, l o comprimento do condu-
tor e θ o ângulo entre a corrente e o campo
FIGURA 30.1 magnético. Uma regra prática para sabermos
o sentido da força é a regra da mão direita,
onde o dedo indicador acompanha a corrente,
o dedo médio (perpendicular ao indicador) está
com o campo externo e o polegar fornece a
direção e o sentido da força magnética.

FIGURA 30.2

FIGURA 30.3

20
Considerando o solenóide com um com-
primento bem maior que o seu diâmetro (tipi-
camente 10 ou mais vezes maior), podemos
simplificar que o campo magnético é constan- FIGURA 31
Eletricidade Básica
2.4 Campos Magnéticos na Matéria
Comentamos de maneira rapida, anterior-
mente acima que as propriedades magnéti-
cas são fruto da distribuição eletrônica dos
FIGURA 31a elétrons ao redor do núcleo. De fato, uma
conclusão fundamental da seção anterior é
Forças entre dois fios condutores paralelos que cargas elétricas em movimento (corren-
O resultado descrito a seguir é uma conse- te elétrica) geram ao redor de si um campo
qüência do tópico anterior. Como cada corren- magnético. No átomo, o que temos são os
te gera um campo ao seu redor, se colocarmos elétrons, cargas negativas, circulando ao re-
dois fios condutores, um ao lado do outro, cada dor do núcleo. Assim, para idealizarmos o
um “sentirá” o campo criado pelo seu vizinho, que acontece, eles atuam como correntes em
sofrendo então uma força devido à presença do circuitos fechados, como no caso da espira
campo gerado pelo fio que está ao seu lado. de corrente que comentamos. Assim, a com-
binação dos campos gerados por cada um
dos elétrons é que pode determinar se o áto-
mo como um todo é que vai ter proprieda-
des magnéticas ou não, conforme esquema
da figura abaixo. Este modelo foi proposto
por Ampère, e ficou conhecido por “corren-
tes amperianas”, pode ser encarado como
boa aproximação em casos mais simples.
FIGURA 32 Hoje em dia a explicação fechada para o
magnetismo vem da Física Quântica, que
Se aplicarmos as regras da mão direita nas recorre a conceitos novos como “spin” dos
ilustrações acima, podemos verificar que fios
elétrons, dentre outros conhecimentos.
percorridos por correntes paralelas de mesmo
sentido sofrem atração. Já fios percorridos por
correntes paralelas, mas de sentido contrário,
sofrem repulsão. A intensidade da força trocada
pelos dois fios é dada pela fórmula seguinte:

µ o i1i2l
Fm = ⋅
2π r
FIGURA 33
Aqui i1 e i2 são as intensidades de corrente
de cada um dos fios, l o comprimento dos fios As expressões que passamos anteriormen-
e r a distância entre eles. te para cálculos de campos magnéticos são para
cálculo de campos no vácuo, ou, aproximada-
Nota: A definição de Ampère. mente, no ar. Quando um corpo material en-
A definição que passamos de Ampère an- contra-se na presença de um campo magnético,
teriormente (A = C/s) foi utilizada durante ele pode responder de várias maneiras a este
muito tempo. Contudo, por questões práti- campo. O ferro, por exemplo, torna-se magne-
cas, de facilidade de medição para definir- tizado. Já o plástico não sofre nenhuma altera-
se um padrão, em 1946 foi dada uma nova ção aparente. Assim, vamos definir a Indução
definição de Ampère: Magnética, B, cuja unidade no sistema interna-
“Um ampére é a corrente que mantida em cional (SI) é o Tesla (T).
dois condutores retilíneos e paralelos, sepa-
rados por uma distância de um metro no [B] = T
vácuo, produz entre esses condutores uma
força de 2,0 x 10-7N por metro de compri- 21
Este campo é que vai surgir dentro dos
mento de fio”. materiais quando sujeitos a um campo exter-
Assim, o Ampère passa a ser uma gran- no. Portanto, a Indução Magnética é o campo
deza básica do SI e o Coulomb, sua deriva- magnético efetivo em um determinado meio
da (C = A.s).
Eletricidade Básica
material. Podemos imaginar a relação entre te neutros, como o ar e o vácuo. O co-
os dois campos, B e H, com base nas figuras bre é aproximadamente amagnético.
abaixo: • Diamagnéticos: µr < 1. Materiais que
exibem magnetização contrária a do
campo externo aplicado.
• Paramagnéticos: µr > 1. A permeabili-
dade não depende do campo externo, é
constante, e o aumento do campo in-
terno no material não é muito grande.
FIGURA 34.1 • Ferromagnéticos: µr >>1. São os ma-
teriais que exibem maior magnetização,
sendo, portanto, os mais aplicados em
escala industrial. Sua permeabilidade
magnética depende do campo aplica-
FIGURA 34.2
do, em um fenômeno denominado
Se mergulharmos um pedaço de ferro doce histerese magnética.
em um campo magnético, os campos gerados
pelos elétrons (lembre-se das correntes ampe- 2.5 Fluxo Magnético
rianas!) dentro do ferro orientam-se a favor do Quando representamos as linhas de campo
campo externo H. Assim, o campo efetivo (B) magnético de um solenóide nos parágrafos aci-
dentro do ferro aumenta, ao passo que o cam- ma, notamos que elas são linhas de campo fe-
po nas imediações do lado de fora do ferro di- chadas. Isso significa que o número de linhas de
minui. A relação matemática entre B e H é dada campo dentro e fora do solenóide é o mesmo,
pela permeabilidade magnética, µ: embora as linhas estejam mais concentradas no
interior do solenóide (campo mais intenso) do
B que no exterior. Um parâmetro para medir a con-
µ= centração das linhas em uma determinada região
H é o fluxo magnético. Ele é definido em termos
da intensidade de um campo magnético atraves-
A permeabilidade magnética é uma gran- sando uma superfície, bem como a orientação
deza característica de cada material e indica a do campo em relação a esta superfície. A ex-
aptidão deste material em reforçar um campo pressão para calcular o fluxo magnético é:
magnético externo. O valor de m para o vácuo
(e como boa aproximação, o ar) é dado por: Φ = B.A.cosθ

µo = 4π x 10-7 H/m , em que B é a intensidade do campo magnéti-


co na região, A é a área da superfície que é
A unidade de permeabilidade magnética no atravessada pelo campo, e θ é o ângulo forma-
SI, Henry por metro, H/m, é definida desta ma- do pelo campo magnético e a direção perpen-
neira por análise dimensional, já que B e H, dicular ao plano da superfície. Três situações
apesar de serem ambos campos magnéticos, não para fluxos diferentes para o mesmo campo
têm as mesmas unidades de medida. Esse valor magnético estão ilustradas abaixo:
é tomado como referência para outros materi-
ais, através da permeabilidade relativa, µr, que
é um parâmetro adimensional:

µ
µr =
µo
FIGURA 35
22 Assim, de acordo com o seu valor de per- No sistema internacional, medimos fluxo
meabilidade relativa, os materiais podem ser magnético por Weber:
classificados como:
• Amagnéticos: µr = 1. Materiais que não [Φ]= Wb
são magnetizados, são magneticamen-
Eletricidade Básica
2.6 Indução Eletromagnética , em que ∆Φ é a variação do fluxo magnético
Os Físicos são movidos várias vezes pela em um certo intervalo de tempo ∆t e N é o
busca de simetrias na natureza. Um exemplo número de espiras através das quais o fluxo
disto foi a descoberta da indução eletromagné- está variando. Na nossa discussão acima, N =
tica pelo inglês Michael Faraday em 1831. Ao 1. Quanto maior for o número de espiras, mai-
observar a experiência de Oersted, em que uma or o valor da fem induzida.
corrente elétrica conseguia gerar um campo Uma aplicação elementar da Lei de
magnético, desvia não o ponteiro da bússola, Faraday é o gerador linear ilustrado abaixo:
Faraday questionava se o inverso poderia acon-
tecer, ou seja, um campo magnético gerar uma
corrente elétrica. Vários experimentos foram
feitos, sem se obter provas da dedução anteri-
or. Foi que Faraday, ao realizar o experimento
descrito abaixo, terminou por corroborar suas
idéias.

FIGURA 36
FIGURA 37
Faraday observou que o galvanômetro (ins-
trumento para medir correntes pequenas) só acu- Os dois fios condutores que fecham o cir-
sava a passagem de corrente no circuito do lado cuito com a barra AB, também condutora, que
direito no momento em que ele ligava ou desli- está sendo puxada com velocidade V em uma
gava a chave do circuito do lado esquerdo da região com campo magnético constante. Ao
figura. Contudo, não era medida corrente pela puxarmos a barra, obviamente, o valor do cam-
direita quando a chave permanecia ligada. Re- po magnético permanece constante. Será então
cordando o que já comentamos em outra seção, que não mediremos corrente no amperímetro
na esquerda da figura, quando a chave perma- colocado entre os condutores? A Lei de Faraday
nece ligada, passa corrente pelo solenóide da nos diz que a variação do fluxo é que causa o
esquerda, que gera dentro do solenóide (e no surgimento de uma fem induzida. Quando pu-
pedaço de ferro dentro dele) um campo magné- xamos a barra, a área retangular dentro do cir-
tico constante. Do outro lado, devido ao núcleo cuito que está sendo atravessada pelo campo
de ferro comum, aparece também um campo está aumentando, logo, o fluxo do campo mag-
magnético no solenóide à direita da figura. A nético também está aumentando, o que provo-
conclusão de Faraday foi que não é a presença ca o surgimento de uma fem no circuito, pro-
do campo magnético que provoca corrente, vocando a circulação de uma corrente. Vamos
e sim a variação do fluxo do campo magnéti- encontrar uma expressão para a fem induzida.
co! Ao ligarmos ou desligarmos a chave do cir- O fluxo magnético será:
cuito, o campo está variando até o seu valor
máximo ou diminuindo do máximo até zero.
Φ = B . A . cos θ
Enquanto há variação do fluxo do campo mag-
nético no ferro, há corrente induzida no outro
lado. Lembremos que para mantermos uma Aqui A é a área onde está passando cam-
corrente em um condutor, precisamos de uma po magnético dentro da espira, A = l . x. O
fem no circuito. Com isso, o enunciado da Lei ângulo θ é formado pela direção perpendicu-
de Faraday pode ser escrito como: lar ao plano da espira e o campo B, logo θ = 0o
e cosθ = 1. Como o fluxo inicial era nulo (não
“Toda vez que um condutor estiver sujeito havia área na espira), pela Lei de Faraday, te-
a uma variação de fluxo magnético, nele mos para o módulo da fem induzida:
aparece uma fem induzida, enquanto o
fluxo estiver variando.”
Blx 23
Matematicamente, a expressão da Lei de ε =1 . = Blv
Faraday é: ∆t
∆Φ
ε = −N , sendo x/∆t nada mais do que a velocidade
∆t média do condutor que está sendo puxado.
Eletricidade Básica
Sentido da corrente induzida: Lei de Lenz paradas de equipamentos críticos para o pro-
Precisamos agora explicar o porquê do cesso produtivo de uma refinaria. Não pode-
sinal negativo na Lei de Faraday. Tal interpre- mos nos esquecer, ainda, que equipamentos
tação é dada pela Lei de Lenz, enunciada pela que contêm baterias, como os já citados, po-
primeira vez pelo físico russo Heinrich Lenz: dem provocar pequenas faíscas entre os con-
tatos das baterias e dos aparelhos, o que pode
“Os efeitos da fem induzida opõem-se ser extremamente perigoso na presença de ga-
às causas que a originaram” ses inflamáveis!

Podemos visualizar este enunciado obser-


vando a figura abaixo: Anotações

FIGURA 38.1 FIGURA 38.2

Na figura 38.1, temos um imã aproximan-


do-se de uma espira conectada a um circuito,
inicialmente sem corrente. Pela Lei de Lenz,
como é o pólo norte que está se aproximando
da espira, esta deve reagir criando um pólo
norte voltado para o imã, de modo a se opor à
aproximação deste, que provoca o aumento do
fluxo do campo magnético. Usando a regra da
mão direita para espiras, é fácil verificar que o
observador da figura vai medir uma corrente
induzida no sentido anti-horário na espira. Já
na figura 38.2, estamos, agora, afastando o
mesmo imã. Assim, a espira ira “criar” um pólo
sul de modo a tentar atrair o imã, evitando o
seu afastamento. Novamente, a regra da mão
direita para espiras verifica que, para o obser-
vador, a espira agora terá uma corrente
induzida no sentido horário.
Em instalações elétricas industriais, a
indução eletromagnética pode ocorrer entre os
cabos de força, por onde passam correntes al-
tas, e os cabos de instrumentação, com cor-
rentes relativamente baixas. O campo magné-
tico variável dos cabos de força induz uma
corrente nos cabos de instrumentação, causan-
do erros de leitura em instrumentos sensíveis,
como sensores e medidores, podendo, em al-
guns casos, até queimá-los. Para evitar tais
problemas, os cabos de força são instalados
separadamente dos cabos de instrumentação.
24 Da mesma maneira, o uso de equipamen-
tos eletrônicos, como notebooks e telefones
celulares, podem gerar campos eletromagné-
ticos capazes de causar erros de leituras nos
instrumentos de campo, o que poderia causar
Eletricidade Básica

Eletromagnetismo:
Aplicações
Nos capítulos anteriores, vimos de forma
3
Na verdade, são várias as espiras que constitu-
simplificada os fenômenos elétricos, magné- em um enrolamento chamado de armadura. Os
ticos e os dois combinados no eletromagnetis- terminais da armadura são soldados aos anéis
mo, para que pudéssemos entender o funcio- chamados de coletores. Encostadas nos anéis
namento e as características de instrumentos, coletores estão as escovas (feitas geralmente de
equipamentos e máquinas presentes no nosso grafita), que fazem o contato elétrico, entregan-
cotidiano. Nesta parte de aplicações do curso, do então a fem e corrente induzidas a um cir-
vamos ver como os fenômenos eletromagné- cuito. Embora tenhamos colocado pólos de imãs
ticos levaram ao funcionamento e as caracte- para simplificar a figura, na prática, o campo
rísticas de geradores, motores elétricos, trans- magnético em que está imersa a armadura é pro-
formadores, dentre outros que são tão comuns duzido por eletroímãs dispostos na carcaça do
em nossos trabalhos. motor, o chamado estator. O enrolamento no
estator é chamado de bobina de excitação de
3.1 O Gerador de Corrente Alternada campo, a qual é alimentada por uma fonte de
corrente contínua (CC). Um corte mais deta-
Logo após o desenvolvimento da Lei da
lhado deste motor pode ser visto na figura 40:
Indução, o próprio Faraday idealizou um mo-
delo de gerador que produzisse energia elétri-
ca de uma maneira mais eficiente e duradoura
do que as pilhas e baterias eletrolíticas de até
então. O modelo original de gerador de Faraday
tem em grande parte as características de um
gerador moderno como o que ilustramos es-
quematicamente abaixo.

FIGURA 40

1. Estator
2. Bobina de excitação de campo
3. Ranhuras que acomodam as bobinas de
excitação no estator
4. Eixo da armadura
5. Armadura
Alguns geradores (e motores) têm esta
montagem invertida: as bobinas de excitação
de campo estão no lugar da armadura e estas é
FIGURA 39 que são postas para girar. As espiras que com-
Este tipo de gerador, também chamado de põem a armadura estão no estator, e sentem a
alternador, produz uma tensão alternada, ge- variação de fluxo magnético devido ao movi-
rando portanto uma corrente alternada, que mento de rotação das bobinas de excitação. 25
discutiremos posteriormente. Na figura 39, Fisicamente, os dois sistemas são equivalen-
temos uma bobina colocada entre os pólos de tes. Esta “montagem invertida” é utilizada em
um imã, ou seja, ela está imersa no campo geradores trifásicos, dos quais falaremos pos-
magnético compreendido entre os dois pólos. teriormente.
Eletricidade Básica
O funcionamento do alternador pode ser Na figura 43 vamos acompanhar uma re-
explicado assim: um eixo está ligado às arma- volução completa de uma espira para compre-
duras, colocando o conjunto a girar. Quando as endermos porque a fem induzida (e por con-
espiras da armadura começam a girar dentro do seqüência a corrente) são geradas de forma
campo magnético, há uma variação de fluxo alternada.
magnético através das espiras, já que a orienta-
ção destas em relação ao campo magnético está
mudando continuamente. Pelas Leis de Faraday
e Lenz, uma corrente é induzida na armadura,
com os coletores jogando esta corrente no cir- θ = 0o → sen θ = 0 → ε = 0
cuito elétrico onde elas serão utilizadas. Isso Posição 1
nada mais é que a conversão de energia mecâ-
nica em elétrica. Nas hidrelétricas, uma roda
de pás acoplada ao eixo do alternador, gira com θ = 90o → sen θ = 1 → ε = Vm
a passagem da água e gera eletricidade. Nas
termoelétricas, a água é aquecida em caldeiras, Posição 2
o vapor resultante passa por uma turbina. O eixo
da turbina está acoplado ao alternador, gerando
θ = 180o → sen θ = 0 → ε = 0
eletricidade também.
Posição 3

θ = 270o → sen θ = –1 → ε = Vm

Posição 4

θ = 360o → sen θ = 0 → ε = 0

Posição 5

FIGURA 43 – Geração de 1 ciclo de tensão CA com um


FIGURA 41 – A rotação da armadura pode ser obtida através alternador de uma única espira.
da energia potencial do desnível de uma queda mediante uma
turbina. Assim, temos o formato de uma onda se-
noidal para a tensão e corrente alternadas. Va-
A expressão da fem induzida em um ge- mos agora definir alguns parâmetros usuais no
rador é derivada daquela que encontramos para trato das correntes alternadas ou (CA). Pode-
o gerador linear. Apenas devemos lembrar que mos começar reescrevendo a expressão para a
a velocidade v naquela expressão é a compo- fem CA como
nente da velocidade perpendicular (vt) ao cam-
po magnético, já que a componente paralela ε(t) = Vmsen(ωt)
não sofre influência do campo. Assim, obser-
vando α na figura 42 e sua relação com as ve- , em que ω é a chamada freqüência angular da
locidades. Assim, temos que: rotação da armadura, que se relaciona com a
freqüência propriamente dita (f, que é medida
em ciclos por segundo, ou Hertz),

ω = 2πf = 2π/T

, sendo T, o período da rotação (medido em


segundos), ou seja, o tempo necessário para a
26 tensão completar um ciclo.
Vm é o valor máximo da tensão gerada,
que pode ser escrito como:
FIGURA 42

ε = Blvt = Blv sen θ Vm = NωBA


Eletricidade Básica
De acordo com as notações que estamos As tensões induzidas εA e εB são escritas como:
utilizando, N é o número de espiras, B é o va- εA(t) = Vmsen(ωt) e εB(t) = Vmsen(ωt – 90o)
lor do campo magnético e A é a área da cada
espira da armadura (supostas todas iguais).
Gerador Trifásico
A corrente elétrica CA gerada pode ser
Neste caso, temos 3 bobinas dispostas na ar-
obtida da Lei de Ohm, V = Ri, porém, R aqui
madura igualmente espaçadas. Logo, o espaça-
denota a resistência elétrica de todo o circuito
mento entre elas é de 120o, ou um terço de volta
a que esta fonte CA está ligada. Assim,
após a bobina A, B completa seu ciclo, e dois
ε Vm terços de volta após (240o), C finalmente com-
i(t) = = sen(ωt) = i m sen(ωt) pleta o ciclo. As tensões induzidas são dadas por:
R R
εA(t) = Vmsen(ωt) εB(t) = Vmsen(ωt – 120o)
Um parâmetro importante no estudo de
correntes e tensões alternadas são os valores εC(t) = Vmsen(ωt – 240o)
eficazes ou RMS da tensão e corrente. O va- Abaixo vemos um modelo simplificado de
lor RMS de uma corrente elétrica é aquele que gerador trifásico e a representação gráfica das
equivale ao de uma corrente contínua que, em diferenças de fase que relacionam as tensões.
um intervalo de tempo igual ao período da
corrente CA, ao passar por um resistor dissi-
pa a mesma quantidade de energia. Os valo-
res RMS de corrente e tensão são dados por:
im Vm
irms = ε rms =
2 2

3.2 Geradores Polifásicos


Um sistema polifásico é constituído por duas
ou mais tensões iguais geradas no mesmo dis-
positivo. Estas tensões são iguais, apenas estão
defasadas uma em relação a outra. Vamos ver os
dois exemplos mais simples a seguir. FIGURA 45

Gerador Bifásico A máquina apresentada na figura acima é


A rotação de um par de bobinas perpen- teórica, diversas limitações práticas impedem
diculares entre si no campo magnético do ge- a sua utilização. Atualmente, como já comen-
rador acarreta a geração de duas tensões iguais, tamos, o campo é que gira enquanto o rola-
mas defasadas de um quarto de rotação entre mento trifásico fica no estator. A vantagem
si. Isso porque, quando a bobina A da figura disto é que como são geradas tensões da or-
abaixo completa uma volta (um período da dem de 10 kV ou mais, esta tensão elevada
tensão alternada induzida), a bobina B passa não precisa passar pelos anéis coletores e es-
pelo mesmo ponto após um quarto de volta covas, bastando fazer a tomada da tensão ge-
do eixo do gerador. Como uma volta comple- rada através de um circuito ligado diretamen-
ta corresponde a 360o e um quarto de volta a te no estator. Na figura abaixo, vemos um cor-
90o, dizemos então que estas ondas estão de- te esquemático deste tipo de gerador:
fasadas, ou possuem uma fase de 90o.

27

FIGURA 44 FIGURA 46
Eletricidade Básica
Os pontos A+, B+ e C+ das bobinas são É através do controle da corrente de exci-
os terminais ativos, onde as tensões geradas tação (a que percorre a bobina do eletroímã
são fornecidas a condutores. Os pontos A–, B– que vai gerar o campo estacionário), que se
e C– são os pontos que representam o início controla a tensão nos terminais da máquina e,
das bobinas. Estes pontos podem ser dispos- portanto, a potência que ela pode fornecer.
tos de duas maneiras: Assim, precisamos de uma fonte de corrente
contínua que forneça a corrente de excitação.
Ligação “Delta”: Unem-se os seguintes ter- Esta fonte pode ser:
minais: A+ com B–; B+ com C–; C+ com A–. • Um gerador de corrente contínua inde-
pendente;
• Um sistema que retifique tensão alter-
nada fornecida pela concessionária;
• Uma excitatriz (gerador de corrente
contínua), montada sobre o próprio
eixo da máquina;
• Um sistema que tome a própria tensão
gerada pela máquina, retifique-a e apli-
que no enrolamento de campo.

Como vantagens dos sistemas trifásicos


FIGURA 47 sobre os monofásicos, os trifásicos exigem
menos peso dos condutores do que os mono-
Ligação “Estrela”: esta é a mais usada no caso fásicos de mesma especificação de potência
de geradores e está mostrada na figura abaixo: e permitem maior flexibilidade na escolha de
tensões. Além disso, o equipamento trifásico
é mais leve e mais eficiente do que um mo-
nofásico de mesma especificação.

3.3 Gerador de Corrente Contínua


O princípio de funcionamento do gerador
de corrente contínua (ou dínamo) é exatamen-
te o mesmo, só que no lugar dos coletores, o
dínamo tem um dispositivo chamado de
comutador. Ele é utilizado para converter a
corrente alternada que passa pela sua armadu-
ra em corrente contínua liberada através das
FIGURA 48.1 – Onde Rat: Resistência de aterramento.
escovas. O comutador geralmente é feito com
um par de segmentos de cobre para cada bobi-
na da armadura. Cada segmento do comutator
é isolado dos demais e do eixo da armadura
por lâminas de mica.
Na figura a seguir, temos um modelo sim-
ples de gerador CC de uma espira apenas. Na
parte 1, à esquerda, o segmento 1 do comutador
está em contato com a escova 1 e o segmento
FIGURA 48.2 2 do comutador, com a escova 2. Na parte 2,
Os pontos A–, B– e C– são unidos poden- estes contatos são invertidos. Em virtude des-
do este ponto comum ser aterrado ou não. Na ta comutação, o lado da espira que está em
28 maioria das vezes ele é aterrado constituindo contato com qualquer uma das escovas, está
uma referência de tensão para o gerador (po- interceptando o campo magnético no mesmo
tencial nulo). sentido. Assim, as escovas 1 e 2 têm polarida-
Controle do gerador através da bobina de de constante, não invertendo o sentido da cor-
excitação de campo: rente induzida na espira.
Eletricidade Básica

FIGURA 50
A substitução do par de anéis por um computador permite
obter corrente no mesmo sentido.

3.4 Corrente Alternada x Corrente


Contínua
A energia elétrica possui vantagens evi-
dentes sobre todas as outras formas de energia.
Ela pode ser transportada por condutores a lon-
gas distâncias, com perdas de energia relativa-
mente pequenas, e ser distribuída conveniente-
mente aos consumidores. O mais importante é
que a energia elétrica pode ser transformada
facilmente em outros tipos de energia, como
mecânica (motor elétrico), térmica (aquecedo-
res, chuveiros), luminosa (lâmpadas), etc.
As aplicações de cada tipo de fonte de ener-
gia elétrica dependem de suas características
específicas. Por exemplo, as máquinas eletros-
táticas são capazes de produzir grandes dife-
renças de potencial, mas não podem produzir
nos circuitos uma corrente de intensidade con-
FIGURA 49
siderável. As pilhas e baterias podem produzir
Na figura a seguir, vemos no gráfico que, corrente elétrica de grande intensidade, mas a
colocando um par a mais de comutadores, a sua duração é ainda hoje muito limitada. As-
superposição das duas correntes geradas faz sim, em larga escala, atualmente, os geradores
com que a senóide que representa a corrente que já apresentamos anteriormente são os mais
total vá ficando mais "suave". Se formos au- utilizados, devido à facilidade de construção e
mentando o número de comutadores, a cor- operação, além de facilmente produzirem cor-
rente fica praticamente contínua, então dize- rentes e tensões de grande intensidade.
mos que ela está retificada. A corrente elétrica alternada tem em rela-
ção à contínua a vantagem de permitir, sem
grandes perdas de energia, transformar a ten-
são e a intensidade da corrente, de tal modo que
essas grandezas possam assumir os mais varia-
dos valores, desde os maiores para permitir o
transporte de energia a longas distâncias, até os
menores, para o usuário doméstico.
Isto é possível em aparelhos como os trans-
formadores, dos quais falaremos em seguida.
Outra flexibilidade no uso de corrente con-
29
tínua ou alternada, é que, uma vez usando cor-
rente contínua, podemos voltar a usar a alter-
nada. Basta passar a corrente contínua em dis-
positivos chamados de inversores, que volta-
mos a contar com a corrente alternada.
Eletricidade Básica

3.5 Transformadores Esta é a chamada razão de transformação.


Se Ns > Np, o transformador aumenta a tensão
O transformador consta de um núcleo de
no secundário, então tal transformador é con-
aço fechado e duas ou mais bobinas conduto-
siderado um elevador de tensão. Se, do con-
ras. Um dos enrolamentos, o primário, está li-
trário, Ns < Np, o transformador é um abaixador
gado à fonte CA, enquanto que o outro enro-
de tensão.
lamento, denominado de secundário, é ligado
Os geradores potentes mais modernos têm
ao circuito que levará a corrente com a tensão
uma eficiência em torno de 3% no que diz res-
transformada. Na figura a seguir, temos o es-
peito à perda de energia. A perda de energia se
quema de um transformador, bem como, a sua
dá com o efeito joule nos enrolamentos e no
representação simbólica.
núcleo de ferro do transformador. Outra perda
deve-se ao efeito das correntes de Foucault
(correntes que surgem dentro dos metais ma-
ciços devido à indução). Como boa aproxima-
ção, poderíamos dizer que a potência de um
transformador (P = Vi) é aproximadamente
constante, donde podemos obter a seguinte
relação:

FIGURA 51
Vpip = Vsis
Transformador e, ao lado, seu símbolo convencional.
Na figura abaixo, temos um esquema sim-
O funcionamento dos transformadores plificado de um sistema de distribuição de
assenta no fenômeno de indução eletromag- energia elétrica.
nética, que pressupõe a variação do fluxo do
campo magnético como causa de uma corren-
te e tensão induzida em uma espira. No nosso
caso, como estamos com corrente alternada no
primário, o campo gerado neste enrolamento,
é um campo de solenóide que já estudamos.
Porém, no caso CA, a intensidade da corrente
varia, logo, o valor do campo magnético acom-
panha esta variação, e esta variação de fluxo
magnético do primário é transportada pelo
núcleo de aço até o secundário. A variação de
fluxo que chega ao secundário, provoca, de
acordo com a Lei de Faraday, uma tensão FIGURA 52
induzida neste enrolamento. Note que, se a Esquema de um transporte de energia elétrica da usina até o
consumo. Os transformadores estão representados pelos seus
intensidade de corrente fosse constante, não símbolos convencionais.
teríamos variação do campo magnético, e,
portanto, do fluxo, no primário ou secundá- 3.6 Capacitores
rio. Devido a isto, correntes contínuas não são Quando falamos de trabalho e potencial
convenientes para as concessionárias de ener- elétrico, discutimos a capacidade do campo
gia, já que os mais diversos valores de tensão elétrico de armazenar energia. Seria interes-
são necessários em uma operação de transmis- sante ter uma maneira de armazenar esta ener-
são e geração de energia elétrica. Tais mudan- gia e torná-la disponível sempre que precisás-
ças de tensão são feitas bem mais simplesmen- semos. O dispositivo capaz de fazer isto é
te com corrente alternada. chamado de capacitor. Ele consiste de duas pla-
Sendo Np o número de espiras do primá- cas condutoras separadas entre si, ligadas e sub-
rio e Ns do secundário e Vs e Vp os valores das metidas a uma ddp. Antes de ser carregado para
30 respectivas tensões, podemos chegar a seguinte utilização, o capacitor está neutro (fig 53.1). Po-
relação: demos carregar um capacitor estabelecendo
Vp Np uma ddp entre as placas, ligando cada uma
= delas aos pólos de uma bateria, por exemplo
Vs Ns (fig 53.2). Ao fecharmos a chave do circuito,
Eletricidade Básica
as cargas positivas são atraídas pelo pólo ne- A constante C, que faz a proporção entre
gativo da bateria, enquanto que as cargas ne- a carga Q adquirida e a tensão V aplicada, é
gativas, pelo pólo positivo, o que acarreta chamada de capacitância. No SI, a unidade
em uma divisão de cargas positivas e nega- de capacitância é o Farad, em homenagem ao
tivas entre as duas placas. Este processo con- próprio Faraday, que idealizou os primeiros ca-
tinua até que a ddp entre as placas carrega- pacitores.
das iguale-se a ddp fornecida pela bateria
(fig 53.3). Assim, o capacitor está carrega- [C] = F ⇒ F = C/V (Coulomb/Volt)
do, surgindo um campo elétrico uniforme
entre suas placas. Quanto maior for a capacitância de um
dispositivo, mais carga ele pode acumular com
a mesma tensão a que ele é submetido.
Um outro fato que foi descoberto pelo pró-
prio Faraday é que preenchendo o espaço vazio
entre as placas com um material dielétrico (iso-
lante), o valor da capacitância aumentava. Note
Fig 53.1 – Neutro que é um dielétrico, porque obviamente se pre-
enchermos com material condutor o espaço
Fig 53.2 – Capacitor neutro entre as placas, as cargas poderiam usar o con-
dutor para novamente restabelecer o equilíbrio
de cargas. A relação que temos para este fato é:

C = kCo

, em que Co é a capacitância no capacitor a vá-


cuo, C é a capacitância utilizando o dielétrico
e k é um parâmetro adimensional, chamado
de constante dielétrica, específico de cada ma-
terial.
Fig 53.3 – Capacitor carregado Alguns parâmetros que influenciam na
FIGURA 53 capacitância:
Como as cargas não podem passar pelo • Distância entre as placas: menor dis-
espaço vazio entre as placas, estas permane- tância, maior capacitância.
cem carregadas mesmo que a bateria seja re-
• Área das placas: maior área, maior
movida (fig. 54.1). Se ligarmos as duas placas
capacitância.
com um condutor, a tendência vai ser as car-
gas compensarem a ddp que há entre elas, neu- • Formato do capacitor: esférico, cilín-
tralizando as placas novamente (fig 54.2). Este drico, placas paralelas.
é o processo de descarga do capacitor. • Tipo de dielétrico utilizado.

Na tabela abaixo, alguns tipos de capaci-


tores e os valores de capacitância usuais que
cada um deles fornece:
Dielétrico Construção Faixa de Capacitância
FIGURA 54.1 FIGURA 54.2 Ar Placas entrelaçadas 10 – 400 pF
Mica Folhas superpostas 10 – 5000 pF
Há materiais mais eficientes do que ou-
tros para serem usados em capacitores. Obser- Papel Folhas enroladas 0,001 – 1µF
31
va-se que a carga que um condutor pode ad- Cerâmica Tubular 0,5 – 1600 pF
quirir é diretamente proporcional à tensão a que Disco 0,002 – 0,1 µF
ele está submetido: Eletrolítico Alumínio 5 – 1000 µF
Q = CV Tântalo 0,01 – 300 µF
Eletricidade Básica
3.7 Indutores O sinal negativo, lembremos, vem da Lei
Em um circuito elétrico, circulando cor- de Lenz, a fem auto-induzida opõe-se às cau-
rente, temos que a própria corrente gera um sas que a criaram. Assim, ao ligarmos um cir-
campo magnético ao seu redor, que pode in- cuito, a fem auto-induzida opõe-se à corrente
fluenciar o comportamento do próprio circui- que chega ao circuito. Isto significa que se for-
to. Este é o fenômeno da auto-indução. No cir- mos medir a corrente do circuito, esta não sal-
cuito ilustrado abaixo, por causa do campo tará de zero até um certo valor instantanea-
magnético produzido pela corrente, teremos mente, mas aumentará suavemente, até ven-
então um fluxo magnético auto-induzido no cer a fem auto-induzida do circuito. Com o
circuito, que é dado por: mesmo raciocínio, ao desligarmos a corrente,
esta não desaparecerá instantaneamente, por-
ΦA = Li que agora a fem auto-induzida opõe-se ao seu
desaparecimento, fazendo com que a corrente
também termine suavemente. Tal comporta-
mento está ilustrado no gráfico abaixo:

FIGURA 55

L é uma característica do circuito, chama-


da de indutância. Quanto maior a indutância
de um circuito, maior o fluxo auto-induzido Variação de corrente ao se fechar e abrir um circuito.
através dela para um mesmo valor de corrente FIGURA 56
elétrica. No SI, as unidades de medida de
indutância são: Da mesma maneira que um capacitor é
utilizado para armazenar a energia do campo
[L] = Wb/A = H (Henry) elétrico, o indutor é utilizado para armazenar
a energia contida em um campo magnético.
Elementos do circuito que geram grande
Abaixo temos as representações mais
indutância são chamados de indutores. As bo-
binas são os exemplos mais significativos de usuais para os indutores:
indutores. A indutância aqui seria uma medi-
da da capacidade de uma bobina de gerar um
fluxo. Esta indutância depende do número de
espiras da bobina, do material que compõe o
seu núcleo (no caso de eletroímãs, por exem-
plo) e do formato geométrico da bobina.
Podemos agora pensar em termos da Lei
de Faraday. Considerando que uma corrente
em um circuito gera um campo magnético e
um fluxo auto-induzido, se variarmos a cor-
rente, estaremos variando o campo e, por con-
seqüência, o próprio fluxo. Então, toda vez que
32
variamos o fluxo magnético, surge no circuito
uma fem auto-induzida.
∆Φ A ∆i a) Só a bobina. b) Indutor com núcleo
εA = = −L metálico.
∆t ∆t FIGURA 57
Eletricidade Básica
3.8 Capacitores, Indutores e Corrente Onde f é a frequência da fem e L é a
indutância da bobina. Por se tratar de uma forma
Alternada de resistência à corrente, a unidade de reatância
Trabalhar com circuito de corrente con- indutiva também é o Ohm (Ω). Assim, pela lei
tínua é bem mais fácil, porque não há varia- de Ohm, temos que a corrente eficaz em um cir-
ções de corrente nem de campos que façam cuito puramente indutivo é dada por:
surgir efeitos como os que relatamos na seção
ε
anterior. Efeitos que podem acontecer são ape- i rms = rms
nas atrasos no carregamento do circuito, con- XL
forme já relatado.
Ao trabalharmos com correntes alterna- Circuito Puramente Capacitivo:
das, a situação é diferente, já que com a cor- Quando ligamos um capacitor a uma fonte
rente variando, os campos elétricos e magné- CA, surge uma corrente que é, na verdade, o
ticos também variam consideravelmente. Va- resultado do deslocamento de cargas para car-
mos dar dois exemplos bem simples para po- regar o capacitor, ora com uma polaridade, ora
dermos situar o problema: com outra. É interessante lembrar que a cor-
rente não passa pelo capacitor, porque ou não
Circuitos puramente indutivos: há nada entre as placas, ou há um dielétrico.
A principal característica do circuito in- No processo de carga de um capacitor, surge
dutivo é que a corrente está defasada em rela- uma tensão entre suas placas. Por isso, em um
ção a fem em 90o. O motivo deste atraso é a circuito capacitivo, a tensão está defasada de
fem auto-induzida que surge no circuito, atra- 90o em relação à corrente.
sando a circulação inicial da corrente.

FIGURA 58

Os valores instantâneos da tensão e da


corrente são dados por: FIGURA 59

ε(t) = Vmsen(ωt) e i(t) = imsen(ωt – 90o) Os valores instantâneos são:


ε(t) = Vmsen(ωt – 90o) e i(t) = imsen(ωt)
Para calcularmos a corrente em um cir-
cuito puramente indutivo, calculamos o valor Da mesma maneira que no indutor, podemos
da oposição oferecida à passagem da corrente admitir um elemento de oposição à corrente alter-
33
alternada pelo indutor (bobina), que chama- nada, que neste caso chamaremos de reatância
mos de reatância indutiva: capacitiva, também medida em Ohms.
1
XC =
XL = 2πfL 2π fC
Eletricidade Básica
A corrente eficaz também é calculada pela ϕ é o ângulo de fase entre tensão e corrente.
lei de Ohm: A quantidade cos ϕ é chamada de fator de
ε potência.
i rms = rms
XC Potência Reativa (Q)
Na tabela abaixo, fazemos um resumo das É a potência solicitada por indutores e ca-
principais diferenças entre os comportamen- pacitores. Ela circula pelo circuito sem reali-
tos de capacitores e indutores: zar trabalho. Sua unidade é o Volt-Ampère
reativo (var).
Comportamento Capacitor Indutor
Energia
Armazena energia do Armazena energia do Q = εrmsirmssenϕ
campo elétrico campo magnético
Provoca atraso na Provoca atraso na A relação entre estas potências e o fator
Atraso
tensão corrente de potência pode ser visualizada através do
Baixa reatância para Alta reatância para
triângulo de potências:
Reatância variações bruscas da variações bruscas da S = εrmsirms
tensão ou da corrente tensão ou da corrente
Q = εrmsirmssen ϕ

3.9 Potência em Circuitos CA ϕ


Todo o processo que depende de capaci- P = εrmsirmscos ϕ
tores e indutores envolve consumo de ener-
gia, visto que tais elementos agora opõem-se Do triângulo de potências se tira a defini-
à passagem da corrente alternada, fazendo o ção de fator de potência:
papel de resistências. Assim, nem toda a ener- P
gia fornecida pela fonte CA é totalmente trans- cos ϕ =
formada em trabalho no circuito. O cálculo S
exato do valor das potências envolve direta- Os aparelhos de corrente alternada são
mente o cálculo dos valores das correntes que geralmente caracterizados por sua potência
percorrem o circuito. Tal cálculo nem sempre aparente. Isto porque, por exemplo, um gera-
é trivial e deve ser feito com a ajuda de ele- dor de 100 kVA poderá fornecer uma potência
mentos matemáticos como diagramas de ativa de 100 kW em um circuito onde cos ϕ = 1
fasores ou números complexos. Muito embo- ou 70 kW a um circuito onde cosj = 0,7. As-
ra tal abordagem não seja objetivo da presente sim, deve-se ter cuidado no projeto e manu-
fase do curso, é importante mencioná-la, uma tenção de circuitos elétricos, já que o mesmo
vez que a mesma será vista mais a frente nes- equipamento pode fornecer uma baixa potên-
te processo de capacitação. Vamos aqui defi- cia ativa apenas porque não está funcionando
nir apenas os tipos de potência que aparecem em condições adequadas, já que o fator de
nestes circuitos: potência igual a 1 é a condição ideal para qual-
Potência Aparente (S) quer circuito elétrico.
É a potência realmente fornecida pela fon- Em instalações industriais trifásicas, os
te CA, medida em Volt-Ampères (VA). valores do fator de potência podem ser esti-
mados como:
S = εrmsirms
• Circuitos de luz, resistores: cos ϕ = 1
Observe que, em um circuito CC equiva- • Circuitos de força e luz: cos ϕ = 0,8
lente, esta potência é semelhante àquela en- • Motores de indução à plena carga: cos ϕ = 0,9
tregue pela fonte de fem: Pot = Vi. • Motores de indução com ½ a ¾ da carga: cos ϕ = 0,8
• Motores funcionando sem carga: cos ϕ = 0,2
Potência Ativa (P)
O rendimento de um motor elétrico pode
É a potência que realmente produz traba- ser calculado pela relação entre a potência en-
lho. Por exemplo, num motor, é a parcela de tregue pelo motor, que é medida no eixo des-
34 potência absorvida da fonte que é transferida te, e a potência elétrica absorvida, medida em
em forma de potência mecânica do eixo. Sua seus terminais. Nesta transformação de potên-
unidade é o Watt (W). cia elétrica em potência mecânica, sempre há
perdas intrínsecas devido ao efeito joule, as
P = εrmsirmscosϕ
perdas no ferro e as perdas mecânicas.
Eletricidade Básica
Contudo, ao falarmos de fator de potência As duas ligações já estudadas, triângulo e
e nas potências definidas através dele, estamos estrela, têm disposições de correntes e tensões
enfatizando o fato de que a corrente absorvida diferentes, que podem ser resumidas na tabela
por um motor é defasada em relação à tensão abaixo:
aplicada, já que o motor absorve potência ati-
va e potência reativa indutiva. Ligação Tensão Induzida Corrente
Estrela εlinha = 3 x εfase Ilinha = Ifase
3.10 Circuitos Trifásicos Triângulo εlinha = efase Ilinha = 3 xIfase
Agora que já discutimos geradores poli-
fásicos (seção 3.2) e potência em circuitos CA
(seção 3.9), podemos passar a uma introdução Potência em sistemas trifásicos balanceados
aos circuitos trifásicos. A potência elétrica em um sistema
Os circuitos monofásicos podem ser en- trifásico é a soma das potências de cada fase,
contrados em escala maior na iluminação, pe- em qualquer um dos dois tipos de ligação aci-
quenos motores e equipamentos domésticos. ma. Se o sistema estiver balanceado, a tensão
Contudo, para sistemas industriais, o sistema e a potência são iguais em todas as fases, es-
trifásico é mais eficiente e, portanto, o mais tando defasadas sempre do mesmo ângulo.
utilizado. Assim, a potência ativa por fase será:
Na seção 3.2, discutimos a geração em um P = εfIfcos θ
circuito trifásico, que produz fem´s alternadas
de mesma freqüência, porém defasadas entre ,em que θ é o ângulo entre as fases. Em termos
si de um ângulo definido. Se este ângulo for das voltagens e correntes de linha, temos que:
de 120o, dizemos que o sistema é simétrico. Na ligação em estrela:
Cada circuito do sistema constitui uma fase; εl
as fases são ligadas entre si, de modo o a ofe- P = 3εf If cos θ = 3 Il cos θ = 3 ε l I l cos θ
recer uma carga praticamente constante como 3
fonte de alimentação. Um sistema trifásico é Na ligação em triângulo:
dito balanceado quando as condições em cada I
fase são as mesmas, tais como valor da cor- P = 3εf If cos θ = 3 l ε l cos θ = 3 εl I l cos θ
rente e fator de potência. 3
As vantagens dos sistemas trifásicos so- Nos dois casos, temos expressões idênti-
bre os monofásicos são: cas! O mesmo raciocínio nos leva para a po-
1. Como já comentamos anteriormente, tência aparente:
para um mesmo tamanho, os gerado-
res e os motores trifásicos são de mai- S = 3 εl Il
or potência que os monofásicos.
e para a potência reativa:
2. As linhas de transmissão trifásicas têm
menos material condutor (cobre, prin-
cipalmente) que as monofásicas, para Q = 3 εl Il sen θ
transportar a mesma potência.
A potência instantânea de um sistema
3. Os motores trifásicos têm uma saída trifásico sempre é igual ao triplo da potência mé-
mais uniforme, enquanto os monofási- dia por fase. Se o sistema estiver balanceado,
cos (exceto os de comutador) têm uma esta potência também é constante, o que se cons-
saída em forma de pulso. titui em uma grande vantagem na operação de
A partir dos esquemas apresentados na motores trifásicos, pois significa que a potência
seção 3.2, podemos tirar uma propriedade fun- disponível no eixo também é constante.
damental dos sistemas trifásicos simétricos: a
soma dos valores instantâneos das fem’s gera- Ligação das cargas em um sistema trifásico
das no circuito é constante e igual a zero. Se o As cargas em um sistema trifásico podem
sistema trifásico também for balanceado, a 35
ser ligadas em estrela ou triângulo, mas uma
soma dos valores instantâneos das correntes determinada carga não pode, em geral, passar
também é igual a zero. Esta importante pro- de uma ligação para outra, pois esta operação
priedade permite reduzir o número de fios de envolve uma mudança na voltagem.
linha, de seis para três.
Eletricidade Básica
Estas cargas podem estar ou não balance- a Ia
adas. Para as cargas estarem balanceadas, além
c
das voltagens das linhas serem iguais, as o
Ib Fio da linha
impedâncias de cada fase consumidora tam-
bém são idênticas, no que resulta em corren- Fio da linha
tes iguais em cada fase. Logo, se tivermos b Ic
impedâncias diferentes nas fases que utilizam Neutro
Io
o sistema, surgirão cargas desbalanceadas. a b c
O sistema trifásico em estrela tem na jun- Cargas monofásicas Carga trifásica
ção A-, B-, C- um fio neutro, que é ampla- (a)
mente utilizado nas instalações industriais.
Cargas monofásicas
Linhas de distribuição em cidades, que são de
baixa tensão (tensão eficaz inferior a 400 V), a Fio da linha a
são providas de fio neutro. Esta ligação tem a
vantagem de tornar a corrente de cada fase in- c Fio da linha b
dependente das outras e de poder utilizar dois
valores de tensão. Estes dois valores são nor- Fio da linha c
malmente estipulados como sendo 110 V (uso b

doméstico e pequenos motores monofásicos) Carga trifásica


(b)
e 220 V ou 380 V, para pequenos usos de for-
ça. Um esquema de ligação deste tipo é mos- a) Ligação em estrêla a quatro fios; b) Ligação em triângulo
trado na figura abaixo:
FIGURA 59.2

Anotações

M M
1~ 3~

V = 380 V

V = 220 V
FIGURA 59.1

Em longas linhas de transmissão, não há


a necessidade da ligação em estrela; com isso,
o fio neutro é suprimido, o que resulta em gran-
de economia de cobre.
As cargas industriais são geralmente ba-
lanceadas, para motores trifásicos. Já as car-
gas monofásicas para circuitos de luz, devem
ser distribuídas, tanto quanto possível, de ma-
neira igual, para que o sistema fique aproxi-
madamente balanceado. Na figura a seguir,
apresentamos uma ligação em estrela, com o
quarto fio representando o neutro, e uma liga-
ção em triângulo.
36
Eletricidade Básica

Complementos
Amperímetros
4
4.1 Medidas Elétricas
A escala de um amperímetro pode ser
Todos os fenômenos e processos que comen-
calibrada em ampères, miliampères ou mi-
tamos aqui não fazem sentido sem interação com
croampères. O maior valor de corrente que
a nossa realidade prática. Uma dificuldade inicial
um amperímetro pode medir é chamado de
é que ninguém "vê" um campo magnético, tudo
fundo de escala. Para medir o valor da cor-
o que fazemos, por exemplo, são medições in-
rente que circula por um circuito, o amperí-
diretas dos seus efeitos. Além dos que citamos
metro deve estar ligado em série neste cir-
ao longo do curso (bússolas, imãs, condutores),
cuito (figura 61).
existem outros instrumentos que são fundamen-
tais porque fornecem números como resultados
de medições, o que facilita o cálculo e o estudo
dos fenômenos eletromagnéticos.
Amperímetros, voltímetros, ohmímetros e
wattímetros são os aparelhos mais utilizados para
medir corrente, tensão, resistência e potência,
respectivamente. Os tipos mais utilizados na
medição de tensão e corrente são os medidores
eletromecânicos CC ou CA. O mecanismo sensor a) Io corrente verdadeira, sem o amperímetro no circuito.

mais utilizado em amperímetros e voltímetros


CC é um dispositivo sensor de corrente bastante
sensível, o galvanômetro. Ele também é chama-
do de mecanismo medidor D´Arsonval ou me-
canismo de bobina móvel e imã permanente. A
bobina móvel está disposta entre os pólos de um
imã permanente, ficando, portanto, sob os efei-
tos do campo magnético deste imã. Quando a
corrente circula pela bobina, o campo do imã vai
exercer uma força nos fios que a compõem. a) IW corrente medida, com o amperímetro no circuito
Como a bobina é móvel, esta força exerce um FIGURA 61
torque que a faz girar. A rotação da bobina é li-
mitada por uma mola helicoidal, assim, o movi-
mento da bobina e, por conseqüência, do pontei- A adição do amperímetro, com a fiação
ro a ela acoplado é proporcional à corrente que da bobina, acarreta em um aumento da resis-
passa pela bobina. Um modelo de um instrumen- tência do circuito, que é igual à resistência in-
to de medida em corte está na figura 60. terna do medidor, RM. Assim, pela Lei de Ohm,
a corrente sem o medidor é:
V
I0 =
R0
Com o amperímetro inserido, a corrente 37
agora é:
V
IW =
FIGURA 60
R0 + RM
Eletricidade Básica
Definimos, então, a exatidão do medi- Em que R é a resistência do trecho do cir-
dor, KA: cuito onde queremos medir a tensão e i é a
corrente que passa pelo voltímetro. O resulta-
IW R0 do da medida será tanto melhor quanto menor
KA = =
I0 R0 + RM for a corrente que passe pelo voltímetro. Para
que isso aconteça, o ideal é que a resistência
A porcentagem de erro de carga é o erro RS seja consideravelmente grande quando
percentual na leitura de um amperímetro de- comparada com as outras presentes no circui-
vido ao acréscimo no circuito da resistência to. Assim, a corrente pouco será desviada para
intrínseca do medidor. o instrumento, fazendo com que:

Erro de carga(%) = (1 – KA) . (100%) Vlido ≅ Vexato

Uma leitura que está 100% exata é aquela Medidores de Corrente Alternada
em que o erro é, obviamente, 0%. Uma leitura Estes medidores medem valores de cor-
de 95% de exatidão indica um erro de carga rente e tensão que variam periodicamente no
de 5% e assim por diante. tempo, como já estudamos. Em baixas freqüên-
O segundo erro que pode ocorrer em um cias, abaixo de 1000 Hz, o conjunto funciona
amperímetro real é o erro de calibração, que bem e não é diferente daqueles que já comen-
surge do fato da escala do medidor não ter sido tamos acima. Contudo, se estivermos traba-
marcada (calibrada) de forma exata. A lhando em uma faixa de freqüência mais alta,
especificação deste tipo de erro é dada em ter- o conjunto da bobina móvel pode não seguir
mos de fundo de escala. Tipicamente, estes as rápidas variações de corrente devido à inér-
valores estão por volta de 3% do fundo de es- cia. Assim, os valores CA têm que ser primei-
cala correspondente. ro convertidos em CC e depois aplicados em
um galvanômetro de D´Arsonval.
Voltímetro A escala dos medidores CA pode ser cali-
Para medirmos corretamente uma tensão, brada tanto em função dos valores médios
temos que construir um voltímetro. Note que como dos RMS (eficazes), embora estes últi-
não podemos utilizar simplesmente o amperí- mos sejam mais utilizados.
metro para fazer tal medida, já que quando a O tipo mais simples de voltímetro CA é
corrente passar pela resistência interna RM do aquele com circuito retificador de meia onda.
medidor, ocorre uma queda de tensão V´=RMI. Na figura 63, a tensão entre os terminais ab é
Assim, a tensão indicada em um trecho do cir- medida, lembrando que este sinal é uma onda
cuito não teria o valor correto indicado na lei- senoidal com valor de pico VP.
tura. Assim, o voltímetro é construído de uma
grande resistência RS em série com o amperí-
metro de resistência interna RM (figura 62).

FIGURA 62 – Voltímetro CC simples.


38
Desta maneira, a relação de medida de
um voltímetro é dada por:

Vlido = Vexato – Ri (a) Retificador de meio onda.


Eletricidade Básica
4.2 Unidades de Medidas
O Sistema Internacional de Unidades (MKS ou SI):
Unidades fundamentais ou de base:
Grandeza Unidade Símbolo
Comprimento Metro m
Massa Quilograma kg
(b) Corrente no galvanômetro Tempo Segundo s
Corrente elétrica Ampère a
Leitura RMS Temperatura Kelvin k
Intensidade luminosa Candela cd
Quantidade de matéria Mole mol

Unidades derivadas:
Grandeza Unidade Símbolo
Energia Joule J
Força Newton N
Potência Watt W
Carga elétrica Coulomb C
Potencial elétrico Volt V
Resistência elétrica Ohm Ω
Indutância elétrica Henry H
Conduntância elétrica Siemens S
Capacidade elétrica Farad F
Freqüência Hertz Hz
Fluxo magnético Weber Wb
(c) Valor RMS lido na escala Indução magnética (B) Tesla T
FIGURA 63
Campo elétrico Volt/metro V/m
O elemento novo adicionado no circuito,
o diodo, é um dispositivo que permite que a
Prefixos métricos utilizados em eletrici-
corrente flua normalmente durante o semiciclo
dade:
positivo e apresenta uma alta resistência à cor-
rente no outro sentido, durante o semi-ciclo Prefixo Símbolo Valor
negativo. A corrente resultante atravessa o mega M 1 000 000 (106)
galvanômetro, que pode estar calibrado para quilo k 1 000 (103)
mostrar o valor médio, Iav: mili m 0,001 (10–3)
micro µ 0,000 001 (10–6)
Iav = 0,318IP
nano n 0,000 000 001 (10–9)
Ou mostrar o valor RMS (eficaz): pico p 0,000 000 000 001 (10–12)
Irms = 0,707IP
O valor médio indicado sempre está corre- Exemplos:
to, para os tipos de onda mais usuais. Contudo, 1. 53000 V = 53.1000 V = 53 kV
o valor RMS indicado só é o correto para ten-
sões e correntes que variem de forma senoidal. 2. 3400000 C = 3,4.1 000 000 = 3,4 MC
Para o circuito simples mostrado na figu-
ra 63, pela Lei de Ohm, temos que: 3. 0,007 F = 7.0,001 = 7 mF
VP = (RS + RM)IP 4. 0,000 0063 T = 6,3.0,000 001 = 6,3 µT
Vrms = 0,707(RS + RM)IP 39
Vrms = 2,22(RS + RM)Iav
Assim, conseguimos relacionar o valor
eficaz da tensão com os valores médio e de
pico da corrente CA no circuito.
Eletricidade Básica

Exercícios servação da carga, o “neutrino” deverá ter carga


elétrica:
01. Duas esferas condutoras, 1 e 2, de raios r1 a) +e.
e r2, onde r1= 2r2‚ estão isoladas entre si e com b) –e.
cargas q1 e q2‚ sendo q1= 2q2 e de mesmo si- c) +2e.
nal. Quando se ligam as duas esferas por um d) –2e.
fio condutor, pode-se afirmar que: e) nula.
a) haverá movimento de elétrons da es-
fera 1 para a esfera 2. 04. Uma partícula está eletrizada positivamen-
b) haverá movimento de elétrons da es- te com uma carga elétrica de 4,0 x 10–15 C. Como
fera 2 para a esfera 1. o módulo da carga do elétrons é 1,6 x 10–19C, essa
c) não haverá movimento de elétrons en- partícula
tre as esferas. a) ganhou 2,5 x 104 elétrons.
d) o número de elétrons que passa da es- b) perdeu 2,5 x 104 elétrons.
fera 1 para a esfera 2 é o dobro do nú- c) ganhou 4,0 x 104 elétrons.
mero de elétrons que passa da esfera 2 d) perdeu 6,4 x 104 elétrons.
para a esfera 1. e) ganhou 6,4 x 104 elétrons.
e) o número de elétrons que passa da es-
fera 2 para a esfera 1 é o dobro do nú- 05. Um bastão isolante é atritado com tecido e
mero de elétrons que passa da esfera 1 ambos ficam eletrizados. É correto afirmar que
para a esfera 2. o bastão
a) ganhou prótons e o tecido ganhou elé-
02. Tem-se 3 esferas condutoras idênticas A, trons.
B e C. As esferas A (positiva) e B (negativa) b) perdeu elétrons e o tecido ganhou
estão eletrizadas com cargas de mesmo prótons.
módulo Q, e a esfera C está inicialmente neu- c) perdeu prótons e o tecido ganhou elé-
tra. São realizadas as seguintes operações: trons.
1. Toca-se C em B, com A mantida à dis- d) perdeu elétrons e o tecido ganhou elé-
tância, e em seguida separa-se C de B; trons.
2. Toca-se C em A, com B mantida à dis- e) perdeu prótons e o tecido ganhou o
tância, e em seguida separa-se C de A; prótons.
3. Toca-se A em B, com C mantida à dis-
tância, e em seguida separa-se A de B. 06. Considere o campo elétrico criado por:
I. Duas placas metálicas planas e parale-
Podemos afirmar que a carga final da es- las, distanciadas de 1,0cm, sujeitas a
fera A vale: uma d.d.p de 100V.
II. Uma esfera metálica oca de raio 2,0cm
a) zero.
carregada com 2,5µC de carga positiva.
b) +Q/2.
Quais as características básicas dos dois
c) – Q/4.
campos elétricos? A que distância do centro
d) +Q/6. da esfera, um elétron sofreria a ação de uma
e) – Q/8. força elétrica de módulo igual à que agiria so-
bre ele entre as placas paralelas?
03. Em 1990, transcorreu o cinquentenário da Dados:
descoberta dos “chuveiros penetrantes” nos |carga do elétron|: |e|=1,6 x 10–19 C
raios cósmicos, uma contribuição da física bra- Constante do Coulomb para o ar e o vácuo:
sileira que alcançou repercussão internacio- K = 9 . 109 N . m2/C2.
nal. [O Estado de São Paulo, 21/10/90, p.30].
No estudo dos raios cósmicos, são observa- Para cada alternativa, as informações dos
40 das partículas chamadas “píons”. Considere
itens 1, 2 e 3, respectivamente, refere-se a:
um píon com carga elétrica +e se desintegran-
do (isto é, se dividindo) em duas outras partí- 1. Campo entre as placas.
culas: um “múon” com carga elétrica +e e um 2. Campo da esfera.
“neutrino”. De acordo com o princípio da con- 3. Distância do centro da esfera.
Eletricidade Básica
a) 1. uniforme (longe das extremidades); 10. Dadas as seguintes situações envolvendo
2. radial (dentro e fora da esfera); fenômenos elétricos, selecione as corretas:
3. 15m. 01) A corrente que passa por duas lâm-
b) 1. não há; padas incandescente diferentes liga-
2. só há campo no interior da esfera; das em série é maior que a corrente
3. 150m. que passaria em cada uma delas se
c) 1. uniforme; fossem ligadas individualmente à
2. uniforme (dentro e fora da esfera); mesma fonte de tensão.
3. 1,5m. 02) Se a resistência de um fio de cobre
d) 1. uniforme (longe das extremidades); de comprimento L e área de seção reta
2. –radial (fora da esfera), –nulo (den- S é igual a 16², então a resistência de
tro da esfera); um outro fio de cobre de igual compri-
mento e de área de seção 2S será 32².
3. 1,5m.
04) A resistência de um condutor varia com
e) 1. nulo;
a temperatura. Um comportamento su-
2. –nulo (dentro da esfera), –radial percondutor é observado em tempera-
(fora da esfera); turas bem mais baixas que a ambiente.
3. 1,5m. 08) Com base no modelo atômico de
Bohr para o átomo de hidrogênio, po-
07. Uma carga elétrica puntiforme com 4,0 µC, demos relacionar o movimento
que é colocada em um ponto P do vácuo, fica orbital do elétrons a uma corrente elé-
sujeita a uma força elétrica de intensidade trica, cujo intensidade média é inver-
1,2N. O campo elétrico nesse ponto P tem in- samente proporcional ao tempo ne-
tensidade de: cessário para uma rotação.
a) 3,0 . 105 N/C. 16) Se um chuveiro elétrico com resistên-
b) 2,4 . 105 N/C. cia de 10² for ligado durante 1 hora
c) 1,2 . 105N/C. em uma rede elétrica de 120V de ten-
d) 4,0 . 10–6 N/C. são, e se o preço do quilowatt-hora for
e) 4,8 . 10–6 N/C. de R$ 0,10, então o custo correspon-
dente a essa ligação será de R$ 0,50.
08. Uma partícula de massa 1,0 × 10–5 kg e carga 32) Em cada nó (ou nodo) de um circuito
elétrica 2,0 µC fica em equilíbrio quando colo- elétrico, a soma das correntes que en-
cada em certa região de um campo elétrico. tram é igual à soma das correntes que
Adotando-se g = 10 m/s2, o campo elétrico saem do mesmo.
naquela região tem intensidade, em V/m, de: Soma =
a) 500.
b) 0,050.
11. Uma pessoa pode levar grandes choques
c) 20.
elétricos ao tocar em fios da instalação elétri-
d) 50.
ca em sua casa. Entretanto, é freqüente ob-
e) 200.
servarmos pássaros tranqüilamente pousados em
fios desencapados da rede elétrica sem sofrerem
09. Quando uma diferença de potencial é apli-
esses choques. Por que pode ocorrer o choque
cada aos extremos de um fio metálico, de for-
no primeiro caso e não ocorre no segundo?
ma cilíndrica, uma corrente elétrica “i” per-
corre esse fio. A mesma diferença de potenci-
12. Num circuito elétrico, dois resistores, cujas
al é aplicada aos extremos de outro fio, do
resistências são R1 e R2‚ com R1 > R2, estão
mesmo material, com o mesmo comprimento
ligados em série. Chamando de i1 e i2 as cor-
mas com o dobro do diâmetro. Supondo os dois
rentes que os atravessam e de V1 e V2 as ten-
fios à mesma temperatura, qual será a corren-
sões a que estão submetidos, respectivamen-
te elétrica no segundo fio?
te, pode-se afirmar que:
a) i. 41
a) i1 = i2 e V1= V2.
b) 2 i. b) i1 = i‚ e V1 > V2.
c) i / 2. c) i1 > i‚ e V1 = V2
d) 4 i. d) i1 > i‚ e V1 < V2.
e) i / 4. e) i1 < i‚ e V1 > V2.
Eletricidade Básica
13. Uma lâmpada fluorescente contém em seu esses objetos. Uma faísca elétrica ocorre en-
interior um gás que se ioniza após a aplicação tre dois corpos isolados no ar, separados por
de alta tensão entre seus terminais. Após a uma distância de um centímetro, quando a
ionização, uma corrente elétrica é estabelecida diferença de potencial elétrico entre eles atin-
e os íons negativos deslocam-se com uma taxa ge, em média, 10.000V.
de 1,0 x 1018 íons/segundo para o pólo A. Os Com o auxílio do texto anterior, julgue os
íons positivos se deslocam, com a mesma taxa, itens que se seguem.
para o pólo B. (1) O choque elétrico é sentido por uma
Sabendo-se que a carga de cada íon posi- pessoa devido à passagem de corren-
tivo é de 1,6x10–19 C, pode-se dizer que a cor-
te elétrica pelo seu corpo.
rente elétrica na lâmpada será
a) 0,16 A. (2) Os choques elétricos referidos no tex-
b) 0,32 A. to são perigosos porque são proveni-
c) 1,0 x 1018 A. entes de cargas estáticas que acumu-
d) nula. lam grande quantidade de energia.
(3) O processo de eletrização por indução
14. O choque elétrico, perturbação de natu- é o principal responsável pelo surgi-
reza e efeitos diversos, que se manifesta no mento do fenômeno descrito no texto.
organismo humano quando este é percorrido (4) O ar em uma região onde existe um
por uma corrente elétrica, é causa de grande campo elétrico uniforme de intensi-
quantidade de acidentes com vítimas fatais. dade superior a 10.000V/cm é um
Dos diversos efeitos provocados pelo choque péssimo condutor de eletricidade.
elétrico, talvez o mais grave seja a fibrilação, (5) O valor absoluto do potencial elétri-
que provoca a paralisia das funções do cora- co da carroceria de um carro aumen-
ção. A ocorrência da fibrilação depende da ta devido ao armazenamento de car-
intensidade da corrente elétrica que passa pelo gas eletrostáticas.
coração da vítima do choque. Considere que
o coração do indivíduo descalço submetido a
16. Um condutor de secção transversal cons-
um choque elétrico, suporte uma corrente
tante e comprimento L tem resistência elétri-
máxima de 4mA, sem que ocorra a fibrilação
ca R. Cortando-se o fio pela metade, sua re-
cardíaca, e que a terra seja um condutor de
sistência elétrica será igual a:
resistência elétrica nula. O indivíduo segura
o fio desemcapado com a mão esquerda. Sa- a) 2R.
bendo que a corrente percorre seu braço es- b) R/2.
querdo, seu tórax e suas duas pernas, cujas c) R/4.
resistências são iguais a, respectivamente, 700 d) 4R.
Ω, 300 Ω, 1.000 Ω e 1.000 Ω, e que , nessa e) R/3.
situação, apenas 8% da corrente total passam
pelo coração, em volts, a máxima diferença
17. Uma cidade consome 1,0.108 W de potên-
de potencial entre a mão esquerda e os pés
do indivíduo para que não ocorra a fibrilação cia e é alimentada por uma linha de transmis-
cardíaca. Despreze a parte fracionária de seu são de 1000 km de extensão, cuja voltagem,
resultado, caso exista. na entrada da cidade, é 100000volts. Esta li-
nha é constituída de cabos de alumínio cuja área
15. Nos períodos de estiagem em Brasília, é da seção reta total vale A = 5,26.10–6 m2. A
comum ocorrer o choque elétrico ao se tocar resistividade do alumínio é ρ = 2,63.10–8 Ω.m.
a carroceria de um carro ou a maçaneta de a) Qual a resistência dessa linha de trans-
42 uma porta em um local onde o piso é missão?
recoberto por carpete. Centelhas ou faíscas b) Qual a corrente total que passa pela li-
elétricas de cerca de um centímetro de com- nha de transmissão?
primento saltam entre os dedos das pessoas e c) Que potência é dissipada na linha?
Eletricidade Básica
18. Um barbeador elétrico, cujos dados nominais c) A intensidade do campo magnético no
são 120 V e 8 W, deve ser usado em uma tomada centro de uma espira circular independe
disponível de 240 V. Para não danificar o apare- do raio da espira.
lho, deve ser instalada em série com este barbea- d) Ao se dividir um imã em dois pedaços,
dor uma resistência cujo valor, em ohms, é: formam-se dois novos imãs.
a) 1800. e) O pólo norte de um imã tende a alinhar-
b) 1200. se com o sul magnético da Terra (norte
c) 900. geográfico da Terra).
d) 600.
22. Num transformador, a razão entre o núme-
19. Um rapaz cansado de ter seu rádio roubado ro de espiras no primário (N1) e o número de
ou ter de carregá-lo para todo lado, resolveu adap- espiras no secundário (N2) é N1/N2 = 10. Apli-
tar seu pequeno “walk-man” para ouvir música cando-se uma diferença de potencial alterna-
no carro. Um dos problemas é permitir que ele da V1 no primário, a diferença de potencial
possa ser alimentado eletricamente através do induzida no secundário é V2. Supondo tratar-
acendedor de cigarro, cuja tensão é 12 V. se de um transformador ideal, qual é a relação
Sabendo-se que o “walk-man” traz as se- entre V2 e V1?
guintes informações: 3 V e 12 mW, é CORRE- a) V2 = V1/100.
TO afirmar que: b) V2 = V1/10.
01) ele poderá resolver o problema com c) V2 = V1.
um transformador, com relação 4/1, d) V2 = 10 V1.
entre primário e secundário. e) V2 = 100 V1.
02) não será possível resolver o proble-
ma de alimentação. 23. O valor da indução magnética no interior
04) ele poderá ligar o aparelho com um de uma bobina em forma de tubo cilíndrico é
resistor de 0,25 Ω em paralelo. dado, aproximadamente, por B = µni, onde µ
08) ele poderá ligar o aparelho no acen- é a permeabilidade do meio, n o número de
dedor de cigarro com um resistor de espiras por unidade de comprimento e i é a
2,25 Ω em série. corrente elétrica. Uma bobina deste tipo é
16) ele poderá ligar o aparelho com um construída com um fio fino metálico de raio r,
capacitor de 12 µF em série. resistividade ρ e comprimento L. O fio é en-
rolado em torno de uma forma de raio R ob-
20. Assinale a opção que apresenta a afirmativa tendo-se assim uma bobina cilíndrica de uma
correta, a respeito de fenômenos eletromagnéticos. única camada, com as espiras uma ao lado da
a) É possível isolar os pólos de um imã. outra. A bobina é ligada aos terminais de uma
b) Imantar um corpo é fornecer elétrons a bateria ideal de força eletromotriz igual a V.
um de seus pólos e prótons ao outro. Neste caso pode-se afirmar que o valor de B
c) Ao redor de qualquer carga elétrica, dentro da bobina é:
existe um campo elétrico e um campo a) µπrV/2rL.
magnético. b) µπRV/2rL.
d) Cargas elétricas em movimento geram c) µπr2VL/2r.
um campo magnético. d) µπrV/2R2L.
e) As propriedades magnéticas de um imã e) µr2V/2R2L.
de aço aumentam com a temperatura.
24. A intensidade do campo magnético produzi-
21. Indique a alternativa errada: do no interior de um solenóide muito comprido
a) Dois fios longos e paralelos atraem-se percorrido por corrente depende basicamente:
quando estão passando por eles corren- a) só do número de espirais do solenóide.
tes elétricas no mesmo sentido. b) só da intensidade da corrente.
b) Dobrando-se ao mesmo tempo o núme- c) do diâmetro interno do solenóide. 43
ro de espiras e o comprimento de uma d) do número de espiras por unidade de
bobina solenóide, mantém-se inaltera- comprimento e da intensidade da cor-
do o valor do campo magnético no cen- rente.
tro da mesma. e) do comprimento do solenóide.
Eletricidade Básica
25. Uma espira quadrada de lado 0,30m é atra- (2) Mesmo nos períodos em que a gela-
vessada por um campo magnético uniforme per- deira estiver desligada, haverá corrente
pendicular ao plano da espira. O campo magné- elétrica circulando na bobina primá-
tico varia só em módulo, passando de um valor ria do transformador.
inicial igual a 0,20 T para um valor final igual (3) Suponha que o transformador seja des-
0,80 T num intervalo de tempo ∆t = 0,04 s. conectado da tomada e que sua bobi-
a) Calcule o fluxo do campo magnético na de 220 V seja conectada a um con-
através da espira no instante inicial e junto de 20 baterias de automóvel, de
no instante final. 12 V, ligadas em série. Nessa situação,
b) Se houvesse uma pequena abertura a geladeira será alimentada com uma
num dos lados da espira, determine a tensão igual a 120 V e funcionará nor-
diferença de potencial entre as extre- malmente.
midades dessas abertura, devido ao fe-
nômeno da indução no intervalo ∆t.
28. Considerando os conceitos e aplicações da
26. Um segmento retilíneo de fio conduz uma eletricidade e do magnetismo, examine a situ-
corrente elétrica “i”, em uma região onde existe ação física descrita em cada alternativa e a jus-
um campo magnético uniforme B vetorial. tificativa (em maiúsculo) que a segue. Consi-
Devido a este campo magnético, o fio fica sob dere corretas as alternativas em que a justifi-
o efeito de uma força de módulo F, cuja dire- cativa explica apropriadamente a situação.
ção é perpendicular ao fio e à direção B. ( ) Um transformador funciona com
O efeito ao qual se refere o enunciado corrente alternada porque a corren-
constitui o princípio de funcionamento de te no primário produz um fluxo mag-
a) motores elétricos. nético variável que gera uma força
b) aquecedores elétricos. eletromotriz induzida no secundário.
c) capacitores.
d) reostatos. ( ) O motor de um eletrodoméstico fun-
e) eletroscópios. ciona quando ligado à tomada por-
que ocorre dissipação de energia
27. Após ser eleito, um deputado federal mudou- por efeito Joule.
se da cidade do Rio de Janeiro para Brasília. Lá ( ) Dois fios metálicos paralelos percor-
chegando, constatou a necessidade de adquirir ridos por correntes de mesmo senti-
transformadores para poder utilizar os seus ele- do se atraem porque cargas de si-
trodomésticos na nova residência, já que a dife- nais contrários se atraem.
rença de potencial, também chamada de tensão
elétrica, é de 110 V, nas residências da cidade de ( ) Um elétron, ao passar próximo de
origem, e de 220 V, nas residências de Brasília. um fio percorrido por uma corrente,
Um transformador é um equipamento que per- sofre a ação de uma força perpendi-
mite a modificação da tensão aplicada aos seus ter- cular à sua velocidade porque a cor-
minais de entrada, podendo produzir, nos termi- rente no fio produz um campo mag-
nais de saída, uma tensão maior ou menor do que a nético ao seu redor, que atua sobre
de entrada. Do ponto de vista construtivo por duas o elétron.
bobinas independentes, enroladas sobre um núcleo ( ) Quando dois capacitores diferentes
de ferro. A bobina ligada à fonte de tensão (tomada
são ligados em paralelo à mesma ba-
residencial) é chamada de “primária” e a bobina
ligada aos eletrodomésticos, de “secundária”. teria, o de maior capacitância adquire
Com o auxílio das informações contidas no maior carga porque a carga num ca-
texto e focalizando o transformador ligado a uma pacitor é igual ao produto de sua
tomada para fornecer energia à geladeira da fa- capacitância pela diferença de po-
mília do deputado, julgue os itens seguintes. tencial entre suas placas.
(0) Ao alimentar a geladeira, o transfor-
mador converte energia elétrica em
44 29. Campos magnéticos podem estar presen-
energia mecânica.
(1) A potência que a bobina secundária tes de forma natural em alguns materiais, ou
do transformador fornece à geladeira podem ser gerados por meio da circulação de
é maior do que a potência que a bobi- correntes elétricas em condutores. Consideran-
na primária recebe. do-se a geração ou variação destes no tempo,
Eletricidade Básica
( ) a intensidade do campo magnético, 32. Em um campo de indução magnética uni-
no interior de um solenóide, é pro- forme (B = 1,0 T) temos uma espira retangu-
porcional ao produto do número de lar de área 1,0 m2. A espira pode girar em rela-
espiras por unidade de comprimento ção a um eixo que passa pelos centros de dois
pela corrente que circula na espira. lados opostos. Tal eixo é perpendicular as li-
( ) um observador, carregando um ímã nhas de indução. Inicialmente o plano da espira
com o pólo norte voltado para uma é normal ao campo magnético. Se girarmos a
espira circular e caminhando, ao lon- espira de 90o em torno do eixo descrito acima,
go de seu eixo, em direção a ela, ob- qual a fem induzida que nela aparecerá?
servará, nesta, o surgimento de uma
corrente induzida, no sentido horário. 33. Uma bobina retangular, com uma resistên-
cia total de 4,0 Ω, é constituída de 10 espiras de
( ) a força eletromotriz induzida é inver- (20 x 30) cm. Esta bobina está imersa em um
samente proporcional ao intervalo de campo magnético perpendicular ao seu plano,
tempo em que há variação de fluxo que varia uniformemente de 8,0 T a 16,0 T no
magnético. intervalo de tempo de 1,2 s.
( ) a intensidade do campo magnético, a) Qual a fem induzida na bobina?
gerado por uma corrente i, percor- b) Qual a intensidade da corrente que flui
rendo um fio retilíneo longo, é dire- na bobina?
tamente proporcional ao valor da
corrente i. 34. Um forno elétrico consome 7,5 A de uma
fonte de alimentação CC de 120 V.
30. Sabe-se que, em um transformador, não há, a) Qual o valor máximo de uma corrente
necessariamente, ligação elétrica entre o con- alternada capaz de produzir o mesmo
dutor do enrolamento primário e o do secundá- efeito térmico?
rio. Entretanto, a energia elétrica é transmitida b) Calcule a potência consumida da linha
do primário para o secundário. A partir destes CA.
fatos e dos conhecimentos sobre eletromagne-
35. Um enrolamento de superfície S = 3000 cm2
tismo, é correto afirmar:
contém 200 espiras e está em um movimento
01) A corrente elétrica do enrolamento de rotação dentro de um campo magnético uni-
secundário não influi no funciona- forme B = 1,5 x 10–2 T. A fem máxima no
mento do primário. enrolamento vale 1,5 V. Calcule o período de
02) O transformador só funciona com rotação do enrolamento.
corrente elétrica variável.
04) É a variação do fluxo do campo mag- 36. Sobre o sistema elétrico de uma refinaria
nético nos enrolamentos que permite de petróleo da Petrobras, temos os seguintes
a transmissão da energia elétrica. dados:
• 2 turbos geradores de 13,8 kV com ca-
08) A diferença de potencial nos termi-
pacidade total de 32 kW.
nais do enrolamento secundário é • Tensão de entrada da concessionária
sempre menor que a diferença de po- fornecedora de energia: 69 kV.
tencial nos terminais do primário. • Tensão de alimentação dos motores de
16) A corrente elétrica é sempre a mes- potência igual a 150 hp: 2400 V
ma nos enrolamentos primários e se- • Tensão de alimentação dos motores até
cundário. 125 hp: 480 V.
• Tensão de alimentação dos circuitos de
iluminação: 120 V.

31. Uma bobina chata é formada de 200 espiras a) Projete transformadores que façam as
de 4 cm de raio e está colocada em um campo reduções de tensão necessárias para o 45
magnético uniforme. Determine a fem induzida funcionamento da refinaria. Utilize tan-
nesta bobina quando a intensidade do campo to a tensão dos turbo geradores da re-
magnético, que é perpendicular ao plano da bo- finaria, como a fornecida pela conces-
bina, varia numa taxa de 0,01 T/s. sionária local.
Eletricidade Básica
b) Projete um alternador que produza a 48. Conceitue: Impedância, Reatância, Capa-
voltagem fornecida pelos turbo gerado- citância e Relutância.
res. Dimensione a armadura (dimen-
sões, número de espiras) e também o 49. Com relação a equipamentos elétricos per-
campo magnético estacionário no qual gunta-se:
a armadura vai rotacionar. Por que na especificação de um transfor-
c) Estime qual o valor de pico da corrente mador, normalmente especifica-se a potência
fornecida por cada turbo gerador. aparente (MVA ou KVA), ao invés de especi-
ficar-se a potência ativa(MW ou KW)?
37. Um gerador elétrico consiste em 100
espiras de fio formando uma bobina retangu- 50. Quais as vantagens do aterramento do neu-
lar de 50 cm por 30 cm, imersa em um campo tro num sistema elétrico?
magnético uniforme de 3,5 T.
a) Qual será o valor máximo da fem 51. Qual a inconveniência de se colocar dois
induzida no gerador quando a bobina transformadores em paralelo, quando a única
começar a girar a 1000 rpm? diferença entre eles for as impedâncias?

38. Para que serve a tensão contínua que se apli- 52. Que condições devem ser observadas para
ca no enrolamento do rotor do gerador? se colocar duas fontes de energia elétrica em
paralelo?
39. Qual a influência da corrente de excita-
ção no valor da tensão gerada? 53. A respeito do fator de potência pergunta-se:
a) Quais as causas do baixo fator de po-
tência em um sistema elétrico?
40. O que significa "Sistema Trifásico Equi-
b) Quais as desvantagens do baixo fator
librado"?
de potência?
41. Qual a relação que existe entre o número 54. Um fato que pode facilmente ser observa-
de espiras e a tensão em um transformador? do é que caminhões que transportam combus-
tíveis sempre têm um cabo ou fita metálica li-
42. Por que, ao abrirmos o secundário de um gando um ponto do chassis ao chão. Utlizando
transformador de corrente, aparecem em seus seus conhecimentos de eletrização, explique a
terminais uma sobretensão e aquecimento? necessidade desta ligação.

43. Qual a influência da poeira e umidade so- 55. Por que não aparece tensão no secundário
bre a isolação de equipamentos elétricos? de um transformador, quando aplicada uma
tensão contínua no primário?
44. Quais são os danos que um mau contato
pode causar para um sistema , quando este es- 56. Marque (V) para verdadeiro e (F) para fal-
tiver em circuito de força? E quando estiver so nas afirmativas abaixo:
em circuito de proteção e controle? ( ) A resistência elétrica de um condutor
depende do material que o constitui.
45. Qual o comportamento de um capacitor, ( ) A resistência elétrica de um condu-
no instante em que é ligada uma fonte de cor- tor é diretamente proporcional à sua
rente contínua? E após intervalo superior a 4 seção transversal (bitola).
(quatro) constantes de tempo? ( ) A temperatura não exerce influência na
resistência elétrica de um condutor.
46. O que caracteriza o cobre como melhor ( ) Quanto maior a tensão, maior a re-
condutor de eletricidade que o alumínio? sistência elétrica de um condutor.

57. Um operador, usando botas de borracha


46 47. Um equipamento qualquer dissipa 2500 W,
molhadas, tocou um trecho de tubulação ele-
quando ligado a uma rede de 120 V. Qual será trizado com uma determinada carga e sofreu
a potência desse mesmo equipamento, se a sua um choque. Se ele estivesse usando botas se-
resistência for cortada ao meio? Considere o cas de borracha, também tomaria o choque?
equipamento composto de carga resistiva. Por quê?
Eletricidade Básica
58. Como podemos obter uma fonte (ou gera- A barra de sicronismo une as 3 linhas de
dor) de corrente contínua de 12 V, utilizando recepção de eletricidade, uma da concessio-
pilhas de 1,5 V? Desenhe o circuito ligando nária de energia local e as outras duas de dois
esta fonte a uma lâmpada, através de uma cha- turbogeradores da própria refinaria. Entre cada
ve (interruptor). uma das 3 fontes e a barra de sincronismo,
notamos a presença de grandes bobinas, for-
59. Explique as vantagens do uso de corrente mando uma espécie de proteção em caso de
alternada em uma refinaria. curto-circuito na rede da concessionária. Qual
a utilidade de tais bobinas como proteção?
60. Por que se usa corrente contínua em uma
refinaria? 63. Quais as desvantagens de um baixo fator
de potência?
61. Em uma refinaria, é queimado RASF (Re-
síduo Asfáltico). Antes da queima, o RASF 64. Um gerador em uma refinaria fornece uma
passa por um aquecedor elétrico constituído potência de 16 MW quando está em um circui-
por serpentinas. Para variar a temperatura do to elétrico, com fator de potência cos ϕ = 0,85.
RASF, a tensão fornecida pelo aquecedor va- Ao se instalar um banco de capacitores no sis-
ria de 50% a 100%. Considerando a resistên- tema, o fator de potência passou para 0,92.
cia das serpentinas constante, qual a potência Qual foi o ganho na potência fornecida
mínima, em percentagem, fornecida pelo aque- pelo gerador?
cedor ligado?
65. Em uma linha de transmissão, temos um
62. O sistema de alimentação de uma refina- fator de potência igual a 0,8. Discuta como o
ria é ilustrado na figura abaixo: aumento do fator de potência poderia tornar a
transmissão mais eficiente.

69 kV

TG 1 TG 2
13,8 kV

02 01 04 06 07 15 16 19

Barra “U” Barra “A” Barra “B”

Consumidores Consumidores Consumidores Banco de


Capacitores

Anotações

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Eletricidade Básica

48
Eletricidade Básica

49
Eletricidade Básica

Principios Éticos da Petrobras


A honestidade, a dignidade, o respeito, a lealdade, o
decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos princípios
éticos são os valores maiores que orientam a relação da
Petrobras com seus empregados, clientes, concorrentes,
parceiros, fornecedores, acionistas, Governo e demais
segmentos da sociedade.

A atuação da Companhia busca atingir níveis crescentes


de competitividade e lucratividade, sem descuidar da
busca do bem comum, que é traduzido pela valorização
de seus empregados enquanto seres humanos, pelo
respeito ao meio ambiente, pela observância às normas
de segurança e por sua contribuição ao desenvolvimento
nacional.

As informações veiculadas interna ou externamente pela


Companhia devem ser verdadeiras, visando a uma
relação de respeito e transparência com seus
empregados e a sociedade.

A Petrobras considera que a vida particular dos


empregados é um assunto pessoal, desde que as
atividades deles não prejudiquem a imagem ou os
interesses da Companhia.

Na Petrobras, as decisões são pautadas no resultado do


julgamento, considerando a justiça, legalidade,
competência e honestidade.

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