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DIREITO EMPRESARIAL I – P2

SUMÁRIO

1. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (EIRELI) ....................................................... 2


1.1. Nomenclatura ......................................................................................................................................... 2
1.2. Exigência do capital mínimo ................................................................................................................... 2
1.3. Natureza jurídica .................................................................................................................................... 3
1.4. Nome empresarial .................................................................................................................................. 3
2. DIREITO SOCIETÁRIO .......................................................................................................................... 3
2.1. Sociedade empresária x Sociedade simples ........................................................................................... 4
2.2. Tipos de sociedade (art. 983, CC) ........................................................................................................... 4
2.3. Classificação das sociedades empresárias.............................................................................................. 5
2.4. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS ...................................................................................................... 6
2.4.1. SOCIEDADE EM COMUM ................................................................................................................. 7
2.4.1.1. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NA SOC. EM COMUM – ART. 990, CC ................................ 7
2.4.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO ..................................................................................... 8
2.5. SOCIEDADES PERSONIFICADAS............................................................................................................... 9
2.5.1. SOCIEDADE SIMPLES PURA (“SIMPLES SIMPLES”) - Arts. 997 a 1038, CC ..................................... 10
2.5.1.1. CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE SIMPLES ........................................................................ 10
2.5.1.2. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.......................................................................................... 12
2.5.1.3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES ...................................................................... 13
2.5.1.4. DISTRIBUIÇÃO DOS RESULTADOS.......................................................................................... 15
2.5.1.5. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS .......................................................................................... 16
2.5.1.6. ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL (ART. 999, CC) .............................................................. 16
2.5.1.7. DIREITOS E DEVERES DOS SÓCIOS ......................................................................................... 17
2.5.1.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS ......................................................................................................... 17
2.5.2. SOCIEDADE LIMITADA ................................................................................................................... 18
2.5.2.1. CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE LIMITADA ...................................................................... 19
2.5.2.2. CAPITAL SOCIAL (ART. 997, III, CC) ........................................................................................ 20
2.5.2.3. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE.......................................................................................... 23
2.5.2.4. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES ...................................................................... 24
2.5.2.5. DISTRIBUIÇÃO DOS RESULTADOS.......................................................................................... 26
2.5.2.6. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS .......................................................................................... 27
2.5.2.7. ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL ...................................................................................... 28
2.5.2.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS ......................................................................................................... 28
1. EMPRESA INDIVIDUAL DE RESPONSABILIDADE LIMITADA (EIRELI)
- Nova figura de pessoa jurídica criada por meio da Lei n. 12.441/2011, que alterou e
acrescentou artigos no CC.

- Objetivos: 1. Estimular o empreendedorismo;

2. Acabar com a prática, comum no Brasil, de constituição de sociedades


limitadas em que um dos sócios tem percentual ínfimo do capital social
(geralmente 1%) e nenhuma participação na gestão dos negócios sociais. Em
outras palavras, uma pessoa, que na verdade é um empresário individual,
simula constituir uma sociedade com outra pessoa, sendo que esta na
realidade não tem nenhuma participação.

1.1. Nomenclatura
- A correta nomenclatura dessa figura seria “empresário individual de responsabilidade
limitada” ou “sociedade limitada unipessoal” ou então “empresário individual de
responsabilidade limitada”, entretanto, o legislador optou por chamar o instituto de
“empresa individual de responsabilidade limitada”, ignorando a diferença entre empresário
(pessoa que exerce a atividade econômica organizada) e empresa (atividade econômica
organizada desenvolvida).

1. No primeiro caso, a pessoa física, ao iniciar o exercício de sua atividade


empresarial, constituiria um patrimônio de afetação, que não se confundiria com
seu patrimônio pessoal, e o registraria na Junta Comercial. Assim, todas as
dívidas da empresa seriam executadas, a princípio, apenas no patrimônio de
afetação.

2. Já no segundo caso, seria suprimida a exigência de pluralidade sócios para


constituição da sociedade limitada, para que uma pessoa sozinha fosse titular
de 100% das quotas do capital social. E, assim, o patrimônio social, não se
confundiria com seu patrimônio pessoal, o qual não poderia, a princípio, ser
executado por dívidas sociais.

OBS: Em ambos os casos seria possível a execução do patrimônio pessoal do


empreendedor em observância da regra contida no art. 50, do CC.

1.2. Exigência do capital mínimo

- Art. 980-A, caput, CC – Para uma pessoa constituir uma EIRELI é exigido um capital
mínimo igual ou superior a 100 vezes o valor do maior salário mínimo vigente no país
– Atualmente seria necessário no mínimo R$ 95.400,00.

- Regra polêmica – é objeto da ADI 4.637 no STF. – MPF opinou pela improcedência da
ação.

- Enunciado 4 da I Jornada de Direito Comercial: Uma vez integralizado o capital da


EIRELI, este não será afetado pelas posteriores alterações no salário mínimo.
1.3. Natureza jurídica

- Art. 44, VI, CC – Pessoa jurídica de direito privado.

- Enunciado 3 da I Jornada de Direito Comercial: A EIRELI não é sociedade unipessoal,


mas um novo ente, distinto da pessoa do empresário e da sociedade empresária.

- Há doutrinadores que entendem que o simples fato de estar inserida no art. 44 não torna
a EIRELI nova espécie de pessoa jurídica direito privado – Entendimento minoritário.

1.4. Nome empresarial

- Art. 980-A: A EIRELI pode utilizar tanto a firma quanto a denominação, bastando
acrescentar a expressão EIRELI ao final.

1.5. Veto ao §4º do art. 980-A e a aplicação do §6º


- §4º, do art. 980-A: Somente o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da
empresa individual de responsabilidade limitada, não se confundindo em qualquer situação
com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, conforme descrito em sua declaração
anual de bens entregue ao órgão competente. – FOI VETADO

- Vetado sob a seguinte justificativa: Não obstante o mérito da proposta, o dispositivo traz
a expressão ‘em qualquer situação’, que pode gerar divergências quanto à aplicação das
hipóteses gerais de desconsideração da personalidade jurídica, previstas no art. 50 do
Código Civil. Assim, e por força do § 6.º do projeto de lei, aplicar-se-á à EIRELI as regras
da sociedade limitada, inclusive quanto à separação do patrimônio.

- Mesmo após esse veto, o patrimônio da EIRELI e o patrimônio pessoal do empreendedor


não se confundem, em razão da aplicação do §6º do art. 980-A, que preconiza a aplicação
das regras da sociedade limitada à EIRELI.

- Enunciado 470 da V Jornada de Direito Civil: Art. 980-A. O patrimônio da empresa


individual de responsabilidade limitada responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se
confundindo com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo da aplicação
do instituto da desconsideração da personalidade jurídica.

2. DIREITO SOCIETÁRIO
- É o estudo das sociedades.

- Sociedade é uma pessoa jurídica de direito privado decorrente da união de


pessoas, que possuem fins econômicos, ou seja, são constituídas com a finalidade
de exploração de uma atividade econômica e repartição dos lucros entre seus
membros. – art. 981, CC.
2.1. Sociedade empresária x Sociedade simples

- Nem toda atividade econômica é uma atividade empresarial, pois para que esta
fique caracterizada é necessário o elemento de organização dos fatores de
produção.

- Portanto, nem toda sociedade é empresária.

- As sociedades podem ser classificadas em:

1. Sociedade simples: Exploram atividade econômica não empresarial, ou seja,


exercem profissionalmente atividade econômica, porém não possuem organização
de fatores de produção.

 Objeto social: exercício de atividade econômica não empresarial.


 É a sociedade formada por profissionais intelectuais cujo objeto social é a
exploração da respectiva profissão intelectual dos seus sócios.
 Exceção: Art. 966, parágrafo único, CC: A sociedade que tiver como objeto
social o exercício da profissão intelectual de seus sócios e esta constituir
elemento de empresa, ou seja, for explorada com empresarialidade
(organização de fatores de produção), serão consideradas sociedades
empresárias.

2. Sociedades empresárias: exploram atividade empresarial, ou seja, exercem


profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou circulação
de bens ou de serviços.

 Objeto social: exercício de empresa (atividade econômica organizada de


prestação ou circulação de bens ou serviços).

2.2. Tipos de sociedade (art. 983, CC)

- Sociedade empresária

 Sociedade em nome coletivo (arts. 1.039 a 1.044, CC);


 Sociedade em comandita simples (arts. 1.045 a 1.051, CC);
 Sociedade limitada (arts. 1.052 a 1.087, CC);
 Sociedade anônima (arts. 1.088 a 1.089, CC, c/c Lei 6.404/1976);
 Sociedade em comandita por ações (arts. 1.090 a 1.092, CC).

- Sociedade simples

 Sociedade simples pura ou simples simples (arts. 997 a 1.038, CC);


 Sociedade em nome coletivo (arts. 1.039 a 1.044, CC);
 Sociedade em comandita simples (arts. 1.045 a 1.051, CC);
 Sociedade limitada (arts. 1.052 a 1.087, CC).
 Sociedade cooperativa – é sempre considerada uma sociedade simples,
independentemente de seu objeto social – art. 982, parágrafo único, CC.

OBS: A sociedade simples não poderá se organizar sob as normas da


sociedade em comandita por ações – art. 982, parágrafo único, CC.

- No livro tem umas coisas aleatórias – ver se o Macena passou.

2.3. Classificação das sociedades empresárias

a) Quanto à responsabilidade dos sócios:

- Ilimitada;

 Sociedade em nome coletivo.

- Limitada;

 Sociedade anônima;
 Sociedade limitada.

- Mista – um sócio tem a responsabilidade limitada e outro ilimitado.

 Sociedade em comandita simples;


 Sociedade em comandita por ações.

OBS: A responsabilidade da sociedade é sempre ilimitada.

b) Quanto ao seu regime de constituição e dissolução:

- Contratuais – constituídas por meio de contrato social e dissolvida segundo


as regras previstas no CC;

 Sociedade em nome coletivo;


 Sociedade em comandita simples;
 Sociedade limitada.

OBS: A autonomia da vontade dos sócios para a constituição do vínculo


societário é máxima, desde que não desnaturem o tipo societário escolhido.
- Institucionais – constituídas por um ato institucional ou estatuário e
dissolvidas segundo as regras da Lei 6.404/1976.

 Sociedade anônima;
 Sociedade em comandita por ações.

OBS: O estatuto social não cuida do interesse particular dos sócios, mas sim
do interesse geral da sociedade. Portanto, a vontade dos sócios na
formalização do ato constitutivo é mínima, prevalecendo a intervenção do
legislador.

c) Quanto à composição:

- de pessoas (intuitu personae): é quando a figura do sócio é muito importante,


interferindo até mesmo no sucesso do empreendimento, tal como um chef de
cozinha que também seja sócio do restaurante.

 Sociedade em nome coletivo;


 Sociedade em comandita simples (quanto ao sócio comanditado);
 Sociedade limitada (salvo previsão em sentido contrário no contrato
social).

OBS: A entrada de um estranho ao quadro social depende do consentimento


dos demais sócios.

- de capital (intuitu pecuniae): o papel do sócio não é muito importante, mas


sim sua contribuição ao capital social. Logo, a troca de sócios não interfere muito no
empreendimento.

 Sociedade em comandita simples (quanto ao sócio comanditário);


 Sociedade anônima;
 Sociedade em comandita por ações.

OBS: A entrada de um estranho no quadro social independe do consentimento


dos demais sócios.

ATENÇÃO! – Atualmente uma sociedade limitada pode ser de capital, assim como
uma sociedade anônima pode ser de pessoas.

2.4. SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS

- São as sociedades não registradas.

- Podem ter objeto social de natureza civil ou empresarial.


- Enunciado 208, CJF.

- Neste grupo está a sociedade em comum e a sociedade em conta de participação.

2.4.1. SOCIEDADE EM COMUM


- Também chamada de sociedade irregular ou sociedade de fato.

ATENÇÃO! – Há quem entenda que sociedade em comum, sociedade de


fato e sociedade irregular são coisas distintas.

- Segundo André Luiz Santa Cruz:

1. Sociedade de fato: é a sociedade sem contrato escrito, que já exerce


suas atividades sem nenhum indício de que seus sócios estejam tomando
providencias para sua regularização.

2. Sociedade em comum: é a sociedade contratual em formação, ou


seja, está se preparando para se registrar.

3. Sociedade irregular: é a sociedade com contrato escrito e


registrado, que já iniciou suas atividades, mas que apresenta alguma
irregularidade superveniente ao registro.

- Porém, nada impede que as regras da sociedade em comum sejam


aplicadas às sociedades de fato e irregulares, por analogia. – Enunciado
383, CJF.

- É a sociedade que ainda não se registrou na Junta Comercial (sociedade


empresária) ou no Cartório de Registro Civil de Pessoas Jurídicas (sociedade
simples).

- A sociedade existe desde o momento em que os sócios decidem constituir a


sociedade (p. ex., assinatura do contrato social), embora ainda não tenha
personalidade jurídica.

- Art. 987, CC: Prova da existência da sociedade em comum - Os sócios, nas


relações entre si ou com terceiros, só podem provar por meio escrito, já os terceiros
podem prová-la de qualquer modo.

2.4.1.1. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS NA SOC. EM COMUM – ART. 990,


CC

- É de responsabilidade ilimitada, porém subsidiária, dos sócios em geral.

- Benefício de ordem (art. 1024, CC), em outras palavras, primeiro se


executa os bens sociais, para depois executar os dos sócios de forma
ilimitada.
- A responsabilidade será ilimitada e direta para o sócio que contratou pela
sociedade.

- O sócio que contratou pela sociedade, ou seja, aquele que assinou contratos
etc., estará excluído do benefício de ordem (art. 1024, CC).

- Enunciados 210 e 212, CFJ: Estabelece como identificar o patrimônio da


sociedade em comum, visto que esta não possui bens em seu nome já que não foi
constituída a PJ.

2.4.2. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO


- É chamada de sociedade secreta.

- Não se trata propriamente de uma sociedade, mas sim de um contrato especial


de investimento.

- Não possui nome empresarial.

- Possui duas categorias distintas:

1. Sócio ostensivo;

2. Sócio participante (sócio oculto).

- Art. 991, CC: A atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo
sócio ostensivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva
responsabilidade, participando os demais dos resultados correspondentes.

- Esta “sociedade” só existe internamente, ou seja, entre os sócios.

- Externamente, ou seja, perante terceiros, só aparece o sócio ostensivo, o qual


exerce em seu nome individual a atividade empresarial e responde sozinho pelas
obrigações contraídas.

- Os sócios participantes/ocultos não aparecem nas relações com terceiros. – Art.


991, CC.

- Se o sócio participante em algum momento “aparecer” perante terceiros, ou seja,


agir como sócio ostensivo, responderá solidariamente junto a este pela negociação
que praticou – Art. 993, parágrafo único, CC.

- Art. 994, §2º, CC: A falência do sócio ostensivo, por ser ele que exerce o objeto
social, acarreta na dissolução da sociedade e a liquidação da respectiva conta, cujo
saldo constituirá crédito quirografário, a ser habilitado no processo falimentar.

- Art. 994, §3º, CC: Se o sócio participante falir o contrato social ficará sujeito às
normas que regulam os efeitos da falência nos contratos bilaterais do falido.
- Art. 992, CC: As sociedades em conta de participação são informais, por isso
independe de qualquer formalidade e pode ser provada por todos os meios de
direito.

- Art. 993, CC: A sociedade em conta de participação não possui personalidade


jurídica, mesmo que seu contrato seja escrito e registrado.

OBS: Produz efeitos somente entre os sócios.

- Por não ter personalidade jurídica, não possui patrimônio social, mas conforme
determina o art. 994, do CC, a contribuição do sócio participante e do ostensivo
constitui patrimônio especial.

ATENÇÃO! – A atividade é exercida unicamente pelo sócio ostensivo,


portanto, esse patrimônio especial somente produz efeitos em relação aos
sócios. Perante terceiros, quem responde é o sócio ostensivo.

OBS: O sócio ostensivo deve utilizar esse patrimônio especial a que se refere
o art. 994, CC, para a consecução do fim almejado pela sociedade, conforme
descrito no contrato social.

- Art. 995, CC: Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir
novo sócio sem o consentimento expresso dos demais.

- Art. 996, CC: Aplica-se à sociedade em conta de participação subsidiariamente


e no que com ela for compatível o disposto para a sociedade simples. Já a sua
liquidação rege-se pelas normas relativas à prestação de contas.

2.5. SOCIEDADES PERSONIFICADAS


- São as sociedades registradas.

- São reconhecidas como sujeitos de direitos, ou seja, é dotada de personalidade


distinta de seus sócios e com patrimônio próprio também, com a possibilidade de
adquirir direitos e contrair obrigações.

- É a própria sociedade que exerce a atividade empresarial e não os sócios que a


integram.

- É a própria sociedade que responde pelas suas obrigações sociais.

 Princípio da autonomia patrimonial das pessoas jurídicas – art. 1024, CC


.
 Este princípio não é absoluto, é possível a desconsideração da
personalidade jurídica nos casos previstos em lei (art. 50, CC).
2.5.1. SOCIEDADE SIMPLES PURA (“SIMPLES SIMPLES”) - Arts. 997 a
1038, CC

- A sociedade simples tem por objeto social o exercício de atividade não


empresarial.

- Não possui organização dos fatores de produção ao exercer uma


atividade econômica profissionalmente.

- Exemplo 1: Sociedades formadas por profissionais intelectuais (médicos,


advogados, pintores, músicos etc.), cujo objeto social é a exploração da
própria atividade intelectual de seus sócios.

- Exemplo 2: Sociedade cujo objeto social é o exercício de atividade


econômica rural, desde que seus sócios registrem a empresa no Cartório, pois
se registrar na Junta Comercial será considerada uma sociedade empresária
– art. 984, CC.

- Art. 983, CC: A sociedade simples pode ser constituída em conformidade


com as regras de qualquer sociedade empresária prevista arts. 1039 a 1092,
CC) ou então sob as regras que lhe é são próprias (arts. 997 a 1038, CC).

 Se a sociedade simples utilizar as regras que lhe são próprias (arts.


997 a 1038, CC), será chamada de sociedade simples pura ou
sociedade simples simples.

 A sociedade simples poderá ser constituída apenas sob os moldes


da sociedade limitada, em nome coletivo ou em comandita
simples.

- Nunca nos moldes da sociedade anônima e da sociedade


em comandita por ações – art. 982, parágrafo único, CC.

2.5.1.1. CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE SIMPLES

- A sociedade simples é uma sociedade contratual, ou seja, é constituída por


meio de um contrato social e tem seu regime de constituição e dissolução
previsto no CC.

- Contrato social tem natureza jurídica contratual, porém, também é um


contrato sui generis. (?)

- Segundo Ascarelli é também um contrato plurilateral, tendo como


características as seguintes:
a) Várias pessoas podem integrar o contrato social;

OBS: As partes do contrato social possuem direitos e deveres não


apenas com terceiros, mas também com os próprios integrantes do
contrato.

b) affectio societatis (união de esforços em torno de um objetivo em


comum).

- Art. 997, CC – Rol exemplificativo das indicações do que deve conter no


contrato social.
- Enunciado 214.

- O contrato social deve ser escrito, pois deverá ser levado a registro no
Cartório de Registro de Civil das Pessoas Jurídicas, no caso as sociedade
simples pura. – art. 1150, CC.

- Somente adquirirá personalidade jurídica e dar início às suas atividades após


o registro.
- Art. 998, CC: Prazo para registro: 30 dias, contado a partir de sua
constituição deverá requerer o registro.

- Art. 997, I e II, CC: O contrato social deve qualificar os sócios (que podem
ser PF ou PJ), bem como deve qualificar a própria sociedade.

OBS: Apesar do II falar apenas em denominação, a sociedade simples


também pode usar a firma - Enunciado 213.
ATENÇÃO! – A localização da sede definirá o Cartório em que será feito o
registro do contrato social.
- Art. 997, III, CC: Capital social – deve vir no contrato social, expresso em moeda
corrente nacional, podendo compreender qualquer espécie de bens, suscetíveis de
avaliação pecuniária (bens móveis, imóveis ou semoventes; materiais ou imateriais).

- Definição: É o montante de contribuições dos sócios para a sociedade, a


fim de que ela possa cumprir seu objeto social.

- Art. 997, IV, CC: Subscrição e integralização das quotas: o contrato social deve
mencionar a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la.

 Numa sociedade simples pura, o capital é dividido em quotas, e todos os


sócios tem o dever de subscrever parcela do capital social (o que lhes
conferirá um número x de quotas) e de integralizar (ou realizar) essa
parcela subscrita, ou seja, contribuir efetivamente no valor das quotas
adquiridas. – Em outras palavras, todo sócio tem o dever de adquirir
quotas da sociedade e de pagar por essas respectivas quotas.
 Trata-se de um requisito especial de validade do contrato social, pois
todos os sócios devem contribuir para que a sociedade alcance o fim
almejado que é o exercício do objeto social.

 Efetivar a contribuição prometida no tempo e na forma estabelecida no


contrato social é o principal dever de qualquer sócio.

 Modo de integralizar a respectiva quota do sócio:

 Bens (móveis ou imóveis, materiais ou imateriais) - Os bens devem


ser suscetíveis de avaliação pecuniária, caso contrário responde
por evicção – art. 1005, 1ª parte, CC;
 Dinheiro;
 Crédito - Nesse caso, o sócio responde pela solvência do devedor
– art. 1005, in fine, CC;
 Prestação de serviços (Enunciado 206, CJF) e art. 997, V, CC -
O sócio que integralizar sua quota por meio de prestação de
serviços, não pode fazê-lo, salvo convenção em contrário,
empregando-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de
ser privado de seus lucros e dela excluído – art. 1006, CC.

ATENÇÃO! – Os sócios são obrigados a efetivar sua contribuição na forma e no


prazo previsto no contrato social e caso não o faça nos 30 dias seguintes a
notificação pela sociedade, responderá perante a sociedade pelo dano emergente
da mora. – art. 1004, CC.

O sócio que está em mora quanto à integralização de suas quotas é


chamado de sócio remisso.

 Art. 1004, parágrafo único, CC: Verificada a mora, poderá a


maioria dos demais sócios preferir, em vez da indenização, a
exclusão do sócio remisso ou reduzir-lhe a quota ao montante
já realizado – A exclusão é extrajudicial, sem necessidade do Poder
Judiciário.

- Em ambos os casos, se os demais sócios não suprirem o


valor da quota não paga, o capital social será reduzido (art.
1031, §1º, CC).

- No caso de exclusão do sócio remisso – Enunciado 62,


CJF.

2.5.1.2. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE

- Art. 1022. CC – A sociedade adquire direitos, assume obrigações e procede


judicialmente, por meio de administradores com poderes especiais, ou, não os
havendo, por intermédio de qualquer administrador.
- Art. 1011, §2º, CC – Aplicam-se à atividade dos administradores, no que couber,
as disposições concernentes ao mandato.

- Art. 997, VI, CC: O contrato social deve mencionar as pessoas naturais incumbidas
da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições.

ATENÇÃO! - A sociedade simples pura NÃO pode ser administrada por


pessoa jurídica, bem como as pessoas do art. 1011, §1º, CC.

OBS: Caso no contrato social não esteja estabelecendo quais os poderes e


atribuições, há regras no próprio CC que suprem eventual omissão
contratual.

OBS 2: Caso não designe expressamente seus administradores, a


administração da sociedade cabe a cada um dos sócios separadamente –
art. 1013, CC.

OBS 3: Art. 1015, CC - Caso o contrato social da sociedade simples pura


silencie sobre os poderes e atribuições dos seus administradores, entende-
se que estes podem praticar todos e quaisquer atos pertinentes à gestão
da sociedade, salvo oneração ou alienação de bens imóveis, o que só
poderão fazer se tais atos constituírem o próprio objeto da sociedade, caso
contrário, cabe apenas a maioria dos sócios decidir.

2.5.1.3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES

- A atividade do administrador é personalíssima, não podendo outrem exercer suas


funções.

OBS: O máximo que se permite é a delegação de certas atividades a


mandatários – art. 1018, CC.

- Art. 1013, §1º, CC: Se houver vários administradores, cada um pode impugnar a
operação pretendida por outro, cabendo a decisão aos sócios por maioria dos votos.

- Art. 1013, §2º, CC: Responde por perdas e danos perante a sociedade o
administrador que realizar operações, sabendo ou que deveria saber que estava
agindo em desacordo com a maioria.

- Art. 1014, CC: Nos atos de competência conjunta de vários administradores, é


necessário o concurso de todos, salvo em caso de urgência, em que a omissão ou
retardo das providencias possa ocasionar dano irreparável ou grave.

- Art. 1012, CC: É possível que os sócios, embora não tenham designado
administrador no próprio contrato social, o faça em ato separado posteriormente.
Atentando-se que é preciso a averbação do ato no órgão de registro da sociedade.

OBS: O administrador que praticar atos antes de requerer a averbação,


responde pessoal e solidariamente com a sociedade.

- Art. 1019, CC: Os poderes de administração serão:

1. Irrevogáveis: Os poderes do administrador nomeado no contrato social


e que seja também sócio da sociedade são, em princípio, irrevogáveis,
salvo por decisão judicial que reconheça a ocorrência de justa causa para a
revogação.

2. Revogáveis: Os poderes do administrador não sócio, nomeado no


contrato social, ou do administrador nomeado em ato separado, ainda que
sócio, são revogáveis a qualquer tempo pela vontade dos demais.

- Art. 1015, parágrafo único, CC: Em regra, se o administrador exceder no uso de


seus poderes, quem responde é a sociedade. Excepcionalmente a sociedade pode
opor o excesso contra terceiros, desde que ocorra uma das hipóteses TAXATIVAS
do dispositivo supracitado.

OBS: Nas situações em que a sociedade não puder opor a terceiros o


excesso dos administradores, ela é quem terá que responder. Porém, nada
impede que se volte contra eles, em ação regressiva.

 Hipóteses em que será afastada a responsabilidade:

I. Se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro


próprio da sociedade, que no caso da sociedade simples pura é o
Cartório de Registro de PJ. – Nesse caso, os sócios deram a devida
publicidade ao ato, razão pela qual terceiros não podem alegar seu
desconhecimento, pois se presume que os terceiros sabiam ou no
mínimo deveriam saber da limitação de poderes dos administradores. A
sociedade exime-se, portanto, de qualquer ato abusivo de seus
administradores.

II. Se ficar provado que a limitação de poderes era conhecida do


terceiro – A sociedade, apesar de não ter devidamente registrado a
limitação de poderes dos administradores, deve provar que o terceiro
conhecia de tal limitação, caso contrário responderá pelo excesso dos
administradores.

III. O administrador pratica atos em nome da sociedade, assumindo


obrigações em operações evidentemente estranhas ao objeto social
da sociedade, nesse caso da presume-se o excesso de poderes.

- Na situação em comente, entende-se que bastaria o credor se


atentar a compatibilidade do ato praticado com o objeto da
sociedade – Teoria ultra vires.

- Enunciado 219, CJF.


ATENÇÃO! – Caso alguma dessas hipóteses ocorra, caberá aos terceiros cobrarem
as obrigações decorrentes do ato excessivo diretamente do administrador que o
praticou.

ATENÇÃO 2! – Enunciado 11, CJF: O art. 1015, parágrafo único, do CC deve ser
aplicado em consonância com a teoria da aparência e do princípio da boa-fé objetiva,
de modo que a sociedade continua obrigada perante terceiros de boa-fé.

- Art. 1016, CC: Se o administrador agir com culpa no desempenho de suas funções,
seja ao praticar ato regular de sua atribuição seja por excesso de poderes, ele
responderá tanto perante terceiros prejudicados como perante a sociedade.

OBS: Se houver mais de um administrador que agiram com culpa no


desempenho de suas funções, todos responderão solidariamente.

OBS 2: Nessas situações, os terceiros podem cobrar diretamente do


administrador. Porém, caso cobrem a sociedade, ela responderá e
posteriormente poderá exercer seu direito de regresso contra o
administrador culpado.

- Art. 1017, CC: o administrador que, sem consentimento escrito dos sócios, aplicar
créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros, terá de restituí-los à
sociedade, ou pagar o equivalente, com todos os lucros resultantes, e, se houver
prejuízo, por ele também responderá.

 Art. 1017, parágrafo único, CC: Também ficará sujeito às sanções o


administrador que tome parte em operação que seja de interesse
contrário ao da sociedade.

- Art. 1020, CC: os administradores são obrigados a prestar, aos sócios, contas
justificadas de sua administração, e apresentar-lhes o inventário anualmente, bem
como o balanço patrimonial e o de resultado econômico.

OBS: O levantamento anual do balanço patrimonial e resultado


econômico. Configurando até mesmo dever legal de escrituração – art.
1179, CC.

- Art. 1021, CC: salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a
qualquer tempo, examinar os livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira
da sociedade.

2.5.1.4. DISTRIBUIÇÃO DOS RESULTADOS

- Art. 997, VII, CC: Participação de cada sócio nos lucros e nas perdas.
- Do mesmo modo que todos os sócios devem contribuir para a formação do capital
social, é também requisito especial de validade que todos eles participem dos
resultados sociais.

- Art. 1008, CC: É nula a estipulação contratual que exclua qualquer sócio de
participar dos lucros e das perdas (cláusula leonina).

- Os sócios que devem estabelecer como será a participação de cada sócio no


contrato social.

- Art. 1007, CC: Se o contrato social for omisso acerca da participação dos lucros
e perdas, o sócio irá participar na proporção das respectivas quotas.

OBS: Aquele em que a participação se dá por meio de prestação de


serviços, somente participa dos lucros e das perdas na proporção da
média do valor da quota.

- Art. 1009, CC: A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade


solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem,
conhecendo ou devendo conhecer-lhes a ilegitimidade.

2.5.1.5. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS

- Arts. 1023 e 1024, CC: A responsabilidade dos sócios é ilimitada, entretanto deve
ser observado o benefício da ordem.

OBS: Os sócios respondem pelo saldo na proporção de sua participação


nas perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária.

- Enunciado 10, CJF.

OBS 2: Art. 997, VII, CC - A cláusula de responsabilidade estabelece a


possibilidade de o contrato social prever se os sócios respondem ou não,
subsidiariamente, pelas obrigações sociais.

ATENÇÃO! – Se o contrato for omisso quanto à responsabilidade aplica-se a regra


geral: Responsabilidade dos sócios na sociedade simples pura é subsidiária e
ilimitada (arts. 1023 a 1024, CC).

- Enunciado 479, CJF.

- Art. 1025, CC: O sócio que ingressa em sociedade já constituída não se exime das
dívidas anteriores à admissão.

2.5.1.6. ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL (ART. 999, CC)

- O contrato social pode ser mudado conforme a vontade dos sócios.


- Quorum de aprovação para alteração do contrato social:

1. Se dispor sobre matéria indicada no art. 997, CC: Quorum de aprovação é


de unanimidade dos sócios.

2. Se dispor sobre outras matérias: Quorum de aprovação é de maioria


absoluta, se o contrato não exigir unanimidade.

- Enunciado 385, CJF.

- Art. 999, parágrafo único, CC: Qualquer alteração no contrato social deve ser
averbada no cartório onde foi feito o registro.

2.5.1.7. DIREITOS E DEVERES DOS SÓCIOS

- Art. 1001, CC: As obrigações do sócio começam imediatamente após a assinatura


do contrato, se este não designar outra data, e só terminam após a liquidação da
sociedade.

- Principais obrigações dos sócios:

1. Contribuir para a formação do capital social, subscrevendo e integralizando


suas respectivas quotas;

2. Participar dos resultados sociais.

- Outras obrigações:

- Art. 1002, CC: Por ser uma sociedade de pessoas (intuitu personae), um sócio só
pode ser substituído no exercício de suas funções com a anuência dos demais
sócios, expresso em modificação do contrato social.

- Art. 1003, CC: A cessão total ou parcial de quota, sem a correspondente


modificação do contrato social com o consentimento dos demais sócios, não terá
eficácia quanto a estes e à sociedade.

- Art. 1003, parágrafo único, CC: O sócio retirante que ceder suas quotas com a
anuência dos demais continua responsável solidariamente pelas obrigações que
tinha como sócio em até 2 anos após a averbação da modificação do contrato.

- Art. 1032, CC: A retirada, exclusão ou morte do sócio, não o exime, ou a seus
herdeiros, da responsabilidade pelas obrigações sociais anteriores, até dois anos
após averbada a resolução da sociedade; nem nos dois primeiros casos, pelas
posteriores e em igual prazo, enquanto não se requerer a averbação.
2.5.1.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS

- Em regra, os atos de gestão de negócio cabem aos administradores. Porém, os


assuntos negociais mais importantes (ex.: fusão de uma sociedade com outra)
cabem aos sócios em conjunto, ou seja, exige deliberação social.

- Em regra, cabe ao contrato social estipular quais assuntos exigem


deliberação social.

ATENÇÃO! – Porém, em alguns casos, a lei também pode determinar


quando haverá deliberação social, como é o caso da transformação da
sociedade (art. 1114, CC).

- Art. 1010, CC: O quórum de aprovação na deliberação social (seja ela


estipulada no contrato social ou determinada por lei) é por maioria absoluta dos
votos, contados segundo o valor das quotas de cada um.

OBS: A maioria absoluta é formada pelos votos correspondente a mais


da metade do capital.

OBS 2: A maioria absoluta não se refere aos sócios, mas sim ao valor de
suas quotas.

ATENÇÃO! – Art. 1010, §2º, CC: Quando, pelo valor das quotas, houver
empate, prevalecerá a decisão votada pelo maior número de sócios, e se
o empate continuar, decidirá o juiz.

- Art. 1010, §3º, CC: Responde por perdas e danos o sócio que, tendo em alguma
operação interesse contrário ao da sociedade, participar da deliberação que a
aprove graças ao seu voto. – PRECISO DE UM EXEMPLO.

2.5.2. SOCIEDADE LIMITADA


- É o tipo societário mais utilizado no Brasil, em decorrência de duas atrativas
características: contratualidade e limitação de responsabilidade dos sócios.

- Legislação aplicável à sociedade limitada:

 Arts. 1052 a 1087, do CC;


 Subsidiariamente as normas da sociedade simples pura, conforme
determina o art. 1053, caput, CC;
 Supletivamente as normas da sociedade anônima, conforme o art. 1053,
parágrafo único, CC.
OBS: Não se aplica as regras da S/A à sociedade limitada em relação à
constituição e dissolução da sociedade, pois esta por ser contratualista,
deve seguir, obrigatoriamente, as regras do CC.
2.5.2.1. CONTRATO SOCIAL DA SOCIEDADE LIMITADA

- Art. 1054, CC: O contrato social da sociedade limitada deve conter as indicações
do art. 997, CC, no que couber, e, se for o caso, a firma social.

OBS: O art. 997, do CC será aplicado somente no que couber.

Ex.: o inciso V não aplica à sociedade limitada, pois, ela não aceita o
chamado sócio de indústria, que contribua apenas com sua força de
trabalho.

OBS 2: Enunciado 214, CJF – O rol de indicações do art. 997, CC, não
é exaustivo, podendo ser aplicado outras exigência contidas na legislação
pertinente para fins de registro.

- O contrato social deve ser escrito, pois os sócios terão de levá-lo a registro no
órgão competente.

OBS: Art. 1150, CC: O órgão competente para registrar a sociedade


limitada, por ser empresária, deve ser registrado na Junta Comercial.

OBS 2: Caso seja uma sociedade simples constituída sob as normas


da sociedade limitada o órgão competente continua sendo o Cartório
de Registro de PJ, pois não exerce atividade empresarial.

- Art. 967, CC: Após a assinatura do contrato social, os sócios devem levá-lo a
registro antes do inicio das atividades, tendo 30 dias contados da data da
assinatura para fazê-lo (art. 36 da Lei 8.934/94).

OBS: Se o contrato social for levado a registro dentro do prazo de 30 dias


contados de sua assinatura, os efeitos do arquivamento retroagirá até a
data da assinatura. Caso leve fora do prazo, o arquivamento só terá efeito
a partir do despacho que o conceder.

- Art. 997, I, CC: O contrato social deve qualificar os sócios.

OBS: Os sócios podem ser pessoa física ou jurídica. Na verdade, é muito


comum a participação de um sócio PJ, ao qual se atribui o nome de
holding.

Curiosidade! - Sociedade que tem por objeto social participar de outras


sociedades, podendo ser pura, quando apenas participa de outras
sociedades, sem desenvolver atividade própria, ou mista, quando além de
participar em outras sociedades, também desenvolve atividade própria.

ATENÇÃO! – Uma pessoa impedida ou incapaz pode ser sócio de uma sociedade
limitada, pois o art. 972, do CC se aplica somente ao empresário individual.
OBS: Art. 974, §3º, CC – No caso do incapaz, para ele possa ser sócios,
basta os seguintes requisitos estarem preenchidos conjuntamente:

1. Capital integralizado;
2. Não exerça poderes de administração; e
3. Seja devidamente assistido ou representado.

OBS 2: No caso do impedido, basta que ele não exerça poderes de


administração e que sua responsabilidade seja limitada, portanto, ele
só pode participar de uma LTDA, S/A, ou sociedade em comandita
simples.

- Art. 1158 c/c 1054, CC: A sociedade limitada pode ter tanto a denominação quanto
a firma, devendo constar no contrato social, em qualquer caso.

- A sede e o prazo da sociedade também devem constar no contrato social.

OBS: A sede irá definir em qual Junta Comercial será feito o registro.

OBS 2: O prazo define a duração da sociedade, porém, em regra, as


sociedades são constituídas por prazo indeterminado.

2.5.2.2. CAPITAL SOCIAL (ART. 997, III, CC)

- Deve vir expresso em moeda corrente nacional, podendo compreender qualquer


espécie de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária.

- Art. 1081, caput, CC: Aumento do capital social – Depois de integralizado o


capital social, este poderá ser aumentado, devendo haver a modificação do contrato.

- Art. 1081, §1º, CC: até 30 após a deliberação, terão os sócios preferência para
participar do aumento, na proporção das quotas de que sejam titulares.

OBS: Art. 1081, §2º, CC – O direito de preferência pode ser cedido, desde
que obedeça a regra do art. 1057, do CC.

OBS 2: Art. 1081, §3º, CC – Decorrido o prazo de preferência, e assumida


pelos sócios, ou por terceiros, a totalidade do aumento, haverá reunião ou
assembleia dos sócios, para que seja aprovada a modificação do contrato.

OBS 3: O direito de preferência é importante para evitar a diluição da


participação societária.

ATENÇÃO! – O aumento pode ser feito atribuindo-se novo valor as quotas já


existentes ou criando-se novas quotas referente ao montante que aumentou.

OBS: A primeira opção é adequada se os sócios não quiserem a entrada


de terceiros.

OBS 2: Já a segunda opção é boa para caso queira a entrada de terceiros,


que só acontecerá se os sócios originários não exercerem seu direito de
preferência ou se cederem-no.

- Art. 1082, CC: Redução do capital social – O capital social só pode ser reduzida,
com a devida modificação no contrato, se:

I. Se o capital social, depois de integralizado, sofrer perdas irreparáveis;

- Art. 1083, CC – A redução será realizada com a diminuição proporcional


do valor nominal das quotas, tornando-se efetiva a partir da averbação na
Junta Comercial da ata da assembleia que a tenha aprovado.

II. Se o capital social for excessivo em relação ao objeto da sociedade.

- Art. 1084, CC – Nesse caso, a redução será feita restituindo-se o valor


das quotas aos sócios, ou dispensando-se as prestações ainda devidas,
com diminuição proporcional, em ambos os casos, do valor nominal das
quotas.

- A redução não depende somente da vontade dos sócios, pois qualquer credor que
se sinta prejudicado pode apresentar impugnação.

2.5.2.3. SUBSCRIÇÃO E INTEGRALIZAÇÃO DAS QUOTAS

- Art. 997, IV, CC: O contrato social deve conter a quota de cada sócio no capital
social e o modo de realizá-la, ou seja, se irá integralizá-la com dinheiro, bens ou
crédito.

- Art. 1055, CC: O capital social divide-se em quotas, iguais ou desiguais,


cabendo uma ou diversas a cada sócio.

OBS: O Brasil adotou o sistema da pluralidade de quotas – Mas não em


sua concepção pura, pois admite que seja dividido em partes desiguais.

- Cada sócio deve subscrever uma parte do capital social, ficando responsável por
integralizar a sua parte.

OBS: Portanto, todos os sócios tem o dever de subscrição e


integralização de quotas, ou seja, todos os sócios tem o direito de
adquirir quotas da sociedade e pagar por elas.

OBS 2: Integralizar a sua respectiva quota no tempo e na forma prevista


no contrato social é o principal dever de qualquer sócio.
- O modo de integralizar a quota, pode se dar das seguintes formas:

1. Bens, móveis ou imóveis, materiais ou imateriais;

OBS: Art. 1005, CC – Se a integralização do capital se der por meio de


transferência de bens para a sociedade, estes devem ser suscetíveis de
avaliação pecuniária e o sócio responde pela evicção.

- Evicção: Caso a sociedade perca esse bem posteriormente em


razão dele pertencer a outrem, o sócio que o havia transferido terá
que pagar a sociedade o valor correspondente.

OBS 2: Os bens cedidos devem estar relacionados ao objeto social e


devem ser aptos a execução por eventuais credores, ou seja, o bem não
pode ser impenhorável.

OBS 3: Art. 1055, §1º, CC – Em relação a exata avaliação pecuniária dos


bens conferidos ao capital social, os sócios são solidariamente
responsáveis até o prazo de 5 anos da data do registro da sociedade.

- Enunciado 12, I Jornada de Direito Comercial: A regra contida


no art. 1.055, § 1.º, do Código Civil deve ser aplicada na hipótese
de inexatidão da avaliação de bens conferidos ao capital social; a
responsabilidade nela prevista não afasta a desconsideração da
personalidade jurídica quando presentes seus requisitos legais.

- Na sociedade limitada NÃO é necessário laudo de avaliação dos


bens usados para integralização do capital social, tanto para
constituição como para ao mento do capital social.

2. Dinheiro;

3. Crédito.

OBS: Art. 1005, CC – Se a integralização se der por meio de transferência


de crédito, o sócio responderá pela solvência do devedor, ou seja, caso
os créditos cedidos não sejam pagos por seus devedores, o sócio que os
cedeu terá que pagá-los.

ATENÇÃO! – Art. 1055, §2º, CC: A sociedade limitada só não permite que a quota
seja integralizada por meio de prestação de serviços.

ATENÇÃO! – IN 10/2013 do DREI: Também não é permitida a indicação no


contrato social como forma de integralização do capital a sua realização com
lucros futuros que o sócio venha a auferir na sociedade.

- Art. 1056, CC: O capital social pode ser dividido em quotas, mas as quotas não
podem ser divididas, salvo em caso de transferência.

OBS: No caso de transferência de quotas, será formado um condomínio


de quotas.

- Art. 1056, §1º, CC: No condomínio de quotas, em razão da indivisibilidade das


quotas, seus direitos só podem ser exercidos pelo condômino representante
(condômino-sócio), apesar de ter mais de um dono.

- Art. 1056, §2º, CC: Sem prejuízo do estabelecido no art. 1052, os condôminos de
quota indivisível respondem solidariamente pelas prestações necessárias à sua
integralização.

- Art. 1058 c/c 1004, parágrafo único, CC: Em relação ao sócio remisso os sócios
podem além de requerer indenização pelo dano emergente da mora ou de reduzir a
quota ao montante já integralizado, os demais sócios também podem excluir o sócio
remisso, devolvendo o montante que ele eventualmente tenha pago ao capital social,
já subtraído os juros da mora, as prestações estabelecidas no contrato mais
despesas.

OBS: Enunciado 216, CJF – O quórum para excluir o sócio remisso, bem
como para reduzir o valor de sua quota do montante já integralizado é de
maioria absoluta.

2.5.2.3. ADMINISTRAÇÃO DA SOCIEDADE

- Art. 997, VI, CC: O contrato social deve mencionar as pessoas naturais incumbidas
da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições.

ATENÇÃO! - A sociedade simples pura NÃO pode ser administrada por


pessoa jurídica, bem como as pessoas do art. 1011, §1º, CC.

- Art. 1013, CC: Caso o contrato social da sociedade limitada não designe
expressamente seus administradores, compete a administração, então, a cada um
dos sócios, separadamente.

- Arts. 1060 e 1064, CC: A atividade do administrador é personalíssima.

- Art. 1018, CC: O máximo que se permite é a delegação de certas


atividades a mandatários.

- Art. 1060, parágrafo único, CC: Se no contrato social foi atribuída a administração
a todos os sócios, caso ingresse um novo sócio posteriormente, a atribuição de
administrar a sociedade não se estende a ele a pleno direito.

OBS: Para que o novo sócio também adquira o poder de administração é


necessário que se proceda a alteração no contrato social para que isso
fique expressamente estabelecido.
- Art. 1061, CC: Designação de administrador:

 Não sócio:

1. Se o capital social estiver integralizado: Quórum de eleição é de, no


mínimo, 2/3 do capital social.

2. Se o capital social não estiver integralizado: Quórum de eleição deve


ser unânime.

 Sócio designado em ato separado do contrato social:

1. O quórum de eleição é mais de 1/2 do capital social.

2.5.2.4. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES

- Art. 1013, §1º, CC: Se administração competir separadamente a vários


administradores, cada um pode impugnar a operação pretendida por outro, cabendo
a decisão aos sócios, por maioria dos votos.

- Art. 1013, §2º, CC: Responde por perdas e danos perante a sociedade o
administrador que realizar operações, sabendo ou devendo saber que estava agindo
em desacordo com a maioria.

- Art. 1014, CC: Nos atos que sejam de competência conjunta de vários
administradores, é necessário o concurso de todos, salvo em casos urgentes que
possam causar prejuízos irreparáveis ou graves.

- Art. 1012, CC: É possível que os sócios, embora não tenham designado
administrador no próprio contrato social, o faça em ato separado posteriormente.
Atentando-se que é preciso a averbação do ato no órgão de registro da sociedade.

OBS: O administrador que praticar atos antes de requerer a averbação,


responde pessoal e solidariamente com a sociedade.

- Art. 1019, CC: Os poderes de administração serão:

1. Irrevogáveis: Os poderes do administrador nomeado no contrato social


e que seja também sócio da sociedade são, em princípio, irrevogáveis,
salvo por decisão judicial que reconheça a ocorrência de justa causa para a
revogação.

2. Revogáveis: Os poderes do administrador não sócio, nomeado no


contrato social, ou do administrador nomeado em ato separado, ainda que
sócio, são revogáveis a qualquer tempo pela vontade dos demais.
Art. 1015, CC - Caso o contrato social não fale nada sobre os poderes e atribuições
dos administradores, entende-se que estes possuem poder geral de administração,
salvo no caso de oneração ou alienação de bens imóveis, a não ser que estes sejam
o próprio objeto da sociedade.

- Art. 1015, parágrafo único, CC: Em regra, se o administrador exceder no uso de


seus poderes, quem responde é a sociedade. Excepcionalmente a sociedade pode
opor o excesso contra terceiros, desde que ocorra uma das hipóteses TAXATIVAS
do dispositivo supracitado.

OBS: Nas situações em que a sociedade não puder opor a terceiros o


excesso dos administradores, ela é quem terá que responder. Porém, nada
impede que se volte contra eles, em ação regressiva.

 Hipóteses em que será afastada a responsabilidade:

I. Se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro


próprio da sociedade, que no caso da sociedade limitada é a Junta
Comercial. – Nesse caso, os sócios deram a devida publicidade ao ato,
razão pela qual terceiros não podem alegar seu desconhecimento, pois
se presume que os terceiros sabiam ou no mínimo deveriam saber da
limitação de poderes dos administradores. A sociedade exime-se,
portanto, de qualquer ato abusivo de seus administradores.

II. Se ficar provado que a limitação de poderes era conhecida do


terceiro – A sociedade, apesar de não ter devidamente registrado a
limitação de poderes dos administradores, deve provar que o terceiro
conhecia de tal limitação, caso contrário responderá pelo excesso dos
administradores.

III. O administrador pratica atos em nome da sociedade, assumindo


obrigações em operações evidentemente estranhas ao objeto social
da sociedade, nesse caso da presume-se o excesso de poderes.

- Na situação em comente, entende-se que bastaria o credor se


atentar a compatibilidade do ato praticado com o objeto da
sociedade – Teoria ultra vires.

- Enunciado 219, CJF.

ATENÇÃO! – Caso alguma dessas hipóteses ocorra, caberá aos terceiros cobrarem
as obrigações decorrentes do ato excessivo diretamente do administrador que o
praticou.

ATENÇÃO 2! – Enunciado 11, CJF: O art. 1015, parágrafo único, do CC deve ser
aplicado em consonância com a teoria da aparência e do princípio da boa-fé objetiva,
de modo que a sociedade continua obrigada perante terceiros de boa-fé.
- Art. 1016, CC: Se o administrador agir com culpa no desempenho de suas funções,
seja ao praticar ato regular de sua atribuição seja por excesso de poderes, ele
responderá tanto perante terceiros prejudicados como perante a sociedade.

OBS: Se houver mais de um administrador que agiram com culpa no


desempenho de suas funções, todos responderão solidariamente.

OBS 2: Nessas situações, os terceiros podem cobrar diretamente do


administrador. Porém, caso cobrem a sociedade, ela responderá e
posteriormente poderá exercer seu direito de regresso contra o
administrador culpado.

- Art. 1017, CC: o administrador que, sem consentimento escrito dos sócios, aplicar
créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros, terá de restituí-los à
sociedade, ou pagar o equivalente, com todos os lucros resultantes, e, se houver
prejuízo, por ele também responderá.

 Art. 1017, parágrafo único, CC: Também ficará sujeito às sanções o


administrador que tome parte em operação que seja de interesse
contrário ao da sociedade.

- Art. 1020, CC: os administradores são obrigados a prestar, aos sócios, contas
justificadas de sua administração, e apresentar-lhes o inventário anualmente, bem
como o balanço patrimonial e o de resultado econômico.

OBS: O levantamento anual do balanço patrimonial e resultado


econômico. Configurando até mesmo dever legal de escrituração – art.
1179, CC.

- Art. 1021, CC: salvo estipulação que determine época própria, o sócio pode, a
qualquer tempo, examinar os livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira
da sociedade.

2.5.2.5. DISTRIBUIÇÃO DOS RESULTADOS

- Art. 997, VII, CC: Garantia de que todos os sócios participem dos resultados
sociais.

- É vedada a cláusula leonina – art. 1008, do CC.

- Os sócios que devem prever a forma de participação de cada um no contrato social.

- Art. 1007, CC: Salvo estipulação em contrário no contrato social, o sócio participa
dos resultados sociais na proporção de suas quotas.

- Art. 1009, CC: A distribuição de lucros ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade


solidária dos administradores que a realizarem e dos sócios que os receberem,
conhecendo ou devendo conhecer-lhes a ilegitimidade.
- Art. 1059, CC: Os sócios serão obrigados a repor os lucros e quantias retiradas, a
qualquer título, ainda que autorizados pelo contrato, quando tais lucros ou prejuízos
se distribuírem com prejuízo do capital.

2.5.2.6. RESPONSABILIDADE DOS SÓCIOS

- Art. 1052, CC: Na sociedade limitada, a responsabilidade de cada sócio é restrita


ao valor de suas quotas, mas todos respondem solidariamente pela integralização
do capital social.

- Em regra, os sócios não respondem com seu patrimônio pessoal pelas dívidas da
sociedade.

- Art. 1024, CC: Benefício de ordem - Os bens particulares dos sócios não podem
ser executados por dívidas da sociedade, somente após executados os bens sociais.

ATENÇÃO! – A responsabilidade dos sócios é sempre subsidiária! –


Somente após a execução dos bens sociais é que o sócio poderá,
EVENTUALMENTE, ter seu patrimônio pessoal executado.

OBS: Essa eventual responsabilidade dos sócios dependerá de 2


situações:

1ª: Se o capital social estiver integralizado – Nesse caso, os sócios não


responderão com seu patrimônio pessoal pelas dívidas da sociedade.

ATENÇÃO! – Salvo em casos excepcionais, como a desconsideração da


PJ.

2ª: Se o capital social não estiver integralizado – Os sócios


responderão com seu patrimônio pessoal pelas dívidas da sociedade até
o limite que falta para integralização.

- PORTANTO, O LIMITE DA RESPONSABILIDADE DOS


SÓCIOS QUOTISTAS É O MONTANTE QUE FALTA PARA A
INTEGRALIZAÇÃO DO CAPITAL SOCIAL.

ATENÇÃO! - Os sócios são solidariamente responsáveis pela integralização do


capital social!

OBS: Por isso, o credor da sociedade, uma vez exaurido o patrimônio


social e verificado a não integralização do capital social, pode executar
qualquer um dos sócios, ainda que um deles já tenha integralizado sua
parte (que terá direito de regresso contra os sócios remissos).
2.5.2.7. ALTERAÇÃO DO CONTRATO SOCIAL

- Art. 1076, I, CC: Quórum para modificação do contrato social da sociedade


limitada: 3/4 do capital social.

- Art. 999, parágrafo único, CC: Qualquer modificação deve ser averbada no local
onde foi feito o registro do contrato social.

2.5.2.8. DELIBERAÇÕES SOCIAIS

- Em regra, as decisões corriqueiras são tomadas pelos administradores. Porém,


decisões complexas exigem deliberação dos sócios.

- Art. 1071, CC: Estabelece rol EXEMPLIFICATIVO de matérias que exigem


deliberação social, podendo outras matérias indicadas na lei ou no contrato exigirem
deliberação social, tal como a exclusão de um sócio.

- Art. 1072, CC: As deliberações sociais podem ser realizadas por ASSEMBLEIA
GERAL ou por REUNIÃO dos sócios, conforme o previsto no contrato social.

OBS: A diferença entre ambas é que a Assembleia Geral é um


procedimento mais solene, tendo suas regras ditadas pelo CC. Já a
Reunião tem um rito mais simples e cabe aos sócios estabelecer, no
contrato social, seu procedimento.

- Art. 1072, §1º, CC: A deliberação deverá ser realizada por ASSEMBLEIA se a
sociedade limitada tiver MAIS DE 10 SÓCIOS.

- Art. 1072, §3º, CC: A reunião e a assembleia poderão ser dispensadas e


substituídas por documento escrito, desde que todos os sócios concordem e que
a decisão tomada seja unânime.

- Art. 1072, §5º, CC: As deliberações sociais feitas em conformidade com a lei e
com o contrato social vinculam todos os sócios, ainda que ausentes ou
dissidentes.

- Art. 1080, CC: As deliberações não obedecem ao contrato social ou a lei torna
ilimitada a responsabilidade dos sócios que expressamente as aprovaram.

OBS: Para que o sócio que discordou da decisão não seja


responsabilizado futuramente deve requerer que seja registrado na ata o
seu voto contrário.

- Esquema de quando será necessário a deliberação social:


- Art. 1073, CC: Convocação da assembleia ou reunião deverá ser feita pelo:

1. Administrador;

2. Sócio – Quando os administradores retardarem a convocação por mais


de 60 dias;

3. Conselho fiscal – se houver e nos casos previsto no art. 1069, V, CC.

- Art. 1047, CC: Quórum de instalação da assembleia:

1ª chamada: Com a presença de no mínimo 3/4 do capital social.

2ª chamada: Qualquer número.

- Art. 1076, CC: Quórum de deliberação, ressalvado o disposto no art. 1061 e no


§1º do art. 1063, será de:

I. Pelos votos de, no mínimo 3/4 do capital social nos casos do art. 1071,
V e VI, CC.

II. Pelos votos de mais da 1/2 do capital social, nos casos do art. 1071,
II, III, IV e VIII;

III. Pela maioria dos votos dos presentes, nos demais casos previstos
em lei ou no contrato social, se não for exigido maioria mais elevada.

- Art. 1074, §1º, CC: O sócio pode ser representado na assembleia por outro
sócio ou por advogado, mediante outorga de mandato com especificação dos atos
autorizados, devendo o instrumento ser levado a registro, juntamente com a ata.

- Art. 1074, §2º, CC: Nenhum sócio, por si ou na condição de mandatário, pode votar
matéria que lhe diga respeito diretamente.

- Art. 1075, CC: Será presidida e secretariada por sócios escolhidos entre os
presentes.
- Art. 1075, §1º, CC: Dos trabalhos e deliberações será lavrada, no livro de atas da
assembleia, ata assinada pelos membros da mesa e por sócios participantes da
reunião, quantos bastem à validade das deliberações, mas sem prejuízo dos que
queiram assiná-la.

- Art. 1075, §2º, CC: cópia da ata autenticada pelos administradores, ou pela mesa,
será, nos vinte dias subsequentes à reunião, apresentada ao Registro Público de
Empresas Mercantis para arquivamento e averbação.

- Art. 1075, §3º, CC: Caso o sócio solicite a ele será entregue a cópia autenticada
da ata.

- Art. 1078, CC: Deve haver uma assembleia pelo menos uma vez por ano, nos
quatro meses seguintes ao término do exercício social, para tratar de assuntos
determinados por lei:

I. Tomar as contas dos administradores e deliberar sobre o balanço


patrimonial e resultado econômico;

II. Designar administradores, quando for o caso;

III. Tratar de qualquer outro assunto constante da ordem do dia.

- Art. 1077, CC: Direito de retirada/recesso - O sócio que não concordou com a
modificação do contrato, fusão da sociedade, incorporação de outra, ou dela por
outra, terá o direito de retirar-se da sociedade nos 30 dias subsequentes à reunião,
aplicando-se, no silêncio do contrato social, o art. 1031, do CC.

- Art. 1078, §3º, CC: A aprovação, sem reservas, pelos sócios do balanço
patrimonial e do resultado econômico, salvo em caso de erro, dolo ou simulação,
exonera os administradores e o conselho fiscal da responsabilidade.

- Art. 1078, §4º, CC: Extingue-se em 2 anos o direito de anular a aprovação a que
se refere o parágrafo anterior.

 CESSÃO DE QUOTA

- Art. 1057, CC: O sócio pode ceder sua quota, total ou parcialmente:

1. A qualquer dos sócios, sem necessidade do consentimento dos outros


sócios.

2. A estranho, se não houver oposição de mais de 1/4 do capital social.

- Art. 1028, CC: No caso de morte do sócio, sua quota será liquidada, salvo se o
contrato dispuser de outra forma. – Regra aplicável a sociedade simples também.
 CONSELHO FISCAL

- É facultativo.
- Composto de 3 ou mais membros e suplentes, sócios ou não, residentes no país, eleitos
na assembleia anual.