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Fundamentos Técnicos do Judô

2013

Elaboração: Prof. Emeri Pacheco Mota Júnior – 6º Dan.


Revisão Técnica: Prof. Takashi Haguihara – 9º Dan.
Pag. 1
Liga de Judô do Distrito Federal e Entorno
Apostila de Fundamentos Técnicos do Judô

INTRODUÇÃO

O progresso técnico de um judoca é reconhecido pelo professor através da


concessão de graus (Kyu) ao seu aluno, representados pela cor da faixa que ele leva à cintura.
O novato usa uma faixa branca e é um 6º Kyu e, à medida que vai se evoluindo na arte,
paulatinamente será promovido até chegar ao 1º kyu, a faixa marrom.

É meta de todo judoca, ao chegar ao 1º kyu, se preparar para se submeter à


exame perante uma comissão de avaliação composta pelos mestres e professores mais
graduados objetivando ser promovido à faixa preta Shodan (1º dan), momento este de
considerável relevância na vida do praticante.

Obtendo êxito, essa faixa preta que ele carregará com orgulho na cintura, pois é
fruto de muito treino e dedicação, é o atestado de que detém uma boa qualidade técnica e
moral e buscou, dentro do dojô e fora dele, adequar-se aos princípios éticos e filosóficos
vislumbrados pelo mestre Jigoro Kano ao criar o Judô.

Com o objetivo de oferecer um melhor entendimento do aspecto pedagógico


adotado em nossa arte, podemos fazer uma similaridade entre o aprendizado do Judô e o
aprendizado escolar, conjeturando da seguinte forma:

Da faixa branca à faixa laranja, teríamos o equivalente ao 1º grau escolar; da


faixa verde à marrom, teríamos então o 2º grau; a partir da faixa preta shodan (1º Dan) até
godan (5º Dan), equivaleria a um bacharelado ou licenciatura; e a partir do Kodansha (6º Dan
em diante), teríamos então os mestres ou doutores em Judô. Continuando a trilhar nesse
raciocínio, consideramos, então, que a passagem do 1º Kyu para Shodan representa
exatamente o exame vestibular do judoca para ter acesso aos ensinamentos superiores da arte,
pois, longe do pensamento de alguns, a faixa preta não representa o final do aprendizado, mas
sim o chamamento para o judoca ingressar no estudo e entendimento das técnicas superiores
do Judô, buscando adquirir novos conhecimentos nas demais áreas que englobam a arte, tais
como competição, arbitragem e ensino.

A “Parábola da Faixa-Preta”, que transcrevemos na seqüência, ilustra muito


bem esse raciocínio:
Imagine um lutador de artes marciais ajoelhado na frente do seu sensei,
numa cerimônia para receber a faixa preta obtida com muito suor.
Depois de anos de treinamento incansável, o aluno finalmente chegou ao
auge no êxito daquela disciplina.
"Antes que eu lhe dê a faixa-preta você tem que passar por outro teste", diz
o sensei.
"Eu estou pronto", responde o aluno, talvez esperando pelo último assalto da
luta. "Você tem que responder à pergunta essencial: qual é o verdadeiro significado
da faixa preta?"
"O fim da minha jornada", responde o aluno, "uma recompensa merecida pelo
meu bom trabalho".
O sensei espera mais. É óbvio que ainda não está satisfeito. Por fim, o sensei
fala: "Você ainda não está pronto para a faixa preta. Volte daqui a um ano."
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei.
"Qual é o verdadeiro significado da faixa preta?", pergunta o sensei.
"Ela significa a excelência e o nível mais alto que se pode atingir em nossa arte."
responde o aluno.

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O sensei não diz nada durante vários minutos, esperando. É óbvio que ainda não
está satisfeito. Por fim ele fala: "você ainda não está pronto para a faixa preta.
Volte daqui a um ano."
Um ano depois, o aluno se ajoelha novamente na frente do sensei e mais uma vez
o sensei pergunta: "qual é o verdadeiro significado da faixa preta?"
"A faixa preta representa o começo - o início da jornada sem fim de disciplina,
trabalho e a busca por um padrão cada vez mais alto", responde o aluno.
"Sim. Agora você está pronto para receber a faixa preta e iniciar o seu
trabalho!” Diz o Mestre.

Dessa forma, assim como ocorre nas demais áreas do conhecimento humano,
no Judô a busca pelo aperfeiçoamento é infinita, cujo estágio a ser alcançado por cada um,
depende apenas da dedicação com que se entregam ao estudo e prática da arte, razão pela qual
o reconhecimento aos faixas pretas que continuam trilhando o caminho do progresso técnico,
moral e filosófico, é realizado através da outorga de graus, denominados Dan. Para a outorga
de cada Dan exige-se uma carência mínima entre os exames, objetivando, exatamente, a
maturação dos conhecimentos adquiridos naquele período.

Não tivemos neste trabalho a mínima pretensão de esgotar qualquer dos


assuntos abordados, e muito menos substituir a figura do professor na preparação do aluno ao
exame de faixa preta. Pelo contrário, o nosso objetivo foi o de oferecer um trabalho que desse
subsídio para consulta, descortinando uma visão panorâmica dos assuntos básicos necessários
para a formação de um judoca. Deixamos, portanto, a decisão de aprofundar-se nesta ou
naquela matéria, à inclinação pessoal e à vocação de cada um.

O autor

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O JUDÔ E SUAS TÉCNICAS

O Judô teve sua origem no antigo Ju-jutsu praticado no Japão. Cada


região daquele país possuía uma espécie de luta corpo a corpo, com
diferentes denominações, tais como: Yawara, Hojô, Toritê, Kempo,
Taijutsu, entre outras. Todavia, o nome genérico dado a todos esses
estilos era Ju-jutsu ou Jiu-jitsu, conforme a sua transliteração para a
escrita ocidental. Assim, “JIU” e “JU” têm o mesmo significado, ou
seja, “SUAVIDADE”, enquanto que “JUTSU” ou “JITSU”, quer dizer “ARTE”. Dessa
forma, “Ju-jutsu” ou “Jiu-jitsu”, literalmente que dizer “A arte da suavidade”. Trata-se de um
estilo de luta onde se pode vencer um oponente mais forte sem emprego de força bruta,
utilizando a força do agressor contra ele próprio, cedendo para vencer.

Em meados do século XVIII, precisamente em 1860, nasce Jigoro Kano, o qual


em sua adolescência praticou vários estilos de Ju-jutsu para se fortalecer, em razão de sua
frágil compleição física, pois tinha apenas 1,55 m de altura e 60 kg. Fisicamente menos
privilegiado que os demais lutadores, mas com uma inteligência notável, passou a pesquisar
profundamente os estilos que praticava, encontrando seus pontos fortes e fracos. Entretanto,
se via descontente com a falta de uma metodologia de ensino e a despreocupação dos mestres
da época com a formação do caráter do aluno, cujo raciocínio era simplesmente o de formar
lutadores, o que gerava o estímulo da agressividade e violência entre os praticantes.

Com um pensamento à frente de sua época, o Professor Jigoro Kano entendia


que na sociedade moderna que se apresentava, com uma ótica bem diferente da situação
feudal anteriormente vivenciada, não havia mais lugar para guerreiros e sim para cidadãos
úteis e respeitadores das normas de convivência em grupo. Por isso mesmo, com base nas
técnicas dos estilos Tenjin-Shinyo e Kitô, resolveu criar o seu próprio estilo de defesa pessoal.
Seu objetivo era a criação de uma arte marcial que moldasse tanto o corpo quanto o espírito, à
qual denominou “JUDÔ”. Dessa forma ao “JU” (Suavidade), foi acrescentando o “DO”, que
quer dizer “Caminho”. O Professor Jigoro Kano procurou sistematizar as técnicas do Ju-Jutsu
e fundamentar a sua prática em princípios científicos e filosóficos bem definidos, a fim de
torná-la um meio eficaz para o aprimoramento do físico, do intelecto e do caráter, num
processo constante de aperfeiçoamento do ser humano.

Assim, seus estudos foram se aprofundando e após pesquisar e analisar as


técnicas de lutas até então conhecidas, o mestre Kano organizou-as de forma a constituir um
sistema adequado aos métodos educacionais, como uma disciplina de educação física,
evitando ações que pudessem ser lesivas ou prejudiciais aos seus praticantes, sendo
observados nessa análise seletiva princípios pedagógicos e científicos, de forma que certas
técnicas foram suprimidas, outras modificadas e ainda novas foram criadas, todas obedecendo
ao princípio da “máxima eficiência”, ou seja, o uso da mínima força para obtenção do
máximo resultado, que constitui um dos princípios basilares do Judô o "Zenyoko Zenyo”.

A título ilustrativo, é interessante registrarmos o esclarecimento do próprio


Mestre Jigoro Kano sobre o assunto, oferecido em seu livro “KODOKAN JUDO”, editado
sob a supervisão do Comitê Editorial do Kodokan, cuja transcrição abaixo faz parte de um
texto traduzido pelo ilustre Professor Mateus Sugizaki (SP):

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“Na minha juventude estudei ju-jutsu com muitos mestres eminentes. O vasto
conhecimento deles, fruto de muitos anos de pesquisas diligentes e de ricas experiências, foi
de grande valor para mim. Naquele tempo, cada indivíduo apresentava sua arte como uma
coleção de técnicas e ninguém conseguia perceber o princípio diretivo fundamental que
estava por trás do ju-jutsu.

Quando eu encontrava diferenças no ensinamento das técnicas,


freqüentemente, me via perdido e sem saber o que era correto.

Isso me levou a analisar um princípio básico no ju-jutsu, aplicado quando


alguém ataca um oponente, bem como quando ele o projeta.

Após fazer um completo estudo do assunto, pude distinguir esse princípio, que
entendi como sendo universal: fazer o uso mais eficiente da energia física e mental. Com esse
princípio no pensamento, eu fiz revisão de todos os métodos de ataque e defesa que aprendi,
retendo somente aqueles que estavam de acordo com o princípio. Os que não estavam de
acordo eu rejeitei e, em seu lugar, substitui por outras técnicas em que o princípio era
corretamente aplicado. O corpo de técnicas resultantes eu chamei de Judo que é aquele
ensinado no Kodokan para diferenciar do seu antecessor....” .

Como se pode observar, seria impossível falar do Judô, sem comentar sobre
quem foi Jigoro Kano, um homem muito à frente do seu tempo, cujo resumo de sua biografia,
por si só dispensa quaisquer outros comentários sobre as suas qualidades ímpares, dentre elas
as de educador, estudioso e visionário:

CRONOLOGIA DE JIGORO KANO

1860 - Nasce Jigoro Kano, terceiro filho de Jirosaku Mareshiba Kano em Mikage, distrito de
Kobe/Japão, em um período conturbado politicamente, pois se encerrava o Shogunato
Tokugawa e o Imperador voltava a ter o poder político no Japão.
1871 - Após o falecimento da mãe, no ano anterior, mudou-se com o pai para Tóquio, uma
vez que este assumira um posto oficial no governo.
1875 - Demonstrando aptidão particular, ingressa em uma escola de línguas estrangeiras.
1877 - É admitido na Universidade Imperial de Tóquio, onde passa a estudar Ciências
Políticas, Economia e Educação Moral e Estética. Inicia seus treinamentos de Ju-jutsu com o
mestre Fukuda Hachinosuke, do estilo Tenshin Shinyo.
1881 - Conclui seus estudos na Universidade Imperial de Tóquio, licenciando-se em Letras.
Inicia os estudos do estilo Kito de Ju-jutsu, com o Mestre Likubo Tsunetoshi.
1882 - Ano especialmente movimentado para Jigoro Kano devido a criação do Kodokan,
fundação de outras duas escolas Kano Juku, escola preparatória para crianças, e a Kobukan,
escola para ensino do idioma inglês. Neste mesmo ano Kano se forma em Ciências Estéticas
e Moral e torna-se professor do Colégio dos Nobres..
1884 - Nomeado adido do Palácio Imperial
1886 - Nomeado Vice-Presidente do Colégio dos Nobres.
1889 - Viaja a Europa como adido da Casa Imperial.
1899 - Torna-se Presidente do Butokukai (Centro de Estudos de Artes Marciais do Japão).
1907 - Elabora os três primeiros Katas de Judô.

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1909 - Torna-se membro do Comitê Olímpico Internacional, como primeiro representante


do Japão.
1911 - Eleito Presidente da Federação Desportiva do Japão.
1922 - Passa a ter assento na Câmara Alta do Parlamento Japonês.
1924 - Nomeado Professor Honorário da Escola Normal Superior de Tóquio.
1928 - Participa da Assembléia Geral dos Jogos Olímpicos de Amsterdã.
04/05/1938 - Morre a bordo do navio que o transportava ao Cairo para participar da
Assembléia Geral do Comitê Internacional dos Jogos Olímpicos.

FUNDAMENTOS TÉCNICOS

Na seqüência, vamos comentar a respeito dos fundamentos necessários para o


treinamento do Judô, sob os aspectos filosóficos, comportamentais e técnicos, visando à
formação e aperfeiçoamento do futuro faixa-preta ou candidato à promoção de Dan:

ETIQUETA NO DOJO

O DOJO é o local de treinamento, que deverá ser limpo e arejado, onde


deveremos nos comportar com respeito, dignidade e humildade.

Formado pelas palavras Do = caminho, Jo = sala ou local, é uma área


selecionada para o desenvolvimento físico e espiritual. Devemos realizar cumprimento ao
entrar e sair do Dojô.

O Judô começa e termina com cortesia, no início e final de cada aula sempre
existirá o cumprimento entre alunos e professores, estendendo o cumprimento a alunos
antigos e graduados, ou, quando dentro do Dojo, for falar com o seu professor, cumprimente-
o com uma leve inclinação à frente e o som próprio para este cumprimento é O S S ! que é
uma contração da palavra em Japonês “ossishinobu”, equivalente ao nosso bom dia ou boa
tarde.

Dentro do Dojô sempre fale baixo para manter a sua concentração no


treinamento e não atrapalhar os demais.

Quando precisar amarrar a sua faixa, vire-se de frente para a parede, é uma
forma de demonstrar respeito.

Sempre que for iniciar qualquer tipo de treinamento com um companheiro,


cumprimente-o, pois esta é uma forma de manifestar o seu respeito e reconhecer sua
importante participação, pois sem ela o seu progresso seria lento e incompleto.

Jamais abandone o local de treinamento sem a permissão do Sensei. Depois de


iniciado o treinamento desligue-se de contatos externos, evite contatos telefônicos e conversas
desnecessárias, concentre-se somente no seu treinamento, isto lhe permitirá um equilíbrio
saudável entre o corpo e a mente.

Normalmente o judoca aprende a se conduzir dentro do Dojô de forma intuitiva


e imitativa, vendo e repetindo posturas e atitudes dos demais, portanto, você graduado tem
essa responsabilidade de dar bons exemplos, não somente no Dojô, mas também fora dele. A

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Etiqueta vem sendo transmitida, muitas vezes informalmente, de geração para geração, dentro
dos princípios que deram origem ao Judô.

O Rei-Ho - Saudação

Existem duas maneiras básicas de saudação: o Ritsu-Rei (em Tyoku-Ritsu - em


pé) e o Za-Rei (em seiza - sentado). Ambas sempre devem ser realizadas com a melhor
postura e o máximo de respeito, da forma mais natural possível, sem tensão muscular, porém
com convicção, firmeza e sinceridade.

As maneiras corretas de fazer o Ritsu-Rei e o Za-Rei são:

Ritsu-Rei - Em Tyoku-Ritsu (calcanhares juntos, pontas dos pés ligeiramente


afastadas e corpo ereto) posicione as mãos junto à lateral do corpo. Incline o corpo a partir da
cintura, com as costas retas, deslizando as mãos em direção aos joelhos (na frente do corpo)
soltando a respiração. O olhar deve ser fixado em um ponto imaginário no solo a cerca de
dois metros à sua frente. Após tocar a linha dos joelhos com a ponta dos dedos, volte
vagarosamente à posição inicial com as mãos posicionadas ao lado do corpo, junto às pernas.

O Ritsu-Rei é normalmente usado ao se entrar no Dojô e no início ou


encerramento de algum treinamento com um companheiro. Além disso, também deve ser
usado para cumprimentar os professores, faixas pretas e colegas que já estão sobre o tatame.

Za-Rei - Em Tyoku-Ritsu, flexione a perna direita lentamente de modo a


ajoelhar-se com a perna esquerda. O joelho esquerdo deverá tocar o tatame na mesma linha
do pé direito. Em seguida, coloque o joelho direito ao lado do esquerdo. As pontas dos dedos
(e não os peitos dos pés) deverão estar tocando o tatame. Sente-se tranqüilamente sobre os
calcanhares colocando os peitos dos pés em contato com o tatame (o dedão do pé direito
deverá ser colocado sobre o dedão do pé esquerdo). As palmas das mãos deverão repousar
sobre as pernas. As palmas das mãos deverão deslizar até que toquem o tatame cerca de um
palmo à frente dos joelhos. Soltando lentamente o ar, esse movimento deverá ser feito de
maneira que os quadris permaneçam em contato com os pés e que o corpo se dobre somente
na linha da cintura. A cabeça deverá ser mantida a uma distância aproximada de um palmo
do tatame. Após tocar o tatame por um curto espaço de tempo, volte vagarosamente à posição
inicial mantendo o tronco ereto. Levante ligeiramente o quadril colocando as pontas dos
dedos sobre o tatame. Levante a perna direita colocando a sola do pé direito no tatame ao
lado do joelho esquerdo. Levante-se trazendo o pé esquerdo para junto do direito, voltando à
posição original (Tyoku-Ritsu).

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Observa-se que para os homens a posição Za-Rei deverá ser feita mantendo-se
uma distância de dois punhos cerrados entre os joelhos. Já as mulheres podem manter os
joelhos juntos.

Rei Inicial e Rei Final

As saudações (Rei) inicial e final são momentos especiais num treino de Judô.
Elas requerem o máximo respeito e atenção dos participantes. Apesar de existirem pequenas
variações quanto à pronúncia e uso das palavras, as saudações corretas são aquelas adotadas
pelo Kodokan.

Rei Inicial

Todos os participantes sentados em Seiza.

Kiotsuke - Significa “sentido” (atenção). É a mesma ordem de comando


adotada pelo exército japonês.

Shomen ni - Significa que a primeira saudação será feita ao Shomen (Sensei


Jigoro Kano, Kamidana ou simplesmente as bandeiras). Neste caso, a palavra 'ni' quer dizer
'ao' e não o número dois da contagem. O sensei de maior graduação (e aqueles que estiverem
ao seu lado) de frente para os praticantes dá as costas para os judocas, ficando de frente para
Shomen para fazer a saudação.

Rei - Significa saudar, cumprimentar. Os participantes fazem o Za-rei

Sensei ni - Agora a saudação será feita ao sensei que conduzirá o treino (ou o
mais graduado) e àqueles que estiverem ao seu lado. Este(s) vira(m)-se de frente para os
participantes.

Rei - Todos executam o Za-rei

Rei Final

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Todos os participantes sentados novamente em Seiza.

Kiotsuke - Sentido (atenção)

Mokusou - Meditação. Após este comando de voz, os judocas fecham os


olhos e permanecem em absoluto silêncio sem abaixar a cabeça. Cada um faz seus
agradecimentos pessoais, segundo seus próprios credos, pelo aprendizado e pela oportunidade
de mais um treino.

Yame - É o comando de voz para encerrar o Mokusou

Sensei ni - Ao contrário do Rei inicial, agora a primeira saudação é feita ao


sensei que conduziu o treino (ou o mais graduado) e a todos os professores que estiverem de
frente para os alunos.

Rei - Os participantes fazem o Za-Rei

Shomen ni - Em ordem inversa ao Rei inicial, a última saudação é feita ao


Shomen. O Sensei que conduziu os treinos (ou o mais graduado) e aqueles que estiverem ao
seu lado, volta(m)-se novamente para o Shomen, ficando de costas para os judocas.

Rei - Os participantes fazem o Za-Rei

Observações Gerais:

Os comandos de voz do Rei inicial e final serão feitos sempre pelo aluno mais
graduado, perfilado na extremidade direita da primeira fila, de frente para o Shomen.

No Kodokan, o Za-Rei é feito antes e após cada treinamento envolvendo dois


praticantes. Na maioria das academias, porém, é feito o Ritsu-rei no lugar do Za-Rei.

Ao voltar-se para o Shomen e depois, para voltar(em) a ficar de frente para os


alunos nos Reis final e inicial, a rotação do(s) Sensei(s) deverá ser no sentido anti-horário (à
esquerda).

Quando houver dois Sensei à frente dos participantes, após o último Rei final,
ambos ficam de frente um para o outro e fazem o Za-Rei. Quando houver três ou mais
Senseis, o(s) que estiver(em) ao centro recuam ligeiramente e os da extremidades se voltam
para o centro para fazerem o Za-Rei.

O JUDOGUI – é a vestimenta de treino, composta pelo casaso (Wagui), calça


(Shitabaki ou Zubom) e o cinto ou faixa (Obi), que além de deixar o wagui arrumado, também
serve para indicar a graduação do judoca.

Algumas regras básicas em relação ao Judogi:

Ao iniciar e terminar um randori, tenha sempre seu Judogi alinhado e sua faixa
correta e firmemente amarrada.

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Os chinelos são partes integrantes do seu traje, devendo sempre ser usado
quando sair do Tatame. Nunca se deve transitar sem chinelos fora do dojô e muito menos
adentrar no dojô após a eventualidade de fazê-lo.

A forma correta de arrumar seu Judogi entre um treino e outro, é segurando sua
faixa dobrada em uma das mãos e não sobre o ombro ou pescoço.

Nunca coloque ou jogue sua faixa no chão.

Nunca ande de Judogi sem que a faixa esteja amarrada na cintura.

Evite todo e qualquer tipo de adorno no Judogi. Identificação da academia,


nome do judoca e demais informações visuais devem ser usados com bom senso, critério e de
maneira discreta.

Nunca use anéis, pulseiras, relógios, brincos, correntes ou quaisquer acessórios


quando estiver participando de um treino.

As mulheres deverão utilizar sob o Judogi um collant da cor branca. No caso


do uso de camiseta (branca), o comprimento deve ser suficiente para ser colocada por dentro
da calça.

Cabelos compridos (de homens e mulheres) devem ser presos de maneira que
não atrapalhem o treino constantemente. Para isso deverá ser usado elástico ou similar
sempre macio e sem partes metálicas ou rígidas.

GRADUAÇÃO:

A graduação do judoca é revelada através da cor da faixa que leva à cintura.


Dessa forma, cada cor de faixa corresponde a um grau na hierarquia da arte, sendo constituída
por Kyu, para as graduações inferiores, e Dan, para as graduações superiores, conforme
quadros abaixos:

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SHIZEI (Posturas Fundamentais):

Migui Shizentai SHIZEN HONTAI Hidari Shizentai


(Postura Natural Direita) (Postura Natural) (Postura Natural Esquerda)

JIGO HONTAI
(Postura Defensiva)
Migui Jigotai Hidari Jigotai
(Postura Defensiva Direita) (Postura Defensiva Esquerda)

KUMIKATA (Pegadas):

Formas básicas de segurar no judogui.

Shizentai no Kumikata Jigotai no Kumikata

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DESLOCAMENTOS: (Formas de andar no Dojô):

SHINTAI: Movimentos retilíneos realizados para frente, para os lados, diagonal e para trás.

Ayumi Ashi: Forma natural de andar.

Tsuri Ashi: Durante o movimento, os pés devem deslizar no tatame.

Tsugui Ashi: Quando um dos pés desloca-se, o outro segue seu movimento sem nunca
ultrapassá-lo. Os passos devem ser curtos e os pés nunca devem tocar-se. O movimento pode
ser realizado para frente, como para trás, assim como lateralmente ou em diagonal.

TAI SABAKI: Movimentos circulares de esquivas e giros.

a) MAE – SABAKI (movimento 90° á frente)

b) USHIRO – SABAKI (movimento 90° para trás)

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c) MAE – MAWARI – SABAKI ( movimento de 180° à frente)

d) MAE – MAWARI – SABAKI ( movimento de 180° à frente) - VARIAÇÃO

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FASES DAS TÉCNICAS DE PROJEÇÃO:

Alguns autores informam que esta foi uma das realizações pedagógicas mais
importantes do Mestre Jigoro Kano, pois proporciona uma visão completa para execução de
uma técnica de projeção, compreendendo todas suas fases. Note-se que na prática os
movimentos não são estanques, mas acontecem numa seqüência lógica e fluída. Essa divisão é
apenas para análise pedagógica do movimento.

KUZUSHI (Desequilíbrio) – Momento em que se desarma a posição defensiva do oponente


seja por ação consciente do Tori ou por falha do Uke.

TSUKURI (Preparação) – Adaptando o movimento à situação anterior, é o momento em que


ocorre o encaixe da técnica adequada ao desequilíbrio do Uke.

KAKE (Arremesso) – É a finalização da técnica. O ato de projetar.

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UKEMI (Técnicas de amortecimento de quedas):

Para possibilitar o treinamento de projeções (Nague Waza), é necessário


aprender a cair com naturalidade e segurança, sabendo controlar o corpo no momento da
queda. Por meio de educativos denominados em japonês “UKEMI”, aprendemos a posicionar
o nosso corpo de forma que não soframos lesões ao sermos projetados ao solo. O mestre Kano
aperfeiçoou essas técnicas a partir dos ensinamentos do estilo Sekikuti Ryu.

Por meio de duas ações, que podemos denominar “princípio da superfície de


contato otimizada” e “princípio do amortecimento da queda pela pancada do braço”, podemos
praticar todos os tipos de projeções sem que o corpo sofra lesões.

Para um melhor entendimento desses princípios, objetivamente, falaremos


deles a seguir:

a) PRINCÍPIO DA SUPERFÍCIE DE CONTATO OTIMIZADA:

Informa esse princípio que devemos posicionar o corpo de forma que este, ao
sofrer o impacto no solo, ofereça uma superfície de contato flexível e de menor sensibilidade
possível. Pelas fotografias abaixo verificamos claramente que não entram em contato com o
solo a cabeça e o calcanhar. As articulações que terão contato com o solo se encontram
relaxadas, sem contração ou mesmo distendidas. Note-se que a superfície do corpo somente
incluirá linhas curvas, amoldando-se ao impacto no solo.

b) PRINCÍPIO DO AMORTECIMENTO DA QUEDA PELA PANCADA DO BRAÇO:

Durante a queda, o corpo se assemelha a um projétil impulsionado por uma


força. No impacto do corpo no solo, haverá um choque proporcional à força que foi aplicada
e, pelo princípio da ação e reação, esse choque será absorvido pelo corpo. A forma mais
eficaz encontrada para evitar que essa onda de choque seja assimilada pelo corpo, é efetuar
uma pancada forte com o(s) braço(s) no momento do impacto. Dessa forma, quanto maior for
a pancada do(s) braço(s) contra o solo, menor será a onda de choque recebida pelo corpo.
Saliente-se que o corpo deverá estar descontraído e flexível, a pancada será dada com o braço
em toda a sua superfície, da mão até a axila, com uma ação semelhante à de uma mola. Esse
movimento deverá ser feito a partir da articulação do ombro.

O iniciante deve evitar se tornar tenso e defensivo no início do treinamento,


pois, assim, existe o risco de se machucar ao cair contraído no tatame.

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Pela união desses princípios, obtemos técnicas eficazes de proteção do corpo


durante o treinamento de projeções. Chamamos atenção também para o fato de que saber cair
é imprescindível, inclusive no treinamento da defesa pessoal, pois, se uma pessoa for
projetada em uma situação real, sem o domínio dessas técnicas, com certeza estará fora de
combate por possíveis lesões na cabeça, nos membros, na coluna, etc.

Há várias maneiras de sermos projetados, existindo, portanto, diversas técnicas


amortecedoras das quedas. Na seqüência estudaremos os vários educativos necessários para o
treinamento de Judô com segurança:

USHIRO UKEMI – Educativo de queda para trás.

YOKO UKEMI – Educativo de queda lateral

MAE UKEMI – Educativo de queda para frente.

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MAE KAITEN UKEMI – Educativo de rolamento para frente.

ZEMPO KAITEN UKEMI – Educativo de rolamento para frente saltado.

USHIRO KAITEN UKEMI – Educativo de rolamento para trás.

FORMAS DE TREINAMENTO:

TAISSO – Ginástica preparatória para o treinamento do Judô. Constituída de exercícios de


aquecimento e alongamento, tem por finalidade deixar o corpo em condições de realizar
qualquer tipo de movimento ou intensidade de esforço físico, diminuindo os riscos de ter
contraturas, estiramentos e rupturas musculares, trabalhando todas as cadeias musculares,
promovendo o aumento da freqüência cardíaca e da temperatura corporal, proporcionando um
melhor desempenho no treinamento. Ao final do treinamento devem ainda ser realizados
exercícios de alongamento para relaxamento da musculatura e voltar à calma.

Elaboração – Prof. Emeri Pacheco Mota Júnior – 6º Dan.


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UCHIKOMI – Treinamento repetitivo de entrada de quedas sem projeção. Deve ser realizado
de forma contínua, visando correção, coordenação e velocidade no movimento. Praticar pela
direita e pela esquerda.

YAKUSOKUGUEIKO: Treino livre, onde o Tori se movimenta em diversas direções


projetando o Uke, que não deve oferecer resistência.

TANDOKUREISHU: Treino sem ajuda de companheiro (sombra), simulando todos os


movimentos que se faz nos Uchikomi. O objetivo é de melhorar a postura, equilíbrio,
movimentação, coordenação etc.

NAGE-KOMI: O Tori projeta o Uke diversas vezes em seguida.

NAGE-AI: Os dois praticantes aplicam técnicas alternadamente.

RENRAKU-HENKA-WAZA: É a aplicação de técnicas em seqüência. Combinação de


técnicas (vide também Renzoku Waza)

KAESHI-WAZA: São técnicas de contra-ataques. Ocorre quando um dos praticantes aplica


um golpe tecnicamente imperfeito, abrindo espaço para um contra-ataque.

RANDORI: Treino livre e solto, sem preocupação de cair. Deve-se buscar o ippon e para isso
colocar em prática tudo o que foi aprendido nos treinamentos. No Randori é fundamental
manter a postura e evitar o uso da força. É entendido como o “laboratório” do judoca, pois é o
momento de experimentar novas técnicas, combinações etc. Não deve haver preocupações
com quem vai “vencer” a disputa.

SHIAI: É traduzido geralmente como desafio, mas não está correto, pois desafio seria shobu.
shiai quer dizer “combate de prova”. Tem por finalidade exercitar os efeitos da tensão nervosa
no praticante de Judô, fazendo-o trabalhar seu autocontrole, coragem e superação. No Shiai o
objetivo é a vitória pela habilidade adquirida no Randori.

KATA: Significa "Forma". É um sistema de movimentos pré-estabelecidos visando ao


aprendizado dos fundamentos de ataque e defesa. À frente trataremos do assunto com mais
propriedade e profundidade.

Elaboração – Prof. Emeri Pacheco Mota Júnior – 6º Dan.


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CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS DO JUDÔ:

CLASSIFICAÇÃO DAS TÉCNICAS DE JUDÔ

TACHI WAZA TE WAZA (Técnicas de Mão ou Braço)


(Técnicas de Projeção em pé) KOSHI WAZA (Técnicas de Quadril)
NAGUE WAZA ASHI WAZA (Técnicas de Perna ou Pé)
(Técnicas de Projeções)

MA SUTEMI WAZA
SUTEMI WAZA (Técnicas de Sacrifício para trás)
(Técnicas de Projeção com
Sacrifício) YOKO SUTEMI WAZA
(Técnicas de Sacrifício para os lados)

KATAME WAZA
OSSAE WAZA (Técnicas de Imobilizações)
(Técnicas de domínio no solo) SHIME WAZA (Técnicas de Estrangulamentos)
KANSETSU WAZA (Técnicas de Luxações)

UDE ATE KOBUSHI-ATE (Mãos fechadas)


ATEMI WAZA (Ataques com os braços e mãos) TEGATANA-ATE (Bordas das mãos)
(Técnicas de ataques contundentes aos YUBISAKI-ATE (Ponta dos dedos)
pontos vitais, utilizadas somente em HIJI-ATE (Cotovelo)
defesa pessoal).

ASHI ATE SEKITO-ATE (Planta do pé)


(Ataques com os pés ou pernas) KAKATO-ATE (Borda Lateral do pé)
HIZA-GASHIRA-ATE (Joelho)

GOKIO NO WAZA

Seguindo os princípios já comentados e objetivando a sistematização e


ordenação do ensino do Judô, o Professor Jigoro Kano, em 1895, reuniu as 42 projeções que
considerou mais significativas e representativas de cada categoria, dividiu-as em cinco grupos
e classificou-as através de critérios pedagógicos preestabelecidos, denominando essa
ordenação de GOKIO (GO = CINCO / KIO = PRINCÍPIO – FUNDAMENTO), que
caracterizam, portanto, os princípios de todas as técnicas de Judô. No pensamento do Mestre,
também era imprescindível essa ordenação e conseqüente registro para que não houvesse
distorções ou mudanças nas técnicas ao sabor do gosto de cada professor ou praticante,
perpetuando-as para as futuras gerações, sem serem desvirtuados os seus fundamentos
tornando o Judô uma arte única e indissociável.

Em 1922 o Gokio passou por uma revisão realizada por uma comissão formada
pelos maiores mestres da época, entretanto, estranhamente, apontam certos autores, sem a
participação direta do Professor Jigoro Kano. Nessa revisão foram excluídos alguns golpes e
incluídos outros, perdurando esta última composição do Gokio até a atualidade. Entretanto,
em 1982, ano do seu centenário, o Kodokan resolveu resgatar as oito técnicas anteriormente
excluídas, que passaram a integrar um novo grupo, que passou a ser denominado por alguns
autores estrangeiros de ROKUKIO (6º KYO), conforme pudemos constatar na consulta a

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alguns websites de federações européias (Note-se que o próprio Kodokan não apresenta essas
técnicas dessa forma). Recentemente, em pesquisa no website judô information site
(www.judoinfo.com), encontramos esse mesmo grupo de técnicas denominado como
“HABUKARETA NO WAZA”, que podemos traduzir como “técnicas retiradas”, referindo-se
ao Gokio de 1895. Ainda por ocasião da comemoração do centenário da criação do Judô, em
1982, após cuidadosa consideração o Kodokan resolveu também reconhecer um novo grupo
de 17 técnicas, ao que foi denominado SHIMMEISHO NO WAZA, que passou a fazer parte
das técnicas oficialmente reconhecidas por aquela instituição. Em 1997 foram adicionadas a
este grupo mais duas técnicas, a saber: SODE TSURI KOMI GOSHI e IPPON SEOI
NAGUE, perdurando a composição deste acervo, na forma abaixo elencada, até a presente
data.

GO-KIO NO WAZA
DAÍ-IKIO - 1º Kio DAÍ-NIKIO - 2º Kio
 DE ASHI HARAI  KO SOTO GARI
 HIZA GURUMA  KO UCHI GARI
 SASSAE TSURI KOMI ASHI  KOSHI GURUMA
 UKI GOSHI  TSURI KOMI GOSHI
 O SOTO GARI  OKURI ASHI HARAI
 O GOSHI  TAI OTOSHI
 O UCHI GARI  HARAI GOSHI
 SEOI NAGUE  UCHI MATA

DAÍ SANKIO - 3º Kio DAÍ YONKIO - 4º Kio


 KO SOTO GAKE  SUMI GAESHI
 TSURI GOSHI  TANI OTOSHI
 YOKO OTOSHI  HANE MAKIKOMI
 ASHI GURUMA  SUKUI NAGUE
 HANE GOSHI  UTSURI GOSHI
 HARAI TSURI KOMI ASHI  O GURUMA
 TOMOE NAGUE  SOTO MAKIKOMI
 KATA GURUMA  UKI OTOSHI

DAI GOKIO - 5º Kio HABUKARETA NO WAZA


 O SOTO GURUMA  OBI OTOSHI
 UKI WAZA  SEOI OTOSHI
 YOKO WAKARE  YAMA ARASHI
 YOKO GURUMA  O SOTO OTOSHI
 USHIRO GOSHI  DAKI WAKARE
 URA NAGUE  HIKIKOMI GAESHI
 SUMI OTOSHI  TAWARA GAESHI
 YOKO GAKE  UCHI MAKIKOMI

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SHINMEISHO NO WAZA

 MOROTE GARI  HARAI GOSHI GAESHI


 KUSHIKI TAOSHI  UCHI MATA GAESHI
 KIBISU GAESHI  KANI BASAMI*
 UCHI MATA SUKASHI  KAWAZU GAKE*
 DAKI AGE  O SOTO MAKIKOMI
 TSUBAME GAESHI  UCHI MATA MAKIKOMI
 O SOTO GAESHI  HARAI MAKIKOMI
 UCHI GAESHI  SODE TSURI KOMI GOSHI
 KO UCHI GAESHI  IPPON SEOI NAGUE
 HANE GOSHI GAESHI *Técnicas proibidas em competição

A seguir apresentaremos a relação do Gokio, com desenhos relativos às técnicas:

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GOKIO NO WAZA
(Desenhos das 40 técnicas básicas)

PRIMEIRO KIO - IKKIO

DE ASHI HARAI O SOTO GARI

HIZA GURUMA O GOSHI

SASSAE TSURI KOMI ASHI O UCHI GARI

UKI GOSHI SEOI NAGUE

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GOKIO NO WAZA

SEGUNDO KIO - NIKIO

KO SOTO GARI OKURI ASHI HARAI

KO UCHI GARI TAI OTOSHI

KOSHI GURUMA HARAI GOSHI

TSURI KOMI GOSHI UCHI MATA

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GOKIO NO WAZA

TERCEIRO KIO - SANKIO

KO SOTO GAKE HANE GOSHI

TSURI GOSHI HARAI TSURI KOMI ASHI

YOKO OTOSHI TOMOE NAGUE

ASHI GURUMA KATA GURUMA

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GOKIO NO WAZA

QUARTO KIO - YONKIO

SUMI GAESHI UTSURI GOSHI

TANI OTOSHI O GURUMA

HANE MAKIKOMI SOTO MAKIKOMI

SUKUI NAGUE UKI OTOSHI

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GOKIO NO WAZA

QUINTO KIO - GOKIO

O SOTO GURUMA USHIRO GOSHI

UKI WAZA URA NAGUE

YOKO WAKARE SUMI OTOSHI

YOKO GURUMA YOKO GAKE

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HABUKARETA NO WAZA

TAWARA GAESHI
HIKIKOMI GAESHI

OBI OTOSHI

SEOI OTOSHI

UCHI MAKIKOMI

YAMA ARASHI

O SOTO OTOSHI
DAKI WAKARE
Dessa forma, o Judô, em sua constante evolução, chega aos nossos dias com um
acervo de técnicas que foram se desenvolvendo com o passar dos anos, a maioria delas
variantes daquelas principais, que são reconhecidas tanto pelo Kodokan, quanto pela Federação
Internacional de Judô (FIJ), conforme veremos a seguir, incluindo-se aquelas integrantes do
GOKIO, entretanto, dividindo-as por grupo, conforme a parte do corpo predominante na ação:

TE-WAZA KOSHI-WAZA ASHI-WAZA


Seoi-nage Uki-goshi De-ashi-barai
Tai-otoshi O-goshi Hiza-guruma
Kata-guruma Koshi-guruma Sasae-tsurikomi-ashi
Sukui-nage Tsurikomi-goshi Osoto-gari
Uki-otoshi Harai-goshi Ouchi-gari
Sumi-otoshi Tsuri-goshi Kosoto-gari
Obi-otoshi Hane-goshi Kouchi-gari
Seoi-otoshi Utsuri-goshi Okuri-ashi-barai
Yama-arashi Ushiro-goshi Uchi-mata
Morote-gari Sode-tsurikomi-goshi Kosoto-gake
Kuchiki-taoshi Daki-age Ashi-guruma
* Técnica não considerada como
yuko em competições.
Kibisu-gaeshi Harai-tsurikomi-ashi
Uchi-mata-sukashi O-guruma
Kouchi-gaeshi Osoto-guruma
Ippon-seoi-nage Osoto-otoshi
Te-guruma (FIJ) (O Kodokan Tsubame-gaeshi
a reconhece apenas como
variação do Sukui Nague)
O-soto-gaeshi
O-uchi-gaeshi
Hane-goshi-gaeshi
Harai-goshi-gaeshi
Uchi-mata-gaeshi
MA-SUTEMI-WAZA YOKO SUTEMI-WAZA
Tomoe-nage Yoko-otoshi
Sumi-gaeshi Tani-otoshi
Ura-nage Hane-makikomi
Hikikomi-gaeshi Soto-makikomi
Tawara-gaeshi Uki-waza
Yoko-wakare
Yoko-guruma
Yoko-gake
Daki-wakare
Uchi-makikomi
Kani-basami * Técnica proibida
O-soto-makikomi
Uchi-mata-makikomi
Harai-makikomi
Kawazu-gake * Técnica proibida
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TÉCNICAS PROIBIDAS – KINSHI WAZA

Recordando as palavras do próprio Mestre Jigoro Kano, já coligidas a este


estudo, verificamos que quando da elaboração do sistema do Kodokan algumas técnicas
consideradas perigosas e cujas execuções pusessem em risco a integridade física dos praticantes
foram excluídas. Dentre essas técnicas incluiram-se inicialmente aquelas que afetam
diretamente a coluna cervical e pescoço (Kubi Kansetsu Waza), chaves nos membros superiores
(Kote Kansetsu Waza) aplicadas fora da articulação do cotovelo (punho), além de chaves de
pernas (Ashi Kansetsu Waza).

Com o desenvolvimento do Judô como esporte, verificou-se que algumas outras


técnicas também traziam riscos consideráveis aos praticantes durante suas aplicações em
randori e shiai, razão pela qual foram proscritas das competições. No entanto, essas técnicas
merecem ser conhecidas e estudadas pelos faixas pretas, principalmente por aqueles que
desejam trilhar o caminho da arbitragem, sem falar no caso específico da técnica denominada
Ashi Garami, cujo treinamento é necessário em razão de figurar no Katame no Kata. A saber:
ASHI GARAMI, KANI BASAMI, KAWAZU GAKE e DO-JIME.

Ashi Garami Kani Basami

Kawazu Gake Do Jime

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KATAME WAZA

Conta-se uma estória que supostamente teria ocorrido nos primórdios do


KODOKAN, onde ali teria chegado um famoso lutador de Ju-Jitsu, especialista em shime-
waza, que derrotou com facilidade a maioria dos discípulos do Professor Jigoro Kano através da
luta de solo. Esse fato fez com que o Mestre Kano vislumbrasse a necessidade de aperfeiçoar as
técnicas de Katame Waza do Judô, chegando até a forma como estas se apresentam hoje. Este
fato, se realmente ocorreu, muito bem demonstra a necessidade dos judocas realizarem sempre
um treinamento completo, tanto de técnicas de luta em pé, quanto de solo, em uma proporção
ideal de 50% para cada, em uma sessão de treinamento.

Com efeito, hoje o Judô detém em seu acervo uma quantidade de técnicas de
Katame Waza, as quais, diferentemente das projeções, não foram classificadas através de um
Gokio, mas sim divididas através de uma forma mais simples, levando-se em conta o tipo de
domínio que é exercido sobre o adversário.

Assim temos as técnicas de:

 OSSAE WAZA – Técnicas de Imobilização


 SHIME WAZA - Técnicas de Estrangulamentos
 KANSETSU WAZA – Técnicas de Luxações

Observando o quadro abaixo, verificamos que, quantitativamente, parecem-nos


poucas as técnicas de luta de solo, entretanto isto é um ledo engano, haja vista que estas,
quando na realidade concreta do randori, do shiai e mesmo da defesa pessoal, se desdobram em
inúmeras variantes, utilizadas conforme as oportunidades vão se apresentando. Acrescente-se
ainda que certas técnicas de estrangulamentos e chaves de braço podem ser utilizadas
indistintamente tanto na luta em pé quanto no solo, principalmente quando se tratar de defesa
pessoal. Na seqüência, apresentamos um quadro com as principais técnicas de luta de solo e,
mais à frente, desenhos da maioria dessas técnicas, pedindo escusas pelo fato de não ter sido
possível obter figuras de todas:

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KATAME WAZA

OSSAE KOMI WAZA

1. HON KESSA GATAME 6. YOKO SHIHO GATAME


2. KUZURE KESSA GATAME 7. TATE SHIHO GATAME
3. KATA GATAME
4. KAMI SHIHO GATAME
5. KUZURE KAMI SHIHO GATAME

SHIME WAZA

1. NAMI JUJI JIME 9. SANKAKU JIME


2. KATA JUJI JIME 10. SODE GURUMA JIME
3. GIAKU JUJI JIME 11. RYOTE JIME
4. HADAKA JIME 12. DO JIME (Técnica proibida)
5. OKURI ERI JIME
6. KATA HA JIME
7. KATA TE JIME
8. TSUKOMI JIME

KANSETSU WAZA

1. UDE GARAMI 6. UDE HISHIGI WAKI GATAME


2. UDE HISHIGI UDE GATAME 7. UDE HISHIGI HARA GATAME
3. UDE HISHIGI JUJI GATAME 8. UDE HISHIGI TE GATAME
4. UDE HISHIGI ASHI GATAME 9. UDE HISHIGI SANKAKU GATAME
5. UDE HISHIGI HIZA GATAME 10. ASHI GARAMI (Técnica proibida)

Observações:

1. O Kodokan usa o nome original "Kuzure-kesa-gatame" ao invés dos comumente


usados "Makura-kesa-gatame" e "Ushiro-kesa-gatame".
2. Segundo o Kodokan, "Kesa" e "Kami-shiho" são as únicas técnicas (waza) que
têm "Kuzure". Não há "Kuzure" em "Yoko-shiho-gatame", "Tate-shiho-gatame", nem
em "Kata-gatame".
3. O Kodokan usa o nome original "Ude-hishigi-juji-gatame" ou "Ude-hishigi-ude-
gatame" ao invés de abreviar os nomes com "Juji-gatame" ou "Ude-gatame".

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KATAME WAZA – FIGURAS


O S S A E K O M I W A Z A – (7 técnicas)

HON KESSA GATAME

KUZURE KAMI SHIHO GATAME

KUZURE KESSA GATAME

TATE SHIHO GATAME

KATA GATAME

KAMI SHIHO GATAME

YOKO SHIHO GATAME

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S H I M E W A Z A (12 técnicas)

NAMI JUJI JIME

TSUKOMI JIME

GYAKU JUJI JIME

KATA HA JIME

KATA JUJI JIME

OKURI ERI JIME

RYOTE JIME

HADAKA JIME

SODE GURUMA JIME

SANKAKU JIME
KATA TE JIME

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KANSETSU W A Z A (10 técnicas)

UDE GARAMI

UDE HISHIGI HARA GATAME

UDE HISHIGI UDE GATAME

UDE HISHIGI ASHI GATAME

UDE HISHIGI JUJI GATAME

UDE HISHIGI SANKAKU GATAME

UDE HISHIGI HIZA GATAME

UDE HISHIGI WAKI GATAME

UDE HISHIGI TE GATAME

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RENRAKU RENKA e RENZOKU WAZA

São golpes combinados ou seqüenciados, que podem ser utilizados, dentre


outras, nas seguintes situações:

a) Quando aplicamos uma técnica que não surtiu o efeito desejado ou o


adversário nos respondeu com uma defesa, damos seqüência ao ataque com uma segunda
técnica, aproveitando o desequilíbrio já conseguido;

b) Simulamos um ataque visando confundir o adversário e aplicamos outro


golpe que ele não espera naquele momento.

Define-se o RENRAKU RENKA WAZA como aquela combinação de golpes


em que as direções dos desequilíbrios dos golpes são opostas, como por exemplo: O Uchi Gari
– Tai Otoshi; Ko Uchi Gari – Uchi Mata etc.

Por sua vez, o RENZOKU WAZA é a combinação de técnicas em que a direção


do desequilíbrio é uma só. Podemos exemplificar com O uchi Gari – Ko Uchi Gari; Sassae
Tsuri Komi Ashi – Tai Otoshi, etc.

A seguir uma coletânea das combinações mais conhecidas e exigidas em exames


de graduação:

ENCADEAMENTO DE TÉCNICAS
RENRAKU RENKA WAZA RENZOKU WAZA

1. KO UCHI GARI - IPPON SEOI NAGUE 1. TSURI KOMI GOSHI - TAI OTOSHI
2. SASSAE TSURI KOMI ASHI- O SOTO GARI 2. IPPON SEOI NAGUE - SUMI GAESHI
3. UCHI MATA - KO UCHI GARI 3. UKI GOSHI - HARAI GOSHI
4. O UCHI GARI - TAI OTOSHI 4. O UCHI GARI - KO UCHI GARI
5. IPPON SEOI NAGUE - KO UCHI MAKIKOMI 5. KO SOTO GARI - TANI OTOSHI
6. MOROTE SEOI NAGUE - KO UCHI GARI 6. TAI OTOSHI - UCHI MATA
7. O UCHI GARI - HARAI TSURI KOMI ASHI 7. DE ASHI HARAI - O SOTO GARI
8. KO UCHI GARI - UCHI MATA 8. SUMI GAESHI - TATE SHIHO GATAME
9. MOROTE SEOI NAGUE - O UCHI GARI 9. O SOTO GARI - O SOTO GURUMA
10. KO UCHI GARI - SEOI NAGUE 10. KOSHI GURUMA - SOTO MAKIKOMI
11. O UCHI GARI - UCHI MATA 11. KO UCHI GARI - KUCHIKI TAOSHI
12. O UCHI GARI - HARAI GOSHI 12. KUSHIKI TAOSHI - O UCHI GARI
13. KOSHI GURUMA - O UCHI GARI 13. O UCHI GARI - KO SOTO GAKE
14. TAI OTOSHI - KO UCHI GARI 14. IPPON SEOI NAGUE - KATA GURUMA

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KAESHI WAZA

São técnicas utilizadas em reação a um ataque. Consistem basicamente em


efetuar um contragolpe, aproveitando o momento em que o ataque do adversário foi deficiente e
não surtiu o efeito que ele desejava e o deixou em posição de desequilíbrio ou, ainda, a defesa
que foi efetuada deixou o adversário em situação desvantajosa.

Sobre as técnicas de Gaeshi Waza é importante comentar a respeito de algumas


que integram o acervo de projeções reconhecidas pelo Kodokan, tais como: KO UCHI GARI
GAESHI, UCHI MATA SUKASHI, HANE GOSHI GAESHI, HARAI GOSHI GAESHI, O
SOTO GAESHI, O UCHI GAESHI, TSUBAME GAESHI e UCHI MATA GAESHI, as
quais, na realidade, se tratam de técnicas utilizadas essencialmente em contragolpes, podendo-
se, ainda, incluir neste contexto duas técnicas constantes do próprio Gokio: USHIRO GOSHI e
UTSURI GOSHI.

Abaixo, uma pequena coletânea dos contragolpes mais utilizados e solicitados


em exames de graduação:

GAESHI WAZA

1. TSURI KOMI GOSHI x USHIRO GOSHI 13. KOSHI GURUMA x YOKO GURUMA
2. UCHI MATA x TAI OTOSHI 14. HARAI GOSHI x TANI OTOSHI
3. KO UCHI GARI x SASSAE TSURI KOMI ASHI 15. KO UCHI GARI x HIZA GURUMA
4. O UCHI GARI x TOMOE NAGUE 16. MOROTE SEOI NAGUE x OKURI ERI JIME
5. KO SOTO GAKE x UCHI MATA 17. MOROTE GARI x TAWARA GAESHI
6. O SOTO GARI x O SOTO OTOSHI 18. KATA GURUMA x TAWARA GAESHI
7. UCHI MATA x TE GURUMA (Sukui Nague) 19. UKI GOSHI x KOSHI GURUMA
8. UCHI MATA x UCHI MATA SUKASHI 20. IPPON SEOI NAGUE x HADAKA JIME
9. KATA GURUMA x HIKIKOMI GAESHI 21. TAI OTOSHI x TSURI GOSHI
10. TAI OTOSHI x YOKO GURUMA 22. DE ASHI HARAI x TAI OTOSHI
11. KOSHI GURUMA x UTSURI GOSHI 23. HANE GOSHI x TANI OTOSHI
12. DE ASHI BARAI x DE ASHI BARAI (Tsubame 24. UKI GOSHI x YOKO WAKARE
Gashi)

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KATAS

Os Kata são a ética do Judô. Neles se encontra o


espírito do Judo, sem o qual é impossível
compreender os seus princípios.

Jigoro

Entre as várias abordagens que encontramos sobre o assunto, verificamos que os


autores têm um entendimento de certa forma consensual sobre o que seja o Kata e sua
finalidade. Alguns se apresentam mais ortodoxos e outros mais liberais ou contemporâneos no
que tange aos conceitos de treinamento e objetivos a serem alcançados com a prática regular,
mas sempre seguindo uma linha de raciocínio que prisma pelo reconhecimento de que os Katas
incorporam o espírito de perpetuação da arte e o seu inestimável valor como lapidação da
técnica do praticante, não somente no que se refere ao Judô, mas nas artes marciais em geral.
Dentre esses estudos, no nosso entender, destaca-se aquele apresentado pelo Professor Stanley
Virgílio, da cidade de Campinas/São Paulo, em seu livro: “A Arte do Judô”, Editora Ríngel – 3ª
Edição – 1994, fls. 138/139, que tomamos a liberdade de transcrever:

“Mais que exercícios físicos, os katas são um ritual de formas determinadas e


imutáveis, medidas, sincronizadas e previamente ensaiadas até um máximo possível de
perfeição. Requerem intensa coordenação de movimentos e concentração. Seu objetivo é a
própria perpetuação do Judô.

Vejamos cada uma das palavras-chave dessa definição:

Kata: A palavra japonesa “kata” é traduzida pelos dicionários como “fôrma” ou “modelo”.

Ritual: O kata adquire essa dimensão pelo respeito que envolve, tanto em relação ao público
quanto ao adversário e às próprias formas executadas. A correção, a sinceridade nos gestos e
a tensão do momento fazem dos katas um verdadeiro ritual.

Formas determinadas e imutáveis: As técnicas dos katas foram selecionadas entre as mais
representativas e permanecem sempre as mesmas, inalteradas inclusive nos gestos, movimentos
e seqüência de apresentação.

Medidas: Porque cada passo, cada gesto, cada execução dos katas foi avaliada, calculada e
preparada para ser aplicada dentro de parâmetros rígidos.

Sincronizadas: Os dois executores ajustam os seus movimentos e gestos em perfeita sincronia,


dependendo disto à beleza e a perfeição na apresentação.

Ensaio: Está claro que para as formas constituídas pelos katas serem apresentadas
corretamente, bem sincronizadas e com beleza de estilo, deverão ser treinadas com afinco,
dedicação, paciência e perseverança. Só assim se torna possível aproximar-se da perfeição
almejada.

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Concentração: Os lutadores devem dar o maior realismo possível ao “combate” para o que
são absolutamente necessárias toda a atenção e concentração no trabalho a ser realizado.

Perpetuação: A principal função dos katas é justamente buscar a perpetuação da arte que lhes
deu origem, e por isso mesmo continuarão a ser aplicados sempre da mesma maneira, no
mesmo sentido, com os mesmos movimentos e gestos estabelecidos por seus criadores.”“.

Nesse raciocínio, o treinamento e a assimilação dos princípios intrínsecos


contidos no kata, significam para o judoka que ele está alçando um nível superior no
aprendizado, aprimorando-se através do conhecimento amiúde das sutilezas necessárias para a
aplicação das técnicas com a máxima perfeição possível.

Assim, passaremos a comentar a respeito dos katas existentes no Judô, em


número de oito oficialmente, visando oferecer um conhecimento mais amplo e necessário sobre
o assunto, que entendemos ser de interesse daqueles que almejam alcançar a faixa preta e
prosseguir aperfeiçoando-se:

NAGUE NO KATA

Trata-se do primeiro kata do Judô. Foi criado por Jigoro Kano por volta de 1890
e é constituído por quinze técnicas de arremesso, as quais se encontram divididas em cinco
grupos de três projeções cada, escolhidas dentre aquelas tidas como as mais representativas de
cada classe – TE WAZA – KOSHI WAZA – ASHI WAZA – MA SUTEMI WAZA e YOKO
SUTEMI WAZA (vide gráfico). As técnicas são executadas tanto pelo lado direito, quanto pelo
esquerdo, conceito este revolucionário para a época em que foi criado, pois nenhuma outra
escola de ju-jutsu adotava esse tipo de treinamento, o que tornou os alunos do Kodokan hábeis
em projetar seus adversários por ambos os lados.

KATAME NO KATA

Também criado por Jigoro Kano, mais ou menos na mesma época que o Nague
no Kata, engloba este kata quinze técnicas de luta no solo (ossae, shime e kansetsu waza),
divididas em três grupos de cinco técnicas cada. Diferentemente do Nague no Kata, neste as
técnicas somente são aplicadas pelo lado direito (vide gráfico às fls. ).

Ao conjunto do treinamento do Nague no Kata e do Katame no Kata denomina-


se de RANDORI NO KATA ou forma de treinamento completo.

KIME NO KATA

Também denominado Shiken Shobu no Kata, é definido como kata de


autodefesa ou ainda como kata de decisão. É constituído por 20 técnicas que englobam
arremessos, estrangulamentos e chaves de braço, além de atemis em pontos vitais, efetuadas em
defesa a ataques realizados com as mãos nuas, faca e espada. Oito dessas técnicas são aplicadas
na posição I-Dori (sentado) e as demais em Tachi-Ai (em pé). Consideramos um kata muito
bonito, onde as finalizações das técnicas devem ser demonstradas com o maior realismo
possível e com o uso do Kiai. Existem citações que atribuem a colaboração do Mestre Gichin
Funakoshi, fundador do estilo Shotokan de Karate, na elaboração deste kata, em uma época em
que este permaneceu hospedado no Kodokan. Outros, entretanto, discordam dessa versão,

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alegando que Kano era bastante conhecedor das técnicas de atemi, próprias do Estilo Tenshyn
Shinyo, sendo, portanto, especialista nesse mister. Entendem que Funakoshi seria, à época da
criação desse kata, muito novo para ensinar o Mestre Kano (Funakoshi era cerca de dez anos
mais novo que Kano e foi trazido de Okinawa sob a tutela do Mestre para mostrar o Karatê ao
Japão, fazendo, inclusive, uma apresentação perante o próprio Imperador, por intermediação de
Kano).

JU NO KATA

Considerado o kata mais técnico do Judô, toma essencialmente por base o


princípio da suavidade e da flexibilidade contra a força. Este kata é constituído por três grupos
de cinco técnicas cada e tem a peculiaridade de poder ser praticado em qualquer local,
independentemente da existência ou não de tatames, uma vez que suas técnicas terminam
sempre antes do kake se concretizar. Objetiva este kata aprimorar a flexibilidade do corpo,
através de técnicas de alongamentos, deslocamentos, esquivas e combinações, executadas com
movimentos contínuos e suaves demonstrando, ainda, excelentes princípios para a autodefesa.
Este kata, tradicionalmente, sempre foi mais praticado pelas mulheres, entretanto, seus valores
são inegáveis para a lapidação técnica e deve ser praticado por todos os judocas,
indistintamente.

KOSHIKI NO KATA

Este kata foi ensinado a Jigoro Kano pelo Mestre Likugo, do estilo Kitô de Jiu-
Jitsu (Kito Ryu). Em razão de apreciá-lo muito, Jigoro Kano resolveu incorporá-lo às técnicas
do Kodokan, por entender que seu treinamento em muito beneficiaria na formação dos judocas.
Na sua forma original, o Koshiki no Kata era praticado com armaduras, entretanto, na
atualidade, ele é praticado com Judogi, esmerando-se Tori e Uke em simular os movimentos
como se as tivesse usando. É composto de vinte e uma técnicas de arremesso, divididas em dois
grupos, sendo um com sete (Omote) e o outro com quatorze (Ura), respectivamente. É um kata
de alto nível, geralmente praticado por Kodanshas. Segundo informam alguns autores, seria o
kata central do estilo Kito Ryu.

ITSUTSU NO KATA

É um kata complexo e de grande profundidade. Sua idealização por Jigoro Kano


iniciou-se quando o Mestre contava com apenas 25 anos de idade, porém, entendem alguns
estudiosos, que Kano Sensei chegou a falecer sem o completar. Procurou o Mestre Kano
desenvolver como tema neste kata as forças cósmicas no contexto humano, realizando-as
através de movimentos centrífugos, ondulares e rítmicos. É composto de cinco formas, sem
nomes definidos, as quais são executadas continuamente, sem interrupção.

Como já comentado, alguns estudiosos consideram como sendo o Itsutsu no Kata


um trabalho que o Mestre Kano não teve tempo para finalizar, em razão da sua complexidade,
denominando-o, inclusive, de "kata inacabado". Por outro lado, encontramos entendimento
diverso a esse respeito, com o qual comungamos, dizendo que na realidade o Mestre Jigoro
Kano deixou o este kata desta forma propositadamente. Este kata exprimiria a condensação das
idéias do Mestre Kano no que se refere à evolução do praticante dentro da arte. No seu

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planejamento, o Judô seria praticado do específico para o geral, ou seja, o judoca inicia-se na
arte através treinamento de golpes determinados e vai evoluindo de tal sorte que chegará o
momento em que esse praticante não mais necessariamente utilizará esses golpes específicos
para defender-se, mas sim os princípios e fundamentos que regem o Judô. Neste sentido, nas
nossas pesquisas encontramos um trabalho da Jornalista americana Linda Yiannakis, 3º Dan da
USJA, denominado "The Dynamic Nature of Kata, An Interview with Steve R.
Cunningham", então graduado 6º Dan em Judo pelo Kodokan; 7º Dan em Takagi Ryu Jujutsu
e 6º Dan em Mugen Ryu Karatê, uma das maiores autoridades sobre o assunto nos EUA, que
assim se pronuncia: "... Acredito que na realidade Kano havia planejado para a sua arte
operar na direção oposta, onde você partiria do específico para o geral, e aprenderia a
resumir as técnicas individuais, passando a operar completamente dentro dos princípios. E
quando isso acontecer, você possuirá o verdadeiro domínio dessa arte”.

SEIRYOKU ZEN´YO KOKUMIN TAIIKU NO KATA

No Japão este kata já foi considerado um treinamento nacional para o


desenvolvimento das totais capacidades do indivíduo, uma vez que suas técnicas envolvem
exercícios isométricos e isotônicos, entretanto, no ocidente, é praticamente desconhecido. É
composto de quarenta e oito técnicas, das quais vinte e oito são praticadas individualmente
(Tandoku Renshu) e dez em duplas (Satai Renshu). Consiste basicamente este kata, em sua
parte inicial, de técnicas de atemis desferidos com os punhos e pés, e, na sua parte final, de
técnicas de defesa pessoal, praticadas em duplas, nas posições de I-Dori (sentado) e Tachi-Ai
(em pé), englobando bloqueios de ataques realizados com as mãos nuas, faca e espada. Estas
últimas técnicas guardam certa semelhança com o Kime no Kata.

KODOKAN GOSHIN JITSU NO KATA

Também nomeado de SHIN KIME NO KATA (Nova Forma de Defesa Pessoal


ou Nova Forma de Decisão), este kata foi criado em 1956, após três anos de estudos por uma
comissão formada por 21 mestres do Kodokan que buscavam reintegrar ao Judô técnicas de
defesa pessoal mais racionais e atualizadas. Integrando essa comissão se encontrava o Mestre
Kenji Tomiki, que, à época, além de possuir o 7º Dan de Judô, também era 8º Dan de Aikido e
aluno direto de Morihei Ueshida, criador desta última arte. Obras especializadas relatam do
grande predomínio do Mestre Tomiki na elaboração deste kata, o que nos leva a verificar que
realmente as técnicas englobadas demonstram grande influência do Aikido ou Aiki Jujutsu.
Este kata é formado por 21 técnicas de defesa pessoal, realizadas em Tachi Ai (em pé),
bloqueando ataques realizados com as mãos nuas e com armas (faca, bastão e revólver). A
título de ilustração, o Mestre Tomiki também ensinou Aikido no Kodokan, e depois criou seu
próprio estilo, o TOMIKI AIKIDO, baseado no Aikido e Judô, cujas técnicas foram adaptadas
para competição.

Existem ainda outros katas criados por grandes mestres de Judô, mas que não são
reconhecidos oficialmente. Dentre estes podemos citar o Hirano no Kata e o Nague Ura no
Kata, que tratam de técnicas de contragolpes (Gaeshi Waza), o primeiro criado pelo Mestre
Tokio Hirano, um dos introdutores do Judô na Alemanha e o segundo pelo Mestre Kyuzo
Mifune, que chegou ao 10º Dan, além do GONOSEN NO KATA, que já fez parte dos katas
oficiais do Kodokan, também constituído por técnicas de contragolpes.

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Finalizada esta rápida explanação, passaremos a estudar a sistemática de


execução do Nague no Kata e do Katame no Kata, esclarecendo que somos sabedores da
dificuldade que existe no aprendizado dos Kata através de livros e textos, razão pela qual
optamos em apresentar uma descrição mais objetiva e sucinta das técnicas, não nos alongando
em muitos detalhes, os quais serão mais bem assimilados nos treinamentos junto aos
Professores e Mestres:

NAGUE NO KATA
(Gráfico das Técnicas)

TACHI WAZA
(Técnicas de Projeção partindo da posição de pé)

TE WAZA UKI OTOSHI


(Técnicas de mãos) IPPON SEOI NAGUE
KATA GURUMA

KOSHI WAZA UKI GOSHI


(Técnicas de quadril) HARAI GOSHI
TSURI KOMI GOSHI

ASHI WAZA OKURI ASHI HARAI


(Técnicas de pé ou perna) SASSAE TSURI KOMI ASHI
UCHI MATA

SUTEMI WAZA
(Técnicas de Projeção com Sacrifício)

MA SUTEMI WAZA TOMOE NAGUE


(Técnicas de Sacrifício para trás) URA NAGUE
SUMI GAESHI

YOKO SUTEMI WAZA YOKO GAKE


(Técnicas de Sacrifício para os lados) YOKO GURUMA
UKI WAZA

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NAGUE NO KATA
(Forma de Execução)

– REI-HO (Saudação Inicial)

a) Ambos de frente para o Joseki, Tori posicionado do lado direito e Uke do esquerdo em
relação ao mesmo, realizam o cumprimento em Ritsurei, adentram na área de apresentação
com o pé esquerdo e caminham em Ayumi Ashi até o local previamente marcado, onde
param em posição de Tyokuritsu.
b) Realizam o cumprimento em Ritsurei ao Joseki, depois se volta um para o outro.
c) Ajoelham-se, sentam-se sobre os calcanhares, em Seiza e realizam o cumprimento mútuo
em Zarei.
d) Após, levantam-se, executam um passo largo à frente com a perna esquerda e iniciam a
demonstração das técnicas:

1ª SÉRIE - TÊ WAZA

UKI OTOSHI:
 Tori se desloca em Ayumi Ashi até ficar aproximadamente 30 cm de Uke.
 Com a iniciativa de Uke, executam Kumikata fundamental pela direita e deslocam-se em
Tsugui Ashi (passo emendado). Ao terceiro passo Tori projetará Uke, executando este passo
mais largo e tracionando-o pelo braço direito.
 Após o Kake, Tori deverá ficar com a face voltada para frente, sem olhar para Uke. O pé
direito permanecerá “vivo” e a mão esquerda em repouso na coxa esquerda.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs: Uke deverá também executar o terceiro passo mais largo, com um pequeno desvio para a
direita, visando facilitar a execução do Ukemi.

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IPPON SEOI NAGUE:


 Tori posicionado no centro da área e Uke a uma distância de aproximadamente 1,80m deste,
aplica um soco em direção à cabeça de Tori que, num movimento contínuo, sem aparar o
golpe, defende-se com o braço e aplica a projeção.
 O mesmo movimento pela esquerda.

KATA GURUMA:
 Uke na sua posição inicial, Tori se aproxima até uma distância de cerca de 30 cm deste,
executam Kumikata fundamental pela direita e se deslocam em Tsugui Ashi, como em Uki
Otoshi. No segundo passo Tori modifica o Kumikata, segurando a manga direita de Uke na
parte superior, levantando o seu braço e iniciando o Kuzushi. No terceiro passo Tori
completa o Kuzushi, puxando a manga direita de Uke para frente, girando o pulso, e depois
se agacha, fazendo a pegada da perna na altura da panturrilha de Uke, aplicando, então, a
projeção. Uke deverá cair com a cabeça próxima ao pé esquerdo de Tori.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs: Tori, no ato da projeção, deverá dobrar um pouco os joelhos e efetuar um giro do tronco
de cerca de 45º graus, para proporcionar um melhor ukemi para Uke.

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2ª SÉRIE - GOSHI WAZA

UKI GOSHI:
 Partindo de suas posições iniciais, Tori e Uke caminham rapidamente em direção um ao
outro e, a uma distância de cerca de dois metros, Uke desfere um soco contra a cabeça de
Tori com a mão direita. Tori se defende com um movimento de cabeça, em Tai Sabaki, ao
mesmo tempo em que agarra Uke pela cintura, aplicando a técnica pela esquerda.
 O mesmo movimento pela direita, com a diferença de que, desta feita, será executada a
técnica a uma distância de cerca de 1,80 m, sem a caminhada.
Obs: Ao desferir o soco, Uke deverá deixar o braço que não está atacando em posição
favorável para ser agarrado por Tori, visando facilitar a projeção.

HARAI GOSHI:
 Uke na sua posição inicial, Tori caminha até uma distância de cerca de 30 cm dele. Nesse
momento executam Kumikata fundamental e deslocam-se em Tsugui Ashi, como em Uki
Otoshi. No segundo passo Tori deverá modificar o Kumikata, levando a mão à altura da
omoplata de Uke. Ao terceiro passo Tori executa o Kuzushi, puxando Uke pela manga
direita, girando o pulso, e empurrando com a mão que está nas costas, quando então aplica a
projeção.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs. Tori deverá ter o cuidado de não agarrar no judogui de Uke com a mão que se encontra
nas costas, no momento em que for projetar.

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TSURI KOMI GOSHI:


 Novamente Tori se dirige até Uke, executam Kumikata, fazendo Tori a pegada da mão
direita no alto da gola de Uke, e caminham em Tsugui Ashi. Ao terceiro passo Tori realiza a
projeção. A técnica deverá se aplicada com o braço esticado, devendo Uke permanecer ereto
e bem encostado no quadril de Tori, para facilitar o arremesso.
 O mesmo movimento pela esquerda.

3ª SÉRIE - ASHI WAZA:

OKURI ASHI BARAI:


 Uke e Tori se deslocam ao centro da área de apresentação em Ayumi Ashi, param cerca de
30cm um do outro, executam kumikata fundamental pela direita e deslocam-se, de imediato,
lateralmente, devendo Tori aplicar a técnica no terceiro passo, com a perna esquerda.
 O mesmo movimento pela direita.
Obs: Durante o deslocamento lateral, Uke deverá sempre juntar os pés e Tori deverá enfatizar
o kuzushi, forçando para dentro a mão que segura o cotovelo de Uke.

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SASSAE TSURI KOMI ASHI:


 Uke em sua posição inicial, Tori se aproxima, efetuam kumikata normal pela direita e se
deslocam em Tsugui Ashi. No terceiro passo Tori realiza um deslocamento lateral, oblíquo,
num ângulo de aproximadamente 90º, oportunidade em que estica o seu pé esquerdo,
barrando o pé direito de Uke, ao tempo em que executa o Kuzushi, puxando-lhe a manga
direita, projetando-o.
 O mesmo movimento pela direita.

UCHI MATA:
 Uke e Tori, posicionados no centro da área de apresentação, executam Kumikata pela direita
em Migui Shizentai. Nesse momento, Tori faz Uke andar em semicírculo, puxando-o com a
mão da gola. No terceiro movimento Tori dará apenas um meio passo, de modo que Uke,
que executará o passo completo, venha de encontro ao seu quadril, quando então a técnica
deverá ser aplicada.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs: Ao ser projetado, Uke deverá apoiar a sua mão livre no quadril de Tori, para facilita o
Ukemi.

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4ª SÉRIE - MA SUTEMI WAZA


TOMOE NAGUE:
 Uke e Tori, partindo de suas posições iniciais, se dirigem ao centro da área, executam
Kumikata fundamental e se posicionam em Migui Jigotai. Nesse momento Tori realizará um
leve empurrão em Uke, que cederá e será conduzido para trás, caminhando em Ayumi Ashi,
dando três passos. Ao término do terceiro passo Uke resistirá, então Tori deverá segurar as
duas golas de Uke, colocando os seus dois pés entre os deste, fazendo o Kuzushi, puxando-o
para cima de forma a deixá-lo na ponta dos pés. Depois Tori, em um movimento contínuo,
agacha-se, sentando-se e, ao mesmo tempo, colocando a perna direita na altura do quadril de
Uke, projetando-o.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs: Uke deverá, no momento em que Tori estiver sentando, levar sua perna direita à frente,
próxima ao tronco de Tori, e fará o Zempo Kaiten Ukemi, terminando de pé.

URA NAGUE:
 Finalizada a projeção anterior e estando Tori e Uke em suas posições iniciais, caminham
rapidamente em direção um ao outro, momento em que Uke ataca Tori com um soco no alto
da cabeça. Tori defender-se-á com esquiva da cabeça e abraçando Uke pela frente, devendo
sua mão esquerda ficar por trás (nas costa de Uke) e a direita na frente (na altura do nó da
faixa de Uke), ao mesmo tempo em que faz o sacrifício, executando a projeção e terminando
em “ponte”.
 Uke deverá fazer o Ukemi e ficar deitado ao final.
 O mesmo movimento pela esquerda, sem o deslocamento anterior, a uma distância de menos
de 2,0 metros.
Obs: O ataque de Uke deverá ser realizado imediatamente após Tori se levantar da projeção
anterior (Tomoe-Nague) e ficarem de frente um para o outro, num ato contínuo.

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SUMI GAESHI:
 Uke em sua posição inicial e Tori já posicionado a cerca de 30 cm deste, agarram-se em
Kumikata, com a mão esquerda segurando a manga direita do Judogui e a mão direita
colocada espalmada na altura da omoplata esquerdo, em Migui Jigotai (posição de Fusegui).
Ato contínuo, Tori e Uke se deslocarão e, no segundo passo, Tori fará o Kuzushi, juntando
seus pés dentro das pernas de Uke, mais para o lado direito, oportunidade em que, se
sentando, levará a perna direita ao interior da coxa esquerda de Uke, projetando-o. Uke
executará Zempo Kaiten Ukemi e terminará de pé.
 O mesmo movimento pela esquerda.
Obs. Como no Tomoe Nague, Uke deverá, no momento em que Tori estiver sentando, levar sua
perna direita à frente, próxima ao corpo deste, visando facilitar o Ukemi.

5ª SÉRIE - YOKO SUTEMI WAZA

YOKO GAKE:
 Uke em sua posição inicial, Tori se dirige até ele, se agarram em Kumi-Kata normal e
caminham em Tsugui Ashi (como em Uki Otoshi). No segundo passo Tori deverá iniciar o
Kuzushi, desequilibrando Uke, puxando sua manga direita para baixo e para dentro. No
terceiro passo Tori acentuará o desequilíbrio, forçando o cotovelo de Uke para dentro, de
forma que este fique com o corpo paralelo ao seu, quase na ponta dos pés. Nesse momento
Tori varrerá com sua perna esquerda o pé direito de Uke, mantendo o contato da planta do
seu pé com o tornozelo deste, fazendo o sacrifício, em um movimento rápido, empurrando o
pé de Uke, forçando-o a cair ao seu lado.
 Após efetuar a projeção, Tori deverá ficar quase lateralmente, em relação ao Uke, que ficará
com as costas totalmente no tatame.
 O pé de Tori não poderá subir no momento da projeção.
 O mesmo movimento pela direita.

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YOKO GURUMA:
 Tori no centro da área e Uke posicionado distante cerca de 1,80m, atacará com um soco,
como em Ura Nague, e Tori se defenderá da mesma forma, com esquiva da cabeça e
agarrando o tronco de Uke. Nesse instante Uke efetuará uma gravata no pescoço de Tori, e
este puxando Uke para si, jogará sua perna direita por entre as pernas daquele, e o
arremessará.
 Uke fará o Zempo Kaiten Ukemi e terminará de pé.
 O mesmo movimento pela esquerda, com a observação de que Uke será projetado na mesma
direção de quando o foi pela direita.

UKI WAZA:
 Uke e Tori agarram-se como em Sumi Gaeshi, em Migui Jigotai, e deslocam-se. No segundo
passo Tori fará Kuzushi, juntando seus pés no meio das penas de Uke, e depois esticará a sua
perna esquerda, puxando a manga direita de Uke, fazendo o sacrifício e projetando-o num
ângulo de aproximadamente 45º. Uke deverá fazer o rolamento (Zempo Kaiten Ukemi) e
terminar de pé.
 O mesmo movimento pela esquerda.

– REI-HO (Saudação Final)


a) Após o término da apresentação das técnicas e terem arrumado os Judoguis pela última vez,
Tori e Uke se voltam de frente um para o outro, executam um passo largo para trás com a
perna direita, se sentam sobre os calcanhares, em Seiza, e realizam o cumprimento mútuo
em Zarei.
b) Depois se levantam, se voltam em direção ao Joseki e realizam o cumprimento em Ritsurei.
c) Feito isto, Tori e Uke, caminhando de costas, em Ayumi Ashi, se dirigirão à saída da área
de apresentação, fazendo o último cumprimento na borda da área de apresentação, em
Ritsurei.

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Observações:

I. Tanto o Tori quanto o Uke devem utilizar judogui da cor branca. A diferenciação de
cores nas imagens é apenas para fins didáticos, não sendo admitido o uso do judogui
azul em nenhuma hipótese.

II. A iniciativa para executar o Kumikata deverá sempre partir do Uke.

III. Ao término de cada série, Uke e Tori deverão se dirigir aos seus respectivos lugares
onde iniciaram o Kata e, de costas um para o outro, arrumarão o Judogui e a faixa
rapidamente, após se voltarão um para outro para dar início à série seguinte, buscando
sincronia nesse movimento.

IV. Ao final do Kake dos sutemis, exceto em YOKO GAKE, Tori deverá largar Uke visando
não atrapalhar a execução do Ukemi.

V. Com exceção do URA NAGUE e YOKO GAKE, nas demais projeções de sacrifício
(sutemi), Uke realizará Zempo Kaiten Ukemi e terminará de pé.

VI. Tori e Uke deverão se preocupar com o deslocamento no tatame (shintai), com a
postura do corpo (Shizei), equilíbrio na execução das técnicas e, principalmente, com a
concentração no momento da execução do Kata.

VII. Visando demonstrar uma boa postura e um bom equilíbrio, Tori deverá adotar a
posição de Jigotai e segurar a manga de Uke com as duas mãos, após a execução das
técnicas de Te, Koshi e Ashi Waza, exceto em Uki Otoshi, obviamente.

VIII. As duas primeiras técnicas de Ma Sutemi Waza (TOMOE NAGUE e URA NAGUE),
deverão ser executadas em um ritmo mais rápido, devendo haver certa dinâmica na
transição de uma projeção para outra.

IX. Para execução deste Kata, Uke e Tori deverão realizar um Kumikata leve, diferente
daquele utilizado em Randori e Shiai, como também as técnicas deverão ser executadas
primando-se pela perfeição e equilíbrio, demonstrando as fases de execução (Kuzushi,
Tsukuri e Kake), sem o uso de força desnecessária.

X. Na aplicação das técnicas no Kata devemos nos basear nos princípios basilares do
Judô, utilizando a mínima força e executá-las na sua forma mais clássica. Devemos,
portanto, esquecer os maus hábitos porventura adquiridos no Randori e Shiai.

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KATAME NO KATA

(Forma de Execução)

– REI-HO (Saudação Inicial)

1. Da mesma forma que no Nague no Kata, Tori posicionado do lado direito do Joseki e Uke
do lado esquerdo, realizam o cumprimento em Ritsurei, adentram na área de apresentação
com o pé esquerdo e caminham em Ayumi Ashi até o local previamente marcado, onde
param em posição de Tyokuritsu.
2. Realizam o cumprimento em Ritsurei ao Joseki, depois se voltam um para o outro.
3. Sentam-se sobre os calcanhares, em Seiza, e realizam o cumprimento mútuo em Zarei.
4. Após, levantam-se, executam um passo largo à frente com a perna esquerda. Nesse
momento Tori e Uke se ajoelharão na posição de Kiyoshi no Kamae, permanecendo pelo
tempo de uma respiração. Então Uke apoiará a mão direita no tatame (ponta dos dedos na
direção do joelho esquerdo) e se deitará ao comprido, com a cabeça voltada para Tori,
deixando a perna direita estirada e a esquerda dobrada, com o joelho para cima.
5. Tori então se levantará e caminhará em Ayumi Ashi, fazendo um semicírculo em direção à
lateral direita de Uke e a uma distância aproximada de 1,80m, se ajoelhará novamente na
posição de Kiyoshi no Kamae e dará dois passos nessa posição para frente, até se aproximar
de Uke, quando fará uma maior abertura do joelho direito (tikama), ajustando a distância do
uke, para então iniciar a primeira técnica:

1ª SÉRIE - OSSAE WAZA

1) KESA GATAME (KUZURE):

- Tori pegará no braço direito de Uke com as duas mãos e realizará Kesa Gatame, encostando o
tronco no Uke e dominando o braço do mesmo. Na seqüência, dará um tranco para indicar que
a posição está firme, quando então Uke passará a realizar os seguintes movimentos, no intuito
de se desvencilhar:

 1º MOVIMENTO: Uke tenta sair, puxando Tori pela cintura em sua direção, mas este apóia
a mão direita no solo, bloqueando.
 2º MOVIMENTO: UKE tenta empurrar Tori no peito com a mão esquerda, mas este faz
pegada firme no ombro de Uke e o puxa contra o seu tronco, baixando a cabeça.
 3º MOVIMENTO: UKE faz “ponte”, girando o corpo, tentando levar TORI. Então TORI
troca a posição das pernas, colocando a perna esquerda à frente da direita. UKE desiste,
batendo no corpo de TORI duas vezes.

Após Uke desistir, Tori volta à posição de Kiyoshi no Kamae, recolocando o braço de Uke na
posição inicial, ao longo do corpo.

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2) KATA GATAME:

- Tori na posição de Kiyoshi no Kamae, se aproximando de Uke, em seguida segura o braço


direito do mesmo com as duas mãos e realiza a técnica Kata Gatame, esticando a perna
esquerda e mantendo o quadril alto. Neste momento, Tori dá um tranco para indicar que a
posição está firme, quando então Uke passará a realizar os seguintes movimentos:

 1º MOVIMENTO: UKE tenta sair, girando o corpo, então TORI aperta mais a pegada,
abaixa o tronco e estira mais a perna esquerda.
 2º MOVIMENTO: UKE agarra a própria mão direita e empurra a cabeça de TORI com o
cotovelo. Este resiste abaixando a cabeça.
 3º MOVIMENTO: UKE faz “ponte” e tenta rodar TORI, mas este abaixa o quadril e troca a
posição das pernas, sentando-se em posição de Kessa, baixando seu centro de gravidade.

Após a desistência de Uke, Tori volta à posição de Tikama, recua dois passos, levanta-se e, em
Ayumi Ashi se desloca para trás de Uke a uma distância de 1,80m, para dar início à técnica
seguinte.
É importante esclarecer que quando houver deslocamentos, seja na direção da cabeça ou da
lateral de Uke, estes serão realizados sempre desta forma: Tori se posicionará a uma distância
de cerca de 1,80m de Uke, se ajoelhará com a perna direita levantada (Kiyoshi no Kamae),
adotará a posição de Tikama (perna direita mais aberta) e executará dois passos na direção de
Uke e adotará novamente, ao final, a posição de Tikama antes de iniciar a técnica, razão pela
qual não mais citaremos este procedimento daqui para frente, por ficar subentendido.

3) KAMI SHIHO GATAME:


 1º MOVIMENTO: UKE tenta sair pela direita, girando o quadril e TORI estica a perna
direita, bloqueando.
 2º MOVIMENTO: UKE faz a mesma tentativa pela esquerda e TORI, igualmente, estica a
sua perna esquerda, bloqueando.
 3º MOVIMENTO: UKE empurra TORI para cima com os braços, ao mesmo tempo em que
faz “ponte”, tentando sair. TORI puxa UKE para si, firma a cabeça na barriga dele e estira as
pernas. UKE desiste, batendo no corpo de TORI duas vezes.

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4) YOKO SHIHO GATAME:


 1º MOVIMENTO: UKE põe a mão no pescoço de TORI e tenta “laçar” a cabeça do mesmo
com a perna esquerda. Então TORI agarra a perna de UKE, faz o “pacote”, e abaixa a
cabeça, colando-a na barriga de UKE.
 2º MOVIMENTO: UKE gira o quadril para a direita, tentando entrar por baixo do quadril de
TORI, este imediatamente bloqueia com o joelho direito.
 3º MOVIMENTO: UKE tenta girar TORI por cima do seu corpo, para frente. TORI levanta
a cabeça, baixa o quadril e estira as pernas, depositando todo o seu peso no tórax de UKE.
Este desiste, batendo no corpo de TORI duas vezes.

5) KUZURE KAMI SHIHO GATAME:


 1º MOVIMENTO: UKE tenta sair pela esquerda, girando o quadril e TORI estica a perna
esquerda, bloqueando.
 2º MOVIMENTO: UKE faz a mesma tentativa pela direita e TORI, igualmente, abre a sua
perna direita, bloqueando.
 3º MOVIMENTO: UKE empurra TORI para cima com os braços, ao mesmo tempo em que
faz “ponte”, tentando sair. TORI puxa UKE para si, firma a cabeça na barriga dele e estira as
pernas. UKE desiste, batendo no corpo de TORI duas vezes.

Obs. Ao término de cada série, Tori retorna para o seu local de início e assume a posição de
Kiyoshi no Kamae. Ao mesmo tempo Uke se levanta e igualmente adota a mesma posição,
momento em que ambos arrumam os seus judoguis. Depois Uke volta a deitar-se e Tori se
desloca para sua lateral para dar início à seqüência das técnicas seguintes:

2ª SÉRIE - SHIME WAZA

1) KATA JUJI JIME:


 TORI afasta o braço direito de UKE e enfia a mão esquerda em “faca” (polegar para fora)
na gola esquerda de UKE, fazendo a montada, ao mesmo tempo em que afasta o braço
esquerdo de UKE.
 Em seqüência, passa a mão direita sobre a cabeça de UKE, agarrando a gola direita do
mesmo (polegar para dentro), momento em que aplica o estrangulamento, abaixando a
cabeça e jogando o peso do corpo sobre Uke.
 UKE faz uma pequena resistência e desiste, batendo duas vezes no corpo de TORI.
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2) HADAKA JIME:
 UKE se senta, com o pé direito estirado e o esquerdo dobrado. TORI se aproxima por trás,
coloca a mão esquerda no ombro de UKE, com a palma virada para cima, passando o braço
direito no pescoço de UKE, encontrando a mão que está no ombro, ao mesmo tempo em que
coloca o joelho nas costas do mesmo. Então TORI aplica o estrangulamento, colando a sua
cabeça na de UKE e puxando-o para trás.
 UKE deverá segurar o antebraço e o ombro de TORI, fazendo uma pequena resistência e
depois desistirá, batendo duas vezes com o pé direito no tatame.

3) OKURI ERI JIME:


 TORI se aproxima por trás de UKE, coloca a mão por baixo do seu braço esquerdo,
agarrando a gola esquerda. Depois TORI levará a mão direita por cima do ombro direito de
UKE e agarrará a gola esquerda (polegar por dentro), quando então a mão esquerda (que
estava segurando a gola esquerda), passará a segurar então a gola direita. Nesse momento
TORI encostará a sua cabeça na de UKE e aplicará a técnica puxando-o para trás, recuando
um pouco o seu joelho direito.
 UKE deverá segurar os braços de TORI com as duas mãos, fazendo uma pequena resistência
e depois desistirá, batendo duas vezes com o pé no tatame.

4) KATA HA JIME:
 TORI se aproxima por trás de UKE, coloca a mão esquerda por baixo do braço esquerdo do
mesmo, segurando sua gola esquerda. Depois passa o braço direito por cima do ombro
direito de UKE e segura a gola esquerda com a mão direita (polegar para dentro). TORI
largará a gola esquerda de UKE e levantará o braço esquerdo do mesmo, colocando a mão
esquerda espalmada na nuca de UKE, imobilizando-o. TORI aplicará a técnica abrindo um
pouco o joelho direito e puxando UKE para esse lado, suspendendo-o um pouco.
 UKE deverá segurar o seu próprio braço esquerdo com a mão direita e puxar para baixo,
fazendo uma pequena resistência, e depois desistirá, batendo com o pé no tatame.

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5) GIAKU JUJI JIME:


 UKE deitado, TORI se aproxima pelo lado direito do mesmo, afasta o seu braço direito,
introduz a mão esquerda na gola direita de UKE (polegar para fora), faz a montada, ao
mesmo tempo em que afasta o outro braço de UKE. Depois TORI introduz a mão direita na
outra gola de UKE (polegar para fora) e aplica a técnica.
 Neste momento UKE resiste forçando o cotovelo direito de TORI, empurrando-o para
esquerda, mas TORI prossegue com a técnica, colocando UKE na “guarda” e forçando até
este se render, batendo duas vezes.

3ª SÉRIE - KANSETSU WAZA:

1) UDE GARAMI:
 TORI se aproxima pelo lado direito de UKE e afasta o braço direito deste. Nesse momento
UKE tenta agarrar a gola de TORI com a mão esquerda, e este se defende, segurando o pulso
de UKE com a mão esquerda, se deitando sobre o tórax do mesmo, imobilizando-o, e
aplicando a técnica. UKE, demonstrando que a técnica foi eficaz, desiste batendo no corpo
de TORI.

2) UDE HISHIJI JUJI GATAME:


 TORI se aproxima pelo lado direito de UKE e este levanta o braço direito, para agarrar a
gola de TORI, este se defende segurando o pulso de UKE com as duas mãos e travando seu
tronco com a perna direita, então aplica a técnica.
 UKE demonstra que a técnica foi eficaz e desiste, batendo duas vezes no corpo de TORI.

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3) UDE HISHIJI UDE GATAME:


 TORI se aproxima pelo lado direito de UKE e afasta o braço direito do mesmo. Nesse
momento UKE tenta agarrar o alto da gola de TORI com a mão esquerda (dedos por fora).
Na seqüência, TORI domina o braço de UKE contra o seu peito e, com as duas mãos na
altura do cotovelo de UKE, aplica a técnica.
 UKE desiste, batendo duas vezes no corpo de TORI.

4) UDE HISHIJI HIZA GATAME:


 Na posição de Kiyoshi no Kamae, TORI e UKE fazem Kumikata normal pela direita.
 Nesse momento, TORI domina o braço direito de UKE, prendendo-o em sua axila esquerda,
ao mesmo tempo em que empurra com o pé direito o joelho esquerdo de UKE, fazendo-o
abaixar-se, aplicando então a técnica no braço dominado, forçando o cotovelo com o joelho
esquerdo.
 UKE se rende batendo no tatame.

5) ASHI GARAMI:
 TORI e UKE, ambos de pé, em posição Migui Shizentai, fazem Kumikata.
 TORI faz tentativa de TOMOE NAGUE.
 UKE se defende abaixando o corpo e levando a perna direita à frente, na altura dos quadris
de TORI.
 Neste momento, TORI envolve a perna direita de UKE com sua perna esquerda, faz o apoio
com o pé no quadril e empurra a perna esquerda do mesmo com sua perna direita, aplicando
a técnica.
 UKE se rende batendo no tatame.

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– REI-HO (Saudação Final)

 Tori e Uke voltam à posição inicial em Kiyoshi no Kamae e depois Tikama, se levantam,
dão um passo para trás com a perna direita, ajoelham-se e se saúdam em Zarei.
 Depois se levantam, fazem o cumprimento ao Josequi em Ritsurei e recuam até a borda do
tatame, onde fazem o último cumprimento em Ritsurei, saindo do dojo e encerrando a
apresentação do Kata.

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GLOSSÁRIO

ASHI: Pé ou perna; seqüência de passos. JU: Idêntico a JIU = suave, ágil. Também
ATEMI WAZA: Grupo de golpes e significa “dez”.
pancadas sobre centros nervosos vitais do JUDO: “O Caminho Suave”.
corpo humano, que podem provocar fortes JUDOGUI: Indumentária do Judo(calça,
dores, paralisação, perda da consciência ou casaco e faixa).
morte. JUJI: Em cruz, transversal.
AYUMI ASHI: andar, caminhar KAKE: Fase final da projeção.
normalmente, para frente e para trás; KANSETSU: Articulação, junta de ossos.
corrida cadenciada. Também significa KATA: Ombro. Significa também Forma,
marchar. Cerimônia, Ritual.
DO: Caminho, fundamento, ensinamento, KATACHI: Treinamento da forma. Treino
filosofia, direção, linha básica, princípio, de Kata.
método. KIME: Pontos vitais do corpo humano,
FUSEGUI: Defender. Também sacudir. foco, centro, decisão. Ataque rápido com
GAESHI (Kaeshi): contra-ataque, reação; finalização correta.
GAESHI WAZA: Conjunto de todas as KIYOSHI NO KAMAE: Posição ajoelhada,
técnicas de contra-ataque e de reação do em que um joelho fica no chão e outro
Judô. levantado.
GARAMI: Deter, enfaixar, envolver, KODOKAN: Instituto central do Judo, em
imobilizar. Tóquio/Japão.
GATAME: O mesmo que Katame. Segurar, KUMIKATA: Tocar ou agarrar de forma
imobilizar. regular.
GIAKU: Inverso, contra a natureza. KUZURE: Variação, derivação.
GOKIO: Cinco grupos. Abreviação de KUZUSHI: Desequilíbrio.
Gokio no Kaisetsu. MA SUTEMI: Reto para trás.
GOSHIN JITSU: Novo sistema de MIGUI: Direita, à direita.
autodefesa sem armas, desenvolvido com OSSAE: Segurar, imobilizar.
base no antigo Jiu Jitsu, do moderno Judô, RANDORI: Exercícios livres, luta de
Karate e Aikido no Kodokan. treino, forma de treinamento do Judo.
HADAKA: Puro, nu, pelado, despido, livre. REI: Saudação, cumprimento, reverência.
HARA: Barriga. Sentido e ato, expressões de cortesia, do
HIDARI: Esquerda, à esquerda. respeito e da decência íntima.
HIZA: Joelho. RENRAKU: Técnica de combinação.
JIGOTAI: Posição de defesa. Posição RITSUREI: Saudação cortês. Reverência
defensiva. em pé.
JIME(SHIME): Estrangular. SANKAKU: Triângulo.
JIU JITSU: o mesmo que JUJUTSU. SEIZA: Maneira asiática de sentar-se sobre
Primeira forma, ainda válida até hoje, da os calcanhares.
autodefesa japonesa sem armas. SHIAI: Luta competitiva, competição.
Predecessora do JUDO moderno e de outras SHIZENTAI: Posição inicial. Posição
formas de luta. básica natural.
JOSEKI: Lado superior, lugar de honra para
os instrutores.

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SUTEMI: Sacrificar; assumir riscos, TSUKURI: Preparação, entrada, início do


deixando-se cair; técnica de queda golpe.
voluntária do Judo. TSURI ASHI: Andar com passos onde os
TACHI: Posição em pé, posições básicas. pés se ultrapassam arrastando.
TAI SABAKI: equilíbrio; movimento UDE: Braço.
circular do corpo, onde o equilíbrio e o UKE: O arremessado, o atacado, quem
centro de gravidade é conservado. sofre o ataque.
TIKAMA: Posição ajoelhada, com o joelho UKEMI: Cair. Conjunto de técnicas de
direito levantado e a perna com abertura de amortecimento de quedas do Judo
aproximadamente 90º. Também chamada USHIRO: Trás, para trás, o verso.
de KURAI DORI WAKI: Axila.
TORI: o atacante. WAZA: Técnica, arte, grupo.
TSUGUI ASHI: Passo arrastado, em que os YOKO: Lateral, lado, flanco.
pés não se ultrapassam; passo “emendado”, ZAREI: Reverência, saudação cerimoniosa
utilizado nos katas de Judô. executada ajoelhada.

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BIBLIOGRAFIA
1. Barioli, Cesar – EL JUDO EN 12 LECIONES –Publicaciones Reunidas – 1972-
Barcelona/Espanha.
2. Bonet-Maury, Paul e Courtine, Henry – O JUDO –Rés Editora –Porto/Portugal.
3. Calleja, Luiz Catalano – CARTILHA DE JUDÔ –1986 –São Paulo.
4. Gama, Raimundo João - MANUAL DE INICIAÇÃO DO JUDÔ – Grupo Palestra Sport –
1ª Edição – 1986 – Rio de Janeiro.
5. Gleenson, Geoff – JUDO –Publicações Europa-América – 1975 – Mem Martins/Portugal.
6. Inokuma, Isao - BEST JUDO - Kodansha International - 1986 - Tokio - New York - San
Francisco.
7. Kano, Jigoro - KODOKAN JUDO - Kodansha International -1994 - Tokio - New York -
London.
8. Kudo, Kazuzo – JUDÔ EM AÇÃO – KATAME WAZA – Editora Sol – 1977 – São Paulo.
9. Kudo, Kazuzo – JUDÔ EM AÇÃO – NAGUE WAZA – Editora Sol – 1977 – São Paulo.
10. Lassere, Robert – JUDO – MANUAL PRÁCTICO –Editorial Hispano Europa – 9ª edição –
1975 – Barcelona/Espanha.
11. Mafra, José Carlos M. – OS OITO KATAS DE JUDO –1998 – Rio de Janeiro.
12. Marwood, Des – JUDO – INICIACIÓN Y PERFECCIONAMENTO –Editorial Paidotribo-
Barcelona/Espanha.
13. Mifune, Kyuzo – THE CANON OF JUDO - Kodansha International -2004 - Tokio - New
York - London.
14. Otoshi, Chistopher – DICIONÁRIO DE ARTES MARCIAIS – Editora Rígel – Porto
Alegre.
15. Reay, Tony – GUIA PRÁTICO DO JUDO –Editorial Presença – 1ª Edição – 1990-
Lisboa/Portugal.
16. REVISTA - TÉCNICA KATA – Federação Paulista de Judô – Sigma Graphic’s.
17. Robert, Luiz – JUDO –Editora Notícias – 7ª Edição – Lisboa/Portugal.
18. Shinohara, Massao – CARTILHA DE JUDÔ VILA SÔNIA – São Paulo -1980.
19. Shinohara, Massao - MANUAL DE JUDÔ SHINOHARA 2000 – São Paulo – 2001.
20. Silva, José Pereira – MOVIMENTOS GERAIS DO NAGUE NO KATA – Palestra Edições
– 1985 - Rio de Janeiro.
21. Takagaki, Shinzo - THE TECHINIQUES OF JUDO - Tuttle Martial Arts - 1999 - EUA.
22. Velte, Helbert – DICIONÁRIO DE TERMOS TÉCNICOS DE JUDÔ-Editora Technoprint
– 1989 – Rio de Janeiro.
23. Velte, Helbert – DICIONÁRIO ILUSTRADO DE BUDÔ – Editora Technoprint – 1981 Rio
de Janeiro.
24. Virgílio, Stanley – A ARTE DO JUDÔ - GOLPES EXTRA GOKIO –Editora Ringel – 3ª
Edição – 1994 – Porto Alegre/RS.
25. Virgílio, Stanley – A ARTE DO JUDÔ – Editora Ringel – 3ª Edição – 1994-Porto
Alegre/RS.

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Sites consultados na INTERNET.

www.judobrasil.com.br

www.judoinfo.com

www.ticino.com/usr/judo_sdk_bellinzona/

www.ligadejudo.com.br/Apostila.doc

www.judoinfo.pl/katame_no_kata

http://judoinfo.com/

Não é vergonha "não saber", vergonha é contentarmo-nos com o pouco que sabemos.

J. Goulart.

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