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Métodos para Promover Saúde

Mental em Universidades

8 métodos eficazes para aplicarColoque


em Instituições
aqui umde Ensino Superior
subtítulo para o ebook
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Sobre este E-book

Este é um e-book interativo. Nele existem diversos hyperlinks que você pode clicar
para acessar outros conteúdos.

Colocamos esses links para você poder acessar as referências que usamos e outros
conteúdos para aprofundar seus conhecimentos sobre determinados temas. 2

Por exemplo, você pode clicar neste link aqui e acessar o site da EIDEA Consultoria
& Psicologia, a empresa autora deste e-book.

Boa leitura!

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Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Índice

Introdução 4
Métodos de prevenção e promoção em saúde
mental em IES 8
Considerações finais 32
33 3
A EIDEA
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Introdução
Introdução
No ano de 2017, acontecimentos trágicos alertaram a sociedade para a necessidade de
cuidados com a saúde mental. Dentre eles podemos mencionar o Jogo Baleia Azul, que
encontrou um espaço na sociedade para incentivar o suicídio entre adolescentes
depressivos e fragilizados. É necessário ressaltar que a própria sociedade e organização
social oferecem condições para um jogo como o Baleia Azul alcançar seus objetivos, pois
se vivêssemos em uma sociedade que oferecesse os devidos recursos para cuidar da saúde
mental, muitos suicídios poderiam ser prevenidos.

Mais recentemente, no mês de Maio de 2017, ocorreram suicídios e tentativas de


estudantes universitários. Os mais notórios, pela proximidade das ocorrências, foram na 4
Universidade Federal de Minas Gerais, o que deixou a comunidade acadêmica em alerta.

O site BHAZ, que fez um artigo sobre os acontecimentos, comenta que em suas redes
sociais a reportagem repercutiu muito com a identificação e desabafos de várias pessoas
que viveram situações adversas na graduação. O que impressiona é a repercussão que o
assuntou teve, revelando que é realmente uma questão grave e um desafio que as
instituições de ensino superior devem solucionar. A publicação no Facebook do BHAZ
obteve mais de 5.900 reações, 2.200 compartilhamentos e 560 comentários, evidenciando
a repercussão.

Não só na graduação, a pós-graduação também parece ser um ambiente de risco para a


saúde mental de estudantes.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Introdução
Introdução
Em um artigo publicado no site da Associação Nacional de Pós-Graduação, os
pesquisadores Cristiano Junta, Gabriela Blanco e Glauco Araújo, da UFRGS, revelam a
alta incidência de sintomas depressivos e de estresse entre os pós-graduandos. Dentre
eles:

- Problemas no sono, insônia ou sono não-restaurativo;


- Dificuldades de concentração;
- Diminuição da motivação;
- Inabilidade de assistir aulas/fazer pesquisa;
- Aumento da irritabilidade. 5

Além disso, um artigo publicado no periódico Psicologia em Revista em 2009, mostrou


que dentre estudantes da pós-graduação na UFRJ, 56% do mestrado e 62% da graduação
sofriam de estresse.

Dados da Organização Mundial da Saúde, revelam que o suicídio é a segunda maior causa
de mortes entre jovens de 15 a 29, e a principal causa de suicídio são os transtornos de
humor (como depressão e bipolaridade).

Pensando neste quadro problemático que as Instituições de Ensino Superior (IES)


enfrentam atualmente, a EIDEA Consultoria & Psicologia elaborou este e-book para
apresentar métodos para combater os problemas associados aos riscos à saúde mental
dos estudantes universitários. E assim, também reduzir a incidência de suicídios nas
universidades.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Introdução
Introdução
Os métodos aqui propostos baseiam-se em: teorias psicológicas que fundamentam a
prática dos psicólogos clínicos e da saúde, na experiência dos psicólogos da EIDEA em
promoção de saúde psicológica e também no caso de sucesso relatado por Vikram Patel
em seu TED Talks (você pode assistir ao vídeo na página 6). Ele mostrou como
comunidades de pessoas leigas podem ser capacitadas e auxiliar nos cuidados com a
saúde mental, reduzindo os números de transtornos mentais e suicídios.

Tendo em vista todo o exposto acima, é possível que as comunidades universitárias –


professores, diretores, administrativo e estudantes – mobilizem-se para promover a saúde
mental e prevenir tragédias de acontecerem, na forma do suicídio estudantil. 6

Assim sendo, a EIDEA expõe 8 métodos (mais um bônus), que podem ser aplicados em
instituições de ensino superior para promover cuidados com a saúde psicológica de
estudantes.

Continue o e-book para conhecê-las!


Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Saúde Mental para todos envolvendo todos - Vikram Patel no TED Talks
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Métodos de promoção e prevenção em saúde mental nas IES


Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

1. Plantão Psicológico na Instituição


O plantão psicológico é uma modalidade clínica, alternativa à psicoterapia, de caráter
emergencial, que visa proporcionar um espaço de escuta e acolhimento ao usuário. Funciona
de modo a propiciar um ambiente que permita ao usuário ser ouvido e compreendido.

Algumas universidades possuem a modalidade de plantão psicológico como estágio


curricular na graduação de Psicologia, e por isso é oferecido dentro da instituição por valores
acessíveis, direcionado a toda a comunidade acadêmica. Nos casos em que esta
possibilidade não ocorre, a universidade precisa disponibilizar este tipo de apoio aos
estudantes de outras maneiras, seja por meio de parcerias com instituições que possuem
9
esta modalidade de atendimento, ou pelo cadastramento de profissionais que prestem este
serviço.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

1. Plantão Psicológico na Instituição


A estrutura física do plantão é muito simples, sendo necessária apenas uma pequena sala
com infraestrutura básica de atendimento, para garantir a privacidade e o sigilo das
informações trocadas. Quando ofertado pela graduação em Psicologia, o plantão
normalmente é executado por alunos dos períodos letivos finais, e supervisionado por um(a)
professor(a) da casa. Por ser uma modalidade de fácil implementação e execução em termos
estruturais, o plantão psicológico pode inclusive ser adotado como uma prática de extensão
e produção científica nas universidades.

Tendo em vista que não é necessário agendamento prévio, o plantão psicológico é a


10
modalidade mais indicada em casos de crise, que necessitam de um acolhimento de
emergência, para dar um mínimo de estrutura e estabilização para que o usuário busque por
atendimento psicológico continuado (psicoterapia) ou acompanhamento psiquiátrico, se for
o caso.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais
Em saúde mental – como também nas demais áreas da saúde – é imprescindível que a
população esteja informada corretamente acerca dos cuidados básicos para reduzir os
números de enfermidades e fatalidades. As campanhas de conscientização são formas de
atingir este objetivo em larga escala. Campanhas de câncer de mama e próstata são
exemplos de como campanhas de conscientização são úteis para mobilizar a população para
o cuidado com a saúde.
11
Confira nos gráficos disponibilizados pelo Google Trends, como os termos de pesquisa
“câncer de mama” e “câncer de próstata” tem maior volume de buscas no Google nos meses
de outubro e novembro, respectivamente. Existe uma correlação entre estes dados e as
campanhas do Outubro Rosa e Novembro Azul.

Veja no slide seguinte os gráficos do Google Trends, evidenciando a efetividade das duas
campanhas.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais

12

Pesquisas com o termo “câncer de mama” entre 2/5/2012 e 2/6/2017. Com maior volume de
pesquisas nos meses de outubro. Clique aqui para acessar o gráfico interativo.

Pesquisas com o termo “câncer de próstata” entre 2/5/2012 e 2/6/2017. Com maior volume
de pesquisas nos meses de novembro. Clique aqui para acessar o gráfico interativo.
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2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais
Então, por que campanhas para os cuidados com a saúde mental – seja depressão,
ansiedade ou dependência química – não poderiam ser realizadas em Instituições de Ensino
Superior para ajudar estudantes? Além disso, podem ser para educar sobre como cuidar da
saúde psicológica, conferindo a elas o caráter psicoeducacional.

Qual tipo de campanha fazer? 13

As campanhas de conscientização e com fins psicoeducativos podem tomar várias formas e


ter distintos objetivos. Vamos enumerar, a seguir, quais são os principais. Tenha em mente
que é uma semi-estrutura, então você pode (e deve) adaptar para a realidade da sua IES, a
saber:

● Campanhas com cartazes: Cartazes que informam sobre sintomas de ansiedade,


depressão e transtorno bipolar, que estimulem a comunidade a procurar apoio
profissional psicológico. A campanha deve promover também o trabalho do Centro
de Valorização da Vida (CVV), que oferece acolhimento por telefone ou online para
pessoas com ideações suicidas. Além disso as campanhas podem utilizar até mesmo
mensagens coladas nos degraus das escadas das instituições de ensino, pois ficam
evidenciados. Veja uma sugestão nossa, no slide a seguir.
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2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais
Exemplo de como usar as escadas para campanhas. As mensagens também podem ser
adaptadas para educar sobre os sintomas de outros transtornos psicológicos.

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Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais
● Campanhas na web: A universidade pode criar uma campanha on-line com a criação
de uma hashtag no Twitter e Facebook para a comunidade participar e construir o
que significa ter saúde mental na academia, e assim, ter um enorme alcance com
alunos, potenciais alunos, e outras pessoas. A hashtag pode ser, por exemplo,
#SaúdeMentalNa[nome da universidade]É, ou #CuidandoDeMimNaUniversidade,
dentre outras.
15
● Campanhas com participação da comunidade universitária: Outra forma mais
interativa e mais educativa, é promover Rodas de Debate e Mesas Redondas sobre os
diversos temas em saúde mental, de forma gratuita para a comunidade universitária
dos diversos departamentos. Assim é possível educar sobre a saúde e autocuidado
psicológico (psicoeducação), e tirar as dúvidas das pessoas, que é uma excelente
forma de informar e prevenir sofrimentos de ordem psíquica.

● Campanhas entre funcionários e professores: Além dos alunos, é importante


também cuidar da saúde mental de professores e funcionários, pois o cotidiano
acadêmico também é estressante para eles. Isso pode ser feito através de conversas
em reuniões departamentais, e pelo envio de informativos via e-mail institucional,
estimulando-os a buscar apoio profissional caso necessário.
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2. Campanhas de Conscientização e
Psicoeducacionais
Além disso, é importante mencionar, em qualquer que for o tipo de campanha escolhido, o
tabu associado à saúde mental, que carrega conotações que este tipo de cuidado é menos
importante que qualquer outro. Alguns dos tabus comuns na sociedade são:

1) Somente as pessoas fracas precisam de apoio psicológico;


2) Ajuda psicológica é restrita a doentes mentais (psicóticos ou, em linguagem
coloquial, loucos ou doidos); 16
3) As pessoas conseguem sair de transtorno depressivo, ansioso ou bipolar sozinhas se
esforçando.

São alguns dos tabus a serem considerados ao debater e conscientizar sobre o tema saúde
mental.
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3. Grupos terapêuticos

A realização de grupos terapêuticos dentro da instituição é uma prática muito eficaz para
unir pessoas e proporcionar trocas dialógicas. Os grupos podem ser conduzidos por
estudantes e profissionais das áreas da saúde - psicologia, medicina, terapia ocupacional,
etc. -, ciências humanas - serviço social, sociologia, etc. - e da educação - pedagogia.
Aconselha-se que os grupos sejam divididos por temas e realizados com periodicidade pré-
determinada (semanal, quinzenal ou mensal). São exemplos de temas que podem ser
abordados: 17

● Lidando com a pressão acadêmica;


● Como administrar estresse e ansiedade na vida acadêmica;
● Em busca do bem-estar;
● Qualidade de vida no meio acadêmico;
● Desenvolvendo relacionamentos interpessoais;
● Vamos conversar sobre racismo?
● Vamos conversar sobre LGBTfobia?
● Vamos conversar sobre relacionamentos abusivos?
● Conciliando vida pessoal e vida acadêmica.
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3. Grupos terapêuticos

Dessa forma, as pessoas se sentirão motivadas a participar dos grupos com temas com os
quais se identificam, e poderão se encontrar com outras que estão passando por situações
parecidas. Muitas vezes, não é claro para a pessoa que está em sofrimento que outros se
sentem como ela, e por meio dos grupos terapêuticos ela pode se identificar com a vivência
de outros e perceber que não está sozinha, além de dar oportunidade à troca de experiências
e receber orientações para alternativas de apoio e suporte emocional.
18
Além da abordagem dialógica, outras formas de intervenção podem ser inseridas nos grupos
terapêuticos, como atividades motoras (alongamento e esportes) e de autoexpressão (artes
plásticas, dança, teatro, etc.).

Assim como o plantão psicológico, os grupos terapêuticos também podem configurar um


projeto de extensão dentro da universidade, uma vez que são de fácil implementação, e
seriam mais bem executados com o acompanhamento e orientação de um(a) professor(a)
da casa.
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4. Intervenções in loco para promoção


de bem-estar
É consenso em diversas áreas da psicologia (por exemplo, a gestalt-terapia, o psicodrama e a
análise do comportamento aplicada) que a experiência vivida é mais rica para o aprendizado
e transformação psicossocial que o conhecimento transmitido verbalmente ou por
linguagem escrita. Baseado nisso, é uma excelente alternativa que a Instituição de Ensino
Superior promova ações no espaço cotidiano da universidade, preferencialmente em lugares
mais movimentados ou de encontro. Até mesmo os corredores da universidade são bons
candidatos para realizar essas ações, devido ao grande fluxo de pessoas. E mais que isso, 19
corredores são a representação do cotidiano, são o ambiente que todas as pessoas devem
passar para chegar às salas de aula e gabinetes, onde as pressões do dia-a-dia ganham
forma. E, portanto, este cotidiano está relacionado ao desconforto e sofrimento emocional
que as pessoas da comunidade acadêmica vivenciam.

Portanto, é preciso ressignificar este espaço de aversão associado ao estresse e ansiedade. É


necessário humanizar e permitir que as pessoas entrem em contato com as emoções
relegadas em uma vida continuamente racional que a universidade impõe. É necessário
realizar ações que libertem as pessoas, mesmo que de forma breve, das experiências que
prejudicam a saúde mental.

As intervenções in loco são, portanto, ações no ambiente vivido pelas pessoas para promover
a saúde mental na experiência rotineira. Pensando nisso, algumas das intervenções in loco
possíveis de serem realizadas com este objetivo são:
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

4. Intervenções in loco para promoção


de bem-estar
- Oficina aberta de arteterapia:
A Arteterapia é uma modalidade terapêutica que promove saúde mental através da arte,
podendo ser pelas artes plásticas, dança, teatro, música e literatura. É um processo de
expressão das emoções pela experiência criativa, e assim promove autoconhecimento e
consciência das emoções, ajudando a lidar com fatores estressores, ansiogênicos e
depressivos. Assim sendo, a universidade pode promover atividades abertas de expressão
20
artística individual ou em grupo, nos diversos ambientes que tenha fluxo recorrente de
pessoas.

- Atividade Assistida por Animais:


Existem alguns tipos de modalidades terapêuticas que usam suporte de animais, sendo um
dos favoritos os cães. Dentre elas estão a Terapia Assistida por Animais (TAA), a Intervenção
Assistida por Animais (IAA) e a Atividade Assistida por Animais (AAA). Para o objetivo de
promover saúde mental in loco nas universidades, a AAA é a adequada.
Através da inserção casual e dirigida do animal por profissionais da psicologia no cotidiano
da universidade, é possível promover a saúde mental das pessoas, pela redução do estresse e
ansiedade que o contato com os animais proporcionam. São inúmeros os benefícios do
relacionamento humano-animal, você pode conferir mais detalhadamente neste artigo.
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4. Intervenções in loco para promoção


de bem-estar
- Dinâmicas Breves:
Sua universidade pode realizar dinâmicas breves, de 5 a 15 minutos, em espaços comuns da
universidade abertas para qualquer pessoa participar, que promovam reflexões acerca dos
cuidados com saúde mental ou com fins psicoeducativos. Elas podem tomar diferentes
formas; caso sua instituição tenha curso de psicologia, você pode incentivar alunos e
professores a planejarem alguma dinâmica construtiva para a promoção de saúde mental. 21
Caso não tenha, você pode fazer parcerias com psicólogos da sua cidade.

- Atividades de respiração e relaxamento:


Além das dinâmicas, outra possibilidade é que sua universidade promova eventos
continuados de relaxamento. Exercícios respiratórios para oxigenação do corpo são muito
benéficos para reduzir estresse e ansiedade. Assim, realizar estas atividades com a
comunidade acadêmica é uma forma de ensinar esses exercícios, de modo que as pessoas
consigam realizá-los também posteriormente quando for necessário. Desta forma, esta ação
também estimulará o autocuidado com a saúde mental.

Tenha em mente que estas intervenções in loco são extremamente benéficas para cuidar da
saúde mental no cotidiano, no entanto elas têm caráter paliativo, ou seja, aliviam
momentaneamente o problema, mas não combatem a raiz dos problemas. Isso, no entanto,
não desqualifica os benefícios que ações in loco oferecem.
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5. Atendimentos psicológicos
continuados / psicoterapia
Apesar de toda a modernização e facilitação do acesso à informação, ainda hoje o
significado da psicoterapia é muito deturpado entre as pessoas. Muitos seguem acreditando
que o acompanhamento psicológico é uma prática destinada a pessoas com transtornos ou
enfermidades mentais. O que não deixa de ser verdade, afinal de contas a psicoterapia é sim
indicada em casos de patologias mentais diagnosticadas. No entanto, não é apenas nestes
contextos que a psicoterapia pode ser útil. O acompanhamento psicológico é, na verdade, 22
uma prática de promoção e prevenção em saúde mental, que pode ajudar a evitar que as
pessoas cheguem a medidas extremas como tentativas de suicídio. As estatísticas já
apontadas neste e-book demonstram que a grande maioria dos suicídios é resultado de
transtornos psicológicos como a depressão, que são diagnosticáveis e tratáveis, portanto
passíveis de prevenção.

Além disso, a psicoterapia ajuda a melhorar o desempenho acadêmico de estudantes, em


um artigo do periódico Análise Psicológica, é evidenciado que alunos que se submeteram a
psicoterapia obtiveram 28% a mais de aprovação nos seus exames do ano seguinte,
comparado aos alunos do grupo controle.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

5. Atendimentos psicológicos
continuados / psicoterapia
Assim como no caso do plantão psicológico, muitas universidades oferecem o
acompanhamento psicológico como estágio curricular do curso de Psicologia, e os
atendimentos são executados pelos alunos dos períodos letivos finais, e supervisionados por
professores(as) da instituição. São oferecidos a preços acessíveis e destinados a qualquer
pessoa. Normalmente os atendimentos ocorrem semanalmente, sendo que essa frequência
pode variar de acordo com cada caso e/ou profissional. 23

Ainda que a universidade não ofereça esta possibilidade, muitos(as) psicólogos(as)


trabalham com valores facilitados para estudantes, ou até mesmo fazem parcerias com
instituições de ensino.

Os artigos abaixo podem ajudar a entender melhor como funciona a psicoterapia:

O que é a psicoterapia e qual a diferença entre ir ao psicólogo e conversar com um amigo?

Psicólogo é para doido? Resposta definitiva

Como saber que preciso ir ao psicólogo?


Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

6. Orientação Profissional

A orientação profissional é uma área da psicologia que também pode ajudar a promover
saúde mental e a prevenir acometimentos psicológicos. A vida profissional é
intrinsecamente relacionada ao bem-estar. Segundo a psicologia do trabalho, o trabalho é
estruturante na vida de todas pessoas e, portanto, fundamental. Isso configura uma enorme
influência da atividade profissional escolhida na saúde, além de ter relação com o sentido de
vida de cada um. 24

A universidade, por ser uma instituição com papel de formação acadêmica e profissional,
inevitavelmente toma parte neste ponto decisivo da vida de seus estudantes.
Provavelmente, em toda universidade existem estudantes questionando se estão no
caminho certo, e perguntando-se o que irão fazer depois da graduação, ou até mesmo se
estão no curso certo. Uma dúvida que traz muita ansiedade e angústia para as pessoas,
fragilizando-as psicologicamente e aumentando os riscos da emergência de um sofrimento
mental.

Como exemplo, é possível citar o Programa


de Orientação Profissional da Universidade
Federal de Minas Gerais - POP/UFMG.
Imagem de www.ufmg.br
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6. Orientação Profissional

Por isso, algumas universidades já contam com programas de orientação profissional para os
próprios estudantes, que podem atender às demandas de auxiliar na escolha de carreira
dentro da área que cursa ou até mesmo de verificar se a graduação atual é a mais adequada.
Portanto, a orientação profissional pode promover a saúde mental imediatamente – pois
oferece o acolhimento para a dúvida – e também em longo prazo, pois irá dar apoio para
uma decisão determinante para a saúde mental posteriormente na vida – relacionada à 25
carreira e trabalho.

Existem duas formas de implementar a Orientação Profissional na sua instituição de ensino


superior:

● No caso de ter um departamento de psicologia na sua universidade, você pode


incentivar que algum professor oriente alunos em um projeto de extensão ou estágio
supervisionado, para oferecer o serviço para a comunidade acadêmica;

● Caso não tenha um departamento de psicologia, você pode formar parcerias com
psicólogos da região para realizarem orientação profissional aos estudantes de sua
universidade.
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7. Palestras e oficinas para mobilizar


autocuidado psicológico

A universidade não conseguirá ter total controle sobre a saúde mental de sua comunidade,
isso é fato. A vida das pessoas continua para além da vida universitária. Apesar de todos os
esforços e medidas que a instituição adotar, o cuidado com a saúde mental acaba sempre
convergindo para a responsabilidade de cada um com o seu processo.

Fatores estressores e prejudiciais à saúde mental sempre acontecerão, isso não é possível 26
controlar. Mas as pessoas podem mudar a forma como encaram estas situações, e isso faz
toda a diferença no impacto dos eventos cotidianos para a saúde mental.

Alguns dos métodos já explicitados neste e-book – como o plantão psicológico, os


atendimentos continuados e as campanhas – podem abordar esta esfera do que fazer com
as adversidades para a saúde mental, pois mobilizam o autocuidado.

Além destes métodos, Palestras e Oficinas também são eficientes métodos para mobilizar
autocuidado com a saúde mental. O autocuidado é a ação de cuidar de si mesmo, mas para
executar este cuidado em saúde mental, é importante que as pessoas saibam porque e como
fazer. Para atender a esta questão, palestras e oficinas são alternativas indicadas.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

7. Palestras e oficinas para mobilizar


autocuidado psicológico

As Palestras servem para informar e educar a respeito de temas específicos, além de ser um
mobilizador, ou seja, uma boa palestra motiva as pessoas a aplicarem o que aprenderam na
sua vida.

As Oficinas ou Workshops promovem educação com dinâmicas e exercícios vivenciais, por


meio dos quais as pessoas constroem o conhecimento conjuntamente. Assim, as oficinas 27
têm o objetivo de introduzir novos comportamentos no repertório das pessoas, de forma
interativa.
Assim sendo, ambas as intervenções podem incentivar o autocuidado para estudantes,
professores e funcionários.

Para organizar e aplicar estas medidas na sua universidade, é indicado que algum
profissional da saúde mental coordene o processo, podendo ser um professor do
departamento de psicologia, psiquiatria, neurociência ou neurologia. Caso não for a
realidade da sua instituição, você pode fazer parcerias com profissionais externos para
realizar estes eventos.

Veja, a seguir, algumas sugestões temáticas que podem ser adotadas tanto para Palestras
quanto Oficinas:
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

7. Palestras e oficinas para mobilizar


autocuidado psicológico
Sugestão de Título Tema a abordar

Estratégias para lidar com a ansiedade do


Educação sobre ansiedade
dia-a-dia

Para abordar a influência dos


Cultivando relacionamentos que fazem bem
relacionamentos sociais na saúde mental
28
Quando o corpo avisa que precisamos de Para educar sobre sintomas físicos e
cuidado psicossomáticos

Como a subjetividade ajuda na Para evidenciar que a saúde mental é


produtividade imprescindível para um bom desempenho

Os títulos sugeridos acima para abordar cada tema devem explicitar o benefício da pessoa
comparecer à palestra. Dessa forma, incentiva a adesão da comunidade aos eventos. Por
exemplo, “Estratégias para lidar com a ansiedade”, é diferente e mais atrativo que “O
transtorno de ansiedade em instituições de ensino superior”.

Seja qualquer tema que sua instituição for abordar, tenha isso em mente. E lembre-se de
fazer uma boa divulgação a respeito, com antecedência suficiente para alcançar e interessar
muitas pessoas.
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8. Pesquisa e intervenção sobre fatores


estressores na instituição
Tendo em vista os acontecimentos recentes que levaram à produção deste e-book, não é
novidade que a pressão e a rotina pesada no meio acadêmico gerem estresse e ansiedade
em muitos estudantes e profissionais envolvidos. Todavia, para mudar essa realidade, é
preciso antes identificar e compreender os fatores estressores presentes na instituição, pois
só assim é possível intervir diretamente neles, de forma eficiente.
29
Várias são as metodologias possíveis para se realizar uma pesquisa neste sentido. Porém,
acreditamos que, dentro do contexto de instituições de ensino superior, as mais eficientes
seriam o envio de formulário seguido de grupos focais.

O formulário digital, enviado aos estudantes dos diversos níveis, professores e demais
servidores da universidade, é uma maneira eficaz de colher um número bastante expressivo
de respostas, abarcando diferentes perfis de idades, cursos, realidade sócio-econômica,
gênero, etc. As respostas do formulário digital são compiladas automaticamente, o que
facilita o trabalho e a visualização dos resultados, tornando possível identificar os principais
pontos problemáticos e que são de responsabilidade da instituição. Para elaborar o
formulário digital, sugerimos os Formulários do Google ou o Typeform.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

8. Pesquisa e intervenção sobre fatores


estressores na instituição
Após, a formação de grupos focais possibilita uma abordagem qualitativa da questão, que é
de extrema importância para se ter uma dimensão mais completa do problema. Grupos
focais são uma variação das entrevistas grupais, conduzidos por um(a) moderador(a). É
importante que cada grupo conte com uma amostra bem variada, contendo pessoas de
diferentes cursos, idades, gênero, etc. Em seguida, um problema é colocado em voga, e os
participantes precisam dizer o que pensam e como se sentem em relação a ele. Ao mesmo 30
tempo, conforme uns vão ouvindo as opiniões dos outros, a configuração do problema pode
ir se modificando por meio de associações.

Uma vez identificados os fatores estressores, eles se tornam mais tangíveis e, por
consequência, passíveis de intervenção. Todos os métodos apontados neste e-book são
formas de intervenção eficazes, que devem ser aplicados e executados de acordo com a
realidade de cada instituição.

É claro que o próprio sistema de ensino universitário, pela sua própria estrutura, apresenta
problemas. Esse sistema também precisa ser levado em consideração e questionado ao
longo da pesquisa, para que os métodos aqui apresentados não acabem servindo apenas
como medidas profiláticas para uma estrutura doente.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

9. BÔNUS: Criação de um Núcleo de


Promoção e Prevenção em Saúde Mental

Este item é um bônus às outras medidas apresentadas, pois é uma solução em médio prazo,
mais difícil de implementar, porém permanente, se executada de forma adequada. A
proposta é que seja criado um Núcleo de Promoção e Prevenção em Saúde Mental, que será
o responsável por implementar e executar as demais medidas aqui apresentadas, além de
ser um canal de acolhimento e orientação aos estudantes e profissionais que apresentaram
demandas relacionadas ao cuidado com a saúde mental. 31

Alguns dos métodos aqui citados poderiam configurar programas de extensão, como o
plantão psicológico, os grupos terapêuticos, etc. Neste caso, o Núcleo em questão poderia
também gerir esses projetos, tendo um(a) ou mais professores(as) da instituição como
coordenadores(as) - preferencialmente das áreas da saúde ou ciências humanas - e os alunos
como responsáveis pela execução (buscar profissionais para oferecer palestras, conduzir os
grupos, divulgação, etc.).

Dessa forma, por meio da criação de um Núcleo de Promoção e Prevenção em Saúde


Mental, as medidas serão executadas de forma mais estruturada e a comunidade acadêmica
terá uma referência sólida sobre qual órgão procurar quando apresentar demandas em
saúde mental.
Métodos para Promover Saúde Mental em Universidades

Considerações finais

Para finalizar, é preciso reforçar o argumento de que mesmo na saúde mental, a


prevenção é mais eficaz que a remediação, consideradas as devidas diferenças e
pluralidade das subjetividades que fazem parte da comunidade universitária.

Este e-book buscou propor métodos para promoção de saúde mental, e também
da prevenção da gênese de transtornos mentais que podem levar, em alguns 32
casos, até mesmo ao suicídio.

Além disso, baseado na tese de que a informação em saúde é essencial para


combater os males agregados e capacitar a própria comunidade à promover saúde
mental dos indivíduos. Portanto, acreditamos que qualquer medida que a
instituição de ensino superior for implementar para promover saúde mental, ela
deve fundamentar-se nestes dois pilares: prevenção/profilaxia e informação.

E, enfim, ressaltamos a preocupação social da EIDEA Consultoria & Psicologia a


respeito do tema, por isso disponibilizamos gratuitamente este e-book para
qualquer pessoa que tenha interesse no assunto, e que carregue o desejo de fazer
a diferença em sua comunidade acadêmica.
A EIDEA Consultoria & Psicologia é uma empresa especializada em saúde e bem-estar, e
qualidade de vida institucional. Prestamos consultoria de natureza interventiva e educativa,
que propiciam a promoção de saúde e bem-estar no ambiente corporativo.

Nosso objetivo é auxiliar pessoas e organizações interessadas em transformar seus cotidianos,


uma vez que as ideias que propomos fornecem suporte para que nossos clientes alcancem e
realizem os objetivos que almejam. Sempre embasados em nossa formação de Psicólogos,
personalizamos nossos serviços de acordo com a necessidade do seu ambiente.

Nosso diferencial são nossas soluções que integram a psicologia clínica e a psicologia do
trabalho e das organizações. Temos serviços inovadores que proporcionam diversos benefícios
aos nossos clientes, como promoção de bem-estar, melhora nos relacionamentos
interpessoais, aumento da produtividade, redução de estresse, etc. Acesse o nosso site para
conhecer melhor os nossos serviços:

www.tenhaumaeidea.com.br