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Discuta a questão da busca da identidade familiar (padrões, mitos,

legados, traumas etc) e a importância da familiar do indivíduo (filme).

Família é um sistema aberto, dinâmico e complexo, onde os membros


pertencem e compartilham de um mesmo contexto social. É o lugar do
reconhecimento da diferença e do aprendizado quanto ao unir-se e separar-se,
é onde acontecem as primeiras trocas afetivo-emocionais e a construção da
identidade do indivíduo. Um dos problemas enfrentados pela protagonista do
filme, refere-se a não aceitação de sua identidade de gênero pela própria
família, onde foi rejeitada e oprimida, principalmente pela mãe. Os pais são os
principais responsáveis pelo fortalecendo dos laços da família, por isso era
necessário sua compreensão e apoio no momento tão importante na vida da
personagem, onde existem muitas dúvidas, medos, angústias que marcam a
diferença sexual no campo tanto físico, como emocional, psicológico e social. O
acolhimento e solidariedade familiar, seriam a base para a personagem lidar
com a sua formação.

Como vivemos em uma sociedade patriarcal e heterocentrica é previsto


que muitas, se não a maioria, das famílias tentem influenciar seus herdeiros a
seguir a dita regra do “normal”. Aquele que não seguir o padrão é duramente
marginalizado e excluído (cena do filme em que a mãe de “Bree” se recusa a
aceitar a escolha da mudança do filho, e ainda quando a manda entrar logo
para que os vizinhos não o vejam). Sendo assim a família, como o primeiro
grupo em que o indivíduo estará inserido, e ainda como a detentora do poder
que tem, no caso desse individuo fugir da regra, é a primeira a oprimir e
consequentemente, o primeiro a inserir sua marca traumatizante e plantar os
primeiros danos psicológicos no indivíduo. A sociedade em geral de forma a
favorecer a cultura homofobica é aquela que manifestara sentimentos
negativos em relação ao indivíduo, alguns tanto movidos pela influência
religiosa, quanto pela ideia de finalidade da procriação e da manutenção da
família, ou ainda por uma premissa patologiazante, e ainda aqueles indivíduos
com uma homofobia própria e pessoal. Um ponto que deve ser destacado é
que Bree demonstra o estereótipo feminino que a sociedade exige, como por
exemplo ser discreta, vaidosa e moralmente correta, muito provavelmente por
influência de sua mãe, que demostra bem essas mesmas características. Bree
rejeita a família, por ser também rejeitada como uma mulher de verdade.

Ainda que possamos acreditar que é possível deixar de pertencer a uma


família, por romper os laços com ela, mesmo assim as lembranças e memórias
de um convívio familiar ficarão como marcas em nossas histórias, podendo ser
acessados a qualquer momento. (CARTER & McGOLDRICK, 1995). A
personagem rompeu os laços, porém em um momento que precisou de ajuda
recorreu á família, desencadeado novamente todo o preconceito, padrões que
tentaram impor quanto á sua sexualidade. A busca por compreensão familiar é
muito importante, nota-se no filme a falta de apoio e de compreensão para com
o problema vivido pela personagem. Esse trauma causado refletiu na sua
relação com o filho descoberto, onde a princípio a personagem do mesmo
modo que sua família de origem não soube lhe dar com o seu problema, ela
também teve muitas dificuldades em saber no início ajudar o filho em seus
conflitos.