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20/02/2017

A Igreja Católica e a Formação da Bíblia

INTRODUÇÃO

Um sincero irmão católico fez alguns comentários contra a Reforma Protestante em minha página no
Facebook. Essa imagem destacada que você vê no post é a imagem contra a qual ele argumentou.
Ela apresenta os Cinco Solas da Reforma que, na opinião do internauta católico, constituem-se em
“mentiras”.

A seguir, apresentarei as considerações dele seguidas de minhas respostas.

Irmão Católico: Sola Fé: mentira. A Bíblia defende Fé e obras (Tiago 2,16-23) pois fé sem obras é
morta. Sola Scriptura: mentira. Os livros dos fundadores das seitas são tão inspirados quanto a Bíblia.
Como não vão nem ao banheiro sem antes ouvir a revelação dos pastores e das pastoras, então não
é sola scriptura. Solus Christus: mentira. A religião é baseada em nãos: “não pode isso, não pode
aquilo, não pode aqueloutro”: se ver TV, mulher usar calça comprida e usar cosméticos e joias não
está salva. Se não guardar o sábado não está salvo. Se comer bacon não está salvo. Se não
participar da campanha, da fogueira santa, se não pagar o dízimo, se não pagar o pacto, se não pagar
o voto – não será salvo. Então não crê que só Cristo salva. Sola Gratia: mentira. Graça Barata não
leva ninguém para o Céu porque a Fé sem obras é morta. Soli Deo Glória: mentira: a ganância para
ganhar dinheiro e para abarrotar a conta bancária dos pastores e garantir a eles viverem no glamour,
no luxo e com fazendas e jatinhos não têm nada com glória de Deus. A Igreja Católica não pisoteou
verdade nenhuma: foi ela quem traduziu a Bíblia do hebraico, aramaico e grego para o Latim e dividiu
em capítulos e versículos, e vocês já receberam ela prontinha da Igreja Católica. Quem levanta falso
testemunho a Igreja Católica vai responder diante de Deus.

Além das respostas a tais questionamentos, abordarei no presente artigo a equivocada alegação de
que o Catolicismo Romano é responsável pela canonização dos livros bíblicos como os conhecemos
hoje.

Enquanto for lendo minhas respostas a cada um dos cinco tópicos a seguir (os cinco “Solas”: Sola Fé,
Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia, Soli Deo Glória) volte ao um pouquinho no texto se for
necessário para trazer à memória as alegações feitas pelo irmão católico.

OS CINCO “SOLAS” DA REFORMA

Quanto ao “Sola Fide” e “Sola Scriptura”:

Primeiramente, o irmão precisa compreender que “Sola Fide” ou “Somente a Fé” se refere à
justificação do crente, não à santificação. A justificação ocorre independente das obras (Ef 2:8, 9). Já
a santificação envolve tanto a fé quanto as obras, porém estas são o resultado de um coração
transformado pela graça ao longo de uma vida de fé. Se você compreender que Paulo trata mais da
justificação e Tiago da santificação, a aparente discrepância desaparece.

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Em segundo lugar, quanto aos livros das seitas serem considerados “tão inspirados quanto à Bíblia”
(agora abordo a questão do “Sola Scriptura”), convido-o a avaliar a compreensão Adventista do
Sétimo Dia em relação aos escritos de Ellen G. White, fazendo uso da fonte primária – ela mesma –
por se tratar da co-fundadora do movimento. Verá que nós Adventistas (e outros cristãos protestantes)
não adotamos a postura das seitas.

Veja o que ela diz sobre a Bíblia e sua relação com os escritos dela:

“Não devem os Testemunhos (ela se refere aqui aos próprios escritos) da irmã White serem postos na
dianteira. Não devem os Testemunhos substituir a Palavra [K] Provem todos a própria atitude por
meio das Escrituras e fundamentem pela Palavra de Deus revelada todo ponto que vindicam ser
verdade. A Palavra de Deus é suficiente para iluminar a mente mais obscurecida, e pode ser
compreendida pelos que têm qualquer desejo de compreendê-la”[1].

Portanto, o irmão não deveria colocar Ellen White no mesmo patamar que Joseph Smith Jr e William
Marrion Branham, entre outros.

Percebo caro irmão que o Catolicismo Romano faz o mesmo que as seitas supracitadas, ao colocar a
Tradição Eclesiástica como intérprete das Escrituras. Atitude essa condenada por Cristo quando os
fariseus fizeram o mesmo (ver Mateus 15:3, 9).

SOLUS CHRISTUS

Referente ao seu comentário acerca do “Solus Christus”, é importante que o irmão compreenda que
isso envolve também ensinar os “nãos” de Cristo.

Dos Dez Mandamentos (Êx 20:1-17; Dt 5:1-21), oito começam com um “não”, pois Deus é um Pai e,
por trás de cada “não” dEle há uma bênção. Concordo com você de que várias igrejas ensinam “nãos”
inexistentes nas Escrituras, porém, não se deve generalizar.

Também penso como você: uma “religião do não” está longe da religião bíblica (e faz mais mal do que
bem).

SOLA GRATIA

Realmente, “Sola Gratia” significa uma “graça barata” para muitas igrejas protestantes. Porém, esse
não é o caso da igreja a qual pertenço, entre outras igrejas protestantes sérias.

Veja, por exemplo, as Confissões Reformadas. Nesses primeiros padrões doutrinários da Igreja
Reformada[2], vemos que os protestantes nunca deixaram de lado a importância da santificação do
crente, como o fazem muitos “protestantes” atuais.

Como destacou Russell P. Shedd: “[K] a justificação gratuita não deve ser um incentivo à graça
barata”[3].

Mesmo que creiamos na justificação unicamente pela fé em Cristo (Rm 5:1), cremos que a verdadeira
graça transforma (2Co 5:10) e é materializada em nossas vidas por meio de obras (Tg 2:10; ver
também Ef 2:8-10).

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O protestante Martin L. Jones bem escreveu: “se a graça que você recebeu não o ajuda a guardar a
lei, você não recebeu a graça”[4]. Desse modo, o irmão não deveria enquadrar todos os protestantes
na mesma categoria daqueles que pregam a “graça barata”.

SOLI DEO GLORIA

Também nesse ponto concordo parcialmente com você. Há pastores que não seguem seu real
chamado e dão mais ênfase no ganho financeiro do que no ganho de pessoas para o reino de Cristo.
Todavia, mais uma vez o convido a conhecer a postura de igrejas protestantes sérias e tradicionais
que nada têm a ver com a teologia da prosperidade como ensinada atualmente.

Uma observação importante: a ganância, infelizmente, está presente onde há seres humanos. Com
certeza ela foi uma das coisas que também motivou a venda de Indulgências por parte da Igreja no
passado. O Vaticano e as vestimentas papais, com seu glamour, também revelam algo desse
problema que afeta protestantes e católicos.

Todavia, nossos irmãos católicos nada têm a ver com isso, bem como os protestantes que assim
como eles, vivem de verdade sua fé em Cristo.

A IGREJA CATÓLICA E A FORMAÇÃO DA BÍBLIA

No que diz respeito à formação da Bíblia por parte da Igreja, recomendo que o irmão se aprofunde na
história da tradução do texto bíblico para perceber que isso não procede.

Bem antes do Catolicismo Romano, que surgiu por volta do 4º século, Jesus já reconhecia todos os
livros do AT (ver Jo 5:46-47; Lucas 24:27, 44). Os apóstolos também tinham bem claro quais livros
faziam parte do Cânon veterotestamentário (2Tm 3:15-16; 2Pe 1:19-21).

Outro detalhe importante: entre 67 e 68 d. C – o Catolicismo Romano não existia nessa época –
Pedro já considerava os escritos de Paulo (ou seja, boa parte do NT) como estando na mesma
categoria dos escritos inspirados do AT (ver 2Pe 3:15, 16). Veja que a formação tanto do AT quanto
do NT nada tem a ver com o Catolicismo[5].

Considerando que o Catolicismo Apostólico Romano veio a existir por volta do 4º século com a
paganização do cristianismo por parte do imperador romano Constantino, do ponto de vista histórico é
totalmente infundado atribuir a origem dos livros bíblicos à Igreja Católica.

Os sínodos eclesiásticos, entre eles os de Roma (382 d.C), Hipona (393 d.C) e de Cartago (397 d.C)
apenas reconheceram aquilo que a igreja apostólica já reconhecia como inspirado. Nada mais[6].

Como bem destacou Pedro Apolinário em sua obra História do Texto Bíblico, a canonização
(reconhecimento da inspiração) dos livros bíblicos “foi um processo de acrescentamento gradual. E a
divisão em Lei, Profetas e Escritos (veja, por exemplo Lucas 24:44) confirma esta afirmação. Foi o
resultado do trabalho de um conjunto de pessoas. Não foi a autoridade eclesiástica que o criou; esta
apenas sancionou e fixou a coleção de escritos que vinham sendo reconhecidos como divinos”[7].

A IGREJA CATÓLICA PRESERVOU A BÍBLIA?

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Com toda certeza, não.

Os monges que preservaram as Escrituras eram de fato católicos, mas não a preservaram por ordem
da Igreja.

Os principais manuscritos foram preservados por monges que viveram na clausura do deserto,
especialmente no Egito. Tinham se afastado da Igreja, do Vaticano, apartando-se do mundo para
adotar o princípio “Reze e Trabalhe”.

Roma praticamente havia anulado os monges. O Papa não interferia em nada na vida deles e nem
sabia o que acontecia nos monastérios que eram tão independentes da Igreja que possuíam regras
próprias.

Os monges copiavam os livros bíblicos e a Igreja nem ligava porque ela sabia que ninguém iria ali, e
que tais materiais não sairiam para outro lugar.

Além disso, a Igreja só autorizava as Bíblias oficiais em Latim e numa edição muito limitada para reis,
monarcas, bispos, etc. A Igreja não estava nem aí para os manuscritos. Prova disso é que tais Bíblias
em Latim autorizadas pelo papado eram não mais que reedições da Vulgata Latina de Jerônimo.

Desse modo, a igreja oficial do papado não preservou trecho algum da Bíblia, pois as evidências
apontam para o fato inegável de que a Igreja tentou é destruir as Escrituras.

Por exemplo, o Papa Inocente III (1198-1216)[8], proibiu a leitura e tradução da Bíblia para a língua
franca e decretou que, se a Bíblia fosse lida ou ensinada por alguém sem expressa aprovação da
igreja, essa pessoa seria morta.

No Concílio de Toulouse (realizado na cidade de Tolosa, na França, em 1229 d.C), foi proibiu o uso da
Bíblia entre os leigos em sua língua regional para “evitar” que “heresias se espalhassem”. Mesmo que
a intenção tenha sido boa[9] – evitar que as heresias dos cátaros[10] se espalhassem – a Igreja
deveria, ao invés de proibir que os leigos estudassem a Palavra de Deus, incentivá-los ao estudo
sistemático das Escrituras, ensinando-lhes princípios hermenêuticos corretos.

Ao contrário do que a Igreja decidiu naquele concílio (até certo ponto bem-intencionado), os apóstolos,
quando se deparavam com heresias, nunca proibiam os leigos de irem ao texto bíblico, mas os
incentivavam a crescer no conhecimento da Palavra de Deus (veja Hebreus 5:12-14; 6:1-3) através
do estudo pessoal, assessorado especialmente pelo Espírito Santo (Jo 13):

“Procura apresentar-te a Deus aprovado, como obreiro que não tem de que se envergonhar, que
maneja bem a palavra da verdade” (2Tm 2:15).

“Desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em
Cristo Jesus” (2Tm 3:15).

“Ora, estes de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica; pois receberam a palavra com toda a
avidez, examinando as Escrituras todos os dias para ver se as coisas eram, de fato, assim” (At 17:11).

Perceba que além de Paulo incentivar os membros leigos a aprenderem por si mesmos a manejarem
bem a “palavra da verdade” (2Tm 2:15), ele de certo modo incentiva crianças ao estudo da Bíblia (2Tm

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3:15) e elogia a postura dos crentes de Bereia (At 17:11) por terem o costume de examinarem as
Escrituras sem confiarem simplesmente nas “lentes teológicas” dos próprios apóstolos.

Definitivamente, o Concílio de Toulouse não orientou os membros leigos a se protegerem contra


heresias do mesmo modo que os apóstolos o fizeram em seus dias.

Atualmente a Igreja não mantém a postura adotada no passado. No Concílio Vaticano II, por exemplo,
realizado entre 1962 e 1965, ela incentivou que os fiéis lessem a Bíblia[11], apesar de ainda ter
mantido a ideia de que à Tradição pertence o ofício de interpretá-la[12].

QUEM DIVULGOU A BÍBLIA FORAM OS PROTESTANTES

Vimos que quem preservou a Bíblia foram monges católicos sem a autorização da Igreja, e que ela
“nem ligava” para os manuscritos, pois além de não se preocupar com o trabalho dos monges
copistas, até proibia que as pessoas tivessem a Bíblia. A Igreja restringiu as Escrituras apenas para a
“elite” e somente no idioma Latim.

Alguns irmãos católicos dizem que devemos “agradecer à Igreja Católica pela preservação da Bíblia”,
porém, isso não condiz com os fatos. A história demonstra que foram os Valdenses[13] (entre outros
movimentos) e os protestantes os divulgadores das Escrituras mesmo em meio à perseguição papal.

Com base nisso, gostaria também de fazer algumas perguntas aos nossos irmãos católicos:

a) A quem o mundo deve agradecer por conhecer a Bíblia? À Igreja Católica? A resposta óbvia é não.
b) Quantos missionários católicos levaram a Bíblia para o mundo?
c) Quais foram os missionários católicos que no passado possibilitaram ao povo ter a Bíblia em seu próprio
idioma original?

Hoje possuímos traduções Católicas como a Bíblia de Jerusalém, Tradução Ecumênica da Bíblia, Ave
Maria (etc) que estão, a meu ver, entre as melhores traduções do texto Sagrado.

Porém, nesse caso o presente não reflete o passado. Afinal, os fatos históricos comprovam que se a
Bíblia hoje é o livro mais divulgado e vendido no mundo, isso se deu pelo trabalho árduo
do protestantismo, não do catolicismo.

A DIVISÃO DA BÍBLIA EM CAPÍTULOS E VERSÍCULOS

Quanto à alegação de que católicos dividiram a Bíblia em capítulos e versículos, isso está apenas
parcialmente correto. Realmente, foi Estêvão Langton (1150-1228), “professor na Universidade de
Paris e, mais tarde, arcebispo de Cantuária (Inglaterra)”, quem elaborou “entre os anos de 1204 e
1026”[14] a divisão da Bíblia em capítulos que é usada nas edições modernas[15].

Porém, antes dele já existiam outros sistemas de divisão da Bíblia com, por exemplo, a antiga divisão
do texto hebraico em seções chamadas “sedarins”. Para que na sinagoga o Pentateuco fosse lido em
um período de três anos, este foi dividido em 167 sedarins[16].

Já a divisão em versículos foi feita por Roberto Estéfano (1503-1559), também católico. O NT ele
dividiu em 1551 e, o AT, em 1555. Todavia, antes dele já havia um sistema de numeração na divisão
do AT. Veja as preciosas informações a seguir extraídas de uma das notas de rodapé da obra

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supracitada de Wilson Paroschi:

Uma Bíblia Latina impressa por Johannes Herbort em Veneza, em 1484, foi a primeira a trazer os
capítulos divididos em seções menores, identificadas na margem pelas letras A, B, C, D e assim por
diante. Em 1523, um sistema de numeração do AT proposto em 1448 pelo rabino filósofo judeu Isaac
Nathan, nascido em Arles (França), foi pela primeira vez utilizado numa concordância também
impressa em Veneza, a primeira concordância das Escrituras hebraicas. Cinco anos mais tarde, o
mesmo sistema foi inserido por Santes Pagninus, erudito católico italiano, numa Bíblia Latina, com
uma numeração diferente para o NT. O sistema que prevaleceu nos meios tanto cristãos como judeus,
porém, foi o mesmo o de Estéfano[17].

Um detalhe interessante sobre Estéfano é que ele chegou a simpatizar com algumas ideias de João
Calvino (1509-1564), tendo sido acusado de “heresia” pelos professores da Universidade de
Sorbonne (foi considerada o baluarte da fé católica) em Paris.

Devido às suas notas marginais inseridas nas Bíblias que imprimia, foi acusado de não acreditar na
imortalidade da alma e consequentemente na intercessão dos santos, demonstrando com isso ser um
católico que nem sempre permitia que a Tradição da igreja interpretasse a Bíblia por ele. Esse lado da
história também deveria ser considerado.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Que meus irmãos católicos analisem com carinho essas informações e sigam dispostos a conhecer a
Jesus, o único caminho que nos conduz a Deus (Jo 14:6; 1Tm 2:5).

Ao mesmo tempo, peço que o Espírito Santo lhes guie no conhecimento de fontes históricas
confiáveis, para que conheçam a real história da canonização dos livros bíblicos.

Oro para que os princípios da Reforma Protestante (os “Cinco Solas”) – como ensinados na Bíblia –
sejam avaliados por eles à luz de um “Assim Diz o Senhor”, não sob o olhar vigilante e limitador da
Tradição Eclesiástica.

UM PRESENTE PRA VOCÊ

Há algum tempo preparei uma palestra em PowerPoint intitulada “Como Lidar com Objeções”. Se
quiser baixá-la gratuitamente, clique AQUI agora mesmo.

REFERÊNCIAS

[1] Ellen G. White, Evangelismo. 3ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014) p. 256, 257.

[2] Tais padrões doutrinários – a Confissão Belga, o Catecismo de Heidelberg, Cânones de Dort e a
Confissão de Westminster, por exemplo, podem ser lidos na língua portuguesa na Bíblia de Estudo de
Genebra, 2ª ed. (Barueri, SP: Sociedade Bíblica do Brasil; São Paulo: Cultura Cristã, 2009), p. 1749-
1835.

[3] Russell P. Shedd, Lei, Graça e Santificação. 2ª ed. (São Paulo: Vida Nova, 1998), p. 6.

[4] Citado por Russel P. Shedd em Lei, Graça e Santificação, p. 30.

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[5] Se você preferir obras publicadas por editoras católicas, que tratam da formação da Bíblia,
recomendo as seguintes: A origem da Bíblia: um guia para os perplexos, de Lee Martin McDonald (São
Paulo: Paulus, 2015); A Formação do Novo Testamento em suas Três Dimensões, de Romano Penna
(São Paulo: Loyola, 2014).

[6] Uma refutação à alegação de que foi a Igreja Católica que determinou quais livros fariam parte da
Bíblia, pode ser vista na obra Respostas às Perguntas Que os Católicos Costumam Fazer (Rio de Janeiro:
CPAD, 2007), de Toni Coffey, no capítulo intitulado “A Formação da Bíblia” (p. 29-40).

[7] Pedro Apolinário, História do Texto Bíblico: Crítica Textual (São Paulo: Seminário Latino-Americano de
Teologia, 1985), p. 140, 141.

[8] Foi sob a liderança de Inocente III que “o papado alcançou o ápice de seu poder”, inclusive por
meio de cruzadas e perseguições contra os considerados “hereges” pela igreja. Foi ele quem deixou
de lado o título mais comum ‘Vigário de Pedro’” e passou a chamar a si mesmo de “Vigário de Cristo”.
Por isso, ele também reivindicou ter autoridade sobre governos seculares. Para mais detalhes, ver
Justo L. Gonzalez, Uma História do Pensamento Cristão, vol. 2: De Agostinho às vésperas da Reforma (São
Paulo: Cultura Cristã, 2004), p. 211-216.

[9] Ver Paulo Ricardo de Azevedo Júnior (padre), “A Igreja alguma vez proibiu a leitura da Bíblia?”
Disponível em: https://padrepauloricardo.org/episodios/a-igreja-alguma-vez-ja-proibiu-a-leitura-
da-biblia Acessado em: 01/12/2016.

[10] Os Cátaros (do grego katharos significa “puro”) eram sinceros cristãos, porém, adeptos da heresia
chamada “Catarismo” surgida no Sul da França no final do século XI que ensinava, entre outras
coisas, um extremo ascetismo e o chamado “Dualismo”, que consiste na crença de que há dois
deuses: um dom bem (Deus) e outro do mal (Satanás), que teria criado o mundo material –
contrariando, desse modo, Gênesis 1.

[11] No Catecismo da Igreja Católica, Edição Típica Vaticana (São Paulo: Loyola, 2000), são
apresentados três critérios indicados pelo Concílio Vaticano II para que os membros adotem na
interpretação da Bíblia: 1. Prestar muita atenção “ao conteúdo e à unidade da Escritura inteira”; 2. Ler a
Escritura dentro “da Tradição viva da Igreja inteira”; 3. Estar atento à analogia da fé. Isso demonstra
claramente que os esforços atuais são para que os irmãos Católicos leiam a Bíblia.

[12] Mesmo que no referido catecismo o Magistério não seja colocado acima da Palavra de Deus, o
pensamento católico quanto à interpretação das Escrituras continua diferente daquele adotado pelos
protestantes, que acreditam ser possível qualquer pessoa interpretar as Escrituras com o auxílio do
Espírito Santo, sem a supervisão da Igreja (Dt 17:19; At 17:11; 2Tm 3:15, seguindo regras
hermenêuticas extraídas do próprio Texto Sagrado (ver, por exemplo, Lucas 24:27, 44). Ao contrário
do que pensam os protestantes, no Catecismo da Igreja Católica é dito: “O ofício de interpretar
autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo
da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo”. Continua: “isto é, foi confiado [o ofício
de interpretar a Bíblia] aos bispos em comunhão com o sucessor de Pedro, o bispo de Roma” (ver p.
36). Todavia, em 2 Timóteo 3:15 Paulo diz que Timóteo desde a infância já aprendia das Escrituras –
obviamente com a supervisão dos pais, não da Igreja Católica Romana.

[13] Os “Valdenses” foram seguidores de Pedro Valdo (1140-1220 d.C), um comerciante da cidade de

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Lyon, na França, que decidiu ensinar a Bíblia ao povo contra a vontade da Igreja no período medieval.
Para isso, ele encomendou uma tradução da Bíblia na língua comum do povo. Para os Valdenses, as
Escrituras deveriam ser a única fonte de autoridade do cristão, não a Tradição Eclesiástica.
Obviamente, eles foram duramente perseguidos e até mortos por defenderem e espalharem o
conhecimento das Escrituras. Os sobreviventes se reuniam escondidos em vales, montanhas,
cavernas e bosques para ouvirem da Bíblia, estudá-la e copiá-la. Ricos detalhes sobre a história deles
podem ser vistos na obra O Grande Conflito, 43ª ed. (Tatuí, SP: Casa Publicadora Brasileira, 2014), de
Ellen G. White, no capítulo intitulado “Um Povo que Espalha Luz” (p. 61-78).

[14] Wilson Paroschi, Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento (Barueri, SP: Sociedade
Bíblica do Brasil, 2012), p. 33.

[15] Para mais informações sobre a divisão da Bíblia em capítulos e versículos, bem como acerca do
acréscimo da pontuação, ver: Pedro Apolinário, História do Texto Bíblico: Crítica Textual , p. 204-210;
Wilson Paroschi, Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento, p. 25.

[16] Apolinário, História do Texto Bíblico: Crítica Textual , p. 204.

[17] Paroschi, Origem e Transmissão do Texto do Novo Testamento, p. 34 (Ver a nota 128).

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