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ESTADO DA BAHIA

PREFEITURA MUNICIPAL DE CANDEIAS


REGIÃO METROPOLITANA
SECRETARIA DA EDUCAÇÃO

PROPOSTA PARA O 7 DE SETEMBRO

TEMA CENTRAL:

“Brasil: cores, etnias e saberes”

PERÍODO:
Agosto a 07/09/2017

PÚBLICO ALVO:
Ensino Fundamental II (6º ao 9º ano), algumas Escolas com turmas 5º ano e EJA.

ESCOLAS:

Alfredo da Silva Serra


Egberto Ferreira
Julieta Viana
Nova Candeias
Papa Paulo VI
Prof. Dásio
Tércia Borges
Yêda Barradas
Adriano Gordilho
Batista
Margarida Souza
São João Batista
CECON

1- APRESENTAÇÃO

A escola tem como um de seus principais papéis, e até ousamos dizer que talvez
seja este o principal, contribuir para a formação de sujeitos críticos e atuantes na
sociedade. Diante disso, emerge a necessidade de que esses sujeitos conheçam suas
histórias, bem como a história do espaço em que vivem, percebendo-o de modo
analítico, reflexivo e crítico.
Discutir a Independência do Brasil, hoje, a partir do novo enfoque dado pelas
ciências humanas e sociais, é pensar muito além do 7 de Setembro de 1822 como fruto
de uma ação isolada de um pequeno grupo da aristocracia brasileira. É compreender que
há, nesta nação, sujeitos que lutaram(e lutam) continuamente por um processo de
emancipação política, histórica, identitária, cultural, educacional, que, na maioria das
vezes é invisibilizada no discurso comemorativo da Independência do Brasil.
Nesta perspectiva, é importante que as escolas incentivem os estudantes a
pesquisar e compreender que a Nação brasileira foi fruto de um processo de colonização
pautado no genocídio e na escravização das populações nativas, bem como de um
complexo sistema de tráfico escravista que perdurou por mais de três séculos. Apesar de
terem sido força motriz da economia, mesmo após a abolição da escravidão e da
Independência do Brasil, os afrodescendentes e indígenas continuaram à margem da
sociedade, tendo seus direitos negados, sua participação histórica invisibilizada e suas
manifestações culturais esvaziadas. Nesse sentido, é de extrema necessidade permitir o
ecoar das vozes desses sujeitos históricos, que foram tão importantes para a formação
do Brasil, e trazer novas abordagens acerca dos saberes culturais produzidos por estes,
fortalecendo, assim, as relações de memória e identidade do nosso povo.
Em decorrência de suas raízes multiétnicas, a nossa nação possui uma enorme
riqueza cultural, que pode ser percebida em diversos aspectos, como nas danças e
demais manifestações artísticas, na culinária, nas crenças, religiosidades, dentre outros,
o que faz do Brasil um país plural.
Para o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), são
considerados bens culturais de natureza imaterial aqueles que dizem respeito às práticas
e domínios da vida social que se manifestam em saberes, ofícios e modos de fazer;
celebrações; formas de expressão cênicas, plásticas, musicais ou lúdicas; e nos lugares
(mercados, feiras e santuários que abrigam práticas culturais coletivas).
Partindo desse pressuposto, desenvolvemos este projeto com o intuito de
construir conhecimentos ligados à formação humana e social do estudante, bem como
de propiciar condições para construir ideias relativas à sua cultura e história.

2- JUSTIFICATIVA

O presente projeto justifica-se pela necessidade de propiciar aos estudantes um


novo olhar sobre a História do Brasil, considerando não apenas suas belezas naturais e
riquezas, mas, sobretudo, sua história e a diversidade étnica e cultural do seu povo.

As alterações na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB)


realizadas pelas leis 10.639/2003 e 11645/2008 transformaram em direito uma das
principais reivindicações dos movimentos sociais, do movimento negro e dos povos
indígenas e, portanto, um dever para a educação. Ou seja, as instituições de ensino
devem promover uma nova educação das questões étnico-raciais, através do estudo das
relações raciais e da história e produções socioculturais de africanos, afro-brasileiros e
indígenas.

Seguindo essa diretriz, é que o tema escolhido: “Brasil: cores, etnias e saberes”
pretende provocar a reflexão sobre o processo de Independência do Brasil, a partir de
um enfoque diferenciado sobre os sujeitos sociais que fizeram parte da formação do
povo brasileiro, destacando seus valores, seus costumes, suas práticas sociais e suas
lutas. Dessa forma, a importância do referido projeto não consiste tão somente em
comemorar uma data cívica, ou em cumprir com a proposta do calendário escolar
municipal, mas, acima de tudo, em fornecer subsídios para que o aluno cresça em
conhecimentos e valores dentro de uma escola pautada em ideias de justiça, igualdade e
distribuição de saberes (entendidos aqui como bens culturais), para a criação de um
sujeito histórico nacional, autônomo e livre.

3- OBJETIVO GERAL

Ressignificar o 7 de Setembro a partir de uma reflexão sobre as contribuições históricas


e culturais dos diferentes grupos sociais que convivem no território nacional, de modo a
valorizar a construção plural do Brasil.

3.1- OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Realizar pesquisas sobre as manifestações culturais dos diversos povos que


contribuíram para o que podemos chamar de “cultura brasileira”;
 Refletir acerca da produção dos saberes, atentando para as relações de poder
que as rege;
 Possibilitar o fortalecimento das relações de memória e identidade dos
estudantes;
 Envolver a comunidade escolar na comemoração desta data;
4- Metodologia

Tendo em vista o alcance dos objetivos traçados, o presente projeto deve ser
desenvolvido a partir de atividades de estudo e pesquisa realizadas nas unidades
escolares. Sugere-se que toda a abordagem relacionada às temáticas propostas seja feita
de modo a potencializar a ideia de que comemorar a Independência do Brasil, para além
do 7 de Setembro de 1822, trata-se de um movimento de luta contínua contra ordens
estabelecidas, numa espécie de contra-hegemonia. O MST, por exemplo - ainda que
tenhamos ressalvas em relação à sua organização - além da luta pela reforma agrária,
reivindica um modelo educacional que dialogue com as identidades dos sujeitos do
campo, o que pode ser considerado como um modo emancipação; a mobilização
indígena, que, dentre muitos outros aspectos, questiona um modelo educacional que
impede os povos indígenas de serem educados a partir de sua(s) própria(s) língua(s)
também é um desenho de luta por independência cultural. É sob esse olhar que cada
temática precisa ser desenvolvida. Tais ações, culminarão na apresentação do desfile de
7 de setembro, que deverá ser organizado com base nas seguintes temáticas:

4. 1- Nossa cultura, nosso maior patrimônio!


4.1.1- Formas de expressão do povo brasileiro.

 Samba de roda do Recôncavo Baiano, Roda de Capoeira, Puxada de


Rede
 Matrizes do samba no Rio de Janeiro
 Carimbó, Frevo, Tambor de Crioula do Maranhão
 Maracatu de baque solto, Maracatu de baque virado e congada
pernambucana
 Rtixokó (expressão artística e cosmológica do povo Carajá) e Arte
kusiwa ( pintura corporal e artes gráfica wajãpi).

4.1.2- Celebra Brasil!

 Festival folclórico de Parintins


 Ritual yaokwa do povo indígena enawenê – nawê
 Musicalidade e dança de contextualização indígena e afro – brasileira
4.1.3- Mãos que trabalham!

 Sistema agrícola tradicional do nordeste


 Saberes e sabores do Brasil (oficio das baianas de acarajé, queijo de
minas, feijoada, beiju, culinária do azeite...)
 Artesanato brasileiro ( influencias indígenas e africanas)
 Representantes dos trabalhadores brasileiros (Pescadores, lavadeiras,
domésticas...)

4.2 - Educação: Ferramenta poderosa de transformação da nação


brasileira!
4.2.1 - Vozes protagonistas do Brasil.

 Movimentos sociais: Os “caras pintadas”, Tropicalismo, Movimento


Negro, Movimento dos Trabalhadores sem Terra (MST), Movimento dos
Trabalhadores sem Teto (MTST) Movimento Feminista, Lutas indígenas.
 Manifestações sociais diversas (Guerra de Canudos, Cangaço, Revolta da
Chibata, Revolta dos Malês, Conjuração Baiana).

Observações:

 A partir da temática “Nossa cultura, nosso maior patrimônio”, cada


unidade escolar deverá escolher um dos modos de Expressão, Celebração,
Trabalho ou Luta, descritos nos itens 4.1 e 4.2.
 A Unidade escolar deverá apresentar uma média de 300 alunos e entregar o
release com a distribuição dos pelotões.
 Os professores de Educação Física deverão preparar os alunos para um
desfile harmônico e sincronizado.

Percurso:
- Praça Irmã Dulce;
- Avenida Antonio Patterson;
- Rua 21 de abril;
- Rua 13 de maio;
- Praça Dr. Gualberto.

Sugestão:
Disponibilizar uma ambulância e ou Profissionais da Saúde para acompanhar e dar
assistência aos casos de emergência.

Previsão para inicio:


Concentração: 7 horas
Local: Praça Irmã Dulce
Água:
Distribuição nos seguintes pontos:
- Praça Irmã Dulce;
- Largo do Triângulo;
- Mercado Cultural.

Lanche:
A ser distribuído na Escola Margarida Souza.

OBS: Serão distribuídos tickets para água e lanche.

5- Referências

BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), alterada pelas


Leis 10.639/2003 e 11.645/2008 (Artigo 26-A);

___________ Parecer CNE/CP 03/2004 e Resolução CNE/CP 01/2004


(Diretrizes Curriculares Nacionais para Educação das Relações Étnico-raciais
para o Ensino de História e Cultura Afro-brasileira e Africana);

___________ Plano de Implantação das Diretrizes Curriculares Nacionais para


Educação das Relações Étnico-raciais para o Ensino de História e Cultura Afro-
brasileira e Africana.

IPHAN; MINC. O Registro do Patrimônio Imaterial: dossiê final das atividades


da Comissão e do Grupo de Trabalho Patrimônio Imaterial. Brasília:
FUNARTE, 2003. Disponível em:
https://centrodepesquisaeformacao.sescsp.org.br/uploads/BibliotecaTable/9c715
4528b820891e2a3c20a3a49bca9/138/13767633911715480676.pdf