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FABIANO BRASIL

ESTUDO DE CORROSÃO SOB TENSÃO EM TUBOS DE AÇO


INOXIDÁVEL AISI 304 L, ASPERGIDOS TERMICAMENTE
COM ALUMÍNIO POR ARCO ELÉTRICO

D i s s e r t a ç ã o a p r e s e n t a d a c o mo r e q u i s i t o p a r c i a l à
obtenção do grau Mestre em Engenharia e Ciências
d o s M a t e r i a i s . P r o g r a ma I n t e r d i s c i p l i n a r d e P ó s -
Graduação em Engenharia (PIPE), Setor de
Te c n o l o g i a , U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o P a r a n á .

O r i e n t a d o r : P r o f . D r. R a mó n S . C . P a r e d e s

CURITIBA

2003
ii

FABIANO BRASIL

ESTUDO DE CORROSÃO SOB TENSÃO EM TUBOS DE AÇO


INOXIDÁVEL AISI 304 L, ASPERGIDOS TERMICAMENTE
COM ALUMÍNIO POR ARCO ELÉTRICO

D i s s e r t a ç ã o a p r e s e n t a d a c o mo r e q u i s i t o p a r c i a l à
obtenção do grau Mestre em Engenharia e Ciências
d o s M a t e r i a i s . P r o g r a ma I n t e r d i s c i p l i n a r d e P ó s -
Graduação em Engenharia (PIPE), Setor de
Te c n o l o g i a , U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o P a r a n á .

O r i e n t a d o r : P r o f . D r. R a mó n S . C . P a r e d e s

CURITIBA

2003
iii

À mi n h a fa mí l i a , em especial à
mi n h a esposa Caroline, filhos
Fabiano e Natalia, pelo carinho e
c o mpr e e n s ã o a mi m t r a n s mi t i d o .
iv

AGRADECIMENTOS

A g r a d e ç o i me n s a me n t e a t o d a s a s p e s s o a s q u e , p e l a s ma i s v a r i a d a s
r a z õ e s , c o n t r i b u í r a m e e mp e n h a r a m- s e p a r a a r e a l i z a ç ã o d e s t e t r a b a l h o , c o m
destaque especial:
-A o me u orientado r Pr of . Dr. Ra mó n S . C o r t é s P a r e d e s , p e l a
inexorável orientação, esplêndida contribuição e capacidade de síntese;
-Ao Eng. Marcelo Piza, da PETROBRÁS, pela consulta e
e x p l a n a ç ã o d e t e ma s r e l a c i o n a d o s à c o r r o s ã o ;
- A t o d o s o s d i r e t o r e s e f u n c i o n á r i o s d a e mp r e s a R E V E S T E E L , p e l o
a p o i o e c o n t r i b u i ç ã o i mp r e s c i n d í v e l n a d e t e r mi n a ç ã o d o s p a r â me t r o s e
p r e p a r a ç ã o d o s c o r p o s d e p r o v a p a r a o s e x p e r i me n t o s ;
-Ao Eng. André Capra pela contribuição na realização da aspersão
t é r mi c a r e a l i z a d a n a s a mo s t r a s ;
- A o C E N P E S / P E T R O B R Á S , p e l o e mp r é s t i mo d e e q u i p a me n t o s
destinados aos ensaios de corrosão sob tensão;
- A o s f u n c i o n á r i o s , b o l s i s t a s e p ó s - g r a d u a n d o s d o L A B M AT- U F P R
p e l a c o n t r i b u i ç ã o n a u t i l i z a ç ã o d o s e q u i p a me n t o s ;
- A o s f u n c i o n á r i o s e p r o f e s s o r e s d o P r o g r a ma I n t e r d i s c i p l i n a r d e
P ó s - G r a d u a ç ã o e m E n g e n h a r i a p e l a a c e s s i b i l i d a d e e p r o f u n d o c o n h e c i me n t o ;
-Aos funcionários, bolsistas e pós-graduandos do laboratório de
corrosão do LACTEC;
- A o P r o f . D r. J o s é M a u r i l i o , pelo incentivo, co-orientação e
f u n d a me n t a l a p o i o n a r e a l i z a ç ã o d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s r e a l i z a d o s ;
- A o M S c . E n g . J o s é L a z a r i s p e l a o r i e n t a ç ã o e a p r i mo r a me n t o
técnico, f u n d a me n t a l para a r e al i z a ç ã o dos ensaios e l e t r o q u í mi c o s
realizados;
-Aos MSc.Eng. Carlos Celli e Eng. Ana C. Gabardo pelas traduções
e d e s e n v o l v i me n t o d a r e v i s ã o b i b l i o g r á f i c a ;
-A todos que d i r e t a me n t e ou i n d i r e t a me n t e contribuíram ou
participaram deste trabalho;
-A D E U S p o r t o r n a r p o s s í v e l c u mpr i r ma i s e s t a e t a p a d e mi n h a
vida.
v

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS
LISTA DE TABELAS
LISTA DE SÍMBOLOS
RESUMO
OBJETIVO

I. INTRODUÇÃO ................................................................ 0 1

II. REVIS Ã O BIBLIOGRÁFICA ........................................... . . 0 4

2.0 CORROSÃO SOB TENSÃO (CST) ....................................... 04


2.1 FATOR E S A G R AVA N T E S D A C S T . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0 7
2.1.1 FATOR M EIO AMBIENTE .................................................. 08
2.1.1.1 CST em Aços Inoxidáveis Austeníticos em Meios Contendo
Cloretos ............................................................................ 08
2.1.1.2 C S T e m A l u mí n i o e m M e i o s C o n t e n d o C l o r e t o s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0
2.1.2 FATOR M ETALURGICO .................................................... 10
2.1.2.1 S u s c e p t i bi l i da d e d os A ç o s I no x i d á v e i s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 11
2.1.2.2 S u s c e p t i bi l i da d e d e L i g a s d e A l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 2
2.1.3 FATOR TENSÃO SUSTENTADA ......................................... 17
2.1.3.1 Te nsões para A ços I noxidá ve is ........................................... . 1 7
2.1.3.2 Te n s õ e s e m A l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 8
2.1.4 FATOR TEMPO PA RA OCORRÊNCIA DA FRAT URA ............ 20
2.1.5 FATOR TEMPERATURA ..................................................... 21
2.2 FATOR CINÉTICO ............................................................. 23
2.2.1 Te r mo d i n â mi c a E l e t r o q u í mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 4
2.3 MECANI SMO DE PROPAGAÇÃO DA FRAT URA .................. 37
2.3.1 P r o p a g a ç ã o I n t e rgr a n u l a r . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 7
2.3.2 P r o p a g a ç ã o Tr a n s g r a n u l a r . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 7
2.4 IDENTIFICANDO A CST .................................................... 39
2.4.1 Identificação da CST pa r a Aç os I noxidá ve is Auste nític os ..... . . 3 9
vi

2.4.2 I d e n t i f i c a ç ã o d a C S T p a r a o A l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 9
2.5 MO R FO L O G IA D A FRATURA ........................................... . 4 0
2.6 A S P E R S Ã O T É R M I C A ( D e p o si ç ã o d o A l u mí n i o ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 2
2.6.1 P r o c e s s o s d e A s p e r s ã o T é r mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 3
2.6.1.1 P r o c e s s o d e A s p e r s ã o T é r mi c a p o r A r c o E l é t r i c o - A S P ( A r c
S pray P rocess). ... ............................................................. . . 4 5
2.6.2 P r i n c i p a i s C a r a c t e r í s t i c a s e P r o p r i e d a d e s d o s R e v e s t i me n t o s
D e p o s i t a d o s p o r AT. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4 7
2.6.2.1 Aderência .......................................................................... 47
2.6.2.2 L i mpe z a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 0
2.6.2.3 R ugosidade ........ ............................................................. . . 5 1
2.6.2.4 P ré-aquecime nto ............................................................. . . 5 2
2.6.2.5 Ó xidos ............... .............................................................. . 5 3
2.6.2.6 P orosidade ........ ............................................................. . . 5 5
2.6.3 C o r r o s ã o d e C a ma d a s A s p e rgi d a s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 6
2.6.4 Microestrutura .................................................................. . 5 6

III. METO DOLOGIA EXPERIMENTAL .................................. . 5 8

3.1 M a t e r i a i s E mp r e g a d o s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 8
3.1.1 Metal de B ase ..... ............................................................. . . 5 8
3.1.2 Metal de D eposiçã o por Aspe r sã o Té r mic a .......................... . . 5 9
3.1.3 Solucões ........................................................................... 60
3.2 Preparo dos Corpos de Prova ............................................... 60
3.2.1 P r o c e d i me n t o p a r a J a t e a me n t o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 0
3.2.2 E q u i p a me n t o s p a r a J a t e a me n t o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 1
3.3 A s p e r s ã o T é r mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 2
3.3.1 P ré-aquecime nto .............................................................. . . 6 2
3.3.2 E q u i p a me n t o s e P a r â me t r o s p a r a A s p e r s ã o T é r mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . 6 3
3.3.3 P r o c e d i me n t o p a r a A s p e r s ã o T é r mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 4
3.3.4 P rocedimento para Re f usã o ............................................... . 6 5
3.4 E nsaios na C élula CUI Te ste ............................................... . 6 5
3.4.1 C á l c u l o d a s Te n s õ e s R e s i d u a i s n o Tu b o A I S I 3 0 4 L s e m
Tr a t a me n t o T é r mi c o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 6
vii

3.4.2 E q u i p a me n t o s e P a r â me t r o s p a r a o E n s a i o d a C S T . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 7
3.5 E nsaios na C élula de Pola r iz a ç ã o ( CEL. POL) ..................... . . 7 1
3.5.1 C álculo da Te nsão Aplic a da ............................................... . . 7 1
3.5.2 E q u i p a me n t o s e P a r â me t r o s p a r a o s E n s a i o s E l e t r o q u í mi c o s . . . 7 2

IV. RESULTADOS E DISCUSS Õ ES ....................................... . . 7 8

4.1 E n s a i o s d e C S T e m Tu b o s c o n t e n d o Te n s õ e s R e s i d u a i s . . . . . . . . . . 7 8
4.2 E n s a i o s El e t r o q u í m i c o s e m t u b o s c o m Te n s ã o S u s t e n t a d a . . . . . . . 8 5
4.2.1 E n s a i o s E l e t r o q u í mi c o s d o P o t e n c i a l e m F u n ç ã o d o Te mp o
para Solução de Ác ido Clor ídr ic o ....................................... . 8 6
4.2.2 E n s a i o s E l e t r o q u í mi c o s d o P o t e n c i a l e m F u n ç ã o d o Te mp o
p a r a S o l u ç ã o d e C l o r e t o d e Só d i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 9
4.3 E nsaio P otencidinâ mic o ..................................................... . 9 1
4.3.1 E n s a i o P o t e n c i d i n â mi c o e m S o l u ç ã o d e Á c i d o C l o r í d r i c o . . . . . . . . 9 1
4.3.2 E n s a i o P o t e n c i d i n â mi c o e m S o l u ç ã o d e C l o r e t o d o S ó d i o . . . . . . . 9 7
4.4 E n s a i o d e R e s i s t ê nc i a a P o l a r i z a ç ã o Lin e a r ( R P L) . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 7

V. CONCL USÃO .... ............................................................ 11 3

VI. SUGESTÕES PARA PESQUISAS POSTERIO RES ............ 11 6

VII. BIBLIOGRAFIA ............................................................ 11 7


viii

LISTA DE FIGURAS

FIGURA ASSUNTO PÁGINA

01. C o r r o s ã o e m a r a me s d e a ç o A I S I 3 0 4 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 0 2
02. M i c r o gr a f i a mos t r a n d o d i r e ç ã o d e o r i e n t a ç ã o d os g r ã o s d e A l . 1 2
03. Efeito da orientação da liga 7075-T6 extrudada dado a
e s p e s s u r a n a r e s i s t ê n c i a d a CST . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 3

04. C u r v a s d a s t a x a s K ICST p a r a v a r i a ç ã o s e v e r a d o s p l a t ô s

e v a r i a ç ã o a p a r e nt e K ICST . .................................................. . . 1 4
05. R e l a t i v o a o s t i p o s d e a ç o s i n o x i d á v e i s a u s t e n í t i c o s e m me i o

d e MgCl 2 e m e b u l i ç ã o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 7
06. Método de generalizar alta tensão sustentada na direção
t r a n s v e r s a l c u r t a , e m l i g a d e a l u mí n i o s u s c e p t í v e l . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 8
07. C o mp a r a ç ã o Te o r i a / E x p e r i me n t o e n t r e o e f e i t o d a
t e mpe r a t u r a n a t a x a d e C S T, n o a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o
exposto em soluçã o de c lor e tos ........................................... . 2 2
08. Dissolução do Fe em solução ácida ...................................... 24
09. R e p r e s e n t a ç ã o g r á f i c a d a l e i d e Ta f e l . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 6
10. E s q u e ma d e C S T c o m mi g r a ç ã o d e c a rg a s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2 9
11 . Curva de polarização potenciocinética e valores do potencial
do eletrodo com CST. ....................................................... . . 3 0
12. Curvas de polarização potenciocinética e valores do
p o t e n c i a l d o e l e t r o do c o m C S T i nt e rg r a n u l a r e t r a n s g r a n u l a r .. 3 1
13. C u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o e s q u e má t i c a p a r a a ç o i n o x e m s o l u ç ã o
de ácido sulfúrico .............................................................. 32
14. Cuvas de polarização do aço inoxidável AISI 321. ................. 33
15. D i a g r a ma d e p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a , r e f e r e n t e a o
c o mp o r t a me n t o d o A l ( 11 0 0 ) e m s o l u ç ã o a q u o s a ( N a C l )
neutra desaerada ................................................................ 35
16. C u r v a s d e p o l a r i z a c ã o a n ó d i c a d e c o mp ó s i t o s e l i g a d e
a l u mí n i o 6 0 6 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 6
ix

17. S e q ü ê n c i a d e e v e n t o s n a c o r r o s ã o s o b t e n s ã o , a s s u mi n d o a
n ã o r e l a xa ç ã o d a s t e n s õ e s d e t r a ç ã o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 3 8
18. F o t o mi c r o g r a f i a mos t r a n d o t í p i c a C S T t r a n s g r a n u l a r e m a ç o
inoxidável austenítico AISI 304. .......................................... 41
19 F o t o mi c r o g r a f i a mos t r a n d o C S T i n t e rgr a n u l a r e m l i g a s
inconell (NiAl, NiSi). ......................................................... 41
20. M i c r o g r a f i a e l e t r ô n i c a mos t r a n d o t í p i c a C S T i n t e rgr a n u l a r d a
liga de Al- 7075. ................................................................ 42
21. C a r a c t e r í s t i c a s d a f o r ma ç ã o d a c a ma d a d e p o s i t a da p o r AT. . . . . . 4 4
22. P a r t í c u l a d e a l u mí n i o d e p o sitada por arco elétrico. ................ 44
23. E s q u e ma d a s i n s t a l a ç õ e s ( a ) e P i s t o l a d o p r o c e s s o a a r c o
elétrico (b). ........ ............................................................. . . 4 6
24. E s q u e ma d o a n c o r a me n t o me c â n i c o d a p a n q u e c a n a
superfície rugosa d o substr a to. .......................................... . . 4 8
25. F o r ma e s q u e má t i c a a s f o n t e s d e o x i d a ç ã o n a AT. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 4
26. M i c r o e s t r u t u r a d a s u p e r f í c i e d e c a ma d a s d e a l u mí n i o
depositadas pelos processos arco elétrico.............................. 57
27. Cabine com cortina de água ................................................. 62
28. P i s t o l a e e q u i p a me n t o u t i l i z a d o n a a s p e r s ã o t é r mi c a ,
respectivamente .. .............................................................. . 6 3
29. E s q u e ma p a r a o c á l c u l o d a s t e n s õ e s R e s i d u a i s . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 6
30. Ti p o d e f i x a ç ã o d a s a mo s t r a s n a c é l ul a t e s t e . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 7
31. A néis de aço inoxidá ve l a uste nític o AI SI 304 L .................... . 6 8
32. D i s p o s i ç ã o d o i s o l a me n t o t é r mi c o n a c é l u l a d e t e s t e ,
(C U I Te st) ....................................................................... . . 6 9
33. E s q u e ma d e mo n t a g e m d a c é l u la d e c o r r o s ã o ( C U I - t e s t ) . . . . . . . . . 7 0
34. Protótipo CUI test. ............................................................. 70
35. E quipame ntos utiliz a dos na CEL- Pot .................................. . . 7 3
36. A n é i s p r e p a r a d o s p a r a a c é l u l a p o t e n c i o d i n â mi c a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 4
37. (a) Furação dos anéis e (b) Preparo do parafuso tensor ........... 74
38. C é l u l a e l e t r o q u í mi c a ( C E L . P o t . ) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 5
39. A p a r e l h a g e m e l e t r ô n i c a c o mpl e t a p a r a o s e n s a i o s
eletroquími cos .................................................................. . 7 6
40. A n é i s u t i l i z a d o s p a r a d e t e r mi na ç ã o d a s t e n s õ e s r e s i d u a i s . . . . . . 7 9
x

41. F o t o g r a f i a v i s t a d e c i ma , mos t r a n d o a t a q u e l o c a l i z a d o
transversal ao centro do anel. .............................................. 80
42. F o t o g r a f i a mo s t r a n d o v i s t a f r o n t a l , e v o l u ç ã o d a f r a t u r a n o
interior do anel. ................................................................. 80
43. F o t o g r a f i a v i s t a d e c i ma d a j u n t a s o l d a d a , mos t r a n d o
degradação avançada do c or dã o de s o l d a e t r i n c a s n a Z TA . . . . . . 8 0
44. Propagação da trin c a no inte r ior do a ne l. ............................ . . 8 1
45. P r o p a g a ç ã o d a t r i n c a a p r e s e n t a n d o r a mi f i c a ç ã o l a t e r a l . . . . . . . . . . 8 2
46. M i c r o g r a f i a v i s t a f r o n t a l d a t r i n c a n a z o n a t e r mi c a me n t e
afetada ............................................................................. . 8 2
47. Tr i n c a t r a n s g r a n u l a r n o t u b o d e a ç o i n o x 3 0 4 L . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 4
48. C u r v a s d e E x T e m me i o d e H C l 1 N . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 6
49. A mo s t r a A 0 2 , d e mo n s t r a n d o a d i s s o l u ç ã o c o mpl e t a d a
c a ma d a d e a l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 8 9
50. Curvas E X T e m meio de NaCl 3,5% ................................... 90
51. C u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o p o t e n c i o d i n â mi c a p a r a d i f e r e n t e s
f a t o r e s a g r a v a n t e s . A ç o i n o x 3 0 4 L s e m r e v e s t i me n t o , me i o
H C l 1N . ........................................................................... . 9 2
52. A mo s t r a A 0 1 , e n s a i o E 1 3 . F o r ma ç ã o d e p i t e r a s o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 4
53. A mo s t r a A 0 1 , e n s a i o E 1 5 . A u me n t o d a r u g o s i d a d e s u p e r f í c i a l
e profundidade do pite ........................................................ 95
54. A mo s t r a A 0 1 , e n s a i o E 1 7 . F o r ma ç ã o d e p i t e p r o f u n d o , me i o
H C l 1N .............. .............................................................. . 9 5
55. A mo s t r a A 0 2 , e n s a i o E 0 3 s e m r e f u s ã o . A p r e s e n t a n d o t r i n c a s
n a c a ma d a d e a l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 6
56. A mo s t r a A 0 5 , e n s a i o E 0 5 . M o s t r a n d o r e g i ã o d e i n t e r me t á l i c o
A l-C r-Fe-N i ..................................................................... . . 9 7
57. C o mp a r a t i v o e n t r e s a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s d o s t u b o s
s e m t r a t a me n t o , a s p e r s ã o c o m a l u mí n i o e a s p e r s ã o c o m
a l u mí n i o r e f u n d i d o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 8
58. A mo s t r a A 0 1 , e n s a i o E 1 9 . F o r ma ç ã o d e p i t e p e l a q u e b r a d e
passividade do óxido de cromo ........................................... 100
59. E n s a i o A 0 2 , e n s a i o E 2 1 . D e g r a d a ç ã o d a c a ma d a d e a l u mí n i o
a s p e rgi d o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 1
xi

60. A mo s t r a A 0 5 , e n s a i o E 2 3 . D e g r a d a ç ã o d a z o n a e p i t a x i a l e
p r o p a g a ç ã o d a t r i n c a a p a r t i r do intermetálico Cr-Al-Fe-Ni. .. 102
61. C o mp a r a t i v o e n t r e s a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s p a r a o s
t u b o s c o m d i f e r e n t e s e s p e s s u r a s d e a l u mí n i o a s p e rg i d o . . . . . . . . . 1 0 3
62. A mo s t r a A 0 2 , e n s a i o E 2 5 . D i s s o l u ç ã o d a c a ma d a d e
A l u mí n i o e f o r ma ç ã o d e p i t e s . C a ma d a 5 0 µ m. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 5
63. A mo s t r a A 0 3 , e n s a i o E 2 7 . D e g r a d a ç ã o d a c a ma d a d e
A l u mí n i o e f o r ma ç ã o d e p i t e s . C a ma d a 1 0 0 µ m. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 5
64. A mo s t r a A 0 4 , e n s a i o E 2 9 . D e g r a d a ç ã o d a c a ma d a d e
A l u mí n i o . C a ma d a 2 0 0 µ m . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 6
65. C u r v a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r a mo s t r a A 0 1 . M e i o H C l 1 N ,
T=70°C e σ = 240 MPa . .................................................... 1 0 7
66. C u r v a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r a mo s t r a A 0 2 . M e i o H C l 1 N ,
T=70°C e σ = 240 MPa . ................................................... 1 0 8
67. C u r v a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r a mo s t r a A 0 4 . M e i o N a C l 3 , 5 % ,
T=70°C, σ = 240 MPa ......................................................... 11 0
xii

LISTA DE TABELAS

TABELA ASSUNTO PÁGINA


N.°

2.0 C a t e g o r i a s d e s u s c e p t i b i l i d a d e a q u o s a d e l i g a s c o me r c i a i s
n o p l a n o d e o r i e n t a ç ã o transversa curta. .............................. 17

2.1 Va l o r e s d e Ta x a d e c o r r o s ã o p a r a 1 µA/cm 2 . ....................... . . 3 3

2.2 P o n t o d e f u s ã o e e n e rg i a mol a r d e f o r ma ç ã o d e a l g u n s
óxidos ........................................................................ ... . . 4 9

2.3 P a r â me t r o s c a r a c t e r í s t i c o s d o s p r o c e s s o s d e AT . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 5 5

3.0 C o mp o s i ç ã o q u í mi c a ( % e m p e s o ) d o me t a l d e b a s e A I S I
304 L ............................................................................ . . 5 9

3.1 C o mp o s i ç ã o q u í mi c a d o a r a me d e a l u mí n i o . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 0

3.2 C ondições de jate a me nto ................................................. . . 6 1

3.3 Va lores utilizados no pr oc e sso AT ..................................... . 6 4

3.4 A s p e r s ã o t é r mi c a n o s c o r p o s d e p r o v a . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 6 4

4.1 Va l o r e s d e t e n s ã o r e s i d u a l n o s t u b o s 1 a 5 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 7 9

4.2 Resultados dos ensaios de CST realizados nos corpos de


prova com tensão r e sidua l. .............................................. . . 8 5

4.3 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r oq u í mi c o s E x T p a r a H C l 1 N . . . . 8 7
xiii

4.4 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s E x T p a r a o
cloreto de Sódio ............................................................. . . 9 1
4.5 Resultados obtidos pelas curvas de polarização
p o t e n c i o d i â mi c a p a r a o s f a t o r es a g r a v a n t e s d e t e mpe r a t u r a
e tensão ........................................................................... 93
4.6 R e s u l t a d o s d a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s d a s a mo s t r a s
A 0 1 , A 0 2 e A 0 5 e m me i o N a C l 3 , 5 % . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 9 9
4.7 R e s u l t a d o s d a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s p a r a d i f e r e n t e s
c a ma d a s d e A l , e m me i o d e N a C l 3 , 5 % . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 4
4.8 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s p a r a d e t e r mi n a ç ã o
d a R p e i c o r . P a r a o me i o d e H C l 1 N . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1 0 9
4.9 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s p a r a d e t e r mi n a ç ã o
d a R p e i c o r . P a r a o me i o d e N a C l 3 , 5 % . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111
xiv

LISTA DE SÍMBOLOS

SÍMBOLO DESCRIÇÃO

a t a ma n h o a t ô mi c o

A á r e a d a s u p e r f í c i e d o me t a l

ß coeficiente de transferência

ßa taxa de constante anódica

ßc taxa de constante catódica

Ds coeficiente de difusão superficial

d d e n s i d a d e d o me t a l

Do d i â me t r o e x t e r n o i n i c i a l

Df d i â me t r o e x t e r n o f i n a l

D d i â me t r o me d i d o ( O D - t P )

e p e r d a d e me t a l

Ecor potencial de corrosão

Epp p o t e n c i a l p r i má r i o d e p a s s i v a ç ã o

Ep potencial de pite

Et potencial da região de transpassivação

El mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e

fc fator de conversão

f tensão desejada

F constante de Faraday

i d e n s i d a d e d e c o r r e n t e mé d i a

icor corrente de corrosão

ipass corrente de passivação


xv

K c o n s t a n t e d e B o l t z ma n

KIcst i n t e n s i d a d e d e t e n s ã o má x i ma

L d i s t â n c i a d e d i f u s ã o d e u ma v a c â n c i a

n n ú me r o d e o x i d a ç ã o d a e s p é c i e e l e t r o a t i v a

η sobretensão em relação ao potencial

OD d i â me t r o e x t e r n o d o a n e l e m C s e m t e n s ã o

OD f
d i â me t r o e x t e r n o f i n a l t e n c i o n a d o

R constantes dos gases

Rp resistência de polarização

Tc t a ma n h o c r í t i c o d a f a l h a

T t e mpe r a t u r a

Tm ponto de fusão na absorção superficial das

i mp u r e z a s

t n.º de segundos /ano

tp espessura da parede

TC taxa de corrosão

σth t e n s ã o t r a ç ã o l i mi t e

σI tensão de tração aplicada

σr tensão residual

σ tensão superficial elástica na ponta da trinca

Vp velocidade da fratura

∆ mu d a n ç a d e O D d a d o à t e n s ã o

∆I variação de corrente

∆E variação de potencial

Z fator de correção da curva


xvi

RESUMO

U m p r o b l e ma q u e e s t a s e mpr e p r e s e n t e e m t u b u l a ç õ e s e x p o s t a s a
me i o s q u e c o n t é m c l o r e t o s é a c o r r o s ã o s o b t e n s ã o ( C S T ) , fa t o e s t e ma i s
c r í t i c o q u a n d o a s t u b u l a ç õ e s t r a b a l h a m c o m t e mpe r a t u r a e l e v a d a .
Para avaliar a resistência a CST foram preparados dois protótipos,
c é l u l a s d e c o r r o s ã o “ C U I - Te s t . ( c o r r o s ã o s o b i s o l a me n t o ) e C E L - P o t . ( c é l u l a
p o t e n c i o d i n â mi c a ) ” , o n d e f o r a m mo n t a d o s c o r p o s d e p r o v a e m f o r ma d e
anéis, de tubos de aço inoxidável AISI 304L, contendo tensões residuais e
tensões sustentadas de tração, testados em soluções de ácido clorídrico e
cloreto de sódio, t e mp e r a t u r a v a r i a n d o d a a mb i e n t e a t é 7 0 º C e t e mp o d e
exposição controlado.
N o p r o t ó t i p o “ C U I - Te s t ” , p r o c u r o u - s e a v a l i a r o s e f e i t o s d a s
t e n s õ e s r e s i d u a i s c o n t i d a s n o s a n é i s d a s a mo s t r a s , f r e n t e a o me i o á c i d o
contendo cloretos, s i mul a n d o condições severas do me i o a mb i e n t e
i n d u s t r i a l , a v a l i a n d o - s e a s t r i n c a s c a u s a d a s e m f u n ç ã o d o me i o a g r e s s i v o .
No segundo protótipo “CEL-Pot.”, foram feitos ensaios
e l e t r o q u í mi c o s em diferentes mei o s contendo cloretos, s i mu l a n d o
a mb i e n t e s industrial e ma r i n h o , t o ma n d o c o mo base os anéis sem
r e v e s t i me n t o e c o mpa r a n d o - o s aos anéis revestidos com a l u mí n i o
a s p e rgi d o , c o m d i f e r e n t e s c a ma d a s e t r a t a me n t o t é r mi c o d e r e f u s ã o .
C o r r o b o r o u - s e a i mp o r t â n c i a d a s t é c n i c a s d e r e s i s t ê n c i a d e
p o l a r i z a ç ã o l i n e a r p a r a o mo n i t o r a me n t o d o s e f e i t o s d a C S T, n o s t u b o s
a s p e rgi d o s t e r mi c a me n t e c o m a l u mí n i o , a v a l i a n d o o s e f e i t o s b e n é f i c o s d e
p r o t e ç ã o c a t ó d i c a e p r o t e ç ã o p o r b a r r e i r a , q u e e s t a s c a ma d a s p o d e m
p r o p o r c i o n a r a d i f e r e n t e s me t a i s d e b a s e .
xvii

ABSTRACT

A problem that is always present in pipes displayed in chlorides


e n v i r o n me n t s i s t h e s t r e s s c o r r o s i o n c r a c k i n g ( S C C ) , f a c t t h a t i s mor e
c r i t i c a l w h e n t h e p i p e s w o r k w i t h h i g h t e mp e r a t u r e .
To e v a l u a t e t h e r e s i s t a n c e t o S C C , h a d b e e n p r e p a r e d t w o
a r c h e t y p e s , c o r r o s i o n c e l l s : t h e C U I - Te s t a n d C E L - P o t . O n t h e s e c e l l s ,
b o d i e s o f t e s t , i n r i n g f o r m, h a d be e n mo u n t e d . T h e s e w h e r e ma d e o f
stainless steel pipes AISI 304L, contend residual stresses and supported
tensions of traction. The archetypes were tested in solutions of chloride
a c i d a n d s o d i u m c h l o r i d e , t e mp e r a t u r e v a r y i n g o f t h e e n v i r o n me n t u n t i l
7 0 º C a n d c o n t r o l l e d t i me o f e x p o s i t i o n .
I n t h e a r c h e t y p e C U I - Te s t , i t w a s lo o k e d t o e v a l u a t e t h e e ff e c t o f
t h e r e s i d u a l s t r e s s e s c o n t a i n e d i n s ampl e r i n g s f r o n t t o t h e a c i d w a y
contend chlorides, evaluating fracture caused by the e n v i r o n me n t
a g g r e s s i v e w a y.
I n t h e a r c h e t y p e C E L - P o t , e l e c t r o c h e mi c a l a s s a y s i n d i ffe r e n t
w a y s h a d b e e n ma d e , t a k i n g a s b a s e t h e r i n g s w i t h o u t c o v e r i n g a n d
c o mp a r i n g t h e m t o t h e r i n g s c o a t e d wi t h a l u mi n u m s p r i n k l e d w i t h d i ffe r e n t
l a y e r s a n d t h e r ma l t r e a t me n t o f r e me l t i n g .
I mp o r t a n c e o f t h e t e c h n i q u e s o f r e s i s t a n c e o f l i n e a r p o l a r i z a t i o n
f o r t h e mo n i t o r e d o f t h e e ff e c t o f t h e S C C w a s c o r r o b o r a t e d , i n t h e p i p e s
s p r i n k l e d t h e r ma l w i t h a l u mi n u m, e v a l u a t i n g t h e b e n e f i c i a l e ff e c t o f
cathodic protection and protection for barrier.
xviii

OBJETIVO

O propósito deste estudo nasceu da necessidade de se avaliar o


c o mp o r t a me n t o d e t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o A I S I 3 0 4 L , s e m
t r a t a me n t o s u p e r f i c i a l e c o mpa r á - l o c o m t u b o s me t a l i z a d o s c o m a l u mí n i o
p o r a s p e r s ã o t é r mi c a a a r c o e l é t r i c o , c o m d i f e r e n t e s e s p e s s u r a s d e c a ma d a
depositada.
A a v a l i a ç ã o f o i e x e c u t a d a e m me i os c o n t e n d o c l o r e t o s , c o m f a i x a
d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o ( r e s i d u a l o u s us t e n t a d a d e t r a ç ã o ) , o n d e c a s o s d e
corrosão sob tensão (CST) ocorrem nos aços inoxidáveis austeníticos com
ma i s f r e q ü ê n c i a .
O s e n s a i o s f o r a m d i v i d i d o s d a s e g u i n t e ma n e i r a :

1 . ° N o p r o t ó t i p o C U I - T e s t . ( c o r r o s ã o s o b i s o l a me n t o ) :

a ) E n s a i o d e C S T e m t u b o s s e m r e v e s t i me n t o , s o me n t e c o m
t e n s õ e s r e s i d u a i s , f r e n t e a o a mb i e nt e á c i d o a g r e s s i v o c o n t e n d o c l o r e t o s e
t e mpe r a t u r a e l e v a d a ;

2 . ° N o p r o t ó t i p o C E L - P o t . ( c é l u l a p o t e n c i o d i n â mi c a ) :

a ) D e t e r mi n a r o p o t e n c i a l d e r e p o u s o e m f u n ç ã o d o t e mp o , e m
a n é i s r e t i r a d o s d e t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l , s e m t r a t a me n t o s u p e r f i c i a l e
a n é i s c o m a l u mí n i o d e p o s i t a d o p o r a s p e r s ã o t é r mi c a , e m me i o s c o n t e n d o
cloretos;
b ) D e t e r mi n a r a s c u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e p o t e n c i o d i n â mi c a
e m a n é i s d e t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o s e m t r a t a me n t o s u p e r f i c i a l
e c o mpa r a r c o m a n é i s a s p e r g id o s c o m c a ma d a s d e 5 0 , 1 0 0 e 2 0 0 µm e 5 0
µm r e f u n d i d a , s u b me t i d a a e s f o r ç o s d e t e n s ã o s u s t e n t a d a d e t r a ç ã o . E m
t e mp e r a t u r a e l e v a d a e e m me i o a g r e s s i v o c o n t e n d o c l o r e t o s .
I. INTRODUÇÃO

O s p r e j u í z o s c a u s a d o s p e l a c o r r o s ã o d o s me t a i s c o n s t i t u e m u ma
n o t á v e l e v a s ã o d e r e c u r s o s p a r a a i n d ú s t r i a . O a u me n t o d o s c u s t o s d e c o r r e ,
n ã o s ó d a n e c e s s i d a d e d e s u b s t i t u i r p e ç a s d a n i f i c a d a s , ma s t a mb é m d o s
d a n o s c a u s a d o s p o r c o n t a mi n a ç ã o , p a r a d a s d e s n e c e s s á r i a s e p e r d a d e
r e n d i me n t o . A l é m d i s s o , e x i s t e m o s f a t o r e s p s i c o l ó g i c o s d e c o r r e n t e s d a
s u s p e i t a d e i n s e g u r a n ç a e m e q u i p a me n t o s , q u e mi n a m a p r o d u t i v i d a d e d o
p e s s o a l . T a i s p r o b l e ma s , p o d e m s e r mi n i mi z a d o s , u s a n d o - s e t é c n i c a s d e
r e v e s t i me n t o s u p e r fi c i a l protetor, que a u me n t a m a vida útil dos
[1]
e q u i p a me n t o s .
O f e n ô me n o d a c o r r o s ã o p o d e s e r c a r a c t e r i z a d o c o mo a d e s t r u i ç ã o
d o me t a l a t r a v é s d e u ma a ç ã o me c â n i c a , q u í mi c a o u e l e t r o q u í mi c a , q u e ,
u ma v e z i n i c i a d a , t e n d e a c o n t i n u a r c o m p r o g r e s s i v a i n t e n s i d a d e , l e v a n d o a
r á p i d a d e t e o r i z a ç ã o d o me t a l . E m a l g u n s c a s o s , a p r ó p r i a p e l í c u l a f o r ma d a
p o r r e a ç õ e s d e o x i d a ç ã o , a g e c o mo u ma c a ma d a p r o t e t o r a , r e t a r d a n d o o
p r o c e s s o c o r r o s i v o . N e s t e s ma t e r i a i s , a f o r ma ç ã o d e s t a p e l í c u l a d e ó x i d o d o
p r ó p r i o me t a l , q u e , p o r s i s ó , n ã o é p r e j u d i c i a l a o me t a l d e b a s e , a me n o s
q u e s u a c o n t i n u i d a d e s u p e r f i c i a l s e j a a l t e r a d a o u r o mpi d a p o r a g e n t e s
me c â n i c o s , f í s i c o s o u q u í mi c o s , p r o t e g e o s u b s t r a t o e i mp e d e a p r o g r e s s ã o
do efeito corrosivo destrutivo.
D e n t r e e s t e s ma t e r i a i s , t e mos o s a ç o s i n o x i d á v e i s ( 1 2 à 2 6 % d e Cr
e a t é 2 5 % d e Ni ) , q u e e s t ã o p r o t e g i d o s p o r u ma c a ma d a o u f i l me d e ó x i d o
c o m e s p e s s u r a mé d i a d e c e r c a d e 0 , 0 2 µm [2]
. Esta película passivadora de
ó x i d o é r e s i s t e n t e e u n i f o r me , t e m e x c e le n t e a d e r ê n c i a , p l a s t i c i d a d e , b a i x a
p o r o s i d a d e , v o l a t i l i d a d e e s o l u b i l i d a d e p r a t i c a me n t e n u l a , s e n d o q u e , o
grau de inoxibilidade do aço, dependente da estabilidade dessa película.
E x i s t e u ma g r a n d e v a r i e d a d e d e a ç o s i n o x i d á v e i s , s ó a A S T M
d e f i n e 8 0 t i p o s d i f e r e n t e s . D e n t r e o s ma i s i mp o r t a n t e s e s t ã o o s a ç o s
i n o x i d á v e i s a u s t e n í t i c o s , d e o n d e , o t i p o A I S I 3 0 4 ( d e n o mi n a d o “ a ç o 1 8 -
8 ” ) é o ma i s c o n h e c i d o , p o r t e r u ma c o mbi n a ç ã o d e e x c e l e n t e r e s i s t ê n c i a à
corrosão e custo adequados.
2

E mb o r a a r e s i s t ê n c i a à c o r r o s ã o d e s t e s a ç o s s e j a b o a e m me i o s
oxidante, redutores ou pobres em oxigênio, não significa dizer que sejam
i mu n e s a q u a l q u e r o x i d a ç ã o e mui t o men o s a q u a l q u e r p r o c e s s o c o r r o s i v o .
U ma vez r o mpi d a a c a ma d a passivadora e há, não ocorrência de
r e g e n e r a ç ã o d o f i l me , t e mos c o mo r e s u l t a d o d i v e r s o s t i p o s d e c o r r o s ã o .
N u ma c l a s s i f i c a ç ã o ma i s a b r a n g e n t e o s t i p o s d e c o r r o s ã o q u e
ocorrem nos aços inoxidáveis são: corrosão generalizada, corrosão
alveolar, corrosão por fresta, corrosão intergranular e corrosão sob tensão
fraturante entre outros casos.
[3]
C o n f o r me artigo apresentado pela Sandvick do Brasil a
i n c i d ê n c i a , e m 9 5 4 a mo s t r a s d e c a s o s d e c o r r o s ã o e m a r a me s d e a ç o
inoxidável austenítico AISI 304, são relacionados na figura 01 abaixo.

TIPOS DE CORROSÃO

8%
25%

alveolar
generalizada
intergranular
37%
corrosão sob tensão
outras
18%

12%

[3]
FIGURA 01. - Corrosão em arames de aço inoxidável AISI 304 .

A f i g u r a 0 1 a b o r d a o s p r i n c i p a i s c a s o s d e c o r r o s ã o , mos t r a n d o q u e
d e n t r e o ma t e r i a l s e l e c i o n a d o , j u n t a me nt e c o m o p r o c e s s o d e f a b r i c a ç ã o , a
c o r r o s ã o s o b t e n s ã o ( C S T ) é o c a s o d e ma i o r i n c i d ê n c i a . E s t e f a t o f o i
c o n f i r ma d o em estudo s i mi l a r feito no IPT (Instituto de Pesquisa
3

[4]
Tecnológica), por Tanaka e colaboradores que resultou na presença de
CST em aço AISI 304 para 36% dos 46 casos analisados. No estudo destes
c a s o s é d e f u n d a me n t a l i mp o r t â n c i a co n h e c e r mos a s c o n d i ç õ e s e m q u e e s t e
ma t e r i a l s e r á u t i l i z a d o , a b r a n g e n d o o s s e g u i n t e s t ó p i c o s : t i p o d e c o r r o s ã o ,
t e mp e r a t u r a o p e r a c i o n a l e t i p o d e t e n s ã o , s e j a e l a , e s t á t i c a o u d i n â mi c a .
V i s a n d o u ma p r o t e ç ã o ma i o r c o n t r a a c o r r o s ã o e m e q u i p a me n t o s ,
s u r g i u j u n t a me n t e c o m o s a ç o s i n o x i d á v e i s , u ma t é c n i c a d e p r o t e ç ã o p o r
b a r r e i r a q u e , a t r a v é s d o r e v e s t i me n t o d e s u p e r f í c i e c o m u m s e g u n d o me t a l ,
v e m a p r o t e g e r d e u ma ma n e i r a d i f e r e n c i a d a o s u b s t r a t o d o me t a l b a s e .
A d e p o s i ç ã o d e u ma c a ma d a d e a l u mí n i o a s p e r g i d o t e r mi c a me n t e ,
v e m f o r ma r u ma s e g u n d a c a ma d a p r o t e t o r a d e ó x i d o d e a l u mí n i o ( Al 2 O3 ) .

A a d e r ê n c i a d o a l u mí n i o o c o r r e p o r a n c o r a me n t o me c â n i c o e p o r
e f e i t o me t a l ú r g i c o n a i n t e r f a c e a ç o / a l u mí n i o , f o r ma n d o p o n t o s d e mi c r o
[5]
soldagem , t e n d o c o mo v a n t a g e n s : ( i ) S e r u m p r o c e s s o d e d e p o s i ç ã o a
f r i o , p o i s o s u b s t r a t o n ã o s o f r e mo d i f i c a ç õ e s s i g n i f i c a t i v a s p o r e f e i t o
t é r mi c o ; ( i i ) A p r e s e n t a r fa c i l i d a d e d e r e p a r o s ; ( i i i ) T e mp o r e d u z i d o d e
d e p o s i ç ã o e c u s t o s ma i s v a n t a j o s o s e m r e l a ç ã o a o u t r o s mé t o d o s d e
p r o t e ç ã o p o r b a r r e i r a . C o mo d e s v a n t ag e m t e mos u m me n o r a n c o r a me n t o d a
c a ma d a a s p e r g i d a n o me t a l d e b a s e .
D e n t r e o s d i f e r e n t e s mé t o d o s d e a s p e r s õ e s t é r mi c a s u t i l i z a d a s ,
c o n s e g u e - s e u ma v i d a ú t i l s u p e r i o r a 2 0 a n o s , s e m r e p a r o s , e m e s t r u t u r a s
s u j e i t a s à a mb i e n t e s o n d e o c o r r e c o r r o s ã o ma r i n h a e i n d u s t r i a l .
A a s p e r s ã o t é r mi c a , a t r a v é s d e u m a p r i mor a me n t o t é c n i c o d e
e q u i p a me n t o s e d e s e n v o l v i me n t o d e n o v a s l i g a s , v e m s e n d o u t i l i z a d a p o r
e mp r e s a s c o mo a P e t r o b r á s , p o r s e r vi r d e o p ç ã o n a p r o t e ç ã o c o n t r a
[6]
c o r r o s ã o e m r e f i n a r i a s e e m p l a t a f o r ma s “ O f f - S h o r e ” .
4

II. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

2.0 CORROSÃO SOB TENSÃO (CST)

O e n v o l v i me n t o de três disciplinas, me t a l u r g i a , me c â n i c a e
q u í mi c a n ã o c o n s e g u i u a i n d a e l u c i da r , me s mo q u e q u a l i t a t i v a me n t e , o
me c a n i s mo e x a t o d a c o r r o s ã o s o b t e n s ã o ( C S T ) . S u s p e i t a - s e q u e t o d o s o s
t i p o s d e c o r r o s ã o , s e j a m e l a s p o r e mp o l a me n t o p e l o h i d r o g ê n i o , me t a l
l í q u i d o e C S T t ê m e m c o mum 1 2 c a r a c t e r í s t i c a s , c i t a d o s a s e g u i r , c o mo
[7,8]
f o r t e s e l e me n t o s c a u s a d o r e s d e f a l h a s :
(1.) M e s mo e m ma t e r i a i s d ú c t e i s , t o d o s o s t r ê s p r o c e s s o s , e mp o l a me n t o
p o r h i d r o g ê n i o , me t a l l í q u i d o e C S T , p o d e m p r o d u z i r f r a t u r a f r á g i l ;
(2.) A c r e d i t a - s e o c o r r e r e s c o a me n t o p l á s t i c o l o c a l i z a d o ;
(3.) P o d e m o c o r r e r e m t e n s õ e s me n o r e s q u e a s r e q u e r i d a s p a r a t e n s õ e s d e
ruptura;
(4.) S o me n t e t e n s õ e s d e t r a ç ã o v ã o p r o d u z i r e s t e t i p o d e f r a t u r a ;
(5.) O c o r r e e m e i x o p e r p e n d i c u l a r a o e i x o d a t e n s ã o , i s t o é , u ma f r a t u r a
e m “ mó d u l o a b e r t o ” ( c o mo a a b e r t u r a d e u m l i v r o ) . N e n h u ma a n a l o g i a a o
“ s h e a r - l i p ” f o i n o t a d a c o mo g e r a d o p e l a f r a t u r a e m c a r g a s u s t e n t a d a e m
me i o a g r e s s i v o , n o e n t a n t o , e m a l g u n s c a s o s , o q u e a p a r e n t a s e r u m “ s h e a r -
l i p ” p u r a me n t e me c â n i c o , f o i f o r ma d a c o mo u ma b o r d a a p ó s a p a s s a g e m d o
me i o a g r e s s i v o ;
(6.) E x i s t e u ma g r a n d e g a ma d e s us c e t i b i l i d a d e e n t r e v a r i a ç õ e s d e l i g a s e
me i o s a g r e s s i v o s ;
(7.) E m C S T s o me n t e u ma p e q u e n a p a r t e d e e s p é c i e s q u í mi c a s c a u s a m
p r o b l e ma s d e f r a t u r a s e m d a d a s l i g a s ;
(8.) Os e s p é c i me s q u í mi c o s não são n e c e s s a r i a me n t e em grandes
c o n c e n t r a ç õ e s e t e mp e r a t u r a s ;
(9.) A c o mbi n a ç ã o d e l i g a s e me i o s a g r e s s i v o s q u e l e v a a f r a t u r a s ma i s
s e v e r a s s ã o u s u a l me n t e a q u e l a s e m q u e a l i g a n ã o é i n e r t e a o me i o ;
5

( 1 0 . ) M e s mo q u e a f r a t u r a ma c r o s c o p i c a me n t e a p a r e n t e s e r f r á g i l , e m u m
n í v e l mi c r o s c ó p i c o , o s p r o c e s s o s d e f r a t u r a e m c a r g a s u s t e n t a d a e m me i o s
agressivos, envolvem plasticidade localizada e segue padrões diferentes da
me c â n i c a d a f r a t u r a f r á g i l , d e v e n d o s e r a f r a t u r a e m p a d r õ e s i n t e r g r a n u l a r
o u t r a n s g r a n u l a r , d e p e n d e n d o d o me i o , c o mp o s i ç ã o d a l i g a , n í v e l d e t e n s ã o ,
ou variáveis de processo;
(11.) A s f r a t u r a s p o d e m s e r s i mpl e s o u r a mi f i c a d a s ;
(12.) A d i c i o n a l me n t e a e s s a s 1 1 g e n er a l i z a ç õ e s q u e s e a p l i c a m a o s t r ê s
p r o c e s s o s d e f a l h a s , c i t a d o s n o i t e m 1 . , a C S T a p a r e n t a o c o r r e r s o me n t e
q u a n d o c e r t a s c o n d i ç õ e s e l e t r o q u í mi c a s e s t ã o d i s p o n í v e i s .

E s t a b e l e c e u - s e q u e a C S T e m ma t e r i a i s me t á l i c o s s ã o c o n t r o l a d a s
por mi c r o - c a r a c t e r í s t i c a s e mi c r o - p r o c e s s o s . No caso de mi c r o -
características estão inclusas as estruturas dos ma t e r i a i s , os grãos,
contornos de grão e partículas precipitadas.
P o r mi c r o - p r o c e s s o s i n c l u í mo s o mo v i me n t o d e d e s l o c a me n t o ,
p a s s a g e m d e á t o mo s e m e s t a d o i o n i z a d o ( c o r r o s ã o ) , r e d u ç ã o e d i f u s ã o d o
hidrogênio.
D e n t r e a s v á r i a s t e o r i a s d e C S T p o d e mo s c l a s s i f i c a r em 6
[7]
diferentes grupos :
( 1 . ) R u p t u r a d o f i l me d e ó x i d o d e c r o mo , c o m p r o p a g a ç ã o d a f r a t u r a p o r
d i s s o l u ç ã o d o f i l me p a s s i v o ;
( 2 . ) D i s s o l u ç ã o d o me t a l b a s e a c e l e r a d a p o r t e n s ã o d e t r a ç ã o ;
( 3 . ) E mp o l a me n t o p o r H i d r o g ê n i o ;
(4.) Adsorsão e interação das espécies com o vínculo de tração;
( 5 . ) F o r ma ç ã o d e f i l me f r á g i l e r u p t u r a , r e p e t i d a c i c l i c a me n t e ;
( 6 . ) F o r ma ç ã o d e f i l a s d e c o r r o s ã o p u nt i f o r me q u e s e e s t e n d e e m f o r ma d e
túneis de corrosão paralela, com paredes não corroídas entre os túneis,
r o mpe n d o me c a n i c a me n t e .

N a C S T t e mo s a a ç ã o d e t e n s õ e s d e t r a ç ã o e me i o c o r r o s i v o
a g r e s s i v o a g i n d o mu t u a me n t e , o c a s i o n a n d o u m p r o c e s s o d e s t r u t i v o p o r
6

t r i n c a me n t o e m u m c u r t o e s p a ç o d e t e mp o , s e m q u e h a j a d e t e r i o r a ç ã o
[8]
s u b s t a n c i a l d o me t a l d e b a s e .
D e n t r e a s s o l i c i t a ç õ e s me c â n i c a s e s t á t i c a s , p o d e mos c i t a r a
s o l d a g e m e d e f o r ma ç ã o a f r i o , v i n d o a c a u s a r mu d a n ç a s n a e s t r u t u r a
cristalina e sensitização (precipitação de carbonetos) do aço inoxidável,
a t r e l a d o s à s t e n s õ e s r e s i d u a i s . O ma t e r i a l s o f r e f r a t u r a f r á g i l , s o b u ma
t e n s ã o n o mi n a l , d e n t r o d a z o n a e l á s t ic a , s e m q u e h a j a p r e s e n ç a d e u m me i o
a l t a me n t e a g r e s s i v o .
N o c a s o d e me i o s a g r e s s i v o s u m a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o “ 1 8 -
8 ” , p o d e r o mp e r - s e e m me n o s d e 1 0 0 h o r a s e à me d i d a q u e a s t e n s õ e s
[9]
a u me n t a m o t e mp o d e r u p t u r a d i mi n u i .
P a r a o s a ç o s i n o x i d á v e i s o s í o n s ma i s i n d e s e j á v e i s s ã o o s c l o r e t o s
e h i d r ó x i d o s ( Cl − e o OH − r e s p e c t i v a me n t e ) . N o p r i me i r o c a s o , a l g u n s
p p ms p o d e m c a u s a r C S T , e n q u a n t o q u e p a r a h i d r ó x i d o s ( OH − ) s ã o
n e c e s s á r i a s c o n c e n t r a ç õ e s ma i o r e s . O s c a s o s ma i s c o mu n s o c o r r e m e m
me i o s c o n t e n d o c l o r e t o s e e m t e mpe r a t u r a s s u p e r i o r e s a 6 0 ° C , s e n d o
f r e q ü e n t e me n t e associada à corrosão intergranular e/ou corrosão
localizada.
A velocidade de penetração de trincas intergranulares, sob ação
d e t e n s õ e s é ma i o r e m d i v e r s a s o r d e n s d e g r a n d e z a ( 10 4 ) , s e n d o a
penetração descontinua, consistindo em períodos alternados de corrosão e
f r a t u r a me c â n i c a . E s s e c o n c e i t o a s s i st i d o p o r e f e i t o s me c â n i c o s é e n t ã o , n a
ma i o r i a d a s v e z e s , s u f i c i e n t e p a r a e x p l i c a r o s f e n ô me n o s o b s e r v a d o s d e
[10]
v e l o c i d a d e s d e p e n e t r a ç ã o n a o r d e m d e 0 , 5 c m/ h .
P a r a c a s o s d e f r a t u r a i n t e r g r a n u l a r o f e n ô me n o e s t á a s s o c i a d o à
n a t u r e z a e l e t r o q u í mi c a e a s u a f o r ma ç ã o e p r o p a g a ç ã o p o d e m s e r d e t i d a s
p e l a i mp o s i ç ã o d e c o r r e n t e s c a t ó d i c a s .
[11]
Galvele e colaboradores f o r mu l a r a m a s t e o r i a s q u e v i s a m à
e x p l i c a ç ã o d e u ma f r a t u r a i n t e r g r a n u l a r , d e v e n d o p o d e r d e t e r mi n a r a
n a t u r e z a d o s p o n t o s d e n u c l e a ç ã o d a s t r i n c a s , a s s i m c o mo o s c a mi n h o s
p r e f e r e n c i a i s n a ma l h a c r i s t a l i n a . E s s e s c a mi n h o s c r i s t a l o g r á f i c o s q u e , e m
g e r a l , s ã o p l a n o s { 1 1 1 } d a ma l h a , t amb é m s ã o o s d e d e s l i z a me n t o d o s
7

c r i s t a i s , o q u e l e v a a a s s o c i a ç ã o d a s d i s c o r d â n c i a s c o mo r e g i ã o ma i s
p r o p e n s a a o a t a q u e q u í mi c o .
A l t e r n a d a me n t e , a p r o p a g a ç ã o c o n t í n u a d e t r i n c a s p o r me i o d e u m
p r o c e s s o e x c l u s i v o d e d i s s o l u ç ã o q u í mi c a , c o n d u z a v a l o r e s d e a l t a s
d e n s i d a d e s d e c o r r e n t e n o l o c a l d a d i s s o l u ç ã o . P o s t u l a - s e q u e o me t a l e m
e s c o a me n t o n a e x t r e mi d a d e d a t r i n c a p a s s a a e s t a r d e s p o l a r i z a d o o
[12]
s u f i c i e n t e p a r a p e r mi t i r a s d e n s i d a d e s d e c o r r e n t e e l é t r i c a n e c e s s á r i a .
O t e mp o n e c e s s á r i o p a r a q u e o c o r r a a f r a t u r a n u m ma t e r i a l
me t á l i c o e s t á r e l a c i o n a d o c o m a l g u n s f a t o r e s a g r a v a n t e s , c o mo:
T e n s ã o - q u a n t o ma i o r a i n t e n s i d a d e , me n o r o t e mp o p a r a q u e
o c o r r a a f r a t u r a , d a í p r o c u r a - s e e v i t ar r e g i õ e s d e c o n c e n t r a ç ã o d e t e n s õ e s ,
c o mo f u r o s ( p i t e s ) , e n t a l h e s , f r e s t a s , e t c ;
C o n c e n t r a ç ã o e N a t u r e z a d o M e i o - c e r t o s ma t e r i a i s e s t ã o ma i s
p r o p e n s o s a q u e o c o r r a a C S T , c o mo e x e mp l o : t e mo s l a t ã o e m me i o
a mo n i a c a l ;
T e m p e r a t u r a - d e p e n d e n d o d o me i o , p o d e o c o r r e r C S T e m
t e mp e r a t u r a s a p a r t i r d e 6 0 0 C e m a ç o s i n o x i d á v e i s a u s t e n í t i c o s ;
E s t r u t u r a e C o m p o s i ç ã o d o M a t e r i a l - os ma t e r i a i s c om me n o r
t a ma n h o d e g r ã o s ã o ma i s r e s i s t e n t e s a C S T , ma s n ã o s e p o d e t o ma r i s s o
c o mo r e g r a , p r i n c i p a l me n t e q u a n d o o me i o c o r r o s i v o é mu i t o a g r e s s i v o .

2.1 FATORES AGRAVANTES DA CST

O s a g e n t e s q u e p o d e m v i r a c a u s a r e / o u a g r a v a r o s p r o b l e ma s d e
[13]
C S T s ã o r e s u mi d o s d a s e g u i n t e f o r ma :
• M e i o A mb i e n t e , s o l u ç õ e s a q u o s a s c o n t e n d o c l o r e t o s o u o u t r o e l e t r ó l i t o ;
• Tensões sustentadas trativas;
• M e t a l ú r g i c o , s u s c e p t i b i l i d a d e d a e s t r u t u r a d o me t a l o u l i g a me t á l i c a ;
• Presença de oxigênio ou outro oxidante;
• T e mpe r a t u r a e l e v a d a ;
• P o t e n c i a l e l e t r o q u í mi c o f a v o r á v e l ;
• Oportunidade de acidez local;
8

• O p o r t u n i d a d e d e q u e b r a l o c a l d o f i l me p a s s i v o .

2.1.1 FATOR MEIO AMBIENTE

A C S T é u s u a l me n t e a s s o c i a d a c o m s o l u ç õ e s a q u o s a s , ma s n ã o s e
d e v e t o ma r i s t o c o mo b a s e , p o i s , p o d e o c o r r e r e m l í q u i d o s c o n t e n d o s a i s
f u n d i d o s , g a s e s e l í q u i d o s n ã o a q u o s o s o r g â n i c o s e i n o r g â n i c o s . C o mo
e x e mp l o s t e mo s f a l h a s o c o r r i d a s c o m a l u mí n i o n a p r e s e n ç a d e me r c ú r i o e
e m a ç o s i n o x i d á v e i s n a p r e s e n ç a d e s ol u ç õ e s c á u s t i c a s . M a s o s c a s o s ma i s
c o mu n s o n d e o c o r r e a C S T s ã o o s me i o s c o n t e n d o c l o r e t o s , s e n d o
necessário estudo aprofundado sobre a influência deste íon (cloreto) em
r e l a ç ã o a o s a ç o s i n o x i d á v e i s e a l u mí n i o .
O í o n c l o r e t o é s u p r i d o p o r d i v e r s a s f o n t e s , c o mo: á g u a d o ma r ,
a t mo s f e r a ma r i n h a , á g u a s d e r i o s ( c o m me c a n i s mo d e c o n c e n t r a ç ã o d e
c l o r e t o s ) , mã o s s u a d a s , d e j e t o s h u ma n o s , c o mi d a s s a l g a d a s , c o n t a mi n a n t e s
s o l ú v e i s d e i s o l a me n t o s t é r mi c o s , HCl e o u t r o s c o n t a mi n a n t e s c o n t e n d o
c l o r o , l u b r i f i c a n t e s , s e l a n t e s, p r o d u t o s d a d e c o mp o s i ç ã o d o PVC e m
incêndios.

2.1.1.1 CST em Aços Inoxidáveis Au s t e n í t i c o s e m M e i o s C o n t e n d o


Cloretos

D e n t r e a s s u b s t â n c i a s q u e , me s mo e m p e q u e n a s c o n c e n t r a ç õ e s
( p p m) , p o d e m d a n i f i c a r a p e l í c u l a p r o t e t o r a d e ó x i d o d e c r o mo ( Cr2 O3 ) , e s t á

o í o n c l o r e t o ( Cl − ) , q u e e m c o mbi n a ç ã o c o m t e mpe r a t u r a , p H , s o l i c i t a ç õ e s
me c â n i c a s , v e l o c i d a d e , f r e s t a s , á r e a s d e e s t a g n a ç ã o , t e mp o d e c o n t a t o e
c o n c e n t r a ç õ e s d e t e n s õ e s , p o d e m r e d u z i r e m mui t o à v i d a ú t i l d e u m
e q u i p a me n t o .
A adsorção do íon cloreto ( Cl − ) na película protetora e
c o n s e q ü e n t e n u c l e a ç ã o d e u ma t r i n c a p o r p i t e , f u n c i o n a c o mo u m â n o d o ,
p a r a u ma g r a n d e á r e a c a t ó d i c a , g e r a n d o a l t a d e n s i d a d e d e c o r r e n t e e l é t r i c a
n a p o n t a d a t r i n c a . O p r o c e s s o c o r r os i v o , a t r a v é s d a h i d r ó l i s e d e í o n s
9

me t á l i c o s , c a u s a d e c r é s c i mo d e pH , i mp e d i n d o a p a s s i v a ç ã o d a p e l í c u l a e
[14]
acelerando o ataque corrosivo .
E m a ç o s i n o x i d á v e i s o í o n c l o r e t o o r i g i n a a f o r ma ç ã o d e p i t e s
i n i c i a l me n t e l e n t o , ma s a u me n t a n d o c o m o d e c o r r e r d o t e mp o , e m f u n ç ã o
do seu poder ser considerado autocatalítico.
E m me i o a q u o s o o í o n c l o r e t o ( Cl − ) , e m s u a a ç ã o c a t a l í t i c a , p o d e
s e r e x p l i c a d o n o i n t e r i o r d o p i t e p e l a s s e g u i n t e s r e a ç õ e s q u í mi c a s :
Área anódica, dentro do pite:

Fe → Fe 2 + + 2 e [1]

N u m p r i me i r o i n s t a n t e a p ó s o í o n c l o r e t o r o mpe r a c a ma d a
p a s s i v a n t e o Cl − mi g r a p a r a o i n t e r i o r d o p i t e d e v i d o a o e x c e s s o d e c a r g a s
p o s i t i v a s ( r e a ç ã o 0 1 ) , a u me n t a n d o a c o n c e n t r a ç ã o d e FeCl 2 , q u e s o f r e
n o v a me n t e h i d r ó l i s e f o r ma n d o o HCl ( r e a ç ã o 0 2 ) :

FeCl2 + 2H 2 O → Fe(OH ) 2 + 2HCl [2]

o u h i d r ó l i s e d e í o n s Fe 2+ e Cr 3+ :

Fe 2+ + 2 H 2 O → Fe(OH ) 2 + 2 H + [3]

Cr 3+ + 3 H 2 O → Cr (OH ) 3 + 3 H + [4]

O processo corrosivo é acelerado pela presença de íons H+


( r e a ç ã o 0 3 e 0 4 ) , o c a s i o n a n d o d e c r é s c i mo d e pH e a t a q u e p o r HCl :

Fe + 2HCl → FeCl2+H2 [5]


ou

Fe + 2 H + → Fe 2 + + H 2 [6]
F o r ma n d o n o v a me n t e FeCl 2 ( r e a ç ã o 5 ) , q u e s o f r e r á n o v a h i d r ó l i s e ,
ma n t e n d o o p r o c e s s o d e c o r r o s ã o . O s c a s o s d e C S T e m a ç o s i n o x i d á v e i s
10

a u s t e n í t i c o s e m s o l u ç ã o a q u o s a c o n t e n d o c l o r e t o s ( Cl − ) , c o n t i n u a m s e n d o
[8,14]
o s ma i s c o mu n s e n c o n t r a d o s n a l i t e r a t u r a .

2.1.1.2 C S T e m A l u m í n i o e m m e i o s c o n t e n d o c l o re t o s

A ma i o r i a d a s f a l h a s e m s e r v i ç o d o t i p o C S T e m a l u mí n i o e s u a s
ligas ocorre por causa da água, vapor de água ou em soluções aquosas
c o n t a mi n a d a s . P a r a s i t u a ç õ e s e m e n g e n h a r i a , p o d e mos c o n s i d e r a r a á g u a
c o mo c o n d i ç ã o e m d e t a l h e .
A á g u a n o e s t a d o l í q u i d o c a u s a f r a t u r a ma i s r á p i d o q u e o v a p o r d e
á g u a , e n t ã o , f a z - s e n e c e s s á r i o p r o j e t a r e s t r u t u r a s d e t a l f o r ma q u e n ã o s e
a c u mul e e m b o l s a s o u f e n d a s , e v i t a n d o a c o l e t a d e s a i s q u e s e c o n c e n t r a m
p o r e v a p o r a ç ã o e v ê e m a c e l e r a r a C S T, e v i t a r e s t e s t i p o s d e c o n c e n t r a ç õ e s
s ã o e x e mp l o s a p l i c a d o s e m v e í c u l o s e s p a c i a i s .
Em artigos publicados pela Nasa Marshall Space Fligth Center
[15]
(NSFC) , p a r a c o n t r o l e d a C S T, f o r a m re a l i z a d o s t e s t e s d e l a b o r a t ó r i o
e m a mb i e n t e ma r i n h o e i n d u s t r i a l . A f r a t u r a é o b s e r v a d a n ã o s o me n t e e m
á g u a e s o l u ç õ e s a q u o s a s c o n t a mi n a d a s , ma s t a mb é m n o a r e e m g a s e s
i n e r t e s l i v r e s d e u mi d a d e r e l a t i v a a b a i x o d e 1 % . E m u mi d a d e t ã o b a i x a o s
p r o d u t o s d e c o r r o s ã o n ã o p r o d u z e m s o l uç õ e s l í q u i d a s p o r d e l i q ü e s c ê n c i a ,
n o e n t a n t o , a á g u a n ã o é c o n s i d e r a d a u ma c o n d i ç ã o e s s e n c i a l p a r a a f r a t u r a .
N e s t e c a s o , s o me n t e o s í o n s n a f a s e g a s o s a , p o d e m v i r a p r e j u d i c a r a
e s t r u t u r a d o f i l me p a s s i v o e i n i c i a r o p r o c e s s o c o r r o s i v o .

2.1.2 FATOR METALURGICO (Susceptib i l i d a d e , T r a t a m e n t o T é r m i c o )

A c o mp o s i ç ã o q u í mi c a a l t e r a a s u s c e p t i b i l i d a d e d e a l g u ma s l i g a s
e m r e l a ç ã o a C S T , e n t ã o , f a z - s e n e c e s s á r i o à e s c o l h a d e ma t e r i a i s q u e
s e j a m i mu n e s a e s t e t i p o d e c o r r o s ã o . P o r e x e mp l o , a s l i g a s d e A l - M g
( c o n t e n d o 4 % d e M g) , s ã o t o t a l me n t e s u s c e p t í v e i s a C S T , d e v e n d o r e d u z i r
a q u a n t i d a d e d e s t e e l e me n t o n a l i g a . J á n o c a s o d o s a ç o s i n o x i d á v e i s
11

c o mp o s t o s p o r Fe-Cr-Ni , a s u s c e p t i b i l i d a d e má x i ma é a l c a n ç a d a c o m
N í q u e l ( Ni ) , e m t o r n o d e 9 % .

2.1.2.1 Susceptibilidade dos Aços Inoxidáveis

Q u a n d o r e l a c i o n a mos a s u s c e p t i b i l i d a d e a C S T e m f u n ç ã o d o s
t e o r e s d e N í q u e l ( Ni ) , c o me ç a n d o d e 0 , 1 % Ni ( e m s o l u ç ã o d e MgCl 2 e m
ebulição), as ligas t o r n a m- s e ma i s susceptíveis, alcançando a
v u l n e r a b i l i d a d e má x i ma e m t o r n o d e 8 - 1 2 % Ni , o n d e s e i n c l u e m o s a ç o s
a u s t e n í t i c o s ma i s c o mu n s . Q u a n d o s e e v o l u i p a r a c o n c e n t r a ç õ e s ma i o r e s ,
c h e g a n d o a 4 2 % d e Ni o u ma i s , a s l i g a s a p a r e n t a m s e r i mu n e s a f r a t u r a s ,
p o s s i v e l me n t e p e l a d i mi n u i ç ã o c o n s i d e r á v e l d a c o r r e n t e d e p a s s i v a ç ã o e
a u me n t o d a e s t a b i l i d a d e d a e s t r u t u r a a u s t e n í t i c a .
E l e me n t o s c o mo nitrogênio ( N ), usado para reduzir as
q u a n t i d a d e s d e N í q u e l ( Ni ) e p r o d u z i r e s t r u t u r a s a u s t e n í t i c a s , s ã o d a n o s o s ,
p o i s t o r n a m o a ç o ma i s s u s c e p t í v e l . O u t r o e l e me n t o d a n o s o é o f ó s f o r o ( P) ,
p o i s p r o mo v e c o r r o s ã o p u n t i f o r me o u s u l c a me n t o d o c o n t o r n o d e g r ã o ,
e s t a b e l e c e n d o a c i d e z l o c a l , e s t i mu l a n d o a C S T .
Em processos onde ocorrem soldas, causando sensitização
( f o r ma ç ã o d e c a r b o n e t o d e c r o mo ) e p r e s e n ç a d e á r e a t e r mi c a me n t e a f e t a d a
(ZTA), faz-se necessário o uso de aços com baixo teor de carbono (AISI
3 0 4 L ) o u a ç o s c o m u m g r a u ma i o r d e e s t a b i l i d a d e , d e n t r e e s t e s , s ã o
[16]
r e c o me n d a d o s o s a ç o s ( A I S I 3 4 7 ) .
E m r e s u mo , t o d o s o s a ç o s i n o x i d á v e i s s ã o s u s c e p t í v e i s à f r a t u r a
por cloretos ( Cl − ) , não existindo diferenças significativas entre à
r e s i s t ê n c i a a c o r r o s ã o . N o e n t a n t o , c o m o i n t u i t o d e mi n i mi z a r e s t e s
e f e i t o s , p o d e mos d e f i n i r o a ç o , a s e r u t i l i z a d o , p o r q u a t r o c a t e g o r i a s ( n ã o
q u a n t i t a t i v a s ) d e s u s c e p t i b i l i d a d e r e l a t i v a , c o mo s e s e g u e :
• Alta susceptibilidade : AISI 303, 301 e 304 sensitizado;
• I n t e r me d i á r i a s u s c e p t i b i l i d a d e : A I S I 3 0 4 n ã o s e n s i t i z a d o , 3 0 4 L ;
• Baixa susceptibilidade : AISI 316, 316 L, 347, 347 L;
• B a i x í s s i ma s u s c e p t i b i l i d a d e : A I S I 3 1 0 , 3 1 4 , U S 1 8 1 8 - 1 2 .
12

M a i s r e c e n t e me n t e , h o u v e i mp o r t a n t e s a v a n ç o s n a t e c n o l o g i a d o s
a ç o s i n o x i d á v e i s f e r r í t i c o s , q u e o s t o r n a r a m p o s s í v e i s o u me s mo p r e f e r í v e i s
e m r e l a ç ã o a o s a ç o s a u s t e n í t i c o s . E s t e d e s e n v o l v i me n t o i n c l u i a d e s c o b e r t a
d e q u e , l i mi t a n d o o s t e o r e s d e Ni e Cu e ma n t e n d o o C e N ( i n t e r s t i c i a i s )
a n í v e i s mui t o b a i x o s , c o n f e r e - s e a o s a ç o s i n o x i d á v e i s r e s i s t ê n c i a s u p e r i o r
[16]
à f r a t u r a s p o r c l o r e t o s ( Cl − ) , p o r é m n ã o t o t a l me n t e i mu n e s .

2.1.2.2 Susceptibilidade de ligas de Alumínio

A s s u s c e t i b i l i d a d e s d a s l i g a s e t i p o s d e t ê mpe r a s ( t r a t a me n t o
t é r mi c o o u me c â n i c o ) p o d e m v a r i a r mui t o .
Quando essas ligas são extrudadas, forjadas ou tracionadas, os
g r ã o s s ã o a l o n g a d o s n a d i r e ç ã o d e e s c o a me n t o má x i mo . A e s t r u t u r a o u
t e x t u r a d o s g r ã o s é d e g r a n d e i mp o rt â n c i a n o c o mp o r t a me n t o d e s s a s l i g a s
f r e n t e a C S T, s e n d o o p a d r ã o d e r u p t u r a i n v a r i a v e l me n t e i n t e rg r a n u l a r.
E s t a s d i r e ç õ e s d e o r i e n t a ç ã o d o g r ã o s ã o mo s t r a d a s n a f i g u r a 0 2 ,
s e n d o o e i x o ma i s l o n g o d o g r ã o , d e s i g n a d o d e d i r e ç ã o l o n g i t u d i n a l e a s
propriedades de fratura (incluindo CST), d e t e r mi n a d a s por tensões
p a r a l e l a s a e s t a s d i me n s õ e s ma i s l o n g a s , me s mo q u e a f r a t u r a s e p r o p a g u e
n o mí n i mo n o mi n a l me n t e e m u ma d i r e ç ã o t r a n s v e r s a l .

[17]
FIGURA 02.- Micrografia mostrando direção de orientação dos grãos de Al .
13

C o r r e s p o n d e n t e a me n o r d i me n s ã o d o g r ã o , d e s i g n a - s e t r a n s v e r s a l
c u r t a e a d i r e ç ã o i n t e r me d i á r i a d o g r ã o é d e s i g n a d a d e t r a n s v e r s a l l o n g a .
A s u s c e p t i b i l i d a d e r e l a t i v a d e d i fe r e n t e s l i g a s e d e l i g a s i g u a i s
c o m d i f e r e n t e s t r a t a me n t o s t é r mi c o s , é v i s t a e m d u a s ma n e i r a s : - E m u m
p r i me i r o mé t o d o , e mp r e g a m- s e c o r p o s d e p r o v a h o mo g ê n e o s q u e p o s s u e m
v á r i a s f o r ma s . E s t e s c o r p o s d e p r o v a s ã o c o l o c a d o s s o b t e n s õ e s s u s t e n t a d a s
d e v á r i o s n í v e i s , e x p o s t o s a me i os s e l e c i o n a d o s , s e n d o o b s e r v a d o o t e mp o
total para que ocorra a ruptura do corpo.
D u a s c a r a c t e r í s t i c a s d e s t e mé t o d o a p a r e c e m n a f i g u r a 0 3 , a
p r i me i r a é q u e a t e n s ã o t r a ç ã o l i mi t e σ t h a p a r e c e p o r u m p a t a ma r, s e n d o
que abaixo deste, a CST não se inicia e a segunda é que o σth para a
d i r e ç ã o l o n g i t u d i n a l é mui t o ma i o r d o q u e p a r a a d i r e ç ã o t r a n s v e r s a l c u r t a ,
c o n s t i t u i n d o a g r a n d e ma i o r i a d o s c a s o s d e C S T e m s e r v i ç o [ 1 7 ] . O v a l o r d e
σ t h n a o r i e n t a ç ã o t r a n s v e r s a l c u r t a , f o r ma a p r i n c i p a l b a s e d e c l a s s i f i c a ç ã o
d e l i g a s e t e mp e r a s d e a c o r d o c o m a s u s c e p t i b i l i d a d e .

FIGURA 03.- Efeito da orientação do grão da liga 7075-T6 extrudada, dado à


[17]
espessura na resistência da CST ,em solução de NaCl 3,5 % .
14

U m s e g u n d o mé t o d o d e a v a l i a r a s u s c e p t i b i l i d a d e r e l a t i v a d a s
l i g a s e t ê mpe r a s é p r é - f r a t u r a r me c a n i c a me n t e c o r p o s d e p r o v a e me d i r a
t a x a d e c r e s c i me n t o d o p a t a ma r d a f r a t u r a . A i n t e n s i d a d e d e t e n s ã o má x i ma
aparente, representado por K ICST [ 1] , t a mbé m pode ser utilizado para

c l a s s i f i c a r l i g a s , ma s n e s t e c a s o , e x i s t e m i n c e r t e z a s s o b r e o v a l o r l i mi t e
a b s o l u t o d e Κ a b a i x o d o q u a l a C S T n ã o i r á o c o r r e r, p o i s e m a l g u ma s l i g a s
d e a l u mí n i o , mui t o s g r á f i c o s Κ v s Ta x a d e c r e s c i me n t o d a f r a t u r a , n ã o
mo s t r a m s i n a i s c l a r o s d e s t e l i mi t e .
N e s t e s d o i s mé t o d o s c i t a d o s a c i ma , c o mo n ã o e x i s t e m a mb i e n t e s
p a d r o n i z a d o s p a r a c l a s s i f i c a r d i f e r e n t e s t i p o s d e l i g a s , o s me i o s ma i s
u t i l i z a d o s s ã o s o l u ç õ e s c o n t e n d o 3 , 5 % d e NaCl .

FIGURA 04- Curvas das taxas K ICST p a r a v a r i a ç ã o s e v e r a d o s p l a t ô s e v a r i a ç ã o


a p a r e n t e K ICST . p a r a p H 4 , t e m p o d e e n s a i o 2 0 0 0 h [18]
.

1
K ICST - F a t o r d e i n t e n s i d a d e d e t e n s ã o , d e m o n s t r a d o n a f o r m a d e p l a t ô .
15

U m me i o a mb i e n t e ma i s c o mpl e x o f o r ma d o p o r 0 , 6 M NaCl +

0 . 0 2 M Na 2 Cr2 O7 + 0 , 0 7 M NaC 2 H 3 O2 + HC 2 H 3 O 2 é mos t r a d o n a f i g u r a 0 4 , s e n d o

o b s e r v a d o s a l g u n s p a t a ma r e s t í p i c o s e a l g u n s v a l o r e s d e K ICST a p a r e n t e p a r a

a l g u ma s l i g a s .
P o d e mos a t r a v é s d e s t e g r á f i c o c o mpa r a r d u a s l i g a s , a 7 0 3 9 - T 6 3 5 1
e a 6 0 6 1 - T 6 5 1 , d o i s c a s o s e x t r e mo s , o n d e t e mo s u ma l i g a c o m a p r e c i á v e l
s u s c e p t i b i l i d a d e , q u e s e r o mp e r i a e m u m c u r t o e s p a ç o d e t e mp o , d e v i d o a
sua grande velocidade de propagação de fraturas, com baixa intensidade de
tensão. Caso t o t a l me n t e diferente da segunda liga que, com
susceptibilidade mui t o baixa, suportaria tensões tração ma i o r e s e
a p r e s e n t a r i a v e l o c i d a d e d e c r e s c i me n t o d e t r i n c a s i n f e r i o r e s s e c o mp a r a d o
à l i g a 7 0 3 9 - T 6 3 5 1 , a u me n t a n d o a v i d a ú t i l d o p o s s í v e l e q u i p a me n t o
envolvido.
C o m o s e n s a i o s r e a l i z a d o s p a r a d i f e r e n t e s l i g a s , d e t e r mi n a n d o o s
v a l o r e s d e σ t h , v e l o c i d a d e d e f r a t u r a e d a d o s d e K ICST a p a r e n t e s , f o r ma - s e a
[18]
base para a classificação de susceptibilidade relativa .
D e a c o r d o c o m o s d a d o s a p r e s en t a d o s n a f i g u r a 0 3 e 0 4 , p o d e mo s
d i f e r e n c i a r a s l i g a s d a s e g u i n t e ma n e i r a :
• Susceptibilidade muito Baixa:
Nenhum caso de CST em serviço ou teste de laboratório padrão;
• Susceptibilidade Baixa:
Nenhum caso de CST em serviço, a fratura ocorre em teste padrão
s o me n t e e m n í v e i s d e a l t a t e n s ã o ( i n t e n s i d a d e ) ;
• Susceptibilidade moderada:
Nenhum caso de CST em serviço. A CST não é antecipada em
s e r v i ç o , d e v i d o a s t e n s õ e s t r a n s v e r s a i s c u r t a s c a u s a d a s p e l o t r a t a me n t o
t é r mi c o e r e s f r i a me n t o r á p i d o o u p r o j e t o e mo n t a g e m, s e r e m t e n s õ e s a b a i x o
d e 4 0 , 5 0 % d o mí n i mo g a r a n t i d o . Q u a l q u e r t e n s ã o s u s t e n t a d a d e q u a l q u e r
fonte deve ser evitada;
• S u s c e p t i b i l i d a d e a p re c i á v e l :
Apreciável CST em serviço, para se evitar a CST é requerido
mé t o d o s s o f i s t i c a d o s d e c o n t r o l e , c omo a p r o t e ç ã o d a t e x t u r a d o f i n a l d o
16

g r ã o d e a mb i e n t e s a q u o s o s , p e e n i n g e p r o t e ç ã o c a t ó d i c a . A C S T n ã o
aparece se a tensão é apenas longitudinal a direção do grão.
U s a n d o e s t a s c a t e g o r i a s d e s u s c e p t i b i l i d a d e r e l a t i v a , mos t r a d a n a
t a b e l a 2 . 0 a b a i x o , p o d e - s e e s c o l h e r l i g a s ( e x . 11 0 0 o u 1 2 0 0 ) , q u e
a p r e s e n t e m me l h o r d e s e mpe n h o de proteção frente a a mb i e n t e s que
c o n t e n h a m a g e n t e s c o r r o s i v o s , mi n i mi z an d o p o s s í v e l a t a q u e p r e f e r e n c i a l d o
me t a l d e b a s e e a g i n d o c o mo â n o d o d e s a c r i f í c i o o u c a ma d a b a r r e i r a .

TABELA 2.0- C a t e g o r i a s d e s u s c e p t i b i l i d a d e e m me i o a q u o s o d e l i g a s
[18]
c o me r c i a i s n o p l a n o d e o r i e n t a ç ã o t r a n s v e r s a l c u r t a .
Susceptibilidade Ligas Têmpera
1100,1200 Todas
3003,3004,3005 Todas
A. Muito baixa 5000,5050,5052,5154, 5454,6063 Todas
5586 O, H32, H34
6061 ,6062 O, T6
2014 ,2219 ,6061 ,7075 Todas
2219 T6,T8
5086 H36
5083,4556 Controlando
B. Baixa 6061 T4
6161,5351 Todas
6066,6070,6071 T6
2021 T8
2024,2114 T8
C. Moderado 7050,7175 T736
7049,7075,7178 T6

2024,2219 T3,T4
2014,7075,7079,7178 T6
D. Apreciável
5083,5086,5456 Sensitizado
7005,7039 T5,T6
17

2.1.3 FATO R TENSÃO SUSTENTADA

Neste item faz-se necessário o estudo do fator tensão para os


d i f e r e n t e s me t a i s u t i l i z a d o s , n o c a s o , a ç o i n o x i d á v e l e a l u mí n i o .

2 . 1 . 3 . 1 Te n s õ e s p a r a A ç o s I n o x i d á v e i s

A susceptibilidade relativa à tensão de vários aços inoxidáveis


a u s t e n í t i c o s fo i a v a l i a d a e m s o l u ç ã o d e c l o r e t o d e ma g n é s i o e m e b u l i ç ã o .
O s r e s u l t a d o s s ã o mos t r a d o s n a f i g u r a 0 5 :

FIGURA 05.- Relativo aos tipos de aços inoxidáveis austeníticos AISI em meio de
MgCl 2 e m e b u l i ç ã o [19]
.

N a f i g u r a 0 5 t e mos o t e mp o d e f r a t u r a e m f u n ç ã o d a t e n s ã o
a p l i c a d a p a r a d i v e r s o s t i p o s d e a ç os i n o x i d á v e i s , v e r i f i c a n d o q u e c o m o
a u me n t o d a t e n s ã o a p l i c a d a t e mos d i mi n u i ç ã o d o t e mp o d e f r a t u r a .
18

H o a r e H i n e s e t . a l . [ 2 0 ] c o n s t a t a r a m a n e c e s s i d a d e d e u ma t e n s ã o
mí n i ma g i r a n d o e m t o r n o d e 1 4 0 M P a , p a r a o r i g i n a r a f r a t u r a e m a r a me s d e
a ç o i n o x i d á v e l . P o s t e r i o r me n t e K r a f f t e t . a l . [ 2 0 ] c o n c l u i u q u e e s t a t e n s ã o
mí n i ma d e p e n d e d a s t e n s õ e s r e s i d u a i s e x i s t e n t e s e a d e n s i d a d e d e t r i n c a s é
proporcional ao valor da tensão aplicada.

2 . 1 . 3 . 2 Te n s õ e s e m A l u m í n i o

A s t e n s õ e s q u e c a u s a m a C S T e m l i g a s d e a l u mí n i o p o d e m s e r
p r o d u z i d a s p o r t e n s õ e s d e t r a b a l h o ( t e ns õ e s d e p r o j e t o ) , ma s a ma i o r i a d a s
falhas em serviço, são causadas pelo conjunto de tensões ou tensão do
t r a t a me n t o t é r mi c o ou a mb o s . C o mp o n e n t e s usinados na f o r ma que
e x p o n h a m a t e x t u r a t r a n s v e r s a l c u r t a o u f i n a l d e g r ã o , c o n f o r me f i g u r a 0 6 ,
o n d e e x i s t e u ma f o r t e t e n s ã o s u s t e n t a d a a t r a v é s d a t e x t u r a t r a n s v e r s a l c u r t a
é u m l o c a l e x c e l e n t e p a r a q u e o c o r r a u ma f a l h a p o r C S T s e a l i g a f o r
susceptível.

FIGURA 06.- Método de generalizar alta tensão sustentada na direção transversal


[18]
curta, em liga de Alumínio susceptível .
19

A figura 06 pode ser entendida através de várias situações


d i f e r e n t e s , p o r é m s e me l h a n t e s . É o c a s o d e p o r c a s h e x a g o n a i s u s i n a d a s a
partir de tarugos cilíndricos. Em serviço, esta porca, quando apertada,
e x p e r i me n t a t e n s õ e s c i r c u n f e r e n c i a i s q u e c r u z a m a s t e x t u r a s t r a n s v e r s a i s
c u r t a s v u l n e r á v e i s d o ma t e r i a l e st u d a d o . Q u a n d o f e i t a s d e l i g a s 2 0 2 4 T 4
q u e t e m a p r e c i á v e l s u s c e p t i b i l i d a d e a C S T, n e s t e c a s o , fr a t u r a m p o r e s t e
t i p o d e c o r r o s ã o e m u mi d a d e a t mos f é r i c a . J á q u a n d o u s a mo s u ma l i g a 6 0 6 1
T 6 o p r o b l e ma é e l i mi n a d o , me s mo q u e q u a l i t a t i v a me n t e a mb a s a s l i g a s
p o s s u a m a me s ma t e x t u r a d e f a b r i c a ç ã o .
N a a s p e r s ã o t é r mi c a ( AT ) , d e v e mos l e v a r e m c o n s i d e r a ç ã o a s
t e n s õ e s r e s i d u a i s q u e s u rg e m n o r e co b r i me n t o , d e v i d o b a s i c a me n t e a t r ê s
[21]
me c a n i s mos :
1.) R e s f r i a me n t o d a s p a r t í c u l a s d e p o si t a d a s d e s u a t e mpe r a t u r a d e f u s ã o ,
o u d a q u e l a e m q u e c h e g a a o s u b s t r a t o , a t é a t e mpe r a t u r a d o s u b s t r a t o
( r e s f r i a me n t o p r i má r i o ) . N e s t e me c a n i s mo a s mi c r o - t e n s õ e s i n d u z i d a s p e l o
r e s f r i a me n t o r á p i d o , p o d e m mu d a r a d i s t r i b u i ç ã o d e t e n s ã o d e n t r o d o
r e v e s t i me n t o e s u b s t r a t o . O s v a l o r es d a s t e n s õ e s s ã o p r o p o r c i o n a i s a o
mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e , c o e f i c i e n t e d e d i l a t a ç ã o t é r mi c a d o ma t e r i a l q u e
e s t a s e n d o d e p o s i t a d o e d a v a r i a ç ã o d e t e mpe r a t u r a ;
2) D i f e r e n ç a d e c o n t r a ç ã o t é r mi c a e n t r e o ma t e r i a l d e r e c o b r i me n t o , n o
c a s o o a l u mí n i o e o d o s u b s t r a t o d u r a n t e o r e s f r i a me n t o d o c o n j u g a d o ;
3) D i f e r e n ç a d e c o n t r a ç ã o d e v i d o à d i s t r i b u i ç ã o d e t e mpe r a t u r a n ã o
u n i f o r me a o l o n g o d a e s p e s s u r a d o c o n j u g a d o d u r a n t e o r e s f r i a me n t o
secundário.

O u t r o s me c a n i s mo s t a i s c o mo o e f e i t o “ p e e n i n g ” p r o v o c a d o p o r
p a r t í c u l a s n ã o f u n d i d a s o u s e mi - f u n d i d a s , p r i n c i p a l me n t e e m p a r t í c u l a s
a s p e rg i d a s c o m a l t a v e l o c i d a d e , p o d e m i n f l u e n c i a r n a s t e n s õ e s p r e s e n t e s n a
c a ma d a d e p o s i t a d a [ 2 2 ] . O u t r o f a t o r q u e i n f l u e n c i a e s s a s t e n s õ e s é a
c o n d i ç ã o d e c h e g a d a a o s u b s t r a t o , i s t o é , p a r t í c u l a s n ã o f u n d i d a s e s e mi
fundidas tendem a produzir baixas tensões pela baixa coesão entre as
l a me l a s f o r ma d a s , a o c o n t r á r i o d e p a r t í c u l a s c o mpl e t a me n t e f u n d i d a s q u e
20

p r o d u z e m u m r e c o b r i me n t o c o e s o . N o r e c o b r i me n t o c o m p a r t í c u l a s s e mi
f u n d i d a s t e mos t e n s õ e s r e s i d u a i s c o m e l e v a d o s v a l o r e s , p o d e n d o c h e g a r a
[23]
ordem de 100 MPa .

2.1.4 FATO R TEMPO PARA OCORRÊNCIA DA FRATURA

Em geral a CST pode ser dividida em duas fases distintas: (1)


I n i c i a ç ã o e ( 2 ) P r o p a g a ç ã o . O t e mp o p a r a a i n i c i a ç ã o d a C S T v a r i a d e
p o u c o s mi n u t o s e m c o n d i ç õ e s s e v e r a s , h á a n o s , d e p e n d e n d o d a l i g a ,
n a t u r e z a d o me i o a mb i e n t e e ma g n i t u d e d a t e n s ã o . O p a r â me t r o t e mp o d e
i n i c i a ç ã o u s a d o p a r a p r o j e t o s é e s s e n c i a l me n t e e q u i v a l e n t e a e x p e c t a t i v a d e
v i d a e m s e r v i ç o d a s p a r t e s e n v o l v i d a s , d e s d e q u e a ma i o r a v a r i a e s t r u t u r a l
o c o r r a e s e p r o p a g u e d e n t r o d a z o n a c r í t i c a , r e s u l t a n d o n a c o mpl e t a f r a t u r a
[24]
d o c o mp o n e n t e d a e s t r u t u r a .
U ma v e z i n i c i a d a a f r a t u r a , a t a x a d e p r o p a g a ç ã o é b a s t a n t e
s i mi l a r p a r a u m c e r t o n ú me r o d e l i g a s . A t a x a d e p r o p a g a ç ã o d a C S T é
mui t o v a g a r o s a n o i n í c i o , ma s a p ó s a f r a t u r a f o r ma d a o me c a n i s mo
p r o p a g a ç ã o é r á p i d o a t é a r u p t u r a ( a p r o x i ma d a me n t e u m q u a r t o d a
v e l o c i d a d e d o s o m n o me t a l ) . P a r a a l g u ma s l i g a s d e F e r r o - C a r b o n o , l i g a s
d e a l u mí n i o , a ç o s i n o x i d á v e i s e l i g a s a b a s e d e c o b r e , o p r o c e s s o c o r r o s i v o ,
a c o mp o s i ç ã o d o me i o e a t e n s ã o s ã o f a t o r e s d o mi n a n t e s e a t a x a d e
p r o p a g a ç ã o d a f r a t u r a e s t a n a o r d e m d e 0 , 2 7 7 µm / s ( 1mm/ h) [25]
.
Em outros casos, a taxa de propagação está na ordem de grande
ma g n i t u d e , 2 , 7 7 µm / s ( 1 0 mm/ h ) p a r a l i g a s d e t i t â n i o e a ç o s c o m a l t a s
t e n s õ e s , s e n d o a q u i o s e f e i t o s d a t e n s ã o d o mi n a n t e s e m r e l a ç ã o à c o r r o s ã o .
P o u c o o u n e n h u ma c o r r e l a ç ã o t e m s i d o b a s e a d a e n t r e a t e n a c i d a d e
d o ma t e r i a l e a s u s c e p t i b i l i d a d e p a r a C S T o u e n t r e a s t a x a s d e p r o p a g a ç ã o
d a fr a t u r a p a r a ma t e r i a i s d e a l g u ma s fa mí l i a s d e l i g a s . P r o p r i e d a d e d e
t e n a c i d a d e d a f r a t u r a , n o e n t a n t o , s ã o i mp o r t a n t e s n a a p l i c a ç ã o d a
g e n e r a l i z a ç ã o d e l i g a s s u s c e p t í v e i s a C S T, s e n d o d e s e j á v e l c o n h e c e r o
t a ma n h o g e r a l d a f r a t u r a q u e p o d e s e r t ol e r a d a , a n t e s q u e o c o r r a u ma f a l h a
[25]
c a t a s t r ó f i c a , s e n d o p o s s í v e l o p e r a r e m n í v e i s d e t e n s ã o ma i s b a i x o s .
21

O t a ma n h o c r í t i c o d a f a l h a ( Tc ) , q u e é a p r o f u n d i d a d e d e u ma
fratura longa, pode ser suposta para a CST inicial, pela tensão para que
esta falha se propague e é dado pela equação 1:
K
Tc = 0 , 2 * ( ICST
)2 [1]
σ I

s e n d o K ICST a i n t e n s i d a d e d e t e n s ã o má x i ma q u e n ã o c a u s a p r o p a g a ç ã o d a

f a l h a e m u m d a d o me i o e σ I é a t e n s ã o d e t r a ç ã o a p l i c a d a a d e t e r mi n a d a
liga.

2.1.5 FATO R TEMPERATURA

N a l i t e r a t u r a a l g u n s d o c u me n t o s c i t a m q u e a t e mpe r a t u r a a f e t a
d i r e t a me n t e à C S T. A u me n t a n d o a t empe r a t u r a , t e mos o a u me n t o d a
velocidade da fratura.
O me c a n i s mo d e mo b i l i d a d e s u p e r f i c i a l p r e d i z q u e , n ã o há
mu d a n ç a significativa nas taxas de controle durante a mu d a n ç a de
t e mp e r a t u r a , s e n d o a s s i m a v e l o c i d a d e d a f r a t u r a p o d e s e r c a l c u l a d a p a r a
[26]
t e mp e r a t u r a s c o n h e c i d a s .
Para esta preposição são usadas as equações 2 e 3 :
Ds  σ a 3
 
[2]
Vp =  exp   − 1 
L   KT  
onde:
Vp= v e l o c i d a d e d a f r a t u r a ( m/ s ) ;
Ds = c o e f i c i e n t e d e d i f u s ã o s u p e r f i c i a l ( m² / s ) ;
L= d i s t â n c i a d e d i f u s ã o d e u ma v a c â n c i a ( m) ;
σ = t e n s ã o s u p e r f i c i a l e l á s t i c a n a p o n t a d a t r i n c a ( N / m² ) ;
a= t a ma n h o a t ô mi c o ( m) ;
K= c o n s t a n t e d e B o l t z ma n J / K ;
T= t e mpe r a t u r a ( K ) .
O u a i n d a u ma s e g u n d a e q u a ç ã o :
  30Tm    13Tm 
Ds = 740 x10 − 4 exp −  −4
 + 0.014 x10 exp −   [3]
  RT    RT 
22

Onde:
Ds = c o e fi c i e n t e d e a u t o - d i fu s ã o s u p e r fi c i a l ( m² / s ) ;
R= c o n s t a n t e s d o s g a s e s ( R = 1 . 9 8 7 ( c a l / mo l K ) ;
T= t e mpe r a t u r a a b s o l u t a ( K ) ;
Tm= p o n t o d e f u s ã o n a a b s o r ç ã o s u p e r f i c i a l d a s i mp u r e z a s ( K ) .

[27]
Speidel r e p o r t o u u ma s é r i e d e me d i d a s d e v e l o c i d a d e d a t r i n c a
p a r a a ç o s A I S I 3 0 4 n a p r e s e n ç a d e c l o r e t o s , p a r a v á r i a s t e mpe r a t u r a s . N a
f i g u r a 0 7 , S p e i d e l c o mpa r a o s r e s u l t a d o s e x p e r i me n t a i s c o m o s v a l o r e s
t e ó r i c o s . P a r a o c á l c u l o f o r a m u s a d o s o s p a r â me t r o s :
• Tm = 11 0 0 ( C º ) , n o c a s o d e Tm f o i u t i l i z a d o o p o n t o d e f u s ã o d o CrCl 3 ;

• σ =240 (MPa).

FIGURA 07.- Comparação Teoria/Experimento entre o efeito da temperatura na taxa de


CST, no aço inoxidavel austenitico exposto em solução de cloretos.∆, Aço AISI 304
sensitizado;О,Aço AISI 304;□,Aço AISI304L. Em solução de NaCl 22% e σ =240 MPa
[27]
.
23

A CST dos aços inoxidáveis austeniticos, em solução aquosa


contendo cloretos é avaliada no potencial do “pitting” da liga, sendo o
CrCl 3 f o r ma d o , o c o mp o n e n t e ma i s p r o v áv e l , r e s p o n s á v e l p e l a C S T n o

s i s t e ma . C o n s e q u e n t e me n t e , o v a l o r d e Tm é o s u p o r t e n o me c a n i s mo d e
mo b i l i d a d e s u p e r fi c i a l d a C S T.
O e x p e r i me n t o d e mo n s t r a q u e u t i l i z a n d o a t e mp e r a t u r a d e 7 0 ° C ,
t e mo s t a x a s d e p r o p a g a ç ã o d e f r a t u r a t e ó r i c a i n t e r me d i á r i a s , s e n d o a s s i m, a
c i n é t i c a d e r e a ç ã o o c o r r e ma i s l e n t a me n t e q u e p a r a t e mpe r a t u r a s mui t o
e l e v a d a s . I d e a l p a r a s e r e l a c i o n a r o s f a t o r e s a g r a v a n t e s d e t e mp o e t e n s ã o
d e t r a ç ã o n o s e x p e r i me n t o s r e a l i z a d o s e m l a b o r a t ó r i o .
O u t r o mot i v o p a r a a e s c o l h a d a t e mp e r a t u r a d e 7 0 ° C é a g r a n d e
v o l a t i l i d a d e d o s í o n s c l o r e t o , p o d e n d o c o n t a mi n a r o a mb i e n t e e d a n i f i c a r o s
e q u i p a me n t o s d e me d i ç ã o .

2.2 FATO R CINÉTICO

J u n t a me n t e c o m a i n t e n s i d a d e d e t e n s ã o , c o mp o s i ç ã o d a l i g a ,
t r a t a me n t o t é r mi c o , t e mp e r a t u r a e t emp o , o f a t o r p o t e n c i a l e l e t r o q u í mi c o
a f e t a a c i n é t i c a d a C S T c o m g r a n d e i mp o r t â n c i a .
O a u me n t o d a q u a n t i d a d e d e á g u a , s e j a e m s o l u ç õ e s n ã o a q u o s a s
o u c o mo u mi d a d e r e l a t i v a n a a t mos f e r a , c o n c e n t r a ç ã o e t e mpe r a t u r a , p o d e
a u me n t a r a v e l o c i d a d e d e r e a ç ã o n a o r d e m d e 1 0 x , e n t r e o p o n t o d e f u s ã o e
[28]
o ponto de ebulição da água . J á o e f e i t o d o p o t e n c i a l e l e t r o q u í mi c o é
t a l q u e , mé t o d o s d e p r o t e ç ã o c a t ó d i c a s ã o me d i d a s i mp o r t a n t e s p a r a
r e d u ç ã o d a t e n d ê n c i a à c o r r o s ã o p u n t i f o r me , s e n d o e s t a u m e s t í mu l o p a r a o
a p a r e c i me n t o d e f r a t u r a s .
C o mo c o mp l e me n t o a o e f e i t o c a t ó d i c o , r e c o b r i n d o u ma l i g a
s u s c e p t í v e l c o m u ma c o b e r t u r a d e s a c r i f í c i o , p o d e mos e l e v a r u ma l i g a d e
apreciável susceptibilidade, atrasando a velocidade de ruptura e
d e c r e s c e n d o a v e l o c i d a d e d e f r a t u r a a b a i x o d o K ICST .
24

2 . 2 . 1 Te o r i a E l e t roq u í m i c a

Q u a n d o u m e l e t r o d o d e me t a l / l i g a é i me r s o e m u m me i o d e
c o n d u ç ã o e l e t r o q u í mi c a , h á p o d e r s u f i c i e n t e p a r a q u e o c o r r a a o x i d a ç ã o o u
r e d u ç ã o d e s t e me t a l . H á d o i s p r o c e s s o s e n v o l v i d o s s i mul t a n e a me n t e d e
reações.
N o l a d o a n ó d i c o , o me t a l e s t á p a s s a n d o d a s u p e r f í c i e s ó l i d a p a r a a
s o l u ç ã o a d j a c e n t e , d e i x a n d o e l é t r o n s n a s u p e r f í c i e d o me t a l c o mp l e me n t a r.

[29]
FIGURA 08.- Dissolução do Fe em solução ácida .

Os elétrons em excesso fluem para o lado vizinho, designado de


l a d o c a t ó d i c o , o n d e s ã o c o n s u mi d o s p e l a r e a ç ã o d e r e d u ç ã o d o me i o
corrosivo.
U m e x a me s i mp l i f i c a d o d o me t a l ( e x . Fe ) d i s s o l v i d o n a s o l u ç ã o é
i l u s t r a d o n a f i g u r a 0 8 . To d o me t a l p os s u i u m p o t e n c i a l “ E ” d a d o p e l a
e q u a ç ã o d e N e r n t s e s e u ma c o r r e n t e c i r c u l a r p o r e s s e e l e t r o d o , o c o r r e r á
25

variação do potencial e o novo valor de potencial “E'” dependerá da


corrente aplicada.
Essa diferença entre os dois potenciais é conhecida c o mo
s o b re p o t e n c i a l e é c a l c u l a d o p e l a e q u a ç ã o 4 , a b a i x o .
η = E' – E [4]
O p o t e n c i a l d e c o r r o s ã o t a mbé m v a r i a a o c i r c u l a r u ma c o r r e n t e
pelo eletrodo, sendo esta variação conhecida por polarização. Dentre os
t r ê s t i p o s d e p o l a r i z a ç ã o t e mos : ( i ) p o l a r i z a ç ã o p o r c o n c e n t r a ç ã o ; ( i i ) p o r
a t i v a ç ã o e ( i i i ) p o l a r i z a ç ã o p o r q u e d a ô h mi c a , f a z - s e n e c e s s á r i o u m e s t u d o
ma i s d e t a l h a d o d o s e g u n d o c a s o .
A p o l a r i z a ç ã o p o r a t i v a ç ã o ( η a t i v. ) é c a u s a d a p e l a e n e rg i a d e
a t i v a ç ã o r e q u e r i d a p a r a o r e g e n t e ( á t o mos d e me t a l n o r e t í c u l o , n o c a s o d a s
r e a ç õ e s d e d i s s o l u ç ã o ) v e n c e r a b a r r e i r a d e e n e rg i a q u e e x i s t e e n t r e o s
e s t a d o s d e e n e rg i a d o r e a g e n t e e d o p r o d u t o .
A relação entre corrente e sobre-tensão de ativação foi deduzida
[30]
p o r B u t l e r - Vo l me r p a r a c a s o s d e e q u i l í b r i o e l e t r o q u í mi c o . N o s c a s o s d e
c o r r o s ã o , u ma a n a l o g i a a e s t a s e q u a ç õ e s, f o i v e r i f i c a d a e mp i r i c a me n t e p o r
Ta f e l , d e mo n s t r a d a n a e q u a ç ã o 5 .
η = a + b * l o g i ( L e i d e Ta f e l ) [5]
c u j o s t e r mo s t ê m o s e g u i n t e s i g n i f i c a d o :
• p a r a p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a t e m- s e ,
ηa= aa + ba log ia
onde:
 2 ,3 * R * T  2,3 * R * T
a a =   * log i cor e ba =
 β *n*F  β *n*F

• p a r a p o l a r i z a ç ã o c a t ó d i c a t e m- s e ,
ηc = ac – bc log ic
onde:
 2,3 * R * T  2,3 * R * T
a c =   * log i cor e bc =
 (1 − β ) * n * F  (1 − β ) * n * F
N e s t a s e x p r e s s õ e s , t e m- s e :
• a e b s ã o a s c o n s t a n t e s d e Ta f e l q u e r e ú n e m,
26

• R= constantes dos gases;


• T = t e mp e r a t u r a ;
• ß= coeficiente de transferência;
• n = n ú me r o d e o x i d a ç ã o d a e s p é c i e e l e t r o a t i v a ;
• F= constante de Faraday;
• i = d e n s i d a d e d e c o r r e n t e mé d i a ;
• icor= corrente de corrosão;
• η= sobretensão em relação ao potencial de corrosão (E-Ecor).

[31]
A l e i d e Ta fe l p o d e s e r r e p r e s e n t a d a g r a f i c a me n t e p e l o
d i a g r a ma E v s l o g i , mos t r a d o n a f i g u r a 0 9 .

E
a a + b a lo g ia

E co r

a c - b c lo g ic

log i co r L og i

[31]
FIGURA 09.- Representação gráfica da lei de Tafel .

A partir do potencial de corrosão, inicia-se a polarização catódica


o u a n ó d i c a , me d i n d o - s e p a r a c a d a s o b r ep o t e n c i a l a c o r r e n t e c a r a c t e r í s t i c a .
À me d i d a q u e a p o l a r i z a ç ã o a v a n ç a , o s d o i s f e n ô me n o s ( c a t ó d i c o e
a n ó d i c o ) t o r n a m- s e i n d e p e n d e n t e s e a p r o x i ma m- s e d a s r e t a s d e Ta f e l . A
27

extrapolação dessas retas possibilita a obtenção da corrente de corrosão.


Em E c o r , i a = | i c | = i c o r .
O e l é t r o n f l u i n d o o u a mu d a n ç a d e mo v i me n t o d o s e l é t r o n s ,
c o n s t i t u i u ma c o r r e n t e e l é t r i c a ( i c o r ) . D e p o i s d o f l u i r d a c o r r e n t e e l é t r i c a ,
u ma s i t u a ç ã o s e me l h a n t e p o d e s e r e q u a c i o n a d a p e l a p e r d a d e ma s s a d o
me t a l , r e g i d a p e l a s L e i s d e F a r a d a y , o n d e i c o r é me d i d a p a r a s e c a l c u l a r a
taxa de corrosão.
O r e l a c i o n a me n t o d a s t a x a s d e c o r r o s ã o é mos t r a d o n a e q u a ç ã o 6 :
icor t e
TC = * * * fc [6]
A F d

Onde:
• TC= t a x a d e c o r r o s ã o e m ( mm) ;
• i c o r = c o r r e n t e d e c o r r o s ã o ( mA ) ;
• A= á r e a d a s u p e r f í c i e d o me t a l ( c m² ) ;
• t= n.º de segundos /ano (31.536.000 s);
• F= c o n s t a n t e d e F a r a d a y ( 9 6 4 9 4 c o u l o mb s / g m o l . e q ) ;
• e = p e r d a d e me t a l ( g m o l / g e q . ) ;
• d= d e n s i d a d e d o me t a l ( g m o l / c m³ ) ;
• f c = f a t o r d e c o n v e r s ã o , ( c m p a r a mm) .

A equação [6] é reduzida para:


i cor e
TC = 3,27 * 10 −3 * * [7]
A d
A t a x a d e c o r r o s ã o p o r u m p e r í o d o d e t e mp o p o d e s e r c a l c u l a d a ,
d e s d e d e q u e , “ e” e “ d” s e j a m c o n h e c i d o s e A f i x a d o , s e d o a s s i m, u ma
me d i d a d e i c o r d e t e r mi n a r i a a t a x a c o r r o s i v a . N a r e a l i d a d e a s r e g i õ e s
a n ó d i c a s e c a t ó d i c a s a l t e r a m- s e c o n s t a n t e me n t e , n ã o s e n d o r e p a r á v e i s .
A s me d i d a s i n d i r e t a s d a s i n t e n s i d a d e s d e c o r r e n t e ( i c o r ) s ã o
p o s s í v e i s . E s t a s p o d e n d o s e r e m a l c a n ç a d a s p e l a a p l i c a ç ã o d e mu d a n ç a s n o
p o t e n c i a l ( ∆E ) , p a r a u ma c o r r o s ã o s u p e r f i c i a l d o me t a l e me d i n d o a
28

variação de corrente ( ∆I ) requerida para ma n t e r o potencial de


d e s l o c a me n t o .
∆E
O valor de é c h a ma d o d e r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o ( Rp) e é
∆I
i n v e r s a me n t e p r o p o r c i o n a l a o i c o r .
[32]
A relação é personalizada na equação 8 de Stern-Geary :

1 ∆I  βa + βc 
= = 2,303 *   * i cor
 [8]
Rp ∆E  βa * βc 
onde :
• Rp = r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o ( Ω ) ;
• ßa = t a x a d e c o n s t a n t e a n ó d i c a ( mV / d e c . ) ;
• ßc = t a x a d e c o n s t a n t e c a t ó d i c a ( mV / d e c . ) ;
Rearranjando a equação 8:
∆I * (βa * βc )
i cor = [9]
2,303 * (βa + βc ) * ∆E
S u b s t i t u i n d o 9 e m 7 , t e mo s :
∆I (βa * βc ) e
TC = 3,27 * 10 −3 * [10]
2,303 * A * ∆E * (βa + βc ) d

A s c o n d i ç õ e s t e r mo d i n â mi c a s p a r a d e t e r mi n a r a n o d i c a me n t e a
C S T s ã o q u e a d i s s o l u ç ã o o u o x i d a ç ã o d o me t a l e a d i s s o l u ç ã o n o e l e t r ó l i t o
s e j a t e r mo d i n a mi c a me n t e p o s s í v e l e q u e u ma c a ma d a p r o t e t o r a , s e me l h a n t e
a u m ó x i d o o u s a l , t e r mo d i n â mi c a e s t á v e l . A p r i me i r a c o n d i ç ã o t o r n a - s e u m
r e q u e r i me n t o p o r q u e , s e m o x i d a ç ã o , a f a l h a a v a n ç a p o r d i s s o l u ç ã o s e m
resultados.
O p r o c e s s o é c o n t r o l a d o p e l a d i s s o l u ç ã o d a c a ma d a , ma s n ã o é
u ma p r i o r i d a d e p a r a i n d i c a r a e x t e n s ã o t o t a l d a f r a t u r a , ma s s i m o c á l c u l o
d o n ú me r o t o t a l d e C o u l o mb s t r o c a d o s .
Este processo de discussão, converte-se no me c a n i s mo de
p r o p a g a ç ã o d a f r a t u r a , c o n f o r me v i s t o a n t e r i o r me n t e . N o e n t a n t o , é
i mp o r t a n t e n o t a r q u e o a v a n ç o d o p r oc e s s o d a f r a t u r a f r á g i l é i n i c i a d o e
c o n t r o l a d o p o r d i s s o l u ç ã o a n ó d i c a , p o d e n d o a t a x a d e c r e s c i me n t o s e r z e r o
29

p a r a d e n s i d a d e d e c o r r e n t e a n ó d i c a e a u me n t a r c o m a e l e v a ç ã o d a
d e n s i d a d e d e c o r r e n t e , d e mo n s t r a n d o p e r í o d o s a l t e r n a d o s d e d i s s o l u ç ã o
[33]
q u í mi c a e p r o p a g a ç ã o d a t r i n c a .
O r e q u e r i me n t o t e r mo d i n â mi c o de f o r ma ç ã o das c a ma d a s
s i mul t â n e a s e o x i d a ç ã o p e l o c r e s c i me n t o d a f r a t u r a p o r C S T é me l h o r
e x e mp l i f i c a d o p e l o d i a g r a ma d a f i g u r a 1 0 , s e n d o a p r o p o r ç ã o d e c o r r e n t e
c o r r o s i v a n a p o n t a d a t r i n c a u m p a r â me t r o c r í t i c o .

[33]
FIGURA 10.- Esquema de CST com migração de cargas .

A f i g u r a 1 0 d e mo n s t r a u m i mp o r t an t e t r a n s p o r t e e r e a ç õ e s d e
c o r r o s ã o s i mu l t a n e a me n t e , o A r e p r e s e n t a a s c a rg a s n e g a t i v a s d e â n i o n s
mi g r a n d o p a r a a p o n t a d a f r a t u r a , M W+ r e p r e s e n t a o s í o n s me t á l i c o s

i n t e r a g i n d o d a s p a r e d e s d a f r a t u r a p a r a a s o l u ç ã o e M T+ s ã o í o n s me t á l i c o s
interagindo da ponta da fratura para a solução.
E s t a p r o p o r ç ã o e n t r e c a rg a s d a p a r e d e e p o n t a d a t r i n c a f l u i n d o
p a r a a s o l u ç ã o p r e c i s a s e r me n o r q u e 1 , p a r a q u e a p r o p a g a ç ã o d a t r i n c a
n ã o o c o r r a b r u s c a me n t e , o u a p o n t a d a t r i n c a s e t o r n e s a t u r a d a .
A fratura inicial t a mbé m deve ser controlada, pois u ma
propagação acelerada da ponta da trinca, que tem altas taxas de corrosão,
p o d e a l a rg a r a s p a r e d e s d a f a l h a e s e t o r n a r u ma c o r r o s ã o g e n e r a l i z a d a ,
a c i o n a n d o u ma p r o t e ç ã o r e l a t i v a d a f r a t u r a , c o n s e q ü ê n c i a d a d i n â mi c a d e
tração ao longo da proteção.
30

U m r e q u e r i me n t o s i mul t â n e o d a f o r ma ç ã o d e f i l me e o x i d a ç ã o d o
me t a l é a i d e n t i f i c a ç ã o d o p o t e n c i a l c r í t i c o n a p r e s e n ç a o u a u s ê n c i a d e
C S T. U m e x e mp l o d e s t e p o t e n c i a l p a r a a f o r ma ç ã o f i l me p a s s i v o n o a ç o
i n o x i d á v e l é mos t r a d o n a f i g u r a 11 .

FIGURA 11.- Curva de polarização potenciocinética e valores do potencial do eletrodo


[33]
com CST .

Nas zonas 1 e 2 é provável que ocorra corrosão sob tensão


t r a n s g r a n u l a r, j á a c o r r o s ã o s o b t e n s ã o i n t e rgr a n u l a r, p o d e o c o r r e r a c i ma d e
u ma e x t e n s a v a r i e d a d e d e p o t e n c i a i s n a z o n a 2 .
A C S T t r a n s g r a n u l a r o c o r r e n a z o n a 1 p o r q u e o ma t e r i a l e s t á n u ma
t r a n s i ç ã o d e c o r r o s ã o a t i v a e f o r ma ç ã o d e u m f i l me p a s s i v o , a s s i m c o mo
f o r ma ç ã o d e f i l me p r o t e t o r n a f r a t u ra e c o r r o s ã o n a p o n t a d a t r i n c a . U ma
c o n d i ç ã o s i mi l a r e x i s t e n a z o n a 2 , c o m u m f a t o r a d i c i o n a l a o p o t e n c i a l , a
d a f o r ma ç ã o d a f r a t u r a p o r “ p i t t i n g ” s o ma n d o , a o p o t e n c i a l me n c i o n a d o , o
[33]
potencial do pite .
A C S T i n t e rgr a n u l a r o c o r r e n u ma l a rga v a r i e d a d e d e p o t e n c i a i s
mo s t r a d o s n a z o n a 1 e 2 , p o r q u e n ã o h á h o mo g e n e i d a d e q u í mi c a n o s
31

contornos de grão produzindo diferenças e l e t r o q u í mi c a s relativas,


r e s p o n s á v e i s a ma i o r p a r t e d o ma t e r ia l . P o r i s s o , f r a t u r a p a s s i v a n a s
paredes e ativa na ponta da trinca pode resultar em variações do potencial
das zonas 1 e 2.

FIGURA 12.- Curvas de polarização potenciocinética e valores do potencial do


o
e l e t r o d o c o m C S T i n t e r g r a n u l a r e t r a n s g r a n u l a r e m s o l u ç ã o d e 10 0 0 NaCl à 2 8 8 C .
[34]
a)Liga Al 600, b)Liga Al 800 e c)Aço Inoxidável AISI 304 .

O s e x e mp l o s d e p o t e n c i a l c r í t i c o p a r a a C S T s ã o mo s t r a d o s n a
f i g u r a 1 2 p a r a v á r i o s ma t e r i a i s . A i d e n t i f i c a ç ã o d o p o t e n c i a l c r í t i c o d a C S T
tem conduzido ao uso de mé t o d o s e l e t r o q u í mi c o s para assegurar a
s u s c e p t i b i l i d a d e d e v á r i a s l i g a s . A s z o n a s 1 e 2 s ã o i d e n t i fi c a d a s p o r
d e t e r mi n a ç ã o d o p o t e n c i a l e l e t r o q u í mi c o v s . c u r v a s d e c o r r e n t e , mo s t r a d o s
n a s f i g u r a s 11 e 1 2 . A s f o r ma s d a s c ur v a s d e t e r mi n a d a s c o m a l t a e b a i x a
v a r r e d u r a d e p o t e n c i a l , i n d i c a m c o n d i ç õ e s s i mul t â n e a s d e f o r ma ç ã o d e
[34]
c a ma d a e o c o r r ê n c i a d e o x i d a ç ã o d o me t a l .
A s e g u i r mo s t r a - s e n a f i g u r a 1 3 , u m d i a g r a ma e s q u e má t i c o ,
r e f e r e n t e a o c o mp o r t a me n t o p o t e n c io d i n â mi c o a n ó d i c o d e u m a ç o i n o x
32

a u s t e n í t i c o e m á c i d o s u l fú r i c o . E s t e c o mp o r t a me n t o é a t r i b u í d o à p r e s e n ç a
d e u m f i l me p r o t e t o r ( C r 2 O 3 ) , v a r i a n d o d e 1 á 2 n m ( 0 , 0 0 1 á 0 , 0 0 2µm) d e
[35]
espessura sobre a superfície do aço . A f i g u r a 1 3 , mo s t r a o p o t e n c i a l d e
c o r r o s ã o ( E c o r ) , o p o t e n c i a l p r i má r i o d e p a s s i v a ç ã o ( E p p ) , o p o t e n c i a l d e
pite (Ep), o potencial da região de transpassivação (Et) e a corrente de
passivação (ipass).

FIGURA 13.- Curva de polarização esquemática para o aço inoxidável austenítico em


[36]
solução de ácido sulfúrico .

N o r ma l me n t e c o n s i d e r a mo s o a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o c o mo
p a d r ã o p e l o f a t o d e o c o r r er à f o r ma ç ã o d o ó x i d o d e c r o mo (Cr 2 O 3 )
considerado sem defeitos, logo u ma passivação ma i s efetiva. O
c o mp o r t a me n t o p o t e n c i o d i n â mi c o anódico de outros me t a i s ou ligas
a p r e s e n t a m o t r e c h o d e p a s s i v a ç ã o , c o m u ma c e r t a i n c l i n a ç ã o d e v i d o a u ma
p a s s i v a ç ã o me n o s e f e t i v a q u e o a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o .
O estado de passivação caracteriza-se por apresentar baixas
d e n s i d a d e s d e c o r r e n t e e c o n s t a n t e s a o l o n g o d e u ma a mp l a f a i x a d e
33

p o t e n c i a l . U ma c o r r e n t e d e p a s s i v a ç ã o e m t o r n o d e 1 µA / c m 2 , c o r r e s p o n d e a
t a x a s d e c o r r o s ã o d a o r d e m d e a l g u n s mi l é s i mos d e mm/ a n o ( v i d e Ta b e l a
2.1), desprezível portanto, e m t e r mo s d e v i d a ú t i l d e e s t r u t u r a s e
e q u i p a me n t o s . Q u a n t o me n o r o v a l o r d e i p a s s , me n o r a t a x a d e c o r r o s ã o d o
f i l me p a s s i v o e c o n s e q u e n t e me n t e ma i o r s e u p o d e r p r o t e t o r.

Ta b e l a 2 . 1 - Va l o r e s d e Ta x a d e c o r r o s ã o p a r a 1 µA / c m 2 .

Metais Densidade (g/cm3) Desgaste (Kg/ano) Taxa de corrosão (µm/ano)

Zn 7,14 10,7 15

Al 2,70 2,9 11

Sn 7,31 19 26

Fe 7,87 9,2 12

[37]
O u t r o s e s t u d o s r e a l i z a d o s p o r C h e n e Wu , mos t r a m a s c u r v a s
d e p o l a r i z a ç ã o d o a ç o i n o x i d á v e l A I S I 3 2 1 e m me i o s c o n t e n d o c l o r e t o s , p H
2 e t e mpe r a t u r a d e 9 0 º C , u s a n d o a mo s t r a s t e n s i o n a d a s t r a t i v a me n t e e m
f o r ma d e U .
A s c u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o s ã o mos t r a d a s n a f i g u r a 1 4 , a b a i x o :

FIGURA 14.- Curvas de polarização do aço inoxidável AISI 321[37].


- Solução (A): 0,5 mol/l HCl + 0,5 mol/l NaCl ;
- Solução (B): solução (A)+ 0,005 mol/l KI.
34

P o s t e r i o r me n t e , e s t e s e s t u d o s f o r a m c o n f i r ma d o s p o r C a o e t . a l .
( 1 9 9 1 ) e H u a n g e t . a l . ( 1 9 9 3 ) , q u e p ro p u s e r a m u m mé t o d o q u a n t i t a t i v o p a r a
d e s c r e v e r o s e f e i t o s i n i b i d o r e s d e a g e n t e s q u í mi c o s n a s r e a ç õ e s a n ó d i c a e
[38]
c a t ó d i c a , a t r a v é s d a p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e m d i f e r e n t e s me i o s .
Nestes e x p e r i me n t o s utilizou-se c o mo inibidor dos e fe i t o s
s i n é rg i c o s d a C S T e “ p i t t i n g ” , o i o d e t o d e p o t á s s i o . C o n c l u í r a m q u e a t r a v é s
d a i n t r o d u ç ã o d e i n i b i d o r e s n o me i o a g r e s s i v o , h o u v e a l í v i o d e t e n s õ e s n a
p o n t a d a t r i n c a , mi n i mi z a n d o a i n t e r a ç ã o d o d e s l o c a me n t o n o s u b s t r a t o e a s
v a c â n c i a s e x i s t e n t e s n a e s t r u t u r a d a ma t r i z , r e d u z i n d o a d i s s o l u ç ã o a n ó d i c a
[39]
d o ó x i d o f o r ma d o r d e p e l í c u l a .
P a r a me t a i s n ã o f e r r o s o s , mos t r a d o n a f i g u r a 1 5 , f o i c o n s t r u í d o
u m d i a g r a ma e s q u e má t i c o r e f e r e n t e a o c o mp o r t a me n t o p o t e n c i o d i n â mi c o
a n ó d i c o t í p i c o d e u ma l i g a r e l a t i v a me n t e p u r a d e Al ( t i p o A S T M 11 0 0 ) e m
u ma s o l u ç ã o n e u t r a d e NaCl i s e n t a d e r e a g e n t e s c a t ó d i c o s , c o mo o
oxigênio.
O potencial de Corrosão Ecor e a densidade de corrente de
corrosão da liga icor são definidos pela interseção da curva anódica (linha
cheia), com a curva pontilhada da reação catódica (no caso a reação de
redução do oxigênio dissolvido, em concentrações variáveis). Com baixas
c o n c e n t r a ç õ e s d e o x i g ê n i o o b s e r v a m- s e v a l o r e s d e i c o r d e n o má x i mo
1 0 µA / c m2 , e x i b i n d o a l i g a Al A S T M 11 0 0 , p o r t a n t o , u m f i l me c o m
[ 40]
características passivas .
E s t e c o mp o r t a me n t o é r e s u l t a n t e d a b a r r e i r a d e ó x i d o h i d r a t a d o d e
a l u mí n i o f o r ma d a n a p r e s e n ç a d a s o l u ç ã o a q u o s a n e s t a s c o n d i ç õ e s ( c o m
u ma e s p e s s u r a n a f a i x a d e 2 0 a 2 0 0 n m) . M a i s e s p e s s o d o q u e o f i l me
p a s s i v o d o a ç o i n o x d e s e n v o l v i d o n e s t a s me s ma s c o n d i ç õ e s , a b a r r e i r a
p a s s i v a n t e d o a l u mí n i o a p r e s e n t a d e f e i t o s mi c r o s c ó p i c o s n a s u a e s t r u t u r a ,
c o mo p o r o s i d a d e e v a z i o s . A n a l i s a n d o - s e o p r i me i r o t r e c h o d a c u r v a ,
o b s e r v a - s e q u e a me s ma a p r e s e n t a - s e l e v e me n t e i n c l i n a d a p a r a d i r e i t a ,
podendo esta característica estar associada a estes defeitos.
C a b e a i n d a me n c i o n a r, q u e o a ç o i n o x q u a n d o s u b me t i d o a
p r o c e d i me n t o s i mi l a r d e p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a e m s o l u ç ã o n e u t r a d e NaCl ,
35

e x i b e u m t r e c h o p a s s i v o i n t e i r a me n t e v e r t i c a l e c o m d e n s i d a d e s d e c o r r e n t e
n a f a i x a d e 0 , 1 a 1 µA / c m 2 [40]
.

FIGURA 15.- Diagrama de polarização anódica, referente ao comportamento do Al


[40]
(ASTM 1100) em solução aquosa (NaCl) neutra desaerada .

A quebra ou perda da passividade com início de corrosão pode


o c o r r e r q u a n d o f a t o r e s e l e t r o q u í mi c o s , me c â n i c o s o u q u í mi c o s p r o d u z e m
r e mo ç ã o d a p e l í c u l a p a s s i v a .
A q u e b r a e l e t r o q u í mi c a p o d e o c o r r e r s e a p e l í c u l a p a s s i v a n t e t i v e r
p o n t o s f r a c o s o n d e á r e a s a n ó d i c a s l oc a i s p o d e r i a m s e d e s e n v o l v e r n a
a u s ê n c i a d e a g e n t e o x i d a n t e n a s o l uç ã o . E s s a q u e b r a t a mbé m p o d e o c o r r e r
d e v i d o à f o r ma ç ã o d e e s c a ma ç õ e s e p r e s e n ç a d e t r i n c a s o u p o r o s n o ó x i d o
p o d e n d o c a u s a r a e n t r a d a d a s o l u ç ã o e a t a q u e d o me t a l a b a i x o d o ó x i d o .
A q u e b r a me c â n i c a d a p e l í c u l a p a s s i v a p o d e o c o r r e r d e v i d o a o
c u r v a me n t o , r i s c o s , i mp a c t o s o u a t r a ç ã o d o s u b s t r a t o . U ma v e z q u e o s
ó x i d o s o u o u t r a s p e l í c u l a s p a s s i v a n t e s s ã o g e r a l me n t e f r á g e i s , a a u t o -
36

r e g e n e r a ç ã o d a p e l í c u l a é p o s s í v e l s o me n t e s e o me t a l c o n t i n u a r a e x i s t i r
na solução, sob condições e l e t r o q u i mi c a me n t e apropriadas para ele
r e c u p e r a r a p e l í c u l a . E m d i v e r s a s c i r c u n s t â n c i a s , a f o r ma ç ã o d e p i t e s n o
[41].
me t a l s e g u e a q u e b r a d a p a s s i v i d a d e
P a r a c o mp ó s i t o s f o r ma d o s p o r SiC / Al 2 O3 / Al compósito p o d e mos c i t a r o s
[42]
e x p e r i me n t o s e l e t r o q u í mi c o s r e a l i z a d o s K o l ma n e B u t t , através da
c o n s t r u ç ã o d e c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s c o m t a x a s d e 0 , 0 5 mV/ s e m me i o
d e s a e r a d o d e NaCl 0 , 6 M , c o mpa r a n d o o s r e s u l t a d o s c o m c u r v a s d e l i g a s d e
A l A S T M 6 0 6 1 , mos t r a d a s n a f i g u r a 1 6 .

F I G U R A 1 6 . - C u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a d e SiC / Al 2 O3 / Al compósito ,

SiC / Al 2 O3 / Al compósito c o m p ó s i t o e l i g a d e a l u m í n i o 6 0 6 1 e m s o l u ç ã o N a C l 0 , 6 M [42]


.

A inclinação da curva no lado anódico para a liga ASTM 6061 é


mui t o ma i o r, p o d e n d o t e r s i d o i n f l u e n c i a d a e c o n t r o l a d a p e l a f o r ma ç ã o d e
“ p i t t i n g ” , a u me n t a d o o p r o c e s s o d e d i s s o l u ç ã o p u n t i f o r me d o a l u mí n i o . E m
c o n t r a s t e a e s t e e f e i t o a i n c l i n a ç ã o d a r e g i ã o a n ó d i c a d o c o mp ó s i t o p a r e c e
ser me n o r, sofrendo u ma passivação espontânea. Nesta polarização
37

r e v e l a mos q u e o p o t e n c i a l d o “ p i t t i n g ” t e m i n fl u ê n c i a r e l e v a n t e n a
degradação da película e início do processo corrosivo, podendo intensificar
os efeitos agravantes da corrosão sob tensão.

2.3 MECANISMO DE PROPAGAÇÃO DA FRATURA

A C S T e n v o l v e d u a s e t a p a s : P r i me i r o a n u c l e a ç ã o e s e g u n d o a
propagação da trinca.
A nucleação tem sido associada à f o r ma ç ã o de pites, ou
d i s c o r d â n c i a s s u c e s s i v a s n a c a ma d a s u p e r f i c i a l q u e s e r o mp e , e x p o n d o o
me t a l d e b a s e a o a t a q u e q u í mi c o .
N a p r o p a g a ç ã o d a t r i n c a t e mo s d o i s c o mp o r t a me n t o s d i f e r e n t e s o
p r i me i r o é a propagação intergranular, t a mbé m conhecida por
intercristalina e segundo é a propagação intragranular, conhecida por
transgranular.

2.3.1 Propagação Intergranular

N o me c a n i s mo d e p r o p a g a ç ã o i n t e r g r a n u l a r t e m u ma r e g i ã o
p r e f e r e n c i a l c o m ma i o r n í v e l d e e n e r g i a , o c o n t o r n o d e g r ã o , e m r e l a ç ã o a
ma t r i z . E s t a ma i o r e n e r g i a s e d á , n ã o s o me n t e p e l o d e s a r r a n j o c r i s t a l i n o ,
ma s t a mb é m p e l o a c ú mu l o d e d i s c o r d â n c i a s e á t o mo s d e i mp u r e z a s , t e n d o
e s s a r e g i ã o u ma c o mp o s i ç ã o q u í mi c a q u e d i f e r e d o r e s t a n t e d a ma l h a
cristalina.
C o m a u n i ã o d o s f a t o r e s q u í mi c o s e me c â n i c o s e s t a r e g i ã o e s t á
s u j e i t a à s e p a r a ç ã o d a s f a c e s d a t r i n c a , p r o mo v e n d o d e s p o l a r i z a ç ã o e
r o mp i me n t o d a c a ma d a p r o t e t o r a s u p e r f i c i a l , c o mo t a mbé m, e s c o a me n t o e
[43]
a u me n t o d a s u a r e a t i v i d a d e .

2 . 3 . 2 P ropagação T ran sgranular


Há n u me r o s o s fatores que afetam d i r e t a me n t e a CST
t r a n s g r a n u l a r , p o r e x e mp l o , e s t r u t u r a c r i s t a l i n a , a n i s o t r o p i a , f o r ma e
38

c o n t o r n o d e g r ã o , g e o me t r i a e d e n s i da d e d e d e s l o c a me n t o , t e n s õ e s d e
t r a ç ã o , c o mp o s i ç ã o , e n e r g i a , o r d e n a men t o e c o mp o s i ç ã o d a s f a s e s . A l g u n s
destes fatores afetam a corrosão intergranular, outros a corrosão
t r a n s g r a n u l a r , s e n d o r e l a c i o n a d o s o s e f e i t o s e m a l g u ma s l i g a s e s p e c í f i c a s .
Este tipo de me c a n i s mo envolve u ma disputa de me t a l a
p a s s i v a ç ã o e a i n t e r r u p ç ã o d o f i l me p ro t e t o r , p e l a f o r ma ç ã o d e b a n d a s d e
e s c o r r e g a me n t o q u e s e r o mpe m. E s t a c o mpe t i ç ã o l e v a a o t r i n c a me n t o
[43]
transgranular .
Manfredi et. al.[44] verificou o t r i n c a me n t o por me c a n i s mo
transgranular por CST em aços inoxidáveis austeníticos AISI 304 em
s o l u ç ã o d e c l o r e t o d e ma g n é s i o ( MgCl 2 ) , o c o r r e n d o p o r r e a ç ã o a n ó d i c a c o m
o me i o , o n d e c o mp o s t o s d e b a i x o p o n t o d e f u s ã o , n o r ma l me n t e f i l me s
s a l i n o s r i c o s e m c l o r e t o s s ã o f o r ma d o s s o b a s u p e r f í c i e . S e n d o q u e a
p r o p a g a ç ã o s e d á p e l o r o mp i me n t o d o f i l me p a s s i v o , c o n f o r me d e s c r i t o
a c i ma .
G e r a l me n t e , a s e q ü ê n c i a d e e v e n t o s e m t e s t e d e C S T , e m c o r p o s
d e p r o v a ma c r o s c ó p i c a é mos t r a d a d a e s q u e r d a p a r a d i r e i t a n a f i g u r a 1 7 ,
abaixo:

FIGURA 17 –Seqüência de eventos na corrosão sob tensão, assumindo a não relaxação


[45]
das tensões de tração .

A sequência de eventos se inicia pela quebra de passividade da


película protetora e nucleação de pontos de corrosão. A degradação é
39

acelerada pelos efeitos de tensões de tração e tensões residuais presentes


n o s u b s t r a t o . U ma v e z n u c l e a d a a t r i n c a , e s t a s e p r o p a g a e m u m c u r t o
[45]
e s p a ç o d e t e mp o , s e m c o r r o s ã o s u b s t a n c i a l d o me t a l e n v o l v i d o .

2.4 IDENTIFICANDO A CST

2.4.1. Identificação da CST para aços inoxidáveis austeníticos

Fraturas por cloretos, de aços inoxidáveis austeníticos, são


t i p i c a me n t e t r a n s g r a n u l a r e s e e x t e n s i v a me n t e r a mi f i c a d a s , e x c e t o e m a ç o s
q u e s o f r e r a m s e n s i t i z a ç ã o , n o s q u a i s e s t a p o d e s e r t a mb é m i n t e rg r a n u l a r.
O padrão de ruptura em soluções alcalinas varia de acordo com a
[46]
concentração. Um estudo realizado por Logan i n d i c a f r a t u r a r a mi f i c a d a
i n t e rg r a n u l a r a b a i x a s c o n c e n t r a ç õ e s e f r a t u r a r a mi f i c a d a t r a n s g r a n u l a r a
altas concentrações. A fratura por ácidos poliônicos de aços inoxidáveis
a u s t e n í t i c o s ( s e n s i t i z a d o s ) é i n v a r i a v e l me n t e i n t e rgr a n u l a r.
A fratura ocasional de aços inoxidáveis AISI 304 sensitizados e
sob altas tensões, que ocorrem em água com concentração de cloro
e x t r e ma me n t e baixa, porém contendo a p r o x i ma d a me n t e 0,2 ppm de
[46]
o x i g ê n i o é i n v a r i a v e l me n t e i n t e rgr a n u l a r .

2.4.2 Identificação da CST para o alumínio

To d a s a s f a l h a s d e C S T e m s e r vi ç o p a r a l i g a s d e a l u mí n i o s ã o
i n t e rg r a n u l a r e s , a l g u ma s v e z e s c o m p a d r õ e s d e p l a s t i c i d a d e d i s s e mi n a d o s
n u ma e s c a l a mi c r o s c ó p i c a e e m o u t r o s c a s o s i s e n t o d e p l a s t i c i d a d e
aparente.
N u ma p e s q u i s a e m p l a n o me t a l o g r á f i c o n o r ma l a o p l a n o p r i n c i p a l ,
pode-se c o mume n t e encontrar u ma fratura r a mi f i c a d a , variando de
incipiente à extensa.
40

( 2)
E m a mb i e n t e s ma r i n h o s u m p a d r ã o “ M U D C R A C K ” pode ser
v i s t o e m s u p e r f í c i e s f r a t u r a d a s p o r C S T, ma s h á n e c e s s i d a d e d e me d i d a s d e
[47]
mi c r o s c o p i a e l e t r ô n i c a d e v a r r e d u r a p a r a s e v e r n a ma i o r i a d o s c a s o s .
Este padrão c o mu me n t e inexiste em CST na presença de u mi d a d e
a t mo s f é r i c a , p o r é m e s t a a u s ê n c i a n ão é u ma e x c e ç ã o a C S T. O p a d r ã o p o d e
s e r v i s t o n o me i o d e c o r r o s ã o p u n t i f o r me , t a mbé m n ã o s e e n q u a d r a n d o
c o mo p r o v a a b s o l u t a d e C S T.
O ma t e r i a l n o q u a l o p a d r ã o s e f o r ma p a r e c e s e r u m ó x i d o n ã o
c r i s t a l i n o o u h i d r ó x i d o p o d e n d o s e r r e mo v i d o p o r r e p l i c a ç ã o . F r a t u r a s
p u r a me n t e me c â n i c a s e m l i g a s d e a l u mí n i o , p a r t i c u l a r me n t e n a o r i e n t a ç ã o
S - L p o d e m s e r i n t e rg r a n u l a r e s e m l i g a s c o m a l t a s t e n s õ e s d e t r a ç ã o ,
c o mu me n t e mo s t r a m a mb a s , f r a t u r a r a mi f i c a d a e p a d r ã o “ M U D C R A C K ” .
Apesar de todas as fraturas por CST em serviço serem reportadas
c o mo i n t e rgr a n u l a r e s , f r a t u r a s e m l ab o r a t ó r i o d a s l i g a s d a s é r i e 7 0 0 0 c o m
t ê mp e r a T 3 a p r e s e n t a r a m r u p t u r a t r a ns g r a n u l a r. N o e n t a n t o , e s t a s l i g a s e
t ê mp e r a s r e q u e r e m l o n g o s t e mp o s e a l t o s n í v e i s d e t e n s ã o s e c o mpa r a d a s
c o m t ê mp e r a s T 6 .

2.5 MORFOLOGIA DA FRATURA

A fratura por CST tem aparência de u ma fratura frágil,


d e p e n d e n d o d a c o mp o s i ç ã o d a l i g a e n a t u r e z a d o me i o c o r r o s i v o , p r o p a g a -
s e a t r a v é s d o s g r ã o s i n t e rg r a n u l a r o u t r a n s g r a n u l a r. S e n d o , e m g e r a l , o
mo d e l o d a f r a t u r a s i mi l a r à d o s g r u p o s d a s l i g a s . P o r e x e mp l o , f r a t u r a s e m
aço carbono, ligas de cobre, ligas de níquel e ligas de a l u mí n i o
p r e d o mi n a n t e me n t e i n t e rgr a n u l a r e s , e m a ç o s i n o x i d á v e i s a u s t e n í t i c o s e
l i g a s d e ma g n é s i o s ã o c a r a c t e r í s t i c a s , f r a t u r a s t r a n s g r a n u l a r e s . O u t r a s
c a r a c t e r í s t i c a s t í p i c a s d a C S T s ã o f r a t u r a s c o m g r a n d e s r a mos n a t u r a i s e a
[48]
presença significante de fraturas secundárias .

2
Padrão “ MUD CRACK”, fratura específica num grão formado por Al puro e óxido de Alumínio.
41

N a f i g u r a 1 8 , t e mos a mi c r o g r a f i a d e u ma f r a t u r a t r a n s g r a n u l a r e m
a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o , i l u s t r a n d o a n a t u r e z a d o s r a mos t í p i c o s d a
fratura.

FIGURA 18.- Fotomicrografia mostrando típica CST transgranular em aço inoxidável


[49]
austenítico AISI 304 .

E x e mp l o s de fratura i n t e rgr a n u l a r causados por CST são


mo s t r a d o s n a f i g u r a 1 9 .

FIGURA 19.- Fotomicrografia mostrando CST intergranular em ligas Inconell (NiAl,


[49]
NiSi) .
42

A f r a t u r a i n t e rg r a n u l a r é r e v e l a d a p o r mi c r o s c o p i a e l e t r ô n i c a e m
l i g a s d e a l u mí n i o c o n f o r me f i g u r a 2 0 .

FIGURA 20.- Micrografia eletrônica mostrando típica CST intergranular da liga de Al


[49]
ASTM 7075 .

A presença de precipitados nos contornos de grão com riqueza ou


p o b r e z a d e e l e me n t o s d e l i g a p o d e s e r s u g e r i d a c o mo p r é - r e q u i s i t o
n e c e s s á r i o p a r a f r a t u r a s t r a n s g r a n u l a r e s , i n d i c a n d o me t a l o g r a f i c a me n t e
[50]
evidencias de fraturas preferenciais em certos planos cristalográficos .

2.6 ASPERSÃO TÉRM I CA ( De pos i ç ão do Al um í ni o)

A s a p l i c a ç õ e s d e r e v e s t i me n t o s p r o t e t o r e s a t r a v é s d a a s p e r s ã o
t é r mi c a ( AT ) , t ê m c o mo o b j e t i v o a d i mi n u i ç ã o d a s t a x a s d e d e s g a s t e e
a u me n t o d a r e s i s t ê n c i a à c o r r o s ã o d o s ma t e r i a i s , p e ç a s e c o mp o n e n t e s
e s t r u t u r a i s . B a s e a n d o - s e t e c n o l o g i c a me n t e e m:
• N e c e s s i d a d e d e e l e v a r o d e s e mp e n h o d o s s i s t e ma s me c â n i c o s , o n d e s e
t e m s o l i c i t a ç ã o t é r mi c a e me c â n i c a .
• A u me n t o d a v i d a ú t i l d e p a r t e s e p e ç a s c o m e l e v a d o c u s t o d e
r e p o s i ç ã o , t e n d o a v a n t a g e m d e r e c u p e r a r p e ç a s , c o m i g u a l o u ma i s v i d a
que as novas.
43

A a s p e r s ã o t é r mi c a é d i r i g i d a p a r a a p r o t e ç ã o d e s u p e r f í c i e s
c o n t r a a c o r r o s ã o , c o m a u t i l i z a ç ã o d e ma t e r i a i s e l i g a s t a i s c o mo:
a l u mí n i o , l i g a s b a s e A l , a ç o s i n o x i d á v e i s , l i g a s N i A l , Z n A l , A l Z n, c a r b e t o s ,
c e r â mi c o s , e t c .
D e a c o r d o c o m o s p r o c e s s o s d e a p l i c a ç ã o d e r e v e s t i me n t o s
[51]
p r o t e t o r e s , p o d e mo s c l a s s i f i c á - l o s e m t r ê s g r a n d e s g r u p o s :
• E n v o l v e n d o f u s ã o d o me t a l e d o ma t e r i a l d e a p o r t e ;
• E n v o l v e n d o s o me n t e a f u s ã o d o ma t e r i a l d e a p o r t e ;
• Envolvendo processo de difusão.
P a r a a s e l e ç ã o d o r e v e s t i me n t o e d o p r o c e s s o d e d e p o s i ç ã o a s e r
utilizado, deve-se conhecer as propriedades superficiais da peça ou
c o mp o n e n t e e o t i p o d e c o r r o s ã o p r e s e n t e , p r o t e g e n d o o ma t e r i a l d e b a s e ,
c o m c a ma d a s p a s s i v a d a s ( b a r r e i r a s ) o u c o m me t a i s d e s a c r i f í c i o .
Os processos de aspersão t é r mi c a , devem garantir elevada
aderência, baixa porosidade, facilidade de aplicação e custo adequado
q u a n d o c o mpa r a d o c o m o u t r a s t é c n i c a s d e p r o t e ç ã o s u p e r f i c i a l .

2 . 6 . 1 P ro c e s s o s d e A s p e r s ã o T é r m i c a .

A AT d e s e n v o l v e u - s e , e v o l u t i v a me n t e , a p a r t i r d e 1 9 1 0 , t e n d o
c o mo s e u p r e c u r s o r M . U . S c h o o p d e Z u r i q u e , S u í ç a , q u e e mp r e g a v a u m
e q u i p a me n t o a l i me n t a d o p o r a r a me s me t á l i c o s c o mo ma t é r i a p r i ma d e
d e p o s i ç ã o , f u s ã o d o me t a l p o r me i o d e c h a ma a g á s e t r a n s p o r t e a t é a p e ç a ,
[51]
a t r a v é s d e a r c o mp r i mi d o .
B a s i c a me n t e a AT c o n s i s t e d e u m g r u p o d e p r o c e s s o s p o r me i o
d o s q u a i s s e d e p o s i t a , s o b r e u ma s u p e r f í c i e p r e v i a me n t e p r e p a r a d a ,
c a ma d a s de ma t e r i a i s me t á l i c o s ou não me t á l i c o s . As principais
características da c a ma d a depositada por aspersão t é r mi c a , são
apresentadas na figura 21.
N o s p r o c e s s o s d e AT, o s ma t e r i a i s d e d e p o s i ç ã o s ã o f u n d i d o s o u
a q u e c i d o s e m u ma f o n t e d e c a l o r, g e r a d a n o b i c o d e u ma p i s t o l a a p r o p r i a d a ,
p o r me i o d e c o mb u s t ã o d e g a s e s a t r a v é s d e a r c o e l é t r i c o o u p o r p l a s ma .
44

[52]
FIGURA 21.- Características da formação da camada depositada por AT .

I me d i a t a me n t e a p ó s a f u s ã o , o ma t e r i a l f i n a me n t e a t o mi z a d o é
acelerado por gases sob pressão contra a superfície a ser revestida,
a t i n g i n d o - a n o e s t a d o f u n d i d o o u s e mi f u n d i d o .
A o s e c h o c a r e m c o n t r a a s u p e r f í c i e , a s p a r t í c u l a s a c h a t a m- s e e
aderem ao substrato e na seqüência sobre as partículas já existentes,
o r i g i n a n d o a s s i m u ma c a ma d a d e e s t r u t u r a t í p i c a , d i f e r e n t e d e q u a l q u e r
o u t r a fo r ma me t a l ú rg i c a .

FIGURA 22.- Partícula de alumínio depositada por arco elétrico. Mev. 3500 X[53].
45

E s s a s c a ma d a s , mos t r a d a s n a f i g u r a 2 1 , s ã o c o n s t i t u í d a s d e
pequenas partículas achatadas na direção paralela ao substrato, detalhadas
n a f i g u r a 2 2 , c o m e s t r u t u r a t í p i c a l a me l a r c o n t e n d o i n c l u s õ e s d e ó x i d o s ,
[53,54]
vazios e porosidade .
G e r a l me n t e n o s p r o c e s s o s d e AT d e u s o i n d u s t r i a l a s d i s t â n c i a s d e
p r o j e ç ã o d a s p a r t í c u l a s v a r i a m d e 1 0 0 a t é 3 0 0 mm e p a r a s e o b t e r u ma
(2)
a d e r ê n c i a a d e q u a d a a o s u b s t r a t o , e s t e d e v e t e r u m g r a u d e l i mp e z a S a 3 .
N a AT a l i mp e z a é o b t i d a a t r a v é s d o j a t e a me n t o a b r a s i v o ,
p e r mi t i n d o com isso obter no substrato, l i mp e z a , rugosidade e o
a n c o r a me n t o me c â n i c o d a s p a r t í c u l a s n o mome n t o d o i mp a c t o . O p r o c e s s o
d e AT p o r a r c o e l é t r i c o a d mi t e u m g r a u d e l i mp e z a S a 2 1 / 2 (3)
da superfície
a s e r a l u mi n i z a d a , s e m p r e j u d i c a r a a de r ê n c i a d a s p a r t í c u l a s a o s u b s t r a t o
n o mo me n t o d o i mp a c t o .

2.6.1.1 P ro c e s s o d e A s p e r s ã o T é r m i c a p o r A rc o E l é t r i c o - A S P
( A rc S p r a y P ro c e s s )

P r o c e s s o q u e u t i l i z a u m a r c o e l é t r i c o c o mo fo n t e d e c a l o r p a r a
f u n d i r o a r a me d e d e p o s i ç ã o . O a r c o e l é t r i c o é o b t i d o p o r d i f e r e n c i a l d e
p o t e n c i a l n o b i c o d e u ma p i s t o l a , o n d e c h e g a m 2 a r a me s d o ma t e r i a l d e
d e p o s i ç ã o . U m j a t o d e a r c o mpr i mi d o é d i r i g i d o a o a r c o e l é t r i c o , n a r e g i ã o
o n d e s e f u n d e o ma t e r i a l , a t o mi z a n d o - o e p r o j e t a n d o - o c o n t r a o s u b s t r a t o .
N a f i g u r a 2 3 ( a ) e ( b ) s ã o mos t r a d o s o s c o mp o n e n t e s n o r ma i s d e
u m e q u i p a me n t o a a r c o e l é t r i c o e u m e s q u e ma d a p i s t o l a d e A S P o n d e o a r
c o mp r i mi d o a t u a e m f o r ma c o n c ê n t r i c a :
(a) ar comprimido primário;
( b ) a r c o m p r i m i d o s e c u n d á r i o.

O a c i o n a me n t o d o me c a n i s mo d e a l i me n t a ç ã o c o n t í n u a d o a r a me
p o d e s e r f e i t o p o r me i o d e p e q u e n a t u r b i n a mo v i d a a a r c o mpr i mi d o o u p ô r
mo t o r e l é t r i c o . A v e l o c i d a d e d e p r o j e ç ã o d e p a r t í c u l a s a t i n g e a t é 2 5 0 m/ s .
2
Grau de limpeza Sa 3: Obtido por jateamento, deixando o metal branco isento de sujidades e oxidação.
3
Grau de limpeza Sa 2 1/2: Obtido por jateamento, deixando o metal quase branco isento de sujidades e oxidação
46

(a)

(b)
[55]
FIGURA 23.-(a) Esquema das instalações (b) Pistola do processo a arco elétrico .

N a u n i d a d e d e c o n t r o l e s ã o a j u s t a d o s a a l i me n t a ç ã o d o s a r a me s , o
s u p r i me n t o d e a r c o mpr i mi d o e a e n e rg i a e l é t r i c a .
47

O r e t i f i c a d o r d e c o r r e n t e c o n t í n u a t r a b a l h a e n t r e 1 8 e 4 0 V,
p e r mi t i n d o o p e r a ç ã o c o m v á r i o s ma t e r i a i s , s e j a m p u r o s o u l i g a d o s ( s ó l i d o s
e t u b u l a r e s ) . A a b e r t u r a d o a r c o e o t a ma n h o d a s p a r t í c u l a s a u me n t a m c o m
a e l e v a ç ã o d a v o l t a g e m, d e v e n d o s e r ma n t i d a n o s n í v e i s ma i s b a i x o s
p o s s í v e i s , p a r a q u e h a j a e s t a b i l i d a d e d o a r c o , r e s u l t a n d o e m c a ma d a s ma i s
d e n s a s e u n i f o r me s . A s t e mpe r a t u r a s g e r a d a s n o a r c o e l é t r i c o s ã o d a o r d e m
d e 4 0 0 0 a 6 0 0 0 o C , o n d e q u a i s q u e r d o s ma t e r i a i s e mp r e g a d o s n e s t e p r o c e s s o
são fundidos.

2.6.2 Principais características e p ro p r i e d a d e s dos re v e s t i m e n t o s


d e p o s i t a d o s p o r AT.

O s r e v e s t i me n t o s d e p o s i t a d o s p e l o s p r o c e s s o s d e AT a p r e s e n t a m
diferentes propriedades e ciclos de vida variados, dependendo do processo
d e AT e p r o c e d i me n t o d e a p l i c a ç ã o u t i l i z a d o . N e s s e s p r o c e d i me n t o s d e v e
h a v e r c o n s e n s o n o s p a r â me t r o s a s e r e m u t i l i z a d o s , v i s a n d o u ma me l h o r
a d e r ê n c i a e a u me n t o d a v i d a ú t i l d o ma t e r i a l a s p e rgi d o .

2.6.2.1 Aderência

A r e s i s t ê n c i a me c â n i c a d e u m r e v e s t i me n t o e f e t u a d o p o r AT
d e p e n d e d a a d e r ê n c i a e n t r e a c a ma d a e o s u b s t r a t o , b e m c o mo d a c o e s ã o
entre as partículas depositadas, sendo um requisito essencial para o bom
d e s e mp e n h o d o r e v e s t i me n t o .
A a n á l i s e d a a d e r ê n c i a d o r e v e s t i me n t o n o r ma l me n t e c o n s i d e r a
t r ê s me c a n i s mos f u n d a me n t a i s , d e a c o r d o c o m a n a t u r e z a d a s f o r ç a s
a t u a n t e s : a n c o r a m e n t o m e c â n i c o , q u í m i c o - m e t a l ú rg i c o e f í s i c o . S e n d o a
[51,56]
a d e r ê n c i a u ma c o mbi n a ç ã o d e s t e s t r ê s me c a n i s mos .
No a n c o r a m e n t o m e c â n i c o, a s p a r t í c u l a s a q u e c i d a s e a c e l e r a d a s
contra o substrato, a c h a t a m- s e n u ma f o r ma l e n t i c u l a r, r e s f r i a m- s e
r a p i d a me n t e e a d e r e m n a s i r r e g u l a r i d a d e s d a s u p e r f í c i e , c o mo mos t r a o
e s q u e ma d a f i g u r a 2 4 .
48

N o a n c o r a me n t o q u í m i c o - m e t a l ú rg i c o, d e p e n d e n d o d a n a t u r e z a d o
ma t e r i a l a s e r d e p o s i t a d o , s e me t á l i c o o u c e r â mi c o e d o c a l o r t r a n s f e r i d o
p e l a p a r t í c u l a p a r a o s u b s t r a t o , p o d e o c o r r e r u m ma i o r o u me n o r g r a u d e
mi c r o s o l d a g e m, p o d e n d o h a v e r f u s ã o l o c a l i z a d a , d i f u s ã o a t ô mi c a c o m
f o r ma ç ã o d e s o l u ç õ e s s ó l i d a s e c o mp o s t o s i n t e r me t á l i c o s

Panquecas

Substrato

FIGURA 24.- Esquema do ancoramento mecânico da panqueca na superfície rugosa do


[51]
substrato .

O t e r c e i r o me c a n i s mo c o n s i d e r a d o s e c u n d á r i o é o a n c o r a m e n t o
f í s i c o, s ã o l i g a ç õ e s f r a c a s q u e c o n t r i b u e m p a r a a a t r a ç ã o i n t e r a t ô mi c a d o
ma t e r i a l , c h a ma d a s f o r ç a s d e Va n d e r Wa a l s , o n d e o c o mp o n e n t e d e l i g a ç ã o
e n t r e a s mo l é c u l a s ma i s i mp o r t a n t e p o d e s e r a t r i b u í d o à s i n t e r a ç õ e s e n t r e
dipolos elétricos.
S o b a ó t i c a d a t e c n o l o g i a d o p r oc e s s o , o p r o b l e ma d e a d e r ê n c i a
e n t r e a c a ma d a e o s u b s t r a t o , p o d e s e r a n a l i s a d o a p a r t i r d o s f a t o r e s
p r i n c i p a i s q u e d e l a p a r t i c i p a m:

a) M a t e r i a l d e A p o r t e e G á s d e Tr a n s p o r t e ;
O ma t e r i a l d e a p o r t e p a r t i c i p a e m p r i me i r o l u g a r a t r a v é s d e s u a s
p r o p r i e d a d e s f í s i c o - q u í mi c a s , o u s e j a , s u a ma i o r o u me n o r t e n d ê n c i a à
o x i d a ç ã o . O o x i g ê n i o , n o r ma l me n t e g á s d e t r a n s p o r t e p r e s e n t e n o a r
u t i l i z a d o , a t u a d e c i s i v a me n t e n a f a s e d e t r a n s f e r ê n c i a d a p a r t í c u l a . C o m a
o x i d a ç ã o d a s g o t a s d e me t a l l í q u i d o - f u n d i d a s , p o r me i o d o o x i g ê n i o d o a r,
49

f o r ma - s e u m f i l me d e ó x i d o , r e l a c i o n ad o c o m u ma l i b e r a ç ã o d a e n e rg i a d e
r e a ç ã o q u e s e p r o d u z d u r a n t e a f o r ma ç ã o d a c a ma d a d e ó x i d o .
N a d e p o s i ç ã o d e Al , c o n f o r me é d e s e e s p e r a r, a c o n v e r s ã o Al →
Al 2 O 3 p o s s u i a má x i ma e n e rg i a mol a r d e f o r ma ç ã o , c o mo p o d e s e r
o b s e r v a d o n a t a b e l a 2 . 2 . E s t a o x i d a ç ã o d e v e r i a c o n d u z i r a u ma a d i c i o n a l
e l e v a ç ã o d a t e mpe r a t u r a d a s g o t a s me t á l i c a s e c a u s a r, p o r me i o d a e l e v a ç ã o
d e e n e rg i a , u ma me l h o r a d a a d e r ê n c i a . A i s s o s e c o n t r a p õ e :
• R e s f r i a me n t o i n t e n s i v o p o r me i o d o g á s d e t r a n s p o r t e ( a r c o mp r i mi d o ) ,
(4) (5)
e s p e c i a l me n t e q u a n d o d a AT p o r ASP e FS . Nestas condições,
p r o c e s s a - s e u m r e s f r i a me n t o d a s p a r t í c u l a s q u e i r ã o a t i n g i r o s u b s t r a t o , j á
c o m t e mpe r a t u r a s a b a i x o d a s n e c e s s á r i a s , p a r a q u e o c o r r a m f e n ô me n o s
a l u mi n o t é r mi c o s e me t a l ú rg i c o s ;
• C u r t o t e mp o d e t r a n s fe r ê n c i a ( p i s t o l a / s u b s t r a t o ) → t e mp o d e r e a ç ã o ,
d e ma n e i r a q u e s ó s e p o d e f o r ma r u ma p e l í c u l a d e l g a d a d e ó x i d o .

[57]
Ta b e l a 2 . 2 . - P o n t o d e f u s ã o e e n e rg i a mol a r d e f o r ma ç ã o d e ó x i d o s .

Òxidos Ponto de Fusão ( o C) Energia Molar (KJ/mol)

Al 2 O 3 2046 1668

FeO 1360 270


Fe 2 O 3 1570 816
Fe 3 O 4 1530 1115
MoO3 795 738
NiO 1990 244
ZnO S u b l i ma 348
Cr 2 O 3 2430 1120

A constituição da estrutura das c a ma d a s revela que, para


distâncias usuais de aspersão as partículas alcançam o substrato em estado

4
ASP- Aspersão por arco elétrico.
5
FS- Aspersão por chama.
50

p l á s t i c o e n ã o n a f o r ma l í q u i d a . A o x i d a ç ã o n ã o p o d e , por conseguinte,
c o n t r i b u i r p a r a f a v o r e c e r a a d e r ê n c i a d a c a ma d a p o r me i o d a e l e v a ç ã o d o
v a l o r d e e n e rg i a . P e l o c o n t r á r i o , r e s ul t a , a t r a v é s d a f o r ma ç ã o d e p e l í c u l a s
d e ó x i d o e m t o r n o d a s g o t a s me t á l i c a s , u ma f a s e n ã o me t á l i c a , a q u a l d e v e
[57]
i mp e d i r r e a ç õ e s e p i t a x i a i s .
O s d a d o s d o s ó x i d o s me t á l i c o s ( t a b e l a 2 . 2 ) a d mi t e m q u e , d e v i d o
a o a l t o p o n t o d e f u s ã o d o Al 2 O 3 , e s t e n ã o e x i s t e n o p r o c e s s o d e a s p e r s ã o n a
fase líquida. O óxido envolve a gota líquida com um invólucro sólido,
f o r ma d o n o t r a j e t o d a p i s t o l a a t é o met a l d e b a s e , r o mpe n d o - s e p o r o c a s i ã o
d o i mp a c t o c o m o s u b s t r a t o e n ã o ma i s r e a g i n d o c o mo f a s e s ó l i d a ,
p r e j u d i c a n d o o c o n t a t o e n t r e o Al e o s u b s t r a t o . I s t o e x p l i c a a f o r ç a d e
a d e r ê n c i a r e l a t i v a me n t e f r a c a d a s c a ma d a s , e s p e c i a l me n t e n o p r o c e s s o d e
d e p o s i ç ã o p o r c h a ma ( FS) .

b ) P re p a ro d a s u p e r f í c i e p a r a AT :
Com vistas ao preparo da superfície, para garantir a aderência
a d e q u a d a d o s r e v e s t i me n t o s a o s u b s t r a t o d e v e - s e a t i v a r a s u p e r f í c i e , p a r a
p e r mi t i r q u e a s p a r t í c u l a s p r o j e ta d a s n o mome n t o d o i mp a c t o fi q u e m
t o t a l me n t e a d e r i d a s e l i v r e s d e i mp u r e z a s r e s i d u a i s . E s t a a t i v a ç ã o d a
superfície consta de três etapas:
[58]
• L i m p e z a ( o b t i d a p o r p r o c e s s o s q u í mi c o s , t é r mi c o s o u me c â n i c o s ) ;
• R u g o s i d a d e d a s u p e r f í c i e ( o b t i d a p e l o s p r o c e s s o s d e j a t e a me n t o
a b r a s i v o s o u me c â n i c o s ) ;
• P r é - a q u e c i m e n t o ( a t i n g i d o p o r c h a ma e x t e r n a o u c h a ma d a p r ó p r i a
pistola de aspersão).

2 . 6 . 2 . 2 L i m p e za
A t e c n o l o g i a d e AT e o s me c a n i s mo s d e a d e r ê n c i a r e q u e r e m o
s u b s t r a t o l i mp o , i s e n t o d e f e r r u g e m, c ro s t a s d e ó x i d o d e f e r r o , g r a x a , ó l e o
e u mi d a d e . O s p a d r õ e s d e l i mp e z a n a AT s ã o a l c a n ç a d o s a t r a v é s d o s
p r o c e s s o s d e j a t e a me n t o a b r a s i v o c o m a ma i o r i a d o s a b r a s i v o s , p o r é m o
g r a u d e a d e r ê n c i a v a r i a c o m o t ip o d e ma t e r i a l u t i l i z a d o . O u s o d e
51

p a r t í c u l a s a b r a s i v a s d e ma t e r i a i s c o mo g r a n a l h a d e a ç o , g r a n a l h a d e f e r r o e
ó x i d o d e Al s ã o o s mé t o d o s ma i s e f i c i e n t e s d e l i mp e z a .
A s e g u i r s ã o d e s c r i t a s a s c l a s s i f i c a ç õ e s p a r a o a c a b a me n t o f i n a l
p o r j a t e a me n t o a b r a s i v o e a s d e f i n i ç õe s d o s g r a u s d e c o r r o s ã o , o b s e r v a d o s
[58]
n o s p a d r õ e s v i s u a i s r e c o me n d a d a s p e l a n o r ma S I S 0 5 5 9 0 0 / 6 7 .

a ) G r a u s d e p re p a r a ç ã o c o m j a t e a m e n t o a b r a s i v o :
• J a t e a me n t o l i g e i r o - g r a u S a 1 ( n o r ma N A C E 4 ) ;
• J a t e a me n t o c o me r c i a l - g r a u S a 2 ( n o r ma N A C E 3 ) ;
• J a t e a me n t o a o me t a l q u a s e b r a n c o - S a 2 1 / 2 ( n o r ma N A C E 2 ) ;
• J a t e a me n t o a o me t a l b r a n c o - S a 3 ( n o r ma N A C E 1 ) .
[58]
b ) G r a u s d e c o r ro s ã o :
• A: S u b s t r a t o d e a ç o s e m c o r r o s ã o , c o m c a r e p a d e l a mi n a ç ã o a i n d a
intacta;
• B: S u b s t r a t o d e a ç o c o m i n í c i o d e c o r r o s ã o e d e s t a c a me n t o d a c a r e p a
d e l a mi n a ç ã o ;
• C: S u b s t r a t o d e a ç o o n d e a c a r e p a d e l a mi n a ç ã o f o i e l i mi n a d a p e l a
c o r r o s ã o o u p o s s a s e r r e mo v i d a p o r r a s p a g e m, c o m p o u c a f o r ma ç ã o d e
cavidades visíveis;
• D: S u b s t r a t o d e a ç o o n d e a c a r e p a d e l a mi n a ç ã o f o i e l i mi n a d a p e l a
c o r r o s ã o e c o m g r a n d e f o r ma ç ã o d e c a v i d a d e s v i s í v e i s .

2.6.2.3 Rugosidade da Superfície

É u s u a l , a p ó s a l i mp e z a d o s u b s t r a t o , t r a b a l h á - l a , o q u e p o d e s e r
r e a l i z a d o p o r j a t e a me n t o a b r a s i v o o u u s i n a g e m. N a AT d e p e ç a s d e g r a n d e
p o r t e c o mume n t e s e u t i l i z a o j a t e a me n t o p a r a o b t e r a o me s mo t e mp o
l i mp e z a e r u g o s i d a d e . S u p e r i o r a d e r ê nc i a é a t i n g i d a c o m a b r a s i v o s q u e ,
[59]
s e m c o n t a mi n a r a s u p e r f í c i e , p r o p o r c i o n a m r u g o s i d a d e a d e q u a d a .
A q u e l e s q u e me l h o r s e e n q u a d r a m s ã o o s a b r a s i v o s a b a s e d e
ó x i d o d e A l . A f o r ma d a s p a r t í c u l a s d o a b r a s i v o t a mbé m t e m i n f l u ê n c i a
p r i mo r d i a l n a a d e r ê n c i a , i s t o é , o i mp a c t o d e p a r t í c u l a s c o m f o r ma s
52

a n g u l a r e s a c a r r e t a m o a r r a n c a me n t o d e ma t e r i a l d a s u p e r f í c i e j a t e a d a
(facilita o l a s c a me n t o do ma t e r i a l do substrato), originando ma i s
i r r e g u l a r i d a d e s e p o n t o s d e a n c o r a me n t o f a v o r á v e i s à a d e r ê n c i a d o ma t e r i a l
d e p o s i t a d o n o s u b s t r a t o , e l e v a n d o a e n e rg i a s u p e r f i c i a l d a b a s e d e
a n c o r a me n t o . A o c o n t r á r i o , p a r t í c u l a s e s f é r i c a s t e n d e m a a p l a i n a r a
[59,60]
s u p e r fí c i e .
A s u p e r f í c i e p r e p a r a d a p o r j a t e a me n t o a b r a s i v o o u u s i n a g e m t e m
a f i n a l i d a d e d e f a c i l i t a r o a n c o r a me n t o me c â n i c o e d e e l i mi n a r o s p l a n o s
p r e f e r e n c i a i s d e c i s a l h a me n t o q u e e x i s t e m n a s c a ma d a s d e p o s i t a d a s e m
v i r t u d e d a s u a e s t r u t u r a t í p i c a l a me l a r. D e s e n v o l v e - s e n e s t a s c a ma d a s
grandes tensões paralelas a base, que são responsáveis pela sua baixa
r e s i s t ê n c i a à t r a ç ã o , s e n d o i s t o v e r if i c a d o q u a n d o s e f a z e m t e s t e s d e
aderência.
A me d i ç ã o d a r u g o s i d a d e s e e n q u a d r a e m d o i s s i s t e ma s : - s i s t e ma
d a e n v o l v e n t e e s i s t e ma d a l i n h a mé d ia . N o B r a s i l é a d o t a d o o s i s t e ma d a
l i n h a mé d i a a t r a v é s d a n o r ma P - N B - 1 3 da ABNT. As me di ç õe s t oma m c o mo
b a s e me d i d a s v e r t i c a i s , me d i d a s h o r i z o n t a i s e me d i d a s p r o p o r c i o n a i s .
[60]
D e n t r e d a s me d i d a s d a p r o f u n d i d a d e d a r u g o s i d a d e t e mos :
• Ra, d e s v i o mé d i o a r i t mé t i c o ;
• R z, a l t u r a d a s i r r e g u l a r i d a d e s d e 1 0 p o n t o s ;
• Ry, a l t u r a má x i ma d a s i r r e g u l a r i d a d e s ;
• Sm, me d i ç õ e s h o r i z o n t a i s d o e s p a ç a me n t o mé d i o d a s i r r e g u l a r i d a d e s .

N a AT s ã o u t i l i z a d a s p r i n c i p a l me n t e a s me d i d a s Ry e Sm.

2.6.2.4 Pré-aquecimento:

Outra atividade que deve fazer parte do processo de preparação de


s u p e r f í c i e p a r a AT é o p r é - a q u e c ime n t o d o s u b s t r a t o , o q u a l t e m c o mo
o b j e t i v o p r o p o r c i o n a r a q u e i ma e v o l a t i l iz a ç ã o d e g r a x a s , ó l e o s e u mi d a d e
r e t i d o s j u n t o à s u p e r f í c i e d o me t a l . E s t e p r é - a q u e c i me n t o p o d e s e r f e i t o p o r
u ma c h a ma r e d u t o r a d a p r ó p r i a p i s t o l a d e a s p e r s ã o t é r mi c a , p o r u m
53

e q u i p a me n t o i n d e p e n d e n t e o u a i n d a p o r i n d u ç ã o q u a n d o o t a ma n h o d a p e ç a
seja apropriado.
As t e mpe r a t u r a s r e c o me n d a d a s para me l h o r a r a l i mp e z a do
o o [61,62]
substrato estão na faixa de 90 C até 150 C . A s t e mpe r a t u r a s
d e p e n d e m a i n d a d a s t e n s õ e s t é r mi c a s r e s i d u a i s , d a n a t u r e z a d o s ma t e r i a i s
d a c a ma d a e d o s u b s t r a t o e d e s u a s p r o p r i e d a d e s f í s i c a s ( c o n d u t i v i d a d e
t é r mi c a , d i l a t a ç ã o ) . P o r o u t r o l a d o , p o d e m t a mbé m s e r u m f a t o r d e
i n f l u ê n c i a s o b r e o d e s e mp e n h o e s p e r ad o d a c a ma d a , n o q u e d i z r e s p e i t o à
proteção contra a corrosão/oxidação.
O p r é - a q u e c i me n t o f a v o r e c e a r e d u ç ã o d a s t e n s õ e s i n t e r n a s , q u e
p o r s u a v e z i n f l u e n c i a n a a d e r ê n c i a e c o e s ã o d a c a ma d a . Q u a n d o a s
p a r t í c u l a s s e c h o c a m c o m o s u b s t r a t o h á u m r e s f r i a me n t o mui t o r á p i d o ,
a c o mpa n h a d o d e c o n t r a ç ã o d o ma t e r i a l d e p o s i t a d o . O s u b s t r a t o p o r s u a v e z
d i l a t a - s e ( p o r e s t a r fr i o ) a o a b s o r ve r a e n e rg i a d e i mp a c t o ( c i n é t i c a )
c o n t i d a n a s p a r t í c u l a s , a l é m d a q u e l a t r a n s f e r i d a p e l a c h a ma o u p l a s ma d a
pistola de aspersão. Em função disso ocorrem tensões contrárias na
i n t e r f a c e s u b s t r a t o / c a ma d a , q u e p o d e m s e r r e d u z i d a s e me l h o r d i s t r i b u í d a s
a t r a v é s d o p r é - a q u e c i me n t o .
O p r é - a q u e c i me n t o n ã o é u ma p r á t i c a c o mu m n a p r e p a r a ç ã o d a
s u p e r f í c i e p a r a a AT, me s mo c o m a g r a n d e q u a n t i d a d e d e t r a b a l h o s e
r e c o me n d a ç õ e s t é c n i c a s q u e d e mos t r a m g r a n d e s v a n t a g e n s p a r a g a r a n t i r
u ma a d e q u a d a a d e r ê n c i a . A f a i x a d e t e mpe r a t u r a r e c o me n d a d a p a r a o
p r o c e s s o d e u t i l i z a ç ã o FS é d e 1 2 0 ° C , p a r a e l i mi n a r a s t e n s õ e s r e s i d u a i s e
[63]
r e d u z i r o d i f e r e n c i a l d e t e mpe r a t u r a e n t r e a c a ma d a e s u b s t r a t o .

2.6.2.5 Óxidos

A s f o r ma ç õ e s d e ó x i d o s e s t ã o r e l a c i o n a d a s c o m a a t mo s f e r a p e l a
qual são transferidas e depositadas as partículas fundidas ou
s u p e r a q u e c i d a s n o b i c o d a s p i s t o l a s d e c a d a p r o c e s s o d e AT. A s p r i n c i p a i s
fontes de oxidação são:

• Fonte de calor (Arco Elétrico), n.°1;


54

• G á s d e t r a n s p o r t e , g e r a l me n t e a r c o mpr i mi d o ( F S , A S P ) , n . ° 2 ;
• A r d o me i o a mb i e n t e q u e e n v o l v e a z o n a d e t r a n s f e r ê n c i a d a s
partículas, n.°3;
• A r d o me i o a mb i e n t e q u e r o d e i a a s p a r t í c u l a s e / o u c a ma d a s j á
a n c o r a d a s a o s u b s t r a t o a p ó s d e s l o c a me n t o d a p i s t o l a , n . ° 4 .

S e n d o e s t a s a s p r i n c i p a i s f o n t e s d e o x i d a ç ã o d o s r e v e s t i me n t o s
d e p o s i t a d o s , c o mo o b s e r v a d o n a f i g u r a 2 5 .
A p r o t e ç ã o c o n t r a a c o r r o s ã o , e m e s p e c i a l a t mos f e r a s ma r í t i ma s , é
beneficiada pela presença de conteúdos de óxidos na faixa de 2,5% a 3,0%
n o p r o c e s s o ASP, e mb u t i d o s n a c a ma d a e o s f o r ma d o s n a s u p e r f í c i e d a
c a ma d a d e A l . A l é m d e q u e , e s t e s n í v e i s d e ó x i d o s n ã o p r e j u d i c a m a
a d e r ê n c i a , me s mo u t i l i z a n d o o g r a u d e l i mp e z a S a 2 1 / 2 d a s u p e r f í c i e a s e r
[64]
a l u mi n i z a d a .

[64]
FIGURA 25.- Observação em forma esquemática das fontes de oxidação na AT .
55

2 . 6 . 2 . 6 P o ros i d a d e

A porosidade consiste em cavidades isoladas e de poros


i n t e r c o n e c t a d o s . É i mp o r t a n t e r e s s a l t a r q u e , a t r a v é s d a a s p e r s ã o t é r mi c a ,
o b t ê m- s e r e v e s t i me n t o s c o m p o r o s i d a d e v a r i á v e l , n o r ma l me n t e c o n s i d e r a d a
i n e r e n t e a e s t e s p r o c e s s o s . E l a a f e t a d i r e t a me n t e p r o p r i e d a d e s f í s i c a s c o mo
c o n d u t i v i d a d e e l é t r i c a e t é r mi c a , d i mi n u i a c o e s ã o d a s c a ma d a s e s u a
aderência ao substrato. Além disso a porosidade contínua e interconectada
a o s u b s t r a t o , é i n d e s e j á v e l e m r e v e s t i me n t o s q u e v i s a m a p r o t e ç ã o c o n t r a a
corrosão.
A f o r ma ç ã o de r e v e s t i me n t o s contendo porosidade está
r e l a c i o n a d a c o m o s p a r â me t r o s d e c a d a p r o c e s s o d e AT, t a i s c o mo :
t e mp e r a t u r a d a c h a ma o u a r c o e l é t r i co , g á s d e t r a n s p o r t e , v e l o c i d a d e d a s
p a r t í c u l a s , d i s t â n c i a p i s t o l a / s u b st r a t o e q u a l i d a d e d o s u b s t r a t o a s e r
revestido.
C o m b a s e n a t a b e l a 2 . 3 t e mo s a a n á l i s e d a i n f l u ê n c i a d o s
p a r â me t r o s d e p r o c e s s o , r e l a c i o n a n d o a p o r o s i d a d e e o t e o r d e ó x i d o s p a r a
o c a s o d e c a ma d a s d e Al d e p o s i t a d a s p e l o p r o c e s s o d e a s p e r s ã o a a r c o
e l é t r i c o ASP ( me t a l d e d e p ó s i t o e m f o r ma d e a r a me ) .

[65]
Ta b e l a 2 . 3 . P a r â me t r o s c a r a c t e r í s t i c o s d o s p r o c e s s o s d e AT .

P ro c e s s o P a r â m e t ro s ASP (arame)

Te m p e r a t u r a A rc o [ ° C] 4000-6000

Ve l o c . Tr a n s f e r ê n c i a [m/s] 100 - 250

A t m o s f e r a d o A rc o N2 - O2

Te o r d e Ó x i d o s [ %] 2,5 - 15

P o ro s i d a d e [ %] 3 - 15

Aderência [MPa] 10 a 36
56

2 . 6 . 3 C o r ro s ã o d e C a m a d a s A s p e r g i d a s

E x i s t e n a l i t e r a t u r a r e f e r ê n c i a f e i t a à u t i l i z a ç ã o d o Al d e p o s i t a d o
p o r AT c o mo c a ma d a s p r o t e t o r a s a o a ç o e m me i o s a t mos fé r i c o s ma r í t i mo s ,
p e l a f o r ma ç ã o d e u ma p e l í c u l a d e ó x i d o p r o t e t o r a , s e n d o q u e , e m a l g u n s
c a s o s , s e u t i l i z a a d i c i o n a l me n t e p i n t u r a p a r a c o n fe r i r a o r e v e s t i me n t o
ma i o r r e s i s t ê n c i a à c o r r o s ã o . Ta mb é m é r e p o r t a d o q u e c a ma d a s d a l i g a AlZn
d e p o s i t a d a s p o r AT a l é m d o me c a n i s mo b á s i c o d e p r o t e ç ã o p o r b a r r e i r a , o s
r e v e s t i me n t o s p o d e m d a r p r o t e ç ã o p o r o u t r o s me i o s , t a i s c o mo p r o t e ç ã o
catódica e passivação.
N a u t i l i z a ç ã o d a AT c o m a f i n a l i d a d e d e o b t e r c a ma d a s r e s i s t e n t e s
contra a corrosão, vários estudos r e a l i z a d o s c o n f i r ma r a m a s u p e r i o r i d a d e
d o s r e v e s t i me n t o s d e Al e m r e l a ç ã o a o s d e Zn , p o d e n d o - s e c i t a r e n t r e e l e s ,
o s r e a l i z a d o s p e l o A me r i c a n We l d i n g S o c i e t y. Nestes estudos verifica-se
q u e , e m a t mos f e r a ma r i n h a s e v e r a e a t mos f e r a i n d u s t r i a l , r e v e s t i me n t o s d e
Al c o m e s p e s s u r a e n t r e 8 0 e 1 5 0 µm s ã o s u f i c i e n t e s p a r a p r o t e ç ã o d e a ç o
[54,63]
durante o período de ensaio .

2 . 6 . 4 M i c ro e s t r u t u r a

A t r a v é s d a f i g u r a 2 6 , p o d e - s e o b s e rv a r a s c a r a c t e r í s t i c a s mi c r o -
e s t r u t u r a i s t í p i c a s d e c a ma d a s d e p o s i t a d a s p e l o p r o c e s s o a a r c o e l é t r i c o
A S P d e r e v e s t i me n t o d e Al . A g o t a n a f o r ma d e l a me l a s é c i r c u n d a d a p o r
salpicos de óxidos, vazios, poros e defeitos, os quais são preenchidos por
n o v a s d e mã o s d e c a ma d a s d e A l a s p e rg i d o , v i a b i l i z a n d o u ma e s p e s s u r a q u e
g a r a n t a o me n o r n í v e l d e p o r o s i d a d e e / o u e l i mi n e o s p o r o s p a s s a n t e s .
A e s p e s s u r a mí n i ma é c o n t r o l a d a p e l o d i â me t r o d o a r a me ,
considerando constantes a velocidade de avanço da pistola e fluxo do
ma t e r i a l . P a r a s e o b t e r c a ma d a s ma i s d e n s a s s ã o p r e f e r í v e i s o u s o d e
p o u c a s d e mã o s , i s t o é , v e l o c i d a d e s me n o r e s e f l u x o s ma i o r e s .
O a u me n t o d a e s p e s s u r a d a c a ma d a , j u n t a me n t e c o m a v e d a ç ã o
d o s p o r o s e v a z i o s , r e d u z a á r e a e x p o s t a d o me t a l d e b a s e , mi n i mi z a n d o a
57

corrosão por agentes agressivos, em especial quando o depósito é catódico


em relação ao substrato.

Gota de Al aspergido S a lp ic o s d e ó x id o s

FIGURA 26.- Microestrutura da superfície de camadas de alumínio. Substrato com


[66]
rugosidade Ry 50/60µm, com pré-aquecimento .

P a r a u ma me l h o r i mp e r me a b i l i z a ç ã o , p o d e - s e a i n d a f a z e r o u s o d e
s e l a n t e s a b a s e d e r e s i n a s s i n t é t ic a s o u e m a l g u n s c a s o s r e v e s t i me n t o s
o rg â n i c o s , q u e a l é m d e f a z e r e m a s e l a g e m, t a mbé m p o d e m a t i n g i r p e l í c u l a s
protetoras com grandes espessuras.
58

III. METO DOLOGIA EXPERIMENTAL

P a r a a a v a l i a ç ã o d a s u s c e p t i b i l i d a d e a C S T, n o t u b o d e a ç o i n o x
3 0 4 L s e m a s p e r s ã o t é r mi c a , e m me i o c o n t e n d o c l o r e t o s , f o r a m u t i l i z a d a s
duas células de ensaio.
N a p r i me i r a c é l u l a ( C U I t e s t e ), f o i a v a l i a d o a i n f l u ê n c i a d a s
tensões residuais na propagação de trincas, utilizando solução de ácido
c l o r í d r i c o 1 N , t e mpe r a t u r a d e 7 0 ° C , p o r u m p e r í o d o d e 7 2 h o r a s d e e n s a i o .
Na segunda célula (CEL Pot.), fabricada no laboratório de
ma t e r i a i s ( L A B M AT. U F P R ) , e s p e c i a lme n t e p a r a a r e a l i z a ç ã o d e s t e e s t u d o ,
f o r a m f e i t o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s d e p o t e n c i a l d e c o r r o s ã o e m f u n ç ã o d o
t e mp o , p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e p o t e n c i o d i n â mi c a , e m c i r c u i t o a b e r t o c o m u m
e l e t r o d o d e r e f e r ê n c i a n o me i o e m c o n s i d e r a ç ã o , c o mp a r a n d o a s c u r v a s
e n t r e o t u b o s e m a s p e r s ã o t é r mi c a e o s t u b o s c o m d i f e r e n t e s c a ma d a s
a s p e rg i d a s , v i s a n d o o b t e r a me l h o r e s p e s s u r a d e c a ma d a a s e r d e p o s i t a d a ,
p a r a r e s i s t i r a o s e f e i t o s d e me i o s c o n t e n d o c l o r e t o s .
O a c o mpa n h a me n t o f o i f e i t o a t r a v é s d e e x a me mor f o l ó g i c o d a
s u p e r fí c i e c o m a u x í l i o d e mi c r o s c ó p i o ó t i c o .
A p r e s e n t a m- s e , a s e g u i r, i n f o r ma ç õ e s d e t a l h a d a s a r e s p e i t o d o s
ma t e r i a i s e mp r e g a d o s e p r o c e d i me n t o s e x p e r i me n t a i s a d o t a d o s .

3.1 M a t e r i a i s E m p re g a d o s

S e g u e d e s c r i ç ã o d e t a l h a d a d o s ma t e r i a i s e e q u i p a me n t o s a d o t a d o s
n a r e a l i z a ç ã o d o s e x p e r i me n t o s .

3.1.1 Metal de Base (Substrato)

Para avaliar a susceptibilidade à corrosão sob tensão (CST) por


a mb i e n t e s c o n t e n d o c l o r e t o s , f o i u t i l iz a d o c o mo s u b s t r a t o u m t u b o d e a ç o
i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o A I S I 3 0 4 L c o m c o s t u r a , c o m d i â me t r o d e 2
p o l e g a d a s e e s p e s s u r a d e 3 , 0 5 mm. E s t e a ç o é l a rga me n t e u t i l i z a d o n a
59

i n d ú s t r i a q u í mi c a e p e t r o q u í mi c a , e m eq u i p a me n t o s q u e t r a b a l h a m e m a l t a s
p r e s s õ e s e t e mpe r a t u r a s , t a i s c o mo t r o c a d o r e s d e c a l o r, o s q u a i s , q u a n d o
e m s e r v i ç o , e s t ã o s u j e i t o s a fa l h a s p o r C S T.
S ã o r e l a c i o n a d a s à s p r o p r i e d a d e s me c â n i c a s ma i s r e p r e s e n t a t i v a s
p a r a o a ç o A I S I 3 0 4 L , t a i s c o mo:
• L i mi t e d e E s c o a me n t o : 3 0 0 M P a
• L i mi t e d e R e s i s t ê n c i a : 6 2 7 M P a
• A l o n g a me n t o e m 2 i n : 5 1 , 0 %
• E n s a i o n ã o d e s t r u t i v o P n e u má t i c o : 1 0 0 ( K g f / c m² )
• E n s a i o n ã o d e s t r u t i v o H i d r o s t á t i c o : 9 , 0 ( K g f / c m² )

N a t a b e l a 3 . 0 , t e mos a c o mp o s iç ã o q u í mi c a d o t u b o d e a ç o A I S I
3 0 4 L , u t i l i z a d o n o e x p e r i me n t o .

TABELA 3.0- C o mp o s i ç ã o q u í mi c a ( % e m p e s o ) d o me t a l d e b a s e A I S I
304 L
LIGA ELEMENTO QUÍMICO PRESENTE (%)
(AISI) C Mn Si Cr Ni Mo P S

304 L 0,029 1,79 0,44 18,17 8,08 0,00 0,025 0,004

Nota: Certificado n.° 10105-2001, fornecido pela divisão Tubra Inox Tech Servicenter,
grupo Feital.

3.1.2 Metal de Deposição por Aspersão Térmica

Objetivando o estudo da proteção do substrato de aço AISI 304 L,


u t i l i z o u - s e c o mo ma t e r i a l a s e r d e p o s i t a d o p o r a s p e r s ã o t é r mi c a , a r a me d e
a l u mí n i o , f o r n e c i d o p e l a S u l z e r M e t c o C o mpa n y, c o m d i â me t r o d e 2 mm,
t i p o ( AW, 1 4 A g ) .
S ã o r e l a c i o n a d a s à s p r o p r i e d a d e s me c â n i c a s ma i s r e p r e s e n t a t i v a s
p a r a o a l u mí n i o A S T M 1 2 0 0 , t a i s c o mo:
• T ê mp e r a : H 1 4 ;
• R e s i s t ê n c i a a Tr a ç ã o : 1 8 0 0 0 l b . / i n ² ;
60

• F o r ç a d e R e n d i me n t o : 1 7 0 0 0 l b . / i n ² ;
• A l o n g a me n t o : 1 5 % ;
• Dureza Brinell: 32.

N a t a b e l a 3 . 1 , t e mo s a c o mp o s i ç ã o q u í mi c a d o a r a me d e a l u mí n i o
u t i l i z a d o n o e x p e r i me n t o .

TABELA 3.1 – C o mp o s i ç ã o q u í mi c a d o a r a me d e a l u mí n i o .
ELEMENTO QUÍMICO PRESENTE (%)
LIGA
Outros Elementos
(ASTM) Si Fe Cu Mn Mg Cr Zn Ti Al
Cada Total

1200 1,0Si+Fe 0,087 0,06 0,03 0,0065 0,083 0,013 0,00 0,00 99,11

Nota: Certificado n.° 12361-2002, fornecido pela Sulzer Metco Company.

3.1.3 Soluções

A s s o l u ç õ e s d e s c r i t a s a b a i x o for a m u t i l i z a d a s p a r a o s e n s a i o s d e
C S T e e l e t r o q u í mi c o s :
• S o l u ç ã o d e Á c i d o C l o r í d r i c o 1 N: P r e p a r a d o a p a r t i r d e á c i d o c l o r í d r i c o
P. A , fa b r i c a d o p e l a A l p h a t e c L t d a . e á g u a d e s t i l a d a c o n fo r me n o r ma A S T M
[67]
D 1103-99 .
• S o l u ç ã o d e C l o re t o d e S ó d i o 3 , 5 % : P r e p a r a d o a p a r t i r d e c l o r e t o d e
s ó d i o P. A , fa b r i c a d o p e l a A l p h a t e c L t d a . , d i l u í d o e m á g u a d e s t i l a d a
[68]
c o n f o r me norma A ST M G 44 ite m 8 .

3.2 Preparo dos Corpos de Prova

3 . 2 . 1 P ro c e d i m e n t o p a r a J a t e a m e n t o

O tubo de aço AISI 304 L, utilizado na preparação dos corpos de


p r o v a , f o i f o r n e c i d o p e l a E n g e mo E n g en h a r i a L t d a . c o m c o mpr i me n t o t o t a l
d e 1 0 0 0 mm. E s t e f o i d i v i d i d o e m 5 p a r t e s , c o m c o mpr i me n t o d e 2 0 0 mm,
v i s a n d o o me l h o r a p r o v e i t a me n t o d o t u b o .
61

N u ma e t a p a s e g u i n t e a o c o r t e , o s t u b o s f o r a m j a t e a d o s , b u s c a n d o
u m g r a u d e l i mp e z a ( S a 3 ) a d e q u a d o e u m g r a u d e r u g o s i d a d e ( 7 0 Ry ) .
Na l i mp e z a da superfície seguiu-se a n o r ma sueca SIS
[58]
055900/1967 , s e n d o p r e c u r s o r a d a s n o r ma s A B N T e P e t r o b r á s u t i l i z a d a s
no Brasil.
O s p a r â me t r o s d e j a t e a me n t o ( â n g u l o , d i s t â n c i a , p r e s s ã o ) f o r a m
definidos de acordo com o abrasivo Alundum 38 A. Sendo relacionadas às
c o n d i ç õ e s n a s e t a p a s d e j a t e a me n t o n a t a b e l a 3 . 2 .

TABELA 3.2- C o n d i ç õ e s d e j a t e a me n t o
DESCRIÇÃO ESPECIFICAÇÃO UTILIZADA
Abrasivo Alundum 38 A
Grau de Interperismo** C
Granulometria 30
R u gosid ad e 50 / 70
Dist. Bocal/Peça (mm) 200
Ângulo de jateamento (º) 90
P re s s ã o d e j a t e a m e n t o ( k P a / p s i ) 90 /100
Ve l o c i d a d e d e Tr a n s l a d o ( m / s ) * 2,0
R o t a ç ã o d o Tor n o ( r p m ) * 200
Obs.:
* Velocidade e rotação estipulada pelo operador .
** Grau C – Superfície onde a carepa de laminação tenha sido removida pela corrosão
atmosférica ou possa ser retirada por meio de raspagem e que apresenta pequenos
alvéolos. Norma SIS O55900/67.

3.2.2 Equipamentos para Jateamento

N e s t a e t a p a d o p r o c e s s o foi u t i l i z a d o u m e q u i p a me n t o d e j a t o d e
p r e s s ã o mo d e l o J M 9 0 c o m a s s e g u i n t e s c a r a c t e r í s t i c a s :
D i me n s õ e s d o r e c i p i e n t e d e a b r a s i v o :
• A l t u r a = 6 0 0 mm;
62

• D i â me t r o = 3 5 0 mm;
• P r e s s ã o má x i ma = 1 4 0 0 k P a ( 2 0 0 p s i ) ;
• D i â me t r o d o b o c a l = 6 , 4 mm;
• D i â me t r o d a ma n g u e i r a d e a l i me n t a ç ã o = 1 2 , 7 mm.

O j a t e a me n t o f o i e x e c u t a d o d e n t r o d e u ma c a b i n e mo d e l o A 2 0 0
c o m c o r t i n a d e á g u a , c o n f o r me f i g u r a 2 7 e u m t o r n o mo d e l o N a r d i n e 1 2 0 0 ,
a c o n d i c i o n a d o s n u ma s a l a , e v i t a n d o a s s i m c o n t a mi n a ç ã o d o a mb i e n t e .

FIGURA 27.- Cabine com cortina de d’água .

3.3 Aspersão Térmica

3.3.1 Pré-aquecimento

Do ponto de vista da l i mp e z a , o p r é - a q u e c i me n t o visa


p r o p o r c i o n a r a q u e i ma e v o l a t i l i z a r g r a xa s , ó l e o s e u mi d a d e r e t i d o s n a
s u p e r f í c i e d o me t a l . A s t e mp e r a t u r a s v a r i a m d e 9 0 º C à 1 5 0 º C , f a v o r e c e n d o
63

a redução das tensões internas, que por sua vez, influencia na coesão da
c a ma d a a s p e rg i d a .
A p ó s a mo n t a g e m d o c o r p o d e p r o v a n o t o r n o , o p r é - a q u e c i me n t o
f o i e f e t u a d o c o m ma ç a r i c o d e o x i - a c e t i l e n o c o m c h a ma r e d u t o r a . A
t e mpe r a t u r a d o s c o r p o s d e p r o v a ( 1 2 0 º C ± 5 ) f o i me d i d a u s a n d o t e r mô me t r o
d i g i t a l a l a s e r ma r c a R AY T E K , mo d el o M X - 2 1 6 P T, v a r i a ç ã o d e – 3 2 a t é
900 °C.

3 . 3 . 2 E q u i p a m e n t o s e P a r â m e t ro s p a r a A s p e r s ã o T é r m i c a

N o p r o c e s s o d e a s p e r s ã o t é r mi c a , o ma t e r i a l d e d e p o s i ç ã o n a
f o r ma a r a me , f o i f u n d i d o p o r u ma fo n t e g e r a d o r a d e c a l o r e l é t r i c a e
i mp u l s i o n a d o p o r a r c o mpr i mi d o t r a t a d o .
F o i u t i l i z a d a p a r a a d e p o s i ç ã o d a s c a ma d a s d e a l u mí n i o u ma
p i s t o l a d e a s p e r s ã o a a r c o e l é t r i c o – ASP ( A r c S p r a y P r o c e s s ) d a ma r c a
S U L Z E R ME C TO , modelo Va luAr c 300 E, c onf or me f igur a 28a e 28b.

(a) (b)
FIGURA 28a e 28b. - Pistola e equipamento utilizado na aspersão térmica,
respectivamente.
O s p a r â me t r o s d e p r o c e s s o e s t ã o r e l a c i o n a d o s n a t a b e l a 3 . 3 , a
seguir:
64

TABELA 3.3- Va l o r e s u t i l i z a d o s n o p r o c e s s o AT:


DESCRIÇÃO ESPECIFICAÇÃO UTILIZADA
3
Pressão ar comprimido 0,55 MPa (80psi),vazão 45 m / s

Distância entre pistola/peça 200 mm

Diâmetro do arame 2 mm

Tensão 28 volts

Corrente 160 A

3 . 3 . 3 P ro c e d i m e n t o p a r a A s p e r s ã o T é r m i c a

A a s p e r s ã o t é r mi c a f o i e f e t u a d a a n t e s d e t r a n s c o r r e r 1 h o r a , a p ó s
o j a t e a me n t o , e v i t a n d o a o x i d a ç ã o d a s u p e r f í c i e . A p ó s a mo n t a g e m d o
c o r p o d e p r o v a n o t o r n o , a a s p e r s ã o t é r mi c a s e g u i u a s e q u ê n c i a d a t a b e l a
3.4, abaixo:
TABELA 3.4- A s p e r s ã o T é r mi c a n o s C o r p o s d e P r o v a

NÚMERO DA AMOSTRA T I P O D E T R ATA M E N T O

01 S e m Tr a t a me n t o

C o m p r é - a q u e c i me n t o ( 1 2 0 º C ± 5 )
02 C o m A s p e r s ã o T é r mi c a
C a ma d a d e 5 0 µm
C o m p r é - a q u e c i me n t o ( 1 2 0 º C ± 5 )
03 C o m A s p e r s ã o T é r mi c a
C a ma d a d e 1 0 0 µm
C o m p r é - a q u e c i me n t o ( 1 2 0 º C ± 5 )
04 C o m A s p e r s ã o T é r mi c a
C a ma d a d e 2 0 0 µm
C o m p r é - a q u e c i me n t o ( 1 2 0 º C ± 5 )
C o m A s p e r s ã o T é r mi c a
05
C a ma d a d e 5 0 µm
Com Refusão
Obs.: - Tubo n.º 01 foi utilizado como amostra em branco.
65

3 . 3 . 4 Tr a t a m e n t o d e R e f u s ã o

O t r a t a me n t o d e r e f u s ã o f o i e xe c u t a d o l o g o a p ó s a d e p o s i ç ã o d a
c a ma d a d e 5 0 µ m d e Al n a a mo s t r a A 0 5 . E s t e p r o c e d i me n t o c o n s i s t e n o
a q u e c i me n t o d o t u b o a s p e rgi d o , c o m ma ç a r i c o o x i - a c e t i l e n o , a t é a t i n g i r a
t e mp e r a t u r a d e 9 0 0 ° C ± 2 0 , d e v e - s e t o ma r c u i d a d o c o m a d i s t â n c i a d o
ma ç a r i c o e a s u p e r f í c i e d a a mo s t r a , e v i t a n d o p o n t o s d e a q u e c i me n t o
d i f e r e n c i a d o , q u e p o d e m a c a r r e t a r d e g r a d a ç ã o d o me t a l d e d e p o s i ç ã o .
U m r e f e r e n c i a l u t i l i z a d o é a mu d a n ç a d e c o r d o t u b o p a r a r u b r o , a
q u a l d e v e p e r ma n e c e r p o r u m c u r t o e s p a ç o d e t e mp o . D e p o i s d e f e i t o o
a q u e c i me n t o , r e t i r a - s e a f o n t e d e c a l o r e r e s f r i a - s e a o a r.
E s t e t r a t a me n t o t é r mi c o v i s a o b t e r, a mi g r a ç ã o d e me t a i s c o n t i d o s
n o t u b o e r e v e s t i me n t o , f o r ma n d o u m i n t e r me t á l i c o c o mp o s t o , n e s t e c a s o ,
[75]
p o r A l - N i - C r - F e, s e g u n d o P a r e d e s e c o l a b o r a d o r e s .

3.4 E n s a i o s n a C é l u l a C U I Te s t .

E s t e e n s a i o c o n s i s t e n a s i mu l a ç ã o d a c o r r o s ã o d o t u b o s e m
a s p e r s ã o t é r mi c a , i n c l u i n d o o s c a s o s d e a t a q u e g e n e r a l i z a d o e l o c a l i z a d o
( C S T ) , e x p o s t o a u m a mb i e n t e c o r r os i v o c o n t e n d o c l o r e t o s , u s u a l me n t e a
t e mp e r a t u r a i s o t é r mi c a e l e v a d a .
A a p l i c a ç ã o d e s t e e q u i p a me n t o é l a rg a e p o d e i n c o r p o r a r u ma
g r a n d e v a r i e d a d e d e ma t e r i a i s e a mb i e n t e s , a l c a n ç a n d o u m ú n i c o p a d r ã o . O
a p a r e l h o e p r o c e d i me n t o s , s ã o d i r e c i o n a d o s p r i n c i p a l me n t e a e s t a b i l i d a d e
a c e i t á v e l p a r a a s i mul a ç ã o d a C S T, p r o p o n d o a e v o l u ç ã o d a c o r r o s i v i d a d e
d o s t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l A I S I 3 0 4 L e t r a t a me n t o s a n t i c o r r o s i v o s d a s
superfícies posteriores.
O s a s p e c t o s e s p e c i a i s d o a p a r a t o e me t o d o l o g i a c o n t i d o s n e s t a
s i mu l a ç ã o d e C S T s ã o :
• G e o me t r i a a n u l a r o b s e r v a d o e n t r e o t u b o e o i s o l a me n t o t é r mi c o ;
• A q u e c i me n t o i n t e r n o p a r a p r o d u z i r u ma p a r e d e q u e n t e n a s u p e r f í c i e ,
podendo ser quantificada;
66

• I n t r o d u ç ã o d e v á r i o s c o n t r o l e s e nt r e o t u b o e a c a v i d a d e a n u l a r d o
i s o l a me n t o t é r mi c o ;
• C o n t r o l e d a e n t r a d a d a s o l u ç ã o p a r a p r o c e d i me n t o s e c o o u mo l h a d o ;
• C o n t r o l e d e t e mpe r a t u r a d o p r o c e s s o i s o t é r mi c o o u c o n d i ç õ e s c í c l i c a s .

3.4.1 Cálculo das Te n s õ e s Residuais no Tu b o AISI 304 L sem


Tr a t a m e n t o T é r m i c o .

O s c á l c u l o s d e t e n s ã o r e s i d u a i s , f o r a m f e i t o s p o r a mo s t r a g e m.
R e t i r o u - s e u m a n e l d e 5 mm d e l a rg u r a , d e c a d a t u b o d e 2 0 0 mm d e s c r i t o
n a s e ç ã o 3 . 2 . 1 . n o q u a l f o i me d i d o o d i â me t r o e x t e r n o d a s a mo s t r a s a n t e s
d o c o r t e e a p ó s o c o r t e , c o m mi c r ô me t r o d i g i t a l ma r c a M I T U TO Y O , mo d e l o
2 9 3 - 5 2 3 - 3 0 , v a r i a ç ã o 5 0 a 7 5 mm, c o n f o r me f i g u r a 2 9 :

FIGURA 29.- Esquema utilizado para o cálculo das tensões residuais no tubo AISI 304
L sem tratamento de aspersão. Do, diâmetro externo inicial; Df, diâmetro externo após
[69]
o corte; X, abertura .

P a r a o c á l c u l o d a t e n s ã o r e s i d u al c i r c u n f e r e n c i a l c o m g e o me t r i a
[69]
s i mp l e s f o i u t i l i z a d o o mé t o d o d e d e f l e x ã o , a t r a v é s d a e q u a ç ã o 11
abaixo:
 1 1 
σ = El * t p  −  [11]
 Do Df 
67

N a e q u a ç ã o 11 , t e mos :

• σ = tensão residual (MPa);


• E l = mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e ( 1 9 3 G P a o u 28.0 x10 6 p s i , p a r a a ç o i n o x ) ;
• tp = espessura da parede do tubo;
• Do = d i â me t r o e x t e r n o i n i c i a l ;
• Df = d i â me t r o e x t e r n o f i n a l .

3 . 4 . 2 E q u i p a m e n t o s e P a r â m e t ro s p a r a o E n s a i o d a C S T

I n i c i a l me n t e a c é l u l a d e t e s t e f o i d e s e n v o l v i d a p a r a a s i mul a ç ã o
s e v e r a d a C S T, n a s u p e r f í c i e e x t e r n a d o s a n é i s d a s a mo s t r a s s e l e c i o n a d a s .
A p r á t i c a n e c e s s i t a d e u m p e r í o d o r e l a t i v o d e t e mp o d e 7 2 h o r a s ,
assegurando que variações de t e mpe r a t u r a inicial até que ocorra a
e s t a b i l i d a d e , n ã o i n fl u e n c i e n o s d a d o s o b t i d o s .
A c é l u l a C U I Te s t . c o n s i s t e e m d o i s t u b o s c o m d i â me t r o n o mi n a l
de duas polegadas e espessura de parede de 0,187 in, especificados pela
n o r ma A S T M A 1 0 6 ( g r a d e B ) , u m p a r a c a d a l a d o d a c é l u l a . E n t r e o s t u b o s
a c o l o c a ç ã o d a s a mo s t r a s e a n é i s d e i so l a me n t o e l é t r i c o , a l t e r n a d a me n t e . O
a l i n h a me n t o é f e i t o p o r q u a t r o p a r a f u s o s f i x a d o s e m u ma d o s f l a n g e s , c o m
a a p r o x i ma ç ã o d o s f l a n g e s t e mos a v e d a ç ã o d o s a n é i s c o n f o r me f i g u r a 3 0 .

FIGURA 30.-Tipo de fixação das amostras na célula CUI-test.


68

O s c o mp o n e n t e s p r i n c i p a i s d a c é l u l a i n c l u e m:
a) Seções de Flange Cegas:
E s t e é c o mp o s t o p o r d o i s t u b o s d e a ç o A I S I 1 0 4 5 , r o s q u e a d o s e m
d o i s f l a n g e s , o n d e s e r ã o f i x a d a s a s a mo s t r a s ;
b) Anéis de amostras:
A célula de corrosão é constituída de três a seis anéis (retirados
d o Tu b o n . º 0 1 ) c o m d i â me t r o n o mi n a l d e 2 i n e 1 0 mm d e l a rg u r a ,
c o n f o r me figura 31, separadas por espaçadores não condutivos de
p o l i t e t r a fl u o r e t i l e n o ( P T F E ) . A s a mo s t r a s for a m l i x a d a s c o m l i x a g r a n a
6 0 0 . A p ó s o l i x a me n t o a s a mo s t r a s f o r a m d e s e n g r a x a d a s , p o r 2 mi n u t o s , e m
s o l u ç ã o d e á l c o o l p o r u l t r a - s o m.
A mo n t a g e m p a r t e c o m a i n c l u s ã o a l t e r n a d a d o s a n é i s a mo s t r a s e
anéis não condutores, unidos e selados por dois tubos flangeados.

FIGURA 31.- Anéis de aço inoxidável austenítico AISI 304 L.

c ) A q u e c i m e n t o I n t e r n o e c o n t rol e d e t e m p e r a t u r a :
O a q u e c i me n t o n a s s u p e r f í c i e s d a s a mo s t r a s é r e a l i z a d o p o r u ma
r e s i s t ê n c i a e l é t r i c a d e 4 0 0 W e d i â me tr o d e 1 6 mm, l o c a l i z a d a n o c e n t r o d o s
a n é i s e f i x a d a p o r u ma c o n e x ã o N P T n o c e n t r o d o s f l a n g e s c o n f o r me f i g u r a
3 0 . A t r o c a t é r mi c a é f e i t a p o r u m ó l e o e s t á v e l a t e mpe r a t u r a d e s e j a d a . O
c o n t r o l e d e t e mpe r a t u r a é f e i t o p o r t e r mo - c o n t r o l a d o r c o m v a r i a ç ã o d e
± 1 º C e u m t e r mo p a r f i x a d o e n t r e a s a mo s t r a s e o i s o l a me n t o t é r mi c o ;
69

d) Dosador da solução:
P a r a s e ma n t e r a d o s a g e m d a s ol u ç ã o d e H C l 1 N n a c é l u l a t e s t e
fo i u t i l i z a d o u ma b o mb a d o s a d o r a e l e t r ô n i c a , mo d e l o M i l t o n R o y P W 5 ,
f e i t a d e p o l i p r o p i l e n o d e a l t a d e n s i da d e ( H P D E ) , c o m v o l u me e s p e c í f i c o d e
d o s a g e m d e 0 , 5 a t é 5 ml / mi n . U t i l i z a d o n o e x p e r i me n t o 0 , 5 ml / mi n .
A tubulação de entrada e saída da solução na célula é feita de aço
i n o x i d á v e l A I S I 3 1 6 L c o m d i â me t r o d e 0 , 1 2 5 i n , b e m c o mo o s 4 r e g i s t r o s
e s f e r a p a r a r e g u l a g e m d e v a z ã o , mos t r a d o s n a f i g u r a 3 3 . A p ó s a p a s s a g e m
d a s o l u ç ã o p e l a c é l u l a , e s t a e r a n o v a me n t e d i r e c i o n a d a p a r a o r e s e r v a t ó r i o .
e) Meio Ambiente:
A s o l u ç ã o u t i l i z a d a n e s t e e x p e r i me n t o fo i H C l 1 N , t e mp e r a t u r a d e
7 0 oC ± 1 , p o r u m p e r í o d o d e 7 2 h o r a s .
f) Isolamento Térmico:
A s d u a s me i a s l u a s d o i s o l a me n t o t é r mi c o , f o r a m u n i d a s e s e l a d a s
c o m s i l i c o n e . O e s p a ç a me n t o e n t r e a s u p e r f í c i e d a s a mo s t r a s e o i s o l a me n t o
f o i d e 0 , 2 5 i n e a f u r a ç ã o d e e n t r a d a /s a í d a d a t u b u l a ç ã o e s t á e s p e c i f i c a d a
e m 0 , 2 5 i n , mos t r a d a n a f i g u r a 3 2 .

FIGURA 32.-Disposição do isolamento térmico na célula de teste. (CUI-test.).


70

O a p a r a t o c o mpl e t o é mos t r a d o n a f i g u r a 3 3 e 3 4 .

FIGURA 33.-Esquema de Montagem da Célula de Corrosão (CUI-test.)

FIGURA 34.- Protótipo CUI-test.

Ao iniciar o ensaio foram registrados os seguintes dados:


• Data e hora de início do teste;
• Identificação do corpo de prova;
• Te mp o n e c e s s á r i o p a r a a t i n g i r a t e mpe r a t u r a d e t r a b a l h o .
71

A s a n á l i s e s t r a n s c o r r e r a m n o p e r í o d o d e t e mp o d e 7 2 h , c o n f o r me
r e c o me n d a d o p e l o f a b r i c a n t e d o p r o t ó t i p o . E n c e r r a d o e s t e p e r í o d o , à s
a mo s t r a s e r a m r e mo v i d a s e a l i mp e z a f e i t a c o m s o l u ç ã o d e á l c o o l e u l t r a -
s o m, p o r u m p e r í o d o d e 2 mi n u t o s . P a r a p o s t e r i o r e s a n á l i s e s me t a l o g r á f i c a s
r e v e l a n d o o t i p o d e f a l h a , a s a mo s t r a s f o r a m me rg u l h a d a s , s e a s s i m
houvesse necessidade, em solução de ácido oxálico 10% e corrente
i mp r e s s a d e 6 A .

3.5 E n s a i o s n a C é l u l a d e P o l a r i zaç ã o ( C E L . P o t . )

O s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s f o r a m r e a l i z a d o s e m d u p l i c a t a n o s
anéis retirados dos tubos da tabela 3.4. Consistiram na obtenção de pares
d e v a l o r e s d o p o t e n c i a l d e c o r r o s ã o e m f u n ç ã o d o t e mp o (∆E& ∆t ) , a t é a
e s t a b i l i d a d e d a t e mpe r a t u r a e d o p o t e n c i a l p a r a a s d i v e r s a s a mo s t r a a s e r e m
utilizadas.
Em um segundo plano os ensaios foram realizados para levantar
a s c u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r, s e g u i n d o a n o r ma A S T M G 3 - 8 9 [ 7 0 ] , p a r a
me d i d a s e l e t r o q u í mi c a s e m t e s t e s d e c o r r o s ã o e r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o
( Rp) . O s e n s a i o s p o t e n c i o d i n â mi c o s p a r a d e t e r mi n a ç ã o d o s p a r e s p o t e n c i a l
d e c o r r o s ã o e i n t e n s i d a d e d e c o r r e n t e (∆E& ∆I ) , s e g u i r a m a n o r ma A S T M
[71]
G5-94 .

3 . 5 . 1 C á l c u l o d a Te n s ã o A p l i c a d a

Para o controle da tensão de tração superficial aplicada nas


a mo s t r a s , o c a r r e g a me n t o f o i r e s t r i t o a o a l c a n c e e l á s t i c o d o a ç o i n o x i d á v e l
[72]
a u s t e n í t i c o A I S I 3 0 4 L , s e g u i n d o a n o r ma A S T M G 3 8 - 7 3 . A ma g n i t u d e
d a t e n s ã o a p l i c a d a p o d e s e r c a l c u l a d a p e l a s me d i d a s d e t e n s ã o e mó d u l o d e
e l a s t i c i d a d e . O c a r r e g a me n t o t í p i c o é me d i d o d i r e t a me n t e a t r a v é s d a
r e d u ç ã o d o d i â me t r o e x t e r n o d o t u b o c o n f o r me e q u a ç ã o 1 2 e a t e n s ã o
c a l c u l a d a p e l a e q u a ç ã o 1 3 , a p r o p r i a d a p a r a a c o n f i g u r a ç ã o d a a mo s t r a e o
mé t o d o d e c a r r e g a me n t o .
72

O c á l c u l o d o d i â me t r o f i n a l r e q u e r i d o ( OD f ) é mos t r a d o n a s

equações 12 e 13:

OD f = OD − ∆ [12]

onde,
f * π * D 2
∆ = [13]
4 * El * t p * Z
t e mo s :
• OD = d i â me t r o e x t e r n o d o a n e l e m C s e m t e n s ã o ( mm o u i n ) ;
• OD f = d i â me t r o e x t e r n o f i n a l t e n c i o n a d o ( mm o u i n ) ;

• f = tensão desejada (MPa);


• ∆ = mu d a n ç a d e O D d a d o à t e n s ã o ( mm o u i n ) ;
• D = d i â me t r o me d i d o ( O D - t P ) ( mm o u i n ) ;
• t p = e s p e s s u r a d a p a r e d e ( mm o u ) ;
• E l = mó d u l o d e e l a s t i c i d a d e ( M P a ) ;
• Z = fator de correção da curva

3 . 5 . 2 E q u i p a m e n t o s e P a r â m e t ro s p a r a o s E n s a i o s E l e t roq u í m i c o s

O s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s f o r a m r e a l i z a d o s c o m o s s e g u i n t e s
e q u i p a me n t o s :

a) Instrumentação Eletrônica:

F o r a m u t i l i z a d o s : u m p o t e n c i o s t a t o , c o m p r e c i s ã o d e 1 mV,
modelo PAR 173 POTENCIOSTAT/GALVA N O S TAT, a c o p l a d o a o c o n v e r s o r
d e c o r r e n t e - t e n s ã o , mo d e l o 1 7 6 . A me d i d a d e p o t e n c i a l e m f u n ç ã o d o t e mp o
f o i r e a l i z a d a c o m o a u x í l i o d e u m mul t í me t r o d i g i t a l mo d e l o 1 7 5 d a D a t a
P r e c i s i o n ( i mp e d â n c i a d e e n t r a d a d e 1 0 mΩ ) e u m c r o n ô me t r o d i g i t a l
mo d e l o C a s i o . A s c o r r e n t e s f o r a m r e g i s t r a d a s n u m r e g i s t r a d o r mo d e l o
SERVOGOR RE 511;
73

b ) E l e t ro d o d e R e f e r ê n c i a :

E m t o d o s o s e n s a i o s f o i e mp r e g a d o c o mo e l e t r o d o d e r e f e r ê n c i a ,
u m e l e t r o d o d e c a l ô me l a n o s a t u r a d o ( S C E ) e t o d o s o s p o t e n c i a i s f o r a m a
ele referidos;

c ) C o n t r a - E l e t ro d o :

N o s e n s a i o s e s t a c i o n á r i o s f o i u t i l i z a d o c o mo c o n t r a - e l e t r o d o , u ma
p l a c a d e p l a t i n a c o m 4 mm d e l a rg u r a , e s p e s s u r a d e 0 , 5 mm e c o mp r i me n t o
d e 2 0 mm. C o n f o r me f i g u r a 3 5 .

FIGURA 35.- Equipamentos utilizados na CEL-Pot.. Da esquerda para direita:


termômetro, contra-eletrodo de Pt, eletrodo de referência (calômelano saturado),
resistência elétrica (30W).

d ) E l e t ro d o d e Tr a b a l h o ( a m o s t r a s ):

O s e l e t r o d o s d e t r a b a l h o e s t a c i o n ár i o , f o r a m p r e p a r a d o s a p a r t i r
dos corpos de prova dos tubos citados na tabela 3.4. Os anéis foram
74

c o r t a d o s c o m 2 5 , 4 mm d e l a rg u r a e f u r a d o s n o c e n t r o c o m 1 0 mm d e
d i â me t r o , n u m p a s s o s e g u i n t e o s a n é i s f o r a m c o r t a d o s a p a r t i r d o c e n t r o d o
a n e l c o m u m â n g u l o d e 6 0 ° , s e n d o r e t i r a d o o c o r d ã o d e s o l d a , c o n f o r me
[72]
norma ASTM G 38-73 , mo s t r a d o n a f i g u r a 3 6 .

60°

FIGURA 36.- Anéis preparados para a célula potenciodinâmica (Cel. Pot.)

Em seguida foi colocado o parafuso tensor de aço inox e apertado


a p o r c a s e x t a v a d a , a t é s e a l c a n ç a r o d i â me t r o e x t e r n o f i n a l c a l c u l a d o p a r a
q u e a t e n s ã o d e t r a ç ã o d e s e j a d a a t i n g i s s e 2 4 0 M P a . P o s t e r i o r me n t e e r a f e i t o
o desengraxe em solução de álcool por ultra-som e fixação na célula
e l e t r o q u í mi c a , mo s t r a d o n a f i g u r a 3 7 .

Ø 10 mm

25,4 mm
Parafuso Tensor
(a) (b)
FIGURA 37- (a) Furação dos Anéis e (b) Preparo do parafuso tensor.
75

e) C é l u l a E l e t ro q u í m i c a (Cel . Pot . ):

A c é l u l a u t i l i z a d a n o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s ( C e l . P o t . ) c o m
e l e t r o d o e s t a c i o n á r i o e s t á e s q u e ma t i z a d a n a s f i g u r a s 3 8 e 3 9 . E s t a c é l u l a
f o i c o n s t r u í d a e m p o l i p r o p i l e n o . N o t a mp o d e v e d a ç ã o s u p e r i o r, f o r a m
f e i t o s 4 f u r o s o n d e e r a m f i x a d o s o s e le t r o d o s d e r e f e r ê n c i a ( c a l ô me l a n o
s a t u r a d o ) , c o n t r a - e l e t r o d o ( p l a c a d e p l a t i n a ) , r e s i s t ê n c i a e l é t r i c a ( 3 0 W)
c o m c a mp â n u l a d e v i d r o p a r a o a q u e c i me n t o d a s o l u ç ã o e u m t e r mô me t r o .
To d o s o s e n s a i o s f o r a m r e a l i z a d o s u t i l i z a n d o - s e 3 0 0 ml d e
e l e t r ó l i t o , c o m a v e d a ç ã o c é l u l a e l e t r o q u í mi c a / a mo s t r a o c o r r e n d o a t r a v é s
de um o-ring de borracha, pressionado pela própria célula e 4 parafusos
l a t e r a i s a c o p l a d o s n o s u p o r t e d e a ç o A I S I 1 0 2 0 q u e f a z a a p r o x i ma ç ã o d o
conjunto.

FIGURA 38.– Célula Eletroquímica (Cel. Pot.).


76

Cel. Pot.

Amostra

FIGURA 39.- Aparelhagem eletrônica completa para os ensaios eletroquímicos.

N o p r o c e d i me n t o c o m a c é l u l a d e e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s a á r e a d o
e l e t r o d o d e t r a b a l h o ( A) f o i f i x a d a e m 1 , 8 c m² e o t e mp o p a r a o e q u i l í b r i o
d e t e mp e r a t u r a ( t ) , 2 4 h o r a s .
O p r i me i r o p r o c e d i me n t o a p ó s a mo n t a g e m d a c é l u l a f o i o
p r e e n c h i me n t o d o r e s e r v a t ó r i o c o m a s o l u ç ã o d e HCl 1N, a c o mo d a ç ã o e m
u ma c a p e l a e d e t e r mi n a ç ã o d a s c u r v a s d e p o t e n c i a l e m f u n ç ã o d o t e mp o
c o m o mu l t í me t r o e o c r o n ô me t r o . I n i c i a l me n t e o s d a d o s f o r a m c o l e t a d o s
c o m c i c l o s d e 3 0 s a t é c h e g a r a 5 min u t o s , c i c l o d e 1 mi n u t o a t é 2 0 mi n u t o s ,
c i c l o s d e 2 0 mi n u t o s a t é c o mpl e t a r 2 h o r a s e c i c l o s d e 2 h o r a s a t é
c o mp l e t a r à s 2 4 h o r a s . E s t e p r o c e d i me n t o f o i r e a l i z a d o t a n t o p a r a s o l u ç ã o a
t e mp e r a t u r a a mb i e n t e , c o mo p a r a s o l u ç ã o c o m t e mpe r a t u r a i s o t é r mi c a d e
7 0 ° C . D e t e r mi n a n d o o p o t e n c i a l d e r e p o u s o p a r a o me t a l d e e n s a i o .
A p ó s a e s t a b i l i d a d e d o p o t e n c i a l p a r a o s d i fe r e n t e s me i o s , fe z - s e a
t r a n s f e r ê n c i a d a c é l u l a e l e t r o q u í mi c a p a r a a b a n c a d a d e t e s t e .
77

N o s e n s a i o s r e a l i z a d o s c o m t e mpe r a t u r a e l e v a d a , u t i l i z o u - s e
agitação forçada através de ar c o mpr i mi d o até a estabilidade da
t e mp e r a t u r a . A p ó s e s t e s p r o c e d i me n t o s , i n i c i o u - s e a s e g u n d a e t a p a d o s
[70,73]
e n s a i o s , b a s e a d o n a s n o r ma s ASTM G 3-89,G 96-96 e NACE 3D0170 ,
v i s a n d o à d e t e r mi n a ç ã o d a r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o (Rp) e a c o r r e n t e d e
corrosão (icor), através da aplicação de pequenas variações de potencial
( 1 0 a 2 0 mV ) a p a r t i r d o p o t e n c i a l d e r e p o u s o ( Erep. ) . O s c á l c u l o s f o r a m
b a s e a d o s n o c o e f i c i e n t e d e S t e r n - Ge a r y ( B = 2 6 mV / D é c a d a ) , d e t e r mi n a d o a
p a r t i r d a s i n c l i n a ç õ e s d e Ta f e l p a r a s i s t e ma s c o me r c i a i s .
Neste p r o c e d i me n t o para d e t e r mi n a r mos a resistência de
p o l a r i z a ç ã o p a r a o s d e v i d o s me t a i s e m f u n ç ã o d o me i o d e HCl 1N e NaCl
3 , 5 % , a v e l o c i d a d e d e p o l a r i z a ç ã o l i ne a r a n ó d i c a e c a t ó d i c a e s c o l h i d a f o i
mV
Va = Vc = 0 ,1 .
s
N a t e r c e i r a e t a p a f o r a m r e a l i z a d o s o s e n s a i o s p o t e n c i o d i n â mi c o s ,
d e p o t e n c i a l e m f u n ç ã o d a c o r r e n t e , e s t e p r o c e d i me n t o s e g u i u a n o r ma
[71] mV
ASTM G5–94 , sendo a velocidade de 0, 1 . Neste ensaio
s
d e t e r mi n a mo s a s i n c l i n a ç õ e s a n ó d i c a e c a t ó d i c a d e Ta f e l , p o s t e r i o r me n t e
utilizadas para as correções dos cálculos das taxas de corrosão.
78

IV. RESULTADOS E DISCUSSÕES

Os resultados e x p e r i me n t a i s obtidos serão agrupados em


d i f e r e n t e s t e ma s , a s a b e r :
• A p a r e c i me n t o d e t r i n c a s p o r C S T e m s o l u ç ã o á c i d a c o n t e n d o c l o r e t o s ,
e m t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i c o s e m r e v e s t i me n t o c o m p r e s e n ç a
s o me n t e d e t e n s õ e s r e s i d u a i s ;
• C o mp a r a t i v o e n t r e a s c u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e p o t e n c i o d i n â mi c a
p a r a t u b o s d e a ç o i n o x i d á v e l a u s t e n í t i co s e m t r a t a me n t o s u p e r f i c i a l e c o m
r e v e s t i me n t o de a l u mí n i o a s p e rg i d o t e r mi c a me n t e , com c a ma d a s de
espessuras diferentes;
• Av a l i a ç ã o d o s e f e i t o s d e r e f u s ã o e m c a ma d a s a s p e rgi d a s t e r mi c a me n t e
e m me i o s c o n t e n d o c l o r e t o s a q u e n t e e c o m a p l i c a ç ã o d e t e n s ã o s u s t e n t a d a
de tração;

4.1 E n s a i o d e C S T e m t u b o s c o n t e n d o Te n s õ e s R e s i d u a i s .

O s e n s a i o s d e C S T n a c é l u l a C UI t e s t . f o r a m r e a l i z a d o s e m
t r i p l i c a t a , u t i l i z a n d o t r ê s c o r p o s d e p r o v a e m f o r ma d e a n e l p a r a c a d a
e n s a i o , r e t i r a d o s d e u m t u b o d e 2 0 0 mm, p r e v i a me n t e c o r t a d o . N e s t e e n s a i o
d u a s a mo s t r a s r e c e b e r a m o me i o c o r r os i v o d i r e t a me n t e s o b r e a s u p e r f í c i e e
u ma t e r c e i r a f o i u s a d a c o mo a mo s t r a c o mp a r a t i v a .
To d o s o s e n s a i o s f o r a m r e a l i z a d o s c o m s o l u ç ã o d e H C l 1 N a u ma
t e mp e r a t u r a d e 7 0 ° C p o r u m p e r í o d o d e 7 2 h o r a s , s e g u i n d o o s p a d r õ e s
e s t a b e l e c i d o s a n t e r i o r me n t e .
A n t e s d o e n s a i o n a C U I t e s t . f o r a m d e t e r mi n a d o s o s v a l o r e s d e
t e n s õ e s r e s i d u a i s p a r a o t u b o s e m a s p e r s ã o t é r mi c a e o s t u b o s c o m
d i f e r e n t e s c a ma d a s d e a l u mí n i o a s p e rgi d o t e r mi c a me n t e , p a r a e s t e c á l c u l o
f o i u t i l i z a d a a e q u a ç ã o 11 d o i t e m 3 . 4 . 1 , d e mo n s t r a d o n a f i g u r a 4 0 , s e n d o
os valores apresentados na tabela 4.1.
79

Do Df

FIGURA 40.- Anéis utilizados para determinação das tensões residuais

Ta b e l a 4 . 1 – Va l o r e s d e Te n s ã o R e s i d u a l n o s t u b o s 1 a 5 :
Espessura Módulo de
Diâmetro Diâmetro σr
Amostra da parede Elásticidade
Inicial Do Final Df Tensão Residual
N.º do tubo tp El
(m) (m) (MPa)
(mm) (GPa)
O1 3,05 193E+9 0,0601267 0,0610543 146,303824

O2 3,05 193E+9 0,0601249 0,0610757 149,914940

O3 3,05 193E+9 0,0601194 0,0610547 147,535237

O4 3,05 193E+9 0,0601267 0,0610577 146,831906

O5 3,05 193E+9 0,0601289 0,0610676 148,016888

Média 3,05 0,060125 0,061062 147,720559

A s mo r f o l o g i a s d a s s u p e r f í c i e s q u e s o f r e r a m a t a q u e p r e f e r e n c i a l
e m r e l a ç ã o a o t e mp o d e e x p o s i ç ã o , f o r a m à s a mo s t r a s o n d e f o i d i r e c i o n a d o
me i o a g r e s s i v o . A p ó s a r e t i r a d a d a c é lu l a C U I t e s t . , a s a mo s t r a s e r a m
desengraxadas em solução alcóolica por ultra-som por um período de 2
mi n u t o s , s e c a s e f o t o g r a f a d a s c o m u ma l u p a . A s f i g u r a s 4 1 e 4 2 mo s t r a m a
mor f o l o g i a d a s u p e r f í c i e d o s c o r p o s d e p r o v a , q u e s o f r e r a m c o r r o s ã o
p r e f e r e n c i a l n a s b o r d a s e c e n t r o d o a ne l , e v i d e n c i a d o p e l a p r e s e n ç a d e
alguns pites e trincas superficiais.
80

Vista Cima

Ampl. 1 0 X

FIGURA 41.- Fotografia vista de cima, mostrando ataque localizado transversal ao


centro do anel. Meio HCl 1N, T=70°C .

Vista Frontal
Ampl. 10 X

FIGURA 42.- Fotografia mostrando vista frontal, evolução da fratura no interior do


anel. Meio HCl 1N, T=70°C.

ZTA

Cordão de
Trincas Solda

Amp l . 10 X

FIGURA 43.- Fotografia vista de cima da junta soldada, mostrando degradação


avançada do cordão de solda e trincas na ZTA. Meio HCl 1N, T=70°C.
81

N a f i g u r a 4 3 , t e mos f a t o r e s c o mbi n a d o s d e t e n s õ e s r e s i d u a i s e o
f e n ô me n o d e s e n s i t i z a ç ã o d o a ç o i n o x i d á v e l , o c a s i o n a d o p e l o e f e i t o d a
s o l d a g e m d a s j u n t a s , p r o d u z i n d o u ma z o n a t e r mi c a me n t e a f e t a d a p e l o c a l o r
g e r a d o ( t e mp e r a t u r a s v a r i a n d o e n t r e 4 0 0 e 8 0 0 ° C ) . N e s t a r e g i ã o s e n s i t i z a d a
o c o r r e à p r e c i p i t a ç ã o d e f a s e s r i c a s e m c r o mo p a r a c o n t o r n o d e g r ã o .
Menos estável, com ma i o r e n e rg i a de ativação e estrutura
cristalina a mo r f a , no contorno de grão da austenita, há f o r ma ç ã o
p r i n c i p a l me n t e d e c a r b o n e t o s (FeCr )23 C 6 , o c o r r e n d o f o r ma ç ã o d e c é l u l a

l o c a l q u e p r o d u z d i s s o l u ç ã o a n ó d i c a a v a n ç a d a e m r e l a ç ã o a ma t r i z
catódica, ocasionando e mp o b r e c i me n t o das regiões adjacentes aos
c o n t o r n o s d e g r ã o , p r i n c i p a l me n t e d e c r o mo , r e s p o n s á v e l p e l a p e l í c u l a
p a s s i v a d o r a d a ma t r i z .
A p ó s a f o t o g r a f i a , a s a mo s t r a s f o r a m c o r t a d a s e e mb u t i d a s e m
b a q u e l i t e p a r a p o s t e r i o r p o l i me n t o . A a n á l i s e me t a l o g r á f i c a e m mi c r o s c ó p i o
ó t i c o r e v e l o u q u e e m u m p e r í o d o c u r t o d e t e mp o ( 7 2 h ) , h o u v e g r a n d e
p r o p a g a ç ã o d a s t r i n c a s a p a r t i r p i t e s f o r ma d o s d e v i d o à q u e b r a d a
passividade superficial.
Esta propagação das trincas que foram iniciadas por pites, são
mos t r a d a s n a s f i g u r a 4 4 e 4 5 , a s q u a i s t a mb é m a p r e s e n t a r a m, e m a l g u n s
c a s o s g r a n d e s r a mos l a t e r a i s , c a r a c t e r í s t i c a t í p i c a d a C S T.

P it e

Ampl. 100 X

FIGURA 44.-Propagação da trinca no interior do anel. Meio HCl 1N, T=70°C.


82

R am ifica ções L aterais


Am pl.100 X

F I G U R A 4 5 .- P r o p a g a ç ã o d a t r i n c a a p r e s e n t a n d o r a m i f i c a ç ã o l a t e r a l
Meio HCl 1N,T=70°C.

N o c a s o , o me i o á c i d o c o n t e n d o c l o r e t o s , e x t r e ma me n t e a g r e s s i v o ,
a s s o c i a d o à t e mpe r a t u r a e l e v a d a p r o d u zi u p i t e s c o m d i â me t r o s p e q u e n o s e
p r o f u n d o s , j á n o c o r d ã o d e s o l d a h o u v e d i s s o l u ç ã o c o mpl e t a d o me t a l d e

Zona Termicamente Afetada


Ampl. 100 X (ZTA)

FIGURA 46.- Micrografia vista frontal da trinca na zona termicamente afetada.


Meio HCl 1N, T=70°C.
83

a p o r t e e a p a r e c i me n t o d e t r i n c a s n a z o n a t e r mi c a me n t e a f e t a d a , d e v i d o à
h e t e r o g e n e i d a d e n o me t a l d e b a s e e c o n s t i t u i n t e s d e s e g u n d a f a s e , c o m
p o t e n c i a l d e c o r r o s ã o d i f e r e n t e , s e c omp a r a d o c o m a q u e l e d a s o l u ç ã o s ó l i d a
adjacente, evidenciando pela quebra de passividade e propagação acelerada
da fratura.
E m s i s t e ma s F e - C r e m c o n t a t o c o m me i o s a q u o s o s c o m p H
g i r a n d o e m t o r n o d e 7 , o t e o r d e c r o mo p a r a u ma p a s s i v i d a d e e f e t i v a é
1 2 % . P a r a me i o s c o m a g r e s s i v i d a d e ma i s e l e v a d o s , u s a d o s n o e x p e r i me n t o ,
e s t e t e o r d e v e s e r ma i s a l t o . N o e n t a n t o , e s t u d o s f e i t o s p o r E d s t r o n e
[74]
colaboradores , c o n f i r ma m q u e c o m o a u men t o d o t e o r d e c r o mo n o s
aços inoxidáveis austeníticos, desestabiliza a austenita, favorecendo a
f o r ma ç ã o d e f e r r i t a δ e d e f a s e s i n t e r me t á l i c a s σ e χ , a u me n t a n d o a
a t i v i d a d e d o c a r b o n o e f a v o r e c e n d o a f o r ma ç ã o d e M 23 C 6 .
As trincas da figura 46, parecem aquelas causadas por fratura
me c â n i c a f r á g i l , n o e n t a n t o , e l a s s ã o r e s u l t a d o d e c o r r o s ã o l o c a l i z a d a .
N e s t e c a s o t í p i c o d e C S T o c o r r e s e m i n d i c a ç ã o ma c r o s c ó p i c a d e
u ma f r a t u r a e mi n e n t e , p o i s t r i n c a s t r a n s g r a n u l a r e s o u i n t e rgr a n u l a r e s
d e s e n v o l v e m- s e s e m p r o d u t o s e v i d e n t e s d e p r o d u t o s d e c o r r o s ã o .

Ramificação Lateral

Ampl. 100X
(a)
FIGURA 47a.- Trinca transgranular no tubo de aço inox 304 L.
84

Ampl. 200X Trinca Transgranular


(b)
FIGURA 47b.- Trinca transgranular no tubo de aço inox 304 L.
Meio HCl 1N, T=70°C, ataque eletrolítico com ácido oxálico 10%, corrente 6 A.

Nas figuras 47a e 47b, evidencia-se que as trincas não têm


c a mi n h o s p r e e x i s t e n t e s , s e n d o o c a mi n h o a o l o n g o d o q u a l a t r i n c a
p e r c o r r e , g e r a d o c i c l i c a me n t e p o r ru p t u r a a l t e r n a d a d a p e l í c u l a d e ó x i d o .
E s t e me c a n i s mo é c o n h e c i d o c o mo “ me c a n i s mo d o c a mi n h o a t i v o g e r a d o
p o r d e f o r ma ç ã o ” , o q u a l r e s u l t a e m f r a t u r a t r a n s g r a n u l a r, c o n f i r ma n d o
[35]
estudos feitos por Parr e Staub .
Em serviço, a tensão residual resultante de trabalho a frio ou de
t r a t a me n t o s t é r mi c o s , p o d e s u p o r - s e a t e n s ã o a p l i c a d a e r e s u l t a r n o c o l a p s o
d a p e l í c u l a p a s s i v a , e x p o n d o o me t a l d e b a s e a o me i o c o r r o s i v o .
Os resultados dos ensaios são apresentados na tabela 4.2, onde
t e mo s o t e mp o c o mo p a r â me t r o d e me d i ç ã o n e c e s s á r i o p a r a q u e o c o r r a o
r o mp i me n t o d a p e l í c u l a e p r o p a g a ç ã o d a f r a t u r a . N a s o b s e r v a ç õ e s f e i t a s , a s
a mo s t r a s q u e f o r a m e x p o s t a s à s o l u ç ã o a q u o s a d e c l o r e t o s a p r e s e n t a r a m
ma i o r q u a n t i d a d e d e f r a t u r a s .
85

TABELA 4.2 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s d e C S T r e a l i z a d o s n o s c o r p o s d e
p r o v a c o m Te n s ã o R e s i d u a l .

Metal de Base:Amostra N.° 1 de aço inoxidável AISI 304 L


s/tratamento.

E n saio E01 E02 E03

A n el A01 A02 A03 A04 A05 A06 A07 A08 A09

Te m p o d e t e s t e
72 72 72 72 72 72 72 72 72
(h)
Te m p e r a t u r a
70±1 70±1 70±1 70±1 70±1 70±1 70±1 70±1 70±1
(°C)
Aspecto da
FR - FR FR - FR FR - FR
Fratura

Morfologia TG - TG TG - TG TG - TG

Nota: - Os corpos de prova E01A02, E02A02 e E03A02 não apresentaram fratura.


-FR= Frágil
-TG= Fratura Transgranular

4.2 E n s a i o s E l e t ro q u í m i c o s e m Tub o s c o m Te n s ã o S u s t e n t a d a

P a r a a r e a l i z a ç ã o d o s e n s a i o s e l e tr o q u í mi c o s f o i d e f i n i d a a t e n s ã o
s u s t e n t a d a a p l i c a d a , a t r a v é s d a r e d u ç ã o d o d i â me t r o e x t e r n o d o a n e l e m C ,
p e l o a p e r t o d o p a r a f u s o t e n s o r. A t e n s ã o a p l i c a d a f o i d e 2 4 0 M P a ,
c o n f o r me i t e m 3 . 5 . 1 , e q u a ç õ e s 1 2 e 1 3 . S e n d o a r e d u ç ã o d e d i â me t r o
e x t e r n o d o t u b o d e 1 , 1 6 7 6 mm.
A a n á l i s e d o s r e s u l t a d o s o b t i d o s n a c é l u l a e l e t r o q u í mi c a i n i c i o u -
s e p e l a d e t e r mi n a ç ã o d o p o t e n c i a l d e e q u i l í b r i o e m f u n ç ã o d o t e mp o ,
p r i me i r a me n t e p a r a o e l e t r ó l i t o d e HCl 1 N e n u ma s e g u n d a f a s e p a r a NaCl
3,5%.
86

4 . 2 . 1 E n s a i o E l e t roq u í m i c o d o P o t e n c i a l e m F u n ç ã o d o Te m p o p a r a a
Solução de Ácido Clorídrico

A p r i me i r a e t a p a d o s e n s a i o s , f o i r e a l i z a d a c o n f o r me d e s c r i t o n o
i t e m 3 . 5 . 2 . A s c u r v a s d e E X T, f i g u r a 4 8 , f o r a m c o n s t r u í d a s p a r a a
d e t e r mi n a ç ã o d o p o t e n c i a l d e r e p o u s o ( E r ) a p ó s 2 4 h o r a s , t e mp o n e c e s s á r i o
p a r a e s t a b i l i d a d e d a t e mpe r a t u r a d o e l e t r ó l i t o , d e e x p o s i ç ã o d o me t a l d e
b a s e e m f u n ç ã o d o me i o c o n t e n d o c l o r e t o s , n e s t e c a s o e s p e c í f i c o , s o l u ç ã o
d e á c i d o c l o r í d r i c o 1 N , s e n d o o r e s u mo d o s r e s u l t a d o s a p r e s e n t a d o s n a
tabela 4.3.

Amostra A01E01 A.Inox s/revest.


Amostra A02E03 A.Inox c/revest.Al.
Amostra A05E05 A.Inox c/revest.Al.Ref.
0 Meio: HCl 1N
Temperatura : 70°C
Tensão: 240 MPa
-100 Tempo p/Equilibrio: 24h

-200 A05, ensaio E05


Er (mV vs SCE)

-300 A01, ensaio E01


-400

-500

-600

-700
A02, ensaio E03
-800

-900

0 200 400 600 800 1000 1200 1400 1600


Tempo (min)

FIGURA 48.-Curvas de Er x T em Meio de HCl 1N, temperatura 70°C, tensão 240 MPa.
87

Ta b e l a 4 . 3 - R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s E r x T p a r a HCl 1N.

Tensão Erep.
Amostra Tratamento Temperatura Tempo
Aplicada Ensaio N.° (mV)
N.º * (°C) (h)
(MPa)
E01
A01 Não 70 240 24 -437 ±5
E02
E03
A02 Sim 70 240 24 -450 ±5
E04
E05
A05 Sim c/ Ref. 70 240 24 -450 ±5
E06

Obs.: - * Tratamento de aspersão térmica com alumínio por arco elétrico.

A n a l i s a n d o a s c u r v a s d a f i g u r a 4 8 e o s d a d o s d a t a b e l a 4 . 3 , t e mos
n a p r i me i r a a mo s t r a A 0 1 , e n s a i os E 0 1 e E 0 2 , u ma e s t a b i l i z a ç ã o d o
p o t e n c i a l e m t o r n o d e – 4 5 0 mV v s . S C E , j á n a s d u a s p r i me i r a s h o r a s d e
ensaio.
N a a mo s t r a A 0 2 , e n s a i o s E 0 3 e E 0 4 , t e mos r e v e s t i me n t o c o m
a l u mí n i o . N u m p r i me i r o i n s t a n t e o v al o r d o p o t e n c i a l a t i n g i u v a l o r e s ma i s
n e g a t i v o s ( p r ó x i mo d e – 9 0 0 mV v s . S C E ) , c o m g r a n d e d e s p r e n d i me n t o d e
h i d r o g ê n i o , r e s u l t a d o d a d i s s o l u ç ã o d o a l u mí n i o f r e n t e a o me i o á c i d o . A p ó s
2 h d e i n i c i a d o o e n s a i o , o p o t e n c i a l c o me ç o u a e v o l u i r p a r a v a l o r e s
p o s i t i v o s , a p r o x i ma n d o d o p o t e n c i a l d e r e p o u s o d o a ç o i n o x i d á v e l .
Considerando que o potencial de repouso do aço inox em solução
d e c l o r e t o é e m t o r n o d e – 4 5 0 mV v s . S C E , o r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o
d e p o s i t a d o p o r a s p e r s ã o t é r mi c a , p o d e o f e r e c e r p r o t e ç ã o a o a ç o i n o x p o r
p r o t e ç ã o c a t ó d i c a , u ma v e z q u e o p o t e n c i a l d e r e p o u s o d o r e v e s t i me n t o e s t á
em torno de –900mV vs. SCE. Com o p a s s a r d o t e mp o o c o r r e u d i s s o l u ç ã o
d o r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o f r e n t e à s o l u ç ã o d e c l o r e t o , f a z e n d o c o m q u e o
p o t e n c i a l d e r e p o u s o d o r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o s e a p r o x i ma s s e d o a ç o
i n o x . N e s s a c o n d i ç ã o d e a l t o s t e mp o s o a l u mí n i o p e r d e o s e u c a r á t e r d e
â n o d o d e s a c r i f í c i o , p o r é m o a l u mí n i o r e ma n e s c e n t e p o d e e s t a r p r o t e g e n d o
o aço por barreira.
88

N a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o s E 0 5 e E 0 6 , a c a ma d a d e a l u mí n i o f o i
r e f u n d i d a . A c u r v a d e mo n s t r a u m p o t e n c i a l i n i c i a l p r ó x i mo d e – 2 0 mV,
mui t o a c i ma d o p o t e n c i a l d a s a mo s t r a s a n t e r i o r e s , d e v i d o à f o r ma ç ã o d e
[75]
u ma c a ma d a p a s s i v a d e i n t e r me t á l i c o s F e - N i - C r - A l , em função da
r e f u s ã o . E m a l g u n s mi n u t o s i n i c i o u - s e g r a n d e d e s p r e n d i me n t o d e g á s ,
o c o r r e n d o à q u e b r a d a p a s s i v i d a d e d a c a ma d a d e a l u mí n i o e d e s l o c a me n t o
d o p o t e n c i a l p a r a v a l o r e s ma i s n e g a t i v o s , p o r é m p a r a a l t o s t e mp o s d e
estabilização o potencial de repouso equiparou-se ao do aço inoxidável.
Ficou evidenciado que a reação catódica principal é a de
d e s p r e n d i me n t o d e h i d r o g ê n i o c o m a d i s s o l u ç ã o c o mpl e t a d a c a ma d a d e
a l u mí n i o e m c u r t o e s p a ç o d e t e mp o . E s t a d i s s o l u ç ã o s e g u e a s r e a ç õ e s q u e
o c o r r e m e m e t a p a s i n t e r me d i á r i a s :

Me + e(−Me ) + H 3O + →
k1
MeH ads . + H 2O [7]

2MeHads. →
k2
2Me + H2 ↑ [8]

o n d e , a r e a ç ã o [ 7 ] é a d e r e d u ç ã o d o s í o n s H 3O + o c o r r e n d o a a d s o r s ã o d o s

á t o mo s d e h i d r o g ê n i o n a s u p e r f í c i e d o me t a l (MeH ) e a reação [8] é o


r e a r r a n j o , e n t r e á t o mo s d e h i d r o g ê n i o e a s u p e r f í c i e d o me t a l d e b a s e p a r a
f o r ma r mol é c u l a s d e g á s H 2 .
C o m o s p o t e n c i a i s c h e g a n d o a v a l o r e s p r ó x i mos a o d o a ç o
inoxidável austenítico, devido à dissolução c o mpl e t a da c a ma d a de
a l u mí n i o , d e mo n s t r a d o n a f i g u r a 4 9 , fe z - s e n e c e s s á r i o à t r o c a d o me i o d e
e l e t r ó l i t o á c i d o p o r N aC l 3,5 % . C o m o i n t u i t o d e r e v e l a r o c o mp o r t a me n t o
d a c a ma d a a s p e rgi d a d e a l u mí n i o e c ompa r a r o s r e s u l t a d o s o b t i d o s c o m o
potencial do aço inoxidável.
89

Alumínio Remanescente

Int erface Aço


AISI 304 L

Alumínio Aspergido
Ampl. 1 0 0 X

FIGURA 49.- Amostra A02, demonstrando a dissolução completa da camada de


alumínio. Solução de HCl 1N, T=70°C, tempo de exposição 24h.

4 . 2 . 2 E n s a i o E l e t roq u í m i c o d o P o t e n c i a l e m F u n ç ã o d o Te m p o p a r a a
S o l u ç ã o d e C l o re t o d e S ó d i o

Os ensaios relacionados com a solução de cloretos estão


apresentados na figura 50. Os resultados destes ensaios em eletrólito de
NaCl 3 , 5% s ã o mo s t r a d o s n a t a b e l a 4 . 4 .
N a a mo s t r a A 0 1 , e n s a i o s E 0 7 e E 0 8 , e m me i o c o n t e n d o NaCl
3 , 5 % , f o r a m r e a l i z a d o s c o m o a n e l d e a ç o i n o x s e m r e v e s t i me n t o , a c u r v a
d o p o t e n c i a l d e r e p o u s o e m f u n ç ã o d o t e mp o , mos t r a a i n f l u ê n c i a d o ó x i d o
d e c r o mo n o s u b s t r a t o d a a mo s t r a , c o n f i r ma n d o o j á e n c o n t r a d o n a f i g u r a
4 8 , o u s e j a , e s t a b i l i z a ç ã o d o p o t e n c i a l d e r e p o u s o d e s d e o s t e mp o s i n i c i a i s
d o e n s a i o . N e s t e c a s o o p o t e n c i a l d e r e p o u s o e s t á u m p o u c o ma i s p o s i t i v o ,
d e v i d o à s o l u ç ã o d e c l o r e t o s e r me n o s a g r e s s i v a q u e o á c i d o . C o m p H d o
eletrólito p r ó x i mo da neutralidade, o Ecor é d e t e r mi n a d o pelo
d e s p r e n d i me n t o d e O 2 .
N a a mo s t r a A 0 2 , e n s a i o E 0 9 e E 1 0 , c o m r e v e s t i me n t o d e
a l u mí n i o , o p o t e n c i a l d e r e p o u s o e s t a v a p r ó x i mo d e – 7 5 0 mV v s . S C E e
e v o l u i u p a r a v a l o r e s ma i s n e g a t i v o s n o s p r i me i r o s mi n u t o s d e e n s a i o ,
90

a t i n g i n d o n o p e r í o d o d e 2 4 h o p o t e n c i a l d e – 11 0 0 mV, p o t e n c i a l r e f e r e n t e
a o a l u mí n i o .
E s t a c u r v a d e i x a c l a r o o f e n ô me n o d e p r o t e ç ã o c a t ó d i c a , o n d e o
a l u mí n i o a t u a c o mo â n o d o d e s a c r i f í c i o . C o m a e v o l u ç ã o d o t e mp o , a
redução do O2 fica dificultada, devido á transição da região de controle
ativacional, p a r a u ma r e g i ã o s u b s eq ü e n t e c o n t r o l a d a p ô r t r a n s p o r t e d e
ma s s a . C o mo c o n s e q ü ê n c i a h á p o l a r i z a ç ã o c a t ó d i c a n o s i s t e ma , d e s l o c a n d o
o E c o r p a r a v a l o r e s ma i s n e g a t i v o s . P o r o u t r o l a d o , q u a n d o a s o l u ç ã o e r a o
á c i d o c l o r í d r i c o , o p r o c e s s o p r e d o mi n a n t e e r a a r e a ç ã o a n ó d i c a o u
d i s s o l u ç ã o r á p i d a d o ó x i d o e c o n s e q ü e n t e me n t e o a l u mí n i o d e p o s i t a d o .
N a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o E 11 e E 1 2 , c o m c a ma d a d e a l u mí n i o
a s p e rg i d o e t r a t a me n t o t é r mi c o d e r e fus ã o , o p o t e n c i a l s e e s t a b i l i z o u e m –
8 3 0 mV v s . S C E . N e s t e c a s o é mui t o p r o v á v e l o a p a r e c i me n t o d a c a ma d a
p a s s i v a d e i n t e r me t á l i c o s F e - N i - C r - Al , c u j a q u a n t i d a d e d e a l u mí n i o é
me n o r q u e n a c u r v a A 0 2 , i n t e r f e r i n d o n o p o t e n c i a l ( E r ) , o q u a l é ma i s n o b r e .

-300

-400

-500 Amostra A01E07 A.Inox s/revest.


A01, ensaio E07 Amostra A2E09 A.Inox c/revest.Al.
Amostra A05E11 A.Inox c/revest.Al.Ref.
E (mV vs SCE)

-600 Meio: NaCl 3,5%


Temperatura : 70°C
Tensão: 240 MPa
-700 A05, ensaio E11 Tempo: 24h

-800

-900

-1000
A02, ensaio E09
-1100

0 200 400 600 800 1000 1200 1400


Tempo (min)

FIGURA 50.- Curvas E X T em meio de NaCl 3,5%, temperatura 70°C e tensão de


240MPa.
91

Tab e l a 4 . 4 - R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s E x T p a r a C l o r e t o d e
Sódio 3,5 %.
Tensão
Amostra Tratamento Temperatura Tempo Ensaio Er
Aplicada
N.º * (°C) (h) N.° (mV)
(MPa)
E07
01 Não 70 240 24 -350 ± 10
E08
E09
02 Sim 70 240 24 -1100 ± 10
E10
E11
05 Sim c/ Ref. 70 240 24 -850 ± 10
E12
Obs.: * -Tratamento de Aspersão Térmica com Alumínio por Arco Elétrico.

4.3 Ensaio Potenciodinâmico

A t e n d ê n c i a d e u m me t a l a p a s s i v a ç ã o o u à o x i d a ç ã o e m u m d a d o
me i o , d e t e r mi n a s e u c o mp o r t a me n t o e l e t r o q u í mi c o . A t r a v é s d a u t i l i z a ç ã o
d a t é c n i c a d e p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a é p o s s í v e l c o n h e c e r, e m l a b o r a t ó r i o , o
c o mp o r t a me n t o e l e t r o q u í mi c o d e u m me t a l , p e l a c o n s t r u ç ã o d e c u r v a s d e
potencial em função da corrente.

4.3.1 Ensaio Potenciodinâmico em Solução de Ácido Clorídrico

N o s e n s a i o s p o t e n c i o d i n â mi c o s , c o n s i d e r a n d o - s e a d e p e n d ê n c i a d a
r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o e c o n s t a n t e s d e Ta f e l , f o i r e a l i z a d o a p o l a r i z a ç ã o
p o t e n c i o d i â mi c a c o m v a r r e d u r a d e a mp la f a i x a d e p o t e n c i a l . N a f i g u r a 5 1 ,
t ê m- s e a s c u r v a s a p a r t i r d o s d a d o s d o s i t e n s 4 . 2 . 1 e 4 . 2 . 2 . O s e n s a i o s
f o r a m d e f i n i d o s a p a r t i r d o s p a r â me t r o s d o c a p í t u l o 2 , i t e m 2 . 2 . 1 .
N o s p r i me i r o s e n s a i o s r e a l i z a d o s n a a mo s t r a A 0 1 , o s a n é i s f o r a m
s u b me t i d o s a d i f e r e n t e s f a t o r e s a g r a v a n t e s c a u s a d o r e s d a C S T. O s e n s a i o s
E 1 3 e E 1 4 , f o r a m r e a l i z a d o s c o m o e l e t r ó l i t o a t e mpe r a t u r a a mb i e n t e e s e m
tensão sustentada, nos ensaios E15 e E16, o eletrólito foi aquecido à
t e mp e r a t u r a d e 7 0 ° C ± 1 , s e m t e n s ã o s u s t e n t a d a e n o s e n s a i o s E 1 7 e E 1 8 , o
92

e l e t r ó l i t o f o i a q u e c i d o a t e mpe r a t u r a d e 7 0 ° C ± 1 e t e n s ã o s u s t e n t a d a d e 2 4 0
MPa.

A01E13.Temperatura amb.
A01E15.Temperatura 70°C.
600
A01E17.Temperatura 70°C, Tensão 240 MPa

400

A01, ensaio E13


200
E (mV vs SCE)

Anódica A01, ensaio E17


-200

-400 A01, ensaio E15

-600 Catódica

0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100


Log I (mA)

FIGURA 51.- Curvas de polarização potenciodinâmica para diferentes fatores


agravantes. Aço inox 304 L, sem revestimento em meio HCl 1N.

N a f i g u r a 5 1 , o b s e r v a - s e o d e s l o c a me n t o d a c u r v a ( r e g i ã o d e
p a s s i v a ç ã o ) p a r a a d i r e i t a , q u a n d o c o mpa r a d o c o m a c u r v a c a r a c t e r í s t i c a d o
a ç o i n o x e m H 2 SO 4 , c o mo c o n s e q ü ê n c i a d e u ma q u e b r a d a p a s s i v i d a d e , q u e
p o d e s e r d e v i d o à p r e s e n ç a d o í o n c l o r e t o . I s t o r e p r e s e n t a u ma p a s s i v a ç ã o
me n o s efetiva e com valores de densidade de corrente ma i o r que
c o mu me n t e o b s e r v a d o q u a n d o s e t r a b a l h a c o m a ç o i n o x e m á c i d o s u l f ú r i c o .
C o mo r e s u l t a d o d e s s e a t a q u e l o c a l i z a d o , p o d e s e r o b s e r v a d a a
perda da passivação durante a realização dos ensaios. Os resultados
93

e l e t r o q u í mi c o s o b t i d o s d a s c u r v a s d a f i g u r a 5 1 , s ã o mos t r a d o s n a t a b e l a
4.5.
TABELA 4.5- Resultados obtidos pelas curvas de polarização
p o t e n c i o d i â mi c a p a r a o s f a t o r e s a g r a v a n t e s d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o .

Constantes de Tafel
Taxa de
Amostra Ensaio T σ (mV/dec) Rp Icorr
Corrosão
N.º N.° (ºC) (MPa) (Ω/cm²) (µA/cm²)
βa βc (µm/ano)

E13 13 84 500 10
A01 Amb - 57±10
E14 11 84 500 11

E15 25 79 470 18
A01
70 - 102±10
E16 23 77 465 19

A01 E17 56 76 430 33


70 240 190±10
E18 60 79 426 37

Nota: -Aço inox AISI 304 L, amostra A01 sem revestimento


-Valores do peso equivalente do eletrodo EW = 25,12 g e a massa específica ρ = 7,94g/cm³
-Temperatura ambiente T= 23,5°C.

A s i n c l i n a ç õ e s d e Ta f e l a n ó d i c a s ( ß a ) f o r a m o b t i d a s n a r e g i ã o
ativa, um pouco antes da região de passivação. Pode-se verificar que nos
e n s a i o s h o u v e u m a u me n t o s i g n i f i c a t i v o n o s v a l o r e s d a c o n s t a n t e d e Ta f e l
a n ó d i c a ( ß a ) c o m o a u me n t o d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o , c o n f i r ma n d o e s t u d o s
[76]
realizados por Southwell e Alexander , q u e p a r a me t a i s f o r ma d o r e s d e
p e l í c u l a , u m a u me n t o d e t e mpe r a t u r a e m 1 0 ° C , a u me n t a r i a a c o r r o s ã o
l o c a l i z a d a n a f o r ma d e p i t e , g e r a n d o a u me n t o d a p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a ,
s e n d o d e mo n s t r a d o n a s c u r v a s p e l o a u me n t o d a i n c l i n a ç ã o ß a . C o mo
c o n s e q ü ê n c i a d o d e s e q u i l í b r i o e l e t r o q u í mi c o o c a s i o n a d o p e l a q u e b r a d e
p a s s i v i d a d e , t e mos d i mi n u i ç ã o d a r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o Rp, a u me n t o
da Icorr e da taxa de corrosão.
Nas reações catódicas, definidas pelas inclinações catódicas de
Ta f e l ( ß c ) e r e l a c i o n a d a s c o m a s c o n c e n t r a ç õ e s d e o x i g ê n i o ( n o c a s o a
94

r e a ç ã o d e r e d u ç ã o d o o x i g ê n i o d i s s o l v id o ) . D e v i d o à s b a i x a s c o n c e n t r a ç õ e s
d e o x i g ê n i o , n ã o f o r a m o b s e r v a d o s g r a n d e s mu d a n ç a s n o s v a l o r e s d a s
inclinações, d e mo n s t r a n d o estabilidade no f e n ô me n o de polarização
c a t ó d i c a ( v i d e Ta b e l a 4 . 5 ) .
O s r e s u l t a d o s d a p a r t e e l e t r o q u í mi c a f o r a m c o n f i r ma d o s n a s
f i g u r a s 5 2 , 5 3 e 5 4 , n a s q u a i s , f i c a r a m e v i d e n c i a d o s c o mb i n a ç õ e s d e
d e f e i t o s c o m g e o me t r i a s e s p e c í f i c a s , n o c a s o s u l c o s l o n g i t u d i n a i s l o n g o s e
a t a q u e p u n t i f o r me n a f o r ma d e pi t e s , p o d e n d o s u a c o mpl e x i d a d e v i r a
i n t e n s i f i c a r s e u s e f e i t o s , c a u s a n d o i n t e r a ç ã o e n t r e c a mp o s d e t e n s õ e s
gerados por cada um deles.
N a f i g u r a 5 2 , a s u p e r f í c i e d o a ne l A 0 1 , e n s a i o E 1 3 , o c o r r e u
c o r r o s ã o g e n e r a l i z a c o m p r e s e n ç a d e p i t e s ( f u r o s ) r a s o s e g r a n d e d i â me t r o ,
p o s s i v e l me n t e p e l a p r e s e n ç a d e u m e l e t r ó l i t o f o r t e me n t e á c i d o , q u e i mp e d e
a passivação das paredes do furo.
Nas superfícies dos anéis A01, ensaios E15, nota-se que com o
a u me n t o d e t e mp e r a t u r a e d a s f o r ç a s t r a t i v a s n a s u p e r f í c i e , o c o r r e a
superposição de defeitos, causando áreas de corrosão generalizada rasa,
s a l p i c a d a s p o r p i t e s , c o m ma i o r p r o f u n d i d a d e q u e a s a mo s t r a a n t e r i o r e s .

Ampl . 1000X

FIGURA 52.- Amostra A01,ensaio E13. Formação de pite raso, meio HCl 1N T=amb.
95

Am pl.500X

FIGURA 53.- Amostra A01, ensaio E15. Aumento da rugosidade superficial e


profundidade do pite, meio HCl 1N, T= 70°C.

Am p l. 1 0 0 X

A m p l. 1 0 0 0 X

FIGURA 54.- Amostra A01, ensaio E17. Formação de pite profundo. Meio HCl
1N,T=70°,σ=240MPa.
96

N u m p a s s o s e g u i n t e , f o r a m a n a l i s a d o s o s c o mp o r t a me n t o s d o s
t u b o s a s p e rgi d o s c o m a l u mí n i o c i t a d o s n a t a b e l a 4 . 3 , e m me i o á c i d o d e H C l
1 N e t e mpe r a t u r a d e 7 0 ° C , d e mo n s t r a d a n a f i g u r a 5 5 e 5 6 .
N o s a n é i s d a a mo s t r a A 0 2 , e n s a i o s E 0 3 e E 0 4 , r e v e s t i d o s c o m
a l u mí n i o e a n é i s d a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o s E 0 5 e E 0 6 , r e v e s t i d o s c o m
a l u mí n i o e p o s t e r i o r me n t e r e f u n d i d o s , n o s q u a t r o c a s o s , h o u v e d i s s o l u ç ã o
t o t a l d a c a ma d a a s p e rg i d a c o n f i r ma d a p e l o p o t e n c i a l d e e q u i l í b r i o d e – 4 5 0
mV v s . S C E r e f e r e n t e a o a ç o i n o x . O c o r r e u g r a n d e d e s p r e n d i me n t o d e
h i d r o g ê n i o e a p a r e c i me n t o d e t r i n c a s n a c a ma d a a s p e rgi d a d e a l u mí n i o
r e ma n e s c e n t e s e m r e f u s ã o .

S u b st ra t o a ço i n o x Tri n c a s n a ca ma d a
304L d e a lu mí n i o

A mp l. 1 0 0 0 X

FIGURA 55.-Amostra A02, ensaio E03 sem refusão. Apresentando trincas na camada
de alumínio. Meio de HCl 1N e T=70°C,

C o m o t r a t a me n t o t é r mi c o e x e c u t ad o n a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o E 0 5 ,
mos t r a d o n a f i g u r a 5 6 , o s u b s t r a t o n ã o a p r e s e n t o u t r i n c a s n a c a ma d a d e
[75]
a l u mí n i o d e v i d o a a ç ã o d i f e r e n c i a d a d o i n t e r me t á l i c o A l - C r - F e - N i em

r e l a ç ã o a o í o n Cl .
97

Alumínio remanescente

Substrato aço AISI 304 L

Ampl. 2 0 0 X

Camada de Alumínio Pit e

Intermetálico Al /Cr/Fe/Ni

Ampl. 500 X

FIGURA 56 .- A m o s t r a A 0 5 , e n s a i o E 0 5 . M o s t r a n d o r e g i ã o d e i n t e r m e t á l i c o A l - C r - F e - N i ,
formados pela refusão, degradada pela ação corrosiva do HCl, T=70°C, σ = 240 MPa.

4 . 3 . 2 E n s a i o P o t e n c i o d i n â m i c o e m S o l u ç ã o d e C l o re t o d e S ó d i o

N a f i g u r a 5 7 , f o r a m p l o t a d a s a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s p a r a o
t u b o s e m a s p e r s ã o t é r mi c a , c o mpa r a n d o - a s c o m a s c u r v a s d a s a mo s t r a s c o m
a s p e r s ã o t é r mi c a e a s p e r s ã o r e f u n d i d a . E s t e s e n s a i o s f o r a m r e a l i z a d o s a
98

t e mp e r a t u r a d e 7 0 ° C e t e n s ã o d e 2 4 0 M P a e m me i o d e NaCl 3 , 5 % e o s
r e s u l t a d o s s ã o mos t r a d o s n a t a b e l a 4 . 6 .
N e s t a f i g u r a , o b s e r v a m- s e a s c u r v a s p o t e n c i d i n â mi c a s a n ó d i c a s
t í p i c a s p a r a o a ç o i n o x a u s t e n í t i c o e a l u mí n i o . Te mos c a r a c t e r i z a d o n a
curva A02 a região de reversão de corrente de valores catódicos para
valores anódicos seguido de leve ativação, avançando pelas curvas para
v a l o r e s d e p o t e n c i a i s ma i s p o s i t i v o s v er i f i c a - s e u ma r e g i ã o p a s s i v a e u ma
r e g i ã o d e t r a n s p a s s i v a ç ã o e p o s s í v e l f o r ma ç ã o d e p i t e s , o b s e r v a - s e n a s t r ê s
c u r v a s , a t e n d ê n c i a d a c o r r e n t e l i mi t e d e v i d o a o s f e n ô me n o s mi g r a c i o n a i s
p r e s e n t e s e m r e g i õ e s a l t a me n t e d i s s o l u t i v a s , d e v i d o a o s a l t o s p o t e n c i a i s .

Amostra A01E19 Sem Asp.Term.


Amostra A02E21 Com Asp.Term.
300 Amostra A05E23 Com Asp.Term. e Ref.
200
100
0 A01, ensaioE19
-100
-200
E (mV) vs SCE

-300 Corrente Limite


-400
-500
-600
A05, ensaio E23
-700 A02, ensaio E21
-800
-900
-1000 Região Transpassiva
-1100
-1200
Região Ativa
-1300
1E-5 0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100 1000
Log I (mA)

FIGURA 57.-Comparativo entres as curvas potenciodinâmicas dos tubos sem


tratamento, aspersão com alumínio e aspersão com alumínio refundido. NaCl 3,5%,
T=70°C e σ =240 MPa.
99

TABELA 4.6- R e s u l t a d o s d a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s d a s a mo s t r a s A 0 1 ,
A 0 2 e A 0 5 e m me i o N a C l 3 , 5 % .
Constantes de Tafel Taxa de
Amostra T σ Rp icorr
Ensaio (mV/dec.) Corrosão
N.º (ºC) (MPa) (Ω/cm²) (µA/cm²)
βa βc (µm/ano)

E19 18 108 12000 0,20


A01 70 240 1,8 ± 0,15
E20 21 96 11780 0,17

E21 15 64 3500 0,50


A02 70 240 1,8 ± 0,15
E22 13 67 3270 0,46

E23 40 85 2800 1,30


A05 70 240 4,8 ± 0,15
E24 42 89 2689 1,29

N a c u r v a A 0 1 , e n s a i o E 1 9 , mos t r a d a n a f i g u r a 5 7 , a p e s a r d a
r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o s e r mui t o s u p er i o r a o s o u t r o s e n s a i o s , a t a x a d e
c o r r o s ã o f o i s i mi l a r a d a a mo s t r a c o m a s p e r s ã o t é r mi c a e me n o r q u e a t a x a
d e c o r r o s ã o d a a mo s t r a c o m a s p e r s ã o s e g u i d a d e r e f u s ã o , e v i d e n c i a n d o a
i n f l u ê n c i a d o a t a q u e l o c a l i z a d o n a f o r ma d e p i t e p r o f u n d o , o q u a l a u me n t a
c o m a i n t e n s i d a d e d e c o r r e n t e d e n t r o d o p i t e , p r o v o c a n d o u ma p e q u e n a á r e a
a n ó d i c a e m r e l a ç ã o a ma t r i z c a t ó d i c a d e s p r o v i d a d e t r a t a me n t o .
N a f i g u r a 5 7 a i n c l i n a ç ã o a n ó d i c a β a d a c u r v a A 0 2 é me n o r q u e o
β a d a s o u t r a s c u r v a s , mo s t r a n d o q u e n e s t a c u r v a t e mos u ma d e s p o l a r i z a ç ã o
c a r a c t e r í s t i c a d e c o r r o s ã o u n i f o r me . C o mo o β a é b a i x o , c o n c l u i - s e q u e a
o x i d a ç ã o d o a l u mí n i o e s t á b a s t a n t e d e s p o l a r i z a d a e o β c é s i mi l a r a o
encontrado para a redução de oxigênio.
Na a mo s t r a de aço inox sem r e v e s t i me n t o e a s p e rg i d a
t e r mi c a me n t e com a l u mí n i o e refundida o ataque tendencia a ser
localizado, gerando grande quantidade de produto de corrosão, o qual
p o l a r i z a a s r e a ç õ e s e é t r a d u z i d o p e l o s a u me n t o s d a s i n c l i n a ç õ e s β a e β c .
Para os ensaios na solução de cloreto de sódio, o potencial de
r e p o u s o d a a mo s t r a s e m r e v e s t i me n t o e s t á u m p o u c o ma i s p o s i t i v o , d e v i d o
à p r e s e n ç a d o ó x i d o d e c r o mo . N a s a mo s t ra s c o m r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o ,
100

o s p o t e n c i a i s d e r e p o u s o e s t ã o ma i s n e g a t i v o s a p r o x i ma n d o - s e d o p o t e n c i a l
r e f e r e n t e a o a l u mí n i o .
A f i g u r a 5 7 , d e i x a c l a r o o f e n ô me n o d e p r o t e ç ã o c a t ó d i c a , o n d e o
a l u mí n i o a t u a c o mo â n o d o d e s a c r i f í c i o . N a c u r v a d a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o
E 2 3 , c o m c a ma d a d e a l u mí n i o a s p e rg id o e r e f u s ã o , o p o t e n c i a l d e c o r r o s ã o
e s t á ma i s p o s i t i v o q u e o p o t e n c i a l d e r e p o u s o s e m r e f u s ã o . I s t o mo s t r a q u e ,
n e s t e c a s o , o p o d e r d e â n o d o d e s a c r i f í c i o n a a mo s t r a s e m r e f u s ã o é me l h o r.
O s a u me n t o s d a s i n c l i n a ç õ e s a n ó d i c a β a e c a t ó d i c a β c , p a r a a
a mo s t r a c o m a s p e r s ã o t é r mi c a c o m a l u mí n i o e r e f u s ã o , mos t r a q u e , a
d e g r a d a ç ã o d a c a ma d a r e v e s t i d a , d e v i d o a o a t a q u e l o c a l i z a d o , é ma i o r
q u a n d o c o mpa r a d o c o m a c a ma d a d e a s p e r s ã o s e m r e f u s ã o . I s t o p o d e e s t a r
r e l a c i o n a d o c o m a c a ma d a p a s s i v a d e i n t e r me t á l i c o s A l - C r - F e - N i , n a q u a l ,
o c o r r e m f e n ô me n o s d i f u s i o n a i s , t a n t o d o a l u mí n i o mi g r a n d o p a r a o i n t e r i o r
d a ma t r i z F e - C r - N i , c o mo o F e mi g r a n d o e m d i r e ç ã o d o a l u mí n i o a s p e rg i d o .
P a r a me i o s c o n t e n d o í o n s h a l o g ê n e o s ( Cl − ) , o c o r r e a l t e r a ç ã o n a s
c u r v a s d e p o l a r i z a ç ã o a n ó d i c a , t a n t o p ar a o a ç o i n o x , c o mo p a r a a a mo s t r a
r e v e s t i d a c o m a l u mí n i o r e f u n d i d o , e v i de n c i a d o p e l o a u me n t o d a i n c l i n a ç ã o
d e Ta f e l a n ó d i c a β a , t o r n a n d o a q u e b r a d e p a s s i v i d a d e ma i s p r o v á v e l ,
f a c i l i t a n d o a t i v i d a d e l o c a l i z a d a . E s t e e f e i t o é mos t r a d o n a f i g u r a 5 8 , o n d e
h o u v e a u me n t o d a r u g o s i d a d e s u p e r f i ci a l e q u e b r a d e p a s s i v i d a d e d a
p e l í c u l a d e ó x i d o d e c r o mo , f o r ma n d o c o r r o s ã o l o c a l i z a d a n a f o r ma d e p i t e
com razoável profundidade.

R u g o s id a d e

P ite

A m p l.5 0 0 X

FIGURA 58.- Amostra A01, ensaio E19. Formação de pite pela quebra de passividade
do óxido de cromo, NaCl 3,5%, T= 70°C e σ =240 MPa.
101

N a c u r v a d a a mo s t r a A 0 2 , e n s a i o E 2 1 , mo s t r a d a n a f i g u r a 5 7 , o
r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o s o f r e u d e g r a d a ç ã o d i f e r e n c i a d a e m v á r i o s p o n t o s ,
mos t r a d a n a f i g u r a 5 9 , c a u s a d a p e l a ir r e g u l a r i d a d e d a c a ma d a d e a l u mí n i o .
N e s t a f i g u r a n ã o s e v e r i f i c a r a m a u me n to s n a q u a n t i d a d e d e p i t e s e t r i n c a s
n a ma t r i z , c o mo e n c o n t r a d o n a s f i g u r a s 5 8 e 6 0 .
Nesta curva houve grande redução na resistência de polarização,
q u a n d o c o mp a r a d o o c o mp o r t a me n t o e l e t r o q u í mi c o e n t r e o a l u mí n i o e o a ç o
inox.

Pite

Início substrato
Ampl. 200 X

FIGURA 59.- Ensaio A02, ensaio E21. Degradação da camada de alumínio aspergido.
Meio NaCl 3,5%, T=70°C e σ =240 MPa.

N a c u r v a d a a mo s t r a A 0 5 , e n s a i o E 2 3 , mo s t r a d o n a f i g u r a 5 7 ,
o c o r r e u u m a u me n t o n o v a l o r d a c o n s t a n t e d e Ta f e l a n ó d i c a q u a n d o
c o mp a r a d a c o m a i n c l i n a ç ã o d e Ta f e l a n ó d i c a d a a mo s t r a A 0 2 , e n s a i o E 2 1 .
I s t o p o d e e x p l i c a r o a u me n t o d a I c o r r e c o n s e q ü e n t e a u me n t o d a t a x a d e
c o r r o s ã o , o c a s i o n a d o p e l a d e g r a d a ç ã o d a c a ma d a d e a l u mí n i o f o r ma d a
d u r a n t e a r e f u s ã o d a c a ma d a a s p e rgi d a , v i n d o a a t i n g i r o s u b s t r a t o d o t u b o .
A f i g u r a 6 0 , t e m c o mo o b j e t i v o mos t r a r t r i n c a s a p a r t i r d o
i n t e r me t á l i c o encontrado nas a mo s t r a s com aspersão me t á l i c a com
a l u mí n i o . A a g r a v a n t e p r i n c i p a l p a r a o a u me n t o d a c o r r e n t e é a p r e s e n ç a d e
t r i n c a s p r o p a g a d a s a p a r t i r d a r e g i ã o d e i n t e r me t á l i c o s C r - A l - F e - N i ,
[75]
proposto por Paredes e colaboradores , f o r ma d o a p a r t i r d a r e f u s ã o ,
102

v i n d o e s t a s a o c o r r e r e m a o l o n g o d e u ma f a i x a e s t r e i t a e a s p a r e d e s d a
t r i n c a , p e r ma n e c e n d o i n a t i v a s .
E s t a t r a n s i ç ã o s u g e r e u m c o mp o r t a me n t o e l e t r o q u í mi c o a t i v o p a r a
i n a t i v o d o s l a d o s d a t r i n c a , o c a s i o n ad o p e l a f o r ma ç ã o d e p e l í c u l a p a s s i v a .
E s t a p e l í c u l a n ã o s e f o r ma n a p o n t a d a t r i n c a , ma s s e f o r ma d a , é q u e b r a d a
r e p e t i d a me n t e p e l a s t e n s õ e s e n v o l v i d a s , c o n f i r ma n d o u m p r o c e s s o d e
d i s s o l u ç ã o d o me t a l d e b a s e .

Início
d o P ite

Propagação no aço Inox A IS I 304 L


A m p l. 5 0 0 X

T rinca no co nto rno Interm etálico C r/A l/Fe/N i

A m p l. 1 0 0 0 X

FIGURA 60. -Amostra A05, ensaio E23. Degradação da zona epitaxial e propagação da
trinca a partir do intermetálico Cr-Al-Fe-Ni.
Meio NaCl 3,5%, temperatura 70°C e σ =240 MPa.
103

N o c a s o s e a p e n e t r a ç ã o f o r e x c e s s i v a , p o d e mos t e r o c o l a p s o d a
e s t r u t u r a e m u m c u r t o e s p a ç o d e t e mp o , c o mo mos t r a d a s n a f i g u r a 6 0 .
O s p r ó x i mos e n s a i o s f o r a m r e a l i z ad o s c o m o i n t u i t o d e c o mpa r a r
à s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a p a r a d i f e r e n t e s e s p e s s u r a s d e c a ma d a s d e
a l u mí n i o a s p e rg i d o , f r e n t e a u m me i o q u e s i mul e o a mb i e n t e ma r i n h o ,
t e mp e r a t u r a e t e n s ã o s u s t e n t a d a t r a t i v a . A s a mo s t r a s s e g u i r a m o t r a t a me n t o
de aspersão descrito na tabela 3.4. As curvas e os resultados são
d e mo n s t r a d o s n a f i g u r a 6 1 e t a b e l a 4 . 7 , a b a i x o .

100
Amostra A02E25, camada 50
0 Amostra A03E27, camada 100
-100 Amostra A04E29, camada 200
A04, ensaio E29
-200
-300
-400
-500
E (mV) vs SCE.

-600
-700
-800
-900 A02, ensaio E25
-1000
-1100
-1200 A03, ensaio E27
-1300
-1400

1E-5 0,0001 0,001 0,01 0,1 1 10 100 1000 10000


Log I (mA)

FIGURA 61.- Comparativo entres as curvas potenciodinâmicas para os tubos com


diferentes espessuras de alumínio aspergido.
Meio NaCl 3,5%, T=70°C e σ = 240 MPa.
104

O s t r ê s p a r e s d e a n é i s d a s t r ê s a mo s t r a s e n s a i a d a s t i n h a m
d i f e r e n t e s e s p e s s u r a s d e c a ma d a d e p o s i t a d a s p o r a s p e r s ã o t é r mi c a , o n d e a s
c a ma d a s d a s a mo s t r a s A 0 2 , A 0 3 e A 0 4 e r a m: 5 0µm, 100µm e 2 0 0µm,
r e s p e c t i v a me n t e .
C o m o a u me n t o d a c a ma d a d e a l u mí n i o a s p e rgi d o , h o u v e a u me n t o
d a r e g i ã o d o p o t e n c i a l d e p a s s i v a ç ã o , d i f i c u l t a n d o o a p a r e c i me n t o d e p i t e s ,
q u e p a s s a m a e x i s t i r e m p o t e n c i a i s ma i s p o s i t i v o s .
N a c u r v a d a a mo s t r a A 0 4 c o m 2 0 0 µm a r e g i ã o d e e x i s t ê n c i a d e
p i t e n ã o e s t á t ã o a t i v a c o mo o v e r i f i c a d o n a s o u t r a s c a ma d a s , p o i s a
c o r r e n t e a v a n ç a c o m me n o s i n t e n s i d a d e à me d i d a q u e o p o t e n c i a l e v o l u i
p a r a v a l o r e s ma i s p o s i t i v o s .

TABELA 4.7- R e s u l t a d o s d a s c u r v a s p o t e n c i o d i n â mi c a s p a r a d i f e r e n t e s
c a ma d a s d e Al , e m me i o d e N a C l 3 , 5 % .
Constantes de Taxa de
Amostra T σ Rp Icorr
Ensaio Tafel (mV/dec.) Corrosão
N.º (ºC) (MPa) (Ω/cm²) (µA/cm²)
βa βc (µm/ano)

E25 15 64 6400 0,50


A02 70 240 2 ± 0,5
E26 15 67 6270 0,53

E27 23 97 9800 0,50


A03 70 240 2 ± 0,5
E28 22 90 9300 0,51

E29 43 100 7300 1,00


A04 70 240 4 ± 0,5
E30 44 97 7250 1,05

Nota: - Aço Inox AISI 304 L com revestimento de alumínio aspergido


- Valores do peso equivalente do eletrodo de Al. e = 8,99 g e a massa específica ρ = 7,85g/cm³.

N o s s e i s e n s a i o s o p o t e n c i a l d e r e p o u s o ( E c o r r ) s e ma n t e v e e m
t o r n o d e – 11 0 0 mV v s . S C E , mos t r a n d o o g r a n d e p o d e r d o Al c o mo â n o d o
d e s a c r i f í c i o , q u a n d o s e r e a l i z a a sp e r s ã o t é r mi c a s o b r e a ç o i n o x . A s
i n c l i n a ç õ e s d e Ta f e l a n ó d i c a (β a ) s o f r e r a m a u me n t o g r a d a t i v o e m f u n ç ã o d o
a u me n t o d a c a ma d a a s p e rg i d a d e a lu mí n i o , mos t r a n d o o p o d e r d o a t a q u e
105

l o c a l i z a d o n a d e g r a d a ç ã o d a c a ma d a a s p e rg i d a c o m o p a s s a r d o t e mp o
q u a n d o o me i o a g r e s s i v o é s i mi l a r a o a mb i e n t e a t mo s f é r i c o .
A s i n c l i n a ç õ e s d e Ta f e l c a t ó d i c a s (β c ) t a mbé m s o f r e r a m a u me n t o
g r a d a t i v o e m f u n ç ã o d o a u me n t o d a c a ma d a a s p e rgi d a d e a l u mí n i o ,
mo s t r a n d o q u e c o m u m a u me n t o d a c a ma d a a s p e rgi d a , h á u ma d i mi n u i ç ã o
da concentração de oxigênio que participa da reação catódica de redução do
o x i g ê n i o . A i c o r e t a x a d e c o r r o s ã o p a r a a s a mo s t r a s c o n t e n d o me n o s q u e
1 0 0µm d e c a ma d a a s p e rgi d a f i g u r a 6 2 e 6 3 , f o r a m d e 0 , 5µA / c m² e p r ó x i mo
d e 2 µm/ a n o .

P ite

A m pl.100X

FIGURA 62.- Amostra A02, ensaio E25. Dissolução da camada de Al e formação de


pites. Meio NaCl 3,5%, T=70°C e σ = 240 MPa. Camada 50µm.

A m p l. 200 X

FIGURA 63.- Amostra A03, ensaio E27. Degradação da camada de Al e formação de


pites. Meio NaCl 3,5%, T=70°C e σ = 240 MPa. Camada 100µm.
106

A s a mo s t r a s s o f r e r a m g r a n d e d i s s o l u ç ã o d a c a ma d a d e a l u mí n i o
e f o r ma ç ã o d e a t a q u e l o c a l i z ad o p r o f u n d o , ma s n ã o h o u v e a t a q u e d o
s u b s t r a t o e c o n s e q u e n t e me n t e a p a r i ç ã o , e m n e n h u m c a s o a n a l i s a d o , d e
t r i n c a s s u p e r f i c i a i s , d e mo n s t r a n d o o p o d e r d e p r o t e ç ã o d a c a ma d a b a r r e i r a
efetiva.

Am pl. 200 X

FIGURA 64.- Amostra A04, ensaio E29. Degradação da camada de Al. Meio NaCl
3,5%, T=70°C e σ = 240 MPa. Camada 200µm.

N a a mo s t r a c o m c a ma d a a s p e rgi d a d e 2 0 0 µ m, f i g u r a 6 4 , a t a x a d e
corrosão sofreu alteração significativa na corrente e na taxa de corrosão.
O s v a l o r e s p o d e m s e r mu l t i p l i c a d o s p o r u m f a t o r d o i s e m r e l a ç ã o à s o u t r a s
a mo s t r a s .
N o e n t a n t o , n ã o h o u v e a u me n t o d a r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o
quando c o mp a r a d o com a a mo s t r a de 1 0 0µm d e c a ma d a a s p e rgi d a ,
mo s t r a n d o q u e n ã o h o u v e u m a t a q u e l o c a l i z a d o , ma s s i m u m a t a q u e
u n i f o r me d a c a ma d a . P o r t a n t o , o c o r r e u d i s s o l u ç ã o d a c a ma d a d e a l u mí n i o
superficial sem que houvesse penetração de solução para o interior do
r e v e s t i me n t o , c o n f i r ma n d o a p r o t e ç ã o p o r b a r r e i r a d a c a ma d a d e a l u mí n i o
frente a eletrólitos contendo cloretos.
N a s c a ma d a s d e a l u mí n i o a s p e rgi d o , a f o r ma ç ã o d e u m i n v ó l u c r o
d e ó x i d o d e a l u mí n i o , c a u s a d o p e l o r e s fr i a me n t o r á p i d o d a g o t a a s p e rgi d a ,
107

d o b i c o d a p i s t o l a a t é o s u b s t r a t o p o d e a l t e r a r a f o r ma c o r r o s i v a d o
a l u mí n i o . D e s t e p o n t o d e v i s t a , a c a ma d a a s p e rgi d a e m a l t a e s p e s s u r a
a d q u i r e f o r ma s a l o t r ó p i c a s d i f e r e n te s d o me t a l d e p o s i t a d o ( f o r ma t o d e
l a me l a s ) , f a z e n d o c o m q u e o a t a q u e l o c a l i z a d o s e j a me n o s i mp o r t a n t e q u e
a o x i d a ç ã o u n i f o r me d o a l u mí n i o .

4.4 E n s a i o d e R e s i s t ê n c i a d e P o l a r i zaç ã o L i n e a r ( R P L )

O s p r i me i r o s e n s a i o s f o r a m r e a l i z a d o s e m a n é i s r e t i r a d o s d a
a mo s t r a A 0 1 , s e m r e v e s t i me n t o e e m me i o á c i d o c o n t e n d o HCl 1N, com o
i n t u i t o d e d e t e r mi n a r a s v a r i a ç õ e s d e i c o r e m f u n ç ã o d o s f a t o r e s a g r a v a n t e s
d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o .
A resistência de polarização Rp, foi obtida pela construção das
c u r v a s d e r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r ( R P L ) , mos t r a d a s n a s f i g u r a s 6 5
e 6 6 , a s q u a i s d e mo n s t r a m a r e d u ç ã o n o s v a l o r e s d a r e s i s t ê n c i a d e
p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e a u me n t o n a i n t e n si d a d e d e c o r r e n t e , e m f u n ç ã o d a
incidência dos fatores agravantes (tabela 4.8).

R e g re s s ã o L in e a r A m o s tra A 0 1
Y = A + B * X
-3 9 0
P a râ m e tro V a lo r E rro
------------------------------------------------------------
A -4 2 1 ,3 2 7 2 0 ,0 1 5 9
-4 0 0 B 4 2 8 ,1 3 5 4 2 ,4 4 5 1
P o t e n c ia l ( m V )

-4 1 0
+10 m V

-4 2 0

-4 3 0 -1 0 m V E re p

-4 4 0

-0 ,0 4 -0 ,0 2 0 ,0 0 0 ,0 2 0 ,0 4 0 ,0 6 0 ,0 8
I (m A )

FIGURA 65.- Curva de polarização linear amostra A01. Meio HCl 1N, T=70°C e
σ = 240 MPa.
108

A o c o mp a r a r o s e n s a i o s E 3 3 e E 3 4 , r e a l i z a d o s n o s a n é i s d a
a mo s t r a A 0 1 , v e r i f i c o u - s e u ma d i mi n u i ç ã o d a r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o e m
f u n ç ã o d o a u me n t o d e t e mpe r a t u r a , o q u e c o n f i r ma d a d o s f o r n e c i d o s p e l a
l i t e r a t u r a . P r e s u me - s e q u e d e v i d o a o a ume n t o d e t e mpe r a t u r a , a s r e a ç õ e s
e l e t r o q u í mi c a s relacionadas com a corrosão sofram um a u me n t o de
intensidade.
N o c a s o d o a u me n t o d e t e n s ã o , e n s a i o s E 3 5 e E 3 6 , o c o r r e u ma
d i mi n u i ç ã o d a r e s i s t ê n c i a d e p o l a r iz a ç ã o e c o n s e q ü e n t e me n t e u m a u me n t o
d a i c o r , e m f u n ç ã o d o s e f e i t o s s i n é rg i c o s e n t r e f o r ç a s t r a t i v a s e a g e n t e s
q u í mi c o s n o s u b s t r a t o d o me t a l e n v o l v i d o .
N a s a mo s t r a s A 0 2 , r e p r e s e n t a d o p e l o e n s a i o E 3 7 d a f i g u r a 6 6 ,
v e r i f i c a - s e q u e a c u r v a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r d o Al s o f r e u ma ma i o r
corrosão que o aço inox quando exposto as me s ma s condições de
t e mpe r a t u r a d o e n s a i o a n t e r i o r r e a l i z a d o , a g i n d o c o mo â n o d o d e s a c r i f í c i o .

R egressão Linear A m ostra A 02:


Y =A +B *X
-4 2 5
P arâm etro V alor E rro
------------------------------------------------------------
A -440,8335 0,0615
-4 3 0 B 163,2533 2,3838
P o te n c ia l (m V )

-4 3 5 + 10m V

-4 4 0

-4 4 5
-10 m V
E rep .
-4 5 0

-4 5 5
-0 ,1 0 -0 ,0 8 -0 ,0 6 -0 ,0 4 -0 ,0 2 0 ,0 0 0 ,0 2 0 ,0 4 0 ,0 6 0 ,0 8
I (m A)

FIGURA 66.- Curva de polarização linear amostra A02. Meio HCl 1N, T=70°C e
σ = 240 MPa.
109

O s r e s u l t a d o s s ã o mos t r a d o s n a t a b e l a 4 . 8 , a b a i x o .

Ta b e l a 4 . 8 - R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s p a r a d e t e r mi n a ç ã o d a
R p e i c o r . , p a r a o me i o d e H C l 1 N .

Coef. Área do
Amostra σ T Rp icor
Ensaio Stern-Geary Eletrodo
N.º (MPa) (ºC) (Ω) (mA/cm²)
(mV/dec) (cm²)
E31 - 500
A01 Amb 26 1,8 29 ±5
E32 - 520
E33 - 470
A01 70 26 1,8 31 ±5
E34 - 480
E35 240 437
A01 70 26 1,8 34 ±5
E36 240 430
E37 240 160
A02 70 26 1,8 88 ±5
E38 240 150
E39 240
A05 70 26 1,8 - -
E40 240

N a s e g u n d a e t a p a , p a r a d e t e r mi n a ç ã o d e v a l o r e s d a r e s i s t ê n c i a d e
p o l a r i z a ç ã o e i n t e n s i d a d e d e c o r r e n t e d as a mo s t r a s r e v e s t i d a s c o m c a ma d a s
d e Al , o e l e t r ó l i t o á c i d o f o i t r o c a d o p o r N a C l 3 , 5 % .
C o mo e x e mp l o , t e mos a c o n s t r u ç ã o d a c u r v a d a a mo s t r a A 0 4 ,
mos t r a d a na figura 67, nestes ensaios, c o mo citado nos ensaios
p o t e n c i o d i n â mi c o s , v i e r a m a c o n f i r ma r o e f e i t o p r o t e t i v o d a c a ma d a d e
a l u mí n i o d a a mo s t r a A 0 4 c o m 2 0 0 µm d e e s p e s s u r a , p o i s , a p e s a r d o
a u me n t o d a i c o r . e d i mi n u i ç ã o e f e t i v a d a R p , f r e n t e a o a u me n t o d e
t e mp e r a t u r a e t e n s ã o , n ã o h o u v e c o n t a t o d a s o l u ç ã o c o m o s u b s t r a t o , a q u a l
a p r e s e n t o u u ma d i s s o l u ç ã o u n i f o r me d a c a ma d a d e a l u mí n i o a s p e rgi d o , n ã o
ocasionando danos ao substrato do tubo de aço inoxidável.
110

R egres sã o Lin ear A m o stra A 04:


Y = A + B * X
P arâm etro V alor E rro
------------------------------------------------------------
-11 30 A -1 170,906 1 0 ,1 018
B 7 264,3991 3 1,9423

-11 40 + 10 m V
potencial m V

-11 50

- 10m V
-11 60
Erep.

-11 70

-11 80

-0,004 -0,002 0 ,0 00 0 ,0 02 0 ,0 04 0 ,0 06
I (m A)

FIGURA 67.- Curva de polarização linear amostra A04. Meio NaCl 3,5%, T=70°C,
σ = 240 MPa.

N a a mo s t r a A 0 5 c o m c a ma d a a s p e rgi d a c o n t e n d o r e f u s ã o , a t a x a
de corrosão sofreu alteração significativa na corrente de corrosão,
mo s t r a n d o v a l o r e s b e m ma i o r e s q u e a s d e ma i s e p o r t a n t o d e s t e s e n s a i o s
pode-se concluir que a refusão não deve ser realizado com objetivo de
me l h o r a r o c o mp o r t a me n t o c o r r o s i v o d a c a ma d a a s p e rgi d a f r e n t e a o me i o
contendo cloretos.
N a t a b e l a 4 . 9 , s ã o mos t r a d o s o s v a l o r e s d e R p e i c o r p a r a o
e l e t r ó l i t o d e NaCl 3 , 5 % , a o q u a l f o r a m f e i t o s o s e n s a i o s c o mpa r a t i v o s d e
t u b o s s e m t r a t a me n t o d e a s p e r s ã o e t u b o s c o m d i f e r e n t e s c a ma d a s d e
a l u mí n i o d e p o s i t a d o .
111

Tab e l a 4 . 9 R e s u l t a d o s d o s e n s a i o s e l e t r o q u í mi c o s p a r a d e t e r mi n a ç ã o d a R p
e i c o r . P a r a o me i o d e NaCl 3 , 5 % .

Coef. Área do
Amostra T Rp icor
Ensaio Stern-Geary Eletrodo
N.º (ºC) (Ω) (mA/cm²)
(mV/dec.) (cm²)

E41 21500
A01 70 26 1,8 0,7±0.20
E42 21350

E43 19200
A02 Amb. 26 1,8 0,8±0.20
E44 19000

E45 6400
A02 70 26 1,8 2,3±0.20
E46 6700

E47 9900
A03 70 26 1,8 1,5±0.20
E48 8400

E49 7300
A04 70 26 1,8 2,0±0.20
E50 7450

E51 5000
A05 70 26 1,8 3,0±0.20
E52 4850

N a t a b e l a a c i ma , o r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o c o m 2 0 0 µm s e m
r e f u s ã o , s o f r e u ma i o r t a x a d e o x i d a ç ão , q u a n d o e s t á n a r e g i ã o d o p o t e n c i a l
d e c o r r o s ã o . N o e n t a n t o , a ma i o r u n i f o r mi d a d e d a d e p o s i ç ã o d e a l u mí n i o ,
revela um c o mp o r t a me n t o vantajoso em relação às outras c a ma d a s
d e p o s i t a d a s , p r o v a v e l me n t e , d e v i d o á s l a me l a s d e a l u mí n i o p r ó x i ma s a
s u p e r f í c i e , s o f r e r e m me n o s c o m a v a r i a ç ã o d a s t e n s õ e s t é r mi c a s e m r e l a ç ã o
a ma t r i z d e i n o x , c o n s e q ü e n t e me n t e f a c i l i t a n d o a p a s s i v i d a d e .
A s v a r i a ç õ e s d e r e s i s t ê n c i a d e p o l a r i z a ç ã o l i n e a r e a u me n t o d a s
d e n s i d a d e s d e c o r r e n t e p a r a a s d i fe r e n t e s c a ma d a s u t i l i z a d a s , c o n fi r ma m o
p o d e r p r o t e t i v o d o a l u mí n i o , f r e n t e a os me i o s a g r e s s i v o s c o n t e n d o c l o r e t o s ,
112

p o d e n d o a g i r c o mo p r o t e t o r c a t ó d i c o , o u a i n d a , s e o r e v e s t i me n t o f o r
s u s c e p t í v e l a e s t e me i o , d e v i d o o a b a i x a me n t o d e p H , c i t a d o s n o s e n s a i o s
a n t e r i o r e s , a g i r c o mo c a ma d a b a r r e i ra , e v i t a n d o o i n í c i o d e p r o c e s s o
c o r r o s i v o p u n t i f o r me , o q u a l , v e m a g r a v a r o s e f e i t o s d a C S T.
A s t a x a s d e c o r r o s ã o o b t i d a s p e l o e n s a i o d e R P L , f o r a m s e mpr e
ma i o r e s q u e a s o b t i d a s a t r a v é s d a t é c n i c a p o t e n c i o d i n â mi c a , t a n t o p a r a o s
ensaios realizados com HCl, quanto para os ensaios usando NaCl.
D e mo n s t r a n d o q u e n a t é c n i c a p o t e n c i o d i n â mi c a , n ã o h á t e mp o
p a r a q u e o c o r r a m a s r e a ç õ e s e l e t r o q u í mi c a s , f i c a n d o o s i s t e ma , s u j e i t o a
ma i o r e s p e r t u r b a ç õ e s e i n t e r f e r ê n c i a s r e l a t i v a s a t é c n i c a .
113

V. CONCLUSÕES

As análises sobre os efeitos das tensões residuais em tubos de


a ç o s i n o x i d á v e i s a u s t e n í t i c o s A I S I 3 0 4 L s e m r e v e s t i me n t o , e n s a i a d o s n o
p r o t ó t i p o ( C U I - t e s t . ) e a s a mo s t r a s c o m e s e m r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o
e n s a i a d a s n o p r o t ó t i p o ( C E L - P o t . ) , f r e n t e a o me i o á c i d o c o n t e n d o c l o r e t o s
e t e n s ã o s u s t e n t a d a , p e r mi t i u a s s e g u i n t e s c o n c l u s õ e s :

1. A q u e b r a d a p a s s i v i d a d e d a p e l í c u l a d e ó x i d o d e c r o mo e
c o n s e q ü e n t e a d s o r s ã o d e e s p é c i e s q u í mi c a s p r e s e n t e n o me i o , p o d e g e r a r
f o r ma ç ã o d e c o r r o s ã o l o c a l i z a d a n a f o r ma d e p i t e s , p r o mo v e n d o d i mi n u i ç ã o
d a r e s i s t ê n c i a i n t e r a t ô mi c a e f a c i l i t a n d o a n u c l e a ç ã o d e t r i n c a s ;

2. O e f e i t o a u t o c a t a l í t i c o d e c l o r e t o s d e n t r o d o p i t e , o n d e t e mo s
t e n d ê n c i a a d i f u s ã o d e á t o mo s d e h i d r o g ê n i o p a r a r e g i õ e s c o m ma i o r
c o n c e n t r a ç õ e s d e t e n s õ e s , c o mo p o n t a d e t r i n c a s , i n t e r a g e m d e ma n e i r a
discutível, devido a plasticidade concentrada;

3. A propagação das trincas associadas aos processos de corrosão


s o b t e n s ã o , d e p e n d e d i r e t a me n t e d a c o n c e n t r a ç ã o d o me i o e t e mpe r a t u r a ,
p o d e n d o s e r l e n t a a t é a t i n g i r o t a ma n h o c r í t i c o p a r a o c o r r ê n c i a d a f r a t u r a .

4. A corrosão sob tensão transgranular pode ser explicada pela


f o r ma ç ã o d e p e q u e n o s p i t e s q u e s e d e s e n v o l v e m n u ma r e d e d e t ú n e i s , q u e é
r o mp i d o p o r f r a t u r a f r á g i l .

5. O a u me n t o n a d i s s o l u ç ã o a n ó d i c a p a r a o a l u mí n i o , d e v e - s e à
d e f o r ma ç ã o p l á s t i c a n a p r o p a g a ç ã o d a t r i n c a .

6. A s c a ma d a s a s p e rg i d a s mu d a m o s e f e i t o s e l e t r o q u í mi c o s e m
me i o s q u e a p r e s e n t a m c l o r e t o s ;
114

7. Considerando que o potencial de repouso do aço inox em solução


d e c l o r e t o é e m t o r n o d e – 4 5 0 mV v s . S C E , o r e v e s t i me n t o d e a l u mí n i o
d e p o s i t a d o p o r a s p e r s ã o t é r mi c a , p o d e o f e r e c e r p r o t e ç ã o a o a ç o i n o x p o r
p r o t e ç ã o c a t ó d i c a p o r a ç ã o g a l v â n i c a , u ma v e z q u e o p o t e n c i a l d e r e p o u s o
d o r e v e s t i me n t o e s t á c o m v a l o r e s ma i s n e g a t i v o s ;

8. P e l a s i n c l i n a ç õ e s d e Ta f e l a n ó d i c a s ( ß a ) , o b t i d a s n a r e g i ã o a t i v a ,
um pouco antes da região de passivação, verificou-se u m a u me n t o
s i g n i f i c a t i v o n o s v a l o r e s d a c o n s t a n t e d e Ta f e l a n ó d i c a (ßa) com o
a u me n t o d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o , c o n f i r ma n d o q u e p a r a me t a i s f o r ma d o r e s
de p e l í c u l a , u m a u me n t o d e t e mpe r a t u r a e m 1 0 ° C , a u me n t a r i a a c o r r o s ã o
l o c a l i z a d a , d e v i d o a o a c ú mu l o d e p r o d u t o d e c o r r o s ã o ;

9. N o s a n é i s d a s a mo s t r a s r e v e s t i d a s c o m a l u mí n i o e r e v e s t i d a s c o m
a l u mí n i o e p o s t e r i o r me n t e r e f u n d i d as , h o u v e d i s s o l u ç ã o t o t a l d a c a ma d a
a s p e rg i d a e m s o l u ç ã o á c i d a , e v i d e n c i a d o p e l o p o t e n c i a l d e e q u i l í b r i o d e –
450 mV vs. SCE, Ocorreu grande d e s p r e n d i me n t o de hidrogênio e
a p a r e c i me n t o de trincas na c a ma d a a s p e rg i d a sem refusão. Com o
t r a t a me n t o t é r mi c o d e r e f u s ã o a s a mo s t r a , n ã o a p r e s e n t a r a m t r i n c a s n a
c a ma d a de a l u mí n i o e substrato, devido a ação diferenciada do

i n t e r me t á l i c o C r - F e - N i - A l e m r e l a ç ã o a o í o n Cl ;

10. Te mos c a r a c t e r i z a d o n a s c u r v a s a r e g i ã o d e r e v e r s ã o d e c o r r e n t e
d e v a l o r e s c a t ó d i c o s p a r a v a l o r e s an ó d i c o s s e g u i d o d e l e v e a t i v a ç ã o , c o m o
a v a n ç o p e l a s c u r v a s p a r a v a l o r e s d e p o t e n c i a i s ma i s p o s i t i v o s . N e s t e e s t u d o
v e r i f i c a - s e u ma r e g i ã o a t i v a , s e g u i d a p o r u ma r e g i ã o p a s s i v a e u ma r e g i ã o
d e t r a n s p a s s i v a ç ã o c o m p r e s e n ç a d e p i t e s . A s c u r v a s t e n d ê n c i a m a u ma
c o r r e n t e l i mi t e d e v i d o a o s f e n ô me n o s d i f u n c i o n a i s p r e s e n t e s e m r e g i õ e s
com altos potenciais;
115

11 . N a a mo s t r a c o m c a ma d a a s p e rg i d a c o n t e n d o r e f u s ã o e m e l e t r ó l i t o
d e N a C l 3,5% , a t a x a d e c o r r o s ã o s o f r e u a l t e r a ç ã o s i g n i f i c a t i v a n a c o r r e n t e
d e c o r r o s ã o , mo s t r a n d o v a l o r e s b e m ma i o r e s q u e a s d e ma i s e p o r t a n t o d e s t e
ensaio pode-se concluir que a refusão não deve ser realizado com objetivo
d e me l h o r a r o c o mp o r t a me n t o c o r r o s i v o d a c a ma d a a s p e rg i d a f r e n t e a o
me i o c o n t e n d o c l o r e t o s .
116

VI. SUGETÕES PARA PESQUISAS POSTERIORES

S u g e r e m- s e o s s e g u i n t e s a s s u n t o s p a r a c o n t i n u i d a d e f u t u r a d e s t a
pesquisa:

1. I n v e s t i g a ç ã o d o s e f e i t o s d o a u me n t o d a c o n c e n t r a ç ã o d e c l o r e t o s
e m c a ma d a s d e a l u mí n i o a s p e rgi d o t e r mi c a me n t e n o p r o t ó t i p o C U I - t e s t . ;

2. Ava l i a ç ã o d o s f a t o r e s a g r a v a n t e s d e t e mpe r a t u r a e t e n s ã o r e s i d u a l
e m c a ma d a s d e a l u mí n i o c o m mo n i t o r a me n t o e l e t r o q u í mi c o n a C U I - t e s t . ;

3. Investigação dos processos e l e t r o q u í mi c o s relacionados á


estabilização do potencial, verificado para elevados sobrepotenciais no
r a mo a n ó d i c o ;

4. Av a l i a ç ã o d o c o mp o r t a me n t o e l e t r o q u í mi c o d e o u t r a s c a ma d a s
a s p e rg i d a s ( e x : Ti t â n i o ) , f r e n t e a o me i o á c i d o c o n t e n d o c l o r e t o s , s o b a l t a s
t e mp e r a t u r a s ;

5. E s t u d o a v a n ç a d o e m t é c n i c a s d e r e f u s ã o p a r a me l h o r a me n t o d a
c a ma d a r e f u n d i d a , a u x i l i a n d o n a p r o t e ç ã o d e ma t e r i a i s s u j e i t o s a C S T;

6. D e s e n v o l v i me n t o d e s i s t e ma d e c o n t r o l e d e c o r r o s ã o , b a s e a d o n a s
t é c n i c a s e l e t r o q u í mi c a s c i t a d a s , p a r a mo n i t o r a me n t o o n - l i n e e m t e mp o r e a l
d e s i s t e ma s d e t r o c a d e c a l o r e m r e f i n a r i a s ;

7. F o t o - e l e t r o q u í mi c a d o a ç o i n o x i d á v e l s u j e i t o a C S T;

8. F o t o - p o t e n c i a l d o a p a r e c i me n t o d e a t a q u e l o c a l i z a d o .
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