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PORTUGUÊS P/ POLÍCIA FEDERAL - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS)

PROFESSOR TERROR

Português p/ Polícia Federal


(teoria e questões comentadas)

Aula 01
(Sintaxe do período composto por subordinação adverbial, substantiva e
adjetiva, com foco em pontuação, concordância, regência e crase)

Olá!
Seja bem-vindo (a) ao nosso curso de Português para a Polícia Federal.
Nossa intenção neste curso é transmitir a você o conteúdo necessário
para a prova e mostrar a necessidade do assunto com questões anteriores da
banca CESPE, para que não haja nenhuma surpresa na hora da prova. Com
isso, é natural o número de páginas ser grande, e isso favorece você; pois
necessitamos aprofundar em alguns tópicos e praticar nas questões, para
estarmos prontos para atingirmos o nível que o concurso exige.
Como falei no início da aula demonstrativa, sua participação é muito
importante para melhorar o material didático e o aprofundamento da matéria.
Lembre-se de que, quando estudamos para concurso, ninguém quer ficar
“expert” em Português, quer é PASSAR no concurso, e a ferramenta desse
trabalho é nosso esforço conjunto; por isso SEMPRE estou disponível para tirar
as dúvidas da aula. Fico LIGADO direto no fórum para prestar qualquer ajuda e
não fique receoso (receosa) em perguntar, pois isso faz parte da aula e ajuda
na sua dinâmica.
Outra coisa importante é o local em que estudamos: se for escolhido um
lugar que propicie interpelação de outras pessoas, tirando a sua atenção,
mesmo que de vez em quando, isso não traz benefícios ao seu estudo.
Então, pense o seguinte: local de estudo deve ser claro e SILENCIOSO.
Ah! Cuidado com a postura ao sentar-se, pois isso pode derrubar seu
entusiasmo. Ninguém consegue estudar se passar a ter uma dor na coluna,
correto?!!!!!!
Siga uma rotina, escolha dias certos para estudar nossa matéria,
horários fixos ajudam a nossa disciplina intelectual. E concurseiro que não tem
disciplina, organização e persistência não passa.
O tema desta aula engloba uma parte pesada da matéria. Abordaremos
os termos básicos da oração, sempre atentos à pontuação, à regência
(exigência ou não de preposição) e à concordância (flexão de nome ou verbo).
Depois veremos todas as orações subordinadas.
A sintaxe é tema extenso e vamos aplicá-la quanto a seu emprego,
NUNCA COMO DECOREBA, OK???!!!!!
Mas o que é sintaxe?
A sintaxe trabalha a relação das palavras dentro de uma oração.
Basicamente uma oração deve ter um verbo e este verbo normalmente se

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flexiona de acordo com o sujeito (de quem se fala) e relaciona-se com o
predicado (o que se fala), de acordo com a transitividade.
Veja as frases a seguir para que fique tudo bem claro. Pautemo-nos na
estrutura SVO (sujeito→verbo→complemento), a qual não admite separação
por vírgula:
1. O candidato realizou a prova.
2. duvidou do gabarito.
3. enviou recursos à banca examinadora.
4. tem certeza de sua aprovação.
5. viajou.
6. estava tranquilo.

sujeito predicado
Toda vez que fazemos uma análise sintática, devemos nos basear no
verbo. A partir dele, reconhecemos os outros termos da oração. Não se quer
aqui que você decore todos os termos da oração, basta entendê-los, pois a
banca CESPE cobra a funcionalidade dos termos e veremos como cai a seguir.
Veja os verbos elencados nos exemplos. Todos eles estão no singular.
Isso ocorreu porque eles dizem respeito a um termo, que é o sujeito “O
candidato”. Se ele está no singular, é natural que o verbo também esteja. Já
que o verbo se flexiona de acordo com o sujeito, a gramática dá o nome a isso
de “concordância verbal”.
Mas há tanta regra de concordância, será que temos que decorar tudo?
Definitivamente não! Você deve entender quem é o sujeito, qual é o tipo,
para saber flexionar o verbo. Então nada daquela decoreba da concordância
verbal, para esta banca.

Concordância verbal

1. O candidato realizou a prova.


2. duvidou do gabarito.
3. enviou recursos à banca examinadora.
4. tem certeza de sua aprovação.
5. viajou.
6. estava tranquilo.

sujeito predicado
Vimos, simplificadamente, a relação do sujeito com o verbo, chamada de
concordância verbal. Na próxima aula, aprofundaremos nisso.
Agora, vamos trabalhar a relação do verbo dentro do predicado. Nas
frases de 1 a 4, os verbos “realizou”, “duvidou”, “enviou” e “tem” necessitam
dos vocábulos posteriores para terem sentido na oração, por exemplo: realizou
o quê?, duvidou de quê?, enviou o quê? a quem?, tem o quê?
Assim, você vai notar que eles dependem dos termos subsequentes para
terem sentido. Isso ocorre porque o sentido deve transitar do verbo para o
complemento. Por isso falamos que o verbo é transitivo. Sozinho, não
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consegue transmitir todo o sentido, necessitando de um complemento. Dessa
forma, os termos “a prova”, “do gabarito”, “recursos”, “à banca examinadora”
e “certeza” completam o sentido destes verbos.
Para facilitar o entendimento, podemos dizer que a preposição seria um
obstáculo. Havendo uma preposição, o trânsito é indireto. Retirando-se a
preposição, o trânsito é livre, direto.
Então observe o verbo “realizou”. Ele não exige preposição. Assim, o
termo que vem em seguida é seu complemento verbal direto. Já o
complemento do verbo “duvidou” é indireto, pois o trânsito está dificultado
(indireto) tendo em vista a preposição “de”.
Já que, na frase 1, há complemento verbal direto, o verbo “realizou” é
chamado de transitivo direto (VTD). Na frase 2, como há preposição exigida
pelo verbo “duvidou”, diz-se que este verbo é transitivo indireto (VTI) e seu
complemento é indireto. Na frase 3, há dois complementos exigidos pelo
verbo: um(direto) e outro(indireto).
A gramática dá o nome a todo complemento verbal de objeto, por isso o
complemento verbal direto é o objeto direto (OD) e o complemento verbal
indireto é o objeto indireto(OI).
Já que entendemos que a transitividade é uma exigência do verbo, pois
necessita de um complemento verbal, a gramática dá o nome a este processo
de “Regência”, pois ele exige, rege o complemento. Se é um verbo que exige,
é natural que a regência seja verbal, a qual veremos nas próximas aulas. Mas
agora cabe apenas entender a estrutura abaixo.
Veja:
Regência Verbal

1. O candidato realizou a prova.


VTD + OD
2. duvidou do gabarito.
VTI + OI
3. enviou recursos à banca examinadora.
VTDI + OD + OI

sujeito predicado
Mas não é só o verbo que pode ser transitivo. Nome também pode ter
transitividade. Nomes como “certeza”, obediência, dúvida, longe, perto, fiel,
etc são chamados de transitivos porque necessitam de um complemento para
ter sentido. Alguém tem certeza de algo, dúvida de algo, obediência a alguém
ou a algo. Alguém mora perto de outra pessoa ou longe dela. Alguém é fiel a
algo ou a alguém.
Estes nomes exigem transitividade, com isso há um complemento, o qual
é chamado de complemento nominal (CN).
Logicamente, há contextos em que o complemento não estará explícito
na frase; por exemplo, se queremos dizer que alguém reside muito distante,
podemos dizer que ele mora longe. Neste caso o nome “longe” deixou de ser
transitivo, não exigiu o complemento nominal, pois este ficou implícito. Por
isso não devemos decorar, mas entender o contexto, a funcionalidade. Se o

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complemento não está explícito, não temos de identificá-lo. Falamos que o
nome exige complemento, mas tudo depende do contexto.
Vimos que a regência verbal trata basicamente do complemento do
verbo. Se há um nome que exige complemento, então temos a Regência
Nominal. Veja a frase 4:
Regência Nominal

4. O candidato tem certeza de sua aprovação.


VTD + OD + CN

sujeito predicado
Note que o verbo “tem” é transitivo direto e “certeza” é o objeto direto. A
expressão “de sua aprovação” não complementa o verbo, ela complementa o
nome “certeza”: certeza de sua aprovação.
O estudo da Regência Nominal, na realidade, é realizado para
descobrirmos quais preposições iniciam o complemento nominal.
Então atente quanto à diferença da oração 3 (VTDI + OD + OI) para a 4
(VTD + OD + CN).
Agora, vamos à oração 5. Note que o verbo “viajou” não exige nenhum
complemento verbal. Então não há transitividade. Se quisermos uma estrutura
posterior, naturalmente inseriremos uma ou mais circunstâncias. A essas
circunstâncias damos o nome de adjunto adverbial. Poderíamos dizer que o
candidato viajou a algum lugar, em determinado momento, o modo como
viajou, a causa da viagem. Tudo isso são circunstâncias, as quais possuem o
valor de lugar, tempo, modo e causa. Essas são as circunstâncias básicas, mas
há mais e veremos adiante. Então veja como ficaria:

O candidato viajou para São Paulo ontem confortavelmente a trabalho.

sujeito VI Adj Adv lugar Adj Adv Adj Adv Adj Adv
tempo modo causa

O adjunto adverbial não ocorre só com verbo intransitivo, ele pode


aparecer junto a qualquer verbo. Por exemplo, nas frases 1 a 3, poderíamos
inserir o adjunto adverbial de tempo “ontem”. Na frase 4, poderíamos inserir o
adjunto adverbial de causa: “devido a seu estudo”.
Essas 5 frases possuem verbos com transitividade (VTD, VTI, VTDI) e
sem transitividade (VI). Toda vez que, na oração, ocorrem esses tipos verbais,
dizemos que eles são os núcleos (palavra mais importante) do predicado,
assim teremos os Predicados Verbais, com a seguinte estrutura:
Predicado verbal = VTD + OD
VTI + OI
VTDI + OD + OI
VI
Esse é o esquema básico, e nada impede de haver adjunto adverbial e
complemento nominal em todos eles.
Falta apenas um tipo de verbo: o de ligação.
Veja a frase 6: O candidato estava tranquilo.

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O termo “tranquilo” caracteriza o sujeito “O candidato”, por isso se
flexiona de acordo com ele. O verbo “estava” serve para ligar esta
característica ao sujeito, por isso é chamado de verbo de ligação, e o termo
que caracteriza o sujeito é chamado de predicativo.
O predicativo serve normalmente para caracterizar o sujeito e por isso se
flexiona com ele. Se o sujeito fosse “candidata”, naturalmente o predicativo
seria “tranquila". A essa flexão de um predicativo em relação ao sujeito damos
o nome de Concordância Nominal. Nas gramáticas, há um capítulo só para a
concordância nominal, e a flexão do predicativo em relação ao sujeito é um
dos pontos principais, mas isso veremos em outra aula.
O predicativo sempre será núcleo do predicado, por causa disso seu
predicado é chamado de Predicado Nominal, com a seguinte estrutura:
Predicado Nominal = VL + predicativo
O predicativo não ocorre somente no predicado nominal, ele também
pode fazer parte do predicado verbo-nominal; mas isso é assunto para ser
visto adiante. Por enquanto, é importante entender a seguinte estrutura:

Concordância verbal
Regência verbal
1. O candidato realizou a prova.
VTD + OD
2. duvidou do gabarito.
VTI + OI
3. enviou recursos à banca examinadora. Predicado
VTDI + OD + OI Verbal
Regência nominal
4. tem certeza de sua aprovação.
VTD + OD + CN
5. viajou.
VI
6. estava tranquilo. Predicado
VL + predicativo Nominal

Concordância nominal

sujeito predicado

Pronto, reconhecemos os tipos de verbos, agora fica mais fácil


trabalharmos o sujeito.
O sujeito é um termo da oração do qual se declara alguma coisa, ele
possui um núcleo (palavra de valor substantivo) e geralmente algumas
palavras de valor adjetivo que servem para caracterizá-lo. Veja a oração
abaixo.
As primeiras viagens de Joaquim foram excelentes.

sujeito Predicado nominal

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O verbo de ligação “foram” e o predicativo “excelentes” flexionaram-se
no plural porque o substantivo “viagens” está no plural. Esse substantivo, por
ser a palavra principal dentro do sujeito e não ser antecedido de preposição,
possui a função sintática de núcleo do sujeito. Ele leva o verbo “foram” a
concordar com ele (concordância verbal) e o predicativo “excelentes” também
(concordância nominal). Além disso, dentro do sujeito, há palavras que servem
para caracterizá-lo: “As”, “primeiras” e “de Joaquim”. Essas palavras têm o
nome de adjunto adnominal, cujo papel é caracterizar o núcleo e se flexionar
de acordo com ele (concordância nominal). Note que, dentro do sujeito,
apenas a expressão “de Joaquim” não sofreu flexão, isso porque é uma
locução; assim a preposição (de) e o sentido impedem essa flexão. Veja as
funções sintáticas:
Concordância nominal

As primeiras viagens de Joaquim foram excelentes.


Adj Adn Adj Adn núcleo Adj Adn verbo de predicativo
ligação

sujeito Predicado nominal

Com base no que vimos até agora, percebemos a estrutura básica dos
predicados verbal (VTD + OD; VTI + OI; VTDI + OD + OI; VI) e nominal (VL +
predicativo). Portanto, podemos perceber que não pode haver vírgula
entre sujeito, verbo e complementos. Observe as orações anteriores. Elas
não possuem vírgula, justamente porque são constituídas de termos básicos
da oração.

Agora, vamos a algumas questões. Note que elas lançam uma


afirmativa, e o candidato deve julgar se ela está certa ou errada.
Questão 1: TRE - PA / 2007 / nível superior
Fragmento do texto: A justiça eleitoral mineira mantém o projeto Justiça
Eleitoral na Escola, voltado para crianças e adolescentes...
O trecho “o projeto Justiça Eleitoral na Escola” completa o sentido do verbo
mantém.
Comentário: Note que o verbo “mantém” possui sujeito (“A justiça eleitoral
mineira“). Esse verbo é transitivo direto (alguém mantém algo), então o
termo “o projeto Justiça Eleitoral na Escola” é o objeto direto. Como
sabemos que o objeto direto serve para completar o sentido do verbo (VTD), a
afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 2: ABIN / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: Tais dilemas decorrem, por exemplo, da tensão entre a
necessidade de segredo governamental e o princípio do acesso público à
informação ou, ainda, do fato de não se poder reduzir a segurança estatal à
segurança individual, e vice-versa.
A retirada da preposição de em “do fato” (linha 3) — que passaria a o fato —
implicaria prejuízo à estrutura sintática do texto.
Comentário: O verbo “decorrem” é transitivo indireto e a expressão “da

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tensão entre a necessidade de segredo governamental e o princípio do acesso
público à informação ou, ainda, do fato de não se poder reduzir a segurança
estatal à segurança individual” completa o sentido deste verbo. Veja que a
expressão “do fato” está paralela à expressão “da tensão”, pois as duas são
exigidas pelo verbo “decorrem”. Essas duas expressões são ligadas pela
conjunção alternativa “ou” e formam o objeto indireto composto.
Com a retirada da preposição “de”, o substantivo “fato” deixaria de ser o
segundo núcleo desse objeto indireto e passaria a se ligar à preposição
“entre”, o que tornaria a estrutura truncada. A conjunção “e” liga apenas os
dois substantivos “necessidade” e “princípio”.
Por tudo isso, a exclusão da preposição realmente implicaria prejuízo à
sintaxe e, assim, a questão está correta
Gabarito: C

Questão 3: Médico Perito INSS / 2009 / nível superior


Julgue a frase quanto à correção gramatical:
O fato de haver vacinação compulsória, foi apenas mais um dos elementos
para que a população do Rio, insatisfeita com o “bota-abaixo” e insuflada pela
imprensa, se revoltasse.
Comentário: Vimos que é importante reconhecer os termos básicos da
oração para que se evite a separação deles por vírgula. Justamente isso foi
cobrado nesta questão.
Perceba que a vírgula antes do verbo “foi” separou o sujeito do seu
predicado. Por isso há erro gramatical.
Gabarito: E

Questão 4: Médico Perito INSS / 2009 / nível superior


Fragmento do texto: O episódio transformou, no período de 10 a 16 de
novembro de 1904, a recém-reconstruída cidade do Rio de Janeiro em uma
praça de guerra, onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos
generalizados.
A expressão “confrontos generalizados” desempenha a função sintática de
complemento de “ocorreram”.
Comentário: A expressão “confrontos generalizados” não completa o sentido
do verbo “ocorreram”, porque ela não é um complemento verbal. Na
realidade, essa expressão é o sujeito deste verbo.
Note que o verbo “ocorreram” está se flexionando no plural, justamente
por concordar com o seu sujeito “confrontos generalizados”.
Nesta questão, na realidade, a banca quis induzir o candidato a pensar
que “confrontos generalizados” fosse o objeto direto (quando afirmou que este
termo completa o sentido do verbo).
Assim, não temos que decorar os termos da oração, mas entender o seu
emprego. Um sujeito não completa o sentido do verbo. Esse papel é dos
complementos verbais. Eles, sim, são usados na linguagem justamente para
isso.
Gabarito: E

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Questão 5: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior
No trecho “Meu pai era um homem bonito com muitas namoradas”, o
sintagma “um homem bonito com muitas namoradas” complementa o sentido
do verbo.
Comentário: O sintagma “um homem bonito com muitas namoradas” não
complementa o sentido do verbo por não ser complemento verbal (objeto
direto ou indireto), na realidade ele caracteriza o sujeito “Meu pai”, por ser o
predicativo do sujeito.
Gabarito: E

Questão 6: ABIN / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: Os sistemas de inteligência são uma realidade concreta
na máquina governamental contemporânea, necessários para a manutenção
do poder e da capacidade estatal. Entretanto, representam também uma fonte
permanente de risco. Se, por um lado, são úteis para que o Estado
compreenda seu ambiente e seja capaz de avaliar atuais ou potenciais
adversários, podem, por outro, tornar-se ameaçadores e perigosos para os
próprios cidadãos se forem pouco regulados e controlados.
Os adjetivos “úteis” (linha 4), “atuais” (linha 5) e “perigosos” (linha 6)
caracterizam os “sistemas de inteligência” (linha 1).
Comentário: Os adjetivos “úteis” e “perigosos” são predicativos do sujeito e
se referem a “Os sistemas de inteligência”. Portanto, qualificam esse sujeito.
Já o adjetivo “atuais” é adjunto adnominal de “adversários”, qualificando-o.
Portanto, a afirmativa da questão está errada, pois o referente não é o mesmo
para todos os adjetivos.
Gabarito: E

Questão 7: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) presta
atendimento universal e gratuito a 160 milhões de brasileiros que não têm
planos de saúde privados.
No trecho “a 160 milhões de brasileiros”, a preposição “a” é exigida devido à
regência de “atendimento”.
Comentário: Perceba que realmente é o substantivo “atendimento” que exige
o complemento nominal. Os adjetivos “universal” e “gratuito” são apenas
características deste substantivo e não exigem preposição.
Gabarito: C

Questão 8: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Em uma visão fenomenológica, os chamados estados
da mente perante a verdade podem ser descritos como o tipo de experiência
vivida pelo analista de inteligência no contato com o fenômeno acompanhado.
Assim sendo, os fatos analisados não podem ser dissociados daquele que
produz o conhecimento. Quando a mente se posiciona perante a verdade, o
que de fato ocorre é um processo ativo de auto-regulação entre uma pessoa,
seus conhecimentos preexistentes (a priori) e um novo fato que se apresenta.
Subentende-se, pelas relações de sentido que se estabelecem no texto, que
“daquele” (linha 4) retoma, por coesão, “fenômeno” (linha 3), precedido pela
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preposição de, exigida por “dissociados” (linha 4).
Comentário: A preposição “de” realmente é exigida pelo particípio
“dissociados”. Porém, o pronome demonstrativo “daquele” retoma, por
recurso anafórico, “fatos”. Naturalmente haveria dúvida, pois “daquele”
encontra-se no singular e “fatos”, no plural. Porém a preposição “de” marca a
parte de algo, assim se entende que os fatos analisados não podem ser
dissociados daquele (específico, restrito) que produz o conhecimento. Por isso,
pode-se flexionar no singular.
Gabarito: E

Questão 9: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Assim, os campos mórficos podem representar um
novo ponto de partida para compreendermos nossa herança cultural e a
influência de nossos ancestrais.
A flexão de primeira pessoa do plural em “compreendermos” indica que o
sujeito da oração em que esse verbo ocorre é diferente do sujeito da oração
anterior.
Comentário: O sujeito “nós” está implícito em “compreendermos”, e o sujeito
da oração anterior é “os campos mórficos” em relação à locução verbal
“podem representar”. Por isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C
Vimos os termos básicos da oração. Entendemos a funcionalidade de
cada um. Percebemos que, entre sujeito, verbo, complementos (verbais e
nominais) e predicativo, não há vírgula.
Atente ao fato de que os objetos direto e indireto servem para completar
o sentido do verbo e o complemento nominal serve para completar o sentido
do nome. Lembre-se também de que o predicativo existe para caracterizar o
sujeito.
Bom, agora, vamos trabalhar o aposto. Esse termo é muito importante
no tocante à pontuação.
Aposto
É um termo que amplia, explica, desenvolve ou resume o conteúdo de
outro termo. O termo a que o aposto se refere pode desempenhar qualquer
função sintática. Observe:
Nossa terra, o Brasil, carece de políticas sociais sérias e consequentes.
Nessa oração, “nossa terra” é o sujeito, e “o Brasil” é aposto desse
sujeito, pois amplia e especifica o conteúdo do termo a que se refere.
O aposto classifica-se em:
I – explicativo, o qual é destacado por pausas, podendo ser
representadas por vírgulas, dois-pontos, travessões e até por parênteses. Pode
vir precedido de expressões explicativas do tipo: a saber, isto é, quer dizer etc.
Raquel, contadora da firma, está viajando.
Só queria algo: apoio.
Um trabalho – tua monografia – foi premiado.
A ABIN (Agência Brasileira de Inteligência) foi criada em 1999.

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II - enumerativo ou distributivo, o qual é uma sequência de elementos
usada para desenvolver uma ideia anterior. É separado por dois-pontos, e cada
um dos elementos enumerados é separado por vírgula, como visto na aula
passada (nas enumerações). Se houver apenas dois elementos enumerados,
eles podem ser separados também pela conjunção “e”. Veja:
Ganhei dois presentes: uma joia especial e um livro raro.
Suas reivindicações incluíam muitas coisas: melhor salário,
melhores condições de trabalho, assistência médica extensiva a
familiares.
III - resumitivo ou recapitulativo, o qual é usado para resumir termos
anteriores. É representado, geralmente, por um pronome indefinido.
Glória, poder, dinheiro, tudo passa.
O sujeito composto “glória, poder, dinheiro” é resumido pelo pronome
indefinido tudo, por isso o verbo concorda com o aposto, portanto, verbo no
singular. Note que este tipo de aposto é separado por vírgula do termo
anterior.
IV - especificativo ou apelativo, o qual não pede sinais de pontuação,
indica o nome de alguém ou de algo dito anteriormente.
O compositor Chico Buarque é também um excelente escritor.
O estado é cortado pelo rio São Francisco.
Observação:
O aposto também pode se referir a uma oração:
Esforcei-me bastante, o que causou muita alegria em todos.
Palavras como o, coisa, fato etc. podem referir-se a toda uma oração.
Nestes casos, obrigatoriamente haverá separação por vírgula, cabendo
também o travessão.
Questão 10: ABIN / 2008 / nível superior
Fragmento do texto: Não se podendo repetir a relação sujeito-objeto, é
forçoso afirmar que seria impossível a reprodução exata de qualquer situação
de pesquisa, o que ressalta a importância da descrição do fenômeno e o
caráter vivo dos postulados teóricos.
Logo após “pesquisa” (linha 3), estaria gramaticalmente correto e coerente
com o desenvolvimento das idéias do texto o emprego do travessão simples
no lugar da vírgula.
Comentário: Note que o pronome demonstrativo “o” é um aposto e retoma a
informação dita anteriormente; por esse motivo, pode ser separado também
por travessão.
Gabarito: C

Questão 11: Polícia Federal / 2004 / nível médio


Fragmento do texto: O discurso pretende impor essa ideia como caminho
único para o desenvolvimento das nações, sejam elas ricas ou pobres. Na
prática — hoje mais do que ontem —, o mercado é uma via de mão única:
livre para os países ricos e pleno de barreiras e restrições às nações

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emergentes.
O termo que sucede o sinal de dois-pontos tem a função de introduzir uma
enumeração de elementos caracterizadores de “mercado”, que justificam
porque este é considerado “via de mão única”.
Comentário: O aposto enumerativo normalmente é usado para, além de
enumerar, explicar termo anterior. O aposto “livre para os países ricos e pleno
de barreiras e restrições às nações emergentes” textualmente tem a intenção
de retomar “mercado”, enumerando características que justifiquem considerá-
lo “uma via de mão única”. Por isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 12: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior


Fragmento do texto: As ciências humanas e sociais contemporâneas
exprimem essas necessidades da sociedade capitalista, ou seja, desse sujeito
abstrato, mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de
disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo
empírico.
No trecho “mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de
disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo
empírico”, o emprego dos dois-pontos introduz uma citação.
Comentário: Não há uma citação (transcrição da fala de alguém), mas uma
enumeração, pois “a universalidade naturalista e a diversidade do culturalismo
empírico” é aposto enumerativo, por isso há o uso de dois-pontos.
Gabarito: E

Questão 13: ABIN / 2008 / nível médio


Fragmento do texto: Em 2002, o Congresso Nacional, por meio da Comissão
Mista de Controle das Atividades de Inteligência, promoveu o seminário
“Atividades de Inteligência no Brasil: Contribuições para a Soberania e para a
Democracia”, com a participação de autoridades governamentais,
parlamentares, acadêmicos, pesquisadores e profissionais da área de
inteligência.
Se o sinal de dois-pontos (linha 3) fosse substituído por travessão, estaria
mantida a correção gramatical do título do seminário (linhas 3 e 4).
Comentário: Perceba que, no título do seminário, “Contribuições para a
Soberania e para a Democracia” desempenha a função de aposto explicativo.
Entende-se, portanto, que as “Atividades de Inteligência no Brasil” são uma
forma de contribuir para a soberania e para a democracia. Por esse motivo,
podem-se substituir os dois-pontos por travessão mantendo a
gramaticalidade.
Gabarito: C

Questão 14: (ANS / 2005 / nível Superior)


Fragmento do texto: Existe, por certo, um abismo muito largo e profundo
entre a cosmovisão dos médicos em geral (fundada em sua leitura dos
fenômenos biológicos) e as concepções de vida da vasta maioria da
população. Salta à vista, na abordagem do assunto (a ética e a verdade do
paciente), que se fica, mais uma vez, diante da pergunta feita por Pôncio
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Pilatos a Jesus Cristo, encarando, como estava, um homem pleno de sua
verdade, “O que é a verdade?” E é evidente que um e outro se cingiam a
verdades díspares.
Nas linhas 4 e 5, os sinais de parênteses são empregados para intercalar uma
explicação do que seria o “assunto”.
Comentário: A expressão “a ética e a verdade do paciente” identifica o
assunto, explica-o; por isso é um aposto explicativo e ficou separado por
parênteses.
Gabarito: C
Outro termo importante é o vocativo, pois implica diretamente o uso de
vírgula.
Vocativo

O nome vocativo nos faz pensar em várias palavras ligadas à ideia de


“chamar”, “atrair a atenção”: evocar, convocar, evocação, vocação. Vocativo é
justamente o nome do termo sintático que serve para nomear um interlocutor
a quem se dirige a palavra. É um termo independente: não faz parte do sujeito
nem do predicado, possui valor exclamativo, muitas vezes confundido com o
aposto, pois exige vírgulas. Pode aparecer em posições variadas na frase.
Márcia, pegue o seu exemplar.
Veja, menina, aquela árvore.
Estamos aqui, papai.
Nessas orações, os termos destacados são vocativos: indicam e
nomeiam o interlocutor a quem se está dirigindo a palavra. Ele fica separado
por vírgula justamente para evitar confundi-lo com o sujeito.
Bom, vimos os termos básicos de uma oração, os quais não podem ser
separados por vírgula, além do aposto e do vocativo, os quais são termos
acessórios e, na prova, basicamente se cobra o uso da vírgula.
Também vimos na aula anterior que, se no enunciado há apenas um
verbo, naturalmente temos apenas uma oração; porém, se inserirmos mais um
verbo, obviamente teremos duas orações. É justamente isso que veremos
agora.
Devemos perceber que sujeito, objeto direto, objeto indireto e
complemento nominal são termos eminentemente substantivos. Isso quer
dizer que seus núcleos devem ser substantivos ou palavras de valor
substantivo. Os termos predicativo e aposto podem ter núcleos substantivos ou
adjetivos, mas cabe agora falarmos apenas de seu valor substantivo.
Por exemplo, “isso” é um pronome. Por possuir valor substantivo, pode
ocupar as funções sintáticas faladas anteriormente. Veja:
Isso é lindo. (Isso = sujeito)
Vi isso. (isso = OD)
Sei disso. (disso = OI)
Sou obediente a isso. (a isso = CN)
Ela é isso. (isso = predicativo)
Só quero uma coisa: isso. (isso = aposto)
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Um macete para sabermos se a palavra tem valor substantivo é trocá-la
pelo pronome demonstrativo substantivo “ISSO”. Não é sempre que dá certo
com o aposto, mas ele tem uma estrutura bem característica.
E por que isso é importante?
Quando os termos sujeito, objeto direto, objeto indireto, complemento
nominal, predicativo e aposto (de valor substantivo) recebem um verbo,
transformam-se numa oração subordinada substantiva.

Período composto por subordinação substantiva


Com base nas frases abaixo, observe os termos em negrito e suas
funções sintáticas. Quando o termo recebe um verbo, vira uma oração. Veja:

Era indispensável teu regresso.


1 VL + predicativo (sujeito simples)
período simples (oração absoluta)

Era indispensável que tu regressasses.


2 VL + predicativo Suj + VI
oração principal oração subordinada substantiva subjetiva
período composto

Era indispensável tu regressares.


3 VL + predicativo Suj + VI
oração principal oração subordinada substantiva subjetiva (reduzida de infinitivo)
período composto

Na frase 1, temos apenas uma oração (período simples), pois há apenas


um verbo: “Era”. Esse verbo é de ligação, seguido do predicativo
“indispensável” e o sujeito “teu regresso”.
Na frase 2, o então sujeito “teu regresso” recebeu um verbo e foi
modificado para “que tu regressasses”. Assim, há duas orações (período
composto). Note que esta oração recentemente formada não produz sentido
sozinha; por isso a chamamos de subordinada. Ela é considerada substantiva
por ter sido gerada de um termo substantivo. Para se reforçar isso, podemos
trocá-la pelo pronome “isso”. Veja: Isso era indispensável. O pronome “isso”
continua na função de sujeito, então a oração sublinhada terá a função de
sujeito da oração principal.
Note que a oração subordinada substantiva será sempre o termo que
falta na oração principal. Confirme isso na frase 2: na oração principal só há
(VL + predicativo), falta o sujeito, que é toda a oração posterior. Esta oração é
chamada de desenvolvida, pois possui conjunção (integrante “que”) e o verbo
está conjugado em tempo e modo verbal (regressasses).
Na frase 3, a oração sublinhada perdeu a conjunção integrante “que” e
isso fez com que reduzíssemos a quantidade de vocábulos da oração. Assim, o
verbo que se encontrava conjugado passou a uma forma infinitiva. Por esse
motivo, dizemos que a oração sublinhada na frase é reduzida de infinitivo.
Essa denominação completa você não precisa decorar, basta entender o
processo, a estrutura. A banca CESPE não pergunta o nome, mas quer saber o
emprego disso.
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Seguem agora outras estruturas em que o termo, ao receber o verbo,
passa a ser uma oração subordinada substantiva.
Na ata da reunião constava a presença deles. (Isso constava na ata da reunião)
adjunto adverbial de lugar + VI + sujeito

Na ata da reunião constava que eles estivessem presentes.


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva

Na ata da reunião constava eles estarem presentes.


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

Foi anunciado o aumento do preço dos combustíveis. (Isso foi anunciado)


locução verbal + sujeito

Foi anunciado que o preço dos combustíveis aumentará.


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva

Foi anunciado ontem aumentar o preço dos combustíveis.


oração principal + oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

As orações subordinadas substantivas subjetivas são também


denominadas de sujeito oracional. Vale lembrar que o verbo da oração
principal que tem como sujeito a oração subordinada substantiva subjetiva
deve ficar sempre na terceira pessoa do singular. Assim, mesmo que haja
vocábulos no plural no sujeito oracional, a oração principal permanecerá com o
verbo no singular. Veja que o verbo “constava” não se flexionou no plural,
mesmo o sujeito oracional possuindo vocábulos no plural.
Agora veremos os complementos verbais. Perceba que na oração
principal, o verbo possui sujeito, é transitivo direto ou indireto e necessita de
um complemento, o qual será toda a oração posterior.
Economistas previram um aumento no desemprego. (Economistas previram isso.)
sujeito + VTD + objeto direto

Economistas previram que o desemprego aumentaria.


oração principal + oração subordinada substantiva objetiva direta

Economistas previram aumentar o desemprego.


oração principal + oração subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo

Note agora que, se o objeto indireto e o complemento nominal (os quais


são termos iniciados por preposição) recebem o verbo, naturalmente vão
continuar com a preposição antecedendo-os.

Teus amigos confiam em tua vitória. (Teus amigos confiam nisso.)


sujeito + VTI + objeto indireto

Teus amigos confiam em que tu vencerás.


oração principal + oração subordinada substantiva objetiva indireta

Teus amigos confiam em venceres.


oração principal + oração subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo

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Teus pais estavam certos de tua volta. (Teus pais estavam certos disso.)
sujeito + VL + predicativo + complemento nominal

Teus pais estavam certos de que tu voltarias.


oração principal + oração subordinada substantiva completiva nominal
Teus pais estavam certos de voltares.
oração principal + oração subordinada substantiva completiva nominal reduzida de infinitivo

Note que a oração predicativa transmite a característica do sujeito.


Nossa maior preocupação era a chuva.
sujeito + VL + predicativo

Nossa maior preocupação era que chovesse.


oração principal + oração subordinada substantiva predicativa

Nossa maior preocupação era chover.


oração principal + oração subordinada substantiva predicativa reduzida de infinitivo

Todas as orações até aqui elencadas puderam ser substituídas pela


palavra “ISSO”. Apenas a oração apositiva normalmente não transmite
coerência com essa troca; porém, observe que a banca não cobra o nome,
mas pergunta se os dois pontos marcam o início de um aposto ou se marcam o
início de um esclarecimento, desenvolvimento de uma palavra anterior.
Veja:
Todos defendiam esta ideia: a desapropriação do prédio.
sujeito + VTD + objeto direto + aposto

Todos defendiam esta ideia: que o prédio fosse desapropriado.


oração principal + oração subordinada substantiva apositiva
Todos defendiam esta ideia: o prédio ser desapropriado.
oração principal + oração subordinada substantiva apositiva reduzida de infinitivo

Agora que já vimos todas as orações substantivas, vem a pergunta: Por


que temos de identificar esse tipo de oração? Porque...
a) excetuando o aposto, vimos que esses termos substantivos não são
separados por sinal de pontuação, portanto não podemos separar a oração
subordinada substantiva de sua oração principal por vírgula;
b) quando esse tipo de oração tiver a função de sujeito, objeto direto
e predicativo, normalmente não será precedido de preposição;
c) a conjunção que as inicia é chamada integrante (que, se), a
qual não possui valor semântico, nem função sintática;
d) quando houver oração subordinada substantiva subjetiva (sujeito
oracional), o verbo da oração principal sempre ficará na terceira pessoa do
singular.
Outra coisa importante!!!

A conjunção integrante “que” geralmente expressa certeza:


Diga que começou o trabalho.

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A conjunção integrante “se” geralmente expressa dúvida:
Diga se começou o trabalho.
Questão 15: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior
Fragmento do texto: É fácil, hoje em dia, confundir as limitações crescentes
impostas ao Estado-nação com a construção de um espaço de livre circulação
dos indivíduos, promovido pelo movimento desembaraçado de mercadorias e
capitais.
O trecho “confundir as limitações crescentes impostas ao Estado-nação com a
construção de um espaço de livre circulação dos indivíduos, promovido pelo
movimento desembaraçado de mercadorias e capitais” exerce a função
sintática de sujeito.
Comentário: A oração principal “É fácil, hoje em dia,” é constituída de verbo
de ligação “É”, predicativo “fácil” e adjunto adverbial de tempo “hoje em dia”.
Na sequência, ocorreu a oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de
infinitivo.
Gabarito: C

Questão 16: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior


Fragmento do texto: Não há dúvida de que, no início do século XXI, os
Estados Unidos da América chegaram mais perto do que nunca da
possibilidade de constituição de um “império mundial”.
O emprego da preposição “de” em “Não há dúvida de que” justifica-se pela
regência da forma verbal “há”.
Comentário: O verbo “há” é transitivo direto e seu objeto direto é o
substantivo “dúvida”. Este substantivo possui transitividade e necessita do
complemento nominal “de que, no início do século XXI, os Estados Unidos da
América chegaram mais perto do que nunca da possibilidade de constituição
de um ‘império mundial’. Assim, a preposição “de” liga-se ao substantivo
“dúvida”, e não ao verbo.
Gabarito: E

Questão 17: Procurador Federal - AGU / 2002 / nível superior


Fragmento do texto: A minha firme convicção é que, se não fizermos todos
os dias novos e maiores esforços para tornar o nosso solo perfeitamente livre,
se não tivermos sempre presente a ideia de que a escravidão é a causa
principal de todos os nossos vícios, defeitos, perigos e fraquezas nacionais, o
prazo que ainda tem de duração legal − calculadas todas as influências que
lhe estão precipitando o desfecho − será assinalado por sintomas crescentes
de dissolução social.
A substituição do trecho “A minha firme convicção é que” por A minha firme
convicção é a de que estaria em desacordo com as exigências de
formalidade da norma culta escrita.
Comentário: A substituição não provoca desacordo com a norma culta, pois
haveria apenas a mudança sintática de uma oração predicativa para uma
completiva nominal. Ao se inserir o artigo “a” após o verbo de ligação “é”,
naturalmente se subentende o substantivo “convicção” no novo termo. O
artigo “a” ocupa a função sintática de predicativo, o qual passa a exigir a
preposição “de”, justamente por imposição desse substantivo subentendido.
Veja a estrutura:
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A minha firme convicção é que (...) o prazo (...) será assinalado por sintomas crescentes de dissolução social
sujeito VL CI sujeito locução verbal agente da passiva
oração principal oração subordinada substantiva predicativa
período composto
...
A minha firme convicção é a de que (...) o prazo (...)será assinalado por sintomas crescentes de dissolução social
sujeito VL * CI sujeito locução verbal agente da passiva
oração principal oração subordinada substantiva completiva nominal
período composto
* predicativo (a = a convicção)
Gabarito: E

Questão 18: (TRE - ES / 2011 / nível médio)


Fragmento de texto: No Brasil, a tradição política no tocante à
representação gira em torno de três ideias fundamentais. A primeira é a do
mandato livre e independente, isto é, os representantes, ao serem eleitos, não
têm nenhuma obrigação, necessariamente, para com as reivindicações e os
interesses de seus eleitores. O representante deve exercer seu papel com
base no exercício autônomo de sua atividade, na medida em que é ele quem
tem a capacidade de discernimento para deliberar sobre os verdadeiros
interesses dos seus constituintes. A segunda ideia é a de que os
representantes devem exprimir interesses gerais, e não interesses locais ou
regionais.
Em “A segunda ideia é a de que” (linha 8), o “a” que precede “de que” poderia
ser retirado, sem acarretar prejuízo à correção gramatical, ao passo que, em
“A primeira é a do” (linha 2), o “a” que precede “do” não poderia ser retirado,
visto que substitui a palavra “ideias” (linha 2).
Comentário: Nas duas ocorrências, o substantivo “ideia” está subentendido
após o artigo “a”. O uso desses artigos é obrigatório para que realmente o
substantivo fique subentendido nas duas orações e exija complemento
nominal e oração subordinada substantiva completiva nominal,
respectivamente. Por isso, a afirmativa está errada.
A primeira é a (ideia) do mandato livre e independente...
sujeito + VL + predicativo + complemento nominal
A segunda ideia é a (ideia) de que os representantes devem exprimir interesses gerais...
sujeito + VL + predicativo
oração subordinada substantiva completiva nominal
oração principal

Gabarito: E

Cabe aqui uma peculiaridade a respeito das orações subordinadas


substantivas objetivas indiretas e completivas nominais.
As gramáticas admitem a omissão da preposição em alguns casos;
seguindo-se a que autores de renome têm utilizado. Assim:
Eu duvido que você se comprometa. (oração subordinada objetiva indireta)

Perceba que a oração continua sendo objetiva indireta; porém houve


apenas a omissão da preposição. Isso ocorre por estilo, fuga da artificialidade
(julgada por alguns autores); muitas vezes vistas na linguagem hodierna e
literária. Portanto, a gramática aceita também como norma culta.
Veja o que alguns gramáticos explicam sobre isso:
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1) Evanildo Bechara:
“Assim, pode-se prescindir da preposição que inicia uma oração objetiva
indireta ou completiva nominal, apesar da crítica injusta de alguns gramáticos:
‘Em Coimbra recebeu o infante esta triste nova por uma carta da rainha
sua filha, em que o avisava que em conselho se decidira que o fossem
cercar...’ [Alexandre Herculano]
Isto é: o avisava de que.”
(...)
Pode haver a omissão tanto da preposição quanto do transpositor
(conjunção integrante):
‘Quis defendê-la, mas Capitu não me deixou, continuou a chamar-lhe
beata e carola, em voz tão alta que tive medo fosse ouvida dos pais’ [Machado
de Assis]
Isto é: tive medo de que fosse ouvida.’
Bechara, Evanildo. Gramática Escolar da
Língua Portuguesa.1 ed. Lucerna. RJ 2002
(página 355).
2) Domingos Paschoal Cegalla:
“As orações objetivas indiretas são regidas de preposição.
É frequente a elipse (omissão) da preposição:
‘Não me lembrei que estava diante de um cavalheiro...’ [Camilo Castelo
Branco], isto é: Não me lembrei de que estava diante de um cavalheiro.
‘Esqueceu-se que tenho cinquenta anos?’ [Camilo Castelo Branco], ou
seja: Esqueceu-se de que tenho cinquenta anos? ”
(...)
As completivas nominais são regidas de preposição, a qual em certos
casos pode ser omitida, como neste exemplo: ‘Zé Grande tinha a impressão
que estava voltando a ser criança.’ [Haroldo Bruno].”
Cegalla, Domingos Paschoal. Novíssima gramática
da Língua Portuguesa.48 ed. CEN. SP 2008
(páginas 385 e 386).

Portanto, vimos o que é a previsão gramatical. Mas devemos entender


como a banca CESPE cobra. Veja:
Questão 19: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior
Fragmento do texto: Não há dúvida de que, no início do século XXI, os
Estados Unidos da América chegaram mais perto do que nunca da
possibilidade de constituição de um “império mundial”.
Como na sequência há um complemento oracional, a omissão da preposição
“de” em “Não há dúvida de que” também estaria de acordo com as exigências
da norma escrita culta.
Comentário: Note a ambientação da banca a um assunto peculiar da
gramática:“Sabendo-se que há um complemento oracional...”. Ela deixou a
brecha para o candidato entender a particularidade, pois não ocorre a omissão
dessa preposição se for apenas um termo da oração (objeto indireto ou

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complemento nominal); somente com oração substantiva objetiva indireta ou
completiva nominal isso é permitido.
Gabarito: C

Perceba nesta última questão que a banca ambientou o candidato quanto


à possibilidade da omissão da preposição, tendo em vista haver um
complemento oracional. Isso é muito importante, pois não se pode dizer que a
omissão é facultativa. Ela depende do estilo do autor, de se evitar a repetição
da preposição “de” e muito mais. O CESPE naturalmente não vai querer que o
candidato se obrigue a saber quando pode ou não omitir a preposição. Esta
banca vai induzir a omissão, como ocorreu na questão comentada
anteriormente, ou simplesmente vai entendê-la como obrigatória.
Questão 20: (ANS / 2005 / nível Superior)
Fragmento do texto: É corrente a afirmação de que muitos pacientes não
querem saber a verdade de sua doença, quando grave, ou que procuram de
toda maneira se enganar.
A retirada da preposição em “a afirmação de que” desrespeita as regras de
regência do padrão culto da língua e prejudica a coerência textual.
Comentário: A questão mostra-nos que a preposição antes da oração
subordinada substantiva completiva nominal pode ser omitida preservando-se
a coerência e a gramaticalidade. Isso não ocorre com frequência.
Normalmente as gramáticas adotam esse recurso da omissão, tendo em vista
evitar a repetição da preposição. Neste fragmento, por exemplo, há três
preposições “de”. Isso facilita entendermos a omissão desta preposição.
Gabarito: E

Agora, veja três questões que não induziram a omissão.


Questão 21: (Detran - ES / 2011 / nível médio)
Fragmento de texto:
A Bik.e vem com tudo para agradar, a começar pelo nome esperto e um
diploma automático na dura disciplina de “mobilidade sustentável”. Vem como
um aviso concreto de que a era do automóvel está mesmo se despedindo.
Em “de que”, o emprego da preposição é obrigatório, visto que introduz o
complemento da palavra “aviso”; como ocorre, por exemplo, em aviso de
férias.
Comentário: Note que a banca CESPE foi direta na pergunta. Ela não
ambientou o candidato sobre a peculiaridade de ser um complemento
oracional, como ocorreu nas questões trabalhadas anteriormente. E mais, a
questão fez um paralelo com os dois complementos. Isso nos faz desprezar a
peculiaridade de ser um complemento oracional e entender simplesmente que
a expressão “de que” iniciou uma oração subordinada substantiva completiva
nominal, pois completa o sentido do substantivo “aviso”. No exemplo “aviso
de férias”, há também um complemento nominal do substantivo “aviso”. Nos
dois casos, portanto, o uso da preposição se fez obrigatório.
Assim, a banca CESPE não desprezou a norma gramatical sobre a
omissão da preposição. Você viu que as gramáticas mostram a possibilidade,
mas isso vai depender muito do contexto. E vamos sempre ficar atento na
forma como esta banca ambienta a questão.
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Gabarito: C

Questão 22: (PC - ES / 2011 / nível superior)


Fragmento de texto:
Por essa razão, aqueles que resistem às reivindicações de maior
igualdade são levados a considerar que as desigualdades são, em sua maior
parte, naturais e, como tais, invencíveis ou mais dificilmente superáveis. Ao
contrário, aqueles que lutam por maior igualdade estão convencidos de que as
desigualdades são, em sua maior parte, sociais ou históricas.
No trecho “estão convencidos de que as desigualdades são, em sua maior
parte, sociais ou históricas”, a omissão da preposição “de” prejudicaria a
correção gramatical do período.
Comentário: Note que a banca CESPE também foi direta nesta pergunta. Ela
não ambientou o candidato sobre a peculiaridade de ser um complemento
oracional, como ocorreu na primeira questão trabalhada. Isso nos faz
novamente desprezar a peculiaridade de ser um complemento oracional e
entender simplesmente que a expressão “de que” iniciou uma oração
subordinada substantiva completiva nominal, pois completa o sentido do
adjetivo “convencidos”.
Gabarito: C

Questão 23: (TRE - ES / 2011 / nível médio)


Fragmento de texto: A terceira ideia refere-se ao princípio de que o sistema
democrático representativo deve basear-se no governo da maioria.
Com correção gramatical, o trecho “ao princípio de que o sistema democrático
representativo” poderia ser reescrito da seguinte forma: ao princípio que o
sistema democrático representativo.
Comentário: É o substantivo “princípio” que rege a preposição “de” e toda a
oração posterior completa o sentido desse substantivo. Por isso, ele não
dispensa o uso da preposição “de”, mesmo sendo uma oração subordinada
substantiva completiva nominal.

(oração principal)
A terceira ideia refere-se ao princípio de que o sistema democrático
representativo deve basear-se... (oração subordinada substantiva
completiva nominal)
Gabarito: E
Vimos, no início da aula, os termos da oração e as orações subordinadas
substantivas, que provêm da maioria destes termos. Agora veremos as
orações subordinadas adjetivas.
Período composto por subordinação adjetiva
As orações subordinadas adjetivas têm esse nome porque equivalem a
um adjetivo. Em termos sintáticos, essas orações exercem a função que
normalmente cabe a um adjetivo (a de um adjunto adnominal ou aposto
explicativo). O adjunto adnominal é termo do qual ainda não falamos, mas nos
basta entender o seguinte: todo termo da oração possui no mínimo um
vocábulo, o qual chamamos de núcleo. Por vezes, esse núcleo vem antecipado
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ou seguido de outros vocábulos de valor adjetivo, os quais passam à função de
adjunto adnominal.
Perceba isso no exemplo abaixo. O objeto direto é o termo “gente
mentirosa”. O núcleo é o substantivo “gente” e o adjunto adnominal é
“mentirosa”, o qual serve para caracterizar o núcleo.
Detesto gente mentirosa.
VTD núcleo do Adj Adn
OD
objeto direto
período simples

Detesto gente que mente.


oração principal Or Sub Adjetiva
período composto

Na primeira construção, o adjetivo “mentirosa” é adjunto adnominal, o


qual caracteriza o núcleo do objeto direto “gente”. Ao se inserir um verbo
nesta função adjetiva, naturalmente haverá uma oração de mesmo valor. Por
isso passa a ser uma oração subordinada adjetiva.
A conexão entre a oração subordinada adjetiva e a oração principal é
feita pelo pronome relativo que. Esse vocábulo não pode ser confundido com a
conjunção integrante “que”, vista anteriormente, a qual inicia uma oração
subordinada substantiva. Portanto vamos às formas de se evitar o erro:
1. Detesto mentiras. 2. Detesto gente mentirosa.

1. Detesto que mintam. 2. Detesto gente que mente.

a) O vocábulo “mentiras” é um a) O vocábulo “mentirosa” é um


substantivo. Quando é substituído por adjetivo. Quando é substituído por um
verbo, passa a fazer parte de uma verbo, passa a fazer parte de uma
oração subordinada substantiva. oração adjetiva.
b) “mentiras” é núcleo do objeto direto b) “mentirosa” é adjunto adnominal e
do verbo “Detesto”, por isso “que restringe o núcleo do objeto direto.
mintam” é oração subordinada c) Não há coesão em se substituir a
substantiva objetiva direta da oração oração “que mente” pelo vocábulo
principal “Detesto”. “isso”. Veja: Detesto gente isso. Por
c) O vocábulo “que” é uma conjunção isso não é oração substantiva. O
integrante e toda a oração a partir segundo passo é substituir o “que” por
desse vocábulo pode ser substituída “o qual” e suas variações, para
pelo vocábulo “isso”, para a confirmar se é pronome relativo
confirmação de ser oração substantiva. iniciando oração adjetiva. Veja:
(Detesto isso.) Detesto gente a qual mente.

No período “Detesto gente que mente”, desenvolvem-se duas ideias,


relacionadas à palavra “gente”: a primeira é a de que eu a detesto e a segunda
a de que ela mente. Assim:
Detesto gente. Gente mente.
VTD + OD Suj + VI

Entendendo-se que o vocábulo “gente” está se repetindo


desnecessariamente, pode-se inserir no lugar desse vocábulo repetido o

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pronome relativo “que” ou “a qual”. “Gente” está na função de sujeito, então o
pronome “que” ou “a qual” também ocupa a função de sujeito. Veja:

Detesto gente.Gente mente.


Detesto gente que mente.
Detesto gente a qual mente.

sujeito
Visando ao que pode ser exigido pela banca CESPE, muitas vezes se vê
questão que pede para substituir um vocábulo por outro, permanecendo o
sentido e a gramaticalidade. Neste caso, se a banca pedisse para substituirmos
“gente” por “pessoas”, permaneceria a semântica, mesmo um estando no
singular e o outro no plural. Mas essa substituição implicaria mudança na
concordância do verbo “mente”, que deveria flexionar-se no plural, haja vista
que o pronome relativo “que” é sujeito e retomaria “pessoas”.
Assim:

Detesto pessoas que mentem.


VTD + objeto direto Suj + V. intransitivo
oração principal oração Sub Adjetiva

Outras vezes a banca CESPE cobra simplesmente a atenção voltada ao


contexto para identificar o referente. Por exemplo:
1. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que demitiu duzentos funcionários.
2. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que exportou para a Europa.
3. Conheci o dono daquela empresa de cosméticos que embelezam as mulheres.
Na frase 1, o pronome relativo “que” retomou o substantivo “dono”, pois
se entende que quem demite é o “dono”; na frase 2, foi retomado o
substantivo “empresa”, pois é mais adequado dizer que a exportação é feita
pela “empresa” e não pelo “dono”. Na frase 3, a concordância é feita no plural,
porque o pronome relativo retomou “cosméticos”, que também está no plural.
Isso é muito cobrado na prova. Muita atenção.
Uma forma de isso ficar mais claro é substituir o pronome “que” pelo
pronome relativo “o qual” e suas variações, típica questão do CESPE. Assim,
na frase 1 seria “o qual”, na 2 “a qual” e na 3 “os quais”.
Questão 24: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2006 / nível médio
Fragmento do texto: O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-
se Ordenações do Reino, as quais foram elaboradas em Portugal no fim da
Idade Média e utilizadas até 1828.
A substituição da estrutura “as quais foram elaboradas (...) e utilizadas” por o
qual foi elaborado (...) e utilizado altera as relações de concordância sem
provocar prejuízo para a coerência e a correção gramatical do período.
Comentário As expressões “O primeiro código eleitoral a viger no Brasil” e
“Ordenações do Reino” são sinônimas contextuais por causa do vocábulo
“chamava-se”, o qual mostra que o nome desse primeiro código é Ordenações

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do Reino. Logo, “as quais foram elaboradas (...) e utilizadas...” concordam
com “Ordenações do Reino”, mas poderiam se flexionar no singular e
masculino para concordar com “O primeiro código eleitoral a viger no Brasil”.
Por isso há a possibilidade da substituição:
O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-se Ordenações
do Reino, as quais foram elaboradas em Portugal no fim da Idade Média e
utilizadas até 1828.
O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-se
Ordenações do Reino, o qual foi elaborado em Portugal no fim da Idade
Média e utilizado até 1828.
Gabarito: C
Não veremos nesta aula quais são os pronomes relativos e suas funções
sintáticas. Isso será visto na aula 3, quando aprofundarmos na regência verbal
e nominal. Vamos trabalhar agora a pontuação nestas orações.
A pontuação e a classificação das orações adjetivas
Para entendermos a pontuação referente a termos adjetivos, é
necessário sabermos a diferença entre dois tipos de adjetivo.
Adjetivo explicativo: é aquele que denota qualidade essencial do ser,
característica inerente, ou seja, qualidade que não pode ser retirada do
substantivo. Por exemplo, todo homem é mortal, todo fogo é quente, todo
leite é branco, então mortal, quente e branco são adjetivos explicativos, em
relação a homem, fogo e leite.
Adjetivo restritivo: é o adjetivo que denota qualidade adicionada ao
ser, ou seja, qualidade que pode ser retirada do substantivo. Por exemplo,
nem todo homem é inteligente, nem todo fogo é alto, nem todo leite é
enriquecido, então inteligente, alto e enriquecido são adjetivos restritivos, em
relação a homem, fogo e leite.
mortal quente branco explicativo
homem fogo leite
inteligente alto enriquecido restritivo

Quando o adjetivo estiver imediatamente após o substantivo qualificado


por ele, teremos o seguinte: se ele for adjetivo explicativo, deverá estar entre
vírgulas e funcionará sintaticamente como aposto explicativo; se for adjetivo
restritivo, não poderá estar entre vírgulas e funcionará como adjunto
adnominal. Por exemplo: “O homem, mortal, age como um ser imortal.” Nessa
frase, mortal é adjetivo explicativo, pois indica uma qualidade essencial do
substantivo, por isso está entre vírgulas e sua função sintática é a de aposto
explicativo. Já na frase “O homem inteligente lê mais.”, inteligente é adjetivo
restritivo, pois se entende que nem todo homem lê muito, por isso não está
entre vírgulas e sua função sintática é a de adjunto adnominal.
Assim, o adjetivo pode ter o valor restritivo (especifica o sentido do
termo antecedente, individualizando-o) e explicativo (realça um detalhe ou
amplifica características básicas sobre o antecedente, que já se encontra
suficientemente definido). Como aprofundamento disso, vejamos o adjetivo
“inteligente”.
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1. O homem, inteligente, dobra sua capacidade cognitiva através dos séculos.
2. O homem inteligente não joga lixo no chão.
Na frase 1, esse adjetivo possui valor básico do homem: ser pensante,
que raciocina. Essa é a condição básica para que ele possa ter a capacidade
cognitiva e então através dos séculos ter a possibilidade de isso ser ampliado.
Esse adjetivo está entre vírgulas para marcar o valor explicativo e com isso há
a função sintática de aposto explicativo.
Na frase 2, esse mesmo adjetivo possui valor semântico diferente, pois
se sabe que nem todos os homens deixam de jogar o lixo no chão. Então esse
não é um princípio só do poder de raciocínio, mas da virtude, da educação.
Assim, inteligente, neste caso, é o homem educado. Como sabemos que nem
todos são educados, há certamente um valor restritivo. Por isso esse vocábulo
não está separado por vírgulas e cumpre a função sintática de adjunto
adnominal.
Portanto, se o aposto explicativo recebe um verbo, tornar-se-á uma
oração subordinada adjetiva explicativa. Se o adjunto adnominal recebe
um verbo, tornar-se-á oração subordinada adjetiva restritiva. O uso de
vírgula continua da mesma forma que nos termos da oração ditos
anteriormente. Veja:
O homem, inteligente, dobra sua capacidade cognitiva através dos séculos.
sujeito aposto explicativo VTD + objeto direto + adjunto adverbial de tempo
período simples

O homem, que é inteligente, dobra sua capacidade cognitiva através dos séculos.
oração subordinada
adjetiva explicativa
oração principal
período composto

O homem inteligente não joga lixo no chão.


Adj Adv VTD OD Adj Adv lugar
Adj Adn + núcleo adjunto adnominal negação
sujeito simples
período simples

O homem que é inteligente não joga lixo no chão.


oração subordinada
adjetiva restritiva
oração principal
período composto

Portanto, dependendo do uso da vírgula numa oração adjetiva, haverá


mudança de sentido. Em determinados momentos, a vírgula poderá ser
inserida ou retirada, isso fará com que a oração mude o sentido, mas não quer
dizer que haverá incoerência com os argumentos do texto. Exemplo:
Angélica, encontrei seu irmão que mora em Paris.
Angélica, encontrei seu irmão, que mora em Paris.
Uma forma prática de se enxergar melhor a restrição é subentendendo a
expressão somente aquele que.
Assim, no primeiro período, observa-se que somente o irmão de
Angélica o qual mora em Paris foi encontrado por mim, os outros irmãos dela
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não foram citados no contexto. Portanto, sem vírgulas, entende-se que ela tem
mais de um irmão.
Já no segundo período, entende-se que a característica básica de irmão
de Angélica é ser morador de Paris, pois ele é o único irmão.
Veja outros:
O curso possui oitocentos alunos que farão a prova da OAB.
O curso possui oitocentos alunos, que farão a prova da OAB.
No primeiro período, entende-se que somente oitocentos alunos do
curso farão a prova da OAB, os outros não. Então o curso possui mais de
oitocentos alunos. No segundo período, percebe-se que todo o efetivo discente
do curso fará a prova da OAB. E sua totalidade é de oitocentos alunos.
Escolha a joia de que goste. Escolha a joia, de que gosta.
No primeiro período, alguém foi convidado a escolher uma joia ainda não
apreciada, conhecida pela felizarda. A joia da qual gostar poderá ser escolhida.
Ao passo que, no segundo período, a pessoa presenteada já conhecia a joia e
já gostava dela, por isso passou a haver a característica explicativa.
Outro ponto importante. Se o aposto explicativo pode ser separado por
vírgulas, travessões e parênteses; o mesmo vai ocorrer com a oração
subordinada adjetiva explicativa.

Questão 25: ABIN / 2010 / nível Superior


Fragmento do texto: No projeto Segurança Pública para o Brasil, da
Secretaria Nacional de Segurança Pública, aponta-se como principal causa do
aumento da criminalidade o tráfico de drogas e de armas.
A supressão das vírgulas que isolam a expressão “da Secretaria Nacional de
Segurança Pública” alteraria o sentido do texto, visto que estaria
subentendida a existência de, pelo menos, mais um projeto denominado
Segurança Pública para o Brasil.
Comentário: A banca quis que o candidato notasse a diferença entre termo
explicativo e restritivo. O primeiro é a característica básica do substantivo, por
isso é isolado por vírgula(s). Já o segundo especifica, restringe, afunila o
sentido do substantivo, por isso não se pode separar por vírgula. O termo
restritivo cumpre a função sintática de adjunto adnominal, por isso não se
pode separar por vírgula o adjunto adnominal de seu núcleo.
No texto, perceba que o termo “da Secretaria Nacional de Segurança
Pública” encontra-se isolado por vírgulas para marcar o sentido explicativo
(aposto explicativo). Isso nos dá a noção de que só há um projeto
denominado “Segurança Pública para o Brasil”, e este projeto é exclusivo da
“da Secretaria Nacional de Segurança Pública”. Não há outro.
Ao retirarmos as vírgulas, o sentido muda para restrição, isto é, passa-
se a subentender a existência de, pelo menos, mais um projeto denominado
Segurança Pública para o Brasil.
Assim, a afirmativa da questão está correta. Muda-se o sentido com a
supressão das vírgulas.
Gabarito: C
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Questão 26: Polícia Federal / 2004 / administrativo


Fragmento do texto: Do final de setembro aos primeiros dias de outubro,
ficou muito claro que estamos assistindo a algo absolutamente novo e
fantástico: o surgimento de uma entidade governante anglo-saxã.
Preservam-se as relações semânticas do texto e sua correção gramatical ao se
substituir o sinal de dois-pontos por vírgula seguida do termo que é.
Comentário: Os dois-pontos iniciam um aposto explicativo, o qual pode ser
também iniciado por vírgula. Ao se inserir a expressão “que é”, a banca
queria a percepção do candidato quanto à possibilidade de transformação de
aposto explicativo em oração subordinada adjetiva explicativa. Por isso a
afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 27: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior


Fragmento do texto: Nesse contexto, as previsões, liberais ou marxistas, do
fim dos estados ou das economias nacionais, ou mesmo da formação de
algum tipo de federação cosmopolita e pacífica, são utopias, com toda a
dignidade das utopias que partem de argumentos éticos e expectativas
generosas, mas são ideias ou projetos que não têm nenhum apoio objetivo na
análise da lógica e da história passada do sistema mundial.
A inserção de uma vírgula logo após a expressão “dignidade das utopias”
mantém as mesmas relações sintáticas e a informação original do período.
Comentário: Primeiro se deve ter certeza de que há oração adjetiva. Para
isso, basta substituir o “que” por “as quais” e se verifica que permanece a
coerência. Assim, a inserção ou retirada de vírgula obrigatoriamente muda o
sentido da oração subordinada adjetiva, então isso mudaria a informação
original do período no texto, além de mudar também a relação sintática, pois,
com a vírgula, deixaria de ser oração subordinada adjetiva restritiva para ser
oração subordinada adjetiva explicativa.
Gabarito: E

Questão 28: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: Considerando as recentes técnicas, os meios e os
problemas que envolvem os crimes de informática e a ação de perícia criminal
sobre evidências de delitos dessa natureza, vimos sugerir a adoção de
protocolos para coleta, manipulação, exame e preparação do laudo pericial,
visando à integridade da prova e sua aceitação perante a justiça.
A oração “que envolvem os crimes de informática (...) natureza” atribui
sentido restritivo aos substantivos “técnicas”, “meios” e “problemas”.
Comentário: Esta afirmativa engloba pelo menos dois conhecimentos: que
palavra(s) é(são) retomada(s) pelo pronome relativo e como diferenciar
restrição de explicação.
Primeiro, há de se observar a função sintática do pronome relativo
“que”. Ele está na função de sujeito e, por retomar nomes no plural, leva o
verbo “envolvem” para o plural.
Como recurso de coesão, deve-se agora saber se esse vocábulo
realmente retoma os substantivos “técnicas”, “meios” e “problemas”, os quais
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estariam implícitos no sujeito “que”. Assim, poderíamos entender: “as
recentes técnicas, os meios e os problemas (...) envolvem os crimes de
informática e a ação de perícia criminal sobre evidências de delitos dessa
natureza”. Há de se observar, então, que não é apenas o último substantivo
que está sendo caracterizado pela oração adjetiva (como muitos candidatos
entenderam, à época desta prova, e entraram com recursos, os quais foram
indeferidos).
Por fim, esta caracterização é restritiva, porque a oração adjetiva não
está separada por vírgula. Por tudo isso, a afirmativa está correta.
Gabarito: C

Questão 29: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Texto:
Para que a democracia seja efetiva, é necessário que as pessoas se
sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio
de um conjunto de organizações e instituições extramercado. Uma cultura
política atuante precisa de grupos comunitários, bibliotecas, escolas públicas,
associações de moradores, cooperativas, locais para reuniões públicas,
associações voluntárias e sindicatos que propiciem formas de comunicação,
encontro e interação entre os concidadãos.
A democracia neoliberal, com sua ideia de mercado “über alles”, nunca
leva em conta essa atuação. Em vez de cidadãos, ela produz consumidores.
Em vez de comunidades, produz shopping centers. O que sobra é uma
sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e
socialmente impotentes.
Em suma, o neoliberalismo é o inimigo primeiro e imediato da
verdadeira democracia participativa, não apenas nos Estados Unidos, mas em
todo o planeta, e assim continuará no futuro previsível.
A forma verbal subjuntiva “propiciem” poderia ser substituída, sem prejuízo
da coerência do texto e da correção gramatical, pela forma indicativa
propiciam, desde que fosse empregada a vírgula antes do conector “que”.
Comentário: A oração adjetiva “que propiciem formas de comunicação” não
vem antecipada de vírgula por ser uma característica restritiva do substantivo
“sindicatos” (somente aqueles sindicatos que propiciem formas de
comunicação). Porém, ao lermos o conjunto do texto, percebemos que o autor
tem uma visão categórica contra o neoliberalismo; assim não seria de se
estranhar que ele considerasse que todas as organizações citadas no texto
propiciam “formas de comunicação”. Portanto, a troca dos tempos verbais
faria permanecer a coerência. Mas isso implicaria erro gramatical, se não
houvesse a inserção da vírgula; pois no texto original a oração é adjetiva
restritiva (deixa-se subentendido que nem todas as organizações citadas no
texto propiciam formas de comunicação). Com a substituição do tempo e
modo verbais, a característica de propiciar formas de comunicação passa a ser
básica destas organizações, isto é, na visão do autor todas elas transmitem
formas de comunicação, encontro e interação entre os concidadãos. Isso exige
a inserção da vírgula para tornar essa oração adjetiva explicativa. Perceba que
o verbo deixa de transmitir uma hipótese (presente do subjuntivo) para
transmitir uma certeza (presente do indicativo). Observe, também, que na

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questão afirma-se que a troca e a inserção da vírgula preservariam a
coerência e a correção gramatical. Isso está correto. Ficaria errado se
fosse afirmado que preservaria o sentido, pois a semântica mudou (de valor
restritivo para explicativo).
Gabarito: C

Questão 30: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Tornar-se um ser humano consiste em participar de
processos sociais compartilhados, nos quais emergem significados, sentidos,
coordenações e conflitos.
O uso da preposição em, no termo “nos quais” (linha 2), indica que a
expressão nominal “processos sociais compartilhados” está empregada como a
circunstância de lugar da emergência dos “significados” (linha 2), não como o
agente de sua origem.
Comentário: A preposição “em” transmite valor de lugar estático. Ela se
juntou a “os quais” para os dois serem o adjunto adverbial de lugar da oração
subordinada adjetiva que iniciou. Veja:
Tornar-se um ser humano consiste em participar de processos sociais compartilhados,
nos quais emergem significados, sentidos, coordenações e conflitos.
adjunto adverbial verbo
de lugar intransitivo
sujeito composto

Podemos, então, entender que “significados, sentidos, coordenações e


conflitos” emergem nos processos sociais compartilhados.
Na afirmativa da questão, foi utilizado o substantivo abstrato
“emergência”. Isso poderia causar dúvida, mas veja que ele não está no
sentido de “urgência”, mas como derivação daquilo que ocorre, resulta,
emerge. Portanto, está correta a afirmação da questão: “processos sociais
compartilhados” é a circunstância de lugar (adjunto adverbial de lugar) da
emergência dos significados (os significados emergem).
Veja ainda que, na afirmativa da questão, foi dito que “processos sociais
compartilhados” não foram usados como agentes de sua origem. Elas apenas
foram empregadas como circunstância de lugar. Isso tem relação direta com o
termo “nos quais”. Ele é a circunstância de lugar. Para que ele fosse o agente,
deveria passar a sujeito dessa oração, retirando-se a preposição “em”. Isso
ratifica que a questão está corretíssima.
Gabarito: C
As orações reduzidas e desenvolvidas
Quando são introduzidas por um pronome relativo e apresentam verbo
conjugado em modo e tempo verbal, as orações subordinadas adjetivas são
chamadas desenvolvidas. Além delas, existem as orações subordinadas
adjetivas reduzidas, que não são introduzidas por pronome relativo (podem ser
introduzidas por preposição) e apresentam o verbo numa das formas nominais
(infinitivo, gerúndio ou particípio).
Ele foi o primeiro aluno que se apresentou.
Ele foi o primeiro aluno a se apresentar.

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No primeiro período, há uma oração subordinada adjetiva desenvolvida,
já que é introduzida pelo pronome relativo “que” e apresenta verbo conjugado
no pretérito perfeito do indicativo. No segundo, há uma oração subordinada
adjetiva reduzida de infinitivo: não há pronome relativo e seu verbo está no
infinitivo.
Questão 31: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2006 / nível médio
Fragmento do texto: O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-
se Ordenações do Reino, as quais foram elaboradas em Portugal no fim da
Idade Média e utilizadas até 1828.
Para que o período mantenha-se gramaticalmente correto; ao se substituir a
forma verbal “viger” por vigorar, é necessário substituir também a preposição
que a antecede.
Comentário: A oração “a viger no Brasil” é subordinada adjetiva reduzida de
infinitivo e por isso recebe a preposição “a”. Note que se poderia substituir
essa oração reduzida pela desenvolvida “que vigeu no Brasil”, sem alteração
semântica. Tanto o verbo “viger” quanto vigorar admitem a preposição “a”
para que possa dar origem a essa estrutura reduzida. Por não ser necessária a
substituição da preposição, a questão está errada.
Gabarito: E
Recapitulando...
Até agora, vimos os termos básicos da oração e entendemos que não se
pode separá-los por vírgula. Vimos também que o sujeito, OD e predicativo
não são antecipados por preposição. Além disso, estudamos o vocativo e o
aposto tendo em vista a sua pontuação.
Em seguida, vimos que o termo adjetivo pode ter dois valores
semânticos (restrição e explicação). Quando esses termos recebem verbo,
naturalmente viram orações adjetivas.
Agora falta falarmos dos termos adverbiais, principalmente no que diz
respeito ao sentido e à pontuação. Veja:
A estrutura adverbial
Vimos no início da aula que o verbo intransitivo não exige complemento
verbal, mas ele pode necessitar de adjunto adverbial para transmitir uma
circunstância. Veja:
Adoeci.
Fui à praia.
verbo intransitivo adjunto adverbial de lugar
predicado verbal

Na realidade, há dois tipos de verbos intransitivos.


O primeiro diz respeito àquele que não exige nenhum termo que
complemente seu sentido, como “Adoeci.”; “Juvenal morreu.”; “Um vendaval
ocorreu.”. Esses verbos não necessitam de termo que os complete. Esse tipo
de intransitividade mostra que o verbo por si só já transmite o sentido
necessário; podendo o autor acrescentar termos acessórios para transmitir
mais clareza ou ser mais pontual no sentido, por exemplo: “Adoeci por causa

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do mal tempo.”; “Juvenal morreu anteontem.” e “Um vendaval ocorreu
aqui.”.
Por outro lado, existe a intransitividade que necessita de um termo que
produza sentido. Se alguém diz que vai, tem que dizer que vai a algum
lugar. Se alguém diz que voltou, tem que continuar a fala mostrando de
onde voltou. Por isso muita gente confunde esse tipo de intransitividade com a
transitividade indireta; mas há uma diferença muito grande, pois o termo que
completa o sentido deste tipo de intransitividade transmite normalmente
circunstâncias de lugar ou modo. Veja:
Vou a São Paulo. Vim de Manaus. Estou bem.
O objeto indireto apenas completa o sentido do verbo, ele não transmite
valores circunstanciais de lugar ou de modo, sentidos que são demonstrados
nos vocábulos “a São Paulo”, “de Manaus” e “bem”. Quando se quer saber se
há circunstância de lugar ou modo, faz-se a pergunta “Onde?”, “Como?”,
respectivamente. Assim, é importante notarmos os valores dos adjuntos
adverbiais, que são demonstrados em sua maioria no uso das preposições, as
quais serão enfatizadas a seguir. Didaticamente, podemos dividir o adjunto
adverbial em dois tipos:
Adjunto adverbial solto: O problema ocorreu, naquela tarde de sábado.
Adjunto adverbial preso: Eu estou bem.
Eu estou em São Paulo.
Eu vim de São Paulo.
Caro aluno, esta divisão dos adjuntos adverbiais é apenas didática, não é
cobrada em prova dessa forma, mas entendermos isso é importante para a
pontuação. Veja que não é comum vermos vírgula separando adjuntos
adverbiais presos, como as três últimas frases. Já com o adjunto adverbial
solto, é natural podermos inserir a vírgula.
Pontuação com adjunto adverbial “solto”
É marcante nos adjuntos adverbiais a sua mobilidade posicional, pois
este termo pode movimentar-se para o início, para o meio ou para o fim da
oração. Essa mobilidade é percebida nos termos soltos, os quais não são
exigidos pelo verbo, mas apenas ampliam o contexto com a circunstância. Isso
é notado principalmente nos advérbios de lugar, tempo e modo; nos advérbios
que modificam toda a oração (e não somente um termo); e nas locuções
adverbiais:
Esta locução adverbial de
O custo de vida é bem alto em Brasília. lugar não é exigida pelo
Em Brasília, o custo de vida é bem alto. verbo, por isso se considera
um termo solto, o qual pode
O custo de vida, em Brasília, é bem alto. receber vírgula. Compare
O custo de vida é bem alto, em Brasília. com a seguinte.

Esta locução adverbial de


lugar é exigida pelo verbo,
Prefeitos de várias cidades foram a Brasília. por isso não se considera
A Brasília prefeitos de várias cidades foram. termo solto, ela pode se
mover na oração, mas não
Prefeitos de várias cidades a Brasília foram. recebe vírgula.

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Naturalmente, você já percebeu o problema. Esses advérbios referem-


se a toda a oração.
Sim, eu sei.

Quando a locução adverbial solta for de grande extensão e estiver


antecipada da oração ou no meio dela, a vírgula será obrigatória. Se
estiver no final, a vírgula será facultativa.
Antes da última rodada, o time já se dizia campeão.
O time, antes da última rodada, já se dizia campeão.
O time já se dizia, antes da última rodada, campeão.
O time já se dizia campeão, antes da última rodada.
O time já se dizia campeão antes da última rodada.

Adjunto adverbial: É o termo que modifica o verbo, o adjetivo ou o


advérbio, atribuindo-lhes uma circunstância qualquer.
A seguir, listei para você o nome da palavra (morfologia) e a função que
esta palavra desempenha na oração (sintaxe).
morfologia artigo + substantivo verbo advérbio de
intensidade

Os atletas correram muito.


adj adn + núcleo verbo intransitivo adjunto
adverbial de
sintaxe intensidade
sujeito predicado verbal
período simples

morfologia pronome + substantivo verbo + advérbio adjetivo


de intensidade

Seu projeto é muito interessante.


adj adn + núcleo VL + adj adverbial Predicativo do sujeito
de intensidade
sintaxe
sujeito predicado nominal
período simples

morfologia artigo + substantivo verbo + advérbio de advérbio


intensidade

O time jogou muito mal.


adj adn + núcleo VI + adj adverbial adjunto
de intensidade adverbial de
sintaxe modo
sujeito predicado verbal
período simples

Observações:
a) O adjunto adverbial pode ser representado por um advérbio, uma
locução adverbial ou um pronome relativo (que será visto nas próximas aulas).
Deixei o embrulho aqui. (advérbio)
À noite conversaremos. (locução adverbial)
A empresa onde trabalhei faliu. (pronome relativo)

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b) Pode ocorrer elipse da preposição antes de adjuntos adverbiais de
tempo e modo:
Aquela noite, ela não veio. (Naquela noite)
Domingo ela estará aqui. (No domingo)
Ouvidos atentos, aproximei-me da porta. (De ouvidos atentos)

Principais valores das locuções adverbiais, a depender da preposição e


das locuções prepositivas nocionais:
1. assunto:
sobre: conversar sobre política; falar sobre futebol.
quanto a: Não nos expressamos quanto à fatalidade do acidente.
2. causa:
a: morrer à fome; acordar aos gritos das crianças; voltar a pedido
dos amigos.
ante: Ante os protestos, recuou da decisão. (Perceba que não há preposição
“a” após “ante”. Diz-se ante a, ante o, e não *ante à, *ante ao.)
com: assustar-se com o trovão; ficar pobre com a inflação.
de: morrer de fome; tremer de medo; chorar de saudade.
devido a: Encontrou seu futuro, devido a muito esforço.
diante de: Diante de tais ofertas, não pude deixar de comprar.
em consequência de: Em consequência de seu estudo eficaz, passou
em primeiro lugar.
em virtude de: Em virtude de muitas vaias, o show foi interrompido.
em face de: O que o salvou, em face do perigo, foi sua habitual calma.
(em virtude de)
face a: Face a tantos perigos, resolveu voltar.
graças a: Graças ao estudo, passou no concurso.
por: encontrar alguém por uma coincidência; foi preso por vadiagem
Esta preposição também pode ser entendida como em favor de: morrer pela
pátria; lutar pela liberdade; falar pelo réu. Assim, não deixa de possuir
valor causal.
3. companhia:
com: ir ao cinema com alguém; regressar com amigos.
4. concessão (contraste, oposição)
apesar de: Foi à praia apesar do temporal.
Obs.: Ocorre quando há uma oposição em relação ao verbo. Não se vai,
normalmente, à praia em dia de temporal.
com: Com mais de 80 anos, ainda tem planos para o futuro.
malgrado: Malgrado a chuva, fomos ao passeio.
5. condição:
Sem: Sem o empréstimo, não construiremos a casa.
6. conformidade:
a: puxar ao pai; escrever ao modo clássico; sair à mãe.
conforme: Agiu conforme a situação.
por: tocar pela partitura; copiar pelo original.

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7. lugar:
a: (destino - em correlação com a preposição de): de Santos a
Guarujá; daqui a Salvador.
Obs.: Usa-se indiferentemente à/na página. Ex.: A notícia está à/na
página 28 do jornal. Usa-se ainda a páginas, mas não as páginas ou às
páginas. Ex.: A notícia está a páginas 28 do jornal.
ante: A verdade está ante nossos olhos;
até: indica o limite, o término de movimento, e, acompanhando
substantivo com artigo (definido ou indefinido), pode vir ou não seguida da
preposição a:
Caminharam até a entrada do estacionamento. ou
Caminharam até à entrada do estacionamento.
de: (relação de origem): vir de Madri.
desde: dormir desde lá até cá.
em: (estático): ficar em casa; o jantar está na mesa.
Observação:
O uso da preposição “em” com verbos ou expressões de
movimento caracteriza coloquialidade (o que deve ser evitado na norma
culta): chegar em casa, ir no supermercado, voltar na escola, levar as
crianças na praia, dar um pulo na farmácia, etc. O correto é: chegar a
casa; ir ao supermercado; voltar à escola; levar as crianças à praia; ir à
farmácia.
defronte: Ela mora defronte à igreja.
em frente a: Em frente à escola estava ele.
entre: os Pireneus estão entre a França e a Espanha; ficar entre os
aprovados.
para: ir para Madri; apontar o dedo para o céu.
perante: (posição em frente); perante o juiz, negou o crime. (Não use
perante a: perante a Deus, perante ao juiz, etc.)
por: ir por Bauru, morar por aqui.
sob: (posição inferior): ficar sob o viaduto.
sobre: (posição superior): o avião caiu sobre uma lavoura de arroz;
flutuar sobre as ondas; (direção): ir sobre o adversário.
trás: no português atual, a preposição trás não é usada isoladamente;
atua, sempre, como parte de outras expressões: nas locuções adverbiais “para
trás” e “por trás” (ficar para trás, chegar por trás) e na locução prepositiva
“por trás de” (ficar por trás do muro).
8. modo:
a: bife à milanesa; jogar à Telê Santana.
com: andar com cuidado; tratar com carinho.
de: olhar alguém de frente, ficar de pé.
em: ir em turma, em bando, em pessoa; escrever em francês.
por: proceder à chamada de alunos por ordem alfabética; saber por
alto o que aconteceu.
sem: indica a relação de ausência ou desacompanhamento: estar sem
dinheiro;
sob: sair sob pretexto não convincente.
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9. tempo:
com: (simultaneidade): o povo canta, com os soldados, o Hino
Nacional; com o tempo os frutos amadurecem.
de: dormir de dia, estudar de tarde, perambular de noite; de
pequenino é que se torce o pepino.
desde: desde ontem estou assim.
em: fazer a viagem em quatro horas; o fogo destruiu o edifício em
minutos, no ano 2000.
entre: ela virá entre dez e onze horas.
para: ter água para dois dias apenas; para o ano irei a Salvador; lá
para o final de dezembro viajaremos.
por: estarei lá pelo Natal; viver por muitos anos; brincar só pela
manhã.
sob: houve muito progresso no Brasil sob D. Pedro II.

Muitas vezes, numa locução, a preposição “a” pode ser trocada por
outra, sem que isso acarrete prejuízo de construção ou de significado. Eis
alguns exemplos: à/com exceção de, a/ em meu ver, a/com muito custo, em
frente a/de, rente a/com, à/na falta de, a/em favor de, em torno a/de, junto
a/com/de.
Questão 32: Polícia Federal / 2004 / agente administrativo
Fragmento do texto: Por que ilusão de modernidade? (...) porque a
modernidade, ao invés de aumentar a riqueza bruta dessas nações, induziu
enormes transferências para fora com o movimento de capitais externos que
sugavam a renda regional.
No período em que ocorre, o conectivo “ao invés de” estabelece relações
semânticas de concessão e de restrição, e pode ser substituído por apesar
de, sem prejuízo para a coerência e a correção gramatical do texto.
Comentário: Note a substituição pedida na questão e compare:
1. ...a modernidade, ao invés de aumentar a riqueza bruta dessas nações,
induziu enormes transferências para fora com o movimento de capitais
externos que sugavam a renda regional.
2. ...a modernidade, apesar de aumentar a riqueza bruta dessas nações,
induziu enormes transferências para fora com o movimento de capitais
externos que sugavam a renda regional.
No texto original, a locução prepositiva “ao invés de” traduz a ideia de
que a modernidade não aumentou a riqueza bruta, apenas induziu a enormes
transferências. Já, com a substituição, “apesar de” traduz a ideia de que a
modernidade aumentou a riqueza (o que seria um contraste) e também
induziu enormes transferências. Assim, haveria mudança de sentido,
incoerência e por isso incorreção gramatical.
Gabarito: E

Questão 33: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Seja como for, todas as “realidades” e as “fantasias”
só podem tomar forma por meio da escrita, na qual exterioridade e
interioridade, mundo e ego, experiência e fantasia aparecem compostos pela
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mesma matéria verbal...
Pode-se substituir a expressão sublinhada pela palavra apresentada entre
parênteses e isso não provocaria erro gramatical ou alteração no sentido do
texto: “todas as ‘realidades’ e as ‘fantasias’ só podem tomar forma por meio
da escrita” (perante)
Comentário: A locução prepositiva “por meio da” inicia adjunto adverbial de
meio; já perante transmite valor de posicionamento (lugar). Não se pode
substituir um pelo outro.
Gabarito: E

Questão 34: Oficial de Chancelaria - MRE / 2008 / nível superior


Julgue a frase a seguir quanto à correção gramatical:
“Foi feita, finalmente, uma faxina no escritório a nível de material de
consumo.”
Comentário: A expressão “a nível de” é viciosa. O substantivo “nível” não
possui o valor de “relativo a”, “a respeito de”, como vulgarmente é utilizado
(Falei a nível de problema social). Seus valores basicamente são:
• Elevação relativa de uma linha ou de um plano horizontal: O nível das
águas subiu.
• Padrão, qualidade, gabarito: bairro residencial de alto nível.
• Altura relativa numa escala de valores: nível econômico; nível de
disciplina.
No contexto, o ideal é retirar essa expressão viciosa, fazendo os ajustes
a depender do sentido:
“Foi feita, finalmente, uma faxina no escritório com material de consumo.”
“Foi feita, finalmente, uma faxina de material de consumo no escritório.”
Gabarito: E

Questão 35: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: A realidade atual vem exigindo dos pesquisadores
envolvidos com a temática da saúde maiores esforços para compreender as
mudanças recentes...
A organização das ideias no texto mostra que “realidade atual” constitui a
circunstância de tempo em que a “temática da saúde” está sendo
considerada; por isso, mantêm-se as relações entre os argumentos e a
correção gramatical ao se iniciar o texto com Na realidade atual.
Comentário: A expressão “A realidade atual” é sujeito na oração em que está
inserida, por esse motivo não transmite circunstância de tempo (pois isso é
papel do adjunto adverbial), nem pode ser antecedida de preposição.
Gabarito: E

Questão 36: Tribunal de Justiça – SE / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB),
seção de São Paulo, em parceria com o Colégio Notarial do Brasil, também
seção de São Paulo, e com o apoio da Corregedoria-Geral da Justiça de São
Paulo, congrega esforços para promover e realizar seminários de direito
notarial e registral no estado, visando o aperfeiçoamento técnico de notários e

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registradores e a reciclagem de prepostos e profissionais que atuam na área.
As expressões “em parceria” e “com o apoio” exercem a função sintática de
adjunto adverbial de companhia e, por isso, podem ser substituídas, sem
prejuízo do sentido, por juntamente.
Comentário: As expressões “em parceria” e “com o apoio” não exercem
sozinhas a função sintática de adjunto adverbial de companhia. As expressões
pospostas fazem parte desses termos (em parceria com o Colégio Notarial do
Brasil; com o apoio da Corregedoria-Geral da Justiça de São Paulo). O
segundo desses dois termos, apesar de não transmitir o valor de companhia
explicitamente, tendo em vista o substantivo “apoio” (circunstância de modo),
pode, implicitamente, transmitir esta ideia. Até aqui já vimos que a questão
está errada. Ratifica-se o erro, porque o vocábulo “juntamente” não substitui
adequadamente a expressão “com o apoio”, pois necessitaria da mudança da
preposição “de” para “com”: juntamente com.
Gabarito: E

Questão 37: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior


Fragmento do texto:
Sem o trabalho dos peritos, a investigação policial fica restrita à coleta
de depoimentos e ao concurso de informantes, o que limita suas
possibilidades e torna perigosamente decisivos os interrogatórios dos
suspeitos. No tempo de hackers, de criminosos organizados com armamentos
poderosos e equipamentos sofisticados, é indispensável dotar a polícia do
apoio científico e técnico mais avançado possível.
O princípio estruturante de um departamento de perícia competente é a
descentralização com integração sistêmica. Sua construção, por prudência,
economia e realismo, deverá obedecer a um plano modular, de modo que
novos laboratórios se incorporem, sucessivamente, de acordo com o
desenvolvimento do processo de implantação e com os resultados do impacto
da demanda sobre os serviços oferecidos pelas universidades conveniadas.
O conectivo “de acordo com” introduz argumento que está em conformidade
com as ideias expressas no parágrafo anterior.
Comentário: Note que a locução prepositiva “de acordo com” inicia adjunto
adverbial de conformidade em relação ao verbo de sua oração “...de modo
que novos laboratórios se incorporem sucessivamente...”. Para que pudesse
introduzir argumento que está em conformidade com o parágrafo anterior,
deveria iniciar o segundo parágrafo da seguinte forma:
De acordo com isso, o princípio estruturante...
Assim, o pronome demonstrativo “isso” retomaria o parágrafo anterior e
o argumento ficaria em conformidade realmente com o parágrafo anterior.
Gabarito: E

Questão 38: Polícia Federal / 2004 / agente administrativo


Fragmento do texto: Primeiro, a modernidade não agregou ao mundo do
bem-estar a população pobre; ao contrário, em países que não conheciam
graves desigualdades, como a Argentina e o Uruguai, a desigualdade
floresceu, aproximando-os de Brasil e Venezuela.
A preposição “em” (em países que) é de uso opcional, motivo por que a sua

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retirada não prejudica a coerência e a correção gramatical do texto.
Comentário: A preposição “em” é obrigatória. Veja toda a estrutura:
...em países que não conheciam graves desigualdades, como a Argentina e o
Uruguai, a desigualdade floresceu...
Os termos intercalados são a oração subordinada adjetiva restritiva (por isso
não está separada por vírgula) e termo exemplificativo (dupla vírgula
obrigatória). Sobra, portanto, a oração principal: “em países a desigualdade
floresceu”, em que “em países” é adjunto adverbial de lugar, e a preposição
“em” é obrigatória.
Gabarito: E

Questão 39: ANS / 2005 / Analista


Fragmento de texto: Veja ─ O senhor recomenda desconfiar até dos estudos
que dizem que a exposição a ondas eletromagnéticas, como as da televisão e
do telefone celular, não faz mal?
A retirada da preposição “até” preserva a correção gramatical, mas altera as
relações de argumentação do texto.
Comentário: A preposição “até” está sendo utilizada com valor de exclusão.
Podemos entender que ela transmite a ideia de que os estudos que dizem que
a exposição a ondas eletromagnéticas, como as da televisão e do telefone
celular, não faz mal são confiáveis, mas, na situação colocada no texto,
inclusive desses estudos devemos desconfiar.
Com a retirada desta preposição, o sentido anterior foi excluído, ele
pode ficar subentendido pelo contexto, pois agora não há mais ênfase a que o
estudo seja confiável.
Com a retirada, não há incorreção gramatical, apenas são mudadas as
relações de argumentação do texto.
Gabarito: C

Questão 40: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Julgue a frase seguinte quanto à pontuação: Promotores representantes da
Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (AMPEM), vão propor
à Controladoria-Geral da União (CGU) a realização de convênio no projeto
Contas na Mão. Nascido há cinco anos, o projeto tem como objetivo, formar
comitês de cidadania para fiscalizar contas públicas em estados e municípios.
Comentário: A vírgula antes de “vão propor” está errada porque se encontra
entre sujeito e predicado. A expressão “como objetivo” ou fica entre vírgulas,
ou não poderá haver nenhuma vírgula (por ser adjunto adverbial de pequena
extensão).
Gabarito: E

Questão 41: ABIN / 2008 / nível médio


Fragmento do texto: Nesse cenário, os serviços de inteligência assumem
papel fundamental, pois o intercâmbio de informações e o trabalho em
parceria são requisitos basilares para o enfrentamento assertivo e solidário
dessa ameaça, cujas ramificações e desdobramentos atingem direta ou
indiretamente todos os países.

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A vírgula após “Nesse cenário” é empregada para isolar expressão deslocada
que qualifica “os serviços de inteligência”.
Comentário: A expressão “Nesse cenário” não está sendo empregada para
qualificar, porque este é papel do termo adjetivo, como adjunto adnominal e
aposto. A expressão “Nesse cenário” é um adjunto adverbial que se encontra
antecipado na oração, por isso houve a vírgula.
Gabarito: E

Questão 42: ABIN / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: Hoje, escreve Calvino, a velocidade de Mercúrio
precisaria ser complementada pela persistência flexível de Vulcano, um “deus
que não vagueia no espaço, mas que se entoca no fundo das crateras,
fechado em sua forja, onde fabrica interminavelmente objetos de perfeito
lavor em todos os detalhes — joias e ornamentos para os deuses e deusas,
armas, escudos, redes e armadilhas”.
A colocação de vírgula antes e depois do vocábulo “interminavelmente” (linha
4) não prejudicaria a correção gramatical do texto.
Comentário: O advérbio “interminavelmente” é entendido como adjunto
adverbial de pequena extensão, por isso, independente de sua posição, a(s)
vírgula(s) é(são) facultativa(s).
Gabarito: C
Já vimos as orações subordinadas substantivas e as adjetivas. Vimos que
elas partiram de um termo da oração. Da mesma forma, quando o adjunto
adverbial recebe um verbo, transforma-se em oração subordinada adverbial.

Período composto por subordinação adverbial


vírgula
facultativa

O candidato passou no concurso, devido ao seu esforço no estudo.


VTI objeto indireto adjunto adverbial de causa
sujeito predicado verbal
período simples

vírgula
facultativa

O candidato passou no concurso, porque se esforçou no estudo.


VTI objeto indireto VTI + objeto indireto
sujeito predicado verbal predicado verbal
oração principal oração subordinada adverbial causal
período composto

Tanto o adjunto adverbial quanto a oração adverbial podem deslocar-se


para o início ou para o meio da estrutura principal. E, com isso, a vírgula será
empregada conforme foi visto nos adjuntos adverbiais de grande extensão.
Assim, via de regra, a oração subordinada adverbial, quando posposta à
oração principal, será iniciada por vírgula facultativamente. Mas, se for
antecipada ou intercalada, receberá vírgula ou vírgulas obrigatoriamente.

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Observe:
vírgula
obrigatória

Devido ao seu esforço no estudo, o candidato passou no concurso


adjunto adverbial de causa VTI objeto indireto
sujeito
predicado verbal
período simples

vírgula
obrigatória

Porque se esforçou no estudo, o candidato passou no concurso


VTI
+ objeto indireto sujeito VTI objeto indireto
predicado verbal predicado verbal
oração subordinada adverbial causal oração principal
período composto

vírgulas obrigatórias

O candidato, devido ao seu esforço no estudo, passou no concurso.


adjunto adverbial de causa VTI objeto indireto
sujeito predicado verbal
período simples

vírgulas obrigatórias

O candidato, porque se esforçou no estudo, passou no concurso


VTI + objeto indireto VTI objeto indireto
sujeito predicado verbal predicado verbal
oração subordinada adverbial causal
oração principal
período composto

Assim como foi visto nas orações substantivas e adjetivas, as orações


podem ser reduzidas. Isso ocorre porque a conjunção é excluída e o verbo
deixa de ser conjugado em modo e tempo verbal e passa a uma das formas
nominais: infinitivo, gerúndio, particípio.
Por se esforçar muito nos estudos, o candidato passou no concurso.
oração subordinada adverbial causal reduzida de infinitivo + oração principal

Questão 43: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: Ao estabelecer a obrigatoriedade na realização dos
exames pré-admissional, periódico e demissional do trabalhador, criou
recursos médico-periciais voltados à identificação do nexo da causalidade
entre os danos sofridos e a ocupação desempenhada.
A vírgula logo depois de “trabalhador” é opcional e sua retirada preservaria a
correção gramatical do texto, pois os três termos da enumeração que ela tem
função de marcar já estão separados pela conjunção “e”: “exames pré-
admissional, periódico e demissional do trabalhador”.
Comentário: A vírgula após “trabalhador” é obrigatória, por haver a
antecipação da oração subordinada adverbial causal (ou temporal) reduzida de
infinitivo “Ao estabelecer a obrigatoriedade na realização dos exames pré-
admissional, periódico e demissional do trabalhador”. Os três termos
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enumerados não interferem no motivo desta vírgula.
Gabarito: E

Questão 44: Médico perito INSS / 2009 / nível superior


Julgue a frase quanto à correção gramatical: O povo por estar insatisfeito com
o “bota-abaixo” e influenciado pela imprensa se revoltou contra a vacina.
Comentário: Há orações subordinadas adverbiais causais reduzidas de
infinitivo e estão coordenadas entre si com a conjunção “e”. Como essas
orações estão intercaladas à oração principal “O povo se revoltou contra a
vacina”, deve haver vírgula após o substantivo “povo” e depois de “imprensa.”
Gabarito: E

Questão 45: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: Para que a democracia seja efetiva, é necessário que
as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se
manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições
extramercado.
Caso a oração adverbial que inicia o texto estivesse imediatamente após a
expressão “é necessário”, não haveria necessidade de emprego da vírgula,
visto que estaria restabelecida a ordem direta do período.
Comentário: Se a oração adverbial final “Para que a democracia seja efetiva”
fosse colocada após a oração “é necessário”, precisaria ficar entre vírgulas,
pois estaria entre uma oração principal e uma oração subordinada
substantiva. Veja:
“É necessário, para que a democracia seja efetiva, que as pessoas se
sintam ligadas aos concidadãos...”
Gabarito: E
Vários são os valores circunstanciais das orações subordinadas
adverbais. Eles basicamente se dividem em 9.
Causais: exprimem causa, motivo, razão. Esta oração faz parte da
estrutura causa-consequência, em que a origem ocorre temporalmente antes.
E a consequência, por ser o resultado, ocorre depois. As principais conjunções
causais são: porque, pois, que, como (quando a oração adverbial estiver
antecipada), já que, visto que, desde que, uma vez que, porquanto, na medida
em que, que, etc:
A mulher gritou porque teve medo.
Como fazia frio, fechou as janelas.
Já que me pediram, vou continuar.
Uma vez que desfruta de bons pensamentos, realiza boas atitudes.
Observações:
I - A conjunção se também pode transmitir valor de causa a orações que
funcionam como base ou ponto de partida de um raciocínio, em construções
como:
Se o estudo é o princípio do concurseiro, é imprescindível a
organização de seu material de estudo.

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II - Vimos na aula anterior que as conjunções porque, porquanto e
pois podem ser coordenativas explicativas. Nesta, percebemos que elas
também podem ser causais. A banca CESPE não pergunta qual é a diferença
entre elas, apenas pede a troca das conjunções.
Questão 46: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2005 / nível médio
Fragmento do texto: As eleições para a assembleia constituinte realizaram-
se após a Proclamação da Independência e, em 25 de março de 1824, D.
Pedro I outorgou ao povo brasileiro sua primeira Constituição política.
Após a data “25 de março de 1824” subentende-se uma relação sintática
representada pela conjunção porque.
Comentário: “As eleições para a assembleia constituinte realizaram-se após
a Proclamação da Independência e, em 25 de março de 1824, D. Pedro I
outorgou ao povo brasileiro sua primeira Constituição política.”
A relação entre as orações desse período é de coordenação aditiva
(observe a conjunção “e” em destaque). Ao se subentender, ou explicitar a
conjunção porque após “25 de março de 1824”, já haveria erro pois a vírgula
que se encontra após “1824” ficaria após a conjunção porque. Além disso, ela
iniciaria, dentro da oração coordenada sindética aditiva, uma relação
subordinativa adverbial causal, mas faltaria a oração principal, vício chamado
de truncamento sintático. Veja como ficaria:
“As eleições para a assembleia constituinte realizaram-se após a
Proclamação da Independência e, em 25 de março de 1824 porque, D. Pedro
I outorgou ao povo brasileiro sua primeira Constituição política...”
Não há, portanto, possibilidade de se subentender a conjunção porque
após 1824.
Gabarito: E

Questão 47: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Uma vez pesquisado, determinado assunto agrega
novos elementos ao pensamento de seu observador e, portanto, modifica-o.
Mudado seu modo de pensar, o pesquisador já não concebe aquele tema da
mesma forma e, assim, já não é capaz de estabelecer uma relação
exatamente igual à do experimento original. Não se podendo repetir a relação
sujeito-objeto, é forçoso afirmar que seria impossível a reprodução exata de
qualquer situação de pesquisa, o que ressalta a importância da descrição do
fenômeno e o caráter vivo dos postulados teóricos.
No desenvolvimento da argumentação, a oração “Não se podendo repetir a
relação sujeito-objeto” (linhas 5 e 6) expressa a causa que desencadeia as
idéias do trecho “é forçoso afirmar (...) pesquisa” (linhas 6 e 7).
Comentário: A pergunta é textual, mas depende da compreensão do período
composto. Na realidade, pergunta-se qual a circunstância expressa na oração
reduzida de gerúndio “Não se podendo repetir a relação sujeito-objeto”. Ela é
subordinada adverbial causal e sua estrutura principal vem em seguida,
composta da oração principal “é forçoso”, oração subordinada substantiva
subjetiva “afirmar”, oração subordinada substantiva objetiva direta “que seria
impossível a reprodução exata de qualquer situação de pesquisa”. O contexto
permite compreender o desenvolvimento da oração causal da seguinte forma:
Já que não se pode repetir a relação sujeito-objeto, é forçoso afirmar que seria
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impossível a reprodução exata de qualquer situação de pesquisa...
Gabarito: C

Consecutivas: Na relação causa-consequência, o processo verbal da


consequência ocorre após o da causa, e suas conjunções exprimem um efeito,
um resultado e aparecem de duas formas:
I - conjunção “que” precedida de “tal”, “tão”, “tanto”, “tamanho”:
Fazia tanto frio que meus dedos congelavam.
Tal foi seu entusiasmo que todos o seguiram.
Nesta estrutura, os intensificadores tal, tamanho, tão, tanto podem ficar
subentendidos.
Bebia que caía pelas ruas. (bebia tanto...)
II – locuções conjuntivas “de maneira que”, “de jeito que”, “de ordem
que”, “de sorte que”, “de modo que”, etc:
Ontem estive doente, de sorte que não pude ir ao trabalho.
“As notícias de casa eram boas, de maneira que pude prolongar
minha viagem.” (Domingos Paschoal Cegalla)
III – locução conjuntiva “sem que”, e a conjunção “que”, seguida de
negação.
Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine sem que a queira comprar.
Lúcia não pode ver uma roupa bonita na vitrine, que não a queira comprar.
Perceba que, na primeira estrutura, a preposição sem tem valor de
negação; na segunda, sua ausência é substituída pelo advérbio de negação
“não”.
Questão 48: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior
Fragmento do texto: O ministro do Trabalho classificou a decisão do COPOM
de subir os juros de “precipitada”. “É um erro imaginar que há inflação no
Brasil.
Julgue a interpretação correta em relação ao valor semântico do vocábulo
destacado:
“É um erro imaginar que há inflação no Brasil” (consequência)
Comentário: A conjunção “que” não possui valor semântico, é apenas
relacional, chamada de conjunção integrante, pois inicia oração subordinada
substantiva. O que a banca queria era que o candidato confundisse esse “que”
com o da oração subordinada adverbial consecutiva. Para ser consecutiva,
deve haver a intensificação na oração principal com os vocábulos “tão”,
“tamanho”, “tanto”. Veja os exemplos:
É um erro imaginar que há inflação no Brasil. (que = conjunção integrante)
oração principal + OSSSRI + oração subordinada substantiva objetiva direta (imaginar isso)
OSSSRI = oração subordinada substantiva subjetiva reduzida de infinitivo

A inflação é tão grande que causou revoluções políticas internas.


oração principal + oração subordinada adverbial consecutiva
(que = conjunção subordinativa adverbial consecutiva)
Gabarito: E
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Questão 49: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Pode-se substituir a palavra sublinhada pela palavra apresentada entre
parênteses e isso não provocaria erro gramatical ou alteração no sentido do
texto:
“Hoje, somos bombardeados por uma quantidade de imagens tal, que não
conseguimos mais distinguir a experiência direta daquilo que vimos há poucos
segundos na televisão” (porque)
Comentário: A conjunção “que” combina com o intensificador “tal” da oração
principal para transmitir valor de consequência (e não de causa).
Gabarito: E
Condicionais: Nesta relação de condição, hipótese, é muito cobrada a
correlação de modo e tempo verbal. Veja:
verbo no futuro do presente
verbo no futuro do subjuntivo
do indicativo
Se o candidato estudar bastante, passará no concurso.

condição no futuro resultado provável no futuro


oração subordinada adverbial condicional oração principal

verbo no futuro do pretérito


verbo no pretérito imperfeito do subjuntivo
do indicativo
Se o candidato estudasse bastante, passaria no concurso.

condição no passado resultado improvável no futuro


oração subordinada adverbial condicional oração principal

verbo no futuro do presente


verbo no presente do subjuntivo
do indicativo
Caso o candidato estude bastante, passará no concurso.

condição no presente resultado provável no futuro


oração subordinada adverbial condicional oração principal

Se uma condição é expressa no futuro ou presente, há condições de


cumpri-la; por isso o resultado expresso na oração principal é provável. Não há
certeza de o candidato ser aprovado, mas há grande possibilidade. Já numa
condição expressa no passado, não há condições de cumpri-la; por isso o
resultado expresso na oração principal é pouco provável, ou mesmo
improvável. A banca CESPE normalmente pede para substituir as conjunções
ou os verbos. Portanto, deve-se atentar quanto à correlação destes tempos
verbais.
Algumas vezes, por motivo de ênfase e reforço motivacional, o autor do
texto troca o tempo verbal da oração principal de futuro do presente para
presente do indicativo e futuro do pretérito para pretérito imperfeito do
indicativo. Veja a diferença:
Se o candidato estudar, passa no concurso.
Se o candidato estudasse, passava no concurso.
Não há erro nestas substituições, há apenas ênfase.

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Além das conjunções condicionais se e caso, há também as locuções
conjuntivas contanto que, desde que, salvo se, sem que (=se não), a não ser
que, a menos que, dado que.
Comprarei o carro desde que não seja caro.
Não sairás daqui, sem que termine o estudo.
Poderão ganhar o campeonato, salvo se acontecer algum
imprevisto.
“A carinha podia ser de chinesa, fossem os olhos mais
enviesados.” (Raquel de Queirós)
Note a última construção. A conjunção condicional fica subentendida, e
com isso é imprescindível entender a correlação verbal para que não haja
dúvida neste valor semântico.
As locuções conjuntivas condicionais desde que, dado que, uma vez que
podem ser confundidas com as causais. Para não ficar com dúvida, verifique
que os verbos nas orações condicionais ficam no modo subjuntivo, enquanto
os das orações causais ficam no modo indicativo. Compare esses exemplos nos
respectivos valores adverbiais vistos anteriormente.
É encontrada também a forma reduzida:
Conhecendo os alunos, o professor não os teria punido. (reduzida de gerúndio)

Questão 50: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Além disso, dada a diversidade de situações regionais,
de prosperidade e de pobreza, o simples translado de um trabalhador, que vá
de uma região a outra, pode representar ascensão substancial, se ele
consegue incorporar-se a um núcleo mais próspero.
A conjunção “se” poderia, sem prejuízo para a correção sintática do período,
ser substituída por caso.
Comentário: A conjunção “se” inicia oração subordinada adverbial
condicional. Perceba que a locução verbal “consegue incorporar-se” encontra-
se no presente do indicativo, por combinar em modo e tempo com a locução
verbal da oração principal “pode representar” (que também está no presente
do indicativo). Porém, se a conjunção “se” for substituída pela conjunção de
igual valor caso, a locução verbal deverá ser flexionada no tempo presente do
subjuntivo (consiga incorporar-se). Por isso, a afirmativa está errada.
Gabarito: E
Concessivas: exprimem um fato que se concede, que se admite, em
oposição ao da oração principal. As conjunções são: embora, conquanto, que,
ainda que, mesmo que, ainda quando, mesmo quando, posto que, por mais
que, por muito que, por menos que, se bem que, em que (pese), nem que,
dado que, sem que (=embora não).
Gostava de Matemática, embora tivesse dificuldades com cálculos.
Por incrível que pareça, eles não conheciam ‘pen-drive’.
Em que pese à autoridade deste cientista, não podemos aceitar suas
afirmações. (Domingos Paschoal Cegalla)
Dado que soubesse, não dirigia à noite.
Por mais que gritasse, não me ouviram.
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Nem que a gente quisesse, conseguiria esquecer. (Otto Lara Resende)

Assim como ocorreu nas orações substantivas (vistas nesta aula), as


adverbiais também podem ser reduzidas. Por isso deve-se tomar muito
cuidado quando a banca pedir a substituição de conjunção ou locução
conjuntiva por preposição ou locução prepositiva. Veja:
Embora chegasse cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Ao se substituir a conjunção embora pela preposição mesmo, o verbo é
obrigado a sair da forma conjugada em modo e tempo verbal para a forma
nominal gerúndio. Isso fará com que esta oração seja reduzida de gerúndio:
Mesmo chegando cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Se fosse substituída pela locução prepositiva “apesar de”, a oração seria
reduzida de infinitivo:
Apesar de chegar cedo, não conseguiu lugar para sentar-se.
Assim, cuidado com as substituições pedidas na prova.
Questão 51: Tribunal de Justiça - RJ / 2008 / nível superior
Fragmento do texto: Há dessas reminiscências que não descansam antes
que a pena ou língua as publique. Um antigo dizia arrenegar de conviva que
tem memória. A vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um deles,
conquanto a prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir
agora o nome de tal antigo; mas era um antigo, e basta.
No texto, o conector “conquanto” estabelece entre as orações que liga uma
relação lógica de oposição.
Comentário: A conjunção “conquanto” inicia a oração subordinada adverbial
concessiva, por isso transmite contraste, oposição. Assim, a afirmativa está
correta.
Gabarito: C

Questão 52: ANS / 2005 / Analista


Fragmento de texto: Ainda que os efeitos do estresse oxidativo ocorram a
longo prazo, a oxidação é quase imediata, e assim se poderia avaliar se há
risco. Aliás, acho que todos os fatores que potencialmente podem provocar
doenças deveriam ser controlados, em nome da precaução, mesmo que o
malefício não esteja cientificamente comprovado.
O modo verbal empregado em “ocorram” e “esteja” exprime uma hipótese,
uma dúvida, uma concessão, reforçada, respectivamente, pelos conectivos
“Ainda que” e “mesmo que”.
Comentário: Os verbos “ocorram” e “esteja” estão no tempo presente do
subjuntivo, o qual exprime dúvida, incerteza. Note que na oração adverbial
concessiva, os verbos devem se flexionar no modo subjuntivo. Por isso, a
questão afirmou que as locuções conjuntivas de concessão reforçam esse
valor semântico.
Gabarito: C

Questão 53: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Há histórias, no plural; o mundo tornou-se
intensamente complexo e as respostas não são diretas nem estáveis. Mesmo
que não possamos olhar de um curso único para a história, os projetos

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humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a
construção de futuros possíveis.
Preservam-se as relações entre os argumentos do texto caso se empregue,
em lugar de “que não possamos” (linha 3), uma oração correspondente com o
gerúndio: não podendo.
Comentário: As orações subordinadas adverbiais concessivas naturalmente
podem ser reduzidas de gerúndio ou infinitivo. Mas o candidato deveria ficar
atento quanto ao sujeito elíptico desta oração. Quando a oração é reduzida de
gerúndio ou particípio, essas formas nominais não se flexionam em pessoa;
por isso, dependendo de quem seja o sujeito, poderá haver ambiguidade e
prejuízo da coerência no texto. Veja:
Mesmo que não possamos olhar de um curso único para a história, os projetos
humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a
construção de futuros possíveis.
O sujeito de “possamos olhar” é oculto “nós” e o sujeito de “têm” é “os
projetos humanos”.
Mesmo não podendo olhar de um curso único para a história, os projetos
humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a
construção de futuros possíveis.
O sujeito de “podendo olhar” é elíptico, isto é, remete-se, no contexto, a
“projetos humanos”, e isso traz prejuízo para o texto.
Gabarito: E
Comparativas: representam o segundo termo de uma comparação e se
expressam de três formas, com as conjunções como, (tal) qual, tal e qual,
assim como, (tal) como, (tão ou tanto) como, (mais) que ou do que, (menos)
que ou do que, tanto quanto, que nem, feito (=como, do mesmo modo que), o
mesmo que (=como):
I – com verbo expresso:
A preguiça gasta a vida como a ferrugem consome o ferro.
Como a flor se abre ao sol, assim minha alma se abriu à luz
daquele olhar.
A praia é tal qual você descreveu. (tal como)
II – com o predicado ou verbo subentendido:
A luz é mais veloz do que o som. (do que o som é)
O leopardo é tão ágil quanto a onça. (quanto a onça é)
Ele corre feito uma gazela.
Nas estruturas comparativas de superioridade e inferioridade (com
verbos expressos ou não), a palavra “do” é opcional.
Cantava mais do que trabalhava. Com verbo expresso.
Cantava mais que trabalhava.

Os mais magros correm mais do que os mais cheinhos. Verbo


Os mais magros correm mais que os mais cheinhos. subentendido

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III – como comparação hipotética (uso da conjunção se):
O homem parou perplexo, como se esperasse um guia.
Questão 54: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível médio
Fragmento do texto: Não consigo escrever. Dinheiro e propriedades, que
me dão sempre desejos violentos de mortandade e outras destruições, as
duas colunas mal impressas, caixilho, Dr. Gouveia, Moisés, homem da luz,
negociantes, políticos, diretor e secretário, tudo se move na minha cabeça,
como um bando de vermes em cima de uma coisa amarela, gorda e mole que
é, reparando-se bem, a cara balofa de Julião Tavares muito aumentada.
No trecho “tudo se move na minha cabeça, como um bando de vermes em
cima de uma coisa amarela, gorda e mole”, “como” introduz uma comparação.
Comentário: Realmente houve a comparação. Perceba que se subentende a
estrutura verbal “se movesse”.
Gabarito: C
Conformativas: exprimem acordo ou conformidade de um fato com
outro. Suas conjunções são: como, conforme, segundo, consoante.
Geralmente é usado para reforçar argumento. A oração principal é a
declaração feita pelo autor e a oração subordinada adverbial conformativa é a
base de sustentação do argumento, muito marcado por leis, regulamentos,
fala de especialistas, etc. Esse valor adverbial é vastamente explorado como
argumento de autoridade:
Como disse o prefeito, o IPTU vai subir 5% este ano.
“Digo essas coisas por alto, segundo as ouvi contar.” (Machado de Assis)
Conforme prevê o artigo 37 da CF, o serviço público é impessoal.
Consoante opinam alguns, a história se repete.
Questão 55: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior
Fragmento do texto: “Esse primeiro trimestre, como dizem meus filhos,
bombou”, afirmou o ministro do Trabalho a jornalistas.
Julgue a interpretação correta em relação ao valor semântico do vocábulo
destacado: “como dizem meus filhos” (comparação)
Comentário: a conjunção “como” transmite valor de conformidade, podendo-
se trocar por segundo, conforme, consoante; o que não ocorre com a
comparação.
Gabarito: E
Proporcionais: iniciam ideia de proporção, com as locuções conjuntivas
à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto mais ... tanto mais,
quanto mais ... tanto menos, quanto mais ... tanto menos, quanto menos ...
tanto mais, quanto mais ... mais, quanto menos ... menos, tanto ... quanto
(como).
Os alunos respondiam, à medida que eram chamados.
À proporção que subiam a montanha, o ar ia ficando rarefeito.
O valor do salário, ao passo que os preços sobem, vai diminuindo.
Tanto gostava de um quanto aborrecia o outro.
Não são corretas as locuções à medida em que, na medida que, a
medida que, com valor de proporção, cabendo apenas à medida que. Outro
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detalhe, não há crase em locuções conjuntivas de outro valor, somente há nas
proporcionais: “à medida que” e “à proporção que”.
Vimos que a locução conjuntiva “na medida em que” é causal. Ela pode
também fazer parte de estrutura oracional adjetiva.
Compare todos:
“À medida que os anos passam, as minhas possibilidades diminuem.”
oração subordinada adverbial proporcional + oração principal

“A rigor, tal cordialidade não existe na medida em que é apregoada.”


oração principal + oração subordinada adverbial causal

“A expansão da lavoura algodoeira não pôde produzir-se em


São Paulo na mesma medida em que se produziu noutras terras.”
oração principal + oração subordinada adjetiva restritiva

Observação: A locução conjuntiva ao passo que deve receber especial


atenção, pois pode agregar três valores semânticos distintos. Ela possui valor
de tempo concomitante e se estende à proporção (que também possui a
concomitância temporal) e à oposição (pois também pode agregar, além do
valor de tempo concomitante, o de adversidade):
Subordinada adverbial proporcional:
“Pequenos cogumelos, ao passo que devoram os tecidos dos insetos, semeiam
os seus esporos mortais.” (= à proporção que)
Subordinada adverbial temporal:
Ela dormia, ao passo que o professor dissertava. (= enquanto)
Coordenativa adversativa:
É feia, ao passo que a irmã é bonita. (= mas)
Deve-se entender, antes de tudo, que esta locução conjuntiva transmite
tempo concomitante e, dependendo do contexto, transmite os outros dois
valores semânticos. Perceba que a proporção se dá com uma ideia de evolução
temporal, os processos verbais vão se acumulando, progredindo
temporalmente, de forma diferente dos outros valores semânticos.
Questão 56: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior
Fragmento do texto: Por falta de peritos oficiais, as perícias criminais eram
feitas, inicialmente, por pessoas nem sempre habilitadas, nomeadas peritos
ad hoc, para cada caso. Mas, à medida que a demanda por essas perícias foi
aumentando, houve a necessidade de se criar a carreira dos peritos oficiais.
O conector “à medida que” indica que o aumento das perícias de que trata o
período anterior constitui a causa para a criação da carreira dos peritos oficiais
e, nesse contexto, pode ser substituído por conquanto.
Comentário: A locução conjuntiva “à medida que” transmite valor de
proporção e a conjunção conquanto transmite valor de concessão (oposição).
Só por isso já daria para eliminar a possibilidade de esta questão estar certa,
pois não se poderia substituir uma pela outra.
Ademais, foi dito na questão que “o aumento das perícias (...) constitui
a causa para a criação da carreira dos peritos oficiais...”. Na realidade, a
demanda (a necessidade) por essas perícias foi aumentando, com isso
(iniciando um efeito, consequência) houve a necessidade de se criar a carreira
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dos peritos. Note que o conectivo “à medida que” tem valor proporcional, mas
pode-se entender esse enunciado como causa por ocorrer anteriormente,
gerando um efeito. Os erros, portanto, estão na mudança dos argumentos,
quer dizer, na interpretação e na substituição dos conectivos.
Gabarito: E

Questão 57: Agente educacional - ES / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: A China foi o caso mais marcante de superação da
crise de 2008, porque conseguiu crescer 8,7% no ano passado, enquanto o
resto do mundo patinhava.
O termo “enquanto” pode, sem prejuízo para a correção gramatical e sem
alterar as informações originais do período, ser substituído por ao passo que.
Comentário: A conjunção “enquanto” traduz valor de tempo concomitante,
da mesma forma que a locução conjuntiva “ao passo que”. Por isso elas
podem ser substituídas uma pela outra sem alterar a informação original.
Perceba que, para não haver problema de entendimento pelo candidato, a
banca evitou afirmar valor semântico original, ela preferiu informações
originais, pois não importa se continua sendo temporal ou se transformaria
em proporcional; o que importa é que a ideia de concomitância foi preservada.
Gabarito: C

Questão 58: Caixa Econômica Federal / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: “O mercado brasileiro está fervilhando. Enquanto as
nossas vendas ficaram estáveis em alguns países, no Brasil elas subiram 30%
em 2009”, completa o espanhol.
O vocábulo “Enquanto”, por expressar uma ideia de proporcionalidade,
poderia ser substituído por À medida que, mantendo-se o sentido original do
texto.
Comentário: A conjunção “enquanto” não expressa proporção, ela traduz
valor de tempo concomitante, o que poderia também ocorrer com as
conjunções de proporção. Porém, há de se perceber que a proporção
(diferente da temporal) necessita da evolução temporal (cada elemento vai
realizando algo a seu tempo e isso se traduz em uma evolução), mas isso não
ocorreu neste contexto, pois foi dito que “as nossas vendas ficaram estáveis”.
Isso quer dizer que uma não traduziu resultado para a outra.
Gabarito: E
Finais: indicam finalidade, objetivo, com as locuções conjuntivas: para
que, a fim de que, que (= para que), porque (= para que):
Afastou-se depressa, para que não o víssemos.
Viemos aqui a fim de que realizássemos um acordo.
“Fiz-lhe sinal que se calasse.” (Machado de Assis)
“Fez tudo porque eu não obtivesse bons resultados.”
Muito utilizada é a forma reduzida de infinitivo:
Suportou todo tipo de humilhação para obter o visto americano.
Questão 59: ABIN / 2008 / nível médio
Fragmento do texto: A análise dos assuntos relativos ao Oriente Médio pelos
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órgãos de inteligência faz parte do esforço em acompanhar o fenômeno do
terrorismo internacional, dados os frequentes enfrentamentos entre grupos
radicais e a possibilidade de que simpatizantes dessas organizações
extremistas possam engajar-se em ações radicais, fora da região, como forma
de retaliação, contra alvos de interesse de grupos rivais ao redor do mundo,
inclusive, e de forma potencial, em território brasileiro.
Se a preposição “em” (linha 2) for substituída pela preposição para,
prejudica-se a correção gramatical do período.
Comentário: Veja a estrutura abaixo:
A análise dos assuntos relativos ao Oriente Médio pelos órgãos de inteligência
faz parte do esforço em acompanhar o fenômeno do terrorismo internacional...
A análise dos assuntos relativos ao Oriente Médio pelos órgãos de inteligência
faz parte do esforço para acompanhar o fenômeno do terrorismo internacional...
Confrontando as duas estruturas, observa-se que não há prejuízo para o
contexto, portanto não há incorreção gramatical. O que se nota é que a
preposição “em”, na primeira estrutura, é uma exigência do substantivo
“esforço”, por isso a oração “em acompanhar o fenômeno do terrorismo
internacional” é uma oração subordinada substantiva completiva nominal
reduzida de infinitivo. Na substituição pela preposição “para”, muda-se a
sintaxe (e a semântica). A oração “para acompanhar o fenômeno do terrorismo
internacional” passa a ser subordinada adverbial de finalidade reduzida de
infinitivo.
Mudam-se a sintaxe e a semântica; mas não há prejuízo para o
contexto, nem gramatical. A banca afirmou que há prejuízo gramatical, por
isso a questão está errada.
Gabarito: E
Temporais: indicam o tempo em que se realiza o fato expresso na
oração principal, podendo ser um tempo geral, concomitante, antes ou depois
de um referente. Suas conjunções: quando, enquanto, logo que, mal (= logo
que), sempre que, assim que, desde que, antes que, depois que, até que,
agora que, ao mesmo tempo que, toda vez que.
Não fale enquanto come.
Mal você saiu, ela chegou.
Só voltou a jogar quando se sentiu bem.
Assim que chegou, foi para a cozinha.
A forma reduzida também é muito utilizada:
Terminada a festa, todos foram embora.
Questão 60: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior
Fragmento do texto: Quando ao escravo sucede o parceiro, depois, o
assalariado agrícola, as relações continuam impregnadas dos mesmos valores,
que se exprimem na desumanização do trabalho.
A conjunção “Quando” tem valor condicional e, por isso, poderia ser
substituída por Se, sem prejuízo para os sentidos do texto.
Comentário: A palavra “quando” pode, em determinado contexto, fazer parte
de uma condição, sem logicamente perder a ideia de tempo: Só irei embora,

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quando você for. Mas no contexto em que se encontra, a palavra “Quando”
é conjunção temporal e inicia oração subordinada adverbial temporal, não
cabendo a substituição por Se.
Gabarito: E

As orações intercaladas (comentário do autor)


O professor Evanildo Bechara, em sua gramática, elucida o que são as
orações intercaladas.
As orações intercaladas são inserções feitas pelo autor, com
desprendimento sintático, por isso podem ser separadas por vírgula, travessão
ou parênteses. Essa estrutura é também chamada de expressão parentética ou
comentário do autor e transmite certos valores semânticos, mas os que mais
nos interessam são:
a) advertência: esclarece um ponto que o falante julga necessário:
Em 1945 – isto aconteceu no dia do meu aniversário – conheci um
dos meus melhores amigos.
b) opinião: o falante aproveita a ocasião para opinar:
D. Benta (malvada que era) dizia que a sua doença impedia a
brincadeira da garotada.
“Comíamos, é verdade, mas era um comer virgulado de palavrinhas
doces.” (Machado de Assis)
c) desejo: o falante aproveita a ocasião para exprimir um desejo, bom
ou mau:
José – Deus o conserve assim! – conquistou o primeiro lugar da
classe.
“É bem feiozinho, benza-o Deus, o tal teu amigo!” (Aluísio Azevedo)

d) escusa: o falante se desculpa:


“Pouco depois retirou-se: eu fui vê-la descer as escadas, e não sei por
que fenômenos de ventriloquismo cerebral (perdoem-me os filósofos essa
frase bárbara) murmurei comigo...” (Machado de Assis)
e) permissão: o falante solicita algo:
Meu espírito (permita-me aqui uma comparação de criança), meu
espírito era naquela ocasião uma espécie de peteca.” (Machado de Assis)
f) ressalva: o falante faz uma limitação à generalidade de um
enunciado:
“Daqui a um crime distava apenas um breve espaço e ela transpôs, ao
que parece.” (Alexandre Herculano)
Ele, que eu saiba, nunca veio aqui.
“Cobiça de cátedras e borlas que, diga-se de passagem, Jesus Cristo
repreendeu severamente aos fariseus.” (Camilo Castelo Branco)
Os livros, pode-se bem dizer, são o alimento do espírito.

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g) esclarecimento, síntese ou conclusão do que foi enunciado:
“– A razão é clara: achava a sua conversação menos insossa que a dos
outros homens.” (Machado de Assis)
“Não era desgosto: era cansaço e vergonha” (Cochat Osório)

“Eu em sua igreja não mando: só assisto e apoio” (S. de Mello Breyner Andressen)

Por estar em final de período, é antecedida de dois-pontos, mas também


pode receber vírgula ou travessão:
“Sua metodologia é simples – por meio de conversas frequentes com a
família, o voluntário receita cuidados básicos para evitar que a criança morra
por falta de conhecimento, como os hábitos de higiene, a administração do
soro caseiro e a adoção da farinha de multimistura...” (Jornal do Commercio. In prova
CESPE - INCA 2010)

Questão 61: ANATEL / 2009 / nível Superior


Fragmento do texto: O real não é constituído por coisas. Nossa experiência
direta e imediata da realidade leva-nos a imaginar que o real é feito de coisas
(sejam elas naturais ou humanas), isto é, de objetos físicos, psíquicos,
culturais oferecidos à nossa percepção e às nossas vivências. Assim, por
exemplo, costumamos dizer que uma montanha é real porque é uma coisa. No
entanto, o simples fato de que uma coisa possua um nome e de que a
chamemos montanha indica que ela é, pelo menos, uma coisa-para-nós, isto
é, que possui um sentido em nossa experiência.
Como, no primeiro parágrafo, os parênteses demarcam a inserção de uma
informação, a sua substituição por duplo travessão preservaria a coerência e a
correção do texto.
Comentário: Vimos que o comentário do autor pode ser inserido por
parênteses, duplo travessão ou dupla vírgula. Neste contexto, o autor inseriu
um comentário caracterizando “coisas”, como sendo naturais ou humanas. Por
isso, a substituição por duplo travessão está correta.
Gabarito: C

Questão 62: INCA / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: A importância da Pastoral é palpável: a média nacional
de mortalidade infantil para crianças de até 1 ano, que é de 22 indivíduos por
mil nascidos vivos, cai para 12 mil nos lugares atendidos pela instituição”.
O emprego de sinal de dois-pontos em “é palpável:” justifica-se porque o
trecho subsequente a esse sinal apresenta argumento comprobatório da
afirmativa anterior.
Comentário: Foi dado ao leitor um esclarecimento sobre a importância da
Pastoral com dados comprobatórios, encaixando-se na letra (g) dos tipos de
enunciados independentes, vistos anteriormente.
Gabarito: C

Questão 63: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: Vale a apena rever certas crenças que se têm
multiplicado a respeito das chamadas emoções negativas. Diferentemente do
que alguns autores propõem, sublimá-las não gera benefícios para a pessoa —
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essa atitude, aliás, tende mais a trazer-lhe prejuízos à saúde.
O travessão empregado logo após “pessoa”, usado para destacar a informação
final do enunciado, pode ser corretamente substituído por ponto e vírgula.
Comentário: O travessão inicia um comentário do autor, que serve de
esclarecimento e enfatiza o resultado da ação de sublimar alguns autores.
Como vimos, esta estrutura pode ser separada por dois-pontos, travessão e
vírgula. Por já haver divisões internas, pode-se inserir ponto e vírgula. Vale
notar que toda a expressão após o travessão também pode ser separada por
parênteses.
Gabarito: C

Questão 64: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Julgue a afirmativa a seguir sobre pontuação:
Uma das funções dos parênteses é a de isolar explicações, indicações ou
comentários em geral.
Comentário: Realmente os parênteses servem para isolar explicações,
indicações ou comentários em geral. Isso também pode ser evidenciado por
meio dos travessões e vírgulas. Normalmente o CESPE pergunta sobre a
substituição dessas pontuações. Você verá muitas vezes em nossas provas.
Gabarito: C

Questão 65: Caixa Econômica Federal / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: A aposentadoria — mesmo a minguada quantia mensal
paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — é a principal renda
fixa do idoso paulistano.
O travessão empregado após o vocábulo “aposentadoria” poderia ser
substituído por vírgula, o que manteria a correção e o sentido original do
texto.
Comentário: Note que há duplo travessão. Poder-se-ia substituir esse duplo
travessão por dupla vírgula ou parênteses. Mas apenas um deles não pode ser
substituído.
Gabarito: E

Questão 66: Polícia Federal / 2004 / nível médio


Fragmento do texto: O discurso pretende impor essa ideia como caminho
único para o desenvolvimento das nações, sejam elas ricas ou pobres. Na
prática — hoje mais do que ontem —, o mercado é uma via de mão única:
livre para os países ricos e pleno de barreiras e restrições às nações
emergentes.
A substituição dos travessões que isolam a expressão “hoje mais do que
ontem” por parênteses mantém a coerência textual e o respeito às regras de
pontuação da norma culta.
Comentário: Exatamente, pois a expressão intercalada é um comentário do
autor. Cuidado, pois observe que não se poderia substituir por dupla vírgula
especificamente neste caso, pois já há vírgula após o segundo travessão. Isso
aparece em algumas provas como “pegadinhas”.
Gabarito: C

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Questão 67: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível médio
Fragmento do texto: O problema apontado no estudo refere-se
especialmente ao grupo de crianças que só trabalham — a porcentagem de
menores nessa situação tem-se mantido inalterada, enquanto o grupo das
crianças que só estudam tem aumentado e o daquelas que estudam e
trabalham tem se reduzido.
Seria mantida a correção gramatical do período, caso fosse inserida a
conjunção embora, para introduzir a oração que se inicia após o travessão.
Comentário: A conjunção “embora” traria o valor de concessão (contraste,
oposição), que não cabe a este contexto, além do que o verbo desta oração
não poderia estar no indicativo (tem), mas no subjuntivo (tenha). Na
realidade, o travessão indica que se iniciou uma estrutura independente
com valor de explicação, a qual chamamos comentário do autor. Poder-se-
ia substituir o travessão por vírgula ou até ponto e vírgula.
Gabarito: E

Questão 68: ANEEL / 2010 / nível Médio


Fragmento do texto: O estudo aponta forte concentração dos investimentos
na exploração de petróleo e gás, não tanto no pré-sal, mas, especialmente, na
cadeia econômica ligada ao óleo, como a indústria naval e a de fabricação de
plataformas. Trata-se de um investimento que estimula outros setores da
economia.
O termo “como” (linha 3) estabelece, no período em que foi empregado, uma
relação de comparação entre a “cadeia econômica ligada ao óleo” e “a
indústria naval e a de fabricação de plataformas”.
Comentário: Na realidade, a palavra “como” inicia termo exemplificativo.
Note que “a indústria naval” e “a de fabricação de plataformas” são exemplos
de cadeia econômica ligada ao óleo.
Gabarito: E

O que devo tomar nota como mais importante?

• Esquema dos termos básicos da oração.


• O aposto explicativo e a oração subordinada adjetiva explicativa podem
ser separados por vírgulas, travessões ou parênteses.
• Não se pode separar oração subordinada substantiva da principal por
vírgula.
• O pronome relativo “que” pode ser substituído por “o qual” e suas
variações.
• As vírgulas nos termos adverbiais.
• As conjunções subordinativas adverbiais.

Até nosso próximo encontro!


Grande abraço.
Terror

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Lista de questões
Questão 1: TRE - PA / 2007 / nível superior
Fragmento do texto: A justiça eleitoral mineira mantém o projeto Justiça
Eleitoral na Escola, voltado para crianças e adolescentes...
O trecho “o projeto Justiça Eleitoral na Escola” completa o sentido do verbo
mantém.

Questão 2: ABIN / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: Tais dilemas decorrem, por exemplo, da tensão entre a
necessidade de segredo governamental e o princípio do acesso público à
informação ou, ainda, do fato de não se poder reduzir a segurança estatal à
segurança individual, e vice-versa.
A retirada da preposição de em “do fato” (linha 3) — que passaria a o fato —
implicaria prejuízo à estrutura sintática do texto.

Questão 3: Médico Perito INSS / 2009 / nível superior


Julgue a frase quanto à correção gramatical:
O fato de haver vacinação compulsória, foi apenas mais um dos elementos
para que a população do Rio, insatisfeita com o “bota-abaixo” e insuflada pela
imprensa, se revoltasse.

Questão 4: Médico Perito INSS / 2009 / nível superior


Fragmento do texto: O episódio transformou, no período de 10 a 16 de
novembro de 1904, a recém-reconstruída cidade do Rio de Janeiro em uma
praça de guerra, onde foram erguidas barricadas e ocorreram confrontos
generalizados.
A expressão “confrontos generalizados” desempenha a função sintática de
complemento de “ocorreram”.

Questão 5: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior


No trecho “Meu pai era um homem bonito com muitas namoradas”, o
sintagma “um homem bonito com muitas namoradas” complementa o sentido
do verbo.

Questão 6: ABIN / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: Os sistemas de inteligência são uma realidade concreta
na máquina governamental contemporânea, necessários para a manutenção
do poder e da capacidade estatal. Entretanto, representam também uma fonte
permanente de risco. Se, por um lado, são úteis para que o Estado
compreenda seu ambiente e seja capaz de avaliar atuais ou potenciais
adversários, podem, por outro, tornar-se ameaçadores e perigosos para os
próprios cidadãos se forem pouco regulados e controlados.
Os adjetivos “úteis” (linha 4), “atuais” (linha 5) e “perigosos” (linha 6)
caracterizam os “sistemas de inteligência” (linha 1).

Questão 7: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: No Brasil, o Sistema Único de Saúde (SUS) presta
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atendimento universal e gratuito a 160 milhões de brasileiros que não têm
planos de saúde privados.
No trecho “a 160 milhões de brasileiros”, a preposição “a” é exigida devido à
regência de “atendimento”.

Questão 8: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Em uma visão fenomenológica, os chamados estados
da mente perante a verdade podem ser descritos como o tipo de experiência
vivida pelo analista de inteligência no contato com o fenômeno acompanhado.
Assim sendo, os fatos analisados não podem ser dissociados daquele que
produz o conhecimento. Quando a mente se posiciona perante a verdade, o
que de fato ocorre é um processo ativo de auto-regulação entre uma pessoa,
seus conhecimentos preexistentes (a priori) e um novo fato que se apresenta.
Subentende-se, pelas relações de sentido que se estabelecem no texto, que
“daquele” (linha 4) retoma, por coesão, “fenômeno” (linha 3), precedido pela
preposição de, exigida por “dissociados” (linha 4).

Questão 9: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Assim, os campos mórficos podem representar um
novo ponto de partida para compreendermos nossa herança cultural e a
influência de nossos ancestrais.
A flexão de primeira pessoa do plural em “compreendermos” indica que o
sujeito da oração em que esse verbo ocorre é diferente do sujeito da oração
anterior.

Questão 10: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Não se podendo repetir a relação sujeito-objeto, é
forçoso afirmar que seria impossível a reprodução exata de qualquer situação
de pesquisa, o que ressalta a importância da descrição do fenômeno e o
caráter vivo dos postulados teóricos.
Logo após “pesquisa” (linha 3), estaria gramaticalmente correto e coerente
com o desenvolvimento das idéias do texto o emprego do travessão simples
no lugar da vírgula.

Questão 11: Polícia Federal / 2004 / nível médio


Fragmento do texto: O discurso pretende impor essa ideia como caminho
único para o desenvolvimento das nações, sejam elas ricas ou pobres. Na
prática — hoje mais do que ontem —, o mercado é uma via de mão única:
livre para os países ricos e pleno de barreiras e restrições às nações
emergentes.
O termo que sucede o sinal de dois-pontos tem a função de introduzir uma
enumeração de elementos caracterizadores de “mercado”, que justificam
porque este é considerado “via de mão única”.

Questão 12: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior


Fragmento do texto: As ciências humanas e sociais contemporâneas
exprimem essas necessidades da sociedade capitalista, ou seja, desse sujeito
abstrato, mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de
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PORTUGUÊS P/ POLÍCIA FEDERAL - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS)
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disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo
empírico.
No trecho “mediante duas visões: a universalidade naturalista, deduzida de
disciplinas como a neurociência ou a genética, e a diversidade do culturalismo
empírico”, o emprego dos dois-pontos introduz uma citação.

Questão 13: ABIN / 2008 / nível médio


Fragmento do texto: Em 2002, o Congresso Nacional, por meio da Comissão
Mista de Controle das Atividades de Inteligência, promoveu o seminário
“Atividades de Inteligência no Brasil: Contribuições para a Soberania e para a
Democracia”, com a participação de autoridades governamentais,
parlamentares, acadêmicos, pesquisadores e profissionais da área de
inteligência.
Se o sinal de dois-pontos (linha 3) fosse substituído por travessão, estaria
mantida a correção gramatical do título do seminário (linhas 3 e 4).

Questão 14: (ANS / 2005 / nível Superior)


Fragmento do texto: Existe, por certo, um abismo muito largo e profundo
entre a cosmovisão dos médicos em geral (fundada em sua leitura dos
fenômenos biológicos) e as concepções de vida da vasta maioria da
população. Salta à vista, na abordagem do assunto (a ética e a verdade do
paciente), que se fica, mais uma vez, diante da pergunta feita por Pôncio
Pilatos a Jesus Cristo, encarando, como estava, um homem pleno de sua
verdade, “O que é a verdade?” E é evidente que um e outro se cingiam a
verdades díspares.
Nas linhas 4 e 5, os sinais de parênteses são empregados para intercalar uma
explicação do que seria o “assunto”.

Questão 15: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível superior


Fragmento do texto: É fácil, hoje em dia, confundir as limitações crescentes
impostas ao Estado-nação com a construção de um espaço de livre circulação
dos indivíduos, promovido pelo movimento desembaraçado de mercadorias e
capitais.
O trecho “confundir as limitações crescentes impostas ao Estado-nação com a
construção de um espaço de livre circulação dos indivíduos, promovido pelo
movimento desembaraçado de mercadorias e capitais” exerce a função
sintática de sujeito.

Questão 16: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior


Fragmento do texto: Não há dúvida de que, no início do século XXI, os
Estados Unidos da América chegaram mais perto do que nunca da
possibilidade de constituição de um “império mundial”.
O emprego da preposição “de” em “Não há dúvida de que” justifica-se pela
regência da forma verbal “há”.

Questão 17: Procurador Federal - AGU / 2002 / nível superior


Fragmento do texto: A minha firme convicção é que, se não fizermos todos
os dias novos e maiores esforços para tornar o nosso solo perfeitamente livre,
se não tivermos sempre presente a ideia de que a escravidão é a causa
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principal de todos os nossos vícios, defeitos, perigos e fraquezas nacionais, o
prazo que ainda tem de duração legal − calculadas todas as influências que
lhe estão precipitando o desfecho − será assinalado por sintomas crescentes
de dissolução social.
A substituição do trecho “A minha firme convicção é que” por A minha firme
convicção é a de que estaria em desacordo com as exigências de
formalidade da norma culta escrita.

Questão 18: (TRE - ES / 2011 / nível médio)


Fragmento de texto: No Brasil, a tradição política no tocante à
representação gira em torno de três ideias fundamentais. A primeira é a do
mandato livre e independente, isto é, os representantes, ao serem eleitos, não
têm nenhuma obrigação, necessariamente, para com as reivindicações e os
interesses de seus eleitores. O representante deve exercer seu papel com
base no exercício autônomo de sua atividade, na medida em que é ele quem
tem a capacidade de discernimento para deliberar sobre os verdadeiros
interesses dos seus constituintes. A segunda ideia é a de que os
representantes devem exprimir interesses gerais, e não interesses locais ou
regionais.
Em “A segunda ideia é a de que” (linha 8), o “a” que precede “de que” poderia
ser retirado, sem acarretar prejuízo à correção gramatical, ao passo que, em
“A primeira é a do” (linha 2), o “a” que precede “do” não poderia ser retirado,
visto que substitui a palavra “ideias” (linha 2).

Questão 19: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior


Fragmento do texto: Não há dúvida de que, no início do século XXI, os
Estados Unidos da América chegaram mais perto do que nunca da
possibilidade de constituição de um “império mundial”.
Como na sequência há um complemento oracional, a omissão da preposição
“de” em “Não há dúvida de que” também estaria de acordo com as exigências
da norma escrita culta.

Questão 20: (ANS / 2005 / nível Superior)


Fragmento do texto: É corrente a afirmação de que muitos pacientes não
querem saber a verdade de sua doença, quando grave, ou que procuram de
toda maneira se enganar.
A retirada da preposição em “a afirmação de que” desrespeita as regras de
regência do padrão culto da língua e prejudica a coerência textual.

Questão 21: (Detran - ES / 2011 / nível médio)


Fragmento de texto:
A Bik.e vem com tudo para agradar, a começar pelo nome esperto e um
diploma automático na dura disciplina de “mobilidade sustentável”. Vem como
um aviso concreto de que a era do automóvel está mesmo se despedindo.
Em “de que”, o emprego da preposição é obrigatório, visto que introduz o
complemento da palavra “aviso”; como ocorre, por exemplo, em aviso de
férias.

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PORTUGUÊS P/ POLÍCIA FEDERAL - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS)
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Questão 22: (PC - ES / 2011 / nível superior)
Fragmento de texto:
Por essa razão, aqueles que resistem às reivindicações de maior
igualdade são levados a considerar que as desigualdades são, em sua maior
parte, naturais e, como tais, invencíveis ou mais dificilmente superáveis. Ao
contrário, aqueles que lutam por maior igualdade estão convencidos de que as
desigualdades são, em sua maior parte, sociais ou históricas.
No trecho “estão convencidos de que as desigualdades são, em sua maior
parte, sociais ou históricas”, a omissão da preposição “de” prejudicaria a
correção gramatical do período.

Questão 23: (TRE - ES / 2011 / nível médio)


Fragmento de texto: A terceira ideia refere-se ao princípio de que o sistema
democrático representativo deve basear-se no governo da maioria.
Com correção gramatical, o trecho “ao princípio de que o sistema democrático
representativo” poderia ser reescrito da seguinte forma: ao princípio que o
sistema democrático representativo.

Questão 24: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2006 / nível médio


Fragmento do texto: O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-
se Ordenações do Reino, as quais foram elaboradas em Portugal no fim da
Idade Média e utilizadas até 1828.
A substituição da estrutura “as quais foram elaboradas (...) e utilizadas” por o
qual foi elaborado (...) e utilizado altera as relações de concordância sem
provocar prejuízo para a coerência e a correção gramatical do período.

Questão 25: ABIN / 2010 / nível Superior


Fragmento do texto: No projeto Segurança Pública para o Brasil, da
Secretaria Nacional de Segurança Pública, aponta-se como principal causa do
aumento da criminalidade o tráfico de drogas e de armas.
A supressão das vírgulas que isolam a expressão “da Secretaria Nacional de
Segurança Pública” alteraria o sentido do texto, visto que estaria
subentendida a existência de, pelo menos, mais um projeto denominado
Segurança Pública para o Brasil.

Questão 26: Polícia Federal / 2004 / administrativo


Fragmento do texto: Do final de setembro aos primeiros dias de outubro,
ficou muito claro que estamos assistindo a algo absolutamente novo e
fantástico: o surgimento de uma entidade governante anglo-saxã.
Preservam-se as relações semânticas do texto e sua correção gramatical ao se
substituir o sinal de dois-pontos por vírgula seguida do termo que é.

Questão 27: Tribunal de Justiça - BA / 2005 / nível superior


Fragmento do texto: Nesse contexto, as previsões, liberais ou marxistas, do
fim dos estados ou das economias nacionais, ou mesmo da formação de
algum tipo de federação cosmopolita e pacífica, são utopias, com toda a
dignidade das utopias que partem de argumentos éticos e expectativas
generosas, mas são ideias ou projetos que não têm nenhum apoio objetivo na
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análise da lógica e da história passada do sistema mundial.
A inserção de uma vírgula logo após a expressão “dignidade das utopias”
mantém as mesmas relações sintáticas e a informação original do período.

Questão 28: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: Considerando as recentes técnicas, os meios e os
problemas que envolvem os crimes de informática e a ação de perícia criminal
sobre evidências de delitos dessa natureza, vimos sugerir a adoção de
protocolos para coleta, manipulação, exame e preparação do laudo pericial,
visando à integridade da prova e sua aceitação perante a justiça.
A oração “que envolvem os crimes de informática (...) natureza” atribui
sentido restritivo aos substantivos “técnicas”, “meios” e “problemas”.

Questão 29: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Texto:
Para que a democracia seja efetiva, é necessário que as pessoas se
sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se manifeste por meio
de um conjunto de organizações e instituições extramercado. Uma cultura
política atuante precisa de grupos comunitários, bibliotecas, escolas públicas,
associações de moradores, cooperativas, locais para reuniões públicas,
associações voluntárias e sindicatos que propiciem formas de comunicação,
encontro e interação entre os concidadãos.
A democracia neoliberal, com sua ideia de mercado “über alles”, nunca
leva em conta essa atuação. Em vez de cidadãos, ela produz consumidores.
Em vez de comunidades, produz shopping centers. O que sobra é uma
sociedade atomizada, de pessoas sem compromisso, desmoralizadas e
socialmente impotentes.
Em suma, o neoliberalismo é o inimigo primeiro e imediato da
verdadeira democracia participativa, não apenas nos Estados Unidos, mas em
todo o planeta, e assim continuará no futuro previsível.
A forma verbal subjuntiva “propiciem” poderia ser substituída, sem prejuízo
da coerência do texto e da correção gramatical, pela forma indicativa
propiciam, desde que fosse empregada a vírgula antes do conector “que”.

Questão 30: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Tornar-se um ser humano consiste em participar de
processos sociais compartilhados, nos quais emergem significados, sentidos,
coordenações e conflitos.
O uso da preposição em, no termo “nos quais” (linha 2), indica que a
expressão nominal “processos sociais compartilhados” está empregada como a
circunstância de lugar da emergência dos “significados” (linha 2), não como o
agente de sua origem.

Questão 31: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2006 / nível médio


Fragmento do texto: O primeiro código eleitoral a viger no Brasil chamava-
se Ordenações do Reino, as quais foram elaboradas em Portugal no fim da
Idade Média e utilizadas até 1828.
Para que o período mantenha-se gramaticalmente correto; ao se substituir a
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forma verbal “viger” por vigorar, é necessário substituir também a preposição
que a antecede.

Questão 32: Polícia Federal / 2004 / agente administrativo


Fragmento do texto: Por que ilusão de modernidade? (...) porque a
modernidade, ao invés de aumentar a riqueza bruta dessas nações, induziu
enormes transferências para fora com o movimento de capitais externos que
sugavam a renda regional.
No período em que ocorre, o conectivo “ao invés de” estabelece relações
semânticas de concessão e de restrição, e pode ser substituído por apesar
de, sem prejuízo para a coerência e a correção gramatical do texto.

Questão 33: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Seja como for, todas as “realidades” e as “fantasias”
só podem tomar forma por meio da escrita, na qual exterioridade e
interioridade, mundo e ego, experiência e fantasia aparecem compostos pela
mesma matéria verbal...
Pode-se substituir a expressão sublinhada pela palavra apresentada entre
parênteses e isso não provocaria erro gramatical ou alteração no sentido do
texto: “todas as ‘realidades’ e as ‘fantasias’ só podem tomar forma por meio
da escrita” (perante)

Questão 34: Oficial de Chancelaria - MRE / 2008 / nível superior


Julgue a frase a seguir quanto à correção gramatical:
“Foi feita, finalmente, uma faxina no escritório a nível de material de
consumo.”

Questão 35: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: A realidade atual vem exigindo dos pesquisadores
envolvidos com a temática da saúde maiores esforços para compreender as
mudanças recentes...
A organização das ideias no texto mostra que “realidade atual” constitui a
circunstância de tempo em que a “temática da saúde” está sendo
considerada; por isso, mantêm-se as relações entre os argumentos e a
correção gramatical ao se iniciar o texto com Na realidade atual.

Questão 36: Tribunal de Justiça – SE / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: O Instituto de Registro Imobiliário do Brasil (IRIB),
seção de São Paulo, em parceria com o Colégio Notarial do Brasil, também
seção de São Paulo, e com o apoio da Corregedoria-Geral da Justiça de São
Paulo, congrega esforços para promover e realizar seminários de direito
notarial e registral no estado, visando o aperfeiçoamento técnico de notários e
registradores e a reciclagem de prepostos e profissionais que atuam na área.
As expressões “em parceria” e “com o apoio” exercem a função sintática de
adjunto adverbial de companhia e, por isso, podem ser substituídas, sem
prejuízo do sentido, por juntamente.

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PORTUGUÊS P/ POLÍCIA FEDERAL - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS)
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Questão 37: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior
Fragmento do texto:
Sem o trabalho dos peritos, a investigação policial fica restrita à coleta
de depoimentos e ao concurso de informantes, o que limita suas
possibilidades e torna perigosamente decisivos os interrogatórios dos
suspeitos. No tempo de hackers, de criminosos organizados com armamentos
poderosos e equipamentos sofisticados, é indispensável dotar a polícia do
apoio científico e técnico mais avançado possível.
O princípio estruturante de um departamento de perícia competente é a
descentralização com integração sistêmica. Sua construção, por prudência,
economia e realismo, deverá obedecer a um plano modular, de modo que
novos laboratórios se incorporem, sucessivamente, de acordo com o
desenvolvimento do processo de implantação e com os resultados do impacto
da demanda sobre os serviços oferecidos pelas universidades conveniadas.
O conectivo “de acordo com” introduz argumento que está em conformidade
com as ideias expressas no parágrafo anterior.

Questão 38: Polícia Federal / 2004 / agente administrativo


Fragmento do texto: Primeiro, a modernidade não agregou ao mundo do
bem-estar a população pobre; ao contrário, em países que não conheciam
graves desigualdades, como a Argentina e o Uruguai, a desigualdade
floresceu, aproximando-os de Brasil e Venezuela.
A preposição “em” (em países que) é de uso opcional, motivo por que a sua
retirada não prejudica a coerência e a correção gramatical do texto.

Questão 39: ANS / 2005 / Analista


Fragmento de texto: Veja ─ O senhor recomenda desconfiar até dos estudos
que dizem que a exposição a ondas eletromagnéticas, como as da televisão e
do telefone celular, não faz mal?
A retirada da preposição “até” preserva a correção gramatical, mas altera as
relações de argumentação do texto.

Questão 40: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Julgue a frase seguinte quanto à pontuação: Promotores representantes da
Associação do Ministério Público do Estado do Maranhão (AMPEM), vão propor
à Controladoria-Geral da União (CGU) a realização de convênio no projeto
Contas na Mão. Nascido há cinco anos, o projeto tem como objetivo, formar
comitês de cidadania para fiscalizar contas públicas em estados e municípios.

Questão 41: ABIN / 2008 / nível médio


Fragmento do texto: Nesse cenário, os serviços de inteligência assumem
papel fundamental, pois o intercâmbio de informações e o trabalho em
parceria são requisitos basilares para o enfrentamento assertivo e solidário
dessa ameaça, cujas ramificações e desdobramentos atingem direta ou
indiretamente todos os países.
A vírgula após “Nesse cenário” é empregada para isolar expressão deslocada
que qualifica “os serviços de inteligência”.

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Questão 42: ABIN / 2010 / nível médio
Fragmento do texto: Hoje, escreve Calvino, a velocidade de Mercúrio
precisaria ser complementada pela persistência flexível de Vulcano, um “deus
que não vagueia no espaço, mas que se entoca no fundo das crateras,
fechado em sua forja, onde fabrica interminavelmente objetos de perfeito
lavor em todos os detalhes — joias e ornamentos para os deuses e deusas,
armas, escudos, redes e armadilhas”.
A colocação de vírgula antes e depois do vocábulo “interminavelmente” (linha
4) não prejudicaria a correção gramatical do texto.

Questão 43: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: Ao estabelecer a obrigatoriedade na realização dos
exames pré-admissional, periódico e demissional do trabalhador, criou
recursos médico-periciais voltados à identificação do nexo da causalidade
entre os danos sofridos e a ocupação desempenhada.
A vírgula logo depois de “trabalhador” é opcional e sua retirada preservaria a
correção gramatical do texto, pois os três termos da enumeração que ela tem
função de marcar já estão separados pela conjunção “e”: “exames pré-
admissional, periódico e demissional do trabalhador”.

Questão 44: Médico perito INSS / 2009 / nível superior


Julgue a frase quanto à correção gramatical: O povo por estar insatisfeito com
o “bota-abaixo” e influenciado pela imprensa se revoltou contra a vacina.

Questão 45: Tribunal Regional Eleitoral - MA / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: Para que a democracia seja efetiva, é necessário que
as pessoas se sintam ligadas aos seus concidadãos e que essa ligação se
manifeste por meio de um conjunto de organizações e instituições
extramercado.
Caso a oração adverbial que inicia o texto estivesse imediatamente após a
expressão “é necessário”, não haveria necessidade de emprego da vírgula,
visto que estaria restabelecida a ordem direta do período.

Questão 46: Tribunal Regional Eleitoral - RS / 2005 / nível médio


Fragmento do texto: As eleições para a assembleia constituinte realizaram-
se após a Proclamação da Independência e, em 25 de março de 1824, D.
Pedro I outorgou ao povo brasileiro sua primeira Constituição política.
Após a data “25 de março de 1824” subentende-se uma relação sintática
representada pela conjunção porque.

Questão 47: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Uma vez pesquisado, determinado assunto agrega
novos elementos ao pensamento de seu observador e, portanto, modifica-o.
Mudado seu modo de pensar, o pesquisador já não concebe aquele tema da
mesma forma e, assim, já não é capaz de estabelecer uma relação
exatamente igual à do experimento original. Não se podendo repetir a relação
sujeito-objeto, é forçoso afirmar que seria impossível a reprodução exata de
qualquer situação de pesquisa, o que ressalta a importância da descrição do
fenômeno e o caráter vivo dos postulados teóricos.
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No desenvolvimento da argumentação, a oração “Não se podendo repetir a
relação sujeito-objeto” (linhas 5 e 6) expressa a causa que desencadeia as
idéias do trecho “é forçoso afirmar (...) pesquisa” (linhas 6 e 7).

Questão 66: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: O ministro do Trabalho classificou a decisão do COPOM
de subir os juros de “precipitada”. “É um erro imaginar que há inflação no
Brasil.
Julgue a interpretação correta em relação ao valor semântico do vocábulo
destacado:
“É um erro imaginar que há inflação no Brasil” (consequência)

Questão 48: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Pode-se substituir a palavra sublinhada pela palavra apresentada entre
parênteses e isso não provocaria erro gramatical ou alteração no sentido do
texto:
“Hoje, somos bombardeados por uma quantidade de imagens tal, que não
conseguimos mais distinguir a experiência direta daquilo que vimos há poucos
segundos na televisão” (porque)

Questão 49: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Além disso, dada a diversidade de situações regionais,
de prosperidade e de pobreza, o simples translado de um trabalhador, que vá
de uma região a outra, pode representar ascensão substancial, se ele
consegue incorporar-se a um núcleo mais próspero.
A conjunção “se” poderia, sem prejuízo para a correção sintática do período,
ser substituída por caso.

Questão 50: Tribunal de Justiça - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Há dessas reminiscências que não descansam antes
que a pena ou língua as publique. Um antigo dizia arrenegar de conviva que
tem memória. A vida é cheia de tais convivas, e eu sou acaso um deles,
conquanto a prova de ter a memória fraca seja exatamente não me acudir
agora o nome de tal antigo; mas era um antigo, e basta.
No texto, o conector “conquanto” estabelece entre as orações que liga uma
relação lógica de oposição.

Questão 51: ANS / 2005 / Analista


Fragmento de texto: Ainda que os efeitos do estresse oxidativo ocorram a
longo prazo, a oxidação é quase imediata, e assim se poderia avaliar se há
risco. Aliás, acho que todos os fatores que potencialmente podem provocar
doenças deveriam ser controlados, em nome da precaução, mesmo que o
malefício não esteja cientificamente comprovado.
O modo verbal empregado em “ocorram” e “esteja” exprime uma hipótese,
uma dúvida, uma concessão, reforçada, respectivamente, pelos conectivos
“Ainda que” e “mesmo que”.

Questão 52: ABIN / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Há histórias, no plural; o mundo tornou-se
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intensamente complexo e as respostas não são diretas nem estáveis. Mesmo
que não possamos olhar de um curso único para a história, os projetos
humanos têm um assentamento inicial que já permite abrir o presente para a
construção de futuros possíveis.
Preservam-se as relações entre os argumentos do texto caso se empregue,
em lugar de “que não possamos” (linha 3), uma oração correspondente com o
gerúndio: não podendo.

Questão 53: Tribunal de Contas - TO / 2009 / nível médio


Fragmento do texto: Não consigo escrever. Dinheiro e propriedades, que
me dão sempre desejos violentos de mortandade e outras destruições, as
duas colunas mal impressas, caixilho, Dr. Gouveia, Moisés, homem da luz,
negociantes, políticos, diretor e secretário, tudo se move na minha cabeça,
como um bando de vermes em cima de uma coisa amarela, gorda e mole que
é, reparando-se bem, a cara balofa de Julião Tavares muito aumentada.
No trecho “tudo se move na minha cabeça, como um bando de vermes em
cima de uma coisa amarela, gorda e mole”, “como” introduz uma comparação.

Questão 54: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: “Esse primeiro trimestre, como dizem meus filhos,
bombou”, afirmou o ministro do Trabalho a jornalistas.
Julgue a interpretação correta em relação ao valor semântico do vocábulo
destacado: “como dizem meus filhos” (comparação)

Questão 55: Cia de Saneamento Básico - ES / 2006 / nível superior


Fragmento do texto: Por falta de peritos oficiais, as perícias criminais eram
feitas, inicialmente, por pessoas nem sempre habilitadas, nomeadas peritos
ad hoc, para cada caso. Mas, à medida que a demanda por essas perícias foi
aumentando, houve a necessidade de se criar a carreira dos peritos oficiais.
O conector “à medida que” indica que o aumento das perícias de que trata o
período anterior constitui a causa para a criação da carreira dos peritos oficiais
e, nesse contexto, pode ser substituído por conquanto.

Questão 57: Agente educacional - ES / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: A China foi o caso mais marcante de superação da
crise de 2008, porque conseguiu crescer 8,7% no ano passado, enquanto o
resto do mundo patinhava.
O termo “enquanto” pode, sem prejuízo para a correção gramatical e sem
alterar as informações originais do período, ser substituído por ao passo que.

Questão 58: Caixa Econômica Federal / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: “O mercado brasileiro está fervilhando. Enquanto as
nossas vendas ficaram estáveis em alguns países, no Brasil elas subiram 30%
em 2009”, completa o espanhol.
O vocábulo “Enquanto”, por expressar uma ideia de proporcionalidade,
poderia ser substituído por À medida que, mantendo-se o sentido original do
texto.

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Questão 59: ABIN / 2008 / nível médio
Fragmento do texto: A análise dos assuntos relativos ao Oriente Médio pelos
órgãos de inteligência faz parte do esforço em acompanhar o fenômeno do
terrorismo internacional, dados os frequentes enfrentamentos entre grupos
radicais e a possibilidade de que simpatizantes dessas organizações
extremistas possam engajar-se em ações radicais, fora da região, como forma
de retaliação, contra alvos de interesse de grupos rivais ao redor do mundo,
inclusive, e de forma potencial, em território brasileiro.
Se a preposição “em” (linha 2) for substituída pela preposição para,
prejudica-se a correção gramatical do período.

Questão 60: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Fragmento do texto: Quando ao escravo sucede o parceiro, depois, o
assalariado agrícola, as relações continuam impregnadas dos mesmos valores,
que se exprimem na desumanização do trabalho.
A conjunção “Quando” tem valor condicional e, por isso, poderia ser
substituída por Se, sem prejuízo para os sentidos do texto.

Questão 61: ANATEL / 2009 / nível Superior


Fragmento do texto: O real não é constituído por coisas. Nossa experiência
direta e imediata da realidade leva-nos a imaginar que o real é feito de coisas
(sejam elas naturais ou humanas), isto é, de objetos físicos, psíquicos,
culturais oferecidos à nossa percepção e às nossas vivências. Assim, por
exemplo, costumamos dizer que uma montanha é real porque é uma coisa. No
entanto, o simples fato de que uma coisa possua um nome e de que a
chamemos montanha indica que ela é, pelo menos, uma coisa-para-nós, isto
é, que possui um sentido em nossa experiência.
Como, no primeiro parágrafo, os parênteses demarcam a inserção de uma
informação, a sua substituição por duplo travessão preservaria a coerência e a
correção do texto.

Questão 62: INCA / 2010 / nível médio


Fragmento do texto: A importância da Pastoral é palpável: a média nacional
de mortalidade infantil para crianças de até 1 ano, que é de 22 indivíduos por
mil nascidos vivos, cai para 12 mil nos lugares atendidos pela instituição”.
O emprego de sinal de dois-pontos em “é palpável:” justifica-se porque o
trecho subsequente a esse sinal apresenta argumento comprobatório da
afirmativa anterior.

Questão 63: INCA / 2010 / nível superior


Fragmento do texto: Vale a apena rever certas crenças que se têm
multiplicado a respeito das chamadas emoções negativas. Diferentemente do
que alguns autores propõem, sublimá-las não gera benefícios para a pessoa —
essa atitude, aliás, tende mais a trazer-lhe prejuízos à saúde.
O travessão empregado logo após “pessoa”, usado para destacar a informação
final do enunciado, pode ser corretamente substituído por ponto e vírgula.

Questão 64: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível superior


Julgue a afirmativa a seguir sobre pontuação:
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PORTUGUÊS P/ POLÍCIA FEDERAL - (TEORIA E QUESTÕES COMENTADAS)
PROFESSOR TERROR
Uma das funções dos parênteses é a de isolar explicações, indicações ou
comentários em geral.
Questão 65: Caixa Econômica Federal / 2010 / nível médio
Fragmento do texto: A aposentadoria — mesmo a minguada quantia mensal
paga pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — é a principal renda
fixa do idoso paulistano.
O travessão empregado após o vocábulo “aposentadoria” poderia ser
substituído por vírgula, o que manteria a correção e o sentido original do
texto.
Questão 66: Polícia Federal / 2004 / nível médio
Fragmento do texto: O discurso pretende impor essa ideia como caminho
único para o desenvolvimento das nações, sejam elas ricas ou pobres. Na
prática — hoje mais do que ontem —, o mercado é uma via de mão única:
livre para os países ricos e pleno de barreiras e restrições às nações
emergentes.
A substituição dos travessões que isolam a expressão “hoje mais do que
ontem” por parênteses mantém a coerência textual e o respeito às regras de
pontuação da norma culta.
Questão 67: Tribunal Regional do Trabalho - RJ / 2008 / nível médio
Fragmento do texto: O problema apontado no estudo refere-se
especialmente ao grupo de crianças que só trabalham — a porcentagem de
menores nessa situação tem-se mantido inalterada, enquanto o grupo das
crianças que só estudam tem aumentado e o daquelas que estudam e
trabalham tem se reduzido.
Seria mantida a correção gramatical do período, caso fosse inserida a
conjunção embora, para introduzir a oração que se inicia após o travessão.
Questão 68: ANEEL / 2010 / nível Médio
Fragmento do texto: O estudo aponta forte concentração dos investimentos
na exploração de petróleo e gás, não tanto no pré-sal, mas, especialmente, na
cadeia econômica ligada ao óleo, como a indústria naval e a de fabricação de
plataformas. Trata-se de um investimento que estimula outros setores da
economia.
O termo “como” (linha 3) estabelece, no período em que foi empregado, uma
relação de comparação entre a “cadeia econômica ligada ao óleo” e “a
indústria naval e a de fabricação de plataformas”.
Gabarito
1. C 2. C 3. E 4. E 5. E 6. E 7. C 8. E 9. C 10. C
11. C 12. E 13. C 14. C 15. C 16. E 17. E 18. E 19. C 20. E
21. C 22. C 23. E 24. C 25. C 26. C 27. E 28. C 29. C 30. C
31. E 32. E 33. E 34. E 35. E 36. E 37. E 38. E 39. C 40. E
41. E 42. C 43. E 44. E 45. E 46. E 47. C 48. E 49. E 50. E
51. C 52. C 53. E 54. C 55. E 56. E 57. C 58. E 59. E 60. E
61. C 62. C 63. C 64. C 65. E 66. C 67. E 68. E

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