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FÍSICA EM

RADIODIAGNÓSTICO
Física Básica

1. REVISÃO DE ALGUNS CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE FÍSICA

SISTEMAS DE MEDIDAS

Múltiplos e Submúltiplos

MULTIPLICA Designação Designação


Símbolo DIVIDE POR Símbolo
POR especial especial

1000 000 000 G giga 1000 m mili


Submúltiplos
Múltiplos

1000 000 M mega 1000 000 µ micro


1000 k kilo 1000 000 000 n nano

Comprimento (m)

A unidade de comprimento no sistema internacional (SI) é o metro. As unidades de kilômetro, centímetro,


milímetro, micrômetro são os múltiplos e submúltiplos mais comuns. As relações mais conhecidas são as seguintes:
1 km = 1000m
1 m = 100 cm
Massa (kg)

A massa no SI e medida em kilogramas (kg). O kilograma é um múltiplo da grama.

1kg = 1000 g

Os submúltiplos mais comuns são miligrama (mg) e micrograma (µg).

Tempo (s)

No SI, tempo é medido em segundos (s). Os submúltiplos mais comuns são ms, µs.
Outras unidades são minuto (min), hora (h), dia (d), ano (a).
1min = 60 s
1h = 60 min
1d = 24h
1a = 365d
ESTRUTURA ATÔMICA

Alguns filósofos da Grécia Antiga já admitiam que toda e qualquer matéria seria formada por minúsculas
partículas indivisíveis, que foram denominadas átomos (a palavra átomo, em grego, significa indivisível). Toda a
matéria quer seja orgânica ou inorgânica é formada de átomos. O conjunto de átomos do mesmo tipo chama-se
elemento e a combinação de átomos iguais ou diferentes formam as moléculas. A união de átomos diferentes em
proporções determinadas forma os compostos químicos.
No entanto, foi somente em 1803 que o cientista inglês John Dalton, com base em inúmeras experiências,
conseguiu provar cientificamente a idéia de átomo. Surgia então a teoria atômica clássica da matéria. Segundo essa
teoria, quando olhamos, por exemplo, para um grãozinho de ferro, devemos imaginá-lo como sendo formado por um
aglomerado de um número enorme de átomos.

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Modelo Atômico de Rutherford e Bohr

Em 1911, o cientista neozelandês Ernest Rutherford, utilizando os fenômenos radioativos no estudo da


estrutura atômica, descobriu que o átomo seria formado por uma região central, chamado núcleo atômico, e uma região
externa ao núcleo, chamada eletrosfera. No núcleo atômico estariam partículas positivas (os prótons) e partículas
neutras (os nêutrons) e na eletrosfera partículas negativas, os elétrons.

Partícula Massa relativa Carga relativa


Próton 1 +1
Elétron 1/1850 -1
Nêutron 1 Não tem carga

Rutherford concluiu que toda a massa do átomo estaria concentrada no núcleo e este seria bastante pequeno
(se compararmos um átomo a um estádio de futebol; podemos dizer que o estádio é o átomo, e a bola, o núcleo
atômico).
Em 1913, o físico dinamarquês Niels Bohr, modificou o modelo de Rutherford, introduzindo o conceito de
camadas eletrônicas, segundo ele:
• na eletrosfera os elétrons não se encontram em qualquer posição. Eles giram ao redor do núcleo em
órbitas fixas e com energia definida. As órbitas são chamadas camadas eletrônicas, representadas
pelas letras K, L, M, N, O, P e Q a partir do núcleo.
• quanto mais distante o elétron se encontra do núcleo maior o seu nível energético. Assim, para um
elétron pular de uma camada para outra mais externa ele precisa ganhar energia. Da
mesma forma, se o elétron pula de uma camada mais externa para uma mais interna ele
perde energia.

CARGA ELÉTRICA

A carga elétrica é uma das propriedades fundamentais da matéria (assim como a massa) e está associada a
algumas partículas elementares (partículas que constituem os átomos como: prótons, elétrons, nêutrons, neutrinos,
etc.). Cada partícula elementar recebe um valor numérico que representa sua quantidade de carga elétrica. Algumas
partículas não possuem carga e são chamadas de neutras. O nêutron é um exemplo desse tipo de partícula.
A unidade de carga elétrica é o Coulomb (C), em homenagem ao físico francês, Charles Augustin Coulomb. Foi
comprovada a existência de dois tipos de carga elétrica: a carga do próton e a carga do elétron. A diferença entre elas
se fez através dos sinais "+" e "-", respectivamente.
Entre as propriedades da carga elétrica podemos destacar:

Cargas elétricas opostas se atraem e cargas elétricas de mesmo sinal se repelem com uma força
determinada pela lei de Coulomb.
1.

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2. Um corpo possui carga elétrica quando o número de prótons é diferente do número


de elétrons. Assim, é possível eletrizar um corpo, para isso, é necessário fazer com que o número de elétrons
se torne diferente do número de prótons. Se o número de elétrons for maior que o número de prótons, o corpo
estará eletrizado negativamente; se o número de elétrons for menor que o de prótons, ele estará eletrizado
positivamente.

CORRENTE ELÉTRICA

Na verdade, embora a comparação entre corrente elétrica e água corrente seja ainda muito utilizada, esses
fenômenos têm características muito diferentes.
A corrente elétrica consiste no movimento ordenado de portadores de carga elétrica, ou seja,
elétrons nos sólidos (fios condutores) e íons nos líquidos e gases, sempre que são submetidos a uma
diferença de potencial elétrico.
A unidade de corrente elétrica no S.I é o Ampère (A)
POTENCIAL ELÉTRICO
O potencial elétrico é uma grandeza semelhante ao potencial gravitacional (cada ponto em torno da Terra
possui um potencial gravitacional) sendo que neste caso o potencial elétrico está relacionado com a energia adquirida
quando uma carga é acelerada pela força elétrica.

No S.I, o potencial é medido em volts (V). Pode-se utilizar também kV, que corresponde a 1000
V.
Em vez de considerar o potencial elétrico num ponto do campo elétrico considera-se a diferença de potencial
elétrico entre dois pontos do campo elétrico ou d.d.p.. A d.d.p também é conhecida como tensão ou voltagem. Uma
carga negativa submetida a uma d.d.p., como mostrada abaixo, sofre uma aceleração, deslocando-se da placa negativa
para a placa positiva. Portanto, é a d.d.p. que possibilita o fluxo de elétrons de um ponto a outro de um condutor, nos
equipamentos elétricos, tais como ventiladores, lâmpadas, entre outros.

O elétron-volt (eV) é uma unidade de energia usada em Física nuclear, e equivale à energia adquirida
por um elétron quando acelerado por uma ddp de 1V.
1keV = 1000 eV; 1MeV = 1000000 eV

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Tensão contínua e tensão alternada


Tensão contínua é aquela cuja diferença de potencial entre os pontos não se alterna, mantendo uma única
polaridade. Ex: baterias e pilhas elétricas.

Tensão alternada é aquela cuja diferença de potencial entre os pontos muda constantemente de valor e de
polaridade. Ex. rede elétrica residencial e geradores de corrente elétrica. No caso da rede elétrica, essa voltagem chega
a se alternar 60 vezes a cada segundo, isto é, tem uma freqüência de 60 Hz (hertz).

2. CLASSIFICAÇÃO DAS RADIAÇÕES

Radiações ionizantes e radiações não-ionizantes

São consideradas radiações ionizantes aquelas com energia suficiente para ionizar a matéria, ou seja, arrancar
elétrons dos átomos. Como exemplos, podemos citar as radiações alfa (α), beta (β), gama (γ), X e nêutrons. As
radiações não-ionizantes correspondem àquelas com menor energia, portanto, incapazes de ionizar átomos, entre as
quais podemos citar as ondas eletromagnéticas de luz, rádio (AM ou FM), TV, microondas, etc.
As radiações ionizantes podem ser classificadas como corpusculares (alfa, beta e nêutrons) ou eletromagnéticas
(raios gama e raios-X). Todas as radiações eletromagnéticas se propagam no vácuo com a velocidade da luz, ou seja,
300.000Km/s. Qual a relação entre luz, raios X, raios gama e as ondas de rádio? Todas são ondas eletromagnéticas,
contudo apenas raios-X e raios gama possuem alta energia (alta freqüência) e são capazes de ionizar.

Fontes naturais e fontes artificiais

As radiações ionizantes podem ainda ser classificadas quanto a sua origem, como artificiais ou naturais.
As fontes naturais de radiações são decorrentes de um processo denominado de radioatividade. A
radioatividade é observada em alguns elementos químicos que se encontram instáveis na natureza. Para adquirirem
estabilidade emitem radiações (alfa, beta ou gama). Na categoria de fontes naturais encontram-se os produtos de
decaimento do urânio e do tório, que são o radônio e o torônio.

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Outra fonte de origem natural é a radiação cósmica, proveniente do espaço sideral, como resultante de
explosões solares e estelares.
As fontes artificiais de radiações são provenientes de equipamentos elétricos (tubos de raios-X) ou de
equipamentos do tipo irradiadores ou bombas, que possuem, em seu interior, uma fonte natural que foi reativada, como
por exemplo, os irradiadores ou bombas de Co-60, usados em radioterapia.

3. ESTUDO DOS RAIOS-X

Introdução

O uso dos raios x possibilitou um grande impulso nas técnicas de diagnóstico, devido a uma de suas
características: a de poder penetrar nos materiais. Na biologia e medicina, permite observar os órgãos internos sem que
se tenha que abrir (fazer uma cirurgia) o paciente. Na indústria podemos citar a irradiação de alimentos por raios x para
prolongar o período de conservação, e a análise de estruturas de engenharia, como determinar trincas internas ao
concreto, entre outras. Nas ciências, entre outras coisas, auxilia a entender como os átomos e moléculas estão ligados,
o que tem ajudado muito o desenvolvimento dos dispositivos eletrônicos, aplicados amplamente em computadores e nos
mais variados aparelhos eletrônicos. Ainda há outras aplicações (máquinas de raios x em aeroportos, monitoração
ambiental, terapias, etc.) que não cabem ser descritas aqui.

Histórico dos Raios-X


No fim da tarde de 8 de novembro de 1895, o físico alemão Wilhelm Conrad Roentgen observou pela primeira
vez a existência dos raios-X, e em apenas 30 dias ele conseguiu entender como esses raios eram produzidos e quais as
suas principais propriedades. Publicando no final de 1895 a primeira descrição dos raios-X, na qual apresentou uma
caracterização experimental qualitativa da nova radiação.
A descoberta dos raios-X, causou grande impacto não somente nos meios científicos, mas também entre os
leigos. Sabia-se que algo de extraordinário fora descoberto e previa-se uma nova era para a medicina. O que mais
impressionava as pessoas era o poder de penetração dos raios-X e a possibilidade de visualizar o interior do corpo
humano através das roupas e da pele.
A imagem obtida com os raios de Roentgen (assim eram chamados os raios-X) foi de início. considerada como
um tipo especial de fotografia. A imprensa de vários países noticiou a descoberta com grande destaque e houve diversas
manifestações, provenientes dos mais diferentes setores da sociedade.
A radiografia foi inaugurada praticamente junto com o descobrimento dos raios X, realizado por Wilhelm Conrad
Röntgen (ou Roentgen) em novembro de 1895, o que lhe conferiu o 1º prêmio Nobel de 1901 de Física. A primeira
radiografia foi feita ainda em seu laboratório, onde permaneceu sozinho por semanas obcecado por experimentos
secretos, quando expôs aos raios X a mão de sua mulher, apoiada sobre uma chapa fotográfica, por 15 minutos.

Röntgen Radiografia da mão de Anna Röntgen (primeira obtida


por Röntgen, em 1895

4. O EQUIPAMENTO GERADOR DOS RAIOS-X

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Para a obtenção da imagem radiográfica, os raios-X atravessam o corpo do paciente e sofrem diferentes
atenuações produzindo diferentes tons de cinza no filme radiográfico que se encontra dentro do chassi.

Todo equipamento para a produção de raios-X é constituído basicamente de:

a) Ampola ou tubo de raios-X - que se encontra dentro do cabeçote e onde são produzidos os raios-X. A
ampola é envolvida em ferro e alumínio e em uma carcaça de chumbo de 3 a 4mm de espessura, para evitar a
fuga da radiação, conforme ilustra a figura abaixo.

Ampola de raios-X
A geração de raios-X dentro da ampola ocorre da seguinte forma:

Primeiro, o filamento sofre um aquecimento, o qual permitirá a liberação de elétrons. Ao aplicar uma diferença de
potencial entre o ânodo e o cátodo da ampola, os elétrons do filamento são acelerados em direção ao alvo. Os raios X
são produzidos quando os elétrons se chocam com o alvo, conforme mostrado na figura abaixo.

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b) Fonte de alta voltagem - que tem a finalidade de fornecer a alta tensão para o funcionamento da ampola.
O tubo do equipamento de raios-X opera com tensões da ordem de milhares de volts. Para que seja possível
aplicar altas voltagens (de 30 kV a 150 kV) ao tubo de raios-X, a fonte de alimentação utiliza um transformador
elevador cuja função, é elevar a tensão de entrada da rede em centenas de vezes. Em seguida, para que a tensão não
fique mudando de polaridade, é utilizado um módulo retificador. A tensão utilizada para o tubo de raios-X é
denominada kVp, que significa “kilovolts de pico”. O esquema dessa fonte é apresentado na figura abaixo:

c) Painel de controle - onde é realizado o controle da produção da radiação.

Elementos da ampola de raios-X

A ampola ou tubo de raios-X é composta por um tubo de vidro resistente a altas temperaturas, vedado, cujo
interior é realizado vácuo. Nas suas extremidades são posicionados o catodo e o anodo, regiões com polarização
negativa e positiva respectivamente.

No catodo existe o filamento, como fonte emissora de elétrons e, no anodo, existe o alvo, que é o local onde
os elétrons colidem para produzir os raios-X.
“Quando os elétrons se chocam com o alvo, 99% da energia total é convertida em calor e, apenas 1%, é
convertida em raios-X.”

Características do Catodo

- É o eletrodo negativo do tubo.


- É constituído de duas partes principais: o filamento e o copo focalizador.
- A função do filamento é emitir elétrons a partir de um circuito elétrico secundário (efeito termiônico), e a função do
copo focalizador é focalizar os elétrons, em forma de um feixe bem definido, apontado para o alvo no anodo. Como
apresentado na figura abaixo, alguns catodos apresentam dois filamentos: um grosso e grande e um fino e pequeno.

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- O filamento é feito de Tungstênio Toriado (Tungstênio com mais de 1 a 2% de Tório), pois esta liga tem alto ponto de
fusão (3.370°C) e não vaporiza facilmente.

Características do Anodo

- É eletrodo positivo do tubo.


- Serve de suporte para o alvo e como elemento condutor de calor.
- Existem dois tipos de ânodos: anodo fixo e anodo giratório. Os tubos de ânodo fixo são usualmente utilizados em
máquinas de baixa corrente, tais como: os equipamentos odontológicos e os portáteis. Os de anodos giratórios são
usados em máquinas de alta corrente normalmente utilizados em radiodiagnóstico.

O alvo é o local do anodo que sofre o impacto dos elétrons. O material do alvo deve ter as seguintes
propriedades: Alto Z (a quantidade de raios-x produzidos é proporcional a Z), boa condutividade térmica e alto
ponto de fusão (da ordem de 20000C).
“O material que apresenta todas estas características é o Tungstênio (Z=74). Portanto, além de ser usado
no filamento, ele é também utilizado no alvo.”

Ponto Focal ou Foco:

a) ponto focal real - é a área do alvo onde acontece a colisão dos elétrons.
b) ponto focal efetivo - é a área que é “vista” na direção do feixe útil, conforme mostra a figura.

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“Dependendo do ângulo do alvo, podemos ter grande área de impacto com pequeno ponto focal efetivo. O
ângulo do alvo de equipamentos de diagnóstico varia entre 5 e 15 graus.”

Em relação ao tamanho, o ponto focal pode ser classificado como:

a) Foco pequeno ou fino: de 0,3 a 1 mm. O filamento de menor dimensão faz com que os elétrons colidam apenas
em uma pequena região do anodo; com isso diz-se que os fótons de raios-X emergem de um ponto focal
pequeno ou “fino”. O foco fino permite boa qualidade de imagem (ver detalhes), mas há baixa geração de
raios-X;
b) Foco grande ou grosso: de 1 a 2,5 mm. Quando se usa o filamento maior, o ponto focal é grande ou grosso. A
qualidade de imagem é pior, mas permite alta geração de raios-X e, portanto, curto tempo de exame. O
filamento “grosso” é empregado para visualizar grandes estruturas, como o abdome, ou quando é importante
exposições com o menor tempo possível, como em pediatria ou com estruturas que não sejam totalmente
imóveis, coração, por exemplo.

PRODUÇÃO DE RAIOS-X

Quando o elétron emitido do filamento se choca com o alvo, a produção de raios-X acontece quando ocorrem
dois tipos de fenômenos:

a) Frenagem dos elétrons no núcleo dos átomos do alvo (raios-X de frenagem);


b) Deslocamento de elétrons de camadas internas dos átomos do alvo (Raios-X característicos)

a) Raios-X de frenagem, freamento ou Bremsstrahlung

Quando um elétron, vindo do filamento, passa nas proximidades do núcleo, a carga positiva deste age sobre a
carga negativa do elétron. Então, o elétron é atraído em direção ao núcleo e com isso é desviado. Como conseqüência,
parte (ou toda, no caso de colisão frontal) da energia cinética do elétron é convertida em um fóton de raios-X. Desta
forma, são produzidos raios-X em uma larga faixa de energia, desde energias baixas até fótons de alta energia

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b) Raios-X característicos do material do alvo

Surgem quando o elétron, vindo do filamento, ao interagir com o átomo do alvo “arranca” um de seus elétrons
das camadas mais internas (camada K ou L). Todavia, não pode haver um espaço vazio nas camadas mais internas,
assim os elétrons das camadas externas “pulam” para a camada vazia. Ao pular de um nível de maior energia para outro
de menor energia, os elétrons perdem energia provocando a emissão de raios-X.

Como a energia dos fótons característicos corresponde à diferença entre níveis energéticos do átomo do alvo,
esta energia possui valores determinados e varia de acordo com o tipo de material utilizado no alvo.
“Ambos os processos de geração de raios-X ocorrem simultaneamente e o total de raios-X
produzidos no interior das ampolas corresponde apenas a 1% da energia cinética dos elétrons, uma vez
que a maior parte (99%) da energia é perdida sob a forma de calor.”

5. FATORES DO EQUIPAMENTO DE RAIOS-X QUE AFETAM A PRODUÇÃO DOS


RAIOS-X

a) Influência do tipo de material do alvo


- Se mudar o material do alvo, a energia dos fótons de raios-X característicos muda.
- A quantidade de fótons produzidos devido à frenagem dos elétrons é proporcional ao Z do material do alvo.

b) Corrente do tubo (mA)


- A corrente do filamento corresponde aos elétrons que circulam por ele. Caso essa corrente aumente, haverá um
aumento também da corrente do tubo, a qual é formada pelos elétrons que são acelerados em direção ao alvo. - O
aumento da corrente do filamento acarretará no aumento da corrente do tubo e, conseqüentemente, no aumento da
quantidade de fótons de raios-X produzidos.

c) Tempo de exposição ou tempo de duração do exame:


- Quanto maior o tempo de exposição, maior será a quantidade de fótons gerados durante aquele tempo.

d) Mili-Ampér-Segundo ou mAs
- Alguns equipamentos de raios-X possuem um botão no painel de controle chamado de mAs. Este controle indica o
produto da tensão pela corrente do tubo, ou seja, mAs = corrente x tempo. Exemplo: caso seja utilizado um mA de
60 e um tempo de 0,5s, o mAs será de 60 x 0,5 = 30. O aumento do mAs aumenta, logicamente, a quantidade de
fótons gerados, aumentando o grau de escurecimento do filme, conforme apresentado na figura abaixo:

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e) O potencial aplicado ao tubo (kV)


- Neste caso, o aumento do potencial aplicado ao tubo contribui para dois fatores:
• O aumento da energia de cada fóton produzido por frenagem (motivo: os elétrons são arrastados com maior
força em direção ao alvo e, portanto, com maior energia);e

• O aumento da quantidade de fótons (motivo: como o potencial é maior, então mais elétrons serão arrastados,
aumentado a corrente no tubo e produzindo o mesmo efeito produzido devido ao aumento da corrente de
filamento).
Contudo, considera-se que o efeito principal da mudança de kVp é alterar o contraste da imagem, ou
seja, a diferença de graus de escurecimento da imagem..
“Portanto, Quanto maior a tensão selecionada pelo técnico, maior será a penetração do feixe de raios-X que atravessa o
paciente, alterando o contraste da imagem.”
Na figura abaixo, note que, quando é utilizado um kVp menor, a diferença entre os tons claros e escuros da
imagem é maior, ou seja, o contraste é maior.

f) O potencial aplicado ao tubo – Forma da tensão


- Nos tubos de raios-X que são alimentados pelo sistema monofásico, a quantidade dos raios-X produzidos sofre
grande oscilação durante o acionamento da máquina, enquanto nos tubos alimentados pelo sistema trifásico, a oscilação
na produção dos raios-X é muito pequena.

g) Filtração

- Os fótons gerados com energia abaixa não interessam ao radiodiagnóstico, pois têm capacidade de penetração muito
baixa, não contribuem com informações sobre o paciente e só aumentam a dose na pele do paciente. Por isso, há a
necessidade de filtragem desses raios-X que não contribuem para a formação da imagem.
- Boa parte dos fótons de baixa energia sofre uma filtração logo que são produzidos. Essa filtração é chamada filtração
inerente e ocorre na janela de vidro, no óleo ou no colimador. Para filtrar o restante dos fótons de baixa energia, os
aparelhos utilizados em radiodiagnóstico geralmente utilizam placas de alumínio, as quais são chamadas de filtros
adicionais.

Resumo
Maior Z do alvo Maior quantidade de fótons
Maior corrente Maior quantidade de fótons
do tubo ou
mAs
Maior potencial Fótons com energia mais alta e maior
do tubo quantidade de fótons
Uso de filtro Diminui fótons de mais baixa energia

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h) Constante do equipamento

Todo equipamento de raios-X possui um fator ou uma constante que depende de ajustes internos. Esse fator se
relaciona com o kVp e com a espessura do paciente, conforme a expressão dada a seguir.

kVp = 2 x E + k, onde E é a espessura do paciente e k é a constante da máquina.

i) Efeito heel ou efeito anódio

O efeito anódio descreve um fenômeno que


consiste no fato da intensidade do feixe de raios-X ser
menor do lado voltado para o anodo. Isto acontece
porque, quando a radiação é emitida, a parte que sai na
direção do anodo sofre atenuação no próprio anodo.
Devido a esse efeito, a parte mais maior espessura ou de
maior densidade deve ser posicionada do lado do catodo,
conforme ilustrado na figura ao lado:

6. CAUSAS DE FALHA DO TUBO DE RAIOS-X

A vida útil do tubo de raios-X pode ser diminuída substancialmente se o tubo for usado de forma inadequada.
Existem várias causas para a falha de um tubo de raios-X, todas relacionadas com as propriedades térmicas do tubo.
Uma quantidade muito grande de calor é gerada no anodo durante uma exposição de radiação. Esse calor
deve ser dissipado para que não danifique os componentes da ampola. Assim podemos destacar três principais causas
de falha do tubo:

1-Uma exposição excessiva


Quando submetido a uma temperatura excessiva pode levar ao derretimento e aparecimento de pequenas
fissuras no anodo. Essas irregularidades na superfície reduzem a eficiência de produção de raios-X. Um derretimento da
superfície do anodo mais acentuado resulta na deposição de tungstênio nas partes internas da ampola, interferindo com
o fluxo de elétrons. O anodo pode até rachar, tornando-se instável, tornando o tubo inutilizável.

• Importante: Uma técnica radiográfica muito alta (altos kVp e mAs) nunca deve ser usada em um anodo frio.
Sendo aconselhável uma série de 3 exposição utilizando parâmetros de tensão, corrente e tempo baixos a
médios. Outro fator importante é respeitar um intervalo de tempo entre duas exposições consecutivas.

Manter o anodo aquecido a altas temperaturas por tempos prolongados também leva a uma degradação do
tubo de raios-X. Entre as exposições, o calor é dissipado, principalmente pela condução do calor através do óleo no qual
o tubo está imerso. Uma parte do calor é transmitida através do rotor do anodo, o que aquece os rolamentos. Calor
excessivo sobre os rolamentos resulta em um desgaste mais acentuado, o que leva ao desbalanceamento e aumento do
atrito.

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2-Vaporização do filamento

Mesmo com o uso normal do equipamento, devido às altas temperaturas às quais o filamento está submetido,
os átomos de tungstênio irão gradativamente sendo vaporizados e depositados na superfície interna do tubo. O metal
depositado pode levar a distúrbios no balanço elétrico do tubo, levando a mudanças no fluxo dos elétrons e a faíscas.
Aquecimento excessivo provocado por mA muito grande durante tempos longos vaporiza o filamento, tornando
cada vez mais fino. Por fim, o filamento se parte, tal como acontece com uma lâmpada incandescente.

EXERCÍCIO DE FIXAÇÃO

1. Quais são os componentes básicos de um equipamento de raios-X?


2. Qual a função do filamento? Quais os tipos de filamento que existem e em quais situações eles são utilizados?
3. O que é efeito termiônico?
4. Qual a função do alvo?
5. Qual a função do copo focalizador?
6. Cite um tipo de equipamento que utiliza anodo fixo e um que utiliza anodo giratório.
7. Que temperaturas chega o anodo durante uma radiografia?
8. Para que serve o estágio “preparo” (antes do disparo) nos equipamentos de raios-X?
9. Qual a diferença entre foco real e foco efetivo?
10. Complete: “Raios-X são produzidos através de dois processos: ___________________ e
_______________________; somente quando é aplicada uma __________________________ entre o
_______________ e o ______________.
11. Explique como ocorre a produção dos raios-X no interior da ampola de raios-X. Quais os tipos de raios-X
produzidos? E qual diferença entre eles?
12. É possível escolher que tipo de raios-X será produzido?
13. Quanto à energia dos fótons produzidos, qual a diferença entre radiação característica e de freamento?
14. Para uma radiografia, um técnico de raios-X seleciona os seguintes parâmetros: 75kV, 300mA, 0,8s. a) Qual
destes parâmetros está associado à energia cinética do elétron? b) Qual destes parâmetros, ao aumentá-lo,
torna o feixe mais energético (mais penetrante)?
15. Qual a importância do filtro?

16. Complete: “Quanto maior o número atômico do alvo, ___________ será a eficiência de produção de raios-X de
freamento.”

17. Como um aumento da corrente do filamento modifica a:


a) intensidade do feixe?
b) energia do feixe?

18. Como um aumento da tensão do tubo modifica a:


a)intensidade do feixe?
b) energia do feixe?
19. Devido ao efeito Heel, em qual dos lados do campo de radiação a intensidade é menor?
20. A parte mais espessa (radiograficamente) deve ser colocada para o lado de que pólo?
21. Explique as principais causas de falha do tubo.
22. Cite duas formas de o técnico prolongar a vida útil do tubo.

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