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Cultura urbana, cotidiano e artes de curar

São Luís do Maranhão, 1880-1890

Lucia Pereira da Silva Miler∗

Introdução

Neste artigo apresentamos algumas reflexões iniciais sobre a cultura urbana e as


artes de curar, analisando o cotidiano de libertos, africanos e a população livre do
Maranhão nas últimas décadas do século XIX. Importante centro urbano escravista
oitocentista, em São Luís se desenvolveu uma cultura urbana religiosa mediada por
práticas de cura e magias cotidianas. Atualmente lá existem ainda importantes “casas de
culto”, constituídas por africanos na primeira metade do século XIX, destacando-se a
“Casa das Minas”, estudada por Nunes Pereira e Sérgio Ferreti em trabalhos clássicos.
Em nossa pesquisa em andamento, analisamos o cotidiano destas práticas e os
diálogos sociais envolventes a partir das narrativas da imprensa local. É possível –
através do noticiário policial, publicações a pedidos, denúncias e editoriais – reconstituir
o imaginário social (incluindo a repressão policial ou o discurso sobre ela) destas
práticas e seus agentes. Destacamos os mestres de feitiçaria, assim classificados nos
periódicos, que desempenhavam importantes tarefas tratando das doenças de vários
setores da população, especialmente escravos, libertos, africanos, crioulos e “livres de
cor”. Nas narrativas da época, observam-se, entre outras coisas, a movimentação destes
indivíduos, formas de convivência, legitimidade de suas práticas e o envolvimento de
vários setores sociais. Benzeduras, ervas, ungüentos e rezas dividiam espaços com casas
de batuques, bailes de Congo e Bumba-Boi, entre casebres e ruas da cidade. Analisamos
igualmente os contextos e as narrativas sobre a atuação de curandeiros e pajés e as
formas de cura e doenças.


Bacharel em História - UFRJ

1
Os jornais maranhenses

Os periódicos analisados foram O Publicador Maranhense, Pacotilha e O País.1


Possuindo uma boa circulação, estes jornais guardam semelhança no seu formato,
possuindo anúncios, artigos e escritos literários, oferecendo aos leitores estórias
românticas e outros gêneros. Normalmente a primeira página dedica-se a apresentar ao
leitor questões relacionadas com o andamento da política e a economia da província.
Publicações de posturas e outras leis também se encontram nesta primeira página,
também conhecida como “Parte Oficial”.
Sobre o uso das seções de jornais, de acordo com Schwarcz, cada uma “parece
oferecer como que pedaços de significação, que se amoldam uns aos outros ou não,
reafirmando-se ou negando-se, mas que de toda forma parecem construir uma espécie
de caleidoscópio onde, com um único jogo, e com os mesmos elementos, formam-se
múltiplas imagens” (Schwarcz, 1987: 99). Nesse sentido, é possível extrair desse tipo de
documento, aparentemente fragmentado e composto por seções isoladas, não apenas
“uma imagem só e dominante, mas antes a própria diversidade com que o elemento
negro era então representado” (Idem: 100). Assim é importante entender que as seções
formam um conjunto, relacionando-se uma com as outras de diferentes maneiras.
O Publicador Maranhense dedicava-se a questões políticas e econômicas
referentes ao Brasil e à Província. Era a folha “oficial, política, literária e comercial”.
E ainda questões ligadas ao dia a dia de São Luis, focalizados nesta pesquisa:
organização popular, festas, religiosidade e conflitos podem ser apreendidos através de
publicações de leis e posturas e da Repartição de Polícia. À primeira vista, tem-se a
impressão que pouco pode ser extraído deste material. No entanto, uma leitura mais
atenta, e articulada com outros dados fornecidos destas fontes, nos revela a
movimentação dos escravos na cidade e suas formas de manifestação no que diz
respeito à própria compreensão da política repressiva das autoridades sobre os
populares. Constantemente a idéia que se passa para o público neste periódico é a
afirmação de uma necessidade de manter a cidade em ordem e sem conflitos.

1
Biblioteca Nacional.

2
Na segunda metade do século XIX, em diversas cidades brasileiras, a questão da
manutenção da ordem fazia parte da pauta de discussão das autoridades públicas. E de
forma acentuada a Pacotilha cumpria bem este papel, informando ao leitor, de maneira
irônica, os acontecimentos da cidade. O diálogo com o leitor era constante, apontando a
necessidade de controlar movimentos, corpos e consciências. As autoridades lançavam
mão de uma gama de artifícios para controlar a participação de populares, proibindo as
danças, montagem de barracas, jogos, entre outras atividades. Estas proibições eram
revertidas, desde que fossem apresentados pedidos de licença. Desta maneira, diante de
qualquer eventual problema, seria possível responsabilizar alguém, caso ocorresse
algum distúrbio. Tudo que pudesse facilitar a aglomeração de pessoas poderia significar
um momento propício para conspirações, motins, levantes, etc.
Nesse sentido, de acordo com Schwarcz, as imagens sobre a população negra
apresentada nos jornais durante o século XIX representam, para este caso, o negro como
um indivíduo que se distanciava dos padrões de comportamento considerados ideais
pelos brancos. Esse distanciamento apontando em várias seções dos jornais comumente
é associado à questão de raça e cultura dos negros. O negro era descrito como lascivo,
imoral, violento, saltando das páginas dos jornais a idéia, ou a imagem, de que esse tipo
de indivíduo não era confiável.
Já o jornal O Paiz, intitulado como um “jornal católico, literário comercial e
noticioso”, era publicado três vezes por semana. Ao contrário do Publicador, aqui, de
forma mais freqüente publicam-se artigos sobre a população da cidade. O noticiário era
diversificado: havia informes sobre os avanços científicos pelo mundo, textos literários,
bailes, festas populares, informes do Teatro Nacional de São Luis, das irmandades,
publicidades, festejos, reuniões políticas, entre outros.
Algumas informações dadas aos leitores diziam respeito a acontecimentos
ocorridos em outras províncias, sugerindo que determinados temas eram do interesse
e/ou preocupação da população mais abastada da cidade. Alguns assuntos encontrados
nesse formato giravam em torno das desordens, invasão a casas de feitiçaria e conflitos
envolvendo a população escrava. As classes populares, nestas seções, eram retratadas
como perigosas e, por isso, a necessidade de conter ou extrair hábitos considerados
nocivos. Este tipo de informe é uma característica marcante do jornal O Paíz. Na
Pacotilha, com a intenção em por fim aos ajuntamentos e rixas constantes, tal jornal
tinha como recurso a ironia, onde procurava desmoralizar o comportamento de
populares. Suas ações, também consideradas nocivas, eram associadas a uma idéia de

3
falta de civilização, progresso e modernidade. A idéia de civilização era bastante
comum nos noticiários, para qualificar fatos positivos e ao mesmo tempo para denegrir
acontecimentos considerados ruins, sugerindo que a população de cor não conseguia se
identificar com os ideais de progresso, higiene e civilidade pregadas neste período.
Sobre essa questão do progresso e civilização, é possível encontrar vários
trabalhos que se dedicaram a abordar esse tema. Para esta pesquisa, Sidney Chalhoub
(1998) foi importante referência para que pudéssemos avaliar alguns fatos que
constantemente ocorriam em São Luis. Este autor trabalhou sobre questões referentes à
política pública de domínio da população pobre e à circulação de idéias acerca da
ideologia da higiene, tendo como pano de fundo a invasão ao cortiço, situado no Rio de
Janeiro, conhecido como Cabeça de Porco.
De acordo com o autor, são apontadas duas formas de se trabalhar com a idéia
das diferenças sociais dentro da cidade: a primeira diz respeito à construção da noção
sobre classes pobres e classes perigosas, e a segunda fala da crença de que a cidade tem
apenas um único modo de administração, de acordo com determinadas normas técnicas
e científicas. Sobre o primeiro termo, o autor se refere a uma idéia de que, quem fosse
pobre e estivesse na ociosidade, automaticamente era identificado como membro
potencial das classes perigosas, com vícios que seriam prejudiciais à sociedade. A
segunda questão refere-se a uma política higienista empreendida pelas autoridades
públicas para acabar com os focos de doenças identificados nos cortiços, onde, numa
análise mais aprofundada, percebe-se também a necessidade de varrer da cidade essa
camada pobre da população que não está em sintonia com as novas idéias de progresso
que circulavam naquele período no Rio de Janeiro. Vale lembrar que é neste período do
final do século XIX que vai se iniciar nesta cidade uma grande mudança no seu layout:
grandes obras públicas foram realizadas, muitos cortiços foram demolidos e,
conseqüentemente, muitas pessoas das classes menos abastadas foram prejudicadas com
essa nova política.
Esta análise voltada para o Rio de Janeiro do final do século XIX e início de
século XX guarda bastante semelhança no que diz respeito à questão do ócio tratada nos
jornais do Maranhão. Havia uma preocupação muito grande a respeito do que andavam
fazendo os escravos e também os livres e libertos de São Luis. Algumas citações
encontradas nos jornais condenavam a atitude da escravaria que, por vezes, era
encontrada em tabernas em grupos (junto com outros escravos, livres e libertos,
policiais, etc). Em outras situações, jovens escravos eram flagrados apostando corrida

4
de cavalo pela cidade. Um outro caso muito interessante fala de pretos que faltavam o
serviço aos seus senhores para estar reunidos em casas, numa atitude bastante
condenável pelo jornal. A respeito da questão da higiene, tratada por Chalhoub,
podemos citar que, em São Luis, havia uma preocupação muito grande por parte da ala
médica sobre a atuação dos feiticeiros (na maioria das vezes os únicos médicos dos
escravos). Criticava-se a forma como estes indivíduos, considerados atrasados e sem
discernimento, trabalhavam. Em outras situações, eram tidos como aproveitadores da
credulidade pública para lidar com a questão da saúde dessa população. Nos editoriais,
percebe-se que seguiam um raciocínio bastante alinhado com os ensinamentos
científicos dos intelectuais da época e de diretrizes vindas da Europa.
Questões ligadas às práticas de feitiçaria podem ser vistas tanto nas transcrições
(ocorrências de outras províncias), quanto no noticiário local. A interpretação dada a
esses eventos é dúbia: no mesmo periódico é possível ler um ponto de vista que encara
os indivíduos ligados a essas atividades como bárbaros, superticiosos e temidos, e, por
outro lado, esses mesmos indivíduos podem ser considerados como charlatães e
enganadores da credulidade pública.

Tambores, feitiços e controle social

No período pesquisado, os curandeiros e cirurgiões negros desempenhavam


importante tarefa tratando da doença dos escravos e da população livre de cor. Segundo
Luis Carlos Soares, “os curandeiros geralmente utilizavam-se de rezas e remédios à
base de ervas para curar moléstias de seus pacientes. Já os cirurgiões especializavam-se
na realização de sangramentos através das aplicações de ventosas, mas também
receitavam a seus pacientes à base de ervas. Tanto os cirurgiões como os curandeiros
eram muitos respeitados pelos escravos negros e libertos, que os consideravam
verdadeiros sábios” (Soares, 1988: 122).
Podemos citar algumas das variadas manifestações religiosas presentes no
Maranhão, como, por exemplo, o tambor de mina, a cura ou pajelança e a umbanda.
Estas manifestações podiam variar em sua denominação, sendo conhecidas como:
terecô, vodum, pajé, Santa Bárbara, etc. De acordo com Sérgio Ferretti, “o tambor de
mina é a forma de religião afro-brasileira mais difundida no Maranhão e na Amazônia e

5
principalmente nas cidades de São Luis e Belém. Uma de suas características é a
importância da presença da nação jeje (Ewê-Fon), tanto nas entidades cultuadas
(voduns), quanto na língua dos cânticos, nos instrumentos, na mitologia e nos rituais de
modo geral” (Ferreti, 2001), fundada por escravos africanos no século XIX em São
Luis.
As religiões de origem africana, durante o século XIX, sofreram várias
perseguições das autoridades públicas e dos meios de comunicação. Um dos principais
debates que circulava pelos jornais do Maranhão defendia intensamente a necessidade
de combater um conjunto de práticas religiosas vivenciadas pela população negra. A
presença dos chamados “mestres de feitiçaria”, que transitavam pelas ruas de São Luis
ou se encontravam estabelecidos em casas destinadas a estas atividades, causava grande
incômodo e representava um grande desafio para as autoridades locais que se
empenhavam em perseguir os adeptos e líderes de tais cultos.
De acordo com os dados consultados, os indivíduos que mais apareciam nos
jornais eram os curandeiros e pajés, e suas atividades aparecem ligadas com uma série
de práticas terapêuticas. Nos “terreiros de curador”, segundo Ferretti, costumava ocorrer
atendimento a população no período de festas e rituais públicos. Na cidade de São Luis,
esses mesmos terreiros sofriam grande perseguição policial por conta de suas atividades
serem encaradas como curandeirismo e, por isso, nocivas à população. No entanto,
apesar do juízo feito pelos jornais, esses líderes desempenhavam função importante
junto aos grupos marginalizados, como curar, ou pelo menos, amenizar doenças e
enfermidades.
As recomendações aos inspetores de polícia são inúmeras, inclusive passando
indicações de tais estabelecimentos:

É na rua da Misericórdia, entre a das Creoulas, e a de S.Pantaleão, que Fellipe, um


especulador de marca, faz as suas sessões de pagelança. Todas as sextas feiras a noute
Fellipe o grão sacerdote, reveste-se de um certo ar grave, mysterioso, e alli, na presença
de uns typos boçaes e de umas mulheres crendeiras, faz invocações, ministra remédios
para moléstias velhas, tira besouro dos ouvidos, arranja casamentos, faz estreitar os
laços que unem duas pessoas, prevê o futuro, numa palavra: - faz proezas de alta magia,
- não de alta porcaria. Isso é uma cousa assas perigosa, inconveniente, que deve ser
acabada por todos os meios, pois que a pagelança bastante tem influenciado na nossa
2
sociedade. A polícia que tenha o tal Fellipe de olho.

2
Pacotillha, 27/09/1883.

6
Dessa forma, através dos jornais era exigida uma maior atenção da polícia sobre
os curandeiros e pajés, uma vez que suas práticas eram apresentadas como coisa de
indivíduos não civilizados e charlatães. Não apenas no século XIX, mas também nas
primeiras décadas do século XX, é possível encontrar registros de perseguição policial
ocorridas em várias regiões do Brasil. Acusações de feitiçaria e charlatanismo, ações de
invasão lideradas pela polícia, assim como os mecanismos criados pelo Estado para
regular e combater essas culturas, foram amplamente debatidos, por exemplo, por
Yvonne Maggie a respeito destas ocorrências no Rio de Janeiro do período Republicano
(Maggie, 1992).
Outra questão interessante vista nos jornais de São Luis é que os pedidos à
polícia para dar cabo das casas de feitiçaria referem-se às formas como deveria ser
empreendida tal ação. Era necessário que uma comissão policial fosse averiguar o que
estava acontecendo. E, analisando os relatos de invasão às casas de feitiço, vemos que
não eram realizadas por poucos soldados, e quando assim ocorria, tinha ao menos a
figura do chefe de polícia presente no local. Mesmo considerando que tais práticas eram
empreendidas por vigaristas, rondava também o medo de se estar lidando com uma
cultura na qual não se possuía muita informação a respeito. Nesse sentido, apesar dos
comentários irônicos sobre suas práticas religiosas, em outras situações é perceptível o
temor de estar diante de uma prática pouco conhecida e controlada.
O interesse pelo assunto ultrapassa as fronteiras da cidade de São Luis, havendo
comunicados sobre fatos semelhantes ocorrendo em outras províncias. Os debates
giravam em torno da necessidade de conter esses hábitos, sugerindo uma certa
apreensão por parte de alguns setores da sociedade, já há muito descontentes com os
desfechos dos constantes conflitos entre policiais e grupos menos abastados.
A narrativa dos artigos encontrados n´O Paíz por vezes colocava para o leitor a
incompreensão da cultura vivenciada pela população negra, mas em alguns momentos
percebemos que havia uma preocupação maior com uma possível revolta escrava do que
com as crenças vividas pela população de cor.
Numa transcrição da publicação Lyga Constitucional, a respeito de uma situação
ocorrida em Angra dos Reis, informa-se que nesta cidade há “uma associação de
negros que occupam suas horas vagas em confeccionar malefícios”. A polícia, no
entanto, surpreendeu esse grupo “com a boca na botija”, o que foi possível porque
houve uma denúncia. A publicação prossegue informando que esses negros “achavam-
se reunidos em uma casa em S. Bento em torno de uma panella que tinha a cosinhar

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diversos ingredientes, e entre estes uma imagem de Santo Antonio!”. Assim que as
autoridades policiais chegaram ao local “já haviam-se escapado a maior parte desses
feiticeiros: tendo sido preso apenas um...” Finaliza informando que em poder do
delegado “acha-se um saco que foi encontrado diversas hervas venenosas, além de um
Crucifixo, uma opa de S. Benedicto, etc..”. 3
De uma série de notícias que são veiculadas pelos meios de comunicação, a
divulgação deste acontecimento em Angra dos Reis lança para os leitores a questão das
práticas de feitiçaria, a fim de promover um debate em torno do assunto. Era necessário
reforçar a importância de que uma maior vigilância sobre esses grupos seria
fundamental para a segurança dos senhores de escravos. E o fato de terem selecionado,
dentre tantas outras notícias que poderiam estar ali, justamente aquela invasão em outra
cidade revela o grau de interesse dos jornais em torno da questão.
Um ponto a ser discutido está relacionado com a preocupação demonstrada pela
população com essas organizações. O temor que sentiam dos feiticeiros e a influência
que estes exerciam sobre os escravos e também o medo gerado pela manipulação das
ervas venenosas (que eram consideradas uma ameaça aos seus senhores) mobilizavam a
sociedade. Tais indivíduos representavam uma série de problemas que precisavam ser
combatidos. A idéia de que várias pessoas, dentre elas escravos, seguiam as
recomendações de determinado mestre não era a das mais agradáveis para as
autoridades locais.
Essas “associações de negros” e suas reuniões religiosas, que traziam tormentos
para a autoridade pública, faziam sentido, pois já fora visto em outras regiões do Brasil
que em vários planos de revoltas escravas existiam evidências de que os líderes destes
grupos eram “feiticeiros” (Gomes, 1993). Mary Karasch, em seu estudo sobre a
escravidão urbana no Rio de Janeiro, diz que a figura do curandeiro geralmente está
referenciada a religiosos africanos que exercem liderança em uma determinada
comunidade e que são temidos e respeitados, até mesmo por alguns senhores, onde há
suspeitas de que alguns destes recorressem aos seus encantos e magias (Karasch, 2000,
cap. 9). Os pedidos iam além de curas de moléstias de todos os gêneros: arranjar
casamentos e melhorar o humor dos senhores de escravos são alguns exemplos.
Em agosto de 1864, por exemplo, é publicado no noticiário do jornal O Paíz o
resultado do exame feito no cadáver da preta Bertholina, que veio a falecer na casa de

3
O Paiz, 28/08/1863

8
um dito feiticeiro das redondezas4. A causa de sua morte, segundo consta no periódico,
não tinha ligação direta com a função religiosa de Damião, o “preto feiticeiro”. No
entanto, este fato serviu de alavanca para a produção de um longo discurso criticando o
comportamento não só deste curandeiro, mas também daqueles que recorriam aos seus
conhecimentos. De acordo com o resultado do exame feito no corpo da escrava
Bertholina (já noticiado dias antes com o título “Falecimento mysterioso”), ela veio a
falecer na “casa do preto feiticeiro Damião” por conta de uma “congestão cerebral”,
não estando, assim, relacionada diretamente com algum rito ou uso de alguma
substância que viesse a provocar aquele infortúnio.
A crítica deste noticiário é que Bertholina veio a falecer dentro da residência de
Damião, e mesmo constatando que a causa de sua morte não estava relacionada com as
suas atividades, afirmam a importância da atuação das autoridades nestes casos
“fazendo rigorosa sindicância” para que se “purgue a capital desses mestres de
feitiçaria, curandeiros ou pagés, que admira como ainda podem exercer a sua
criminosa indústria no centro de uma cidade civilizada”. Atribuem aos pajés e
curandeiros os motivos pelos quais escravos tendem a gastar seu “último vintém” e
também oferecem “tudo quanto possam haver, para por meios cabalísticos obterem
fortuna e liberdade”5. Mais uma vez, o cerne da questão deste noticiário é sobre o que
andam fazendo os escravos junto a essas lideranças. Ao invés de estarem na lida em
benefício de seus senhores, estão buscando formas de se libertarem das amarras do
sistema escravista.
Essas associações de pretos funcionavam num espaço em que suas práticas iam
além do culto. Também pertencia a este universo o divertimento, compreendido nas
festas de santo, no toque e na dança, todos previamente aprovados pelas autoridades. Ao
tentarem reconstruir um espaço de culto religioso, os escravos criavam possibilidades de
se reorganizarem. Infelizmente, a regra nestes periódicos era ressaltar os estereótipos
negativos empregados à cultura afro-brasileira, como a barbárie, a violência, entre
outros.
Solicitações para que se realizassem medidas mais enérgicas revelam que as
possibilidades de conspiração e revoltas estavam sempre à espreita, em um período que
os levantes de escravos ocorriam com bastante freqüência (Reis & Silva, 1989). Uma
série de posturas foi formulada pelas Câmaras Municipais com o intuito de controlar

4
O Paiz, 27/08/1864
5
O Paiz, 27/08/1864

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indivíduos reunidos em festejos e atividades religiosas. A crítica sobre o “ajuntamento”
desses grupos em torno da religião revela que havia uma preocupação real de que,
partindo desses eventos, a população negra poderia estar organizada a partir das
próprias idéias que faziam da vida cotidiana e dos acontecimentos políticos de sua
região e de outras províncias. Nesse sentido, havia por parte das autoridades locais a
preocupação acerca da compreensão dos escravos, e do uso político desta, para obter
benefícios para os grupos envolvidos.
O temor que sentiam dos feiticeiros e a influência que estes exerciam sobre os
escravos, e também o medo gerado pela manipulação das ervas venenosas (que eram
consideradas uma ameaça aos seus senhores), mobilizavam a sociedade. Tais indivíduos
representavam uma série de problemas que precisavam ser combatidos. A idéia de que
várias pessoas, entre elas os escravos, seguiam as recomendações de determinado
mestre não era a das mais agradáveis para as autoridades locais.
Não podemos deixar de levar em consideração que essas associações religiosas
possibilitavam que fosse construída uma rede de relacionamentos sociais organizando
uma comunidade em torno de uma gama de interesses, como, por exemplo, planos de
fugas, insurreições, a luta por um espaço maior de atuação dentro da sociedade
escravista, a compra da liberdade e uma série de outras medidas que viessem a
beneficiar o grupo. Por outro lado, também é possível observar as disputas e conflitos
entre tais líderes da cura e pajelança.
Dessa maneira, esse espaço religioso ganha uma dimensão de atuação política
enorme, delineando múltiplas funções e significados. Uma das características da
escravidão no espaço urbano refere-se à mobilização social que o escravo possuía. Um
exemplo desta mobilização, como foi visto até agora, podia ser notada na organização
de grupos de culto afro-brasileiro e suas festas. Participavam delas indivíduos no
exercício da fé, mas também aproveitando a ocasião para atender às suas necessidades
de lazer e expressar todo o seu universo cultural a partir das atividades das quais
participavam.
Outra questão abordada pelos jornais refere-se aos batuques que existiam em
vários locais da cidade. Era necessário manter a população informada sobre os
divertimentos dos pretos, assim como era necessário imprimir uma marca em suas ações
nesses momentos de descontração, realizados de acordo com organização social própria,
nem sempre de acordo com o que seus senhores consideravam adequados. Segundo
Karasch, a população escrava nas cidades sofria “influências dos que estavam a sua

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volta, mas, por outro lado, seus donos não ditavam todos os aspectos de sua vida
cotidiana. Mesmo dentro dos constrangimentos da vida urbana e apesar do labor
constante, os escravos eram participantes ativos da evolução de uma nova cultura, com
linguagem, etiqueta, comidas, roupas, artes, recreação, religião, vida em comum e
estrutura familiar próprias” (Karasch, 2000: 292).
Em alguns desses batuques, conforme consta nos relatos, as atividades
costumavam acontecer aos sábados e vésperas de dias santificados. No momento em
que seus vizinhos preparam-se para dormir, “os pretos começam a insupportavel dança
do tambor6”. Em alguns locais, é interessante notar a presença de mulheres nos
batuques. No cortiço de pretos da Rua Direita, próximo à Praça do Mercado – mais de
uma vez noticiado na Pacotilha pelo mesmo motivo – havia

umas pretas ... [que] resolveram por bem festejar S. Pedro com rufos de caixa e
guinchos de viola. Fizeram um samba atroador, pandego, levado da breca, que a pouco e
pouco ia se animando e subindo. Chegavam de momento a momento novos convivas e
assim a vizinhança viu-se horrivelmente incommodada até alta noite7.

As festas religiosas também tinham seu foco de atenção. Informando a


população sobre a festa do Divino que ocorria na cidade, o jornal Pacotilha fala do
evento, comentando sobre os folguedos, as porta-bandeiras, as bandas de música e
danças. No entanto, finaliza enfatizando que as autoridades devem estar vigilantes ao
que acontece na festa porque:

(...) Andou hontem a passeiar pelas ruas dos Remédios, do Pespontão e praia de Santo
Antonio um grande magote de povo, precedido de um batalhão de porta bandeiras,
tocadoras de caixas, banda de música, molecagem e soltadores de foguetes, sopesando
um comprido e grosso mastro enfeitado de murta e flores (...) Amanhã será fincado o
mastro no lugar da festa que, segundo nos informam, é no Páo d’Arara, em casa de uma
tal Nha Eugenia, celebre nos annaes destas festas e outras manigancias (...) Nós somos
de opinião que não se deve prohibir ao povo estas bambochatas próprias dos costumes.
O que, porém, será prudente é que a polícia não deixe de andar por perto para evitar os
distúrbios e motins, que não raro se originam por effeito da incandescencia dos
espíritos8.

6
Pacotilha, 07/12/1883
7
Pacotilha, 30/06/1883.
8
Jornal Pacotilha – 21/05/1884.

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Esta não é a única notícia da festa, outros informes deixam a população a par dos
acontecimentos. A notícia que acaba de ser exposta, mesmo com pedido de atenção às
autoridades, não proibe a “bambochata”. O ponto importante nessa aparente tolerância é
que ela está fundamentada em idéias que reforçam determinados comportamentos
entendidos como atributos pertencentes ao homem de cor. Em outras palavras, a questão
onde o jornal quis chegar é que, de certa forma, poderia ser perigoso reprimir essa “falta
de cultura ou instinto primitivo” do povo, em especial escravo. Esses festejos assumiam,
na visão dos intelectuais, função de válvula de escape para que seus sentimentos
pudessem se manifestar, demonstrando assim, para o público leitor, a falta de qualidade
e incapacidade do negro.
Já em outras notícias fica claro que para que tal festa aconteça a condição
imposta diz respeito a quem está à frente do evento e onde. De acordo com Rachel
Soihet, “esse discurso mostra que, naquele momento, o intelectual brasileiro adotava,
em relação às camadas populares, perspectiva idêntica à dos intelectuais dos países
imperialistas para com as populações colonizadas, considerando-as ignorantes e
atrasadas, assumindo as teorias pretensamente científicas e legitimadoras do
colonialismo, como o racismo, o evolucionismo e outras formas de etnocentrismo”
(Soihet, 1998: 28).
Na próxima notícia, o jornal critica uma homenagem à Festa do Divino, na Praça
do Mercado, local marcado nas páginas deste jornal por ser palco de disputas entre
negras vendedeiras, por circularem chefes de pajelança e por ocorrerem algazarras de
pretos com pandeiro e violão :

Ali pela praça do Mercado celebra-se uma pandiga de rufos de caixas em homenagem
ao Divino Espírito Santo. Imagine-se como aquillo não incommodara a pobre gente que
tem a desventura de ser vizinha dos festeiros do Espírito Santo. Os Srs. Fiscaes podiam
scientificar-lhes que o art. 124 do código de posturas prohibe batuques e manda applicar
a multa de 5$000 réis aos contraventores9.

De acordo com Reis, na Bahia, acreditava-se que a “festa negra promovia medo
e recomendava precaução aos brancos, por ser identificada como domínio exclusivo dos
africanos, que formavam a parte da população escrava e liberta mais rebelde da
província. Além disso, muitos consideravam obstáculo à europeização dos costumes,
um projeto abraçado por setores da elite engajados em civilizar a província” (Reis,

9
Jornal Pacotilha – 18/04/1884.

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2002:101). Festas em locais públicos ou privados constavam sempre nas páginas dos
noticiários locais. Não que os rumores acerca de possíveis conflitos fossem sempre
verdadeiros, mas a tensão diária entre escravos e senhores causava apreensão.
Nesse sentido, a festa, de acordo com os jornais da época, até funcionava como
uma válvula de escape, sendo importante para contornar possíveis revoltas. Mas, ao
mesmo tempo, o controle era visto como fundamental para que neste momento de
exaltação popular distúrbios e motins não ocorressem de fato na região. Pelos
constantes noticiários acerca da população negra, quase todos de conteúdo negativo,
nota-se o empenho do jornal em registrar diariamente, reafirmando para a população o
perigo que representava o cativo em diversas situações.
Com relação à idéia de tolerar ou reprimir a escravaria, trabalhada por João Reis,
isso dependia da hora e das circunstâncias em que se desenrolavam essas festas. Em
outras situações, como em casos de pajelança, batuques, música e dança que
costumavam ocorrer pela cidade, era possível encontrar no mesmo local escravos e
policiais se divertindo, fato verificado nas constantes reclamações dos periódicos. Nesse
sentido, a maneira como determinada autoridade policial encarava a situação podia ser
decisiva para que tal festa não sofresse algum tipo de repressão, apesar da constante
reclamação dos jornais.
A imagem da população negra representada nos jornais, e trabalhada por
Schwarcz (1987), faz uma idéia de que estes estavam longe dos padrões de
comportamento considerados pela elite branca como ideal. Suas referências culturais a
todo instante recebiam uma conotação negativa por parte de um determinado grupo
social. Mesmo não sendo totalmente contrários a esses eventos – em especial ao
Bumba-meu-boi e à Festa do Divino – o que se destaca nas notícias não é como o
branco, por exemplo, se comporta nessas situações, mas o assunto sempre gira em torno
do que o preto anda fazendo nessas ocasiões. A festa não se constituía em um grande
problema, uma vez que a grande preocupação girava em torno dos seus participantes.
Até mesmo o discurso do jornal acerca da população negra muda de acordo com os
eventos que vão acontecendo em São Luis.
Nos períodos em que a cidade não se encontra festejando nenhum santo ou algo
parecido, o conteúdo das notícias sobre os escravos – ainda que reforçando a existência
de um caráter negativo – é carregado de humor e ironia. Em geral, o jornal destacava a
atuação dos “heróis” de São Luis, representados pelos negros, bem como a
incompetência da polícia para lidar com determinados casos. Esta, pelo teor das

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informações, conivente com os acontecimentos locais. No entanto, em período de festas,
as notícias mudavam completamente, sobretudo nos dias que antecediam os festejos,
assim como alguns poucos dias após os mesmos. Todas as críticas baseadas no humor
para dar o seu recado sobre a insatisfação da conduta dos escravos, e também da
ineficácia da polícia para lidar com o assunto, eram substituídas por ataques diretos e
agressivos sobre os mesmos. As palavras e os termos no sentido figurado, como
“heróis”, cantorias e músicas de “proporções Wagnerianas”, “gerentes dos negócios”,
entre outros, eram substituídos por algo mais agressivo como “pretinhas vadias”,
“imorais”, “batuque insuportável”, “gente perigosa” e “desordeiros”. Desta forma,
percebe-se uma apreensão maior por conta de possíveis distúrbios, mas também é
notável a dificuldade de se compreender o universo da população negra. Universo que
possuía sentido e significados próprios, e que nesses eventos ganhava maior notoriedade
ao entrar em contato com outros setores ali reunidos.
De fato existia a chance de ocorrer algum conflito nesses momentos, mas, por
outro lado, não é possível afirmar que tudo que os escravos faziam nos festejos era com
a única finalidade de gerar desordem. Existia uma vontade de se divertir e participar das
festas que ocorriam na cidade. Era o momento em que a cidade ganhava uma aura de
celebração e liberdade que contagiava a todos. Era a hora de celebrar. Por trás dos
divertimentos, dos ajuntamentos e do culto à pajelança, sempre havia o medo de que
esses locais fossem propícios para estimular o furto, a desobediência aos senhores, as
fugas e levantes. Muitos locais desempenhavam um papel importante no sentido de
agregar comunidades nas cidades. Soares, por exemplo, apresenta o papel central do
zungu na configuração da cidade negra. Era nas casas de zungu que os escravos e
libertos, depois de circularem por diversos ambientes da cidade, encontravam repouso,
participavam das festas e seus cultos, além de se servirem do angu (Soares, 1998).
Manifestações de cunho religioso vividas pelos escravos, libertos e população
livre há muito estavam na pauta de discussão das autoridades, através de
regulamentações, proibições e invasões a casas suspeitas de acolherem escravos para
este fim. Códigos e posturas eram formulados para que não se permitissem batuques e
ajuntamentos de pretos em locais públicos ou privados. Estas associações de pretos
funcionavam num espaço em que suas práticas iam além do culto. Também pertencia a
este universo o divertimento, compreendido nas festas de santo, no toque e na dança,
todos previamente aprovados pelas autoridades. Ao tentarem reconstruir um espaço de
culto religioso, os escravos criavam possibilidades de se reorganizarem. Infelizmente, a

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regra nestes periódicos era ressaltar os estereótipos negativos empregados à cultura
afro-brasileira.

Considerações finais

Este artigo procurou levantar algumas questões relacionadas à cultura urbana


escravista em São Luis do Maranhão. As atividades realizadas por cativos, livres e
libertos – mais especificamente em seu cotidiano religioso – geravam descontentamento
entre alguns setores, que não viam com bons olhos as maneiras como estes indivíduos
agiam, burlando, pouco a pouco, os limites impostos pelas autoridades públicas a uma
série de normas de conduta e comportamento vigentes nas últimas décadas do século
XIX.
Os jornais constituíram-se como boa fonte de análise. Para seguir este percurso,
os embates diários existentes nas festividades e nas ruas serviram como ponto de partida
para a elaboração deste trabalho. Ainda há muito pela frente. A idéia que se passa para o
público leitor nesses periódicos é a afirmação da necessidade de manter a cidade em
ordem e sem conflitos. Medidas repressoras sobre festas religiosas e o dia-a-dia na
cidade eram tomadas desde a criação de posturas municipais até textos redigidos pelos
articulistas dos jornais, imprimindo uma marca na população formada pelos cativos.
Em relação aos trabalhos referentes à escravidão no meio urbano, é possível
encontrar muitas obras para várias regiões do Brasil. É o caso de pesquisas realizadas
sobre o tema no Rio de Janeiro, Salvador e Recife. As obras citadas ao longo deste
trabalho foram extremamente importantes para dar início a esta pesquisa. No caso de
São Luis, podemos citar o trabalho de Sérgio Ferretti que, nesse caso, auxiliou bastante,
no sentindo de compreender determinadas questões ligadas aos cultos afro-brasileiros,
assim como a criação de leis que coibiam estas atividades. Inseridas ainda neste
contexto religioso, muitas outras questões puderam ser vislumbradas dentro de seus
trabalhos, articuladas com os dados encontrados nos jornais: a questão do divertimento
para essa população, a relação conflituosa com a polícia e com os meios de
comunicação.

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