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RESUMO – PARA UMA PSICOLOGIA DO COMPORTAMENTO ANORMAL,

HILLMAN

1. as infirmitas do arquétipo

Dor, aflição, angústia – psicologia profunda e da alma.

Psicologia profunda como um logos para o pathos da psique.

Psicopatologia como aquela ciência que cuida dos comportamentos declarados


anormais e que por isso não podem ser transformados, reprimidos e aceitos
plenamente.

Hillman vai trazer a psicopatologização; na qual o psiquismo tem a capacidade


autônoma para criar doença, morbidez, desordem, anormalidade e sofrimento.
E de vivenciar e imaginar a vida a partir dessa perspectiva deformada. E a
partir daí tenta apontar o caráter necessário que ela tem para o psiquismo.

A patologização como uma forma válida de expressão psicológica. Linguagem


metafórica, forma como a psique se manifesta naturalmente.

As normas para olhar para os conteúdos patologizados devem ser as normas


distorcidas do próprio material (como?)

Imaginar o arquétipo sem suas loucuras, sem seus caprichos é falsear a


natureza arquetípica. Acho que aqui remete ao que Bernardi traz dos deuses
serem terríveis e inconstantes.

O mito tem a patologização em si. Em seus mitemas. Os deuses tem


comportamentos desviados.

Hillman inverte e traz como nossos comportamentos espelham, em algum


nível, o deles. Num âmbito imaginal, nós trazemos os deuses.

Ou seja, estamos conectados e em conexão com os deuses, tanto quando


estamos em estado de transcendência e paz quanto como quando estamos em
estado de pathos e adoecimento.

A enfermidade também tem origem divina.

Se a gente olha dessa forma, começa a olhar não o arquétipo da doença, ex:
tanatos. Mas a doença NO arquétipo. Compreendendo a patologização como
aspecto inerente da figura arquetípica.

As enfermidades precisam ser resgatadas do diabo. Deus morreu por não ter
contato com suas infirmitas.

2. necessidade
Necessidade – uma servidão, fisicamente opressiva, a um poder inexorável.
Ideia de vínculo, ligação. Necessidade fala também desse vinculo a família,
cônjuge e que muitas vezes oprime.

Miticamente Ananke, necessidade, era casada com Cronos, tempo. Tempo e


necessidade limitam a expansão da nossa existência. Estar livre do tempo é
estar livre da necessidade.

Depois de uma grande explanação sobre necessidade, ele diz que para buscar
o que determina nossas vidas, precisamos nos voltar para as imagens das
nossas fantasias, onde jaz a necessidade.

Ficar com a imagem e não tentar alterá-la é importante.

Direito inelutável da necessidade. Assim tem que ser. A coroação – a


necessidade de ser aquilo pelo qual se foi coroado.

Tomás de Aquino: necessidade como aquilo que não pode não ser.

Parmênides: Na imobilidade que a necessidade atua, nas fixações imutáveis do


cosmo psíquico.

Tudo que é necessário é sempre maçante. É contrário à finalidade.

E aí ele traz que na psicologia junguiana arquetípica, podemos nos perguntar,


aliás, devemos nos perguntar a partir dela: o que tem nessa patologia que é
necessária para o meu eu?

O quê e que deusa está habitando naquele adoecimento. Pede que o deus da
doença se manifeste.

Trazendo platão, hillman fala em como a razão tentou persuadir a necessidade.

“A necessidade reside na alma como uma causa interna, produzindo


perpetuamente resultados incômodos” p. 25

A operação errante da necessidade, desviada da razão seria o comportamento


anormal, seria o sintoma. (mas pensando assim podemos vê-la como natural?)

Assim, a razão nunca persuade totalmente a necessidade, e ambas são forças


criadoras; a patologia está sempre presente, criando. O anormal mistura-se a
cada ato da existência;

Ananke determina a vida psíquica desde o início, para nascer, passa-se por
ela.

A reconciliação que atena consegue é dando um lugar às Erínias, um lugar


onde elas fiquem afastadas, mas tenham seu lugar, sua imagem.
Apresenta a relação entre palavra e força; na psicoterapia tentariamos
converter as ações compulsivas em palavras; “através das palavras podemos
alterar a realidade, dar vida e tirar vida, moldar e mudar a própria estrutura e
essência do que é real.” P. 33.

A fala dá meios de expressão a Ananke, meios de imaginar-se em palavras,


dissuadindo-se de seu silêncio implacável. Seria uma forma de materializar dar
vazão a esse arquétipo, que ele possa aparecer. Uma terapia do próprio
arquétipo. Deixar que Ananke fale.

3. a fantasia da normalidade

A patologia é expressão normal, inevitável, expressão da necessidade. Ela


seria a norma da psique.

As expressões consideradas saudáveis também seriam patologizadas.

E se a gente falasse de ensaio sobre a cegueira?

A razão sozinha não governa o mundo nem dita as leis. Normas sem
patologizações em suas imagens atuam como idealizações repressivas, que
nos fazem perder contato com anormalidades individuais. A fantasia da
normalidade distorce a forma como as coisas são na realidade.

Um homem vivendo de fora, de fora de seus próprios sofrimentos, observando


e vivendo uma vida sem sentimento inerente de necessidade.

Ananke trazida por Atena, da cegueira para a luminosidade.

Atena pessoa arquetípica dentro da fantasia de normalidade.

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