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Primitivas e Integrais (continuação)

Técnicas de Primitivação
Primitivação por partes
Proposição: Sejam f e g são funções com derivada contínua no
intervalo a, b.
Então, neste mesmo intervalo,
P f ′ xgx = fxgx − Pfxg ′ x.

Primitivação por mudança de variável (ou substituição)


Notação: para representar fgt usa-se também a notação:
fgt = fx| x=gt .

Proposição: Seja f uma função contínua no intervalo I e


ϕ : J → I uma aplicação cuja derivada é contínua e não se
anula em J.
Então,
P x fx = P t fϕtϕ ′ t| t=ϕ −1 x .

Observação 1: prova-se que uma função definida num intervalo


com derivada não nula é invertível.

Observação 2: existem versões da primitivação por substituição


com hipóteses ligeiramente diferentes, por ex.- “f uma função
primitivável no intervalo I e ϕ : J → I uma aplicação bijectiva
com derivada contínua”.

Uma das principais dificuldades na primitivação por substituição


reside na escolha da mudança de variável adequada!

Acetatos de AMI0809 - EB (versão de 29 Dez. 08 - corrigida) 4ª Parte - 1


Algumas substituições aconselhadas
Sendo f uma função racional dos argumentos indicados,

Primitiva Substituição
Pfe x  x = ln t
Pfln x x = et

p r
Pf x, x q , x s , . . . x = t m , m = m.m.c.q, s, . . . 
p r
Pf x, ax + b q , ax + b s , . . . ax + b = t m , m = m.m.c.q, s, . . . 

P 1 − a2x2 x= 1
a sin t

• função racional de sin x e cos x → substituição: t = tg x


2

1−t 2
então: x = 2 arctg t sin x = 2t
1+t 2
cos x = 1+t 2
tg x = 2t
1−t 2
.

Nota: Há casos particulares em que funcionam melhor outras


substituições.
• Por exemplo:
• c/ funções rac. de sin 2 x, cos 2 x e tg x, a substituição
t = tg x normalmente funciona melhor.
Neste caso: x = arctg t cos 2 x = 1
sin 2 x = t2
.
1+t 2 1+t 2

• c/ funções rac. de sin x e cos x, em que se pode colocar em


evidência sin x, pode ser útil a substituição t = cos x
(analogamente, quando se pode colocar em evidência cos x.

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Integração por partes
Proposição:
Sejam f e g funções com derivada contínua em a, b.
Então
∫a f − ∫ fxg ′ xdx.
b b

xgxdx = fxgx ba
a

Integração por mudança de variável (ou substituição)


Proposição:
Sejam I e J intervalos, f uma função contínua em I e ϕ uma
função com derivada contínua em J, tal que ϕJ ⊆ I; sejam α e
β elementos de J tais que ϕα = a e ϕβ = b.
Então
β
∫a ∫ α fϕtϕ ′ tdt.
b
fxdx =

Nota: A mudança de variável efectuada é x = ϕt.

Observação: Tal como para a primitivação, existem versões da


integração por substituição com hipóteses diferentes.

Proposição:
Sendo f uma função integrável no intervalo fechado −a, a,
tem-se que:
• a
se f for uma função par, então ∫ fxdx = 2 ∫ fxdx;
−a
a
0

• se f for uma função ímpar, então ∫ fxdx = 0.


a
−a

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Primitivação de funções racionais (por decomposição)
Definição: Chama-se função racional a qualquer função que se
Px
possa escrever na forma Qx , com P e Q polinómios de
coeficientes reais.
A função racional diz-se própria se grPx < grQx e
imprópria caso contrário.

Ao primitivar trabalhar-se sempre com funções racionais


próprias!

Passo 1: Ver se a função racional é própria; caso não seja, escre-


ve-se como soma de um polinómio e uma f. racional própria.

• Qualquer função racional imprópria


Px
Qx
pode escrever-se
na forma
polinómio + f. rac. própria.

Basta fazer a divisão de Px por Qx.

Proposição (Regra da divisão):


Sendo Px um polinómio e Qx um polinómio de grau ≥ 1,
existem sempre polinómios Cx e Rx, univocamente
determinados, tais que

Px = Qx. Cx + Rx , com grRx < grQx.


 
cociente Resto da div.

Então
Px Rx
= Cx + Qx
Qx
 
poli.
f. rac. própria

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Resta-nos ver como primitivar funções racionais próprias.

Px
Seja Qx
uma função racional própria.

Passo 2: decompõem-se Qx tanto quanto possível como


produto de parcelas mais simples, isto é, de

- constantes,
parcelas corresp.
- parcelas da forma x − r l , c/ l ∈ ℕ, →
às raízes reais

parcelas corresp.
- parc. da forma x 2 + bx + c k , c/ k ∈ ℕ → a pares de raízes
sem raízes reais compl. conjugadas

aglomerando as parcelas correspondentes às mesmas raízes → l é


a multiplicidade da raíz real r e k a multiplicidade das raízes de
x 2 + bx + c (2 complexos conjugados).

Então Qx fica escrito na forma

k1
Qx= a × x − r 1  l 1 × ⋯ × x2 + b1 x + c1 ×⋯

constante
parcelas corresp. parcelas corresp.
às raízes reais a pares de raízes
compl. conjugadas

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Passo 3: Determina-se uma expressão da forma

A1 A2 Al nº de parcelas = l =
x − r + x − r 2 + ⋯ + x − r l →
= multipl. da raíz real r

para cada factor x − r l

e uma expressão da forma


D1 + E1x + D2 + E2x + ⋯ + Dk + Ek x
x 2 + bx + c x 2 + bx + c
2
x 2 + bx + c
k

→ nº de parc. = k = multip. das raízes complexas


associadas a x 2 + bx + c

para cada factor x 2 + bx + c k

de tal modo que


Px
Qx
seja soma destas parcelas.

• Chamam-se fracções elementares (ou fracções simples) às


funções racionais da forma
A ou D + Ex
m .
x − r n x 2 + bx + c
sem raízes reais

Proposição: Toda a f. rac. própria pode ser decomposta numa


soma de fracções elementares nas condições acima indicadas.

A decomposição pode ser feita pelo método dos coeficientes


indeterminados.

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Passo 4 (e último!): Determinam-se as primitivas das fracções
elementares.

A ln|x − r| + C, se k = 1
• P A
x−r k
=
−k x−r −k+1
P Ax − r =A −k+1
+ C, se k > 1

com C constante real.

• Parcelas da forma D+Ex


x 2 +bx+c
:

Um polinómio x 2 + bx + c, sem zeros reais, pode sempre


escrever-se na forma
x + p 2 + q 2 , com p e q reais.
A decomposição pode fazer-se:
- formando directamente o quadrado;
- a partir dos zeros do polinómio - são iguais a −p ± qi.

Fazendo directamente as contas (que dão sempre situações de


logaritmo e/ou arcotangente), ou com a mudança de variável

x + p = qt,
conclui-se que

D−Ep x+p
P D+Ex
= E
ln x + p 2 + q 2 + q arctg q +C
x+p 2 +q 2 2

Nota: Se E = 0 obtém-se uma função arctg; se E ≠ 0, obtém-se


uma função logaritmo ou uma soma de um logaritmo e um arctg.

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• Parcelas da forma D+Ex
x 2 +bx+c
k
, c/ k > 1:

Decompondo o polinómio como no caso anterior e com a


mesma mudança de variável, reduz-se esta situação ao cálculo
de uma primitiva imediata e da primitiva

P 1 .
k
1 + t 2 

Esta primitiva (c/ k > 1 determina-se por partes, fazendo

1 = 1 + t2 − t2 = 1 − t2
k k k−1 k
1 + t 2  1 + t 2  1 + t 2  1 + t 2 
= 1 − 1 t . 2t
1 + t 2 
k−1 2  1 + t 2  k
f
g′

e baixa-se sucessivamente o grau do denominador.


Assim, por exemplo:

P 1 =P 1 − 1 P t . 2t  =
1 + t 2 
2
1 + t2 2  1 + t 2  2
f
g′

pois =P 1 − 1 −t 1 2 + P 1 =
g= −1+t 2 
−1 1 + t2 2 1+t 1 + t2

= 1P 1 + 1 t = 1 arctgt + 1 t
2 1 + t2 2 1+t 2 2 2 1 + t2

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Algumas aplicações do integral definido
Cálculo de áreas
Sejam f e g funções integráveis em a, b e A a área da região
plana limitada pelos gráficos de f e g e pelas rectas verticais
x = a e x = b.
Então
∫ a |fx − gx|dx.
b
A=

Cálculo de volumes de sólidos de revolução


Sejam f e g funções integráveis em a, b e V o volume do sólido
de revolução gerado pela rotação em torno do eixo dos xx da
região limitada pelos gráficos de f e g e pelas rectas verticais
x = a e x = b.
Então
∫ a π|f 2 x − g 2 x|dx.
b
V=

Cálculo do comprimento de linha


Seja f uma função com derivada contínua em a, b e l o
comprimento da linha associada ao gráfico da função f entre
x = a e x = b (isto é, entre os pontos a, fa e b, fb).
Então

∫a
b
l= 1 + f ′ x 2 dx.

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Cálculo de áreas de superfícies de revolução
Seja f uma função com derivada contínua no intervalo a, b e S a
área da superfície de revolução obtida por rotação do gráfico de f
em torno do eixo horizontal.
Então

2
S = 2π ∫ rx 1 +
b df
x dx
a dx

onde rx representa a distância entre o gráfico de f e o eixo de


revolução.

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