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PACOTE DE TEORIA E EXERCÍCIOS P/ AGENTE – POLÍCIA FEDERAL

Amigos, brasileiros, concurseiros, saudações!

Meu nome é Igor Moreira, serei seu orientador na matéria


“Ética no Serviço Público” para a prova da Polícia Federal.

E você, candidato, nem deve ter reparado o item 2.1.3 do


edital, né? R$7.514,33! Literalmente é um bom começo de carreira,
não é? E isso sem falar no que certamente atrai os candidatos mais
do que a remuneração, que é a própria carreira de Policial Federal.

Pois bem, primeiramente, aqui vão meus parabéns para você,


candidato. Sim, você está dentro do seleto grupo de pessoas que está
se preparando com seriedade. Seu comprometimento será, em breve,
recompensado. A vitória é só uma questão de tempo. Tempo e
constância na preparação, claro. A aprovação num concurso é
sempre, sempre fruto da combinação de esforço, organização,
paciência e persistência. Pode parecer muito, mas vale a pena.

Pra quem ainda não me conhece, deixe-me apresenta melhor.


Sou natural do Rio de Janeiro, resido em Nova Iguaçu, onde ministro
aulas em cursos preparatórios desde 2010. Apesar do pouco tempo,
tenho certeza que minha experiência não é irrisória. Logo no começo
de minha vida docente, ministrei para uma turma com quase 100
pessoas inscritas que mantinha a fiel e um pouco assustadora média
de 80 a 90 pessoas toda noite.

Estou cursando Direito na Universidade Federal Rural do Rio de


Janeiro. Sim, ainda não concluí o curso e já atuo como docente. Isso
se deve ao fato de que a minha vivência com o Direito é bem anterior
à faculdade, sendo inclusive por causa dos concursos que escolhi me
graduar em tal curso.

Comecei a fazer concursos em 2008, para o Tribunal de Justiça,


época em que tive meu primeiro contato com o Direito e com as leis.
Desde então não parei mais. Fiz vários concursos e depois de muitas
reprovações, fui obtendo minhas aprovações e classificações até ser
aprovado nos concursos da Infraero, Casa da Moeda e do PROCON-
RJ, dos quais estou no aguardo de convocação.

Mas “deixemos de entretantos e vamos direto aos finalmentes”,


como diria Odorico Paraguaçu. Falemos agora do nosso curso.

Teremos um total de 4 encontros, dispostos da seguinte forma:

Aula 1: Comportamento profissional

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Aula 2: Atitudes no serviço

Aula 3: Prioridade em serviço, organização do trabalho e


Simulado

Aula 4: Correção do Simulado

Assim, no nosso 3° encontro, ao final da aula proporei um


simulado a vocês, sem gabarito, com questões relativas a todo o
conteúdo ministrado; de modo que no nosso último encontro faremos
a correção do simulado, comentando cada questão.

Ética no Serviço Público é um assunto relativamente pequeno.


Talvez por isso algumas pessoas estranhem o fato de eu ter separado
4 (na verdade 3) aulas para tratar do assunto. O motivo é simples:
ao invés de ter uma ou duas aulas concentrando tudo, falando de
tudo de uma vez, penso ser mais didático, e mais produtivo, termos
três encontros para tratarmos bem do assunto, sem sobrecarga de
matéria. Desse modo, nossas aulas terão um número um tanto
pequeno de páginas. Desejo que esse assunto seja bem, mas muito
bem entendido por você, candidato. Com o método da cespe, de
valorar cada erro na prova com -1, não podemos dar bobeira!

E eu sinceramente não gostaria de saber que você perdeu


pontos ou deixou de ganhá-los por não saber ou não ter segurança
nessa matéria. Muitos, por não dar a devida atenção às matérias
pequenas, perdem pontos preciosos que fazem a diferença na
classificação final. Eu não quero que isso aconteça com você.

Tudo certo? Vamos então começar nossa matéria.

...

Ética no serviço Público

Introdução

Se vocês já me conhecem aqui no Ponto, sabem que sou


professor de Direito Civil e Legislação Específica. Então vocês devem
estar pensando: “então o que você está fazendo aqui na turma de
Ética no Serviço Público?”

Simples. A Ética no Serviço Público está tipificada. Está na lei. E


não poderia ser de outro modo.

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Você está estudando Direito Administrativo e talvez já tenha


estudado os princípios que regem a Administração Pública. Dentre
estes princípios está o da legalidade. Por este princípio temos que a
Administração Pública, ou melhor, o administrador público só pode
agir dentro dos mandos da lei. O particular está livre para agir
naquilo que a lei não o obrigar; a lacuna, a omissão legal significa
liberdade de ação para o particular. Muito diferente do administrador
público: para este a omissão legal significa paralisação, impedimento.
O administrador não pode agir se a lei não amparar aquela ação.

Assim, o administrador não poderia impor regras de ética se


estas não constassem na lei. E as normas que regem a ética no
serviço público, as quais serão objeto de nosso estudo, estão um
tanto quanto esparsas. Estudaremos as regras de éticas que os
servidores públicos devem seguir, tomando como base os seguintes
diplomas legais: o Decreto 1.171/94, o título IV da lei 8.112/90, e a
lei 8.429/92.

Hoje trataremos do tema comportamento profissional.

Mas antes de abordar especificamente o assunto, vamos a


algumas rápidas considerações.

Ética e Moral

Segundo o Michaelis Moderno Dicionário da Língua Portuguesa,


ética é a “parte da Filosofia que estuda os valores morais e os
princípios ideais da conduta humana”, definindo-a também como
“Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício
de uma profissão; deontologia”.

A ética profissional é, pode-se dizer, a moral aplicada ao


ambiente de trabalho. É regido pela ética profissional que o
funcionário não agride o outro, não rouba nem se apropria dos
aparelhos e utensílios do escritório, etc. Enfim, são as regras básicas
para o bom convívio entre as pessoas dentro de uma empresa, e
entre os empregados e a própria empresa. Essas regras podem vir,
dependendo da empresa, expressas em códigos de conduta,
constantes no próprio contato de trabalho, assinado pelo empregado,
ou em outras situações. Apesar disso, as regras de ética profissional
não tem caráter sancionatório, vinculativo. Como se baseiam na
moral, são dotadas de uma inafastável subjetividade, sendo que em

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cada situação, em cada empresa, em cada grupo, as regras podem


variar, não se configurando uma regra geral imposta a todos.

Ética no Serviço Público

Quando tratamos do serviço público, as regras éticas não são


dotadas de subjetividade. Elas provém da lei.

Isso faz toda a diferença pois, os servidores públicos estão,


como dito acima, obrigados ao cumprimento da lei, em todas as suas
ações. E o descumprimento da uma norma de ética configura uma
infringência à lei, e não uma mera conduta em desacordo com a
moral estabelecida.

Outra característica da ética no serviço público é que ela não


varia de acordo com o órgão, pessoa jurídica ou grupo. Ela é ditada
pelos estatutos que regem a atuação do servidor. São as mesmas
para toda a Administração Pública, aplicável a todos os âmbitos da
Administração Pública, apesar do Código de Ética do Servidor
restringir a aplicação do Código aos servidores do poder executivo
federal.

Assim, a diferença básica entre a ética no serviço público e nas


relações de trabalho no setor privado é que os servidores públicos,
caso se encontrem no descumprimento das regras éticas, a que estão
submetidos por força de lei, estarão incorrendo em improbidade
administrativa, estando sujeitos às sanções da lei.

Mais especificamente, a lei que determina as sanções aplicáveis


aos servidores nos casos de improbidade administrativa, é a lei
8429/92.

Por fim, o Código de Ética é objetivo ao dizer que o serviço


público é regido por “princípios éticos que se materializam na
adequada prestação dos serviços públicos”. Esses dois conceitos
andam juntos, agarrados! rs…

A finalidade primeira do Estado, como Administração Pública é o


atendimento dos fins públicos, que são os interesses públicos. Da
mesma forma, a ética no serviço público não foi implantada para que
a Administração Pública se orgulhasse de seus servidores, para
ostentar, desmotivadamente, uma honestidade sem sentido.

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A ética profissional no serviço público tem uma finalidade:


atender melhor ao público. Melhor ao ponto da perfeição.

No decorrer desta e de nossas outras aulas vocês verão que as


disposições do Código de Ética chegam a ser (em minha opinião)
românticas. Não que elas sejam impossíveis de se alcançar, mas que
pela sua redação, o legislador deixou transparecer que ele não quis
nada menos do que a perfeição. Isso não é ruim. Se temos a
perfeição como alvo, se chegarmos perto já será excelente, e o
serviço público brasileiro não será mais lembrado como improdutivo e
protelatório, um lugar onde nada acontece, para ser referência de
efetividade e segurança.

Comportamento Profissional

Ser servidor público é uma imensa responsabilidade.


Infelizmente poucos são os que entendem isso e encaram o serviço
público como sendo, efetivamente uma responsabilidade. A maioria
vê no cargo público uma oportunidade de “se darem bem”, ganhando
um dinheiro certo, trabalhando pouco.

Muito longe desse prisma, no mínimo preguiçoso, o Decreto


1.171 de 94 diz, no primeiro item de seu Código de Ética que “A
dignidade, o decoro, o zelo, a eficácia e a consciência dos
princípios morais são primados maiores que devem nortear o
servidor público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele,
já que refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal. Seus
atos, comportamentos e atitudes serão direcionados para a
preservação da honra e da tradição dos serviços públicos.”

Veja que a responsabilidade do servidor, face à Administração


Pública é enorme. Abrange mais de que uma simples política de boas
maneiras dentro do trabalho. O que se exige é que o servidor seja
um “embaixador” do serviço público na sociedade, estando ele
obrigado a guardar os “princípios morais” dentro e fora do serviço.
Sendo, inclusive estabelecido no Código de ética como dever do
servidor público “divulgar e informar a todos os integrantes da sua
classe sobre a existência deste Código de Ética, estimulando o seu
integral cumprimento”. O servidor reflete “o exercício da vocação do
próprio poder estatal”.

Vamos ver como isso foi cobrado numa prova?

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1- (TRE-AL 2010) Entre os primados maiores, citados


explicitamente no Código de Ética Profissional do Servidor Público
Civil do Poder Executivo Federal, que devem nortear o servidor
público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que
refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal, consta
a) a competência.
b) a efetividade.
c) o comprometimento.
d) a eficiência
e) o zelo.

Gabarito E

Os princípios, ou melhor, os “primados maiores” que devem


nortear a conduta do servidor público são, segundo o Código de
Ética: a consciência dos princípios morais, a dignidade, o decoro, a
eficácia e o zelo.

Para memorizar:

O Código de Ética prima pela excelência do serviço público, assim,


ele exige que os servidores públicos sejam excelentes, servidores
“nota dez”! Até porque o Código de Ética é um excelente diploma
legal… ele também é nota dez! Um CÓDIgo nota DEZ!

1. COnsciência dos princípios morais


2. DIgnidade
3. Decoro
4. Eficácia
5. Zelo
Servidor Público
Consciência

Dignidade

Primados
Decoro
Maiores

Eficácia

Zelo

Atos
comportamentos
e atitudes

Honra e
tradição dos
Preservar
serviços
públicos 6
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Exercício profissional e vida privada

Ao contrário do que prega o senso comum, a vida particular se


integra à vida profissional do servidor.

Essa história de ser “uma pessoa” no trabalho e “outra pessoa”


em casa não cabe no serviço público. Isso é o que lemos no item VI
do Código de Ética dos Servidores Públicos: “VI - A função pública
deve ser tida como exercício profissional e, portanto, se integra na
vida particular de cada servidor público. Assim, os fatos e atos
verificados na conduta do dia-a-dia em sua vida privada poderão
acrescer ou diminuir o seu bom conceito na vida funcional.” Grifos
meus.

Diante disso, você deve estar pensando que o direito a


intimidade e a privacidade dos servidores estão sendo
desrespeitados, mas não é bem assim. Os servidores também são
cidadãos, e, como todos, têm assegurados os direitos à intimidade e
à privacidade.

No entanto, você percebeu que esse direito não é tão amplo


quanto o do particular. É assim mesmo, isso é ser servidor público. O
administrador público, ao assumir suas funções deve ter em mente
que está se comprometendo a cumprir os interesses públicos,
interesses estes que são alheios a sua própria vontade e aos quais
está vinculado legalmente. O servidor público, como o próprio nome
sugere, é um servo de todos.

O servidor deve saber, de ante-mão, que a escolha pela


carreira pública é a escolha pela transparência de vida. Transparência
esta que serve como fator de moralidade de seu exercício
profissional.

Um desdobramento desse princípio é a vedação a que se


submete o servidor, expressa no item VX, n, do Dec 1171 que diz que
ao servidor é vedado:

“n) apresentar-se embriagado no serviço ou fora dele


habitualmente;”

Aparecer embriagado no serviço é uma vedação não só no


serviço público, mas em qualquer serviço. Isso é bem difundido na
moral comum às relações de trabalho. Apresentar-se embriagado fora

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do serviço habitualmente não é “da conta de ninguém” certo? Se


você é servidor público, não!

Claro, pessoal, que você não está proibido de tomar suas


biritinhas de vez em quando, rs… tinha gente já querendo desistir só
por causa dessa alínea “n” não é? rs…

O que a lei proíbe é a embriaguez habitual. Podemos


interpretar essa alínea, ainda, da seguinte forma. É proibido
apresentar-se embriagado no serviço, ponto. Não é coerente
imaginar que, depois de falarmos tanto sobre esse ideal de servidor
público, fosse permitido que este chegasse ao serviço bêbado! Pelo
amor de Deus! Mas, fora do serviço, se o servidor se embriagasse
estaria ele ferindo a ética e a moral administrativa, denegrindo a
imagem e a honra do serviço público, o qual representa? Não. A não
ser que essa embriaguez seja habitual.

O código de ética do servidor público não é um código militar! O


interesse maior é que o serviço público seja prestado com a máxima
eficiência. Por esse motivo é que se proíbe a embriaguez habitual. Se
o servidor é um ébrio habitual, ele não vai estar na plenitude de sua
saúde física e mental, prejudicando assim o serviço público que
presta. Prejudicando, desse modo, o serviço público.

Ainda nesse sentido, as alíneas “o” e “p” também trazem


normas éticas aplicadas à vida particular, ou não profissional do
servidor. Vejamos, então:

“o) dar o seu concurso a qualquer instituição que atente contra


a moral, a honestidade ou a dignidade da pessoa humana;

p) exercer atividade profissional aética ou ligar o seu nome a


empreendimentos de cunho duvidoso.”

Uma instituição que atente contra a moral, a honestidade ou a


dignidade da pessoa humana, é algo bem subjetivo. Mas não se
preocupe que se cair na sua prova a cespe vai dizer que a instituição
que o sujeito participa “atenta conta a moral” ou contra a
honestidade ou a dignidade.

Mas, um exemplo disso foram aquelas pessoas que criaram um


site onde marcavam hora e local para espancar e matar travestis,
manifestavam seu ódio contra mulheres, negros, homossexuais, etc.
Sem dúvida esse grupo atenta violentamente contra a moral, a
honestidade e a dignidade da pessoa humana.

Também é proibido ao servidor exercer atividade profissional


aética e ter seu nome vinculado a empreendimentos de cunho

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duvidoso. Pensando em exemplos extremos, um servidor não pode


ter seu nome ligado a, por exemplo, um comércio de aparelhos
eletrônicos em feiras de ambulantes. Sabemos que a procedência dos
produtos nessas feiras é duvidosa. Do mesmo modo, um servidor não
pode exercer o comércio (usando o mesmo exemplo) de aparelhos
eletrônicos que, apesar de terem procedência confiável, vendendo-os
a um preço abaixo do de mercado, de modo a prejudicar a
concorrência entre os comerciantes.

Que tal uma questão-exemplo?

2 – (DPGU – Analista - 2010) O Código de Ética Profissional do


Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal estabelece, no inciso
VI, capítulo I, que a função pública deve ser tida como exercício
profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor
público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia na
vida privada do servidor poderão acrescer ou diminuir o seu bom
conceito na vida funcional. Com base nessas informações, assinale a
opção correta.
A) O inciso em questão atende a exigência formal inscrita na Lei n.º
8.112/1990, que dispõe acerca do regime jurídico dos servidores
públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas
federais.
B) O conteúdo do inciso está eivado da cultura política tradicional
brasileira, ao confundir a esfera pública com a privada.
C) O conteúdo do inciso em apreço está em acordo com o inciso I,
que estabelece a dignidade e o decoro como norteadores da conduta
do servidor, no exercício do cargo ou fora dele.
D) O conteúdo do inciso expressa a pretensão totalitária do Estado
de controlar a vida privada do indivíduo.
E) O conteúdo do inciso contradiz os dispositivos constitucionais que
estabelecem a liberdade individual e a liberdade profissional.

Gabarito: C

Vamos comentar as alternativas erradas:

Letra A: A lei 8112 não regula o comportamento do servidor no


seu dia-a-dia. O estatuto federal trata do regime jurídico dos
servidores, abrangendo desde a entrada do servidor no serviço
público até os casos de exoneração e demissão e as outras formas
vacância do cargo público, normatizando toda a vida profissional do
servidor. A vida privada foi tratada pelo Decreto 1171.

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Letras B, D e E:Não se trata de uma confusão entre a esfera


pública e a privada. A exigência não é mais do que um cuidado do
legislador pela imagem do serviço público, e como já disse acima,
não se trata de uma invasão da privacidade e da vida íntima do
servidor. Além do que o servidor deveria saber, de ante-mão, que a
entrada no serviço público é a escolha por uma vida aberta a
constante fiscalização de sua conduta. É uma responsabilidade muito
grande.

O servidor e o atendimento ao público

Muito corriqueiro no dia a dia do servidor, o atendimento ao


público é parte essencial da rotina de trabalho do agente público.
Como dito anteriormente, o servidor reflete o exercício da vocação do
próprio poder estatal.

Não há como escapar: a imagem que a população tem do


serviço público é a imagem que ela tem dos servidores.

A boa educação, a atenção, a gentileza, enfim, o bom trato com


a população já é bem consagrado na iniciativa privada. Esta, sob a
égide “o cliente tem sempre razão” procura sempre tratar o seu
cliente da melhor forma possível, fazendo com que ele saia da
empresa com a melhor imagem possível desta. O objetivo é claro:
fidelizar o cliente.

Pense nas suas próprias experiências: quantas vezes você


chegou num restaurante, ou num escritório e foi mal atendido,
ignorado, ou até mesmo tratado com aquela genuína falta de
educação? Após ser atendido, você se sentiu motivado a voltar
naquela empresa ou preferiu procurar uma outra que ofereça um
serviço melhor?

É por causa desse senso de competitividade (“se eu não fizer


meu trabalho direito meu cliente vai procurar outra empresa”) que as
empresas privadas buscam sempre (pelo menos em tese) aperfeiçoar
seus serviços de atendimento. Aqui, atendimento mal feito significa
menos clientes, o que significa prejuízo para a empresa. E como o
objetivo principal de uma empresa normalmente é o lucro, atender
mal é ir contra os objetivos da empresa.

A Administração Pública não tem por fim a obtenção de lucro. A


primeira e última finalidade da Administração Pública, para a qual
todos os seus atos se voltam, é a satisfação dos interesses
públicos. Entendendo que o bem-estar da população é um interesse

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público, o bom atendimento nas repartições públicas é parte essencial


da ética no serviço público.

Assim, o servidor público não trata bem a população para trazer


lucro, pois a Administração não visa o lucro. Então, qual a motivação
de um servidor para tratar o público com cordialidade, cortesia, boa
vontade e cuidado? Primeiro porque a lei impõe, no item IX do Dec
1171/92. Depois, segundo o próprio item citado, o destrato ao
público configura ocorrência dano moral. Vejamos o referido
dispositivo:

“IX - A cortesia, a boa vontade, o cuidado e o tempo dedicados


ao serviço público caracterizam o esforço pela disciplina. Tratar mal
uma pessoa que paga seus tributos direta ou indiretamente significa
causar-lhe dano moral. Da mesma forma, causar dano a qualquer
bem pertencente ao patrimônio público, deteriorando-o, por descuido
ou má vontade, não constitui apenas uma ofensa ao equipamento e
às instalações ou ao Estado, mas a todos os homens de boa
vontade que dedicaram sua inteligência, seu tempo, suas esperanças
e seus esforços para construí-los.”

Observe que o dispositivo trata também do dano causado ao


patrimônio público. Os bens do Estado são bens de todos. Claro que o
dano não se configura quando ocorre um acidente, mas quando
houver culpa.

Ter culpa não é cometer um ato intencionalmente. A intenção


caracteriza um ato doloso. A culpa é verificada quando a pessoa age
por imprudência, negligencia ou imperícia, o que na lei se dispôs
como “descuido ou má vontade”.

A população é nosso chefe, somos (os servidores públicos)


custeados pelos tributos pagos por todos. Temos, então, de fazer jus
a remuneração que recebemos, agindo com base na moralidade
administrativa em todas as atribuições as quais nos são confiadas,
retribuindo a população com um serviço prestado com eficácia, e,
acima de tudo, ética. Isso é o que o item IV do Código de Ética nos
diz expressamente, vejamos:

“IV- A remuneração do servidor público é custeada pelos tributos


pagos direta ou indiretamente por todos, até por ele próprio, e por
isso se exige, como contrapartida, que a moralidade administrativa se
integre no Direito, como elemento indissociável de sua aplicação e
de sua finalidade, erigindo-se, como conseqüência, em fator de
legalidade.”

Veja a importância que o código dá ao elemento moral-ético da


conduta do servidor! É fator de legalidade! Como disse, a ética no

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serviço público não são orientações de caráter meramente


informativo, não vinculativas, as quais o servidor seguirá quando
achar conveniente, ou por peso de consciência. Uma conduta
antiética ou amoral é ilegal.

Vejamos agora o que o Código de Ética dispõe sobre o


atendimento ao público, tratando dos deveres do servidor público, em
seu item XIV:

“XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

(…)

e) tratar cuidadosamente os usuários dos serviços aperfeiçoando


o processo de comunicação e contato com o público;

(…)

g) ser cortês, ter urbanidade, disponibilidade e atenção, respeitando


a capacidade e as limitações individuais de todos os usuários do
serviço público, sem qualquer espécie de preconceito ou distinção de
raça, sexo, nacionalidade, cor, idade, religião, cunho político e
posição social, abstendo-se, dessa forma, de causar-lhes dano
moral;”

Vamos resolver uma questão sobre o assunto? É sempre bom


vermos como a banca costuma tratar dos assuntos que estudamos. E
a questão abaixo gerou certa polêmica, por isso preste muita
atenção.

(TJDF – 2008) Uma servidora, cedida via convênio para outro


órgão, solicitou, na unidade de gestão de pessoal, uma cópia do seu
último contracheque para resolução de problemas pessoais. Ao ser
atendida, foi informada que as cópias dos contracheques se
encontravam disponíveis na Internet e que o órgão de pessoal não
possuía mais a obrigação de fornecê-las ao servidor. Ela foi
informada, ainda, que o acesso aos contracheques pela Internet seria
realizado a partir de uma senha e pelo cadastro de um e-mail
correspondente. O e-mail cadastrado para a servidora estava errado
e, por isso, seria necessário alterá-lo para a realização do
procedimento de cadastro de senha e obtenção do acesso. A
servidora passou a reclamar muito das dificuldades implementadas
pelo órgão público para que ela obtivesse o contracheque e da
qualidade do atendimento recebido. Após ouvir atentamente a
servidora, solicitar que ela se acalmasse e adverti-la da possibilidade
de desacato, o atendente se dispôs a imprimir o documento para ela.
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A partir da situação hipotética apresentada acima, julgue os itens a


seguir.
3 - O comportamento do atendente demonstrou falta de presteza e
de cortesia para com a servidora cedida.
Gabarito: Errado
Talvez você tenha pensado em marcar esse enunciado como
“certo” por ter se deixado envolver com a história.
Infelizmente, todos nós temos pelo menos uma história triste
(às vezes até traumática) com uma repartição pública. Atendimento
ruim, desleixado, desrespeitoso, enfim, no sentido diametralmente
oposto ao que estamos estudando. Assim, talvez por identificação,
você deve ter tomado as dores da servidora, que encontrou
dificuldades para ter seu documento impresso, você foi levado a
pensar que a servidora foi mal atendida pelo atendente. Ainda mais
quando ele a advertiu da possibilidade de desacato, rs.
Entretanto, vamos observar a situação friamente.
O atendente a todo tempo dava à servidora as informações
necessárias ao atendimento de sua demanda: “Ao ser atendida, foi
informada que as cópias dos contracheques se encontravam
disponíveis na Internet”. O atendente não negou os documentos à
servidora por vontade sua, lemos no texto que “o órgão de pessoal
não possuía mais a obrigação de fornecê-las ao servidor”. Assim, o
que o atendente poderia fazer ele fez, que foi indicá-la a visitar o site.
Entretanto, a servidora começou a se irritar quando não conseguiu
acessar o documento pelo site. Mas o acesso foi impedido não por um
erro da repartição, mas por um equívoco da própria servidora: “O e-
mail cadastrado para a servidora estava errado e, por isso, seria
necessário alterá-lo para a realização do procedimento de cadastro de
senha e obtenção do acesso”.
Quando a servidora passou a reclamar muito das dificuldades
“implementadas pelo órgão público” (já vimos que as dificuldades não
foram implementadas pelo órgão, elas decorreram de circunstancias
externas) o atendente passou a ouvir atentamente a servidora, e
pediu que ela se acalmasse, e finalmente, advertiu a mesma da
possibilidade de desacato. Não houve ameaça por parte do
atendente. Muito menos má vontade, tanto que logo em seguida o
atendente se dispôs a imprimir o documento para ela.

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O servidor e o dever de obediência


O servidor deve obediência aos seus superiores hierárquicos?
Sim, claro que sim. Além de uma constatação óbvia, está
expressamente previsto no Código de Ética dos Servidores Públicos:

“XI – O servidor deve prestar toda a sua atenção às ordens


legais de seus superiores, velando atentamente por seu
cumprimento, e, assim, evitando a conduta negligente. Os repetidos
erros, o descaso e o acúmulo de desvios tornam-se, às vezes, difíceis
de corrigir e caracterizam até mesmo imprudência no desempenho da
função pública.”

O estatuto dos servidores públicos federais (lei 8.112/90),


também nos traz esse dever de obediência do servidor público em
seu artigo 116, inciso IV:
“Art. 116. São deveres do servidor:
(…)
IV - cumprir as ordens superiores (…)”

Mas esse dever não é absoluto. Mais do que a seu superior, o


servidor público deve obediência e total subordinação à lei.

Completando o inciso IV, nos diz o estatuto que o servidor


deverá cumprir com as ordens de seus superiores, “exceto quando
manifestamente ilegais”.

Observe, inclusive que o item X do Código de Ética não diz que


o servidor deve obediência a todas as ordens do seu superior, sendo
que o Código nos diz: “O servidor deve prestar toda a sua atenção às
ordens legais de seus superiores”.

Como ninguém pode ser obrigado a fazer ou deixar de fazer


alguma coisa, senão em virtude de lei, e que, especialmente para o
administrador, a lei é condição de ação, se uma ordem for
explicitamente ilegal, o servidor não poderá cumpri-la, não é uma
questão de escolha, se a ordem for ilegal ele não deve cumpri-la. Não
adianta alegar, posteriormente, que estava “só cumprindo ordens”. A
ordem maior, que é a da lei, foi desatendida.

O código de Ética também se manifestou sobre esse assunto,


nos seguintes termos:

“XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

(…)

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h) ter respeito à hierarquia, porém sem nenhum temor de


representar contra qualquer comprometimento indevido da estrutura
em que se funda o Poder Estatal;

i) resistir a todas as pressões de superiores hierárquicos, de


contratantes, interessados e outros que visem obter quaisquer
favores, benesses ou vantagens indevidas em decorrência de ações
imorais, ilegais ou aéticas e denunciá-las;”

Assim, sempre que o servidor verificar uma conduta de seu


superior, contrária a lei, a ética ou a moralidade administrativa ele
deve exercer a representação contra esse superior.

E mais, a conduta moral e proba do servidor não se restringe,


ou se resume a uma postura passiva em relação às ilegalidades e
imoralidades que ocorram ao seu redor. Não basta que o servidor
resista às pressões dos que queiram atuar de maneira ilegal e
antiética, é dever do servidor denunciar essas condutas.

Vamos a mais uma questão-exemplo?

4 - UERN-2010 Mateus, ocupante de cargo de chefia, exigiu que


seus subordinados se filiassem à respectiva associação profissional,
para que seus interesses profissionais pudessem ser devidamente
defendidos. Nessa situação, a conduta de Mateus, embora antiética,
não é ilegal, já que o cargo de chefia lhe autoriza exigir de seus
subordinados a filiação, para melhor defesa de seus interesses.

Gabarito: Errado

Aqui é necessária a combinação de seus conhecimentos em


Direito Constitucional com o que nós já sabemos sobre a ética no
serviço público.

É correto dizer que Mateus não cometeu uma ilegalidade ao


exigir que seus subordinados se filiassem a uma certa associação
profissional? O artigo 5°, inciso V é claro ao estabelecer que
“ninguém será obrigado a filiar-se ou a manter-se filiado a sindicato”.
Por aí você já mataria a questão. Entretanto, vamos analisar a
questão sob o prisma da ética no serviço público. Até porque, sendo
bem chatinho, como a atitude de Mateus feriu a Constituição da
República, a banca poderia dizer que a conduta não foi ilegal, mas
sim, inconstitucional.

“Então, quer dizer que não pode se dizer que a conduta de


Mateus foi ilegal?” Calma, candidato!

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Vou responder sua pergunta com uma outra pergunta: será que
uma conduta que atente contra a moralidade, contra a ética não
configura, por si só, uma conduta ilegal?

O item IV do Dec. 1171 nos responde. A moralidade


administrativa é fator de legalidade na aplicação do Direito na
prática. Ou seja, se a moralidade é fator de legalidade, qualquer
atentado à moralidade, à ética administrativa, é um atentado à lei.

E mais, fica evidente que Mateus agiu em claro e evidente


abuso de poder. Usar de seu poder hierárquico para coagir seus
subordinados a se vincular a uma associação profissional é abusar
das prerrogativas decorrentes de seu cargo, e o Código é incisivo ao
proibir seus servidores de abusarem das prerrogativas de seus
cargos, se não vejamos:

“XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

(…)

t) exercer com estrita moderação as prerrogativas funcionais


que lhe sejam atribuídas, abstendo-se de fazê-lo contrariamente aos
legítimos interesses dos usuários do serviço público e dos
jurisdicionados administrativos;”

A moderação é a palavra chave. O servidor que possui


prerrogativas funcionais não poderá exercê-las abusivamente. Mas
também não poderá abrir mão de suas competências, dos poderes
decorrentes de suas prerrogativas.

Assiduidade

A lei 8.112 determina, em seu artigo 116, os comportamentos


básicos a serem observados pelo servidor público, no exercício de
suas atividades. Alguns deles, nós já tratamos aqui como “exercer
com zelo e dedicação as atribuições do cargo” (inciso I); “ser leal às
instituições a que servir”, sendo isso uma decorrência da moralidade
e da ética administrativa (inciso II); “cumprir as ordens superiores,
exceto quando manifestamente ilegais” (inciso IV); “atender com
presteza: a) ao público em geral, prestando as informações
requeridas, ressalvadas as protegidas por sigilo; b) à expedição de
certidões requeridas para defesa de direito ou esclarecimento de
situações de interesse pessoal” (inciso V); “levar ao conhecimento da
autoridade superior as irregularidades de que tiver ciência em razão
do cargo” (inciso VI); “manter conduta compatível com a moralidade
administrativa” (inciso IX) dentre outros.

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Agora trataremos da assiduidade do servidor público. Na lei


8.112, no inciso X do artigo 116, vemos que o servidor deve ser “ser
assíduo e pontual ao serviço”. Obviamente, a inassiduidade do
servidor irá gerar-lhe as sanções previstas no estatuto.

Mas a inassiduidade não provoca danos somente para o


servidor. Como se sabe, não falta trabalho no serviço público, ao
contrário do que muitos pensam. As demandas da sociedades são
diuturnas. As faltas ao serviços constituem uma verdadeira
desestabilização da máquina administrativa. O Código de Ética no
Serviço Público trata a inassiduidade nos seguintes termos:

“XII - Toda ausência injustificada do servidor de seu local de


trabalho é fator de desmoralização do serviço público, o que quase
sempre conduz à desordem nas relações humanas.”

Observe, porém, que o Código não pretende se sobrepor a


imprevistos, muito menos exigir que o servidor sacrifique sua
integridade física ou de sua família em razão do trabalho. A ausência
ao serviço pode acontecer, sem problemas, se for justificada.

Não seria razoável imputar ao servidor o cometimento de uma


conduta antiética pelo fato dele ter faltado ao serviço por motivo de
doença, doença em pessoa da família, algum acidente, imprevisto,
enfim, o Código de Ética não prevê os casos de falta justificável. Até
porque, a falta ao serviço decorre de um imprevisto, assim não seria
razoável que a lei pretendesse exaurir os casos de faltas justificáveis,
não obstante a lei 8112 prever casos onde a ausência será
considerada de efetivo exercício, como em caso de casamento ou luto
em decorrência do falecimento do cônjuge, companheiro, filhos,
enteados, menor sob guarda ou tutela, ou irmãos, por oito dias; por
um dia, para doação de sangue; e por dois dias, para se alistar como
eleitor (art. 97).

Sobre isso, vamos ver uma questão-exemplo.

5 - O servidor público
A) não pode ausentar-se do país, sem autorização do chefe do poder
respectivo, salvo em gozo de férias ou do período de licença-prêmio
por assiduidade.
B) não pode opor resistência, mesmo que justificada, à execução de
obra ou serviço.
C) pode manifestar-se, em apreço ou desapreço, no recinto da
repartição.

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D) pode ser conivente com erro ou infração ao código de ética de sua


profissão, em função de seu espírito de solidariedade, que constitui
valor ético essencial.
E) não pode, em qualquer hipótese, retirar da repartição pública
qualquer documento ou objeto oficial.

Gabarito: A

Como dissemos, as faltas ao serviço não são permitidas


somente se não forem justificadas. As férias e a licença por
assiduidade (chamada licença prêmio) são alguns dos casos onde o
servidor poderá faltar ao serviço sem que isso se configure falta de
assiduidade.

Urbanidade

De maneira geral, o comportamento exigido do servidor pode


ser resumido numa palavra: urbanidade.

Urbanidade é a qualidade de quem é urbano. Agir com


urbanidade é agir de modo civilizado, educado, cortês. A urbanidade
deve se refletir tanto no tratamento que o servidor dispensa ao
público, no atendimento, quanto na própria apresentação pessoal do
servidor.

“XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

p) apresentar-se ao trabalho com vestimentas adequadas ao


exercício da função”

Claro, não é o caso de exigir que os servidores se vistam com


roupas finas, requintadas, pomposas, ou qualquer tipo de exagero. O
que se pretende estabelecer é que um servidor público, como
representante do poder estatal, não pode se apresentar desleixado.
Lembre-se: a imagem que o servidor passa para a população é a
primeira imagem que a pessoa terá da própria Administração Pública.

Sempre que estivermos diante das questões relativas ao


comportamento que o servidor deve adotar, devemos ter em mente o
espírito do Código.

Você deve ter percebido, candidato, que eu não fiz questão de


fazer você memorizar o Código de Ética. Não é preciso. Há um modo
muito mais efetivo de resolver qualquer questão sobre ética no
serviço público do que ter todo o Código de cor, que é entender o
espírito da lei. Entender quem é o servidor e o que ele representa, o

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que é o serviço público e como ele deve ser encarado por esse
servidor, e como o servidor deve ver o administrado.

Quando o assunto é o servidor e seu comportamento


profissional, há um item da lei que resume muito bem como deve
esse servidor se comportar, vejamos:

“XIII - O servidor que trabalha em harmonia com a estrutura


organizacional, respeitando seus colegas e cada concidadão, colabora
e de todos pode receber colaboração, pois sua atividade pública é a
grande oportunidade para o crescimento e o engrandecimento da
Nação.”

O servidor deve ser um facilitador dos serviços públicos, não


um entrave. Um servidor que não se atenta a cumprir seus deveres
éticos é um entrave ao crescimento da Nação.

Tanto que o código estabelece como um dever do servidor


público a facilitação da fiscalização de todos os atos ou serviços por
quem de direito, em seu item XIV, alínea “s”. Qualquer conduta de
entrave a uma fiscalização deve ser vista, além de antiética, como
uma conduta suspeita, pois, falando no popular: “quem não deve não
teme”.

O servidor e o dever de atualização

Como desdobramento do princípio da efetividade e do princípio


básico do Direito que diz que ninguém se escusa de cumprir a lei
alegando que não a conhece, se inclui dente os deveres do servidor
público o seguinte:

“XIV - São deveres fundamentais do servidor público:

(…)

q) manter-se atualizado com as instruções, as normas de


serviço e a legislação pertinentes ao órgão onde exerce suas
funções;”

Visa o Código, ao estabelecer tal regra um incentivo a


atualização constante do servidor, na tentativa de se evitar um
arcaísmo dos servidores que devem representar o Estado. Além do
que, o desconhecimento de uma nova norma de serviço, ou de uma
nova legislação pode acarretar um irreparável dano ao direito de
outrem.

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Por hoje é só, pessoal. Chegamos ao final de nossa aula


número 1. Semana que vem estaremos aqui aprendendo mais sobre
a Ética no Serviço Público.

Espero que a aula de hoje tenha sido clara e que não tenham
ficado muitas dúvidas. Entretanto gostaria de incentivar a todos que
tenham ficado com qualquer dúvida a não hesitar em perguntar.
Acessem o fórum, me enviem emails
(igormoreira@pontodosconcursos.com.br), mas não deixem nenhuma
dúvida no ar. Estou à disposição de vocês para esclarecer qualquer
ponto que não tenha sido plenamente entendido por vocês.

Um beijo do semi-gordo. Até semana que vem!

Relação das questões comentadas

1- (TRE-AL 2010) Entre os primados maiores, citados


explicitamente no Código de Ética Profissional do Servidor Público
Civil do Poder Executivo Federal, que devem nortear o servidor
público, seja no exercício do cargo ou função, ou fora dele, já que
refletirá o exercício da vocação do próprio poder estatal, consta
a) a competência.
b) a efetividade.
c) o comprometimento.
d) a eficiência
e) o zelo.

2 – (DPGU – Analista - 2010) O Código de Ética Profissional do


Servidor Público Civil do Poder Executivo Federal estabelece, no inciso
VI, capítulo I, que a função pública deve ser tida como exercício
profissional e, portanto, se integra na vida particular de cada servidor
público. Assim, os fatos e atos verificados na conduta do dia a dia na
vida privada do servidor poderão acrescer ou diminuir o seu bom
conceito na vida funcional. Com base nessas informações, assinale a
opção correta.
A) O inciso em questão atende a exigência formal inscrita na Lei n.º
8.112/1990, que dispõe acerca do regime jurídico dos servidores
públicos civis da União, das autarquias e das fundações públicas
federais.

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B) O conteúdo do inciso está eivado da cultura política tradicional


brasileira, ao confundir a esfera pública com a privada.
C) O conteúdo do inciso em apreço está em acordo com o inciso I,
que estabelece a dignidade e o decoro como norteadores da conduta
do servidor, no exercício do cargo ou fora dele.
D) O conteúdo do inciso expressa a pretensão totalitária do Estado
de controlar a vida privada do indivíduo.
E) O conteúdo do inciso contradiz os dispositivos constitucionais que
estabelecem a liberdade individual e a liberdade profissional.

(TJDF – 2008) Uma servidora, cedida via convênio para outro


órgão, solicitou, na unidade de gestão de pessoal, uma cópia do seu
último contracheque para resolução de problemas pessoais. Ao ser
atendida, foi informada que as cópias dos contracheques se
encontravam disponíveis na Internet e que o órgão de pessoal não
possuía mais a obrigação de fornecê-las ao servidor. Ela foi
informada, ainda, que o acesso aos contracheques pela Internet seria
realizado a partir de uma senha e pelo cadastro de um e-mail
correspondente. O e-mail cadastrado para a servidora estava errado
e, por isso, seria necessário alterá-lo para a realização do
procedimento de cadastro de senha e obtenção do acesso. A
servidora passou a reclamar muito das dificuldades implementadas
pelo órgão público para que ela obtivesse o contracheque e da
qualidade do atendimento recebido. Após ouvir atentamente a
servidora, solicitar que ela se acalmasse e adverti-la da possibilidade
de desacato, o atendente se dispôs a imprimir o documento para ela.
A partir da situação hipotética apresentada acima, julgue os itens a
seguir.
3 - O comportamento do atendente demonstrou falta de presteza e
de cortesia para com a servidora cedida.

4 - UERN-2010 Mateus, ocupante de cargo de chefia, exigiu que


seus subordinados se filiassem à respectiva associação profissional,
para que seus interesses profissionais pudessem ser devidamente
defendidos. Nessa situação, a conduta de Mateus, embora antiética,
não é ilegal, já que o cargo de chefia lhe autoriza exigir de seus
subordinados a filiação, para melhor defesa de seus interesses.

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5 - O servidor público
A) não pode ausentar-se do país, sem autorização do chefe do poder
respectivo, salvo em gozo de férias ou do período de licença-prêmio
por assiduidade.
B) não pode opor resistência, mesmo que justificada, à execução de
obra ou serviço.
C) pode manifestar-se, em apreço ou desapreço, no recinto da
repartição.
D) pode ser conivente com erro ou infração ao código de ética de sua
profissão, em função de seu espírito de solidariedade, que constitui
valor ético essencial.
E) não pode, em qualquer hipótese, retirar da repartição pública
qualquer documento ou objeto oficial.

Gabarito

1-E

2-C

3-E

4-E

5-A

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