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ANÁLISE DO COMPORTAMENTO MECÂNICO DE PERFIS RETANGULARES DE MADEIRA PLÁSTICA....

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ANÁLISE DO COMPORTAMENTO
MECÂNICO DE PERFIS RETANGULARES
DE MADEIRA PLÁSTICA
(WOOD PLASTIC COMPOSITE)
Julio Cesar Molina
Marcelo Rodrigo Carreira
Carlito Calil Junior
Departamento de Engenharia de Estruturas, EESC-USP,
e-mails: juliocm@sc.usp.br, carreira@utfpr.edu.br, calil@sc.usp.br

Resumo
No Brasil, o uso de perfis de madeira plástica vem ganhando espaço no cenário da construção civil. Esse material é
formado basicamente pela mistura de madeira, materiais plásticos recicláveis e fibras vegetais, cujo produto final
apresenta características visuais semelhantes à madeira convencional. Neste artigo analisa-se o comportamento de
perfis de madeira plástica através de ensaios de caracterização. São determinados os valores do módulo de elasticidade
na flexão, das resistências à compressão, à tração e ao cisalhamento, além da densidade do material que compõe os
perfis. Os resultados apresentados mostram que a madeira plástica analisada é uma boa alternativa técnica, principalmente
com relação às solicitações de tração normal e cisalhamento, quando comparada com as madeiras sólidas de coníferas
e folhosas listadas na norma brasileira de madeiras NBR 7190/1997, podendo assim ser utilizada em diversas aplicações.
Palavras-chave: madeira plástica, ensaios de caracterização, resistência do material.

Introdução plástica dependerão da quantidade de resíduos, fibras


Com os avanços tecnológicos e a competitividade vegetais e de madeira utilizada em sua composição. Portanto,
do mercado torna-se necessária a busca de melhorias na a madeira plástica nasce e se desenvolve como produto
qualidade dos produtos industrializados, destinados à da preocupação com o meio ambiente. É importante ressaltar
construção civil. Nesse cenário, voltado para a modernidade que esse material já é utilizado em outros países,
e maior qualidade dos materiais, observa-se que a tecnologia principalmente nos EUA.
tem ampliado a gama de novos produtos derivados da
madeira, seja em diferentes formas ou na combinação Principais Características, Vantagens e
com outros materiais, associada à busca de benefícios Aplicações da Madeira Plástica
ambientais, mas sempre visando ao melhor desempenho Segundo Tavares et al. (2007), a madeira plástica
do produto para o fim a que se destina. A madeira plástica, pode ser cortada, pregada, parafusada e fixada a partir
também conhecida no meio técnico como wood plastic da utilização de resinas epóxi. Apresenta algumas vantagens
composite, corresponde a uma dessas tecnologias e, segundo em comparação com a madeira serrada convencional:
seus fabricantes, pode-se dizer que é um produto moderno não racha, não solta ferpas, é resistente a corrosão, é
e ecologicamente correto. Trata-se de um composto que imune a pragas, cupins e roedores, não requer elementos
envolve duas ou mais matérias-primas, originado da mistura de proteção como vernizes e seladores e pode ser limpa
de madeira, materiais recicláveis como resíduos de diversos com água e sabão. Além disso, a madeira plástica apresenta
tipos de plásticos e fibras vegetais. Essa mistura é obtida excelente performance em ambientes úmidos por não
a partir da utilização de tecnologia industrial. Desse processo absorver umidade. Nesse contexto, observa-se que, no
resultam peças que podem imitar e, em alguns casos, âmbito da construção civil, a madeira plástica pode
substituir a madeira natural, reduzindo o corte de árvores ser perfeitamente utilizada como elemento de sustentação,
e permitindo o uso de resíduos, contribuindo, neste segundo decks, pallets, entre outras aplicações como formas,
caso, para a limpeza do meio ambiente. A madeira plástica móveis, batentes, portões e cercas. A madeira plástica,
é comercializada na forma de perfis com seções transversais de maneira geral, é recomendada para estruturas que
com tipos e dimensões diferenciadas, podendo apresentar necessitem de praticidade, resistência e pouca manutenção.
características diferentes de um fabricante para outro. Na Figura 1 estão apresentadas algumas aplicações da
As propriedades físicas e mecânicas dos perfis de madeira madeira plástica.

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a) Pallets industriais b) Deck para piscina c) Móveis para áreas externas


Figura 1 Exemplos da aplicação da madeira plástica. Fonte: Tavares et al., 2007.

Os ensaios de caracterização apresentados neste Segundo a empresa Deutschsul Ecowood Indl Ltda.,
artigo foram realizados em perfis de madeira plástica fornecedora dos perfis de madeira plástica analisados
no Laboratório de Madeiras e de Estruturas de Madeiras neste artigo, os materiais utilizados na composição dos
da Escola de Engenharia de São Carlos da Universidade mesmos são serragem, polímeros de polietileno,
de São Paulo (EESC-USP). Os referidos perfis foram polipropileno, poliestireno e outros com características
fornecidos pela empresa Deutschsul Ecowood Indl Ltda. semelhantes na ordem de 60% a 70%, agregados a uma
A partir dos ensaios de caracterização realizados, foram carga vegetal (casca de arroz) na ordem de 30% a 40%,
determinados os valores médios das seguintes propriedades produzidos termoplasticamente por alta pressão. A massa
para o material analisado: módulo de elasticidade (MOE) oriunda do processo é comprimida com até 1000 kg/
na flexão na direção de menor inércia do perfil, resistência cm2 em um molde para dar a forma desejada ao perfil. O
média à compressão (fc0) na direção longitudinal do molde, uma vez preenchido, passa para a fase de
perfil, resistências à tração (ft0 e ft90) para as duas maiores resfriamento, na qual se obtém a termofixação das moléculas,
direções ortogonais do perfil, resistências ao cisalhamento tendo-se assim um perfil formado e estável.
(fv0, fv90 e fvh) nas três direções ortogonais do perfil e
densidade (ñ) do material. Os valores característicos Execução dos ensaios e equipamentos utilizados
de resistência também foram determinados para cada Para a condução dos ensaios de flexão estática, de
caso analisado. Os resultados apresentados neste artigo compressão, de tração na direção da largura “b” da seção
enriquecerão a literatura nacional sobre o assunto que, transversal (conforme indicado na Figura 4) e de
atualmente, no Brasil, encontra-se em fase de desen- cisalhamento nas três direções ortogonais do perfil, foi
volvimento. utilizada a máquina AMSLER, com capacidade de 25
kN (2500 kgf).
Materiais e Métodos As medidas das flechas, no meio dos vãos das
Todos os ensaios de caracterização do material foram amostras, nos ensaios de flexão estática, foram feitas
realizados em um total de seis amostras retiradas de seis com um transdutor de deslocamento (relógio comparador)
perfis de madeira plástica, de seção transversal retangular, com precisão de 0,01 mm e percurso máximo de 50 mm.
com dimensões de 25 mm × 100 mm e comprimento de Os ensaios de tração, na direção longitudinal dos
3000 mm. Os detalhes dos referidos perfis, com suas perfis, foram realizados na máquina METRIGUARD,
dimensões reais, estão apresentados na Figura 2. com capacidade de 80 kN (8000 kgf).

a) Perfis de madeira plástica b) Detalhes da seção transversal


fornecidos para caracterização dos perfis e textura do material
Figura 2 Perfis de madeira plástica com dimensões 25 × 100 × 3000 mm para os ensaios de caracterização.

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Para a determinação da densidade do material utilizou- os referidos ensaios, neste caso, foram realizados em
se uma balança eletrônica de precisão, da marca ACATEC, amostras com dimensões aproximadas de 25 x 100 x 60
com capacidade de 3x10-2 kN (3 kgf). As medidas das mm. Essas dimensões foram admitidas para as amostras
dimensões das amostras para cada um dos diferentes ensaios com a finalidade de eliminar o efeito da deformação por
realizados foram efetuadas com utilização de um paquímetro cisalhamento na parcela total do deslocamento vertical
digital, da marca MITUTOYO, com percurso máximo (flecha) no meio do vão da amostra. Neste caso, a distância
de 15 cm e também a partir da utilização de uma trena entre os apoios da amostra foi de aproximadamente vinte
métrica. vezes a altura do perfil. O carregamento, no ensaio de
Os valores de referência para as amostras dos ensaios flexão estática, concentrado no meio do vão, foi aplicado
de caracterização da madeira plástica foram determinados a uma taxa de 10 MPa/min, conforme indicações da NBR
previamente a partir de ensaios em amostras gêmeas, 7190/1997. O módulo de elasticidade (MOE), para o ensaio
como sugerido pela norma de madeiras NBR 7190/1997. de flexão estática, foi obtido a partir da equação (1).

(1)
Ensaios de flexão estática
Inicialmente, verificou-se a possibilidade de em que:
determinação do módulo de elasticidade (MOE) na flexão, ΔP = variação da carga concentrada aplicada no meio
a partir do ensaio não destrutivo de vibração transversal. do vão;
No entanto, observou-se, neste caso, que a frequência L = distância entre apoios;
de vibração do perfil de madeira plástica não atingiu o
Δf = variação da flecha no meio do vão;
valor mínimo necessário para a determinação do referido
módulo, inviabilizando o ensaio. A opção inicial pelo I = momento de inércia da seção transversal da amostra
ensaio de vibração transversal, na determinação do módulo (b × h3/12, ver Figura 4).
de elasticidade do material, teve por principal objetivo Um esquema geral do ensaio de flexão estática,
a estimativa preliminar do referido parâmetro, a partir realizado para determinação do módulo de elasticidade
da consideração das dimensões originais do perfil 25 x (MOE), está apresentado na Figura 4. A distância “L”
100 × 3000 mm e da grande flexibilidade do material (correspondente à direção longitudinal do perfil), entre
analisado. os apoios, considerada neste caso foi de 50 cm. A distância
O módulo de elasticidade (MOE) foi posteriormente entre cada apoio da amostra e sua respectiva extremidade
obtido por meio do ensaio de flexão estática, sendo que foi de aproximadamente 10 cm.

a) Esquema geral do ensaio b) Perfil biapoiado, posicionado c) Sistema de aquisição de


de vibração transversal para o ensaio de vibração dados do ensaio de vibração

Figura 3 Detalhes do ensaio de vibração transversal do perfil com dimensões originais 25 × 100 × 3000.

h
b
Seção do perfil Transdutor de deslocamento

Figura 4 Esquema geral do ensaio de flexão estática com carga aplicada no centro do vão da amostra.

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Durante os ensaios de flexão estática foram no meio do vão, foram medidos a cada 158,8 N (15,88
registradas nove diferentes medidas de deslocamento kgf). As amostras utilizadas para a determinação do
vertical no meio do vão “L”, para cada uma das amostras módulo de elasticidade, a partir dos ensaios de flexão
analisadas, sendo essas medidas correspondentes a cada estática, e as amostras utilizadas para a determinação
um dos níveis de força “P” aplicados no ensaio. A da densidade do material foram as mesmas. As dimensões
força “P” máxima, aplicada neste caso, correspondeu obtidas para as referidas amostras estão apresentadas
a 1429,60 N (142,9 kgf), e os deslocamentos verticais, na Tabela 1.

a) Amostras para os ensaios de b) Aplicação da força e medida dos


flexão estática com dimensões deslocamentos verticais no meio do
25 x 100 x 60 mm vão da amostra

Figura 5 Detalhes das amostras utilizadas e da realização dos ensaios de flexão estática.

Tabela 1 Dimensões das amostras para os ensaios de flexão estática e densidade.

Tabela 2 Flechas obtidas nos ensaios de flexão estática para as forças “P” aplicadas.

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Ensaios de compressão pamento utilizado no ensaio, neste caso, trabalha


Os ensaios de compressão, na direção longitudinal basicamente por atrito e pressão, aplicados nas garras
dos perfis, foram realizados em amostras com comprimentos das amostras, de modo que a ruptura do material fica
aproximados de 75 mm (três vezes a altura h da seção condicionada à região central da amostra, como apresentado
transversal do perfil) e seção transversal com dimensões na Figura 7b. A resistência à tração (ft0), neste caso, foi
aproximadas de 25 × 100 mm. A força de compressão obtida pela relação entre a força de ruptura (Pt0), obtida
foi aplicada, neste caso, até a perda total de resistência no referido ensaio, e a área (At0) da seção transversal
da amostra, o que caracterizou a sua ruptura. A resistência considerada para a amostra.
à compressão (fc0) foi obtida pela relação entre a força Os ensaios de tração, na direção da largura “b” do
de ruptura (Pc0), obtida no ensaio de compressão, e a perfil, foram realizados em amostras com áreas da seção
área (Ac0) da seção transversal da amostra. transversal (At90) com trecho central cujas dimensões
são aproximadamente de 25 mm × 30 mm. A direção
Ensaios de tração indicada na amostra da Figura 8a corresponde à direção
Os ensaios de tração, na direção longitudinal dos longitudinal do perfil. A resistência à tração (ft90), neste
perfis, foram realizados em amostras com comprimentos caso, foi obtida pela relação entre a força de ruptura (Pt90),
aproximados de 2000 mm e seção transversal com obtida no ensaio de tração na referida direção, e a área
dimensões aproximadas de 25 mm x 100 mm. O equi- (At90) da seção transversal considerada para a amostra.

Figura 6 Amostras utilizadas no ensaio de compressão na direção longitudinal do perfil.

Tabela 3 Dimensões e áreas das amostras para os ensaios de compressão longitudinal

(a) Equipamento utilizado no ensaio (b) Vista superior da amostra de 2000 mm


de tração das amostras analisadas posicionada para o ensaio de tração
Figura 7 Detalhes da realização do ensaio de tração na direção longitudinal do perfil.

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Tabela 4 Dimensões e áreas das amostras para os ensaios de tração longitudinal.

(a) Amostra utilizada (b) Detalhe do ensaio


no ensaio de tração na de tração na direção da
direção “b” do perfil largura “b” do perfil

Figura 8 Detalhes da amostra utilizada e da realização do ensaio de tração na direção da largura “b”
que é normal à direção longitudinal L do perfil.

Tabela 5 Áreas das amostras para os ensaios de tração na direção da largura “b”.

Determinação da densidade As densidades das amostras dos perfis foram obtidas


Para a determinação da densidade do material, a partir da equação (2).
as amostras foram pesadas e suas dimensões medidas.
Alguns detalhes da quantificação dos parâmetros (2)
necessários à determinação da densidade estão apresen-
tados na Figura 9. em que m = massa da amostra; V = volume da amostra.

(a) Pesagem das amostras (b) Medida das dimensões das amostras
Figura 9 Quantificação dos parâmetros necessários à determinação da densidade do material.

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Tabela 6 Massas e volumes das amostras para determinação da densidade.

Ensaios de cisalhamento na referida direção e a área (Av90) do plano de corte na


Os ensaios de cisalhamento foram realizados direção da largura “b”, considerado, neste caso, para a
inicialmente em amostras com plano de seção de corte amostra. Para a terceira e menor das três dimensões do
crítica, na direção do comprimento “L” do perfil. A área perfil, correspondente à altura “h”, a resistência ao
de corte (Av0) considerada foi de aproximadamente 10 cisalhamento (fvh) foi obtida pela relação entre a força de
cm2. A resistência (fv0), neste caso, foi obtida pela relação ruptura (Pvh), obtida no ensaio de cisalhamento na direção
entre a força de ruptura (Pv0), obtida no respectivo ensaio “h”, e a área (Avh) do plano de corte considerado na direção
de cisalhamento, e a área (Av0) do plano de corte considerado “h”. Os detalhes das amostras utilizadas nos ensaios de
para a amostra. Para a segunda direção ortogonal do perfil cisalhamento, para as três direções ortogonais do perfil,
(direção “b”), perpendicular à direção longitudinal, a estão apresentados na Figura 10. Os detalhes dos ensaios
resistência ao cisalhamento (fv90) foi obtida pela relação de cisalhamento em andamento, para as três direções
entre a força de ruptura (Pv90) obtida no ensaio de cisalhamento ortogonais do perfil, estão apresentados na Figura 11.

a) Amostra para o ensaio na b) Amostra para o ensaio na c) Amostra para o ensaio na


direção longitudinal do perfil “L” direção da largura “b” direção da altura “h”
Figura 10 Detalhes da amostras para os ensaios de cisalhamento nas três direções ortogonais do perfil.

a) Cisalhamento da amostra b) Cisalhamento da amostra b) Cisalhamento da amostra


na direção longitudinal L do perfil na direção b do perfil na direção h do perfil

Figura 11 Detalhes do ensaio de cisalhamento das amostras nas três direções ortogonais do perfil.

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Tabela 7 Áreas do plano de corte das amostras para os ensaios de cisalhamento.

Resultados e Discussões O valor médio da resistência à compressão (fc0), na


Os comportamentos das amostras, a partir das forças direção longitudinal dos perfis de madeira plástica, foi de
aplicadas nos ensaios estáticos de flexão estática, estão aproximadamente 40 MPa, sendo o valor característico (fc0k),
apresentados na Figura 12. neste caso, igual a 28MPa. As rupturas das amostras dos
A madeira plástica analisada apresentou compor- perfis de madeira plástica, ensaiadas na compressão, se deram
tamento não-linear com grande deformabilidade na flexão por esmagamento na direção da aplicação da força.
e, mesmo quando ultrapassado o estado limite de utilização O valor médio da resistência à tração (ft0), para a
de L/200, dado para a madeira convencional segundo a direção longitudinal dos perfis analisados, foi de aproxi-
NBR7190/1997, não foi observada ruptura do material madamente 18,43 MPa. O valor da resistência característica
por flexão. Além disso, o material analisado apresentou (ft0k), neste caso, foi de aproximadamente 12,90 MPa. Para
deformação residual quando da retirada do máximo a direção da largura “b” (perpendicular à direção longitudinal
carregamento “P” aplicado na flexão. “L”), a resistência à tração (ft90) foi de aproximadamente
O valor médio obtido para o módulo de elasticidade 14,13 MPa, sendo a resistência característica (ft90k) de 10,00
da madeira plástica, nos ensaios de flexão estática, a partir MPa. Observou-se, para ambos os ensaios de tração
da equação (1), foi de aproximadamente 1314 MPa. realizados, ruptura frágil do material.

160

140

120 Amostra 01
Força aplicada (kgf)

100 Amostra 02
Amostra 03
80
Amostra 04
60
Amostra 05
40 Amostra 06
20

0
0 1 2 3
Flecha no meio do vão (cm)

Figura 12 Comportamentos das amostras dos perfis ensaiadas nos ensaios de flexão estática.

a) Deformação do perfil para a b) Vista superior da amostra c) Deformação residual após a


força máxima aplicada no ensaio após a retirada do carregamento retirada do carregamento

Figura 13 Detalhes das deformações das amostras obtidas a partir dos ensaios de flexão estática.

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Tabela 8 Forças de ruptura e resistências obtidas nos ensaios de compressão.

Figura 14 Detalhes do ensaio de compressão na direção longitudinal “L” do perfil.

Tabela 9 Forças de ruptura e resistências obtidas a partir dos ensaios de tração.

(a) Ruptura para solicitação (b) Ruptura para solicitação


de tração na direção de tração na direção da
longitudinal L do perfil largura “b” do perfil

Figura 15 Modos de ruptura observados nos dois ensaios de tração realizados.

Tabela 10 Valores das densidades das amostras de madeira plástica ensaiadas.

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O valor médio, obtido para a densidade da madeira para o módulo de elasticidade na flexão da madeira
plástica, foi de aproximadamente 930 kgf/m3. plástica foi menor que o módulo de elasticidade médio
Os resultados de resistência obtidos a partir dos ensaios das coníferas e dicotiledôneas na direção das fibras das
de cisalhamento para as três direções ortogonais dos perfis madeiras.
de madeira plástica estão apresentados na Tabela 11.
Os valores médios das resistências ao cisalhamento Considerações Finais
(fv0, fv90 e fvh) nas direções longitudinais, na largura “b” Os perfis de madeira plástica analisados apresentaram
e na direção da altura “h” foram, respectivamente, de elevada deformabilidade na flexão. Portanto, o dimen-
19,58 MPa, 17,32 MPa e 16,76 MPa, sendo os valores sionamento dos perfis de madeira plástica na flexão deve
característicos (fv0k, fv90k e fvhk) correspondentes a cada ser condicionado a limitações da flecha. Para os estados
uma dessas resistências de 13,71MPa, 12,12 MPa e 11,73 limites de utilização, a flecha do perfil deve ser limitada
MPa, respectivamente. A madeira plástica apresentou em L/360.
ruptura dúctil para os três casos de cisalhamento analisados. Com relação à resistência à compressão, a madeira
A resistência característica ao cisalhamento da plástica analisada correspondeu à classe de resistência
madeira plástica foi praticamente homogênea para as C25, no caso das coníferas, e à classe C20, no caso das
três direções ortogonais do material, com valor médio dicotiledôneas. A madeira plástica apresentou, ainda,
característico aproximado de 12,52 MPa. resistência específica equivalente às dicotiledôneas de
A partir dos valores comparativos apresentados classe C20.
nas Tabelas 12 e 13, e tomando por base a classe de Com relação à resistência ao cisalhamento, a madeira
resistência C20, tanto para as coníferas quando para as plástica apresentou bom comportamento, com homoge-
dicotiledôneas, observou-se que os valores característicos neidade da resistência nas três direções ortogonais do
de resistência, obtidos para a madeira plástica, foram material e ruptura do tipo dúctil. Nas coníferas e
maiores na compressão e no cisalhamento. O valor médio dicotiledôneas, a ruptura, no caso da solicitação ao
obtido para a densidade da madeira plástica também cisalhamento, é do tipo frágil. A resistência do cisalhamento
foi maior quando comparado aos valores fornecidos da madeira plástica foi da ordem de três vezes maior
para as madeiras sólidas. Porém, o valor da densidade que a resistência das coníferas e dicotiledôneas de classe
está relacionado com a resistência específica (resistência/ C20, sendo, portanto, indicada em situações de solicitações
peso) do material. Além disso, o valor médio obtido críticas ao cisalhamento.

Tabela 11 Forças de ruptura e resistências obtidas nos ensaios de cisalhamento.

a) Cisalhamento na direção b) Cisalhamento na c) Cisalhamento na


longitudinal “L”do perfil direção “b” do perfil direção “h” do perfil

Figura 16 Modos de ruptura observados nos dois ensaios de cisalhamento realizados.

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Tabela 12 Comparação entre as classes de resistência das coníferas.

Tabela 13 Comparação entre as classes de resistência das dicotiledôneas (folhosas).

Agradecimentos – Agradecemos a Deutschsul Ecowood JONES, F. R. Handbook of polymer-fibre composites.


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