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Aula 01

Professor: Vicente Camillo


Operações Bancárias e Sistema
de Pagamentos Brasileiro
Analista (Área 3) - BACEN
Prof. Vicente Camillo

AULA 01: OPERAÇÕES ATIVAS: CARACTERÍSTICAS E


FINALIDADES. CONTRATOS DE MÚTUO. FINANCIAMENTOS
IMOBILIÁRIOS. CRÉDITO CONSIGNADO. OPERAÇÕES DE
MICROCRÉDITO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. CÉDULA DE
CRÉDITO BANCÁRIO.

SUMÁRIO PÁGINA

1. OPERAÇÕES ATIVAS 03

2. CONTRATOS DE MÚTUO 03

3. FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO 08

4. CRÉDITO CONSIGNADO 10

5. MICROCRÉDITO 12

6. ARRENDAMENTO MERCANTIL 17

7. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO 23

8. LISTA DE QUESTÕES APRESENTADAS E


28
GABARITO

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1. OPERAÇÕES ATIVAS

As operações ativas correspondem àquelas registradas no ativo das


instituições financeiras, ou seja, são aquelas nas quais as
instituições financeiras aplicam os recursos captados de terceiros ou
de seus sócios.

O conceito é muito simples e objetivo.

Por exemplo, vamos considerar um banco de investimento. Suas


principais operações ativas são financiamento de capital de giro e
capital fixo, subscrição ou aquisição de títulos e valores mobiliários,
depósitos interfinanceiros e repasses de empréstimos externos.

Ou seja, o banco de investimento aplica os recursos captados nas


operações citadas acima e delas irá realizar suas receitas e
resultados.

Nesta aula iremos analisar principalmente as características legais


das operações ativas solicitadas pelo Edital. As características
econômicas não são motivo de preocupação, pois todas possuem
como fundamento a geração de resultados às instituições
financeiras. O que as diferencia, em grande parte, são as
disposições jurídicas a que se aplicam.

2. CONTRATOS DE MÚTUO

A definição do mútuo está no Código Civil: é o empréstimo de


coisas fungíveis, no qual o mutuário é obrigado a restituir ao
mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero,
qualidade e quantidade.

São diversos conceitos em uma definição só.

Primeiro, fungível caracteriza o bem que pode ser substituído por


outro que apresente as mesmas características, ou seja, de mesma
espécie, qualidade e quantidade. Por exemplo, se o contrato de
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mútuo prever o empréstimo em dinheiro, o mesmo bem (dinheiro)


deverá ser devolvido pelo mutuário ao mutuante. Ou seja, nesta
situação há a devolução de bem do mesmo gênero, qualidade e
quantidade.

As partes no contrato de mútuo são o mutuante (aquele que


emprestou) e o mutuário (quem tomou o empréstimo, consumiu o
bem fungível motivo do mútuo e o restituiu na forma prevista).

No contrato de mútuo há a transferência do domínio do bem


emprestado ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos
dela desde a tradição. Ou seja, a partir do momento em que o bem
se encontra na posse do mutuário, ele arca com todos os possíveis
riscos que podem acometer o bem. Como há a transferência do
domínio do bem, o mutuante precisa ser proprietário do mesmo, ou
deter autorização para promover o mútuo. Inclusive, em se
tratando de contrato real, sua eficácia (validade) depende da
transferência do bem; ou seja, não havendo a tradição, o contrato
não é válido.

Os contratos de mútuo podem ser gratuitos ou onerosos. Neste


caso é lícito cobrar uma remuneração pela transferência do domínio
do bem mutuado, juros, criando a obrigação para o mutuário de
restituir o equivalente ao que recebeu, acrescido de juros e demais
encargos contratados.

Em regra, o mútuo feito a pessoa menor, sem prévia


autorização de seu responsável, não poderá ser reavido do
mutuário ou de seus fiadores. Neste sentido, considera-se que
as partes em um contrato de mútuo devem ser genericamente
capazes.

Mas, há exceções a esta regra de mútuo a menores sem prévia


autorização do seu responsável, as quais estabelecem que o

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objetivo do mútuo pode ser reavido do menor ou de seus fiadores .


São elas:

 se a pessoa, de cuja autorização necessitava o


mutuário para contrair o empréstimo, o ratificar
posteriormente;

 se o menor, estando ausente essa pessoa, se viu


obrigado a contrair o empréstimo para os seus alimentos
habituais;

 se o menor tiver bens ganhos com o seu trabalho. Mas,


em tal caso, a execução do credor não lhes poderá
ultrapassar as forças;

 se o empréstimo reverteu em benefício do menor;

 se o menor obteve o empréstimo maliciosamente.

Outra importante característica do mútuo, quando possuir finalidade


econômica (ocorre quando o mutuante contrate no exercício da
atividade empresarial, ou exerça profissionalmente a atividade de
mutuante), é a ocorrência de juros remuneratórios.

Apesar de exigir apenas a finalidade econômica, a incidência de


juros remuneratórios é mais comum nos contratos de mútuo que
envolvem dinheiro, como o mútuo bancário. É o caso, por exemplo,
das operações de financiamento bancário (cujos recursos
emprestados devem ser empregados em finalidade específica), ou
operações variadas de crédito.

Tal característica está prevista no art. 591 do Código Civil:

Art. 591. Destinando-se o mútuo a fins econômicos, presumem-se


devidos juros, os quais, sob pena de redução, não poderão exceder
a taxa a que se refere o art. 406, permitida a capitalização anual.

O artigo estabelece que a taxa de juros não poderá ultrapassar a


taxa a que se refere o art. 406, dispositivo que segue abaixo:
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Art. 406. Quando os juros moratórios não forem convencionados,


ou o forem sem taxa estipulada, ou quando provierem de
determinação da lei, serão fixados segundo a taxa que estiver em
vigor para a mora do pagamento de impostos devidos à Fazenda
Nacional.

Sendo assim, é possível inferir que “a taxa de juros remuneratórios


deverá ser igual ou inferior a taxa que estiver em vigor para a mora
do pagamento de impostos devidos à Fazenda Nacional, que são
flutuantes, fixadas mensalmente pelo Conselho de Política
Monetária do Banco Central – COPOM, e correspondente a taxa
SELIC, ou seja, a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação
e Custódia para os títulos federais, instituída pela Lei n. 8.981/95.”1

E, quase sempre, vem esta pergunta à mente: se o limite da taxa


de juros no contrato de mútuo é a Taxa SELIC, qual o motivo dos
contratos cobrarem, em muitas vezes, percentuais mais elevados:

A resposta: “mesmo que fixados no limite máximo [juros], poderão


ser cobrados cumulativamente aos remuneratórios, mesmo que
juntos ultrapassem o limite do art. 591, isto porque a cumulação de
juros remuneratórios e moratórios é admitida em nossa
jurisprudência, v. g. Súmula do Superior Tribunal de Justiça n.
102.”2

A título de curiosidade, segue o enunciado da referida Súmula:

Sumula 102 do STJ - A INCIDENCIA DOS JUROS


MORATORIOS SOBRE OS COMPENSATORIOS, NAS AÇÕES
EXPROPRIATORIAS, NÃO CONSTITUI ANATOCISMO VEDADO
EM LEI.

1
KLAUSNER, Eduardo Antônio. O contrato de mútuo no novo Código Civil. Revista Jus Navigandi,
Teresina, ano 8, n. 62, 1 fev. 2003. Disponível em: <http://jus.com.br/artigos/3750>. Acesso em: 18
jun. 2015.
2
Idem

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Por fim, é importante citar que os contratos de mútuo extinguem-se


com o (i) pagamento no prazo avençado cumprindo-se todas as
obrigações pactuadas, (ii) por meio de dação em pagamento, (iii)
novação (criação de novo contrato sobre o anteriormente
estabelecido), (iv) compensação (extinção da obrigação em que os
sujeitos da relação obrigacional são, ao mesmo tempo, credores e
devedores), (v) confusão (credor e devedor reúnem-se na mesma
pessoa) e (vi) remissão (perdão).

Abaixo, uma questão para complementar e finalizar o assunto:

01. CESPE - Analista do Banco Central do Brasil/Área 3 -


Política Econômica e Monetária/2013/

Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

Os contratos de mútuo apresentam características idênticas


aos empréstimos para capital de giro, visto que ambos
envolvem operações com prazos inferiores a 90 dias e
apresentam poucas exigências quanto às garantias exigidas.

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O empréstimo de capital de giro é operação tradicional bancária


com o objetivo de suprir as necessidades de caixa (liquidez) das
empresas. Como os prazos de recebimento e pagamento destas é,
geralmente, descasado, elas podem utilizar recursos concedidos por
instituição financeira, a fim de alinhar os prazos. O prazo médio
deste tipo de financiamento é de 180 dias.

O contrato de mútuo possui as mesmas características dos


empréstimos para capital de giro, no entanto o prazo médio é
superior a 180 dias.

Desta forma, ambos possuem prazo superior a 90 dias.

Adicionalmente, cumpre citar que pode haver necessidade de


prestação de garantias para a realização dos contratos. Por
exemplo, o empréstimo para capital de giro pode ser garantido com
direitos creditórios da empresa.

GABARITO: ERRADO

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3. FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO

Sobre financiamento imobiliário, discutiremos alguns assuntos


relacionados ao Sistema de Financiamento Imobiliário. A boa notícia
é que são poucos e básicos, sem maiores dificuldades.

O Sistema de Financiamento Imobiliário - SFI tem por


finalidade promover o financiamento imobiliário em geral, segundo
condições compatíveis com as da formação dos fundos respectivos.
As entidades que operam no SFI são:

 Caixas econômicas,
 Bancos comerciais,
 Bancos de investimento,
 Bancos com carteira de crédito imobiliário,
 Sociedades de crédito imobiliário,
 Associações de poupança e empréstimo,
 Companhias hipotecárias e,
 Outras entidades, a critério do Conselho Monetário
Nacional.

As operações de financiamento imobiliário em geral são livremente


efetuadas pelas entidades autorizadas a operar no SFI, podendo
empregar recursos provenientes da captação nos mercados
financeiro e de valores mobiliários.

Neste contexto, é importante não confundir o Sistema Financeiro de


Habitação (SFH), que possui participação relevante da Caixa
Econômica Federal, com o Sistema de Financiamento Imobiiário.
Enquanto neste as taxas são praticadas livremente e de acordo com
o acordado entre as partes, naquele há vinculação de recursos
captados (FGTS e caderneta de poupança) a operações de
financiamento da habitação, o que resulta em baixas taxas de juros.

Adicionalmente, o SFH tem como objetivo facilitar e promover a


construção e a aquisição da casa própria ou moradia, especialmente

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pelas classes de menor renda da população, o que dá a ele um


caráter também social, diferentemente do SFI.

Por exemplo, parte dos recursos captados na caderneta de


poupança é direcionado para o financiamento imobiliário, mais
precisamente 65% do total captado na poupança, sendo que 52% é
direcionado ao SFH e 13% às operações de financiamento
imobiliário contratadas livremente no mercado no SFI. Este é um
exemplo de captação realizada no mercado financeiro e mostra que
boa parte dos recursos captados na caderneta de poupança financia
aquisições imobiliárias nos dois sistemas de financiamento.

Para o mercado de capitais, há o exemplo da emissão pública de


letras de crédito imobiliárias, cujas disposições foram vistas na aula
passada.

Mesmo que pactuada livremente entre as partes, toda operação de


financiamento imobiliário deverá observar as seguintes condições
essenciais:

 reposição integral do valor emprestado e respectivo


reajuste;
 remuneração do capital emprestado às taxas
convencionadas no contrato;
 capitalização dos juros;
 contratação, pelos tomadores de financiamento, de
seguros contra os riscos de morte e invalidez permanente.

Importante notar que, dadas as características do setor imobiliário,


as operações de financiamento nele realizadas devem observar a
contratação de seguros contra morte e invalidez permanente.
Afinal, como os prazos de amortização são alongados, faz-se
necessária uma garantia de quitação do contrato, mesmo diante de
contingências que podem acometer o tomador do financiamento.

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4. CREDITO CONSIGNADO

O empréstimo consignado é uma operação de crédito (empréstimo


pessoal) cujo pagamento é descontado diretamente, em parcelas
mensais fixas, da folha de pagamento ou do benefício previdenciário
do contratante. A consignação em folha de pagamento ou de
benefício depende de autorização prévia e expressa do cliente para
a instituição financeira. Este tipo de operação pode ser contratado
em até 72 meses.

Segundo a Lei 10.820/2003, que dispõe sobre o crédito consignado,


os empregados regidos pela Consolidação das Leis do Trabalho –
CLT poderão autorizar, de forma irrevogável e irretratável, o
desconto em folha de pagamento ou na sua remuneração
disponível dos valores referentes ao pagamento de
empréstimos, financiamentos e operações de arrendamento
mercantil concedidos por instituições financeiras e
sociedades de arrendamento mercantil, quando previsto nos
respectivos contratos.

O mesmo se aplica aos aposentados, que, titulares de benefícios


de aposentadoria e pensão do Regime Geral de Previdência
Social, poderão autorizar o Instituto Nacional do Seguro
Social – INSS a proceder aos descontos referidos.

A Lei 8.112/91 também prevê o mesmo dispositivo aos funcionários


públicos, ao estabelecer que mediante autorização do servidor,
poderá haver consignação em folha de pagamento a favor de
terceiros, a critério da administração e com reposição de
custos, na forma definida em regulamento.

É possível inferir desta definição a possibilidade de realização do


crédito consignado em operações de empréstimo, financiamento ou
arrendamento mercantil, tanto para funcionários celetistas, como
estatutários. Em ambos os casos, o pagamento das prestações é

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feito de forma direta, ou seja, através de desconto na folha de


pagamento ou em momento anterior ao do crédito devido pelo
empregador ao empregado como remuneração disponível ou verba
rescisória. Esta é a essência do crédito consignado.

Importante mencionar que, para fins de desconto em folha,


considera-se a renda disponível do empregado (depois dos impostos
e parcelas previdenciárias) e/ou verbas rescisórias, entendidas
como as importâncias devidas em dinheiro pelo empregador ao
empregado em razão de rescisão do seu contrato de trabalho.

Talvez a informação mais importante em relação ao crédito


consignado seja o limite de desconto aplicável atualmente.

O limite é de 35% da renda disponível, sendo que 5% podem


ser destinados exclusivamente para (i) a amortização de
despesas contraídas por meio de cartão de crédito; ou (ii) a
utilização com a finalidade de saque por meio do cartão de
crédito.

Importante mencionar que este limite de 35% foi definido em


outubro de 2015. Até então, o limite era de 30%, sendo que os
valores poderiam ser utilizados de acordo com a vontade do
devedor.

Porém, em função da retração econômica, aumento da


inadimplência e juros elevados, o limite foi aumentado em 5%,
sendo que a utilização destes 5% adicionais deve observar ao
menos 1 dos critérios acima mencionados.

Continuando, são obrigações do empregador referentes ao crédito


consignado:

 prestar ao empregado e à instituição consignatária, mediante


solicitação formal do primeiro, as informações necessárias para a
contratação da operação de crédito ou arrendamento mercantil;

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 tornar disponíveis aos empregados, bem como às respectivas


entidades sindicais que as solicitem, as informações referentes aos
custos envolvidos; e
 efetuar os descontos autorizados pelo empregado,
inclusive sobre as verbas rescisórias, e repassar o valor à
instituição consignatária na forma e no prazo previstos em
regulamento.

Este último aspecto está em relevo, dada sua relevância. Grave


esta disposição: é obrigação do empregador fazer o desconto,
seja na renda ou nas verbas rescisórias, e repassar o valor à
instituição financeira que concede o crédito consignado, que
deverá ser realizado até o quinto dia útil após a data de
pagamento ao mutuário de sua remuneração disponível.

Há, inclusive, uma contrapartida ao empregador para cumprir esta


função: descontar na folha de pagamento do mutuário os
custos operacionais decorrentes da realização da operação.
No entanto, o empregador, salvo disposição contratual em
contrário, não será corresponsável pelo pagamento dos
empréstimos, financiamentos e arrendamentos concedidos
aos seus empregados, mas responderá como devedor
principal e solidário perante a instituição consignatária por
valores a ela devidos em razão de contratações por ele
confirmadas na forma desta Lei e de seu regulamento que
deixarem, por sua falha ou culpa, de ser retidos ou
repassados.

Estas regras são pouco abordadas, mas são ótimas para uma
questão difícil no certame e, mais importante, são recentíssimas
(integradas ao ordenamento jurídico em janeiro de 2015). Portanto,
não as esqueça.

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Por fim, cabe citar a regra estabelecida pelo Bacen em relação às


operações de crédito, incluindo o consignado, que favorece o
estabelecimento da possibilidade de portabilidade do crédito.

O Bacen decidiu que fica vedada às instituições financeiras, na


prestação de serviços e na contratação de operações, a
celebração de convênios, contratos ou acordos que impeçam
ou restrinjam o acesso de clientes a operações de crédito
ofertadas por outras instituições, inclusive aquelas com
consignação em folha de pagamento.

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5. MICROCRÉDITO

A concessão de crédito feita no mercado financeiro geralmente


abarca empresas formais, pequenas, médias e grandes. Mas, quase
sempre exclui uma parcela da população que necessita de recursos,
seja para se tonar parte da economia formal, ou mesmo para
promover investimentos.

Desta forma, estabelece-se a chamada “Microfinanças˜. O termo


microfinanças, portanto, refere-se à prestação de serviços
financeiros adequados e sustentáveis para população de baixa
renda, tradicionalmente excluída do sistema financeiro tradicional,
com utilização de produtos, processos e gestão diferenciados3.

A atividade de microcrédito é definida como aquela que, no


contexto das microfinanças, se dedica a prestar esses serviços
exclusivamente a pessoas físicas e jurídicas empreendedoras de
pequeno porte, diferenciando-se dos demais tipos de atividade
microfinanceira também pela metodologia utilizada, bastante
diferente daquela adotada para as operações de crédito tradicionais.
É entendida como principal atividade do setor de microfinanças pela
importância para as políticas públicas de superação da pobreza e
também pela geração de trabalho e renda.

O microcrédito urbano é tecnicamente conhecido como Microcrédito


Produtivo Orientado (MCPO), cujas definições estão consolidadas na
Lei 11.110/2005. O Banco do Nordeste possui uma importante linha
de microcrédito urbano, chamada de Crediamigo. Adiante veremos
as definições do MCPO e do Crediamigo.

O Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO)


tem como objetivo incentivar a geração de trabalho e renda
entre os microempreendedores populares (pessoas físicas e

3
Soares, Marden Marques. Microfinanças : o papel do Banco Central do Brasil e a
importância do cooperativismo de crédito / Marden Marques Soares, Abelardo Duarte de
Melo Sobrinho. – Brasília : BCB, 2008.

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jurídicas empreendedoras de atividades produtivas de pequeno


porte, com renda bruta anual de até R$ 120 mil), através da
disponibilização de recursos para o microcrédito produtivo
orientado.

Pois bem, temos um Programa que possui um objetivo (já


comentado) e utiliza como instrumento para a consecução deste
objetivo uma forma específica de crédito.

Esta forma de crédito, propriamente chamada de microcrédito


produtivo orientado, é concedida para o atendimento das
necessidades financeiras de pessoas físicas e jurídicas
empreendedoras de atividades produtivas de pequeno porte,
utilizando metodologia baseada no relacionamento direto com os
empreendedores no local onde é executada a atividade econômica,
devendo ser considerado, ainda, que:

 o atendimento ao tomador final dos recursos deve ser feito


por pessoas treinadas para efetuar o levantamento socioeconômico
e prestar orientação educativa sobre o planejamento do negócio,
para definição das necessidades de crédito e de gestão voltadas
para o desenvolvimento do empreendimento;

 o contato com o tomador final dos recursos deve ser mantido


durante o período do contrato, para acompanhamento e orientação,
visando ao seu melhor aproveitamento e aplicação, bem como ao
crescimento e sustentabilidade da atividade econômica; e

 o valor e as condições do crédito devem ser definidos após a


avaliação da atividade e da capacidade de endividamento do
tomador final dos recursos, em estreita interlocução com este.

Em resumo, considera-se microcrédito produtivo orientado a forma


de crédito que atende as necessidades de pequenos
empreendedores, cuja metodologia deve (i) considerar o
relacionamento direto com o empreendedor, (ii) ser feita por pessoa

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treinada para efetuar o levantamento socioeconômico e prestar


orientação educativa sobre o planejamento do negócio, (iii) manter
contato durante o período do contrato, para acompanhamento e
orientação, visando ao seu melhor aproveitamento e aplicação, e
(iv) o valor e as condições do crédito devem ser definidos após a
avaliação da atividade e da capacidade de endividamento do
tomador final dos recursos.

Evidente que esta modalidade de crédito possui uma forte


conotação social e de orientação técnica, pois além de conceder o
crédito há diversas outras atividades realizadas pelo emprestador
junto ao tomador.

As instituições financeiras autorizadas a operar o PNMPO são:

 Instituições Financeiras Oficiais  Aquelas controladas por


Ente Público (União, Estados e DF)

 Bancos múltiplos com carteira comercial

 Bancos comerciais e Caixa Econômica Federal

 Instituições de microcrédito produtivo orientado:

Cooperativas singulares de crédito


Agências de fomento
Sociedades de crédito ao microempreendedor e à empresa de
pequeno porte
Organizações da Sociedade Civil de Interesse Público, que
desenvolvam atividades de crédito destinadas a
microempreendedores.

Ressalta-se que os bancos de desenvolvimento, as agências de


fomento, os bancos cooperativos e as centrais de cooperativas de
crédito também poderão atuar como repassadores de recursos das
instituições financeiras acima definidas para as instituições de
microcrédito produtivo orientado também acima definidas. Desta

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forma, estas instituições figuram como intermediárias entre as


instituições financeiras e as instituições de microcrédito produtivo
orientado.

Isto ocorre porque as instituições financeiras atuarão no


PNMPO por intermédio das instituições de microcrédito
produtivo orientado nominadas no por meio de repasse de
recursos, mandato ou aquisição de operações de crédito que
se enquadrarem nos critérios exigidos pelo PNMPO. Ou seja,
em regra, as IFs não atuam diretamente na concessão de
microcrédito, mas sim através de intermediários.

Para que possam atuar diretamente no PNMPO, as instituições


financeiras deverão constituir estrutura própria para o
desenvolvimento desta atividade, devendo habilitar-se no Ministério
do Trabalho e Emprego demonstrando que suas operações de
microcrédito produtivo orientado serão realizadas em conformidade
as exigências legais disposta no início deste tópico.

Já as instituições financeiras públicas federais poderão atuar no


PNMPO por intermédio de sociedade na qual participe direta ou
indiretamente, desde que tal sociedade tenha por objeto prestar
serviços necessários à contratação e acompanhamento de
operações de microcrédito produtivo orientado e que esses serviços
não representem atividades privativas de instituições financeiras,
devendo essa sociedade habilitar-se no Ministério do Trabalho e
Emprego.

Continuando, há que citar a origem dos recursos destinados ao


PNMPO. São as seguintes:

 Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT

 Parcela dos recursos de depósitos à vista destinados ao


microcrédito  Os bancos múltiplos com carteira comercial, os
bancos comerciais e a Caixa Econômica Federal devem manter

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aplicados, em operações de crédito destinadas à população de baixa


renda e a microempreendedores, valor correspondente a, no
mínimo, 2% dos saldos dos depósitos à vista captados pela
instituição.

 Orçamento geral da União ou dos Fundos Constitucionais de


Financiamento, somente quando forem alocados para operações de
microcrédito produtivo rural efetuadas com agricultores familiares
no âmbito do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura
Familiar – PRONAF

 Outras fontes alocadas para o PNMPO pelas instituições


financeiras ou instituições de microcrédito produtivo orientado.

Abaixo, uma questão recentíssima sobre o assunto:

02. CESPE - Ana (BACEN)/Área 3 - Política Econômica e


Monetária/2013

Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

A operação de microcrédito pode ser realizada com empreendedor


urbano ou rural, pessoa natural ou jurídica, devendo ser executada
com base em metodologia específica, na qual se efetive a análise de
receitas e despesas, assim como os mecanismos de controle e
acompanhamento do volume de inadimplência, desconsiderando-se
a avaliação dos riscos da operação, haja visto que essa operação
corresponde a uma política social apoiada pelo governo brasileiro.

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Vimos neste tópico a definição de microcrédito produtivo orientado.


Trata-se de operação realizada com empreendedor urbano ou rural,
pessoa natural ou jurídica, devendo ser executada com base em
metodologia específica, na qual se efetive a análise de receitas e
despesas, assim como os mecanismos de controle e
acompanhamento do volume de inadimplência, CONSIDERANDO-SE
a avaliação dos riscos da operação.

GABARITO: ERRADO

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6. ARRENDAMENTO MERCANTIL

A discussão sobre arrendamento mercantil é muito interessante, por


se tratar de operação na qual a instituição que realiza o leasing
(arrendadora) adquire o bem escolhido pelo cliente (arrendatário)
para a utilização deste.

Portanto,é preciso definir a função de cada uma das partes nesta


operação:

 Arrendador  Segundo a definição legal, trata-se de pessoa


jurídica que realiza a operação de arrendamento mercantil. No
entanto, o Conselho Monetário Nacional estabeleceu que podem
obter tratamento tributário favorecido nas operações de leasing
apenas (i) as pessoas jurídicas que tenham como objeto principal
de sua atividade a prática de operações de arrendamento mercantil
(sociedades de arrendamento mercantil), (ii) bancos múltiplos com
carteira de arrendamento mercantil, (iii) bancos múltiplos com
carteira de investimento, de desenvolvimento e/ou de crédito
imobiliário, (iv) os bancos de investimento, (v) os bancos de
desenvolvimento, (vi) as caixas econômicas e (vii) as sociedades de
crédito imobiliário, sendo que as pessoas numeradas dos itens iii ao
vii podem apenas realizar o leasing financeiro. Portanto, muita
atenção: a Lei permite a realização do arrendamento mercantil por
pessoa jurídica, mas, na prática, dada o benefício tributário, apenas
as instituições elencadas acima realizam estas operações
 Arrendatário  Pessoa física ou jurídica que escolhe o bem
a ser arrendado e possui sua posse (mas não a propriedade) até o
final do contrato.
 Bem arrendado  escolhido pelo arrendatário para ser por
ele utilizado pelo menos no período de duração do arrendamento; o
bem é adquirido pela instituição arrendadora e, por isto, é de sua
propriedade, apesar da posse do bem ser do arrendatário.

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Analista (Área 3) - BACEN
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Das definições acima é possível concluir que, no arrendamento


mercantil, a operação ativa é realizada sobre a negociação de um
direito de uso de um bem por um período de tempo determinado.
Como contrapartida, o arrendador recebe um único pagamento por
isto, ou uma série periódica de pagamentos até o final do contrato.

E o arrendamento mercantil pode ser classificado em financeiro ou


operacional, a depender dos riscos e benefícios inerentes à
propriedade do bem.

As definições, características e explicações seguem abaixo:

 Arrendamento Mercantil Financeiro


o As contraprestações e demais pagamentos previstos no
contrato, devidos pelo arrendatário, sejam normalmente suficientes
para que a arrendadora recupere o custo do bem arrendado durante
o prazo contratual da operação e, adicionalmente, obtenha um
retorno sobre os recursos investidos;
o As despesas de manutenção, assistência técnica e serviços
correlatos à operacionalidade do bem arrendado sejam de
responsabilidade do arrendatário
o O preço para o exercício da opção de compra seja livremente
pactuado, podendo ser, inclusive, o valor de mercado do bem
arrendado.

Em resumo, trata-se de leasing financeiro aquele cujos


pagamentos prestados pelo arrendatário são suficientes para cobrir
os custos do arrendador e, adicionalmente, fornecer retorno a este.
Como as despesas durante o uso do bem são do arrendatário e este
pode optar pela aquisição da propriedade do bem ao final do
contrato por preço livremente pactuado (em geral um valor
residual), entende-se que no arrendamento mercantil
financeiro há substancial transferência de riscos e benefícios

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ao arrendatário. Este é o fundamento do leasing financeiro, não


se esqueça!

 Arrendamento Mercantil Operacional


o ocorre quando a próprio produtor ou fabricante do bem faz o
arrendamento, ficando responsável pela manutenção técnica do
bem
o as contraprestações a serem pagas pelo arrendatário
contemplem o custo de arrendamento do bem e os serviços
inerentes a sua colocação à disposição do arrendatário, não
podendo o valor presente dos pagamentos ultrapassar 90%
(noventa por cento) do "custo do bem;
o o prazo contratual seja inferior a 75% (setenta e cinco por
cento) do prazo de vida útil econômica do bem;
o o preço para o exercício da opção de compra seja o valor de
mercado do bem arrendado; e
o não haja previsão de pagamento de valor residual garantido.

Neste caso, entende-se como arrendamento mercantil


operacional aquele no qual os riscos e benefícios da operação
estejam de maneira substancial com o arrendador. As definições
acima nos permite concluir isto, sobretudo se considerarmos que a
produção do bem cabe ao arrendador, assim como sua assistência
técnica..

E, por fim, cabe citar que o prazo mínimo de arrendamento é


de dois anos para bens com vida útil de até cinco anos e de
três anos para os demais.

Por exemplo, se considerarmos o leasing de um veículo popular com


vida útil de 5 anos, é possível realizar um arrendamento deste bem
com prazo mínimo de 2 anos.

Abaixo, questões sobre o assunto:

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03. CESPE - Escriturário (BB)/2007/2

O leasing, também conhecido como arrendamento mercantil,


e o factoring, também conhecido como fomento mercantil,
têm sido dois institutos importantes para o crescimento das
empresas brasileiras. Com o crescimento do mercado,
crescem, também, as garantias, como os seguros.
Considerando esses institutos jurídicos, julgue o próximo
item.

Na operação de leasing, uma empresa transfere o direito de


usufruto de determinado bem de sua propriedade a outra
(cliente), em troca do recebimento de prestações periódicas.

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Exatamente como definimos acima: operação na qual a instituição


que realiza o leasing (arrendadora) adquire o bem escolhido pelo
cliente (arrendatário) para a utilização deste. Destacando que o
direito de propriedade é da empresa que faz o leasing.

GABARITO: CERTO

04. FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ


RJ)/2007

O contrato celebrado entre uma sociedade de arrendamento


mercantil, titular de bem móvel, que se obriga a entregar o
bem objeto do contrato ao arrendatário, pessoa natural ou
jurídica, mediante o respectivo pagamento das prestações
determinadas e com a incumbência de prestar assistência
técnica permanente durante o prazo acordado, denomina-se:

a) lease-back.

b) leasing puro.

c) leasing financeiro.

d) leasing operacional.

e) leasing de retorno.

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Como vimos acima, quando a empresa que produz o bem faz o


leasing, ficando responsável pela sua manutenção, há leasing
operacional.

GABARITO: LETRA D

05. ESAF - Procurador do Banco Central do Brasil/2002

O arrendamento mercantil é tipo de contrato financeiro que:

a) faculta que o bem objeto seja mantido sob posse e guarda


do arrendatário por tempo indeterminado.

b) pode ser analisado como forma especial de venda e


compra de bens.

c) constitui mútuo travestido de locação de bens, sujeito,


portanto, à disciplina exclusiva daquele contrato.

d) não admite revisão ainda com a obsolescência do bem.

e) pode recair sobre bens de consumo em geral.

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Às respostas:

a) Incorreto. O contrato de leasing é por tempo determinado

b) Correto. Como no final do contrato existe a opção de compra


pelo arrendatário, trata-se de uma forma especial de compra e
venda.

c) Incorreto. Não se trata de mútuo, pois não é um empréstimo,


além de possuir legislação própria

d) Pode ser revisto sim, pois se trata de um contrato

e) Incorreto. A natureza dos bens objeto de uma operação de


arrendamento mercantil deve permitir sua contabilização no ativo
imobilizado do arrendatário. Por isso se trata de bens duráveis
(móveis ou imóveis), não podendo ser de consumo em geral.

GABARITO: LETRA B

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7. CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO (CCB)

A Cédula de Crédito Bancário é título de crédito executivo


extrajudicial emitido, por pessoa física ou jurídica, em favor de
instituição financeira ou de entidade a esta equiparada (as quais
devem integrar o Sistema Financeiro Nacional), representando
promessa de pagamento em dinheiro, decorrente de operação de
crédito, de qualquer modalidade.

A ideia esposada acima é muito objetiva: a CCB é um título que


representa um crédito extrajudicial (valor a receber sem
necessidade de declaração judicial) da instituição financeira ou
entidade a ela equiparada, considerando que ambas integram o
SFN, em relação a uma pessoa física ou jurídica qualquer (devedor).

O surgimento da CCB teve como objetivo facilitar a concessão de


financiamentos bancários, considerando que estes sofriam de
insegurança e instabilidade oriundas de controvérsias existentes nos
tribunais, relacionadas, entre outras questões, à possibilidade de
capitalização dos juros e à conferência de força executiva aos
contratos de concessão de crédito celebrados pelas instituições
financeiras e seus clientes. Talvez o exemplo mais comum é a
concessão de crédito rotativo, que em geral é formalizado por CCB.

Por isso, a CCB foi constituída como sendo uma promessa de


pagamento em dinheiro, necessariamente lastreada em uma
operação de crédito de qualquer modalidade e submetida ao regime
jurídico dos títulos de crédito. Ou seja, o cliente da instituição
financeira toma um crédito e simultaneamente firma o compromisso
com a instituição financeira em torno da CCB.

Como é considerada um título de crédito, a CCB representa dívida


em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela soma nela indicada,
seja pelo saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo, ou nos

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extratos da conta corrente, podendo ser emitida, com ou sem


garantia, real ou fidejussória, cedularmente constituída.

Estas características, estudadas na disciplina de Direito Comercial,


indicam que a CCB não adimplida representa, por si só, uma dívida
da pessoa jurídica ou física inadimplente contra a instituição
financeira credora, que pode instituir garantias, como avais e
garantias reais (constituída por bem patrimonial de qualquer
espécie, disponível e alienável, móvel ou imóvel, material ou
imaterial, presente ou futuro, fungível ou infungível, consumível ou
não, cuja titularidade pertença ao próprio emitente ou a terceiro
garantidor da obrigação principal), para satisfazer o crédito que
detém.

Não é difícil de compreender o porquê a CCB está categorizada na


aula de operações ativas. A instituição financeira pode conceder
algum credito a seu cliente e formalizá-lo através da CCB,
documento no qual ficará registrado as características da operação
(valor, prazo de pagamento, juros, garantias etc.), representando a
natureza da operação de crédito realizada.

Na CCB poderão ser pactuados as seguintes questões:

 os juros sobre a dívida, capitalizados ou não, os critérios


de sua incidência e, se for o caso, a periodicidade de sua
capitalização, bem como as despesas e os demais encargos
decorrentes da obrigação;

 os critérios de atualização monetária ou de variação


cambial como permitido em lei;

 os casos de ocorrência de mora e de incidência das


multas e penalidades contratuais, bem como as hipóteses de
vencimento antecipado da dívida;

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 os critérios de apuração e de ressarcimento, pelo


emitente ou por terceiro garantidor, das despesas de
cobrança da dívida e dos honorários advocatícios, judiciais
ou extrajudiciais, sendo que os honorários advocatícios
extrajudiciais não poderão superar o limite de dez por cento
do valor total devido;

 quando for o caso, a modalidade de garantia da dívida,


sua extensão e as hipóteses de substituição de tal garantia;

 as obrigações a serem cumpridas pelo credor;

 a obrigação do credor de emitir extratos da conta


corrente ou planilhas de cálculo da dívida, ou de seu saldo
devedor, de acordo com os critérios estabelecidos na própria
Cédula de Crédito Bancário; e

 outras condições de concessão do crédito, suas


garantias ou liquidação, obrigações adicionais do emitente
ou do terceiro garantidor da obrigação, desde que de acordo
com as normas legais aplicáveis.

Dos termos acima é possível perceber que a CCB formaliza tudo


em relação à operação pactuada entre a instituição financeira e seu
cliente, desde o valor do crédito, até suas garantias, obrigações da
instituição financeira e a forma de cômputo da remuneração desta.

Mas, fique atento ao seguinte: mesmo que a garantia do crédito


esteja presente na CCB, é possível o estabelecimento de garantia
em documento separado à CCB, desde que se faça menção a este
fato na Cédula de Crédito Bancário.

O credor poderá exigir que o bem constitutivo da garantia,


evidentemente quando há garantia seja real, seja coberto por
seguro até a efetiva liquidação da obrigação garantida, em que o
credor será indicado como exclusivo beneficiário da apólice

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securitária e estará autorizado a receber a indenização para liquidar


ou amortizar a obrigação garantida.

E, para terminar, uma questão cobrada no último certame do Bacen


sobre o assunto:

06. CESPE - Analista do Banco Central do Brasil/Área 3 -


Política Econômica e Monetária/2013/

Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

A cédula de crédito bancário (CCB), um título executivo


extrajudicial, representa dívida em dinheiro, a qual é certa,
líquida e exigível e pode ser emitida com ou sem caução
pessoal ou fiança.

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A Cédula de Crédito Bancário (CCB) está disciplinada nos artigos 26


a 45 da Lei n. 10.931/04.

A CCB é um título de crédito que pode ser emitido por pessoa física
ou jurídica em favor de uma instituição do Sistema Financeiro
Nacional, representando uma promessa de pagamento, em
dinheiro, decorrente de operação de crédito de qualquer
modalidade.

Toda vez que alguém contrata um empréstimo ou qualquer outro


crédito (como cartão de crédito) com uma instituição financeira é
emitido contra si uma cédula de crédito bancário.

A principal característica da CCB é ser um título executivo


extrajudicial, ou seja, não depende do aval do juiz para cobrança, e
representa dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela
soma nela indicada. Para tanto, basta que a instituição financeira
apresente o saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo ou
nos extratos da conta corrente elaborados pela Instituição
Registradora.

Por fim, a emissão de CCB prescinde caução pessoal, ou fiança. Ou


seja, não se faz necessária a prestação de garantias para emissão
da CCB, apesar de existir esta possibilidade, como vimos
anteriormente.

GABARITO: CERTO

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8. LISTA DE QUESTÕES APRESENTADAS E GABARITO

01. CESPE - Analista do Banco Central do Brasil/Área 3 -


Política Econômica e Monetária/2013/

Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

Os contratos de mútuo apresentam características idênticas


aos empréstimos para capital de giro, visto que ambos
envolvem operações com prazos inferiores a 90 dias e
apresentam poucas exigências quanto às garantias exigidas.

O empréstimo de capital de giro é operação tradicional bancária


com o objetivo de suprir as necessidades de caixa (liquidez) das
empresas. Como os prazos de recebimento e pagamento destas é,
geralmente, descasado, elas podem utilizar recursos concedidos por
instituição financeira, a fim de alinhar os prazos. O prazo médio
deste tipo de financiamento é de 180 dias.

O contrato de mútuo possui as mesmas características dos


empréstimos para capital de giro, no entanto o prazo médio é
superior a 180 dias.

Desta forma, ambos possuem prazo superior a 90 dias.

Adicionalmente, cumpre citar que pode haver necessidade de


prestação de garantias para a realização dos contratos. Por
exemplo, o empréstimo para capital de giro pode ser garantido com
direitos creditórios da empresa.

GABARITO: ERRADO

02. CESPE - Ana (BACEN)/Área 3 - Política Econômica e


Monetária/2013

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Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

A operação de microcrédito pode ser realizada com empreendedor


urbano ou rural, pessoa natural ou jurídica, devendo ser executada
com base em metodologia específica, na qual se efetive a análise de
receitas e despesas, assim como os mecanismos de controle e
acompanhamento do volume de inadimplência, desconsiderando-se
a avaliação dos riscos da operação, haja visto que essa operação
corresponde a uma política social apoiada pelo governo brasileiro.

Vimos neste tópico a definição de microcrédito produtivo orientado.


Trata-se de operação realizada com empreendedor urbano ou rural,
pessoa natural ou jurídica, devendo ser executada com base em
metodologia específica, na qual se efetive a análise de receitas e
despesas, assim como os mecanismos de controle e
acompanhamento do volume de inadimplência, CONSIDERANDO-SE
a avaliação dos riscos da operação.

GABARITO: ERRADO

03. CESPE - Escriturário (BB)/2007/2

O leasing, também conhecido como arrendamento mercantil,


e o factoring, também conhecido como fomento mercantil,
têm sido dois institutos importantes para o crescimento das
empresas brasileiras. Com o crescimento do mercado,
crescem, também, as garantias, como os seguros.
Considerando esses institutos jurídicos, julgue o próximo
item.

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Operações Bancárias e Sistema
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Na operação de leasing, uma empresa transfere o direito de


usufruto de determinado bem de sua propriedade a outra
(cliente), em troca do recebimento de prestações periódicas.

Exatamente como definimos acima: operação na qual a instituição


que realiza o leasing (arrendadora) adquire o bem escolhido pelo
cliente (arrendatário) para a utilização deste. Destacando que o
direito de propriedade é da empresa que faz o leasing.

GABARITO: CERTO

04. FGV - Auditor Fiscal da Receita Estadual (SEFAZ


RJ)/2007

O contrato celebrado entre uma sociedade de arrendamento


mercantil, titular de bem móvel, que se obriga a entregar o
bem objeto do contrato ao arrendatário, pessoa natural ou
jurídica, mediante o respectivo pagamento das prestações
determinadas e com a incumbência de prestar assistência
técnica permanente durante o prazo acordado, denomina-se:

a) lease-back.

b) leasing puro.

c) leasing financeiro.

d) leasing operacional.

e) leasing de retorno.

Como vimos acima, quando a empresa que produz o bem faz o


leasing, ficando responsável pela sua manutenção, há leasing
operacional.

GABARITO: LETRA D

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05. ESAF - Procurador do Banco Central do Brasil/2002

O arrendamento mercantil é tipo de contrato financeiro que:

a) faculta que o bem objeto seja mantido sob posse e guarda


do arrendatário por tempo indeterminado.

b) pode ser analisado como forma especial de venda e


compra de bens.

c) constitui mútuo travestido de locação de bens, sujeito,


portanto, à disciplina exclusiva daquele contrato.

d) não admite revisão ainda com a obsolescência do bem.

e) pode recair sobre bens de consumo em geral.

Às respostas:

a) Incorreto. O contrato de leasing é por tempo determinado

b) Correto. Como no final do contrato existe a opção de compra


pelo arrendatário, trata-se de uma forma especial de compra e
venda.

c) Incorreto. Não se trata de mútuo, pois não é um empréstimo,


além de possuir legislação própria

d) Pode ser revisto sim, pois se trata de um contrato

e) Incorreto. A natureza dos bens objeto de uma operação de


arrendamento mercantil deve permitir sua contabilização no ativo
imobilizado do arrendatário. Por isso se trata de bens duráveis
(móveis ou imóveis), não podendo ser de consumo em geral.

GABARITO: LETRA B

06. CESPE - Analista do Banco Central do Brasil/Área 3 -


Política Econômica e Monetária/2013/

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Com relação às operações de captação e operações ativas


praticadas no mercado financeiro brasileiro, julgue o item a
seguir.

A cédula de crédito bancário (CCB), um título executivo


extrajudicial, representa dívida em dinheiro, a qual é certa,
líquida e exigível e pode ser emitida com ou sem caução
pessoal ou fiança.

A Cédula de Crédito Bancário (CCB) está disciplinada nos artigos 26


a 45 da Lei n. 10.931/04.

A CCB é um título de crédito que pode ser emitido por pessoa física
ou jurídica em favor de uma instituição do Sistema Financeiro
Nacional, representando uma promessa de pagamento, em
dinheiro, decorrente de operação de crédito de qualquer
modalidade.

Toda vez que alguém contrata um empréstimo ou qualquer outro


crédito (como cartão de crédito) com uma instituição financeira é
emitido contra si uma cédula de crédito bancário.

A principal característica da CCB é ser um título executivo


extrajudicial, ou seja, não depende do aval do juiz para cobrança, e
representa dívida em dinheiro, certa, líquida e exigível, seja pela
soma nela indicada. Para tanto, basta que a instituição financeira
apresente o saldo devedor demonstrado em planilha de cálculo ou
nos extratos da conta corrente elaborados pela Instituição
Registradora.

Por fim, a emissão de CCB prescinde caução pessoal, ou fiança. Ou


seja, não se faz necessária a prestação de garantias para emissão
da CCB, apesar de existir esta possibilidade, como vimos
anteriormente.

GABARITO: CERTO

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QUESTÃO GABARITO

01 ERRADO

02 ERRADO

03 CERTO

04 D

05 B

06 CERTO

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