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A HIPÓTESE DOCUMENTÁRIA séculos antes de Cristo, cuja forma final foi atingida

- A ORIGEM DO PENTATEUCO – aproximadamente em 450 a.C.

Por Lucas Corrêa Há ainda o chamado Minimalismo Bíblico, que sustenta


que a Torá foi composta no período Hasmoneu-
Uma introdução ao problema Helenístico, entre 300 a.C. e 140 a.C.
A visão religiosa tradicional sobre a origem da Torá é
de que ela foi composta por Moisés entre os anos de A Hipótese Documentária
1446 a.C. e 1406 a.C. Embora essa visão ainda seja
aceita por cristãos e judeus conservadores, os A hipótese documentária, também conhecida entre os
estudiosos modernos argumentam que toda a Torá foi estudantes de Teologia moderna como a Hipótese de
composta em meados do primeiro milênio antes de Wellhausen (Em homenagem ao seu autor, Julius
Cristo, para ser uma "prequela" para os livros proféticos Wellhausen), propõe que o Pentateuco foi derivado de
(Josué, Juízes, Samuel e Reis). fontes independentes, paralelas e narrativas
completas, que foram subsequentemente combinadas
Atualmente existem três grandes abordagens para a em sua forma corrente por uma série de redatores ou
questão da data e do modo de composição da Torá (ou editores. O número destas fontes é usualmente fixado
Pentateuco). A Hipótese Documentária (que será como sendo quatro, mas essa não é a parte essencial
abordada nesse artigo) sustenta que a Torá foi da hipótese.
composta por entrelaçamento de quatro narrativas
originais, que originalmente eram separadas e A hipótese foi desenvolvida entre os séculos 18 e 19,
completas em si, cada uma lidando com o mesmo da tentativa de se conciliar as inconsistências do texto
assunto. Isso explicaria muitas das características bíblico. Pelo fim do século 19 foi aceito de maneira geral
intrigantes dos cinco livros, nomeadamente o a tese de que quatro fontes principais foram
aparecimento de vários nomes para Deus e incidentes combinadas na forma final por uma série de redatores.
duplicados, tais como as narrativas de duas criações da Estas quatro fontes são conhecidas como Javista ou J,
humanidade. Basicamente o que a Hipótese a fonte Eloísta, ou E, a fonte Deuteronomista, D (Este
Documentária afirma é de que existiam então quatro nome provém do fato de esta fonte é a base do livro do
documentos independentes, conhecidos como fonte Deuteronômio) e a fonte sacerdotal, ou P (Em alemão,
javista J, fonte eloísta E, fonte sacerdotal P e a fonte sacerdote é Priester, e em inglês é Priest).
deuteronomista D, e que foram compostos entre 900 A grande contribuição de Julius Wellhausen foi em
a.C. e 550 a.C., e sendo redigidos (ou agrupados) em ordenar estas fontes cronologicamente como JEDP,
450 a.C., possivelmente por Esdras. dando-as um ajuste coerente na evolução da história
A hipótese documentária monopolizou as abordagens de Israel, que ele via como em ordem crescente com o
acadêmicas para a data e a composição da Torá até o aumento do poder e prestígio sacerdotal. A formulação
último quarto do século 20, quando os estudiosos de Wellhausen é a seguinte:
avançaram em suas pesquisas, e propuseram teorias Fonte Javista (J): Escrita cerca de 950 a.C. no sul do
alternativas que podem ser agrupadas em dois reino de Judá.
modelos amplos:
Fonte Eloísta (E): Escrita cerca de 850 a.C. no norte do
O primeiro é o "Modelo Fragmentário", que sustenta reino de Israel.
que a Torá cresceu gradualmente a partir de uma série
de fragmentos de várias extensões. Os modelos Fonte Deuteronomista (D): escrita cerca de 600 a.C. em
fragmentários (como por exemplo, os de R. Rendtorff e Jerusalém, durante o período de reforma religiosa.
E. Blum), afirmam que a Torá é o produto do lento
Fonte Sacerdotal (P): escrita em 500 a.C. pelos
crescimento das tradições fragmentárias (sem
Kohanim (sacerdotes judeus), no exílio babilônico.
documentos), ao longo do período que vai de 850 a.C.
até 550 a.C., e se consolida na sua forma final Muito embora a hipótese de Wellhausen tenha sido
aproximadamente em 450 a.C. substancialmente alterada e modificada por outros
modelos paralelos no século 20, sua terminologia e
A visão alternativa é o "Modelo Suplementar", que
seus insights continuam a providenciar um referencial
afirma que a Torá é, em grande parte, o trabalho de um
para as modernas teorias sobre as origens da Torá.
editor, ou grupo de editores, que trabalharam (ou
completaram), um tipo de material já existente. Nos Em resumo: A Hipótese documentária de Julius
modelos suplementares (como por exemplo, o modelo Wellhausen propõe que a Torá era, originalmente,
do estudioso J. Van Seters), a Torá foi composta por quatro narrativas distintas, cada uma completa em si
uma série de expansões autorais em torno de um mesma, cada uma lidando com os mesmos incidentes
documento ou fonte original, normalmente identificado e personagens, mas com "mensagens" distintas. As
como J ou P, em grande parte durante o sétimo e sexto quatro fontes foram combinadas duas vezes por
editores (ou "redatores"), que se esforçaram para o cântico de Moisés (Dt 31,30)
manter, tanto quanto possível, os documentos originais.
A parte principal do Pentateuco, pelo contrário, não
pretende ter sido redigida por Moisés, nem transmitida
A pesquisa do Pentateuco até os nossos dias oralmente desde sua época. A partir do século XVIII
uma série de pesquisas e argumentos decisivos e dos
Antes de adentrarmos a dentro na teoria de J.
mais variados tipos vieram provar que esta constatação
Wellhausen, é necessário salientar os problemas que
negativa corresponde à realidade. Para o momento,
deram origem ao questionamento da autoria mosaica
indicamos algumas das inúmeras passagens que
do Pentateuco, e além disso as tentativas anteriores à
sugerem uma época posterior a Moisés:
Hipotese Documentária de se resolver o problema. Eis
aqui o resumo:

1. Tradição. - Na época posterior ao exílio, Moisés a) Estas passagens subentendem a instalação de Israel
passou a ser considerado o mediador ou o redator da na Palestina: os cananeus estavam então naquela terra
lei do Pentateuco, recebida de Deus, e isto ocorreu (Gn 12,6; 13,7). Canaã é chamada terra dos hebreus
particularmente depois que a lei deuteronômica já havia (Gn 40,15). A região a leste do Jordão é designada a
dado um passo neste sentido. Esta opinião é partir da posição de quem se acha a oeste do Jordão,
documentada a partir do século V a.C. (Ml 3,22; Esd isto é, estando além do Jordão (Gn 50,10s; Nm 22,1; Dt
3,2; 7,6; 2Cr 25,4; 35,12). O Novo Testamento 1,1.5)
pressupõe que Moisés tenha redigido todo o
b) Mostram-nos o autor distanciando em relação à
Pentateuco (Mt 19,7s; Mc 12,26; Jo 5,46s; At 15,21; Rm
época de Moisés: a fórmula até o dia de hoje (Dt
10,5). Referências expressas se encontram, a seguir,
3,14;34,6 et passim), e não se levantou mais em Israel
em Josefo, em Fílon e no Talmude. A Igreja assumiu a
profeta semelhante a Moisés (Dt 34,10).
tradição judaica de Moisés como autor do Pentateuco.
Até o século XVII só raramente foi contestada esta c) Pressupõem condições políticas da época posterior:
teoria. Evidentemente surgiram sempre dúvidas o emprego do topônimo Dan, que data, no máximo, do
expressas contra ela, mas não se pode falar que estabelecimento de Israel na época dos Juízes (Gn
tenham sido uma investigação de sentido histórico. 14,14; Dt 34,1); antes que os filhos de Israel tivessem
Orígenes se defrontou com as críticas de Celso contra rei (Gn 36,31); a lei relativa ao rei (Dt 17,14ss).
a unidade e a origem mosaica do Pentateuco, enquanto
outros padres rebatiam dúvidas semelhantes da parte
dos gnósticos. Na Idade Média, Isaac Ben Jesus 2. Tentativas de resolver o problema.
chegou à conclusão de que Gn 36,31 pressupõe a
Se o Pentateuco não provém de Moisés, então se põe
existência do reino de Israel, Ibn Esra e outros, e mais
a questão de saber como teria surgido. Foi a partir das
tarde Karl-Stadt, Masius, Pereira, Bonfrère e Hobbes, e
tentativas de dar uma resposta a estes problemas que
no período subsequente também Peyrère, Spinoza,
se desenvolveram a pesquisa e a crítica do Pentateuco,
Simon e Clericus, sobretudo, acrescentaram objeções
que constituiu e constitui ainda hoje a parte mais
isoladas de toda espécie, contra a autoria de Moisés.
considerável da ciência do AT. Devemos observar
Não fizeram observações construtivas e que
ainda que se trata de uma questão justa e necessária,
trouxessem real progresso. Deparava-se apenas com
e que são inevitáveis as tentativas de resolvê-la de
detalhes estranhos, sem que se buscasse um ponto de
modo o mais exato possível. A própria Exegese e a
referência fundamental.
Teologia não podem prescindir delas.
Constata-se, nesta altura, que o Pentateuco se
O empenho em discernir cada uma das partes que
apresenta na realidade como uma obra anônima, sem
entram na composição do Pentateuco e em determinar
indicação de autor e sem informação direta sobre a
a época em que ele apareceu, bem como o de saber
origem mosaica para todo o conteúdo. Deste modo, a
sua finalidade, deu origem a uma série de hipóteses,
tradição afirma, mais do que o próprio Pentateuco,
que funcionam como tentativas de solução. A pesquisa
sobre a proveniência deste. Somente algumas
crítica teve dois precursores que logo foram esquecidos
perícopes são atribuídas expressamente à autoria de
e não tiveram influência: o pastor H. B. Witter, que
Moisés, sem que isto, no entanto, corresponda
utilizou como critério de distinção sobretudo a
necessariamente à realidade. Estas perícopes são:
alternância dos nomes divinos Javé e Elohim no
o relato da batalha contra os amalecitas (Ex 17,14), Gênesis e reconheceu a existência de duas narrativas
aquilo que se costuma chamar de Código da Aliança, distintas da criação, mas não estendeu sua pesquisa a
(Ex 24,4), todo o Gênesis, e J. Astruc, que partiu igualmente da
o decálogo cultual (Ex 34,27), diferença dos dois nomes divinos, para distinguir no
a lista dos sítios dos acampamentos (Nm 33,2), Gênesis a presença de duas fontes principais e de dez
o "Deuteronômio" (Dt 1,5;4,45;31,9.24), fontes secundárias que teriam sido usadas por Moisés.
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a) A primeira hipótese dos documentos (Eichhorn, e) As pesquisas posteriores provocaram, em breve,
Ilgen) afirmava que o Pentateuco, do qual, quase fortes mudanças na opinião relativa à ordem
sempre só se pesquisava o Gênesis, se originara de cronológica destas fontes. Depois que Reuss e Vatke
várias fontes. Segundo tal hipótese, o Pentateuco é deixaram de considerar o documento conhecido pela
composto de uma série de narrativas correlatas, em abreviatura P como o mais antigo, e lhe atribuíram uma
que o último redator ou revisor utilizou como data bastante tardia, sua posição foi amplamente
"documentos" formulados definitivamente, mas aceita, sob a influência das pesquisas de Graf, Keunen
submetendo-os a uma revisão do conjunto. Contudo, e Wellнausen. Este novo ponto de vista pode ser
esta hipótese se depara com dificuldades, quando expresso como segue: J é o documento mais antigo do
passa ao estudo dos códigos legais. Pentateuco; P não se situa no começo da história da fé
javista, mas pertence a um estádio bastante posterior.
b) A hipótese dos fragmentos (Geddes, Vater, e De
Deste modo, teremos a ordem de seqüência: J-E-D-P.
Wette até certo ponto) parte do estudo dos códigos
Desde então, esta seqüência foi admitida quase
legais do Pentateuco. Estes códigos dão a impressão
universalmente na pesquisa posterior, como também
de serem fragmentos mais ou menos extensos,
sua datação, embora com certas hesitações, e
autônomos e independentes entre si, e de terem sido
recentemente, também com a tendência a admitir-se
colocados uns ao lado dos outros no Pentateuco, sem
uma época mais antiga: para J o século IX, para E o
uma vinculação interna. Com base nesta descoberta,
século VIII, para D o século VII e para P o século V.
procurou-se captar o processo de formação de todo o
Pentateuco, partindo-se da elaboração redacional Desta opinião divergem sobretudo König, Orelli e
desses fragmentos legislativos e narrativos. Contudo, Strack, entre outros, que consideram E como a fonte
logo que se procure aplicar esta hipótese às secções mais antiga e admitem uma data mais recuada: E teria
narrativas, tornar-se quase impossível entender a surgido por volta de 1200, J por volta de 1000, D por
existência da construção planificada e da cuidadosa volta de 700-650, e P por volta de 500 a.C.; Dillмann,
ordenação de todo o conjunto, bem como a cronologia Graf Baudissin propõem a sequência E-J-P-D e
que lhe é correlata. também uma data um pouco mais antiga: E, 900-850;
J, 800-750; P, 800-700, e D, 650-623 a.C.: e Kaufmann,
c) A hipótese complementar (Ewald, até certo ponto;
com a tese segundo a qual P seria a fonte mais antiga.
Bleek, Tuch, Frz. Delitzsch) procurou resolver o
problema, admitindo que uma só fonte constitui o f) Além de muitos estudiosos do AT, que a partir de
núcleo do Pentateuco, ou seja, o chamado documento então tem adotado a opinião de Graf, Kuenen e
básico [Grundschrift], eloísta e de composição unitária, Wellhausen, não faltam aqueles que a rejeitam,
que foi completado depois por elementos javistas. modificam ou pretendem substituir a segunda hipótese
Ewald, cuja opinião se identificava essencialmente com dos documentos.
a da primeira hipótese dos documentos, bem cedo se
Devemos mencionar, sobretudo, as seguintes tomadas
afastou da hipótese complementar e, como outros,
de posição: muitas vezes procurou-se defendera a
passou a admitir duas fontes eloístas que teriam sido
unidade literária do Pentateuco e sua autenticidade
reescritas, fundidas e completadas por um autor javista.
mosaica. Assim, entre outros, Möller, MacDonald,
Ewald estabelece, assim, uma certa ligação entre a
Jacob, Aalders, Young e Rabast. Também Levy e
primeira hipótese dos documentos e a hipótese
Wiseman procuraram argumentos que sirvam de apoio
complementar (e semelhantemente Schrader).
à tradição. Apesar da validade de suas considerações
d) A segunda hipótese dos documentos (Hupfeld, e observações no que diz respeito aos pormenores, tais
Riehm, Dillмann, Frz. Deliтzscн) admite a existência de opiniões em nada contribuíram para resolver o
três fontes preexistentes e originalmente autônomas: problema da origem do Pentateuco. Representam, em
duas eloístas e uma javista, que um redator final verdade, os inevitáveis movimentos de defesa contra a
refundiu e combinou. Depois que Riеhm fez valer, mais investigação crítica. Klostermann e Robertson
tarde e quase universalmente, a tese defendida por De propugnam uma espécie de teoria da cristalização
Wette, segundo a qual o Deuteronômio é obra (Eissfeldt), segundo a qual as demais partes do
autônoma e distinta dos demais livros do Pentateuco, Pentateuco foram-se agrupando paulatinamente em
passou-se a ter uma base crítico-literária, na qual se torno da lei mosaica, durante sua recitação em público.
admitiam quatro componentes primitivos e se
Erdmann e Dahse reprovam a opinião dos que admitem
determinava a ordem de sucessão das partes.
a preexistência de fontes circulantes, recusando-se a
Utilizando as abreviaturas hoje universalmente aceitas,
tomar como critério para isto a diversidade dos nomes
teremos a seqüência: P (Priesterschrift, “Documento
divinos, e defendem uma espécie de hipótese
Sacerdotal”) – E (Eloísta) – J (Javista) – D
complementar.
(Deuteronomista).
Löhr admite que Esdras tenha compilado uma material
que remontaria a Moisés. Seria, assim, o redator do
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Pentateuco. Deste modo renova, até certo ponto, a a) Na pesquisa crítico-literária observou-se o empenho
hipótese dos fragmentos. por aperfeiçoar a análise. As fontes aparecem sem
homogeneidade e compostas de várias camadas ou
filões.
Baseados nos estudos feitos por J. Pedersen para o
Depois que Sᴄʜʀᴀᴅᴇʀ, Bᴜᴅᴅᴇ e Bʀᴜsᴛᴏɴ deram início
conhecimento da mentalidade israelítica e ao mesmo
ao processo de distinguir em J diversos fios de
tempo admitindo a hipótese de uma tradição oral que
narrativas, isto aliás no sentido de um afrouxamento da
teria persistido até depois do exílio, Engnell e outros
hipótese dos documentos, uma vez que se abandonou
consideram como inconsistente e mesmo impossível a
a tese de um único autor a trabalhar segundo um plano
distinção entre as fontes. Também desta maneira de
premeditado, Sᴍᴇɴᴅ deu um passo decisivo no sentido
abordar a história das tradições, e mesmo abstraindo
de se admitir que a conhecida fonte J não era um
das concepções arbitrárias conexas, a respeito da
documento unitário nem foram ampliado com
história religiosa, é indisfarçável a preocupação em se
acréscimos, mas, antes, constava de duas fontes onde
manter dentro da tradição em face da crítica.
aparece de ambos os lados o nome divino de Javé. À
Volz e Rudolph rejeitam a teoria de uma fonte E. estas duas fontes ele deu, respectivamente, o nome de
Enquanto Voltz considera E e P apenas como produtos J¹ e J², contando a partir de então com cinco fontes do
de uma reelaboração de J, Rudolph considera como Pentateuco, ao mesmo tempo em que as apresentava
independentes não somente P, mas também certos seguinte ordem cronológica: J¹ - J² - E - D - P. Esta tese
trechos de E, que ele, no entanto, interpreta como foi aceita, embora com ligeiras modificações, entre
interpolações introduzidas em J. Também Mowinckel outros por Eichrodt ³⁹, Holzinger, Meinhold, Eissfeldt,
se voltou ultimamente contra a hipótese de E como Simpson e Fᴏʜʀᴇʀ. Eissfeldt, por sua vez, substitui a
fonte autônoma. Em vez disto, considera o material designação J¹ pela de L (Laienquelle, "fonte leiga"),
como sendo ampliações e reformulações posteriores para indicar a diferença desta fonte em confronto com
de J, feitas com base no material das variantes o interesse sacerdotal e cultual que se observa em P,
surgidas no decorrer do tempo. Deste modo, o Javista ao passo que Fᴏʜʀᴇʀ prefere designá-la com a sigla N,
se transforma de invariatus em Javista variatus. em vista do seu pronunciado sabor nômade.
Independentemente de Sᴍᴇɴᴅ, Morgenstern admite a
Para Winnet, os livros de Êxodo e Números contêm existência de uma fonte quenita [K, abrev. de Keniter-
uma tradição continuada que teria surgido no norte de Quelle], surgida por volta de 900 a.C., no sul da
Israel, sem a presença de outras fontes isoladas, e teria Palestina, e Pfeiffer, uma fonte mais antiga (S), surgida
sofrido uma revisão antes do exílio (deuteronomista) e em Seir ou no sul da Palestina, no século X a.C. Em
outra depois do exílio (P). contraposição com estas teses, Hölscher pretendeu,
mais do que ninguém, demonstrar a unidade de J, mas
Em Cassuto, encontramos uma espécie de hipótese
teve de reconhecer como pertencendo ao seu J, dado
dos fragmentos. Segundo ele, o Pentateuco seria uma
tratar-se de duplicatas, uma série de trechos que, no
obra homogênea e originária da época dos profetas. Na
entanto, parecem bem antigos e quadram
construção dessa obra teria sido utilizada uma parte do
perfeitamente com o referido J. Por outro lado, ele
material das numerosas tradições correntes em Israel,
atribuiu a J certas passagens que perturbam
tendo sido ela reelaborada tantas vezes, que na
visivelmente o rito da narrativa e destoam do contexto
multiplicidade e da multiplicidade, resultou uma obra
de seu J.
unitária.
Procksch propôs uma divisão para E, supondo a
Todas essas opiniões nada mais indicam do que uma
existência de uma fonte E¹, escrita no reino do Norte, e
advertência a nos convencermos cada vez mais da
uma variante E², produto de ampliações e que teria
solidez e da credibilidade dos fundamentos lançados
surgido em Judá, depois da ruína do reino setentrional.
pela segunda hipótese dos documentos no que respeita
Mas nesta tese seria preferível falar em ampliações no
à divisão das fontes do Pentateuco.
sentido da hipótese complementar.

O caráter compósito de P já era reconhecido de longa


3. Novas abordagens
data, principalmente no que se refere ao surgimento
No entretanto, as pesquisas sobre o Pentateuco paulatino dos conjuntos jurídicos (Wᴇʟʟʜᴀᴜsᴇɴ).
tiveram prosseguimentos por formas muito diversas. Segundo Vᴏɴ Rᴀᴅ, P é constituído de duas correntes
Sem negar a validade das bases ou dos princípios paralelas (Pᴬ e Pᴮ), a mais nova das quais apresenta
relativos à divisão das fontes, elas conduziram, por um caráter predominantemente cúltico e sacerdotal e é a
lado, à tentativa de aperfeiçoar esse método e, por que mais se estende em informações sobre pessoas e
outro lado, trouxeram novos conhecimentos e nova datas. Esta tese vai muito além da hipótese de um
percepção, que levaram a uma reformulação dos conjunto básico, ampliado posteriormente por diversos
conceitos de "hipótese" e de "documento". acréscimos. E aqui poderíamos perguntar se,
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precisamente no que se refere ao material legislativo, a necessário, de onde devem partir, de novo, todos os
aplicação da hipótese complementar e da hipótese dos que se dedicam ao estudo do Pentateuco, para poder
fragmentos não nos ofereceria uma explicação mais então recolocar a questão da origem das fontes do
satisfatória. Pentateuco.

b) A pesquisa sobre a história ds formas e dos motivos,


praticada em larga escala primeiramente por Gunkel e Os precedentes históricos da Hipótese
Gressmann, modificou até certo ponto a conceituação Documentaria
referente aos "documentos". A atenção se voltou do
Anteriormente à hipótese de Wellhausen, a visão
aspecto qualitativo e específico das fontes para as
tradicional de que Moisés era o autor do Pentateuco
narrações e para os materiais em particular, a fim de
começou a ser desacreditada, devido à uma crescente
captar a fase pré-literária, o nascimento e o
e detalhada análise que começou no século 17. Em
desenvolver da tradição oral, sua situação histórico-
1651 Thomas Hobbes, no capítulo 33 de seu livro
vital (Sitz im Leben) e a natureza da religião do povo. A
Leviatã, citou várias passagens, como Deuteronômio
partir daí as fontes se revelam, não como obras
34:6 "Nenhum homem sabe de sua sepultura até hoje",
literárias de grandes personalidades e compostas
o que implica um autor que viveu muito tempo depois
segundo um plano bem determinado, mas como
da morte de Moisés; Num 21:14, que se refere a um
compilações de elementos populares, transmitidos
livro anterior chamado “Atos de Moisés” ( Ambos os
desde tempos imemoriais e recolhidas, não por
livros de acordo com a tradução latina) e Genesis 12:6
indivíduos, mas por escolas. Daí resulta claramente
"e estavam então os cananeus na terra" (o que implica
que todas as fontes, mesmo as mais recentes, contém
um autor que vive em uma época em que os cananeus
material antigo e constituem, por isso mesmo,
era não estavam mais na terra), e concluiu que
conjuntos de natureza muito mais complexa do que se
nenhuma delas poderia ser por Moisés. Outros,
supunha antigamente. Isso é tanto mais válido a partir
incluindo os teólogos Isaac de la Peyrère e Richard
do momento em que se redescobre, em proporção
Simon, o filosofo holandês Baruch Spinoza e John
cada vez maior, a tradição do Antigo Oriente em seus
Hampden, chegaram à mesma conclusão, mas suas
aspectos comparativos. A pesquisa, principalmente a
obras foram condenadas, vários deles foram presos e
pesquisa condições legais e da arte de narrar, conduziu
forçados a se retratar.
a resultados notáveis, ainda que não indiscutíveis, e
haverá de trazer ainda novos conhecimentos. Em 1753 Jean Astruc publicou, de maneira anônima, o
livro «Conjectures sur les mémoires originaux, dont il
A isto se acrescenta o estudo da história das tradições,
paraît que Moïse s'est servi pour composer le livre de
que, ao contrário do conceito de história da tradição,
la Genèse». O motivo de Astruc era refutar Hobbes e
proposto por Engnell, se atém à distinção das fontes,
Spinoza. Para fazer isso, ele aplicou ao livro Gênesis
mas procurando recuar para além desta etapa e
as ferramentas de análise literária que os estudiosos já
investigando o paulatino desenvolver-se da tradição
estavam usando com textos clássicos como a Ilíada, do
atual, no decurso de sua longa história. Para isto, é
poeta grego Homero, para peneirar tradições e
preciso acompanhar os diversos ciclos de tradições e
variantes, e chegar ao texto mais autêntico. Ele
determinar sua idade, suas relações mútuas e sua
começou por identificar dois marcadores que pareciam
recíproca influência. Baseado nestes dados, Noth
identificar variações consistentes, a utilização de
identifica, aliás de modo muito esquemático, cinco
"Elohim" ou "YHWH" (Yahweh) como o nome de Deus,
temas básicos da tradição em estudo: o Êxodo, a
e ao aparecimento de histórias duplicadas, ou
conquista da terra, a promessa feita aos patriarcas, a
parecidas, como os dois relatos da criação no primeiro
condução do povo através do deserto e a revelação do
e segundo capítulos do Gênesis com relação ao
Sinai. A moldura temática que já existia foi preenchida
primeiro homem, e as duas histórias de Sara (mulher
com materiais narrativos, como o das pragas do Egito,
de Abrãao) e um rei estrangeiro (Gênesis cap. 12 e
da celebração da Páscoa, do Baal Peor (Beelfegor) e
Genesis cap. 20). Ele colocou os versículos em colunas
de Balaão, e da história de Jacó a leste do Jordão. Com
ordenadas, os versos "Elohim" em uma coluna, e os
outros enquadramentos e com a utilização de tradições
versos "YHWH" em outro, e os membros das parelhas
isoladas, como a novela de José e as genealogias, os
em suas próprias colunas ao lado destes. As colunas
temas foram pouco a pouco se desenvolvendo.
paralelas assim construídas continham duas narrativas
Se, depois de tudo isto, voltarmos o olhar para os longas, cada um lidando com os mesmos incidentes.
primórdios das fontes e considerarmos o seu Astruc sugeriu que esses eram os documentos originais
desabrochar ao longo de vários estágios, de modo cada utilizados por Moisés, e que o Gênesis como escrito por
vez mais crescente, veremos que a pesquisa do Moisés como narrativas paralelas feitas para serem
Pentateuco se torna de tal modo complexa, que as lidas separadamente. De acordo com Astruc, um editor
datas propostas pelas "hipóteses" podem valer apenas mais tarde teria combinado as colunas em uma única
como seu começo. Naturalmente é um começo
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narrativa, criando as confusões e repetições uma forma tão persuasiva, que suas teorias
observadas por Hobbes e Spinoza. dominariam o debate acadêmico sobre o assunto
durante os próximos cem anos.
Se o objetivo de Astruc era refutar os críticos da autoria
mosaica do Genesis ou de todos os livros do Os critérios adotados por Wellhausen para distinguir as
Pentateuco, suas conseqüências não poderiam ter sido fontes eram aqueles que foram desenvolvidos por seus
mais irônicas. As ferramentas adaptadas por Astruc antecessores ao longo do século anterior: estilo
para a crítica das fontes bíblicas foram desenvolvidas (incluindo, mas não exclusivamente, a escolha do
por estudiosos posteriores, a maioria deles alemães. vocabulário); nomes divinos; parelhas e,
De 1780 o teólogo protestante Johann Gottfried ocasionalmente, tripletos. A fonte Javista (ou
Eichhorn estendeu a análise de Astruc do Gênesis para simplesmente J) foi identificada com um estilo de
todo o Pentateuco, e por volta de 1823, ele havia narrativa rica, a fonte Eloísta é um pouco menos
concluído que Moisés não tinha, em nenhuma parte, eloquente, a língua do P era áspera e legalista. Itens de
escrito qualquer uma delas. Em 1805 o teólogo alemão vocabulário, como os nomes de Deus, ou o uso do
Wilhelm de Wette concluiu que o Deuteronômio tinha nome Horebe (E e D) ou Sinai (J e P) para a montanha
uma terceira fonte independente. Por volta de 1822, o de Deus, objetos rituais, como a Arca da Aliança, que é
estudioso Friedrich Bleek identificou o livro de Josué frequentemente mencionada em J, mas nunca em E, o
como sendo uma continuação do Pentateuco via estatuto dos juízes (que nunca é mencionado em P) e
Deuteronômio, enquanto outros identificaram sinais da os Profetas (mencionados apenas em E e D), o meio
fonte Deuteronomista nos livros de Juízes, Samuel e de comunicação entre Deus e a humanidade (O Deus
Reis. Em 1853 Hermann Hupfeld sugeriu que a fonte da fonte Javista encontra-se em sua própria pessoa
Eloísta era proveniente de duas fontes, e que por isso com Adão e Abraão, o Deus da fonte Eloísta se
deveria ser dividido, isolando assim a fonte Sacerdotal; comunica através de sonhos, e o deus da fonte
Hupfeld também enfatizou a importância do redator (ou Sacerdotal (ou P) apenas pode ser abordado através
editor final) na produção da Torá a partir das quatro do sacerdócio ). Tudo isso e um pouco mais formaram
fontes. Nem todo o Pentateuco foi atribuído a estas o conjunto de ferramentas para discriminar entre as
quatro fontes: várias seções menores foram fontes e localizar os versos atribuindo à elas.
identificadas, como o Código de Santidade, que está
Agora chegamos à questão histórica. O ponto de
contido em Levítico 17 a 26.
partida de Wellhausen para datar as fontes é o evento
Estudiosos também tentaram identificar a seqüência e descrito em 2 Reis 22:8-20: a "o rolo da Torá" (que pode
as datas das quatro fontes, e propor que poderiam ter ser traduzido como "instrução" ou "lei"), que é
sido produzidas, e por quê De Wette concluído em 1805 descoberto no Templo de Jerusalém pelo Sumo
que nenhum dos livros do Pentateuco foi composto Sacerdote Hilquias, no décimo oitavo ano do rei Josias,
antes do tempo de David, uma vez que a fonte que subiu ao trono aos oito anos de idade. O que é lido
Deuteronomista estava ligada com os sacerdotes do à Josias o motiva a embarcar em uma campanha de
Templo em Jerusalém, durante o reinado de Josias, em reforma religiosa, destruindo todos os altares, exceto
621 a.C. Eles sugeriam diversas tentativas para a no Templo, proibindo tudo, exceto o sacrifício no
composição na ordem PEJD, EJDP ou JEDP, e a Templo, e insistindo na adoração exclusiva de Yahweh.
questão estava longe de ser resolvida. No século 4 d.C. Jerônimo (o autor da Vulgata Latina)
especulou que o livro encontrado poderia ter sido
E é aí que entra o influente trabalho de Julius
Deuteronômio, mas De Wette, em 1805, sugeriu que
Wellhausen. Em 1876 Julius Wellhausen publicou uma
poderia ter sido apenas o código legalista em
obra chamada «Die Composition des Hexateuchs und
Deuteronômio 12-26 que Hilquias encontrou, e que ele
der historischen Bücher des Alten Testaments» ("A
poderia ter escrito por conta própria, sozinho, ou em
Composição do Hexateuco e dos livros históricos do
colaboração com Josias. O historiador deuteronomista
Antigo Testamento"), ou seja, o Pentateuco mais o livro
certamente tinha Josias em alta conta: 1 Reis 13 o
de Josué, no qual ele partiu da hipótese de quatro fonte
nomeia como aquele que será enviado por Yahweh
de origem do Pentateuco, o que foi seguido em 1878
para exterminar os sacerdotes apóstatas de Betel, em
por outro livro que ele publicou, «Prolegomena zur
uma profecia que teria sido feita 300 anos antes de seu
Geschichte Israels» ("Prolegômenos à História de
nascimento.
Israel"), uma obra que traçou o desenvolvimento da
religião dos antigos israelitas de uma forma Com a fonte D ancorada na história, Wellhausen
inteiramente secular e histórica, não do ponto de vista começou a colocar as fontes restantes em torno dela.
sobrenatural e mitológico. E na verdade Wellhausen Ele aceitou a conclusão de Karl Heinrich Graf de que as
introduziu poucas novidades no esquema das quatro fontes foram escritos na ordem JEDP. Este era
fontes, mas “peneirou” e combinou o trabalho de todo o contrário à opinião geral dos estudiosos da época, que
século anterior em uma forma coerente, a teoria viam P como a primeira das fontes, como o “guia oficial
abrangente sobre as origens da Torá e do judaísmo de para o culto divino aprovado", e o argumento
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sustentado da Wellhausen para uma composição tardia narrativas, compondo a metade do Genesis e metade
de P foi a grande inovação do seu livro Prolegômenos. do Êxodo, além de fragmentos do livro de Números, J
Wellhausen atribuiu a composição de J e E ao período tem um interesse especial no território do Reino de
da monarquia antiga, cerca de 950 a.C. para J e 850 Judá e de pessoas ligadas à sua história. J tem um
a.C. para E, e considerou P como tendo sido composta estilo eloquente. Estudiosos estimam a data de
no período imediatamente posterior à volta dos judeus composição de J como sendo 950 a.C., não muito
do exílio persa, por volta de 500 a.C. Seu argumento tempo antes da divisão do Reino Unido de Israel no
para essas datas foi baseado no que foi visto em sua reino do norte de Israel e o reino do sul de Judá, em
época como a evolução natural da prática religiosa: no 922 a.C.
período pré e no início da sociedade monárquica
O Javista nos apresenta uma teologia da história, ao
descrita em Gênesis, Juízes e Samuel, foram erguidos
invés de teologia filosófica intemporal. O caráter de
altares onde os Patriarcas ou Heróis, tais como o que
Yahweh é conhecido por suas ações. A imagem javista
Josué escolheu, qualquer um poderia oferecer o
de Yahweh começa com a criação de seres humanos e
sacrifício, e porções eram oferecidas aos sacerdotes
a primitiva história da humanidade em geral (Gênesis
como o ofertante escolhesse; mas na antiga monarquia
2-11). As contribuições do javista neste material não
o sacrifício estava começando a ser centralizado e
pretendem apresentar uma história completa, mas sim
controlado pelo sacerdócio, enquanto os festivais pan-
alguns episódios com particular importância para as
israelitas, como a Páscoa, eram instituídos para ligar o
gerações posteriores. Estes episódios explicam a
povo ao monarca, em uma celebração conjunta da
mortalidade humana, a necessidade de trabalhar para
história nacional. No período pós-exílico, o templo em
viver, a existência de muitas línguas, a rivalidade entre
Jerusalém foi firmemente estabelecido como o único
irmãos, e a tentativa do homem de romper os limites de
santuário, e apenas os descendentes de Arão podiam
Deus. A família é muitas vezes vista em contextos
oferecer sacrifícios, e os festivais estavam ligados ao
teológicos, e a seqüência do pecado-castigo-graça
calendário em vez de estarem atrelados às estações, e
aparece várias vezes.
o cronograma de direitos sacerdotais era estritamente
obrigatório. A imagem javista de uma teologia da história continua
com o chamado de Abraão e a história subseqüente de
As quatro fontes foram então combinadas por uma
Israel e seus antepassados. O javista apresenta a
série de redatores (ou editores), primeiro J com E para
nação de Israel como o povo de Javé, que ele trouxe à
formar um JE combinado, em seguida, JE com D para
existência, protegida, e que se estabelece na terra de
formar um texto JED e, finalmente, JED com P para
Canaã em cumprimento de promessas feitas a Abraão,
formar JEDP, que é a Tora final. Retomando uma
Isaac e Jacob. A fonte javista apresenta uma história de
tradição acadêmica que remonta a Spinoza e Hobbes,
Israel, que também ilustra temas do pecado-castigo-
Wellhausen considerou Esdras, o líder do pós-exílio,
graça, mas mais especialmente um que retrata Yahweh
que restabeleceu a comunidade judaica em Jerusalém
como um libertador poderoso e provedor das
a mando do imperador persa Artaxerxes I em 458 a.C.,
necessidades de seu povo. A fé única em Yahweh é a
como sendo o redator final.
virtude fundamental. O javista também enfatiza o
Explicados os antecedentes, o surgimento e o destino de Israel para ser uma grande nação, que irá
desenvolvimento da Hipótese documentária, vamos governar sobre seus vizinhos e ter um rei da tribo de
analisar agora cada uma das fontes que a compõe, Judá. A teologia do javista se estende para além Israel,
segundo a teoria. Tais fontes são a Javista (ou J), a e inclui o aviso de que todas as nações serão
Eloísta (ou E), a Sacerdotal (ou P) e finalmente pela abençoadas através de Abraão (ou abençoadas
fonte Deuteronomista (ou D) através de Abraão). Além de tudo disso, o relatório da
destruição de Sodoma e Gomorra é atribuída ao javista.

A fonte Javista
A fonte Eloísta
A hipótese documentária atribui descrições
antropomórficas de Yahweh, visitas pessoais de O uso da palavra genérica para divindade “Elohim”, em
Yahweh, e uso do seu nome pessoal antes de Êxodo 3 vez do nome mais pessoal, Yahweh, antes de Êxodo 3,
à fonte Javista. É um mal-entendido que se tem da e descrições de Yahweh de natureza mais impessoal
hipótese documentária de atribuir todo o uso do nome (por exemplo, falando através de sonhos, profetas,
pessoal de Yahweh para a fonte Javista, dado o fato anjos e ao invés de aparências pessoais), indicam a
que o Deuteronomista, o Eloísta, a Sacerdotal e outros fonte Eloísta, de acordo com a hipótese documentária.
documentos originais contêm numerosos usos do nome A narrativa do Eloísta não começa com uma descrição
Yahweh. Mas a fonte Javista é a única a usar o nome da criação da humanidade por Yahweh, mas com o
pessoal de Yahweh antes de Êxodo 3. Acredita-se que aviso divino a Abraão, o antepassado de Israel. Pelo
esta seja a fonte mais antiga, interessada nas fato da fonte javista e da fonte eloísta usarem "Yahweh"

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para Deus depois de Êxodo 3, é mais difícil de discernir duplica J e E, mas os seus detalhes alteram e salientam
o eloísta do material de origem javista a partir desse a importância do sacerdócio. P consiste cerca de um
ponto. A fonte E tem muitos paralelos com J, muitas quinto do Gênesis (incluindo o seu famoso primeiro
vezes duplicando as narrativas. E compõe um terço dos capítulo), partes substanciais do Êxodo e Números, e
Genesis e a metade do Êxodo, além de fragmentos de quase todo o Levítico. De acordo com Wellhausen, P
Números. A fonte E descreve um Deus humano como tem um baixo nível de estilo literário. Estudiosos
inicialmente sendo chamado de Elohim, e sendo estimam sua composição como sendo entre 600 a.C. e
chamado de Yahweh posteriormente ao incidente da 400 aC.
sarça ardente, em que Elohim se revela como sendo
A fonte Sacerdotal retrata Yahweh como sendo um
Yahweh. E se concentra no Reino de Israel e sobre o
deus que está interessado em ritual. O pacto da
sacerdócio de Siló, uma cidade no monte de Efraim e a
circuncisão, as leis dietéticas, e a ênfase em se
capital religiosa de Israel no tempo dos Juízes, e tem
construir um tabernáculo de acordo com um plano
um estilo moderadamente eloquente. Estudiosos
divinamente revelado, estão todos atribuídos à fonte
sugerem que a fonte Eloísta foi composta cerca de 850
sacerdotal. A presença de Yahweh e de suas bênçãos
a.C.
são descritos na fonte Sacerdotal como sendo não
A teologia da Eloísta se concentra em quatro elementos sendo intermediados pelo rei, mas sim pelo sumo
principais: 1) A Liderança Profética, 2) o temor de Deus, sacerdote, mediando no lugar central de adoração.
3) A Aliança, e 4) a Teologia da História. A liderança
A fonte Sacerdotal retrata uma estrutura formal em
profética é enfatizada pela construção da narrativa nos
termos de espaço, tempo e estrutura social. O centro
quatro ancestrais (Abraão, Jacob, José e Moisés), que
espacial do universo é o santuário, que é modelado
se apresentam como profetas que recebem revelações
pela primeira vez no tabernáculo, e mais tarde no
de Deus em visões e sonhos. O conceito de temor de
templo modelado após o padrão revelado a Moisés. É
Deus do Eloísta vai além do temor reverente, e é a raiz
neste local específico que Yahweh quis fazer-se
da obediência de Abraão para a ordem de matar seu
presente ao seu povo. Yahweh providenciou a ordem
filho. O Pacto é enfatizada pelo Eloísta em várias
temporal em torno de ordens progressivas de sábados:
ocasiões, nomeadamente na cerimônia de aliança de
Sete dias, sete meses, sete anos, sete vezes sete anos.
Êxodo 24, no estabelecimento da tenda da
Em termos de estrutura social, a fonte Sacerdotal
congregação, e na rebelião de Israel no Sinai com a
retrata Yahweh como garantindo a sua presença para
adoração do bezerro de ouro, que apresenta a visão
as pessoas particulares "que sabem o seu nome." O
pessimista do Eloísta sobre a propensão de Israel de
sacerdócio, o sistema ritual, e a lei representam a
violar sua aliança com Deus. A teologia Eloísta da
ordem cósmica em uma vestimenta sacerdotal.
história é focada sobre a nação de Israel, e é muito mais
inclinado do que o Javista para se concentrar nos
aspectos especificamente religiosos de oração, A fonte Deuteronomista
sacrifício e revelações proféticas. O objetivo da história
de Israel é explicitamente religioso: ser "um reino de Segundo o estudioso alemão Martin Noth, a fonte
sacerdotes e uma nação santa". Deuteronomista foi escrita em meados do século 6 a.C.,
com o objetivo de abordar os contemporâneos no exílio
babilônico para mostrar-lhes que "os seus sofrimentos
foram conseqüências de séculos de declínio da
A fonte Sacerdotal fidelidade de Israel à Yahweh". A lealdade para com
Yahweh era medida em termos de obediência ao
A hipótese documentária descreve a fonte Sacerdotal
código deuteronomista. Desde que Israel e Judá tinham
como usando o título “Elohim” como o nome geral de
deixado de seguir a lei, suas histórias terminaram em
Deus no período primitivo (Gênesis 1-11). El Shaddai é
sua destruição completa, de acordo com o juízo divino
o primeiro nome especial para Deus e é revelado aos
previsto Deuteronômio. "Entretanto, se vocês não
patriarcas, sendo reservado para aquela era. Javé é o
obedeceram à Yahweh, seu Deus, e não seguirem
nome pessoal de Deus, que se revela a Moisés, e que
cuidadosamente todos os seus mandamentos e
nunca sido colocada na boca de qualquer falante pela
decretos que hoje dou à vocês, todas essas maldições
fonte Sacerdotal antes de Moisés. A fonte Sacerdotal
cairão sobre vocês, e os atingirão", segundo
retrata Deus / Yahweh como sendo o criador de todo o
Deuteronômio 28:15. A fonte D no Pentateuco é restrita
mundo, que ele declarou ser bom, e sobre o qual ele
ao livro de Deuteronômio, embora continue nos livros
concedeu sua bênção. A humanidade é criada à
posteriores de Josué, Juízes e Reis. Ele toma a forma
imagem de Deus (ou como a imagem de Deus), o que
de uma série de sermões sobre a Lei, bem como
implica o domínio sobre toda a terra. A fonte P inclui
recapitula a narrativa do Êxodo e Números. Seu termo
muitas listas (especialmente genealogias), datas,
distinto para Deus é YHWH Eloheinu, tradicionalmente
números e leis. Retratos de Deus visto como distante e
traduzido em português como "O Senhor nosso Deus."
impiedoso são atribuídas a P. A fonte P parcialmente
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Outros estudiosos estimam que essa fonte pode ter R Redator final, ou Editor, que possivelmente é Esdras.
sido composta precisamente entre 650-621 a.C., o que
teria sido antes do exílio na Babilônia (587-539 a.C.)
Críticas à Hipótese Documentária
De acordo com outro estudioso, Gerhard von Rad, a
Durante a maior parte do século 20, a hipótese de
visão de Martin Noth sobre o propósito do
Wellhausen formou o quadro em que foram discutidas
Deuteronomista enfatizou o tema do julgamento, mas
as origens do Pentateuco, e até mesmo o Vaticano
perdeu o tema da graça de Yahweh na história
chegou a incentivar que a "luz derivada de pesquisas
deuteronomista. O Deuteronomista relatou repetidas
recentes" não poderia ser negligenciada por estudiosos
ocorrências de palavra de Yahweh no trabalho em
católicos, instando-os especialmente para prestar
descrever oráculos anteriormente relatados dos
atenção para "as fontes escritas ou orais" e "as formas
profetas de Yahweh, sendo precisamente cumpridas
de expressão" usada pelo "escritor sagrado". Algumas
nos eventos descritos mais adiante. Por um lado, a
modificações importantes foram introduzidas,
destruição de Israel e Judá foi retratada como estando
nomeadamente por Albrecht Alt e Martin Noth, que
de acordo com o pronunciamento profético da
defenderam a transmissão oral de crenças antigas
desgraça, em retaliação pela desobediência. Por outro
centrais: a saída do Egito, a conquista da Terra
lado, a destruição final foi contida pela promessa de
Prometida, convênios, revelação no Sinai/Horeb, etc.
Yahweh à David, que é encontrada no oráculo de Natã
Ao mesmo tempo, o trabalho da escola de arqueologia
em 2 Samuel 7 e reiterado ao longo de 1-2 Reis.
bíblica americana sob William F. Albright parecia
confirmar que, mesmo se o Gênesis e Êxodo foram
apenas finalizado em sua forma final no primeiro
Outro estudioso, H.W. Wolff ,descreve o propósito do
milênio a.C., o foram ainda firmemente enraizados na
Deuteronomista no esquema de apostasia, castigo,
realidade material do segundo milênio antes de Cristo.
arrependimento e libertação comum na história
O efeito global de tais refinamentos era ajudar a uma
deuteronomista. De acordo com Wolff, a intenção do
maior aceitação da hipótese básica por crentes
Deuteronomista era mostrar os exilados que estavam
tranqüilizados de que, mesmo se a forma final do
na segunda fase deste esquema e, portanto,
Pentateuco era tardia e não devido ao próprio Moisés,
precisavam "clamar à Yahweh em arrependimento". De
era possível recuperar uma imagem credível do período
acordo com o padrão de relações anteriores de Yahweh
de Moisés e da idade patriarcal. Assim, embora
com Israel, o imperativo para os exilados era
contestada por estudiosos como Umberto Cassuto, a
simplesmente voltar para Deus.
oposição à hipótese documentária gradualmente
De um modo geral, a Hipótese Documentária pode ser diminuiu, e até os anos 1970 foi quase universalmente
definida no seguinte esquema: aceita.

Isso mudou quando o estudioso Roger N. Whybray, em


1987, reapresentou argumentos quase idênticos, com
conseqüências muito maiores. Nesta época haviam
sido propostos três modelos distintos para a
composição do Pentateuco: o Documentário (a Torá
como uma compilação de livros originalmente
separados, mas completos), o Suplementar (um único
livro original, suplementado com adições e/ou
exclusões posteriores), e a Fragmentária (muitas obras
fragmentárias e edições). Whybray argumentou que
dos três modelos possíveis o Documentário era o mais
difícil de se demonstrar,e que os modelos
Complementares e Fragmentários que haviam sido
propostos se baseavam em processos relativamente
Esquema básico da Hipótese documentária: simples, lógicos e poderiam explicar a irregularidade do
texto final, o processo previsto pela Hipotese
As fontes mais antigas seriam J e E, que teriam sido
Documentária é complexo e extremamente específico
combinadas para formar JE.
em suas suposições sobre o antigo Israel e o
P* Inclui boa parte do Levítico desenvolvimento de sua religião. Whybray passou a
afirmar que estes pressupostos eram ilógicos e
D† Inclui boa parte do Deuteronômio contraditórios, e não tinham poder de oferecer uma
D‡ "História Deuteronômica": Os livros de Josué, explicação verdadeira. Por que, por exemplo, deveriam
Juízes, 1 & 2 Samuel, 1 & 2 Reis. os autores das fontes distintas evitar a duplicação,
enquanto o redator final a aceitaria? Assim, a Hipótese
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Documentária só poderia ser mantida na hipótese de desenvolvimento da religião israelita. Friedman
que, enquanto a consistência era a marca registrada argumentou que J apareceu um pouco antes de 722
dos vários fontes e documentos, inconsistência era a a.C., seguido por E, e um combinado JE surgiu logo
marca dos redatores! depois disso. P foi escrito como uma refutação da JE
(cerca de 715-687 a.C.), e D foi o último a aparecer, no
Desde Whybray tem havido uma proliferação de teorias
tempo de Josias (cerca de 622 a.C.), antes do Redator,
e modelos sobre as origens da Torá, muitos deles
a quem Friedman identifica como sendo Esdras, reuniu
radicalmente diferentes do modelo de Wellhausen.
na Torá final.
Assim, para citar algumas das principais figuras das
últimas décadas do século 20, o erudito suíço H. H. Embora a terminologia e insights da Hipótese
Schmid quase completamente eliminou J, permitindo Documentária, nomeadamente a sua alegação de que
que apenas um redator deuteronômico tardio. Com a o Pentateuco é obra de muitas “mãos” e muitos
ideia de fontes identificáveis desaparecendo, a questão séculos, e que sua forma final pertence à metade do
da datação histórica também muda os seus termos. primeiro milênio a.C., continue a modelar o debate
Além disso, alguns estudiosos têm abandonado a acadêmico sobre as origens da o Pentateuco, ela em si
Hipótese Documentária totalmente em favor de já não domina esse debate, como fez durante os dois
modelos alternativos, que veem o Pentateuco como o primeiros terços do século 20. "As verdades
produto de um único autor, ou como o ponto final de um consagradas em apresentações mais antigas sobre o
processo de criação por toda a comunidade. Rolf tema das origens do Pentateuco desapareceram, e em
Rendtorff e Erhard Blum veem o Pentateuco como seu lugar os acadêmicos são confrontados por teorias
sendo o desenvolvimento da acumulação gradual de concorrentes que são desanimadoramente numerosas,
pequenas unidades em obras cada vez maiores, um extremamente complexas, e muitas vezes expressas
processo que remove tanto J e E, e, significativamente, em um estilo expositivo que não é para os fracos de
implica de uma vez em um modelo documentário coração", citando uma declaração de John Van Seter.
fragmentário das origens do Antigo Testamento; e
erudito canadense John Van Seters, utilizando um
modelo diferente, prevê um processo contínuo de
suplementação, em que mais autores tardios modificam
composições anteriores, e mudam o foco das
narrativas. A proposta contemporânea mais radical veio
de Thomas L. Thompson, que sugere que a redação
final da Torá ocorreu tardiamente, no período inicial do
domínio dos Hasmoneus. Essa teoria radical, que é
conhecida como Minimalismo bíblico, é uma que tem
menos aprovação por parte dos estudiosos.

A hipótese documentária ainda tem muitos adeptos,


principalmente nos Estados Unidos, onde William H.
Propp foi concluída a tradução de dois volumes e
comentários sobre Êxodo para a «Anchor Bible Series»
a partir de um quadro da Hipótese Documentária, e
Antony F. Campbell e Mark A. O'Brien terem publicado
o livro "Fontes do Pentateuco", apresentando a Torá
classificadas em fontes contínuas, seguindo as divisões
de Martin Noth. Os livros do estudioso Richard Elliott
Friedman «Who Wrote the Bible» (1987) e «The Bible
with Sources Revealed»(2003) são, em sua essência,
uma resposta estendida para Whybray, explicando, em
termos baseados na história do antigo Israel, como os
redatores poderiam ter tolerado a incoerência, a
contradição e a repetição, se isso de fato tivesse
forçadoeles pelo contexto histórico em que
trabalhavam. A clássica divisão de quatro fontes de
Friedman se diferencia da de Wellhausen ao aceitar a
datação de Yehezkel Kaufmann de P para o reinado de
Ezequias. Isso em si não é uma pequena modificação
de Wellhausen, para quem a datação tardia da P foi
essencial para o seu modelo histórico do

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