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PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA

Portal Educação

CURSO DE
PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO

Aluno:

EaD - Educação a Distância Portal Educação

AN02FREV001/REV 4.0

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CURSO DE
PSICOLOGIA DA COMUNICAÇÃO

MÓDULO I

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este
Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição
do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido
são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas.

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SUMÁRIO

MÓDULO I
1 O QUE É COMUNICAÇÃO?
1.1 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA COMUNICAÇÃO
2 PSICOLOGIA E COMUNICAÇÃO
2.1 A PERCEPÇÃO E A COMUNICAÇÃO
2.2 SUBJETIVIDADE E COMUNICAÇÃO
2.3 A COMUNICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

MÓDULO II
3 ORATÓRIA: A ARTE DE FALAR EM PÚBLICO
3.1 SUGESTÕES PARA FAZER UMA BOA APRESENTAÇÃO
3.2 CONTROLANDO O NERVOSISMO
4 COMUNICAÇÃO VERBAL E NÃO VERBAL
4.1 ENTREVISTAS, REUNIÕES E DEBATES
4.1.1 Entrevistas
4.1.2 Reuniões
4.1.3 Debates

MÓDULO III
5 COMUNICAÇÃO ESCRITA
6 ESTRUTURANDO UM BOM TEXTO
6.1 REDAÇÃO EMPRESARIAL
6.1.1 Tipos de Redação Empresarial
7 O USO DO E-MAIL NO AMBIENTE DE TRABALHO
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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MÓDULO I

1 O QUE É COMUNICAÇÃO?

Para darmos início ao estudo da comunicação é preciso primeiramente


entender o que ela significa e o que ela representa para o ser humano e o mundo
que o cerca. As pessoas não vivem no isolamento e nem são autossuficientes. Elas
se relacionam de forma contínua umas com as outras ou com seus ambientes por
meio da comunicação.
Para Chiavenato (1998), a comunicação significa transferir a informação e
significado de uma pessoa para outra pessoa. É o processo de passar informação e
compreensão entre as pessoas. É a maneira de se relacionar com os outros por
meio de ideias, fatos, pensamentos e valores. A comunicação é o ponto que liga os
seres humanos para que eles possam compartilhar conhecimentos e sentimentos.
Ela envolve transação entre pessoas.
Dimbledy e Burton (1990) colocam que o estudo da comunicação aborda os
seguintes assuntos: conhecimento – o que ocorre quando as pessoas se comunicam
consigo mesmas (autocomunicação) e com outras; compreensão – como este
conhecimento pode ser utilizado para interpretar o processo de comunicação
diariamente; experiência – como utilizar esta compreensão para que a comunicação
seja mais efetiva e eficiente. O estudo mais aprofundado da comunicação inclui,
além do uso adequado da linguagem, outras formas de expressão. São estes
estudos que nos capacitam a entender o que nos dizem e, assim, tratar as pessoas.
O homem é um ser social que se diferencia dos demais pela sua capacidade
de julgar e discernir, estabelecendo regras para a vida em sociedade. Tal
concepção, nascida em “A Política”, de Aristóteles, implica estabelecer a
necessidade de linguagem para que o homem possa se comunicar com os outros e,
juntos, estabeleçam um código de vida em comum.

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A linguagem, capacidade comunicativa dos seres, constrói vínculos entre os
homens e possibilita a transmissão de culturas, além de garantir a eficácia
do funcionamento dos grupos sociais. Falando de forma simples, a
linguagem é qualquer sistema de signos que sirva para a comunicação
entre os homens. Esses signos podem ser visuais, sonoros, gestuais,
corporais, fisionômicos, escritos ou vocais. (TEIXEIRA, 2007, p. 9.).

“Toda comunicação envolve no mínimo duas pessoas: a que envia a


mensagem e a que a recebe. Uma pessoa sozinha não pode se comunicar, pois
somente com o receptor é que se pode completar o ato da comunicação”.
(CHIAVENATO, 1998).
Segundo Chiavenato (1998), existem três conceitos que são fundamentais
para entendermos por completo o que é a comunicação. São eles:

 Dado: é um registro a respeito de determinado evento ou ocorrência.


Um banco de dados, por exemplo, é um meio de acumular e
armazenar conjuntos de informações para serem posteriormente
combinados e processados.
 Informação: é um conjunto de dados com algum significado, ou seja,
que reduz a incerteza a respeito de algo ou que permite o
conhecimento a respeito de algo. O conceito de informação, tanto do
ponto de vista popular, como do científico, envolve um processo de
redução de incerteza.
 Comunicação: é quando uma informação é enviada a alguém, sendo
então compartilhada também por este. Para que a comunicação ocorra
é necessário que o destinatário da informação a receba e a
compreenda. A informação transmitida, mas não recebida, não foi
comunicada. Comunicar significa tornar comum a uma ou mais
pessoas determinada informação.

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FIGURA 1

FONTE: Disponível em: <http://www.blogrelacoes.com.br/2011/07/a-historia-e-a-memoria-recriando-


narrativas-na-comunicacao-organizacional/>. Acesso em: 17 set. 2012.

Agora que entendemos um pouco sobre o conceito de comunicação, vamos


seguir nossos estudos investigando tudo o que envolve este processo.

1.1 ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DA COMUNICAÇÃO

A comunicação é um processo complexo. Segundo Chiavenato (1998), traz


consigo cinco elementos que são fundamentais para que este processo aconteça de
maneira eficaz:

 Emissor ou Fonte: é a pessoa, coisa ou processo que emite a


mensagem para alguém, ou seja, para o destino. É a fonte de
comunicação.
 Transmissor ou codificador: é o equipamento que liga a fonte ao
canal, ou seja, que codifica a mensagem emitida pela fonte para
torná-la adequada e disponível ao canal.
 Canal: é a parte do sistema que separa a fonte do destino, que
podem estar fisicamente próximos ou distantes.

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 Receptor ou decodificador: é o equipamento localizado entre o
canal e o destino, isto é, que decodifica a mensagem para torná-la
compreensível ao destino.
 Destino: é a pessoa, coisa ou processo para qual a mensagem é
enviada. É o destinatário da comunicação.

FIGURA 2

FONTE: Disponível em: <http://ossemlivro-brytta.blogspot.com.br/2011/04/elementos-da-


comunicacao.html>. Acesso em: 19 set. 2012.

Teixeira (2007) enfatiza algumas questões importantes para que possamos


compreender este processo. Vejamos:

Emissor: remetente da mensagem. O processo decodificação da


mensagem exige do emissor que ele:

 Conheça o código utilizado e suas particularidades;


 Construa sua fala dentro das normas convencionais da língua;
 Estruture sua fala de maneira inteligente e clara;
 Escolha o canal adequado para fazer sua mensagem chegar ao
receptor;
 Perceba o contexto da comunicação e se o receptor compartilha desta
mesma percepção.

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Receptor: o destinatário, aquele que vai receber a mensagem e realiza o
processo de decodificação. Para que ocorra de maneira eficaz, é necessário
que o receptor:
 Conheça o código que está sendo utilizado e suas particularidades;
 Reconheça as regras da língua que está sendo utilizada pelo emissor;
 Entenda o sentido expresso da mensagem;
 Compartilhe do mesmo referencial a que se baseia a mensagem do
emissor.
Mensagem: conteúdo e objetivo da comunicação. É o centro do processo da
comunicação e só se concretizará de forma plena com a presença articulada
de todos os outros elementos.
Canal: é o meio que possibilita o contato entre emissor e receptor. É
necessário que o canal esteja livre de ruídos que possam atrapalhar a
chegada da mensagem ao receptor.

Segundo Chiavenato (1998), como o processo de comunicação é um


sistema aberto, pode surgir certas quantidades de ruídos. O ruído é uma
perturbação não desejada que distorce, deturpa ou altera, de forma imprevisível, a
mensagem que está sendo transmitida.

FIGURA 3

FONTE: Disponível em: <http://rosaao.blogspot.com.br/2009/08/ruidos-na-comunicacao-


charges.html>. Acesso em: 19 set. 2012.

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Os ruídos podem ser fatores externos à comunicação, físicos ou não, que
impedem que a ideia original chegue de maneira satisfatória ao receptor.
Um exemplo muito comum que podemos citar sobre os ruídos de
comunicação é a linha cruzada ao telefone, quando o processo de
transmissão da mensagem recebe a interferência de outro processo
indesejado ou que está fora do contexto da mensagem. Devemos entender
que são diversas as situações em que um ruído pode atrapalhar a
comunicação. (TEIXEIRA, 2007, p. 14).

Exemplos:

O emissor não organiza suas ideias de forma clara, levando ao não


entendimento da mensagem por parte do receptor. Neste caso, a fala do
emissor sofre influências de pensamentos inconclusivos, vagos ou
indefinidos, ou não se estrutura segundo as regras convencionais da
língua.
O receptor não está atento e concentrado o suficiente para receber a
mensagem, gerando mal-entendidos. Neste caso, a comunicação sofre
interferência de fatores subjetivos.
O emissor ou receptor não tem domínio do código que está sendo
utilizado para emitir a mensagem, podendo ocorrer quando o emissor
utiliza uma palavra desconhecida para o receptor, ficando a mensagem
com sua decodificação e entendimentos comprometidos; ou quando o
emissor faz uso de um vocábulo inadequado, supondo-lhe um sentido
que foge ao usual.
O emissor e o receptor têm percepções diferentes do contexto da
comunicação, ou o receptor o desconhece. É a situação clássica que
chamamos de “pegar o bonde andando e sentar na janela”, em que se
entende parte da mensagem de maneira descontextualizada do processo
inteiro da comunicação.

FONTE: TEIXEIRA, 2007.

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Além dos ruídos existem também as barreiras da comunicação. Chiavenato
(2004) afirma que é muito difícil que um processo de comunicação aconteça sem
problemas. Com frequência existem fatores que impedem que a comunicação não
aconteça de maneira bem-sucedida, estes fatores são chamados de barreiras da
comunicação. Barreiras são restrições ou limitações que ocorrem dentro ou entre as
etapas do processo de comunicação, fazendo que nem todo o sinal emitido pela
fonte percorra livremente o processo de modo a chegar incompleta ao seu destino.
O sinal pode sofrer perdas, mutilações ou distorções, o que implica no desvio da
comunicação.
Um fator importante e que está relacionado à boa comunicação é a
linguagem. Teixeira (2007, p. 9) explica que:

Grosso modo, linguagem é qualquer sistema de signos que sirva à


comunicação entre os homens. Os signos podem ser visuais, sonoros,
gestuais, fisionômicos, escritos ou vocais. A linguagem articulada que reúne
os signos vocais e escrita constitui-se a língua, sistema de signos (ou
código), em que ocorre a associação de sons ou letras (significante) a
conceitos determinados (significado). Os signos linguísticos (significante +
significado) forma o vocabulário da língua, sendo sua criação arbitrária e
convencional.

Com o uso da linguagem de forma articulada, há ações intrínsecas ao ato de


se comunicar, que não se relacionam exclusivamente ao conteúdo da mensagem e
ocorrem independentemente da intenção do seu emissor em seu ato de
comunicação. São as conhecidas funções de linguagem.
Ramon Jakobson, um dos mais importantes linguistas do século XX, criou
um modelo para as funções de linguagem a partir dos elementos da comunicação.
Segundo esse modelo, para cada elemento da comunicação existe uma função de
linguagem específica. Desta forma, são seis as funções de linguagem: emotiva ou
expressiva, apelativa ou conativa, fática e metalinguística, referencial e poética.
(TEIXEIRA, 2007). O autor explica cada uma delas como veremos abaixo.
Na função emotiva ou expressiva, a função é centrada no emissor, ou
seja, em quem está enviando a mensagem, refletindo sua visão própria do mundo,
suas emoções, sentimentos e aspectos subjetivos. A personalidade do emissor,
seus valores e opiniões particulares são notáveis no discurso. Ocorrem
frequentemente como interjeições, exclamações, reticências, adjetivos e presença
marcante da primeira pessoa.

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Exemplos:
 Ai, quem me dera...
 Filho, aquela sua namoradinha vem hoje?
A função apelativa ou conativa centra-se no receptor, procurando modificar
nele ideias, opiniões e estado de humor. Como o receptor vem em primeiro plano,
ocorre com discursos que contém ordens, apelos ou tentativas de convencimento ou
sedução. É comum o uso de verbos no imperativo, vocativos e tom persuasivo.
Exemplos:
 Fica quieto, rapaz!
 Por favor, por favor, estou pedindo...
 Beba Coca-Cola.

A função fática é utilizada para abrir, fechar ou testar o canal de


comunicação. Pode ocorrer também como recurso para reforçar o envio da
mensagem e sua percepção. Nas situações do dia a dia, nem sempre tem um
sentido específico as frases construídas para iniciar uma comunicação.
Exemplos:
 Alô? Está me ouvindo?
 Câmbio.
 Olá.

A função metalinguística é a que se preocupa em explicar ou esclarecer o


código utilizado na comunicação. É quando a linguagem fala de si mesma. Assim,
uma gramática, um dicionário e uma explicação oral sobre o uso da língua são
exemplos de função metalinguística.
No nosso cotidiano diário, a função de linguagem mais utilizada, que
aparece combinada com várias outras em quase todas as funções de comunicação,
é a função referencial. No ambiente profissional, a necessidade de precisão e
objetividade ao fornecer informações reforça o uso desta função. Em tal contexto,
quanto menores forem os ruídos, mais bem-sucedido será o processo de
comunicação, o que vem otimizar a rotina de empresas e organizações.
Estudando os elementos da comunicação e as funções de linguagem,
podemos concluir o quanto ela é complexa e para que ocorra de maneira eficiente é

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preciso que todos os elementos citados funcionem em perfeita harmonia, a fim de
evitar distorções de informações e até mesmo conflitos interpessoais por conta de
uma mensagem mal enviada ou mal interpretada.
Para entendermos um pouco o mundo subjetivo da comunicação vamos
adiante com nossos estudos falando sobre a Psicologia e a comunicação.

2 PSICOLOGIA E COMUNICAÇÃO

A Psicologia é uma ciência que busca entender de maneira geral os


aspectos envolvidos no comportamento humano, assim como o desenvolvimento
emocional e cognitivo, de modo a perceber como se dá o funcionamento da mente
humana.
Como vimos anteriormente, a comunicação é um processo complexo de
trocas de informações. Estamos a todo o momento nos comunicando com as
pessoas, seja no trabalho, em casa, na balada, no computador, ao telefone. Enfim,
não importa o meio, mas a maneira como nos comunicamos.
A Psicologia relacionada à comunicação vem nos dar uma visão mais ampla
de como acontece esse processo e todos os aspetos subjetivos e psicológicos
envolvidos nele. Nos itens seguintes veremos esta relação mais de perto.

2.1 A PERCEPÇÃO E A COMUNICAÇÃO

Ao falar de comunicação e Psicologia, um dos itens mais importantes que


devem ser considerados é a questão da percepção. A maneira como percebemos o
outro, a maneira como ele se comunica e a forma como nos envia a mensagem irá
influenciar muito no processo comunicacional.
Wagner (2003) afirma que uma série de fatores interpessoais e individuais
pode dificultar a comunicação no interior de grupos ou organizações. Para Drucker
(apud Lacombe, 2005), “o maior filtro durante o processo de comunicação é a

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percepção que as pessoas têm do que ouvem, ou seja, ouvimos o que esperamos
ouvir e percebemos o que queremos perceber. O inesperado não é todo captado,
sendo ouvido de forma distorcida”.
A comunicação em si exige de nós prática e habilidade para trocar
informações com as outras pessoas, e uma destas práticas é a percepção. A
percepção, segundo Dimbledy e Burton (1990, p. 72) “refere-se à observação e
avaliação da outra pessoa quando estamos nos comunicando com ela”.
Temos a habilidade de observar as pessoas com muito cuidado. Podemos
fazer isto muito bem para que nossa comunicação seja mais efetiva. A mesma coisa
se aplica para observamos nós mesmos durante o processo de comunicação, o que
diz respeito à percepção de nós mesmos.
Dessa habilidade acabamos por desenvolver outra. Quando tratamos com
uma pessoa é importante que sejamos capazes de se colocar no seu lugar. Isso
envolve a compreensão dos pontos de vistas que o outro tem a respeito do assunto,
desenvolvendo assim a empatia, um ingrediente importante quando falamos de
percepção e comunicação. (DIMBLEDY e BURTON, 1990).
De acordo com Lalucci (2006), a percepção é o meio em que nos
relacionamos com o mundo e com os sentidos. Com ela o indivíduo tem a
capacidade de captar-se. Os sentidos são os órgãos receptores que funcionam
como intermediários do indivíduo com o meio em que ele está inserido. São estes
sentidos que vão nos orientar nas relações com o mundo e consigo mesmo. Afinar
os sentidos ajuda a melhorar a recepção de estímulos e informações que são
oferecidas a todo o momento.
Para essa autora, a percepção tem dois caminhos básicos: um para fora,
dirigido para o mundo e o outro para dentro, dirigido para o próprio indivíduo. O
exercício destas duas percepções é que nos faz estar mais preparados para a vida.
O importante é ficar com a percepção ativa, o que facilita a compreensão do que
está acontecendo em volta e dentro de si mesmo. Só esta percepção, juntamente
com todos os órgãos dos sentidos, pode trazer à luz novas atitudes.
Juntamente à nossa capacidade de perceber as coisas tal qual como elas
são, está nossa capacidade de observação. Ser bom observador significa observar o
que é mais digno de atenção, o que é mais necessário. O bom observador deve

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estar atento às fontes de erros e estímulos enganadores. Estas fontes de erros
deturpam e limitam a percepção, originando um sinal enganador. (LALUCCI, 2006).

FIGURA 4

FONTE: Disponível em: <http://francimarcosta.com/noticias/como-se-fazer-perceptivo-


diante-de-uma-evangelizacao/>. Acesso em: 20 set. 2012.

Um aspecto a que precisamos estar atentos, segundo Auger (1992), é que


estamos muito habituados a confiar na própria percepção do mundo que nos cerca,
mesmo sabendo, teoricamente, que um objetivo pode ser considerado de diversas
maneiras por diferentes pessoas. Não somente nossa percepção nos parece
justificada, mas temos uma tendência inconsciente a erigi-la em absoluto, a
considerá-la como única possível.
Notemos, ainda, que nossa percepção dos elementos exteriores recebe
influência do conjunto de percepções que tivemos antes e que constituem o que se
chama de “quadro de referência”. Chiavenato (2004) vem reforçar estas colocações
falando sobre a percepção seletiva. Toda informação que recebemos é percebida,
classificada e organizada de acordo com nossos padrões de referência. A partir daí
vemos a importância de outro conceito, que é o da organização perceptiva: a
categorização de um objeto ou estímulo de acordo com os padrões de referências
de cada pessoa.
A percepção seletiva é o processo pelo qual cada um escolhe e seleciona os
vários objetos e estímulos que verdadeiramente tomam sua atenção. Alguns
estímulos chamarão atenção e outros não. A percepção seletiva ocorre porque a

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percepção humana é limitada: as pessoas não podem apreender a realidade na sua
totalidade em um determinado espaço de tempo. As partes focalizadas servem, por
algum propósito, de imediato. “As necessidades, influências que recebemos dos
meios sociais e culturais, atitudes e vontades de cada um, interagem a fim de definir
quais os estímulos importantes a serem percebidos”. (CHIAVENATO, 2004).
Estudando a percepção podemos entender como ela pode interferir
seriamente nos processos de comunicação, podendo causar conflitos e distorções
do que está se comunicando, pois somos capazes de perceber, mas somos dotados
de percepções, crenças e valores diferentes.

2.2 SUBJETIVIDADE E COMUNICAÇÃO

Somos seres individuais e completamente diferentes uns dos outros. Cada


um é dotado de uma personalidade, carregada de valores internos adquiridos ao
longo da vida, de acordo com o desenvolvimento e a cultura em que se está
inserido. Falaremos agora sobre como a subjetividade está relacionada à forma
como nos comunicamos com as pessoas.

FIGURA 5

FONTE: Disponível em: <http://www.blogizazilli.com/index.php/saude-e-bem-estar/inventar-doencas>.


Acesso em: 24 set. 2012.

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Morais (1992 p. 1321, apud Miranda 2005, p. 32) coloca que:

Subjetividade é a qualidade do que é subjetivo, indicando uma relação


essencial ao sujeito. Daí a sua contraposição à objetividade. Trata-se da
propriedade constitutiva do fenômeno psíquico do sujeito autoconsciente e
pensante, que só pode ser experimentado por ele. Caracteriza, pois, a
interioridade da pessoa, o seu caráter de individualidade irredutível a
qualquer conceito geral.

Para entendermos um pouco mais sobre a subjetividade Calich (2005) fala


do mundo externo e interno. Ao fazermos referências sobre estes dois mundos,
estamos definindo a existência de dois espaços. Um espaço dentro do psiquismo e
outro fora do psiquismo. Estes espaços são os âmbitos, os cenários em que
acontecem transações e ações entre seus elementos e objetos.
O autor explica que no espaço externo estão todos os seres vivos e os
objetos materiais, onde ocorrem as ações objetivas. Estas propriedades e ações
podem ser identificadas por meio dos nossos órgãos dos sentidos ou de suas
extensões. Entramos assim em contato com os objetos, suas propriedades e ações.
No espaço interno do psiquismo construímos os elementos mentais que
interpretam nossas experiências e o mundo que nos cerca, os objetos internos. Eles
são frutos de nossos movimentos psíquicos de transformação. O mundo interno
procura integrar quatro elementos:

1. Estímulos biológicos;
2. Estímulos culturais;
3. Apreensão da realidade;
4. A história subjetiva do sujeito.

“A cultura familiar, social e da história da humanidade, por meio da


linguagem verbal e não verbal – a transmissão de significados – poderá influenciar
desde as primeiras trocas com a mãe até a transmissão de hábitos, costumes, rituais
e crenças”. (CALICH, 2005, p. 163).
Segundo Auger (1992), ao vir ao mundo o indivíduo traz consigo alguns
elementos predestinados e herdados de seu meio, constituído primeiramente por
seus pais. Sua constituição genética resistiu, até agora, a qualquer esforço de
modificação ou manipulação. Desde o começo, também o ser humano acha-se em

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contato com o seu meio ambiente e é na interação entre a sua base constitutiva e
este meio ambiente que sua personalidade será formada.
A evolução do homem surge a partir de uma dupla fonte: o desenvolvimento
dinâmico de suas próprias forças de crescimento e a interação destas forças com o
meio em que está inserido. O homem é um ser dinâmico, possuidor de uma história
e orientado para um futuro; e para compreendê-lo em sua totalidade é preciso levar
em consideração suas raízes e o futuro pelo qual ele tende.
A partir da base inata do seu ser o indivíduo não se contenta em sofrer
influência do seu meio ambiente, ele passa a agir também para modificá-lo. Com o
tempo e a evolução é estabelecida certa constância, subjacentes às variações mais
superficiais. A personalidade se organiza e se integra comportando aspectos físicos,
emotivos e intelectuais, suas capacidades, seus talentos, seus conhecimentos, suas
lembranças, os comportamentos aprendidos, suas atitudes, suas crenças, seus
hábitos e tendências, assim como sua capacidade de se relacionar com as pessoas
(AUGER, 1992).
Estes aspectos mais estáveis da personalidade exercem influência direta
sobre o desenvolvimento do ser humano, condicionado a sua maneira de perceber
e, portanto, de integrar seu próprio mundo interior ao ambiente. Cada um perceberá
a realidade a seu modo, conforme o que é e por meio dos filtros de sua
personalidade e de suas experiências anteriores. A realidade e extremamente
ambígua e somos nós que a interpretamos à nossa maneira e a damos sentido.
Como podemos perceber a subjetividade do sujeito é formada desde o seu
nascimento e todos os fatores presentes na construção da sua personalidade irão
definir a maneira deste sujeito se relacionar com as pessoas e com o meio social em
que está inserido.

2.3 A COMUNICAÇÃO E O DESENVOLVIMENTO COGNITIVO

Desde que estamos na vida intrauterina é possível uma comunicação com o


mundo por intermédio do contato com a mãe, mas tarde com o pai que participa
desta gestação e de outras pessoas próximas à futura genitora. Ao nascer o bebê

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passa a se comunicar com o mundo, primeiro com a família nuclear, posteriormente
com outros membros e conforme vai se desenvolvendo seu meio social vai ficando
mais abrangente, assim como sua comunicação com o mundo. Para entendermos
melhor como funciona este mecanismo falaremos sobre o desenvolvimento
cognitivo.
Uma das teorias mais consistentes sobre o desenvolvimento cognitivo é a
Teoria do Desenvolvimento Cognitivo de Jean Piaget. Segundo Kay e Tasman
(2002, p. 46), “o estudo do desenvolvimento cognitivo proporciona uma perspectiva
da evolução da capacidade de pensar e de como a mente gera conhecimento a
partir da experiência”.
A forma pela qual a criança pensa, resolve problemas e compreende o
mundo fica mais complexa à medida que ela vai amadurecendo. A maturação
cognitiva é extremamente necessária para a aquisição da linguagem. Alterações no
pensamento moldam o curso e o nível final do desenvolvimento social, emocional e
moral.
Em sua teoria Piaget introduziu o conceito de esquemas, unidades de
cognição ou representações mentais internas que permite a criança responder de
maneira consistente e coordenada a uma grande variedade de situações análogas.
Estes esquemas podem ser modificados pelos processos de assimilação e
acomodação.

Na assimilação o indivíduo incorpora um novo conhecimento, organizando


os novos estímulos de acordo com os esquemas já existentes no seu
repertório cognitivo. A acomodação ocorre quando a criança adquire uma
nova informação e esta nova informação provoca a expansão do esquema
ou altera sua estrutura organizacional. (KAY; TASMAN 2002, p.46).

Para entendermos melhor como funciona o desenvolvimento proposto por


este teórico é necessário que compreendamos como se dá cada um dos estágios do
desenvolvimento de Piaget. No estágio Sensório-Motor (do nascimento aos dois
anos): os bebês recém-nascidos demonstram a capacidade de aprender por meio de
associações.

A rede cognitiva permite que os bebês procurem estimulação e possam


interagir com os adultos. Entre dois e três semanas é desenvolvida a
fluência modal cruzada – o reconhecimento de características inalteráveis
dos estímulos percebidos por ele associados com a capacidade de

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interpretar estas características por meio de modalidades sensoriais – é
demostrada pela capacidade de fazer imitações nas expressões da face.
(KAY; TASMAN, 2002, p.46).
Um desenvolvimento importante durante este estágio é o crescimento de
uma consciência de permanência de objetos. “Durante os 12 e 18 meses de vida a
criança parece não ter consciência de que as coisas continuam a existir mesmo
depois de não estarem mais presentes no seu campo de visão, mas antes dos dois
anos este tipo de consciência já se manifestou”. (FONTANA 1998, p.70).

FIGURA 6

FONTE: Disponível em: <http://beta-escoladepais.blogspot.com.br/2010_09_01_archive.htm>.


Acesso em: 1 out. 2012.

Seguindo seu ciclo de desenvolvimento a criança passará pelo estágio 2,


chamado de Pré-Operacional (dois a sete anos). Segundo Fontana (1998), Piaget
dividiu este estágio em dois subestágios, o pré-conceitual e o intuitivo. No pré-
conceitual o desenvolvimento cognitivo é cada vez mais dominado pelo surgimento
de atividades simbólicas, quando a criança torna-se capaz de utilizar símbolos para
representar ações para si mesmas, ou seja, ela passa a interiorizá-las.
Com o desenvolvimento das habilidades de linguagem, as crianças
começam a possuir os chamados signos, ou seja, sons que embora não tenham
uma relação concreta com os objetos são usados para representá-los. No

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subestágio intuitivo surgem as principais estruturas cognitivas, denominadas
egocentrismo, centração e irreversibilidade.
FIGURA 7

FONTE: Disponível em: <http://confrariadomatriarcado.blogspot.com.br/>.


Acesso em: 2 out. 2012.

Partindo para o estágio 3 das Operações Concretas (sete a 11 anos) a


criança atinge um sistema simbólico de pensamento organizado e coerente que lhes
permite antecipar e controlar o ambiente. O pensamento infantil avança de maneira
considerável, se torna menos egocêntrico e as crianças desenvolvem a capacidade
de demonstrar tanto a descentralização como a reversão.
A partir daí surge a conservação, neste caso a conservação de substâncias
vem primeiro, entre os sete e oito anos, posteriormente a de peso, entre os nove e
10 anos, e a conservação de volumes, por volta dos 12 anos. Nesta fase a criança
também desenvolve a capacidade de agrupamento, quando são capazes de
reconhecer os membros de uma classe lógica real e, assim, organizar objetos e
acontecimentos em conjuntos em termos de suas características definidoras
comuns.
Este agrupamento lhes possibilita encontrar sentidos nas experiências,
solucionar problemas e avançar para um enquadre mais realista e preciso do
mundo. (FONTANA, 1998).

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FIGURA 8

FONTE: Disponível em: <http://psico-


desenvolvimento.webnode.com.pt/products/opera%C3%A7%C3%B5es%20concretas%20%287-/>.
Acesso em: 2 out. 2012.

Após todas estas fases a criança entra no chamado estágio das


Operações Formais (a partir dos 12 anos), período conhecido por todos nós como
adolescência. Agora as crianças já são capazes de acompanhar a forma de um
argumento ou de formular hipóteses sem necessitar da experiência efetiva de
objetos ou situações concretas de que eles antes dependiam.
Começa também a compreender conceitos individuais ou categorias
isoladas durante os estágios anteriores do desenvolvimento, entender que eles
podem ser interdependentes em algumas circunstâncias. O adolescente passa a
desenvolver o raciocínio hipotético-dedutivo, pois é capaz de criar hipóteses e fazer
deduções a partir dos resultados, ampliando assim a compreensão do material com
que está lidando.

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FIGURA 9

FONTE: Disponível em: <http://www.fortenanoticia.com.br/2012/08/22/ministerio-publico-lanca-


programa-de-capacitacao-profissional-de-adolescentes/>. Acesso em: 2 out. 2012.

Analisando um pouco da Teoria do Desenvolvimento Cognitivo descrita por


Piaget, podemos compreender o quanto o nosso desenvolvimento pode influenciar
na nossa maneira de se comunicar com as pessoas e com o mundo que nos cerca.
Em cada fase do desenvolvimento estamos aptos a uma nova descoberta que faz de
nós seres em desenvolvimento constante, adquirindo todos os dias novas
capacidades cognitivas.

FIM DO MÓDULO I

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