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ARQUIDIOCESE DE CURITIBA

FORMAÇÃO
COMISSÃO DE MISSÃO

FUNDAMENTOS DE UMA REUNIÃO DE ORAÇÃO


O GRUPO DE ORAÇÃO NA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA

Compreendemos que é a célula fundamental da RCC; é o lugar da expectativa e, ao


mesmo tempo, da realização da promessa perene de Deus; é cenáculo de Pentecostes dos dias
atuais, cumprindo a promessa do Pai de derramar o Espírito Santo sobre seus filhos, promovendo
assim uma conversão sincera, busca decidida pela santidade, vida sob o senhorio de Jesus, ardor
missionário renovado, relacionamentos renovados, um coração voltado para Deus e para os
irmãos.

O objetivo principal é levar os participantes a experimentar um pentecostes pessoal, a


crescer e chegar à maturidade da vida cristã plena do Espírito. Neste sentido caracteriza-se por
três momentos distintos:

1º Momento: Núcleo de Serviço

O Grupo de Oração não se resume a reunião de oração, embora esse seja o seu momento
peculiar. Há uma necessidade de se ter uma caminhada programada que considere as
necessidades dos participantes e como fazer para supri-las de forma contínua e com qualidade,
por isso o primeiro momento do Grupo de Oração acontece no Núcleo de Serviço.

Um bom planejamento para o Grupo de Oração abrange todos os serviços e Ministérios, e


assim pode-se trabalhar de forma coordenada porque cada um sabe o que fazer, e todos sabem
para onde estão indo. Inclui também mecanismos para desenvolver o crescimento e a
perseverança dos membros, introduzindo-os numa experiência comunitária e catequética.

Todo Grupo de Oração carismático tem sua coesão, boa ordem, planejamento e
continuidade assegurados pelo núcleo de serviço, que é um pequeno grupo de servos que
assume o grupo todo em sua espiritualidade e estrutura.

O Núcleo de Serviço deve ser composto pelo coordenador do Grupo de Oração, pelo ex-
coordenador imediatamente anterior ao atual, pelos respectivos coordenadores/representantes
dos diversos Ministérios exercidos no Grupo de Oração (Intercessão, Música, Crianças, Pregação,
Oração por Cura e Libertação, Formação, Arrumação, Acolhimento e recepção, etc.), podendo-se,
ainda, de acordo com a necessidade, convidar outras pessoas que embora não coordenem
qualquer Ministério no Grupo de Oração, possuam adequada formação, capacidade de
discernimento e confirmação da comunidade.
Elaborado por: Rone Honorio (Comissão de Missão – RCC Curitiba)
2º Momento: Reunião de Oração

Reunião de oração é o momento em que os participantes do Grupo de Oração se


encontram, semanalmente, para a oração, especialmente, o louvor. Esse momento é aberto para
outras pessoas que poderão, a partir dele, começarem a fazer parte do Grupo de Oração,
iniciando uma caminhada de conversão e crescimento perseverante na fé. Assim, pode-se
concluir que a porta de entrada na célula principal da RCC é a reunião de oração, segundo
momento da dinâmica do Grupo de Oração.

A reunião de oração é, por assim dizer, um momento pentecostal: com os corações


compungidos (cf. At 2,37), os fiéis são levados à vivência da fé, na fraternidade e no
comprometimento missionário. Nela, os carismas devem ser manifestados sem restrições, pois
fazem parte do “ver e ouvir” que convence àqueles que estão chegando. Trata-se, ainda, do “ruído
de Pentecostes” que precisa ser ouvido mesmo do lado de fora do cenáculo, causando admiração
(cf. At 2,6-7).

A Reunião de Oração não é:


* Uma aula (ensino bíblico, teológico ou moral);
* Um grupo de discussão (político, social ou religioso);
* Uma sessão de terapia² (descarregar tensões emocionais, repor energia, relaxamento, etc.);
* Uma reunião social³ (encontro de amigos com chá e biscoito);
* Uma reunião eclesial diversa da proposta (partilha de textos bíblicos, recitação do terço,
novenas, adoração ao Santíssimo Sacramento, dinâmicas, círculos bíblicos; G.O. não é grupo de
reflexão).

Então, sua finalidade é:


* Para louvar o Senhor (o louvor exerce primado, deve ser resgatado);
* Proporcionar a experiência do BES;
* Evangelizar querigmaticamente (sobretudo amor de Deus e salvação);
* Para construir uma comunidade Cristã (inserir as pessoas na comunidade, laços de afeto e
partilha; induz ao comprometimento no G.O. ou numa realidade comunitária eclesial).

Principais Características
* Centralizada na pessoa de Jesus (uma autêntica reunião de oração é cristocêntrica);
* Carismática (pelo uso dos carismas);
* Fraterna e alegre (as pessoas se sentem acolhidas, amadas e felizes durante o tempo que
estiverem ali);
* Espontânea e expressiva (é informal, não é solenidade, sentem-se à vontade para louvar em voz
alta, cantar, bendizer e gesticular).

O Papel do Dirigente na Reunião de Oração

A reunião de oração deve ter um dirigente cuja principal atividade é introduzir as pessoas
na presença de Deus. Por isso ele deve estar atento as moções do Espírito e às ações e
reações da assembleia.

Alguns cuidados que deve tomar o Dirigente:


1. Introduções longas;
2. Ordens incompreensíveis (ex.: cumprimente seu irmão que está na sua frente...);
3. Não pregar na condução da oração;
4. Fragmentação das moções (ser obediente a um núcleo central de moção);
5. Ansiedade (ex.: no momento de silêncio);
6. Sucedentes (Prático e objetivo na oração após pregação, avisos, testemunhos...)

Elaborado por: Rone Honorio (Comissão de Missão – RCC Curitiba)


Ciclo Carismático na Reunião de Oração 4

O que é um ciclo?
É uma sequência de eventos que vai se repetindo infinitamente ou na medida do
necessário.
Ex.: A água evapora, sobe/nuvens, condensa e cai em forma de chuva. Escorre no
rio/mar, evapora... esse é o ciclo da chuva.

Para que serve o ciclo carismático? Para favorecer o uso/prática dos carismas.

Para isso, devemos entender que a reunião de oração é uma só, ou seja, uma sequência
de momentos para dinamizar o participante a adentrar na oração da assembleia.

As cinco etapas do Ciclo Carismático

1ª. Oração.
O dirigente em conjunto ao Ministério de Música cria uma atmosfera propícia à oração,
após a animação.
a. Que tipo de oração fazer? Existem vários aspectos que podem acontecer no momento
de oração. Pode ocorrer o louvor (principal elemento), Batismo no Espírito Santo, pedidos
e súplicas, arrependimento, uma oração através de um texto bíblico.
b. Depois da oração em vernáculo, vamos para o segundo momento:

2ª Oração em línguas.
a. Ajuda na abertura aos outros dons espirituais, edificação de si mesmo.
- Menor e menos insignificante? Como assim? Não é o Espírito que ora em nós?
- Se é dom do E. Santo, esperar que O mesmo provoque em nós o desejo de orar.
b. Algumas correções quanto ao uso:
- Orar somente quando não houver mais palavras (primeiro orar com o entendimento, cf.
ICor 14,15).
- Evitar abusos (banalização do dom), oras, se é dom de Deus, tenhamos respeito;
- Não torna-la uma muleta ou uma rota de fuga, mecânica (imitação do outro);
c. Então, assim esse dom deve me preparar para a manifestação dos carismas.

3º Silêncio.
a. Temos medo do silêncio.... Precisamos aprender a fazer silêncio. Ficamos inquietos,
dedilhamos um violão, ficamos balbuciando qualquer coisa, ficamos preocupados se
alguém vai falar alguma coisa...
b. Mas Deus vai falar somente quando houver silêncio? Não. Mas, podemos nos abrir
com mais facilidade, pois é momento de escuta.
- Então, na verdade o maior silêncio deve estar dentro de si, o silêncio exterior
complementa a penetração em Deus.
c. Quando paramos para escutar, Deus fala, e quando Ele fala, fala através dos carismas.

4º Prática dos carismas


a. Através de quem Deus fala? Deus pode falar através de qualquer membro da
assembleia, porém, em especial, por seus servos que ali, também, estão reunidos.
b. Quando sabemos se vem de Deus ou não? Somente proclamando que a assembleia
irá confirmar. Se não tem confirmação, reza-se mais.
c. E se não for de Deus. Glória a Deus que você falou.
* Critérios de discernimento: se não feriu a doutrina da Igreja e seus Dogmas de Fé ou as
Escrituras Sagradas. Pedir muito o dom do discernimento dos Espíritos e Sabedoria, pois
quando Deus fala, fala com Sabedoria - pode ser simples - mas não qualquer coisa.

Elaborado por: Rone Honorio (Comissão de Missão – RCC Curitiba)


d. E se ninguém falar, o núcleo de serviço deve proclamar. Oras, o núcleo está orando,
jejuando... então, Deus falará através daqueles que estão a seu serviço.
e. Quais dons mais propícios que Deus usa para nos falar?
Profecias, interpretação em línguas, Palavra de Ciência, Visões e Confirmações.

5º Resposta ao que Deus falou


Ex.: 1. Deus falou que quer curar o seu povo que está cansado, o que fazemos? Pedimos
para aqueles que estão cansados se manifestarem para que oremos por eles.
Ex.: 2. Deus falou que quer batizar seu povo no Espírito Santo? Orar por batismo.

Ou seja, a resposta não é somente louvar no sentido de agradecer a Deus por aquilo que
Ele falou (é uma resposta também, mas não somente isso), mas tomar uma atitude
diante do que foi revelado.

Conclusão

Quanto tempo deve durar o ciclo carismático? Dez minutos, vinte, trinta? Não, o tempo
que nós tivermos disponíveis.

Acontece somente nesta ordem? Não. As vezes estamos louvando e Deus está falando.
Estamos cantando e Deus cura... Essa é uma sugestão de como fazer acontecer os
momentos, mas não é obrigatório.

"Se alguém se julga profeta ou agraciado com dons espirituais, reconheça que as coisas
que vos escrevo são um mandamento do Senhor. Mas, se alguém quiser ignorá-lo, que o
ignore! Assim, pois, irmãos, aspirai ao dom de profetizar; porém, não impeçais falar em
línguas. Mas faça-se tudo com dignidade e ordem." (ICor 14, 37-38)

3º Momento: Grupo de Perseverança 5

O Grupo de Perseverança (GP) é o terceiro momento do Grupo de Oração e atua em


função deste. Não é um grupo independente, mas um serviço do Grupo de Oração. O GP é um
grupo fechado, isto é, supõe o ingresso no início da ministração dos conteúdos formativos e não é
obrigatório, ou seja, as pessoas que receberam o querigma são convidadas a ingressarem no GP,
deixando claro que, se não quiserem participar neste momento, podem e devem continuar
participando do Grupo de Oração em seu segundo momento (Reunião de Oração).

Percebe-se que as pessoas sentem necessidade de algo mais em suas vidas, além dessa
experiência inicial de Deus. Os que foram evangelizados querigmaticamente devem ser
conduzidos aos GP para crescerem na doutrina, na fraternidade, na participação da Eucaristia e
na vida de oração.

O objetivo do GP é fortalecer os servos e os participantes em geral do Grupo de Oração no


exercício dos carismas e no conhecimento de Deus, para que se possa “incendiar” a reunião de
oração com mais louvor, com mais carismas, com mais testemunhos.

Referências:
1
Cf. Apostila 3, Grupos de Oração.
2
Pode ocorrer a cura nessas áreas com o andamento das orações na Reunião.
³ Após a Reunião de Oração os servos e demais participantes podem realizar confraternizações a fim de que aumente o
vínculo e amizade e partilha dos dons materiais.
4
Ciclo Carismático, Klaus Newman (RCC Anápolis/GO).
5
Idem ¹.
Elaborado por: Rone Honorio (Comissão de Missão – RCC Curitiba)