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DIREITO INTERNACIONAL PÚBLICO

Fontes III
Produção: Equipe Pedagógica Gran Cursos Online

FONTES III

COSTUME

• Elemento material – prática geral, uniforme e constante;


• Elemento psicológico (opinio iuris sive necessitatis);
• Lapso temporal.
O costume internacional possui dois elementos que precisam se aperfeiçoar
para que ele exista; elemento material e elemento psicológico.
O elemento material consiste numa prática que pode ser uma ação ou uma
omissão geral, uniforme e constante. Uma prática geral aceita pelos Estados
como um todo. É difícil que fatos se repitam, um dia, exatamente iguais, porque
quando se trabalha com conceitos, trabalha-se com uniformidade (atos com o
mesmo fim e da mesma natureza). A constância é o que gera a consolidação
do entendimento de que os vários Estados entendem como a formação de uma
norma jurídica.
O costume é uma prática feita que irradia por toda a sociedade internacional:
um Estado repete, um outro Estado repete, e assim por sequência; assim se dá
o seu reconhecimento.
A representação gráfica de um tratado seriam várias setas convergindo para
um mesmo ponto. No costume é diferente: essa prática se irradia.
A norma jurídica é a manifestação da vontade por meio de atos. Não é
expressa, ela é tácita por meio dos atos que são operados.
O ato é praticado na consciência de que ali está uma obrigação jurídica, uma
necessidade: uma obrigação jurídica não é uma cortesia. Há toda uma dificul-
dade de prova do costume porque se trabalha com o elemento subjetivo, psi-
cológico, de uma entidade que não é subjetiva. O Estado é uma instituição que
age por meio dos seus agentes estatais e que por meio de comunicados e notas
oficiais é que percebe esse entendimento do reconhecimento dessas normas.
Por essa razão o costume caiu em desuso, por ser uma norma natural que
se pratica e reconhece. É sociológica, mas há uma dificuldade de provar: o que
alega tem que provar, com exceção dos costumes universais que são aceitos.
ANOTAÇÕES

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A confluência do elemento material e do elemento psicológico deve ocorrer


num lapso temporal significativo para a consolidação dessa prática.
Quanto tempo?
Não há um tempo determinado, há a necessidade de se verificar a repercus-
são dessa prática, a própria importância de determinada norma jurídica que está
sendo criada e os sujeitos envolvidos.
O costume internacional também é conhecido como norma extra convencio-
nal, aquele que se dá por meio da própria prática.
O costume internacional está em desuso porque os tratados internacionais
dão mais segurança jurídica, maior facilidade de prova. A década de 90, que
muitos autores classificam como a “Década das Conferências”, foi período de
maior encontro, de intensificação do processo de globalização e muitos tratados
são elaborados e consolidados em várias áreas do Direito Internacional.
É muito mais fácil identificar no tratado a interpretação, o entendimento das
partes e, claro, a celebração de tratados dá a entender que a sociedade interna-
cional está mais próxima do diálogo e da própria diplomacia parlamentar.

1) TIPOS

a) UNIVERSAL: por exemplo, passagem inocente;


b) REGIONAL: por exemplo, concessão de asilo político reconhecido como
formado na América Latina em razão das perseguições políticas;
c) BILATERAL: por exemplo, um caso da Corte entre Portugal e Índia.

Costume Universal

Caso do Estreito de Corfu (1946)

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O caso do Estreito de Corfu, em 1946, foi o primeiro caso da Corte Interna-


cional da Justiça (CIJ). O Direito Internacional é muito permeável pelo aspecto
político. Nesse caso, a Corte foi muito sensível no sentido de não querer gerar
um novo problema internacional que possa ocasionar uma 3ª. Guerra Mundial.
A Inglaterra e a Albânia se envolveram numa disputa. Dois navios de guerra
inglesa, dois destróieres passavam pelo Estreito de Corfu. Essa passagem não
tinha nada de inocente, os destróieres buscavam minas. Em determinado ponto
havia um observatório militar que poderia ter avisado os destróieres dos peri-
gos existentes naquelas águas. Os destróieres explodem, com perdas de vidas
humanas. A Albânia reclama quanto à invasão das suas águas territoriais, mas
a Corte só reconhece o ocorrido e a Albânia responde por omissão. A Corte
também reconhece o direito de passagem inocente, o trânsito rápido pelo mar
territorial.
Os dois destróieres, ao procurar as minas, não estavam em passagem ino-
cente. A Corte aliviou, a Albânia se revoltou, abandonou o caso, foi considerada
revel e foi obrigada a indenizar a Inglaterra.

Costume Bilateral

Caso do Direito de Passagem (1957)

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No caso de Portugal e Índia, havia dois enclaves que possuíam população


portuguesa, regulamento português e as pessoas que lá viviam diferiam, no seu
entorno, da Índia, que entendeu que tinha direito a efetuar uma cobrança pelo
direito de passagem pelo seu território. Não apenas a passagem, mas também
a cobrança de impostos. Os portugueses, baseado num instituto denominado
endosso, representou os particulares numa instituição internacional contra a
Índia comprovando que, na verdade, havia essa prática constante, uniforme,
geral, por um lapso temporal razoável, dando a entender que as pessoas esta-
vam no exercício de uma prerrogativa. Portugal venceu a demanda.
O vínculo de nacionalidade traz direitos e deveres tantos dos Estados quanto
dos seus cidadãos. E um dos deveres do Estado é defender o interesse desses
cidadãos.

Atenção!
Reduzir a escrito não retira sua característica de costume.

Não havendo hierarquia entre essas fontes, em teoria, o costume pode revo-
gar um tratado como um tratado pode revogar o costume. O direito de passagem
inocente é um costume já arraigado há muito tempo e que diz respeito à pró-
pria navegabilidade, a cooperação entre os povos. O Estado tolera porque ele
também precisa que os seus navios comerciais, civis, navios de guerra (desde
que em tempos de paz) façam as suas passagens.
A passagem inocente permite até atracar. O que não é permitido é pescar,
explorar recursos, buscar minas, mas no caso do Estreito de Corfu a Corte enten-
deu que não.
A passagem inocente já é considerada como um costume onde não há a pre-
sença de uma hierarquia (por ser escrito, ser mais respeitado).

Direto do concurso
Asilo político e refúgio são temas muito em alta e que as bancas cobram muito
na 3ª fase.
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2) PROVA DO COSTUME

A prova do costume é feita através de atos, comunicados, notas oficiais, dis-


cursos, pareceres e várias outras formas por meio das quais o governo emite
suas opiniões.

3) OPOSITOR PERMANENTE

Há uma forma para o Estado, que não queira se vincular ao costume, possa
fazê-lo: desde que seja um opositor permanente, desde o início. Não pratique os
atos e faça um protesto, demonstre a sua não conformidade com aquela deter-
minada prática. Exemplo de protesto: nota emitida pela Venezuela de repúdio e
protesto.
Se for uma norma universal, um costume que interesse a todos, há de con-
siderar a oposição. A depender da importância da norma e da quantidade dos
Estados que são vinculados, a figura do opositor permanente não tem muita vali-
dade em relação a costumes universais.
Com relação aos costumes regionais e bilaterais, o opositor permanente é
essencial.
No citado exemplo de Portugal x Índia, se a Índia tivesse se oposto, desde o
início, provavelmente teria o ganho dessa causa.

PRINCÍPIOS GERAIS DE DIREITO

Nações civilizadas?
A infelicidade foi escrever “Nações Civilizadas”, mas nações civilizadas são
consideradas todas aquelas que fazem parte do sistema internacional atual.
• Princípios internacionais (artigo 2º da Carta da ONU);
• Princípios comuns aos Estados: a boa-fé centrada na Convenção de
Viena que versa a respeito do Direito dos Tratados, efeitos interpars, pacta
sunt servanda. O Direito Internacional existe, ele é aplicado;
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• Prova de existência: os vários tratados que nos seus preâmbulos citam os


discursos bem presentes, as notas oficiais. Os representantes do governo
dos Estados Unidos, por exemplo, iniciam sempre os discursos ressaltando
os valores que são inerentes à própria defesa da sociedade, prevalência da
democracia.

�Este material foi elaborado pela equipe pedagógica do Gran Cursos Online, de acordo com a
aula preparada e ministrada pela professora Blenda.
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