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Tramitação Processual no Tribunal

Europeu dos Direitos do Homem

Curso de Formação Complementar do Conselho


Distrital do Porto da Ordem dos Advogados
1.º Edição 2012
Susana Almeida
1
1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

2
1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

Convenção Europeia dos Direitos do Homem

Ideia é cimentada no “Congresso da Europa”, organizado pelo Comité


Internacional de Coordenação dos Movimentos para a Unidade
Europeia, a 7 de maio de 1948

Criação do Conselho da Europa, a 5 de maio de 1949

Criação da Convenção Europeia dos Direitos do Homem, a 4 de


novembro de 1950

Convenção entrou em vigor na ordem jurídica internacional no dia 3


de setembro de 1953

Convenção entrou em vigor na ordem jurídica portuguesa no dia 9 de


novembro de 1978
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1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

O Conselho da Europa integra 47 Estados Membros: Bélgica,


Dinamarca, França, Holanda, Irlanda, Itália, Luxemburgo, Noruega,
Suécia e Reino Unido (maio de 1949); Grécia e a Turquia (agosto
de 1949); Islândia e a Alemanha (1950); Áustria (1956); Chipre
(1961); Suíça (1963); Malta (1965); Portugal (1976); Espanha
(1977); Liechtenstein (1978); São Marino (1988); Finlândia (1989);
Hungria (1990); Polónia (1991); Bulgária (1992); Eslováquia,
Eslovénia, Estónia, Lituânia, República Checa e Roménia (1993);
Andorra (1994); Albânia, Letónia, Moldávia, ex-República jugoslava
da Macedónia e Ucrânia (1995); Rússia e Croácia (1996); Geórgia
(1999); Arménia e Azerbaijão (2001); Bósnia-Herzegovina (2002);
Sérvia (2003); Mónaco (2004); e Montenegro (2007).

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1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

Convenção Europeia dos Direitos do Homem


estende o seu manto protetor a mais de 800 milhões de
pessoas, numa extensão que vai desde a Península
Ibérica ao Pacífico.
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1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

I - Conteúdo substantivo da CEDH

Modesto e consensual catálogo de direitos predominantemente


civis e políticos.

Colheu inspiração na DUDH

Este catálogo incluía originariamente: direito à vida (art. 2.º),


proibição de tortura (art. 3.º), proibição de escravatura e de trabalho
forçado (art. 4.º), direito à liberdade e à segurança (art. 5.º), direito a
um processo equitativo (art. 6.º), princípio do nullum crimen sine
lege (art. 7.º), direito ao respeito pela vida privada e familiar (art.
8.º), liberdade de pensamento, de consciência e de religião (art.
9.º), liberdade de expressão (art. 10.º), liberdade de reunião e de
associação (art. 11.º), direito a contrair casamento e a fundar uma
família (art. 12.º), direito a um recurso efetivo (art. 13.º) proibição de
discriminação (art. 14.º) ampliação do catálogo pelos
sucessivos Protocolos Adicionais
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1. Génese e mecanismo de controlo da Convenção
Europeia dos Direitos do Homem

II - Conteúdo adjetivo da CEDH

Instituiu um original e eficaz mecanismo jurisdicional de


garantia coletiva
Ap sis os s
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d i o t o n ai

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P r ic io

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Ad

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Tribunal Europeu dos Direitos do Homem


7
1. 1. Sistema originário

Sistema tripartido

Comissão Europeia dos Direitos do Homem – extinto órgão


responsável por conhecer e admitir as queixas interestaduais e as
queixas individuais e por estabelecer os factos e contribuir para
acordos amigáveis

Tribunal Europeu dos Direitos do Homem – órgão de


jurisdição opcional, estava encarregue de interpretar e aplicar a
Convenção aos casos apresentados pela Comissão ou por uma
Alta Parte Contratante

Comité de Ministros – órgão incumbido de proferir uma


decisão definitiva e obrigatória sobre os casos que não fossem
remetidos ao Tribunal; velava igualmente pela execução das
sentenças
8
1. 2. O Protocolo n.º 11 e a deslocação do centro de
gravidade convencional para o TEDH

A partir dos anos 80 o aumento do número de queixas individuais foi


simultaneamente:
o testemunho do sucesso
o fator de colapso do sistema instituído

Protocolo n.º 11, de 11 de maio de 1994: criou um único órgão


responsável pelo controlo jurisdicional da Convenção, de caráter
permanente e jurisdição obrigatória

CONSEIL COUNCIL Tribunal Europeu


DE L’EUROPE OF EUROPE
dos Direitos do
COUR EUROPÉENNE DES DROITS DE L’HOMME Homem
EUROPEAN COURT OF HUMAN RIGHTS 9
1. 3. A Reforma realizada pelo Protocolo n.º 14

Afluência ao TEDH Novas preocupações quanto à reforma do


sistema

10
1. 3. A Reforma realizada pelo Protocolo n.º 14

Protocolo n.º 14 aberto para assinatura a 13 de maio de 2004

Linhas gerais de reforma do Protocolo n.º 14:


juiz singular com competência para declarar a inadmissibilidade ou mandar
arquivar as queixas individuais manifestamente mal fundadas ou onde a falta
de requisitos de admissibilidade seja manifesta;
comité de três juízes adquire a competência para decidir sobre o fundo das
queixas que levantem questões “já objeto de uma jurisprudência bem firmada
do Tribunal”;
secções podem juntar num só acórdão as decisões de admissibilidade e de
fundo;
novo critério de admissibilidade;
a ampliação das atribuições do Comité de Ministros do Conselho da
Europa concernentes ao controlo da execução das decisões do Tribunal

11
Protocolo n.º 14 entrou em vigor no dia 1 de junho de 2010.
Algumas notas sobre o atual mecanismo de controlo
convencional
Composição e organização do TEDH

É composto por um número de juízes igual ao número de


Estados membros que ratificaram a Convenção (arts. 20.º e ss.)

Está organizado em (art. 26.º):


Juiz Singular
Comités (3 juízes)
Secções (7 juízes)
Tribunal Pleno (17 juízes)
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Algumas notas sobre o atual mecanismo de controlo
convencional

Juiz Singular Comités Secções Tribunal Pleno

Art. 27.º Art. 28.º Art. 29.º Arts. 30.º e 31.º

- Inadmissibilidade - Admissibilidade e - Admissibilidade e - Devolução pela


- Arquivo - Fundo - Fundo Secção
Se decisão puder ser Quando queixas das queixas que - Reexame da
tomada sem posterior coloquem questões não relevem de decisão, nos termos
apreciação que relevam de uma jurisprudência do art. 43.º
“uma jurisprudência bem firmada ou
ou bem firmada do daquelas onde não
Tribunal” se chega a uma
-Reencaminha queixa decisão unânime 13
2. Tramitação processual no Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem

14
2. Tramitação processual no Tribunal Europeu dos
Direitos do Homem

2.1. Fase da pré-admissibilidade

2.2. Fase da apreciação quanto à admissibilidade e


tendência para junção com a apreciação do fundo

2.3. Pronúncia do acórdão e sua efetividade

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2.1. Fase da pré-admissibilidade

I - Apresentação da queixa individual

Formulário oficial (www.echr.coe.int)

Comunicação escrita (dependente do envio do


formulário oficial no prazo de 8 semanas a contar da
comunicação do Secretariado)

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2.1. Fase da pré-admissibilidade

A comunicação escrita deve conter:

a) Um breve resumo dos factos;


b) A menção do ou dos direitos e garantias violados;
c) A indicação dos meios internos que foram esgotados;
d) A lista das decisões proferidas pelas autoridades
públicas, precisando para cada uma delas a data, o
seu conteúdo e a autoridade que a emitiu.

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2.1. Fase da pré-admissibilidade

O formulário oficial deve mencionar:

a) Nome, idade, profissão e endereço do requerente;


b) Se for o caso, o nome, a profissão e a morada do seu
representante;
c) A Alta Parte Contratante contra a qual a queixa é dirigida;
d) O objeto da queixa e a disposição da Convenção cuja violação
é alegada;
e) A exposição dos factos e da motivação;
f) Toda a documentação pertinente, nomeadamente as decisões
judiciárias ou outras que respeitem ao objeto da queixa

18
19
2.1. Fase da pré-admissibilidade

O requerente deve ainda:


admissibilidade
Condições de

a) Fornecer os elementos permitindo estabelecer que as


condições previstas no art. 35.º da Convenção se encontram
preenchidas;
b) Indicar se ele submeteu a sua queixa a outra instância
internacional de inquérito ou de arbitragem;
c) Se assim o pretender, deve solicitar que a sua identidade não
seja revelada;
d) Indicar eventualmente o requerimento detalhado da reparação
razoável;
e) Juntar procuração, na eventualidade de nesta fase já ter
representante.
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2.1. Fase da pré-admissibilidade

A comunicação escrita ou o formulário devem

– Ser apresentados por escrito, numa das línguas oficiais do


Tribunal ou numa das línguas de um dos Estados Membros.

– Ser enviados por correio para o seguinte endereço:


Exmo. Senhor Secretário do
Tribunal Europeu dos Direitos do Homem
Conselho da Europa
F-67075 Estrasburgo Cedex
França
Eventual envio por fax ou e-mail, seguido de envio obrigatório por via
postal.
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2.1. Fase da pré-admissibilidade

II – Abertura do processo

Atribuição de número

Eventual solicitação de documentos, informações ou


explicações complementares

Prorrogação de prazos

Processo é público

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2.1. Fase da pré-admissibilidade

III – Despesas, taxas e assistência judiciária

Despesas do requerente

Gratuitidade do processo

Possibilidade de requerer assistência judiciária

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2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo

I – As condições de admissibilidade da queixa (art.


35.º)

Queixa deve ser apresentada no prazo de seis meses


a contar da data da decisão interna definitiva (art. 35.º,
n.º 1)

Requerente deve ter esgotado, no seu país, todos os


meios jurídicos internos para obviar ou reparar a
violação (art. 35.º, n.º 1)

Princípio da exaustão dos meios internos


24
2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo
Princípio da exaustão dos meios internos

devem ser exauridos os meios internos usuais ou normais, acessíveis, eficazes


e adequados para obstar ou remediar a violação
não é exigido que o cidadão esgote os meios políticos e legislativos, mas tão-
só os meios administrativos e judiciais
Tribunal tem apontado, como meio interno extraordinário, o recurso de revisão
os meios internos devem ser eficazes e adequados para afastar e reparar a
violação, no sentido de que devem consubstanciar uma oportunidade séria e
não meramente teórica de o interessado fazer face à violação
a eficácia da “via de recurso” deve ser apreciada segundo o entendimento
veiculado pela doutrina e jurisprudência internas à data dos factos
deve esgotar somente os meios internos adequados ao caso concreto, não
sendo necessário exaurir todos os meios de que, em abstrato, podia socorrer-
se
o requerente deverá ter invocado junto das instâncias nacionais, com
observância das regras processuais internas aplicáveis, as mesmas violações,
pelo menos em substância, que pretende arguir ao nível internacional 25
2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo

Não pode ser anónima (art. 35.º, n.º 2, al. a)

Não pode ser idêntica a outra anteriormente


examinada pelo Tribunal ou já submetida a outra
instância internacional (art. 35.º, n.º 2, al. b)

Não pode ser mal fundada ou abusiva (art. 35.º, n.º 3,


al. a)

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2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo

Não pode ser contrária à Convenção ou seus


Protocolos (art. 35.º, n.º 3, al. a)

Incompetência ratione personae:


personae requerente deve
ser vítima de violação da Convenção

Incompetência ratione materiae:


materiae requerente
invoca direito não contemplado na Convenção ou
seus Protocolos ou abrangido por uma reserva
27
28
2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo

Incompetência ratione temporis:


temporis abrange apenas
os factos posteriores à data de ratificação da
Convenção

Incompetência ratione loci:


loci abrange apenas os
factos ocorridos sob a jurisdição do Estado
demandado

Não pode o requerente não ter sofrido “qualquer


prejuízo significativo” (art. 35.º, n.º 3, al.b)
29
2.2. Fase da admissibilidade e tendência para junção
com apreciação do fundo

II – Procedimento tendente à declaração de


admissibilidade e junção com a apreciação de fundo
Comunicação ao Governo e apresentação de observações;
Envio das observações do Governo ao requerente para
comentário;
Partes são convidadas para juntar petições referentes à
reparação razoável (art. 41.º) e ao acordo amigável (art.
39.º);
Apreciação contraditória do assunto (art. 38.º);
Audiência sobre o fundo (art. 40.º).

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2.3. Pronúncia do acórdão e sua efetividade

I – Pronúncia do acórdão (arts. 44.º e 45.º)

II – Efeitos do acórdão (art. 46.º)

Coisa julgada com efeitos inter partes

Coisa interpretada com efeitos erga omnes

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2.4. Devolução ao Tribunal

Art. 43.º CEDH

1. Num prazo de três meses a contar da data da sentença proferida por


uma secção, qualquer parte no assunto poderá, em casos
excecionais, solicitar a devolução do assunto ao tribunal pleno.
2. Um coletivo composto por cinco juízes do tribunal pleno aceitará a
petição, se o assunto levantar uma questão grave quanto à
interpretação ou à aplicação da Convenção ou dos seus protocolos ou
ainda se levantar uma questão grave de caráter geral.
3. Se o coletivo aceitar a petição, o tribunal pleno pronunciar-se-á sobre o
assunto por meio de sentença.

32
2.5. Natureza, efeitos e execução do acórdão

O acórdão é motivado (art. 45.º/1), definitivo (arts. 44.º e


46.º), obrigatório (art. 46.º), declaratório, mas não
executório.

Começa a Não anula per se e de


Execução está questionar-se forma automática o ato
sempre dependente este caráter interno contrário à CEDH
da boa vontade do declaratório
Estado
Estado obriga-se a adotar:
Vincula os Estados parte
-Medidas gerais
no litígio, porquanto se
-Medidas particulares
comprometeram a
respeitar tais decisões
Ampla liberdade de
escolha das medidas 33
Coisa julgada inter partes
2.5. Natureza, efeitos e execução do acórdão

Compete ao Comité de Ministros a vigilância da execução do


acórdão pelo Estado condenado (art. 46.º, n.º 2), sendo este
“convidado” a informar aquele órgão sobre as medidas adotadas
para efetivação da sentença definitiva (regra n.º 3 das Regras
adotadas pelo Comité de Ministros para a aplicação do art. 46.º, n.º
2, da CEDH).

Novos parágrafos do art. 46.º acrescentados pelo Protocolo n.º 14

Nos casos mais graves, o Comité poderá utilizar a pressão moral ou


política contra o Estado infrator e poderá inclusivamente suspender
o direito de representação do membro do Conselho da Europa e
convidá-lo a retirar-se ou mesmo expulsá-lo do Conselho (cfr. art. 8
do Estatuto de Conselho da Europa)
34
2.6. Acórdãos-Piloto

Com o objetivo de obviar os casos repetitivos que identificavam um


problema sistémico interno e que representavam um grande volume de
trabalho para o TEDH, o Protocolo n.º 14 veio prever um novo
procedimento designado “Acórdãos-Piloto”.

Nestes casos, o Tribunal emite um Acórdão-Piloto, passando a decidir nos


termos deste Acórdão todos os casos idênticos até que o Comité de
Ministros e o próprio Tribunal consigam verificar o cumprimento pelo
Estado Parte das disposições da Convenção Europeia de acordo com o
Acórdão-Piloto.

Uma característica deste procedimento consiste na possibilidade de adiar


ou “congelar” a análise de outros casos sobre o mesmo problema
sistémico por certo período de tempo, para encorajar as autoridades
nacionais a tomar os devidos passos no sentido de eliminar a violação.

Ver, por exemplo, Broniowski c. Polónia, 22 de junho de 2004


35
Esquema da tramitação

Exame pelo Juiz Singular

1. Apresentação de queixa
2. Contactos preliminares com Secretariado
3. Registo da queixa
4. Decisão de inadmissibilidade ou arquivamento

36
Esquema da tramitação

Exame pelo Comité

1. Apresentação de queixa
2. Contactos preliminares com Secretariado
3. Registo da queixa
4. Designação de um Juiz Relator
5. Atribuição da queixa a um Comité
6. Comunicação da queixa ao Governo ou decisão de
inadmissibilidade
7. Se comunicada, negociação sobre acordo amigável e
depósito das observações e estabelecimento dos factos
8. Acórdão sobre a admissibilidade e sobre o fundo
37
Esquema da tramitação

Exame pela Secção


1. Apresentação de queixa
2. Contactos preliminares com Secretariado
3. Registo da queixa
4. Atribuição da queixa a uma Secção
5. Designação de um Juiz Relator
6. Comunicação da queixa ao Governo
7. Negociação sobre acordo amigável e depósito das observações e
estabelecimento dos factos
8. Eventual audiência
9. Acórdão sobre a admissibilidade e sobre o fundo
10. Em casos excecionais, queixa submetida a Tribunal Pleno
11. Audiência no Tribunal Pleno
12. Acórdão do Tribunal Pleno 38
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação
da Convenção de Roma

39
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma
3.1. Linhas gerais

A CEDH é um tratado internacional, pelo que deve ser interpretado


à luz dos arts. 31.º a 33.º da Convenção de Viena sobre o Direito
dos Tratados, de 23 de maio de 1969.

Desenvolvimento
Natureza especial da CEDH métodos interpretativos
próprios que extravasam os
princípios ditados pelas
tradicionais regras em
matéria de interpretação de
tratados

A interpretação realizada pelo TEDH combina os métodos clássicos


de interpretação de tratados com técnicas originais, que se
aproximam das técnicas utilizadas pelos tribunais constitucionais
nacionais 40
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma
3.2. A interpretação evolutiva e a interpretação consensual

“A Convenção é um instrumento vivo que deve ser interpretado e


aplicado à luz das conceções atualmente existentes no espaço
europeu”.

A Convenção destina-se a “garantir não direitos teóricos ou


ilusórios, mas concretos e efetivos” (princípio da efetividade ou
efeito útil da Convenção).

O Juiz de Estrasburgo adapta, de forma pretoriana, o texto de 1950


às evoluções de costumes e valores que têm lugar no palco
europeu.

Interpretação evolutiva ou dinâmica


41
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma

Esta construção jurisprudencial resulta da evolução convergente dos


direitos internos da maioria dos Estados Contratantes

Se não existe consensus communis, Tribunal concede ampla


margem de apreciação aos Estados e recusa realizar a
interpretação evolutiva favorecedora da proteção dos direitos
humanos

Se existe consenso europeu, o Tribunal reduz a margem de


apreciação e realiza a interpretação dinâmica

Interpretação consensual

42
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma
3.3. A proteção indireta ou par ricochet dos direitos convencionais e
o “efeito horizontal” da Convenção

O descrito dinamismo interpretativo realiza-se sobretudo mediante a


ampliação do âmbito de aplicação dos preceitos convencionais até ao
ponto de proteger indiretamente direitos não protegidos,
protegidos como tais,
na Convenção.

Doutrina das obrigações positivas

“Efeito horizontal” da Convenção: ão direitos convencionais são


aplicáveis às relações entre os particulares

43
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma
3.4. O princípio da subsidiariedade, a doutrina da margem de
apreciação e o princípio da proporcionalidade

O sistema de proteção convencional tem um caráter subsidiário


relativamente aos sistemas nacionais de garantia dos direitos humanos

A responsabilidade primeira de salvaguardar tais direitos cabe às


autoridades nacionais, que, aliás, estão, em princípio, melhor
posicionadas para avaliar a necessidade de restringir os direitos
consagrados

O Juiz de Estrasburgo concede-lhe uma certa “latitude” um certo “espaço


de liberdade de decisão” na aplicação e cumprimento das obrigações
convencionais

44
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma

Margem de apreciação

“a latitude de deferência ou de erro que os órgãos de Estrasburgo consentem às


autoridades nacionais legislativas, executivas, administrativas e judiciais antes
de declarar uma derrogação nacional da Convenção, ou uma restrição ou
limitação de um direito garantido pela Convenção como violadora de uma das
garantias substantivas da Convenção”

Consensus communis

45
3. Algumas notas sobre os métodos de interpretação da
Convenção de Roma

Como fator de correção da margem de apreciação, aparece na


jurisprudência do Tribunal Europeu o princípio da
proporcionalidade,
proporcionalidade por aplicação do qual esta instância
averigua:

a) por um lado, se existe um justo equilíbrio entre os interesses


gerais e os direitos individuais

b) por outro, se a medida interna limitadora do direito consagrado se


revela adequada ou necessária ao fim perseguido pelas
autoridades nacionais

46
4. Conteúdo subjetivo da Convenção Europeia dos
Direitos do Homem

47
4.1. Considerações iniciais

O modesto catálogo direitos de 1950 foi sendo ampliado e aperfeiçoado:

a) Por um lado, por Protocolos Adicionais


Protocolo n.º 1: proteção da propriedade (art. 1.º); direito à instrução (art. 2.º); direito a
eleições livres (art. 3.º)
Protocolo n.º 4: proibição de prisão por dívidas (art. 1.º); liberdade de circulação (art.
2.º); proibição de expulsão de nacionais (art. 3.º) e de expulsão coletiva de estrangeiros
(art. 4.º)
Protocolo n.º 6: aboliu pena de morte, ainda que permitisse pena de morte em tempo de
guerra
Protocolo nº 7: garantias processuais em caso de expulsão de estrangeiros (art. 1.º);
direito a um duplo grau de jurisdição em matéria penal (art. 2.º); direito a indemnização
em caso de erro judiciário (art. 3.º); direito a não ser julgado ou punido mais de uma vez
(art. 4.º); igualdade entre os cônjuges (art. 5.º)
Protocolo n.º 12: interdição geral de discriminação (art. 1.º)
Protocolo nº 13: aboliu pena de morte em qualquer circunstância

b) Por outro lado, pela referida interpretação evolutiva 48


4.2. O art. 2.º e o direito à vida

Art. 2.º CEDH


1. O direito de qualquer pessoa à vida é protegido pela lei. Ninguém poderá ser
intencionalmente privado da vida, salvo em execução de uma sentença capital
pronunciada por um tribunal, no caso de o crime ser punido com esta pena pela lei.
2. Não haverá violação do presente artigo quando a morte resulte de recurso à força,
tornado absolutamente necessário:
a) Para assegurar a defesa de qualquer pessoa contra uma violência ilegal;
b) Para efetuar uma detenção legal ou para impedir a evasão de uma pessoa detida
legalmente;
c) Para reprimir, em conformidade com a lei, uma revolta ou uma insurreição.

Direito absoluto e inderrogável

1. Obrigação negativa: abstenção de provocar morte de maneira voluntária e irregular


2. Obrigação positiva:
c. i. tomar as medidas necessárias à proteção da vida das pessoas
. , ildiz
.g ii. face às violações deste direito, as autoridades devem proceder a inquéritos,
(v nery ia)
Ö rqu objetivos, eficazes e rápidos, associando os familiares das vítimas ou elas
49
Tu próprias, destinados a identificar e punir os responsáveis
4.2. O art. 2.º e o direito à vida

I – A abolição da pena de morte em qualquer circunstância com o Protocolo


n.º 13.

II – A eutanásia

Acórdão Pretty c. Reino Unido, de 29 de abril de 2002

“O art. 2.º não poderá, sem distorção da linguagem, ser interpretado


como conferindo um direito diametralmente oposto, a saber o direito a
morrer; tão pouco ele cria um direito de autodeterminação no sentido
em que ele daria a todo o indivíduo o direito de escolher antes a
morte que a vida”.

50
4.2. O art. 2.º e o direito à vida

III – A interrupção da gravidez


a) Voluntária
A Comissão Europeia recusou reconhecer um direito ilimitado à vida do
nasciturus ao abrigo do art. 2.º, na medida em que “o aborto se encontra
coberto por uma limitação implícita à vida do feto, para que, neste estádio,
se proteja a vida e a saúde da mulher” (Decisão de 13 de maio de 1980,
sobre a Queixa nº 8416/79 de X. c. Reino Unido). Ver também Decisão de
19 de maio de 1992, sobre la Queixa nº 17004/90 de H. c. Noruega.

interrupção terapêutica da gravidez nos primeiros meses é compatível com o


art. 2.º da Convenção, já que em certas circunstâncias a vida da mãe deve
ter prioridade sobre a vida do feto

b) Involuntária
Acórdão Vo c. França, de 8 de julho de 2004
Acórdão Evans c. Reino Unido, de 10 de abril de 2007
51
4.3. O art. 3.º e a proibição de tortura

Art. 3.º CEDH


Ninguém pode ser submetido a torturas, nem a penas ou tratamentos
desumanos ou degradantes.

Protege a integridade física e psíquica das pessoas como afirmação do valor e


dignidade da pessoa humana, proibindo os maus tratos de modo absoluto e
inderrogável. V. art. 15.º, n.º2.

Não existe espaço para a doutrina da


margem de apreciação.

52
4.3. O art. 3.º e a proibição de tortura

Art. 3 Art. 1

Altas Partes Contratantes devem adotar medidas adequadas para impedir


que as pessoas sob a sua jurisdição sejam submetidas a torturas ou penas
ou tratamentos desumanos e degradantes, mesmo que administrados por
particulares (v.g., Opuz c. Turquia, de 9 de junho de 2009)

Mau tratamento deverá atingir um mínimo de gravidade, apreciado


em função das circunstâncias em concurso e de acordo com
elementos diversos (intencionalidade, duração dos maus tratos,
consequências físicas ou psíquicas, sexo, idade, estado de saúde da
vítima). V. Ramirez Sanchez c. França, de 4 de julho de 2006.

53
4.3. O art. 3.º e a proibição de tortura

As condutas proibidas:

Tortura (v. Irlanda c. Reino Unido, de 18 de janeiro de 1978)

Tratamento desumano e degradante

Agressões (v. Selmouni c. França, de 28 de julho de 1999)

Técnicas de interrogatório utilizando métodos psicológicos (Gäfgen c.


Alemanha, de 1 de junho de 2010).

Condições de detenção e tratamento de detidos/reclusos (v.


Khoudoiorov c. Rússia, de 8 de novembro de 2005; Ramirez Sanchez c.
França, de 4 de julho de 2006)

Expulsão e extradição de estrangeiro (v. Soering c. Reino Unido, de 7


de julho de 1989)
54
4.4. O art. 5.º e o direito à liberdade e à segurança

Art. 5.º CEDH


1. Toda a pessoa tem direito à liberdade e segurança. Ninguém pode ser privado da sua liberdade, salvo nos casos
seguintes e de acordo com o procedimento legal:
a) Se for preso em consequência de condenação por tribunal competente;
b) Se for preso ou detido legalmente, por desobediência a uma decisão tomada, em conformidade com a lei, por um
tribunal, ou para garantir o cumprimento de uma obrigação prescrita pela lei;
c) Se for preso e detido a fim de comparecer perante a autoridade judicial competente, quando houver suspeita
razoável de ter cometido uma infração, ou quando houver motivos razoáveis para crer que é necessário impedi-lo de
cometer uma infração ou de se pôr em fuga depois de a ter cometido;
d) Se se tratar da detenção legal de um menor, feita com o propósito de o
educar sob vigilância, ou da sua detenção legal com o fim de o fazer comparecer perante a autoridade competente;
e) Se se tratar da detenção legal de uma pessoa suscetível de propagar uma doença contagiosa, de um alienado
mental, de um alcoólico, de um toxicómano ou de um vagabundo;
f) Se se tratar de prisão ou detenção legal de uma pessoa para lhe impedir a entrada ilegal no território ou contra a
qual está em curso um processo de expulsão ou de extradição.
2. Qualquer pessoa presa deve ser informada, no mais breve prazo e em língua que compreenda, das razões da
sua prisão e de qualquer acusação formulada contra ela.
3. Qualquer pessoa presa ou detida nas condições previstas no parágrafo 1, alínea c), do presente artigo deve ser
apresentada imediatamente a um juiz ou outro magistrado habilitado pela lei para exercer funções judiciais e tem
direito a ser julgada num prazo razoável, ou posta em liberdade durante o processo. A colocação em liberdade pode
estar condicionada a uma garantia que assegure a comparência do interessado em juízo.
4. Qualquer pessoa privada da sua liberdade por prisão ou detenção tem direito a recorrer a um tribunal, a fim de
que este se pronuncie, em curto prazo de tempo, sobre a legalidade da sua detenção e ordene a sua libertação, se a
detenção for ilegal.
5. Qualquer pessoa vítima de prisão ou detenção em condições contrárias às disposições deste artigo tem direito a
indemnização. 55
4.4. O art. 5.º e o direito à liberdade e à segurança

I – Objeto do preceito: proteção da liberdade e da segurança da pessoa


contra as prisões e detenções arbitrárias
II – As condições da privação da liberdade: o n.º 1 do art. 5.º estabelece um
quadro de situações onde admite a privação da liberdade.
A privação da liberdade deve encontrar fundamento na lei interna
(v.g., Dougoz c. Grécia, de 6 de março de 2001); deve realizar-se em
conformidade com um processo equitativo e adequado, com a
exigência de que emane de autoridade qualificada e seja executada
por autoridade igualmente qualificada (v.g.,Öcalan c. Turquia, de 12
de maio de 2005)
Lista exaustiva de motivos de privação de liberdade:
a) Prisão em virtude de sentença ditada por tribunal competente;
b) Prisão por desobediência a uma decisão tomada por tribunal ou
para garantir cumprimento de uma obrigação prescrita por lei;
c) Prisão preventiva por (i) suspeita de ter cometido infração, (ii)
56
impedir prática de nova infração, (iii) impedir fuga:
4.4. O art. 5.º e o direito à liberdade e à segurança

d) Detenção de um menor feita com o propósito de o educar sob


vigilância ou com o fim de o fazer comparecer perante a
autoridade competente;
e) Detenção de pessoa suscetível de transmitir doença contagiosa,
de um alienado mental, de um alcoólico, de um toxicómano ou
de um vagabundo – preocupação de proteção face a certas
categorias de pessoas que representam perigo para a sociedade
ou para elas próprias (v.g., Guzzardi c. Itália, de 6 de novembro
de 1980);
f) Prisão ou detenção ilegal de uma pessoa para (i) impedir a
entrada ilegal no território ou contra a qual está em curso um
processo de (ii) expulsão ou de (iii) extradição

57
4.4. O art. 5.º e o direito à liberdade e à segurança

III – Os direitos de uma pessoa privada da liberdade estão enunciados nos


n.os 2 a 5 do art. 5.º.
Direito a receber informação sobre os motivos da sua privação de
liberdade: a informação deve ser (i) rápida, (ii) completa, (iii)
inteligível;
Direito a ser apresentado a um juiz: (i) direito a ser conduzido sem
dilação a um juiz ou outro magistrado; (ii) direito a ser julgado num
prazo razoável ou a ser posto em liberdade durante o processo; a
privação da liberdade deve ser considerada a exceção, pelo que o
arguido deve ser colocado em liberdade sempre que seja possível;
Direito de recorrer a um tribunal, a fim de que este se pronuncie
sobre a legalidade da detenção e ordene a libertação, se a detenção
for ilegal
Direito a indemnização

58
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

Art. 6.º CEDH


1. Qualquer pessoa tem direito a que a sua causa seja examinada, equitativa e publicamente, num
prazo razoável por um tribunal independente e imparcial, estabelecido pela lei, o qual decidirá, quer
sobre a determinação dos seus direitos e obrigações de caráter civil, quer sobre o fundamento de
qualquer acusação em matéria penal dirigida contra ela. O julgamento deve ser público, mas o
acesso à sala de audiências pode ser proibido à imprensa ou ao público durante a totalidade ou
parte do processo, quando a bem da moralidade, da ordem pública ou da segurança nacional numa
sociedade democrática, quando os interesses de menores ou a proteção da vida privada das partes
no processo o exigirem, ou, na medida julgada estritamente necessária pelo tribunal, quando, em
circunstâncias especiais, a publicidade pudesse ser prejudicial para os interesses da justiça.
2. Qualquer pessoa acusada de uma infração presume-se inocente enquanto a sua culpabilidade
não tiver sido legalmente provada.
3. O acusado tem, como mínimo, os seguintes direitos:
a) Ser informado no mais curto prazo, em língua que entenda e de forma minuciosa, da natureza e
da causa da acusação contra ele formulada;
b) Dispor do tempo e dos meios necessários para a preparação da sua defesa;
c) Defender-se a si próprio ou ter a assistência de um defensor da sua escolha e, se não tiver
meios para remunerar um defensor, poder ser assistido gratuitamente por um defensor oficioso,
quando os interesses da justiça o exigirem;
d) Interrogar ou fazer interrogar as testemunhas de acusação e obter a convocação e o
interrogatório das testemunhas de defesa nas mesmas condições que as testemunhas de
acusação;
e) Fazer-se assistir gratuitamente por intérprete, se não compreender ou não falar a língua usada
59
no processo.
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

Contém um amplo catálogo de direitos e garantias processuais.

É o preceito mais analisado em Estrasburgo.

Conteúdos essenciais:
jurisdição (v.g., independência e imparcialidade do tribunal e
seus elementos)
ação (v.g., acesso aos tribunais e gratuitidade da assistência
judiciária, motivação das decisões)
processo (v.g., princípio do contraditório, princípio da
igualdade de armas, publicidade e presunção de inocência)

60
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

4.5.1. Âmbito de aplicação

4.5.2. Direito de acesso a um tribunal, independente e imparcial,


estabelecido pela lei

Direito de acesso a um “tribunal” (v.g., Langborger c. Suécia, de


22 de junho de 1989)

Direito a um tribunal “independente”: independência face ao poder


executivo e às partes, bem como perante o poder legislativo ou os
grupos de pressão (v.g., Demicoli c. Malta, 27 de agosto de 1991)
Critérios para aferir a independência:

modo de designação dos seus elementos


duração do mandato (inamovibilidade)
existência de garantias contra as pressões externas 61
aparência de independência
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

Direito a um tribunal “imparcial” (v.g., Piersack c. Bélgica, de 1 de


outubro de 1982)
Critérios para aferir a independência:
aparência de imparcialidade
dimensões subjetiva e objetiva da imparcialidade
apreciação casuística

62
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

4.5.3. O processo com todas as garantias do art. 6.º, n.º1

Processo equitativo

I – Princípio do contraditório:
rio ninguém pode ser condenado sem ter sido ouvido e
vencido em juízo
Cada uma das partes deverá ter possibilidades razoáveis de apresentar os
argumentos que sustentam as suas pretensões e, em particular, cada uma
das partes deverá poder tomar conhecimento efetivo das alegações,
prova e outros elementos do processo apresentados pela parte contrária
perante o Juiz, por forma a poder pronunciar-se adequada e
razoavelmente sobre os mesmos e refutá-los (v.g., Ruiz-Mateos c.
Espanha, de 23 de junho de 1993)

II – Princípio de igualdade de armas ou de oportunidades processuais:


processuais
transposição do direito à igualdade para o plano processual
Cada uma das partes – que não são iguais – deve ter as mesmas
oportunidades e condições processuais (v.g., Brandstetter c. Áustria, de 63
28 de agosto de 1991)
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

III – Motivação das decisões judiciais:


judiciais a enunciação dos pontos de facto
e de direito sobre os quais se funda a decisão deve permitir às partes
avaliar as possibilidades de sucesso nos recursos.

As decisões judiciais devem indicar suficientemente os motivos em


que se fundam (v.g., Laranjeira Marques da Silva c. Portugal, de
18 de janeiro de 2010, § 23)
A profundidade da motivação dependerá da
natureza da decisão e das circunstâncias do
caso e tal obrigação não consiste numa
exigência de resposta detalhada a cada um
dos argumentos esgrimidos pelas partes
(v.g., Hirvisaari c. Finlância, de 27 de
setembro de 2001)

64
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

IV – Publicidade

Constitui um dos meios para preservar a confiança nos tribunais, pela


transparência que confere à administração da justiça.
Pressupõe a possibilidade de acesso ao processo, ao conhecimento dos
atos de processo que não sejam secretos por lei ou por natureza das
coisas.
Beneficiários: intervenientes no processo, público e comunicação social
Exceções:
ões
A. Interesses ou valores que transcendem, simultaneamente, um
indivíduo em concreto e um processo particular (moral, ordem pública,
segurança nacional);
B. Objetivo de proteger direitos e interesses, tais como a vida privada das
partes ou os interesses dos menores envolvidos (v.g., B. e P. c. Reino
Unido, de 24 de abril de 2001);
C. Quando, em circunstâncias especiais, a publicidade possa ser
65
prejudicial para os interesses da justiça.
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

V – O prazo razoável ou a proibição de dilações indevidas

O tempo é um fator determinante no momento de se alcançar a justiça, uma vez


que os atrasos na administração da justiça podem comprometer a sua eficácia e
credibilidade (v.g., Guincho c. Portugal, de 10 de julho de 1984, § 38).
Para determinar se a justiça se administrou em prazo razoável, o TEDH tem em
consideração o seguinte:
1. Fixa o dies a quo e o dies ad quem
Civil (a partir da data da apresentação do pedido no tribunal)
Penal (a partir do momento em que o requerente foi “acusado”)
2. O prazo razoável cobre todo o processo, incluindo as instâncias de recurso.
3. Critérios para avaliar o prazo razoável, ainda que seja uma avaliação
casuística: (i) grau de complexidade do caso (v.g., quantidade de prova,
complexidade das questões legais em causa); (ii) a conduta do requerente (v.g.,
manobras dilatórias) e a das autoridades competentes na tramitação do processo
(v.g., falta de coordenação entre as autoridades nacionais); (iii) “o que o requerente
arrisca no litígio” (o Tribunal exige particular diligência nos casos relativos, v.g., aos
presos, ao estado civil, à guarda de crianças, à saúde e à reputação, entre outros) 66
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

Ver, por exemplo,

Antunes c. Portugal, de 20 de dezembro de 2010 (5 anos, 10 meses e 24 dias


por dois níveis de jurisdição)

Domingos Marques Ribeiro Maçarico c. Portugal, de 17 de janeiro de 2012 (18


anos, 4 meses e 6 dias)

Laino c. Itália, de 18 de fevereiro de 1999 (divórcio – 8 anos)

Nuutinen c. Finlândia, de 27 de junho de 2000 (estabelecimento da


paternidade, guarda e direito de visitas – 5 anos e 5 meses)

E. R. c. França, de 15 de julho de 2003 (estabelecimento da filiação – mais de


10 anos por seis níveis de jurisdição)

67
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

4.5.4. O processo penal com todas as garantias do art. 6.º, n.º1, n.º2 e
n.º3

I – Presunção de inocência
Implica, em matéria de ónus da prova, que a prova da culpa recaia sobre o Ministério Público
ou sobre o assistente
Confere ao acusado o direito ao silêncio, sem lhe retirar o direito de contraprova (v.g., Albert
e Le Compte c. Bélgica, § 40)
No momento da decisão, o juiz, sem pré-juízo, deve basear-se apenas em provas diretas ou
indiretas, mas suficientemente fortes aos olhos da lei para estabelecer a culpabilidade; ele não
deve partir da convicção ou da suposição de que o acusado é culpado (v.g., Barberà,
Messegué e Jabardo c. Espanha, § 77)
Este princípio impõe-se às autoridades públicas (MP ou Presidente do Parlamento),
reclamando nomeadamente que um representante do Estado não declare que uma pessoa é
culpada de uma infração antes de esta culpabilidade ter sido ditada por um tribunal (v.g.,
Butkevièius c. Lituânia, §§ 49 e ss.)
Deve alcançar um ponto de equilíbrio com a liberdade de expressão, pelo que não se poderá
impedir os media de informar a opinião pública sobre as investigações penais, ainda que
68
devam fazê-lo com a discrição e reserva impostas por este princípio ( v.g., Allenet de Ribemont
c. França, § 38)
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

4.5.4. O processo penal com todas as garantias do art. 6.º, n.º1, n.º2 e n.º3

II – Direitos do acusado (n.º3)

Os direitos garantidos no n.º 3 são extensivos ao defensor, enquanto necessários


para assegurar a defesa adequada ao acusado

a) Direito a ser informado no mais curto prazo, em língua que entenda e de forma
minuciosa, acerca da natureza e da causa da acusação contra ele formada, isto
é, dos factos materiais que lhe são imputados e da sua qualificação jurídica, para
que assim possa preparar a sua defesa (v.g., Pélissier e Sassi c. França, § 51)
b) Direito de dispor de tempo e dos meios necessários para a preparação da
defesa, o que pressupõe que a informação sobre a natureza e a causa da
acusação deve conter os elementos necessários para permitir ao acusado essa
preparação e que este deve ser informado do início do prazo para apresentar a
sua defesa (v.g., Pélissier, § 62; Vacher c. França, § 28)
69
4.5. O art. 6.º e o direito a um processo equitativo

c) Direito a (i) defender-se a si próprio ou (ii) a ter assistência de um defensor da


sua escolha e, (iii) se não tiver meios para remunerar um defensor, poderá ser
assistido gratuitamente, quando os interesses da justiça o exigirem (v.g., Pakelli
c. Alemanha)
d) Direito a interrogar as testemunhas da acusação e obter a convocação e o
interrogatório das testemunhas de defesa nas mesmas condições que as
testemunhas de acusação, o que implica, em princípio, o direito do acusado não
só de assistir, mas também de ouvir e seguir os debates (v.g., Visser c. Holanda)
e) Direito de fazer-se assistir por intérprete, se não compreender ou não falar a
língua usada no processo (v.g. Kamasinski c. Áustria)

70
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

4.6.1. Considerações preliminares


Art. 8.º CEDH
1. Qualquer pessoa tem direito ao respeito da sua vida privada e familiar, do seu
domicílio e da sua correspondência.
2. Não pode haver ingerência da autoridade pública no exercício deste direito
senão quando esta ingerência estiver prevista na lei e constituir uma
providência que, numa sociedade democrática, seja necessária para a
segurança nacional, para a segurança pública, para o bem-estar económico
do país, a defesa da ordem e a prevenção das infrações penais, a proteção da
saúde ou da moral, ou a proteção dos direitos e das liberdades de terceiros.

Apresenta uma estrutura dualista.


Visa essencialmente impedir a ingerência arbitrária das autoridades públicas
na esfera pessoal e familiar do indivíduo.
Tem sido objeto de uma interpretação evolutiva ou dinâmica, que tem sido71
refreada pela doutrina da “margem de apreciação”.
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

4.6.2. O respeito pela “vida privada”

“private life is a broad term not susceptible to exhaustive


definition” (Peck c. Reino Unido, § 57)

Abrange não apenas aspetos internos e estáticos que respeitam


à pessoa e à sua esfera íntima, mas também aspetos externos e
dinâmicos de relação com outras pessoas

o respeito pela “vida privada” engloba “um direito à identidade e


ao desenvolvimento pessoal e o direito a criar e desenvolver
relações com os seus semelhantes e com o mundo exterior,
podendo incluir as atividades profissionais ou comerciais” (v.g.,
Bensaid c. Reino Unido, § 47, Peck c. Reino Unido, § 57) 72
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

Aspetos abrangidos no conceito de “vida privada”

I. A integridade física e moral, a livre disposição do seu corpo


e a vida sexual (v.g., Stubbings e Outros c. Reino Unido)
- sujeição de reclusa a exame ginecológico sem o seu consentimento (Y.F.
c. Turquia)
- número excessivo de exames psiquiátricos num curto espaço de tempo
(Worwa c. Polónia)

II. O direito ao nome e o direito à historicidade pessoal

V. Burghartz c. Suíça, de 22 de V. Gaskin c. Reino Unido, de 7


fevereiro de 1994 de julho de 1989

III. A jurisprudência ambiental (ver infra) 73


4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
IV. A orientação sexual: transexualidade, homosexualidade e práticas
sadomasoquistas (ver infra)
A vida sexual constitui “um dos aspetos mais íntimos da vida
privada” (cfr. Dudgeon c. Reino Unido)
V. Recolha, conservação, utilização e revelação de dados pessoais
ou confidenciais
A proteção de dados de caráter pessoal e sobretudo a interconexão
de ficheiros ou a utilização destes para fins diferentes dos previstos
aquando da sua recolha entram no campo de aplicação deste preceito
(v.g., Leander c. Suécia, § 48)
Tribunal tem em conta o contexto particular no qual as informações
foram recolhidas e conservadas, a natureza dos dados consignados, a
maneira como eles são utilizados e os resultados que podem deles
ser retirados (v.g., S. e Marper c. Reino Unido, § 67; in casu,
considerou-se que a conservação indiferenciada e sem limitação
temporal das impressões digitais, amostras biológicas ou perfis de
ADN de pessoas suspeitas de terem cometido crimes mas que não
chegaram a ser condenadas violava este dispositivo)
74
Divulgação de dados sobre a infeção de HIV (Z. c. Finlândia)
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

VI. Técnicas e procedimentos de investigação policial


Uma busca traduz-se numa ingerência no direito ao respeito pela vida
privada, suscetível de justificação ao abrigo do n.º 2 do art. 8
Fotografar uma pessoa durante uma manifestação não constitui uma
violação da sua vida privada, se a fotografia se destina a identificá-la
em futuras manifestações
Sobre a utilização dos dispositivos de gravação e escutas pelas
autoridades, a lei interna deve ser suficientemente clara por forma a
que os cidadãos tenham conhecimento das circunstâncias e das
condições em que as autoridades estão habilitadas a usar tais
dispositivos de vigilância (v.g., Khan c. Reino Unido, §§ 26 e 27; Allan
c. Reino Unido, §§ 35 e 36)

VII. Modo de vida das minorias étnicas (ver infra)

VIII.Expulsão de emigrantes de 2.ª geração (Üner c. Holanda,


de 18 de outubro de 2006) 75
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

4.6.3. O conceito de “vida familiar”

I – O que constitui “vida familiar” à luz do art. 8.º?

Um casamento legal e não fictício (ver Abdulaziz, Cabales e


Balkandali c. Reino Unido, § 62).

Relações entre pais e filhos desde o momento do nascimento e por


esse mesmo facto, independentemente de se tratar de uma criança
nascida dentro ou fora do matrimónio (ver Keegan c. Irlanda, § 44).

Laços familiares de facto onde as partes convivem proximamente


fora do matrimónio, desde que esses laços sejam suficientemente
estreitos e efetivos.
a) Critério da
efetividade dos “the existence or non-existence of ‘family life’ is essentially a
question of fact depending upon the real existence in practice
laços of close personal ties” (cfr. Brauer c. Alemanha, § 30). 76
interpessoais
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

Relações entre parentes próximos (v.g., Boyle c. Reino Unido).

Vínculos entre membros de uma família recombinada (v.g., K. e T.


c. Finlândia).

Laços entre adotantes e adotados (ver, v.g., Pini, Bertani e Outros


c. Roménia).

As relações homossexuais (ver Schalk e Kopf c. Áustria).

b) Critério da aparência de uma família (v.g., X, Y e Z. c. Reino


Unido).

77
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

Em suma

A ausência de laço biológico não impede a existência de vida familiar, desde


que se verifiquem os critérios da “efetividade dos laços interpessoais” ou da
“aparência de uma família”, e, ao invés, a existência de laço biológico pode
não ser suficiente para identificar vida familiar.

78
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

II – O que não constitui “vida familiar” à luz do art. 8.º?

O mero desejo de fundar uma família, seja mediante o casamento


(ver Abdulaziz, Cabales e Balkandali c. Reino Unido, § 62), seja
mediante a oportunidade de adotar uma criança (ver Fretté c.
França, § 32).

A relação estabelecida entre o pai ou a mãe biológicos que doam


esperma ou óvulo para inseminação artificial e a criança concebida
pela doação (ver J.R.M. c. Holanda, Queixa nº 16944/90).

A família polígama (ver E.A. y A.A. c. Países Baixos, Queixa nº


14501/89)

III – Diluição da especificidade e dos limites do conceito de “vida


familiar”
79
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.4. As famílias de facto e o respeito pela vida familiar
I – Filhos nascidos fora do matrimónio, adulterinos e adotados
Não deverá ser feita qualquer distinção entre os filhos nascidos
dentro ou fora do casamento – Princípio da não discriminação
(ver, v.g., Pla y Puncernau c. Andorra, § 61).
Impende sobre os Estados Membros a obrigação positiva de
colocar as crianças “ilegítimas” “em semelhante posição jurídica e
social reconhecida às crianças legítimas” (ver Johnston e Outros c.
Irlanda, § 74).
A igualdade dos direitos patrimoniais das crianças nascidas dentro
e fora do casamento implica que lhes sejam reconhecidos direitos
sucessórios, não só relativamente aos pais (ver Marckx c. Bélgica),
mas igualmente no que respeita a outros familiares (ver Vermeire c.
Bélgica).
A igualdade exige também que não se reduza a quota sucessória
(ver Mazurek c. França) ou se estabeleça alguma preferência (ver
Inze c. Áustria). 80
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

II – Estabelecimento da filiação das crianças nascidas fora do


matrimónio
A ligação jurídica de filiação entre mãe e filho, nascido dentro ou fora do
casamento, deve ocorrer no momento do nascimento e por esse mesmo
facto - mater semper certa est (ver Marckx c. Bélgica).
O direito interno deve apresentar um amplo leque de mecanismos que
permitam impugnar as presunções legais de paternidade (ver Kroon e
Outros c. Holanda).
O interesse da criança e da família em que se integra pode sobrelevar o
interesse do requerente em ver restaurada a verdade biológica e, nessa
medida, impedir a impugnação de uma presunção legal (ver Nylund c.
Finlândia).
No caso de o direito interno não ser dotado de meios processuais
conducentes à realização compulsória dos testes de ADN, deve munir-se
de “meios alternativos que permitam a uma autoridade independente
decidir, com celeridade, a questão da paternidade” (ver Mikulić c. Croácia,
§ 64).

81
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

III – Pais de facto ou naturais

Concessão de direitos de visita

– O tratamento diferenciado entre os pais divorciados e os pais de


crianças nascidas fora do casamento viola o art. 8.º combinado
com o art. 14.º (ver, v.g., Sommerfeld c. Alemanha, §§ 91-94).

– O art. 8.º não será infringido se as autoridades nacionais


envolverem suficientemente o pai natural no processo decisório,
por forma a que os seus interesses sejam tidos em conta pelas
instâncias nacionais na decisão formulada (ver, v.g., Elsholz c.
Alemanha, §§ 49, 52, 53).

Adoção sem o conhecimento ou o consentimento do pai


natural
– O art. 8.º não será violado se as garantias processuais do pai
natural foram devidamente salvaguardadas pelas instâncias
nacionais no processo decisório (ver, v.g., Keegan c. Irlanda, § 82
55).
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

IV – Relações de facto heterossexuais e homossexuais

Uma relação de convivência marital entre um casal heterossexual (e


agora também homossexual) durante certo período de tempo
constitui vida familiar merecedora da tutela do art. 8.º da Convenção
(ver, v.g, Saucedo Gómez c. Espanha, Queixa nº 37784/97).

Os casais unidos pelo matrimónio e os casais em união de facto


encontram-se numa posição análoga, para efeitos do art. 14.º

Pelo que a diferença de tratamento entre casados e unidos de facto


deve achar-se provida de uma justificação objetiva e razoável
(ver, v.g., Quintana
proteção do matrimónio e da família tradicional Zapata c. Espanha,
Queixa nº 34615/97)

Em suma
Hierarquização dos modelos de vida conjugal, com a atribuição de 83
um estatuto privilegiado ao casamento.
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.5. Famílias monoparentais

• O direito de fundar uma família monoparental não está protegido, enquanto


tal, pela Convenção, seja sob o amparo do art. 8.º ou sob a égide do art.
12.º (ver, v.g., X. c. Bélgica e Holanda, Queixa nº 6482/74).

Tendência atual em sentido contrário

• Uma vez fundada a família monoparental, esta estrutura configura-se como


uma família merecedora da proteção do art. 8.º (ver, v.g., Marckx c.
Bélgica).

84
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

4.6.6. Famílias recombinadas ou pluriparentais

• A relação existente entre a criança, filha de apenas um dos membros do


casal, e o outro membro do casal pode qualificar-se como “vida familiar”.

• O superior interesse da criança pode ditar a prevalência da paternidade


“sócio-afetiva” sobre a paternidade biológica (ver, v.g., Söderbäck c.
Suécia)

85
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.7. Transexuais e o respeito pela vida privada e familiar

I – O reconhecimento jurídico da nova identidade sexual do


transexual operado

Inicial relutância em fazer impender sobre os Estados Membros a


obrigação positiva de reconhecer juridicamente a adequação sexual
empreendida pelos transexuais.
– Ausência de denominador comum entre os Estados Membros
Argumentos
– Ampla margem de apreciação

Mudança de posição no Acórdão Christine Goodwin c. Reino Unido, 11


de julho de 2002
– Existência de “uma tendência internacional contínua não
apenas no sentido de uma crescente aceitação social dos
Argumentos transexuais, mas igualmente no sentido do reconhecimento
jurídico da nova identidade sexual dos transexuais operados”
– O art. 8.º compreende um “direito ao desenvolvimento pessoal
e à integridade física e moral”
86
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

II – O direito de contrair casamento


Nos casos Rees, Cossey e Sheffield e Horsham, o Tribunal reiterou que o
art. 12.º apenas compreendia casamento tradicional entre pessoas de sexo
biológico diferente.

Nos casos Christine Goodwin e I., o Tribunal de Estrasburgo superou esta


posição e sustentou que a recusa de um Estado Membro permitir o
casamento de um de um transexual operado constitui um a violação do art.
12.º
– A incapacidade de um casal procriar não pode, per se, privá-lo
do direito de contrair casamento
Argumentos
– O sexo não deve ser determinado por critérios puramente
biológicos
– O art. 9.º da Carta dos Direitos Fundamentais da União
Europeia não contém deliberadamente qualquer menção ao
sexo dos cônjuges

87
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

III – Direitos parentais

Caso X, Y e Z c. Reino Unido

O TEDH identificou X, transexual operado, como “pai social”

Mas

O TEDH considerou que não existia denominador comum entre os Estados


contratantes quanto ao reconhecimento de direitos parentais aos
transexuais, pelo que defendeu que estes gozavam de uma ampla margem
de apreciação neste domínio.

88
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.8. Homossexuais e o respeito pela vida privada e familiar
Princípio da não discriminação com fundamento na “orientação
sexual”.
– Trabalho (ver Smith e Grady c. Reino Unido)
– Maioridade quanto ao consentimento para relações homossexuais
entre adultos (ver L. e V. c. Áustria)
– Direitos parentais (ver Salgueiro da Silva Mouta c. Portugal)
– Arrendamento (ver Karner c. Áustria)
– Adoção (ver E.B. c. França)
– Extensão da cobertura de seguro (ver P.B. e J.S. c. Áustria)

Relações homossexuais de facto constituem agora “vida familiar” e são


tuteladas à luz do art. 8.º (alteração de postura) (ver Schalk e Kopf c.
Áustria)
Quanto ao direito a contrair matrimónio, continua vedado aos casais do
mesmo sexo
Atendendo ao volte-face protagonizado pelas Sentenças Christine Goodwin
e I. e à recente postura quanto à união de facto homossexual,
consideramos que o TEDH não desempenhará por muito mais tempo o 89
papel de guardião do templo sagrado do matrimónio tradicional.
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

Conclusões sobre a jurisprudência quanto às novas formas de


família

As linhas basilares da jurisprudência estrasburguesa mais não são do que


o reflexo das coordenadas dos Direitos da Família vigentes no espaço
europeu: igualdade e pedocentrismo.
Em certos domínios, porém, a fidelidade ao princípio da igualdade é
suspensa pelo juiz de Estrasburgo sob o argumento da proteção do
casamento e da família tradicional.
A generosidade do Tribunal na concessão de proteção às novas formas de
família, não obstante a tolerância quanto à diferença de entre casados e
unidos de facto (e anteriormente a resistência em reconhecer as relações
de facto homossexuais como vida familiar) permite-nos concluir que a
jurisprudência que nos chega de Estrasburgo se pode dizer pouco
conservadora.

90
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

4.6.9. Filiação

I – Estabelecimento da filiação

“verdade biológica”
Equilíbrio

“verdade sócio-afetiva”

II – Direito à historicidade pessoal e direito a conhecer as origens

V. Gaskin c. Reino Unido V. Odièvre c. França

91
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
III – Efeitos da rotura conjugal sobre as relações paterno-materno-filiais
O gozo por pais e filhos de sua mútua companhia é um elemento
fundamental da vida familiar (v.g., Keegan c. Irlanda; Elsholz c. Alemanha) .
Regra da manutenção das relações paterno-materno-filiais
após o divórcio ou separação
O melhor interesse do menor deve ser sempre a consideração soberana
(v.g., Neulinger e Shuruk c. Suiça).
Princípio da não discriminação dos progenitores na titularidade e exercício
da guarda e custódia e do direito de visita (v.g., Hoffmann c. Austria;
Salgueiro da Silva Mouta c. Portugal; Zaunegger c. Alemanha)
Suficiente envolvimento dos progenitores no processo decisório (v.g., Sahin
c. Alemanha; Sommerfeld c. Alemanha)
Obrigação das autoridades nacionais de promover todos os esforços
adequados e efetivos para assegurar o exercício efetivo da custódia e do
regime de visitas (v.g., Reigado Ramos c. Portugal).

Medidas de restrição serão legítimas ao abrigo do n.º 2 do art. 8.92


º
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
IV – Subtração de menor

As obrigações positivas decorrentes do art. 8.º, neste âmbito, devem


interpretar-se à luz da Convenção de Haia, de 25 de outubro de 1980,
sobre os aspetos civis do rapto internacional de crianças. Ver art. 7.º. ( v.g.,
Ignaccolo-Zenide c. Roménia, de 25 de janeiro de 2000; Maire c. Portugal,
de 26 de junho de 2003)

Exortação reiterada para que cada Estado Membro se dote do arsenal


jurídico adequado e suficiente para garantir o respeito pelas obrigações
positivas emergentes do art. 8.º (v.g., Maire c. Portugal, § 76)

As dilações podem projetar a queixa para o domínio do art. 6.º.

O retorno do menor não deverá ser decretado, no caso de se demonstrar


que este já se encontra plenamente integrado no seu novo ambiente (v.g.,
Neulinger e Shuruk c. Suíça, de 6 de julho de 2010) 93
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

V – Colocação de menor sob a tutela pública do Estado

O melhor interesse do menor deve ser a consideração soberana.

Na valoração da conformidade destas medidas, o Tribunal averigua,


designadamente:
• Se a medida se fundou em razões pertinentes e suficientes (v.g.,
Covezzi e Morselli c. Itália);
• Se a medida foi contemplada como uma medida de natureza
temporária, provisória ou transicional [ v.g., Olsson c. Suecia (nº 1)]
• Se a implementação da medida foi realizada com o fim último de
permitir a reunião da família (v.g., K.A. c. Finlândia);
• Se foi realizado um justo equilíbrio entre os interesses em conflito
(v.g., Johansen c. Noruega);
• Se as garantias procedimentais dos pais foram respeitadas no
decurso do processo decisório (v.g., McMichael c. Reino Unido)
duplo controlo à luz do art. 8.º e do art. 6.º. 94
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.10. A família do estrangeiro

I – Reagrupamento familiar

Sopesando o interesse geral do Estado em controlar os fluxos migratórios e o


interesse das pessoas afetadas com a decisão sobre o reagrupamento
familiar, o Tribunal parece agora mais recetivo a inclinar a balança
estrasburguesa a favor deste último

Deve-se a
Especial deferência deste órgão ao princípio do interesse superior e bem-estar
da criança que se pretende reagrupar, assim como o interesse da criança
nascida no país de acolhimento sem vínculo com o país de origem

Ver Şen c. Holanda, de 21 de dezembro de 2001, e Tuquabo-Tekle e


Outros c. Holanda, 1 de dezembro de 2005
95
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
II – Expulsão
Jurisprudência extensa e confusa, de caráter variável e extremamente
preso aos detalhes particulares da litis
O direito ao respeito pela vida privada e familiar afirma-se de forma
reforçada na hipótese de expulsão motivada por mera irregularidade
administrativa (v.g., Berrehab c. Holanda, de 21 de junho de 1988, e
Ciliz c. Holanda, 11 de julho de 2000), mas tende a debilitar-se ou mesmo
excluir-se no caso de conduta delituosa, podendo a vida familiar não ser
suficiente para obstar à expulsão (v.g., Boughanemi c. França, de 24 de
junho de 1996)
1996
O controlo de proporcionalidade da medida de expulsão realiza-se com
recurso aos “princípios orientadores” enunciados no caso Boultif c.
Suíça e especificados no caso Üner c. Holanda:
superior interesse e bem-estar do menor afetado;
solidez dos laços sociais, culturais e familiares com o país de acolhimento ou
com o país de origem;
situação familiar do requerente;
natureza e gravidade dos crimes perpetrados;
o período de tempo decorrido desde o cometimento do delito e a conduta do
requerente desde então;
96
outros.
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

A proteção dos emigrantes de “segunda geração” é:

mais dilatada, uma vez que gozam do amparo do conceito de “vida


familiar” e do conceito de “vida privada”

mais acentuada, na medida em que “razões muito ponderosas devem


ser aduzidas para justificar a expulsão deste tipo de emigrantes”.

Ver Maslov c. Áustria, de 23 de junho de 2008; Üner c. Holanda, de 18 de


outubro de 2006

97
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.11. A família do recluso
I – Restrições de contacto (visitas, saídas, correspondência)
o O direito ao respeito pela vida familiar dos reclusos inclui a obrigação
imposta aos Estados Membros de os assistir a estabelecer ou manter
contactos com a família (v. Messina (nº 2) c. Itália, § 61)
o Constituem ingerências no respeito pela vida familiar do recluso, que só
serão legítimas se encontram justificação ao abrigo do n.º 2 do art. 8.º (v.
Klamecki c. Polónia, § 144)
o Teste de proporcionalidade da restrição ou exclusão de visitas tem em
consideração vários fatores: (i) duração da limitação do direito; (ii)
fundamentação invocada pelas autoridades; (iii) consideração de outras
medidas menos restritivas, entre outros (v. Nowicka c. Polónia, §§ 73-77)
o Quanto à negação do pedido de saída, da o TEDH averigua se a medida
responde a uma necessidade social urgente, tendo em conta fatores como
(i) a fase do processo, (ii) a natureza do crime perpetrado, a personalidade
do recluso, (iii) a gravidade da doença do familiar, (iv) o grau de parentesco
ou afinidade, (v) a possibilidade de sair sob escolta, entre outros (v. Ploski
c. Polónia)
o Relativamente à vigilância, interceção e censura da correspondência,
correspondência o
exame estrasburguês tem-se centrado, em geral, no requisito da 98
“legalidade” (v. Silver e Outros c. Reino Unido)
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

II – “Visitas conjugais”

o O direito de fundar uma família não abarca o direito de um


recluso casado ter visitas com fins de procriação (v. X. c. Reino
Unido, Queixa nº 6564/74)

o A negação de visitas conjugais ao cônjuge privado de liberdade


poderá “neste momento” considerar-se justificada à luz do n.º 2
do art. 8.º (v. Aliev c. Ucrânia, § 188)

Evolução?

99
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
4.6.12. Jurisprudência ambiental por aplicação do art. 8.º

O Tribunal tem enfatizado que atentados graves contra o ambiente, tais


como:

níveis excessivos de ruído emanados de um aeroporto (Powell e


Rayner c. Reino Unido e Hatton e Outros c. Reino Unido)

odores desagradáveis procedentes de uma central de tratamento


de resíduos (López Ostra c. Espanha)

emissões tóxicas oriundas de uma unidade fabril (Guerra e Outros


c. Itália e Fadeyeva c. Rússia)

podem afetar seriamente o bem-estar de uma pessoa e privá-la do


gozo do seu domicílio, assim como afetar a sua vida privada e
familiar e, nessa medida, poderão violar o art. 8.º da Convenção.

100
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
I - Poluição sonora – Aeroportos

Acórdão Hatton e Outros c. Reino Unido, de 2 de Outubro de


2001

Factos / Queixa: os requerentes arguiram


que, devido à implementação do novo sistema
de regulação de voos noturnos do aeroporto
londrino de Heathrow, baseado na atribuição
de “quotas de ruído”, os níveis de ruído
haviam aumentado consideravelmente,
sobretudo durante a noite, daí resultando uma
violação do seu direito ao respeito pela vida
privada e familiar consagrado no art. 8.º

101
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
Decisão:
“No campo particularmente sensível da proteção ambiental (…), a
simples referência ao bem-estar económico de um Estado não é suficiente
para legitimar a limitação de um direito dos indivíduos” (§ 97).
Estado britânico não havia respeitado a obrigação positiva de tomar as
medidas necessárias para proteger os direitos dos requerentes, mormente
as medidas adotadas para atenuar o ruído eram insuficientes e as
autoridades não haviam submetido o novo modelo de tráfego aéreo a um
procedimento administrativo de avaliação do impacto ambiental com o
objetivo de encontrar uma solução menos onerosa para o respeito pelos
direitos humanos.
Estado não havia realizado um justo equilíbrio entre o bem-estar
económico do país e a salvaguarda efetiva do direito ao respeito pela vida
privada e familiar dos requerentes

violação do art. 8.º


102
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar

Acórdão Hatton e Outros c. Reino Unido, 7 de Agosto de 2003,


R03-VIII (Tribunal Pleno)

Decisão do Tribunal Pleno veio alterar a decisão da 3.º Secção e


desatender o pedido dos requerentes

103
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
II - Poluição sonora – Discotecas e Bares

Acórdão Moreno Gómez c. Espanha, de 16 de Novembro de 2004

Factos / Queixa: requerente queixou-se do ruído e dos distúrbios


noturnos procedentes de bares, pubs e discotecas situados nas
proximidades da sua casa.

Decisão:

Tribunal considerou que o Conselho Municipal de


Valência tinha tolerado e, portanto, contribuído para a
reiterada violação das referidas regras atinentes aos
níveis de ruído e, nessa medida, não tinha promovido
esforços no sentido da sua efetiva implementação

Violação do art. 8.º


104
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
III - Poluição industrial
Acórdão López Ostra c. Espanha, de 9 de Dezembro de 1994

Factos / Queixa: a requerente, que habitava numa casa com o marido e


duas filhas a 12 metros de uma estação de tratamento de águas e
resíduos químicos, veio a Estrasburgo queixar-se que a atitude passiva
prolongada das autoridades espanholas perante a emissão de odores
nauseabundos, ruídos repetitivos e fumos poluidores da referida
estação, que a impediam, bem como à sua família, de gozar
efetivamente o seu domicílio.

Decisão: graves contra o ambiente, ainda que não


Os atentados
coloquem em perigo grave a saúde dos indivíduos,
podem afetar seriamente o seu bem-estar e privá-lo do
gozo do seu domicílio, assim como afetar a sua vida
privada e familiar

Violação do art. 8.º 105


4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
IV – Direito à informação ambiental
Acórdão Guerra e Outros c. Itália, de 19 de Fevereiro de 1998, R98-I
Factos: fábrica de produtos químicos (fertilizantes) libertava para a
atmosfera grandes quantidades de gás inflamável e outras substâncias
tóxicas
Queixa: arguiram que a inércia das autoridades nacionais em conceder
informações essenciais que lhes permitisse avaliar os riscos que poderiam
resultar para eles e para as suas famílias se continuassem a residir num
local particularmente exposto ao perigo em caso de acidente na fábrica
violava os seus direitos ínsitos nos arts. 10.º e 8.º da Convenção
Decisão:

À luz do art. 8.º, o Tribunal concluiu que as autoridades públicas não


haviam cumprido a obrigação positiva de assegurar o respeito pelo
direito ao respeito pela vida privada e familiar, na medida em que os
requerentes não receberam informação essencial das autoridades
públicas que lhes permitisse avaliar os riscos que eles e as respetivas
famílias corriam se ali permanecessem.
106
Violação do art. 8.º
4.6. O art. 8.º e o direito ao respeito pela vida privada e
familiar
V – Restrição do direito ao respeito pela vida privada e familiar
com fundamento na proteção ambiental

O TEDH tem considerado que a proteção do ambiente, mormente no


âmbito das restrições erigidas pelas normas urbanísticas e de
ordenamento do território, pode ser perspetivada como um fim legítimo
perseguido pelas autoridades nacionais e, nessa medida, de acordo com
o estatuído no n.º 2 do art. 8.º, justificante da restrição do direito ao
respeito pela vida privada e familiar.

Cfr., inter alia, Acórdãos Buckley c. Reino Unido, de 25 de setembro de


1996; Chapman c. Reino Unido, Coster c. Reino Unido, Jane Smith c.
Reino Unido, Lee c. Reino Unido e Beard c. Reino Unido, todos decididos
a 18 de janeiro de 2001.

107
4.7. O art. 9.º e a liberdade de pensamento, de
consciência e de religião

Art. 9.º CEDH


1. Qualquer pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência
e de religião; este direito implica a liberdade de mudar de religião ou de
crença, assim como a liberdade de manifestar a sua religião ou a sua
crença, individual ou coletivamente, em público e em privado, por meio do
culto, do ensino, de práticas e da celebração de ritos.
2. A liberdade de manifestar a sua religião ou convicções, individual ou
coletivamente, não pode ser objeto de outras restrições senão as que,
previstas na lei, constituírem disposições necessárias, numa sociedade
democrática, à segurança pública, à proteção da ordem, da saúde e moral
públicas, ou à proteção dos direitos e liberdades de outrem.

Dimensão externa Dimensão interna

108
4.7. O art. 9.º e a liberdade de pensamento, de
consciência e de religião

I – Titulares
O sujeito ativo deste direito pode ser uma pessoa singular, bem como uma
Igreja ou o órgão eclesiástico de uma Igreja (v.g., Cha’are Shalom Ve Tsedek
c. França, de 27 de junho de 2000, § 72)
O sujeito passivo – o Estado – não deve interferir no exercício deste direito,
mas também deverá adotar condutas positivas para assegurar as liberdades
reconhecidas neste preceito e para reconciliar os interesses dos diversos
grupos (v.g., Igreja Metropolitana de Bessarábia e Outros c. Moldávia, de 31
de dezembro de 2001)

II – Âmbito dos direitos reconhecidos no art. 9.º: liberdade de


pensamento, de consciência e de religião, incluindo-se neste a liberdade de
culto
- Âmbito interno
- Âmbito externo
109
4.7. O art. 9.º e a liberdade de pensamento, de
consciência e de religião

III – Interferência do Estado

O n.º 2 do art. 9.º admite que se condicione a liberdade de manifestar a sua


religião ou as suas convicções a determinadas restrições que seguem o
esquema previsto no n.º 2 do art. 8.º. Ver Manoussakis e Outros c. Grécia, de
26 de setembro de 1996.

Leading case

Leyla Sahin c. Turquia, de 10 de novembro de


2005:
2005 a exclusão da requerente das aulas, cursos,
seminários ou exames escritos numa universidade
estatal por usar o véu islâmico prosseguia o fim
legítimo de proteger os direitos e liberdades de
terceiros e de manter a ordem pública, tendo tal
restrição por objetivo preservar o caráter secular das
instituições educativas e, além disso, era
proporcional. 110
4.8. O art. 10.º e a liberdade de expressão

Art. 10.º CEDH


1. Qualquer pessoa tem direito à liberdade de expressão. Este direito
compreende a liberdade de opinião e a liberdade de receber ou de transmitir
informações ou ideias sem que possa haver ingerência de quaisquer
autoridades públicas e sem considerações de fronteiras. O presente artigo não
impede que os Estados submetam as empresas de radiodifusão, de
cinematografia ou de televisão a um regime de autorização prévia.
2. O exercício desta liberdades, porquanto implica deveres e responsabilidades,
pode ser submetido a certas formalidades, condições, restrições ou sanções,
previstas pela lei, que constituam providências necessárias, numa sociedade
democrática, para a segurança nacional, a integridade territorial ou a segurança
pública, a defesa da ordem e a prevenção do crime, a proteção da saúde ou da
moral, a proteção da honra ou dos direitos de outrem, para impedir a divulgação
de informações confidenciais, ou para garantir a autoridade e a imparcialidade
do poder judicial.
111
4.8. O art. 10.º e a liberdade de expressão

I – Titulares
Qualquer pessoa singular ou coletiva é titular do direito à liberdade de
expressão e está obrigada a respeitar a liberdade de expressão dos outros,
podendo o Estado vir a ser responsabilizado se o seu sistema jurídico não
acautelar devidamente aquele exercício (v.g., Fuentes Bobo c. Espanha, § 38).
Estende-se a estrangeiros, a figuras eleitas, a partidos políticos, a militares, a
funcionários públicos, aos advogados, etc.

II – Conteúdo

Liberdade de opinião juízos de valor (direito a dar a conhecer


ideias próprias)

Liberdade de informação refere-se a factos

Para que seja merecedora de proteção há-de circunscrever o seu objeto a


matérias que sejam consideradas de interesse público (Janowski c. Polónia).
O segundo elemento característico do correto exercício da liberdade de 112
informação é a veracidade dos factos que se difundem (Castells c. Espanha).
4.8. O art. 10.º e a liberdade de expressão

A liberdade de expressão pode revestir as mais variadas formas; os


interessados devem poder escolher, sem interferências não razoáveis das
autoridades, o modo que eles consideram como mais eficaz para atingir o
máximo de pessoas (cfr. Woman on waves e Outros c. Portugal, § 30 e 38)

Caso Sunday Times: liberdade de imprensa constitui um dos elementos


fundamentais da liberdade de expressão

Caso Goodwin: segredo profissional dos jornalistas como direito tutelado pela
CEDH

III – As ingerências das autoridades públicas

Intervenções preventivas
Sanções penais
Proibição de difundir determinadas informações
Requisitar os arquivos, a documentação e a biblioteca de um jornal
Detenções
113
Demissão
4.9. O art. 12.º e o direito a contrair casamento e a fundar
uma família

Art. 12.º CEDH


A partir da idade núbil, o homem e a mulher têm o direito de se
casar e de constituir família, segundo as leis nacionais que
regem o exercício deste direito.

Direito a contrair matrimónio


Salvaguarda autonomamente
dois direitos
Direito a fundar uma família

114
4.9. O art. 12.º e o direito a contrair casamento e a fundar
uma família
I – Direito a contrair matrimónio

Âmbito negativo do direito a contrair matrimónio

Não inclui o direito ao divórcio (Johnston e Outros c. Irlanda, de 18 de


dezembro de 1986)
Não inclui o direito a casar postumamente uma pessoa morta (Decisão
de13 de dezembro de 1984, sobre a Queixa nº 10995/84 de M. c. RFA)
Não inclui o direito a escolher a localização geográfica do matrimónio
(Decisão 11 de julho de 2006, sobre a Queixa nº 8407/05 de Savoia e
Bounegru c. Itália)

Remissão para a lei nacional

Ver, v.g., Decisão de 7 de julho de 1986, sobre a Queixa nº 11579/85 de


Khan c. Reino Unido; B. y L. c. Reino Unido, de 13 de setembro de 2005; F.
115
c. Suíça, de 18 de dezembro de 1987.
4.9. O art. 12.º e o direito a contrair casamento e a fundar
uma família

Direito a contrair matrimónio pelos casais homossexuais

– Acórdãos Christine Goodwin e I. c. Reino Unido parecem


Negação
denunciar a vontade do Tribunal de Estrasburgo de abandonar
vacilante
la postura de guardião do templo do matrimónio tradicional.

– Decisiões Parry c. Reino Unido, queixa nº 42971/05, e R. e F. c.


Negação
Reino Unido, queixa nº 35748/05 o Tribunal reiterou
categórica categoricamente que o art. 12.º contempla um conceito
tradicional de matrimónio entre um homem e uma mulher.

– V. Schalk e Kopf c. Áustria

116
4.9. O art. 12.º e o direito a contrair casamento e a fundar
uma família
II – Direito a fundar uma família

Titulares do direito

Exclusão de um direito a adotar MAS V. Wagner y


J.M.W.L. c. Luxemburgo, de 28 de junio de 2007

Reprodução medicamente assistida (V. Decisão de 15 de novembro de


2007, sobre a Queixa nº 57813/00 de S. H. e Outros c. Áustria; S. H. e
Outros c. Áustria, de 1 de abril de 2010; Dickson c. Reino Unido, de 4 de
dezembro de 2007)

117
4.10. A cláusula de não discriminação ínsita no art. 14.º

Art. 14.º CEDH


O gozo dos direitos e liberdades reconhecidos na presente Convenção
deve ser assegurado sem quaisquer distinções, tais como as
fundadas no sexo, raça, cor, língua, religião, opiniões políticas ou
outras, a origem nacional ou social, a pertença a uma minoria
nacional, a riqueza, o nascimento ou qualquer outra situação.

118
4.10. A cláusula de não discriminação ínsita no art. 14.º

I – Caráter relacional e dependente, mas autónomo

II – Metodologia de aplicação (Caso linguístico Belga)


1. Averigua se a violação alegada se enquadra no âmbito da norma
substantiva invocada;
2. Examina se os factos aduzidos traduzem uma diferença de trato;
3. Analisa se as pessoas em causa se encontram numa posição análoga
ou comparável;
4. Indaga se a diferença de trato persegue um fim legítimo, isto é, se a
distinção tem uma justificação objetiva e razoável;
5. Verifica se existe uma relação razoável de proporcionalidade entre o
meio utilizado e o fim perseguido

Ver, por exemplo, Abdulaziz, Cabales e Balkandali c. Reino Unido, de 28 de maio


de 1985; Salgueiro da Silva Mouta c. Portugal, de 21 de dezembro de 1999;
Rasmussen c. Dinamarca, de 28 de novembro de 1984, e Petrovic c. Áustria, de119
23 de março de 1998
4.11. O art. 1.º do Protocolo n.º 1 e a tutela da
propriedade
Titulares
Art. 1.º do Protocolo n.º 1
Qualquer pessoa singular ou coletiva tem direito ao respeito dos seus bens.
Ninguém pode ser privado do que é sua propriedade a não ser por utilidade
pública e nas condições previstas pela lei e pelos princípios gerais do direito
internacional.
As condições precedentes entendem-se sem prejuízo do direito que os
Estados possuem de pôr em vigor as leis que julguem necessárias para a
regulamentação do uso dos bens, de acordo com o interesse geral, ou para
assegurar o pagamento de impostos ou outras contribuições ou de multas.

2. Admite privação da 1. Enunciação do princípio do respeito


propriedade, segundo pelo direito de propriedade
certas condições

3. Estado pode
regulamentar o uso dos
bens, de acordo com o
120
interesse geral
4.11. O art. 1.º do Protocolo n.º 1 e a tutela da
propriedade

I – Conceito de bens: não se limita a bens corpóreos; não garante somente


o direito de propriedade sobre um bem imóvel conforme o direito interno, mas
também os interesses que possam existir na exploração desse imóvel (v.
Matos e Silva, Lda. e Outros c. Portugal, de 27 de agosto de 1996, §§ 54 e
75); inclui direitos reais, como as servidões ou outros direitos reais menores,
as ações de uma sociedade anónima, a licença de explorar um
estabelecimento comercial, o direito exclusivo de casar e pescar, a
propriedade intelectual, o direito a uma herança indivisa (Inze; mas não inclui
o direito de vir a ser proprietário de um bem - Marckx), as dívidas atuais e
exigíveis e aquelas que foram reconhecidas numa decisão judicial que
transitou em julgado ou sobre as quais exista a esperança legítima de ver
concretizadas (Almeida Garret, Mascarenhas Falcão e Outros), questões
relacionadas com as contribuições tributárias e com a obtenção de prestações
sociais (Muñoz Díaz c. Espanha; Van Raalte c. Holanda; Willis c. Reino
Unido; Wessels-Bergervoet c. Holanda), pagamento de prestações
alimentícias (J. M. c. Reino Unido)
121
4.11. O art. 1.º do Protocolo n.º 1 e a tutela da
propriedade

II – Privação da propriedade

Causa de utilidade pública

Condições previstas na lei e princípios gerais de Direito Internacional

A indemnização

III – A regulamentação do uso de bens

122
4.12. O art. 2.º do Protocolo n.º 1 e o direito à instrução

Art. 2.º do Protocolo n.º 1


A ninguém pode ser negado o direito à instrução. O Estado, no exercício das
funções que tem de assumir no campo da educação e do ensino, respeitará
o direito dos pais a assegurar aquela educação e ensino consoante as suas
convicções religiosas e filosóficas.

Fórmula negativa

Não impõe ao Estado nenhuma obrigação Salvaguarda “o pluralismo


prestacional (não impõe ao Estado educativo, essencial para a
Membro a obrigação de implementar um preservação da «sociedade
sistema educacional estatal ou de democrática», tal como a
financiar o ensino privado) concebe a Convenção” (cfr.
Engloba direito de acesso à instrução “nos Kjeldsen e Outros, § 50)
estabelecimentos escolares existentes num
dado momento” e compreende a possibilidade
de obter o “reconhecimento oficial dos estudos
realizados” (cfr. Kjeldsen e Outros c. Dinamarca, 123
de 7 de dezembro de 1976, § 52 )
4.12. O art. 2.º do Protocolo n.º 1 e o direito à instrução

Leading cases

Kjeldsen e Outros c. Dinamarca, de 7 de dezembro de 1976: 1976 a introdução


da educação sexual nas escolas dinamarquesas não vulnera as convicções
religiosas e filosóficas dos pais, já que não persegue o doutrinamento.
Efstratiou c. Grécia, e Valsamis c. Grécia, ambas de 18 de dezembro de
1996:
1996 sobre a obrigação de integrar desfile comemorativo de caráter cívico-
militar ou político, o TEDH ditou que estas comemorações perseguem fins
pacifistas e de interesse público e, por outro lado, os pais poderiam orientar os
filhos em relação às suas próprias convicções, pelo que o preceito não fora
violado.
Folgerø e Outros c. Noruega, de 29 de junho de 2007: 2007 tendo em
consideração que o peso qualitativo e quantitativo do Cristianismo em relação a
ao de outras religiões ou filosofias era muito significativo nesta disciplina, o
Tribunal concluiu que o Estado sindicado, em virtude de não permitir a
possibilidade de eximir totalmente os filhos de frequentar tal disciplina, havia
violado este preceito.
124
4.12. O art. 2.º do Protocolo n.º 1 e o direito à instrução

Lautsi c. Itália, de 3 de novembro de 2009: a exposição de


um crucifixo nas salas de aula das escolas públicas não
poderia servir o pluralismo educativo exigido por este preceito.
Esta posição foi alterada pelo Tribunal Pleno a 18 de março
de 2011,
2011 tendo esta formação coletiva defendido que a
exposição de um crucifixo nas salas era uma questão que
cabia dentro da margem de apreciação reconhecido aos
Estados Membros.
Leyla Sahin c. Turquia, de 10 de novembro de 2005:
2005 a
exclusão da requerente das aulas, cursos, seminários ou
exames escritos numa universidade estatal por usar o véu
islâmico não violava este dispositivo.
Campbell y Cosans c. Reino Unido, de 25 de fevereiro de
1982:
1982 o castigo corporal nas escolas escocesas violava os
direitos dos pais salvaguardados por este preceito; as
convicções devem merecer o respeito numa “sociedade
democrática”, devem respeitar a dignidade humana e não
devem entrar em contradição com o direito fundamental à 125
instrução.
4.13. Outros direitos convencionais: breves
considerações

art. 4.º e a proibição de escravatura e do trabalho forçado


art. 11.º e a liberdade de reunião e de associação
art. 1.º do Protocolo n.º 4 e a proibição de prisão por dívidas
art. 2.º do Protocolo n.º 7 direito a um duplo grau de jurisdição em
matéria penal
art. 5.º do Protocolo n.º 7 igualdade entre os cônjuges
art. 1.º do Protocolo n.º 12 e a interdição geral de discriminação
art. 1.º do Protocolo n.º 13 e a abolição da pena de morte
outros

126
1959-2010
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Pontes c. Portugal, Acórdão de 10 de Abril de 2012, Requête n.º 19554/09,


CEDH, art.º 8º, violação.
Sociedade Agrícola Vale do Ouro, SA. C. Portugal, Acórdão de 27 de Março de
2012, Requête n.º 44051/07, satisfação equitativa.
Assunção Chaves c. Portugal, Acórdão de 31 de janeiro de 2012, Requête n.º 61
226708; CEDH, artigos 6º, 6º, § 1, 8º, 8º § 1, 8º § 2, 41º; art.º 6º § 1, violação.
Domingos Ribeiro Maçarico c. Portugal, Acórdão de 17 de janeiro de 2012,
Requête n.º 12 363/10, CEDH, artigo 6º § 1, violação.Jesus Mateus c. Portugal,
Acórdão de 17 de janeiro de 2012, Requête n.º 58294/08, CEDH, artigo 6º § 1,
violação.
Pereira c. Portugal, Acórdão de 20 de Dezembro de 2011, Requête n.º 20 493/10,
CEDH Art. 6º § 1, violação, Art.º 13º, violação.
Antunes c. Portugal, Acórdão de 20.12.2011, Requête n.º 24760/10, CEDH Art.º
6º § 1, violação, Art.º 13º, violação.
Ferreira Alves c. Portugal (N.º 8), Acórdão de 4 de Outubro de 2011, Requêtes n.º
13 912/08, 57 103/08 e 58 480/08, CEDH, art.º s 6º e 13º, violação.
Ferreira Alves c. Portugal, Acórdão de 20.09.2011, Requête n.º 55113/08, CEDH,
art.6º § 1, art.º 13º, violação.
Cunha Oliveira c. Portugal, Acórdão de 20.09.2011, Requête n.º 15 601/09.
CEDH, Art.º 6º § 1. Violação. 131
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Sousa Lello e Fernandes Borges c. Portugal, Acórdão de 26 de Julho de 2011,


requête n.º 28 776/08, CEDH, art.º 6º § 1, violação, artigo 13º, violação.
Tomé Monteiro e outros c. Portugal, Acórdão de 26 de Julho de 2011, Requête n.º
43 641/09, CEDH, artigo 6º § 1, violação.
Leite de Oliveira c. Portugal, Acórdão de 26 de Julho de 2011, Requête n.º
51251/09, CEDH, Artigo 6º § 1, violação, Artigo 13º, violação.
Arede Ruivo c. Portugal, Acórdão de 12 de Julho de 2011, Requête n.º 26655/09,
CEDH, artigo 6º § 1, violação.
Soares c. Portugal, Acórdão de 12 de Julho de 2011, Requête n.º 42925/09,
CEDH, artigo 6º § 1, violação, artigo 13º, violação.
Moreira Ferreira c. Portugal, Acórdão de 5 de Julho de 2011, Requête n.º
19808/08, CEDH, artigo 6º, § 1, violação.
Pinto Coelho c. Portugal, Acórdão de 28 de Junho de 2011, Requête n.º
28439/08, CEDH artigo 10º, violação.
Antunes Rodrigues c. Portugal, Acórdão de 26 de Abril de 2011, Requête n.º
18070/08, CEDH, Protocolo n.º 1, artigo 1º, não violação
Monteiro de Barros de Mattos e Silva Adegas Coelho e outros c. Portugal,
Acórdão de 19 de Abril de 2011, Requête n.º 25038/06, Satisfação equitativa
Domingos Loureiro e outros c. Portugal, Acórdão de 12 de Abril de 2011, Requête
n.º 57 290/08, CEDH, art.º 6º § 1, violação; art.º 13º, violação 132
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Passanha Braamcamp Sobral c. Portugal, Acórdão de 12 de Abril de 2011,


Requête n.º 10145/07, CEDH, Protocolo n.º 1, art.º 1º, violação
Conceição Letria c. Portugal, Acórdão de 12 de Abril de 2011, Requête n.º
4049/08, CEDH, art.º 10º, violação
Gouveia Gomes Fernandes e Freitas c. Portugal, Acórdão de 29 de Março de
2011, Requête n.º 1529/08, CEDH, art.º 10º, violação
Lacerda Gouveia e Outros c. Portugal, Acórdão de 1 de Março de 2011, Requête
n.º 11 868/07, CEDH, art.º 6º § 1, não violação
Companhia Agrícola do Maranhão, CAMAR – SA, Acórdão de 22 de Fevereiro de
2011, Requête n.º 335/10, CEDHP. 1, art.º 1º, violação
Graça Pina c. Portugal, Acórdão de 15 de Fevereiro de 2011, Requête n.º
59423/09, CEDHP 1, art.º 1º, violação
Karassiotis c. Portugal, Acórdão de 01.02.2011, Requête n.º 23205/08, CEDH
art.º 8º, violação.
Dore c. Portugal, Acórdão de 01.02.2011, Requête n.º 775/08, CEDH, art.º 8º,
violação.
Sancho Cruz e 14 outros processos “Reforma Agrária” c. Portugal, Acórdão de
18.01.2011, CEDHP1, art.º 1º, violação.

133
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Barata Monteiro da Costa Nogueira e Patrício Pereira c. Portugal, Acórdão de 11


de Janeiro de 2011, Requête n.º 4035/08, CEDH, art.º 10º, não violação
Silva Barreira Júnior c. Portugal, Acórdão de 11.01.2011, Requêtes n.ºs 38317/06
e 38319/06, CEDHP1, art.º 1º, violação.
Sociedade Agrícola do Ameixial, SA, c. Portugal, Acórdão de 11.01.2011,
Requête n.º 10143/07, CEDHP1, art.º 1º, violação.
Sociedade Agrícola Vale de Ouro, SA, c. Portugal, Acórdão de 11.01.2011,
Requête n.º 44051/07, CEDHP1, art.º 1º, violação
Ameida Ferreira e Melo Ferreira c. Portugal, Acórdão de 21 de Dezembro de
2010, Requête n.º 41696/07, CEDHP-1, art.º 1º, não violação
Público – Comunicação Social e outros c. Portugal, Acórdão de 7 de Dezembro
de 2010, Requête n.º 39 324/07, CEDH, Art.º 10º. Violação.
Perdigão c. Portugal, acórdão de 16 de Novembro de 2010, Requête n.º
24768/06, CEDHP1, artigo 1, violação.
Santos Couto c. Portugal, Acórdão de 21 de Setembro de 2010, Requête n.º
31874/07, CEDH, art.ºs. 8º, 8º, § 1, 14º, 14º+8º, Parcialmente inadmissível, não
violação do art.º 14º+8º.
Almeida Santos c. Portugal, Acórdão de 27 de Julho de 2010, Requête n.º
50812/06, CEDH, art.º 6º, § 1, art.º 41, satisfação equitativa.
134
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Fernandes Formigal de Arriaga e 15 outros casos Reforma Agrária c. Portugal,


Acórdão de 13 de Julho de 2010, Requêtes n.º 24678/06 e outras, CEDHP1, art.º
1º violação.
Monteiro de Barros de Matos e Silva Adegas Coelho e outros c. Portugal, acórdão
de 13 de Julho de 2010, Requête n.º 25038/06, CEDHP1, art.º 1º, violação.
Garcia Franco e outros c. Portugal, acórdão de 22 de Junho de 2010, Requête n.º
9273/07, CEDH, artigo 6º § 1, violação, CEDH, artigo 13º, violação.
Pinto Romão de Sousa Chaves e outros c. Portugal, acórdão de 15 de Junho de
2010, Requête n.º 44452/05, CEDHP1, art.º 1º, violação.
Lopes Fernandes c. Portugal, acórdão de 8 de Junho de 2010, Requête n.º
29378/06, CEDHP1, art. 1º, violação.
Alda Maria Alves Ferreira c. Portugal, Acórdão de 4 de Maio de 2010, Requête n.º
30 358/08, art.6º § 1, violação.
Ferreira Alves c. Portugal (N.º6), Acórdão de 13 de Abril de 2010, Requêtes n.ºs
46436/06 e 55676/08, CEDH, art.º 6º § 1, violação.
Stegarescu e Bahrin c. Portugal, Acórdão de 6 de Abril de 2010, Requête n.º
46194/06, CEDH, art.6º, § 1, violação
Companhia agrícola das Polvorosas c. Portugal, Acórdão de 16 de Março de
2010, Requête n.º 12883/06, CEDHP1, art.º 1º, violação
Antunes c. Portugal, Acórdão de 2 de Março de 2010, Requête n.º 12750/07, 135
CEDH art.º 6º § 1, violação, art.º 13º, violação
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Anticor – Sociedade anti-corrosão c. Portugal, Acórdão de 23 de Fevereiro de


2010, Requête n.º 33661/06, CEDH, artigo 6º, § 1, violação, art.º 13º, violação
Pereira c. Portugal, Acórdão de 16 de Fevereiro de 2010, Requête n.º 46595/06,
CEDH, artigo 6º § 1, violação, art.º 13º, violação
Laranjeira Marques da Silva c. Portugal, Acórdão de 19 de Janeiro de 2010,
Requête n.º 16983/06, CEDH, art.º 6º § 1, violação, art.º 10º, violação
Sampaio de Lemos e 22 outros processos "Reforma Agrária" c. Portugal, Acórdão
de 15 de Dezembro de 2009, Requête nº 41954/05, CEDHP1, artigo 1º, violação
Vilhena Peres Santos Lança Themudo e Melo e outros c. Portugal, Acórdão de 15
de Dezembro de 2009, Requête nº 1408/06, CEDHP1, artigo 1º, violação
Companhia Agrícola do Vale da Água c. Portugal, Acórdão de 15 de Dezembro de
2009, Requête nº 11019/06, CEDHP1, artigo 1º, violação
Castro Ferreira Leite c. Portugal, Acórdão de 1 de Dezembro de 2009, Requête nº
19881/06, artigo 6º, §1 violação
Ferreira Araújo c. Portugal, Acórdão de 27 de Outubro de 2009, Requête nº
6655/07,, artigo 6º, §1 violação
Alves da Silva c. Portugal, Acórdão de 20 de Outubro de 2009, Requête nº
41665/07, artigo 10º, violação
Sequeira c. Portugal, Acórdão de 20 de Outubro de 2009, Requête nº 18545/06,,
artigo 6º, §1 violação 136
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Almeida Santos c. Portugal, Acórdão de 6 de Outubro de 2009, Requête nº


50812/06,, artigo 6º, §1 violação
Perdigão c. Portugal, Acórdão de 04.08.2009, Requête nº 24768/06, CEDH,
Protocolo n.º 1º, artigo 1.º violação
Ferreira Alves c. Portugal (nº 5), Acórdão de 14.04.2009, Requête nº 30381/06,
CEDH, artigo 6 º, §1 violação
Ferreira Alves c. Portugal (nº 4), Acórdão de 14.04.2009, Requête nº 41870/05,
CEDH, artigo 6 º, §1 violação
Vasconcelos do Couto e outros processos Reforma Agrária, Acórdão de
03.03.2009, Requêtes nº 30808/05 e outras, CEDH, Protocolo nº1, artigo 1º,
violação
Simões Alves Noronha c. Portugal, Acórdão de 03.03.2009, Requête nº 35254/05,
CEDH, Protocolo nº 1, artigo 1º, violação
Melo e Faro Maldonado Passanha e outros c. Portugal, Acórdão de 24.02.2009,
Requête nº 44386/05, CEDH Protocolo nº 1, violação
Kindler de Barahona c. Portugal, Acórdão de 10.02.2009, Requête nº 31720/05,
CEDH, Protocolo nº 1, artigo 1º, violação
Avellar Cordeiro Zagallo c. Portugal, Acórdão de 13.01.2009, Requête nº
30844/05, CEDH, Protocolo nº 1, artigo 1º, violação
Women on waves e outros c. Portugal, Acórdão de 03.02.2009, Requête nº 137
31276/05, CEDH artigo 10º, violação
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal
Sousa Carvalho Seabra c. Portugal, Acórdão de 16.12.2008, Requête nº 25025/05,
Protocolo nº 1, artigo 1º, violação
Pijevschi c. Portugal, Acórdão de 13.11.2008, Requête nº 6830/05, artigo 6º, §1,
violação
Bogumil c. Portugal, Acórdão de 07.11.2008, Requête nº 35228/03, artigo 6º, §§1 e 3 c)
, violação
Companhia Agrícola Cortes e Valbom, SA c. Portugal, Acórdão de 30.09.2008, Requête
nº 24668/05, artigo 1º, Protocolo nº 1, violação
Sociedade Agrícola da Herdade das Várzeas, Lda e 22 outros casos "Reforma Agrária"
c. Portugal, Acórdão de 23.09.2008, Requêtes nº 17199/05, 24311/05, 24315/05...,
artigo 1º, Protocolo nº 1,violação
Panasenko c. Portugal, Acórdão de 22.07.2008, Requête nº 10418/03, artigo 6º §§1 e 3
c, violação
Martins Castro e Alves Correia de Castro c. Portugal, Acórdão de 10.06.2008, Requête
nº 33729/06, artigo 6º §1, violação
Santos Pinto c. Portugal, acórdão de 20.05.2008, Requête n.º 39005/04 artigo 6º §1
violação
Campos Dâmaso c. Portugal, acórdão de 24.04.2008, Requête n.º 17107/05 CEDH,
artigo 10º violação
Azevedo c. Portugal, acórdão de 27.03.2008, Requête n.º 20620/04 CEDH, artigo 10º
violação
Costa Capucho e 23 outros casos "Reforma Agrária" c. Portugal, acórdãos de 138
15.01.2008, Requêtes várias, CEDHP1, artigo 1º, violação
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Companhia Agrícola da Barrosinha c. Portugal, acórdão de 15.01.2008, Requête


n.º 21513/05, CEDHP1, artigo 1º, violação
Feliciano Bichão c. Portugal, acórdão de 20.11.2007, Requête n.º 40225/04, artigo
6º §1, violação
Campos Costa e outros c. Portugal, acórdão de 30.10.2007, Requête n.º
10172/04, Protocolo nº 1, artigo 1º, violação
Cruz de Carvalho c. Portugal, acórdão de 10.07.2007, Requête n.º 18223/04,
artigo 6º §1, violação
Sociedade Agricola Herdade da Palma c. Portugal, acórdão de 10.07.2007,
Requête n.º 31677/04, artigo 1º do Protocolo nº 1, violação
Herdade da Comporta - actividades agro silvícolas e turísticas, SA c. Portugal,
acórdão de 10.07.2007, Requête n.º 41453/02, artigo 1º do Protocolo nº 1, violação
Antunes e Pires c. Portugal, acórdão de 21.06.2007, Requête n.º 7623/04, artigo
6º §1, violação
Ferreira Alves c. Portugal, acórdão de 21.06.2007, Requête n.º 25053/05, artigo
6º §1, violação
Colaço Mestre e SIC, Sociedade Independente de Comunicaão, S.A.,acórdão de
26.04.2007, Requêtes n.ºs 11182/03 e 11319/03, artigo 10º, violação
Almeida Azevedo c. Portugal, acórdão de 23.01.2007, Requête n.º 43924/02,
artigo 10º, violação 139
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Companhia Agrícola de Penha Garcia, S.A. e 16 outros processos "Reforma Agrária" c.


Portugal, Req. n.ºs 21240/02, 15843/03, 15504/03 ..., Protocolo 1, artigo 1.º, violação
Gregório de Andrade c. Portugal, acórdão de 14.11.2006, Req. 41537/02, artigo 6 º § 1,
violação
Roseiro Bento c. Portugal, acórdão de 18.04.2006, Req. 29288/02, artigo 10º, § 1,
violação
Mora do Vale c. Portugal, acórdão de 18.04.2006, Req. 53468/99, Protocolo 1, artigo
1º, satisfação equitativa
Monteiro da Cruz c. Portugal, decisão de 17.01.2006, Req. 14886/03, artigo 6º § 1,
prazo razoável, violação
Magalhães Pereira c. Portugal, decisão de 20.12.2005, Req. 15996/02, artigo 5º § 4,
violação
Urbino Rodrigues c. Portugal, decisão de 29.11.2005, Req. 75088/01, artigo 10º,
liberdade de imprensa, violação
Reigado Ramos c. Portugal, decisão de 22.11.2005, Req. 73229/01, artigo 8º, violação
Carvalho Acabado c. Portugal, decisão de 18.10.2005, Req. 30533/03, Protocolo nº 1,
artigo 1º, violação
Calheiros Lopes e outros c. Portugal, decisão de 07.06.2005, Req. 69338/01, Protocolo
nº 1, artigo 1º, violação
Gracinda Maria Antunes Rocha c. Portugal, decisão de 31.05.2005, Req. 64330/01,
artigo 6º, §1º - violação; artigo 8º - violação
140
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Geraldes Barba c. Portugal, acórdão de 04.11.2004, Req. 61009/00, artigo 6º§1º,


Protocolo 1, artigo 1º
Mora do Vale e outros c. Portugal, acórdão de 29.07.2004, Req. 53468/99,
Protocolo 1, artigo 1º
Garcia da Silva c. Portugal, acórdão de 29.04.2004, Req. 58617/00, artigo 6º§1º
Soares Fernandes c. Portugal, acórdão de 08.04.2004, Req. 59017/00, artigo
6º§1º
Jorge Nina Jorge e outros c. Portugal, acórdão de 19.02.2004, Req. 52662/99,
artigo 6º§1º, Protocolo 1, artigo 1º
Pena c. Portugal, acórdão de 18.12.2003, Req. 57323/00, artigo 6º§1º
Frotal - Aluguer de Equipamentos SA, c. Portugal, acórdão de 04.12.2003, Req.
56110/00, artigo 6º§1º
Ferreira Alves c. Portugal (N.º 2), acórdão de 04.12.2003, Req. 56345/00, artigo
6º§1º
Neves Ferreira Sande e Castro e outros c. Portugal, acórdão de 16.10.2003, Req.
55081/00, artigo 6º§1º
Sociedade Agrícola do Peral, SA e outro c. Portugal, acórdão de 31.07.2003, Req.
55340/00, artigo 6º§1º
Farinha Martins c. Portugal, acórdão de 10.07.2003, Req. 53795/00, artigo 6º§1º
(132 kb) 141
Moreira e Ferreirinha c. Portugal, acórdão de 26.06.2003, Req. 54566/00, Req.
54567/00 e Req. 54569/00, artigo 6º§1º
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Maire c. Portugal, acórdão de 26.06.2003, Req. 48206/99, artigo 6º§1º


Costa Ribeiro c. Portugal, acórdão de 30.04.2003, Req. 54926/00, artigo 6º§1º
Esteves c. Portugal, acórdão de 03.04.2003, Req. 53534/99, artigo 6º§1º
Sousa Marinho e Marinho Meireles Pinto c. Portugal, acórdão de 03.04.2003, Req.
50775/99, artigo 6º§1º
Dias da Silva e Gomes Ribeiro Martins c. Portugal, acórdão de 27.03.2003, Req.
53997/00, artigo 6º§1º
Ferreira Alves c. Portugal, acórdão de 27.02.2003, Req. 53937/00, artigo 6º§1º
Textil Traders c. Portugal, acórdão de 27.02.2003, Req. 52657/99, artigo 6º§1º
Marques Nunes c. Portugal, acórdão de 20.02.2003, Req. 52412/99, artigo 6º§1º
Figueiredo Simões c. Portugal, acórdão de 30.01.2003, Req. 51806/99, artigo 6º§1º
Ferreira da Nave c. Portugal, acórdão de 07.11.2002, Req. 49671/99, artigo 6º§1º
Koncept - Conselho em Comunicação e Sensabilização de Públicos, Lda. c. Portugal,
acórdão de 31.10.2002, Req. 49279/99, artigo 6º§1º
Gil Leal Pereira c. Portugal, acórdão de 31.10.2002, Req. 48956/99, artigo 6º§1º
Czekalla c. Portugal, acórdão de 10.10.2002, Req. 38830/97, artigo 6º§1º, 6º§3º
Rosa Marques e outros c. Portugal, acórdão de 27.07.2002, Req. 48187/99, artigo
6º§1º
Marques Francisco c. Portugal, acórdão de 06.06.2002, Req. 47833/99, artigo 6º§1º
Câmara Pestana c. Portugal, acórdão de 16.05.2002, Req. 47460/99, artigo 6º§1º
Fernandes c. Portugal, acórdão de 18.04.2002, Req. 47459/99, artigo 6º§1º 142
Rego Chaves Fernandes c. Portugal, acórdão de 21.03.2002, Req. 46462/99, artigo
6º§1º
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Vaz da Silva Girão acórdão de 21.03.2002, Req. 46464/99, artigo 6º§1º


Malveiro c. Portugal, acórdão de 14.03.2002, Req. 45725/99, artigo 6º§1º
Magalhães Pereira c. Portugal, acórdão de 26.02.2002, Req. 44872/98, artigo
5º§4º
Tourtier c. Portugal, acórdão de 14.02.2002, Req. 44298/98, artigo 6º§1º
Guerreiro, acórdão de 31.01.2002, Req. 45560/99, artigo 6º§1º (27 kb)
Martins Serra e Andrade Câncio, acórdão de 06.12.2001, Req. 43999/98, artigo
6º§1º
Sousa Miranda, acórdão de 30.10.2001, Req. 43658/98, artigo 6º§1º
Pires, acórdão de 25.10.2001, Req. 43654/98, artigo 6º§1º
Nascimento, acórdão de 27.09.2001, Req. 42918/98, artigo 6º§1º
Bento da Mota, acórdão de 28.06.2001, Req. 42636/98, artigo 6º§1º
Maillard Bous, acórdão de 28.06.2001, Req. 41288/98, artigo 6º§1º
Adelino e Aida da Conceição Santos, acórdão de 14.06.2001, Req. 41598/98,
artigo 6º§1º
Minnema, acórdão de 08.03.2001, Req. 39300/98, artigo 6º§1º
Pinto de Oliveira, acórdão de 08.03.2001, Req. 39297/98, artigo 6º§1º
Fernandes Cascão, acórdão de 01.02.2001, Req. 37845/97, artigo 6º§1º
Martins e Garcia Alves, acórdão de 16.11.2000, Req. 37528/97, artigo 6º§1º
143
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Castanheira Barros, acórdão de 26.10.2000, Req. 36945/97, artigo 6º§1º


Lopes Gomes da Silva, acórdão de 28.09.2000, Req. 37698/97, artigo 10º
S.A. c. Portugal, acórdão de 27.07.2000, Req. 36421/97, artigo 6º§1º
Oliveira Modesto e outros, acórdão de 08.06.2000, Req. 34422/97, artigo 6º§1º
Fertiladour, acórdão de 16.11.2000, Req. 36668/97, artigo 6º§1º
Comingersoll, acórdão de 06.04.2000, Req. 35382/97, artigo 6º§1º
Conde, acórdão de 23.03.2000, Req. 37010/97, artigo 6º§1º
Fernandes Magro, acórdão de 29.02.2000, Req. 36997/97, artigo 6º §1º
Almeida Garrett, Mascarenhas Falcão e outros, acórdão de 11.01.2000, Req.
29813 e 30229/96, CEDHP1, artigo 1º
Almeida Garrett, Mascarenhas Falcão e outros, acórdão de 10.04.2001, Req.
29813/96 e 30229/96
Rodrigues Carolino, acórdão de 11.01.2000, Req. 36666/97, artigo 6º§1º
Freitas Lopes, acórdão de 21.12.1999, Req. 36325/97, artigo 6º§1º
Salgueiro da Silva Mouta, acórdão de 21.12.1999, Req. 33290/96, artigo 8º
Ferreira de Sousa e Costa Araújo, acórdão de 14.12.1999, Req. 36257/97, artigo
6º§1º
Marques Gomes Galo, acórdão de 23.11.1999, Req. 35592/97; artigo 6º§1º
Galinho Carvalho Matos, acórdão de 23.11.1999, Req. 35593/97; artigo 6º§1º
144
4.14. A intervenção contenciosa contra Portugal

Conceição Gavina, acórdão de 5.10.1999, Req. 33435/96; artigo 6º§1º


Santos, acórdão de 22.07.1999, Req. 35586/97, artigo 6º§1º
Nunes Violante, acórdão de 08.06.1999, Req. 33953/96, artigo 6º§1º
Martins Moreira, acórdão de 26.10.1998, Req. 11371/85, artigo 6º§1º
Teixeira de Castro, acórdão de 09.06.1998, Req. 25829/94, artigo 6º§ 1º
Daud c. Portugal, acórdão de 21.04.1998, Req. 22600/93, artigo 6º§1º
Estima Jorge, acórdão de 21.04.1998, Req. 24550/94, artigo 6º§1º
Matos e Silva c. Portugal, acórdão de 16.09.1996, Req. 15777/89, artigo 6º§1º,
CEDHP1, artigo1º
Lobo Machado, acórdão de 20.02.1996, Req. 15764/89, artigo 6º§1º
Silva Pontes, acórdão de 23.03.1994, Req. 14940/89, artigo 6º§1º
Moreira de Azevedo, acórdão de 23.10.1990, artigo 6º§1º
Moreira de Azevedo, acórdão de 28.08.1991, artigo 6º§1º
Neves e Silva, acórdão de 27.04.1989, Req. 11213/84, artigo 6º§1º
Baraona, acórdão de 08.07.1987, Req. 10/092.82, artigo 6º§1º
Guincho, acórdão de 10.07.1984, Req. 8990/80, artigo 6º§1º

145
5. Hipótese prática

146
5.Hipótese prática

Factos
Por acordo de regulação do poder paternal, datado de Março de 2006, foi
concedido a A o direito de visita da filha B, cuja guarda ficou confiada à mãe C.
Perante o incumprimento das cláusulas do acordo, A solicitou, em Fevereiro
de 2007, junto do Tribunal de Cascais, o seu cumprimento coercivo.
Após diversas tentativas de notificação de C em moradas indicadas por A, o
juiz dirigiu, em Setembro de 2007, às autoridades policiais um pedido de
informações sobre a morada de C, tendo sido por aquelas informado, já em
Outubro, que C residia nos Açores.
Uma vez instada pelo Tribunal em Dezembro de 2007 para o efeito, C
interveio no processo, em Janeiro de 2008, tendo suscitado a incompetência
ratione loci do Tribunal de Cascais.
Em Dezembro de 2008, a pedido do Tribunal, o Instituto de Reinserção Social
de Ponta Delgada veio informar que C não residia na morada indicada, o que
foi confirmado pelas autoridades policiais, em Janeiro de 2009, que
acrescentaram que C residia em Lisboa.
147
5.Hipótese prática

Em Abril de 2009, o juiz solicitou informações às autoridades policiais sobre a


morada de C e de B, tendo sido informado que aquela possuía várias
residências.
Em Outubro de 2009, o juiz, na sequência de pedido do Ministério Público,
procurou informações junto dos Serviços de Identificação Civil e da Segurança
Social.
Já em Janeiro de 2010, o juiz deferiu um pedido de realização de inquérito
social apresentado pelo MP, embora o Instituto de Reinserção Social tenha
renunciado fazê-lo, em Fevereiro de 2011, em virtude da ausência de resposta
às convocações por parte de C.
Em Março de 2012, na sequência de pedido apresentado pelo MP em Julho
de 2011, o juiz condenou C no pagamento de uma multa no valor de 249,90 €,
bem como numa mesma cifra a favor de A a título de indemnização por
incumprimento dos direitos de visita.
A entende ainda que o Ministério Público deveria ter instaurado processo de
natureza criminal contra a mãe do menor pelo crime previsto e punido nos
termos do art.º 249º, nº 1, al. c), do Código Penal. 148