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Escatologia

ÍNDICE
PARUSIA.............................................................................................................................2
RESSURREIÇÃO...................................................................................................................4
MORTE...............................................................................................................................7
CÉU..................................................................................................................................10
INFERNO...........................................................................................................................14
PURGATÓRIO....................................................................................................................16

BIBLIOGRAFIA
Catecismo da Igreja Católica, n. 668-682, 988-1060
Justo Luís R. Sánchez de Alva e Jorge Molinero, O além, Diel (2007)
Concílio Vaticano II, Const. Dogm. Lumen Gentium, n. 48-51
Comissão Teológica Internacional, Algumas questões actuais de escatologia (1990) –
editado em português por Rei dos Livros com o título “Teologia na senda do
Concílio Vaticano II, Volume II, 4 - Para além da morte”.
Comissão Teológica Internacional, A esperança da salvação para as crianças que
morrem sem Batismo (19-IV-2007) – disponível em italiano e inglês na página:
http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/cti_index_po.htm

1
Parusia
PARUSIA, 1

Escatologia: Do grego éskata (coisas últimas) e logos (conhecimento): estuda o que,


pela Revelação, sabemos acerca do que existe após o fim da vida terrena.

Pode dividir-se em três partes:


 Escatologia Universal: vinda gloriosa de Cristo no fim do mundo e
plenitude do Reino de Deus;
 Escatologia Individual: morte de cada ser humano e seu destino eterno;
 Escatologia Intermédia: abarca desde a morte de cada pessoa até à sua
ressurreição no último dia.

PARUSIA, 2

Parusia: Em grego significa presença ou vinda.

Em teologia significa a vinda gloriosa de Cristo no final dos tempos.

 AT: Deus volta repetidas vezes ao seu povo. Assim vai nascendo a
esperança de uma vinda futura de Deus (“dia de Yahvé”).
 Daniel: a vinda do Filho do Homem sobre as nuvens do céu a quem o
“Ancião dos dias” faz rei universal.

PARUSIA, 3

 NT: toda a pregação de Jesus se centra na chegada do Reino de Deus


eterno e universal. Jesus promete também aos seus uma segunda vinda (Jo 14, 3:
“Depois que Eu tiver ido e vos tiver preparado um lugar, virei novamente…”).
Anuncia-a ante a suprema autoridade religiosa de Israel (cfr. Mc 14, 62). Será
uma manifestação gloriosa de Cristo.

PARUSIA, 4

 A espera de Nosso Senhor não supõe uma fuga ou desprezo pelas


realidades nobres desta vida: família, trabalho, relações sociais..., mas um
estímulo poderoso para enfrentar essas tarefas com amor, conscientes de que, à
sua volta, Cristo nos examinará sobre o amor, a seriedade e competência com
que teremos empregado os talentos recebidos.

PARUSIA, 5

 2 Tes 3, 10: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma”.
 2 Ped 3, 8: “Há, porém, uma coisa, caríssimos, que não deveis ignorar: é
que um dia diante do Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia”.

2
PARUSIA, 6

 A segunda vinda de Cristo será uma entrada neste mundo com o


esplendor da Sua glória, acompanhado de todo o Seu séquito celestial.
 Não se sabe o dia nem a hora do fim do mundo. Sabemos que não
consistirá numa aniquilação, mas numa transformação.
 2 Ped 3, 10-13: “os céus passarão com grande estrondo, os elementos
com o calor dissolver-se-ão, e a terra, com as obras que há nela, será
consumida... Realmente esperamos, segundo a Sua promessa, céus novos e uma
nova terra, onde habite a justiça”.

PARUSIA, 7

A Revelação não esclarece a data da vinda de Cristo, mas fala de sinais que a
precederão:

 A pregação do Evangelho em todo o mundo;


 A grande apostasia (A suprema impostura religiosa é a do Anticristo, isto
é, dum pseudo-messianismo em que o homem se glorifica a si mesmo,
substituindo-se a Deus e ao Messias Encarnado” CIC 675);
 As penalidades da Igreja (Ap: luta do dragão com a mulher do céu);
 O caos da criação (4 ginetes do Ap: branco, vitória de Cristo na sua
Paixão e Ressurreição; vermelho, ódio e guerras; negro, fome; cadavérico,
morte);
 A conversão dos judeus (Rom 11, 29).
 Estes sinais são um chamamento à vigilância.

3
Ressurreição
RESSURREIÇÃO, 1

 Já no AT: Ez 37, 1-12 (“Assim fala o Senhor Yahvé a estes ossos: Eu


farei que entre de novo o espírito em vós e revivereis”); Job 19, 25-26; Dn 12,
25; 2 Mac 7 (os sete irmãos mártires); 2 Mac 12, 43-44 (Judas e o sacrifício
pelos mortos); etc.
 No NT a Ressurreição de Cristo é o ponto central da fé, e a nossa
Ressurreição é afirmada várias vezes. Exemplos:
 Jo 5, 29: “virá tempo em que todos os que se encontram nos
sepulcros ouvirão a Sua voz, e os que tiverem feito obras boas sairão
para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más sairão
ressuscitados para a condenação”.
 Jo 6, 54: “Quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem
vida eterna, e Eu o ressuscitarei no último dia”.

RESSURREIÇÃO, 2

 A) A fé na Ressurreição do Senhor consolidou-se em atmosfera de


incredulidade: não só dos pagãos (S. Paulo em Atenas e diante de Festo e
Agripa), mas também dos discípulos.
 B) CIC 647: “Acontecimento histórico comprovado pelo sinal do
sepulcro vazio e pela realidade dos encontros dos Apóstolos com Cristo
Ressuscitado, nem por isso a ressurreição deixa de estar, naquilo em que
transcende e ultrapassa a história, no próprio centro do mistério da fé”.
 C) Transcende o tempo, pois não é como a de Lázaro, mas uma
Ressurreição gloriosa: que não morrerá.

RESSURREIÇÃO, 3

 Cristo ressuscitado é princípio e fonte da nossa ressurreição futura:


“Cristo ressuscitou dos mortos, sendo Ele as primícias dos que morrem... Pois
assim como todos morrem em Adão, assim também todos serão vivificados em
Cristo” (1 Co 15, 20-22).
 Os nossos corpos ressuscitarão de modo similar ao Corpo de Cristo
ressuscitado (vê-lo-emos ao tratar do Céu).
 Rom 6, 4: vínculo entre o Baptismo e a Ressurreição.

4
RESSURREIÇÃO, 4

Magistério:
 1) Todos os homens que morreram ressuscitarão no fim do mundo;
 2) Esta ressurreição será sem excepções: alcançará todos;
 3) Ressuscita-se com o mesmo corpo;
 4) Haverá um juízo: “os que tiverem feito boas obras sairão para a
ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más sairão ressuscitados
para a condenação” (Jo 5, 29).

Não há reencarnação: “está decretado que os homens morram uma só vez, e que,
depois disso, se siga o juízo” (Heb 9, 27).

RESSURREIÇÃO, 5

 A dimensão escatológica da existência cristã faz com que toda a vida


humana adquira uma orientação de eternidade: somos peregrinos que viajam até
à Casa de Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Deus criou-nos para viver
eternamente: “porque não temos aqui uma cidade permanente, mas vamos em
busca da futura”.(Heb 13, 14).
 A esperança cristã está tão afastada de um espiritualismo “desencarnado”
como de um compromisso exclusivamente terreno.
 Vemos a mão amorosa de Deus por detrás das contrariedades e da dor.
 Abandono alegre ao querer de Deus.
 Os acontecimentos históricos têm uma leitura diferente.

RESSURREIÇÃO, 6

Juízo final, 1
 Verdade de fé clara na Sagrada Escritura e Tradição.
Exemplo: Mt 25, 31-32: “Quando, pois, vier o Filho do Homem na Sua
majestade, e todos os anjos com Ele, então Se sentará sobre o trono de Sua
majestade. Todas as nações serão congregadas diante d ’Ele e separará uns dos
outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos”.

RESSURREIÇÃO, 7

Juízo final, 2
 Verdade definida pelo Magistério: Credos, Quicumque, Concílios de
Latrão IV (1215), Lion II (1274), Florença (1442), Trento (1545-1563), Bula
Benedictus Deus de Bento XII (1336), Professio fidei de Paulo VI (1968).

5
RESSURREIÇÃO, 8

Juízo final, 3
 CIC 1039: “É perante Cristo, que é a Verdade, que será definitivamente
posta a descoberto a verdade da relação de cada homem com Deus. O Juízo
final revelará até às suas últimas consequências o que cada um tiver feito ou
deixado de fazer de bem durante a sua vida terrena”.

RESSURREIÇÃO, 9

Juízo final, 4
 CIC 1040: “Nós ficaremos a saber o sentido último de toda a obra da
criação e de toda a economia da salvação, e compreenderemos os caminhos
admiráveis pelos quais a sua providência tudo terá conduzido para o seu fim
último”.

6
Morte
MORTE, 1

Morte e Juízo particular


Todos os homens hão-de morrer

 Ps 88, 49: “Qual é o homem que vive e não há-de conhecer a morte?”;
 Heb 13, 14: “porque não temos aqui cidade permanente”.
 São Jerónimo, Epist. 108, 27: “Tanto morre o justo como o ímpio, o bom
como o mau, o limpo como o sujo, o que oferece sacrifícios como o que não os
oferece. A mesma sorte tem o bom como o que peca; o que jura, como o que
teme o juramento”.
 Santo Agostinho, De Civ. Dei 13: “Não é outra coisa o tempo desta vida
senão uma corrida para a morte”.

MORTE, 2

Magistério interpretando Sagrada Escritura e Tradição:

 A morte consiste na separação da alma e do corpo;


 Contradiz-se: negar a imortalidade da alma e afirmar a aniquilamento
completo do homem no momento da morte;
 A morte é o termo definitivo da única vida nesta terra é também o final
da peregrinação terrena e depois não é possível uma ulterior decisão que afecte o
nosso destino definitivo.

MORTE, 3

 Circunstâncias culturais actuais : viver como se a morte não existisse;


chegou a ser tabu, algo inoportuno, que deve desterrar-se da vida social e do
campo da consciência.
 Esquecer-se da morte supõe:
 não se preparar convenientemente para ela;
 prestar um péssimo serviço à vida terrena: a atitude que se tome
perante a morte implica a que se tome perante a vida.

MORTE, 4

 CIC 1008: “A morte é consequência do pecado (...). Embora o homem


possuísse uma natureza mortal, Deus destinava-o a não morrer. A morte foi,
portanto, contrária aos desígnios de Deus Criador e entrou no mundo como
consequência do pecado”.
 Rom 5, 12: “Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no
mundo e, pelo pecado, a morte, assim a morte passou a todos os homens, porque
todos pecaram”.

7
8
MORTE, 5

1 Cor 15, 54: “A morte foi tragada pela vitória”. A última consequência dessa vitória é a
ressurreição final. Mas tal vitória foi já alcançada por Cristo:

1) “Cristo, ressuscitado dos mortos, não morre mais, nem a morte terá mais
domínio sobre Ele” (Rom 6, 9);
2) ”Cristo ressuscitou dos mortos, sendo Ele as primícias dos que morrem”
(1 Cor 15, 20)

Essa vitória realizou-se também em nós: “morrendo, destruiu a nossa morte e


ressuscitando deu-nos uma nova vida” (Prefácio da Páscoa I).

MORTE, 6

A. É natural que se tenha um certo temor diante da morte. Mas saber que a
morte é “sair deste corpo para ir morar junto do Senhor” (2 Cor 5,8) e a fé na
ressurreição fazem que a esperemos “com alegria” (Cristo que passa 21).
B. Encarar de frente a morte supõe:
 ser conscientes da brevidade da vida;
 valorizar os sucessos da vida com olhos de eternidade;
 aproveitar o tempo para “ser rico diante de Deus” (cfr. Lc 12, 21);
 viver vigilantes e com optimismo cristão;
 pedir a graça da perseverança final.

MORTE, 7

Juízo particular, 1
 A existência do juízo particular é uma verdade directamente relacionada
com verdades definidas pelo Magistério: imortalidade da alma, existência do
Céu, Inferno e Purgatório mesmo antes do Juízo final.
 CIC 1022: “Ao morrer, cada homem, recebe na sua alma imortal a
retribuição eterna, num juízo particular” (cfr. Concílios II de Lyon, Florença,
Trento).

MORTE, 8

Juízo particular, 2
 Alguns teólogos católicos pensam que esta verdade está implicitamente
definida, outros que é uma verdade de fé proposta pelo Magistério ordinário e
universal da Igreja, outros que, pelo menos, é próxima à fé pela sua íntima
conexão com outras verdades reveladas.

9
MORTE, 9

Juízo particular, 3
 Alusões ao juízo particular no AT. Exemplo: “Que é fácil ao Senhor, o
dia da morte, pagar a cada um segundo o seu proceder”(Ecl 11, 26).
 NT:
 “E assim como está decretado que os homens morram uma só
vez, e que, depois disso, se siga o juízo” (Heb 9, 27)
 Todas as passagens que supõem ou fazem referência a uma
retribuição imediata exemplos: o Bom Ladrão, a parábola do rico e do
pobre Lázaro, etc.)

MORTE, 10

Juízo particular, 4
 Santo Agostinho, De anima et eius origine 2, 4, 8: “As almas são julgadas
imediatamente depois da sua saída dos corpos (...). Quem pode, indo contra o
Evangelho, cegar a mente com tanta obstinação que não entenda esta verdade ou
não a veja exposta na passagem daquele pobre que foi levado ao seio de Abraão
depois da morte, e daquele rico que é cruelmente atormentado no inferno?”.

MORTE, 11

Juízo particular, 5
 São Jerónimo, In Joel 2, 1: “Por dia do Senhor entende-se o dia do juízo
ou o dia em que cada se separa do seu corpo. Porque o que há-de acontecer a
todos no dia do juízo, isso mesmo acontece a cada um no dia da morte”.

MORTE, 12

Juízo particular, 6
 Discute-se se se tratará de um auto-juízo ou de um diálogo entre a alma e
Jesus. Seja como for, Deus iluminará a alma, ela será mais consciente da sua
vida, e conhecerá a sentença definitiva.
 “Ao entardecer desta vida, examinar-te-ão no amor” (São João da Cruz,
Avisos e sentenças, 57. Cfr. CIC 1022).

Caminho 746: “Não brilha na tua alma o desejo de que o teu Pai-Deus fique contente
quando te tiver de julgar?”

10
Céu
CÉU, 1

No Céu há uma perfeita comunhão de vida e amor com a Santíssima Trindade, a Virgem
Santíssima, os anjos e todos os bem-aventurados. É “estar com Cristo”.

 Verdade de fé:
 Bula Benedictus Deus de Bento XII (1336);
 Concílios: II Lion (1274), Florença (1439).

CÉU, 2

 AT: afirma-se, cada vez com mais clareza, uma vida futura para os justos,
uma vida de glória, na presença de Deus.
 NT: o Céu como existência futura e principal motivo para decidir a
conduta moral (as bem-aventuranças; Mt 5, 12); o tesouro inesgotável no céu
(Lc 12, 33); Jesus prepara um lugar para os seus (Jn 14, 2-3).

CÉU, 3

 Santos Padres: veremos Jesus, possuiremos Deus, visão de Deus cara a


cara, gozo, vida eterna...
 É impossível fazer uma ideia: 1 Cor 2, 9: “Mas, como está escrito: ‘Nem
o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem entrou no coração do homem, o que Deus
preparou para aqueles que O amam”. Não é por isso que renunciamos a pensar
nele e a desejá-lo: é o fim, a meta. Será sempre muito mais e melhor do que
podemos imaginar.

CÉU, 4

 Aspectos da bem-aventuranças:
 visão intuitiva de Deus;
 amor de Deus e intimidade com Deus;
 deificação;
 gozo;
 eternidade;
 glória acidental.

11
CÉU, 5

A visão intuitiva de Deus, 1


 É directa, sem intermediários. É um acto da inteligência ao qual
necessariamente segue o amor e o gozo.
 Afirmada em muitas passagens do NT: veremos Cristo, o Pai e o Espírito
Santo já sem véus, directamente. Exemplos:
 1 Jo 3, 2: “porque O veremos como Ele é”;
 1 Cor 13, 12: “Nós agora vemos como que por um espelho,
obscuramente, mas então veremos face a face”.
 Definida no Magistério. Exemplos: Bula Benedictus Deus (1336);
Concílio de Florença (1439).

CÉU, 6

A visão intuitiva de Deus, 2


A. Esta visão implica participação na intimidade da vida divina.
B. Para poder ver e gozar de Deus, o entendimento necessita ser fortalecido
e elevado sobrenaturalmente. Os teólogos chamam a esta ajuda e capacitação
lumen gloriae. O Concilio de Viena (1312) condenou como herético afirmar que
não é necessário este lumen gloriae para ver e gozar de Deus.

CÉU, 7

A visão intuitiva de Deus, 3


C. A criatura não tem capacidade infinita para abarcar a Deus: vê Deus, mas
não totalmente. Além disso “alguns vêem-no com mais perfeição que outros”
(Florença, 1439).

CÉU, 8

Amor de Deus e intimidade com Deus


 1 Cor 13, 13: “Agora permanecem estas três coisas: a fé, a esperança e a
caridade; porém, a maior de todas é a caridade”;
 1 Cor 13, 8: “A caridade nunca há-de acabar”.
 Forja 995: “Um grande Amor te espera no Céu: sem traições, sem
enganos: todo o amor, toda a beleza, toda a grandeza, toda a ciência...! E sem
enfastiar: saciar-te-á sem saciar”.
 CIC 1024: “O céu é o fim último e a realização das aspirações mais
profundas do homem, o estado de felicidade suprema e definitiva”.

12
CÉU, 9

Deificação, 1
 É a divinização da alma e das suas potências, já incoada na terra (pela
graça já somos filhos de Deus, identificados cada vez mais com o Filho).
 É a união íntima da alma, fruto da visão beatífica, mas não se dissolve no
Criador.

CÉU, 10

Deificação, 2
 Esta divinização da alma redundará no corpo uma vez ressuscitado:
mesmas características que o Corpo de Jesus ressuscitado (cfr. 1 Cor 15, 40-44).
 Os teólogos assinalam as seguintes propriedades do corpo ressuscitado:
 impassibilidade,
 agilidade,
 subtileza,
 e clareza.

CÉU, 11

Gozo
 É Deus, que é a própria felicidade, a própria alegria, porque é o próprio
amor, inunda o bem-aventurado, não permitindo nenhuma tristeza nem
melancolia: sacia todos os anseios do ser humano: verdade, amor, beleza, paz,
alegria. É gozo inefável.
 Mt 25, 21: “Entra no gozo do teu Senhor”. Santo Agostinho, Sermão 362:
“Este bem, que satisfaz sempre, produzirá em nós um gozo sempre novo”.

CÉU, 12

Eternidade, 1
 CCE 1029: “Na glória do céu, os bem-aventurados continuam a cumprir
com alegria a vontade de Deus, em relação aos outros homens e a toda a criação.
Eles já reinam com Cristo. Com Ele reinarão ‘pelos séculos dos séculos’” (Ap
22, 5).
 É de fé:
 Credo (“Creio na vida eterna”); Benedictus Deus (“Essa visão e
fruição é contínua sem interrupção alguma da dita visão e fruição, e
continuar-se-á até ao juízo final e desde então até à eternidade”).
 Não é a eternidade de Deus (noção de “aevum”).

13
CÉU, 13

Eternidade, 2
 A plenitude de felicidade que está prometida por Deus não seria assim se
não se assegurasse a sua permanência: isso introduziria a inquietação, o
desassossego.
 O bem-aventurado não perde a liberdade. Alcançará definitivamente “a
liberdade com que Cristo nos libertou” (Gal 4, 31).

CÉU, 14

Glória acidental, 1
 É a alegria que provém do conhecimento da felicidade dos outros, do
gozo que nos dará a sua companhia, e dos especiais méritos que alguns tenham
alcançado.

CÉU, 15

Glória acidental, 2
 É a presença da Santíssima Humanidade do Senhor, da Virgem, dos
Anjos, dos Santos e dos seres que tivermos conhecido e amado de maneira
especial na terra.
 No NT: parábolas em que Jesus fala de um banquete.
 Conseguir que muitas almas vão para o céu, o progresso espiritual das
pessoas queridas que ainda vivem na terra, etc.

14
Inferno
INFERNO, 1

A. AT: revelação progressiva desde o sheol, onde estão tanto justos como
injustos, até ao sheol onde há graus (os ímpios estão no mais profundo do sheol).
B. NT: 23 ocasiões nas quais o Evangelho se refere ao fogo do inferno.
Muitas expressões: gehenna, abismo, forno de fogo, trevas exteriores, etc.

 João Paulo II (28-VII-99): “As imagens com as quais a Sagrada Escritura


nos apresenta o inferno devem interpretar-se correctamente. Expressam a
completa frustração e vacuidade de uma vida sem Deus. O inferno, mais que
um lugar, indica a situação em que acaba por encontrar-se quem livre e
definitivamente se afasta de Deus, manancial de vida e alegria”.
 Rom 6, 4: vínculo entre o Baptismo e a Ressurreição.

INFERNO, 2

 A sua existência é ensinamento constante dos Padres e dos símbolos de


fé. (Só alguns gnósticos falam de aniquilação dos que não se salvam.
Actualmente repetido pelos adventistas e pelas Testemunhas de Jeová).
 Verdade definida também em vários Concílios: IV Latrão (1215)
(eternidade das penas), II Lion (1274) e Florença (1439) (condenação depois da
morte).
 Benedictus Deus (1336): “Definimos que, segundo a disposição geral de
Deus, as almas dos que morrem em pecado mortal descem, depois da sua morte,
ao inferno, onde são atormentados com penas infernais”.

INFERNO, 3

 A existência de um castigo eterno já está revelada no AT. João Baptista e


Jesus serviram-se de algumas expressões do AT. Ex.: “o seu verme não morrerá,
o seu fogo não se apagará” (Is 66, 24; Mc 9, 49). No NT o carácter definitivo da
exclusão do céu aparece em muitas passagens.
 O Magistério definiu a eternidade do inferno já no Sínodo de
Constantinopla (543), e depois em IV Latrão (1215) sem contar os símbolos de
fé. Repetiu-o recentemente a Const. Lumen gentium (c. 7); Paulo VI na sua
Profissão de fé (1968) e o Catecismo da Igreja Católica (1033-1037).

INFERNO, 4

 A sua verdade é ensinada pela Revelação e foi definida como dogma de


fé pelo Magistério.
 Há dois tipos de penas no inferno: a pena de dano e a de sentido.

15
INFERNO, 5

Pena de dano
 CIC 1033: “Morrer em pecado mortal sem arrependimento e sem dar
acolhimento ao amor misericordioso de Deus, significa permanecer separado
d’Ele para sempre, por nossa própria livre escolha”.
 CIC 1035: “a principal pena do inferno consiste na separação eterna de
Deus”.
 Supõe para sempre desesperação, vazio e contradição interiores
(solidão e ódio), privação da companhia da Humanidade Santíssima do Senhor,
da Virgem, dos Anjos e dos Santos, e não alcançar jamais a glória do corpo.

INFERNO, 6

Pena de sentido, 1
 O pecado mortal traz consigo não só o afastamento de Deus, mas
também o relacionar-se de maneira desordenada com as criaturas.
 a esta segunda desordem corresponde a pena de sentido. O Evangelho
refere-se com frequência a ela.

INFERNO, 7

 Santos Padres: este suplício sensível atormenta já agora os demónios e


as almas condenadas.
 Doutrina católica: é um fogo eterno, difícil de explicar. Seria
instrumento da justiça divina, que lhe confere com a sua omnipotência o poder
actuar sobre os espíritos.
 Dores proporcionadas à gravidade dos pecados cometidos.

INFERNO, 8

Ter em conta:
 1. Deus apostou seriamente na liberdade do homem;
 2. Não sabemos o que sucede entre Deus e a alma;
 3. Propriamente é o homem que escolhe separar-se de Deus;
 4. Problema da reparação das injustiças na terra e o da justiça infinita
de Deus;
 5. Carácter de advertência medicinal que tem a revelação de Cristo
sobre a existência do inferno. Mas não simples ameaças: quem é a própria
Verdade não se serve da mentira para salvar.

16
Purgatório
PURGATÓRIO, 1

Escatologia intermédia - Purgatório


 Entre a morte e o Juízo Final, as almas dos justos gozam já de Deus, as
dos condenados sofrem já o inferno, e outras purificam-se no Purgatório.
 Padres Apostólicos: expressões inequívocas sobre a retribuição
imediatamente depois da morte.
 Séculos II e III: alguns pensam que o Céu e o Inferno estão diferidos até
ao Juízo Final, excepto os mártires que alcançariam imediatamente o prémio do
Céu.
 A partir do século IV: Unânime a fé na retribuição imediata para todos.

PURGATÓRIO, 2

Novo Testamento
 Diálogo de Jesus com o Bom Ladrão; Parábola do rico e do pobre
Lázaro;
 Fil 1, 21-24: “Com efeito, para mim o viver é Cristo, e morrer é um lucro
(...). Sinto-me num dilema: tenho o desejo de partir para estar com Cristo, o que
é incomparavelmente melhor; mas o permanecer na carne é preferível por amor
de vós”.

PURGATÓRIO, 3

Magistério
 Definição solene na Bula Benedictus Deus (1336) de Bento XII. A
liturgia dá abundante testemunho da fé na retribuição imediatamente a seguir à
morte.
 Magistério recente: Paulo VI, Profissão de fé (1968). Em 1979, carta da
CDF: “sobre algumas questões referentes à escatologia”.

PURGATÓRIO, 4

 CIC 1030: “Os que morrem na graça e na amizade de Deus, mas não de
todo purificados, embora seguros da sua salvação eterna, sofrem depois da morte
uma purificação, a fim de obterem a santidade necessária para entrar na alegria
do céu”.

PURGATÓRIO, 5

 Verdade insinuada na Sagrada Escritura (2 Mac 12, 46;1 Cor 3, 10-15);


 ensinada pela Tradição (“fogo purificador”, “fogo purgatório”, rezar
pelos defuntos);

17
 definida pelo Magistério (nos Concílios de Florença 1439 e Trento 1547;
recordada na Const. dogm. Lumen gentium em 1964 e na Profissão de fé de
Paulo VI em 1968).

18
PURGATÓRIO, 6

 Viver em graça e amizade com Deus pode coincidir com:


 pecados veniais;
 uma certa inclinação ao pecado e disposições desordenadas
causadas pelos pecados precedentes;
 a permanência de um reato de pena temporal (pena que ainda se
deve satisfazer por pecados já perdoados quanto à culpa).

PURGATÓRIO, 7

 No céu “não pode entrar nada sujo”.


 A pena temporal e relíquias do pecado, se não se purificam durante a vida
terrestre, deverão purificar-se depois da morte antes de entrar no céu.
 O Purgatório proporciona à alma a limpeza absoluta que requer a visão
beatífica

PURGATÓRIO, 8

Consequências práticas da existência do Purgatório, 1


1) Atitude cristã perante a dor e o sofrimento (purificam e preparam a união
com Deus).
2) Sufrágios pelos defuntos (não simples recordação afectiva, mas ajuda
real: não podem merecer para si mesmos).

PURGATÓRIO, 9

Consequências práticas da existência do Purgatório, 2


3) Doutrina das indulgências (aplicáveis a nós mesmos e aos defuntos).
4) Valoração da Unção dos Doentes: fortalece a alma no momento da morte
e limpa-a das relíquias do pecado.

PURGATÓRIO, 10

Situação da alma no Purgatório, 1


1. DOR: sofre “penas purgatórias”. Os teólogos, por analogia com o
inferno, falam de pena de dano (adiamento da visão de Deus) e de sentido. Penas
mais dolorosas que as desta vida.
 Mas é radicalmente diferente do inferno: há alegria e gozo.

PURGATÓRIO, 11

Situação da alma no Purgatório, 2


2. GOZO: Está segura da sua salvação. Sabe que o seu sofrimento acabará e
que chegará à visão de Deus. Já não pode pecar, mas não está em condição de
merecer. Recebe também o consolo dos sufrágios e as orações dos fiéis, e da
intercessão da Virgem, dos anjos e dos santos.

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