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Escola de Engenharia

Departamento de Engenharia Civil

HIDRÁULICA GERAL II
Apontamentos para as Aulas Práticas

● 3º Ano da Licenciatura em Engenharia Civil ●

DOCENTES:

Prof. Doutor José Manuel Pereira Vieira


Prof. Doutor José Luis Silva Pinho
Prof. Doutora Maria Manuela Lemos Lima
Prof. Doutor Paulo Jorge P. Ramísio

Ano lectivo 2007 - 2008


UNIVERSIDADE DO MINHO DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL
HIDRÁULICA GERAL II AULAS PRÁTICAS

ÍNDICE

INTRODUÇÃO 3

CAPÍTULO I - ESCOAMENTOS EM PRESSÃO 4

1. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA CONTÍNUAS 4

2. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS 12

3. ANÁLISE DE SISTEMAS COMPLEXOS 15

4. DIMENSIONAMENTO ECONÓMICO DE CONDUTAS ELEVATÓRIAS 28

5. BOMBAS HIDRÁULICAS 30

CAPÍTULO II - ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE 34

1. CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS DAS SECÇÕES TRANSVERSAIS 34

2. REGIME UNIFORME (NORMAL) 35

3. REGIME CRÍTICO 41

4. REGIME PERMANENTE VARIADO 43

EXERCÍCIOS DE REVISÃO (EXAMES) 46

ANEXOS 50

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INTRODUÇÃO

Esta publicação é um manual de apoio às Aulas Práticas da disciplina Hidráulica Geral II da


licenciatura em Engenharia Civil da Universidade do Minho.

Este manual inclui uma breve introdução teórica de cada um dos capítulos leccionados nas
aulas teóricas da disciplina, seguida de um exemplo de aplicação dos conceitos teóricos com
as metodologias de resolução apresentadas nas aulas práticas.

Para cada um desses capítulos, apresenta-se uma Ficha de Trabalho com exercícios
propostos a realizar pelos alunos, (desejavelmente) antes e/ou durante as aulas práticas em
que essas matérias são abordadas.

No final deste manual incluem-se exercícios de revisão, retirados de exames de anos lectivos
anteriores, que deverão ser resolvidos pelos alunos durante o períodos lectivo, de modo a
poderem esclarecer, atempadamente, as dúvidas suscitadas por esses exercícios em que
surge a integração das várias matérias entretanto leccionadas.

Sempre que necessário, os alunos deverão complementar o estudo (teórico e prático) da


disciplina com pesquisas bibliográficas. Para esse efeito, são indicadas várias publicações na
página WEB da disciplina, entre as muitas disponíveis na Biblioteca da Universidade.

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CAPÍTULO I − ESCOAMENTOS EM PRESSÃO

SUMÁRIO:

1. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA CONTÍNUAS


2. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS

1. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA CONTÍNUAS

1.1 - GENERALIDADES

O movimento dos líquidos pode ser classificado de acordo com dois critérios distintos:

Quanto às condições de contorno:

• Escoamentos em pressão: o contorno da veia líquida está totalmente em contacto com as


paredes sólidas, o que implica a existência de pressões sobre o contorno diferentes da
pressão atmosférica.

• Escoamento com superfície livre: a veia líquida tem parte ou todo (jactos) o seu contorno
em contacto com a atmosfera.

Quanto à variabilidade dos parâmetros no tempo:

• Movimentos não permanentes: os parâmetros (velocidade média, massa específica,


pressão, temperatura) variam ao longo do tempo;

• Movimentos permanentes (uniformes ou variados): os parâmetros permanecem


constantes em cada ponto, ao longo do tempo.

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1.2 - EXPRESSÃO GERAL DAS PERDAS DE CARGA (FÓRMULA UNIVERSAL)

No regime uniforme, as trajectórias das partículas são paralelas às geratrizes do contorno. Se


considerarmos condutas de elevado comprimento (L > 100×D, em que D é o diâmetro da conduta) e
características geométricas constantes (direcção, rugosidade, forma e dimensão da secção transversal),
poder-se-ão considerar as seguintes simplificações, com grande interesse nas aplicações práticas dos
princípios dos escoamento em pressão:

• a distribuição de pressões numa secção transversal é do tipo hidrostático (β=1);

• o coeficiente de Coriollis é constante ao longo da conduta;

• a perda de carga (∆H) entre duas secções é proporcional à distância (L) entre elas, sendo
constante a perda de carga contínua (também designada por perda de carga unitária ou
principal) ao longo da conduta: J=∆H / L.

Sabendo que a perda de carga contínua depende ainda das características físicas do fluido, teremos:

J = (ρ , U, D, ν, τo, Ke) (1)

em que,
Ke é a rugosidade equivalente da conduta (ver nota pág. 7), em termos da perda de carga
provocada pelas várias rugosidades do material da conduta;
D é o diâmetro da conduta;
ν é o coeficiente de viscosidade cinemático do fluído;
τo é a tensão junto à parede da conduta.

Recorrendo-se à Análise Dimensional e seleccionando as grandezas ρ, U e D para unidades


fundamentais, é possível estabelecer uma relação entre aquelas variáveis, obtendo-se a expressão geral
(ou fórmula universal) das perdas de carga contínuas em condutas circulares :
(2)
J = (λ / D) × (U2/2g) ⇒ ∆H = λ × (L / D) × (U2/2g)

em que ,
λ é o coeficiente de resistência (a designação "perda de carga" é errada), adimensional, que é
função dos números de Reynolds (Re), de Froude (Fr) e da rugosidade relativa (Ke/D).

NOTA: se a conduta não for circular, o diâmetro é substituído por um comprimento característico (4R)
igual ao quádruplo do raio hidráulico (quociente entre a secção recta da veia líquida e o seu perímetro
molhado (χ).

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Os valores do coeficiente de resistência (λ) podem ser obtidos através das equações de Prandtl e Von
Karmann ⎯ teoria da turbulência ⎯ e comprovados através das experiências de Nikuradze (Figura 1),
cujas conclusões principais são:

log λ

II

III IV

Re 0 Re 1 Re 2 log Re

Figura 1 - Experiências de Nikuradze (variação do coeficiente de resistência com o n.º de Reynolds)

1ª) λ depende do número de Reynolds (Re) e de outros parâmetros (adimensionais) que


caracterizam as asperezas das paredes do tubo. Nikuradze considerou uma rugosidade teórica
(ε) correspondente à dos grãos de areia colados às paredes de tubos lisos, que dividida por D,
corresponde a um parâmetro adimensional − rugosidade relativa (ε/D).

2ª) A variação de λ com Re apresenta, para cada valor de (ε/D), quatro intervalos (I, II, III, IV) com
leis de variação distintos:

• Regime laminar (I) − (Re0 <2000 a 2500) − variação linear entre λ e Re, sem depender da
rugosidade da conduta, sendo neste caso válida a Fórmula de Poiseuille:
(3)
λ = 64 / Re

Entre I e II há uma zona de transição − região crítica − em que o escoamento passa


bruscamente de laminar a turbulento, com um significativo acréscimo de λ (Re ≈ 2400 )

• Regime turbulento liso (II) há uma variação não linear de λ com Re, dada pela expressão:
(4)
1 2,51
= −2 log
λ Re× λ
• Regime turbulento de transição (III) há um crescimento do valor de λ com Re.

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• Regime turbulento rugoso (IV) o valor de λ mantém-se constante para cada valor de ε/D, sendo
válida a seguinte expressão:

1 ( ε / D) (5)
= −2 log
λ 3,7

3ª) Nos intervalos I e II, o valor de λ depende apenas do número de Reynolds; no intervalo III, λ
depende de Re e de ε/D; no intervalo IV, λ depende apenas de ε/D.

4ª) Os valores de referência Re1 e Re2 vão diminuindo à medida que a rugosidade relativa (ε/D)
aumenta.

NOTA: nas condutas comerciais não temos nem uma rugosidade teórica (artificial) - ε - nem constante.
Assim, definiu-se, para essas condutas, uma rugosidade equivalente (ke), que substituída na
expressão de cálculo de λ conduz (em regime turbulento rugoso) aos mesmos valores que são
obtidos experimentalmente (com a rugosidade ε). Estes valores estão tabelados para os
materiais das condutas e constam dos respectivos Documentos de Homologação, que são
fornecidos pelos respectivos fabricantes.

O emprego da fórmula universal foi bastante simplificada quer com o aparecimento de diagramas como
o de Moody, que, através da representação gráfica daquelas funções implícitas, permite a determinação
expedita e com suficiente rigor dos valores λ, quer com as potencialidades actuais das máquinas de
calcular programáveis.

Todavia, para a fase de pré-dimensionamento (e só nestes casos) é possível recorrer a fórmulas


empíricas aproximadas para determinação do valor de λ, válidas apenas em circunstâncias específicas
(tipo de fluido, temperatura, secção transversal, material e desgaste das paredes do contorno sólido,
etc.)
Referem-se, a título de exemplo, as seguintes.

a) Fórmula de Darcy-Weisbach :

f U2
J= × (6)
D 2g

em que,

f é o coeficiente (experimental) de Darcy-Weisbach.

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b) Fórmula de Hazen-Williams:

Q = 0.2785 × C × D 2,63 × J 0,54 (7)

em que,
C é um coeficiente (experimental) que depende do material (rugosidade) da conduta.

Sempre que pretendermos fazer um cálculo rigoroso por via analítica devemos empregar a fórmula de
Colebrook-White:

1 2,51 Ke / D
= −2 log( + )
λ Re× λ 3,7 (8)

Esta equação implícita pode ser resolvida por um método numérico de determinação dos zeros de uma
função. Na resolução dos exercícios propostos, o cálculo do coeficiente de resistência pode ser
efectuado através do diagrama de Moody ou de um programa de cálculo automático, que sendo mais
rápido, requer sempre a prévia compreensão da metodologia de cálculo.

Apresenta-se seguidamente um programa (em BASIC) para o cálculo do coeficiente de resistência,


baseado no método das bissecções sucessivas, e que deve ser instalado nas máquinas de calcular para
aumentar a rapidez de resolução (por via analítica) dos exercícios propostos.

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' PROGRAMA DE CALCULO DO COEFICIENTE DE RESISTÊNCIA


'FÓRMULA DE COLEBROOK-WHITE
' MÉTODO DAS BISSECÇÕES SUCESSIVAS
'Dados de entrada

INPUT " Q=[l/s]"; q


INPUT " D=[mm]"; d
INPUT " y=[m2/s]"; niu
INPUT " k=[mm]"; k

‘Conversão para unidades do SI


q = q / 1000
d = d / 1000
k=k/1000

‘Calculo da velocidade a partir do caudal


u = 4 * q / 3.141592654 / d / d

‘Os valores do coeficiente de resistência situam-se no [0.008, 0.1]. Verificar no diagrama de Moody
a = .008
b = .1

'Calcula f(a)
x=a
GOSUB 1000
fa = fx
‘Calcula f(b)
x=b
GOSUB 1000
fb = fx

‘ Ciclo de bissecções sucessivas. A precisão do cálculo depende do número de iterações


FOR iter = 1 TO 40
' Cálculo do ponto intermédio
c = (a + b) / 2
x=c
GOSUB 1000

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fc = fx

IF fc * fa < 0 THEN
b=c
ELSE

a=c
x=a
GOSUB 1000
fa = fx

END IF

NEXT iter

'Escrita de resultados

PRINT "L="; x
PRINT "j="; x / d * u * u / 19.62
PRINT "Re="; u * d / niu
PRINT "k/D="; k / d

END

1000
‘ Fórmula de Colebrook-White
fx = 1 / SQR(x) + 2 * LOG(k / d / 3.7 + 2.51 / u / d * niu / SQR(x)) / 2.302585093
RETURN

NOTA: O factor 1/2.302585093 serve para converter o logaritmo natural (função LOG em Basic) em
logaritmo decimal.

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E1.1 Determine a perda de carga principal numa conduta de aço de juntas soldadas, com revestimento
em betão centrifugado, admitindo que se escoa um caudal Q = 0,670 m3/s.
A conduta tem 1500 m de comprimento e 0,90 m de diâmetro. Despreze as perdas de carga
localizadas e considere ν = 1,15 ×10-6 m2/s.

Solução: ∆H=1,30 m (para ke = 0.1 mm).

E1.2 Numa albufeira com a superfície livre da água à cota 305 m existe uma conduta em fibrocimento
(k = 0.015 mm), com 450 m de comprimento e 150 mm de diâmetro, que transporta água para um
reservatório com o nível da superfície livre da água à cota 299 m. Considere ν = 1,15 ×10-6 m2/s.
Desprezando as perdas de carga localizadas, determine o caudal e a velocidade média do
escoamento

Solução: Q = 27,4 L/s; U=1,54 m/s.

E1.3 Avalie o diâmetro teoricamente necessário para que num tubo, classificado como liso, se escoe um
caudal de 35 L/s, de um óleo com viscosidade cinemática igual a 10-5 m2/s, com uma perda de
carga unitária de 4 m/km. Despreze as perdas de carga localizadas.

Solução: Dteo = 0,231 m ; Dcom= φ 250 mm.

NOTA:
Muitos dos exercícios relacionados com escoamentos em pressão, reduzem-se normalmente à
resolução de um ou vários problemas semelhantes aos que são apresentados nos exercícios E1.1, E1.2
e E1.3, em função dos dados e da incógnita respectivos. Ou seja:
E1.1 → dados Q e D, determinar ∆H (tipo I);
E1.2 → dados D e ∆H determinar Q (tipo II);
E1.3 → dados Q e ∆H determinar D (tipo III).

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2. DETERMINAÇÃO DE PERDAS DE CARGA LOCALIZADAS

As perdas de carga localizadas ocorrem em singularidades das condutas, ou seja, em trechos pequenos
da conduta em que se quebra a sua uniformidade. Estas perdas de carga dependem de diversos
factores (de difícil definição) ligados, fundamentalmente, às características do escoamento a montante e
a jusante da singularidade. Neste texto referem-se apenas algumas das singularidades mais comuns.

2.1 – CÁLCULO DO COEFICIENTE DE PERDA DE CARGA LOCALIZADA

A determinação analítica destas perdas de carga localizadas baseia-se na aplicação do Teorema da


Quantidade de Movimento e do Teorema de Bernoulli, que permitem chegar a uma expressão geral para
este tipo de perdas de carga, exprimindo-as como percentagem da respectiva altura cinética (U2/2g):

U2 (9)
∆HL = K L ×
2g

em que,
KL é o coeficiente de perda de carga localizada, sendo determinado experimentalmente para
cada tipo de singularidade.

A título de exemplo referem-se as seguintes situações:

ALARGAMENTOS

a) Bruscos: aplicando o Teorema de Borda obtém-se:

(Um − Uj )2
∆HL = 1,0 × (10)
2g

em que,
Um e Uj são as velocidades médias a montante e a jusante do alargamento brusco.

Na realidade, verifica-se que este valor de KL é ligeiramente superior à unidade KL∈ [ 1,0 ; 1,10 ],
verificando-se experimentalmente que KL = 1,0 quando S1 / S2 → 0 (entrada em grandes reservatórios).

b) Graduais:

Nestes casos, teremos de entrar com um coeficiente KL, em função do ângulo de inserção (β), que pode
ser obtido através duma expressão empírica resultante das experiências de Gibson.

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ESTREITAMENTOS

Nestes casos KL varia entre 0 (quando Sj / Sm = 1) e 0,49 ( para Sj / Sm = 0,01). No caso particular da
saída da água em reservatórios (Sj << Sm), considera-se KL = 0,50. Para as situações intermédias
devem ser consultadas tabelas e/ou ábacos, semelhantes aos do Manual de Hidráulica (pp. 56 a 73).

2.2 - COMPRIMENTO EQUIVALENTE

Se atendermos a que as perdas de carga contínuas (por atrito) são igualmente expressas em função da
altura cinética, basta atender a que:

(11)
∆H = (λ×L / D) × (U2/2g) ⇔ ∆H = K' × (U2/2g)

podemos considerar as perdas de carga localizadas como perdas contínuas ocorridas, por atrito, num
comprimento fictício de tubo com o mesmo diâmetro e para o mesmo valor da velocidade.
Este comprimento equivalente, L*, (em termos de perda de carga) obtém-se facilmente igualando:
(12)
2 2 * K ×D
K'× (U /2g) = (λ×L*/ D) × (U /2g) ⇔ K' = (λ×L*/ D) → L = L
λ

Analisando o valor dos comprimentos equivalentes (L*) para diversos tipos de singularidades e vários
diâmetros, conclui-se que é possível adoptar um valor médio de (KL/λ) para cada tipo de singularidade,
como se indica no quadro seguinte:

Quadro 1 - Perdas de carga localizadas: comprimentos equivalentes.

SINGULARIDADES COMPRIMENTO EQUIVALENTE


Cotovelo de 90º 45 diâmetros
Cotovelo de 45º 20 "
Curva de 90º 30 "
Curva de 45º 15 "
Entrada normal 17 "
Entrada de borda 35 "
Válvula de cunha aberta 8 "
Válvula de esfera aberta 350 "
Saída de canalização 35 "
Tê, passagem directa 20 "
Tê, saída lateral 65 "
Válvula de pé com crivo 250 "
Válvula de retenção 100 "

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EXERCÍCIO PROPOSTO

E2.1 Considerando as condições da figura abaixo representada, determinar a cota máxima do


reservatório R2 de modo a que o caudal escoado seja de 50 L/s.
Considere as perdas de carga localizadas e ν = 1,15 ×10-6 m2/s.
A rugosidade equivalente das tubagens do circuito hidráulico em causa é de k = 0,05 mm.

40.00 m

Curva a 90º ( R=2 φ )


R1
D =300 mm
1

Curva a 90º ( R=4 φ ) Z=?


L 1=1000 m D =200 mm
2

E V
R2

L 2= 800 m

∆H V =2.0 m

Nota: R representa o raio de curvatura da singularidade

Solução: ZR2=27.6 m (dependendo dos coeficientes de perda de carga localizada adoptados)

E2.2 Enunciado do Exercício de Revisão 2 disponibilizado na página WEB da disciplina.

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SUMÁRIO:
3. ANÁLISE DE SISTEMAS COMPLEXOS:
• CONDUTAS EM SÉRIE
• CONDUTAS EM PARALELO
• NÓ DE CONDUTAS

3. ANÁLISE DE SISTEMAS COMPLEXOS

Estes sistemas resultam da associação de várias condutas com características semelhantes ou distintas,
em que se conhecem diferentes grandezas, resultando sistemas estruturados com escoamentos
uniformes ou variados (condutas com distribuição de percurso).

3.1 - CONDUTAS EM SÉRIE

D1 D2 D3 Dn-1 Dn

L1 L2 Ln

Figura 2 - Condutas em série.

Num sistema com várias condutas em série (Figura 2), facilmente se depreende que o caudal escoado
é o mesmo (não havendo entradas ou saídas pontuais) em cada trecho de conduta com características
distintas e que a perda de carga total é dada pela adição de todas as perdas de carga contínuas ou
localizadas ocorridas nos vários trechos:

Q = U1 × S1 = U2 × S2 = ... = Un × Sn (13)

n n
∆H = ∑ ∆Hi = ∑ J i × Li
i =1 i =1

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3.2 - CONDUTAS EM PARALELO

D1,L1

Q1 D2,L2
Q2

Q A B Q

Qn

Dn,Ln

Figura 3 - Condutas em paralelo.


Nesta situação de condutas em paralelo (Figura 3), o caudal total escoado é dado pela adição dos
caudais que circulam em cada um dos trechos de conduta em paralelo (divergentes dum nó A e
convergentes num nó B) e que a perda de carga entre A e B (a montante e a jusante desse sistema em
paralelo) é única, ou seja as perdas de carga contínuas em cada um desses troços terá de ser
forçosamente igual à dos restantes (caso contrário poderíamos ter diferentes valores da energia total
numa mesma secção). Então,

Q = Q1 + Q2 + ... + Qn
(14)
∆HAB =∆HAB1 =∆HAB2 =...= ∆HABn ⇔ ∆HAB = J1×L1 = J2×L2 =...= Jn×Ln

3.3 - NÓ DE CONDUTAS E PROBLEMA DE BÉLANGER (OU DOS 3 RESERVATÓRIOS)

h2

h1
h3
L2,D2

hX
L1,D1

L3,D3 h4

hn
X

L4,D4
Ln,Dn

Figura 4 - Nó de condutas.

Neste caso de associação de condutas convergentes num nó (Figura 4), a condição a verificar é a de
que a soma algébrica dos caudais no nó X seja nulo (considerando sinais simétricos para as entradas e

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saídas do nó), ou seja que o valor da soma dos caudais afluentes seja igual à soma dos caudais
efluentes (princípio de conservação da massa, dada pela equação da continuidade).

Q1 + Q2 + ... + Qn = 0 (15)

Este problema, quando envolve três condutas provenientes de três reservatórios constitui uma
abordagem conhecida por problema de Bélanger, que pode ser formulado de diferentes maneiras,
visando a:

• Determinação dos caudais que circulam nas três condutas;


• Determinação dos diâmetros das três tubagens;
• Determinação mista de caudais e diâmetros;
• Determinação mista de caudais e alturas da superfície livre nos reservatórios.
Na 1ª situação, é necessário determinar se são dois reservatórios a abastecer o outro ou se é apenas
um a abastecer os outros dois. Para esclarecer esse funcionamento, podemos considerar Q = 0.0 L/s na
conduta associada ao reservatório de cota intermédia, comparando, então, a cota piezométrica no nó X
com a cota desse reservatório.

A resolução deste problema passa, geralmente, por arbitrar (processo iterativo) criteriosamente para a
energia total no nó X (convergência das 3 tubagens) um valor único, sendo necessário que se verifique a
lei da continuidade nesse nó, face aos caudais que circulam nas condutas (Eq. 15), para terminar o
processo iterativo.

Note-se que este processo iterativo, pode incluir outros processos iterativos correspondentes à
determinação dos caudais em cada conduta, caso se verifiquem problemas do tipo II ou III (ver pág. 11).

Exemplo de aplicação e exercícios complementares:

Na página seguinte, apresenta-se a resolução detalhada dum exemplo de aplicação. O sistema


representado pode funcionar, em termos hidráulicos, de várias maneiras distintas, através de pequenas
alterações nos dados ou no sistema representado. A formulação apresentada configura um sistema de
condutas em série, já que se conhece o caudal escoado na conduta B-UI (unidade industrial).

Propõe-se, como exercícios complementares, a resolução do mesmo exercício substituindo a UI por


um reservatório R3 à cota 370 m (posteriormente resolve para uma cota de 320 m), em que B-R3 tem
500 m de comprimento e um diâmetro de 150 mm.

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EXEMPLO DE APLICAÇÃO

O abastecimento dum reservatório de distribuição de água a uma cidade é efectuado a partir duma
albufeira de grandes dimensões à cota 413 m (Figura). A adutora, em fibrocimento (ke = 0,015 mm), é
constituída por um trecho AB com 1600 m de comprimento e 300 mm de diâmetro e um trecho BC com
300 m de comprimento e 150 mm de diâmetro. Na junção dos dois trechos (em B) existe uma derivação
que fornece um caudal de 50 L/s a uma unidade industrial. Considere ν = 1,15 ×10-6 m2/s.
Determinar o caudal à entrada do reservatório, estando a sua superfície livre à cota 390 m.

413.0 m

L1=1600 m
D1=300 mm
A

390.0 m
B
50 L/s
C
L2=300 m
D1=150 mm

RESOLUÇÃO:
D1 = 300 mm ⇒ S1 = π×0,152= 0,0707 m2
D2 = 150 mm ⇒ S2 = π×0,0752 = 0,0177 m2
ke = 0,015 mm
νágua = 1,15×10-6 m2 s -1
L1 = 1600 m ; L2= 300 m

Equação da continuidade a verificar:


Q1 = Q2 + 0,050 ⇔ U1×S1 = U2×S2 + 0,050 (1)

1º) Determinar ∆H através do Teorema de Bernoulli (aplicado às superfícies livres)


Equação do problema:
2 2
p A UA p U
(Z A + + ) ALB. − ( Z C + C + C )RES. = J1 × L1 + J2 × L 2
γ 2g γ 2g
(413 + 0 + 0 ) - ( 390 + 0 + 0 ) = J1×L1 + J2×L2
Logo,
J1L1 + J2L2 = 23 m (2)

Temos uma equação com duas incógnitas ⇒ processo iterativo, condicionado à verificação de (1).

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2º) Processo iterativo para determinar J1 e J2 (fórmula universal das perdas de carga).

Arbitrar Calcular Diag. Moody Calcular Verificar


U1 Re1; ke/D1 λ1 J1 SIM ☺
U2 ; Re2 ke/D2 λ2 J2 J1L1 + J2L2 = 23 m ?
NÃO

(ARBITRAR NOVA VELOCIDADE E RECOMEÇAR O PROCESSO)

1ª iteração : U1 = 1,20 m.s-1


1,2 × 0,0707 − 0,05
U2 = = 1,97ms −1
0,0177
Re1 = 1.2 x 0.3 / (1,15 x10-6) = 3,13 x 105
k / D1 = 0.015 / 150 = 0,0001
λ1 = 0,0148 → J1 = 0,00364

Re2 = 1.97 x 0.15 / (1,15 x10-6) = 2,57 x 105


k / D2 = 0.015 / 150 = 0,0001
λ2 = 0,0158 → J2 = 0,02081
Verificação : J1L1 + J2L2 = 0,00364 x 1600 + 0,02081 x 300 = 5,82 +6,24 = 12,06 m < 23 m ( )

2ªiteração (arbitrar uma velocidade maior): U1 = 1.50 m.s -1


U2= 3,17 m.s-1
Re1 = 1.5 x 0.3 / (1,15 x10-6) = 3,91 x 105
k / D1 = 0.015 / 150 = 0,0001
λ1 = 0,0144 → J1 = 0,0055

Re2 = 3.17 x 0.15 / (1,15 x10-6) = 4,14 x 105


k / D2 = 0.015 / 150 = 0,0001
λ2 = 0,0148 → J2 = 0,050
Verificação : J1L1 + J2L2 = 0,0055 x 1600 + 0,050 x 300 = 8,78 +15,13 = 23,91 m > 23 m ( )

3ªiteração: TERMINOU O PROCESSO ITERATIVO!, diminuindo ligeiramente U1, há apenas uma


pequena variação de Re1 e Re2, pelo que podemos considerar constantes os valores de λ, logo:
U1= 1,47 m.s-1 → U2= 3,05 m.s-1 ; J1 = 0,00536 e J2 = 0,0472
Verificação : J1L1 + J2L2 = 0,00536 x 1600 + 0,0472 x 300 = 8,58 +14,23 = 22,81 m ≈ 23 m (☺,
<1%!!!)

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Q2 = U2×S2 = 3,05 x 0,0177 ≅ 0.054 m3.s-1 (54 L.s-1)

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Obs: Despreze as perdas de carga localizadas e considere ν = 1,15 ×10-6 m2/s.

E3.1 Um reservatório descarrega para a atmosfera através de uma tubagem composta por três trechos
de ferro fundido com 150 m de comprimento cada e diâmetros de 900 mm, 750 mm e 600 mm. A
boca de saída do último trecho encontra-se 2,7 m abaixo do nível da água no reservatório.
Determinar o caudal escoado.

Solução: Q=724 L/s (k=1 mm e não desprezando a altura cinética).

E3.2 Na rede abaixo esquematizada, constituída por três condutas em paralelo de fibrocimento
(k=0,02 mm), circula um caudal total de água de 300 L/s.
Determinar os caudais que se escoam em cada uma das condutas e a perda de carga entre A e
B.
Dados: D1=300 mm ; L1=1500 m; D2=250 mm ; L2=500 m; D3=200 mm ; L3=1100 m

(1)

Q A (2) B Q

(3)

Solução: Q1=117 L/s, Q2=130 L/s, Q3=53 L/s e ∆H=10.0 m.

E3.3 Os reservatórios representados na figura estão ligados por adutoras em fibrocimento (k=0,015 mm)
com as características geométricas aí indicadas. Determinar os caudais que circulam em cada
uma dessas condutas.
140 m

130 m

L AD = 400 m
A D AD = 200 mm

(3) (2) C
D
105 m L CD = 700 m
(1) D CD = 150 mm

L BD = 1000 m
B D BD = 300 mm

Soluções: Q3=128 L/s, Q2=33 L/s, Q1=Q2+Q3. (resultados aproximados)

21
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SUMÁRIO:
3. ANÁLISE DE SISTEMAS COMPLEXOS (cont.):
• REDES EMALHADAS (MÉTODO DE HARDY-CROSS)
• REDES RAMIFICADAS (REGIME PERMANENTE VARIADO)
• REDES MISTAS

3.4 - REDES DE CONDUTAS

As redes de condutas consideram-se sistemas complexos porque são constituídas por tubagens ligadas
em série e/ou paralelo, formando feixes ou malhas de condutas.
Estes sistemas aparecem normalmente nas redes de abastecimento de água municipais ou industriais e
nas redes de combate a incêndios.

Chama-se nó ao ponto de intersecção de três ou mais condutas, que convergem nesse nó.
Chama-se malha a todo o circuito fechado constituído por três ou mais condutas ligadas em série.

Diz-se que uma conduta tem distribuição de percurso quando abastece os edifícios por ela servidos,
sofrendo uma variação de caudal ao longo do seu percurso (escoamento em regime permanente
variado).

Quanto à sua constituição, podemos considerar os seguintes tipos de redes:

Quadro 2 - Tipos de redes de condutas.


DISTRIBUIÇÃO REGIME
TIPO DESCRIÇÃO
DE PERCURSO PERMANENTE

sem uniforme
EMALHADA só com malhas
com variado
sem uniforme
RAMIFICADA só com condutas em série
com variado

com condutas em série e sem uniforme


MISTA
com malhas com variado

A análise dos sistemas complexos (redes de condutas) tem os seguintes objectivos:

1°) Determinar o caudal máximo (situação mais desfavorável) em cada conduta;


2°) Satisfazer as condições de pressão mínima e máxima em cada nó da rede;

O dimensionamento duma rede de condutas consiste, tendo em consideração aqueles objectivos, em:

22
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• atribuir um diâmetro comercial (consoante o material escolhido para a tubagem) para cada
conduta, em função de:
1. valor máximo do caudal na conduta ;
2. critério económico (através da chamada velocidade "económica", que se traduz um intervalo de
referência com valores da velocidade que correspondem ao transporte de caudais elevados
sem produzir um desgaste precoce das paredes da conduta.

• determinar os caudais de projecto correspondentes a uma situação de funcionamento no ano


horizonte do projecto, para as características específicas da rede considerada (topografia,
geometria, materiais, etc.), através da verificação das equações de movimento nas condutas.

• verificar se as pressões atingidas nos nós da rede, para os caudais de projecto, estão dentro dos
valores regulamentares e/ou recomendáveis.

3.4.1. REDES EMALHADAS

Nas redes de condutas emalhadas são normalmente conhecidos os seguintes parâmetros:

• comprimento das tubagens;


• cotas topográficas dos nós;
• caudais de entrada e saída nas malhas;

A resolução destes sistemas de condutas obedece às seguintes leis (conservação da massa e da


quantidade de movimento):

1ª) LEI DA CONTINUIDADE (ou lei dos NÓS): em cada nó os caudais afluentes (+) devem igualar os
caudais efluentes (-) (n = n.º de condutas ligadas ao nó):
n (16)
∑Q
i=1
i =0

2ª) LEI DE ENERGIA (ou lei das MALHAS): numa malha a soma algébrica das perdas de carga em
todas as condutas deve ser nula:
P (17)
∑H
i=1
i =0

NOTAS:
1. Um caudal concentrado num nó representa uma conduta "extra-malha".
2. As perdas de carga podem ser determinadas por ábacos de pontos alinhados ou fórmulas
empíricas, dado que no cálculo manual se pode admitir um erro de fecho (na verificação da
Lei das Malhas) até 0,5 m.

23
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Os três métodos mais utilizados na resolução dos problemas relativos aos sistemas de condutas são: o
método da Teoria Linear; o método de Newton-Raphson; e o método de Hardy-Cross. Os dois primeiros
baseiam-se no cálculo matricial e só podem ser resolvidos com o auxílio do cálculo automático. O
terceiro pode ser resolvido, manualmente, por iterações, sendo por isso um método aproximado (implica
a consideração dum critério de paragem).

MÉTODO DE HARDY-CROSS

A metodologia a adoptar na aplicação deste método ao dimensionamento de condutas em redes


emalhadas pode ser sistematizado nos passos seguintes:

1º) Identificar e numerar todos os nós da rede;


2º) Arbitrar o sentido (positivo) do escoamento nas malhas;
3º) Arbitrar uma distribuição (inicial) de caudais que satisfaça a Lei dos Nós (válida apenas
como 1ª iteração);
4º) Atribuir diâmetros às condutas (através dum critério de velocidade "económica", no
Quadro 3 apresenta-se um exemplo) considerando o caudal máximo na conduta.

Quadro 3 – Critério de velocidades económicas em condutas.


D int. (mm) 60 80 100 125 150 175 200 >200
U econ. (m/s ) 0.70 0.75 0.75 0.80 0.80 0.90 0.90 1.00
Q refª (L/s ) 2.0 3.8 5.9 9.8 14 22 28 ...

5º) Calcular perdas de carga contínuas em cada conduta ⎯ J = f (D,Q) ⎯ considerando os


sinais correspondentes ao sentido de circulação do respectivo caudal;
6º) Verificar a Lei das Malhas ( ∑ ∆ H i = 0 ) em cada malha;
7º) Caso esta Lei não se verifique, calcular a "correcção de Cross" − ∆ Q (Eq. 18)− para
cada uma das malhas (válida em movimento turbulento rugoso);

∆Q = −
∑ ∆H i

∆H (18)
2∑ i

Q i

8º) Reinicia-se o processo, considerando na iteração seguinte Q'i = Qi + ∆ Q, até que

∑ ∆Hi ≈ 0 < 0,5 m ∧ ∆Q ≈ 0 < 0,1 L/s (critério de paragem a adoptar !!!)
NOTAS:
3. Nas condutas comuns a duas malhas a correcção é feita somando algebricamente a correcção
da própria malha e subtraindo a da malha adjacente (sse tiverem o mesmo sentido positivo)
4. Deve-se criar um quadro que sistematize os cálculos relativos à aplicação desta metodologia.
5. Havendo distribuição de percurso nas condutas da malha devemos aplicar a metodologia
a seguir exposta para o caso das redes ramificadas com escoamento em regime variado.

24
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3.4.2. REDES RAMIFICADAS

Nas redes ramificadas existe geralmente distribuição de percurso, o que implica a existência duma
variação de caudal ao longo do percurso, e um escoamento em regime permanente variado.

Dado que estas variações de caudais dependem da "evolução urbanística" dum aglomerado, sendo
impossível prever tal evolução ao longo da vida útil da rede; simplifica-se o cálculo destas redes
considerando constante a variação do caudal ao longo do comprimento das condutas distribuidoras de
caudal. Assim, o dimensionamento dessas condutas é feito entre nós, trecho a trecho, para o respectivo
caudal máximo (que é o de montante).

Chama-se caudal unitário de percurso (q) ao parâmetro que traduz a variação média do caudal ao
longo da conduta:

Qm − Q j
q= ⇔ Qm = Q j + q × L (19)
L

Havendo uma variação da velocidade ao longo da trajectória, há uma variação (linear) do coeficiente de
perda de carga, que se traduz numa variação parabólica da linha de energia. Tal facto dificulta o cálculo
das perdas de carga em cada trecho da conduta.

Bresse ultrapassou esta dificuldade considerando um caudal equivalente (Qe) dado pela expressão

Qe = Q j + 0,55 × q × L (20)

Trata-se de um caudal fictício que, em movimento uniforme e para o mesmo diâmetro e material da
conduta, conduziria ao mesmo valor da perda de carga, que a verificada, na realidade, em regime
permanente variado, considerando os respectivos caudais.

NOTAS:
7. O caudal equivalente serve apenas para o cálculo de perdas de carga e não para a
atribuição de um diâmetro à conduta.
8. Em redes ramificadas, mesmo que Qe < 1 L/s, consideramos sempre a perda de carga para esse
valor mínimo.
9. O cálculo de redes ramificadas é feito, normalmente, de jusante (onde se conhecem os caudais)
para montante.

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

Considere a rugosidade equivalente do material das condutas igual a 0,001 mm e ν = 1,15 ×10-6 m2/s.
Note que a solução dos exercícios depende sempre do conjunto de diâmetros que seleccionar para as
condutas dessa rede.

E4.1 Dimensionar as condutas e determinar os caudais que circulam em cada uma das redes a seguir
esquematizadas.

20 L/s 10 L/s
5 L/s 1000 m
800 m
1000 m
600 m 1200 m
500 m 1500 m 600 m
40L/s

500 m
1000 m
15 L/s
1200 m 1200 m 25 L/s
10 L/s
5 L/s

E4.2 Considere a rede representada na figura, um caudal unitário de percurso de 0.002 L/(s×m) e uma
pressão mínima a garantir na rede de 0.2 MPa. Determine:

a) Os caudais que circulam na rede e dimensione as condutas.


b) A altura da água no reservatório R, de forma a garantir a pressão mínima em todos os pontos da

(229)

(235) 2000 m

500 m (230)
500 m

500 m (220)
1000 m (220)
500 m
R
(230)
(250)
500 m
500 m (217)

(228)

400 m

(210)
rede.

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E5.1. Na rede abaixo representada, as tubagens são de fibrocimento (k=0.015 mm) e o caudal unitário
de percurso é de 0.002 L /(s×m).
a) Dimensione as condutas da rede.
b) Determine a cota da superfície livre do reservatório R, de modo que a pressão mínima em toda a rede
seja de 0.25 MPa.

R [?]
2 [60 m]

[60 m] 1 3 [65 m]

6
[70 m] 4 [65 m]
Comprimento das condutas:
R-2 = R-1= 1-4 = 1-6 = 1000 m
2-3 = 3-1 = 4-5 = 1500 m
[70 m] 5

E5.2 Na rede (abaixo representada) a rugosidade equivalente do material é 0,001 mm e as condutas


distribuidoras o caudal unitário de percurso é de 5 L/(s×km): Determine:
a) O diâmetro das condutas e a correspondente distribuição de caudais.
b) A cota mínima da água no reservatório R para uma altura piezométrica mínima na rede de 15 m.

R [175 m]

[140 m]
500 m 500 m

500 m 500 m [140 m] 100 m


[141 m] 600 m
[140 m]
2 L/s [133 m]
500 m
1000 m 800 m 800 m
[135 m]
[142 m] [140 m] 500 m 1500 m
[130 m] [152 m] [150 m]

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SUMÁRIO:

4. DIMENSIONAMENTO ECONÓMICO DE CONDUTAS ELEVATÓRIAS


5. BOMBAS HIDRÁULICAS

4. DIMENSIONAMENTO ECONÓMICO DE CONDUTAS ELEVATÓRIAS

4.1. - METODOLOGIA

O método de dimensionamento económico de condutas elevatórias é abordado em profundidade nas


aulas teóricas da disciplina. Apresentam-se neste ponto os passos fundamentais para o
desenvolvimento dos cálculos que permitem seleccionar o diâmetro de uma conduta elevatória, a partir
de uma análise económica.
O processo de dimensionamento consiste em determinar o diâmetro que minimize a soma dos custos de
investimento com os de energia (não se consideram outros custos de exploração), conforme se
representa na Fig. 5.

CUSTOS

E+I

Custo de investimento - I

Custo de energia - E

Deconómico DIÂMETRO

Figura 5 - Variação dos custos de investimento e energia com o diâmetro de condutas elevatórias.

Os passos fundamentais a seguir nos cálculos a efectuar são:


1. Pré-dimensionamento para selecção de um conjunto de diâmetros (comercialmente
disponíveis) a partir de fórmulas empíricas como a Fórmula de Dacach (Eq. 21) e de critérios de
velocidade mínima e máxima
0.45 (21)
Di = 1.1× Q AH

em que, D i é o diâmetro interior da conduta elevatória e QAH é o caudal no ano horizonte.

2. Cálculo dos custos de investimento em função dos diâmetros seleccionados.

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3. Cálculo dos custos de energia (actualizados ao ano 0) ao longo do período de vida da obra.
Neste ponto o recurso a uma folha de cálculo (Excel) facilita os cálculos a desenvolver.

4. Adição dos custos anteriores para os diversos diâmetros seleccionados e verificação de que o
conjunto de diâmetros seleccionados contém o diâmetro (comercialmente disponível) mais
económico. Para tal acontecer os custos associados aos diâmetros extremos seleccionados
deverão ser superiores a pelo menos um dos custos associados a um dos diâmetros intermédios.

5. Selecção do diâmetro mais económico de entre os seleccionados no pré-dimensionamento.

EXERCÍCIO PROPOSTO

E6.1 Num sistema de abastecimento de água, pretende-se dimensionar uma conduta elevatória, em
polietileno de alta densidade (PEAD), com 3000 m de comprimento.
Estabeleceu-se um horizonte de projecto de 40 anos para as obras de construção civil e de 20 anos para
os equipamentos electromecânicos, prevendo-se a entrada em funcionamento do sistema elevatório no
próximo ano. Efectue o dimensionamento económico desta conduta tendo em conta os seguintes dados:

- Caudal a elevar no primeiro ano é de 10 L/s, crescendo anualmente a um ritmo de 0.205 L/s/ano;
- Desnível topográfico entre a tomada de água e o reservatório é de 60.0 m;
- Tempo máximo de bombagem no ano horizonte de projecto é de 16 horas;
- A eficiência dos grupos de bombagem é de 70 %;
- Custo da energia no ano de arranque é de 0,0965 €/kWh, crescendo anualmente a uma taxa de
4%;
- Taxa de actualização: 2%;
- Coeficiente dos custos de instalação da tubagem 200,00 €

Nota: diâmetros nominais do PEAD (mm): 160, 180, 200, 250, 280, 315, 355.

Sugestão: Recorra a uma folha de cálculo (Excel) para a resolução deste exercício. Proceda a vários
cálculos considerando diferentes cenários de taxas e períodos de vida da obra. A folha de cálculo
deverá permitir efectuar o cálculo automático das perdas de carga contínuas, dos custos de investimento
e de exploração do sistema, assim como determinar a solução do problema. Efectue vários cálculos
considerando diferentes cenários de taxas e períodos de vida da obra.

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5. BOMBAS HIDRÁULICAS

5.1 - TIPOS DE BOMBAS

Os principais tipos de bombas são:

• AXIAL: quando a direcção de escoamentos do fluido é idêntica à do eixo de rotação da hélice;


• CENTRÍFUGA: quando a direcção de escoamento do fluído é perpendicular à do eixo de
rotação da hélice;
• MISTA: quando a direcção do escoamento é intermédia, relativamente às duas anteriores.

5.2 - DEFINIÇÕES. FÓRMULAS PRINCIPAIS

• CAUDAL:
Nominal - para o qual a bomba é projectada;
Óptimo - no ponto de eficiência óptima;
Máximo / Mínimo - valor permitido.
• ALTURA TOTAL ( H ) DUMA BOMBA
Nominal - altura total de funcionamento;
Óptima - no ponto de máxima eficiência;
Em vazio - no funcionamento em vazio (Q=0);

p − p e Us − U e
2 2 (22)
H = zs − ze + s +
γ 2g
em que,
s = saída da bomba (nas juntas c/ a tubagem )
e = entrada da bomba (nas juntas c/ a tubagem )

• ALTURA TOTAL DO SISTEMA (Hs): energia total introduzida pela bomba para manter o
caudal Q no sistema elevatório:
2 2 (23)
p j − pm U j − Um
Hs = z j − z m + + + ∆Hv
γ 2g

com,
j = jusante do sistema elevatório (após a conduta de compressão);
m = montante do sistema elevatório (antes da conduta de aspiração);
∆Hv = perdas de carga por atrito nas tubagens de aspiração e de compressão e perdas de carga
localizadas
• CAVITAÇÃO (N.P.S.H.)

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CAVITAÇÃO: é o fenómeno hidráulico correspondente à produção e libertação súbita de


bolhas gasosas, que ocorrem quando a pressão estática do fluído atinge a pressão (tensão)
de vapor desse fluído, para uma dada temperatura. Esta situação pode ser motivada pela
variação da velocidade ou da altura piezométrica, no sistema.

Nas bombas, tal pode ocorrer devido a reduções locais de pressão na entrada dos
impulsores, resultantes do aumento da velocidade de escoamento, nessa secção.

Designa-se por "N.P.S.H." (Net Positive Suction Head) a diferença entre a pressão estática
absoluta e a tensão de vapor do líquido (normalmente expressos em metros).

N.P.S.H. req.: valor mínimo para o N.P.S.H. (relativamente a um plano de referência) de


modo a garantir uma correcta operação da bomba, sem contracção.

N.P.S.H.dis.: é a diferença entre a altura total e a altura de pressão de vapor (Po/γ) referida
ao plano de referência do valor do "N.P.S.H.".

Condição de segurança: N.P.S.H.dis≥N.P.S.H.req.+0,5m

• POTÊNCIA:

i) Da bomba: energia útil transferida para o fluído

PQ = γ × Q × H (W ) (24)

ii) Absorvida: energia recebida pela bomba do motor


PQ (25)
P > PQ → P =
η
em que
η é a eficiência ou rendimento da bomba (razão entre a potência hidráulica transmitida pela
bomba e a absorvida no veio ).

• VELOCIDADE ESPECÍFICA (nq): define um valor característico da forma do impulsor.

Traduz a velocidade de rotação dum impulsor (geometricamente semelhante em todas as


suas componentes) dimensionado para que produzisse uma altura de elevação de 1 m para
um caudal unitário (1 m3/s).
Tem, em conjunto com o caudal a elevar, uma grande influência no rendimento da bomba.

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5.3 - CARACTERÍSTICAS DE FUNCIONAMENTO

a) CURVAS CARACTERÍSTICAS DA BOMBA: traduzem as relações da altura (H), potência


absoluta (P); rendimento(η) e N.P.S.H.req., com o valor do caudal a elevar, para uma dada
velocidade de rotação.

b) CURVA CARACTERÍSTICA DA INSTALAÇÃO: representa a relação entre o desnível da


linha de carga (à entrada e saída da bomba) e o caudal escoado Q
p j − pm (26)
Hest = Hgeo +
γ
H = f ( Q2 ) →

2
U Um
j
2

Hdin = + Hv
2g

(Hman = Hest + Hdin) e H v = Hasp + Hcomp (27)

c) PONTO DE FUNCIONAMENTO DUMA BOMBA: corresponde à intersecção da curva


característica da bomba (H/Q), com a curva característica da instalação. Com esse ponto,
temos o caudal que pode ser elevado naquela instalação, a potência absorvida, o
rendimento e o N.P.S.H.req. (≤ N.P.S.H.dis.)

5.4 - SELECÇÃO DUMA BOMBA

Conhecidas as principais características hidráulicas duma instalação (altura de elevação (Htop+∆H),


caudal a elevar, configuração do sistema) podemos:

1º) Definir o tipo de bomba a utilizar → através dum gráfico com a delimitação dos domínios
de aplicação de bombas ( "BUREAU OF RECLAMATON")

2º)Consulta dos diagramas em mosaico ou mosaicos de utilização → através de catálogos


dos fabricantes, os quais referem (graficamente), para uma dada velocidade de rotação, a
relação (Ho,Q). → PRÉ-SELECÇÃO DA BOMBA.

NOTA: o caudal que será efectivamente elevado e a altura de elevação só podem ser definidos com
rigor após o conhecimento das características da bomba. (daí a necessidade de "pré-seleccionarmos").

3º) Consulta da colina de rendimentos da bomba pré-seleccionada.

4º) Determinação do ponto de funcionamento da bomba → que permite calcular o caudal


efectivamente elevado , e a altura de elevação da máquina.

5º) Verificação das condições de aspiração. ( N.P.S.H.dis≥ N.P.S.H.req ).

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E7.1 Determinar a altura total de elevação duma bomba em que as condutas de aspiração e elevação
tem diâmetro nominais de 50 mm e 65 mm, respectivamente. O caudal de água (ρ=1000 kg/m3) a elevar
é de 50 m3/h. Considere, ainda, que:
• O desnível entre as falanges de entrada e saída da bomba é de 0,30 m;
• Um manómetro colocado na falange de entrada indica uma pressão de 0,2 bar, enquanto
que outro manómetro colocado na falange de saída indica uma pressão de 5,4 bar ;

Solução: H = 51,67 m

E7.2 Considere um sistema elevatório composto por dois reservatórios, cujas superfícies livres
apresentam um desnível de 40 m, e por uma conduta em ferro fundido (k=1 mm) constituída por um
tramo de aspiração (D=150 mm e L=50 m) e outro de elevação (D=300 mm e L=500 m).
Considere ν = 1,15 ×10-6 m2/s e ρ=1000 kg/m3.

a) Determine a altura manométrica do sistema para um caudal de água a elevar de 100 m3/h.
b) Trace a curva característica do sistema.
c) Seleccione uma bomba hidráulica para elevar o caudal referido em a). (Utilize um catálogo de
fabricante à sua escolha).

Solução: a) Hm=41,78 m; b) H=2305,7 Q2+40; c) Depende do catálogo do fabricante adoptado.

E7.3 Num sistema elevatório pretende-se instalar uma bomba centrífuga, de maneira a elevar um caudal
de cerca de 20 L/s. O desnível dos reservatórios de montante e jusante do sistema elevatório é igual a
25.0 m, as condutas de aspiração e compressão são de PVC (k= 0.01 mm), com 80 mm de diâmetro e
50 m de comprimento total. Considere que as perdas de carga localizadas do sistema são equivalentes
a 8.0 m de comprimento de conduta.

a) De acordo com os dados fornecidos por um fabricante escolha uma bomba, com velocidade de
rotação superior a 2000 r.p.m.
b) Determine o caudal efectivamente elevado;

Solução: Depende do catálogo (fabricante) utilizado.

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CAP II − ESCOAMENTOS COM SUPERFÍCIE LIVRE

SUMÀRIO:
1. CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS DAS SECÇÕES.
2. REGIME UNIFORME (NORMAL)
3. REGIME CRÍTICO
4. REGIME GRADUALMENTE VARIADO

1. CARACTERÍSTICAS GEOMÉTRICAS DAS SECÇÕES TRANSVERSAIS

O estudo dos canais é muito diferente e mais complexo que o das condutas em carga, pois:
i ) Existe uma superfície livre, com capacidade de se deformar e movimentar;
ii ) A rugosidade das paredes do canal tem grande influência no escoamento e é de mais difícil
determinação;
O escoamento da água nos canais está intimamente ligado à inclinação do leito(θ).
Chama-se secção transversal dum canal a toda a secção plana normal à direcção da corrente líquida.

Define-se por:
a) Secção molhada : a intersecção da veia líquida no canal com o plano da secção transversal.
A superfície desta secção designa-se por área molhada (S).
b) Profundidade (altura na secção): é a distância máxima entre o talvegue (leito) e a superfície
livre, medida perpendicularmente ao talvegue (Y).
c) Perímetro molhado (χ): o desenvolvimento da linha de contacto do líquido com as paredes
sólidas da secção; ou seja, é o comprimento da linha de contacto entre a secção molhada e a
secção transversal.
d) Raio hidráulico (R): o quociente entre a área molhada e o perímetro molhado:
S (28)
R=
χ

e) Profundidade média ou hidráulica (ym): o quociente entre a área molhada e a largura


superficial da veia líquida (b):
S (29)
ym =
b

Note-se que a área molhada, o perímetro molhado, o raio hidráulico e a profundidade média são função
da profundidade e da geometria do canal.

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Assim, para secções regulares, estes parâmetros têm já definidas as respectivas expressões de cálculo,
em função da profundidade e da inclinação lateral das paredes do canal. (consultar manuais de
Hidráulica).

2. REGIME UNIFORME (NORMAL)

Neste regime as trajectórias das partículas líquidas são rectilíneas e paralelas, sendo a distribuição das
pressões de tipo hidrostática em qualquer secção. No movimento uniforme teremos então:
• Velocidade média constante ao longo do canal;
• Distribuição das velocidades é independente da secção molhada (α constante ao longo do
canal );
• A superfície molhada é constante;

O movimento estabelece-se pela acção duma força constante − componente do peso do líquido na
direcção do escoamento − equilibrada pelo somatório das forças que se opõem ao movimento − atrito do
líquido no canal. Assim, a perda de carga (energia potencial) do líquido iguala a energia transformada
em calor (atrito e turbulência)

Igualando as duas forças retira-se o valor da velocidade média:

U = C × R × senθ = C × R × J → fórmulas tipo "Chézy" (30)

Para inclinações pequenas, teremos: senθ ≈ tgθ ≈ θ ≈ i ,logo:


U = C× R×i (31)

em que,
C é um coeficiente empírico que se pode obter através de várias expressões alternativas:
(32)
87 R
a) BAZIN : C= , CB- coeficiente de BAZIN ( Tabelado )
CB + R
(33)
100 R
b) KUTTER : C = , CK- coeficiente de KUTTER ( Tabelado )
CK + R
0,00155 1
23 + +
c) GANGUILLET-KUTTER : C= J n
0,00155 n (34)
1 + (23 + )×
J R
n = inverso do coeficiente KS (coeficiente de STRICKLER)

35
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Existe uma outra fórmula, muito utilizada, para determinação da velocidade média:
2 1 (35)
U = KS × R × i 3 2
→ fórmula de MANNING-STRICKLER

em que,
KS (m1/3⋅s-1) é um parâmetro (empírico) que traduz a rugosidade das paredes do canal e i≈J .

Assim, aplicando a lei da continuidade, ficamos com duas expressões alternativas para o cálculo dos
caudais:

Q = C×S× R×i (36)

2 1 (37)
Q = KS × S × R × i 3 2

NOTA: estas expressões são válidas apenas para secções simples, onde as tensões tangenciais ao
longo do perímetro molhado são constantes.

Para permitir o escoamento dum caudal Q, a secção mais vantajosa é aquela em que a sua geometria
conduz a um perímetro molhado mínimo, de modo a termos um raio hidráulico máximo (admitindo iguais
valores da rugosidade, secção e inclinação).

Do ponto de vista geométrico, a secção de mínimo perímetro, para uma dada área, é a circular.
Nestes canais teremos:
a) Velocidade máxima: y = 0,81×D
b) Caudal máximo: y = 0,95×D

Designam-se por normais os valores dos parâmetros (geométricos ou dinâmicos) que ocorrem nos
escoamentos em regime uniforme, os quais dependem do canal e dos caudais a escoar.

PROBLEMAS USUAIS EM REGIME UNIFORME

Na expressão do caudal os parâmetros KS (ou C), S e R, são funções da profundidade y, ou seja:


2 1 (38)
Q = K S ( y ) × S( y ) × R( y ) × i 2
3

ou,
2 (39)
Q( y ) = ϕ( y ) × i , com ϕ( y ) = K S × S × R 3

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Poderão assim surgir dois tipos de problemas:


i) secção transversal do canal conhecida → problema determinado.

DADOS INCÓGNITAS
Q,y i
Q,i y
y,i Q

Resolução:
Secções com geometria simples:
2 1 (37)
Q = KS × S × R 3
×i 2

Secções com geometria irregular:

y1

Ψ (y1 Ψ (y

Figura 6 - Resolução de problemas com secção transversal irregular.

ii) secção transversal do canal a determinar → problema indeterminado.

Para a resolução destes problemas consideram-se outros condicionalismos não hidráulicos, tais como:
• custo mínimo;
• características geológicas do terreno de implantação;
• topografia;
• existência de edificações ou vias de comunicação;

Secções compostas, irregulares e heterogéneas :

Nas secções compostas efectua-se a partição em secções simples, às quais é legítimo aplicar as
fórmulas de Chézy ou de Manning-Strickler.

Nas secções irregulares o caudal é obtido pelo somatório dos caudais elementares correspondentes a
cada uma das faixas verticais de largura ∆bi,, em que se divide a secção

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∆ bi
yA y
B

A B

Figura 7 - Divisão de uma secção irregular em áreas finitas elementares

n y A + yB U + UB (40)
Q = ∑( × ∆b i × A )
i=1 2 2

Nas secções heterogéneas, em que a rugosidade do canal varia ao longo do perímetro molhado, a
rugosidade equivalente é traduzida pelo parâmetro KS* calculada pela Fórmula de EINSTEIN:

2/3
⎡ ⎤
⎢ χ ⎥
=⎢ ⎥
*
KS (41)
⎢ χl ⎥
⎢ ∑l K 3 / 2 ⎥
⎣ l ⎦

em que :
K l é o coeficiente de Strickler correspondente à rugosidade do trecho l cujo perímetro molhado é χl .

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E8.1 Considere um canal de secção trapezoidal em que: a largura da base é de 4,00 m; a inclinação das
paredes laterais é de 45º; a rugosidade das paredes é caracterizada por CB=0,16 (Bazin); a inclinação
do talvegue é igual a 0,30 m/km; e a altura de água na secção é de 1,60 m.
Determine a velocidade média do escoamento e o respectivo caudal.

Solução: U=1,34 m/s, Q= 12,0 m3/s.

E8.2 Considere um canal rectangular com 4,00 m de largura em que a rugosidade das paredes é
caracterizada por Ck=0,25 (Kutter), sendo a inclinação do fundo do canal de 4%.

a) Determinar a altura da água na secção quando se escoa, em regime uniforme, um caudal de


170 m3/s.
b) Determinar a inclinação que permite escoar aquele caudal, em regime uniforme, quando a altura da
água na secção for de 2,60 m.

Solução: a) y=2,50 m, i= 3,6 %.

E8.3 Considere a secção transversal representada na figura, em que a rugosidade do leito menor é dada
por KS= 80 m1/3/s, e a do leito maior (de cheia) é de KS= 40 m1/3/s. A inclinação do talvegue é de 0,2%

a) Determinar a profundidade da água no canal (h) quando se escoa, em regime uniforme, um caudal de
25 m3/s.
b) Determinar o caudal que se escoa, em regime uniforme, numa situação em que a altura da água se
eleva 2,00 m acima do leito de cheia.

2.00 m 3:1 3:1

h 3:1 3:1

5.00 m 10.00 m 5.00 m

Solução: a) h=0,84 m, b) Q=257 m3/s.

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3. REGIME CRÍTICO

Do estudo da interdependência das variáveis, energia especifica, caudal e altura na secção, mantendo
uma delas constante, verifica-se que existe uma altura (dita crítica) para a qual o caudal que se escoa
em regime uniforme é máximo e/ou a energia específica é mínima para um dado caudal.

O regime associado a esta altura crítica designa-se por crítico e estabelece a transição entre o:

i) Regime lento (fluvial), em que o escoamento é influenciado pelas condições de montante e de


jusante (Fr< 1);
ii) Regime rápido (torrencial), em que o escoamento é influenciado apenas pelas condições de
montante (Fr> 1).

Para canais com pequenas inclinações (cosθ≈1), teremos:

Q y mc
= SC × , α≈1 (42)
g α

A determinação da altura crítica (yC) , para um dado caudal, pode ser efectuada através de:
i) Expressões tabeladas: secções regulares simples;
ii) Resolução analítica de fórmulas implícitas;
ii) Método gráfico: secções compostas ou irregulares, considerando

Ψ (y ) = S × y m , com S=S(y) e ym=ym(y) (43)

Yc

Q Ψ (Y)
g

Figura 8 - Cálculo da altura crítica: método gráfico

Determinada a altura crítica é fácil calcular os restantes parâmetros ditos críticos (secção molhada,
perímetro molhado, inclinação do talvegue, etc.).

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

E9.1 Considere um canal trapezoidal com as características a seguir descritas, onde se escoa um
caudal de 15 m3/s, em regime uniforme.
- largura da base: 2,00 m;
- inclinação das paredes laterais: 1/1;
- rugosidade das paredes (betão): CB= 0,16 ;
- inclinação do fundo do canal : 3 m/km;
Determine:
a) A altura crítica.
b) A altura normal e o respectivo perímetro molhado.

Solução: a) yC=1,41 m, b) yn= 1,3 m, χn=5,7 m.

E9.2 Considere o canal com a secção trapezoidal representado na figura. As paredes são de betão
(Ks=65 m1/3/s) e a inclinação do talvegue é de 2m/Km.

a) Determine a altura crítica para um caudal de 120 m³/s, utilizando o método gráfico.
b) Determine o valor da altura da água na secção, de modo a que o caudal escoado em regime
normal e em regime crítico seja igual.

45 º 45 º

10.0 m

Solução: a) yC=2,25 m, b) yn=yc=3,9 m.

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4. REGIME PERMANENTE VARIADO

Em regime permanente variado a velocidade média do escoamento não se mantém constante ao longo
do canal, quer por o caudal ser constante e a secção variável, ou por o caudal e secção serem ambos
variáveis. O regime permanente variado pode dividir-se em:

i) Regime gradualmente variado (regolfo) – a profundidade da água varia gradualmente ao longo


do canal, sendo legítimo considerar-se que as linhas de corrente se mantêm paralelas, e por
consequência a distribuição de pressões é hidrostática em qualquer secção transversal. Tem
especial importância o traçado de curvas de regolfo.

ii) Regime rapidamente variado – ocorre em trechos, geralmente curtos, de canais dotados de
singularidades, englobando diferentes situações: ressalto hidráulico - passagem brusca de regime
rápido a lento; escoamentos em descarregadores e em mudanças de declive (sem separação);
escoamentos em alargamentos e estreitamentos de secção (com separação); ondas oblíquas
como as originadas por mudanças de direcção das paredes do canal. Tem especial importância o
estudo do ressalto hidráulico e a determinação das alturas conjugadas associadas.

REGIME GRADUALMENTE VARIADO (traçado de curvas de regolfo):

Em canais prismáticos com nível constante,

dy senθ − J
= , com y = y (s)
ds (1 − Fr ) cos θ (44)

O traçado da curva de regolfo, faz-se recorrendo a dois métodos aproximados:

1. Método da integração gráfica:

sen θ − J y Λ( y l+1 ) + Λ( y l )
Λ( y ) = ; ds = ∫ Λdy ⇔ s l+1 − s l = ∫yll+1 Λ( y ) = × ( y l+1 − y l )
(1 − Fr ) cos θ 2 (45)

2. Método das diferenças finitas:

∂ J +J E − E2 (46)
(E + Z ) = − J ⇒ (E 2 + Z 2 ) − (E1 + Z1 ) = − 1 2 × ∆s ⇔ ∆s = 1
∂s 2 J1 + J2
−i
2
2 (47)
U2 ⎛ Q ⎞
Com, Ei = y i + e J = ⎜⎜ 2 ⎟

2g ⎝ KSR 3 ⎠

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REGIME RAPIDAMENTE VARIADO (ressalto hidráulico):

O ressalto hidráulico é um escoamento rapidamente variado, correspondente à passagem brusca de


um regime rápido, a montante, para um regime lento, a jusante, ao qual está associada uma elevada
perda de energia. Designam-se por alturas conjugadas as profundidades y1 e y2 nas secções extremas
do ressalto.

Em canais de secção rectangular, existe a seguinte relação entre elas:

y2 1 (48)
= ( 1 + 8Fr1 − 1)
y1 2

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1/3
E10.1 Num canal rectangular com 6.0 m de largura, KS= 60 m /s e i= 0.0015 m/m, a água escoa-se
com uma altura de 1.5 m. Em toda a secção transversal do canal existe um descarregador vertical de
soleira delgada com 75 cm de altura e um coeficiente de vazão igual a 0,45.
Calcule a altura da água numa secção 300 m a montante do descarregador.

Solução:.y = 1,90 m

E10.2 Faça um esboço da superfície livre num canal rectangular (KS=100 m1/3 /s) com 3,0 m de largura,
quando se escoa um caudal 9,6 m3/s, para as seguintes situações.
a) mudança brusca de declive de 0.0016 para 0.015 m/m;
b) mudança brusca de declive de 0.0016 para 0.0006 m/m. Neste caso determine para que distância a
montante da mudança de declive ocorre o regime uniforme;
c) mudança brusca de declive de 0.015 para 0.0016 m/m.
Solução: b) d =494 m.

E10.3. Considere a geometria do Venturi presente no canal representado na figura (dimensões em


metros). Desprezando todas as perdas de carga, determine o caudal escoado.

Q 4.5 m 3.0 m

Planta

Q
2.0 m
1.4 m
Corte

Solução: Q = 16,3 m3s-1.

E10.4 Um descarregador de soleira normal com 4.0 m de largura, descarrega um caudal de 20 m3/s. O
ressalto hidráulico que se forma no canal, a jusante do descarregador, possui uma altura de montante
igual a 1.2 m. Determine:

a) a altura de jusante do ressalto;


b) a perda de energia no ressalto;
c) as velocidades de montante e de jusante.

Solução: a) y = 1,55 m ,b) ∆E = 0,006 m ,c) U1= 4,17 m/s; U2= 3,23 m/s

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EXERCÍCIOS DE REVISÃO (EXAMES)

ER.1 A rede de distribuição de água apresentada na Figura foi calculada pelo método de Hardy-Cross.
Os caudais e as perdas de carga apresentados na figura correspondem aos resultados obtidos numa
das iterações.

a) Determine os caudais unitários de percurso nas condutas 1-3 e 3-5, sabendo que o caudal
equivalente na conduta 3-5 é de 2,2 L/s.
b) Determine os erros de fecho das duas malhas associados aos resultados apresentados e calcule os
caudais para a iteração seguinte recorrendo às correcções de Cross.
c) Calcule o factor de resistência da conduta R1-1, para que a pressão no nó 2 seja de 25 m.c.a.
(Recorra ao ábaco de Moody).

?
126.30
1 [80.00]
? [91.00] 13 L/s 3
R1 ∆ H = 1.60 m
5
L = 1000 m 4 L/s L =2000 m
2 L/s 1-3 3-5 [82.00]
D = 175 mm
9 L/s ∆ H = 3.10 m
L = 500 m
∆ H = 1.55 m
∆ H = 1.30 m
3 L/s [90.00]

5 L/s ∆ H = 1.40 m 4
2
[95.00]
10 L/s

[80.00] - Cota Topográfica ( metros) Conduta com distribuição de percurso

Solução: a) q1-3=0,005 L/s/m q3-5=0,002 L/s/m;


b) Σ∆H1=0,40, Σ∆H2=0,05, q1-2=-2,10 L/s, q2-4=2,90 L/s, q1-4= 8,93 L/s
q1-3 =10,72 L/s, q3-4=3,97 L/s, q1-4=-8,93 L/s.
c) λ=0,016

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ER.2 Considere o sistema representado na Figura, sendo os reservatórios R1 e R2 de nível constante. O


reservatório R2 abastece uma rede de distribuição em que nas condutas com distribuição de percurso a
altura piezométrica não pode ser inferior a 15 m. A válvula V pode estar totalmente fechada ou aberta,
correspondendo-lhe neste caso um coeficiente de perda localizada igual a 1,5. O caudal unitário de
percurso é de 2 L/(s×Km) e νágua = 0,80 mm2/s.

a) Dimensionar as condutas cujo diâmetro não está indicado e calcular a cota mínima da superfície
livre da água no reservatório R2, supondo a válvula V aberta.
b) Determine a rugosidade equivalente da conduta "2-3", supondo a válvula V fechada.
c) Qual o acréscimo de energia fornecido pela bomba B ?
d) Determine o caudal escoado na conduta R1-R2.

NOTAS:
1) Na determinação das perdas de carga contínuas, considere obrigatoriamente λ = 0 ,02 ;
2) O erro de fecho máximo admissível não deve ser superior a 10% da perda de carga máxima nas
condutas da malha.
3) Despreze as perdas de carga localizadas nas alíneas c) e d).

Z=? [110.0 m] [100.0 m]


2 4
1000 m
D= 300 mm R2
L= 1500 m
500 m 500 m
j= 5m/Km D=80 mm
400 m
Z= 50 m 250 m 250 m 1500 m
5
1 D=80 mm D=80 mm 3
R1 V [100.0 m]
[115.0 m] [110.0 m]
B

Conduta com distribuição de percurso

Solução:
a) D1-2=100 mm (Depende dos caudais no nó 1. São possíveis outras soluções.), D2-4=60 mm,
D3-5=80 mm, DR2-1=125 mm, ZR2 = 131.39 m.
b) K=0,08 mm
c) ∆B=88,9 m
d) Q=85,75 L/s.

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ER.3 Considere o sistema de abastecimento de água esquematizado na figura. Os Reservatórios R1 e


R2 são de grandes dimensões., e a rede de distribuição ABCDE é alimentada a partir do nó N.
Utilize a fórmula de Colebrook-White para determinar o coeficiente de resistência λ e considere
k = 0,1 mm para todas as condutas, ν= 1.15 x 10-6 m2s-1 e q = 0.002 L/s/m.
Despreze todas as perdas de carga localizadas, excepto a perda de carga na válvula V (com um
coeficiente de perda de carga igual a KV= 46,4).

a) Sabendo que a energia no nó N é igual a 142.15 m, determine os caudais escoados nas condutas
R1-M,M-N e R2-N, e a cota da superfície livre no reservatório R2;

b) Dimensione e determine a distribuição de caudais na rede emalhada ABCDE, atendendo ao facto do


tubo BE se encontrar em movimento permanente variado;

c) Nas condições da alínea b), determine qual deverá ser a cota de implantação do nó C no terreno, de
maneira a que a pressão no nó C seja igual a 20 m.c.a..

150.0 m

R1 V (Kv=46.4) z=?

M R2
5 L/s

CONDUTA L(m) Φ (mm) N


R1-M 1500 200
M-N 400 175
N-R2 500 100 A B
NA 750 ?
AB 500 ?
BC 500 ? D
CD 500 ? C
E
DA 500 ? 5 L/s
BE 1000 ?
EC 600 ? 8 L/s

Solução: a) ZR2=139,7 m, QR1-M=25 L/s, QM-N=20 L/s e QN-R2=5 L/s

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ER.4 Considere a instalação esquematizada na figura. O reservatório de grandes dimensões R é


alimentado por bombagem a partir da secção transversal do rio representada. Os leitos menor e maior
do rio foram regularizados, apresentando um coeficiente de Bazin de 0.16 m1/2. A estação elevatória é
constituída por duas bombas iguais associadas em série, cada uma com a seguinte curva característica:
H= - 4500 Q2+25 [H (m); Q(m3/s)].
Utilize a fórmula de Colebrook-White para determinar o coeficiente de resistência λ. Considere
k=0.02 mm (para a conduta que liga o rio ao reservatório R) e ν= 1,15 x 10-6 m2s-1.

a) Determine a inclinação média do rio, sabendo que em situações de cheia (secção do rio representada
na figura) o rio transporta um caudal de 5,5 m3/s, com o mínimo de energia específica;

b) Considere que o escoamento no rio se estabelece unicamente no leito menor, e que a inclinação do
fundo é a determinada na alínea anterior. A estação elevatória bomba um caudal de 30 L/s do rio para o
reservatório R, desde que o número de Froude do escoamento no rio seja superior a 0,7. Neste caso
determine a altura mínima da água no interior do reservatório R.

104.0 m
R

BOMBAS
Rio com leito CONDUTA ELEVATÓRIA:
regularizado φ= 225 mm, L=2000 m

1:1 1:3

1.0 m 1.0 m
70.0 m
1:1

Soluções:
a) ic ≅ 2.18 ‰.
b) h = 4,39 m

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ANEXOS

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52
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NOTA: os materiais plásticos têm uma rugosidade muito baixa, com valores da ordem dos 0,001 mm.

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