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JACQ UES C. BOUCWARA

V Ê R A L. CARRARA

A N A CATARINA P. PCLLMQSTER

RONALDO SALVITTI

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Copyright © 1996 by Vários Autores

edição 1996
2^ edição revista 1999

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)

Cálculo Integral Avançado / Ana Catarina P. Hellmeister


et a l - 2. ed. rev. - São Paulo: Editora da Universidade de
São Paulo, 1999.

ISBN: 85-314-0370-7
1. Cálculo Integral 2. Matemática I. Hellmeister, Ana
Catarina P.
96-4844 CDD-515.43

índices para catálogo sistemático:


1. Cálculo Integral: Matemática 515.43

Direitos reservados à

Edusp - Editora da Universidade de São Paulo ‘


Av. Prof. Luciano Gualberto, Travessa J, 374
6° andar - Ed. da Antiga Reitoria - Cidade Universitária
05508-900 - São Paulo - SP - Brasil Fax (Oxxl 1) 818-4151
Tel. (Oxx 11) 818-4008 / 818-4150
www.usp.br/edusp - e-mail: edusp@edu.usp.br

Printed in Brazil 1999


Foi feito o depósito legal
Dedicado,
em memória,
ajacques C. Bouchara
Apresentação

Este livro é o resultado da experiência adquirida pelos autores como


professores do Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São
Paulo, da disciplina Cálculo Diferencial e Integral III. A motivação para
escrevê-lo decorreu da dificuldade de encontrar textos com o conteúdo
dessa disciplina, adequados à aplicação direta em sala de aula, que não des­
prezassem o rigor nas conceituações. Além disso, buscou-se apresentar
uma lista de exercícios que se destacassem pela diversidade e abrangência,
tradicionalmente não encontrados em outros livros.
O enfoque principal do livro é o Cálculo Integral de funções em cur­
vas e superfícies. Foram incluídos também conteúdos do Cálculo Diferen­
cial, como os Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa, e Máxi­
mos e Mínimos.
Agradecemos aos colegas Francisco Egger e Raymundo L. de Alencar,
que participaram da redação dos primeiros roteiros que deram origem a
esse livro, e Maria Stella Castilla por ter participado da elaboração da sua
versão preliminar, em apostila editada pelo Instituto de Matemática e Esta­
tística da USP.
Agradecemos também aos professores que integraram, nos últimos
anos, as equipes de Cálculo Diferencial e Integral III na Escola Politécnica
da USP, em especial a Jorge A. Beloqui, Cláudio Possani e José Diniz, que
apontaram erros e sugeriram exercícios e exemplos.
Sumário

CAPÍTULO I - APUCAÇÕES, TRANSFORMAÇÕESE CAMPOS VETORIAIS


0. Introdução................................................................................................................ 13
1. Aplicações de em ........................................................................................... 14
2. Transformações de/R"............................................................................................. 24
3. Campos Vetoriais - Gradiente, Divergente e Rotacional .................................... 36

CAPÍTULO II-TEOREMAS DA FUNÇÃO IMPLÍCITA E INVERSA-MÁXIMOS E MÍNIMOS


0. Introdução................................................................................................................ 57
1. Derivação Implícita................................................................................................. 57
2. O Teorema da Função Implícita........................................................................... 65
3. Teorema da Função Inversa.................................................................................... 71
4. Fórmula de Taylor em Várias Variáveis................................................................. 77
5. Máximos e M ínimos................................................................................................ 83
6. Máximos e Mínimos Condicionados..................................................................... 95

CAPÍTULO III - INTEGRAIS DUPLAS


0. Introdução................................................................................................................ 105
1. Somas de Riemann.................................................................................................. 106
2. Os Domínios de Integração.................................................................................... 116
3. Funções Integráveis...... .......................................................................................... 121
4. Integrais Iteradas - Teorema de Fubini................................................................. 128
5. Mudança de Variáveis na Integral D upla.............................................................. 137
6. Aplicações da Integral Dupla.................................................................................. 149
7. Derivação sob o Sinal de Integração ..................................................................... 155

CAPÍTULO IV - INTEGRAIS TRIPLAS


0. Introdução................................................................................................................ 157
1. Somas de Riemann.................................................................................................. 158
2. Domínios de Integração.......................................................................................... 161
3. Funções Integráveis................................................................................. 163
4. Integrais Iteradas - Teorema de Fubini................................................................ 165
5. Mudança de Variáveis na Integral Tripla.............................................................. 173
6. Aplicações da Integral Tripla.................................................................................. 178

CAPÍTULO V-INTEGRAIS MÚLTIPLAS IMPRÓPRIAS

0. Introdução................................................................................................................ 183
1. Funções Ilimitadas e Descontínuas em um Número Finito de Pontos.............. 183
2. Funções Ilimitadas com Linhas de Descontinuidade.......................................... 187
3. Funções Contínuas em Regiões Ilimitadas............................................................ 190
4. Inversão de Ordem na Integral............................................................................. 193
5. Cálculo de Integrais Impróprias de Funções de uma Variável........................... 194

CAPÍTULO VI - INTEGRAIS DE LINHA - TEOREMA DE GREEN

0. Introdução................................................................................................................ 197
1. Curvas no (ou no ......................................................................................... 198
2. Integrais de L inha................................................................................................... 215
3. O Teorema de Green.............................................................................................. 229
4. Campos Consewativos............................................................................................. 245

CAPÍTULO VII - INTEGRAIS DE SUPERFÍCIE


0. Introdução................................................................................................................ 263
1. Superfícies Parametrizadas ..................................................................................... 263
2. Curvas Coordenadas - Plano Tangente -Vetor Normal - Superfícies Parame­
trizadas Lisas............................................................................................................. 271
3. Superfícies Lisas - B ordo........................................................................................ 279
4. Área de Superfície................................................................................................... 289
5. A Integral de Superfície de um Campo Escalar................................................... 296
6. A Integral de Superfície de um Campo Vetorial.................................................. 303

CAPÍTULO VIII - OS TEOREMAS DE GA USS E STORES

0. Introdução................................................................................................................ 317
1. O Teorema da Divergência de Gauss.................................................................... 317
2. O Teorema de Stokes.............................................................................................. 335

RESPOSTAS.......................................................................................................................... 349

BIBUOGRAFIA.................................................................................................................... 367

ÍNDICE REMISSIVO............................................................................................................ 368


Capítulo I

A p l ic a ç õ e s , T r a n s f o r m a ç õ e s
E C a m p o s V e t o r ia is

0. Introdução

Neste texto admitimos conhecidas as funções reais de uma ou mais va­


riáveis, ou seja, aplicações de subconjuntos áç:IR,IR^,IR^ ou para^'", ms N* a
valores emR, especialmente no que se refere a conceitos de limite, continui­
dade e diferenciabilidade. Apresentamos no parágrafo 1 aplicações, f, que
têm domínios como os citados, mas assumindo valores emiR”, n e A*.

/; A R!\ A c R”'

Um caso particular dessas aplicações, estudado em cursos de Álgebra


Linear, é o das aplicações lineares

T :R ’’'^ R "
(x,,....xj ^ T{x^,....xJ =
com )). = onde a.j e R, para i=l,...n e

No parágrafo 2 destacamos as aplicações com m=n, que são chamadas


transformações do R". As transformações serão utilizadas em cálculos de in­
tegrais múltiplas que necessitam mudanças de variáveis.
Finalmente, no parágrafo 3, estudamos os campos escalares e vetoriais,
especialmente os campos gradiente, divergente e rotacional. Esses campos,
além de sua importância matemática, têm ampla aplicação na Física,
14 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

particularmente através dos teoremas de Green, Gauss e Stokes, que são


os resultados principais deste texto.

§ 1 - Aplicações de R ' ^ em íR"

Os exemplos a seguir mostram que há interesse em se considerar apli­


cações definidas em subconjuntos do R"‘ a valores em R".

Exemplo 1.1.1

Consideremos as equações paramétricas da reta que passa pelo ponto


(Xq, Zq) e R^ e tem direção dada pelo vetor v = (a,b,c):

x{t) = x^ + at
y{t) =yQ + bt
z{t) = z^ + ct, t e R

Essas equações definem uma aplicação

f:R ^ R ^
t- ^ f { t) = {xit),y(t),z{t)).

Exemplo 1.1.2

As equações paramétricas do plano que passa pelo ponto {x^, y^, z^) e
tem direção dada pelos vetores Wj= e v,= {a,^,b,„Cy) são:
Cálculo Integral Avançado • 15

x{a,P) - x^+ a^a+ a,,/3


y{oc,P) =

z{a,P) =z^+ c^a+ c^^p, a ,p ^ í

Essas equações definem a aplicação:

{a,p) {x{a,p),y{a,p),z{a,p)).

Exemplo 1.1.3

A Projeção Estereográfica.
Considere a superfície esférica S centrada na origem e de raio 1, e P o
ponto (0,0,1). A cada ponto Q e S, P, associamos Q’ no plano ob­
tido pela intersecção com o plano da reta que passa por PQ. Se Q =
(x,y,z), temos, por considerações geométricas, que as coordenadas de Q’=

(%’,))’) são dadas por x’ = — e y = ^


1-z 1-z
16 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Verifique esse resultado usando, por exemplo, semelhança de triân­


gulos.
Temos então definida a função f\{S-{P}) (zR^-^ R'^ por f{x, y, z) =

_/ X y
1-z ’ 1-z

Exemplo 1.1.4

(a) Dados h, k, e R, consideremos a translação dada pela função


/: R'^^R'^
(x,y)i-^{x+h,y+k).

A aplicação i n v e r s a R"^ é3. função/'* (u,v)={u-h,v-k).

(b) Dado 0& [0,2;r], uma função rotação de ângulo ô é definida por:
/ : R'^ R'^
COS (9 -sen (9 X
(x,y) i-> (íccos0-))sen(9, xsen^+)»cos0 =
sen^ cosG y
e a aplicação inversa/ ' é dada por:
f~^{u,v) = {ucosO-VsenQ, Msen0-wcos0) =
-1
cosO scnO u COS 6* -sen (9 u
-scnO cosO V sen(9 cos6 V

Seja/um a aplicação que assume valores em Definimos a seguir


suas funções componentes, que são funções a valores reais e caracterizam/

Definição 1.1.5

Seja/ uma aplicação definida em um subconjunto D<z R"^, a valores


em /R”:
/: D czR ’"-^ R ’^
{x,,...,xj f{x^,...,xj = {y^,...,yf).
Cálculo Integral Avançado • 17

As funções f.

f.:D c zR ”' ^ R
P={x^,...,xJ \-^f.{P)^y^, i = \ X - , n

são chamadas funções componentes de f.

Com essa notação temos f{P)={ffP),..., fJçP)). Usaremos indistinta­


mente os termos aplicação ou função para designar/.
Por exemplo, as componentes da função f-.R^-A-R?- dada por
f{x,y,z)={xy,scn{x-\-y+z))

s3.of:R^ R, i=\, 2, dadas por

f f x , y, z) = xye f f x , y, z) = sen(x + 3)+ z)

Temos então uma maneira natural de definir conceitos sobre a f,


usando suas componentes que são funções com as quais já sabemos traba­
lhar, pelo menos em relação a continuidade e diferenciabilidade. Para de­
finir esses conceitos para a /, precisamos também das definições a seguir.

Definição 1.1.6

Dd diz-se aberto se, dado P= (pj,...,/^) £ D, existe r>0 e uma bola


aberta centrada em P e de raio r,
B{P,r)={(le R"^, Q={q^,...,qJ: d{P,Q) = [{pg-q^Y+...+ {p^-qJ^Y^<r) tal
que 5(P,r)cZ).

Definição 1.1.7

Um ponto P é um ponto de acumulação de D se qualquer bola centrada


em Pcontém pelo menos um ponto Q, Qf^P, Q& D. Nesse caso, podemos
ter P G D ou P ^ D, mas há sempre pontos de D tão próximos de P quanto
queiramos.
18 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Exemplo 1.1.8

(a) O conjunto D= {{x,y,z):x^+y^+z^<l] é um subconjunto aberto doR^


e qualquer ponto (x,y,z) tal que x^+y^+z^ <1 é um ponto de acumulação de
D. O ponto (2,0,0) não é ponto de acumulação de D.

(b) O conjunto D={{x,y) e#?‘^:l<x^+y-<4) é aberto noR^.

(c) O conjunto D={(x,)i) e f í‘^;0<x<;re 0<3Ksenx)u{(x,3;) eR?-, 7t<x<2ne


senx< )i< 0} é aberto no

(d) Também o conjunto ( ]0,lá[u]*/2,l[) x ]0;1[ é aberto n o ^ ‘^.


Cálculo Integral Avançado • 19

1/2

Podemos agora definir limite, continuidade e diferenciabilidade.

Definição 1.1.9

Seja D d R"‘, P^um ponto de acumulação de D, f:D cz IR”‘- a IR‘\ e


fy D d R”‘ —>R, i=l,2,...,n, suas funções componentes. Se L = {Ly...,LJ e R'\
dizemos que^lim/(P) - Lse, e só se,^Hm f f P ) = L., i=l,2,...,n.

Exemplo 1.1.10

Sc f:R^^Rr é dada por f{x,y,z) = {x‘^yz,x-y+z), então lim^^l^P) = (1,1),

A função g: Rr Po dada por g{x,y) = ^x-+y- ’

e g(0,0)=(0,0,0) é tal que não existe o lim_^^(x,3)). Verifique.

Definição 1.1.11

Uma aplicação f:D d R ”'^R" é contínua em Pg e P se cada/^j t=l,2,...,w


é contínua em Pg. Dizemos que f é contínua em D se é contínua em todos os
pontos de D.
2 0 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Exemplo 1.1.12

As funções dos exemplos I.l.l, 2, 3 e 4 são contínuas. A função g"do


exemplo 1.1.10 é contínua em {x,y) se (x,3));íí:(0,0 ) e não é contínua em
(0,0). A função dada por

T T rV , I I\ se Ix+ y I ^ 0
I X+y \ )
x+y
f{x, y) =
0 se Ix+y I = 0

é descontínua em qualquer (x^,yf) tal que y^= -x„

Definição 1.1.13

Seja D um aberto de R ’’\ Dizemos que uma a p l i c a ç ã o é diferen-


ciávelemV^ e D se cada uma das funções f., i=l,2,...,n, é diferenciável em P^.
Dizemos q u e /é diferenciável em D se é diferenciãvel em todos os pontos de

D. Nesse caso existem (P) para todo P e D e i=l,...,nej=l,...,m.

Exemplo 1.1.14

As aplicações dos exemplos 1.1.1,2,3 e 4 são diferenciáveis. A aplicação


do exemplo 1.1.12 não é diferenciável nos pontos da forma (x,-x), x e R.

Definição 1.1.15

Seja D um aberto de P™. Dizemos que uma função / : D— é de


classe em D, keN* ou se, e só se, cada f , í=l,2,...,n é de classe 6'‘
ou 6"’ em D.
Cálculo Integral Avançado • 21

Definição 1.1.16

Um subconjunto, D, aberto se diz conexo se, dados dois pontos quais­


quer P c Q pertencentes a D, existe uma poligonal ligando P e Q inteira­
mente contida em D.
Isso significa que D é constituído de um único “pedaço”, isto é, não pode
ser reunião de dois abertos não-vazios e disjuntos. No caso n - \ um aberto
conexo é um intervalo aberto. Por outro lado, para n>\ não há um modelo
típico de aberto conexo, o que poderá ser observado nos exemplos a seguir.

Exemplo 1.1.17

Os conjuntos dos exemplos 1.1.8 a e b são abertos conexos, enquanto


os exemplos 1.1.8 c e d são abertos não-conexos. O interior de qualquer
polígono é um aberto conexo do

Observação 1.1.18

Seja D c aberto conexo, e/:Z)—>^”uma função diferenciável em D.

Se {P) = 0 para todo PeZ), então f é uma função constante, isto é,

existe {c^,c.^,...,cfi e R' tal qtxe f{P)={c^,c,^,...,cfi para todo P e D. Verifique


esse resultado através do resultado análogo para as componentes de f.
Observe também no exemplo a seguir que a hipótese de D ser aberto
conexo é essencial para a veracidade desse resultado.

Exemplo 1.1.19

Seja o conjunto D={ ]0, 1 [ )x]0, 1 [, efi.D ^ R^ dada por

(0,1), para x e ]0,


f{x,y) = (/i (x,y),fi (x,y)) =
(1,1), para x e ]14, 1[

Então = 0 em D. No entanto,/não é constante.


ax ay ax ay
E x e r c íc io s

1) Determine o conjunto D (zlRr ou Dez em que cada uma das funções


abaixo está definida e o conjunto D’cz D em que é contínua:

a) f{x,y) = \xln -y~, — ,


\ X xy
b) g{x,y) = (secx, tg)))

, se x^y
c) h(x,y,z) = ^ x-y.
{xz, yz, 0), se x=y

2) Determine o conjunto D(z R^ ou DezR^ em q u e /é diferenciável:

a) f{x,y,z) = {x,y, Vx^+p+z^)


h) f{x,y) = {x'^+y^, xy V x^^+y^)
c) f{x,y,z) - (x V l-j, sen)iz, x+z)

3) Dados a, b, c, d em R, e seja f.R^^R^ a aplicação linear definida por


J\x,y) = {ax+by,cx+dy). Determine uma condição sobre a,b,cc ápara que
/ seja inversível e calcule / ‘. Qual é a imagem por f de um retângulo de
lados paralelos aos eixos coordenados?

4) As funções abaixo são exemplos de curvas em R^ ou R^. Esboce suas ima­


gens.

a ) /:[0,2;r]^^-'
11-^ ,pXt)), com j\{t) = cosí, /,(í) = sení
b) g. I R ^ IR^, com g{t) = (ícosí, ís e n í), í > 0.
Cálculo Integral Avançado • 23

c) /ii[0,4/r] —^ com h{t) —(cosí, scní, e )


5) As funções abaixo são exemplos de superfícies em R^. Esboce suas ima­
gens.
a) f-JR^^R?, com/(M,ü) = {\-2u-v,\-u+v,\+u-\-v)
b) com D = [0,27t]x[0, + ^[, f{u,v) = (vcosu,vscnit,v)

c) f:D-^R^
{u,v) 1—>f ( u , v ) = i j f u , x i ) , j ^fu,v), j ^{u,v))
com D = {(m,i;)g IR^: u ^+v^ < 1}, f\{u,v) = u, f2Íu,v) - v, f^iu^v) =
24 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

2 — Transformações de R "

Neste parágrafo é aberto, e (x^, ) é um ponto de D.

Definição 1.2.1

Uma transformação de R” é uma aplicação f:D cz R" ^ R", n e N*.


Se as f: D <z RJ^-^R, i=l, 2,...,n, funções componentes da fi admitem de­
rivadas parciais, então o determinante jacobiano de / , calculado em =
(XpX2,...íc°), é por definição o determinante

...
aX\ 0X2 OXn

M l (x°) ... (x°)


âx\ dx2 dXn

denotado por (^x°) ou por Jfix’^).


(7\Xl, ..., Xfi)

Exemplo 1.2.2

As funções (a) e (b) do ex. 1.1.4 são exemplos de transformações


do R \
Em 1.1.4 (a) temos a translação f{x,y)={x+h,y+h), logo ffix,y)=x+h e
ffix,y)-y+k. O determinante jacobiano d e /, calculado em é

1 0
JfW%) - ^ iwo) - = l,\/{x^,yfiGR;\
0 1

Em 1.1.4 (b) temos uma rotação de ângulo 6, com f{x,y)={ffix,y),


ffix,y)),j\{x,y) - xcosO- ysonO, fi{x,y) = xsen6*+))cos0, e seu determinante
jacobiano calculado em (:>íq,3'o) é

cos6* -sen6*
sen6* cosd
Cálculo Integral Avançado * 25

Exemplo 1.2.3

f{x,y)-{x-ay,xAay), (0<a<l)

1 -a
4 / ^ (^o>3'o) = 1 = 2a,\/{x^,y^) elB}
d{x,y) a

Exemplo 1.2.4

Se f : D e z é dada por
f{u, v)=(x(u,v) ,y{u,v))-(u- uv, uv),
temos que seu determinantejacobiano calculado em {u,v) é

dx dx
du dv \ —v —u
Jf{u,v) = {u,v) (u,v) = = u.
à{u,v) d'^ V u
du dv

Se tomamos D-R^-{{0,v),veR}, temos/ inversível, e f'^:D.^czR^—^R^ é

dada por/■*(íc,)))=(M(x,3)),t'(x,)))) = (x+)i, —L ) , onde D^-{{x,y) e R3\ x+))?í:0}.


x+y
O determinante jacobiano d e / ' calculado em (x,y) é

1 1
(x,y) = ezl. X
d(x,y) (x+y)‘^ x+y (\ = - u) ■/
= —
2 6 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Exemplo 1.2.5

Coordenadas Polares no Plano.


Um ponto P={x,y) e líE, descrito em coordenadas cartesianas, também
pode ser dado em outro sistema de coordenadas. Um sistema muito utiliza­
do é o de coordenadas polares (r,0), onde ré o comprimento do vetor OP
e 0 é o ângulo, tomado no sentido anti-horário, entre OP e o eixo Ox. A
transformação

f:DczR^^R\D=[0,+oo[x[0,27r[
(r,( 9 ) (x,y)-{x{r,0),y{r,0)) = {rCOS0, rsen0)
fornece a relação entre as coordenadas cartesianas e polares.

'1 :2 :3 :'! '5 x


2k
3/'Ik

tz/2

A imagem da faixa r>0, O<0<27r pela aplicação / é o plano todo. A


aplicação será injetora se excluirmos o segmento r=0, 0<^<2;r, cuja
imagem é o ponto (0,0). O determinante Jacobiano de /, calculado em
(r,6*) G ]0, oo[x]0,2;r[ é

COS0 - r sen0
^d{r,0) (n S) = sen0 r cos0
Cálculo Integ7'al Avançado • 27

Observe que, além do determinante , a matriz


^ ^(r, 9)

cos9 - r sen0
sen6> r cos9

chamada matriz jacobiana, também é úül para mostrar como a transforma­


ção se comporta geometricamente, uma vez que:
A imagem p o r /d o segmento formado pelos pontos {a,6), a>0 e 9 e [0,2;r[
é a circunferência centrada na origem e de raio a.

Um vetor tangente ao segmento A5 é (0,1), e se efetuarmos o produto das


matrizes

cos^ -rsen6* ' o ‘ -rsen^ -y


sen^ rcosO 1 rcos9 X

obtemos o vetor {-y, x), que é tangente à circunferência x^ + y ’= no pon­


to {x,y).

Exemplo 1.2.6

Coordenadas Cilíndricas
Usando as coordenadas polares {r,6) no plano, podemos determi­
nar a posição de um ponto {x,y,z) do pelas suas coordenadas ci­
líndricas ir,6,z). A relação entre as coordenadas cartesianas (x-,)),z) e as
2 8 • Aplicaçõesy Transformações e Campos Vetoriais

cilíndricas (r,0,z) é dada pela transformação f :D c R?, onde


D-\(),+°o{'x{Q,^7t{'xRef{r,0,z)={xir,0,z),y{r,6,z),z{r,9,z))- {rcosO, rsend, z).

Essa transformação é injetora no subconjunto obtido de D, excluindo-


se os pontos com r=0, uma vez que/(O,0,z)=(O,O,z) para todo z e R e todo 0
em [0,2;r[.
A imagem de f é todo R^ e

COS0 - r sen0 0
JfirAz) = ^(x,y,z) sen(9 r senO 0 = r,
d{rAz)
0 0 1

portanto tevaos Jf{rA,^)^d, V(r,6'z) e ]0,+oo[x]0,2/r[xl?.

Exemplo 1.2.7

Coordenadas Esféricas
A posição de um ponto P={x,y,z) e R^ também fica determinada pelos
números p,çA, onde p é o comprimento do vetor OP, ç é o ângulo entre o
eixo Oz e OP, e 6é o ângulo, tomado no sentido anti-horário, entre o eixo
Oxe o vetor projeção de OP no plano Oxy.
Cálculo Integral Avançado • 2 9

A relação entre as coordenadas cartesianas {x,y,z) e as esféricas {p,<p,0)


é dada pela transformação
f:D czR ^ -^ R \ Z)=[0,+~[x[0,;r]x[0,2;r[
ip,ç,0) —> {x,y,z}={x{p,(p,0,),y{p,ç,6),z{p,cp,9))=
= (psen^cos6', /?sen^sen6>,/Ocos

A imagem d e /é todo o R \ c í é injetora no subconjunto que se obtém


de D, excluindo-se os pontos com p=0, ou <p=0, ou (p—K.
Seu jacobiano é

sen^cos6’ pcos<pcos9 - p stn(pscn9


Tf (0 0 9) - = sen^sen^ pcos(psen9 pscn(pcos9 =p‘^sen(p,
’ -d {p ,ç .0 )
coscp -yOsençj 0

portanto temos Jf{p,ç,9)^0 em ]0,o°[x]0,;r[x]0,2;r[.


3 0 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Exemplo 1.2.8

(Uso do Jacobiano para relacionar áreas através de Transformações)


Seja ç) uma transformação inversível

ç>:D-^ç{D), DczR^ e <p{D) çzR?


{u,v)-^(p{u,v)
ç>{u,v) = {x{u,v),y{u,v)), com Jç>{u,v)^0, \/{u,v)eD

Seja (My,t'y)um ponto de D, e R um retângulo com um vértice nesse


ponto, de lados paralelos aos eixos coordenados e de comprimentos Au e
Av. A aplicação ç transforma i2na região S=(p{R), como na figura abaixo

As curvas e dadas por

= ç{u,v^) = (x{u,v^),y{u,v^)), u e [u^,u^+Au]


y^(v) = (p{u^,v) = {x{u^,v),y{u^,v)), v e [v^,v^ +Av]

são as imagens por <pdos lados de R com vértice em (u^,v^). As curvas y.^, y,
e as imagens por cp dos outros lados do retângulo R delimitam S.

Os vetores T^ = ^-^(u^,v^),-^(u^,v^)^e f , = (^{u^,v^), ~^{u^,vj^

são tangentes a e y„ respectivamente, no ponto ç{u^,v^). Para Au e Av


Cálculo Integral Avançado • 31

pequenos a área de 5 pode ser aproximada pela área do paralelogramo P


de lado AuT^, AvP^ de vértice (p (Mq.Wq).

A área de P, é dada por


A(P) = IAmP ja Avf^\ = AuAv \ P, a P J.

dx dy
du du
Mas I Pj A P, I = I = \](p{u^,v^ I , então
dx dy
dv dv

A{P) = AuAv \J(p{u^,v^)\ = A{R)\J ç){Uq, v^)\,

Logo

A{S) -A {R ) \j(p{u^,v^)

Exemplo 1.2.9:

Uso dojacobiano para relacionar volumes através de transformações


Seja ç>uma transformação inversível

(p\ D ^ ç { D ), D d P? e q){D) a R^.


{u, V, w) —>Ç){u, V, w)
(p{u,v,w) = (x{u,v,w) ,y{u,v,w) ,z{u,v,w))
com Jç{u,v,w) 0, V (u,v,w) e D.
3 2 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

Seja {Uq,Vq,Wq) um ponto de D, e Pum paralelepípedo com um vértice


nesse ponto e faces paralelas aos planos coordenados, com arestas de com­
primento Au, Áv, Aw e volume AuAvAw.
Analogamente ao exemplo anterior, o volume de Ç){P) é aproximado
por

<P

Para uma verificação desse fato faça o exercício 10 deste parágrafo.


E x e r c íc io s

1) Considere a transformação f:R^-[{0,0,0)}^/R^ definida por f{x,y,z)


í X__________2__________ z \
\ x^+y^+z'^ ’ x^+y^+z^ ’ x^^+y^+z"^ /'
a) Calcule o determinante jacobiano d e/.
b) Mostre que a superfície de uma esfera centrada na origem é transfor­
mada por/ em uma outra superfície esférica centrada na origem.

2) Calcule o determinante jacobiano das seguintes transformações;


a) f{x,y)-{e^^cos y, ^*sen y)

b) f{x,y) = )
:v

u=e’‘cos y
3) Dada a transformação s , trace a imagem inversa das retas:
ü=ê*sen y
a) x=c\
b) y=d

\u = X"—
4) Dada a transformação \ , trace a imagem das retas:
[ü = 2,xy
a) u=c\
b) v=d

u = senx cosh y

1 V= cosx senh y
.
3 4 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

TC TC
a) Esboce a imagem das retas x-c, para ~ — <c< —.
7T
b) Esboce a imagem dos segmentos ((x,^)) | - - ^ < x < , y=d] para d&R.

c) Compare a imagem das faixas: {(x, y)-, iiK< x < JL, y = d} {{x,y);

6) Se f:D cz é definida por f{ç>,y/)={x{ç,\j/),y{<p,y/)), calcule

{(p,y/), sendo:
d{(p,¥)
a) x{(p,y/)-di COS, (pcos y/, y{cp,y/)=a sen ç)sen yr, a>0
b) x(^,^)=(sen ç) {\-c^sen^y/)''‘\ y{(p,y/)=cos (pcos y/, cg,

7) Determine D’cz [0,+'»o[x[0,2;r] para que a transformação em coordena­


das polares f{r,6) = {x{r,6), y{r,6)) seja inversível. Determine f'^{x,y) =

= {r{x,y), 0{x,y) em U . Calcule (x,y) e compare com o jacobiano


à{x,y)
d e /.

8) Para que valores de a temos f{x,y)={x- ay,x+ay), (x,y) € inversível? De­


termine /■* e calcule seu determinante jacobiano.

fn{t) jvÁt) /is(0


9) Seja/(í) fn{t) M t) hsit)
hi{t)

onde/.: R , 7c^intervalo aberto, são funções deriváveis. Mostre que

fn it) fn{t) M t) M t) f n :(t) M t)


T it)- ÍTl{t) M it) + M t) M 2 ■it) fM )
f\Á t) fiÁt) fiiit) /s i (0 ■it) fssit)

/i(0 M t) fisit)
+ h\{t) M t) M it)
/s i (0 M t) fssit)
Cálculo Integral Avançado • 3 5

10) Verifique o resultado do ex. 1.2.9 utilizando um raciocínio análo­


go ao ex. 1.2.8 e lembrando que o volume de um paralelepípedo
dado por três vetores linearmente independentes é dado pelo
módulo do seu produto misto.
3 6 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

§ 3 - Campos Vetoriais - Gradiente, Divergente e Rotacional

Inicialmente, consideremos os campos escalares.


Se D é um aberto do ouR^e a. cada ponto de D associamos um nú­
mero real, dizemos que está definido um campo escalar em D. Essa deno­
minação vem da Física, e campos escalares nada mais são do que funções
de D em R. Vejamos alguns exemplos.

Exemplo 1.3.1

A temperatura de cada ponto de um sólido D define um campo esca­


lar em D. Se fixarmos um sistema de coordenadas, {x,y,z), no espaço, esse
campo pode ser descrito por uma função

T:D c R ^ -^ R
ix,y,z) T(x,y,z).

Exemplo 1.3.2

A densidade superficial de cada ponto de uma placa plana, metálica


delgada. D, define um campo escalar õ na região D. Se fixarmos um sistema
de coordenadas {x,y), no plano, esse campo se expressa como uma função

Ô:D<z R:^^R
{x,y) S(x,y).

Exemplo 1.3.3

A altura de cada ponto de um prédio define também um campo escalar.

Definição 1.3.4

Seja D um aberto do R^ (ou R3). Um campo escalarem D é uma função,


f, com f:D-^R.
Um campo escalar é contínuo, de classe 6^, /ceN *, ou de classe 6°° se a.
fun ção/é contínua, de classe ou de classe ô°°, respectivamente.
Cálculo Integral Avançado • 3 7

Antes de definir campos vetoriais, vamos observar alguns exemplos.

Exemplo 1.3.5

Consideremos um fluido em movimento; por exemplo, um gás esco­


ando em um tubo. Suponhamos que a velocidade de escoamento em qual­
quer ponto independe do tempo, isto é, que a velocidade de uma partícula
do fluido só depende da posição em que ele se encontra.
Dizemos então que o movimento é estacionário. Assim, na figura abai­
xo, toda partícula que passa por A tem velocidade v^ e toda partícula que

Temos então um campo de vetores que é o campo de velocidades des­


se fluido em movimento. Cabe salientar que entendemos por partícula do
fluido um elemento infinitesimal de volume, muito pequeno comparado
com as dimensões do fluido como um todo. Certamente a partícula conte­
rá um grande número de moléculas do fluido, e dizer que ela passa por um
ponto A significa que seu centro de massa passa por A .

Exemplo 1.3.6

Consideremos um disco girando em torno de um eixo com veloci­


dade angular w constante, como num toca-discos. Um ponto A do disco
3 8 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

tem uma velocidade que só depende do ponto. Se fixarmos no plano


do disco coordenadas {x,y) com origem no centro do disco, teremos,
Y>2iX2i A-{x,y), v^= v{x,y) = w{-y^+}^). Isso define um campo de vetores so­
bre o disco.

Exemplo 1.3.7

Consideremos uma carga elétrica, Q^, colocada em um ponto O do es­


paço. Observa-se que a região em torno de Q adquire a propriedade: qual­
quer outra carga q, colocada em um outro ponto P, sofre a ação de uma
força F . Verifica-se experimentalmente que se em P for colocada uma

outra carga q,, ela fica submetida a uma força F e que vale — = —L= £
q q\
Assim essa razão constante obtida é um vetor E que só depende do
—^
ponto P (fixados a carga Qe o ponto O). Para cada ponto P, esse vetor E é
cbamado vetor campo elétrico e sabe-se que

4;r£b P f
onde £,. é uma constante, r = OP, e ré a distância de Oa.P.

Definição 1.3.8

Seja D um aberto do lE (ou P?). Um campo vetorial, v , definido em D é


uma função que a cada ponto Pde D associa um par {P,v (P)), onde v (P) é
Cálculo Integral Avançado • 3 9

um vetor do !B? (ou !B?). Em relaçáo ao referencial do


{ovl{0 , ^ X ) àoB?) o campo v tem por expressão
V(x,y) = P{x,y)t + Q{x,y) J
(ou v{x,y,z) = P{x,y,z)t + QJyc,y,z)J + R{x,y,z)t).
Assim V fica determinado ao serem dadas as funções P e Q (ou P,Q_c
R) definidas em D, a valores reais. Essas funções são as funções componentes
do campo v.
Dizemos que o campo vetorial v é contínuo, de classe ê^, k g N*, ou
se as funções componentes P e Q (ou P,Qe R) são contínuas, de classe ô'^
ou ê°°, respectivamente. A partir de um campo dado, podem-se obter novos
campos que fornecem informações sobre o campo original. Os exemplos
mais importantes são o gradiente, o divergente e o rotacional.
O prõximo exemplo justifica a definição de gradiente de um campo
escalar, que daremos em seguida.

Exemplo 1.3.9

Seja T=T{x,y,z) o campo de temperaturas num sõlido D. Dado


um ponto, P, de D, como varia T na direção dada por um vetor y ? Su­
pondo que T é um campo diferenciável, a função T admite derivadas par­

ciais, ^ ^ sabemos que se v = a t +bf +c%, a derivada di-


ox oy oz
recional de T, relativa a v , no ponto P, é
4 0 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

dT ~ dT a-\ dT 0u.H—dT
^ c,.
dv dx dy dz

sendo as derivadas calculadas no ponto P.

Podemos expressar essa derivada pelo produto escalar

I l J â L I L .álV (a J c) = í-ál ^
dv \ d x ’ dy ’ dz I ’ ’ \ dx ’ dy ’ dz /

o que motiva a definição seguinte.

Definição 1.3.10

Dado um campo escalar T, definido e com derivadas parciais em um


subconjunto aberto D, do (ou R^), o campo vetorial que a cada ponto

P={x,y) (ou (x,y,z)) de D associa o vetor ( (P), (P)]


\ dx dy 1
^ou^-^^ (P), -^^(P), -^^(P)Jjé o campo gradiente do campo escalar T.

Notação

dT d T \ _ d T t ^ dT dT t
^ ^ \ d x ’ dy ’ d z l

Observemos que, denotando

grad T indica o operador grad aplicado a P, isto é,

I +—^ j T
dx dy dz

Outra notação usada é

V - ^ t + —^ / + - f - t e então grad T - VT.


dx dy dz
{V lê-se “nabla” ou “dei”.)
Cálculo Integral Avançado • 41

Obviamente temos notação análoga no caso !B?.


O exemplo seguinte mostra a definição de divergente de um campo
vetorial.

Exemplo 1.3.11

Consideremos o escoamento estacionário de um fluido, com campo de


velocidade v, definido e de classe d’*em um aberto D do R^. Seja v (x,y,z)=
P{x,y,z)7 + Q_{x,y,z)f+ R{x,y,z) t a velocidade do fluido no ponto (x,y,z).
Seja A e D , e tomemos um pequeno paralelepípedo Pcom um vértice
em A , e arestas Ax, Ay e Az paralelas aos eixos coordenados. Fixado um ins­
tante inicial, vamos estudar a variação do volume do fluido que ocupa esse

paralelepípedo, por unidade de tempo e por unidade de volume.

Seja então um ponto do fluido que está na posição {x^,yi^,z^) no instan­


te 0. Ele percorrerá uma trajetória {x{t),y{t),z{t)) com (x(0), ^/(O), z(0)) =
(^o’3'o>2o) e

ix’it),y{t),z\t)) = 7{xit),y{t),z{t)).

Para cada t podemos considerar a transformação

pf. (x,y,z) 1-^ (p^ {x,y,z)

onde (p^{x,y,z) é a posição, no instante t, do ponto do fluido que tem posi­


ção {x,y,z) no instante í=0. Então, com a notação anterior, para cada
K ’)'o’^o) temos

A aplicação (p^transforma o paralelepípedo P de volume V^=AxAyAz


numa região (p^{P) de volume V{t), dado aproximadamente (veja 1.2.9) por

V{t)=\j(p^{A)\AxAyAz.

Mostraremos que, derivando a expressão do segundo membro, te­


remos
42 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

(A) + ^ (A) + ^ (A))

e concluiremos que

Observe que o resultado obtido nessa expressão só depende das deri­


vadas das componentes do campo v no ponto A .
Definiremos o divergente do campo v no ponto A por

-^ (A ) + -^ (A ) + -^ (A ).
ox oy oz

Para efetuar o cálculo acima fazemos variar t na expressão de (p^, ob­


tendo a aplicação

(p- {x,y,z) \-^ (p{x,y,z,t) = (p^{x,y,z),

que tem as seguintes propriedades:

( 1)
^{x,y,z,Q) = {x,y,z) e

d0 (x,y,z,t) =v(,<p{x,y,z,t)),pois
dt

= (»:(0),3)(0),z(0)) = {x^^,yo,z^)

^(x^,y^,z^,t) = i x \ t ) , y \ t ) , z ’{t)) =

= V {x{t),y{t),z{t)) = V {^{x^,y^,z^,t)).

Considerando as funções componentes de 0,

(p{x,y,z,t) = {(p^{x,y,z,t) ,ç,^{x,y,z,t) ,Ç}^{x,y,z,t))

observamos, de (1), que

ç^{x,y,z,0) = x; ç,^{x,y,z,0) ^ y; ç^(x,y,z,0) = z.


Cálculo Integral Avançado • 43

Então, no ponto (x,y,z,0) temos:

ia ia - 0 ia = 0,
dy dz

i a =0 dqh _ 1 ia 0,
dx dy dz

i<^ =0 - 0 ia 1.
dx dz

Além disso, de (2), temos que

ia
^ (x,y,z,0) = P{<p {x,y,z,0)) = P (x,y,z);

ia (x,y,z,0) = {x,y,z,0)) = Q (x,y,z);

(x,y,z,0) = R{(j) {x,y,zfi)) = R {x,y,z).


dt

Já que J<Pq{A) = 1, então/0JA)>O para cada t pequeno, e

ia
{A) ^ {A ) ^ ( A )
dx ay
M A ) = d(Pi{A) ^ {A ) ^ (A )
dx ay az
ia ^ {A )
{A) ^ {A )
dx ay

Pelo resultado do exercício 9 de 1.2, temos

d d(P\ d(P\ d(P\ d(P\ d d(P\ d(P\ dd>\ dd>\ d d(P\


dt dx dy dz dx dt dy dz dx dy dt dz
d ddh ddh dçh -f d(íh d ddh. ddh. ddh ddh d ddh
dt dt dx dy dz dx dt dy dz dx dy dt dz
d d(fh ddh d(!h ddh d ddh ddh ddh ddh d ddh
dt dx dy dz dx dt dy dz dx dy dt dz
44 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

logo para t= 0 temos,

0 0 1 0 1 0
dx dy dz
M 1 0 0 dO 0 0 1 dO
(A )
at dx dy dz
dR 0 1 0 M. 1 0 0 ^
dx dy dz

= dP (A) + ^ (A) + (A)


dx ay

Isto é, para t pequeno,

J(p,{A) = \ + t i J P { A ) + - ^ { A ) + - ^ { A ) \ .
\ ox dy dz /
Logo, chamando AV = V(t)-Vo e At = t-0 temos,
AV _ V(t)-Vc ^ (A) + -i a , (A) + ^ (A), ou
At Vot dx dy

AV =. \ (A)+ (A)+ dR
At - dx dy dz

Definição 1.3.12

Dado um campo vetorial v =P^+Qj (ou v = P t + Q j+ P ^ ) definido em


um aberto D do (ou^^), talquePe Q^{ovLP,(fcR) possuam derivadas par­
ciais em D, o campo escalar dado pela função
^ ^ dx dy
^ou chama divergente Ao campo vetorial v .

Notação
div w= V . d ^ d -» , d Tf \
dx

+ ^ ^ ) . {Pt + Q j + R t ) = ^ + ^ + ^ ,
- { dx dy^ dz } dx dy dz

com notação análoga no caso Rd.


Cálculo Integral Avançado • 45

Observação 1.3.13

A interpretação do divergente dada no exemplo anterior não é a


única. Em cada área da Física, o conceito de divergente é interpretado
de forma apropriada: divergente de um campo elétrico, magnético, gravi-
tacional etc.
Definiremos a seguir o rotacional de um campo vetorial. Veremos in­
terpretações do rotacional nos exemplos que seguem ã definição.

Definição 1.3.14

Se V {x,y,z)= P{x,y,z)t + Q^(x,y,z)j^ + R(x,y,z)t é um campo vetorial defi­


nido em um aberto D do tal que P,Qe i?possuem derivadas parciais em
D, o campo vetorial

se chama rotacional áo campo v .

Notação

rõt V - V A V pode ser expresso simbolicamente pelo “determinante”


->
1 J t
_d_
dx dy dz
P a R
Observação

Se v{x,y) = P{x,y)^+Qfx,y)J então rot v significa rot ( P t + Q j + o t ) -

' ®

Exemplo 1.3.15

Consideremos um corpo sólido D que gira em torno de um eixo


passando por um ponto 0, com velocidade angular, w, constante. Escolhe­
4 6 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

mos um sistema de coordenadas (0,x,y,z) tal que Oz seja o eixo de rota­


ção. Como w é constante, temos w=wt, com weR. Sabemos que a
velocidade v de cada ponto P= {x,y,z) de D é dada por v = wa r , onde
r {x,y,z)=x^+yj+zk.

Então, V {x,y,z)=wk a {xt + yy + zk) - w{xf -y'i).


Nesse caso

t 7 k
rot w= = 2wk = 2w,
dx dy dz
-wy wx O

portanto rot v é o dobro da velocidade angular, sendo aqui uma medida


da rotação do sólido.

Exemplo 1.3.16

Consideremos os campos bidimensionais:

üj {x,y) = -y7 + xj ;

/ \ —y . X
Cálculo Integral Avançado • 4 7

Temos que v^r = = v^-r = 0, onde r (x,y) = xi + yj , o que mostra


que os vetores v^{x,y),v,^{x,y) e v^{x,y) são tangentes, no ponto (x,y), â cir­
cunferência centrada na origem que passa por {x,y). Além disso,

V1 (x,;))) I = VÃ-y = I r I = r;

J _

r
I Vs (x,y) I = 1.

Representamos geometricamente v^, nas figuras 1, 2 e 3 respec-


tívamente.

figl fiS- 2 fig- ^

Um cálculo simples mostra que rot v^{x,y) = 2k; rot v,^{x,y) = 0;

rot v^{x,y)=

Os campos descritos acima podem representar idealmente campos de


velocidades de escoamento de fluidos. Há situações reais de escoamentos
fluidos cujos campos de velocidades são descritos aproximadamente por
uma combinação desses campos.
Para visualizar o significado do rotacional, imaginemos que um peque­
no disco de cortiça seja colocado sobre o fluido. No caso do campo de velo­
cidades ser representado aproximadamente por v^, onde rot v^(x,y)=2%,
observaremos um movimento desse disco aproximadamente como na fig. 4.
respectivamente. As figs. 5 e 6 referem-se aos campos y, e v^.
4 8 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

fig. 4

fig- -5
Cálculo Integral Avançado • 4 9

As figuras anteriores mostram que há um movimento circular, do


disco de cortiça, em torno de um eixo perpendicular ao plano Oxy em
O. Esse movimento ocorre nos três exemplos. A diferença entre u„, com
rot üg = 0 e v^e Vy com rot e rot v^^O, é que no caso de w^J^ão há
giro do disco de cortiça em torno de um eixo perpendicular ao disco pelo
seu próprio centro, enquanto esse giro ocorre no caso de e v^. Além dis­
so, as figuras também ilustram a variação de Iv J, I e Iw^1.
Na fig. 4, onde I wJ = r, a velocidade escalar é maior para partículas
mais distantes da origem.
Na fig. 5, onde \ v j = l / r , 2. velocidade escalar é maior para partículas
mais próximas da origem.
Na fig. 6, onde I Vjl = 1, a velocidade escalar é constante em qualquer
posição.

Exemplo 1.3.17

Seja o campo v {x,y)=yi. Nesse caso, v tem direção e sentido constan­


tes, dados pelo vetor t . Além disso, Iu I= 1311. Sua representação geométrica
é dada na fig. 1.
5 0 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

fig. 1

Seu rotacional é rot v {x,y) = - k . S e v representasse o campo de veloci­


dades do escoamento de um fluido, um pequeno disco de cortiça colocado
sobre esse fluido teria o mo\'imento indicado na fig. 2.

Exemplo 1.3.18

Seja o campo escalar u{x,y) - %V2 + xy + y^/2 no í

Vamos:

(a) Calcular v {x,y) = grad u.


(b) Esboçar um desenho para representar v (x,y).
(c) Calcular div v e rot v.
Cálculo Integral Avançado • 51

Solução

(a) grad u= {x+y)t + {x+y)J = v {x,y)


(b) Como as componentes do campo são iguais, o campo tem sempre a
direção da bissetriz do primeiro quadrante. O campo será constante
sobre as retas x+y = k, onde v = k t + k f e I ü I cresce à medida que
se afasta da reta x+y=0, que é a bissetriz do segundo quadrante, onde a
velocidade é nula.

(c) div V =2, rot v = 0


Se considerarmos um escoamento fluido com campo de velocidades
V {x,y,z) = V {x,y), observaremos que há uma expansão, ao longo do tempo,
do volume ocupado por um conjunto de partículas num determinado ins­
tante. Isso está de acordo com o fato de div v (x,y,z) = 2 0 e com a inter­
pretação dada em 1.3.11.
Também é possível observar que se um disco de cortiça for colocado
na superfície do fluido, no plano z=0, ele se deslocará em movimento
retilíneo, sem giro, o que é coerente com o fato rot v (x,y,z) = 0.
E x e r c íc io s

1) Esboçar os seguintes campos vetoriais:

a) V {x,y) = XI + yj*
b) V {x,y) = - y t + xj
c) V (x,y) - {x'^-y'^)7 + 2xyj*
d) V (x,y) - {x+y)^ + {x-y)']
e) V (x,y) = y f
f) V {x,y) - XJ

2) Sejam / e g campos escalares de classe ê^. Prove as propriedades se­


guintes:

a) gradíZ+g) = grad/+ gfad g


b) grad(/t/) = k gradf, k e R
c) grad(/g) =/grad g+ g g r a d /

3) Calcular grad / sendo f dada por

a) f{x,y,z) = x^+y^+z^
b) f{x,y,z) = Ax + By+ Cz + D
c) f{x,y) = xy
d) f(x,y) ^ arctg

e) f{x,y,z) = ln{x^+y^+z^)

4) Tendo em vista que a soma de campos de vetores é definida por


(^i+ü^) {x,y,z) = v^{x,y,z)+v,^{x,y,z) e que a multiplicação por uma fun-
Cálculo Integral Avançado • 5 3

ção escalar/é definida por {fv ) (x,3),z)=/(x,3),z)t; (x,31,z), demonstre as


seguintes propriedades supondo que v^,v,^efsã.o de classe

a) div(v j+Wg) = div + div Wg


b) div (kv) - X div V , À e R
c) div(/v) = /d iv V + (grad f)-v

5) Se V (x,y,z) = xt + y j +zk, calcule div v .

6 ) a) Seja <p=<p{x,y,7) uma função de classe 6^. Mostre que á\v{grad(t>)-

_ d^d) , d^(í) .
dx^ df- dl?
Observação: uma notação muito usada para essa expressão é
gi
V- ( V(f>) = V^<p - Aíp] o operador A - ^ chamado ope­

rador de Laplace. Quando A(p=Q diz-se que a função (f>é harmônica.

b) Mostre que a função (p{x,y,z) = ^ è uma função harmônica.

7) Quando o divergente de um campo vetorial é nulo, dizemos que o


campo é solenoidal. Prove que o campo r / r ^ é solenoidal fora da ori­
gem, sendo r (x,y,z)-xt+yj*+zk e r =| r |.

8 ) Demonstre as seguintes propriedades, sendo v,v^,v.^ c /d e classe

a) rot(yj+üg) = rot v^ + rot Wg


b) rot(Àt;) = X rot v
c) rotif.v) = /r o t v + (grad/)Aü

9) a) Seja 0 = 0(x,}i,z) de classe Mostre que rot{grad<l>) = Õ. Quando um


campo tem rotacional nulo é chamado irrotacional. Então todo campo
gradiente é irrotacional.

b) Seja v= v {x,y,z) um campo de classe Mostre que div(rot v)=0.


5 4 • Aplicações, Transformações e Campos Vetoriais

10) a) Sejam u e ü campos de classe ê^, irrotacionais. Mostre que


div (u A ü)=0.

b) Seja ç uma função de classe 6^. Prove que rot(grad ^)=0.

11) Seja u = u{x,y,z) um campo vetorial de classe e com direção constan­


te. Prove que rot u é perpendicular a u em todo ponto.

12) Um fluido escoa com movimento estacionário (isto é, a velocidade é


apenas função do ponto em que se encontra a partícula) e com veloci­
dade V = yt.

a) Mostre que os pontos fluidos se deslocam em linha reta.


b) Determine a forma e o volume ocupado no instante í=l pelos pon­
tos que no instante t=0 ocupam o cubo limitado pelos planos coor­
denados e pelos planos x-1, y - \ e z=l.
c) Calcule div v e rot v e interprete os resultados.

13) Um fluido escoa com movimento estacionário com velocidade v = xt.


a) Mostre que os pontos ou não se deslocam ou se deslocam em linha reta.
b) Determine a forma e o volume ocupado no instante t=l pelos pon­
tos que no instante t=0 ocupam o cubo limitado pelos planos coor­
denados e pelos planos x-1, y-1 e z=l.
c) Calcule div v e rot v e interprete os resultados.

14) Seja n o campo de vetores unitários normais à esfera x^-\-'f+z^=9, e

u{x,y,z)-{x^-z^) ( i - f +3^). Calcule -^^(div u) em (2,2,1).

15) Supondo que u ,v ,fe gsã.o de classe d’^, prove as igualdades:

a) div(MAü)= V-rot u - u-rot v


b) rot rot u = grad div u - V- u, onde m Fi +
para u=P7+Qj +R^, e a notação V- está dada no exercício 6.
c) div[(ggrad/)A (/gradg)] = 0
Cálculo Integral Avançado • 55

16) Seja ü^grad g, onde g{x,y,z)=f{r), r={oê+'f+^)'^\ sendo / d e classe ô'^.


Calcule div v .

17) Sejam w ew° campos vetoriais de classe d’* tais que;

w {x,y)=u{x,y)7+ v{x,y)J e
{x,y)-v{x,y)^ - u{x,y)J.
Verifique que divw^O se, e somente se, rotw°=0.
Capítulo II

T eorem as da F u n ç ã o I m p l íc it a e da Fu n ç ã o
I n v e r s a - M á x im o s e M ín im o s

§ 0. Introdução

Neste capítulo apresentamos, inicialmente, a derivação implícita de


forma operacional, através de vários exemplos e exercícios propostos, cha­
mando a atenção para as condições que possibilitam o procedimento.
Apresentamos, a seguir, o Teorema da Função Implícita, que optamos por
enunciar, sem demonstração, em um caso particular, propondo nos exer­
cícios enunciados em outros casos. O Teorema da Função Inversa é apre­
sentado como conseqüência do Teorema da Função Implícita e as mudan­
ças usuais de coordenadas no são mencionadas nos exemplos e nos
exercícios.
Fazemos, então, um estudo dos máximos e mínimos de funções de
duas variáveis, precedido pelo teorema que dá a fórmula de Taylor para es­
sas funções, uma vez que essa fórmula é usada na classificação dos pontos
críticos de uma função.
O capítulo é encerrado com o estudo de máximos e mínimos condi­
cionados, através dos mutiplicadores de Lagrange, que é uma bonita apli­
cação do Teorema da Função Implícita.

§ 1. Derivação Implícita

Inicialmente, vamos tentar através de um exemplo simples entender a


idéia de uma função definida implicitamente.
5 8 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Examinemos a equação = 1.
O lugar geométrico dos pontos que a satisfazem é o círculo de raio
um, centrado na origem.
Para que valores de (xo,}io) essa relação define y como função de x,
y=y{x) em uma vizinhança de (:xb,3»o)? Para responder a essa pergunta pode­
mos, neste caso, resolver a equação, obtendo:

(1) y\ = , -1 < x< 1 ou

(2) ))2 = - Vl-X" , -1 < X< 1

onde (1) descreve os pontos {x,y) do círculo com )) > 0, e (2) descreve
aqueles com )) < 0. As relações (1) e (2) definem uma função y=y{x) em
uma vizinhança de qualquer ponto (xb,3>o), com yo^Q, o que significa
(xo,3'o)^(l>0) c (xo,3>o)^(~l)0) •
Observemos que nas vizinhanças de (1,0) e (-1,0) é impossível se ob­
ter y como função de x. Em torno desses pontos, podemos, neste caso, es­
crever Xcomo função de y, a saber:

(3) xi = V l - / , -1 < }) < 1 ou


(4) X2 = - V Í ^ , - 1 < 3 i <1

onde (3) descreve os pontos {x,y) do círculo com x > 0, e (4) aqueles
com X< 0.
O teorema da função implícita, que enunciaremos mais à frente, nos
permitirá estabelecer condições para que existay=y{x) (ou x=x(3/)), definida
Cálculo Integral Avançado • 5 9

a partir de uma relação F{x,y)=0. Quando isso ocorre, dizemos que F(x,y)=0
define implicitamentey como função de x (ou x como função de y).
Considerando ainda o exemplo inicial, onde F{x,y)=}ê+'f-\, e se admi­
timos que uma função y=y{x) satisfaz a relação dada, isto é, que

X - + 3)^ ( x ) = 1,

obtemos, derivando em relação a xr.

2x+2y =0.

Logo, para y^O, temos


dy ^
dx y

Chegaríamos ao mesmo resultado derivando diretamente as funções


dadas em (1) e (2).
Se supomos que uma equação genérica F{x,y)=0 define y=y{x), para x
pertencente a algum intervalo aberto, podemos, sob certas condições para

F e para y=y{x), calcular em função de x e de )i(x).

De fato, usando a regra da cadeia para derivar F{x,y{x)), em relação a


X, obtemos da equação F{x,y{x))-Q o seguinte:
60 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

(x,3<(x)) + (x,3/(x)) {x)= 0 .


ox ay dx

Logo, com a condição suplementar

-^(x,yix)) ^ 0

podemos escrever

—^ ( x , y ( x ) )
= ^ ----------------- •

Esse procedimento para o cálculo de é chamado derivação implí-


dx
cita e é particularmente útil nos casos em que não se conhece a expressão
de y=y{x). No exemplo dado, como conhecemos a expressão de y{x) (dadas
em ( 1 ) e (2 )), podemos comparar os resultados ohtidos por derivação im­
plícita e por derivação direta (no intervalo aberto ] - l ,l [).
Se tomamos, por exemplo, a equação

xy + cosx)i = 0

e admitímos que uma função derivável y=y{x) a satisfaz, então podemos

derivá-la implicitamente para obter ou seja,


dx

+ X - (3)+ X -^ 1 senxv = 0 .
dx \ dx/

Logo, para x tal que x-senx)) ^ 0, temos

dy _ y senxy -y
dx X - X sen xy

Podemos também considerar uma equação com três incógnitas

F{x,y,z) = 0 .
Cálculo Integral Avançado • 61

Se soubermos que é possível “resolvê-la” para obter z como função de


xc y, z-z{x,y), teremos

i^(x,3),z(x,3>))=0 .

Então, sob condições para as funções envolvidas que permitem usar a


regra da cadeia, obtemos, derivando implicitamente em relação a x e a

dF ^ dF dz
dx dz dx
dF ^ dF dz
dy dz dy
dF
Logo, nos pontos em que ^ 0, obtemos as derivadas parciais de
dz
z=z{x,y)

3F dF
dz ^ dx dz ^ dy
dx ’ dy
dz dz

onde e - ^ são calculadas em (x,\i), e e são calculadas em


dz dy dx dy dz
{x,y,z{x,y)).
Vejamos um outro exemplo, dado pela equação

xyz + V x'^+ +d =0 .

Se uma função diferenciável z = z(x,y) é solução dessa equação, então deri­


vando implicitamente em relação a x obtemos

^ j. , dz
yz^xy^^ ^
dx ^ x^ + y^ + d

e derivando em relação a y obtemos:

y+z -^
xz+y ^dy + y X- + y^ + z~ 0 .
62 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Logo, se xy + I----^ 0 obtemos as derivadas parciais de z=z{x,y)

dz _ _ I T + "f- + 7? + X _ dx
dx xy ^^íc^+ f + d + z dF
dz

dF
dz _ _ xz ^ x^ + + -d + y dy
onde
dy xy
dz

e são calculadas em {x,y) , e são calculadas em


dz dy dx dy dz
(x,y,z(x,)i)).
Exercícios

1) Calcule / ( l ) , se y{x) é definida implicitamente por x cosí9=0, numa vizi­


nhança conveniente de (l,;r/2).

2) Resolva a equação F{x,y,z)-0, para F{x,y,z)=x^+y^+z^-l, x^+y^ < 1, “tiran­


do” z como função de x e )>. Em torno de que pontos isso é possível? O
que se pode fazer nos outros pontos?

3) a) É possível determinar y como função de x, para x próximo de zero,


na equação xr-yr=0?
b) E possível determinar z como função de xe y, para x e y próximos de
zero, em (;;c^+))^)-z-=0?

4) Sob que condição se pode determinar z=z{x,y) na equação a.x+by+cz-0}


dz dz
Sob tal condição, calcule e . Compare o resultado obtido com

as fórmulas obtidas nesta seção.

5) Se a equação F{x,y,z,w)-0, com Fde classe em um aberto de R^, define


w implicitamente como função de x,y e z, dê as expressões das deriva­

das e em função das derivadas parciais de F. Aplique o re-


^x dy dz
sultado obtido Y>‘àXdi F{x,y,z,w)-e''’-z^+cosxy.

6) Seja /'um a função de duas variáveis com derivadas parciais contínuas.


Mostre que a função z definida pela equação /'(x-az,}»-bz)=0 satisfaz à

equação diferencial a - ^ + b - ^ = 1
^ dz dy
64 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

7) Determine y e z em função de x no sistema;

4íc^ + 2 / - z = 0
2 x - y = 0.

Interprete geometricamente. Calcule e


dx dx

8) Dado o sistema linear de duas equações a três incógnitas

ax+ by+ cz = 0
dx+ ey+fz = 0

qual é a condição para que y e z sejam determinados em função de x?

Dê as expressões de y(x), z{x), e -^ .


dx dx

9) Escreva um sistema linear de três equações a cinco incógnitas e determi­


ne três delas em função das outras duas, dando as condições necessárias
para isso.
Cálculo Integral Avançado • 65

§ ^. o Teorema da Função Implícita

A formalização correta dos procedimentos do parágrafo anterior é


dada pelo teorema da função implícita.
Optaremos, para maior clareza, por enunciar esse teorema no caso
particular de duas equações a três incógnitas

F{x,y,z) = 0
G{x,y,z) = 0

embora seja possível fazê-lo para um sistema de n equações a {m+n) incóg­


nitas

[fS^v ■■■’ yv •••’ yJ = 0

No caso de duas equações a três incógnitas, as perguntas são: sob


que condições essas duas equações definem implicitamente y e z como
funções de x? Como calcular as derivadas de y-y{x) e z-z{x)7 Como fi­
zemos no parágrafo anterior, observamos que se existem y=y{x) e
z=z{x) com

Íi^(x,;)(íc),z(x)) = 0
I G(x,3i(x), z(x)) = 0

e se for possível usar a regra da cadeia teremos:

^F ^ âFdy ^ âF dz _ q
^y dx dz dx
dG dG dy dG dz _ q
dx dy dx dz dx

o que nos fornece


6 6 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

dF dF
dx dz
_ ^(F,G)
dz dx dz <P{x,z)
dx dF d{F,G)
dy dz d{y,z)
dG
dy dz

dF dF
dy dx
_ d{FG)
dz dy dx d{y,x)
dx dF dF diFG)
dy dz ^(y,z)

dy dz

onde é calculada em xc - ^ s ã o calculadas em (x,y(x),z{x)).


dx ox oz
As condições precisas para esse procedimento são dadas pelo

Teorema II. 2.1: Teorema da Função Implícita

Sejam Fe G funções de classe em um aberto £2 a e seja (?<b,3b,2b) € £2


umasolução do sistema

I F{x,y,z) = 0
S:
I G{x,y,z) = 0

Se {xç>,yo,zo) ^ 0, então existe um intervalo ] a,b[ c R com x^&'\a,b{


à{y,z)
e existe um aberto Va R^ com ] a,b[x Vc ,í2tal que:
Para cada jc e ]a,ô[ existe uma única solução, y=y{x) e z=z{x), do siste­
ma Scom {x,y{x),z{x)) e ]a,è[xP, V xe ~\a,b{.
Cálculo Integral Avançado • 6 7

Conseqüentemente, temos 2o=z{xo) e

ÍF(:x:,))(x), z(x)) =0
< vxe]a,D\
[G(x,^(x),z(x))-0

Além disso, y=y{x) e z=z{x) são de classe e


^(F,G) d{F,G)
Jy_ <^(x,z) ^ _d^ d{y,x)
dx d{F, G) d{F, G)
d(y,z) 9{y,z)

Nos exercícios, pedimos enunciados do teorema da função implícita


em casos diferentes do anterior, inclusive no caso F(x,y)=0, de uma equa­
ção a duas incógnitas, que é o caso dos primeiros exemplos que apresen­
tamos.

Teorema II. 2.2: Uma Aplicação do Teorema da Função Implícita —Gradiente Nor­
mal às Curvas de Nível

Suponhamos que z=f{x,y) é uma função de classe em um aberto

ü c S e j a (:xb,}b) e tal que f{xo,yo) = 0 e P/(«b,}b)= {xo,yo)'t+-^xr^,yQ)']

seja não-nulo, isto é, -^{xo,yo) 0 ou -^{xo,yo) ^ 0.


ax oy
Consideremos ^ 0 (se {xo,yo) ^ 0 teremos um procedi­

mento análogo). Então o Teorema da Função Implícita garante a existên­


cia de uma função y-y{x), definida em um aberto contendo x^, com y{xP)=yo
e f{x,y(yc))=0. Além disso, temos y=y{x) derivável e

dy dx
(^) =
dx
68 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e M ínimos

^ (^ )/) = 0.

Observando que o vetor 7 + - ^ {xo)J é tangente à curva de nível da/,


dx
—^
f(x,y)-0, no ponto (jcb,}io), temos que Vf{xo,yo) é ortogonal a essa curva no
ponto (xb,3»o).
Deixamos para o leitor verificar, de forma análoga, que o vetor gra­
diente é normal à superfície de nível, no caso de uma função de três variá­
veis 'w=f{x,y,z).
Exercícios

1) Enuncie o teorema da função implícita nos seguintes casos:


a) Fix,y)^Q, y=y{x)-,
b) para um sistema de três equações e cinco variáveis.

2) O ponto (1,-1,2) pertence às superfícies de equações x^(y+z^)=5 e


{x-y)'^+'f=^. Mostre que, numa vizinhança desse ponto, a curva de
intersecção dessas superfícies poder ser descrita por um par de equa­
ções de forma y=y{x), z=z{x).

3) Sabendo que

y^+y^-U^+V^ = -3
v^-y^+z^+u^+^v^^ 21

calcule no ponto (1,1,2), com m(1,1,2)=3, ü(1,1,2)=2.


ox ay

x+y =uv

f xy = u-v
define x c v como funções de u c y,

x-{u,y), v-v{u,y), para 1+uy^O. Mostre que e encontre fórmu-


au 1+uy

las semelhantes p a r a -^ , e
ay au ay

5) a) Seja /u m a função de classe d’* de uma variável, com /(1)=0. Que


condições adicionais são suficientes para que a equação 2f{xy) =
f{x)->rf{y) determine y=y{x) numa vizinhança do ponto {x,y) =
( 1, 1) ?
70 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

b) Determine a função y=y{x) mencionada em a), no caso de


6 ) Determine a, b, c e d de modo que o plano de equação ax+by+cz+d=0
seja tangente à superfície {x^+y^Y^+z^-O no ponto (0,1 ,1 ).
Cálculo Integral Avançado • 71

§ 3. Teorema da Função Inversa

Uma outra conseqüência do teorema da função implícita é o Teorema


da Função Inversa, que enunciaremos para transformações do IK^ em
embora seja possível enunciá-lo para transformações do ^ e m !R\ ne.N*.
x= x{u,v)
Inicialmente consideremos funções de classe 6 ' em um aberto
y^y{u,v)
do plano R'^, e {ufí,Vo) um ponto desse aberto.
Consideremos o sistema

F{x,y,u,v) = x{u,v) -x = 0
I G{x,y,u,v) = y{u,v) -y = 0

Se (uo,vo) == (xo,yoUo,Vo) ^ 0 onde íCo= x(uo,Vo) e yo^


o(u,v) o{u,v)
y{uo,Vo), então o teorema da função implícita garante que existem funções
u-u{x,y) e v=v(x,y) definidas numa vizinhança de (xojo), com Uo=u{xo,yo) e
vo=v{xo,yo) e satisfazendo o sistema considerado. Além disso, essas funções
são de classe e

1 dx
dv
d{F,G) 0 dy
du _ d{x,v) av dv
dx d{F,G) d{x,i) d(x,y)
d(u,v) d{u,v) d{u,v)

Q dx
dv
d(FG) -1 -à - dx
du _ d{y,v) dv dv
dy d{x,i) d(x,y)
^{u,v) ^{u,v) d{u,v)
72 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - M áximos e M ínimos

dx -1
du
d{F,G) dy 0 _ <^'V
d{u,x) du du
dx d{F,G) d(x,yj) d{x,y)
d(u,v) d{u,v) d{u,v)

dx 0
du
d(FG) dy -1 dx
dv à{u,y) du du
dy MG) d{x,y) d{x,y)
d{u,v) d{u,v) d{u,v)

Logo,

dy - dx dx dx
d(u,v) _ 1 dv dv 1 du dv 1
d(x,y) 2 —dy dx 2 dy dy d{x,y)
d(x,y) du du d{x,y) du dv d{u, v)
d{u,v) d{u,v)

O que fizemos prova o seguinte teorema.

Teorema II. 3.1: Teorema da Função Inversa

Seja T uma transformação de classe 6^ em um aberto Í2 a

T{u,v)^{x,y)={x{u,v),y{u,v)). Se JT{uo,Vo)= (uo,Vo) ^ 0, em {uq,Vq)€:Í2

então se temos

i) existem abertos C7e Vem ÍB3 tais que (uo,vo) ^ U, {xo,yo)e V, T é injetora
em Ucom T{U)^V;
ii) Se T'^:V^U é a inversa de T:U^V, então T'^ é de classe 6^ em V,

T-^{x,y)^{u,v)={u{x,y),v{x,y)),JT ^{x,y) = (x,y) = d(x,y) (u,v)


d{u,v)
para todo (x,y) e V, sendo {u,v)=T'^ (x,y).
Cálculo Integral Avançado • 73

Sugerimos ao leitor que enuncie o teorema da função inversa para


uma transformação T\Í2 czR^^R^.

Exemplo II. 3.2

Consideremos a transformação T:R^-^R^, T(u,v)={x,y) =

ix{u,v),y{u,v))={u-uv,uv). Em 1.2.4 mostramos que


a{u,v)
que se anula nos pontos (O.t;), v e R .
Observe que a aplicação inversa T ', T'^{x,y)={u{x,y),v{x,y))=

y I , também calculada em 1.2.4, não está definida nos pontos (x,)»)


x-\-y )
tais que u-x+y^Q.

Exemplo II. 3.3

Seja T:R3^R^, T{u,v)-{x,y)={x{u,v),y{u,v))={é'cosv, e“senw). Como Té


periódica em v de período 27t, temos que T não é inversível em R^. Entre­

tanto, JT{u,v)= (u,v) = e'^'‘ ^ 0 para todo (u,v) g R^. Pelo teorema
o{u,v)
da função inversa, existe uma vizinhança da cada ponto (determine-a) na
qual T é injetora, isto é, temos inversas locais e não uma inversa definida
em todo R^.

Exemplo II. 3.4

Consideremos T:R^^R^, T{u,v)=(x,y)={x{u,v),y{u,v))-{u^,v). T é


injetora e portanto inversível em R^, com inversa T'^:R^^R^ dada por
(x,y)={Hx, y), apesar de termos JT{u,v)= = S que se anula em
todos os pontos (0,w), v s R. Nesses pontos o teorema da função inversa
não se aplica, logo não há contradição com o resultado do teorema.
14 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Exemplo II. 3.5

Considerando as transformações que fornecem as relações entre coor­


denadas cartesianas e coordenadas polares, esféricas ou cilíndricas (exem­
plos 1.2.5, 1 .2.6 e 1.2.7) e tomando pontos nos quais os jacobianos não se
anulam, podemos expressar as transformações inversas definidas em vizi­
nhanças desses pontos. No caso das coordenadas polares temos:

T-. [0 , +oo[x[0 ,2 ;r[ ^ ^ 2

X = x{r,0) = r COS ô
T{r,&) - (x{r,d), y{r,0)) com
y = y{r,0) = r sen 9

Como e 3>/x= tg õ*se x^O, temos

7"'*{x,y)={r{x,y), 6{x,y)) com

arc tg ^ se X 0
7t
r(x,y) = x'^+ y^ , 9 (x,y) = — s e x = 0 e'v > 0
2
s e x = 0 e 3><0

Observe que T'^ está definida em uma vizinhança de qualquer ponto


(x,})) e lE com {x,y) ^ (0,0). Verifique que não é possível definir T ' em qual­
quer vizinhança de (0 ,0 )=T(d,é'), V 6*€ [0,2.?r[. Lembre que J T {0,9) = 0,
V^e [0 ,2 ;r[.
O caso das coordenadas cilíndricas é análogo e deixamos para o leitor
o caso das coordenadas esféricas.
Exercícios

1) Se x=u^+2uv+v'- e y=2u+2v, calcule o determinante jacobiano .


o{u,v)
Podemos determinar u c v em função de x c y }

2) Se u=x^, v-y/x, calcule . Podemos “tirar” xç.y em função de u,v}


o{x,y)
Podemos obter um único par de funções {x{u,v), y{u,v)) tal que sua ima­
gem contenha o domínio do par {u{x,y), \{x,y))}

3) Mostre que a aplicação

F(x,y,z)=(f{x,y,z), g{x,y,z), f{x,y,z) +g{x,y,z)),

com f,g de classe 6^ em algum aberto do não pode ter uma inversa
diferenciável.

4) Seja/;^M (0,0) (0,0)} dada por

f ( x , y ) = ^ o 2 - 2^ 2

a) Calcule o determinante jacobiano d e /;


b) Mostre q u e /é inversível com inversa

g=/-biRM(0,0 )}^iRM( 0,0 )}

de classe 6^ e calcule o determinante jacobiano de g;


c) Determine g.

5) Seja/:^^-^^M (0,0)1, dada por/(;c,3))=(r'COS3), ^'‘sen))).


a) Mostre que o jacobiano de f é positivo, \/{x,y);
76 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - M áximos e Mínimos

b) Mostre q u e /é sobrejetora mas não é inversível;


c) Mostre que, para xdR, -7t<y<7t, f é injetora e determine

6 ) Seja/:^‘^— dada ^ovf{x,y)={x^-y^, 2xy)\


a) Calcule o jacobiano de / .
b) Mostre qu e/n ão é inversível.

7) a) Calcule o jacobiano da transformação em coordenadas cilíndricas

x = rcos 6
y - rsen 6 , r>0 , 6ç.R, zeR.
z= z

b) Para que valores de r, (9e z, o jacobiano é não-nulo?


c) Mostre que essa transformação é inversível para r>0, 0<0<2ir, z s R , e
calcule o jacobiano da inversa. Repita para r>0, -Tt<0<7t, z&R. Repita
para r>0 , a<0<a\2K, z e R .

8 ) a) Calcule o determinante jacobiano da transformação em coordenadas


esféricas

X - p sen ç> COS 0


y = p sen (p sen 0 , p^O, 0elR, cpelR
z - p COS cp

b) Para que valores ác p, 6 c q) o jacobiano é não-nulo?


c) Mostre que essa transformação é inversível para p>0, D<0<2k , 0<(p<7t
e calcule o jacobiano da inversa.
Cálculo Integral Avançado • 77

§ 4. Fórmula de Taylor em várias Variáveis

Nos próximos parágrafos, vamos estudar como determinar máximos e


mínimos de funções de várias variáveis. Para isso vamos precisar do desen­
volvimento de Taylor de uma função real de duas ou mais variáveis.
Vamos relembrar um resultado de cálculo diferencial em uma va­
riável. Se tem derivadas contínuas até a ordem n>2, temos, para
aeR

(1 ) f(a + h) = f{a) + f{a ).h h?+...+ + Rn.

onde o “resto” Rn é dado por A", com t& ~\a,a+h\_.


n!
Essa é a fórmula de Taylor Sité ordem n em uma variável.
Vamos agora procurar estabelecer uma fórmula análoga para funções
de várias variáveis.
Seja/: uma função definida em um aberto de R^, e suponhamos
que f admite derivadas parciais contínuas até a ordem n. Seja P={a,b) um
ponto de U, e v={h,k) um vetor de R} tal que P->rv={a-\-h,b+k) pertença a U.

Exigimos ainda que todos os pontos {a-^th,b+th), íe[0,l] pertençam a


U, ou seja, que o segmento de reta ligando Pa P+v esteja contido no domí­
nio de / (veja a figura).
Podemos então estudar a função g{t)=f{a+th,b+tk), íe[0,l], que é uma
função de uma variável real com g{0)-f{a,b) e g{\)=f{a+h,b+k). Observe
78 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

que, pela regra da cadeia, g é derivável até a ordem n (por quê?). Aplican­
do a g a fórmula ( 1 ), obtemos

(2)g(l)=g(0)+g'(0)+í^ t W +R.,

onde i?„= com íe ] 0,1 [ .


n\

Agora, expressando as derivadas de gem termos das derivadas parciais


d e /n a fórmula (2 ) acima, obteremos a fórmula procurada.
Pela regra da cadeia temos

g { t) = {a+th, b+tk)h + {a+th, b+tk) k (verifique!) ;

fazendo í=0 , vem

g"(0 ) - {a,b)h+ {a,b)k

Derivemos gmais uma vez:

g '{t) ^ {ci+th, b+tk) h {(x+th, b+tk)k


ox oy

= -d;4- {a+th, b+tk) +2 ^ (a+th, b+tk) hk + {a+th, b+tK)


dx^ oxoy ay^

(observe que ^^ ^í. , pois / tem derivadas parciais contínuas). Fa-


dxdy dydx

zendo í=0 , obtemos

r ( 0 ) = ^ ( a .í.) A * . 2 ^ (a.bW.

Para confirmar a semelhança que você já deve ter notado com a fór­
mula do binômio de Newton, vamos derivar uma terceira vez:

g - {t)= {a+th, b+tk)h^+?, -^ í-{ a + th , b+tk)H^k+^ {a+tk, b+tk)


ox^ ax^ay oxoy^

{a+th,b+tk)k^
ox^
Cálculo Integral Avançado • 79

que, calculada em t=0 , fornece

r (0)- - f i (a,b) K^k + 3 (a,b)hk^ + - f f {a,b)P .


dx^ dx^dy dxdy^ dy^
Vamos estabelecer uma convenção de notação para escrever mais sim­
plesmente estas derivadas sucessivas.

Definição II. 4.1

Fixado o ponto {a,b), o “operador” d d ^ regra que, aplicada

à função y de duas variáveis, dá

{f) = h - ^ { a ,b ) A k ^ { a ,b )
dx dy

As “potências” desse operador são obtidas pela aplicação do binômio

de Newton, sendo que os produtos e potências de d e d devem ser en­

tendidos como derivadas parciais de ordem superior.


Por exemplo:

h d , u d (/) = + 2 h k - ^ { a ,b ) + k ^ ^ {a ,b ) ;
dx dy dxdy dfi

d
(/) = h ^ ^ {a,b)A ‘ò K^k^^{a,b)A2>hK^^^{a,b)+k ^ (a,b)
dx'dy dxdfi dy^

Fica claro agora que podemos escrever

^(»)(0) = h, d + k-r:^
, d
(/)
dx dy
8 0 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e M ínimos

Calculando pelo desenvolvimento binomial, a última expressão é

g,(m)(o) - y ^ .

Voltemos agora à igualdade (2), que podemos explicitar como segue;

g (l)= g (0 ) + +k-§- (/) + h - f + k - 4 - (/) + h - ^ + k - ^ (/)+•••


ax ay 2! ax ay 3! ax fy

n-\

+ +k-4~ {f)+Rn,
(re-l)! ax ay

ondeRn = , com te] 0,1 [


nl

Pelo mesmo método obtemos

n\ ifcn-l
M - —{a+th, b+tK) h'k
n\ * n\ i\ (m-i) ! dx^df'

Temos então o seguinte;

Teorema II.4.2. Fórmula de Taylor em Duas Variáveis

Seja /; U-^R uma função definida num aberto U de R?-, com derivadas
parciais contínuas até ordem n. Sejam (a,b)e Ue (h,k)&R^ tais que o segmen­
to de reta com extremidades (a,b) e (a+h,b+k) esteja contido em U. Então,

f{a+h, b+k) = f{a,b) + h


ox
k
oy ( / ) + ^
h -§- + k
ax ay (/) + 3!

3 71-1

h -^ + k -^ h -^ + k 4 - ( /) + Rn,
dx dy (« -!)! ax ay
Cálculo Integral Avançado • 81

onde, Rn -V ^M . . {a+th, b+tk) para a l^ m íg] 0,1 [.


i! (n-^)! o3i ày”~'
Uma fórmula mais explícita é obtida calculando cada termo pelo de­
senvolvimento binorriial. Vem
71-1
ml d ”^f

w=3.
f{a+h, b+k) = X “
77i=l m\
S
i=0
IIn?.—
7i\{m-i\) dy^df
ia,b)H'k”‘-'

Na realidade só precisaremos em geral desenvolver essa fórmula para


+ Rn

Observação II. 4.3

Observe que a fórmula de Taylor obtida acima permite, como no caso


de uma variável, obter, para h e k pequenos, uma aproximação do valor de
f{a+h,b-\-K) por um polinómio em he. k cujos coeficientes dependem das
derivadas parciais d e /e m (a,b). R„ é então o “resto”, o erro cometido ao se
tomar esse valor aproximado.

Exemplo II. 4.4

Desenvolver/(x,y)=x^y em polinómio de Taylor de ordem 2, perto do


- 2 ).

= 2xy ^ ( 1 ,- 2 ) = - 4
ox ay

^ ( 1 ,- 2 ) - 1
dy dy

2) = 4
dx^ ^

(1 - 2 ) = - (1,- 2) =2
dxdy

então.

f{\+ h, - 2 +A) = -2-4h+k+ -^ (-4 / j2+4M) +R^


Exercícios

1) Escreva a fórmula de Taylor até ordem 3 para as funções:


2i) f{x,y)-x^+xy no ponto (2 , 1 );
h)f{x,y)-x^+x^'f-f no ponto ( 1 ,1 );
2) Escreva a fórmula de Maclaurin (Taylor no ponto (0,0)) para as
funções:

a) f{x,y) = Yj , keN *e eR
n+m<k
b) /(x,y) = e^'">
c) f{x,y) - sen x
d) f{x,y) = sen {x+y), com resto R^.

3) Escreva a fórmula de Taylor para as funções abaixo com resto R^.


a) x^+xy^ no ponto (2 ,1 )
h) x^-x^y^-y'^ no ponto ( 1 ,1 ).
4) Usando a fórmula de Taylor até 2- ordem, para alguma função conve­
niente, dê o valor aproximado de (0,95)^ “*.
Cálculo Integral Avançado • 83

§ 5. Máximos e Mínimos

Usaremos agora a fórmula de Taylor obtida no parágrafo anterior


para obter um método de determinação de máximos e mínimos de fun­
ções de duas variáveis.

Definição II. 5.1

Seja /: U ^ R uma função a valores reais definida em um aberto U de


Rr. Dizemos que (xqJ o) e U é ponto de máximo (resp. ponto de mínimo) localác
f se existir uma vizinhança V de (xo,yo), contida em U, tal que f{x,y) <
f{xo,yo) (resp. f{x,y) > f{xo,yo)) para todo (x,y) g V.

(^0) yo)
V y

Se a função cujos máximos e mínimos queremos determinar,

tem derivadas parciais e em todo ponto de U, o seguinte teo-


ax ay
rema determina uma condição necessária para que {xo,yo) e U seja ponto
de máximo local ou de mínimo local de / .

Teorema II. 5.2

Seja /: U-^R definida num aberto U de R^, com derivadas parciais

definidas em todo ponto de U. Se (:xb,)^o) ^ Ué ponto de máxi-


ax ay
mo local ou de mínimo local de f, então {xo,yo) = (^,3^0) = 0 .
ax ay
84 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - M áximos e M ínimos

Demonstração

O resultado segue imediatamente da definição de derivada parcial.

Suponha que (?cb,3)o) é ponto de máximo local e vamos calcular -^{xo,yo).


ox
Sabemos, pela definição II.5.1, que existe VczU contendo

cora. f{x,y)<f{xo,yo) para todo {x,y) e V! A definição de Âf- (:xb,3to)é o limite


ox

lim .
/i-»o h

y»)

Agora observe que, para valores de h próximos de 0, temos {xo+h,yo)e


V, portanto f{xo+h,yo)<f{xo,yo). Então,

para h>0 próximo de 0 , temos /(^+^?.'yo^ <o ^

para h<0 próximo de 0 , temos >q ,

portanto.

f(xo+h,yiy)-f(Xiuyo) < q e lim /~fa+^»yo)-Axò,Vo) > q


hs0+ h h^o- h
Cálculo Integral Avançado • 85

Como estamos supondo por hipótese que existe, ou seja,

que existe o lim )—f (xq,'yo) , os dois limites laterais acima devem
^ h
existir e serem iguais. Portanto ambos são nulos e - d l M =0.
OX

A prova de que -^{xo,yo) é análoga, assim como a prova para o caso


oy
em que (:X(),))o) é ponto de mínimo local.
O teorema anterior mostra que, se as derivadas parciais de y existem,
então todo ponto de máximo ou mínimo local d e / é um ponto que anula
essas derivadas parciais. Podemos eventualmente ter uma função/com um
ponto de máximo ou mínimo no qual as derivadas parciais não existem,
como mostra o próximo exemplo.

Exemplo II. 5.3

S e j a d e f i n i d a por f{x,y) - ^ x^+ y^. É fácil verificar que (0,0) é

ponto de mínimo local de f e que as derivadas e não existem em


àx ay
( 0 , 0 ).

No caso de existência de derivadas parciais, o teorema II.5.2 mostra


que devemos procurar os pontos de máximo e mínimo locais de uma fun­

ção, entre aqueles que anulam as derivadas . Isso motiva a próxi-


ox oy
ma definição.

Definição II.5.4

Seja /: U^R, U aberto de com derivadas parciais definidas em U.

Um ponto (jtb.Vo) € Udiz-se ponto crítico de /s e (Xo,Vo) = 0 .


ax ay
O teorema II.5.2 diz que pontos de máximos e de mínimos locais de
uma função definida num aberto de cujas derivadas parciais existem, tem
8 6 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

que ser pontos críticos dessa função. O próximo exemplo serve para alertar
que pontos críticos não são sempre pontos de máximo ou de mínimo.

Exemplo II. 5.5

Seja f(x,y)=xy definida em lE. A função / claramente tem derivadas

parciais JíL = y e J l ^ X em todo ponto, e a origem (0 ,0 ) é o único ponto


^x dy
crítico. Mas (0,0) não é ponto de máximo e não é ponto de mínimo. De
fato, considerando pontos com x=y vê-se que existem pontos próximos de
(0,0) com f{x,y)=f{y,y)>Q=f{0,0) e portanto (0,0) não é de máximo. Consi­
derando pontos com x= -y vê-se que existem pontos próximos de (0 ,0 )
com. f{x,y)=f{x,-x)<0-f{Q,0), então(0,0 ) não é de mínimo.

Pontos assim são chamados pontos de sela de f.


Precisamos, portanto, de mais condições a respeito de um ponto críti­
co para poder afirmar que ele é ponto de máximo ou de mínimo. Nesta
parte é que utilizaremos a fórmula de Taylor obtida no § 4.

Teorema II. 5.6

S e j a d e f i n i d a num aberto Í7de TE, com derivadas parciais con­


tínuas até segunda ordem. Seja (jío,yo)e EJum ponto crítico de / ou seja,

(^>3>o) = (^,yo) = 0 .

dxdy " dyL ^ ^


Cálculo Integral Avançado • 8 7

então:

a) se B‘^-AC < 0 e A > 0, é ponto de mínimo local;


b) se B^-AC < 0 e A < 0 , (xb,3>o) é ponto de máximo local;
c) se E^-AC > 0, (xb,3io) não é ponto de máximo ou de mínimo (ponto de
sela).

Demonstração

Vamos escrever a fórmula de Taylor de f em (xb,yo) até 1- ordem, ou


seja, com resto (veja teorema II.4.2). Temos:

f{xoAh,yo+k) = f{xo,yo) + h-^{xo,yo) + k -^ (xo,yo) + Ri •


c/x ay

Como (íco,yo) é ponto crítico, as derivadas parciais primeiras se anulam


e a fórmula acima se reescreve:

/(x<)+A,))o+^) -f{xo,yo) = Rz .

Vamos agora escrever R£.

1 {x^+th,y^+th) A^+2 ^ ^ {x^+th,yQ+tK} hk+ {pcQ+th,yQ+tK)

onde t é algum real (fixo) entre 0 e 1. Para simplificar a notação, chama­


mos (íío-l-th,yo+tk)=(x,'y).
Essas fórmulas são válidas para o caso em que o segmento de reta
ligando (?co,3)o) a (xo+h,yo+k) está contido em U. Como no nosso caso U é
aberto, podemos escolher h e k pequenos o suficiente para que isso
ocorra.
Para provar o item a) do teorema, vamos mostrar que, para h e k pe­
quenos, a diferença/(x()-t-/i,yo+^)-/(:’í^Ao)“-^2 é positiva, então f{x,y)>f{xo,yo)
para pontos próximos de (í^b.yo), ou seja, (:xo,yo) é ponto de mínimo local.
8 8 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Para isso, consideremos como o txinômio de 2.- grau em h

(x,3») + 2 - £ ^ (x,y) k h + ^ ix,y) F .

Seu discriminante é

z l-4 F -4
dy? (^^3')

que tem o mesmo sinal que

(sry)
axay

Agora suponhamos que A>0 e B'^-AC<Q. Como as derivadas parciais de


segunda ordem são, por hipótese, contínuas, pelo teorema da conservação
do sinal temos que, se (^,'y) é próximo de(xo,3io), (x,^) tem o mesmo si-
3x^

nal de A , sendo, portanto, positivo. Do mesmo modo,( ^


Vo x a y / oxr óT

é contínua e, pela conservação do sinal, tem mesmo sinal em (x<3,3)o) e (x,^),


portanto A tem mesmo sinal que B^-AC, sendo, então, negativo.
O trinômio considerado tem, portanto, discriminante A<0 e

-^^(x,"3)> 0. Ele é, então, sempre positivo. Concluímos que f{xo+h,yo+k)-


ox^

/(^>3’o)^0 para /í,ã pequenos, portanto (:x<)>)’o) é ponto de mínimo.


Os itens b) e c) têm demonstrações análogas.

Os teoremas II.5.2 e II.5 .6 sugerem um método para determinar os


pontos de máximo e mínimo de uma função definida num aberto de Rr\
primeiro, determinar os pontos críticos, depois, para cada um, estudar o si­
nal de A e de E^-AC.
Cálculo Integral Avançado • 8 9

Observação II. 5.7

O teorema II.5 .6 não permite conclusões para o caso B^-AC=Q. As


íxmçòes f\{x,y)-x^+'f f 2{x,y)=x^-'f t fi{x,y)=-x'^-y^ têm £^-AC=0 em (0 ,0 ).
Entretanto, (0,0) é ponto de mínimo local para/i, sela para/s e máxi­
mo local para /s.

Exemplo II.5.8

a) Estude/(x,)))=íc^+4y quanto a máximos e mínimos.


Procuremos primeiro os pontos críticos:

= 2x,ÂÍ- = I 6y e (0,0) é o único ponto crítico. Temos:


àx oy
- ^ = 2 = A > 0 ,-|^ = 4 8 / ,- |^ ( 0 ,0 ) = C = 0 e .
ox^ oy oy oxoy
Portanto B^-AC=Q, e o teorema II.5.6 não fornece informações. No
entanto, basta observar qu e/(x ,)))>0 sempre e / ( 0 ,0)=0 para sabermos que
(0 ,0 ) é ponto de mínimo.
b) Estude f{x,y)=A-x^-y^ quanto a máximos e mínimos.
Os pontos críticos são dados por

= -2x = 0 e = -2y = 0 , portanto (0 ,0 ) é o único ponto crítico.

Temos:

= -2 - A<0, = 0 = B, - -2 = C<0 .
ox oxoy oy

Portanto, 5^-AC=-4 < 0 e A<0. Pelo item b) do teorema II.5.6, con­


cluímos que (0 ,0 ) é ponto de máximo local.
c) Estude f(x,y)=x‘^-y- quanto a máximos e mínimos.

Para determinar os pontos críticos, basta ver que = 2x, -2y e


dx oy
concluir que (0,0) é o único ponto crítico.
90 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Temos:

= 0 e C= = - 2<0
ox^ oxoy dy^

Portanto, B^-AC=A>0 e o ponto (0,0) é de sela, ele não é nem de má­


ximo nem de mínimo.
O teorema II.5 .6 permite determinar máximos e mínimos locais num
conjunto aberto, mas não garantem sua existência. Ele não garante que exis­
tam máximos ou mínimos absolutos da função, sendo que um ponto
pertencente a um conjunto D é ponto de máximo (ou mínimo) absoluto d e/em
D, f{xç„yo)>f{x,y) {ou f{xçi,yo)<f{x,y)) para todo {x,y) e D. Nesse caso o vdr
lor/(j£fl,3)o) se diz valor máximo (ou mínimo) d e /e m D.
O teorema que segue, que apresentamos sem demonstração, garante
em certos domínios a existência de pontos onde /assum e seu valor máxi­
mo e seu valor mínimo absolutos. Esses domínios serão conjuntos fechados e
limitados. Um conjunto é limitado so está contido em algum retângulo. Uma
definição formal de fechado pode ser encontrada em III.2.2.

Teorema II. 5.9: Weierstrass

Se f:B ^ R é uma função contínua definida num conjunto D de que


é fechado e limitado, então existe um ponto de D onde/atinge seu máximo e
existe um ponto de D onde/atinge seu mínimo.

O problema de determinar o valor máximo absoluto ou o valor míni­


mo absoluto num fechado e limitado se decompõe então como segue:
- achar os pontos críticos no interior de D;
- achar os candidatos a máximo e mínimo na fronteira de D.
Entre esses pontos, estão o máximo e o mínimo absolutos de / .
Uma definição formal de fronteira e interior de um conjunto pode ser
encontrada em III.2.2.
Cálculo Integral Avançado • 91

Exemplo II. 5.10

Determine os pontos de máximo e mínimo absolutos de f{x,y) =


3 x‘^+23) ^ + e m D=[{x,y):x^+y^^<\).
Como D é fechado e limitado, f assume máximo e mínimo absolutos
em D.
Procuremos os pontos críticos no interior de D, que é o conjunto

ox
~ f- = 4y + ^ = 0 <=í>3)=0 ou v = - 1 2

Logo, o único ponto crítico em D é (0,0) e (0,0) =6 = A,


oxr
^ ( 0 ,0 ) = 0 = £ e ^ ( 0 , 0 ) = 4 = C .
axoy oy-
Como A>0 e B'^-AAC<0 , temos que (0,0) é ponto de mínimo local.
Na fronteira de D, dD, que é o conjunto dos pontos {x,y) com x‘-+y-=l,
temos/(x,3))=g(3i) = 3 ( l - / ) + 2 / + ^ , )>€[-l,l].
Os estudos dos máximos e mínimos da função de uma variável g-g{y),
))e [ - 1 ,1 ] , mostram que }>=0 é ponto de máximo absoluto de gem [ - 1 ,1 ] e
que y=-\ é o ponto de mínimo absoluto de gem [ - 1 ,1 ].
Então (-1,0) e (1,0) são os pontos de máximo de f-f(x ,y ) em dD e
(0,-1) é o ponto de mínimo def{x,y) em dD.
92 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - M áximos e M ínimos

Como/(0,0)=0 e /(0 ,-l)= 17/9, temos que (0,0) é ponto de mínimo


absoluto d e /e m D. Os pontos (-1,0) e (1,0) são pontos de máximo absolu­
to d e /e m D com valor m áxim o/(-l,0)=/( 1,0) =3.
EXERCÍaOS

1) Determine os pontos críticos da função/( íc,31) igual a:


a) xy+x'^
b) x'^y^
c)
d) X+ )) sen x
e) x^+y^-Sx-12y+l
f) y-x'^—y‘^+x‘^y

2) Determine os pontos de máximo e mínimo local da função f{x,y) igual a:


a) x'^+2y^-4x-4y-3
b) xy +
• % y
c) e"’’COS y
d) x^-6xy\-y^
e) x''^-xy+y‘^+2
f) x^+y‘^-2 }^+4:xy-2 'f

3) Determine os pontos de máximo e mínimo absolutos das funções na re­


gião indicada:
a) /(x,)))=íc+3), no quadrado de vértices (1 ,1 ), (1 ,- 1 ), (- 1 ,1 ) (- 1 ,- 1 )
b) f{x,y)-x+y, na região x^+y^<\
c) f{x,y)=x^yi^{\-x-y) na região A={{x,y)!x>Q e ))^0}
d) f{x,y)={x-y) (1 -x^-))^) na região x^+y^<\
e) f{x,y)=€^‘'y‘{x^+2y^) em x'^+y^<9
94 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Sugestão-. Procure os pontos de máximo e mínimo local no interior da


região indicada e depois compare com os valores da função na fron­
teira.
4) Mostre que a f{x,y) = {y-x^) (y-2x^) tem mínimo na origem segun­
do qualquer reta passando pela origem, mas que a origem não é ponto
de mínimo.

5) Determine a forma de uma caixa retangular de maior volume, com área


superficial fixada em 16 unidades de área.

6 ) Determine o plano — + ~^+— =1 , passando por (1,1,1) que forma, com


a b c
os planos coordenados, o tetraedro de menor volume.

7) Ache a distância mínima entre o ponto (-1,3,2) e o plano x+Sy-2z=8.


Cálculo Integral Avançado • 95

6. Máximos e Mínimos Condicionados

Consideraremos, neste parágrafo, o problema de determinar máxi­


mos e mínimos de uma função de várias variáveis, em que as variáveis estão
ligadas por condições expressas por uma ou mais equações. Vejamos pri­
meiro alguns exemplos.

Exemplo II. 6.1

- Qual a distância da esfera x~+f+z^=\ ao ponto (2,4,8)? Trata-se aqui de


achar o mínimo da função f{x,y, z) - V (2 -x)^ + (4-)))^ + (8-z)^, distância
de (x,y,z) a (2,4,8), restrita aos pontos (x,y,z) que satisfazem a equação
(ou x'^+y^+z--\=Q).
- Qual o mínimo da função/(x,3i)=x+)>^ para aqueles pontos {x,y) que satis­
fazem a condição 2 x‘‘^-i-/=l (ou 2 x^+/-l= 0 )?

As condições dos problemas podem então ser expressas como g(x,}))=0


ou g{x,y,z)=0, conforme o número de variáveis.
Vamos primeiro considerar um caso simples: maximizar ou minimizar
uma função de duas variáveis, com uma condição do tipo g(x,3))=0 (que de­
termina uma curva no plano).
O procedimento para esse caso é obtido a partir do resultado dado no
próximo teorema.

Teorema II. 6.2: Multiplicador de Lagrange - Duas Variáveis, uma Condição

Seja /:C/-^iRuma função definida num aberto U de lE, com derivadas


parciais contínuas em U.

Seja g-.íE^R uma função de duas variáveis com derivadas parciais


contínuas.
Se um ponto (xo,}’o) de U com g(:>íb,3’o)=0 é ponto de máximo ou de mí­
nimo d e /, restrita ã condição g(x,}i)=0, então gradf{xQ,yo)e grad g{xo,yo) são
colineares, isto é, existe áeiR com

grad f{xo,ya) + ágrad g{xn,yo)=(ò .


96 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - M áximos e Mínimos

Observação II. 6.3

Antes de provar o teorema acima, vamos dar uma ilustração, bastante


convincente, em termos de curvas de nível.
O conjunto {(x,3;)/g(x,)i)=0 ) é a curva de nível 0 da função g. Sabemos
que grad g'(íq),3io) é normal a essa curva de nível em (II.2.2).
Agora imaginemos as curvas de nível de / perto de (xb,)»o), que é ponto
de máximo (ou de mínimo) de/para os pontos g(x,)))=0 .

Se supomos y{t)-{x{t) ,y{t)) uma parametrização de g(x,3))=0, perto de {xo,yo),


seja h{t)-f{x{t), y{t)) a restrição dafunção/à curva y. Então se (x<).jb)=(x(íb), y{ (h)),
temos h{to)=0, pois to será ponto de máximo (ou mínimo) de h. Mas, pela re­
gra da cadeia, temos: 0 =Ã'(/b) = - ^ ix{to),y{to))x'{to) + (x (to),y(to))y'(to)
Cálculo Integral Avançado • 97

= Vf{xo,yo). {x'(k), y ik)), o que mostra que grad/(í<b,3io) é ortogonal ao vetor


tangente a y em (xb,)^)). Mas gradg(:)cb,3>o) também é ortogonal ao vetor tan­
gente a y em , o que mostra que grad f{xo,yo) e grad g{xo,yo) são
colineares.
Vamos agora demonstrar o teorema II.6 .3.
Se gradg(í<ò,3ib)=í?. esse vetor é colinear a qualquer vetor. Podemos en­

tão supor gradg(í(b,3)b) ^ 0 . Isso quer dizer («b,3b), ^ (0,0).

Suponhamos que -df - {xo,yo) ^ 0. Pelo teorema da função implícita é


ay
possível expressar y como função de x perto de (5<b,>). Isto é, existe uma
função 3>=/i(x) com g{x,h{x))=0, yo=h{xo) e

— (xo,yo)
ox
h'{xo) =

Agora consideremos a função f{x,h{x)). Essa é uma função de uma va­


riável que admite máximo ou mínimo em x - x q . Portanto sua derivada, que
existe pela regra da cadeia, anula-se nesse ponto.
Calculando essa derivada pela regra da cadeia, vem

J í {xo,yo) + (xo,yo) -h' (xo) - 0 .

Substituindo H (;xb) pelo valor acima, vem

— ^ (^>>)
-£ M {xo,yo). =0 .

dy

Multiplicando ambos os membros por -ds. {xQ,yü) ^ 0, vem


dy
98 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e M ínimos

M . Jg-
dx dx
OU seja, o determinante anula-se em (xo,yo), o que quer dizer
M . Jg-
dy dy

que grad/e grad gsão colineares nesse ponto.

Exemplo II. 6.4

Determinar o máximo da função f{x,y)=x+y, sujeito à condição


x^-\-y^-\.
Vamos aplicar neste exemplo o método que se obtém a partir do
teorema II. 6.2.
Primeiro observe as curvas de nível na figura ao lado e tente determi­
nar qual será o ponto de máximo procurado.

A condição x^-\-y^=\ pode ser interpretada como g(x,)))=0, onde


g{x,y)=y?+‘f -]..
Agora, pelo teorema II.fi.2, sabemos que no ponto (xb,3)o) procurado
grad/e grad g têm que ser colineares. Ou seja, deve existir um real X tal que

grad f{xç,,yo) = X grad g {xo,yo)


Cálculo Integral Avançado • 99

Por outro lado, (í<<),3’o) tem que anular g, ou seja, devemos ter

Isso nos dá 3 equações a 3 incógnitas:

(xo,yo) - ^ {xo,yo)

^0 + :^o - 1 = 0 >

ou seja, (l+2Àx=0
l+2Ày=0
x^+y^-\=0 ,

o que dá x=y=- V2, e de :>c^+/-l=0 obtemos ± l/^ f2 ,

portanto íc= ± 1/V 2 e y=x.


O ponto de máximo é portanto ( l / l 2 , 1/V~2) e o valor máximo
Esse caso deu lugar a um sistema muito simples, mas em geral é convenien­
te tentar “eliminar” X (que é chamado de multiplicador de Lagrange) das pri­
meiras equações.
Vamos agora enunciar, sem demonstração, outras versões do teorema
II.6.2, dos multiplicadores de Lagrange, para situações diferentes. As de­
monstrações decorrem analogamente de outras versões do teorema das
funções implícitas.

Teorema II. 6.5: Multiplicador de Lagrange - Três Variáveis, Uma Condição

Seja /: U-^R uma função definida num aberto U de R?, com derivadas
parciais contínuas em U. Seja g:R^^R uma função de três variáveis com de­
rivadas parciais contínuas. Se um ponto (xo,yo,zo) de U com g(xo,>,zo)=0 é
ponto de máximo ou de mínimo de/sujeito à condição g(x,)),z)=0, então
grad/(%3)o,^) e grad g(:x<),))o,2o) são colineares, ou seja, existe X e R c o m

grad f{xo,yo,zo)+X grad g(Ab,3’o,Zo)=0 .


100 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Observação II. 6.6

Em termos de superfícies de nível, isso diz que a superfície g{x,y,z)=0


tem que ser tangente à superfície de nível de f que passa por {xo,yo,zo) ■

g{x, y,z) = 0

Observação II. 6.7

O teorema II.6.5 resulta em um sistema de quatro equações a quatro


incógnitas com um multiplicador de Lagrange a “eliminar” para determi­
nar os pontos {xo,yo,zo) de máximo ou mínimo condicionado:

ixo,yo,zo) + ^ (»b,)’o,zo) = 0

(^.3*o>2o) + ^ (:’C0)}'0)2o) = 0

g(:)ci),310,2b) = 0 .
Cálculo Integral Avançado • 101

Teorema II.6.8: Multiplicadores de Lagrange - Três Variáveis, Duas Condições

Seja /; U ^ R uma função definida num aberto U de R^, com derivadas


parciais contínuas em U. Sejam e g2.R?-^R funções de três variáveis
com derivadas parciais contínuas. Se um ponto (ícoj^ . zo) de U com
g'i(í<b,3’o,2o)=á’2(í'!<)>)'o.zo)=0 é ponto de máximo ou de mínimo de/sujeito às
condições g'i(x,3),z,)=0 e gi{x,y,z)=Q, então os três vetores
grad/(;xb,)to,2o), gradg-i {xo,yo,zo) e gradg-2(^,3’o,2o)
são coplanares, ou seja, existem reais À,\ e com
grad/(xo,>,2o)+/li grad gi {xo,yo,rc)+^2 grad g2ÍXo,yo,zo)=0 .

Observações II. 6.9


Neste caso temos dois multiplicadores de Lagrange e obtemos um sis­
tema de cinco equações a cinco incógnitas.
Dizer que os três vetores são coplanares significa que um deles está no
plano determinado pelos outros dois, ou seja, que ele é combinação linear
desses outros dois.
Observe que, geometricamente, as duas condições gi(x,3i,z)==0 e
g2(^,)’,z)=0 significam que {x,y,r) está restrito à curva intersecção das duas su­
perfícies de nível gi=0 e g 2= 0 . A condição obtida no teorema significa que
grad f{xo,yo,'^ está no plano determinado pelos vetores gradgi e grad g2nes­
se ponto. Observe que grad/é normal à curva intersecção das superfícies
gi=0 e g 2=0 - (Veja a figura abaixo.)
102 • Teoremas da Função Implícita e da Função Inversa - Máximos e Mínimos

Exemplo II. 6.10

Determinar o máximo de f{x,y,z)=x^+y^+z^ sujeito às condições


g\{x,y,z}=x+2y+z-l-0 e g2{x,y,z)=2x-y-5z-4:=0 .
Devemos procurar (:vb,3/o>2b) com

grad/(;xb,>2<))+ Ài^dgi{xo,yo,zc)+ /í.2gradg2(:xb,>zo)=0 .


Isso dá o sistema de cinco equações com cinco incógnitas,

2 x= /Í.J + /?-2
2y = 2Ã^-Ã.^
2 z = A ,-3^2
x+ 2y+ z —1 = 0
2x —y —3 z - 4 = 0 ,

do qual obtemos Ãi=4x-2y+2z e A,2 = ^.^0, entáo, substituindo nas outras


3
equações, chegamos à solução xo= yo= - ^ e zo=
60 60 60
Exercícios

1) Encontre o mínimo da íxxnç^o f{x,y)-x+f para os pontos {x,y) que satis­


fazem à condição ^x^+y^=\.

2) Encontre o máximo da fnnq.^0 f{x,y,z}=x^+xy+yz+7} para os pontos da su­


perfície esférica de centro (0 ,0 ,0 ) e raio 1 .

3) Para os pontos que satisfazem à condição 5x^-1- 6 ry -I- 5y^ = 1, encontre


aqueles que têm distância máxima ou mínima da origem.

4) Encontre o mínimo de/(x,}i,z)=2 x‘"+3)‘^-i-3 z‘^para os pontos que satisfazem


ás condições 2 x-l-3i- 3 z = 4 e x -y -l- 2z ==6 .

5) A distância da origem ao plano de equação ax+by+cz+d - 0 (c^^O) é

dada por ^ • Prove essa fórmula usando a teoria de máximos e

mínimos.
^ £2
6 ) Seja o elipsóide + ■g" - 1- Queremos inscrever nessa superfície

um paralelepípedo retângulo com faces paralelas aos planos coordena­


dos. Qual o máximo volume desse paralelepípedo? Dê as coordenadas
de seu vértice no 1 - octante.

7) Desejá-se construir uma caixa fechada na forma de um paralelepípedo


retângulo de volume 30 m^. Suponhamos que os materiais do fundo e
da tampa custam R$3 por m^, de duas partes laterais opostas, R$4 por
m^ e das outras partes laterais, R$6 por m^. Quais as dimensões que deve
ter a caixa para se obter um custo mínimo?
Capítulo III

In t e g r a is D u p l a s

§0. Introdução

De forma análoga à integral definida de funções reais cujos domí­


nios são intervalos fechados, definiremos neste capítulo o conceito de
integral dupla para funções definidas em subconjuntos fechados e limi­
tados de
Após definir somas de Riemann e integrabilidade, passamos a analisar
de forma mais cuidadosa os domínios de integração e definimos ãrea de
um subconjunto de através de integrais duplas.
A seguir, passamos ao cálculo das integrais duplas, que será feito por
meio de integrais iteradas, sendo essa última operação garantida pelo
teorema de Fubini, que é apresentado sem demonstração, mas com exem­
plos e aplicações.
De modo análogo ao que acontece no cálculo de integrais de funções
de uma variável, também para as integrais duplas o cálculo é, em vários ca­
sos, facilitado se efetuamos uma mudança de variável na integral. Essas mu­
danças serão então estudadas, especialmente aquelas que provêm de trans­
formação em coordenadas polares, freqüentemente utilizada.
A seguir mostramos a utilidade das integrais duplas no cálculo de mas­
sa, centro de massa ou momento de inércia de regiões do plano.
O capítulo termina com a apresentação da regra de Leibniz, de deriva­
ção sob o sinal de integração, que é demonstrada usando-se o teorema de
Fubini para integrais duplas.
106 • Integrais Duplas

Optamos por não demonstrar todos os teoremas apresentados no ca­


pítulo para não torná-lo excessivamente técnico e de leitura difícil. Entre­
tanto, vários teoremas estão demonstrados, ilustrando suficientemente a
técnica empregada.

§ 1. Somas de Riemann

Vamos neste parágrafo definir, para funções de duas variáveis, um


conceito análogo ao de integral definida para funções de uma variável em
intervalos limitados da reta. No que segue, D será um subconjunto limitado
do /R^, isto é, existe um retângulo R=[a,è]x[c,<i] tal que Z)(z R.
Para motivar a definição de integral dupla, consideraremos inicialmen­
te uma função f=f{x,y) definida em D, contínua e limitada com f{x,y) > 0,
V (x,y) e D.
Queremos “medir” o volume do sólido S, formado pelos pontos abai­
xo do gráfico d e /e acima de D, ou seja, S-\{x,y,z):{x,y) e Z) e 0 < z<f{x,y)].
Para isso procedemos da seguinte forma;
Dado um retângulo R=[a,b\x[ç,d\, consideramos os retângulos
Ri,R2,....,Ru formados por retas paralelas aos eixos coordenados que pas­
sam por pontos de uma partição de {a,h\ e de uma partição de [c,d].

Dizemos que Á - {Rj,R^,...,R^} é uma partição do retângulo R


Definimos norma de d e denotamos por I A |, como sendo o compri­
mento da maior diagonal dos retângulos Ri, i=l,2,....,.n.
Cálculo Integral Avançado • 107

Consideramos, então, um retângulo /?=[a,ô]x[í;,d] que contém o con­


junto D. Se A = {R\,Rz,.... ,i?„) é uma parüçáo de R, escolhemos, para cada
z=l,2,...,w, um ponto {a\^ PC) e Ri, denotando por A{R) a área do retângulo
Ri, z=l,2,....,n, e convencionando f{ai,Pí)=0 se {0Ci,P^ «éD, i=l,2,...,n, toma­
mos o p r o d u t o A (i?í), que é o volume do paralelepípedo de base R\
e altura f{a„P-^ quando {0C\,P\) e D e que é igual a 0 quando {(X\,P\) € D,
i=\,2,...,n.
n
Desse modo a soma ^ /(«í, P)A{R^ é uma aproximação do “volu-
i=i

me” de S. Essa aproximação em geral melhora sempre que diminuímos


Ia I. É natural então definir o volume de S como sendo um limite dessas so­
mas, quando IA 1^ 0 .
Vamos formalizar essa idéia.
Consideremos então uma função/=/(x,))), definida em D, não necessa­
riamente positiva ou contínua. Com as mesmas notações anteriores, as so-
n
mas Yj estão definidas e são chamadas somas de Riemann de
í=i
f, relativas a partição A.
Dizemos que o número real L é o limite dessas somas para IA 1^0

n
L=lim J f{ai,P)A{R{),LeR
lAho '=1

se dado f >0 arbitrário, existe S>0 tal que

< £ para qualquer A com | A | < <5 e qualquer

escolha dos pontos e R„ í=l,2,....,n.


n
Isso significa que as somas ^ f{ai, p,)A{Ri) ficam arbitrariamente
!=1
próximas de L quando tomamos A com | A | suficientemente pequena e
para qualquer escolha possível dos pontos e R\, í='l,2 ,....,n. Prova-se
108 • Integrais Duplas

que L, quando existe, é único e não depende da escolha do retângulo R


que contém D.

Definição III. 1.1


Quando existe o limite L, dizemos q u e /é integrável cm. D e denotamos

fix,y) dxdy .

Na definição anterior exigimos que o subconjunto D fosse limitado e


não impusemos nenhuma condição sobre a função /. Provaremos, no pró­
ximo teorema, que a limitação da função f é uma conseqüência de sua

integrabilidade, isto é, se existe a integral j) dxdy, D subconjunto

limitado#?^, então existe um número real M>0 tal que|/(x,}i) |<M, V {x,y) e D.

Teorema III. 1.2

c>
S e ja D c iR um subconjunto limitado e f - f { x ,y ) uma função integráw
em D. Então existe um número real M>0 tal que \f \x,y) \<M, V{x,y)s D.

Prova

Seja L a integral d e /e m D, isto é.

L = lim y /(oí,y5i)A(i?i), onde A denota uma partição de algum


1^1-^0 ^
t=l

retângulo que contém D.

Tomamos £=1, e seja ^>0 tal que I f{a,,fidA{RÒ-L <l,para toda


i= l

partição A com | A | <^e toda escolha de («í,/0 e Ri, i=\,2,....,n.


Cálculo Integral Avançado • 109

Se é tal que I ^ I <^, basta mostrar que existe Mi>0 tal que
\f{x,y) |<M, , para qualquer {x,y) pertencente a e para io índice qualquer
com 1 < ío< n, pois então teremos \f{x,y) I < M-mdix {Mi}, V{x,y)&D.
n

Seja então io, com 1 < io< n. De IS f{a„/^;)A{R)-L\<l


i=\

temos f{a,^, ) A{R, ) + X / ( « i , A ) W , ) - L <1

Fazemos uma escolha {oc„P^ € i?i, 1< i <n, i e seja

k= f {CC-, I3-) A{R-). EntÃo f{cc-, ) + k —L < l para. qualquer escolha.

de (cti„,A,.) R .
Logo,

1 (L-k-l) < f{x,y) < {\-k+L) para todo {x,y)&R, , o que mos-
A{RO ' ' A {R )
tra que existe Mj >0 com \f{x,y) \< M;, qualquer {x,y) pertencente a R, .

Exemplo III. 1.3

(a) Seja D o retângulo [l,3]x[2,4] e se.]a f{x,y)=C, C um número real


qualquer. Escolhendo R=D temos que a soma de Riemann d e/, em relação
a uma partição qualquer R\,Rh..... ,Rn, áe R é

X / ( « ,, Pi )A{R^) = É = 4C.
í=l /=1

Nesse caso f é integrável em D e j f ( x , y ) dxdy = L = 4C .

(b) Seja D= [0,l]x[0,l] e f{x,y)= x, {x,y) e D. Novamente escolhemos


R-D e consideramos, para cada n=l,2,3,..., a partição de R, obtida da

partição 0< — <1 de [0 ,1 ].


n n n
Então zl„={i?ij, i,j =l,...,nj, sendo
110 • Integrais Duplas

i-\ i X i= i, j- , i,j= 1 , n.
R ir
n n n n
A soma de Riemann de /', relativa a A„, com a escolha {a\,ã)= \ — i?;,
\ n n /

tem parcelas, e como A{R ij)=^ , i, j - 1 , n essa soma é


n

igual a;

LnJ. J.
n Ir

S.=t = J _ ( l + 2 + ... + n) =
i=\ Í=1 ■, t=l, n n
j=\ TT
;= 1

1 n{n+\) n+\
n-ti „ n+\ n+1 1 , 1
‘ l
>1

logo,
^
i

lim
n-Aoo
Sn=~r.
^
2
Z
^
r
9-«2
2w^ 2n^ 2w 2 2n

Nesse cálculo consideramos apenas uma seqüência de partições A„{e


não todas as partições possíveis) com 7lim
l—>oo
\ a \ = 0 e fixamos uma escolha
de pontos nos retângulos de A„, n=l,2,.... No entanto, veremos mais à fren­
te (teorema III.2.11) que f é integrável em D e então esse limite deve ser
integral de /e m D, isto é

X dxdy -
J íü 2
Cálculo Integral Avançado • 111

Observação III. 1.4

No caso /> 0 em D. f{x,y) dxdy é, quando existe, o “volume" do


- / I

sólido S, mencionado no início do parágrafo.


Usaremos essa linguagem a partir de agora, embora a definição preci­
sa desse volume seja dada só mais à frente, no estudo das integrais triplas.

No exemplo IlI.l.S.a temos cdxdy - c.(3-l).(4-2) == 4c, que no caso

c>0 é o volume do paralelepípedo [l,3]x[2,4]x[0,c].


Para efetuar cálculos de integrais duplas de modo mais eficiente e rá­
pido, precisamos de algumas técnicas que serão desenvolvidas nos parágra­
fos 4 e 5.
As propriedades dadas pelo próximo teorema serão úteis no cálculo
das integrais.

Teorema III. 1.5

Sc Dez ÍR5 é um subconjunto limitado, c f e g são funções integráveis


em D, então/+ge c.f, c&R, são integráveis em D e vale

JJ (/+?)Mà x d y ^ J Í f{x,y) dxdy + j j g{x,y)dxdy

{c.f){x,y) d x d y = c . j j f{x,y) dxdy .

Além disso, se f{x,y) < g{x,y), V{x,y) e D então

j j f{x,y) dxdy< j j g{x,y) dxdy .

Prova

S en d o/e gintegráveis em D, temos que existem números reais Lj e


tais que:
112 • Integrais Duplas

= \ \ f{x,y)dxdy = \im V
J Jd \a \^ o ^
i=\

L <i=(( g{x,y)dxdy = \im V g{ai,p-^A{R) ,


J JD \A\^ O ^
i=\

ou seja, dado ^>0, 3Ô>Q tal que se A={R\,....,Rn) é uma partição de um re­
tângulo R que contém D, com Izl I< ô, então:

I f ia ,A ) A ( R ) - D < ^ e I g(a,,/ddA(Rd-L,
i=l í=i

para toda escolha de (ai,j3i)eRi,


Logo temos, nas mesmas condições, o seguinte:

I {f+g){a,A)A{RÒ-ih+L,) < I f{a„/3dAiR)-L +


i=\ i^\

+ I g{auA)A{Ri)-L, <e ,

o que mostra que lim Y (/+g) (ai,Pi)A(Ri)=(Li+L2) , ou seja, (/+g)


\Á\—
¥oo “
i=\

é integrável e

(f+g) (x,y) dxdy - L1+L2 = f{x,y) dxdy + g(x,y) dxdy .


J Jd J Jd J Jd
A demonstração da segunda igualdade é análoga e a deixamos para o
leitor. Demonstremos então a desigualdade.
Sef{x,y)>0 V(x,y)€.D, então qualquer que seja a soma de Riemann d e /
temos

n
I f{a,,/ddA{R)>0 ,
i=\

seja L = j j f{x,y) dxdy e suponhamos L<0.


Cálculo Integral Avançado • 113

Tomemos £ = - ~ ^ ^ tal que

I f{a,,/3dA{R0-L < e com {a\,P^ÇiR\, i= 1 , 2 , n .


i=\

Então,
n
I fi a, , PdA{RÒ<€+L = - ^ + L = ^ < 0 ,
i=l

o que contradiz o fato das somas de Riemann de /serem positivas. Portan­


to, L> 0 .
Agora, sef(x,y)<g(x,y) V(x,y) € D, temos (g-f) (x,y)>0 \f{x,y)Ç:D e pelo
demonstrado anteriormente temos:

^ ~ Í Í d ^S~f)(^>y)dxdy = jj^{g{x,y) + {-\)f{x,y))dxdy^

= j j g(x,y) dxdy + f{x,y)dxdy= ^ g{x,y)dxdy-^^ f{x,y)dxdy ,

logo j j f{x,y)dxdy< j j g{x,y)dxdy.

Exemplo III. 1.6

Calcular j j {2-Sx)dxdy, sendo D=[0,1] x [0,1].

Do exemplo 111.1.3a sabemos que 2 dxdy = 2A{D) = 2 e de

IIU.3b .emos í l Pelo teoreJa anterior temos:

j[(2 -S x )d x d y . jjid x d y - S j j x d x d y ^ 2 -3.1/2= V i .

Observação III. 1.7

Um outro conceito que ainda não definimos e ao qual dedicaremos


parte do próximo parágrafo é o de área de um subconjunto qualquer D, de
R-, admitindo conhecida a área de um retângulo. Veremos que essa defini­
114 • Integrais Duplas

ção está ligada à integrabilidade das funções constantes sobre D. Nosso in­
teresse é considerar apenas os domínios de integração nos quais as fun­
ções constantes (ou mesmo as funções contínuas) são integráveis. Veremos
(teorema III.2.11) que se D é um subconjunto “com área”, então as fun­
ções contínuas são integráveis em D.
Em uma primeira leitura o leitor pode optar por omitir o parágrafo
dois que vem a seguir. Nesse caso, basta admitir a definição de área de um

subconjunto D, limitado, do como sendo a integral ^^^\dxdy quando

esta existir. Se não existe a integral \dxdy, dizemos que £)não tem área.

E possível, então, continuar a leitura a partir do parágrafo três.


Exercícios

1) Se Z)=[0,l]x[0,l] e f{x,y)=x^-\-y^, considere txês partições diferentes de D.


Escolha o ponto médio dos retângulos obtidos e calcule as somas de
Riemann correspondentes.
2) Seja D o quadrado D = [0 ,l]x [0 ,l]c i? ‘^.
a) Encontre um sólido Si do cujo volume seja dado pela integral

I\ - j j V 1-%^ dxdy, e outro, Sg, com volume L = j j (2-x) dxdy. Con-

clua que I\ = I2 = — .
^ 4 2
b) Calcule ( í (2V l-x^+ 10-5x) dxdy.

0 Calcule j [ (2-=.^ W ) e ache um sólido cujo volume seja

dado por essa integral.

3) Demonstre a igualdade j j (cf) (x,y)dxdy = c j j f{x,y)dxdy nas condi­

ções do teorema III.1.5.


1 1 6 • Integrais Duplas

§ 2. Os Domínios de Integração

Seja D um subconjunto limitado do^^, e So sólido considerado no pará­


grafo anterior para/(x,3)) = 1 , isto é, S={ (x,y,£):{x,y) €Z)eO<z<l }, ou seja, S é
um cilindro de base D e altura 1. É então natural esperar que a “área” de D
seja igual ao “volume” de S. O comentário feito na observação III. 1.4, a respei­
to desse volume, sugere que a área de D deveria ser definida como

j j Idxdy, desde que essa integral exista. Não temos interesse em conside­

rar domínios de integração D, sobre os quais a integral de uma função cons­


tante (ou mesmo de uma função contínua) não existe, ou seja, queremos
trabalhar com domínios para os quais seja possível definir área. Queremos

que exista a ^^^Idxdy. Veremos que essa existência depende de uma

característica de D que passamos a estudar. Comecemos com o exemplo


seguinte.

Exemplo III. 2.1

Um subconjunto D, do limitado, tal que não existe2i j j Idxdy.

Seja D-{(x,y) e [0,l]x[0,l]:x s Q e y e Q), onde Q é o conjunto dos


reais racionais, e sejz. f{x,y)= 1 .

R,
D
Cálculo Integral Avançado • 117

Se R\,Ri,.... ,Rn é uma partição qualquer de D, é possível fazer escolhas


n
de pontos {a\,/3\) em R^, de modo a se ter ^ f{ai,/íi)A{R\) = 1 ou
n i=\
^ f{ai,fii)A{Ri) = 0, bastando, para isso, tomar e QxQ^ i=l, 2 ,...,nou
i=l
{CC\,P-^ e {R} - <2x0, í=l,2,...,w. Temos, então, pela definição de integral
dupla, que/(x, 3>) não é integrável em D. O problema aqui é que qualquer
retângulo que contém pontos de D também contém pontos de seu comple­
mentar, permitindo as escolhas diferentes dos pontos ^ l , 2 ,...,n, fei­
tas anteriormente. O objetivo é eliminar esse problema e nessa direção ve­
jamos a definição a seguir.

Definição III. 2.2

Dado um subconjunto D do dizemos que um ponto {x,y) e R é um


ponto defronteira de D se qualquer retângulo centrado em {x,y) contém pon­
tos de D de seu complementar. O conjunto de todos os pontos de D é cha­
mado fronteira deDç:é denotado por dD .Um ponto {x,y) diz-se ponto interior
de D se {x,y)e {D-dD). O conjunto de todos os pontos interiores de D cha-
O
ma-se interior de De é denotado por D. O conjunto Z)é fechado se D=Du^D.

Definição III. 2.3

Todos os conjuntos desenhados abaixo tem dD igual a circunferência


centrada na origem e de raio 1 .

li
ili
II
118 • Integrais Duplas

Exemplo III. 2.4

A fronteira do conjunto D do exemplo III.2.1 é todo o quadrado


[0 , 1 ] x[0,l] (verifique!). Nesse caso, qualquer reunião finita de retângulos
que cobre õ!D tem área total maior ou igual a 1. Foi essencialmente esse

fato que implicou na não-existência da integral j j Idxdy. Para que certas

escolhas dos pontos e D, i=l,2,...,n não interfiram na existência do


limite das somas de Riemann, observamos que é necessário poder cobrir
õ!D com um número finito de retângulos tais que a soma de suas áreas seja
tão pequena quanto se desejar. Esse é justamente o conceito de conteúdo
nulo que definimos a seguir.

Definição III. 2.5

Um subconjunto do !B?, A, diz-se de conteúdo nulo se, dado £•>0 arbitrá­


rio, existem retângulos RuR^,.... Rn de lados paralelos aos eixos coordena-
n
TH
dos tais que A a u i?i e 2^ ^{R) < £■
i=i
Exemplo III. 2.6

Qualquer subconjunto finito de tem conteúdo nulo. Qualquer


união finita de conjuntos de conteúdo nulo tem conteúdo nulo. Um retân­
gulo ou um disco não tem conteúdo nulo. A fronteira (9D do conjunto D
do exemplo III.2.1 não tem conteúdo nulo.
Acreditamos que a discussão feita nos permite enunciar, sem demons­
tração, o seguinte teorema.

Teorema III. 2.7

Seja D um subconjunto limitado de R . Então existe j j Idxdy se, e

somente se, tem conteúdo nulo.


Cálculo Integral Avançado • 119

Definição III. 2.8

Se D d ÍR} é um subconjunto limitado, dizemos que D tem área se existe

j j Idxdy. Nesse caso, definimos A (£))= j j Idxdy área de D.

Como conseqüência do teorema III.2.7, temos que D tem área se, e so­
mente se, í?Z) tem conteúdo nulo. Observe que a área de um conjunto
pode ser zero ou um número real positivo.

Proposição III. 2.9

Seja DdRr limitado e com área. Se D tem área zero, então D tem con­
teúdo do nulo.

Prova

Se D tem área zero, então a integral j j ^ dxdy existe e é igual a zero.

Pela definição da integral dupla, temos que, dado £<0, existe ô >o tal que se
A={Ri ....Rn) é uma partição de algum retângulo que contém D, com IA | <ô
então

I l-A(R,)-0 = I A {R ,)< £ .
i=i !=1

Logo, dado f>0, existe um número finito de retângulos Ri,...,R„ com

D C y 7?,- e V A(7?j) < £ , o que mostra que D tem conteúdo nulo.


Í=1 i=l
Grande parte dos domínios de integração que utilizaremos são regiões
limitadas do IP ciyas fronteiras são curvas formadas por reuniões finitas de
gráficos de funções de classe 6K O teorema que vem a seguir mostra que
esses domínios têm área.
120 • Integrais Duplas

Teorema III. 2.10

Se h\[a,b\^R é uma função de classe ê^, então seu gráfico é um


subconjunto do R? que tem conteúdo nulo.

Prova

Como uma função contínua, temos que h' assume máxi­


mo e mínimo em [a, 6], logo, existe M >0 tal que I h'{x) |<M, Vxe {a,b\-
Por outro lado, dados x,y e [a,è], x < 3), o teorema do valor médio ga­
rante a existência de x € {x,y) tal que:

h{y)-h{x) = H(x) (^i-x) .

Logo, temos I h{y)-h{x) I < M| y-x I, yx,y e. [a,b\. (1 )


Dado, então, £ > 0, escolhemos a = Xo < xi <...<x„ = b tais que

zlX i - X i- X i_ i < í=l,2,...,n. Para cada í=l,2,...,n consideramos R^o re-


M{b-a)
tângulo de lados paralelos aos eixos coordenados de vértices indicados na
figura, onde e M; são respectivamente os valores mínimo e máximo de h
em [ ;x5_i, ííí ]. É claro que os retângulos R\,....R^ cobrem o gráfico de e

^ A (i? i)= X (M i-m i)d x i.


i=\ z=l
Cálculo Integral Avançado • 121

Por (1) temos (M, - mi) < Màxi, para cada i, logo:

< M {m á x A x ;)^ A x i< M — ^


Í=l Í=1 ' Í=l ^ '

o que mostra que o gráfico tem conteúdo nulo.

Observação III. 2.11

O teorema anterior é verdadeiro para funções A: [a,6] contínuas.


Nós nos restringimos a funções por ser esse o caso que nos ocorrerá com
mais freqüência e também pela simplicidade da demonstração.
O que fizemos garante que, nos domínios de integração dados por
subconjuntos limitados e com área, as funções constantes são integráveis. No
próximo parágrafo enunciaremos teoremas que mostram que essa classe,
de funções integráveis, é bem maior.

§ 3. Funções Integráveis

O teorema a seguir, que apenas enunciamos, sem demonstração, ga­


rante que pelo menos as funções contínuas são integráveis em conjuntos li­
mitados e com área.

Teorema III. 3.1

Seja Z)c #2^um subconjunto limitado e com área, e seja f=f{x,y) uma
função contínua em um retângulo que contém D. Então / é integrável
em D.
O próximo teorema, que também apenas enunciaremos, será particu­
larmente útil no cálculo das integrais duplas.
122 • Integrais Duplas

Teorema III. 3.2

Seja D (Z IR} um subconjunto limitado com área, e sejam A e


subconjuntos do , com área, tais que D-D\ u A , c D\ r\ têm área
nula. Então se f={x,y) é integrável em D, será também integrável em A
e A e;

í íi j j f{x,y)dxdy + f{x,y)dxdy .

Exemplo III3.3

SejaD=A'-^AondeA= [0,l]x [ 0,l] eD 2={(?c,}i) |l< ;x:< 2 e 0 < 3)< 2-:>c}, eseja

f{x,y) - -3, V {x,y) g D. Como f é contínua, temos que existe j j f{x,y) dxdy, e
o teorema anterior garante que

í Íd ~ í íü ^ í ~ ) - 3A (A ) , sendo a

última igualdade dada pelo exemplo 111.1.3a.

Então,J'J' f{x,y) dxdy^ -3 -3 -l/2 = - 9/2.


Cálculo Integral Avançado • 123

Deixamos ao leitor, por ser fácil, a demonstração do próximo teorema.

Teorema III. 3.4

Seja D e limitado e com área d (D). Se f=^f(x,y) é uma função


integrável em D, e se m e M são números reais com m < f{x,y) < M, para
todo (x,y) e D, então:

mA{D)< j j f{x,y)dxdy<MA{D) .

Exemplo III. 3.5

Se D - \ {x,y)ç:R^Ix^-\-y-<\] ef{x,y) = Sx^+2y'^+y^/9, mostramos no exem­


plo II.5.10 que 0<f{x,y) < 3, V{x,y)eD.
Logo, pelo teorema anterioi', temos:

0 < j j f{x,y) dxdy < S-A{D) = Stt .

Lembramos que, se D<^R^, chamamos de interior de D e denotamos


O o
D, ao conjunto D=D-dD, onde dD é a fronteira de D.

Teorema III. 3.6: Teorema do Valor Médio para Integrais Duplas

Seja DalB} limitado com área A{D) e tal que D é conexo. Se f=f{x,y) é
o
uma função contínua em D, então existe (x,y) e D tal que

I I f{x,y)dxdy = f{x,y)A{D) .
w

Lembrando a observação III.1.4, no caso de f>(0) o teorema do valor


médio afirma que existe um ponto {x,y) no interior de D tal que o volume
do “cilindro” de base D e altura/(x,y) é igual ao volume do sólido compre­
endido entre o gráfico de f e o plano Oxy.
O que veremos a seguir mostra que a exigência de continuidade para
se obter a integrabilidade de uma função pode ser ligeiramente enfra­
quecida.
124 • Integrais Duplas

Para isso observemos que, se Dez é um subconjunto de área zero e


f{x,y) é uma função qualquer, limitada, não é difícil verificar que / é

integrável em D e J'J* f{x,y)dxdy - 0 (prove!).

Também é fácil verificar que, se D é um conjunto com área e D\<zD


com A(A)=0, então D-Di tem área e A{D-D{)=A{D).
Desses fatos e dos teoremas III.3.1 deduzimos os seguintes teoremas:

Teorema III. 3.7

Seja D <z IB3 um subconjunto limitado e com área, e f^f{x,y) uma fun­
ção limitada em D. Se f é contínua, exceto num conjunto de área zero, en­
tão / é integrável em D.

Teorema III. 3.8

S e f e g são funções integráveis em um conjunto D, D <z IR} limitado e


com área, e se o conjunto {(x,)») € D:f{x,y)^g{x,y)} tem área zero, então:

j j f{x,y)dxdy= g{x,y)dxdy .

Exemplo III. 3.9

Os resultados anteriores nos permitem calcular ^ j j f{x,y)dxdy onde

Z)=[0,1] X [0,1] e

1 se {x,y) & D, y^l


M y) pois
2 se (x,y) e D, y=l

j j f{x, y) dxdy ~ j j j) ~

onde g(x,);)=l, V {x,y) e D.


Cálculo Integral Avançado • 125

Podemos também calcular a integral I I h {x,y) dxdy,

1 se (x,y) e D, y<
h(x,y)
2 se (x,y) e D, y> ^

j j h{x,y)dxdy= j j Idydx + j j Idydx .


[ 0 , l ] x [0,1/2] [0, l ] x [ l / 2 , 1]
Exercícios

1) Demonstre o teorema III.3.4.


2) Determine os valores máximo e mínimo que as seguintes integrais du­
plas podem assumir;

a) J xy dxdy, sendo D a região limitada pelas retas x=0, y=0, x=2 e

y=x+2>.

y dxdy, sendo D a região limitada pela reta y~0 e pela curva

y=2x~~x.

c) j j (x+)>) dxdy, sendo D a região limitada pela curva x-+y^=9.

3) Seja [-l,0 ]x [0 ,l], A o triângulo de vértices (-1,1), (1,1) e (1,2) e


A a região limitada pelas retas ;x;=0 e y=l e pelo arco de parábola y=x~.
Admita que:
j j xdxdy = - ^ , jjx d x d y = , j j xdxdy= .

Calcule j xdxdy onde D-D iKj D2<j Ds.

4) Seja D=A'-^A'^A o subconjunto do R ‘^, dado no exercício anterior.


S eja /= /(x,y) definida em D por:
f{x,y)=x se (x,y) é ponto interior de A , D2 ou A ■
f{x,y)=l se (x,y) é ponto da fronteira de A> •
f{x,y)=2 se {x,y) é ponto do arco de parábola contido na fronteira de A •
f{x,y)=0 se (x,y) não está nas condições anteriores.
Cálculo Integral Avançado • 127

Calcule J J f{x,y)dxdy.

5) Usando os resultados dados no exercício 2a) do parágrafo 1, calcule

j j g(x,y) dxdy, í)= [0,l]x[0,l], sendo g=g(x,y) definida em D por

V l-x^ se (x,y) é ponto interior de f)com x^ 1/2


g(.x,y) = Ose x= 1 / 2
X se (x,y) é ponto de fronteira de D.
128 • Integrais Duplas

§ 4. Integrais Iteradas - Teorema de Fubini

O cálculo de integrais duplas a partir de sua definição seria um pro­


cesso trabalhoso e quase impossível, na prática, na maioria dos casos. Esse
problema é resolvido usando-se o teorema de Fubini, que enunciaremos
neste parágrafo e que reduz o cálculo de uma integral dupla ao cálculo de
duas integrais de uma variável.
A idéia do teorema é a seguinte: se f:R={a,b\x{c,d\^R é uma função
contínua e positiva e sefy,:[c,d]^Ré definida porfy,{y)-f{x,y), então a área,
A{x), da secção plana abaixo do gráfico de / e acima do plano Oxy,
rd rd
com Xfixado, será A(x)= fx{y)dy= f{x,y)dy. E conhecido (princípio

de Cavallieri) que o volume do sólido S={(x,3i,z):(x,)/) e D e 0 < z<f{x,y)} é

iguala \ A{x)dx= ( /(x, 3»)ííy) áx e, pelas discussões do parágrafo ante-


Ja Ja Jc
rior, esse volume também deveria ser igual ^ j j f(x,y)dxdy. Logo, tería-

mosJJ* f{x,y)dxdy = j f{x,y)dy)dx, que nos diz que para calcular a in­

tegral dupla primeiramente calculamos a integral simples d e/em relação a


y (mantendo x fixo) de c até d e depois integramos a função resultante,
rd
A = A{x)~ y(x,3i)dy em relação a X, de aaté í>.
Cálculo Integral Avançado • 129

o mesmo argumento, com as variáveis trocadas nos permitiria con­


cluir que:

ff f{x,y)dxdy= f £())) d)), sendo 5 (31) = f f{x,y)dx .


rb rd
As integrais ( fix,y) dy)dx e. \ ( f{x,y) dx) dy são chamadas inte-
Ja Jc Jc a

grais iteradas d e /e m R.

Para simplificação eliminamos os parênteses na notação das integrais,


escrevendo:

Çb Çd rd Çb
f{x,y) dydx e f{x,y) dxdy .
Ja Jc J c *1a

Esse resultado é dado pelo próximo teorema, que vamos admitir sem
demonstração.

Teorema III. 4.1: Fubini para Retângulos

Seja R-{a,b]x[c,d\<:zFF , e f=f{x,y) uma função integrável em R. Se

para cada ye [c, d\ existe a integral f f{x,y) dx= G ( ),


Ja
31

então existe a integral j ; G{y)dye

ff
*) *)R
f(x,y) dxdy = f
C
G{y) dy^ ff
C Q,
f{x,y) dxdy .

Se para cada x e [a,b] existe a integral j f{x,y) dy-F{x), então existe a inte­

gral f F{x)dxe
da
f f f{x,y)dxdy- f F{x)dx= f f f{x,y)dydx.
J Jr Ja Ja Jc
130 • Integrais D uplas

Exemplo III. 4.2

Calcule j j X dxdy, sendo R= [0,1 ] x [ - 1 , 1 ].

rr X dxdy = r r X dydx - f f x dydx ■


J Jr Jo J-1 Jo J-í

- f X e""’ (e-e ^)dx= — í d'du= (e-e (e-1)


Jo 2 Jo 2
Exemplo III. 4.3

Uma aplicação interessante e diferente do teorema de Fubini é a se­


guinte: suponhamos que um dado retângulo R pode ser subdividido em
retângulos menores R\,R2,...Rn, dois a dois com interiores disjuntos, cada
Ri, i=l,2,...,n, com lados paralelos aos lados de i?e cada i=l,2...,n, tendo
o comprimento de algum lado igual a um número inteiro. Prove então que
também R tem um dos lados com comprimento igual a um número intei­
ro. Naturalmente o leitor pode tentar alguma solução geométrica, o que
nos parece difícil dada a arbitrariedade do lado de comprimento inteiro. O
teorema de Fubini contempla essa arbitrariedade, como se pode ver pela
solução que apresentamos. Consideremos um sistema cartesiano tal que
R={0,á\x[0,P] e/?i=[a,;,è,:]x[c,:,d,;], i=\,2,...,n.
Sc f{x,y)={scn 2 tüx ) {scn27ty), temos:

[ f(x,y)dxdy= f(x,y)dxdy
J Jr - i1
7- J Jrj
e pelo teorema de Fubini:

li.
Cálculo Integral Avançado • 131

n ^ b d
Z f{x,y)dxdy= Z ' ' (sen2 ;rx) (sen2 -T3>) dydx =
i=i

" r*i C‘^\


= 2] ( I sen2 ;rx dx) ( ‘ sen^TVy dy) - 0 ,
i?-- 1
i 1 1

pois temos para cada i=\,‘2.,..,n

í ' sen 2 ;Tícdx= 0 ou f ' scn^íTty dy = 0


J a. J c.
1 1

uma vez que {b—a^ ou (d,-Ci) é um inteiro.


Conseqüentemente:

í í f{x,y)dxdy= í í (sen2 .?ríc) (sen2 ;T3>) dydx =


J Jr J o do

ra Ç^
= ( sen2 ;rx dx) ( sen 2 ;í)) d}i) = 0 , e então:
Jo Jo

ra çp
sen27tx cíx = 0 ou s,cn27ty dy = 0 ,
Jo Jo

o que mostra que ou a o n fié um número inteiro.

Também utilizaremos uma versão mais geral do teorema de Fubini a


seguir.

Teorema III. 4.4

Sejam p,q\[a,b]^R funções contínuas com p{x)<q{x), V x e [a,b], e


seja D d R'^, a<x<b e p{x)<y<q{x)\. Se f=f(x,y) é uma função
integrável em D e existe a integral
f r b f ?{.v)
d))para todo x e [a,ô], então existe a f{x,y)dydx e
Ja Jp(x)

í í fi^yy) dxdy = r V f{x,y) dydx.


J Jü J a Jl>(x)
1 ~)2 • ín(('o')m.s Duplas

( )bservamos que o teorema anterior é também verdadeiro no caso de


D-{{x,y)\c<y<d e r(3i)<%<5(3;)}, sendo r,s\{c,d\^R funções contínuas com

r{y)<s{y), \/y e [c,d] e considerando a existência da integral f{x,y)dx


Jr(y)

para todo y e [c,d\. Nesse caso temos:

í í f{x,y)dxdy= f f f{x,y)dxdy .
J Jd c r{y)

Exemplo III. 4.5

Calcular J*J' sendo

Z)={(x,3i):0<x<l e x^<3i<x‘^}.

J J (.v“ + xy) dxdy = J J*, (x“ + xy) dydx - J* {x^y + ~ ~ ) ] ' ^ dx =

f '/ 4 , 5 ^ ^T 13
240
Cálculo Integral Avançado • 133

Ou podemos fazer:

D - {{x,y) :0 < ^ < 1 e x< e

(■' (■'' ,
/I {\- +\\) (l\(l\ \ I {V- +.VV) c/.\y /)'=
\ V

f'Çx^
x" x"
x^ j rr’/)’
y \y~ V- ——
x)' - 13
dy
0 3 2 -*x=V^ Jo 3 2 ' 3 2 240

Exemplo í l 1. 4.6

Calcule j j y dxdy sendo D a parte superior do disco centrado na ori­

gem e de raio 2 .
D = {(x,y) :-2< x < 2 e 0 < y< V 4 - }

3 I .V
\ d\d\ I I \ d\d\-

^rv
Exercícios

1) Calcule as integrais iteradas:

a) y

b) ^ dyãx

2) Esboce a região de integração e calcule as integrais

a) j j xy^dxdy, D m x,y):l< x< 2,0<y< 2x\

b) f{x,y) dxdy, D={ (x,y): Iíc| < ;r/2, 0 < 3)<cosx}, f{x,y)=y senx

c) j j \x-y\dxdy, D=[Q,\'\x[Q,l'\

3) Esboce a região de integração e inverta a ordem de integração:


n
l2x
2 f{x,y)dydx

b) f í f{x,y)dxdy, a>0

í:rsenX f{x,y) dydx


n f{x,y) dydx

e) Jy J f{x,y)dydx, a>0
2a

f) í í ^ /(^>y) d^xdy
Cálculo Integral Avançado • 135

4) Inverta a ordem de integração e a seguir calcule as integrais;

a) e^' dxdy
Jo Jy
b) J* J" V 1 +x^ dxíi!)i

/: /; I T + ^ dydx

d) y dxdy

P P í^ ^ s e ^ ^ ^ O
e) f{x,y) dydx onde f{x,y) = \y
Jo J k t a
1 se 3)= 0
5) Calcule as seguintes integrais e esboce as regiões de integração:

a, I
^ 5 /3 ^ Ix
b) xfdydx
J2/3 Jl-X
c) j I 2x^y^ dydx

d-A-
("i r 2
d) {x-+4:y-)dydx
Jo Jo
1 ^
e) í f e^^^dxdy
J1/2J0
f) r dxdy
J 1/ 2 J >
’■
6) Calcule a área das seguintes regiões planas D:

a) Z) limitada pelas curvas y - x^ e y = l~x


b) D limitada pelas curvas y= x- e y-= x
c) D é a. parte superior do disco centrado na origem e de raio 2
d) D determinada pelas desigualdades xy < A , y < x , 21 y > 4x .

7) Calcule os volumes dos sólidos 5 abaixo.


a) S é o tetraedro com faces nos planos coordenadas e no plano
X+)) + z = 2 .
136 • Integrais D uplas

b) S é limitado pelas superfícies z-0, f = 4-x c z = y + 2.


c) Sé limitado pelas superfícies x^= y+ z, y - 0, z - 0 e x=2.
gx/'Iy
d) S é O sólido abaixo do gráfico de f{x,y) = — acima do plano Oxy

com (x,)i) e D, sendo D a regiáo plana limitada por x=\, y=2 e y-x^
com x> l.

e) S é o sólido abaixo do gráfico ácf{x,y) = ^ ^ ^ acima do plano Oxy

com (x,3i) e D, sendo D a região plana limitada por y=x, y=l e x=2.

8 ) Calcule o volume de S, para:


a) S limitado pelas superfícies x=0, y^=4-x, z-y-v2 e z-2y3-‘ò.
b) S limitado pelas superfícies x-0, •f-4-x, z=y+2 e z=y-^.
c) S limitado pelas superfícies y=l-x'^, y=x^-\,z=y e z=4-y.
d) S limitado pelas superfícies x^+'f=d^ e z‘‘-3-f-=d, a>0.
Cálculo Integral Avançado • 137

§ 5. Mudança de Variáveis na Integral Dupla

Um dos métodos que usamos para resolver integrais de funções de


uma variável foi o de substituição ou de mudança de variáveis, que é basea­
do na fórmula

f f{x) dx^ \ fig iu )) g'(u)du,


Ja Jc

onde g é uma funçáo com derivada contínua em um intervalo I que con­


tém ce d, e onde ce d são tais que g{c)=a e g{d)-b. Além disso, supomos f
contínua na imagem de g.
Se gé estritamente crescente (ou decrescente) em I, logo bijetora, ob­
servamos que vale

r f(x)rfjc- í f i g i u ) ) \ g i u ) \ d u sendo \_a,p\ ( \_a,b] ) .


J a j a

Para as integrais duplas, temos uma fórmula análoga que está no


enunciado do próximo teorema. Façamos antes algumas considerações.
Uma mudança de variáveis num subconjunto do é dada por uma
transformação
<p:D„„ !B?
iu,v) ix,y) = ixiu,v),yiu,v)) .
Como vamos trabalhar com domínios de integração, consideramos
Duv subconjunto limitado e com área.
Vamos supor ç de classe e injetora.
138 • Integrais Duplas

Se R\,.... Rn é uma partição de um retângulo que contém e


S i= ç > { R ,), observemos as figuras abaixo, onde yí e são as ima­
gens, por q>, dos lados de Ri que passam por {ui,v^,

P,

{x„y)
(“i. v) TxK

Podemos parametizar as curvas y \ e y ‘2 por


y i{ u )= ç { u ,V i)-{ x { u ,V i),y { u ,V i)),u e + A ’^ u ]

y z{v )= < p { u i,v )= { x { u i,v ),y { u i,v ),v e [v í,V í + A ^ v ] .

Logo, o vetor tangente a y{ em (xi,y,) é Tj = ( Ví), (m„ v^)) e

o vetor tangente a y^em (Xi,y,) éT>= { Ví), - ^ { uí, v,)).


av ov
Se Pi é o paralelogramo formado pelos vetores T \ A ‘u e T 2A , sabemos
que sua área, A{P,), é dada por;

dx dy
du du
A(P.) = IT, A \A‘uA‘v = {u .,v)A ‘uA'v =
dx dy
dv dv

= IJ (tp) (u.,v) \AuA'v = d{x,y') (u.,v) A (P ,),i= l,2 , n


d{u,v)
Em boas condições podemos esperar que a área de P, seja uma aproxi­
mação para a área de S„ logo teremos
A (5,)=l/(^)K í^.)U (^<),
i=l,2,...,n. (Verifique isso nos exemplos I.1.4a e I.1.4b, que são transforma­
ções que preservam áreas).
Cálculo Integral Avançado • 139

Sc / = / (x, y) é uma função contínua em = Ç)(Z),„,), temos:


n n
J f{x„y!)A{S^= Y, f{x{u^,v), y{u.,v)) \J {ç ) (u.,v) IA(/í.) .
i=\ i=l

Lembrando a definição de integrais duplas, por somas de Riemann,


isso nos leva a pensar que

j j f{x,y) dxdy = j j f{x(u,v), y{u,v)) |J {(p) (u,v) Idudv.


xy uv

De fato, temos como teorema o seguinte resultado:

Teorema III. 3.1

Seja Duv Cl IT limitado e com área, e 12 cz R'^ um aberto que contém


Dyj, u PDuv Seja ç: S2 R3, ç){u,v)={x,y)={x{u,v),y(u,v)) uma transforma­
ção de classe d’*em 12, injetora no interior de D„v e com I J{(p) iu,v) I ^ 0 para
todo {u,v) no interior de Duv Nessas condições, se f=f(x,y) é contínua em
Dxy=Ç){Duxi) e temos:

j j f{x{u,v),y{u,v))\j{(p){u,v)\dudv.
^xy ^uv

Exemplo III. 5.2

Calcule, utilizando uma mudança de variáveis conveniente, a integral

dxdy, sendo D^y o domínio indicado na figura.


J Jdxy J
y—x
140 • Integrais Duplas

Consideramos,

X- x{u,v) = u-v
2
ç>:
y = y{u,v) = u-^v

que nos dá

x-\- y = u
y - x= V

J_
J<p{u,v) = 2 2
^ 0,V (u,v) e
J_ J_
2 2

Tomemos Z>u„= [3,4]x[l,3] para que Z>x3,= çiD^v) ■

D.

Observemos que ç>é injetora e de classe 6^ em lEl?, logo;

íí íí \3 Íd tu lv^ N ’ ^d«áu =
J J d xy /v - x J J d uv ^2 V J 3J I V

InS InS
2 8 8 ^ 2
Cálculo Integral Avançado • 141

Exemplo III. 5.3

Uma mudança de variáveis bastante utilizada é a transformação em co­


ordenadas polares, vista em 1.2.5, dada por

x{r,0) = rcos 9
ç-.-
y{r,6) = rsen 6

ou {x,y)= ç{r,6)={rCOS 9,rsen 9) ,

com r> 0 e 0 < 9< 2ir.

Um exemplo em que essa mudança de variáveis é conveniente é o cál­


culo da área do disco centrado na origem e raio a, a>0. Devemos calcular

Jí 1 dxdy, onde D^y= {{x,y)\x^+'f < d^\

Nesse caso, para aplicar o teorema III.5.1 tomamos

u = r, r e [0 ,a]
v= 9, 9 e [0,2;r]

Logo, D,0=[Q,a] X [0,2;r[, e já vimos que /( çj) {r,9)-r. Então, temos que
(pé injetora e que J{ç) não se anula no interioráe D,o.

Portanto, j*J l J J l •/-c/rcí© =J^ ^rdrdd =7Ta'.

Notemos que a transformação utilizada

ç: [0 ,oo[x [0 ,2 ;r[ -4 H-
(r,9) —> (x,);) = (rcos 9, rsen 9)

não é injetora em D^^pois leva todos os pontos (0 ,^), 9 e [0 ,2 ;r[, em (0 ,0 ).


Também o J<p(r,9)=r se anula nos pontos que tem r=0. Entretanto (p está
nas condições de se aplicar o teorama III.5.1
142 • Integrais Duplas

Exemplo III. 5.4

Calcule j j dxdy, sendo


‘^xy
Dxy={ {x,y) G 1 < + y < 16 e -X < < x}
Usando coordenadas polares temos:

x= x(r,0) - rcos 6
y = y {r,0) =rsen 6, re [1,4], 0& JL JL
4 ’ 4

Muitas vezes, como nesse exemplo, é mais conveniente tomar a varia­


ção da variável, 6] das coordenadas polares, no intervalo em lugar
de [0,2;r[. Pelo teorema III.5.1, não há problemas em se proceder assim.
As condições do teorema III.5.1 estão verificadas, logo temos:

j j dxd)i= j j r.e’ drdO= j r .f ' drdô=


xy rO T

-.4

d 0 = -^ \e ^ ^ -e
Cálculo Integral Avançado • 143

Exemplo III. 5.5

Calcule JJ^x^ + fdxdy, sendo D,y o semicírculo


X)-
A). 31^ 0}.

Vamos usar coordenadas polares para descrever a região A>- Para isso
precisamos da equação da circunferência (x- 1 )- + = 1 em coordenadas
polares. Assim, (x-l)-+y=l ou x^-2x+l+y^=l ou x‘^+y^-2x=0.

Substituindo x-rcosôe y=rsenO acima, temos:

r^cos^0-2r cos6'+r^sen‘‘^6*= 0

r^=2 rcos 6*,

e para r^O obtemos r=2cos6, que é a equação da circunferência dada em


coordenadas polares.
Observe que o valor r=0 é obtido da equação para 6= n:/2.
Para descrever Dxy podemos pensar nos segmentos de reta de extre­
mos no ponto 0 e nos pontos da semicircunferência, como representado
no desenho. Fixar um segmento desse tipo significa fixar um 6, ângulo for­
mado por esse segmento e o eixo 0^.
Então, para cada ponto P no segmento temos P={r,0), onde
0 < r< 2 cos^.
A região Dxy pode ser descrita em coordenadas polares por

Dx, y = {{r,d)& IR-:0<d < 7 t l l , 0 < r < 2cos0} .


144 • Integrais Duplas

A integral fica
7t
j j Vx^+y^ dxdy = j j r-rdrdO-
xy

2cos^
cos^OdO^
" - i j ;
n -1 IL
r ^ cos^(l-sen^ 6*)cí^= sen 6*- sen* 6* 2

J 0 ^ _ -■o

8
_ _
1 -
8 A _2_=16
3 3 ■3 9

Exemplo III. 5.6

Calcular a área da região limitada pela rosácea de três pétalas dada em


coordenadas polares porr-asexiW, a>0. Como sen 36*deve ser positivo, temos
0 < W<7t, ^7t< 2>6< 3/rou Ait< ?>6<bn:,o que fornece 0 < 0 < tcI2>, 2;t/ 3 <0<7t
ou 4;r/3 < 0< b7u/2>.
A região D do primeiro quadrante pode ser descrita em coordenadas
polares por

Z)={(r, 9) o<^<;;r/3, 0< r< asen 3^ } .


Cálculo Integral Avançado • 145

Então, a área A desejada é


~~
A=3 I dxdy=2)
J JD
í^josenSe rdrdO=
*/ 0 0
K
= 3 Í ’ -Ísen " 3(9á0= -^ f áe=
J 0 2 2 J 0 2

'Òd^ K 1 _^2
4 3 3
Exemplo III. 5.7

Calcule a área da região A limitada pela hipociclóide de equação x^^^ +


^2/3_ ^2/3^ a>0 .

Usando a transformação
x= x(0,r) = rcos^O
y= y{0,r) - rsen^0,
temos que a equação acima fica ■d^'^cos^0+ ■d^hen‘^0- d^^^ ou r=a.
O determinante jacobiano da transformação é

-3rcos" 0 .sen 0 C O S
3U'
/I!
3(0,r) 3rsen" 0.cosO sen ' 0

= - 3rcos"0sen^0- 3rsen^0cos'*^=
= - 3r cos-0sen^^[sen-0+ cos‘^0] = -3 r /4 sen-20

Logo, ^(x,y) Sr sen^20


0(0,r)
146 • Integrais Duplas

Descrevendo os pontos da região A nas coordenadas (r,(9) temos:


A - {{t,r)eH^: 0 < 9< 2;r, 0 < r< a),

área de A - 5"sen‘^2 0 drd6-

-^[pjscn^29d0j.[j'-^rdr

f 2r| ^l-cos4^ \ ^
4 l. )o '^ 2 r

3 _ 3 7ia^
4 ■^ • Y = - 8
Exercícios

1) Calcular as integrais abaixo, usando uma conveniente mudança de co­


ordenadas:

a) (x-y)hen{x+y) dxdy, sendo D o paralelogramo de vértices (7r,0),

{n,27t) e (0 ,;r).

b) J'J' ( V dr - x^ ^ x^ + f -) dxdy, sendo D o disco x^+f<d^.


JVd-.V2

/*2 dZ 2
d) JJ V 4-x--y'^ dydx.

e) ifi(^x + y)dxdy, sendo D a região limitada pelas retas x+y=l,


J Jd x^
x+y~2, x=y e y=0.

f) J'J' dydx, sendo D a região interior à curva x^+y+2x=0.

vx?
g) Vx- + yr dydx.
J oJi)
^Vrr-y
h) J J ^___sen(x-+y)cíxc?)).
- V^-y

i) j j Idxdy, sendo D o interior da elipse +-^=1.

2) Calcular os volumes dos sólidos S limitados pelas superfícies a seguir:


a) x^+y-=d-, z=0 e x^+y-=4:d--z ;
148 • Integrais Duplas

2
b ) z = x+) )2 e z ~1

c) z=4-y-e z= 2 x‘‘^+y";
d) z(x'^+y^)-2, z= 0 , x^+y^=l e x‘^+;y^=2 ;
e) z^=x'^+y^ e r=l+cos 0 ;
f) z=x'^+y^ e x- 2 z+2=0 ;
g) z^=x^+y^ e -2y=0 ;
h) z = x^+ y^+1, x^+ y^-2x = 0 e z = 0 ;
i) + 31^ / + z*'^/c^ =1 .

3) Calcule as áreas das regiões R a seguir:


a) R é limitada por 3 ^= 4x e ^’
b) i? é a região interior ao círculo x^+3‘^-63=0 e exterior ao círculo
X"+3^=9 ;
c) Ré limitada por um laço de leniniscala ) '-=2a'-cos29, ôe [-;r/4, tt/ 4] ;
d) i?é limitada pela curva r=l+cos 6>;
e ) II é l i m i t a d a p o r u m l a ç o d a c u r v a / = a cos2() . c/ > 0 ;

f) R é determinada pelas desigualdades x-+v'-<9, 3<x +3 e 3<-x .


Cálculo Integral Avançado • 149

§ 6. Aplicações da Integral Dupla

III.6.1: Massa

Se £>c é um subconjunto limitado e com área, e a função contínua


p:D^R, p~p{x,y) representa a densidade superficial de massa, então, dada
uma partição de algum retângulo que contém D e uma escolha
n
{ai, y^i) e Ri, i=\,2,...,n, observamos que a som a^ p (a.,/3)A{R,) é uma
!=1
aproximação da massa de D, onde
p{x,y) se {x,y)eD
p {x,y) =
0 se (x,y) g D
Lembrando a definição de integral dupla, vemos que é razoável defi-

nir a massa de D com m(Z)) = j j p{x,y) dxdy.

III. 6.2: Centro de Massa

Dado um sistema finito de partículas P‘i={x'-2,y2),—;


P,i={x,„y„), cada uma delas com massa m,, í=l, 2 ,...,n, respectivamente, lem­
bramos que os momentos de massa desse sistema em relação aos eixos e
Oy são definidos por;
n n
M ox = X ruiyi, M oy= M íX í .
i=\ í=\
1 50 • Integrais D uplas

O centro de massa desse sistema é o ponto Çc,y), que tem a propriedade


de manter os mesmos momentos de massa em relação aos eixos, quando
n
consideramos nesse ponto uma partícula de massa M = ^ rrii .
i=l

rriiXi X ^lyi
1=1 ■c y - 1=1
Logo, My = Yi ~ ou
1=1 i=i M M

Se consideramos agora não um sistema finito de partículas, mas uma


chapa plana D (D (Z limitado e com área) com densidade superficial de
massa dada por uma função contínua p=p{x,y), fazemos:

Ri,...Rn uma partição de algum retângulo que contém D


~ . í
P \x,y) = \
se {x,y)^ D
10 se {pi,y) € Z).

Escolhemos Pi={xi,y^ e Ri, i=l,2,...,n e consideramos o sistema


finito de partículas P\,....Pn, supondo cada uma delas com massa
mi=p(xi,yi)A{Ri). Então:

AIqx X PÍXi,yi) yiA (Z?;) e Alpy X PKxuyh xiA (Z?,) .


í=i 1=1
Cálculo Integral Avançado * 151

Lembrando a definição de integral dupla, é novamente razoável


definir os momentos de massa da chapa D em relação aos eixos coordena­
dos por

Mox= j j p{x,y)y dxdy e Moy= j j p{x,y)x dxdy,

e definindo o centro de massa (x,y) da chapa da mesma maneira feita no sis­


tema finito, vem que

j j p {x,y) X dxdy j j p {x,y) x dxdy


X=
M j j p {x,y) dxdy

j j p (x,y) y dxdy j j p {x,y) y dxdy


p (x,3)) dxdy

III. 6.3: Momento de Inércia

Se D é como no caso anterior, e Eé um eixo qualquer do R^, com ar­


gumentos análogos aos anteriores verificamos que é razoável definir o

momento de inércia, Ie, de D em relação ao eixo E^ior ~ PÍ^>Í) dxdy,

onde dEÍx,y) é a distância do ponto {x,y) ao eixo E, uma vez que para um
sistema finito de partículas P|=(xi ,3)1),..., P„={x„,y„) com massas to,;,
n
i=l,...,w respectivamente define-se/i= ^ dj,{xi,yi)mi.
i=i
152 • Integrais Duplas

Então, temos Iox= j j y^p(x,y) dxdye Ioy= p{x,y) dxdy.

Define-se também momento de inércia polar, com pólo na origem, ou

em relação ao eixo por /<,= jj(x'^+y^)p{x,y)dxdy. Observe que

X- + = d^{{x,y),{0,0)) = do'^{x,y).

Exemplo III. 6.4

Determinemos o centro de massa e o momento de inércia em relação


ao eixo Oz da região, D={(jc,}i): - 1 < íc<2 e x''^<y<x+2} sendo P{x,y) = kx.

m{D) - j j kxdxdy= j j 2 “ J" Ax(x+2-x^) áx = 9 /4 k

= -^ f x^(x+2-}<y) dx = 2—
k 9 J_i 5
4 *

Deixamos para o leitor o cálculo de )i. O momento de inércia em rela­


ção ao eixo Oz é dado por

í :j;.2kxix^+y^) dydx =
ct /•'■+-

|x^(x+2-x^) + [(x+2)^-x‘’] I cíx = 2801


120
Exercícios

1) Calcule as massas das regiões D com as densidades de massa, p{x,y), da­


das:
a) D limitada por y=x^ e f-=x e p{x,y)=2>y.
b) D limitada por 3 ) = 0e = V - x^ e p{x,y)=3y.
c) Z) limitada por x+y=5 e xy=4: e p{x,y)=x.
d) Z) limitada por 3/=jc- e y=x+2 e p{x,y)=x‘^y.

2) Determine as coordenadas dos centros de massa das regiões R abaixo,


com as densidades de massa dadas:
a) ilé limitada pela parábola x''^=Sy, pela reta y=2 e pelo eixo Oy, com
x> 0 ; a densidade de massa em cada ponto é proporcional à distân­
cia do ponto à reta y= - 1 .
b) Zí é determinada por x-+y-<dr e a densidade é p{x,y) = V x^ + f -.
c) R é limitada por 3x^+4y^=48 e {x-2)‘^+y^=\ e a densidade é constante.
d) Z?é limitada por um laço da curva r^=d^cos 29edi densidade é cons­
tante.
e) Z? é a parte superior do disco centrado na origem e de raio a, a>0; a
densidade de massa é constante.
f) R-{ {x,y):0 < x < l,x '^ < y < }; densidade de massa constante.
g) Z? é limitada pelo cardióide r=2(l+sen0); a densidade de massa em
cada ponto é proporcional à distância do ponto à origem.
h) Z?é o triângulo de vértices (0,0), (1,0) e (0,1); densidade de massa
constante.
154 • Integrais D uplas

3) Calcule o momento de inércia em relação ao eixo dado da chapa D,


cuja densidade pontual de massa é dada:
a) D é o quadrado de vértices (0,0),(a,0), {a,d}, (0,a); o eixo é Oy e sl
densidade é constante.
b) D^{ ( {x,y) : 1 < X< 4, — < 3)< 5 - x) o eixo é Oxe a. densidade é cons-
X
tante.
c) D-{{x, y): x- + y^< d^}; o eixo é Oz e a densidade superficial é p(x, y) =
k'4 x^ + y^, k> 0 .
d) D={{x,y):-l < x< 2, x‘^< y< x + 2] o eixo é a reta 3)= 4 e a densidade é
constante.
e) D é limitada por um laço da curva r‘"=a-cos2^, o eixo é Oz e a densi­
dade é constante.
Cálculo Integral Avançado • 155

§ 7. Derivação sob o Sinal de Integração

Seja f=f{x,t) uma função contínua e com derivada contínua em


at
um aberto conexo U(zlR!^, e sejdi D-{{x,t):a<x<b, a<t</3] <z U.

Nessas condições, existem as funções F{t) = r* j{x,t)dx e


Ia
G{t) = {x,t)dx, com

A regra de Leibniz diz que existe a derivada F'{t), íe[a,y5] e que


F'{t)=G{t) ou

A J f{x,t)dx= J (x,t) dx .
dt

Podemos provar esse resultado usando integrais duplas, como segue.

Sendo JíL contínua em U, temos que para todo te{a,p^ existe


at

H{t) = r G{s)ds= f f ~^{x,s)dxds= { í -^ {x,s)dsdx


Ja J a Ja Ia Ia

= I [f{x,t)-j\x,a)]dx] .
Ia

É conhecido, da teoria de integração, que G é uma função contínua


em logo, pelo teorema fundamental do cálculo, H é derivável em
[a,p'\ e H'{t)^G{t), ou

A [/(x,í)-/(^>^)] {x,t)dx ,
dt

e como A r f{x,(x)dx-0
c=0 , temos;
dt I a

J{x,t)dx— r {x,f) dx .
dt Ja àt
Exercícios

1) Calcule as derivadas;
d f’^cos(%í)
a) (l.\
dt í :

b ) í \oo:{xu)dx
dtt J 1
C) í* ^SBJÍ
dy’‘ Ji x-y
2) Calcule í x" log x dx, n>0, derivando ambos os membros da equação
Jo
x”dx= — - em relação a n.
0 n+1
3) Calcule í —{a^+y —)"' , derivando várias vezes a integral í
Jo Jo
fy , a>0, n>0.
a^+y
4) Seja u=u(x,))) uma função de classe em íR^. Prove que u é harmôni­
ca se, e somente se, existir uma função v=v{x,y) de classe tal que

3 m _ dv g du _ —dv
dx dy dy dx
Capítulo IV

Integrais T riplas

0. Introdução

Este capítulo se desenvolve de forma análoga ao capítulo anterior, so­


bre integrais duplas.

Definimos, inicialmente, as integrais triplas por somas de Riemann,


optando, como motivação, pelo cálculo da massa de um sólido com densi­
dade de massa p-p{x,y,z).

Passamos, a seguir, à discussão sobre os domínios de integração, que,


como no capítulo anterior, pode ser omitida em primeira leitura.

O Teorema de Fubini é também apresentado para justificar o cálculo


das integrais triplas através de integrais iteradas.

Aqui, como no caso das integrais duplas, estudamos mudanças de va­


riáveis que auxiliam o cálculo das integrais triplas. Neste caso, as mudanças
mais freqüentemente utilizadas são as dadas pelas transformações em coor­
denadas cilíndricas e em coordenadas esféricas.

A aplicação das integrais triplas ao cálculo de massa, centro de massa


ou momentos de inércia de um sólido finaliza o capítulo.

Salientamos que este capítulo todo é apresentado de modo mais dire­


to, dispensando detalhes e discussões já desenvolvidas para as integrais du­
plas no capítulo precedente.
158 • Integrais Triplas

§ 1. Somas de Riemann

Vamos definir o conceito de integral tripla para funções reais defini­


das em subconjuntos, D, do B?, que são limitados, isto é, tais que existe um
paralelepípedo P-[_a.b\x[c,di\x[e,f^, de arestas paralelas aos eixos coorde­
nados com DczP.
Como motivação, vamos tentar resolver o problema: calcular a massa
de um sólido D, cuja densidade de massa em cada ponto (x,y,z) é dada
pela função p{x,y,z), que supomos contínua e positiva. Tomemos
P=[a,b]y.[_c,d\'x[e,f^, um paralelepípedo que contém D.
Seja A uma partição de P, que é por definição um conjunto finito de
paralelepípedos P\,Pi,...,Pn formados pelos planos paralelos aos planos
coordenados que passam pelos pontos de partições de {a,b^,{c,d\ e [e,f\.
Se {ai,f3i,yi)&Pi, convencionado p{ai,fii,yí)=Q se {a„j3i,yi)iD,
í=l,2,...,n, a soma abaixo é chamada soma de Riemann de p, em relação a
partição A\
n
I p{a,fi,y,)V{Pd ,
!=1

onde V(P,) é o volume de i^, i=l,2,...,n.


Essa soma é o valor aproximado da massa do sólido, já que
m.i-p{ai,j3i,y,) V{Pi) é um valor aproximado da massa de P„ í=l,2,...n, enten­
dendo que a densidade de massa em todos os pontos de P, é aproximada­
mente a mesma e, portanto, igual a p{píi,fii,y^.
Em geral essa aproximação melhora quando diminuímos todas as
arestas dos paralelepípedos P„ í=l,2,...,re. Essa diminuição ocorre quando
se faz I d I ^ 0 , onde I zl | , norma de d, é o comprimento da maior das
diagonais principais do paralelepípedo P„ í=l,2,...,n. E natural então pen­
sar em definir a massa do sólido P como um limite para 1A |—>0 das somas

X p ( « r ,: ,A ,P ) V ( P : ) .
Í=1
Cálculo Integral Avançado * 159

Vamos formalizar essa idéia definindo esse limite para uma função,
f=f{x,y,z), qualquer, definida em D.

Definição IV. 1.1

Seja DczR^ um subconjunto limitado, c f-.D ^ R uma função. Seja Pum


paralelepípedo tal que DczP. Um número real L é tal que
n
L=lim y /(?td,%Zi) V(Pi) ,
Izll^0 ^
i=\

se dado e>0, 3 0 tal que se A={P\,...Pfi é uma partição de P, com Id | <<?


então

í f{x,,y,,z,)V{PÒ-L\ <E ,
i=\

independentemente da escolha de {Xi,yi,Zt)ePi, i=l,...,n. V{Pi) indica o volu­


me de Pi, e convencionamos/(íCi,}ií,z,:)=0 , se {Xi,yi,Zi) í D , i=l,2,...,n.

Observação IV. 1.2

Demonstra-se que o número L, se existe, é único e que o limite


independe do particular paralelepípedo P escolhido.

Definição IV. 1.3

Seja D c R?\xm. subconjunto limitado, efi.D ^R uma função. Dizemos


que f é integrável em D se existe

L = lim y f{xi,y„z-:} V(P0 = L , L e R .


lAl^0 "
1=1

Então L se diz a integral tripla def sobre D e denota-se

L= M j f{x,y,z)dxdydz .
160 • Integrais Triplas

Como nas integrais duplas, com demonstração análoga temos o se­


guinte teorema.

Teorema TV. 1.4

Se f é uma função real integrável em D, DczR^ subconjunto limitado,


então f é limitada em D, isto é, existe um número real M>0 tal que

If(x,y,z) I< M, V {x,y,z) e D .

Também temos os seguintes resultados que têm demonstração análo­


ga à feita para integrais duplas.

Teorema TV.1.5.

Se D R? é um subconjunto limitado, e / e g são funções reais,


integráveis em D, en tão/+ ge c.f, ceR, são integráveis em D e vale;

j j j {f+g){x,y,z)dxdydz = ^^^^f{x,y,z)dxdydz+^^^ g{x,y,z)dxdydz ;

JJI (cf) (x,y,z) dxdydz - c j j j f{x,y,z)dxdydz .

Além disso, se f{x,y,z) < g{x,y,z) para todo {x,y,z) e D, então

JJI f{x,y,z) dxdydz < JJI g{x,y,z,) dxdydz .

Como mencionamos no capítulo anterior, vamos, no próximo pará­


grafo, dar uma definição formal de volume de um sólido contido no R^.
Veremos que, analogamente às integrais duplas, as funções contínuas serão
integráveis sobre sólidos com volume.
Aqui, como no capítulo anterior, o leitor poderá omitir, numa primei­
ra leitura, o parágrafo dois a seguir, indo direto ao parágrafo três. Nesse
Cálculo Integral Avançado • 161

caso, deverá aceitar, dispensando a discussão que a acompanha, a defini­


ção de volume de um sólido D, limitado em R^, como sendo

V(D) = JJÍ 1 dxdydz

quando essa integral existe. Caso contrário dizemos que D não tem volume.

§ 2. Domínios de Integração

Analogamente a III.2.1, vamos exibir um conjunto D do R^ ao qual

não se pode associar um volume, ou seja, não existe a integral J J J l dxdydz.

Exemplo IV. 2.1

Seja D o subconjunto do cubo C = [0,l]x[0,l]x[0,l] formado pelos


pontos com as três coordenadas racionais, isto é,
D= [0 ,l]x [0 ,l]x [0 ,l] n Q x Q x d .
Se f=f{x, y, z) é definida por
1 se (x,y,z) € D
f{x,y,z) =
0 se {x,y,z) i. D

então dada uma partição qualquer zl= (Pi,P2, - -P«) de Cpodemos obter, em
relação a essa partição, somas de Riemann
n n
J f{x„y,z^ y(Pi) = 1 e J /(^,))i,Zi) V{R) = 0
í=i í=i
dependendo da escolha que se faz para {xi,yi,Zi)ePi, i=l,2,...,n.
Podemos escolher (xi,yi,z^ e QxQxQj i=l,2,...,w e teremos a primeira
soma, caso contrário teremos a segunda soma ou um valor entre 0 e 1. Isso
mostra que não existe o limite
n
lim y /(;x^,3^„Zi) V{Pi) ,
A\ ^ f\ hm
Iz ll^ O
i=\

OU seja,/não é integrável em D. Note q u e /= l em D.


162 • Integrais Triplas

o problema aqui é o mesmo que nas integrais duplas, a “fronteira” de


D tem conteúdo (que definiremos a seguir) não-nulo.

Definição IV. 2.2

Dado um subconjunto D do dizemos que um ponto (x,y,z) eR? é


um ponto de fronteira de D se todo paralelepípedo centrado em {x,y,z)
contém pontos de D e de seu complementar. O conjunto dos pontos de
fronteira de D se diz fronteira de D e é denotado por JD.
Verifique que no D do exemplo IV.2.1 temos âD=C.

Definição IV. 2.3

Um subconjunto, D, do R? se diz de conteúdo nulo se, dado £>0, arbi­


trário, existe um número finito de paralelepípedos P\,P2,...,P„, com arestas
n
paralelas aos eixos coordenados tais que Z) ci u P, e Yd <£
i= 1

Exemplo IV. 2.4

Conjuntos limitados e contidos em um plano têm conteúdo nulo em


R^. Subconjuntos finitos têm conteúdo nulo em R^. Reuniões finitas de
conjuntos de conteúdo nulo têm conteúdo nulo. Um paralelepípedo não
tem conteúdo nulo.
Como no capítulo anterior temos o seguinte.

Teorema IV. 2.5

Seja D um subconjunto limitado de R3. Então existe a integral tripla

JJI 1 dxdydz se, e somente se, dD tem conteúdo nulo em R3.

Definição IV. 2.6

Se D é subconjunto limitado do R^ tal que existe j j dxdydz = L, di­


zemos que L é o volume de D e denotamos L-V{D). Nesse caso dizemos que
D tem volume.
Cálculo Integral Avançado * 163

A proposição seguinte é demonstrada de modo análogo à proposição


III.2.9 e sugerimos que o leitor a faça como exercício.

Proposição TV. 2.8

Seja D um subconjunto limitado do P? e com volume. Se o volume de


D é zero, então D tem conteúdo nulo em P?-

Os domínios de integração, que utilizaremos, em P?, serão, quase sem­


pre, sólidos limitados por superfícies formadas por gráficos de funções
contínuas,/=/( dí:,))) , de duas variáveis.
O teorema a seguir garante que esses sólidos tem volume.

Teorema TV. 2.9

Seja D(^P^ um subconjunto limitado e com área. Se f :D<zP^^P é uma


função contínua e limitada, então seu gráfico é um subconjunto de conteú­
do nulo em P^.
Esse teorema não será demonstrado, uma vez que já fizemos a de­
monstração do resultado correspondente, para funções /d e classe para
as integrais duplas em III.2.10. Como aqui só enunciamos o teorema,
fizemo-lo no caso mais geral de funções contínuas.

§ 3. Funções Integráveis

Com o objetivo de garantir a existência de funções integráveis enun­


ciamos, sem demonstração, o teorema a seguir, que é o análogo ao
teorema III.3.7, sendo esse o último teorema mais geral enunciado, no ca­
pítulo anterior, sobre integrabilidade de funções de duas variáveis.

Teorema TV. 3.1

Seja D(zP^ subconjunto limitado e com volume, e f=f{x,y,z) uma fun­


ção limitada em D. Se f é contínua, exceto num conjunto de volume zero,
então f é integrável em D.
164 • Integrais Triplas

Também temos o análogo ao teorema III.3.8.

Teorema IV. 3.2

Se / e g são funções integráveis em um conjunto DczR^, limitado e


com volume, e se o conjunto {(x,y,z): f{x,y,z)^g{x,y,z)] tem volume zero,
então

JJÍ f{x,y,z) dxdydz = JJÍ g{x,y,z) dxdydz .

Também análogos aos teoremas para integrais duplas, temos os


teoremas a seguir.

Teorema TV. 3.3

Seja D(z IB3 subconjunto limitado e com volume V{D).


Se me M são números tais que

m<f{x,y,z) < M, V(x, y, z) e D ,

então

mV{D) < dxdydz < M V{D) .

Teorema TV. 3.4

Seja D(zR? um subconjunto limitado e com volume e D-D\'uD2, sen­


do D\ e Z>2 subconjuntos com volume tais que tem volume zero. Se
f :D-^Ré integrável em D, en tão/é integrável em D\ e em Z>2 e

j j j f{x ,y ,z)d x d y d z-jjj f{x,y,z)dxdydz + j j j f{x,y,z)dxdydz .

E finalmente temos o teorema do valor médio para integrais triplas


ü
em cujo enunciado usamos a notação D para indicar o conjunto aberto
D-dD, chamado de interior de D.
Cálculo Integral Avançado • 165

Teorema TV.3.5: Teorema do Valor Médio para Integrais Triplas

O
Sga DczR^ um subconjunto limitado e com volume V{D), tal que D é
o

conexo não-vazio. Se f=f{x, y, z) é contínua em D, então existe (x,y,'z)eD


tal que

JJÍ f{x,y) dxdy dz - f(x,y, z) •V{D)

§ 4. Integrais Iteradas - Teorema de Fubini

Como no caso das integrais duplas, o cálculo das integrais triplas será
feito através de integrais iteradas. O teorema de Fubini para integrais tri­
plas Justificará esse procedimento. Para melhor compreensão do enuncia­
do do teorema, e considerando que a descrição dos domínios de
integração do é mais delicada do que no R^, vejamos alguns exemplos
de sólidos com volume que poderão ser usados como domínios de
integração.

Exemplo TV. 4.1

(a) Um paralelepípedo P=[a\,a2]'x[b\,b2]y.[c\,C2]={{x,y,z)\a\<x<a2, b\<y<b2 e


ci<z<C2} é um domínio de integração (figura 1 ).
166 • Integrais Triplas

O conjunto W={{x,y,z):x^+'f<l e 0<z<x'^+f), que é o conjunto dos


pontos compreendidos entre o disco D=[(x,y)\x-+f<\), e o parabolóide,
que é o gráfico de f{x,y)=x^^+y'^^, é um sólido com volume, pelo teorema
IV.2.9 (figura 2 ).
(b) Se y=g{x,y)=S-x, seu gráfico é o plano perpendicular ao plano Oxy, pas­
sando pela reta x+y=S. Se Z)={(x,z):-l<x<l e 0<z<l-x^}, que é a região con­
tida no plano Oxz com -l< x < l e z entre o eixo Oxea. parábola z=l-x^, seja
S={{x,y,z)elR?:{x,z)eD e 0 <)»<g(x,}i)). Então Sé um sólido com volume, nova­
mente pelo teorema IV.2.9 (figura 3).

(c) Consideremos agora o sólido S formado pelos pontos (x,y,z),


que são interiores à superfície esférica de equação x-+y'^+{z-iy=l
e estão acima da superfície cônica de equação z = V -i- y~. A parte su­
perior da superfície esférica tem equação z = 1 + V 1 - x- - ^ e, igua­
lando-se 1 + = \x'-+y^, obtém-se x'^+y^=l, que é a
Cálculo Integral Avançado • 167

projeção, no plano Oxy, da curva intersecção das duas superfícies. Se


Dxy={{x,y)^R'^'-x^+f<l), então

S={(x,y,z):{x,y)eDxy e V + y^ < z< 1 + V 1 - - 3)^} ,

ou seja. Sé o conjunto de pontos {x,y,z) que tem {x,y)&Dxy e zvariando do


valor Zi (:>c, y) = V x^ + f- que é o valor de z na superfície de cone, até zs(x, y)
= 1 +V1 - - z^, que é o valor do z do hemisfério norte da superfície esfé­
rica. Então também S é um sólido com volume (figura 4).

Utilizaremos, com freqüência, domínios de integração que podem ser


descritos como reuniões finitas de domínios como os do exemplo anterior,
isto é, reuniões finitas de regiões dadas por:

W\={{x,y,z):{x,y)eDxy e fi{x,y)<z<f2(x,y\ ou
W2 ={{x,y,z)-.{x,z)e e g, (x,z) < 31 < g 2 (^>z)} ou
W~i=\{x,y,z)\{y,z)^Dy, e hx{y,z)<x<h2{y,z)] ,

onde Dxy, Dxz e Dyz são subconjuntos limitados e com área contidos nos
planos Oxy, Oxz, Oyz respectivamente, e as f u n ç õ e s g i , g 2, h\ e são
funções contínuas.

Teorema TV.4.2: Teorema deFubini

Seja Dxy um subconjunto com área, fechado e limitado do plano Oxy.


Sejam Z\{x,y) e Z2{x,y) funções contínuas em Dxy com Zi(x,3))<Z2(x,3>) para
todo (x,3) GDxy, e seja W={(x,3i,z):(x,3i)eZ);,;^ e zi(x,3))<z<Z2(x,3i)}. Se f=f{x,y,z) é
uma função integrável em We existe a integral

y> ^)dz^F {x, y), para todo {x, y) e Dxy ,

então existe a integral / JÔ„E(x,3)) dxdy e vale

f{x,y,z)dxdydz= f{x,y,z) dzdxdy = F{x,y)dxdy .


J J J\y J JDxy Jzj(x,y) J jDxy
168 • Integrais Triplas

Observação IV. 4.3:

O teorema anterior também é verdadeiro nos casos de W ser descrito


nas formas de e W3 descritos anteriormente. Deixamos para o leitor o
enunciado do teorema de Fubini para esses casos.

Observação IV. 4.4:

Satisfeitas as condições do teorema de Fubini para integrais duplas, te-

mos que a integral F{x,y) dxdy pode ser dada por


V Jdxv
rr fb rq{x)
F{x,y)dxdy = F{x,y)dyá.\X OU
J JDxy a p{x)

r r F{x,y)dxdy= í f F{x,y)dxdy
J J^.vy JC r{y)

Logo
rrr n n(x)
f{x,y,z)dxdydz= f{x,y,z)dzdydx ou
J J Jw Ja Jp(x) Jz,(x,y)

r r r f{x,y,z)dxdydz= f í ^ f f{x,y,z)dzdxdy
J J Jw Jc Jr(y) Jzi(x.y)

As integrais do segundo membro se dizem integrais iteradas de / em


W, respectivamente nas ordens z , y , e x o u z , x e y.
Deixamos para o leitor a escrita das outras quatro ordens possíveis
para as integrais iteradas.

Observação IV. 4.4:

Nas condições do teorema anterior, se tomarmos/(:x:,3/,z)=l e z\{x,y)=0,


temos pela definição IV.2.5 e pelo resultado dado no teorema que:
Cálculo Integral Avançado • 169

F(W)= JJJ* 1 dxdydz= Z2(x,3/) ííxút3í, o que justifica o comentário feito

na observação III. 1.4, em que tomávamos como “volume” de Sa integral

V { S )= jjj{x ,y )d x d y ,f> 0 ,

sendo S=(x,3i,z):{x,y) gDe 0 < z< f{x,y)}

Exemplo rV. 4.5:

Vamos calcular algumas integrais triplas, usando o teorema de Fubini.

(a) f(x,y,z) - xyz e W é o sólido limitado pelos planos coordenados e pelo


plano x+y-^z=\ .
W = { ( x , 3i ,z ) : 0 < x < l , 0 < 3i < l - x , 0 < z < l - x - 3>}

={(jc,3i,z):0<3i<l, 0<x<l~ 3), 0<z<l-x-y}


= { ( x ,} i ,z ) : 0 < x < l , 0< z < l-x , 0 < 3) < l - ; > c - z }
Usando a última descrição de W, temos:
1 r^-x 1 -X -;

í í f dxdydz - f í f xyz dydzdx = í í xz dzdx-


J J Jw do Jo Jo do d 2

= f í i xz(l-x-z)‘^dzdy,
Jo Jo
sendo essa integral dupla calculada de forma usual.
170 • Integrais Triplas

(b) f{x,y,z)=l e W é sólido limitado pelos parabolóides z-x^+y^ e


z=27-2x2-2/.

A projeção de W no plano xy é Dxy = {(x,3)):x^+3)^<9 } e


W={ (x,y,z):(x,y) eDxy e x^+y^ < z< Tl-2x^^-2'f] .

l í L 1 dxdydz = l U . 1 dzdxdy = Í Í F -S{x'^+f)]dxdy.


Usando coordenadas polares na integral dupla temos:

r r r 1 dxdydz - V V ’' (2 7 -3 r^) r dddr = 243;r


J J J\V do do

(c) f{x,y,z)=y- e Wé o sólido limitado pelas superfícies z=0, :>c^+z=l e f+ z= \.

Então í í l y^ dxdydz = r j o " ’ c _y~^ dxdzdy =

4
"J_Jo ^ ^ y^ Ii^ d,zdy = - ^ j^ ^ y ^ [^ [(y ^ ]l'^ dz = -^j^^y^[y^ - l ) d y =
9
Exercícios

1) Calcule as integrais e descreva a região de integração;


yy

n J xydxdzdy

zdxdydz

r7T/2 r7T/2 rxz


c) COS y /z dydxdz
2
/•l /•l-x r\+y
d) xdzdydx
hJOJO
h h
J2y

>r , r í : ^ 2 ))^ X dzdxdy

‘■p 1 + ^ dzdydx
^ x x

2) Escreva cada uma das integrais seguintes em duas ordens diferentes da


original e esboce o domínio de integração:

a) j J J f{x, y, z) dydxdz

r.2 r^4-f’^
' y+2
b) J Jo ^^^xdy

J f{x,y,z) dxdzdy

3) CalculeJ^J^J^ /p,)),z)dxdydzpara Se f dados:


172 • Integrais Triplas

a) f{x,y,z)-z^, 5 limitado por z=0 , x^+z=l c f + z = l


b) f{x,y,z)-z, 5 limitado por x=0, y=0, z-0 e x/a+y/b+z/c-\

4) Calcule as integrais seguintes, sendo S a parte do cilindro x?-+y‘^=d^, limi­


tada pelos planos z=0 e z=c.

J J ís (x^^+y-^) dxdydz

JJX (x^+y+z^) dxdydz

5) CalculeJJJ^, x^dxdydz onde S é limitado por y-+z^=4ax, y^-xa, x-5a, a>\

e 'f<xa.

6 ) CalculeJ'J'J' zdxdydzscnáo 5 a parte do hiperbolóide x^+/-z^<l, entre

os planos z=0 e z=l.


Cálculo Integral Avançado • 1 7 3

§ 5. Mudança de Variáveis na Integral Tripla

Como a discussão sobre mudança de variáveis já foi feita para as inte­


grais duplas, nos limitamos neste parágrafo ao enunciado do teorema que
justifica essa mudança nas integrais triplas.
Também aqui as mudanças de variáveis são usadas para facilitar ou
mesmo possibilitar o cálculo de certas integrais triplas.

Teorema TV. 5.1

Seja Duvw ^ um subconjunto limitado e com volume, c Í2 czR^ um


aberto que contém D^vw e sua fronteira. Seja ç>:í2-^R^ uma função de classe
em injetora no interior de Ai™ e com | J{(p) (u,v,w) I ^0 para todo
{u,v,w) no interior de Duvw Nessas condições, se f-{x,y,z) é contínua em
D:^,=ç{Dur,uò temos

J/i f{x,y,z) dxdydz=

J/L f{x{u,v,w), y{u,v,w), z{u,v,w)) I J{(p) {u,v,w) \dudvdw ,

onde {x{u,v,w), y{u,v,w),z{u,v,w)) = Ç){u,v,w).


Os exemplos a seguir mostram algumas mudanças de variáveis bastan­
te úteis.

Exemplo TV. 5 .2 - Coordenadas Cilíndricas:

No exemplo 1.2.6 definimos as coordenadas cilíndricas {r,6,z) de um


ponto {x,y,z) áoR5 e calculamos ojacobiano da transformação:

Ç){r,6,z)-{x,y,z)={rcosO, rsen^, z)

obtendo I J{(p) {r,6,z) \=r .


Deixamos ao leitor a verificação de que essa transformação fornece
uma mudança de variáveis que satisfaz as condições do teorema anterior.
174 • Integrais Triplas

Vamos usar essa mudança de variáveis para calcular a integral:

í í l (z'^x'^+z^y'^) dxdydz, sendo W o sólido limitado pelo cilindro x^+y^<\ ,

pelo plano z = 0 e pelo parabolóide

A projeção de Wno plano xy é Dxy={{x,y)\x^+y^<\] e


W= {(x,y,z):(x,y) e Dxy e 0<z<4-x--y'^) .
Então:

1 ^27T ^'i-r
f rr {z?x^+z^y^) dxdydzz == í1 fI fI z^r^rdzdôdr-
J J Jw ^0 jo Jo

. 1 /, 2 ;r

= r r ^ {4-r^yi^d0dr= í (4-r^)®r^dr= ir .
Jo Jo o 3 Jo 15

Exemplo FV.5.3 - Coordenadas Esféricas:

As coordenadas esféricas {p,6,ç) foram definidas em 1.2.7, onde vimos


que:
x=x{p,6,(p) = pscn tpcos 0 ;
y=y{p,9,ç>)= psen tpsen 0 ;
z=z{p,0,ç)= pcos cp ;

ojacobiano,/T, de T{p,0,(p)={x,y,z) é JT{p,0,ç)=p>hcn (p.


Cálculo Integral Avançado • 175

Vamos calcular o volume de uma esfera de raio R, usando essa mudan­


ça, T, de coordenadas. O leitor poderá verificar facilmente que essa mu­
dança de variáveis satisfaz as condições do teorema IV.4.1.
Podemos supor a esfera centrada na origem do sistema cartesiano,
logo, queremos o volume de 5 ={(:v,)),z):V^+3)^+z^<i?‘^}
, R^ . R^2tü
V{S) = I I I ldxdydz= ( sen (pd(pdBdp= ( 2/?^ dddp = 4irR^
J J Js Jo Jo Jo Jo Jo 3

Ainda usando coordenadas esféricas calculamos a integral:

sendo S a região interior ao cone t limitada pela

esfera xHy^+(z-l)- 1 .

A equação da esfera x‘^+y‘‘^ +(z-l)‘^=l fica em coordenadas polares


p^-2 pcos Ç7-0 ou p -2 costp.

Logo, I I z ’dxdydx= | | j {p-cos^ <p) pHenç dpd<pd6=


jjj.v jo jo jo

j.2ir |.;r/4 ^>2 ^ 6 4 ;T COS (p 2>n


: — COS (psenipdcpdd ---------
Jo Jo 5 5 8 T
Exercícios

1) Calcule j j j com S e /dados:

a) f{x,y,z) = V + z^, 5 limitado por x^+y^+z^=a^ e x^+'f+z^=b‘^ com


0<a<b.
b) f{x,y,z)-xyz, S a parte da esfera x‘^+y'^+z^<a^ que está no primeiro
octante.
c) f(x,y,z)=x^y^+y^z^+z^x'^, S o sólido do item b).

d) f{x,y,z)= ( I ) , S a parte do sólido determinado por l<x^^+y^<4,


\yxr+y^/
entre os planos z=l e z-S.
e) f{x,y,z)=l, 5 limitado por z'^=x^+y'^ e x‘^+y^+z^=2az, a>0.
f) f{x,y,z)=l, ilim itado por x‘^+y^=a^, por z-b{x'^+y^), b>0 e pelo plano
z=0 .
g) f{x,y,z)=l, 51imitado por x^+f=2xe z^=2x.
h) f(x,y,z)-2z^, S regiáo exterior ao cilindro x^+f-d^ e interior à esfera
x^+)i^+z^=4a^.

2) Calcule o volume do sólido determinado por 0< + Vy+ '4 z< a, a>0.

3) Mostre que:

dxdydz= ^ (l + - |- j

^^^^{x-f+fz^+x^) dxdydz= ^ 3^5 ^


Cálculo Integral Avançado • 177

sendo S a região limitada pelo cilindro oê+'f=^ax e as secções superior e


inferior do cone z^-K^ {x^+y^), a>Q e k>0.

4) Calcule os volumes dos sólidos a seguir:


a) esfera de raio a, a>Q
b) cone com raio de base a, a>0 e altura h, h>0
c) ilimitado pelas superfícies z=x^+y^, {x^+f-y^-x^-y^ e z=0
d) S limitado pelas superfícies f-+z^=i:ax, y^=ax, x-5a. (interior a f’ =ax)
e) S limitado por z^=oê+'f e por }ê+y^=2x
178 • Integrais Triplas

§ 6. Aplicações da Integral Tripla

De forma análoga ao que fizemos para as integrais duplas, pode­


mos calcular a massa e o centro de massa de um sólido S. Se S é limi­
tado e com volume e tem densidade pontual de massa dada por
p~p{x,y,z), então:

massa de S = j j j p{x,y,z)dxdydz-m{S) .

As coordenadas do centro de massa de S, {x, y, z), são dadas por:

j xp{x,y,z) dxdydz j j j yp{x,y,z) dxdydz


m{s) ’ m{S)

JJJ,zp{x,y,z) dxdydz
^ ■

Também podemos obter os momentos de inércia em relação aos eixos


Ox, Oy e Oz, pelas integrais:

momento de inércia em relação a Ck = T = j j j dxdydz,

momento de inércia em relação a O31 = I^= p{x,y,z) (x^+z'^) dxdydz e

momento de inércia em relação 3. Oz = j j j , . p(x,y,z) {x^+y^) dxdydz.

Exemplo rV. 6.1:

Calcular o momento de inércia, L, do sólido, S, limitado pelo parabo-


lóide z= x^+f, pelo cilindro oê+y--^ ^ plano xy. Supor que S tem densi­
dade de massa constante.
Cálculo Integral Avançado • 179

Se p{x,y,z)=k, então;

Iz = k{x^+y^) dxdydz, e usando coordenadas cilíndricas temos:

^ 2.K n 1" n \ ^ 2.71


/z= I I I kr^rdzdôdr= í ( kr^dOdr- —^ .
Jo Jo Jo Jo Jo 3
Exercícios

1) Determine a massa M de uma coroa esférica limitada pelas circunferên­


cias de raios a e b, 0<a<b, cuja densidade em qualquer ponto é inversa­
mente proporcional à distância do ponto ao centro. Calcule o momento
de inércia em relação a um eixo que passa pelo centro.

2) Determine as coordenadas do centro de massa do sólido Óabaixo com a


densidade de massa p{x,y,z) dada:

a) S é limitado por x=0, y=0, x+z=a, y=z, com p{x,y,z)=kx.

b) 5 é limitado por x^/a^ + 'f/b'^ + z^/c^ = 1, z = 0, z = c/2, com


p{x,y,z)=\.

c) Sé o hemisfério x^+'f+z^<\, z>0, p{x,y,z)-k.

d) S é o sólido limitado pelo cilindro x-+y^=d^, pelo parabolóide z=x-+y-


e pelo plano z=0, com p{x,y,z)=k.

e) S é a região interior a x^-t-/+z^=4, z acima do plano z = 3, com p{x, y, z)


= ^ y? + f + z^ .

f) 5 é a região interior à esfera x’+y-+z^=2az acima do cone z-=x’->ry- e


p{x,y,z)=z.

3) Determine o momento de inércia do sólido 5 em torno do eixo dado


com a densidade de massap{x,y,z):
a) 5 limitado por x=0, 3>=0, z=0, x+z=3 e y-z, com p{x,y,z)=kx, em torno
do eixo Ox.

b) 5 limitado por z=x, y^-4-2z e x=0, com p{x,y,z) constante, em torno


do eixo Oz.
Cálculo I)}te^r(il Avançado • 181

c) 5 limitado por z^=y^{\-x^) e y=\, com p{x,y,z) constante, em torno do


eixo Ox.
d) 5 determinado por x^/ cC- + y^/b--+ z-f â < 1, com p{x,y,z) constante,
em torno do eixo Oz.
e) 5 limitado por z-0 e z = V - x- - y', com p(x,y,z)-kz, em torno do
eixo Ox.
Capítulo V

Integrais M últiplas Impróprias

§ 0. Introdução

As integrais duplas e triplas foram definidas para funções limitadas em


regiões de integração também limitadas.
Vamos, neste capítulo, definir integrais duplas quando a função a ser
integrada é não-limitada nas vizinhanças de um ou mais pontos, ou mesmo
de uma curva. Definiremos também integrais duplas em regiões não-limita-
das de integração. Essa integrais são chamadas impróprias.
O capítulo será desenvolvido apenas para as integrais duplas, obser­
vando que para as integrais triplas os procedimentos são análogos. Nos
exercícios contemplaremos também as integrais triplas impróprias.
No último parágrafo, aplicamos as integrais duplas impróprias para
calcular algumas integrais impróprias de funções a valores reais, que não
podem ser calculadas através de métodos elementares de integração de
funções de uma variável.

§ 1. Funções Ilimitadas e Descontínuas em um Número Finito


de Pontos

= se {x,y) eD-{(0,0)}
Consideremos o exemplo/(x,}i) = Vx^+y^
0 se (x,y) = (0,0)
184 • Integrais M últiplas Impróprias

sendo D^{x,y) e Khx^+f<\]. A fu n ção/é descontínua em (0,0) e ilimitada


em qualquer vizinhança da origem, mas é contínua e limitada em D-S, sen­
do S uma pequena região (um círculo, um retângulo, um triângulo)

que contém a origem em seu interior. Então existeJ^J" f{x,y) dxdy, e o que

faremos intuitivamente para definir a integral imprópria j f { x , y ) d x d y

será considerar convenientes seqüências .... de regiões que


contêm (0 ,0 ) em seu interior, que se aproximam de (0 ,0 ) quando n cresce,

e então avaliar Um f{x,y)dxdy. Veremos que a forma das regiões


n->+~ J J ü - S ,

Sn, n=l, 2 ,... poderá ser escolhida do modo mais conveniente para cada
caso.
Por exemplo, se considerarmos 5„={(x, y)e y^ < 1 / n}, teremos
D-Sn= {{x, y)e 1 / n< x^ + "f <1], c usando coordenadas polares teremos:

Um -i=4—? dxdy = 27T.


e então J jo~s„ yx^+yr

Diremos nesse caso, que a integral imprópria f{x,y)dxdy e con­

vergente.
Vamos formalizar essas idéias:
Seja f{x,y)>0 em D c: D fechado, limitado e com área e seja
E'=(j<b,3'o) um ponto de D. Suponhamos/contínua em D-P.
Para S c /R^, definimos diâmetro de S, d{S), por
(í(S)=supremo {d{Pi,P2), P\ P^ e S}, onde d{Pi,p2) é a distância de P\ a Pg.
Seja então (S„)“^p S1 3 S2 3 S33 ..., uma seqüência decrescente de
subconjuntos de D, com PeS„, para todo w e tal que:
i) D-Sn é região fechada, para todo n;
ii) Um d{S„) = 0.
Cálculo Integral Avançado • 185

Então, se existe o Um f{x,y) dxdy=L (LeR), por uma particular se-


;2->+oo J J D-S,r
qüência (S„)“„=i, nas condições anteriores, prova-se que esse limite existe e
é igual a L para qualquer outra seqüência nas mesmas condições.

Definimos então a integral imprópria j f{x,y)dxdy como sendo esse nú­

mero L, e nesse caso dizemos que a integral imprópria é convergente. Em


caso contrário a integral é dita divergente.
Sc f é descontínua em um número finito de pontos P\,P2,...Pk^ é ilimi­
tada nas vizinhanças desses pontos, repetimos o procedimento anterior
para cada um desses pontos, considerando S„ = '^neN, com
cada seqüência ,i=l,...,Ãsatisfazendo as condições anteriores.
Exercícios

1) Defina integral tripla imprópria de uma função contínua em uma re­


gião limitada do exceto em um ponto no qual a função é ilimitada.
2) Verifique se cada uma das integrais impróprias abaixo é convergente e,
em caso afirmativo, calcule seu valor;

b) jj^logix'^ + y^) dxdy, D-{{x,y):x'^+y'^<l]

d) log(x^ + 2y^) dxdy, D={{x,y):x^+2'f<\}


Cálculo Integral Avançado • 187

2. Funções Ilimitadas com Linhas de Descontinuidade

Consideremos a função/definida em D={{x,y)elR^:x^+f<l} por

-F=—1 ^5—g- se
f{x,y) = / 1-jí^-y
, 0 se x‘^+y‘^= 1
Nesse caso, f é descontínua em todos os pontos da circunferência
x^+f-=^\ e é ilimitada em D, mas é contínua e limitada em qualquer região
D-S, onde S é uma região contida em D que contém os pontos da circunfe-

rência x V = l ■Novamente temo. que existe a integral j f{x.y) dxdy e a

idéia para definir a integral imprópria f{x,y) dxdy é considerar uma se-

qüência de regiões (-S„)r=i tais que S i:d S2:d...., os pontos de x^+y^^l estão em
Sn, para todo n e tal que D-S,, se aproxima de D quando n tende a infinito

e avaliar Um f{x,y) dxdy.


J J D-S,

Podemos, por exemplo, considerar e então


n
D-Sn= {{x,y)^lK^\x^+y^<\-\ / n).
Usando coordenadas polares temos
2;r 1 -—

í í ,1 \ — T dxdy= \ I drd0=2n: ( 1- ^1/ r f ) .


J JD-S. Jo Jo ^ ^

Logo, existe Um f{x,y) dxdy=^2/r e então diremos que a integral


n-^+oo J J D-S„
imprópria é convergente e vale 2 k.
188 • Integrais M últiplas Impróprias

Formalizando essas idéias temos:


Seja f{x,y)>0 em um subconjunto D do fechado, limitado e com
área. Seja ^'uma curva (traço) é \ contida em D, fechada ou com extremi­
dades na fronteira de D.
Seja (S„)“_i, S13 S23 S33 ..., uma seqüência decrescente de subconjuntos
de D, com y<zSn, para todo n e tal que
i) D-S„ ê uma região fechada para todo n;
ii) n=\
n é a curva Y.

Então, se existe o Um f{x,y)dxdy-L (LeR) para uma particular


n->+oo J J D-S„

seqüência (S„)~=i, nas condições anteriores, prova-se que esse limite existe e
é igual a L, para qualquer outra seqüência nas mesmas condições.

Definimos então a integral imprópriaj j f{x,y) dxdy como sendo esse numero

L, e nesse caso a integral imprópria é dita convergente. É divergente em caso


contrário.
Exercícios

1) Verifique se cada uma das integrais impróprias abaixo é convergente e,


em caso afirmativo, calcule seu valor:

a) í í dxdy, D={(x,y)-\x\<le\y\<l}
J Jü (ij x -y ) -
190 • Integrais M últiplas Impróprias

§ 3. Funções Contínuas em Regiões Ilimitadas

Se D é uma região ilimitada no plano, e f=f{x,y)>0, uma função contí­


nua em D, a definição da integral imprópria de /e m D será análoga à defi­
nição de integral imprópria de funções de uma variável em intervalos ilimi­
tados da reta. Entretanto, a situação, no plano, é mais complexa, uma vez
que uma região ilimitada do pode ser de diversos tipos: um semiplano.

um quadrante, uma faixa etc. A idéia é considerar a j j f{x,y)dxdy onde

H é uma região limitada contida em D e avaliar o limite dessas integrais


quando H se aproxima de D. Aqui, novamente, podemos pensar em re­
giões H de formas diversas: retângulos, discos, semi discos etc.

n
1 1 H,\ H ,\

Veremos que, como nos casos anteriores, será possível escolher as re­
giões do modo mais conveniente em cada um.
Cálculo Integral Avançado • 191

Seja D c uma região ilimitada e f=f(x,y)>0 uma função contínua


em D.
Formalizando temos: Seja (H„)ã=u HiCzH^aHzCZ...., umaseqüência cres­
cente de regiões fechadas tal que:
i) Hnd D, para todo w;
ii) Se U é qualquer subconjunto limitado de D, então existe n tal que
c Hn.

Então se existe o Um f{x,y) dxdy=L{L e K) para uma particular


Jfj
seqüência (iíií)~=i nas condições anteriores, prova-se que esse limite existe e
é igual a L para qualquer outra seqüência nas mesmas condições.

Nesse caso dizemos que a integral imprópria ^ ^ f{x,y)dxdyé convergente

e vale L. E divergente cm caso contrário.

Como exemplo, vamos calcular J* dxdy. Pela função

f{x,y)-e~^'^*'^^'* vemos que a seqüência mais conveniente nesse


caso é a seqüência de discos de raio n centrados na origem, isto é,
Hn={{x,y) e. ít^:x'^+y'^<n^].
Então, usando coordenadas polares temos que

Um f{x,y)dxdy= Um e~’'r drdô= Um {l-e~”')^= .


n^+oo J Jj-f^ n-^+oo Jo Jo

Logo, a integral imprópria é convergente e I I e dxdy=7r.


Exercícios

1) Defina integral tripla imprópria para uma função contínua em uma re­
gião ilimitada do

2) Verifique se cada uma das integrais impróprias abaixo é convergente e,


em caso afirmativo, calcule seu valor:

a) log(x‘^+y) dxdy, D-{ (x,3>):x‘^+y^>l}

b) e~^cos X dxdy, D=[{x,y)\0<x<7tl2 e );>0}

ÍL e~’‘~^dxdy, Z)={x,3)):x>0 e }i>0)


Cálculo Integral Avançado • 193

4. Inversão de Ordem na Integral

Se D=[a,6]x[c,d] ef=f(x,y) é continua e positiva em D, vimos que, pelo


teorema de Fubini

jjo ^ f{x,y)dydx= j j f{x,y)dxdy.

Se £)=[a,+o«'[x[c,d], definimos a integral imprópria ^^^f{x,y)dxdy, e é


natural perguntar em que condições vale

, +00 d d ^+oo
f{x,y)dxdy= £ f{x,y)dydx = u . f{x,y) dxdy.

Pelo parágrafo anterior temos que a integral imprópria é convergente


se existir o limite

I = Um {x,y) dxdy = Um ( f{x,y) dydx ) = fix,y) dxdy,

sendo a última igualdade conseqüência da definição de integral imprópria


de funções de uma variável.

Observe que 1= Um í X m y) dxdy.

Vamos enunciar, no próximo teorema, uma condição suficiente para


que tenhamos

1= {^Um j f{x,y)dx^dy=^^^ f{x,y)dxdy.

Teorema V.4.1

Sejam/=/(x,)i) positiva e contínua em D={a,-\-o°[y.[c,d'\ e g=g{x) contí­


nua em [a,+o«[ com f{x,y)<g{x), para todo y e [c,d].
194 • Integrais M últiplas Impróprias

Se a integral imprópria g{x) dx é convergente e a função f{x,y) dx


Ja Ja

é contínua em todo y e [c,á], temos

X í f{x,y)dxdy- f(x,y)dxdy= ^^^f{x,y)dxdy.

Temos a seguinte variação do teorema anterior.

Teorema VA.2

Seja/=/(x,}i) positiva e contínua em ]a,è]x[c,cí] e ilimitada em x=a. Se


g=g(;v) e contínua em ]a,è] com /(%,)))<g(x) para todo y g [c,d] com a inte­

gral imprópria g(x) dx convergente, e se a função f{x,y) dx é contínua

para todo y g {c,d}, temos

J \j{x ,y)d x d y = | f(x,y)dydx= f{x,y) dxdy,

sendo Z)=[a,è]x[c,cí].
Vamos, no próximo parágrafo, aplicar esses resultados nos cálculos in­
tegrais.

§ 5. Cálculo de Integrais Impróprias de Funções de uma


Variável

A integral í ^ ^ com 0<a<b não pode ser calculada através de


Jü :x:
funções elementares. Vamos calculá-la usando integrais duplas impróprias,
uma vez que

í0
g-ax_g-bx

X
dx= ly J ^ ^’‘dydx .
Cálculo Integral Avançado • 195

Observemos inicialmente que para todo )^>0 temos ^^ J-

Além disso, se y>aentão para todo x > 0 e e-^^^dx = 1 / a.

Logo, pelo parágrafo anterior, temos

r°°
i J„ J. J. <■■"‘'*‘‘5’" J. 7

e então

ã x ^ ln J í-
X a

Por ser análogo ao caso anterior, deixamos para o leitor o cálculo da


integral
0 ClX
dx.
0 x'^

A “integral de erro” J e"'" dx também não pode ser calculada por mé­

todos elementares de integração de funções de uma variável, mas pode ser


calculada utilizando-se integrais duplas impróprias do tipo a seguir.
Sej^f{x,y)=g{x)-h{y) com g e funções contínuas em [0,~[ tais que as

integrais imprópriasj' g{x)dx, j h{ y) dy ejj^f{x,y)dxdy, D={{x,y):x>0 e))>0}

são convergentes.
Se G„ = {(x,))); 0<x<n e 0%<n), temos

J J jc Io Jo "

‘.St (I *<*>*)(I ' (íStí )■ilStí '


=( ( Jq Hy)dy ) .
1 9 6 • Integrais M últiplas Impróprias

Consideremos a integral e~^dx. Para x>l temos 1/x^e como

l/'x‘^dx =1, temos I e~^dx convergente, logo, também é convergente a

integral r” 2
e~’‘ dx.

Se f{x,y)=e~‘^~^^=e~’‘^-e~^^temos que também vale

íJ d j f(x,y)dxdy,

sendo H„={{x,y]-x'^+y^^n^] n D, w=l,2,... Como


, it/2^n
p-n 1
jjj( ^ , y ) d x d y = I r r ' d r d 0 = f { ^ - - ^ + y l . temos

„ f{x,y)dxdy= Um -
JJ n ^ + o o Z \ 2 2 ^ 4

Então, pelo que foi observado inicialmente, temos

JX (X ' *) ■ (X <'■' = (X iy)


2
dx\ .

Conseqüentemente

(X =fo“X
Finalmente, lembrando que g{x)=e~^ é uma função par, temos

i: e~’‘‘ dx = 2. = -'{Ir .
Capítulo VI

In t e g r a is de L in h a - T eo r e m a de G reen

§ 0. Introdução

Iniciamos este capítulo com um estudo de curvas no IR? ou IR?, com o


objetivo de definir integrais curvilíneas de campos vetoriais. Essa definição
é dada no segundo parágrafo e é motivada pelo cálculo do trabalho realiza­
do pelo deslocamento de uma partícula ao longo da curva, sob ação de um
campo (vetorial) de forças.
Definimos também a integral curvilínea em relação ao comprimento
de arco de um campo escalar e mostramos, nos exercícios, que essa inte­
gral permite definir e calcular comprimento, massa ou centro de massa de
uma curva.
A seguir, no terceiro parágrafo, está o resultado principal do capítulo,
o teorema de Green, que é enunciado de forma geral e demonstrado em
casos particulares.
O último parágrafo do capítulo é dedicado aos campos conservativos,
caracterizados como campos gradientes em domínios abertos e conexos.
Se o domínio do campo é simplesmente conexo, aplicamos o teorema de
Green para caracterizar os campos conservativos como aqueles que têm
rotacional nulo.
198 • Integrais de Linha - Teorema de Green

§ 1. Curvas no (ou no

As definições deste parágrafo são dadas no Os mesmos conceitos fi­


cam definidos no R?, bastando uma adaptação eliminando-se a terceira co­
ordenada.

Definição VI. 1.1

Uma curva emR? é uma função contínua y.I^R?, I<zR intervalo, que
associa a cada í€/um ponto y{t)={x{t), y{t), z{t)) eR^.
O conjunto dos pontos (x{t), y{t), z{t)), quando ípercorre I, é chama­
do traço da curva y. Observe que esse conjunto é percorrido no sentido de t
crescente. Isto orienta a curva y . S c I é um intervalo fechado [a,b\, os pon­
tos y{a)={x{a), y{(i), z{a)) e y{b)={x(b), y{b), z{b)) são chamados respectiva­
mente ponto inicial e ponto final da curva y.

Observação VI. 1.2

De acordo com o capítulo /, uma função y:I-^R? é contínua, kç.N,


ê°°, se cada uma das funções componentes (ou coordenadas) x, y, z:I—^R
for contínua, 6'\ k e Nou â°°, respectivamente.
Usaremos também a notação
X= x(t)
y : \ y = y{t) tel,
z = z{t)
para denotar uma curva y e m R?. As equações x - x{t), y = y{t), z - z{t) são
as equações paramétricas de y.

Exemplo VI. 1.3

A curva

x{t) = Xo +at
y: y{t) = yo +bt teR,
z{t) = Zo +ct
Cálculo Integral Avançado • 199

com ^ 0 , tem como traço a reta que passa pelo ponto {xo,yo,zo),
com direção do vetor (a,b,c).

Exemplo VI. 1.4

O traço da curva
x{t) = 4í-l
y.<y{t)=2>t íe [ 0 ,2 ]
z{t) - t+2
é o segmento de reta de extremidades inicial (-1,0,2) e final (7,6,4).

Exemplo VI. 1.5

O arco de parábola y=xP, xe[0,2] pode ser representado parametri-


camente por

í x{t) =t

ou seja, é o traço da curva ^:[0 ,2 ]—>#?■, dada por y{t)={t,f).

Exemplo VI. 1.6

A curva
x{t) - f
y:
y(t)=E t€ [-l,l]
tem por traço a cúbica da figura 1. Observe que eliminando-se o parâmetro
í, obtemos y= aT?, logo (x,})) pertence ao traço de y se, e só se, y=

Exemplo VI. 1.7

A curva
x{t) =cost
y: íe[-i,i]
y(t) = 1
2 0 0 • Integrais de L inha - Teorema de Green

tem por traço o segmento da figura. 2 .

figura 2

A curva

x{t) = a cosí
y: 3)(0 = a sen í í€ íR
z{t) = bt

com a,b^0, chama-se hélice cilíndrica. Seu traço está esboçado na figura 3.
Observe que, se {x,y,z} é um ponto do traço de y, então x^-\-'f=c^.

figura 3 figura 4
Cálculo Integral Avançado • 201

Exemplo VI. 1.9

A espiral logarítima é a curva dada pelas equações em coordenadas


polares.

r - r{t) -
t€.IR, com a,b^0
9 = 6{t) = at

Na figura 4 temos o traço da espiral logarítima para a>0 e b>0.

Exemplo VI. 1.10

Este exemplo mostra que curvas diferentes podem ter o mesmo traço.
Sejam; y

, x(t) = cosí
(a )ri:^ íe[0,2;r]
y{t) = sení

, x(t) = sent
(b) n: , ' , íe[0,2;r]
y{t) = cosí

, x(í) = cos2 í

Observe que as três curvas têm por traço a circunferência de raio 1


centrada na origem. No entanto, yi e ^2 têm comprimento 2ir, e tem
comprimento 4;r. O ponto inicial de y\ e y^ é (1,0), enquanto o ponto ini­
cial de 72 é (0 ,1 ). yi e y^ estão percorridas no sentido anti-horário, e 72, no
sentido horário.
Observe que definimos curva como uma função e traço como a imagem
dessa função. No entanto, daqui para a frente, se a situação não apresentar
ambigüidades como aquelas do exemplo anterior, não faremos distinção
entre uma curva e seu traço. Será usual então dar uma curva (traço) pela
intersecção de duas superfícies no espaço como nos exemplos seguintes.
2 0 2 • Integrais de Linha - Teorema de Green

Exemplo VI. 1.11

í x‘^+)i^+z^=4
A curva j tem por traço a intersecção da esfera de

raio 2 centrada na origem com o plano z = 1. Ela pode ser parametrizada


pelas equações:

x{t) =V3”cosí
y{t) =V^sení íe[0,2;r] .
lz(í) = l

Verifique!

Exemplo VI. 1.12

A intersecção do elipsóide ® plano z=x+y pode ser pa­


rametrizada por

x{t) = 3 cosí
y ( t ) =2 s c nt íe [ 0 ,2 ;r] .
z(í) = 3 COSÍ+ 2 sení
Cálculo Integral Avançado • 203

Uma curva (traço) no IK^ também pode ser dada através de uma equa­
ção em xç: y, como no exemplo a seguir.

Exemplo VI. 1.13

A elipse de equação x3/(E + y^ / p o d e r ser parametrizada como a


curva:

xit) = acost
r- i ,, , í€[0,2;r]
y{t) = 0 sení

Verifique!

Definição VI. 1.14

Uma curva y:[a,b]-^R^ se diz fechada se seus pontos inicial e final coin­
cidem, isto é, y(a)=Y{b).

Definição VI. 1.15

Um ponto Ppertencente ao traço de uma curva y:{a,b]^llC’ é chama­


do ponto múltiplo de yse existem íi?í:Í2> com y{t\)-y{tf)-P.

Definição VI. 1.16

Uma curva y é uma curva simples quando seu traço não tem pontos
múltiplos.
204 • Integrais de Linha - Teorema de Green

Exemplo VI. 1.17

As figuras abaixo ilustram os conceitos definidos anteriormente.

Uma curva Uma curva não- Uma curva não-


fechada simples fechada e simples simples

Uma curva
fechada não-simples
Cálculo Integral Avançado • 205

Exemplo VI. 1.18

íx{t) = {2cost + l)cost


^ • U ( 0 = (2 co sí + l)se n í

admite P=(0,0) como ponto múltiplo; cada valor de í para qual

cosi= é levado para Ppor y.

Um teorema famoso pela sutileza e dificuldade de demonstração é o


teorema de Jordan (1887), provado rigorosamente apenas em 1905, que
afirma que toda curva contínua fechada simples divide o plano em duas re­
giões abertas disjuntas, uma limitada e outra não limitada.

Teorema VI. 1.19: Teorema da Curva deJordan

Seja y.I^ íE uma curva ^ contínua, fechada e simples no plano. Então


R'^\Imy=DiU D^, onde D\ é um aberto conexo e limitado de e Da um
aberto, conexo e não-limitado de R , D\r\D^=0, e o traço de y, Imy, é a
fronteira comum de D\ e de Da.
2 0 6 • Integrais de L inha —Teorema de Green

Definição VI. 1.20

Se é uma curva contínua, fechada e simples do plano, o inte­


rior de y, denotado inty, é a componente A limitada, da decomposição
!B}\Imy=D\'<jD'i dada pelo teorema anterior.

Observação VI. 1.21

Seja uma curva y fechada, simples contínua de Seja P um ponto


de [P fora de y. Então, pelo teorema de Jordan, Pestá ou em A . interior
de y, ou no exterior A - Suponhamos ainda que y é de classe â' e que
[x'(í)]‘^ + [.y {t)Y^ 0, para todo íe/. Nesse caso, é possível determinar em
qual dos dois domínios se encontra Pdo seguinte modo:
É possível traçar uma semi-reta de origem P que corta y num número
finito de pontos. Se esse número é ímpar, P pertence ao interior de y, se
ele é par, ao exterior de y.

Pestá no interior de y

Definição VI. 1.22

Seja y:I-^IP? uma curva de classe d’' A velocidade de y no instante té o


vetor V (t)=x {t)t+y {t)J+z {t)k.
Cálculo Integral Avançado • 2 0 7

Em outra notação:

' x{t)
y{t) , r { t ) = x{t)'í+y{t)y+z{t)%
^ ^ "
- z{t)

Definição VI. 1.23:

Sejam y.I^R^vimà. curva de classe 6^ e Po= y{h) = WZb), y{h), z{h))- Se


Y{ti)) ^ Q, ovl seja + [/(Zb)]^ + (Zb)]'^í^0, a reta tangente ay m to é a
reta passando por Pqcom a direção do vetor v {to)=Y{to).
Se P pertence ao traço de y, com P=y{tf), chamamos também a reta
tangente a ^em ío de (uma) reta tangente a y em P.

Exemplo VI. 1.22

A curva

x{t) = 1^+2
y: y{t ) =2t - l
z{t) = 2 f - t

tem, no instante t = 0, vetor posição r {0) = 2't - f e vetor velocidade


V (0) - 2 f ~ t . A reta tangente a ;^no ponto P= (2,-1,0) é dada por

x{t) = 2
y{t) = —l+2í ísi
z{t) = —t

Definição VI. 1.23

Uma curva y:[a,b]^R3 diz-se lisa quando ela é em [a,è], v {t) i^O,
Ví e ]a,b[, e, caso seja fechada, v {a) = v{b) ^ 0 .
2 0 8 • Integrais de Linha - Teorema de Green

Definição VI. 1.24

Dizemos que a curva /:[a,è]— lisa por partes se o intervalo [a,b\


pode ser decomposto num número finito de subintervalos fechados, aos
quais a restrição de uma curva lisa.

B
B

A=B
A=B

curva curva curva lisa


fechada lisa fechada não por partes
lisa
Exemplo VI. 1.25

As curvas
x{t) = t x{t) = ^
/i: -j íe [ - l,l] e yi-i , ,, í e [ - l,l]
' ) )( í ) = líl [3/(í) = U^I

são lisas por partes e seu traço é o gráfico de y = \ x \ , x e [-1, 1]. No entan­
to, não são curvas lisas.
De fato Yi não é derivável em t=0, mas suas restrições a [-1, 0] e [0,1]
são de classe 6^ com v{t) = t - J em [-1, 0] e w(í) = + J em [0,1].
Para y-i, temos:
X {t) = S f
- S f se t<0
y'{t) =
2>f se t>0
Cálculo Integral Avançado • 2 0 9

Portanto, x e y são contínuas e y^é 6^. Mas {x'(0), / (O)) = (0,0), por-
tanto V(0) = 0 e /2 não é lisa.
Note que há uma brusca mudança na direção do traço de yno ponto
(0,0); de fato, o versor vale

^ ( 1 , - 1 ) se í<0

(1,-1) se t>0

Exemplo VI. 1.26

A curva y d o ex. VI.1.6, restrita a [-r,r], r>0, não é lisa, mas é lisa por
partes (verifique!).

Exemplo VI. 1.27

A curva y: [0, 3]^^^ dada por

t, 0<t<2 t/2, 0<t<2


x{t) = y{t) =
2, 2<t<3 t-1, 2<t<S
2 1 0 • Integrais de L inha - Teorema de Green

é lisa por partes e tem como traço o segmento de (0,0) a (2,1) seguido do
segmento de (2,1) a (2,2). Como veremos na parte de integrais de linha,
pode ser mais interessante considerarmos parametrizações separadas para
os dois segmentos. Como

^ y=t/2 ’ ’

%=2
7i. \ , l<í<2 .
y=t

Definição VI. 1.28

X = x{t)
Seja y: \ y = y{t) uma curva lisa definida em [a, 6].
z = z{t)
O comprimento da curva y é definido pela integral

L{y) = í V/ ( 0 (í)^ + z '(t)dt= f \Y{t)\ d t - { lü(í)l dt


Ja a Ja

Se y é lisa por partes em [a,è], definimos L{y) do mesmo modo. Nesse


I
caso, a função | w(í) pode ser uma função com um número finito de
descontinuidades de salto em [a,b]. Isso não impede a existência da inte-
Cálculo Integral Avançado • 211

gral. Se a = ío< íi< ••• < ^são tais que Yi= xl é lisa para i = 1, n,

J \v{t)\dt=Yj
n n

então L(7) = £

Exemplo VI. 1.29

Dadas;
I x(t) = cosí
ri: , 0<í<2.^
y{t) = sení

x(t) = cosí
72-^ , , . ,0<í<4;r,
))(í) = sení

tem-se;
^2k
^(r.) = lo V (-sení)'"^ + cos^í dt = d t =2n ,
Jo

^( 72) = lo V (-sení)^ + cos^í dt = dt=47r,


Jo

Exemplo VI. 1.30:

Para a cúspide
x(í) = 3í‘^
7 i « , -1^ t <1
^ ^ y{t) =

(/) zz 0 ^ ________ ___


tem-se: r: <i , „ > = V36í^+36í'* = 61íl V1+í'^
I / ( í ) = 6í^
212 • Integrais de Linha - Teorema de Green

Então:

L(7i)= r 6IíIVT+F d t = & { 2í^íl+F dt=&. ^ ^ ( 1 + f y


J-1 Jo 3
= 4 (2 V T - l) .

Exemplo VI. 1.31

Para y=[0, como no exemplo VI. 1.27, podemos calcular L{y)


por:

U f > =U r < ) + L ( n ) = I it+ f ^fõTI i t =

I' +t =1+
EXERCÍaOS

1) Para os exemplos de 1 a 10 verificar quais curvas são simples fechadas,


lisas ou lisas por partes.

í x{t) = t - f
2) Seia a curva r; \ „ para t e R .
\y{t) = t^-t

a) Determine, se houver, os pontos múltiplos de y.


b) Escreva as equações das retas tangentes à curva nesses pontos.
x{t) = sen 27üt
3) Seja a curva y: y{t) = COS íe[0,2].
z{t) = 2 t - f
a) Verifique que y é fechada.
b) Mostre que (0, -1 ,1 /4 ) é um ponto múltiplo de y.
c) Escreva as equações das retas tangentes â curva y n o ponto (0,1, 0).

4) Calcule o comprimento de arco das curvas abaixo;


yit) = [a(í-sení), a(l-cosí)], íe [ 0, 2^]
b) y(t) = (t cosí, sení, í), í e [ 0, ]
c) y(t)^ (t,3 tV 2 ,3 tV 2 ),te[0 ,2 ]

5) Uma curva y(t) = (x(t), y(t), z{t)) é dada por uma parametrização racio­
nal quando x , y c z são funções racionais de t.
Dê uma parametrização racional para as curvas abaixo:
a) Curva dada pela intersecção das superfícies x^+ • f = \ e 2 x - y + z +1= 0.
b) Hipérbole de equação x‘^-y^= 4.
c) Fólium de Descartes x^+ y^= 3xy.
2 14 • Integrais de L inha —Teorema de Green

6) Parametrização pelo Comprimento de Arco


Seja y{t) = {x{t), y{t), z{t)), íe[a,è] uma curva lisa com v{a) e v (b) ^0.

Considere a função comprimento de arco s{t) = I I


^ (^) da, definida
em [a,è].Temos:

(1) s{a) = 0 e s{b) - comprimento de y= L{y) = L;


(2) a função s{t) é derivável, com s’(t) = Iw(í) I, e 5 é estritamente cres­
cente e contínua em [a,b'\.
Podemos então considerar a função inversa t=(p{s), função inversa
da função s{t) .
Verifique que:
(i) q>{0) = a, <p{L) = b ;
(ii) (p tem derivada contínua em [0, L] e ^ ( í ) > 0 para todo
5G [0, L],
Seja y{t) a curva lisa definida por:
yi{s) = (xi(í), zi(j)) = {x{(p{s),y{(p{s), z{(p(s)), [0, L] .
A curva y\ é chamada reparametrização de ypelo comprimento de arco.
Mostre que y e yi tem o mesmo traço e a mesma orientação e calcule a
velocidade v (5) de yi.

Seja s € [0, L], Qual o comprimento de y\ 1^^ ^?

7) Dê a reparametrização pelo comprimento de arco das seguintes curvas:


a) y{t) = (« cosí, a sent) , 0 < t < a>0
b) y{t)^it,t),Q<t<\
Cálculo Integral Avançado • 215

§ 2. Integrais de Linha

Motivação

Considere uma partícula que se move com equação horária


{x{t),y{t)), íe[<2,è], sob a ação de um campo de forças F (jc, y) = P{x, y)'t +
Qj^x, y) j . Queremos calcular o trabalho realizado pela força F quando a
partícula se desloca de A-y{a) até B=y(b} y(t) sendo a curva
y(t) = (x{t), y(t)), t e [a,b]-
Já sabemos da Física elementar que, no caso em que F é constante e y

> ^
é um segmento de reta, o trabalho é dado pelo produto escalar t - F •AB .
No caso geral, dividimos o intervtilo [a, b] em subintervalos pela se-
qüência a - t Q < t \ < ... ti<. ..< b, e substituímos os arcos y{[ti, ?i+i]) = y pe­
los segmentos [A,;, A,+i ], A,= y{t,) = {x{ti), y{ti)) = {xi, yi), i = 0 , l , 2,..., n-1.

I ■

Supondo F constante ao longo do segmento ]A;, A;+i[, o trabalho


ao longo de yi pode ser aproximado pelo produto escalar
ti = F {x{ti), y{ti)) ■A,Aí+i, que pode ser explicitado:
Ti = P{x{U) , y{t)) Axi + Q(,x{tí}, y{tS))Ayi,
onde
Axi—x(ti+i) x(_t^ e Ayi y(^ti+\') y(t^ •
2 1 6 • Integrais de Linha - Teorema de Green

Note que essa aproximação melhora â medida que cresce o número


de segmentos da poligonal pela qual aproximamos y, ou seja, à medida
que Ati= 4+1 - 4 diminui.
Vamos melhorar o cálculo do produto escalar F ■A íAí+i.
Pelo teorema do valor médio:

Axi- x(4+i) - x(4) = (4+1- ti)x’(ti) onde li pertence a ]4, 4+i[,

Ayi= x(4+i) - 31(4) = (4+1- ti)y(ti) onde pertence a ]4, 4+i[,

logo

ti= P{xi, y,)Atix'(tí) + Q_{xi, y^)Atiy'’(Jí) ,

e o trabalho total t é aproximado pela soma


n-\
t= J [P{x{tí),y{t^) xÇií) + (l{x{U),y{ti))y {l^)]Ati.
(=0
A expressão anterior sugere que rdeve ser o limite dessa soma para
At\ —>0, e esse limite coincide com o limite das somas de Riemann da função

P{x{t),y{t))x (t) + Q(x{t), y(t))y(t), t e [ a , b ] .

Então,

r [P{x{t),yit))x{t)+Qix{t),y{t)).yit)]dt
Ja

Isso motiva a definição a seguir.

Definição VI. 2.1

Seja ^uma curva lisa em

X = x{t)

r- y = y{t) í€[a,è] .
z = z{t)

Seja F um campo vetorial contínuo sobre o traço de y, com expressão


em coordenadas
Cálculo Integral Avançado • 2 1 7

F {x,y,z)=P{x,y,z) t + (l{x,y,z)J + R{x,y,z)k .


Então, a integral de linha do campo F ao longo da curva y, que se denota

F dr, é definida pela seguinte integral de Riemann:


i
jV dr = ^ F iÁl)) • ^ '{t)dt =

= j[P{x{t),y{t),z(t)) x(t) + Q_{x{t),y{t),z{t))y (t) R{x{t),y{t),z{t))z {t) ]dt.

Observação VI. 2.2

Seja agora y lisa por partes. Suponha que a partição


a = to< t\ < ... ti< bde [a,ô] é tal que

X = x{t)

r- y = yi.t) é lisa. Então,


z = z{t)

f F d r = \ Fdr + ...+\ F dr
Jy dn J r,^
2 1 8 • Integrais de L inha - Teorema de Green

Exemplo VI. 2.3: O Trabalho como Variação da Energia Cinética

Consideremos uma partícula de massa m que se desloca ao longo de


' X= x(t)
uma curva y: y - y(l) ,í e [a, è], sob ação de um campo de forças E . Mos-
z = z(t)
traremos que o trabalho realizado por E ao longo dessa trajetória é igual à
variação de energia cinética nesse intervalo de tempo. Lembramos que a
energia cinética no instante t é dada por E{t) m\v {t)V^.
O trabalho é a integral de linha de F ao longo de y, que, pela defini­
ção VI.2.1, é dada por b
E d r = F {y{t)).y'{t)dt,
J y J a

pela lei de Newton, F = m . a, onde a é a aceleração y "(t). Portanto, po­


demos reescrever

J Jamy"{t).
T= . y'{t)dt .

Agora, observe que o produto escalar y ' {t). y '{t) tem por derivada
2 y' (t). y ” (t) (verifique!).
Portanto, uma primitiva de y "(t) - y ' { t ) é | ^ '{t) \ e temos:
T - m[Vè I y'{b) I - - Vè I y'{a) \ '^ = V2 m \ v {b) \ ^ - V2 m | w(a) | ^,
como queríamos.

Exemplo VI.2.4

Seja F {x, y, z) = XI + y f + zk. K integral da linha de F ao longo da


hélice
x{t) - cost
T- ■j3'(í)=sení 0<t<2ir
z(t) - 1

é dada por
^2;r ^ ^2;r
[cosí. (-sení)+sení.cosí+í.l](ií= tdt= ^ -27f- .
Jo do 2 do
Cálculo Integral Avançado * 2 1 9

Exemplo VI. 2.5

Seja F {x,y)-x^yt Ay . A integral da linha de F ao longo da cúspide

x{t)
r< „ - i< t <1
' ^ y{t) =

é dada por

[108í«+6í^] d t = 1 2 f + 2 F 28.
-1

Vejamos agora outra notação para a integral de linha de um campo


->
vetorial F .
Se Yit) = (x{t), y(t), z{t)) e F {x, y, z) = P{x, y, z) 7 + Q{x, y, z) j +
R{x, y, z) denotamos originalmente a integral da linha de F ao longo de

Xpor j F .dr. Agora, usando a convenção dr = dx 7 + dyj^ + d z t , onde


dx é notação para x’ (t) dt
dy é notação para y' (t) dt
dz é notação para z’(t) dy,

e entendendo a notação original como o produto escalar, temos:

j F . dr - j Pdx+Qjdy+Rdz-

r [P{x{t),y{t),zit))x{t)+Q{x{t),y{t),zit))y{t)+R {x{t),y{t),z{t))z {t)^dt.


Ja

Usaremos, portanto, a notação

j F ár = J* Pdx+Qdy +Rdz .

Exemplo VI. 2.6

As integrais dos exemplos VI.2.4 e 5 são escritas, nessa nova notação.


2 2 0 • Integrais de Linha - Teorema de Green

J* xdx + ydy + zdz e j x?-ydx + dy, respectivamente, sendo fi a curva de

VI.2.4 e ^2 a curva de VI.2.5.

Observação VI. 2.7

Seja y: [a, b} uma curva lisa. Chamamos de curva percorrida no


sentido inverso, ou simplesmente de curva inversa de y, e denotamos por y
uma curva cujo traço é o mesmo que o de y, mas percorrido no outro sen­
tido. Se y{à) = A, e y{b) = B, a. curva y tem B por ponto inicial e A por pon­
to final.
Sempre é possível parametrizar y da seguinte forma:
Se t - a(u) - a + b - u, observe que a{a) = b e a{b) = a, e então defi­
nimos y:[a, b^^R? por y{u) - y{a{u)) = y(a + b - u). Observe que
y'{u) = y'{a{u)).a'{u) (pela regra da cadeia). Como a'{u) = -1, temos
y'{u) = - y'(a(u)). Ou seja, num dado ponto do traço de ^e f têm
vetores tangentes opostos.
Finalmente, desse fato decorre que:

F ^ (verifique!).

Observação VI. 2.8

A integral de linha £ F .d? nào depende da parametrização da curva,

desde que não se inverta sua orientação. Vamos verificar esse fato em R^,
em R^ é análogo. Seja y:[a, b]^R^,y{t)={x{t),y{t))uma curva lisa, e seja
a:[c, íZ]^[a, b] uma função tal que a'{u)> 0 para todo tíe[c, d]. Então,
y:\_c, d]^R^ dada por y{u) = y{a{u)) = (x{a{u)), y{{a{u))) é uma curva
lisa. Se F (x, y)=P{x, y)^ + Q{x, y)J é um campo contínuo em um aberto U
que contém o traço de y, temos:

j_ F . d r ^ j ^ [P{y{u){xoaY{u) + Qjiaiu)){yoayiu)]du=

- j [P{x(a{u)), y(a{u))) x'(o((u)) + Q<ix{a{u)),y{a{u)))y'{a(u))] oc'{u)du.


Cálculo Integral Avançado • 221

Fazendo a mudança de variável t= a{u) logo dt= a'{u) du na última in­


tegral, vem;

[ f .dr = { [P{x{t),y{t)) x’(t)) + Q(x(í),y(t)) y’(t)] dt= ( F . dr .


Jy J a J y

A curva y tem não somente o mesmo traço C que y, mas também o


mesmo percurso sobre C, com a mesma orientação que y. Uma observação
importante é a de que, dadas duas curvas y t y com essas propriedades,
existe a como acima. Se, por exemplo, y ç. y são injetoras, basta definir
a{s) = t para set , tais que y{s) = y(t) ; é um pouco mais difícil provar que a
assim definida é de classe 6^ e (t) > 0 para todo íe[c, d], e omitiremos
essa passagem.
Nas condições dadas, dizemos que y é uma reparametrização de y. O re­

í
sultado acima mostra que a integral de linha | F dr não depende da

parametrização.
Indiquemos por C um subconjunto do que é o traço de alguma
curva lisa simples munida de um sentido de percurso. Podemos então de­
finir:

F dr ,

onde y é qualquer curva lisa simples com traço C, cuja orientação


corresponde ao sentido de percurso em C.

Exemplo VI. 2.9

Seja Ca intersecção do cilindro x^+y^=\ com o semiplano %-i- z = 0, jc> 0,


percorrida de modo que sua projeção no plano Ox)) tenha sentido

anti-horário e seja F (x, y, z ) = x ^ t + f j + z^ k. Calcular a integralj/ dr .


2 2 2 • Integrais de L inha —Teorema de Green

x(t) = cost
Podemos parametrizar C por y y(t) = sení , -;r/2 < t< 7t!2. Assim:
z(í) =-cost

f\ Fdr=
C
\ [cos‘^í.(-senO + sen^í.cosí+(-cosí)^.sení] =

= scn^t.cost d t - ^ ,r/2 -"i" •


J -^/2 3 3
Até aqui estudamos a integral de linha de campos vetoriais. Definire­
mos agora o conceito correspondente para campos escalares.

Definição VI. 2.10

Seja 7 uma curva lisa em R^, y(t) = (:x:(í), y{t), z{t)) e ç>= ç{x, y, z) um
campo escalar contínuo, definido sobre o traço de y.
A intégral de linha de ao longo de y, em relação ao comprimento de arco,

que se denota j (pds, é definida pela integral de Riemann:

cpds= \ cp{x{t), y{t), z{t))\v {t)\ dt .


Jy Ja

Podemos entender então a notação ds como dí = Iv (í) Idt.


Analogamente ao caso da integral de linha de um campo vetorial, de­

finimos a integral j çds quando y é uma curva lisa por partes como a soma

das integrais de ç nas partes lisas de y.

Observação VI. 2.11

Definimos no parágrafo anterior o comprimento de uma curva lisa

por partes como L{y) - Iv (0 1dt. Observe que, com a definição de inte-
Ja
gral de linha da função constante <p{x,y,z)=l ao longo de y, temos:

L{ y) = í
Ja
\v{t)\dt= í l.áj= f ds
Jr Jy
Cálculo Integral Avançado • 223

Observação VI. 2.12

Assim como a integral de linha de um campo vetorial, a integral de li­


nha de campo escalar (p não depende da parametrização. É importante no­
tar que essa integral independe também da orientação da curva, isto é.

J? X (pds ,

onde 7 está definida em VI.2.7

De fato.

j_ çpds= <p{y{a+b-u)) lu {a+b-u)\ du

e, fazendo a mudança de variável t - a+ b - u, tem-se

j_ <pds = - j (piy{t)) ly (í)l =j (01 j ■

(Compare com a observação VI.2.7).


Se CczR^ é a imagem de uma curva lisa simples, podemos definir
então:

ja X

onde y é uma curva lisa simples qualquer de traço C.

Exemplo VI. 2.13

Seja C a intersecção do cilindro parabólico y= com a parte do plano


z = Xtal que 0 < x < 1. Então, y{t) = (í, 0, t), 0 < í < 1, tem traço C. Logo:

xds= j xds= tV I-i-(20"+l dt =

= H 2+4f d t^ V(2+40)-'
224 • Integrais de L inha - Teorema de Green

Observação VI. 2.14

Ao integrarmos ao longo de y um campo vetorial F , podemos consi­

derar o vetor tangente unitário da curva y, T (t) = ^ , e a função (ou

seja, campo escalar, definido ao longo de y)

(p{t) =F{{x{t), y{t),z{t)).T{t),

em que ^ é a componente de F ao longo de y, isto é, o módulo da proje-


—^ —>
ção de F sobre T.
Então temos:

{ p d r J F {^{t)).v{t)dt= { F \ ^{t)\dt =
j y Ja Ja \v (rtl

ç{t) 11» (0 I dt= I ç) ds .

Ou seja, a integral de linha do campo vetorial F ao longo de a in­


tegral de linha em relação ao comprimento de arco da componente
tangencial de F .
Exercícios

1) Calcule a integral do campo F sobre uma circunferência de centro (0,0)


e raio a percorrida uma vez no sentido anti-horário para os campos;

a) F {x, y) = /

b) F(x, y)=
X +y X +y

c) F {x, y) = x^ + y j
d) F {x, y) = f{r). r, onde, r = x t + y j , r = | r | e / é uma função contínua

2) Calcule | F dr para;
Jy

a) F (x, y, z) = x y t - y f + t , onde y é o segmento de reta unindo


(0,0,0) a (1,1,1).
b) F (x, y, z) - x y t - y f + k, onde y(t) = {t, f, f), t e [0, 1].
c) F {x, y , z ) = ‘2 .x7- “ò y j + onde y{t) = (cosí, sení, t) t e {0,7tí'í'\.
d) F {x, y, z) = z^'i + x^ k , onde a reunião dos segmentos de rela
que unem (1, 0,1) a (3, 0,1) e (3, 0,1) a (2, 0, 4).
e) F {x, y) = y t + {x^+ y^)f, onde y é o arco de circunferência y{x) =
■ {x, ^ A - ligando (-2, 0) a (0, 2).
f) F {x, y) = y ^ -\r (x^+ 'f)f, onde y é formada pelos segmentos que li­
gam (-2, 0) a (0, 0) e (0, 0) a (0, 2).
g) F {x, y) = {x + y)'i + {x - y ) f , onde ^ é a elipse de equação
V‘-x^-V(F'f=cFF^ percorrida uma vez no sentido anti-horário.
226 • Integrais de Linha —Teorema de Green

3) Calcule:

a) xdx + ydy + zdz, sendo ^a intersecção das superfícies z= x'^+ y^ e


JY

z = 2x + 2y - 1, orientada de modo que sua projeção no plano Oxy


seja percorrida uma vez no sentido horário.

í 2 y d x + z d y + x d z , sendo ydi intersecção das superfícies A y^= 1

e = 1, com 31 > 0 e z > 0, percorrida uma vez do ponto (1,0,0)


ao ponto ( - 1 , 0 , 0 ).

c) ydx + zdy + xdz, sendo y a intersecção das superfícies x + y - 2 e


JY

x^ + 'f -v z- = 2{x + y), percorrida uma vez no sentido anti-horário


quando vista da origem.

d) ydx+zdy+xdz sendo y a intersecção das superfícies z = xy e


Jy

x^+ y^= 1 , percorrida uma vez de modo que sua projeção no plano
Oxy tenha sentido anti-horário.

4) Calcule:

a) 2xdx- 3ydy + z^dz, onde y é o segmento de reta unindo ( 1 , 0 , 0 )


Jy

a (0, 1, 7tí2).

b) 2 vzdx+(z‘‘^-y‘^)cíz, onde o arco circular dado por ;v=0 e y^+z^=4


Jy

de (0 ,2 ,0 ) a (0 ,0 ,2 ).

c) f (^+.'y) dx-{x-y) dy ^ 3^circunferência x^+ y^= ar.


Jy x^+y~

d) í onde o quadrado de vértices (1 , 0 ), (0, 1 ), (- 1 , 0 ) e (0, - 1 )


Jy

percorrido no sentido anti-horário.


Cálculo Integral Avançado • 2 2 7

e) J' 'T~y dx + 'T~x dy, sendo ydi fronteira da região limitada por x - 0,
- 1 e y - x''^, percorrida no sentido anti-horário.

5) Prove que o trabalho realizado pelo campo de forças / (x, y) = x i + xyj


é nulo ao longo de qualquer circunferência com centro no eixo das
abcissas.
—^ ^ ^ ^
6) Calcule o trabalho realizado pelo campo de forças/ {x, y) = {x^-f) i + 2xy
y ao mover uma partícula no sentido anti-horário, ao longo do quadrado
determinado pelos eixos coordenados e pelas retas x= a,y= a, a>0.

7) Considere o campo / (%,y) = cxy i + x^fj , o 0 atuando sobre uma par­


tícula que se move do ponto (0,0) até a reta x=l, sobre a curva y, gráfico
da função y = ax'\ a>0, b> 0. Determine um valor de c em termos de a e
—>
b de modo que o trabalho realizado p o r / seja nulo.

> >

8) Mostre que o trabalho realizado pela força peso / (x, y, z) = - mgk ao
deslocar um corpo de massa m ao longo de qualquer curva y, lisa por
partes, ligando os pontos A - (ai, ã2, a^) e B = (bi, b^, bs) é dado por
T= mg(bs~as). Conclua que, para essa campo de forças, o trabalho não
depende do caminho escolhido, mas apenas dos pontos inicial e final
de y. Mais precisamente o trabalho depende apenas da diferença de ní­
vel entre os pontos A e B.

9) Calcule:

Jr {x + y)ds, sendo y o triângulo de vértices (0, 0), (1,0) e (0, 1).

b) onde r(í) = (a(í-sení), a(l-cosí)), í € [0, 2;t].


dy

c) /sen^x V 1 + cos^x ds, onde y é o gráfico de v = senx, x e [0, ;r/2].

ds = , ^é a elipse + 1•
d)
^
[ÃL+jl. â/ 0
W 1,4
2 2 8 • Integrais de Linha - Teorema de Green

10) Seja yuma. curva no R^, representada por um arame, de densidade de


massa ó= S{x, y, z), onde (x,y,z) é um ponto qualquer de y. Observe as
seguintes fórmulas:

Comprimento do arame: L = \ ds
Jy

Massa do arame: M = ô{x, y, z) ds.


Jy

Centro de massa do arame: (x, y, z ) , onde Mx =\xS(x,y, z) ds, My = \yS{x,y,z)ds


J y J y

e Mz = z S {x, y, z)ds
Jy

Momento de inércia do arame em relação a um eixo E: Ie= I (7^{x, y, z). S(x, y, z) ds,

onde cj{x, y, z) representa a distância do ponto (x, y, z) da curva ^ao eixo E.

a) Calcule o comprimento, a massa, as coordenadas do centro de massa


e os momentos de inércia, em relação aos eixos coordenados, de
uma mola que tem a forma de uma hélice cuja equação vetorial é
r (t) = c o stt + sent j + t k , t e [ 0 , 2^] e densidade S{x, y, z) = z^.
b) Calcule o mesmo de a) para um arame cuja forma é dada pela cur­
va intersecção da esfera x^+ f- + z‘^= 1 com o plano x + y+ z=Q, su­
pondo sua densidade Ô{x, y, z) = x^.
c) Calcule o mesmo de a) para um arame cuja forma é dada pelo
arco da curva intersecção das superfícies x:^+ y^+ z^= 4: ç. y= x, que
liga o ponto (0, 0, 2) ao ponto (1, 1, V 2), sabendo que sua densi­
dade é constante.
d) Calcule o momento de inércia de um fio reto, de comprimento L,
em relação a um eixo perpendicular ao fio por uma de suas extre­
midades. Suponha densidade constante.
Cálculo Integral Avançado • 2 2 9

3. O Teorema de Green

Para o que segue chamaremos de domínio do (ou fí?) um


subconjunto aberto e conexo do (ou R ) e de região fechada de R (ou
a união de um domínio do R (ou R ) com a sua fronteira.

Teorema VI.3.1:

(Teorema de Green): Seja R uma região fechada e limitada de R cuja


fronteira dR é formada por um número finito de curvas simples, fechadas e
lisas por partes, duas a duas disjuntas orientadas no sentido que deixa R à
esquerda das curvas.
Seja F = P{x, y ) t + Q{x, y)J um campo vetorial de classe em um
aberto Í2 com R(ZÍ2. Então

onde a integral de linha do segundo membro é a soma das integrais sobre


as curvas componentes da fronteira ^R.

3r= yi(j r
2 3 0 • Integral de L inha - Teorema de Green

A demonstração do teorema, nessa versão geral, foge ao alcance deste


curso. Vejamos a demonstração para alguns casos simples.
Se [a, 6]x[c, d], retângulo de lados paralelos aos eixos, temos que
dR é união dos lados do retângulo, percorrida no sentido anti-horário. Va-

mos calcular I Pdx + Qdy .


L

I Pdx=
J Sr Jb
I P{t,c)dt+ I P{b,t)-0 d t - I P{í,d)dt- ( P{a,t).Odt =
Jc Ja Jc

= í P{t,c)dt- f P{t,d)dt
Ja Ja

De modo análogo temos

^ ^ (I ^ cl

J,. Qib,t)dt- y Q(a,t)dt .

Calculemos agora j j dxdy usando teorema de Fubini:

(l{b,y)-(l{a,y) dy

P{x,d)—P{x,c) dx
Cálculo Integral Avançado • 231

Obtemos, então,

-§■ "JI -§■ ' -1/“^'


o que demonstra o teorema neste caso particular.

Se agora consideramos R = Ry-iR^-dR-z), R\=[ai, èi]x[ci, d{\ e R^-


[«2, b2]'X-{c2, dz] como na figura, temos, pelo feito anteriormente:

dP (x,y) -
dY

■ L P = ‘ ^0.dy- j ^ J d x + Q d y .

sendo ^R\ e ^Rz orientadas no sentido anti-horário.


Com a orientação exigida no teorema de Green, temos <^R= dRiO dRz,
sendo dR\ orientada no sentido anti-horário e dRz no sentido horário, logo,
o que obtivemos é:

■ - |y ) =L ^ .
O que demonstra o teorema de Green nesse caso.

Se, agora, R é uma região que pode ser descrita, simultaneamente,


através de funções na variável 5Ce através de funções na variável y, isto é,
ií = {(jc, }i) I a< x< b e p{x) < y < q(x)} e
2 3 2 • Integral de Linha - Teorema de Green

R= {(x, y) \ c< y < d e r{y) < x< 5(31)}


para q:[a, b ] ^ R e r, 5:[c, c í ] f u n ç õ e s de classe d’*, temos, pelo teore­
ma de Fubini:

h ç,^q{x)

n
s{y) qyx)

dY
b
= J [Q(5()>) ,y) - Qir{y) ,y) ] d y - £ [P(x,q{x)) - P{x,p{x) ]dx. (1)

3R= Y\'0 Y2 orientadas segundo o teorema de Green.

Por outro lado, podemos tomar 3R= Y\'^Y'í ’ sendo que 71 e 72 podem
ser parametrizadas por:

x{t) = t x{t) - t
Yv y{t) ^p(t), te[a,b] yr y{t) = q{t), te[a,b]

Então, Pdx= ^ Pdx-¥ j ^ Pdx- j P{t,p{t))dt- j P{t,q{t))dt. (2)

Mas 7i e 72 também podem ser parametrizadas por


x{t) - s{f) x{t) - r(t)
Yy y(t) = t Yr y(t) = t
te[c,d] te.{c,d\
Cálculo Integral Avançado • 233

e, então,

/* ^ ^
(3)

Como (1) = (2) + (3), temos o teorema de Green verificado neste


caso. Do mesmo modo que fizemos no retângulo, é fácil verificar o
teorema de Green se i?é da forma /?i- {R^ - dRi), se R\ e i?2 são com no úl­
timo caso, com as curvas da fronteira orientada como na figura. Também

fica fácil, a partir daqui, demonstrar o teorema de Green para uma região
que é reunião finita de regiões como as consideradas anteriormente. As fi­
guras a seguir exemplificam alguns casos.
234 • Integral de Linha —Teorema de Green

Exemplo VI. 3.3

Seja F (x, y) = (2x + + (3y - 4x)/. Vamos calcular as duas integrais


do enunciado do teorema de Green, sendo R o triângulo de vértices
A = (0, 0), B = (2, 0) e C=(2, 1). d R é união dos lados do triângulo R
Como P{x, y) = 2x + e Qj^x, y) = 3 y - 4x, e observando que AB está sobre a
reta y = 0, temos:

J_ Pdx+ Qdy- 2xdx= x^ = 4.

O segmento BC está sobre a reta x = 2 , portanto:

j.P dx+ Q dy= J j 3 ,- 8 ) d ,= =^ - 8 .


2

O segmento CA está sobre a reta y=x/2 e

f ) " ( f

8 , 3.4\_ 13
0
12 8

Somando, temos

j Pdx + Qdy = — .
Cálculo Integral Avançado • 235

A outra integral é

^2..v/2 2 x/2 2
'J.J. iM -r " ) ^ J.

= _4_ _8_ = _ I i
12 3

Exemplo VI. 3.4

Seja F {x, y) = - x^y'i + x f j , t Ro disco do centro (0, 0) e raio a.

Calculemos íír, para orientada no sentido anti-horário.


JdR

Temos, por Green,

I = J' F dr = j -x'^ydx+ xy^dy= jj^^{y^+x''^)dxdy .

Usando coordenadas polares, obtemos


27T

n I
y^rdOdr^27t

r ^ d r ^ 2 ir
4
= ^
2

Exemplo VI. 3.5

Seja o campo F{x, y) = ^ ^ / definido em 0)}. Seja


X y X
/u m a curva lisa por partes que contém a origem no seu interior.

Calculemos j F .dr percorrida uma vez no sentido anti-horário. Tome­

mos inicialmente uma circunferência de raio re centro na origem contida


no interior de / .
2 3 6 • Integral de L inha - Teorema de Green

x(t) = rcost
Então, para Cr s , 0 < í < 2ir, temos:
^ ' y(t) = rsent

- - r ^ .( - r s c n t) + rco st dt
r r

^27t
dt= 2k .
No '

Usando o teorema de Green na região R entre as curvas, temos:

dxdy= ,onde dR= y'<JCr.


ÍL dx dy

Então, como a função da integral dupla é nula, temos

Mxdy = ^ F dr - F dr

0= I F d i r - 2 7 t . 'Logo, | F d r = 2 7 l .
JY JY
Cálculo Integral Avançado • 2 3 7

Exemplo VI. 3.6

Vamos calcular a integral de linha

+3^

onde y é a elipse =1
U)

percorrida uma vez no sentido anti-horário.


Observe que a origem não pertence a /? = ^ u (in t 7 ), já que não está
no interior de ;^nem sobre o traço de y.
Aplicando o teorema de Green na região R, temos:

P{x,y) = e Qjdx,y) ^ + x+f


X +y X +y

Como ------= 1 (verifique) temos,


d X d Y ^

I - { { dxdy - área do interior da elipse = 7t2.\/2 = K .


J Jji

Exemplo VI. 3.7

Seja o campo vetorial F (x, y) = 2x cosy t + {7xy - x^seny)y .

Calculemos í i^.dr para 7 gráfico de 3»= cosx, - k/7l < x < k/% per-
Jy

corrido de {-7i/2, 0 ) a (./r/2 , 0 ).


2 3 8 • Integral de Linha - Teorema de Green

Para esse cálculo vamos utilizar o segmento de reta f\, que une os pon­
tos (- 7t/2, 0) e (;r/2, 0), e o teorema de Green na região i?limitada por ji
e y, que fornece:

onde P{x, y) = 2x cos^), Q(;x:, y) = 7xy- x^sen y.


^7t/2 ^k/2

J
^ ^
r,
F dr = I ^ 2 t c o s 0 d t -
J-% J-V2
/• /*
I
2tdt- —— FT = 0
4 4
lí/
k/ 2 ^^ COS .V.V

J J« “ i i« ' i - « J» '

k/2
ç7t/2 ç.n/2
7cos^xdx_7_ (i+cos2x)rf;c = x+ =Tn:
~ j-Tin
nn 2 i( k/24

Portanto,

í F ár
Fdr F dr^
í Fdr + í Fdr=^7T
JyU J Y JJ ]Y 4

Logo, r =
JY 4
Cálculo Integral Avançado • 2 3 9

Observação VI. 3.8: Uma Notação Vetorial para o Teorema de Green

Observe que, se F (jc, y) = P{x, y)^ + Qix, y) / , o integrando do primei­

ro membro da fórmula do teorema de Green, -^2- — ^ é a componente


dX dY ^
em t de rot F , portanto = (rot F). t . O teorema de Green
ffX oY
pode então ser escrito

F dr = j (roti^).^ dxdy .
dR
Exercícios

1) Calcular a integral J ‘f dx-i- xdy, onde:

a) y é o círculo de raio 2 centrado na origem;


b) y é o quadrado de vértices (± 2 , 0 ) e (0 , ± 2 );
c) y é dada por r (í) = 2cos^tt + 2 sen^í/, 0 < t < 2 ^ .

2) Verifique o teorema de Green calculando as duas integrais do enuncia­


do para:
a) P(x, y) - xy; Q{x, y) = - 2xy, R - {(x, y) 1 < dc< 2, 0 < 31 < 3}
b) P{x, y) = c^sen y\ Q_{x, y) - e"‘cos y; R - {(x, y) 10 < x < 1, 0 < 3)< ;r/2}
c) P(x, y) = 2 { x f - x^y)/3; Q{x, y) = x^y^\ R é o triângulo de vértices
(0 , 0 ) , ( l , 0 ) e ( l , l ) .
d) P{x, y) = 0; Qj^x ,y) = x; R é 3. região exterior ao círculo unitário, limi­
tada pela parábola y= x'^-2 e pela reta y - 2.

e) V (x, y) = —J t ----- -- „ 7; R é a. região entre as circunferências


x‘^+y jT+y
x^+y'^=l e x^+ f = 4.
f) P{x, y) = 4x - 2y; Q{x, y) = 2x + 6y, R é a. região interior à elipse

x= 2 cos^
y -s e n 6 , 6e

3) Calcule:

a) xy{3ydx + Ixdy), sendo a elipse IOjc^ + \ly^ = 29, percorrida no


Jy
sentido anti-horário.
Cálculo Integral Avançado • 241

b) x^y — ^13) dx -\-{x^é^ + sç^ny)dy, sendo y ?i circunferência


Y
x^-vf-- 2a: = 0, percorrida no sentido anti-horário.

c) v d r , sendo y a fronteira do retângulo [1.2]x[-l,l] orientada

no sentido anti-horário e v{x,y)=2arctg—i + [ln(a:" + )-f-2x]y.


)’

4) Calcule:

a) -ydx + xdy ^sendo y a curva fronteira da região determinada


Jr
pelas curvas 2(a:-i- 2) e x=2, orientada no sentido horário.

b) +.x<f'y_ ^sendo ya. curva y = 1, - 1 < a: < 2, percorrida do


Jr x^-\-'f
ponto (-1, 0) para (2, 3).

c) ydx - ^onde yéa. circunferência x^ + f-= 4, percorrida


•J y
no sentido horário.

d) í , sendo y - dR, R = {{x, y) e : | xI < 1 e Iy I< 1},


Jy {x^+y)^
orientada no sentido anti-horário.

5) a) Seja D uma região de R'^ com D e áD nas hipóteses do teorema de


Green.
Mostre que A(D) = área de í) = xdy = - ydx
Jao JdD
b) Calcule as áreas das regiões:
i) D= {{x, y ) : x ^ / + f/U ^ < \]
ii) D = {(x, y) : x^^^+ < d^^^}
iii) Déa. região limitada pela curva r= 3(l+cos6*).
2 42 • Integral de Linha - Teorema de Green

6) Seja Y uma curva plana simples, fechada e lisa por partes percorrida

uma vez no sentido horário. Dê todos os valores possíveis para j F dr,

onde F (x, y) = ~i + / „ /•

7) Seja tt(x, y) = P{x, y ) t + Q{x, y)J, Pc Qcom derivadas parciais contínuas

em D - rF-[Ai,A2,As\, satisfazendo-^^ em D.
oY oX.

Observando a figura, suponha que ^ + Qdy =10> ^Pdx + Qdy = 9

j e Pdx + Qdy =12.

a) Calcule j^ Pdx + Qdy.

b) Determine uma curva C', tal que j Pdx + Qdy - 1.

8) Seja 7 uma curva simples, fechada e lisa por partes, no plano Oxy, e seja
o momento de inércia, em relação ao eixo O^, da região limitada

por Y- Mostre que existe um inteiro n tal que j x^dy- y^dx.


Cálculo Integral Avançado • 243

9) Seja Ik- ^^Pdx+ Qdy, onde

P{x,y) = -y 1 1 1
_ ( x - 1 ) ‘^ +'f (x + 1 ) ^
‘ +f

0(x y) = __ ^ ^ ^ ___
^ {x-iy^+f sê+f- (x+i)‘^+y^

Na figura, Ci é a circunferência + 'f = 1/16, C2 é a circunferên­


cia + /= 4 e C3 é a reunião das curvas formadas pelas circun­
ferências (x -l)^ + 3)^=1 / 9 , 1/9 e(jc+ 1)^ + /^= 1/9. Calcule/i, h
eh.

10) Se n{x, y) é o vetor unitário normal ao traço da curva y, em (;v, y),

calcule -ndi, sendo;


•^r
a) F {x, y) = 7 + (Síc-lOx^)/ e ;^com traço igual a parte da circun­
ferência x-+f = 1 , contida no primeiro quadrante.

b) F {x, y) = x’f y - ^ / e

y{t) = {F, sen(4 arc tg í^)), /e [0,1].


2 4 4 • Integral de Linha - Teorema de Green

c) F {x, y) = gra d (x^y) e y tem como traço a circunferência centrada


na origem de raio 2.
Considere cada sentido possível para n {x, y), de modo que n {x, y)
varie conünuamente com {x, y) sobre o traço de y.
Cálculo Integral Avançado • 243

§ 4. Campos Conservatívos

Seja F um campo vetorial contínuo definido num domínio Í2 de líF


ou e sejam A c B dois pontos do domínio £2.
Sc y é uma curva lisa por partes, ligando A c B,c contida em £2, a inte-

í
gral I F dr depende em geral da curva 7 considerada.

No entanto, uma certa classe de campos definidos em £2 tem a pro­


priedade de que essa integral não depende do caminho usado para ligar A
c B, mas apenas dos pontos A c B escolhidos.
Um exemplo é o campo gravitacional, pois o trabalho realizado pela
força peso só depende dos pontos inicial e final da trajetória, como vere­
mos adiante.

Definição VI. 4.1

Um campo F é conseruativo num domínio £2 se, para cada par de pontos


(A, B) dc £2, dLintegral de linha dc F és. mesma ao longo de qualquer cur­
va lisa por partes ligando A c B contida em £2.
2 4 6 • Integral de Linha - Teorema de Green

Exemplo VI. 4.2

Considere F {x, y) = y t + (x‘^+ f)'j em !B?. Considere os dois caminhos


de (-2,0) a (0,2) dados por:

Y\ = arco de circunferênciay - ^ 4 - x'^;

/ 2= poligonal ligando os pontos (-2, 0), (0, 0), (0, 2)

x{t) = 2 cost
Temos
y(t) = 2 sení, ir/2 < t < 7 t

e /2 - CitjCs

, x(i) = t
C - , - 2 < x < 0
^ S (0 = 0 ’

C ^ <t) 0 , o<)><2 .
Cálculo Integral Avançado • 2 4 7

F dr = - \ (2 sení, 4) (-2 sení, 2 cosí)cíí =


J Y\ J n/2

=
J
f { - 4 serFt+S cost)dt= - f \
4
2
+ 8 cosíW í =
/

/ i/T f*^
8 8
(2 cos2í+ c o s í - 2)cíí = - [sen 2í+ s e n í - 2í] í =;r+8
K/l J n/t

^^Fdr ^ x^).{\,0)dx+ {y, f ) . (0,1) dy= ^^^Odx+ fdy=-

Concluímos que F não é conservativo


ivo, pois J r dr ^ j F dr.

Exemplo VI. 4.3

Seja F {x, y, z) = - mg^ o campo de forças-peso agindo sobre um corpo


de massa m próximo à terra {g = aceleração da gravidade). Sejam A c B dois
pontos, e j^uma curva lisa ác A c B, y= y{t), a< t< b, y{a) = A, y{b) = B.
— ^

O trabalho de F ao longo dc yé:

T- ^ F dr —mgt.y'{t)dt =

= -m g k { x ' t + y ’ 7 + z’ k) d t - - mgz’(t) dt = mgz{t)


Ja Ja

^ - mg {z{b) - z{a))

Isto é, o trabalho só depende da diferença entre as terceiras coordena­


das de A e de B. Concluímos que o campo de forças-peso é conservativo.
Vamos agora estabelecer critérios que caracterizam os campos con-
servativos.
2 4 8 • Integral de L inha - Teorema de Green

Definição VI. 4.4

Seja F {x, y, z) = P{x, y, z ) t + Q{x, y, z)'j + R{x, y, z ) t um campo contí-


—^
nuo definido num domínio Í2 de R^. Dizemos que F é um campo gradiente
se existir um campo escalar y/= y/{x, y, z) de classe 6^ em £2, tal que

grad ^.= ? ,o u seja , ^ ^ = ge ^ =B .

O campo escalar y/ se chama um potencial de F.

Observação VI. 4.5

Verifique que se y/é um potencial de F em £2, então y/+ k, k constan­


te, também é um potencial de F . Reciprocamente, verifique que se yii e y/^
são dois potenciais de F em £2, então y/\- y/^ é constante.

Exemplo VI. 4.6

Seja E (x, y, z) = - r/r^, r = {x, y, z), |r |, (0, 0, 0).

Então, yiix, y, z) = l/r= ^ 2^ potencial de E .

(Verifique.)

Teorema VI. 4.7

Seja F um campo contínuo definido num domínio £2,


F {x, y, z) = P{x, y , z ) t + Qfx, y, z) j + R{x, y,z)k.
— ^ — >

F é conservativo se, e somente se, F é um campo gradiente.

Demonstração

Suponhamos primeiro que F é um campo gradiente. Existe y/, cam­


po escalar em £2, com grad y/ - F . Sejam A e B dois pontos quaisquer
Cálculo Integral Avançado • 2 4 9

de e yuma. curva lisa por partes y{t) = {x(t), y{t), z{t), z{t)), í e [a, b],
com y{a)-A, y{b)=B, ligando A c B.
Temos:

{ p d r J F {y{t)).y \t)d t^ \ f a d y/{y{t)).f{t)d t=


J y Ja Ja

-^ \^ {y{t))x \t) {y{t))y\t) {y{t))z 'm d t =

= { dt= y/{y{a))- y/{y{b))= y/{B)-y/{A) .


J a dt

Nesse cálculo, usamos a regra da cadeia para ver que [y/{y{t))Y

dx dy dz

Portanto, ^ F dr = y/{B) - lyiA) só depende de A e fi, e T é conservativo.

Observe que esse resultado, além de dizer que F é conservativo, forne­


ce o valor y/{B)-y/{A) para a integral de linha de F ao longo de qualquer
curva ligando A c B.

Suponha agora, reciprocamente, que F c um campo conservativo. Fi­


xemos um ponto A = {ã\, a-i, aY) em Q.
Vamos definir uma função Xj/ em Q. Seja X = (x, y, z) um ponto qual­
quer de Q. Como £2 c conexo, é possível ligar A e Xpor uma curva lisa por
partes y.
2 5 0 • Integral de Linha - Teorema de Green

Definimos y/{x,y,z) = j r cír. Como supomos F conservativo, essa inte­

gral não depende da curva escolhida, portanto i//ê uma função bem de-

finida e podemos, sem risco de confusão, denotar y, z) = J dr.

Vamos mostrar que grací 1/ /= F.

Para isso, provemos inicialmente que (x, y, £) = P{x, y, z).


ox

Seja B uma bola centrada em X e contida em Q (isto é possível pois Í2


é aberto). Considere o segmento horizontal passando por X e contido na
bola B, isto é, o conjunto dos pontos {x + h, y, z) contidos em B. Pela defini­
ção de derivada parcial;

ix,y,z)

Fdr- Fdr
^ {x,y,z) = Um ¥{x-^h,y,z)-y/{x,y,z) A Ja
U% h—
>0 h h^O

Ax+I
^{x+h,y,z)

Fdr
= Um Jjx.yX
/i^ü h
Cálculo Integral Avançado • 251

Como a integral independe do caminho, podemos escolher o segmen­


to de reta horizontal para calcular essa última integral, então:

y, z)= ^ ^ ^ {P {x A th , y, z), Qjyc+th, y, z), R{x+th, y, z)).{h, 0, 0)dt =

= lim Jr'
P{x + th, y, z)h dt= Jr'
P{x+th,y,z) dt .

Pelo teorema do valor médio para integrais, existe t entre 0 e 1 tal


que
.1
j P(x + th, y, z)dt = P{x + th, y, z). Logo, (x, y, z) = limP(x + th,y, z).

Como P é contínua, concluímos que

(x, y, z) = P(x, y, z) .

Demonstra-se de modo análogo que Q e que = P, e o


<Py
teorema está provado.

Observação VI. 4.8

1) Vimos na demonstração do teorema anterior que, sc y/ é um potencial

de?, J ? dr = y/{B) - y/{A), onde A e B são os pontos inicial e final de y.


Portanto, para as integrais de linha, ij/ funciona como uma “primitiva”

de F . Além disso, nesse caso, concluímos que j F dr =0 sempre que y

for uma curva fechada, já que nesse caso A - B.

2) Se F é um campo conservativo, é útil a notação ^ F dr para denotar

a integral de linha de F ao longo de qualquer curva lisa por partes que


liga A 2lB.
2 5 2 • Integral de Linha - Teorema de Green

Teorema VI. 4.9

Seja F um campo contínuo definido num domínio Q de F é

conservaüvo se, e somente se, J F á ? = 0 para curva lisa por partes

c fechada, y, em Í2.

Demonstração

Se F é conservaüvo, pela observação VI.4.8, sua integral de linha ao


longo de uma curva lisa por partes e fechada é nula.
Reciprocamente, dados dois pontos A e B, quaisquer de 12, sejam y^ e
y-z curvas lisas por partes, ligando A e B.

Tomemos a curva y= yi'^ yz-

Pela hipótese \ F dr - 0 . Como \F dr = \F dr + \ F dr = \F dr


JY Jr J yi J yi J y\

F 4^ >temos ^F dr = ^F dr , o que demonstra que F é conservaüvo, já

yi e yz são arbitrárias.

O teorema que será enunciado a seguir difere do anterior, apenas por


se considerar y curva simples. Será muito útil na verificação de um campo
ser conservaüvo, usando o teorema de Green, uma vez que esse teorema só
se aplica à curvas simples.
Cálculo Integral Avançado • 253

Teorema VI. 4.10

Seja F um campo contínuo definido num domínio Í2 de F é

conse^ ü vo se, e somente se. J/á? = 0para qualguerc^r.^ rüsa por par-
tes, fechada e simples de Í2.
Observe que uma das implicações afirmada no teorema tem demons­
tração imediata à partir do teorema VI.4.9.
A demonstração da implicação recíproca não será feita, por apresen­
tar grau de dificuldade acima do considerado neste texto.

Exemplo VI. 4.11

Seja o campo F {x, y) = + yf) definido para


V (x--l-/)-l
Í2={{x, y) 6 R^, x^+ f > 1}. Vamos mostrar que F é conservativo usando o
teorema VI.4.10.
Para isso devemos provar que qualquer integral de linha numa curva
fechada, simples de é nula.
Há dois tipos de curvas, y, fechadas e simples em Í2:

1°) Curvas y cujo interior não contém o disco D de centro (0,0) e raio 1;

2-) Curvas j^cujo interior contém D.

Vamos usar o teorema de Green para calcular as integrais de linha.


Para isso, verifique que

{x, y) ^ {x, y) = 0, onde P{x, y) = e


ox oy V X +3)--l

Logo,
254 • Integral de L inha —Teorema de Green

Então, se R é uma região nas hipóteses do teorema de Green, temos

j j ^^^y ~ j j ^ ^ y ^ ^^^y ^ ■

No 1- caso, podemos aplicar o teorema de Green para a região R li­

mitada por y, obtendo j F dr .k dxdy - 0 , orientando ^no sentido


anti-horário.

No 2° caso não podemos aplicar o teorema de Green para a região in­


terior a y, porque F não está definido nessa região.
Tomemos então, uma circunferência y de centro (0, 0) e raio r, que
contenha yno seu interior.
Usando o teorema de Green na região R entre y, e 7 temos:

= 0, orientando yye ^no sentido anti-horário.


Cálculo Integral Avançado • 233

Então r F dr =0 ou \_F + \ F dr = 0 e
Jr^n Jr Jr,

\ F d r = Jr,
Jy
\ F dr .

Basta então calcular ^^F dr. Uma parametrização para

Yrit) = (rcost, rsent), te [0, 2ir] .

Denotando g(r) = ~(^+y ) - —r _ onde r= V + ■v^, temos:


® ^ + f-l F-1 ^

F dr [g(r)rcosí(- rsení) + ^(r)rsení(rcosí)] dí =

J gif) [-r^cosí sení + F costsent]dt= 0 .

Portanto, temos F dr =0, para qualquer curva y, 6^ por partes fecha­

da e simples, contida em Q.
Então o teorema VI.4.10 garante que F é conservativo.

Teorema VI. 4.12

Seja F um campo de classe definido num domínio Í2 de ÍR4 ou ÍR^.


Se F é conservativo, então rot E =0

Demonstração

—> —>

Suponha que F é conservativo. Então, pelo teorema VI.4.7, F admite


um potencial \j/ e temos F = g r a d ifi. Mas então rot E = rot (grad ifi) = 0.
(Veja no capítulo I: o rotacional do gradiente é nulo.)
2 5 6 • Integral de L inha - Teorema de Green

Exemplo VIA. 13

—^ —> —> —> —^ ^


Sc F { x, y) =yi + 2x j , então rot F = k ^ 0 , V {x, y) Ç: R^, logo F não é
conservativo.

Exemplo VI. 4.14

Vamos ver que a recíproca do teorema anterior não é verdadeira, mos­


trando um exemplo de um campo que tem rotacional nulo e que não é
conservativo.

Considere F (x, y) = 7 em R^\{{Q, 0)}. É fácil ver que


x^+y'^ X +y^

rot F = 0. (verifique!)

Mas já sabemos que F dr = st y é uma circunferência centrada


Jy
-y
na origem percorrida no sentido anti-horário. Portanto, F não é conserva­
tivo em 0 )}, pois sua integral de linha ao longo de uma curva fecha­
da é não-nula.
Observe, no entanto, que, se restringirmos F ao semi-plano x > 0, ele
admite o potencial y/{x, y) = arc tg y/x nesse semi-plano (verifique!), por­
tanto, é conservativo nesse domínio.
A noção de campo conservativo depende, pois, fundamentalmente do
domínio no qual consideramos o campo: neste exemplo, F não é conser­
vativo em ^-\{ (0 , 0 )} e é conservativo em {(x, 3») e | x > 0 }.
A seguir veremos condições sobre o domínio de F para que seja ver­
dadeira a recíproca do teorema VI.4.12, isto é, em que domínios campos
de rotacional nulo são conservativos.

Exemplo VI. 4.15: Campos Conservativos em Domínios Simplesmente Conexos

Um subconjunto conexo, Í2, de R^ ou R^ é chamado simplesmente


conexo se qualquer curva simples, fechada e lisa por partes contida em Í2
pode ser “contraída continuamente” a um ponto, sem sair de Í2 .
Cálculo Integral Avançado * 2 5 7

As figuras 1 e 2 hachuradas são exemplos de domínios simplesmente


conexo e não simplesmente conexo, respectivamente.

Figura 2

No segundo caso, a curva y desenhada não pode ser contraída a um


ponto sem sair de £2.
Observamos que um domínio £2 é simplesmente conexo se, e só
se, qualquer curva simples, fechada, lisa por partes em £2, tem seu interior
contido em £2.
Intuitivamente, domínio simplesmente conexo de R} é aquele que
“não tem buracos”.

Exemplo VIA. 16

O plano R}, um semi-plano, um disco aberto, o interior de um triân­


gulo, de um retângulo etc., são domínios simplesmente conexos de R}.
O plano R} menos um número finito de pontos, um disco aberto sem
seu centro, uma coroa circular sem as circunferências de fronteira, são do­
mínios de R} que não são simplesmente conexos.
2 5 8 • Integral de Linha - Teorema de Green

Exemplo VIA. 17

No uma bola aberta, o R^, a região compreendida entre duas esfe­


ras de mesmo centro, um semi-espaço são simplesmente conexos.
O R^ sem uma reta, o toro sólido sem a superfície de fronteira, uma
bola aberta sem um de seus diâmetros, são abertos conexos do R^ que não
são simplesmente conexos.

Teorema VI.4.18

Seja F um campo de classe definido num domínio £2 de R4, sim­


plesmente conexo. Então, se rot/ ' = 0 , F é conservativo.

Demonstração

Seja 7 uma curva qualquer lisa por partes, simples e fechada de £2.
Como £2 é simplesmente conexo, int ycz£2. Pelo teorema de Green aplica­
do a região limitada por y, temos

ro lF .k dxdy = 0 .

Concluímos então, pelo teorema VI.4.12, que F é conservativo.


CQD

Observação VI.4.19

O teorema anterior é também verdadeiro para domínios simples­


mente conexos do R^. Esse caso será discutido no capítulo VIII, após a de­
monstração do teorema de Stokes. No entanto, admitiremos o resultado
verdadeiro em R^, para a solução dos exercícios. Observe também o diagra­
ma a seguir.
Cálculo Integral Avançado • 2 3 9

Resumimos os resultados sobre campos conservativos no diagrama,


onde F é um campo de classe num domínio Í2 do ou R^.

3y/\V y/=F ^ F é conservativo e m í2 o

dr = 0 , V ;/lisa por partes, fechada e simples em í2.


JY

"-T

se Í2é
simplesmente
conexo

roti^ = 0
Exercícios

1) Em cada caso abaixo, determine se F é ou não um campo gradiente


no domínio indicado. Em caso afirmativo, determine um potencial
deF.

a) F {x, y) = xt + xj em

b) F {x, y) = (2x e^+ y ) t + (x'^e^+ x - 2y)J em R!^


—> _^ ^ —y
c) F {x, y, z) = {x+ z)t - ()i + z)j + {x- y)k em R^

d) F (x, y, z) - (2x‘^+ 8 x f ) t + {Sx^y- 2>xy)f - (4z^/+ 2x®z)^ em.R^

e) F (x, y, z) - {fcosx + z^)7 - (4 - 23»senx)/ + (3xz* + 2)^ em R^

f) F (x, y) = -y} em -{(0, 0)}


í?+y^

g) F (x, y) = em Í2= {(x, v) ^R}\ x > 0 se 3 = 0}


x^+y

h) F (X, 3) = em R:^ - {(0, 0)}

2) Seja o campo F (x, y) = ?+ ^ J, ^ a curva dada por yt)-

= {e‘, sent) para 0 < t< 7 t. Calcule j F d r .

3) Calcule as integrais:

a) j 7x^ydx+ x^dy, sendo y{t) - (t, *), te. [0,1].


Cálculo Integral Avançado • 261

b) ^^{ln{x\-f)-y\dx + \2y ln{x + 3;^) - a:] dy, sendo ^curva {x- 2 )‘^+ / =1

com 3;> 0 , orientada no sentido horário.

c) ydx-xdy ^ r é a curva dada por x{t) = cos^t, y(t) = sen^í,


^r xr+)T

com 3)> 0 ligando os pontos (1 , 0 ) e (0 , 1 ), nessa ordem.


4) Mostre que as integrais independem do caminho e calcule-as;

•Ui.à)
a) ^xydx-v {x’-'f )d y
Ju.i)
^(a.b)
b) senydx + x cosydy
J(O.O)

5) Seja F {x, y) = {x + y)7 -1- { x -y ) J .


a) Demonstre que o trabalho realizado pelo campo F , ao longo de
uma curva dada por r {t) = f{t)t + g{t)f, a< t<b, depende apenas de
f{a),f{b), g{a) e g{b).
b) Calcule o trabalho de quando/(a) = l,/(è ) = 2, g{a) = 3 e g{b) = 4.

6 ) Um campo de forças radial ou central F , no plano, pode ser escrito na


forma F {x, y) = g{r).r, onde r = x t ■¥y j , r= | r |, e g € é uma função
de R em R . Mostre que F é um campo de forças conservativo.

7) Calcule;
^ ( 3 ,5 ,0 )

a) yzdx+xzdy^xydz

b) sen (yz) dx + xz cos (yz) dy + xy cos {yz} dz,


Jy

sendo y a hélice x=cost, y=sent, z=t, te [0,4.;r]

8 ) a) Mostre que se v é uma solução da equação rot v=u, para u de


_^ —>

classe em R \ então todas as soluções são as da forma v+grãdf,


para funções f{x,y,z) que possuem derivadas parciais em
2 6 2 • Integral de Linha - Teorema ck Green

b) Determine todos os campos vetoriais v tais que r õ t v = u, se


- íc \ 2 ?. 2 2 2 2 3 o
u = \ 2 xyz + x y , x y - y z , - y z - z x yz j .

9) Sejam u= ^ 2 •’ ^ ^ sólido limitado pelo toro obtido ge­

rando-se a circunferência (%-2)^+z^=l, y = 0, em torno do eixo O^. Mos­

tre que rot u=0 em D, mas 9 ^e udr se C é a circunferência

o^Jryi^= 4, z = 0. Determine todos os valores possíveis para a integral:


(0 , 2, 0)

udr sobre um caminho em D.


d(2,0,0)
10) Calcular f xdx+ydy+zdz ^ onde o ponto A pertence à esfera
JA
x'^+y^+z'^=l, e o ponto B pertence à esfera x^+/+z^=4.
Capítulo VII

Integrais de Superfície

§ 0. Introdução

Neste capítulo construiremos as ferramentas necessárias para poder


trabalhar com os teoremas de Gauss e Stokes, que finalizam este texto. Defi­
niremos entáo a integral de superfície de um campo escalar e a integral de
superfície de um campo vetorial, também chamada o fluxo do campo atra­
vés da superfície.
Para isso introduziremos inicialmente o conceito de superfície
parametrizada, que permite uma definição e cálculo simples para as in­
tegrais. Entretanto, esse conceito não caracteriza uma superfície como
um objeto no espaço que independe das funções usadas para defini-la,
além de não englobar casos simples como esfera e cilindro. Desse modo, in­
troduzimos o conceito de superfície lisa que, embora aparentemente com­
plexo, permite definição e cálculo das integrais de superfície sem grandes
dificuldades.

§ 1. Superfícies Parametrizadas

Definição VII. 1.1

Uma superfície parametrizada de !B? é uma função F, definida num do­


mínio U de tR^, a valores em R , que, a cada {u,v)eU, associa o ponto
2 6 4 • Integrais de Superfície

de IB?, r(u, v) = (x{u, v), y(u, v), z(u, v)), onde x = x{u, v), y - y{u, v) e
z = z(u, v) são funções de classe de U em R . O vetor r(u, v) = x{u, vyt +
y{u, ü )/ + z{u, v ) t é o vetor posição do ponto r{u, v).

A imagem ou traço da superfície parametrizada F é o subconjunto S de


R? formado pelos pontos F{u, v) com {u, v) e U
Usaremos também a notação

X = x{u, v)
F-A y - y{u, v)
z - z(u, v)

para uma superfície parametrizada de R^. As funções x = x{u, v),y = y{u, v) e


z = z{u, v) são chamadas equações paramétricas de T, e o conjunto S é dito
parametrizado por T.
Cálculo Integral Avançado • 265

ExemploVn.1.2

O plano em pode ser parametrizado por

x= u
r. y=V U=R?
z= 0

Parametrize você o plano de equação ax+ by+ cz = d, a, b, c, deR , com


c^O.

Exemplo VII. 1.3

A superfície esférica Sde raio a > 0 centrada na origem pode ser para­
metrizada usando-se as coordenadas esféricas de R?, com p - a constante.
Obtém-se

x= ascnucosv
P. y - asenusenv
z = a cosu
{u,v)eR3.

Observe que o^+ f+z^-d^.


2 6 6 • Integrais de Superfície

Exemplo VIL 1.4

O cilindro de eixo Oz e raio a, a>Q pode ser parametrizado por

X- a cosM
r. y - ascnu (u,v) .
z- V

Observe que + / = (P.

Exemplo VII. 1.5

O cone de eixo Oz, vértice na origem e ângulo de abertura a, admite a


seguinte parametrização:

x = VCOSMtgítr
r. y = v senu tgo; 0<a<ir/2
z-v

De fato, tgOí= Uv, 1= v tgae x= Zcos u, y= Isenu.


Cálculo Integral Avançada • 2 6 7

Verifique que as equações provindas de coordenadas esféricas

x = /7senacostí
y = p senasem i {p, u) eR^xR parametrizam a parte do cone com z > 0 .
z= pcosa

Exemplo VI. 1.6

O parabolóide elíptico tem como parametrização

X- u
V
r. {u,v) €

Note que z = oâ/cE + f-f tí^.


2 6 8 • Integrais de Superfície

Exemplo VII. 1 .7

O parabolóide hiperbólico tem como parametrização:


u

y = v {u ,v)& IB ? .

z= u v

Observe que z = xy.

Exemplo VII. 1.8

O elipsóide de equação x^ / + y^ / + z^/d =1, a^O, b^O, tem


como parametrização
" x= astnucosv
y= bscnusç:nv {u,v)e!Ed .
z = ccosu
Cálculo Integral Avançado • 2 6 9

Exemplo VII. 1.9

O toro obtido pela revolução em torno do eixo Oz da circunferência


de raio b centrada em (0 , a, 0 ), com a> b>0, tem como parametrização

x= (a+b cosv) cosu


y = (a+b cosv) senu
z= bsenv
(u,v)e. .
Exercícios

1) a) S e j a f u n ç ã o de classe d’* e So seu gráfico, isto é:


S={{x, y, z) eR^\z =f{x, 3;)} .
Dê uma parametrização para S.
b) Parametrize o conjunto S dado por:
{(x, y,z)\x'^+z=3}

2) Esboce o traço da superfície S dada por

' X- rcos 0
r-. < y = rsen 6 r>0 , 0 € R.
. z = -{r

Obtenha uma equação nas variáveis x,y,z para S.

3) Em cada um dos casos a seguir, esboce o conjunto dos pontos S que sa­
tisfaz ã relação dada. Dê uma parametrização para a porção de S acima
do plano Oxy.
a) x'^+ y^ - z^= a^, a > 0
b) x'^-y^~ d^, a > 0
Cálculo Integral Avançado • 271

§ 2. Curvas Coordenadas - Plano Tangente - Vetor Normal -


Superfícies Parametrizadas Lisas

Definição VI. 2.1

Seja Cuma superfície parametrizada de dada por


r{u, v) = {x{u, v), y{u, v), z(u, v)), (u, v) € UciR?, de traço S.
A cada curva a á c Uparametrizada por

a{t) = {u{t), v{t)) G U, te [a, b]

corresponde uma curva ycm R? parametrizada por

Y{t) = {x{u{t), v{t)), y{u{t), v{t)), z{u{t), v{t)) = F {a{t)) = {Foá) {t).

Essa curva ycnjo traço está contido em S é chamada uma curva da su­
perfície parametrizada T .

Observe que usando a regra da cadeia determinamos o vetor tangente à


curva y, da superfície F, no ponto {x{tf), y{t^), z{tfi), em função das coorde­
nadas do vetor tangente c/{tfi = {u {tf), v {tfi), t^e[a, b], no caso em que a é
2 1 2 • Integrais de Superjicie

diferenciável. Assim, Y (í) =

\ ou ov ou ov ou ov /
^ ^z\ /
U m’ ^u ’ ju) \ ^ v ’ a v ’ dv)
Curvas particularmente importantes da superfície /"são as imagens
das retas paralelas aos eixos coordenados Ou e Ov, que consideraremos
a seguir.

Definição VII. 2.2

As curvas superfície /"dadas por


yfiu) = {x{u, vfi, y{u, vfi, z{u, í^q)) ,
rfiv) = (^K > 3'(“ o’ >
imagens por /"das retas v = v^, são as curvas coordenadas de /"no
ponto r{u^, vfi.

Pela observação anterior, vemos que os vetores tangentes a essas cur­


vas coordenadas no ponto P~r{u^,vfi são;

Y'i K ) = K’ ^ ’

fM ) ^ K> ^o)/ + ^

denotados, respectívamente, por Xfiu^, e X^u^, vfi.


Cálculo Integral Avançado • 273

Exemplo VII. 2.3

(a) Considere a esfera parametrizada como no exemplo VII.I.3.


Então,
—> _ ^ ^ —>

X J ( u , v ) = a ( cosm ) ( c o s v ) z +a ( cosm ) (seny) j - a (senu) k


—^ ^ ^
X^(tí, v) =- a (sentí) (sentí) t + a(sentt) (costí) j .

(b) Para o cilindro do exemplo VIU.4, temos:


—^ ^ ^
X^(tí, v) = - a (sentí) i + a (costí) j
X^(tí, tí) = /í .
274 • Integrais de Superfície

Definição VII. 2.4

Seja ^'uma curva diferenciável de F. O seu vetor tangente em diz-se


um vetor tangente aT em {u^, = (m(Íq), v{t^).

>
Observe que, caso sejam linearmente independentes, os vetores e
em F{u^, v^) determinam um plano de passando por F{u^, v^).
No capítulo VI, definimos uma curva lisa como aquela que admite reta
tangente em todo ponto diferente das extremidades. Vamos, por analogia,
definir agora uma superfície parametrizada lisa como aquela que admi­
te um plano tangente em todo ponto. Para isso precisamos da definição
a seguir.

Definição VI. 2.5

—> —>

O produto vetorial X^ a Xfia^, vfi é denominado produto vetorialfunda­


mental de r c m («Q, vfi. Ele é dado por

J k
-^(lío. Vo) Vo)
dx dy dz àu
A X„(lA), Uo) = {'tM), Vo) = %+
du du du -^{Uo, Vo) -^{uo, Vo)
dx dy dz ou dv
dv dv dv

dz -^-{uo, Vo) ^kvo. Vo) -^(«0, ^o)


du dv du dv
I +
du
Vo) t^ü) -^(tío,
ou
vd) -^{uo,
dv
Vo)

^ d(y,z)
d{u,v) (.fc,«,) r + d(u,v)
# 4 < “«.«.) d{u,v) «*.) ?
Cálculo Integral Avançado • 275

Exemplo VII. 2 .6

Vamos calcular (X„ a X„) (u, v) e seu módulo para a esfera e o cilin-
—^ ^
dro. Em VII.2.3 calculamos e X^para essas superfícies.

(a) esfera

->
j k
( ^ X ^ A X ^ ) (ity XJ) a cosu cosv a cosu senw - a sentí
-asenu senv aseuM cosv 0

= scxVu cosv d + d^ sen^tí se n v / + d^ sentí costí t,


—^ ^ _y —>
A X^) (tí, v) ^ a sentí {a sentí cosv i + a sentí senvj + a cosk )
= a sentí r (tí, v)

Essa última expressão para o vetor normal mostra que em cada ponto
da superfície ele é radial, isto é, um múltiplo do vetor posição.

I Xj =Ia sentí I | r (tí, v) | = Isentí I

(b) cilindro

I ] k
(X„ a X„)(íí, v ) = -asen i/ a cosu 0 = a costí I + a sentí j
0 0 1

Observe que o vetor normal em cada ponto do cilindro é paralelo ao


plano Oxy e é a projeção normal de r (u,v).
Sabemos que uma condição necessária e suficiente para que dois
vetores de sejam linearmente independentes é que seu produto vetorial
seja não-nulo.
Podemos então dizer que /"admite um plano tangente em (tí^, v^)
—^ ^
quando, nesse ponto, X a X^^ 0. Temos então a seguinte definição.
2 7 6 • Integrais de Superfície

Definição VII. 2.7

Uma superfície parametrizada F: U-^R^ diz-se lisa ou regular se, para


—> —>

todo (u,v)eU, o produto vetorial fundamental X^ a X^é não-nulo. Nesse


—> —^

caso, o plano gerado pelos vetores X^ e X^ que passa por F{u, v) é o plano
tangente a F cm (u, v).

Exemplo VII. 2.8

O cone do exemplo VII.1.5 não é superfície lisa. Nos pontos {u, 0),
^ ^ ^
correspondentes ao vértice (0, 0, 0), temos X^a X^= 0.

x= v co su tg a
De fato y = v se n u tg a
z= V

X^= - Vsenu t g a t + v cosu tgafi


•ri -^ ^
X^= cosu tgat I + senM tgaj + k

—^ Tf
^ j k
(X„ a X„) = -vsen u tg a v c o su tg a 0
cosM tga senM tga 1

= VCOSu tga i -Vvsenu t g a j - v tg 2^r


ak

IA I= V cos‘^tí tg^a+, v^ sctVu tg^a+ v^tg^a= V v^tg^a{\ + tg^a)-

= Iv Itgaseca ,

Logo, X^A X^ (m, 0) = 0. É claro que, mesmo geometricamente, não


existe plano tangente ao cone, no vértice.
Cálculo Integral Avançado • 2 7 7

Exemplo VIL 2 .9

Observe que a esfera parametrizada como no exemplo VII.2.6 não é


lisa, pois quando v = Q om v = 7t, que correspondem aos pontos (0,0,1) e
— ^ ^

(0,0,-1) da esfera, temos X^a X^= 0. Entretanto, geometricamente, exis­


tem planos tangentes à esfera em cada um desses pontos.

Exemplo VII. 2.10

O cilindro parametrizado como no exemplo VII.2.3 é liso. De fato, de


VII.2.6 temos | X ^ a x J J V ( m, v ).

Definição VII. 2.11

Seja /'um a superfície parametrizada lisa. O vetor N{u, v) =


IX^a XJ
normal ao plano tangente a F, em (w, v), e unitário, é chamado vetor normal
principal de /^em (u, v).
—> —>

—> X AX
Observe que - N = também é normal a Fera (u,v) e unitário.
u ^ H - V ^
Exercício

1) Calcule N {u, v) para os exemplos do parágrafo anterior e verifique


quais superfícies parametrizadas são lisas.
Cálculo Integral Avançado • 2 7 9

3. Superfícies Lisas - Bordo

Vimos que a esfera parametrizada como no exemplo VII.2.9 não é lisa


no pólo norte. No entanto, é claro que ele admite vetores normais (os
vetores (0,0,1) e plano tangente (o plano z= a) nesse ponto.
Observe que, nessa parametrização, o pólo norte é imagem de todos
os pontos (Mq, v ), com u^ = 0, portanto S não é injetora nesses pontos. Isso
se repete se tomamos m6[0, 7t\ e ve [0, 2;r]. Tente verificar se é possível co­
brir uma vez a esfera com a parametrização dada, de modo injetor.
Observe agora o cilindro do exemplo VII.2.10. Podemos “para­
metrizar” o cilindro de raio r e altura L, por x = rcosu, y = rsentt, z = v, com
{u, v) e [0, 2;r]x[0, L] que não é aberto.
Além disso, a “parametrização” não é injetora; no caso, /^(O, v) = r{27ü, v)
para todo v.
As imagens de {0}x[0, L] e de {2;r)x[0, L] coincidem com a geratriz do
cilindro e as imagens de [0, 2.^]x{0} e de [0, 2;r]x{L} dão as duas “bordas”
do cilindro.
A descrição dos exemplos anteriores tem como objetivo mostrar que não
é possível cobrir a esfera ou o cilindro de modo injetivo com domínio aberto
ou com um domínio fechado e de modo que a “parametrização” seja lisa. Es­
sas propriedades que faltam são essenciais para termos uma boa definição de
integral de superfície. Isso nos leva a procurar uma definição mais apropriada
de superfície e que cubra os casos mais freqüentes. Além disso, a definição que
daremos é mais geral que as definições usuais de superfícies, com ou sem bor­
do, na medida em que admitiremos “cantos”. No entanto, essa definição não
será completamente foimalizada, para melhor entendimento.
Serão exemplos um retângulo fechado ou uma porção da superfície
esférica, cortada por um paralelepípedo.
Definiremos, então, superfície lisa no B?.

Definição VII. 3.1

SciR^ é uma superfície lisa se existem uma superfície parametrizada


F: e d (z U com F{D) - S, tais que;
2 8 0 • Integrais de Superfície

{i) D é uma região fechada e limitada, cuja fronteira é a reunião de um


número finito de curvas lisas por partes, simples e fechadas duas a
duas disjuntas.
(ii) r é lisa em D - dD.
(iii) F é injetora em D-dD e mais, se F{p) = F{q) para p, q& então
p, q^ dD.
(iv) F{dD) é a reunião dos traços de um número finito de curvas simples e
lisas por partes.
(v) Seja p & dD . Então existem F': U' l i s a e injetora e D' c U' com
F'{jy) c S, tal que S coincida com F '{iy) perto de F{p).
Nesse caso, F:D-^R^ é chamada uma parametrização de S.

Definição VII. 3.2

O bordo de S, dS, é a reunião dos traços das curvas de F{dD) que são
percorridas uma única vez como imagem das curvas de dD. S é fechada se
áD = 0 e superfície com bordo se áD ^ 0.

Na definição de superfície lisa, estamos parametrizando de forma lisa


e injetora no interior de D. Na fronteira de D, pode não ser injetora, mas a
imagem de áD é formada por curvas e, se, num ponto de fronteira, a
parametrização não for injetora, é possível parametrizar a superfície de ou­
tro modo perto da imagem desse ponto.
As condições i, ii, iii e iv são de fácil verificação para muitos casos. A
condição v só será verificada em parte nos exemplos a seguir, uma vez que
sua formalização seria muito técnica.
Nos outros exemplos e exercícios será suficiente para os nossos propó­
sitos que seja entendida intuitivamente. Da mesma forma, o bordo de S
será identificado a partir das figuras sem justificativas formais.
Cálculo Integral Avançado • 281

Exemplo VII. 3.3

Considere a aplicação/": [0,27t]x[0,l]'^^^, dada por


F{u, v) - {x{u, v) y(u, v), z{u, v)), com

x= acosu
y = a sen« ,
z .= V

que tem por imagem o cilindro 5 de altura L e raio a. Vamos verificar que S
é uma superfície lisa cujo bordo é dado por duas circunferências, indicadas
por ctj e Ctg na figura.

(i) D - [0, 2;r]x[0, L] é fechado e limitado em íE, e sua fronteira dD é for­


mada por quatro segmentos
(ii) e (m) Em D - dD= ]0, 2.?r[x]0, L[(o interior de D), F é injetora (verifi­
que) e é também lisa, conforme VII.2.10. Além disso, F{u, v) =
F {u, v ), {u, v) ^ {u, v ), implica u, u - 0 ou
(iv) A imagem de âD, F{3D), é formada pelos traços das curvas ctj = Foy^,
- FoY = FoY^Ç: a.^ = FoY^, como na figura a seguir:

7,
/

* 7.
74 D

0 ç;
2 8 2 • Integrais de Superfície

(v) Devemos considerar os pontos de F^dD) onde /^não é injetora, isto é,


P= {a, 0, Zq), 0 < Zy< L. Tomemos
x= acosu
F: y = «sentí
z- V

com
V = {{u, v): —7t< u < 7tVç.IPÍt e
Lf = {{u, v): -Ttí‘2. < u< Tti’2. e 0 < t»< L} .
Então os pontos de S que não estão em F {D') são da forma
(a cos;r, a sen;r, z) = {-a, 0, z) e estão longe de P.
Para os outros pontos de F{dD) onde F é injetora, i^to é, P={x^,y^,c) =
r { uq , c), c = 0 ou L, tíQe ]0, 2ti[ , podemos tomar jT com a mesma expressão

e U'=]0,2ir[xR,jy= [ ^ , ^ ] x [0,L] ou
3 3

U'=]ir,ir[x R , j y = [ ^ , ^ ] x [0,L]
3 3 .
As curvas de F{dD) que são percorridas uma única vez são tz, e
logo, dS é 2l reunião dos traços dessas curvas. Portanto F é uma para­
metrização de S.
Cálculo Integral Avançado • 283

Exemplo VII. 3.4

Considere a aplicação P.IR3-^IR^ dada por

x= ascnucosv
r{u,v) y = a sentí sem/ .
z= acosu
Vejamos que com D=[0, ^]x[0, é uma parametrização
da superfície esférica S de centro na origem e raio a.
(i) D é região fechada e limitada cuja fronteira é formada pelos quatro seg­
mentos 72-^3 e 74-
(ii) e(iii) P é injetora e lisa no retângulo aberto D - dD conforme o exem­
plo Vll.2.9.
(iv) P{dD) é o traço de a = /^/j= P<^‘Yy Observe que P{y^ = pólo norte e
P{ 7^,) = pólo sul são pontos do traço de a.
(v) /"não é injetora nos pontos de dD.

Seja P= (Xg, y^, z^) um ponto de P{dD) com Zq> 0.


Seja U'={(x, y) \ x^+ y^< e P'\ U’-^R3 dada por {x, y)-^
(x, V (f-x'^~ f ) .
Podemos tomar //={ {x, y, z); x'^+ f- < para b com < cd.
Então os pontos de S perto de Pestão em P(LI).

No caso de P € P{dD) com z^< 0 basta por analogia usar a aplicação


(x, y)—^(x , y, - ^ ar - x~- y ’) .
2 8 4 • Integrais de Superfície

Se P= {a, 0 , 0 ) basta usar um raciocínio análogo com (V (P-- x^-y^, y,z) e


projeção sobre o plano Oyz.
O bordo da superfície esférica é vazio porque r{dD) é o traço de a,
mas çtré percorrida mais de uma vez, pois é a imagem de e y^.

Exemplo VII. 3.5

Observe que a semi-esfera y3+ ■f 4 z3= r^, z > 0 é uma superfície lisa
com bordo dado pela circunferência {x''^+ y^= r^, z= 0}. Podemos considerar
r c o m o na esfera e D = [0, ;r/2]x[0, 2;r].

Exemplo VII. 3.6

Seja S a parte do parabolóide z= x^+ f com | x | <1, | )) | < 1. Então, S é


uma superfície lisa. De fato, podemos tomar
x= u
r. y= V
z = u^+v^

U=HE e D - {{u, v): |tí|< 1, |v|< 1}. Então, S= r{D), F é lisa e injetora (em
I?). Note que não ocorrem pontos como em {v), logo dS= F{dD).
Podemos entender as definições VII.3.1 e VII.3.2 como segue: uma superfí­
cie S é obtida “colando-se” a fronteira de um conjunto fechado e limitado
do plano como em VII.3.li, de modo que não surjam “bicos”. Os arcos da
fronteira que não foram “colados” passam a formar o bordo. A seguir, al­
guns exemplos.
Cálculo Integral Avançado • 283

Toro

Toro
"furado”

Bordo

Cone
Truncado
2 86 • Integrais de Superfície

Cone

Colagem não permitida

Sem ponto de colagem

Parte de um plano
Exercícios

1) Seja D o disco fechado e de raio 1 do plano, e S a superfície lisa definida


por;

x= 2u

y= _ 2 íL_ {u,v) e D

u^+v '^+1

a) Qual o maior domínio U onde S é definida lisa?


b) Qual a imagem por S da circunferência áD? E da reta u - v contida
em Z)P Admitindo S definida em U (do item a, qual é a imagem da fai­
xa -1 < m< 1?

2) Esboce a superfície S dada por:

x{u,v) = cosu + Vsenw/2 cos u 0 < m<2; t


y(u,v) = senu+ vsenu/2 sen u 0< y<L .
z{u,v) - wcosm / 2

a) Verifique que (x(0, 0), ))(0, 0), z(0, 0)) = (x(2;r, 0), 3i(2;r, 0), z(2;r, 0)).

b) Calcule ^ e verifique que n(0, 0) = - n(2^, 0).


IX„ A XJ

Essa superfície é conhecida como faixa de Môbius.


2 8 8 • Integrais de Superfície

3) Determine o bordo das seguintes superfícies:


a) A parte da esfera x^-\- 'f+ z^= 4, abaixo do plano z = 1.
b) A parte da esfera x 2 + y 2 + z 2 = 9 , acima do hiperbolóide z2 = l + x 2 + y 2
c) A parte da calha z = x-, com 0 < z < 4 e - l < } i < l .
d) A parte do parabolóide z= x^ + y^, para - l < ; ) c < l e - l < ) ) < l .
Cálculo Integral Avançado • 2 8 9

§ 4. Área de Superfície

Seja /'um a superfície parametrizada lisa dada pelas equações

X - X (u,v)
y = y (u,v) (u,v) e UczR^ .
z - z (u,v)

Para calcular a área de /'dividimos o domínio U em retângulos de la­


dos paralelos aos eixos. O traço de /'fica subdividido em regiões delimita­
das por curvas coordenadas. Seja d /'a área de uma dessas regiões.

Essa área “elementar” pode ser aproximada pela área do parale­


logramo correspondente, contido no plano tangente a P n o ponto r{u,v),

^ >
que tem lados e X^A^, respectivamente. O que foi feito no parágrafo
5 do cap. III mostra que a área desse paralelogramo é dada por:

\X A
■ 1/ li
a X A 1= |X
tí ■ ‘ít
a X \A A .
*ri" -1/ tt
2 9 0 • Integrais de Superfície

Temos então/!/"= | x a X \a
V II
á V.

Então a área AFé aproximada por X IX^ a X^ | Ajl^, onde a somatória


se estende a todos os retângulos da subdivisão de U. É claro que essa apro­
ximação melhora ã medida que aumenta o número de retângulos da sub­
divisão e que a área de cada um diminui. Então a definição de integral du-
plajustifica a próxima definição.

Definição VII. 4.1

Seja /"uma superfície lisa parametrizada dada por

X - X (u,v)
y = y (u,v) {u,v) &U(zR^ .
z = z {u,v)

A área deT é dada, pela integral dupla

Área (/") = jj \ A X^ I dudv,


se esta exisür.

Observação VII4.2

IX^^A X^ |é função contínua em (u,v) para F lisa.


Portanto, a área existe desde que U tenha área, conforme a definição
de integral dupla.
Cálculo Integral Avançado • 291

Exemplo VII. 4.3

(a) Calculemos a área da superfície parametrizada

X- (3 s e n i» c o s M

r. y = a sent» senw ,0 < u < 2’ .7t ,0 < v < tt


z = cost;

Como vimos, | a \= é senv. Logo,


, ;r ^27T
A {í) = ^ dudv - - 27t(^ COS V = 4 kcE .

(b) Analogamente, a área da superfície parametrizada F, dada pela


mesma expresão em (a) e para 0<M<6;r,0<t'<;r, é dada por;
K
A{F) = \ (E sent/ dudv = - 6;ra^ cos v = \27t(E .
0 Jo
Observe que a superfície definida em (b) tem o mesmo traço daquela
definida em (a).

Observação VII.4.4

É importante ter um modo prático de calcular | X^^a X^ | . Para isso


sejam; E = X - X , F ^ X -X , G = X - X .
Através de um cálculo simples obtemos; | X_ a X J = V £ G - F 2

Então,

Área (O = X U
A X dudv
V
EG- dudv,

Exemplo VII. 4.5

Seja/"; UczR'^^ R^, F{u, v) = {u, v, u^),


U={{u, <y); - 1 /2 < M< 1/2 e - 1 < i; < 1). O traço de F é parte da calha
z= X- com - l < \ i < l e O < z < — . Calculemos sua área.
4
2 9 2 • Integrais de Superfície

X (u, v) = u
n y{u, v ) = v
z(u, v) = U^, (u, v) G U

Área IXU A XV Idudv

{u, v) = {1, 0, 2u)


X„ {u, v) = (0,1, 0)
(X^A XJ {u, v) = (- 2 m, 0 , 1), logo I X^A X^ 1( m, v ) = V 1 + Ai^ou
£ = 1 + 4u^, F= 0, G - \ , portanto, EG-F'^ = 1 +
^ 1/ 2 ______ , 1/ 2
Então, A{F) =J J 1+ ^1

^V 4 m^ dvdu - 2 J 1 V + 4 m^ du-
;^/4 ^ ;r/4

J ■n/A
V 1+ tsfOsec^O d9= |
° J-n/A
sec^0d&=

- njA
Vs 1
+ - ln{j2 + 1)- — - - Zn(V2 - 1) =
-njA

2 V2 - I
Para o caso de superfícies lisas (parágrafo 3) a definição de área será a
seguinte:

Definição VIL4.6

Seja 5 uma superfície lisa, com parametrização r-.D-^íF como na


definição VII.3.1. A área de S é z área da superfície parametrizada lisa
r{D- dD), ou seja.

Área S= f f ^EG-F'^ dudv= f f |x a X | dudv .


J Jü-áD J JD-âD “ "

Observe que, como áD tem conteúdo nulo (Definição VII.3.1 e pará­


grafo 5 do capítulo III), temos:

Área S - j ^ E G - F " ^ dudv = |X^a X^ | dudv .


Cálculo Integral Avançado • 29d

Observação VII. 4.7

A definição de área de superfície independe da particular parame­


trização /"usada. Isso será discutido no capítulo seguinte após a definição
de integral de superfície, da qual a definição de área é um caso particular.

Exemplos VIL 4.8

(a) Calcular a área da superfície 5 dada por z = + y^, com + f-<


(a > 0). Podemos parametrizar S por

íc = n JJ.
(7 : y= V U?‘ + < d^
z-v^ -v-d

Então,
X ,,- (1, 0, 2u),X^ = (0,1, 2t;), X^A X^= ( -2u, -<ív, 1) e

IX Ua XX) I ^ ^ T + 4 d + 4 d
Assim,

A(S) = j V 1 + 4u^ + 4v^ dudv, com D: id + v~ < d^ .

Passsando para coordenadas polares, D é dada por:

M= rcos9
,0 < r < a , O<0<2ir.
v= rsend

Logo,
n 2.IT ^ LI

I r V 1 -I- 4 dOdr= n /4 Jq 8rV 1 + 4 d dr=

=[ ;r/4 (1 + 4r2)3/2 2/3] = (V(l + 4a^)3 - 1) ;r/6 .

(b) Calcular a área da esfera S de raio a {a> 0). Podemos parame­


trizar S por
x= aseny cosw
S: -I = asenwsenw 0< m< 2 ;r, 0 < w< ;r .
z = a cosv
294 • Integrais de Superfíc

E n t ã o ,

271
n
â- senv dudv - Aitd, como no Exemplo VII.4.3 a.

Exemplo VII. 4.8: O Teorema dePappus

Teorema:

Seja S uma superfície obtida pela revolução de uma curva plana de


comprimento L em torno de um eixo contido no plano da curva. Então
sua área é dada por 2nLk, onde Ãé a distância do centro de massa da curva
ao eixo de revolução.

Prova:

Suponha que a curva C esteja inicialmente contida no plano Oxz. Faze­


mos C girar em torno de Oz. Seja z = p{x), a< x< bz. função que tem como
gráfico a curva C.
Temos, então, para S, a parametrização

X = U COS V

y = u senv a< u < b, 0< v < 'In .


z^ p {u )

Calculemos a área de S:
X = cosv^ + se n y / + p'{u) t
X^ = - u s e n v t + u c o sv j
X^^A X^ = - u p'{u) c o s v t - u p'{u) senw/ + u t

X A X \^ u 4 U [p '{u )r ,
Portanto,

ÁreaS=JJ^ | f ,A dudv ~ j V 1 + ip'{u)Y dudv =

- 27T I u V 1 + [p'{u)Y du = 27t I xds = 27rLk .


Ja Ja

(Confira com a definição de centro de massa de uma curva, capítulo VI.)


EX ERC ÍaO S

1) Seja S a superfície obtida girando-se o disco


D= {(x, y)l{x - a)^-t- / < b~ com Q<b<a\ em torno do eixo Oz. Essa superfície
é chamada toro e pode ser parametrizada por:

{a+bcosu) sent; 0<b<a


{a+bcosu) cosv 0<u<2/r
z - bsenu 0<v<2^ .

Calcule sua área pela fórmula dada neste parágrafo e também usando o
teorema de Pappus.

2) Verifique que a superfície

x = u cosv 0< m<4


y= usenv 0<y<2;r
z= lê

é uma superfície de revolução. Calcule sua área empregando dois méto­


dos diferentes.

3) Calcule a área das superfícies S:


(a) S é a parte do plano x + y + z = a, interior ao cilindro x^ + f- = d .
(b) Sé a fronteira da região comum aos cilindros x^+ d < d e y^+ d < d.
(c) S é a parte da superfície cilíndrica 9 situada entre os planos
z = 0e:)c+z=3.
(d) S é a parte da esfera d + z^ = 4, interior ao cone d + y^^ 3z^.
(e) S é a parte da superfície d + limitada por z = 3 - x ^ e z = 0 .
(f) Sé a superfície z - x- + f - 2 x - 2 y + 2, limitada por z= 1.
2 9 6 • Integrais de Superfície

§ 5. A Integral de Superfície de um Campo Escalar

Para justificar a definição que daremos de integral de superfície, con­


sideremos o seguinte problema;
Seja 5 uma chapa delgada formando uma superfície no espaço, e seja
d{x, y, z) sua densidade superficial (que supomos contínua). Qual a massa
da chapa?
Suponha 5 dada por {x{u, v) , y{u, v), z{u, v) ), {u, v) €. U, e suponha que
essa parametrização é injetora, lisa e 6^.
Como no cálculo da área, vamos subdividir 5 em regiões, imagens dos
retângulos do plano {u, v) de lados paralelos aos eixos.

A massa de uma das regiões S. é dada por m., aproximada por


TO.= d(x., y^, zj z l S o n d e zlS. é a área de S. e (x, 3)., zj é um ponto de S. (isso
é uma aproximação razoável se S for pequeno o suficiente para que d não
varie muito).
Já vimos que
|x a X \A u .A v . e, então,
M= I d{x., y^, z) IX^A X \A u .Av^,
onde a somatória se estende a todos os retângulos da subdivisão.
Cálculo Integral Avançado • 2 9 7

Assim, seria razoável, lembrando a definição de integral dupla, to­


marmos

M - j j ^ d{x{u, v), y{u, v), z{u, v)) | X^a \ dudv.

Isso justifica a definição seguinte.

DefiniçãoVII.5.1

Seja r uma superfície parametrizada lisa com domínio U limitado e


com área. Seja f uma função real contínua e limitada, definida sobre o tra­
ço de 7". A integral de superfície de /e m F é a integral dupla

j j f{x{u, v), y{u, v), z(u, v)) I X^^A X^ \ dudv ,

que denotamos J J ^ / éíS.

Observe que temos:

v), y{u, v), z{u, v)) / E G - d u d v .

(Veja parágrafo 4.)

Exemplo VIL5.2

Calcular + y + z) d S m superfície parametrizada

x = a cosM
G: y - a sentí 0 < u <47ü, 0 < v <1 .
z=V
I—
> —
>I
Como vimos,’ XIIaXV = a. Assim,’
1 ^27T
{xA y+z)dS= \{acosu-\-astnu-v v). a dudv= \2.7ravdv=Ka
r 0 JO

No caso de superfícies lisas, temos a seguinte definição.


2 9 8 • Integrais de Superfície

Definição VII. 5 3

Seja S uma superfície lisa, com parametrização de como na


definição VII.3.1 Seja/uma função contínua definida em S.
A integral de superfície defem S é definida por

J í f ^ - \ L J\x{u, v), y{u, v), ziu, v)) \ dudv =

= rr f { F { u , v ) ) \ x a X \dudv.
J JD-3D “ ”

Ou seja, dS é 2l integral de superfície de / na superfície para­

metrizada lisa /'definida em D - dD.


Observe que, como no caso das áreas, temos:

Analogamente ao caso das integrais de linha, a integral de superfí­


cie independe da parametrização escolhida. A demonstração desse fato
decorre do teorema de mudança de variáveis para integrais duplas, do
fato de í?Z) ter conteúdo nulo e da parametrização ser injetora e lisa em
D -d D .

Exemplo VII 5.4

(a) Calcular j j (x^ + y^) dS, sendo S o toro obtido pela rotação da

circunferência de raio b, centrada em (0, a, 0) com a> b>0.


Podemos tomar a parametrização

X - {a + b c o s v ) c o s u

F: y = { a + b cosv) sentí 0< u < 2n :,0< v< 2ir.

z=bsenv

(Verifique que /'satisfaz as propriedades da Definição VII.3.1.)


Cálculo Integral Avançado * 2 9 9

Então,

—7

X^ - ( - {a +b cosv)senu, {a+ b cosv) cosu, 0)


—>

X = ( - b senv cosu, - b senv senM, b cosv) .

Logo,

XU a XV =

{b{aA bcosv) cosu cosv, b{a+ bcosv) senwcost;, b{a+ bcosv) sent;),

IX^A X^ \ = b{a + b cosy)

+ 3)‘)íiS= J' J b{a + b cosv)^dudv

f''" . .
= 2;rè J + 2>c?b cosv + 2>ab'^cos~v + cos^v) dv

= 27tb + cost; + (1 + cos2v) + 6^ (1 - sen^í;)cosü)(iü


27t
= 27üb{aHA‘Ò V) = ab{2d^ + 2,V^)

(b) Calcule sendo S a parte da superfície cônica + f = z^, limita­

da pelas esferas x- + + z~ = 2zc x^ A f A - 4z.

Calculando as intersecções

}dA f A z- = 2z j X- + + z^ = 4z
X^ A = Z^ I + ^2 _ 2*2

obtemos a parte do cone x^ A f = z^ entre z = 1 e z = 2. Então, 5 pode ser


parametrizada, por;

x = V cosu
í: y = vsenu Q<u<l7i, \< v < 2
z= u
3 0 0 • Integrais de Superfície

Assim,
—^
-X^ií = ( - Vsenu, Vcosu, 0)
—^
X^- (cosu, senu, 1)
—^ >
X a X = (ycosu, fsenu, - v)
IXU A XV 1= V tp-coi^u + ü^sen^u + =^ v

JJ =J J ifios^ v)yÍ2 vdvdu J cos2u ) v^dudv =

= ^ /2 .2 ir j^ v ^ d v = ir ^ /4 [2^-1] = 15;rV^/4

(c) Calculemos a massa da superfície 5, fronteira da região comum aos ci­


lindros e < c^, com densidade de massa â{x, y, z) = z^, a > 0.
Basta calcular a massa de Sj e multiplicar por 16, devido à simetria da
superfície e da função S - S{x, y, z) .
Uma parametrização de 5j é

x{u, v) = u
r(u ,v) y(u, v) = V Me [0, a], we [0, ii\.
z{u, v) - d -

X^{u,v) = (1, 0, ) e X„(w, t.) = (0,1, 0)


yd
\X„ a X J ( u, v) ^ ^ ^
ya-u^
Logo,
^ u^ u

massa (Sj) = ô{x{u, v),y{u, v), z{u, v)) IX„a X„| {u, v)dvdu =
çü çU __ 2 ^2 ^ çü çU ça

~JoJo '^d^-u^ dvdu= \\^ dvdu= la u ^ T d ^ ^ du .

Mas, fazendo td - = t, temosJ' au V ú? - d u - - a / 2 j ^ d t - —a/3

Logo, massa (5j) = - aj3^{a^ - = a^/s e, então, massa (S) -


0 3
Exercícios

1) Calcule as seguintes integrais de superfície:

? i ) j j x^z dS, onde é o cilindro x''^+ 1 com 0 < z< 1.

b) j j zdS, sendo 5 a semi-esfera positiva de centro na origem e raio um.

c) + yF dS, onde S ê o cone + y^/d^ - z^/b^ - 0, com

0 < z< b.

d) j j d S , onde Sé a parte lateral do cilindro + / = 4 entre os pla­

nos z = 0 e z = x + 3 .

e) xzdS, sendo S a parte do plano z = 4x+ 2y limitada pelo parabo-

lóide z = x ‘^+ y^.

f) j j {x^+ f-2 z ^ ) dS, onde Sé a parte da esfera centrada na origem e

de raio 2 com z >


3

g) (x + 1) dS, sendo S a parte do cone z = ^ + f limitada pelo

cilindro x^+f=2y

ZdS, sendo 5 a parte da superfíde + / - f z>= 4z que tem z > 3.


3 0 2 • Integrais de Superfície

i) j x^fz^ dS, onde 5 é a parte da superfície cônica z^= x^+ f limitada

por z = 4 - V ^ + / , com z > 0.

2) Calcule a massa das superfícies abaixo uma vez que é conhecida a densi­
dade S:

a) S{x, y, z) = x^+ e Sé a esfera de centro na origem e raio a.


b) S{x, y, z) = X- c S é a parte do plano z - x dentro do cilindro
+ ^2_ 1

c) 5{x, y, z) = xz c S é a parte do plano z = x + 2 limitada pelo cilindro


x‘2+ ^ = 4x.
d) S{x, y, z) = V x:^+ f- e Sé a superfície x^/4 + f / 4 - z‘^= 0, 0 < z < 1.
e) â(x, y, z) = z/ae S é a parte da esfera de centro na origem e raio a inte­
rior ao cone z = V 3x- +Bf - a.

3) Nos problemas a seguir, defina e determine o momento de inércia em


torno do eixo indicado, tomando a densidade S constante:
a) S é a parte do cone z^- x'^+ f entre os planos z = 1 e z = 2; eixo x
b) S é a parte do cilindro x'^+ 2x limitado abaixo pelo plano xy e aci­
ma pelo cone z^= x'^+ f ; eixo z.
c) Sé a parte da esfera x^+ y^+ z^= com R 2 < z< R eixo z.

4) Defina e encontre as coordenadas do centro de massa das superfícies


abaixo tendo em conta que a densidade superficial de massa é constan­
te e igual a 1:
a) 5 é a superfície do cone x^+ f = z/4 abaixo do plano z = 4
b) 5 é a parte do parabolóide x = f + z^ cortada pelo plano x=3.
Cálculo Integral Avançado • 30 3

§ 6. A Integral de Superfície de um Campo Vetorial

Vimos como integrar uma função (isto é, um campo escalar) sobre


uma superfície. Vamos agora considerar uma campo vetorial sobre uma su­
perfície. Exemplifiquemos com o seguinte problema físico.
Considere um fluido em movimento e suponha que a velocidade de
uma partícula do fluido no ponto (x, y, z) seja dada por um vetor v {x, y, z),
para qualquer instante t. Isto é, o fluido escoa em “regime estacionário”.
Temos então o campo vetorial de velocidades do fluido. Considere agora
uma seção do fluido dada por uma superfície 5. O problema é determinar o
volume defluido que atravessa S numa unidade de tempo.
Aqui surge uma nova dificuldade: para determinar o volume que
“atravessa” a superfície, precisamos de um modo rigoroso de dizer “de que
lado da superfície nós estamos”. (“Atravessar” é passar de um desses lados
para o outro!). Isso só é possível se a superfície tiver efetivamente dois “la­
dos”, duas faces. O exemplo da faixa de Moèbius mostra que nem toda
superfície tem essa propriedade. A faixa é obtida colando-se as duas
arestas AB e A’5 ’ de um retângulo do modo indicado pelas setas da fi­
gura. Convença-se de que é uma superfície de uma só face pintando-a
de uma só cor!

Para resolver esse problema, vamos definir orientação de superfícies.


Consideremos uma superfície lisa S=r{D), como na definição VII.3.I, e um
—>
ponto (típ, Wp) € D. Denotamos N (u^, v^):
3 0 4 • Integrais de Superfície

(a) o vetor para (m„, i<„) e D - dD, e


IX„a XJ
—> —>
V A Y
(b) o limite, para {u, v)— dos vetores para o caso em que
IX„a X„I
(Uq, üq) e ^D.

Observação VII. 6.1:



^ ^ ^
Note que, em D - oD, F é lisa e 0. Em p = (MQ,t»o), o limite exis­
te e coincide com o vetor normal dado pela parametrização F '. (confor­
me definição VII.3.1).

Definição VII. 6.2:

Uma superfície lisa F{D) como na definição VII.3.I diz orientável se ti­
vermos N(u, v) = N («’, v’) sempre que F(u, v) = F{u’, v’). Se P= F{u,v), po­
demos então exprimir N (u, v) como N (P).

Exemplo VII. 6.3

No caso da esfera 5 com a parametrização usada em VII.3.4, o pólo


—> —>

norte é um ponto onde X„a X„ = 0. Devemos então tomar o limite. O vetor


(0, 0, 1) é o vetor normal unitário N(P), nesse ponto. No pólo sul, temos
N (P) = (0, 0, -I). No ponto P= {a senu cosv, a senu senw, a cosm ) com
0 < M < 2 . ^ e 0 < i ' < 2.7t, N {u, v) = (sentí cosw, sentí senw, costí). Note que,
para t» = 0 ou 2.7t, temos N(u, 0) = (sentí, 0, costí) = N{u, 2n). Logo, S é
orientável. Observe que, para cada P= {x, y, z) em S, N(P)= I/a (x, y, z).

Exemplo VII. 6.4

No cilindro dado por:

X- rcostí
F: y= rsentí,
z= z
Cálculo Integral Avançado • 3 0 5

temos {u, v)e[0, 2/r]x[0, L] e /'(O, v) = r{27t, v) para todo v. Nesse caso, o
vetor N {u, v) é o mesmo que o vetor N {2tü, v) para todo v. Concluímos
que o cilindro é orientável (figura 1). Observe que, se F{u, v) - (x, y, z),
—^
N {P) = (cos u, sentí, 0) = {x, y, 0).

Exemplo VII. 6.5

Podemos parametrizar a faixa de Moèbius por:

x= costí + t^sen (1 /2 u) cosm tí € [0, 2;r]


F. y = sentí + v sen (1 /2 u) sentí t i € [ - l / 2 , 1/2]
z= ticos 1/2 tí

Um cálculo simples mostra que F{0, 0) = F{2n, 0) e N (0, 0) = - N (2;r,0).


Isso mostra que a faixa de Moèbius não é orientável (figura 2).
Observe que, quando S é uma superfície orientável, os vetores N (P)
formam um campo contínuo de vetores normais a S. Dizemos que esse
campo define uma orientação de S. A outra orientação de 5 é definida pelo
campo - N (P).
Em geral, as superfícies que encontraremos neste curso serão
orientáveis. Em particular, superfícies fechadas orientáveis terão duas
3 0 6 • Integrais de Superfície

orientações “naturais”, determinadas pela normal “exterior” e pela


normal “interior”.

A orientação da superfície permite orientar as curvas fechadas


traçadas sobre a superfície usando a “regra do saca-rolhas”.

Neste caso, dizemos que a curva tem a orientação induzida pela orienta­
ção da superfície.
Podemos voltar agora ao nosso problema original, acrescentando a hi­
pótese de que a superfície S é orientável, e está orientada por uma escolha
do campo de vetores normais unitários contínuo em S. Então, “atravessar”
Cálculo Integral Avançado • 3 0 7

a superfície significa passar de um lado a outro no sentido apontado pelo


vetor normal.

Dividimos então a superfície em elementos 5. imagens de retângulos de


D com lados paralelos aos eixos, e, num ponto P. de S, consideremos a nor­
mal principal N .. O volume de fluido que atravessa 5. num intervalo peque­
no de tempo, Aí, é aproximado pelo volume do prisma reto de base S. e altu­
ra | ü J COS (Aí., v^At, ou AV.sIv .\cos (Aí., v^At.

Então a taxa de variação é dada aproximadamente por

I
COS {N .,v)A S.= v .-N .A S ..
^ V l' I I I I
3 0 8 • Integrais de Superfície

A taxa de variação do volume que atravessa S é, então, aproximado pela

som aX V ..N ÁS.. No limite (lembre-se das integrais duplas) essa soma dá

j j / . N d S , que já sabemos calcular: é a integral de superfície sobre S da

função escalar v.N . Temos então:

Definição VII. 6.6

Seja S uma superfície lisa dada como S = r{D), como na definição


VII.3.1, orientável. Seja n uma orientação de S. Seja v um campo de
vetores contínuo definido num aberto de que contém S. A integral de v
através de S ou fluxo de v através de Sé 2. integral de superfície:

Jí. vnds

No caso de v ser campo de velocidades de um fluido, essa integral for­


nece o volume de fluido que atravessa S em uma unidade de tempo, na di­
reção de n.

Observe que, se /(x, y, z) - v(x, y, z)-n(x, y, z) em S, ^v-ndS

fdS.

Exemplo VII. 6.7

Calculemos o fluxo do campo v (x, y, z) - xi _+ y f + zt, através da parte


da superfície esférica x^ + / + x^ = 4, com z < 1, orientada com a normal ex­
terior à esfera.
Temos cos^= 1/2, logo (p = ejá calculamos no exemplo VII.2.7 o
elemento dS para a esfera, dS = 2‘^sen^d^d^, sendo a superfície esférica
parametrizada pelas coordenadas esféricas com >0=2.

x{0, ç) =2 scvupcosô
Logo S\ y{6, ç) - 2 stn ç se n d ^e[0,2;r]
z(6, ç) - 2 cosç <p€ [0, .^r/3]
Cálculo Integral Avançado • 3 0 9

Temos n{x, y, z) = l/2 (x ? + )^ + z t), logo v.n(x, y, z) = l/2 ( x ‘^+ / +z^)

Então o fluxo pedido é igual a JJ l/2(x^ + / + z^)íiS =

Jo io L
Observação VIL 6.8

Note que o fluxo está definido a menos de sinal: depende da escolha


da orientação para S.

Exemplo VII. 6.9

Calculemos o fluxo campo v = (z, z, f ) através da superfície S, que é a


parte do hiperbolóide de equação + / - z^ = 1, entre os planos z = 0 e
z = 1. 5 está orientada com a normal que aponta para o exterior do
hiperbolóide.

z - 0: x9 + f =1
z = 1: +/ =2

Uma parametrização para S é

x{u, v) = u cosv
we[0,2.^]
S: y{u, v) = u sent»
ue[l, sf2]
z{u, v) -'Hu^ -1

Xu{u, v) = {cosv, senv, ,


V m ‘^ - 1
—>

X„(m, v) = (- Msem^, ucosv, 0)

Então (X„A X„) (u, v) = ( -tEsenv


3 1 0 • Integrais de Superfície

j V (x{u, v), y(u, v), z{u, v) )-(X„a X„) {u, v)dudv =

[ - M^(senw + cost;) + 1/ sen^ v ] dvdu =

=0+ í / sen^ vdudv = ( 1 - 1 /4 ) sen^ v dv= ?>n/4.


Jo J\ Jü

Vejamos agora um método prático para cálculo do fluxo.


Já sabemos, do parágrafo anterior, que

v-n d S = j V {x{u, v), y{u, v), z{u, v) )-n{u, v) I X„a X„| dudv (1 ),

X" A X
onde n = ± _>*' (o sinal dependendo da orientação escolhida);
l-X^nA

Então,

j j v-n dS= ± j j V (x{u, v), y(u, v), z(u, v))■ | X„a X„| dudv■
IX„a XJ

= ± JJ^v (x(u, v), y{u, v), z{u, v))- (X„a X„) dudv.

Exemplo VIL 6.10

(a) Calculemos j j dz a dx, sendo S a parte do plano z - 5 - y, limi­

tada pelo cilindro x"^+ f = 4, orientada com o campo n tal que n-^ > 0.

1- solução: Parametrizando Spor

x(r, 9) = rcos6
5: y{r, 6) = rsen6* (9e [0, 27ü\, re [0, 2]
z(r, 0) = b - rsen6*

A integral j j xz dz a dy é o fluxo de v (x, y, z) = xzf através de 5, na

direção n.
Cálculo Integral Avançado • 311

dz dx
dr dr
a{u,v) à{r,U) dz dx
do de

-&cnO COS6*
{r, 0) = =r
-rcosd -rscnO

Como, com essa parametrização, temos a componente em k de X„a


dxA dy = r > 0 , z normal obtida é a pedida.
Então,

j x z dzA dx = r cos0(5 - r sen^) r drdô=


27T

n (5
I
cos6*- sen0cosô) d0dr = 0.

2- Solução: Usando a parametrização


x= u
S: y=v P2LT3. (u,v) e D
z = 5 —V D - {(u, v); 10 + ü^<4}

^(z,x) _ 0 1
= 1.
0{u,v) -1 0

Então

j j xz dzA dx= j j u { 5 - v ) l dudv= j j { 5 u - uv)dudv.

Mas, como as funções do integrando u e uv tem valores siiriétricos no


disco D, então

j j xz dzA dx = 0.

(b) Calcularemos

jj X dy A dz + y dz A dx + z dx A dy,
3 1 2 • Integrais de Superfície

onde 5é a parte do parabolóide de z = + / + 1 , limitada pelo plano z = 2 x + 3 ,


orientada com a normal que aponta para o exterior do parabolóide.
Devemos calcular o fluxo de campo

V (x, y, z) = x t + y f + z t através de S, na direção de n.

A projeção de S no plano é obtida de x^ + / +1 = 2x + 3. Logo, é o


disco dado por (x - 1)'^ + 31^< 3. Logo, uma parametrização de Sé

x(r, 9) = rcos6*+l
S; y{r, 9) = rsen6> re [0, Vs ], 9 e [0, 2;r].
z(r, 9)^r^ + l

dz
dr dr sen^ 2r
dyAdz- = -2r^ cos^
d'^ dz rcos^ 0
99 99

9z 9x
9r 9r 2r cos9
dzAdx- = -2 9 sen9
9z 9x 0 -r s e n 9
99 99

9x 9y
9r 9r cos9 sen9
dxAdy - =r
9x 9'^ -rsen 9 rcos9
99 99

Como a componente em k , da normal obtida pela parametrização, r ,


é positiva, a orientação obtida tem sentido contrário da pedida, logo deve­
mos inverter os sinais das componentes do vetor normal.
Tomaremos (2r^ cos^, 2 9 sen^, - r) e então devemos calcular a in­
tegral.
V3

JJ
2 ;r

[(rcos^+ l ) 2 r^ cos^+ rsen 6^2 r^ sen 6^- r(r^ + \)drd0=


,V3 ^2;r V3^2;r
-[ r (2r^ + 2r^ cos^ - 0 + f f —r)dOdr= ?>7r/2
Jo Jo Jo Jo
Cálculo Integral Avançado • 3 1 3

Vamos agora expressar em componentes cada fator do produto esca­


lar que aparece no integrando, e efetuar.
Se V (x, y, z) = P{x, y ,z )^ + Qjjx, > z) / + R{x, y, z) t

X = +
àu au au

x .= ^ ? + 4 ^ r + 4 - í
dv dv dv
(Veja parágrafo 2.)

Obtemos finalmente;

^ {x{u, V ), y{u, v), z{u, v)). (X„ a X„) = P +Q +R


o{u,v) d{u,v) o{u,v)

e a integral 1 é dada por:

v), y{u, v), z{u, y)) +Q,{x{u, v), y(u, v), z{u,

+ i2 ((x, v), y{u, v), z{u, v)) dudv


d{u,v)

(O sinal depende da orientação escolhida!)


Essa integral admite a seguinte notação abreviada:

j j Pdy A dz+ Qdz a dx+ Rdx a dy,

onde os símbolos

dxAdy dudv
d{u,v)
dyAdz são interpretados como
dzAdx dudv
d{u,v)

d{z,x)
d{u,v)

para n = {u, v) e D - dD
IX„a X„I
3 1 4 • Integrais de Superfície

Alguns livros denotam dxdy em vez de dxAdy, mas isso esconde o verda­
deiro significado da notação.
Exercícios

1) Calcule as integrais abaixo

ÍL xzdy A dz + yzdz a dx+ x^dx a dy, onde 5 é a esfera x^ + f-+ z^-

com normal exterior.

b) j j xdy A dz + ydz a dx+ zdx a dy, onde S é a parte do plano de equa­

ção x + y+ z= 2 ,n o primeiro octante, com normal n tal que n .f > 0

c) j j xdy A dz+ ydz a dx + zdx a dy, onde S é a. parte da superfície

z = 4 - x^- f limitada pelo plano z = y + 4, orientada com normal n


tal que n .t > 0

2) Calcule .n dS nos seguinte casos:

a) V - {x + y) t - {2y+ 1)7 + onde Séc> retângulo de vértices ( 1 , 0 , 1 ),


(1 , 0 , 0 ), (0 , 1 , 0 ) e (0 , 1 , 1 ) e n aponta em direção oposta à da ori­
gem.
b) V =-yz'i e 5é aparte da esfera + 7^ + 4 fora do cilindro + 1,
n apontado para fora.
c) V = y~i + z / + e 5 é a parte da superfície z = V 4 - x limitada pelo ci­
lindro / = X, sendo que n .^ > 0 .

á) V - x^ + y j - 2zÊ, onde 5 é parte do cilindro x^+ / = 2 x limitada pelo


cone z^= + f , n apontando para fora.
3 1 6 • Integrais de Superfície

e) V = xy^ + xzj + y z t e 5 é a parte do cilindro f - 2 —x limitado pelos ci­


lindros f - z e y - z ^ , n - 7 > 0 .

3) Calcular o fluxo do campo v - z7 + xj* - 3 f z t sobre o cilindro + f =


16 situado no primeiro octante entre z = O e z = 5 - 3 i com a orientação
normal que aponta para o eixo z.

4) Calcular o fluxo do campo rotacional de u = (}^ + y - 4)7 + 2>xyj +


(2xz + z^)t através da semi-esfera superior de x^ + f + z^= 16, com
campo de vetores normais, n tal que n ■t > 0.

5) Seja 5 uma superfície descrita pela fórmula z=f{x, y), onde (x, y) variam
numa região plana fechada R, projeção de S sobre o plano xy. Sejam
V = F7 + Q j + e n a normal unitária a S tendo componente z não-
negativa. Verifique a seguinte igualdade

6) Seja Scomo no exercício anterior e seja ^um campo escalar. Mostre que:

a) J (p{x, y , z ) d S= - J (p[x, y, /(x, y) ] dxdy

b) j j ç>{x, y, z)dy A dz = - j ç[x, y, f{x, y) ] dxdy

c) <p(x, y, z)dzA dx = - j ç[x, y, /(x, y) ] dxdy


Capítulo VIII

Os T e o r e m a s de Ga u s s e St o r e s

§ 0. Introdução

O trabalho desenvolvido no texto é sintetizado neste capítulo, com a


apresentação dos teoremas de Gauss e Stokes.
Introduzimos os conceitos de superfície lisa por partes orientável, de
bordo de uma superfície lisa por partes e as integrais sobre essas superfí­
cies, que aparecem nos teoremas.
As demonstrações dos teoremas de Gauss e Stokes não são feitas, uma
vez que estão acima do nível deste texto. Entretanto os resultados forneci­
dos pelos teoremas são motivados por exemplos, resolução de problemas
físicos e aplicações.
Finalizamos o capítulo com o estudo de campos conservativos no R^,
caracterizando-os, em domínios convenientes, como aqueles que têm
rotacional nulo, conseqüência do teorema de Stokes.

§ 1 . 0 Teorema da Divergência de Gauss

Assim como o teorema de Green (capítulo VI) estabelece uma rela­


ção entre uma integral dupla numa região e uma integral de linha ao
longo da fronteira dessa região, o teorema de Gauss relaciona uma inte­
gral tripla numa região de R^ com uma integral na sua superfície fronteira.
Como motivação, observemos que o teorema de Gauss é um ins­
trumento poderoso para os modelos matemáticos que descrevem al­
3 1 8 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

guns fenômenos físicos, como, por exemplo, fluxos fluidos, fluxos de


campos elétricos ou magnéticos e fluxos de calor. Vamos nos referir, a
seguir, a um desses casos para termos uma “previsão” do enunciado do
teorema.
Seja um fluido em movimento com velocidade v = v { x , y , z ) , c seja
S uma superfície/ccAaíífl contida na região ocupada por esse fluido. Va­

mos calcular a taxa de variação do volume de fluido que ocupa a região

interior a S. Como S é superfície fechada, essa taxa será igual a do

volume de fluido que atravessa S.


Lembrando a definição de fluxo de um campo, através de uma su­
perfície (definição VII.6.6), concluímos que a variação de volume que que­
remos calcular é igual ao fluxo de v através de S, que é dado pela integral de

superfície Jí, V- n dS.

Por outro lado, dado um ponto A = {xq, yo, zo) pertencente ao interior
de S, fizemos em 1.3.11 um cálculo aproximado da variação do volume
do fluido que ocupa um paralelepípedo pequeno centrado em A. Mostra­
mos que

V(t)-Vo V(t)-AxAyAz
t = = div ü (í<b, yo, Zo) AxAyAz,

sendo AxAyAz o volume do paralelepípedo ocupado pelo fluido no instan­


te t= 0, ç V= V{t) o volume ocupado pelo fluido (que em t = Q ocupava o
paralelepípedo) no instante t, para í pequeno. Assim, a variação desse volu­
me, por unidade de tempo, é aproximadamente div v {x, y, z) AxAyAz.
Se considerarmos uma partição da região interior a S por paralelepí­
pedos centrados em pontos {xi, yi, zj dessa região, um cálculo aproximado
da variação do volume, no interior de S, dá-nos

X div V { x i, y i, zj A ix A iy A iZ .
i=\
Cálculo Integral Avançado * 3 1 9

Logo, lembrando a definição de integral tripla, e chamando R a re­


gião interior a S, temos que a taxa de variação do volume que em t = 0 ocu­
pa R, será:

h ^ AixAiyAiZ = J J J í '" V {x, y, z) dxdydz.


i=i

Concluindo, teremos:

J f 5 . S d s = J J f div V {x, y, z) dxdydz.

Essa igualdade será dada pelo teorema de Gauss, que enunciaremos


mais ã frente.
Para um enunciado formalmente correto, precisamos das definições e
conceitos a seguir.

Definição VIII. 1.1

Uma superfície Usa por partes S é a reunião de um número finito de su­


perfícies lisas tais que:

(i) a intersecção de duas dessas superfícies ou é vazia, ou se reduz a um


ponto do bordo de ambas ou é uma curva lisa do bordo de ambas;
(ii) três ou mais delas só podem ter em comum um ponto;
(iii) se P é a intersecção de exatamente n dessas superfícies, então w > 3
e P = n S2 n ... n S„, onde S, n 5,+i é uma curva do bordo de S, e de
Sm , para 1, 2, ..., re-1;
(iv) dois pontos de 5 podem sempre ser ligados por uma curva em S.

Exemplo VIII. 1.2

A superfície do cubo é uma superfície lisa por partes, união de seis su­
perfícies lisas, como pode ser facilmente verificado.
3 2 0 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

A semi-esfera “tampada”, o cilindro com uma ou duas tampas (veja fi­


guras a seguir) são superfícies lisas por partes.

Considere uma superfície lisa e orientada S, com bordo, ^S, como na


definição VII.3.2. Suponha que a orientação de 5 seja dada pelo campo
normal n obtido da parametrização F : D ^ HF. Então n determina uma
orientação para o bordo de dS , como segue:

Definição VIII. 1.3

O bordo dS de 5 tem a orientação induzida de S se, ao caminhar ao lon­


go de dS com a cabeça no sentido de n , tivermos S à nossa esquerda.

Exemplo VJII.1.4

Considere o cilindro

x{u,v) = cosu
S= y(u,v) - senu {u, v) e D [0, 27c] X [0, L] czR^,
z(u,v) = V

então ^D = ys'^ y4 e <9S= <y(yi) u tr ( 73) como na figura a seguir. A


orientação induzida no bordo do cilindro está indicada pelas setas sobre a
circunferência de bordo.
Cálculo Integral Avançado • 321

Bordo

Cilindro n

Bordo

Vamos agora definir orientação de superfícies lisas por partes.

Definição VIII. 1.5:

Uma superfície lisa por partes é orientável se for possível escolher uma
orientação n; de cada uma das Si de tal modo que, se a intersecção de S,
com Sj for uma curva de bordo de ambas, ela é percorrida em sentidos con­
trários pela orientação induzida nos bordos de Si e S j.

Uma tal escolha n formada pelos n, é uma orientação da superfície lisa


por partes. Observe que ~n é ã única possibilidade de escolha de orientação
de Si diferente de n. Mais explicitamente, se 5= 5i u ...uSk, onde Si,..., S,, são
partes lisas de S , denotamos uma tal escolha de orientação por n = {n i,..., w*).
3 2 2 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

Exemplo VIII. 1.6

A superfície do cubo admite as duas orientações seguintes: com todas


as faces orientadas com a normal apontando para dentro ou todas as faces
orientadas com a normal para fora do cubo.

Definição VIII. 1.7

O bordo de uma superfície lisa por partes S é formado pelas curvas de


bordo das Si que reãosão comuns a duas dessas superfícies. Se Sé orientada,
a orientação induzida no bordo é dada pelas orientações induzidas no bordo
das Si, pelas orientações escolhidas para cada uma delas.
Assim como uma curva lisa por partes e fechada divide o plano em
duas regiões (teorema de Jordan), uma superfície lisa por partes fechada
divide em dois abertos disjuntos U\ e U2, U\ limitado e ilimitado. U\
chama-se interior de S, denotado int S.

Exemplo VIII. 1.8

A esfera, o toro, o elipsóide são superfícies lisas por partes e fechadas


(observe que uma superfície lisa é lisa por partes). A superfície do cubo, a
semi-esfera tampada, o cilindro com as duas tampas também são superfí­
cies lisas por partes fechadas,

Observação VIII. 1.9

Se S é uma superfície lisa por partes e fechada, vemos naturalmente


que S é orientável. Podemos escolher o campo normal n em S cujos vetores
Cálculo Integral Avançado • 3 2 3

apontam o interior de S, chamado campo normal interior de S. Ou o que


aponta para exterior de S, o campo normal exterior ác S.

Definição VIII. 1.10

Seja S uma superfície lisa por partes e /u m a função contínua em S. A


integral defem S é definida por

JJs í i=\

onde S - Ü Si, para S„ i = 1, •••. k, partes lisas de S.


i=1
Se S é orientável e n - (nu ..., nf) é uma orientação de S, e se ü é um
campo vetorial contínuo em S, então a integral dev emS é definida por

j v - n dS= Z j v - n i d S .
i=\
Exemplo VIII. 1.11

a) Calculemos o fluxo do campo r - xt + yi + z t através da superfície


fronteira da região limitada pelo parabolóide z = 4 - x"^- e o plano Oxy,
orientada com a normal exterior à região.

S = Si u ^2, S] parte do parabolóide e S2 parte do plano Oxy limitada


pela circunferência de equação x^ + / =4. Se D = {{u, v):u^ + < 4} então
temos as parametrizações:
3 2 4 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

x{u, v) = u x{u, v) = u
s, y{u, v) = v S, y{u, v ) ^ v
z{u, v) - 4 - -v^, (u, v) e D z(u, v) = 0 (u, v) e D

j j f ' n dS= j j j ' n dS+ j j r• n dS.

Para 5i temos:

= (1, 0, - 2u), = (0, 1, - 2v) e X„a X„= (2 u, 2 v, 1), que tem a


orientação pedida.

L o g o n dS v, 4 - id - v'^) .{2u, 2v, 1) dudv ~ j + 4) dudv

= J„/„('" +4) r<í«r,


usando mudança para coordenadas polares na integral dupla. Resolvendo
essa última integral obtemos:

JI,r - n d S = 24;r.

Para Sz temos:

X„ = (1, 0, 0), X„ = (0, 1, 0) e X„a X„= (0, 0, 1) = ^, que tem sentido


contrário à normal pedida. Tomo então X„a X„= - k . Portanto,

r •n J'J' (m, V, 0)-(- t,)d u d v-0 .

v n dS= 24^.

(b) Calculemos o fluxo do rotarional do campo v = {xz, - y, x^^y) atra­


vés da superfície S, que consiste das três faces, não no plano Oxy, do
Cálculo Integral Avançado • 3 2 5

tetraedro formado pelos planos coordenados e pelo plano 3x + 31 + 3z = 6 . A


orientação de 5 é dada pelo campo de vetores normais que apontam para
o exterior do tetraedro.
5 = 5i u S2 u ^

Si e Oxz, &2 c Oyz e S3 contida no plano de equação 3x + 3»+ 3z = 6

x{u, v) = u
y(u, v) = 0 u e [0 , 2 ]
z{u, v) = V Ve [0, 2 - m]

x{u, v) = 0
52 y{u,v) - u u e [0 , 6]
z{u, v) - V VG [ 0 , - ^ ]

x{u, v) - u
S, y{u, v) = v u e [0 , 2 ]
z{u, v) = ( 6 - S u - v)/S v e [0, 6 - 3 m]

Para 5i temos:

>
X„ = (1, 0, 0), = (0, 0, 1 ) e X„ A X„ = (0, -1, 0), que está de acordo
com a orientação pedida.

Para & temos:

X„= (0, 1, 0), X„= (0, 0, 1) e X„ A X„= (1, 0, 0), que tem sentido con-
—^ ^
trário â orientação pedida, logo consideraremos - X„ a X^- (-1 , 0, 0).

Para 5a temos:

> —
>
Xu= (1, 0, - 1), X„ = (0,1, - 1/3) e X„ A X„= (1, 1/3, 1), que está de
acordo com a orientação pedida.
3 2 6 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

rot V {x, y, z) = (x‘^, x - 2xy, 0). Então,


, 2 ^2- u ^2
^í (rot vü).w
(rot ) .n dS= ( {-u + ó)dvdu = \^{u^-2u)du = - 4 / 3

, 2 ^6-u
j (rot v).n '' 0 dvdu = 0

,2 (> -3w

j j {rot v).n dS=j j [li^ + ( u - 2 uv)/3]dvdu= 4 /5

Logo, JJ, rot v .n d S = 0. (Compare com o exercício 2a de VIII.2.)


Teorema VIII. 1.12:

Teorema de Gauss
Seja 12 um aberto conexo de e seja v um campo vetorial de classe
6^ em Í2, dado por v {x, y, z) = L {x, y, z ) t + M {x, y, z)J + N {x, y, z ) t .
Seja R uma região fechada cuja fronteira é a reunião de um número
finito de superfícies lisas por partes.
^R= SiU ...u Sa.
Seja n ( n i,...., w/j a normal exterior a R. Então

jís-âR (^'” ) jjÍ r dxdydz,


ou seja,

LdyAdz + MdzAdx + NdxAdy = J

onde v.n dS=Y^ j j v.n.dS.


i =1

Exemplo VIII. 1.13

Vamos verificar o teorema de Gauss calculando as duas integrais do


enunciado para v (x, y, z) = x'^t -y^J + z^k, e considerando R z região do
espaço limitada por x^+ j)^=4, z = 0 e z = 2 .
Cálculo Integral Avançado • 3 2 7

Orientamos S= dR com a normal exterior. S é formado pelas três su­


perfícies.

X {u, v) = u cosv [0 , 2 ]
y {u, v) = usenv V E [0, 2;r]
z {u, i» ) = 2

X {u, v) = 2 C O S M u e [0, 27t\


5^ y (u, v) = 2 senu v e [0 , 2 ]

z (u, v) = V

X {u, v) = V COS u u e [0, 2.;r]


5^ y (u, v) = V sentí ve[0, 2 ]

z (íí, u) = 0

A essas parametrizações de 5i, S^, 8$ correspondem os campos


normais N], N<>, N■^ que, juntos, orientam 5 com a normal exterior. Para 5|,
N\ =k; para 5 3 ,^ 3 - - k ; para 82, N 2 = (cos tí, sen tt, 0) = 31,0)
3 2 8 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

Então,

jjs ^ jjs jj. dS= 4 A 7 r = 1 6 ;r

íl- N , d s ^ f j J o ^ ^ - y ^ ) d S . o

Portanto.

v -N dS = j j ^ v-N^ "^+XX

(Verifique!)
Por outro lado, temos:

div V - 2x-2y+2z

e, então.

XXXjdiv ^ dxdydz- J^(2 rcos9-2rsen0+2z) rdz dr d0= 16;r

(Verifique!)
O teorema de Gauss está, portanto, verificado para esse caso.

Observação VIII. 1.3

Retomemos o teorema de Green: seja Í2 um aberto conexo do plano,


e seja u (x, y) - P (x, y) t + Q {x, y) / um campo vetorial de classe defini­
do em Seja D uma região fechada e limitada contida em Í2, cuja frontei­
ra áD é a reunião dos traços de um número finito de curvas lisas por partes,
simples e fechadas.
Cálculo Integral Avançado • 3 2 9

Se dD é orientada de modo que D fique à esquerda, pelo Teorema de


Green temos:

ÍÍ dxdy^ { Pdx+Qdy= { u dr.


J JD \ àX Oy I JdD JâD

Seja V o campo vetorial definido por v (x, y) = Q (x, y) t - P {x, y) f


Obtemos:

j j (div v) dxdy = u d r , já que div v = 3 ^ _ .

Observe agora que, para cada ponto de dD dado por y (t) , com y ’
onde y: ia,b\ —> é uma das curvas lisas por partes que compõem o bordo

de D, está definido o vetor tangente unitário T Seja n = T a ^ ; esse

é o vetor normal a dD nesse ponto que aponta para o exterior de D, e temos


u- T = v ■n, pois V e n são obtidos de m e T, respectivamente, por uma rota­
ção de ângulo (verifique!).
3 3 0 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

Portanto, como 5 <í?= J j S . f ) ds. o teorema de Green tem a expressão:

(div u ) dxdy= (v.n ) ds .


J JD

O teorema de Gauss tem essa mesma expressão, em três variáveis.

VIIL1.4. Aplicação do Teorema de Gauss

O divergente de um campo F olhado como limite do fluxo desse campo


por unidade de volume.
Seja i^um campo vetorial de classe 6^ definido num domínio Í2 do R^.
O teorema de Gauss permite-nos escrever

. n) dS = j j {div F) dxdydz ,

onde R, é uma esfera de centro P e raio r inteiramente contida em Í2, S, é a


superfície esférica da esfera R,, e n é a normal exterior unitária a Sr em cada
um de seus pontos. Pelo teorema do valor médio para integrais triplas temos:

J J ( d i v F ) dxdydz = Vr. div F (P’) ,

onde P' - {x', y', z') é um ponto de R, e V, é o volume^ de R,.


O
Cálculo Integral Avançado * 331

Usando as duas expressões acima temos, então,

div7^(P') dS.

Calculando o limite da última igualdade para r-^0, temos P '^ P por­


que P' sempre está em R„ div F (P')^div F (P) porque P é de classe
portanto o divergente de F em Í2 é contínuo. Obtemos, então.

div ]?(/>) = Hm -L jJ ^ (F S)dS.

A expressão obtida diz-nos também que o divergente independe do


sistema de coordenadas fixado.
Exercícios

1) Verifique o teorema de Gauss, calculando as duas integrais do enuncia­


do, para:
a.) V {x, y, z) = 2>xi - 2 y f + zt, D a região limitada pelas superfícies
z= 0 ,sê + f = 4:, e x + y+z=S.

b) V {x, y, z) = — ' , r {x, y, z) = XI + yj + zk , D a região entre as


Ir P
esferas Si e S2 de raios 1 e 2, respectivamente, centradas na origem.

2) Se Z) é a região interior ao cilindro x? + f = 1, entre os planos z = 0 e

z = X + 2, use o teorema de Gauss para calcular J J (v.n ) dS, sendo

S = dD, n a normal exterior a D e v = {}^ + ye^, f + ze’‘, z^+ xe^).

3) Calcule j j (v. n) dS, sendo v - x’? + / / + n a orientação normal in­

terior a S e
a) S a superfície esférica + / + z^= 1.
b) 5 é a fronteira da região limitada por z= 4 e z= }ê + f .

4) Refaça o exercício la de VIL6, usando o teorema de Gauss.

5) Seja V = r (x, y, z) =x't + y j + zk. Calcule dS, com


Irl
N a normal exterior a S, sendo:
a) S uma superfície esférica de raio, a, centrada na origem. (Observe,
que, nesse caso, o teorema de Gauss não se aplica.)
Cálculo Integral Avançado • 3 3 3

b) 5 uma superfície fechada, lisa por partes, qualquer, tal que a origem
não pertence a 5 nem ao seu interior.
c) S uma superfície fechada, lisa por partes, qualquer, que contém a ori­
gem em seu interior. (Sugestão: considere uma esfera centrada na
origem, contida no interior de S.)

6) Calcule o fluxo de v através de S, na direção da normal n quando:


a) V = 5xf t + f)~j + / S é a parte do cone z = V limita­
da pelo plano z = - x + 5, n normal exterior.
b) V = {e^arctgz,c'ln{o^+\),'z) ,Sédi parte do parabolóide z = 4 - l ê - f aci­
ma de z= 1, ra normal exterior.
c) v= A f- J + c Sé superfície x^ + f + z^= 2az, com n nor­
mal exterior.

7) Calcule j ■n dS, sendo:

^ 7^
a) V = I ^.yj e S a esfera ?<?+ + z^= 1 com n normal exterior.
V(x2+4/+9z2)3

b) V é o mesmo de a) e S é a fronteira da região limitada por z=-pd +5x -6


e z = f , com n normal exterior

8) Calcule J'J^(rotü) . n dS, sendo:

a) V - (xy+ \ ) I + {pd Af ) j A 2yzk, e Sa parte da esfera + z?-4z= 0


com z < 1 orientada com n exterior

b) V = ( f A- 1-x

faces que não estão no plano Oxy do tetraedro determinado pelos


planos coordenados e o plano 2xa yA z = \ .

9) Seja S uma superfície lisa por partes fechada e orientada com normal
exterior n. Verifique as igualdades:
33 4 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

a) V jxdyA d z = j ~ j j ^ d x A dy =

j j xdyAdz + ydzAdx + zdxAdy


onde y é o volume da região Z) limitada por S.

b) . S <iS= 0 , para qualquer campo vetorial v de claase d'.


Cálculo Integral Avançado • 33 5

2. O Teorema de Stokes
Considere um campo v de classe em um aberto do^^. Sejam S\ e
duas superfícies lisas, Si, S2 Q, orientadas por n\ e « 2, que tenham por
bordo a mesma curva fechada lisa, orientada, 7, e que não tenham outro
ponto em comum. Denotamos S'2 a superfície orientada obtida trocando
a orientação de Então S = Si u S'2 é uma superfície lisa por partes, fe­
chada, orientada pelos campos normais n-i em 5i e -n^ em S2. Se in tS ci2
podemos aplicar o teorema de Gauss a (int S) u S, e obtemos

Jí, (rdt v) ■n d S div ( rot u) dxdydz = 0 .

(Lembre-se de que div (rot v) = 0.)

Logo,
0 = JJjrot v)- n ííS = J^Jçrot v) . n\ áS +J'J^^(rot v) . {-n^) dS ,
portanto,
J'J_^(rot v) • n dS=jj^ (rot v) ■H2 dS.
Seí2 -R'^, o resultado vale para quaisquer Si e S2 com as mesmas pro­
priedades, ou seja, a integral de (rot v) através de uma superfície não de­
pende da própria superfície, mas apenas de seu bordo. Sua expressão em
termos de uma integral no bordo será dada pelo teorema de Stokes, que
vale em condições mais gerais. Consideraremos ainda dois exemplos:
Seja S a semi-esfera + ^ + z~ = com z> 0, e E o campo elétrico

E =A~ ■Orientamos Scom a normal unitária n que tem terceira componen-


Ir l'*
positiva; observe que o bordo õlSfica orientado no sentido anti-horário.
3 3 6 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

Calculemos as integrais

/i=JJ^(rot£) . n dS
JJI

_^ ^ 7 T'
Como rot E =0, temos I\- 0 (verifique). Como E é normal a S, em
_> 7“>
particular para os pontos de ^S, temos E • - 0 , E = 0. Portanto, I\ = E.

Para a mesma superfície, consideremos o campo E - S a v , onde r é


o vetor posição e ^ = ú)t, velocidade angular constante.
Calculemos novamente as integrais I\ e E-

Nesse caso, r o tE = rot (-ú)y, (úx, 0) = ^Cúk = 22».

Como n = — , temos {rotE )-n - 2 r i ' z


Irl Irl

e, então.

2wz dS= 2io


JJ dS

x= RcosOseny/
Parametrizando S por y = RsenOseni// Q& [0, 27t\, y/e. [ 0 ,^ ]
z = R COSy/
Cálculo Integral Avançado • 3 3 7

vem
çin
•2n ç
fiíjl COSI/^ 22 r. 2 1
= 2co\ .R seny/d\j/d6 = 2(oR .In —senTii/dy/ = 2ncoR
JO0 Jo
Jí R Jo 2

Calculemos agora Lu

X- Rcost
O bordo õíS é parametrizado por < í e [0, 2^r], então
y= Rsent

ÉL= - j i + x / e £ = {úÁ) A = (oirji + x / ) .


dt

Logo
J* ^ ^ /•—
7T —
> —
> —
^ —
>
I. E dr=(ü\ {-y i +X j) i + \ j)dl =
dS Jo

c c r"".
= t y j (x^ + / ) d í = í y j dt=27tú)R^.

Novamente se verifica I\=It-


A igualdade
J* £ dr = ( r ot E ) . n ds

é o que o teorema de Stokes estabelece a seguir.

Teorema VI//. 2.2.'Teorema de Stokes

Seja Q uma aberto conexo ácR^ e v um campo vetorial de classe 6‘ em Í2,


dado por v (x, y, z) - L {x,.y, z)^ + M {x, y, z)^ + N (x, y, z) t . Seja S uma su­
perfície lisa por partes, orientada pelo campo normal unitário n, e com tra­
ço contido em Q . Seja o bordo de S, com a orientação induzida pela de S.
Então,
j j ^ ( T o t v ) - n d S = j j d 7 .
OU seja,

^ dyAdz+ l - ^ - dzAdx+ I ^^Ady ^


ay az ) \ az ax / \ ax ay /

Ldx + Mdy + Ndz.


■ I
338 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

Exemplo VIII. 2.3

Vamos verificar o teorema de Stokes, calculando as duas integrais do


enunciado, para v {x, y, z) = u + }^ + yt. c So parabolóide z = 1 - - f ,
com z > 0.
X {u,v) - V C O S u
Parametrizando S por "y (u,v) = üsen u tts [0, 2n]
z (u,v) = l-x3 re [0, 1]

Xu= {-vsenu, vcosu, 0 ) e


te m o s ( c o sm , senu, -2v),
logo X„A X„= {-2x3 COSM, -2x3 senu, —v).
Como rot v = (1, 1, 1) temos:
.1

^(roti').re (roty). {Xu/\X3)dudv-

[-2i^cos u - 2x3 sen u - v] dudv = -z» dudv= -7t.


0 Jo ......... Jü Jo

Observe que a normal n dada por essa parametrização de S é a que


aponta para o interior do parabolóide.
Cálculo Integral Avançado • 3 3 9

Por outro lado, dS: pode ser parametrizado por


X(í)=(sent, cost, 0). Essa parametrização orienta õíSno sentido horário, que
é a orientação induzida pela orientação de S.
Então

dr=j^ [O.cost-sent.sent +0]cíí=-J^sen‘^ ídí=-;r.

Logo,

J^J^^/rot v).n ds = j^^vdr = - n.

Observação VIII. 2.4

O teorema de Stokes vale também para superfícies lisas por partes fe­
chadas, isto é, quando ^S= 0 .
Nesse caso, temos:

Jí, ( rot v).n dS = 0.

Note que não precisamos supor que intS c 12

Observação VIII. 2.5

O Teorema de Green admite uma formulação análoga, com S uma su­


perfície plana. Seja D uma região fechada e limitada do plano, com frontei­
ra formada pela reunião dos traços de um número finito de curvas lisas
por partes, simples e fechadas.
Orientando D pelo campo normal a orientação induzida em dD
como bordo da superfície D é justamente aquela que deixa D à esquer­
da de ^D. Seja agora v {x, y, z) = L {x, y) t M{x, y) J + Ok um campo
vetorial ú’ do plano.
3 4 0 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

O teorema de Green pode ser escrito

{ r o t v ) X dxdy- v dr
Jd J^ d

pois (rot =
\ ox ày } ox ay

Vimos no capítulo VI que, se v é um campo de classe 6^ num aberto


conexo Í2 de R'^ ou de R^, ele é conservativo se, e só se, for gradiente em
Vimos também que, se w é conservativo, então rot y =0 em Í2.
A recíproca desse fato (rot v = ^ v conservativo) foi provada
para abertos JQ simplesmente conexos do plano R'^, isto é, tais que toda
curv'a fechada simples e lisa por partes em Í2 tem seu interior contido
em i2.
Usaremos agora o teorema de Stokes para verificar a mesma recíproca
para abertos conexos Í2 de R^ com a seguinte propriedade: “toda curva fe­
chada simples e lisa por partes em Í2 é bordo de uma superfície lisa por
partes orientável contida em Í2”. (Veja a observação VIII.2.7.)

Teorema VIII. 2.6

Seja Í2 um aberto conexo de R^ com a propriedade acima.


Então, se V é um campo vetorial em Í2 com rotacional nulo em 12,
V é conservativo em £2.

Demonstração

Seja então v um campo ê^, de rotacional nulo, definido em Í2. Para


provar que v é conservativo em £2, tomemos uma curva ^lisa por partes,
fechada, contida em £2. Seja S uma superfície lisa por partes, contida em
£2, tal que dS= y. Pelo teorema de Stokes, temos:

j^^^dr = J*J^(rot v).n dS=0 pois rot v = 0,

portanto a integral de linha de v ao longo de qualquer curva fechada, sim­


ples e lisa por partes de £2, é nula. Logo, v é conservativo.
Cálculo Integral Avançado • 341

Observação VIII. 2.7

Seja yuma. curva simples, fechada, lisa por partes, no R^. Então existe
uma superfície lisa por partes e orientável, S, cryo bordo é o traço de y.
Caso 7 seja plana, o teorema de Jordan garante que existe uma superfície
lisa, orientável, plana, S, que verifica y: basta tomar ^u(int y) (veja
figura 1). Para o caso de uma poligonal fechada não-plana como a da figu­
ra 2, é possível encontrar S como união de superfícies planas.

Figura 1

O fato torna-se bem menos óbvio se pensarmos que curvas no espaço


podem apresentar “nós”. As curvas das figuras 3 e 4 são lisas, simples, fecha­
das e com “nós” (portanto, claro, não são planas).
3 4 2 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

A figura abaixo mostra uma superfície lisa por partes, S, orientável, que
tem por bordo õ?Sa curva da figura 4.

Tente para a curva da figura 3, mas lembre-se de que 5 tem que ser
orientável!

Observação VIII. 2.9: Um Campo Irrotacional que não é Conseruativo

Um exemplo interessante, da Física, de um campo não-conservativo


que é irrotacional é descrito a seguir.
Considere um fio retilíneo infinito transportando corrente elétrica de
—^
intensidade constante. Essa corrente induz um campo magnético B que
em cada ponto P é determinado por:

(a) sua direção é perpendicular ao plano determinado pelo fio e por P;

(b) seu sentido é dado pela “regra do saca-rolha”, considerado o sentido


da corrente elétrica;

(c) seu módulo é proporcional à intensidade de corrente elétrica I e inver­


samente proporcional à distância rde Paté o fio.

I P I = hir, onde k é proporcional a I.



>
Para efetuar cálculos com o campo B , vamos dar-lhe uma expressão
analítica em coordenadas. Para tanto, supomos que o fio é o eixo com a
Cálculo Integral Avançado • 343


>
corrente no sentido crescente de z. O versor de B num ponto P - {x, y, z)

será então ^ 1 {-y, x, 0). Como o módulo de £ é k ^ , então

Temos, então, sobre B que:


(a) seu domínio não inclui o eixo z, isto é, o fio;
(b) ^ t B =Õ;

>
(c) B não é conservativo porque se tomarmos a circunferência / de
centro (0,0,0) e raio p, no plano Oxy, por exemplo, temos que

í Bdr ^ 0 (verifique).

Esse resultado não contraria o teorema de Stokes. Observe isso exami-



>
nando o domínio de B .

VUI.2.10: Aplicações do Teorema de Stokes

1. O Rotacional Expresso como Limite de Circulação por Unidade de Área.

Da mesma forma que o teorema da divergência fornece uma nova in­


terpretação para o divergente de um campo vetorial, o teorema de Stokes
3 4 4 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

fornece uma nova interpretação para o rotacional de um campo vetorial.


Para chegarmos a isso chamemos Sr um disco circular, no espaço, de raio r
e centro (x, y, z), e seja Cr a. circunferência que limita Sr- Se v {x, y, z) é um
campo vetorial de classe â' em um domínio do espaço que contém Sr, te­
mos, pelo teorema de Stokes;

dr (rot u)-n dS.

Aplicando o teorema do valor médio para integrais temos:

u dr = (rot u) - n(x', y , z'). Ar,

onde A,^é a área de S,-, e (x', y , z') é um ponto de Sr-

Se agora r—>0, temos:

(rot u)-n(x,
' y jy, z)> = ,.^ü
Um — A, Jc-vudr .

No caso do movimento de um fluido com velocidade de escoamento

", a integral udr chama-se circulação em C,. Ela diz o quanto o movi­

mento de fluido é uma rotação pela circunferência Cr, no sentido dado. Por­
tanto temos que a componente de rot v na direção de w é o limite do quo­
ciente da circulação pela área de círculos centrados no ponto, no plano nor­
mal a n. Em outra palavras, o rotacional é a circulação por unidade de área.

2. Lá de Indução deFaraday

O campo eletromagnético produzido por uma distribuição de car-


—^ —y
gas e seu movimento é descrito pelos vetores E {x, y, z, t) e B (x, y, z, t),
onde E (x, y, z, t) é o campo elétrico no ponto (x, y, z) no instante t,
—>

B {x, y, z, t) é a indução magnética (ou densidade de fluxo magnético) no


—> —> —>

ponto (x, y, z) no instante t, B = jUH, [T. permeabilidade do meio, H inten­


sidade de campo magnético.
Cálculo Integral Avançado • 3 4 5

Uma das equações de Maxwell diz que r o iE = 0.


ot
Vamos deduzir a lei de Faraday através dessa equação. Essa lei afirma
que a força eletromotriz em torno de qualquer contorno fechado é igual
ao valor negaüvo da taxa de variação no tempo do fluxo magnético anela­
do com o contorno, isto é:

dt

De fato, integrando na superfície desejada que tem C como contorno,


temos:

E + - ^ ) - n dS=0
J íí™ “ ■dt

j j j r o l E ) ndS = - j j ^ ^

X E ■ dr= -
dt

Essa equação exprime a observação experimental de que um campo


magnético variável induz um campo elétrico.
Exercícios

1) Verifique o teorema do Stokes, calculando as integrais do enunciado,


para:
a) V {x, y, 2) - + x y j - 2xz^, Sa parte da esfera + 1 , com z> 0
e N a. normal unitária exterior à esfera.
b) V (x, y, z) - yzt + xzf + xyli, C a curva de intersecção das superfícies
sê + f = l e X - y + z =2, e S qualquer superfície conveniente que con­
tenha C no seu bordo (escolha pelo menos duas).

2) Calcule J |( r o t V) N dS, onde:

a) V (x, y, z) - (xz, - y, x^y) e S consiste das 3 faces, não no plano xy do


tetraedro formado pelos planos coordenados e o plano 3x + 3)+ 3 z = 6,
sendo N a normal exterior ao tetraedro.
h) V (x, y, z) = ( y - z, yz, - xz) e 5 consiste das 5 faces, não no plano xy do
cubo 0 < x < 2 , 0<))<2, 0 < z < 2 , sendo N a normal exterior ao cubo.
c) Exercício 8a do parágrafo anterior
d) v{x,y,z) - (x^ + y - + 2>xyf -I- (2xz + z^)k, sendo 5 o hemisfério su­
perior da esfera + / + z^= 16, com normal N exterior à esfera.

3) Use o teorema de Stokes para mostrar as igualdades:

a) j (y + z)dx + (z + x)dy + (x + y)dz = 0, onde C é a curva de

intersecção do cilindro + f = 2 y com o plano y - z.


Cálculo Integral Avançado • 3 4 7

b) j (ydx + zdy + xdz - Ttd V 3, onde C é a curva de intersecção da esfe­

ra + / + = o? com o plano x-v y + z = 0.

4) Calcule j dyAdz + xdzAdx + ydxAdy, sendo Sa parte da superfície

z^= x^+ entre os planos z = l e z = y + 3, orientada com n tal que


n . t < 0.

5) Calcule e^‘ ln{z+ y) dyAdz + ( jí? + z^) dz Adx + zdxAdy, sendo S a parte

do parabolóide z- 4- f limitada pelo plano z = 3)+ 4, orientada com


n tal que n X > 0 .

6 ) Calcule j dS, sendo S a parte do hiperbolóide x? + limita­

da por ÍT+ f - 4 e V - rot u, sendo u = (x^, z, yz). Escolha uma orienta­


ção para S.

7) Calcule í v dr, sendo:


JV

a) V = {yz, xz, xy) y a curva intersecção das superfícies + 3;^= 4 e


z = 2)) + 3, orientada no sentido anti-horário quando projetada no
plano Oxy.
%
b) v={ ,—5—5- — 5-) e ya intersecção do cilindro x^+ r = 1 com
x-+y^ x^+y 1+z
o plano x + y + z= 4, orientada no sentido horário quando projetada
em Oxy.
c) V = (2 xz®, x^/, 3 x^z^) e y é 2. intersecção das superfícies
z ==sen^) +10 e x? + / = 16, orientada no sentido horário quando pro­
jetada em Oxy.
1 V — ^ / b
d ) v = {x-y,x-z + y) & y 2. intersecção do parabolóide
2 + sen y
4z = x^+ ))^ com o cilindro xr^+ / = 4, orientada no sentido anti-horá-
rio quando projetada em Oxy.
3 4 8 • Os Teoremas de Gauss e Stokes

(e) V = {e’‘seny, e’‘cosy- z, y) e y o bordo da superfície obtida girando-


se, em torno de Oz, o gráfico de z = IIf, e<y<e^. Escolha a orien­
tação de y.

8) Calcule {z + f ) d x + ( f + l )dy+ [ln{z^+ 1) + y} dz, sendo y{t)={‘2. cosí,


Jy
2 sení, 10-2 sení), te[0,2;r].

9) Determine v tal que u - rot v e calcule onde

u = (e*sen)i, e^cos)i- z, y), S é a parte da superfície cônica z^= /


para l < z < 2 , eA^éa normal exterior ao cone.
10) Seja Cuma curva simples, fechada e plana, e seja N = (a, b, c) um vetor
unitário normal ao plano de C. Mostre que a área plana interior a C é
dada por:

V2 j^{bz - cy)dx + {cx - az)dy + {ay - bx)dz, com C orientada pela


—>
orientação induzida de N.
A que reduz essa integral quando C pertence ao plano ry?
Respostas

Capítulo I

I.l

1) a) D = D' = {(x, y) e ÍRÍ-\ ) ) > 0 e x > 0 o u } ' < 0 e x < 0 }


1j) D = d - [ {x, y) e IR'\ x ^ nj2 + hn, c yit. 7t/2 + âti, /í g Z 1
c) D = R'\ D' = {(x, j, z) e R^: x^y}

2) a) í ) = fíM (0, 0, 0)1


b) D = R'^
c) D = {(x, y,z) eR^:\y\< 1}

3) Condição; bc- ad^O

x^ = ------------
—du + bv y„ = ----------
cu —av
bc - ad bc- ad

A imagem é um paralelogramo.

4) a) Circunferência de centro (0, 0) e raio 1

b)

c) Hélice cilíndrica
3 5 0 • Respostas

plano

cone superior

c) Semi-superfície esférica superior de centro 0 e raio 1

1.2

. ,2\3
{^+f+£^y

2) a) b) - 2 (1 + o?/f) c) 1

3) a) b)

4) a)

5) a)
Cálculo Integral Avançado • 351

6) a) {cos^<p - cos^ y/)

7 ) ]0 , o o [x ] 0 ,

1.3

l)a) b)

c)

e) f)

J t

3) a) 2xt + 2yJ + 2zk

b) Á t + Bi] +

c) {y, x)

e) ( ,_2x ----------- ^ 2z
[ X^+f+Z^ ’ X^+f+Z^ ’ X^+/+Z^
5) 3
3 5 2 • Respostas

12 ) c ) l , - ^

13) c ) l , 0

14) -2/3

16) /'(r) +
r

Capítulo II

III

1) -7112

2 ) z = V 1 - í £ ? - / o u z = V 1 - x ^ -f , + f < l

Tirar y como função de x e z para + zr < 1.

Tirar z como função de 31 e z para

3) a) não b) não

4) = =
ox c ay c
5 -) dw _ dF/dx dw _ dF/dy dw _ 3F/dz
dx dF /dw ’ dy dF /dw ’ dz dF /dw ’
dw _ y sen xy dw _ x sen x*y dw _ 2 z
dx é" ’ dy C ’ dz é“
7) 3) = 2 x ,z - 1 2 x ",-éL dx= 2 , - ^ - 2dx4 x
8 ) bf-cc^0,y =- - ^ x , z = - ^ ^ x ,
bj-ce bj-ce
dy _ _ af+cd dz _ ae+bd
dx bj-ce ’ dx bf-ce
II. 2

3) 1/9, 0

1+MX 1-vy y-x


4)-
\+uy ’ \-\-uy ’ \+uy
Cálculo Integral Avançado • 3 53

5) a ) / ' ( l ) = 0

6) a= 0, b= 2c, d - - 5 c

II. 3

1) 0, não

2) %= V m , y - V , para x > 0

x = —'Áu, y = —V ''Vü, para x < 0, não

^ ( l ? ! / ’
6) 4( a? + / )

7) a)r h)A^Q, 6e.lR, z&R c)

8 ) -yOsen^ h)p^Q c) - ^ ^

77.4

1) a) 10+13/í+6A2+M+l/6/í^+7íj

b) 1 +5A+4A2+4M+/í^+2A^Ã+2/i/s^+7íí

2) a) ^
n+n</(
b) 1 + Ã+ {h + ky^ + {h + k)^ + ... + - ^ {h + + Ra
7! o! (n—Ij!
c) A- - ^ + - ^ + ... + (_l) 2n-I h’^-^ ^ Jl
3! 5! ^ ^ (n-1).'
d) A+ Ã+ 7?j

3) a) 10 + 13/h - 6/i^+M+T?5

b) 1 + h - 6 k + 1/3! (2H^-4hk-7}e) + Rs

4) 0,902, 7a) -2, 7b) 0,10) ln2


3 5 4 • Respostas

II.5

1) a) (0, 0) b) (x, 0) ou (0, y) c) (0, 0)


d) {{‘í k - \ ) 7 t , \ ) , k ^ Z

e) (1,2), ( - 1, 2) , ( 1, - 2) , ( - 1 , - 2 )

f) (0,1/2), (1,1), ( - 1 , 1 )

2) a) (2,1) ponto de mínimo local

b) (2,1) ponto de mínimo local

c) nenhum

d) (2, 2) ponto de mínimo local

e) (1/16, 1/8) ponto de mínimo local

f) (0, 0) ponto de máximo local


{ ^ , < 2 ) e ( - V Y , - V T ) pontos de mínimo local

3) a) (1,1) ponto de máximo absoluto


( - 1 , - 1 ) ponto de mínimo absoluto

b) / V2 V2 \ máximo absoluto

V2 V2 \ pont o de mínimo absoluto


(—

d) ^ ^ j ponto de máximo absoluto

I— pont o de mínimo absoluto


\ 9 9 /
e) (0, 0) ponto de mínimo absoluto
(0, 3), (0, - 3) pontos de máximo absoluto

5) Cubo de lado V 8/3

6) a = b = c= S
Cálculo Integral Avançado * 3 5 5

II. 6

1) -V ^ /2

2) 1/4

3) - V I ) , ( - V I , V I ) , (0,1),(0,-1)
2 2 2 2
6) 16VT/3

Capítulo III

in .i

1) P={ R] , R= [0, l]x[0, l ], f{a, P)A{R) = 1/2


P= {Ru R,, Rs, R4 I Ri= [0, l/2 ]x [0 ,1/2], R,^ [1/2, l ] x [ 0 ,1/2],

Rs= [0, l/2 ]x [l/2 , 1] R4= [1/2, l ] x [ l/ 2 ,1], J /(a „ A)A{Rd = 5/8
!= 1
P= {Ru ..., Ro}, Ri= [0, l/3 ]x [0 ,1/3], P 2= [1/3, 2/3]x[0,1/3],
R^ [2/3, l] x [ 0 ,1/3], P i- [0, l/3]x[l/3, 2/3], R^= [1/3, 2/3]x[l/3, 2/3],
[2/3, l]x [l/3 , 2/3], [0, l/3 ]x [2 /3 ,1], Pk= [1/3, 2/3]x[2/3,1],
Rcj= [2/3, l]x [2 /3 ,1],
9
I f { a „ /3 d A { R ) = 55154
i= 1
2 ) a) Si=((x, z ) | 0 < x < l , 0 < ) ) < l , 0 < z < V 1 -x^}
52={ ( x , )), z) | 0 < : ) c < 1,0<3)<1,0< z < 0 < z < 2 - x}

b) m +15/2

c) 3/2 -7tl4, 5= {(x,}), z) IO < x< 1, 0 < 3)< 2, V 1 - x^ < z< 2 - x)

III.3

2)a)80e0 b) l/8^3 c ) -27 V I ;r e 27 a/ I ; t

,3) 1/12 4) 1/12 5) nl4


3 5 6 • Respostas

III. 4

\) z) é / 2 - U / 2 + e b)5/6

2) a) 126/3 b) 0

c) 1/3

.48
3) a) J{x,y)d^dy

ç4ã ça
b) ^f{x,y)dyd.

,1
c) f{x, y)dxdy

n fjif

1 ^ ;r-ai c s c n y

d) 0 ^arcscny''f(x, y)dxdy

/2
t
t ;t

“ I— ^ f«/2 r y ã ^ -y ^ r«a fyja^-y


e) V2'---- :s -----f{x,y)dxdy + f{x,y)dxdy
r, - •'0 ^^^o}-2ay
JJa"^-2ay >/2.
Ja/l^O
Cálculo Integral Avançado • 3 5 7

y]l—
X^ /•! /•l—
X
f)
n ^ f{x,y)dydx + ^^^^ f{x,y)dydi

x 2

n dydx = (e - 1)/2

+ dxdy = (2 V2 - 1)

c) J J -^1 + y^ dydx = -^ 2 (V2 -1)

d) )) dydx = ^V2 - e

e) f f /(x , y) dxdy = (1 - cos 1)


Jo Jo

5) a) — (I -V 2 / 4 )
5 /3

b) x 5 - ^ x ‘^ + - y x ^ - ^ í( 2 ) 2 /3

c) 4 /3 (7/3 - 12/5 + 6 /7 - 1/9)

d) TU

e) V^/2

f) — -1/20
10 ^

6) a) 5/12 b) 1/3 c) In d) 2/3 + A In 3/2


1

7) a) 4/3 b)64/3 c) 16/5 á)2 e'^ - l í e

5V2-2V5 2V2 + 2
e ) ---------------h 2 m— —
2 VS + I

8) a), 256/3 b) 71/6 c) 16/3 d) I6a^


3 5 8 • Respostas

III.5

1) a) 0 b) 7tàl?> c) n{\ - r*) d) ^{7tí2 + 1/3)


e) (2 /n 2 - 1) (1 - /n 2) f) {tt- 2/3) g) 7t(^IÇ> h) 2n
Ó
i) Ttab

2) a) Ina^^ll b) %I5\1 c) An d) Anlnl

c)—n f) ------- -- g)64/9 h) 5 ^ 2


4 2-16^
(i) 2nabr

9V3
3) a) 256/12 b )3 ;r + ^ c) 2fl^ d)3;r/2 e) na^/s

f) Y ( 3 ^ 4 - 1 /2 )

III. 6

25a/5 - 55/2 - 4aT5


1) a) 9/20 b)2a^, a > 0 c)
d) -127/14 + 31/10 + 6 + 14/3

2) a) M= r f {y+l)dydx
JO J.v"/8

n (\H-l) dydx ()>+l) dydn


?/s - Jo J ^ /s
X = --------- ---------- y = ------------------
M
b) M = -2^^ n—^d3 X= y =0
ó _
c) M = n {A ^ -l)k x ^ n k / M = ,y = 0
k = densidade
d) M = kd-12, k = densidade
x = ^ cd2 y = 0, para o laço a direita do eixo Oy.
e) M - knd^/2 k = densidade
X= 0 y = AaJ3n
Cálculo Integral Avançado • 3 5 9

f) dxdy, k = constante

.1 ^^/x
^ í í. ^ ^í j. dydx
^ M ’ ^ W
^ 2 ;r^ 2 (l+ sc n 0)

8) "=J. J. r^drdO.

2;r , 2 ( l + s c i i 0)

T^drdd

x=n
0 , —
y = Jo
n JO
M

h) M=ll2k, k= densidade
1-.V

x dy dx k y dy dx

3) a)
x=
n I
M
kaVS, k = densidade
_ y - , do jo
M

í í ^ f d y d x , k - densidade
A'

c) ^Kkâlh
2 ..2
d) J\k(4-y)dydx

e) k ( / ( ir + 2 ) / 8 ã = densidade

III. 7

1) á) í sen{xt)dx b) 1/u c) í (sen x) ^


^ ^ j;r/2 ^

-1
2)
(n+iy
7t 1 3 ... (2n-3) 1___ Q
2 2 4 ... (2n-2) x^"-’ ’
3 6 0 • Respostas

Capítulo IV

IVA

1) a) 851/5040 b) 16/3 + ;r c) 7tí2- ^ ^


8 2
, 7 17

d) 1/10 e)8/15 f) — d - ( 1 / 3 ) 1 2 ( 1 / 3 ) «]

ç2 ç2 çx ç i çx ç2
2) a)J^J y{.x,y,z)dydzdx\ J f{x,y,z)dzdydx
l 4--x p+2 1*2 ry+2 ç4-y~
n ^ f{x ,y ,z)d zd y d x \ J J J f{x,y,z)dxdzdy
^ ^Í7
c) f{x,y,z)dzdydx
.1

ío jo íy- + Jy j f{x,y,z) dzdxdy

3) a) 8/24 b) abâl24

71
4) a) c ^ c d b) c—a^-^— 7là'
2 2 3

5) 144a^(;r/6-V378)

rv.5

1) 2i)Tc{h^-à) b) a‘’/48 c) TüáJnO

d) 0 e) Ttà o\x-\- 7t à f) nhod/2 g ) 128/15


Ò

h)lM K;r(P i) 64;ra^


5 5
a ^ a-u ^ a-u-x)
2) 8 I I I uvwdwdvdu
Jo Jo Jü

4) a) Kà b) nd-h/2) c) n jl d) 18a^(;r/3 + V3/2) e) 64/9


Cálculo Integral Avançado • 361

TV. 6

1) M= ê) I = k.27t{b^~ é )

2) a) X = z = 2aJ5 e y = aJb

b) x =y =0 2 ,{abâ-â -\)
Ai^abâ-^â-l)

7t{2>abâ- - 2c‘^ -l)


2,â{<?+\)

c) M= 27tk/2> , x =y =0 e z = 3/8
d) X= y = 0 e z = 2a/5

x - y = 0. ^ 4 (1591 - 720 a/3)


e)
7(391 - 192 \^)

f) X = y = 0, z = 9a/7

3) a) /í 81/10 b) 2944k/315 c) 5;rÃ/16 4i7t{ d^+lp-) abc


15
e) k.7t/d>

Capítulo V

VI

2) a) Para a > 2 a integral diverge.


Para 0 < ctr< 2 a integral converge para ‘2.71
2 -a
b) Converge para - 7tí2
c) Para or> 3 a integral diverge

Para 0 < Ct < 3 a integral converge para Atü


3-or
d) Converge para - ;r\'2
3 6 2 • Respostas

V. 2

1) a) Converge
b) Diverge

v;3

a) Diverge
b) 1
c) 1
d) Converge para a > 3/2

Capítulo VI

VI. 1

2a) (0, 0)
2b) y - - xe y = - xl2
3c) rx.{2m, 1, 2t) r2.{2M, 1, -2t)

4a) 8a; 4b) 1 + i /n(V2 + 1) 4c) 14


V2
KX _ (AnÉ. - l l - 1 , 2 f+ 2 t- 2 \

5t 3f
5 b )r(0 = (Y +- y , Y - f ) 5c) 7 ( 0 - (-

VI. 2

la) 2;r, Ib) 0; Ic) 0; Id) 0 -


2a) 5/6; 2b) 3/4; 2c) ;r024 - 5/2; 2d) 13
2e) 8 + ;r/4; 2f) 8/3; 2g) 0
3a) - 2 ^ , 3b) 0; 3c) 7t{^2 - 1); 3d) -7t
Cálculo Integral Avançado • 3 6 3

4a) ;z» /2 4 -5 /2 4 b ) - 8 /3 4c)±2;r 4d) 0 4e) 13/10


6 ) 2 o=^ 7 )c = - « V 3
9a) 1 + V2 9b) 64«^/15 9c) 64/105 9d)

VU

la) 4;r 16) 16 Ic) 3;r/2 3a) 0 3b) 3;r/2 3c) 4


4a) - 2;r 46) y InlS 4c) 2 tv 4d) - ;r

5b) (i) ;ra6 5b) ( ii) - ^ ^ 5b) (iii) 2ln/2


8

6 ) - 2^, 0 7a) 3
9) Ii=2;^, l 2= 6 ;?r, l3--2;T,
10 a) 0 10 b) 0 10 c) 0

VIA

la) não Ib) sim; ç{x, y) = xy-f


Ic) sim, <p{x, y) = }<?/2 - f / 2 + z x - zy Id) não le) não If) não

k/ 2 -arctg x/)) se 3)>0


Ig) sim, (p{x, y) - k/ 2 -arctg x/ys^y <0
0 se y= 0 e x>0

Ih) sim; ç(x, y) - 1/2. ln(x^+ f )


2) ^ 3a) 1 3b)3Zn3-2 2,c) - 7tí2
4a) àb - 6^/3 - 2 /3 4b) a sen 6
5a) 1/2 { f \ h ) + g^(a) - g^(b) - / ( a ) ] +/(b)g(b) -/(a)g(a)
5) 3
6) 3;z/4
3 6 4 • Respostas

Capítulo VII

VIII

la) x{u, v) = u, y{u,v)- v, z{u, v)=f{u, v), {u, v) eR'^

lb) x(u, v) - u, y(u,v)= V, z = {u, v)= 3 - i/, (u, v) €

2) z = ^ +f

3a) x{u, v) = u, y(u,v)- v, z{u, v) iP + xr- , u’+ v^> d

3b) x{u, v) = u, y(u,v)= v, z (u, v) = d^ + d + v ‘^, {u, v)

VIU

ln)IR'; Ib) dD, (x, y, z): x = y

3a) y(t) - (V^cosí, A/3"sení, 1), t e [0, 2dl

3b) /(t) - (2 cosí, 2 sent, Võ), t e [0, 2d]

3c) <PS= riUy2uyoyjy4, onde y it) = {t, -1, t'), t e [-2, 2];
y.it) - (2, t, 4), t e [-1 ,1 ]; y^{t) - (í, 1, ^), t e [-2, 2];
n(í) = (- 2, í , 4 ) , í e [ - l , l ] ;

3d) ds^ yb~>yi-jy^^y4, onde yi{t) = (í,- 1, 1), t e [- 1,1];


y^it) = (1, t, 1 + f ) , t e [-1 ,1 ]; y^{t) = {t, 1,1 + f ) , t e [-1 ,1 ];
y^it) = (- 1, í, 1 + f ) , í e [- 1,1];

VII. 4

1) 4;r^ab
2)^{bb V 65-1)

3a) V371A- 3b) 3c) IStt 3d)47t 3e) — 31)


3 6
Cálculo Integral Avançado • 365

VIU

la) Ib) ir Ic) 'ÍTtdHdW, id) 24;r le) 125;rV^ If) -12;r
3

lg)V 2;r Ih) 14;r l i )8V2;r

2a) 8;zaV3 2b) <1 m 2c) 36^2;? 2d) 2 e )^ ^


3 4

3a) £ 1 ^ 3b) 0 S c ) ^
4 12

A ^ x = -y = n
4a) 0 , -z - 8/3
o/', ; 4b)
.u^ -y = -z = n
0 , -x = ------------------
12(442VÍ3+2)
’ 15(13VÍ3-1)

V7/.d

la)0 Ib) 4 Ic) 1971/32

2a) -V 2 2b) 0 2c) 8ti 2d) 64/3 2e) — ^


' 91
3) 0

4) -16;r

Capítulo VIII

WILl

la) 24;r Ib) 0

2) 5ti 3a) 12tt/ 5 3b) 224;:

õa) I/r õb) U 5c)4>7

6a) IOOOOti 6b) 15tx/2 6c) S na^js

7di) 2ttI3 7b) 0 8a) 0 8b) -1/12


3 6 6 • Respostas

VIII. 2

2a) 0 2b) -4 2c) 0 2d) -16;r


4) -54>r
5) -2 1 2 /9 - 3;r/32
6) 0 7a) 0 7b) - 2 n 7c) 0 7d)4;r
7e) 0
8) An 9) ü = (- zV2, xy, - e'cos y) \ 0
Bibliografia

1. J. A. Sherdiff - “Vector Fields”


Cambridge University Press - 1977.
2. J. E. Marsden, A. J. Tromba - “Vector Calculus”
W. H. Freeman and Company - 1981.
3. Rui C. de C. Vieira - “Adas de Mecânica dos Fluídos” (Vol.ll).
Editora Edgard Blücher Ltda - 1971.
4. W. Kaplan - “Cálculo Avançado”
Editora Edgard Blücher Ltda - 1972.
5. M. S. D. - Cattani - “Elementos de Mecânica dos Fluídos”
Publicação do Instituto de Física da USP - 1984.
6. Serge Lang - “Análise 1”
Addison-Wesley- 1968.
7. M. Spivak - “Cálculo en Variedades”
Editorial Reverté, S.A, - 1975.
8. M. Protter, C.B. Morrey - “Modern Mathematical Analysis”
Addison-Wesley - 1969.
9. R. Courant - “Differential and Integral Calculus”
Blackie and Son Lt. - London - 1953.
10. D. Roffsen - “Knots and Links”
Matematics Lecture Series
Publish or Perish, Inc.
INDICE R e m issiv o

Aplicação.................................................................................................... 13
Aplicação contínua................................................................................... 19
Aplicação diferenciável............................................................................. 20
Á rea............................................................................................................ 119
Área de superfície..................................................................................... 292
Área de superfície parametrizada........................................................... 290
Bordo de uma superfície.......................................................................... 280
Campo conservativo.................................................................................. 245
Campo Elétrico......................................................................................... 38
Campo escalar........................................................................................... 36
Campo escalar contínuo, de classe 6*^e 6“ .............................................. 36
Campo gradiente...................................................................................... 40
Campo gradiente...................................................................................... 248
Campo irrotacional................................................................................... 53
Campo normal exterior............................................................................ 324
Campo normal interior.......................................... 323
Campo rotacional..................................................................................... 45
Campo solenoidal..................................................................................... 53
Campo vetorial.......................................................................................... 38
Campo vetorial contínuo, de classe ô*"e 6“ ............................................. 39
Centro de massa........................................................................................ 151
Centro de massa........................................................................................ 178
Comprimento........................................................................................... 210
Conjunto aberto....................................................................................... 17
Cálculo Integral Avançado • 3 6 9

Conjunto com área................................................................................... 119


Conjunto conexo...................................................................................... 21
Conjunto fechado..................................................................................... 117
Conjunto parametrizado.......................................................................... 264
Conjunto simplesmente conexo............................................................. 256
Conteúdo nulo.......................................................................................... 118
Coordenadas cilíndricas........................................................................... 27
Coordenadas esféricas.............................................................................. 28
Coordenadas polares............................ 26
Curva.......................................................................................................... 198
Curva da superfície parametrizada......................................................... 271
Curva fechada........................................................................................... 203
Curva inversa.............................................................................................. 220
Curva lisa.................................................................................................... 207
Curva lisa por partes................................................................................. 207
Curva parametrizada pelo comprimento de arco................................. 214
Curva simples............................................................................................. 203
Determinante jacobiano........................................................................... 24
Derivação implícita................................................................................... 60
Divergente.................................................................................................. 44
Equações paramétricas............................................................................. 198
Equações paramétricas............................................................................. 264
Fluxo........................................................................................................... 308
Fórmula de Taylor.................................................................................... 77
Fronteira........................ 117
Função definida implicitamente............................................................. 59
Função harmônica.................................................................................... 53
Função integrável.................................................................................... ■; 108
Função integrável..................................................................................... 159
Funções componentes de uma aplicação............................................... 17
Funções componentes de um campo vetorial........................................ 39
Integral....................................................................................................... 108
Integral de linha de um campo vetorial................................................. 217
3 7 0 • índice Remissivo

Integral de linha em relação ao comprimento de arco........................ 222


Integral de superfície de um campo escalar.......................................... 298
Integral de superfície de um campo vetorial......................................... 308
Integral em superfície lisa por partes de campo escalar e vetorial..... 323
Integi'al tripla............................................................................................ 159
Interior de uma curva............................................................................... 206
Lim ite......................................................................................................... 19
Limite de somas de Riemann................................................................... 107
Massa.......................................................................................................... 149
Momento de massa................................................................................... 151
Movimento estacionário........................................................................... 37
Multiplicador de Lagrange....................................................................... 99
Norma de partição.................................................................................... 106
Operador de Laplace................................................................................ 53
Orientação de bordo de superfície lisa .................................................. 320
Orientação de bordo de superfície lisa por partes............................... 322
Orientação de superfície lisa................................................................... 305
Orientação de superfície lisa por partes................................................. 321
Partição de um retângulo......................................................................... 106
Plano tangente.......................................................................................... 276
Ponto crítico............................................................................................... 85
Ponto de acumulação............................................................................... 17
Ponto de fonteira...................................................................................... 117
Ponto de máximo absoluto...................................................................... 90
Ponto de máximo local........................................... 83
Ponto de mínimo absoluto....................................................................... 90
Ponto de mínimo local............................................................................. 83
Ponto de sela............................................................................................. 86
Ponto final de uma curva......................................................................... 198
Ponto inicial deuma curva........................................................................ 198
Ponto interior........................................................................................... 117
Ponto múltiplo.......................................................................................... 203
Potencial..................................................................................................... 248
Cálculo Integral Avançado * 371

Produto vetorial fundamental.................................................................. 274


Reta tangente............................................................................................ 207
Soma de Riemann..................................................................................... 107
Soma de Riemann..................................................................................... 158
Superfície lisa............................................................................................. 279
Superfície lisa por partes.......................................................................... 319
Superfície lisa por partes orientável....................................................... 321
Superfície lisa, regular.............................................................................. 276
Superfície orientável................................................................................. 304
Superfície parametrizada......................................................................... 263
Teorema da Curva de Jordan..................... 205
Teorema da Função Implícita................................................................. 66
Teorema da Função Inversa..................................................................... 72
Teorema de Grauss................................................................................... 326
Teorema de G reen................................................................................... 229
Teorema de Pappus.................................................................................. 294
Teorema de Stokes................................................................................... 337
Trabalho..................................................................................................... 215
Trabalho..................................................................................................... 218
Traço de curva.......................................................................................... 198
Traço de superfície parametrizada......................................................... 264
Transformação.......................................................................................... 24
Velocidade.......................................................................... 206
Vetor normal principal............................................................................. 277
Vetor tangente.............. 274
Volum e....................................................................................................... 111
Título Cálculo III
Produção Ana Lúcia Novais
Cristina Fino
Projeto Gráfico Imagem I
Capa Imagem 1
Editoração Eletrônica Imagem 1
Anderson Nobara
Editoração de Texto Alice Kyoko Miyashiro
Revisão de Texto Oswaldo Viviani
Revisão de Provas Cristina Yamazaki
Évia Yucari Yasiimaru
Marcelo Masuchi Neto
Divulgação Mônica Cristina G. dos Santos
Silvia Basilio Ribeiro
Secretaria Editorial Eliane Reimberg
Rose Pires
Formato 18 X 25,5 cm
Mancha 33 X 51 paicas
Tipologia Nebraska 12/18
Papel Cartão Supremo 250 g/m- (capa)
Off-set linha d’água 80 g/m- (miolo)
Número de Páginas 376
Tiragem 1500
Laserfilm Imagem 1
Impressão e Acabamento Imprensa Oficial do Estado de São Paulo
Considerando a dificuldade de encontrar
textos de nível adequado a estudantes
do 2 ano de graduação em Matemática,
-

Física e Engenharia, os autores, baseados


na sua experiência didática, propuseram-se
a escrever um texto para aplicação direta
em sala de aula. Os autores são professores
doutores do Instituto de Matemática e
Estatística e ministraram durante muitos
anos a disciplina Cálculo Diferencial e
Integral III na Escola Politécnica
da Universidade de São Paulo.
Esse livro é um aprimoramento de
várias redações em forma de apostilas,
que foram utilizadas pelos autores nos
cursos da Escola Politécnica.
As listas de exercícios apresentadas
destacam-se por sua diversidade
e abrangência, contendo questões
não encontradas tradicionalmente
em outros livros.
O enfoque principal desse livro é o
Cálculo Integral de Funções em Curvas
e Superfícies, incluindo também conteúdos
do Cálculo Diferencial, como Teoremas
da Função Implícita e da Função Inversa,
e Máximos e Mínimos.