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UNIVERSIDADE TIRADENTES

FELIPE JOSÉ DA SILVA

DIAGNÓSTICO URBANO: O CASO DO BAIRRO OLARIA DA CIDADE DE CANINDÉ DE


SÃO FRANCISCO – SE

ARACAJU

2017
FELIPE JOSÉ DA SILVA

DIAGNÓSTICO URBANO: O CASO DO BAIRRO OLARIA DA CIDADE DE CANINDÉ DE


SÃO FRANCISCO - SE

Trabalho Final de Graduação


apresentado à Universidade
Tiradentes como um dos pré-
requisitos para a obtenção do
grau de bacharel em Arquitetura
e Urbanismo.

Orientador (a): Prof.(a) Me. Rosany Albuquerque Matos

ARACAJU

2017
FELIPE JOSÉ DA SILVA

DIAGNÓSTICO URBANO: O CASO DO BAIRRO OLARIA DA CIDADE DE CANINDÉ DE


SÃO FRANCISCO - SE

Trabalho Final de Graduação


apresentado à Universidade
Tiradentes como um dos pré-
requisitos para a obtenção do
grau de bacharel em Arquitetura
e Urbanismo.

Aprovado em _____/_____/_____.
Banca Examinadora

___________________________________________________________________________
Prof.(a) Me. Rosany Albuquerque Matos
Orientadora – UNIT
___________________________________________________________________________
Prof.(a) Esp. Clarisse de Almeida

Avaliador(a) Interno – UNIT


___________________________________________________________________________
Arq. e Urb. Nara Albuquerque Matos
Avaliador(a) Externo
Ao todo poderoso, criador do céu e da terra,
a quem me deu o dom divino de existir, e me
traz uma nova oportunidade e sabedoria a cada
amanhecer.
AGRADECIMENTOS

Ao Deus Pai todo poderoso, criador dos céus e terra, o qual sua graça e misericórdia me
alcançou, mesmo não merecendo, ao seu filho unigênito Jesus Cristo que por sua morte e
ressurreição pode reconciliar-nos com Deus e ao seu Santo Espirito enviado para estar conosco
até a consumação dos séculos, o qual por nós intercede até com gemidos inexprimíveis.

A Mainha e Painho (Maria Elza e Naldo), não só por todo esforço para que eu pudesse
chegar até aqui, mas também pelo o amor, força e incentivo. Por me fazer acreditar que é
possível vencer na vida, alcançar os objetivos e sonhos sem precisar passar por cima de
ninguém. A eles por me ensinarem a ser humano. Assim como aos meus irmãos Marcos e
Mateus que sempre estiveram comigo.

Aos amigos da faculdade (vish, são muitos rsrs) Arthur, Netinha, Eduardo, e a melhor
dupla Angel, assim como a todos os outros que não citei, pelas amizades construídas ao decorrer
de todos esses anos, pela força e incentivo dado, e por cada momento que tivemos juntos.

A minha amada Dodorah Ramos que acreditou e me incentivou a dar cada passo.
Aos grandes professores que ao longo de minha vida me auxiliaram em toda caminhada,
meu agradecimento pela paciência, partilha de conhecimento e pelos ensinamentos para a vida.
Deixo minha eterna gratidão a cada um. E em especial a minha orientadora, Rosany
Albuquerque Matos.

É com muito carinho e felicidade que dedico essa vitória a todos. Obrigado!
“Pode-se, com convicção, afirmar que em
toda e qualquer cidade, vila ou vilarejo, existe
um acervo de informações e dados que
permitem detectar sua estrutura interna. ”
(LINDGREN, 1978, Temas Para Planejamento
Urbano, p. 40).
RESUMO

O presente trabalho foi desenvolvido com objetivo de gerar um estudo onde são apresentadas
as características urbanas do Olaria da Cidade de Canindé de São Francisco - Sergipe que sofre
com vários problemas tendo ele de forma geral uma vasta utilização por moradores, visitantes,
trabalhadores e estudantes, então com uma análise é apresentado um diagnóstico urbano do
bairro com o desafio de como desenvolve-lo levando em consideração tanto questões
ambientais, como sociais. Para um melhor desenvolvimento e compreensão o trabalho foi
dividido em 10 temas de estudos, sendo eles: titulação, população, uso e ocupação do solo,
segurança e áreas de risco, acessibilidade, mobilidade de trânsito, arborização, lazer, educação
e cultura, meio ambiente e infraestrutura e para cada destes foram identificados os problemas,
a causa e os impactos relacionados a cada. Para alcançar os objetivos a metodologia utilizada
para a estruturação do conteúdo apresentado foi de investigação com base em entrevistas e
averiguações fora e dentro de campo realizadas pelo aluno a fim de coletar dados atuais e
verídicos, de acordo com o tema proposto e com a realidade do local, pesquisas bibliográficas,
registros fotográficos e levantamento a histórico e documentos consultados na secretaria de
obras e planejamento da cidade. As informações adquiridas e atribuídas a conceitos urbanísticos
extraídas dessa pesquisa, geraram uma maior percepção do espaço e viabilizam a criação de
técnicas para a solucionar adversidades encontradas podendo assim serem mitigados os
problemas encontrados no bairro, levando em consideração a legislação da cidade de Canindé
de São Francisco, do bairro em questão e do Código Florestal.

Palavras-chave: Bairro olaria – problemas - Canindé de São Francisco - diagnóstico urbano -


temas
ABSTRACT

The present work was developed with the purpose of generating a study where the urban
characteristics of the Pottery of the City of Canindé de São Francisco - Sergipe are presented,
which suffers from several problems, with a wide use by residents, visitors, workers and
students, Then an analysis presents an urban diagnosis of the neighborhood with the challenge
of how to develop it taking into account both environmental and social issues. For a better
development and understanding, the study was divided into 10 study themes, such as: Titling,
population, land use and occupation, safety and risk areas, accessibility, traffic mobility,
afforestation, leisure, education and culture, environment and Infrastructure and for each of
them the problems, the cause and the impacts related to each were identified. In order to reach
the objectives, the methodology used for the structuring of the presented content was a research
based on interviews and inquiries outside and in the field carried out by the student in order to
collect current and true data, according to the proposed theme and the reality of the Site,
bibliographical searches, photographic records and historical survey and documents consulted
in the works and planning department of the city. Therefore, the information acquired and
attributed to urbanistic concepts extracted from this research, generate a greater perception of
the space and allows the creation of techniques to solve adversities encountered, thus mitigating
the problems found in the neighborhood, taking into account the legislation of the city of
Canindé de São Francisco, the neighborhood in question and the Forest Code.

Keywords: Pottery district - problems - Canindé de São Francisco - urban diagnosis - themes
LISTAS

LISTA DE ILUSTRAÇÃO

Figura 1:Povo Neolítico ........................................................................................................................ 15


Figura 2:Cidade Medieval de Carcassone, França ................................................................................ 16
Figura 3: Florença - Itália ...................................................................................................................... 17
Figura 4: Uma rua de um bairro pobre de Londres (Dudley Street). Gravura de Gustave Doré de 1872.
............................................................................................................................................................... 18
Figura 5: Cidade-Jardim ........................................................................................................................ 19
Figura 6: Ville Radieuse/ Vila Radiante – Le Corbusier....................................................................... 20
Figura 7: Cortiços insalubres no Rio de Janeiro.................................................................................... 22
Figura 8: Cortiços insalubres no Rio de Janeiro.................................................................................... 23
Figura 9: Marcação do Município de Canindé de São Francisco.......................................................... 28
Figura 10: Caldeira da antiga fábrica de curtume ................................................................................. 29
Figura 11: Interior de Antiga Capela..................................................................................................... 29
Figura 12: Antiga Canindé de baixo ..................................................................................................... 30
Figura 13: Foto aérea da Usina Hidroelétrica de Xingó ........................................................................ 31
Figura 14: Foto de passeio no cânion .................................................................................................... 31
Figura 15: Divisão de Zonas do bairro Olaria ....................................................................................... 34
Figura 16: Marcação de ruas a serem removidas e pessoas realocadas................................................. 35
Figura 17: Edificação com o riacho no seu fundo ................................................................................. 36
Figura 18: Edificações em encostas ...................................................................................................... 36
Figura 19: Residência e construção em enconsta .................................................................................. 37
Figura 20: Mapa de Uso e Ocupação do Solo do bairro Olaria ............................................................ 42
Figura 21: Mapa de gabarito do bairro Olaria ....................................................................................... 43
Figura 22: Fachada de edificação que não deixa área permeável ......................................................... 44
Figura 23: Quintal de edificação que não deixa área permeável ........................................................... 45
Figura 24: Corredor da edificação que não deixa área permeável ........................................................ 45
Figura 25: Área da edificação que não deixa área permeável ............................................................... 46
Figura 26: Área da edificação que não deixa área permeável ............................................................... 47
Figura 27: Edificação Abandonada ....................................................................................................... 48
Figura 28: Quadra de fubebol que é frequentada por pessoas para uso de entorpecentes..................... 48
Figura 29: Edificação abandonada ........................................................................................................ 48
Figura 30: Área de risco de alta tensão - Crianças jogando futebol na área.......................................... 49
Figura 31: Fossa a céu aberto próxima de residências .......................................................................... 50
Figura 32: Área onde é jogado lixo ....................................................................................................... 50
Figura 33: Esgoto nas ruas .................................................................................................................... 51
Figura 34: Piso intertravado .................................................................................................................. 54
Figura 35: Dimensões de uma calçada acessível................................................................................... 55
Figura 36: Perspectiva de rampa de acesso ........................................................................................... 55
Figura 37: Mobiliário em faixa livre ..................................................................................................... 56
Figura 38: Mobiliário em faixa livre 2 .................................................................................................. 56
Figura 39: Mobiliário fora da faixa de serviço ...................................................................................... 57
Figura 40: Poste em faixa livre ............................................................................................................. 57
Figura 41: Calçadas de chão batido....................................................................................................... 58
Figura 42: Calçadas sem continuidade de piso ..................................................................................... 59
Figura 43: Calçadas sem piso tátil......................................................................................................... 59
Figura 44: Mapa de pavimentação das vias do bairro Olaria ................................................................ 62
Figura 45: Via com pavimentação danificada ....................................................................................... 62
Figura 46: Via com pavimentação danificada 2 .................................................................................... 63
Figura 47: Via não pavimentada ........................................................................................................... 63
Figura 48: Via sem pavimentação ......................................................................................................... 64
Figura 49: Lombada sem sinalização na avenida João Alves ............................................................... 64
Figura 50: Lombada sem sinalização em frente da Escola Municipal Estudante Edna Maria Apolônio
Neta ....................................................................................................................................................... 65
Figura 51: Quadra de futebol em baixo de linha de transmissão de alta voltagem ............................... 67
Figura 52: Campo de futebol em baixo de linha de transmissão de alta voltagem ............................... 68
Figura 53: Quadra de futebol ................................................................................................................ 68
Figura 54: Quadra de futebol 2 ............................................................................................................. 69
Figura 55: Quadra de futsal da Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto ........................................ 69
Figura 56: Praça localizada na Z2 ......................................................................................................... 70
Figura 57: Praça localizada na Z1 ......................................................................................................... 70
Figura 58: Esgoto estourado em uma rua .............................................................................................. 77
Figura 59: Esgoto em via ...................................................................................................................... 77
Figura 60: Rua Parte Augusto Marinho não tem iluminação e nem energia......................................... 78
Figura 61: Rua que sofre com a falta de iluminação ............................................................................. 79
Figura 62: Bairro Olaria com o trajeto do riacho .................................................................................. 81
Figura 63: Bairro Olaria com o trajeto do riacho e seus dois córregos ................................................. 82
Figura 64: Avenida João Alves Filho.................................................................................................... 83
Figura 65: Rua E ................................................................................................................................... 83
Figura 66: Rua Augusto Marinho.......................................................................................................... 84
Figura 67: Foto de ficus nas calçadas.................................................................................................... 84
Figura 68: Lixo descartado por moradores em lote urbano................................................................... 85
Figura 69: Lixo sendo queimado por moradores em via pública .......................................................... 86
Figura 70: Lixo em terreno vazio próximo a uma quadra de futebol .................................................... 86
Figura 71: Lixo em terreno vazio próximo a um dos córregos do riacho ............................................. 87
SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ................................................................................................................... 13
2 BREVE HISTÓRIA DO PLANEJAMENTO URBANO ................................................ 15
2.1 BREVE HISTÓRIA ...................................................................................................... 15
2.2 BREVE HISTÓRICO DO PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL ................ 20
2.2.1 Período de 1875 até 1930 ....................................................................................... 22
2.2.2 Período de 1930 até 1992 ....................................................................................... 23
2.2.3 Período de 1992 até os dias atuais ......................................................................... 24
3 HISTÓRIA E LOCALIZAÇÃO DA CIDADE DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO
E DO BAIRRO OLARIA ...................................................................................................... 27
3.1 HISTÓRIA DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO .................................................. 27
3.2 HISTÓRICO E LOCALIZAÇÃO DO BAIRRO OLARIA ..................................... 32
4 DIAGNÓSTICO .................................................................................................................. 34
4.1 TITULAÇÃO ................................................................................................................ 34
4.2 POPULAÇÃO ............................................................................................................... 37
4.2.1 Identificação dos problemas referente a população ............................................ 41
4.2.2 Causa dos problemas referente a população ....................................................... 41
4.2.3 Impactos dos problemas referente a população .................................................. 41
4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO ................................................................................. 41
4.3.1 Identificação dos problemas referente ao uso e ocupação do solo ..................... 43
4.3.2 Causa dos problemas referente ao uso e ocupação do solo ................................ 43
4.3.3 Impactos dos problemas referente ao uso e ocupação do solo ........................... 44
4.4 SEGURANÇA E ÁREAS DE RISCO ......................................................................... 46
4.4.1 Identificação dos problemas referentes a segurança e áreas de risco ............... 47
4.4.2 Causa dos problemas referentes a segurança e áreas de risco ........................... 51
4.4.3 Impactos dos problemas referentes a segurança e áreas de risco ...................... 52
4.5 ACESSIBILIDADE ...................................................................................................... 53
4.5.1 Identificação dos problemas referentes a acessibilidade .................................... 55
4.5.2 Causa dos problemas referentes a acessibilidade ................................................ 60
4.5.3 Impactos dos problemas referentes a mobilidade ............................................... 60
4.6 MOBILIDADE DE TRÂNSITO ................................................................................. 61
4.6.1 Identificação dos problemas referentes a mobilidade......................................... 61
4.6.2 Causa dos problemas referentes a mobilidade .................................................... 65
4.6.3 Impactos dos problemas referentes a mobilidade ............................................... 66
4.7 LAZER ........................................................................................................................... 66
4.7.1 Identificação dos problemas referentes ao lazer ................................................. 67
4.7.2 Causa dos problemas referentes ao lazer ............................................................. 70
4.7.3 Impactos dos problemas referentes ao lazer ........................................................ 71
4.8 EDUCAÇÃO E CULTURA ......................................................................................... 72
4.8.1 Identificação dos problemas referentes a educação e cultura ............................ 72
4.8.2 Causa dos problemas referentes a educação e cultura.................................. 74
4.8.3 Impactos dos problemas referentes a educação e cultura .................................. 75
4.9 INFRAESTRUTURA ................................................................................................... 75
4.9.1 Identificação dos problemas referentes a infraestrutura ................................... 76
4.9.2 Causa dos problemas referentes a infraestrutura ............................................... 79
4.9.3 Impactos dos problemas referentes a infraestrutura .......................................... 79
4.10 MEIO AMBIENTE..................................................................................................... 80
4.10.1 Identificação dos problemas referentes ao meio ambiente ........................... 80
4.10.2 Causa dos problemas referentes ao meio ambiente .......................................... 87
4.10.3 Impactos causado pelos problemas ao meio ambiente...................................... 88
CONCLUSÃO......................................................................................................................... 90
REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 92
ANEXO A – Questionários aplicados ................................................................................... 96
ANEXO B – Quadras da cidade de Canindé de São Francisco registradas em cartório 98
13

1 INTRODUÇÃO

O presente trabalho apresenta uma análise do bairro, onde tal área foi escolhida por
conta de sua vasta utilização, sendo ela por moradores, visitantes, trabalhadores e estudantes,
assim, esse fluxo de pessoas produz vários problemas e consequências que necessitam de maior
atenção. Muitas das ruas sofrem com problemas como: pouco iluminação, vias não
pavimentadas, áreas de risco, então com o diagnóstico urbano do bairro desenvolvido, as
informações obtidas forneceram características do bairro e uma maior percepção do espaço que
viabiliza a criação de técnicas para podermos solucionar os problemas encontrados.
Para o desenvolvimento do mesmo, o estudo sobre a área foi dividido em nove temas,
sendo eles: uso e ocupação do solo, segurança e áreas de risco, acessibilidade, mobilidade de
trânsito, arborização, lazer, educação e cultura, meio ambiente e infraestrutura, onde cada um
desses foi dividido em subitens para facilitar a análise e orientar seu estudo. Nesse sentido, o
estudo da área foi desenvolvido com o objetivo de analisar as características urbanas do bairro
Olaria, que se faz necessário compreender a história do planejamento urbano, apresentar a
evolução urbana do bairro, identificar os principais problemas do bairro em relação aos temas
e apontar os principais impactos desses problemas, para que tais problemas sejam mitigados, e
a qualidade de vida da população juntamente com a qualidade ambiental da área possam ser
melhoradas.
Para que os objetivos fossem alcançados foram adotados procedimentos metodológicos,
sendo utilizado o uso de pesquisa bibliográfica que abordam os temas estudados, onde a partir
dela foi desenvolvido todo o fundamento teórico em que foi baseado todo trabalho. A mesma
consiste na seleção, levantamento, fichamento e arquivamento de elementos pertinentes ao
trabalho desenvolvido, também a mesma contribuiu para entender a causa dos problemas
encontrados no bairro. Foram realizadas 50 entrevistas semi-estruturadas para conhecer o perfil
da população frequentadora do bairro em questão e identificar problemas através do olhar e
vivência das pessoas que frequentam o local, também feito o uso de registros fotográficos para
se fazer um levantamento da atual condição do bairro, como também foram utilizados
documentos consultados em órgãos públicos (como na Secretaria de Obras) que ajudaram a
compreender melhor a situação do bairro, fazendo uso das informações contidas a respeito dos
temas que foram estudados e visitas ao local para identificar problemas.
Ao final do TFG são apresentadas três seções, onde na seção 2 foi discutido o conceito
com base em diversos pontos de vistas de autores diferentes que tratam sobre a história do
14

planejamento urbano, assim também como a importância do mesmo para cidades e bairros.
Onde tem o objetivo de minimizar problemas decorrentes de processos de urbanização.

Na seção 3 foi abordada a história da cidade de Canindé de São Francisco de forma


geral, desde sua formação até os dias atuais, assim também será discutido a formação do bairro
Olaria, pois é o local da cidade onde foi realizado o estudo adequado para poder apresentar o
diagnostico urbano local.

Na seção 4 foi descrito cada um temas estudados (população, uso e ocupação do solo,
segurança e áreas de risco, acessibilidade, mobilidade, lazer, educação e cultura, infraestrutura
e por fim meio ambiente), onde foi realizada a análise de cada um destes para assim descrever
cada um dos problemas encontrados em relação aos respectivos temas, assim como também foi
descrito o motivo das causas de cada um desses problemas encontrados e os impactos causados
por tais problemas.

E por fim a Conclusão, onde é abordado o assunto referente a todo o trabalho que fora
desenvolvido, onde é apresentado os resultados de acordo com a história do planejamento
urbano, também sobre o histórico e localização da cidade de Canindé de São Francisco e do
bairro Olaria, e por fim, o diagnóstico urbano. Assim, constará aqui de forma resumida os
problemas encontrados em relação aos temas estudados, as causas desses problemas bem como
os impactos causados.
15

2 BREVE HISTÓRIA DO PLANEJAMENTO URBANO

O planejamento urbano é algo que tem sido bastante discutido, enaltecido e também
criticado, uma vez que se faz necessário para o crescimento ordenado das cidades, pois o
crescimento desordenado gera muitos problemas tendo como exemplo a ocupação de locais
inadequados para moradia, que são áreas de elevada declividade, fundos de vale, praças,
viadutos, entre outras. Por muitos tem sido desacreditado “sobretudo nos últimos trinta anos. ”
(SOUZA, 2010, p.25).
Mesmo com tais críticas, continua com sua extrema importância para o
desenvolvimento adequado do espaço urbano. E para uma conceituação acerca do planejamento
devemos primeiramente saber que se refere a cidades e então “[...] começaria pela noção de
planejamento que creio ser a mais simples e comum: o contrário de improvisação. Uma ação
planejada é uma ação não improvisada. Uma ação improvisada é uma ação não planejada”.
(FERREIRA, 1992, p15).

2.1 BREVE HISTÓRIA

É no período neolítico que se iniciam os processos de plantios de sementes e a criação


de animais, então com o domínio de tais processos as pessoas iniciam as habitações fixas e
“assim surgem as primeiras aldeias e a ideia de família e vizinhança” (CASSILHA E
CASSILHA, 2009, pag. 19).
Figura 1:Povo Neolítico

Fonte: http://www.historiadetudo.com/neolitico
16

Segundo Aquino (2008, p.4) existem “pistas de que as civilizações humanas têm
trabalhado com planejamento urbano em escala limitada que remonta a 3500 a.C.”, mesmo que
se tenha dado em escala limitada. O grego Hippodamus recebeu o nome de pai do planejamento
urbano por historiadores, isso por conta de suas ideias e teorias acerca do melhor uso da terra e
das ruas e localização dos edifícios nas cidades de Mileto e Pireu na Grécia, com isso pode-se
notar a importância de Hippodamus ao que se refere ao planejamento urbano. Mas segundo
Guedes (2015) “A civilização do Vale do Indo é considerada por muitos como a primeira
civilização a desenvolver o senso de planejamento urbano, por volta de 2600 a.C.”.
Já na idade média as cidades eram protegidas por muros, pois seu planejamento era
voltado para a defesa militar e conveniência civil e ainda cercado por uma grade compacta de
ruas e uma praça no centro voltada para os serviços urbanos, “era uma fortaleza, o reduto e
abrigo em tempos de guerras e invasões” (CASSILHA E CASSILHA, 2009, pag. 17). Mas o
crescimento de sua população era um problema, pois, por conta de tal crescimento muitas
cidades tinham que derrubar seus muros para que a cidade pudesse crescer e posteriormente
algumas reconstruíam seus muros novamente, outra opção era que continuasse a construir a
cidade fora dos muros. Ainda sabemos que nessa época a religião (Catolicismo Romano) estava
ligada ao estado e era “parte integral da vida política, cultural e social da Europa da idade
média” (AQUINO, 2008. Pag. 06). Em sua maioria a igreja matriz, ou seja, a principal ficava
localizada no centro das cidades.
Na imagem a seguir vemos uma cidade da época, onde era cercada por uma muralha.

Figura 2:Cidade Medieval de Carcassone, França

Fonte: http://historiadomundo.uol.com.br/idade-media/cidade-medieval.htm
17

Foi no período do renascimento, onde os planejadores urbanos não atentavam mais ao


desenho em escala limitada, mas projetavam “grandes áreas para solucionar a lotação de tempos
antigos.” (AQUINO, 2008, p.6). Esse mesmo período é o de grandes cidades como Milão e
Florença, Veneza e Gênova na Itália, A seguir, uma foto que mostra uma das cidades que foram
planejadas:

Figura 3: Florença - Itália

Fonte: http://historiacomgosto.blogspot.com.br/2016/07/historia-resumida-de-florenca-da.html

Logo após o renascimento vem a revolução industrial quando “não havia preocupação
com as questões ambientais” (SOUZA E SILVA, 2009), muitas fábricas são construídas nas
cidades e com isso a população começa a aumentar drasticamente recebendo milhares de
pessoas das áreas rurais para trabalhar no setor fábril. Com isso muitos problemas como
superlotação, sujeira, barulho, bairros com péssimas condições sanitárias surgem nas cidades.
As pessoas começam a solicitar que o governo intervenha para que os problemas sejam
mitigados, mas as poucas medidas tomadas não foram suficientes para que tais fossem
suavizados, já que a população continuava a crescer rapidamente. Abaixo segue uma imagem
que ilustra uma rua que sofria com problemas causados na revolução industrial.
18

Figura 4: Uma rua de um bairro pobre de Londres (Dudley Street). Gravura de Gustave Doré de 1872.

Fonte: BENEVOLO, 1999.

Os arquitetos contratados por empresas privadas e as vezes pelo governo, eram os


responsáveis pelo planejamento urbano até o final do século XIX. Mas com todos problemas
surgindo, os governos foram forçados a participarem mais ativamente no planejamento urbano,
em especial o Estados Unidos.

No século XIX se inicia uma nova era no planejamento urbano, onde os planejadores
tinham que lidar com os problemas urbanísticos da revolução industrial e tinham que
reorganizar as configurações das cidades. Assim como disse Oliveira (2009):

As atuais configurações da arquitetura de grande parte das grandes cidades


modernas encontram seus referenciais em concepções urbanísticas que
tentaram lidar com “o problema” do “caos” que nela se encontram, tentando
(re)construir, por meio de uma reorganização dos espaços, um ambiente em
que tudo funcionaria em perfeita harmonia, trazendo a paz, segurança e
tranquilidade para seus moradores.

Nesse período as ideias do pré-urbanista Ebenezer Howard são algumas das influências
para os planejadores, que diante dos problemas existentes no período pós-industrial propõe as
cidades jardins. O mesmo argumentava que deveria acontecer uma “fusão” entre a cidade e o
campo e assim seria aproveitado o que há de melhor entre ambas, nascendo “uma nova
19

esperança, uma nova vida, uma nova civilização” (HOWARD, 1996, p. 110). Abaixo segue
uma imagem que ilustra uma Cidade Jardim proposta por Howard.

Figura 5: Cidade-Jardim

Fonte: HOWARD, 1996

Le Corbusier foi outro que influenciou os planejadores modernos, embora o mesmo


também fora bastante criticado a respeito de suas ideias. Ele apresentou uma cidade fictícia
chamada de Ville Radieuse (Cidade Radiante), onde juntou o pensamento de Howard com o seu
e afirmou que a solução seria a cidade-jardim vertical. A mesma teria arranha céus no centro
(dentro de um parque), “imagine que estamos entrando na cidade pelo Grande Parque”,
escreveu Le Corbusier. Ele também focava em planejar vias mais largas para automóveis, “e
isso era uma ideia nova e empolgante nos anos 20 e início dos anos 30” (JACOBS,2001, p.23.).
Essa foi uma época de grande importância ao planejamento urbano, pois “a explosão
populacional da década de 1950 e da década de 1960 criou problemas como congestionamentos,
poluição, aparecimento ou crescimento de favelas, e a falta de moradia. ” (AQUINO, 2008,
p.11)
20

Figura 6: Ville Radieuse/ Vila Radiante – Le Corbusier

Fonte: http://www.archdaily.com.br/br/787030/classicos-da-arquitetura-ville-radieuse-le-corbusier

Hoje, em países desenvolvidos, o planejamento é feito por empresas privadas


juntamente com o governo, diferente dos países subdesenvolvidos que enfrentam um momento
de mudanças. Como disse Guedes (2015):

Atualmente o planejamento urbano de uma cidade é geralmente feito por


acordos entre agências governamentais e empresas privadas, especialmente
nos países desenvolvidos. Nos países subdesenvolvidos, porém, o
planejamento urbano passa por um momento de redefinição.

Com toda a preocupação com o planejamento, surge o planejamento participativo, onde


o planejador não é mais o “dono do plano”. Pois esse novo modelo, é um processo democrático
onde as decisões são tomadas em conjunto com a população. E conta com diversos profissionais
de áreas diferentes e não apenas de arquitetos.
Com isso entendemos que sempre se buscou meios para solucionar os problemas que ao
decorrer do desenvolvimento das cidades aparecem, já que a mesma é um “organismo vivo”,
como disse Nicholas You, especialista em meio ambiente urbano. Sendo assim, está em
constante mudança.

2.2 BREVE HISTÓRICO DO PLANEJAMENTO URBANO NO BRASIL

Entendemos que o acelerado processo de urbanização no Brasil trazia avanço, mas junto
com ele vinham problemas urbanos menores e cotidianos, com isso, as cidades passaram a
21

exigir ações do governo buscando soluções técnicas, como políticas para a resolução dos
problemas que só cresciam continuamente (MONTE-MÓR, 2007).
O planejamento urbano no Brasil não tem início em 1960, muito se acredita que teve
início nesse período por ter sido aí que o país torna-se dominantemente urbano, ou seja, o
processo de urbanização intensificou-se durante essa década (Ministério das Cidades, 2013),
trazendo consigo grande população e a necessidade maior de planejamento, pois é um período
de desenvolvimento do capitalismo industrial do Brasil, como diz Monte-Mor (2007):

O desenvolvimento do capitalismo industrial brasileiro, iniciado no período


de substituição de importações é aguçado nas décadas de 1960 e 1970, criou
os chamados "problemas urbanos" e com eles, a necessidade de buscar
soluções nas propostas elaboradas nos países desenvolvidos.

Durante esses anos também surgem muitos problemas habitacionais, onde os


profissionais da área, os arquitetos, se reúnem para debaterem a respeito dessas questões e do
seu papel social diante dessas situações. Sabendo da própria importância de exercer a profissão,
passaram a apresentar propostas para uma reforma urbana. (RIBEIRO E PONTUAL, 2009). A
reforma urbana segundo Pena, são políticas públicas para reordenar a lógica das cidades e não
apenas a distribuição de moradia.

Ainda sobre o início do planejamento urbano, não dá para falar sobre ele delimitando
um tempo onde tudo começou, como diz Villaça (1999):

Como fazer a história do planejamento urbano (...) se o planejamento urbano


só existe no Brasil a partir de mais ou menos da década de 1950? Se for
mantido o conceito atual (partindo-se então da década de 1950), não
estaríamos fazendo história, pois a história consiste precisamente no estudo
das mudanças. Se delimitarmos um período com base em um critério de
imutabilidade, não estaremos fazendo história, pois impusemos a condição de
não haver mudanças.

Villaça (1999) diz que a história do planejamento urbano no Brasil foi dividida em três
momentos, sendo o primeiro de 1875 até 1930, o segundo 1930 até 1992 - com esse dividido
em três, onde o primeiro trata do Urbanismo e Plano Diretor (1930-1965), segundo do
22

Planejamento Integrado e os Superplanos (1965-1971), terceiro do Plano Sem Mapa (1971-


992) -, o terceiro de 1992 até os dias atuais.

2.2.1 Período de 1875 até 1930

Nesse período as grandes cidades vem passando por um processo de modernização e


com isso surgem problemas, a exemplo o Rio de Janeiro que sofria com a violência, esgoto a
céu aberto, epidemías de varíola, febre amarela e cólera. Era uma situação complicada para a
população e a cidade ficou com uma má fama, tanto que segundo Meirelles e Athayde(2016,
pag. 44), a cidade recebeu por conta disso, os apelidos de “Cidade da Morte e Porto sujo”.
Abaixo uma foto que mostra ambientes insalubres de ploriferação de doenças no Rio de
Janeiro:
Figura 7: Cortiços insalubres no Rio de Janeiro

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/passado-que-condena

Visto que as cidades passavam por um “caos” é aqui onde nasce o planejamento urbano
no Brasil, mas precisamente em 1875, quando é apresentado um relatório pelo Ministro do
Império João Alfredo Correa de Oliveira na Comissão de Melhoramentos da Cidade de Rio de
Janeiro que fora criada em 1874 pelo próprio Ministro.
Abaixo, foto da época no Rio de Janeiro:
23

Figura 8: Cortiços insalubres no Rio de Janeiro

Fonte: http://www.revistadehistoria.com.br/secao/reportagem/passado-que-condena

Este período ficou conhecido como o período de melhoramentos e embelezamentos,


onde a “expressão embelezamento urbano sintetizou, no Brasil, o planejamento de origem
renascentista que nos chegou através da França, enfatizando a beleza monumental e que teve
grande penetração em todo o mundo (Madri, Barcelona, Buenos Aires, São Petersburgo,
Budapeste), inclusive nos Estados Unidos. ” (VILLAÇA, 1999).

2.2.2 Período de 1930 até 1992

Este é o da Urbanização e Consciência Popular, nesse período podemos afirmar que


deixa-se de buscar a cidade bela, para buscar a cidade eficiente. Aqui começa a crescer a
consciência da população operária e causando o “enfraquecimento” das classes dominantes,
com isso não mais existe um único grupo predominante, então as consequências deste novo
momento refletem diretamente no planejamento brasileiro. Este período, foi o que Villaça
(1999) dividiu em três.
O primeiro foi de 1930 até 1965, conhecido como o do Urbanismo e do Plano Diretor.
Durante esse momento tem-se planos para as duas maiores cidades (Rio de Janeiro e São Paulo),
onde o destaque é para infraestrutura. Agache e Prestes Maia, esses foram os planos que
marcaram “uma nova etapa na história do planejamento urbano no Brasil”. (VILLAÇA, 1999).
Após esse período entramos nos Superplanos, onde segundo Villaça (1999):
24

O plano agache é o primeiro dos superplanos. Prestes Maia é o último dos


planos de melhoramentos e embelezamento. Ambos encerram o período dos
planos de melhoramentos e embelezamentos.

Como citado acima o plano Agache foi desenvolvido no ano 1930 para a cidade do Rio
de Janeiro, após esse primeiro plano, começa-se a ser elaborado outros para várias outras
cidades do Brasil. Após isso, por um longo período foi se buscando adequações para o seu
nome, alguns desses nomes foram: Plano das Avenidas, Plano Urbanístico Básico, Plano
Diretor de Desenvolvimento Integrado. (RAMOS, 2015).
O segundo foi de 1965 até 1971, conhecido como o Planejamento Integrado e
Superplanos. Onde foi o momento em que os problemas urbanos não estavam limitados a
arquitetura e engenharia, ou seja, não se deveria apenas lhe dar com as cidades em seus aspectos
físicos. (VILLAÇA, 1999).
O terceiro foi de 1971 até 1992, conhecido como Plano Sem Mapa. No ano de 1971 foi
aprovado o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do município de São Paulo (PDDI),
fato interessante que o mesmo fora desenvolvido por profissionais da própria prefeitura e não
por outros de fora. (VILLAÇA, 1999).
Como disse Villaça (1999): esse é um período onde se elabora planos e com isso:

Planejamento urbano no Brasil passa a ser identificado com a atividade


intelectual de elaborar planos. Uma atividade fechada dentro de si própria,
‘desvinculada das políticas públicas e da ação concreta do Estado’, mesmo
que, procure justificá-las. Na maioria dos casos, entretanto, na verdade,
ocultá-las.

2.2.3 Período de 1992 até os dias atuais

Por último, temos o terceiro período que tem seu início na década de 90 e ao que
entendemos prevalece até 2001, onde começa o estatuto da cidade, e põe um fim a esse período.
O mesmo nasceu da luta de movimentos pela reforma urbana, que teve seu início em 1963 no
Seminário de Habitação e Reforma Urbana, que aconteceu em Petrópolis, onde foi inserido por
meio de uma emenda popular na constituição federal de 1988, artigos 182 e 183 que definem
nova etapa para a questão urbana no Brasil. Cidades como Recife e Porto Alegre, dentre tantas
25

outras, esforçaram-se para pôr em prática os conceitos introduzidos através da nova resolução
urbanística determinadas pela constituição de 1988. (MINISTÉRIO DAS CIDADES, 2013)
Com a criação do Estatuto da cidade surge uma nova esperança, como diz Oliveira
(2001), onde:

Seus princípios fundamentais: a gestão democrática; a justa distribuição dos


ônus e benefícios decorrentes do processo de urbanização; a recuperação dos
investimentos do poder público que tenham resultado em valorização de
imóveis urbanos e o direito a cidades sustentáveis, à moradia, à infraestrutura
urbana e aos serviços públicos, conferem aos municípios novas possibilidades
e oportunidades de gestão e financiamento de seu desenvolvimento.

Tais princípios nos remetem a uma mudança positiva no meio urbano, já que a ação do
poder público local fora reforçado com instrumentos que contribuem para as soluções e/ou
minimizar o máximo possível os problemas encontrados em nossas cidades. Sabemos que a lei
por si só, não resolverá os problemas urbanos, para isso necessita que seus instrumentos sejam
utilizados de maneira responsável. (OLIVEIRA, 2001)
Apesar de concordar com os períodos traçados por Villaça a cerca do planejamento
urbano no Brasil, também podemos ver uma outra separação de tempos sobre sua história que
não contrapõe Villaça, mas complementa, o mesmo foi citado por Ramos (2015) em seu artigo:
O planejamento urbano e os planos diretores no Brasil, onde a mesma classifica por correntes,
sendo elas:
1. Urbanismo Sanitarista – presente no início do século XX, para higienização das cidades;
2. Planejamento de Novas Cidades – teve o seu desenvolvimento em projetos de novas
cidades;
3. Zoneamento – instrumento de planejamento mais antigo no país;
4. Planos de Infraestrutura Urbana – possuíam projetos de infraestrutura;
5. Planejamento Urbano Scrictu Sensu – atual corrente de planejamento urbano.
Vemos que as cidades brasileiras, assim como todas cidades do mundo, sempre vêm
sofrendo alterações, estão em constantes mudanças, crescendo, com isso, medidas devem ser
tomadas para que aconteça o crescimento ordenado e não o caos. Tais medidas devem ser
pensadas cuidadosamente a exemplo o Estatuto da Cidade, sendo mais preciso os estabelecidos
no Capítulo IV – Da Gestão Democrática da Cidade (art´s 43 a 45 – lei 10.257/2001), os
Conselhos de Política Urbana; os debates, audiências e consultas públicas; as conferências de
26

desenvolvimento urbano; e a iniciativa popular de projetos de lei e planos. Os quais produziram


efeitos positivos. Com isso é uma real necessidade o planejamento urbano das cidades, sabendo
que algumas vezes pode-se não ter um resultado esperado, assim como aconteceu durante os
primeiros períodos citados por Villaça, mas isso não quer dizer que não deva ser planejado, mas
pelo contrário. Um belo exemplo é o citado acima, o Estatuto da Cidade.
27

3 HISTÓRIA E LOCALIZAÇÃO DA CIDADE DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO


E DO BAIRRO OLARIA

Canindé de São Francisco está localizada a aproximadamente 213km de Aracaju –


Capital sergipana -, situada no sertão do estado de Sergipe e as margens do Rio São Francisco
também conhecido como Velho Chico. Possui clima semiárido e sua vegetação predominante
é a caatinga. O mesmo faz fronteira com os estados da Bahia e de Alagoas, sendo uma porta de entrada
e saída para estes. (LIMA E SANTANA, 2008)

Segundo o IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – a população estimada


do município é de 28.832 pessoas em 2016, o mesmo tem uma área territorial em 2015 de
902.247 km², a sua densidade demográfica em 2010 foi de 27.36 hab/km².

3.1 HISTÓRIA DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO

A origem do seu nome vem do tupi, onde sua palavra original é kano’ne. Este nome
refere ao um pássaro da família dos Psitacídeos, um tipo de arara de tom azul claro, com penas
amarelas em suas asas e barriga e algumas com um avermelhado em parte da cabeça, muitas
vezes era dessa maneira a forma de escolher o nome de uma localidade, sendo sempre ligado a
natureza. (SOUZA, 2001)

Ainda segundo Souza (2001), a história de Canindé de São Francisco se dá logo depois
que Cristóvão de Barros em 1590 conquistar Sergipe, que é onde se começa a cobiça pela
margem direita do rio São Francisco pelos criados baianos provenientes da Casa da Torre e de
Pernambuco. Após esse período, já no século XVIII se tem início do povoamento dos sertões
onde são distribuídas grandes sesmarias. Abaixo vemos um mapa onde está delimitado o
município de Canindé de São Francisco.
28

Figura 9: Marcação do Município de Canindé de São Francisco

Fonte: IBGE

A região que hoje se compreende Canindé de São Francisco era vinculada ao morgado
de Porto da Folha. E em seu início se chamava Canindé, então passou-se a ser chamado de
Curituba por conta da importância do rio que tinha o mesmo nome, mas através da Lei nº890
de 11 de janeiro de 1958 recebeu de maneira definitiva o nome de Canindé de São
Francisco.(IBGE).

No fim do século XIX foi vendido a Francisco Cardoso de Brito - conhecido por Coronel
Chico Porfírio - pelo Capitão Luiz da Silva Tavares que era herdeiro do Morgado, uma
propriedade que compreendia quatro grandes fazendas, sendo elas: Cuiabá, Brejo, Caiçara e
Oroco, onde a vegetação que predominava era a caatinga. Depois de exercer a compra, o
Coronel Chico Porfírio fez ali residência e juntamente com seu irmão fundou o Curtume de
Canindé e com isso levou novas pessoas ao lugar, assim o número de moradores do local
cresceu. (SOUZA, 2001). Abaixo veremos uma foto da caldeira da fábrica de curtume:
29

Figura 10: Caldeira da antiga fábrica de curtume

Fonte: http://g1.globo.com/se/sergipe/riquezas-do-sertao/fotos/2015/11/fotos-antigas-revelam-historia-
de-caninde-de-sao-francisco.html#F1852077

O local era conhecido como Canindé de Baixo que era formada por 120 casas e uma
capela, local que foi transformado em uma das mais importantes povoações da beira do Velho
Chico. Além da Canindé de Baixo existia também a Canindé de Cima com algumas casas de
pescadores, onde residia João e José Alves, Ota, José de Terto, Libório, Antônio de Fininho,
Neco de Carlota e mais outras famílias. Com tudo isso, no ano de 1936 Canindé foi elevado a
condição de 2º Distrito de Paz de Porto da Folha e após dois anos passava a condição de vila
através da lei nº 69, de 28 de março. (IBGE)

Abaixo uma imagem do interior da capela que existia em Canindé de Baixo:

Figura 11: Interior de Antiga Capela

Fonte: http://g1.globo.com/se/sergipe/riquezas-do-sertao/fotos/2015/11/fotos-antigas-revelam-historia-
de-caninde-de-sao-francisco.html#F1852077
30

Segundo Souza (2001), foi por volta de 1940 que o Curtume foi desativado gerando
prejuízo, mesmo assim por conta do desenvolvimento que foi registrado, a vila é desconexada
de Porto da Folha e em 1953 através da lei Estadual nº 525-A, de 25 de novembro foi
emancipada e elevada a Canindé de São Francisco, e no dia 06 de fevereiro de 1955 é instalado
o município. Abaixo segue uma imagem da antiga Canindé:

Figura 12: Antiga Canindé de baixo

Fonte: http://g1.globo.com/se/sergipe/riquezas-do-sertao/fotos/2015/11/fotos-antigas-revelam-historia-
de-caninde-de-sao-francisco.html#F1852077

Lima e Santana (2008) afirma que na década de 1980 se dá início a construção da Usina
Hidroelétrica de Xingó e tem seu término e funcionamento em 1994. A obra conhecida com
Projeto Xingó no final da década empregou milhares de pessoas de forma direto, além de outras
milhares de maneira indireta no comércio, na saúde, educação, segurança e outras mais.

A construção da UHX, levou a cidade que ficava as margens do rio para a parte mais
alta (Canindé de Cima). Segundo Souza (2001), a mudança se fazia necessária por dois motivos,
os quais são: 1º Falta de espaço para a expansão, pois com a construção viria o
desenvolvimento. 2º A antiga cidade ficava em área de risco.

A imagem abaixo vemos a Usina Hidroelétrica de Xingó:


31

Figura 13: Foto aérea da Usina Hidroelétrica de Xingó

Fonte:http://www.memoriadaeletricidade.com.br/file/imagens/Foto%20Mat%C3%A9ria%20Site%202.j
pg

Com o passar dos anos, a cidade de Canindé vem se desenvolvendo em parte, pois como
disse Souza(2001), “tudo gira em torno da administração municipal”. Mas mesmo com isso,
existe um grande potencial turístico na cidade por conta de suas belezas naturais, os cânions,
que “além de ser o quinto maior do mundo, é o maior navegável, formado por belas rochas
areníticas que parecem ter sido talhadas à mão” (NORONHA, 2011).

Figura 14: Foto de passeio no cânion

Fonte: http://quallyturismo.com.br/wp-content/gallery/canyon-xingo/canyon-xingo009-
20150312qually-tur.jpg

Atualmente, Canindé de São Francisco é conhecida em rede nacional, pois tem sido
veiculado nos meios de comunicações o turismo. E como diz Costa(2006): “A Nova Canindé é
notícia, é manchete, é noticiário de televisão, é uma jovem mocinha que precisa ser exemplada
para perder sua vaidade, seu orgulho e sua insensibilidade”.
Mas como história já nos mostrou, juntamente com o desenvolvimento que vem
acontecendo na cidade, também com ele vem surgindo problemas urbanísticos que não foram
32

previstos durante o seu planejamento. A seguir, veremos o bairro Olaria, que é objeto de estudo
desse trabalho, onde conheceremos o mesmo e logo após será desenvolvido o diagnóstico
urbano do mesmo.

3.2 HISTÓRICO E LOCALIZAÇÃO DO BAIRRO OLARIA

O objeto de estudo - o bairro Olaria - tem a sua localização ao norte do centro da cidade
de Canindé de São Francisco e tem seus limites no sentido sul Rua José Aurino Rocha, ao
sentido norte Rua I, ao sentido leste Rua 1G e ao sentido oeste a Av. Ananias Fernandes dos
Santos.
Segundo o Marques(2016), o bairro tem seu início em 1987 juntamente com a mudança
para a Canindé de Cima, onde foi dado primeiramente importância para a construção das casas
dos antigos moradores de Canindé de Baixo. No ínico toda a área era tomada pela caatinga, mas
no local começou a ser alvo de invasões e fora construída uma olaria de tijolos artesanais, com
isso aos poucos o local foi habitado por várias pessoas, sendo muitas delas alagoanas. Aí então
começa a surgir barracos, casas de taipa e depois alvenaria, as primeira ruas e quadras são
formadas.
Segundo o site Rota do Sertão, é a partir do ano 2000 que se começa uma grande invasão
na área. As terras invadidas eram de propriedades privadas, eram áreas de preservação
permanente e algumas dessas eram de alto risco para que fossem ocupadas, muitas pessoas após
invadirem simplesmente vendiam o terreno passando para o comprador apenas um recibo de
compra e venda, assim entendemos que os moradores não possuem escritura de suas residências
e a área não é tida como legal, o que com isso fica quase impossível existir investimento para a
infraestrutura do bairro, o que por sua vez nos leva a encontrar o bairro nas péssimas condições
que encontramos hoje.
O problema com a escrituração permanece até os dias atuais, mas ainda diante desse
fato, medidas vem sendo tomadas desde o ano de 2009 pela administração pública para que as
quadras do bairro sejam escrituradas e com isso possam movimentar a economia local e atrair
investimentos e receitas federais para estruturação do bairro. Para que a escrituração ocorra é
necessário que a prefeitura e a CHESF - Companhia Hidroelétrica do São Francisco – entrem
em comum acordo para que a CHESF possa liberar as terras, o que segundo Rodeval Lima1 já
aconteceu.

1
Rodeval Lima é editor do site www.portalalarde.com e do blog Revista Canindé onde publicou uma reportagem com o seguinte título:
Prefeito Heleno Silva concederá escrituras das quadras no bairro Olaria e em outros locais: Indicação de projeto do vereador Ronildo Beserra
33

O ex-secretário de planejamento Breno George disse que toda a documentação


necessária para o processo de escrituração encontra-se pronto e apenas aguardava o prefeito
daquela época – Heleno Silva - de manisfetar para a realização. Breno George disse: “Na
Secretaria de Obras comprovamos que toda parte burocrática se encontra pronta e também
aguardando o Prefeito Heleno Silva”.
Uma tabela da secretaria de obras da cidade de Canindé de São Francisco lista todas as
quadras da cidade que estão registradas em cartório, mas olhando apenas para as quadras do
bairro olaria, existem hoje 17 quadras que não tem registro no cartório. A maioria dos locais
que já foram registrados em cartório receberam algum tipo de investimento em sua
infraestrutura e os locais ainda não registrados não receberam investimento em sua
infraestrutura.
Ainda segundo Marques(2016), os primeiros gestores do município não deram a devida
atenção a Olaria que até o momento não era considerado bairro. Com isso o local crescia sem
planejamento e juntamente com isso vinheram os problemas como áreas de risco, falta de
saneamento básico e era tido como local de marginais, iletrados. A Olaria passou a ser vista de
maneira diferente na gestão de Orlando Porto Andrade – 2005 até 2012 -, quando se inicia boa
parte do saneamento básico, construção de uma escola, uma unidade do CRAS - Centro de
Referência da Assistência Social. Após esse período vem uma nova gestão que também olhou
para o bairro, Heleno Silva leva ao bairro o asfalto, deu continuidade a alguns projetos em
andamento e ainda durante sua gestão a faculdade Pio Décimo se instalou no local.
É um novo momento para o bairro. Hoje ele continua crescer e junto com esse
crescimento é necessário o planejamento para que ocorra um crescimento ordenado. Para que
os problemas existentes sejam mitigados e a qualidade de vida dos moradores possa melhorar
cada vez mais. A muito o que se fazer no bairro, e na próxima seção deste trabalho, será
desenvolvido o diagnóstico urbano do bairro onde será identificado os principais problemas,
qual a causa desses problemas e o impacto que tais geram ao bairro.
34

4 DIAGNÓSTICO

O diagnóstico urbano do bairro referente ao temas: população, uso e ocupação do solo,


segurança e áreas de risco, acessibilidade, arborização, lazer, educação e cultura, e por fim
infraestrutura nos mostrará a realizadade atual do bairro, sendo possível a partir do mesmo
desenvolver um prognóstico para acabar com os problemas existentes ou ao menos ameniza-
los.
Em primeira análise do bairro, é percebido que o mesmo vive duas situações bem
diferentes, onde um lado do bairro tem uma boa infraestrutura e o outro não conta com uma tão
boa como o primeiro. Para melhor tratar as respeito desses dois lados do bairro, ambos ficarão
conhecidos como Z1 – Zona 1 – e Z2 – Zona 2, onde a linha vermelha divide os dois em Z1
que está localizado no lado sul e o Z2 que está no lado norte. Abaixo segue uma imagem que
ilustra essa divisão.

Figura 15: Divisão de Zonas do bairro Olaria

Fonte: Arquivo próprio

4.1 TITULAÇÃO

Sabemos através da história do bairro que o mesmo é fruto de invasões e que grande
parte das residências construídas não possuem escrituras, não são legais, pois estão em área
particular, além da divisão em Z1 e Z2 da Olaria foi necessário delimitar a área do bairro, tal
35

delimitação se da por conta de inúmeras residências terem sido construídas em lugares de risco
e estarem muito próximas do Riacho das Onças, ou seja, em Áreas de Preservação Permanente.
O Código Florestal (art. 2º) estabelece Áreas de Preservação Permanente para as margens de
cursos d’água, bordas de tabuleiros ou chapadas, os topos de morro, montes, montanhas e serras
e para as encostas com alta declividade, entre outras áreas de grande relevância ambiental.

Art. 2° Consideram-se de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as


florestas e demais formas de vegetação natural situadas:
a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d’água desde o seu nível mais alto
em faixa marginal cuja largura mínima será: (Redação dada pela Lei nº 7.803
de 18.7.1989)
1 - de 30 (trinta) metros para os cursos d’água de menos de 10 (dez) metros
de largura; (Reda- ção dada pela Lei nº 7.803 de 18.7.1989)
e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente
a 100% na linha de maior declive;

Muitas edificações estão localizadas em áreas citadas acima, com isso, feita a
delimitação do bairro será necessária uma realocação das pessoas que moram nesses locais que
não deveriam ser ocupados. Abaixo segue imagens delimitando as ruas onde as pessoas ali
residentes devem ser realocadas.
Figura 16: Marcação de ruas a serem removidas e pessoas realocadas

Fonte: Arquivo Próprio


36

A seguir temos fotos que mostram ruas onde há edificações ocupando o espaço que
deve ser preservadas, pois como sabemos são Áreas de Preservação Ambiental.

Figura 17: Edificação com o riacho no seu fundo

Fonte: Arquivo Próprio

Figura 18: Edificações em encostas

Fonte: Arquivo Próprio


37

Figura 19: Residência e construção em enconsta

Fonte: Arquivo Próprio

4.2 POPULAÇÃO

Para se dar o diagnóstico desse tema é necessário conhecer o pefil da população


frequentadora do bairro, sendo assim, após tal conhecimento e realizado o diagnóstico, será
possível apontar diretrizes para bairro que levará melhorias para a população que frequenta o
local.

Foi realizada uma pesquisa com parte da população do bairro, onde foram realizadas 50
entrevistas semi-estruturadas que mostraram o perfil da população do bairro, assim como as
necessidades e problemas na visão deles. A baixo vemos os dados básicos das pessoas
entrevistadas.

A respeito do sexo das pessoas que moram ou frequentam:


38

Sexo

42%
58%

Masculino Feminino

A respeito da origem das pessoas que moram ou frequentam:

Origem

6%

94%

Morador Trabalhador
39

A respeito das profissões das pessoas que moram ou frequentam:

Profissão

2% 9%
2% 2%
2%
8% 6% 52%
2%
9%
6%

Agricultor Pedreiro Estudante


Dona de casa Aposentado Mecânico
Vendedor Professora Servente de pedreiro
Manicure Sem Profissão

A respeito da faixa etária das pessoas que moram ou frequentam:

Faixa Etária

8% 10%
18%
4% 32%

28%

15-18 19-25 26-35 36-45 46-60 Acima de 60


40

A respeito da renda das pessoas que moram ou frequentam:

Renda

10%
6%

84%

Até 1 Salário Entre 1 e 3 Sem renda

Algo que nos chama atenção é que através da pesquisa realizada com a população, foi
identificado que a maioria das pessoas não tem casa própria. Assim entendemos que existe esse
problema habitacional onde a maioria tem que viver de aluguel, sendo que as mesmas em sua
maioria não recebem mais que um salário mínino. A baixo segue o gráfico que ilustra tal
problema.

Gráfico que ilustra o que as pessoas fariam se recebecem uma propriedade no bairro
Olaria:

O que o sr.(a) faria caso recebesse uma


propriedade no bairro?

8%
14%
57%
21%

Moraria Montaria um comércio Alugaria Não Sabe


41

4.2.1 Identificação dos problemas referente a população

a) Falta de habitação própria.

4.2.2 Causa dos problemas referente a população

a) Falta de políticas públicas.

4.2.3 Impactos dos problemas referente a população

a) Por conta desse déficit, as pessoas muitas vezes acabam ocupando espaço inapropriado
e/ou de maneira desordenada.

4.3 USO E OCUPAÇÃO DO SOLO

O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Ambiental – PDDUA (RS) define Uso e


Ocupação do Solo como: “função das normas relativas a densificação, regime de atividade,
dispositivos de controle das edificações e parcelamento do solo, que configuram o regime
urbanístico.”. Ou seja, é definido por ele o que pode e o que não ser construído, também as
dimensões das construções nos lotes da cidade. Sendo assim, todo o tipo de construção deve
obdecer a lei municipal de sua cidade. Caso as construções não obdeçam essas leis, acontecerá
uma ocupação desordenada que levará consigo problemas urbanísticos.
Foi desenvolvido um mapa de Uso e Ocupação do solo do bairro Olaria, onde foram
identificados diversos tipos de tipologias diferentes. Sendo elas: Residênciais de 1 e 2
pavimentos, comerciais de 1, 2 e 3 pavimentos, uso misto de 1 e 2 pavimentos, institucionais
de 1 e 2 pavimentos e ainda muitos lotes vazios e construções de 1 e 2 pavimentos sem uso
identificado.
Através do mapa de uso e ocupação do solo fica claro que a maioria das edificações são
redidênciais, estando bem distribuídas por todo o bairro, os maiores comércios estão
concentrados na Avenida João Alves Filho, além dos grandes comércios, foram identificados
pequenos comércios distribuídos por toda Z1, onde esses são de uso misto, normalmente é
construído um pequeno salão em parte da residência para ser destinado ao comércio. Já na Z2,
foi notado que pouco existe uso do solo destinado ao comércio. Outro lugar do bairro que tem
42

grandes comércios é na avenida Ananias Fernandes do Santos. Abaixo segue o mapa de uso e
ocupação do solo do bairro Olaria.

Figura 20: Mapa de Uso e Ocupação do Solo do bairro Olaria

Fonte: Arquivo Próprio

Além da construção do mapa de uso e ocupação solo, também fora desenvolvido um


mapa de gabarito do bairro Olaria, onde fica visível que o bairro pouco tende para a
verticalização. As edificações verticais em sua maioria estão concentradas nas ruas principais
e ainda no lado sul do bairro. A seguir, vemos o mapa de de gabarito.
43

Figura 21: Mapa de gabarito do bairro Olaria

Fonte: Arquivo próprio

4.3.1 Identificação dos problemas referente ao uso e ocupação do solo

a) Ocupação desordenada do solo.

Um problema bem comum no bairro está ligado a uso e ocupação do solo, sabemos que
existe o código de obras da cidade de Canindé de São Francisco que define como se deve
construir dentro dos lotes. Com base nele vemos que a taxa de permeabilidade, taxa de ocupação
e coeficiente de aproveitamento não são respeitados. Além desses, também vemos que existe
uma ocupação em áreas de preservação permanete.

4.3.2 Causa dos problemas referente ao uso e ocupação do solo

a) Ocupação desordenada do solo.


44

A causa dos problemas referentes aos problemas acima citados partem em sua maioria
da ignorância das pessoas acerca das leis que dizem como se deve construir e outras mesmo
conhecendo as leis, as descumprem. Além disso, existe também a falta de fiscalização por
parte do órgão público responsável por planejamento e obras da cidade, assim as pessoas
em sua maioria irão continuar a construir de maneira irregular, sempre agravando a situação
do bairro. A causa também pode ser por conta do planejamento inadequado ou até mesmo
a inexistência de planejamento.

4.3.3 Impactos dos problemas referente ao uso e ocupação do solo

a) Ocupação desordenada do solo.

Com as taxas não respeitadas o maior impacto causado é o aumento de calor e a falta de
permeabilidade, com isso, essas áreas correm o risco de sofrer com enchentes. Também, a
ocupação de áreas de preservação permanete levará a redução e degradação ambiental da
área e com isso, o meio urbano perde a valorização da paisagem e do patrimônio natural. E
por fim, a ocupação desordenada acaba gerando poucas áreas de convívio social e isso é
notório no lado norte da olaria onde existe apenas uma área e a mesma fica entre a Escola
Municipal Estudante Edna Apolônio e a Faculdade Pio Décimo.

Figura 22: Fachada de edificação que não deixa área permeável

Fonte: Arquivo próprio


45

Figura 23: Quintal de edificação que não deixa área permeável

Fonte: Arquivo próprio

Figura 24: Corredor da edificação que não deixa área permeável

Fonte: Arquivo próprio


46

Figura 25: Área da edificação que não deixa área permeável

Fonte: Arquivo próprio

4.4 SEGURANÇA E ÁREAS DE RISCO

Primeiramente deve-se expor a diferença entre perigo e risco, palavras que são
comumente mal interpretadas, sendo assim, é necessária uma correta interpretação a respeito
dos dois termos, para muitos eles são o mesmo, tem o mesmo significado. Mas na verdade
possuem significados distintos.

Definição de Perigo:
Segundo o dicionário online Michaelis, perigo é uma “situação em que está ameaçada a
existência ou integridade de pessoa, animal ou coisa”. Sendo assim, pode-se entender perigo,
como a real possibilidade de algo causar danos como: lesão, doença, dano à propriedade, meio
ambiente, local de trabalho ou a combinação destes. Perigo é a fonte geradora.

Definição de Risco:
Segundo o dicionário online Michaelis: “Possibilidade de perigo, incerto mas previsível,
que ameaça de dano a pessoa ou a coisa.” Apesar de Jonh Adams (2009) afirmar que “a exata
definição do que seja risco ainda é motivo de diversas controvérsias acadêmicas”. Podemos
entender risco, como a probabilidade de algo acontecer, com isso, é algo que pode ser evitado
ou reduzir seus possíveis danos.
Então, podemos entender a diferença de forma clara e objetiva entre ambas como: O
perigo é a fonte geradora, e risco é a exposição a essa fonte.
47

4.4.1 Identificação dos problemas referentes a segurança e áreas de risco

a) Áreas de insegurança;

Vemos a análise realizada do bairro, onde uma parcela da população aponta a parte do
bairro conhecido como Cidade de Deus como um local perigoso por conta de drogas, roubos e
furtos. Mas mesmo apesar disso, muitas pessoas descrevem o bairro como tranquilo. Outros
locais de insegurança, são próximos a edificações abandonadas e a uma quadra de futebol, pois
em tais, pessoas em grupos ou sozinhas fazem uso desses lugares para fazer uso de
entorpecentes.

Figura 26: Área da edificação que não deixa área permeável

Fonte: Arquivo próprio


48

Figura 27: Edificação Abandonada

Fonte: Arquivo próprio

Figura 28: Quadra de fubebol que é frequentada por pessoas para uso de entorpecentes

Fonte: Arquivo próprio

Figura 29: Edificação abandonada

Fonte: Arquivo próprio


49

b) Linha de transmissão de alta tensão;

Ficou claro através da pesquisa realizada que a maioria das pessoas que moram ou
frequentam o bairro não conhecem nenhuma área de risco no bairro, sendo que existe uma área
enorme de risco, onde é proibido não só permanecer na área, mas também construir ou transitar
na área onde passa uma rede elétrica de alta tensão, onde existe o limite mínimo de 35 metros
para permanência do local. Abaixo vemos fotos dessa área de risco.

Figura 30: Área de risco de alta tensão - Crianças jogando futebol na área

Fonte: Arquivo próprio

c) Risco a saúde dos moradores;

Existe uma fossa a céu aberto onde existem edificações próximas a ela, a mesma pode
causar danos a saúde das pessoas que moram ali perto. A situação ainda é pior em épocas de
chuvas, pois com ela a fossa transborda levando ainda mais riscos para apessoas pessoas que
residem próxima a ela.
50

Figura 31: Fossa a céu aberto próxima de residências

Fonte: Arquivo próprio

Além desses riscos, também foram identificadas áreas onde normalmente é jogado lixo,
áreas como lotes vazio e edificações abandonadas. Aqui o risco é por conta do foco de dengue,
já que o lixo contém recipientes que armazenam águas das chuvas, e consequentemente terão
águas paradas.

Figura 32: Área onde é jogado lixo

Fonte: Arquivo próprio

d) Pavimentação e esgoto nas ruas.

No lado norte do bairro onde não existe pavimentação na maioria das ruas. Também
podemos ver que o esgoto está nas ruas, pois não existe saneamento básico nesse lado do bairro,
o que acaba levando riscos para os moradores e pessoas que frequentam o bairro, pois não se
51

tem higiene e ainda traz o risco de doenças para a população.A seguir, uma foto que mostra
uma das vias não pavimentadas juntamente com o esgoto pela rua.

Figura 33: Esgoto nas ruas

Fonte: Arquivo próprio

4.4.2 Causa dos problemas referentes a segurança e áreas de risco

a) Áreas de insegurança;

Falta de iniciativa do poder público para o combate as situações nessas áreas.

b) Linha de transmissão de alta voltagem;

Parte da população não sabe que a área é de risco e que é proibido estar lá. Outros
conhecem, mas mesmo assim frequentam como local de lazer.

c) Risco a saúde dos moradores;

Falta de conciêntização dos moradores e falta de lixeiras nas proximidades das


residências da população.
52

d) Pavimentação e esgoto nas ruas;

O grande problema aqui é a própria falta de pavimentação e saneamento básico.

4.4.3 Impactos dos problemas referentes a segurança e áreas de risco

a) Áreas de insegurança;

Apesar do policiamento no bairro, uma parcela da população vive insegura, levando as


pessoas não saírem de suas residências e não ocupando os espaços urbanos;

b) Linha de transmissão de alta voltagem;

Pessoas transitando ou permanecendo no local, levam risco a vida a própria.

c) Risco a saúde dos moradores;

Após chuvas essas áreas onde são jogados lixos se tornam focos de dengue, pois serão
acumuladas águas das chuvas, assim como o risco de doenças por conta da fosse existente.

d) Pavimentação e esgoto nas ruas;

Dificuldade de mobilidade por conta da inexistência de pavimentação e ainda em épocas


de chuva essa dificuldade se torna maior, tornando inviável o meio de transporte mais utilizado
pelos moradores, as motos. A baixo segue um gráfico da pesquisa que ilustra o meio de
transporte mais utilizado pela população.
53

Qual o principal meio de transporte que você


utiliza para se deslocar para outros bairros?

14%
29%

57%

Carro Moto A pé

4.5 ACESSIBILIDADE

Podemos definir acessibilidade como “Acessibilidade são as condições e possibilidades


de alcance para utilização, com segurança e autonomia, de edificações públicas, privadas e
particulares, seus espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, proporcionando a maior
independência possível e dando ao cidadão deficiente ou àqueles com dificuldade de
locomoção, o direito de ir e vir a todos os lugares que necessitar, seja no trabalho, estudo ou
lazer, o que ajudará e levará à reinserção na sociedade”(Gonzalez e Mattos). Assim, entedemos
que acessibilidade é a facilidade que a pessoa tem para chegar a um lugar tendo partido de outro
( ex.: a facilidade de uma pessoa sair de uma calçada e chegar a outra no outro lado da rua).
Aqui foi feita a análise das calçadas em geral, sabendo que a mesma é “ destinada à
circulação de pedestres, instalação de mobiliários ou equipamentos urbanos, áreas de estar,
vegetação, entre outros”(Projeto Calçada Acessível, 2012). Com isso, a mesma tem a obrigação
de ser acessível e segura para os que nela transitam. Para isso acontecer, deve ser observado
nas calçadas alguns condições, sendo elas: Pisos; Rampas para cadeirantes; Faixa de serviço;
Faixa livre; Faixa de acesso, essa última por ser dispensável em calçadas com menos de 2m não
foi analizada.

 Pisos – Pisos de calçadas por obrigação tem que ser firmes e antiderrapantes em toda e
qualquer situação;
54

Figura 34: Piso intertravado

Fonte: http://www.vaicomtudo.com/pisos-para-garagem.html

 Faixa de serviço: Esse espaço, que precisa ter, no mínimo, 0,75 m, é onde deverão ser
colocados os mobiliários urbanos - como árvores, rampas de acesso para pessoas com
deficiência, poste de iluminação, sinalização de trânsito, bancos, floreiras, telefones,
caixa de correio e lixeiras;
 Faixa livre: Essa é a faixa mais importante, pois é aqui que garantiremos a circulação
de todos os pedestres. Ela deve ter, no mínimo 1,20 m de largura, não apresentar nenhum
desnível, obstáculo de qualquer natureza ou vegetação. Essa faixa tem de ter superfície
regular, firme, contínua e antiderrapante sob qualquer condição, ou seja, não pode ter
qualquer emenda, reparo ou fissura. As intervenções feitas precisam ser reparadas em
toda a largura, sempre seguindo o modelo original;
 Faixa de acesso: Essa terceira faixa é dispensável em calçadas com menos de 2 m. Essa
área é aquela em frente ao seu imóvel ou terreno e pode receber vegetação, rampas,
toldos, propaganda e mobiliário móvel como mesas de bar e floreiras, desde que não
impeçam o acesso aos imóveis, ela não possui largura mínima.
55

Figura 35: Dimensões de uma calçada acessível

Fonte: Projeto Calçada Acessível[Guia para projetos de espaços públicos]

 Rampas para cadeirantes: Uso destinado para facilitar de forma segura o acesso as vias
para o cadeirante. A mesma deve ter uma inclinação máxima de 8,33% que é uma
inclinação suave de acordo com a norma NBR 9050.

Figura 36: Perspectiva de rampa de acesso

Fonte: Manual de Acessibilidade

4.5.1 Identificação dos problemas referentes a acessibilidade

a) Faixa livre
56

É claramente perceptível que as calçadas do bairro Olaria são um enorme problema que
necessita de urgente atenção, pois na maioria das calçadas não são acessíveis e até impossíveis
circular por elas, muitas vezes na faixa livre existem mobiliário alocados, além disso as faixas
livres não obedecem as dimensões mínimas de 1,20 m. As imagens a seguir, mostram essa
realidade onde existe postes e vegetação na mesma.

Figura 37: Mobiliário em faixa livre

Fonte: Arquivo Próprio

Figura 38: Mobiliário em faixa livre 2

Fonte: Arquivo Próprio


57

b) Faixa de Serviço

Na maioria dos casos não existe a faixa de serviço, os equipamentos que deveriam estar
alocadas na mesma acabam sendo colocados na faixa livre. É algo bastante comum no bairro,
onde o mobiliário fica muito próximo das fachadas das casas e a faixa que deveria ser de serviço
fica livre. Imagens a seguir tratam mostram isso.

Figura 39: Mobiliário fora da faixa de serviço

Fonte: Arquivo Próprio

Figura 40: Poste em faixa livre

Fonte: Arquivo Próprio


58

c) Pisos

Foi identificado nas calçadas do bairro Olaria que em muitos casos não existe piso ou
continuidade deles, esse é um grave problema para locomoção para as pessoas com algum tipo
de deficiência, pois dificulta e até mesmo inviabiliza a locomoção dos mesmos pelas calçadas
que devem ser acessíveis e seguras. Com a falta de piso, consequentemente as mesmas não
existem piso tátil. E mesmo nas calçadas que possuem pisos não existem o piso tátil. Imagens
a seguir mostram isso.

Figura 41: Calçadas de chão batido

Fonte: Arquivo Próprio


59

Figura 42: Calçadas sem continuidade de piso

Fonte: Arquivo Próprio

Figura 43: Calçadas sem piso tátil

Fonte: Arquivo Próprio

d) Rampas para cadeirantes

Existe uma enorme carência de rampas nas calçadas e em locais onde elas existem não
estão de acordo com a norma, a exemplo a rampa localizada em frente a Escola Municipal
Estudante Edna Maria Apolônio Neta que não existe faixa de pedestre em frente a rampa até o
outro lado da rua onde deveria existir outra rampa de acesso para cadeirantes. Além da quase
inexistência de rampas, as existentes não seguem a norma.
60

4.5.2 Causa dos problemas referentes a acessibilidade

a) Faixa livre e faixa de serviço

A causa desses problemas é que a população não obdece as leis por conta da ignorância
a respeito da mesma, como também por conta da pouca e até mesmo inexistente fiscalização da
parte do órgão público responsável. Assim, muitas pessoas acabam construindo nos locais que
deveriam ser destinados a faixa livre e com isso acaba que sobrando apenas a faixa de serviço
que é ocupada por mobiliário e então quase não existe acessibilidade em muitas calçadas.

b) Piso e rampas para cadeirantes

A construção e manutenção deve ser realizada pelos proprietários, mas acontece que as
calçadas encontram-se sem nas condições citadas por conta da negligência de parte de
moradores, mas também por conta do crescimento desordenado do bairro, onde não existe
planejamento e a falta de recurso dos moradores para a construção e manutenção por parte dos
moradores. Também existe da falta de conhecimento dos moradores a respeito de normas
técnicas e a negligência do poder público municipal.

4.5.3 Impactos dos problemas referentes a mobilidade

a) Faixa livre, faixa de serviço, piso e rampas de acesso

A respeito de todos o itens citados, o impacto que levado a população moradora e


frequentadora é que são levadas a transitarem nas vias, que são locais própria para locomoção
de veículos, assim os mesmos correm risco de acidentes, de serem atropeladas por esses
veículos. Mas os que mais sofrem com isso são as pessoas que possuem algum tipo de
deficiência que são obrigadas a saírem das calçadas, que deveriam ser o lugar seguro para
transitarem
61

4.6 MOBILIDADE DE TRÂNSITO

A definição de mobilidade segundo Vasconcelos(1996) é “habilidade de movimentar-


se, em decorrência de condições físicas e econômicas.”. Esses deslocamentos podem ser através
de veículos, vias, e toda infraestrutura de vias (ruas, calçadas, etc.) que possibilitem o ir e vir
cotidiano, e muito disso está ligado ao trânsito, o uso de veículos automotivos para esses
deslocamentos. O Código de Trânsito Brasileiro (CTB), no Art. 1º, § 1º nos diz que: “Considera
trânsito a utilização das vias por pessoas, veículos e animais, isolados ou em grupos, conduzidos
ou não, para fins de circulação, parada, estacionamento e operação de carga ou descarga”.

Com a necessidade de locomoção das pessoas, seja dentro do mesmo bairro ou para
outro bairro da cidade, surge a necessidade de meios de transportes para os mesmos. Segundo
o Plano diretor de desenvolvimento urbano de Aracaju, entendemos que o uso massificado de
automóveis próprios tem levado muitos problemas para a mobilidade no trânsitos, o que acaba
provocando congestionamentos e aumentando o tempo de viagem para todos. Mas ante essa
realidade, podemos ver que o transporte público coletivo não é priorizado ou simplesmente não
existe, o que acaba causando mais problemas ainda. Na cidade Canindé de São Francisco não
exite transporte público.

4.6.1 Identificação dos problemas referentes a mobilidade

a) Vias danificadas e vias não pavimentadas;

Foram dentificados alguns problemas no bairro Olaria referente à mobilidade, um deles


é referente as condições do atual sistema viário - as vias - onde o mesmo sendo pavimentado
em muitos lugares se encontram em péssimas condições em certos trechos. Além de problemas
com a pavimentação existem muitas vias que não são pavimentadas, a maioria dessas ruas estão
localizadas na Z2, enquanto a Z1 possui a maioria de sua vias pavimentadas. A baixo segue um
mapa que nos mostra as vias pavimentadas e as não pavimentadas, além de algumas fotos
mostrando como estão algumas ruas.
62

Figura 44: Mapa de pavimentação das vias do bairro Olaria

Fonte: Arquivo próprio

Figura 45: Via com pavimentação danificada

Fonte: Arquivo próprio


63

Figura 46: Via com pavimentação danificada 2

Fonte: Arquivo próprio

Figura 47: Via não pavimentada

Fonte: Arquivo próprio


64

Figura 48: Via sem pavimentação

Fonte: Arquivo próprio

b) Sem sinalização de lombadas;

Um problema bem comum no bairro Olaria é a falta de sinalização das lombadas nas
vias, as fotos a baixo ilustram isso.

Figura 49: Lombada sem sinalização na avenida João Alves

Fonte: Arquivo próprio


65

Figura 50: Lombada sem sinalização em frente da Escola Municipal Estudante Edna Maria Apolônio Neta

Fonte: Arquivo próprio

c) Inexistência de ciclovia.

As ciclovias também têm um papel importante para o bom funcionamento do tráfego,


mas ela não existe no bairro, o que em parte desestimula a sua utilização ou a mudança para
essa modalidade, já que não existe um transporte público e a classe econômica da população é
baixa para utilização de outro meio de transporte, além de que a bicicleta é uma excelente
alternativa para a cidade.

4.6.2 Causa dos problemas referentes a mobilidade

a) Vias danificadas e vias não pavimentadas;

A negligência do órgão público responsável é a maior causo dos problemas, mas as


ações bioclimáticas contribuem para uma maior dificuldade de locomoção;

b) Sem sinalização de lombadas;

Em alguns casos as ações de chuvas e circulação de veículos tiram a tinta que


sinalizavam a existência das lombadas, em outros casos é por conta da negligência do órgão
público responsável que não disponibiliza placas para identificação das lombadas;
66

c) Inexistência de ciclovia.

Falta de planejamento e ignorância a respeito da importância das ciclovias para uma


cidade.

4.6.3 Impactos dos problemas referentes a mobilidade

a) Vias danificadas e vias não pavimentadas;

Dificuldade para locomoção de veículos, principalmente em épocas de chuvas, pois o


lamaçal causado dificulta até mesmo a passagem de ambulâncias e maiores riscos de acidentes
com motocicletas;

b) Sem sinalização de lombadas;

A falta de sinalização traz consigo tanto possíveis acidentes como causa de danos aos
veículos.

c) Inexistência de ciclovia;

Ciclistas existentes são obrigados a transitar nos mesmos locais que motocicletas e
carros transitam, assim levando riscos aos ciclistas.

4.7 LAZER

O lazer é uma necessidade do homem, o mesmo segundo Dumazedier (1976) é:

"(...) um conjunto de ocupações às quais o indivíduo pode entregar-se de livre


vontade, seja para repousar, seja para divertir-se, recrear-se e entreter-se ou
ainda, para desenvolver sua informação ou formação desinteressada, sua
participação social voluntária ou sua livre capacidade criadora após livrar-se
ou desembaraçar-se das obrigações profissionais, familiares e sociais." (p.94)
67

Gaelzer (1979) define lazer "(...) como a harmonia entre a atitude, o desenvolvimento
integral e a disponibilidade de si mesmo. É um estado mental ativo associado a uma situação
de liberdade, de habilidade e de prazer". E para Masi (1993) o lazer constitui "o espaço que
possibilita o desenvolvimento humano".
A partir dessas definições podemos entender que o lazer é aquilo que queremos e
sentimos prazer em fazer nos momentos de descanso, quando não estamos trabalhado, ou seja,
livres de nossas obrigações diárias. E com isso, para que possamos usufruir desse tempo,
precisamos de um espaço, quer seja um construído por nós ou natural.

4.7.1 Identificação dos problemas referentes ao lazer

a) Algumas áreas de lazer estão localizadas em um local de risco;

Existe também mais uma quadra e um campo de futebol, tais se encontram em uma área
de risco, eles estão localizados em baixo de uma linha de transmissão de alta voltagem, local
esse onde não deve permanecer e nem transitar a uma distância de 35 metros. Abaixo segue
fotos de ambos.

Figura 51: Quadra de futebol em baixo de linha de transmissão de alta voltagem

Fonte: Arquivo próprio


68

Figura 52: Campo de futebol em baixo de linha de transmissão de alta voltagem

Fonte: Arquivo próprio

b) População prefere ir a outros bairros para usufruir de seu tempo livre;

Com a falta de opções de lazer no bairro, a populução prefere sair do bairro para fazer
uso de lugares para o lazer.

c) Quadra de futebol em péssimo estado e quadra de futsal de uso exclusivo de estudantes;

Uma quadra de futebol na Avenida Getúlio Vagas que se encontra em um péssimo


estado, a mesma por conta da maneira que se encontra hoje é um local onde algumas pessoas
se reúnem para o uso de entorpecentes, o que acaba causando medo e insegurança na população
e não o que de fato deveria disponibilizar, a saber, lazer. A seguir, fotos da quadra.

Figura 53: Quadra de futebol

Fonte: Arquivo próprio


69

Figura 54: Quadra de futebol 2

Fonte: Arquivo próprio


Além dessa, há também uma quadra de futsal coberta, mas o acesso para a mesma é
somente para os estudantes da Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto.

Figura 55: Quadra de futsal da Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto

Fonte: Google Maps


70

d) Praças não são frequentadas.

E por fim, existe uma pequena praça que está localizada na Z2 entre a faculdade Pio
Décimo e a Escola Municipal Estudante Edna Apolônio Neta. A mesma só contem alguns
bancos e árvores, além dessa praça, existe uma outra localizada na Z1 entre as ruas Radialista
Zezinho Cazuza e Radialista J. Carlos, mas a mesmo está em péssimo estado, assim ambas as
praças acabam que não atraindo os moradores que preferem frequentar uma praça em outro
bairro.

Figura 56: Praça localizada na Z2

Fonte: Arquivo próprio

Figura 57: Praça localizada na Z1

Fonte: Arquivo próprio

4.7.2 Causa dos problemas referentes ao lazer


71

a) Algumas áreas de lazer estão localizadas em um local de risco;


Por falta de locais que proporcionem lazer para a população, os mesmos acabaram que
fazendo uso de um local de risco para jogar futebol em uma quadra e campo construídos
pelos próprios moradores por ser o único local disponível.

b) População prefere ir a outros bairros para usufruir de seu tempo livre;

Falta de áreas e equipamentos no bairro que proporcionem o lazer.

c) Quadra de futebol em péssimo estado e quadra de futsal de uso exclusivo de estudantes;

Das quadras de futebol existentes no bairro, uma sofre com a falta de infraestrutura e
ainda o local é frequentado por pessoas para uso de entorpecentes, já na segunda é somente
para o uso dos alunos da Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto.

d) Praças não são frequentadas.

Falta de equipamentos e infraestruta faz com que a população opte por não ir as praças.

4.7.3 Impactos dos problemas referentes ao lazer

a) Algumas áreas de lazer estão localizadas em um local de risco;

Com um campo e uma quadra localizados em uma área de risco, moradores precisam
submeter-se ao risco para o lazer;

b) População prefere ir a outros bairros para usufruir de seu tempo livre;

Com a falta de equipamentos e áreas que disponibilizem o lazer, as ruas do bairro ficam
vazias, sem pessoas ocupando os espaços urbanos. Com isso, a insegurança toma conta dos
cidadãos.

c) Quadra de futebol em péssimo estado e quadra de futsal de uso exclusivo de estudantes;


72

População é obrigada a sair para outros lugares em momentos de lazer, seja para prática
de esportes ou outro tipo de lazer, assim fazendo tornando as ruas do próprio bairro ainda mais
vazias.

d) Praças não são frequentadas.

Tudo isso transforma lugares de convívio social e lazer em lugares vazios, não
frequentados pela população. Com isso, as pessoas são obrigadas a se deslocarem para praças
de outros bairros.

4.8 EDUCAÇÃO E CULTURA

Antes de tratar deste tema, é necessária a compreensão acerca de cada uma de suas
palavras, desta forma será exposta de maneira resumida as definições a respeito de Educação e
Cultura individualmente. Após suas definições, serão desenvolvido o diagnostico a respeito de
ambos.

De forma ampla, podemos entender educação como a maneira que uma comunidade
atua no crescimento de um indivíduo para que o mesmo possa atuar em uma sociedade pronta
para buscar a aceitação dos objetivos de maneira coletiva. (OLIVEIRA, 2009). Assim, podemos
entender que a educação é um método de desenvolvimento com o desígnio de garantir a
integração social e desenvolvimento da cidadania.

Já sobre cultura, a definição mais clara e simples que podemos dar é que cultura
compreende todas as realizações materiais e os aspectos espirituais de um povo.(SILVA E
SILVA, 2006). Ou seja, cultura é todo o fruto produzido pelo ser humano, podendo ser algo
concreto ou até mesmo imaterial, como a objetos, ideais e crenças. Cultura são conhecimentos
e habilidades humanas usadas socialmente. E para finalizar, podemos afirmar também que é
tudo aquilo aprendido.

4.8.1 Identificação dos problemas referentes a educação e cultura

a) Falta de uma escola com ensino do 6º ao 9º ano;


73

A cerca da educação foi identificado que existem duas escolas públicas e um


colégio/faculdade de iniciativa privada no bairro, sendo elas Escola Municipal Estudante Edna
Apolônio Neta, Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto e o Colégio e Faculdade Pio
Décimo. Contudo, foi identificado que a população do bairro em sua maioria possui um baixo
nível de escolaridade, o gráfico a baixo nos mostra isso.

Figura 13:Gráfico de escolaridade da população do bairro Olaria

Escolaridade

2%8%
10%2%
6%
4%
68%

E.F.I E.F.C E.M.I


E.M.C E.S.I Pós -Graduado
Sem Escolaridade

Fonte: Arquivo próprio


Legendas da escolaridade:

 E.F.I : Ensino Fundamental Incompleto;


 E.F.C: Ensino Fundamental Completo;
 E.M.I: Ensino Médio Incompleto;
 E.M.C: Ensino Médio Completo;
 E.S.I: Ensino Superior Inconpleto.

A Escola Municipal Estudante Edna Apolônio Neta tem o seu ensino voltado para o
infantil até o 5º ano, já a Escola Estadual Delmiro de Miranda Britto tem o seu voltado ao ensino
médio e o Colégio e Faculdade Pio Décimo para o ensino médio, técnico e graduação. Com
isso, a população que necessita estudar a partir do 6º ano ao 9º tem que se locomover para outro
bairro. Segundo Moretti (1997, p.141) “à localização das escolas, os técnicos da FDE, indicam
uma localização preferencial que possibilite o acesso a pé em não mais que 15 min.,
correspondendo a um raio de atendimento de aproximadamente 800 m”. Com isso, a única
escola que atende alunos do 6º ao 9º ano fica a mais de 800 metros, o que gera transtornos para
74

os estudantes. Ainda dificulta para as pessoas que necessitam trabalhar e gostaria de estudar,
pois a longa distância traz consigo mais dificuldade.

b) Poucas atividades culturais no bairro.

A respeito da cultura a situação é bem delicada, pois através da pesquisa realizada foi
identificado que 100% das pessoas entrevistadas nunca realizaram qualquer atividade cultural
no bairro Olaria. A baixo segue o gráfico da pesquisa que ilustra a delicada questão cultural no
bairro Olaria.

Figura 13:Gráfico de escolaridade da população do bairro Olaria

O sr.(a) já fez alguma atividade cultural no


bairro Olaria?

0%

100%

Sim Não

Fonte: Arquivo próprio

4.8.2 Causa dos problemas referentes a educação e cultura

a) Falta de uma escola com ensino do 6º ao 9º ano;

Com base na descrição do problema identificado, a inexistência de uma escola com


ensino do 6º ao 9º ano está ligado somente a falta de investimento.
75

b) Poucas atividades culturais no bairro.


Falta de equipamentos urbanos que proporcionem atividades culturais (por exemplo:
cinema, teatro, biblioteca, associação de moradores), o interesse da população e até mesmo a
falta incentivo de órgãos governamentais e/ou não governamentais.

4.8.3 Impactos dos problemas referentes a educação e cultura

a) Falta de uma escola com ensino do 6º ao 9º ano;

Existe um índice de pessoas que não completaram o ensino fundamental muito grande,
com a falta de uma escola com o respectivo ensino, tende-se a continuar da mesma maneira ou
até aumentar esse índice com o passar dos anos.

b) Poucas atividades culturais no bairro.

Com isso, existe uma desvalorização e esquecimento da sua história e raízes, acaba-se
que a população tornando-se um povo sem identidade.

4.9 INFRAESTRUTURA

Com o crescimento de um determinado local urbano – a exemplo um bairro – surgem


urgentes necessidades de modificação para o seu melhoramento, a infraestrutura existente
possivelmente não suprirá as necessidades de todos os frequentadores e moradores do local.
Para um melhor entendimento acerca do que é infraestrutura podemos conceituar “como um
sistema técnico de equipamentos e serviços necessários ao desenvolvimento das funções
urbanas, podendo estas funções ser vistas sob os aspectos social, econômico e institucional.”
(NETO E ZMITROWICZ, 1997, p. 01). Assim, a infraestrutura é necessária para que o meio
urbano possa funcionar.

A respeito da infraestrutura urbana, foram analizados os seguintes itens: Abastecimento


de água, esgotamento sanitário, coleta de lixo, iluminação pública e pavimentação. Com base
nisso, foram identificados os problemas, causa dos problemas e impactos desses problemas para
a população.
76

4.9.1 Identificação dos problemas referentes a infraestrutura

a) Abastecimento de água

A respeito do abastecimento de água, a maioria da população através de entrevista


afirma não ter dificuldades com o abastecimento, em escala de Excelente, bom, razoável, ruim
e péssimo, não chega a ser um problema emergêncial para a população, pois apenas 8% dos
entrevistados consideram como ruim o abastecimento. A baixo segue o gráfico de como a
populução classifica o abastecimento de água. Assim, o abastecimento de água é um pequeno
problema.

Figura 13:Gráfico de escolaridade da população do bairro Olaria

Como o sr.(a) classifica o abastecimento de


água do bairro?
Excelente (entre 8 e 10) Bom (entre 6 e 8)
Razoável (entre 4 e 6) Ruim (entre 2 e 4)
8%

8% 2%
16%

66%

Fonte: Arquivo próprio

b) Esgotamento sanitário

A respeito do esgoto sanitário no bairro olaria, a situação é bastante delicada, pois maior
parte da Z2 sofre com a falta de esgoto sanitário. Ao transitar por esse lado do bairro é
claramente visto que o esgoto fica a céu aberto nas ruas e é um anseio da população a resolução
desse problema. Já a Z1 sofre bem menos com essa questão, pois possui esgoto sanitário e os
únicos problemas identificados foram locais onde o esgoto foi entupido e consequentemente
estourou e transbordou pela rua.
77

Figura 58: Esgoto estourado em uma rua

Fonte: Arquivo próprio

Figura 59: Esgoto em via

Fonte: Arquivo próprio


78

c) Iluminação pública

A maior parte do bairro tem uma boa iluminação, tanto que a maior parte da população
entrevistada (exatos 51%) afirmaram que o bairro Olaria tem uma boa iluminação pública. E
isso realmente é notório no local, mas mesmo assim existe alguns lugares que sofrem com a
falta da mesma, a saber, parte da Rua Augusto Marinho sofre com a falta de iluminação e
energia elétrica, com isso os moradores fazem ligação de energia indevidamente por conta
própria, esse foi o único lugar identificado que sofre por não ter energia elétrica.

Figura 13:Gráfico da entrevista a respeito da iluminação pública

8% 10%
12%
19%
51%

Excelente (entre 8 e 10) Bom (entre 6 e 8) Razoável (entre 4 e 6)


Ruim (entre 2 e 4) Péssimo (entre 0 e 2)

Fonte: Arquivo próprio

Figura 60: Rua Parte Augusto Marinho não tem iluminação e nem energia

Fonte: Arquivo próprio


79

Figura 61: Rua que sofre com a falta de iluminação

Fonte: Arquivo próprio

4.9.2 Causa dos problemas referentes a infraestrutura

a) Abastecimento de água, esgotamento sanitário e iluminação pública

Os itens analizados a respeito da infraestrutura – abastecimento de água, esgotamento


sanitário e iluminação pública – ficaram notórios que a causa de seus problemas são dois, o
primeiro é por conta do crescimento desordenado e isso como vimos no decorrer deste trabalho
é uma das causas dos problemas relacionados a infraestrutura. O segundo é por conta
negligência do órgão público responsável que não da a devida atenção ao bairro.

4.9.3 Impactos dos problemas referentes a infraestrutura

a) Abastecimento de água

O problema com o abastecimento de água leva a população a ficar sem água para
realização de todas as atividades diárias que necessitam da água a exemplo a limpeza e
cozinhar. Com isso, na maioria das vezes as pessoas são obrigadas a se deslocar até um
local onde tenha água para encher galões e levar para suas casas.
80

b) Esgotamento sanitário

Com a falta do saneamento básico que predomina a Z2 e ainda uma pequena parte
na Z1 a população sofre o impacto do esgoto nas ruas, onde além do mal cheiro, sofrem
com o risco de doenças. E para completar, esse esgoto é despejado diretamente no riacho,
assim levando impactos também ao meio ambiente, pois contribui com a poluição na Área
de Preservação Ambiental.

c) Iluminação pública

A iluminação pública é fundamental para a qualidade de vida, para que as pessoas


possam ocupar e usufruir dos espaços durante a noite, com isso quando a mesma não existe
ou é precária, a mesma acaba causando impactos negativos como os encontrados no bairro
Olaria, onde a falta da mesma afeta o tráfego, causa insegurança para a população moradora
e visitante que leva as pessoas a não frequentarem esses lugares.

4.10 MEIO AMBIENTE

A Lei 6938 de 1981 estabelecida pela Política Nacional do Meio Ambiente


Brasileira (PNMAB), conceitua meio ambiente como “o conjunto de condições, leis,
influências e interações de ordem física, química e biológica, que permite, abriga e rege a
vida em todas as suas formas”. Assim, entendemos que o meio ambiente é composto por
elementos naturais e artificiais (sociais) e que o mesmo abrange tudo que é vivo ou não vivo.

4.10.1 Identificação dos problemas referentes ao meio ambiente

a) Áreas de Preservação Permanente (APP)

A Lei nº 12.727/12 do Código Florestal estabelece que para cursos de água com uma
largura inferior a 10 metros deve-se ter suas margens preservadas em 30(trinta) metros. Nas
proximidades do bairro Olaria existe um riacho com aproximadamente 5 (cinco) metros de
largura e observando a lei 12.727/12 do Código Florestal, sabemos que não se deve construir
em 30 metros do riacho, pois toda essa área torna-se uma Área de Preservação Permanente.
81

Segue abaixo uma imagem retirada do Google Maps onde mostra o Bairro e os locais onde o
riacho percorre.

Figura 62: Bairro Olaria com o trajeto do riacho

Fonte: Google Maps.

A delimitação do bairro parte da linha vermelha para toda a esquerda e a linha preta
mostra o percurso do riacho nas proximidades do bairro. Ao analizarmos a distância das
construções mais próximas vemos uma distância de cerca de 140 metros, assim estaria tudo
dentro dos parâmetros estabelecidos pela lei. Mas desse riacho correm dois córregos, onde
ambos tem edificações a cerca de 5 metros de distância. Abaixo segue uma imagem que mostra
as proximidades das edificações ao córregos.
82

Figura 63: Bairro Olaria com o trajeto do riacho e seus dois córregos

Fonte: Google Maps.

Em comparação entre as duas imagens anteriores vemos que na primeira existe apenas
uma linha preta que mostra o percurso que o riacho segue e na segunda imagem surge mais
duas linhas pretas que podemos identificar através delas o trajeto que os córregos seguem em
direção das edificações .

Segundo o que a Lei 12.727/12 do Código Florestal estabelece, as edificações


construídas próximas aos córregos, foram edificadas ilegalmente. Pois o mesmos infligiram a
lei que estabelece as distâncias mínimas para que se possa edificar em locais de Ambiente
Preservação Permanente.

d) Arborização

As árvores nas cidades são de extrema importância, pois elas possuem diversos
benefícios para o meio ambiente urbano, tais como: “estabilidade climática, ao conforto
ambiental, na melhoria da qualidade do ar, bem como na saúde física e mental da população,
além de influenciar na redução da poluição sonora e visual e auxiliar na conservação do
ambiente ecologicamente equilibrado” (CECCHETTO, CHRISTMANN e OLIVEIRA, p. 01).

Contudo para a arborizar uma rua, bairro ou cidade deve exister um planejamento por
profissionais, onde o mesmo irá identificar os tipos de árvores mais adequados para serem
inseridos no meio urbano, além de definir de maneira mais eficiente o tipo de intervenção a ser
realizado.(MANUAL DE ARBORIZAÇÃO)
83

Ao analisar a arborização do bairro Olaria, fica bem perceptível os problemas


relacionados a arborização, sendo eles:

 Carência de árvores, pois existem poucas ruas onde há árvores e mesmo as que existem,
são muito poucas e não satisfazem a maioria da população que em entrevista afirma que
a arborização do bairro é ruim ou péssima.
 Uso de espécies inadequadas no bairro por moradores que sentem a necessidade de áreas
verdes no bairro.

Abaixo segue fotos de algumas ruas onde podemos ver a enorme carência de áreas
verdes e também do uso de espécies inadequadas.

Figura 64: Avenida João Alves Filho

Fonte: Arquivo próprio

Figura 65: Rua E

Fonte: Arquivo próprio


84

Figura 66: Rua Augusto Marinho

Fonte: Arquivo próprio

Figura 67: Foto de ficus nas calçadas

Fonte: Arquivo próprio


85

e) Lixo

A coleta de lixo é um serviço essencial para a população, e ao analisar isso no bairro,


fica claro que esse é um dos problemas encontrados, principalmente na parte norte do bairro
onde reside a população de classe mais baixa.Com isso, o lixo produzido pela população tem
alguns caminhos, sendo eles:
 Andar carregando o lixo até alguma lixeira distante de sua residência;
 Queimar seu lixo no quintal e em alguns casos queimam nas próprias ruas;
 Jogar o lixo em lotes vazios;
 Descartam o lixo em terrenos vazios e até mesmo no riacho.

As imagens abaixo são do descarte de lixo realizado pela população do lado norte do
bairro, já que são esses em sua maioria que não tem coleta de lixo:

Figura 68: Lixo descartado por moradores em lote urbano

Fonte: Arquivo próprio


86

Figura 69: Lixo sendo queimado por moradores em via pública

Fonte: Arquivo próprio

Figura 70: Lixo em terreno vazio próximo a uma quadra de futebol

Fonte: Arquivo próprio


87

Figura 71: Lixo em terreno vazio próximo a um dos córregos do riacho

Fonte: Arquivo próprio

4.10.2 Causa dos problemas referentes ao meio ambiente

a) Descrição da causa dos problemas relacionados a Área de Preservação Permanente:

Acontece que em certas situações de extrema pobreza “o indivíduo marginalizado pela


sociedade e pela economia nacional não tem nenhum compromisso de evitar a degradação
ambiental, uma vez que a sociedade não impede sua degradação como ser humano” (ECLAC,
p.17, 1991). Com isso, o homem em sua necessidade de moradia acaba que muitas vezes se
apropriando de espaços inadequados para moradia, onde corre sérios riscos e agride o meio
ambiente, onde talvez o mesmo em sua ignorância não tem conhecimento acerca dos dos riscos
que lhe cercam e da agressão que pode causar ao meio ambiente.

Mas nesse processo a própria administração pública tem responsabilidade por essas
edificações, pois não deu a devida atenção ao que estava acontecendo, podendo intervir para
que as mesmas não fossem ali edificadas. Assim, entendemos que a causa vem da necessidade
de moradia por causa da “proporção crescente de moradores urbanos excluídos dos processos
regulares de acesso à terra e à moradia”(MACHADO, 2004, p. 47), juntamente com a
ignorância das pessoas que buscavam uma casa e da imprudência da administração pública.

b) Descrição da causa dos problemas encontrados em relação a arborização:


 A falta de áreas verdes parte da falta de planejamento paisagístico;
88

 O uso de espécies inadequadas pode ocorrer por conta de diversos fatores, podendo ser
a falta de planejamento adequado ou a falta de um profissional qualificado, pois sem
planejar tende-se a fracassar e, com isso, causar problemas futuros.

c) Descrição da causa dos problemas em relação ao lixo:


 Falta de lixeiras no bairro;
 Falta de coleta de lixo nas ruas do bairro, pois os transportes responsáveis pela coleta
do lixo não circulam por todo o bairro por conta das péssimas condições das vias.

4.10.3 Impactos causado pelos problemas ao meio ambiente

a) Impacto dos problemas em relação a Área de Preservação Ambiental

Com a ocupação de maneira ilegal nas margens dos córregos, vários problemas causam
impactos ao meio ambiente, como o desmatamento, a poluição do solo e das águas através do
lançamento de resíduos; problemas de saúde causados pela contaminação das águas,
deslizamento de terras, causando enchentes e essas quando acontecem geram problemas para
as pessoas que ali perto residem, pois o nível da água irá subir e causar danos a residência e a
casos em que possam acontecer deslizamentos, esse é um risco aos aqui residem.

b) Impacto dos problemas em relação a arborização

A carência de áreas verdes no bairro leva consigo o aumento da temperatura, além a


inexistência de áreas de sombreamento, levando assim as pessoas a serem obrigadas a andarem
debaixo do sol castigante da nossa região, também há problemas com permeabilidade nos
tempos de chuva. O outro impacto vem do uso inadequado de espécies onde a maioria das
árvores existentes são fícus plantadas em algumas calçadas do bairro e a mesma possui raízes
agressivas, onde as calçadas são danificadas por conta de suas raízes.

c) Impactos dos problemas em relação ao lixo


89

Com a coleta irregular e falta de lixeiras no bairro, a população acaba descartando o lixo
em locais inadequados e/ou queimando. E isso pode ocasionar sérios impactos negativos para
a população e pessoas que frequentam o bairro. Sendo eles:

 Possíveis focos de dengue por conta de recipientes que podem armazenar água das
chuvas;
 A queima do lixo pode causar problemas respiratórios ou agravar a situação de pessoas
que já possuem algum tipo de problema respiratório;
 Poluição do riacho .
90

CONCLUSÃO

Através desta pesquisa podemos entender como se deu o desenvolvimento do Bairro


Olaria da cidade de Canindé de São Francisco - SE, em relação ao planejamento urbano adotado
no espaço. Devido a classe elitizada que ocuparam os bairros, a população menos privilegiada
ficou menosprezada, acontecendo uma grande segregação social, onde parte da população
carente ficou marginalizada e totalmente desassistida, evidenciando a falta de segurança no
local, tento em vista a quantidade de áreas que são consideradas perigosas no bairro.
Relacionado a isso, a desobediência das normas e das leis de uso e ocupação do solo trouxe
outros problemas para os bairro.
Problemas impulsionados pela falta de acessibilidade no bairro, pois não há o suporte
necessário ao trânsito de deficientes físicos, seja pelas calçadas ou até mesmo pelas ruas. Uma
das causas desse déficit é falta de consciência por parte da população que utilizam as calçadas
para depósitos de matérias, avanço de suas casas além do permitido, ou mesmo implantando
equipamentos inadequados ao local.
Ao desenvolver um estudo dirigido sobre a infraestrutura viária oferecida no bairro
Olaria, pode-se perceber que há precariedade no quesito mobilidade urbana devido à notória
carência de sinalização. Desta forma, apesar de encontrar vias coletoras com melhores
condições que as vias locais, é imprescindível que a infraestrutura do bairro seja avaliada como
um todo, permitindo uma completa integração da população desde as suas residências às
principais vias de fluxo. Ainda aqui foi visto que a população em sua maioria anseia por um
transporte público para locomoção para outros bairros.
O sistema de infraestrutura local também necessita de algumas melhorias, sobretudo a
coleta e tratamento de esgoto sanitário que ficou evidente nas pesquisas, o seu lançamento tanto
nas ruas como no riacho vem causando sérios problemas ambientais. A coleta e
acondicionamento do lixo doméstico e a drenagem das águas pluviais, em dias chuvosos,
evidenciam os problemas do bairro. É interessante que o sistema de distribuição de energia
elétrica seja reestruturado, com a finalidade de substituir o atual modelo de entrega aéreo, pelo
sistema subterrâneo, com isso, os espaços poderiam ser aproveitados para o plantio de árvores,
diminuindo os problemas de aquecimento no local.
O lazer infelizmente é algo quase inexistente no bairro, como já vimos, as poucas áreas
que existem foram criadas pela própria população e em locais de risco como a quadra e campo
de futebol embaixo da fiação de alta tenção, proibida a permanência, logo tais locais devem ser
extinguidos. Além da quadra localizada na Z1 que deve ser reestruturada.
91

A educação e cultura pouco contribuem aos moradores, pois não existem escolas em
quantidade e qualidade suficientes para atender às demandas de jovens estudantes como adultos
e idosos que tem vontade de voltar aos estudos, mas por conta da distância a ser percorrida após
o dia de trabalho, desistem. É através da educação de qualidade e programa culturais que o povo
se abastece de conhecimento para melhor viver em harmonia com local que habita. Mas as
atividades culturais não têm contribuído para melhor formação e conscientização dessa
população. Com a ocupação predatória que causa dano à fauna e flora locais e a diminuição das
unidades de paisagem, riscos à saúde pelo despejo de esgoto e lixo em locais inapropriados,
conclui-se que uma mudança de atitude de toda a população é imprescindível para que tais
danos não alcancem um nível irreversível.
Muito do que pudemos ver realmente é por conta da falta de conscientização da própria
população, onde, ao verem o local o viam como uma oportunidade de lucrar (invasão e venda
de terrenos), por outro lado foi a grande necessidade e anseio de moradia que levou muitas
pessoas a invasão local, consequentemente construindo de maneira desordenada. Além disso,
há também uma enorme parcela de culpa do poder público que não assistiu ao local no seu
início e quando se deu conta a olaria estava formada, estava constituída, algumas medidas foram
tomadas tentando realocar algumas famílias, mas não foi o suficiente. A administração deve
olhar com mais atenção para o local, deve procurar os meios cabíveis para a estruturação do
bairro, para que a população possa ter qualidade de vida. E para isso, deve começar resolvendo
o problema da titularidade das terras, onde grande parte das quadras ainda não são registradas
em cartório e consequentemente não tem escrituras das residências, o que com isso, dificulta o
investimento na infraestrutura do bairro, também deve-se fazer a realocação de algumas
famílias que tem hoje suas residências em locais completamente inapropriados, locais de risco
como locais por leis devem ser preservados.
A final das contas, algo tem que ser feito, não se pode deixar da maneira que se
encontra hoje. Com esse diagnostico urbano do bairro desenvolvido, conhecemos os problemas
e anseios da população, assim, é possível desenvolver propostas e diretrizes para que os
problemas sejam mitigados e a população tenho qualidade de vida, além de atrair investimentos
para o bairro.
92

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96

ANEXO A – Questionários aplicados

TRABALHO FINAL DE GRADUAÇÃO


JANEIRO/2016

PESQUISA NO BAIRRO OLARIA DE CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO-SERGIPE


Nº __.__
1ª PARTE: Dados básicos do entrevistado:
POPULAÇÃO
□M □F
□Morador(a) Local ___________________ Tempo:________ Natural_______________
□Visitante □Trabalhador □Turista Local de moradia__________________________________
Estado civil
□Solteiro(a) □Casado(a) □Divorciado(a) □Separado(a) □Viúvo(a) □União estável □Outros_________
Profissão______________________________
Escolaridade
□E.F.I □E.M.I □E.S.I □E.F.C □E.M.C □E.S.C □Pós-graduado □Sem escolaridade
Faixa etária
□15 a 18 □26 a 35 □46 a 60 19 a 25 □36 a 45 □acima de 60
Renda
□Até 1 salário □Entre 1 e 3 □Entre 3 e 6 □Entre 6 e 10 □Acima de 10 □Sem renda
O sr(a) trabalha aqui no bairro ou fora? □ No bairro □ Fora
2ª PARTE: Dados do bairro

USO E OCUPAÇÃO DO SOLO


O sr.(a) conhece alguma propriedade abandonada no bairro?
□Sim_____________________________ □Não □Não sabe
O que o sr.(a) faria caso recebesse uma propriedade no bairro?
□Moraria □Montaria um comércio □Alugaria □Não sabe
□Depende________________________________________
Cite uma palavra que caracteriza o bairro Olaria durante a noite? ______________________

SEGURANÇA – ÁREAS DE RISCO


O sr.(a) conhece alguma área de risco ou situação de risco no bairro?
□Sim___________________________________ □Não
Como o sr.(a) classifica a Segurança Pública do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe

ACESSIBILIDADE
Na sua opinião, como o sr.(a) classifica a qualidade das calçadas do bairro em relação à mobilidade?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Para o sr.(a) é fácil chegar ao bairro?
□Sim □Não Por quê? __________________________________________________ □Não sabe

MOBILIDADE URBANA
Na sua opinião, as ruas do bairro estão adequadas ao trânsito?
□Sim □Não □Não sabe
Como o sr.(a) classifica a qualidade das ruas do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe

Qual o principal meio de transporte que você utiliza para se deslocar para outros bairros?
□Carro □Moto □Cavalo, carroça □A pé □Outros_________________
97

Gostaria que existisse um transporte público para a locomoção para outros bairros?
□ Sim □ Não

INFRAESTRUTURA
Como o sr.(a) classifica o abastecimento de água do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Como o sr.(a) classifica o esgotamento sanitário do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Como o sr.(a) classifica a coleta de Lixo?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Como o sr.(a) classifica a iluminação pública?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Como o sr.(a) classifica a pavimentação?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe

EQUIPAMENTOS DE LAZER
Como o sr.(a) classifica as praças do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
Onde o sr.(a) costuma ir em momentos de lazer aqui no bairro? ______________________

EQUIPAMENTOS DE EDUCAÇÃO, SAÚDE E CULTURA


O sr.(a) já visitou/frequentou alguma escola do bairro?
□Sim_________________________ □Não □Não sabe
O sr.(a) já utilizou algum serviço de saúde pública do bairro?
□Sim_________________________ □Não □Não sabe
O sr.(a) já fez alguma atividade cultural no bairro?
□Sim_________________________ □Não □Não sabe
O que gostaria que fosse construído no bairro? ____________________________________

MEIO AMBIENTE
O sr.(a) já derrubou alguma árvore?
□Sim_________________________ □Não □Não sabe
Como o sr.(a) classifica a arborização do bairro?
□Excelente (entre 8 e 10) □Bom (entre 6 e 8) □Razoável (entre 4 e 6)
□Ruim (entre 2 e 4) □Péssimo (entre 0 e 2) □Não sabe
O sr.(a) conhece alguma área de preservação do município?
□Sim___________________________________ □Não □Não sabe
O sr.(a) faz alguma ação para contribuir com a preservação ambiental?
□Sim___________________________________ □Não
O sr.(a) já plantou alguma árvore?
□Sim_________________________ □Não □Não sabe
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ANEXO B – Quadras da cidade de Canindé de São Francisco registradas em cartório


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100