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Resenha do livro Brinquedo e cultura

Rosilene Ferreira[1]
Brinquedo e Cultura trata-se de uma obra onde o brinquedo é um suporte
entre tantos possíveis, isto é, o verdadeiro sujeito da pesquisa do
desenvolvimento infantil. O brinquedo merece ser estudado por si mesmo,
transformando-se em objeto importante naquilo que ele revela de uma cultura.

Gilles Brougère é mestre de conferências e diretor do Departamento de


Ciências da Educação da Universidade de Paris-Norte. Dirige, nesse
departamento, um programa de formação em nível de 3º grau, único na França,
consagrado à brincadeira e ao brinquedo. Graduado em Filosofia e em
Antropologia, realiza pesquisas sobre o brinquedo e sobre as relações entre
brincadeira, educação e a pedagogia pré-escolar. Nos últimos anos, vem
desenvolvendo trabalhos de orientação acadêmica e pesquisas no Brasil, nesta
área, sobretudo junto à Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo
(USP). Suas principais obras são: Brinquedo e cultura (2007), Brinquedos e
companhia (2004), Jogo e educação (1998) entre outros.
A imagem do brinquedo sintetiza a representação que uma dada
sociedade tem da criança, isto é, uma imagem do mundo destinada à criança e
que esta deverá construir para si própria. O brinquedo não só condiciona a ação
da criança, mas também oferece um suporte determinado que ganhará novos
significados através da brincadeira.
O brinquedo é formado pelo domínio do valor simbólico sobre a função,
ou para ser mais fiel ao que ele é a dimensão simbólica torna-se a função
principal. Contudo trata-se de um objeto que a criança manipula livremente, sem
estar condicionado ás regras. Porém, a brincadeira pode ser considerada como
uma forma de interpretação dos significados contidos no brinquedo, sendo
assim, a brincadeira é uma atividade livre e que não pode ser delimitada. Ele
socializa a criança o desejo através da brincadeira. Contudo, o brinquedo se
insere na brincadeira através de uma apropriação, ou seja, deixa-se envolver
pela cultura lúdica disponível, usando praticas de brincadeiras anteriores.
A cultura lúdica dispõe de uma certa autonomia, de um ritmo próprio, mas
só pode ser entendida em interdependência com a cultura global de uma
sociedade especifica. A cultura lúdica não acontece do mesmo modo em todos
os lugares onde a brincadeira é possível: na escola ou na sua casa, a criança
utiliza aspectos diferentes de sua cultura lúdica. Sendo assim, a cultura lúdica
está impregnada de tradições diversas, nela encontramos brincadeiras
tradicionais no sentido escrito, porém talvez mais estruturas de brincadeiras
reativadas, elementos, temas, conteúdos ligados à programação infantil ou á
imaginação.
É através do brinquedo que a criança entra em contato com o discurso
cultural sobre a sociedade, realizado para ela, como é feito, nos contos, nos
livros e nos desenhos animados. No entanto, é através do brinquedo que a
criança se situa no universo do consumo, respondendo ás solicitações que lhes
são destinadas, construindo uma estratégia diante da autonomia limitada que
dispõe.
A brincadeira é um processo de relações interindividuais, portanto, de
cultura, ela pressupõe uma aprendizagem social, isto é, a criança aprende-se a
brincar.
A obra é concluída falando em relação à aprendizagem da criança com
a brincadeira, pois a mesma aprende justamente a compreender, dominar, e
depois a produzir uma situação específica, distinta de outras situações.

Portanto, a obra é indicada para educadores sociais que encontram no


brinquedo como um instrumento fornecedor de representações, estimulando
assim a brincadeira que proporciona a criança um estímulo a uma imagem,
socializando dessa forma o desejo através da brincadeira.

Fonte: BROUGÈRE, Gilles. Brinquedo e cultura. 7 Ed. São Paulo: Cortez,


2008.

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