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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DO JUIZADO

ESPECIAL CIVIL DE BEBEDOURO/SP

Processo nº 0001522-16.2018.8.26.0072

MARIA DE LOURDES LOPES DA SILVA, já qualificada, vem


perante Vossa Excelência apresentar IMPUGNAÇÃO aos termos da
contestação de fls. 19/3 apresentada pelo Requerido BANCO MERCANTIL DO
BRASIL, pelas razões de fato e de direito a seguir expostas.

As alegações da peça contestatória não merecem prevalecer,


pois desprovidas de fundamentação jurídica e contrárias ao sistema de
proteção do consumidor pátrio.

O Requerido alega que a petição inicial é inepta e requer a


extinção do processo sem julgamento do mérito, pois o pedido é juridicamente
impossível, pois as cobranças são devidas e legítimas. A preliminar se
confunde com o mérito e com ele será rebatida.
O Requerido alega que enviou um cartão com múltiplas
funções à Autora e que esta ativou as duas funções – débito e crédito.
Portanto, alega a Requerida, se houve ativação de funções, as cobranças são
devidas.

Ocorre que o Requerido não pode enviar cartões sem a


solicitação do cliente, conforme já decidiu nossos tribunais. Ainda mais em se
tratando de cartões com múltiplas funções.

Neste sentido:

CERCEAMENTO DE DEFESA – QUESTÃO DOCUMENTAL –


DESNECESSÁRIA DILAÇÃO PROBATÓRIA RESPONSABILIDADE
CIVIL – CONTRATAÇÃO DO CARTÃO DE CRÉDITO NÃO
DEMONSTRADA – ENVIO DE CARTÃO DE CRÉDITO SEM
SOLICITAÇÃO – PRÁTICA ABUSIVA - DANO MATERIAL –
DEVOLUÇÃO DOS VALORES INDEVIDAMENTE DEBITADOS EM
CONTA CORRENTE DO AUTOR REFERENTE AO PAGAMENTO
DE FATURAS CONTENDO, APENAS, ANUIDADE E ENCARGOS
DE MORA NEGATIVAÇÃO - DANO MORAL – OCORRÊNCIA –
INDENIZAÇÃO ARBITRADA EM R$ 15.000,00 – SENTENÇA
IMPROCEDENTE – DADO PROVIMENTO PARCIAL AO
RECURSO (TJSP; Apelação 1000489-43.2016.8.26.0589; Relator
(a): Lucila Toledo; Órgão Julgador: 15ª Câmara de Direito Privado;
Foro de São Simão - Vara Única; Data do Julgamento: 12/04/2018;
Data de Registro: 12/04/2018)

A Requerente utiliza os serviços bancários apenas para


receber seu benefício previdenciário e não tem interesse em utilizar cartão de
crédito.

Assim, a Requerido exorbitou o seu direito para com a


Requerente, que é parte hipossuficiente na relação jurídica e que nunca teve
intenção de adquirir ou utilizar cartão de débito ou crédito da Requerida.
Pretendia e ainda pretende apenas receber seu benefício previdenciário.
Diante desses fatos e fundamentos, requer seja julgada
inteiramente procedente a presente ação, com a condenação da Requerida a
reparar danos materiais e morais descritos na petição inicial.

Termos em que,

P. Deferimento.

Bebedouro, 28 de maio de 2018.

MARIA DE LOURDES LOPES DA SILVA