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MICHEL OLIVEIRA GOUVEIA

www.michelgouveia.adv.br

Michel Gouveia (não respondo no messenger)

Prof. Michel Gouveia

Professor Michel Gouveia / Previtube

michelogouveia

michel@michelgouveia.adv.br
APOSENTADORIA ESPECIAL
É uma espécie de aposentadoria por
tempo de contribuição diferenciada.

Previsão constitucional, artigo 201, § 1º


da CF/88.

Artigos 57 e 58 da Lei 8.213/91

Artigos 64 a 70 do Decreto 3.048/99

Artigos 246 a 299 da Instrução


Normativa 77/2015

15 anos => nocividade máxima =>


mineração de subsolo (item 4.0.2)
20 anos => nocividade média =>
mineração subterrânea (item 4.0.1)
25 anos => nocividade mínima => área da
saúde humana e animal (item 3.0.1)
APOSENTADORIA ESPECIAL
Erros mais comuns:

Não juntar os documentos para comprovar o


tempo especial no processo administrativo
previdenciário;

Deixar de observar os anexos aos Decretos


53.831/64 (anexo), 83.080/79 (anexo I e II),
2.172/97 (anexo IV) e 3.048/99 (anexo IV);

Desistir de materializar o direito do segurado;

Esquecer do enquadramento por


atividade/profissão;

Não conhecer as Normas Regulamentares do


Direito do Trabalho;

O mais grave, pensar que só existe a


conversão pelo fator 1,40h e 1,20m.
APOSENTADORIA ESPECIAL

PREVISÃO LEGAL

 O benefício de aposentadoria Especial vem regulado pela


Constituição Federal, logo temos um benefício com garantia
constitucional.

 Pois bem, na Constituição a previsão está no §1º do artigo 201.

 Na Lei 8.213/91, temos os artigos 57 e 58.

 No Decreto 3.048/99, nos artigos 64 a 70 (com as alterações pelo


Decreto 8.123/13).

 IN 77/2015, entre os artigos: 246 e 299.


APOSENTADORIA ESPECIAL

PREVISÃO LEGAL

 Art. 201 (CF): A previdência social será organizada sob a forma de


regime geral, de caráter contributivo e filiação obrigatória,
observados os critérios que preservem o equilíbrio financeiro e
atuarial, e atenderá, nos termo da lei, a:

 § 1º. É vedada a adoção de requisitos e critérios diferenciados para


a concessão de aposentadoria aos beneficiários do regime geral de
previdência social, ressalvados os casos de atividades exercidas
sob condições especiais que prejudiquem a saúde ou a
integridade física e quando se tratar de segurados portadores
de deficiência, nos termos definidos em lei complementar.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Vejam: o texto constitucional, remete os requisitos da concessão da


aposentadoria especial para uma Lei Complementar.

 Não há lei complementar sobre aposentadoria especial no RGPS.

 Por sua, quem fez esse papel é a Lei 8.213/91, a qual nos artigos 57 e 58
prevêem a concessão deste benefício:

 Art. 57. A aposentadoria especial será devida, uma vez cumprida a carência
exigida nesta Lei, ao segurado que tiver trabalhado sujeito a condições
especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante 15
(quinze), 20 (vinte) ou 25 (vinte e cinco) anos, conforme dispuser a lei.

 § 3º A concessão da aposentadoria especial dependerá de comprovação


pelo segurado, perante o Instituto Nacional do Seguro Social–INSS, do
tempo de trabalho permanente, não ocasional nem intermitente, em
condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física,
durante o período mínimo fixado.
APOSENTADORIA ESPECIAL
 § 4º O segurado deverá comprovar, além do tempo de trabalho, exposição
aos agentes nocivos químicos, físicos, biológicos ou associação de agentes
prejudiciais à saúde ou à integridade física, pelo período equivalente ao
exigido para a concessão do benefício.

 Art. 58. A relação dos agentes nocivos químicos, físicos e biológicos ou


associação de agentes prejudiciais à saúde ou à integridade física
considerados para fins de concessão da aposentadoria especial de que
trata o artigo anterior será definida pelo Poder Executivo.

 § 1º A comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos


será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo Instituto Nacional
do Seguro Social - INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base
em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico
do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da
legislação trabalhista. (NR 15)

 § 4º A empresa deverá elaborar e manter atualizado PP


(...)
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Quando for tratar da aposentadoria especial, você tem por obrigação


observar:

 a) Quadro anexo ao Decreto 53.831/64; (vigente até 05/03/97)

 b) Quadro anexo I do Decreto 83.080/79; (vigente até 05/03/97)

 c) Quadro anexo II do Decreto 83.080/79; (vigente até 05/03/97)

 d) Quadro anexo IV do Decreto 2.172/97;

 e) Quadro anexo IV do Decreto 3.048/99.


APOSENTADORIA ESPECIAL

 Os Decretos 53.831/64 e 83.080/79, vigoraram de forma


concomitante até a Edição do Decreto 2.172/97.

 O enquadramento por atividade profissional (anotação na CTPS)


vai até 28/04/1995.* Isso em razão do Decreto 357/91 no art. 295
dispor que:

 “para efeito de concessão das aposentadorias especiais serão


considerados os Anexos I e II do Decreto 83.080/79 e o Anexo ao
Decreto 53.831/64, até que seja promulgada lei que disporá sobre
as atividades prejudiciais à saúde e a integridade física.

 A Lei que veio foi a 9.032/95, por essa razão o enquadramento por
categoria profissional se dá até o advento desta Lei.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Particularidades:

 A nocividade é apurada de duas formas:

 Nocividade quantitativa: esta relacionada pela ultrapassagem dos limites de


tolerância, como exemplo 85db para jornada de 8h diárias, conforme anexo
I da NR 15.

 Nocividade qualitativa: esta relacionada ao meio ambiente de trabalho, ou


seja, é presumido que o local/ambiente é prejudicial a saúde ou a
integridade física, como exemplo o anexo 13-A (BENZENO) da NR 15.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Outros Trabalhadores em ambiente hospitalar:

 TNU
 Súmula 82

 O código 1.3.2 do quadro anexo ao Decreto n.º


53.831/64, além dos profissionais da área da saúde,
contempla os trabalhadores que exercem atividades de
serviços gerais em limpeza e higienização de ambientes
hospitalares.
PERÍCIA TÉCNICA
A perícia técnica também é um meio de prova do tempo especial.

 PROCESSO CIVIL E PREVIDENCIÁRIO. AGRAVO RETIDO.


PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. ACOLHIDA.
JULGAMENTO ANTECIPADO DA LIDE. NÃO COMPROVAÇÃO DO
FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO DO AUTOR. CERCEAMENTO DE
DEFESA. OCORRÊNCIA.
 1. A omissão pelo r. Juízo a quo na determinação da produção das
provas necessárias ao julgamento do mérito resultou em cerceamento
de defesa como alegado na apelação da autora.
 2. Agravo retido provido. Sentença anulada, para determinar o retorno
dos autos à Vara de origem a fim de que seja realizada prova técnica,
proferindo-se, após a conclusão da prova, nova decisão, como se
entender de direito. Prejudicada a análise do mérito da apelação da
parte autora.
 (TRF 3ª Região, DÉCIMA TURMA, AC - APELAÇÃO CÍVEL - 2110655 -
0009687-03.2013.4.03.6183, Rel. DESEMBARGADORA FEDERAL
LUCIA URSAIA, julgado em 07/02/2017, e-DJF3 Judicial 1
DATA:15/02/2017 )
APOSENTADORIA ESPECIAL
 Atividade de frentista é especial?

 De acordo com a portaria MTPS N.º 1109 de 21/09/2016, sim é especial,


não, apenas, pela exposição ao risco explosão.

O Ministro de Estado do Trabalho, no uso das atribuições que lhe


conferem o inciso II do parágrafo único do art. 87 da Constituição
Federal e os arts. 155 e 200 da Consolidação das Leis do Trabalho -
CLT, aprovada pelo Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943,

Resolve:

Art. 1º Aprovar o Anexo 2 - Exposição Ocupacional ao Benzeno em


Postos Revendedores de Combustíveis - PRC, da Norma
Regulamentadora nº 9, aprovada pela Portaria 3.214, de 8 de junho de
1978, com a redação constante no Anexo desta Portaria.

13.1 Os PRC devem manter sinalização, em local visível, na altura das


bombas de abastecimento de combustíveis líquidos contendo benzeno,
indicando os riscos dessa substância, nas dimensões de 20 x 14 cm com os
dizeres: "A GASOLINA CONTÉM BENZENO, SUBSTÂNCIA CANCERÍGENA.
RISCO À SAÚDE."
AP. ESPECIAL
BENZENO

Processo: 44232.089455/2014-11
Órgão Julgador: 04ª Junta de Recursos
O fato é que, o formulário apresentado informa que o trabalhador estava
exposto ao benzeno no período de 09/2005 a 17/05/2012. Nesse sentido, é
certo que a exposição ao referido agente nocivo, por si só, já caracteriza
especialidade da atividade, independentemente da quantidade que estava
exposto.

Já em relação ao último vínculo empregatício, de 30/11/2012 a 29/06/2013, o PPP


apresentado não informou a intensidade do ruído a que o trabalhador estava
exposto. Diante disso, não há motivos para enquadrar o respectivo período.

Nessa esteira, extrai-se que o recorrente faz jus: a) ao reconhecimento das


contribuições efetuadas na condição de contribuinte individual, ressalvando os
períodos concomitantes; e b) a conversão dos períodos de 01/08/1987 a
04/04/1996 (acréscimo de 03anos, 05meses e 19 dias) e de 09/2005 a
17/05/2012 (acréscimo de 02anos, oito meses e 06 dias).

CONCLUSÃO – Diante do acima exposto, VOTO no sentido de, preliminarmente,


CONHECER DO RECURSO, e, no mérito, DAR-LHE PROVIMENTO.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Da aposentadoria hibrida:

 Conversão do tempo especial em comum, nos casos em


que o segurado não preencha os requisitos para
aposentadoria especial.

 É possível, também, a conversão do tempo especial em


especial.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão do tempo:

 Adriane Bramante:

 “Entende-se por conversão de tempo de serviço o meio


pelo qual os períodos de atividades sob condições
especiais, com diferentes referenciais, são convertidos,
aplicando-lhes fatores de equivalência correspondentes,
de modo a torná-los iguais.”
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversões:

Especial para Especial

Especial para comum


APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão do tempo especial em especial:

 Conversão do tempo especial em especial

Multiplicadores

Tempo a Para 15 Para 20 Para 25


converter

De 15 anos - 1,33 1,67

De 20 anos 0,75 - 1,25

De 25 anos 0,60 0,80 -


APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão do tempo especial em especial:

 Exemplo prático:

 Jorge trabalhou durante 9 anos numa atividade de


nocividade média (20 anos) e 16 anos na atividade de
nocividade mínima (25 anos).

 A conversão deve ser de 20 para 25, uma vez que o


maior tempo de especial é a nocividade mínima.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 O primeiro passo é transformar tudo em dias, pois assim


ficará mais fácil identificar o tempo especial.

 Faremos assim:

 9 anos de nocividade média para nocividade mínima.

 9 x 360 = 3240 dias

 3240 dias x 1,25 (multiplicador) = 4.050 dias


APOSENTADORIA ESPECIAL

 Encontramos o número exato de dias, agora precisamos


fazer a operação inversa:

 4.059 dias / 360 = 11 anos (despreza os decimais)

 11 x 360 = 3.960 dias

 4.050 – 3.960 = 90

 90 / 30 = 3 meses

 9 anos de novidade média é igual a 11 anos e 3 meses


de nocividade mínima.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão do tempo especial em comum e especial


para especial:

No nosso exemplo, Jorge tem 9 anos de nocividade


média, o qual corresponde a 11 anos e 3 meses de
nocividade mínima.

portanto Jorge tem 27 anos e 3 meses de atividade


especial, logo estará aposentado.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão mais comum é a conversão do tempo especial em


comum.

 Vamos lá:

 Jorge trabalhou em atividade especial por 15 anos e mais 15


anos de tempo comum.

 Neste caso, devemos converter o tempo especial, para ser


somado ao tempo comum.
APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão mais comum é a conversão do tempo especial em


comum.

IDEIA EXTRAÍDA DO LIVRO DA ADRIANE BRAMANTE, BIBLIOGRAFIA NO FINAL.


A TABELA DE CONVERSÃO

Atividades a
converter
MULTIPLICADORES
PARA 15 PARA 20 PARA 25 PARA 30 PARA 35
(MULHER) (HOMEM)

DE 15 ANOS 1,00 1,33 1,67 2,00 2,33

DE 20 ANOS 0,75 1,00 1,25 1,50 1,75

DE 25 ANOS 0,60 0,80 1,00 1,20 1,40


APOSENTADORIA ESPECIAL

 Conversão mais comum é a conversão do tempo especial em


comum.

 Tempo especial que será convertido = 15 anos.

 15 x 360 = 5400 dias de tempo especial

 5400 dias x fator multiplicado 1,40 = 7560 dias de TC

 Vamos achar isso em anos

 7560 / 360 = 21 anos

 Portanto Jorge tem 15 anos de comum + 21 anos que foram


convertidos do especial para comum, totalizando 36 anos de tempo
de contribuição comum. Jorge estará aposentado!
 Bibliografia

 Ribeiro, Maria Helena Carreira Alvim. Aposentadoria


Especial. 7.º edição. Ed. Juruá.

 Ladenthin, Adriane Bramante de Castro. Aposentadoria


Especial. 4.º Edição. Ed. Juruá

 Berbel, Fábio Lopes Vilela. Manual da Aposentadoria


Especial. Ed. Quartier Latin

 Leitão, André Studart. Aposentadoria Especial – Doutrina


e Jurisprudência. Ed. Quartier Latin

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