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SUMÁRIO

SUMÁRIO___________________________________________________________ II

TABELA DE CONVERSÃO DE UNIDADES ___________________________ V

TABELA COM PROPRIEDADES DE MATERIAIS ______________________ 6

CÁLCULO DAS REAÇÕES ___________________________________________ 1

1.1 – Tipos de suportes (ou apoios) ____________________________________ 1

1.2 – Tipos de carregamentos _________________________________________ 2

MECÂNICA DOS SÓLIDOS A 1.3 – Classificação de vigas __________________________________________ 3

1.4 – Cálculo das reações nas vigas ___________________________________ 4

DIAGRAMAS DE ESFORÇOS INTERNOS _____________________________ 7

2.1 – Método das seções ______________________________________________ 7

2.1.1 – Força cortante nas vigas (V) ____________________________ 8


2.1.2 – Força axial nas vigas (P) ________________________________ 8
2.1.3 – Momento fletor (M) ____________________________________ 8
2.1.4 – Diagramas de forças cortante e axial e do momento fletor 9
2.2 – Método do somatório. __________________________________________ 22

2.2.1 – Equações diferenciais de equilíbrio ____________________ 22


José Carlos de C. Pereira TENSÃO ___________________________________________________________ 29

3.1 – Definição de Tensão ___________________________________________ 29

3.2 – Tensor de Tensões _____________________________________________ 30

3.3 – Tensões em membros com carregamento axial ___________________ 31

3.3.1 – Carga axial ___________________________________________ 31


3.3.2 – Tensão média de cisalhamento ________________________ 31
3.4 – Tensões Admissíveis; Fator de segurança _______________________ 36

3.5 – Projeto de membros e pinos com carregamento axial _____________ 37

DEFORMAÇÃO ____________________________________________________ 45
Florianópolis, março de 2014
4.1 – Significado físico da deformação ________________________________ 45

4.2 – Definição matemática de deformação ___________________________ 45

4.3 – Propriedades mecânicas dos materiais isotrópicos _______________ 47


4.3.1 – Diagrama tensão-deformação __________________________ 47 7.3 – Distribuição da tensão de cisalhamento em vigas _______________106
4.3.2 – Coeficiente de Poisson para materiais isotrópicos _______ 52 7.4 – Tensão de cisalhamento em vigas com diferentes materiais
4.3.3 – Lei de Hooke para materiais isotrópicos (Estado triaxial de (Método da rigidez equivalente) ________________________________________110
tensões) ________________________________________________________ 53
4.4 – Energias de deformação elástica _______________________________ 54 7.5 – Fluxo de cisalhamento ________________________________________114

TENSÕES COMPOSTAS ___________________________________________ 121


4.4.1 – Energia de deformação elástica para tensão uniaxial ___ 54
4.4.2 – Energia de deformação elástica para tensão de 8.1 – Superposição e suas limitações ________________________________121
cisalhamento ___________________________________________________ 55
8.2 – Flexão oblíqua ________________________________________________124
4.4.3 – Energia de deformação elástica para um estado de tensão
8.3 – Elementos estruturais com carregamento excêntrico ____________127
multiaxial _____________________________________________________________ 55
8.4 – Superposição de tensões de cisalhamento ______________________130
4.5 – Deformação de membros carregados axialmente _________________ 56
TRANSFORMAÇÃO DE TENSÃO ___________________________________ 133
4.6 – Tensões Residuais _____________________________________________ 62
9.1 – Introdução ___________________________________________________133
TORÇÃO ___________________________________________________________ 67
9.2 – Equações gerais para transformação de tensão plana __________137
5.1 – Aplicação do método das seções ________________________________ 67
9.3 – Círculo de tensões de Mohr ____________________________________138
5.2 – Premissas Básicas _____________________________________________ 68
9.3 – Construção do círculo de tensões de Mohr ______________________140
5.3 – A fórmula da torção ____________________________________________ 68
9.4 – Importante transformação de tensão ___________________________145
5.4 – Observações sobre a fórmula da torção _________________________ 69
9.6 – Tensões principais para o estado geral de tensões ______________147
5.5 – Projeto de membros circulares em torção ________________________ 73
9.7 – Círculo de Mohr para o estado geral de tensões _________________148
5.6 – Ângulo de torção de membros circulares ________________________ 74
9.8 – Critérios de escoamento e de fratura ___________________________150
5.7 – Fórmula da torção para eixos com diferentes materiais __________ 81
9.7.1 – Observações preliminares ____________________________ 150
5.8 – Membros maciços não circulares ________________________________ 84
9.7.2 – Teoria da máxima tensão de cisalhamento (Tresca) (mat.
TENSÃO DE FLEXÃO EM VIGAS ___________________________________ 86 dúcteis) _______________________________________________________ 150
6.1 – Premissa cinemática básica ____________________________________ 86 9.7.3 – Teoria da máxima energia de distorção (von Mises) (mat.
dúcteis) _______________________________________________________ 153
6.2 – Fórmula da flexão elástica _____________________________________ 87
9.7.4 – Teoria da máxima tensão normal (mat. frágeis) ________ 157
6.3 – Centróide de área______________________________________________ 89

6.4 – Momento de inércia de área ____________________________________ 91

6.5 – Flexão pura de vigas com seção assimétrica _____________________ 95

6.6 – Tensão de flexão em vigas com diferentes materiais (Método da


rigidez equivalente) ____________________________________________________ 98

TENSÃO DE CISALHAMENTO EM VIGAS __________________________ 103

7.1 – Preliminares __________________________________________________103

7.2 – Fórmula da tensão de cisalhamento em vigas __________________104


TABELA DE CONVERSÃO DE UNIDADES TABELA COM PROPRIEDADES DE MATERIAIS

Material Densidade Módulo de Módulo de Tensão de Tensão Coeficiente


Para converter em multiplicar por ρ (kg/m3) elasticidade cisalhamento escoamento Limite de de Poisson ν
E (GPa) G (GPa) σE (MPa) Resistência
bar Atmosfera (atm) 0,98692
σR (MPa)
bar kg/cm2 1,0197 Aço estrutural 7850 200 75 250 400 0,30
bar metros de coluna d’água 10,197 A-36
Aço Inoxidável 7860 193 75 207 517 0,27
bar Pascal (N/m2) 105
304
bar psi (pound/in2) 14,504 Alumínio 2790 73,1 27 414 469 0,35
CV kilowatt (kW) 0,73550 2014-T6
Alumínio 2791 68,9 26 255 290 0,35
foot metro (m) 0,30480
6061-T6
HP kilowatt (kW) 0,74570 Ferro Fundido 7190 67,0 27 - 179 0,28
inch metro (m) 0,0254 Cinza ASTM
20
kgf Newton (N) 9,80665
Ferro Fundido 7280 172 68 - 276 0,28
Kg/cm2 Pascal (N/m2) 9,80665.104 Maleável
ASTM A-197
kilowatt (kW) Nm/mim 60.103
Liga de Titânio 4430 120 44 924 1000 0,36
pound force Newton Newton (N) 4,4482 Ti-6A1-4V
psi (pound/in2) Pascal (N/m2) 6,8948.103 Madeira Abeto 470 13,1 - - 2,1 0,29
Douglas
rpm rad/s 0,10472

Cálculo das Reações Pag. 6


Mecânica dos Sólidos

d) Engastamento: (Resiste à uma força que age em qualquer direção e à um

CAPÍTULO 1 momento)

MA
A
RAx

CÁLCULO DAS REAÇÕES RAy

1.1 – TIPOS DE SUPORTES (OU APOIOS)

1.2 – TIPOS DE CARREGAMENTOS


a) Articulação: (Resiste à uma força em apenas uma direção)

pinos a) Forças concentradas

B viga
P P
RB
RAx
A
A B =

b)Rolete: (Resiste à uma força em apenas uma direção) W RAy W RB

RA b) Carga uniforme distribuída


rolete
A viga viga A

90° carga w(kgf/m)

roletes
RA RAx

A B
c) Pino: (Resiste à uma força que age em qualquer direção)
RAy L RB
pino
RAx

A =
A Observação: Para o cálculo das reações de apoio, a carga uniforme
RAx
distribuída é substituída por uma força concentrada equivalente W igual a
área da figura geométrica da carga e que passa pelo seu centróide: W = p . L
RAy RAy

Cálculo das Reações Pag. 2


Mecânica dos Sólidos Mecânica dos Sólidos

c) Carga uniformemente variável w (kgf/m)

carga w (kgf/m)
L
RAx
A B = c) Em balanço nas extremidades
w (kgf/m)
P
RAy L RB

Observação: Para o cálculo das reações de apoio, a carga uniforme


L
variável é substituída por uma força concentrada equivalente W igual a área
da figura geométrica da carga e que passa pelo seu centróide: W = (p . L) /2
d) Momento concentrado d) Bi-engastada (fixa)

P
RAx
W

A B =
d
L
M = W.d
W RAy RB

e) Engastada- Apoiada
P P
1.3 – CLASSIFICAÇÃO DE VIGAS

a) Simplesmente apoiadas
L
P w (kgf/m)

L 1.4 – CÁLCULO DAS REAÇÕES NAS VIGAS


L

Equações de equilíbrio estático (forças aplicadas em um plano):


b) Em balanço ∑ Fx = 0 , ∑F y
=0 e ∑M A ou B
= 0 ou ∑F x
= 0, ∑M A
=0 e ∑M B
=0

Cálculo das Reações Pag. 3 Cálculo das Reações Pag. 4


Mecânica dos Sólidos Mecânica dos Sólidos

Exemplo 1.1: Calcular as reações nos apoios da viga. Desprezar o peso da Diagrama de corpo livre (D.C.L.):
viga. P
L/2 P/2

100 kgf 160 kgf


200 kgf.m B
A Mc = P/2.a
C
A B P/2 L a
P/2
P/2
0,5 m 0,5 m 0,5 m 0,5 m

Diagrama de corpo livre (D.C.L.):

100 kgf 160 kgf


200 kgf.m

RAx A
B

0,5 m 0,5 m 0,5 m 0,5 m


RAy RB


∑F x
=0
RAx = 0
∑M A
=0
↵ , 200 + 100 . 1+160 . 1,5 – RB . 2 = 0 RB = 270 kgf


∑F y
=0
, RAy - 100 - 160 + 270 = 0 RAy = - 10 kgf

Verificação:
∑ M B = 0 - 10 . 2 + 200 - 100 . 1-160 . 0,5 = 0
↵ OK

Observação: Nenhum momento é transmitido por uma junta articulada.


Apenas as forças horizontais e verticais são transmitidas.

P articulação
L/2

A
B C
L a

Cálculo das Reações Pag. 5 Cálculo das Reações Pag. 6


Mecânica dos Sólidos A 8

2.1.1 – Força cortante nas vigas (V)

CAPÍTULO 2 A força cortante V, perpendicular ao eixo da viga, deve ser introduzida


na seção: A-A para satisfazer a equação de equilíbrio ∑F y
=0 .

A força cortante é definida positiva quando girar a seção no sentido


anti-horário.
DIAGRAMAS DE ESFORÇOS INTERNOS
a b

+V +V
2.1 – MÉTODO DAS SEÇÕES
a b

O método das seções estabelece procedimentos para a determinação


dos esforços internos ao longo do comprimento da viga. O conceito de Figura 2.2 – Força cortante

equilíbrio das partes de um corpo é utilizado quando o corpo com um todo


2.1.2 – Força axial nas vigas (P)
está em equilíbrio.
A força axial P, paralela ao eixo da viga e que passa pelo centróide da
a seção, deve ser introduzida na seção A-A para satisfazer a equação de
P1

w1
equilíbrio ∑F x
=0 .
w2
P2 A força axial é definida positiva ou de tração quando agir de dentro
B
A para fora da seção e negativa ou de compressão em caso contrário.
RAx
a
RAy a b
RB
+P +P

a b
M
P2 P
Figura 2.3 – Força axial
V
P1 2.1.3 – Momento fletor (M)

w1 O momento fletor M, que gira em torno de um eixo perpendicular ao


M w2
P
plano que contêm a viga, deve ser introduzido na seção A-A para satisfazer a
B
A
V RAx equação de equilíbrio ∑M z
= 0 . Para isto, o momento provocado pelas forças
RAy RB
é normalmente calculado em torno do ponto de interseção de V e P.
Figura 2.1 – Esforços internos em vigas O momento fletor é definido positivo quando tracionar a parte interior
da viga e comprimir a parte superior da viga , e negativo em caso contrário.
onde V é a força cortante, P é a força axial e M é o momento fletor.

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 8


Mecânica dos Sólidos A 9 Mecânica dos Sólidos A 10

a
Verificação:
b
+M +M
∑M = 4 . 5 – 2 . 10 = 0 (OK)
↵ A

a b
b - Determinar as forças cortante e axial e o momento fletor em seções entre
duas forças concentradas.
Figura 2.4 – Momento fletor
Seção c-c (0<x<5):

2.1.4 – Diagramas de forças cortante e axial e do momento fletor


4t
Os diagramas de esforços internos são traçados para se determinar a c
evolução das forças cortante e axial e do momento fletor ao longo da viga, 3t
3t
respectivamente.
2t c
2t
Exemplo 2.1: Traçar os diagramas de forças cortante, força axial e de M
3t P
momento fletor para a viga abaixo, sujeita à força inclinada de P = 5 t .
Desprezar o peso da viga. x V
2t

P=5t
→ ∑ Fx = 0 , P + 3 = 0 , P = - 3 (t)
4
3 ↑ ∑ Fy = 0 , V + 2 = 0 , V = - 2 (t)
A B
∑M =0, -2 . x + M = 0 , M = 2 x (t.m)
5m 5m ↵ c

Seção d-d (5 < x < 10):


4t
a - Determinar as reações de apoio. d
3t
Diagrama de corpo livre (D.C.L.): 3t

4t
d
2t 2t
3t M
RAx
P

RAy RB x V
2t

→ ∑ Fx = 0 , P =0
→ ∑ F x = 0 , RAx – 3 = 0 , RAx = 3 t
↑ ∑ Fy = 0 , - V + 2 = 0 , V = 2 (t)
∑M = 0 , RAy . 10 – 4 . 5 = 0 , RAy = 2 t
↵ B

∑M = 0 , -2 . ( 10 – x ) + M = 0, M = - 2 x + 20 (t.m)
↑ ∑ F y = 0 , 2 – 4 + RAB = 0 , RB = 2 t ↵ d

c - Traçar os diagramas de força cortante, força axial e do momento fletor.

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 9 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 10
Mecânica dos Sólidos A 11 Mecânica dos Sólidos A 12

4t 4t

3t 8 t.m
3t 2 t/m

2t RBx
2t
2m 2m 2m
RBy
+ +2 RA

-2 - 4
Força cortante (t)
→ ∑ F x = 0 , RBx = 0

Força axial (t) -3 - 3 ∑M = 0 , - 4 . 5 + RA .4 + 8 = 0 , RA = 3 t


↵ B

10 ↑ ∑ F y = 0 , - 4 + 3 + RBy = 0 , RBy = 1 t
Momento fletor (t.m)
+ + Verificação:
∑M =-4.1+8-1.4 =0 (OK)
↵ A

Conclusões Importantes:
2 - Determinar as forças cortante e o momento fletor em seções entre forças
Ponto de força concentrada vertical ⇒ Discontinuidade no diagrama de força
e momentos concentrados e ao longo de uma carga distribuída.
cortante igual a força concentrada vertical.
Seção c-c (0 < x < 2):
Ponto de força concentrada axial ⇒ Discontinuidade no diagrama de força
axial igual a força concentrada axial. c

8 t.m
2 t/m
Exemplo 2.2: Traçar os diagramas de força cortante e de momento fletor
para a viga apresentada abaixo, sujeita à uma força distribuída e a um
c
momento concentrado.
x 1t
3t
w = 2 t/m
M =8 t.m 2x

M
P
V
B
A
2m 2m 2m

→ ∑ Fx = 0 , P =0

↑ ∑ Fy = 0 , - 2.x + V = 0 , V = 2 x (t)
a - Determinar as reações nos apoios (D.C.L.):
Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 11 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 12
Mecânica dos Sólidos A 13 Mecânica dos Sólidos A 14

∑M =0, 2.x.x/2+M=0, M = - x2 (t.m) ∑M =0, -1.(6–x)+M=0, M = - x + 6 (t.m)


↵ C
↵ E

Seção d-d (2 < x < 4): c - Traçar os diagramas de força cortante e do momento fletor.
d

8 t.m 8 t.m
2 t/m 2 t/m

x 3t 3t 1t
1t
4t 3
Força cortante (t)
M +
P + +
V

Momento fletor (t.m) +


- - 8
3t

→ ∑ Fx = 0 , P =0

↑ ∑ Fy = 0 , -4+3+V=0 , V = 1 (t)
Conclusões Importantes (além das anteriores):
∑M = 0, 4 . (x – 1) – 3 . ( x – 2) + M = 0 , M = - x - 2 (t.m)
↵ d
Ponto de momento concentrado ⇒ Discontinuidade no diagrama de
Seção e-e (4 < x < 6): momento fletor igual ao momento concentrado.
e
8 t.m
2 t/m Exemplo 2.3: Os skis suportam um homem de 80 kg. Se o carregamento da
neve na superfície inferior de um ski é trapezoidal como mostrado abaixo,
determine a intensidade w e traçe os diagramas de força cortante e de
e
x 1t momento fletor para um ski. Tome g=10 m/s2.
3t

P M
P

V 1m
1t
C D E
A B

→ ∑ Fx = 0 , P =0
w w
↑ ∑ Fy = 0 , -V+1=0 , V = 1 (t)
0,5 m 1m 0,5 m

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 13 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 14
Mecânica dos Sólidos A 15 Mecânica dos Sólidos A 16

↑ ∑ F y = 0 , 0,25 w + w + 0,25 w – 400 = 0 , w = 266,67 N/m 400 N

Trecho AB
x
M
V
200
w’ = w x / 0,5 66,67
+
w’ x / 2
Força cortante (N) +
- 400
wx x -
↑ ∑ Fy = 0 , + V = 0 , V = - 266,67 x2 (N)
0,5 2 -66,67
-200
 p / x = 0, V = 0 77,78

p / x = 0,5 , V = −66,67 N

wx x x 11,11 11,11
∑M = 0 , − + M = 0 , M = 88,89 x3 (N.m) Momento fletor (N.m)
↵ 0,5 2 3 + +
+ +
 p / x = 0, M = 0

p / x = 0,5 , M = 11,11 Nm

Trecho BC Exemplo 2.4: Determine os diagramas de força cortante e de momento fletor


para a viga abaixo.
0,5 x
M
V 4t
1t

0,5 m
2,5 m

w 0,5/ 2
w.x Força total 6t Força total 1t

w 0,5
↑ ∑ Fy = 0 , + w x + V = 0 , V = - 266,67 x – 66,67 (N) C E F
2 B
A G
 p / x = 0, V = −66,67 N D

p / x = 0,5 , V = −200 N 3m 2,5 m 3,75 m

0,5 m

1,25 m
w 0,5  1  x
∑M = 0 , −
2 
0,5 + x  − w x + M = 0 , M = 133,34x2 + 66,67x +11,11
↵ 3  2

 p / x = 0, M = 11,11 N.m

p / x = 0,5 , M = 77,78 N.m

Devido à simetria, os diagramas de força cortante e momento fletor são:

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 15 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 16
Mecânica dos Sólidos A 17 Mecânica dos Sólidos A 18

Diagrama de Corpo Livre (DCL): → ∑ Fx = 0 , REx = 0 ⇒ RBx = RCx = REx = 0


Viga CDE:
∑M E =0, 2 . (1,25 + 3,75) – RFy . 3,75 + 1 . 3,75/3 = 0 ⇒ RFy = 3 t

4t
1t
↑ ∑ Fy = 0 , – 6 + RFy – 1 + RGy = 0 ⇒ RGy = 0 t
0,5 m
2,5 m

Viga ABC
Trecho AB (0 < x < 3):
5t 2x
w . 3 = 6 t (força total)
M
C E REx C 2,5 t.m E REx w = 2 t/m w =2
RCx RCx
=
D D
x V
2,5 m 2,5 m
RCy RCy
REy REy 2,5

↑ ∑ F y = 0 , 2,5 – 2 x + V = 0 ⇒ V = 2 x – 2,5 (t)


→ ∑ Fx = 0 , Rcx – REx = 0 ⇒ Rcx = REx p/ x = 0 , VA = – 2,5 t

∑M C =0, REx . 2,5 – 1 . 3 – 4 . 0,5 = 0 ⇒ REy = 2 t p/ x = 3 , VB = 3,5 t



∑ M = 0 , – 2,5 x + 2 x x / 2 + M = 0 ⇒ M = – x2 + 2,5 x (t.m)
↑ ∑ Fy = 0 , Rcy + REy – 4 – 1 = 0 ⇒ Rcy = 3 t ↵

Viga ABC: p/ x = 0 , MA = 0 t.m


6t
p/ x = 3 , MB = – 1,5 t.m
Rcy = 3 t

A B C Rcx
dM
Momento máximo: =0, – 2 x + 2,5 = 0 ⇒ x = 1,25 m
dx
RBx
3m Mmax (x = 1,25m) = – (1,25)2 + 2,5 . 1,25 ⇒ Mmax = 1,5625 (t.m)
0,5 m

RAy
RBy Trecho BC (0 < x < 0,5):

→ ∑ Fx = 0 , RBx – RCx = 0 ⇒ RBx = RCx 3


M
∑M A =0, RBy . 3 – 6 . 1,5 – Rcy . 3,5 = 0 ⇒ RBy = 6,5 t

↑ ∑ Fy = 0 , RAy + REy – 6 – RCy = 0 ⇒ RAy = 2,5 t x V
1t
Viga EFG:
REy=2 t
↑ ∑ F y = 0 , – 3 – V = 0 ⇒ V = – 3 (t)
REx E F
G p/ x = 0 , VB = – 3 t
p/ x = 0,5 , VC = – 3 t
1,25 m

3,75 m
∑ M = 0 , – 3 . (0,5 – x) – M = 0 ⇒ M = 3 x – 1,5 (t.m)
RGy ↵
RFy

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 17 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 18
Mecânica dos Sólidos A 19 Mecânica dos Sólidos A 20

p/ x = 0 , MB = – 1,5 t.m Viga EFG


p/ x = 0,5 , MC = 0 t.m Trecho EF (0 < x < 1,25):

2
M
Viga CDE
Trecho CD (0 < x < 0,5):
x V
M

↑ ∑ F y = 0 , – 2 + V = 0 ⇒ V = 2 (t)
x V

3 p/ x = 0 , VE = 2 t
p/ x = 1,25 , VF = 2 t
↑ ∑ F y = 0 , 3 + V = 0 ⇒ V = – 3 (t)
∑ M = 0 , 2 x + M = 0 ⇒ M = – 2 x (t.m)

p/ x = 0 , VC = – 3 t
p/ x = 0 , ME = 0 t.m
p/ x = 0,5 , VD = – 3 t
p/ x = 1,25 , MF = - 2,5 t.m
∑ M = 0 , – 3 x + M = 0 ⇒ M = 3 x (t.m)

p/ x = 0 , MC = 0 t.m Trecho FG (0 < x < 3,75):
p/ x = 0,5 , MD = 1,5 t.m w.3,75
= 1 (total)
2 w’x / 2
2
2 w’
Trecho DE (0 < x < 2): w= (t.m) M
M 3,75

w → 3,75
1,25 x V
w' → x
x V
2 3
2 w' = x
3,752

↑ ∑ F y = 0 ,– V + 2 = 0 ⇒ V = 2 (t) ↑ ∑ F y = 0 , – 2 + 3 – w’ x / 2 + V = 0 ⇒ V =
x2
− x (t)
3,752
p/ x = 0 , VD = 2 t
p/ x = 0 , VF = – 1 t
p/ x = 2 , VE = 2 t
p/ x = 3,75 , VG = 0 t
∑ M = 0 , 2 . (2 – x) – M = 0 ⇒ M = – 2 x + 4 (t.m)

3
x
∑ M = 0 , 2.(1,25 + x) – 3.x + (w’ x/2).x/3 + M = 0 ⇒ M = − 3. 3,752 + x − 2,5 (t.m)

p/ x = 0 , MD = 4 t.m
p/ x = 0 , MF = – 2,5 t.m
p/ x = 2 , ME = 0 t.m
p/ x = 3,75 , MG = 0 t.m

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 19 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 20
Mecânica dos Sólidos A 21 Mecânica dos Sólidos A 22

Viga ABC: Viga EFG:


Rcy = 3 t

B C Rcx 1t
A
REy=2 t
RBx
REx E F
RAy
G
RBy 3

6
RGy
RFy
Força cortante (t) 2,5 -3
3
1,5625 Força cortante (t) 2

Momento fletor (t.m) -1

Momento fletor (t.m)

-1,5
-2,5

Viga CDE
5t
2.2 – MÉTODO DO SOMATÓRIO.
RCx C 2,5 t.m E REx

2.2.1 – Equações diferenciais de equilíbrio


D
RCy Considere a viga com uma carga distribuída w(x).
REy

2t
Força cortante (t) y w(x)
-3 t
4

2,5
1,5 x
Momento fletor (t.m) ∆x

+w(x)
y
M V+∆V
M+∆M
A x
V
∆x

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 21 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 22
Mecânica dos Sólidos A 23 Mecânica dos Sólidos A 24

Pelas condições de equilíbrio das forças verticais ( ∑ F y = 0 ) e dos b - Traçar os diagramas de força cortante e momento fletor.

momentos ( ∑ M = 0 ) temos: P P
B
A
∆V

∑ F y = 0 , − V + w . ∆x + (V + ∆V) = 0 ⇒ ∆x = −w (2.1)
∆x ∆M ∆x
∑ MA = 0 , M − V . ∆x + w . ∆x . 2 − (M + ∆M) = 0 ⇒ ∆x = −V + w . 2
↵ (2.2) P P
+P
As eqs. (2.1) e (2.2) sendo avaliadas no limite, quando ∆x ⇒0, +
Força Cortante
fornecem as duas equações diferenciais básicas: -P -

x
PL/4
∆V dV
lim ≡ = −w V(x) = − ∫ w(x) . dx + C1
∆x →0 ∆x dx ⇒ 0 (2.3) Momento Fletor
+
e

x
∆M dM
lim ≡ = −V M(x) = − ∫ V(x) . dx + C2
∆x →0 ∆x dx ⇒ 0 (2.4)
Exemplo 2.6: Construir os diagramas de força cortante e momento fletor

Exemplo 2.5: Traçar os diagramas de força cortante e momento fletor para a para a viga com o carregamento mostrado abaixo, usando o método do

viga usando o método do somatório. somatório.

P P
10 t
B 2 t/m 4
A 1 t/m
3

L/4 L/2 L/4 C A D B E F G


RA RB 3m 3m 1m 1m 2m 1m

a - Determinar as reações nos apoios.


L 3L a - Determinar as reações nos apoios.
∑M = 0 , −P . −P. + R B . L = 0 ⇒ RB = P
↵ A
4 4

↑ ∑ F y = 0 , RA - P – P + P = 0 ⇒ RA = P

Da eq. (2.3), sabendo que w(x) = 0 ⇒ V(x) = constante = V. Da eq.(2.4), como


V é constante, a equação de momento fletor no trecho é da forma: M(x) = - V
x + C2

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 23 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 24
Mecânica dos Sólidos A 25 Mecânica dos Sólidos A 26

 1 x3 2 2 
10 t M(x) = −  − + x  + C2
8t  3 3 2 
3t 2t

2 t/m
p/ x = 0 , Mc = 0 ⇒ C2 = 0 (não há momento concentrado em C)
6t 1 t/m
x3
M(x) = − x 2 (t.m)
9
C RAx A D B E F G
RB
p/ x = 3 ⇒ MA = -6 t . m
RAy
3m 3m 1m 1m 2m 1m

força axial: P = O

→ ∑ F x = 0 , RAx – 6 = 0 ⇒ RAx = 6 t
Trecho A-D:
∑M = 0 , 3 . 2 - 8 . 3 + RB .4 – 2 . 6 = 0 ⇒ RB = 7,5 t
↵ A x
V(x) = − ∫ w(x) dx + C1
↑ ∑ F y = 0 , - 3 + RAy – 8 + 7,5 – 2 = 0 ⇒ RAy = 5,5 t 0

como w(x) = 0 ⇒ V(x) = constante = C1 = - 2,5 t

b - Determinar as funções da força cortante V(x) e do momento fletor M(x)


x x

para cada trecho da viga. M(x) = − ∫ V(x) dx + C2 , M(x) = − ∫ ( −2,5 ) dx + C2 ⇒ M(x) = 2,5 x + C2
0 0
Partir da extremidade mais a esquerda, ponto C:
p/ x = 0 , MA = -6 ⇒ C2 = - 6 (não há momento concentrado em A)
Trecho C-A:
x
V(x) = − ∫ w(x) dx + C1 M(x) = 2,5 x − 6 (t.m)
0

p / x = 0 , w = −2 ⇒ b = −2
p/ x = 3 ⇒ MD = 1,5 t . m

w(x) = ax + b ⋯  2
 p/x = 3, w = 0 ⇒ a = 3

força axial: P = - 6 t
2
w(x) = x − 2 (t/m)
3
x
Trecho D-B:
2  2 x2
V(x) = − ∫  x − 2  dx + C1 ⇒ V(x) = − + 2x + C1 (t) x
0  3  3 2
V(x) = − ∫ w(x) dx + C1
0
p/ x = 0 , Vc = 0 ⇒ C1 = 0 (não há força concentrada em C)
como w(x) = 0 ⇒ V(x) = constante = C1 = 5,5 t
x2
V(x) = − + 2x x x
3
M(x) = − ∫ V(x) dx + C2 , M(x) = − ∫ 5,5 dx + C2 ⇒ M(x) = −5,5 x + C2
p/ x = 3 ⇒ VA = 3 t 0 0

p/ x = 0 , MD = 1,5 ⇒ C2 = 1,5 (não há momento concentrado em D)


x x
 2x 2
 M(x) = 5,5 x + 1,5 (t.m)
M(x) = − ∫ V(x) dx + C2 ⇒ M(x) = − ∫  − + 2x  dx + C2
0 0
3 2  p/ x =1 ⇒ MB = - 4 t . m

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 25 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 26
Mecânica dos Sólidos A 27 Mecânica dos Sólidos A 28

Força axial P = 0 Traçar os diagramas de forças cortante e axial e de momento fletor.

Trecho B-E: 10 t
x
8t
V(x) = − ∫ w(x) dx + C1
2 t/m
0
6t 1 t/m

como w(x) = 0 ⇒ V(x) = constante = C1 = - 2 ⇒ V = - 2 t


C 6t A D B E F G

5,5 t 7,5 t
x x
M(x) = − ∫ V(x) dx + C2 , M(x) = − ∫ (−2) dx + C2 ⇒ M(x) = 2 x + C2
0 0 5,5
3
p/ x = 0 , MB = - 4 ⇒ C2 = - 4 (não há momento concentrado em B) +
Força +
M(x) = 2 x - 4 (t.m) cortante (t)
- -
p/ x =1 ⇒ ME = - 2 t . m 2
2,5

Força axial P = 0
1,5

Momento
Trecho E-F: fletor (t.m) -
x x
- - -2
V(x) = − ∫ w(x) dx + C1 , V(x) = − ∫ (−1) dx + C1 ⇒ V(x) = x − C1
0 0 -4
-6
p/ x = 0 , VE = - 2 ⇒ C1 = - 2 (não há força concentrado em E)
V(x) = x − 2 Força
axial (t)
p/ x = 2 ⇒ VF = 0 -
-6

x x
x2
M(x) = − ∫ V(x) dx + C2 , M(x) = − ∫ (x − 2) dx + C2 ⇒ M(x) = − + 2x + C2
0 0
2

p/ x = 0 , ME = -2 ⇒ C2 = - 2 (não há momento concentrado em E)


x2
M(x) = − + 2x − 2 (t.m)
2

p/ x = 2 ⇒ MF = 0 t . m

Força axial P = 0

não há forças e momentos concentrados: V = 0 , M = 0 , P = 0

Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 27 Diagramas de Força Axial, Força Cortante e Momento Fletor Pag. 28
Mecânica dos Sólidos A

O primeiro índice da tensão de cisalhamento indica o eixo que é

CAPÍTULO 3 perpendicular à face onde atua a tensão e o segundo indica a direção da


tensão.

3.2 – TENSOR DE TENSÕES


TENSÃO
Considere um elemento infinitesimal de dimensões ∆x, ∆y e ∆z com
todas as tensões que atuam sobre ele, Fig. 3.2.
3.1 – DEFINIÇÃO DE TENSÃO y

σy
Considere um o corpo seccionado, submetido à forças externas P1 e
σz
P2 e à forças internas ∆P atuantes em áreas infinitesimais ∆A, Fig.3.1.
τyx
ττyz
yz
ττxy
xy
y σx σx
τzy
P1 ∆Py ∆P
τzx τxz
∆A x
∆z
∆Px σz
∆y
x
∆Pz ∆x σy
P2 z
z
Figura 3.2 – Elemento infinitesimal solicitado triaxialmente

Figura 3.1 – Esforços externos einternos num corpo seccionado O tensor de tensões é uma matriz de dimensão (3x3) onde são
colocadas todas as tensões atuantes num elemento infinitesimal:
A tensão normal à face seccionada é por definição da forma:
 τxx τxy τxz   σ x τxy τxz 
∆Px    
τxx = σx = lim  τ yx τ yy τ yz  =  τ yx σy τ yz 
∆A →0 ∆A
τ (3.3)
(3.1)
 zx τ zy τ zz   τzx τ zy σz 

e, as tensões de cisalhamento que atuam na face seccionada são por


Verifica-se que o tensor de tensões é simétrico: τyx = τxy , τzx = τxz , τyz
definição da forma:
= τzy. Demonstração:
∆Py
τ xy = lim
∆A →0 ∆A ↵
∑M eixo z
=0
, (τyx . ∆x . ∆z ) ∆y - (τxy . ∆y . ∆z ) ∆x = 0 ⇒τyx = τxy
∆Pz (3.2)
τ xz = lim
∆A →0 ∆A

Tensão Pag. 30
Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

3.3 – TENSÕES EM MEMBROS COM CARREGAMENTO AXIAL


P P

3.3.1 – Carga axial

Considere uma barra sem peso e em equilíbrio, sujeita à duas forças V=P

F (tração ou compressão) em suas extremidades.


A

F Figura 3.4 – Corpo sendo cisalhado


F
Se o corpo que está sendo arrastado tem área A na interface de
contato entre os corpos, a tensão média de cisalhamento1 é da forma:

V
a τm =
a A (3.5)
P
A eq. (3.5) é frequentemente utilizada para dimensionar pinos,
A
parafusos, rebites, etc. que estão sendo solicitados por esforços cisalhantes.
F Corpos podem ser cisalhados de formas diferentes. Um corpo pode
Figura 3.3 – Barra solicitada axialmente estar sendo submetido à um cisalhamento simples quando, Fig. 3.5:

A área da seção transversal no ponto onde se seccionou a barra é A e P


P
a força interna é igual a P e positiva (se tracionada) ou negativa (se
comprimida), logo a tensão normal é da forma:

P Figura 3.5 – Corpo submetido à um cisalhamento simples


σ=
A (3.4)
O rebite que une os dois corpos que estão sendo tracionados é
No caso da barra estar sendo comprimida, seu comprimento deve ser
cisalhado na interface da seguinte forma, Fig. 3.6:
suficientemente pequeno para que não ocorra flambagem.
A
V=P
3.3.2 – Tensão média de cisalhamento
P

Considere um corpo sendo arrastado sobre outro corpo por


uma P.

Figura 3.6 – Rebite com cisalhamento simples

1 A tensão de cisalhamento é média pois a força que atua em cada área infinitesimal não é a
mesma.

Tensão Pag. 31 Tensão Pag. 32


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Se o rebite tem área A na interface e a força cortante V é P, a tensão


B 9 kN C 4 kN
de cisalhamento média é:
A D
12 kN 22 kN
V P
τm = =
A A (3.6)

Um corpo pode estar sendo submetido à um cisalhamento duplo 9 kN 4 kN


quando, Fig. 3.7:
Trecho AB:

P/2 12 kN A
P = 12 kN
P

P/2
P 12000 N N
σ AB = = = 34285714 2
A 0,035.0,010 m2 m
Figura 3.7 – Corpo submetido à um cisalhamento duplo

O rebite que une os três corpos que estão sendo tracionados é σAB = 34285714 Pa = 34,3 MPa
cisalhado na interface entre cada corpo é da forma, Fig. 3.8:
Trecho BC:
A
V = P/2
B 9 kN
P A
V = P/2 12 kN P = 30 kN

Figura 3.8 – Rebite com cisalhamento duplo 9 kN


Se o rebite tem área A na interface entre cada corpo, e a força cortante σBC
P
= =
30000 N
= 85,7 MPa
A 0,035.0,010 m2
V é P/2, a tensão de cisalhamento média é:

V P Trecho CD:
τm = =
A 2A (3.7)
D
P = 22 kN
22 kN
Exemplo 3.1: A barra abaixo tem largura de 35 mm e espessura de 10 mm,
constantes ao longo de seu comprimento. Determine as tensões normais nos
diferentes trechos da barra para o carregamento abaixo.
P 22000 N
σCD = = = 62,4 MPa
A 0,035.0,010 m2

Tensão Pag. 33 Tensão Pag. 34


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Exemplo 3.2: Determine as tensões nos pinos localizados em A e B com τA =


V 14300 / 2 N
= τA = 142,2 MPa
A π 82 mm2
diâmetros d = 8 mm e a tensão na barra BC para o conjunto abaixo:
4
A
Pino B:
C
V = RB
RB = 16,7 kN
15 kN b = 10 mm
3
A B
4
V 16700 N
τB = = τBC = 332,2 MPa
2m 1m A π 82 mm2
4
B
Barra BC:
P = RB

t = 5 mm

DCL da Barra AB: RB

15 kN RB
RA RAy
3 P 16700 N
B σBC = = = 334 MPa
4 A 10,5 mm2
RAx A

3 3.4 – TENSÕES ADMISSÍVEIS; FATOR DE SEGURANÇA


∑ MA = 0 , RB . . 3 − 15 . 2 = 0 ⇒ RB = 16,7 kN
↵ 5

3
Para garantir a segurança de uma estrutura, é necessário escolher
↑ ∑ FY = 0 , R Ay − 15 + R B . = 0 ⇒ RAy = 5 kN
5 uma tensão admissível que restrinja a carga aplicada, a uma que seja menor

→ ∑ Fx = 0 , − R Ax
4
+ RB . = 0 ⇒ RAy = 13,4 kN que aquela que a estrutura possa suportar. Há vários motivos para isso:
5
o imprecisão de cálculo,
Pino A:
o imperfeições oriundas do processo de fabricação,
R A = 52 + 13, 42 = 14,3 kN
o variabilidade nas propriedades mecânicas dos materiais,

RA = 14,3 kN o degradação do material, etc.


Uma das maneiras de especificar a tensão admissível é definir um
coeficiente de segurança dado por:
V = RA/2
σescoamento
η=
σadmissível
RA=14,3 kN
σruptura (3.8)
η=
σadmissível
V = RA/2

Tensão Pag. 35 Tensão Pag. 36


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

As tensões de ruptura são determinadas experimentalmente e o Exemplo 3.4: Duas vigas de madeira são conectadas por um parafuso em
coeficiente de segurança é selecionado baseado no tipo de estrutura e em B. Assumindo que as conexões em A, B, C, e D exercem somente forças
suas aplicações. verticais nas vigas. Determine o diâmetro do parafuso em B e o diâmetro
externo de sua arruela se a tensão admissível do parafuso é σadm p. = 150
MPa e a tensão admissível da madeira é σadm m. = 28 MPa.
3.5 – PROJETO DE MEMBROS E PINOS COM CARREGAMENTO AXIAL

1,5 kN
3 kN 2 kN
Exemplo 3.3: Determine o diâmetro da barra BC, se a tensão admissível é
σadm = 155 MPa. A viga é assumida ser parafusada em A. 2m 1,5 m 1,5 m 1,5 m 1,5 m
2m
C
D
A
B
C

15 kN/m m

A D.C.L. da Viga AB:


B

3m 1,5 m

D.C.L da barra AB:

22,5 kN 11,25 kN
∑M A =0 , -3 . 2 - RC . 4 + RB . 5,5 = 0 ⇒ Rc = 1,375 RB – 1,5

D.C.L. da Viga CD:


2 1
RB RA

∑ MA = 0 , − R B . 4,5 + 22,5 . 2,5 + 11, 25 .1 = 0 ⇒ RB = 15 kN

RB N 15000
σadm = , 155 = ⇒ dBC = 11,1 mm
A BC mm2 π dBC2 R R
4 ∑M D =0 , - RC . 6 + RB . 4,5 + 1,5 . 3 + 2 . 1,5 = 0

- (1,375 RB –1,5) . 6 + RB . 4,5 + 4,5 . 3 + 3 = 0 ⇒ RB = 4,4 kN

Parafuso:

Tensão Pag. 37 Tensão Pag. 38


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

RB 4400 Ponto E:
σadm P. = , 150 = ⇒ dP = 6,1 mm
π dP 2 π dP 2 E
4 3
4 4 cos θ = , sen θ = θ
5 5
F
Arruela: FBE
45°
FCE

de A 6,1 mm ↑ ∑ Fy = 0 , – F – FCE cos 45 – FBE sen θ = 0 ⇒ Fce = – 5,66 F (compressão)

→ ∑ F x = 0 , – FBE cos θ – FCE sen 45 = 0 ⇒ Fbe = 5 F (tração)

RB 4400 Ponto C:
σadm P. = , 26 = ⇒ de A = 15,4 mm
π d 2e A π d P 2 π d2e A π 6,12 FCE
− −
4 4 4 4
FCB C 45°

Exemplo 3.5: Determine a máxima força F que pode ser aplicada na


FCD
estrutura se as áreas das seções transversais das barras são A = 5000 mm2
e a tensão admissível de tração é σadm t = 14 kgf/mm2 e a tensão admissível
↑ ∑ Fy = 0 , FCD – FCE sen 45 = 0 ⇒ FCD = – 4 F (compressão)
de compressão é σadm c = 10,5 kgf/mm2 .
→ ∑ F x = 0 , FCB – FCE cos 45 = 0 ⇒ Fcb = – 4 F (compressão)

E
Ponto B:
FBE
F
9m
B θ
FBC

B 45°
C
3m FBA FBD
A D
→ ∑ F x = 0 , – FBD cos 45 – FBC + FBE cos θ = 0 ⇒FBD = 0
R Ax

3m 9m ↑ ∑ Fy = 0 , FBA + FBE sen θ = 0 ⇒ FBA = – 3 F (tração)


R Ay
R Dy

Ponto A: FBA
→∑
Fx = 0
⇒ RAx = 0

↵∑
MA = 0 A FAD
, R Dy . 3 – F . 12 = 0 ⇒ RDy = 4 F

↑∑
Fy = 0 RAx
, –R Ay + R Dy – F = 0 ⇒RAy = 3 F
RAy

Tensão Pag. 39 Tensão Pag. 40


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

→ ∑ F x = 0 , RAx + FAD = 0 ⇒FAD = 0 ∑ MA = 0 , R Fy . 6 – 12 . 4 – 12 . 2 = 0 ⇒R Fy = 12 t



↑ ∑ F y = 0 , – RAy + FBA = 0 ⇒ FBA = 3 F (tração) ↑ ∑ Fy = 0 , R +R – 12 – 12 = 0 ⇒R = 12 F
Ay Fy Ay

barra CE: Ponto A:


FCE 5, 66 F FAB
σadm c = , 10,5 = , F = 9.276 kgf 2 1,5
A 5000 cos θ = , sen θ = θ
2,5 2,5
barra BE: RAx E FAC
F 5F RAy
σadm t = BE , 14 = , F = 14.000 kgf
A 5000
↑ ∑ Fy = 0 , RAy – FAB sen θ = 0 ⇒ FAB = 20 t (compressão)
barra CD:

σadm c =
FCD
, 10,5 =
4F
, F = 13.125 kgf → ∑ F x = 0 , RAx – FAB cos θ + FAC = 0 ⇒ FAC = 16 t (tração)
A 5000
Ponto C:
barra CB:
FBC
FCB 4F
σadm c = , 10,5 = , F = 13.125 kgf
A 5000

barra BA: FAC C FCE


12
F 3F
σadm t = BA , 14 = , F = 23.333 kgf
A 5000

Resposta: A máxima força F é a de F = 9.276 kgf, pois qualquer força maior ↑ ∑ Fy = 0 , FBC – 12 = 0 ⇒ FBC = 12 t (tração)
que está produziria uma tensão superior a tensão admissível.
→ ∑ F x = 0 , – FAC + FCE = 0 ⇒ FCE = 16 t (tração)

Ponto B:
Exemplo 3.6: A estrutura treliçada abaixo suporta duas forças de 12 t. Se
B
as tensões admissíveis são σadm t = 14 kgf/mm2 em tração e σadm c = 10,5
kgf/mm2 emcompressão, determine a menor seção transversal possível para θ θ FBD
FAB FBC
as barras. FBE

B D ↑ ∑ Fy = 0 , FAB sen θ – FBC + FBE sen θ = 0 ⇒ FBE = 0 t

1,5 m
→ ∑ F x = 0 , FAB cos θ – FBE cos θ + FBD = 0 ⇒ FBD = –16 t (compressão)

F
Ponto D:
A
C FBD D
R Ax E
2m 2m 2m
RAy R Fy θ
12 t 12 t
FDE FDF

→ ∑ F x = 0 ⇒ R Ax = 0 → ∑ F x = 0 , FBD – FDF cos θ = 0 ⇒ FDF = 20 t (compressão)

Tensão Pag. 41 Tensão Pag. 42


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

↑ ∑ Fy = 0 , – FDE + FDF sen θ = 0 ⇒ FDE = 12 t (tração) barra DF:


FDF 20.103
Ponto E: σadm c = , 10,5 = , ADF = 1904,8 mm2
A DF A DF
FBE
FDE
barra DE:
θ
FDE 12.103
σadm t = , 14 = , ADE = 857,2 mm2
FCE A DE A DE
E FEF
12
barra EF:
FEF 16.103
σadm t = , 14 = , AEF = 1142,9 mm2
↑ ∑ F y = 0 , – 12 + FDE + FBE sen θ = 0 (ok) A EF A EF

→ ∑ F x = 0 , – FCE – FBE cos θ + FEF = 0 ⇒ FEF = 16 t (tração) Resposta: A menor área possível é a de 1904,8 mm2, pois qualquer área
menor que está produziria uma tensão superior a tensão admissível.

Ponto F:
FDF

θ
F
FEF
RFy

↑ ∑ Fy = 0 , RFy – FDF sen θ = 0 (ok)

→ ∑ F x = 0 ,– FEF + FDF cos θ = 0 (ok)

barra AB:
FAB 20.103
σadm c = , 10,5 = , AAB = 1904,8 mm2
A AB A AB

barra AC:
FAC 16.103
σadm t = , 14 = , AAC = 1142,9 mm2
A AC A AC

barra BC:
FBC 12.103
σadm t = , 14 = , ABC = 857,2 mm2
A BC A BC

barra CE:
FCE 16.103
σadm t = , 14 = , ACE = 1142,9 mm2
A CE A CE

barra BD:
FBD 16.103
σadm c = , 10,5 = , ABD = 1523,8 mm2
A BD A BD

Tensão Pag. 43 Tensão Pag. 44


Mecânica dos Sólidos A 45 Mecânica dos Sólidos A 46

A A’ B
CAPÍTULO 4 0
u u+∆u
B’

x,u
∆x

Figura 4.2 – Representação matemática da deformação linear


DEFORMAÇÃO
Assim a definição de deformação linear no ponto A quando ∆ x → 0 é
definida como:
4.1 – SIGNIFICADO FÍSICO DA DEFORMAÇÃO
∆u du
Um corpo sólido se deforma quando sujeito à mudanças de ε = lim =
∆x →0 ∆x dx (4.2)
temperatura ou a uma carga externa, como mostrado abaixo.
Se ε > 0 = Alongação e ε < 0 = Contração.
Se o corpo se deforma em três direções ortogonais x, y, e z e u, v, e w
Lo
P P
são as três componentes do deslocamento nestas direções, as deformações
lineares são respectivamente:
L
∂u
εx =
∂x
Figura 4.1 – Representação gráfica da deformação linear
∂v
εy =
∂y (4.3)
Se Lo é o comprimento inicial e L é o comprimento final do corpo sob ∂w
εz =
tração, o alongamento é ∆L = L - L0 e o alongamento por unidade de ∂z

comprimento, chamado deformação linear, é definido como: Além da deformação linear, um corpo pode sofrer uma deformação

L
angular, como mostrado na Fig. 4.3.
dL ∆L
ε= ∫o L o =
Lo (4.1) y, v ∂u
∂u
u+ dy ∂y
∂y

4.2 – DEFINIÇÃO MATEMÁTICA DE DEFORMAÇÃO


E
Considere dois pontos localizados em uma direção x de um corpo ∂v
sólido na qual uma deformação linear está sendo considerada. dy ∂x
v
u C ∂v
A v+ dx
dx
∂x

x, u

Figura 4.3 – Representação gráfica da deformação angular


Deformação Pag. 45 Deformação Pag. 46
Mecânica dos Sólidos A 47 Mecânica dos Sólidos A 48

Assim, para pequenas mudanças de ângulo, a deformação angular O diagrama tensão-deformação é executado num corpo-de-prova
associada ao plano xy é definida por: padronizado, tendo como dimensões originais, a seção transversal A0 e o
comprimento L0. A tensão considerada no diagrama é a força aplicada P na
∂v ∂u
γ xy = γ yx = + seção transversal original A0:
∂x ∂y (4.4)

Se o corpo se deforma em mais planos ortogonais xz e yz, as σ=


P
A0 (4.6)
deformações angulares nestes planos são:
Da mesma forma, a deformação é obtida diretamente da leitura do
∂w ∂u
γ xz = γ zx = + extensômetro, ou pela divisão da variação de comprimento ∆L pelo
∂x ∂z
∂w ∂v (4.5) comprimento original L0.
γ yz = γ zy = +
∂y ∂z

∆L
ε=
L 0 (4.7)
4.3 – PROPRIEDADES MECÂNICAS DOS MATERIAIS ISOTRÓPICOS
O diagrama tensão-deformação é o gráfico dos correspondentes
4.3.1 – Diagrama tensão-deformação valores de σ e ε, onde o eixo das ordenadas representa as tensões σ e o eixo
Muitas propriedades de um material podem ser determinadas a partir das abcissas representa as deformações ε. É importante ressaltar que dois
de um ensaio de tração ou compressão, a partir de uma amostra do diagramas de dois corpos- de-prova de um mesmo material não são
material, Fig. 4.4. O resultado desse ensaio pode ser representado num exatamente idênticos, pois os resultados dependem de várias variáveis como,
diagrama tensão-deformação. composição do material, imperfeições microscópicas, fabricação, velocidade
de aplicação da carga e temperatura do ensaio. A Fig. 4.5 apresenta um
P
diagrama tensão-deformação de um aço usualmente utilizado na
engenharia, no qual pode-se distinguir diferentes regiões.

Lo
Ao

Figura 4.4 – Corpo-de-prova padronizado para ensaios de tração

Deformação Pag. 47 Deformação Pag. 48


Mecânica dos Sólidos A 49 Mecânica dos Sólidos A 50

tensão de escoamento, σY. Neste caso, mesmo se a carga for removida, o corpo-de-
ruptura
verdadeira
prova continuará deformado. O corpo-de-prova poderá continuar a se
tensão alongar mesmo sem qualquer aumento de carga. Nesta região, o material
última
tensão de é denominado perfeitamente plástico.
ruptura
σUU  Deformação específica por endurecimento: Se ao término do escoamento,
limite de
proporcionalida
limite elástico
uma carga adicional for aplicada ao corpo-de-prova, a tensão continuará
σR tensão de a aumentar com a deformação específica continuamente até atingir um
σY escoament
σP valor de tensão máxima, referida por tensão última, σU. Durante a
execução do ensaio nesta região, enquanto o corpo-de-prova é alongado,
E
sua área da seção transversal diminui ao longo de seu comprimento
nominal, até o ponto que a deformação corresponda a tensão última.
região escoament deformação específica estricção  Estricção: Ao atingir a tensão última, a área da seção transversal começa
elástic de endurecimento
a diminuir em uma região localizada do corpo-de-prova, e não mais ao
comportamento comportamento longo do seu comprimento nominal. Este fenômeno é causado pelo
elástico plástico
deslizamento de planos no interior do material e as deformações reais
Figura 4.5 – Diagrama tensão-deformação em um ensaio de tração produzidas pela tensão cisalhante (necking). Uma vez que a área da seção
transversal diminui constantemente, esta área só pode sustentar uma
O comportamento do corpo-de-prova pode ser de diferentes formas,
carga menor. Assim, o diagrama tensão-deformação tende a curvar-se
dependendo da intensidade da carga aplicada e do seu grau de deformação.
para baixo até a ruptura do corpo-de-prova com uma tensão de ruptura,
 Comportamento elástico: Quando o corpo-de-prova retorna à sua forma
original quando a carga aplicada é removida. O material é considerado σR.

linearmente elástico até o limite superior da tensão, chamado de limite de


proporcionalidade, σP. Até esse limite de proporcionalidade, a lei de
Hooke, que relaciona a tensão σ com a deformação ε pelo módulo de
elasticidade E do material é válida:

σ = E ε (4.8)

O material pode ainda se comportar elasticamente até o limite


elástico, mesmo se exceder ligeiramente este limite de proporcionalidade.
Neste caso porém, o comportamento não é mais linear.
 Escoamento: Um leve aumento na tensão, acima do limite elástico,
resultará numa acomodação do material causando uma deformação
permanente. A tensão que causa o escoamento é chamada de tensão de Figura 4.6 – Estricção da seção transversal do corpo-de-prova

Deformação Pag. 49 Deformação Pag. 50


Mecânica dos Sólidos A 51 Mecânica dos Sólidos A 52

A área sob a curva tensão-deformação representa a energia de A deformação dada pelo segmento CD é a deformação elástica recuperada. A
deformação absorvida pelo material. Quando a tensão atinge o limite de deformação permanente, εOC, é portanto:
proporcionalidade, σP, a energia de deformação é denominada módulo de εOC = 0,023 – 0,008 = 0,0150 mm/mm
resiliência. Quando a tensão atingir a tensão de ruptura, σR, a energia de Os módulos de resiliência inicial e final são:
deformação é denominada de tenacidade. Os materiais com alta tenacidade uinicial =
1 1
σ Y ε Y = 450
N
0,006 mm / mm = 1,35
N
2 2 mm2 mm2
são os mais utilizados em projetos estruturais, pois materiais com baixa
1 1 N N
tenacidade podem romper subitamente sem dar sinais de um rompimento ufinial = σP εP = 600 0,008 mm / mm = 2,40
2 2 mm2 mm2
iminente.
4.3.2 – Coeficiente de Poisson para materiais isotrópicos
Exemplo 4.1: O diagrama tensão-deformação de um material é mostrado Considere um corpo sólido submetido à uma força axial como mostra a
abaixo. Se um corpo-de-prova é carregado até 600 MPa, determine a Fig. 4.7. Pela definição, a deformação axial do corpo é da forma:
deformação permanente remanescente quando o corpo é descarregado.
Calcule também o módulo de resiliência antes e após a aplicação do ∆L
εx =
Lo (4.9)
carregamento.
e, a deformação lateral do corpo é da forma:
O módulo de elasticidade E é obtido pela inclinação da reta OA:
∆b
σY 450 MPa εy =
E= = = 75 GPa bo (4.10)
εY 0,006 mm / mm

Do triângulo CBD, temos:


BD 600 MPa
E= = = 75 GPa ⇒ CD = 0,008 mm/mm y
CD CD

σ (MPa) x b
P b0 P
F
B L0
600
L
A
σY= 450
Figura 4.7 – Corpo sólido solicitado uniaxialmente

E A relação entre o valor da deformação lateral e a deformação axial é


E
conhecida como coeficiente de Poisson:
C D
O
0,01 0,03 0,04 εy εz
0,02 ν=− =−
ε (mm/mm) εx εx (4.11)
εY = 0,006 0,023
εOC

Deformação Pag. 51 Deformação Pag. 52


Mecânica dos Sólidos A 53 Mecânica dos Sólidos A 54

4.3.3 – Lei de Hooke para materiais isotrópicos (Estado triaxial de tensões) 1


εx = [ σ x − ν (σ y + σ z )]
E
Considere um corpo submetido à um estado triaxial de tensões σx, σy 1
ε y = [ σ y − ν (σ x + σ z )]
E (4.16)
e σz. 1
ε z = [ σ z − ν (σ x + σ y )]
E
σy
Para o caso do corpo ser submetido a esforços de cisalhamento as
σz relações deformação-tensão são colocadas da forma:

1
γ xy = τxy
G
σx σx 1
γ yz = τ yz
G (4.17)
1
γ xz = τxz
σz G
σy
O módulo de cisalhamento G está relacionado a E e ν por:
Figura 4.8 – Corpo sólido solicitado triaxialmente
E
G =
O estado triaxial de tensões pode ser considerado como a superposição de três estados 2 (1 + ν ) (4.18)
de tensão uniaxial analisados separadamente:
1. Deformações devido à σx: 4.4 – ENERGIAS DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA

ε 'x ε 'y = − ν ε 'x ε 'z = − ν ε 'x


, , (4.12) 4.4.1 – Energia de deformação elástica para tensão uniaxial

2. Deformações devido à σy: O trabalho interno armazenado em um corpo deformável como energia elástica de
deformação ou energia de deformação elástica, é o produto da força média que atua sobre o
ε ''y ε ''x = − ν ε ''y ε ''z = − ν ε ''y
, , (4.13) corpo enquanto ocorre a deformação, multiplicada pela distância na qual ela age. Neste
3. Deformações devido à σz : contexto, considere então o elemento de volume infinitesimal dx, dy, dz submetido à um
esforço normal σx:
ε '''z ε '''x = − ν ε '''z ε '''y = − ν ε '''z
, , (4.14)
y
Superpondo todas as deformações, temos:
σx
x σx
ε x = ε 'x + ε ''x + ε '''x = ε 'x − ν ε ''y − ν ε '''z dy
z
ε y = ε 'y + ε ''y + ε '''y = − ν ε 'x + ε ''y − ν ε '''z dz
(4.15)
ε z = ε 'z + ε ''z + ε '''z = − ν ε 'x − ν ε ''y + ε '''y dx

Da Lei de Hooke, eq. (4.8), as deformações devido à σx, σy e σz são Figura 4.9 – Corpo sólido solicitado uniaxialmente

colocadas da seguinte forma:

Deformação Pag. 53 Deformação Pag. 54


Mecânica dos Sólidos A 55 Mecânica dos Sólidos A 56

A densidade de energia de deformação Uo é interpretada graficamente Substituindo a eq. (4.16) na eq. (4.22), a expressão que fornece a
como sendo a área sob a linha inclinada do diagrama tensão-deformação. densidade de energia de deformação é da forma:

σ ε ν
dU
dV
= Uo = x x
2 (4.19)
Uo =
1
2E
( )
σ x 2 + σ y 2 + σz 2 −
E
( )
σ x σ y + σ y σ z + σz σ x +
1
2G
(
τ2 xz + τ2 yz + τ2 xz ) (4.23)
σx
Em geral, para um corpo elástico sob tensão, a energia de
deformação total é obtida pela integração volumétrica da densidade de
energia de deformação elástica, eq. (4.23):

E
U= ∫∫∫V Uo d x d y d z (4.24)
εx

4.5 – DEFORMAÇÃO DE MEMBROS CARREGADOS AXIALMENTE


Figura 4.10 – Diagrama tensão-deformação
Usando a Lei de Hooke e as definições de tensão e deformação, será
4.4.2 – Energia de deformação elástica para tensão de cisalhamento desenvolvida uma equação que pode ser usada para determinar a

Considere um elemento de volume infinitesimal dx, dy e dz, deformação elástica de membros submetidos à cargas axiais. Assim,

submetido à um esforço cisalhante. A energia de deformação elástica pode considere uma barra de seção transversal variável ao longo de seu

ser colocada da forma: comprimento, Fig. 4.11. A barra é solicitada por duas forças concentradas
nas extremidades e por diferentes forças aplicadas ao longo de seu
1 
dU =  τxy dxdz 
2 
(γ xy ) 1
dy = τ xy γ xy dV
2 (4.20)
comprimento.

A densidade de energia de deformação pode ser colocada da seguinte x


dx
forma:

P1 P2 P(x) P(x)
dU 1
= τxy γ xy
dV 2 (4.21)

du
dx
4.4.3 – ENERGIA DE DEFORMAÇÃO ELÁSTICA PARA UM ESTADO DE L u

TENSÃO MULTIAXIAL

A densidade de energia de deformação elástica de um corpo solicitado Figura 4.11 – Barra de seção variável solicitada axialmente
triaxialmente pode ser da seguinte forma:
Num ponto distante x da extremidade, as seguintes relações são
dU 1 1 1 1 1 1 válidas:
= dUo = σ x ε x + σ y ε y + σ z ε z + τ xy γ xy + τ yz γ yz + τ xz γ xz
dV 2 2 2 2 2 2 (4.22)

Deformação Pag. 55 Deformação Pag. 56


Mecânica dos Sólidos A 57 Mecânica dos Sólidos A 58

σ=
P(x) 1 – Determinar as reações das colunas AC e BD na viga AB.
A(x)
du (4.25) 90 kN
ε=
dx 200 mm 400 mm

Substituindo a eq. (4.25) na Lei de Hooke σ = E ε , temos: A


B

P(x) du
=E RAC RBD
A(x) dx (4.26)

A integração da variação de comprimento du ao longo do ∑ MA = 0 , RBD . 600 – 90 . 200 = 0 , RBD = 30 kN



comprimento da barra fornece:
↑ ∑ F y = 0 , RAC – 90 + 30 = 0 , RAC = 60 kN
L
P
u= ∫o A(x) E dx
(4.27)
2 – Determinar os deslocamentos das colunas.
Para o caso da força e da seção transversal serem constantes ao Coluna AC:
longo do comprimento do membro, tem-se: R AC . L AC 60.103. 300
uA = = = 0,286 mm
Eaço . A AC π 202
200.103.
PL 4
u=
AE (4.28) Coluna BD:
R BD . L BD 30.103. 300
uB = = = 0,102 mm
Exemplo 4.2: A viga rígida AB está apoiada em duas colunas curtas como Eal . A BD π 402
70.103.
4
apresentado abaixo. A coluna AC é de aço e tem diâmetro de 20 mm, e a
3 – Determinar o deslocamento do ponto F.
coluna BD é de alumínio e tem diâmetro de 40 mm. Determine o
deslocamento do ponto F na viga AB se a carga de 90 kN é aplicada sobre
este ponto. Tome Eaço = 200 Gpa, Eal = 70 Gpa. 200 mm 400 mm
A F B
uB = 0,102 mm
uB = 0,286 mm
uF`
90 kN
200 mm 400 mm
Por semelhança de triângulos:
F
A B
(0, 286 − 0,102) uF '
= , uF‘ = 0,123 mm
(200 + 400) 400

300 mm uF = 0,102 + 0,123 = 0,225 mm


C D

Deformação Pag. 57 Deformação Pag. 58


Mecânica dos Sólidos A 59 Mecânica dos Sólidos A 60

Exemplo 4.3: O conjunto abaixo consiste de um tubo de alumínio AB tendo Exemplo 4.4: O conjunto abaixo consiste de duas barras rígidas
uma área de 400 mm2. Uma haste de aço de diâmetro 10 mm é conectada ao originalmente horizontais. Elas são suportadas por duas barras de área 25
tubo AB por uma arruela e uma porca em B. Se uma força de 80 kN é mm2 e E = 200 GPa. Se uma força vertical de 50 kN é aplicada na barra AB,
aplicada na haste, determine o deslocamento da extremidade C. Tome Eaço = determine o deslocamento em C, B e E.
200 GPa e Eal = 70 GPa.

200 mm
400 mm
800 mm D
200 mm

C 80 kN E
A C 150 mm

600 mm 600 mm B

50 kN
B 600 mm A

Diagrama de corpo rígido da barra AB:


Haste BC:
RA RB

PBC A
600 mm 600 mm B

50 kN
P L 80000 . 600 Devido a simetria: RA = RB = 25 kN
uC/B = BC BC = , uC/B = 3,06 mm 
Eaço A BC π 102
200.103 Diagrama de corpo rígido da barra CB:
4

Tubo AB:
RC RD
E
C
PAB = D
800 mm 200
mm

RB = 25 kN

PAB L AB 80000 . 400 ∑ MD = 0 , RB . 200 – RC . 1000 = 0 , RC = 5 kN


uB/A = = , uB/A = 1,14 mm 
Eal A AB 70.103 400
Deslocamento do ponto C:
uc = uC/B + uB/A = 3,06 + 1,14 , uC = 4,2 mm  RC LC 5.103 . 200
uC = = , uC = 0,2 mm
E A 200.103 25

Deslocamento do ponto E:
Deformação Pag. 59 Deformação Pag. 60
Mecânica dos Sólidos A 61 Mecânica dos Sólidos A 62

E e, o deslocamento em B devido a reaçãop em B δB seria:


800 mm 200 mm
C
D
4
uC
uE

Por semelhança de triângulos:


uE uC FB L AB FB . 1200
= , uE = 0,04 mm δB = = , δB = 0,3056.10-6.FB mm
200 1000 E A π.52
200.103
4
Deslocamento do ponto B:
A reação em B surgirá somente se o deslocamento δP for maior que 1 mm,
R B L BE 25.103 . 150
uB/E = = , uB/E = 0,75 mm
E A 200.103 25 logo:
uB = uB/E + uE = 0,75 + 0,04, uB = 0,79 mm 1 = δP – δB , 1 = 2,037 – 0,3056.10-6 . FB , FB = 3,4 kN
Do equilíbrio estático, temos:

Exemplo 4.5: A barra abaixo tem diâmetro de 5 mm e está fixa em A. Antes


B
de aplicar a força P = 20 kN, há um gap entrea parede em B’ e a barra de 1
400 mm 800 mm
A
mm. Determine as reações em A e B’. Considere E = 200 GPa. FB = 3,4 kN
FA
B P=20 kN

400 mm 800 mm
A B’
1 mm → ∑ F = 0 , FA + 20 – 3,4 = 0 , FA = 16,6 kN

P = 20 kN
4.6 – TENSÕES RESIDUAIS

A reação na parede B irá surgir somente se o deslocamento devido a força P Se uma estrutura estaticamente indeterminada é carregada
for maior que o gap de 1 mm. Neste caso podemos determinar o excessivamente até causar escoamento do material, isso gerará tensões
deslocamento em B devido à duas forças, P e a reação em B. Supondo que residuais na estrutura quando o carregamento for removido. A razão do
não houvesse a parede B’, o deslocamento em B devido a força P δP seria: aparecimento dessas tensões residuais está na recuperação elástica do
B
material que ocorre durante o descarregamento. Considere, por exemplo, um
400 mm 800 δP
A
mm
material elastoplástico cujo diagrama tensão-deformação é mostrada na Fig.
4.12.
P = 20 kN

P L AC 20.103 . 400
δP = = , δP = 2,037 mm
E A π.52
200.103
4

Deformação Pag. 61 Deformação Pag. 62


Mecânica dos Sólidos A 63 Mecânica dos Sólidos A 64

Exemplo 4.6: A barra abaixo tem raio de 5 mm e é fabricada de um material


σ
elástico perfeitamente plástico para o qual σY = 420 MPa e E = 70 Gpa. Se
A C B uma força P = 60 kN é aplicada à barra e, em seguida, removida, determine a
σY
tensão residual na barra e o deslocamento permanente do Ponto C.

AP C B
P=60kN

O’
O ε
ε0’ εC
100 mm 300 mm
D

Figura 4.12 – Diagrama tensão-deformação para um material elastoplástico O diagrama de corpo livre da barra é da forma:

Se uma carga axial produz uma tensão σY no material e uma AP C B


FA P=60kN FB
correspondente deformação específica plástica εC, quando a carga for
removida, o material responderá elásticamente seguindo a linha CD de
forma a recuperar a parte da deformação plástica correspondente. Uma
Do equilíbrio estático, temos:
recuperação completa até a tensão nula no ponto O’ somente será possível
FA – 60 + FB = 0 (a)
caso a estrutura seja estaticamente determinada, uma vez qua as reações de
Um equação de compatibilidade é obtida impondo a variação nula de
apoio da estrutura deverão ser nulas quando a carga for removida. Nestas
comprimento da barra:
condições, a estrutura será deformada permanentemente pela deformação
δCA + δCB = 0 (b)
ε0’. Entretanto, se a estrutura é estaticamente indeterminada, a remoção das
As forças que irão atuar nos trechos CA e CB são respectivamente FA e FB.
cargas externas fará com que surjam forças reativas nos apoios que
Assim:
respondem a recuperação elástica CD. Como essas forças restringem a
−FA L CA FBL CB
+ =0 (c)
estrutura de uma recuperação plena, elas induzirão tensões residuais na EA EA
estrutura. Introduzindo a eq. (c) na eq. (a) obtêm-se: FA = 45 kN e FB = 15 kN
Para resolver este tipo de problema, devemos considerar o ciclo Entretanto, estas forças resultam nas tensões:
completo de carregamento e descarregamento da estrutura como a −45.103 N
σCA = = −573 MPa > σ Y = −420 MPa
superposição de uma carga positiva (carregamento) com uma carga negativa π 52 mm2
(d)
15.103 N
(descarregamento). O carregamento de O até C resulta em uma distribuição σCB = = 191MPa < σ Y = 420 MPa
π 52 mm2
de tensões plásticas, enquanto o descarregamento ao longo de CD resulta
apenas em uma distribuição de tensões elásticas. A superposição requer que
as cargas se cancelem; entretanto, a distribuição das tensões não se
cancelará gerando assim as tensões residuais.

Deformação Pag. 63 Deformação Pag. 64


Mecânica dos Sólidos A 65 Mecânica dos Sólidos A 66

δC 1, 473 mm
σ (MPa) εCB = = = + 0, 004911
L CB 300 mm

A’ Sendo δC conhecido, a deformação específica no trecho AC será:


420
δC 1, 473 mm
344 εCA = =− = −0,01473
L CA 100 mm
153 E
D’ Este valor pode também ser determinado da forma:
εY= -0,0060 C’ δC FA 33,0.103 N
εY=0,0060 εCA = = = = −0,01473 mm
εAC= -0,01473 O L CA A E π 52 mm2 70.103 N
ε (mm/mm) mm2
ε’CB Entretanto, quando a carga P é aplicada, o comportamento do material no
εCB=0,004911
trecho CB corresponde a uma evolução do ponto O para o ponto A’ do
diagrama tensão-deformação. Ao mesmo tempo, o comportamento do
material na trecho AC evolui do ponto O para o ponto B’. Se a carga P é
- 420
B’ δεAC aplicada no sentido oposto, ou seja, se a carga for removida ocorrerá uma
resposta elástica e forças opostas FA = 45 kN e FB = 15 kN devem ser
aplicadas aos correspondentes segmentos. Conforme calculado
Observa-se que o trecho CA escoa, enquanto o trecho CB não escoa. Como a
anteriormente, essas forças produzem as tensões σAC = 573 MPa e σCB = -
maior tensão possível no trecho CA é 420 MPa, a maior força possível que
191 MPa e, como resultado, a tensão residual em cada trecho será:
surge neste trecho é:
N
( σAC )r = −420 + 573 = 153 MPa
FA = 420.103 π 52 mm2 = 33, 0 kN (e)
mm2 ( σCB )r = 344 − 191 = 153 MPa
Pela condição de equilíbrio da barra, eq. (a), temos que: Deslocamento permanente: A deformação residual em CB é:
FB = 60 kN − 33, 0 kN = 27,0 kN (f) σCB 153 MPa
ε 'CB = = = 0,002185
E 70.103 MPa
A tensão em cada segmento da barra será portanto:
Logo, o deslocamento permanente do ponto C será:
σCA = σ Y = −420 MPa
δC = ε 'CB L CB = 0,002185.300 mm = ← 0,655 mm
27,0.103 kN
σCB = = 344 MPa < 420 MPa Este mesmo resultado pode ser determinado pela deformação específica
π 52 mm2

Tensões residuais: De forma a obtermos a tensão residual, é necessário residual do trecho AC:
δσ (420 + 153)MPa
conhecermos a deformação específica em cada segmento devido ao δε AC = = = 0,008185
E 70.103 MPa
carregamento. Uma vez que o trecho CB responde elasticamente.
Portanto:
3 ε 'AC = ε AC + δε AC = −0, 01473 + 0,008185 = −0, 00655
FB L CB 27,0.10 N 300 mm
δC = = = 01, 473 mm
A E π 52 mm2 70.103 N Finalmente:
mm2
δC = ε 'AC L AC = −0,00655.100 mm =← 0,655 mm
Assim:

Deformação Pag. 65 Deformação Pag. 66


Mecânica dos Sólidos A 68

5.2 – PREMISSAS BÁSICAS

CAPÍTULO 5 a) Uma seção inicialmente plana, perpendicular ao eixo de seção circular,


permanece plana após a aplicação dos torques.
b) Em um membro circular sujeito à ação de um torque, as deformações
angulares γ variam linearmente a partir do eixo central. Isto significa que
TORÇÃO as linhas radiais nos planos ao longo do eixo x permanecem retas após a
deformação.

5.1 – APLICAÇÃO DO MÉTODO DAS SEÇÕES


Observação: Estas premissas são válidas somente para eixos de seção
Assim como no caso de vigas solicitadas externamente, onde os circular.
esforços internos podem ser determinados pelo método das seções, os
esforços internos em eixos de seção circular solicitados por torques externos
também podem. Considere então o eixo solicitado por torques em 3 pontos O3 O2 O1
x
ao logo do seu comprimento. O torque interno no trecho AB pode ser B A T
C
determinado da seguinte forma. γ B’
A’

3 kgf.m
Figura 5.2 – Premissas básicas da torção

x
1 kgf.m
2 kgf.m
5.3 – A FÓRMULA DA TORÇÃO

Para o caso linearmente elástico, a Lei de Hooke se aplica τ = G γ :

B C τmax

A c
3 kgf.m O τB = (ρ/c) τmax
C
B
ρ
x
1 kgf.m

dA

Torque interno T = 2 kgf.m Figura 5.3 – Torque interno atuando na seção transversal

O torque interno na seção transversal é a soma dos torques


B C infinitesimais atuantes em cada área dA.
Figura 5.1 – Equilíbrio de torques

Torção Pag. 68
Mecânica dos Sólidos A 69 Mecânica dos Sólidos A 70

ρ τmax
T= ∫cτ
A
max dA ρ =
c
J
(5.1)
A B

T
onde o momento polar de inércia de área J é dado da forma:
x
J = ∫ ρ2 dA
A (5.2) Ti

O momento polar de inércia para o caso particular de uma seção A B


eixo
circular é da seguinte forma:
τθx
c π c4 π d4 ρ
ρ2 ( 2π ρ dρ ) = 2π∫ ρ3dρ =
c
J= ∫
0 0 2
=
32 (5.3)
τxθ

onde d é o diâmetro da seção transversal. Substituindo a eq. (5.3) na eq.


(5.1), a expressão da tensão máxima atuando na superfície mais externa do Figura 5.4 – Estado de tensão em um elemento infinitesimal de um eixo em torção

eixo é:
τmax

Tc
τmax =
J (5.4)

A tensão num ponto qualquer da seção circular distante ρ do centro é:


x

ρ Tc Tρ
τ= =
c J J (5.5)

Para tubos circulares de raio interno b e raio externo c, o momento


Figura 5.5 – Tensões de cisalhamento atuando em planos ortogonais
polar de inércia pode ser calculado como segue:
Observação Importante: Para o caso de materiais anisotrópicos
c π c 4 π b4
J = ∫ ρ2 dA = ∫ 2π ρ3 dρ = − = Je − J i (diferentes propriedades mecânicas nas direções x, y e z ) como por exemplo
A
0 2 2 (5.6)
a madeira, o eixo se rompe ao longo de um plano paralelo ao eixo x.

5.4 – OBSERVAÇÕES SOBRE A FÓRMULA DA TORÇÃO


T

Figura 5.6 – Plano de ruptura em eixos em madeira

Torção Pag. 69 Torção Pag. 70


Mecânica dos Sólidos A 71 Mecânica dos Sólidos A 72

Exemplo 5.1: Um eixo maciço de raio c é sujeito à um torque T. Determine a Tc Tc π


τmax = = , T= τmax c 3
fração de T que é resistida pelo material contido na região externa do eixo, de
J ( )
π c4
2
2

raio interno c/2 e raio externo c.


Logo, a relação entre os torques é:
15
T' = T
16
T

c Conclusão: aproximadamente 94 % do torque é resistido pela área externa


x
do eixo.
c/2

Exemplo 5.2: O acoplamento abaixo é usado para conectar dois eixos.


Assumindo que a tensão de cisalhamento nos parafusos é uniforme,
determine o número de parafusos para que a máxima tensão de
τmax
cisalhamento no eixo seja igual a tensão de cisalhamento nos parafusos.
c/2 τ Cada parafuso tem diâmetro d e está distante R do cento do eixo.
c O

dρ T
r

A fração de T que é resistida pela parte externa do eixo, T’, pode ser
V
calculada da forma: T
V V
ρ 
dT' = ρ τ dA , dT' = ρ  τmax  2πρ dρ
c  V
V
c
V
2π τmax c
2π τmax ρ
4
T' = ∫ρ dρ =
3

c c c 4 c Impondo o equilíbrio estático na porção do eixo:


2 2

π τmax  4 c 4  T=n.V.R
T' = c − 4 
2c  2  onde n é número de parafusos, V o esforço cortante em cada parafuso e R a
π τmax 15 3 distância do centro do parafuso até o centro do eixo.
T' = c
2 16
A tensão média nos parafusos pode ser calculada da seguinte forma:
V V
τm = =
e a expressão do torque total T sobre a área é: A πd2
4

Logo, o esforço cortante em cada parafuso V é:


Torção Pag. 71 Torção Pag. 72
Mecânica dos Sólidos A 73 Mecânica dos Sólidos A 74

πd2 J1 T 7162 .103


V = τm = 1 = = 1,023 .106 mm3
4 c1 τmax 7

Sabe-se que a tensão máxima no eixo é: J1 π c13


= , c1 = 86,7 mm , d1 = 173,4 mm
T.r T.r 2.T c1 2
τmax = = =
J π r4 π r3
Eixo 2:
2
kgf m rad
Da imposição do problema, τm = τmax. Logo: P=T α , 200 . 4500 = T2 20000 . 2π , T2 = 7,162 kgf . m
mim min
2.T πd2 J2 T 7,162 .103
V= = 2 = = 1,023 .103 mm3
π r3 4 c 2 τmax 7
Da relação entre o torque T e o cortante V, temos: J2 π c 23
= , c1 = 8,67 mm , d1 = 17,34 mm
2.T πd 2 c2 2
T=n R
π r3 4
Conclusão: Transmitir potência à alta velocidade.
Assim, o número necessário de parafusos é:
2.r 3
n=
R d 5.6 – ÂNGULO DE TORÇÃO DE MEMBROS CIRCULARES

Além do fato do membro dever resistir aos torques aplicados, ele não
5.5 – PROJETO DE MEMBROS CIRCULARES EM TORÇÃO deve se deformar excessivamente. Assim, considere um elemento submetido
a um torque.
Uma vez conhecido o torque a ser transmitido pelo eixo, e selecionado
a máxima tensão de cisalhamento, as proporções do membro tornam-se
dx
fixas. Assim, tem-se:

J T c
=
c τmax (5.7) O
x
B
T
O parâmetro J/c é utilizado para projetar eixos maciços ou perfurados. A dϕ
γmax D

Exemplo 5.3: Selecione dois eixos maciços para transmitir 200 CV de


Figura 5.7 – Torção em eixo de seção circular
potência cada um, de forma que nenhum deles ultrapasse a tensão de
cisalhamento de 7 kgf/mm2. Um desses eixos deve operar a 20 rpm, e o No plano paralelo ao eixo x, arco BD = dx γmax, e no plano
outro a 20.000 rpm. (1CV = 4500 kgf.m/min, α (rad/min) = 2πN(rpm)) perpendicular ao eixo x, arco BD = c dϕ. Logo:

dx . γ max = c . dφ
Eixo 1: (5.8)
kgf m rad
P=Tα , 200 . 4500 = T1 20 . 2π , T1 = 7162 kgf . m
mim min

Torção Pag. 73 Torção Pag. 74


Mecânica dos Sólidos A 75 Mecânica dos Sólidos A 76

Limitando-se a região elástica linear onde a lei de Hooke para o


Tc
cisalhamento é valida, τmax = G γ max , e sabendo que τmax = :
J

T Eixo AB: ϕB
dφ = dx
JG (5.9) FB
A
Expressão geral para ângulo de torção:
45 N.m
L
T(x) REz B 150 mm
φ= ∫
0
J(x) G
dx
(5.10) RFz

REy RFy
2m
Para o caso do torque e da seção transversal serem constantes ao
longo do comprimento do eixo, tem-se:

O ângulo de torção entre os pontos A e B é:


TL
φ=
JG TAB L AB 45 . 2
(5.11) ϕA/B = = , ϕAB = 0,072 rad
J G π 0,014
80 .109
A eq. (5.11) é equivalente a eq. (4.11) para calcular o deslocamento de 2

um ponto numa barra solicitada axialmente. A força que apareçe no ponto de contato entre as engrenagens B e C pode
ser determinada impondo o equilíbrio do eixo AB.

Exemplo 5.4: No conjunto mostrado abaixo, os dois eixos estão acoplados FB . 0,15 = 45 , FB = 300 N

por duas engrenagens C e B. Determine o ângulo de torção na extremidade A


do eixo AB onde um torque T = 45 N.m é aplicado. Cada eixo tem diâmetro Eixo CD: 1,5 m

de 20mm e G = 80 GPa.
75 mm

1,5 m

TC
75 mm ϕC

C
Fc = FB=300 N
D
A E F 150 mm
T = 45 N.m O torque no eixo CD pode ser determinado da forma:
TC = 300 . 0,75 , TC = 22,5 N.m
B

2m O ângulo de torção entre os pontos C e D, que está engastado é:

Torção Pag. 75 Torção Pag. 76


Mecânica dos Sólidos A 77 Mecânica dos Sólidos A 78

TC L CD 22,5 . 1,5 T L BC T . 1,2.103


ϕC = = , ϕC = 0,027 rad ϕBC = = , ϕBC = T . 25,753.10-8
J G π 0,014 G J π 404
80 .109 83 .109
2 32

A relação entre os ângulos de torção ϕA/B e ϕC é: O ângulo de torção entre as extremidades da barra é:
0,15 . ϕB = 0,075 . ϕC , ϕB = 0,0135 rad ϕAC = ϕAB + ϕBC = 0,02
Assim:
Assim, o ângulo de torção do ponto A é: T.2,356.10-8 + T.5,753.10-8 = 0,02 , T = 246.639,5 N.mm
ϕA = ϕA/B + ϕB = 0,072 + 0,0135 , ϕA = 0,0855 rad Resposta: Se fosse considerado o torque de 687.223,4 N.mm ou o torque de
351.858,4 N.mm, o ângulo de torção seria superior à 0,02 radianos, logo o

Exemplo 5.5: Uma barra circular em torção consiste de 2 partes. Determine torque de 246.639,5 N.mm não excede a tensão de 28 MPa e não excede o

o máximo torque possível se o ângulo de torção entre as extremidades da ângulo de torção de 0,02 radianos.

barra não deve exceder 0,02 radianos e a tensão de cisalhamento não deve
exceder 28 MPa. Assumir G = 83 MPa. Exemplo 5.6: O eixo está sujeito aos torques como apresentado abaixo. Se o
módulo de cisalhamento é G = 80 GPa e o diâmetro do eixo é 14 mm,

A
50 mm B determine o deslocamento do dente P na engrenagem A. O eixo está
40 mm C
T T
engastado em E e o mancal B permite que o eixo gire livremente.

1,2 m 1,2 m
40 N.m

Trecho AB: 280 N.m


150 N.m E
O torque no trecho AB pode ser calculado da forma:
Tc T . 25 P
τ= , 28 = , TAB = 687.223,4 N.mm
J π 504 100 mm D 0,5 m
32 C
0,3 m
e, o ângulo de torção no trecho AB é: A B
T L AB T . 1,2.103 0,4 m
ϕAB = = , ϕAB = T . 2,356.10-8
G J π 504
83 .109
32

Trecho BC: O momento polar de inércia do eixo é:


O torque no trecho BC pode ser calculado da forma: π d 4 π .144
J= = , J = 3771,5 mm4
Tc T . 20 32 32
τ= , 28 = , TBC = 351.858,4.mm
J π 404
Trecho AC:
32
TAC L AC 150.103 . 0, 4.103
e, o ângulo de torção no trecho BC é: ϕA/C = = , ϕA/C = 0,199 rad (anti-horário)
J G 3771,5 . 80.103

Trecho CD:
Torção Pag. 77 Torção Pag. 78
Mecânica dos Sólidos A 79 Mecânica dos Sólidos A 80

TCD L CD 130.103 . 0,3.103 T.d / 2 7639.103


ϕC/D = = , ϕC/D = 0,129 rad (horário) τmax = , 50 = , d = 92 mm
J G 3771,5 . 80.103 π d4 π d3
32 16
Trecho DE:
Trecho B-C:
TDE L DE 170.103 . 0,5.103
ϕD/E = = , ϕD/E = 0,282 rad (horário) De maneira análoga, a relação entre potência e torque no trecho BC é dada
J G 3771,5 . 80.103

O ângulo de torção entre as extremidades A/E é: pela rotação do eixo:

ϕA/E = - ϕA/C + ϕC/D + ϕD/E = - 0,199 + 0,129 + 0,282 , ϕA/E = 0,212 rad PBC = TBC . α

(horário) 110 . 60000 = TBC . 250 . 2π

Assim, o deslocamento angular do ponto P: TBC = 4202 N m

δP = ϕA/E . R = 0,212 . 100 , δP = 21,2 mm e, da expressão de tensão máxima, pode-se determinar o diâmetro do eixo
neste trecho:
T.d / 2 4202.103
Exemplo 5.7: Um motor de 200 kW gira a 250 rpm. Para a engrenagem em τmax = , 50 = , d = 75,4 mm
π d4 π d3
B é transmitido 90 kW e para a engrenagem em C 110 kW. Determine o 32 16

menor diâmetro permissível d se a tensão admissível é de 50 MPa e o ângulo Da expressão que fornece o ângulo de torção entre as extremidades do eixo,
de torção entre o motor e a engrenagem C é limitado a 15°. Considerar G = pode-se determinar um outro diâmetro:
80 Gpa e 1kW ≈ 60000 Nm/mim. ϕC/motor = ϕC/B + ϕB/motor
TC/B .L Tmotor .L
φC/motor = +
90 kW G.J G.J
200 kW 110 kW
d 4202.103.1,2.103 7639.103.1,8.103 15.π
ϕC/motor = + = , d = 55 mm
motor πd4 πd4 180
80.103. 80.103.
32 32

1,8 m 1,2 m Resposta: Para que nenhum dos critérios de projeto sejam desreipeitados, o
diâmetro deve ser, d = 92 mm.
B C

Trecho motor-engrenagem B: Exemplo 5.8: O eixo de raio c mostrado na figura é submetido à um torque
A relação entre potência e torque entre o motor e a engrenagem B é dada distribuído t, medido como torque por unidade de comprimento do eixo.
pela rotação do eixo: Determine o ângulo de torção do ponto A.
Pmotor = Tmotor . α
200 . 60000 = Tmotor . 250 . 2π
Tmotor = 7639 N m B
  x 2 
Da expressão para calculo da tensão máxima eq. (5.4), pode-se determinar o t = t0 1 +   
  L  
t0
diâmetro d no trecho entre o motor e a engrenagem B.
x
2 t0

Torção Pag. 79 Torção Pag. 80


L A
Mecânica dos Sólidos A 81 Mecânica dos Sólidos A 82

a – Cálculo do torque resistente TB:


L

∑T = 0, TB − ∫ t dx = 0
γmax
0

L 
r1
   x    γ
2 L
 x3  4 r2
TB − ∫ t0 1 +     dx = 0 , TB = t0  x +  = t0 L
3 L2  0 3
     
0
L 
2 ρ
b – Cálculo do torque interno T(x): 1

dA
B

Figura 5.8 – Seção transversal de um eixo com diferentes materiais


TB

T(x) A lei de Hooke para o cisalhamento em um material i é τi = Gi . γ, e o


x
torque interno pode ser obtido através da expressão:

x T = ∫ τ dA ρ
∑T = 0, TB − ∫ t dx − T(x) = 0 A (5.12)
0

Usando a lei de Hooke e tomando uma área infinitesimal circular, dA =


x   x 2   x3 
T(x) = TB − ∫ t 0 1 +    dx , T(x) = TB − t0  x + 2 
0   L    3L  2πρ dρ, o torque interno pode ser dado por:

b – Cálculo do ângulo de torção φA: r1

T = ∫ Gi γ 2π ρ dρ ρ
1   x3  (5.13)
L L
T(x) dx 0
φA = ∫
0
G J(x)
, φA =
G J ∫0 
 TB − t0  x + 2   dx
 3L  
Por semelhança de triângulos, tem-se que:
1   x2 x 4  1 4  L2 L4  
φA =  TB x − t 0  + 2 
, φA =  t0 L − t0 
2
+ 2 
G J   2 12L   G J  3  2 12L   γ max ρ
γ=
r1 (5.14)
2
3 t0 L
φA =
4G J Substituindo a eq. (5.14) na eq. (5.13), temos:

r1
γ max
5.7 – FÓRMULA DA TORÇÃO PARA EIXOS COM DIFERENTES
T=
r1 ∫G
0
i 2π ρ3 dρ
(5.15)

MATERIAIS
Chamando de rigidez equivalente em torção, <GJ>, a integral,

Considere um eixo de seção circular composto de um tubo de material


1 e uma barra interna de material 2 solicitado por um torque.
Torção Pag. 81 Torção Pag. 82
Mecânica dos Sólidos A 83 Mecânica dos Sólidos A 84

r1
A rigidez equivalente em torção para o eixo em questão é:
< GJ > = ∫ Gi 2π ρ3 dρ
(5.16) π.1504 π.
( )
0
< GJ >= Glat .Jlat + Gal .Jal = 4, 2.103. + 2,8.103. 2504 − 1504
32 32
Pode-se determinar a relação:
<GJ> = 1,14 . 1012 kgf/mm2

γ max =
T r1 A máxima tensão no alumínio é:
< GJ > (5.17)
T T
τal = Gal ρ , 7 = 2, 8.103 125 , T = 22,8 . 106 kgf.mm
< GJ > 1,14.1012

Substituindo a eq. (5.17) na relação que forneçe a deformação angular O ângulo de torção do eixo pode ser determinado por uma expressão

γ numa posição qualquer ρ, tem-se que: semelhante àquela para eixos em um único material, eq. (5.11).
T.L 22, 8.106.1.103
ϕ= = , ϕ = 0,02 rad
T < GJ > 1,14.1012
γ= ρ
< GJ > (5.18)

Finalmente, substituindo a eq. (5.18) na lei de Hooke para


5.8 – MEMBROS MACIÇOS NÃO CIRCULARES
cisalhamento, obtem-se a expressão da tensão da torção para eixos
circulares com diferentes materiais: As premissas enunciadas anteriormente para eixos de seção circular
não se aplicam para este caso.
T
τi = G i ρ
< GJ > (5.19) b

τmax
Exemplo 5.9: Um eixo circular é feito pela compressão de um tubo de
alumínio em uma barra de latão, para formar uma seção de dois materiais,
c
que então agem como uma unidade. (a) Se, devido à aplicação de um torque
T, aparecer uma tensão de cisalhamento de 7 kgf/mm2 nas fibras externas
do eixo, qual é a magnitude do torque T? (b) Se o eixo tem 1 m de
comprimento, qual será o ângulo de torção devido ao torque T? Para o As expressões para determinar a máxima tensão e o ângulo de torção
alumínio E = 7 . 103 kgf/mm2, G = 2,8 . 103 kgf/mm2 e para o latão E = 11,2 em eixos de seção retangular são como seguem:
. 103 kgf/mm2, G = 4,28 . 103 kgf/mm2.
T
τmax =
α b c2 (5.20)
T L
ϕ=
β b c3 G (5.21)

250 mm onde os coeficientes α e β são determinados pela relação entre os lado do


150 mm
latão retângulo:
alumínio

b/c 1,0 1,5 2,0 3,0 6,0 10,0 ∞

Torção Pag. 83 Torção Pag. 84


Mecânica dos Sólidos A 85

α 0,208 0,231 0,246 0,267 0,299 0,312 0,333

β 0,141 0,196 0,229 0,263 0,299 0,312 0,333 CAPÍTULO 6

TENSÃO DE FLEXÃO EM VIGAS

Algumas limitações importantes da teoria


A teoria de tensões de flexão nas vigas se aplica para vigas admitidas
com suficiente estabilidade lateral em virtude de suas proporções ou
suficientemente reforçadas na direção transversal.

6.1 – PREMISSA CINEMÁTICA BÁSICA

Hipótese fundamental da teoria da flexão: As seções planas de uma


viga, tomadas normalmente a seu eixo, permanecem planas após a viga ser
submetida à flexão. Hipótese válida quando o material se comporta
elasticamente ou plasticamente, desde que a relação
espessura/comprimento da viga seja pequena.

ρ = raio de curvatura
ρ

centróide
M M
A D D’
A

B C C’
B
x ∆x

Torção Pag. 85
Mecânica dos Sólidos A 87 Mecânica dos Sólidos A 88

y
A D’ y centróide
D
dA
superfície
ρ neutra
b
a ∆u +y eixo
M x
-y f neutro
c z
c

B C C’
∆x
σmax

Figura 6.1 – Viga submetida à uma flexão pura

A expressão de deformação linear num ponto qualquer da viga é


Figura 6.2 – Distribuição das tensões de flexão numa viga
definida da forma:
Impondo o equilíbrio de forças na direção x, temos:
∆u du
ε = lim =
∆x →0 ∆x dx (6.1)

∑ Fx = 0 ,
∫A σx dA = 0 (6.4)
Da hipótese de que as seções permanecem planas depois de
deformadas, observa-se que a deformação evolui de forma linear ao longo da Substituindo a eq. (6.3) na eq. (6.4), temos:

espessura da viga, onde εmax é a máxima deformação que ocorre no ponto σmax
mais distante da superfície neutra, c. Dessa forma, a deformação em um
∫A c
y dA = 0
(6.5)

ponto genérico, distante y da superfície neutra é da forma: Como σmax e c são valores constantes e não nulos:

y
ε = εmax
c (6.2)
∫A y dA = 0 (6.6)

De acordo com a equação para determinar a posição do centróide


6.2 – FÓRMULA DA FLEXÃO ELÁSTICA
y=
∫A y dA = 0 , conclui-se que o eixo neutro passa pelo centróide da seção
Considerando o material trabalhando dentro da região elástico-linear,
∫A dA
transversal da viga.
a Lei de Hooke, σ = E ε, se aplica. Logo:
O momento interno atuante na seção transversal é a soma dos
εmax σ momentos infinitesimais atuantes nas área dA. Assim, temos:
σx = E y = max y
c c (6.3)

M= ∫A σ x dA y (6.7)

Substituindo a eq. (6.3) na eq. (6.7):

σmax 2
M= ∫
A c
y dA
(6.8)
Torção Pag. 87 Torção Pag. 88
Mecânica dos Sólidos A 89 Mecânica dos Sólidos A 90

O momento de inércia da seção transversal, I, em relação ao eixo que y


dA
passa seu centróide é definido como:

c
I= ∫A y
2
dA
(6.9)
y
Das eqs. (6.8) e (6.9), é possível obter a expressão da máxima tensão y
de flexão:
z
z
Mc
σmax = z
I (6.10)

Substituindo a eq. (6.10) na eq. (6.3), obtém-se a expressão genérica Figura 6.3 – Posição do centróide de seção transversal
de tensão de flexão em vigas em um ponto distante y da superfície neutra:
As expressões para determinar a posição do centróide de uma seção
My transversal são:
σx = −
I (6.11)

A eq. (6.11) é análoga a eq. (5.5) usada para determinar a tensão de y=


∫A y dA e z=
∫A z dA
cisalhamento um ponto qualquer de um eixo de seção circular. O sinal ∫A dA ∫A dA (6.12)

negativo surge na eq. (6.11) pois: onde as integrais ∫A y dA e ∫A z dA são chamadas de primeiros momentos de
área com relação aos eixos z e y, respectivamente.
Para y positivo ⇒ Tensão de compressão
momento positivo
Exemplo 6.1: Determine a posição do centróide da seção transversal do tipo
Para y negativo ⇒ Tensão de tração
T abaixo.
y

6.3 – CENTRÓIDE DE ÁREA


8 cm

Considere uma seção transversal qualquer de área A cujo centróide


3 cm 1
está posicionado em c de coordenadas y e z com relação aos eixos de
2
referência y e z:
10 cm
y

z
2 cm

Torção Pag. 89 Torção Pag. 90


Mecânica dos Sólidos A 91 Mecânica dos Sólidos A 92

A seção do tipo T é por duas seções retangulares, logo as integrais podem ser
substituídas por somatórios. Logo: y
2

∑z A
i =1
i i
0 . (8.3) + 0 . (2.10) z
z= , z= = 0 cm dA
2
8.3 + 2.10
∑ Ai
i =1

∑y A
i =1
i i
(10 + 1,5) . (8.3) + 5 . (2.10)
y ρ
y= , y= = 8,55 cm
2
8.3 + 2.10
∑A
i =1
i z

Figura 6.4 – Momentos de inércia de área

Exemplo 6.2: Determine a posição do centróide da seção transversal do Os momentos de inércia da área A com relação aos eixos y, z e são
exemplo anterior, onde neste caso, os eixos de referência são posicionados determinados da seguinte forma:
de forma diferente.
Iy = ∫A z dA
2
y
Iz = ∫ y 2 dA
A
8 cm (6.13)
J = ∫ ρ2 dA = Iz + I y
A

3 cm 1 Os eixos z e y são chamados de eixos principais de inércia quando


z
y 2 passam pelo centróide da seção. Neste caso:

z
10 cm Iyz = ∫A y z dA = 0 (6.14)

Exemplo 6.3: Determine os momentos de inércia da seção transversal


2 cm
2
retangular de dimensões a e b mostrada abaixo.
∑z A
i =1
i i
4 . (8.3) + 4 . (2.10)
z= , z= = 4 cm y
2
8.3 + 2.10
∑A i
i =1 dz
2

∑y A
i =1
i i
1,5 . (8.3) + (−5) . (2.10)
y= , y= = −1, 45 cm dy
2
8.3 + 2.10 b/2
∑A
i =1
i

b/2

6.4 – MOMENTO DE INÉRCIA DE ÁREA

Considere os eixos y e z sobre os quais deseja-se determinar os a/2 a/2


momentos de inércia da área A:

Torção Pag. 91 Torção Pag. 92


Mecânica dos Sólidos A 93 Mecânica dos Sólidos A 94

b
2
a
2
a y3
b
2 Por analogia, os momentos de inércia com relação aos eixos y’ e x’ são:
Iz = ∫ ∫
b −a
y 2dy dz = z −a2
2 3
− −b
2 2 2
I y ' = I y + ∆z 2 A
3
ab J0 = JC + ∆2 A (6.17)
Iz =
12

De maneira análoga:
Exemplo 6.4: Determine o momento de inércia da seção do tipo I com
b a3
Iy = relação aos eixos y e z como mostrado abaixo.
12
y
Como os eixos y e z passam pelo centróide da seção, tem-se que:
b a b a
2 2
y2 2
z2 2 3 cm
I yz = ∫
b
y dy ∫
−a
z dz =
2 2
=0
− −b −a
2 2 2 2
1 cm
1
Os momentos de inércia de uma seção com relação à eixos paralelos aos
2
eixos principais de inércia podem ser determinados pelo teorema dos eixos 1 cm
3 cm
paralelos: z
y y’

z
∆z 1 cm 3

y
z
c O momento de inércia da seção com relação ao eixo z pode ser determinado
∆y ∆
considerando a soma dos momentos de inércia das áreas retangulares que

z’ formam a seção do tipo I. Logo:


Iz = Iz1 + Iz 2 + Iz 3

3 13
Iz1 = + 1 . 3 . 22
Figura 6.5 – Momentos de inércia de área com relação à eixos paralelos 12 , Iz1 = 12,25 cm4
3
Da definição de momento de inércia de área dada pela eq. (6.13), o 1 3
Iz2 =
12 , Iz2 = 2,25 cm4
momento de inércia da seção com relação ao eixo z’ é:
3 13
Iz3 = + 1 . 3 . 22
12 , Iz3 = 12,25 cm4
Iz ' = ∫ ( y + ∆y ) dA = ∫ y dA + 2 ∆y ∫ y dA + ∆y
2

2 2
dA
A A A A
(6.15)
Iz = 26,75 cm4
Considerando a eq. (6.6), a expressão final do momento de inércia da e, o momento de inércia da seção com relação ao eixo y é:
seção transversal de área A com relação ao eixo paralelo z’ é: Iy = Iy1 + Iy2 + Iy3

1 33 3 13 1 33
Iz ' = Iz + ∆y 2 A Iy = + +
(6.16) 12 12 12

Iy = 4,75 cm4

Torção Pag. 93 Torção Pag. 94


Mecânica dos Sólidos A 95 Mecânica dos Sólidos A 96

Importante: O momento de inércia representa a resistência de uma seção Exemplo 6.5: Determine a tensão de flexão máxima na viga de seção do tipo
transversal em girar em torno de um eixo. Portanto, a seção acima gira mais I submetida à um carregamento distríbuido como mostrado abaixo:
facilmente em torno do eixo y que do eixo z.
y
30 kN
20 mm 1
6.5 – FLEXÃO PURA DE VIGAS COM SEÇÃO ASSIMÉTRICA
5 kN/m

150 mm 20 mm
Na discussão anterior, foram analisadas somente vigas com seções
A B z
transversais simétricas, porém o equacionamento é válido para seções 2
150 mm
quaisquer, desde que seus eixos sejam os eixos principais de inércia. 3
RAy 6m RB
y

y z centróide
dA 250 mm
σx 20 mm

y eixo a – Cálculo das reações de apoio


M z
x neutro
∑M B
= 0 , RA .6 – 30 . 3 = 0 , RA = 15 kN

b – Cálculo do momento máximo

Figura 6.6 – Flexão de vigas assimétricas

Impondo o equilíbrio de momentos com relação ao eixo y, temos:

My = ∫A σx z dA (6.18)
x
onde My é o momento interno resultante. ∑M = 0 , −15 x + 5 x
2
+M=0

Substituindo a eq. (6.3) na eq. (6.18), e considerando que σmax e c são 5 2


M=− x + 15 x (kN.m)
constantes: 2

dM
Mmax: = 0 = −5x + 15 ⇒ x=3m
σ dx
My = max
c ∫A
y z dA
(6.19)
Mmax (x=3) = 22,5 kN.m
Se y e z são eixos principais de inércia, a integral ∫A y z dA é nula, eq.
(6.14). Logo, o momento interno resultante My = 0. Assim, as equações c – Cálculo do momento de inércia da seção

deduzidas anteriormente se aplicam à uma viga de seção transversal Iz = Iz1 + Iz2 + Iz3

qualquer.  250 . 203   20 . 3003 


Iz = 2  + 250 . 20 .1602  +  
 12   12 

Iz = 301,3 . 10 6 mm4
Torção Pag. 95 Torção Pag. 96
Mecânica dos Sólidos A 97 Mecânica dos Sólidos A 98

P .1, 25.103 . (175 − 43,25 )


= 21.103 . 527.10−6
2000.104
d – Cálculo da máxima tensão de flexão
Mmax . c 22,5.106.(− 170)
P = 1344 kgf
σmax = − =−
Iz 301,3.106

σmax = 12,7 MPa


6.6 – TENSÃO DE FLEXÃO EM VIGAS COM DIFERENTES MATERIAIS
(MÉTODO DA RIGIDEZ EQUIVALENTE)
Exemplo 6.6: Uma viga estrutural em aço do tipo T usada em balanço, é
carregada da forma mostrada na figura. Calcular a magnitude da carga P Vigas com dois materiais são comumente chamadas de vigas

que provoca uma deformação longitudinal no ponto C de +527 x 10 –6 compostas e são projetadas de forma a desenvolver maneiras mais eficientes

mm/mm (alongamento) e uma deformação longitudinal no ponto D de -73 x para resistir às cargas aplicadas.

10 –6 mm/mm (encurtamento). (I = 2000 cm4 e Eaço = 21 x 103 kgf/mm2). Como a fórmula da flexão em vigas, dada pela eq. (6.12) foi
desenvolvida para o caso de materiais homogêneos, esta fórmula não pode

P ser aplicada diretamente para determinar as tensões de flexão em vigas


Ponto C
Ponto D compostas por diferentes materiais. Para estudar estes casos de viga,

A B considere uma viga composta de dois diferentes materiais.


175 mm

1,25 m 25 mm y

dz
εC
C
dy h
εD 175 mm 1
D y
25 mm
2
x
M
Por semelhança de triângulos: z
εC εD
= ⇒ y = 43,25 mm b
175 − y y − 25

Figura 6.7 – Flexão de vigas compostas

1
Supondo que E1 > E2:

∑ M = 0 , M + P . 1,5 = 0 , M = -1,5 P (kgf . m)


M . yC
σC = − = E . εC
I

Torção Pag. 97 Torção Pag. 98


Mecânica dos Sólidos A 99 Mecânica dos Sólidos A 100

y
A integral da eq. (6.23) pode ser chamada de rigidez equivalente em
y
flexão, <EI>:
σ1

M M < EI > = ∫A Ei y
2
dA = ∑ Ei Ii
(6.24)
Elástico-linear
1 x ⇒ 1 x
onde Ii é o momento de inércia da área com material i.
σx = Eiε
2 2
Substituindo a eq. (6.24 na eq. (6.23) e rearranjando, a expressão da
máxima deformação pode ser colocada da forma:

εx σ2
M
εmax = c
< EI > (6.25)

Impondo o equilíbrio estático das forças na direção x, obtem-se a Considerando a relação de deformação dada pela eq. (6.2) e a lei de

mesma eq. (6.3). Supondo que a lei de Hooke é valida para cada material i, e Hooke para cada material i, eq. (6.20), a expressão que fornece a tensão de

pode ser colocada da forma: flexão em um material i, distante y do eixo neutro é da forma:

σi = Ei ε M
σi = −Ei y
(6.20) < EI > (6.26)

onde σi é a tensão num ponto situado no material i e Ei é o módulo de


Exemplo 6.7: A viga composta abaixo é sujeita à um momento fletor de M =
elasticidade do material i. Sabendo que a evolução das deformações é da
2 kN.m. Determine pelo método da rigidez equivalente as tensões nos pontos
forma pela eq. (6.2), o equilíbrio estático se põe da forma:
B e C se Eaço = 200 GPa e Emad = 12 GPa.
εmax
c ∫
A
Ei y dA = 0
(6.21)

Seguindo o mesmo raciocínio feito na eq. (6.6) para no caso de uma


B 150 mm
viga homogênea, a eq. (6.21) pode usada para determinar a posição do eixo M

neutro (centróide) da seção transversal com diferentes materiais da seguinte madeira


20 mm
maneira:
aço

y=
∫A Ei y dA = ∑ Ei y i Ai
∫A Ei dA ∑ Ei A i (6.22)
C 150 mm
onde yi é o centróide da área de material i e Ai é a área de material i.
O momento interno é obtido pela soma dos momentos infinitesimais. a - Determinar a posição do centróide y :
Assim, considerando as eqs. (6.2) e (6.20), temos: 2

∑E y A
i =1
i i i
12.109.95 .150 .150 + 200.109.10 . 20 .150
y= = , y = 36,38 mm
εmax
2
12.109.150 .150 + 200.109.20 .150
M= ∫ Ei y 2 dA ∑E A i i
c A
(6.23) i =1

Torção Pag. 99 Torção Pag. 100


Mecânica dos Sólidos A 101 Mecânica dos Sólidos A 102

b - Determinar a rigidez equivalente <EI>: a – Cálculo da rigidez equivalente <EI>:


150 .1503  150 
2
 100 .23  15 2  
2
100 .153 
< EI >= 12.103  + 150 .150 .  + 20 − 36,38  + < EI > = 2 Eaço  + 2 .100 .  +   + E mad  
 12  2    12  2 2    12 
150 . 203 2
200.103  + 20 .150 . ( 36,38 − 10 )  100 .23  15 2  
2
100 .153 
 12  < EI > = 2. 200.103  + 2 .100 .  +   + 12.103  
 12  2 2    12 
<EI> = 1,87.1012 N.mm2
<EI> = 6,14.109 N.mm2
c - Determinar as tensões:
b – Cálculo das tensões:
Ponto C:
Ponto A (aço):
M .2000.103 (−36,38)
σC = −Eaço y c = −200.103
< EI > 1,87.1012 M 77,78.103 .9,5
σ A = −Eaço y A = −200.103 , σA = -24,05 Mpa
< EI > 6,14.109
σC = 7,78 N/mm2 = 7,78 Mpa
Ponto B (aço):
Ponto B:
M 77,78.103 .7,5
M .2000.103 (150 + 20 − 36,38) σB = −Eaço y B = −200.103 , σB = -18,99 Mpa
σB = −Emad y B = −12.103 < EI > 6,14.109
< EI > 1,87.1012
Ponto C (madeira):
σB = -1,71 Mpa
M 77,78.103 .7,5
σC = −Emad y C = −12.103 , σC = -1,14 Mpa
< EI > 6,14.109
Exemplo 6.8: Se o momento máximo no ski abaixo é 77,78 N.m, determine
as tensões de flexão no aço e na madeira se a seção transversal do ski é
como apresentado abaixo. Tome Eaço = 200 GPa e Emad = 12 GPa.

1m

C D E
A B

w w
0,5 m
0,5 m

1m

B(aço) A C(madeira)
2 mm
aço

15 mm z madeira

aço
2 mm
100 mm

Torção Pag. 101 Torção Pag. 102


Mecânica dos Sólidos A

7.2 – FÓRMULA DA TENSÃO DE CISALHAMENTO EM VIGAS

CAPÍTULO 7 Considere a viga carregada transversalmente como apresentado


abaixo, Fig. 7.3 .

F1 F2
y
w(x)
TENSÃO DE CISALHAMENTO EM VIGAS
x
M1 dx M2
7.1 – PRELIMINARES x

Considere a seção transversal de uma viga carregada transversalmente


por uma força cortante V como apresentado abaixo, Fig. 7.1. Figura 7.3 – Viga carregada transversalmente

τB=0 Considerando somente as forças axiais atuando nas seções


transversais de um elemento de viga de comprimento dx, temos:
B
σ σ’ A’
τA≠0
A dF dF’

V t
y’ M y’
C M+dM
τ eixo
τC=0 neutro

dF dF’
dx
dx
Figura 7.1 – Distribuição das tensões de cisalhamento numa seção transversal
σ σ’

Justificativa do surgimento das tensões de cisalhamento longitudinais.


A’

P τ=0 τ≠ 0 P τ
M y’ M+dM

dx

Figura 7.2 – Tensões de cisalhamento longitudinais Figura 7.4 – Tensões atuando num elemento de viga

Cisalhamento Pag. 104


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Impondo o equilíbrio das forças atuando na direção axial x, tem-se: o Material trabalha dentro do regime elástico-linear,
o Relação espessura/comprimento da viga pequena (hipótese

∑F x
=0
,
∫A ' σ dA − ∫A ' σ ' dA + τ ( t . dx ) = 0 (7.1) fundamental da teoria de flexão).

onde σ é a tensão normal atuando na seção transversal esquerda do o Módulo de elasticidade deve ser o mesmo em tração e em
compressão.
elemento, σ’ é a tensão normal atuando na seção transversal direita do
elemento, t é largura da seção no ponto onde se deseja determinar a tensão
de cisalhamento e A ’ é a área acima do ponto onde se deseja determinar a 7.3 – DISTRIBUIÇÃO DA TENSÃO DE CISALHAMENTO EM VIGAS
tensão de cisalhamento.
Considere a viga de seção transversal retangular de altura h e largura
Substituindo a tensão normal de flexão dada pela eq. (6.7) na eq.
b, submetida à um esforço cortante V, Fig. 7.5:
(7.1), temos:

 M  M + dM 
∫  − I  dA − ∫A '  −  dA + τ ( t . dx ) = 0 h/2
A'
   I  (7.2)
y'
Simplificando a eq. (7.2) e considerando que o momento interno M e o
h/2
momento de inércia I são constantes na seção: V
y’
dM
y dA + τ ( t . dx ) = 0
I ∫A ' (7.3)
b
Isolando a tensão de cisalhamento, tem-se:

dM 1
dx t I ∫A '
τ=− y dA
(7.4) Figura 7.5 – Esforço cortante V atuando numa seção transversal

dM
Como
dx
= −V e ∫A ' y dA é o primeiro momento da área A’ com relação O primeiro momento da área A’, Q, pode ser determinado como:

ao eixo neutro, ou seja y ' = ∫A ' y dA . Então:  1h   h 


Q = y ' A ' =  y '+  − y '    − y '  b
∫A ' dA  22   2  (7.7)

Simplificando a eq. (7.7), temos:


∫A ' y dA = y ' A ' = Q (7.5)
1  h2 
Logo, a tensão de cisalhamento em uma seção num ponto distante y’ Q=  − y '2  b
2 4  (7.8)
do eixo neutro é determinada dada por:
Substituindo as eqs. (6.9) e (7.8) na eq. (7.6):
VQ
τ=
tI (7.6)

Restrições da eq. (7.6):

Cisalhamento Pag. 105 Cisalhamento Pag. 106


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

1  h2  Exemplo 7.1: A viga abaixo é composta de duas pranchas de madeira


V  − y '2  b
2 4 
τ= formando um perfil do tipo T. Determine a máxima tensão cisalhante na cola
b h3 (7.9)
b
12 necessária para mantê-las juntas.

Simplificando a eq. (7.9), temos: y

150 mm
6V  h2  6,5 kN/m 30 mm
τ=  − y '2 
b h3  4  (7.10)
A C B
1
Conclusões: z 30 mm
4m 4m
150 mm
o A distribuição da tensão de cisalhamento é parabólica.
y 2
o A tensão de cisalhamento é nula nas extremidades ( h/2, -
h/2).
o A tensão de cisalhamento é máxima no eixo neutro (y = 0). a - Cálculo das reações de apoio:

6V V 26 kN
τ= = 1,5
4bh A

RA 2m
τmax 6m
RB

∑M A
=0, RB . 8 – 26 . 6 = 0 , RB = 19,5 kN

↑ ∑ Fy = 0 , RA + 19,5 - 26 = 0, RA = 6,5 kN
eixo
b –Cálculo do diagrama de cortante:
neutro
Trecho AC (0 < x < 4):
V
Figura 7.6 – Tensões de cisalhamento atuando em planos ortogonais

6,5 x
Observação importante: Para o caso de um material anisotrópico
como por exemplo a madeira, a viga se rompe ao longo do plano horizontal ∑ Fy = 0 , 6,5 + V = 0, V = -6,5 kN
paralelo às fibras, passando pelo eixo neutro da seção. Trecho CB (0 < x < 4):
P 6,5.(4-x)

x 19,5

Figura 7.7 – Ruptura por cisalhamento em vigas de madeira


Cisalhamento Pag. 107 Cisalhamento Pag. 108
Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

∑ Fy = 0 , - V - 6,5.(4-x) + 19,5 = 0 V = 6,5x - 6,5 (kN) 7.4 – TENSÃO DE CISALHAMENTO EM VIGAS COM DIFERENTES

p/ x = 0 ⇒ VC = -6,5 kN MATERIAIS (MÉTODO DA RIGIDEZ EQUIVALENTE)

p/ x = 4 ⇒ VB = 19,5 kN
Análogamente ao caso de vigas com diferentes materiais trabalhando
em flexão, a fórmula para determinar tensão de cisalhamento, eq. (7.6), não
19,5 kN
pode ser aplicada diretamente para determinar as tensões de cisalhamento
+
para o caso de vigas compostas. Para estudar estes casos de viga sujeitas a
-6,5 kN -
um cisalhamento, considere a viga abaixo composta de diferentes materiais,
Fig. 7.8.
c - Cálculo da posição do eixo neutro (centróide):
2
F1 F2
y
∑y A
i =1
i i
75. 30 .150 + (15 + 15). 30.150 w(x)
y= = = 120 mm
2
30.150 + 30.150
∑A
i =1
i

x
d - Cálculo do momento de inércia Iz:
M1 dx M2
30.1503 150.303 30 x
Iz = + 30 .150 . (120 − 75)2 + + 30 .150 . (150 + − 120)2 ,
12 12 2

Iz = 2,7 . 107 mm4


Figura 7.8 – Viga comporta carregada transversalmente
e - Cálculo do primeiro momento Q:
y
Considerando somente as forças axiais atuando nas seções
transversais do elemento de comprimento dx da viga composta, temos:
'
y σ σ’ A’
z
dF
dF’
y
t
y’ M y’
M+dM
eixo
30 neutro
Q = y ' . A ' = (150 + 30 − 120 − ) 30.150 = 2,025.105 mm3
2
dF dF’
f - Cálculo de τmax: dx
dx
3 5
V Q 19,5.10 . 2,025.10
τmax = = = 4,875 MPa
It 2,7.107. 30

Cisalhamento Pag. 109 Cisalhamento Pag. 110


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

a largura da viga na posição y’. Na expressão de Q, Ei é o módulo de


σ σ’ elasticidade do material i, yi é a posição do centróide da área de material i e
Ai é a área do material i. A rigidez equivalente é < EI >= ∑ E i Ii .
A’

τ Exemplo 7.2: Se o cortante máximo no ski abaixo é 200 N, determine as


M y’ M+dM
tensões de cisalhamento no aço e na madeira se a seção transversal do ski é
como apresentado abaixo. Tome Eaço = 200 GPa e Emad = 12 GPa.

dx
P

1m
Figura 7.9 – Tensões atuando num elemento de viga composta
C D E
A B
Da imposição do equilíbrio de forças atuando na direção x, tem-se a
mesma eq.(7.1). Substituindo a eq. (6.9) que fornece a expressão de tensão w w
de flexão de vigas compostas na eq. (7.1), temos: 0,5 m 1m 0,5 m

 M   M + dM  y
∫ −E i   y dA − ∫A ' −Ei  < EI >  y dA + τ ( t dx ) = 0 2 mm
A'
 < EI >    (7.11) B (aço) C (madeira)
aço
z
Simplificando a eq. (7.11) e considerando que o momento dM e a 15 mm D madeira
rigidez equivalente <EI> é constante na seção, temos: aço
2 mm 100 mm
dM
Ei y dA + τ ( t dx ) = 0
< EI > ∫A ' (7.12)
a – Cálculo da rigidez equivalente <EI>:
Isolando a tensão de cisalhamento da eq.(7.12):
100 .23  15 2  
2
100 .153 
< EI > = 2 Eaço  + 2 .100 .  +   + E mad  
dM 1  12  2 2    12 
τ=−
dx < EI > t ∫A'
Ei y dA
(7.13)
100 .23  15 2  
2
100 .153 
< EI > = 2. 200.103  + 2 .100 .  +   + 12.103  
dM  12  2 2   12
Sabe-se que, = −V e chamando o primeiro momento da área A’ de  
dx
<EI> = 6,14.109 N.mm2
Q= ∫A ' Ei y dA = ∑ Ei y i A i , temos:
Ponto D: (madeira)
VQ QD = ∑ Ei y i A i = E mad ( 3,75.100.7,5 ) + Eaço ( 8,5.100.2 )
τ=
< EI > t (7.14)
QD = 12.103 ( 3,75.100.7,5 ) + 200.103 ( 8,5.100.2)

onde τ é a tensão de cisalhamento na posição y’, V é o cortante na seção QD = 373750000 N.mm


analisada, Q é o primeiro momento de área, <EI> é a rigidez equivalente e t é

Cisalhamento Pag. 111 Cisalhamento Pag. 112


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

τD =
V .Q
=
200.373750000
, τD = 0,12 N/mm2 Ponto B:
< EI > . t 6,14.109.100
QB = y ' . A ' = 110.300.20 = 6,6.105 mm3
Ponto C: (madeira)
80.103 . 6,6.105
τB = = 1,13 MPa
QC = ∑ Ei y i A i = Eaço ( 8,5.100.2) 1,556.108.300

QC = 200.103 ( 8,5.100.2) Ponto C:


QB = QC = 6,6 . 105 mm3
QC = 340000000 N.mm
80.103 . 6,6.105
V .Q 200.340000000 τC = = 22,62 MPa
τB = = , τB = 0,11 N/mm2 1,556.108.15
< EI > . t 6,14.109.100
Ponto D:
Ponto B: (aço)
QD = y1 ' . A1 '+ y 2 ' . A 2 ' = 50.100.15 + 110.300.20 = 7,35.105 mm3
QB = QC = 340000000 N.mm
τB = τC = 0,11 N/mm2 80.103 . 7,35.105
τD = = 25,20 MPa
1,556.108.15
Conclusão importante: Na interface entre o aço e a madeira há continuidade
das tensões de cisalhamento transverso (τB aço = τC mad = 0,11 MPa ). 0
1,13 22,6

Exemplo 7.3: Plote a distribuição de tensões de cisalhamento na seção


25,2
transversal de uma viga do tipo I com força cortante V = 80 kN.

1,13 22,6
y 0

7.5 – FLUXO DE CISALHAMENTO


20 mm A
B
Ocasionalmente na engenharia, alguns membros são construídos a
C
15 mm partir da união de diferentes partes para poderem resistir as cargas. Nestes
200 mm z
D casos, a união das diferentes partes do membro é feita através de cola,
pregos, parafusos, etc. Para o projeto destes elementos é necessário o
conhecimento da força que deve ser resistida por cada um destes elementos.
20 mm 300 mm
Seja a viga com o carregamento abaixo, formada pela união de dois
elementos:
a – Cálculo do momento de inércia I:
 300 .203  15.2003
I = 2 + 1102.300.20  + = 1,556.108 mm4
 12  12

Ponto A:
QA = 0 ⇒τA = 0

Cisalhamento Pag. 113 Cisalhamento Pag. 114


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

y Exemplo 7.4: Determine a quantidade de pregos necessária para manter os


F1 F2
y elementos da viga abaixo de 3m de comprimento, unidos quando submetida
w(x) A’
a um cortante de 2 kN. A tensão admissível dos pregos de diâmetro d = 2

z
mm é τadm = 225 Mpa.
x
M1 dx M2
x t y

Seção transversal 20 mm
σ σ’ da viga 1

A’ 20 mm
150 mm
τ 2
M y’ M+dM 3

20 mm 150 mm

dx
a – Cálculo do momento de inércia I e do primeiro momento Q:
150 .1903  65.1503 
I= −2  = 49175000 mm
4

Figura 7.10 – Tensões atuando em elementos unidos por pregos, parafusos, etc. 12  12 

 150 
Da eq. (7.3) que representa o equilíbrio das forças na direção x, tem-se Q = y'. A' =  + 10  .150 .20255000 mm3
 2 
a força de cisalhamento atuante na interface entre dois elementos:
b – Cálculo do fluxo decisalhamento q:
V Q 2000 . 255000
dM q= = = 10,37 N / mm
y dA = τ ( t dx ) = dF
I ∫A '
− I 49175000
(7.15)
c – Cálculo da força suportada por cada prego:
A força de cisalhamento por unidade de comprimento pode ser obtida
V
τadm P =
da forma: A
V
dF dM 1 225 =
π 22
dx I ∫A '
=− y dA
dx (7.16) 4

dM V = P = 706,86 N
Sabendo que
dx
= −V e Q = ∫A ' y dA , o fluxo de cisalhamento q é dado
d – Cálculo do espaçamento entre os pregos:
por: P 706,86 N
e= = = 68,16 mm
q 10,37 N / mm
VQ
q= e – Cálculo do número de pregos:
I (7.17)

Cisalhamento Pag. 115 Cisalhamento Pag. 116


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

np =
3000
= 44
Projeto (a): A’ y
68,16 q1 q1

y ' = 125 mm
Exemplo 7.5. A viga biapoiada abaixo é composta de 4 pranchas de madeira z
e suporta uma força concentrada de 550 kgf. Determine o projeto entre (a) e
(b) que exige a menor quantidade de pregos. Cada prego resiste a uma força
de 20 kgf. O eixo neutro é paralelo ao eixo z. c1 – Cálculo do primeiro momento Q1:
Q1 = y ' . A ' = 125 . 200 . 50 = 1250000 mm3
z
550 kgf d1 – Cálculo do fluxo de cisalhamento q1:
V Q1 275 .1250000
q1 = = = 0,32 kgf/mm
x 2I 2 . 541666666,2

1,5 m 1,5 m
e1 – Cálculo do espaçamento entre os pregos ep:
Fp 20 kgf
e1 = = = 62,5 mm
q1 0,32 kgf / mm
y y
f1 – Cálculo do número de pregos np:
L 3000 mm
50 mm 50 mm np 1 = = = 48
e1 62,5 mm
z 200 mm z 200 mm g1 – Cálculo do número total de pregos no projeto a:
50 mm 50 mm n t1 = 4 . 48 = 192

50 mm 200 mm 50 mm 50 mm 200 mm 50 mm
Projeto (b): y
A’
projeto (a) projeto (b) q2 q2

a – Cálculo das reações de apoio:


y ' = 125 mm
∑M A
= 0 , RB . 3 – 550 . 1,5 = 0 , RB = 275 kN z

↑ ∑ Fy = 0 , RA + 275 - 550 = 0 , RA = 275 kN

b – Cálculo do momento de inércia da seção:


300 .3003 200 .2003 c2 – Cálculo do primeiro momento Q2:
I= − , Iz = 541666666,7 mm4
12 12
Q1 = y ' . A ' = 125 .300 .50 = 1875000 mm3

d2 – Cálculo do fluxo de cisalhamento q2:


VQ 275 .1875000
q2 = = = 0,48 kgf/mm
2I 2 . 541666666,2

e2 – Cálculo do espaçamento entre os pregos ep:

Cisalhamento Pag. 117 Cisalhamento Pag. 118


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Fp 20 kgf a – Cálculo do momento de inércia I de todo o perfil:


e2 = = = 41,7 mm
q2 0, 48 kgf / mm
  31,09 
2

I = 2 I1 + I2 = 2 500 +  + 1,02 − 2,66  .58,8  + 11686
f2 – Cálculo do número de pregos np:   2  
L 3000 mm
np 2 = = = 72 I = 35423,8 cm4 = 35423,8 . 104 mm4
e2 41,7 mm
b – Cálculo do primeiro momento Q:
g2 – Cálculo do número total de pregos no projeto b:
 31,09 
n t2 = 2 . 72 + 48 . 2 = 240 Q = y'. A' =  + 1,02 − 2,66  .58,8 = 817,614 cm3 = 817,614 . 103 mm3
 2 

c – Cálculo do fluxo de cisalhamento q:


Exemplo 7.6: A viga abaixo é formada pela união de diferentes perfis V Q V.817,614.103
q= = = 2,308.10-3 . V
parafusados entre si. Determine a máxima força cortante que a viga pode I 35423,8.104

suportar se os parafusos resistem a uma força cortante de 11 kN e estão d – Cálculo do espaçamento entre os parafusos ep:
espaçados de 200 mm. força cor tan te nos parafusos
ep =
q

2.11.103
200 = ⇒ V = 47700 N
1 2,308.10−3.V

305x102x46,2 kg 305x165x54 kg
2

1
Perfil 305x102x46,2 kg: 304,8 mm
A = 58,8 cm2 c

I11 = 8214 cm4


2 2
I22 = 500 cm4
10,2 mm
c = 2,66 cm 101,6 mm

1
2
Perfil 305x165x54 kg:
A = 68,3 cm2
I11 = 11686 cm4
I22 = 988 cm4 1 1

Cisalhamento 2 Pag. 119 Cisalhamento Pag. 120


Mecânica dos Sólidos A

CAPÍTULO 8 P v P

x B
A

W
TENSÕES COMPOSTAS
P V M v

a
Nos capítulos anteriores, foram desenvolvidos métodos para P
RAy
determinar a distribuição de tensão em membros sujeitos à esforços
internos: força axial, força cortante, momento fletor e momento torçor. Muito Figura 8.1 – Viga submetida à uma flexo-compressão

frequentemente, a seção transversal de um membro está sujeita à vários


onde v é a deflexão da viga de um ponto distante x da extremidade:
tipos de esforços internos simultaneamente. A tensão resultante destes
Impondo o equilíbrio de momentos com relação ao eixo z, temos:
esforços é obtida pela superposição das tensões devido a cada esforço
interno calculadas separadamente. ∑M a
=0
, M – P . v – RAy . x + W.(x – a) = 0 (8.1)

Assim, percebe-se que o momento interno M é dependente da


8.1 – SUPERPOSIÇÃO E SUAS LIMITAÇÕES deflexão v:

O princípio da superposição pode ser usado desde que haja uma M = RAy . x – W.(x – a) + P . v (8.2)
relação linear entre tensão e carregamento. Também deve ser considerado
Como a deflexão v é devido ao carregamento W, o momento P.v seria
que a geometria do membro não deve sofrer mudança significativa quando
desprezado quando da aplicação do princípio da superposição. Isto poderia
as cargas são aplicadas. Isto deve ser assegurado de maneira que a tensão
ser considerado somente quando a deflexão v for pequena. Portanto, nos
produzida por uma carga não está relacionada com a tensão produzida por
casos onde as deformações são pequenas, o princípio da superposição pode
uma outra carga. Neste sentido, considere a viga com o carregamento
ser aplicado separadamente para cada força aplicada na estrutura.
mostrado abaixo, trabalhando dentro do regime elástico linear.
 Tensão normal devido à força axial P:
y
W
P P
P
σ 'x =
A P
x
A a B

Tensões Compostas Pag. 122


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

 Tensão normal devido ao momento fletor M: cos θ =


2
, sen θ =
1,5
y 2,5 2,5

My
a – Cálculo das reações de apoio:
σ ''x = −
I 2 1,5 2 1,5
M ∑M a
= 0 , RB.
2,5
.6 + R B .
2,5
.1,5 − 125.
2,5
.5 − 125.
2,5
.0,75 = 0 ⇒RB = 97,59 kN
eixo
neutro x 2 2
↑ ∑ Fy = 0 , 97,59. − 125. + R Ay = 0 ⇒RAy = 21,93 kN
2,5 2,5

1,5 1,5
→ ∑ Fx = 0 , R Ax − 125. + 97,59. = 0 ⇒RAx = 16,45 kN
2,5 2,5
y
 Tensão de cisalhamento devido à força cortante V: c M
16,45
y x
P
1.5 m V
VQ 21,93
τxy = τ yx =
It V
x
b – Cálculo dos esforços internos:
→ ∑ F x = 0 , 16, 45 + P = 0 ⇒ P = -16,45 kN

↑ ∑ F y = 0 , 21, 93 + V = 0 ⇒V = -21,93 kN
O tensor de tensões é para este caso bidimensional:
∑M = 0 , −21,93.1,5 + M = 0 ⇒M = 32,90 kN.m

σ 'x 0  σ ''x 0  0 τxy  ( σ 'x + σ ''x ) τxy  c - Tensão no ponto C devido à força P:
+ + = 

 0 0   0 0   τ yx 0   τ xy 0  (8.3) P
σ 'x = = −1,316 MPa
A

Exemplo 8.1: Calcule o tensor de tensões no ponto C da viga de seção d - Tensão no ponto C devido ao momento M:
transversal retangular, b = 50 mm e h = 250 mm. My
σ ''x = − = −63,168 MPa
I

e - Tensão no ponto C devido ao cortante V:


125 mm
1,5 m VQ
50 kN/m τxy = =0
A C 2,5 m It

θ f – Tensor de tensões no ponto C:


RAx 125 kN
RAy  −1,316 0   −63,168 0   −64, 48 0 
 0 + = (MPa)
 0   0 0   0 0 
1,5 m

RBx
B
RB 8.2 – FLEXÃO OBLÍQUA
4m 2m
θ RBy
Considere uma viga sujeita à um momento inclinado de α com
relação aos eixos principais y e z da seção transversal da viga, Fig. 8.1.
Tensões Compostas Pag. 123 Tensões Compostas Pag. 124
Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

( M cos α ) y ( M sen α ) z
y − + =0
Iz Iy (8.4)
α° y

Assim, a equação que fornece a equação do eixo neutro é da forma:


Mz= M.cosα
M I 
y = z z  tgα
 Iy  (8.5)
 
My= M.senα
Conclusão importante: O eixo neutro não é perpendicular ao plano de
x x aplicação do momento, a menos que Iz = Iy. Os pontos de máxima tensão de
z
z
flexão em tração e em compressão se encontram nos vértices da seção
transversal.
Figura 8.2 - Viga sujeita à um momento inclinado de α

EXEMPLO 8.2: A viga de madeira de seção 100 mm x 150 mm mostrada


A fórmula da flexão elástica, eq. (6.8), pode ser aplicada para cada
abaixo é usada para suportar uma carga uniformemente distribuída de 500
componente do momento My e Mz, e a tensão combinada dos dois efeitos
kgf. A carga aplicada age em um plano que faz um ângulo de 30° com a
pode ser obtida pela superposição.
vertical. Calcular a máxima tensão no meio do vão e localizar o eixo neutro.
Considere o caso especial de uma seção transversal retangular
submetida à um carregamento inclinado, Fig.8.3. y
500 kgf 30°
y y y y’

Mz
z + z = z 3m RBy’
RAy’
My z x

a – Cálculo das reações:

σ x' = −
Mzz y
σ x '' = +
Myy z σ x = σ x' + σ x'' ∑M A
=0 , RBy’ . 3 – 500 . 1,5 = 0 ⇒RBy’ = 250 kgf
Izz Iyy
↑ ∑ Fy' = 0 , RAy’ + 250 – 500 = 0 ⇒RAy’ = 250 kgf
Figura 8.2 – Tensões devido a um carregamento inclinado b – Cálculo do momento interno M:
250 kgf
A obtenção da posição do eixo neutro é feita fazendo σx = 0:
M

Mz y My z c
− + =0
Iz Iy (8.3)
1.5 m V
Substituindo as componentes do momento inclinado: 250 kgf

Tensões Compostas Pag. 125 Tensões Compostas Pag. 126


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

∑M c
=0 , -250 . 1,5 + 250 . 0,75 + M = 0 M = 187,5 kgf m P
P P
c – Cálculo das componentes do momento M: z0
P P y0
Mz = M cos 30° = 162,4 kgf.m , My = M sen 30° = 93,8 kgf.m
z + z + z
d – Cálculo dos momentos de inércia de área Iz e Iy:
100. 1503
Iz = = 28125000 mm4 y y y
12

150. 1003
Iy = = 12500000 mm4
12

e – Cálculo das tensões normais:


Mz y My z P P. z0 z P. y0 . y
σx = − + σ' x = σ'' x = σ''' x =
Iz Iy A Iz
Iy
Ponto (y = - 75 mm, z = 50 mm) ⇒σx = 0,808 kgf/mm2 (tração)
Figura 8.5 – Distribuição das tensões normais
Ponto (y = 75 mm, z = - 50 mm) ⇒σx = - 0,808 kgf/mm2 (compressão)
f – Cálculo da posição do eixo neutro: A tensão resultante das tensões normais é da forma:

I   2812,5 
y = z z  tgα = z   tg 30° = 1,3 z σx =
P
+
P. z 0 z
+
P. y 0 y
 Iy   1250 
  A Iy Iz (8.6)

Exemplo 8.3: O bloco retangular de peso desprezível está sujeito a uma


8.3 – ELEMENTOS ESTRUTURAIS COM CARREGAMENTO EXCÊNTRICO
força vertical de 40 kN, a qual é aplicada em seus vértices. Determine a
Considere um elemento estrutural em cuja seção transversal é distribuição de tensão normal atuando sobre a seção ABCD.
aplicada uma força excêntrica em relação ao centróide da seção, Fig. 8.4.

x x 40 kN Mz = 40 kN.0,4 m
0,4 m 40 kN
P
P zo P zo D
0,8 m
D C
yo yo
z z My = 40 kN.0,2 m
C

z
y y
P A
A B
B y

Figura 8.4 – Elemento estrutural solicitado axialmente P Mz y My z


σ= − + −
A Iz Iy
Com a superposição dos efeitos, tem-se: Ponto A (y = 400 mm, z = - 200 mm):

Tensões Compostas Pag. 127 Tensões Compostas Pag. 128


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

40000 40000. 400. 400 40000. 200. (−200) 8.4 – SUPERPOSIÇÃO DE TENSÕES DE CISALHAMENTO
σA = − + − = 0,625 MPa
400. 800 400. 8003 800.4003
12 12

Ponto B (y = 400 mm, z = 200 mm): Exemplo 8.3: Achar a máxima tensão de cisalhamento no plano ABDE do

40000 40000. 400. 400 40000. 200. 200 eixo de 12 mm de diâmetro, devido as esforços aplicados.
σB = − + − = −0,125 MPa
400. 800 400. 8003 800. 4003
12 12

Ponto C (y = - 400 mm, z = 200 mm):


P = 24 kgf
40000 40000. 400. (−400) 40000. 200. 200
σC = − + − = −0,8755 MPa
400. 800 400. 8003 800. 4003 M = 2000 kgf mm
12 12

Ponto D (y = - 400 mm, z = - 200 mm): 25 mm B


40000 40000. 400. (−400) 40000. 200. (−200) E
σD = − + − = −0,125 MPa 75 mm D
400. 800 400. 8003 800. 4003 A
12 12

Posição do eixo neutro (tensão nula): 24 kgf

62500 125000 2000 kgf mm


=
0, 4 − e e
M = 24.100 kgf mm
e = 66,7 mm
62500 125000
=
0,8 − h h 100 mm
T = 2000 kgf mm
h = 0,133 m
V = 24 kgf

Tensões devido ao momento de torção T:


Tc 2000. 6
τmax = = = 5,89 kgf / mm2
h J π. 64
2
D C
0,8 - h

B
τmax
A
B

0,4 - e e E D

Tensões Compostas Pag. 129 Tensões Compostas Pag. 130


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Tensões devido ao cortante V: Tensões normais devido ao momento fletor M:


VQ A’ My x
τmax = σz =
It B Iy

Q = y' A' 3000. 3,5.103. (−50)


σC = = - 106,95 MPa , σC = - 106,95 MPa
π. 504
 4 c   πc 
2
Q=  2 
y' 4
 3 π  
E D σD = 0
Q = 144 mm3
Tensões de cisalhamento devido ao momento torçor T:
π c4
I= = 1018 cm4 Tc
4 τc = τD =
A J
24 .144
τmax = = 0,28 kgf / mm2
1018 .12 3000.1.103. 50
τc = τD = = 15,28 Mpa
π. 504
τmax (Ponto E) = 5,89 + 0,28 = 6,17 kgf/mm2 2

Tensões de cisalhamento devido à força cortante V:


Exemplo 8.4: Uma placa é sujeita à um carregamento uniforme devido ao VQ
τ=
It
vento conforme mostrado abaixo. Determine o estado de tensões nos pontos
Ponto D
C e D situados na coluna de sustentação da placa de 100 mm de diâmetro.
 4. c   π. c 2   4. 50   π. 502 
Q = y '. A ' =   =   = 83333,3 mm
3

 3. π   2   3. π   2 
z
π. c 4 π. 504
I= = = 4908738,5 mm4
4 4
2m
3000. 83333,3
1,5 kPa τD = = 0,51 MPa
4908738,5.100

1m Ponto C
Q=0 ⇒τC = 0
Feq Ponto C:
σC = - 106,95 Mpa, τC = 15,28 MPa
3m z
Ponto D:
T = 3000.1 N.m
σD = 0 Mpa, τD = 15,28 + 0,51 = 15,79 MPa
B C

2m
M = 3000.3,5 N.m D
y
x A
V = 3000 N y
x

Feq = P . A = 1,5 . 103 . 2 . 1 , Feq = 3000 N

Tensões Compostas Pag. 131 Tensões Compostas Pag. 132


Mecânica dos Sólidos A

σy σy’

CAPÍTULO 9 τx’y’
σx’

τxy
y
σx =
y’
TRANSFORMAÇÃO DE TENSÃO
x’
x

9.1 – INTRODUÇÃO
Figura 9.2 – Estado plano de tensões em dois sistema de eixos diferentes
Considere o estado triaxial de tensões em um ponto obtido no
sistema de eixos x, y e z, Figura 9.1. Estes eixos, por conveniência, são Os estados de tensão mostrados na Figura 9.2 representam o mesmo

normalmente adotados sendo paralelos às cargas externas às quais estão estado de solicitação em um ponto. O que é equivalente à dizer que, as

submetidas as estruturas. No entanto, é necessário conhecer o estado de forças Fx e Fy são as componentes de uma força resultante F nas direções x e

tensão deste ponto num sistema de eixos qualquer, de forma à se conhecer y, enquanto que, as forças Fx’ e Fy’ são as componentes da mesma força

as máximas tensões atuantes, normal e cisalhante. resultante F nas direções x’ e y’.


A relação entre as tensões medidas nos diferentes sistema de eixos é
y
feita seccionando-se um elemento infinitesimal de forma que a face
σy
seccionada seja paralela aos eixos x’ ou y’, Figura 9.3. Sobre o elemento
σz
resultante é imposto o equilíbrio de forças nas direções x’ e y’.
τy
ττyz
yz
ττxy
σx x
σx σy’
τzy τx’y’
σx’
τzx τxz τx’y’ τxy
dA σx
x σx
∆z
τxy
∆y dA
σz τyx
y τyx
∆x σy y’
z
x’ σy σy
Figura 9.1 – Estado triaxial de tensões em um elemento infinitesimal
x
Por conveniência e para a facilidade do entendimento, será
inicialmente tratada a transformação de tensão para o estado plano de
Figura 9.3 – Relação entre as tensões nos dois sistemas de eixos diferentes
tensões, para finalmente ser tratado o estado triaxial de tensões. Dessa
forma, considere o estado plano de tensões obtido em dois sistemas de eixos Por meio do exemplo numérico abaixo é possível identificar a relação

diferentes: entre as tensões obtidas em diferentes sistemas de eixos.

Transformação de Tensão Pag. 134


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

EXEMPLO 9.1 – Considere uma barra de aço de 150 mm de largura e 10 Impondo o equilíbrio de forças nas direções x’ e y’, as componentes ∆Fx’ e ∆Fy’
mm de espessura sendo solicitada por uma força axial de 600 N. Determine são:
as componentes das tensões atuantes sobre o plano definido pela seção a-a. ∆Fx’ = 346,4 ∆A cos 30 = 300 ∆A
∆Fy’ = 346,4 ∆A sen 30 = 173 ∆A
b 30° a Assim, as tensões normal e de cisalhamento à seção a-a são:
y 30° y’
10 mm ∆Fx '
600 N σx ' = = 300 kPa 300 kPa
∆A
x 150 mm 600 N
∆Fy '
τx ' y ' = = 173 kPa 600 N
∆A
x’

a b 173 kPa

No sistema de eixos x-y, a única tensão atuante no plano definido pela seção Estas mesmas tensões podem ser obtidas de uma outra forma, considerando
b-b é a tensão normal na direção x: a barra seccionada da seguinte forma:
600 N
σx = = 0, 4 MPa = 400kPa
150 mm 10 mm
Fx’
a
600 N
y
400 kPa Fy’

Impondo o equilíbrio de forças no diagrama de corpo livre acima, as forças


x a
atuantes na seção a-a são:
Fx’ = 600 cos 30 = 519,6 N
Se considerarmos que a seção seccionada tem área de seção transversal ∆A, Fy’ = 600 sen 30 = 300 N
as seções paralelas aos eixos x e y são ∆A sen 30 e ∆A cos 30,
respectivamente. Utilizando estas áreas, o diagrama de corpo livre do A área da seção a-a vale:
elemento infinitesimal seccionado é: 150 mm 10 mm
Aa −a = = 1732,05 mm2
cos 30
∆Fx’

∆A
∆A cos 30 ∆Fx’ Assim, as tensões normal e de cisalhamento à seção a-a são:
30° ∆Fy’ 30° 30°
∆A sen 30 Fx ' 519, 6 N
σx ' = = = 300 kPa
A a − a 1732 mm2
Fy ' 300 N
onde ∆Fx = 400 kPa (∆A cos 30) = 346,4 ∆A kN. τx ' y ' = = = 173 kPa
A a −a 1732 mm2

Transformação de Tensão Pag. 135 Transformação de Tensão Pag. 136


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

9.2 – EQUAÇÕES GERAIS PARA TRANSFORMAÇÃO DE TENSÃO PLANA sen 2 θ = 2 sen θ cos θ
cos 2 θ = cos 2 θ − sen2 θ
(9.3)
Uma vez determinado as tensões normais σx e σy, e a tensão de 1 = cos2 θ + sen2 θ

cisalhamento τxy num ponto de um corpo solicitado no plano x-y, é possível Trabalhando com as eqs. (9.3), tem-se:
determinar as tensões normais e de cisalhamento em qualquer plano
1 + cos 2θ
inclinado x’-y’. cos 2 θ =
2
y 1 − cos 2θ (9.4)
σy sen2 θ =
y’ 2

τyx
Substituindo a eqs. (9.4) e a expressão de sen 2θ da eq. (9.3) na eq.
B τxy (9.2), tem-se;

θ σx
1 + cos 2θ 1 − cos 2θ
+θ C x’ σx ' = σx + σy + τxy sen 2 θ
2 2 (9.5)
A
Reagrupando a eq. (9.5):

x σx + σy σx − σy
σx ' = + cos 2θ + τxy sen 2 θ
2 2 (9.6)

y’ y’ Impondo o equilíbrio de forças na direção y’, tem-se:

x’
σx’ dA τ x ' y ' dA + σ x dA cos θ sen θ − τxy dA cos θ cos θ −
τx’y’ σx’ x’ τx’y’ dA ↑ ∑ Fy' = 0
, σ y dA sen θ cos θ + τ xy dA sen θ sen θ = 0 (9.7)
θ σx dA cosθ θ
σx
Simplificando a eq. (9.7):
τxy dA τyx dA cosθ

τyx τyx dA senθ  σx − σ y 


τx ' y ' = −   sen 2θ + τxy cos 2 θ
 2  (9.8)
σy dA senθ
σy
As eqs (9.6) e (9.8) são as equações de transformação de tensão de um
Figura 9.4 – Tensões e forças em diferentes eixos em um elemento seccionado sistema de coordenadas a outro.

Impondo o equilíbrio de forças na direção x’, tem-se:


9.3 – CÍRCULO DE TENSÕES DE MOHR
σ x ' dA − σ x dA cos θ cos θ − τxy dA cos θ sen θ −
→ ∑ Fx ' = 0
, σ y dA sen θ sen θ − τxy dA sen θ cos θ = 0 (9.1) Sejam as equações de transformação de tensão (9.6) e (9.8) onde a eq.
(9.6) é colocada da seguinte forma:
Simplificando a eq. (9.1):

σx + σy σx − σy
σx ' = σx cos2 θ + σ y sen2 θ + 2 τxy cos θ sen θ σx ' − = cos 2θ + τxy sen 2 θ
(9.2) 2 2 (9.9)

Sabe-se que: Elevando ao quadrado as eqs. (9.8) e (9.9) e somando-as, tem-se:


Transformação de Tensão Pag. 137 Transformação de Tensão Pag. 138
Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

 σx + σ y 
2
 σx − σy 
2
 A maior tensão de cisalhamento τmax é igual ao raio do círculo e uma
 σx ' −  + τx ' y ' =   + τxy
2 2

 2   2  (9.10) σx + σy
tensão normal de atua em cada um dos planos de máxima e
2
A eq. (9.10) pode ser colocada de maneira mais compacta:
mínima tensão de cisalhamento.

( σ x ' − σm )
2
+ τxy = R
2 2  Se σ1 = σ2, o círculo de Mohr se degenera em um ponto, e não se
(9.11)
desenvolvem tensões de cisalhamento no plano xy.
A eq. (9.11) é a equação de um círculo de raio:
 Se σx + σy = 0, o centro do círculo de Mohr coincide com a origem das
2 coordenadas σ - τ, e existe o estado de cisalhamento puro.
 σx − σ y 
R=   + τxy
2

 2  (9.12)  Se soma das tensões normais em quaisquer dos planos mutuamente


perpendiculares é constante: σx + σy = σ1 + σ2 = σx´ + σy´ = constante.
e centro:
 Os planos de tensão máxima ou mínima formam ângulos de 45° com os
σx + σ y planos das tensões principais.
σm =
2
(9.13)
τm = 0

O círculo construído desta maneira é chamado círculo de tensões de 9.3 – CONSTRUÇÃO DO CÍRCULO DE TENSÕES DE MOHR

Mohr, onde a ordenada de um ponto sobre o círculo é a tensão de


EXEMPLO 9.2: Com o estado de tensão no ponto apresentado abaixo,
cisalhamento τ e a abcissa é a tensão normal σ.
determine as tensões principais e suas orientações e a máxima tensão de
cisalhamento e sua orientação.
τ
τmax y
θ = 0°

90 MPa
A(σx, τxy)

2 θ1’ 60 MPa
σ
σ2 σ1 20 MPa
x

B(σy, -τxy)

Ponto A
|τmin|=τmax

σm= (σx +σy)/2 (σx - σy)/2

As tensões no sistema de eixos x-y são:


Figura 9.5 – Círculo de tensões de Mohr σx = - 20 MPa , σy = 90 MPa , τxy = 60 MPa
Procedimento de análise:
Conclusões importantes:
a – Determinar o centro (σm, τm) do círculo de tensões de Mohr:
 A maior tensão normal possível é σ1 e a menor é σ2. Nestes planos não
existem tensões de cisalhamento.
Transformação de Tensão Pag. 139 Transformação de Tensão Pag. 140
Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

σx + σ y −20 + 90 1
σm = = = 35 MPa y
2 2
τm = 0
2 σ1 = 116,4 MPa
b – Determinar o raio R do círculo de tensões de Mohr:
2 θ1’ = 66,15°
 σx − σ y 
2
 −20 − 90 
R=   + τxy =
2
  + 60 = 81, 4 MPa
2

 2   2  x

c – Localizar o ponto A(-20,60) no círculo de tensões de Mohr:


σ2 = 46,4 MPa
τ (Mpa)

τmax = 81,4

f – Tensão máxima de cisalhamento:


A(-20,60)
τmax = R = 81,4 MPa
2 θ2’
g – Orientação da tensão máxima de cisalhamento:
60
2 θ1’’ 2 θ1’ σ1 = 35+81,4 = 116,4
2 θ1’’ + 2 θ2’ = 90°⇒θ2’ = 21,15°
2 θ2’’ σ (Mpa)
σ2 = 35-81,4 = -46,4 y
y’
20 35
B(90, -60)

x’
τmax = 81,4 MPa

θ2 = 21,25°

x
d – Calcular as tensões principais (maior e menor tensões normais):
σ1 = 35 + 81,4 = 116,4 MPa , σ2 = 35 - 81,4 = -46,4 MPa σm = 35 MPa
e – Determinar a orientação das tensões principais.
 60 
2θ1'' = arc tg 2   = 47, 7° ⇒θ1
’’ = 23,85°
 20 + 35  EXEMPLO 9.3: Para o estado de tensão abaixo, achar a) as tensões normais

2 θ1’’ +2 θ1’ = 180°⇒θ1’ = 66,15° e de cisalhamento para θ = 22,5°, b) as tensões principais e suas
orientações, c) as tensões máxima e mínima de cisalhamento com as tensões
associadas e suas orientações.

Transformação de Tensão Pag. 141 Transformação de Tensão Pag. 142


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

No ponto A’, representando o estado de tensão na face cuja normal é paralela


y
1 kgf/mm2
ao eixo x’, temos:
 2 
x’ 2 θ1 ' = arc tg   = 63, 4
2 kgf/mm2 3−2
22,5°
3 kgf/mm2 σx’ = 2 + 2,24 cos(63,4 - 45) , σx’ = 4,13 kgf/mm2
x τx´y´ = 2,24 sen(63,4 - 45) , τx´y´ = 0,71 kgf/mm2

Ponto A
e no ponto B’, representando o estado de tensão na face cuja normal é
paralela ao eixo y’, temos:
As tensões no sistema de coordenadas x,y são: σy’ = 2 - 2,24 cos(63,4 - 45) ⇒σy’ = - 0,13 kgf/mm2
σx = 3 kgf/mm2 , σy = 1 kgf/mm2 , τxy = 2 kgf/mm2 y’ y

Procedimento de análise: x’
0,13 kgf/mm2
a – Determinar o centro (σm, τm) do círculo de tensões de Mohr:
4,13 kgf/mm2
σx + σ y 3 +1 0,71 kgf/mm2
σm = = = 2 kgf / mm2 θ = 22,5°
2 2 x
τm = 0
Ponto A’
b – Determinar o raio R do círculo de tensões de Mohr:
2
 σx − σ y 
2
 3 −1
R=   + τxy =
2
 2  + 2 = 2, 24 kgf / mm
2 2

 2   
d – Tensões principais:
c – Localizar o ponto A de coordenadas (3,2) no círculo de tensões de Mohr:
σ1 = 4,24 kgf/mm2 (tração) , σ2 = -0,24 kgf/mm2 (compressão)
2
τ (kgf/mm2) tg 2 θ1 = = 2
τmax = 2,24 1
45°
A(3,2) 2 θ1´ = 63,4°⇒θ1´ = 31,7°
2 θ2’
2 θ1´´ = 2 θ1´ + 180°⇒θ1´´ = 121,7°
2
y
2 θ1’ A’ 2
σ1 = 2+2,24 = 4,24

σ2 = 2-2,24 = -0,24 σ (kgf/mm2)


1
2 θ1’’ = 121,7°
-0,24 kgf/mm2
B’ 4,24 kgf/mm2
3
θ1’ = 31,7°
B(1, -2) x

Transformação de Tensão Pag. 143 Transformação de Tensão Pag. 144


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

e – Máxima tensão de cisalhamento: Para este caso, tem-se que σx = 0 e σy = 0. Logo o centro do círculo de
τmax = R = 2,24 kgf/mm2 Mohr está na origem do sistema de coordenadas σ-τ, e o raio do círculo é R =
2 θ2´ + 2 θ1´ = 90°⇒θ2´ = 13,3° τxy.
2 θ2´´ = 2 θ2´ + 180°⇒θ2´´ = 76,7°
τ
τmax = τxy


y
2 θ1’’ 2 θ1’
2 kgf/mm2 σ1 = τxy

σ2 = -τxy σ
2,24 kgf/mm2
θ2´´ = 76,7°
x
θ2´ = 13,3°

Figura 9.7 – Círculo de tensões de Mohr em um ponto de um eixo em torção pura



As tensões principais são neste caso:

Observe que: θ1’ - θ2’ = 31.7 – (-13.3) = 45° e θ1’’ - θ2’’ = 121.7 – 76.7 = 45° σ1 = +τxy
σ2 = −τxy (9.14)

As orientações das tensões principais são:


9.4 – IMPORTANTE TRANSFORMAÇÃO DE TENSÃO

 θ1 ´= 45° (tração)
Seja um elemento sujeito à um estado de tensão de cisalhamento tg 2 θ1 = ∞ 
⇒ θ1 ´´= 135° = −45° (compressão) (9.15)
puro (caso de um eixo em torção).
Assim, a representação gráfica das tensões principais e suas
orientações é da seguinte forma, Figura 9.8:

y
2 1

T θ2’ = 135°
τxy
y σ1=|τxy|

θ1’ = 45°
τxy x

σ2=|τxy|
x

Figura 9.8 – Representação gráfica das tensões principais em um ponto de um eixo em torção
pura
Figura 9.6 – Estado de tensões de um elemento infinitesimal num eixo em torção pura

Transformação de Tensão Pag. 145 Transformação de Tensão Pag. 146


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

9.6 – TENSÕES PRINCIPAIS PARA O ESTADO GERAL DE TENSÕES y e z são dA.l, dA.m e dA.n. Impondo o equilíbrio estático nas direções x, y e
z, temos:
Considere um elemento infinitesimal sob um estado de tensão
tridimensional e um elemento infinitesimal tetraédrico sobre o qual atua ∑F x = (σn dA) l − σ x dA l − τ xy dA m − τ xz dA n = 0

uma tensão principal σn no plano obliquo ABC, paralela ao vetor normal ∑F y = (σn dA) m − σ y dA m − τ yz dA n − τ xy dA l = 0
(9.17)
unitário, Figura 9.9. ∑F z = (σndA) n − σ z dA n − τ xz dA l − τ yz dA m = 0

y Simplificando e reagrupando a eq. (9.17) em forma matricial, temos:


y
σy
σ x − σn τxy τxz   l  0 
σz σn      
B τzy
σz  τ xy σ y − σn τ yz  m  = 0 
 τxz  n  0  (9.18)
τyx  τ yz σz − σn     
ττyz τxy
yz ττxy τzx
σx xy
σx σx
τzy Como visto anteriormente, l2 + m2 + n2 = 1, os cosenos diretores são
x
τzx τxz A diferentes de zero. Logo, o sistema terá uma solução não trivial quando o
x τxz τyx
determinante da matriz de coeficientes de l, m e n for nulo.
C τyz

σz σ x − σn τxy τxz
z σy
z σy τxy σ y − σn τ yz =0
(9.19)
τxz τ yz σ z − σn

Figura 9.9 – Tensão principal σn num plano oblíquo de um elemento infinitesimal tetraédrico
A expansão do determinante fornece um poninômio característico do
O vetor normal unitário é identificado pelos seus cosenos diretores l, tipo:
m e n, onde cos α = l, cos β = m, cos γ = n. Da Figura 9.10, nota-se que:
σ3n − Iσ σ2n + IIσ σn − IIIσ = 0
(9.20)
l 2 + m 2 + n2 = 1 (9.16)
onde:
y
Iσ = σx + σ y + σz

Vetor normal IIσ = (σ x σ y + σ y σz + σz σ x ) − (τ2xy + τ2yz + τ2xz )


(9.21)
β IIIσ = σ x σ y σz + 2 τxy τ yz τxz − (σx τ2yz + σ y τ2xz + σz τ2xy )
m
α As eqs (9.20) e (9.21) são invariantes, independentemente do plano
γ
l oblíquo que é tomado no tetraedro. Logo, as raízes do polinômio
x
n
característico já são as tensões principais.

z
9.7 – CÍRCULO DE MOHR PARA O ESTADO GERAL DE TENSÕES
Figura 9.10 – Vetor normal e seus cossenos diretores
Qualquer estado de tensão tridimensional pode ser transformado em
O plano oblíquo tem área dA e as projeções desta área nas direções x,
três tensões principais que atuam em três direções ortogonais, Figura 9.11.

Transformação de Tensão Pag. 147 Transformação de Tensão Pag. 148


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

9.8 – CRITÉRIOS DE ESCOAMENTO E DE FRATURA


y 2
σy
σ2 9.7.1 – Observações preliminares

σxy 1 A resposta de um material à tensão axial ou tensão de cisalhamento


σzy σxy
σ1 puro, pode ser convenientemente mostrada em diagramas de tensão-
σzy
σx ⇒ deformação. Tal aproximação direta não é possível, entretanto, para um
σzx x
σzx estado complexo de tensões que é característico de muitos elementos de
σz σ3 máquina e de estruturas. Desta forma, é importante estabelecer critérios
3
z para o comportamento dos materiais com estados de tensão combinados.
Figura 9.11 – Tensões principais num elemento solicitado triaxialmente Nesta parte do estudo serão discutidos dois critérios para análise do
comportamento das tensões combinadas em materiais dúcteis, e em seguida
Admitindo que σ1>σ2>σ3> 0, temos:
será apresentado um critério de fratura para materiais frágeis.
σ3 σ2 σ2

σ1 σ3 σ1
σ material dúctil σ material frágil
σ2 σ1 σ3

σesc σrup

τmax
τ
ε ε

Figura 9.13 – Diagramas tensão/deformação para materiais dúcteis e frágeis

σ3 σ2 σ1 σ 9.7.2 – Teoria da máxima tensão de cisalhamento (Tresca) (mat. dúcteis)

A teoria da máxima tensão de cisalhamento resulta da observação de


que, num material dúctil, ocorre deslizamento durante o escoamento ao
longo dos planos criticamente orientados. Isso sugere que a tensão de
cisalhamento máxima executa o papel principal no escoamento do material.
Figura 9.12 – Círculo de tensões de Mohr para num elemento solicitado triaxialmente Para um teste simples de tração onde σ1 = σesc, σ2 = σ3 = 0, tem-se:

Transformação de Tensão Pag. 149 Transformação de Tensão Pag. 150


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

σ1 > σ2 ⇒ σ1 ≤ σesc
τ τmax = (σ1)/2 σ2 > σ1 ⇒ σ2 ≤ σesc (9.23)

Caso 2: Os sinais de σ1 e σ2 são diferentes.

τ
σ2 = σ3 σ1 σ τmax = (σ1- σ2)/2

σ2

σ1
Figura 9.14 – Círculos Tensões de Mohr para um ensaio de tração simples
σ2 σ3 σ1 σ
Observa-se que dois círculos são concêntricos, (σ1, σ2) e (σ1, σ3) e o
terceiro resulta num ponto (σ2, σ3).
Do círculo de tensões de Mohr neste caso, a tensão de cisalhamento
τmax = -(σ1- σ2)/2
máxima é:
Figura 9.16 – Círculos Tensões de Mohr para um estado de tensão biaxial - σ1 e σ2 têm sinais
σ diferentes
τmax ≡ τcrítico = esc
2 (9.22)
Para este caso, a tensão de cisalhamento máxima no ponto analisado
Para aplicar o critério da máxima tensão de cisalhamento para um
não deve exceder a máxima tensão de cisalhamento do material (ver Figura
estado de tensão biaxial devem ser considerados dois casos:
9.17).

Caso 1: Os sinais de σ1 e σ2 são iguais. σ1 − σ2 σ


± ≤ esc
2 2 (9.24)

τ τmax = (σ1)/2
Na iminência de ocorrer o escoamento, tem-se:

σ2 σ1 σ
− 2 = ±1
σesc σesc (9.25)
σ1
A eq. (9.25) pode ser colocada de maneira gráfica da forma, Figura
σ3 σ2 σ1 σ 9.17:

Figura 9.15 – Círculos tensões de Mohr para um estado de tensão biaxial - σ1 e σ2 têm sinais
iguais

Onde, para:

Transformação de Tensão Pag. 151 Transformação de Tensão Pag. 152


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

σ2/σesc σ2 σ σ2 − σ

1.0 A( 1.0, 1.0)

+
σ1 =
-1.0 σ1 − σ
σ
1.0 σ1/σesc
σ3
σ σ3 − σ
Energia de deformação Energia de Energia de
elástica total dilatação distorção
B( -1.0, 1.0) -1.0

Figura 9.17 – Representação gráfica de um ponto na iminência de escoar - Tresca Figura 9.18 – Energias de dilatação e de distorção num elemento

9.7.3 – Teoria da máxima energia de distorção (von Mises) (mat. dúcteis) A fim de facilitar a compreensão, somente oestado de tensão uniaxial
será considerado. A passagem para um estado de tensão triaxial é
A expressão de energia de deformação elástica total por unidade de
automática. Desta forma, para um estado de tensão uniaxial, as energias de
volume (densidade de energia de deformação elástica) em um material
dilatação e de distorção são representadas da seguinte forma:
isotrópico para um estado triaxial de tensões considerada num sistema de
σ1/3 σ1/3
coordenadas arbitrário x, y e z é da seguinte forma:

σ1/3 σ1/3
ν
Utotal =
1
2E
(
σ x 2 + σ y 2 + σz 2 ) −
E
( )
σx σ y + σ y σz + σz σx +
1
2G
(
τ2 xz + τ2 yz + τ2 xz ) (9.26)
= + +
σ1 σ1 σ1/3
Esta energia de deformação elástica total, considerada nos eixos
σ1/3 σ1/3
principais é da forma:
Energia de deformação Energia de
Energia de
ν dilatação
Utotal =
1
2E
( E
)
σ12 + σ22 + σ32 − ( σ1σ2 + σ2 σ3 + σ3 σ1 )
(9.27)
elástica total distorção

A energia de deformação elástica total acima, é dividida em duas


Figura 9.19 – Energias de dilatação e de distorção num elemento solicitado axialmente
partes: uma causando dilatação do material (mudanças volumétricas), e
outra causando distorsões de cisalhamento. É interessante lembrar que em Os círculos de tensão de Mohr para os estados de tensão com

um material dúctil, admite-se que o escoamento do material depende apenas somente energia de distorção são, Figura 9.20.

da máxima tensão de cisalhamento.

Transformação de Tensão Pag. 153 Transformação de Tensão Pag. 154


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

Igualando a energia de distorção do ponto em análise, eq. (9.31), com a


τ τ
energia de distorção num ensaio à tração simples, (9.32), estabelece-se o
τmax = σ1/3 τmax = σ1/3
critério de escoamento para tensão combinada, eq. (9.33).

( σ1 − σ2 ) + ( σ2 − σ3 ) + ( σ3 − σ1 ) = 2 σ2esc
2 2 2

(9.33)
-σ1/3 0 σ1/3 σ1/3
-σ1/3 0
σ σ
Freqüentemente a eq. (9.33) pode ser rearranjada, sendo a expressão
resultante chamada de tensão equivalente.

1
( σ1 − σ2 ) + ( σ2 − σ3 ) + ( σ3 − σ1 ) 
2 2 2
σequ =
2 (9.34)

Figura 9.20 – Círculos de tensão de Mohr para o cisalhamento puro A eq. (9.33) pode também ser apresentada da forma:

No tensor correspondente a energia de dilatação, os componentes são  σ1 


2
 σ2 
2 2
 σ3   σ1 σ2   σ2 σ3   σ3 σ1 
  +  +  − − −  =1
definidos como sendo a tensão “hidrostática” média:  σesc   σesc   σesc   σesc σesc   σesc σesc   σesc σesc  (9.35)

σ1 + σ2 + σ3 A eq. (9.36) é conhecida como sendo o critério de von Mises para um


σ=
3 (9.28) estado triaxial de tensões para materiais isotrópicos. Para um estado plano

onde: de tensão, σ3 = 0, tem-se:

2 2
σ1 = σ2 = σ3 = p = σ  σ1   σ1 σ2   σ2 
(9.29)   − +  =1
 σesc   σesc σesc   σesc  (9.36)
A energia de dilatação é obtida substituindo a eq.(9.29) na eq. (9.27),
A eq. (9.36) pode ser colocada de maneira gráfica da forma, Figura
e em seguida substituindo a eq. (9.28) na equação resultante. Assim:
9.21:
1 − 2ν
( σ1 + σ2 + σ3 )
2
Udilatação =
6 E (9.30)
σ2/σesc
A energia de distorção é obtida sustraindo da energia de deformação 1.0
A( 1.0, 1.0)
elástica total, eq. (9.27) a energia de dilatação, eq.(9.30):

1 
( σ1 − σ2 ) + ( σ2 − σ3 ) + ( σ3 − σ1 )  -1.0
2 2 2
Udistorção =
12 G  (9.31)
1.0 σ1/σesc
A energia de distorção em um ensaio de tração simples, onde neste
caso σ1 = σesc e σ2 = σ3 = 0 é da forma: B( -1.0, 1.0) -1.0

2 σ2esc
Udistorção =
12 G (9.32) Figura 9.21 – Representação gráfica de um ponto na iminência de escoar – von Mises

Transformação de Tensão Pag. 155 Transformação de Tensão Pag. 156


Mecânica dos Sólidos A Mecânica dos Sólidos A

9.7.4 – Teoria da máxima tensão normal (mat. frágeis)


y
A teoria da máxima tensão normal estabelece que a falha ou fratura A
B
de um material ocorre quando a máxima tensão normal em um ponto atinge aço
z
um valor crítico, independentemente das outras tensões. Dessa forma, madeira

apenas a maior tensão principal deve ser considerada para aplicar esse aço
C D
critério.

σ1 ou σ2 ou σ3 ≤ σrup
(9.37) Estado de tensão nos pontos da seção transversal:
Ponto A (aço):
A eq. (9.36) também pode ser colocada de maneira gráfica da forma,
σA = 24,05 Mpa , τA = 0
Figura 9.22.
Ponto B (aço):
σ2/σrup
σB = 18,99 Mpa , τB = 0,11 MPa
1.0 A( 1.0, 1.0)
Ponto C (madeira):
σC = 1,14 Mpa , τC = 0,11 Mpa
-1.0 Ponto D (madeira):
1.0 σ1/σrup σD = 0 , τD = 0,12 MPa

B( -1.0, 1.0) Ponto A (aço – material dútil):


-1.0
σx = σA = 24,05 Mpa , σy = 0 , τxy = 0
Figura 9.22 – Representação gráfica de um ponto na iminência de romper σ1 = σx = 24,05 Mpa
Pelo critério de máxima tensão de cisalhamento:
EXEMPLO 9.6: As tensões calculadas sobre o ski são como mostrada na σ1 = 24,05 Mpa <σesc = 250/2 Mpa (ok)
figura abaixo. Utilizando critérios de ruptura adequados, verifique se os Ponto B (aço – material dútil):
pontos mostrados sobre a seção transversal do ski suportam o carregamento σx = σB = 18,99 Mpa , σy = 0 , τxy = τB = 0,11 MPa
abaixo. Tome σesc aço = 250 MPa, σrup mad = 26 MPa e τrup mad = 6,2 MPa com σ1 = 18,99 Mpa
um fator de segurança de 2. Pelo critério de máxima tensão de cisalhamento:

P σ1 = 18,99 Mpa <σesc = 250/2 Mpa (ok)

1m
Ponto C (madeira – material frágil):
C D E
A B σx = σC = 1,14 Mpa , σy = 0 , τxy = τC = 0,11 MPa
Pelo critério de máxima tensão normal:
w w
σ1 = 1,15 Mpa <σrup = 26/2 Mpa (ok)
0,5 m 1m 0,5 m τmax = 0,11 Mpa <τrup = 6,2/2 Mpa (ok)
Transformação de Tensão Pag. 157 Transformação de Tensão Pag. 158
Mecânica dos Sólidos A

Ponto D (madeira – material frágil):


σx = σD = 0 , σy = 0 , τxy = τD = 0,12 MPa
Pelo critério de máxima tensão normal:
τmax = 0,12 Mpa <τrup = 6,2/2 Mpa (ok)

Transformação de Tensão Pag. 159