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Lucas Mendes Lichs GRR20172813

Fichamento: A Questão Criminal – Eugenio Raul Zaffaroni

1 – A academia, os meios de comunicação e os mortos

→ Necessidade de uma análise mundial. Uma análise local leva a uma perda do mais
profundo da questão, analisando as peças sem entender as jogadas.
→ O desafio de abrir o conhecimento dos criminólogos e penalistas, desenvolvido nas
universidades, tem como ponto final a demonstração do que se sabe até agora e a
possibilidade de uma autocrítica, tendo em vista a história de legitimação do ilegitimável
por criminólogos ao longo do tempo.
→ A difusão, por políticos e pela mídia, de noções incoerentes dentro da criminologia é
perigosa, a criação de leis baseadas nessas ideias levam a danos para a sociedade, a
elevação da taxa de mortalidade é o principal.
→ O mundo acadêmico da criminologia deve ser popularizado entre os cidadãos comuns,
é preciso que ele saiba dos erros e equívocos do criminólogo ao longo dos anos e das
lições que ele aprendeu com esses erros.
→ Não apenas existem várias maneiras de pensar da academia, como cada uma delas
não costuma entender a outra claramente e não é incomum que se desgostem.

2 – Quem sabe disso?

→ Conhecimento de direito penal não é credencial para opiniões com fundamento


científico acerca da questão criminal. O direito penal se preocupa com a legislação penal,
com o funcionamento dos tribunais ao resolver os casos de maneira consistente,
interpretando as leis penais facilitando o trabalho de juízes, promotores e defensores.
→ O penalista garante que os tribunais não sejam arbitrários, mas sim ordenados
racionalmente e republicanamente e previsíveis.
→ O direito penal se ocupa do dever ser, enquanto a criminologia se ocupa do ser.
→ A criminologia empresta dados de várias fontes – da sociologia, da economia, da
antropologia, da história, etc. – e a partir delas procura uma resposta sobre o que é o
poder punitivo.
3 – O poder punitivo e a verticalização social

→ O poder e a coerção aparece em toda sociedade, da qual o ser humano precisa, não
sobrevive isolado.
→ Coerção direta – é aquela que impede um processo lesivo em curso.
→ Reparação – é a restituição de um dano que já ocorreu.
→ O poder punitivo, porém, é distinto. Ele surge quando algum poder, alguma autoridade,
se substitui no lugar do lesado, afastando quem realmente sofreu a lesão.
→ O poder punitivo suspende o conflito, não o evita nem o resolve. A autoridade pune o
agressor, com intuito declarado de dissuadi-lo de repetir a agressão e dissuadir outros de
agressões iguais e a vítima deve recorrer ao direito civil, o reparativo, onde talvez não
consiga obter sucesso.
→ O modelo punitivo de solução de conflito, não soluciona o conflito, até mesmo impede,
ou dificulta a solução por outro modelo que efetivamente o resolveria.
→ O modelo punitivo é, na verdade, uma manifestação do poder vertical da autoridade,
aparecendo quando a sociedade vai se verticalizando, com classes, castas, etc.
→ Quanto mais rígida é a organização vertical, mais flexibilidade o sistema social perde e
menos ele se adapta às novas circunstâncias, colocando a sociedade em risco.
→ A criação do poder punitivo, devido a verticalização europeia, foi o que possibilitou a
Europa a colonizar a América.
→ Com a expansão do poder punitivo surgiram as universidades, com elas os juristas e
esses trouxeram consigo o Digesto de Justiniano e se puseram a comentar.
→ A ciência jurídico-penal nasceu com os supostos comentários, embora dissessem o
que queriam, dos glosadores sobre o libris terribilis do Digesto.
→ Então mil anos atrás começaram as palavras da academia, nas universidades do norte
da Itália, legitimando o poder punitivo, garantindo a verticalização da sociedade.
→ E no século XVIII, o mesmo que aconteceu com Roma, a Espanha não conseguiu
alterar sua estrutura vertical, demasiadamente rígida, e perdeu seu império e hegemonia.
O poder punitivo, porém, se manteve vivo.
→ O importante da história é isso, entender o fluxo que nos trouxe até aqui, a questão
criminal se encontra no centro dessa corrente.
→ A idade média se mantém viva na medida que os discursos legitimadores do poder
punitivo se mantêm vigentes.
→ O surgimento da inquisição é outra face do poder punitivo e alterou a maneira como se
construía a verdade, agora a partir da interrogação, do inquisitio.
4 – A estrutura inquisitorial

→ Para libertar o poder punitivo de seus limites os demonólogos criaram um discurso


acima da suposta emergência criada por Satã e seus seguidores.
→ Embora o conteúdo do discurso – os demônios – a sua estrutura se mantém até hoje,
as emergências.
→ Os discursos iam mudando ao passo do que era necessário naquela sociedade para a
libertação do poder punitivo, não para resolver essas emergências, mas sim para
possibilitar a maior verticalização do poder social.
→ Os perigos foram inventados, quando eram reais desapareceram por outros meios ou
perduram até hoje, o poder punitivo nunca eliminando nenhum desses perigos.
→ Embora o poder inquisitorial tenha nascido com o Papa e a igreja, com o fortalecimento
dos estados nacionais, esses trouxeram para si o poder punitivo, assumindo as
responsabilidades dos inquisidores e o discurso dos demonólogos.
→ A integração da criminologia, do direito penal, do processo penal e da criminalística se
deu pela primeira vez na história na obra “Martelo” escrita por Heinrich Krämer e Jakob
Sprenger, e essa estrutura pode ser observada ao longo da história, até o presente
momento.
→ O poder dos inquisidores era cobiçado por muitos, inclusive médicos – que em algum
momento dominaram o seu discurso legitimador, levando a consequências terríveis.
→ O primeiro médico a fazer uma investida sobre o poder punitivo foi o belga Johann
Weyer, em 1563, com o livro “as artimanhas do demônio”, afirmando que bruxas eram
melancólicas – e logo a frente na história a melancolia se tornaria a histeria.
→ Weyer afirmava também que essas bruxas estariam sobre efeitos de alucinógenos,
intoxicadas pela atropina, ópio e hashish. Para manter a punição das bruxas a mesma, já
que eram consideradas menos inteligentes – e portanto menos culpadas – o seu crime
teve a sua gravidade elevada.
→ As jogadas de Weyer retiravam, dos juristas e inquisidores, as bruxas, as delegando
para os médicos, que as trancafiavam em manicômios, onde em curto tempo sucumbiriam
a morte. Não penalizavam formalmente as mulheres, então, mas as privavam da
liberdade até sua morte.
→ Essa investida não durou muito, porém, pois o poder punitivo já passava da igreja para
os estados, e os apoiadores desses não ficaram contentes com um médico tentando
usurpá-lo.
→ A soberania se punha a nascer, nas mentes e escritos de Hobbes e Bodin, este
publicou um livro em resposta a Weyer, se dando conta que a manipulação médica não
iria se limitar as bruxas.
→ Rapidamente todos os detentores do poder punitivo se puseram a se opor a essa
investida médica sobre seu domínio, e três séculos depois, essa reação parece
justificada.

5 – Sempre houve rebeldes e transgressores

→ O modelo inquisidor não foi usado apenas para combater supostas bruxas, tudo que foi
aprendido na inquisição espanhola foi usado para o combate dos reformados e hereges
em Roma. O foco, afinal, havia mudado, agora que a queima das bruxas passou a ser
poder dos juízes, reis e príncipes.
→ Friedrich Spee se opôs a essa organização, se dedicando a desmantelamento do
“Malleus” – que legitimava a queima de “bruxas” na fogueira – em “Cautio criminalis”,
publicado anonimamente e sem permissão de seus superiores.
→ A determinação de Spee pode ser encontrada em seu trabalho, encarregado de tomar
a confissão das bruxas de sua comarca antes de queimá-las. A constante exposição a
essas cenas parece tê-lo traumatizado e criado uma convicção contra a prática.
→ Spee não era tolo, não contraria o dogma da igreja, não afirma a inexistência de Satã
nem de bruxas, mas aponta os fracassos do procedimento inquisitorial.
→ Spee colocava dúvida sobre o poder punitivo, suas intenções, os meios de
comunicação, a legitimação dos teóricos convencionais, a proximidade do poder político e
econômico, etc.
→ As críticas de Spee, como o discurso dos demonólogos, sobrevivem até hoje,
integrando o discurso deslegitimador do poder punitivo ao longo de sua história.
→ A publicação de Spee causou grande descontentamento entre os detentores do poder
punitivo, Spee foi acalmado com uma cátedra de teologia pelos jesuítas e não voltou a
fazer críticas, morrendo quatro anos depois.
→ A Cautio foi resgatada em 1701 por Cristian Thomasius, na obra Dissertatio de crimine
magiae. Com Thomasius se anuncia o Iluminismo e se iniciam as bases para distinção da
moral e do direito.
6 – As corporações e suas lutas

→ No estado absoluto, o senhor tinha o poder de vida ou morte sobre seus súditos, um
poder fácil de ser exercido, sendo necessário apenas um grupo de assassinos elevados a
funcionários estatais.
→ O estado se complica quando deseja controlar a vida pública, não de indivíduos em
particular, mas sim do sujeito público. É aqui que o príncipe se cerca de seus ministros e
secretários.
→ E em volta desses ministros e secretários temos uma burocracia, que precisa ser
alimentada por um saber ou ciência, nascido nas universidades.
→ Aparecem aqui as corporações, cada uma com um saber próprio, cada uma com um
dialeto, que apenas os iniciados podem entender.
→ Essas corporações monopolizam o discurso, criam seus jargões, para afastar os
leigos. E não é incomum a luta interna entre escolas tentando impor seu subdiscurso
como o principal.
→ A criminologia e o direito penal não são estranhos a esse processo.
→ Como não pode existir poder sem discurso – não por muito tempo –, as novas classes
em ascensão procuram sempre um novo discurso, para a criação de um novo monopólio
sobre o poder punitivo, diferente daquele que as antecedeu, mas com resultados
similares. A procura da criação de novos perigos.
→ Na segunda parte do século XVIII se tomam corpo as corporações dos filósofos e
pensadores, está nascido o Iluminismo. Os príncipes sagazes logo se deram conta do que
estava a ocorrer rapidamente se puseram a adotar o que lhes seria preciso para manter o
poder. Aqueles menos perspicazes foram em frente sem se modernizar e contra eles
nasceram os revolucionários, os radicais.

7 – O utilitarismo disciplinador

→ O iluminismo penal se nutriu de duas variantes opostas: o empirismo e o idealismo.


→ Na criminologia se deu duas ordens teóricas: o utilitarismo disciplinador e o
contratualismo.
→ Para os utilitaristas, o intuito de governar era maximizar a felicidade para o máximo de
pessoas possível. Bentham se destaca entre os utilitaristas.
→ Bentham enxergava a sociedade como uma enorme escola, onde a imposição de
ordem era imperativo. Para tal, o governo deveria distribuir prêmios e castigos, prêmios
para os “bons” e castigos para os “maus” – que deveriam ser confinados ao pan-óptico,
onde seriam disciplinados.
→ Bentham se deparava com a impunidade, mas ignorava a seletividade do poder
punitivo. O delito era uma evidência de um desequilíbrio, produto da desordem pessoal do
infrator. No pan-óptico, o infrator se tornaria seu próprio vigilante, trazendo a ordem para
si.
→ Bentham, e os outros contratualistas, não aceitava qualquer direito natural anterior à
sociedade e rechaçava a noção do contrato social, mesmo assim, os revolucionários
franceses o condecoraram, pois, embora repleto de problemas, seu sistema era um
avanço frente ao poder punitivo de seu tempo.

8 – Os contratualistas
→ A criminologia tem a aparente tradição de apagar suas raízes mais problemáticas,
tratando como se sua existência começa em meados do século XIX, ignorando o
pensamento do século XVIII e do início do XIX.
→ Enrico Ferri, mentor do positivismo italiano, é o inventor dessa negação de uma
criminologia mais antiga que o discurso tradicional.
→ Declarando todo saber anterior a ele de escola clássica, Ferri se dá a honra de fundar
a nova escola, a scuola positiva.
→ O resultado é um agrupamento de pensamentos em desacordo como se formassem
uma escola, estendida por vários países, em conflito uns com os outros, e que durou mais
de cem anos.
→ Compreendendo que o utilitarismo mais puro se manteve na Grã-Bretanha, no
continente, os pensadores se dedicaram a outra vertente do Iluminismo, o contratualismo.
→ O Contrato social é uma clara metáfora, não há um pensador que acreditava no
encontro de homens nus para assinar um contrato para funda e reger a sociedade
daquele ponto em diante.
→ Para o racionalismo contratualista, a sociedade não era em nada natural, era um
produto da criação humana. Um contrato que podia ser modificado e até mesmo
rescindido.
→ Aqui temos Cesare Beccaria, autor de Dos delitos e das penas, cujo pensamento Ferri
afirma ter fundado essa escola clássica.
→ As ideias iluministas começam a dar fruto, são sancionados os códigos, concentra-se
toda a matéria legal em uma única lei, sistemática e clara, seguindo um plano racional.
Uma tendência claramente derivada do enciclopedismo.
→ As penas começam a se dedicar a privação da liberdade, começam a sumir as torturas
e a morte. O tempo de privação está ligado a concepção de gravidade do delito por parte
do legislador e do juiz.
→ Essas noções são exportadas pela Europa para o resto do mundo.

9 – Os contratualismos tornam-se problemáticos

→ Os contratualistas imaginavam e programavam o Estado, a questão criminal se punha


ao centro, por sua relação inseparável com o poder.
→ Meados do século XIX é quando se tenta criar uma criminologia científica e asséptica,
sem relação com o poder, uma tendência que persiste até a contemporaneidade.
→ O contratualismo permitia várias construções diferentes do estado, criando então
várias correntes do contratualismo.
→ Hobbes v Locke.
→ Hobbes – negava direito de resistência.
→ Locke – direito de resistência assegurado.
→ Kant – pena talional, para preservação do contrato
→ Feuerbach – direito de resistência à opressão, direitos anteriores ao contrato

10 – Contratualismo socialista?

→ Hobbes – despotismo ilustrado.


→ Locke – liberalismo.
→ Marat – Talião é a pena mais justa, porém apenas em uma sociedade justa, algo que a
sociedade já deixara de ser.
→ Nos centros urbanos europeus, a miséria de muitos crescia com a riqueza de poucos,
o contratualismo começava a deixar de ser útil, ele começava a ser capaz de legitimar
programas socialistas.
→ Uma mudança na criminologia se aproxima.

11 – Nem todos são “gente como a gente”

→ A dialética hegeliana é invocada pelos ideólogos da questão criminal.


→ Se dividia a humanidade entre os “livres” e os “não livres”, o direito se importando
apenas com aqueles primeiros.
→ Ao cometer um delito, um livre seria punido proporcionalmente à liberdade.
→ Um não livre, ao causar danos, seria submetido a “medidas” de segurança, não penas.
→ Um não livre era, para os penalistas hegelianos, os loucos, delinquentes reincidentes,
multirreincidentes, profissionais e habituais.
→ Estariam aqui também os selvagens colonizados.
→ O poder punitivo sendo usado novamente para legitimar os esforços colonizadores.
→ A Europa estava novamente no centro do mundo, civilizando os selvagens.
→ Porém para Hegel, o poder punitivo ficava no campo do ideal, por via dedutiva, não era
verificável no plano da realidade.

12 – O salto do contrato à biologia

→ Na segunda metade do séc. XIX a nova classe dominante já tomara o controle.


→ Mas os indisciplinados se tornaram um incomodo ainda maior.
→ A ciência se torna a nova ideologia dominante. O homem se rende às novas maravilhas
tecnológicas.
→ A nova roupagem do discurso legitimador do poder punitivo era a ciência.
→ A polícia surge na Europa, empregando tudo que foi aprendido durante a colonização
→ Os médicos voltam a ter seu papel para o poder punitivo, sendo chamados como
especialistas e peritos em julgamentos.
→ O discurso médico não se limitava aos criminosos, se expandia a todos os “seres
inferiores”.
→ O neocolonialismo tirava da legitimação do poder punitivo a sua legitimação.
→ O racismo se manifestava de duas maneiras, o pessimista e o otimista.
→ O pessimista acreditava em uma raça superior que se degradou com o passar do
tempo por meio da mistura com outras raças inferiores.
→ Foi durante o reino desse discurso que as maiores atrocidades coloniais ocorreram, o
Congo Belga, propriedade privada do Rei Leopoldo II, até que suas atrocidades foram
expostas, e teve que render sua propriedade para o estado belga, que nada mudou as
atividades no continente africano.
→ Foi com esse discurso científico e médico que nasce o apartheid criminológico.
13 – Começa o “apartheid criminológico”

→ Se reduz o que foi esse período da criminologia, o concentrando em um médico de


Turim, Cesare Lombroso.
→ O “positivismo criminológico” não tem um único autor, tem vários.
→ Bénedict Morel e a “teoria da degeneração” – a mistura de grupos de humanos
distantes levavam a uma degeneração moral.
→ Franz Joseph Gall – seu crânio era “normal” portanto os que não eram como o seu
eram “anormais”, a partir dessa comparação, teria como diagnosticar criminalidade e
genialidade, é a “frenologia”.
→ Mesmo aqueles que discordavam de Lombroso, muitos eram os que professavam
ideais racistas.
→ A verdade é que Lombroso não inventou nem esgotou o reducionismo nem o
positivismo racista.

14 – A síntese lombrosiana: um bicho diferente

→ O ser humano não era estranho a correlacionar atributos físicos a atributos


psicológicos – a fisiognomia.
→ Começando com a hierarquização dos animais – o que levou aos ursos e depois os
leões a símbolos da realeza europeia.
→ Após essa hierarquização dos animais, o próximo passo, para alguns lógico, é a
transposição desses julgamentos para os humanos. O criminoso nato como uma espécie
particular de humano.
→ A proximidade desse criminoso nato com os selvagens colonizados, aos brancos
europeus infratores se creditavam características africanas e americanas, para justificar
seus desvios.

15 – O rastro do positivismo biologista

→ O pensamento lombrosiano se estendeu para as colônias, como grandes prisões


cheias de selvagens e de criminosos natos.
→ Para Ferri, a pena deveria ser equivalente a periculosidade do crime. Ferri e seu
determinismo monista retirava a liberdade por completo, era tudo determinado.
→ O delinquente era uma infecção na sociedade e o juiz era um glóbulo branco.
→ Na Argentina e no resto da América Latina, teve grande repercussão as teorias racistas
saídas da Europa.
→ Nasceram ideias de um “estado perigoso predelitual” – a possibilidade de prever se um
indivíduo se tornara um delinquente por suas ações previas e a necessidade de agir antes
que ele se torne um delinquente.
→ A criminologia substitui a demonologia, se criam novas bruxarias, novos perigos. A
estrutura do discurso se mantém a mesma.

16 – Os crimes da criminologia racista: campos de extermínio e eugenia

→ Sempre existiu uma hierarquização do ser humano, os inferiores e colonizados.


→ O racismo colonial não tinha a roupagem científica que ele ganha no neocolonialismo e
em frente.
→ O racismo neocolonial, biologista, podia apenas terminar em tragédia.
→ Foi útil para justificar o domínio colonial e o controle das classes incômodos dentro do
país. Mas quando a Alemanha o usa para legitimar um discurso punitivo sem limites,
dentro da própria Europa, causou desconforto entre os poderosos mundiais.
→ Inventando um novo Satã, novas bruxas, os comandantes do nacional-socialismo
verticalizaram como nunca antes a relação de poder.
→ A aniquilação das raças inferiores era uma consequência obvia do discurso e do
aparato montado em volta dele.
→ Os campos de concentração, de trabalho forçado e de extermínio, a própria segunda
guerra mundial foi justificada a partir desse discurso estruturado pelos demonólogos e
dado uma roupa nova pelos nacional-socialistas.
→ A Declaração Universal de 1948 muda o paradigma mundial, uma consequência da
guerra e da Shoah.
→ A eugenia, que inspirou as atrocidades nazistas, não foi sempre uma pária. Nos
Estados Unidos, médicos que mesmo rechaçando Lombroso, ao estudar sua população
carceraria, chegavam em claras características mentais e físicas que acreditavam ser
causa desse comportamento delinquente.
→ Esterilização forçada de criminosos não nasceu na Alemanha nazista, mas sim nos
EUA. Lugar de nascimento de um apartheid também, denominado de “iguais mas
separados”.
17 – A criminologia do canto da Faculdade de Direito

→ Os penalistas europeus se encontravam nervosos. O estilo inquisitorial da criminologia


era cada vez menos impopular entre eles. Ressentiam sua subordinação aos médicos.
→ Com o neokantismo, os penalistas haviam reconquistado sua supremacia sobre os
criminólogos.
→ No seu canto os criminólogos continuam com suas teorias racistas, com seu
reducionismo biológico, postulando esterilizações, segregação racial.
→ A classificação biotípica retorna, voltando a relacionar características físicas com a
psicologia, é o retorno da frenologia, diziam alguns.
→ Muitas variantes desse pensamento se viram presentes nesse período. Alguns se
dedicavam a genética, outros a um lamarckismo das características adquiridas.

18 – A agonia da criminologia do canto

→ Depois da segunda guerra, essa criminologia entrou em crise.


→ O racismo desaparece, quase como mágica, por medo de arcar com as consequências
desse discurso.
→ Embora Lombroso já tinha sido esquecido, a biologia ainda era um dos pilares da
criminologia, até este momento.
→ As contradições dessa criminologia, com sua plurifatorialidade não durou e logo se
esvaiu.
→ E a nova criminologia não teve um nascimento fácil, precisando se suportar em uma
investida sociológica, para qual não tinha os fundamentos necessários.

19 – O parto sociológico

→ A questão criminal, tão importante para os detentores do poder, não podia ser deixada
para uma criminologia dos médicos e advogados.
→ O nascimento da sociologia entre 1830 e 1850.
→ Sociedade como organismo, necessidade de uma ciência natural para estudá-la.
→ Limitação sobre o que era humano, nos primeiros momentos da vida da sociologia.
→ Ideia derrubada depois.
20 – Os verdadeiros pais fundadores

→ A sociologia e a criminologia nascem juntas, porém a sociologia se solta de seu


passado racista e biologista muito antes que a criminologia.
→ Os pais fundadores da sociologia, Durkheim, Tarde, Weber e Simmel.

21 – A criminologia sociológica dos Estados Unidos

→ Estados Unidos como grande beneficiado da Primeira Guerra Mundial.


→ Pensadores europeus olhavam para o acontecimento com um olhar depressivo,
Spengler e Pareto.
→ Enquanto a Europa estava em declínio e em procura de salvadores – Hitler, Mussolini,
Franco, etc –, os Estados Unidos se encontravam em um momento de ascensão.
→ Proibição – tentativa de reafirmação de supremacia dos puritanos americanos.
→ A criação de um mercado negro em volta do álcool – lei da oferta e demanda.
→ Intenso interesse dos sociólogos estadunidenses.
→ Questão criminal vira objeto de estudo sociológico.
→ Inicia um processo de procura da etiologia do crime.
→ Cinco fontes encontradas: desorganização social, associação diferencial, controle,
tensão, conflito. Assim nascem cinco correntes distintas.

22 – Desorganização, associação diferencial e controle

→ Escola de Chicago.
→ Mundo organizado – vida provinciana, clara nostalgia.
→ Diferença entre grupos primários – infância, família – e secundários – instituições.
→ Papéis mestres – papéis institucionais que permitem uma menor autonomia, os papéis
associados a poder repressivo são assim.
→ Teorema de Thomas: se os homens definem as situações como reais, suas
consequências são reais.
→ Aplicação de conceitos ecológicos para a cidade – Park.
→ Zonas concêntricas – Burgess.
→ Sutherland – contrário à tese da desorganização. Afirmando uma organização
diferente.
→ Princípio da associação diferencial – a pessoa se torna delinquente por um excesso de
definições favoráveis a violação da lei.
→ Explicação mais ampla que a da Escola de Chicago.
→ Começa o estudo das gangues ou bandos.
→ Formação de subculturas – Cloward e Ohlin.
→ Existe uma cultura dominante na sociedade.
→ Teoria da subcultura criminal – Cohen.
→ Syke e Matza – os jovens delinquentes não negam os valores dominantes, mas
aprendem a neutralizá-los.

23 – Sistêmicos e conflitivistas

→ Teses sistêmicas – delinquência é resultado de tensões dentro de um sistema.


→ Teses conflitivistas – delinquência é resultado do permanente conflito entre grupos
sociais.
→ Merton – sistêmico, o mais relevante para a criminologia.
→ Para Merton o delito é o resultado de uma desproporção entre metas sociais e os
meios para alcançá-las.
→ Conformista – o socialmente adaptado –, ritualista – o burocrata –, retraído – o vadio, o
mendigo, etc – e o rebelde – o renovador social.
→ Existe ainda o inovador, que abrange os inventores, como também os delinquentes.
→ Ditadura do sistema – uma sociologia que parte da existência de um sistema e cria
tudo que é preciso para o equilíbrio dele.
→ Posições sistêmicas extremas conduzem para um organicismo.
→ Criminologia midiática cria pânico na sociedade, que clama por repressão.
→ Vold – teoria do conflito grupal – a sociedade é composta por grupos de interesse que
competem entre si.
→ As teorias do conflito vão se aproximando a uma crítica ao poder punitivo.

24 – A prateleira caiu!

→ A sociologia estadunidense, desde a década de 30, vem demolindo a visão tradicional


da sociedade.
→ Muitos sociólogos começam a notar e estudar as relações de poder e o
comportamento daqueles no topo dessas relações.
→ Esse clima criado pela sociologia influência a criminologia.
→ A queda da prateleira é uma mudança de paradigma.
→ Agora começa a criminologia da reação social, ou criminologia crítica.
→ Corrente liberal x corrente radical.
→ Os radicais, em maioria de cunho marxista não institucionalizado, criticavam os liberais
de não irem longe o suficiente, de serem apenas reformistas.
→ Mas logo o tom de voz muda, quando se nota que a revolução não está para chegar, a
criminologia liberal começa a demonstrar que consegue sim gerar efeitos positivos.
→ A criminologia liberal deslegitima o poder punitivo, embora não acerte “os poderosos”,
ela acerta seus instrumentos.

25 – A criminologia crítica liberal e a psicologia social

→ Lemert – desvio primário e desvio secundário.


→ O desvio secundário é uma forma de autodefesa, adaptação, contra a reação da
sociedade pelo desvio primário.
→ Goffman – dramaturgia social – a sociedade é como um teatro.
→ Se todos seguem o que se é esperado delas, todos ficam satisfeitos e contentes.
Porém, quando há disrupções, ficamos sem roteiro, sem saber como prosseguir.
→ As demandas podem ser também negativas, quando se atribui a alguém um papel
negativo. Esperamos que alguém que se pareça com um ladrão, aja como um ladrão.
→ Instituição total – manicômios, prisões, internatos, etc.
→ Numa instituição total, a individualidade é retirada, se faz o possível para igualar a
todos. Fica impossível de fazer a ressocialização de alguém, já que a pessoa fica
removida da sociedade, ou de qualquer coisa a remeta.
→ Teoria do etiquetamento – Becker.
→ O etiquetamento de alguém tem efeitos sobre o seu comportamento.
→ O etiquetamento é seletivo, pode atingir quem antes não tinha nenhum comportamento
que seria adequado a essa etiqueta enquanto evitando alguém que muitos tinha.
→ Esteriótipos tem um papel marcante no etiquetamento.

26 – A crítica liberal e a fenomenologia

→ Berger e Luckmann – A construção social da realidade.


→ Embora não um trabalho criminológico, seus efeitos são sentidos.
→ O mundo é um conjunto de significados compartilhados, ou não, com outros.
→ O conhecimento comum se sedimenta com o tempo e se hegemoniza, virando
anônimo.
→ A linguagem é a maior forma de legitimação, por já estar estabelecida com uma lógica
formada. E como um hábito, o senso comum se torna algo e se entrincheira no
pensamento.
→ O que no institucional aparece objetivo é, na verdade, objetivado – tornado coisa pela
natureza humana de ser social.
→ O intelectual se incomoda com a sociedade, o senso comum.

27 – A vertente marxista da criminologia radical

→ Criminologia radical – mudanças sociais e civilizatórias profundas ou gerais.


→ Marxismo – mais profunda crítica social do século passado, obviamente deixaria suas
influências na criminologia radical.
→ Punição e estrutura social – Rusche e Kirchheimer – relação entre mercado de trabalho
e pena, se aumenta a punição enquanto se tem uma alta oferta de mão de obra.
→ Melossi e Pavarini – disciplinamento, ferramenta do mercado para o controle punitivo.
→ Foucault – modelo panóptico estendido a toda a sociedade, por meio da vigilância.
→ Quinney – delinquente são rebeldes inconscientes contra o capitalismo e o poder
punitivo é um instrumento de repressão das classes hegemônicas.
→ O marxismo criminológico estadunidense defende uma racionalidade do delito.
→ Criminologia marxista britânica – Taylor, Walton e Young.
→ A criminologia radical propiciou a formação de grupos de estudos criminológicos.

28 – Na direção do abolicionismo e do minimalismo

→ Movimento antipsiquiátrico – crítica ao controle social repressivo que opera à margem


do sistema penal formado.
→ O etiquetado de psiquiatrizado é negado qualquer defesa ou denúncia de abusos, uma
vez que sua sanidade é questionada, qualquer afirmação feita por ele é ignorada.
→ Szasz – a inquisição foi revivida pelo sistema psiquiátrico. A medicina é a nova
teologia, o médico, o novo inquisidor e o paciente, a nova bruxa.
→ Embora as camisas de força e as salas acolchoadas tenham sumido, surge os
psicofármacos, distribuídos com generosidade para a população.
→ Desmanicomialização – resultado prático mais marcante da antipsiquiatria.
→ A abolição dos manicômios abriu caminho para o abolicionismo penal.
→ Surgimento de vários movimentos abolicionistas pelo ocidente.
→ Christie – o poder punitivo causa dor intencionalmente.
→ Mathiesen – poder punitivo como fagocitário a todos os movimentos que o enfrentam.
→ O que colocar no lugar do sistema penal?
→ Várias soluções são dadas por vários abolicionistas.
→ Mas o poder punitivo que deve justificar sua existência.
→ Algumas propostas são menos radicais, como a minimalidade do poder punitivo –
Baratta, Ferrajoli e Pavarini.
→ Limitar o poder punitivo a conflitos muito graves.

29 – Da criminologia crítica passou-se à debandada?

→ Criminólogos reacionários afirmam que a criminologia crítica já falhou.


→ Criminologia administrativa – proposta de limitar a criminologia a falar de técnicas
eficazes de contenção dos pobres.
→ Embora isso pareça comum para a América Latina, é um discurso novo para os
estados do bem-estar com suas sociedades de consumo no mundo desenvolvido.
→ Em 1970 as coisas mudam, o estado policial avança sobre os países centrais.
→ Um salto brutal do sistema penal dos EUA ocorre com a politica de tolerância zero.
→ O novo poder punitivo, nu e cru, que os criminólogos do centro agora se deparam,
sempre correu livre pelos países em desenvolvimento, mas agora não é mais possível
usar isso como desculpa para ignorar esses problemas.
→ Com a globalização e com o comportamento do poder punitivo tão brutal, os
criminólogos não podem mais se deparar com essas questões e ignorá-las.
→ Tentando entender oque estava sendo deixado de lado, os criminólogos se voltam para
as direções básicas que se guiavam e tentam compreender como a criminologia midiática
age, como o neopunitivismo brutal age e como elas se relacionam.
→ A academia então não abre mão da crítica, como queriam os criminólogos reacionários.

30 – O dano real do delito: realismo de esquerda e vitimologia

→ Realismo de esquerda – Young –, levar o delito a sério.


→ Aproximação da realidade da vitimização
→ As teorias macro satisfazem acadêmicos, mas não as vítimas concretas.
→ A verificação do senso comum, dos desejos e anseios populares é uma das condições
basilares para esse realismo de esquerda britânico, propondo reformas ao sistema penal
e assistencial.
→ A vitimologia se centra nas vítimas, em especial aos comportamentos como
determinantes ou facilitadores dos delitos sofridos.

31 – Os danos que a criminologia midiática oculta

→ Feminismo – movimento teórico e ativista, fonte de dois conceitos, patriarcado e


gênero.
→ Patriarcado – domínio machista e forma de estruturação social.
→ Gênero – confusão de sexo – biológico – e papéis sociais atribuídos.
→ Criminologia – por muito tempo ignorou as mulheres.
→ Feminismo aponta que a mulher era menos encontrada na criminalização, porém o
mesmo não é verdade na vitimização.
→ O movimento lgbt não teve uma investida similar ao feminismo na criminologia.
→ Sociologia de negação – processo de ignorar o que acontece ao redor do mundo.

32 – Os homicídios estatais ou crimes de massa

→ A criminologia acadêmica ignorou por muito tempo os assassinatos estatais em massa.


→ 11 de setembro – momento de mudança no paradigma estadunidense.
→ O mundo incivilizado invade o mundo civilizado.
→ Se borra a linha do controle interno e o externo.
→ A cifra da criminalidade registrada em países onde houve genocídios não incluem
essas mortes, apenas homicídios normais, apagando os crimes do estado.
→ A criminologia recolhe dados domésticos, condicionados pelo estado-nação e suas
escolhas do que deseja informar ou não.
→ Morrison apresenta crimes em massa, cometidos entre 1885 e 1994, reconhecidos ou
não.
→ Podemos globalizar a estatística criminal?
→ Alguns crimes são legitimados pela criminologia neocolonialista, aqueles cometidos
dentro das fronteiras dos países e suas colônias, o Congo, Namíbia, Benin, etc. O mesmo
não ocorre em Nurenberg e Tóquio, apenas porque os crimes foram fora das fronteiras?
Seriam aceitáveis campos de concentração e extermínio apenas na Alemanha?
→ A criminologia trata os grandes crimes do século passado como exceções não
relevantes para o seu estudo.
→ Ao tratar o terrorismo como um ato de guerra, podemos remover qualquer garantia
penal.
→ Doutrina da segurança nacional – ampliação do poder punitivo.

33 – O neopunitivismo

→ O neopunitivismo americano é o aumento desenfreado do encarceramento, em


especial de jovens negros, da punição capital, das condenações sem julgamento, etc.
→ A cultura do controle – Garland.
→ Na sociedade pós-moderna reina um tipo de esquizofrenia. A criminologia da vida
cotidiana e a criminologia do outro ganham espaço.
→ A criminologia da vida cotidiana trata o delito como risco normal, cria engenhos
preventivos. Impedimentos físicos ao crime são mais fortes que impedimentos morais.
→ A criminologia do outro se baseia na vingança, exclusão, defesa social, neutralização
do sujeito perigoso.
→ Wacquant – precarização do trabalho, aprofundamento das discriminações e
segregação de classes.
→ O estado penal dá continuidade ao apartheid.
→ A precarização do trabalho faz sumir a solidariedade do gueto. Agora um supergueto,
sem qualquer relacionamento comunitário.
→ Qacquant – interpretação estrutural do fenômeno.
→ Garland – interpretação cultural.
→ Simon – Explosão repressiva está ligada a deslegitimação do estado de bem-estar.
→ Se um governo tem o crime como referência, todo o estado agirá segundo o modelo
punitivo.
→ Governa-se através da administração do medo.
→ O poder punitivo sem controle é usado novamente para verticalizar e hierarquizar a
sociedade.
34 – Outras palavras: as ciências psi

→ Com um histórico ruim de interações, não é estranho que criminólogos reajam de


maneira negativa com intervenções psi em seu campo.
→ Não é errado que ainda existam aqueles tentando reanimar o criminoso nato com base
nas neurociências.
→ O psi hoje já conseguiu se livrar de ideologias racistas e totalitárias, com ajuda da
antipsiquiatria, da psicanálise e da antropologia de Boas.
→ O sociólogo observa o grupo e o psicólogo o sujeito concreto.
→ A sociologia pode ajudar a criminologia sobre o efeito de medidas grupais, mas não
sobre os efeitos no sujeito concreto.
→ A criminologia crítica expande o espaço do campo psi em sua matéria.
→ É impossível ocultar que o delito e o poder punitivo criam vítimas. São as disciplinas
psi que podem indicar como atuar com esses sujeitos.
→ É um erro grave ignorar o campo psi.
→ Alguns afirmariam que o campo psi é de interesse apenas da criminologia aplicada,
mas não da teórica. Mas ele é sim indispensável para a criminologia teórica.

35 – Somos todos neuróticos?

→ Danos sociais – a morte de milhões por indiferença dos demais, os massacres, as


guerras, etc. – não são do passado.
→ Tese naturalista – uma defesa insensata.
→ Crítica macro – com ela talvez passamos por cima do capitalismo.
→ O capitalismo pode ser um acelerador dos danos sociais, mas não pode ser sua causa,
uma vez que tudo isso acontecia antes da vinda do capitalismo.
→ A questão criminal está inserida em um mundo onde mortes, em massa ou não,
importam pouco. Onde os poderosos iludem a todos.
→ É necessário descobrir a raiz última da agressividade na civilização.
→ Freud retorna até a etnologia, achando o campo onde se deve buscar a resposta para
a agressividade.
→ Para Freud, a reação social punitiva proporcionaria satisfação à demanda de punição
inconsciente do infrator.
→ Freud afirma que uma pessoa evita agredir a outra por uma força interna, pelo eu, e
não por forças externas.
→ Crítica freudiana a pena de morte, por criar o mecanismo de expiação máxima.
→ Para Freud, os massacres são um preço civilizatório.

36 – Podemos deixar de ser neuróticos?

→ Marcuse – podemos ser menos neuróticos.


→ Brown – podemos deixar de ser neuróticos, se abandonarmos a civilização.
→ Marcuse aceita a tese freudiana de necessidade civilizatória.
→ Brown se opõe a esse conceito. Para ele a própria sociedade é neurótica.
→ O neurótico não se reduz a apenas uma busca indefinida de bens, mas também de
poder.
→ O capitalismo estimula a acumulação indefinida, uma expressão dessa neurose
civilizatória.
→ Para Brown, a repressão do polimorfismo é a causa da neurose civilizatória.

37 – Um pouco de etnologia

→ Freud encontra corretamente a questão da destrutividade humana no campo da


etnologia.
→ Girard – teoria da mímesis.
→ Girard tem uma tese dinâmica, na sociedade se gera uma tensão que, em certo
momento, traduz-se em violência difusa.
→ É a partir da rivalidade mimética, todos querem a mesma coisa.
→ Os grupos se observam e se imitam, desejam o mesmo.
→ Mas quando a violência aumenta, os objetos desejados passam ao segundo plano,
quando chegamos a mímesis de antagonismo.
→ A violência não para, se cria vingança atrás de vingança.
→ Se decide uma vítima simbólica e se extravasa todo o desejo vingativo da sociedade
sobre essa vítima.
→ O sistema punitivo faz esse processo, segundo Girard.
→ Se dá uma aparência de racionalidade para a vingança.
38 – A criminologia midiática

→ A criminologia midiática é aquela de conhecimento comum, dos leigos.


→ A angústia se torna medo, através da criminologia midiática.
→ É útil que a população acredite que o poder punitivo está neutralizando aquele que cria
o mal em sua vida.
→ A criminologia midiática age com a informação e desinformação junto dos preconceitos
e crenças para atingir os objetivos.
→ Os meios de comunicação podem mudar, mas sua atuação não.
→ Manipulação da imprensa sobre a maneira de pensar, os fatos e a maneira com que
são relatados.
→ Encobertamento do genocídio armênio.
→ A mídia se torna intérprete dos fatos.
→ A criminologia midiática cria uma realidade de mundo de pessoas decentes e uma
massa de criminosos.
→ A criação de um conjunto de eles, que são maus, diferentes.
→ A televisão consegue reforçar os esteriótipos, etiquetando aqueles que correspondem
apenas em aparência.
→ O mundo de nós contra eles é muito convincente.
→ Ele apaga a possibilidade de neutralidade.
→ Não necessariamente se mente ou se cala. Se cria um espetáculo midiática atrás do
que o estereotipado faz e se trata assepticamente do que um não estereotipado comete.
Mas em nenhum momento se cria ou se ignora, apenas a apresentação dos fatos é
diferente.
→ Além do criminoso, se cria também o papel do herói, que sempre está fazendo a
justiça. Se cria a certeza de que o mundo se divide entre bons e maus e a única solução
de conflitos é punitiva e violenta.

39 – A criminologia midiática e a vítima-herói

→ A criminologia midiática latino-americana diverge da estadunidense.


→ Os eles do sul não são necessariamente minorias, incluem setores muito amplos, até
mesmo majoritários.
→ Para a criminologia midiática não importa a frequência ou gravidade dos crimes, uma
vez que do México ao Uruguai o discurso se mantém o mesmo.
→ Ela justifica a criação de qualquer controle estatal para prover segurança.
→ Se justifica o controle de nós, a partir da retórica que se está controlando eles.
→ Essa focalização do medo em um único aspecto acaba por ocultar o medo que
deveríamos ter por outros diversos aspectos.
→ Se distorce o medo, deixa de ser algo natural, se torna anormal. Não cumpre mais a
função de sobrevivência.
→ Se fixa no imaginário uma noção de um estado que precisa ser onipresente, se
caracteriza toda morte como uma falta de atuação do estado.
→ Quando a mídia encontra uma vítima-herói, alguém que pode tornar em porta-voz de
sua politica criminal, ela se aproveita.
→ A usa para clamar por uma repressão maior.

39 – A criminologia midiática como reprodutora

→ O poder punitivo decide de acordo com a criminologia midiática.


→ Os veículos de mídia influenciam as decisões do poder punitivo para beneficiar seus
interesses.
→ A publicidade dos delitos também serve como uma forma de incitação de criminalidade
amadora.
→ Também há aqueles que tentam se aproveitar para simular crimes que não ocorreram,
para encobertar os seus. Tudo porque imaginam entender como esses crimes funcionam
e como copiar um, graças a mídia.

40 – A criminologia midiática e os políticos

→ Os políticos são pressionados para encontrar soluções imediatas para problemas de


longa duração.
→ A política atual é a política-espetáculo. Os políticos são como atores em uma novela.
→ Os políticos, conhecendo apenas a criminologia midiática, agem de acordo com ela,
com seu discurso de causalidade mágica.
→ Enquanto existem aqueles que agem por oportunismo e autoritarismo, a maioria age
assim por desconhecimento, procurando na única fonte de conhecimento a respeito do
assunto que conhece, a criminologia midiática.
→ As concessões dadas para a criminologia midiática servem para cimentar o fim do
retorno do estado do bem-estar.
→ Quando na política-espetáculo o personagem perde sua identidade, quando se torna
muito parecido dos outros, ele perde a atenção do público.
→ A mídia se aproveita dessa proximidade, se usa da sua faceta antipolítica para diminuir
o interesse da população nos personagens que não lhe são mais úteis.

43 – Como o pensamento mágica pode triunfar?

→ Por que a criminologia midiática tem êxito?


→ Com relação ao crime, a criminologia midiática nada agrega, ninguém defende
impunidade para homicidas e estupradores, e mais cinco ou dez anos de pena nada
diminuirão os crimes.
→ Para diminuir o índice de violência é necessário motivar condutas menos violentas e
desmotivar condutas violentas.
→ Através de pesquisas de mercado, um empresário garante um maior sucesso de seu
produto, com bases científicas, sociais e econômicas. A criminologia midiática, porém, não
utiliza dessas bases, ela se veste de ciência, mas apela para suas magias.
→ Através de seus especialistas, a criminologia midiática reproduz seu discurso, o
retroalimenta.
→ A criminologia estadunidense popular projeta uma imagem do crime como fenômeno
individual.
→ O desenterrar de teorias da tese meritocrática biológica.
→ O risco de um neolombrosianismo ainda vive. As neurociências pretendem prever
futuros desvios criminosos já na infância.

44 – O fim da criminologia negacionista: o que, como e onde?

→ Seria possível aproximar a questão criminal da realidade? Existe uma realidade?


→ O único dado correto na questão criminal são os mortos.
→ Onde mais encontraremos mortos serão nos assassinatos cometidos pelo estado. Ao
longo da história recente, se estimam entre 65 a 165 milhões.
→ Alarmantes 2% da população mundial, segundo essa estimativa, teriam sido mortos
pelo estado.
→ Embora o conceito de genocídio já dê voz a muito dos mortos nessas atrocidades,
muitos ainda são excluídos dessa categoria, propositalmente.
→ Muitas dessas mortes se deram por puro descaso do mundo ao redor.
→ O genocídio na Ruanda foi ignorado até ser tarde demais.
→ A responsabilidade dessas atrocidades não recaem apenas sobre os estados que a
cometeram, mas também sobre os estados que não agiram para pará-las.
→ Todo massacre é único. Uma hierarquização deles para nada serve além de minimizar
e calar os milhões de mortos.
→ O nazismo e seu massacre de novo tinha apenas seu brutal extremismo. Sua
substância, racista e biologista, era a norma na Europa e nos EUA.

45 – Os massacres e as guerras

→ Massacres tentam se pintar de guerra.


→ Embora massacres ocorram nas guerras, e essas sejam também um crime, os dois
não se substituem, não são a mesma coisa.
→ A guerra total substancializa o inimigo, vira toda uma nação, não apenas o exército.
→ A América Latina foi um enorme campo de trabalho forçado. Não tivemos guerra de
conquista, apenas guerras de independência.
→ Os massacres perpetrados por europeus na América, Ásia e África não eram
novidades, suas escalas podiam ser, mas sua natureza se encontrava na história, desde
os romanos, desde antes.
→ E essa forma de agir foi absorvida e naturalizada pelas colônias, o chamado
autocolonialismo.

46 – Quando se cometem os massacres?

→ Massacres tem como missão uma limpeza, homogeneização do território.


→ Em seu próprio território é preciso de um estado policial para conseguir tal feito, mas
em colônias, um estado liberal pode muito bem cometê-los.
→ Tudo se dá quando um grupo minoritário no poder se vê ameaçado.
→ Antes do massacre, vários sinais são emitidos por esses grupos, como as técnicas de
neutralização.
→ Para efetuar um massacre, o grupo precisa de apoio, ou indiferença, da população e
da vontade das agências executadoras.
→ Aqui as técnicas da criminologia midiática são evidentes novamente.
→ Se cria uma roupagem científica para as magias alegadas.
→ Os nazistas se rodearam de cientistas para justificar suas atrocidades.
→ Se cria um pânico em volta do que se deseja eliminar.
→ Se nega a existência do massacre, o que é mais fácil quando ele ocorre fora do
território.
→ Se nega a humanidade da vítima, a retrata como subhumana, para facilitar a aceitação
da população, ou sua indiferença, perante o massacre.
→ O massacrado se torna um eles, um dos maus do mundo, de quem devemos nos
proteger.

47 – Com o quê? E quem?

→ Com o poder punitivo.


→ O emprego de forças policiais, militares – agindo como polícia – e, em certos casos,
até mesmo presidiários, é a forma mais comum de cometimento de massacres.
→ Em especial jovens, que são mais facilmente atraídos pelo poder de subjugar a vida de
um semelhante.
→ O surpreendente não é quem comete fisicamente os massacres, mas sim seus
mandantes, em quase todas as vezes encontramos intelectuais.
→ Dos Jovens Turcos aos Nazistas ao Apartheid sul-africano aos sérvios no fim da
Iugoslávia, todos tinham, em seu comando, acadêmicos, com diferentes níveis de
condecoração.

48 – Por quê?

→ Escolher um inimigo é uma maneira de canalizar o mal-estar e a vingança de uma


população.
→ Para encontrarmos o que motiva um grupo a buscar um poder absoluto que sempre
termina em sua ruína é necessário que exploremos outros campos do saber que não a
criminologia.
→ Uma das teses seria de que nossa natureza nos leva a esse comportamento.
→ É uma tese de naturalização dos massacres, é amoral e irresponsável.
→ Mas não existem provas dessa fatalidade biológica.
49 – O que a criminologia pode fazer?

→ Massacres são um crime. E sabemos existir dois níveis de prevenção de delitos, a


primária – que vai à raiz social do conflito – e a secundária – que opera com o fato.
→ Prevenção primária seria a correção da nossa neurose civilizatória.
→ O jurista deve abandonar a pretensão de racionalidade da pena, e aceitá-la como
irracional que é. Sua função agora sendo de conter essa vingança.
→ É preciso entender que o poder punitivo não é capaz de prevenir os massacres, afinal,
ele que os promove.
→ Só por se tornar internacional, o poder punitivo não perde sua característica seletiva.
Em tribunais internacionais só aparecem aqueles que já perderam seu poder e sua
utilidade para as grandes potências.
→ Sua maior importância é garantir que o criminoso contra a humanidade não perca sua
condição de pessoa, pois se alguém o condena a morte, nenhum tribunal condenaria o
homicida ou executor – como no enforcamento de Mussolini, que foi tratado como ato de
guerra e não assassinato.
→ Os massacres não são evitados e a criminologia tem o dever de se defrontar com esse
tema.
→ É estranho admitir como se demorou para aceitar que aquele que deveria evitar os
massacres é sempre, na verdade, quem os comete.
→ A primeira medida de prevenção secundária seria o esgotamento dos modelos de
solução efetiva de conflitos, reservando o poder punitivo apenas para os casos que ele é
absolutamente necessário.
→ O trabalho do criminólogo é, no momento, militante, é necessário que seu
conhecimento chegue a todos os estamentos da sociedade.
→ Criminologia cautelar – proporciona a informação necessária e alerta sobre exageros
do poder punitivo.
→ Não um abolicionismo, mas uma contenção.
→ Procurar e alertar o mais precoce possível os exageros do poder punitivo, para
prevenir um massacre.

50 – O aparato canalizador da vingança

→ O sistema penal regula a operação do poder punitivo, canalizando a vingança.


→ Qual o funcionamento do sistema penal?
→ As agências do sistema penal são específicas – executoras, judicias penais,
penitenciárias, reprodução ideológica, ONGs, internacionais e transnacionais – ou
inespecíficas – poderes legislativo e executivo, partidos políticos e meios de comunicação
de massa.
→ As agências são compartimentalizadas – cada uma tem uma função – e com um
discurso duplo – um discurso público e outro privado.

51 – As agências executivas exercem o poder punitivo

→ Todas as agências incidem sobre o poder punitivo, nem todas o exercem, essas sãos
as policiais, em sentido amplo.
→ As outras limitam ou estimulam as policiais, mas não exercem de maneira direta o
poder punitivo.
→ O poder punitivo de criminalização secundária atinge poucos, alguns psicopatas e
muitos ladrões bobos. Ocasionalmente sobre um poderoso, que só está lá por ter ido de
encontro contra outro poderoso e perdido – e mesmo nesse caso recebe uma proteção
especial dentro da cadeia.
→ Massacradores também vão presos, quando perdem o poder que tinham e deixam de
ser úteis.
→ O modelo de policiamento latino-americano é o borbônico de ocupação territorial, ainda
muito colonial.
→ Políticos não têm uma ideia clara da questão policial. Além da precariedade salarial e
do escasso treinamento, a polícia é submetida a um regime disciplinar militarizado, um
verticalismo autoritário.
→ A política não mais se vê independente do poder policial, hoje eles estão submetidos a
um poder policial que ameaça sua estabilidade.
→ Existe também o fenômeno de privatização da segurança, que substitui a segurança
pública em certas áreas. E aumenta a criminalidade em áreas onde a população não é
rica o suficiente para pagar por esses serviços.
→ A verdade é que os criminalizados, vitimizados e policializados são escolhidos da
mesma camada social.
→ É a forma mais sutil e brutal de controle social da exclusão.
→ A justiça penal tem um papel de controle e contenção.
→ A importância da contenção é a omissão do controle judicial quando ocorre um
massacre em massa, como no estado nazista, turco, ruandense, etc.
52 – O resultado: a prisionização reprodutora

→ A privação da liberdade é a coluna vertebral do sistema penal.


→ Indústria da segurança – privatização carcerária.
→ Se cria uma demanda de criminosos, e o estado cria a oferta.
→ É evidente que altas taxas de aprisionamento não funcionam como prevenção para
homicídio.
→ Se reconhece os efeitos deterioradores da prisão, tem um motivo para que crimes
menores sejam punidos com uma liberdade vigiada.
→ Prisões superlotadas são comuns na América latina.
→ A superlotação apenas exacerba a função criminógena da prisão.
→ “Plea bargaining” – condenação sem julgamento.
→ A prisão leva a pessoa a cometer o crime novamente – ou pela primeira vez – após sair
dela.
→ É de se esperar que a fixação de papéis funcione melhor entre jovens e adolescentes.
→ A reação da política é a autonomização policial e a criação de leis penais para
satisfazer os avanços da criminologia midiática.

53 – A criminologia cautelar preventiva de massacres

→ Em todo o sistema penal estão alojados os elementos para um massacre.


→ Noção midiática de segurança.
→ Se acredita na existência de um direito a segurança.
→ Não se enfrenta a criminologia midiática por medo da publicidade negativa em que isso
pode incorrer.
→ Os criminólogos estadunidenses, porém, são os poucos que se opõe abertamente ao
sistema atual de maneira publicizada.

54 – As três frentes da criminologia cautelar

→ A criminologia cautelar precisa se tornar criminologia militante.


→ A criminologia cautelar deve: estar atenta para analisar as condições sociais favoráveis
a crítica das fabricações midiáticas; Levar a sério os danos reais do delito; Investigar e
propor meios mais eficazes para a redução dos anteriores.
→ Para alcançar esses objetivos é necessário o desenvolvimento de táticas.
→ É preciso que o criminólogo acadêmico tenha contato com o público, com as vítimas,
com as pessoas que têm medo das ameaças reais, com os operadores do sistema penal,
etc.
→ A militância não pode ser outra coisa que não o diálogo.
→ É preciso apresentar alternativas políticas, pois esses são pressionados pela
criminologia midiática por uma resposta, e quando o criminólogo diz não possuir uma, os
políticos continuam em seu rumo, com desprezo pelo criminólogo.
→ Não se tem estudos sobre o efeito da criminologia midiática em novas modalidades
delitivas que recebem publicidade, não sabemos até que ponta ela reproduz o delito.
→ Em nenhum país pobre se investe em investigação criminológica de campo.

55 – A prevenção do mundo paranoide

→ O mundo paranoide é instalado pela criminologia midiática em um campo de


insegurança existencial, na Europa e nos EUA ele se dá em decorrência do fim do estado
de bem-estar.
→ A angústia social impulsiona a busca anárquica de responsáveis pela insegurança. A
violência difusa e a angústia social se retroalimentam.
→ Até se encontrar um bode expiatório, para qual se imputa a insegurança existencial.
→ Quando a angústia se transforma em medo, os projetos existenciais reduzem seus
objetivos. A presença do bode expiatório é o primeiro passo.
→ É difícil fechar um país à informação, não é possível bloquear as notícias do exterior.
→ As condutas de alguns membros do grupo selecionado como bode expiatório não são o
que decide essa condição, mas são o que facilita a instalação paranoide.
→ A criminologia midiática prepara o mundo paranoide com base em técnicas de
neutralização, que variam em sofisticação com a necessidade técnica.
→ A criminologia midiática é uma arma de luta contra o estado do bem-estar.

56 – Não se pode prevenir o que não se conhece

→ A criminologia cautelar precisa de ocupar em assinalar os meios para reduzir os delitos.


→ É preciso confrontar o pânico moral e apoiar o temor racional.
→ O sistema penal tem reduzida eficácia preventiva.
→ Muitos são os fatores que podem estimular um crime, por exemplo o homicídio.
→ Se todos os anos coletarmos dados sobre um dado crime, notaremos que todos os
anos ele terá uma cara diferente.
→ A prevenção da violência não está distante de requerer modelos análogos ao sanitário.

57 – A dignificação policial

→ A criminologia cautelar precisa prestar atenção ao policial, que na América Latina sofre
de diferentes graus de deterioração.
→ É preciso melhorar a forma de compensação legal e distribuir equitativamente os novos
benefícios legais, para se minimizar as formas de arrecadação autônomas e ilegais.
→ Tecnificação policial, o policial vai se especializando, de acordo com as diferentes
funções, com distinção entre segurança pública e investigação criminal.
→ Deve-se pensar em uma aproximação ao modelo comunitário.
→ É recomendável que a criminologia cautelar reúna dados sobre cada organização
policial.
→ Toda modificação da condição de trabalho deve ser explicada claramente ao pessoal
que ela atinge.

58 – A prisão como fator de risco

→ A prisão é um fator específico de risco, por seu efeito reprodutor.


→ Na ideologia re, o preso é tratado como um aparelho perigoso, a ser reparado.
→ O futuro das prisões é incerto, com o avanço tecnológico, outras formas de controle
vão se mostrando viáveis.
→ A população de nossas prisões é composta por infratores contra a propriedade e
pequenos traficantes – em sua maioria, embora existam sim os homicidas e psicopatas,
em muito menos representação.
→ Infratores que transformara seus ilícitos em uma forma de sobreviver.
→ Os white collar cometem crimes muito mais danosos a sociedade, mas são muito
menos punidos.
→ Se o preso está preso por cometer um crime que usa como forma de sobrevivência, é
necessário oferecer-lhe, não impor, a oportunidade de elevar seu nível de
invulnerabilidade.
→ Um tratamento, uma clínica de vulnerabilidade é uma possibilidade. É um
empreendimento possível e digno para revalorizar a difícil tarefa do pessoal penitenciário.