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USA – Bernstein e Carter

Elliot Carter
Elliot Cook Carter Jr. nasceu em Manhattan a 11 de dezembro de 1908. Filho de Elliot
Carter Sr., um abastado importador de tecidos de rendas, e Florence Chambers. Desenvolveu,
já desde a sua adolescência, um grande interesse em música e foi encorajado nesse meio por
Charles Ives, que era um compositor modernista. Enquanto estudava na Horace Mann School,
escreveu uma carta de admiração para Charles Ives, à qual respondeu e o impulsionou a seguir
o seu interesse na música.

Quando frequentou a Universidade de Harvard, em 1927, Ives fez questão de


confirmar que Carter iria a todos os concertos da Boston Symphony Orchestra, dirigidos por
Serge Koussevitzky, que programava frequentemente várias obras contemporâneas. Embora
se tenha formado em Inglês na Universidade de Harvard, também estudou música na mesma e
na Longy School of Music. Em Harvard, teve como professores Walter Piston e Gustav Holst.
Cantou com o Harvard Glee Club e completou o seu grau de mestrado em música em 1932.
Daqui seguiu para Paris, para estudar com Nadia Boulanger (como muitos outros compositores
americanos) na École Normale de Musique de Paris. Estudou com Boulanger de 1932 a 35, e
nesse ano recebeu o doutoramento em música. Mais tarde, nesse mesmo ano, voltou para os
Estados Unidos e compôs para o Ballet Caravan.

Em 1939, Carter casa-se com Helen Frost-Jones, com quem teve um filho, David
Chambers Carter. De 1940 a 44, ensinou música no St. John’s College em Annapolis, Maryland.
Durante a 2ª Guerra Mundial, trabalhou para o Office of War Information. Mais tarde ensinou
em instituições como Peabody Conservatory (1946-48), Universidade de Columbia, Queens
College, Nova Iorque, Universidade de Yale, Cornell e Juilliard. Em 1967, foi apontado como
membro da Academia Americana das Artes e Letras (composta por 250 membros de honram
cujo objectivo é “criar, auxiliar, e manter a excelência”).

A sua única obra What Next? foi composta em 1997-98 a pedido do maestro Daniel
Barenboim para a Berlin State Opera.

Em 11 de dezembro de 2008, Carter celebrou o seu 100º aniversário no Carnegie Hall


em Nova Iorque, onde a Boston Symphony Orchestra e o pianista Daniel Barenboim tocou a
sua obra Interventions for Piano and Orchestra, escrita nesse ano. Entre os seus 90 e 100 anos,
publicou mais de 40 obras, e depois disso compôs pelo menos mais 20.

Dava, anualmente, masterclasses na Tanglewood Music Center. Em 2012, o governo


francês nomeou-o Commandeur de la Légion d’honneur.

Carter ainda compunha todas as manhãs até à sua morte, de causas naturais, a 5 de
Novembro de 2012, em sua casa em Nova Iorque, aos 103 anos.

A sua música
As suas primeiras obras foram influenciadas por Igor Stravinsky, Roy Harris, Aaron
Copland e Paul Hindemith, e são maioritariamente neoclássicas. Estudou e praticou
rigorosamente a técnica de contraponto, seguindo a polifonia medieval de Stravinsky, como se
USA – Bernstein e Carter
comprova no seu ballet Pocahontas (1938-39). Alguma da sua música durante a 2ª Guerra
Mundial é principalmente diatónica.

A sua música pós-1950 é tipicamente atonal e ritmicamente complexa, marcada pela


invenção do termo “modulação métrica”, que consiste em mudanças de tempo frequentes e
precisas. Embora o cromatismo e linguagem tonal de Carter se assemelhe aos compositores
serialistas da época, Carter não empregou as técnicas do serialismo na sua música. Em vez
disso, desenvolveu e catalogou todos os possíveis conjuntos de acordes. Nos anos 60 e 70,
uma série de obras deram origem às suas composições tonais usando todos os possíveis
acordes dentro da tonalidade.

No Concerto para Piano (1964-65) são utilizados os acordes de três notas; o seu
terceiro Quarteto de Cordas (1971) utiliza todos os acordes de quatro notas; o Concerto para
Orquestra (1969), todos os acordes de 5 notas; e na Sinfonia para Três Orquestras usa os
acordes de 6 notas. Carter utilizou também um acorde de “tónica” de 12 notas. Outra
característica particular são os acordes de 12 notas com “todos os intervalos”, em que cada
intervalo é representado entre o âmbito do acorde. A sua obra para piano solo Night Fantasies
utiliza todos os 88 acordes de 12 notas com todos os intervalos. Normalmente, as diferentes
alturas estão segmentadas entre instrumentos, com um único conjunto de acordes destinados
a cada instrumento ou secção orquestral. Esta estratificação, com vozes individuais destinadas
não apenas à sua função de altura, mas também à textura e ritmo, é a principal componente
do seu estilo.

A música de Carter após Night Fantasies marca o fim de um período e a sua linguagem
tonal torna-se menos sistematizada e mais intuitiva, embora mantendo as características
básicas dos seus trabalhos anteriores.

Cada voz instrumental é tipicamente destinada a um conjunto de tempos. Uma


polirritmia estrutural, onde um polirritmo muito lento é usado como padrão, está presente em
muitos dos trabalhos de Carter. Night Fantasies, por exemplo, usa uma relação de tempo
216:175 que coincide apenas em dois pontos nos mais de 20 minutos totais da composição.
Este uso do ritmo fazia parte do seu objetivo de expandir a noção do contraponto para
envolver diferentes e simultâneas características, mesmo andamentos inteiros, em vez de
apenas linhas individuais.

Carter disse que pulsações muito estáveis o faziam lembrar soldados a marchar ou
cavalos a trotear, sons que já não eram audíveis no século XX, e ele queria que a sua música
capturasse a espécie de aceleração contínua ou desaceleração experienciada num automóvel
ou num avião. Enquanto a sua música atonal mostra poucos traços da música popular
americana, ou jazz, a sua música vocal demonstra fortes ligações à poesia contemporânea
americana. Muitos poetas deste século inspiraram muitas das suas obras instrumentais, como
o Concerto para Orquestra ou a Sinfonia para Três Orquestras.