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O deus subserviente das universidades

O espírito nietzschiano, ainda que de forma inconsciente, impera nas universidades. Talvez,
muitos leitores dirão: “isto é uma constatação óbvia”. Porém, não me refiro somente à
influência deste espírito na cabeça de alunos que, em grande parte, tentam legitimar sua luta
contra a moral judaico-cristã. Refiro-me aos trabalhos de produção intelectual e de pesquisas
realizadas, principalmente, na área das Ciências Humanas.

Some-se a este espírito nietzschiano, pelo menos, o espírito de grandes ícones do ateísmo do
século XIX: Charles Darwin (naturalista e cientista), Karl Marx (filósofo materialista e
revolucionário) e Sigmund Freud (pai da psicanálise). Contudo, para este texto, nos deteremos
à influência nietzschiana no mundo acadêmico.

Friedrich Nietzsche foi um filósofo, filólogo e escritor alemão do século XIX. As palavras que
melhor demonstram o espírito nietzschiano acima citado constam em sua obra A Gaia Ciência,
§125: “Para onde foi Deus? [...] Nós os matamos – você e eu! Nós todos, nós somos seus
assassinos!”.

Estas palavras ganharam intensos contornos desde então e figuram entre as expressões mais
utilizadas, a fim de demonstrar a aversão ao religioso e ao sagrado em nossa época, a saber, a
expressão “Deus está morto!”. Não que o objetivo principal das pesquisas acadêmicas em
Ciências Humanas seja demonstrar e sustentar a ideia de que Deus não existe. Porém, mesmo
em universidades confessionais é notório o fato de que Deus é utilizado como um conceito
acessório, marginal e passivo diante do protagonismo e determinação do homem enquanto a
medida de todas as coisas.

O Deus judaico-cristão retratado nas páginas da Bíblia Sagrada é o fundamento, o centro e o


mantenedor de toda a ordem criada, inclusive, da própria humanidade. Não é um deus
moldável pelo imaginário humano para a própria satisfação deste. Antes, Deus soberanamente
possibilita ao homem conhecê-Lo, através da sua própria criação e, em especial, por meio da
Escritura Sagrada.

Até mesmo nas pesquisas de Religião em universidades católicas, quando há a menção


conceitual de Deus, dificilmente este conceito se refere à noção de Transcendência. O deus da
academia é um deus imanente que nasce no imaginário humano e volta-se para ele mesmo em
um limitado percurso circular. Não era para menos, uma vez que a maioria dos estudos sobre
religião nas universidades se utilizam do deus nascido no berço da Teologia Liberal do século
XVIII.

Nas pesquisas acadêmicas que envolvem consulta à Bíblia Sagrada costumam-se levar em
conta apenas os aspectos histórico-culturais da perícope estudada. Quando o pesquisador se
depara com milagres e cenas de demonstração do poder divino, seja pelos profetas, seja pela
pessoa de Jesus e seus apóstolos, estes milagres e cenas são reduzidos a meros fenômenos
psíquicos. Isto quando não se opta por colocar em xeque a autoridade e a legitimidade do
texto bíblico.

Grande parte deste tipo de leitura e compreensão bíblica reside na adoção de esquemas de
interpretação (hermenêutica) oriundos da Teologia Liberal que culminaram no método
histórico-crítico de interpretação bíblica.
Um exemplo claro disso consta no relato do nascimento, ressurreição e assunção de Jesus aos
céus. Sua concepção virginal pelo Espírito Santo no ventre de Maria, a ressurreição no terceiro
dia após a morte na cruz e a subida extraordinária para estar ao lado de Deus-Pai são fatos
negados pela quase totalidade dos estudiosos da religião.

Temos, portanto, nas universidades os que se dizem ateus e os que se dizem acreditar em
Deus, contudo, em um deus subserviente aos seus caprichos intelectuais pessoais e
acadêmicos. Quando Nietzsche asseverou que “Deus está morto”, sabe-se que ele se referiu
não ao fato de Deus não mais existir, mas se ainda era possível ter fé em Deus e viver de
acordo com esta fé.

A este respeito, Jesus disse em certa ocasião: “[...] quando o Filho do Homem vier, achará fé na
terra?” (Lucas, 18.8b). Muito provavelmente Jesus estava antevendo quão difícil seria manter
uma fé ativa e genuína em Deus nos últimos tempos. A mistura de ateísmo com o deísmo da
academia representados pela expressão nietzschiana supracitada nos mostra a importância da
antevidência de Jesus como um alerta a nossa caminha cristã.

O cuidado que o cristão deve ter, sobretudo, na universidade, é evitar deixar-se seduzir por
ideologias que excluem Deus da equação da vida ou que o alocam como mero coadjuvante do
protagonismo antropológico. A isto, me refiro, principalmente, às filosofias de imanência;
filosofias analíticas (positivismo lógico, neopositivismo, e afins); materialismo histórico
dialético (marxismo); e o desconstrucionismo.

Segue-se que o cristão deve estar presente, sempre que possível, nas mais variadas rodas de
discussão, debates, pesquisas e estudos acadêmicos, inclusive, das escolas filosóficas acima
citadas que, guardadas as devidas proporções, possuem o seu valor epistemológico. Sua
presença não significa concordância com as sentenças que reduzem o valor de sua fé, mas,
pelo contrário, para lhe motivar a buscar ainda mais, de forma devocional e intelectual,
reforçar a razão da sua esperança, conforme escreveu o apóstolo Pedro em sua epístola
universal.

Aliás, a recomendação do apóstolo Pedro cai como uma luva para o fechamento deste texto. O
cristão que sofre na academia por conta dos ataques, intencionais ou inconscientes, à sua fé
em Cristo deve permanecer feliz, acima de tudo, por obter a posse do verdadeiro.

A despeito do espírito nietzschiano contemporâneo, de origem satânica, o cristão deve


santificar a Cristo como Senhor em seu coração e, estar preparado para responder não com
grosserias ou verborragias, mas com mansidão e respeito pelo seu próximo.

Assim, o Deus soberano cuidará para que o bom procedimento do cristão, iluminado pelo
Espírito Santo, seja instrumento para transformação das mentes incrédulas vacilantes neste
mundo. Neste caso, o papel da igreja e dos cristãos enquanto agentes de transformação da
sociedade e, sobretudo, da academia é fundamental para resistir ao espírito desta época.

PS.: Conta-se que alguém escreveu em um muro de Paris: “Deus está morto! Assinado:
Nietzsche”. Veio outro e respondeu: “Nietzsche está morto! Assinado: Deus”.

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