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Poder Judiciário

JUSTIÇA FEDERAL
Seção Judiciária do Estado de Sergipe

Processo n.º 2003.85.00.3464-7 - Classe 2000 - 1ª Vara


Ação: Mandado de Segurança
Impte: João Batista Neto Poço Redondo-Me.
Impdo: Presidente do Conselho Regional de Farmácia do Estado de Sergipe.
Juiz Federal Substituto: Almiro José da Rocha Lemos.

Decisão:
Vistos etc...
Pretende o autor, em sede de liminar, que este Juízo determine à
autoridade coatora que proceda ao registro e licenciamento da Farmácia São
Thiago, mediante apresentação de profissional farmacêutico com carga
horária reduzida de 3 (três) horas.

Alega que, iniciou as suas atividades em 04 de agosto de 1994 e,


decorridos quase 9 anos de funcionamento, encontra-se impossibilitado de
exercer suas atividades em face do Termo de Compromisso de Ajuste de
Conduta e Deliberação nº 33/2000 do CRF/SE, que impede a reposição de
estoques aos estabelecimentos que não possuem o registro e certificado de
regularidade técnica do Conselho Regional de Farmácia.

Diz que, no Estado de Sergipe existe um número reduzido de


farmacêuticos e que o Município de Poço Redondo é deficitário de
farmácias. Assim, entende que as peculiaridades de cada região devem ser
levadas em consideração, a fim de não se cometer injustiças.

Afirma que, o CRF indeferiu o seu registro e licenciamento,


alegando que a norma permissiva de redução de carga horária para o
profissional farmacêutico deve ser aplicada aos estabelecimentos já
registrados e não aos já constituído, como o do impetrante.

Junta os documentos de fls. 10/26.

Nas fls. 27, reservei-me para apreciar a liminar após as


informações.

Prestadas as informações, fls. 30/34, o impetrado diz que a


empresa impetrante, desde 1994, até o momento, continua irregular, jamais
requerendo o seu registro junto ao órgão competente, que é obrigatório, nos
termos do art. 1º, da Lei 6839/80.

Quanto ao licenciamento pelo órgão da vigilância sanitária


local, diz que, nos termos dos arts. 21 e 22, da Lei 5.991/73, é necessária a
contratação do responsável técnico, sendo obrigatória a sua presença
durante todo o horário de funcionamento do estabelecimento.

Em relação ao Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta,


que originou a Deliberação nº 33/2000, diz que, teve o objetivo de
solucionar os problemas existentes naquela época, divergindo da atual
realidade, já que a Universidade Tiradentes, bem como a UFS, fornecem ao
mercado quantidade de farmacêuticos suficiente para o bom funcionamento
das farmácias.

Diz, ainda, que há no Município de Poço Redondo 08 (oito)


farmácias, conforme fiscalização do CRF-SE, número que considera
suficiente para a região, razão pela qual, entende ser uma temeridade
permitir-se o funcionamento de uma farmácia sem um responsável técnico
devido aos riscos de acidentes com automedicação e outros.

Junta, o impetrado, os documentos de fls. 35/36.

Relatados. Decido.

Falta, para a concessão da liminar, pelo menos, o “fumus boni


iuris”.

De fato, o número de farmacêuticos no Estado de Sergipe, no


momento, pode até ser insuficiente para a jornada de trabalho exigida por
lei, porém, esta precariedade não pode ser alegada pelo impetrante para
justificar os seus longos anos de existência no anonimato, sem qualquer
fiscalização.

É que, segundo consta nos autos, o estabelecimento do


impetrante existir há 09 (nove) anos, porém, não é registrado no órgão
competente, conforme determina o art. 1º, da Lei 6839/80. Sendo assim,
este não se enquadra na jornada mínima de trabalho para a assistência
farmacêutica de três horas, nos termos do art. 2º, § 1º, da Deliberação nº
33/2000, prevista, apenas, para os estabelecimentos já registrados no
CRF/SE.
Com efeito, permitir o funcionamento de uma farmácia sem a
presença de um responsável técnico, é uma questão de saúde, em face dos
riscos de acidentes, por exemplo, com a aplicação de medicamentos sem
prescrição médica, o que pode, até, ceifar a vida dos consumidores.

Além disso, há na região, outras farmácias em funcionamento,


não podendo o impetrante alegar que o seu fechamento representa prejuízo à
população, quando, na verdade, prejuízo causa, se funcionar fora dos
ditames legais.
Isto posto, indefiro a liminar.
Vista ao MPF.
Intimem-se.

Aracaju, 26 de maio de 2003.

Almiro José da Rocha Lemos


Juiz Federal Substituto