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1-O Paleolítico

As Comunidades Recolectoras
► De acordo com a arqueologia, a
Península Ibérica terá sido,
não a primeira, mas uma das
ultimas escalas da viagem que
os mais antigos representantes
do género Homo (Homo
Erectus) iniciaram a partir de
África em direcção á Ásia e à
Europa . Aqui chegaram , ao
fim do mundo, há pouco mais
de um milhão de anos,
provavelmente atravessando e
estreito de Gibraltar ,e logo se
espalharam por toda a
península .

Homo Erectus
► Os mais antigos artefactos
( calhaus pontiagudos)
produzidos pelo” Homem”
encontrados no território da
actual Península Ibérica, datam
de há mais de 400 000 anos.
São testemunhos da mais antiga
forma de trabalhar a pedra, o
“ACHEULENSE”.
No entanto a nossa actual
espécie, o género ” Sapiens-
sapiens, não se relaciona com
esta primeira vaga de “imigrantes
“ Africanos.
Tal só aconteceu muito mais tarde ,
há aproximadamente 100.000 anos
altura em que os primeiros Sapiens
também provenientes de Africa, se
espalharam por todo o lado
coexistindo, com o Homo Erectus
,que acabaram por substituir.
O continente Africano foi pois
► “o laboratório”onde se processou
toda a evolução do Género Homo .
Podemos de facto dizer sem medo de
errar, que em ultima análise, todas
as” raças”que actualmente
constituem a nossa espécie ,
descendem dos escassos milhares de
negróides que cruzando mares e
oceanos a partir de Africa
colonizaram todo o planeta .
As designações, “Acheulense”,
“Abevilense” (Paleolítico
inferior),” Mustierense”,
(Paleolítico Médio),
“Aurinhacense”, ”Solutrense”,
“Magdalenense” (Paleolítico
Superior), atribuídas aos
diferentes complexos líticos Pré-
Históricos, relacionam-se com os
nomes das regiões, onde, pela
primeira vez , foram encontrados
estes artefactos de pedra ou
osso.
Cada uma delas atesta um
estado diferente da evolução
humana: do Homo Erectus ao
homo Sapiens.
► Chama-se Paleolítico ou
Período da Pedra Lascada
a esta época, porque as
únicas ferramentas que o
Homem conseguia
produzir eram pedras
lascadas, toscamente
trabalhadas com o auxílio
de outras pedras.
► Produziam-se, assim, ferramentas variadas que evoluíram
muito lentamente do simples seixo aguçado para
utensílios mais trabalhados e de uso mais especializado
– pontas de setas, machados, arpões, lanças, anzóis de
osso, cortadores, raspadores, etc.
► Do Homo Erectus ao Homo
Sapiens foram encontrados
pela Arqueologia vestígios
abundantes que atestam a
presença ininterrupta do
Homem, neste território, desde
há mais de um milhão de anos.
► Os homens que viveram nesta
altura organizavam-se em clãs
ou pequenas tribos. Habitavam
tendas e, principalmente,
cavernas que lhes serviam de
abrigo e refúgio.
► Numa paisagem que
compartilhavam com
animais ferozes e de
grande porte, só unidos
os podiam caçar. A
caça e a recolha de
alimentos silvestres
(frutos, bagas, ervas)
eram a base da sua
sobrevivência.
► Viver em grupo
permitia, também, uma
melhor distribuição de
tarefas.
► Os homens caçavam, as
mulheres e as crianças
recolhiam frutos,
preparavam alimentos,
secavam e preparavam as
peles com que se
vestiam.
► Este período a que chamamos Paleolítico ou Idade da Pedra Lascada
prolongou-se até há, aproximadamente, 12 000 anos.
O fim desta era coincide, por isso, com o fim da Idade do Gelo
na Europa.
► Não produzindo o seu próprio
alimento, dependendo
inteiramente dos recursos e das
condições naturais, o Homem
Paleolítico era um caçador
recolector nómada.

► Deslocava-se à procura de caça


e alimento, sempre que estes
escasseavam no território que
ocupava.

► Os confrontos com outras tribos


eram frequentes pela disputa do
melhor território.
► O Paleolítico prolongou-se por milhões de anos, foi um
período em que as mudanças se deram a um ritmo muito
lento.
Tal parece indicar uma relação harmoniosa e
satisfatória com a natureza, pois o Homem evolui mais
rapidamente quando se depara com adversidades.
► O domínio do fogo, há aproximadamente 500 000 anos, foi o
acontecimento mais importante deste longo período. Para outros foi
a fala. Mas não subestimemos o Biface. Ou como alguém lhe
chamou, o canivete suíço do Paleolítico.
► Com o biface tudo era possível : Caçar, pescar matar ,perfurar
,cortar, raspar…. Coisas que precisávamos fazer para ir vivendo.
Mais e melhor.
► Na parte final do Paléolitico
Superior, surgem as primeiras
manifestações culturais, as
pinturas e gravuras rupestres.

► Umas eram mais abstractas e


simbólicas – sinais, signos - são
representativas da parte final desta
era.
► Outras mais realistas e” ingénuas”,
mais ligadas a aspectos da vida
quotidiana e da luta pela
sobrevivência – principalmente
cenas relacionadas com a caça –são
bastante mais antigas.

► Umas e outras reflectem uma tal


sensibilidade e perícia que nos
levam a questionar o ”primitivismo”
dos nossos ancestrais
antepassados.
Entretanto, na Península
Ibérica o Homem de
Neandertal encontrou
refúgio durante milhares de
anos.

Aqui coexistiu com o Homo


Sapiens que o empurrou para
a extinção, há
aproximadamente
28 000 anos.
► Sob constante pressão do
emergente Homo Sapiens-
sapiens, que com ele partilhou o
mesmo antepassado, o Homem
de Neandertal, demasiadamente
acomodado a um mundo que
dominou durante milhares de
anos, acabará por se extinguir.
► Desaparecerá incapaz de competir
com a avidez do Homo Sapiens-
sapiens que, eliminando toda a
competição, se tornou
rapidamente na espécie
dominante do planeta.
► Entre outras questões,
como por exemplo, as que
se relacionam com a forma
como a nossa actual
► espécie, ( Sapiens-
Sapiens), evoluiu, isto é, se
nos cruzámos ou não com
os Neandertais, a extinção
do Homem de
Neandertal serviu para
desfazer um mito que a
ciência aceitou, como
verdade, até finais do séc.
XIX e que a nossa vaidade
faz perdurar:
► O Mito de que dominámos o
planeta e os seus recursos
apenas porque possuimos
cérebros de maior volume .E por
isso sermos “melhores”. De facto,
sabemos hoje que o Homem de
Neandertal, o primeiro ramo do
género Sapiens, estava tão ou
mais bem adaptado ao meio
que o seu “primo - irmão” Homo
Sapiens - Sapiens. E, além disso,
tinham cérebros maiores. Eram
apenas mais recuados
.Encaixavam numa testa mais
pequena.…
As técnicas de talhar a pedra e o osso,
desenvolvidas pelo Homo Sapiens,
( o Aurignacense,o Solutrense e o
Magdalenense ) , evoluíram a partir do
“Mustierense” , indústria lítica ligada ao
Homem de Neandertal desde o
Paleolítico Médio, refinando-se com o
tempo já no Paleolítico superior .
O “ Mustierense “
Neste período, generalizam-se os
artefactos de osso: dos arpões aos
anzóis passando pelas sovelas com que
o Homo Sapiens cosia as peças de pele
com que se vestia.

O “Solutrense”
► Os milhares de anos de coexistência, na Península, de géneros tão aparentados, torna
difícil perceber que estes povos não se tenham cruzado, reproduzido e vivido, talvez em
comum .A Historia repete-se sempre uma ou mais vezes.
► Por cá tivemos o exemplo dos Celtas e dos Iberos . E muitos outros.
Partes do esqueleto de um indivíduo jovem da espécie “Sapiens” , a “Criança de
Lapedo”, descobertas em Portugal , parecem ,segundo alguns arqueólogos, apontar para
uma miscigenação entre os dois géneros.
Para outros, no entanto, os supostos indícios ou provas da existência de indivíduos
híbridos, que o estudo das ossadas teria demonstrado, não passariam de anormalidades
comuns em indivíduos da nossa espécie.
As mais recentes descobertas
científicas apontam para
dois factos:
► 1-Não se encontraram no
nosso A.D.N. os genes
específicos do Homem de
Neandertal.
► 2- No nosso A.D.N. os 5%
de genes que dele nos
distinguem são inferiores
aos que distinguem os
humanos actuais entre si.
► Serve isto para dizer que,
fundamentalmente, sobrevivemos e
acabámos por tudo subjugar, não por
sermos inatamente mais capazes, mas
porque perante as mudanças ou
adversidades, fomos mais flexíveis,
organizados, mais matreiros e
implacáveis para com a concorrência.
Neste processo o acaso, foi também
um factor determinante.

► A tudo nos conseguimos adaptar.


Mesmo desprovidos de pêlo garras ou
presas. E tivemos mais sorte .Quando
as coisas pioraram , quando a espécie
se sentiu ameaçada, quase extinta ,o
sexo resolveu as coisas.
► Sem depender dos períodos de cio
para procriar, e com um período
de gestação relativamente curto,
os nossos antepassados
conseguiram sobreviver às
mortandades, porque lhes era
mais fácil renovar a espécie .

► A evolução da nossa espécie foi
sempre acompanhada pelo
aumento do volume do seu
cérebro. Mas não terá sido, como
o provam os “Neandertais”, o
único factor a explicar o seu
sucesso.
► O longo domínio incontestado do
Homem de Neandertal tornou-o mais
preguiçoso e menos flexível .
► A robustez que tinha desenvolvido e
que o tinha ajudado a sobreviver ao
frio, durante a ultima glaciação,
tornou-se numa desvantagem à
medida que esta se aproximava do
seu fim.
► Mais forte mas menos esguio e mais
lento ,que o ramo sapiens –
sapiens ,o homem de Neandertal
dificilmente sobreviveria às novas
condições climáticas e às novas
espécies de caça,de menor porte mas
mis rápidas, que emergiram com o
final da idade do gelo.

► No entanto esta afirmação ficará sempre por provar já
que a seu desaparecimento ocorreu 15.000 antes destas
alterações se verificarem. Uma ninharia se considerarmos a
longa duração deste período da História da Humanidade.
Incapaz de competir com a maior
destreza , rapidez e melhor
organização do seu competidor
Sapiens, foi sendo
progressivamente empurrado para
as regiões mais pobres e isoladas.

O desaparecimento do Homem de
Neandertal ter-se-á devido,também
em parte, à endogamia
generalizada que passou a praticar
para que a sua espécie, cada vez
mais reduzida, pudesse sobreviver.

Esta prática continuada por décadas


tê-lo-á enfraquecido e determinado,
a longo prazo, a sua extinção.
A evolução da nossa espécie
nunca foi pois, nem tranquila
nem linear. A este nível o
exemplo mais surpreendente e
intrigante , encontramo - lo , no
chamado “Homo- Florensis “,
que de resto era uma mulher,
descoberto numa gruta da ilha
das Flores .
Apenas uma ,entre as mais de
mil que constituem o
Arquipélago da Indonésia.
► As ossadas encontradas
correspondem a uma espécie
de humanos completamente
nova. Em tudo aparentada
nas formas e nas proporções
, com o Homo – Erectus, que
a partir de África e da Ásia
chegou a estas distantes
ilhas depois de muito
navegar.
► No entanto esta nova
espécie era constituída por
hominídeos que não
ultrapassavam o metro de
altura. A altura de uma
criança de três anos.
► Mas o mais surpreendente era o tamanho dos seus
cérebros. Semelhantes ao do Homo Erectus, mas muito
mais pequenos .E ao contrário do que muitos cientistas
começaram por defender, analises comparativas posteriores
provaram não se tratar nem de pigmeus nem de indivíduos
sapiens que tinham sofrido de microcefalia.
Sabe-se pelos utensílios encontrados terem sido hábeis caçadores,
que competiam pelo alimento com animais de porte muito maior. Só
em grupo de forma organizada e planeada o poderiam ter feito com
sucesso. E o seu tamanho não lhes facilitava as coisas.
► O Homo- florensis , até prova
em contrário a maior
descoberta arqueológica do
século XXI, veio baralhar tudo.
Constitui um exemplo único no
processo da hominização, de
evolução feita ao contrário .O
exemplo da acção da natureza
sobre o homem e não do
inverso .De facto a pequenez do
Homo- florensis, não foi um
salto evolutivo. Não lhe trouxe
qualquer vantagem num
ambiente povoado por criaturas
enormes com as quais se tinha
de confrontar para sobreviver.
► Mas talvez se escondesse mais
facilmente dos seus predadores
naturais, talvez o alimento não
abundasse e fosse necessário reduzir
as necessidades a este nível, já que tal
fenómeno se verificou nesta ilha com
outras espécies.
Animais bem maiores noutros sítios
como o elefante , aqui tinha menos de
metade da envergadura.
► O que se sabe é que estes minúsculos
caçadores - recolectores, conseguiram
sobreviver até há aproximadamente
18.000 anos atrás e que se afirmaram
até agora como a peça mais original e
intrigante do nosso processo evolutivo.
Ou talvez não.
A evolução das espécies nunca obedeceu a um plano. A nossa também não. Fez-se
de contradições de avanços e recuos. Nunca foi linear. Com cérebros minúsculos
mas cognitivamente tão aptos como os do “ Homo –Erectus” os “Homo-Florensis”
foram versão mais pequena mas igualmente capaz..Os “ Hobbit “ como passaram a
ser chamados , pensavam ,agiam e ,organizavam-se da mesma maneira que os seus
antepassados.
Mais uma vez ,tudo parece resumir-se a uma questão de qualidade…

Cérebros“ Florensis” e Sapiens


Entretanto os novos
conquistadores ,os “sapiens”
tinham-se espalhado por quase
todo o lado .E como em
muitos outros episódios da
história da humanidade, a
misericórdia e o bom senso
não eram propriamente
valores a respeitar , quando se
tratava de sobreviver .
Assim, mal foram asseguradas
primeiro a sobrevivência , e depois a
supremacia ,iniciaram-se os festins.
E a carnificina. Tal como aconteceu a
muitas espécies animais nenhum
ramo hominídeo dos que coexistiram
durante milhares de anos com o
género sapiens sobreviveu .E não foi
certamente por estarem mal
adaptados …
Com a avidez e o desperdício do
homem, o equilíbrio entre as
espécies começava a romper-se.

Surgiam os primeiros sinais de que,


progresso e abundância a mais, eram
maus progressos e más
abundâncias .
► Entre as primeiras vítimas destas irremediáveis
carnificinas contam-se os mamutes .
► Perseguidos e caçados até ao extremo pelo homo -
sapiens, os mamutes e outras espécies foram
incapazes de sobreviver , neste contexto adverso, às
alterações climáticas que ditaram o fim da Idade do
Gelo.
Os primeiros extermínios massivos de
várias espécies animais, às mãos do
homem, aconteceram durante a parte
final deste período.

► Muito mais tarde, no séc. XVI os


conquistadores Espanhóis devastarão o
continente Americano montando
cavalos, espécie que há muito tempo
tinha desaparecido da face deste
continente.

► Para os indígenas, o cavalo tinha


sido, durante milhares de anos, apenas
uma vaga referência presente nos seus
mitos mais ancestrais
►Na realidade, os
cavalos tinham
desaparecido do
continente Americano
simplesmente porque,
milhares de anos antes na
parte final do Paleolítico,
as populações locais,
através da caça
desenfreada e excessiva,
os tinham conduzido à
extinção.