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LEO NAME

leonardo.name@unila.edu.br
UNIVERSIDADE FEDERAL DA INTEGRAÇÃO LATINO-AMERICANA

GEOPOLÍTICAS DA PAISAGEM
PROJETO SUBMETIDO AO PROCESSO DE CREDENCIAMENTO NO PROGRAMA DE PÓS-GRAU-
DAÇÃO EM INTEGRAÇÃO CONTEMPORÂNEA NA AMÉRICA LATINA (PPG-ICAL/UNILA),
EDITAL Nº 30/2017

PLANO DE ATUAÇÃO
CARTA DE INTENÇÕES
PROJETO DE PESQUISA
PROPOSTA DE DISCIPLINA
ANEXOS

FOZ DO IGUAÇU
OUTUBRO DE 2017
CARTA DE INTENÇÕES AO PPG-ICAL
Com passagens na Arquitetura e Urbanismo, Sociologia Urbana, Geografia e
Literatura Comparada, minhas pesquisas inicialmente se direcionaram na relação
entre os estudos urbanos e a produção midiática de representações sobre o Outro,
suas paisagens e lugares e, alinhada a uma prática profissional antes de minha
inserção na universidade, em abordagens relacionadas ao planejamento territorial.
Minha inserção na Universidade Federal da Integração Latino-Americana (UNILA)foi
como docente da área de Paisagismo, no curso de Arquitetura e Urbanismo. Por isso,
mais recentemente venho me indagando sobre o que seria um paisagismo voltado para
as regiões com carência econômica e material da América Latina e o Caribe – o que
me levou a temas como soberania alimentar e buen vivir. Meu trabalho, portanto,
tende a apresentar o conceito de paisagem em variadas feições geopolíticas, nor-
malmente ignoradas pela literatura mais convencional. Acredito que seja essa a
contribuição que posso trazer para o PPG-ICAL.
Além disso, desde que ingressei na UNILA, as atividades de pesquisa, ensino
e extensão estiveram alinhadas ao chamado pensamento decolonial – a meu ver para-
digmático na tarefa de expressar a missão de nossa instituição, não somente pondo
em evidência a colonização epistêmica do Sul pelo Norte Global, isto é, a subal-
ternização de determinados conhecimentos, como também auxiliando na consolidação
de uma perspectiva epistemológica própria para a autonomia e a emancipação dos
povos da América Latina. No contexto de uma produção do conhecimento no seio da
UNILA, é tarefa apontar a continuidade do eurocentrismo nas ciências – particular-
mente as sociais –, desenvolver uma epistême do Sul e pôr em xeque o projeto
europeu de modernidade-colonialidade, ainda vigente. Creio que também posso con-
tribuir para tais tarefas, e é por isso que ao longo do projeto ora apresentado a
abordagem sobre paisagem sempre é apresentada e compreendida como parte da chamada
geopolítica do conhecimento, um dos principais conceitos decoloniais.
Por fim, meu possível ingresso no PPG-ICAL será de suma importância para
minha trajetória como docente e pesquisador, pelas condições interdisciplinares
que o programa permite e que sempre fizeram parte de minha trajetória e de minha
forma de ver o mundo.
Com meus melhores cumprimentos,
LEO NAME

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GEOPOLÍTICAS DA PAISAGEM
PROJETO SUBMETIDO AO PROCESSO DE CREDENCIAMENTO NO PROGRAMA DE PÓS-GRAUDAÇÃO EM INTEGRAÇÃO
CONTEMPORÂNEA NA AMÉRICA LATINA (PPG-ICAL/UNILA), EDITAL Nº 30/2017

INTRODUÇÃO
Nas últimas décadas, o chamado giro decolonial latino-americano vem apresen-
tando vasta literatura (CABALLO e HERRERA, Orgs., 2015;CRUZ e DE OLIVEIRA, Orgs.,
2017; CASTRO-GOMEZ e GROSFOGUEL, CLÍMACO, Org., 2014; Orgs., 2007; GANDARILLA,
Org., 2016; KEATING, Org., 2009; LANDER, Org., 2000; MIGNOLO e ESCOBAR, Orgs.,
2010; PALERMO e QUINTERO, Orgs., 2014; QUIJANO, Org., 2014; RESTREPO e ROJAS, 2010;
SEGATO, 2015; VALLEGA, 2014; WALSH, Org., 2005) que aponta a permanência da chamada
“colonialidade do poder” em várias instâncias da vida social. O conceito, defendido
por autores como Quijano (1992, 2000a e 2000b), Mignolo (2000, 2011) e Grosfoguel
(2006), diz respeito às várias dimensões de poder constitutivas do colonialismo e
de seus legados, ainda presentes. Refere-se, mais especificamente, a um conjunto
de práticas e discursos inerentes à fabulação de uma distinção da Europa em relação
a outros lugares e culturas a partir de uma classificação social associada à ideia
de “raça”: a “branquitude” é geo-historicamente posta como traço identitário e
civilizatório da ética capitalista, sobredeterminada por uma aparência europeia
norte-ocidental alçada a estatuto de “brancura racial e cultural” (ECHEVERRÍA,
2010, p. 57-86) – codificado em discriminações – várias vezes feitas pelo Estado,
outras por diferentes instituições governamentais ou não governamentais e empresas
– “étnicas”, “culturais”, “nacionais”, “climáticas”, e “regionais”, mas muitas
vezes, também, “paisagísticas”.
Escritos decoloniais assinalam também que a modernidade é um projeto eu-
rocêntrico, militar, político, social, cultural e pedagógico, iniciado com a in-
vasão à América e indissociável da colonialidade do poder. Assim, dizem não ser
possível referir-se tão somente à “modernidade” – o que há, na verdade, é a
“modernidade-colonialidade” impositiva de um pensamento único a respeito de uma
superioridade europeia “branca”, masculina, heterossexual e burguesa. No entanto,
esta crença não é exclusividade de mentes europeias: manteve-se na condução do
colonialismo e do imperialismo por potências da Europa, nos “colonialismos inter-
nos” (GONZÁLEZ-CASANOVA, 2006 e [1969] 2015), e ainda é presente no globalismo
contemporâneo de grande centralidade estadunidense. Auxilia na condução deste pro-
jeto moderno-colonial uma “geopolítica do conhecimento” (MIGNOLO,2002) que legitima
e mantém estas assimetrias de poder.
As abordagens decoloniais dão centralidade política e analítica à América
Latina, em si mesma um conjunto de representações conflitivas (MIGNOLO, [2005]
2007); e normalmente se voltam contra o racismo epistêmico que é componente estru-
tural da modernidade-colonialidade e sua racionalidade instrumental dita objetiva
e neutra. No entanto, ainda que a ideia de “raça” claramente se sustente sobre
dados visuais (NAME, 2013, p. 134-143; ver também: BOAS, [1894] 2004 e [1931]

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2005), são poucos e recentes os escritos atentos ao papel do ocularcentrismo
moderno-colonial – e, mais especificamente, das paisagens – o conceito mais visual
da geografia – na instituição e legitimação de colonialidades (BARRIENDOS, 2008
e 2011; LEÓN, 2012 e 2015; SCHIWY, 2009). Além disso, a dimensão espacial tem pouca
centralidade nos textos decoloniais, na medida em que também são raros os debates
a respeito dos discursos e das práticas que geo-historicamente ensejam os modos de
produzir, conceber e representar os diferentes lugares e paisagens (FREIRE-MEDEIROS
e NAME, 2017; NAME, 2017; NAME e FREIRE-MEDEIROS, 2017; RODRÍGUEZ, 2013).
De modo a contribuir com estas questões, o presente projeto de pesquisa visa
a delinear um debate sobre paisagens no âmbito das diferentes interpretações da
noção de “geopolítica”, em especial o conceito de geopolítica do conhecimento
conduzido pela literatura decolonial, para enfim traçar um esboço de agenda e eixos
de pesquisa.

SOBRE GEOPOLÍTICAS
O filósofo argentino Walter D. Mignolo tem argumentado que a modernidade-
colonialidade ativa uma estrutura de saberes concebidos e utilizados para promover
a naturalização de específicas visões de mundo, saberes e técnicas, assim mantidos
como hegemônicas. Para isso, desqualificam outras cosmovisões e expropriam ou
descartam outros saberes. As chamadas “geopolíticas do conhecimento” (MIGNOLO,
2000, 2002, 2011, [2003] 2015a, [2013] 2015b; MIGNOLO e WALSH, [2003] 2015), isto
é, os modos de conceber, produzir e transmitir saberes na modernidade-coloniali-
dade, alçam a produção científica de base racionalista como conhecimento “neutro”
e “universal”, ocultando seu caráter de conhecimento situado (HARAWAY, 1988, p.
313-346) – maiormente eurocêntrico e poucas vezes livre das construções elaboradas
nas experiências de conquista, nos desejos de distinção e nas vontades de dominação
de um “homem branco” geo-historicamente construído. Mignolo (2000) também nos
informa que é tarefa da decolonialidade delinear certa gnose que, longe de desprezar
conhecimentos pré-existentes, pretende refletir sobre as localizações epistemoló-
gicas – com base em lugares centrais – que engendram as colonialidades; desvelar
a parcialidade e o provincianismo do racionalismo científico; e estabelecer inter-
seções com outros conhecimentos e racionalidades afincados em lugares subalterni-
zados e marginalizados, em especial na América Latina. Em sua conceituação, no
entanto, Mignolo utiliza o termo “geopolítica” sem a respeito dele instaurar dis-
cussão mais aprofundada.
O conceito de geopolítica que a partir do século XIX foi crescentemente
incorporado ao saber dito geográfico tomou como base a ação do estado-nação, mas
ao longo da trajetória da disciplina recebeu novas interpretações (ver Figura 1).
Incialmente, foi compreendido no bojo de estados nacionais lidos como entidades
vivas, necessitantes de territórios, liberdade de movimentos e coesão interna para
a sua sobrevivência (BRAGA, 2011; CHAUPRADE, 2001). Nesse sentido, Vesentini (2000)

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e Lacoste (1993 e [1976] 2002) afirmam que ao considerar o Estado acima dos
interesses sociais, obliterando a divisão social, a geopolítica converte-se em
instrumento de dominação – o discurso geopolítico serviu e vem servindo admiravel-
mente ao expansionismo colonial e imperial, afinal (AZEVEDO, 1955; CLAVAL, 1994;
NAME, 2010).
Mais recentemente, contudo, o estado-nação deixou de ser compreendido como a
única representação espacial possível da geopolítica, na medida em que há inúmeros
outros agentes que estabelecem relações de poder com os territórios – e que, por
isso, constantemente os redesenham. Exemplificando este debate, Lacoste (2004)
debateu o papel de uma “geopolítica do inglês”. Para o geógrafo francês, a difusão
do idioma em escala mundial é resultada da combinação de diferentes contextos em
diferentes tempos-espaços, que o alçaram, no quadro de todos os países, ao campo
das rivalidades de poderes e de influências. Sendo assim, o inglês geo-historica-
mente ganhou contornos geopolíticos e produziu efeitos geopolíticos: tenha sido a
partir de sua imposição pelas autoridades coloniais britânicas sobre os povos e
territórios conquistados e pela precoce difusão da imprensa colonial em língua
inglesa; seja, mais contemporaneamente, no rastro de uma dominância cultural e
territorial de produtos midiáticos como os filmes hollywoodianos, a pop music e o
rock ‘n’ roll, por exemplo.
O autor, contudo, exime-se de comentar práticas colonizadoras de difusão da
língua francesa muito similares. Ademais, reforça antigas rivalidades entre as
geografias francófonas e anglófonas – que também dizem respeito a embates e estra-
tégias concernentes às geopolíticas do conhecimento geográfico – ao ignorar os
escritos de intelectuais com base no Reino Unido e nos Estados Unidos que, ao menos
desde a década de 1990, apresentam argumentos similares.
Trata-se dos escritos da chamada “geopolítica crítica” (DALBY e Ó TUATHAIL,
Orgs., 1998; DODDS et al., Orgs., 2013; Ó TUATHAIL, 1999), que vêm refletindo sobre
a história, os significados, os conceitos e os termos dos estudos geopolíticos.
Informa tal literatura que a geopolítica mais ortodoxa é irreflexivamente eurocên-
trica e estreitamente ligada às estruturas de poderosas instituições do Ocidente
– de universidades a burocracias militares; e que há, na verdade, diferentes formas
e expressões geopolíticas: além das chamadas “geopolíticas formais”, mais teóricas
e conduzidas por intelectuais ligados a instituições governamentais e não gover-
namentais e à Academia, há também as “geopolíticas práticas” dos chefes de estado
e dos executores das políticas internacionais e as “geopolíticas populares” ligadas
a conteúdos geográficos e políticos criados e difundidos pelos diversos disposi-
tivos das mídias transnacionais (ver Figura 2).

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Figura 1: diferentes abordagens do conceito de geopolítica por diferentes autores – todos
homens brancos da Europa e dos EUA, aliás. Fonte: elaboração própria.

Figura 2: as diferentes geopolíticas segundo a literatura recente oriunda da geopolítica


crítica. Fonte: elaboração própria.

A despeito disso, pouca atenção tem sido dada à produção de paisagens –


materiais, simbólicas; objetivas, subjetivas – na produção de efeitos geopolíticos.
Além disso, se por um lado a classificação proposta por tais escritos a respeito

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de três distintas geopolíticas nos auxilia a compreender o quanto são constante-
mente redesenhados o mapa geopolítico do mundo e o imaginário geopolítico amalga-
mado, em diferentes escalas, à produção do espaço e à ação do Estado, das univer-
sidades e demais instituições; por outro lado seus propositores parecem ignorar o
papel dos movimentos sociais nas disputas político-territoriais e, portanto, no
desenho de ações e resultados geopolíticos nas relações entre diferentes atores
sociais e, sobretudo, seus efeitos sobre diferentes lugares e paisagens.

SOBRE PAISAGENS
O conceito de paisagem não é exclusivo da geografia, mas sempre teve grande
relevância para a disciplina, estabelecendo-se como um de seus conceitos-chave, em
constante (re)discussão (cf. NAME, 2010).
A etimologia da paisagem revela importante questões. De acordo com Holzer
(1999), landschaft é de origem alemã, medieval, e se refere a uma associação entre
o sítio e os seus habitantes, ou seja, morfológica e cultural. Provavelmente tem
origem em land schaffen, que é "criar a terra, produzir a terra" e originou tanto
o termo landschap, holandês, associado às técnicas renascentistas de pinturas
grandes áreas naturais no início do século XVII; como, mais tarde, landscape,
comumente é definido como view of the land ou representation of the land (HOPKINS,
1994). Já paysage, em francês, tem também seu significado atrelado às técnicas
renascentistas, mas sua origem vem do radical medieval pays, que significa ao mesmo
tempo "habitante" e "território".
Tais significados, tão profundamente polissêmicos, revelam então que a pai-
sagem não é apenas a condição estática de um espaço observado por um sujeito –
individual ou coletivo –, mas também a produção do espaço e a representação do
espaço por este(s) mesmo(s) sujeito(s), o que lhe confere uma perspectiva mais
dinâmica e diacrônica. A paisagem não é meramente um dado objetivo da realidade:
é tanto traço da natureza quanto objeto da cultura. É uma construção social que
dota de maior inteligibilidade a produção, a representação, a experiência sensorial
do espaço e as filiações territoriais identitárias. Deriva, contudo, de uma raci-
onalidade europeia, extremamente ocularcêntrica e gestada no cerne da Modernidade:
a ideia de paisagem, como atualmente a compreendemos, foi resultada do progresso
técnico renascentista, o cartográfico em particular; do alargamento dos horizontes
consecutivos às grandes navegações e aos processos do colonialismo e do imperia-
lismo; do projeto, positivista e totalizante, de classificação da natureza que,
conduzido por ciências como a história natural, anulou tanto as formas de saber
campesinas europeias quanto as indígenas nas Américas (RONAI, 1976; PRATT, [1992]
1999; MIGNOLO, 1995). Por esta leitura estetizante, exotizante e excludente, o
espaço

torna-se cena, percebida de um ponto de vista privilegiado ... As contra-


dições entre natureza e sociedade, entre modos de produção, entre apare-
lhos de Estado, entre classes, são cobertas por uma ilusão de harmonia.

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Há na valorização estética da paisagem uma ocultação das contradições em
que o espaço é a base. Há na contemplação, no deleite e no gozo da paisagem
uma participação, uma aceitação, uma conivência com o ordenamento espa-
cial. Esse vínculo está de mãos dadas com uma repulsão, um esvaziamento
das relações sociais: os homens não fazem parte da paisagem, ou, se fazem,
são um acessório ou um intruso (Assim, para o fotógrafo, o indígena faz
parte da paisagem, mas o turista é estrangeiro). É assim que a paisagem
funciona como um anestésico (RONAI, op. cit., p. 127, tradução minha,
itálico no original).

Geógrafos franceses de tradição marxista como por exemplo Lacoste (1977),


Ronai (1976, 1977), Sautter (1979), Cohen (1987) e Collot (1986), a partir da
década de 1970 apresentaram a paisagem como objeto de seus estudos, sendo vista
como espetáculo e como parte da cultura de massa. A paisagem desde então passa a
ser acusada de mascarar e escamotear os conflitos do sistema capitalista em uma
ilusão de harmonia. Nesse sentido, Giblin (1978) faz discussão sobre o fato de que
um “ponto de vista” de onde se observa um espaço (localização), tornando-o paisagem,
não está dissociado do homônimo “ponto de vista” de quem expressa uma opinião
(ideologia). É a partir da junção de ambos que determinados espaços, segundo tais
autores, seriam escondidos ou revelados em uma paisagem. Um pouco mais tarde,
Lacoste (1990) esboça uma teoria: segundo ele, a observação estratégica de paisa-
gens em guerras e batalhas, para se fugir e tentar encontrar o inimigo a partir de
um ponto de vista, atividade restrita aos grupos militares, popularizou-se e virou
senso estético a partir de instrumentos óticos que variaram do binóculo à câmera
cinematográfica, processo que escamoteou a dimensão estratégica e ideológica desta
seletividade do olhar – afinal são grupos dominantes, inclusive os direta ou
indiretamente ligados ao Estado e a instituições de poder, que definem paisagens
a ser vistas e exibidas, escolhem o que é bom e o que é belo, sempre havendo
estratégias implícitas sobre o que se permite revelar ou se deseja esconder.
A partir de fins da década de 1980, e sobretudo ao longo da década de 1990,
os escritos da chamada “nova geografia cultural” realçaram os aspectos visuais e
representacionais da paisagem, que seria tanto um texto como uma maneira euro-
peia/ocidental de ver o mundo, pela qual grupos enunciam e interpretam os espaços,
a si e aos outros (COSGROVE, 1984, [1989] 1996 e [1989] 1998); DUNCAN, 1990).
Muitos destes escritos têm como referências aportes teóricos mais antigos,
como os do estadunidense Carl Otwin Sauer ([1925] 2007; ver também: LEIGHLY, org.,
[1941] 1963) e do francês Paul Vidal de La Blache ([1921] 1954, [1911] 2012a e
[1911] 2012b). O primeiro afirmou que as paisagens são compostas por distintas
formas, ao mesmo tempo físicas e culturais. Admitiu haver conteúdos subjetivos e
estéticos relacionados às paisagens e alçou sua observação à posição de método
distintivo da geografia – com vistas a perceber, descrever e tipificar as diferenças
entre povos e territórios da superfície terrestre. Entretanto Sauer não descartou
a relevância dos processos naturais, relacionados ao clima, composição dos solos
e interatividades ecossistêmicas, por exemplo – que também produzem paisagens, mas
que nem sempre são perceptíveis à observação. Antes dele, Vidal de La Blache

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delineou sua noção de “gênero de vida”, definido como o conjunto de formas espe-
cíficas de cada grupo realizar adaptações ao meio em que vivem, com base em suas
heranças culturais e instrumentais, por sua vez transmitidas pelo hábito. Segundo
ele, a cada gênero de vida, “de ação metódica e contínua sobre a natureza” (Vidal
de La Blache, [1911] 2012a, p. 132), corresponderia uma paisagem-tipo (vide Troll,
[1950] 2007).
Subjaz às concepções de Sauer e Vidal de La Blache, nesse sentido, a ideia
de que a paisagem não é apenas o que se vê. Diz respeito também aos inúmeros
processos que constantemente moldam e transformam o espaço, sejam os geobiofísicos,
em diferentes escalas temporais e abrangências espaciais; sejam os conduzidos por
distintos grupos sociais, que do que a natureza fornece se apropriam – harmonio-
samente ou de forma destrutiva. Assim, a paisagem é, por um lado, uma marca deixada
por determinada cultura, civilização ou projeto (geo)político de diferentes atores
sobre a materialidade do espaço; por outro, uma matriz de significados sobre o
mundo, que espacial e visualmente traduz diferentes intencionalidades (BERQUE,
[1984] 1998): relaciona-se, então, à produção, à transformação e à representação
do espaço, sempre animadas por assimetrias de poder, distintos saberes e aportes
culturais, além de necessidades que vão da subsistência à manutenção de hegemonias.
Não à toa, a discussão conduzida por Vidal de La Blache a respeito de gêneros de
vida moldadores de diferentes paisagens-tipo em grande medida tinha sua formulação
apoiada em um exercício de comparação entre o que se julgava o estatuto civiliza-
cional europeu e as práticas de lugares “inóspitos” e povos “selvagens”, sobretudo
as relacionadas ao pastoreio e ao cultivo e consórcio de plantas visando à alimen-
tação.
A geografia nos auxilia a ver, então, a paisagem no contexto das geopolíticas
e, mais especificamente, das geopolíticas do conhecimento.

EIXOS DE INVESTIGAÇÃO
Diante do que até o momento exposto, proponho três eixos de investigação.

EIXO 1: PAISAGEM COMO IMAGEM

Considerada a paisagem no âmbito da sua produção como imagens por diferentes


atores e grupos sociais em disputa, emerge a discussão das geopolíticas populares
e o papel da paisagem tecnicamente reprodutível no desenho de imaginários geopo-
líticos que definem quem é o inimigo, o primitivo e o subalternizado. A discussão
faz lembrar antigas observações do geógrafo John K. Wright (1947) a respeito de
“geografias imaginativas”, ou “informais”, segundo ele presentes em trabalhos não
científicos – livros de viagem, revistas e jornais, livros de ficção e poesias,
telas de pintura e do cinema – fazendo com que quaisquer lugares sejam completamente
desconhecido e gerando curiosidade sobre os mesmos. Bem antes disso, mapas, pin-

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turas e desenhos de viajantes e exploradores coloniais cumpriam esta função, ri-
valizando com as representações espaciotemporais nativas e preenchendo o que con-
venientemente se julgava território vazio com a imaginação geográfica europeia
(COSGROVE, 2001 e 2008; DYM e OFFEN, Eds., 2011; MIGNOLO, [1995] 2010, p. 219-
313).
As ideias e as experiências moderno-coloniais relacionadas à paisagem evo-
luíram em íntima relação com as “tecnologias de visão” (COSGROVE, 2003): no contexto
histórico de invenções renascentistas concomitantes à ampliação de deslocamentos
e viagens da colonização, a visualização e representação de paisagens se benefi-
ciaram das técnicas da cartografia e da perspectiva, da invenção de microscópios
e telescópios e da formação de um novo olhar sobre a natureza (RONAI, 1976 e 1978).
Mais tarde, tiveram seu poder de persuasão ampliado, quer por conta de um turismo
cada vez mais massivo, quer pelo crescente fluxo de imagens de paisagens nas
diversas mídias inseridas no cotidiano (fotografia, cinema, televisão, computação
gráfica).
Sejam aquelas de agentes do Estado, agências de publicidade, imprensa, pro-
motores do turismo ou até mesmo em filmes hollywoodianos, uma análise geo-histórica
e comparativa revela um repertório imagético, eurocêntrico, consagrador do terri-
tório latino-americano como um conjunto de “paisagens-tipo” (Sauer, [1925] 2007;
Troll [1950] 2007): muito embora assumam várias morfologias, as mais constantemente
apresentadas em imagens são, por um lado, aquelas associáveis ao que geo-histori-
camente foi instituído como “tropical” ou “andino”, por exemplo; por outro lado,
aquelas em que se possam destacar a pobreza e à precariedade, somadas à presença
de corpos não “brancos”. Em outras palavras, paisagem e “raça” tornam-se os dois
lados de uma mesma moeda: dados visuais capazes de servir a postulados imagéticos
sobre dissonância, inferioridade ou exotismo (NAME, 2013, p. 39).
Ao longo do tempo, as imagens destas paisagens-tipo latino-americana esti-
veram em meio a práticas de exibição e ocultamento: ora de seus atributos “singu-
lares”, “vernáculos” ou “autênticos”, ora de tudo que nelas representa o indese-
jável, vexatório e recriminável por ser próprio do subdesenvolvimento e do atraso,
mas que por isso mesmo necessariamente está à espera de melhorias urbanas e sociais.

EIXO 2: PAISAGEM COMO NORMA

Considerada a paisagem no âmbito da geopolítica e o especial papel do Estado


no desenho de disputas e conflitos territoriais, emergem as discussões a respeito
da patrimonialização da paisagem e da produção de legislação (nas escalas nacional,
regional e local) com vistas à produção, preservação ou transformação do espaço –
necessariamente detentoras de ideias e ideais de paisagem. Todas as leis estão
envoltas em disputas e têm relação com uma antevisão de futuro. Parâmetros e
restrições legais têm a capacidade de indicar usos, formas e volumes que podem
potencialmente proteger determinadas paisagens ou delinear novas. As leis, contudo,

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não têm garantias de obediência, podem ser dúbias, imprecisas e falhas e, além
disso, há processos que se dão necessariamente à margem da lei. O discurso legal,
a bem da verdade, torna possível criar a ilusão de certeza em uma esfera que é de
total incerteza (SOBOTA, 1996), além de legitimar visões de mundo e pontecializar
conflitos em torno de temas como mobilidade e segregação territorial, que paisagens
são consideradas valorosas e por que grupos – e por que grupos étnicos – e as
injustiças na distribuição de amenidades e riscos ambientais, inclusive desastres
naturais, que venham a ser produzidos direta ou indiretamente pelas normas legais
– e maiormente direcionados a grupos sociais “racializados” no contexto de cada
país latino-americano ou caribenho (Cf. HERCULANO e PACHECO, orgs., 2006; ACSELRAD
et al., 2009; NAME e BUENO, 2013).

EIXO 3: PAISAGEM COMO PRODUÇÃO DO ESPAÇO PARA O BEM-VIVER

Considerando a produção acadêmica e ação de movimentos sociais no desenho


geopolítico de paisagens, sempre na disputa de significados com outros atores,
inclusive o Estado e instituições, emergem as diferentes concepções e práticas de
projeto e desenho de paisagens. Nesse contexto, têm chamado a atenção as abordagens
que se afastam de concepções ocularcêntricas de paisagens e, por isso, dão atenção
teórica ou prática à relação entre a produção de paisagens e a soberania alimentar
(NAHUM, 2007; NAME, 2016; VERÍSSIMO e NAME, 2017). Movimentos sociais urbanos,
acadêmicos e profissionais das artes vêm pregando a produção autônoma de jardins,
hortas e florestas comestíveis, caseiros ou comunitários, em coberturas de edifí-
cios ou espaços públicos (BRAGA e ZAMITH, 2014; SÁNCHEZ-TORIJA, 2013; PEREIRA DA
COSTA, 2012; POE et al., 2013).
No caso específico da América Latina, nos últimos anos é a discussão sobre
plantas alimentícias não convencionais, ou PANCs (KINUPP e LORENZI, 2014) que tem
se reforçado. Morosamente também avançam projetos que visam à produção de alimentos
e são influenciados pela agricultura urbana, a agroecologia e a permacultura
(BACKES, 2013; NAHUM, 2007). Contudo o debate mais expressivo na região é sobre as
hortas domésticas e comunitárias, compreendidas como herança pré-colombiana e es-
tratégia de sobrevivência. Em geral de pequenas dimensões, estão presentes em áreas
rurais, periurbanas e urbanas, incluindo favelas e comunidades tradicionais (in-
dígenas e quilombolas, por exemplo). Manejadas em especial por mulheres moradoras
do espaço onde se encontram ou de seus arredores, são projetos sem conhecimento
técnico formal, mas que respeitam princípios agroflorestais. Trata-se de um conhe-
cimento de processos naturais que moldam as paisagens, aplicados à microescala e
voltados à produção de alimentos que garantem a subsistência; e que também podem
proporcionar sombra e diminuição de temperaturas (NIÑEZ, 1987; GILLESPIE et al.
1993; LOK, Org., 1998; WINKLERPRINS, 2002; MARIACA, Org., 2012) - uma oportunidade
para uma disputa em torno de uma geopolítica do conhecimento que se aproxime das
cosmovisões e espaços correlacionados ao chamado buen vivir (ACOSTA, [2013] 2016),

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às noções de cura física e espiritual por ervas cultivadas e utilizadas pelas
religiões de matriz africana e indígena (CAMARGO, 2014; VERÍSSIMO, 2014; RAMOS,
2016) e às práticas espaciais nos diferentes espaços livres junto à habitações
produzidas por saberes destas mesmas matrizes (MOASSAB, 2016).

PROPOSTA DE DISCIPLINA
Subsequentemente se apresenta ementa e objetivos de disciplina intitulada
GEOPOLÍTICAS DA PAISAGEM, a ser ofertada no PPG-ICAL. O conteúdo e objetivos da
disciplina foram desenhados de modo a abarcar às prerrogativas do EIXO 2: PAISAGEM
COMO NORMA e do EIXO 3: PAISAGEM COMO PRODUÇÃO DO ESPAÇO PARA O BEM-VIVER, supra-
citados. Em vista disso, a ementa foi estrutura de forma a apresentar variedade de
conceitos e temas relacionados aos eixos, mas sempre tendo em conta o detalhamento
de um ou mais temas – o que pode e deve variar de semestre a semestre. Desse modo,
julgo que a disciplina será capaz de acompanhar os aprofundamentos do próprio
desenrolar da investigação científica.
No que diz respeito ao EIXO 1: PAISAGEM COMO IMAGEM, seus conceitos e temas
já estão abarcados pela disciplina GEOPOLÍTICA DA IMAGEM (MLC0014), que ministro
junto ao Programa de Pós-Graduação em Literatura Comparada da UNILA – e que poderá
ser aberta, também, a estudantes do PPG-ICAL, constando de sua grade formal.

NOME DA DISCIPLINA: GEOPOLÍTICA DA PAISAGEM

CRÉDITOS: 04 (60 HORAS)

EMENTA/DESCRIÇÃO: Decolonialidade, colonialidade do poder, pensamento frontei-


riço e geopolítica do conhecimento. Principais abordagens e definições do con-
ceito de paisagem e sua relação com embates geopolíticos entre diferentes atores.
A paisagem latino-americana como invenção moderno-colonial e como narrativa eu-
rocêntrica. Geopolítica da paisagem como norma: diferentes apropriações do mundo
material, da natureza e da paisagem pelo Estado, as instituições e os mercados
na patrimonialização e em outros processos de regulação territorial, em especial
na América Latina e Caribe. Segregação e marginalização nas paisagens latino-
americanas e caribenhas. Paisagens, eventos extremos, riscos, vulnerabilidades e
suscetibilidades. Geopolítica da paisagem como produção do espaço para o bem
viver: movimentos por justiça ambiental, justiça alimentar e contra o racismo
ambiental, em especial na América Latina e no Caribe. Paisagem, paisagismo e
soberania alimentar. Permacultura e paisagismo de guerrilha. Paisagem e “buen
vivir”. Paisagem, gênero e ecofeminismo na América Latina e no Caribe. Paisagem
e políticas públicas. Aprofundamento de temas específicos em abordagem multies-
calar. Estudos de caso.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA:
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CRONOGRAMA
O plano de execução desta proposta de investigação está previsto para ser
desenvolvido nos próximos quatro anos. Em 2018, pretendo nosso realizar a seleção
de referenciais bibliográficos sobre a literatura decolonial que auxiliem na com-
preensão geopolítica das paisagens, considerando a inserção da América Latina e do
Caribe nos processos geo-históricos que se iniciam na colonização e contemporane-
amente se apresentam na globalização. A partir deste levantamento a proposta é
realizar um conjunto de anotações para a elaboração de até 2 artigos científicos
para publicação. Entrementes, a proposta é utilizar as atividades de ensino e
extensão para alimentar o debate e o diálogo com as referências, mediante oferta
de disciplinas, na graduação e no mestrado, a orientação científica - iniciação
científica, monografia de conclusão de curso e mestrado, a orientação em atividades
de extensão e a participação em ao menos dois eventos acadêmicos com apresentação
de trabalho, sendo ao menos um deles internacional.
Para o ano de 2019 a proposta é selecionar referências sobre os eixos 1 e 3,
também utilizando as atividades de ensino e extensão para dialogar e debater com
as referências, participar de ao menos dois eventos, sendo um internacional e
produzir de até 2 artigos para submissão para publicação. Para o terceiro ano de
atividades, o ano de 2020, a proposta é selecionar referências direcionadas ao
debate desenhado no eixo 2. Do mesmo modo, pretendo participar de ao menos dois
eventos, como nos anos anteriores, e publicar até 2 artigos. Para o último ano,
2021, a proposta é reunir todo esforço de investigação num livro.
CRONOGRAMA
ATIVIDADES 2018 2019 2020 2021
Levantamento e produção de artigos: geopolítica e literatura de-
colonial
Levantamento e produção de artigos: Eixo 1 e Eixo 3
Levantamento bibliográfico e produção de artigos – Eixo 2
Oferta da disciplina GEOPOLÍTICAS DA PAISAGEM no PPG-ICAL/UNILA
Orientações (mestrado,graduação, IC, extensão)
Produção de livro

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BIBLIOGRAFIA
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ANEXOS