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FARMACOCINÉTICA:

mecanismos de absorção, distribuição,


metabolismo e eliminação de fármacos

Prof. Dr. Joana D’Avila


A ação de um fármaco depende de sua:
Farmacocinética & Farmacodinâmica
1. Absorção Efeito farmacológico
2. Distribuição no sítio de ação
3. Metabolismo
4. Eliminação Mecanismo de ação

Concentração no Resposta Clínica:


sítio de ação EFICÁCIA x TOXICIDADE

Ação do corpo Ação da droga


sobre a droga Sobre o corpo
CONCEITOS BÁSICOS
Etimologia

FARMACOCINÉTICA

Phármakon kini̱ tikós


(grego = fármaco) (grego = movimento)

Definição

Quando um fármaco entra no corpo, o organismo começa imediatamente a


processá-lo. A dinâmica de Absorção, Distribuição, Metabolismo
(biotransformação) e Eliminação (ADME) do fármaco é conhecida como
farmacocinética.”
CONCEITOS BÁSICOS
} Absorção: é a transferênca do fármaco do local onde é administrado (trato
GI, pele, pulmão, mucosas) para a corrente sanguínea

} Distribuição: é a transferênca do fármaco do SANGUE para os TECIDOS


1a. Fase: (tecidos + perfundidos/minutos)
coração, fígado, rim, cérebro
2a. Fase: (horas) músculo e outras vísceras
3a. Fase: acúmulo e redistribuição

} Metabolização: via de eliminação de fármacos através da biotransformação


feita por enzimas hepáticas

} Excreção: etapa final da eliminação de fármacos


ABSORÇÃO DE FÁRMACOS
Primeira etapa do processo farmacocinético – é a transferência do fármaco
do ambiente exógeno ao organismo para o compartimento central
(sanguíneo).

Goodman & Gilman. As Bases Farmacológicas da Terapêutica. 12 ed. (2012)


ABSORÇÃO
Todas as etapas do processo farmacocinético dependem da entrada do
fármaco no ambiente intracelular. E isso depende do transporte através das
membranas.
Características dos fármacos:
-peso molecular
-conformação estrutural
-grau de ionização
-lipossolubilidade relativa
-ligação a proteínas plasmáticas e teciduais

Características das membranas:


-dupla camada fosfolipídica
(fase hidrofílica e fase hidrofóbica)
-fluidez
-flexibilidade
-organização
-resistência elétrica
-semipermeabilidade
-Proteínas: estruturais
receptores
canais iônicos
transortadores
MECANISMOS DE TRANSPORTE ATRAVÉS
DE MEMBRANAS CHAPTER 2 Membrane Transporters and Drug Response 29

FIGURE 2–4 Classification of membrane transport mechanisms. Light blue circles depict the substrate. Size of the
circles is proportional to the concentration of the substrate. Arrows show the direction of flux. Black squares represent
Goodman
the ion & Gilman’s.
that supplies the drivingManual
force forof Pharmacology
transport and Therapeutics.
(size is proportional 11 ed (2008)
to the concentration of the ion). Dark blue ovals
depict transport proteins.
MECANISMOS DE TRANSPORTE ATRAVÉS
DE MEMBRANAS

vTRANSPORTE PASSIVO: a favor do gradiente


v DIFUSÃO PASSIVA: sem gasto de ATP
v DIFUSÃO FACILITADA: mediada por proteinas de membrana, sem
gasto de ATP

vTRANSPORTE ATIVO: contra o gradiente, seletivo, depende


d etransportadores
v Primário (dependente de ATP)
v Secundário (utiliza a energia do transporte de outra molécula a favor
gradiente eletroquímico)

vENDOCITOSE, PINOCITOSE: moléculas muito grandes,


fluidos
FATORES QUE INTERFEREM NA VELOCIDADE
DE ABSORÇÃO DE DROGAS

} Via de administração
} Área de absorção
} Fluxo sanguíneo local
} Forma farmacêutica e concentração da droga
Solução > suspensão > cápsula > comprimido > drágeas
} Transporte através de membranas biológicas
} Propriedades físico-químicas do fármaco
} Variabilidade individual
FATORES QUE INTERFEREM NA
VELOCIDADE DE ABSORÇÃO DE DROGAS

ØVias de administração:

ü Oral ü Inalatória
ü Subcutânea ü Tópica
ü Intramuscular ü Intradérmica
ü Endovenosa ü Intratecal
ü Retal ü Intrarterial
ü Sublingual ü Intraperitoneal
Absorção GI > veias mesentéricas > circulação porta-
hepática > EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM:

Após a absorção gastro- intes2nal, o fármaco é levado pela circulação porta- hepá2ca
para o >gado antes de cair na circulação sistêmica, onde passa por reações de
biotransformação.
EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM: eliminação de
uma fração do fármaco pelo fígado antes de alcançar
a circulação sistêmica

Dose Intestino Absorção


Veia Fígado
Porta

Biodisponibilidade

Fração da droga
inalterada que atinge a
Para as fezes Metabolismo
Metabolismo circulação sistêmica

O EFEITO DE PRIMEIRA PASSAGEM ACONTECE NO FÍGADO


A absorção dos fármacos ocorre em sua maioria no intestino
PROPRIEDADES FÍSICO- QUÍMICAS DOS
FÁRMACOS

v Natureza física: sólido (aspirina), líquido (etanol), gás, (óxido


nítrico), orgânicos (carbohidratos, proteína, lipídios), inorgânicos
(metais, ferro, lítio)

v Tamanho, Peso molecular e forma da molécula (tridimensional)

v Estereoquímica (interação espacial)

v Coeficiente de partição (drogas hidrofóbicas)

v Grau de ionização (compartimentalização)


INTERAÇÃO COM MEMBRANAS E
RECEPTORES - ESTEREOQUÍMICA
CHAPTER 1 Introduction 5

More active isomer Less active isomer

* *

Flat, hydrophobic regions Polar region

FIGURE 1–2 Cartoon illustrating the nonsuperimposibility of the two stereoisomers of carvedilol on the β receptor. The “receptor surface”
has been grossly oversimplified. The chiral center carbon is denoted with an asterisk. One of the two isomers fits the three-dimensional configu-
ration of binding site of the β-adrenoceptor molecule very well (left), and three groups, including an important polar moiety (an hydroxyl group,
indicated by the central dashed line), bind to key areas of the surface. The less active isomer cannot orient all three binding areas to the recep-
Katzung.
tor surface Basic generated
(right). (Molecule & Clinical Pharmacology.
by means 12 ed. Java
of Jmol, an open-source (2012)
viewer for chemical structures in 3D [http://jmol.sourceforge.
net/] with data from DrugBank [http://www.drugbank.ca].)
COEFICIENTE DE PARTIÇÃO
fisiológicas (menstruação, puerpério) ou patológicas (edema, inflamação, ulceração) a modificam.

TABELAFatores
FATORES QUE INFLUENCIAM A ABSORÇÃO DE FÁRMACOS:
que influenciam a absorção de fármacos

Fatores Maior absorção Menor absorção

Concentração (dosagem) * Maior Menor

Peso molecular Pequeno Grande

Solubilidade Lipossolubilidadea Hidrossolubilidade

Ionização Forma não-ionizada Forma ionizada

Forma farmacêutica
* Liquidab Sólida

Dissolução das formas sólidas* Grandec Pequena

pH localAcidoAlcalino Ácidos fracos Bases fracas

Bases fracas Ácidos fracos

Área absortiva * Grande Pequena

Espessura de membrana * Menor Maior


absortiva
Circulação local
* Granded Pequena

Condições fisiológicas Menstruação —

2 de 5 8/9/15, 13:56
DISTRIBUIÇÃO DE FÁRMACOS
Após a absorção ou administração sistêmica do fármaco na corrente sanguínea, o
fármaco distribui-se para os líquidos intersticiais e intracelulares. Esse processo
depende de alguns fatores fisiológicos e das propriedades físico-químicas de cada
fármaco. (sangue > tecido) Distribuição

Plasma (7,4) Interstício (7,4) Intracelular (7,0)

Drogas Drogas Drogas


lipossolúveis lipossolúveis lipossolúveis

Drogas
hidrossolúveis Carreador

Drogas Drogas
Drogas hidrossolúveis hidrossolúveis
hidrossolúveis

Endotélio Membrana
capilar celular
DISTRIBUIÇÃO DE FÁRMACOS

} Fatores determinantes:

} Débito cardíaco, fluxo sanguíneo regional,


permeabilidade capilar, volume tecidual;

} Ligação a proteínas plasmáticas (albumina- fármacos


ácidos; α1glicoproteína- fármacos básicos)

} Fatores fisiológicos e patológicos que interferem na


ligação fármaco- proteínas
LIGAÇÃO A PROTEÍNAS PLASMÁTICAS

A distribuição é determinada pelo fracionamento do


fármaco entre o sangue e os tecidos.

A fração livre de fármaco é a responsável pela ação


farmacológica. Sendo portanto, a porção ligada a
proteínas plasmáticas isenta de atividade
farmacológica.

A amplitude de ligação dos fármacos a proteínas


plasmáticas pode ser afetada por condições
patológicas e interações medicamentosas.
Ex1.: Síndrome nefrótica, hipoalbuminemia >
↓[albumina] sanguínea.
Ex2.: Doença de Crohn . ↑[glicoproteína ácida α1]
sanguínea.
DISTRIBUIÇÃO DE FÁRMACOS
} O complexo fármaco-proteína age como um reservatório temporário
na corrente sanguínea retardando a chegada de fármacos aos
órgãos alvo e sítios de eliminação.

} A relação entre fração livre / fração ligada pode ser influenciada por
situações onde ocorre variações nas concentrações das proteínas
plasmáticas: hipoalbuminemia por cirrose, síndrome nefrótica,
desnutrição grave e uremia; na gestação (hemodiluição), em idosos
(menor capacidade de produção de proteínas, teor de ligação a
fármacos é menor)

} Acúmulo anormal de fluidos (edemas) pode aumentar o VD de


drogas hidrofílicas
DISTRIBUIÇÃO DE FÁRMACOS
} Os fármacos se distribuem mais rapidamente em tecidos altamente
perfundidos, como o cérebro, rins, fígado e pulmão (minutos) e mais
lentamente nos tecidos de baixa perfusão, como o músculo em
repouso, pele (horas)

} O acúmulo de um fármaco em determinado tecido pode atuar como um


reservatório que prolonga sua ação nesse mesmo tecido

} A velocidade de distribuição de um fármaco no organismo costuma ser


menor que a de metabolização e excreção, a concentração plasmática
continua a diminuir graças à eliminação.
CONCEITOS BÁSICOS
} Volume de Distribuição (VD) relaciona a quantidade de
fármaco nos tecidos (Q) com a concentração de droga no sangue (
C)
VD = Q (quantidade de fármaco nos tecidos)
C (Concentração plasmática)

} Drogas com VD muito alto têm maiores concentrações no tecidos


que no sangue (não são distribuidas homogeneamente)
} Drogas que são completamente retidas no sangue têm o menor
VD possível
Farmacocinética
Evolução temporal da concentração do fármaco na circulação durante e após sua
administração, distribuição e eliminação. A via de administração determina esta
evolução, bem como a natureza físico- química do fármaco.
ELIMINAÇÃO DE FÁRMACOS
A ELIMINAÇÃO de um fármaco e ocorre através de duas etapas:
metabolização (ou biotransformação) e excreção

METABOLIZAÇÃO
EXCREÇÃO
(BIOTRANSFORMAÇÃO)

O metabolismo consiste em anabolismo e A eliminação consiste na saída do fármaco ou


catabolismo, isto é, de construção e seus metabólitos do organismo. As principais
degradação de substâncias, respectivamente, vias pelas quais os fármacos e seus metabólitos
pela conversão enzimática de uma entidade deixam o organismo são: i) rins, ii) sistema
química em outra dentro do organismo. hepatobiliar e iii) os pulmões (importante para
anetésicos voláteis/gasosos).
METABOLIZAÇÃO OU BIOTRANSFORMAÇÃO
DE FÁRMACOS
1) Exposição à Xenobióticos
Do grego: Xenos = estranho e Biótico = à vida Fármacos são
xenobióticos
Xenobiótico = substâncias estranhas ao organismo.
Principal Característica da Maioria dos Xenobióticos:
São Compostos cuja Lipossolubilidade > Hidrossolubilidade
Locais de Metabolismo dos Fármacos/Xenobióticos
* Vários tecidos, entretanto os níveis mais altos são encontrados nos tecidos
do trato GI e órgãos acessórios (Fígado e Intestinos Delgado e Grosso).

O Fígado é considerado a principal “usina de depuração metabólica”

Células do Trato GI são


responsáveis pelo
processamento
metabólico inicial de
fármacos administrados
via oral.

Sistema porta-hepático

Efeito de primeira passagem


Biotransformação dos Fármacos/Xenobióticos
O metabolismo dos fármacos envolve dois tipos de reação*, conhecidos como de FASE
1 e FASE 2. Com frequência, mas não invariavelmente, ocorrem de modo sequencial.
Ambas as, têm como objetivo diminuir a lipossolubilidade dos fármacos ,aumentando,
assim, a excreção renal. * Mecanismo: Enzimático.
Reações do Metabolismo de FASE 1:
Também denominadas: Reações de Funcionalização de Fase 1

As enzimas de fase 1 possibilitam a introdução dos grupos funcionais como: -OH, -


COOH, -SH, -O- ou -NH2
Estes grupos servem de ponto de ataque para que o sistema de conjugação ligue um
substituinte, o que explica porque as reações de fase 1 tão frequentemente precedem as
reações de fase 2.

Enzimas Reações
Citocromo P450 (CYP) Oxidação
Monoxigenases contendo Oxidação
Flavina (FMO)
Epóxido Hidrolases Hidrólise dos epóxidos

Enzimas especiais Reações


Alcooldesidrogenases Redução dos álcoois
Aldeidodesidrogenases Redução dos aldeídos
1) Superfamília do citocromo P-450: CYPs
• Características: todas as enzimas possuem uma molécula de heme ligada não
covalentemente à cadeia polipeptídica. Realizam reações de oxidação.
• Localização intracelular: Retículo endoplasmático (enzimas microssomais).
1) Superfamília do citocromo P-450: CYPs
“ Enzimas
Promíscuas”

Ligam e
metabolizam
múltiplos substratos

São descritas mais


de 74 famílias,
sendo as mais
importantes CYP1,
CYP2 e CYP3

Frações de Fármacos metabolizados pelas CYPs

Obs.: Denominação das CYPs: CYP (superfamília) + número (família) + letra (subfamília) + número (tipo)
1) Superfamília do citocromo P-450: CYPs

O metabolismo intracelular é importante para fármacos lipossolúveis, enquanto


fármacos polares são pelo menos parcialmente eliminados na forma inalterada na urina.
Variações biológicas das CYP450
• Nas populações humanas existem fontes importantes de variação
interindividual nas enzimas P450, que se revestem de grande
importância terapêutica.
• Tais fontes incluem:
• polimorfismos genéticos
• Fatores ambientais - uma vez que inibidores e indutores
enzimáticos estão presentes na dieta e no meio ambiente.
• Ex.: inibidores: suco de toranja; indutores: fumaça de cigarro,
etanol, erva de são joão, couve de Bruxelas

Fármacos classicamente:

•INIBIDORES: Quinidina (CYP2D6), Cetoconazol (CYP3A4), Gestodeno


(CYP3A4), Dietilcarbamazina (CYP2E1)

•INDUTORES: Carbamazepina, Rifampicina


2) Monoxigenases que contém Flavina (FMO)
• Características: É uma superfamilia constituída por 6 famílias, sendo
FMOS3 a mais abundante no fígado e portanto mais representativa na
metabolização. Assim como as CYPs são microssomais.

Biotransformação de aminas e amidas principalmente, ex.: nicotina,


cimetidina, ranitidina, dipirona, etc.
3) Epóxido Hidrolases

• Características: São enzimas resposáveis pela hidrólise dos


epóxidos produzidos pelas CYPs.

Epóxidos: são compostos eletrofílicos altamente reativos à DNA,


RNA, proteínas. Muito tóxicos.
4) Alcooldesidrogenase e Aldeidodesidrogenase
CONSEQUÊNCIAS DO METABOLISMO DE FASE 1

• Aumentam pouco a hidrossolubilidade dos fármacos, mas


alteram profundamente suas propriedades biológicas à
Inativação do Fármaco.

• Os grupos adicionados podem funcionar como substratos


para as enzimas de Fase 2.

• Eliminação direta de alguns fármacos.


Reações do Metabolismo de FASE 2
Também denominadas: Reações de Biossíntese de Fase 2 ou Conjugação

As enzimas de Fase 2 normalmente inativam a atividade biológica dos


fármacos (existem exceções: morfina, cujo metabólito glucoronídeo-morfina é
ativo).
Esta Reação promove a adição de grandes grupamentos químicos os
quais aumentam o peso molecular do metabólito e sua hidrossolubilidade.

Enzimas Reações
UDP- glicuroniltransferases (UGTs) Glicuronidação
Sulfotransferases (SULTs) Sulfatação
Glutationa-S-transferases (GSTs) Conjugação com a glutationa
N-acetiltransferases (NATs) N-acetilação
1. Glicuronidação
• Está entre as reações de Fase 2 mais importantes;
• As UDP-glicuroniltransferases catalisam a transferência do ácido
glicurônico para o substrato e assim formar metabólitos
glicuronídeos;
• A transferência só ocorre em presença dos grupos: -OH, -COOH,
aminas, amidas.
• Localizam-se na superfície intraluminar do retículo endoplasmático.

Ex.: metabolização da bilirrubina


2. Sulfatação
• São citosólicas (ou não microssomais).
• Conjugam o sulfato nos grupos hidroxila e amina dos compostos.
• São constituídas por 11 isoformas em que a SULT1A1 é a mais
importante no fígado.
3. Conjugação com Glutationa
• A glutationa é um tripeptídeo de ácido glutâmico+cisteína+glicina

• As Glutationas-S-transferases (GSTs) são citosólicas e catalisam a


transferêcnia da glutationa aos eletrólitos ativos, (-O, -N, -S) sendo
importante para manter a célula livre de oxidantes à detoxificação
celular por efeito anti-oxidante.
4. N-acetilação
• As N-acetiltransferases (NATs) citosólicas são responsáveis pelo
metabolismo dos fármacos e agentes ambientais que contêm uma
amina aromárica ou um grupo hidrazina.

• O grupo acetila é oriundo do cofator acetilcoenzima A.


CONSEQUÊNCIAS DO METABOLISMO DE FASE 2

• Aumentam muito a hidrossolubilidade dos fármacos ao


aumentar o peso molecular dos compostos com
grupos hidrofílicos.

• Eliminação direta de alguns fármacos.


Casos Especiais: METABÓLITOS ATIVOS
• Pró-fármacos: fármaco em forma de transporte inativo que, in vivo,
mediante reação química ou enzimática, libera a porção ativa no local
de ação ou próximo dele.

Ex.:

esterases

inativo ativo
Casos Especiais: METABÓLITOS TÓXICOS

Ex.: Paracetamol

Metabólito
hepatotóxico
Casos Especiais
FATORES QUE INFLUENCIAM A METABOLIZAÇÃO
DOS FÁRMACOS

• Interações Farmacológicas (ou Medicamentosas)

- Indutores enzimáticos

- Inibidores enzimáticos (boost)

• Farmacogenética

- Metabolizadores lentos
- Metabolizadores rápidos
- Metabolizadores normais

• Estado patológico

• Idade
Em suma...
EXCREÇÃO DE FÁRMACOS
Definição: Processo farmacocinético de eliminação de fármacos, ou seja, sua
passagem da circulação sistémica para o ambiente externo ao organismo.

Principais vias de excreção de fármacos

Outras vias de excreção de fármacos


Saliva, Suor, Leite Materno
Mecanismos de Excreção de Fármacos
• Excreção renal de fármacos à Filtração glomerular, Secreção, Difusão
passiva

- As vias de SECREÇÃO, não sofrem influência da Taxa de filtração glomerular


ou da extensão da ligação plasmática do fármaco, entretanto é um mecanismo
saturável.

- Fármacos ácidos ou bases fracas não ionizadas são secretados de forma


passiva. Assim, a sua reabsorção vai depender do pH da urina.

Urina de pH alcalino à ácidos são ionizados à maior excreção de ácidos


Urina de pH ácido à bases são ionizadas à maior excreção de bases

- No tratamento de determinadas intoxicações, a excreção de fármacos pode


ser acelerada pela alcalinização ou acidificação apropriada da urina

Ex.: administrar ácido ascórbico para pacientes intoxicados com anfetaminas ou


cocaína.
Mecanismos de Excreção de Fármacos
Mecanismos de Excreção de Fármacos
Mecanismos de Excreção de Fármacos
Tipos de Transportes através da membrana:
Mecanismos de Excreção de Fármacos
A Superfamília de transportadores no Genoma Humano estão envolvidos na
excreção de fármacos, são eles:
• Superfamília de carreadores de solutos (SLC)
• Superfamília ABC
Superfamília de Carreadores de Soluto (SLC)
• Transportadores SLC:

- Possuem 48 famílias, representa cerca de 315 genes humanos.


- São capazes de transportar compostos endógenos iônicos e não
iônicos e xenobióticos.
- Realizam transporte facilitado, ou ativo secundário simporte ou
antiporte, tanto para influxo como efluxo de substrato.

Exemplos de substratos
Farmacológicos:

•Fluoxetina
•Diuréticos tiazídicos
•Ácido salicílico
•Ciprofloxacino
Superfamília ABC
• Transportadores ABC:
- São subdivididos de 7 grupos: ABCA, ABCB, ABCC, ABCD, ABCE, ABCF e
ABCG
- Realizam o transporte de efluxo ativo (em direção do sangue com uso de
ATP)
- Em especial: ABCB1/MDR1, ABCC2/MRP2 e ABCG2/BCRP são os mais
envolvidos no transporte de fármacos.

Exemplos de substratos
Farmacológicos:

•Antineoplásicos
•Inibidores de Protease do
HIV
•Hormônios
•Antibióticos/antifúngicos
•Digoxina
Mecanismos de Excreção de Fármacos
• Transportadores Renais

Especificidade de duas vias SECRETORAS no néfron, para duas classes


distintas de substratos:

* Transporte de cátions orgânicos * Transporte de ânions orgânicos

OCT OAT
Mecanismos de Excreção de Fármacos
• Transportadores Hepáticos

Captação ou Influxo Exportação ou Efluxo

•Transportadores SLC: •Transportadores ABC:

Na membrana
canicular biliar dos
hepatócitos os
transportadores ABC
medeiam a excreção
de fármacos,
metabólitos, sais
biliares
Mecanismos de Excreção de Fármacos
• Excreção biliar e fecal de fármacos

- A P-gP e ABCG2 transportam principalmente fármacos lipossolúveis,


anfipáticos
- A MRP2 transporta principalmente fármacos conjugados

P-gP e ABCG2 Os fármacos e


metabólitos presentes
na bile são liberados
no TGI durante o
processo digestivo e
MRP2 são excretados nas
fezes.
Mecanismos de Excreção de Fármacos
• Excreção pulmonar de fármacos
- É principalmente importante para a eliminação de gases (anestésicos).
Ex.: óxido nitroso
-São eliminados por difusão passiva e, na maior parte, sob a forma
inalterada.

• Excreção no leite materno de fármacos


- Geralmente fármacos mais lipossolúveis e básicos (No leite há grande
concentração de moléculas lipofílicas e seu pH é mais ácido do que o
sangue)

• Outras vias de excreção de fármacos


- Suor, lágrima, são vias desprezíveis de excreção, entretanto, podem ser
úteis para análise forense. Os fármacos excretados na saliva são
geralmente deglutidos, retornando ao sistema. Todavia, a concentração
de alguns fármacos na saliva é igual à concentração plasmática, sendo
útil instrumento de análise.
Visão Geral do Processo Farmacocinético
FATORES QUE ALTERAM PARÂMETROS
FARMACOCINÉTICOS:
* Interações
* Idade medicamentosas * Estado nutricional

* Farmacogenética * Álcool e tabagismo


the effect is disproportionate to the alteration in the dosing rate.
Design and Optimization of Dosage Regimens
The intensity of a drug’s effect is related to its concentration above a minimum effective concen-
APLICAÇÃO DA FARMACOCINÉTICA
tration, whereas the duration of this effect reflects the length of time the drug level is above this
value (Figure 1–5). These considerations, in general, apply to both desired and undesired

CME para efeitos


adversos
Pico do efeito
Efeito da droga

Janela Terapêutica

CME para efeito


Duração da ação desejado

Tempo
Latência
FIGURE 1–5 Temporal characteristics of drug effect and relationship to the therapeutic window (e.g., single dose,
oral administration). A lag period is present before the plasma drug concentration (Cp) exceeds the minimum effective
concentration (MEC) for the desired effect. Following onset of the response, the intensity of the effect increases as
the drug continues to be absorbed and distributed. This reaches a peak, after which drug elimination results in a
decline in Cp and in the effect’s intensity. Effect disappears when the drug concentration falls below the MEC.
CME: concentração
Accordingly, mínima
the duration of a drug’s actionefetiva
is determined by the time period over which concentrations exceed the
MEC. An MEC exists for each adverse response, and if drug concentration exceeds this, toxicity will result. The
Importância da Análise Farmacocinética
* Medidas Farmacocinéticas

1) TEMPO DE MEIA-VIDA (t1/2)

Tempo para eliminar 50% do fármaco do plasma (Tempo para Cₒ 1/2Cₒ).


Este parâmetro determina em quanto tempo um fármaco leva para ser
totalmente eliminado.

2) CLEARENCE RENAL (DEPURAÇÃO = ELIMINAÇÃO)

É definido como volume de plasma que contém a quantidade da substância


removida pelos rins por unidade de tempo para alcançar a taxa global de
eliminação do fármaco do organismo.
Importância da Análise Farmacocinética
O conhecimento da depuração permite calcular velocidade de administração
do medicamento necessária para atingir a concentração plasmática no
estado de equilíbrio ( alvo") desejada.

De quanto em quanto tempo uma dose do fármaco deve ser administrada


para que seja mantida a Cp dentro da janela terapêutica.

ESQUEMA DE DOSES
Biodisponibilidade e Bioequivalência
*Biodisponibilidade: termo usado para indicar a fração (F) de uma dose oral que chega a
circulação sistêmica na forma de fármaco intacto, levando em consideração tanto a
absorção como a degradação metabólica local.

Biodisponibilidade absoluta %F = ASCoral / ASCiv x 100

Estudos clínicos
Biodisponibilidade e Bioequivalência
*Bioequivalência: Medicamentos bioequivalentes são equivalentes
farmacêuticos (mesma forma farmacêutica e quantidade do mesmo princípio
ativo) que, ao serem administrados na mesma dose molar, nas mesmas
condições experimentais, não apresentam diferenças estatisticamente
significativas em relação à biodisponibilidade.

Biodisponibilidade relativa

%F = ASCteste / ASCref. x 100