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Direito Processual Civil III

Execução
Prof. Leonardo
academia.edu

PLANO DE ENSINO

O processo cautelar foi banido do código, mas não a cautelaridade. Os procedimentos especiais
(adaptações do procedimento comum adaptados a determinadas espécies de demandas), dada a carga
horária, tradicionalmente não são vistos enquanto conteúdo de disciplina obrigatória.

BIBLIOGRAFIA

JÚNIOR, Humberto Theodoro, Vol. III. Curso de Direito Processual Civil. 56ª ed. em diante.
DIDIER, Fredie, Vol III. Curso de Direito Processual Civil.

METODOLOGIA DE AVALIAÇÃO

Ap1: 30 pontos – 07/06 – às 10:00


Ap2: 30 pontos – 06/07 – às 10:00
Ap3: 40 pontos – 04/08
Exame especial – 18/08 O primeiro dia disponível para o exame especial.

Introdução
Há a divisão em recursos ordinários, que se permite que o recorrente ao elaborar a
impugnação contra uma decisão que o prejudica pode utilizar uma argumentação ampla. Ou seja,
todas as questões discutidas, sejam questões de direito e de fato, como o fato ocorreu e a norma é
interpretada.

O recurso extraordinário é conhecido como recurso de fundamentação estrita ou


vinculada. Isso ignifica que na fundamentação a impugnação deve se restringir à questão de direito,
objeto de argumentação. Isso ocasiona uma impossibilidade de discutir questões de fato nesses
recursos, e isso é razoável quando lembra-se que no Brasil vigora o duplo grau de jurisdição e não o
triplo ou quadruplo. Já que a garantia do jurisdicionado é que a questão seja examinada por juízes
sucessivos em instâncias distintas por duas vezes. A parte somente pode atacar questão de direito
ainda que haja questões de fato subjacente ou falha na interpretação ou erro de fato. Ex.: Dispositivo
revogado (art. 461, §5º, CPC/73) dizia que as astrentes, as multas definidas pelo tribunal pelo meio
de coerção ao cumprimento de algo podem ser alteradas quando são insuficientes ou agressivas, ou
seja, o juiz poderia fazer essa mudança. Mas o juiz tem que demonstrar em concreto em que consiste
a insuficiência para operar a alteração, sendo esta uma questão de direito.
O STJ possui súmulas (Súmula 7 A PRETENSÃO DE SIMPLES REEXAME DE PROVA
NÃO ENSEJA RECURSO ESPECIAL. Súmula 9 A EXIGENCIA DA PRISÃO PROVISORIA,
PARA APELAR, NÃO OFENDE A GARANTIA CONSTITUCIONAL DA PRESUNÇÃO DE
INOCENCIA. Súmula 13 A DIVERGENCIA ENTRE JULGADOS DO MESMO TRIBUNAL NÃO
ENSEJA RECURSO ESPECIAL.) editadas no sentido de bloquear os acessos de recursos
(extraordinários) especiais, negam a admissibilidade de recursos que tenham como ideia rediscussão
de matéria fática. Isso está escrito na Constituição Federal, no artigo 102, III (cabe recursos
extraordinário do STF das decisões de última instância, e as alíneas são discussões a respeito do
direito) e artigo 105, III. Consequência desse fato: Uma sentença de juiz de primeiro grau não pode
ser atacada por recurso extraordinário, já que não é última instância. Deve-se esgotar as vias
ordinárias, assim, como apenas se trata de uma sentença que pode ser reformada, o recurso
extraordinário não é cabível, cabe, claramente, o recurso ordinário. Exceções: Juizados Especiais
que são órgãos de instâncias únicas, pode-se interpor recursos direto ao Tribunal.
Obs.: Autos suplementares: execução no juízo de origem, formulando o pedido e instaurado os autos no
juízo de origem.

Recursos dos Tribunais Superiores

Premissa: Existência no Ordenamento do microssistema de processos repetitivos com o Novo Código,


mas isso já ocorria no sistema anterior, esse código trouxe essa metodologia nos tribunais inferiores, isso
implica que o sistema de precedente tende a ficar muito presente no Ordenamento. Consegue-se perceber a
existência em vários dispositivos do código, como o art. 976, CPC.

Art. 976. É cabível a instauração do incidente de resolução de demandas repetitivas quando houver,
simultaneamente: I - efetiva repetição de processos que contenham controvérsia sobre a mesma questão
unicamente de direito; II - risco de ofensa à isonomia e à segurança jurídica. § 1o A desistência ou o
abandono do processo não impede o exame de mérito do incidente. § 2o Se não for o requerente, o
Ministério Público intervirá obrigatoriamente no incidente e deverá assumir sua titularidade em caso de
desistência ou de abandono. § 3o A inadmissão do incidente de resolução de demandas repetitivas por
ausência de qualquer de seus pressupostos de admissibilidade não impede que, uma vez satisfeito o
requisito, seja o incidente novamente suscitado.§ 4o É incabível o incidente de resolução de demandas
repetitivas quando um dos tribunais superiores, no âmbito de sua respectiva competência, já tiver afetado
recurso para definição de tese sobre questão de direito material ou processual repetitiva.§ 5o Não serão
exigidas custas processuais no incidente de resolução de demandas repetitivas.

Se o juiz da comarca de Ouro Preto percebe uma multiplicidade de ações em questão de direito deve
submeter ao juiz de MG a decisão.
Quando o legislador dá relevância para precedentes quer dizer que todas as vezes que se detectar a
proliferação, ou a multiplicação de processos que envolve a mesma questão de direito, haverá uma afetação
da questão que será decidida por um Tribunal, que a partir daí será firmada a tese jurídica e será
implementada pelos órgãos jurisdicionais submetidos a esta estrutura. Esse sistema não é novo, já existia
pelos recursos ordinários repetitivos. Quando é reconhecida a repercussão geral, o STF determinava o
sobrestamento de todos os processos que deveriam aguardar a decisão do STF, e quando dava a decisão no
RE afetado, a tese jurídica afirmada, deveria ser necessariamente seguida pelos demais órgãos do poder
judiciário. No entanto, é uma hierarquia funcional e não de patrão e empregado, por isso o sistema anterior o
órgão hierárquico não era obrigado a seguir a decisão, nesse caso deveria remeter o recurso ao STF para que
a decisão do órgão inferior fosse reformada.
Ao julgar a tese jurídico o STF orienta a forma de interpretação, e os tribunais tem dois caminhos:
exercer o juízo de retratação ou por uma independência funcional o tribunal se recusa a retratação mas deve
encaminhar ao STF para reforma do acórdão do TJ. Há aqui toda repercussão necessária. Para funcionar o
sistema de precedentes a observância vertical deve funcionar, e a jurisprudência se manter estável e íntegra.

Art. 489. São elementos essenciais da sentença: § 1o Não se considera fundamentada qualquer
decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: VI - deixar de seguir enunciado de
súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no
caso em julgamento ou a superação do entendimento

1. Recursos Extraordinários para o STF e Recursos Especiais para o STJ:


A CR quando define a competência e distribui suas competências, estabelece nos artigos 102
e 105 não apenas as competências de recursos ao STJ (especiais) e STF (extraordinários), não
somente isso, o Art. 102 no inciso II diz que: Compete ao Supremo Tribunal Federal,
precipuamente, a guarda da Constituição, cabendo-lhe: II - julgar, em recurso ordinário a)
o habeas corpus, o mandado de segurança, o habeas data e o mandado de injunção decididos em
única instância pelos Tribunais Superiores, se denegatória a decisão b) o crime político, e isso
torna-se crucial a teoria geral dos recursos, já que se há a possibilidade de interposição de recurso
ordinário, significa que esses recursos viabilizam a apreciação e julgamento sobre matéria de fato e
não apenas as matérias de direito, a semelhante do que ocorre na apelação.
Se o sistema garante o duplo grau de jurisdição, o que ocorre nas causas de competências
originárias de tribunais, que conhecem e julgam a matéria tal qual o primeiro grau de jurisdição. Para
que se cumpra a observância do duplo grau, deve-se viabilizar um recurso para tribunais superiores.
Prova: O funcionamento procedimental dos recursos ordinários aqui é o mesmo da
apelação, sendo interposto perante o órgão que proferiu a decisão e será analisado pelo órgão
hierárquico superior.
Obs.: Art. 102. II - julgar, em recurso ordinário; b) o crime político.
Art. 105. II - c) os habeas corpus, quando o coator ou paciente for qualquer das
pessoas mencionadas na alínea "a", ou quando o coator for tribunal sujeito à sua jurisdição,
Ministro de Estado ou Comandante da Marinha, do Exército ou da Aeronáutica, ressalvada a
competência da Justiça Eleitoral;
Cumpre agora trabalharmos com alguns dos aspectos mais relevantes dos recursos, já que
essas duas modalidades são espécies de recursos extraordinários, e nos traz algumas consequências:
1. Não se pode veicular matéria fática, probatória, já que não é mais da competência do STJ e do STF.
Várias súmulas são nesse sentido e prevalecem ainda após a entrada em vigor do NCPC, como por
exemplo, a Súmula 5, 7 do STJ.
2. Decorre da constituição do caput dos artigos 102 e 105, que dizem que para o cabimento do recurso
há a necessidade do Tribunal de origem decida a questão. O sentido de decidir a questão em última
ou única instância, significa que não pode ter outro recurso ordinário cabível, devendo esgotar todos
os recursos ordinários da demanda, e mais, é preciso o tribunal de origem ter enfrentado a questão
que se pretende levar. O primeiro aspecto: dizer que cabe recurso das causas decididas, significa que
não é possível a interposição de outro recurso ordinário. Ex.: No CPC/73, havia um recurso no
âmbito dos tribunais que eram os embargos infringentes que já foram extintos – juiz proferia a
sentença e a parte apelava o tribunal proferia o acórdão, se fosse a reforma da sentença de mérito,
ainda que o tribunal tivesse contrariado a CR, não poderia recorrer via extraordinário sem antes
interpor os embargos infringentes, já que eram recursos ordinários cabíveis, se a parte interpusesse
o recurso extraordinário antes, ele deveria ser inadmissível, já que não é uma causa decidida em
última instância. O recurso ordinário seria uma opção para resolver a questão pelo próprio tribunal
de origem. O segundo aspecto: decorre do caput desses artigos que usam a expressão de causa
decidida, isso quer dizer que para o STF E STJ analisarem a questão é preciso que ela tenha sido
antes debatida com o Tribunal de origem, ou seja, aquele que proferiu a decisão. Isso implica que
não se pode inovar no recurso. O que a CR quer é que antes seja instaurado o debate. Para instar o
Tribunal local a se pronunciar sobre matéria constitucional utilizamos os embargos de declaração.

A CR diz antes de questionar os Tribunais Superiores, questione o Tribunal local. Nascendo a


expressão de pré-questionamento. Questionar anteriormente o Tribunal de origem antes de submeter
a questão. No entanto os embargos não são recursos cabíveis em meio de omissão e obscuridade?
Mas pode ser utilizado para meros questionamentos. Já que isso foi acolhido pelo NCPC, corrigindo
erro material. Art. 494. Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la. II - por meio de embargos
de declaração. Art. 1.022. Cabem embargos de declaração contra qualquer decisão judicial para:
I - esclarecer obscuridade ou eliminar contradição; II - suprir omissão de ponto ou questão sobre o
qual devia se pronunciar o juiz de ofício ou a requerimento; III - corrigir erro material.

Problemas: Os tribunais têm uma jurisprudência defensiva, ao barrar por questões formais o
acesso à justiça, formando na jurisprudência o entendimento que sem que houvesse qualquer omissão
os embargos seriam para protelação para ganhar tempo. Assim, há hoje no 1026 há a previsão de
multa por embargos, algo muito complicado § 2o Quando manifestamente protelatórios os embargos
de declaração, o juiz ou o tribunal, em decisão fundamentada, condenará o embargante a pagar ao
embargado multa não excedente a dois por cento sobre o valor atualizado da causa. O STJ, com a
Súmula 98 (Súmula 98 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANIFESTADOS COM NOTORIO
PROPOSITO DE PREQUESTIONAMENTO NÃO TEM CARATER PROTELATORIO), os embargos
de declaração manejados para fins de pré-questionamento não tenham caráter protelatório. O pré-
questionamento é direcionado a autoridade que contrariou a CR.
3. Questão Constitucional: Todos esses requisitos são comuns entre o 102 e 105, CR. O que muda é
que o 102 acrescenta o quarto requisito incluído no Código em 2006 e reproduzida no CPC novo, no
art. 1035, §1ª (§ 1o Para efeito de repercussão geral, será considerada a existência ou não de
questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico que ultrapassem os
interesses subjetivos do processo.) que diz que a repercussão geral será considerada existência ou
não de questões relevantes no ponto de vista econômico, político e jurídico que ultrapasse os
interesses subjetivos do processo. Apesar da garantia do acesso à justiça há a determinadas questões
que só podem chegar ao STF se interessar a uma demanda maior:
4. O Recurso Extraordinário deve ter impacto geral, ou seja, reflexos gerais que interessa não
apenas ao recorrente mas que envolva uma questão caracterizada por ser uma repercussão geral. Ex.:
Planos econômicos, ajuste de caderneta de poupança. Tentaram propor isso ao STJ mas isso não
passou ainda.
No mais, as particularidades procedimentais são: Seguem a tônica a mesma mecânica dos demais
recursos

Obs.: embargos manifestadamente incabíveis.


Obs. 2: Art. 1026, 1029 (traz uma inovação boa que representa a restauração do princípio da
instrumentalidade das formas, o STF ou STJ podem desconsiderar vício formal de recurso tempestivo, desde
que não o recurte grave),1030, NCPC.

Teoria da Execução
É a atividade jurisdicional por meio da qual o jurisdicionado busca a concretização fática do direito
material já reconhecido em decisão judicial ou em outro título executivo equiparado por força de lei (Fred
Didier).

Há execução sempre que se pretende efetivar materialmente um título executivo que imponha
uma prestação, pouco importando a natureza da prestação (fazer, não fazer, entregar coisa ou
pagar quantia).

1. Introdução: História do Sistema Processual


O Legislador modelou o sistema processual tendo em vista a historicidade e a evolução do sistema
processual que posteriormente irá se compreender.
1.1. Roma Antiga: Primeiro estágio começa aqui, em que existia a figura do Praetor, ou seja, o
cidadão romano, uma espécie de governador que reunia atribuição da pólis e julgamento de
litígios. Esse praetor não conduzia o processamento, ou seja, a prática de atos do processo, e sim
detinha o poder de imperium (actio iudicati) mas atribuía a um outro cidadão, o Iudex, o poder
de receber as partes, ouvi-la praticar as provas e proferir as decisões. Assim, do iudex partiu o
iudicium. Quem procurava essa justiça, na verdade firmava um contrato. Os interessados, ou
partes naquela demanda, entravam no consenso de se submeter a decisão do Iudicium (actio,
direito da ação) e firmavam a litis contestatio que formalizava a submissão das partes a decisão
desse modelo de justiça. O processo aqui, tinha a natureza de contratos. Nessa época, então, as
partes submetiam a decisão que emanavam do iudex, mesmo nessa época havia a possibilidade
do contrato não ser cumprido, podendo originar e gerar necessidade do interessado em procurar o
Preator, que nomeava o Iudex para seguir o processo. Mas o Iudex não tinha o poder de império.
Havendo a dualidade procedimental: i. fase cognitiva de aceitamento, para conhecer e julgar sem
competência para executar a própria sentença; ii. Processo perante o Preator, para a realização
prática/material do julgado, que modernamente denomina-se execução. O Iudex profere a
sentença e o poder de execução é o Preator.
1.2. Era Cristã: Nessa Era tem-se um rudimento, publicidade do processo, com uma justiça
oficializada. Durante a Era Cristã, os poderes foram concentrados nas mãos do Praetor, que
tanto conhece e decide a lide quanto o poder de imperium, o que significa é que ele conhece,
acerta e realiza o direito. Concentra todos os atos e desaparece a figura do Iudex, mas não some a
existência dos dois processos, pela inércia histórica, permanece a dualidade jurisdicional. Ou
seja, um processo para a fase cognitiva e outro para a fase de realização. Ambos de competência
do Pretor. A distinção aqui, então, é a justiça oficializada que corrobora para o caráter
público da justiça, e a exteriorização da figura oficial do preator que concentra as práticas dos
atos da justiça.
1.3. Idade Média (“Trevas”?): Essa fase, com a queda do Império Romano, dado ao seu
enfraquecimento, ocorre um fenômeno que é um fenômeno largo temporalmente com as invasões
bárbaras, e todas as práticas e costumes se misturam a uma tradição romanística que vinha do
primeiro estágio (primeiro conhecer e acertar para depois executar), mas no campo da justiça ou
processo, essa ordem não existia, valendo a lei do mais forte (primeiro executa, depois analisa de
houve ou não excesso). Quando se fala em Id. Média, fala-se de um período que durou quase
1000 anos, o período longo e desse entrechoque de culturas das tradições romanísticas e as
bárbaras acarreta uma Conciliação de Métodos, abolindo-se a execução privada, acabando aqui,
a lei dos mais fortes, isso não existia na tradição romana e sim na tradição de outros povos, sendo
de uma significativa relevância, já que a atividade executiva passa a ser estatal; com a submissão
do direito do credor ao prévio acertamento a cognição judicial; outro parâmetro da prevalência da
tradição romana, mas foi algo que gerou um inconveniente terrível posteriormente que foi a
eliminação da dualidade de ações, isso significa que estabeleceu-se por convenção de que
competia ao juiz como ato de seu ofício executar a sentença que ele proferia. Sendo um ato de
seu ofício, esta é a distinção com a Era Cristã, lá haviam dois processos. É o cerne do
cumprimento de sentença. Havendo o conhecimento e a execução no mesmo processo. Não
havendo como designar esse período para fins processuais como a Idade das trevas.
Com o Fim da Idade Média, e início da idade Moderna, ocorre um outro fenômeno curioso,
começando o movimento de incremento comercial, com o incremento de novas rotas, sobretudo
marítimas. E tiveram uma ideia que era o símbolo que nominalmente represente o baú de
moedas, para facilitar as transações econômicas. Nominalmente represente o mesmo valor de
dinheiro. Sendo contemporânea a criação de títulos de créditos com a criação dos bancos. Isso
facilitou um incremento comercial amplo, jamais fermentado em qualquer outra região do
planeta. Todo o lugar se utilizava títulos de créditos. Mas quando os títulos não eram aceitos pelo
banqueiro da praça para sacar a importância nominal, quando surgia a lide, essa situação era
submetida ao procedimento unificado da época, sendo um procedimento medieval. Tinha uma
situação inconciliável, ou seja, um título de crédito que agiliza as trocas, submetido a um
processo caro e demorado. Assim, para os TC os juristas propuseram a solução: Se ele é formado
em comum acordo, e contiver determinados requisitos e formas, não precisaria se submeter a
todo os procedimentos, ressuscitando a actio iudicati, ou seja, a execução imediata sem a fase de
conhecimento, independendo de sentença. Sendo a primeira espécie de Título executivo
Extrajudicial. Havendo a convivência de dois modelos: a execução exclusiva para os títulos de
créditos, e o procedimento unitário para toda e qualquer demanda que não estava
relacionada aos títulos de créditos. Há assim, a execução autônoma, e a execução enquanto
fase.
1.4. Código Napoleão: Na virada do Século XVIII para o século XIX que é o Codex Napoleon que
inaugura o Cientificismo Processual, durante este século começa o desenvolvimento dos
principais institutos processuais. Não sendo razoável a convivência de dois modelos executivos.
Assim, pensou-se em uma reunificação da execução para o bem da ciência processual.
Unificando a execução de acordo com a demanda, e como ocorre o auge dos TC, naquela altura
havia mais preocupação com esse tipo de demanda, prevalecendo a execução autônoma. Durante
o século XIX, todos os modernos sistemas processuais do mundo. Dualidade de jurisdição, e
mais tarde, no Brasil começa um movimento de independência legislativa. A CR 1934, instaura-
se a competência da União para legislar. E em 1939, instaurou-se o modelo de ação de
conhecimento que redundava em uma sentença, com a necessidade de instaurar o processo de
execução, com a realização de direito, definido no título. Para todas as demais hipóteses se era
obrigado a ajuizar uma ação de conhecimento. Isso foi o máximo do cientificismo processual.
Mas gerou inconveniência: se havia dificuldade de citar o réu na cognição, se tem um processo
autônomo da execução, citar o devedor aqui é bem complicado.
Além da dualidade de ações se tinha outro inconveniente que não se pode esquecer a origem que
é a idade Média. É primeiro conhecer e acertar para somente depois executar, mas se tem a
dualidade as ações são puras, no processo de cognição só cabe conhecimento, e de execução,
executar. Por isso que Antecipação de tutela aqui era impossível. Na execução a mesma coisa
uma vez acertado o direito o devedor não poderia se defender tendo que sujeitar a execução. Hoje
isso é um equívoco já que há defesas.
. Unificação de Métodos
1.5.Atualidade: Século XX – XXI: O marco é a II Guerra Mundial, começando um movimento da
efetivação do processo, que de fato traga um resultado esperado. Em todos os sistemas jurídicos
no mundo de raízes romanísticas, o legislador começou a perceber a existência de situações que
não admitem a dualidade pura de ações. Os dois processos começaram a se interpenetrar no
Brasil que sofre uma série de reforma na década de 1990, para fazer uma interconexão, com o
artigo que inaugura a antecipação de tutela. Mas o legislador ousa mais, já que as obrigações
existentes são fazer/não fazer/entregar coisa/pagar quantia. Para as duas primeiras, quando o juiz
profere a sentença, por ofício deve falar as medidas necessárias para torna-la efetiva. Tornou ao
modelo unitário medieval. Mas a mudança foi lenta, até que em 2002 para as obrigações de
entregar coisa, o legislador adotou o mesmo procedimento. Por isso no CPC/73, havia o art. 461-
A. Quando o juiz condenava a alguém entregar o bem já definia na sentença a tornar a execução
válida. Por isso traz as astrentes (multas) para o ordenamento brasileiro.
A lei 11232/05, enfim, inaugurou no Brasil a unificação procedimental. Já que a maioria
das obrigações de pagar quantia passou a ser realizada mediante fase, mas ainda se manteve a
questão dos alimentos, das execuções fiscais.
O modelo regra do Brasil passou a ser inauguração da fase conhecimento pela PI, a
Sentença é o acertamento e caso não for cumprida, e por requerimento do credor, que não é
PI, e sim uma provocação, permite-se a instauração de uma nova fase, em um mesmo
processo, e esta fase é designada de fase de cumprimento de sentença que é a típica
execução. O Código de 2015 aperfeiçoa o sistema, sendo uma alteração mínima. A lógica é a
execução não começar de ofício já que quantia e bem patrimonial disponível, e não é obrigado a
execução pelo credor. Sendo da conveniência do credor executar ou não.

Introdução ao Estudo de Execução


O nosso processo é sincrético em que temos uma atividade executiva realizada por ofício do juiz, e
uma segunda via executiva que é típica dos títulos executivos extrajudiciais (se justifica pela existência de
rol dos títulos executivos extrajudiciais).
Conhecer/Realizar, ou executar: O direito processual civil conhece duas tutelas, a cognitiva e a
executiva, apesar de existirem as tutelas diferenciadas, nos procedimentos especiais há a mescla dessas
tutelas. A primeira delas, foi o que estudamos até aqui, ou seja, a que tem por objetivo conhecer dos fatos e
da controvérsia que é trazida ao poder judiciário para definir o modo de ser dessa norma jurídica, sendo
fruto da atividade de conhecimento. Por outro lado, a tutela executiva tem por característica fundamental a
coação, já que não basta a declaração do juízo de certeza do direito pelo jurisdicionado, sob o ponto de
vista do autor, o direito o socorre, assim a sentença é a ratificação do juízo pessoal que fez lá atrás. O réu
também acredita que o direito está em seu lado. Mas não basta a declaração de certeza, sendo insuficiente,
talvez por aspectos culturais, no Brasil a maioria das vezes não é suficiente, já que o devedor, já não mais
réu, tende a permanecer inadimplente, recalcitrante e teimoso ao cumprimento da sentença. A tendência
então é que permaneça resistente ao cumprimento. Dessa maneira deve-se assentar em uma tutela que dá
concretude e efetividade ao comando judicial, o que significa que na execução deve-se ter a execução
prática material daquilo que foi sentenciado. O objetivo assim é fazer que a obrigação se torne concreta e
que possa o credor conviver com os efeitos jurídicos que dela decorrem.
E qual é a Ordem das atividades? Parece realmente intuitivo que a resposta seria conhecer e depois
realizar, mas nem sempre foi assim, hoje isso é um avanço tributado a um momento histórico pela
conciliação de culturas. Mas há um dado extremamente ruim, já que essas atividades foram tratadas como
atividades estanques, com a ideia clara que não poderíamos ter execução sem antes ter a cognição,
observando uma lógica de ordem, mas ao tratar com a estática, gera uma grave consequência. Ao longo da
atividade cognitiva que demanda tempo, o próprio direito material fica sujeito ao risco. O processo pode
gerar riscos a sua efetividade, ou seja, a tutela tardiamente concedida. O próprio tempo impõe o efeito contra
a produtividade do processo, que se dá sobre o direito subjacente. Ex.: uma pessoa que peça a cobertura de
um plano de saúde, e teria que esperar todo esse tempo da cognição. O que significa que haverá a
necessidade de dimensionar ambas as atividades, de modo que no processo consigamos observar uma
predominância dessas atividades e não havendo um processo puro de cognição ou de execução.
O que temos hoje, para HTJ, desde as reformas de 1994. 2002, 2005 seria um Processo Civil
Interdital, já que ao longo do processo de conhecimento, tem-se medidas de execução. E mesmo no
processo executivo há uma abertura do sistema para que o juiz conheça algo. Ex.: Penhora incorreta, erro na
arrematação. São questões que abrem atividades cognitivas em momento de execução. Embora haja uma
ordem de atividades, esta não é estanque, havendo uma interconexão das atividades realizando a
preponderância.
Assim, a atividade padrão é primeiro conhecer e depois julgar, entretanto o ordenamento prevê a
existência de atos jurídicos que formalizam e documentam acertamentos extrajudiciais. Isso significa que o
ordenamento reconhece atos jurídicos extrajudiciais que seriam equivalentes aos títulos judiciais. Se são
equivalentes aos títulos judiciais, significa que esses atos viabilizam o início da atividade executiva
dispensando a fase cognitiva, sendo a Execução do título extrajudicial. Para que o legislador atribua a
força executiva a determinados atos, há um caráter excepcional já que a regra é que o título executivo surja
da atividade judicial. Os títulos extrajudiciais devem ser considerados exceções e tratados com maior
atenção. O CPC numera um rol de títulos executivos extrajudiciais, havendo ainda outros títulos definidos
em lei extravagantes. Todos os títulos executivos extrajudiciais são definidos em lei.
A fase cognitiva ocorreu, mas não houve um acertamento judicial, já que o momento do acertamento,
mediante contrato, foi realizado entre as partes. Mas tenha a execução a origem judicial ou de título
extrajudicial essa característica da substitutividade estará presente. Isso significa que o Estado exerce uma
atividade que deveria ser realizada pela própria parte, já que quem cumpre a obrigação é a parte e não
Estado, mas quem deveria cumprir a obrigação é a parte mas pela inadimplência, e a vedação da autotutela,
não se tem saída, salvo recorrer ao Estado, atuando a vontade estatal que se sobrepõe a vontade do devedor
inadimplente. Sendo uma das características que fazem com que a atividade executiva ganhe um apelido,
qual seja, execução forçada. O inadimplemento está presente, por exemplo, no art. 783. A execução para
cobrança de crédito fundar-se-á sempre em título de obrigação certa, líquida e exigível. Art. 786. A
execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa, líquida e exigível
consubstanciada em título executivo. Parágrafo único. A necessidade de simples operações aritméticas
para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da obrigação constante do título. Liquidação por
cálculo
Além disso, ela é uma atividade prática/material, tem alguns autores que falavam que nessa
atividade não havia contraditório, ao passo que na cognitiva o objetivo era acertar, na execução já pressupõe
um juízo de certeza. Mas esse entendimento foi afastado, mas isso não retira da execução o qualificativo de
ser uma atividade prática material, já que objetiva-se a transformação ao concreto da situação jurídica das
partes. Se diferencia, profundamente da atividade existente no processo de conhecimento.
Há ainda no processo civil também uma ideia de Sanção no processo executivo, nesse caso, a
sanção tem um teor reparatório, compensatório do prejuízo civil que a parte sofreu. Liebman coloca a
sanção como conteúdo do processo de execução, para que ocorra a invasão do Estado na esfera do indivíduo
e visa compensar o prejuízo. Assim, a Finalidade da execução do processo executivo para o Liebman, em
direito processual a execução forçada destina-se especificamente a realizar no mundo fático, a sanção. Daí
a sua definição de atividade desenvolvida pelos órgãos judiciários para dar atuação à sanção. Tem-se assim,
na execução civil a concretização da responsabilidade patrimonial, diferente do que se tem no Processo
Penal. A sanção se volta para a concretude, assim, a execução civil representa uma agressão na esfera de
disponibilidade patrimonial do devedor. Essa esfera não abrange os regimes de impenhorabilidades, que
tutela o patrimônio mínimo do devedor, que o torna apto a uma vida digna. A agressão assim, se dá
contando com a ajuda do devedor ou até mesmo contra a sua vontade. O processo tem um modelo
cooperativo, quando, p. ex., se prevê a possibilidade de intimação do devedor para que informe ao juízo
quais são e onde estão os bens suscetíveis a penhora.
São várias as formas de classificar as espécies de execução, e para conhece-las iremos partir das
Espécies obrigacionais: fazer/não fazer, entregar coisa e pagar quantia. Quando um negócio é realizado na
sociedade tem por objeto o cumprimento de uma prestação, o nascedouro da relação jurídica tem-se o objeto
prestacional. Mas muitas vezes por força inadimplemento da parte, aquela prestação ou espécie obrigacional
pode se torna impossível de realização (devedor) ou mesmo inoportuna de realização (credor). E isso tem a
ver com execução, já que em regra o objetivo da atividade executiva é a realização da obrigação pactuada,
ou seja, se o objeto era fazer, a execução também deveria concretizar essa obrigação. Por isso na execução,
fala-se da execução específica, quando se volta para a mesma espécie obrigacional inicialmente contratada
e que naquele momento encontra-se inadimplida, mas o direito também trabalha com a espécie obrigacional
inoportuna tendo que resolver mediante execução genérica ou subsidiária. A regra geral é que a execução
deve ser feita na modalidade específica, mas caso não for possível o direito busca mecanismos para se
garantir o credor o equivalente.
Ex.:
1) Obrigação de entregar coisa: Em uma viagem havia a necessidade de realizar uma conexão em
ônibus, chegando em Serro, havia um intervalo de 3 horas de espera para o ônibus que iria para Guanhães, e
com isso, depositou a mala em um escaninho da rodoviária, firmando o contrato de depósito, em que uma
das obrigações é a devolução da coisa. Entregue o tíquete para pegar a mala de novo, o servidor entregou um
saco de bornal, e não a mala, já que correspondia ao tíquete entregado. A mala que ali foi deixada foi
entregue para outro viajante. Há como executar esse contrato, mas não tem como falar de uma execução
específica, já que como o bem se perdeu, a obrigação de entregar não tem como ser executada. Essa espécie
de entregar coisa seria convertida em uma obrigação de pagar coisa, que é a indenização.
2) Obrigação de fazer: Em uma comissão de formatura contratou-se uma banda, para prestar uma
obrigação de fazer, no dia do evento, foi combinado que chegasse às 18:00, no entanto a banda não chegou e
em uma medida de desespero, a comissão procura outra banda. No dia seguinte, a comissão é instada pelos
associados sobre as medidas judiciais cabíveis. A maioria delibera pela execução do contrato. Sobre o ponto
de vista do devedor, a obrigação é possível, já que a banda ainda existe; mas para o credor, a obrigação não é
oportuna. Sendo razoável que a espécie obrigacional seja substituída na obrigação de indenização tanto por
danos morais quantos por danos materiais.
3) Obrigação de pagar quantia: Também pode ter sido a obrigação inicialmente pactuada. Pode
ocorrer que o devedor não tenha dinheiro para cumprir a obrigação, mas no seu acervo ter bens para o
cumprimento subsidiário. Ou seja, a entrega de coisa.
Conceito: “A execução forçada consiste na realização material e efetiva da vontade da lei através da
função jurisdicional do Estado. Trata-se do conteúdo do processo ou fase de execução (conjunto de atos
coordenados em juízo direcionados ao fim da execução forçada, qual seja, a satisfação compulsória do
direito do credor à custa de bens do devedor”. HTJ.
. Meios de execução: Para que o estado exerça essa atividade, depende de mecanismos, e normalmente, a
doutrina a divide em dois grupos:
- Meios de coação: Forma de execução indireta, utilizados como forma intimidativa, coercitiva, pra
que se cumpra voluntariamente a execução. São comumente utilizados em obrigações de fazer/não fazer e
entrega de coisa, principalmente quando o fazer é personalíssimo. O devedor geralmente não quer cumprir a
obrigação espontaneamente. Assim, os meios de coação são para que se cumpre voluntariamente a
obrigação. Há diferença entre a espontaneidade e voluntariedade, este tem a necessidade de uma
provocação. Aquele não necessita de provocação. Assim, aqui, ou se paga ou ocorre uma das seguintes
espécies:
- Prisão: Está mais restrita, hoje, no processo civil. Súmula 25, STF, que restringe a prisão
para os casos de devedores de alimentos
- Multa
- Subrogação: É o meio tradicional, clássico, a forma subjetivamente da vontade do devedor.
Sendo uma forma de execução direta para fazer garantir com que o seu equivalente seja entregue ao credor.
Assim, o que se busca é pagar o que foi acordado ou o que seria compatível com a obrigação.
P. Ex.: Jurisprudência:
1) Para o cumprimento do decreto de prisão coercitiva, há a necessidade do seu trânsito em julgado?
Fundamentado em uma comparação interdisciplinar: não é uma prisão pena, e sim coercitiva, não pode
depender do trânsito em julgado, já que perde muito o seu caráter emergencial. O STJ entende que o
cumprimento, assim, não exige o trânsito em julgado. A exigência contrariaria a própria constrição civil
(informativo 462, STJ). A Turma denegou a ordem de habeas corpus por entender que o cumprimento da
prisão civil do devedor de verba alimentar não exige o trânsito em julgado da decisão que a decreta, tendo
em vista seu caráter coercitivo - e não punitivo, como na prisão penal -, não havendo falar em aplicação, na
espécie, do art. 5º, LVII, da CF/1988. Ressaltou o Min. Relator que tal exigência contrariaria a própria
finalidade da constrição civil, que é compelir o executado a adimplir imediatamente a obrigação
alimentícia. HC 161.217-SP, Rel. Min. Paulo de Tarso Sanseverino, julgado em 8/2/2011.
2) Um casal se separa, à ex-esposa deu-se o direito de pensão. O ex-conjuge ficou inadimplente,
pedindo a prisão dele. Na defesa de mérito, usa o argumento da destinação da pensão de alimentos. Uma
determinada parcela dos alimentos é para manter status, e que não se coadunaria com a natureza alimentar,
elidindo-se a prisão (não a execução). Art. 528, NCPC, (art. 528. No cumprimento de sentença que condene
ao pagamento de prestação alimentícia ou de decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a
requerimento do exequente, mandará intimar o executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o
débito, provar que o fez ou justificar a impossibilidade de efetuá-lo) a verba destinada a ex-esposa para a
manutenção do sítio, que não constitui moradia, sendo insuficiente para embasar a prisão por dívida. Art.
731, NCPC Art. 731. A homologação do divórcio ou da separação consensuais, observados os requisitos
legais, poderá ser requerida em petição assinada por ambos os cônjuges, da qual constarão: II - as
disposições relativas à pensão alimentícia entre os cônjuges; - No procedimento de jurisdição voluntária, é
possível que o juiz decrete o divórcio deixando a partilha em momento posterior. Assim, há limite o decreto
de prisão, para as verbas necessárias a manutenção da vida digna, e como não mora no sítio isso não consta.
3) Pagamento parcial elide o decreto de prisão? Não elide, segundo o STJ. Decisão da 4ª turma que
reafirmou o entendimento. Nos termos da Súmula nº 309 /STJ, sendo certo que o pagamento parcial do
débito não elide a prisão civil do devedor. O débito alimentar que autoriza a prisão civil do alimentante é o
que compreende as três prestações anteriores ao ajuizamento da execução e as que se vencerem no curso
do processo.
4) Autocomposição faz cessar a prisão, já que um dos indivíduos, ou ambos, abrem mão do seu
interesse por inteiro ou de parte dele.

1. Autonomia do Processo de Execução


O Processo de execução é independente da atividade cognitiva. É preciso fixar que a execução não
decorre necessariamente do processo de conhecimento, isso significa que essas atividades gozam de
uma relativa autonomia. Conseguimos provar isso por dois aspectos: i) proferida a sentença e ocorre
cumprimento, não há a necessidade de execução, já que somente a situação de inadimplemento é
que possui a necessidade de execução; e ainda nas ações constitutivas e declaratórias, na maioria
dos casos basta a declaração judicial, já que são atos administrativos sem necessária execução. Ii) a
presença dos títulos de crédito autoriza o início da atividade executiva sem prévio acertamento. A
execução autônoma também cabe para títulos executivos judiciais. Art. 515, existe um rol de quatro
títulos executivos que são desprovidos de uma prévia fase cognitiva em juízo civil, autorizando a
instauração da execução sem que tenha havido uma fase cognitiva civil (VI a IX). Ex.: Sentença
penal condenatória transitada em julgado.
2. Princípios da Execução
- Contraditório: A declaração de certeza precede a execução, sendo um desenvolvimento histórico.
Assim, a doutrina afirmou que a atividade executiva não seria um procedimento em contraditório.
Não sendo mesmo processo. Já que a execução é precedida da fase de conhecimento, havendo uma
possível certeza do conhecimento. No entanto, não se pode esquecer que ao longo da execução
podem surgir questões que devem ser analisadas e julgadas. Questões que do julgamento terão o
condão de afastar e extinguir o processo executivo. Contraditório como influência e não surpresa.
- Toda execução é real (patrimonialidade): HTJ acredita que toda a execução é res vem de coisa.
A execução civil incide sobre o patrimônio do devedor e não sobre a pessoa do devedor. Vigora no
Brasil a possibilidade de prisão exclusiva ao devedor de alimentos. Qualquer depositário infiel não
está mais sujeito a prisão; art. 789, NCPC, Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens
presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
O devedor responde com todos os seus bens, presentes ou futuros, para o cumprimento de suas
obrigações. Sendo relevante já que diz o objeto da execução, segundo porque dá ainda a dimensão do
patrimônio, que não é somente o presente. Se o devedor não tem bem algum, suspendem a execução.
Ou seja, naquele momento não tem bens penhoráveis, mas como há a possibilidade de bens futuros,
não se pede a exclusão da execução. Art. 824, NPCP, Art. 824. A execução por quantia certa
realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções especiais. Preleciona
que a execução por quantia certa realiza-se por expropriação dos bens, ou seja, retirar do acervo
patrimonial parcelas dos seus bens.
- Limite da execução: Esse princípio é o que tenta impor um limite à atividade executiva, já que a
finalidade da satisfatibilidade ao crédito, sem interferir ilegitimamente na esfera patrimonial do
devedor. O código precisou dizer isso mais de uma vez. Art. 831, NCPC, Art. 831. A penhora
deverá recair sobre tantos bens quantos bastem para o pagamento do principal atualizado, dos
juros, das custas e dos honorários advocatícios, fala que a penhora deverá recair sobre tantos bens
quanto bastem para os pagamentos. Assim, desde que o montante penhorado seja suficiente, o
restante do patrimônio que compõe o acervo deve estar liberado, não incide penhora sobre todo o
patrimônio do devedor.
- Utilidade da execução: A atividade executiva deve ter algum benefício para o credor, já que a
execução muitas vezes é confundida com instrumento de castigo para o devedor. Atualmente ela não
é esse instrumento. Pode ocorrer do devedor não ter nada, e se tudo do pouco que tem for absolvido
por custas judiciais é melhor que a execução não seja feita, já que o credor não será satisfeito e o
devedor prejudicado. Art. 836, NCPC, quando ficar evidente que o produto da execução do bem será
totalmente absolvido para o pagamento das custas não se produzirá a execução (Art. 836. Não se
levará a efeito a penhora quando ficar evidente que o produto da execução dos bens encontrados
será totalmente absorvido pelo pagamento das custas da execução). Art. 891, NCPC que traz a regra
que ilustra a utilidade quando diz que não será aceito lance que ofereça preço vil. Já que não satisfaz
o credor e ao mesmo tempo lesa o devedor. Preço vil é o preço inferior ao mínimo estipulado pelo
juiz, se não tiver fixado é o preço inferior a 50% do seu valor.
- Economia da execução: Extremamente relevante para o devedor e é um padrão de orientação ao
credor, já que quando por várias formas puder ser realizada a execução ela deve ser realizada de
maneira menos gravosa para o devedor. Art. 805, NCPC: Art. 805. Quando por vários meios o
exequente puder promover a execução, o juiz mandará que se faça pelo modo menos gravoso para o
executado; art. 800, NCPC, nas obrigações alternativas o devedor escolher qual que irá cumprir Art.
800. Nas obrigações alternativas, quando a escolha couber ao devedor, esse será citado para
exercer a opção e realizar a prestação dentro de 10 (dez) dias, se outro prazo não lhe foi
determinado em lei ou em contrato. Art. 847, NCPC, que prevê a possibilidade de substituição da
penhora, o devedor pode pedir a substituição do bem penhorado por outro, desde que seja possível
satisfazer o crédito Art. 847. O executado pode, no prazo de 10 (dez) dias contado da intimação da
penhora, requerer a substituição do bem penhorado, desde que comprove que lhe será menos
onerosa e não trará prejuízo ao exequente. Novidade: Art. 785, NCPC diferente do que não existia
do código anterior permite o devedor optar por ajuizar de plano a execução ou exercer o processo de
conhecimento em caso de ser portador de título executivo extrajudiciais. Fundamento: na execução
do título extrajudicial o devedor pode discutir de forma ampla, e mais, se ao invés de ser executado o
devedor é citado para contestar, essa é a forma menos gravosa. Art. 785. A existência de título
executivo extrajudicial não impede a parte de optar pelo processo de conhecimento, a fim de obter
título executivo judicial. Ex.: Substituição do bem penhorado por fiança.
- Especificidade da execução: Já foi dito que em regra, a atividade executiva busca a execução da
exata espécie inicialmente pactuada. É possível que a execução seja substituída por uma obrigação
genérica por força do inadimplemento a espécie se torna inoportuna pelo credor, ou não possível pelo
devedor. Consegue-se perceber a materialização desse princípio no CPC como o artigo 809, CPC,
Art. 809. O exequente tem direito a receber, além de perdas e danos, o valor da coisa, quando essa
se deteriorar, não lhe for entregue, não for encontrada ou não for reclamada do poder de terceiro
adquirente. Que fala que o exequente tem direito a receber o valor da coisa quando essa se
deteriorar, há ainda o artigo 816 que diz que o se não satisfizer a obrigação, é lícito requerer a
obrigação ou perdas e danos Art. 816. Se o executado não satisfizer a obrigação no prazo designado,
é lícito ao exequente, nos próprios autos do processo, requerer a satisfação da obrigação à custa do
executado ou perdas e danos, hipótese em que se converterá em indenização. Assim, há o indício de
que o preferencial é que a espécie obrigacional inicial seja o objeto de execução. A conversão em
perdas e danos além de faculdade é uma alternativa. Por fim, o artigo 499, CPC estabelece mais
claramente esse princípio já que diz que a obrigação somente será convertida em perdas e danos se
requerido pelo autor. Art. 499. A obrigação somente será convertida em perdas e danos se o autor
o requerer ou se impossível a tutela específica ou a obtenção de tutela pelo resultado prático
equivalente. Nesse dispositivo há o resumo da especificidade. Há a preferência da espécie inicial se
não a for, ocorre a execução do equivalente, e mesmo assim, caso optar pelo equivalente, perdas e
danos. (Perdi uma grande parte).
. Caso apresentado pelo STJ de afastamento desse princípio: O cumprimento específico
da obrigação demandaria nesse caso onerosidade excessiva. Aplicando a segunda parte do art. 499,
que permite a conversão em obrigação pecuniária.
É um entendimento que fixou perdas e danos. Informativo 474, STJ. Esta é uma aplicação
prática de um princípio. A execução corre no interesse do credor, cabe a execução específica ou
genérica. Sendo importante o instituto do direito de civil que é o abuso de direito, nesse caso, há o
direito de exigir, mas pela situação concreta a execução causaria um desequilíbrio injustificável.
Assim, converteu-se para perdas e danos.

- Ônus da Execução: Somente fala de atividade executiva porque o devedor está em uma condição
de inadimplência, não adianta ter o título executivo, se a obrigação não é vencida não se pode falar
de execução. Isso porque, a inadimplência é a causa da execução que a ele são impostos os ônus da
execução, de acordo com os artigos 395 (Art. 395. Responde o devedor pelos prejuízos a que sua
mora der causa, mais juros, atualização dos valores monetários segundo índices oficiais
regularmente estabelecidos, e honorários de advogado) e 401, CC, (Art. 401. Purga-se a mora:I -
por parte do devedor, oferecendo este a prestação mais a importância dos prejuízos decorrentes do
dia da oferta) ou seja, juros, atualização monetária, custas processuais. Se tivesse realizado
tempestivamente, não haveria esse custo pelo próprio devedor. Sendo a consequência do
retardamento da execução. O art. 826, CPC diz que antes de alienados os bens o executado poderá
remir a execução, consignando a dívida acrescida de juros, custos e honorários, Art. 826. Antes de
adjudicados ou alienados os bens, o executado pode, a todo tempo, remir a execução, pagando ou
consignando a importância atualizada da dívida, acrescida de juros, custas e honorários
advocatícios. Há também o art. 831, CPC, a penhora tem que recair em tantos bens quanto
necessários para arcar com os ônus. Art. 831. A penhora deverá recair sobre tantos bens quantos
bastem para o pagamento do principal atualizado, dos juros, das custas e dos honorários
advocatícios. Observação: antes da entrada em vigor do CPC entre 2005/2015, houve grande debate
se havia ou não a condenação de honorários na fase de cumprimento de sentença e na execução.
Isso pois, tinham juízes que entendiam que a condenação de pagamento de honorários era a única
oportunidade de condenação ao longo do processo, e como a execução foi convertida em fase
teríamos um bis in idem. Se o credor tem TE e o devedor se nega pagar, faz-se obrigatório requerer a
atividade judiciária, havendo um prolongamento da atividade do advogado. Há a previsão hoje de
que há a condenação em honorários nessas duas fases, como o que diz o §1º, art. 85, CPC (Art. 85. A
sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 1o São devidos
honorários advocatícios na reconvenção, no cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, na
execução, resistida ou não, e nos recursos interpostos, cumulativamente.). Nesse caso, honorários,
na execução e recursos é uma parcela que serve de desestímulo ao devedor.

- Respeito à Dignidade Humana: É um dos mais importante. A execução não tem que ser levada às
últimas vias para reduzi-lo alguma condição de sobrevivência indigna. É um conjunto de regras que
tem como objetivo garantir um mínimo essencial. O código criar um regime de impenhorabilidade
que compõe o patrimônio do devedor. Há a necessidade de preservar alguns bens cuja natureza é
reputada essencial a sua sobrevivência digna. O código quer que o devedor tenha uma vida digna.
Lei 8009, art. 1º, § único*, 2º e 5º: Art. 1º O imóvel residencial próprio do casal, ou da entidade
familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal,
previdenciária ou de outra natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus
proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei. Parágrafo único. A
impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o qual se assentam a construção, as plantações, as
benfeitorias de qualquer natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou
móveis que guarnecem a casa, desde que quitados. Excluem-se dessa regra, os veículos de
transporte, obra de arte, e adorno suntuoso (Art. 2º Excluem-se da impenhorabilidade os veículos de
transporte, obras de arte e adornos suntuosos. Parágrafo único. No caso de imóvel locado, a
impenhorabilidade aplica-se aos bens móveis quitados que guarneçam a residência e que sejam de
propriedade do locatário, observado o disposto neste artigo), já que o legislador está pensando na
dignidade da pessoa humana. Lembrando que o veículo que for objeto de trabalho não é
penhorável. Prestigia-se a casa do devedor, que se estende aos bens inclusos, lembrando das
benfeitorias, utensílios, ferramentas, frutos na falta de bens (art. 834, CPC - Art. 834. Podem ser
penhorados, à falta de outros bens, os frutos e os rendimentos dos bens inalienáveis), etc. Para os
efeitos de impenhorabilidade considera-se como residência o imóvel que estiver sendo habitado (Art.
5º Para os efeitos de impenhorabilidade, de que trata esta lei, considera-se residência um único
imóvel utilizado pelo casal ou pela entidade familiar para moradia permanente. Parágrafo único.
Na hipótese de o casal, ou entidade familiar, ser possuidor de vários imóveis utilizados como
residência, a impenhorabilidade recairá sobre o de menor valor, salvo se outro tiver sido
registrado, para esse fim, no Registro de Imóveis e na forma do art. 70 do Código Civil). Em regra,
quando tiver mais de um imóvel o impenhorável é o de menor valor. Mas pode o proprietário gravar
uma cláusula de indisponibilidade do bem. Nesse caso é possível que o devedor estabeleça que o
imóvel mais caro seja um bem de família, deixando o mais barato livre para penhora. Questão de
prova: O art. 3º traz exceções a penhora do bem de família que não é oponível ao credor. Ex.: Se a
Caixa financia o imóvel e deixo de pagar o empréstimo o imóvel será penhorado; credor de pensão
alimentícia: se o bem de família deve ser preservado pela dignidade humana, o crédito alimentício
deve ser preservado, há uma ressalva ao companheiro ou o cônjuge que não tem a ver com o devedor
de alimentos. Ex.: filho que tive antes da atual companheira. Nesse caso, apesar do filho não ser
comum, a penhora recairia sobre o imóvel comum, podendo ser alienado, mas a parte que
corresponde a companheira irá para ela. Mas e a dignidade da companheira do devedor? Será que foi
observada? Cobrança de imposto, taxas, etc. Dívida de IPTU e condomínio pode levar a perda do
imóvel. Etc.... Ver a questão do fiador. Art. 3º A impenhorabilidade é oponível em qualquer processo
de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou de outra natureza, salvo se movido: II - pelo
titular do crédito decorrente do financiamento destinado à construção ou à aquisição do imóvel, no
limite dos créditos e acréscimos constituídos em função do respectivo contrato; III – pelo credor da
pensão alimentícia, resguardados os direitos, sobre o bem, do seu coproprietário que, com o
devedor, integre união estável ou conjugal, observadas as hipóteses em que ambos responderão pela
dívida IV - para cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em
função do imóvel familiar; V - para execução de hipoteca sobre o imóvel oferecido como garantia
real pelo casal ou pela entidade familiar; VI - por ter sido adquirido com produto de crime ou para
execução de sentença penal condenatória a ressarcimento, indenização ou perdimento de bens; VII -
por obrigação decorrente de fiança concedida em contrato de locação.

Art. 833. São impenhoráveis: I - os bens inalienáveis e os declarados, por ato voluntário, não
sujeitos à execução; II - os móveis, os pertences e as utilidades domésticas que guarnecem a
residência do executado, salvo os de elevado valor ou os que ultrapassem as necessidades comuns
correspondentes a um médio padrão de vida; III - os vestuários, bem como os pertences de uso
pessoal do executado, salvo se de elevado valor; IV - os vencimentos, os subsídios, os soldos, os
salários, as remunerações, os proventos de aposentadoria, as pensões, os pecúlios e os montepios,
bem como as quantias recebidas por liberalidade de terceiro e destinadas ao sustento do devedor e
de sua família, os ganhos de trabalhador autônomo e os honorários de profissional liberal,
ressalvado o § 2o; V - os livros, as máquinas, as ferramentas, os utensílios, os instrumentos ou
outros bens móveis necessários ou úteis ao exercício da profissão do executado; VI - o seguro de
vida; VII - os materiais necessários para obras em andamento, salvo se essas forem penhoradas;
VIII - a pequena propriedade rural, assim definida em lei, desde que trabalhada pela família; IX -
os recursos públicos recebidos por instituições privadas para aplicação compulsória em educação,
saúde ou assistência social; X - a quantia depositada em caderneta de poupança, até o limite de 40
(quarenta) salários-mínimos; XI - os recursos públicos do fundo partidário recebidos por partido
político, nos termos da lei; XII - os créditos oriundos de alienação de unidades imobiliárias, sob
regime de incorporação imobiliária, vinculados à execução da obra. § 1o A impenhorabilidade não é
oponível à execução de dívida relativa ao próprio bem, inclusive àquela contraída para sua
aquisição. § 2o O disposto nos incisos IV e X do caput não se aplica à hipótese de penhora para
pagamento de prestação alimentícia, independentemente de sua origem, bem como às importâncias
excedentes a 50 (cinquenta) salários-mínimos mensais, devendo a constrição observar o disposto
no art. 528, § 8o, e no art. 529, § 3o. § 3o Incluem-se na impenhorabilidade prevista no inciso V
do caput os equipamentos, os implementos e as máquinas agrícolas pertencentes a pessoa física ou a
empresa individual produtora rural, exceto quando tais bens tenham sido objeto de financiamento
e estejam vinculados em garantia a negócio jurídico ou quando respondam por dívida de natureza
alimentar, trabalhista ou previdenciária.

Art. 833, CPC: A parte inicial do inciso I é o exemplo do pai que dá ao filho um imóvel e grava
uma cláusula de inalienabilidade.

“Médio padrão de vida”: Não adiantaria proteger o devedor no seu lar e o retirasse tudo que havia
na casa da pessoa. Porém, o inciso II traz um temperamento a regra: que é a noção do médio padrão
de vida em relação aos móveis e utensílios de elevado valor. Mas o que é médio padrão de vida?
Teremos que analisar caso a caso o que é o médio padrão de vida. Ex.: Aqueles que vivem em
Rondônia, o ar condicionado não é luxo é necessidade. É um conceito indeterminado que deverá ser
preenchido pelo juiz.
No CPC houve um avanço, já que hoje no Brasil se permite a penhora de salários, e
remunerações, para duas situações: I. dívidas de alimentos; II. Quando o rendimento ultrapassa a
50 salários mínimos. Críticas: em outras legislações, há uma gradação a estipulação da
penhorabilidade de salário. Quanto mais recebe, maior fatia poderá ser pegada. No Brasil, houve o
abuso da objetividade ao estipular um número específico que é o de 50 salários mínimos. Sendo até
mesmo uma má fé legislativa, já que não encontra aqui uma realidade da situação brasileira. Sendo
um dado preocupante.
A relativa possibilidade de penhora de salários, existia para permitir a penhora do bem de
família. Em 2006 o PL que previa a penhora de 40% dos valores dos salários do devedor que
ultrapassasse 20 salários mínimos, previa também a penhora de bens de famílias que ultrapassassem
1000 s.m. Assim, se tem uma garantia de imóvel acima disso o imóvel poderia ser penhorado e
alienado, do produto da alienação, o que sobrasse, poderia ser usado.
Mas a norma de bem de família pode ser analisada de dois aspectos: A maioria da população
não mora em locais com o valor de 1000 s.m, protegendo a todos. Mas o segundo aspecto é para
viver nessas condições, vive-se muito dignamente. Mas em 2006, houve o veto dessa parte do
projeto, fundamentando que o PL quebrou o dogma da impenhorabilidade de bem de família. Apesar
de razoável a proposta quebra o dogma da lei 8009/90, independentemente do valor. Fundamentar na
tradição o veto a evitar um avanço da execução é um absurdo, já que protege aqueles que mais tem
dinheiro. Com relação ao bem de família não houve avanço, assim, indiferente de onde o devedor
mora, não terá o bem penhorado, mesmo que seja de auto valor.
Inciso V: são impenhoráveis os bens móveis necessários aos exercícios das atividades.
Questão da OAB: o devedor advogado possui no escritório a coleção completa de Pontes de
Miranda. O devedor chega para fazer a penhora, e certifica os bens da coleção, o computador, mesas,
uma estátua com o busto de Aristóteles, quadros de artistas famosos, e pediu para identificar quais
bens são penhoráveis. O problema girou entorno dos livros de Pontes de Miranda, quando se diz
serem necessários ou úteis ao exercício de sua atividade. A 1ª edição de Pontes de Miranda pode ser
penhorada? O V disse que livros são impenhoráveis, mas o livro desatualizado é necessário ou útil?
O gabarito permitia a penhora, mas pelas dúvidas a questão foi anulada.
Inciso VI: Absolutamente impenhorável o seguro de vida, que compõe um bolo que será
utilizado no caso de falecimento daquele que constituiu a garantia.
Inciso VII: Materiais para obra em andamento
Inciso VIII: propriedade rural desde que trabalhada pela família
Inciso X: a importância de depósito em caderneta de poupança de até 40 salários mínimos é
impenhorável. Ressalva 40 salários mínimos, e o restante será penhorável.
Inciso XI: Legislaram em causa própria
Inciso XII: Créditos oriundo de alienação de créditos imobiliários. Existe uma situação
comum do país causada por oscilações econômicas. O devedor vende as unidades do edifício e a
empresa se torna devedor. O dinheiro das unidades imobiliárias é impenhorável. Já que as famílias
que fizeram investimentos são as mais prejudicadas, já que estavam investindo para a construção de
bem de família.
Casos concretos analisados pelo STJ:
1. Pessoa solteira é família? A pessoa solteira tem direito a impenhorabilidade de bem de
família, mormente ao fundamento de que a pessoa que é sozinha não tenha menos direitos
ao direito do individual de moradia. Informativo 122. A Corte Especial, por maioria,
decidiu que a pessoa solteira tem direito à proteção da Lei n. 8.009/90, i.e.,
impenhorabilidade de seu único imóvel residencial, mormente o fundamento de que a
circunstância de alguém ser sozinho não significa que tenha menos direito ao teto que
casais, viúvos ou separados, visto que o bem jurídico que a Lei visa garantir é o direito
do indivíduo à moradia, tendo ou não família, morando ou não sozinho e seja qual for o
seu estado civil. EREsp 182.223-SP, Rel. originário Min. Sálvio de Figueiredo, Rel.
para acórdão Min. Humberto Gomes de Barros, julgados em 6/2/2002.
2. Bem de família de qualquer valor está protegido de penhora? Não interessa o valor.
Para que seja reconhecida a impenhorabilidade basta que o imóvel seja considerado para
moradia. Informativo 456, STJ. A Turma, entre outras questões, reiterou que é possível a
penhora de parte ideal do imóvel caracterizado como bem de família quando for possível
o desmembramento sem que, com isso, ele se descaracterize. Contudo, para que seja
reconhecida a impenhorabilidade do bem de família, de acordo com o art. 1º da Lei n.
8.009/1990, basta que o imóvel sirva de residência para a família do devedor, sendo
irrelevante o valor do bem. O referido artigo não particulariza a classe, se luxuoso ou
não, ou mesmo seu valor. As exceções à regra de impenhorabilidade dispostas no art. 3º
da referida lei não trazem nenhuma indicação no que se refere ao valor do imóvel. Logo,
é irrelevante, para efeito de impenhorabilidade, que o imóvel seja considerado luxuoso
ou de alto padrão. Assim, a Turma conheceu em parte do recurso e, nessa extensão, deu-
lhe provimento. Precedentes citados: REsp 326.171-GO, DJ 22/10/2001; REsp 139.010-
SP, DJ 20/5/2002, e REsp 715.259-SP, DJe 9/9/2010. REsp 1.178.469-SP, Rel. Min.
Massami Uyeda, julgado em 18/11/2010.
3. O bem de família está protegido da constrição judicial, mas trabalhando com a
tutela provisória tem-se que: O autor está buscando uma sentença que reconheça o
direito a um crédito, se o autor percebe a dilapidação do patrimônio, impossibilitando a
satisfação do crédito, pode fazer o pedido para que se determine medidas constritivas, de
maneira cautelar, para o caso de sendo o pedido aceito, tenha a possibilidade de ter bens a
se sujeitar a execução. As medidas da tutela provisória, como o sequestro de um bem,
podem recair sobre um bem de família? O STJ diz que não é possível o sequestro de bem
que ao fim não pode ser expropriado. Informativo 470, STJ Trata-se de REsp em que se
alega ter o acórdão a quo violado os arts. 1º e 3º da Lei n. 8.009/1990, ao afastar a
possibilidade de sequestro de bem imóvel do recorrido em razão de alegada
impenhorabilidade própria dos bens de família; pois, segundo o recorrente, não se
confundem os institutos do sequestro e da penhora. A Turma entendeu que, embora sejam
distintos os institutos, a verdade é que, tendo a mencionada lei protegido o bem de
família da penhora, também o protegeu, por via indireta, das medidas acauteladoras
que se destinam a resguardar, no patrimônio do devedor, a solvência da dívida.
Consignou-se que o sequestro tem como fim resguardar o credor pela antecipação de
bens aptos a garantir a solvência final do devedor e a satisfação do credor se dá pela
arrematação ou pela penhora, de modo que, vedada esta por se tratar de bem de família,
está vedado também o sequestro. Registrou-se, ainda, que, consoante os princípios da
executividade de forma menos gravosa ao devedor (art. 620 do CPC) e da estrita
necessidade das medidas constritivas, não é possível permitir sequestro de bens que,
afinal, não poderão ser expropriados. REsp 1.245.466-RJ, Rel. Min. Mauro Campbell
Marques, julgado em 26/4/2011.
4. A execução pelo advogado dos honorários seriam a exceção contra a posição da
norma de bens de família? Os honorários têm caráter alimentar, mas o STJ diz que não
se pode penhorar bem de família para satisfazer crédito exequento resultante de
honorários. Dois informativos depois, o 471, o mesmo STJ, reafirma que os créditos dos
honorários tenha natureza alimentar (A jurisprudência do STJ reconhece que os créditos
referentes a honorários advocatícios, contratuais ou sucumbenciais, têm natureza
alimentar. Contudo, disso não decorre dizer que são créditos trabalhistas a ponto de
preferir os créditos fiscais da Fazenda Pública em concurso de credores, quanto mais se
o art. 24 da Lei n. 8.906/1994 (EOAB), norma ordinária que é, não se sobrepõe ao art.
186 do CTN, que, como consabido, tem status de lei complementar. Precedentes citados:
EREsp 854.535-RS, DJe 18/4/2008, e REsp 909.830-SC, DJe 6/8/2010. REsp 939.577-
RS, Rel. Min. Massami Uyeda, julgado em 3/5/2011.) E se o crédito de alimentos não
está sujeito a proteção do bem de família, deveria ceder a constrição. A discussão se
intensificou e em 2015, houve a Súmula vinculante 47 para, por fim a questão quando diz
que os honorários, consubstanciam verba de natureza alimentar (Os honorários
advocatícios incluídos na condenação ou destacados do montante principal devido ao
credor consubstanciam verba de natureza alimentar cuja satisfação ocorrerá com a
expedição de precatório ou requisição de pequeno valor, observada ordem especial
restrita aos créditos dessa natureza.). Ver art. 85, §14, NCPC. Art. 85. A sentença
condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor: § 14. Os honorários
constituem direito do advogado e têm natureza alimentar, com os mesmos privilégios dos
créditos oriundos da legislação do trabalho, sendo vedada a compensação em caso de
sucumbência parcial. Assim, o professor pensa que agora pode buscar a satisfação
dos honorários, pelo bem de família. Não há jurisprudência sobre isso.
5. Quem tem a proteção de bem de família pode renunciar? Há novamente duas
questões: O oferecimento voluntário de imóvel como garantia, pode descaracterizá-lo
como bem de família, já que, caso contrário, haveria a descaracterização da própria
garantia. Mas no Informativo 496, há a regra de impenhorabilidade como garantia
irrenunciável. Cinge-se a controvérsia à análise da ocorrência da renúncia tácita à
impenhorabilidade de pequena propriedade rural familiar dada em garantia pelo
recorrido, em acordo extrajudicial posteriormente homologado judicialmente, o qual nele
figura como garantidor solidário de obrigação de terceiro. Na espécie, a recorrente
alega que a garantia oferecida pelo recorrido equipara-se à garantia real hipotecária,
prevista no art. 3º, V, da Lei n. 8.009/1990. Contudo, o Min. Relator salientou que a
ressalva prevista nesse dispositivo legal não alcança a hipótese dos autos, limitando-se,
unicamente, à execução hipotecária, não podendo tal benefício (o da impenhorabilidade)
ser afastado para a execução de outras dívidas. Assim, salvo as situações compreendidas
nos incisos I a VII do art. 3º da Lei n. 8.009/1990, descabe a penhora de imóvel ou a sua
oferta em garantia. Além do mais, o bem é uma pequena propriedade rural, cuja
impenhorabilidade encontra-se garantida constitucionalmente (art. 5º, XXVI, da CF). De
modo que, a exceção à impenhorabilidade do bem de família previsto em lei ordinária
não pode afetar direito reconhecido pela Constituição, nem pode ser afastada por
renúncia, por tratar-se de princípio de ordem pública que visa à proteção da entidade
familiar. Precedentes citados: REsp 470.935-RS, DJ 1º/3/2004, e REsp 526.460-RS, DJ
18/10/2004. REsp 1.115.265-RS, Rel. Min. Sidnei Beneti, julgado em 24/4/2012.
6. A nu propriedade pode ser penhorado? A nu propriedade é suscetível de constrição,
salvo se for considerado bem de família e haver a situação de usufrutuário vitalício.
7. O imóvel alugado, se os frutos forem utilizados para pagar o outro aluguel, tem uma
proteção.
8. Devedor tem filhos, se separa, arruma outra mulher que não tolera os filhos e por
isso tem dois imóveis. Qual imóvel é penhorável? A impenhorabilidade pode atingir
dois imóveis, considerou-se que a impenhorabilidade atingiria o sentido amplo. Decisão
de 2013, publicada na sala de notícias do STJ.
Direito processual UFOP.
9. Casos de Previdência privada: Mudança do entendimento jurisprudencial: A pessoa
firma um contrato de previdência privada, mais tarde questiona-se o saldo que compôs
para fins de previdência seria penhorável? O STJ disse que não possui caráter alimentar o
saldo de PGBL, que consiste um plano que permite a transformação de recursos futuros,
constituindo poupança. In. 466, STJ A Turma, por maioria, entendeu que não possui
caráter alimentar o saldo de depósito Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL), que
consiste em um plano de previdência complementar que permite a acumulação de
recursos e a transformação deles em uma renda futura, sendo possível, também, o resgate
antecipado, constituindo aplicação financeira de longo prazo, com natureza de poupança
previdenciária, porém susceptível de penhora. Assim, entra no regime de
indisponibilidade de bens imposto pela Lei n. 6.024/1974, independentemente de os
valores depositados terem sido efetivados em data anterior ao ingresso do administrador
na instituição em intervenção decretada pelo Banco Central. REsp 1.121.719-SP, Rel.
Min. Raul Araújo, julgado em 15/3/2011. Só que como naquela época foi detectado uma
divergência no próprio STJ, sobre o fundo constituído, a parte que perdeu interpôs recurso
para tentar uniformizar o entendimento. Posteriormente então, embargos de divergências,
a 2ª sessão por maioria, declarou que se as provas revelarem a necessidade da previdência
para subsistência, estaria caracterizada a natureza alimentar, e estaria impenhorável.
O julgamento de 2014, saiu o In. 535. O saldo de depósito em fundo de previdência
privada complementar na modalidade Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) é
impenhorável, a menos que sua natureza previdenciária seja desvirtuada pelo
participante. O regime de previdência privada complementar é, nos termos do art. 1º da
LC 109/2001, "baseado na constituição de reservas que garantam o benefício, nos termos
do caput do art. 202 da Constituição Federal", que, por sua vez, está inserido na seção
que dispõe sobre a Previdência Social. Na aplicação em PGBL, o participante realiza
depósitos periódicos, os quais são aplicados e transformam-se em uma reserva
financeira, que poderá ser por ele antecipadamente resgatada ou recebida em data
definida, seja em uma única parcela, seja por meio de depósitos mensais. Em qualquer
hipótese, não se pode perder de vista que, em geral, o participante adere a esse tipo de
contrato com o intuito de resguardar o próprio futuro ou de seus beneficiários,
garantindo o recebimento de certa quantia, que julga suficiente para a manutenção
futura do atual padrão de vida. A faculdade de "resgate da totalidade das contribuições
vertidas ao plano pelo participante" (art. 14, III, da LC 109/2001) não tem o condão de
afastar, de forma absoluta, a natureza essencialmente previdenciária e, portanto,
alimentar, do saldo existente naquele fundo. Veja-se que a mesma razão que protege os
proventos advindos da aposentadoria privada deve valer para a reserva financeira que
visa justamente a assegurá-los, sob pena de se tornar inócua a própria garantia da
impenhorabilidade daqueles proventos. Outrossim, se é da essência do regime de
previdência complementar a inscrição em um plano de benefícios de caráter
previdenciário, não é lógico afirmar que os valores depositados pelo participante
possam, originalmente, ter natureza alimentar e, com o decorrer do tempo, justamente
porque não foram utilizados para a manutenção do empregado e de sua família no
período em que auferidos, passem a se constituir em investimento ou poupança. EREsp
1.121.719-SP, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 12/2/2014.
10. Seguro de vida: De acordo com a Lei, art. 833, CPC, uma das hipóteses de
impenhorabilidade é o seguro de vida. Mas há determinados contratos que pode ser
resgatado pelo próprio instituidor do seguro, isso para se tornarem mais atrativo. Assim,
há a possibilidade antes do sinistro de se resgatar. Mas isso não é o contrato de seguro de
vida per si, e sim uma poupança. E esse caso chegou aos tribunais pra dizer que nesse
caso é sim penhorável o seguro de vida nesses moldes. Caso retirado do TRTMG de
janeiro Recurso do TRT da 3ª Turma: 00254.2014.024.03.00.5. É um julgamento muito
recente que mostra uma certa tendência do Tribunal Mineiro. Se for advogado do
devedor, aplica-se a lei do CPC. Se for advogado do exequente deverá aplicar nos casos
de convolação da natureza jurídica do contrato.
11. FGTS: art. 833, não relaciona o FGTS. É possível a penhora de quantias ligadas ao FGTS
para pagamento alimentar em execução de alimentos. Recurso no In. 495, STJ A CEF, na
qualidade de agente operador do FGTS, reveste-se de legitimidade como terceiro
prejudicado para impetrar mandado de segurança contra decisão que determina o
levantamento de valores mantidos em conta vinculada do fundo para saldar dívida de
alimentos. Isso porque ela é a responsável por centralizar os recursos do FGTS, manter e
controlar as contas vinculadas, liberando os valores, de acordo com a lei. Porém, não
fere direito líquido e certo a penhora de quantias ligadas ao FGTS para pagamento de
débito alimentar em execução de alimentos, visto que o art. 20 da Lei n. 8.036/1990, que
elenca as hipóteses autorizadoras do saque, não é um rol taxativo, pois se deve ter em
vista o fim social da norma e as exigências do bem comum que permitem, em casos
excepcionais, o levantamento de valores oriundos do aludido fundo. Precedentes citados:
REsp 1.083.061-RS, DJe 7/4/2010; RMS 26.540-SP, DJe 5/9/2008; REsp 719.735-CE, DJ
de 2/8/2007, e REsp 698.894-AL, DJ 18/9/2006. RMS 35.826-SP, Rel. Min. Nancy
Andrighi, julgado em 10/4/2012. A lei 8036 traz circunstâncias de saque do FGTS
durante a relação de emprego, em que o empregado tem exceções para levantá-lo:
moléstia grave, adquirir casa própria, não sendo a dívida alimentar uma situação prevista.
Mas o STJ deu uma interpretação extensiva ao rol de exceções para dizer que a lei deve
atender ao bem comum.

Atenção: Analisamos os casos que dão concretude da Dignidade: É verdade que corre em favor do
credor, e tem por objeto bens do acervo do devedor mediante a execução, mas também sendo necessária a
preservação mínima da subsistência mínima. Hipóteses do art. 833, CPC são importantes, já que vai cair
em todas as provas. Todos os casos em que se trabalha, o 833 é necessário que se tenha conhecimento.

Obs.: Execução da Fazenda Pública: Tudo isso falado, de que a execução incide sobre o
patrimônio do devedor, que está sujeito a penhora e expropriação, ou seja, todas as regras não têm
aplicação quando a execução se volta a Fazenda Pública, isso pois, a FP é regida pela Administração
Pública e seus princípios, já que os bens públicos são impenhoráveis e alienáveis, e para alienar, deve
sofrer desafetação. Se os bens são impenhoráveis, significa que as regras de penhora e desapropriação
não são adequadas.
O CPC precisou estipular o procedimento para a Fazenda Pública, dada sua peculiaridade existe o
precatório, ou seja, meio para atingir os resultados, possui uma outra face que são as requisições de
pequeno valor. Por esse procedimento os créditos serão satisfeitos e executados. Seja por cumprimento de
sentença, ou por título extrajudicial, a forma de executar a Fazenda Pública será por precatório ou
requisição de pequeno valor.
Atenção: Os Correios sofreram a penhora de um dos seus carros, e o STF já disse que os Correios
se submetem ao precatório e a requisição de pequeno valor, os bens dos Correios não se sujeitam a penhora,
já que é empresa pública.
Devido a estas características a doutrina tende a dizer que a sentença condenatória não tem força
executiva nesses casos da Fazenda Pública, há quem sustente que não tem como executar a fazenda pública
conforme o procedimento geral, e sim dos procedimentos dos precatórios.
Informação 1: Precatória: É a inclusão do valor no orçamento para pagamento no exercício
financeiro subsequente, para qualquer que seja a natureza do crédito, exceto os de pequeno valor, assim
definidos em lei.
Informação 2: Procedimento: A primeira etapa é o trânsito em julgado da sentença, a segunda é
que o cartório expeça o precatório (que é o documento) instruído com cópias para o processo, terceira etapa
é quando o juiz assina o precatório e o remete ao presidente do Tribunal que determina às autoridades
administrativas a inclusão do valor no orçamento geral para pagamento no exercício financeiro subsequente.
Digressão: Esse princípio traz um estabelecimento de um rol mínimo do devedor, dizendo que se de
um lado há o princípio da patrimonialidade, de outro lado há a necessidade de preservação desse patrimônio,
materializado na lei 8009/90. E no código isso é estipulado pelo rol do artigo 833.

- Princípio da Disponibilidade da Execução (art. 485, §4º, VII; art. 775, NCPC): Art. 485. O juiz
não resolverá o mérito quando: § 4o Oferecida a contestação, o autor não poderá, sem o consentimento do
réu, desistir da ação. Quando se falava da desistência da ação fica mais fácil falar da desistência da
execução. Aqui, há um título executivo, e na ação há a pretensão de ter esse título. Assim, no processo de
conhecimento, poderia o autor desistir da ação a qualquer tempo, mas uma vez citado o réu e o oferecimento
da contestação, a desistência do autor passa a depender do consenso do réu. Na desistência da execução é
diferente já que não se está diante de uma fase de certificação do direito. Já há um direito acertado, cabendo
ao credor executar ou não. Podendo dar início a fase executiva ou não. Ninguém pode obrigar o credor a
executar, e mesmo se ele já estiver executando, ele pode desistir da execução. Assim, se estamos na fase de
cumprimento de sentença ou na execução autônoma, ele pode desistir da execução sem depender do
consentimento do devedor. Só que na execução, deve-se analisar um aspecto crucial quanto a defesa do
executado, ou seja, a participação. Paralela a atividade, há a possibilidade de defesa com a impugnação
ao cumprimento de sentença (execução feita por fases) ou os chamados embargos do devedor (execução
autônoma) ou embargos a execução. Precisaríamos analisar qual o conteúdo da defesa do devedor. A
defesa do executado pode constar de aspectos processuais, exclusivamente, ou seja, alguma questão
processual, por outro lado, pode ter exclusivamente aspectos meritórios, p.ex. excesso de execução,
novação, compensação, dação, que implicam na inexistência da obrigação, e ainda pode na defesa
versar sobre conteúdos processuais e de mérito. Assim, se o devedor opuser defesa, teremos que verificar
qual o conteúdo dessa defesa, já que se o devedor opuser defesas processuais exclusivamente, a desistência
da execução resultará na extinção do processo. Agora, se o executado oferece defesas com conteúdo de
mérito, o executado passa a exercer direito de ação, ou seja, a uma prestação jurisdicional, a uma resposta
do poder judiciário. E por isso, a desistência da execução somente se opera se o devedor concordar
(quando a defesa for de mérito). No processo de conhecimento não faria extinguir o próprio direito, na
execução, se o exequente desiste da execução ele não está renunciando ao crédito, agora, se a defesa é de
mérito, deve avaliar bem se adere ou não ao pedido de desistência do credor, já que o devedor tem que ser
ouvido para não ficar sujeito a posteriormente a satisfação do mesmo crédito, no caso de pagamento, por
exemplo. (Art. 775, CPC, O exequente tem o direito de desistir de toda a execução ou de apenas alguma
medida executiva. I - serão extintos a impugnação e os embargos que versarem apenas sobre questões
processuais, pagando o exequente as custas processuais e os honorários advocatícios; II - nos demais
casos, a extinção dependerá da concordância do impugnante ou do embargante). Desistência portanto, não
se confunde com renúncia ao crédito, já que nesse caso, art. 924, CPC Art. 924. Extingue-se a execução
quando: IV - o exequente renunciar ao crédito; abrir mão do crédito é extinguir a execução.

Desse estado de sujeição do devedor há algumas consequências:


a. Enquanto não oferecida a defesa pelo executado, poderá o credor desistir total ou parcialmente da
execução sem depender do consentimento do devedor.
b. O credor pode ainda alterar o pedido para variar a espécie de execução sem consentimento do executado,
mesmo após a citação. Pode ser feito na PI ou ao longo do processo. Art. 797, CPC.
c. Se vários são os coexecutados, cabe ao credor o poder de desistir a qualquer tempo em relação a um ou
alguns deles já que tem a livre disponibilidade da execução. O credor pode executar todos ou direcionar a
execução entre alguns em responsabilidade solidária. Se não especificar o que se renuncia, renuncia-se o
todo.
Caso: A renúncia ao crédito pelo credor opera efeitos em relação aos honorários? Um dos acessórios da
condenação são os ônus da sucumbência, assim ao abrir mão do crédito, isso não impede que o advogado
executa os honorários. Mas os honorários historicamente seriam uma verba acrescida ao valor da obrigação
para compensar a parte que ganha pelo gasto dispendido (honorários de sucumbências). Deve-se garantir a
parte a efetividade do direito exatamente na medida em que ela o deter. E é essa a crítica à possibilidade da
execução dos honorários que hoje se denominam honorários advocatócios. Não levar em consideração para
a nossa prova essa crítica.

3. Legitimidade e Competência
3.1. Legitimidade: A legitimidade para a execução não é tão complicada, uma vez que quando vimos
no Processo I sobre legitimidade, houve o trabalho com a legitimidade das partes. Mas para a
execução as partes que são mencionadas no título executivo são as legitimadas. Assim sendo, temos
que:
. Credor: Exequente.
. Devedor: Executado.

Sendo esta uma legitimação ativa ordinária (Primária), mas há uma legitimação primária
extraordinária, permitido pela lei. Ou seja, o que é interessado não moveu a execução, ou seja,
um terceiro atuando em nome próprio em face de direito alheio. Seria a legitimação
Extraordinária, como visto no art. 18, CPC, Art. 18. Ninguém poderá pleitear direito alheio em
nome próprio, salvo quando autorizado pelo ordenamento jurídico. Parágrafo único. Havendo
substituição processual, o substituído poderá intervir como assistente litisconsorcial. O art. 778,
CPC, Pode promover a execução forçada o credor a quem a lei confere título executivo: a
legitimação ordinária será percebida pelo que se extrai do título, mas há ainda as hipóteses de
extraordinária, como p. ex.: Ação popular, lei 4717/1965 nomeia quem é o autor da ação popular,
que é o cidadão que compõe os requisitos. Mas a própria lei de ação popular prevê no art. 16, uma
hipótese que julgado procedente o pedido, permanece inerte o cidadão que ajuizou o pedido. Quem
ajuíza uma ação popular ajuíza com base em interesses públicos, já que não é o único interessado.
Tanto não o é, que o art. 16 autoriza outros legitimados para mover a execução, ou seja, relaciona
os legitimados para mover ação de interesse coletivo em geral. O art. 98, CDC relaciona também
uma série de pessoas a mover uma execução coletiva.

Há ainda uma legitimação Ativa Superveniente (Derivada) ou sucessiva. Ou seja, as


pessoas que inicialmente seriam legitimadas ativas, por fatores supervenientes, ocorre uma sucessão
processual, em que a parte que figurava um dos polos da relação, sai cedendo um lugar para outra
pessoa. Há uma impossibilidade de ocupação por duas pessoas ao mesmo tempo. Ex.: quando o
autor morre, em que o momento de execução é substituído pelos herdeiros, que são sucedidos pelo
espólio a partir do momento que é ajuizado o inventário e nomeado um inventariante. Art. 778,
CPC: MP, nos casos previstos em lei, espólio, herdeiros, sucessores sempre que por mortes destes,
a legitimação ativa pode ser afetada em razão evento morte? Sim. Sucessão por ato entre vivos,
como a cessão, contratos, etc. Subrrogados legal ou convencional. § 1o Podem promover a
execução forçada ou nela prosseguir, em sucessão ao exequente originário: I - o Ministério
Público, nos casos previstos em lei; II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do credor, sempre
que, por morte deste, lhes for transmitido o direito resultante do título executivo; III - o
cessionário, quando o direito resultante do título executivo lhe for transferido por ato entre vivos;
IV - o sub-rogado, nos casos de sub-rogação legal ou convencional.
A lei permite que o Fiador inicie a execução pela inércia do credor. Já que o fiador sabe que é
possível que o devedor principal tenha uma diminuição patrimonial que possa não mais
corresponder ao crédito. Assim, o fiador pode ser agourado na legitimidade ativa. O fiador não é
titular do crédito mas tem interesse jurídico que a execução seja feita. Legitimidade ativa primária
extraordinária.
Obs.: Superveniente: Será que o devedor terá que consentir? Claro que não! A execução é
feita no interesse do exequente, do credor. Ou seja, o devedor se sujeita a execução. Sendo essa a
previsão do §2º, art. 778, CPC.
Caso 1: Quando ocorrer o redirecionamento aos fiadores do devedor em razão de ser
infrutífero o leilão, o devedor afiançado não possui legitimidade de recursos, por não ser o
verdadeiro interessado agora. Nesse caso, In. 499, STJ, o devedor teve bens penhorados, mas por
serem de difícil alienação o leilão acaba dando errado. Quando o fiador tem bens penhorados, o
devedor principal oferece recurso, mas discute-se essa legitimidade, já que o devedor principal não
tem interesse em proteger os bens do fiador.

EXECUÇÃO. FIADORES. LEGITIMIDADE PARA IMPUGNAÇÃO. A controvérsia diz


respeito a redirecionamento de execução aos fiadores do devedor, em razão de ter sido infrutífero
o leilão que teve como objeto os bens penhorados. A Turma entendeu que o devedor afiançado não
possui legitimidade para recorrer de decisão que determinou a penhora de bens dos fiadores,
uma vez não ser o titular do direito ameaçado pela nova constrição. Também não possui interesse
recursal na impugnação, na medida em que não se busca situação jurídica mais vantajosa do que
aquela nascida do redirecionamento da execução para os fiadores. REsp 916.112-RO, Rel. Min.
Luis Felipe Salomão, julgado em 5/6/2012.

Caso 2: Aluguéis. A administradora dos imóveis é uma imobiliária, e se o inquilino fica


inadimplente, a imobiliária ajuíza uma ação de cobrança fundada em um contrato de aluguel. A
imobiliária tem legitimidade para cobrar aluguel? O crédito não é da administradora, e sim do
proprietário, não havendo legitimidade. Assim, para ajuizar a ação deve ser em nome do
proprietário, mediante procuração In. 500, STJ.

EXECUÇÃO. LEGITIMIDADE ATIVA. ADMINISTRADORA DE IMÓVEIS.


ALUGUÉIS INADIMPLIDOS. A administradora de imóveis não é parte legítima para ajuizar ação
de execução de créditos referentes a contrato de locação, pois é apenas representante do proprietário,
e não substituta processual. Assim, no caso, a imobiliária carece de legitimidade ativa para postular,
em nome próprio, os aluguéis inadimplidos, que compõem o patrimônio do proprietário. REsp
1.252.620-SC, Rel. Min. Nancy Andrighi, julgado em 19/6/2012.

Legitimidade passiva: Art. 779, CPC: com o inciso I que traduz a hipótese mais simples: o
devedor indicado no título executivo. Mas é possível a alteração superveniente, com as demais
hipóteses: espólio, herdeiros, sucessores, novo devedor que assume a obrigação, sendo a cessão de
débito feita pelo consentimento do credor. Etc. Art. 779. A execução pode ser promovida contra: I -
o devedor, reconhecido como tal no título executivo; II - o espólio, os herdeiros ou os sucessores do
devedor; III - o novo devedor que assumiu, com o consentimento do credor, a obrigação resultante
do título executivo; IV - o fiador do débito constante em título extrajudicial; V - o responsável titular
do bem vinculado por garantia real ao pagamento do débito; VI - o responsável tributário, assim
definido em lei.

Caso 1: Réu revel, o art. 72, CPC trabalha com a possibilidade de ao réu ser nomeado um
curador. O STJ tem uma Súmula, 196, que diz que ao EXECUTADO, citado por edital ou hora
certa que permanece revel, será nomeado curador especial. Amplia a situação do réu revel para o
executado: «Ao executado que, citado por edital ou por hora certa, permanecer revel, será
nomeado curador especial, com legitimidade para apresentação de embargos. »
Caso 2: art. 780, CPC que permite o acúmulo de execuções. O exequente pode cumular
execuções quando o executado for o mesmo e desde que todas elas sejam o mesmo juízo
competente e idêntico os procedimentos. Se estamos trabalhando com execução fiscal, e outra de
fazer, não seria possível já que são inconciliáveis. Ex.: Banco: em que o cliente tenha muitos
contratos em obrigação de pagar quantia, ajuíza uma só ação reunindo as demais. Art. 780. O
exequente pode cumular várias execuções, ainda que fundadas em títulos diferentes, quando o
executado for o mesmo e desde que para todas elas seja competente o mesmo juízo e idêntico o
procedimento.
3.2. Competência:
Para a execução civil, é preciso identificar três modelos para essa definição, em que cada um deles
estará atrelado aos títulos que fundam a execução.
- Títulos Judiciais: Regras próprias para definição de competência. Art. 516. O cumprimento da
sentença efetuar-se-á perante: I - os tribunais, nas causas de sua competência originária; II - o juízo
que decidiu a causa no primeiro grau de jurisdição; III - o juízo cível competente, quando se tratar
de sentença penal condenatória, de sentença arbitral, de sentença estrangeira ou de acórdão
proferido pelo Tribunal Marítimo.
. Há outros títulos que são equiparáveis a sentença judicial condenatória, mas por hora, é a
sentença que perfaz o exemplo. Art. 516, CPC que define a forma dessa competência para executar
títulos judiciais, com três regras: a. Será competente os tribunais para as causas de sua competência
originária. Exemplo: se a União esteja litigando em face de um estado membro, nesse caso, o órgão
competente é o STF, assim, a ação é distribuída como instância única, em que o STF é competente
para julgar o julgado; b. será competente o juízo de primeiro grau que conheceu a demanda em
primeiro grau de jurisdição. Ex.: Mas se da sentença foi interposto recurso julgado no mérito pelo
Tribunal de Justiça? Assim, o juízo de primeiro grau que será responsável, mesmo com o recurso; c.
estabelece um modo de definir a competência para quatro hipóteses peculiares, ou seja, sentença
penal condenatória, arbitral, estrangeira homologadas pelo STJ, e do tribunal marítimo.
Art. 516, III. Juízo competente para esses tipos peculiares, trabalhando em consonância
com o inciso II: foro de domicílio do executado executa uma sentença penal condenatória. Essa
mesma regra se aplica a hipótese do inciso II, do art. 516. Em que desde 2005 o antigo CPC já
admitia a regra do §1º, já que como o processo de conhecimento pode demorar muito, muita coisa
pode ter mudado, como o domicílio, e para evitar o desconforto da carta precatória, o credor tem a
faculdade de escolher qual o juízo será responsável pela execução, com as opções do inciso III.
Sendo algo revolucionário, já que diminuiu o número de cartas precatórias sensivelmente. Se nada
mudou, onde o processo realizou a fase de conhecimento ocorrerá a execução. Obs.: se pensamos em
critérios de competências absoluta e relativa, o I é absoluta, para os II e III a competência territorial
relativa.
- Títulos Extrajudiciais:

Art. 781. A execução fundada em título extrajudicial será processada perante o juízo competente,
observando-se o seguinte: I - a execução poderá ser proposta no foro de domicílio do executado, de
eleição constante do título ou, ainda, de situação dos bens a ela sujeitos; II - tendo mais de um
domicílio, o executado poderá ser demandado no foro de qualquer deles; III - sendo incerto ou
desconhecido o domicílio do executado, a execução poderá ser proposta no lugar onde for
encontrado ou no foro de domicílio do exequente; IV - havendo mais de um devedor, com diferentes
domicílios, a execução será proposta no foro de qualquer deles, à escolha do exequente; V - a
execução poderá ser proposta no foro do lugar em que se praticou o ato ou em que ocorreu o fato
que deu origem ao título, mesmo que nele não mais resida o executado. Se é fundada em título
extrajudicial, temos o art. 781, CPC, em que possui cinco regras, I – proposta no foro do domicílio
do executado, eleição, ou situação dos bens a ela sujeitos. O que mudou foi o foro de eleição. Assim,
verifica se o contrato estabelece ou não foro diferente. Com isso o critério local é de competência
relativa, se ajuizar no local diverso do de eleição, se não arguir a incompetência, torna-se pela
prorrogação competente; II – havendo mais de um domicílio, haverá a execução no foro que quiser.
III – Se incerto ou desconhecido a execução é proposto onde tiver sido encontrado ou no foro do
exequente. IV – mais de um devedor com diferentes domicílios, a execução será no foro de qualquer
um. V - pode ser proposta no foro do lugar do título, mesmo que não estiver o executado. STJ
passou a declarar a possibilidade de declaração de ofício quando em contrato de adesão, súmula 33,
em que o STJ disse que é vedado ao juiz declarar de ofício a competência relativa, mas para as
relações de consumo, o STJ não observa sua própria súmula.

Obs.: Títulos executivos extrajudiciais estrangeiros, não dependem de homologação do STJ para ser
executado.
- Executividade Fiscal: A regra para a competência está prevista no art. 46, CPC, o legislador trouxe
a regra de competência dentro da parte geral, e o §5º vai dizer que a execução será no foro do
domicílio do réu ou local em que for encontrado.
Obs. 1: Lei especial que regula a execução fiscal (FP é exequente), sendo uma lei
6830/1980 prevê no art. 5º que a competência exclui qualquer outro juízo por mais privilegiado que
seja, como o juízo falimentar.
Obs.2: Créditos fiscais de entes públicos federais: A União tem uma série de tributos de
sua competência, por exemplo o imposto de renda. Art. 46, domicílio. Se não há sucessão, o art. 109,
I, CR determina que nas comarcas que não tem a sede, o juiz estatual se investe da competência para
tratar dessas matérias
Obs. 3: Alegação de incompetência:
Discussão da Prova:
1. Ideia central: A execução corre no interesse do credor que já possui direito certificado em título
executivo. Assim, além do título, o inadimplemento, há o direito certificado no título. No campo de
defesas do devedor, este terá um rol limitado. Apesar da execução ser feita ao interesse do credor, ela
esbarra em alguns limites, como a economia da execução e a dignidade da pessoa humana. Já que
quando por várias formas a execução seja realizada, ela deve ser realizada de maneira menos
gravosas, já que não se usa a execução para imprimir ao devedor a um castigo. Se o crédito for
satisfeito de uma outra forma assim deve ser feito. Este princípio é que o fundamenta a substituição
da penhora. Além disso, o respeito à dignidade encontra-se em assegurar o devedor um patrimônio
mínimo para estabelecer uma manutenção de uma vida digna, já que fortalece todos os limites que
encontram-se no processo civil.
2. Para os que responderam sim, a justificativa encontra-se na exceção da lei 8009.
3. Se o contrato permite que o próprio estipulante o retire ocorre uma desnaturalização.
4. Art. 1015, CPC, §1º, nas decisões interlocutórias na execução cabe agravo. O devedor tem razão pela
comprovação que não trará problema ao exequente e menor onerosidade, e cabe Recurso Especial,
STJ.

Artigo: A respeito dos alimentos.


Obs.: Informação do PL 2197/2015, modificação do CPC, para limitar a penhora online. Limitar a
constrição em até 20% do que é estipulado. O devedor tem créditos não provenientes de salário sem ter um
prévio contraditório e satisfaz o crédito.

4. Responsabilidade Patrimonial na Execução art. 789 a 796, CPC

a. Introdução
Já ultrapassamos o período em que havia a execução pessoal do devedor, algo que antigamente já
existia, prevalecendo a regra da patrimonialidade pelo novo quadro de respeito à
patrimonialidade da execução. Nem mesmo a prisão de devedor em caso de alimentos é
considerada uma exceção ao princípio da patrimonialidade, já que quando o devedor de alimentos
vai preso, ele não tem a dívida perdoada, sendo um meio de execução na modalidade de
coerção. Pode-se concluir, por isso, que nem mesmo a prisão é exceção. Quais são os bens do
devedor sujeitos à execução?
b. Bens Sujeitos à Execução: Bens presentes e futuros que compõem o acervo patrimonial do
devedor, salvo as restrições legais, que compatibilizam com os limites da execução, dentro destas
há o regime de impenhorabilidade, e princípios da execução.
Art. 789. O devedor responde com todos os seus bens presentes e futuros para o cumprimento
de suas obrigações, salvo as restrições estabelecidas em lei.
c. Bens de terceiros:
Art. 790. São sujeitos à execução os bens: I - do sucessor a título singular, tratando-se de
execução fundada em direito real ou obrigação reipersecutória; II - do sócio, nos termos da lei;
III - do devedor, ainda que em poder de terceiros; IV - do cônjuge ou companheiro, nos casos
em que seus bens próprios ou de sua meação respondem pela dívida; V - alienados ou gravados
com ônus real em fraude à execução; VI - cuja alienação ou gravação com ônus real tenha
sido anulada em razão do reconhecimento, em ação autônoma, de fraude contra credores; VII
- do responsável, nos casos de desconsideração da personalidade jurídica.
O exame tem foco também na questão da responsabilidade, ou seja, o responsável por se
sujeitar ao cumprimento das obrigações. Já que muitas vezes o sujeito que contraiu a obrigação
não é o responsável pela execução da obrigação, havendo alguma dissociação. Com isso, quando
se analisa a responsabilidade patrimonial deve ser levado em conta o terceiro que não se obrigou
na origem. Se isso for levado em conta, identifica-se uma responsabilidade primária (devedor
que tem o nome no título), que se dissocia da responsabilidade secundária (então, são
pessoas que se sujeitarão à execução sem ter tido elas contraído). Ex. Cônjuge; espólio (pode
ser integralmente absolvido para pagar dívidas); herdeiro (é responsável, mas não antes de
ultimada o inventário, e sim depois do inventário, ou seja, nas forças das cotas que cada um
recebeu em responsabilidade, nas forças da herança); fiador (é responsável secundário, só que
goza de um privilégio na execução civil. Regra do artigo 794, CPC.
Art. 794. O fiador, quando executado, tem o direito de exigir que primeiro sejam executados
os bens do devedor situados na mesma comarca, livres e desembargados, indicando-os
pormenorizadamente à penhora. § 1o Os bens do fiador ficarão sujeitos à execução se os do
devedor, situados na mesma comarca que os seus, forem insuficientes à satisfação do direito do
credor. § 2o O fiador que pagar a dívida poderá executar o afiançado nos autos do mesmo
processo. § 3o O disposto no caput não se aplica se o fiador houver renunciado ao benefício de
ordem.
Dizendo quais são os bens dos afiançados que estão desembargados e o local em que se
encontram (mesma comarca) para que sejam sujeitos a constrição antes do fiador, com o
benefício de ordem. Não obstante, a maioria dos contratos de aluguel prevê a figura em uma
cláusula que é uma norma que retira o benefício de ordem, nesse sentido, se ocorrer a citação de
ambos (executado e fiador), ele (fiador) se torna devedor principal. Em regra, o fiador era o
responsável secundário, mas com a renúncia ao benefício de ordem, atua como o responsável
primário, já que não há mais diferença entre o executado e o fiador. Cabendo ao exequente a
possibilidade de executar a ambos (litisconsórcio passivo facultativo), já que ambos se
submetem à execução.
Se os bens do devedor forem insuficientes os bens do fiador entram para a situação.
- Situação interessante: Poderia o exequente, se valendo do princípio da execução que
corre em seu favor, e com a renúncia ao benefício de ordem, pedir a substituição do bem do
devedor por um bem do fiador de mais fácil alienação, após as tentativas de alienar o bem do
devedor, sem o interesse de adjudicação1 do bem penhorado, e em caso do devedor não ter
outros bens. Teria como pedir a substituição da penhora? Ao nosso ver, há essa possibilidade.
- Professor de faculdade particular: Entra contra a faculdade, e ela não possui bens de
fácil alienação, nesse sentido, o credor pode pedir a substituição da penhora? Sabendo que
este instituto é pró devedor, com o princípio da economia da execução, o que fazer nessa
situação? Poderia pedir a substituição desde que demonstre que não acarrete prejuízo ao
devedor, e a forma efetiva para a execução. Nesse caso a faculdade seria chamada a se
pronunciar, e o executado pode se opor a execução, desde que consiga demonstrar a forma
mais gravosas.

Há ainda outro dispositivo que informa: O fiador que pagar a dívida pode executar o
devedor em um mesmo processo, sem precisar ajuizar ação de conhecimento, podendo executar
o próprio crédito. (§2º, 794, CPC).
Então, quais são os bens do devedor (executado) que respondem a execução? São bens
presentes e futuros salvo as exceções do art. 833, CPC, mas devemos nos atentar para as
exceções das exceções do artigo 833. Questão de prova: Pequena propriedade rural desde que
trabalhada pela família, para a subsistência é impenhorável, mas se o imóvel foi comprado e a
dívida contraída para essa finalidade, cai na exceção, e retira a impenhorabilidade.

d. Responsabilidade do Cônjuge (bens do cônjuge): Em regra tem protegida a sua meação, se o


cônjuge é codevedor o patrimônio será penhorado, já que é devedor principal, o problema que
requer tratamento especial é quando ele não for codevedor. Ex.: quando o cônjuge ou o
companheiro contraia dívidas particulares que não envolva o outro cônjuge. Assim, o CPC
protegeu os bens que compõem a meação do cônjuge. Por isso que quando executado, e o bem é
penhorado, o cônjuge é necessariamente intimado, podendo oferecer embargos do devedor ou
embargos de terceiro. Já que se o bem for expropriado, fica claro o seu interesse, e muitas vezes
ele pode não querer a expropriação, podendo ofertar embargos. Mas se for expropriado mediante
alguma modalidade, a meação do cônjuge é protegida no produto da alienação. A meação do
cônjuge não devedor em um bem alienado por um valor x, x/2 é destacado no produto da
alienação, e os outros x/2 são utilizados para a quitação do crédito (observar o art. 843, CPC).
Art. 843, CPC: Tratando-se de penhora de bem indivisível, o equivalente à quota-parte do
coproprietário ou do cônjuge alheio à execução recairá sobre o produto da alienação do bem. §
1o É reservada ao coproprietário ou ao cônjuge não executado a preferência na arrematação do
bem em igualdade de condições. § 2o Não será levada a efeito expropriação por preço inferior
ao da avaliação na qual o valor auferido seja incapaz de garantir, ao coproprietário ou ao
cônjuge alheio à execução, o correspondente à sua quota-parte calculado sobre o valor da
avaliação.
O CC prevê uma situação em que, apesar da dívida ter sido adquirida por apenas um cônjuge,
mas a dívida é para o bem da família (alimentação, educação, etc.) não há de se falar em
separação da meação, já que a dívida foi contraída embora individualmente para o bem da
família. Ex.: Sítio para a família: no art. 1643, 1644, CC há a numeração das despesas correntes.
Art. 1.643. Podem os cônjuges, independentemente de autorização um do outro: I - comprar,
ainda a crédito, as coisas necessárias à economia doméstica; II - obter, por empréstimo, as
quantias que a aquisição dessas coisas possa exigir. Art. 1.644. As dívidas contraídas para os
fins do artigo antecedente obrigam solidariamente ambos os cônjuges.
Nesse caso, não cabe separação de meação, se for para o bem da família.
O cônjuge possui a responsabilidade secundária, art. 790, IV, CPC, em que os seus bens próprios
ou da meação respondem pelas dívidas.
A lei determina que o cônjuge seja intimado, tratando em penhora de bem indivisível, separa
a cota parte do coproprietário do cônjuge alheio recairá ao valor da alienação do bem, mas há

1
Ato judicial que dá a alguém a posse e a propriedade de determinados bens.
uma exceção no §2º, que diz que não será levada a efeito a expropriação por preço inferior ou
seja com o valor que será incapaz de garantir o valor da meação enquanto a cota parte. Ex.: o
bem foi avaliado em 500 mil, a cota parte do cônjuge será retirado do produto da alienação, se o
bem foi alienado por 400 mil, a cota parte será retirado daqui, mas o §2º completa a informação
para dizer que não será alienado o imóvel por preço que torne impossível destacar do
coproprietário a sua parte de um valor inferior. Assim, dos 400 mil, deve ser retirado os 250
mil. A outra mensagem é que o §2º, art. 843, traz um parâmetro importante para o valor mínimo
de alienação, que não é 250 mil, já que contraria dessa maneira o princípio da utilidade da
execução, já que não se satisfaz minimamente a execução, e causa lesão aos dois. Assim, o
mínimo deveria ser 250 mil mais o valor da execução. Ou seja, se o valor da execução for 50 mil,
e ocorreu um lance de 300 mil, tá tranquilo, já que retiro os 250 mil, e ficam 50 mil. Se o bem foi
alienado por 280 mil, e a dívida é de 50 mil, não se pode arrematar o bem, já que somente se
sobrariam 30 mil.
Art. 842. Recaindo a penhora sobre bem imóvel ou direito real sobre imóvel, será intimado
também o cônjuge do executado, salvo se forem casados em regime de separação absoluta de
bens. Quando o bem comum é penhorado, aquele que não é devedor deve ser intimado para
propor embargos de devedor ou de terceiros. Se o cônjuge aparecer há a formação de
litisconsorte passivo ulterior, em que o exequente consegue a penhora do bem, e como é de
copropriedade, se ele quiser comparece para a realização de embargos.
Art. 885. O juiz da execução estabelecerá o preço mínimo, as condições de pagamento e as
garantias que poderão ser prestadas pelo arrematante

e. Fraudes: Temos três tipos de fraudes que incidem sobre o processo civil, sendo uma delas típicas
do direito civil (d.1)
d.1. Fraude contra credores art. 158 a 165, CC: Interessa ao processo já que:
a. quais são os requisitos para que perceba a fraude? Intenção de fraudar (consilium fraudis,
demonstrado entre o devedor e o terceiro adquirente do bem e a insolvência, ou seja, o evento
damini (evento do dano, em que o ato praticado pelo devedor é que vai importar no dano para o
credor, já que se executar não encontrará nada).
b. somente fala de fraude contra credores quando não há ainda uma conduta ativa do credor
na busca pelo crédito, quando não existe qualquer movimentação processual. Já que se já tiver
uma execução em andamento não há fraude contra credores. Mas se o credor não dispõe de título
executivo e entra com uma PI, isso já afasta a possibilidade de fraude contra credores, assim o
limite para classificar as fraudes é a citação, ou seja, a ciência ao devedor (já que é o ato que
formaliza a questão da ciência).
No entanto, parcela da doutrina diz que às vezes, não há processo, portanto não houve a
citação, ou mesmo com o processo sem citação, e o credor consegue demonstrar o conhecimento
do devedor sobre o credor querer receber o crédito. Ex.: quando o credor manda uma carta com
o aviso de recebimento que é notificado da cobrança. E a partir disso, se ele foi notificado, se
inicia ou permanece dilapidando atos já está incorrendo em fraude à execução e não fraude
contra credores.
Tem-se uma conduta do devedor que é praticada antes da existência de qualquer processo, de
execução ou se conhecimento, assim, o critério momento é o que o difere da Fraude à execução.
O divisor de águas costuma ser a citação do devedor, mas se conseguir demonstrar que o
devedor intenta a satisfação do crédito, há Jurisprudência que considera possível a fraude à
execução antes da citação.
Por ser devedor a pessoa não está proibida de alienar bens do seu acervo patrimonial. O fato
de ter obrigação não tem a ver com a impossibilidade de dispor os bens. O devedor não está
proibido de onerar bens. Mas se essa alienação se der com o proposito de frustrar a satisfação de
crédito, pode ser fraude contra os credores.
O direito prevê um mecanismo para compelir a fraude contra credores, que seria mediante a
ação pauliana, ou seja, anulação do negócio jurídico, só que não há ação em andamento na
caracterização da fraude, assim, para que o credor ao tomar conhecimento da situação de
insolvência, o credor deverá ajuizar a ação revocatória (ou pauliana), não se encontra no CPC,
já que ação não tem nome, já que se ajuíza pedido e não ação. Essa ação tem por objetivo a
anulação no NJ realizado, para o efeito de uma sentença declaratória de anulação de um
Negócio Jurídico. O efeito da sentença pelo artigo 165, CC, tem a anulação do NJ que importa o
retorno do bem para a esfera patrimonial do devedor, em assim ocorrendo, o credor que ajuizou a
ação não tem garantia que terá preferência sobre o bem (art. 792, §1º).
Art. 165. Anulados os negócios fraudulentos, a vantagem resultante reverterá em proveito do
acervo sobre que se tenha de efetuar o concurso de credores. Parágrafo único. Se esses negócios
tinham por único objeto atribuir direitos preferenciais, mediante hipoteca, penhor ou anticrese,
sua invalidade importará somente na anulação da preferência ajustada.
Art. 792. A alienação ou a oneração de bem é considerada fraude à execução: § 1o A
alienação em fraude à execução é ineficaz em relação ao exequente.
O problema da anulação, todos os credores concorrerão em pé de igualdade pelo bem que se
retornou. Sendo uma consequência criticada pela doutrina processualista, já que mesmo sendo
anulável, a consequência não seria voltar ao acervo patrimonial, e sim sua ineficácia perante o
credor que ajuizou a ação pauliana. Assim, se ajuizou a ação, e por ele ter tido a iniciativa,
somente ele poderia se beneficiar. Mas essa é uma teoria minoritária. O que prevalece é a noção
de concorrer os demais credores em pé de igualdade. Mas a execução que atingir primeiro o
bem pela penhora, ou seja, credor que primeiro averbar, terá preferência no produto da
alienação desse bem.

d.2. Fraude à execução: Aqui, o consilium fraudis é dispensado*** pelo STJ, em regra, mas há
uma discussão para dizer que ele é dispensado porque essa fraude é mais grave, já que contraria a
justiça, e por isso não são os mesmos requisitos da fraude contra credores. Mas o problema é: na
prática quando se pede o reconhecimento da fraude à execução, a jurisprudência reconhece a
fraude mas deve resguardar o interesse de terceiro adquirente do bem, em que o terceiro de boa-
fé não pode ser lesado, assim, deve-se provar a má fé, inviabilizando a diferenciação de
requisito, já que mostrar a má fé implica no consilium fraudis (devedor alienante e terceiro que o
adquire, lembrando que essa má-fé não engloba a possibilidade de provar a intenção de causar
dano. Assim, o terceiro precisa ter a consciência de que a alienação do bem poderá reduzi-lo a
insolvência. Mas isso não tem a ver com o credor).
Com isso, a lei vem sendo alterada, e em 2006, no artigo 615-A (CPC/1973) e hoje no art.
799, IX, CPC autorizava o credor a expedição de uma certidão de fatos (em que se atesta que
naquele juízo corre a execução, e o credor leva essa certidão na averbação nos registros
públicos).
Art. 799. Incumbe ainda ao exequente: IX - proceder à averbação em registro público do ato de
propositura da execução e dos atos de constrição realizados, para conhecimento de terceiros.
Seria um gravame no bem, dessa maneira acabou com a necessidade de demonstrar a boa-fé. Já
que se a compra foi depois da averbação, torna o devedor ciente que não poderá alegar ter agido
de boa-fé, nem este, nem o terceiro. O 615-A, CPC/73 dava ao credor essa possibilidade, essa
faculdade. O CPC vigente parece ter trazido ao exequente um dever pela expressão “incumbe
ao exequente”, assim, será que esse seria um reflexo da publicidade do processo para terceiros
que não compõem a relação processual? Ou seja, um modelo cooperativo para além dos sujeitos
processuais? Assim, se o credor tem o dever de averbar, para noticiar terceiros que os bens
adquiridos de algumas pessoas podem não ser adquiridos, afasta a alegação de boa-fé da
aquisição do bem pelo terceiro.
Pelo fato de a alienação ocorrer durante o processo e o credor deixa inequívoco o ato de
fraude, sendo reputado de maior gravidade, e por isso tem-se que demonstrar a presença de
menos requisitos. O requisito que tem que mostrar é a ocorrência do devedor pela insolvência, ou
seja, porque alienou que se reduziu na situação de insolvência. Mas sendo esta fraude mais grave
há ainda outra repercussão: o art. 774, CPC considera o ato de fraude à execução como ato
atentatório à dignidade da justiça, já que o devedor não atenta somente contra o credor, e sim
com a atividade jurisdicional.
Art. 774. Considera-se atentatória à dignidade da justiça a conduta comissiva ou omissiva
do executado que: I - frauda a execução; II - se opõe maliciosamente à execução, empregando
ardis e meios artificiosos; III - dificulta ou embaraça a realização da penhora; IV - resiste
injustificadamente às ordens judiciais; V - intimado, não indica ao juiz quais são e onde estão os
bens sujeitos à penhora e os respectivos valores, nem exibe prova de sua propriedade e, se for o
caso, certidão negativa de ônus.
O CPC não fixa muita multa, não obstante, no 774, §único estabelece-se uma multa pesada
que é de até 20% do valor atualizado do débito.
Parágrafo único. Nos casos previstos neste artigo, o juiz fixará multa em montante não
superior a vinte por cento do valor atualizado do débito em execução, a qual será revertida em
proveito do exequente, exigível nos próprios autos do processo, sem prejuízo de outras sanções
de natureza processual ou material.
Então, é um valor não superior a 20% por cento. Questão de prova: perguntar quais são os
atos atentatórios. O § único diz que seria não superior, o que significa que há um espaço para o
juiz ao fixar a multa, no entanto, se há discricionariedade há o dever de fundamentação, tem
que demonstrar porque o valor fixado é suficiente e não excessivo, cercando a possibilidade de
recurso. Multa em proveito ao exequente e não ao Estado, por mais que seja também um ato
atentatório à Justiça, já que o exequente é o mais prejudicado.
Obs.: Art. 334, CPC, §8º.
Art. 334. Se a petição inicial preencher os requisitos essenciais e não for o caso de
improcedência liminar do pedido, o juiz designará audiência de conciliação ou de mediação
com antecedência mínima de 30 (trinta) dias, devendo ser citado o réu com pelo menos 20 (vinte)
dias de antecedência. § 8o O não comparecimento injustificado do autor ou do réu à audiência
de conciliação é considerado ato atentatório à dignidade da justiça e será sancionado com
multa de até dois por cento da vantagem econômica pretendida ou do valor da causa, revertida
em favor da União ou do Estado.
Diz que as partes deverá comparecer à audiência sendo que o não comparecimento considera
ato atentatório à dignidade da justiça, mas nesse caso a multa será convertida ao Estado. Na
fraude à execução não há necessidade de ação autônoma, basta que provoque um incidente no
curso do processo, sendo uma simples declaração de ineficácia do Negócio realizado. Para os
demais credores o negócio é válido, mas para esse credor que pediu a fraude é ineficaz, de
modo que na sua execução o bem é impenhorável.
(Perdi uma parte, motivo: trabalho de comercial). Na prática isso não é tão utilizado, e com o
CPC/15 pode ser que passa a ser mais bem utilizado. Art. 828, §4º e §5º
Art. 828. O exequente poderá obter certidão de que a execução foi admitida pelo juiz, com
identificação das partes e do valor da causa, para fins de averbação no registro de imóveis, de
veículos ou de outros bens sujeitos a penhora, arresto ou indisponibilidade. § 4o Presume-se em
fraude à execução a alienação ou a oneração de bens efetuada após a averbação. § 5o O
exequente que promover averbação manifestamente indevida ou não cancelar as averbações nos
termos do § 2o indenizará a parte contrária, processando-se o incidente em autos apartados.
(Incumbe ao credor cancelar a averbação após a realização de satisfação do crédito, e se não o
fizer terá que indenizar a parte contrária, também pode determinar indenização se ocorrer uma
averbação indevida).

d.3. Fraude contra bem constrito: A fraude contra bem constrito no CPC/15 é tratada como
fraude à execução. Essa fraude significa: o bem já foi objeto de penhora, e o devedor ainda assim
ocultou o bem. Sendo algo ainda mais grave, já que já se tem um bem reservado para a satisfação
da execução. Não haveria a necessidade da demonstração da insolvência. No Código novo, essa
hipótese foi incorporada no art. 792, III, CPC. Se a penhora será averbada, então já se tem uma
formalização de que já houve a constrição do bem. A tendência é que haja uma adaptação para
tratar essa hipótese no máximo como qualificativo de fraude à execução. O professor viu isso no
Arruda Alvim, que diz que a maioria dos doutrinadores tratam como uma espécie, mas que
passará a ser uma espécie de fraude à execução.

Título Executivos
1. Generalidades: São dois requisitos para a execução, precisa ter caracterizado o
inadimplemento, demostrar que se trata de uma obrigação vencida, e a presença de um título
executivo. Sendo este, o documento que legitima o início da execução. Não tem como falar
de execução sem a presença de título executivo e sem que o devedor esteja inadimplente. A
necessidade de obrigação vencida deve ser muito observada. Mas há a possibilidade de
vencimento antecipado das obrigações do devedor, como por exemplo na falência. Mas de
regra, o que necessita é o vencimento, o título, etc. Se não houve o vencimento da obrigação,
não se pode falar de uma execução, tendo que discutir qualquer coisa na obrigação.
Qualquer título executivo deve ser representativo de uma obrigação, só que essa obrigação
tem atributos, assim para o título ser apto para emparelhar a execução a obrigação deve ter
certeza (atributo que a obrigação possui que faz com que não haja dúvida com relação a
sua existência, existem todos os pressupostos para a constituição da ação, não há dúvida
no título com relação a formação), liquidez (não é possível executar obrigação iliquida, o
atributo do pedido é certo e determinado, com relação a existência e extensão, assim, a
obrigação deve ser determinada, não posso executar sem quantificar) e exigibilidade (a
exigibilidade da obrigação, a noção da exigibilidade remonta aos tempos do estudo de
Obrigações, já que tem a ver com o vencimento, inexistência de termo ou condição, se não
tiver termo ou condição e já encontrou o seu vencimento é possível falar em execução), art.
786, CPC e o art. 788, CPC.
Art. 786. A execução pode ser instaurada caso o devedor não satisfaça a obrigação certa,
líquida e exigível consubstanciada em título executivo. Parágrafo único. A necessidade de
simples operações aritméticas para apurar o crédito exequendo não retira a liquidez da
obrigação constante do título. Art. 788. O credor não poderá iniciar a execução ou nela
prosseguir se o devedor cumprir a obrigação, mas poderá recusar o recebimento da
prestação se ela não corresponder ao direito ou à obrigação estabelecidos no título
executivo, caso em que poderá requerer a execução forçada, ressalvado ao devedor o direito
de embargá-la.
Execução específica e subsidiária: na execução específica o credor busca obter
exatamente o que lhe é assegurado pelo título executivo. Pode se dar em entrega de coisa,
obrigação de fazer ou não fazer e execução de quantia certa. Na execução subsidiária o
credor pretende obter determinada quantia ou outro bem que equivalha ao bem que lhe é
assegurado pelo título. Ex. cavalo morre e a pessoa quer a quantia equivalente ou outro bem
equivalente. Pode ocorrer nas execuções de entrega de coisa ou de obrigação ou não fazer. A
execução subsidiária também é denominada genérica, inespecífica ou pelo equivalente
Execução imprópria: a sentença declaratória pura e a constitutiva própria não podem
ser propriamente executadas. Atos jurídicos com objetivo de documentar sentenças
meramente declaratórias ou constitutivas, por meio de registro ou averbação em órgãos do
chamado foro extrajudicial. Ex. juiz manda expedir mandado de ação de divórcio ou alteração
de novo. O juiz vai determinar que a averbação seja feita. Prática de atos jurídicos realizados
com o objetivo de documentar algumas decisões ou dar-lhes publicidade e eficácia. Ex.
registro de sentença de usucapião, anulação de casamento, divórcio. Não atuam sobre a
vontade do indivíduo (execução indireta) e nem são medidas de sub-rogação (execução
direta).

Conceito: título executivo é cada um dos atos jurídicos a que a lei reconhece como
necessários e suficientes para legitimar a realização da execução sem qualquer nova ou prévia
indagação acerca da existência do crédito, isto é, sem qualquer nova ou prévia cognição
quanto à legitimidade da sanção determinada no título.
-prévia (relacionada aos títulos extrajudiciais) ou nova (relacionada aos títulos judiciais)
indagação significa que esses títulos judiciais, uma vez formados, já passaram por uma
cognição.
-no caso de título judicial o réu já teve oportunidade de se defender na fase de cognição. No
título extrajudicial não, pois não houve fase de cognição
- obs.: fatos supervenientes, extintivos ou modificativos do crédito obriga o juiz a analisar a
discutir o crédito.
Natureza jurídica
Funções:
1-autorizar a execução. O título é suficiente, ele basta em si.
2-Determinar o seu objeto. Ex: objeto da execução: entregar coisa, pagar quantia, cumprir a
obrigação.
3- Estabelecer os limites da execução. O credor executa dentro dos limites e deve mensurar a
obrigação: certeza, exigibilidade e liquidez.
Obs.: títulos executivos são definidos por lei. Tem rol taxativo. A união que tem legitimidade
para legislar sobre processo.
a. Requisitos
2. Títulos Executivos Judiciais (art. 515, CPC) – Caiu na 2ª prova uma questão aberta.
I - as decisões proferidas no processo civil que reconheçam a exigibilidade de obrigação
de pagar quantia, de fazer, de não fazer ou de entregar coisa; A redação anterior a 2015
dizia sentenças condenatórias e foi alterada para decisões proferidas no processo civil. A
discussão se dava em razão da classificação tríplice (sentença declaratória, constitutiva ou
condenatória) ou quinária (sentença declaratória, constitutiva, executiva lato sensu e a
mandamental). A sentença não precisa ser inteiramente condenatória, podendo haver apenas
um capítulo condenatório (ex. capítulo que determina a compensação), e ainda assim a
execução se dará por cumprimento de sentença. Em 2005 retirou-se o termo sentença
condenatória porque qualquer sentença que reconhecesse a existência de uma obrigação
exigível tem eficácia executiva. Qualquer decisão que reconheça a existência de um dever de
prestar, seja ela condenatória, declaratória ou constitutiva, tem executividade. As sentenças
declaratória e constitutiva podem gerar, como efeito anexo, o dever de prestação. Ex. ação
declaratória de consignação em pagamento, oferta de alimentos, sentença desconstitutiva de
compromisso de compra e venda, extinção de relação locatícia, extinção de execução
provisória...
Solução consensual da lide: transação, havendo concessões recíprocas, ou conciliação
(reconhecimento do pedido, renúncia...). São os casos de acordo. Inclui matéria não posta em
juízo e sujeitos estranhos ao processo – quebra do princípio da adstrição em nome do
princípio da efetividade. Evita-se a propositura de nova ação.

II - a decisão homologatória de autocomposição judicial. §2º. A autocomposição judicial


pode envolver sujeito estranho ao processo e versar sobre relação jurídica que não tenha
sido deduzida em juízo. A decisão que homologa a conciliação judicial é decisão de mérito,
acobertada pela coisa julgada material. A conciliação homologada judicialmente pode versar
sobre matéria estranha ao processo, não posta em juízo, desde que o magistrado seja
competente para examiná-la. A conciliação pode ocorrer após a coisa julgada. Nesse caso,
sendo o direito disponível, as partes podem realizar novo acordo, havendo novação. Não há
necessidade desse acordo ser homologado judicialmente, mas pode ser. Acordo extrajudicial
homologado judicialmente: pode ser feito no MP, advogado... Acordo celebrado fora do
processo e, posteriormente homologado pelo juiz. O acordo é título executivo extrajudicial,
mas se quiser que seja homologado judicialmente, ele se transforma em título executivo
judicial.

III - a decisão homologatória de autocomposição extrajudicial de qualquer natureza;


Vantagens: segurança jurídica e, se a pessoa não cumprir, a matéria de defesa do acusado é
limitada, pois o título é judicial, de modo que não se pode alegar toda a qualquer questão. Se
fosse extrajudicial seria possível alegar qualquer matéria nos embargos. A homologação é
feita por meio de jurisdição voluntária. Qualquer acordo pode ser levado ao juízo
materialmente competente para ser homologado. A homologação se dá após um
procedimento de jurisdição voluntária na qual o magistrado examina o preenchimento dos
requisitos para a celebração do negócio. O acordo extrajudicial pode ser título executivo
extrajudicial. Um título extrajudicial é transformado em título judicial, permitindo, em caso
de descumprimento, a execução pelo procedimento do cumprimento de sentença. A utilidade
da homologação judicial é restringir a matéria de defesa do executado. Na execução de título
executivo judicial a cognição é limitada, enquanto na execução de título extrajudicial é
possível alegar qualquer matéria. Fundamento: na execução de título judicial a coisa julgada
impede a rediscussão de matérias já discutidas.
IV - o formal e a certidão de partilha, exclusivamente em relação ao inventariante, aos
herdeiros e aos sucessores a título singular ou universal: quando a pessoa morre, é
necessário fazer o inventário (levantar tudo o que se tem) e partilha (divisão entre os
sucessores). Se o bem não é entregue, o formal de partilha é título executivo. Âmbito de
aplicação: em relação ao inventariante, herdeiros e sucessores a títulos singular e universal.
Atinge os herdeiros que participaram do processo, e não os que não participaram. Ex. filho
fora do casamento que não participou.
Espécies de execução: para Alexandre Freitas Câmara não se aplica às obrigações de
fazer e não fazer. Somente nas obrigações de entrega de coisa e quantia certa.
Inventário e partilha realizados em cartório extrajudicial vale como título executivo
judicial? Há uma escritura que será registrada e, em caso de ser necessária execução de
entrega de coisa ou pagamento de quantia, essa escritura valerá como título extrajudicial, e
não judicial. Insere-se entre os títulos judiciais, o formal ou certidão de partilha de documenta
a decisão estatal de atribuição de um quinhão sucessório ao herdeiro. Tem força executiva em
face do inventariante, dos outros herdeiros e dos sucessores a título singular ou universal, isto
é, o herdeiro beneficiário de um quinhão só pode executar o título em face de um desses
sujeitos. Se for imposto dever de prestar a terceiro não é possível opor-lhe demanda
executiva, porque não participou do processo de formação da decisão. Neste caso, só resta ao
herdeiro propor em face do terceiro ação cognitiva. Para Didier esse dispositivo deve ser
aplicado extensivamente para abranger outras partilhas homologadas por sentença, como a de
divórcio ou dissolução de sociedade empresária.

V - o crédito de auxiliar da justiça, quando as custas, emolumentos ou honorários tiverem


sido aprovados por decisão judicial; antes era título extrajudicial, o que era injusto, pois já é
aprovado por decisão judicial. Inclui custas (despesas processuais definidas por lei para dar
andamento ao processo), emolumentos (para os cartórios extrajudiciais), honorários (podem
honorários faz parte das custas?). Taxa judiciária: é um tributo, dinheiro que vai para um
fundo do Estado. É taxa, porque é um serviço específico – manutenção do aparelho judiciário.
Não se confunde com as custas, emolumentos e honorários. Geralmente os créditos dos
auxiliares são adiantados no decorrer do processo, sendo que dificilmente haverá execução.
art. 95, §3º. Cada parte adiantará a remuneração do assistente técnico que houver indicado,
sendo a do perito adiantada pela parte que houver requerido a perícia ou rateada quando a
perícia for determinada de ofício ou requerida por ambas as partes. → na assistência
judiciária gratuita há um problema porque a parte não tem dinheiro para pagar o perito, de
modo que o processo fica parado por muito tempo.

VI - Sentença Penal Condenatória Transitada em Julgado: Estamos analisando o rol de


títulos executivos judiciais do artigo 515. A sentença proferida no processo penal desde que
transitada em julgado é título hábil com força executiva, perante a justiça comum civil todas
às vezes que do processo penal a sentença que encerrar contiver alguma repercussão
patrimonial no campo do condenado favorecendo a vítima. No Direito Penal já tem a previsão
do artigo 91, I, CP, já que um dos efeitos é tornar certo a ação penal.
Art. 91 - São efeitos da condenação: I - tornar certa a obrigação de indenizar o dano
causado pelo crime;
Em 2008, o CPP sofreu uma alteração para determinar que o juiz já defina na sentença
penal condenatória o valor mínimo para reparar os prejuízos causados pelo condenado à
vítima. Mas nada impede que no civil a vítima promova nova liquidação. Não há a inibição
de uma prévia liquidação civil, o quantum na indenização é um quantum mínimo, havendo a
possibilidade da vítima credora, por interesse legítimo, previamente liquidar a sentença crime
para apurar as repercussões no aspecto cível. É algo intuitivo: a sentença penal condenatória é
título executivo no cível, já que a sua formação foi precedida pela fase de conhecimento, mas
no âmbito penal: apurou o fato, o nexo de causalidade, etc.... Assim esse elemento não
haveria motivo para passar por uma nova certificação. O máximo que ocorre é a possibilidade
de não estipulação de todos os prejuízos, e por isso a vítima pode mover antes no cível uma
prévia fase para se apurar efetivamente o valor da repercussão. Art. 63, § único e 387, IV,
CPP.
Art. 63. Transitada em julgado a sentença condenatória, poderão promover-lhe a
execução, no juízo cível, para o efeito da reparação do dano, o ofendido, seu representante
legal ou seus herdeiros. Parágrafo único. Transitada em julgado a sentença condenatória, a
execução poderá ser efetuada pelo valor fixado nos termos do inciso iv do caput do art. 387
deste Código sem prejuízo da liquidação para a apuração do dano efetivamente sofrido.
Art. 387. O juiz, ao proferir sentença condenatória: IV - fixará valor mínimo para reparação
dos danos causados pela infração, considerando os prejuízos sofridos pelo ofendido;
E se tiver diante de uma sentença penal absolvitória, como fica a responsabilidade
civil? Não é objetivo da justiça criminal apurar a responsabilidade civil e sim apurar a
repercussão no processo penal. Mas diante dessa sentença, o impacto para a responsabilidade
civil, já que o que se conclui é que pode ter tido o fato mas não se enquadra em um tipo
penal, assim, as vezes não encontra repercussão, mas não exclui eventual responsabilidade
civil. Se a justiça penal declara a inexistência do fato a sentença gera efeitos. Mas se não for
esse o caso, pode ajuizar a ação de conhecimento para se apurar os danos decorrentes da
conduta do agente já que pode ter repercussão civil. Todo esse raciocínio encontra-se no
Informativo 498, STJ, que é o Recurso Especial 678143. O STJ diz que a extinção da
punibilidade não vincula o juízo cível, porém deve passar na fase conhecimento para
conhecer o direito:

PRESCRIÇÃO DA PRETENSÃO PUNITIVA. COMUNICABILIDADE DA ESFERA


PENAL E CIVIL.

A extinção da punibilidade, em função da prescrição retroativa, não vincula o juízo cível


na apreciação de pedido de indenização decorrente do ato delituoso. No caso, após o
atropelamento, foram ajuizadas uma ação penal por lesão corporal culposa na direção de
veículo automotor (art. 303 do CTB) e uma ação de reparação de danos materiais e morais
pela vítima. A ação cível ficou suspensa até a conclusão da penal. Quanto a esta, a sentença
reconheceu a autoria e materialidade do fato e aplicou a pena. Na apelação, o tribunal
acolheu a preliminar de prescrição, na forma retroativa, da pretensão punitiva do Estado.
Retomado o julgamento da ação indenizatória, a sentença julgou improcedente o pedido,
reconhecendo a culpa exclusiva da vítima, fundamentando-se nas provas produzidas nos
autos. Na apelação, o tribunal reformou a sentença com base exclusiva no reconhecimento
da autoria e materialidade presentes na sentença criminal, condenando a motorista ao
pagamento de indenização por danos materiais e morais. Dessa decisão foi interposto o
recurso especial. O Min. Relator afirmou ser excepcional a hipótese de comunicação das
esferas cível e penal, conforme interpretação do art. 1.525 do CC/1916 (art. 935 do
CC/2002) e do art. 65 do CPP. Ressaltou, ainda, que o art. 63 do CPP condiciona a
execução cível da sentença penal condenatória à formação da coisa julgada no juízo
criminal. No caso, não houve reconhecimento definitivo da autoria e materialidade delitiva,
pois o acórdão, ao reconhecer a prescrição da pretensão punitiva, rescindiu a sentença penal
condenatória e extinguiu todos os seus efeitos, incluindo o efeito civil previsto no art. 91, I,
do CP. Com esses e outros argumentos, a Turma deu provimento ao recurso para anular o
acórdão do Tribunal de origem e determinar novo julgamento da apelação, com base nos
elementos de prova do processo cível, podendo, ainda, ser utilizados os elementos
probatórios produzidos no juízo penal, a título de prova emprestada, observado o
contraditório. REsp 678.143-MG, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 22/5/2012.

VII- Sentença arbitral: Desde o ano de 1996, pela lei 9307 (dispõe sobre arbitragem) é
autorizado que litígios sejam resolvidos fora do âmbito do Judiciário mediante juízo arbitral.
O professor pensa que a arbitragem na doutrina é tender para o entendimento de ser uma
atividade jurisdicional (Fredie Didier, Alvim, Humberto Theodoro Jr. que fala da arbitragem
como uma alternativa da jurisdição mas conclui mencionando a jurisdição estatal, porém
muito embora a sentença arbirtral seja formada por uma prévia fase de conhecimento em um
tribunal não estatal autorizado pela CR, e por lei, não são conferidos aos á-rbitros o chamado
poder de imperium que é o poder de dar concretudo a própria sentença. Ou seja, não são
executados pelos próprios árbitros porque eles não têm essa função executiva. A atividade de
execução civil é a mais drástica que permite a agressão na esfera patrimonial do devedor. A
propriedade é uma garantia absoluta, um dos valores muito caros no atual estado de direito, o
árbitro, por isso, não tem poder para executar a própria sentença, tendo que utilizar a máquina
do judiciário para efetivar o direito. Por isso não é equivalente jurisdicional e sim é
jurisdição, por identidade de fins, já que funciona como se fosse uma jurisdição; meios já
que para ser válida tem que respeitar os princípios do contraditório e a ampla defesa e
efeitos).

VIII - Sentença estrangeira homologada pelo STJ: Lembramos muitas vezes do artigo 105,
I, CR que disciplina a competência originária do STJ, quando se começa a entender a
estrutura do judiciário entende-se até onde se encontra isso na CR, que é uma competência
originária. Hoje com o CPC, há outra fonte, que é o art. 961, CPC, que é muito importante.
Art. 961. A decisão estrangeira somente terá eficácia no Brasil após a homologação de
sentença estrangeira ou a concessão do exequatur às cartas rogatórias, salvo disposição em
sentido contrário de lei ou tratado. § 5o A sentença estrangeira de divórcio consensual
produz efeitos no Brasil, independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de
Justiça.
Ex.: Amiga que casou com um cidadão americano que se separou e precisava resolver
a questão no Brasil, e há a necessidade de submeter a sentença pelo STJ. Curiosamente nesse
artigo no §5º há uma disposição que diz que o divórcio consensual realizado no estrangeiro
não depende de homologação pelo STJ para produzir efeitos no Brasil. Ocorre de
averbação mediante apresentação. Questão de prova. Essa disposição é muito importante, já
que não tem correspondência com o CPC/73. Homologada a sentença pelo STJ a execução
será feita por uma autoridade federal e não justiça comum, para os casos que não cabe
exceção. Obs.: o que tem que passar pela prévia etapa são as sentenças estrangeiras, título
executivo não precisa de passar pela homologação do STJ. Títulos extras judiciais não
devem passar por isso.

IX - a decisão interlocutória estrangeira, após a concessão do exequatur à carta rogatória


pelo Superior Tribunal de Justiça; Novidade. O legislador colocou essa decisão como título
executivo judicial, já que o inciso I diz que é título executivo as decisões de condenação
proferida pelo Processo Civil. Assim, as decisões proferidas com base em tutela provisória de
urgência pode executar como título. Se existir em algum ordenamento jurídico definição de
decisão interlocutória como título executivo judicial pode ser executado no Brasil. Ex.:
França, Itália, Portugal.
Obs.: Criação de outros títulos: é possível que outros títulos executivos judiciais constem de
normas que mesmo no código de processo civil não diga. Qualquer novo título executivo
deve ser criado por lei Federal, não lei municipal. No CPC pode haver a previsão de outros
títulos fora do rol. No artigo 701, §2º e art. 702, §8º há a previsão de outro título executivo
que é o título formando na ação monitória, o juiz avaliando os documentos que instruem a PI,
o devedor pode pagar, embargar ou ficar quieto (nesse caso, ou se embargos improcedentes, o
mandado de pagamento se converte em execução. Assumindo a forma de uma fase de
cumprimento de sentença).
Art. 701. Sendo evidente o direito do autor, o juiz deferirá a expedição de mandado de
pagamento, de entrega de coisa ou para execução de obrigação de fazer ou de não fazer,
concedendo ao réu prazo de 15 (quinze) dias para o cumprimento e o pagamento de
honorários advocatícios de cinco por cento do valor atribuído à causa. § 2o Constituir-se-á
de pleno direito o título executivo judicial, independentemente de qualquer formalidade, se
não realizado o pagamento e não apresentados os embargos previstos no art. 702,
observando-se, no que couber, o Título II do Livro I da Parte Especial.
Art. 702. Independentemente de prévia segurança do juízo, o réu poderá opor, nos próprios
autos, no prazo previsto no art. 701, embargos à ação monitória. § 8o Rejeitados os
embargos, constituir-se-á de pleno direito o título executivo judicial, prosseguindo-se o
processo em observância ao disposto no Título II do Livro I da Parte Especial, no que for
cabível.
Observação no art. 515, §1º:
§ 1o Nos casos dos incisos VI a IX, o devedor será citado no juízo cível para o cumprimento
da sentença ou para a liquidação no prazo de 15 (quinze) dias.
Diz que nos casos dos incisos VI a IX o devedor será citado no juízo cível para o
cumprimento da sentença e no prazo. Se pensar no judicial por excelência, imagina a figura: o
processo de conhecimento nasceu e foi proferida a sentença encerrando a fase cognitiva e será
executada nos mesmos autos mediante uma fase que é de cumprimento. Somente é possível
porque a sentença se formou mediante uma prévia fase de conhecimento da justiça civil
comum. Se entendemos isso, conseguimos verificar que há títulos executivos judiciais que
não seguem o rito de cumprimento de sentença, já que não estavam no juízo cível (VI a IX).
Houve fase de conhecimento em outros juízos, mas não na justiça civil. A saída para a
execução é a execução autônoma, assim para todos eles o credor é obrigado a elaborar uma
Petição inicial e ajuizará com a origem em um processo novo. Esta é uma ressalva de que
alguns títulos judiciais não são adaptados ao cumprimento de sentença. Por isso que nesses
casos o devedor é citado aqui também e não intimado, já que para ser intimado deveria já
estar em juízo. Questão de prova.
Etapas:

Novo CPC, at. 515, I a V

Cumprimento de
Petição inicial Sentença Liquidação de sentença
sentenca

Novo CPC, art. 515, VI a IX

Demanda Sentença penal condenatória Trânsito em julgado

Processo autônomo de liquidação Cumprimento de sentença

3. Títulos Executivos Extrajudiciais (art. 784, CPC):


Título extrajudicial é um ato jurídico, não é um instituto ou categoria jurídica, é um
ato jurídico a que a lei atribui a força executiva para reconhecer uma alta probabilidade de
certificação do direito das partes. Nos títulos judicias o legislador reconhecia o juízo de
certeza já que a sua formação foi precedida de uma fase de acertamento. No extrajudicial esse
ato jurídico não precede em uma fase de conhecimento e o impacto disso é no campo da
defesa do devedor. Mas se considera que o título extrajudicial é instrumento hábil para
ajuizar, tem que ter a consciência de garantir ao devedor a maior amplitude de defesa
possível.
Por isso que no instrumento de defesa tem a previsão de uma defesa mais dilatada, e
na de judiciais o espectro de defesas do devedor é limitado. Art. 917, VI CPC.
Art. 917. Nos embargos à execução, o executado poderá alegar: VI - qualquer matéria que
lhe seria lícito deduzir como defesa em processo de conhecimento.
Traz o rol de temas alegáveis pelo devedor nos embargos à execução, que é o
argumento utilizado pelo devedor. Se pode alegar tudo que quiser nos embargos, duas
conclusões têm-se que chegar: a natureza jurídica dos embargos do devedor é um processo,
que ocorre paralelo à execução. Sendo esse processo instalado pela PI do devedor, portanto a
natureza jurídica dos embargos é Processo de Conhecimento, possuem uma natureza
cognitiva. Segunda consequência que não tem correspondente no CPC/73: se o devedor pode
alegar tudo que poderia fazer ou alegar, o rito da execução quando fundada em título
extrajudicial não é obrigatória para o credor, que pode optar por instaurar a execução ou por
ajuizar o pedido pelo processo de conhecimento com a oportunidade de uma formação de um
título judicial e com isso, o espectro de defesa ficará reduzido, assim para o credor pode ser
vantajoso ajuizar uma ação de conhecimento (art. 785, CPC).
Art. 785. A existência de título executivo extrajudicial não impede a parte de optar
pelo processo de conhecimento, a fim de obter título executivo judicial.

I – a letra de câmbio, a nota promissória, a duplicata, a debênture e o cheque; Títulos de


Créditos O legislador atribuiu força executiva para alguns títulos de créditos, somente os que
estão definidos no inciso I, são executáveis. E cada um tem uma lei específica, algo que
pode ser um problema tendo em vista as divergências de prazo, de praça, etc.... Nem todo
título de crédito é título executivo.

Os títulos dos incisos II, III e IV eram tratados conjuntamente no código de 1973.
II – Escritura pública ou outro documento público assinado pelo devedor: O instrumento
de conhecimento de dívida declarado no tabelionato é título extrajudicial, por exemplo.
Assim, cabe qualquer documento público desde que assinado pelo devedor. HTJ dá exemplos
interessantes, que pode em uma repartição pública ter uma declaração de responsabilidade
civil, há ainda na responsabilidade de trânsito pode pegar a declaração firmada pelo agente
causador do acidente pelo DETRAN, e o professor expande para a Polícia Civil. Não basta
que a obrigação seja certificada, mas deve conter todos os requisitos como a certeza, liquidez
e ser exigível. É preciso que o documento contenha todos os caracteres para fazer que assim
se constitua.

III – Documento particular assinado pelo devedor e por 2 (duas) testemunhas: Exemplo
mais clássico é o contrato, que pode ser firmado exclusivamente pelas partes, não sendo as
testemunhas requisito para a validade do contrato. Mas se quiser que o contrato tenha força
executiva é preciso que seja assinado por duas testemunhas. O contrato sem assinatura tem a
validade para meio de prova e não para título extrajudicial.

IV – o instrumento de transação referendado pelo Ministério Público, pela Defensoria


Pública, pela Advocacia Pública, pelos advogados dos transatores ou por conciliador ou
mediador credenciado por tribunal: Esse inciso tem duas inovações: fala da Advocacia
pública (resultado de lobby) e mediadores e conciliadores. Questão de prova. O cliente
procura o problema, antes de ajuizar a ação tenta resolver a questão extrajudicialmente, se o
acordo for firmado na presença dos advogados, tem-se título executivos extrajudiciais, outros
também surge como o acordo referendado pelo MP enquadra nessa hipótese. Os conciliadores
e mediadores credenciados ao poder judiciário, quando referenda um acordo (podendo nem
ter testemunhas ou advogado somente as partes e o conciliador), o termo vale como título
extrajudicial, já que foi feito em um ambiente credenciado.

V – o contrato garantido por hipoteca, penhor, anticrese ou outro direito real de garantia e
aquele garantido por caução; Uma nota de esclarecimento: anticrese é um título de contrato
que hoje não é mais tanto utilizado, no fato de que a pessoa que está na posse paga mediante a
exploração econômica do bem. Com relação a isso não há muita coisa extra a ser falado, o
bem dado em garantia será o bem excutido na execução, para saldar o próprio crédito. Para
qualquer título extrajudicial, eventual discussão sobre o contrato ou a origem da dívida, não
inibe o credor de mover a sua execução. Ainda que o devedor resolva ajuizar a ação de
inexistência de débito, isso não impede o ajuizamento da sua ação com base em título
executivo pela independência das ações. Não se descarta a possibilidade de na ação a parte
conseguir uma tutela cautelar para suspender a ação de execução, é possível, mas a primeira
ideia não desaparece: o ajuizamento da ação para discutir o título não inibe a ação de
execução, mas na ação de conhecimento pode o credor sustar o andamento da execução. E é
razoável que se considere essa possibilidade, já que pode ocorrer o prejuízo do devedor, a não
ser a existência de patrimônio do credor para repor e volta a situação a quo.
VI – seguro de vida em caso de morte: Ocorreu uma alteração sensível, já que embora já
prevesse o seguro de vida, o CPC 73 não previa em caso de morte. Assim, antes qualquer
contrato de seguro de vida mesmo sem a morte, poderia ser título executivo, isso questionado
pela doutrina, já que o numerário que compõe o benefício poderia ser objeto de execução.
Assim, aqui, somente ocorrerá quando houver a morte do estipulante, e benefício do credor,
se o seguro tinha por objetivo a composição de uma renda, não faria sentido o estipulante
ajuizar uma ação de conhecimento que autorizaria a execução.

VII - Crédito decorrente de foro e laudêmio: Duas figuras que estudamos em direitos reais,
decorrentes da enfiteuse e banidos. A enfiteuse já existente a época do CC/1916 continua
regida pelo CC/2002. Pela enfiteuse o proprietário passava a posse direta para uma pessoa,
enfiteuta e esse cara anualmente paga ao senhorio uma quantia pelo domínio útil do imóvel
que era chamado foro. Se eventualmente a pessoa resolver transferir o domínio útil o senhorio
proprietário tinha preferência, se resolvesse não ter a referência, poderia transferir a terceiro
desde que fosse uma parcela destinada ao senhorio. A parcela equivale 2.5% do negócio que
é o laudêmio. Tem uma característica de um instituto vetusto, e isso não deveria mais
persistir. Dizem que hoje ainda havia enfiteuse em território costeiro do Brasil para fins de
exploração começaram instituir enfiteuse. Não teria o título de propriedade e sim de
dominação.

VIII- o crédito, documentalmente comprovado, decorrente de aluguel de imóvel, bem como


de encargos acessórios, tais como taxas e despesas de condomínio: Diz respeito
especificamente de aluguel e dos acessórios do aluguel. Tem que verificar no contrato de
aluguel quais são as obrigações locatárias, mas a maioria dos contratos colocam obrigações
acessórias. Esse título executivo possui o locador enquanto titular. Em casos de sublocação,
utiliza-se a cadeia. Mas em regra é o título executivo do locador. Obs.: Um Doutrinador
chama atenção para o fato em que o professor discorda: o contrato de aluguel para ser título
executivo não depende da assinatura de duas testemunhas, já que foi tratada de maneira
autônoma em relação ao inciso III (exemplo clássico: contrato) mas pelo fato de ter sido
tratada de maneira autônoma não há a necessidade de ser assinado, independe de assinatura
de testemunhas, sendo algo razoável que ele fala e o professor irá repensar em qual inciso irá
encaixar o contrato de aluguel. Assim, seria título executivo extrajudicial sem a assinatura de
duas testemunhas. O argumento contrário seria: análise do inciso VIII com os elementos do
III, algo que se conclui na necessidade de assinatura das duas testemunhas (interpretação
sistemática). Assim, são duas fundamentações e interpretação. Questão de prova!

IX – a certidão de dívida ativa da Fazenda Pública da União, dos Estados, do Distrito


Federal e dos Municípios, correspondente aos créditos inscritos na forma da lei:
Comparando a redação do inciso VII do artigo 585, CPC/73 suprimiu os territórios, apesar
que a CR prevê a criação de território. O professor achou que não haveria a necessidade de
retirar, se o Brasil vir a ter um território a CDA não terá força executiva. A CDA é fruto de
um processo administrativo fiscal, e chama a pessoa para se defender.

X – O crédito referente às contribuições ordinárias ou extraordinárias de condomínio


edilício, previstas na respectiva convenção ou aprovados em assembleia geral, desde que
documentalmente comprovadas. Condomínio. As despesas condominiais em que o credor é
o condomínio e o devedor o condômino, são também objeto do título executivo extrajudicial,
mas por força do inciso X e não do VIII, aqui o credor é o condomínio atribuindo
legitimidade para executar o condômino em atraso.
Forma de comprovação: Boleto de condomínio e atas de reunião de condomínio. O
legislador, no CPC antigo não era título executivo extrajudicial, bastava o procedimento
sumário. Assim no CPC/73 pensaram uma forma de cobrança abreviada. Como agora temos
apenas um procedimento comum, atribui-se o crédito com a natureza de título executivo
extrajudicial. Assim, tem que ter a previsão e a comprovação da realização da dispesa, ambos
diferem quem é o credor e quem é o devedor. Mas e se o condomínio vai cobrar do
condômino e ele é o locatário? O condômino é o locador, ele que é proprietário do imóvel, há
aqui o direito de regresso, caso haja previsão contratual.

XI – a certidão expedida por serventia notarial ou de registro relativa a valores de


emolumentos e demais despesas devidas pelos atos por ela praticados, fixados nas tabelas
estabelecidas em lei; Inovação do novo CPC fruto do lobby dos tabelionatos, os tabelionatos
tem força, somente pode-se cobrar o selo, logo o crédito documentalmente comprovado teria
o privilégio no momento do recolhimento.

XII – todos os demais títulos aos quais, por disposição expressa, a lei atribuir força
executiva. Exemplo em direito empresarial, que é a hipótese do contrato de abertura em conta
corrente, até que o sistema financeiro criou uma cédula de crédito bancário vinculado a
abertura de conta. Desde que o banco comprove que o dinheiro emprestado foi usado, está
apito para usá-lo. Lei 10.961
Observação: Títulos executivos extrajudiciais estrangeiros, independem de homologação do
STJ, tem força independentemente disso. A autoridade judiciária tem que verificar se o título
apresentado preenche todos os requisitos das leis de cada título executivo extrajudicial na lei
estrangeira, e a segunda coisa é que o título extrajudicial estrangeiro tem que prever o Brasil
como local possível de cumprimento a obrigação.
Observação 2: Todos os títulos extrajudiciais dão ensejo a uma execução autônoma, tem-se
que elaborar uma Petição Inicial, mas os títulos executivos judiciais, em regra, dão ensejo a
uma fase do mesmo processo em que o título se formou que é a fase de cumprimento de
sentença. Dependendo do título judicial, ele deverá emparelhar uma execução autônoma, no
entanto. Embora possa ter sido precedido a fase de conhecimento que não em um Juizo cível,
como já explanado anteriormente. Questão de prova da 2º prova.
Art. 784, §1º.
§ 1o A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe
o credor de promover-lhe a execução.
A propositura de qualquer ação relativa a débito constante de título executivo não inibe o
credor de promover-lhe a execução. → Ex. devedor entra com ação ordinária para anular o
título. Antes, poderia se entender que não era possível executar o título, pois estava sendo
discutido em outro processo. Agora fica claro que mesmo nessas situações, a outra parte pode
promover a execução do título. As duas ações vão ficar apensadas. Ocorre muito na execução,
na qual a parte quer rever o valor da multa antes que o Estado execute – entretanto, a
execução não vai ser impedida.
Art. 784, §2º e 3º.
§ 2o Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de
homologação para serem executados
Os títulos executivos extrajudiciais oriundos de país estrangeiro não dependem de
homologação para serem executados.
§ 3º O título estrangeiro só terá eficácia executiva quando satisfeitos os requisitos de
formação exigidos pela lei do lugar de sua celebração e quando o Brasil for indicado como o
lugar de cumprimento da obrigação. → se o título executivo é estrangeiro, mas o local de
pagamento é o Brasil, não precisa passar pelo STJ. Entra com a execução pura e simples, sem
passar no STJ para ser homologado.
- Requisitos da obrigação prevista no Título Executivo: Certeza, liquidez e exigibilidade: Deve
suprimir uma obrigação certa, líquida e exigibilidade.
. Certeza: Decorre da falta de dúvidas com relação a existência da obrigação, exprime com
precisão o conteúdo da obrigação, a espécie e delimita e precisa o objeto. Certeza para ser
avaliada tem algumas perguntas: quem deve? A quem se deve? O que se deve? Quando se
deve? E quanto se deve?
. Liquidação: Diz respeito a definição do quantum, é a extensão da obrigação.
. Exigibilidade: Diz respeito ao fato da obrigação ser passível de comprimento imediato,
sendo uma obrigação cujos efeitos não estão obstados por nenhum impedimento jurídico para
a produção de efeito.
- Hoje há a possibilidade real de protesto da sentença: o devedor não tem menor preocupação para sua
condição de inadimplente se assim que permanecer, mas quando ocorre o protesto da obrigação para
impedir que consiga um empréstimo, isso já o obriga mais ainda o pagamento. Art. 528, §1º, CPC.
Art. 528. No cumprimento de sentença que condene ao pagamento de prestação alimentícia ou de
decisão interlocutória que fixe alimentos, o juiz, a requerimento do exequente, mandará intimar o
executado pessoalmente para, em 3 (três) dias, pagar o débito, provar que o fez ou justificar a
impossibilidade de efetuá-lo. § 1o Caso o executado, no prazo referido no caput, não efetue o pagamento,
não prove que o efetuou ou não apresente justificativa da impossibilidade de efetuá-lo, o juiz mandará
protestar o pronunciamento judicial, aplicando-se, no que couber, o disposto no art. 517.

- Liquidação (art. 509/512)


1. Generalidades: Em processo I, depois de falarmos das partes, intervenção de terceiros, etc. foi falado
dos pedidos, PI, e na fase postulatória. Antes, no CPC/73, trazia os atributos do pedido, qualquer pedido
tem que respeitar dois atributos que foram ratificados (art. 322 e art. 324):
Art. 322. O pedido deve ser certo. Art. 324. O pedido deve ser determinado.
- Atributos do pedido: Antes estavam no mesmo dispositivos, ou seja, certo e determinado, separados
pela expressão “ou”, mas com o NCPC ocorreu a separação entre eles. Assim, o pedido deve ser
especificado, ou seja, o que se pretende do poder judiciário, qual a providência. Mas o que nos interessa
aqui é o art. 324, que diz que além da certeza diz que o pedido tem que ser determinado, temos que saber
a espécie do objeto a cumprir, o quantum da obrigação, saber em que consiste a obrigação, etc. Em
última análise dizer que é determinado significa mensurar a extensão da obrigação, não basta saber o
gênero, é preciso saber a espécie. Todo o pedido deve ser certo e determinado.
- Exceções legais vedações às sentenças genéricas: Sensível a isso, o legislador previu no §1º do art. 324,
três hipóteses de realizar um pedido genérico:
§ 1o É lícito, porém, formular pedido genérico: I - nas ações universais, se o autor não puder individuar
os bens demandados; II - quando não for possível determinar, desde logo, as consequências do ato ou do
fato; III- quando a determinação do objeto ou do valor da condenação depender de ato que deva ser
praticado pelo réu.
O pedido é certo, mas não delimita esse pagar. As três hipóteses autorizadas, estão no §1º do art. 324. Na
primeira hipótese as ações universais são aquelas em que todo o interesse é tratado com universalidade,
e a parte não consegue precisar onde começa e termina o direito. Ex.: Petição de herança, já que não se
sabe de antemão o que se faz jus. Sabe apenas do direito a uma quota. Mas no momento que o inventário
é aberto é tratado como um todo. Não tem como o autor interessado indicar o bem ou espécie, e sim pede
o quinhão. Na segunda hipótese (§2º), que se volta aos pedidos indenizatórios, em que por força de um
ato, se sabe que houve uma conduta de alguém, e essa conduta foi capaz de gerar um dano, e há o nexo
causal, mas não tem como definir a extensão do dano, assim no momento do pedido de reparação,
consiga demonstrar que houve a causação de danos mas não consigo delimitar a extensão clara desses
danos. Terceira hipótese, quando a determinação do objeto depender de ato a ser praticado pelo réu. Ex.:
Relações previdenciárias, pretensões do sistema financeiro, em que se pretende uma recomposição nas
contas de poupança que não se aplicou determinado fator. O que pede o titular da conta não se sabe quais
eram os valores, e pede a parte contrária que comprove os créditos de autorização que se recebeu mês a
mês. Todas as vezes que a prova do direito depender um documento da parte contrária, pode justificar
pedido genérico. Não se poderia impor ao juiz, assim, que nessas hipóteses ele relatasse sentenças
líquidas. Já que se é possível que o autor não disponha de elementos no momento do pedido, não tem
como querer que o juiz a realize na sentença.
- Obs.: Além da presença do título executivo a obrigação deveria ser líquida, mas diante de uma sentença
ilíquida não tem como executar? É por isso o CPC prevê um procedimento para atribuir o modo
necessário para dar executividade da sentença ilíquida.
Assim, diante essas exceções, pretendo atingir o quantum de uma obrigação de pagar, delimitar a
quantidade de uma coisa que deverá ser entregue, especificar a obrigação de fazer, entre outros. Sendo a
função da liquidação de sentença.
Exceção legal de proibição de sentença ilíquida: Há duas regras importantes: vedações do sistema
às sentenças ilíquidas, ou seja, mesmo que esteja diante de uma das hipóteses o juiz estará proibido
proferir sentença genérica, será obrigado a proferir a sentença liquidando o valor:
a. Art. 1.046. Ao entrar em vigor este Código, suas disposições se aplicarão desde logo aos
processos pendentes, ficando revogada a Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973. § 1o As
disposições da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, relativas ao procedimento sumário
e aos procedimentos especiais que forem revogadas aplicar-se-ão às ações propostas e
não sentenciadas até o início da vigência deste Código.
Art. 275. A intimação será feita por oficial de justiça quando frustrada a realização por
meio eletrônico ou pelo correio.
Art. 475. Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de
conhecimento especializado, o juiz poderá nomear mais de um perito, e a parte, indicar
mais de um assistente técnico.
O artigo 1046, CPC, prevê que os processos em tramitação sobre o rito comum sumário
(que não mais existe), que já estavam em tramitação, continuaram, assim, nesses
processos, se eles versarem sobre acidente de veículo e seguro referente a esse acidente
o juiz está proibido proferir sentença ilíquida tendo que determinar o valor da
indenização. Ref. Art. 1046, §1º, CPC; art. 275, II, d e “e” e art. 475, a, §3ºCPC/73.
b. Art. 38. A sentença mencionará os elementos de convicção do Juiz, com breve resumo dos
fatos relevantes ocorridos em audiência, dispensado o relatório. Parágrafo único. Não se
admitirá sentença condenatória por quantia ilíquida, ainda que genérico o pedido. Os
procedimentos do Juizado Especial são regidos pela simplicidade e não se coadunariam à
necessidade de uma fase de liquidação, então no Juizado Especial o juiz é obrigado a
proferir sentença líquida. Art. 38, §único, Lei 9099/95.
Obs.: Títulos judiciais liquidáveis: quem está estudando por material anterior a 2015, verá que pode ser
objeto de liquidação a sentença condenatória, mas desde a promulgação do código, a melhor doutrina tem
se preocupado em adaptar o objeto da liquidação à mudança sofrida no rol de títulos judiciais no art. 515,
I. Assim, entre o rol de título executivo judicial está previsto a decisão que tem o conteúdo de obrigar
alguém a algo, não falando o art. 515 somente de sentença condenatória. Assim, pode ter necessidade de
liquidação de qualquer tipo de sentença, desde que dela se possa extrair uma repercussão condenatória.
Pegadinha da 2º prova, questão fechada. Assim, não somente a sentença condenatória pode ser
liquidada. Pode ser objeto de liquidação títulos executivos judiciais que tenham algum conteúdo
condenatório. Deve ser liquidada antes da parte executada.
Obs.: art. 356, CPC A observação vai além, já que o professor sentiu falta de algo: o 515 diz que é título a
decisão que condena, assim, tem como extrair do CPC/2015 a regra de que é título executivo não
somente a sentença e também a decisão interlocutória, mas e nos casos de decisão interlocutórias
ilíquidas? Quando se estuda o julgamento antecipado parcial do mérito, em que desde que preenchidos
determinados requisitos, ou seja, pedido suficiente, o juiz deve proferir o julgamento antecipado, que
pode ser total ou parcial. Se é total, o ato decisório é a sentença, mas se no caso de julgamento
antecipado, será feito mediante decisão interlocutória, assim cabe liquidação. Outro exemplo, é a
efetivação da tutela provisória. Se o juiz profere tutela provisória, ou uma antecipação de tutela, isso é
uma decisão interlocutória. Mas ela pode ser ilíquida? A tutela não se baseia somente na urgência, ela
pode estabilizar, por exemplo, o processo, quando ela tiver caráter meritório. Raciocínio do professor.
Obs.: A liquidação é procedimento incabível para títulos executivos extrajudiciais. Já que se os TEE surgem
por uma atividade não jurisdicional, ou seja, se eles são formados de atos jurídicos que ocorrem no seio
da sociedade e possuem uma relevância que lhes atribuem uma força executiva, ou bem esse ato jurídico
já representa uma obrigação certa, líquida e exigível ou esse ato jurídico que falte liquidez, não é TEE, e
sim um documento com força comprobatória.
- Objeto e finalidade.
O objeto da liquidação são títulos executivos judiciais, quaisquer espécies de sentença desde que possuam
qualquer efeito condenatório. A finalidade disso é eliminar a generalidade desses títulos, tornando
líquida a condenação genérica. Atribui-se liquidez a esses títulos.
2. Natureza Jurídica: ocorre incidentalmente, sendo uma fase preparatória da execução.
Antes de uma só lide tínhamos a formação de processos, em regra isso dificultava a celeridade
processual. Hoje, com a reforma do CPC/73, modificou a estrutura, já que no NCPC o processo
nasce por PI inaugurando a fase de conhecimento, se encerra mediante sentença, se tem uma
sentença genérica, não pode de imediato executar, tendo que passar por processo de liquidação,
assim, logo após a sentença, tem-se a possibilidade de um requerimento, que dará início a fase da
liquidação para apurar o quantum da obrigação. Com a possibilidade de instaurar a fase do
cumprimento de sentença que tem como objetivo a realização do direito. A natureza jurídica da
liquidação, comparando os dois sistemas, antes ela tinha uma natureza jurídica de processo de uma
ação autônoma, e hoje é uma fase do mesmo processo que a sentença se formou. Se antes a
liquidação era ação autônoma era encerrada por sentença, agora o incidente processual é encerrado
mediante decisão interlocutória. Art. 1015, § único.
Parágrafo único. Também caberá agravo de instrumento contra decisões interlocutórias proferidas
na fase de liquidação de sentença ou de cumprimento de sentença, no processo de execução e no
processo de inventário.
Se antes era sentença, cabia apelação. Com a decisão interlocutória cabe agora agravo. A decisão é
agravável já que tem que ter meio de recurso. Ex.: Inventário.
3. Características:
Se a liquidação é um fator de limitação do pedido formulado pela parte, se partimos dessa premissa,
consigo extrair algumas características interessantes, a característica primaria é a limitação, mas há
outra, a liquidação não se presta a rediscussão da lide, aquilo que o juiz definiu na sentença, o fato
ocorrido, a configuração do nexo, não muda, a procedência ou improcedência não muda. O juiz está
proibido de modificar o conteúdo de mérito. Ainda, não posso acrescentar pedido na liquidação. Há a
exceção, se não pode inovar na lide, e não rediscutir, o professor falou de dois dispositivos do
pedido, com os pedidos implícitos, considerados como feitos: juros legais, atualização monetária.
Os juros moratórios, a parte pediu e o juiz não contemplou, a parte não embargou e ela quer incluir
na liquidação, não pode, já que juros legais e atualização monetária são implícitos, mas outras
parcelas não são, cabendo ação autônoma. Art. 85, §18. Ex.: Informativo 492, STJ. Art. 322, CPC.
Art. 85. A sentença condenará o vencido a pagar honorários ao advogado do vencedor. § 18. Caso
a decisão transitada em julgado seja omissa quanto ao direito aos honorários ou ao seu valor, é
cabível ação autônoma para sua definição e cobrança.
LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. INCLUSÃO. CAPITALIZAÇÃO DE JUROS. A Seção decidiu
que a inclusão de juros remuneratórios e moratórios capitalizados nos cálculos de liquidação, sem
que tenha havido tal previsão no título executivo, implica violação da coisa julgada, e não mero erro
de cálculo. Precedente citado: REsp 685.170-DF, DJ 10/8/2006. EInf nos EDcl na AR 3.150-MG,
Rel. Min. Massami Uyeda, julgados em 29/2/2012.

Obs.: Parcelas vincendas: Considera-se no pedido, as parcelas vencidas e aquelas que se vencerem
no curso do processo.
4. Espécies de liquidação (art. 509 a 512, CPC): Assim como código revogado o código novo nomeia duas
espécies de liquidação: arbitramento e por procedimento comum. Mesmo no código revogado e também
no em vigor, há uma terceira forma, quando se tem a obrigação de se pagar quantia (por cálculo). Assim,
é comumente falado a separação em três espécies. O que se percebe, é que embora haja regra específicas,
é possível que na prática o que determina a utilização é o grau de generalização que a sentença possui.
Ora a sentença é extremamente genérica, ora tem um grau de generalização mais básica, e por isso não se
considerar a por cálculo efetivamente espécie.
a. Por cálculo (art. 509, §2º, CPC):
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua
liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: § 2o Quando a apuração do valor depender apenas
de cálculo aritmético, o credor poderá promover, desde logo, o cumprimento da sentença.
Depende apenas de cálculo aritmético. Sendo essa regra que autoriza o credor após transitado em julgado
vincular de pronto a memória de cálculo. Basta isso para vincular. Sendo uma legislação prévia, rápida.
Apenas descreve as parcelas, e a forma de cálculo. Sendo uma planilha que tem permissivo de ser
questionada. E quando ocorre a impugnação da execução por excesso da execução deve-se trazer outros
cálculos que indica precisamente a falha dos cálculos. Isso é fundamental sob pena de inadimissão. É a
forma mais simples de liquidação, usada quando o cálculo depender de mera aritmética. O art. 524 ao
tratar do cumprimento de sentença traz como requisito o demonstrativo atualizado. A doutrina aborda
isso enquanto execução já que se o réu impugnar, o juiz pode mandar o processo para o contador judicial.
Na lei não há essa espécie.
Obs.: Em determinadas hipóteses, o credor somente tem como atualizar o cálculo, contando com
documentos, dados e informações, que estão no poder do devedor e do poder de terceiros. As hipóteses
de sistema financeiro, bancos, não tem como atualizar sem ter os dados, que depende de dados de
informações em poder do devedor. Pede ao juiz que intime a parte contrária a apresentar os dados.
Estamos falando de duas situações: devedor e do terceiro, que não é parte. E o efeito que decorre da
inobservância desse chamado é diferente: se terceiro, ele incorre na penalidade de crime de desobediência
quando não apresenta, sujeito a sanções; se devedor, aqui tem-se uma consequência diferente, se não
responder, reputa a presunção de correção do cálculo feito pelo credor, assim, se não apresenta
documentação ocorre presunção do credor. Art. 396, 401 e 524, CPC: Autoriza o juiz a chamar outras
pessoas para o processo.
Obs.: Digamos que o credor seja um indivíduo hipossuficiente, e esse credor não tem condição de realizar o
cálculo, pode fazer o esboço, mas a lei garante aos assistidos, a possibilidade de se valer do contador do
juízo. Art. 95, §3º, CPC.
É a mais simples das formas de liquidação.
b. Por arbitramento (art. 509, I, CPC):
Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua
liquidação, a requerimento do credor ou do devedor: I - por arbitramento, quando determinado pela
sentença, convencionado pelas partes ou exigido pela natureza do objeto da liquidação; II - pelo
procedimento comum, quando houver necessidade de alegar e provar fato novo.
Grau maior de generalidade. O nome já sugere: é realizada para a definição da extensão da obrigação a
ser executada houver a necessidade da realização de uma perícia. Esse arbitramento, necessita da
nomeação de um perito. Se o juiz também for médico, engenheiro: ele mesmo pode fazer a perícia? Se ele
tiver conhecimento técnico ele não pode fazer a perícia já que fere a imparcialidade dele. A partir do
momento que nomeia o perito todas as regras que vimos em prova pericial, em que o procedimento segue
a produção da prova conforme as regras previstas. Nomeia o perito, propõe honorários, e a parte tem
condição de fornecer assistente técnico, sendo que o parecer dos assistentes, serão nitidamente parciais,
seguem as regras da própria inicial comum. Ex.: 1. Araquem de Assis: definição dos danos decorrentes de
execução provisória. Quando à apelação pendente de julgamento não for atribuída efeitos suspensivo a
sentença atacada continua produzindo efeito, se gera a necessidade de execução provisória e há chances
de provimento, é obrigatório o retorno ao estado quo, fazendo o credor restituir. Muitas vezes ocorre da
simples restituição de eliminar os danos, e quem que quantifica os danos é um perito. Ex2: A necessidade
de quantificar os danos por litigância de má fé, que a parte deve ser apenada por multa de no mínimo
1 e máximo 10% da causa, os possíveis danos é o intuito protelatório. Já que o efeito do tempo para a
pessoa pode ser inestimável, havendo a crucialidade de um perito. Ex3: HTJ, com a estimativa da
desconsideração de veículos acidentados, perda da capacidade laborativa, sendo utilizado pelo perito.
Como no caso do taxista, fora o dano material, há a necessidade de analisar quando que ele perdeu.
Obs.: art. 510
c. Pelo procedimento comum (art. 509, II): Traz a espécie de liquidação pelo procedimento comum,
que era chamada de liquidação por artigos. Sendo utilizada todas as vezes quando se deve alegar e provar
fato novo. Fato novo, há duas acepções.
i. Utilizado a ideia de algo que ocorre depois de determinada fase processual. Ex.: proferida a
sentença o réu apresenta o comprovante de pagamento, como um evento jurídico que ocorre após
determinada fase.
ii. Acepção mais ampla: Também é considerado aquele fato que, embora já existisse ao tempo
do processo, não pode ser trazida aos autos, por uma série de razões, ou por desconhecimento ou por falta
de acesso ao meio de prova. Em suma, fato novo, é um fato que já existia mas não foi trazido aos autos
por não saber ou não conseguir leva-lo.
Ex.: Fato novo na acepção i. Alguém sofreu um acidente, e por razão disso, ajuíza uma ação indenizatória
dos danos que lhes foram causados: pede ressarcimento, indenização de dano estético, como por exemplo
a perda do pé, e na hora de ajuizar a ação ainda está internada, e já ajuíza pelos custeios médicos. No
momento de ajuizar a ação tem-se contextos fáticos, mas durante o tramitar do processo, descobre-se que
a situação é mais grave, como o fato de ter que amputar a perna inteira. Sendo este o fato novo, que pode
inclusive ocorrer pós a sentença (sentença ilíquida – determina a apuração do valor na fase de liquidação,
e nesse momento trará a liquidação por artigos, já que literalmente se arrola os itens).
Ex2: Usa a ideia de fato novo na acepção mais ampla. Por ocasião de um rompimento de barragem
hidrelétrica: Há um rancho que serve de bebedouro para o gado, situado depois da área represada.
Quando se rompe a barragem, a água carrega tudo. Se há uma fazenda depois da água, tem-se que se
observar que nela tem-se muitos itens. Pelo rompimento, o fazendeiro resolve pedir o ressarcimento,
contra o Estado ou contra a construtora, e o objeto é a demonstração do evento, culpa e danos causados
com a necessidade de reparação na fase de conhecimento. Mas não tem como o fazendeiro quantificar
tudo, já que não se sabe como a fazenda se encontra. Pela proporção do evento fica claro o prejuízo, e
consequentemente não se pode exigir do juiz a sentença líquida. Dessa maneira, deve-se realizar uma
prova para saber a quantidade de animais do rebanho, qual a lavoura, etc....
Obs.: No procedimento comum, quando o autor inicia esse procedimento de liquidação, a parte contrária tem
a oportunidade de falar, observando o disposto do livro I, art. 511.
Art. 511. Na liquidação pelo procedimento comum, o juiz determinará a intimação do requerido, na pessoa
de seu advogado ou da sociedade de advogados a que estiver vinculado, para, querendo, apresentar
contestação no prazo de 15 (quinze) dias, observando-se, a seguir, no que couber, o disposto no Livro I
da Parte Especial deste Código.
Obs. finais: Pode ocorrer que o resultado da liquidação atinja soma zero: Apesar de toda a atividade
probatória do credor, ele não consiga demonstrar prejuízo real, seria o caso do dano hipotético, o credor
não traz o sinal de comprovação, e não consegue demonstrar a titularidade do imóvel. Não tem como
sujeitar o pagamento. O processo aqui será instinto, inviabilizando o cumprimento de sentença. Há aqui
sentença, e não decisão interlocutória. Art. 485: extinção do processo sem análise do mérito. Recurso
aqui cabível é a apelação.
Ex.: Nas ações movidas em face da Fazenda Pública, todas as vezes que o juiz julga contra, há a necessidade
de o processo subir em exame necessário: ainda que não haja recursos voluntário (apelação, por exemplo)
ele sobe. O mesmo ocorre quando a Fazenda é executada, e com o improvimento dos embargos, deve
ocorrer a remessa necessária ou reexame necessário. A justificativa é o interesse público. Antes nas
condenações de até 60 salários mínimos, dispensava-se a remessa necessária. Lógica: o legislador pensou
que não compensa a remessa, já que o valor em jogo é diminuto. Se a sentença for ilíquida. Se a sentença
proferida por ilíquida? Não tem como calcular a repercussão econômica. O STJ reiterou que sentenças
ilíquidas estão sujeitas ao reexame necessário não incidindo a dispensa. Correlação: art. 496, CPC: não
trouxe a regra dos 60 salários mínimos. A lei fala agora em: valor certo e líquido inferior a 1000 salários
mínimos (União), 500 salários mínimos (Municípios capitais), 100 salários mínimos (demais
municípios). Agora são duas regras.
Art. 496. Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada
pelo tribunal, a sentença: I - proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e
suas respectivas autarquias e fundações de direito público; II - que julgar procedentes, no todo ou em
parte, os embargos à execução fiscal. § 1o Nos casos previstos neste artigo, não interposta a apelação no
prazo legal, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, e, se não o fizer, o presidente do respectivo
tribunal avocá-los-á. § 2o Em qualquer dos casos referidos no § 1o, o tribunal julgará a remessa
necessária. § 3o Não se aplica o disposto neste artigo quando a condenação ou o proveito econômico
obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a: I - 1.000 (mil) salários-mínimos para a União e as
respectivas autarquias e fundações de direito público; II - 500 (quinhentos) salários-mínimos para os
Estados, o Distrito Federal, as respectivas autarquias e fundações de direito público e os Municípios que
constituam capitais dos Estados; III - 100 (cem) salários-mínimos para todos os demais Municípios e
respectivas autarquias e fundações de direito público. § 4o Também não se aplica o disposto neste artigo
quando a sentença estiver fundada em: I - súmula de tribunal superior; II - acórdão proferido pelo
Supremo Tribunal Federal ou pelo Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos;
III - entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de
competência; IV - entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no âmbito administrativo
do próprio ente público, consolidada em manifestação, parecer ou súmula administrativa.

Faltei a aula de sexta-feira dia 15/07


Informativo 500, STJ
Classificação das espécies de Execução: Critérios para classificar as espécies. São vários os
critérios de classificação, sendo um conteúdo técnico. Mas dentro de cada um dos critérios estamos
adiantando o máximo dos atos de execução para que nos adiantemos a matéria.
1. Critérios enquanto a origem do título: Extra e judi.
2. Critérios quanto a estabilidade do Título:
Definitiva vs. Provisória
Entre os artigos 520 a 523, CPC, tudo que será dito destrincha esse tópico: A diferença entres essas
decisões são:
a. Execução provisória corre por iniciativa conta e responsabilidade do exequente: isso
significa que o credor terá que ressarcir o devedor, promovendo o retorno das partes no caso de
reforma ou cassação do ato que deu aso a execução provisória. Obs.: O cumprimento provisório é
expressão sinônima de execução provisória, muito embora, na execução do título extra judicial,
quando os embargos são julgados improcedentes, a ação do credor viabilizaria a continuação da
execução? De regra é cumprimento de sentença, as hipóteses dos embargos na execução.
O credor tem que promover o status quo anterior no caso de invalidação da decisão que
legitimou a execução. Sendo uma responsabilidade objetiva, não interessa se agiu por culpa. Já
que se a execução provisória é uma faculdade atribuída ao credor por lei, ao mesmo tempo cobra
uma responsabilidade diferenciada, afinal, sabe que a atividade promovida é arriscada, já que
comete uma execução sob um título ainda precário. Assim, se a decisão for reformada, a
responsabilidade de ressarcir é objetiva. Obs.: No campo da Tutela provisória, prevista e
regulamentada no Novo Código entre os artigos 294 e 311, CPC há uma previsão de decisão de
concessão de tutela provisória, é efetivada conforme as regras do cumprimento provisório de
sentença, isso significa que o legislador entende que aquele que é beneficiado pelos efeitos de
uma decisão, e caso ela caia mais à frente pela improcedência do pedido, esta terá por
responsabilidade objetiva que ressarcir a parte contrária. Isso é crucial porque há autores que
criticam essa característica da tutela para dizer que o regime de responsabilidade objetiva pode
desestimular a parte a realizar o pedido. Se aquele está em uma situação de iminente perigo e na
hora de sopesar os benefícios do risco de ressarcir as partes pode ser desestimulado a pedir. Os
autores críticos têm utilizado como fundamento a falta de ligação com a garantia de acesso à
Justiça. Isso já existia no CPC/73, mas agora no 294 ao 299 fala expressamente isso. Fez nascer
nos autores o interesse pelo tema. O professor tende a descordar dessa crítica, já que a
responsabilidade objetiva serve para temperar um bônus que ele teria.
I - corre por iniciativa e responsabilidade do exequente, que se obriga, se a sentença for
reformada, a reparar os danos que o executado haja sofrido;
b. O cumprimento provisório tem a ideia de que se o recurso for provido fica sem efeito a
execução devendo as partes retornarem ao status quo anterior: Vale a pontuação de que se
parcial a reforma, apenas nessa parcela é que a execução fica sem efeito. Basta imaginar a
hipótese em que a sentença condena alguém a pagar e ocorre um erro somente na definição do
quantum. Assim, o débito existe mas não é esse indicado, assim a execução continuará mas não
naquele valor. II - fica sem efeito, sobrevindo decisão que modifique ou anule a sentença objeto
da execução, restituindo-se as partes ao estado anterior e liquidando-se eventuais prejuízos nos
mesmos autos;
c. A execução da provisória poderá abranger atos que impliquem a expropriação de bens do
devedor. Mas nesse caso, desde que o credor preste caução idônea nos próprios autos da
execução. O legislador foi extremamente cauteloso com a execução provisória, visando proteger
o devedor. Assim, soma a necessidade de caução como mais um reforço de garantia que se tem
na execução. A execução encontra um limite. Entre os atos de execuções temos a penhora, a
avaliação, e os atos expropriatórios, dentre eles há muitas possibilidades: adjudicação, alienação,
usufruto, etc.... Se começa uma execução provisória e o credor não pode exercer caução o limite
é a avaliação de bens, podendo penhorar alguns bens móveis, imóveis e dinheiro, e a avaliação,
estando preparada a execução, agora para chegar nos atos expropriatórios deve oferecer a caução.
Se o credor tiver interesse de levar a cabo o ato expropriatório deve oferecer caução idônea, isso
será usado para caso de não aceitar a execução provisória. Assim, o devedor tem direito de
levantar o bem caucionado para se ressarcir dos prejuízos. Art. 521, CPC: se o credor não tiver
como prestar caução, o que fazer? A execução provisória paralisa na avaliação, mas há casos em
que o credor dependa da satisfação imediata da execução. Com isso o legislador tem que prever
casos que se dispensa a caução. Ex.:quando mais vale tutela um direito que aparenta existir do
que proteger um direito do devedor que é improvável. Por isso o 521, CPC tem situações em que
a caução pode ser dispensada: nos casos de créditos de natureza alimentar: decorrentes de relação
de parentesco, solidariedade (filhos maiores em relação aos pais, avós, irmãos), origem de ato
ilícito (sendo possível a constituição de um capital para adimplemento). Quem depende de
alimentos não tem como levar nada a caução. Segunda hipótese: quando o credor demonstrar
encontrar-se em situação de necessidade: Imaginemos que seja pessoa jurídica que depende do
crédito da execução para se manter ativa. Ou seja, premência do recebimento para evitar dano
irreparável. Há ainda no art. 1042 (trata da possibilidade do agravo cabível), como o Resp não
tem de regra o efeito suspensivo, logo, o agravo não tem efeito suspensivo, assim a decisão
atacada produz ainda efeitos viabilizando a execução provisória. Independe de caução isso, o
fundamento é: se já tem-se execução provisória, não somente o juízo de primeiro grau confirmou
a existência do crédito, e se há essa confirmação, é extremamente improvável que os títulos
sejam desfeitos no âmbito do tribunal superior. Já que se tem duas decisões de instâncias
ordinárias é pouco provável que perde o efeito, há a dispensa da caução quando pendente. O
inciso IV do art. 521 e uma novidade: dispensa a caução nos casos da sentença estiver em
conformidade de Súmula do STF e STJ. Fala da formação do sistema de precedentes. Se a
Súmula encontra-se de acordo com a Jurisprudência, e por isso é difícil de reforma. O § único
desse dispositivo: por ser provisória a execução, de regra tem que estabelecer caução, mas há
hipóteses de dispensa, mas há aqui uma regra de temperamento. Sendo possível que o juiz exija
caução para evitar danos. Mesmo nos casos em que o legislador retira a caução poderá o juiz, por
ato motivado, determina que o credor ofereça caução. Exceção: não se aplica o § único do 521
para prestação de alimentos que são irrepetíveis. Encaixando no inciso II do art. 521.

Obs.: O dispositivo é o art. 297, § único do regime de responsabilidade objetiva para a execução
provisória mediante a tutela provisória. Art. 297. O juiz poderá determinar as medidas que
considerar adequadas para efetivação da tutela provisória.Parágrafo único. A efetivação da tutela
provisória observará as normas referentes ao cumprimento provisório da sentença, no que couber. O
art. 522, os autos do processo não estarão perante o juízo competente para a execução, eles estarão em
algum tribunal mediante recurso. Somente identificarei o juízo competente pelas normas. Assim, o
primeiro juiz que reconheceu o pedido na fase de conhecimento por ser. Possibilidade de deslocamento
do domicílio para o local em que o bem esteja, por exemplo. Tendo que extrair cópias dos autos do
tribunal para realizar a execução, §único do art. 522.

Art. 521. A caução prevista no inciso IV do art. 520 poderá ser dispensada nos casos em que: I - o
crédito for de natureza alimentar, independentemente de sua origem; II - o credor demonstrar
situação de necessidade; III – pender o agravo do art. 1.042; (Redação dada pela Lei nº 13.256, de
2016) (Vigência) IV - a sentença a ser provisoriamente cumprida estiver em consonância com súmula
da jurisprudência do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça ou em
conformidade com acórdão proferido no julgamento de casos repetitivos. Parágrafo único. A
exigência de caução será mantida quando da dispensa possa resultar manifesto risco de grave dano
de difícil ou incerta reparação.

3. Quanto à natureza e ao objeto da prestação: Temos que olhar apenas as espécies obrigacionais
existentes. O código estruturou os procedimentos conforme a natureza e objeto de prestação. Como
temos execuções também diferenciadas com relação a origem do título, o código estabeleceu
procedimentos executivos, de um lado quando fundado em título judicial e de outro quando o título é
extra judiciais. Temos 6 procedimentos:
3.1. Entregar coisa certa: Art. 538 para os títulos judiciais, e entre os artigos 806 e 810 para os títulos
extrajudiciais.
3.2. Para a execução de entrega coisa incerta: Título Judicial – art. 538; e para o extrajudicial, o art. 811
a 813, CPC.
3.3.Obrigação de fazer: prevista nos artigos 536 e 537 para títulos judiciais e entre os artigos 815 e 821
para os títulos extrajudiciais.
3.4. Obrigação de não fazer: artigos 536 e 537 para os judiciais; e para os extrajudiciais estão no 822 e
823, CPC.
3.5. Execução por quantia contra devedor solvente: para judiciais nos artigos 523 e seguintes, para os
títulos extrajudiciais arts. 824 e seguintes. Dois destaques: 1. Há execuções especiais contra a
Fazenda Pública (art. 910, título extrajudicial ) e Execuções de alimentos (pode se fundar em títulos
extrajudicial, prevista entre os artigos 911 e 913, CPC)
3.6. Execução por quantia contra devedor insolvente: Não está regulada no CPC de 2015. O
legislador no art. 1052, CPC, é uma das normas que encontra-se nas disposições finais. O CPC de
1973 ainda vigora especialmente com relação à execução por quantia contra devedor insolvente.
Assim, ele não foi totalmente revogado quanto aos seus dispositivos: 748 até 786-A. E isso foi um
pleito de um professor da PUC, Ronaldo Bretas
4. Quanto a especificidade do objeto da prestação: Lembraremos a segunda aula do semestre quando
estudamos as espécies das obrigações, em que pese as execuções específicas. Mas pode ocorrer, de
em razão do inadimplemento o objeto inicialmente contratado pode ter se tornado ou impossível para
o devedor, ou inoportuno para o credor. Assim, a execução específica pode ser convertida em uma
outra espécie obrigacional. Normalmente se dá para a espécie obrigacional de pagar quantia. Pode-se
falar ainda: as vezes a espécie é possível, oportuna mas é infrutífera, como por exemplo na execução
de quantia.
5. Quanto à especificidade do procedimento em fase da peculiaridade do Direito Material
discutido na lide: Alguns créditos especiais podem dar aso a procedimentos executivos especiais, já
que o tipo de direito não se sujeita ao procedimento comum, sendo possível que esses procedimentos
sejam especializados a depender do tipo de crédito ou do tipo de credor. Ex.: Execução de alimentos:
na maioria das vezes se convola em quantia, podem optar pelo procedimento comum ou nos
valermos de técnicas especialmente delineadas para a peculiaridade de provas que cabem no
processo. A CDA será executada conforme procedimento especial de execução fiscal.
6. Quanto à solvabilidade do Devedor: Há também uma diferença: não basta dizer da solvabilidade.
Já que se ele for solvente já sabemos onde estão as regras, mas se o devedor é insolvente temos que
analisar: se Pessoa natural, será regulado pelo CPC/73. Em caso de pessoa jurídica, cave a lei
11.101/05.
Regras disciplinadoras do cumprimento de sentença
1. Introdução (art. 513 ao art. 519, CPC): Determinados tipos de sentença (classificações das ações
projeta no tipo de sentença), já possuem em si a carga eficacial necessária para se tornarem
concretas, para provocarem no mundo dos fatos os efeitos que contêm. Ex.: Uma sentença
declaratória, quando proferida, por si só, já gera efeitos no mundo jurídico. As sentenças
constitutivas podem constituir e desconstituir situações jurídicas novas, como o caso da sentença que
decretou o divórcio. O registro civil é ato administrativo dado a terceiro. O ato jurídico do cartório
não é condicionante para a eficácia da sentença constitutiva. Mas há outras sentenças que contém um
comando, que também é parte do conteúdo delas, esse comando prestacional, que é típico da
sentença condenatória, indica que para os efeitos se tornarem concretos dependem de atos
concretizados pela parte. Nesses casos, somos obrigados a falar da atividade executiva. Estamos
estudando toda a parte geral que serve de substrato para a atividade executiva. Quando trabalhamos
com o extrajudicial, possibilita o início de um processo autônomo. Mas com relação as decisões
judiciais que contém por conteúdo alguma obrigação, os modos de executá-las não dependem de um
processo autônomo. Nesses mesmos autos a sentença será concretizada no curso do mesmo processo
que esses procedimentos se formaram.
Nos títulos judiciais: Essa fase de cumprimento de sentença possui regras gerais, para qualquer tipo
de obrigações que estão disciplinadas entre os artigos 513 e 519. O cumprimento de sentença
encontra-se no livro 1 da parte geral. O código tem uma parte geral que vai até o artigo 317. A parte
especial do Código é dividida em: Livro 1: com todas as regras do procedimento comum com as
fases de conhecimento e do cumprimento de sentença; já no livro 2 da parte especial, tem-se a
disciplina do processo de Execução fundada em título extrajudicial. E no Livro 3, teremos a
disciplina do Processo no âmbito dos Tribunais incluindo os recursos, com as ações de competências
originárias. É desarrazoável que o legislador previsse todas as regras do cumprimento de sentença e
destrinchasse as regras no Livro II da execução de extrajudiciais. O código assim, promove o
mecanismo de intercambiamento entre as regras procedimentais. Assim, aplica-se no cumprimento
de sentença as normas regulam o processo de execução e vice-versa. Ex.: regime de
impenhorabilidade de bens que está em outro livro, que não o I, são aplicados no cumprimento de
sentença. Essa comunicação, com isso, é muito crucial (art. 513 e art. 771, CPC, que falam de
aplicação subsidiária). Ex.: Na PI da execução tem as regras: título executivo e memorial
discriminado e atualizado do débito.
Além desse intercambiamento, há naturalmente algumas restrições, já que aplica-se as regras de um
procedimento a outro no que couber. É possível que haja determinado procedimento que é peculiar
do processo de execução e que por disposição da lei não se aplica ao cumprimento de sentença. No
CPC revogado, permitia que o devedor em execução de título extrajudicial, depositasse em juízo
30% do valor da dívida e requeresse o parcelamento do restante em até tantas vezes. E entendia a
jurisprudência que a moratória legal permitia que esse mecanismo fosse aplicado no cumprimento,
mas no CPC/2015, o legislador, no art. 916, §7º, tratando do processo de execução, tratou de maneira
diversa para o cumprimento de sentença, já que se esse artigo aplica-se à execução autônoma que
começa com PI e que não houve prévia discussão para a constituição do título, então o devedor tem
alguns benefícios, ou seja, ações de conhecimento como embargos do devedor e o parcelamento da
dívida, desde que cumpridos os requisitos. Mas no Cumprimento de sentença, o que temos é o
cumprimento de um título judicial, cuja formação foi precedida de uma fase de conhecimento, e isso
significa tempo dispensado, com isso, permitir o devedor requerer o parcelamento do débito do
restante em 6 meses, seria mais um acréscimo de tempo no processo, sendo irrazoável impor ao
credor mais essa espera. Além do mais o parcelamento da dívida poderia ser feito a qualquer
momento, e, para o professor, parcelar a dívida, ou seja, aplicar a moratória legal no cumprimento
de sentença poderia ser um abuso de direito. Antes, no CPC/73, para a maioria da doutrina, o
parcelamento era direito potestativo do devedor. HTJ afirmava da necessidade do contraditório como
a noção de que o credor poderia ser ouvido com uma opinião importante. Art. 916, CPC, o juiz pode
indeferir o parcelamento, assim, não é direito potestativo do devedor. §1ºem que afirma ser decisão
interlocutória. Assim, há recurso cabível para o ato decisório do juiz que apreciaria o art. 916? Sim,
agravo de instrumento. Em suma, o que temos no cumprimento de sentença que é relevante:
a. O início do cumprimento de sentença, provisório ou definitivo, depende do
requerimento do exequente quando para pagar quantia: Não se faz cumprimento de
sentença de ofício, dada a disponibilidade da execução, sendo prerrogativa do credor executar
ou não. Art. 523. No caso de condenação em quantia certa, ou já fixada em liquidação, e no
caso de decisão sobre parcela incontroversa, o cumprimento definitivo da sentença far-se-á
a requerimento do exequente, sendo o executado intimado para pagar o débito, no prazo de
15 (quinze) dias, acrescido de custas, se houver.
b. O devedor é intimado na forma do art. 513. § 2o O devedor será intimado para cumprir a
sentença: I - pelo Diário da Justiça, na pessoa de seu advogado constituído nos autos; II -
por carta com aviso de recebimento, quando representado pela Defensoria Pública ou
quando não tiver procurador constituído nos autos, ressalvada a hipótese do inciso IV; III -
por meio eletrônico, quando, no caso do § 1o do art. 246, não tiver procurador constituído
nos autos IV - por edital, quando, citado na forma do art. 256, tiver sido revel na fase de
conhecimento. Se a sentença transitou, o credor deve dar um requerimento para que o
devedor seja intimado, e, a partir da intimação tenha oportunidade do cumprimento
voluntário, que perdurará por 15 dias. A intimação aqui será pessoal ou na pessoa do
advogado? No CPC/73 foi definido que o devedor será intimado na pessoa do advogado,
mas havia algumas circunstâncias que impunha a intimação pessoal (devedor assistido por
dativo, defensor público, revel etc.) quando não há contato com o devedor, assim no
informativo 429, o STJ2 disse que o devedor quando assistido, isso convertia em

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CUMPRIMENTO. SENTENÇA. INTIMAÇÃO. Tratou-se de REsp remetido pela Terceira Turma à Corte Especial, com a
finalidade de obter interpretação definitiva a respeito do art. 475-J do CPC, na redação que lhe deu a Lei n. 11.232/2005, quanto à
necessidade de intimação pessoal do devedor para o cumprimento de sentença referente à condenação certa ou já fixada em
liquidação. Diante disso, a Corte Especial entendeu, por maioria, entre outras questões, que a referida intimação deve ser feita na
pessoa do advogado, após o trânsito em julgado, eventual baixa dos autos ao juízo de origem, e a aposição do “cumpra-se”; pois
só após se iniciaria o prazo de quinze dias para a imposição da multa em caso de não pagamento espontâneo, tal como previsto no
referido dispositivo de lei. Como destacou o Min. João Otávio de Noronha em seu voto vista, a intimação do devedor mediante
seu advogado é a solução que melhor atende ao objetivo da reforma processual, visto que não comporta falar em intimação
pessoal do devedor, o que implicaria reeditar a citação do processo executivo anterior, justamente o que se tenta evitar com a
modificação preconizada pela reforma. Aduziu que a dificuldade de localizar o devedor para aquela segunda citação após o
término do processo de conhecimento era um dos grandes entraves do sistema anterior, por isso ela foi eliminada, conforme
consta, inclusive, da exposição de motivos da reforma. Por sua vez, o Min. Fernando Gonçalves, ao acompanhar esse
entendimento, anotou que, apesar de impor-se ônus ao advogado, ele pode resguardar-se de eventuais acusações de
responsabilidade pela incidência da multa ao utilizar o expediente da notificação do cliente acerca da necessidade de efetivar o
pagamento, tal qual já se faz em casos de recolhimento de preparo. A hipótese era de execução de sentença proferida em ação civil
intimação pessoal. Mas o CPC/2015, no §2º, art. 513, disse que a intimação será pelo
Diário de Justiça pela pessoa do advogado. Mas os demais incisos, há exceções: mandado
uma carta com AR para o devedor. Mas se ele mudou de endereço? Regra do art. 274: se as
partes informaram os endereços na PI e contestação, qualquer alteração de endereço deve ser
informada aos autos, aos juízos, já que há agora a expedição de carta com AR para ocorrer o
aviso de recebimento, sendo a regra da presunção de que o devedor recebeu a comunicação,
caso seja direcionado ao endereço indicado nos autos. Assim, quando a parte não tiver
procurador constituído nos autos e for assistida. No inciso III, fala de nos casos dos
processos por meio eletrônico, se não for ME e EPP (art. 246, §1º), toda pessoa jurídica
(públicas e privadas) têm que manter um e-mail cadastrado nos bancos de dados dos
Tribunais para efeitos de recebimento de intimações, preferencialmente pelo e-mail. Pode
ocorrer ser por edital.
c. O cumprimento de sentença não poderá ser feito na pessoa do coobrigado, codevedordo
fiador, que não estejam na fase de conhecimento: A atividade executiva será roposta pelo
réu na fase de conhecimento. § 5o O cumprimento da sentença não poderá ser promovido em
face do fiador, do coobrigado ou do corresponsável que não tiver participado da fase de
conhecimento.
d. Art. 514. Quando o juiz decidir relação jurídica sujeita condição e termo, cumprimento
tem que provar que houve condição e termo cumpridos: O juiz pode julga precedente que
a prestação é devida, desde que se cumpra a condição ou termo. Art. 514. Quando o juiz
decidir relação jurídica sujeita a condição ou termo, o cumprimento da sentença dependerá
de demonstração de que se realizou a condição ou de que ocorreu o termo.
e. O rol de título judiciais está previsto no art. 515, CPC, mas o crédito de auxiliar da
justiça, uma vez homologado em juízo é título executivo judicial, e outro título é as
decisões interlocutórias estrangeiras, desde que concedido a carta de exequatur.
f. As regras de competências são definidas no art. 516, CPC que não mudou quase nada.
O foro competente é aquele que originariamente conheceu o pedido na fase de conhecimento.
Se o foro competente for do Tribunal de Justiça, ele é o competente. Mas cabe o
deslocamento do domicílio: para o foro da realização da obrigação, domicílio dos bens
g. Há a previsão expressa da possibilidade de protesto da sentença transitada em julgado,
depois do prazo do pagamento voluntário do devedor. Além dos 10% de multa, 10% de
honorários, há a possibilidade do protesto, ou seja, mandar para o cartório a sentença. Sendo
mais um ato coativo para instigar o cumprimento da obrigação. Art. 517. A decisão judicial
transitada em julgado poderá ser levada a protesto, nos termos da lei, depois de transcorrido
o prazo para pagamento voluntário previsto no art. 523.
h. Todas as questões da validade do cumprimento de sentença podem ser arguidas nos
próprios autos. Ultrapassado o prazo de cumprimento voluntário, há um mandado de
penhora e avaliação de bens do devedor. Os bens do acervo patrimonial, estará sujeito de
penhora. Mas no curso do mesmo processo, o devedor poderá oferecer defesa que é a
impugnação do cumprimento de sentença. Questão de prova: natureza jurídica da decisão:
se o juiz rejeita ou acolhe parcialmente o cumprimento de sentença continua (decisão
interlocutória e cabe agravo). Mas se o juiz se aceita a impugnação por completo, a
natureza é de sentença, já que encerra o processo cabendo a apelação. Transitado em
julgado o devedor pode comparecer espontaneamente. §1o No cumprimento provisório da
sentença, o executado poderá apresentar impugnação, se quiser, nos termos do art. 525.
Questão de prova: O que o devedor pode fazer ou como agir para evitar a incidência da
multa e os honorários? Deve oferecer espontaneamente conforme o art. 526, para se liberar da
obrigação.

pública na qual a ré foi condenada ao cumprimento de obrigação de fazer, ao final convertida em perdas e danos (art. 461, § 1º, do
CPC), ingressando a ora recorrida com execução individual ao requerer o pagamento de quantia certa, razão pela qual o juízo
determinou a intimação do advogado da executada para o pagamento do valor apresentado em planilha, sob pena de incidência da
multa do art. 475-J do CPC. Precedentes citados: REsp 954.859-RS, DJ 27/8/2007; REsp 1.039.232-RS, DJe 22/4/2008; Ag
965.762-RJ, DJe 1º/4/2008; Ag 993.387-DF, DJe 18/3/2008, e Ag 953.570-RJ, DJ 27/11/2007. REsp 940.274-MS, Rel. originário
Min. Humberto Gomes de Barros, Rel. para acórdão Min. João Otávio de Noronha, julgado em 7/4/2010.
1. Voluntariamente: art. 523
2. Espontaneamente: art. 526 É lícito ao réu, antes de ser intimado para o
cumprimento da sentença, comparecer em juízo e oferecer em pagamento o
valor que entender devido, apresentando memória discriminada do cálculo.
i. Previsão da tutela provisória, que pode ser satisfativa ou cautelar, a efetivação dela é
ato executivo, tendo que observar as regras da execução, por isso as normas desta
aplica-se subsidicariamente aquilo previsto na tutela provisória: Se defere a tutela
antecipada e a parte não paga, tem-se que executar em autos apartados. Também é título
executivo que comporta cumprimento de sentença do art. 356, CPC a decisão que antecipa
parcialmente o mérito. Art. 523, CPC: no caso de condenação em quantia certa, ou já fixada
em liquidação, ou no caso do julgamento antecipado parcial do mérito. Art. 297.
2. Noção de Obrigação por quantia certa: Quando tratamos de pagar quantia quanto objeto
obrigacional do cumprimento de sentença, a noção que temos é uma obrigação de prestar determinada
quantia em dinheiro, que pode ser originária do pacto da prestação em que uma das prestações é a entrega
da soma em dinheiro, ou ter ainda uma conversão da entrega em soma de dinheiro, em razão da
impossibilidade do cumprimento da obrigação de maneira acordada. Ou ainda, mesmo que possível o
cumprimento, a espécie se tornou inoportuna, indesejável ou inviável. Tanto é que muitas vezes vemos a
obrigação convertida ou resumida em perdas e danos. O procedimento base disso seria:
2. Cumprimento de sentença que reconhece o dever de pagar quantia (art. 523 e art. 527): Toda a
atividade tem como ponto central a expropriação de bens do acervo patrimonial. O foco seria a
expropriação ainda que tenhamos um objeto específico, para que se alcance essa quantia, a atividade
executiva autoriza a expropriação, de modo que da alienação se tenha uma quantia necessária.
Eventualmente os próprios bens constritos são utilizados mediante a espécie de expropriação da
adjudicação (art. 824 e 825, CPC). Art. 825. A expropriação consiste em: I - adjudicação; II -
alienação; III - apropriação de frutos e rendimentos de empresa ou de estabelecimentos e de outros bens.
A hipótese do inciso III é a de usufruto. Houve uma alteração da forma de expropriação. Há três formas:
adjudicação, alienação e usufruto. No CPC/73 previa como meio expropriatório a alienação em asta
pública ou por iniciativa particular, havendo antes, quatro meios. Muito embora o legislador não dissesse
o meio preferencial, a doutrina disse que o Código realizou uma ordem, a começar pela adjudicação. Já
que ainda que a obrigação seja de pagar quantia, e há um bem, e o credor quer este bem, já facilita a
extinção. Preferencialmente a expropriação é via adjudicação. Se não for interesse do credor ficar com o
bem penhorado, pode conseguir outros meios. Antes, caberia ao próprio credor ou devedor tentar alienar
o bem, em que o fruto da venda fosse entregue ao credor. Mas essa alienação não vingou, já que o credor
sempre optava para a alienação em asta pública. O oficial de justiça tem conhecimentos básicos para
realizar tais avaliações. Há determinadas hipóteses que o oficial de justiça por não ter conhecimento
necessário, o oficial certificando o fato isso impõe ao juiz um perito, responsável pela alienação. Quando
o bem penhorado era levado a pregão, no dia do primeiro, os eventuais interessados não poderiam
oferecer lances inferiores. Não havendo interessados, havia uma segunda data, em que os interessados
poderim oferecer lanço menor do que o valor de avaliação. A restrição feita é que os lances oferecidos em
segundo pregão não poderiam ser correspondentes a um preço vil (art. 891, CPC), já que se permitisse
que o bem fosse arrematado assim, além de correr o risco de não admitir integralmente o crédito em
execução, e o devedor é prejudicado.
- Forma de atingimento de satisfação; no processo de execução porque o credor tem um título
extrajudicial já pode ajuizar de plano. Se falamos do cumprimento de sentença, é uma fase eventual do
processo, já que é desejável que após o trânsito em julgado, que o devedor a cumpra voluntariamente. É
possível que o devedor para se ver livre, pode ofertar o valor definido na sentença judicial transitada em
julgado. Mas isso nem sempre ocorre, o que vemos é que após a sentença o credor tenha que provocar a
atividade jurisdicional.
- Algumas relações jurídicas há uma corresponsabilidade, em que há uma regra em que o fiador
ou responsável não se submetem a execução caso não forem chamados para responder.
Feita a ressalva de que por iniciativa do devedor o cumprimento de sentença pode ser evitado e não
iniciado, (em 2005 havia autor que dizia que o cumprimento de sentença somente pode ser assim
chamado se ele cumpre voluntariamente, se não seria típica a execução. O professor não concordou com
isso, dizendo que o cumprimento de sentença é atividade executiva, assim como a execução, e agora
parece, pelo 523 que o legislador pensou o mesmo: voluntariamente. Requerido o cumprimento de
sentença pelo credor (disponibilidade) não há mais pagamento espontâneo. O requerimento tem por
objetivo a citação do devedor para que no prazo de 15 dias satisfaça a obrigação, voluntariamente. Já que
se assim não o fizer, haverá duas sanções:
i. Multa por meio de execução indireta: seria a multa de 10%, e tem por objetivo incutir no
devedor a vontade de cumprir a obrigação.
j. Honorários de advogados (art. 523, §1º): A execução de pagar quantia é uma fase de um
mesmo processo, mas isso não sancionaria duas vezes o devedor? Embora fazer lógica, não
foi isso que prevaleceu. Já que era desejável o cumprimento após a sentença. Na fase de
conhecimento a condenação do réu ou autor das despesas processuais, seria no princípio da
causalidade, as custas serão ressarcir o autor, e os honorários advocatícios sucumbenciais.
Depois do trânsito em julgado deveria cumprir espontaneamente, mas se há a necessidade de
nova forma de execução estará caracterizado uma outra fase, uma outra situação nova, que é
o cumprimento forçado a obrigação e isso justifica a aplicação da cumulação de 20% de
honorários na fase de cumprimento e 10% na fase de cumprimento de sentença. O que não é
possível é que até a sentença de trânsito em julgado os honorários ultrapassarem 20%. Art.
85, caput fala de honorários de sucumbência e o §14 diz que os honorários constituem direito
dos advogados, que seriam os sucumbenciais.
O cumprimento de sentença será cabível quando:
a. O objeto base preferido ou principal é a sentença condenatória transitada em julgado que fixa o
pagamento
b. é possível que a sentença condenatória seja ilíquida, assim, a decisão de liquidação é também objeto do
cumprimento de sentença. Lembrando que quem nomeia é o HTJ, mas cabe um adendo: o professor não
concorda que a decisão de liquidação é o objeto de cumprimento de sentença, é apenas integrante.
Tecnicamente seria mais correto do que dizer apenas sobre a decisão de liquidação. Sendo objeto hábil a
sentença genérica integrante do cumprimento. Já que a liquidação é uma fase preparatória, já que não
cabe execução de um título ilíquido.
c. O terceiro objeto possível é a decisão interlocutória que julga parcialmente o mérito. Seria a decisão do
art. 356, CPC. Assim, irá dizer que é possível julgar antecipadamente o mérito em parte. Se essa parcela
caracteriza obrigação de pagar quantia é possível o cumprimento. Se não for interposto, evitando a
preclusão, o cumprimento de sentença é definitivo e não provisório. A decisão que julga em parte, tem
conteúdo de mérito, e mesmo assim não é recorrível na apelação, já que o 1015, CPC define a decisão
interlocutória com conteúdo de mérito, por isso que no julgamento parcial, ela tem que obrigatoriamente
que agravar.
Controvérsia:
- Fluência do prazo para pagamento voluntário: Com o novo código a controvérsia não mais existe. O art.
523, CPC correspondente ao 475-J que foi incluído prevendo a regra do pagamento de quantia e sendo
intimado para cumprir no prazo de 15 dias, e ao final do prazo a multa e aí sim o início do cumprimento
de sentença o momento de inclusão da multa era invertido. Hoje o devedor é intimado, oportuniza o
pagamento e se não fizer incide a multa. Do trânsito em julgado as partes são intimadas. O prazo conta
necessariamente na intimação do devedor, na pessoa do seu advogado. Cabendo as exceções pelo devedor
revel, com defensor público. Mas isso não foi de imediato, levou algum tempo para tal definição. É uma
tese vencedora no STJ, e implementada no novo CPC. Questão de prova: A fluência do prazo para o
voluntário do devedor na obrigação por quantia (já que em outras espécies deve o devedor ser intimado
pessoalmente. Ex.: execução de astrentes) depende da intimação do devedor, via de regra pela pessoa do
advogado.
- Execução provisória e multa de 10%. A multa pelo não cumprimento voluntário em execução provirória no
CPC de 73 era incabível, já que nesse caso, não teria o trânsito em julgado, se não foi condenado, não
poderia incidir a multa. Definido pelo informativo 460, STJ. Mas agora incide-se a multa dos 10% no
código novo. Isso encontra-se no 520, CPC, já que se realiza da mesma forma.

- Moratória legal: depósito de 30% da quantia devida, e o parcelamento de até seis vezes, para a execução de
título extrajudicial (exclusivamente para execução autônoma). Nos Juizados especiais esta era uma das
principais causas de extinção do processo pelo comprovante de depósito, hoje não cabe no cumprimento
de sentença. (art. 916)
Art. 525, CPC: Impugnação ao cumprimento de sentença
Art. 528 e ss. Cumprimento de sentença – Obrigação de alimentos

RESUMO:
Se já temos a sentença transitada em julgado, e se essa sentença liquida, há a possibilidade de não
cumprindo espontaneamente o credor, por petição simples, requerer o cumprimento. Lembrando da
possibilidade do cumprimento de sentença integrada da decisão de liquidação, e da decisão interlocutória
em antecipação parcial de mérito (art. 356). Pensaremos para montar o procedimento comum, a sentença
líquida. Feito o requerimento, o devedor será intimado com o prazo de 15 dias para o pagamento
voluntário da obrigação. Dentro desse ponto, diz o artigo 524 os detalhes de como o requerimento deve
ser feito: demonstrativo atualizado, etc.... Sendo crucial além do nome completo e CPF do exequente e do
executado, a planilha de débito tem que constar o índice de correção monetária, que se não tiver escrito
será o da corregedoria do Tribunal ao qual estamos submetidos. Além disso, os juros, os termos iniciais e
finais, peridiocidade de capitalização. Além de determinar que a PI deverá indicar a existência de bens do
devedor passíveis de penhora. Se o credor já sabe quais são os bens, cabe essa indicação para agilizar os
atos expropriatórios caso não cumpra a obrigação de pagar.
Há algumas disposições importantes no artigo 524, CPC:
1. Nesse demonstrativo de débito, quando essa petição vem ao cartório é possível que o juiz levante
dúvida do valor indicado. A execução será iniciada com o valor, mas a penhora com o valor
adequado. Se as importâncias forem diversas, é possível a interposição de agravo (pelo 1015,
§único). Essa dúvida do juiz, pode ser confirmada pela contabilidade do Fórum. O §2º da essa
possibilidade ao juiz. Há um setor de custas que tem um contador em cada comarca para a aferição
dessas contas, sendo um auxiliar do juízo.
2. Além de se valer do contador, o §3º é importante. Com relação aos dados que estão em poder da
parte, além do crime de desobediência tem-se a análise de veracidade. Mas quando os documentos
estão em mãos de terceiros, a consequência jurídica é diferente se eles estiverem na parte contrária,
abre a possibilidade da busca e apreensão. Se for da outra parte cabe-se na veracidade.
Abre-se então a intimação do devedor, a possibilidade do pagamento voluntário no prazo de 15 dias. Pela
primeira vez, o CPC previu a possibilidade do devedor voluntariamente oferecer o pagamento antes da
intimação do devedor, em que o devedor fica livre tanto da multa quanto de honorários. Pode ocorrer,
entretanto do devedor ofertar um valor aquém, sendo razoável incidir as multas e honorários sobre as
diferenças. Mas pelo procedimento comum, deve haver o requerimento do pagamento voluntário, se
ultrapassados os 15 dias, por força do 523 incide não somente os 10% a título de multa como a título de
honorários.
Começa agora a correr um novo prazo de 15 dias para que o devedor ofereça impugnação ao cumprimento
de sentença. Outro efeito é os atos de penhora. Se ao final do prazo de 15 dias não cumprir (art. 523,
§3º) será expedido desde logo mandado de penhora, seguindo os atos de expropriação. Assim não precisa
requerer novamente os atos após o prazo de 15 dias, a secretaria deveria, oficiosamente, requerer esse
fator, porém não há a necessidade desse pagamento ser judicial. Assim o mandado (ordem do juiz para
que compareça ao domicílio e penhorar os bens. Identificados os bens, estabelece os tipos que recaem a
constrição) tem que ser de ofício, mas para ser realizado com o controle é mais difícil. No regime
anterior, após o prazo de 15 dias, faziam outro requerimento, que embora não seja regra, servirá para dar
impulso para a secretaria. Sendo até salutar a petição apresentando o valor final, já acrescido da multa.
Percebe-se então que o prazo para impugnação corre independentemente dos atos realizados pela
secretaria. No regime anterior, a impugnação era possível apenas com a penhora realizada. No Código
novo, a impugnação deve ser no prazo de 15 dias, independentemente se há a penhora.
Penhora de dinheiro: 835, CPC – Neste artigo, temos que a preferência seria o pagamento em dinheiro.
Questão de prova: A impugnação não tem, portanto, os efeitos suspensivo.
- Art. 525, CPC: §6º: versa sobre esse efeito suspensivo, mas a impugnação de regra não tem esse efeito.
Isso significa que tanto os atos de penhora quanto a expropriações ocorrem na discussão da impugnação.
O devedor pode ter argumentos que indicam alta probabilidade de procedência da impugnação e ainda
que já houve a penhora, ou mesmo sem a penhora, o oferecimento de uma garantia o juízo pode requerer
a atribuição dos efeitos suspensivo. Sendo esse efeito de atribuição excepcional. Isso ocorre a despeito do
§7º.
- São quatro requisitos do efeito suspensivo:
1. Fundamentação relevante
2. Perigo de dano
3. Requerimento do executado
4. Ter realizado a penhora, ou ofereceu o devedor o bem em caução ou depósito para a satisfação de
pagar quantia.
Na impugnação ocorre a mesma regra do CPC/73: Tem-se aqui a chamada exceção da exceção:
- Se a regra é a não suspensividade da impugnação, pode o devedor se defender, mas isso não impedem
atos de penhora. Mas a exceção é o §6º e seus requisitos. Porém mais adiante há uma faculdade do credor
que pode optar por requerer a continuidade da execução, oferecendo ele credor uma caução (para garantir
eventuais prejuízos sofridos pelo devedor), seria uma revogação do efeito suspensivo. (Art. 525, §10º).
Assim, é possível que o credor requeira o afastamento do efeito suspensivo. Condicionamento:
atendimento a caução fixada pelo juiz. Na maioria dos casos práticos vistos, não se chegou a essa
hipótese de afastamento do efeito suspensivo pela caução.
Essa impugnação tem o conteúdo restritíssimo. Todas a defesas arguíveis são levadas em conta ao juiz, se
permitisse o revolvimento de matéria fática, dota-se o procedimento de questão cognitiva. Assim, a
impugnação do devedor tem um conteúdo restrito, que são conteúdos processuais (ex.: eventual nulidade
na intimação, irregularidade no título, excesso da execução, fatos supervenientes à formação de títulos.
Uma disposição especial em razão do excesso da execução:
- Quando o devedor alega isso na impugnação, juntamente deve indicar o valor correto. Sendo intuitivo
que admita que o devedor deve trazer o demonstrativo atualizado do débito. Há uma sanção definida no
título para a não apresentação desse valor. No §4º diz sobre essa situação, e o §5º traz a sanção: a
impugnação deve ser liminarmente rejeitada se for a única defesa. Se cumular somente olha os outros
meios de defesa.
Obs.: Art. 229, CPC: traz uma regra a respeito da forma de contagem do prazo, que pode ser considerado em
dobre se havendo litisconsortes de advogados diferentes de escritórios diferentes quanto aos autos físicos.
Já que se tramitar em digital, a dobra do prazo não existe. Art. 525, CPC lembra essa regra.
Art. 517 prevê que ultrapassado o prazo ainda há mais um efeito: o credor pode levar protesto a sentença
transitada em julgado. Esse protesto é levado pelo credor, sendo um ato voluntário. O protesto tem uma
força importante: se o nome está negativado ele terá muitos problemas. No cumprimento de sentença do
devedor de alimentos, a intimação é pessoal para pagar no prazo de 6 dias e apresentar os argumentos de
pagamentos.