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Didática do Ensino Superior

Terezinha Lombello Ferreira Aline Ferreira Campos

Revisado

UFSJ MEC / SEED / UAB

2010

F383d

Ferreira, Terezinha Lombello Didática do ensino superior / Terezinha Lombello Ferreira, Aline Ferreira Campos. — São João del-Rei, MG : UFSJ, 2010.

65p.

1. Ensino superior 2. Didática I. Campos, Aline Ferreira. II. Título.

CDU: 371.3:378

I. Campos, Aline Ferreira. II. Título. CDU: 371.3:378 Reitor Helvécio Luiz Reis Coordenador UAB/NEAD/UFSJ Heitor

Reitor

Helvécio Luiz Reis

Coordenador UAB/NEAD/UFSJ Heitor Antônio Gonçalves

Comissão Editorial:

Fábio Alexandre de Matos Flávia Cristina Figueiredo Coura Geraldo Tibúrcio de Almeida e Silva José do Carmo Toledo José Luiz de Oliveira Leonardo Cristian Rocha Maria Amélia Cesari Quaglia Maria do Carmo Santos Neta Maria Jaqueline de Grammont Machado de Araújo Maria Rita Rocha do Carmo (Presidenta) Marise Maria Santana da Rocha Rosângela Branca do Carmo Rosângela Maria de Almeida Camarano Leal Terezinha Lombello Ferreira

Edição

Núcleo de Educação a Distância Comissão Editorial - NEAD-UFSJ

Capa

Luciano Alexandre Pinto Eduardo Henrique de Oliveira Gaio Diagramação Eduardo Henrique de Oliveira Gaio

SUMÁRIO

Pra começo de conversa

5

Unidade 1 - O Projeto Político - Pedagógico da Escola – O Planejamento do Ensino

7

Unidade 2 -Concepções Educacionais e Diferentes Perfis de Professores

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Unidade 3 - Articulação entre Projeto Político- Pedagógico, Concepções de Educação e Planos de Ensino

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Pra final de conversa

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REFERÊNCIA

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Pra começo de conversa Prezado (a) Estudante: É com grande prazer que nos dirigimos a

Pra começo de conversa

Prezado (a) Estudante:

É com grande prazer que nos dirigimos a você e apresentamos a Disciplina Didática do Ensino Superior.

Ao ler o Sumário, você pode estar se perguntando: de onde surgiu a necessidade de se incluir neste Caderno as questões que nele serão trabalhadas?

É uma boa pergunta, que agora tentaremos responder.

Como sabemos, o ensino gera pesquisa, e, essa mesma pesquisa retroalimenta o ensino.

É um processo contínuo, mutável e constante. A este processo damos o nome de conhecimento.

Analisando “Planos de Ensino” de professores, observamos, em sua maioria, uma desarticulação entre os seus elementos estruturais, a saber: objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação.

Ao que tudo indica, falta um importante fio condutor que orienta e sustenta a integração desses elementos. O fio condutor a que aqui nos referimos é a explicitação clara da Concepção de Educação que fundamentará todo o processo ensino-aprendizagem.

Para corroborar essa afirmação, podemos nos reportar à pesquisa realizada por Campos (2009), que teve como população-alvo os profissionais de educação que exerceram a função de tutores do Núcleo de Educação a Distância da Universidade Federal de São João del - Rei.

Esses tutores atuaram, no ano de 2008, nos Cursos de Especialização em “Educação Empreendedora” e “Práticas de Letramento e Alfabetização”.

A análise dos resultados da pesquisa permitiu constatar que, dos tutores pesquisados,

em sua maioria, 83% devolveram o instrumento da pesquisa em branco, ou não preencheram o mesmo. Uma das hipóteses levantadas pela autora para explicar o alto

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índice de abstenção foi a de que esse tutor sentiu-se constrangido por não dominar o

conteúdo expresso no instrumento de pesquisa ou por pensar que estaria sendo avaliado

através do referido instrumento. Pelos resultados do estudo foi, ainda, recomendado no

mesmo que o NEAD – UFSJ promovesse estratégias tendo como objetivo a reflexão sobre

os fundamentos da “Concepção de Educação” que orienta o seu Projeto Pedagógico .

Esperamos ter respondido à pergunta feita no início deste texto, ou seja, o porquê da

escolha dos temas a serem trabalhados neste Caderno.

Mas, como dissemos anteriormente, o ensino gera a pesquisa, e a pesquisa retroalimenta o

ensino. Portanto, este é o momento do seu aprendizado. Ao longo de toda nossa disciplina

você será sempre convidado (a) a se perguntar: que Concepção de Educação orienta o

meu fazer pedagógico?

Estaremos juntas a você na procura da resposta a essa pergunta, que será a sua resposta,

única e individual. E durante todo este tempo estaremos encarando este desafio, na

certeza de que você é a pessoa mais importante deste curso.

Aproveite com toda a disposição e energia esta oportunidade que o NEAD – UFSJ está lhe

oferecendo para o seu desenvolvimento pessoal e profissional.

As Autoras,

Terezinha e Aline.

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unidade

1 unidade O Projeto Político - Pedagógico da Escola – O Planejamento do Ensino Objetivo •

O Projeto Político - Pedagógico da Escola – O Planejamento do Ensino

Objetivo

Estabelecer relações entre o “Projeto Político - Pedagógico da Escola” e os “Planos de Ensino” elaborados pelos professores.

Problematizando

Considerando sua formação anterior e sua prática docente, responda às seguintes questões:

1-

O que é um Projeto Político - Pedagógico?

2-

Quem o elabora?

3-

O que ele deve conter?

4-

Qual é a sua importância?

5-

Qual é a relação entre o “Projeto Político - Pedagógico” e os “ Planos de Ensino” dos professores?

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unidade 1 O Projeto Político - Pedagógico da Escola – O Planejamento do Ensino A elaboração

O Projeto Político - Pedagógico da Escola – O Planejamento do Ensino

A elaboração do Projeto Político - Pedagógico é, ainda, uma ação pouco presente e valorizada nas escolas.

Denominado Proposta Pedagógica pela Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional) é, hoje, tratado pelos educadores como Projeto Político - Pedagógico.

pelos educadores como Projeto Político - Pedagógico. SAIBA MAIS A palavra “político” em Projeto Político

SAIBA MAIS

A palavra “político” em Projeto Político - Pedagógico não foi incluída na Lei, usando- se somente o termo “Proposta Pedagógica”.

Você sabe por quê?

Vamos falar um pouco da História do Brasil, mais especificamente nos anos 80.

da História do Brasil, mais especificamente nos anos 80. FIG. 1: Roosewelt Pinheiro Fonte: GOOGLE IMAGENS,

FIG. 1: Roosewelt Pinheiro Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010.

80. FIG. 1: Roosewelt Pinheiro Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010. FIG. 3: Ulisses Guimarães, Dr. Constituinte Fonte:

FIG. 3: Ulisses Guimarães, Dr. Constituinte Fonte: MUNDO EDUCAÇÃO, 2010.

Guimarães, Dr. Constituinte Fonte: MUNDO EDUCAÇÃO, 2010. F I G . 2 : C o n

FIG. 2: Constituição Fonte: SUA PESQUISA, 2010.

n s t i t u i ç ã o Fonte: SUA PESQUISA, 2010. F I

FIG. 4: Democracia Fonte: PAULO RUBEM, 2010.

De acordo com Oliveira (2007), a década de 1980 foi uma década marcada pelo início dos movimentos sociais para o restabelecimento do Estado Democrático de Direito no Brasil. A mobilização popular nacional pela participação na Constituinte culminou com a

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promulgação da Constituição Federal de 1988. Entretanto, assim como existia um imenso grupo de educadores

promulgação da Constituição Federal de 1988. Entretanto, assim como existia um imenso grupo de educadores lutando em defesa da escola pública de qualidade, também existia um outro grupo com diferentes interesses.

Lobbies foram formados antes e no momento da aprovação da LDB, para que não fossem aprovados artigos levantados pelos defensores da escola pública. Como não puderam impedir a aprovação da Lei, foram negociadas alterações no corpo dela, que excluíssem as escolas privadas e restringissem os avanços apenas às escolas da rede pública de ensino. No caso do Projeto Pedagógico, incluir o termo “político” era reconhecer o cunho e projeção que tal elaboração seria capaz de ter, o que não era concebível para o grupo de oposição. Então, a palavra “político” não foi incluída. No entanto, “para aqueles educadores atentos ao verdadeiro sentido do ato de educar, todas as ações são políticas, como bem nos ensinou o nosso mestre Paulo Freire” (FREIRE apud Oliveira, p.47).

o nosso mestre Paulo Freire” (FREIRE apud Oliveira, p.47). SAIBA MAIS Para você se aprofundar neste

SAIBA MAIS

Para você se aprofundar neste tema, analise os artigos da Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), que fundamentam a elaboração da proposta pedagógica:

Artigo IV – Artigos 12,13,14 e 15; Artigo VI – Artigo 67

Afinal, o que é o Projeto Político - Pedagógico?

Segundo Oliveira (2007), o Projeto Político - Pedagógico é o documento que detalha objetivos, diretrizes e ações do processo educativo a ser desenvolvido na escola,

expressando a síntese das exigências sociais e legais do sistema de ensino e os propósitos

e expectativas da comunidade escolar.

Na verdade, o Projeto Político - Pedagógico é muito mais que um documento. Ele reflete

a

cultura da escola impregnada de suas crenças, valores, significados, modos de pensar

e

agir de todos aqueles envolvidos em sua elaboração. É um documento sim, mas que

transcende o seu caráter formal no momento em que reflete o papel e a relação entre seus

atores - direção, supervisão, orientação educacional, professores, representantes de pais

e estudantes, bibliotecários, supervisores, psicólogos, assistentes sociais, secretaria,

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unidade 1 pessoal da limpeza e serviços gerais, tesouraria e comunidade. É o Projeto Político- Pedagógico

pessoal da limpeza e serviços gerais, tesouraria e comunidade.

É o Projeto Político- Pedagógico que explicita os fundamentos filosóficos e a consequente Concepção de Educação que nortearão todos os Planos da Escola, dentre eles os Planos de Ensino dos professores.

Todos os participantes terão como horizonte, na elaboração dos seus planos, o perfil de estudante que se pretende formar, perfil esse decorrente da Concepção de Educação adotada.

Embora isso passe despercebido à maioria das pessoas que trabalham em uma escola, apresenta-se muito claro e definido em dois sentidos.

De acordo com Furtado (2008, p.102),

• No sentido sociológico, é o que ocorre na prática: não há processo

mesmo

quando as pessoas não têm esse projeto explicitado e, até mesmo quando negam, estarão educando ou ajudando a educar-se dentro de uma concepção de homem e de sociedade.

educativo que se efetive sem um projeto social condutor [

],

• No sentido filosófico, é o dever-ser que precisa ser indicado; todo esforço educacional deve propor um futuro humano – deve ser explícito para que tal projeto guie todo o trabalho que se realize.

Compreender o que representa o Projeto Político - Pedagógico da Escola implica, portanto, responder a uma questão fundamental:

— que tipo de cidadão a escola pretende formar?

— que tipo de cidadão a escola pretende formar? REFLITA Você é capaz de responder a

REFLITA

Você é capaz de responder a essa questão? Ou ainda, você sabe responder que tipo de cidadão a sua escola pretendeu formar ao tomá-lo (a) como um de seus estudantes?

Sua visão de Homem e de Mundo, sua visão de sociedade, suas preferências políticas (ou até mesmo a falta delas), seus conceitos de Escola, Conhecimento, Educação, enfim,

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a percepção que você tem de você mesmo (a) e do mundo que o(a) cerca,

a percepção que você tem de você mesmo (a) e do mundo que o(a) cerca, refletem o sistema de crenças de quem o (a) educou.

Implícita ou explicitamente esses conceitos determinam suas ações, participam da construção da sua identidade.

O Projeto Político - Pedagógico é a identidade da escola.

Oliveira (2007, p.23) destaca alguns aspectos relevantes na construção de um Projeto Político - Pedagógico:

Identidade da escola;

Busca de coerência interna no projeto entre a fundamentação teórica com a prática [ ];

Função social da escola enquanto instituição social;

Papel do professor;

Relações interpessoais no espaço escolar;

Aspectos técnico - pedagógicos coerentes com a escolha metodológica e desta com a escolha ideológica.

Em última análise, o Projeto Político - Pedagógico constitui-se num processo de ação – reflexão - ação que supera as dicotomias existentes entre o fazer e o pensar entre teoria e a prática. (OLIVEIRA,2007)

fazer e o pensar entre teoria e a prática. (OLIVEIRA,2007) REFLITA De que forma os aspectos

REFLITA

De que forma os aspectos acima citados poderão ser transformados em atitudes concretas por você e por sua Escola, na construção de um Projeto Político – Pedagógico? Para maior detalhamento acesse: http://www.moodle.ufba.br/mod/book/view.

php?id=14550&chapterid=10905

Numa gestão democrática, o que se pretende é que pais, professores, estudantes, funcionários e demais membros da comunidade escolar assumam parte da responsabilidade por sua elaboração, execução e avaliação. O projeto político-pedagógico se concretiza no espaço, escolar e deve ser visto como processo, mesmoquenecessáriocomoproduto.

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unidade 1 Oliveira (2007), ao considerar o termo “processo” aplicado ao Projeto Político – Pedagógico, enfatiza

Oliveira (2007), ao considerar o termo “processo” aplicado ao Projeto Político – Pedagógico, enfatiza que

a escola não é estática nem intocável. A forma que ela assume em cada momento é sempre o resultado precário e provisório de um movimento permanente de transformação, impulsionado por tensões, conflitos, esperanças e propostas alternativas (p.33)

conflitos, esperanças e propostas alternativas (p.33) ATENÇÃO De acordo com o caminhar de nossas reflexões,

ATENÇÃO

De acordo com o caminhar de nossas reflexões, fica claro que do Projeto Político - Pedagógico derivam todos os Planos da Escola incluindo-se os Planos de Ensino de cada professor em cada disciplina.

O PLANEJAMENTO DO ENSINO elaborado pelos professores da escola em cada uma das disciplinas que compõem o currículo escolar deve ter como referencial o Projeto Político - Pedagógico da escola.

Nas primeiras semanas que antecedem ao início das aulas é chegada a hora da chamada “Semana de Planejamento Escolar”. Você já teve a oportunidade de participar de alguma? O que é feito nesse período? O Projeto Político –Pedagógico da escola é reavaliado, por toda a comunidade escolar, para adequar-se as novas necessidades que porventura tenham sido diagnosticadas ao longo do ano anterior? Como o resultado desta avaliação interferirá no seu Plano de Ensino?

Afinal, para que serve a Semana de Planejamento?

Segundo Borges (2008), nas famosas “semanas de planejamento”, formulam-se planos que nada têm a ver com as necessidades dos estudantes, sendo mera relação de conteúdos programáticos copiados de livros didáticos ou planos de anos anteriores.

O que vem acontecendo durante essas semanas é uma verdadeira burocratização do ensino.

E como superar a visão de planejamento do ensino como algo burocrático preenchido pelo professor de cada disciplina, através de um formulário entregue à direção da escola com a sensação de mais uma obrigação cumprida?

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Vale lembrar:
Vale lembrar:

O centro do processo educativo não deve ser o conteúdo preestabelecido como se tem feito nas escolas ainda hoje. Qualquer professor estaria de acordo em dizer que o centro do processo não é o conteúdo, mas em sua prática, a grande maioria faz dele todo o processo. Muitas vezes isso acontece até contra sua vontade. É que há uma cultura dentro da escola, junto com os pais e em todo senso comum social, de que se vai para a escola para memorizar alguma informação, normalmente consideradas inúteis até pelas pessoas que exigem (FURTADO, 2008, p.101).

O que ocorre na prática é a pouca ou nenhuma articulação desses planos de ensino com

a Concepção de Educação explicitada em seu Projeto Político - Pedagógico. Esses planos se apresentam, ainda, como entidades autônomas sem nenhuma integração horizontal e vertical, nada tendo a ver com as séries anteriores e posteriores.

Assumir uma nova postura neste sentido significa considerar o planejamento de ensino como algo concebido, assumido e vivenciado na prática social docente como um processo individual e coletivo de reflexão.

Saviani apud Fusari (2010) considera:

A palavra reflexão vem do verbo latino “reflectere” que significa “voltar atrás”. É, pois, um re (pensar), ou seja, um pensamento em segundo grau

). (

Refletir é o ato de retornar, reconsiderar os dados disponíveis, revisar,

vasculhar numa busca constante de significado. É examinar detidamente,

prestar atenção, analisar com cuidado. E é isso o filosofar.

Assim, na semana de planejamento, retornem, reconsiderem os dados disponíveis, revisem, vasculhem numa busca constante de significado para formular o seu Plano de Ensino.

Algumas perguntas podem auxiliá-lo (a) nessa reflexão:

- Como foi a execução do seu plano de ensino no ano anterior?

- Quais foram as dificuldades que você encontrou?

- Seus estudantes atingiram os objetivos propostos?

- O que você entende que precisa ser mudado?

- Aonde você quer chegar com sua nova turma?

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unidade 1 Mas, afinal, como um momento de reflexão necessário à atividade docente tornou-se algo com

Mas, afinal, como um momento de reflexão necessário à atividade docente tornou-se algo com conotações tão adversas?

Vamos

Planejamento”.

retornar

ao

contexto

histórico

que

marcou

sobremaneira

as

“Semanas

de

Nos anos 70, em São Paulo, os docentes da Rede Estadual de Ensino participaram de um curso de treinamento conhecido como “Experimental da Lapa”.

Naquele momento, o Golpe Militar de 1964 já implantava a repressão, impedindo rapidamente que um trabalho mais crítico e reflexivo, no qual as relações entre educação e sociedade pudessem ser problematizadas, fosse vivenciado pelos educadores, criando assim, um “terreno” propício para o avanço daquela que foi denominada “tendência tecnicista” da educação escolar. Foi nesse contexto – Ditadura Militar – em que não havia espaço para reflexão, crítica e problematização para além dos muros das escolas, que as propostas baseadas nas “teorias de processos sistêmicos” encontravam terreno fértil para uma adesão acrítica por parte dos educadores (FUSARI, 2010).

Assim, para superar o “tecnicismo” que afeta o processo Planejamento de Ensino, o autor propõe a observação de três aspectos a serem levados em conta:

A conquista de transformação nas condições de trabalho dos educadores.

As transformações sérias nos cursos que formam o educador garantindo-se uma formação profissional competente e crítica.

A capacitação do educador em exercício.

Dessa maneira, na elaboração, execução e avaliação de planos de ensino faz - se necessário que você, professor (a), tenha clareza da função da escola; da função político – pedagógica dos educadores efetivamente comprometidos com a formação da cidadania; do valor dos conteúdos como meios para a formação do cidadão consciente, competente e crítico e da articulação entre objetivos, conteúdos, metodologia e avaliação no processo ensino – aprendizagem.

“A elaboração coletiva/individual dos planos de ensino depende da visão de mundo que temos e do mundo que queremos da sociedade que temos e daquela que queremos (FUSARI, 2010)”.

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O autor ainda sugere que é preciso que o grupo de educadores sinta e assuma

O autor ainda sugere que é preciso que o grupo de educadores sinta e assuma a necessidade de transformar a realidade encarando o planejamento de ensino como um dos meios para alcançar essa transformação.

Ações e reflexões devem ser vivenciadas pelo grupo e não apenas por parte dos profissionais envolvidos no processo.

Os problemas da escola devem ser adequadamente diagnosticados, buscando - se suas raízes, a fim de que a situação – problema seja superada. Suas raízes podem ser encontradas na própria escola, ou além da escola.

Encerramos esta unidade com a seguinte reflexão:

Não existe uma educação neutra e (

a questão política da educação, a vinculação entre o ato político e o educativo está defendendo uma certa política, camuflando, ingenuamente

ou conscientemente, essa vinculação (GADOTTI,1985, p.34).

toda vez que o educador evita

)

(GADOTTI,1985, p.34). toda vez que o educador evita ) ATIVIDADE Com base nas reflexões elaboradas nesta

ATIVIDADE

Com base nas reflexões elaboradas nesta Unidade sobre “Projeto Político - Pedagógico” e “Planos de Ensino”, estabeleça relações entre eles. Inicie suas reflexões de forma simples e direta, isso facilitará a sua compreensão sobre este tema.

Por exemplo:

1 – O que é Projeto Político - Pedagógico? Quando é elaborado? Quem participa de sua elaboração? Que itens ele apresenta? O que dele se origina em termos de planos? Levante outras questões que você considera relevantes. Faça o mesmo em relação aos Planos de Ensino dos Professores. Assim você estará estabelecendo relações entre Projeto Político -Pedagógico e Planos de Ensino dos Professores.

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unidade

2 unidade Concepções Educacionais e Diferentes Perfis de Professores Objetivo • Construir um paralelo entre o

Concepções Educacionais e Diferentes Perfis de Professores

Objetivo

• Construir um paralelo entre o perfil do “professor repassador” e do “professor construtor” do saber.

Problematizando

Baseando-se no seu conhecimento atual, responda:

1 - Que concepções de educação ou tendências pedagógicas você conhece?

2 - Que visões de Homem e de Mundo estas concepções se propõem a formar?

3 – Escolha o perfil de professor com o qual você mais se identifica e justifique a sua escolha.

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unidade 2 Concepções Educacionais e Diferentes Perfis de Professores A Concepção de Educação adotada pela escola

Concepções Educacionais e Diferentes Perfis de Professores

A Concepção de Educação adotada pela escola e que rege as ações de todos os elementos envolvidos no processo educativo, é de fundamental importância para que esta mesma escola “não se transforme em um espaço de reprodução de injustiças, onde o conhecimento é visto como um pacote fechado a ser transmitido mecanicamente aos estudantes” (SIGNORELLI, 2010).

Você, Estudante, ao longo da sua vida, já deve ter ouvido (ou até mesmo dito) a seguinte frase:

Teoria é teoria, na prática a coisa é outra.

Falando francamente, isso não lhe parece uma incoerência?

Até que ponto é a sua escola um lugar de construção e transformação social?

FIG. 5: Another brick in the wall Fonte: RANTINGSOFANARABCHICK, 2010.
FIG. 5: Another brick in the wall
Fonte: RANTINGSOFANARABCHICK, 2010.

Os professores da escola não podem falar em transformar o mundo e em construir uma nova sociedade, sem mudar o que estão fazendo no espaço escolar onde se concretiza sua ação educativa.

no espaço escolar onde se concretiza sua ação educativa. REFLITA — Onde está a coerência ao

REFLITA

— Onde está a coerência ao se ensinar sobre Democracia, se a relação entre você, estudante, e o seu professor, muitas das vezes esteve baseada no medo, descaso ou negligência? — Como falar na construção de uma Sociedade participativa, se até mesmo no momento da elaboração do Projeto Político - Pedagógico da escola e do seu Planejamento

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de Ensino, o que se parece ter é uma participação pro forma, de todos os

de Ensino, o que se parece ter é uma participação pro forma, de todos os envolvidos (e isso o (a) inclui), apenas para satisfazer as exigências legais dos mesmos?

Teoria e prática devem representar uma mesma realidade, é a isso que chamamos de práxis.

O planejamento do ensino não é neutro porque sua intenção se revela na prática pedagógica de todos os elementos envolvidos no processo educativo. E caberá a você, então, responder:

— Que tipo de cidadão você pretende formar? — Que sociedade você pretende ajudar a construir?

Tendências Pedagógicas: algumas considerações

Diferentes concepções de educação traduzem em seus conceitos respostas diferenciadas sobre o tipo de Homem que se pretende formar. Isso implica admitir uma dimensão axiológica na educação, negando sua neutralidade e assumindo-a como um ato político (GADOTTI, 1985).

Vamos a um exemplo prático do que estamos falando. Observe a figura ao lado.

— O que você está vendo?

FIG. 6: Grandes heróis da Nação. Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010
FIG. 6: Grandes heróis da Nação.
Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010

Certamente essa imagem o (a) faz lembrar as aulas de História do Brasil, em que você aprendeu sobre fatos históricos e os grandes heróis da nossa Nação.

Essa Concepção de Educação, que vê a realidade histórica a partir de grandes personagens e grandes feitos históricos, pretende formar um tipo de estudante diferente daquele formado por um outro tipo de Concepção de Educação.

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unidade 2 Observe agora as imagens ao lado: Os “caras - pintadas”. Movimento de mobilização estudantil

Observe agora as imagens ao lado:

Os “caras - pintadas”. Movimento de mobilização estudantil que em 1992 participou do “fora Collor”.
Os “caras - pintadas”. Movimento de
mobilização estudantil que em 1992
participou do “fora Collor”.

FIG. 7: Os Caras Pintadas Fonte: O GLOBO, 2009.

“Diretas Já”. Ano 1988. Movimento pela redemocratização do Brasil através de eleições livres e diretas
“Diretas Já”. Ano 1988. Movimento pela
redemocratização do Brasil através de
eleições livres e diretas para Presidente
da República.

FIG. 8: Diretas Já Fonte: RUMO A TOLERANCIA, 2010.

Nessas imagens, você não vê um grande herói, não vê um feito histórico. Você vê um

processo de mobilização popular na defesa de seu ideal de Sociedade.

mobilização popular na defesa de seu ideal de Sociedade. REFLITA — Que tipo de estudante essas

REFLITA

— Que tipo de estudante essas concepções de educação pretendem formar? Serão estudantes capazes de agir como Cidadãos na verdadeira acepção do termo?

— Que tipo de Sociedade essas concepções de educação pretendem construir (ou manter)?

Neste momento, vale lembrar Rossi (1980, p.31):

Há uma opção prévia que todos nós educadores temos que enfrentar, antes de mais nada:

— Com quem é o nosso compromisso?

Podemos também dizer que cada Concepção de Educação significa o referencial teórico que, implícita ou explicitamente, se encontra subjacente à ação educativa exercida por professores em situações formais de ensino-aprendizagem (LIBÂNEO, 2005).

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Diferentes concepções de educação resultam em diferentes formas de atuação do professor. Assim, a multiplicidade

Diferentes concepções de educação resultam em diferentes formas de atuação do professor.

Assim, a multiplicidade de conceitos de educação existentes vem expressar diferentes concepções de educação que predominam em determinado momento histórico. Podemos com isso dizer que a Educação é fruto do seu tempo e que toda Concepção de Educação tem sua origem num sistema de valores.

Diferentes autores tentam, de diversas formas, apresentar uma classificação sistemática das variadas concepções de filosofia educacional, e consequentemente de Concepção de Educação. Conhecer essas concepções de educação é, em dada medida, reconhecer o tipo de Sociedade que as elaborou.

Para refletir sobre esse tema, transcreveremos parte da revisão de literatura elaborada por Campos (2009, p.5-15), que seleciona entre outros autores, Saviani (2008), Luckesi (1990), Libâneo (2005) e Mizukami (1986).

Saviani (2008) aponta dois grandes grupos de teorias educacionais: (a) teorias não críticas; e (b) teorias crítico-reprodutivistas.

O grupo das teorias não críticas concebe a sociedade como sendo fundamentalmente harmoniosa, na qual a “marginalização do individuo” é uma distorção que cabe à Educação corrigir. Neste grupo estão presentes:

(a) Pedagogia Tradicional, que vê como causa da marginalidade a ignorância do individuo

em relação ao saber;

(b) Pedagogia Nova, na qual o fator de marginalidade é visto como a rejeição; e

(c) Pedagogia Tecnicista, que atribui à ineficiência e à improdutividade os fatores causadores da marginalização.

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unidade 2

unidade 2 DICA DE FILME Uma dica em relação à Pedagogia Tecnicista Vale a pena assistir
unidade 2 DICA DE FILME Uma dica em relação à Pedagogia Tecnicista Vale a pena assistir

DICA DE FILME

Uma dica em relação à Pedagogia Tecnicista Vale a pena assistir ao filme Laranja Mecânica. Um filme denso e tenso, mas genial! Faça você mesmo (a) um paralelo entre o que estamos colocando aqui sobre Escola e Sociedade e a história de Alex e o “Projeto Ludovico”. Esta é uma ótima dica para você discutir com sua turma nos Fóruns desta disciplina. Prepare a pipoca e divirta-se! Ficha Técnica Filme: Laranja Mecânica Título original: A Clockwork Orange Lançamento: 1971 (Inglaterra) Direção: Stanley Kubrick Atores: Malcolm McDowell , Patrick Magee, Michael Bates, Warren Clarke, Adrienne Corri Duração: 138 min Gênero: Ficção Científica Estúdio: Warner Bros. / Hawk Films Ltd. / Polaris Production Distribuidora: Warner Bros.

Já o grupo das teorias crítico-reprodutivistas postula não ser possível compreender

a Educação senão a partir dos condicionantes sociais e assim encaram como função da

Educação a reprodução da sociedade capitalista. Fazem parte deste grupo os autores

Bourdieu e Passeron, que veem a Educação enquanto violência simbólica, e Althusser, que

a encara como aparelho ideológico do Estado.

Para você conhecer mais sobre as teorias crítico-reprodutivistas fica a sugestão:

SAVIANI, Dermeval. Escola e Democracia, Campinas: Autores Associados, 2008.

Saviani afirma, ainda ser possível elaborar uma teoria da Educação capaz de superar

o poder ilusório das teorias não críticas e a impotência das teorias crítico- reprodutivistas, colocando nas mãos dos educadores uma arma de luta capaz de permitir-lhes o exercício de um poder real, ainda que limitado

(p.35-36).

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REFLITA Porque foi utilizado o adjetivo “ilusório” para as teorias não-críticas e o adjetivo “impotente”
REFLITA Porque foi utilizado o adjetivo “ilusório” para as teorias não-críticas e o adjetivo “impotente”

REFLITA

Porque foi utilizado o adjetivo “ilusório” para as teorias não-críticas e o adjetivo “impotente” para as teorias crítico-reprodutivistas?

Luckesi (1990) explicita de três maneiras a relação entre Educação e Sociedade:

(a) A educação exerce o papel de mantenedora da sociedade integrando, assim os

indivíduos no todo social, promovendo a ‘saúde social’ pela formação das pessoas. Neste

modelo a Educação é vista como elemento “fora” da sociedade. Sua prática independe de

qualquer posicionamento crítico da educação na sociedade, o que torna possível para a

Educação aperfeiçoar e corrigir os desvios desta mesma sociedade, através da formação

de seus indivíduos;

(b) A Educação reproduz a sociedade, não sendo possível a ela transformar esta realidade.

Assim as atividades educativas estão a serviço do saber – e do saber comportar-se – nessa

sociedade, e ainda onde estes saberes são determinados pelos setores dominantes, de

acordo com as necessidades do modelo de produção; e

(c) onde a Educação deve constituir-se em meio de realização de uma concepção de

sociedade, a partir da crítica desta mesma sociedade, reconhecendo a sua real capacidade

de intervir nos condicionamentos históricos e sociais.

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unidade 2

unidade 2 DICA DE FILME A vida imita a Arte ou a Arte imita a vida?
unidade 2 DICA DE FILME A vida imita a Arte ou a Arte imita a vida?

DICA DE FILME

A vida imita a Arte ou a Arte imita a vida? E a Educação reflete e mantém a Sociedade em que vivemos, ou pode ser um instrumento de transformação social? Vale a pena assistir ao filme O Sorriso de Mona Lisa. E não se esqueça das pipocas O Sorriso de Mona Lisa Titulo original: (Mona Lisa Smile) Lançamento: 2003 (EUA) Direção: Mike Newell Atores: Julia Roberts, Kirsten Dunst, Julia Stiles, Maggie Gyllenhaal, Ginnifer Good- win e Dominic West Duração: 125 min Gênero: Drama Estúdio: Columbia Pictures Corporation / Revolution Studios / Red Om Films

Libâneo (2005) por sua vez, categoriza as tendências pedagógicas em dois grandes grupos:

Pedagogia Liberal

Pedagogia Progressista

O autor subdivide ainda o grupo da Pedagogia Liberal em quatro subgrupos: liberal tradicional, liberal renovada progressivista, renovada não diretiva e liberal tecnicista. Em comum, essas tendências veem na escola o papel de “modeladora ou ajustadora” do comportamento humano “visando a produzir indivíduos competentes para a sociedade e/ ou mercado de trabalho” (p.29).

Quanto ao segundo grupo, referente à Pedagogia Progressista, Libâneo classifica três subgrupos, todos eles tendo em comum “partirem de uma análise crítica das realidades sociais, para sustentarem implicitamente as finalidades sociopolíticas da Educação” (p.32). São elas:

Tendência Progressista Libertadora, que “questiona concretamente a relação do homem com a natureza e com os outros homens, visando a uma transformação”(p.33)

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• Tendência Progressista Libertária, baseada na “transformação da personalidade dos estudantes num sentido

Tendência Progressista Libertária, baseada na “transformação da personalidade dos estudantes num sentido libertário e autogestionário” (p.36); e

Tendência Progressista Crítico-Social dos Conteúdos, em que o papel da escola é o de contribuir para a transformação da sociedade através da “apropriação dos conteúdos escolares básicos que tenham ressonância na vida do estudante” (p.39).

Para você conhecer mais sobre a obra de Libâneo sugerimos a seguinte leitura:

LIBÂNEO, José Carlos. Reflexidade e formação de profesores: outra oscilação do pensamento pedagógico brasileiro? São Paulo: Cortez, 2002. p. 53-79. BBE.

Mizukami (1986) analisa cinco abordagens do processo ensino-aprendizagem:

(a) tradicional, que prioriza como função da escola a transmissão de conhecimentos que

constituem o patrimônio cultural e que devem ser assimilados pelos estudantes;

(b) comportamentalista, na qual a educação deve ser planejada, controlada e avaliada

cientificamente, uma vez que sua função é a de produzir mudanças comportamentais socialmente desejáveis para o bom funcionamento do sistema social;

(c)

humanista, centrada na pessoa;

(d)

cognitivista, que, através de situações-problema, espera que o estudante aprenda por

si próprio; e

(e) sócio cultural, que estabelece que a ação educativa parta de uma reflexão sobre o

homem concreto e uma prática das condições de vida que o cerca. As classificações acima, lhe servirão como um guia que norteará o seu aprofundamento teórico em relação às Concepções de Educação.

teórico em relação às Concepções de Educação. DICA Neste trabalho, baseamos em dois autores, Libâneo

DICA

Neste trabalho, baseamos em dois autores, Libâneo (2005) e Mizukami (1986), para estabelecer dois perfis diferentes de professores.

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unidade 2 O primeiro perfil parte da abordagem realizada pela “Concepção Tradicional de Educação” . Segundo

O primeiro perfil parte da abordagem realizada pela “Concepção Tradicional de

Educação”. Segundo Libâneo (2005) esta concepção de educação considera o Homem

inicialmente como um ser incompleto e imaturo que se torna pronto e acabado quando

de posse de informações que lhes são transmitidas. Esse patrimônio cultural repassado

por meio da Educação visa à sua reprodução e perpetuação. Considera os conhecimentos

como produto da incorporação de informações acumuladas ao longo dos tempos que

devem ser transmitidas aos indivíduos através da Educação. Uma Educação comprometida

com a cultura, cuja função é transmitir e preservar o patrimônio cultural, preparando

os indivíduos para que possam desempenhar os papéis que lhes são conferidos pela

sociedade, tornando-os bem informados e socialmente ajustados. Considerando o

professor como elemento central do processo educativo, atribui a ele a função de exercer o

papel de elemento intermediário entre o saber e o educando que, numa atitude receptiva,

deve assimilar os conhecimentos que lhe são transmitidos. As atividades de ensino

propostas tem como compromisso possibilitar a reprodução correta dos conhecimentos

transmitidos. A avaliação se coloca como importante e necessária a fim de que o professor

possa constatar se o que foi transmitido foi corretamente reproduzido pelo estudante.

Mafalda

foi corretamente reproduzido pelo estudante. Mafalda FIG. 9: head band Fonte: O AVESSO DO ESPELHO, 2010.

FIG. 9: head band Fonte: O AVESSO DO ESPELHO, 2010.

Mafalda FIG. 9: head band Fonte: O AVESSO DO ESPELHO, 2010. SAIBA MAIS - Você conhece

SAIBA MAIS

- Você conhece a Mafalda? Criada por Joaquín Salvador Lavado (Quino), em 1962, é uma garotinha com uma visão aguda da vida que a faz questionar o mundo a sua volta. O Ministério da Educação, através do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, enviou às escolas as tiras completas da Mafalda. Vale a pena conhecê-la!

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Para Mizukami (1986), nesta Concepção de Educação o homem é considerado no início de sua

Para Mizukami (1986), nesta Concepção de Educação o homem é considerado no início de sua vida uma tábula rasa que se torna pronto e acabado ao tomar posse dos conhecimentos que lhes são transmitidos bem como a partir do momento que seu caráter estiver solidamente estruturado.

O mundo é harmônico e sua compreensão se dá pela confrontação do indivíduo com

os modelos educativos, representados pelas grandes realizações da humanidade e

considerados indispensáveis à manutenção da sociedade.

O conhecimento resulta da incorporação de informações acumuladas ao longo do tempo,

compondo a herança cultural.

A educação deve estar comprometida com a cultura, e sua função é transmitir essa

herança cultural preparando os estudantes intelectualmente e moralmente. Através da educação, o indivíduo torna-se capaz de atingir sua plena realização. A ênfase é dada ao produto e não ao processo.

A escola funciona como agência sistematizadora e a ela compete garantir o ajustamento

social.

Na aprendizagem o estudante assume a importância da existência de modelos, não havendo necessidade de diversificação de métodos de ensino. As diferenças individuais são ignoradas. A grande preocupação é com a quantidade de informações a serem transmitidas e assimiladas. Sendo considerada uma atividade neutra, o ensino não se relaciona com o contexto sócio - econômico-político.

A relação professor-estudante é vertical, sendo o professor considerado o centro do

processo educativo e cabendo-lhe todo o poder de decisão.

Através de exposições e demonstrações, o conteúdo de ensino, considerado como verdades, deve ser reproduzido pelo estudante.

A avaliação tem um fim em si mesmo. Sua função é verificar se o que foi transmitido pelo professor e/ou livros foi assimilado e reproduzido, corretamente, pelos estudantes.

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unidade 2

unidade 2 DICA DE FILME Vale a pena assistir ao filme Sociedade dos Poetas Mortos. Nele
unidade 2 DICA DE FILME Vale a pena assistir ao filme Sociedade dos Poetas Mortos. Nele

DICA DE FILME

Vale a pena assistir ao filme Sociedade dos Poetas Mortos. Nele você conhecerá um pouco do universo da Educação Tradicional em sua forma original. É um filme imperdível, que propõe a reformulação de nossas práticas e a revisão de nossas posturas e condutas. Vale o ingresso. Boa diversão e “Carpe diem”! Ficha Técnica: Sociedade dos Poetas Mortos - (Deads Poets Society) País/Ano de produção:- EUA, 1989 Duração/Gênero:- 128 min., drama Distribuição: Abril Vídeo Direção: Peter Weir Elenco: Robin Williams, Robert Sean Leonard, Ethan Hawke e Josh Charles

No segundo perfil, em que, numa abordagem da “Concepção Progressista de Educação”, situamos os professores “construtores”. Para Libâneo (2005) Mizukami (1986) esta concepção de educação considera o Homem situado no mundo material, concreto, social, econômico e ideologicamente determinado. Um mundo não harmônico, transpassado por conflitos e interesses de classes sociais diferentes, em que o conhecimento de fato não é apenas o acúmulo de informações. Ele é fruto da reelaboração mental que o homem faz de si no mundo, cabendo à Educação elevar o seu nível de consciência a respeito de sua realidade histórico-social concreta, e onde a Escola é valorizada como instrumento de luta para a transformação social. O professor, nesse sentido, se coloca como guia-orientador do processo educativo, mediando a prática social vivida pelo estudante, o seu conhecimento difuso da realidade, com o saber que ele deverá dominar, a fim de que este saber represente um saber significativo necessário para a transformação social.

É

neste

momento

que

você,

Estudante,

passa

a

ser

então

o

sujeito

ativo

no

processo

ensino

-

aprendizagem.

Para (PROVESANO; MOULIN, 2002), nesta Concepção de Educação, a prática pedagógica está voltada ao desenvolvimento da consciência crítica, à emancipação e auto educação. A relação professor - educando assume uma forma democrática, dialogada, de troca, de reciprocidade de relações. Predomina o caráter democrático, promovendo a participação do estudante na construção de critérios e indicadores de resultados, por meio da

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negociação com o professor, pois há comprometimento com a permanência do estudante na escola. DICA

negociação com o professor, pois há comprometimento com a permanência do estudante na escola.

comprometimento com a permanência do estudante na escola. DICA DE FILME “Escritores da Liberdade” Você, no

DICA DE FILME

“Escritores da Liberdade” Você, no exercício de sua profissão, acredita que poderá transformar a realidade, mesmo indo contra as regras do sistema? Você está disposto a arcar com as consequências dessa sua decisão? Este filme é baseado em fatos reais e recentes e conta a história da professora Erin Gruwell. Ele merece ser visto com atenção, principalmente pela ênfase que dá ao papel da educação como mecanismo de transformações individuais e comunitárias. E vale aqui a dica: este filme merece ser discutido em seu Fórum da Turma. Ficha Técnica Título Original: Freedom Writers País de Origem: Alemanha / EUA Gênero: Drama Tempo de Duração: 122 minutos Ano de Lançamento: 2007 Estúdio: UIP Direção: Richard la Gravenese Elenco: Hilary Swank, Patrick Dempsey,Erin Gruwell, Scott Casey

Na construção do papel de professores-construtores tornam-se necessário, também, as colocações feitas por Neves (2005), Souza (2004), Almeida (2003) e Silva (2004).

ParaNeves(2005),ainserçãodasNTIC’s(NovasTecnologiasdaInformaçãoeComunicação)

trouxe sérias consequências, ou seja, educar em um mundo sem distâncias passou a exigir novos paradigmas, e que evoluiremos quando não mais adjetivarmos a educação como presença ou distância e soubermos integrar harmoniosamente espaços e tempos de aprendizagens, trabalho individual e colaborativo, a produção de textos, sons e imagens.

Dentre outros desafios, Neves (2005) considera que melhorar a qualidade na educação significa a formação de cidadãos éticos, capazes de construir conhecimento, ler e interpretar criticamente o mundo e de agir sobre a realidade, melhorando a própria vida e da

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unidade 2

unidade 2 comunidade . Uma das estratégias para a qualidade no processo ensino-aprendizagem é a adoção

comunidade. Uma das estratégias para a qualidade no processo ensino-aprendizagem é

a adoção de uma pedagogia que coloque o estudante como centro da ação educacional.

Acreditando no potencial educativo das Novas Tecnologias de Informação e Comunicação - NTIC’s, e com base nas experiências de implantação dos programas de TV Escola, Curso TV na Escola, dentre outros, a SEED-MEC (1996), definiu como política para suas ações de capacitação, a partir de 2005, a “Pedagogia da Autoria”.

A “Pedagogia da Autoria” busca concretizar desafios lançados por Freire, Vigotsky, Piaget,

Morin e outros educadores que colocam em relevância a complexidade do ser humano e sua capacidade de construir significados e gerar projetos e conhecimentos socialmente relevantes.

O professor se coloca como sujeito ativo neste processo educacional, partindo do conhecimento que está produzido, disponível em livros, revistas, jornais, televisão, vídeos, internet, CD-ROMs, DVDs, dicionários etc. A partir da exploração, prática e experimentação direta desses recursos, os professores e estudantes expressam-se por meio de suas próprias produções, também utilizando esses recursos, inclusive combinando-os entre si.

A Pedagogia da Autoria incentiva o uso integrado de múltiplas linguagens e promove a autoria e o respeito à pluralidade e à construção coletiva, reconhecendo nos estudantes, professores e gestores sujeitos ativos e não passivos.

Para você aprofundar seus conhecimentos sobre a Pedagogia da Autoria sugerimos as leituras a seguir:

Moran, J.M., Mastto, M.T. Novas tecnologias e Mediação Pedagógica. Campinas:

Papirus, 2000.

Neves, C. M. A Pedagogia da Autoria. SENAC: Boletim Técnico, v. 3, set./dez. 2005.

Para Souza (2004), o professor deve possuir domínio da política educacional da instituição em que está inserido, possuir um conhecimento atualizado das disciplinas sob sua responsabilidade e exercer uma sedução pedagógica adequada no processo educativo, investindo na construção de uma relação de respeito e confiança, buscando despertar amor para o conteúdo, visando, assim, à superação dos obstáculos encontrados pelo

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aprendiz. O autor enfatiza, ainda, como habilidades necessárias ao professor: facilidade de comunicação, dinamismo,

aprendiz. O autor enfatiza, ainda, como habilidades necessárias ao professor: facilidade de comunicação, dinamismo, liderança e iniciativa, saber ouvir e ser empático. Manter uma atitude de cooperação, oferecendo experiências de melhoria de vida, de participação, de tomada de consciência e elaboração dos próprios projetos de vida. Ser competente para trabalhar individualmente e em equipe, para analisar realidades, formulando planos de ação coerentes, mantendo atitude reflexiva e crítica sobre a teoria e a prática educativa envolvida no processo. Saber identificar suas próprias capacidades e limitações para atuar de forma realista, com visão de superação.

Sendo o mediador entre o saber e o aprendiz deve o professor ter a consciência que não

é o detentor exclusivo do conhecimento, mas sim, uma ponte para a fluência dos saberes em construção.

Almeida (2003) considera a Educação a Distância um processo interativo que propicia a produção de conhecimentos, individual e grupal, em processos colaborativos favorecidos pelo uso de ambientes digitais e interativos de aprendizagem os quais permitem romper com as distâncias espaço – temporais. Viabilizam a recursividade, múltiplas interferências, conexões e trajetórias não se restringindo à disseminação de informações e tarefas inteiramente definidas a priori. Uma modalidade educacional cujo desenvolvimento se relaciona com a administração do tempo pelo estudante, o desenvolvimento da autonomia para realizar as atividades indicadas no momento em que se considere adequado, desde que respeitadas as limitações do tempo impostas pelo andamento do curso, o diálogo com os pares para a troca de informações e o desenvolvimento de produções em colaboração.

O papel do professor é o de orientador do estudante que acompanha seu desenvolvimento

no curso, provoca-o para fazê-lo refletir, compreender equívocos e depurar suas produções. Não tem o papel de controlar o estudante, o que poderá criar dependência do mesmo em relação às suas considerações e perpetuará a hierarquia das relações estudante-professor, mantendo uma abordagem de ensino que, em situações tradicionais, já se mostrou

inadequada e ineficiente.

— Você, em sua prática docente, já se colocou desempenhando o papel de um professor controlador? — Você, Estudante, já teve este tipo de relação com seus professores?

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unidade 2 Silva (2004) coloca a necessidade de uma prática pedagógica que privilegia o sujeito social,

Silva (2004) coloca a necessidade de uma prática pedagógica que privilegia o sujeito social, autônomo e inventivo em contraposição a educação bancária tão questionada por Paulo Freire e outros educadores.

Independentemente de ser a distância ou presencial, cabe à educação propiciar aquisição de consciência crítica, participativa, questionadora; domínio de conteúdo; compreensão dos princípios que fundamentam o ensino numa visão globalizada; apresentação de referências teóricas para análise e interpretação da realidade; vinculação teoria e prática.

Um ambiente de colaboração mútua deve ser estabelecido na relação entre o educador e o educando, baseando-se em trocas e interações, obtendo autonomia do seu ato de aprender, o que exige a habilidade de se ter uma aprendizagem autônoma.

Conduzir o educando a uma aprendizagem mecânica, passiva, receptiva, autoritária é ignorar o pressuposto de que a aprendizagem é pessoal e intransferível.

Na aprendizagem autônoma o estudante deve ser responsável por sua aprendizagem, o que não significa a eliminação do professor na atividade de ensino, mas, sim, uma posição de renúncia ao poder centralizador, o que lhe permite a posição de controlar os estudantes.

Numa aprendizagem autônoma o estudante é visto como um ser ativo, que formula ideias, desenvolve conceitos, resolve problemas da vida prática, construindo seu próprio conhecimento, buscando sua independência e autoafirmação.

Enquanto na concepção tradicional de educação o professor determina o que o estudante deve aprender e como deve responder numa concepção progressista a função da educação é a de preparar o estudante para exercer a cidadania e realizar opções conscientes na vida.

Silva (2004) enfatiza ainda três componentes importantes na aprendizagem autônoma:

o “saber”, “o saber fazer” e o “querer”. Quanto ao “saber”, tanto o professor quanto o estudante precisam entender o seu próprio conhecimento construído, dimensionando claramente a forma de se concretizar uma melhor aprendizagem nas diversas situações. Trata-se de um saber sobre o seu próprio processo de aprendizagem, com suas facilidades

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FIG. 10: Os quatro pilares da educação

FIG. 10: Os quatro pilares da educação e dificuldades. Como o saber envolve conhecimentos necessários à

e dificuldades. Como o saber envolve conhecimentos necessários à execução de uma prática, ao conhecimento, alia-se à habilidade dos indivíduos de “saber fazer”. Assim o “saber” sobre o seu próprio processo de aprendizagem deve ser convertido ao “saber fazer”. Pela avaliação de aprendizagem, numa aprendizagem autônoma, o estudante é avaliado não só com relação ao seu desempenho em termos acadêmicos, mas também avalia - se o processo desenvolvido na sua aprendizagem, conforme a sua autoorientação.

No componente “querer”, o desejo e a vontade de aplicar algo é importante para o sucesso. Sendo o professor o gestor do processo didático, é ele o grande responsável pela disposição do estudante em querer desenvolver sua aprendizagem autônoma. Finalizando sua explanação, o autor atribui como tarefa primordial do educador buscar a unidade entre o “saber”, o “saber fazer” e o “querer”, uma vez que essa unidade, tão necessária, contribuirá para que o ensino seja construtivo, agradável, desafiador, estimulante, numa atitude investigativa.

desafiador, estimulante, numa atitude investigativa. DICA Segundo o Relatório da UNESCO, realizado pela

DICA

Segundo o Relatório da UNESCO, realizado pela Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, são quatro os eixos estruturais da educação na sociedade contemporânea:

estruturais da educação na sociedade contemporânea: 1 - Aprender a conhecer (como buscar o conhecimento) 2

1 - Aprender a conhecer (como buscar o conhecimento)

2 - Aprender a fazer (colocar em prática o conhecimento adquirido)

3 - Aprender a viver (aprender junto com o outro e não de forma solitária) 4- Aprender a ser (tudo isso de forma ética, visando o bem estar social) Quatro Pilares da Educação.

Disponível em: http://pt.wikipedia.org/wiki/Quatro_Pilares_da_duca%C3%A7%C3%A3o Acesso em: 05 de Julho 2010

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unidade 2

unidade 2 Vamos encerrar esta Unidade utilizando um exercício diferente, ou seja, uma reflexão a partir

Vamos encerrar esta Unidade utilizando um exercício diferente, ou seja, uma reflexão a partir de imagens.

Observe as imagens a seguir:

FIG. 11: estudante repetidor Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010
FIG. 11: estudante repetidor
Fonte: GOOGLE IMAGENS, 2010

Agora responda:

Estudante repetidor

FIG. 12: estudante autônomo Fonte: EDUCAREDE, 2010.
FIG. 12: estudante autônomo
Fonte: EDUCAREDE, 2010.

Estudante autônomo

— Que tipo de educador você é?

— Que tipo de educador você quer ser?

— Que tipo de estudante você é?

— Que tipo de estudante você pretende formar?

você é? — Que tipo de estudante você pretende formar? ATIVIDADE Durante toda a Unidade 2

ATIVIDADE

Durante toda a Unidade 2 ressaltamos que diferentes Concepções de Educação originam, também, diferentes práticas educativas. Daí, a necessidade de se ter clareza do tipo de educando que pretendemos formar. Construa um paralelo entre o que denominamos “professor-repassador” e “professor-construtor”do saber. Mãos à obra e conte conosco!

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unidade

3 unidade Articulação entre Projeto Político- Pedagógico, Concepções de Educação e Planos de Ensino Objetivo •

Articulação entre Projeto Político- Pedagógico, Concepções de Educação e Planos de Ensino

Objetivo

Elaborar Planos de Ensino tendo como referência a Concepção de Educação que embase as ações de um professor “construtor do saber”.

Problematizando

Responda, baseando-se em sua experiência:

1-

A escola em que você atua tem um Projeto Político - Pedagógico construído? Como aconteceu esta construção?

2-

No Projeto Político - Pedagógico construído está claramente explicitada a Concepção de Educação que norteará todas as ações da escola?

3-

Que Concepção de Educação é esta? Que tipo de educando a escola pretende formar?

4-

Você articula todos os elementos estruturais de seu Plano de Ensino com esta Concepção de Educação?

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unidade 3

unidade 3 Articulação entre Projeto Político- Pedagógico, Concepções de Educação e Planos de Ensino Na Unidade

Articulação entre Projeto Político- Pedagógico, Concepções de Educação e Planos de Ensino

Na Unidade 1, você pode ver que a espinha dorsal de todo o processo ensino - aprendizagem é o Projeto Político- Pedagógico da Escola.

Na Unidade 2, você refletiu sobre as Concepções de Educação que fundamentam os Conceitos de Homem e de Mundo expressos pelo Projeto Político- Pedagógico da Escola.

Nestas Unidades enfatizamos que elaborar, executar e avaliar os Planos de Ensino exige do professor que ele tenha claramente explicitada a Concepção de Educação que norteará a seleção dos objetivos que se espera do educando, a seleção e organização dos conteúdos de ensino, a metodologia a ser utilizada e o processo de avaliação da aprendizagem.

Assim:

39 FIG. 13: Projeto Político-Pedagógico e seus elementos estruturais.
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FIG. 13: Projeto Político-Pedagógico e seus elementos estruturais.
Esses elementos devem resultar num TODO integrado e coerente. A partir de agora, veremos os

Esses elementos devem resultar num TODO integrado e coerente.

A partir de agora, veremos os elementos estruturais que compõem o Plano de Ensino.

Objetivos de Ensino

Os objetivos orientam a prática educacional por meio de ações sistemáticas e intencionais.

Libâneo (2004) assim os define:

propósitos definidos explícitos

quanto ao desenvolvimento das qualidades humanas que todos os

indivíduos precisam adquirir para se capacitarem para as lutas sociais

de transformação da sociedade. [ educativa sem objetivos (p.120).

podemos dizer que não há prática

Os objetivos educacionais expressam [

]

]

Os objetivos de ensino requerem um posicionamento ativo dos educadores em sua explicitação tanto no Projeto Político - Pedagógico da escola como no Planejamento do Ensino.

Objetivos de Ensino são ações que, claramente formuladas, favorecem a aquisição de um aprendizado que corresponde ao que é desejado.

Tendo como referência a Concepção de Educação proposta pela escola, são definidos os objetivos, o conteúdo a ser selecionado, a metodologia a ser utilizada e o processo de avaliação da aprendizagem.

A formulação clara e precisa dos objetivos é útil ao professor, pois orientam a organização do processo de ensino, e, também, aos educandos, permitindo-lhes organizar seus esforços de aprendizagem.

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unidade 3

unidade 3 Se um dos propósitos dos objetivos é a comunicação, devemos evitar ambiguidades na sua

Se um dos propósitos dos objetivos é a comunicação, devemos evitar ambiguidades na sua

formulação.

Os objetivos englobam conhecimentos, habilidades cognitivas e atitudes (cooperação,

autonomia,

flexibilidade,

disposição

para

mudança,

iniciativa,

tomada

de

decisão,

criticidade, participação, autogestão, entre outras).

De acordo com Fernandes (2010), apesar das críticas elaboradas pelos cognitivistas

e particularmente pelos construtivistas, a “Taxionomia dos Objetivos Educacionais”

(BLOOM,1984), mesmo tendo sido elaborada em meio a uma Concepção Tecnicista de

Educação, pode oferecer aos professores um instrumento importante para que os mesmos

analisem os objetivos que estão propondo e verifiquem se estes estão descrevendo ações

pertencentes apenas à categoria “Conhecimento” e deixando de lado o trabalho com

as outras categorias que constituem as “habilidades cognitivas”, como “compreensão”,

“aplicação”,

“análise”,

“síntese” e “avaliação”,

educando ser um “construtor do saber”.

categorias essas que

possibilitarão

ao

do saber”. categorias essas que possibilitarão ao SAIBA MAIS Para maiores esclarecimentos, sobre as

SAIBA MAIS

Para maiores esclarecimentos, sobre as categorias acima mencionadas, leia:

TEIXEIRA, Gilberto – Elaboração de Objetivos Educacionais no Ensino Superior.

HTTP://www.serprofessoruniversitario.pro.br/imprimir.php?modulo=16&texto=967

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REFLITA Sobre o debate acima referido, Spector, apud Fernandes et al. (2010) argumenta: Os que
REFLITA Sobre o debate acima referido, Spector, apud Fernandes et al. (2010) argumenta: Os que

REFLITA

Sobre o debate acima referido, Spector, apud Fernandes et al. (2010) argumenta:

Os que apoiam o construtivismo estão certos em enfatizar a importância das atividades de aprendizagem e das construções, mas que estariam errados ao ignorar a importância de se estruturar experiências para os aprendizes, o que poderia ser mais eficiente no estímulo as construções na mente destes aprendizes. Planejadores

estão certos ao enfatizar a necessidade de planejamento e

estariam errados ao ignorar a necessidade que os aprendizes têm

de fazer suas próprias construções.

] [

Conteúdos de Ensino

Os conteúdos de ensino são selecionados e organizados tendo em vista o alcance dos objetivos.

Esses conteúdos são informações, conceitos, valores, práticas educativas

e todas as formas culturais que os estudantes devem aprender para que

o processo educativo se realize de acordo com as intenções traçadas no Projeto da Escola (SGNORELLI, 2010).

Furtado (2008) assim se posiciona:

O centro do processo de ensino não é o conteúdo preestabelecido

como se tem feito nas escolas, ainda, hoje. Qualquer professor estaria de acordo em dizer que o centro do processo não é o conteúdo, mas, em sua prática, a grande maioria faz dele todo o processo. Muitas vezes, isso

acontece, até contra a sua vontade. É que há uma cultura, dentro da escola, junto com os pais dos estudantes e em todo senso comum social, de que

se vai para a escola para memorizar alguma informação, normalmente

consideradas inúteis até pelas mesmas pessoas que as exigem. (grifo

nosso)

Libâneo (2005), ao propor a chamada “pedagogia crítico – social dos conteúdos”, acredita que a emancipação das camadas populares requer domínio dos conteúdos culturais historicamente situados como requisito indispensável para a compreensão da prática social. Valoriza, pois, a escola enquanto instância transformadora das consciências. Cumprindo a função que lhe é própria, ou seja, transmissão/assimilação ativa do saber

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unidade 3

unidade 3 elaborado para todos, a escola estará contribuindo no processo de democratização da sociedade. Assim,

elaborado para todos, a escola estará contribuindo no processo de democratização da sociedade. Assim, ao lado de outras mediações, poderá se constituir em um instrumento capaz de elevar o nível do povo e contribuir para a sua inserção num projeto histórico – social de construção de uma nova sociedade.

Os conteúdos de ensino extraídos da herança cultural, tendo em vista seu valor formativo e instrumental, constituem o saber escolar. São conteúdos vivos, atualizados e vinculados às realidades sociais. Este saber está sendo construído socialmente; portanto, não se refere a algo fechado, acabado, e sim a um saber suscetível de transformação. Um saber crítico é aquele que não apenas valoriza o significado humano e social da cultura, como também contribui para desvendar as contradições da estrutura social que sustenta as relações sociais vigentes. Assim, a criticidade dos conteúdos se refere “menos por formarem estudantes contestadores e mais por colocarem em condições de participar nas tarefas sociais e profissionais postos pelo desenvolvimento econômico-social” (LIBÂNEO, 2005,

p.11).

Uma vez que o ponto de partida sobre o qual é introduzido o conteúdo científico das matérias é a experiência social concreta dos estudantes, o conhecimento se torna vinculado à prática social e, uma vez reelaborado a essa prática, retorna no sentido de transformá-la.

Você se lembra da pesquisa que originou este trabalho? É nessa medida que reafirmamos o que temos colocado até aqui; o ensino gera a pesquisa e a pesquisa retroalimenta o ensino.

Da prática para a teoria, para regressar à prática: é um movimento de continuidade do já experimentado e aprendido: mas a continuidade é reavaliada criticamente por meio da ruptura propiciada pelo saber organizado trazido pelo professor, o que alimentará novamente a prática

(LIBÂNEO, 2005, p.76).

Dessa forma, o trabalho pedagógico se concretiza em três momentos articulados entre si:

(a)síncrese:“visãoglobal,indeterminada,confusa,fragmentadadarealidade”(p.45);

(b) análise: “desdobramento da realidade em seus elementos, a parte como parte do todo” (p.145); e

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(c) síntese: “integração de todos os conhecimentos parciais num todo orgânico e lógico, resultando em

(c) síntese: “integração de todos os conhecimentos parciais num todo orgânico e lógico,

resultando em novas formas de ação” (p.145)

Da correspondência entre conteúdos – métodos de ensino decorre que um método será considerado eficaz na medida em que promover o encontro do estudante com os conteúdos de ensino, representando estes um auxílio para a compreensão da prática social.

Como elemento mediador entre o estudante com sua experiência social concreta e

o saber escolar, a tarefa do professor é proporcionar “um ensino que contribua para a

transformação das relações desumanizadas existentes, para a tomada de consciência do movimento histórico – social do homem” (p.81). A desigualdade caracteriza as relações professor-estudante, pelo menos no ponto de partida.

O trabalho docente é um processo de mão dupla: de um lado, trata-se de dar continuidade à experiência já trazida pelo estudante (senso comum - síncrese) e, de outro, promover a ruptura dessa experiência (análise), para elevá-lo a uma visão mais elaborada do conhecimentos (síntese). O ato pedagógico requer, portanto, um trabalho docente sistemático, intencional, planejado, excluindo, assim, a não diretividade.

Estando o trabalho docente vinculado à prática social, o professor precisa

(a) compreender, de modo crítico, as relações entre educação e totalidade social; e

(b) conhecer e dominar os conteúdos que ensina e os meios adequados para sua transmissão/assimilação.

O

processo pedagógico se dá pela relação dialética entre conteúdos culturais sistematizados

e

a experiência social do estudante, o que implica atividade do educando, sendo este

produto e produtor do meio social, ou seja, um elemento ativo do próprio conhecimento,

mas, ao mesmo tempo, um ser social, historicamente determinado.

Você pode estar se indagando — Onde fica o livro didático nesta situação?

Vamos então refletir sobre esta questão: o livro didático é apenas um dos meios de

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unidade 3

unidade 3 comunicação no processo de ensinar e aprender, embora muitos professores não pensem assim. O

comunicação no processo de ensinar e aprender, embora muitos professores não pensem assim. O professor não pode se limitar a este meio, pois o livro didático deverá estar a serviço dos objetivos de ensino e a sua utilidade está vinculada ao atendimento desse propósito. Isso implica que, antes de adotá-lo o professor deverá fazer uma criteriosa análise sobre o livro didático e julgar a adequação ou não do seu uso.

o livro didático e julgar a adequação ou não do seu uso. SAIBA MAIS Uma questão

SAIBA MAIS

Uma questão importante e que precisamos refletir cuidadosamente é sobre a

ideologia implícita nos conteúdos que trabalhamos em nossa prática educativa. - Que visão de Homem e de Mundo estamos “inculcando” em nossos educandos? Para maiores esclarecimentos leia:

As Belas Mentiras – A ideologia subjacente aos textos didáticos

NOSELLA, M. L. C. D. As Belas Mentiras – A ideologia subjacente aos textos didáticos. São Paulo: Cortez & Moraes, 1978.

A Ideologia no Livro Didático FARIA, Ana Lúcia G. de. Ideologia no Livro Didático. 12 ed. São Paulo: Cortez, 1996

Métodos de Ensino

O processo ensino – aprendizagem depende do trabalho sistematizado do professor que articula Concepção de Educação, objetivos, métodos de ensino e avaliação. Essa articulação, embora pareça ser um procedimento óbvio no discurso dos profissionais de educação, na verdade, na maioria das vezes, ele não se traduz em prática no espaço escolar.

Os métodos de ensino referem-se aos meios que serão utilizados, ou seja, ao “como” se efetivarão as ações realizadas pelos educandos e pelo professor numa sucessão planejada e articulada.

Para Libâneo (2004),

dizer que o professor “tem método” é mais do que dizer que domina procedimentos e técnicas de ensino, pois o método deve expressar também uma compreensão global do processo educativo na sociedade: os fins sociais e pedagógicos do ensino, as exigências e desafios que a realidade coloca, as expectativas de formação dos estudantes para que possam atuar de forma crítica e criadora, as implicações da origem de classe dos estudantes no processo de aprendizagem e a relevância social dos conteúdos de ensino. (p.150)

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Ao abordarmos o tema Metodologia de Ensino, não podemos deixar de refletir sobre o Uso

Ao abordarmos o tema Metodologia de Ensino, não podemos deixar de refletir sobre o Uso de Novas Tecnologias e sua relação com a Educação.

— E qual é a relação entre as Novas Tecnologias e a Educação?

Omati (2008) nos traz a seguinte questão:

Como este “novo fazer” vem promovendo um novo pensar em termos metodológicos, didáticos e curriculares? Como, enfim, as novas tecnologias se relacionam com a construção de um “novo perfil de professor para um novo perfil de estudante” diante da Moderna Sociedade em que vivemos?

É necessário desenvolver um olhar crítico sobre o uso das Novas Tecnologias na Educação

a partir do entendimento não somente do que elas representam, mas também do como

aplicá-las, onde e por que. Somente assim é que poderemos orientar aqueles que serão os seus usuários finais - os nossos estudantes, a fazerem delas um uso crítico e contextualizado.

A fim de prosseguir esta análise, necessário se faz a definição de termos básicos, a saber

de acordo com Omati (2008):

Método: Etimologicamente falando, método vem do latim methodus, que, tem origem no grego, das palavras (meta =meta) e hodos (hodos = caminho). Assim, método é o caminho para se alcançar os objetivos selecionados em um planejamento de ensino.

Por técnica, podemos entender “como fazer algo”.

“Desta forma, método indica caminho e técnica mostra como percorrê-lo, ou seja, a maneira de conduzir o pensamento e as ações para atingirmos nossa meta preestabelecida” (p.19).

- Tecnologia: Etimologicamente o termo Tecnologia vem do grego UVWXY — “ofício” e \]^_` — “estudo”. É um termo que envolve o conhecimento técnico e científico e as ferramentas, processos e materiais criados e/ou utilizados a partir de tal conhecimento. Tecnologia é um conceito historicamente datado e contextualizado à medida do homem em seu tempo

e com isso, “a história da tecnologia segue uma progressão das ferramentas simples e das

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unidade 3

unidade 3 fontes de energia simples às ferramentas complexas e às fontes de energia complexas” (p.09).

fontes de energia simples às ferramentas complexas e às fontes de energia complexas” (p.09). Percebe-se com isso que as tecnologias atuais de informação e comunicação estão redefinindo a nossa cultura, e essa redefinição é percebida através de dois fenômenos, a saber:

1- A revolução nos meios pelos quais a sociedade usa o seu tempo e 2- a mudança no balanço do poder entre aqueles que detêm os meios de fazer o tempo passar e aqueles que tentam definir seu próprio tempo, fazendo assim valer o seu próprio gosto.

Tendo em conta, portanto, a dimensão do impacto dessas novas tecnologias em todas as esferas de vida dos nossos aprendizes em Sociedade, o fundamental agora é definir como se dará a relação entre a Educação e este novo mundo que se nos apresenta.

A LDB nº. 9394/1996, valoriza em todo o seu contexto a Tecnologia a serviço do ensino.

Em consequência disso, a Escola precisa adaptar-se a este novo momento, ou seja, a escola precisa

“sensibilizar seus profissionais antes de começar a elaboração e aplicação do projeto tecnológico para que não haja uma rejeição e sim interesse e envolvimento para que se possa ter a prática do projeto integrado” (OMATI, 2008, p.16).

Com isso, é importante adaptar o currículo pedagógico ao ambiente tecnológico para que

o estudante possa retirar amplo proveito dessa situação. Afinal, a função da informática

é a de favorecer o raciocínio cognitivo dos estudantes, o que, nos dizeres de NETO

apud Omati (2008) representa a criação de projetos interdisciplinares que desloquem a ênfase do objeto – o computador – para que este venha a ser usado como um ambiente de cognição, propício à uma prática inventiva que se estende a toda a coletividade acadêmica,

onde

“estudantes e professores participam ativamente de um processo contínuo de motivação, colaboração, investigação, reflexão, desenvolvimento do senso crítico e da criatividade, da descoberta e da reinvenção” (p17).

Assim, a metodologia de ensino, encarada como meio e não um fim em si mesma, passa a conduzir o estudante à autoeducação, à autonomia, à emancipação intelectual, fazendo-o andar com as suas próprias pernas e a pensar com sua própria cabeça. Ou seja, levando-o a fazer um uso crítico e contextualizado dessas tecnologias.

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Entretanto, a melhoria do sistema educacional pela inclusão dos meios, ou seja, das novidades tecnológicas,

Entretanto, a melhoria do sistema educacional pela inclusão dos meios, ou seja, das novidades tecnológicas, não é por si só garantia de sucesso. Assim, os meios não podem nem devem constituir o único campo de atuação e pesquisa da tecnologia educacional. É necessário considerar a intenção do educar, pois tanto a Tecnologia da Educação como a Tecnologia na Educação são definições que atribuem à tecnologia a forma de ação humana sobre o meio.

Dessa forma, todos os recursos tecnológicos à nossa disposição, como o computador, a internet, vídeo, TV e softwares, dentre outros, dependem da “Didática” (do grego, didaktiké, que quer dizer arte de ensinar) do estudo do conjunto de recursos técnicos que tem em mira facilitar a aprendizagem do educando e

“levá-lo a atingir um estado de maturidade que lhe permita encontrar-se com a realidade, de maneira consciente, eficiente e responsável, para nela atuar como um cidadão participante e responsável” (OMATI, 2008, p.53).

A tecnologia deve estar em sintonia com o modelo de ensino que deve favorecer a uma aprendizagem colaborativa e cooperativa nos diferentes ambientes de aprendizagem em que estas tecnologias se apresentam.

Nesse ponto, destaca-se a importância do uso das novas tecnologias no favorecimento da inclusão social dos estudantes. Softwares e equipamentos afins estão a possibilitar a educação, e consequentemente, a inclusão das mais diferentes pessoas portadoras de necessidades especiais, as PNE’s.

E no tocante à inclusão, há que se destacar o uso dessas tecnologias também na formação

e aprimoramento profissional do trabalhador, através dos programas de Apoio à Educação Profissional.

Diante do que está sendo dito, não se pode deixar de ressaltar a relação entre as novas tecnologias e a Educação a Distancia.

A Educação a Distância tem cada vez mais contribuído na escolarização e qualificação de

todas as camadas sociais. Superando limitações de ordem geográficas, físicas, sociais e

econômicas, ela representa uma alternativa para a democratização do ensino. Com a utilização das Novas Tecnologias, hoje, ela se encontra distante daquele ensino

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unidade 3

unidade 3 por correspondência, que se apoiava em cartilhas, módulos de ensino e em tarefas comentadas,

por correspondência, que se apoiava em cartilhas, módulos de ensino e em tarefas comentadas, ou do ensino a distância clássico, que combinava diversos componentes didáticos, material impresso, rádio, televisão, meios audiovisuais, assistência tutorial domiciliar e/ou em centros de estudo, ou do ensino a distância grupal, que trabalhava com programações didáticas através do rádio e televisão e que se desenvolvia através de atividades presenciais regulares.

A Educação a Distância é assim definida pelo Decreto 5.622, de 19.12.2005, como

a modalidade educacional na qual a mediação didático-pedagógica nos processos de ensino e aprendizagem ocorre com a utilização de meios e tecnologias de informação e comunicação, com estudantes e professores desenvolvendo atividades educativas em lugares ou tempos diversos (OMATI, 2008, p.95).

Esta nova concepção de EaD se reflete nos principais aspectos da Educação: o pedagógico,

o organizacional e institucional.

Mediatizada pelas novas tecnologias educacionais o modelo a distância vem provocando um repensar no modelo pedagógico tradicional de sala de aula. Se antes o professor ocupava o centro do processo ensino-aprendizagem, atuando como figura central, detentora do saber, agora cabe ao estudante posição de destaque. É ele que, do outro lado da tela, decide quando, onde, o que, e como estudar. E, mais ainda, todos os demais aspectos pedagógicos que abrangem a relação aluno – professor - ensino, passam também por uma nova reconfiguração, e isso se estende do planejamento e elaboração dos materiais de ensino, até os modelos avaliativos empregados.

Quanto aos aspectos organizacionais da EaD, eles são tão importantes quanto os aspectos pedagógicos. A realidade da modalidade a distância não é a realidade de uma sala de aula de 30, 40 estudantes, apenas. Falamos de centenas e mais centenas de estudantes, espalhados por várias regiões, que, em um determinado momento, estão conectados e aprendendo. Este panorama é possível graças às novas tecnologias de Educação. Assim, questões como

o tipo de curso a ser implantado, se totalmente a distância ou com momentos presenciais,

o número de estudantes participantes, a estrutura da equipe de produção do curso e o seu custo final são de fundamental importância para a garantia de sucesso da modalidade. E quanto aos aspectos institucionais, o panorama da EaD é muito mais sensível a

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mudanças do que nos cursos presenciais. A perfeita sintonia entre a Instituição e o seu

mudanças do que nos cursos presenciais. A perfeita sintonia entre a Instituição e o seu corpo acadêmico é de fundamental importância.

O planejamento não pode ser algo à parte do fazer pedagógico ou algo burocrático a ser cumprido, mas sim uma tarefa que deve ser considerada como o elemento articulador das ações cotidianas dos diversos sujeitos envolvidos no processo ensino-aprendizagem (OMATI, 2008, p.104).

É através da observação de todos estes aspectos que torna possível a você, Estudante EaD, estar aqui e agora fazendo este Curso.

Diante do que está sendo dito, é necessário que seja aberto um espaço para refletir sobre o uso dos softwares educacionais como recurso de Tecnologia Educacional. Lembre-se de que, por tecnologia educacional, podemos nos referir também ao quadro negro e giz, ao livro, à televisão, ao vídeo, dentre outros recursos que são utilizados na transmissão- assimilação ativa do saber.

Quanto à aplicação de recursos tecnológicos como ferramenta de auxilio no processo de recuperação de estudantes com dificuldades de aprendizagem, por desenvolver o seu lado cognitivo, o software educativo é um tipo da tecnologia educacional que permite uma integração entre o estudante e o material de forma diferenciada. Como foi dito acima, a metodologia do ensino não pode ficar restrita aos meios, no caso o software. Antes, é necessária a definição da metodologia de ensino na qual ele será inserido, pois, de acordo com ela, ele adquirirá diferentes conotações.

Para Skinner apud Omati (2008), o software educativo tem que dar uma seqüência ao ensino, ou seja, a criança tem que ser capaz de responder às instruções de forma acertada da forma como lhe é pedido (p.180).

Já para Gagné, o software educativo tem que trabalhar a aprendizagem e a memória como processamento de informação (OMATI, p.180, 2008).

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unidade 3

unidade 3 Para Bruner apud Omati (2008), ele deve promover a descoberta como objetivo final, sendo

Para Bruner apud Omati (2008), ele deve promover a descoberta como objetivo final, sendo que vários fatores serão analisados e observados (p.180).

E, para Piaget o software educativo deve trabalhar com diferentes estilos de aprendizagem

e a sua prática deve estar vinculada à filosofia pedagógica da escola (OMATI, 2008, p.181).

à filosofia pedagógica da escola (OMATI, 2008, p.181). SAIBA MAIS Existe uma ampla variedade de softwares

SAIBA MAIS

Existe uma ampla variedade de softwares que podem ser utilizados no processo ensino – aprendizagem. A seguir, veja alguns exemplos:

• Softwares de Exercício e Prática, que visam à aquisição de uma habilidade ou à aplicação de um conteúdo já conhecido pelo estudante, mas não inteiramente dominado.

Os Tutoriais, utilizados para introduzir conceitos novos, ou apoio e reforço para aulas, para preparação ou revisão de atividades.

Os Games Educativos, que desenvolvem o lúdico na aprendizagem.

• O Hipertexto, que, ao contribuir para o estabelecimento de múltiplas relações entre as informações, estimula o pensamento crítico e autônomo do estudante, desde que ele seja trabalhado de forma colaborativa por professores e estudantes.

A conclusão a que se pode chegar sobre os softwares educativos é que eles são ferramentas

para construção do aprendizado. Devem ser trabalhados pelo professor tendo em vista as várias teorias de aprendizagem existentes, até chegar à construção de um programa personalizado que atenda a sua turma e ao Projeto Político- Pedagógico de sua escola.

Finalizando, podemos relembrar Borges (2008) ao enfatizar que embora questões relativas ao “como” continuem importantes, elas só adquirem sentido dentro de uma perspectiva que as considere em sua relação com questões que perguntem pelo “porquê”.

Avaliação

Numa concepção tradicional de educação seletiva e alienadora a função da avaliação é transmitir e preservar a herança cultural, tornando os estudantes reprodutores da cultura

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que lhes é transmitida e socialmente “ajustados”. Muitos de nós guardamos na lembrança os momentos

que lhes é transmitida e socialmente “ajustados”.

Muitos de nós guardamos na lembrança os momentos tensos que marcavam a hora da

prova escrita ou oral em que o professor procurava constatar se o que foi transmitido

através dos livros e explanações, tinha sido corretamente reproduzido pelos estudantes.

E haja decoreba!

Vale relembrar

(e, se possível não mais repetir)

— Como era realizada a avaliação nas escolas pelas quais você passou? Você também

guarda do processo de avaliação a que foi submetido lembranças traumatizantes?

—Você concorda que podemos tornar esse momento do processo ensino - aprendizagem

menos angustiante e mais prazeroso?

A avaliação é um dos elementos estruturais do Plano de Ensino. Esses elementos, como

estamos enfatizando a todo momento, estão interligados entre si e têm como “coluna

vertebral” uma Concepção de Educação assentada numa opção político – pedagógica.

Educação assentada numa opção político – pedagógica. ATENÇÃO É a partir da definição deste princípio

ATENÇÃO

É a partir da definição deste princípio norteador de todo o processo educativo que será possível delinear o conceito de educação que irá nortear o modelo de avaliação a ser adotado por toda a escola.

Lembre-se sempre:

É a partir da definição da sua Concepção de Educação que você estará definindo,

também, o seu conceito de Avaliação.

A escola que pretenda fazer do estudante um ser não apenas “reprodutor do saber”, mas,

sim, um “produtor do saber” deve implementar em seu modelo de avaliação aspectos

como:

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unidade 3

unidade 3  visão de avaliação como ponto de partida para a tomada de decisão que

visão de avaliação como ponto de partida para a tomada de decisão que por sua vez conduzirá a uma ação;

consideração pelo “contexto” no qual se dará à avaliação.

a não neutralidade do processo avaliativo;

progresso do estudante ao longo do seu trajeto, ou seja, a avaliação do seu crescimento e dos processos por ele elaborados para chegar ao domínio do conhecimento;

estabelecimento de interrelações entre os conteúdos e a visão íntegral e global do assunto e sua inserção na prática profissional;

avaliação contínua para verificar se os estudantes estão desenvolvendo habilidades crítico – analíticas, o que possibilitará a formação de indivíduos autônomos e competentes;

avaliação que sirva de base para a reavaliação constante do processo, permitindo que readequações sejam feitas quando necessárias;

avaliação que permita perceber o estágio que o estudante já alcançou e também o quanto ele evoluiu desde o início do processo e o quanto ainda falta percorrer;

avaliação que cumpra suas funções de diagnosticar: conhecer como e se os objetivos propostos estão sendo alcançados, identificar os pontos-problema no aprendizado do estudante e suas causas, promover o autoconhecimento do estudante e do professor, para que cada um tenha consciência das próprias limitações e potenciais para decidir sobre o rumo a tomar;

avaliação processual que permita traçar o perfil do estudante não só quanto a seus graus de aprendizagem, mas, também, suas motivações, expectativas, grau de comprometimento e dados sobre sua família;

avaliação como um desafio cuja superação contribua para o crescimento rumo a competência;

avaliação em que os insucessos não devem ser considerados como medidas de fracasso, mas, sim, como orientações para os novos trajetos a serem percorridos.

Assim, enquanto o planejamento dimensiona o que se vai construir, a avaliação oferece ao professor subsídios para esta construção.

O professor irá detectando os níveis de aprendizagem atingidos pelos estudantes e trabalhando para que os objetivos pretendidos sejam alcançados.

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O educador durante todo o processo de produção do conhecimento em que haja o diálogo,

O educador durante todo o processo de produção do conhecimento em que haja o diálogo,

a confrontação de ideias e pontos de vista estão sempre presentes acompanhando o

educando e avaliando se o mesmo caminha na direção desejada.

Isso retira da avaliação seu caráter seletivo e discriminatório, em que notas e conceitos os rotulam, estigmatizando-os pela vida afora. Com relação a isso, já ouvi um professor se referindo aos seus estudantes como “aquele estudante é tipo A, já aquele outro é Tipo C”. Parece até classificação de leite, não é mesmo?

Além de evitar a função classificatória comparando estudantes entre si, a avaliação deverá considerar o avanço que aquele educando obteve durante o curso.

A articulação na construção de instrumentos de avaliação deve partir de uma visão do

educando como sujeito de sua aprendizagem. Uma ação reflexiva, dinâmica e interativa

que acontece antes, durante e depois do processo de ensino.

A avaliação diagnóstica propicia o levantamento das condições prévias antes do estudante

iniciar uma nova etapa. Significa que pré-requisitos necessários a nova aprendizagem

estarão presentes no momento em que se fizerem necessários.

A avaliação formativa acompanha os estudantes durante o percurso, faz um diagnóstico

das dificuldades e propõe atividades corretivas.

Nela, não há espaço para posturas autoritárias, nem para o paternalismo ou a negação a avaliar, mas existe a presença do professor mediador. Ele está disponível para as atividades colaborativas, para estimular a autonomia do estudante, para tornar a aprendizagem significativa, e avaliar de forma coerente e democrática. A ação docente, neste caso, é libertadora, como propõe Paulo Freire, ou facilitadora, como desejam os construtivistas (OLIVEIRA, 2007, p.88).

Finalizando nossa reflexão sobre este tema, podemos indagar:

— De onde vem o Poder exercido pelo professor ao avaliar o estudante?

Furlani, apud Oliveira (2007), descreve a autoridade docente com relação ao ato de avaliar em três momentos:

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unidade 3

unidade 3 1º - Autoridade baseada em posições hierárquicas e modelos autoritários em que o professor

1º - Autoridade baseada em posições hierárquicas e modelos autoritários em que o professor é visto como controlador e classificador do desempenho do estudante.

2º - Negação da autoridade baseado em formas permissivas de relacionamento com os estudantes. Práticas paternalistas e subjetivistas executada somente sob a forma de autoavaliações.

3º - Autoridade baseada na competência profissional e modelos democráticos na relação professor-aluno. Cooperativas, formativas e emancipadoras.

professor-aluno. Cooperativas, formativas e emancipadoras. FIG. 14: Autoridade docente Adaptado de: MÉTODOS E
professor-aluno. Cooperativas, formativas e emancipadoras. FIG. 14: Autoridade docente Adaptado de: MÉTODOS E

FIG. 14: Autoridade docente Adaptado de: MÉTODOS E TÉCNICAS DE AVALIAÇÃO, 2007, p.87

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Assim, se por um lado as práticas avaliativas da aprendizagem podem reforçar o poder autoritário

Assim, se por um lado as práticas avaliativas da aprendizagem podem reforçar o poder

autoritário do professor, por outro podem expressar atitudes educativas democráticas.

Mais uma vez cabe a você, Professor (a), uma análise reflexiva sobre sua prática avaliativa,

no sentido de verificar se há coerência entre o que faz e o que é explicitado na Concepção

de Educação expressa no Projeto Político- Pedagógico de sua escola.

Muito teríamos ainda que acrescentar nesta reflexão sobre avaliação. No entanto, não

poderíamos deixar de ressaltar a importância do estudo das diferentes formas de encarar

o “erro” na aprendizagem.

diferentes formas de encarar o “erro” na aprendizagem. SAIBA MAIS Para você se aprofundar no tema

SAIBA MAIS

Para você se aprofundar no tema Formas de Encarar o Erro na Aprendizagem sugerimos:

(Org.) Avaliação:

uma postura prática em busca de novos sentidos. Rio de Janeiro: DP & A,

ESTEBAN, M.T. A avaliação no cotidiano escolar. In:

1999.

LUCKESI, C.C. Avaliação da aprendizagem escolar: estudos e proposições São Paulo: Cortez, 2003.

ROMÃO, J. E. Avaliação dialógica: desafios e perspectivas. São Paulo:

Cortez, 2001.

VASCONCELLOS, Celso dos S. Avaliação: concepção dialético libertadora do processo de avaliação escolar: São Paulo: Libertad, 1993.

VYGOTSKY,L. S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1991.

Acompanhe a seguir a elaboração de um “Plano de Ensino” tomando como base o perfil de

um “professor construtor do saber”:

Plano de Ensino

Assunto: Fazendo quadrinhos com a internet

Disciplina: Português e informática

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unidade 3

unidade 3 Objetivos:  Diferenciar o gênero literário das revistas em quadrinhos de outros gêneros 

Objetivos:

Diferenciar o gênero literário das revistas em quadrinhos de outros gêneros

Caracterizar e descrever este gênero (das revistas em quadrinhos).

Elaborar uma tirinha de revista em quadrinho pela internet.

Utilizar ferramentas do site que são comuns a outros softwares, tais como: arrastar,

selecionar, trazer uma imagem para frente ou para trás, fazer flip na figura, alterar

tamanho da figura, baixar imagem de um arquivo, digitar texto.

Publicar sua tirinha em um blog.

Conteúdos

Diferenciar e definir o gênero literário da revista em quadrinhos.

Utilização da internet como meio de divulgação e de comunicação.

Metodologia

1 - Solicitar aos estudantes que tragam de suas casas gibis.

2 - O professor leva para a classe um livro, um jornal, um folheto. Pede que os estudantes

levantem as características que os gibis apresentam em comum e no que difere dos demais

gêneros literários.

3 - A professora pede a alguns estudantes que leiam em voz alta uma pequena história de

um dos gibis. Assim, é fácil caracterizar a linguagem utilizada.

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4 - A professora pede então que os estudantes elaborem individualmente uma tirinha de gibi.

4 - A professora pede então que os estudantes elaborem individualmente uma tirinha de gibi.

Estas tirinhas podem conter: o balão, personagens, plano de fundo, onomatopéias. Deve ter no máximo 3 painéis (quadrinhos).

5 - Uma vez elaborada a tirinha, na sala de informática os estudantes são apresentados para o site www.toondoo.com

6 - Cada estudante deve se registrar.

7 - A professora mostra como utilizar as ferramentas, para que então o estudante crie sua tirinha (que já foi planejada na sala de aula).

8 - Se a classe tiver um blog, pode publicar as tirinhas.

Segue abaixo um exemplo de tirinha. FIG. 15: Aprender Fonte: PLANEJAMENTO EDUCACIONAL, 2008, p.104
Segue abaixo um exemplo de tirinha.
FIG. 15: Aprender
Fonte: PLANEJAMENTO EDUCACIONAL, 2008, p.104

Fonte: FURTADO, Ana M. Planejamento Educacional. ESAB, 2008, p.104.

- Do que você sentiu falta no “Plano de Ensino” apresentado?

Temos certeza de que sua resposta se refere ao item “Avaliação”.

Vamos então explicitar esta questão: como estamos tratando a avaliação como sendo um

procedimento a ser executado ao longo de todo o processo ensino-aprendizagem

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unidade 3

unidade 3 o professor, após trabalhar a metodologia (ou seja, o como ensinar), irá verificar se

o professor, após trabalhar a metodologia (ou seja, o como ensinar), irá verificar se os estudantes estão demonstrando as ações previstas nos objetivos do Plano de Ensino.

Se o estudante mostrar que já é capaz de executar estas ações, o professor dará continuidade ao processo e passará a desenvolver novos objetivos já previstos para o curso em ação. Esta é uma alternativa.

Numa segunda alternativa, ou seja, através da avaliação formativa, o professor verifica que os objetivos ainda não foram alcançados. Os pontos-problemas e suas causas são detectados pelo professor e, então, um reensino será oferecido.

Como já refletimos anteriormente, os insucessos não devem ser considerados como medidas de fracasso, mas, sim, como orientações para novos trajetos a serem percorridos. É a chamada “recuperação paralela”, muito presente no “discurso” dos professores.

muito presente no “discurso” dos professores. REFLITA Um questionamento aparece com certeza neste

REFLITA

Um questionamento aparece com certeza neste momento.

- Como “esgotar” o programa imposto para aquela série pelos “Órgãos Superiores” se a todo o momento teremos que interrompê-lo para promover o reensino?

- Como resolver esse conflito?

Esse é um tópico importante para a sua vida profissional. Levante esta questão no Fórum da Turma e troque experiências com seus colegas e tutores sobre como eles têm lidado com essa questão.

e tutores sobre como eles têm lidado com essa questão. ATIVIDADE Nesta Unidade abordamos os elementos

ATIVIDADE

Nesta Unidade abordamos os elementos de um Plano de Ensino tendo como fio condutor a Concepção de Educação que embasará as ações de um professor “construtor do saber”. Agora, escolha um tema que seja do seu domínio e elabore um “Plano de Ensino”. Tanto o tema quanto a série para a qual o plano será elaborado será de sua escolha.

Só aprendemos aquilo que praticamos. Portanto, mãos a obra! E lembre-se, você não está sozinho (a). Conte conosco!

As Autoras

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Pra final de conversa Prezado (a) Estudante: Neste Caderno não tivemos a pretensão de apresentar

Pra final de conversa

Prezado (a) Estudante:

Neste Caderno não tivemos a pretensão de apresentar novas teorias ou assuntos mirabolantes.

Como você deve ter percebido, abordamos apenas o “óbvio”. Mas é justamente esse óbvio que se revela como uma necessidade a ser refletida, uma vez que a detectamos através da observação e da pesquisa sobre o que realmente está acontecendo, na maioria das vezes, no cotidiano da escola. E como foi dito no início deste Caderno, o ensino gera pesquisa, e essa mesma pesquisa, retroalimenta o ensino. É um processo contínuo, mutável e constante. A este processo damos o nome de Conhecimento.

Aguardamos pelas suas críticas e contribuições no sentido de aperfeiçoar este material. Ele só terá valor se puder contribuir para uma prática educativa mais coerente, mais articulada e mais compromissada com aqueles que muito esperam de nós, os nossos estudantes.

Colocamo-nos à sua disposição para que possamos estabelecer, através do diálogo, uma troca de conhecimentos e experiências, pois acreditamos que a produção do saber só acontece coletivamente.

Deixamos você com as palavras de Neruda. Às vezes, não nos damos conta do quanto podemos viver a vida plenamente e do quanto a forma como a vivemos é o que realmente faz a diferença.

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As autoras, Terezinha e Aline.

Quem morre? Pablo Neruda Morre lentamente quem não viaja,
Quem morre?
Pablo Neruda
Morre lentamente quem não viaja,

quem não lê, quem não ouve música,

quem não encontra graça em si mesmo

Morre lentamente quem se transforma

em escravo do hábito,

repetindo todos os dias os mesmos trajetos,

quem não muda de marca,

não se arrisca a vestir uma nova cor

ou não conversa com quem não conhece

Morre lentamente quem evita a paixão,

quem prefere o negro sobre o branco

e os pontos sobre os “is”

em detrimento de um redemoinho de emoções

justamente

as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos,

corações aos tropeços e sentimentos.

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Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho, quem

Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz com o seu trabalho,

quem não arrisca o certo pelo incerto

para ir atrás de um sonho,

quem não se permite pelo menos uma vez na vida

fugir dos conselhos sensatos,

Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se

da má sorte ou da chuva incessante.

Morre lentamente, quem abandona

um projeto antes de iniciá-lo,

não pergunta sobre o assunto que desconhece

ou não responde quando lhe indagam

sobre algo que sabe.

Evitemos a morte em doses suaves,

recordando sempre que estar vivo

exige um esforço muito maior

que o simples fato de respirar.

Somente a perseverança fará com que conquistemos um estágio esplêndido de felicidade.

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REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS

ALMEIDA, M. E. B. Educação a distância na internet. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.29,

n.2, p.327-340,jul./dez., 2003.

ANOTHER brick in the wall. Disponível em: <http://rantingsofanarabchick.blogspot.

com/2007/10/hey-teacher-leave-us-kids-alone.html>. Acesso em: 20 jul. 2010.

BRASIL. Ministério da Educação. Universidade Aberta do Brasil. Brasília: Secretaria de

Educação a Distância, 2005.

, Decreto nº 5.622, de 19 de dezembro de 2005. Ministério da Educação, Dez. 2005b.

BORGES, Maria da R. C. Concepções educacionais e currículo. Vila Velha (ES): ESAB,

2008.

CAMPOS, Aline F. Tutoria em educação a distância: diferentes caminhos. n. 50 f.

Monografia apresentada a UFSJ-NEAD,2009.

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