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FUNDAMENTOS DA FÍSICA DO LASER – ROTEIRO ILUSTRATIVO

DA AULA TEÓRICA

HISTÓRICO DO LASER (principais acontecimentos)

1862: Teoria eletromagnética de Maxweel


1900: Dualismo de onda-partícula segundo Planck
1905: Hipótese de Einstein sobre os quanta da luz
1913: Postulados de Bohr sobre as transições dos elétrons
1917: Mecanismos de absorção e emissão segundo Einstein (Teoria da emissão
Estimulada)
1919: Física nuclear de Sommerfeld
1928: Demonstração da emissão induzida em gazes
1951: Princípio MASER de Purcell e Pound
1957: Bases teóricas do bombeamento óptico do Laser segundo Gould
1958: Schalow e Townes propõem a aplicação do princípio do Maser à luz
1961: Maiman: Efeito do laser no rubi
1961: Primeira aplicação do laser de rubi na fotocoagulação em oftamologia
1961: Primeiro laser a gás (He-Ne) de Javan, Bennett e Herriott
1962: Introdução do laser de semicondutor
1964: Primeiro laser de CO2 de Patel
1965: Primeiras experiências com raios laser sobre esmalte e dentina
1965: Aplicações do laser de rubi em operações do ouvido interno em pacientes com
surdez
1966: Yahr & Strully: Constatação das propriedades hemostáticas no corte
1967: Primeira aplicação do laser de CO2 em cirurgia da boca
1972: Cirurgia com laser de CO2 em cordas vocais por via endoscópica
1973: Kaplan & Sharon: hemangioma cavernoso –lábio inferior- CO2

LASER
A palavra laser é um acrônimo de:
L ight
A mplification by the
S timulated
E mission of
R adiation
Ou seja: AMPLIFICAÇÃO DA LUZ POR EMISSÃO ESTIMULADA DE RADIAÇÃO

1
E RADIAÇÃO é uma Energia que se move através do espaço, da fonte para um objeto
onde é absorvida. A ABSORÇÃO gera a transformação da radiação em outras formas
de Energia: CALOR, ALTERAÇÕES QUÏMICAS, etc.
Tipos de radiação:
• Partículas: (beta, alfa...) matéria (massa) com Energia
• Fótons ou quanta: pacotes de energia (partículas luminosas), que embora não
tenham massa, se comportam como se tivessem: propagam-se como uma
onda sendo, portanto, um campo eletromagnético oscilante.

A luz, é composta por fótos. E a propagação de um fóton no espaço pode


ser assim esquematizada (Fig. 3):

nm, µm
DISTÂNCIA Fig 3: Esquema da tragetória
FÓTON

oscilante de um fóton
l

Cada fóton possui um comprimento de onda (l): que é a distância entre duas
cristas consecutivas da onda.
A energia do Fóton é descrita por:
Sendo:
E = h. n n = c/l E = h.c/ l E= Energia do fóton
h= Constante de Planck (6,27.10-
34
Js)
Assim, (substituindo os valores) a energia do n= Freqüência
fóton é: c= Velocidade da luz (3.108 m/s)

E=1
l

Ou seja, é inversamente proporcional ao seu comprimento de onda. A unidade


usual de medida da Energia de Fóton é o elétron-volt e pode ser convertido em
Joule(J) ou calorias (cal).
Desta forma, comparando 2 fótons com diferentes comprimentos de onda,
podemos afirmar qual deles tem maior energia e maior freqüência (Fig 5).

2
Fig. 5. Comparação entre 2 fótons

λ E

λ E Freq.

ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO:
Observando o Espectro Eletromagnético (Fig.6), podemos verificar que a
radiação eletromagnética possui um extenso intervalo de comprimento de onda. São
atribuidos nomes que dividem este espectro (radiação cósmica, gama, raios-x,
ultravioleta (UV), luz visível, infra-vermelho (IR), microondas e ondas de rádio) de
acordo com o seu comprimento de onda, utilização e fontes que geram esta radiação
(tabela 1).

ESPECTRO ELETROMAGNÉTICO

λ
700nm
Vermelho
Laranja
Amarelo
Verde
Azul
Violeta
400nm

Luz Visível
ionizantes

Radiação Radiação
Cósmica Gama Radiação X Ultra-violeta Infra-vermelha microondas Rádio

10-5 nm 1 nm 200 nm 103 nm 10.103 nm 10 cm 10 km


1 µm

λ = casa
λ = bola
baseball
λ = bactéria

RADIAÇÃO IONIZANTE

3
Altas energias são consideradas irradiações ionizantes, ou seja, irradiações
capazes de quebrar ligações químicas, podendo por exemplo causar mutações. Para
que isso ocorra, a energia do fóton deve ter entre 3,5 → 20 eV. Os lasers
odontológicos, portanto, não são considerados ionizantes (Tabela 2).

GaAsAl: 1,57 eV Tabela 2: Lasers e suas energias. O laser Excimer é o único


Nd:YAG: 1,16 eV da lista que é considerado possuir irradiação ionizante,
Er:YAG: 0,422 eV porém este não tem aplicabilidade odontológica como os
Argônio: 2,5 eV
outros mencionados. O excimer é utilizado na oftamologia
Excimer: 6,42
eV para cirurgias de correção de miopia por exemplo.

DIFERENÇAS ENTRE A LUZ BRANCA E A LUZ LASER

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LUZ BRANCA:

POSSUI DIFERENTES COMPRIMENTOS


TODOS
DE OS FÓTONS POSSUEM O MESMO
ONDA COMPRIMENTO DE ONDA

LUZ LASER:
MONOCROMÁTICA

LUZ BRANCA: NÃO LUZ LASER:


COLIMADA

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LUZ BRANCA: NÃO LUZ LASER: COERENTE

Coerência:
fotons em fase
no tempo e espaço

ABSORÇÃO E EMISSÃO DE
ENERGIA

Um sistema físico em equilíbrio no seu estado de menor energia está no seu


estado fundamental. Se um de seus elétrons mudar para uma camada (órbita) mais
externa, adquirindo energia, passa para um estado de energia excitado. Esta
excitação pode se dar pela absorção de um fóton, de energia correspondente à
diferença de energia entre dois níveis deste sistema. Espontaneamente este elétron
sofre decaimento, ou seja, volta ao seu estado fundamental, liberando energia (Fig
6).

6
Elétron Excitado

decaimento

Elétron volta para o


estado fundamental
Fóton

Energia
(fóton)

Fig 6. Ilustração da absorção e emissão de energia por um elétron

MECANISMO DE FUNCIONAMENTO DO EQUIPAMENTO LASER

Os lasers são compostos basicamente por (fig.7):


 Meio Ativo, ou meio amplificador
 Mecanismo de excitação ou Bombeamento
 Ressonador, ou cavidade óptica (onde se encontram um espelho totalmente
refletor e um espelho parcialmente refletor por onde o feixe laser sai da
cavidade)

O MEIO ATIVO é o material onde ocorre a ação laser (doador de átomos/moléculas). O


meio ativo determina o tipo de laser e o comprimento de onda de emissão. Podendo
ser sólido, líquido ou gasoso.

1. Sólido: é constituído por um sólido como por exemplo toda a família


YAG (Yttrium-Aluminium-Garnet) dopados com outras substâncias.
Exemplos: Nd:YAG (neodímio-YAG); Er:YAG (érbio-YAG). Paralelamente
ao grupo dos meios ativos sólidos existem os meios ativos
Semicondutores (Fig 8), onde estão os laseres de diodo: GaAs

7
(Arseneto de Gálio), GaAlAs (Arseneto de Gálio Alumínio), InGaAIP
(mistura de semicondutores: Índio-Gálio-Alumínio-Fósforo)
2. Gasoso: composto por gases ex: He-Ne (mistura de gás hélio e neônio),
laser de CO2 (gás carbônico), Argônio e Excimer (mistura de gases
nobres e halogênicos).
3. Líquido: constituído por corantes orgânicos dissolvidos em solventes. O
mais utilizado é a série das Rodaminas, que emitem no visível.

Bombeamento

Fig 7. Principais componentes do laser


radiação
Meio ativo

Espelho
Espelho
semi transparente
de reflexão máxima

ENERGIA

LASER DE DIODO (SEMICONDUTOR):

-
Bombeamento por eletricidade

Fig. 8: Laser de Semiconduto

PROCESSO DE EMISSÃO DO FEIXE LASER:

Para que ocorra a ação laser é necessário que os átomos ou moléculas do


meio ativo recebam energia, este processo é chamado de bombeamento (pump).
O BOMBEAMENTO pode entregar energia de vários modos:

- Bombeamento Luminoso (por lâmpadas flash ex. laser sólido da família


YAG)
- Bombeamento elétrico (laser de semicondutor e gasosos)

8
- Bombeamento a laser (laseres líquidos normalmente são bombeados
por laser de argônio

BOMBEAMENTO

O bombeamento fornece energia para os


elétrons dos átomos/moléculas do meio ativo do laser,

ÁTOMOS DO MEIO ATIVO fazendo com que todos os elétrons fiquem no seu
(SÓLIDO, LÍQUIDO,
GASOSO) estado excitado.
Espontanemante, um dos elétrons sofre decaimento, e
EXCITADO DECAIMENTO ESPONTÂNEO
DE 1 ELÉTRON o fóton liberado por este estimula outro elétron a
sofrer decaimento e assim sucessivamente – Teoria da
emissão estimulada de Einsten (Fig 9):

E3

Emissão Estimulada:
E2

E1

BOMBEAMENTO

Após o átomo emitir o fóton,


o átomo recebe novamente energia (bombeamento)
retornando para o estado excitado e o fóton que foi
emitido fica viajando pela cavidade e acaba estimulando
FEIXE LASER
(incentivando) os outros átomos a decaírem do seu
estado energético e emitirem fótons que são
ESPELHOS COM ESPELHO SEMI-
REFLEXÃO MÁXIMA TRANSPARENTE exatamente cópias dele, ou seja, com as mesmas
características. Este processo é repetido várias vezes
(amplificação) dentro da cavidade, e é a chave do funcionamento dos laser, como o
próprio nome diz: Amplificação da Luz por Emissão Estimulada de Irradiação.
Ilustração de muitos fótons sendo liberados sem direção determinada. Os
espelhos presentes envolvendo-os fará com que todos adquiram a mesma direção. O
espelho semi-transparente presente faz com que por este orifício saiam os fótons,
emitindo assim o feixe laser.

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INTERAÇÃO DO LASER COM O TECIDO:

A interação do feixe laser com os tecidos depende das propriedades ópticas


dos tecidos e do comprimento de onda da luz laser. Assim dependendo do tecido e
do laser, a luz pode sofrer: reflexão, transmissão, espalhamento e/ou absorção.

Feixe Laser REFLEXÃO

ABSORÇÃO
ESPALHAMENTO

TRANSMISSÃO

Os efeitos do laser, em suas aplicações terapêuticas são devidos


essencialmente à energia que os fótons transferem ao tecido durante os processos
de absorção.
Fatores inerentes ao Tecido:
• PROPRIEDADES ÓPTICAS: coeficiente de reflexão, absorção e espalhamento (λ e
prop. ópticas)
• PROPRIEDADES TÉRMICAS: condutibilidade térmica e capacidade térmica
Fatores inerentes ao Laser:
λ, energia aplicada, potência, área focalizada (DE), tempo de exposição
Assim, para ocorrer absorção, o coeficiente de absorção do tecido/molécula
deve ser correspondente ao comprimento de onda do laser (Fig 9).

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Fig. 9: Principais cromóforos de tecidos biológicos (Puig, 1999, MPLO-FOUSP, IPEN)

A interação Laser-Tecido: varia com a transformação da energia absorvida:


EFEITOS FOTOTÉRMICOS - Laser de Alta Potência
 desidratação
 coagulação
 vaporização
 ablação
EFEITOS NÃO TÉRMICOS – Laser de baixa Potência
 antiinflamatório
 biomodulador
 analgésico
 terapia fotodinâmica

PROTEÇÀO
Existem alguns cuidados fundamentais que devemos ter ao utilizar um
equipamento laser, uma vez que este pode ter efeitos indesejáveis, como lesões
cutâneas e lesões oculares.
• Sempre utilizar óculos de proteção
• Evitar superfícies refletivas

IMPORTANTE: Utilizar óculos de proteção específico para cada


comprimento de onda.

CLASSIFICAÇÃO DE PERIGO DO LASER: Laser de Baixa Potência


Classificação segundo a NBR IEC 601-2-22 da ABNT como CLASSE IIIB : constituem
um perigo ocular EFEITOS NO OLHO:
LOCAL DOS DANOS CAUSADOS:
Visível e IR-A : RETINA
UV-A: CRISTALINO
UV-B, UV-C, IR-B, IR-C: CÓRNEA

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

1. GUTKNECHT N, EDUARDO CP. A odontologia e o laser: atuação do laser na especialidade


odontológica. São Paulo: Quintessence; 2004.

2. ZEZELL D. Fundamentos da física do laser In: Workshop: utilização clínica do laser (Apostila).
FOUSP/IPEN; 2002.

3. TUBOY AM. A física do laser: uma breve introdução. São Carlos; MM Optics; 2005

4. ALMEIDA-LOPES L. Laserterapia na Odontologia. Clínica Odont Int. 2004: 1(1)11-88.

MECANISMOS DE AÇÃO DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA


- Esquema da aula teórica -

EFEITOS NÃO TÉRMICOS DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA:


 ANTIINFLAMATÓRIO
 ANALGÉSICO
 BIOMODULADOR
 TERAPIA FOTODINÂMICA

AÇÃO DO LASER NA CÉLULA


LASER

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Componentes da cadeia
respiratória com suas
respectivas estruturas
quimicas semelhantes a
“Sistemas de antenas” e a
sua interação com a
radiação eletromagnética
laser com seus
comprimentos de onda.
Fonte: Wilden and Karthein:
Clinical Laser Medicine &
Surgery, v.16, n. 3, 1998.

Representação da célula e seus cromóforos, em destaque a mitocôndria,


com os prováveis mecanismos de ação primária e efeitos em curto prazo do
laser:
• Mudanças no estado redox celular → aceleração
no transporte de elétrons da cadeia respiratória
LASER

MITOCÔNDRIA • Alterações na atividade bioquímica e estrutural


pelo aquecimento transitório dos cromóforos
• ↑Produção superóxido (O2) / ↑ produto de sua
dismutação (H2O2)
• Geração de oxigênio molecular O2
CROMÓFOROS

NÚCLE
• FotoestimulaçãoO da taxa respiratória
DNA/RNA

mitocondrial
• Síntese de ATP
• Alteração da permeabilidade da membrana
celular

ALTERAÇÃO ESTRUTURAL DAS MITOCÔNDRIAS

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Mudanças nas propriedades químicas e físicas das membranas mitocondriais
(cristas mitocondriais) induzidas pelo Laser, resultam em fusão preferencial das
membranas de mitocôndrias que estão localizadas uma ao lado das outras,
constituindo assim uma MITOCÔNDRIA GIGANTE

Proporciona altos níveis de respiração


e energia de reposição

obs: OS EFEITOS DO LASER SOBRE AS MITOCÔNDRIAS SÃO REVERSÍVEIS

- Formação de mitocôndrias
atípicas
- Aumento na atividade

TEORIAS DA FOTORESPOSTA (ADAPTADO DE KARU, 1989)

FOTORECEPÇÃO MITOCONDRIA =  pot. memb mitocondrial

TEORIA DE KARU
(Luz Visível - vermelho)
TRANSDUÇÃO E
AMPLIFICAÇÃO DO SINAL CITOPLASMA =  pot. redox celular

MEMBRANA CELULAR =  ativação de enzimas


 pot. memb. celular
TEORIA DE SMITH
(Luz Infravermelha)

FOTORESPOSTA CITOPLASMA =  na [H+]


 pH, [Ca++]

NÚCLEO =  síntese de DNA/RNA

REGULAÇÃO DA PROLIFERAÇÃO

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 proliferação celular

LASER DE BAIXA POTÊNCIA NA CURA DE FERIDAS (Vladimirov, 2004)

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Feridas: Laser:
Reação inflamatória – exsudato da atividade da SOD e/ou catalase

Radical superóxido (O2-) pela quebra Remoção dos radicais superóxido (O2-)
do H2O2 e H2O2

 da atividade da SOD e/ou catalase  do exsudato inflamatório

Dano tecidual Cicatrização

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CONDIÇÃO PARA SE TER EFEITO BIOLÓGICO:
 A ESTRUTURA DEVE ESTAR EM NÍVEL INTERMEDIÁRIO DE POTENCIAL REDOX – EM
ESTRESS OXIDATIVO
 SE A ESTRUTURA ESTIVER COMPLETAMENTE OXIDADA OU REDUZIDA O LASER
NÃO TEM AÇÃO BIOLÓGICA
Beckerman et al., 1992; Karu, 1998

EFEITOS DO LASER DE BAIXA POTÊNCIA:

Crescimento celular estimulado:


 tecido conjuntivo, tendinoso e ósseo
Regeneração celular
 maior regeneração de células nervosas
Efeito anti-inflamatório
 reduz a habilidade de linfócitos a reagir aos estímulos antigênicos
Função nervosa estimulada
 Aumento na amplitude dos potenciais de ação
Redução de edema/Revascularização
 Maior regeneração de vasos linfáticos e veias
Redução de fibrose na formação tissular
 Inibe PGE2
 Maior conteúdo de enzimas específicas
 Produção aumentada de produtos celulares
Analgesia
 Aumento da microcirculação local
 Aumento na síntese e liberação de opiáceos endógenos – endorfina, encefalina
 Aumento da síntese de serotonina e prolactina

DOSIMETRIA – ROTEIRO ILUSTRATIVO DA AULA TEÓRICA

Parâmetros dos Lasers


1. Potência: A potência óptica está ligada ao número de fótons que está sendo
emitida pela fonte. É designada como Watts (W).
2. Densidade de Potência ou Intensidade: É a quantidade de potência por
unidade de área que a fonte está emitindo. É designada por W/cm2 .

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3. Densidade de Energia*: É a energia (J) entregue no tecido por unidade de área
(cm2). É designada por J/cm2.
4. Freqüência: Pulsos por segundo (Hz)
5. Tempo: (segundos)
6. Área: (cm2)
7. Energia do fóton: (J)
8. Comprimento de onda: (nm)

Fórmula:

T = DE X A Métodos Terapêuticos
P

T = tempo (segundos) APLICAÇÃO APLICAÇÃO EM


PONTUAL VARREDURA
DE = densidade de energia
(J/cm2)
A = área (cm2)
P = potência (W)

Área da fórmula:
Velocidade constante sobre a
área
Aplicação Pontual = spot do feixe
Aplicação em Varredura = área da lesão

Eficácia da Terapia Laser

• In vivo, menos que 1 J/cm2, por sessão, não há efeito significativo.

• Abaixo de 5 mW, não há suficiente potência para provocar reação biológica.

Mester, A.R.
Potência x penetração x comprimento de onda

V
IV

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Lei de Arnold-Schultz da ativação Fotobiológica: A RESPOSTA
FISIOLÓGICA É DOSE DEPENDENTE (MESTER et al., 1985; SAITO &
SHIMIZU, 1997; FREITAS et al. 2000)

“Janela Terapêutica”
Bioestimulação
Grau de atividade

Efeito
ANALGESIA
inibitório
biológica

Quantidade de Estímulo Aplicado (Dose)

Lei de Beer
Pierre Bouguer (1729), Johann Heindrich Lambert (1760). August Beer (1852) As
propriedades associadas ao processo de absorção de luz podem ser enunciadas em
termos :

- A intensidade de luz (monocromática) transmitida por um corpo homogêneo é proporcional à


intensidade de luz incidente. Isto é: It = k Io.
- A intensidade de luz (monocromática) transmitida decresce exponencialmente com o
aumento da espessura da camada do corpo homogêneo.
- A transmissão de luz para uma determinada substância é inversamente proporcional à sua
concentração, isto é: A’= A.C
Quanto maior a densidade de fótons por área,
*onde, C é a concentração e é A absortividade (constante independente da concentração).
maior a penetração

COLIMAÇÃO X PROFUNDIDADE

1. A profundidade de penetração relaciona-se com a absorção da luz;


2. Quanto menor a densidade de fótons por área, menor a penetração (Lei de Beer).

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3. “A intensidade de luz (monocromática) transmitida por um corpo homogêneo é
proporcional à intensidade de luz incidente”
4. Uma luz cuja incidência não é perpendicular sofre refração e crescente reflexão
com o grau de incidência.
5. Quanto maior a refração, maior o espalhamento da luz.
6. Se há espalhamento da luz, ocorre aumento da área irradiada.
7. Luz não colimada: ocorre redução da irradiância, o limite de absorção não é
atingido e os
fótons são absorvidos nas camadas superficiais, não atingindo maiores
profundidades.

COLIMAÇÃO E PROFUNDIDADE

COMPRIMENTOS DE ONDA VERMELHO E INFRA-VERMELHO:

MAIS
ENERGÉTICO,
-Afinidade tecidual
PORÉM superficial
PENETRA -Frequência
VERMELHO MENOS -Potência

INFRA -VERMELHO

FATORES QUE INFLUENCIAM NA LASERTERAPIA

 FATOR PACIENTE:
 FATOR OPERADOR

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 FATOR EQUIPAMENTO

PACIENTE:
Pele,
Idade,
Estado do tecido a ser irradiado,
Área a ser aplicada: mucosa – pele,
Área a ser atingida: superficial x profunda
Disponibilidade de tempo para tratamento

OPERADOR:

Forma de aplicação (varredura, pontual, contato)


Habilidade na escolha do comprimento de onda
Bom senso para alterar parâmetros e indicar a laserterapia
Conhecimento da lesão a ser tratada e das possibilidades da laserterapia na
terapêutica

Cuidados antes da aplicação (incidência perpendicular, secar local, escolha dos


pontos
-Aplicação na pele: limpeza com álcool para remover gordura
-Mucosa: secar antes da radiação
-Ferida s/ pele: 1/3 ou ¼ da dose normal
-Alteração da dose: indivíduos obesos, idosos, muito claros...

EQUIPAMENTO:

Comprimento de onda e absorção correspondente no tecido em apreço


Modo de ação do Laser (CW, interrompido...)
Energia dos pulsos em Joule (J) e área do feixe laser que incide sobre o tecido
(cm2) – DE (J/cm2), DP (W/cm2) CW
Modo de aplicação (contato/focalizado/movimentos)
Duração total da exposição ao feixe laser
Pontas de aplicação do laser – conforto x acesso
Facilidade no manuseio

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MODALIDADES DOSIMÉTRICAS EXISTENTES:

BAIXA DOSE/ MUITOS PONTOS ALTA DOSE/ POUCOS PONTOS

5 J/cm2 60 J/cm2
DE = E
A

DE = E E = 5 x 0,04 E = 0,2J DE = E E = 60 x 0,4 E = 2,4 J


A A

Energia / ponto = 0,2 J Energia / ponto = 2,4 J

0,2 J x 20 pontos = 4 J 2,4 J x 2 pontos = 4,8 J


Energia total = 4 J Energia total = 4,8 J

FÓRMULA DA ENERGIA:

E = DE. X A

n. Pontos = ENERGIA TOTAL


ENERGIA PONTUAL

ENERGIA TOTAL (Et) : DE x área da lesão


Et = 5 J/cm2 x 2cm2
Et = 10 J n. Pontos = 10 = 50 pontos
0,2
ENERGIA PONTUAL(Ep): DE x área do spot
Ep = 5 J/cm2 x 0,04 cm2
Et = 0,2J

O QUE INFLUENCIA NO NÚMERO DE PONTOS


QUE DEVEMOS APLICAR?
TAMANHO DA LESÃO
POTÊNCIA UTILIZADA
ÁREA DO SPOT DO LASER
MODALIDADE DOSIMÉTRICA
ESCOLIDA
INDICAÇÃO TERAPÊUTICA

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CLAREAMENTO DENTAL COM FONTE LED E LED/LASER

Prof. Bruno Lopes da Silveira


Dra. Leila Soares Ferreira

INTRODUÇÃO

O clareamento dental é uma alternativa de melhora estética que está em


evidência nos dias atuais. A procura pelo clareamento tem aumentado e este fato
promove uma corrida aos consultórios odontológicos na busca de soluções estéticas. Na
maioria das vezes há exigência, por parte dos clientes, de rapidez na realização do
“tratamento”.
A idéia de dentes brancos é estimulada pela mídia, formando um
comportamento de massa que culmina com a demanda real de clareamentos nos
consultórios odontológicos. A maior busca é pelo clareamento “in office” ou da técnica
de clareamento dental em consultório, devido ao menor tempo dispendido para esta
opção.
Desde 1989, quando Haywood e Heymann descreveram a técnica de
clareamento dental caseiro, as técnicas de clareamento dental evoluíram muito e
tornaram-se mais rápidas, confortáveis e principalmente mais seguras.
Quanto a indicação do tratamento, o clareamento dental deve ser sempre a
primeira alternativa a ser utilizada em dentes com alterações de cor, sejam elas
causadas por pigmentos superficiais adquiridos, pelo uso de tetraciclinas e seus
derivados, pelo envelhecimento natural com a idade, por calcificação pulpar, por fluorose
ou por traumatismo. Um aspecto importante a ser observado é a quantidade de
remanescente dental. Dentes amplamente restaurados, com pouca estrutura de tecido
dental, normalmente não terão o problema estético resolvido com clareamento dental,
necessitando de procedimentos restauradores. Em algumas situações, visando minimizar
o desgaste do dente em técnicas restauradoras, como facetas diretas ou indiretas, pode-
se associar o clareamento dental a estes procedimentos.
Os dentes sofrem alterações na cor devido a fatores extrínsecos ou
intrínsecos: Os fatores extrínsecos podem ser manchas superficiais causadas por
ingestão de alimentos que contenham corantes fortes.
As descolorações intrínsecas têm os pigmentos incorporados na intimidade da
estrutura dental. Esta descoloração é mais profunda e necessita do tratamento

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específico de CLAREAMENTO DENTAL. Podem ser adquiridas durante a vida ou ser
congênitas, ou seja, aparecerem na fase de formação dos dentes.
Os manchamentos por tetraciclina são grandes desafios ao dentistas, visto a
falta de previsibilidade de sucesso destes tratamentos. A severidade das manchas por
tetraciclina dependem do tempo e da duração do uso do antibiótico e do tipo de
tetraciclina. Nestes casos muitas vezes associamos as técnicas de clareamento em
consultório e clareamento caseiro.

Manchas de fluorose também são freqüentes e são causadas pela ingestão


exacerbada de flúor durante a calcificação dental. As manchas apresentam-se como
brancas, amarelas ou marrons. Elas não assumem um padrão definido e podem localizar-
se em qualquer área do dente.

Os dentes sofrem um processo de envelhecimento fisiológico, com a deposição


de dentina fisiologicamente e internamente a câmara coronária, promovendo um
escurecimento natural do elemento dental. Esta maior quantidade de dentina, associada
aos hábitos pessoais, determinam o maior ou menor escurecimento dos dentes com o
passar dos anos.

COMO ACONTECE O CLAREAMENTO

O peróxido de hidrogênio (H2O2), componente ativo da quase todos agentes


clareadores, quando entra em contato com a estrutura dental, se decompõe em água
(H2O) e oxigênio reativo (O2-). O oxigênio reativo que é liberado por esta reação é o
responsável pelo clareamento dental. Esta molécula de oxigênio tem baixo peso
molecular, assim, ele apresenta um alto poder de penetração nas porosidades dos
prismas de esmalte dental, deixando-os mais largos e degradando as moléculas de
pigmento, tornando-as menores, pouco pigmentadas e até incolores. Todo esse processo
pode ser acelerado por calor (temoativado) ou pela presença de luz (fotoativado) que
pode vir de várias fontes, entre elas: LEDs, luzes halógenas, xenohalógenas, lasers e
instrumentos aquecidos

Decomposição do peróxido de hidrogênio

H2O2 H+ + HO2- H++ + O2 2-

Agente oxidante

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Os peróxidos de hidrogênio variam entre 5 e 35% e os peróxidos de
carbamida com concentrações variando de 10 a 37%.
No clareamento caseiro é utilizado peróxido de carbamida em concentrações
que variam de 10 a 22% ou peróxido de hidrogênio em concentrações de 3 a 9%.

DIAGNÓSTICO E PLANEJAMENTO

Alguns passos são imprescindíveis para uma boa conduta e controle das
variáveis que compõem o clareamento dental: são elas:

 Anamnese e questionário de saúde (deve-se investigar na anamnese o


histórico de possível manchamento dental);

 Exame intraoral, procurando identificar a presença de trincas,


retrações gengivais, lesões cervicais, restaurações extensas nos
elementos que serão clareados, doença periodontal, lesões de cárie;

 Histórias sobre possíveis tratamentos de canal

 Estudar se o paciente já foi realizou outros tratamentos clareadores;

 Exame radiográfico geral

CLAREAMENTO EM CONSULTÓRIO

O produto mais empregado para esta técnica é o peróxido de hidrogênio a


35%. O uso de fontes de calor (LEDs, luzes, plasma, laser, etc.) é usado para ativar e
acelerar o processo. Essa técnica tem como objetivo acelerar a velocidade do
procedimento clareador.

O primeiro passo clínico a ser executado é a medida da cor dental, através de


uma escala de cores, para podermos ao final do tratamento comparar as colorações do
início e do fim do tratamento.

A lubrificação labial é o próximo passo e ajuda a proteger os lábios do


paciente contra rachaduras e ressecamentos em função do afastamento labial com
afastadores especiais para clareamento dental. Vale ressaltar que os afastadore devem
ser providos de um dispositivo de stop, ou referencial de fechamento bucal, pois permite
assim a manutenção da mesma abertura bucal do início ao fim do tratamento.

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O isolamento dos tecidos moles adjacentes à estrutura dental que será
clareada é o próximo passo, e tem por finalidade proteger a gengiva e mucosa oral da
possível agressão do gel clareador caso o gel tenha contato com os tecidos moles da
boca. Este isolamento pode ser feito pelo uso de resinas fluidas específicas para uso em
barreiras protetoras gengivais.

Após a manipulação do gel clareador, que geralmente é proporcionado na


fração de 3/1, ou seja, 3 gotas do peróxido para 1 gota do espessante. Para uma arcada
dental estima-se que sejam usadas 21 gotas de peróxido para 7 gotas do espessante.

O gel deve ser colocado sobre os dentes e ativado, dependendo do sistema


que ativação selecionado. Existem alguns protocolos sugeridos na literatura vigente.
Vale ressaltar que é importante o tempo de contato entre o gel de peróxido de
hidrogênio e a estrutura dental. Estima-se que o tempo de contato entre 20 a 25 minutos
por sessão clínica é o um intervalo efetivo para o clareamento das estruturas dentais.
Um tempo maior pode provocar sensibilidade dentinária devido a penetração do oxigênio
reativo, que pode chegar até a polpa.

PROTOCOLOS DE CLAREAMENTO

1. Clareamento Dental a LED (dente por dente)

WHITENESS HP / LASE PEROXIDE / FORMULA E AÇÃO / WHITENESS HP MAX

o Colocar o gel em uma arcada e ativar com o LED por 30 segundos cada dente
(ponteira única)
o Ativar o gel com uma espátula de plástico e esperar 3 minutos
o Ativar com o LED (ponteira de 2 a 3 dentes) por 30 segundos cada dente
o Ativar o gel com uma espátula de plástico e esperar 3 minutos Remover o
excesso de gel com um sugador e depois com uma gaze umedecida
o Remover o excesso de gel com um sugador e lavar
o Repetir esta seqüência mais uma vez
o Ao final das seqüências lavar todo o gel em contato com o dente e fazer
polimento com um feltro associado ou não a um dessenibilizante

OBS: Não ultrapassar 20 minutos de permanência do gel com o esmalte dental

OPALESCENCE EXTRA / LASE PEROXIDE

o Colocar o gel em uma arcada e esperar 7 minutos


o Ativar com o LED por 30 segundos cada dente (ponteira única)

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o Ativar o gel com uma espátula de plástico e esperar 3 minutos
o Ativar com o LED (ponteira de 2 a 3 dentes) por 30 segundos cada dente
o Ativar o gel com uma espátula de plástico e esperar 3 minutos
o Remover o excesso de gel com um sugador e lavar
o Repetir esta seqüência mais uma vez
o Ao final das seqüências lavar todo o gel em contato com o dente e fazer
polimento com um feltro associado ou não a um dessenibilizante

OBS: Não ultrapassar 20 minutos de permanência do gel com o esmalte dental

2. Clareamento Dental com BRIGHT MAX ou WHITENING LASE I ou WHITENING


LASE II

LASE PEROXIDE / WHITENESS HP / OPALESCENCE XTRA / WHITENESS HP MAX

o Colocar o gel nas duas arcadas e ativar com o LED por 3 minutos (intercalado ou
não)
o Deixar o gel em descanso por 2 minutos
o Remover o excesso de gel com um sugador e depois com uma gaze umedecida
o Repetir este ciclo por 3 vezes
o Ao final dos ciclos lavar todo o gel em contato com o dente e fazer polimento com
um feltro associado ou não a um dessenibilizante

OPALESCENCE XTRA

o Colocar o gel nas duas arcadas ou em uma arcada e esperar 7 minutos


o Ativar com o LED por 2 minutos em cada arcada
o Deixar o gel descansar por 2 minutos
o Remover o excesso de gel com um sugador e depois com uma gaze umedecida
o Repetir esta seqüência mais uma vez
o Ao final lavar todo o gel em contato com o dente e fazer polimento com um feltro
associado ou não a um dessensibilizante

OBS: Não ultrapassar 20 minutos de permanência do gel com o esmalte dental

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