Você está na página 1de 196

V.

2, N0 5 | Set/Out 2017 ISSN 2447-7567

passou
por aqui.
O mundo
V. 2 • N0 5 • Setembro/Outubro • 2017

Capa: ilustração do Anhembi mostrando


a convergência proporcionada
pela grandiosidade do IN 2017.
Imagem e arte: Miriam Ribalta.

Qualificação:
Qualis Nacional B4 – Odontologia

ImplantNewsPerio International Journal - V.2, N.5 (setembro/outubro/2017)


São Paulo: VM Cultural, 2016
V. il. ; 21,5 x 28 cm

ISSN - 2447-7567

1. Implantes dentários. 2. Periodontia. 3. Prótese dentária.


4. Odontologia – Materiais dentários. I. Título.
CDD 617.69
Fundador e Diretor Executivo: Haroldo J. Vieira (diretoria.haroldo@vmcom.com.br)
Expediente
Fundador e Consultor: Luiz Antonio Gomes
Diretor de Comunicação: Adilson Fuzo (comunicacao.adilson@vmcom.com.br)
Coordenação Editorial e jornalista responsável: Renata Putinatti – MTb: 39.331 (jornalismo.renata@vmcom.com.br)
Redação On-line: João de Andrade Neto
Revisora: Aline Souza Hotta
Diretora de Arte: Miriam Ribalta
Assistentes de Arte: Cristina Sigaud
Eduardo Kabello
Gerente de T.I.: Marcos Valesk de Oliveira Belice
Webmaster: Felipe Santander
Webdesigner: Nathalia Oliveira
Juliana de Andrade Iasi (estagiária)
Coordenação de Criação: Marcelo Henrique
Diretor de Operações Gerais: José dos Reis Fernandes (dirop.reis@vmcom.com.br)
Assinaturas: Giovanni Del Negro (supervisor.giovanni@vmculturaleditora.com.br)
Administração: José Carlos Ruiz Hernandes
Supervisora Comercial: Silvia Bruna (atendimento.silvia@vmcom.com.br)
Publicidade – Executivos de Contas: Cintia Helena Avila (atendimento.cintia@vmcom.com.br)
Erika de Carvalho (atendimento.erika@vmcom.com.br)

Redação, Marketing e Publicidade: Compromisso com nossos leitores


VM Cultural Editora – Rua Gandavo, 70
04023-000 – São Paulo – SP • Facilitar o acesso a conteúdos baseados em pesquisas
Tel.: (11) 2168-3400 – Fax: (11) 2168-3422 clínicas testadas e comprovadas.
Impressão e acabamento: Ipsis Gráfica e Editora. • Publicar conteúdos de vanguarda, visando trazer mais perto
Responsabilidade editorial: todos os artigos possibilidades futuras.
assinados, bem como conteúdos publicitários inseridos • Promover a discussão de temas polêmicos e fazer consenso
na Revista ImplantNewsPerio e edições especiais,
para melhor orientar e proporcionar segurança nas várias
são de inteira responsabilidade dos respectivos autores,
práticas clínicas.
empresas e instituições. Só será permitida a reprodução
• Incentivar a produção científica de jovens talentos, criando
total ou parcial de conteúdos desta edição com a
prêmios de mérito para ampliar o número de pesquisadores
autorização expressa dos editores.
no Brasil.
• Crescer continuamente o volume de artigos clínicos publicados
Tiragem: 10.000 exemplares – verificada pela PwC.
Circulação nacional. por edição, buscando aumentar a base de informação.
• Disponibilizar canal on-line de consultas para solucionar
Fale com a ImplantNewsPerio eventuais dúvidas em práticas clínicas seguras.
Trabalhos científicos – secretaria@implantnewsperio.com.br • Garantir a circulação da revista na data certa, evitando a
Jornalismo – redacao@vmcom.com.br quebra do fluxo regular de atualização científica neste campo.
Atendimento ao anunciante – comercial@vmcom.com.br

Revista filiada Assinaturas, reclamações e sugestões:

0800-0143080 | +55 11 3566-6200


Demais publicações VM Cultural:
sal@vmculturaleditora.com.br

Assinatura anual – R$ 620, | 6 edições | Exterior – US$ 210.

Importante: a revista ImplantNewsPerio só comercializa


assinaturas através de seu site e de sua equipe de telemarketing.
Não possui “vendedores” em domicílio.

www.implantnewsperio.com.br

798 INPerio 2017;2(5):798-9


Editores Científicos: Prof. Dr. Paulo Rossetti (Implantodontia) Expediente
Prof. Dr. Antônio W. Sallum (Periodontia)

Conselho Científico Ribeiro (Forp-USP/SP), Ricardo Guimarães Fischer (Uerj/RJ),


Alemanha: Profs. Drs. Friedrich Neukam, Markus Hürzeler. Ricardo Magini (UFSC/SC), Roberto Brunow Lehmann (UFF/RJ),
Argentina: Profs. Drs. Guillermo Rafael Cagnone, Sergio Luis Roberto Sales e Pessoa (Foufu/MG), Rogério de Lima Romeiro
Gotta. (EEL-USP/SP), Ronaldo Barcellos de Santana (UFF/RJ), Rui
Áustria: Prof. Dr. Bernhard Pommer. Vicente Oppermann (UFRGS/RS), Sérgio Alexandre Gehrke
Bolívia: Prof. Dr. Luis Guillermo Peredo-Paz. (UFSM/RS), Sérgio Jayme (APCD/SP), Sérgio Luís da Silva
Brasil: Profs. Drs. Aira M. Bonfim Santos (UFSC/SC), Alberto Pereira (Unifor/CE), Sérgio Luís Scombatti de Souza (Forp-USP/
Noriyuki Kojima (Unesp-SJC/SP), Alfredo Feitosa (Ufes/ES), SP), Sônia Groisman (UFRJ/RJ), Thomaz Wassall (SLMandic/
Alfredo Mikail Mello Mesquita (Unip/SP), Álvaro Francisco Bosco SP), Urbino da Rocha Tunes (EBMSP/BA), Valdir Antônio Muglia
(Unesp-Araçatuba/SP), André Pelegrine (SLMandic/SP), Antônio (Forp-USP/SP), Valdir Gouveia Garcia (Unesp-Araçatuba/SP),
Pinheiro (UFBA-Salvador/BA), Arthur Belém Novaes Jr. (Forp- Vinicius Augusto Tramontina (PUC/PR), Wagner Leal Serra e Silva
USP/SP), Benedicto Egbert Corrêa de Toledo (Unesp-Araraquara/ Filho (UFPI/PI), Waldemar Daudt Polido (ABO-Porto Alegre/RS),
SP), Carlos Alberto Dotto (Unicid/SP), Carlos dos Reis Pereira Wellington Cardoso Bonachela (FOB-USP/SP), Wilson Roberto
Araújo (FOB-USP/SP), Carlos Eduardo Francischone (FOB- Sendyk (Unisa/SP), Wilson Trevisan Jr. (Aonp/PR), Zulene Ferreira
USP/SP), Carlos Nelson Elias (IME/RJ), Cassiano Kuchenbecker (EAP/Aorp).
Rösing (UFRGS/RS), Cláudio Luiz Sendyk (Fousp/SP), Daiane Canadá: Profa. Dra. Sheila Pestana Passos.
Cristina Peruzzo (FOP-Unicamp/SP), Edevaldo Tadeu Camarini Colômbia: Prof. Dr. Leandro Chambrone.
(UEM/PR), Eduardo Cláudio Lopes de Chaves e Mello Dias Dinamarca: Prof. Dr. Rubens Spin-Neto.
(SLMandic/ES), Eduardo Gomes Seabra (UFRN/RN), Eduardo EUA: Profs. Drs. Cimara Fortes Ferreira, Gustavo Mendonça,
Jose de Moraes (IDM/RJ), Eduardo Muniz Barretto Tinoco (Uerj- Luiz A. Meirelles, Michael A. Pikos, Paulo G. Coelho, Sascha A.
Unigranrio/RJ), Eduardo Saba Chujfi (SLMandic/SP), Elcio Jovanovic, Stephen Balshi, Stephen J. Chu.
Marcantonio Jr. (Unesp-Araraquara/SP), Elken Gomes Rivaldo França: Prof. Dr. Franck Renouard.
(PUC/RS), Enilson Antonio Sallum (FOP-Unicamp/SP), Euloir Israel: Profs. Drs. Moshe Goldstein, Zvi Artzi.
Passanezi (FOB-USP/SP), Fábio Chiarelli (Esfa/ES), Fernanda Itália: Profs. Drs. Luigi Canullo, Massimo Del Fabbro, Paolo Trisi.
Vieira Ribeiro (FOP-Unicamp/SP), Flavia Rabello de Mattos (Fapi/ Portugal: Prof. Dr. Fernando Guerra.
SP), Francisco Humberto Nociti Jr. (FOP-Unicamp/SP), Francisco Suécia: Profs. Drs. Ann Elisabeth Wennerberg, Ingemar
Pustiglioni (Fousp/SP), Getúlio da Rocha Nogueira Filho (EBMSP/ Abrahamsson, Stefan Renvert, Tomas Albrektsson.
BA), Guaracilei Maciel Vidigal Jr. (Uerj/RJ), Henrique Cruz Pereira Uruguai: Prof. Dr. Juan Carlos Abarno.
(Unig/RJ), Hugo Nary Filho (USC/SP), Israel Chilvarquer (Fousp/
SP), Ivete Sartori (Forp-USP/SP), Izabel Regina Fischer Rubira- Conselho Consultivo
Bullen (FOB-USP/SP), Jamil A. Shibli (UnG/SP), José Eduardo Profs. Drs. Aldo Brugnera Junior (Univap/SP), Antonio Vicente
Cezar Sampaio (Unesp/SP), José Eustáquio da Costa (UFMG/ de Souza Pinto (São Paulo/SP), Carlos Alberto Dotto (ABO/
MG), José Henrique Rubo (FOB-USP/SP), José Roberto Cortelli SP), Fábio José Barboza Bezerra (Inepo/SP), Fernando Santos
(Unitau/SP), Juliano Milanezi de Almeida (Unesp/SP), Julio Cauduro (PUC/RS), Francisco Fernando Todescan (Fundecto-
Cesar Joly (SLMandic/SP), Laércio W. Vasconcelos (Brånemark USP/SP), Hamilton Navarro (Fousp/SP), Hiron Andreaza da
Osseointegration Center/SP), Luciano Lauria Dib (Unip/SP), Luís Cunha (ABO/GO), José Cícero Dinato (UFRGS/RS), José Luiz
Antônio Violin Dias Pereira (IB/Unicamp), Luis Eduardo Marques Cintra Junqueira (SLMandic/SP), Luiz Fernando Martins André
Padovan (USC/SP), Luiz Antonio Mazzucchelli Cosmo (Unip/SP), (Unimes/SP), Luís Ronaldo Picosse (Fousp/SP), Mário Groisman
Luiz Antonio P. Alves de Lima (Fousp/SP), Luiz Antonio Salata (SLMandic/RJ), Milton Miranda (SLMandic/SP), Pedro Tortamano
(Forp-USP/SP), Magda Feres (UnG/SP), Marcelo Abla (Unesp- Neto (Fousp/SP), Ricardo Curcio (Hospital Heliópolis/SP).
Araçatuba/SP), Márcio Fernando de Moraes Grisi (Forp-USP/SP),
Marcio Zaffalon Casati (FOP-Unicamp/SP), Marco Antonio Bottino Conselho de Tecnologia Aplicada
(Unesp/SP), Marco Antônio Brandão Pontual (Ufes/ES), Marco Profs. Drs. Adolfo Embacher Filho (Itu/SP), Ariel Lenharo (Inepo/
Aurélio Bianchini (UFSC/SC), Maria Luiza Cabral Maia (UFPE/ SP), Aziz Constantino (São Paulo/SP), Fernando Cosso (São
PE), Maurício G. Araújo (UEM/PR), Mauro Pedrine Santamaria Paulo/SP), Fernando Pastor (São Paulo/SP), Geninho Thomé
(FOP-Unicamp/SP), Moira Pedroso Leão (Universidade Positivo/ (Ilapeo/PR), Jorge Mulatinho (APCD/SP), Mauro Tosta (Cetao/
PR), Paulo A. Saad (Aorp/SP), Paulo Martins (FOB-USP/ SP), Nilton de Bortolli Jr. (Fundecto/SP), Paulo Zaidan Maluf
SP), Paulo Sérgio Perri de Carvalho (Unesp-Araçatuba/SP), (APCD/SP), Pedro Velasco Dias (Instituto Velasco/SP), Rodolfo
Renato de Vasconcelos Alves (FOP-UPE/PE), Ricardo Faria Candia Alba Jr. (São Paulo/SP).

INPerio 2017;2(5):798-9 799


889 951

903

Editorial 807 O mérito é todo seu

Especial IN 2017 810 Cobertura completa do evento

Caderno científico 843 12 artigos inéditos de Implantodontia e Periodontia

Resenha dos editores 844 Rossetti e Sallum apresentam os temas


discutidos na edição

Gestão 956 Consultório vazio, cabeça cheia

Virando o jogo 960 Enxertos compósitos para reconstrução óssea:


uma nova opção

Farmacologia e Odontologia 962 Angina de peito e infarto agudo do miocárdio

Pesquisa 967 O quinteto de ouro da Implantodontia nacional

Direto ao ponto 968 Exposição da membrana de PTFE-d durante


regeneração óssea guiada

Palavra-chave 971 Implantes imediatos

Harmonia em pauta 973 Enxertos de tecido mole nas reconstruções periodontais


e peri-implantares

Mercado 975 Fatos que movimentaram o setor odontológico

Internacional 976 A revolução digital abraça o mundo

Biologia do dia a dia 978 A L-PRF é eficiente para potencializar a


regeneração óssea?

Eventos 984 IPS e.max International Meeting 2018


Abross 2018 confirma ministradores internacionais

Normas de publicação 986 Como enviar seus trabalhos

INPerio 2017;2(5):803 803


CADERNO
CIENTÍFICO

845 Avaliação retrospectiva de 774 implantes


868 Avaliação da deformação superficial
cônicos de hexágono externo e interno, do osso gerada por cargas axiais em
de superfície jateada com Al2O3 seguido implantes de diferentes comprimentos
de três ataques ácidos: acompanhamento Evaluation of superficial bone deformation
clínico de sete anos for axial loads with different implants
Retrospective evaluation of 774 external lengths
and internal hexagonal tapered surface Celeste Cecilia Urdaniga Hung, Debora
dental implants with Al2O3 surface Elias Calabro, Pedro Vera Barbaran, Renata
treatment followed by three acid-etching de Vasconcellos Moura, Elcio Magdalena
protocols: a 7-year follow-up Giovani, Alfredo Mikail Melo Mesquita
Jefferson T. Pires, Bruno F. Mello, Celson
Domingos de Calais, Marcella Bauduin,
876 Análise microbiológica in vitro do
André Javarini, Ramon Maciel, Eduardo selamento bacteriano de implante
Muller, Micheline Trentin, Jamil Awad Shibli osseointegrável e pilar protético
intermediário

851 Comparação entre os implantes dentários In vitro microbiological analysis of the


e implantes ortopédicos bacterial sealing between dental implant
Comparison between dental implants and and a prosthetic abutment
orthopedic implants – literature review Fabriolo José Gomes da Frota, Antonio
Carlos Nelson Elias, Daniel Jogaib Marcos Montagner, André Barros de Held,
Fernandes, Vagner de Oliveira Machado, Carlos Clessius Ferreira Xavier, Ricardo
Ana Caroline Crema de Almeida, Paulo Teixeira Abreu
Sérgio Perri de Carvalho

885 Implante imediato com provisionalização

861 Resistência à tração uniaxial de copings imediata através de cicatrizador


fundidos e cimentados sobre munhões multifuncional de PEEK
cone-morse com diferentes diâmetros e Immediate implant placement and
alturas provisionalization using a multifunctional
Uniaxial tensile strength of cast cemented PEEK healing abutment
copings for cone-morse prosthetic implant Bernardo Born Passoni, Fernanda
abutments with different diameters and Venâncio, Márcio de Carvalho Formiga,
heights Guenther Schuldt Filho, Ricardo de Souza
Marcus Bravo Alves, Sérgio Alexandre Magini, César Augusto Magalhães Benfatti
Gehrke, Cecília Pedroso Turssi, Samilly
Evangelista Souza, Milton Edson Miranda

804 INPerio 2017;2(5):804-5


895 Estética do sorriso: planejamento digital,
927 Avaliação da eficácia das escovas
cirurgia periodontal e procedimento convencionais e multifilamentadas:
restaurador um estudo randomizado cego controlado
Smile’s esthetics: digital smile design, Effectiveness of conventional and
periodontal surgery and restorative multifilamentary toothbrushes: a
procedure randomized, blinded, controlled trial
Priscilla Barbosa Ferreira Soares, Gabriel Laura Mazzola Mendes, Letícia Kovac,
Felipe de Bragança, Juliana Simeão Borges, Marcelo Henrique Napimoga, Daiane C.
Crisnicaw Verissimo, Carlos José Soares Peruzzo

912 Condição periodontal em puérperas


934 Condição bucal e qualidade de vida em
atendidas em hospital universitário da pacientes alcoolistas e não alcoolistas –
FMJ, Brasil estudo caso-controle
Periodontal condition of postpartum Buccal condition and quality of life in
women at the University Hospital of Faculty alcoholic and non-alcoholic patients –
of Medicine of Jundiaí, Brazil case-control study
Fernanda Guerra Velasco, Adriana Cruanes Ingrid Augusta Pereira da Silva, Leonardo
Mingotti, Antonio Wilson Sallum, Saulo Zago Rocha, Maria da Penha Zago Gomes,
Duarte Passos Selva Maria Gonçalves Guerra, Camila
Oliveira de Alencar, Roberta Grasselli

919 Aumento gengival associado à terapia de Batitucci Pinel, Fabricia Ferreira Suaid,
reposição hormonal Maria da Conceição Machado Gomes,
Gingival overgrowth associated to hormone Marciel Silva dos Santos, Lorena Lírio
replacement therapy – case report Sossai, Alfredo Feitosa
Flávia Azeredo Sales, Monique Braga Alves
Teixeira, Márlio Ximenes Carlos, Eveline
947 Recobrimento radicular de retração
Turatti, Olívia Morais de Lima Mota, Sérgio unitária classe II de Miller
Luís da Silva Pereira Root coverage of a Miller Class II single
recession – case report
Mariana Linhares Almeida, Tamires
Szeremeske Miranda, André Vilela,
Magda Aline Nagasawa, Marcelo de Faveri,
Poliana Mendes Duarte

INPerio 2017;2(5):804-5 805


EDITORIAL

O MÉRITO É TODO SEU

M
issão cumprida. Chegamos ao fim de mais uma edição do IN – Latin American Osseointegration
Congress com a enorme satisfação de ter alcançado todas as nossas metas e prestado um
bom serviço aos profissionais de Implantodontia do Brasil e dos países hermanos.

Quem seria capaz de imaginar que, mesmo diante de uma crise político-econômica que castigou todos
os setores do mercado em 2016 e 2017, conseguiríamos mais uma vez garantir a casa cheia, esgotando
as inscrições com antecedência?

E é bom que fique claro: não estamos aqui para comemorar esse resultado em nome da ImplantNewsPerio
e da equipe da VMCom. Esse sucesso é mérito exclusivo da Implantodontia e da Periodontia brasileira.
É graças a vocês, especialistas, clínicos, TPDs, professores e empresas, que este congresso se transforma
em um verdadeiro show de conhecimento científico a cada dois anos.

Com a força dessas especialidades e o seu compromisso em melhor assistir os pacientes, conseguimos
efetivamente receber mais de 5.500 especialistas e mais de 80 empresas no Anhembi, sem contar os
quase 200 professores da grade oficial.

Somente para atestar a ordem de grandeza dessa última edição, estima-se que as empresas expositoras,
somadas, venderam mais de R$ 35 milhões durante o evento, quantia que também demonstra que,
aos poucos, a economia brasileira vai se reaquecendo.

Já fizemos muito e vamos fazer ainda mais. O ano de 2018 já está batendo à nossa porta, com mais
um encontro de Osseointegração da Abross que promete bater todos os recordes. Além de nossas
inúmeras iniciativas na mídia impressa e digital, temos vários outros eventos em nossa programação,
pois sabemos que encontros presenciais são fundamentais para a atualização do profissional que se
dedica diariamente ao atendimento clínico.

Para o IN 2019, que já tem data marcada, prometemos uma edição ainda mais internacional.
As primeiras ideias já estão em debate. Vejam só, o ano mal terminou e já estamos cheios de planos e
expectativas, por um motivo muito simples e verdadeiro: nossos pacientes precisam de profissionais
continuamente atualizados.

Uma boa leitura dessa edição da ImplantNewsPerio, uma publicação que conta boas histórias de
sucesso, como o IN 2017.

Paulo Rossetti Antonio W. Sallum


Editor científico de Implantodontia Editor científico de Periodontia
da ImplantNewsPerio da ImplantNewsPerio

INPerio 2017;2(5):807 807


O mundo

Texto: Renata Putinatti e Flavius Deliberalli


Imagens: Panóptica Multimídia

8110
810 INPerio 2017;2(5):810-42
ESPECIAL

passou por aqui


Com mais de 5 mil
participantes, o IN 2017
reafirmou sua missão de
disseminar conhecimento de
alta qualidade para contribuir
com a formação de milhares
de profissionais que atuam
nas áreas de Reabilitação Oral
brasileira e latino-americana.

INPerio 2017;2(5):810-42 88111


811
N
esta edição, o IN 2017 – Latin American Osseointegration Congress,
reconhecido como o maior e mais importante evento de Implantodontia da
América Latina, conseguiu sintetizar, em um encontro de quatro dias, as mais
recentes atualizações científicas e clínicas disponíveis para a prática diária da
Odontologia reabilitadora.
Profissionais brasileiros e estrangeiros se reuniram para compartilhar vivências e
pesquisas relacionadas à Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária. Com dinamismo
e profundidade, os speakers propuseram diversos debates e uma verdadeira imersão na
ciência de alto nível. Segundo Mario Groisman, presidente dessa edição, o IN se tornou
um evento clássico e mostra na essência que a educação é a chave do sucesso. “A única
maneira de impactarmos a nossa cultura é através do conhecimento. Cada vez mais, o IN
traz o estado da arte do que representa a Odontologia moderna”, afirma.
Realizado pela VM Comunicação e promovido pela ImplantNewsPerio, o evento
foi sediado no Palácio das Convenções do Anhembi, em São Paulo, entre os dias 23 e 26
de agosto. À frente da comissão organizadora estavam Mario Groisman (presidente do
evento), Paulo Rossetti (coordenador científico internacional), Guaracilei Maciel Vidigal Jr.
(coordenador científico nacional), Arthur Belém Novaes Jr. (presidente de honra), Vicente
de Souza Pinto (patrono) e Haroldo Vieira (coordenador executivo).
Mesmo com as incertezas e a instabilidade geradas pela situação política e econômica
no Brasil, a comissão organizadora esmerou-se em assegurar a presença de professores
do mais alto nível e oferecer um conteúdo multidisciplinar e de excelente qualidade.
Os ministradres internacionais engrandeceram o propósito de compartilhamento de
experiências e vivências, com a presença de Matteo Chiapasco, Eric Van Dooren, Alessandro
Pozzi, José Calvo-Guirado, Zvi Artzi, José Valdívia, Maurice Salama, German Gallucci, Bernard
Touati, Hugo De Bruyn, Lyndon Cooper, Juan Carlos Abarno, Jorge Gabito Mira, Sérgio Gotta
e Guillermo Cagnone. “Esse evento aborda as três especialidades básicas da Reabilitação

812 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

Oral e, ao reunir o maior conjunto de praticantes das disciplinas básicas da Odontologia


no Brasil, ele coloca os profissionais em contato com novas tecnologias, pesquisas e com o
que há de melhor na prática internacional”, destaca Paulo Rossetti, coordenador científico
internacional do IN 2017.
O time de professores brasileiros, coordenado por Guaracilei Maciel Vidigal Jr.,
também foi fundamental para manter o patamar de qualidade do encontro. “O IN é uma
oportunidade ímpar para a troca de conhecimentos e estabelecimento de contato com
professores renomados de diversas partes do mundo, que vão nos trazer visões comple-
mentares e diferentes”, diz.
Ao todo, foram 197 ministradores compondo uma extensa programação de 175 cursos
– entre imersão, mesa-redonda, conferência, plantão de dúvidas e workshop – para mais
de 5.500 congressistas e visitantes. “Hoje, temos um evento mundial e que renova as
esperanças dos profissionais mais novos. Principalmente na situação atual do Brasil, o IN
traz um vigor para a Odontologia”, acredita Vicente de Souza Pinto, patrono dessa edição.
Todo esse conteúdo foi complementado por 215 painéis científicos e dezenas de
apresentações corporativas oferecidas pelas empresas participantes da Corporate Session,
que divulgaram e demonstraram os resultados clínicos de seus produtos e serviços.
“Participo do IN desde a primeira edição e o vejo crescendo em tamanho e qualidade,
sempre contribuindo para a melhora da Implantodontia brasileira. O evento decolou
paralelamente à qualidade científica e clínica da nossa Implantodontia”, ressalta Arthur
Belém Novaes Jr., presidente de honra dessa edição.
Vale destacar também as 81 empresas que estiveram presentes na ExpoIN 2017,
exposição promocional que aconteceu simultaneamente ao congresso e que ocupou
uma área de 7.000 m². Nesse espaço muito visitado pelo público, não faltaram novidades
e produtos com preços especiais.
Nas próximas páginas, acompanhe tudo o que aconteceu no IN 2017.

INPerio 2017;2(5):810-42 813


PÚBLICO

Conhecimento
sem fronteiras
Uma das particularidades do IN é reunir profis- Essa percepção é comprovada pelos números: a
sionais de todas as áreas da reabilitação oral, vindos de edição 2017 do evento alcançou 5.504 participantes.
todo o Brasil e de diversos países – principalmente da Os brasileiros foram a maioria e somaram 5.315
América Latina. Mesmo em um ano instável econômica pessoas, provenientes dos 26 estados e do Distrito
e politicamente, ficou clara a preocupação dos profis- Federal. Dentre os estrangeiros de 13 países diferentes,
sionais de Odontologia em investir na atualização de a delegação do Peru contou com o maior número de
conhecimento. congressistas, seguida por Bolívia, Chile e Argentina.

O QUE DIZEM OS CONGRESSISTAS


“Foi a minha primeira vez no IN e aproveitei bastante. “Estou fazendo pós-graduação em São Paulo. Esta foi minha
O evento é muito bom e grande, com a participação de primeira vez no IN, o que vai ajudar muito no aprimoramento
diversas empresas e grandes nomes da Implantodontia, e da minha prática diária.”
estimula o desenvolvimento profissional. A feira também Rodolfo Campos, da Bolívia
é muito boa e interessante.”
Renan Ferreira Natal, do Rio de Janeiro (RJ) “O congresso é muito interessante, assisti a várias palestras
e mesas-redondas. A feira também valeu muito a pena, pois
“Participo de um grupo que veio especificamente para o os preços estavam bons e com várias novidades.”
IN, e a cada dois anos estamos aqui para atualização. Este Silvia Fernandes, de Cachoeiro de Itapemirim (ES)
congresso foi um dos melhores que já participei. Gostei
muito das mesas-redondas e das Corporate Sessions. “Gostei dos cursos de imersão, principalmente do professor
É interessante saber o ponto de vista das empresas mais Jamil Shibli. Além da feira ser muito boa, nela é possível
voltado para o lado científico.” ver as variáveis do que você pode ter no seu consultório.”
Marcel Quezada Mostajo, da Bolívia Carlos José Figueira Lage, de Guanhães (MG)

“O Plantão de Dúvidas foi bem interessante, uma novidade “Eu venho sempre, e sempre há novidades. É um congresso
que achei muito legal.” forte e atualizado. Na área de implantes, é um dos melhores.”
Ângela Teresa, de Belo Horizonte (MG) Elza Kiyohara Nakae, de São Paulo (SP)

814 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL
“As palestras abordaram temas bastante atuais, com “Já vim ao IN algumas vezes, mas há duas edições que eu não
muitas novidades. Vamos embora com a sensação de que participava. Gostei muito das explanações sobre cirurgias
precisamos nos atualizar mais.” guiadas. Tudo estava muito bonito e me surpreendeu mais
Mayara Marques, de Petrópolis (RJ) do que nas outras vezes.”
Graziene Vasconcelos, de Brasília (DF)
“O que mais me chamou atenção foi a questão das
fresadoras digitais, sobre as quais eu tinha muitas dúvidas. “Todos os cursos são de alto nível e os organizadores estão
Porém, visitei alguns expositores e sanei todas. Também de parabéns, pois foram muito felizes na escolha das
teve a palestra do José Cícero Dinato, no auditório Plantão empresas e dos palestrantes.”
de Dúvidas, que me ajudou bastante.” Decio Bisognin, de Macapá (AP)
Juliana Socas Vanoni Diez, de Lages (SC)
“Já participei de outras edições do IN e adoro as conferências,
“Gostei muito da palestra do professor Maurice Salama. Este pois os professores apresentam os trabalhos que estão
era o principal contexto de minha busca no congresso. Visitei realizando. Foi uma semana muito proveitosa.”
a feira toda, fiz algumas compras e estou indo embora feliz.” Julia Bellinazzi, de São Gabriel da Palha (ES)
Kemper Carlos Pereira, de Rondonópolis (MT)

PERFIL GEOGRÁFICO DOS PARTICIPANTES


1996
Número de participantes por estado

737

419
338
218 195 187 177 169 129 111 91 87 67 60 54 53 41 32 31 29 25 21 19 12 8 3 2

75
Participantes estrangeiros

42
36

11
7
5 4
2 2 2 1 1 1

INPerio 2017;2(5):810-42 815


SOLENIDADE OFICIAL DE ABERTURA

Noite de homenagens
A
noite de 24 de agosto foi marcada pela
emoção durante a solenidade oficial de
abertura do IN 2017, que homenageou
mestres que contribuíram para o desenvolvi-
mento da Implantodontia no Brasil. Realizada no
auditório Elis Regina, a cerimônia foi embalada pela
apresentação do grupo Três Tenores Brasileiros e
reuniu empresários, representantes acadêmicos e
de entidades do setor odontológico, congressistas
e comissão organizadora do congresso.
O presidente de honra do IN 2017, Arthur Belém
Novaes Jr., recebeu a placa de Honra ao Mérito em
reconhecimento a sua inestimável contribuição ao
ensino da pós-graduação no Brasil. Vicente de Souza
Pinto, patrono desta edição do evento, também
foi agraciado com a placa de Honra ao Mérito por
seu pioneirismo na Implantodontia brasileira, já
que ele foi um dos primeiros a introduzir a filosofia
de trabalho do professor P-I Brånemark no País.
Para encerrar a noite de homenagens, Mario
Groisman, presidente do IN 2017, recebeu a placa
de Honra ao Mérito das mãos de Haroldo Vieira,
diretor da VMCom, por sua contribuição no desen-
volvimento da Implantodontia no Brasil. Ao final da
solenidade, todos os presentes foram convidados
para um coquetel.

816 INPerio 2017;2(5):810-42


JANTAR DOS MESTRES ESPECIAL

Celebrando o conhecimento

O
sucesso do IN 2017 foi
celebrado no Jantar dos
Mestres, um encontro
especial que reuniu o corpo docente,
empresários do setor e congressistas.
O clima descontraído marcou
a festividade, que foi palco de
Juan Carlos Abarno e Jorge Gabito Mira. reencontros de amigos e de profes- Alessandro Pozzi, Zvi Artzi, Maurice Salama,
sores com ex-alunos. Bernard Touati e Sara Farnetti.

As apresentações animadas
dos grupos On The Rocks Band e
Violinos de São Paulo deram ritmo
à confraternização, que aconteceu
no badalado Buffet Torres, em São
Paulo, e teve o apoio da Neodent e
da Implacil De Bortoli.

Carlos Araujo, Angélica Araujo e José Cícero Ricardo Magini, Julio Cezar Sá Ferreira, Ricardo
Dinato. Jugdar, Sérgio Jayme e Paulo Ramalho.

Carlos Eduardo Francischone, Alfredo Mikail Guaracilei Maciel Vidigal Jr. e Eduardo Dias, German Gallucci, Mario Groisman, Guillermo
Mesquita, Marcelo Lucchesi Teixeira e Eduardo acompanhados pelas esposas. Cagnone e esposa, Jorge Gabito Mira e Rachel
Miyashita. Groisman.

INPerio 2017;2(5):810-42 817


CURSOS DE IMERSÃO INTERNACIONAIS

Ciência com profundidade

Entre as atividades mais aguardadas do IN 2017, os tradicionais cursos de imersão internacionais foram
um grande sucesso, com 16 apresentações esgotadas antes do início do evento. Durante duas horas, mestres
brasileiros e estrangeiros, com ampla experiência na Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária, abordaram
de maneira aprofundada temas de alta complexidade e relevância clínica.
Ao todo foram 24 cursos, com a participação de 21 ministradores brasileiros e 11 internacionais, vindos
da Itália, Estados Unidos, Espanha, França, Bélgica, Chile e Israel. A seguir, confira os pontos de maior destaque
em cada apresentação.

IMPLANTES UNITÁRIOS
As diretrizes para o sucesso estético com implantes unitários requerem um
planejamento individualizado para cada paciente, e uma consulta prévia de
planejamento detalhado deve ser avaliada pelo cirurgião e pelo protesista.
Em sua apresentação, Lyndon Cooper (Estados Unidos) lembrou que muitos
fatores, incluindo procedimento cirúrgico e condição do osso alveolar antes
das exodontias na região anterior, devem ser analisados criteriosamente, bem como a altura, a forma gengival e a
qualidade da gengiva inserida. A correta seleção e instalação do implante, o design da interface implante-abutment
e o correto manejo protético são necessários para obter prótese com perfil de emergência que mantenha o
contorno gengival favorável, sendo que muitos fatores podem impactar na estética do tecido mole peri-implantar.

IMPLANTES IMEDIATOS EM ÁREAS ESTÉTICAS


Julio Cesar Joly focou a discussão nos fatores de risco estético para a possível
instalação de implantes imediatos em áreas estéticas. Ele destacou a importância
da interpretação da posição da margem gengival na tomada de decisão, estabe-
lecendo uma “árvore de decisões” para diferentes situações clínicas. Mediante
a presença de recessões rasas, sugeriu a instalação de implantes imediatos e a
reconstrução simultânea. Entretanto, em situações que envolvam a presença de recessões moderadas e profundas,
normalmente, são indicados procedimentos reconstrutivos cirúrgicos e não cirúrgicos prévios para a equalização da
posição da margem gengival. As decisões devem sempre primar pela obtenção de resultados previsíveis e estáveis.

818 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

RECONSTRUÇÃO ÓSSEA
A regeneração óssea guiada (ROG) é usada no tratamento de defeitos ósseos
em rebordos alveolares e associada à instalação de implantes imediatos e trata-
mento cirúrgico de peri-implantites. Nesta técnica, sempre são usadas barreiras
de membrana e, frequentemente, são associados biomateriais de enxerto.
Além disso, um retalho mucoperiosteal é deslocado e, ao final, é fundamental
relaxar este retalho para obter uma completa cobertura da área – manobra responsável pelo aumento do edema
e desconforto no pós-operatório. Guaracilei Maciel Vidigal Jr. demonstrou uma nova técnica, a reconstrução
alveolar proteticamente guiada (RAPG), desenvolvida em 2007 e introduzida em 2013, que permite a regeneração de
defeitos ósseos alveolares sem uso de biomateriais e a realização de retalhos com menor morbidade pós-operatória.
A aula foi ilustrada com diversos casos e um estudo clínico inédito, destacando as indicações e vantagens da RAPG.

TECNOLOGIA APLICADA ÀS REABILITAÇÕES PROTÉTICAS


Apesar do alto custo, a tecnologia empregada na execução de reabilitações
protéticas é um processo irreversível. Esse foi o ponto de partida de Marco
Antonio Bottino e Renata Faria, que enfatizaram também os novos materiais
cerâmicos e híbridos, e o emprego da tecnologia CAD/CAM
para a realização de trabalhos protéticos. Ao abordarem os novos materiais cerâmicos e híbridos,
eles comentaram sobre suas técnicas e indicações, e sobre a necessidade de conhecê-los bem
para fazer a correta indicação. Renata e Bottino deram grande importância ao envolvimento
estético das próteses sobre implantes na atualidade e na confecção dos pilares sobre implantes
personalizados em zircônia. Por fim, discutiram como planejar e executar reabilitações sobre
implantes totalmente metal free para próteses parciais e totais (protocolo) em zircônia de
alta translucidez, material que está revolucionando os tratamentos reabilitadores por suas
propriedades mecânicas e óticas.

TERAPIA MEDICAMENTOSA
Eduardo Dias de Andrade falou sobre anestesia local e o uso de medicamentos
em pacientes diabéticos e em portadores de doenças cardiovasculares. Ele
fez um panorama sobre os critérios de diagnóstico do diabetes mellitus, com
ênfase na dosagem laboratorial da hemoglobina glicada e sua interpretação
pelo implantodontista, além de explicar sobre a profilaxia antibiótica cirúrgica e
os cuidados na prevenção da hipoglicemia aguda no atendimento de diabéticos. Outros pontos relevantes foram
os protocolos de atendimento de pacientes anticoagulados e de cardiopatias de alto risco, e as recomendações
atuais para a profilaxia da endocardite infecciosa. No que diz respeito à anestesia, apontou os critérios de escolha
e volumes máximos das soluções anestésicas com vasoconstritor em pacientes portadores de doenças cardiovas-
culares, a relação entre ansiedade e dor, a sedação mínima via oral e os regimes recomendados para a prevenção
e controle da dor inflamatória aguda nas cirurgias implantodônticas.

INPerio 2017;2(5):810-42 819


CURSOS DE IMERSÃO INTERNACIONAIS

SISTEMAS CERÂMICOS
Sidney Kina falou sobre as perspectivas, possibilidades e previsibilidade com
diferentes sistemas cerâmicos em restaurações sobre dentes e implantes.
Durante as duas horas de curso, fez questão de frisar que as restaurações
cerâmicas são uma opção de tratamento bem documentada, eficaz e previsível.
Isto resulta de suas propriedades físicas estáveis em termos de cor e forma,
desde que o planejamento do tratamento esteja correto. O remanescente dentário, o tipo e o posicionamento
dos implantes, os padrões oclusais e os diferentes tipos de cerâmica foram discutidos em um protocolo completo
para as decisões clínicas.

CIRURGIA E PRÓTESE GUIADAS


Em sua aula sobre função imediata e estética por meio de cirurgia guiada e prótese
guiada, Alessandro Pozzi (Itália), mesmo de maneira inovadora, mostrou-se
muito consistente e ofereceu um material didático esplêndido quanto à apresen-
tação, com conteúdo moderno e atual. Buscou detalhar o manejo cirúrgico de
tecidos duros e moles com cirurgia guiada e próteses guiadas imediatas, além
de reconhecer as vantagens e desvantagens desses procedimentos. Ele fez uma abordagem do planejamento
reverso virtual desde a determinação da posição dental ótima final, passando pelo enceramento para elaboração
da prótese e instalação dos implantes. Pozzi cumpriu o seu objetivo de demonstrar uma visão profunda sobre
como tratar pacientes parciais e totalmente edêntulos com o eficiente e novo fluxo de trabalho digital integrado.

REGENERAÇÃO TECIDUAL GUIADA VERTICAL E HORIZONTAL


Jamil A. Shibli navegou pelos diferentes conceitos de regeneração guiada, expli-
cando a utilização do termo tecidual como grande diferencial. Shibli explicitou
diversas técnicas utilizadas para obter aumentos ósseos verticais e horizontais,
avaliando a extensão e a localização do defeito ósseo, o fenótipo do paciente, o
tipo de material de enxertia, a utilização de barreiras e membranas, e a impor-
tância da “coaptação” das bordas, retomando a valorização do “menos é mais” nos procedimentos abordados e
o conceito da clínica baseada em evidências.

820 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

ESTABILIDADE DO TECIDO MOLE PERI-IMPLANTAR


Bernard Touati (França) falou sobre o planejamento ideal para a obtenção de
resultados estéticos e funcionais satisfatórios após a instalação dos implantes
e dos componentes protéticos. Para ele, deve-se levar em consideração os
seguintes fatores para alcançar o sucesso: suporte ósseo adequado, espessura
dos tecidos e posição tridimensional do implante. Os componentes protéticos
têm princípios biológicos que vão se aderir ao tecido bucal e, assim, estabilizar o elemento protético. Foram
apresentados diversos casos clínicos reforçando a importância de exodontia mais atraumática possível do elemento
dentário comprometido que será substituído por implante. Ele advertiu sobre se atentar para a presença de
gengivite e mucosite ao redor do implante, a fim de não comprometer a obtenção de resultados de excelência.

SISTEMA DPR
O Sistema DPR (Decisões, Procedimentos e Resultados) nasceu da experiência
de Marcelo Lucchesi Teixeira nos cursos de pós-graduação ministrados pela
Equipe Perio Prótese Implantodontia de Campinas (EPPIC). De forma geral, ele
explicou que o sistema tem o objetivo de formatar o tratamento reabilitador a
partir de um fluxo de trabalho desenvolvido especialmente para a nova realidade
da Reabilitação Oral, que contempla procedimentos modernos e mais tradicionais, e profissionais que se adaptam
a um ou a outro com mais facilidade. Esse sistema trabalha de acordo com a classificação de complexidade para
cada caso, evitando gasto de energia, tempo e dinheiro na conduta do profissional, e individualizando o fluxo para
cada caso. Teixeira explicou que o DPR tem como foco otimizar o processo de coleta de dados, sistematizando-o,
além de facilitar a análise desses dados a partir de perguntas-chave predeterminadas, o que automatiza a tomada
de decisões. Adicionalmente, o sistema estabelece a hierarquização dos procedimentos, o que torna esse processo
mais eficaz e simplificado, e auxilia na obtenção de resultados estéticos ótimos, determinados previamente à
execução de qualquer intervenção irreversível, ou seja, de forma previsível.

PRÓTESE CLÁSSICA VERSUS ERA DIGITAL


Ao avaliar a função da estética por meio dos princípios fundamentais da prótese
clássica na era digital, Marcelo Calamita destacou que a chave para a consis-
tência e previsibilidade está na definição clara dos objetivos de um tratamento
com saúde longitudinal e em uma sequência pragmática de planejamento.
Embora a seleção de materiais e técnicas seja mais complexa hoje, é essencial
entender as recomendações, o momento oportuno de uso e como personalizá-las para o paciente. Ao longo da
aula, foram revisados e discutidos os aspectos críticos para incorporar os princípios funcionais e biológicos ao
projeto restaurador, superando as expectativas com conforto, estabilidade e longevidade.

INPerio 2017;2(5):810-42 821


CURSOS DE IMERSÃO INTERNACIONAIS

CIRURGIA SEM RETALHO E POR NAVEGAÇÃO


Quando as cirurgias eram realizadas baseando-se apenas em radiografias
panorâmicas, os profissionais acabavam se deparando com situações como
falta de osso, acarretando em aumento de riscos, custos e estresse. Com a
tomografia computadorizada cone-beam (CBCT), a previsibilidade aumentou de
tal maneira que possibilitou o surgimento de novas técnicas e tecnologias que
proporcionaram a confecção de guias cirúrgicos precisos e a instalação de implantes sem a elevação de retalhos,
e consequente visualização do tecido ósseo subjacente. Hugo De Bruyn (Bélgica) destacou que essas técnicas
sem retalho e guiadas apresentam vantagens, como melhor pós-operatório, tempo reduzido do procedimento
cirúrgico e maior segurança no tratamento de pacientes comprometidos sistemicamente. Porém, possuem algumas
desvantagens, como a necessidade de boa disponibilidade óssea e de mucosa queratinizada, a impossibilidade de
aplicar técnicas regenerativas, a necessidade de boa abertura bucal, a ausência de visibilidade e a menor fidelidade
ao planejamento. Por fim, foi exibido o sistema de cirurgia por navegação real-time navigation workflow, bem
como suas vantagens e desvantagens. Este sistema não utiliza guias pré-fabricados ou instrumentos cirúrgicos
específicos. Através de um navegador acoplado ao contra-ângulo e um método de calibração, o software guia a
perfuração e a instalação dos implantes.

RECONSTRUÇÃO DE DEFEITOS GRAVES DE


TECIDOS MOLES E ÓSSEOS
O curso ministrado de maneira brilhante por Matteo Chiapasco (Itália) abordou
as reconstruções ósseas e de tecido mole em áreas estéticas e não estéticas.
Mostrando domínio sobre o tema, ele cativou o público com um material
didático de excelente qualidade e fácil entendimento, apresentando opções de
utilização de biomaterial para reconstruções pequenas. De maneira clara, objetiva e embasada cientificamente,
falou sobre a mescla entre biomaterial e osso de origem autógena para reconstruções de porte médio e, por fim,
sobre a utilização de enxertos ósseos em bloco para áreas onde seria necessária a reposição de uma quantidade
grande de tecido.

BIOENGENHARIA NA PRÁTICA CLÍNICA


O auditório Elis Regina teve todos os seus assentos ocupados pelos congres-
sistas durante as duas horas do curso ministrado por Maurice Salama (Estados
Unidos). Ele discorreu acerca dos fatores determinantes para o sucesso do
aumento vertical e horizontal de rebordo, que consiste em um dos principais
desafios para o implantodontista. Ressaltou a importância do desenho do retalho,
manutenção do arcabouço, fatores de crescimento e fechamento do retalho sem tensão da ferida. As técnicas
cirúrgicas apresentadas possibilitaram sucesso na solução clínica de casos de alta complexidade.

822 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

IMPLANTODONTIA ACESSÍVEL
José Valdívia (Chile) é um dos responsáveis pela introdução da Implantologia
no Chile, bem como o desenvolvimento de maneiras fantásticas de trabalho
de forma acessível aos pacientes carentes do país. Com mais de 30 anos de
experiência em cirurgia de implantes, ele possui uma ampla atuação clínica e,
através desta experiência, tem trabalhado na formação de centenas de alunos
ao longo dos anos. De maneira enriquecedora, demonstrou, além da experiência, algumas opções de infraestru-
turas protéticas de fibra de vidro para protocolos Brånemark, que funcionam com dureza, têm resultado estético
satisfatório e apresentam custo mais baixo, o que torna este trabalho acessível.

CARGA IMEDIATA NA REGIÃO ESTÉTICA


José Alfredo Mendonça detalhou a sequência protocolar para o sucesso nos
casos de falência de elementos anterossuperiores, indicando cinco passos para
a manutenção estética neste delicado tipo de procedimento. Se durante as fases
cirúrgicas houver falha na condução de algumas etapas, resultará em insucesso
na conclusão do trabalho. Entende-se que a exodontia atraumática, a fixação
adequada do implante na posição tridimensional, a adequada confecção do componente provisório (a “tampa”
biológica), o preenchimento da diástase com biomateriais adequados e a reconstrução da qualidade do colágeno
com procedimentos mucogengivais (se necessário) podem garantir o objetivo final do procedimento: a manutenção
das papilas interproximais e o arco côncavo marginal com anatomia e altura semelhantes ao elemento análogo.

USO DE STICKY BONE


A apresentação promoveu uma interessante discussão
sobre agregados/concentrados sanguíneos, que teve
como ponto principal o Sticky Bone, um compósito
mineralizado em matriz de fibrina. Marco Pontual,
Moira Leão e Leonel Oliveira apresentaram um rico
histórico sobre o desenvolvimento da legislação brasileira para o uso não transfusional
do sangue. Também mostraram uma inédita caracterização morfológica e bioquímica
da matriz de fibrina obtida pelo método Fibrin System, com imagens de MEV e MET que
foram reafirmadas pela casuística clínica de sucesso de Eduardo Rego. O autor dos casos
estava na plateia e foi convidado para apresentar seu trabalho durante a conferência,
testemunhando os benefícios terapêuticos vividos em sua experiência clínica.

INPerio 2017;2(5):810-42 823


CURSOS DE IMERSÃO INTERNACIONAIS

COMPLICAÇÕES COM IMPLANTES EM ÁREAS ESTÉTICAS


Durante a reabilitação com implantes dentários, a elaboração e o cumprimento
das etapas do plano de tratamento são peças-chave para o sucesso da reabi-
litação. Essa foi a base para o curso ministrado por Oswaldo Scopin. Mesmo
com o auxílio de ferramentas tecnológicas para a realização das cirurgias, são
cada vez mais frequentes complicações na área estética, como parafusos com
perda de torque, fratura de elementos do conjunto restaurador, alteração de cor dos dentes vizinhos, movimen-
tações dentais e defeitos em tecidos moles. Para ele, o profissional deve estar preparado para tais complicações,
assim, é importante avaliar o risco de cada reabilitação e estar apto para realizar um planejamento oclusal frente
à dinâmica oclusal do paciente, avaliar a anatomia dental e periodontal, além de utilizar materiais adequados para
a cimentação e reabilitação, prevenindo futuras complicações e alcançando o sucesso no tratamento.

MANDÍBULA POSTERIOR ATRÓFICA


As diferentes formas de reabilitar a mandíbula posterior de pacientes desdentados
e com muita ou moderada reabsorção óssea foi o tema debatido por Zvi Artzi
(Israel). As técnicas de reconstrução óssea, assim como a simples instalação
de implantes endósseos em mandíbula posterior, costuma ser o calcanhar
de Aquiles dos cirurgiões implantodontistas, por se tratar de uma área com
menor vascularização, se comparada à maxila, além de apresentar uma densidade óssea também divergente.
As características anatômicas são de grande relevância por ser uma região que abriga a passagem do nervo alveolar
inferior e do nervo mentoniano, o que limita bastante a instalação de implantes em altura. Foram apresentadas
técnicas de enxerto em aposição com bloco córtico-esponjoso de origem autógena, removido da região mentual.
Na maioria dos casos expostos, o uso de osso obtido dessa forma era para enxertos em aposição e para preenchi-
mentos decorrentes de split crest. Durante sua aula, demonstrou casos clínicos diversos com soluções das mais
simples às mais complexas, sempre envolvendo a reabilitação de mandíbula posterior.

DESIGN DO IMPLANTE
José Luiz Calvo-Guirado (Espanha) expôs pesquisas e aspectos clínicos que
elucidaram sua opinião sobre o formato ideal de um implante e os fatores que
podem influenciar positivamente a qualidade óssea ao seu redor. Ele compar-
tilhou resultados de pesquisas envolvendo o uso sistêmico de flavonoides
antioxidantes e melatonina, onde observou um melhor índice de contato entre
osso e implante. Descreveu detalhadamente a geometria do implante ideal, afirmando que deve ser paulatina-
mente cônico e ainda ter espiras largas (0,8 mm a 1 mm), e com espaçamento grande entre elas (macroestruturas
induzem formação óssea). Para ele, o conceito de platform switching deve ser de até 0,48 mm, a região apical
precisa apresentar área de escape longa para a saída de osso durante a perfuração e a conexão protética deve
ser do tipo morse com 10 graus. Por fim, pontuou sobre a precisão da fresagem durante a instalação do implante
e sobre a importância dos pilares de cicatrização para obtenção de estética gengival.

824 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

TECNOLOGIAS DIGITAIS NA PRÓTESE SOBRE IMPLANTE


German Gallucci (Estados Unidos) destacou os benefícios da tecnologia digital
aplicáveis em vários níveis: diagnóstico, planejamento cirúrgico e reabilitador,
além da execução clínica e laboratorial das próteses sobre implantes. Como
embasamento, exibiu diferentes casos clínicos, sendo alguns totalmente desen-
volvidos com tecnologia digital. Em outros casos, mostrou a união de métodos
de tratamento convencional e digital, ratificando que a Odontologia digital está cada vez mais acessível. O professor
deu especial atenção ao posicionamento dos implantes e ao design dos pilares e cicatrizadores, mostrando que
ambos, se forem muito curtos e largos, podem proporcionar maior perda óssea marginal peri-implantar.

RECONSTRUÇÃO DE TECIDOS MOLES E DUROS


A reabilitação de pacientes com perda tecidual (óssea e gengival) é um
grande desafio na clínica diária, principalmente em relação à estética.
Elcio Marcantonio Jr. apresentou as principais causas de defeitos estéticos
relacionados a tecido mole e ósseo, seu diagnóstico e plano de tratamento.
Assim, foram descritas técnicas reconstrutivas com enxertos gengivais (livre
epitelizado e conjuntivo), enxertos ósseos em bloco e particulado, uso de membranas, malhas de titânio, L-PRF, BMP
e osseodistração. Também foi enfatizado o uso de tecido autógeno e seus substitutos, discutindo as vantagens e
desvantagens de cada caso. Como complementação, Marcantonio Jr. realizou uma análise detalhada da previsibilidade
de resultados baseada na literatura científica e, ao final, demonstrou alguns trabalhos inéditos do seu grupo de pesquisa.

INTER-RELAÇÃO PERIO-IMPLANTE-PRÓTESE
Victor Clavijo e Eric Van Dooren (Bélgica) dividiram o palco para demonstrar,
através de casos clínicos, vídeos, radiografias e tomografias, a interação da
Periodontia e da Prótese Dentária, ressaltando a importância do conhecimento
dessas bases para a condução de casos em Implantodontia. Foram exibidos
casos com acompanhamento clínico de dez anos,
concluindo que o protocolo utilizado para implantes unitários seguindo as etapas de
extração, colocação do implante e regeneração óssea e tecidual é um procedimento
seguro, quando bem indicado, no dia a dia do clínico. A dupla adentrou também à era
CAD/CAM na cirurgia guiada, abordando o planejamento e a possibilidade de produzir
– antes da cirurgia e em arquivos Dicom e STL – guias cirúrgicos, provisórios, abutments
definitivos e provisórios, e cicatrizadores personalizados, otimizando o tempo cirúrgico
e a arquitetura tecidual ao redor do futuro implante.

Agradecimento aos ministradores e aos coordenadores Alberto Blay, Alessandro Januário, Angelica Araujo, Eduardo Ayub, Fabiano Capato,
Jacqueline Callejas, Luiz A. Mazzucchelli Cosmo, Marco Pontual, Renan Dalla Soares, Renato Ferreira da Silva, Samanta Souza, Sheyla Lira
Montenegro, Silvia Lacerda Heluy e Zulene Ferreira, pela colaboração com as informações contidas nesse texto.

INPerio 2017;2(5):810-42 825


MESAS-REDONDAS INTERNACIONAIS

Debate RECONSTRUÇÃO DOS REBORDOS


ALVEOLARES ATRÓFICOS OU REABSORVIDOS

de alto
nível
Grandes mestres brasileiros e Da esquerda para a direita, André Pelegrine, Matteo Chiapasco,
Wilson Roberto Sendyk, José Luiz Calvo-Guirado e Sérgio Jayme.
estrangeiros subiram ao palco do
auditório principal, o Celso Furtado, em
Com grande audiência, a primeira mesa-redonda do
seis mesas-redondas para compartilhar
evento teve como tema as técnicas regenerativas na região
experiências envolvendo práticas
bucomaxilofacial, iniciando com José Luiz Calvo-Guirado
clínicas e pesquisas. Nesse ano, a (Espanha), que discorreu sobre o uso de biomateriais em
atividade contou com uma novidade: pequenos defeitos ósseos. Em seguida, Matteo Chiapasco
cada mesa-redonda era composta (Itália) mostrou casos de reconstrução em extensos
por dois ministradores internacionais defeitos ósseos com o uso de enxertos autógenos. Já André
Pelegrine abordou a utilização de aspirados de medula
e dois brasileiros para que o público
óssea na reconstrução de defeitos críticos em coelhos,
pudesse absorver e vivenciar diferentes
e Sérgio Jayme demonstrou o uso de PRF em cirurgias
perspectivas de cada tema proposto. reconstrutivas. O presidente da mesa, Wilson Roberto
As discussões permearam por todas as Sendyk, colocou em pauta se realmente o uso do PRF tem
áreas da Reabilitação Oral, abrangendo alguma influência na reparação do tecido ósseo. Chiapasco
técnicas regenerativas, reconstrução e Pelegrine contestaram que não há evidência científica de
que o uso de PRF melhore ou apresse a reparação óssea
e manipulação de tecidos moles e
e, embora Sendyk tenha concordado com as observações
duros, configuração de tecido mole, em relação ao tecido ósseo, postulou que talvez o PRF
fatores que levam ao sucesso e à possa aumentar a velocidade de reparação dos tecidos
falha dos implantes, reabilitações moles, fato observado em cães da raça Beagle em uma
implantossuportadas e desenhos pesquisa realizada pelo curso de mestrado em Implanto-
dontia da Universidade de Santo Amaro (Unisa). Ao final
de reconstruções cerâmicas.
da discussão, concluiu-se que, para pequenos defeitos
de rebordo, os biomateriais de qualidade inquestionável
são a alternativa de escolha para reconstrução óssea.
Nas situações de grande destruição dos rebordos, os
enxertos autógenos continuam sendo a primeira opção.

826 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL
RECONSTRUÇÃO E MANIPULAÇÃO TECIDUAL PERI-IMPLANTAR
Comandada por Enilson Sallum, a mesa-redonda
“Perio-Implantologia contemporânea: escolha suas armas”
foi aberta por Eric Van Dooren (Bélgica), que ressaltou
o planejamento criterioso utilizando todos os recursos
disponíveis (fotografias da face, radiografias, tomografias
e ferramentas digitais) e demonstrou as vantagens das
cirurgias guiadas, a necessidade de preenchimento de
gaps entre os implantes e o tecido ósseo, bem como a
utilização de enxertos de tecido conjuntivo subepitelial
– sempre enfatizando a importância da simplificação dos Da esquerda para a direita, Sérgio Scombatti, Zvi Artzi, Enilson
procedimentos clínicos. Na sequência, Zvi Artzi (Israel) Sallum, Eric Van Dooren e Marcelo Nunes.

falou sobre a avaliação e o respeito às estruturas perio-


dontais vizinhas aos implantes, além do correto perfil de e orientou sobre as condutas em casos de exposição no
emergência das próteses. Ele apresentou casos clínicos pós-operatório, sempre destacando o embasamento
com a utilização de enxertos autógenos, biomateriais em evidências científicas para os diferentes protocolos.
e barreiras, e ainda ilustrou o uso de enxertos livres Para finalizar, Marcelo Nunes abordou a preservação de
(aumento do tecido queratinizado), pedículos e matriz rebordos e ressaltou a atenção à presença de tabua óssea
dérmica acelular. Em sua conclusão, realçou o respeito vestibular e biotipo gengival. Ainda indicou a utilização
à biologia dos tecidos, o conhecimento do processo de preenchimento dos gaps com biomaterial, bem como
de cicatrização e a adoção de protocolos definidos. a utilização sistemática de enxertos de tecido conjuntivo
Já Sérgio Scombatti explorou a utilização da técnica com subepitelial para contornar as alterações anatômicas
malhas de titânio associadas ao uso de osso autógeno, previstas após a implantação imediata. Ele abordou a
biomateriais e barreiras, apresentando os argumentos importância da estabilidade primária e do desenho do
presentes na literatura atual e ilustrando com passos implante, indicando que a utilização de implantes imediatos
técnicos, incluindo o uso de agregados plaquetários. em áreas estéticas, apesar de trazer vantagens, é um
Ele expôs o protocolo medicamentoso para estes casos procedimento complexo e que possui riscos.

CONFIGURAÇÃO DO TECIDO MOLE


A mesa-redonda coordenada por Eduardo Dias shield. Foi discutido também o dual zone concept, uma
debateu a configuração do tecido mole em Implantodontia, abordagem que visa a preservação do volume alveolar e
sua influência no resultado estético e o que há de mais que envolve a exodontia minimamente traumática sem
atual no arsenal terapêutico para obter sucesso em longo elevação de retalho, com instalação imediata de implante,
prazo. Alessandro Pozzi (Itália) apresentou a técnica de preenchimento do gap entre o osso e o implante, e a
planejamento digital, usada também para avaliação e instalação de uma prótese provisória parafusada fazendo
reconfiguração virtual prévia do perfil de emergência da o selamento protético do alvéolo. Na sequência, Ricardo
prótese, permitindo a confecção de uma prótese provisória Magini ressaltou que estamos vivenciando a era da estética
ideal para a conformação do perfil de emergência – o rosa, sobretudo pela ausência de recessão e presença
que pode evitar o sobretratamento causado por um erro de papila, ou seja, a estabilidade marginal dos tecidos
de planejamento. Por sua vez, Maurice Salama (Estados periodontais e peri-implantares. Assim, os níveis das
Unidos) detalhou as técnicas de preservação de estrutura cristas ósseas vestibulares e proximais são protagonistas,
alveolar e volume do tecido mole peri-implantar, como entretanto, após a exodontia, o osso fasciculado perde a
sepultamento radicular, extração ortodôntica e socket função e desaparece. Nesta dinâmica de alteração tecidual,

INPerio 2017;2(5):810-42 827


MESAS-REDONDAS INTERNACIONAIS
a redução do volume ósseo é inexorável e significante,
e o sucesso terapêutico está baseado na tríade saúde/
função/estética. Além disso, a saúde e a estética da
gengiva (periodonto de proteção) e da mucosa peri-
implantar são dependentes dos fenótipos teciduais e das
distâncias biológicas. Logo após, a estabilidade tecidual
em longo prazo foi abordada por Ronaldo Barcellos,
que reforçou a importância da manutenção e, quando
necessário, a alteração do fenótipo tecidual peri-implantar. Da esquerda para a direita, Maurice Salama, Ronaldo Barcellos,
Ele ressaltou ainda as vantagens do uso de substâncias Eduardo Dias, Alessandro Pozzi e Ricardo Magini.
bioativas para otimizar os resultados das técnicas de
enxertia de tecidos moles. Ao final das apresentações, prazo, sendo que o implante deve ser instalado em uma
concluiu-se que a preservação das estruturas alveolares, posição tridimensional ótima, reduzindo a possibilidade de
tanto de tecido duro quanto de tecido mole, é primordial insucessos e a necessidade de procedimentos cirúrgicos
para a manutenção da estética peri-implantar em longo e/ou protéticos corretivos.

SUCESSO E FALHA DE IMPLANTES


A discussão sobre a avaliação crítica dos fatores que levam ao
sucesso ou insucesso da colocação de implantes na prática diária foi
intermediada por Arthur Belém Novaes Júnior. O primeiro a subir no
palco foi Lyndon Cooper (Estados Unidos), que apresentou o método das
próteses de zircônia implantossuportadas e o considerou uma técnica
um pouco mais difícil para executar do que as de cerâmica, porém,
mais estética e resistente. Embora tenha avaliado como baixo os riscos
de complicações, Cooper não teve subsídios suficientes para informar
se a relação custo-benefício seria adequada para o Brasil. Já Hugo De
Bruyn (Bélgica) discorreu sobre o custo-benefício dos implantes para Hugo De Bruyn, Vicente de Souza Pinto e
a qualidade de vida dos pacientes, chegando à importante conclusão Arthur Belém Novaes Júnior.
de que a preocupação com a estética tem tornado o tratamento caro
e viável apenas aos mais ricos. Ele também apresentou uma série de situações com trabalhos mais simples e que
poderiam beneficiar um número muito maior de pacientes. Paulo Perri de Carvalho mostrou situações clínicas que
influenciam a manutenção da osseointegração e, devido à Implantodontia atual ser voltada para a estética, destacou
as técnicas cirúrgicas de hoje e o risco de maior ou menor trauma cirúrgico como
fator de risco. Portanto, o planejamento cirúrgico é determinante, levando em
consideração o conhecimento sobre a biologia do tecido ósseo. Baseado em
estudos, ele também considerou a necessidade de, pelo menos, 2 mm de tecido
queratinizado para um melhor resultado a longo prazo. Ao final, Vicente de
Souza Pinto versou sobre os fatores de risco sob o ponto de vista humano, algo
que é feito na Medicina há algum tempo, mas é novidade na Odontologia. Para
isso, analisou meticulosamente o artigo de Franck Renouard, René Amalberti e
Erell Renouard intitulado Are “Human Factors” the Primary Cause of Complications
in the Field of Implant Dentistry?, e mostrou as muitas variáveis na relação entre
Lyndon Cooper e Paulo Perri de
paciente e profissional, e como isso é importante para o sucesso de uma clínica.
Carvalho.

828 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL
FATORES-CHAVE QUE FAZEM A DIFERENÇA
O debate que envolveu número de implantes,
design e posição foi presidido por Valdir Muglia, que
chamou ao palco German Gallucci (Estados Unidos)
para apresentar, de forma sistemática, informações
clínicas e científicas relacionadas aos implantes, resul-
tando em recomendações clínicas para o tratamento
de maxilas e mandíbulas edêntulas com prótese fixa.
Ao final da aula, ele resumiu que a literatura indica
a colocação de, no mínimo, seis implantes na maxila Da esquerda para a direita, Valdir Muglia, Daniel Telles,
e quatro implantes na mandíbula para alcançar um Francisco Todescan, Juan Carlos Abarno e German Gallucci.

resultado previsível do tratamento em longo prazo.


Juan Carlos Abarno (Uruguai) abordou as características Em determinadas situações, alguns são mais importantes
do osso disponível, que permite obter a estabilidade do que outros, porém, todos devem ser considerados
inicial e assegura previsibilidade em longo prazo. em qualquer planejamento e sempre deve ser utilizado
Também salientou a importância do chamber concept, o polígono de estabilização protética em reabilitações
apresentado nos trabalhos do italiano Marco Degidi múltiplas. Finalmente, Daniel Telles ilustrou com casos
como um fator a ser observado na estabilidade em clínicos as vantagens e desvantagens das próteses totais
longo prazo. A seguir, Francisco Todescan demonstrou, fixas e removíveis, salientando que o paciente deve ser
por meio de casos clínicos aparados pela literatura corretamente orientado para poder decidir, com clareza,
científica, que todos os fatores citados no tema da quais destas vantagens e desvantagens prefere conviver
mesa-redonda são importantes para manutenção no seu dia a dia, sem se arrepender posteriormente de
do osso marginal e longevidade dos implantes. sua decisão.

RECONSTRUÇÕES CERÂMICAS
Para fechar o ciclo de mesas-redondas, a culminou em uma discussão bastante proveitosa entre
temática escolhida foi “Desenhos de reconstruções os participantes. O primeiro conferencista foi Guillermo
cerâmicas sobre pilares para implantes: como tomar Cagnone (Argentina), com casos clínicos explorando
uma decisão?”, coordenada por Carlos Araujo e que uma tendência moderna de utilizar barras protocolo em
zircônia e próteses parafusadas por lingual. Em seguida,
Bernard Touati (França) abordou um tema biologicamente
bem atual e relevante, que versava sobre a instalação
de munhões em implantes com conexão cônica. Já José
Geraldo Malaguti falou sobre as inovações em Implan-
todontia e exibiu a tecnologia moderna em cerâmicas e
casos clínicos de extrema beleza. Para finalizar a atividade,
Diego Klee abordou um protocolo bastante interessante de
instalação de implantes em alvéolos de extração imediata,
composto por um material e uma apresentação muito
Da direita para a esquerda, José Geraldo Malaguti, Carlos bonitos e de alta qualidade.
Araujo, Guillermo Cagnone, Bernard Touati e Diego Klee. 

Agradecimento aos presidentes das mesas-redondas pela colaboração com as informações contidas nesse texto.

INPerio 2017;2(5):810-42 829


AULAS MAGNAS

A palavra dos
grandes mestres
O ciclo com seis aulas magnas foi um “presente” dos
organizadores aos participantes do IN 2017, que puderam
assistir a uma série de aulas ministradas por grandes nomes
da Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária. Geninho
Thomé abriu a atividade ao compartilhar sua experiência sobre
a evolução da interface padrão-ouro cone-morse acompanhada
da simplificação da técnica. Ele propôs uma reflexão sobre os
aspectos convencionais do sistema, como a alta performance
biomecânica, que permite reabilitar arcos totais, elementos
múltiplos e unitários com a manutenção biológica, mecânica e
estética, aliados à extrema praticidade, eficiência e segurança.

Outro convidado foi Arthur Belém Novaes Jr., que


discutiu o potencial da terapia fotodinâmica antimicrobiana no
sucesso de implantes imediatos, em substituição a antibióticos
sistêmicos. Novaes Jr. fez demonstrações sobre a cicatrização
alveolar e de implantes imediatos após a extração de dentes
com doença periodontal.

Dario Adolfi falou sobre restaurações provisórias para


reabilitações totais, enfatizando que elas não se limitam apenas
a algo temporário, mas devem ser um projeto bem aproximado
do modelo para as restaurações definitivas, preenchendo todos
os requisitos estéticos e funcionais.

830 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

Durante a abordagem sobre colocação de implantes em alvéolos


pós-extração, tema da aula magna de Laércio Vasconcelos, foi
salientado que ainda não existe um consenso definido em relação ao
tratamento ideal, o que tem gerado muitas discussões nos últimos
anos. O professor destacou sua conduta em áreas de extrema estética
e áreas de molares, que hoje são de grande interesse e apresentam
novas perspectivas de tratamento.

Mario Groisman discutiu a instalação de implantes


imediatos em região estética, partindo do princípio de que
o conceito de osseointegração modificou o paradigma
reconstrutivo em Odontologia, e o protocolo inicial foi
desenvolvido para pacientes totalmente edêntulos.
Groisman pontuou parâmetros que possibilitam uma
melhor padronização de diagnóstico e permitem uma
adequada seleção de situações clínicas indicadas para a
instalação imediata de implantes pós-exodontia em região
de alta necessidade estética.

Finalizando essa atividade, Carlos Eduardo Francischone


expôs a estabilidade terciária e os fatores determinantes da
longevidade peri-implantar, da estética, da osseointegração e
suas complicações. A apresentação englobou tópicos como o
manejo tecidual visando à estética, alternativas para a reabilitação
estética em alvéolos frescos, a influência clínica do desenho do
pilar estético, o sacrifício biológico versus alteração de projeto
e os fatores biológicos e biomecânicos que influenciam a
estabilidade oclusal, entre outros.

INPerio 2017;2(5):810-42 831


CORPORATE SESSION

O momento
O
primeiro dia do IN 2017 foi totalmente dedicado à
Corporate Session, que concentrou as apresen-

das empresas tações de consultores científicos das empresas,


focando em novas tecnologias, produtos e serviços indis-
pensáveis para aprimorar a qualidade dos tratamentos
oferecidos aos pacientes.
O fato de reunir essa atividade em um só dia permitiu
uma maior interação entre as empresas e os profissionais,
que puderam conferir os resultados clínicos dos produtos
e serviços. Ao todo, foram 30 conferências promovidas por
16 empresas do setor. “Essa foi uma grande oportunidade
para atualização de conhecimento sobre os mais recentes
recursos disponíveis na Odontologia reabilitadora”, afirma
Haroldo Vieira, coordenador executivo do evento.

Neodent Straumann FGM Critéria Biomateriais


Geninho Thomé falou sobre Vindo da Espanha, José Luiz Ricardo Magini falou sobre Sormani Queiroz fez uma
o lançamento do Grand Calvo-Guirado apresentou o sistema cone-morse abordagem sobre PRF.
Morse para quase 2 mil a técnica de split com friccional do Arcsys.
congressistas. os novos implantes
Straumann BLT.

Conexão SIN Zimmer Biomet Implacil De Bortoli


A conquista da excelência Fernando Hayashi Hugo Nary Filho detalhou Jamil Shibli falou sobre
estética norteou a aula de destacou a reconstrução o uso da tecnologia CAD/CAM a experiência clínica de
Marcelo Kyrillos, do Ateliê tridimensional em áreas em Implantodontia. oito anos com implantes
Oral. com defeitos ósseos. cone-morse.

832 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

Baumer Geistlich Bluem Oral Sin


Os biomateriais particulados Em sua aula, Hid Miguel Redução de riscos em Eduardo Moreschi
foram o foco da apresentação Junior falou sobre o casos complexos foi a apresentou inovações
de Paulo Perri de Carvalho. tratamento de diferentes temática exposta por tecnológicas em clínicas de
defeitos ósseos na maxila Sérgio Jayme. alta performance.
atrófica.

Intra-Lock Signo Vinces DSP Biomedical


Aziz Constantino mostrou Danilo Pelegrino fez uma Acompanhando a tendência
algumas formas de reduzir abordagem sobre as etapas da Implantodontia 4.0, Ricardo
os retrabalhados na entre a exodontia e a Toscano fez um paralelo com
Implantodontia. prótese dentária. o uso da cirurgia guiada.

Kavo Kerr/Nobel Biocare


José Geraldo Malaguti e Franco Mallagutti destacaram as
novidades que permeiam as áreas de Implantodontia,
Cirurgia e Prótese.

INPerio 2017;2(5):810-42 833


CONFERÊNCIAS DIRETO AO PONTO

Informação objetiva
As Conferências Direto ao Ponto contribuíram As Conferências Direto ao Ponto atraíram um número
grandemente para o dinamismo do evento, já que recorde de participantes nesta edição, segundo informações
concentraram 112 aulas de 30 minutos conduzidas por dos organizadores. “Estamos falando de um grupo de minis-
mestres e especialistas brasileiros. O público teve acesso tradores que se destacam entre os melhores professores
livre a todas as apresentações, que aconteceram simul- de todo o Brasil. Muitos deles, inclusive, estão presentes
tanemente em três auditórios e mantiveram o foco em no Conselho Científico da ImplantNewsPerio. Ao longo
temas de alto interesse clínico e de pesquisa nas várias dos três dias em que essa atividade foi realizada, trabalhos
áreas da Reabilitação Oral. excelentes foram apresentados. Ficamos satisfeitos porque
A pluralidade dos ministradores foi o destaque dessa esta atividade dá uma boa mostra da qualidade de nossa
atividade, que envolveu renomados pesquisadores e Odontologia”, analisou Paulo Rossetti, um dos coordena-
profissionais que concentram sua atuação na prática clínica, dores científicos do evento.
proporcionando uma experiência ampla e enriquecedora
aos congressistas.

Workshop digital

T
endo em vista o cenário atual, com processos cada vez mais
digitalizados, a programação do IN 2017 foi complementada
com um workshop sobre Odontologia digital.
Ministrada por José Umberto De Luca, especialista em
sistemas digitais odontológicos, e Silvio De Luca, especialista em
Periodontia, a atividade foi dividida em duas turmas e abordou a
relação entre a atuação do dentista e o uso das tecnologias. Sob
o tema “Odontologia computadorizada de volta ao laboratório”,
eles falaram, entre outros aspectos, sobre as reais vantagens dos
sistemas intraorais e como agilizar a confecção dos guias para
uma Implantodontia mais rápida e segura.
José Umberto De Luca

834 INPerio 2017;2(5):810-42


PLANTÃO DE DÚVIDAS ESPECIAL

Contato direto
Nesta edição, uma das novidades foi o retorno do tamanho e formato de implantes, peri-implantite, entre
Plantão de Dúvidas, caracterizado por aulas rápidas, outros temas. “O Plantão de Dúvidas foi um dos sucessos
objetivas e com maior comunicação entre público e do IN 2017. Tivemos a sala lotada em praticamente
ministrador devido ao número reduzido de vagas (apenas todas as apresentações, inclusive com fila de espera em
60 lugares). muitas delas. O formato agradou o público, pois permitiu
Durante três dias, as 15 apresentações surpreenderam uma forte interação entre a plateia e o palestrante.
pela grande procura. Os participantes puderam trocar Os debates foram intensos e temas polêmicos puderam ser
informações com os professores sobre adesão à prótese, exaustivamente discutidos”, afirmou Marco A. Bianchini,
cirurgia guiada, estética rosa, tipos de enxertos e de ossos, coordenador da atividade.

Tratamento e acompanhamento da peri-implantite foi o tema A discussão sobre o uso de implantes curtos foi comandada
apresentado por Marco Bianchini. por Cesar Benfatti.

Alber Barbara abordou a reabilitação da região posterior de José Cícero Dinato falou sobre o investimento em Odontologia
mandíbula atrófica. digital.

INPerio 2017;2(5):810-42 835


EXPOIN 2017

Empresas falam dos


ótimos resultados
Estandes movimentados, produtos sendo lançados, “O Grupo Straumann teve uma presença positiva no
corredores cheios e olhares atentos às aulas oferecidas IN 2017. As Corporate Sessions estavam cheias e percebi os
pelas empresas. Não à toa, a ExpoIN 2017 – exposição espectadores interessados nas novidades. Estar presente
promocional que ocupou uma área de 7.000 m² – e fazer parte do maior lançamento da Neodent, o Grand
Morse, foi emocionante.”
foi descrita pelos expositores como um grande sucesso.
Gilbert Achermann, presidente do conselho administrativo
Sua relevância não estava apenas na quantidade
do Grupo Straumann.
de visitantes, que superou a meta planejada pela
organização, mas também na qualidade dos “A Geistlich aproveitou o IN 2017 para lançar duas novas
profissionais presentes. Os expositores – 81 no total – membranas, a Bio-Gide Shape e a Bio-Gide Compressed.
puderam divulgar e comercializar produtos, ampliar O evento foi um sucesso e superou nossas expectativas,
parcerias e mostrar ao mercado suas novidades. tanto em vendas como em público. A grade de cursos do
“A ExpoIN 2017 foi uma das melhores oportunidades nosso estande funcionou muito bem e contamos com a
do ano para promover o encontro entre profissionais participação de ministradores muito importantes na área
de regeneração. Parabenizo e agradeço à ImplantNewsPerio
e empresas, elevando o nível de relacionamento entre
pela excelente organização.”
ambos”, destaca Haroldo Vieira, coordenador executivo
Débora Furlani, gerente de marketing e eventos da Geistlich
do IN 2017 e diretor da VM Comunicação, que estima um
Pharma do Brasil.
faturamento de R$ 35 milhões durante o evento.

836 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL
“Foi o cenário perfeito para a apresentação de grandes “A participação da FGM no IN 2017 foi espetacular e superou
inovações no mercado odontológico. Excelentes pales- as expectativas. Nosso estande recebeu centenas de profis-
trantes, profissionais altamente preparados e organização sionais, que se impressionaram com o conceito de plane-
impecável.” jamento e personalização proposto pelo Sistema Arcsys.
Paulo Bellani, proprietário e gerente financeiro da O sucesso se repetiu nas salas de cursos e na Corporate
Eurodonto. Session, onde profissionais de renome apresentaram
inovações da Implantodontia mundial. Outro destaque foi o
“Ficamos muito satisfeitos com o IN 2017, recebemos de lançamento do primeiro curso a distância de Planejamento
800 a 900 visitas em nosso estande e percebemos clara- em Implantodontia, promovido pela FGM, com excelente
mente o excelente nível de profissionais que estiveram no repercussão e adesão.”
evento – sendo em sua maioria profissionais com grande Bianca Mittelstädt, diretora da FGM Produtos
experiência na área. Os estandes estavam muito bem Odontológicos.
montados e a disposição da feira foi muito bem elaborada.
Percebemos também um ambiente mais otimista, apesar “O IN se tornou um dos melhores congressos da América
do cenário político e econômico nacional. Será um grande Latina, cumprindo seu papel científico. E os ótimos resul-
prazer estarmos juntos novamente em 2019.” tados comerciais que tivemos são um reflexo desse alto
Marcio Pereira, gerente geral para a América Latina da nível de ciência e tecnologia.”
Zimmer Biomet. Yolete Carneiro, exportação comercial da Signo Vinces.

“Sempre será uma grande satisfação para toda a equipe da “O congresso IN 2017 foi de muito êxito. Promovemos a troca
DSP Biomedical contar com um evento dessa magnitude, de experiências entre professores e demais profissionais do
que concentra quase a totalidade do nosso público-alvo. mercado sobre os casos de sucesso com produtos Systhex,
Nesta edição, focamos as ações no tema do evento, a formando opinião e determinando novas e sólidas parcerias.”
Implantodontia 4.0, com ênfase na indústria. Mostramos Flávia Nicolau Melhem, diretora da Systhex Implantes
soluções inovadoras para facilitar a vida do dentista, como Dentários.
a ‘cirurgia navegada’, que está apenas começando e já dita
mudanças nos processos cirúrgicos do futuro. Estamos
passando por uma mudança estrutural em conceito e
atitude perante o mercado, e isso nos leva a outro nível
de trabalho. O evento proporcionou a abertura de novos
negócios e relacionamentos, principalmente o feedback
direto dos nossos clientes.”
Eduardo Cavalli, gerente de comunicação da DSP
Biomedical.

“Os eventos promovidos pela VM Comunicação têm uma


característica ímpar de qualidade, não só para atrair
expositores, mas também profissionais odontólogos
de áreas específicas. Somos parceiros há muito tempo
e continuaremos sempre ao lado de quem promove a
Odontologia de alto nível, não só científica, mas também de
integração profissional, em uma demonstração inequívoca
de pró-atividade à realidade dos novos tempos.”
Cesar Augusto Olsen, presidente da Olsen.

INPerio 2017;2(5):810-42 837


EXPOIN 2017
“O IN 2017 foi um congresso fantástico sob todos os aspectos,
a começar pelo número de participantes e de pessoas envol-
vidas, o que fez deste o maior e mais grandioso evento do
mundo na especialidade. Tivemos organização impecável,
grade científica do mais alto nível, salas cheias, estandes
lotados e uma atmosfera extremamente suave e agradável.
Para a Dérig, um resultado excepcional em todos os sentidos.
Agradecemos e parabenizamos a todos aqueles que fizeram
parte desse lindo trabalho. Que venha o IN 2019.”
Orlando Meirelles, diretor executivo da Dérig.

“O IN 2017 reeditou o grande sucesso, mesmo sob os grandes


desafios enfrentados pela economia neste ano. Mais do que
um número elevado de participantes, média que o consolida
na posição de maior evento da especialidade em todo o
“A equipe da Critéria Biomateriais está muito satisfeita mundo, o IN 2017 criou a fórmula para reunir profissionais
com o retorno e os resultados obtidos no IN 2017. Sucesso de alto nível vindos de todo o País. É justamente o perfil de
comercial, parcerias fechadas e reencontro de grandes público-alvo da Intra-Lock, que tem muita satisfação em
amigos. O IN é um evento que sempre nos proporcionou manter a parceria ininterrupta com a VM Comunicação
uma aproximação inestimável junto a um público seleto, desde a primeira edição do IN.”
participativo e curioso. Assim, consideramos o evento Aziz Constantino, diretor científico e de desenvolvimento
um grande espelho do nosso avanço comercial. Somos da Intra-Lock.
gratos ao Mário Groisman e à equipe organizadora por
essa oportunidade.” “A JHS Biomateriais agradece a participação de todos os
Felipe Braga, diretor da Critéria Biomateriais. profissionais, amigos e parceiros em um dos principais
eventos da Implantodontia. O IN 2017 proporcionou aos
“O IN 2017 entra para a história por mostrar o quanto participantes a oportunidade de conhecer, através de
a tecnologia digital está presente na Implantodontia e palestras e depoimentos, as novidades e os diferenciais dos
nas demais especialidades. Foi gratificante apresentar os nossos biomateriais (Osseoplus, COL.HAP-91 e HAP-91),
benefícios das soluções digitais, a linha de componentes mostrando a melhor aplicabilidade e os resultados, além de
de implantes para CAD/CAM e os equipamentos de alta reiterar a importância da previsibilidade na Odontologia.”
tecnologia para os profissionais.” Sheyla Maximo, diretora da JHS Biomateriais.
Fernanda Jabur, diretora da Dental Cremer Digital.
“O IN 2017 foi um novo marco na história da empresa,
“A Conexão teve uma participação brilhante no IN 2017. que este ano completa 35 anos. Por isso, o estande e as
Já no primeiro dia de atividade, na Corporate Session, a atividades científicas fundamentaram os diferenciais da
Conexão surpreendeu com a sua sala lotada. Durante os Implacil De Bortoli. A melhor equipe de consultores científicos
quatro dias do evento, foi muito prestigiada pela intensa esteve presente durante todos os dias, seja no auditório
visitação do público. A empresa focou na inovação e precisão, lotado da Corporate Session ou no estande promocional.
com sua exclusiva linha de implantes Hard, cirurgia guiada Recebemos a visita de milhares de congressistas buscando
Speed Guide e Precision Link. Também gerou grandes conhecer os lançamentos, a membrana Cytoplast e o fio
oportunidades de negócios e ampliação de conhecimentos de PTFE. Saímos deste evento muito fortalecidos comercial
científicos, com o sucesso do inovador espaço arena Café e institucionalmente, e preparados para assumir novas
com Professor.” posições no mercado.”
Rodolfo Candia Alba Jr., presidente da Conexão. Aluizio Canto, CEO da Implacil De Bortoli.

838 INPerio 2017;2(5):810-42


PAINÉIS CIENTÍFICOS ESPECIAL

Pesquisa em destaque
Mantendo a tradição, o evento destacou um importante espaço da
programação para a pesquisa científica. A grande inovação foi a exposição
dos painéis científicos em formato digital. Disposto em um lounge moderno
chamado Super Science, um conjunto de telas touchscreen permitia ao público
navegar pelos 215 trabalhos – 69 na categoria Pesquisa e 146 na categoria Caso
Clínico. Para facilitar o acesso aos temas de interesse de cada congressista,
era possível fazer buscas por meio de título, palavra-chave ou nome do autor.
Como estímulo à pesquisa e à formação da nova geração de pesquisadores,
foram premiados os seis melhores painéis científicos – três em cada categoria.
Além de receberem uma quantia em dinheiro, os vencedores terão seus
trabalhos publicados na revista ImplantNewsPerio.
Esse formato de painéis científicos digitais teve o copatrocínio institucional
da FGM, cujo conteúdo foi acessado por mais de 600 congressistas.

Conheça os painéis científicos vencedores


CATEGORIA CASO CLÍNICO CATEGORIA PESQUISA
1o lugar – Reconstrução e reabilitação de mandíbula 1o lugar – Comparação entre dois métodos de desconta-
severamente atrófica com rhBMP e próteses implantos- minação da superfície de implantes na reosseointegração
suportadas em CAD/CAM: relato de caso após peri-implantite induzida por ligadura. Estudo histo-
Autores: Diogo José Barreto de Menezes, André Luiz Zétola, morfométrico e microbiológico em cães
Sarina Maciel Braga Pereira, Leonardo Rocha Mendes Campos, Autores: Umberto Demoner Ramos, Flavia Adelino Suaid,
Jamil Awad Shibli Sérgio Luís Scombatti de Souza, Cristiano Susin, Ulf Wiksejö,
Arthur Belém Novaes Jr.
2o lugar – Reação dermal peri-implantar em implante
zigomático – associação genética 2o lugar – Quimioterapia com cisplatina compromete o
Autores: Levy Hermes Rau, Luis Tovim Monteiro, Maria Margarida reparo ósseo peri-implantar
Sampaio Fernandes, José Carlos Antunes Sampaio Fernandes, Autores: Henrique Rinaldi Matheus, Edilson Ervolino, Luiz
César Fernando Coelho Leal da Silva, Paula Cristina Santos Guilherme Fiorin, Leticia Helena Theodoro, Valdir Gouveia
Vaz Fernandes Garcia, Juliano Milanezi de Almeida

3o lugar – Reabilitação unitária em região anterior de 3o lugar – Avaliação mecânica e fractográfica de coroas
maxila utilizando a técnica socket-shield com instalação de cerâmicas cimentadas sobre pilares de zircônia em implantes
implante imediato e provisionalização: relato de caso clínico HE e CM
Autores: Catarina Soares Silveira, Ricardo Denardi, Flávia Noemy Autores: Carolina Ferrairo Danieletto Zanna, Juliana Aparecida
Gasparini Kiatake Fontão, Geninho Thomé, Carolina Martin Delben, Nelson Renato França Alves da Silva, Gustavo Zanna
Denardi, Ana Cláudia Moreira Melo Toyofuku Ferreira, Wirley Gonçalves Assunção

INPerio 2017;2(5):810-42 839


ESPAÇO IMPLANTNEWSPERIO

Atualização multiplataforma

A
tecnologia trouxe mudanças no
cotidiano das pessoas e, logicamente,
impactou também na forma de adquirir
conhecimento e manter-se atualizado
profissionalmente. Durante os quatro dias do
evento, a ImplantNewsPerio apresentou toda
a sua estrutura para levar informação de alta
qualidade nos formatos mais interessantes para o
seu público: físico (por meio da revista), digital (por
meio do Programa de Crescimento Profissional ou
PCP) e presencial (promovendo um dos maiores
encontros de Implantodontia do mundo).
Com dois estandes, localizados em extremi-
dades opostas, a publicação expôs as novidades
preparadas para os profissionais de Odontologia
e fez uma degustação do que ainda está por vir
em 2018. Também, o lounge ImplantNewsPerio
foi um espaço para interação e descanso dos
congressistas, um local confortável, com café e
totem para recarregar celular.

840 INPerio 2017;2(5):810-42


ESPECIAL

Essa edição do IN foi uma grande oportunidade para conhecer mais profundamente o
Programa de Crescimento Profissional (PCP), uma plataforma totalmente digital e atualizada
periodicamente, composta por videoaulas exclusivas, e-books inéditos e coletâneas de artigos –
tudo apresentado por grandes nomes da Implantodontia, Periodontia e Prótese Dentária. Como
incentivo à adesão do PCP e às revistas ImplantNewsPerio e PróteseNews, os congressistas
que assinavam os pacotes promocionais ganharam malas de viagens, livros relacionados à
Reabilitação Oral, adesão a congressos, entre outros brindes.
Uma das inovações dessa edição foi o Estúdio ImplantNewsPerio, onde foram gravadas
uma mesa-redonda e 23 entrevistas com mestres brasileiros, estrangeiros e empresários do
setor odontológico. Todo esse material será editado e disponibilizado na plataforma PCP e nas
revistas ImplantNewsPerio e PróteseNews ao longo do próximo ano.

INPerio 2017;2(5):810-42 841


LANÇAMENTOS DE LIVROS

Livro oficial Composto por trabalhos de 17 autores brasileiros com larga


experiência em reabilitação oral com implantes, o livro oficial do

do IN 2017 IN 2017, intitulado Os novos caminhos clínicos da Implantoterapia,


teve coordenação de Paulo Rossetti e Wellington Bonachela.

tem versão A grande novidade desta obra é que, além da versão impressa
– que possui 234 páginas e mais de 360 imagens sequenciais –, os

digital “viva” leitores poderão desfrutar também de uma versão digital “viva”,
que receberá atualizações periódicas dos autores.
Dentre os temas selecionados, destaque para a adesão e
tecnologia CAD/CAM; biomecânica dos implantes; cirurgia plástica
periodontal e peri-implantar; cirurgia tecidual e resposta óssea;
engenharia tecidual na Implantodontia; implantes curtos; banco
de ossos e L-PRF; peri-implantite; próteses parafusadas versus
cimentadas; relação implantes versus enxertos ósseos substitutos;
e tratamento interdisciplinar.

Ainda é possível adquirir o livro pelos telefones


0800-0143080, (11) 3566-6200, WhatsApp (11) 95371-7780
ou e-mail sal@vmculturaleditora.com.br.

Mario Groisman lança livro


sobre estética em implantes
O IN 2017 foi palco da sessão de autógrafos que marcou o
lançamento da obra Estética em Implantes, com autoria de Mario
Groisman. Com mais de 500 páginas e editado pela Quintessence
Editora, o livro apresenta um estudo de diferentes metodologias
de instalação de implantes em uma área desafiadora e com
grande necessidade de obtenção de resultados estéticos: a dos
incisivos centrais superiores.
Segundo Groisman, nessa publicação, princípios biológicos
que regem o comportamento tecidual foram exaustivamente
avaliados, situações dogmáticas foram questionadas e vários
casos clínicos foram utilizados para unir os pontos de uma
grande história de amor à profissão.

Quintessence Editora – (11) 5574-1200 | vendas@quintessence.com.br

842 INPerio 2017;2(5):810-42


CADERNO
CIENTÍFICO
RESENHA DOS EDITORES
A cada nova edição, os editores científicos da ImplantNewsPerio
– Paulo Rossetti e Antonio W. Sallum – traçarão um panorama
geral dos artigos publicados, apresentando os temas que
serão discutidos e seus respectivos destaques.

O trabalho mostra a taxa de sucesso de implantes Um exemplo de como o protocolo restaurador adesivo
jateados com óxido de alumínio após sete anos de direto guiado por planejamento digital (DSD) pode
acompanhamento. Pág. 845 oferecer excelente resultado e elevada satisfação ao
paciente. Pág. 895
Descubra se os implantes ortopédicos possuem os
mesmos mecanismos de sucesso e falha dos implantes Uma avaliação do Hospital Universitário da Faculdade de
dentários, e quais são as perspectivas para mudar a Medicina de Jundiaí orienta sobre medidas preventivas
prática. Pág. 851 e tratamentos durante o pré-natal. Pág. 912

Veja como a geometria dos pilares protéticos influencia Como a doença periodontal é multifatorial, é preciso
os valores de retenção das coroas cimentadas sobre conhecer sobre reposição hormonal e sua participação
implantes. Pág. 861 na modulação da resposta do hospedeiro. Pág. 919

Um assunto clássico: o comprimento dos implantes Os pacientes sempre perguntam sobre a escolha da
prejudica ou ajuda na deformação superficial ao redor melhor escova dental. Essa revisão mostra a eficácia
do tecido ósseo? Pág. 868 das escovas convencionais e multifilamentadas.
Pág. 927
Existe um tipo de conexão protética capaz de impedir
a infiltração bacteriana? E por quanto tempo? Confira. Todos nós sabemos sobre o impacto do alcoolismo na
Pág. 876 qualidade de vida da pessoa. Um caso clínico mostra
sua influência na condição bucal. Pág. 934
Entenda uma nova proposta de biomaterial para ser
usada como pilar na Implantodontia clínica: o PEEK Estética periodontal: caso clínico aborda o recobrimento
realmente veio para ficar. Pág. 885 radicular e exibe um resultado interessante para atingir
o objetivo final. Pág. 947

844 INPerio 2017;2(5):844


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

AVALIAÇÃO RETROSPECTIVA DE 774 IMPLANTES CÔNICOS


DE HEXÁGONO EXTERNO E INTERNO, DE SUPERFÍCIE
JATEADA COM AL2O3 SEGUIDO DE TRÊS ATAQUES ÁCIDOS:
ACOMPANHAMENTO CLÍNICO DE SETE ANOS

Retrospective evaluation of 774 external and internal hexagonal tapered surface dental implants
with Al2O3 surface treatment followed by three acid-etching protocols: a 7-year follow-up

Jefferson T. Pires1, Bruno F. Mello1, Celson Domingos de Calais2, Marcella Bauduin2,


André Javarini3, Ramon Maciel3, Eduardo Muller4, Micheline Trentin5, Jamil Awad Shibli6

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: analisar o sucesso do tratamento através de implantes Objective: to analyze the treatment success of Al2 O3 sandblasted,
cônicos de hexágono externo e interno, de superfície jateada com acid-etched, external and internal tapered connection dental
Al2O3 seguido de três ataques ácidos, com acompanhamento implants after 7 years of follow-up. Material and methods: upon
clínico de sete anos. Material e métodos: foi realizado um estudo approval by the Ethics Committee of the University of Guarulhos,
retrospectivo aprovado pelo comitê de ética da Universidade de a retrospective study involving 136 patients receiving 774 dental
Guarulhos, entre os anos de 2009 e 2016, no qual foram selecio- implants in the jaws was performed. After the osseointegration
nados 136 pacientes após os critérios de inclusão e exclusão, period, definitive prosthetic restorations were delivered. Results:
sendo instalados 774 implantes cônicos de hexágono externo after 7 years of follow-up, the overall success rate was of 98.33%
e interno nos maxilares. Após o tempo de osseointegração, os with a marginal bone loss of 1.08 mm. Conclusion: the treatment
implantes receberam as coroas protéticas finais. Resultados: predictability of alumina sandblasted, external and internal
a avaliação retrospectiva de 774 implantes cônicos de hexágono tapered implants was significant. Bone quality is fundamental
externo e interno, de superfície jateada com Al2O3 seguido de três for treatment success.
ataques ácidos, com um acompanhamento clínico de sete anos, Key words – Osseointegration; Dental implant success; Osseo-
resultou em índices totais de sucesso na osseointegração de integrated implants.
98,39%, com uma perda óssea marginal de 1,08 mm após este
período. Conclusão: a previsibilidade de sucesso no tratamento
através dos implantes cônicos de hexágono externo e interno,
de superfície jateada com Al2O3 seguido de três ataques ácidos,
foi de 98,3%. A qualidade óssea é fundamental na previsibilidade
do tratamento.
Palavras-chave – Osseointegração; Sucesso em Implantodontia;
Implantes osseointegrados.

1
Doutorandos em Implantodontia, programa de pós-graduação em Odontologia, área de Implantodontia – Universidade Guarulhos (UNG).
2
Mestrandos em Implantodontia, programa de pós-graduação em Odontologia, área de Implantodontia – Universidade Guarulhos (UNG).
3
Cirurgiões-dentistas – Faculdades Integradas São Pedro – Faesa/ES.
4
Cirurgião-dentista – UFSC; Pós-graduando em Implantodontia do Ceoi/SC.
5
Professora – Faculdade de Odontologia de Passo Fundo; Doutora em Periodontia – FOAr/Unesp; Pós-doutoranda em Implantodontia, programa de pós-graduação
em Odontologia, área de Implantodontia – Universidade Guarulhos (UNG).
6
Professor do programa de pós-graduação em Odontologia, área de Implantodontia – Universidade Guarulhos (UNG); Doutor e mestre em Periodontia – FOAr/Unesp;
Livre-docente do Depto. de CTBMF e Periodontia – Forp/USP.

Recebido em jul/2017
Aprovado em ago/2017

INPerio 2017;2(5):845-8 845


Pires JT | Mello BF | de Calais CD | Bauduin M | Javarini A | Maciel R | Muller E | Trentin M | Shibli JA

O tratamento utilizando implantes De um total de 201 prontuários clínicos de pacientes


osseointegrados tem sido uma tratados entre o período de 2009 a 2016, apenas 136
alternativa largamente empregada e atenderam aos critérios de inclusão e exclusão do estudo.
Os implantes incluídos na amostra foram avaliados pelos
muito bem-sucedida na reabilitação
seguintes critérios: localização, região de instalação e
protética de indivíduos desdentados
diâmetro do implante, e problemas técnicos ocorridos
totais ou parciais1, 13. Complementarmente com as próteses, observados nos diferentes tempos de
à técnica convencional, na qual após acompanhamento.
a instalação cirúrgica do implante
aguarda-se um período de cicatrização Critérios de inclusão
Foram incluídos neste estudo indivíduos (> 21 anos)
ou osseointegração que varia entre dois
de ambos os sexos, não envolvendo grupos de risco, já
a quatro meses, a utilização de implantes
reabilitados com implantes dentários variando de 3,5 mm
ativados imediatamente apresenta a 5 mm de diâmetro e 7 mm a 15 mm de comprimento,
resultados muito promissores 2-4 . instalados em espaços edêntulos que seriam reabilitados
A alta previsibilidade desta técnica por restaurações implantossuportadas. Além disso, os
é decorrente do desenvolvimento de prontuários precisavam apresentar controle radiográfico
inicial, no momento da instalação da coroa provisória (entre
novas macro e microestruturas5-7.
quatro a seis meses após inserção dos implantes) e final
(após quatro meses de provisórios), e com acompanha-
INTRODUÇÃO mento de pelo menos um ano após carga (definida como
tempo após instalação da prótese definitiva).
O tratamento utilizando implantes osseointegrados
tem sido uma alternativa largamente empregada e muito Critérios de exclusão
bem-sucedida na reabilitação protética de indivíduos Foram excluídos do estudo os prontuários clínicos
desdentados totais ou parciais1,13. Complementarmente à com restaurações implantossuportadas não finalizadas,
técnica convencional, na qual após a instalação cirúrgica prontuários clínicos que não apresentaram radiografias
do implante aguarda-se um período de cicatrização ou para avaliação e/ou radiografia de baixa qualidade;
osseointegração que varia entre dois a quatro meses, a prontuários com dados insuficientes, preenchidos de
utilização de implantes ativados imediatamente apresenta forma inadequada ou que indicassem dúvida sobre o
resultados muito promissores2-4. A alta previsibilidade detalhamento do procedimento realizado.
desta técnica é decorrente do desenvolvimento de novas
macro e microestruturas5-7. Procedimento cirúrgico/protético

MATERIAL E MÉTODOS Planejamento cirúrgico-protético (planejamento reverso)


Anteriormente à instalação dos implantes, foi realizada
Seleção dos pacientes avaliação radiográfica por meio de exames panorâmicos
Este estudo retrospectivo foi aprovado pelo comitê e periapicais completos, objetivando avaliar a estrutura
de ética da Universidade de Guarulhos (processo no óssea para o planejamento cirúrgico-protético.
241.602/2013). Foram utilizados prontuários clínicos de Os indivíduos passaram pelas seguintes etapas durante
pacientes que receberam implantes cônicos de hexágono o planejamento reverso da cirurgia e restauração protética:
externo e interno, variando o comprimento entre 7 mm moldagem inicial do guia cirúrgico-protético e instalação dos
e 15 mm, e diâmetro de 3,5 mm e 5 mm (Systhex – implantes. O arco oposto, caso fosse total ou parcialmente
Curitiba/PR). Estes implantes apresentavam tratamento de desdentado, foi reabilitado utilizando-se prótese removível/
superfície jateada com óxido de alumina (Al2O3) e tratada total convencional. Os indivíduos receberam o número
com ácido fluorídrico (HF), clorídrico (HCl) e nítrico (HNO3). necessário de implantes osseointegrados na região edêntula

846 INPerio 2017;2(5):845-8


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

(no mínimo um implante e no máximo oito implantes na Confecção e instalação da prótese


maxila), dependendo da disponibilidade de tecido ósseo Sobre o modelo de trabalho, foi confeccionada a
remanescente e do planejamento cirúrgico-protético. estrutura metálica ou restauração provisória de resina,
sobre a qual foi confeccionada a prótese implantossu-
Instalação dos implantes dentários portada provisória para ser submetida à carga funcional
Os implantes osseointegrados foram inseridos na e mantida por quatro meses. Dado este período, novas
região edêntula segundo as instruções do fabricante. moldagens foram realizadas para a tomada da adaptação
Após a elevação de retalho total e adequação do rebordo da mucosa peri-implantar, e próteses metalocerâmicas
ósseo (quando necessário) por meio de fresas, brocas e (1.053 coroas protéticas) foram confeccionadas ou próteses
raspadores ósseos, o guia cirúrgico, confeccionado durante tipo protocolo recobertas por resina acrílica.
o planejamento reverso, foi posicionado no rebordo para
evitar o deslocamento do mesmo durante o preparo das RESULTADOS
lojas cirúrgicas.
As perfurações foram realizadas seguindo o protocolo A avaliação retrospectiva de 774 implantes cônicos
de fresagem do fabricante (800 RPM e torque de inserção de hexágono externo e interno, de superfície jateada com
máximo de 65 Ncm), com profusa irrigação das brocas de Al2O3 seguido de três ataques ácidos, com um acompanha-
perfuração com solução fisiológica estéril até confecção mento clínico de sete anos resultou em índices totais de
final dos sítios cirúrgicos que receberam os implantes. sucesso8 da osseointegração (98,39%). A porcentagem de
Os implantes incluídos neste estudo foram inseridos com sucesso total na maxila foi de 97,63%, e na mandíbula foi
o auxílio de torquímetro manual e mantidos submersos de 99,01%. O índice de sucesso total da osseointegração
durante quatro a seis meses, dependendo da qualidade para os implantes HE foi de 98,79%, sendo 97,97% em
óssea do leito receptor. Os torques finais no momento maxila e 99,45% em mandíbula. Já o índice de sucesso total
da instalação dos implantes foram de 35 Ncm a 60 Ncm. da osseointegração para os implantes HI foi de 94,87%,
Foram tabulados os dados quanto à localização, tipo de sendo 95,23% em maxila e 94,44% em mandíbula. Uma
plataforma e sucesso da osseointegração (Tabela 1). semana após a instalação dos implantes, foi analisada a
perda óssea marginal através de radiografias periapicais,
Instalação e moldagem dos pilares protéticos comparando com uma nova tomada radiográfica periapical
Após um período de quatro a seis meses de osseoin- uma semana após a instalação da coroa protética final.
tegração, intermediários tipo Ucla (próteses unitárias Constatou-se que esta perda óssea chegou a uma média
e múltiplas cimentadas) ou minipilar cônico (próteses de 1,08 mm ao redor dos implantes.
múltiplas) foram selecionados e instalados segundo
instruções do fabricante, para verificar a adaptação do DISCUSSÃO
pilar ao implante. Os intermediários apresentaram altura de
cinta (distância base da prótese à base de assentamento do Este estudo apresentou implantes dentários com
pilar) de 1 mm a 3 mm, dependo da espessura da mucosa índice de sucesso de 98,3% após sete anos de função.
e da profundidade de inserção do implante. As moldagens A perda óssea marginal após este período foi de 1,08 mm,
de transferência foram realizadas com silicone de adição quando comparados aos dados obtidos aos quatro meses
para obtenção dos modelos de trabalho. de carga, corroborando os dados de outros autores9.

TABELA 1 – QUANTIDADE E TIPO DE PLATAFORMA DOS IMPLANTES UTILIZADOS, E NÚMERO DE IMPLANTES PERDIDOS NA MAXILA E MANDÍBULA
Perdas Perdas
Descrição Quantidade Maxila Mandíbula
(maxila) (mandíbula)
HE 666 296 370 6 2

HI 78 42 36 2 2

Total 744 338 406 8 4


HE: hexágono externo; HI: hexágono interno.

INPerio 2017;2(5):845-8 847


Pires JT | Mello BF | de Calais CD | Bauduin M | Javarini A | Maciel R | Muller E | Trentin M | Shibli JA

Um consenso recente sugere que os dados de aumento de A análise através do exame clínico, tomadas topográficas
peri-implantite, assim como os dos possíveis tratamentos, e consultas periódicas para a verificação oclusal são de
sejam melhores definidos para poderem ser comparados suma importância para determinar a taxa de sobrevivência
e adequados à realidade clínica de cada situação. dos implantes. A utilização de um implante com macro e
Além dos fatores supracitados, a presença de mucosa microgeometria ideais, bem como sua superfície de contato
queratinizada, o tipo de restauração, a predicabilidade com o tecido ósseo ser tratada através do jateamento com
técnica e o tipo de topografia de implante poderiam Al2O3 seguido de três ataques ácidos, demonstrou ser eficaz
influenciar estes dados. O último, superfície do implante, e proporcionou um sucesso elevado na osseointegração.
pode ser considerado positivo haja vista que todos os
Nota de esclarecimento
indivíduos receberam implantes de superfície jateada Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
e tratada com ácidos, indo de encontro com dados da pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
literatura10. Estudos em modelos pré-clínicos11 e estudos recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
clínicos controlados sugerem que implantes com topografia
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
obtida por adição, como plasma spray de titânio (TPS), também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
implantes recobertos com hidroxiapatita e implantes fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
anodizadas, parecem ser mais propensos à infecção não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
peri-implantar12. testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.

CONCLUSÃO Endereço para correspondência


Jefferson T. Pires
Rua Cabo Aylson Simões, 560 – Ed. Antônio Saliba – Cj. 501-502 – Centro
O acompanhamento dos implantes osseointegrados 29100-320 – Vila Velha – ES
Tel.: (48) 98833-1933
em longo prazo se faz necessário para que se confirme drjeffersonpires@gmail.com
o seu grau de sucesso no processo da osseointegração.

REFERÊNCIAS
1. Van Steenberghe D. Outcomes and their 5. Grassi S, Piattelli A, de Figueiredo LC, Feres M, 10. Fickl S, Kebschull M, Calvo-Guirado JL,
measurement in clinical trials of endosseous de Melo L, Iezzi G et al. Histologic evaluation of Hürzeler M, Zuhr O. Experimental peri-implan-
oral implants. Ann Periodontol 1997;2(1):291-8. early human bone response to different implant titis around different types of implants – a
2. Degidi M, Nardi D, Piattelli A. Immediate surfaces. J Periodontol 2006;77(10):1736-43. clinical and radiographic study in dogs. Clin
loading of the edentulous maxilla with a final 6. Shibli JA, Grassi S, de Figueiredo LC, Feres M, Implant Dent Relat Res 2015;17(suppl. 2):e661-9
restoration supported by an intraoral welded Marcantonio Jr. E, Iezzi G et al. Influence of implant (doi: 10.1111/cid.12303). Epub 2015 Feb 26.
titanium bar: a case series of 20 consecutive surface topography on early osseointegration: 11. Shibli JA, Martins MC, Lotufo RF, Marcantonio Jr.
cases. J Periodontol 2008;79(11):2207-13 (doi: a histological study in human jaws. J Biomed E. Microbiologic and radiographic analysis of
10.1902/jop.2008.080141). Mater Res B Appl Biomater 2007;80(2):377-85. ligature-induced peri-implantitis with different
3. Glauser R, Zembic A, Ruhstaller P, Windisch S. 7. Nkenke E, Fenner M. Indications for immediate dental implant surfaces. Int J Oral Maxillofac
Five-year results of implants with an oxidized loading of implants and implant success. Clin Implants 2003;18(3):383-90.
surface placed predominantly in soft quality bone Oral Implants Res 2006;17(suppl.2):19-34 12. Roccuzzo M, Bonino L, Dalmasso P, Aglietta M.
and subjected to immediate occlusal loading. (review). Long-term results of a three arms prospective
J Prosthet Dent 2007;97(6 suppl.):S59-68 (doi: 8. Mombelli A, Lang NP. Microbial aspects cohort study on implants in periodontally
10.1016/S0022-3913(07)60009-2). Erratum in: of implant dentistry. Periodontol 2000 compromised patients: 10-year data around
J Prosthet Dent 2008;99(3):167. 1994;4:74-80. sandblasted and acid-etched (SLA) surface.
4. Degidi M, Piattelli A, Carinci F. Parallel screw 9. Balshi TJ, Wolfinger GJ, Stein BE, Balshi SF. Clin Oral Implants Res 2014;25(10):1105-12 (doi:
cylinder implants: comparative analysis A long-term retrospective analysis of survival 10.1111/clr.12227). Epub 2013 Jul 19.
between immediate loading and two-stage rates of implants in the mandible. Int J Oral 13. 13. Avaliação clínica da sobrevida de três
healing of 1,005 dental implants with a Maxillofac Implants 2015;30(6):1348-54 (doi: sistemas de implantes em diferentes densi-
2-year follow up. Clin Implant Dent Relat Res 10.11607/jomi.3910). dades ósseas: um estudo retrospectivo de
2006;8(3):151-60. 707 implantes em 194 pacientes. InPerio
2016;1(8):1544-51.

Guia de leitura
O cicatrizador multifuncional PEEK: como funciona? Pág. 885

848 INPerio 2017;2(5):845-8


Revisão da Literatura Caderno científico [ IMPLANTE ]

COMPARAÇÃO ENTRE OS IMPLANTES


DENTÁRIOS E IMPLANTES ORTOPÉDICOS

Comparison between dental implants and orthopedic implants – literature review

Carlos Nelson Elias1, Daniel Jogaib Fernandes1, Vagner de Oliveira Machado2,


Ana Caroline Crema de Almeida2, Paulo Sérgio Perri de Carvalho3

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: revisar as semelhanças e diferenças entre os implantes Objective: to review the similarities and differences between osseo-
dentários osseointegráveis e os implantes ortopédicos. Material e integrated dental and orthopedic implants. Material and methods:
métodos: apesar da escassez de dados, foram construídos quatro besides data paucity, four topics were created: 1) materials for
tópicos: 1) materiais dos implantes osseointegráveis e ortopédicos; osseointegrated and orthopedic implants; 2) surgical techniques
2) técnicas cirúrgicas na Odontologia e na Ortopedia; 3) possíveis in Dentistry and Orthopedics; 3) possible causes and effects of
causas e efeitos do aquecimento; e 4) análise do insucesso dos heating; and 4) failures analyses in both areas. Results: 1) none
implantes nas duas áreas. Resultados: 1) nenhum dos biomate- of the metallic biomaterials for Orthopedics present osseointe-
riais metálicos usados na Ortopedia apresenta osseointegração gration according to the concept developed for dentistry and,
conforme o conceito atualmente usado na Odontologia e, sob alto under high loading, alloys are subjected to stress shielding due
carregamento, estas ligas estão submetidas ao stress shielding to their elastic moduli being higher than the bone; 2) for implant
em função do seu módulo de elasticidade ser muito acima do dentistry, primary stability is fundamental and the procedures are
osso; 2) na Implantodontia, a estabilidade primária é fundamental more delicate, whereas in Orthopedics the implants are cemented
e os procedimentos são mais delicados, enquanto na Ortopedia (stabilized) and the procedures have a more aggressive nature,
os implantes são cimentados (estabilizados) e os procedimentos within the highest levels of post-surgical complications; 3) surgical
ortopédicos são mais agressivos, estando entre os maiores conditions for Orthopedics are more critical than in the dental
índices de perdas advindas de complicações pós-cirúrgicas; field, due to a greater bone volume, prosthesis size, less local
3) as condições de realização da cirurgia para inserção de implantes vascularization and lack of irrigation, with mean temperatures
ortopédicos são mais críticas em relação aos dentários, devido (70oC) well-above compared to the implant dentistry (43oC); 4) the
ao maior volume de osso que é removido, maiores dimensões da failure of orthopedic implants seems higher due to the 3-5 times
prótese, menor vascularização do local e ausência de irrigação chance of loading at corporal bearing structures (hips and knees).
do meio durante a cirurgia, com temperaturas médias (70oC) Conclusion: continuous improvement on materials, procedures,
acima do que se observa na Implantodontia odontológica (43oC); and training will provide less replacement rates for dental implants
4) a propensão ao insucesso nos implantes ortopédicos parece and specially for orthopedic devices.
maior pela chance de carregamento 3-5 vezes maior em áreas Key words – Dental implants; Hip arthroplasty; Implant evaluation.
corporais (quadril e joelho) que sustentam o peso do corpo.
Conclusão: melhorias contínuas nos materiais, procedimentos
e treinamento fornecerão taxa menor de reposição de implantes
dentários e, especialmente, dos implantes ortopédicos.
Palavras-chave – Implantes dentários; Implantes de quadril;
Avaliação de implantes.

1
Doutores em Ciência dos Materiais – Instituto Militar de Engenharia.
2
Doutorandos em Ciência dos Materiais – Instituto Militar de Engenharia.
3
Doutor em Implantodontia – Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho; Professor – Fousp.

Recebido em jul/2017
Aprovado em jul/2017

INPerio 2017;2(5):851-60 851


Elias CN | Fernandes DJ | Machado VO | de Almeida ACC | de Carvalho PSP

Os implantes odontológicos, também denomi- híbrida), dimensões e tratamento da superfície1. No passado,


nados “implantes osseointegráveis”, são foram usados implantes cilíndricos sem roscas. Estes
metálicos, permanentes, preferencialmente de foram retirados do mercado, uma vez que na interface
implante/osso ocorriam tensões cisalhantes que levavam
titânio comercialmente puro (Ti cp) e inseridos
à perda da osseointegração e formação de tecido fibroso.
cirurgicamente no osso dos maxilares para
Com a alteração dos implantes para a forma de parafuso,
servir como base estrutural de sustentação da nos filetes das roscas as cargas orais criam tensões predo-
prótese. A estrutura é formada pelo implante, minantemente compressivas na interface osso/implante,
componentes protéticos e prótese. Como com melhor distribuição das cargas e manutenção da
os implantes apresentam osseointegração, osseointegração. A forma do implante modifica a área
de contato osso/implante e melhora a distribuição das
eles oferecem um suporte estável para as
forças orais ao tecido ósseo.
próteses parciais ou totais, possuindo uma
Enquanto os implantes dentários possuem a forma
forma semelhante a de um parafuso. de parafuso, os ortopédicos usados na medicina possuem
inúmeras formas e dimensões. Quanto ao tempo de
permanência no corpo, os implantes ortopédicos podem
ser temporários e permanentes. Entre os temporários,
INTRODUÇÃO merecem destaque os usados para fixar as fraturas
durante o período de síntese e recuperação do membro
Os implantes odontológicos, também denominados danificado. As placas de compressão, parafusos, arames,
“implantes osseointegráveis”, são metálicos, permanentes, pinos e hastes intramedulares para correção de ossos fratu-
preferencialmente de titânio comercialmente puro (Ti cp) rados são exemplos de implantes temporários (Figuras 1).
e inseridos cirurgicamente no osso dos maxilares para Os implantes permanentes para aplicações ortopédicas na
servir como base estrutural de sustentação da prótese. substituição de parte do corpo humano atuam por longos
A estrutura é formada pelo implante, componentes períodos sem perda da funcionalidade. Alguns exemplos
protéticos e prótese. Como os implantes apresentam dos implantes permanentes são as próteses de quadril,
osseointegração, eles oferecem um suporte estável para joelho, ombro, cotovelo e pulso. Na Figura 2 é mostrado um
as próteses parciais ou totais, possuindo uma forma modelo de prótese total de quadril inserido no paciente.
semelhante a de um parafuso. Em geral, as próteses de quadril possuem duas partes:
As diferenças entre os implantes osseointegráveis a acetabular e a femoral. A fixação da prótese ao osso é
estão no perfil dos filetes de rosca (arredondada, trian- feita por meio de cimento ortopédico ou com o uso de
gular, quadrada, trapezoidal), tipos de conexões protéticas parafusos (Figura 2). As técnicas cirúrgicas são diferentes
(interna e externa), forma do corpo (cilíndrica, cônica, e os índices de sucesso são controversos.

A B C

Figuras 1 – Exemplos de sistemas para Ortopedia. A. Placa para fixação de fratura. B. Botão de fechamento. C. Placa de fechamento
do externo.

852 INPerio 2017;2(5):851-60


Revisão da Literatura Caderno científico [ IMPLANTE ]

A comparação entre os implantes foi iniciada pela


consulta às anotações das aulas de um dos autores e
buscas na literatura de trabalhos que envolviam a revisão
dos tópicos selecionados. A dificuldade foi encontrar os
dados referentes aos tópicos para os implantes da Medicina.
Na literatura médica, poucos trabalhos apresentam as
possíveis causas das falhas dos implantes e índices de
sucesso. Além disso, não há um trabalho que correlaciona
os implantes utilizados nas diferentes partes do corpo,
eles são divididos em tipo de implantes: prótese total de
quadril, de joelho, de ombro e assim por diante.
Para identificar os trabalhos de interesse, a busca
foi realizada usando como palavras-chave os tópicos
selecionados para a revisão.
Figura 2 – Exemplo da aplicação de prótese total de quadril
(imagem cedida pelo Dr. Dario Miranda). RESULTADOS

Materiais dos implantes


osseointegráveis e ortopédicos
O titânio comercialmente puro (Ti cp, ASTM F67 e
Diante da diversidade de implantes osseointegráveis ISO 5832-2) é o material mais utilizado na fabricação dos
usados na Odontologia e os ortopédicos da Medicina, implantes dentários2. Algumas empresas empregam a liga
observa-se a existência de várias diferenças entre as Ti-6Al-4V (ASTM F136 e ISO 5832-6) e a liga Ti-Zr. Para
ligas metálicas usadas na fabricação, técnicas cirúrgicas, restaurações, prótese unitária anterior e posterior, cobertura
conceitos de osseointegração, intensidade do aqueci- da estrutura metálica ou da subestrutura cerâmica, subes-
mento durante o preparo do sítio e índices de sucesso. trutura cerâmica parcial ou total, são usados diversos
As influências destes parâmetros serão analisadas no materiais cerâmicos (ISO 6872). A zircônia estabilizada
presente trabalho. O objetivo desta revisão da literatura com ítria é usada na forma de blocos pré-sinterizados
foi fazer um paralelo entre os implantes dentários e os para usinagem CAD/CAM das próteses parciais ou totais.
implantes ortopédicos. Os polímeros são usados para próteses e restaurações
(ISO 4049 e 10477).
MATERIAL E MÉTODOS Dentre os biomateriais metálicos dos implantes
ortopédicos, a liga Ti-6Al-4V (F136), aço inoxidável (ASTM
Por se tratar de um trabalho inédito que compara F138, F2581, F1314), Co-Cr-Mo (ASTM F75, F1537 e F799) e
os implantes dentários osseointegráveis e os usados na Co-Ni-Cr-Mo (ASTM F562) são os mais usados. Para alguns
Medicina, em especial para próteses totais de quadril e componentes ortopédicos, também são empregados
joelhos, placas e parafusos para fixação de fraturas, e outros polímeros de ultra-alto peso molecular (ASTM F2759) e a
tipos de implantes, o presente trabalho de revisão não zircônia estabilizada com ítria (ASTM F1873 e ISO 13356).
segue a metodologia clássica usada na revisão sistemática A primeira grande diferença entre os materiais dos
de temas. O mesmo foi dividido em tópicos selecionados implantes osseointegráveis e os da medicina está associada
pelos autores: 1) comparação entre os materiais usados ao comportamento e mecanismos de interações das
nas duas áreas; 2) técnicas cirúrgicas empregadas na células com as superfícies dos biomateriais. Considerando
Odontologia e para a instalação dos implantes ortopédicos; a definição de osseointegração usada na Odontologia,
3) possíveis causas e efeitos do aquecimento durante que é “o contato de células ósseas com a superfície do
a perfuração para inserir o implante; e 4) análise dos implante”3, nenhum dos biomateriais metálicos usados
insucessos dos implantes das duas áreas. nos implantes ortopédicos apresenta osseointegração.

INPerio 2017;2(5):851-60 853


Elias CN | Fernandes DJ | Machado VO | de Almeida ACC | de Carvalho PSP

Um dos inconvenientes das citadas ligas para fabricação Entre os diversos tipos de implantes usados para
dos implantes ortopédicos submetidos a elevados carrega- correções das deformidades ósseas, serão abordados
mentos é o surgimento do fenômeno denominado stress os usados na artroplastia total do quadril e joelhos, que
shilding4, o qual será discutido. são procedimentos ortopédicos mais agressivos do que
os odontológicos e estão entre os maiores índices de
Técnicas cirúrgicas na Odontologia e Ortopedia perdas advindas de complicações pós-cirúrgicas. Entre as
O sucesso do tratamento com implantes odontológicos complicações, os desgastes e a infecção são considerados
depende da estabilidade inicial (estabilidade primária), a os maiores riscos cirúrgicos destes dispositivos médicos
qual varia com a forma do implante, técnica cirúrgica, implantáveis.
quantidade e qualidade do osso do sítio cirúrgico, e A estimativa dos índices mundiais de infecções
morfologia da superfície do implante. Normalmente, os graves primárias em prótese de joelho é de 1% a 2%. Em
implantes com roscas e forma do corpo cônica possuem estudos de revisão de dados cirúrgicos e próteses totais
mais estabilidade primária do que os cilíndricos1. O perfil de quadril, este índice varia entre 2% e 6%. Mas, esse
dos filetes de roscas dos implantes cônicos permite maior número pode ser 12,6%. Em até 60% das ações existe a
capacidade de compactar o osso durante a inserção, presença de microrganismos na superfície protética. As
quando comparados aos cilíndricos. Estes implantes bactérias mais comumente encontradas em infecções
são mais indicados para serem instalados em osso com associadas às próteses ortopédicas são: Staphylococcus
menor densidade, como os existentes na região posterior aureus e Staphylococcus epidermidis5.
da maxila. A estabilidade primária também pode ser
aumentada, reduzindo a diferença entre o diâmetro da Possíveis causas e efeitos
última fresa e do implante, usando implantes com super- do aquecimento
fícies tratadas e inserindo-os em osso de maior densidade1. O aquecimento ósseo durante a preparação do
O protocolo cirúrgico para instalação dos implantes leito cirúrgico para instalar o implante dentário é um
dentários osseointegráveis e colocação da prótese pode fator responsável pela perda tardia de muitos implantes.
ser em um ou dois estágios. No início da Implantodontia, O aquecimento modifica o processo de reparo ósseo6
empregava-se somente o protocolo de dois estágios, o qual e, consequentemente, o cirurgião-dentista tem grande
consiste na instalação do implante com deslocamento dos preocupação durante o preparo do alvéolo cirúrgico para
tecidos moles, inserção do implante, fechamento do local e a inserção do implante. A técnica cirúrgica preconizada
espera de um tempo de quatro a seis meses para o reparo orienta que os tecidos duros devem ser mantidos abaixo
ósseo. Eram instalados múltiplos implantes na mandíbula, de 43ºC durante a perfuração.
os quais eram unidos pela estrutura protética. Na técnica O aquecimento do osso durante a perfuração depende
cirúrgica de dois estágios, o implante deve permanecer de múltiplos fatores. O aquecimento aumenta proporcio-
submerso e sem carregamento na fase de reparo ósseo. nalmente com o aumento do diâmetro da broca (fresa),
Após a cicatrização, os implantes são expostos e preparados profundidade e tempo de perfuração, força de compressão
para receber os componentes protéticos. Sobre os compo- aplicada, velocidade de rotação, número de usos das fresas,
nentes, a estrutura protética é fixada. O sistema transmite número de esterilizações dos instrumentos cirúrgicos de
as cargas normais para a interface osso/implante. perfuração, forma da fresa e refrigeração7.
Atualmente, emprega-se também o protocolo de O diâmetro da fresa influencia no volume de osso
um estágio. Os implantes são inseridos na mandíbula ou removido. Uma pequena diferença entre os diâmetros de
na maxila e a prótese é colocada imediatamente após fresas consecutivas usadas na perfuração remove menor
a cirurgia. Este protocolo foi possível após pesquisas e volume de osso, reduz os esforços de corte e diminui o
desenvolvimentos. Nos dois protocolos, são tomados aquecimento7. No entanto, o tempo da cirurgia aumenta
cuidados para que não ocorram micromovimentos dos devido ao maior número de trocas da fresa e aumenta
implantes durante o período de reparo ósseo. Com estas os custos clínicos, por exigir a aquisição de um maior
alterações, tornou-se viável a técnica cirúrgica de um número de brocas. Quanto à rotação dos instrumentos
estágio, conhecida como carga imediata. na perfuração do osso, esta deve ser inferior a 2.000 rpm.

854 INPerio 2017;2(5):851-60


Revisão da Literatura Caderno científico [ IMPLANTE ]

A velocidade do avanço da broca é controlada para que Os implantes odontológicos podem apresentar falha
não ocorram pressões excessivas contra o osso e aqueci- precoce ou tardia. No primeiro grupo, a falha ocorre
mento. A irrigação abundante durante a perfuração com principalmente devido à falta de estabilidade mecânica
soro fisiológico ou água destilada reduz o aquecimento. Na inicial, trauma cirúrgico excessivo, micromovimentação
Ortopedia, não há irrigação durante a preparação do local durante a cicatrização e infecção. Entre as possíveis causas
de instalação do implante e não há preocupação com a da perda tardia está a peri-implantite, perda óssea, fratura
velocidade de rotação das fresas. do implante devido à sobrecarga, biomecânica que induz à
As condições de realização da cirurgia para inserção reabsorção óssea, carregamento em osso não totalmente
de implantes ortopédicos são mais críticas em relação aos mineralizado e colonização bacteriana. Algumas condições
dentários, devido ao maior volume de osso que é removido, são consideradas de maior risco e aumentam a possibilidade
maiores dimensões da prótese, menor vascularização do de falha do implante: hábito de tabagismo, inserção em
local e ausência de irrigação do meio durante a cirurgia. tecidos irradiados, áreas enxertadas, parafunção, inten-
Na cirurgia para colocação da prótese total de quadril, é feita sidade do trauma cirúrgico, contaminação bacteriana,
a exposição da articulação do quadril e o deslocamento da carga imediata, número e distribuição dos implantes que
cabeça femoral. Utilizando-se serras oscilatórias, realiza-se suportam próteses inadequadas, morfologia da superfície
o corte do colo femoral. Para a inserção da haste femoral, o e forma dos implantes.
cirurgião emprega brocas longas para preparar a cavidade Apesar da incidência da fratura dos implantes odonto-
sem o uso de irrigação. Antes da inserção, alguns modelos de lógicos ser baixa, menos de 1% do total dos implantes que
haste femoral são recobertos com um cimento, normalmente tiveram insucesso, ela deve ser considerada e prevenida.
metacrilato, para obter melhor preenchimento da cavidade Entre as possíveis causas da fratura, a principal é a biome-
e acomodação da prótese. A reação de cura (na Odontologia cânica, devido à reabsorção óssea coronal do implante,
é usado o termo presa) do cimento ortopédico pode chegar que diminui o suporte ósseo e aumenta as cargas laterais
a temperaturas de 60ºC, sendo que pesquisadores8 encon- sobre ele. Além da causa biomecânica, deve-se considerar
traram variação entre 39ºC e 113ºC. Esta temperatura está o projeto inadequado do implante (implantes com paredes
acima da crítica para a desnaturação do colágeno, a qual finas, marcações que causam concentrações de tensões),
ocorre acima de 56ºC. O aquecimento induz à destruição seleção do material (material com baixa resistência mecânica
das células e à necrose dos tecidos, inviabilizando os em implantes de pequeno diâmetro, uso de material
mecanismos envolvidos na osseointegração dos implantes. com defeito, liga que libera íons tóxicos e que causam
sensibilidade ao paciente, ou que não possuem osseointe-
Análise do insucesso dos gração), qualidade da fabricação do implante (presença de
implantes nas duas áreas rebarbas de usinagem, acabamento superficial deficiente,
Os implantes dentários osseointegráveis, assim como contaminações de superfícies oriundas do tratamento de
os ortopédicos e os componentes estruturais, estão sujeitos superfície, ausência de controle dimensional para garantir
a falhas devido à perda óssea, fratura, desgastes e corrosão. boa adaptação dos componentes protéticos), procedimento
Não existe um tempo preconizado de sobrevivência cirúrgico (aquecimento e inclinação excessiva do implante),
dos implantes dentários osseointegráveis, e os índices reparação e reabsorção óssea, complicações e acidentes.
de sucesso dos tratamentos variam entre 95% e 98%9. A perda óssea ao redor dos implantes dentários pode
O sucesso depende da cooperação do paciente, qualidade se estender até a região que corresponde ao término do
e quantidade ósseas, capacidade de reparo dos tecidos parafuso de fixação do componente protético, aumentando
(cicatrização e regeneração), do sistema de implantes o braço de alavanca do sistema e a sobrecarga. Outros
(forma, qualidade de fabricação e superfície), da técnica fatores que induzem à fratura do implante são o aumento
cirúrgica, experiência e habilidade do cirurgião, do tipo da da relação coroa/implante, com o aumento do braço de
prótese, planejamento inicial, tipo de oclusão e da inten- alavanca, e o uso de implantes de pequeno diâmetro em
sidade das cargas orais. A colaboração do paciente após regiões com elevadas cargas orais. A área de constrição
a cirurgia é essencial, o qual deve fazer uma boa higiene das roscas do implante cria uma área de concentração
bucal e realizar visitas regulares ao dentista. de tensão que favorece a fratura.

INPerio 2017;2(5):851-60 855


Elias CN | Fernandes DJ | Machado VO | de Almeida ACC | de Carvalho PSP

Entre os procedimentos que devem ser adotados


para prevenir a fratura do implante dentário, destacam-se O sucesso ou a falha da cirurgia de
o controle da incidência de placa bacteriana e a otimi-
artroplastia com próteses de quadril
zação da orientação do implante, para garantir que as
ou de joelhos podem ser influenciados
forças de carregamento ocorram em seu longo do eixo.
É importante considerar que nos implantes há ausência pela fabricação do dispositivo, ato
do ligamento periodontal, ocorrendo uma anquilose cirúrgico e pelas características
funcional. O profissional deve utilizar implantes fabricados epidemiológicas do paciente10. Quanto
por empresas que possuem controle de qualidade dos ao primeiro fator citado, a empresa deve
produtos comercializados.
especificar a composição química e
Existe uma diferença no índice de sucesso entre as
suas propriedades mecânicas.
regiões de instalação dos implantes dentários. Devido à
intensidade das tensões e do tipo de osso, os índices de
sucesso dos implantes instalados na região dos molares e
em locais de enxertia são menores. O sucesso a longo prazo, de joelho, devido à fadiga causada pelo carregamento
acima de dez anos, dos implantes instalados na mandíbula repetitivo de compressão e tração durante os movimentos
é da ordem de 99%. Mesmo não havendo muitos casos de diários do paciente. Mesmo quando este está na posição
perda do implante, um parâmetro responsável pode ser de sentado, o esforço na cabeça do fêmur da prótese de
devido a um comportamento anormal das células, falta quadril pode chegar à ordem de três vezes o seu peso.
de higienização do paciente, infecção ou doença perio- Ao caminhar, estes valores aumentam, podendo chegar a
dontal. Apesar dos grandes avanços na técnica cirúrgica cinco vezes o peso do paciente quando este sobe escadas.
e melhorias na qualidade e no processo de fabricação Outras causas das falhas são a corrosão e o desgaste
destes dispositivos, ao longo dos anos os implantes ficam devido ao atrito entre as partes.
submetidos a carregamentos e sujeitos às complicações. O sucesso ou a falha da cirurgia de artroplastia com
A falta de ajuste e de adaptação do componente protético próteses de quadril ou de joelhos podem ser influen-
na plataforma do implante cria folgas que propiciam a ciados pela fabricação do dispositivo, ato cirúrgico e pelas
proliferação de biofilmes e infiltrações para os locais de características epidemiológicas do paciente10. Quanto
grandes espaços, prejudicando o processo de reparo ósseo ao primeiro fator citado, a empresa deve especificar a
e levando à falha dos implantes. composição química e suas propriedades mecânicas.
Quanto aos índices de sucesso dos implantes médicos, Além da especificação da matéria-prima, a empresa deve
deve-se destacar que as idades dos pacientes que neces- fazer a análise química e ensaios mecânicos do material
sitam de implantes dentários e próteses ortopédicas são recebido para certificar-se de que o fornecimento está
díspares. Enquanto a idade dos pacientes odontológicos conforme especificado. O uso de matéria-prima inadequada
inicia-se no término do crescimento ósseo, próximo aos induz à degradação (corrosão), liberação de íons tóxicos,
21 anos, na Ortopedia a maior incidência é para pacientes desgastes prematuros devido ao atrito das partes e até
acima de 60 anos. Os pacientes que necessitam de próteses mesmo à fratura. Tanto a liberação de íons tóxicos como
de quadril apresentam um quadro cirúrgico crítico, por a corrosão e liberação de debris geram reações tissulares
apresentarem desgastes das articulações e enfermidades locais e reações inflamatórias assépticas (metalose).
degenerativas, como necrose, artrose e fraturas por osteo- Com relação ao ato cirúrgico, o cirurgião deve realizar o
porose decorrentes de quedas. Assim como não existe planejamento, a correta indicação do tipo e dimensões do
apenas um fator responsável pela falha dos implantes implante, o emprego da técnica cirúrgica para posicionar
odontológicos, o mesmo ocorre para os ortopédicos. os componentes, avaliar a fisiologia do paciente (idade,
A falha ocorre devido à combinação de fatores que induzem massa corporal, possíveis doenças e geometria do canal
situações críticas que exigem a remoção do implante10. femural) e orientar o paciente quanto aos cuidados de
Entre as falhas das próteses ortopédicas, destaca-se reabilitação pós-operatória, destacando as restrições que
a maior incidência entre as próteses totais de quadril e devem ser observadas.

856 INPerio 2017;2(5):851-60


Revisão da Literatura Caderno científico [ IMPLANTE ]

A falha pode ocorrer devido à falta de conhecimento apresentam sinais de trombose. A incidência de infecção em
técnico ou utilização de instrumentais inadequados para artroplastia de quadril é da ordem de 0,4% a 1,5% devido
a realização da cirurgia, podendo gerar deformações ou a diabetes, psoríase, anemia falciforme, artrite reumática e
mau posicionamento do implante, com consequente uso de medicações que reduzem a imunidade do paciente.
fratura ou soltura precoce. De forma semelhante, o Em cerca de 0% a 2% das artroplastias de quadril ocorre
fato do paciente não seguir o protocolo pós-operatório a luxação (deslocamento da cabeça femoral protética).
definido pelo cirurgião pode provocar sobrecarga precoce A osteólise e desgastes das partes articuladas também são
do implante e consequente falha10. O terceiro parâmetro comuns. A soltura da prótese pode ocorrer devido à falha
que influencia na falha da artroplastia envolve as carac- na integração, falha no cimento das próteses cimentadas,
terísticas epidemiológicas do paciente. O cirurgião deve infecção, desgaste e osteólise11.
analisar e considerar esta variável na fase de planejamento.
Destaca-se também a idade, o peso e o sexo do paciente, DISCUSSÃO
a existência de doenças sistêmicas, qualidade e quantidade
óssea, potencial osteogênico e as características específicas Atualmente, e com base na norma ISO 16443
da etiologia da incapacidade do membro (osteoartrose (Dentistry – Vocabulary of oral Implantology), o conceito
primária ou secundária). de osseointegração dos implantes dentários está associado
Na Odontologia, a escolha do implante é baseada ao contato de células ósseas com a superfície do implante.
em informações obtidas em cursos de aperfeiçoamento, Portanto, ele depende do material de fabricação, da forma
congressos e publicações científicas que comprovam do implante, da morfologia e rugosidade da superfície,
a eficácia do produto. Na Ortopedia, a escolha do tipo da quantidade e tipo do osso no local de inserção, das
de implante não é baseada em evidências científicas10. condições de carregamento, dos agentes farmacológicos
De modo geral, a indicação do fabricante e tipo de e do controle do aquecimento durante a osteotomia1.
implante é baseada na preferência ou experiência pessoal Embora o titânio comercialmente puro (Ti cp), o
do cirurgião, e não se encontra embasada em evidências nióbio (Nb) e o tântalo (Ta) apresentem osseointegração,
científicas de qualidade comprovada. Esta diferença o Nb não é usado devido a sua baixa resistência mecânica,
de comportamento pode ser uma das justificativas na enquanto o Ta possui maior custo e dificuldade de usinagem
diferença no percentual de falhas e revisões entre as duas do que o Ti cp. Algumas empresas usam a liga de titânio
áreas. Não existem evidências científicas que comprovem ASTM F136, que tem composição química diferente da liga
as hipóteses de que a indicação das próteses nacionais de Ti-6Al-4V usada na engenharia. Obrigatoriamente, estes
menor custo apresenta eficácia inferior às importadas10. implantes devem ter a superfície tratada para ocorrer
Igualmente, não existem dados e pesquisas que mostrem a osseointegração. Já os implantes ortopédicos exigem
que a seleção das próteses importadas ocorre devido materiais com resistência mecânica superior à do Ti cp
à maior longevidade e menor necessidade de revisão, odontológico, mas isto possibilita o stress shielding, que
justificando o seu maior custo10. está associado à concentração de tensões na interface
Os problemas decorrentes das próteses de quadril osso/implante com reabsorção óssea localizada4. Este
que podem levar à falha estão associados aos micro- efeito é minimizado por ligas com baixo módulo de
movimentos, formação de tecido fibroso na interface elasticidade. O Ti-35Nb-4Sn tem o menor módulo de
implante/osso, stress shielding e perda óssea. É comum elasticidade (≈ 40 GPa) quando comparado com mais de
também a liberação de partículas do cimento colocado na 15 ligas, como Ti-6Al-4V (110 GPa) e Ti-35Nb-5Ta-7Zr (55
superfície dos implantes ortopédicos, devido à degradação, GPa). Pela melhor adaptação às propriedades mecânicas
desgaste das partes com o atrito e corrosão induzida pela do osso, esta liga tem sido estudada como material de
agressividade do meio orgânico. Pode ocorrer a fratura substituição de tecido ósseo.
do componente femoral ou do acetábulo, com maior A resposta do osso aos carregamentos transmitidos
incidência (3% a 18%) em componentes não cimentados. pelo implante está ligada às propriedades da superfície
Observa-se em exames de imagem que cerca de 60% a do implante12, assim superfícies hidrofílicas interagem
70% dos pacientes submetidos à artroplastia de quadril melhor com os fluidos corpóreos, quando comparadas

INPerio 2017;2(5):851-60 857


Elias CN | Fernandes DJ | Machado VO | de Almeida ACC | de Carvalho PSP

com as hidrofóbicas. A composição química da super- superior a outra. Por outro lado, em alguns casos de fratura
fície determina a interação, adsorção de proteínas e, por do colo femoral, o componente pode ser utilizado com uma
conseguinte, a adesão celular12. A morfologia da super- grande cabeça femoral de metal articulando diretamente
fície (polida, macrorrugosa, microrrugosa e nanorrugosa) no acetábulo do paciente, para que a articulação se faça
altera o comportamento e seleção das células que entram diretamente entre a cabeça femoral metálica e a cartilagem
em contato com a superfície do implante. Assim, os acetabular. Nesta situação, o procedimento cirúrgico não
mecanismos da osseointegração são determinados pelas inclui a fresagem, com a inserção do componente acetabular
propriedades químicas e físicas da superfície do implante e a cirurgia sendo menos invasiva.
e de suas interações com os fluidos corpóreos13. As reações iniciais determinarão a adesão, proliferação
Por outro lado, na Ortopedia, a osseointegração e diferenciação das células osteoblásticas13. Mesmo em
é visualmente avaliada em exames radiográficos pela cirurgias minimamente traumáticas, há uma série de
ausência de espaço entre a prótese e o osso, ou clinica- eventos bioquímicos. A cirurgia altera o pH do local, com
mente pela ausência de dor. Aqui, a osseointegração é liberação de proteínas ósseas morfogenéticas e enzimas
caracterizada pela estabilidade mecânica, diferente da proteolíticas (metaloproteinases, colagenases e gelati-
Odontologia. Na Ortopedia, macroporosidades superficiais nases) reguladoras do processo de divisão e proliferação
e a geometria dos implantes são dois pontos fundamentais celular17. Também surgem os mediadores anti-inflamatórios,
na estabilidade mecânica inicial. A existência de tecidos citocinas e fatores de crescimento, essenciais para que as
ósseos nas cavidades e nas macroporosidades da superfície células mesenquimais indiferenciadas e células do tecido
da prótese é considerada sucesso e reconhecida como conjuntivo (fibras colágenas) existentes na medula óssea
osseointegração. Estruturas com elevadas porosidades se diferenciem em células osteoblásticas ou fibroblásticas.
das superfícies dos implantes ortopédicos são mais Com a deposição da matriz colágena não calcificada (fibras
investigadas do que nos implantes dentários. Os poros de colágeno) e a formação da matriz fibrosa (osso imaturo),
na estrutura metálica permitem o crescimento do tecido agregam-se gradativamente cálcio, fosfato, sódio, magnésio
ósseo para seu interior e o travamento mecânico entre as e vários outros componentes minerais do tecido ósseo
estruturas14-15. As próteses com estrutura porosa possuem entre as fibras colágenas, como parte do processo de
menor módulo de elasticidade em relação às totalmente maturação do tecido ósseo neoformado18. A partir desse
sólidas. Isto contribui para minimizar o stress shielding. processo, a osseointegração é iniciada pela modelação
Quanto ao ato cirúrgico dos implantes dentários e e remodelação de uma camada parcialmente minera-
ortopédicos, a falta de conhecimento técnico ou utilização lizada sobre a superfície do implante. Estes mecanismos
de instrumentais inadequados para a realização da cirurgia envolvidos na interação das células com os implantes são
podem induzir deformações ou mau posicionamento do mais analisados na Implantodontia do que na Ortopedia.
implante, com sua consequente fratura ou soltura precoce. O equilíbrio entre osteoblastos/osteoclastos (janela
Por exemplo, na fase de planejamento do procedimento de carregamento biológico) é alterado com modificações
de artroplastia de quadril, são analisados os possíveis hormonais, injúrias dos tecidos e variação da intensidade
posicionamentos, o tipo de acesso, a técnica de preparo do de carregamento. O osso com a ausência de carregamentos
fêmur e do acetábulo, e a seleção da prótese (cimentada ou com cargas intensas sofre reabsorção, e é crítico
ou não). Tradicionalmente, são realizadas incisões 10-20 controlar a intensidade do carregamento dos implantes
vezes maiores (15 cm a 20 cm de comprimento) do que dentários ou ortopédicos na faixa de intensidade que não
na Odontologia. Entretanto, modificações na técnica quebra este equilíbrio. Esta situação é mais crítica para os
e aprimoramentos dos instrumentos cirúrgicos e dos implantes ortopédicos, uma vez que as intensidades dos
materiais têm permitido reduções (incisões < 10 cm). carregamentos são maiores. Outro ponto importante nestes
Mesmo assim, os tecidos danificados são mais profundos pacientes é que, com o aumento da idade, a atividade
e atingem as articulações16. Ainda não existe comprovação das células osteoblásticas é reduzida e das osteoclásticas
de que o uso do dreno diminua a taxa de infecção16. aumentada, e a vascularização na região de inserção dos
A técnica é importante para garantir uma vida sem dor implantes dentários é significativamente superior a dos
e com movimentos, mas ainda não existe uma técnica locais de inserção dos implantes ortopédicos.

858 INPerio 2017;2(5):851-60


Revisão da Literatura Caderno científico [ IMPLANTE ]

Para o sucesso dos implantes dentários, há neces- Considerando somente a existência de contato osso/
sidade de um completo selamento cervical dos tecidos implante, observada em exames radiográficos, cerca de
moles ao redor do componente protético, impedindo que 93% das hastes femorais apresentam sucesso15. Outros
o osso ao redor do implante entre em contato com o meio pesquisadores22 observaram radiograficamente que 95,7%
bucal altamente contaminado19. Apesar da importância das hastes femorais não cimentadas possuem osseointe-
do selamento dos tecidos moles nos sítios dos implantes, gração, mas 36,8% evidenciaram a presença de osteólise.
este não tem sido completa ou detalhadamente avaliado. A análise radiográfica do índice de sucesso das cirurgias
Na Ortopedia, não há preocupação com o selamento, uma dos pacientes com hastes femorais mostrou que em
vez que não existem componentes protéticos em contato 44,4% há porosidade estendida e, dentre estes pacientes,
com o meio externo. Nos tecidos peri-implantares, a região 93,3% apresentavam osteólise femoral23. Com base nestes
da mucosa é nutrida por vasos originários do periósteo dados, os índices de sucessos dos implantes dentários são
do sítio ósseo implantar. Em ambas as situações, os maiores do que os dos implantes ortopédicos.
vasos constroem um “plexo clavicular” lateral ao epitélio
juncional. Na porção conjuntiva dos dentes naturais e CONCLUSÃO
acima da crista existe uma rica vascularização, enquanto
que nos sítios dos implantes dentários são observados Os implantes usados na Odontologia e na Medicina
poucos vasos. apresentam semelhanças e diferenças significativas que
Os mecanismos teciduais de defesa na gengiva são justificam os diferentes índices de sucesso. Entretanto,
mais eficientes do que nos tecidos peri-implantares, na melhorias contínuas nos materiais, procedimentos e
prevenção de propagações da microbiota do sulco20. treinamento fornecerão uma taxa menor de reposição
Por outro lado, o sistema vascular da cabeça do fêmur é de implantes dentários, especialmente dos implantes
formado por ramos da artéria circunflexa que atravessa ortopédicos.
a cabeça femoral. Todos os vasos nutrientes da cabeça
Nota de esclarecimento
femoral atravessam o colo femoral. A fratura do colo Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
femoral lesa esses vasos sanguíneos e priva de sangue a pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
cabeça femoral. Além desse sistema, ainda existe a artéria recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
do ligamento redondo e os vasos metafisários que estão
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
internamente na metáfise óssea. Com a ocorrência da também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fratura ou lesões graves, esses ramos da circunflexa e fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
os vasos metafisários podem vir a se romper, e a artéria não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
do ligamento redondo não é suficiente para manter a testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.
vascularização da cabeça femoral, o que faz com que a
cabeça femoral não seja mais viável, exigindo a cirurgia Endereço para correspondência
Carlos Nelson Elias
de artroplastia do quadril21. A necrose da cabeça femoral Pr. General Tibúrcio, 80 – Urca
(osteonecrose, necrose asséptica ou necrose avascular da 22290-270 – Rio de Janeiro – RJ
elias@ime.eb.br
cabeça femoral) ocorre devido à morte das células desta
região. Um grande número dos pacientes afetados por esta
degeneração tem menos de 40 anos de idade, período
de grande atividade. Com a degeneração dos tecidos, os
pacientes apresentam dificuldade para executar atividades
simples, como subir escadas e praticar esportes.

INPerio 2017;2(5):851-60 859


Elias CN | Fernandes DJ | Machado VO | de Almeida ACC | de Carvalho PSP

REFERÊNCIAS
1. Elias CN, Rocha FA, Nascimento AL, Coelho PG. 9. Silva CO, de Oliveira EF, Rodrigues Filho LS, 17. Amadei SU, Silveira VAS, Pereira AC, Carvalho RF,
Influence of implant shape, surface morphology, Marson FC, Progiante PS. Análise retrospectiva Rocha RF. A influência da deficiência estrogênica
surgical technique and bone quality on the das características dos implantes instalados no processo de remodelação e reparação óssea.
primary stability of dental implants. J Mech na faculdade Ingá entre 2005 e 2014. InPerio J Bras Patol Med Lab 2006;42(1):5-12.
Behav Biomed Mater 2012 ;16:169-80 (doi: 2016;1(8):1554-60. 18. Sfeir L, Ho L, Doll BA, Azari K. Fracture repair.
10.1016/j.jmbbm.2012.10.010). 10. Belloti JC. Cenário atual do uso de próteses In: Lieberman JR, Friedlaender GE. Bone
2. Elias CN, Roestel J, Zucareli MA, Campaneri C, ortopédicas – discussão sobre próteses regeneration and repair. Biology and clinical
Resende CRS. Implantes de Ti cp com alta resis- nacionais versus importadas. Diagn Tratamento applications. Totowa-New Jersey: Humana
tência mecânica para aplicações na Odontologia. 2009;14(1)9-11. Press, New Jersey, 2005.
ImplantNews 2013;10(6a):74-81. 11. Hatem MA, Da Luz BF, Nishi RN, de Alencar 19. Carmichael RP, Apse P, Zarg GA, McCulloch CAG.
3. Dentistry. Vocabulary of oral implantology. ISO PGC. Avaliação dos resultados de compo- Biological, microbiological and clinical aspects
16443. Geneva. Switzerland. nente femoral cônico de fixação proximal não of the peri-implant mucosa. In: Albrektsson T,
4. Niinomi M. Mechanical biocompatibilities cimentado em fêmur tipo C de Dorr. Revista Zarb GA, editors. The Brånemark osseointegrated
of titanium alloys for biomedical applica- Brasileira de Ortopedia 2014;49(3):260-6. implant. Chicago: Quintessence, 1989. p.39-78.
tions. J Mech Behavior of Biomed Mater 12. Novaes Jr. AB, Souza SLS, Barros RRM, Pereira 20. Berglundh T, Lindhe J, Marinello CP, Ericsson I,
2008;1(1):30-42. KKY, Iezzi G, Piattelli A. Influence of implant Liljenberg B. Soft tissue reactions to de novo
5. Franco LMC, Ercole FF, De Mattia A. Infecção surfaces on osseointegration. Braz Dent J plaque formation at implants and teeth. An
cirúrgica em pacientes submetidos à cirurgia 2010;21(6):471-81. experimental study in the dog. Clin Oral Implants
ortopédica com implante. Revista Sobecc 13. Puelo DA, Nanci A. Understanding and Res 1992;3(1):1-8.
2015;20(3):163-70. controlling the bone implant interface. Bioma- 21. Alves HLR, Stainer D, Bergmann CP. Método
6. Brånemark PI. Introduction to osseointegration. terials 1999;20(23-24):2311-21. alternativo para fabricação de cabeça femoral
In: Brånemark PI, Zarb GA, Albrektsson T, editors. 14. Meding JB, Keating EM, Ritter MA, Faris PM, para cerâmica para cerâmica para próteses de
Tissue-integrated prostheses: osseointegration Berend ME. Minimum ten year follow-up of a quadril. Rev Bras Eng Biomed 2004;20(2-3):81-8.
in clinical dentistry. Chicago: Quintessence, straight stemmed, plasma spray, titanium alloy, 22. Belmont PJ, Pwers CC, Beykirch SE, Hopper
1985. p.11-76. uncemented femoral component in primary RH. Results of the anatomic medullary locking
7. Vasconcellos VSL, Elias CN. Parâmetros físicos total hip arthroplasty. J Bone Joint Surg Am total hip arthoplasty at minimum of 20 years.
e mecânicos que influenciam o aquecimento 2004;86(1):92-7. A concise follow-up of previous reports. J Bone
durante a osteotomia para implantes dentários. 15. Sinha RK, Dungy DS, Yeon HB. Primary total Joint Surg Am 2008;90(7):1524-30.
ImplantNews 2014;11(4):505-8. hip artoplasty with a proximally prous- 23. Kang JS, Moon KH, Park S, Choi SW. Long-term
8. Belkoff SM, Moloy S. Temperature measurement coated femoral stem. J Bone Joint Surg Am results of total hip arthroplasty with an
during polymerization of polymethylmeth- 2004;86(6):1254-61. extensively porous coated stem. Yonsei Med J
acrylate cement used for vertoplasty. Spine 16. Sawaia RN, Galvão AFM, Oliveira FM, Secunho 2010;51(1):100-3.
2003;28(14):1555-9. GR, Filho GV. Minimally invasive antrolateral
access route for total hip arthroplasty. Rev
Bras Ortop 2011;46(2):183-8.

Guia de leitura
Condição periodontal de puérperas: o que você precisa saber? Pág. 912

860 INPerio 2017;2(5):851-60


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

RESISTÊNCIA À TRAÇÃO UNIAXIAL DE COPINGS FUNDIDOS


E CIMENTADOS SOBRE MUNHÕES CONE-MORSE
COM DIFERENTES DIÂMETROS E ALTURAS

Uniaxial tensile strength of cast cemented copings for cone-morse


prosthetic implant abutments with different diameters and heights

Marcus Bravo Alves1, Sérgio Alexandre Gehrke2, Cecília Pedroso Turssi3, Samilly Evangelista Souza4, Milton Edson Miranda5

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: avaliar a resistência à tração de copings fundidos Objective: to evaluate the tensile strength of cemented copings
cimentados sobre pilares cone-morse com diferentes alturas on cone-morse abutments with different heights and diameters.
e diâmetros. Material e métodos: quatro grupos (G1: 3,5 mm x Material and methods: four groups (G1: 3.5 mm x 4 mm; G2: 3.5
4 mm; G2: 3,5 mm x 6 mm; G3: 4,5 mm x 4 mm; e G4: 4,5 mm x mm x 6 mm; G3: 4.5 mm x 4 mm; and G4: 4.5 mm x 6 mm) with
6 mm) com cinco amostras cada tiveram seus copings encerados, five samples each had their waxed copings and cast in Ni-Cr
fundidos (liga de Ni-Cr) e cimentados (Panavia F, carga de 6 Kfg alloy, being cemented (Panavia F, 6 Kgf-load, 5 minutes) on their
durante cinco minutos) sobre os respectivos pilares já torqueados respective already torqued abutments (25 Ncm). Then, samples
com 25 Ncm. Depois, as amostras foram imersas em água destilada were immersed in distilled water (37oC ± 2oC) for 24 hours and
a 37oC ± 2oC durante 24 horas e submetidas ao ensaio de tração subjected to the tensile test until restorations being separated.
até soltura das restaurações. Os dados obtidos foram analisados The data obtained were analyzed statistically for normality and
estatisticamente quanto ao atendimento das pressuposições de homogeneity of variances by the Shapiro-Wilk and Levene tests.
normalidade e de homogeneidade de variância, pelos testes de Comparisons were made using the 2-way Anova test (α=5%).
Shapiro-Wilk, Levene e Anova dois critérios (α=5%). Resultados: Results: the values (mean ± standard deviation) of tensile strength
os valores (média ± desvio-padrão) de resistência à tração (em (in Newtons) were: G1: 108.9 ± 37.2; G2: 168.6 ± 43.9; G3: 143.4 ± 57.1;
Newtons) foram: G1: 108,9 ± 37,2; G2: 168,6 ± 43,9; G3: 143,4 ± G4: 236.8 ± 52.2. There was no statistically significant interaction
57,1; G4: 236,8 ± 52,2. Não houve interação estatisticamente between the variables diameter and height (p=0.446). When
significativa entre as variáveis diâmetro e altura (p=0,446). Ao comparing values of tensile strength, we observed statistically
se comparar os valores de resistência à tração, notou-se efeitos significant effects for diameter (p=0.030) and height (p=0.003).
estatisticamente significativos entre o diâmetro (p=0,030) e a altura Abutments with a 4.5 mm diameter provide significantly higher
(p=0,003) dos munhões cone-morse. Munhões com 4,5 mm de tensile strength to those obtained with 3.5 mm in both 4 mm and
diâmetro proporcionaram resistência à tração significativamente 6 mm height conditions. The tensile strength was increased (37%)
superior àquela obtida na condição em que foram empregados for the 4.5 mm compared to the 3.5 mm condition. The tensile
munhões com 3,5 mm, tanto nas condições 4 mm quanto 6 mm de strength was increased (60.7%) with a height of 6 mm, compared
altura. A resistência à tração foi aumentada (37%) com munhões to height of 4 mm. Conclusion: abutments for cone-morse implants
4,5 mm comparados aos munhões 3,5 mm. A resistência à tração with larger dimensions provide greater safety and stability for
foi aumentada (60,7%) com a altura de 6 mm, comparada à altura cemented crowns.
de 4 mm. Conclusão: pilares para implantes cone-morse com Key words – Dental implants; Tensile strength; Abutment;
maiores dimensões proporcionam maior segurança e estabilidade Morse cone connection type.
às coroas cimentadas sobre implantes.
Palavras-chave – Implantes dentários; Resistência à tração;
Abutment; Cone-morse.

1
Mestre em Prótese Dentária – Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, Campinas.
2
Doutor em Biologia Celular e Molecular – Pontifícia Universidade Católica – PUC/RS; Diretor – Biotecnos Research Center; Professor – Universidade Católica do
Uruguai.
3
Professora doutora da pós-graduação – Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic, Campinas.
4
Doutora em Clínicas Odontológicas, área de concentração Prótese Dentária – Unicamp; Professora adjunta da Faculdade de Odontologia – UFBA.
5
Doutor em Prótese Dentária – Universidade de São Paulo – USP; Coordenador dos cursos de especialização e mestrado em Prótese Dentária – Faculdade de
Odontologia São Leopoldo Mandic, Campinas.

Recebido em jul/2017
Aprovado em ago/2017

INPerio 2017;2(5):861-6 861


Alves MB | Gehrke SA | Turssi CP | Souza SE | Miranda ME

Após o advento da osseointegração 1 , Apesar disso, na literatura não são encontrados estudos
a Implantodontia garantiu confiança e biomecânicos relacionados ao comportamento de
previsibilidade aos seus resultados clínicos, diferentes dimensões dos munhões cimentáveis utilizados
em implantes de conexão do tipo cone-morse. Logo, o
através do maior reconhecimento na
objetivo deste estudo foi comparar a resistência à tração de
literatura científica. Entretanto, o sucesso
copings metálicos fundidos e cimentados sobre munhões
da terapia reabilitadora com implantes cone-morse de diferentes diâmetros e alturas.
não depende exclusivamente deste fator,
sendo de fundamental importância a MATERIAL E MÉTODOS
utilização do correto sistema de conexão
Para a realização deste estudo, foram utilizados
protética2-3, levando em consideração as suas
implantes, componentes protéticos e coifas plásticas
características estruturais.
calcináveis para sistemas de conexão do tipo cone-
-morse. Um total de 20 implantes (4 mm x 14 mm
– Implacil De Bortoli, São Paulo, Brasil – lote 6024994)
recebeu 20 munhões com cinta de 1,5 mm (Implacil De
Bortoli, São Paulo, Brasil), divididos em quatro grupos: G1
INTRODUÇÃO (3,5 mm diâmetro x 4 mm de altura – lote 6026754); G2
(3,5 mm de diâmetro x 6 mm de altura – lote 6029661); G3
Após o advento da osseointegração1, a Implantodontia (4,5 mm de diâmetro x 4 mm de altura – lote 6031432); e
garantiu confiança e previsibilidade aos seus resultados G4 (4,5 mm de diâmetro x 6 mm de altura – lote 6026737).
clínicos, através do maior reconhecimento na literatura Todos os grupos tinham cinco amostras cada. Sobre estes
científica. Entretanto, o sucesso da terapia reabilitadora munhões, foram usadas 20 coifas plásticas calcináveis para
com implantes não depende exclusivamente deste fator, munhões (Implacil De Bortoli, São Paulo, Brasil), Figura 1.
sendo de fundamental importância a utilização do correto
sistema de conexão protética2-3, levando em consideração
as suas características estruturais.
A obtenção da ótima estabilidade e manutenção
da conexão implante/prótese ainda é um desafio para a
prática clínica. A configuração geométrica estrutural pode
influenciar na manutenção da estabilidade desta conexão,
já que as forças oclusais podem causar complicações
mecânicas, principalmente nas conexões externas4. Assim,
os implantes com sistema cone-morse foram desenvolvidos
para serem totalmente estáveis e sem micromovimentos
durante a função5, visando diminuir consideravelmente
a possibilidade de afrouxamento do parafuso de fixação
do pilar ao implante6. Além disso, esse tipo de interface
implante/prótese surgiu para melhorar o selamento
biológico, diminuindo o acúmulo bacteriano na união
pilar/implante e possibilitando ótimos resultados estéticos.
Entretanto, o desenho dos pilares tem uma impor-
tante influência na retenção de copings metálicos7,
já que o comportamento e a estabilidade desses
componentes podem estar relacionados com as suas Figura 1 – Coping metálico fundido com aro para
características dimensionais, estruturais e geométricas. fixação na máquina de ensaio universal.

862 INPerio 2017;2(5):861-6


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Antes da fundição, foi confeccionado um aro circular carga (Ind Tec Oswaldo Filizola Ltda. – Guarulhos, Brasil),
em cera para fundição, que permitiu aos copings serem permanecendo após esse período em água a 37ºC +/- 2ºC
conectados à máquina de ensaio universal7-9. As coifas durante 24 horas. Para a manutenção da temperatura e
plásticas foram fundidas em liga de níquel-cromo (Fit circulação da água, foi utilizado um aparelho termorre-
Cast Titanium, Talmax – Paraná, Brasil) pela técnica de gulador modelo Biocycle V2 (BioPDI – São Carlos, Brasil).
cera perdida e incluídas em revestimento próprio para Após a secagem, os corpos-de-prova foram levados ao
fundição (Gilvest HS, SRL Dental, GMBH). Após a desin- ensaio em máquina universal AME-5kN (Ind. Tec. Oswaldo
clusão dos copings, os mesmos foram jateados na porção Filizola Ltda. – Guarulhos, Brasil) com velocidade de
interna com Al2O3 (granulação 60-80 μm), para remoção 0,05 mm/min., com sistema de medição de deslocamento
do revestimento, e usinados com pedras de acabamento incorporado com resolução de 0,001 mm (Figura 2).
e borrachas de polimento em toda a superfície externa.
Depois, os pilares foram montados sobre os implantes com Análise estatística
o auxílio de um torquímetro digital (Instruterm, modelo Os dados foram tabulados e submetidos à análise
TQ-680) e apertados com carga constante de 25 Ncm, estatística através do programa SPSS 23 (SPSS Inc. –
sendo repetido após dez minutos. Chicago/IL, EUA). Os dados de resistência à tração observada
A adaptação dos copings fundidos foi realizada pela entre copings cimentados sobre munhões cone-morse
inspeção visual, simulando o procedimento laboratorial e foram avaliados quanto ao atendimento das pressupo-
clínico. A cimentação dos copings aos pilares foi realizada sições de normalidade e de homogeneidade de variância
com o cimento resinoso Panavia F (Kuraray, Medical pelos testes Shapiro-Wilk e Levene, respectivamente. Para
Inc – Japão), seguindo as recomendações do fabricante, comparação do efeito do diâmetro e da altura de munhões
aplicado uniformemente no interior dos copings com o cone-morse, bem como da interação destas duas variáveis,
auxílio de uma espátula número 1. O conjunto de prova os dados de resistência à tração foram submetidos ao teste
foi submetido à carga constante de 6 Kgf durante cinco Anova 2 critérios. Todas as análises foram realizadas com
minutos10, em um dispositivo com célula medidora de nível de significância de 5%.

Figura 2 – Máquina
universal de ensaio
AME-5kN.

INPerio 2017;2(5):861-6 863


Alves MB | Gehrke SA | Turssi CP | Souza SE | Miranda ME

RESULTADOS DISCUSSÃO

A análise descritiva, em termos de média, desvio-padrão Apesar das altas taxas de sucesso dos implantes
e valores mínimo e máximo da resistência à tração observada osseointegrados encontradas na literatura, existem relatos
de copings cimentados sobre munhões cone-morse, com sobre a ocorrência de complicações técnicas relacionadas,
diferentes diâmetros e alturas, está sintetizada na Tabela 1. sobretudo ao afrouxamento e fratura dos parafusos proté-
A análise de variância 2 critérios demonstrou que não houve ticos de fixação11-13. O pilar CeraOne, lançado no início da
interação estatisticamente significativa entre as variáveis década de 1990 pela Nobel Biocare, foi o primeiro para
diâmetro e altura (p=0,446). Ao se comparar os valores de próteses cimentadas, sendo que o torque indicado de
resistência à tração, a análise de variância identificou efeitos 32 Ncm do parafuso de ouro tinha como finalidade, segundo
estatisticamente significativos do diâmetro (p=0,030) e da o fabricante, evitar o afrouxamento do parafuso de fixação
altura (p=0,003) dos munhões cone-morse. e propiciar uma menor transmissão de tensões à interface
Identificando-se as diferenças, verificou-se que, ao de fixação. Este pilar possui paralelismo entre as paredes
utilizar munhões com 4,5 mm de diâmetro, a resistência e um sistema antirrotacional encaixado na cabeça do
à tração foi significativamente superior àquela obtida implante, que evita a rotação, diminui os afrouxamentos
na condição em que foram empregados munhões com e melhora a adaptação da interface implante/pilar após
3,5 mm, resultado que se aplicou tanto para os munhões a fixação desse componente ao implante.
de 4 mm quanto de 6 mm de altura (Tabela 1). Especi- Diversos autores10,14-16 concordaram que esse sistema
ficamente, ao se utilizar um munhão cone-morse com era o mais eficiente para próteses cimentadas unitárias
diâmetro de 4,5 mm, em média, houve um aumento de e, por este motivo, foi escolhido como comparativo aos
37% na resistência à tração em relação ao munhão com munhões sólidos sobre implantes de conexão cone-morse.
diâmetro de 3,5 mm. Além disso, em ambos os sistemas são empregados
Constatou-se também que, quando a altura do análogos e copings metálicos obtidos a partir da fundição
munhão foi de 6 mm, a resistência à tração foi aumentada de coifas calcináveis, para a confecção das coroas proté-
60,7% em média, em comparação ao munhão com 4 mm ticas. Outro aspecto importante que deve ser abordado
de altura, tendo sido utilizados componentes com 3,5 mm em próteses sobre implante cimentadas é a escolha do
ou 4,5 mm de diâmetro (Tabela 1). agente cimentante, a qual depende diretamente do nível
de retenção desejada pelo profissional e que diferentes

TABELA 1 – DESVIOS-PADRÃO ENTRE PARÊNTESES. MÉDIAS GERAIS SEGUIDAS POR LETRAS MAIÚSCULAS DISTINTAS INDICAM DIFERENÇA
ESTATISTICAMENTE SIGNIFICATIVA ENTRE DIÂMETROS, O QUE SE APLICA A MUNHÕES DE AMBAS AS ALTURAS. MÉDIAS GERAIS SEGUIDAS POR
LETRAS MINÚSCULAS DISTINTAS INDICAM DIFERENÇA ESTATISTICAMENTE SIGNIFICATIVA ENTRE ALTURAS, O QUE SE APLICA A MUNHÕES
DE AMBOS OS DIÂMETROS
Altura

4 mm 6 mm
Diâmetro Média geral ± dp
Média ± dp Média ± dp
IC 95% IC 95%

108,9 (37,2) 168,6 (43,9)


3,5 mm 138,8 (49,6) A
62,76 – 155,08 114,12 – 223,08

143,4 (57,1) 236,8 (52,2)


4,5 mm 190,1 (71,3) B
72,48 – 214,32 171,93 – 301,67

Média geral 126,2 (48,93) a 202,70 (57,97) b –

864 INPerio 2017;2(5):861-6


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Autores22 também demostraram haver relação entre o diâmetro do pilar e sua retenção,
uma vez que pilares de menor diâmetro apresentaram mais falhas de descolamento das
coroas e fratura durante ciclagem mecânica, quando comparados a pilares de diâmetro
maior. Assim, as falhas apresentadas após ciclagem mecânica sobre pilares de diâmetro
menor foram mais severas do que as observadas sobre pilares mais largos24.

cimentos podem propiciar, sob mesmas condições, para separação do componente protético do implante25,
níveis diferentes de retenção. Assim, devido à exposição o que pode ser observado em nossos resultados, uma
das amostras a um ambiente úmido e de temperatura vez que o pilar de 3,5 mm x 6 mm apresentou força de
controlada por 24 horas, foi escolhido um cimento retenção numericamente maior do que o pilar de 4,5 mm x
resinoso para a execução dos ensaios mecânicos, o qual 4 mm, embora não tenha sido acusada estatisticamente
mostrou-se eficaz na retenção dos pilares CeraOne, corro- como significativa para o tamanho amostral adotado
borando com estudos anteriores que também utilizaram o neste trabalho. Além disso, pilares de mesma altura com
Panavia F (Kuraray Medical Inc.) como agente cimentante desenhos diferentes têm uma influência significativa na
em pilares CeraOne17-18. retenção dos copings metálicos cimentados7, sendo que,
Embora estudos específicos sobre a tração de entre os espécimes de mesma altura, observou-se maior
munhões sólidos cone-morse não tenham sido encon- resistência à tração naqueles que possuíam maior diâmetro.
trados na literatura, vários estudos já foram realizados
demonstrando a relação entre retenção das coroas e a CONCLUSÃO
altura e diâmetro dos pilares e/ou suas conexidades19-22,
ou mesmo demonstrando a importância do desenho do Diante dos resultados obtidos, e respeitando as
pilar, comparando pilares de mesma altura, na retenção de limitações deste estudo, entende-se que o pilar 4,5 mm x
copings metálicos7. Entretanto, com os resultados obtidos 6 mm, sempre que possível, estaria melhor indicado para
neste estudo, foi possível concluir que existiram diferenças retenções de próteses cimentadas sobre implantes com
entre os grupos em relação à resistência à tração, uma vez conexão do tipo cone-morse. Entretanto, novos estudos
que o grupo 3,5 mm x 4 mm apresentou menor força de clínicos deverão ser realizados para a confirmação desta
tração quando comparado ao grupo 4,5 mm x 6 mm. Esse observação.
achado pode ser corroborado pelas conclusões de alguns
Nota de esclarecimento
autores19-21,23, que observaram que pilares mais baixos e Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
com uma maior conicidade apresentaram menor força pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
de retenção entre coping e pilar. recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
Autores22 também demostraram haver relação entre
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
o diâmetro do pilar e sua retenção, uma vez que pilares também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
de menor diâmetro apresentaram mais falhas de desco- fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
lamento das coroas e fratura durante ciclagem mecânica, não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
quando comparados a pilares de diâmetro maior. Assim, testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.
as falhas apresentadas após ciclagem mecânica sobre
pilares de diâmetro menor foram mais severas do que as Endereço para correspondência
Samilly Evangelista Souza
observadas sobre pilares mais largos24. Além disso, a altura Rua Pedro Chiarini, 419 – Vila Independência
do pilar é mais importante do que a área total de contato 13416-330 – Piracicaba – SP
Tel.: (19) 98155-6706
do pilar com o coping, na determinação da força necessária samilly.souza@hotmail.com

INPerio 2017;2(5):861-6 865


Alves MB | Gehrke SA | Turssi CP | Souza SE | Miranda ME

REFERÊNCIAS
1. Brånemark PI, Adell R, Breine U, Hansson BO, 11. Sharifi MN, Pang IC, Chai J. Alternative restor- 20. Bresciano M, Schierano G, Manzella C, Screti A,
Lindström J, Ohlsson A. Intra-osseous anchorage ative techniques of the ceraone single-tooth Bignardi C, Preti G. Retention of luting agents
of dental prostheses. I Experimental studies. abutment: a technical note. Int J Oral Maxillofac on implant abutments of different height and
Scand J Plast Reconstr Surg 1969;3(2):81-100. Implants 1994;9(2):235-8. taper. Clin Oral Implant Res 2005;16(5):594-8.
2. Breeding LC, Dixon DL, Bogacki MT, Tietge JD. 12. Ekfeldt A, Carlsson GE, Börjesson G. Clinical 21. Schiessi C, Schaefer L, Winter C, Fuerst J, Rosen-
Use of luting agents with an implant system: evaluation of single-tooth restorations tritt M, Zeman F et al. Factors determining the
Part I. J Prosthet Dent 1992;68(5):737-41. supported by osseointegrated implants: a retentiveness of luting agents used with metal-
3. Borie E, Orsi IA, Araujo CP. The influence of the retrospective study. Int J Oral Maxillofac Implants and ceramic-based implant components. Clin
connection, length and diameter of an implant 1994;9(2):179-83. Oral Investig 2013;17(4):1179-90.
on bone biomechanics. Acta Odontol Scand 13. Jiménez-López V. Prótese sobre implantes: 22. Moris ICM, Faria ACL, Ribeiro RF, Rodrigues RCS.
2015;19(5):1-9. oclusão, casos clínicos e laboratório. São Paulo: Torque loss of different abutment sizes before
4. Schwarz MS. Mechanical complications Quintessence, 1995. and after cyclic loading. Int J Oral Maxillofac
of dental implants. Clin Oral Implants Res 14. Kent DK, Koka S, Froeschle ML. Retention of Implants 2015;30(6):1256-61.
2000;11(1):156-8. cemented implant-supported restorations. 23. Rodiger M, Rinke S, Ehret-Kleinau F, Pohlmeyer F,
5. Herman JS, Buser D, Schenk RK, Schoolfield JD, J Prosthodont 1997;6(3):193-6. Lange K, Burgers R et al. Evaluation of removal
Cochran DL. Biologic width around one- and 15. Clayton GH, Dricoll CF, Hondrum SO. The effect forces of implant-supported zirconia copings
two-piece titanium implants. Clin Oral Implants of luting agents on the retention and marginal depending on abutment geometry, luting agent
Res 2001;12(6):559-71. adaption of the Ceraone Implant system. Int J and cleaning method during re-cementation. J
6. Fernandes T, Gehre AS, Mardegan FEC, Bortoli Oral Maxillofac Implants 1997;12(5):600-5. Adv Prosthodont 2014;6(3):233-40.
Junior N, Tritto MA. Comparative study of 16. Andersson B, Odman P, Lindvall AM, Brånemark 24. Moris ICM, Faria ACL, Ribeiro RF, Rodrigues
removal torque screw connection prosthetic PI. Cemented single crowns on osseointe- RCS. Abutments with reduced diameter for
pillars over implants connection hexagon grated implants after 5 years: results from a both cement and screw retentions: analysis
internal Morse taper after mechanical cycling prospective study on ceraone. Int J Prosthodont of failure modes and misfit of abutment-
tests. J Health Sci Inst 2011;29(3):161-5. 1998;11(3)212-8. crown-connections after cyclic loading. Clin
7. Cunha Jr. AP, Moysés GP, Neves ACC, Vitti RP, 17. Schneider R, Goes M, Henriques G, Chan D. Oral Implants Res 2016;1-5.
Goulart FCR, Concilio LRS. Influence of abutment Tensile bond strength of dual curing resin-based 25. Covey DA, Kent DK, St Germain Jr. HA, Koka S.
design on retention of metal copings cemented cements to commercially pure titanium. Dent Effects of abutment size and luting cement
to implants. Acta Biomat Odo Scandinavica Mater 2005;23(1):81-7. type on the uniaxial retention force of
2016(2):38-42. 18. Rappelli G, Corso M, Coccia E, Camaioni E, implant-supported crowns. J Prosthet Dent
8. Dixon DL, Breeding LC, Lilly KR. Use of luting Di Felice R, Procaccini M. In vitro retentive 2000;83(3):344-8.
agents with an implant system: part II. J Prosthet strength of metal superstructures cemented
Dent 1992;68(6):885-90. to solid abutments. Minerva Stomatologica
9. Wolfart M, Wolfart S, Kern M. Retention forces 2008;57(3):95-101.
and seating discrepancies of implant-retained 19. Bernal G, Okamura M, Muñoz CA. The effects of
castings after cementation. Int J Oral Maxillofac abutment taper, length and cement type on
Implants 2006;21(4):519-25. resistance to dislodgement of cement-retained,
10. Avelar RP, Kimpara ET, Bottino, MA, Vasques VZC, implant-supported restorations. J Prosthodont
Hilgert E, Jóias RM et al. Efeito dos agentes de 2003;12(2):111-5.
cimentação provisória na resistência à tração no
sistema restaurador Ceraone sobre implantes.
ImplantNews 2004;1(3):229-32.

Guia de leitura
Como o álcool afeta o periodonto? Pág. 934

866 INPerio 2017;2(5):861-6


Hung CCU | Calabro DE | Barbaran PV | Moura RV | Giovani EM | Mesquita AMM

AVALIAÇÃO DA DEFORMAÇÃO SUPERFICIAL DO OSSO GERADA POR


CARGAS AXIAIS EM IMPLANTES DE DIFERENTES COMPRIMENTOS

Evaluation of superficial bone deformation for axial loads with different implants lengths

Celeste Cecilia Urdaniga Hung1, Debora Elias Calabro1, Pedro Vera Barbaran1, Renata de Vasconcellos Moura2,
Elcio Magdalena Giovani3, Alfredo Mikail Melo Mesquita4

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: avaliar, por meio de extensometria, a transmissão da Purpose: the aim of this study was to evaluate, by extensometry,
carga mastigatória axial ao osso de suporte em próteses unitárias the transmission of the axial masticatory load to supporting bone
implantossuportadas por implantes de diferentes comprimentos. around implants of different lengths. Material and methods: in a
Material e métodos: em um bloco de poliuretano que simula block of polyurethane that simulates 2 mm of cortical bone and the
2 mm de osso cortical e o restante de medular, segundo a norma remaing of medullary bone, according to the ASTM-F1839 standard,
ASTM–F1839, com 22 mm x 16 mm x 150 mm, foram instalados with 22 mm x 16 mm x 150 mm, were installed 4 morse tappered
quatro implantes cone-morse infraósseos 2 mm: G1) 4 mm x dental implants, 2 mm subcrestal: G1) 4 mm x 7 mm; G2) 4 mm
7 mm; G2) 4 mm x 9 mm; G3) 4 mm x 11 mm; G4) 4 mm x 13 mm. x 9 mm; G3) 4 mm x 11 mm; G4) 4 mm x 13 mm. Estheticone-like
Sobre os mesmos, foram instalados pilares do tipo esteticone e abutments and metallic cylinders were placed. Two linear strain
cilindros metálicos. Dois extensômetros lineares foram colados gauges were bonded on block surface, tangential to the platform
na superfície do bloco, tangenciando a plataforma de cada of each implant (mesial and distal). A 100 N load on the occlusal
implante (mesial e distal). Em uma máquina de ensaio universal, surface of each cylinder was applied to a universal test machine.
foi aplicada uma carga de 100 N sobre a superfície oclusal de For each group, five measurements and the data obtained in
cada cilindro. Para cada grupo, foram realizados cinco medições microdeformation (μƐ) were performed. The normality of the data
e os dados obtidos em microdeformacão (μƐ). Foi verificada a was verified by the Shapiro-Wilk test and (p < 0.05) and Tukey's
normalidade dos dados pelo teste de Shapiro-Wilk e realizada test (p  0.5). Results: the means and standard deviation of the
a análise de variância 1 critério (p < 0,05), e o teste Tukey samples were respectively G1: 346.16.3 ± 10.28 μƐ; G2: 216.91 ±
(p  0,5). Resultados: as médias e os desvios-padrão das amostras 15.47 μƐ; G3: 114.41 ± 2.33 μƐ; G4: 76.83.3 ± 7.13 μƐ. The Shapiro-Wilk
foram, respectivamente, G1: 346.16,3 ± 10,28 μƐ; G2: 216.91 ± test exhibit the normality of the data, and the Anova and Turkey
15,47 μƐ; G3: 114,41 ± 2,33 μƐ; e G4: 76.83,3 ± 7,13 μƐ. O teste de tests exhibit statistically significant difference between all groups.
Shapiro-Wilk constatou a normalidade dos dados, e os testes Conclusion: axial load produced more tension for short implants
Anova e Turkey a diferença estatística significante entre todos on the superficial bone.
os grupos. Conclusão: para cargas axiais, implantes com menor Key words – Extensometry; Dental implant; Morse tape implants.
comprimento produziram maior deformação no osso superficial.
Palavras-chave – Extensometria; Implante; Cone-morse.

1
Mestrandos em Prótese Dentária – Universidade Paulista (Unip).
2
Doutoranda em Prótese Dentária – Universidade Paulista (Unip).
3
Professor titular da disciplina de Clínica Integrada e do Programa de pós-graduação/mestrado e doutorado – Universidade Paulista (Unip).
4
Professor titular da disciplina de Prótese Dentária e do Programa de pós-graduação/mestrado e doutorado – Universidade Paulista (Unip).

Recebido em jul/2017
Aprovado em ago/2017

868 INPerio 2017;2(5):868-73


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

A reabilitação parcial ou total de pacientes Outro estudo12 com implantes de 8 mm a 10 mm, com
edêntulos com implantes dentais vem sendo acompanhamento de três a 14 anos, mostrou que as taxas
praticada desde décadas passadas, com de sucesso em implantes curtos e convencionais alcan-
çaram 97,1% e 95,9%, respectivamente. A literatura mostra
resultados confiáveis em longo prazo. Porém,
que as tensões na interface osso/implante dependem
as condições locais de cristas alveolares
do tipo de carregamento, quantidade e qualidade do
edêntulas podem ser desfavoráveis para tecido ósseo de suporte, geometria do implante, posição,
a colocação de implantes1. Enquanto a número e arranjo linear dos implantes, dimensão da
Implantodontia torna-se uma opção desejável superfície oclusal, relação pilar/coroa, interfaces da prótese,
extensão do cantiléver, oclusão, hábitos parafuncionais,
de substituição de dentes ausentes, a
força de mordida, estabilidade mecânica primária e o tipo
base óssea determina a possibilidade de
de retenção protética. Quando a força oclusal excede
implantação. a capacidade da interface osseointegrada de absorver
tensões, o implante está fadado ao insucesso5-6,13-18.
O objetivo deste estudo in vitro foi investigar, por meio
de extensometria, a transmissão da carga mastigatória
INTRODUÇÃO axial ao osso de suporte em próteses unitárias implan-
tossuportadas em implantes de diferentes comprimentos.
A reabsorção óssea em áreas posteriores representa
um grande desafio para a reabilitação com implantes, MATERIAL E MÉTODOS
e diversas estratégias foram propostas para superar as
limitações dimensionais do osso, como: enxertos ósseos, Foi usado um modelo em poliuretano com duas
regeneração óssea guiada, distração osteogênica, elevação densidades para simular a porção de osso cortical com
do seio maxilar, lateralização do nervo mandibular e o uso 2 mm de espessura (densidade: 40 pcf) e a porção medular
de implantes zigomáticos. Na maioria das aplicações não há (densidade: 20 pcf). O bloco com dimensões totais de
dados suficientes sobre sua previsibilidade, além de terem 22 mm x 16 mm x 150 mm atende as especificações da
limitações quanto ao ganho de volume ósseo, aumento norma ASTM F-1839 (especificação padrão para espuma
da morbidade pós-operatória, maiores custos e riscos de rígida de poliuretano, para uso como um material padrão
complicações durante a reabilitação do paciente1-6. Estas para teste de dispositivos e aparelhos ortopédicos).
observações levaram a sugestões para substituir as técnicas Foram inseridos quatro implantes. O sítio foi preparado
de regeneração por procedimentos menos complexos, que com brocas cirúrgicas de diâmetros 2 mm e 3,5 mm, e
eliminaram a necessidade de intervenções adicionais6-7. a inserção foi realizada com o auxílio de um motor de
Implantes curtos em situações limítrofes de reabsorção implante com contra-ângulo redutor 20:1. Os implantes
constituem uma opção de tratamento menos invasiva, de conexão tipo cone-morse foram instalados 2 mm
mais simples e eficaz, proporcionando vantagens cirúr- infraósseos, onde a variável foram os diferentes compri-
gicas, incluindo redução da morbidade, tempo e custo do mentos do implante: a) 4 mm x 7 mm; b) 4 mm x 9 mm;
tratamento2,5,8. Não há um consenso na literatura quanto à c) 4 mm x 11 mm; e d) 4 mm x 13 mm. A superfície do
definição dos implantes curtos, que em diversos trabalhos bloco experimental de poliuretano foi limpa com álcool
são considerados com comprimentos 10 ⦤ mm1,3,9-11, isopropílico, e dois extensômetros uniaxiais foram colados
⦤ 8 mm1-2,4,10-11 ou igual a 7 mm10-11. Estudos mostram que a em sua superfície superior tangenciando a plataforma dos
taxa de sobrevivência para implantes curtos é semelhante implantes (mesial e distal). Uma pequena quantidade de
a dos implantes convencionais6,10, e a taxa de sobrevida adesivo à base de cianoacrilato foi aplicada na superfície
acumulada para implantes curtos ⦤ 10 mm foi acima de de contato dos extensômetros. Após o correto posicio-
90%1,6. Além disso, implantes colocados na mandíbula namento, foi exercida uma pressão digital interposta por
apresentam uma taxa de sobrevida maior, em um período uma tira de poliéster durante três minutos. Cada cabo
de acompanhamento de um a três anos10. elétrico dos extensômetros foi ligado a um terminal que

INPerio 2017;2(5):868-73 869


Hung CCU | Calabro DE | Barbaran PV | Moura RV | Giovani EM | Mesquita AMM

deu saída a um cabo elétrico blindado e, por meio destes, Conexões protéticas tipo esteticone com 2 mm de
os extensômetros foram conectados a um aparelho condi- altura de cinta metálica foram instaladas sobre os implantes,
cionador de sinais elétricos. Cada extensômetro formou utilizando um torquímetro progressivo até o torque de
uma ligação chamada de ¼ de ponte de Wheatstone 20 Ncm, conforme recomendação do fabricante (Figura 1).
120 Ω, que é um circuito elétrico apropriado para detectar Em seguida, cilindros metálicos foram posicionados e
mínimas alterações da voltagem gerada pela deformação. apertados com torquímetro progressivo, com torque de
Estas variações foram registradas e amplificadas pelo 10 Ncm, sobre os componentes protéticos. O modelo foi
aparelho condicionador de sinais que, além de alimentar as levado a uma máquina de ensaio universal para a aplicação
pontes de Wheatstone e amplificar o sinal gerado, realizou da carga de 100 N. Para cada implante, foram feitas cinco
a conversão de analógico para digital (conversor A/D aplicações de carga, gerando dez resultados (cinco mesiais e
16 bits, tempo de conversão de 12,5 ms/canal). A magnitude cinco distais), Figura 2. A normalidade dos dados foi verificada
da deformação em cada extensômetro foi registrada em pelo teste de Shapiro-Wilk e, com isso, realizada a análise
microdeformação (με). Antes de cada leitura, o aparato estatística pelo teste análise de variância (Anova 1 critério)
foi balanceado e calibrado a + 10 με, sem aplicar qualquer e o teste Tukey para comparações múltiplas, com um nível
tensão no modelo experimental. de significância estabelecido menor do que 5% (p ≤ 0,05).

Figura 1 – Implantes de conexão


cone-morse. G1: 4 mm x 7 mm;
G2: 4 mm x 9 mm; G3: 4 mm x
11 mm; G4: 4 mm x 13 mm.

Figura 2 – Aplicação da
carga de 100 N com o
auxílio da máquina de
ensaio universal.

870 INPerio 2017;2(5):868-73


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

RESULTADOS DISCUSSÃO

O teste de Shapiro-Wilk dos dados indicou a norma- A escolha do comprimento do implante é um fator
lidade para todos os grupos. Em seguida, foram realizados essencial nas taxas de sobrevivência deles e no sucesso da
o teste Anova 1 critério e o teste Tukey (p < 0,5), onde prótese. A bioengenharia e o desenvolvimento de técnicas
foi constatada a diferença estatística significante entre cirúrgicas atuais aperfeiçoaram o uso dos implantes curtos.
todos os grupos mostrados na Tabela 1. Na Tabela 2 são A vantagem da utilização dos implantes curtos está no fato
apresentados os dados da análise estatística descritiva, de serem menos custosos ao paciente, quando comparados
com a média e desvio-padrão para cada grupo. Em cada aos custos das cirurgias avançadas, necessitando de menos
coluna da Tabela 1, as letras diferentes representam o tempo para finalização do tratamento, apresentando
teste Tukey. menor morbidade e complicações pós-operatórias, e
Como é mostrado na Tabela 2, houve uma diferença melhor aceitação por parte do paciente1-4,9,12.
estatística significante entre todos os grupos, com aumento Inicialmente, os implantes curtos foram considerados
da deformação do osso ao redor do implante em função biomecanicamente inadequados. No entanto, diversos
do comprimento do mesmo. estudos7,11,19-20 mostraram que a tensão máxima na área do

TABELA 1 – MATERIAL DA PESQUISA


Material Marca Especificação Lote

ASTM F-1839 duas densidades:


(1) Bloco de poliuretano Nacional Ossos (Jaú, Brasil)
cortical e medular

Extensômetros lineares,
(8) Extensômetros Excel Sensores (Embú, Brasil)
PA-06-062AB-120-L

(1) Implantes cone-morse Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) 1 (4 mm x 7 mm) 6054029

(1) Implantes cone-morse Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) 1 (4 mm x 9 mm) 6052802

(1) Implantes cone-morse Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) 1 (4 mm x 11 mm) 6037456

(1) Implantes cone-morse Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) 1 (4 mm x 13 mm) 6048077
6051630
(4) Componentes esteticone 6045230
Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) Cinta de 2 mm
p/ esteticone 6070879
6054327
6051630
6052830
(4) Copings de titânio Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) Coifa titânio cônico estético AR
6050721
6040219
Máquina de ensaio universal Kratos (São Paulo, Brasil) 200 RK

Motor de implante Driller (São Paulo, Brasil) Smart

Brocas cirúrgicas Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) 2.0, 3.5

Contra-ângulo Anthogyr (Sallances, França) 20:01

Adesivo de cianoacrilato Super Bonder Loctite 1 tubo

Torquímetro Implacil De Bortoli (São Paulo, Brasil) Progressivo

INPerio 2017;2(5):868-73 871


Hung CCU | Calabro DE | Barbaran PV | Moura RV | Giovani EM | Mesquita AMM

TABELA 2 – MÉDIAS EM MICRODEFORMACÃO (DESVIO-PADRÃO) Resultados de estudos2,7,11 utilizando análise de


DOS DIFERENTES GRUPOS DE IMPLANTES. AS LETRAS DIFERENTES elementos finitos relataram que o comportamento biome-
INDICAM DIFERENÇAS ESTATÍSTICAS SIGNIFICANTES PELOS TESTES
ANOVA E TUKEY (P  0,05) cânico dos implantes curtos em carga axial apresenta uma
Grupos Médias (DP)
tendência de centralização de tensões ao longo do eixo do
implante na aplicação de carga, semelhante ao presente
G1: CM 4 x 7 346.16,3 με (± 10,28) A
trabalho. Portanto, os implantes com comprimento menor
G2: CM 4 x 9 216.91,5 με (± 15,47) B apresentam maior tensão. A biomecânica dos implantes
G3: CM 4 x 11 114.41,3 με (± 2,33) C curtos, comparada a dos implantes convencionais, é
similar, e o uso é mais favorável para próteses fixas do
G4: CM 4 x 13 76.83,3 με (± 7,13) D
que unitárias. Os desenhos micro e macro dos implantes
curtos, a profundidade da rosca, o tratamento de superfície
e a diminuição do passo da rosca são parâmetros que
influenciam na interação implante/osso e na concentração
implante era independente do comprimento do mesmo, de tensão no osso. A esplintagem dos implantes é uma
e que o aumento do comprimento não melhorou signifi- alternativa eficiente para otimizar a distribuição das cargas
cativamente a ancoragem do implante no osso. oclusais, principalmente nas regiões posteriores5-6,12,17,21,26-28.
As diferentes metodologias que são utilizadas para Um estudo 21 realizado com elementos finitos,
avaliar o comportamento biomecânico dos implantes comparando a distribuição da tensão gerada ao redor dos
são: extensometria, elemento finito tridimensional e implantes curtos e implantes convencionais com próteses
técnica com resinas fotoelásticas21-24. A extensometria unidas e unitárias, apresentou menor intensidade de tensão
linear elétrica é um dos poucos métodos de investigação nas estruturas unidas, quando comparado com os unitários,
e análise biomecânica que torna possível a obtenção apesar dos implantes curtos unidos a um convencional
de dados reais em relação às forças exercidas sobre os apresentarem melhor distribuição de tensão residual do
implantes e transferência às estruturas de suporte. Pela que unindo três implantes curtos.
sua possibilidade de utilização em investigações in vivo e Alguns autores avaliaram, por meio de extensometria, a
in vitro, por ser um método capaz de captar as mínimas transmissão da carga mastigatória axial ao osso de suporte
deformações existentes em um sistema de implantes, tem em próteses unitárias implantossuportadas, e verificaram
sido um dos métodos mais utilizados para verificação de que existe uma diferença estatística significante entre os
deformações e tensões para análise dos prováveis fatores grupos avaliados. Além disso, os implantes com comprimento
que poderiam intervir na geração de uma pré-carga sobre menor produzem maior tensão no osso superficial. Porém,
os implantes dentários25. alguns estudos2,29 afirmam que as taxas de sobrevivência
Estudos1,7 afirmam que a taxa de sobrevivência para dos implantes curtos e implantes longos são semelhantes.
implantes curtos é semelhante a dos implantes conven- Portanto, devemos considerar que a utilização dos implantes
cionais, com tempo de acompanhamento de dois anos. curtos é uma alternativa previsível dependendo da densidade
Igualmente, foi demonstrado que os implantes curtos óssea, hábitos parafuncionais, relação coroa/implante e
instalados na maxila apresentam uma taxa de falha carga oclusal, os quais são parâmetros importantes para
significativamente maior do que aqueles instalados na o sucesso dos implantes curtos.
mandíbula. Em uma revisão sistemática, a taxa de falha
estimada cumulativa dos implantes curtos instalados na CONCLUSÃO
maxila foi aproximadamente três vezes maior que a dos
implantes curtos instalados na mandíbula, em um período Com base nos resultados obtidos no presente trabalho
de acompanhamento de 36 meses. Este resultado pode ser e considerando as limitações deste estudo in vitro com o uso
atribuído ao aumento na densidade óssea, propriedades de extensômetros lineares elétricos, pode-se afirmar que
mecânicas melhoradas na interface implante/osso devido à os implantes com menor comprimento produzem maior
concentração de tensão no osso, facilitando a estabilidade deformação no osso superficial ao redor dos implantes
primária e a redução dos comprimentos dos implantes3. em cargas axiais.

872 INPerio 2017;2(5):868-73


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Nota de esclarecimento Endereço para correspondência


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para Celeste Cecilia Urdaniga Hung
pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a Rua Alvarenga, 1.700 – Butantã
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não 05509-003 – São Paulo – SP
recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores dra.celesteuhung@yahoo.com
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.

REFERÊNCIAS
1. Telleman G, Raghoebar GM, Vissink A, 11. Schwartz S. Short implants: are they a viable 21. Pellizzer E, Mello C, Junior J, Batista V, Almeida D,
Hartog L. A systematic review of the prognosis option in implant dentistry? Dent Clin North Verri F. Analysis of the biomechanical behavior
of short (< 10 mm) dental implants placed in the Am 2015;59(2):317-28. of short implants: the photo-elasticity method.
partially edentulous patient. J Clin Periodontol 12. Romeo E, Ghisolfi M, Rozza, Chiapasco M, MSc and Eng 2015;55(1):187-92.
2011;38(7):667-76. Lops D. Short (8-mm) dental implants in 22. Yang TC, Maeda Y, Gonda T. Biomechanical
2. Lemos C, Alves M, Okamoto R, Mendoça M, the rehabilitation of partial and complete rationale for short implants in splinted resto-
Pellizer E. Short dental implants versus standard edentulism: a 3-to 14-year longitudinal study. rations: an in vitro study. Int J Prosthodont
dental implants placed in the posterior jaw: a Int J Prosthodont 2006;19(6):586-92. 2011;24(2):130-2.
systematic review and meta-analysis. J Dent 13. Gongąlves AR, Silva AL, Mattos FR, Barros M, 23. Bal BT, Caglar A, Aydin C, Yilmaz H, Bankoglu M,
2016;47(1):8-17. Motta S. Are short implants in the mandible Eser A. Finite element analysis of stress distribuition
3. Monje A, Suarez F, Galindo P, Nogales A, Fu J, safe?. RGO 2009;57(3):287-90. with splinted and nonsplinted maxillary anterior
Wang H. A systematic review on marginal bone 14. Maló P, Nobre MA, Rangert B. Short implants fixed prostheses supported by zirconia or titanium
loss around short dental implants (< 10 mm) placed one-stage in maxillae and mandibles: implants. Int J Oral Maxillofac 2013;28(1):27-38.
for implant-supported fixed prostheses. Clin a retrospective clinical study with 1 to 9 years 24. Lee JL, Lee Y, Kim NY, Kim YL, Cho HW. A
Oral Implants Res 2014;25(10):1119-24. of follow-up. Clin Implant Dent Relat Res photoelastic stress analysis of screw- and
4. Annibali S, Cristalli M, Aquila D, Bignozzi I, 2007;9(1):15-21. cement-retained implant prostheses with
Monca G, Pilloni A. Short dental implants: a 15. Chiarelli M, Pereira Filho VA, Silva Junior EC, marginal gaps. Clin Implant Dent Relat Res
sytematic review. J Dent Res 2012;91(1):25-32. Gabrielli MC, Barelli O. Utilização de implantes 2013;15(5):735-49.
5. Coelho RC, Damante CA, Rezende ML, unitário curtos em região posterior. ImplantNews 25. Heckman SM, Karl M, Wichmann MG, Winter W,
Pazzanezi A, Greghi SL, Zangrando MS. Predict- 2007;4(6):707-16. Graef F, Taylor TD. Cement fixation and screw
ability of short and extra-short single implants in 16. Sendyk C, Sendyk WR. Planejamento protético- retention: parameters of passive fit. Na in vitro
atrophic posterior mandible. RFO, Passo Fundo cirúrgico em Implantodontia. ImplantNews study of three-unit implant-supported fixed partial
2015;20(2):258-63. 2006;3(2):124-34. dentures. Clin Oral Implants Res 2004;15(4):466-73.
6. Galvão FF, Almedia AA, Batista N, Caldas SG, 17. Junior JF, Verri FR, Pellizzer EP, Moraes SL, 26. Pellizer EP, Santiago Junior JF, Villa LMR, Batista
Reis JM, Margonar R. Predictability of short Carvalho BM. Short dental implants: alternative VES, Mello CC, Almeida DAF et al. Photoelastic
dental implants: a literature review. RSBO conservative in the oral rehabilitation. Ver Cir stress analysis of splinted and unitary implant-
2011;8(1):81-8. Traumatol 2010;10(2):67-76. supported prostheses. J Appl Phys B Laser Opt
7. Tutak M, Smeklata T, Schneider K, Gotebiewka E, 18. Tawill G, Aboujaoude N, Younan R. Influence 2014;117(1):235-44.
Tutak K. Short dental implant in reduced alveolar of prosthetic parameters on the survival and 27. Guichet DL, Yoshinobu D, Caputo AA. Effect of
bone height: a review of the literature. M Sci complication rates of short implants. Int J Oral splinting and interproximal tightness on load
Monit 2013;19(1):1037-42. Maxillofac Implants 2006;2(2):275-82. transfer by implant restorations. J Prosthet Dent
8. Aliab A. Short dental implant is considered as 19. Pierrisnrad L, Renourd F, Reanault P, Barquinis M. 2002;87(5):528-35.
a reliable treatment option for patients with Influence of implant length and bicortical 28. Yilmaz B, Seidt JD, McGlumphy EA, Clelland NL.
atrophic posterior maxila. J Evid Based Dent anchorage on implant stress distribution. Comparison of strains for splinted and nonsplinted
Pract 2016;16(3):173-5. Clin Implant Dent Relat Res 2003;5(4):254-62. screwrwtained prostheses on short implants. Int
9. Jain N, Gulati M, Garg M, Pathak C. Short implant: 20. Lee JH, Frias V, Lee KW, Wright RF. Effect of J Oral Maxillofac Implants 2011;26(6):1176-82.
new horizon in implant dentistry. Clin Diag Res implant size and shape on implant success 29. Romeo E, Bivio A, Mosca M, Scanfeira M, Ghisolfi
2016;10(9):14-7. rates: a literature review. J Prosthet Dent S, Storelli S. The use of short dental implants
10. Monje A, Chan H, Fu Jia, Suarez F, Moreno P, 2005;94(4):377-81. in clinical practice: literature review. Minerva
Wang H. Are short dental implants (< 10 mm) Stomatol 2010;59(1-2):23-31.
effective? A meta-analysis on prospective
clinical trials. J Periodontol 2013;84(7):895-904.

Guia de leitura
O diâmetro do pilar protético pode mudar os valores de resistência à tração nos sistemas cone-morse? Pág. 861

INPerio 2017;2(5):868-73 873


da Frota FJG | Montagner AM | de Held AB | Xavier CCF | Abreu RT

ANÁLISE MICROBIOLÓGICA IN VITRO DO SELAMENTO


BACTERIANO DE IMPLANTE OSSEOINTEGRÁVEL
E PILAR PROTÉTICO INTERMEDIÁRIO

In vitro microbiological analysis of the bacterial sealing


between dental implant and a prosthetic abutment

Fabriolo José Gomes da Frota1, Antonio Marcos Montagner2, André Barros de Held3,
Carlos Clessius Ferreira Xavier4, Ricardo Teixeira Abreu5

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: avaliar pela análise microbiológica in vitro a capacidade Objective: to evaluate by in vitro microbiological analysis the
de selamento bacteriano de dois modelos de implante conexão bacterial sealing ability of two implant models (Morse cone and
cone-morse e hexágono externo. Material e métodos: foram external hexagon connections). Material and methods: Twenty-
utilizados 28 implantes osseointegráveis (Colosso Emfils – eight dental implants (Colosso Emfils – Itu/SP, Brazil) were divided
Itu/SP, Brasil) divididos em dois grupos (14 implantes cada), nos into two groups (14 implants each) and the prosthetic components
quais os componentes protéticos foram parafusados com um screwed with a 20 Ncm torque in a controlled environment and
torque de 20 Ncm, em um ambiente controlado e após contami- after deliberate contamination of the internal part of the implants
nação propositada da parte interna dos implantes por Escherichia by Escherichia coli. The bacterium strain was transported by
coli. As colônias bacterianas foram transportadas por meio orthodontic wire loops previously sterilized and then the prosthetic
de hastes confeccionadas por fios ortodônticos, previamente abutments were fastened. After, a microbrush moistened with a 0.9%
esterilizadas, e então fixados seus respectivos pilares protéticos. saline sterile solution was lightly rubbed into the external implant/
Em seguida, um microbrush umedecido em solução salina a prosthetic abutment surface. Each implant/prosthetic assembly
0,9% estéril foi levemente friccionado na interface da superfície was immersed in a test tube containing 5 ml of BHI broth remaining
externa implante/conector protético. Cada conjunto implante/ immersed in the culture medium. Samples were monitored for
componente protético foi imerso em um tubo de ensaio contendo bacterial growth. Results: after 14 days, no contamination was
5 ml de caldo BHI, permanecendo imerso no meio de cultura. observed in any of the implant connections. Conclusion: the use
As amostras foram monitoradas em relação ao crescimento of these implants would already prevent bacterial contamination in
bacteriano. Resultados: após 14 dias, verificou-se que não houve the first days after immediate loading, thus increasing the success
contaminação em nenhum dos tipos de conexões. Conclusão: a rate of this procedure.
utilização desses implantes já evitaria a contaminação bacteriana Key words – Microbiological analysis; Morse cone implants;
nos primeiros dias após a carga imediata, determinando assim o Comparative study; External hexagon implants.
aumento do índice de sucesso desse procedimento.
Palavras-chave – Análise microbiológica; Implantes cone-morse;
Estudo comparativo; Implantes hexágono externo.

1
Especialista e mestre em Implantodontia – São Leopoldo Mandic.
2
Mestre em Implantodontia – São Leopoldo Mandic; Doutor em Prótese Dental – FOP/Unicamp.
3
Mestre e doutorando – São Leopoldo Mandic.
4
Professor de CTBMF e de Implantodontia – Fametro.
5
Doutor em Clínica Odontológica, área de concentração Prótese Dentária – Unicamp; Professor – São Leopoldo Mandic, Fortaleza.

Recebido em jul/2017
Aprovado em ago/2017

876 INPerio 2017;2(5):876-84


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Por muitos anos, a pesquisa em Implantodontia A Implantodontia busca a confecção de conectores


concentrou-se basicamente na interface protéticos que apresentem uma exatidão no assentamento
óssea e na capacidade dos implantes de sobre o implante, com o mínimo de micromovimentos.
Tal fato é evidenciado pelo surgimento frequente de
receber carga funcional em longo prazo.
componentes que variam na geometria das conexões
No entanto, como a maioria dos sistemas
e tipo de material8. Portanto, aferir a suscetibilidade às
é composta por implantes de duas peças, infiltrações da interface implante/conector protético é
eram observados quadros frequentes essencial para estimar a qualidade dos sistemas de implante.
de peri-implantite, provavelmente em O propósito desse trabalho foi avaliar comparati-
decorrência da colonização bacteriana na vamente, por meio de análise microbiológica in vitro,
a capacidade de selamento bacteriano na interface
interface pilar/implante, ainda que o implante
implante/conector protético em um sistema de implante
apresentasse osseointegração adequada1.
com duas conexões protéticas diferentes.

MATERIAL E MÉTODOS

INTRODUÇÃO A pesquisa foi realizada com a aprovação prévia do Comitê


de Ética em Pesquisa (CEP) para seres humanos da Faculdade
Por muitos anos, a pesquisa em Implantodontia de Odontologia e Centro de Pesquisas Odontológicas
concentrou-se basicamente na interface óssea e na São Leopoldo Mandic (protocolo 2016/0634 – anexo A).
capacidade dos implantes de receber carga funcional em Foram utilizados 28 implantes osseointegráveis (Colosso,
longo prazo. No entanto, como a maioria dos sistemas é Emfils – Itu/SP, Brasil), sendo 14 de conexão protética
composta por implantes de duas peças, eram observados cone-morse e 14 de conexão protética hexágono externo.
quadros frequentes de peri-implantite, provavelmente Os implantes cone-morse tinham 3,5 mm de diâmetro x
em decorrência da colonização bacteriana na interface 10 mm de comprimento, encaixe indexado e corpo cilíndrico.
pilar/implante, ainda que o implante apresentasse osseoin- Os implantes de hexágonos externos tinham 4 mm de
tegração adequada1. diâmetro x 10 mm de comprimento (Quadro 1).
Altas taxas de sucesso têm sido publicadas na A amostra foi dividida em dois grupos, nos quais os
literatura, relacionando as reabilitações bucais aos componentes protéticos foram parafusados com um torque de
implantes osseointegrado2. A estabilidade primária 20 Ncm. De cada modelo, foram usados dois conjuntos para
associada ao fenômeno de osseointegração é citada controle negativo e dois implantes sem os pilares para controle
como o principal indicador de sucesso em tais estudos3. positivo, ficando então dez implantes de cada conjunto para
No entanto, inúmeras complicações surgem após a análise. Todos os procedimentos foram realizados no interior
exposição do implante à carga mastigatória e à microbiota de uma câmara de fluxo laminar previamente desinfetada e
oral, permanecendo um desafio a ser superado4. recoberta com campo estéril, estando o operador devida-
Os microrganismos exercem um papel de destaque mente paramentado para a manutenção do meio estéril,
na sobrevida longitudinal dos implantes osseointegrados5. ainda com a ajuda de uma auxiliar também devidamente
Condições que favorecem a proliferação bacteriana paramentada, para abertura dos implantes.
permitem a formação de um ambiente potencial- Primeiro, cada implante foi contaminado no seu
mente danoso ao processo de osseointegração e saúde interior com cepas da bactéria Escherichia coli ATCC
peri-implantar6. A presença de espaços entre a interface 25922 (American Type Culture Collection) isoladas e
implante/componente protético contribui para o surgi- mantidas no Laboratório de Microbiologia do Instituto e
mento de um reservatório bacteriológico, no qual o Centro de Pesquisas São Leopoldo Mandic (Campinas/SP).
acúmulo de ácidos, enzimas, bactérias e seus metabólitos A E. coli é uma bactéria gram-negativa em forma de
favorece a reabsorção óssea e o comprometimento do bacilo, móvel e anaeróbia facultativa. Seu habitat natural
tecido peri-implantar7. é o lúmen intestinal dos seres humanos e outros animais

INPerio 2017;2(5):876-84 877


da Frota FJG | Montagner AM | de Held AB | Xavier CCF | Abreu RT

de sangue quente. Mede em torno de 1,1 μm a 1,5 μm de 37 g do pó (Himedia – Mumbai, Índia) para um litro de
diâmetro, e entre 2 μm a 6 μm de comprimento, sendo água destilada. Para o ágar, a medida foi de 47 g (Oxoid –
amplamente usada em estudos microbiológicos in vitro Hampshire, Inglaterra) para um litro de água destilada que,
devido à facilidade de manipulação laboratorial e pelo após autoclavagem, foi acondicionado em placas de Petri
tempo de proliferação relativamente rápido9. assim que uma temperatura média de 60ºC foi atingida.
Antes do uso, estas cepas eram mantidas congeladas e O transporte das colônias crescidas sobre o ágar
foram ativadas em meio de cultura BHI, mantidas durante foi feito diretamente da placa de cultivo para o pilar
24 horas em estufa bacteriológica a 37ºC em condições protético (Figura 1). Para contaminação da porção interna
de aerobiose. Passado este período, com o auxílio de dos implantes, foram utilizadas hastes feitas a partir de
uma alça de platina, foi colhida uma porção do meio de fio ortodôntico, previamente esterilizadas, com o devido
cultura e feito repique em placa de Petri contendo ágar cuidado para não tocar as superfícies externas dos
BHI, para que houvesse o crescimento das cepas de E. coli implantes. Os implantes foram presos individualmente em
nas mesmas condições descritas anteriormente. uma morsa estéril. Cada pilar protético foi imediatamente
Tanto o caldo quanto o ágar BHI são produtos da adaptado ao implante correspondente com aperto de
diluição do pó de BHI em água destilada, esterilizados 20 Ncm sob torquímetro manual, conforme orientação do
em autoclave, tendo como diferença a concentração fabricante. Cada conjunto foi então submerso em um tubo
dos mesmos. Neste estudo, para o caldo, foram usados de ensaio com meio de cultura no seu interior (caldo BHI).

QUADRO 1 – IMPLANTES E PILARES USADOS


Marca Implante Lote Pilar Lote

Colosso
Implantes Colosso CM ICM 3510 00011430 RCM 3530 00009745
(grupo 1)

Colosso
Implantes Colosso HE IHEN-4010 00011437 PPP-2085 00011364
(grupo 2)

Figura 1 – Transporte de cepas da bactéria Escherichia coli.

878 INPerio 2017;2(5):876-84


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Para nos certificarmos da não contaminação da Para controle positivo, dois implantes de cada modelo
porção externa, antes da submersão dos implantes no em estudo foram contaminados com cepas de E. coli nas
caldo BHI, cada conjunto foi submetido à passagem de mesmas condições anteriormente descritas e imersos no
um microbrush umedecido em solução salina 0,9% estéril caldo BHI sem a conexão do pilar protético, seguindo os
e esfregado minuciosamente pela superfície da interface mesmos critérios (grupo 1: IAC1+ e IAC2+, IAC1- e IAC2- |
pilar/implante. Cada microbrush também foi imerso em grupo 2: IBC1+ e IBC2+, IBC1- e IBC2-). Outros dois implantes,
meio de cultura, servindo como controle da contaminação também de cada modelo, não foram contaminados, sendo
externa. Cada conjunto de pilar/implante foi introduzido incubados estéreis a partir de suas embalagens, com os
em um tubo de ensaio estéril contendo 5 ml de caldo BHI, pilares protéticos conectados, servindo como controle
ficando submerso no meio de cultura líquido. Todos os negativo (grupo 1: IAC1- e IAC2- | grupo 2: IBC1- e IBC2-),
tubos foram identificados com etiquetas: grupo 1 (IA1 a Figuras 6 e 7. A cada 24 horas, eles foram monitorados para
IK10) e grupo 2 (IB1 a IB10), Figuras 2 e 3. Todos os tubos, verificar indícios de crescimento bacteriano que, macros-
devidamente identificados, foram acondicionados em uma copicamente, se caracteriza pelo turvamento do caldo de
grade, mantidos em posição vertical e levados à estufa cultura ou depósitos no fundo dos tubos, o que indicaria a
bacteriológica por 14 dias, a uma temperatura de 37ºC incapacidade da união pilar/implante em impedir a passagem
em condições de aerobiose (Figuras 4 e 5). das bactérias do interior do implante ao meio de cultura.

Figura 2 – Tubos contendo implantes do grupo 1.

Figura 3 – Tubos contendo implantes do grupo 2.

INPerio 2017;2(5):876-84 879


da Frota FJG | Montagner AM | de Held AB | Xavier CCF | Abreu RT

Figura 4 – Tubos contendo implantes na estufa.

Figura 5 – Estufa bacteriológica.

880 INPerio 2017;2(5):876-84


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Figura 6 – Controles positivo e negativo do grupo 1.

Figura 7 – Controles positivo e negativo do grupo 2.

RESULTADOS

Tendo em vista a E. coli ser uma bactéria de fácil manipulação em laboratório,


possuir um período muito curto de reprodução (20 minutos) e um tamanho médio
em relação à microflora oral, o período de três a sete dias seria suficiente para verificar
a contaminação do meio externo em caso da existência de microgaps. No entanto,
neste estudo optou-se pelos 14 dias, de forma a proporcionar uma margem de
segurança, para que ocorra a colonização bacteriana.
Após os 14 dias, não foi verificada qualquer contaminação das amostras imersas ou
dos controles de contaminação externa dos implantes, exceto as amostras de controle
positivo, mesmo até o período de 14 dias. Também não foi observado turvamento em
nenhum dos tubos contendo microbrushes, usados para controle da contaminação
externa nos implantes dos grupos 1 e 2 (Figuras 8 e 9).

INPerio 2017;2(5):876-84 881


da Frota FJG | Montagner AM | de Held AB | Xavier CCF | Abreu RT

Figura 8 – Microbrushes controle grupo 1.

Figura 9 – Microbrushes controle grupo 2.

DISCUSSÃO

A colonização bacteriana é um fator a ser considerado na sobrevida dos implantes.


Após a exposição do implante ao meio bucal e instalação da prótese, submetida à
função, uma aderência da mucosa ao pilar protético se torna necessária para proteção
da osseointegração10. Caso este selamento seja violado, permitindo a invasão bacte-
riana, é provável que o tecido mole adjacente se inflame, com consequente perda
da capacidade protetora e constante perda óssea ao redor do implante11.
A permeabilidade bacteriana na interface pilar/implante, estudada por vários
pesquisadores, permite a troca de fluidos e bactérias entre a parte interna do implante
e o meio bucal12. Os espaços existentes entre implantes e pilares podem agir como
canais e reservatórios para bactérias13, mesmo em pacientes com boa higiene oral14.

882 INPerio 2017;2(5):876-84


Pesquisa Básica Caderno científico [ IMPLANTE ]

Estudos in vitro sugeriram que a contaminação bacte- Em estudos similares, o período de observação da
riana através da interface pilar/implante pode ou não se possibilidade de contaminação teve variações de três
correlacionar com as dimensões dos espaços ou desadap- a 14 dias. Em experimentos nos quais foi empregada
tações15-17. O grau de contaminação varia ou depende não a bactéria Streptococcus sanguis23, o período foi de
apenas da precisão do encaixe, mas também do grau do 14 dias. Este número foi determinado com embasamento
micromovimento entre os componentes e do torque usado. em pesquisas realizadas anteriormente24, nas quais se
A incidência de cargas e o desparafusamento do pilar verificou a colonização bacteriana supragengival e do sulco
protético podem aumentar a infiltração, enquanto uma peri-implantar em torno deste mesmo período. Por ter
ótima adaptação dos componentes, mínimo micromovi- alta adesão à superfície do titânio e ser considerada como
mento do pilar protético e ótimo planejamento protético uma das primeiras bactérias colonizadoras do biofilme
e oclusal são fatores que podem prevenir ou minimizar a dental, estes achados tornaram-se um parâmetro para
microinfiltração18-19. A mastigação pode provocar a redução determinar este período. Já com o emprego da bactéria
da estabilidade do pilar protético devido ao afrouxamento Escherichia coli, o período ficou reduzido a três ou sete
do parafuso de fixação, o que favorece a penetração dias25-26, tendo em vista ser uma bactéria de fácil manipu-
de bactérias ao longo da abertura para espaços vazios lação em laboratório, possuir um período muito curto
internos do implante. Como consequência, quando os de reprodução (20 minutos) e um tamanho médio em
implantes são submetidos a cargas funcionais, pode haver relação à microflora oral, o que permite sua infiltração
um mecanismo de bombeamento de fluidos entre os em interfaces com desadaptações dentro dos valores
implantes e o meio externo, aumentando a concentração descritos na literatura27. No entanto, neste estudo, optou-se
de metabólitos bacterianos na região peri-implantar20. pelos 14 dias, de forma a proporcionar uma margem de
Nesta linha de raciocínio, pode-se supor que o papel da segurança dentro do período preconizado na literatura,
interface pilar/implante, no que diz respeito ao ajuste para que haja a colonização bacteriana.
acurado entre componentes e a estabilidade mecânica Durante a instalação dos pilares protéticos aos
do pilar protético, tem uma importância considerável implantes, foram observadas e seguidas todas as
para o sucesso da terapia a longo prazo. Pôde-se concluir recomendações dos fabricantes. Para todos os implantes,
também que próteses unitárias sobre implantes não foi necessário o uso de um torquímetro com torque
devem ser removidas. de inserção de 20 Ncm. Neste estudo, respeitados
A busca por novos desenhos, com o objetivo de os 14 dias de observação determinados, verificou-se
minimizar a presença do microgap e seus efeitos, fez com que não houve contaminação em nenhum dos dois
que os implantes com encaixe morse fossem introduzidos grupos. Tais resultados demonstraram que in vitro não
como uma alternativa promissora. Esse tipo de implante, de há diferença quanto à contaminação entre implantes
encaixe com auxílio de parafusos ou somente por fricção, cone-morse e hexágono externo selecionados no estudo,
tem como princípio básico a forma de travamento por no que diz respeito à infiltração bacteriana na conexão
meio da fricção entre o pilar protético e implante. Alguns implante/conector protético. Parece estar claro que o
estudos demonstraram a superioridade da conexão cônica torque de 20 Ncm é suficiente para promover um selamento
no que diz respeito à redução do microgap, com diminuição capaz de impedir a infiltração bacteriana, sem carga.
da possibilidade de contaminação bacteriana 21-22. A avaliação da capacidade de selamento bacteriano
Visando avaliar tal afirmação neste estudo in vitro, foram in vitro, como a realizada neste estudo, pode ser levada
comparados dois modelos de implante, encaixe morse e em consideração no momento da escolha de sistemas
hexágono externo. Tomados os cuidados para que não e componentes. Esse trabalho não avaliou processos de
houvesse extravasamento acidental, a necessidade de fundição, oxidação de liga ou falha no acabamento de
comprovar a não contaminação externa no momento da próteses, eventos que podem comprometer o encaixe
montagem ainda era evidente. Pensando em um controle entre o implante e o pilar protético.
mais minucioso da contaminação externa na interface
pilar/implante, optou-se pelo uso de um microbrush.

INPerio 2017;2(5):876-84 883


da Frota FJG | Montagner AM | de Held AB | Xavier CCF | Abreu RT

CONCLUSÃO Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
A utilização desses implantes já evitaria a contami- recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
nação bacteriana nos primeiros dias após a carga imediata, por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
determinando assim o aumento do índice de sucesso também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
desse procedimento. recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência


Fabriolo José Gomes da Frota
Rua Dr. Monte, 815 – Centro
62011-2015 – Sobral – CE
fabriolofrota@hotmail.com

REFERÊNCIAS
1. Broggini N, McManus LM, Hermann JS, Medina 10. Abrahamsson I, Berglundh T, Wennstrom J, 19. Steinebrunner L, Wolfart S, Bössmann K,
RU, Oates TW, Schenk RK et al. Persistent Lindhe J. The peri-implant hard and soft tissue at Kern M. In vitro evaluation of bacterial leakage
acute inflammation at the implant-abutment different implant systems. A comparative study along the implant-abutment interface of
interface. J Dent Res 2003;82(3):232-7. in the dog. Clin Oral Implants Res1996;7(3):212-9. different implant systems. Int J Oral Maxillofac
2. Simonis P, Dufour T, Tenenbaum H. Long-term 11. Sukekava F, Silva CO. Espaço biológico peri- Implants 2005;20(6):875-81.
implant survival and success: a 10-16-year implantar. In: Sallum AW, Cicarelli AJ, Querido 20. Santos MN, Almeida RS, Manso MC. Mecanismos
follow-up of non-submerged dental implants. MRM, Bastos Neto FVR. Periodontologia e de controle de saucerização. Revisão de
Clin Oral Implants Res 2010;21(7):772-7. Implantodontia. São Paulo: Napoleão, 2010. literatura. Rev Bras Implant 2007;10(4):11-5.
3. Nascimento C, Miani PK, Pedrazzi V, Gonçalves p.261-9. 21. Silva FD, Valiat R, Pfeiffer AB. Implicações da
RB, Ribeiro RF, Faria AC et al. Leakage of saliva 12. Gross M, Abramovich I, Weiss EI. Microleakage perda óssea peri-implantar em área estética.
through the implant-abutment interface: in vitro at the abutment-implant interface of osseo- Innov Implant J 2008;3(5):47-53.
evaluation of three different implant connec- integrated implants: a comparative study. Int 22. Mangano C, Mangano F, Piattelli A, Iezzi G,
tions under unloaded and loaded conditions. J Oral Maxillofac Implants 1999;14(1):94-100. Mangano A, La Colla L. Prospective clinical evalu-
Int J Oral Maxillofac Implants 2012;27(3):551-60. 13. Orsini G, Fanali S, Scarano A, Petrone G, Di ation of 1920 Morse taper connection implants:
4. Palmquist A, Omar M, Esposito M, Lausmaa J, Silvestro S, Piatelli A. Tissue reactions fluids results after 4 years of functional loading. Clin
Thomsen P. Titanium oral implants: surface charac- and bacterial infiltration in implants retrieved Oral Implants Res 2009;20(3):254-61.
teristics, interface biology and clinical outcome. J at autopsy: a case report. Int J Oral Maxillofac 23. Cravinhos JCP. Análise in vitro da contaminação
Royal Soc Interf. 2010;7(suppl.5): S515-27. Implants 2000;15(2):283-6. bacteriana na interface implante/conector
5. Passos SP, May LG, Faria R, Özcan M, Bottino MA. 14. Rimondini L, Marin C, Brunella F, Fini M. Internal protético em três sistemas de implantes
Implant-abutment gap versus microbial coloni- contamination of a 2-component implant endósseos [dissertação]. Piracicaba: FOP/
zation: clinical significance based on a literature system after occlusal loading and provisionally Unicamp, 2003.
review, J Biomed Mater Res. 2013;101(7):1321-8. luted reconstruction with or without a washer 24. Quirynen M, Papaioannou W, van Steen-
6. Smith NA, Turkyilmaz I. Evaluation of the sealing device. J Periodontol 2001;72(12):1652-7. berghe D. Intraoral transmission and the
capability of implants to titanium and zirconia 15. Oliveira GR. Análise in vitro da infiltração colonization o oral hard surfaces. J Periodontol
abutments against Porphyromonas gingivalis, bacteriana e das adaptações na interface 1996;67(10):986-93.
Prevotella intermedia, and Fusobacterium implante/conector protético de sistemas de 25. Tomazinho PH, Zielak JC. A avaliação in vitro
nucleatum under different screw torque values. implantes endósseos [dissertação]. Piracicaba: do selamento bacteriano entre implante e
J Prosthet Dent 2014;112(3):561-7. FOP/Unicamp, 2006. munhão: sistema friccional [monografia].
7. Tripodi D, Assenza B, Scarano A, Perrotti V, 16. Deceles CCA, Paulo SPC, Elizabeth FM. In vitro Curitiba: Universidade Positivo, 2006.
Piattelli A et al. Bacterial leakage in implants microbiological analysis of bacterial seal at 26. Deconto MA. Análise microbiológica in vitro
with different implant-abutment connections: the implant-abutment interface using two do selamento bacteriano na conexão pilar/
an in vitro study. J Periodontol 2012;83(4):491-7. morse taper implant models. Braz Dent J 2014; implante em implantes tipo cone morse:
8. Ricomini AP, Fernandes FS, Straioto FG, 25(1):48-53. estudo comparativo de dois pilar protéticos
Silva WJ, Del Bel Cury AA. Preload loss and 17. Duarte ARC, Rossetti PH, Rossetti LM, Torres SA, [dissertação]. Campinas: Centro de Pesquisas
bacterial penetration on different implant- Bonachela WC. In vitro sealing ability of two Odontológicas São Leopoldo Mandic, 2008.
abutment connection systems. Braz Dent J materials at five different implant-abutment 27. Jansen VK, Conrads G, Richter E. Microbial
2010;21(2):123-9. surfaces. J Periodontol 2006;77(11):1828-32. leakage and marginal fit of the implant/
9. Jansen VK, Conrads G, Richter E. Microbial 18. King GN, Hermann JS, Schoolfield JD, Buser D, abutment interface. Int J Oral Maxillofac Implants
leakage and marginal fit of the implant/ Cochran DL. Influence of the size of the microgap 1997;12(4):527-40.
abutment interface. Int J Oral Maxillofac Implants on cristal bone levels in non-submerged dental
1997;12(4):527-40. implants: a radiographic study in the canine
mandible. J Periodontol 2002;73(10):1111-7.

Guia de leitura
Como integrar a estética do sorriso no planejamento digital? Pág. 895

884 INPerio 2017;2(5):876-84


Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]

IMPLANTE IMEDIATO COM PROVISIONALIZAÇÃO IMEDIATA


ATRAVÉS DE CICATRIZADOR MULTIFUNCIONAL DE PEEK

Immediate implant placement and provisionalization


using a multifunctional PEEK healing abutment

Bernardo Born Passoni1, Fernanda Venâncio2, Márcio de Carvalho Formiga3, Guenther Schuldt Filho4,
Ricardo de Souza Magini5, César Augusto Magalhães Benfatti6

RESUMO ABSTRACT
Este artigo teve por objetivo apresentar um caso clínico cuja The aim of this article was to present a clinical case where the
prótese provisória utilizou um componente protético multifuncional provisional restoration was fabricated over a multifunctional PEEK
de PEEK. Este é um polímero biocompatível personalizável e de healing abutment. This biocompatible polymer can be customized
boa aderência às resinas. O caso descrito é um implante imediato and has excellent bond strength to resin composites. A dental implant
com carga imediata na região do 21. Foi realizado um approach was loaded at the region of tooth 21. After a palatal approach for
palatino do implante, preenchimento do gap vestibular com um implant placement, the buccal gap was filled with an alloplastic
enxerto aloplástico (Nanosynt), um provisório imediato utilizando graft (Nanosynt). Then, the immediate restoration was fabricated
um componente provisório multifuncional de PEEK e um dente with the multifunctional PEEK and an acrylic tooth form. At the
de estoque. O caso foi acompanhado até a fase de confecção da delivery of the definitive restoration, the peri-implant soft tissue
prótese definitiva, na qual foi verificada a arquitetura dos tecidos health and architecture were preserved. In the contemporary
peri-implantares quanto à saúde e manutenção. Na Implanto- implant dentistry, PEEK abutments provide the best biological and
dontia contemporânea, o PEEK é a opção biológico-funcional functional option with a significant cost-benefit ratio for cases of
com melhor custo-benefício nos casos de implantes colocados immediate implant loading.
e carregados imediatamente. Key words – PEEK; Dental implant; Fresh extraction socket;
Palavras-chave – PEEK; Implante dentário; Alvéolo de extração; Immediate loading.
Carga imediata.

1
Doutor em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina; Professor da graduação em Odontologia – Universidade do Sul de Santa Catarina.
2
Graduanda em Odontologia – Universidade do Sul de Santa Catarina.
3
Doutorando em Periodontia – Universidade de Guarulhos; Professor da graduação em Odontologia – Universidade do Sul de Santa Catarina.
4
Doutor em Implantodontia – Universidade Federal de Santa Catarina; Professor do Depto. de Odontologia – Universidade do Sul de Santa Catarina.
5
Doutor em Periodontia – Universidade Federal de Santa Catarina; Professor do Depto. de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina.
6
Doutor em Implantodontia – Universidade de São Paulo; Professor do Depto. de Odontologia – Universidade Federal de Santa Catarina.

Recebido em set/2017
Aprovado em set/2017

INPerio 2017;2(5):885-92 885


Passoni BB | Venâncio F | Formiga MC | Schuldt Filho G | Magini RS | Benfatti CAM

O desafio atual no sucesso das cargas A imitação do dente natural depende de um bom
imediatas em elementos em área estética técnico em prótese dentária, mas um contorno gengival
natural e harmônico depende, além da qualidade e
vai muito além de se conseguir a estabilidade
quantidade de tecido mole disponível, de uma coroa com
primária. Deve-se pensar que a longo prazo
perfil de emergência e contornos cervicais adequados.
é preciso manter a arquitetura óssea e O tratamento restaurador começa com o uso apropriado
gengival circundantes ao implante, para de restaurações provisórias que permitam a preparação da
alcançar os parâmetros estéticos exigidos na arquitetura gengival e um apropriado perfil de emergência6.
prática diária1. O adequado posicionamento Esse trabalho é iniciado com um provisório com formato
côncavo que permita a acomodação das margens gengivas
tridimensional do implante, assim como o
sobre a nova coroa protética, e tais aspectos são alcan-
uso de implantes com conexão tipo morse,
çados pelas características arquitetônicas do provisório.
além de de trazer vantagens biomecânicas Contudo, o material que constitui esse componente
frente aos sistemas convencionais2, apresenta pode interferir nessas características. Este provisório deve
vantagens biológicas. permitir a reprodução de um perfil de emergência suave,
preservando as margens gengivais e papilas interdentais7.
Para isso, esta mucosa peri-implantar precisa estar bem
assentada sobre um componente protético estável, isento
INTRODUÇÃO de movimentações, com o menor gap possível para menor
proliferação de bacterias na região do pescoço do implante,
O desafio atual no sucesso das cargas imediatas em altura suficiente para restabelecimento das distâncias
elementos em área estética vai muito além de se conseguir biológicas perdidas na exodontia e melhor acomodação
a estabilidade primária. Deve-se pensar que a longo prazo dos tecidos moles8.
é preciso manter a arquitetura óssea e gengival circun- O presente trabalho teve como objetivo demonstrar e
dantes ao implante, para alcançar os parâmetros estéticos discutir, a partir de um relato de caso clínico, a possibilidade
exigidos na prática diária1. O adequado posicionamento de manutenção da arquitetura gengival após a instalação
tridimensional do implante, assim como o uso de implantes de implante através da provisionalização imediata com
com conexão tipo morse, além de de trazer vantagens a utilização de um cicatrizador multifuncional de PEEK –
biomecânicas frente aos sistemas convencionais2, apresenta um polímero biocompatível que será mais explorado ao
vantagens biológicas. Tais vantagens são exemplificadas longo deste artigo.
pela menor remodelação óssea, menor gap na interface
implante/componente e melhor acomodação dos tecidos TERAPIA APLICADA
duros e moles ao redor do implante e componente3.
Nos casos de implantação imediata após a exodontia, Uma paciente do sexo feminino com 39 anos de
é essencial o uso de uma ancoragem mais palatinizada idade compareceu à clínica de Odontologia da Unisul
(approach palatino) buscando uma região com maior queixando-se de escurecimento do elemento 21. Durante
volume ósseo para estabilização do implante. Com isto, a anamnese, a mesma relatou ter sofrido trauma nos
forma-se um gap entre a superfície do implante e a tábua elementos anteriores durante um acidente automobilístico.
óssea vestibular. A literatura reporta que, na região anterior No exame clínico, constatou-se biotipo gengival espesso
de maxila, mais de 90% da população possui menos de e ausência de processo infeccioso (Figuras 1). No levanta-
2 mm de espessura de tábua óssea vestibular4. Portanto, mento tomográfico, foi constatada fratura radicular neste
como a remodelação óssea é inerente ao procedimento mesmo elemento dentário (Figuras 2). Apesar do ápice
de exodontia, este espaço deve ser preenchido por bioma- estar deslocado para distal, a tábua óssea vestibular estava
terial ou enxerto ósseo autógeno, a fim de compensar esta mantida, favorecendo a colocação de implante imediato.
remodelação óssea e garantir a melhor regeneração dos Por ser uma área estética, o procedimento cirúrgico
tecidos duros e moles5. iniciou-se com uma incisão intrassulcular rompendo as

886 INPerio 2017;2(5):885-92


Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]

fibras do ligamento periodontal, seguida de exodontia parecido ao dente natural da paciente. Com uma fresa
minimamente traumática, a fim de manter a arquitetura maxicut, o provisório foi desgastado até que se adaptasse
óssea e gengival (Figuras 3). corretamente no espaço mesiodistal e tivesse contato
Após a remoção do fragmento de raiz e curetagem com a margem gengival vestibular. Para realizar a união
do alvéolo, foi realizada a fresagem única do leito da faceta com o componente do implante, foi utilizada
cirúrgico com a broca 2,4 mm, de acordo com o preco- resina acrílica autopolimerizável (cor 62, Dencrilay, Dencril
nizado pelo fabricante (Figura 4). Um implante friccional – SP) pela técnica de nylon.
de 3,3 mm x 11 mm (Arcsys, FGM – Joinville, Brasil) foi Após essa união, todos os espaços foram preenchidos
instalado ancorado na parede palatina e 5 mm abaixo da até haver selamento da embocadura do alvéolo, elimi-
margem gengival, com estabilidade primária de 45 Ncm nando a necessidade de sutura do mesmo. A margem
(Figura 5). Como foi realizado o approach palatino, o gap gengival foi então demarcada com grafite na faceta para,
entre a superfície do implante e a parede vestibular foi em seguida, darmos o contorno adequado (Figuras 7).
preenchido com biomaterial sintético (Nanosynt, FGM – O perfil de emergência levemente côncavo foi confec-
Joinville, Brasil) para compensar a remodelação óssea da cionado no provisório, permitindo maior espessura
parede vestibular (Figura 6). gengival e melhor acomodação do mesmo, viabilizando
Para realização da carga imediata, foi selecionado assim melhor previsibilidade estética dos tecidos moles8.
um cicatrizador multifuncional (Arcsys). Como este Assim, após acabamento e polimento, o provisório sobre
cicatrizador é feito de PEEK, foi realizado o preparo do cicatrizador multifuncional foi batido sobre o implante,
mesmo de acordo com a altura interoclusal da paciente conforme o sistema Arcsys recomenda. O provisório foi
e, posteriormente, a captura de um dente de estoque deixado em infraoclusão, para aguardar a osseointegração
pré-selecionado de acordo com a cor e formato mais do implante e a confecção da coroa definitiva (Figura 8).

A B

Figuras 1 – A. Aspecto clínico


C
extraoral inicial. Notar o
escurecimento da coroa clínica
do elemento 21. B. Aspecto
clínico intraoral. Notar o
escurecimento da coroa clínica
do elemento 21. C. Aspecto
clínico intraoral. Notar a boa
quantidade e qualidade de
mucosa ceratinizada/gengiva.

INPerio 2017;2(5):885-92 887


Passoni BB | Venâncio F | Formiga MC | Schuldt Filho G | Magini RS | Benfatti CAM

Figuras 2 – Tomografia
computadorizada cone-beam
evidenciando a fratura na região
do terço médio. Notar também a
presença da parede vestibular e a
ausência de lesão apical.

B C

Figuras 3 – A. Vista oclusal pós-exodontia. B. Vista frontal pós-exodontia. Sondagem para averiguação da distância entre a margem
gengival e a tábua vestibular, que foi de aproximadamente 2,5 mm. C. Elemento dental e fragmento de raiz removidos.

888 INPerio 2017;2(5):885-92


Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]

Figura 4 – Preparação do leito cirúrgico com fresagem única Figura 5 – Implante Arcsys 3,3 mm x 11 mm instalado 5 mm
com broca 2,4 mm. abaixo da margem gengival. Notar o gap deixado entre a
parede vestibular e a superfície do implante.

Figura 6 – Preenchimento do gap vestibular com biomaterial


sintético (Nanosynt, FGM – Brasil). Foi colocado o tapa
implante para que nenhuma partícula de biomaterial entrasse
no cone do implante.

Figuras 7 – A. Ilustração da adaptação do cicatrizador multifuncional Arcsys no implante. B. Vista frontal


e lateral do dente de estoque adaptado sobre o cicatrizador multifuncional, preparado de acordo com a
altura interoclusal da paciente. Observar o formato côncavo para permitir a correta adaptação do tecido
mole sobre o provisório.

INPerio 2017;2(5):885-92 889


Passoni BB | Venâncio F | Formiga MC | Schuldt Filho G | Magini RS | Benfatti CAM

Após 90 dias, foi solicitada uma nova tomografia


computadorizada do cone-beam para verificação da
osseointegração do implante. Além disso, pôde-se
observar a manutenção da parede vestibular (Figuras 9).
Clinicamente, observou-se uma mucosa peri-implantar
saudável, manutenção das papilas e contornos semelhantes
aos dentes vizinhos (Figuras 10).

Figura 8 – Vista frontal do pós-operatório imediato.

Figuras 9 – Tomografia pós-operatória de três meses. Notar a


presença do biomaterial de preenchimento do gap.

Figuras 10 – Controle
pós-operatório de três meses.
Observar a cicatrização da
mucosa peri-implantar.

890 INPerio 2017;2(5):885-92


Terapia Aplicada Caderno científico [ IMPLANTE ]

DISCUSSÃO

A exodontia combinada com a instalação imediata do do microgap para o centro da plataforma do implante.
implante e da coroa provisória (carga imediata) apresenta Isso proporciona um mecanismo de defesa contra a
vantagens estéticas, psicológicas e funcionais. Esta conduta infiltração bacteriana e uma possível inflamação do osso
clínica elimina o segundo estágio cirúrgico, minimiza o marginal13-16. Mecanicamente, os implantes de plataforma
tempo de tratamento e o desconforto do paciente9. switching são conhecidos por distribuir o estresse entre
O posicionamento tridimensional do implante é a plataforma e o componente para o eixo central, mais
um fator imprescindível para o sucesso da técnica. distante da crista óssea. Com isso, a perda óssea marginal
A anatomia do alvéolo frequentemente tem o ápice da peri-implantar tende a ser minimizada17-18.
raiz do dente natural em direção vestibular e não serve Os limites e contornos de uma restauração provisória
como referência para a perfuração. O posicionamento do devem ser delineados para facilitar a criação do perfil
implante junto à parede palatina do alvéolo, conhecido de emergência. Duas áreas distintas são determinadas:
como approach palatino, permite uma maior ancoragem o contorno crítico, que é o limite da coroa clínica que
óssea e cria um espaço entre o implante e a tábua óssea contorna a margem gengival livre; e o contorno subcrítico,
vestibular do alvéolo, seja ela íntegra ou comprometida10. que é a área côncava que acomoda os tecidos moles
Há uma sugestão na literatura para colocar os peri-implantares18.
implantes imediatos aproximadamente 1 mm mais apical No presente relato de caso, utilizou-se um cicatrizador
do que os implantes tardios11. Além disso, eles devem feito de PEEK para a confecção da restauração provisória
estar ligeiramente lingualizados/palatinizados em relação imediata. As vantagens da utilização do cicatrizador
ao centro do alvéolo. Para obtenção de ótimos resultados como abutment da prótese provisória imediata estão
estéticos, o posicionamento tridimensional do implante relacionadas a não necessidade de seleção final da
deve ser levado em consideração, assim como o conhe- altura de cinta do componente protético no momento
cimento do padrão de reabsorção da crista alveolar11. da confecção do provisório. Assim, após decorrido o
A posição mais palatinizada do implante propicia a tempo de cicatrização dos tecidos duros e moles, pode-se
formação de um espaço entre a tábua vestibular e a selecionar com mais calma e precisão a correta altura
plataforma do implante (gap). No presente relato de de cinta do componente protético que será utilizada.
caso, este gap esteve presente e foi preenchido com um Somado a isso, o PEEK possui características biológicas
biomaterial sintético com alto potencial osteocondutor. muito favoráveis, sendo biocompatível, o que potencializa
Dessa forma, espera-se que a perda do osso fasciculado a resposta tecidual e apresenta vantagens protéticas,
seja compensada pela lenta taxa de substituição pois o mesmo é um polímero, permitindo sua persona-
apresentada por esse substituto ósseo. Esta propriedade lização de forma fácil e possuindo uma interação com a
do biomaterial é considerada crucial para que haja tempo resina muito melhor do que os componentes protéticos
da parede vestibular completar seu processo fisiológico provisórios metálicos convencionais.
de remodelação e neoformação12. Para manutenção das papilas ao redor das reabi-
Restaurações protéticas que possuem o conceito litações implantossuportadas, deve-se dar a devida
da plataforma switching apresentam resultados atenção ao ponto de contato do provisório em relação aos
estéticos satisfatórios. Biologicamente, a preservação dentes adjacentes19. Assim, uma estética rosa agradável
do osso marginal ocorre pela mudança da localização será obtida.

INPerio 2017;2(5):885-92 891


Passoni BB | Venâncio F | Formiga MC | Schuldt Filho G | Magini RS | Benfatti CAM

CONCLUSÃO Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro
para pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou
perda com a publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de
Pôde-se concluir que a utilização do cicatrizador nossas famílias, não recebemos honorários de consultoria ou fomos
multifuncional Arcsys como suporte de prótese provisória, pagos como avaliadores por organizações que possam ter ganho ou
perda com a publicação deste trabalho, não possuímos ações ou
bem como o approach palatino e o preenchimento do investimentos em organizações que também possam ter ganho ou
gap durante a realização da carga imediata, foi capaz perda com a publicação deste trabalho. Não recebemos honorários
de apresentações vindos de organizações que com fins lucrativos
de manter a arquitetura gengival original ao redor do possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho, não
estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
implante instalado. e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos
como testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma
entidade com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência


Bernardo Born Passoni
bpassoni@hotmail.com

REFERÊNCIAS
1. Al-Dosari A, Al-Rowis R, Moslem F, Alshehri F, recession with a triple graft from the maxillary randomized controlled trial on immediately
Ballo AM. Esthetic outcome for maxillary anterior tuberosity: a variation of the immediate dento- loaded post-extractive implants using
single implants assessed by different dental alveolar restoration technique. J Prosthet Dent platform-switching concept. Clin Oral Implants
specialists. J Adv Prosthodont 2016;8(5):345-53. 2014;112(4):717-22. Res 2016 Aug 8. (doi:10.1111/clr.12940). Epub
2. Formiga MC, Inoue RT, Zanetti RV, Zanetti AL, 8. Rosa JC, Rosa AC, Rosa DM, Zardo CM. Immediate ahead of print.
Teixeira ML, Takamatsu F. Evaluation using dentoalveolar restoration of compromised 14. Degidi M, Iezzi G, Scarano A, Piattelli A.
FEM on the stress distribution on the implant, sockets: a novel technique. Eur J Esthet Dent Immediately loaded titanium implant with a
prosthetic components and crown, with cone 2013;8(3):432-43. tissue-stabilizing/maintaining design (‘beyond
morse, external and internal hexagon connec- 9. Filho GS, Foggiatto A, Takashima MR, Souza platform switch’) retrieved from man after 4
tions. Dental Press Implantol 2013;7(3):65-75. AC, Pereira Neto AL. Do implante imediato ao weeks: a histological and histomorphometrical
3. Mangano FG, Mastrangelo P, Luongo F, Blay A, condicionamento da mucosa supraimplantar evaluation. A care report. Clin Oral Implants Res
Tunchel S, Mangano C. Aesthetic outcome of com cicatrizador personalizado: o que sabemos? 2008;19(3):276-82.
immediately restored single implants placed In: Rossetti PHO, Bonachela WC (eds). Os Novos 15. Vela NX, Rodríguez CX, Rodado AC, Segalà TM.
in extraction sockets and healed sites of the Caminhos Clínicos da Implantoterapia. São Benefits of an implant platform modification
anterior maxilla: a retrospective study on 103 Paulo: VM Cultural Editora, 2017.p.63-88. technique to reduce crestal bone resorption.
patients with 3 years of follow-up. Clin Oral 10. Pinto AVS, Couy KC, Pinto MNS, Paulon P. Trata- Implant Dent 2006;15(3):313-20.
Implants Res 2017;28(3):272-82. mento do complexo muco alveolar imediato à 16. Hürzeler M, Fickl S, Zuhr O, Wachtel HC. Peri-
4. Huynh-Ba G, Pjetursson BE, Sanz M, Cecchinato extração dental. In: Rossetti PHO, Bonachela WC implant boné level around implants with
D, Ferrus J, Lindhe J et al. Analysis of the socket (eds). 50 Anos de Osseointegração: reflexões platform switched abutment: preliminary data
bone wall dimensions in the upper maxilla in e perspectivas. São Paulo: VM Cultural Editora, from a prospective study. J Oral Maxillofac Surg
relation to immediate implant placement. Clin 2015. p.200-65. 2008;66(6):2195-6.
Oral Implants Res 2010;21(1):37-42. 11. Caneva M, Salata LA, Souza SS, Baffone G, Lang 17. Maeda Y, Horisaka M, Yagi K. Biomechanical
5. Preservação da arquitetura gengival em alvéolos NP, Botticelli D. Influence of implant positioning rationale for a single implant-retained
frescos íntegros na região estética. InPerio in extraction sockets on osseointegration: mandibular overdenture: An in vivo study. Clin
2016;1(2):325-33. histomorphometric analyses in dogs. Clin Oral Oral Implants Res 2008;19(3):271-5.
6. Buser D, Wittneben J, Bornstein MM, Grütter Impl Res 2010;21(1):43-9. 18. Moon SY, Lim YJ, Kim MJ, Kwon HB. Three-
L, Chappuis V, Belser UC. Stability of contour 12. Broggini N, Bosshardt DD, Jensen SS, Bornstein dimensional finite element analysis of
augmentation and esthetic outcomes of MM, Wang CC, Buser D. Bone healing around platform switched implant. J Adv Prosthodont
implant-supported single crowns in the esthetic nanocrystalline hydroxyapatite, deproteinized 2017;9(1):31-7.
zone: 3-year results of a prospective study bovine bone mineral, biphasic calcium 19. Cosyn J, Sabzevar MM, De Bruyn H. Predictors
with early implant placement postextraction. phosphate, and autogenous bone in mandibular of inter-proximal and midfacial recession
J Periodontol 2011;82(3):342-9. bone defects. J Biomed Mater Res B Appl following single implant treatment in the
7. Rosa JC, Rosa AC, Fadanelli MA, Sotto-Maior BS. Biomater 2015;103(7):1478-87. anterior maxilla: a multivariate analysis. J Clin
Immediate implant placement, reconstruction 13. Canullo L, Caneva M, Tallarico M. Ten-year hard Periodontol 2012;39(9):895-903.
of compromised sockets, and repair of gingival and soft tissue results of a pilot double-blinded

Guia de leitura
A escova de dentes que você usa é realmente eficaz? Pág. 927

892 INPerio 2017;2(5):885-92


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

ESTÉTICA DO SORRISO: PLANEJAMENTO DIGITAL, CIRURGIA


PERIODONTAL E PROCEDIMENTO RESTAURADOR

Smile’s esthetics: digital smile design, periodontal surgery and restorative procedure

Priscilla Barbosa Ferreira Soares1, Gabriel Felipe de Bragança2, Juliana Simeão Borges3, Crisnicaw Verissimo4, Carlos José Soares5

RESUMO ABSTRACT
A busca pela estética tem acentuado a procura dos pacientes The seek for esthetics has increased patient´s demand for the
pela transformação do sorriso. Com o auxílio da fotografia e smile makeover. With the help of computational technology, it is
da tecnologia computacional, é possível a realização do DSD possible to perform the DSD (digital smile design) with greater
(digital smile design – planejamento digital do sorriso), que nos treatment predictability treatment. Confirmation of this digital
dá maior previsibilidade do tratamento. A confirmação deste planning occurs in the mock-up test, from which the patient
planejamento digital se dá na prova do mock-up, a partir do qual has a physical sensation of his/her planned smile. This article
o paciente tem a real sensação do seu sorriso planejado. Este presents a clinical case which highlights the patient cooperation
artigo apresentou um caso clínico no qual se destaca a adesão and periodontal surgery for crown lengthening, followed by
do paciente ao tratamento e a realização de cirurgia periodontal direct composite resin restorations after the diagnostic wax-up
para aumento de coroa clínica, seguida de restaurações diretas procedure. With an integrated treatment planning guided by the
com resinas compostas, posterior ao enceramento diagnóstico. DSD protocol, it was possible to establish an excellent outcome
Com o planejamento integrando a terapia cirúrgica periodontal e with high patient satisfaction.
o protocolo restaurador adesivo direto guiado por planejamento Key words – Digital smile design; Mock-up; Diagnostic waxing;
digital (DSD), foi possível estabelecer um excelente resultado Periodontal surgery; Direct resin composite restorations.
com uma elevada satisfação do paciente.
Palavras-chave – Planejamento digital do sorriso; Mock-up;
Enceramento diagnóstico; Cirurgia periodontal; Resina composta
direta.

1
Professora doutora adjunta da área de Periodontia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.
2
Mestrando em Odontologia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.
3
Acadêmica do curso de Odontologia – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.
4
Professor doutor associado do Depto. de Odontologia Restauradora – Universidade de Uberaba.
5
Professor doutor adjunto da área de Dentística e Materiais Odontológicos – Faculdade de Odontologia da Universidade Federal de Uberlândia.

Recebido em jun/2017
Aprovado em jun/2017

INPerio 2017;2(5):895-909 895


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Alterações de cor, forma e posicionamento Em contraste, o excesso de tecido gengival ou “sorriso


que prejudicam a harmonia do sorriso, gengival” pode comprometer a aparência do indivíduo.
associadas à deficiência de saúde oral, Diastemas em dentes anteriores afetam a aparência do sorriso,
além da ausência de ponto de contato. Estas intercorrências
refletem na autoestima e, consequentemente,
podem ser minimizadas ou eliminadas com o auxílio de
em aspectos sociais no qual o indivíduo se
tratamento ortodôntico, protocolos cirúrgicos periodontais
insere1. Com isso, podem ser desencadeados e restauradores ou a combinação de ambos7. Objetivando
sentimentos de insatisfação, insegurança, não abordar aspectos de planejamento, etapas terapêuticas e
aceitação pessoal e falta de autoconfiança2. acompanhamento pós-operatório, o objetivo deste relato
de caso clínico foi apresentar um planejamento digital
do sorriso, procedimentos periodontais e restauradores
diretos, visando solucionar alterações estéticas do sorriso.
INTRODUÇÃO
TERAPIA APLICADA
Alterações de cor, forma e posicionamento que
prejudicam a harmonia do sorriso, associadas à deficiência Paciente do sexo feminino, com 26 anos de idade,
de saúde oral, refletem na autoestima e, consequente- apresentou-se à Faculdade de Odontologia da Univer-
mente, em aspectos sociais no qual o indivíduo se insere1. sidade Federal de Uberlândia (Foufu) insatisfeita com a
Com isso, podem ser desencadeados sentimentos de estética do sorriso. Destacava-se sorriso gengival e dentes
insatisfação, insegurança, não aceitação pessoal e falta conoides, especialmente nos dentes anterossuperiores.
de autoconfiança2. Após exame clínico intraoral e radiográfico, observou-se
O número de pacientes em busca de resoluções que a queixa principal era em relação à presença de sorriso
estéticas cresceu acentuadamente nos últimos anos. gengival bem evidente, desarmonia da anatomia dentária
São frequentes situações clínicas com necessidade de e presença de diastemas nos dentes anteriores superiores
procedimentos periodontais envolvendo aumento de (Figuras 1 e 2). A paciente apresentava erupção passiva
coroa clínica e procedimentos restauradores, como reana- alterada, condição relacionada à assimetria gengival na
tomização com resina composta de dentes anteriores ou qual o periodonto não sofre migração apical satisfatória.
facetas de cerâmica3. A utilização de resinas compostas Nestes casos, a margem gengival se posiciona coronal-
nestas condições é uma opção conservadora, com custos mente, recobrindo a junção amelocementária, deixando
reduzidos e excelente resultado final4. um aspecto de coroa clínica curta8-9.
Antes de qualquer procedimento clínico, o plano Após planejamento com o auxílio de documentação
de tratamento é de extrema importância. O protocolo radiográfica, modelos de estudo e protocolo fotográfico
DSD (digital smile design), desenvolvido por Christian extra e intraoral, foi realizado o DSD (digital smile design ou
Coachman, é uma ferramenta moderna que favorece o planejamento digital do sorriso) no software PowerPoint
diagnóstico estético. A análise crítica do sorriso e a relação (Microsoft), mostrando à paciente o possível formato
dentista-paciente são realizadas por meio de recursos dos dentes após a cirurgia periodontal de aumento de
digitais. É desenvolvida uma sequência específica para o coroa clínica, e a confecção de restaurações em resina
planejamento e análise das medidas e padrões faciais5, composta direta para alterar o formato de canino a canino
podendo ter previsão dinâmica do resultado, possibili- superior (Figura 3).
tando a visualização do planejamento não somente com Para nortear a sequência cirúrgica restauradora,
o enceramento do modelo, mas também pela visualização foram seguidas normas de proporção áurea. A largura
do sorriso e face. Com a realização do planejamento do incisivo central (IC) é obtida dividindo-se a distância
restaurador em modelos e sua transferência por meio de interpupilar por 6,6. A largura do IC é, em média, 80%
mock-up, é facilitada a condução técnica de casos estéticos. do seu comprimento10. A largura do incisivo lateral (IL)
A exposição de aproximadamente 2-3 mm de gengiva corresponde à largura do IC x 0,618, sendo a sua largura
marginal é considerada ideal na estética do sorriso6. correspondente, em média, a 60% do seu comprimento.

896 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 1 – Aspecto inicial do sorriso gengival.

Figura 2 – Imagem inicial dos dentes anteriores evidenciando Figura 3 – DSD realizado no software PowerPoint (Microsoft),
sorriso gengival, desarmonia da anatomia dentária e presença demonstrando as proporções e formatos iniciais, as
de diastemas. proporções e formatos propostos para o tratamento, por meio
da utilização de réguas digitais e com a proporção áurea de
1,618 – 1,0 – 0,618.

Da mesma forma, a largura do canino corresponde a Encontradas as medidas ideais dos dentes anteros-
60% da largura do IL, calculada pela largura do IL x 0,618. superiores com base no conceito de proporção áurea,
Todas estas proporções são avaliadas em visão frontal, ou foram criados virtualmente os novos formatos dos dentes
seja, correspondem às larguras e comprimentos que são seguindo as medidas calculadas (verde). Após aprovação
visualizados frontalmente ao sorriso da paciente, e não da paciente ao DSD, foi enviado o planejamento digital ao
às medidas reais dos dentes11. No software PowerPoint técnico de laboratório de prótese para confecção de wax-up
(Microsoft), foram criadas réguas milimetradas digitais ou enceramento diagnóstico de canino a canino superior
com o intuito de calibrar as medidas virtuais com as (Figura 4). Então, foi realizado mock-up ou réplica do
reais. A régua baseada na proporção áurea (azul) segue as sorriso, por meio de técnica indireta com resina bisacrílica
proporções de 1,618 – 1,0 – 0,618, para auxílio das medidas na cor A2 (Structur 2 SC, Voco – Cuxhaven, Alemanha).
de largura dos dentes por visão frontal. O objetivo de reproduzir o DSD na boca é buscar a
aprovação da paciente ao tratamento proposto e orientar o
cirurgião-dentista na execução da técnica (Figura 5).

INPerio 2017;2(5):895-909 897


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Figura 4 – Enceramento diagnóstico (wax-up).

Figura 5 – Mock-up realizado com resina bisacrílica.

A cirurgia periodontal foi realizada objetivando o lâmina 15C (Hu-Friedy – Chicago, EUA), para remoção
aumento de coroa clínica de todos os dentes entre os do colar gengival e posterior deslocamento do retalho.
primeiros pré-molares superiores. Após anestesia local Procedeu-se com o descolamento do retalho mucoperiósteo
infiltrativa (lidocaína 2% com epinefrina 1:100.000), foi (Figura 9) utilizando descolador tipo Molt modificado
redefinido o contorno gengival. Com a utilização de sonda (Golgran) e exposição de tecido ósseo. Foi realizada osteo-
periodontal (Golgran – São Caetano do Sul, Brasil), foi tomia para remoção do tecido ósseo com ponta diamantada
realizada sondagem transcirúrgica em pontos na região esférica diamantada no 8 (KG Sorensen – Cotia/SP, Brasil) e
vestibular dos dentes de interesse, transferindo esta medida cinzéis tipo Ochsenbein (Golgran – São Paulo, Brasil), com
para vestibular por meio de pequenos pontos sangrantes, irrigação utilizando soro fisiológico (Sanobiol, Eurofarma –
podendo identificar assim a região exata a ser incisada São Paulo, Brasil). O retalho foi posicionado e suturado com
(Figuras 6 a 8). A incisão foi realizada em bisel interno sutura do tipo colchoeiro vertical utilizando fio de nylon 5.0
associada à incisão sulcular do tecido gengival utilizando (Procare – Rio de Janeiro/RJ, Brasil), Figura 10.

898 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 6 – Sondagem através de sonda periodontal milimetrada.

Figura 7 – Demarcação dos pontos sangrantes através de sonda periodontal milimetrada.

Figura 8 – Pontos sangrantes demarcados.

INPerio 2017;2(5):895-909 899


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Figura 9 – Descolamento do retalho mucoperiósteo e Figura 10 – Cirurgia periodontal finalizada após sutura em
exposição de tecido ósseo. colchoeiro vertical.

A paciente recebeu orientações de cuidados da giroversão do elemento dental 22 e remoção de


pós-operatórios, sendo prescrito anti-inflamatório mancha hipoplásica de esmalte no dente 11 (Figuras 13
(nimesulida 100 mg, um comprimido de 12 em 12 horas e 14). Realizou-se profilaxia com pedra-pomes, água e
durante três dias), analgésico (dipirona sódica 500 mg, um taça de borracha (Microdont – São Paulo, Brasil), seguida
comprimido de seis em seis horas durante dois dias), em de lavagem abundante com jato de água/ar e secagem
caso de dor, e bochechos com digluconato de clorexidina com jato de ar. O condicionamento do esmalte com ácido
0,12%, duas vezes ao dia. Dieta pastosa foi recomendada fosfórico a 37% (Maquira – Maringá, Brasil) foi realizado
durante o primeiro dia e dieta livre nos dias subsequentes. nos dentes 11, 12 e 13 (Figura 16) durante 30 segundos,
Ao décimo dia, foram removidas as suturas e, na sequência, seguido de lavagem com jato de água pelo mesmo período
as consultas de manutenções foram realizadas no primeiro e remoção do excesso de água com papel absorvente.
mês e após 45 dias (Figura 11). O mesmo procedimento foi repetido posteriormente para
Foram então confeccionadas restaurações em resina os dentes 21, 22 e 23 (Figuras 15 e 16). Após posiciona-
composta e realizada seleção de cor da resina composta mento das tiras de poliéster (Fava – São Paulo, Brasil) nos
em luz ambiente ou natural, pela escala de cor Vita espaços interdentais, foi aplicado um sistema adesivo de
(Classical, Wilcos – Petrópolis, Brasil). Foi definida a cor A2 dois passos (Adper Single Bond 2, 3M Espe – St. Paul/MN,
no terço cervical, A1 nos terços médio e incisal, e resina EUA) com a utilização de esponja aplicadora (Microbrush,
CT para reprodução da borda incisal translúcida (Filtek KG Sorensen – Cotia, Brasil) em duas camadas. Após 30
Z350XT, 3M Espe). O isolamento absoluto modificado do segundos, foi secado com um leve jato de ar durante cinco
campo operatório foi realizado (Figura 12). Com ponta segundos e fotoativado durante dez segundos, utilizando
diamantada cilíndrica com extremidade arredondada 2214 fonte de luz LED com irradiância de 1.000 mW/cm2 (Valo
(KG Sorensen – Cotia/SP, Brasil), foi realizada regularização Cordless, Ultradent – South Jordan/UT, EUA), Figura 17.

Figura 11 – Aspecto dos dentes e gengival na região anterior Figura 12 – Isolamento absoluto modificado.
(45 dias pós-cirúrgicos).

900 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 13 – Regularização da giroversão do elemento dental 22.

Figura 14 – Aspecto dos dentes anteriores após regularização de giroversão do elemento dental 22 e macroabrasão de hipoplasia
do elemento 11.

INPerio 2017;2(5):895-909 901


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Figura 15 – Condicionamento do esmalte com ácido fosfórico 37% nos dentes 11, 12 e 13.

Figura 16 – Condicionamento do esmalte com ácido fosfórico 37% nos dentes 21, 22 e 23.

902 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 17 – Aplicação do sistema adesivo com microbrush.

Iniciou-se a inserção incremental da resina composta por meio da inibição da camada de oxigênio, garantindo
de esmalte na cor EA1 pela face palatina, confeccio- polimerização superficial da resina e evitando futuros
nando a concavidade palatina dos seis dentes. Foi então problemas, como pigmentação e desgastes prematuros
utilizada resina de dentina na cor DA2 no terço cervical (Figuras 21 e 22)12.
de dentina, e DA1 no terço médio e incisal de dentina. Após a finalização das restaurações, utilizando fita de
Na borda incisal, foi inserida resina translúcida para carbono (Accufilm/Parkell, Wilcos – Petrópolis/SP, Brasil), foi
mimetizar o halo incisal translúcido. Foram utilizadas realizado ajuste ou checagem oclusal dos contatos oclusais
resinas de esmalte para recobrimento de toda a e das guias protrusiva e de lateralidade, efetuando ajustes
face vestibular dos dentes, utilizando resina EA2 na necessários com pontas diamantadas de granulação fina.
região de esmalte no terço cervical e EA1 na região de Foi realizado o acabamento inicial das restaurações com
esmalte nos terços médio e incisal (Figuras 18 e 19). pontas diamantadas de granulação fina e extrafina (2135F
Cada incremento foi fotoativado durante 20 segundos e 2135FF, KG Sorensen – Cotia/SP, Brasil), regularização
(Figura 20). Após o término das restaurações, foi aplicado utilizando pontas de silicone com óxido de alumínio
gel hidrossolúvel (KY Gel, Johnson & Johnson – São KmU 10, pré-polimento com KmU 20 e polimento final com
Paulo, Brasil) e realizada nova fotoativação durante 20 KmU 30 (DH Pro – Curitiba, Brasil), Figura 23, seguido de
segundos sobre o gel depositado em cada dente, com o lavagem abundante com água, finalizando as restaurações
objetivo de melhorar o grau de conversão do compósito (Figuras 24 a 26).

INPerio 2017;2(5):895-909 903


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Figura 18 – Inserção de resina através de espátula de inserção.

Figura 19 – Adaptação de resina composta com o auxílio de pincel.

904 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 20 – Fotoativação da resina composta.

Figura 21 – Aplicação de gel hidrossolúvel nas faces vestibular e lingual das restaurações.

INPerio 2017;2(5):895-909 905


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

Figura 22 – Fotoativação da camada superficial bloqueando o contato com o oxigênio com gel hidrossolúvel.

Figura 23 – Polimento com pontas de silicone.

906 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 24 – Restaurações em resina composta finalizadas.

Figura 25 – Aspecto final do sorriso após o tratamento.

Figura 26 – Aspecto
final do sorriso após
o tratamento.

INPerio 2017;2(5):895-909 907


Soares PBF | de Bragança GF | Borges JS | Verissimo C | Soares CJ

DISCUSSÃO

Fotografias digitais são importantes meios para o mimetização dos tecidos dentais, reversibilidade de
planejamento das restaurações estéticas, uma vez que tratamento, possibilidade de reparo e, sobretudo, baixo
permitem a visualização da face, sorriso e contorno custo, quando comparadas às reabilitações indiretas
de lábios, favorecendo a confecção de restaurações com cerâmicas19. Entretanto, tudo depende da correta
personalizadas13. O DSD mostra-se como uma excelente indicação e da habilidade do profissional quanto ao
ferramenta de comunicação do cirurgião-dentista com desenvolvimento da técnica20. Resinas nanoparticuladas
o paciente, influenciando efetivamente na explanação, garantem resistência à compressão e à flexão, dureza
entendimento e consequente adesão do paciente ao trata- superficial, acabamento e polimento21. A lisura superficial
mento proposto. Adicionalmente, o protocolo fotográfico deste material foi melhorada pelas minúsculas partículas
auxilia substancialmente na comunicação com o técnico de carga inorgânica. Essas resinas são capazes de mimetizar
para a confecção do enceramento diagnóstico ou wax-up. as características óticas, como translucidez, opalescência,
Ressalta-se a importância do enceramento diagnóstico halo opaco, contraopalescência, textura e fluorescência,
realizado previamente aos procedimentos restauradores, respeitando a anatomia e as espessuras de esmalte e
uma vez que este serve de guia para o mesmo. Além dentina, resultando em diferentes regiões de luminosidade
disso, em casos em que cirurgia periodontal é necessária, e absorção de luz.
o mock-up é indicado para visualizar a quantidade de A longevidade do tratamento restaurador depende da
gengiva que deve ser removida14. O ensaio restaurador boa higiene bucal do paciente, promovendo bom controle
confeccionado com resina bisacrílica permite a discussão de placa bacteriana. Assim, o acabamento e polimento das
e a aprovação do tratamento proposto, minimizando restaurações em resina composta ao término do tratamento
chances de insucesso, principalmente, pela insatisfação são fundamentais porque esta etapa, além de reproduzir
do paciente após a finalização do tratamento. detalhes anatômicos e diminuir a rugosidade, propor-
Resinas bisacrílicas têm demonstrado maior resistência ciona lisura e brilho da superfície restaurada22. Falhas no
à fratura e desgaste15, ausência ou mínimo odor, menor acabamento cervical das restaurações propiciam retenção
reação exotérmica, menor contração de polimerização, de placa bacteriana, dificultando o controle pelos meios
maior facilidade de uso16 e estabilidade de cor17 , quando habituais de higiene bucal, favorecendo assim o desen-
comparadas a resinas acrílicas convencionais. Este material volvimento da inflamação gengival e perda de inserção23.
possui tempo de presa intraoral de três a quatro minutos, Sobretudo, deve-se pensar no paciente como um ser
e o acabamento e polimento podem ser efetuados com biopsicossocial, levando em consideração fatores bioló-
fresas de carbide de corte cruzado, discos de metal ou gicos, psicológicos, de personalidade e sociais ou culturais
de lixa, escovas de pelo de cabra ou disco de pano para quando algum tratamento é indicado, principalmente se
polimento. Os melhores polimentos para estes materiais este tratamento envolve uma grande mudança estética.
foram relatados como sendo realizados com pedra-pomes Busca-se encontrar a melhor aparência, adequando o tipo
e pasta diamantada18. de comportamento, a personalidade, o formato do rosto
A opção por restaurações diretas com resina composta e do sorriso, além das qualidades interiores, favorecendo
atribuiu-se às suas vantagens, como conservação e o planejamento individualizado para cada paciente24.

908 INPerio 2017;2(5):895-909


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

CONCLUSÃO Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
O tratamento envolvendo planejamento digital do recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
sorriso, procedimentos periodontais e restauradores por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
diretos proporcionou um grande impacto na qualidade também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
de vida da paciente, mostrando a importância do profis- recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
sional moderno em estar atualizado com novas técnicas e não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
materiais restauradores a fim de obter um planejamento testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
individualizado com maior previsibilidade, visando com interesse financeiro nesta área.

solucionar as alterações estéticas do sorriso. Endereço para correspondência


Priscilla Barbosa Ferreira Soares (campus Umuarama)
Av. Pará, 1.720 – Bloco 4L – anexo A – Santa Mônica
38400-902 – Uberlândia – MG
Tel.: (34) 3225-8106
pbfsores@yahoo.com.br

REFERÊNCIAS
1. Grzic R, Spalj S, Lajnert V, Glavicic S, Uhac I, 9. Castro PHDF, Lopes LPB, Crispin M, Silva SL, 17. Gupta G, Gupta T. Evaluation of the effect of
Pavicic DK. Factors influencing a patient’s Westphal MRA. Planejamento reverso na various beverages and food material on the
decision to choose the type of treatment to correção de sorriso gengival. Rev Periodontia color stability of provisional materials – an in
improve dental esthetics. Vojnosanit Pregl 2010;20(3):42-6. vitro study. J Conserv Dent 2011;14(3):287-93.
2012;69(11):978-85. 10. Carvalho BCFC. Utilização de imagem digital 18. Guler AU, Kurt S, Kulunk T. Effect of various
2. Chain MC, Rodrigues CC, Adriani O. Estética: para diagnóstico e planejamento estético. R finishing procedures on the staining of provi-
dominando os desejos e controlando expecta- Dental Press Estet 2006;3(1):72-82. sional restorative materials. J Prosthet Dent
tivas. In: Cardoso RJA, Gonçalves EAN. Estética. 11. Soares GP, Silva FAP, Lima DANL, Paulillo LAMS, 2005;93(5):453-8.
São Paulo: Artes Médicas, 2002. p.43-52. Lovadino JR. Prevalência da proporção áurea 19. Heymann HO, Hershey HG. Use of composite
3. Reshad M, Cascione D, Magne P. Diagnostic em indivíduos adultos-jovens. Revista Odonto resin for restorative and orthodontic correction
mock-ups as an objective tool for predictable Ciência, Porto Alegre 2006;21(54):346-50. of anterior interdental spacing. J Prosthet Dent
outcomes with porcelain laminate veneers 12. Boing TF, Gomes GM, Grande CZ, Reis A, Gomes 1985;53(6):766-71.
in esthetically demanding patients: a clinical JC, Gomes OMM. Avaliação do grau de conversão 20. Hirata R, Higashi C, Masotti A. Simplificando o
report. J Prosthet Dent 2008;99(5):333-9. de uma resina composta utilizando diferentes uso de resinas compostas em dentes poste-
4. Fernandes HK, Silva R, Marinho MAS, Souza PO, tratamentos de superfície previamente à riores. R Dental Press Estét 2004;1(1):18-34.
Ribeiro JCR, Moysés MR. Evolução da resina fotopolimerização final. Revista Dentística on 21. Yap AU, Wee KE. Effects of cyclic tempe-
composta: revisão de literatura. Rev Univ Vale line 2011;10(22):9-14. rature changes on water sorption and
do Rio Verde 2014;12(2):401-11. 13. Bunashi A. Easy esthetic mock-up. E-journal solubility of composite restoratives. Oper Dent
5. Coachman C, Calamita M, Schayder A. Digital of Dentistry 2011;1(issue 4):104-6. 2002;27(2):147-53.
Smile Design: Uma ferramenta para planeja- 14. Decurcio RA, Cardoso PC, Rodrigues DC, Corrêa 22. Menezes MS, Vilela ALR, Silva FP, Reis GR, Borges
mento e comunicação em Odontologia estética. EJB, Borges GJ. O uso do mock-up na otimização MG. Acabamento e polimento em resina
Dicas em prótese laboratorial, 2012. e precisão do resultado da cirurgia plástica composta: reprodução do natural. Rev Odontol
6. Pini NIP, Khoury EMDA, Pascotto RC. Tratamento periodontal. Revista Clínica – International Bras Central 2014;23(66):124-9.
interdisciplinar para reabilitação estética do Journal of Brazilian Dentistry, Florianópolis 23. Madeira AR, Pontes MMA, Gusmão ES, Santos
sorriso. Rev Dental Press Estét 2010;7(2):40-50. 2012;8(1):74-85. RL, Silveira RCJ, Feitosa DSF. Análise clínica de
7. Francisconi LF, Freitas MC, Oltramari-Navarro 15. Takamizawa T, Barkmeier WW, Tsujimoto A, restaurações estéticas e suas correlações com a
PV, Lopes LG, Francisconi PA, Mondelli RF. Scheidel D, Erickson RL, Latta MA et al. Mechanical placa bacteriana. Periodontia 2006;16(3):37-42.
Multidisciplinary approach to the establishment properties and simulated wear of provisional 24. Paolucci B, Gurel G, Coachman C, Sauer C, Ricci
and maintenance of an esthetic smile: a resin materials. Oper Dent 2015;40(6):603-13. A, Yoshinaga LG et al. Visagismo – a arte de
9-year follow-up case report. Quintessence 16. Strassler H, Lowe RA. Chairside resin- based personalizar o desenho do sorriso. 1a edição/
Int 2012;43(10):853-8. provisional restorative materials for fixed vol. 1. São Paulo: VM Cultural Editora Ltda., 2011.
8. Ravon NA, Handelsman M, Levine D. Multidisci- prosthodontics. Compend Cont Educ Dent
plinary care: periodontal aspects to treatment 2011;32(9):10-9.
planning the anterior esthetic zone. J Calif Dent
Assoc 2008;36(8):575-84.

Guia de leitura
Quando os hormônios “mexem” com a gengiva? Pág. 919

INPerio 2017;2(5):895-909 909


Velasco FG | Mingotti AC | Sallum AW | Passos SD

CONDIÇÃO PERIODONTAL EM PUÉRPERAS ATENDIDAS


EM HOSPITAL UNIVERSITÁRIO DA FMJ, BRASIL

Periodontal condition of postpartum women at the University


Hospital of Faculty of Medicine of Jundiaí, Brazil

Fernanda Guerra Velasco1, Adriana Cruanes Mingotti2, Antonio Wilson Sallum3, Saulo Duarte Passos4

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: avaliar a prevalência das doenças periodontais em Objective: to evaluate the prevalence of periodontal disease in
uma amostra de puérperas atendidas no Hospital Universitário a sample of postpartum women at the University Hospital of the
da Faculdade de Medicina de Jundiaí. Material e métodos: Faculty of Medicine of Jundiai. Material and methods: it consisted of
a amostra foi composta por 400 gestantes que realizaram o 400 women who delivered at the hospital above. The data collected
parto no hospital acima referido. Os dados coletados até 48 up to 48 hours postpartum were: history, plaque index, bleeding
horas pós-parto foram: anamnese, índice de placa (IP), índice de on probing index probing depth and clinical attachment level.
sangramento a sondagem (IS), profundidade de sondagem e nível After data collection, the sample was divided into two groups: no
de inserção clínica. Após a coleta, a amostra foi dividida em dois periodontal disease (healthy or with gingivitis or mild periodontitis
grupos: sem doenças periodontais (saudável, com gengivite ou – P1) or periodontal disease (moderate periodontitis – P2; or
com periodontite leve – P1); ou com doenças periodontais (perio- severe periodontitis – P3). The data showed that the prevalence
dontite moderada – P2 ou periodontite severa – P3). Resultados: of moderate to severe periodontal diseases (P2-P3) in the study
a prevalência das doenças periodontais de moderada a severa population was 38.7%. Results: of periodontal diseases with some
(P2-P3) na população estudada foi de 38,7%. A prevalência das loss of insertion, i.e., from mild to severe (P1-P3) was 77.7%, 39%
doenças periodontais com alguma perda de inserção, ou seja, de with mild periodontitis (P1) and only 6.2% with severe periodontitis
leve a severa (P1-P3) foi de 77,7%, sendo 39% com periodontite (P3). The average value of PI and SI were significantly lower
leve (P1) e apenas 6,2% com periodontite severa (P3). Os valores (p < 0.0001) in the group without periodontal diseases (57.9% and
médios de IP e IS foram significantemente menores (p < 0,0001) no 57.6% respectively) than in the group with periodontal diseases
grupo sem doenças periodontais (57,9% e 57,6%, respectivamente), (80.1% and 78.7% respectively). Conclusion: periodontal diseases
quando comparado ao grupo com doenças periodontais (80,1% were quite expressive in the population examined.
e 78,7%, respectivamente). Conclusão: as doenças periodontais Key words – Periodontitis; Gengivitis; Pregnancy.
foram bastante expressivas na população examinada.
Palavras-chave – Periodontite; Gengivite; Gravidez.

1
Mestra em Clínica Odontológica, área de Periodontia – FOP/Unicamp; Professora colaboradora do Depto. de Pediatria – Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ).
2
Mestra em Ciências da Saúde e professora colaboradora do Depto. de Pediatria – Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ).
3
Professor titular do Depto. de Periodontia – FOP/Unicamp.
4
Professor titular do Depto. de Pediatria – Faculdade de Medicina de Jundiaí (FMJ).

Recebido em abr/2017
Aprovado em mai/2017

912 INPerio 2017;2(5):912-6


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

Recém-nascidos prematuros e de baixo Baseando-se nesses dados, este estudo teve como
peso representam um grande problema de objetivo analisar a condição periodontal de puérperas
saúde pública, sendo estes grupos mais atendidas no Hospital Universitário da Faculdade de
Medicina de Jundiaí.
vulneráveis e importantes preditores da
mortalidade e morbidade neonatal1. Apesar
MATERIAL E MÉTODOS
de todos os esforços, nas últimas décadas
houve aumento do baixo peso ao nascer e Tipo de estudo realizado
parto prematuro em todo o mundo. O presente trabalho apresenta um estudo observa-
cional de caso. Este projeto foi aprovado pelo Comitê de
Ética em Pesquisa da Faculdade de Medicina de Jundiaí,
de acordo com as provisões e princípios da resolução
INTRODUÇÃO 196/96 do Conselho Nacional de Saúde.

Recém-nascidos prematuros e de baixo peso repre- População estudada


sentam um grande problema de saúde pública, sendo Após a assinatura do termo de consentimento livre e
estes grupos mais vulneráveis e importantes preditores esclarecido pelos responsáveis, foram examinadas todas
da mortalidade e morbidade neonatal1. Apesar de todos as puérperas, com idade entre 16 e 45 anos, que reali-
os esforços, nas últimas décadas houve aumento do baixo zaram seu parto no Hospital Universitário da Faculdade
peso ao nascer e parto prematuro em todo o mundo. de Medicina de Jundiaí, no período de janeiro de 2008 a
A prevenção do baixo peso ao nascer depende de uma agosto de 2009. A escolha de cada puérpera foi realizada
extensa investigação e determinação de seus fatores de seguindo a ordem crescente da numeração de cada leito
risco, etiologia e patogênese2. no dia da coleta das características maternas. Os dados
O termo “medicina periodontal” foi introduzido em maternos, bem como o exame periodontal da puérpera,
20003 para descrever um novo campo de investigações foram coletados até 48 horas depois do parto. Das 599
em Periodontia, baseadas em dados científicos que selecionadas, apenas 400 participaram do estudo, pois
sugerem que a reação inflamatória causada pela doença 189 não se enquadravam nos critérios de inclusão e dez
periodontal, uma doença multifatorial e crônica que tem (1,6%) recusaram-se a participar do estudo.
como fator etiológico primário o biofilme bacteriano, está
associada ao aumento do desenvolvimento de outras Critérios de inclusão e exclusão
doenças crônicas. A doença periodontal e prematuridade A população de estudo incluiu puérperas saudáveis,
são doenças sociais com fatores de risco comuns. com idade variando entre 16 e 45 anos, que realizaram o
Na década de 1990, a periodontite foi mencionada parto no Hospital Universitário da Faculdade de Medicina
pela primeira vez como um possível fator de risco signi- de Jundiaí e que concordaram em participar do estudo.
ficativo e independente do nascimento prematuro e Foram excluídas do estudo: gestação múltipla,
baixo peso corporal ao nascer. Desde então, numerosos incompetência istmo-cervical e cirurgias prévias no colo
estudos sobre a influência da periodontite no momento do útero. Não participaram da amostra gestações de
do nascimento e/ou peso dos recém-nascidos têm sido alto risco, tais como puérperas com câncer, convulsão
realizados em todo o mundo, mas seus resultados têm e psicopatia9. Foram excluídas também mulheres que
sido inconsistentes e controversos4-8. No entanto, todos apresentavam menos do que 20 dentes na cavidade
chegam ao mesmo consenso: a grávida pode, sem nenhum bucal ou que haviam realizado algum tipo de tratamento
risco à sua saúde e à gestação, realizar tratamento perio- periodontal durante a gestação.
dontal. Então, medidas de prevenção quanto à saúde
bucal e tratamento de doenças periodontais em gestantes
deveriam estar incluídas no conjunto de medidas realizadas
durante o pré-natal.

INPerio 2017;2(5):912-6 913


Velasco FG | Mingotti AC | Sallum AW | Passos SD

Exame periodontal ainda utilizou-se a seguinte divisão: grupo sem doença


O exame periodontal foi realizado na boca toda, periodontal – puérperas com diagnóstico de saúde gengival,
por um único examinador previamente calibrado (kappa gengivite e periodontite leve (P1); e grupo com doença
ponderado = 0,95; percentual de concordância de 92%), periodontal – puérperas com diagnóstico de periodontite
com o auxílio de uma sonda milimetrada de Williams. moderada (P2) e severa (P3).
Tal coleta foi realizada utilizando-se luz natural e artificial,
com a puérpera deitada em seu leito hospitalar. Todos os Teste estatístico aplicado
exames intrabucais foram realizados no período de luz Cada indivíduo representou uma unidade amostral.
solar presente, já que foram executados sem o auxílio de Na amostra estudada, aplicou-se o teste de Mann-Whitney
um refletor. O exame periodontal englobou os seguintes para analisar o índice de placa e o índice de sangramento
dados: índice de placa (IP)10, índice de sangramento (IS)11, a sondagem.
profundidade de sondagem (PS), retração gengival (RG)
e nível de inserção clínica (NIC). Todos estes parâmetros RESULTADOS
foram realizados em quatro faces de cada dente: mesial,
distal, vestibular e lingual, sempre registrando a maior Foram recrutadas 599 puérperas para o estudo. Destas,
medida de cada uma dessas faces. 189 foram excluídas por não preencherem os critérios
de inclusão e dez recusaram-se a participar, sendo que a
Classificação da doença periodontal amostra final foi constituída por 400 puérperas.
O diagnóstico de doença periodontal era dado quando, Foram encontrados 311 casos com diagnóstico de P1
no mínimo, quatro dentes apresentavam um ou mais a P3, o que corresponde a uma prevalência de doença
sítios com PS ≥ 4 mm e com NIC ≥ 3 mm no mesmo sítio. periodontal com alguma perda de inserção de 77,7%.
Foram utilizados como critério de severidade os índices Também foram encontrados 23 casos de periodontite
adotados pela American Academy of Periodontology12: agressiva entre as mães com diagnóstico de P3 (P3a),
P1 (periodontite leve) – presença de pelo menos quatro correspondendo a 5,7% de toda a população estudada.
dentes com um ou mais sítios com perda de inserção A prevalência de doença periodontal de moderada (P2)
clínica de 1 mm a 2 mm; P2 (periodontite moderada) – a severa (P3) foi de 38,7% (155 puérperas) na população
presença de pelo menos quatro dentes com um ou mais de estudo, sendo que 130 (32,5%) apresentavam P2 e
sítios com perda de inserção clínica de 3 mm a 4 mm; 25 (6,2%) apresentavam P3. A ausência de doença
P3 (periodontite severa) – presença de pelo menos quatro periodontal foi observada em 245 puérperas (61,3%) que
dentes com um ou mais sítios com perda de inserção apresentavam diagnóstico de saúde gengival ou gengivite
clínica ≥ 5 mm. (P0) e periodontite leve (P1), sendo que 89 (22,3%)
Todas essas classes poderiam ainda ser subclassificadas apresentavam P0 e 156 (39%) apresentavam P1, Tabela 1.
como periodontite agressiva (Pa), caso apresentassem Todos os 400 casos avaliados apresentaram sangra-
bolsas supostamente infraósseas em apenas uma face mento a sondagem e presença de placa, sendo que quatro
entre dois dentes. Estas bolsas deveriam estar presentes casos (1%) apresentaram índice de sangramento menor
apenas em molares e incisivos, e ser incompatíveis com ou igual a 25%. Esses casos tinham diagnóstico de P0,
a quantidade de placa. mostrando então que apenas 1% da população estudada
As gestantes que não preencheram os critérios para apresentou “saúde gengival”, segundo os critérios adotados
doença periodontal tiveram diagnóstico de periodontite para a classificação neste estudo.
zero (P0). Dentre esses casos, os que apresentaram Os valores médios de índice de placa e sangramento
sangramento a sondagem em mais de 25% dos sítios foram significantemente menores (p < 0,0001) no grupo
receberam diagnóstico de gengivite e, quando o índice sem doença periodontal (57,9% e 57,6%, respectivamente)
de sangramento foi inferior a esse valor, receberam a do que no grupo com doença periodontal (80,1% e 78,7%,
classificação de “saúde gengival”. Além dessa classificação, respectivamente), Tabela 2.

914 INPerio 2017;2(5):912-6


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

TABELA 1 – DISTRIBUIÇÃO DA AMOSTRA PELAS CATEGORIAS DE DOENÇA PERIODONTAL


Doença periodontal N %

Não 245 61,3

Sim 155 38,7

Grau da DP

P0 89 22,3

P1 156 39

P2 130 32,5

P3/P3a 25/23 6,2/5,7

TABELA 2 – ESTUDO DOS ÍNDICES IP E IS, SEGUNDO A DOENÇA PERIODONTAL


Doença periodontal

Medidas Não (n=245) Sim (n=155) Valor p

Média Mediana Média Mediana

IP % 57,9 ± 11,2 57 80,1 ± 9,7 79 < 0.0001

IS % 57,6 ± 11,3 57 78,7 ± 11,3 79 < 0.0001


Teste de Mann-Whitney.
Foram observadas diferenças significativas (p < 0.0001) no índice de placa (IP) e no índice de sangramento (IS).

DISCUSSÃO

A presença de sangramento após sondagem foi mais da metade da amostra (61,3%) não teve, ou apresentou
verificada em toda a amostra, concordando com alguns de maneira muito inicial, perda de inserção clínica. Ou seja,
estudos13-16, sendo maior do que 25% em mais de 90% eram saudáveis e apresentavam gengivite ou periodontite
das mulheres. A placa também esteve presente em todas leve (P1), no entanto, a prevalência de perda de algum
as puérperas e, embora os maiores índices estivessem nível de inserção clínica (P1-P3) foi alta (73%), apesar de
na população com diagnóstico de doença periodontal, menos de 7% apresentarem perda avançada de inserção
a média apresentou-se alta na amostra como um todo, (periodontite severa – P3).
demonstrando uma condição de higiene bucal precária. A implicação da elevada prevalência é preocupante,
Este dado pode ser parcialmente explicado pelo fato de, visto que há estudos que sugerem que as doenças
muitas vezes, elas chegarem alguns dias antes do parto no periodontais4-5,8 podem estar associadas a nascimentos
hospital e não receberem alta antes de 48 horas de terem prematuros, e os prematuros têm maior risco de morbidade
dado à luz. Muitas destas gestantes foram surpreendidas e mortalidade. Portanto, existe a necessidade de identi-
com o início do trabalho de parto e acabaram por não ficar e prevenir as doenças periodontais o quanto antes.
levar seus objetos básicos de higiene pessoal ao hospital. O aumento do número de pré-termos e baixo peso implica
No entanto, este dado reforça a necessidade de programas em um diagnóstico precoce pelos serviços de saúde,
de atenção à saúde bucal da população de gestantes profissionais capacitados para realizar o tratamento e
como um todo, com a intenção de minimizar os efeitos boa adesão ao tratamento pela gestante, pois durante a
potencializadores da gestação sobre a condição periodontal, gravidez o tratamento odontológico é relegado por muitas
melhorando assim sua qualidade de vida e bem-estar. pacientes e profissionais de saúde.
Quando analisada a distribuição da doença periodontal Por fim, deve ser enfatizado que as doenças perio-
nos diferentes estágios de severidade, foi observado que dontais, por si só, já são doenças sistêmicas que devem ser

INPerio 2017;2(5):912-6 915


Velasco FG | Mingotti AC | Sallum AW | Passos SD

diagnosticadas e tratadas o mais precocemente possível, Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
devolvendo assim o bem-estar e a saúde do indivíduo. pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
Este estudo traz dados importantes, principalmente ao publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
município de Jundiaí, já que este é um trabalho pioneiro por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
nesta cidade. Talvez estes dados sejam a base de subsídios também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
públicos e políticos que envolvam as doenças periodontais recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
e suas consequências no indivíduo como um todo. não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
CONCLUSÃO com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência


Fernanda Guerra Velasco
Dentro dos limites do presente estudo, pôde-se
Rua Abílio Figueiredo, 92 – Sala 155 – Anhangabaú
concluir que as doenças periodontais foram bastante 13208-140 – Jundiaí – SP
Tel.: (11) 99688-1778
expressivas na população examinada. fergvelasco@yahoo.com.br

REFERÊNCIAS
1. Kerr-Wilson CO, Mackay DF, Smith GC, Pell JP. 7. Khader Y, Al-shishani L, Obeidat B, Khassawneh M, 14. Yalcin F, Basegmez C, Isik G, Berber L, Eskinazi E,
Meta-analysis of the association between preterm Burgan S, Amarin ZO et al. Maternal periodontal Soydinc M et al. The effects of periodontal therapy
delivery and intelligence. J Public Health (Oxf) status and preterm low birth weight delivery: on intracrevicular prostaglandin E2 concentrations
2012;34(2):209-16. a case-control study. Arch Gynecol Obstet and clinical parameters in pregnancy. J Periodontol
2. Belizán JM, Hofmeyr J, Buekens P, Salaria N. 2009;279(2):165-9. 2002;73(2):173-7.
Preterm birth, an unresolved issue. Reprod 8. Armitage GC. Bi-directional relationship 15. Miyazaki H, Yamashita Y, Shirahama R, Goto-
Health 2013;10(1):58. between pregnancy and periodontal disease. -Kimura K, Shimada N, Sogame A et al. Perio-
3. Williams RC, Offenbacher S. Periodontal Periodontol 2000 2013;61(1):160-76. dontal condition of pregnant women assessed
medicine: the emergence of a new branch of 9. Brasil MS. Gestação de alto risco: manual by CPITN. J Clin Periodontol 1991;18(10):751-4.
periodontology. Periodontol 2000 2000;23:9-12. técnico. In: Estratégicas DAP, editor. Brasilia – 16. Lieff S, Boggess KA, Murtha AP, Jared H,
4. Offenbacher S, Katz V, Fertik G, Collins J, Brasil 2000. p.1-163. Madianos PN, Moss K et al. The oral conditions
Boyd D, Maynor G et al. Periodontal infection 10. Ainamo J, Bay I. Problems and proposals for and pregnancy study: periodontal status of
as a possible risk factor for preterm low birth recording gingivitis and plaque. Int Dent J a cohort of pregnant women. J Periodontol
weight. J Periodontol 1996;67(10 suppl.):1103-13. 1975;25(4):229-35. 2004;75(1):116-26.
5. Offenbacher S. The link between periodontal 11. Mühlemann HR, Son S. Gingival sulcus bleeding
disease and systemic health: a scientific – a leading symptom in initial gingivitis. Helv
update. Interview by Phillip Bonner. Dent Today Odontol Acta 1971;15(2):107-13.
1999;18(7):88-9. 12. Califano JV. Research SiaTCAAoP. Position paper:
6. Alchalabi HA, Al Habashneh R, Jabali OA, periodontal diseases of children and adoles-
Khader YS. Association between periodontal cents. J Periodontol 2003;74(11):1696-704.
disease and adverse pregnancy outcomes in a 13. Loe H, Silness J. Periodontal disease in
cohort of pregnant women in Jordan. Clin Exp pregnancy. I. Prevalence and severity. Acta
Obstet Gynecol 2013;40(3):399-402. Odontol Scand 1963;21:533-51.

Guia de leitura
O selamento bacteriano nos implantes: por quanto tempo estas interfaces resistem? Pág. 876

916 INPerio 2017;2(5):912-6


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

AUMENTO GENGIVAL ASSOCIADO


À TERAPIA DE REPOSIÇÃO HORMONAL

Gingival overgrowth associated to hormone replacement therapy – case report

Flávia Azeredo Sales1, Monique Braga Alves Teixeira1, Márlio Ximenes Carlos2,
Eveline Turatti3, Olívia Morais de Lima Mota3, Sérgio Luís da Silva Pereira3

RESUMO ABSTRACT
Os aumentos gengivais são lesões proliferativas de evolução lenta Gingival overgrowth are proliferative lesions of painless and slow
e indolor que acometem os tecidos gengivais e envolvem várias evolutive character, wich envolve the gingival tissues. This paper
possibilidades diagnósticas. O presente trabalho teve como objetivo shows a case report of this lesion in a young female patient under
relatar um caso clínico de aumento gengival em uma paciente hormone replacement therapy, highlightening the clinical and
jovem sob tratamento de reposição hormonal, ressaltando os histopathologic aspects of this relationship.
aspectos clínicos e histopatológicos desta inter-relação. Key words – Gingival overgrowth; Periodontal therapy; Hormone
Palavras-chave – Aumento gengival; Terapêutica periodontal; replacement therapy.
Terapia de reposição hormonal.

1
Cirurgiãs-dentistas – Universidade de Fortaleza.
2
Mestrando em Odontologia/Clínicas Odontológicas Integradas – São Leopoldo Mandic; Professor do curso de Odontologia – Universidade de Fortaleza.
3
Professores do curso de Odontologia – Universidade de Fortaleza.

Recebido em mai/2017
Aprovado em mai/2017

INPerio 2017;2(5):919-25 919


Sales FA | Teixeira MBA | Carlos MX | Turatti E | Mota OML | Pereira SLS

As doenças periodontais têm etiologia foi relatar um caso clínico de aumento gengival em uma
multifatorial e são resultado de uma paciente jovem que faz uso de terapia de reposição
interação e um desequilíbrio entre o biofilme hormonal por um longo tempo, enfocando o diagnóstico
e tratamento, bem como sua inter-relação.
bacteriano e a resposta imunoinflamatória
do hospedeiro, modulados por fatores
TERAPIA APLICADA
ambientais, sistêmicos e genéticos, podendo
aumentar sua prevalência, incidência Paciente do sexo feminino, de coloração parda e com
1-2
e/ou severidade . Entre estes fatores, 25 anos de idade, compareceu à Clínica Integrada da Unifor
enquadra-se a associação dos hormônios apresentando aumento gengival na região anterior da
maxila, porém, não soube especificar o tempo de evolução
sexuais femininos com a exacerbação de
da lesão. A paciente relata ter realizado histerectomia
processos inflamatórios do periodonto,
com anexectomia bilateral aos cinco anos de idade em
pois a mulher passa por diversas alterações decorrência de tumor em órgão reprodutor, desde então
hormonais no decorrer da vida e, em faz terapia de reposição hormonal. Ao exame clínico,
algumas épocas, elas são mais evidentes, observou-se uma lesão nodular na gengiva vestibular
como na puberdade, no período menstrual envolvendo os dentes 12 a 22, cobrindo mais da metade
das suas faces, de aspecto róseo-avermelhado, superfície
e na gravidez, bem como sob uso de
lisa, forma irregular, de base séssil, consistência borrachoide
contraceptivos orais e terapia de reposição
e com limites nítidos (Figura 1). Ao exame radiográfico,
hormonal1,3-4. não foi observada alteração óssea na região (Figura 2).
Inicialmente, foram realizadas raspagem supragen-
gival, profilaxia e orientação de higiene bucal com escova
dentária e fio dental, bem como sobre a realização diária
INTRODUÇÃO de bochechos com digluconato de clorexidina a 0,12%
(12/12h) durante duas semanas. Na segunda sessão, foi
As doenças periodontais têm etiologia multifatorial e realizada a gengivectomia e gengivoplastia de bisel externo
são resultado de uma interação e um desequilíbrio entre do segundo sextante. Após anestesia local infiltrativa,
o biofilme bacteriano e a resposta imunoinflamatória do foram realizadas a sondagem, demarcação dos pontos
hospedeiro, modulados por fatores ambientais, sistêmicos sangrantes e exérese da lesão por meio do bisturi de
e genéticos, podendo aumentar sua prevalência, incidência Kirkland. Em seguida, foi realizada a plastia das papilas com
e/ou severidade1-2. Entre estes fatores, enquadra-se a alicate de cutícula e escarificação com bisturi de Kirkland,
associação dos hormônios sexuais femininos com a irrigação com soro fisiológico (Figura 3) e proteção da área
exacerbação de processos inflamatórios do periodonto, com cimento cirúrgico, removido após sete dias, além da
pois a mulher passa por diversas alterações hormonais prescrição de analgésico por dois dias, em caso de dor.
no decorrer da vida e, em algumas épocas, elas são mais Neste período, o aspecto demonstrava uma cicatrização
evidentes, como na puberdade, no período menstrual e favorável, ainda com edema e tecido gengival parcialmente
na gravidez, bem como sob uso de contraceptivos orais epitelizado (Figura 4).
e terapia de reposição hormonal1,3-4. Após 60 dias, a área estava totalmente reparada,
A alteração nos níveis de estrógeno e progesterona com aspectos de normalidade (Figura 5). O diagnóstico
possui um efeito modulatório sobre a resposta inflamatória clínico diferencial foi de granuloma piogênico, fibroma e
frente às agressões bacterianas, quando da ocorrência hiperplasia gengival. Após a exérese, o tecido biopsiado
das doenças periodontais. Apesar de haver limitações (Figura 6) foi fixado imediatamente em um frasco com
e variações metodológicas, a literatura comprova formol a 10% e seguiu-se os procedimentos laboratoriais
modificações no padrão de manifestação clínica destas de rotina. De acordo com o laudo histopatológico (9607,
patologias2-3. Desta forma, o objetivo do presente trabalho de 10/10/2014), o material recebido para a análise media

920 INPerio 2017;2(5):919-25


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

2,5 x 0,8 x 0,3 cm e os cortes histológicos demonstraram hidrópica (Figura 7). Na lâmina própria, o tecido conjuntivo
fragmentos de mucosa revestida por epitélio pavimentoso era denso, permeado por infiltrado inflamatório predo-
estratificado orto e/ou paraceratinizado exibindo hiper- minantemente mononuclear e com presença de vasos
ceratose, focos acantose, com cristas epiteliais finas em sanguíneos. O diagnóstico histopatológico foi de hiperplasia
direção ao tecido conjuntivo, exocitose e degeneração gengival (Figura 8).

Figura 1 – Visão frontal da lesão nodular.

Figura 2 – Radiografia panorâmica.

Figura 3 – Aspecto clínico após exérese da lesão.

INPerio 2017;2(5):919-25 921


Sales FA | Teixeira MBA | Carlos MX | Turatti E | Mota OML | Pereira SLS

Figura 4 – Aspecto clínico da cicatrização após sete dias.

Figura 5 – Aspecto clínico da cicatrização após 60 dias, demonstrando normalidade.

922 INPerio 2017;2(5):919-25


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 6 – Tecido excisado.

Figura 7 – Aspecto histopatológico da hiperplasia gengival (HE; 100x).

Figura 8 – Aspecto histopatológico da hiperplasia gengival (HE; 400x).

INPerio 2017;2(5):919-25 923


Sales FA | Teixeira MBA | Carlos MX | Turatti E | Mota OML | Pereira SLS

DISCUSSÃO

Apesar de ser uma lesão benigna, o diagnóstico de a idade da menopausa natural, próxima dos 50 anos.
hiperplasia gengival não deve ser baseado apenas nos Entretanto, há uma variação de fatores que podem
achados clínicos, já que apresenta semelhança a outras alterar a resposta sistêmica a esta terapia, incluindo os
lesões, como fibroma e granuloma piogênico. Portanto, tecidos periodontais, tais como a dosagem, o modo de
a análise histopatológica é essencial para o diagnóstico administração, a idade do paciente, as doenças associadas
definitivo da lesão5. e a duração do tratamento9. Infelizmente, no caso clínico
Estudos atestam que homens têm mais doenças descrito a paciente não soube fornecer informações
periodontais do que as mulheres, além de possuírem precisas sobre a dosagem utilizada, mas acredita-se que
precária higiene bucal. As mulheres mostram-se mais o tempo de 20 anos de uso e a resposta individual foram
dispostas a desempenharem boa higienização bucal e se preponderantes para a resposta exacerbada dos tecidos
preocupam mais com o autocuidado. No entanto, nessa periodontais de revestimento.
afirmação não se considerou o aspecto do envolvimento Os fatores hormonais agem no organismo feminino,
hormonal, apenas o desempenho nas técnicas de higiene podendo atuar modificando a resposta tecidual frente à
bucal que foram empregadas3-4. irritação bacteriana. Eles são capazes de alterar o progresso,
No organismo feminino, essas mudanças em nível intensidade e resposta da doença periodontal ao trata-
hormonal transcorrem nas várias fases da vida. Nesse mento4. Os estrógenos agem por união e ativação de dois
contexto, a homeostase dos tecidos periodontais mostra-se receptores do estrógeno (ER α e ER β), codificados por dois
prejudicada, no entanto, a inflamação gengival não genes (ESR1 e ESR2). Estes receptores têm sido detectados
ocorre somente em decorrência da ação hormonal. Para em tecidos gengivais e no ligamento periodontal, permi-
que se instale o processo inflamatório, outros fatores tindo a estes hormônios aumentar a profliferação celular
desencadeadores atuam, como o biofilme bacteriano com dos vasos sanguíneos, inibir a quimiotaxia de neutrófilos,
bactérias específicas predisponentes à doença periodontal estimular a proliferação fibroblástica e alterar o mecanismo
e a resistência imunológica do hospedeiro4,6. Este fato do colágeno10. Todos estes efeitos poderiam explicam a
também foi observado no presente caso clínico, em que resposta inflamatória exacerbada no caso descrito.
a paciente apresentava uma higiene oral insatisfatória. Ao exame radiográfico não havia alteração óssea
Oscilações hormonais presentes na puberdade, periodontal, supondo que a administração de estrógeno
gestação, no período de ovulação, durante o uso de poderia estar prevenindo o efeito da deficiência deste
anticoncepcionais ou contraceptivos orais sintéticos e hormônio no osso alveolar3, obviamente sem considerar
na menopausa são possíveis fatores desencadeadores da outros fatores relevantes, como idade da paciente, sua
doença periodontal, ocorrendo mudança na resposta do resposta imunológica e constituição da microbiota. Neste
periodonto frente aos fatores etiológicos locais1,3-4. No caso aspecto, foi observada redução do número de periodonto-
em questão, a terapia hormonal por um longo período de patógenos, como P. gingivalis e T. Forsythia, em pacientes
tempo, provavelmente, foi o fator modificador relevante. com periodontite sob terapia de reposição hormonal no
A ovariectomia e histerectomia realizada em mulheres período pós-menopausa, quando comparados a pacientes
antes da menopausa induz à insuficiência primária ovariana que não a fizeram6. Entretanto, ainda há uma complexa
e deficiência hormonal crônica, assemelhando-se ao interação entre hormônios esteroidais, tecidos periodontais
período menopausal. A terapia de reposição hormonal e microrganismos, havendo a necessidade de estudos
para regularizar os níveis hormonais pré-menopausa mais aprofundados nesta área6.
é fundamental para aumentar a qualidade de vida e Por outro lado, a terapia de reposição hormonal parece
minimizar os fatores de risco associados à osteoporose, não estar associada com efeitos relevantes nos tecidos
doença cardiovascular, demência e outras alterações periodontais de sustentação, sugerindo que esta terapia
relevantes7-8. As formulações sintéticas dos hormônios não confere fator de proteção contra periodontite em
utilizados nesta terapia devem ser muito semelhantes mulheres pós-menopáusicas9. Uma vez que o foco principal
à produção hormonal ovariana normal e continuar até das pesquisas ainda são pacientes que se encontram neste

924 INPerio 2017;2(5):919-25


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

período do ciclo da vida feminina3,6,9,11, seria interessante a Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
realização de estudos de acompanhamento longitudinal pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
avaliando a influência da terapia de reposição hormonal recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
nos tecidos periodontais em pacientes jovens submetidas por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
à ovariectomia. também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
CONCLUSÃO não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
A hiperplasia gengival é uma lesão benigna relati- com interesse financeiro nesta área.

vamente comum, e o conhecimento de suas caracterís- Endereço para correspondência


Sérgio Luís da Silva Pereira
ticas clínicas e histopatológicas, bem como sua possível
Rua Romeu Aldigueri, 101 – Apto. 401 – Torre Norte
inter-relação com fatores sistêmicos, é de fundamental 60810-190 – Fortaleza – CE
Tel.: (85) 99988-7540
importância na prática clínica para um atendimento luiss@unifor.br
integral dos pacientes. O tratamento adequado minimiza
as chances de recorrência e a propagação do processo
infeccioso para os tecidos periodontais de sustentação.

REFERÊNCIAS
1. Passanezi E, Brunetti MC, Sant’ana ACP Interação 6. Tarkkila L, Kirstikari JF, Tiitinen A, Meurman JH. 10. Silveira VRS, Pigossi SC, Scarel-Caminaga RM,
entre a doença periodontal e a gravidez. Periodontal disease-associated micro-organisms Cirelli JA, Rêgo R, Nogueira NAP. Analysis of
R Periodontia 2007;17(2):32-8. in peri-menopausal and post-menopausal women polymorphisms in Interleukin 10, NOS2A,
2. Doná MFG, Rosa VM, Araújo CSA, Júnior JFS, using or not using hormone replacement therapy. and ESR2 genes in chronic and aggressive
Campos MLG. Influência da condição sistêmica A two-year follow-up study. BMC Oral Health periodontitis. Braz. Oral Res 2016;30(1):1-11.
e de hábitos no perfil periodontal: estudo 2010;10(10):1-8. 11. Wang Y, LaMonte MJ, Hovey KM, Mai X, Tezal M,
retrospectivo. INPerio 2017;2(1):137-44. 7. Sarrel PM, Sullivan SD, Nelson LM. Hormone Millen AE et al. Association of serum 17β-estradiol
3. Santos JF, Pillon FL. A influência dos hormônios replacement therapy in young women with concentration, hormone therapy, and alveolar
sexuais femininos sobre a manisfestação clínica surgical primary ovarian insufficiency. Fertil crest height in postmenopausal women. J
das doenças periodontais – revisão da literatura. Steril 2016;106(7):1580-7. Periodontol 2015;86(4):595-605.
R Periodontia 2009;19(3):34-40. 8. Sullivan SD, Sarrel PM, Nelson LM. Hormone
4. Spezzia S. Inter-relação entre hormônios sexuais replacement therapy in young women
e doenças periodontais nas mulheres. Braz J with primary ovarian insufficiency and early
Periodontol 2016;26(2):40-7. menopause. Fertil Steril 2016;106(7):1588-99.
5. Pereira CKK, Lima DLF, Carlos MX, Turatti E, 9. Pizzo G, Guiglia R, Licata ME, Pizzo I, Davis JM,
Cavalcante RB, Pereira SLS. Fibroma ossificante Giuliana G. Effect of hormone replacement
periférico – relato longitudinal de dois casos therapy (HRT) on periodontal status of
clínicos. INPerio 2017;2(1):155-61. postmenopausal women. Med Sci Monit
2011;17(4):23-7.

Guia de leitura
Nossas retrações gengivais do dia a dia (e os cuidados que precisamos ter). Pág. 947

INPerio 2017;2(5):919-25 925


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DAS ESCOVAS


CONVENCIONAIS E MULTIFILAMENTADAS:
UM ESTUDO RANDOMIZADO CEGO CONTROLADO

Effectiveness of conventional and multifilamentary toothbrushes:


a randomized, blinded, controlled trial

Laura Mazzola Mendes1, Letícia Kovac1, Marcelo Henrique Napimoga2, Daiane C. Peruzzo3

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: comparar o efeito de escovas multifilamentadas com as Objective: to compare the effect of multifilament toothbrushes
escovas dentais convencionais, na formação do biofilme dental and the conventional ones relating it to the formation of dental
bacteriano na área dentogengival, em indivíduos saudáveis. bacterial biofilm in the dentogingival region in healthy individuals.
Material e métodos: para a realização deste estudo de deline- Material and methods: to conduct this study in a prospective,
amento prospectivo, cruzado, cego e randomizado, foram crossed, blind and randomized outlining way, sixteen periodontal
selecionados 16 voluntários periodontalmente saudáveis, os quais healthy volunteers were selected and initially submitted to an oral
inicialmente foram submetidos a uma adequação bucal. Após sete adjustment. After seven days of adjustment, the individuals were
dias de adequação, os indivíduos foram aleatoriamente divididos randomly divided into four groups: A) the national multifilament
em quatro grupos: A) escova multifilamentos nacional (Sanifill toothbrush (Sanifill Infinite); B) the imported multifilament tooth-
Infinite); B) escova multifilamentos importada (Curaprox); C) escova brush (Curaprox); C) the conventional toothbrush 1 (Bitufo Class
convencional 1 (Bitufo Class macia); e D) escova convencional 2 Macia); and D) the conventional toothbrush 2 (Oral B Indicator); the
(Oral B Indicator ), utilizando o mesmo dentifrício para os quatro same toothpaste was utilized by the four groups. The volunteers
grupos. Os voluntários foram instruídos a usarem somente o were instructed to the usage of only one method of oral hygiene
método de higiene referente ao grupo a que foram designados, which is related to the group they were designed for a period of
por um período de 14 dias, com intervalos (washout) de sete fourteen days, with intervals (washout) of seven days between the
dias entre os períodos experimentais. Durante o washout, todos experimental periods. During the washout, all the individuals made
os indivíduos fizeram uso de escovas, dentifrícios e fio dental use of the toothbrushes, toothpastes and standardized dental
padronizados. Os seguintes parâmetros clínicos foram avaliados floss. The following clinical parameters were evaluated at 0 day
nos tempos 0 e 14 dias: índice de placa visível e corada (IPV e and 14 days: visible plaque index and disclosed plaque index (VPI
IPC) e índice de sangramento gengival (ISG). Resultados: após and DPI) and gingival bleeding index (GBI). Results: no statistically
análise dos dados, não foram observadas diferenças estatís- significant differences were observed (p > 0,05), neither with
ticas (p > 0,05), nem intragrupo e nem intergrupo, para todos the intragroup nor the intergroup in all the parameters analyzed.
os parâmetros analisados. Conclusão: escovas convencionais Conclusion: conventional toothbrushes and the multifilamented
e multifilamentadas foram igualmente eficazes no controle do ones were equally effective in controling dental bacterial biofilm
biofilme dental bacteriano, na área dentogengival. in the dentogingival region.
Palavras-chave – Biofilme bacteriano; Escova Dental; Controle Key words – Bacterial biofilm; Toothbrush; Mechanical control;
mecânico; Placa bacteriana. Bacterial plaque.

1
Especialistas em Estomatologia – Faculdade de Odontologia SLMandic.
2
Professor de Imunologia e Biologia Celular – Faculdade de Odontologia SLMandic.
3
Professora de Periodontia e Clínica Integrada – Faculdade de Odontologia SLMandic.

Recebido em mai/2017
Aprovado em mai/2017

INPerio 2017;2(5):927-33 927


Mendes LM | Kovac L | Napimoga MH | Peruzzo DC

A doença cárie e as doenças periodontais Alguns estudos de microscopia eletrônica de


(gengivites e periodontites) têm como varredura6-8 que avaliam a formação inicial da placa
bacteriana supragengival descreveram a presença de
fator etiológico primário o biofilme dental
uma zona com ausência de depósitos microbianos,
bacteriano1-2. A higiene oral adequada
situada entre a camada de placa e a margem gengival.
representa um meio altamente efetivo de Autores9-10, ao analisarem a formação inicial de placa
prevenção destas doenças, pois as bactérias por meio de registros fotográficos sequenciais, também
presentes no biofilme dental estão, na maior observaram a presença ocasional de um bordo estreito
parte do tempo, em equilíbrio com o seu livre de placa, entre a placa corada e a margem gengival,
que não era corada por agentes reveladores de biofilme.
hospedeiro, resultando na preservação da
Posteriormente, estudos demonstraram que a “zona livre
saúde do indivíduo3.
de placa supragengival” está presente por períodos de
até 96 horas11-12.
A prevenção e o controle da formação do biofilme
dental bacteriano são as medidas mais importantes para
a manutenção da saúde periodontal. Até o presente
INTRODUÇÃO momento, o principal meio, mais efetivo, acessível,
difundido e aceito de remoção de controle deste biofilme,
A doença cárie e as doenças periodontais (gengivites é o da limpeza mecânica13-14. Mas, para que o paciente
e periodontites) têm como fator etiológico primário o consiga executar de maneira adequada as instruções de
biofilme dental bacteriano1-2. A higiene oral adequada higiene que lhe foram passadas pelo profissional, este
representa um meio altamente efetivo de prevenção deve personalizar os instrumentos de higiene de acordo
destas doenças, pois as bactérias presentes no biofilme com as necessidades de cada indivíduo.
dental estão, na maior parte do tempo, em equilíbrio com A escova e o creme dental são, sem dúvida, os meios
o seu hospedeiro, resultando na preservação da saúde auxiliares mais difundidos na prática da higiene oral e têm
do indivíduo3. como objetivo principal a remoção mecânica de resíduos
Em exames microscópicos, mesmo em uma gengiva e o polimento da estrutura dental. A remoção do biofilme
clinicamente sadia, estão presentes células inatas à reação bacteriano nas regiões acessíveis se dá, principalmente,
inflamatória4. Em quadros clínicos de saúde gengival, a pela atrição mecânica das cerdas da escova com as
quantidade e a qualidade do biofilme dental bacteriano estruturas dentárias. Diversos modelos de escova têm
são compatíveis com a saúde, entretanto, quando há um sido desenvolvidos pelas indústrias com o objetivo de
acúmulo e já não existe mais compatibilidade, surgem atender necessidades específicas dos indivíduos, como
alterações clinicamente observáveis, como: acúmulo visível escovas interdentais, escovas de monotufo e escovas
de biofilme, sangramento da margem gengival ao escovar multifilamentadas15-17.
os dentes ou espontaneamente, vermelhidão, edema e O fluxograma da evidência do papel do biofilme
mudança de textura da gengiva3. A soma de todas essas bacteriano supragengival se completa na medida em
características é denominada gengivite. que, tanto sob aspectos preventivos como terapêuticos,
A gengivite pode difundir-se por toda a unidade o controle do biofilme gera a manutenção ou o retorno
gengival remanescente, e as intensidades dos sinais e das características de saúde gengival1. Tendo isso em
sintomas clínicos variam entre indivíduos e entre sítios mente, o objetivo do presente estudo foi comparar o
em uma mesma dentição. Vale ressaltar que todos os efeito de escovas multifilamentadas com as escovas
seus sinais são reversíveis após a remoção e controle do dentais convencionais, na formação e controle do biofilme
biofilme bacteriano, e dependem de um determinado dental bacteriano na área dentogengival, em indivíduos
período de tempo para que possam ocorrer1,5. periodontalmente saudáveis.

928 INPerio 2017;2(5):927-33


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

MATERIAL E MÉTODOS

Este estudo conduzido foi realizado em uma amostra se enquadravam nos seguintes critérios de inclusão:
de conveniência, em estudantes de Odontologia da saudáveis sistemicamente (ASA I) e periodontalmente,
Faculdade São Leopoldo Mandic, e obteve aprovação com idade entre 18 e 30 anos, e com pelo menos 20
do Comitê de Ética da Instituição sob protocolo dentes. Foram excluídos os indivíduos que usavam
no 35850014.6.0000.5374. aparelho ortodôntico ou contenções, apresentavam
restaurações ou próteses mal adaptadas, que utilizaram
Seleção da amostra antibióticos ou que relataram uso de drogas nos três
Foram incluídos 16 estudantes de Odontologia que meses anteriores ao estudo e aqueles que fumavam,
preencheram os critérios de inclusão e aceitaram participar independentemente da quantidade de cigarros.
do estudo. Para determinação do número de participantes,
foi realizado um cálculo amostral para obtenção de um Execução dos procedimentos experimentais
power de 80%, levando-se em consideração os dados da Foram comparadas quatro escovas (Figuras 1), sendo
literatura científica18. duas multifilamentadas (Sanifill Infinite, Bitufo – Senador
Os indivíduos foram randomizadamente divididos em Canedo/GO, Brasil; e Curaprox, Curaden Swiss – Suíça) e
um delineamento cruzado, de forma que todos receberam duas convencionais (Oral B Indicator – Manaus/AM, Brasil;
todos os tratamentos. Foram incluídos participantes que e Bitufo Class Antibac, Bitufo – Senador Canedo/GO).

Figuras 1 – Escovas utilizadas na fase clínica. A. Escova multifilamentos nacional (Sanifill Infinite). B. Escova multifilamentos
importada (Curaprox). C. Escova convencional (Oral B Indicator). D. Escova convencional (Bitufo Class Antibac).

INPerio 2017;2(5):927-33 929


Mendes LM | Kovac L | Napimoga MH | Peruzzo DC

Fase clínica pré-experimental heterocedasticidade, utilizou-se o teste Anova one way


Após a seleção dos voluntários, foi realizado um seguido de verificação post hoc de Tukey, para comparar
novo exame clínico bucal para obtenção dos seguintes os índices IPV e ISG nos tempos T0, T7 e T14 das escovas
parâmetros clínicos iniciais: índice de placa visível e estudadas (Sanifill, Curaprox, Oral B e Class). Com a mediana
corada (IPV e IPC), índice de sangramento gengival (ISG), do IPC de cada voluntário, foi obtida a mediana de cada
profundidade de sondagem (PS), retração gengival (RG) grupo, e a avaliação intragrupo foi calculada aplicando-se
e nível de inserção clínica (NIC). Em seguida, foi realizada o teste de Friedman (T0 e T14) seguido do post hoc
adequação bucal e remoção profissional do biofilme Wilcoxon. O teste entre grupos (Sanifill, Curaprox, Oral B
dental, de acordo com as necessidades de cada um dos e Class) foi realizado aplicando-se o teste Kruskal-Wallis
voluntários, com o uso de curetas, taças de borracha e seguido de Mann-Whitney. Em todos os casos, um nível
pasta profilática. de significância de p < 0,05 foi adotado.

Fase clínica experimental RESULTADOS


Após a fase pré-experimental, foi realizada uma nova
profilaxia profissional. A partir desse momento, foram Dos 16 voluntários que iniciaram o estudo, todos
realizados os quatro períodos experimentais, com duração completaram todas as fases do experimento. Partici-
de 14 dias em cada período e washout de sete dias entre param do estudo dois indivíduos do sexo masculino e 14
cada tratamento. No ínício e ao término de cada período do sexo feminino, com uma média de idade de 20 anos,
experimental, os participantes foram submetidos aos variando de 19 a 24 anos. Na fase pré-clínica, todos os
seguintes exames: indivíduos foram submetidos ao exame periodontal para
a. Índice de placa visível (IPV)19: avaliação da presença/ certificação de saúde gengival. Foram observados os
ausência de placa em um padrão binominal. É o número seguintes resultados para esta avaliação inicial: IPV=média
de faces envolvidas com placa dividido pelo número de 42% (desvio-padrão ± 16,13); IPC=mediana 3 (valor
total de faces; mínimo 1 e máximo 3); ISG=27% (desvio-padrão ± 9,31);
b. Índice de placa corada (IPC)20-21: avaliação da presença/ RG=0,8 mm (desvio-padrão ± 0,54) e NIC=0,57 mm
ausência de placa corada, por meio de evidenciador; (desvio-padrão ± 0,31).
c. Índice de sangramento gengival (ISG)19: avaliação da Após análise dos resultados, pôde-se observar que
presença/ausência de sangramento gengival, deter- para o início dos tempos experimentais (T0) não houve
minado pela passagem de uma sonda introduzida diferença estatística (p > 0,05) entre os tratamentos
(0,5 mm) no interior do sulco gengival, em um padrão (escovas) para nenhum parâmetro avaliado (IPV, IPC e
binominal. É o número de faces envolvidas com sangra- ISG), demonstrando homogeneidade dos grupos.
mento dividido pelo número total de faces. Quando analisado o IPV (Gráfico 1) na comparação
Os exames foram realizados por um pesquisador treinado, intragrupo (dentro de cada tratamento), não foi possível
calibrado e cego (em relação às escovas usadas), e os valores observar diferenças estatísticas (p > 0,05), bem como
foram anotados em fichas próprias, individualizadas para diferenças entre os tratamentos (p > 0,05). Quando
cada participante. Após os exames inicias, cada voluntário analisado o IPC, tanto na comparação intragrupo (dentro
recebeu o produto designado (sorteado), como instruções de cada tratamento) como na intergrupo, não foi possível
de uso específicos para cada método. observar diferenças estatísticas (p > 0,05) entre os trata-
mentos nos tempos 0 e 14 dias (Gráfico 2). De maneira
Análise dos dados semelhante, quando analisado o ISG na comparação
Para a análise estatística, foi utilizado o programa intragrupo, não foi possível observar diferenças estatísticas
SPSS (Statistical Package for Social Sciences) versão (p > 0,05) entre os diferentes tempos, bem como entre
21.0. Após verificação de critérios de normalidade e os tratamentos (Gráfico 3).

930 INPerio 2017;2(5):927-33


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

GRÁFICO 1 – MÉDIAS (± DP) DO ÍNDICE DE PLACA VISÍVEL (IPV) PARA AS ESCOVAS AVALIADAS,
NOS DIFERENTES TEMPOS.

Análise Anova one way seguida de verificação post hoc de Tukey.

GRÁFICO 2 – MÉDIAS (± DP) DO ÍNDICE DE PLACA CORADA (IPC) PARA AS ESCOVAS AVALIADAS,
NOS TEMPOS 0 E 14 DIAS.

Teste de Friedman (T0 e T14) seguido do post hoc Wilcoxon;


Teste Kruskal-Wallis seguido de Mann-Whitney para grupos (Sanifill, Curaprox, Oral B e Class).

GRÁFICO 3 – MÉDIAS (± DP) DO ÍNDICE DE SANGRAMENTO GENGIVAL (ISG) PARA AS ESCOVAS


AVALIADAS, NOS DIFERENTES TEMPOS.

Análise Anova one way seguida de verificação post hoc de Tukey.

INPerio 2017;2(5):927-33 931


Mendes LM | Kovac L | Napimoga MH | Peruzzo DC

DISCUSSÃO

A manutenção da saúde periodontal se dá através da diferenças entre as escovas na remoção do biofilme dental
prevenção e controle do biofilme dental bacteriano. Até o bacteriano e concluíram que não havia justificativa para
presente momento, o principal meio e mais utilizado de considerar uma escova superior a outra23.
remoção de controle do biofilme é a limpeza mecânica13-14. Em um estudo com acompanhamento de seis meses17,
É possível encontrar no mercado escovas manuais multi- foi analisada a eficácia do controle de biofilme dental
filamentadas e escovas dentais convencionais, entretanto, bacteriano e os potenciais efeitos das cerdas anguladas
há uma escassez de estudos na literatura comparando e retas das escovas dentais. O estudo demonstrou que
ambas. Desta forma, o presente estudo teve como o desenho das cerdas não apresentou uma diferença
objetivo avaliar o efeito das escovas multifilamentadas, significativa na capacidade de remoção de biofilme dental
comparadas às escovas convencionais, para o controle bacteriano, e ambos os desenhos de cerdas macias foram
do biofilme dental bacteriano na área dentogengival em seguros o suficiente para evitar recessão gengival. Tais
indivíduos saudáveis. resultados estão de acordo com aqueles encontrados no
Por ser de delineamento experimental cruzado, cego presente trabalho, em relação ao biofilme dental. Cabe
e prospectivo, o presente estudo permitiu que todos os ressaltar que, apesar da diferença no tempo de acompa-
voluntários passassem por todos os métodos avaliados. Essa nhamento nos estudos, para controle da formação de
metodologia diminui os possíveis vieses dos tratamentos. biofilme, estudos de curta duração são suficientes para
Adicionalmente, a inclusão dos períodos de washout encontrar respostas. Entretanto, quando o desfecho
minimizam os efeitos residuais dos métodos utilizados avaliado é gengivite ou alterações da posição da margem
anteriores a um novo tratamento22. Os índices de placa gengival, estudos com maior tempo de acompanhamento
visível e sangramento gengival foram realizados nos dias são necessários1,24-25.
0, 7 e 14, entretanto, o índice de placa corada (IPC) foi Diversos estudos com metodologias variadas compa-
avaliado somente nos dias 0 e 14, pois a evidenciação da raram a efetividade das escovas manuais com escovas
placa por corantes acarretaria na necessidade de profilaxia, elétricas26, escovas elétricas sônicas com oscilatórias27 ou
o que iria alterar o desfecho do estudo. escovas de diferentes formatos28, encontrando resultados
Após a análise dos dados, pôde-se observar que no diversificados. Entretanto, dentro do que está disponível
início dos tempos experimentais (T0) não houve diferença na literatura, existe uma falta de estudos que comparam
estatística entre os tratamentos para nenhum parâmetro a escova multifilamentada com a escova convencional na
avaliado, demonstrando que a amostra partiu de uma região dentogengival, apesar do grande apelo comercial
condição de homogeneidade entre os grupos. Após o que estas escovam apresentam. Para a interpretação dos
término dos experimentos, também não foram obser- resultados do presente estudo, deve-se salientar que, por
vadas diferenças estatísticas entre os tempos, nem entre se tratar de uma amostra de conveniência relacionada à
as escovas, para todos os parâmetros clínicos avaliados Odontologia, presume-se que os pacientes sejam mais
(IPV, IPC e ISG). Isto pode ser explicado pela amostra de motivados e comprometidos com a escovação. Entre-
conveniência (estudantes de Odontologia) utilizada e pela tanto, os achados do presente estudo denotam que,
orientação padronizada quanto ao uso das escovas, a qual independentemente do modelo de escova dental utilizada
foi dada para todos os voluntários. Por se tratar de um (convencional ou multifilamentada) ou do fabricante,
estudo cego, não houve interferência ou tendenciosidade quando se fornece uma adequada orientação e instrução
nas orientações, bem como nas coletas e análise dos dados. para higiene oral, o resultado encontrado é a eficácia no
De maneira similar ao presente trabalho, foi realizado um controle do biofilme dental. Entretanto, novos estudos
estudo para testar três diferentes modelos de escovas com maior tempo de acompanhamento e realizados em
manuais. Utilizou-se uma amostra de 27 indivíduos, com outras populações devem ser elaborados, a fim de avaliar
idade entre nove e dez anos. Os autores não observaram o comportamento longitudinal dos métodos testados.

932 INPerio 2017;2(5):927-33


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

CONCLUSÃO Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
Pôde-se concluir que as escovas convencionais e recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
multifilamentadas foram igualmente eficazes no controle por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
do biofilme bacteriano, na área dentogengival de indivíduos também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
periodontalmente saudáveis. recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
Agradecimentos e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
À P&D Oral Care/Savoy S.A, pelo fornecimento do material da pesquisa. testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.

Endereço para correspondência


Daiane Cristina Peruzzo
Rua José Rocha Junqueira, 13 – Swift
13045-755 – Campinas – SP
Tel.: (19) 3262-3659
daiaperuzzo@yahoo.com.br

REFERÊNCIAS
1. Toffenetti F, Vanini L, Tammaro S. Gingival 5. Santamaria MP, Suaid FF, Nociti-Júnior FH, 8. Santamaria MP, Feitosa DS, Nociti Jr. FH, Casati
recessions and noncarious cervical lesions: a Casati MZ, Sallum AW, Sallum EA. Coronally MZ, Sallum AW, Sallum EA. Cervical restoration
soft and hard tissue challenge. J Esthet Dent positioned flap plus resin-modified glass ionomer and the amount of soft tissue coverage achieved
1998;10(4):208-20. restoration for the treatment of gingival recession by coronally advanced flap. A 2-year-follow-
2. Sangnes G, Gjermo P. Prevalence of oral associated with non-carious cervical lesion. -up randomized controlled clinical trial. J Clin
soft and hard tissue lesions related to A randomized controlled clinical trial. J Perio- Periodontol 2009;36(5):434-41.
mechanical toothcleansing procedures. dontol 2008;79(4):621-8. 9. Santamaria MP, Feitosa DS, Casati MZ, Nociti
Community Dentistry and Oral Epidemioogyl 6. Santamaria MP, Queiroz LA, Mathias IF, da Jr. FH, Sallum AW, Sallum EA. Randomized
1976;4(2):77-83. Silva FL, Silveira CA, Bresciani E et al. Resin controlled clinical trial evaluating connective
3. Zucchelli G, Testori T, De Sanctis M. Clinical composite plus connective tissue graft to treat tissue graft plus resin-modified glass ionomer
and anatomical factors limiting treatment single maxillary gingival recession associated restoration for the treatment of gingival
outcomes of gingival recession: a new method with non-carious cervical lesion. randomized recession associated with non-carious
to predetermine the line of root coverage. clinical trial. J ClinPeriodontol 2016;43(5):461-8. cervical lesion: 2-year follow-up. J Periodontol
J Periodontol 2006;77(4):714-21. 7. Santamaria MP, Saito MT, Casati MZ, Nociti Junior 2013;84(9):e1-8.
4. Lucchesi JA, Santos VR, Amaral CM, Peruzzo DC, FH, Sallum AW, Sallum EA. Gingival recession
Duarte PM. Coronally positioned flap for associated with noncarious cervical lesions:
treatment of restored root surfaces: a combined periodontal-restorative approach
6-month clinical evaluation. J Periodontol and the treatment of long-term esthetic
2007;78(4):615-23. complications. Gen Dent 2012;60(4):306-11.

Guia de leitura
O comprimento do implante realmente interfere nas cargas axiais? Pág. 868

INPerio 2017;2(5):927-33 933


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

CONDIÇÃO BUCAL E QUALIDADE DE VIDA EM PACIENTES


ALCOOLISTAS E NÃO ALCOOLISTAS – ESTUDO CASO-CONTROLE

Buccal condition and quality of life in alcoholic and


non-alcoholic patients – case-control study

Ingrid Augusta Pereira da Silva1, Leonardo Zago Rocha2, Maria da Penha Zago Gomes3, Selva Maria Gonçalves Guerra4,
Camila Oliveira de Alencar5, Roberta Grasselli Batitucci Pinel6, Fabricia Ferreira Suaid7, Maria da Conceição Machado Gomes8,
Marciel Silva dos Santos9, Lorena Lírio Sossai10, Alfredo Feitosa11

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: estudar as concepções dos pacientes alcoolistas, alcoo- Objective: in the present study we studied the conceptions of
listas cirróticos e cirróticos não alcoolistas quanto à percepção de alcoholic, cirrhotic alcoholic and non-alcoholic cirrhotic patients
qualidade de vida, condição periodontal, perda dentária e uso ou regarding perception of quality of life, periodontal condition, tooth
não de prótese dentária. Material e métodos: estudo caso-controle loss and use of dental prosthesis. Material and methods: we
com 194 pacientes, com idades entre 25 e 73 anos, atendidos no evaluated 194 patients aged 25-73 years, attending the Gastroen-
Serviço de Gastroenterologia do Hospital Universitário Cassiano terology Department of the University Hospital Cassiano Antônio
Antônio de Moraes (Hucam/Ufes), quanto aos parâmetros: de Moraes (Hucam/Ufes), regarding the parameters: probing
profundidade de sondagem, nível de inserção clínica, índice de pocket depth, clinical attachment loss, visible plaque, marginal
placa visível, sangramento gengival, sangramento a sondagem, gingival bleeding, bleeding on probing, suppuration, dental mobility,
supuração, mobilidade dentária, lesões de furca e questionário furcation lesions, and OHIP-14 questionnaire. Results: the clinical
OHIP-14. Resultados: a condição clínica dos pacientes mostrou condition of the patients showed a predominance of poor quality
predomínio de má qualidade de vida marcada por perda dentária of life marked by extreme dental loss. Periodontal attachment
extrema. Foram observadas perdas de inserção periodontais, losses, predominance of dental plaque (p=0.002) and significant
predominância de placa dentária (p=0,002) e bolsas periodontais deep pockets ( 6 mm) were observed in the case group (p=0.035).
profundas ( 6 mm) no grupo-caso (p=0,035). Alguns parâmetros Some OHIP-14 parameters with significance (p < 0.001) were also
do OHIP-14 com significância (p < 0,001) foram observados com observed with the medical clinical condition, especially in the
a condição clínica médica, especialmente nas categorias dos categories of speech problems, feeling of social embarrassment
problemas ao falar, sentimento de constrangimento social e masti- and chewing. A comparison was made to evaluate the perception
gação. Uma comparação foi realizada para avaliar a percepção of alcoholic and edentulous patients in relation to OHIP-14 using
dos pacientes alcoolistas e desdentados em relação ao OHIP-14, the first (never) and the last (always) answers. The answer "never"
utilizando apenas as primeiras (nunca) e as últimas (sempre) presented higher percentages in questions 1 (91.8%); 2 (82.7%);
respostas. A resposta "nunca" apresentou maiores percentuais 6 (69.4%); 7 (70.7%); 8 (88.3%); 9 (80.0%); 12 (90.4%); 13 (69.2%);
nas questões 1 (91,8%); 2 (82,7%); 6 (69,4%); 7 (70,7%); 8 (88,3%); and 14 (89.8%). Question 5 obtained the answer "always" as the
9 (80,0%); 12 (90,4%); 13 (69,2%); e 14 (89,8%). A pergunta 5 obteve highest percentage (73.3%) for the same group. Conclusion: the
a resposta "sempre" como a maior porcentagem (73,3%) para clinical condition of patients shows significant effects when corre-
o mesmo grupo. Conclusão: a condição clínica dos pacientes lating with OHIP-14 parameters with the medical clinical condition,
mostra efeitos significativos ao se correlacionar os parâmetros deteriorated periodontal condition and considerable absence of
do OHIP-14 com a condição periodontal deteriorada e ausência dental prostheses.
considerável de próteses dentárias. Key words – Questionnaire; Tooth loss; Periodontal disease;
Palavras-chave – Questionário; Perda dentária; Doença perio- Prosthesis; Alcoholics.
dontal; Prótese dentária; Alcoolistas.

1
Cirurgiã-dentista do curso de Odontologia – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
2
Cirurgião-dentista e mestre em Clínica Odontológica/PPGCO – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
3
Doutora em Gastroenterologia – Universidade de São Paulo (USP); Professora chefe do Serviço de Gastroenterologia do Hucam – Universidade Federal do Espírito
Santo (Ufes).
4
Doutora em Reabilitação Oral – Universidade de São Paulo (USP); Professora titular do Depto. de Prótese Dentária – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
5
Doutora em Periodontia – Universidade de Taubaté (Unitau); Professora substituta em Periodontia do Depto. de Clínica Odontológica – Universidade Federal do
Espírito Santo (Ufes).
6
Doutora em Periodontia – Universidade Estadual Paulista (Unesp); Professora visitante em Periodontia do Depto. de Clínica Odontológica – Universidade Federal do
Espírito Santo (Ufes).
7
Doutora em Periodontia – Universidade Estadual de Campinas (Unicamp); Professora visitante em Periodontia do Depto. de Clínica Odontológica – Universidade
Federal do Espírito Santo (Ufes).
8
Mestra em Clínica Odontológica – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes); Doutoranda em Biotecnologia em Saúde do Programa de Pós-graduação em
Biotecnologia/Renorbio – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
9
Mestre em Clínica Odontológica e professor voluntário de Periodontia – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
10
Mestranda em Clínica Odontológica do Programa de Pós-graduação em Clínica Odontológica – Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes).
11
Doutor em Ciências – Universidade de São Paulo (USP); Professor associado III de Periodontia do Depto. de Clínica Odontológica – Universidade Federal do Espírito
Santo (Ufes).

Recebido em mai/2017
Aprovado em mai/2017

934 INPerio 2017;2(5):934-44


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

Na presente pesquisa, foram estudadas psicológica, incapacidade social e deficiência. A aplicabi-


concepções de pacientes renais crônicos lidade do OHIP tem sido demonstrada em distintas culturas
e diferentes países, na busca por uma eventual associação
e hepáticos com relação ao alcoolismo,
com fatores sociais, econômicos, demográficos e compor-
doença periodontal, uso ou não de próteses
tamentais9. Esses indicadores, considerados instrumentos
dentárias e qualidade de vida. O consumo de avaliações subjetivas, permitem um diagnóstico do
de álcool representa um problema de saúde impacto das condições de saúde bucal dos indivíduos
pública e é um fator de risco importante para e da sociedade como um todo, o que contribui para o
muitas doenças e incapacidades, atingindo planejamento de estratégias de melhorias na saúde bucal
de acordo com as necessidades da população10-11. Além
aproximadamente 2,5 milhões de mortes por
disso, uma boa saúde permite às pessoas participar em
ano, cirrose hepática, epilepsia, acidentes de
todas as dimensões físicas, sociais e psicológicas de suas
trânsito, violência e diversos tipos de câncer1. atividades diárias, incluindo o trabalho9.
Portanto, este estudo propôs-se a avaliar a condição
periodontal, o perfil da qualidade de vida, a perda dentária
e a necessidade de uso de próteses dentárias em pacientes
INTRODUÇÃO alcoolistas e não alcoolistas.

Na presente pesquisa, foram estudadas concepções MATERIAL E MÉTODOS


de pacientes renais crônicos e hepáticos com relação ao
alcoolismo, doença periodontal, uso ou não de próteses População de estudo
dentárias e qualidade de vida.
O consumo de álcool representa um problema de Amostra (n)
saúde pública e é um fator de risco importante para Estudo caso-controle, no qual se aplicou o formulário
muitas doenças e incapacidades, atingindo aproximada- OHIP-14 em uma amostra de 194 pacientes voluntários
mente 2,5 milhões de mortes por ano, cirrose hepática, com idades entre 25 e 73 anos. Os pacientes alcoolistas e
epilepsia, acidentes de trânsito, violência e diversos tipos alcoolistas cirróticos (grupo-caso, n=180), e não alcoolistas
de câncer1. O alcoolismo pode levar o indivíduo à cirrose, cirróticos (grupo-controle, n=14) assistidos no Serviço
que se caracteriza anatomicamente pela presença de de Gastroenterologia do Hospital Universitário Cassiano
nódulos fibrosados no fígado, causando disfunção hepática Antonio de Moraes (Hucam) da Universidade Federal do
e fazendo com que haja aumento de citocinas no soro2. Espírito Santo (Ufes), no período de abril a setembro de
Em média, os brasileiros consomem 15,1 litros de 2015, foram encaminhados para o Serviço de Periodontia
bebidas alcoólicas anualmente, sendo 60% cerveja, 36% do Instituto de Odontologia da Ufes (Ioufes).
destiladas e 4% vinho3. O consumo excessivo de álcool O diagnóstico de alcoolismo crônico foi feito pelos
relaciona-se também a piores quadros periodontais4-5, critérios da 10a edição da Classificação Internacional de
mas esta relação ainda não está clara6, embora tenha sido Doenças (CID-10)12. Os pacientes preencheram os seguintes
demonstrada uma associação positiva entre o consumo critérios de inclusão: portadores de periodontite crônica
de álcool e o risco de periodontite7. com pelo menos um sítio periodontal com profundidade
Indicadores sociodentários têm sido utilizados para de bolsa (PB) ≥ 4 mm e nível de inserção clínico (NIC)
avaliar o impacto das condições de saúde bucal. Dentre ≥ 3 mm ou com sulco gengival clínico sadio ≤ 3 mm e
estes, o perfil do impacto de saúde bucal (OHIP) destaca-se sem gengivite, distribuídos em quadrantes distintos e
pelo seu amplo uso, em sua versão original composto por com necessidade de terapia periodontal não cirúrgica
49 questões8. Em 1997, criou-se uma versão abreviada do (RAR). Todos os pacientes assinaram o termo de
OHIP, o OHIP-149. O instrumento contempla sete dimensões consentimento livre e esclarecido (TCLE) do projeto,
do impacto a ser mensurado: limitação funcional, dor física, de acordo com as diretrizes e normas do Conselho
desconforto psicológico, incapacidade física, incapacidade Nacional de Saúde (resolução MS/CNS no 466/2012).

INPerio 2017;2(5):934-44 935


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

Esta pesquisa envolvendo seres humanos foi iniciada (mais de 30% dos dentes afetados)14. O diagnóstico clínico
após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da Ufes/ de periodontite crônica baseou-se nas seguintes caracte-
plataforma Brasil, sob o no CAAE 26798414.1.0000.5060. rísticas: 1) prevalência maior em adultos, podendo ocorrer
em crianças e adolescentes; 2) taxas de progressão baixas
Procedimentos clínicos odontológicos a moderadas; 3) quantidade de depósitos microbianos
As características sociodemográficas relacionadas às consistente com a severidade da destruição periodontal;
condições clínicas da doença periodontal e à qualidade 4) nenhum padrão de agregação familiar; e 5) presença
de vida, por meio do questionário perfil do impacto de frequente de cálculo subgengival15.
saúde bucal (OHIP-14), foram obtidas empregando-se
protocolos atribuíveis à saúde bucal. Avaliação da percepção de saúde bucal

Avaliação da condição periodontal, da perda dentária e do Questionário OHIP-14


diagnóstico de periodontite Para analisar a saúde bucal relacionada à qualidade
Os exames clínicos periodontais foram realizados de vida, foi utilizado o questionário perfil do impacto
por um único examinador treinado. As mensurações de saúde bucal/OHIP-149. O OHIP-14 é um questionário
clínicas periodontais foram realizadas em seis sítios por autorrelatado, consistindo de 14 perguntas divididas em
dente (mesiovestibular, vestibular, distovestibular, mesio- sete domínios ou dimensões, construído para mensurar
lingual, lingual e distolingual), em todos os dentes (exceto impactos sociais dos problemas bucais, como um índice
os terceiros molares), utilizando-se sonda periodontal de escore total:
milimetrada Carolina do Norte (PCPUNC-BR 15, Hufriedy 1. Limitação funcional: você teve problemas para falar
do Brasil – Rio de Janeiro/RJ, Brasil). alguma palavra por causa de problemas dos seus dentes,
Os seguintes parâmetros periodontais foram avaliados: sua boca ou dentadura? Você sentiu que o gosto da
1) profundidade de bolsa (PB), aferindo-se a distância, comida tem piorado por causa de problemas dos seus
em milímetros, entre a margem gengival livre e a porção dentes, sua boca ou dentadura?;
mais apical do sulco/bolsa periodontal; 2) sondagem do 2. Limitação física: você sentiu dores em sua boca ou nos
nível de inserção clínico (NIC), aferindo-se a distância, seus dentes? Você se sentiu incomodado ao comer algum
em milímetros, entre a junção cemento/esmalte e a alimento por causa de problemas dos seus dentes, sua
porção mais apical do sulco/bolsa periodontal; 3) índice boca ou dentadura?;
de placa visível (IPV)13: presença (escore 1) ou ausência 3. Desconforto psicológico: você ficou preocupado por
(escore 0) de placa supragengival visível; 4) índice de causa de problemas dos seus dentes, sua boca ou
sangramento gengival marginal (ISG): presença (escore 1) dentadura? Você se sentiu estressado por causa de
ou ausência (escore 0) de sangramento gengival marginal, problemas dos seus dentes, sua boca ou dentadura?;
após percorrer levemente a sonda ao longo; 5) sangra- 4. Deficiência física: sua alimentação ficou prejudicada
mento a sondagem (SS): presença (escore 1) ou ausência por causa de problemas dos seus dentes, sua boca ou
(escore 0) de sangramento após 20 segundos da sondagem; dentadura? Você teve que parar suas refeições por causa
6) supuração (SUP): presença (escore 1) ou ausência de problemas dos seus dentes, sua boca ou dentadura?;
(escore 0) de supuração espontânea ou após 20 segundos 5. Deficiência psicológica: você encontrou dificuldade
da sondagem; 7) mobilidade dentária; 8) lesões de furca, para relaxar por causa de problemas dos seus dentes,
utilizando-se sonda periodontal de Nabers. sua boca ou dentadura? Você se sentiu envergonhado
A perda dentária foi registrada por meio do odonto- por causa de problemas com seus dentes, sua boca
grama (dentes cariados, perdidos, obturados, raízes e ou dentadura?;
indicados para exodontia/CPOD) para cada paciente. 6. Deficiência social: você ficou irritado com outras pessoas
A presença de periodontite crônica foi definida se: PB por causa de problemas com seus dentes, sua boca
≥ 4 mm e NIC ≥ 3 mm em algum dente e no mesmo sítio, ou dentadura? Você teve dificuldade para realizar suas
e não contíguo, classificando-se a doença em localizada atividades diárias por causa de problemas com seus
(menos de 30% dos dentes afetados) e generalizada dentes, sua boca ou dentadura?;

936 INPerio 2017;2(5):934-44


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

7. Prejuízos: você sentiu que a vida, em geral, ficou pior através do teste Qui-quadrado para uma amostra. Este
por causa de problemas com seus dentes, sua boca mesmo teste serviu para avaliar a percepção do paciente
ou dentadura? Você se sentiu totalmente incapaz de alcoolista e desdentado em relação ao OHIP-14. Para
fazer suas atividades diárias por causa de seus dentes, comparar as médias do índice de placa visível, profun-
sua boca ou dentadura? As perguntas podem ser didade de bolsa, nível de inserção clínica e sangramento a
respondidas sobre uma escala de Likert contendo cinco sondagem, foi utilizado o teste t de Student para amostras
escores, sendo 0 (nunca), 1 (raramente), 2 (às vezes), independentes. O nível de significância adotado em todas
3 (repetidamente) e 4 (sempre), e as respostas obtidas as análises foi de 5% com intervalo de confiança de 95%.
podem ser multiplicadas pelos pesos de cada pergunta O software IBM SPSS Statistics version 21 foi o requerido
para se obter uma subescala com sete escores. para as análises.

Análise estatística RESULTADOS


Os dados foram registrados em uma planilha no
programa Excel, da Microsoft, versão 2010. As caracterís- Os homens foram maioria no grupo-caso (85,6%).
ticas sociodemográficas, as médias e desvio-padrão das Já a escolaridade acima de sete anos teve maior porcen-
dimensões do OHIP-14, as frequências de maior e menor tagem para o grupo-controle (57,1%). Neste grupo,
impacto de cada pergunta do OHIP-14, e a frequência 50% não são fumantes e 54,2% não usam próteses na
da saúde bucal percebida relacionada a cada impacto maxila quando deveriam. No grupo-caso e neste mesmo
(cada item) do instrumento saúde bucal relacionada à grupo, 69% não usam próteses na mandíbula (Tabela 1).
qualidade de vida/OHIP-14 foram analisadas usando O grupo-caso apresentou maiores quantidades de índice
estatística descritiva. de placa visível (92,3%), profundidade de bolsa de 4 mm
A comparação entre os grupos-caso (alcoolistas e a 5 mm (92,3%), profundidade de bolsa ≥ 6 mm (88,6%),
alcoolistas cirróticos) e controle (não alcoolistas cirróticos) nível de inserção clínica de 4 mm a 6 mm (93,2%), nível
para o índice de placa visível, profundidade de bolsa, nível de inserção clínica ≥ 7 mm (92,9%) e sangramento a
de inserção clínica e sangramento a sondagem foi realizada sondagem (91,9%), Figura 1.

Figura 1 – Porcentagens
de IPV, SP, NIC e SS em
cada grupo.

INPerio 2017;2(5):934-44 937


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

TABELA 1 – CARACTERIZAÇÃO SOCIODEMOGRÁFICA E CLÍNICA DOS PACIENTES

Grupo-controle Grupo-caso

n % n %

Feminino 6 42,9 26 14,4


Sexo
Masculino 8 57,1 154 85,6

Analfabeto 0 0 8 4,7

Até 3 anos 0 0 19 11,2


Escolaridade
4 a 7 anos 6 42,9 59 34,7

Acima de 7 anos 8 57,1 84 49,4

Ex-fumante 3 21,4 55 31,1

Tabagismo Fumante 4 28,6 78 44,1

Não fumante 7 50 44 24,8

Não usa 4 28,7 91 54,2

Prótese total 1 7,1 31 18,5

Prótese parcial provisória 1 7,1 2 1,2

Maxila prótese Prótese parcial removível 2 14,3 15 8,9

Prótese fixa 3 21,4 6 3,6

Prótese sobre implante 1 7,1 0 0

Não precisa 2 14,3 23 13,7

Não usa 7 50,1 116 69

Prótese total 1 7,1 12 7,2

Prótese parcial provisória 0 0 0 0

Mandíbula prótese Prótese parcial removível 0 0 16 9,5

Prótese fixa 1 7,1 0 0

Prótese sobre implante 2 14,3 1 0,6

Não precisa 3 21,4 23 13,7

O teste t de Student evidenciou diferenças entre as médias dos


grupos para o índice de placa visível (p=0,002) e profundidade de bolsa
≥ 6 mm (p=0,035). Portanto, o grupo-caso apresentou maior média para
o IPV (M=53,6 | DP ± 30,5) e PB ≥ 6 mm (M=5,3 | DP ± 5,4). As demais
médias foram consideradas iguais entre os grupos ao nível de 5% de
significância (Tabela 2). O grupo-controle apresentou maiores porcen-
tagens de respostas “nunca” para as seguintes perguntas (códigos):
1 (78,6%); 2 (85,7%); 4 (42,9%); 7 (57,1%); 8 (71,4%); 9 (71,4%); 11 (78,6%);
12 (64,3%); 13 (53,8%); e 14 (85,7%). Este mesmo grupo também obteve
maior porcentagem para “raramente” (50%) na pergunta 3 (Tabela 3). Já o
grupo-caso obteve maiores porcentagens de respostas “sempre” para as
perguntas 5 (48,3%) e 10 (37,2%), e a resposta “nunca” foi mais observada
na pergunta 6 (44,1%).

938 INPerio 2017;2(5):934-44


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

TABELA 2 – COMPARAÇÃO DAS MÉDIAS DE IPV, PB, NIC E SS ENTRE OS GRUPOS


n Média Desvio-padrão Valor p*

Grupo-controle 8 18,4 12,2


Índice de placa visível 0,002
Grupo-caso 96 53,6 30,5

Grupo-controle 6 4 3
Profundidade de bolsa (4-5 mm) 0,086
Grupo-caso 80 11,6 10,6

Grupo-controle 4 1,5 0,6


Profundidade de bolsa ( 6 mm) 0,035
Grupo-caso 31 5,3 5,4

Grupo-controle 7 14,1 16
Nível de inserção clínica (4-6 mm) 0,098
Grupo-caso 96 26,1 18,4

Grupo-controle 2 4,5 0,7


Nível de inserção clínica ( 7 mm) 0,689
Grupo-caso 26 7 8,6
Grupo-controle 8 14,1 8,4
Sangramento a sondagem 0,094
Grupo-caso 91 29,6 25,6

*Teste t de Student para amostras independentes.

TABELA 3 – CARACTERIZAÇÃO DO OHIP-14

Grupo-controle Grupo-caso
Código da
Perguntas Categorias
pergunta
n % n %
Nunca 11 78,6 98 67,6
Você teve problemas para falar Raramente 1 7,1 19 13,1
alguma palavra por causa de
1 Às vezes 0 0 15 10,3
problemas dos seus dentes,
sua boca ou dentadura? Repetidamente 1 7,1 4 2,8
Sempre 1 7,1 9 6,2
Nunca 12 85,7 95 65,5
Você sentiu que o gosto da Raramente 1 7,1 15 10,3
comida tem piorado por causa
2 Às vezes 0 0 15 10,3
de problemas dos seus dentes,
sua boca ou dentadura? Repetidamente 0 0 2 1,4
Sempre 1 7,1 18 12,4
Nunca 4 28,6 27 18,6
Raramente 7 50 52 35,9
Você sentiu dores em sua
3 Às vezes 2 14,3 40 27,6
boca ou nos seus dentes?
Repetidamente 1 7,1 10 6,9
Sempre 0 0 16 11
Nunca 6 42,9 30 20,7
Você se sentiu incomodado ao Raramente 3 21,4 37 25,5
comer algum alimento por causa
4 Às vezes 0 0 27 18,6
de problemas dos seus dentes,
sua boca ou dentadura? Repetidamente 0 0 13 9
Sempre 5 35,7 38 26,2
Nunca 3 21,4 29 20
Raramente 2 14,3 19 13,1
Você ficou preocupado por causa
5 de problemas dos seus dentes, Às vezes 4 28,6 18 12,4
sua boca ou dentadura?
Repetidamente 2 14,3 9 6,2
Sempre 3 21,4 70 48,3

INPerio 2017;2(5):934-44 939


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

Nunca 6 42,9 64 44,1


Raramente 1 7,1 20 13,8
Você se sentiu estressado por
6 causa de problemas dos seus Às vezes 2 14,3 25 17,2
dentes, sua boca ou dentadura?
Repetidamente 1 7,1 9 6,2
Sempre 4 28,6 27 18,6
Nunca 8 57,1 71 49
Sua alimentação ficou Raramente 3 21,4 19 13,1
prejudicada por causa de
7 Às vezes 2 14,3 16 11
problemas dos seus dentes,
sua boca ou dentadura? Repetidamente 0 0 12 8,3
Sempre 1 7,1 27 18,6
Nunca 10 71,4 90 62,1
Você teve que interromper suas Raramente 2 14,3 25 17,2
refeições por causa de problemas
8 Às vezes 1 7,1 16 11
dos seus dentes, sua boca
ou dentadura? Repetidamente 1 7,1 3 2,1
Sempre 0 0 11 7,6
Nunca 10 71,4 68 46,9
Você encontrou dificuldade para Raramente 2 14,3 27 18,6
relaxar por causa de problemas
9 Às vezes 1 7,1 28 19,3
dos seus dentes, sua boca
ou dentadura? Repetidamente 0 0 5 3,4
Sempre 1 7,1 17 11,7
Nunca 5 35,7 43 29,7
Raramente 0 0 18 12,4
Você se sentiu envergonhado por
10 causa de problemas com seus Às vezes 4 28,6 22 15,2
dentes, sua boca ou dentadura?
Repetidamente 1 7,1 8 5,5
Sempre 4 28,6 54 37,2
Nunca 11 78,6 102 70,3
Você ficou irritado com outras Raramente 1 7,1 15 10,3
pessoas por causa de problemas
11 Às vezes 2 14,3 13 9
com seus dentes, sua boca ou
dentadura? Repetidamente 0 0 3 2,1
Sempre 0 0 12 8,3
Nunca 9 64,3 90 62,1
Você teve dificuldade para Raramente 1 7,1 27 18,6
realizar suas atividades diárias
12 por causa de problemas com Às vezes 2 14,3 14 9,7
seus dentes, sua boca ou
dentadura? Repetidamente 1 7,1 5 3,4
Sempre 1 7,1 9 6,2
Nunca 7 53,8 69 47,6
Você sentiu que a vida, em Raramente 1 7,7 16 11
geral, ficou pior por causa de
13 Às vezes 1 7,7 19 13,1
problemas com seus dentes,
sua boca ou dentadura? Repetidamente 2 15,4 12 8,3
Sempre 2 15,4 29 20
Nunca 12 85,7 104 71,7
Você se sentiu totalmente incapaz Raramente 0 0 14 9,7
de fazer suas atividades diárias
14 Às vezes 0 0 10 6,9
por causa de seus dentes, sua
boca ou dentadura? Repetidamente 0 0 6 4,1
Sempre 2 14,3 11 7,6

940 INPerio 2017;2(5):934-44


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

A comparação a seguir foi realizada para avaliar a percepção do


paciente alcoolista e desdentado em relação ao OHIP-14. As respostas
“nunca” e “sempre” foram analisadas devido ao fato de serem as mais
relevantes (Tabela 4). A resposta “nunca” obteve maiores porcentagens nas
perguntas 1 (91,8%); 2 (82,7%); 6 (69,4%); 7 (70,7%); 8 (88,3%); 9 (80%);
11 (88,7%); 12 (90,4%); 13 (69,2%); e 14 (89,8%). A pergunta 5 obteve a
resposta “sempre” como de maior porcentagem (73,3%) para este mesmo
grupo (Figura 2). As demais foram consideradas semelhantes pelo teste
Qui-quadrado para uma amostra.

TABELA 4 – COMPARAÇÃO ENTRE AS RESPOSTAS NUNCA E SEMPRE DO OHIP-14

Código da
Perguntas Categorias n % Valor p*
pergunta

Você teve problemas para falar alguma Nunca 90 91,8


1 palavra por causa de problemas dos < 0,001
seus dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 8 8,2
Você sentiu que o gosto da comida tem Nunca 86 82,7
2 piorado por causa de problemas dos < 0,001
seus dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 18 17,3

Você sentiu dores em sua boca Nunca 25 61


3 0,211
ou nos seus dentes? Sempre 16 39
Você se sentiu incomodado ao comer Nunca 26 41,9
4 algum alimento por causa de problemas 0,253
dos seus dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 36 58,1

Você ficou preocupado por causa de problemas Nunca 24 26,7


5 < 0,001
dos seus dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 66 73,3
Você se sentiu estressado por causa Nunca 59 69,4
6 de problemas dos seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 26 30,6
Sua alimentação ficou prejudicada Nunca 65 70,7
7 por causa de problemas dos seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 27 29,3
Você teve que interromper suas refeições Nunca 83 88,3
8 por causa de problemas dos seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 11 11,7
Você encontrou dificuldade para relaxar Nunca 64 80
9 por causa de problemas dos seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 16 20
Você se sentiu envergonhado por causa Nunca 39 43,3
10 de problemas com seus dentes, 0,246
sua boca ou dentadura? Sempre 51 56,7
Você ficou irritado com outras pessoas Nunca 94 88,7
11 por causa de problemas com seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 12 11,3
Você teve dificuldade para realizar suas Nunca 85 90,4
12 atividades diárias por causa de problemas < 0,001
com seus dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 9 9,6
Você sentiu que a vida, em geral, ficou pior Nunca 63 69,2
13 por causa de problemas com seus dentes, < 0,001
sua boca ou dentadura? Sempre 28 30,8
Você se sentiu totalmente incapaz de fazer Nunca 97 89,8
14 suas atividades diárias por causa de seus < 0,001
dentes, sua boca ou dentadura? Sempre 11 10,2
*Teste Qui-quadrado para uma amostra.

INPerio 2017;2(5):934-44 941


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

Figura 2 – Porcentagens de
respostas “nunca” e “sempre”
das perguntas do OHIP-14.

DISCUSSÃO

Inicialmente, o objetivo do presente estudo foi OHIP estão associados ao consumo de cigarro, bebida
determinar o nível de saúde bucal relacionado à qualidade alcoólica ou outras drogas17. Em outros estudos, foram
de vida de pacientes em tratamento no Serviço de encontradas maiores prevalências de percepção ruim entre
Gastroenterologia do Hucam. Neste contexto, verificou-se pessoas que sofrem de problemas graves de saúde geral.
que a maioria dos pacientes do grupo-caso foi do sexo Esse resultado reitera a importância das comorbidades e
masculino e com escolaridade acima de sete anos, com dos fatores comuns de risco16.
85,6% e 49,4%, respectivamente, concordando com a Este estudo comprovou que o aspecto que mais
literatura especializada. Estes aspectos estão relacionados incomoda os pacientes, seja na frequência de impacto ou
não apenas a vários fatores socioeconômicos, mas também na relação das dimensões do OHIP-14 com a saúde bucal
a uma melhor autopercepção de saúde bucal que se deteriorada (expresso pela soma dos escores regular e ruim),
associa às situações econômicas e de escolaridade mais é o sentimento “preocupação”, não invalidando ou tornando
favoráveis3,10,16. as outras dimensões menos importantes. No entanto, isto
Quando foi aplicado o questionário OHIP-14 nos retrata um quadro social de menor privilégio, no qual o
pacientes alcoolistas e desdentados, obteve-se a resposta paciente tem maior dificuldade de aceitação social plena, e
“nunca” em 71,43% das perguntas, sendo que 91,8% talvez estes indivíduos tenham precária percepção de seus
responderam “nunca” à pergunta “Você teve problemas problemas dentários e gengivais. Por sua vez, a resposta mais
para falar alguma palavra por causa de problemas dos seus frequente para todas as perguntas do OHIP-14 com maior
dentes, sua boca ou dentadura?”. Relatos de pesquisas impacto foi “nunca” relacionada à dimensão “prejuízos”,
robustecem a evidência de que os piores resultados do concordando com os resultados da literatura17-18.

942 INPerio 2017;2(5):934-44


Pesquisa Básica Caderno científico [ PERIO ]

Quanto ao uso de prótese dentária, nossos dados Portanto, as análises que envolvem saúde bucal
demonstraram um grande número de pacientes que e qualidade de vida envolvendo o OHIP são úteis para
precisam de prótese, mas não a usam. A perda dentária identificar necessidades autopercebidas. As avaliações
e a não utilização de próteses dentárias acarretam uma subjetivas devem ser interpretadas como aportes críticos
série de problemas, tanto no aspecto de saúde quanto essenciais aos indicadores clínicos, auxiliando no refina-
psicossocialmente. A reposição de dentes perdidos restaura mento dos diagnósticos e na identificação de pessoas
as funções, a saúde e a estética. Funcionalmente, há ou grupos populacionais em situação de vulnerabilidade
melhora na fala e mastigação, acarretando na melhora que precisam de intervenções complexas e, muitas vezes,
da saúde, pois, quando há substituição dentária por personalizadas. O instrumento OHIP é um importante
meio de reabilitações protéticas, o paciente exerce uma auxiliar no esclarecimento de necessidades em saúde
melhor trituração dos alimentos, tornando a digestão bucal e na elaboração de estratégias para controle/
mais eficiente. Além dos fatores citados, poderá ocorrer redução de doenças e promoção da saúde bucal com
melhora em relação ao estado psicossocial do paciente, impacto positivo na qualidade de vida10,18. Contudo, é
pois este provavelmente aumentará sua autoestima, terá necessário o desenvolvimento de programas específicos
maior segurança para se expor, elevando sua confiança, com estratégias que minimizem os efeitos negativos da
credibilidade e, possivelmente, uma melhor qualidade de doença periodontal na qualidade de vida de indivíduos
vida19. Além disso, a reabilitação protética também favorece portadores de doenças renais e hepáticos11.
uma relação de autopercepção bucal. Assim, o uso de
próteses removíveis pode reduzir a percepção ruim dos CONCLUSÃO
impactos da saúde bucal20. Por outro lado, a ausência de
dentes ou a utilização de próteses dentárias inadequadas A autopercepção bucal dos indivíduos alcoolistas
pouco interferem na capacidade deles realizarem suas caracteriza-se por pobre saúde bucal e com a doença
atividades diárias e de se inter-relacionarem no meio em periodontal associada a uma pior qualidade de vida.
que vivem, embora provoquem impactos negativos em
Nota de esclarecimento
algumas dimensões da qualidade de vida, como desconforto Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
psicológico, dor e inabilidade psicológica18. pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
Ainda com relação à saúde bucal, nossos resultados recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
demonstraram que a doença periodontal possui um
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
impacto negativo sobre a qualidade de vida (p < 0,001). também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
Esta constatação também foi confirmada por autores21, fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
que demonstraram que os adultos acometidos pelas não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
periodontopatias apresentaram os piores escores de testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.
OHIP. Diferentemente, um estudo22 sugeriu que o índice
de cárie dentária, o índice periodontal comunitário e o Endereço para correspondência
Alfredo Feitosa
uso/necessidade de uso de prótese dentária removível Rua Piratininga, 33 – Apto. 703 – Bloco A – Praia da Costa
teriam pouca influência na autopercepção dos impactos. 29101-220 – Vila Velha – ES
alfredofeitosaufes@gmail.com
Contudo, os indivíduos que relataram mais problemas eram
aqueles com menor escolaridade e maior idade. Assim,
diante dos problemas bucais aqui apresentados, deve ser
mencionado que o consumo de álcool é um indicador
de risco potencial para a necessidade de tratamento
periodontal em homens23.

INPerio 2017;2(5):934-44 943


da Silva IAP | Rocha LZ | Gomes MPZ | Guerra SMG | de Alencar CO | Pinel RGB | Suaid FF | Gomes MCM | dos Santos MS |
Sossai LL | Feitosa A

REFERÊNCIAS
1. Portugal FB, Campos MR, Carvalho JR, Flor LS, 10. Alessio LM, Rosa JL, Zanatta FB. Avaliação do 18. Silva MES, Villaça EL, Magalhães CS, Ferreira EF.
Schramm JMA, Costa MFS. Disease burden in impacto da doença periodontal na qualidade Impacto da perda dentaria na qualidade de vida.
Brazil: an investigation into alcohol and non-viral de vida por meio do OHIP14. PerioNews Cienc Saude Col 2010;15(3):841-50.
cirrhosis. Cienc Saude Col 2015;20(2):491-506. 2012;6(2):181-8. 19. Gerritsen AE, Allen PF, Witter DJ, Bronkhorst
2. Raghava KV, Shivananda H, Mundinamane D, 11. Santana TD, Costa FO, Zenóbio EG, Soares RV, EM, Creugers NH. Tooth loss and oral health-
Boloor V, Thomas B. Evaluation of periodontal Santana TD. Impacto da doença periodontal -related quality of life: a systematic review
status in alcoholic liver cirrhosis patients: a na qualidade de vida de individuos diabéticos and meta-analysis. Health Qual Life Outcomes
comparative study. J Contemp Dent Pract dentados. Cad Saúde Pública 2007;23(3):637-44. 2010;5(8):126.
2013;14(2):179-82. 12. WHO. World Health Organization. Global status 20. Lahti S, Suominen-Taipale L, Hausen H. Oral
3. WHO. World Health Organization. WHO Regions report on alcohol and health 2014 [On-line]. health impacts among adults in Finland:
Country Profiles 2014;1-202. Disponível em http://www.who.int/substance_ competing effects of age, number of teeth,
4. Wagner MC, Rosing CK. Álcool como possível abuse/publicatios/global_alcohol_report/ and removable dentures. Eur J Oral Sci
modulador das periodontites. PerioNews msbgsruprofiles.pdf>. Acesso em: 20-2-2016. 2008;116(3):260-6.
2014;8(5):430-6. 13. Ainamo J, Bay I. Problems and proposals for 21. Bernabé E, Marcenes W. Periodontal disease and
5. Guimarães MM, Marcos B. Expectativa de perda recording gingivitis and plaque. Int J Dent quality of life in British adults. J Clin Periodontol
de dentes em diferentes classes sociais. Rev 1975;25(4):229-35. 2010;37(11):968-72.
CROMG 1996;2(1):16-20. 14. Armitage GC. Development of a classification 22. Bandéca MC, Nadalin MR, Calixto LR, Saad JR,
6. Amaral CS, Vettore MV, Leão A. The relationship of system for periodontal diseases and conditions. da Silva SR. Correlation between oral health
alcohol dependence and alcohol consumption Ann Periodontol 1999;4(1):1-6. perception and clinical factors in a Brazilian
with periodontitis: a systematic review. J Dent 15. Armitage GC. Periodontal diagnoses and classi- community. Community Dent Health
2009;37(9):643-51. fication of periodontal diseases. Periodontol 2011;28(1):64-8.
7. Lages EP, Costa FO, Lages EMB, Cota LOM, 2000 2004;34(1):9-21. 23. Park JB, Han K, Park YG, Ko Y. Association
Cortelli SC, Nobre Franco GC et al. Risk variables 16. Gabardo MC, Moysés ST, Moysés SJ. Autoper- between alcohol consumption and periodontal
in the association between frequency of cepção de saúde bucal conforme o perfil disease: the 2008 to 2010 Korea National
alcohol consumption and periodontitis. J Clin de impacto de saúde bucal (OHIP) e fatores Health and Nutrition Examination Survey.
Periodontol 2012;39(2):115-22. associados: revisão sistemática. Rev Panam J Periodontol 2014;85(11):1521-8.
8. Slade GD, Spencer AJ. Development and Salud Publica 2013;33(6):439-45.
evaluation of the Oral Health Impact Profile. 17. Mulligan R, Seirawan H, Alves ME, Navazesh M,
Community Dent Health 1994;11(1):3-11. Phelan JA, Greenspan D et al. Qualidade de saúde
9. Slade GD. Derivation and validation of a short- oral e vida entre os infectados pelo HIV e em
-form oral health impact profile. Community situação de risco, e as mulheres. Community
Dent Oral Epidetniol 1997;25(4):284-90. Dent Oral Epidemiol 2008;36(6):549-57.

Guia de leitura
Implantes dentários e ortopédicos: como podemos aprender com ambas as especialidades? Pág. 851

944 INPerio 2017;2(5):934-44


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

RECOBRIMENTO RADICULAR DE RETRAÇÃO


UNITÁRIA CLASSE II DE MILLER

Root coverage of a Miller Class II single recession – case report

Mariana Linhares Almeida1, Tamires Szeremeske Miranda1, André Vilela2, Magda Aline Nagasawa2,
Marcelo de Faveri3, Poliana Mendes Duarte3

RESUMO ABSTRACT
Objetivo: apresentar um relato de caso cirúrgico para tratamento Objective: to present a surgical case report for treatment of Miller
de uma retração unitária classe II de Miller, com um acompanha- Class II single defect at 6 months follow-up. Case report: a Miller
mento de seis meses. Relato de caso: retração classe II de Miller Class II recession at tooth 31 underwent a surgical procedure with
no dente 31 foi submetida a um procedimento cirúrgico com subepithelial connective tissue associated with coronally advanced
enxerto subepitelial, associado ao deslocamento coronário do flap in a patient complaining of dentin hypersensitivity and local
retalho, em uma paciente com queixa de sensibilidade dentinária hygiene difficulty. Results: the results showed satisfactory root
e dificuldade de higienização local. Resultados: os resultados coverage reaching about 83% of the root surface and an evident
demonstraram recobrimento radicular satisfatório, atingindo increase in width and thickness of keratinized tissue, as well as
cerca de 83% da superfície radicular, e um evidente aumento da improvement of dentin hypersensitivity and local hygiene ability.
altura e espessura de tecido gengival queratinizado, bem como Conclusion: the subepithelial connective tissue associated with
melhora da sensibilidade dentinária e capacidade de higienização coronally advanced flap proposed in this case was an efficient
local. Conclusão: o enxerto subepitelial associado ao deslize approach to root coverage of a Miller class II lesion because it
coronário do retalho proposto neste caso foi uma abordagem provided a high level of root coverage, keratinized tissue gain and
eficiente para o recobrimento radicular de uma lesão classe II satisfied the patient's longing.
de Miller, pois proporcionou alta taxa de recobrimento, ganho de Key words – Root coverage; Gingival recession; Subepithelial graft.
tecido queratinizado e satisfez o anseio da paciente.
Palavras-chave – Recobrimento radicular; Recessão gengival;
Enxerto subepitelial.

1
Doutorandas em Odontologia, área de Periodontia – Universidade Guarulhos.
2
Mestrandos em Odontologia, área de Periodontia – Universidade Guarulhos.
3
Professores adjuntos de Pós-graduação em Odontologia, área de Periodontia – Universidade Guarulhos.

Recebido em mai/2017
Aprovado em jun/2017

INPerio 2017;2(5):947-55 947


Almeida ML | Miranda TS | Vilela A | Nagasawa MA | de Faveri M | Duarte PM

A retração gengival é definida como um de tecido de sustentação ou proteção na região inter-


deslocamento apical da margem gengival dental, enquanto na classe II há o envolvimento da união
além da junção amelocementária, classificada mucogengival8. Por não apresentar perda óssea interdental,
o tratamento desses tipos de retrações é mais previsível7.
como uma deformidade mucogengival
Já nas classes III e IV ocorre a perda de estrutura inter-
pela Academia Americana de Periodontia1.
proximal, sendo a classe IV de pior prognóstico porque
A etiologia dessas retrações está associada existe perda óssea interproximal e a migração da margem
ao acúmulo de biofilme, que estimula a gengival se estende além da linha mucogengival8-9.
inflamação gengival e pode levar à perda de As retrações gengivais estão associadas a diversas
condições clínicas indesejáveis. As mesmas podem gerar
inserção, além de traumas provenientes da
sensibilidade dentinária devido à exposição do cemento
escovação com força excessiva2-3.
e, consequentemente, da dentina radicular7. Além disso,
a presença das retrações está associada à dificuldade de
higienização da área, aumento da prevalência de cáries
radiculares e comprometimento estético10-11. Nestes casos,
INTRODUÇÃO cirurgias plásticas periodontais são excelentes opções de
tratamento e estão sendo cada vez mais empregadas na
A retração gengival é definida como um deslocamento rotina odontológica7.
apical da margem gengival além da junção amelocemen- Ao longo dos anos, várias técnicas cirúrgicas surgiram
tária, classificada como uma deformidade mucogengival ou foram adaptadas para recobrir as retrações, com o
pela Academia Americana de Periodontia1. A etiologia objetivo de atingir máxima previsibilidade7. A seleção de
dessas retrações está associada ao acúmulo de biofilme, uma técnica cirúrgica para o tratamento de recessões
que estimula a inflamação gengival e pode levar à perda gengivais depende de vários fatores, como tamanho da
de inserção, além de traumas provenientes da escovação retração, presença ou ausência de tecido queratinizado
com força excessiva2-3. Outros fatores que podem estar adjacente ao defeito, largura e altura do tecido mole
relacionados às retrações gengivais são as inserções interdental, e fatores relacionados ao paciente, como a
anormais de freios, o uso de aparelho ortodôntico e a tentativa de reduzir o número de cirurgias e a necessidade
presença de fenestrações e deiscências ósseas2,4. de satisfazer exigências estéticas7,12.
Alguns estudos associaram o aumento do número Geralmente, o recobrimento radicular é realizado por
de retrações com o avanço da idade e reportaram que meio de enxertos gengivais. Estes podem ser pediculados,
alguns dentes apresentaram, mais frequentemente, quando existe uma faixa de tecido queratinizado ampla
retrações do que outros elementos dentários5-6. Na maxila, próxima à área da retração, ou livres, quando são removidos
os pré-molares e primeiros molares são os mais acome- de uma área cirúrgica doadora distante do local onde se
tidos, enquanto na mandíbula os incisivos inferiores são deseja recobrir7. No segundo caso, o tecido a ser enxertado
os mais suscetíveis às retrações5-7. Neste caso, a parede pode ser removido do tecido conjuntivo do palato e levado
óssea vestibular nesse grupo de dentes é delgada e pode para o leito receptor, caracterizando o enxerto subepitelial.
ser influenciada pelo posicionamento dentário no alvéolo. Essa técnica cirúrgica garante o aumento da espessura
Em geral, dentes mais vestibularizados têm maiores tecidual e a formação de uma nova gengiva queratinizada,
chances de sofrerem retrações gengivais2,7. podendo ser aplicada em múltiplos dentes13. Apesar da
Em 1985, Miller8 propôs uma classificação para as desvantagem de ter um segundo leito cirúrgico, para as
retrações gengivais, levando em consideração o envol- retrações classe I e II, essa técnica apresenta uma alta
vimento da junção mucogengival e do osso alveolar taxa de sucesso. Logo, o objetivo do presente estudo foi
interproximal. De acordo com ele, a retração pode ser demonstrar um caso clínico de recobrimento radicular
classificada como classe I, II, III ou IV8. Na classe I, a retração utilizando tecido conjuntivo subepitelial em um incisivo
não ultrapassa a união mucogengival e não ocorre perda inferior com retração classe II de Miller.

948 INPerio 2017;2(5):947-55


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

TERAPIA APLICADA

Paciente do sexo feminino, com 32 anos de idade, compa- intraoral, foi utilizado digluconado de clorexidina na
receu ao Centro de Estudos Clínicos da Universidade Guarulhos concentração de 0,12% (PerioGard, Colgate-Palmolive
com queixa de exposição radicular no dente 31, associada à Ind. e Com. Ltda. – São Paulo/SP, Brasil) e a extraoral
hipersensibilidade dentinária ao estímulo tátil e térmico, e com digluconato de clorexidina a 2%. Para anestesia
acúmulo de biofilme local (Figura 1). Durante a anamnese, a local, utilizou-se mepivacaína 2% e epinefrina 1:100.000
paciente relatou ser não fumante e não apresentava doenças (Mepiadre 100, DFL – Jacarepaguá/RJ, Brasil), bloqueando
sistêmicas. Além disso, relatou já ter realizado frenectomia os nervos mentuais nos lados direito e esquerdo.
e uma cirurgia para recobrimento radicular na região, mas Inicialmente, com uma lâmina de bisturi 15C, foram
que o resultado não havia sido satisfatório. realizadas incisões oblíquas divergentes partindo do
Ao exame clínico periodontal em nível de boca toda, elemento 31 coronariamente em direção aos dentes
foram observados ausência de periodontite e controle de adjacentes 41 e 32 (Figura 2). Incisões oblíquas foram
biofilme satisfatório. Também, foi observada uma retração também realizadas nas papilas distais dos elementos 41 e
gengival classe II de Miller de 6 mm no dente 31, associada 32, em direção aos elementos 42 e 33. Essas incisões foram
à mínima faixa de gengiva queratinizada, acúmulo de unidas por uma incisão intrassulcular. Subsequentemente,
biofilme e inflamação gengival. Após exame radiográfico, um retalho de espessura total foi elevado até próximo da
não foram observadas perdas ósseas interproximais. junção mucogengival, seguido por um retalho dividido após
A partir dos dados clínicos e radiográficos obtidos, a junção mucogengival, para diminuir a tensão tecidual
foi planejado para a resolução da retração do elemento e permitir o deslocamento coronário do tecido. Ainda na
31 um procedimento cirúrgico envolvendo enxerto preparação do leito receptor do enxerto, foi realizada a
subepitelial, que foi realizado por um operador e auxiliar, raspagem da raiz que estava exposta ao meio bucal, e a
ambos periodontistas experientes. Uma hora antes do região interproximal que compreendia a papila anatômica
procedimento cirúrgico, a paciente foi medicada com foi desepitelizada, expondo o tecido conjuntivo e criando
um comprimido de dexametasona (4 mg). Para assepsia um leito para receber a papila cirúrgica.

Figura 1 – Aspecto clínico da retração gengival classe II de Miller de 6 mm no dente 31.

INPerio 2017;2(5):947-55 949


Almeida ML | Miranda TS | Vilela A | Nagasawa MA | de Faveri M | Duarte PM

Figura 2 – Incisões oblíquas divergentes partindo do elemento 31 coronariamente em direção aos dentes
adjacentes 41 e 32.

Após essa etapa, iniciou-se a remoção do enxerto A paciente foi acompanhada durante seis meses,
do palato na região dos pré-molares, respeitando uma sendo possível observar uma elevada taxa de recobrimento
distância de 3 mm da cervical dos dentes. O enxerto e ganho de tecido queratinizado, além da melhora do
foi ajustado com o objetivo de diminuir sua espessura controle de biofilme e inflamação local (Figuras 8 e 9).
e remover o tecido epitelial (Figura 3), restando apenas
o tecido conjuntivo. Em seguida, o enxerto subepitelial
foi posicionado no leito receptor (Figura 4) e suturado,
cobrindo a junção amelocementária e a raiz do dente 31
(Figuras 5 e 6). Finalmente, o retalho foi reposicionado
no sentindo coronário e suturado com suturas do tipo
suspensório e simples, por meio de um fio não reabsorvível
(nylon 5-0, Ethicon Inc. Johnson & Johnson Company –
Somerville/NJ, EUA), Figura 7.
Para o pós-operatório, foram prescritos analgésico
(paracetamol 750 mg, durante dois dias, de seis em seis
horas) e anti-inflamatório (nimesulida 100 mg, durante
cinco dias, de 12 em 12 horas) para controle da dor. Além
disso, foi prescrito bochecho com digluconato de clore-
xidina 0,12% (PerioGard, Colgate-Palmolive Ind. e Com.
Figura 3 – Divisão do enxerto com o objetivo de diminuir sua
Ltda. – São Paulo/SP, Brasil), de 12 em 12 horas, durante um espessura e remover o tecido epitelial.
minuto, por 14 dias, para controle de possíveis infecções
locais. As suturas foram removidas 14 dias após a cirurgia.

950 INPerio 2017;2(5):947-55


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 4 – Enxerto
subepitelial posicionado
no leito receptor.

Figura 5 – Sutura do
enxerto subepitelial
sobre a junção
amelocementária e a raiz
do dente 31.

Figura 6 – Enxerto
subepitelial posicionado
e estabilizado após
suturas.

INPerio 2017;2(5):947-55 951


Almeida ML | Miranda TS | Vilela A | Nagasawa MA | de Faveri M | Duarte PM

Figura 7 – Retalho reposicionado no sentindo coronário e suturado com suturas do tipo suspensório e simples.

Figura 8 – Pós-operatório de seis meses pós-cirurgia.

952 INPerio 2017;2(5):947-55


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

Figura 9 – Pós-operatório de seis meses pós-cirurgia, demonstrando elevada taxa de recobrimento da retração tratada e ganho de
tecido queratinizado.

DISCUSSÃO

Retrações gengivais são condições clínicas geralmente queratinizado, como no presente caso, as técnicas
associadas a sintomas indesejáveis, como no presente cirúrgicas que resultam em maiores taxas de sucesso
caso em que a paciente se queixava de hipersensibilidade reportadas na literatura são as que utilizam o enxerto
dentinária e acúmulo de biofilme devido a uma exposição subepitelial associado ao tracionamento coronário do
radicular avançada no elemento 31. A Figura 1 demonstra retalho. De fato, o enxerto de tecido conjuntivo subepi-
claramente a dificuldade de escovação da paciente na telial com descolamento coronário do retalho é consi-
região apical do dente 31, refletindo não apenas em derado o procedimento padrão-ouro para recobrimento
acúmulo de biofilme, como também em inflamação de retrações gengivais em geral14-15.
tecidual. Em casos como esse, em que a retração está Muitas técnicas cirúrgicas foram propostas nos
associada a complicações, o tratamento cirúrgico por últimos anos, tanto para o recobrimento de retrações
meio de enxertos é indicado para recobrir a raiz exposta unitárias como de retrações múltiplas. Essas técnicas se
e ganhar tecido gengival queratinizado, tendo como diferenciam em relação à extensão e angulação das incisões,
consequência direta a resolução da queixa do paciente. presença/ausência de relaxantes verticais, emprego de
A técnica do enxerto pediculado deve ser indicada retalho total ou parcial, dentre outras variáveis. Em geral, o
quando há tecido gengival queratinizado suficiente nome da técnica designa quem a descreveu pela primeira
próximo à recessão. Por outro lado, em casos de retrações vez16. Entretanto, é importante salientar que técnicas já
classe II de Miller sem remanescente de tecido gengival descritas e bem reconhecidas podem ser modificadas

INPerio 2017;2(5):947-55 953


Almeida ML | Miranda TS | Vilela A | Nagasawa MA | de Faveri M | Duarte PM

e adaptadas conforme a necessidade do caso e o bom mesmo com uma retração residual, as queixas de hiper-
senso do operador. No presente estudo, optou-se por sensibilidade e acúmulo de biofilme foram solucionadas.
realizar incisões oblíquas divergentes, partindo da retração Durante três anos, autores20 acompanharam pacientes
em direção aos dentes adjacentes coronariamente. Essa tratados com retalho deslocado coronalmente, com e sem
inclinação divergente, que se diferencia de outras (incisão enxerto de matriz colágena, e observaram que os resultados
horizontal e incisão convergente)17-18, foi realizada com o obtidos em seis meses após a cirurgia foram semelhantes
objetivo de criar papilas cirúrgicas que se acomodassem aos obtidos em três anos. Esses achados sugeriram que a
melhor sobre as papilas anatômicas. Em relação às incisões resposta de recobrimento alcançada em seis meses pode
relaxantes, sabe-se que as mesmas facilitam a mobilidade predizer o resultado em longo prazo. Logo, espera-se que a
do retalho, principalmente quando se deseja deslocar o porcentagem de recobrimento obtida no presente caso seja
tecido para outro local. Entretanto, no presente caso clínico, mantida ao longo dos anos, principalmente considerando
foi escolhido não utilizar incisões relaxantes verticais, que a paciente não é fumante e apresenta bons hábitos
mas sim estender as incisões para os dentes adjacentes de higiene21. É importante notar que, seis meses após a
no sentido horizontal, a fim de melhorar o suprimento cirurgia, foi observada uma ligeira irregularidade tecidual
sanguíneo do leito receptor, como sugerido nas técnicas na área operada (Figuras 8 e 9), muito provavelmente
16-17
anteriormente citadas . devido às características
De maneira geral, iniciais da lesão e
os resultados desse caso Durante três anos, autores20 acompanharam tecido adjacente (lesão
clínico demonstraram avançada, sem tecido
pacientes tratados com retalho deslocado
que a técnica utilizada queratinizado e biotipo
coronalmente, com e sem enxerto de matriz
foi eficiente, pois resultou fino), ao fato da região
em alta taxa de recobri- colágena, e observaram que os resultados ter sido previamente
mento e ganho de tecido obtidos em seis meses após a cirurgia submetida a cirurgias
queratinizado em altura e foram semelhantes aos obtidos em três periodontais e ao curto
espessura. Entretanto, em anos. Esses achados sugeriram que a período de avaliação.
seis meses, foi observada Certamente, com o passar
resposta de recobrimento alcançada em
uma retração residual de do tempo, esse tecido irá
seis meses pode predizer o resultado em
aproximadamente 1 mm remodelar e sua textura irá
(Figuras 8 e 9), isto é, longo prazo. se assemelhar aos tecidos
houve um recobrimento adjacentes.
de cerca de 83% da lesão Finalmente, é impor-
inicial. Um estudo recente comparando duas técnicas de tante salientar que, nos últimos anos, revisões da literatura
recobrimento (retalho trapezoidal + enxerto subepitelial e e sistemáticas buscaram responder perguntas importantes
tunelização + enxerto subepitelial) para retrações gengivais sobre recobrimento radicular, como: “qual a melhor técnica
unitárias classes I e II na maxila demonstrou que, após para recobrimento de retrações múltiplas e/ou unitárias?”;
seis meses, ambas as técnicas resultaram em redução “qual o melhor tipo de enxerto para atingir um resultado
significativa das recessões e no aumento da espessura e satisfatório e uma completa cobertura radicular?”; e
largura de tecido queratinizado19. No entanto, a cobertura “qual técnica proporciona aumento na quantidade de
radicular completa foi alcançada em 71,4% e 28,6% dos tecido queratinizado?”. Essas revisões são unânimes em
defeitos tratados com retalho trapezoidal e tunelização, dizer que existem muitos estudos clínicos randomizados
respectivamente. Esses achados corroboram o conceito comparando diferentes técnicas em diferentes regiões e
de que nem sempre o recobrimento de retrações será defeitos, o que fica dificulta a comparação precisa entre
completo. Entretanto, é importante avaliar a satisfação do os resultados. No entanto, elas também são unânimes em
paciente e a interrupção dos sintomas indesejáveis antes concluir que o uso de enxerto subepitelial proporciona
de propor um segundo ato cirúrgico para tentar atingir o sempre uma maior porcentagem de recobrimento radicular
total recobrimento. No presente caso clínico, por exemplo, e aumento de tecido queratinizado, o que prediz o sucesso

954 INPerio 2017;2(5):947-55


Terapia Aplicada Caderno científico [ PERIO ]

do tratamento em longo prazo, tanto para recessões Nota de esclarecimento


Nós, os autores deste trabalho, não recebemos apoio financeiro para
múltiplas como para recessões isoladas classes I e II de pesquisa dado por organizações que possam ter ganho ou perda com a
publicação deste trabalho. Nós, ou os membros de nossas famílias, não
Miller13,22-23. Diante disso, independentemente da incisão, recebemos honorários de consultoria ou fomos pagos como avaliadores
retalho ou sutura, o emprego de um enxerto subepitelial por organizações que possam ter ganho ou perda com a publicação deste
trabalho, não possuímos ações ou investimentos em organizações que
sempre irá aumentar as chances de se obter altas taxas de também possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho. Não
recobrimento, como observado no presente caso clínico. recebemos honorários de apresentações vindos de organizações que com
fins lucrativos possam ter ganho ou perda com a publicação deste trabalho,
não estamos empregados pela entidade comercial que patrocinou o estudo
e também não possuímos patentes ou royalties, nem trabalhamos como
CONCLUSÃO testemunha especializada, ou realizamos atividades para uma entidade
com interesse financeiro nesta área.

O enxerto subepitelial associado ao deslize coronário Endereço para correspondência


Poliana Mendes Duarte (Pós-graduação)
do retalho proposto neste caso foi uma abordagem
Praça Teresa Cristina, 88 – Centro
eficiente para recobrimento radicular de uma lesão 07023-070 – Guarulhos – SP
Tel.: (11) 2464-1684
classe II de Miller, pois proporcionou alta taxa de recobri- pduarte@ung.br
mento e ganho de tecido queratinizado, além de satisfazer
o anseio da paciente.

REFERÊNCIAS
1. Armitage GC. Development of a classification 10. Chan HL, Chun YHP, MacEachern M, Oates 17. Bruno JF. Connective tissue graft technique
system for periodontal disease and conditions. TW. Does gingival recession require surgical assuring wide root coverage. Int J Periodontics
Ann Periodontol 1999;4(1):1-6. treatment? Dent Clin N Am 2015;59(4):981-96. Restorative Dent 1994;14(2):126-37.
2. Shah A, Shah P, Goje SK, Shah R, Modi B. Gingival 11. Heasman PA, Ritchie M, Asuni A, Gavillet E, 18. Zucchelli G, De Sanctis M. Treatment of multiple
recession in orthodontics: a review. Adv J Grad Simonsen JL, Nyvad B. Gingival recession and recession-type defects in patients with esthetic
Res 2017;1(1):14-23. root caries in the ageing population: a critical demands. J Periodontol 2000;71(9):1506-14.
3. Rajapakse PS, McCracken GI, Gwynnett E, evaluation of treatments. J Clin Periodontol 19. Santamaria MP, Neves FL, Silveira CA, Mathias IF,
Steen ND, Guentsch A, Heasman PA. Does 2017;44(suppl.18):S178-S93. Fernandes-Dias SB, Jardini MA et al. Connective
tooth brushing influence the development 12. Merijohn GK. Management and prevention tissue graft and tunnel or trapezoidal flap for the
and progression of non-inflammatory gingival of gingival recession. Periodontology 2000 treatment of single maxillary gingival recessions:
recession? A systematic review. J Clin Perio- 2016;71(1):228-42. a randomized clinical trial. J Clin Periodontol
dontol 2007;34(12):1046-61. 13. Karam PSBH, Sant’Ana ACP, de Rezende MLR, 2017, Feb 23 (doi: 10.1111/jcpe.12714).
4. Delli K, Livas C, Sculean A, Katsaros C, Bornstein Greghi SLA, Damante CA, Zangrando MSR. 20. Jepsen K, Stefanini M, Sanz M, Zuchelli G,
MM. Facts and myths regarding the maxillary Root surface modifiers and subepithelial Jepsen S. Long-term stability of root coverage
midline frenum and its treatment: a systematic connective tissue graft for treatment of gingival by coronally advanced flap procedures.
review of the literature. Quintessence Int recessions: a systematic review. J Periodont Res J Periodontol 2017;88(7):1-15.
2013;44(2):177-87. 2016;51(2):175-85. 21. Tatakis DM, Chambrone L, Allen EP, Langer B,
5. Albandar JM, Kingman A. Gingival recession, 14. Cairo F, Pagliario U. Treatment of gingival McGuire MK, Richardson CR et al. Periodontal soft
gingival bleeding, and dental calculus in adults recession with coronally advanced flap proce- tissue root coverage procedures: a consensus
30 years of age and older in the United States, dures. A systematic review. J Clin Periodontol report from AAP Regeneration Workshop.
1988-1944. J Periodontol 1999;70(1):30-43. 2008;35(8 suppl.):136-62. J Periodontol 2015;86(suppl.2):S52-S5.
6. Gorman WJ. The prevalence and etiology 15. Bellver-Fernández R, Martínez-Rodriguez AM, 22. Chambrone L, Tatakis DM. Periodontal soft tissue
of gingival recession. J Periodontol Gioia-Palavecino C, Caffesse RG, Peñarrocha M. root coverage procedures: a systematic review
1967;38(4):316-22. Surgical treatment of localized gingival recessions from AAP Regeneration Workshop. J Periodontol
7. Kassab MM, Badawi H, Dentino AR. Treatment using coronally advanced flaps with or without 2015;86(suppl.2):S8-S51.
of gingival recession. Dent Clin N AM subepithelial connective tissue graft. Med Oral 23. Cairo F, Nieri M, Plagiaro U. Coronally advanced
2010;54(1):129-40. Patol Oral Cir Bucal 2016;21(2):e222-8. flap combined with connective tissue graft,
8. Miller PD. A classification of marginal tissue 16. Zuchelli G, Stefanini M, Ganz S, Mazzoti C, treatment of choice for root coverage following
recession. Int J Periodontics Restorative Dent Mounssif I, Marzadori M. Coronally advanced recession. Evidence-Based Dentistry 2017;18:6-7.
1985;5(2):8-13. flap with different designs in the treatment of
9. Zucchelli G, Testori T, De Sanctis M. Clinical gingival recession: a comparative controlled
and anatomical factors limiting treatment randomized clinical trial. The International
outcomes of gingival recession: a new method Journal of Periodontics & Restorative Dentistry
to predetermine the line of root coverage. 2016;36(3):318-28.
J Periodontol 2006;77(4):714-21.

Guia de leitura
Superfícies de implantes: um acompanhamento de sete anos. Pág. 845

INPerio 2017;2(5):947-55 955


APRESENTA

CONSULTÓRIO VAZIO,
CABEÇA CHEIA

O desafio da captação
de pacientes: quais as
alternativas para uma
Odontologia cada vez
Imagens: Shutterstock.

mais competitiva?

Matéria sob demanda desenvolvida pela VM Branded.

956 INPerio 2017;2(5):956-9


GESTÃO

C
omo está o movimento de pacientes em seu
consultório? Esta é a pergunta que está tirando o
sono de cada vez mais profissionais da Odonto-
logia brasileira. Até mesmo cirurgiões-dentistas
experientes e com boa bagagem técnica têm
enfrentado dificuldades financeiras em seus consultórios por
não conseguir manter o fluxo necessário de tratamentos para
custear sua estrutura.
A captação de pacientes é, na atualidade, um dos maiores
desafios para as clínicas odontológicas particulares. Esta
tendência, que parece se acentuar com o passar do tempo,
pode ser explicada por diversos fatores, que pesam em maior
ou menor medida para esse resultado. O mais lembrado deles,
sem dúvida, é o aumento da concorrência decorrente do cresci-
mento explosivo de cursos de graduação e de pós-graduação
em Odontologia.
“Fomos ensinados que o bom profissional é aquele que


realiza um tratamento odontológico com excelência. As facul-
Como clínicos, nossa expectativa
dades se limitam a ensinar os aspectos técnicos da Odonto-
logia, não ensinam como atrair novos pacientes”, comenta o é que, ao oferecer o melhor
cirurgião-dentista Victor Hugo Brochado. “Como clínicos, nossa tratamento, aquele paciente vai
expectativa é que, ao oferecer o melhor tratamento ao paciente, nos indicar aos seus conhecidos.
ele vai nos indicar aos seus conhecidos. Fazer o melhor é muito Fazer o melhor é muito importante,
importante, mas infelizmente não é mais o suficiente para mas infelizmente não é mais o
garantir o fluxo de pacientes de que precisamos”. suficiente para garantir o fluxo de
Curiosamente, há 20 ou 30 anos, não víamos tantos dentistas pacientes de que precisamos.”
reclamando das dificuldades em conseguir pacientes. Ao longo
Victor Hugo Brochado
desse período, novos profissionais chegaram ao mercado e
os pacientes passaram a contar com muito mais informação,
por meio da internet. Tudo isso elevou o nível de exigência do
mercado. “Antigamente, bastava ser bom tecnicamente para que
um profissional fosse conhecido e tivesse pacientes entrando
em seu consultório o tempo todo”, explica o cirurgião-dentista e
consultor em gestão de clínicas odontológicas, Juliano Máximo.
“Hoje em dia, ser bom tecnicamente não é mais um diferencial.
É simplesmente a nossa obrigação”.

INPerio 2017;2(5):956-9 957


A VENDA ANTES DA VENDA
Segundo Máximo, para que um cirurgião-dentista obtenha
sucesso financeiro, ele precisa desenvolver a habilidade de vender
os seus serviços. No entanto, a atração de pacientes é uma etapa
anterior a esse momento de venda. “É por isso que a captação é
tão importante. O profissional precisa, antes de mais nada, atrair
a atenção do paciente. Eu chamo essa etapa de ‘venda antes da
venda’. É a maneira como eu apresento minha clínica, chamo
a atenção desse potencial cliente e desperto o seu interesse”.
Antes de tomar qualquer atitude, no entanto, é importante
que o profissional tenha em mente qual é o perfil do cliente
que ele quer atender em seu consultório. “Em dado momento,
o dentista está tão desesperado em atrair pacientes, que acaba
se esquecendo de que nem todos são interessantes”, lembra Juliano Máximo. “Existem


pacientes que sinalizam logo no início que representarão um problema no futuro, por serem
Para todos os clientes aos grosseiros ou reclamarem insistentemente. Também existem pacientes que, infelizmente,
quais presto consultoria, eu não têm condições financeiras de pagar pelo tratamento. Por isso, é preciso ser seletivo”.
recomendo que eles pensem
A FORÇA DO GRUPO
em entrar para uma franquia,
Diante de tantos desafios na atração de pacientes, uma alternativa mais rápida e
principalmente se o cliente
assertiva é a adesão a um sistema de franchising que já tenha se estruturado para captar
está começando agora,
pacientes para sua rede de maneira sustentada. “Para todos os clientes aos quais presto
pois essa é a maneira mais consultoria, eu recomendo que eles pensem em entrar para uma franquia, principalmente
assertiva de se iniciar na se o cliente está começando agora, pois essa é a maneira mais assertiva de se iniciar na
Odontologia. Quando estamos Odontologia”, conta Juliano Máximo. “O profissional passa a contar com toda a força daquela
em grupo, tudo fica mais fácil.” rede. Quando estamos em grupo, tudo fica mais fácil”.
Juliano Máximo Segundo Brochado, que também é diretor nacional da rede de clínicas da Oral Sin, uma
das vantagens do sistema de franchising é a possibilidade de contar com uma estrutura
profissional de divulgação. “O papel de uma rede de franchising é o de transferir todo esse
know-how de captação de clientes que acumulamos durante anos, além de contribuir em
outros aspectos de administração e gestão do negócio”, revela ele. “No caso específico da
Oral Sin, procuramos garantir que cada profissional possa fazer o que ele mais sabe e gosta
de fazer, que é praticar a Odontologia em sua plenitude, com atenção total ao paciente e
aos cuidados com seu sorriso”.

AJUSTANDO O TOM
Embora muitos cirurgiões-dentistas relutem em fazer propaganda ou utilizar as
ferramentas de marketing, Máximo garante que não há mais espaço no mercado para
qualquer forma de hesitação. “Enquanto alguns ainda estão pensando se investem ou não
na divulgação de sua clínica, outros já estão usando de ferramentas bastante avançadas
de automação de marketing digital”.

958 INPerio 2017;2(5):956-9


GESTÃO
A rede Oral Sin estabeleceu um sistema de captação de pacientes baseado nas práticas
mais atuais do mercado de comunicação, por meio do controle de diversos indicadores. Para
isso, a rede utiliza um setor de inteligência montado especialmente para essa finalidade
no atendimento das clínicas que compõem a rede. “Trata-se de um sistema desenvolvido
a partir de sua experiência de 14 anos nesse mercado. Através de diversos dados, como
indicadores de performance, estudo de personas e avaliação de métricas de resultado,
conseguimos identificar exatamente quem é o nosso público-alvo, como chegar até ele e
como se comunicar da maneira correta. Também temos toda argumentação desenvolvida
para trabalhar as objeções dos pacientes. A cada mês, os franqueados recebem as campanhas
e vamos fazendo a mensuração dos resultados em tempo real por meio de nosso software
de gestão”, revela Brochado.
A questão do tempo reduzido e da necessidade de oferecer mais atenção ao pacientes,
sem perder o foco, parece ser um ponto decisivo para os profissionais que optaram pelo
sistema de franquia. “Antes de entrar para o sistema de franchising, eu era obrigado a dividir


a minha atenção entre o paciente, a gestão da clínica e a preocupação em criar ações de
marketing para divulgar o meu negócio”, lembra Eduardo Moreschi, um dos membros da Adotar o modelo de
rede Oral Sin. “Adotar o modelo de franquias trouxe as ferramentas necessárias para que eu franquias trouxe as
pudesse finalmente focar todas as minhas energias no paciente, oferecendo mais qualidade ferramentas necessárias
no atendimento. Enquanto isso, eu conto com uma estrutura profissional que cuida de todo para que eu pudesse
o restante.” finalmente focar todas
minhas energias no
MAIS INTERESSANTE, MENOS INTERESSEIRO
paciente, oferecendo mais
Segundo o Máximo, tanto as mídias digitais como as convencionais devem ser explo-
qualidade no atendimento.
radas, obviamente sempre dentro de um planejamento. O importante é ajustar o tom da
mensagem para atingir o público-alvo em cheio. “Eu sempre recomendo que seja evitada Enquanto isso, eu conto com
uma abordagem muito comercial e seja feito um marketing que agregue valor para seu uma estrutura profissional
cliente, através de uma prestação de serviço ou de uma informação útil”, revela Máximo. “É que cuida de todo o
preciso fazer algo para se mostrar mais interessante e menos interesseiro”. restante.”
Por fim, Máximo adverte para a necessidade de se observar atentamente as regras do Eduardo Moreschi
código de ética. “Se estiver em dúvida, entre em contato com
o Conselho Regional de seu estado e submeta previamente
a peça que você pretende veicular”.
Apesar de entender a importância do sucesso finan-
ceiro, não só na Odontologia, mas em qualquer atividade
profissional, Victor Brochado enfatiza que o sucesso do
cirurgião-dentista está diretamente ligado ao compromisso
verdadeiro com a boa prática da Odontologia. “Um fato
que nos orgulha é que todas as unidades clínicas da Oral
Sin pertencem a cirurgiões-dentistas, sem exceção. É uma
condição que impomos por entender que os dentistas são
profissionais que fizeram um juramento, têm um compromisso
com a saúde bucal e colocam o amor pela Odontologia em
primeiro lugar, com respeito legítimo pelo bem-estar das
pessoas. É por isso que funciona.”

INPerio 2017;2(5):956-9 959


VIRANDO O JOGO

Enxertos compósitos
para reconstrução óssea: Guaracilei Maciel
Vidigal Júnior

uma nova opção Especialista e mestre em Periodontia – UFRJ;


Livre-docente em Periodontia e especialista em
Implantodontia – UGF; Doutor em Engenharia
de Materiais – Coppe/UFRJ; Pós-doutor em
Periodontia e professor adjunto de Implan-
todontia – Uerj.

O
s materiais são divididos Na ROG, os polímeros são
em quatro grupos: metais, usados na produção das barreiras
cerâmicos, polímeros e de membrana, sendo o colágeno um
compósitos. Este último é formado dos mais empregados. Vale lembrar
pela associação de pelo menos dois que “poli” é um prefixo de origem
materiais de diferentes grupos (sejam grega que significa “muitos”, enquanto
metais, cerâmicos e/ou polímeros). “mero” significa “unidade” – o que
Um dos principais exemplos de permite entender que os polímeros
compósito que existe na natureza é o são estruturas formadas pela repetição
osso, composto pela associação entre de várias unidades, no caso, da mesma
um material cerâmico, a hidroxiapatita proteína. Assim, o colágeno é formado
(HA), e um polímero, o colágeno. por várias unidades de sua unidade
Na regeneração tecidual, especial- estrutural básica, o tropocolágeno, Figura 1 – Biomaterial em forma de
bloco, formado pela associação de HA
mente na regeneração óssea guiada caracterizando-se por ser uma e colágeno.
(ROG), o principal material cerâmico proteína assimétrica cuja principal
usado é a HA, que não é exatamente função é manter a forma dos tecidos.
um único material, mas uma enorme De maneira semelhante ao que ocorre
família de materiais que possui às HAs, a qualidade do colágeno pode baixa imunogenicidade. Recente-
o mesmo nome. As HAs podem variar consideravelmente, desde seu mente, foi disponibilizado para ROG
apresentar diferenças físico-químicas tempo de reabsorção até a sua imuno- um bloco formado pela associação
(tamanho de grão, razão cálcio/ genicidade. O colágeno usado para a de HA e colágeno (Figura 1), o que
fósforo, cristalinidade, área superficial confecção das barreiras de membrana resultou em um biomaterial com
específica) que podem resultar em pode ser alógeno ou xenógeno, e este boa manuseabilidade, interessante
respostas clínicas distintas, envolvendo fator está relacionado à capacidade na regeneração da tábua óssea bucal.
desde a condução das células que do material desencadear resposta A seguir, o caso clínico ilustra
formarão osso na área do defeito, sua imune no hospedeiro. a aplicação deste biomaterial no
reabsorção e substituição pelo osso A agência federal norte-americana tratamento com implante instalado
do próprio indivíduo, até um material Food and Drug Administration (FDA) imediatamente após a exodontia,
completamente inerte (não osseocon- tem sugerido o uso do colágeno do associado à regeneração simultânea
dutor), que nunca será reabsorvido tendão suíno na confecção destes da tábua óssea bucal na região do
para ser substituído por osso. biomateriais, justamente pela sua primeiro pré-molar superior direito.

960 INPerio 2017;2(5):960-1


VIRANDO O JOGO

Figura 2 – Aspecto clínico inicial. Dente 24 com trinca vertical Figura 3 – Corte transaxial evidenciando a ausência da tábua
na raiz vestibular. óssea bucal.

A Figura 2 mostra o aspecto clínico óssea bucal ausente. Em seguida, o REFERÊNCIAS


1. Desterro FP, Sader MS, Soares GDA, Vidigal
inicial e a Figura 3 mostra um corte implante foi instalado (Figura 5) e Jr. GM. Can inorganic bovine bone grafts
tomográfico transaxial evidenciando a um retalho pediculado foi deslizado present distinct properties? Braz Dent J
2014;25(4):282-8.
ausência da tábua óssea bucal. Após do palato para recobrir a área 2. Vidigal Jr. GM, Silva Jr. LCM, Dantas LRF,
Groisman M. Conceito de reconstrução óssea
a exodontia do pré-molar, o enxerto (Figura 6). A tomografia de controle na região dos dentes 11 e 21. In: 11 e 21: Estética
em bloco, umedecido pelo sangue (Figura 7), realizada após seis meses, em Implantes. 1a ed. São Paulo: Quintessence
Editora, 2017. p.134-81.
da área, foi adaptado na vestibular demonstra o resultado após a cirurgia
(Figura 4) para reconstituição da tábua de reentrada.

Figura 4 – Exodontia do 24 e instalação do enxerto em bloco. Figura 5 – Implante instalado após a colocação do enxerto.
Enxerto posicionado na região da tábua óssea bucal ausente.

Figura 6 – Retalho pediculado deslizado do palato, usado para Figura 7 – Tomografia de controle, realizada seis meses após a
cobrir a área. instalação do implante e do enxerto.

INPerio 2017;2(5):960-1 961


FARMACOLOGIA E ODONTOLOGIA
Imagem: Shutterstock.

EMERGÊNCIAS MÉDICAS
EM ODONTOLOGIA
Eduardo Dias de Andrade
ANGINA DE PEITO
E INFARTO AGUDO
Graduado, mestre, doutor, livre-docente, professor
titular e responsável pela área de Farmacologia,
Anestesiologia e Terapêutica – FOP/Unicamp. Autor
dos livros Terapêutica Medicamentosa em Odontologia
e Emergências Médicas em Odontologia.

DO MIOCÁRDIO
962 INPerio 2017;2(5):962-6
FARMACOLOGIA E ODONTOLOGIA

A
cardiopatia isquêmica ou doença arterial corona- Dor torácica de origem cardíaca
riana é um termo empregado para definir os Se um paciente está com dor no peito, ele avisará o
estreitamentos das artérias coronárias, respon- dentista, portanto, o reconhecimento do problema não
sáveis por levar sangue rico em oxigênio para será difícil. Entretanto, para descrevê-la, é comum o uso
o coração. Tal estreitamento é causado pela formação de de termos como “apertamento”, “esmagamento”, dor
placas gordurosas (ateromas), que reduzem o diâmetro tipo “facada”, sensação de “queimadura” ou de “pressão”
interno do vaso e propiciam a formação de coágulos no tórax2.
(trombos), dificultando ou até mesmo impedindo a chegada A oferta de oxigênio para o músculo cardíaco depende
de sangue ao coração. da capacidade de transporte deste gás no sangue e do
Na hipótese de um paciente acusar dor torácica na fluxo sanguíneo nas artérias coronárias. A diminuição
clínica odontológica, o cirurgião-dentista provavelmente temporária do aporte de sangue ao coração resulta em
irá relacioná-la com o quadro de angina de peito ou uma dor torácica característica abaixo do osso esterno,
com o infarto agudo do miocárdio, por se tratar de um caracterizando o quadro de angina de peito (do latim
sintoma característico destas alterações cardiovasculares. angere = apertar e pectoris = peito).
Entretanto, a dor torácica pode ser originada ou estar A principal causa da angina do peito é a doença arterial
associada a outras condições patológicas, como a doença coronariana, mas também pode ser decorrente de outros
de refluxo gastroesofágico, úlcera péptica, hérnia de hiato problemas cardiovasculares, como a estenose da válvula
ou problemas musculoesqueléticos1-2. Da mesma forma, aórtica ou o espasmo arterial coronariano (contração súbita
a anemia grave pode reduzir o fornecimento de oxigênio e transitória da camada muscular da artéria coronária)3.
ao músculo cardíaco e propiciar um episódio de dor. O estresse emocional, as temperaturas muito baixas, a
A própria síndrome de hiperventilação, desencadeada alimentação excessiva, a ingestão de cafeína e o tabagismo
pela ansiedade aguda, também deve ser lembrada ao se também favorecem as crises de angina do peito4.
fazer o diagnóstico diferencial. Ela pode ser estável, sendo precipitada pelo esforço
Aqui, será abordada apenas a dor torácica de origem físico. Nesse caso, a obstrução não é grande o suficiente
cardíaca, pois as demais condições, na maioria das vezes, para causar dor em repouso e dura poucos minutos após o
não são consideradas situações de emergência. exercício. Quando a angina de peito ocorre após mínimos
esforços ou mesmo em repouso, é chamada de instável.

Colaboração:

Francisco Carlos Groppo Maria Cristina Volpato José Ranali


Graduado, mestre, doutor, livre-docente Graduada, mestra, doutora, livre-docente Graduado em Odontologia,
e professor titular de Farmacologia e professora titular de Farmacologia mestre e doutor – Unicamp.
– FOP/Unicamp; Pós-doutor em Perio- e Terapêutica Medicamentosa – FOP/
dontia – Harvard University e The Forsyth Unicamp.
Institute (EUA).

INPerio 2017;2(5):962-6 963


Agora, o grau de obstrução é mais expressivo, o bastante pode predispor diretamente o IAM. As complicações clínicas
para que o fluxo sanguíneo para o coração seja inferior mais observadas são as arritmias cardíacas, a insuficiência
ao exigido em situações basais4. A crise dolorosa é, na cardíaca ou até mesmo a parada cardiorrespiratória1.
maioria das vezes, aliviada pelo simples repouso e/ou pelo
uso de drogas vasodilatadoras coronarianas (nitratos), via Diagnóstico diferencial
sublingual, sem complicações residuais3. Como a síndrome coronariana aguda (angina instável
O infarto agudo do miocárdio (IAM), por sua vez, é e infarto agudo do miocárdio) possui uma significativa
um quadro resultante da deficiência grave do suprimento morbidade e mortalidade, a abordagem inicial desses
sanguíneo para uma região do miocárdio, por meio pacientes é sempre feita no sentido de confirmar ou não
das artérias coronárias, o que resulta em morte celular este diagnóstico. O diagnóstico clínico diferencial nem
(necrose)3. Quase sempre, a causa básica do problema é sempre é uma tarefa fácil, tomando por base apenas a
a formação de um coágulo intravascular que oclui uma observação de sinais e sintomas do paciente.
artéria já parcialmente obstruída por placas de gordura. Uma consideração importante é a história do paciente,
Os fatores de risco para o IAM são conhecidos na sua obtida na anamnese. Ele já experimentou dor torácica
grande maioria como a forte história familiar de doença anginal? Se sim, é provável que o episódio atual seja angina
cardiovascular, hipertensão arterial, diabetes, obesidade, de peito. No entanto, se este for o primeiro episódio de
sedentarismo, tabagismo e níveis elevados de colesterol4. dor torácica do paciente, o dentista deve tratá-lo como se
Além do decréscimo significativo do fluxo sanguíneo fosse um infarto agudo do miocárdio e tomar as medidas
pelas artérias coronárias, como ocorre nas tromboses, o para transferi-lo o mais rápido possível para um hospital.
aumento dos níveis de trabalho cardíaco sem um aumento A Tabela 1 traz as principais características destas
correspondente da suplementação de oxigênio para o patologias, que poderão auxiliar o cirurgião-dentista a identi-
miocárdio, como é observado nas situações de estresse, ficar a gravidade do caso e tomar as providências necessárias.

TABELA 1 – DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL DA ANGINA DE PEITO E INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO1-5


Característica Angina de peito Infarto do miocárdio

Sim
Ansiedade aguda e sudorese aumentada Sim
Sensação de morte iminente

Sim
Mais intensa e com maior tempo de duração
Dor subesternal ou ao redor do coração De curta duração
(mais do que 20 minutos)
(em geral, alguns minutos)

Dor que se difunde para a face interna Comum*


do braço e ombro esquerdo, pescoço e Incomum Pode se propagar para a porção
mandíbula superior do abdome

Expressão corporal típica no momento Mão sobre o peito com Mão fechada sobre o tórax
da crise de dor os dedos esticados em movimentos circulares

Dor aliviada com o repouso ou após o


emprego dos nitratos (vasodilatadores Quase sempre Não
coronarianos)

Dificuldade respiratória (dispneia) Pode estar presente Frequente

Náuseas e vômitos Raramente Frequente

A presença de hipotensão, que causa palidez


Pressão arterial sanguínea Aumenta durante a crise de dor
cutânea, sugere isquemia extensa

Taquicardia leve
Frequência cardíaca Taquicardia ou bradicardia
ou bradiarritmias
*Nem todas as dores associadas ao IAM se propagam ou irradiam, e alguns pacientes apresentam dor atípica ao experimentar um infarto.
Por exemplo, pacientes idosos (> 75 anos) e diabéticos podem sentir pouca ou nenhuma dor torácica (infarto do miocárdio “silencioso”)2.

964 INPerio 2017;2(5):962-6


FARMACOLOGIA E ODONTOLOGIA
Anamnese dirigida isossorbida (Sustrate 10 mg), além de comprimidos
A identificação do paciente portador ou predisposto de ácido acetilsalicílico (Aspirina 100 mg).
às crises de angina de peito ou IAM é obtida na anamnese. • Considere um protocolo de sedação, por meio do
A atenção deve ser redobrada em indivíduos com história uso de um benzodiazepínico, via oral (midazolam
de doença arterial coronariana, especialmente os que foram 7,5 mg para os jovens e adultos; alprazolam 0,25 mg a
submetidos à angioplastia ou cirurgia de revascularização 0,5 mg para os idosos).
do miocárdio. Algumas questões podem ajudar a estabe- • No dia agendado para a cirurgia, avalie o pulso (qualidade,
lecer o perfil do paciente e o estado atual de controle da ritmo e frequência) e a pressão arterial sanguínea.
doença. É sugerido o seguinte roteiro: • Soluções anestésicas locais com epinefrina podem
• Quando você caminha ou sobe as escadas, sente ser empregadas em hipertensos e coronariopatas
algum desconforto? com a doença controlada. Empregue soluções com as
• Você já teve algum episódio de dor no peito? menores concentrações do vasoconstritor e pequenos
• Em caso positivo, há quanto tempo? volumes. No caso da epinefrina, nas concentrações de
• Houve algum fator que precipitou a última crise? 1:100.000 ou 1:200.000, o volume máximo por sessão
• Qual medicamento você tomou de imediato? é igual ao contido em dois tubetes ou quatro tubetes,
A dor cessou rapidamente? respectivamente4,6-8.
• Você usa nitratos para alívio da dor no peito? • Na contraindicação do uso da epinefrina, empregue
• Você já foi submetido à revascularização do miocárdio uma solução anestésica à base de prilocaína 3% com
ou angioplastia? Há quanto tempo? felipressina 0,03 UI/mL (máximo de três a quatro
• Qual a medicação que você está tomando atualmente, tubetes por sessão)9.
em quais horários e em qual dosagem? • Previna e controle efetivamente a dor pós-operatória,
Procedimentos eletivos são contraindicados em por meio de analgésicos e/ou corticosteroides (dose
pacientes com angina instável ou história recente de única ou por tempo restrito). Os anti-inflamatórios
infarto agudo do miocárdio (período menor do que seis não esteroides devem ser evitados ao máximo em
meses). Nas urgências odontológicas, é recomendável pacientes hipertensos e cardiopatas.
entrar em contato com o médico cardiologista para avaliar • Não empregue fios retratores gengivais contendo
os riscos e benefícios do atendimento destes pacientes epinefrina.
no consultório ou em ambiente hospitalar. • Evite sessões de atendimento muito longas. Interrompa
o atendimento se o paciente mostrar sinais de fadiga.
Planejamento cirúrgico e cuidados adicionais • Ao final do procedimento, permita ao paciente um
Considerando que as cirurgias periodontais e breve repouso antes de dispensá-lo, na companhia
implantodônticas são eletivas, na sua grande maioria, de um adulto.
são recomendados os seguintes cuidados pré, trans e
pós-operatórios no planejamento cirúrgico4: Nas situações de emergência, o que fazer?
• Discuta com o médico que trata do paciente sobre a Com base no Artigo 6o, inciso VIII da Lei 5.081, de
necessidade do uso profilático de um vasodilatador 27 de agosto de 1966, que regulamenta o exercício da
coronariano previamente ao procedimento, e qual a Odontologia, “compete ao cirurgião-dentista prescrever
medicação recomendada para você administrar no caso e aplicar medicação de urgência, no caso de acidentes
de uma intercorrência grave, no âmbito do consultório. graves que comprometam a vida e a saúde do paciente”4.
• No dia agendado para a intervenção, certifique-se de Portanto, no caso presente, cabe adotarmos as medidas
que o paciente trouxe o vasodilatador coronariano terapêuticas e outros cuidados pertinentes, a fim de evitar
prescrito pelo médico. a extensão do quadro de isquemia. A seguir, na forma de
• Por segurança, tenha à disposição no seu estojo de algoritmo, é apresentado o protocolo de atendimento
emergência um nitrato, para uso sublingual: dinitrato emergencial em caso de dor torácica de origem cardíaca,
de isossorbida (Isordil 5 mg) ou propatilnitrato de no âmbito da clínica odontológica4:

INPerio 2017;2(5):962-6 965


FARMACOLOGIA E ODONTOLOGIA

Observações:
1. Os nitratos (Isordil e Sustrate) estão contraindicados na presença de pressão arterial sistólica menor do que 100 mmHg e no caso
de uso prévio (nas últimas 24 horas) de medicamentos empregados no tratamento da disfunção erétil: sildenafil (Viagra), vardenafil
(Levitra) e tadalafil (Cialis), que podem potencializar o efeito hipotensor dos nitratos. Isto parece não ocorrer com outra droga usada
para a mesma finalidade, a apomorfina (Uprima)10.
2. O objetivo de empregar o ácido acetilsalicílico (Aspirina) não é o de dissolver o coágulo (trombo) já formado no interior da artéria
coronária, mas sim inibir de forma irreversível a agregação plaquetária, a reoclusão coronária e a recorrência de eventos após a
terapia fibrinolítica, já em ambiente hospitalar10.

Comentários finais
Como já foi dito, o infarto agudo do miocárdio pode as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) deverão
evoluir para a parada cardiorrespiratória. Se, durante a ser iniciadas. O protocolo completo de suporte básico de
monitorização dos sinais vitais, o paciente apresentar sinais vida (SBV), no qual se inclui a RCP, será assunto da próxima
de respiração agônica (gasping) ou de parada respiratória, edição desta coluna.

REFERÊNCIAS
1. Malamed SF. Emergências médicas em Odontologia. 7a ed. Rio de Janeiro: 7. Neves RS et al. Efeitos do uso da adrenalina na anestesia local odontológica
Elsevier, 2016. em portador de coronariopatia. Arq Bras Cardiol 2007;88(5):545-51.
2. Reed KL. Basic management of medical emergencies. Recognizing a 8. Malamed SF. Manual de anestesia local. 5a ed. Rio de Janeiro: Elsevier
patient’s distress. Jada 2010;141(5 suppl.):20S-4S. Koogan, 2005.
3. Doenças cardiovasculares. Manual Merck de Medicina. 19a ed. São Paulo: 9. Sunada K, Nakamura K, Yamashiro M, Sumitomo M, Furuya H. Clinically
Roca, 2014. safe dosage of felypressin for patients with essential hypertension Anesth
4. Andrade ED, Ranali J. Emergências médicas em Odontologia. 3a ed. São Prog 1996;43(4):108-15.
Paulo: Artes Médicas, 2011. p.97-102. 10. Piegas LS et al. Sociedade Brasileira de Cardiologia. Diretriz da Sociedade
5. Casagrande EL. Simpósio sobre diagnóstico de dor torácica. Angina Brasileira de Cardiologia sobre Tratamento do Infarto agudo do
pectoris e infarto agudo do miocárdio. Revista AMRIGS 2002;46(1,2):9-12. Miocárdio com Supradesnível do Segmento ST. Arq Bras Cardiol 2009;93
6. Conrado VCLS et al. Efeitos cardiovasculares da anestesia local com (6 suppl.2):e179-e264.
vasoconstritor durante exodontia em coronariopatas. Arq Bras Cardiol
2007;88(5):507-13.

966 INPerio 2017;2(5):962-6


PESQUISA

O QUINTETO DE OURO DA
IMPLANTODONTIA NACIONAL
Quatro companhias brasileiras e uma suíça representam 84,7%
do mercado de produtos para reabilitação oral.

O mercado brasileiro de implantes passou contabilizando 9,4% dos profissionais entrevistados


por algumas mudanças nos últimos dois anos. – um crescimento de 2,4%.
Isso é o que aponta a pesquisa Cenário Atual da A amostragem coletada revelou ainda que a
Implantodontia no Brasil, realizada pela Pré-Teste para a Implacil De Bortoli dobrou sua participação na área
VMCom em agosto, durante o IN 2017.  de cirurgia, saindo de 4% em 2015 para 8% em 2017,
No total, 745 congressistas de todos os estados do sendo a quarta mais citada pelo público. Já a Conexão,
País e do Distrito Federal revelaram quais são as marcas que na pesquisa anterior ocupava o terceiro lugar, caiu
de produtos que costumam usar em cirurgia, somando para a quinta posição, sendo a preferência de 6,1%
as especialidades de Implantodontia, Periodontia e dos profissionais participantes dessa edição do IN.
Prótese Dentária. Segundo os dados do levantamento, Vale destacar que a amostra coletada dentro
mesmo com um encolhimento de 3,1% em relação do IN 2017 não reflete com exatidão a distribuição
ao índice de 2015, a Neodent continua no topo do regional de implantodontistas do País. Portanto, do
ranking como a mais usada em cirurgia, alcançando ponto de vista técnico,  tais resultados não refletem
45,9% da preferência dos entrevistados. com fidelidade a participação de mercado de cada
Em contrapartida, a SIN Sistema de Implantes marca no Brasil. No entanto, quando os dados são
aumentou sua atuação em 3,1%, chegando a 15,3% comparados com as pesquisas dos anos anteriores,
do total de respostas, e se manteve em segundo é possível observar as tendências do mercado.
lugar. A Straumann aparecia em quarto lugar no O relatório completo estará disponível às empresa do
levantamento de 2015 e pulou para a terceira posição, mercado a partir de outubro.

LÍDERES DO MERCADO EM CIRURGIA

Fonte: Cenário Atual da


Implantodontia no Brasil – 2017.

INPerio 2017;2(5):967 967


DIRETO AO PONTO

EXPOSIÇÃO DA MEMBRANA DE PTFE-D


DURANTE REGENERAÇÃO ÓSSEA GUIADA
Os aumentos ósseos verticais e horizontais utilizando barreiras ou membranas
não reabsorvíveis sempre causam preocupação, principalmente devido às possíveis
exposições ao meio bucal antes do tempo necessário para a completa maturação tecidual.
Nesta coluna, já discutimos a exposição das telas de titânio (ImplantNewsPerio
volume 1, número 2) e as dificuldades dos aumentos verticais (ImplantNewsPerio volume 2,
número 4). Recentemente, com a reintrodução das membranas de PTFE no mercado
Jamil A. Shibli nacional, uma confusão foi levantada devido ao seu uso de maneira intencional, ou seja,
Professor titular do Programa de elas ficam expostas para proteger a entrada do alvéolo ou do defeito e são removidas
pós-graduação em Odontologia,
áreas de Implantodontia e Periodontia após 21 dias. Entretanto, a exposição da membrana de PTFE em aumento vertical é uma
– Universidade Guarulhos (UnG);
Livre-docente do Depto. de Cirurgia das causas mais comuns de insucesso da regeneração óssea guiada (ROG).
e Traumatologia BMF e Periodontia –
Forp/USP; Doutor, mestre e especialista
Contudo, com a introdução das membranas de politetrafluoroetileno denso (PTFE-d),
em Periodontia – FOAr-Unesp.
reduziu-se significativamente a incidência das infecções em comparação às membranas
de PTFE expandido, uma vez que o tamanho dos seus poros pode evitar a penetração
bacteriana. Também, devido à exposição da barreira, pode haver contaminação do
material do enxerto, acarretando perda do procedimento.
A deiscência do tecido mole – e consequente exposição da membrana – pode
ser causada pela tensão do retalho, escolha equivocada do fio de sutura, existência de
arestas e “cantos” vivos da membrana, e compressão da prótese provisória. A remoção
Colaboração:
da membrana ou pelo menos da parte exposta, bem como do enxerto localizado logo
abaixo da exposição, deve ser realizada o quanto antes. Caso a membrana não seja
removida, a situação clínica resultante pode ser pior do que a inicial.
A seguir, será apresentado um caso clínico para exemplificar o procedimento de
aumento vertical em maxila anterior (Figuras 1 a 3). Parafusos de fixação estabilizaram
a membrana PTFE-d (Figura 4) com reforço de titânio, recobrindo o material de enxerto
autógeno misturado com enxerto heterógeno bovino na proporção de 1:1. Realizou-se
a liberação do retalho e o tecido foi suturado sem tensão com fio de sutura de teflon
(Figura 5). As suturas foram removidas após 15 dias e a exposição da membrana ocorreu
após 12 semanas (Figura 6). A paciente foi instruída a limpar suavemente e fazer bochecho
Ulisses Dayube
com clorexidina 0,12% a cada oito horas. Doutorando em Implantodontia –
Universidade Guarulhos (UnG); Mestre
Uma tomografia foi obtida para avaliar a formação óssea (Figura 7) e para em Implantodontia – SLMandic
Campinas; Especialista em Implanto-
controle do material de enxerto. Como a exposição ocorreu próxima da extremidade dontia e professor da especialização
e atualização em Implantodontia
distal da membrana e havia um grande risco de infecção, a remoção da membrana – ABO/Barra Mansa; Especialização
foi realizada em 72 horas. Toda a membrana, os parafusos de fixação e uma parte em Prótese Dentária – Unigranrio;
Coordenador da especialização em
do enxerto, localizado logo abaixo da porção exposta, foram removidos (Figura 8). Implantodontia – Gapo/Funorte.

968 INPerio 2017;2(5):968-9


DIRETO AO PONTO
O enxerto remanescente foi lavado com clorexidina e o completa e a reparação da mucosa sem intercorrências
retalho palatino foi dividido e girado para vestibular, a (Figura 10). O pouco volume de osso removido na área
fim de fechar a região da exposição (Figura 9). distal não influenciou sobremaneira o procedimento
A rápida remoção da membrana PTFE-d após a regenerativo, e a abordagem por etapas ajudou na
exposição permitiu uma regeneração óssea vertical quase manipulação tecidual.

Figura 1 – Tomografia inicial. Figura 2 – Situação clínica inicial. Figura 3 – Exposição do defeito ósseo.

Figura 4 – Membrana de PTFE-d fixada. Figura 5 – Sutura com fio de PTFE-d. Figura 6 – Exposição da membrana após
12 semanas.

Figura 7 – Tomografia de controle. Figura 8 – Formação óssea após 12 Figura 9 – Sutura com fio de poliglactina.
semanas.

Figura 10 – Após quatro semanas da remoção da membrana.

INPerio 2017;2(5):968-9 969


PALAVRA-CHAVE

IMPLANTES IMEDIATOS

A
tualmente, um dos temas mais polêmicos em Implantodontia é a realização
ou não de implantes imediatos. Enquanto alguns autores preconizam a insta-
lação dos implantes logo após a exodontia, ou mesmo a confecção de um
provisório como forma de manter os tecidos ósseo e gengival, outros entendem que
apenas com o preenchimento dos alvéolos pós-extração e instalação do implante
em um segundo momento (após a cicatrização) será possível a manutenção dos
tecidos peri-implantares.
Trabalhos mais recentes têm colocado mais dúvidas em relação à melhor técnica:
implantes imediatos ou mediatos (tardios). Em um artigo de 2014, Vignoletti & Sanz Elcio Marcantonio Jr.
descrevem os fatores que poderiam influenciar a remodelação óssea ao redor dos Professor titular das disciplinas de Periodontia
e Implantodontia, e coordenador do curso
implantes, e fazem uma interessante correlação entre a cicatrização ao redor dos de especialização em Implantodontia –
FOAr/Unesp; Professor colaborador do Ilapeo.
implantes e a cicatrização de alvéolos.
Em um artigo de 2017, de Esposito e cols., foram comparados três momentos
de instalação de implantes: imediato (logo após a exodontia), precoce (seis semanas
após a exodontia) e tardio (quatro meses após a exodontia, com o alvéolo cicatrizado). Colaboração:
Cada grupo teve 70 pacientes (210 no total), e a avaliação foi realizada com um ano
de acompanhamento. Em casos de necessidade, houve preenchimento dos espaços
entre a tábua óssea vestibular e o implante. Embora as falhas tenham sido mais
frequentes em implantes imediatos e precoces, não foram observadas diferenças
estatisticamente significantes para falhas, complicações e satisfação do paciente
nas três condições estudadas. As mudanças no nível ósseo foram semelhantes
entre os diferentes procedimentos, mas os resultados estéticos foram melhores
com implantes imediatos e precoces.
Todos os trabalhos chamam atenção para o fato de que os implantes imediatos
Fausto Frizzera
são mais difíceis de serem realizados e exigem um planejamento detalhado para Especialista e mestre em Periodontia, e doutor
em Implantodontia – FOAr-Unesp; Professor
que fiquem na posição protética ideal. Assim, disponibilidade óssea, altura gengival, titular de Periodontia e Implantodontia –
Faesa; Professor do aperfeiçoamento e da
biotipo gengival, presença de tábuas ósseas, dentre outros fatores, devem ser especialização em Implantodontia – ABO/ES.
avaliados para indicar a técnica ideal. Para nós, as vantagens estéticas, a redução de
prazo de tratamento e a menor exposição dos pacientes a procedimentos cirúrgicos
falam a favor dos implantes imediatos, desde que bem indicados.

REFERÊNCIAS
1. Vignoletti F, Sanz M. Immediate implants at fresh extraction sockets: from myth to reality. Periodontol 2000
2014;66(1):132-52.
2. Chrcanovic BR, Albrektsson T, Wennerberg A. Dental implants inserted in fresh extraction sockets versus
healed sites: a systematic review and meta-analysis. J Dent 2015;43(1):16-41.
3. Sanz-Sánchez I, Sanz-Martín I, Figuero E, Sanz M. Clinical efficacy of immediate implant loading protocols
compared to conventional loading depending on the type of the restoration: a systematic review. Clin Oral
Implants Res 2015;26(8):964-82.

INPerio 2017;2(5):971 971


HARMONIA EM PAUTA

ENXERTOS DE TECIDO MOLE NAS


reconstruções periodontais e peri-implantares

O
planejamento de cirurgias plásticas perio- precoces mais frequentes estão
dontais e peri-implantares envolve, na maioria relacionadas ao sangramento
das vezes, o uso de enxertos de tecido mole decorrente do rompimento de
obtidos em diferentes áreas doadoras do pequenas arteríolas. A necrose
próprio paciente. A escolha da área doadora deve ser palatina, indiscutivelmente,
individualizada para cada caso, pois uma série de fatores representa a complicação tardia
interfere na decisão: disponibilidade e qualidade teciduais, mais frequente. Sua ocorrência
facilidade de acesso, experiência do operador, risco está associada a retalho fino,
cirúrgico e conforto pós-operatório. Não há uma técnica deiscência de sutura e/ou
que atenda a todas as situações, portanto, é importante o traumatismo pós-operatório.
entendimento das vantagens, desvantagens e limitações A frequência de necrose palatina
de cada uma delas para que possamos optar pela melhor está diretamente relacionada à Julio Cesar Joly
alternativa. curva de aprendizado, deixando Especialista, mestre e doutor em
Periodontia – FOP/Unicamp; Coorde-
A área doadora mais utilizada, normalmente, é a de representar um problema nador dos cursos de mestrado em
mucosa palatina devido à frequente disponibilidade, mas na rotina clínica de profissionais Implantodontia e Periodontia –
nem sempre ela representa a melhor alternativa, princi- mais experientes. Complicações SLMandic Campinas; Coordenador
– Instituto ImplantePerio; Autor dos
palmente quando consideramos a limitação de espessura hemorrágicas tardias são mais livros Reconstrução Tecidual Estética
e a densidade tecidual. Além disso, devemos considerar a raras e podem estar relacionadas e Perio-Implantodontia Estética.
grande variabilidade anatômica dessa região, que muitas às discrasias sanguíneas não
vezes restringe sua abordagem, como em palatos rasos identificadas ou a traumatismos
e/ou com mucosa palatina delgada. Portanto, é importante locais no pós-operatório. Refutar-se à realização dos
ter uma visão abrangente que contemple o possível uso enxertos por receio de acidentes e complicações representa
de outras áreas, como a tuberosidade maxilar e as regiões um grande erro interpretativo, visto que, se as relações
edêntulas. O objetivo terapêutico também interfere na anatômicas e os protocolos técnicos descritos forem
escolha da área, visto que os enxertos se distinguem respeitados, os problemas são raros e passíveis de controle.
quanto à extensão e à qualidade, dependendo da região Em algumas situações específicas, podemos indicar
de eleição: enxertos da tuberosidade são mais espessos os substitutos teciduais (matriz dérmica acelular ou matriz
e densos, enquanto enxertos palatinos são mais extensos colágena). No entanto, devemos admitir que os resultados
e gordurosos. com o uso de substitutos ficam aquém dos obtidos com
As complicações são mais frequentes em abordagens o uso de enxertos de tecido mole que, indiscutivelmente,
palatinas e podem ser divididas em trans e pós-operatórias são mais eficientes para a resolução de inúmeras condições
precoces e tardias. As complicações trans e pós-operatórias clínicas no universo da Perio-Implantodontia estética.

INPerio 2017;2(5):973-4 973


HARMONIA EM PAUTA

Figuras 2 – Sequência de remoção do enxerto


de tecido mole da região da tuberosidade pela
Figuras 1 – Sequência de remoção do enxerto de técnica de incisões paralelas. Notar a remoção
tecido mole da região palatina pela técnica linear. de um enxerto misto (com banda epitelial e
Notar a remoção somente do tecido conjuntivo e conjuntivo) e a coaptação de bordos da ferida.
a completa coaptação de bordos da ferida. Casos publicados no livro Perio-Implantodontia
Estética (2015).

974 INPerio 2017;2(5):973-4


MERCADO

Novo comando na SIN


O argentino Felipe Leonard é o novo presidente & CEO da SIN
Sistema de Implante. O executivo tem passagem por empresas como
a Philip Morris International, Kraft Foods, Grupo Perez Companc,
GA.MA Italy e atuação nos mercados da Argentina, Chile, Bolívia,
Equador e Brasil. Felipe terá como missão conduzir o crescimento
da SIN nos próximos anos no mercado de Implantodontia.
“A SIN é uma das maiores empresas de implantes do Brasil e
do mundo, propriedade do Fundo de Investimento Internacional
Southern Cross Group. As expectativas para os próximos anos
são ambiciosas e promissoras. A nossa missão é garantir que os
processos de gestão da empresa continuem evoluindo na direção
da excelência de classe mundial, de forma que permitam posicionar
a empresa, a marca, os produtos e os serviços na liderança absoluta
do mercado brasileiro, além de consolidar a expansão internacional”,
Felipe Leonard assumiu o comando
esclareceu Leonard. da SIN em setembro.

Neodent expande Com investimento de R$ 60 milhões, a Neodent


inaugurou em agosto suas novas dependências.
fábrica e centro O novo centro de distribuição foi ampliado de
400 m² para 2.800 m² e a empresa contratou mais
logístico em Curitiba de 120 colaboradores. A fábrica na Cidade Industrial
de Curitiba também teve sua capacidade expandida
em 50%.
“O crescimento da Neodent é resultado da soma
de forças promovida pelo Grupo Straumann, é uma
conquista histórica para a empresa, alcançada devido
ao investimento em qualificação profissional e aos
diversos talentos que fazem parte dele”, explica o
CEO da Neodent, Matthias Schupp.
“Esta é uma conquista histórica alcançada devido
ao investimento em qualificação profissional. Além
da expansão da fábrica, estamos às vésperas de um
grande lançamento que une toda a tecnologia e
Matthias Schupp, CEO da Neodent, Geninho Thomé,
presidente científico da companhia e Clemilda Thomé, expertise de nosso trabalho”, informa o presidente
co-fundadora. científico Geninho Thomé.

INPerio 2017;2(5):975 975


Imagem: Shutterstock.

A REVOLUÇÃO DIGITAL ABRAÇA O MUNDO


Em um evento especialmente desenhado para encantar clientes e impressionar visitantes,
Dentsply Sirona World reúne mais de 7 mil profissionais e omprova que revolução digital é uma realidade.
Por Adilson Fuzo

N
em mesmo os organizadores esperavam famoso palestrante do Ted Talks, Simon Sinek, uma apresen-
tamanho sucesso. Mais de 7 mil profissionais tação com o ator Will Smith e um pocket show da banda
de Odontologia estiveram presentes no norte-americana Imagine Dragons, entre outras ativi-
Dentsply Sirona World, o evento corporativo dades. Ao final da maratona odontológica de cada dia, o
que apresenta as principais inovações da companhia e público ainda arranjou fôlego para se divertir na Las Vegas
discute as tendências da Odontologia Digital. O encontro Boulevard ou para arriscar a sorte nas mesas de pôquer.
aconteceu em setembro, em Las Vegas (EUA), compro- O clima de entretenimento não atrapalhou o bom
vando mais uma vez a força que a cultura da Odontologia conteúdo da programação científica do evento, que
digital está ganhando nos grandes centros internacionais. contou com 110 palestrantes nas áreas de Implanto-
Adotando um modelo um pouco diferente dontia, Ortodontia, Periodontia, materiais restauradores,
dos grandes congressos do setor, a Dentsply Sirona prótese/laboratórios, Endodontia, Imaginologia e outras
desenhou seu encontro mesclando a apresentação de áreas, mostrando exatamente como os sistemas digitais
seus speakers técnicos da Dentsply Sirona diversificaram
com grandes atrações sua abrangência dentro da
de entretenimento. Para Odontologia.
ambientar sua salada de Entre as novidades apresen-
diversão e educação técnica, tadas, o grande destaque ficou
a companhia realizou seu para o novo software Cerec 4.5
encontro no complexo de que, além de prometer uma
hotéis/cassino The Venetian interface de planejamento mais
e The Pallazzo, um dos mais simplificada para os dentistas,
tradicionais de Las Vegas. agora oferece a possibilidade de
Dessa forma, além de exportar os trabalhos em formato
acompanhar seus pales- STL. Outra novidade apresentada
Mais de 7 mil profissionais presentes, todos envolvidos
trantes favoritos, os dentistas com a Odontologia Digital. foi a Zircônia Cerec, na qual a
puderam acompanhar companhia destaca a praticidade
diversas atrações, como o show de humor com o comediante do material ser usado em sistemas chairside na fresagem de
Jeff Dunham, uma apresentação sobre liderança com o coroas unitárias monolíticas e próteses parciais pequenas.

976 INPerio 2017;2(5):976-7


INTERNACIONAL

O ator Will Smith e o palestrante internacional Simon Sinek reforçaram a programação do encontro, que contou com várias
atrações de fora da Odontologia.

Vale destacar ainda o interessante avanço da especial, foi valorizado o poder do workflow que começa
companhia na área de Endodontia, onde já se trabalha pelos sistemas de diagnóstico por imagens, passam pelo
com planejamento digital nos tratamentos de canal planejamento digital da cirurgia guiada para instalação do
graças aos sistemas de imagem tridimensional. Em implante ou do enxerto ósseo, seguem pelo planejamento
breve, serão confeccionados guias para tratamentos protético e terminam com a fresagem e sinterização da
endodônticos minimamente invasivos. Em outra frente, prótese que será fixada.
vemos a integração dos sistemas de imagem radiográfica, Ao final, os participantes do evento se encontraram
moldagem digital das arcadas e o software Sicat Air, em uma festa de confraternização na TAO Nightclub.
para o planejamento digital do tratamento da apneia Novamente, a mistura entre educação técnica e diversão
obstrutiva do sono. se provou eficaz, encantando clientes e impressionando
“Integração”, a propósito, foi uma palavra-chave ao visitantes. Não será surpresa se, no ano que vem, na
longo de todo o encontro. A empresa destaca a importância próxima edição do encontro, o número de participantes
de seus esforços na harmonização tecnológica de seus for ainda maior.
processos digitais em seus diferentes sistemas para que
trabalhem melhor juntos. No campo da Implantodontia, em Adilson Fuzo viajou a convite da Dentsply Sirona.
Imagens: divulgação.

A banda norte-americana Imagine Dragons, que ocupa o topo das paradas internacionais, também esteve presente, com uma
apresentação de uma hora de duração.

INPerio 2017;2(5):976-7 977


BIOLOGIA DO DIA A DIA

Luis Antonio
A L-PRF É EFICIENTE PARA POTENCIALIZAR Violin Pereira
Professor titular do Depto. de
Bioquímica e Biologia Tecidual

A REGENERAÇÃO ÓSSEA? (DBBT) da Universidade Estadual


de Campinas – Instituto de Biologia
(Unicamp-IB).

A
aplicação de fatores de crescimento, células
e fibrina (obtidos a partir do sangue do
próprio paciente), combinados a bioma-
teriais, tem sido descrita na literatura
como um dos procedimentos para potencializar o
aumento ósseo. Historicamente, o procedimento
mais estudado foi o plasma rico em plaquetas (PRP)
que, após anos de investigação, não apresentou um
benefício significativo para a regeneração óssea.
Colaboração: Foi com essa justificativa que o Conselho Federal
de Medicina, em 2015, resolveu considerar o PRP
Carolina Frandsen como um “procedimento experimental, só podendo
Pereira da Costa ser utilizado em experimentação clínica dentro dos
Doutoranda no programa de
pós-graduação em Biologia protocolos do sistema CEP/Conep” (resolução CFM
Celular e Estrutural do Instituto
de Biologia (Unicamp-IB). no 2.128/2015).

978 INPerio 2017;2(5):978-9


BIOLOGIA DO DIA A DIA
Já a fibrina leucoplaquetária – fibrina rica em leucó- Além disso, falta padronização das investigações
citos e plaquetas (L-PRF) ou simplesmente PRF (fibrina rica publicadas. As referências abaixo foram selecionadas
em plaquetas) – foi descrita como uma segunda geração dentre artigos científicos que demonstram ou negam a
de obtenção autógena de elementos do sangue para eficiência do L-PRF em diversos procedimentos.
aumento ósseo. Trata-se de um procedimento simplificado
de manipulação sanguínea e de centrifugação, sem a E AGORA?
necessidade de introdução de um ativador de plaquetas. A possível comprovação da eficiência clínica do
O uso de L-PRF para aumento ósseo se justifica pela L-PRF na Implantodontia, baseada em critérios científicos,
atuação da fibrina como um osseocondutor para migração somente poderá ser alcançada em médio e longo prazo.
celular e angiogênese, bem como pela alta concentração A pesquisa clínica e básica seguirá seu curso tradicional
de leucócitos que modelam o processo inflamatório e nos anos subsequentes, sempre fundamentada no método
previnem infecções. Porém, há poucas investigações in vivo científico, em experimentos bem controlados e testes
com experimentos controlados que consigam demonstrar clínicos minuciosamente planejados, com o objetivo de
o efeito positivo do L-PRF na regeneração óssea. Muitos documentar de maneira segura as possíveis aplicações
estudos clínicos descrevem seu uso para aumento ósseo dessa tecnologia à prática odontológica. Por enquanto,
no assoalho do seio maxilar e em alvéolo pós-extração estamos em uma área cinza com relação ao L-PRF.
– defeitos que já têm uma regeneração favorável em
razão da presença das paredes ósseas. Devido à ausência
de grupos-controle e defeitos mais desafiadores ou de
análises histológicas nos diversos estágios do processo
de cicatrização, essas séries de casos clínicos não são
plenamente convincentes quanto à real eficiência do L-PRF
como um coadjuvante para aumento ósseo.

INPerio 2017;2(5):978-9 979


Meio século de ensinamentos que
marcaram a Periodontia brasileira.

Participe do encontro comemorativo de quem contribuiu

para a formação de grande parte dos mestres e doutores em

Periodontia das principais faculdades do Brasil.

Promoção Realização Apoio Institucional


Cursos internacionais de imersão Aula magna

Luciana Shaddox (EUA) Anton Sculean (Suíça) Wilson Sallum


“Periodontite agressiva: “Conceitos clínicos e novos “A Periodontia dos novos tempos”
o que aprendemos e desenvolvimentos em cirurgia
para onde vamos?” periodontal reconstrutiva”

Mesas-redondas com grandes nomes


4VSKVEQEʡʝSGMIRXʧƼGEGSRƼVQEHE

Mesa-redonda 1 – Aspectos relacionados à etiologia/ Mesa-redonda 4 – Regeneração/reconstrução periodontal


etiopatogenia, diagnóstico e tratamento da doença perio- e peri-implantar
dontal e peri-implantar
• Alessandro Januário • Marcio Casati • Wilson Sendyk •
• Ricardo G. Fischer • Cassiano K. Rösing • Jamil Shibli • Ronaldo Barcellos de Santana • Egbert Toledo
Maurício G. Araujo • Rui V. Oppermann
Mesa-redonda 5 – Avanços na pesquisa em Periodontia e
Mesa-redonda 2 – Estética e função na Implantodontia Implantodontia – implicações clínicas
• Elcio Marcantonio Jr. • Julio C. Joly • Vicente de Souza • Arthur Belém Novaes Jr. • Francisco Nociti • José Roberto
Pinto • Mario Groisman • Euloir Passanezi Cortelli • Alex Nogueira Haas • Adriana Marcantonio

Mesa-redonda 3 – Manipulação de tecidos moles na


Periodontia
• Mauro Santamaria • Sandro Bittencourt • Giuseppe Romito
• Marcio Grisi • Valdir Gouveia Garcia
sallum50.com.br

Mais informações:
Apoio Institucional
eventos@vmcom.com.br
Tel.: (11) 2168-3400
WhatsApp: (11) 99297-8404
ou (11) 97113-2561
Feche 2017 em alto
nível científico.
Um encontro exclusivo dos leitores da PróteseNews.

Hoje, o universo da informação oferece múltiplas


opções. É um mundo regido pela rapidez e pela
quantidade, mas que carece de consistência. Por isso,
a proposta do Celebration é imersão total. Abordar os
temas com detalhes, consistência, enfim, ir mais longe.
Ao invés de ciclos de muitas palestras curtas, optamos
por eleger apenas 5 temas (os mais essenciais no Wagner
universo da Prótese) e cada um dos ministradores irá
expor seu precioso conhecimento e experiência.
NHONCANCE
O Celebration 2017, em novembro, é dedicado a todos
os leitores da PróteseNews e ImplantNewsPerio. Afinal,
quando o nosso objetivo é ir além do senso comum,
temos que mergulhar fundo. Gustavo
GIORDANI
• Cinco cursos de imersão de alto nível.

• Temas atuais, discutidos em âmbito internacional.

• Um evento especialmente desenhado para o leitor Luis


da PróteseNews. CALICCHIO
• Sucesso total em 2016, com mais de
400 participantes.

Marcelo
MOREIRA
Marcelo
KYRILLOS

Patrocinadores

Platinum: Ouro: Prata: Bronze:


Local: Centro de Convenções Rebouças

José Cícero
DINATO

Guilherme
SAAVEDRA

Hilton
RIQUIERI

Luiz Fernando
PEGORARO

Informações adicionais e adesões on-line:


Tel.: (11) 2168-3400 | WhatsApp (11) 99297-8404 / (11) 97113-2561
eventos@vmcom.com.br

celebrationprotesenews.com.br
CONHEÇA OS MINISTRADORES
do IPS e.max International Meeting 2018

Encontro acontecerá em março e discutirá os avanços


e as aplicações do material cerâmico da Ivoclar Vivadent.

U
m importante time de ministradores estará no 2o IPS e.max
International Meeting, que será realizado de 8 a 10 de março
no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo. Através
de um ciclo de conferências avançadas, conduzidas por mestres
nacionais e estrangeiros, esse encontro tem como proposta discutir os
avanços e as possibilidades de aplicação do sistema cerâmico e.max,
fabricado pela Ivoclar Vivadent.
A programação, estendida para três dias, terá atividades destinadas
a protesistas e técnicos em prótese dentária, e já conta com a presença
confirmada do professor alemão Daniel Edelhoff e dos brasileiros Victor
Clavijo, André Callegari, Laerte Balduino Schenkel, Tininha Gomes,
Reinaldo Nascimento, Murilo Calgaro, Oswaldo Scopin, Guilherme
Saavedra, Leonardo Buso, Paulo Vinícius Soares, Luiz Baratieri, Sidney
Kina, Paulo Kano, Marcos Celestrino, Ronaldo Hirata e a equipe do
Ateliê Oral.
O encontro será complementado pela exposição promocional,
formada por cerca de 15 empresas do setor odontológico que
apresentarão produtos e serviços com condições especiais.
A primeira edição desse evento, realizada em 2016, reuniu 900
pessoas, e as vagas foram esgotadas com um mês de antecedência.
Na ocasião, foram celebrados os dez anos da criação do sistema e
os mais de 75 milhões de elementos confeccionados ao redor do
mundo. Ao longo de dois dias, protesistas e técnicos em prótese
dentária apresentaram casos clínico-laboratoriais nos quais o sistema
foi utilizado.

Mais informações:
www.ipsmeeting.com.br, eventos@vmcom.com.br, (11) 2168-3400 ou
WhatsApp (11) 99297-8404.

984 INPerio 2017;2(5):984-5


EVENTOS

ABROSS 2018
confirma ministradores internacionais
Professores dos Estados Unidos, Itália e África do Sul
reforçam a programação do encontro.

O
comitê organizador do Abross – Encontro Internacional
da Academia Brasileira de Osseointegração já está em
contagem regressiva para a edição 2018, que acontece de
4 a 6 de outubro, no Anhembi, em São Paulo, e terá como tema
central a “Implantodontia digital: produtividade e conforto para todos”.
Devido ao sucesso das últimas edições, o evento foi ampliado Howard
Gluckman
e será realizado no auditório Celso Furtado, que irá receber cerca
de 1.700 profissionais que atuam nas mais diversas áreas da Reabi-
litação Oral.
O time de ministradores internacionais já está confirmado: Howard
Gluckman vem da África do Sul para falar sobre regeneração óssea
para aumentos verticais e horizontais, e Markus Blatz, dos Estados
Markus
Unidos, abordará a tecnologia 3D para reabilitação implantossuportada. Blatz
Mais uma vez no Brasil, Joseph Kan, dos Estados Unidos, traz à tona
a estética anterior de maneira revisada, enfatizando os aumentos
teciduais e de rebordo alveolar; enquanto o italiano Mauro Fradeani
compartilha seus conhecimentos sobre reabilitações complexas em
Implantodontia.
Além dos quatro cursos internacionais de imersão, a progra- Joseph
Kan
mação do Abross 2018 também será composta por quatro cursos
de imersão nacionais, 13 conferências ministradas por profis-
sionais brasileiros, Corporate Session e exposição de 120 painéis
científicos digitais.
Durante os três dias de evento, acontecerá ainda a ExpoAbross
2018, exposição promocional que reunirá 50 empresas do setor
Mauro
para exibição e comercialização de produtos a preços especiais. Fradeani

Faça a sua adesão em www.abross2018.com.br. Para informações complementares, entre em


contato com Jaquelyne Ambrósio pelo telefone (11) 2168-3400, WhatsApp (11) 99297-8404
e (11) 97113-2561 ou pelo e-mail eventos.jaquelyne@vmcom.com.br.

INPerio 2017;2(5):984-5 985


Confira na próxima edição da ImplantNewsPerio:
• 12 artigos de Implantodontia e Periodontia
• Matéria de capa: a importância clínica do espaço biológico entre
dente e implante
• Biologia do dia a dia, com Luis Antonio Violin
• Harmonia em pauta, com Julio C. Joly
• Direto ao ponto, com Jamil Shibli
• Virando o jogo, com Guaracilei Maciel Vidigal Jr.
• Palavra-chave, com Elcio Marcantonio Júnior
• Farmacologia e Odontologia, com Eduardo Dias de Andrade
• E muito mais...

Normas de publicação e submissão de trabalhos

A revista ImplantNewsPerio
é um periódico científico que
adota o estilo Vancouver (sistema
numérico de citação), visando
a padronização universal de
expressões científicas nos
trabalhos publicados.
Para submeter seu trabalho,
consulte nossas Normas de
Publicação em www.implantnewsperio.com.br/normas e envie a
documentação para secretaria@implantnewsperio.com.br.
Em caso de dúvida, entre em contato pelo telefone (11) 2168-3400.

Já está no ar o SAL – Serviço de Apoio ao Leitor, uma


nova plataforma de relacionamento que chega para
dar suporte em necessidades do dia a dia de milhares
0800-0143080 | +55 11 3566-6200
de especialistas brasileiros leitores das nossas revistas.
sal@vmculturaleditora.com.br Fale diretamente com nossa equipe para enviar sugestões,
reclamações, comunicar mudança de endereço e tratar
de assinaturas e renovações.

986 INPerio 2017;2(5):986

Você também pode gostar