Você está na página 1de 25

APL DE SOFTWARE DE LONDRINA: um enfoque em políticas públicas e

inovação1

Márcia Regina Gabardo da Camara2


Vanderlei José Sereia3
Maria de Fátima Sales de Souza Campos4
Luiz Gustavo Antonio de Souza5

RESUMO

O software é um produto que tem capacidade de integrar as diferentes etapas da


cadeia produtiva, além de agregar valor de forma diferenciada em relação aos
produtos tradicionais. Na atual economia globalizada o software se tornou
indispensável e sua produção pode incorrer em economias externas positivas
quando ocasionadas em aglomerações industriais que possuem sinergias entre as
diferentes esferas da organização das empresas. As diferentes formas que o
software integra as etapas produtivas, e estas sendo relacionadas com quase a
totalidade dos setores das economias, faz com que sejam direcionados esforços
para a promoção e o desenvolvimento destes arranjos com ênfase na sua
capacidade inovativa. O estudo realiza um diagnóstico da capacidade inovativa do
arranjo produtivo de Software de Londrina e das possíveis políticas públicas para o
aprofundamento das relações entre os agentes e promoção do APL. Os
procedimentos metodológicos envolvem uma revisão da literatura acerca dos
arranjos produtivos no Brasil e uma pesquisa de campo com 25 empresas. As
informações foram coletadas mediante entrevista pessoal com os proprietários das
empresas e o instrumento de coleta de dados continha 74 questões as atividades
inovativas e outras características que permitiram sugerir medidas de ação e
políticas para o desenvolvimento do APL. A análise dos resultados da pesquisa de
campo permitiu concluir e confirmar que a aglomeração de software de Londrina
possui as características de um vetor avançado na tipologia de Suzigan e apresenta
um elevado potencial inovativo, que pode ser reforçado mediante a adoção de
políticas públicas.
Palavras chave: APL de Software, Software de Londrina, Tecnologia de Informação.

1
Os autores agradecem ao Fundo Paraná os recursos financeiros que permitiram a realização da pesquisa
2
Depto. de Economia - UEL . PPA/UEL/UEM mgabardo@sercomtel.com.br
3
Depto. de Economia UEL sereia@uel.br
4
Depto. de Economia UEL mfscampos@uol.com.br
5
Depto. de Economia UEL luizgustavo@sercomtel.com.br
1. INTRODUÇÃO

Os arranjos produtivos locais são concentrações regionais/locais de firmas que


possuem elos (vertical/horizontal/multilateral) e que desenvolvem atividades
coordenadas com algum fim em comum. Procura-se analisar o arranjo produtivo
local de software na cidade de Londrina, seu grau de desenvolvimento e inovação,
além de identificar os elementos que definem sua formação e desenvolvimento para
realizar sugestões para futuras políticas públicas. Os procedimentos metodológicos
envolvem uma revisão da literatura acerca dos arranjos produtivos no Brasil e uma
pesquisa de campo com 21 empresas.

As informações foram coletadas mediante entrevista pessoal com os


proprietários das empresas e o instrumento de coleta de dados continha 74
questões que permitem caracterizar: a empresa, o empreendedor, as atividades
inovativas, determinantes e barreiras à ação inovadora no APL, a caracterização dos
elos horizontais, verticais e multilaterais e as sugestões para a rede APL-Paraná.
Além de ações de políticas públicas para o governo do estado do Paraná que venha
acelerar a ação inovativa e o desenvolvimento do APL.

Este estudo se desenvolve em 5 seções: primeiro, realiza-se uma breve


introdução; a segunda parte discute a fundamentação teórica; a terceira, a
metodologia adotada; a quarta apresenta o APL de software de Londrina e analisa
os resultados sistematizados obtidos pelos questionários auferidos e sugerindo
políticas públicas para o APL, e na última seção apresentam-se as considerações
finais sobre o estudo e recomendações de políticas públicas.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

A indústria de software, a eletrônica e as telecomunicações constituem o setor


de Tecnologia de Informação (TI), por estarem associadas às tecnologias de
informação. Segundo Gutierrez e Alexandre (2004, p. 5), software é um “Conjunto
de instruções e dados que permitem a um computador a realização de tarefas
previamente programadas, seja por uma máquina (hardware) ou outros softwares”.
Conforme Sommerville (2004, p.5) “software não é apenas o programa, mas toda a
documentação associada e os dados de configuração necessários para fazer com
que esses programas operem corretamente”.
O software integra várias cadeias produtivas e é um requisito necessário para
o comando de equipamentos informatizados. O software é um insumo importante
para o desenvolvimento da indústria eletro-eletrônica, mecânica, química,
telecomunicações e para indústrias tradicionais que informatizam seus
equipamentos (móveis, têxteis, etc.). Gutierrez e Alexandre (2004) comentam que há
várias formas de classificar o software, além da classificação tradicional baseada no
modelo de negócios, subdivididos em três categorias: produtos, serviços e
embarcados.

Os produtos de software podem ser divididos em três categorias: infra-


estrutura, ferramentas e aplicativos (classificação técnica). Também podem ser
classificados quanto a: i) inserção no mercado: horizontal, quando destinado a
qualquer tipo de usuário e vertical, quando é destinado a uma atividade ou usuário
específico; também podem se caracterizar como produtos de massa e corporativos;
e ii) formas de comercialização: pacote, produtos padronizados, produtos
customizados e sob encomenda.

De acordo com Gutierrez e Alexandre (2004, p. 14), os serviços profissionais


de Tecnologia da Informação (TI) compreendem: “consultoria, desenvolvimento de
aplicativos (software sob encomenda), integração, treinamento, suporte técnico e
manutenção, entre outros”. Eles podem ser classificados pelo método de compra:
serviços discretos (de curto prazo) e outsourcing, que apresenta relações contratuais
de longo prazo, metas de desempenho e requerem troca de informações,
coordenação e confiança entre as partes (KUBOTA, 2005). Finalmente, a última
tipologia classifica os softwares como embarcados, pois está integrado a uma
máquina, equipamento ou bem de consumo.

A relevância dos estudos de clusters ou APL’s, no Brasil, ganha fôlego a partir


dos estudos de economias industrializadas e economias em desenvolvimento que
superaram barreiras porque criaram movimentos internos de aglomerações
espaciais de indústrias com ligações entre si. Albagli e Brito (2003) e Cassiolato e
Lastres (2003) convergem em sua definição de clusters ou arranjos produtivos locais
como sendo aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais
cujo foco se encontra em um conjunto específico de atividades econômicas que
podem apresentar vínculos mesmo que sejam incipientes.
Segundo o Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social -
IPARDES (2005a) e a Associação de Desenvolvimento Tecnológico de Londrina -
ADETEC (2005), Curitiba, Londrina, Maringá e Pato Branco apresentam excelentes
perspectivas para o desenvolvimento desse segmento no estado do Paraná. Há no
Estado empresas com capacitação respeitável em tecnologias de software.
Londrina, em particular, se destaca no panorama nacional como importante produtor
nacional de bens e serviços de Tecnologia de Informação, citando como exemplo as
empresas: Jabur Informática, Exactus, Consystem, Softcenter, K2 e Mabtec, entre
outras.

A cidade de Londrina localiza-se no norte do Paraná e sua população


segundo o Censo Demográfico 2000 do IBGE totalizou 447.065 habitantes. A
população foi estimada em 480.822 habitantes em 2004 pelo IBGE. A densidade
demográfica de Londrina foi calculada em 259,21 hab/Km² (IBGE – Censo
Demográfico 2000) e estimada em 291,26 hab/Km² (IBGE – Estimativa da
População 2004). Segundo o SINE, os empregos estimados no Setor Formal
totalizaram 103.227 (MTPS/SINE - 2003) e o PIB per capita alcançou R$ 7.624,00
(IBGE - 2002).

O orçamento do Município de Londrina para 2005 para a administração direta,


indireta e investimentos totalizou R$ 559.854.000,00. A importância de Londrina
pode ser compreendida mediante a análise dos valores arrecadados pela Prefeitura
Municipal de Londrina – PML (Administração Direta) R$ 261.956.818,66 (2003), pela
Receita Estadual R$ 240.983.139,73 (2003) e pela Receita Federal R$
442.096.024,00 (2003), e o ICMS arrecadado em Londrina totalizou R$
209.287.151,15 (2003).

Segundo o Censo Agropecuário de 1995/1996 havia no município de Londrina


3.119 estabelecimentos agropecuários, com área de 183.093ha., que ocupavam
12.203 pessoas na atividade agropecuária. Os principais produtos agropecuários
são: milho, soja, trigo, cana-de-açúcar, café, mandioca, arroz, tomate, feijão e
algodão As atividades industrial, comercial e serviços também são intensas. Em
2003 eram 1.847 estabelecimentos industriais, os estabelecimentos comerciais
totalizavam 7.874 e serviços 8.460 estabelecimentos.
No ramo industrial, os segmentos mais importantes identificados na pesquisa
de IBGE em 2003 foram: metalurgia (9,75%), vestuário, calçados e artefatos de
tecidos (15,54%), produtos alimentares (11,97%), construção civil e empreiteiras
(20,14%), imobiliário (5,31%), editorial e gráficas (6,71%). Estes segmentos
industriais foram responsáveis pela geração de 25% dos empregos no ano de 2003.
Também, destacaram-se os estabelecimentos de serviços de ensino (6,5%),
serviços médico-hospitalares (6,2%), transportes (6,2%), comunicações (6,1%) na
geração de empregos, entre outros. O setor serviços é responsável por uma parcela
crescente do número de estabelecimentos, do emprego e da geração de impostos
(por exemplo: o ICMS arrecadado pelas atividades agropecuárias foram 8,5%, as
atividades industriais 17%, o comércio 35% e outras atividades 39%).

Os APL’s podem ser analisados sob vários aspectos do ponto de vista teórico e
empírico. Suzigan (2000) discute as principais abordagens da literatura sobre
cluster. A nova geografia econômica, proposta por Krugman (1995), destaca que a
aglomeração pode emergir de um acidente histórico e da presença de economias
externas acidentais e incidentais. A economia dos negócios de Porter (1998)
enfatiza a importância da concentração das habilidades locais para as inovações
comerciais e tecnológicas, incrementando a competitividade das firmas. A economia
regional aborda a tendência do capitalismo a se organizar em clusters e a presença
do governo pode criar fortes vantagens competitivas regionais, de acordo com
Markusen (1996), Pyke e Sengenberger (1992) e Storper (1995). A economia da
inovação destaca que a concentração geográfica das firmas aumenta suas
capacidades de avanço tecnológico por criar um ambiente propício para a geração
de conhecimento por existir várias pessoas com mútuo interesse num dado local,
além do conhecimento tácito gerado pelo setor; destacam-se autores como Lundvall
(1993), Edquist (1997), Freeman (1995) e Cassiolato e Lastres (1999).

O conceito de eficiência coletiva (SCHMITZ, 1995; 1997) parte do principio


que as economias externas marshallianas são necessárias, mas não suficientes,
para explicar o desenvolvimento e a competitividade de empresas aglomeradas.
Schmitz (1997) ainda afirma que o conceito de eficiência coletiva extrapola a esfera
produtiva em sentido estrito, uma vez que a cooperação entre firmas ou as ações de
políticas públicas podem se dar também no âmbito tecnológico ou inovativo,
ilustrado pela formação de consórcios de exportação, ações de marketing, compras
conjuntas, entre outros.

Surge um novo padrão onde se substituem os moldes da era industrial,


baseado no conhecimento, embasado em novas práticas de produção,
comercialização e consumo de bens e serviços, novos aparatos e instrumentais
científicos e produtivos (CASSIOLATO e LASTRES, 2003). A concentração
geográfica e setorial de firmas de pequeno e médio porte, em aglomerações
produtivas pode permitir ganhos de escala, efeitos sinergéticos e competitividade.

Segundo Lastres e Cassiolato (2003, p.11), os arranjos produtivos locais: “são


aglomerações territoriais de agentes econômicos, políticos e sociais – com foco em
um conjunto específico de atividades econômicas – que apresentam vínculos
mesmo que incipientes”. Em geral, envolvem a participação e interação de empresas
como prestadoras de serviços, produtoras de bens e serviços finais, fornecedoras de
insumos e equipamentos, entre outras. Incluem instituições públicas e privadas que
formam a capacitação de recursos humanos (escolas técnicas e universidades),
pesquisa, desenvolvimento e engenharia, política, promoção e financiamento.

Para gerar inovações é necessária a aquisição e a difusão de conhecimentos.


Segundo Foray e Lundvall (1996), há duas perspectivas na economia baseada no
conhecimento, que não são mutuamente exclusivas. A primeira refere-se a identificar
um setor separado que produz novos conhecimentos ou distribui informações. Na
segunda perspectiva deve-se considerar a criação e difusão de conhecimento
emanada de atividades rotineiras na vida econômica, e que toma a forma do
aprendendo-fazendo, aprendendo-usando e aprendendo-interagindo. Know-how e
competências têm sido desenvolvidos interativamente e partilhados em redes.

Edquist (2001) aponta as principais funções de um Sistema de Inovações (SI),


que são em primeiro lugar, produzir, difundir e usar inovações e podem ser
supranacional, nacional e subnacional (regional, local), e podem ainda ser setoriais
dentro dessas demarcações geográficas. As organizações e instituições são os
componentes principais de um sistema de inovação, porém a especificação desses
componentes varia entre os sistemas. Organizações são estruturas formais com um
objetivo explícito e são criadas conscientemente. Instituições são conjuntos de
hábitos comuns, rotinas, práticas estabelecidas, regras, ou leis que regulam as
relações e inter-relações entre indivíduos e organizações.

As organizações6 e instituições7 são os componentes principais de um


sistema de inovação, porém a especificação desses componentes varia entre os
sistemas. Segundo Pyke (1992), o sistema de cooperação ocorre entre empresas
normalmente pequenas e independentes, organizado em uma região como base,
pertencendo ao mesmo setor industrial. As empresas individuais se especializam em
uma fase em particular do processo produtivo e a organização conjunta permite dar
voz às instituições locais, através de relacionamentos de competição e cooperação.
A cooperação colabora para o atendimento de inúmeras necessidades das
empresas pertencentes ao mesmo conglomerado, as quais não seriam atendidas se
as empresas atuassem isoladamente.

IPARDES (2005a; 2005b;2005c) realizou um estudo exploratório para


identificar a partir de dados secundários as aglomerações industriais e de software
existentes no Paraná e selecionar os estudos de caso; para validar os resultados
identificados no levantamento de dados secundários realizou visita a 35 cidades e
contatou 131 empresas e 117 instituições. O APL de software de Londrina foi
classificado pelo IPARDES (2005 a; 2005c) a partir da metodologia de Suzigan et al.
(2003, 2004a e 2004b) como vetor avançado, por reunir elementos que permitiram a
caracterização estrutural preliminar como um arranjo produtivo local: as iniciativas
dos próprios protagonistas, do agente Softex local ADETEC e dos elos multilaterais
e horizontais identificados.

3. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

A literatura de metodologia destaca a existência de vários métodos para


coletar e analisar a evidência dos dados empíricos e, cada um dos métodos
apresenta vantagens e desvantagens - surveys, estudos de caso e experimentos.
Tendo em vista a especificidade do tema desta pesquisa, o método escolhido foi o
survey e permitirá descrever o processo de obtenção de dados e informações sobre
características, ações ou opiniões de determinado grupo de pessoas, indicado como

6
Organizações são estruturas formais com um objetivo explícito e são criadas conscientemente.
7
Instituições são conjuntos de hábitos comuns, rotinas, práticas estabelecidas, regras, ou leis
que regulam as relações e inter-relações entre indivíduos e organizações.
representante de uma população-alvo, por meio de um instrumento de pesquisa, um
questionário. Segundo Cooper e Schindler (2003), há três abordagens de
comunicação que podem ser utilizadas na aplicação da survey: entrevista pessoal,
entrevista telefônica e surveys auto-administradas por correspondência; na presente
pesquisa adotar-se-á a entrevista pessoal configurando a pesquisa de campo
presencial. A pesquisa é de natureza exploratória, transversal e formal e visa
caracterizar o arranjo produtivo de software de Londrina, identificado anteriormente
por IPARDES (2005c) como vetor avançado.

Para identificar a importância do setor de informática e de software de


Londrina em relação ao resto do Brasil, procurou-se levantar informações sobre o
número de estabelecimentos e empregos nos setores ligados à informática.
Utilizando a metodologia de quociente locacional, verificou-se que a importância dos
diferentes segmentos é crescente, em particular no segmento de software.

A fórmula proposta pelo IEDI (2002) para calcular o quociente locacional, para
emprego ou estabelecimentos, é apresentada a seguir:

E ij
E j
QLij   Quociente Locional do setor i na região j
E j
E 
E ij  emprego/estabelecimeto no setor i da região j
E  j   E ij  emprego/estabelecimeto em todos os setores da região j
i
E j   E ij  emprego/estabelecimento no setor i de todas as regiões
j
E    E ij  emprego/estabelecimento em todos setores de todas as regiões
i j
Segundo dados da RAIS havia em 2004, 149 empresas atuando em
diferentes segmentos da informática em Londrina e 826 empregados atuam nas
empresas de informática de Londrina.

O Quadro 1 apresenta o cadastro de Informática da Prefeitura Municipal de


Londrina em 2005, o universo da pesquisa a partir do qual seriam selecionadas as
empresas para a amostra. As empresas associadas ao Núcleo Softex Norte do
Paraná também estão cadastradas na PML (2005), cujos códigos aparecem no
Quadro 1.

QUADRO 1 - Serviços de Informática - Cadastro da Prefeitura Municipal de Londrina -


2005
Código de Seleção
Atividade ATIVIDADE DESENVOLVIDA
1218018 sim ANÁLISE E DESENVOLVIMENTO DE SISTEMAS
1218026 sim PROGRAMAÇÃO
1218034 não PROCESSAMENTOS DE DADOS E CONGENERES
1218042 sim ELABORAÇÃO DE PROGRAMAS DE COMPUTADORES E JOGOS ELETRÔNICOS.
1218050 não LICENCIAMENTO OU CESSÃO DE DIREITO DE USO DE PROGRAMAS DE
COMPUTAÇÃO
1218069 sim ASSESSORIA E CONSULTORIA EM INFORMÁTICA
1218077 não SUPORTE TÉCNICO EM INFORMÁTICA, INCLUSIVE INSTALAÇÃO, CONFIGURAÇÃO E
MANUTENÇÃO.
DE PROGRAMAS DE COMPUTAÇÃO E BANCOS DE DADOS
1218085 não PLANEJAMENTO, CONFECÇÃO, MANUTENÇÃO, ATUALIZAÇÃO PÁGINAS
ELETRÔNICAS.
1218999 não OUTROS SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E CONGÊNERES
Fonte: Prefeitura Municipal de Londrina (PML, 2005).

4. ANÁLISE DO ARRANJO PRODUTIVO LOCAL DE SOFTWARE DE LONDRINA

O levantamento preliminar na base de dados da RAIS permitiu verificar que


em 2004 havia 10 empresas que atuavam no desenvolvimento de software, 11 em
consultoria de hardware, 2 em atividades de banco de dados, segundo a Tabela 1. A
produção de softwares concentrava-se em microempresas e pequenas empresas.

TABELA 1 - Estabelecimentos com atividades de Informática na cidade de Londrina


-2004 (CNAE 72)
Atividade Micro Pequena Média Grande Total
Consultoria em hardware 10 1 0 0 11
Desenvolvimento e edição de softwares
prontos para uso 2 1 0 0 3
Desenvolvimento de softwares sob
encomenda e outras
consultorias 5 2 0 0 7
Processamento de dados 75 7 1 0 83
Atividades de banco de dados e
distribuição on line de
conteúdo eletrônico 2 0 0 0 2
Manutenção e reparação de maquinas
de escritório e de informática 12 2 0 0 14
Outras atividades de Informática 26 2 1 0 29
Total de empresas que operam em
informática 132 15 2 0 149
Fonte: RAIS 2004(2005)
Levantamento de campo efetuado pela ADETEC (2005) apresenta um quadro
diferenciado do APL de software e seu entorno, envolvendo todos os elos da cadeia
de software, que é ilustrado na Tabela 2.
TABELA 2 - Número de empresas - Setor de Informática - Londrina e região
- 2005
Atividade Londrina Londrina e região - total
Artigos, Equipamentos e Suprimentos 43 53
Auditoria 2 2
CD-ROM 6 6
Consultoria 29 32
Cursos e Treinamento 29 73
Data-Show 7 7
Empresas 1 1
Equipamentos - Aluguel e Leasing 3 3
Equipamentos - Assistência Técnica 142 207
Equipamentos- Fabricação e Vendas 39 50
Estabilizadores e nobreak 9 9
Impressão eletrônica 2 3
Móveis 33 34
Periféricos 12 12
Processamento de dados 12 20
Projetos e Instalações 5 7
Redes 12 14
Software -Aplicativos e Sistemas 34 40
Software- Desenvolvimento 21 21
Suprimento e Móveis 33 33
Total 474 627
Fonte: ADETEC (2005)

A Tabela 3 apresenta a evolução setorial do quociente locacional de


estabelecimentos de informática como um todo apresentou QL >1 e permite verificar
que o segmento de software em geral e sob encomenda começa a adquirir importância em
termos regional a partir de 2002.

TABELA 3 - Quociente Locacional de estabelecimento por classe de atividade (CNAE -


1995) em Londrina: 1995 a 2004
Setor Quociente Locacional
Código Descrição 1995 1996 1997 1998 1999 2000 2001 2002 2003 2004
72109 Consultoria em hardware 0,617 1,162 1,560 1,161 0,954 0,803 0,709 0,928 1,056 1,052
Desenvolvimento e edição de softwares
72214 prontos para uso 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 2,025 1,822 0,891
Desenvolvimento de softwares sob
72290 encomenda e outros consumos 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,000 0,432 0,590 1,166
72303 Processamento de dados 0,969 0,866 0,730 1,489 1,588 1,962 2,215 2,336 2,376 2,642
Atividade de banco de dados e distribuição
72400 on-line de conteúdo eletrônico 2,701 3,713 2,022 1,962 2,655 2,271 2,525 2,528 2,430 1,679
Manutenção e reparação de maquinas de
72508 escritório e de informática 1,343 1,359 1,265 0,850 0,453 0,742 0,766 0,981 1,072 0,994
Outras atividades de informática,
72907 não especificadas anteriormente 1,557 1,731 1,397 1,302 1,162 1,328 0,813 1,231 0,979 1,245
Total 1,288 1,423 1,228 1,265 1,144 1,317 1,244 1,443 1,461 1,659

Fonte: RAIS 2004 (2005)


Segundo a recomendação da nota metodológica as empresas entrevistadas
deveriam ser representativas. Foram selecionadas 50 empresas a partir do cadastro
das prefeituras, empresas da PLATIN e empresas incubadas na INTUEL. A pesquisa
de campo se iniciou com o contato telefônico para verificar a existência da firma, sua
localização e confirmação da área de atuação -desenvolvimento de software - e
anuência para a participação na pesquisa. Foram contatadas 60 empresas, somente
25 afirmaram desenvolver atividades de software e concordaram em participar na
pesquisa. Houve a substituição e reposição de empresas não encontradas e/ou que
não desenvolviam atividades de software, por participantes da PLATIN, permitindo
que a composição final da amostra de empresas entrevistadas fosse representativa
do universo de empresas.

As visitas às empresas consumiram aproximadamente dois meses (entre 13


de fevereiro e 19 de abril de 2006). Foram entrevistadas 25 empresas que
concordaram com a realização de entrevista com os sócios proprietários e
presencial. A idade média das empresas pé de aproximadamente 10 anos, a
empresa mais antiga realizava inicialmente processamento de dados e foi fundada
em 170, tendo migrado nos anos 80 para o desenvolvimento de software (Exactus).
No entanto, verificou-se que 14 foram fundadas a partir de 2000.

Entre as principais características das empresas apresentadas no quadro 2


destaca-se a sociedade limitada (88%) e o fato de serem empresas 100% nacionais.
A atividade na área de desenvolvimento de software requer mão-de-obra qualificada,
elemento confirmado pela amostra de 25 empresas, pois em sua maioria os sócios
na atualidade possuem diploma de curso superior (21). A forma de gestão que
predomina entre as empresas é a condução pelo sócio majoritário e a gestão
profissional.

O quadro 2 também revela que as empresas têm em média 3 sócios, embora


a moda sejam 2 sócios. Há uma empresa onde a sociedade é individual e uma outra
composta por 10 sócios, que é gerenciada por um conselho de sócios. A análise da
auto-classificação do faturamento permite verificar que há 13 microempresas, 10
pequenas empresas e 2 empresas não informaram o faturamento.
QUADRO 2 - Características das empresas

Característica Número Absoluto Observações


- Empresa Exactus surge em 1970
o Idade Média 9,9 - 14 empresas fundadas a partir de
2000
Sociedade Limitada: 21
o Tipo de Sociedade Sociedade Anônima: 2
Franquia: 1; Sociedade Individual: 1
o Propriedade do Empresas de capital nacional: 25
100,0% nacional
Capital
Ensino Médio Completo: 2
o Escolaridade atual Técnico de Nível Médio ou Pós-médio: 1
do sócio- Superior Incompleto: 2
proprietário Superior Completo : 12
Pós-Graduado: 8

Dirigida pelo Sócio majoritário: 12


o Tipo de Gestão Profissional: 7
Familiar: 3
Conselho de sócios: 3
o Número Médio de
Sócios 3 sócios
Micro 1.  108: 9
13 microempresas
2.  108 até 216: 4
Faturamento Anual 3. 216 até 578: 1 10 pequenas empresas
Da Empresa Pequena 4. 576 até 1.200: 3

(R$ 1000) 5.  1.200 até 1.440: 1


6.  1.440 até 1.800: 4
7.  1.800 até 10.500: 1
Não informaram: 2

Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

O gráfico 1 apresenta a escolaridade do sócio, quando da criação da empresa


e verifica-se que predominam os sócios com graduação e pós-graduação –
Mestrado Acadêmico - em Administração e Computação .
GRÁFICO 1 - Escolaridade do sócio ao criar a empresa

FONTE: Pesquisa de campo, 2006.

O gráfico 2 permite verificar a escolaridade dos sócios em 2006 denotando a


elevada qualificação formal dos proprietários de empresas que atuam no
desenvolvimento de softwares em Londrina. (53% apresentam ensino superior
completo e 27 realizaram estudos de pós-graduação.

GRÁFICO 2 - Escolaridade do sócio proprietário na atualidade


Fonte: Pesquisa de campo, 2006.
O Gráfico 3 permite inferir que a amostra é representativa, pois 60% das
empresas amostradas são microempresas, 36% pequenas empresas e 4% médias
empresas.

GRÁFICO 3 - Classificação das empresas segundo faturamento

Fonte: Pesquisa de campo, 2006.


Obs.: Duas empresas, não informaram o faturamento e foram excluídas nesta classificação.

A análise do quadro 3 que apresenta o perfil do sócio-fundador sinaliza a


predominância do gênero masculino, pois 88% dos sócios são homens e apenas 3%
são mulheres. Esta tendência também era verificada no curso de graduação em
computação, onde se constatou a presença exígua de mulheres, ao contrário dos
demais cursos de graduação (Administração, Engenharia, Direito, Economia,
Contabilidade). A média de idade dos sócios fundadores é inferior a 30 anos.
QUADRO 3 - Perfil do principal sócio fundador

Característica Número Absoluto Observações


Masculino: 22 Masculino: 88%
Sexo Feminino: 3 Feminino: 12%
Idade do Sócio 20 até 29 anos: 14
Idade Média: 29 anos 30 até 39 anos: 5
Principal na Fundação Mais de 40: 1
da Empresa Não informaram: 5
Ensino Médio Completo: 2
Escolaridade do Sócio Técnico de Nível Médio : 1
Fundador - Criação da
Empresa Superior Incompleto: 5
Superior Completo : 12
Pós-Graduado: 5 Mestrado: Administração, Computação
Ensino Médio Completo: 2
Técnico de Nível Médio : 1
Escolaridade do Sócio
Fundador - Atualidade Superior Incompleto: 2
Superior Completo: 12
Pós-Graduado: 8 Mestrado: Administração, Computação
Familiar: 3
Profissional: 7
Tipo de Gestão Dirigida pelo Sócio majoritário: 9
Conselho de sócios: 3
Empresários:
Situação dos Pais SIM: 7
dos Sócios Fundadores Outras Atividades:
Não: 18
Estudante: Universitário: 6

Empregado de empresa local: Atividade no APL: 9


Outra atividade: 2
Ocupação principal do
Empregado de empresa de fora do
sócio fundador ao APL:
criar a empresa
Funcionário de Instituição Local
PLATIN: 1
(Pública e Privada)
Empresários de outras atividades Construção Civil: 2

Outros Autônomo-Informática: 2

Não informaram: 2
Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

O crescimento e o grau de inovação das empresas repousam na criatividade


e no desenvolvimento de competências. Com este objetivo as firmas procuram
capacitar e atualizar as pessoas da organização. O gráfico 3 destaca as principais
formas utilizadas pelas empresas. Destacam-se o treinamento interno, a absorção
de universitários e a aquisição de publicações e periódicos especializados.
GRÁFICO 3 - Formas utilizadas para promover a capacitação e a atualização de
pessoas na organização - Software em Londrina- 2005

Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

Segundo a tabela 4, as fontes mais freqüentes de inovação tecnológica são:


catálogos, revistas e sítios especializados (80%), especificações de clientes (80%),
vendedores (40%), benchmark de serviços e produtos existentes (36%) e
universidades e centros de pesquisa (28%).

TABELA 4 - Utilização das Fontes de informação para Inovação de processo e


produto/serviço em valores absolutos e relativos para o APL de
software de Londrina
Fontes de Informação Número de empresas que (%)
utilizam
Freqüentes
Catálogos, revistas e sítios especializados 20 80
Especificações de clientes 20 80
Vendedores 10 40
Benchmarking de produtos/serviços existentes 9 36
Universidades/centros de pesquisa 7 28
Ocasiões sociais 6 24
Ocasionais
Visitas a feiras em outras regiões do país 15 60
Visitas a feiras da região 15 60
Ocasiões sociais 15 60
Funcionários que trabalharam em outras empresas 14 56
Visitas a outras empresas da região 12 48
Consultores especializados da região 12 48
Workshops de produtores 11 44
Fonte: Pesquisa de campo, 2006.
A tabela 4 também destaca entre as fontes ocasionais que as empresas
realizam visitas a feiras em outras regiões do país (60%), a feiras na região (60%),
funcionários que trabalharam em outras empresas (60%) e ocasiões sociais (56%).
A Tabela 5 apresenta as inovações adotadas pelas empresas no período
2003/2005. A maioria das empresas lançou novos produtos e serviços no período
entre 2003 e 2005 e verificou a sua importância em diferentes indicadores de
desempenho. Verificou-se que em 88% dos casos, os produtos ou serviços novos
lançados pelas empresas já existiam no mercado. Em 44% dos casos analisados, os
produtos e serviços eram novos no mercado nacional e em 7 casos caracterizavam-
se como novos no mercado internacional. Em 16 empresas, os processos adotados
eram novos para a empresa, mas já existiam no mercado e em 11 houve adoção de
processos inovadores para o setor.

TABELA 5 – Inovações praticadas pelas empresas do APL de software de Londrina em


produtos/ serviços e processos entre 2003 e 2005.
Inovações Realiza Inovações
Produto/ serviço Número (%)
1. Inovações de produto/serviços 23 92
2. Produto novo para empresa, mas existente 20 80
no mercado
3. Processos tecnológicos novos para a 18 72
empresa, mas já existente no setor
4. Produto novo para o mercado nacional 11 44
5. Processos tecnológicos novos para o setor 11 44
6. Produto novo para o mercado internacional 7 28
Importância Alta Média Baixa Nula
1. Ampliação da qualidade dos
produtos/serviços 18 4 1 2
2. Permitiu manter participação nos mercados
de atuação 14 7 1 3
3. Aumento de produtividade 13 7 1 4
4. Ampliação da gama de produtos serviços 12 8 2 3
5. Permitiu que a empresa abrisse novos
mercados 10 5 2 8
6. Aumento de participação no mercado 9 12 1 2
interno
7. Aumento de participação no mercado 0 4 2 19
externo
Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

Os indicadores de produtividade, qualidade, diferenciação, participação de


mercado das firmas foram melhorados pela adoção de novos processos e
lançamento de novos produtos e serviços no mercado regional, nacional e
internacional. A maior importância foi verificada na ampliação da qualidade dos
produtos/serviços e seis empresas destacaram a participação em programas de
qualidade e certificação para credenciarem-se no mercado internacional.
A importância no aumento de produtividade é alta para 13 empresas e entre
alta e média para 80% das empresas e também permitiu ampliar a gama de
produtos e serviços, o aumento de participação no mercado interno e a abertura de
novos mercados para as empresas. O único indicador que apresentou desempenho
ruim foi o aumento de participação no mercado externo, pois para 21 empresas a
importância das inovações foi baixa ou nula.
A Tabela 6 apresenta as inovações organizacionais das empresas no período
2003/2005 e sua importância o crescimento das empresas. Verifica-se que a maioria
das empresas não adotou inovações organizacionais. Para as empresas que
introduziram inovações organizacionais, houve mudanças significativas nos
conceitos e/ou práticas de comercialização.

TABELA 6 – Inovações organizacionais praticadas pelas empresas do APL de


software de Londrina entre 2003 e 2005.
Inovações Organizacionais Realiza Inovações
Número (%)
1. Mudanças significativas nos
conceitos e/ou práticas de comercialização 12 48
2. Implementação de significativas
mudanças na estrutura organizacional 11 44
3. Mudanças significativas nos
conceitos e/ou práticas de marketing 11 44
4. Implementação de técnicas
avançadas de gestão 10 40
5. Processos tecnológicos novos para o 8 32
setor
Importância Alta Média Baixa Nula
1. Ampliação da qualidade dos
produtos/serviços 13 4 1 7
2. Permitiu manter participação nos mercados
de atuação 7 9 2 7
3. Aumento de produtividade 5 11 1 8
4. Ampliação da gama de produtos serviços 5 6 5 9
5. Permitiu que a empresa abrisse novos
mercados 5 4 3 13
6. Aumento de participação no mercado
interno 4 10 2 9
7. Aumento de participação no mercado
externo 1 2 3 19
Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

Entre as inovações organizacionais também se destacam a implementação


de significativas mudanças nos conceitos/ou práticas de marketing, de mudanças na
estrutura organizacional, implementação de técnicas avançadas de gestão e
programas de qualidade e certificação - CMM (2), MPS.BR (4), ISO (1). Tais
mudanças tiveram alta importância e contribuíram para a melhoria da qualidade dos
produtos e serviços comercializados para 13 empresas entrevistadas. A contribuição
é de média importância para o aumento da produtividade, para a manutenção ou
aumento das parcelas de mercado interno das firmas. A maioria das firmas destacou
que inovações organizacionais não contribuem para a ampliação da gama de
serviços e produtos ofertados, para a abertura ou aumento da participação no
mercado externo, ou mesmo para a abertura de novos mercados no Brasil ou no
exterior.
O impacto das inovações no lucro, na participação do mercado e na receita
foi relevante para a maioria das empresas. Apenas uma empresa relatou que não
houve nenhum impacto no lucro e nas receitas da empresa. Três destacaram que as
inovações foram fundamentais para a sobrevivência e a manutenção da parcela de
mercado, mas sem mudanças nas receitas. Duas destacaram um incremento no
valor da renda entre1% e 9%. Seis identificaram incremento entre 10% e 19%, cinco
entre 20% e 49% e em oito empresas o impacto permitiu superar o valor das
receitas em mais de 50%.
Para identificar a importância das instituições foram somadas as respostas
assinaladas como de alta e média importância cujo total deveria superar 45%. As
empresas destacaram por ordem de importância: i) apresentação de reivindicações
comuns; ii) criação de fóruns e ambientes adequados à discussão; iii) organização
de eventos técnicos e comerciais; iv) estímulo ao desenvolvimento do ensino e da
pesquisa; v) estímulo ao desenvolvimento do sistema de ensino e pesquisa local; vi)
identificação das formas e fontes de financiamento; vii) definição de objetivos
comuns do APL; e viii) auxílio na definição de ações estratégicas. Tais resultados
são apresentados no Gráfico 4.
GRÁFICO 4- Importância da contribuição de sindicatos, associações , cooperativas
locais no desenvolvimento das atividades do APL de software de Londrina

Fonte: Pesquisa de campo, 2006.

Entre os principais problemas identificados e destacados pelas empresas de


software na Tabela 7 , destacando a existência de elevada carga tributária, a
necessidade de qualificação de mão–de-obra especializada para a promoção de
eventos e congressos, o estímulo à cooperação entre as pequenas empresas, a
necessidade de linhas de crédito

TABELA 7 - Sugestões das empresas para compor as políticas


governamentais
Ordem Sugestões das Empresas Número
1. Estímulos à cooperação com ações voltadas para
pequenas empresas. 9
2. Necessidade de linhas de créditos, juros mais baixos,
prazos maiores e capital de giro. 9
3. Integração de empresas e entre pólos e recursos para a 6
realização de workshops para a troca de experiências
4. Cultura das empresas da cidade no que se refere aos
produtos, informação e divulgação. 5
5. Carga tributária, ausência de incentivos fiscais e incentivos
governamentais de uma maneira geral. 17
6. Qualificação de mão-de-obra e promoção de eventos, tais
como congressos. 11
7. Necessidade de estimular a entrada de grandes empresas
na cidade para alavancar o mercado. 1
Fonte: Pesquisa de campo, 2006.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A pesquisa identificou o potencial inovador e a diversidade das atividades


desenvolvidas pelas empresas e agentes locais, dificultando a governança local do
APL de software de Londrina. Do lado das empresas, há dois grupos distintos: i)
empresas que defrontam com problemas de sobrevivência, cujas demandas
envolvem aspectos financeiros; e ii) empresas dinâmicas, cujas demandas
apresentam outra natureza. Identificam-se, também, as demandas das instituições
de ensino responsáveis pela formação da mão-de-obra de alta qualidade e as das
demais instituições. Na tentativa de resumir as sugestões dos atores em prol da
aglomeração de software, consideram-se fundamentais as seguintes ações de
políticas públicas:
a) abertura de editais governamentais para ampliar e atualizar os laboratórios de
pesquisa das IES e incubadoras para superar a principal deficiência: espaço
físico (construção), ampliação e atualização do parque de computadores;
b) incentivos para o crescimento do mercado restrito de software no Paraná,
como por exemplo software para o agronegócio e segmentos industriais
(pacote e embarcado), games etc.;
c) estímulos financeiros ao nível municipal e estadual para a instalação e
funcionamento de empresas de software, com redução do ISS, e taxas de
juros reduzidas para a atualização do parque de máquinas das empresas;
d) ampla divulgação das linhas de crédito específicas para o setor de software e
assessoria na elaboração dos projetos, bem como ampliação do alcance do
PROGEX e outros incentivos para incrementar as exportações;
e) estruturação de uma rede paranaense de alta velocidade para os institutos de
pesquisa e UEL - internet de 2 GB - e estabelecimento de redes virtuais
wirelless que beneficiariam as IEEs públicas e não somente o segmento de
software.
f) realização de eventos e wokshops no sentido de promover a qualidade do
software e a qualificação das empresas de software paranaense, viabilizando
recursos para o financiamento para certificação MPS-Br das empresas;
g) política contínua de qualificação dos docentes das universidades públicas e
privadas;
h) criação de mecanismos efetivamente atrativos para a concretização de
parcerias entre as universidades e empresas, tendo em vista o
desenvolvimento tecnológico nas diversas áreas da tecnologia da informação
(TI), notadamente os diversos setores de telecomunicações: software e
hardware, camada física e superiores, protocolos etc. ;

i) redução da carga tributária das empresas e dos encargos sociais sobre a


mão-de-obra especializada, muito utilizada pelas empresas que desenvolvem
novos conceitos, processos e produtos tecnológicos em países líderes neste
setor. A iniciativa estimularia a contratação de mão-de-obra qualificada;

j) Investimento em cultura empresarial, para que as empresas brasileiras


busquem efetivamente o desenvolvimento tecnológico e invistam nos talentos
e competências técnicas nacionais, possibilitando, em um cenário de médio
prazo, que o Brasil torne-se um centro desenvolvedor de conhecimento nas
áreas de software e telecomunicações.

A adoção das políticas recomendadas, associadas ao fortalecimento da


governança do APL - constituída em fins de 2006 - permitirão ao APL de software de
Londrina ampliar seu potencial exportador e inovador e contribuir para o
desenvolvimento regional.

6. REFERÊNCIAS

ADETEC. APL de software de Londrina e região. Londrina: ADETEC, 2005.

ALBAGLI, Sarita; MACIEL, Maria Lúcia. Capital social e empreendedorismo local. In:
LASTRES, H. M. M. et al. (coord.) Proposição de políticas para promoção de
sistemas produtivos locais de micro, pequenas e médias empresas brasileiras.
Apoio: FINEP, SEBRAE e CNPq. RedeSist, set, 2002.

AMARAL FILHO, Jair do. A endogeneização no desenvolvimento econômico regional


e local. Planejamento e políticas públicas. n. 23, p.261-286. IPEA: jun, 2001.

AMATO NETO, João. Redes de Cooperação Produtiva e Clusters Regionais –


Oportunidades para as Pequenas e Médias Empresas. Atlas: São Paulo, 2000.

BRITTO, Jorge. Cooperação e Aprendizado em Arranjos Produtivos Locais: em


busca de um Referencial Analítico. In: LASTRES, H. M. M.; CASSIOLATO, J. E.
(coord.) Arranjos Produtivos Locais: uma nova estratégia de ação para o Sebrae.
RedeSist: ago, 2004.
CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. Aglomerações
cadeias e sistemas produtivos e de inovações. Revista Brasileira de
Competitividade. Ano 1, n1. p.38-48. abr/jun 2001.

CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. O foco em arranjos


produtivos e inovativos locais de micro e pequenas empresas. In: LASTRES, H.M.M;
CASSIOLATO, J. E. e MACIEL, M.L. (orgs.). Pequena empresa: cooperação e
desenvolvimento local. Relume Dumará: Rio de Janeiro, 2003.

CASSIOLATO, José Eduardo; LASTRES, Helena Maria Martins. O foco em arranjos


produtivos e inovativos locais de micro e pequenas empresas. In: LASTRES, H. M.
M.; CASSIOLATO, J. E. (coord.) Arranjos Produtivos Locais: uma nova estratégia
de ação para o Sebrae. RedeSist: ago, 2004.

COOPER, Donald R.; SCHINDLER, Pámela S. Métodos de Pesquisa em


Administração. 7 ed. Porto Alegre: Bookman, 2003.

EDQUIST, C. The systems of innovation approach and innovation policy: an account


of the state of the art. DRUID Conference, Aalborg, jun. 2001.

FORAY, D.; LUNDVALL, B. The knowledge-based economy: from the economics of


knowledge to the learning economy, DRUID Conference, Aalborg, Jun 1996.

FREEMAN, C. The economics of technical change: critical survey. Cambridge


Journal of Economics. v.18. p.463-514. Cambridge: 1994.

GIL, A . C. Técnicas de \pesquisa em Economia e Elaboração de Monografia. 3.


ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GUTIERREZ,R. M. V.; ALEXANDRE, P. V. M. Complexo eletrônico:Uma introdução


ao software. BNDES Setorial. Rio de Janeiro. n. 20, p. 3-76, set.2004.

HANSEN, Dean; Conhecimento, aprendizado e desenvolvimento local. In:


ENCONTRO DE ECONOMISTAS DE LÍNGUA PORTUGUESA, 5, 2003. Recife.
Anais… Recife: nov., 2003.

HUMPHREY, John; SCHMITZ, Hubert. Trust and Inter-Firm Relations in Developing


and Transition Economies. The Journal of Development Studies. V34, n4, p.32-
62. London: par, 1998.

INTUEL, in htpp:www.uel.br/intuel/

IPARDES, Arranjos produtivos locais - projeto APL - identificação,


caracterização, construção de tipologia e apoio na formulação de políticas
para os arranjos produtivos locais do Paraná etapa 1 . Curitiba: IPARDES/SETI,
2005a.

IPARDES, Arranjos Produtivos Locais - Projeto APL - Identificação,


Caracterização, Construção de Tipologia e Apoio na Formulação de Políticas
para os Arranjos Produtivos Locais do Paraná Etapa 2 . Curitiba: IPARDES/SETI,
2005b
IPARDES, Arranjos Produtivos Locais - Projeto APL - Identificação,
Caracterização, Construção de Tipologia e Apoio na Formulação de Políticas
para os Arranjos Produtivos Locais do Paraná Etapa 3 . Curitiba: IPARDES/SETI,
2005c

IPARDES - Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social. Arranjos


produtivos locais e o novo padrão de especialização regional da indústria
paranaense na década de 90. Curitiba: IPARDES, 2003.

KRUGMAN, Paul. What’s new about the New Economic Geography? Oxford review
of economic policy, v14, n2, p.7-17. Oxford University Press, 1998.

KUBOTA, L. C. OS desafios para a indústria de Sotware. Brasília: IPEA Textos para


discussão, 2005.

LEMOS, Cristina. Inovação na era do conhecimento. In: Informação e globalização


na era do conhecimento. LASTRES, H. M. M.; ALBAGLI, S. (orgs.). Rio de Janeiro:
Campus. 1999.

LUNDVALL, Bengt-Ake. Why the New Economy is a Learning Economy. DRUID


Working Paper n04-01. Aalborg: Aalborg University, 2004.

MARKUSEN, Ann. Sticky places in slippery space: A typology of industrial districts.


Economic Geography. V.72, n3, p.293-314. Worcester: Jul 1996.

MARSHALL, Alfred. Princípios de Economia. São Paulo: Abril Cultural, 1982.

MYTELKA, Lynn; FARINELLI, Fulvia. Local clusters, innovation systems and


sustained competitiveness. In: CASSIOLATO, J. E.; LASTRES, H. M. M. (coord.)
Arranjos e Sistemas Produtivos Locais e as Novas Políticas de
Desenvolvimento Industrial e Tecnológico. RedeSist: Jan, 2000.

PORTER, Michael. Clusters and the new economics of competitions. Harvard


Business Review, v.76, p.77-90, nov - dec, 1998.

Prefeitura Municipal de Londrina (PML). Cadastro de Empresas - Imposto sobre


Serviços - Informática, 2005.

Prefeitura Municipal de Londrina. Londrina em Dados. Disponível em:


<http://ns.londrina.pr.gov.br/cidade/londados.php3>. Acessado em: 26/01/2006.

RAIS 2004 . RAIS/ MTE – Relação Anual de Informações Sociais do Ministério


do Trabalho e da Educação. 2004. Disponível em: <http:// www.mte.gov.br/rais>.
Acessado em: 18 de jan. 2006.

SANTOS, Fabiana; CROCCO, Marco; LEMOS, Mauro Borges. Arranjos e sistemas


produtivos locais em “espaços industriais” periféricos: estudo comparativo de
dois casos brasileiros. Texto para discussão n.182. Belo Horizonte: UFMG/Cedeplar,
2002
SANTOS, Gustavo Antonio Galvão dos; DINIZ, Eduardo José; BARBOSA, Eduardo
Kaplan. Aglomerações, arranjos produtivos locais e vantagens locacionais. In:
Arranjos produtivos locais e desenvolvimento. Seminário BNDES: Arranjos
Produtivos Locais como Instrumento de Desenvolvimento. BNDES: Out, 2004.
Disponível em: <http://www.bndes.gov.br/conhecimento/seminario/apl.pdf> .
Acessado em: 15/02/2005.

SCHMITZ, Hubert. Collective efficiency: Growth path for small-scale industry. The
Journal of Development Studies. V.31, n.4, p.529-566. London: par, 1995.

SCHMITZ, Hubert. Collective efficiency and increasing returns. Institute of


Development Studies. Working paper n.50. IDS: Março, 1997.

SOMMERVILLE, I. Engenharia de Software. São Paulo: Pearson Addison Wesley,


2004.

SUZIGAN, Wilson; FURTADO, João; GARCIA, Renato; SAMPAIO, Sérgio. Sistemas


produtivos locais no Estado de São Paulo: o caso da indústria de calçados de
Franca. In: TIRONI, L.F. (org.) Industrialização descentralizada: sistemas
industriais localizados. Brasília: IPEA, 2001.

SUZIGAN, Wilson. Aglomerações industriais: avaliação e sugestões de políticas. In:


O futuro da indústria – Oportunidades e desafios: a reflexão da Universidade.
MDIC/STI/CNI/IEL. Brasília: 2001.

SUZIGAN, Wilson; Furtado, João; GARCIA, Renato; SAMPAIO, Sérgio. Sistemas


Locais de Produção: Mapeamento, Tipologia e Sugestões de Políticas In:
ENCONTRO NACIONAL DE ECONOMIA, 31, 2003. Porto Seguro. Anais do... Porto
Seguro: ANPEC, 2003.

SUZIGAN, Wilson et. al.clusters ou sistemas locais de produção:mapeamento,


tipologia e sugestões de política econômica. Revista de Economia Política, v. 24,
n. 4(96), p.543-561, out./dez.2004a.

SUZIGAN , Wilson et. al.Inovação e conhecimento:indicadores regionalizados e


aplicação a São Paulo. In: Encontro Nacional de Economia-ANPEC. 32, 2004a.
Anais da ANPEC. João Pessoa, 2004b.