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ARDEN MOORE
ENTENDA SEU
GATO
TUDO O QUE VOCÊ SEMPRE QUIS SABER
SOBRE O COMPORTAMENTO FELINO
Tradução
Ana Claudia Fonseca
Copyright © 2007 by Arden Moore
Título original: The Cat Behavior Answer Book
Originalmente publicado nos Estados Unidos pela Storey Publishing LLC.
Preparação Thais Rimkus
Revisão Daniela Vilarinho
Diagramação Patricia Ishihara
Capa Adaptada do projeto original de Mary Winkelman Velgos
Imagem de capa Lynne e Marvin Carlton/2C imagery
Ilustrações © Matt Ambre
Impressão e acabamento nonononono

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)


Angélica Ilacqua CRB-8/7057
Moore, Arden
Entenda seu gato: tudo o que você sempre quis saber sobre o comportamento felino / Arden Moore; tradução de Ana
Claudia Fonseca. – São Paulo: Benvirá, 2018.
264 p. : il.
ISBN 978-85-5717-203-6
Título original: The cat behavior answer book
1. Gatos: comportamento 2. Animais de estimação I. Título II. Fonseca, Ana Claudia
CDD 636.8
17-1774 CDU 636.8
Índices para catálogo sistemático:
1. Gatos

1ª edição, janeiro de 2018


Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem a prévia autorização da Saraiva
Educação. A violação dos direitos autorais é crime estabelecido na lei nº 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.
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Pinheiros – São Paulo – SP – CEP: 05425-902
SAC 0800-0117875
De 2ª a 6ª, das 8h às 18h
www.editorasaraiva.com.br/contato
CL 670786
DEDICATÓRIA

Dedico este livro a meus adoráveis amigos Cindy Benedict, Flo Frum e dr. Jill Richardson; a
meus irmãos Deb, Karen e Kevin, que adoram animais; a meus maravilhosos sobrinhos
Chrissy e Andy; a meus felinos Callie e Murphy; e em memória de Little Guy e de Corky, meu
primeiro gato bacana.
SUMÁRIO

Prefácio
Introdução
Agradecimentos

PARTE 1 – Sentindo-se bem em ser felino


Entenda o que faz um gato se comportar como gato. Aprenda sobre as sensações, as emoções e os instintos
felinos. Descubra fatos fascinantes sobre a inteligência do gato, sobre gatos ferais e sobre diversas raças.

PARTE 2 – Conversando com seu gato


Os gatos parecem estar sempre tentando nos dizer algo... Ah, apenas se pudéssemos entender o qu ê ...
Aprenda sobre o poder do ronronar, desvende os mistérios dos miados e desenvolva habilidades para “bater
papo com gatos”.

PARTE 3 – Peculiaridades de felinos engraçados


Nossos companheiros peludos têm muitos hábitos peculiares. Descubra o que há de interessante em mastigar
plástico, escalar cortinas, brincar com água e muito mais. E por que tanta discussão em torno do catnip ?

PARTE 4 – Pensando fora da caixa


Questões relacionadas às caixas de areia surgem na maioria dos lares com gatos e costumam ser o problema
mais frustrante a enfrentar. Aqui são apresentados os fatos que explicam por que os gatos evitam as caixas e
as soluções para várias situações.

PARTE 5 – Questões básicas sobre comer e se embelezar


A maioria dos gatos leva uma vida de luxo, passando a maior parte do dia mordiscando petiscos, tirando uma
soneca e cuidando dos pelos sedosos. Descubra por que eles passam tanto tempo se embelezando, aprenda a
domar um malhado gorducho e entenda os mínimos detalhes sobre cuidar de felinos.

PARTE 6 – As complexidades de viver com gatos


Dentro de casa é mais seguro, mas, mesmo que seu gato goste de sair, aprenda a torná-lo o felino mais feliz
do quarteirão. Aqui você encontra dicas sobre brinquedos, viagens e como criar um ambiente estimulante
dentro de casa. Além disso, você sabia que pode ensinar novos truques a um gato velhinho?

Consultores
PREFÁCIO

Muitas de minhas lembranças de infância envolvem gatos. Eu resgatava gatos de rua o tempo
todo, e minha mãe insistia para que eu encontrasse um lar para eles. Eu costumava engatinhar e
lamber leite em uma tigela – hábito que ninguém admitia compartilhar comigo.
Já adulta, finalmente tive minha primeira gata, Shasta. Infelizmente, minha felicidade durou
pouco, pois os proprietários do apartamento onde eu morava insistiram para que ela fosse
embora. Reuni coragem para falar com eles, porque, embora eu a tivesse havia apenas alguns
dias, já estava apaixonada. Mas eles e o beagle deles, que moravam no mesmo prédio, odiavam
gatos, então prometi que nunca veriam Shasta, que eu a manteria dentro de casa. Implorei para
que me deixassem ficar com ela, até que eles finalmente concordaram.
Dois anos depois, resolvi me mudar para o outro lado do país. Os proprietários perguntaram
se eu levaria Shasta; eles temiam que eu a deixasse no apartamento. A única coisa que deixei
no apartamento foi uma cadeira velha e decrépita. As molas já estavam salientes quando me
mudei para lá, e tempos depois a cadeira estava destroçada – prova de meu fracasso em
providenciar um arranhador para Shasta.
Eu tinha 28 anos quando Shasta e eu chegamos à Califórnia e 30 quando consegui me formar
como técnica veterinária. Trabalhei em um hospital veterinário pelos doze anos seguintes e
levei mais gatos para casa. Também convenci amigos e parentes de que a vida deles não estava
completa sem um felino.
Ao longo dos anos, aprendi muito sobre como manter os gatos saudáveis e sobre cuidar dos
doentes. Percebi que, embora clientes de veterinários e funcionários das clínicas falassem
sobre comportamentos irritantes de cães, as discussões sobre o comportamento dos gatos ​-
raramente faziam parte da consulta. E os gatos sofriam por isso. Eram tachados de antipáticos,
rancorosos, maliciosos ou coisa pior. Eram abandonados, dados, levados a abrigos e até
submetidos à eutanásia, mesmo quando só tinham se comportado como gatos.
Por ignorância, cometi vários erros com meus primeiros gatos. Queria ter lido este livro para
entender, tratar e evitar alguns comportamentos deles. Embora eu seja bem mais experiente
hoje, o livro de Arden me ensinou alguns truques sobre o comportamento felino. Arden e sua
equipe de especialistas em comportamento animal vão educá-lo e entretê-lo uma página após a
outra. Leia e tenha um relacionamento ainda melhor com o seu gato!
– NANCY PETERSON
Técnica veterinária, supervisora do programa de gatos ferais da Sociedade Protetora dos Animais dos
Estados Unidos e presidente da Cat Writer’s Association
INTRODUÇÃO

Encare os fatos felinos. Gatos têm manha, atitude, tenacidade e certo ar de que “não estão nem
aí”. Não espere que eles peçam desculpas nem que rastejem – deixe isso para cachorros que
adoram agradar. Os gatos se orgulham de ser francos sobre o que querem, quando querem.
Sem nem mesmo contar com uma equipe de marketing dispendiosa ou um show gerando
manchetes e publicidade, os gatos se transformaram, de forma firme e discreta, no melhor
amigo do homem em termos de número e de popularidade no mundo. Nos Estados Unidos, por
exemplo, eles passaram os cães, sendo 90,5 milhões contra 74 milhões. As pessoas podem
dizer “meu cão realmente me ama”, mas elas realmente se entusiasmam ao declarar “sou louca
por meu gato e acho que ele me adora também”.
Vivemos para seus ronronados progressivos, seu calor em nosso colo e suas divertidas
tolices. Ainda assim, os felinos podem ser esquisitos, complicados, frustrantes e até mesmo um
pouco malucos. Você pode se perguntar por que seu gato enterra as garras em seu colo quando
está se aconchegando. Talvez fique furioso com a preferência de sua gata persa em usar seu
travesseiro em vez da caixa de areia dela. E qual é a explicação para as bolas de pelo ou para
as aves mortas levadas para casa, afinal?
Você pode ficar intrigado e perplexo ao tentar entender por que os gatos fazem o que fazem.
Foi por isso que escrevi este livro. Aproveite-o como um guia para desvendar os mistérios por
trás do que os gatos pensam e fazem. As perguntas apresentadas aqui foram reunidas durante
aparições em programas de animais na televisão e na rádio, em apresentações públicas, como
editora da revista Catnip e como ex-colunista de bichos de estimação para a revista Prevention
. Assim que as pessoas descobrem como ganho a vida – e que dois gatos administram minha
casa –, elas começam a fazer perguntas. Por que meu gato faz tal coisa? Como posso fazer
para que ele pare de...? Qual é a melhor maneira de ensiná-lo a...? Escuto isso nas livrarias,
nos casamentos e até mesmo em filas de supermercados.
Uma amiga me chama, brincando, de dra. Doo, abreviação de ​Doutor Dolittle, por causa do
número de vezes em que me viu buscar soluções para um confuso dono de gato. Não sou
médica nem quero me passar por uma, mas sou especialista em bichos de estimação e trabalho
regularmente com os melhores profissionais nos campos da medicina veterinária e de
comportamento de animais de companhia. Estou comprometida a fornecer fatos felinos e
soluções práticas para seus problemas com os bichanos.
Desde já, esqueça a noção de que pode usar a “psicologia canina” em seu companheiro
felino. O que pode funcionar com seu adorável labrador não vai funcionar com seu abissínio
louco por atenção. Em vez disso, passe a pata nessas páginas com a mente aberta e o desejo de
ser iluminado e educado. O lendário Doutor Dolittle falava com animais. E eu estou aqui para
ter uma conversa franca com você.
Prepare as patas!
AGRADECIMENTOS

Gostaria de agradecer a todos os veterinários, os estudiosos do comportamento animal, os


funcionários de abrigos de animais, os integrantes talentosos da Cat Fanciers’ Association e da
Winn-Feline Foundation e também aos fãs de felinos, que generosamente compartilharam
tempo, talentos e ideias para este livro. Um agradecimento especial a minha equipe de
especialistas em comportamento felino, Joan Miller, Alice Moon-Fanelli e Arnold Plotnick,
assim como para minha editora, Lisa Hiley. Juntos, podemos melhorar a vida dos gatos em
qualquer lugar.
PARTE I

Sentindo-se bem em ser felino


Ah, a vida de um gato! Tudo parece tão – como dizer? – perfeito. Refeições
garantidas. Tempo de sobra para sonecas. Um assistente pessoal para limpar a caixa de areia. É
fácil sentir um pouco de inveja dos felinos, mas o quanto realmente sabemos sobre eles?
Para começar, ainda que adoremos nossos amigos peludos, nada se compara à adoração que os
antigos egípcios tinham por eles. Séculos depois, à maré virou e os habitantes supersticiosos da
boa e velha Inglaterra queimaram milhares deles na fogueira. Amados e odiados – esse vem
sendo o destino dos gatos ao longo dos séculos.
Nesta seção, eu falo sobre muitos aspectos dos gatos. Para começar, o fato de que ponderam
bem suas decisões – vale dizer que, depois que os cães foram domesticados, os felinos
esperaram mais 10 mil anos antes de se dignarem a se envolver com humanos. Eles também
gostam de atacar, o que explica como seu tornozelo acaba sendo confundido com um rato no
corredor. Eles vão atraí-lo com o ronronar para conseguir um colo aconchegante, um petisco
de peixe ou uma bela coçada no queixo.
Astúcia, sinceridade e esperteza – os gatos têm essas e muitas outras características. Comece a
leitura!
O cérebro da casa
P: Em nossa casa temos um border collie, um poodle e uma gata abissínia. Essas duas raças
de cachorros são conhecidas pela inteligência, mas minha gata, apropriadamente chamada
de Mensa 1 , não fica atrás quando o assunto é capacidade intelectual. Ela vem quando é
chamada, anda de coleira e vai até a cozinha e se senta educadamente quando lhe perguntam se
quer um petisco. Até que ponto os gatos são espertos e como aprendem o que sabem?

R: Serespostas,
houvesse uma versão animal de um desses populares programas de perguntas e
seu trio detonaria na competição. Há muita capacidade intelectual nesse grupo
de peludos, e talvez você já saiba que os gatos aprendem de forma similar a cães e pessoas.
Os gatos possuem tanto memórias de curto prazo quanto de longo prazo. Isso explica como
vão até a caixa de areia ou até a tigela de comida que são mantidas no mesmo local (longo
prazo) ou como se ajustam se essas necessidades são colocadas em um novo aposento (curto
prazo). Assim como as pessoas e os cães, os gatos aprendem por observação, imitação e
tentativa e erro.
Mensa pode agir como um cão quando faz aqueles truques ao ser chamada, mas gatos
acreditam piamente na filosofia de “o que há para mim”. Enquanto cães têm a tendência de
fazer truques para nos agradar e obter recompensas, os gatos decidem o que vão fazer e quando
o farão. Se conseguirem determinar razoavelmente que você lhes dará uma recompensa
aceitável, podem obedecer quando chamados e podem até mesmo sentar ou fazer outro gracejo
para conseguir um petisco.
Eles também aprendem prestando atenção ao que está acontecendo na casa. Por exemplo,
alguns gatos espertos observam os donos ​abrirem as portas e, então, tentam imitar essa
façanha. Um amigo tem uma siamesa que aprendeu a abrir a porta que dá para a garagem. Para
evitar que sua gata fuja (felizmente, Sheba não descobriu o botão na parede que abre a porta da
garagem), meu amigo colocou uma tranca naquela porta.
A evolução influencia no modo como cada espécie se comporta. Por exemplo, seus dois cães
podem cavar um buraco raso em seu quintal em um dia úmido e quente para esfriar a barriga.
Esse comportamento instintivo foi passado de uma geração canina à seguinte. Os gatos, no
entanto, não são programados para cavar e esfriar o corpo. Suas patas não foram feitas para
arrancar terra. Eles são mais propensos a buscar um lugar isolado e à sombra, onde possam
manter um olho nos predadores enquanto se refrescam. Além disso, asseados como são, não
estão tão ávidos a rolar na lama e a bagunçar os pelos.
Por fim, gatos são mestres da manipulação. Criaturas de hábitos, eles se fiam em seus
poderes de observação e aprendem por associação a usar a rotina doméstica em vantagem
própria. Callie, minha tricolor, me treinou melhor do que eu gostaria de admitir. Pelo menos
uma vez ao dia, enquanto trabalho à mesa da sala de jantar, ela para no degrau no meio da
escada, faz uma pose charmosa enquanto me encara com olhos doces e emite um suave miado.
Essa é a deixa para eu me levantar da cadeira, abrir a porta da despensa e lhe entregar um ou
dois de seu biscoitinho de peixe.
É claro, ela não desceu a escada pensando “quero um petisco e sei como conseguir”, mas na
primeira vez que parou e miou para mim na escada, e eu me levantei e lhe dei um petisco, ela
soube que descobriu algo bom. Sua posição é estratégica – está no mesmo nível da porta da
despensa. Eu sei que estou sendo manipulada e aceito essa posição. Callie é esperta o bastante
para reconhecer meu ponto fraco e usá-lo em benefício próprio. E, então, quem é o ser
inteligente na história?

TESTE O QI DE SEU GATO


Quão esperto é seu gato? Uma maneira informal de testar a inteligência dele é avaliando a
habilidade de discernir a permanência de objetos . Originalmente criado para estudar o
desenvolvimento cognitivo em crianças, este teste pode ser aplicado a gatos.
Mostre ao gato um objeto, como um rato de brinquedo. Então, esconda o rato colocando uma
revista ou outro objeto na frente dele. Para se igualar a uma criança de 18 meses, o gato deve saber
olhar atrás do objeto e procurar o rato em vez de pensar que ele desapareceu quando saiu de vista.
Gatos superespertos, capazes de pensar como uma criança de 2 anos, também vão ser capazes de
seguir a trajetória de um objeto que sai de vista. Em outras palavras, eles devem ser capazes de
prever onde um rato vivo que se escondeu fora de vista debaixo de um sofá vai reaparecer e usar esse
conhecimento para atacar assim que o rato reaparecer.

Saboreando tempos sonolentos


P: Gracie, minha tigrada cinzenta, leva uma boa vida. Parece que dorme a noite toda e a
maior parte do dia. Gostaria de descansar metade do que ela descansa. Ela se envolve
comigo em curtas sessões de brincadeiras e adora a hora da refeição. Ela parece satisfeita, mas
me pergunto: é normal para um gato dormir tanto?

R: Gatos realmente gostam de uma boa noite de sono e de tirar muitas sonecas ao longo do
dia. Passam de dezessete a dezoito horas dormindo ao dia – cerca de dois terços da vida.
Eles dormem aproximadamente o dobro da maioria dos outros mamíferos, mas não estão
reclamando.
A quantidade de horas de sono por dia é influenciada pela idade (filhotes, que crescem
rapidamente, tendem a dormir mais que gatos adultos), por quão seguros se sentem (dividir a
casa com um cão perseguidor pode deixá-los acordados e cansados) e pelo clima (o que
explicaria seu gato cavar suas cobertas para tirar uma soneca durante o inverno).
Você menciona que Gracie parece satisfeita. Certifique-se de que não está confundindo
satisfação com tédio. Gatos entediados dormem mais que aqueles que interagem e brincam
com pessoas e com outros bichos na casa. Portanto, encoraje sessões de brincadeiras todos os
dias. Cinco ou dez minutos vão ativar o cérebro felino, trabalhar músculos e proporcionar boas
lembranças para quando o bichano dormir e passar ao universo dos sonhos.

Mergulho no mundo dos sonhos


P: Adoro ver meu gato dormindo. Ele se mexe bastante e às vezes até emite gemidinhos.
Suas pernas se agitam e seus bigodes tremem. Ele está sonhando?

R: Os gatos de fato sonham, mas podemos apenas especular sobre o assunto. Pode ser que
eles estejam revivendo a captura brilhante de uma mosca que zunia em uma janela
ensolarada ou uma corrida particularmente rápida pelo corredor. Talvez ele esteja ​relembrando
como convenceu v ocê a tirar aquele último pedaço de atum de seu prato do jantar e colocar na
tigela dele.

FATO FELINO
Gatos são conhecidos como campeões do sono, mas morcegos e gambás, na verdade, dormem mais. Esses animais
passam, em média, vinte horas por dia dormindo.

Temos provas científicas de que os gatos sonham. Como os humanos, o sono felino se divide
em dois tipos: REM (sigla em inglês para rapid eye movement ), que é quando os sonhos
acontecem, e não REM, mais profundo. Você saberá quando seu gato está no sono REM ​-
porque ele mexerá as pernas, os bigodes e fará movimentos sutis com os olhos por trás das
pálpebras fechadas.
Estudos com eletroencefalogramas (EEGs) para a leitura da atividade cerebral em gatos
adormecidos indicaram que os animais ficam no estágio REM cerca de 30% do tempo de sono
e que o cérebro deles tem padrões de ondas similares aos nossos durante o REM. Em
comparação, passamos cerca de 20% do sono no estágio REM (embora bebês humanos passem
até 80% em REM).
Quando não estão sonhando, os gatos estão na fase de sono mais profundo. Esse é o
momento em que o corpo trabalha, reparando e regenerando ossos e músculos e reforçando o
sistema imunológico. O único movimento que você pode detectar durante esse estágio é o
tranquilo subir e descer da respiração.
Os cinco sentidos felinos
P: Sei que minha gata, Cleo, ouve bem melhor que eu. Ela pode estar em um sono profundo
no segundo andar, mas desce correndo as escadas quando me escuta abrindo a porta da
geladeira. É ali que guardo seu petisco favorito – pequenos pedaços de frango assado. Quando
abro a gaveta, ela já está se esfregando em minha perna. Mas às vezes Cleo não parece notar
um rato de brinquedo que está bem debaixo de seu nariz. Com relação aos cinco sentidos,
como comparar os gatos às pessoas?

R: Você tem razão ao dizer que gatos ouvem bem melhor que humanos. Se eu sussurrasse
isso em um cômodo da casa, e você e Cleo estivessem em outro, aposto como só ela
captaria minhas palavras. Na verdade, gatos escutam até melhor que cães. Eles ouvem sons na
faixa ultrassônica, isto é, em frequências muito altas.
O som é causado por vibrações, e o número de vibrações por segundo é chamado de
“frequência”. A frequência é medida em hertz (Hz), sendo um hertz uma vibração por
segundo. Os gatos conseguem ouvir até 100 mil hertz; os cães ouvem entre 35 mil e 40 mil
hertz; e os humanos, até 20 mil hertz.
Por que os gatos escutam melhor que nós? Primeiro, dê uma olhada no formato da orelha
felina. Essas maravilhas em forma de cone podem fazer rotações como minidiscos de satélites
para aperfeiçoar os sons. Com a capacidade de captar frequências mais altas, então, eles podem
detectar bem mais rápido que nós os guinchos de um rato que entra na casa. Agora, vejamos
mais sobre os outros quatro sentidos e o que essas informações podem nos dizer a respeito de
nossos amigos felinos.
O NARIZ NÃO SE ENGANA. Gatos aprendem sobre o ambiente usando seu faro. Eles
reúnem nas narinas cerca de 200 milhões de células sensíveis ao odor; nós, apenas 5 milhões.
Assim, o focinho felino faz mais do que cheirar bocados de comida no chão da cozinha. Serve
também para se comunicar com outros gatos. Todas as vezes que um gato esfrega em um
objeto as glândulas de odor localizadas em sua cabeça ou em suas patas, ele deixa um cartão de
visitas para outros gatos cheirarem e interpretarem.

SENSÍVEL AO TOQUE. Os gatos confiam em seus bigodes e em suas patas para explorar
os arredores. Você pode ficar surpreso ao saber que os bigodes não estão apenas na cara de um
gato, mas também na parte de trás de suas pernas. Eles os usam como antenas, tocando objetos
e determinando se conseguem se apertar para passar por aberturas estreitas. Bigodes sensoriais
especiais, chamados “vibrissae ”, ajudam os gatos a emboscar a presa na penumbra e a se
locomover. Isso dito, há notáveis exceções entre as raças felinas que conseguem manobrar
bastante bem sem longos bigodes. Por exemplo, o cornish rex e o ​american wirehair possuem
bigodes curtos e enrolados, enquanto o devon rex tem poucos bigodes, e o sphynx não tem
bigode nenhum. Todas essas raças são rápidas e ágeis, apesar dos bigodes curtos ou da
ausência de bigodes.
GOSTO NÃO É TUDO. Gatos têm a reputação de serem comedores meticulosos, e há uma
explicação científica para isso. Eles têm apenas 473 papilas gustativas em comparação às mais
de 9 mil que os seres humanos têm. Assim, pelo fato de as papilas gustativas nos felinos serem
menores em número e pobremente desenvolvidas, os gatos dependem mais do olfato que do
paladar. Eles não adotam o lema canino de “comer primeiro, perguntar depois” quando se trata
de comida.
O QUE OS OLHOS NÃO VEEM... Finalmente, o motivo de Cleo não perceber o rato de
brinquedo bem debaixo de seu focinho é porque o rato não está se mexendo. Quando se trata
da visão, os gatos são superiores a nós por verem movimentos com sua visão periférica
superior. Suas pupilas podem se dilatar e aumentar para capturar mais de uma visão
panorâmica. No entanto, eles podem ser um tanto míopes e não ver de fato o que está debaixo
de seu focinho, porque têm um ponto cego debaixo do queixo.
Então, num placar geral entre gatos e humanos, está quatro a zero para eles, com um possível
empate no quesito visão. No entanto, deveríamos nos sentir gratos por termos algo que os
gatos não têm: polegares.

Um dia da caça, outro do caçador


P: Adoro ver meus três gatos jogarem ratos de brinquedo para lá e para cá e correrem atrás
de brinquedos simples, confeccionados com penas. Como o instinto de caça deles é tão
forte mesmo depois de terem sido domesticados há milhares de anos?

R: Embora tenhamos o costume de pensar em gatos como poderosos caçadores, eles na


verdade assumem o papel tanto de presa quanto de predador – depende das outras
espécies envolvidas na situação. Vamos começar com a parte do predador. Todos os felinos, de
um leão poderoso ao doce gatinho em seu colo, são geneticamente programados para caçar. De
acordo com o próprio tamanho, o gato doméstico se concentra em pequenos mamíferos e aves.
O interessante é que a maioria dos biólogos enxerga os gatos como pequenos mamíferos
especialistas e oportunistas de aves, porque os felinos não costumam ser muito bons em pegar
pássaros, a menos que essas aves estejam doentes, sejam jovens ou estejam preparando o
ninho.
O comportamento predador é, na maior parte das vezes, inato, e filhotes mostram bem cedo a
tendência a caçar objetos que se movem e a pular sobre os irmãozinhos da ninhada. Assim
como nós, eles aprendem por tentativa e erro, e suas sessões de brincadeiras os ajudam a
aumentar a velocidade e a refinar a capacidade de saltos.
As mães também dão exemplos. Gatas que vivem em ambientes externos costumam levar
ratos ou pássaros mortos para casa e comê-los na frente da ninhada para demonstrar
comportamentos necessários. A mãe felina, depois, vai apresentar um animal morto a seus
filhotes para que eles o comam sozinhos e, por fim, vai levar para casa uma criatura quase
morta para que os filhotes terminem de matá-la. Essas experiências aperfeiçoam habilidades de
caça. Para gatos que vivem dentro de casa, a presa é um brinquedo comprado em uma loja ou,
talvez, seu chinelo. Ainda assim, as lições aprendidas são as mesmas, e muitos gatos que nunca
viram um rato ou um pássaro até a idade adulta rapidamente descobrem como pegá-los e matá-
los.
Quando a sorte muda e os gatos se tornam presas, eles põem em prática suas habilidades de
sobrevivência e ativam o modo de brigar ou correr. Gatos que vivem fora de casa correm
riscos não apenas com os cachorros dos vizinhos; fora dos centros urbanos, costumam ser
vítimas de coiotes, gaviões e outros predadores. A primeira resposta deles é fugir, se possível,
seja mergulhando em um esconderijo, seja escalando uma árvore. Ao mesmo tempo, um gato
encurralado pode lutar ferozmente, como muito cão arranhado já descobriu. As ferramentas
que os tornaram predadores eficazes podem ser sua melhor defesa. É daí que vem a expressão
“lutar com unhas e dentes”!

GEOMETRIA DO ROSTO FELINO


Ao procurar um filhote ou um gato adulto para adotar, como saber se é um animal que gosta de
colo, se é tímido ou sedento por aventuras? Gatos com pedigree tendem a ter traços característicos de
personalidade, embora possam ser bem diferentes entre as raças. Com o típico gato de abrigo, as
pistas sobre a personalidade podem estar relacionadas ao formato do rosto.
Kit Jenkins, administradora do programa para a ONG PetSmart Charities, passou mais de vinte
anos estudando o comportamento de gatos e cães em abrigos. Ela desenvolveu uma teoria sobre a
geometria do rosto felino, com base no fato de que geralmente é de um dos três formatos físicos
típicos: quadrado, redondo ou triangular. Embora a genética e as experiências de vida
desempenhem papéis importantes em como os gatos pensam e agem, Jenkins afirma que a ​-
personalidade também é influenciada pelo formato físico do animal. Ela categoriza os variados tipos
da seguinte maneira:
• QUADRADO. São gatos grandes e sólidos, com rosto quadrado e corpo retangular. Pense em um
maine coon. Jenkins os apelida de “golden retrievers do mundo felino”. Ansiosos por agradar,
gatos com o rosto quadrado tendem a ser afetuosos e adoram se aconchegar e bater de leve a
cabeça contra o objeto da afeição.

• REDONDO. São gatos que apresentam rosto achatado, olhos grandes, cabeça circular e corpo
arredondado. Por exemplo, persas ou birmaneses. Esses tipos podem ser chamados de “cães de colo
do mundo felino”. Tendem a ter baixa energia, são facilmente assustados e submissos, mostrando
gentilmente afeição a membros confiáveis da família.

• TRIANGULAR. São gatos lustrosos, longos e magros, com grandes orelhas e rosto que se estreita no
focinho, como siameses e cornish rex. Jenkins os chama de “cães de pastoreio do mundo felino”.
Gatos com esse formato de rosto são curiosos, espertos, atléticos e tagarelas e se dão bem em casas
ativas.

Jenkins compartilhou sua teoria da personalidade com funcionários que trabalham em abrigos,
treinadores de ​animais e behavioristas por toda a América do Norte. Os behavioristas de animais e os
veterinários dizem que suas observações servem como uma ferramenta para ajudar as pessoas a
encontrar um gato adequado a seu estilo de vida e sua personalidade. Embora seja apenas uma
teoria, as observações de Jenkins tiveram apoio; até agora, no entanto, nada foi publicado em um
periódico científico.
Quando apliquei a teoria da geometria dos gatos de Jenkins a meu próprio trio felino, entendi mais
sobre suas maneiras. Eu tenho um formato de cada personalidade – a única coisa que os três têm em
comum é que todos eram de rua e conseguiram seduzir meu coração e entrar em minha casa.
• Little Guy é meu felino de rosto quadrado. Com 19 anos, este senhor é malhado e tem o rabo
marrom. Ele passa as tardes dormindo na escrivaninha enquanto trabalho. Little Guy sempre
atendeu a meu assobio e adora me saudar com um encontrão de cabeça.
• Callie é minha tricolor de rosto redondo. Com 12 anos, ela adora uma rotina estável e tranquila.
Mostra timidamente afeição se esfregando com suavidade em minha perna, mas foge correndo de
barulhos repentinos e evita visitas que falem alto.
• Murphy é minha gata de rosto triangular. Posso contar com essa enérgica gata de 8 anos preta
para receber todos os visitantes e supervisionar os trabalhadores da casa. Ela persegue papéis no
ar, bolhas de sabão de minha banheira e adora sua caminhada diária com a coleira.
Matemática nunca foi minha matéria favorita na escola, mas graças a essa teoria de formato do
corpo descobri uma utilidade para a geometria.

Olhos de néon
P: Quando ando pela casa à noite, em cômodos sem luz, às vezes me assusto um pouco
quando vejo minha gata. Precious é uma doce siamesa, e no escuro seus olhos parecem
brilhar avermelhados, dando-lhe um visual demoníaco. Noto isso geralmente depois de ter
assistido a um filme de suspense. O que faz com que seus olhos brilhem assim?

R: Opormomento é tudo. Você está mais apta a se assustar depois de ver um filme de horror,
isso, não se preocupe com Precious. Ela não está possuída. Suas pupilas grandes e
redondas foram projetadas para operar melhor em condições de pouca luz e no escuro.
Caçadores ativos ao amanhecer e ao entardecer – melhores períodos para emboscar uma presa
–, os gatos podem enxergar na escuridão tão bem quanto podemos ver em noites de lua cheia.
Em uma noite, olhe para os olhos de sua gata sob uma lâmpada forte e você perceberá que as
pupilas dela têm forma elíptica – diferente das nossas, que são circulares. À luz da lâmpada, as
pupilas se transformam em fendas estreitas para proteger as sensíveis retinas de danos. Agora
desligue a lâmpada e observe como as pupilas dela se dilatam para acomodar a luz mais fraca.
Quando há pouca luz, as pupilas dos gatos preenchem o olho todo, deixando-o quase
totalmente negro.

FATO FELINO
Tapetum lucidum , a camada refletora nos olhos de um gato, é uma expressão em latim que significa “tapete
brilhante”.

Quanto ao brilho vermelho, ele é causado pela luz refletida de uma camada de tecido
chamada tapetum lucidum , que fica atrás do globo ocular, depois da retina. Ela funciona como
um espelho, refletindo a luz que não foi absorvida na primeira vez que passou pela retina
através do olhos para as células ​fotossensíveis na retina. O resultado é um brilho estranho
quando os olhos de seu gato captam uma luminosidade no escuro.
O interessante é que os olhos de certos felinos emitem um brilho verde em vez de vermelho,
dependendo da cor dos olhos. Olhos azuis, como os de sua gata siamesa, brilham vermelho,
enquanto olhos verdes e âmbar emitem um brilho verde.

Coração felino
P: Meu filhote Bubba é superfofo, gosta de se aconchegar comigo e me seguir pela casa
toda. Ele é muito amigável e afetuoso, e é claro que o adoro. Essa pode parecer uma
dúvida boba, mas os gatos são capazes de nos amar ou são bonzinhos ap enas porque lhes
damos comida e abrigo?

R: Não é uma pergunta boba, mas não há uma resposta fácil. Eu poderia lhe dizer algo mais
definitivo se soubesse falar gatês e perguntasse diretamente aos felinos. Gatos são
criaturas sinceras, e tenho certeza de que me responderiam honestamente.
Sem essa habilidade, no entanto, definir o amor felino é complicado. O que sabemos é que os
gatos expressam claramente suas emoções. Eles ficam com raiva e mostram medo. Eles
exibem contentamento e expressam excitação. Quanto a interpretar o amor de um gato, esses
animais definitivamente formam laços com as pessoas de seu convívio que lhes transmitem
segurança e lhes dão atenção.
Os gatos demonstram afeto às pessoas de várias formas, incluindo piscar lentamente, quase
fechando os olhos, fazer a cauda ereta tremer e pressionar a cabeça na pessoa. Da próxima vez
que olhar nos olhos de seu gato, tente lhe dar piscadelas lentas. Aposto que ele vai devolver o
favor. E perceba, quando você entra em um cômodo ou quando ele escuta sua voz, se a cauda
dele fica ereta no ar com a ponta tremendo um pouco. Observe também se ele expressa afeição
pressionando o topo da cabeça contra sua testa, suas mãos ou seu queixo.
Quando adotei Little Guy, ele era um gato de rua pequeno e malhado que acampava em
frente a minha varanda toda manhã e toda noite, na esperança de ganhar uma refeição. Eu
colocava comida em uma tigela para ele, mas não sabia se queria outro gato. No entanto, todas
as vezes que me abaixava para acariciá-lo, ele alongava o corpo e pressionava a cabeça contra
minha mão, acompanhando os gestos com um ronronar enérgico.
Little Guy sabia o que estava fazendo. Ele mostrou que gostava de mim e, como
consequência, me conquistou. Às vezes o momento de uma afeição felina não é o ideal, como
quando um gato pula em sua cama e bate com a cabeça em sua testa enquanto você dorme
profundamente.
Mas, como se sabe, o verdadeiro amor não se importa com isso. Enxergue como um elogio o
fato de Bubba seguir você e se aconchegar em seu colo.
GATOS TÊM SENSO DE HUMOR?
Uma de minhas humoristas favoritas, fã de gatos, é Dena Harris. Autora de Lessons in Stalking:
Adjusting to Life with Cats , ela criou uma lista de características humanas (adaptada abaixo) para
mostrar que nossos amigos felinos realmente enxergam o lado humorístico de dividir a vida conosco.
1. Nossa surpreendente falta de pelos.
2. O modo como mantemos a ilusão de que temos a mínima chance de ganhar uma disputa de quem
pisca por último com eles (dica: gatos piscam apenas porque sentem pena de nós).
3. Nossa capacidade de passar por uma faixa de luz do sol sem cair inconsciente no chão.
4. Aparentarmos não ver um rato vivo como a forma mais fina de entretenimento dentro de casa.
5. O modo como dobramos as roupas que saíram da secadora em vez de mergulhar de cabeça nelas.
6. O tempo que gastamos removendo o glorioso caminho de pelos de gato de casa quando eles sabem
que podem refazê-lo em 6,4 segundos.
7. O fato de pensarmos que aqueles roedores decapitados na porta do quintal são presentes para nós.
8. O fato de ignorarmos os usos primários do computador e da televisão: tirar sonecas.
9. Nossa opção de não andar em cima das bancadas da cozinha, de onde se tem as melhores vistas, sem
mencionar os petiscos.
10.Nossa devoção sem fim e eterna a eles (na verdade, os gatos não apenas riem disso como encorajam
esse último item).

Culpa, vingança ou apenas tédio?


P: Um aumento recente na carga de trabalho fez com que eu viajasse mais, e meu gato,
Keeper, um lindo bengal, às vezes fica sozinho em casa durante um dia inteiro. Amigos
passam para alimentá-lo se eu fico fora mais de uma noite, mas ainda assim ele fica sozinho
mais tempo do que costumava ficar. Quando voltei de minha última viagem, ele tinha
despedaçado o papel higiênico, arranhado o canto do sofá e derrubado uma caixa em cima da
escrivaninha, espalhando clipes por todo lado. Quando vi, eu o confrontei com gritos. Ele fugiu
e se escondeu debaixo da cama por um tempo. Gatos são capazes de planejar vingança e se
sentem culpados quando fazem algo que não queremos que façam?
No reino animal, os humanos têm o monopólio da culpa. Gatos, cães e o resto de nossos
R: companheiros animais não experimentam nem expressam essa sensação. É tentador
antropomorfizar seu gato, dando-lhe motivos humanos para delitos e por fugir quando
você o castiga. Mas a verdade é que a culpa é autorreflexiva, uma emoção que apenas as
pessoas sentem, segundo os melhores psicólogos.
Culpa é uma resposta humana ao comportamento que reconhecemos como errado ou
socialmente inaceitável. Gatos não têm capacidade para esse tipo de pensamento abstrato. No
entanto, são definitivamente capazes de experimentar medo e submissão. É fácil confundir o
medo felino com culpa.
No caso de Keeper, é mais provável que ele esteja entediado com as longas jornadas em que
fica sozinho em casa. Gatos entediados, especialmente raças ativas como bengal, vão procurar
maneiras de se divertir, mesmo se isso (arranhar sofás, transformar papel higiênico em confete
e espalhar clipes) não for desejável, segundo sua opinião. Essas ações também podem ilustrar
uma ansiedade de separação. O tédio ou a ansiedade dependem do temperamento do gato e da
relação com o dono.
Keeper se encolheu e se escondeu debaixo da cama quando você gritou porque ele ficou
assustado com sua voz zangada, não por se sentir culpado pelo “mau” comportamento. Ele não
fazia ideia do motivo de você estar zangado, tudo o que ele percebeu foi que você estava se
comportando de maneira ameaçadora.
Minha primeira recomendação é: tire todas as tentações felinas. Quando não estiver em casa,
feche a porta do banheiro, coloque uma coberta sobre o sofá para impedir os arranhões e limpe
a escrivaninha. A seguir, forneça a Keeper válvulas de escape para a monotonia. Essas podem
incluir brinquedos que se movem quando ele os toca, um lugar na janela onde ele possa ficar
de olho na vizinhança ou um brinquedo circular com uma esfera que o encoraje a correr atrás
da bola. Você também pode ligar o rádio ou a televisão para adicionar som e amenizar a
solidão. Há vídeos de peixes e aves e outras imagens que atraem gatos e que podem ocupar a
atenção dele durante sua ausência.
Quando voltar de suas viagens, ignore qualquer bagunça e receba Keeper com alegria e
afeição. Passe algum tempo brincando com ele e o acariciando para que ele não continue se
sentindo sozinho mesmo com você de volta. Pode ser que você descubra que ele chegará
correndo para recebê-lo depois de um período de ausência.
Por que os gatos escondem a dor?
P: Fiquei chocado outro dia ao descobrir um enorme machucado na perna traseira de minha
gata de pelo longo. Quando a veterinária raspou a área e a examinou, contou que era a
mordida de um outro gato e que estava infeccionada. Ela limpou a ferida, fechou com pontos e
receitou remédios. Era óbvio que Freckles estava com muita dor, mas ela nunca me deu
nenhuma pista disso. Por que ela não demonstrou estar machucada?

R: Gatos são mestres em mascarar a dor porque a sobrevivência deles pode depender disso.
Como criaturas pequenas, vulneráveis a predadores maiores, eles não podem se dar ao
luxo de revelar fraquezas. Doentes ou com ferimentos óbvios, os gatos se tornam alvos fáceis,
o que explica por que instintivamente mascaram sinais de doença ou dor, mesmo das pessoas
que os amam e protegem. Infelizmente, é por esse motivo que meus amigos veterinários
relatam histórias de clientes que levam gatos que não estão “agindo direito” e descobrem que
seus bichos de estimação estão com câncer avançado, falência renal ou outros problemas
graves de saúde.
Já que os gatos preferem esconder sinais de fraqueza, precisamos estar sintonizados a
quaisquer indicações sutis. Aqui estão algumas pistas para buscar e relatar ao veterinário.
• Excreção inadequada.
• Mudanças nos hábitos alimentares.
• Comer lixo.
• Perda de peso repentina.
• Mau hálito.
• Mudanças no nível normal de atividade.
• Mudanças nos hábitos de sono.
• Mudanças nas interações sociais.
• Mudanças nos hábitos de limpeza.
• Tornar-se mais tagarela.
• Esconder-se repentinamente e recusar atenção.

CUIDADOS COM MORDIDAS DE GATOS


Uma mordida não detectada pode provocar abcesso, que é um acúmulo de fluidos e detritos sob a pele.
Feridas assim quase sempre exigem cuidados médicos, porque gatos têm na boca bactérias que podem
causar infecção.
Se você descobrir um ferimento causado por mordida e não puder ir ao veterinário imediatamente,
enrole seu gato em uma toalha para tornar mais fácil e seguro limpar a ferida. Use água oxigenada ou
água quente para lavar a área afetada. Tente cortar o máximo de pelos ao redor da ferida e deixe a
área aberta para respirar. Não feche a ferida se não se sentir seguro ou se o gato resistir. Se a ferida
sangrar profusamente, aplique uma compressa.
Leve o gato ao veterinário o mais rápido possível. Você não vai querer arriscar danos maiores ou
uma infecção grave.
Se você for mordido por um gato, fique alerta para sinais de infecção. É difícil limpar uma ferida da
maneira adequada, e você pode precisar de antibióticos se a mordida tiver sido profunda.

Mania de arranhar
P: Sempre tive peixes e tartarugas, até que finalmente decidi que já estava pronta para um
bicho de estimação mais interativo e complexo. Recentemente adotei um gato laranja de
um abrigo. Gus é ótimo, mas adora arranhar e destroçar o arranhador. Felizmente para mim,
ele deixa o sofá em paz. Por que ele tem essa necessidade de arranhar?

R: Parabéns! Com todo respeito aos peixes e às tartarugas, fico feliz que esteja pronto e
disposto a desfrutar das vantagens da companhia felina e em saber que adotou de abrigo,
porque deu a um gato abandonado outra chance.
Arranhar, como você descobriu, é uma das ações típicas dos gatos. Mesmo sem garras, eles
fazem os gestos de arranhar. Você tem sorte por Gus adorar o arranhador, não o sofá. Os gatos
arranham por vários motivos. Um deles é manter as garras em forma – o que chamo de
“patacure”. Essas sessões de arranhar retiram a camada exterior morta que cobre a unha e
afiam o formato da garra, mantendo-os preparado para se defender ou para agarrar um rato que
esteja passando.
No entanto, a principal razão de os gatos arranharem tem a ver com um aviso. Quando Gus
arranha, ele deixa um cartão de visitas felino. A ação de arranhar não deixa apenas marcas
físicas, mas também libera um cheiro das glândulas sebáceas em suas patas que comunica aos
outros gatos – e a ele mesmo – que aquele território é dele.
Você agradece por ele arranhar apenas o arranhador, mas aposto que, se prestar mais atenção,
vai descobrir que o velho Gus está esfregando e batendo o rosto para deixar seu cheiro nos
batentes das portas e nas paredes. Esses sinais aparecem como uma descoloração suja e oleosa
(Para saber mais sobre marcas de odor, veja o texto “Comunicação entre gatos”, na página 73).

A necessidade de afofar
P: Sempre que me sento, minha gata sobe em meu colo, dá uma volta, se ajeita e começa a
afofar animadamente minhas pernas com suas patas (e garras). Eu chamo isso de “dança
da felicidade”. Ela às vezes faz a mesma coisa em minha cama antes de se acomodar para
dormir. Por quê?

R: Onascimento.
ritual felino de mexer ritmicamente as patas para cima e para baixo começa no
Recém-nascidos empurram as patas ao redor dos mamilos da mãe para ativar
o fluxo do leite enquanto mamam. Mesmo depois de desmamados, os filhotes lembram a
sensação feliz de uma barriga cheia que vem com o amassar e o amamentar. Quando adultos,
“amassar pão”, como gosto de chamar a ação, traz a eles uma sensação de conforto. É a
maneira de os gatos transmitirem alegria e deleite por ter sua companhia. Se você cortar
regularmente as unhas de sua gata, evitará a dor de ter as garras dela enfiadas em sua perna.
Alguns gatos podem ir além. Há os que babam enquanto fazem o gesto de afofar, e outros
ficam tão entusiasmados que enfiam as afiadas unhas nas pernas humanas. Se sua gata estiver
transformando-o em uma almofada de alfinetes e se as sessões regulares de cortes de unhas
não deixam o gesto de afofar menos doloroso, você pode impedir que esse comportamento se
torne um hábito desagradável se levantando e se afastando. Depois de ser tirado de seu colo
algumas vezes, o gato vai perdendo a vontade de afofar.

1 Mensa refere-se à mais antiga sociedade de alto QI do mundo. [N. T.]


Domando os medos de Tara
Ao aceitar o convite para falar com estudantes da escola veterinária matriculados para uma
aula de medicina em um abrigo, eu acreditei no poder de mostrar, não apenas de contar. Então,
visitei um abrigo de animais em busca de um gato perfeito para “demonstração”. Lá, encontrei
Tara, uma gata preta de pelos longos, que sibilava e se agachava no fundo da gaiola.
Embora Tara tivesse entrado no abrigo como uma gata de rua no dia anterior e tivesse
recusado qualquer tentativa de contato, ela exibia indícios de não ter vivido na rua a vida toda.
Seu pelo era bem sedoso, ela estava com um peso saudável, não mostrava sinais de cicatrizes
de brigas e – a maior pista – não estava prenhe nem amamentando, caso da maioria das fêmeas
ferais.
Qualquer gato que entra em um abrigo pode se sentir temporariamente ameaçado por sons,
cheiros e o típico manipular de abrigo com luvas ou com equipamento para pegá-los. Um
verdadeiro gato feral não é sociável e não é considerado apto para a adoção. Já um gato agitado
é aquele que conheceu humanos, mas está em um estado de pânico induzido pelo medo.

Usando Tara como exemplo, compartilhei técnicas com os alunos de veterinária sobre as
maneiras de ajudar gatos assustados como ela a ganhar autoconfiança por meio de toques
agradáveis e repetitivos e da socialização com os voluntários e funcionários do abrigo. À
medida que os gatos se sentem menos estressados, mostram sua verdadeira personalidade,
aumentando dessa forma suas chances de adoção.
Em minha primeira visita, evitei fazer contato visual direto com os olhos raivosos de Tara
porque os gatos percebem o olhar prolongado como sinal de ataque iminente. Depois de várias
sessões falando com ela, toquei-a levemente com uma pena macia, passando-a por seu dorso,
seu pescoço, sua cabeça, seu focinho e seus olhos. Ela respondeu sem sibilar. Na vez seguinte,
ela se levantou e arqueou o pescoço em direção à pena – sinal de que estava desenvolvendo
confiança em mim.
Sabendo que era hora de tocá-la, eu a retirei lentamente da gaiola, pela parte de trás primeiro,
e a coloquei sobre as quatro patas em uma pequena mesa para que ela não se sentisse agarrada.
Coloquei-a olhando para longe de mim para que ela observasse todo o ambiente sem se sentir
presa. Falando suavemente, fui capaz de tocar seu pelo.
Em minha apresentação, essa gata preta surpreendeu os estudantes ao se comportar de
maneira sociável e amigável. Tara hoje vive em uma casa feliz com pessoas que a adoram.
Seus donos acham difícil acreditar que ela já foi sibilante e feroz em um abrigo, porque passou
a ser bem doce e amorosa.
Contribuição de Joan Miller, jurada de concursos de animais
Ginastas de quatro patas
P: Tenho vergonha de admitir que, na infância, às vezes eu segurava o gato de barriga para
cima acima de minha cabeça e o deixava cair. Ficava assombrada em ver como ele girava
o corpo e caía apoiado nas quatro patas com facilidade. Tenho bem mais respeito pelos gatos
agora, adulta, mas seus modos atléticos ainda me intrigam. Como eles conseguem manobrar o
corpo e aterrissar de forma segura?

R: Meu conselho é nunca desafiar um gato para uma partida de Twister. Ele ganhará todas
as vezes, com uma pata nas costas. Um sistema musculoesquelético flexível e um forte
senso de equilíbrio habilitam os gatos que estão no ar a corrigir o corpo rápida e graciosamente
e, na maior parte das vezes, em segurança. Você pode ficar surpresa ao saber que os gatos não
têm clavículas, mas têm colunas vertebrais flexíveis, com cinco vértebras a mais que a
humana, o que os permite girar e virar em pleno ar.
Seu senso superior de equilíbrio e coordenação vem do aparato vestibular, o canal repleto de
fluido no ouvido que permite a humanos e gatos permanecerem eretos enquanto andam e a
perceber onde está o solo. Quando um gato cai, o fluido ativa os pelos minúsculos no canal
auricular, permitindo que ele determine sua posição corporal e identifique de que lado fica de
pé.
Estudos descobriram que os felinos que caem de alturas de sete andares ou menos correm
mais riscos de ferimentos que os que caem de alturas maiores. Na verdade, 35 gatos
sobreviveram de quedas de até dezoito andares de altura. A explicação é que, depois de cair
por volta de cinco andares, um gato alcança a velocidade terminal. Em uma queda mais longa,
ele tem tempo de se endireitar, relaxar os músculos e espalhar os membros do corpo – como
um esquilo voador – para diminuir a velocidade da queda.
Os movimentos que o gato faz do início da queda até parar de quatro no chão são como um
balé. Primeiro, o gato rotaciona a cabeça e a frente do corpo para deixar as pernas por baixo. A
parte traseira então se move para se alinhar. Quando ele pousa, leva as pernas dianteiras mais
perto do rosto para absorver parte do impacto e dobra as traseiras para se preparar para o
impacto.
Por mais ágeis que sejam os gatos, nem sempre eles caem sobre as patas. Há exemplos de
alguns que sofreram ferimentos por conta de quedas de prateleiras e de terraços de dois
andares. É por isso que insisto fortemente com os proprietários de gatos para que verifiquem se
todas as telas nas janelas estão firmes. Além disso, não deixe que seu gato passeie sem
supervisão em um terraço. Um único pardal voando perto e seu caçador pode pular sobre a
grade em uma perseguição determinada.
Gatos de terapia bem-sucedidos
P: Agora que me aposentei da carreira de professora, gosto de levar meu cão, que tem
certificado de terapia, para asilos e hospitais pediátricos. No entanto, algumas pessoas que
visito gostam mais de gatos. Meu gato Kai é um maine coon jovem e amigável. As visitas
sempre afirmam que se sentem confortáveis perto dele. Kai gosta de passear de carro e viaja
alegre comigo quando visito a família ou amigos. Gatos podem ser bons animais de terapia?

R: Ser recebido por um animal de terapia afetuoso pode fazer maravilhas para melhorar a
perspectiva e até a saúde física de quem está em asilos e hospitais. É verdade que os cães
são maioria nesse campo da terapia animal, mas a versão felina do procedimento está
crescendo em número. Gatos são menores e mais fáceis de transportar e têm uma vantagem
grande sobre os cachorros: o som tranquilizador do ronronar.
O estilo tranquilo de Kai e sua vontade de receber as pessoas são dois traços importantes e
necessários para a terapia. Que ele goste de viajar é um bônus, já que a maior parte dos gatos
prefere ficar em casa e não gosta de se ajustar a novos ambientes. De maneira geral, maine
coons são gigantes gentis e afetuosos que provavelmente funcionariam no trabalho terapêutico.
Alguns persas também dão bons gatos de terapia, porque tendem a ser tranquilos, pacientes e
definitivamente gostam de receber bastante atenção. Os tonquineses, raça menos comum, são
vistos como ideais para esse fim, porque são expansivos com pessoas estranhas e gostam de
ficar no colo. Mas há sempre exceções entre as raças e, naturalmente, há muitos outros gatos
de outras raças que poderiam se sair bem nessa missão.
Entre em contato com uma organização de animais de terapia que forneça programas
certificados. Embora cada programa tenha especificidades, as regras gerais pedem que os gatos
tenham pelo menos 1 ano de idade; estejam com a vacinação em dia; apresentem boa saúde e
sejam capazes de tolerar viagens, barulhos, multidões, cheiros estranhos e a manipulação
constante. Eles devem aceitar ser cutucados ou puxados e se sentir confortáveis com pessoas
de todas as idades.
Para garantir a segurança de Kai, recomendo que você o leve para passear em uma coleira em
vez de em uma caixa transportadora. Certamente ele vai ser muito admirado ao entrar em uma
sala de hospital em uma coleira. Gatos capazes de fazer truques como acenar com a pata,
sentar-se nas pernas traseiras e pular com braços abertos a um sinal também causarão um
grande impacto. É claro, possuir um ronronar forte e constante aumenta sua popularidade entre
as pessoas que precisam de um gato terno e amoroso.

Bigodes de Sansão
P: Recentemente, minha filha caçula pegou as tesouras do jardim de infância e cortou todos
os bigodes de nosso gato. É claro que fiquei brava com ela, porque sei que os gatos
precisam dos bigodes para andar por aí, mas percebi que não sei realmente como eles
funcionam. O que acontece quando um gato fica sem seus bigodes?

R: Amuitas
maioria das pessoas percebe que os bigodes servem como ferramentas de medida para
raças felinas. O comprimento dos bigodes nas laterais da face mede pequenas
aberturas para alertá-los se o gato consegue passar em algum espaço sem ficar preso. Talvez
isso explique por que, entre meus três gatos, minha gata mais gordinha, Murphy, tenha os
bigodes mais longos. No entanto, como mencionado em “Os cinco sentidos felinos”, na página
21, nem todas as raças confiam nos bigodes para ajudá-las a se locomover.
Bigodes têm outros propósitos. Um gato usa os bigodes longos e protuberantes do focinho
para girar e rastrear sinais de possíveis presas. O surpreendente é que os bigodes não precisam
tocar um objeto para que o gato perceba que há algo lá. ​Feixes de nervos nos bigodes passam
uma grande quantidade de informações ao cérebro, fornecendo habilidades quase
supersensoriais. Geralmente, comparo esse “sentido de aranha” felino com o do Homem-
Aranha.

Os gatos também têm delicados bigodes acima dos olhos. Da mesma forma que nossos cílios,
esses bigodes ativam um reflexo para piscar que automaticamente protege os olhos de detritos
voadores. Alguns poucos bigodes sob o queixo sentem a presença de objetos abaixo do gato.
Bigodes nas pernas da frente ajudam nas aterrissagens seguras e servem para sentir a presença
de presas.
Os bigodes também servem para alertar sobre os humores felinos. Preste atenção aos bigodes
de seu gato quando ele fica alerta ou parece contente. Quando relaxado, os bigodes de um gato
ficam levemente de lado. Mas quando um gato está intrigado ou se sente ameaçado, os bigodes
automaticamente se tensionam e apontam para frente.
Sem seus bigodes, o senso de equilíbrio, a percepção de profundidade e os sistemas de
alarme do gato podem ficar levemente alterados. Os veterinários recomendam manter gatos
sem bigodes ​dentro de casa, até que voltem a crescer (o que pode levar de dois a três meses).

INFORMAÇÕES BIGODUDAS
Bigodes são tecnicamente conhecidos como “ vibrissae ”. Pegue uma lupa para olhá-los de perto. Os
bigodes de um gato são cerca de duas vezes mais grossos que os fios de sua pelagem, e as raízes são
cerca de três vezes mais profundas do que as dos pelos. Os gatos têm entre oito e doze longos bigodes
de cada lado do lábio superior. Eles perdem alguns poucos fios por vez como parte do processo
normal, nunca todos ao mesmo tempo.

Exposições de felinos
P: Uma amiga tem três gatos da raça havana brown que participam de exposições. Ela me
convidou a uma delas. Eu acompanho exposições de cães na televisão, mas não sei como
funciona uma de gatos. Você pode me dar alguns detalhes sobre o que esperar e como me
comportar?

R: Cachorros não são os únicos animais que gostam de tirar fotografias ou que fazem poses
para um juiz, e donos de cães não são os únicos que gostam de exibir seus bichos
elegantes, bem cuidados e de alto pedigree . Você pode aprender bastante sobre gatos ao ir a
uma exposição dessas.
O Campeonato Internacional da Associação dos Criadores de Gatos a que fui atraiu mais de
oitocentos felinos representando 41 raças. Foi uma oportunidade maravilhosa de ver essa
quantidade de raças diferentes sob um mesmo teto. É v erdade que os gatos não variam tanto
em tamanho ou aparência como seus colegas caninos, mas há uma grande distinção entre um
sphynx e um maine coon ou entre um ocicat e um ragdoll. Fiquei surpresa ao descobrir que,
assim como os cachorros, muitos gatos gostam de se pavonear e exibir seus talentos. Veja
“Abra caminho para os atletas felinos”, na página 235.
A maioria das exposições de gatos apresenta juízes em sete categorias distintas. Os animais
não são julgados uns contra os outros, mas levando em consideração um padrão de perfeição
da raça. Em vez de desfilar pela passarela todos de uma vez, os gatos são levados a uma área
determinada, onde são apalpados e inspecionados individualmente pelo juiz de cada categoria.
As sete principais categorias são:
FILHOTES. Gatinhos, alterados ou inalterados, jovens demais para as classes do
campeonato.
CAMPEONATO. Gatos inalterados e registrados com mais de 8 meses de idade.
PRINCIPAL. Gatos castrados e registrados com mais de 8 meses de idade.
VETERANOS. Gatos registrados com 7 anos ou mais velhos.
PROVISÓRIOS. Raças registradas com padrões provisórios estabelecidos pela Cat
Fanciers’ Association (CFA, na sigla em inglês), mas ainda não aceitas pela competição.
DIVERSOS. Raças registradas não aceitas pela competição de raças provisórias.
BICHOS DOMÉSTICOS. Qualquer filhote doméstico ou gato alterado que não seja
elegível de outra forma.
Há muitas maneiras de obter um prêmio em uma exposição de gatos. As categorias incluem
melhor cor, melhor campeão de uma raça e melhor gato de uma raça. Existe também uma
competição separada chamada Junior Showmanship. Trata-se de um programa para avaliar o
conhecimento dos jovens participantes com relação aos cuidados com o gato, à história e aos
padrões da raça, em um esforço para encorajar o envolvimento da família nas competições de
gatos.
Com relação a ser um espectador, há certa etiqueta exigida do público. Algumas das dicas
que posso compartilhar são:
• Nunca toque um gato sem a permissão do dono. Nem todos os gatos gostam de ser tocados
por estranhos. Além disso, você não quer se arriscar a passar germes de um gato a outro nem
estragar a aparência do gato que levou horas para ficar daquele jeito. Os exibidores
geralmente vão pedir aos visitantes que passem desinfetantes ou neutralizantes de odor nas
mãos antes de acariciar o gato deles.
• Veja a melhor hora para tirar fotos. Peça permissão antes de fotografar um gato atraente que
esteja sendo arrumado ou na passarela para ser julgado.
• Não fique de conversa com os exibidores. Eles estão ocupados, esperando o gato ser
chamado para a passarela e mantendo os animais calmos e bem penteados. Pergunte se têm
tempo para responder a uma ou duas perguntas, mas deixe a eles a iniciativa de começar
qualquer papo mais longo. A maioria gosta de falar sobre seus gatos no momento certo.
Procure exibidores que estejam com adesivos onde se lê “pode me perguntar”, já que são
membros do Programa de Embaixadores da CFA e estão sempre dispostos a tirar dúvidas ou
apenas a “falar sobre gatos”.
• Deixe seu amigo felino em casa. Essas competições são limitadas a gatos competindo por
prêmios. E, claro, nenhum cão é permitido!
O que mais me atrai em eventos assim é que não se limitam a animais com pedigree . A
maioria dos shows patrocina uma competição de bichos domésticos, aberta a uma variedade de
raças com mais de 4 meses de idade. Os vencedores são julgados por pelagem e condição
física, boa saúde e limpeza, assim como pela aparência única e pela personalidade atraente. A
competição de agilidade também é aberta a todos os gatos, com ou sem pedigree .
Se você está interessado em exibir seu gato, pode se surpreender ao saber que muitos gatos,
uma vez expostos ao ambiente agitado das competições, divertem-se com o processo. Os que
participarão da categoria bichos domésticos devem entrar antes da competição; o clube que
patrocina o show terá a informação necessária para preparar sua futura estrela e fazer disso
uma boa experiência.
Também fico impressionada com o fato de muitos organizadores de competições de gatos
trabalharem com abrigos locais e grupos de resgate a fim de promover adoções para gatos que
precisam de um lar.

OS CINCO FABULOSOS FELINOS


Como são os 90,5 milhões de gatos dos Estados Unidos? Muitos são “apenas gatos” – malhados,
tigrados, pardos e frajolas, de pelo longo ou curto. Das 41 raças com pedigree reconhecidas pela Cat
Fanciers’ Association, guardiã do maior registro de gatos do mundo, estas são as mais populares.
1. A raça persa mantém a primeira colocação desde 1871. As pessoas adoram sua natureza tranquila e
admiram o pelo longo e sedoso, que pede escovação diária para se manter desembaraçado.

2. O tipicamente americano maine coon eclipsa a maioria das outras raças em termos de tamanho e
volume, mas tem um temperamento gentil. É uma raça que costuma ser comparada às caninas. A
longa pelagem se apresenta em cores lindas e variadas.
3. O exótico é uma raça que lembra a persa, à exceção da pelagem, que é densa, macia, de comprimento
médio e não exige escovação diária. Os gatos dessa raça às vezes são chamados de “persa de pija mas”.
As pessoas amam seu rosto de querubim, seu corpo robusto e sua calma.

4. Conhecida mundialmente como a raça que adora falar, o gato siamês é um dos gatos mais facilmente
identificáveis. As pessoas são atraídas por sua constituição muscular e graciosa, sua pelagem macia e
curta e pelas “manchas” escuras no rosto, orelhas, pernas e cauda. Os miados altos e roucos da raça
também são muito característicos.

5. O abissínio é ativo e inteligente e adora ficar perto das pessoas. É o animal perfeito para quem busca
muita interação com seus companheiros felinos. Tem uma beleza real, rosto levemente redondo e em
forma de cunha, corpo flexível e pelagem sedosa e curta, com marquinhas iguais a de um coelho
selva​gem, em vários tons.

Entre as dez raças mais populares estão: ragdoll, birmanês, american shorthair, oriental e sphynx.
Eu amo o visual e os traços de personalidade dos gatos de pedigree , mas mantenha a mente aberta
quando pensar em adotar um filhote ou um gato adulto. Considere as beldades espon​tâneas do mundo
felino, sem pedigree , que são conhecidas pelas abreviações DSH ( domestic shorthair , “doméstico de pelo
curto”) e DLH ( domestic longhair , “doméstico de pelo longo”).

Por que há tão poucas raças de gatos?


P: Estou curiosa em saber por que há mais de 150 raças de cães reconhecidas e apenas 41 de
gatos. Os cães podem pesar de dois a oitenta quilos, com uma enorme variedade de formatos
de orelhas, focinho e cauda e muitos tipos de pelagem. Os gatos pesam entre dois e nove
quilos, têm o rosto essencialmente similar e não há tanta variedade de pelagem. Por quê?

R: Esgatossa seé uma b oa perg unta. Os cães foram domesticados milhares de anos antes de os
associarem aos humanos, porque precisávamos deles para nos ajudar a caçar, a
puxar trenós pesados, a juntar rebanhos etc. Ao longo de várias centenas de anos, as pessoas
foram incentivadas a ajustar a reprodução de vários cães para suprir suas necessidades. Isso
explica por que há tanta variedade de tamanho, temperamento e habilidades entre os cães.
Os gatos foram mantidos primariamente como caçadores e companhia. E por não terem
recebido a incumbência de realizar uma enorme lista de tarefas, não há tantas raças distintas
nem tanta variedade de peso ou tamanho entre a população felina.

Filhote ou gato adulto: qual escolher?


P: Quero adotar um gato de um abrigo , mas, como não tenho experiência, preciso de
conselho. Devo adotar um filhote ou um adulto? Como decidir entre tantas opções? Como
ter certeza de que vai ser a escolha certa para mim?

R: Essas são questões importantes e você faz bem em pensar nelas antes de levar um gato
para casa. Enquanto se prepara para receber um felino em sua vida, meu principal
conselho é pensar a longo prazo. Pense nisso da seguinte maneira: é provável que você tenha
esse gato em sua vida por mais tempo do que terá um carro. Infelizmente, as pessoas
costumam passar muitas horas escolhendo o veículo com o qual ficarão por quatro ou cinco
anos, mas passam apenas alguns minutos selecionando um companheiro felino que pode fazer
parte da vida delas por quinze anos ou mais.
Você precisa ser honesto sobre seu estilo de vida e sua personalidade, além de um pouco
egoísta. Seu novo gato precisa combinar com seu estilo de vida e com suas preferências. Se
você realmente quer um gato de pelo curto para não ter que se incomodar com a escovação
diária, então não deixe que um amigo bem-intencionado o convença a adotar um de pelo
longo, não importa quão belo ele seja. Se quer um gato que “fale com você”, procure um que
seja ativo e tagarela, não um felino tímido. Você admira um espírito independente ou prefere
um gato que adore se aconchegar no colo? É difícil resistir a um adorável filhote, mas você
tem tempo e paciência para as palhaçadas enérgicas de um gato jovem?
Recomendo que você escreva uma lista de como seria seu gato “dos sonhos”. Sua missão:
procurar um felino que melhor se adeque à lista. Há centenas de gatos precisando de um lar,
então não tenha pressa. Leve o tempo que for preciso e será recompensado com um
companheiro felino vitalício. Visite abrigos diferentes e procure grupos de resgate de gatos.
Também há grupos de resgate de raças se um gato com pedigree for bom para os traços de
personalidade desejados em sua lista.
Assim que determinar suas necessidades, meu conselho é que permaneça calmo e passivo no
abrigo para ver qual gato escolhe você como companhia. Confie na intuição dos gatos. Foi
assim que minha gata Murphy me escolheu. Ela corria e se escondia sempre que alguém
tentava pegá-la, mas saía dos esconderijos e se esfregava em minha perna quando eu aparecia.
Quando meu amigo Jim adotou um filhote, anos atrás, fui com ele a um abrigo de animais.
Jim é um cara grande e musculoso, com uma natureza calma. Toda vez que ele pegava um
filhote, sentia-se desajeitado. Finalmente, admitiu que não se sentia confortável criando um
filhote minúsculo e saltitante. Ele levou dois irmãos de 1 ano, que viveram com ele durante
dezessete anos. Os irmãos faziam companhia um ao outro quando Jim trabalhava longas horas.
Brincavam juntos e dormiam juntos durante as sonecas da tarde. Como Jim, se você for
honesto com seus desejos e suas necessidades, tenho certeza de que vai encontrar a companhia
perfeita.

COMO TORNAR SUA CASA À PROVA DE GATOS


Adotar um gato é divertido, mas se certifique de temperar esse entusiasmo com uma dose de
segurança. Aqui estão dez maneiras de garantir que seu gato desfrute de um lar, seguro lar.
1. Mantenha produtos de limpeza perigosos fora do alcance. Ingerir certas substâncias, até mesmo
em pequenas quantidades, pode ser fatal para a maioria dos gatos.
2. Instale trancas nos armários em que você guarda os produtos de limpeza e afins. Tome cuidado ao
pegar remédios e evite derrubar pílulas onde seu bichinho possa engoli-las.
3. Mantenha agulhas, alfinetes e cordões fora do chão. Alguns gatos também são atraídos por joias e
embalagem plásticas. Engolir qualquer um desses objetos pode provocar lesões internas.
4. Inspecione as telas nas janelas para garantir que este​jam firmes.
5. Cubra fios elétricos com PVC para impedir que seus gatos os mastiguem.
6. Coloque plantas fora do alcance. Folhas mordidas podem provocar desconfortos estomacais ou até
mesmo obstruções intestinais – e algumas são venenosas para os gatos.
7. Cheque a máquina de lavar e secar roupa enquanto tira e coloca as peças. Alguns gatos gostam de
dormir em locais escuros e quentes.
8. Bata no capô do carro antes de ligar o motor, assim você assusta qualquer gato que possa ter
entrado no motor para tirar uma soneca.
9. Olhe ao redor antes de se sentar em um sofá reclinável ou em uma cadeira de balanço. O gato
pode estar debaixo das pernas da cadeira ou dentro do sofá.
10. Isole áreas atrás de grandes aparelhos ou mobília pesada, como refrigeradores, sofás ou uma
grande estante de livros – qualquer lugar onde o bichano possa ficar preso.

Gato de rua ou feral?


P: Uma dupla de gatinhos magros tem aparecido no beco atrás de nosso restaurante. Eles
estão se alimentando de restos de comida. Primeiro, eles fugiam quando eu saía pela porta.
Mas, desde que comecei a colocar comida e água para eles, um dos gatos passou a confiar em
mim e a se aproximar. O outro ainda foge quando me vê. Eu gostaria de adotar o gato mais
amigável, mas como posso saber se é um gato de rua ou feral?

R: No mundo todo, pessoas atenciosas estão colocando tigelas de comida e de água em


portas, ruas e outros locais para sustentar os gatos de rua. P ode ser difícil distinguir entre
gatos ferais (os que nasceram se m um lar e tiveram pouca ou nenhuma interação com
humanos) e ga tos de rua (os que viveram com pessoas, mas estão perdidos ou foram
abandonados).
Na situação citada, você pode ajudar os dois gatos. O que aparenta confiar mais em você
deve ser um gato de rua que se encontra sozinho no mundo e deseja a segurança do interior de
uma casa. O segundo parece ser feral – provavelmente não deseja ficar preso em uma casa com
um humano, mas é motivado a buscar comida, ainda que ofertada por alguém.
Para o segundo, minha dica é contatar um grupo de resgate local e perguntar se podem
colocar uma armadilha humanizada (com cheiro de atum ou outra comida aromática como
isca). Alguns grupos também estão dispostos a emprestar às pessoas suas armadilhas.

Assim que o gato estiver na armadilha, você pode levá-lo ao ​veterinário para um exame de
saúde e uma cirurgia de castração. Depois, o gato é devolvido ao local onde vivia, onde estão
os outros membros de sua colônia.
Quanto ao gato de rua que capturou sua curiosidade, e aparentemente seu coração, evite fazer
qualquer movimento rápido ou falar em voz alta perto dele. Seu objetivo é conquistá-lo
exibindo uma etiqueta aceitável aos gatos. As chances são de que ele no fim deixará que você
se aproxime e permitirá que você o toque gentilmente. Pode levar alguns dias ou semanas, mas
siga as introduções. Se estiver preocupado com a segurança ou a saúde do gato, pode acelerar o
processo capturando-o em uma armadilha e levando-o ao veterinário para um exame completo
antes de adotá-lo. Boa sorte!
ADOÇÕES DE GATOS DOADORES
Considere adotar um gato que tenha servido como doador de sangue em um hospital veterinário.
Eles são tipicamente saudáveis, calmos e sociáveis. Além disso, passaram seus primeiros anos
servindo como verdadeiros salva-vidas de gatos doentes e machucados. Gatos doadores são , em geral,
encontrados na rua ou dados por seus proprietários, e têm entre 1 e 10 anos de idade. Eles pesam
quatro quilos ou mais e vivem apenas dentro de casa. Todos são rigorosamente examinados para
conferir se apresentam boa saúde.
Se você morar perto de um hospital veterinário, sugiro que dê a esses gatos especiais sua própria
consideração especial.

GATOS FERAIS TAMBÉM MERECEM CUIDADOS


Gatos ferais interagem entre si, mas não têm interesse em viver dentro de uma casa com humanos.
Eles acabam sobre vivendo da caça e de restos de comida se tiverem um abrigo adequado e não
muita competição por alimento, mas estão sujeitos a doenças, ferimentos e predadores. Em apenas
um ou dois anos, os filhotes de um casal de gatos ferais podem povoar o bairro.
Indivíduos conscientes estão prestando mais atenção aos gatos ferais e aumentando os esforços
para castrar as colônias a fim de controlar a questão da superpopulação. Uma maneira de manter os
gatos ferais saudáveis e evitar que espalhem doenças e a superpopulação é pelos programas TNR (
Trap, Neuter and Return , ou Prender, Esterilizar e Devolver).
Esses gatos são pegos em armadilhas, fazem exames e tomam as vacinas necessárias e são
esterilizados antes de serem devolvidos ao local de origem. Os ferais que já passaram pelo
procedimento têm a orelha furada ou a ponta de uma orelha removida como sinal de identificação.
Para que o gerenciamento da colônia seja bem-sucedido, voluntários devem fornecer alimentação
regular, monitorar a saúde da colônia e observar recém-chegados.
O esperto korat
Imagine o prazer de viver com uma “peça de museu” ambulante, com pelagem prateada e
grandes e luminosos olhos verdes. O governo da Tailândia reconhece oficialmente o gato korat
como tesouro nacional. Um antigo manuscrito, Cat-Book Poems , criado durante o período
Ayudha da história tailandesa (de 1350 a 1767), descreve os felinos da “boa sorte”. Entre eles
está o si-sawat , que é como os korats são chamados na Tailândia. “Seus pelos são sedosos,
com raízes como nuvens e pontas como prata, e seus olhos brilham como gotas de orvalho em
uma flor de lótus.”
Entre as mais puras de todas as raças, a aparência física do korat permaneceu imutável ao
longo dos séculos. Todos os korats têm tom azul-prateado e todos traçam sua ascendência à
Tailândia. É concebível que os traços típicos da raça sejam reflexo de sua rica ascendência.
Esses gatos desfrutaram séculos de associação próxima aos humanos, principalmente com a
alta classe do governo tailandês, com a nobreza e com representantes de governos estrangeiros.
Si - sawats eram amados por seus donos, vistos como gatos de boa sorte e serviam como
presente de casamento. Algumas pessoas os treinavam para procurar escorpiões em casa antes
que os bebês fossem colocados no berço.

Os korats atuais são excepcionalmente ligados à família e ao lar. Eles seguem os donos pela
casa, comunicando-se por meio de uma variedade de sons expressivos. O korat é um gato
“atento”, sempre observando, deliberadamente cauteloso. O mundo gira em torno de um korat ,
que em geral prefere uma residência tranquila e espera que as pessoas se adaptem a ele.
Ao descrever os korats , o primeiro atributo mencionado costuma ser a inteligência. A
maioria dos gatos tem a inteligência baseada no instinto, mas os korats exibem engenhosidade.
Eles aprendem facilmente palavras específicas, brincam de buscar a bola e podem entrar em
qualquer espaço. Os apreciadores de korats no mundo todo gostam de trocar exemplos de
feitos excepcionais de seus gatos, da sua capacidade de raciocínio e da sua habilidade para
solucionar problemas.
Um casal em Seattle sempre leva sua korat nas viagens que fazem de barco. A gata não tinha
permissão para subir no deque aberto a menos que estivesse na coleira. Quando ela queria se
juntar a eles no deque, ela pegava sua guia e a carregava na boca até a vigia.
Os filhotes de korat gostam de escolher seus donos. Quando uma ninhada é mostrada a um
dono em potencial, todos os gatinhos ficam curiosos, mas normalmente, cada filhote decide
qual é a “sua” pessoa. Aí, ele começa a subir no colo do humano escolhido, talvez mastigue seu
cabelo, enquanto os outros filhotes da ninhada agem de forma indiferente ou tímida.
Esses gatos notáveis são amados tanto pela personalidade vibrante quanto pela estonteante
beleza.
Contribuição de Joan Miller, jurada de concursos de animais
A grande família
P: Em uma união ao estilo da série Brady Bunch, eu e meu novo marido estamos tentando
reunir nossos filhos adolescentes, assim como nossos gatos, aves e ratos, sob o mesmo
teto. Estamos otimistamente esperando harmonia. Tenho dois gatos curiosos. Ele tem um
pássaro falante e um punhado de ratos como animais de estimação. Ele nunca teve um gato. Eu
nunca tive aves nem ratos. Esses animais podem conviver em harmonia?

R: Prevenção é a palavra aqui. É improvável que seus gatos adultos enxerguem os novos
colegas de casa como algo além de refeições em potencial. Mesmo que alguns gatos não
sejam grandes caçadores e prefiram tigelas de ração, não corra o risco de a atividade da ave ou
dos ratos instigar uma resposta predadora instintiva.
Mesmo se os seus gatos parecerem desinteressados na ave ou nos ratos, nunca os deixe
juntos sem supervisão. Se ninguém na família estiver disponível, certifique-se de que a ave e
os ratos estejam seguros nas gaiolas e fora do alcance dos gatos. Você não quer que seu felino
“brinque” com as aves nem mate os ratos da casa.
É importante, no entanto, que você mostre aos gatos que a ave e os ratos fazem parte da
família. Preste atenção aos sinais para ver se os bichanos estão se sentindo mais agressivos ou
divertidos pelas criaturinhas. Gatos que estão concentrados na presa tendem a exibir
curiosidade evidente, ficam imóveis e encaram a presa ou tremem levemente as caudas e
colocam as orelhas para trás. Outra grande pista: predadores não vocalizam antes de emboscar
e matar. No entanto, muitos gatos emitem um miado trêmulo característico ou um som de
cacarejo quando estão excitados por avistarem os pássaros.
É importante recompensar o comportamento aceitável e polido de seus gatos elogiando-os e
oferecendo-lhes pequenos petiscos quando eles estiverem relaxados perto da ave e dos ratos.
Se um dos gatos exibir um comportamento inadequado, como bater com a pata ou andar ao
redor da gaiola, você pode jogar uma pequena almofada ou esguichar água perto dele para
assustá-lo e distraí-lo (não o atinja de verdade!). A mensagem que você quer passar é a de que
coisas desagradáveis acontecem quando ele bate com a pata ou encara as criaturas engaioladas.
Embora eu não seja uma grande fã de punição remota, sou a favor de manter as aves seguras.
Você não pode liquidar a natureza predadora em seu gato, então, se deseja ter uma casa cheia
de asas e pelos, tome precauções adicionais para manter ratos e aves seguros e longe do
alcance de um gato curioso. Certifique-se de que o gato não consiga pular no topo da gaiola
nem se pendurar perto dela e enfiar a pata pela grade.
Muitos bichos de estimação de origens diferentes se dão bem ou, pelo menos, se toleram.
Alguns gatos – principalmente os que cresceram desde pequenos com aves ou ratos – podem
atenuar sua natureza predadora. Mas você será uma amiga melhor mantendo um olhar atento à
ação dos bichos.
VERDADEIRO OU FALSO?
Alguns “fatos” felinos comuns são, na realidade, ficção.
GATOS COMEM GRAMA QUANDO ESTÃO se SENTINDO MAL. Os gatos não comem grama
só porque estão com o estômago doendo e precisam vomitar. Alguns, na verdade, gostam do gosto e
da textura da grama. A grama fornece fibra para ajudar a expelir as bolas de pelo e acrescenta
substâncias que não são encontradas na carne, como ácido fólico.
UM GATO GORDO É UM GATO FELIZ. Gatos obesos correm o risco de sofrer com uma série de
problemas de saúde, como diabetes, problemas hepáticos e artrite. Manter seu gato no peso ideal
aumenta a chance de ele viver uma vida longa e saudável.
LEITE É UM PETISCO SAUDÁVEL PARA GATOS. Depois que os filhotes são desmamados, os
níveis de lactase (enzima que ajuda na digestão da lactose) caem em cerca de 90%. Isso explica por
que muitos gatos adultos vomitam ou sofrem diarreia se ingerem muito leite de vaca. Uma colher de
vez em quando provavelmente não fará mal, mas leite não faz parte da dieta felina. Uma escolha
melhor seria uma colher de iogurte integral.
PARTE 2

Conversando com seu gato


É fácil para nós, humanos, sermos os melhores comunicadores do mundo – e isso
graças a nossa capacidade de fala. Algumas pessoas falam várias línguas. Outras nos
surpreendem ao fazer discursos motivacionais. Mas eis a crua realidade: nossos gatos “falam”
– e muito mais claramente que nós.
Gatos não enrolam ao falar. Nunca fingem nem enganam. Se por acaso se sentem ameaçados
ou bravos, sibilam. Se estão contentes, ronronam. Na conversa gato a gato, raramente há um
mal-entendido. A mensagem é entregue claramente por meio de posturas corporais e de uma
variedade de vocalizações.
No entanto, entre humanos e gatos, frequentemente há panes na comunicação. O que
podemos enxergar como um ato de desafio – por exemplo, usar o tapete do banheiro como
caixa de areia – pode ser um pedido de ajuda para um problema de saúde. Não entendemos por
que os gatos fogem de nossos abraços, mas costumam sempre se aproximar de visitantes com
alergias. Nem sempre sabemos a diferença entre “miou” e “miau”.
Podemos nos comunicar melhor com nossos gatos aprendendo a “linguagem” felina. E,
enquanto fazemos isso, podemos cometer um ou dois faux-pas , mas tudo bem.
Olha quem está falando
P: Minha gata Maddie é muito tagarela. Assim que me levanto de manhã, ela começa a miar.
Se eu “mio” de volta, ela responde, e isso dura o tempo que eu estiver disposta a jogar
esse jogo. Meu outro gato, Whisper, é muito quieto e raramente fala comigo. Por que alguns
gatos são tagarelas e outros não?

R: Simples: alguns gatos têm mais a dizer. Gatos são como pessoas. Há os tipos falantes e os
que preferem escutar a falar. Você não diz se Maddie é de uma raça pura ou misturada,
mas algumas raças são mais propensas a falar. No topo dessa lista, está o siamês. Outras raças
orientais também são conhecidas por falarem mais que raças mais quietas, como persas ou
maine coons. Claro que sempre há exceções à regra. Conheci alguns siameses que pareciam
operar no modo silencioso e alguns persas que não paravam de falar até que alcançassem a
tigela de comida ou a cama.
Gatos são perspicazes. Eles percebem que somos apenas humanos e que geralmente estamos
desatentos a sua óbvia linguagem corporal. Eles fazem uma série de sons complexos e puros
com significados diferentes e costumam tentar se comunicar conosco vocalmente.
Parece que você gosta de suas sessões de bate-papo com Maddie, então recomendo usar esse
tempo para reforçar esse laço especial. Mesmo se ela não entender explicitamente o que você
está dizendo, ela vai gostar de seus tons amigáveis e da atenção individual. Uma pesquisa
comportamental conduzida na Universidade de Bristol, na Inglaterra, mostrou que as pessoas
que imitam as brincadeiras de seus gatos desfrutam de uma melhor relação com eles. Além
disso, gatos que brincam com os donos tendem a ser mais extrovertidos e tranquilos.
No fim das contas, não são as palavras que você diz que importam, e sim o tom de sua voz e
sua disposição de passar um tempo de qualidade com Maddie. Mas não ignore Whisper – o
fato de ele não falar não significa que ele não vai apreciar sua atenção e sua afeição!

É dos alérgicos que eles gostam mais?


P: Meus dois gatos geralmente evitam visitas que gostam de acariciá-los, mas adoram ficar
perto de meu amigo que tem alergias terríveis! Por que os gatos parecem ir direto para a
única pessoa que quer ficar longe deles?
R: Embora algumas pessoas – e alguns cães – gostem de ser admirados, os gatos têm um
comportamento próprio. Qualquer coisa que se aproxime rapidamente deles
provavelmente será vista como ameaça. Por esse motivo, mesmo que sua tia Lilly
simplesmente adore seu persa e queira enchê-lo de beijos repletos de batom, ele não quer essa
atenção exagerada e foge da cena.
Gatos gostam de iniciar uma ação e controlar as apresentações. É mais seguro desse modo,
sem falar que é mais digno. Seu amigo com alergia faz o possível para evitar contato com
gatos. Na linguagem felina, ele está mostrando boas maneiras. Seu amigo pensa erroneamente
ao achar que, ao ignorar seus gatos, eles ficarão desinteressados. O efeito é o oposto. Eles o
veem como não ameaçador e amigável.
Por mais tolo que possa parecer, peça a esse amigo para bater palmas e acenar com os braços
quando seus gatos se aproximarem dele. Você não quer aterrorizar os bichos, mas esses gestos
podem ser suficientemente inóspitos para que eles decidam manter distância.
A solução mais fácil é provavelmente colocar seus gatos em outro cômodo e manter a porta
fechada durante a visita de seu amigo. ​Certifique-se de que o ambiente em que eles fiquem
tenha uma caixa de areia, tigelas de comida e de água, um cantinho confortável para descanso,
um ou dois brinquedos e uma janela para observar a vizinhança.
Com seus amigos que gostam de gatos, sugira que entrem tranquilos em casa, ajam
discretamente e não se mexam no sofá por alguns minutos. Eles não devem se aproximar nem
fazer contato visual com os gatos. Com uma linguagem corporal mais tranquila, talvez eles
consigam a interação desejada com seus bichanos.

Para que serve o ronronar?


P: Meu gato Felix adora ronronar – e faz isso bem alto. Basta acariciá-lo, e ele começa a
fazer barulho. Já a gata de minha irmã, Ginger, raramente ronrona, mesmo quando parece
estar feliz e é mimada. Já ouvi várias versões sobre o que leva um gato a ronronar. Qual seria a
verdadeira?

R: Odescobrir
ronronar vem fascinando humanos há décadas. Muitas pesquisas foram feitas para
sobre essa mística felina, mas ninguém sabe ao certo por que os gatos
ronronam, embora se acredite que seja um ato voluntário iniciado pelo sistema nervoso central.
Em outras palavras, ronronam porque querem, não apenas como uma resposta instintiva.
Cientistas relatam que os gatos ​produzem sons de ronronar usando o ​diafragma para
empurrar o ar para frente e para trás entre os nervos vibratórios na laringe. O ronronar ocorre a
uma frequência que varia entre 25 e 150 hertz. Na extremidade mais baixa da variação, esse
ruído pode se assemelhar a um motor a diesel em marcha lenta, que tem velocidade similar.

FATO FELINO
Você sabia que os gatos conseguem ronronar enquanto inspiram e expiram? Essa é uma façanha que não podemos
imitar. Tente fazer um som de ronronar enquanto respira. É mais difícil do que dizer rápido “três tigres tristes”
dez vezes.

Todos os gatos domésticos e a maioria dos felinos selvagens nascem com a habilidade de
ronronar. Os gatos, de jovens filhotes a cidadãos idosos, ronronam quando estão felizes,
quando são acariciados, ao antecipar o jantar ou ao se aconchegar em uma cama quente e
confortável. As mães felinas ronronam quando estão amamentando, e os filhotes ronronam
quando estão mamando.
Mas muitos gatos também ronronam quando sentem medo ou dor. Isso ajuda a explicar por
que as fêmeas podem ronronar durante o trabalho de parto e por que alguns gatos ronronam
quando estão sendo examinados em uma clínica veterinária ou quando estão se recuperando de
um ferimento. O ronronar poderia, nesses casos, servir para tranquilizar ou confortar o gato
assustado, e alguns estudos sugerem que as vibrações de baixa intensidade do ronronar
estimulam fisicamente os músculos e os ossos felinos para mantê-los saudáveis e até para
acelerar o processo de cura. Os gatos ronronam até o fim – anos atrás, quando minha amada
Samantha teve que sofrer eutanásia devido a uma doença hepática, o som de seu ronronar
confortou nós duas enquanto ela se esvaía em meus braços.
DECIFRE O QUE SEU GATO DIZ
Seja seu gato um felino tagarela ou um filhote calad ã o, provavelmente você já percebeu que ele tem
uma variedade de vocalizações. Você pode se surpreender ao saber que os gatos são capazes de
emitir cerca de trinta sons distintos, incluindo pelo menos dezenove variações do simples miado. Eis
alguns dos sons felinos mais comuns.
MIOU. Esse som agradável e agudo é usado para pedir algo às pessoas, como “por favor, encha
minha tigela” ou “eu gostaria de sair”. Filhotes fazem esse som para as mães quando querem
mamar.
MIAU. Seu gato evoca esse tom longo e que soa urgente para fazer exigências e mostrar desprazer.
O mi assinala ao dono onde o gato está e o au proclama “olhe para mim”. Um “miau” pode registrar
uma reclamação por conta de uma carícia forte demais ou indicar irritação quando um “miou”
polido na porta de trás foi ignorado.
CHILRO. Esse trinado musical sai da garganta e termina com uma inflexão em forma de
pergunta. A m ãe felina costuma usá-lo para reunir seus filhotes na hora de mamar. Dirigida a uma
pessoa favorita, esse som pode significar “estou contente que você esteja em casa” ou “ah, aí está
você”.

CACAREJO. Gatos excitados costumam emitir esse ruído de c á -c á -cá quando avistam uma ave
através da janela. Perceba que a mandíbula inferior do gato treme quando ele cacareja. É um som
que exprime frustração.
GEMIDO. Esse lamento alongado de pânico ou protesto vem de um gato que está extremamente
infeliz ou com dor. Alguns gatos gemem quando estão prestes a regurgitar uma bola de pelos ou
durante um exame veterinário.
SILVO. Simples e direto, esse som diz que você deve se afastar. É um sinal de advertência antes de
um gato se defen​der mordendo ou golpeando. Um gato especialmente furioso também fará um som
de cuspir.
UIVO. Gatos zangados e agitados irrompem frequentemente em uma competição de gritos ao se
sentirem ameaçados o suficiente para atacar. Em geral, esses gritos antecedem ou acompanham o
contato físico. Em uma situação que não envolve luta, um gato senil desorientado pode uivar, assim
como um gato surdo que não pode se ouvir. Um gato também pode uivar em luto, depois da morte
ou do afastamento de um companheiro. E as fêmeas no cio podem uivar incessantemente, o que é
outra boa razão para a esterilização!

O poder de cura do ronronar


P: Quando Groucho, meu grande malhado, se senta em meu colo e começa a ronronar feliz,
sinto meu estresse se desfazer. Tenho certeza de que acariciar seu pelo macio e ouvir seu
ronronado faz bem para minha saúde, mas há alguma prova científica disso?
R: Nunca subestime o poder do ronronar – cientistas certamente respeitam esse som mágico de
motor. Estudos recentes validaram que a companhia de um gato satisfeito e que ronrona
pode normalizar a pressão sanguínea do ser humano, reduzir o estresse, dominar sentimentos
de solidão e até aumentar a autoestima. Cerca de 65% dos lares americanos têm bichos de
estimação, mas só agora estamos percebendo o poder que nossos animais possuem de nos
curar emocional, física e mentalmente. Cientistas também estão descobrindo que gatos e outros
bichos amados possuem poderes especiais de cura que ajudam as pessoas a combater doenças e
a lidar com condições crônicas.
No livro O poder curativo dos bichos , o veterinário Marty Becker descreve o impacto
bioquímico que os bichos de estimação têm em seus donos. Ele entrevistou vários médicos,
que forneceram resultados de muitos estudos científicos apoiando a base biológica para o que
sentimos ​intuitivamente – que as pessoas podem ser mais saudáveis ao interagir positivamente
e ao dividir a vida com animais de estimação. Por exemplo, o mero ato de acariciar seu gato
pode baixar sua pressão sanguínea.
Dr. Allen Schoen, diretor do Instituto Veterinário para Alternativas Terapêuticas em
Sherman, Connecticut, devotou sua carreira a estudar como os animais podem transformar e
melhorar nossa vida. Ele explica que o ronronar de um gato estimula nossos nervos auditivos e
nos dá uma pausa pacífica dos ruídos mecânicos que constantemente bombardeiam nossos
sentidos.
Alguns médicos até recomendam “prescrições de animais de estimação” a pacientes que
vivem sozinhos e precisam de companhia. Isso porque descobriram que o bicho de estimação
de uma família realmente motiva alguns pacientes a se esforçar e lidar com doenças graves,
como o câncer. Ter um animalzinho para cuidar e alimentar pode estimular indivíduos doentes
a tomar um cuidado melhor consigo mesmo.
Aqui estão três maneiras fáceis e saudáveis de aproveitar o poder de cura de seu companheiro
felino.
• Passe um tempo todos os dias apenas olhando, escutando e falando com o seu gato. Isso
ajuda a liberar substâncias que causam uma boa sensação e que o ajudam a relaxar.
• Acaricie seu gato da maneira certa. Aprenda a fazer nele uma massagem terapêutica,
passando juntos um tempo que tranquili​zará ambos.
• Envolva-se em brincadeiras com seu gato e descubra que, assim, é possível se livrar do
estresse diário mais facilmente, respirar fundo e rir com mais tranquilidade.

Quem vê cauda vê coração


P: Minha gata Mimi costuma andar pela casa com a cauda ereta. Se ela está no quintal e me
vê sair de casa, sua cauda fica ereta na mesma hora. Com os cachorros, sei que uma cauda
relaxada e abanando significa que estão felizes e excitados. Mas, quando se trata de gatos, não
sei bem como interpretar os sinais. Os gatos usam a cauda do mesmo modo que os cães?

R: Afornecer
cauda versátil dos felinos definitivamente faz mais que apenas agir como leme e
equilíbrio. Como os cães, os gatos usam a cauda para mostrar como estão se
sentindo. Reconhecer as mensagens passadas pela cauda pode ajudá-lo a se comunicar melhor
com seu gato. Aqui estão algumas das principais posições e o que significam.
BEM ERETA. Um gato confiante e satisfeito manterá a cauda bem ereta ao andar por seu
território. Uma cauda ereta como um mastro assinala um humor feliz ou uma saudação
amigável. Gatos geralmente enviam essa mensagem ao se aproximar de uma pessoa receptiva.
Se a ponta da cauda treme quando o gato se aproxima de você, isso significa que ele
simplesmente o adora.
PONTO DE INTERROGAÇÃO. Uma cauda que parece dobrada como um ponto de
interrogação geralmente significa um humor para diversão. Seria o momento certo para se
engajar em uma sessão de brincadeiras de cinco ou dez minutos.
VOANDO BAIXO. Uma cauda posicionada de forma reta e paralela às pernas pode
representar um humor agressivo. Fique atento. Isso dito, há exceções. Gatos de algumas raças
como persas, exóticos e scottish folds tendem a manter a cauda mais baixa que o dorso.
ENFIADA. Uma cauda encurvada entre o corpo assinala medo ou submissão. Algo está
deixando o gato nervoso.

ARREPIADA PARA CIMA. Uma cauda que parece um limpador de cachimbo reflete um
gato muito agitado ou assustado, que está tentando parecer maior para afastar o perigo.
CHICOTEANDO. Uma cauda que se agita para cima e para baixo indica tanto medo quanto
agressão. É um aviso: “Fique longe”.
AÇOITANDO. Uma cauda que se agita lentamente de lado para outro geralmente significa
que o gato está concentrado em um objeto. Os gatos costumam agitar a cauda antes de pular
em cima de um rato de brinquedo, por exemplo. Faz parte da sua postura de predador.
TREMENDO. Quando a cauda treme apenas na ponta é sinal de curiosidade e excitação.
GATO A GATO. Uma cauda enrolada em outro gato é o equivalente a uma pessoa
colocando casualmente o braço ao redor de um amigo. Transmite amizade felina. Meus gatos,
Callie e Little Guy, costumavam andar pelo corredor com as caudas se tocando.
Pose macabra
P: Às vezes meu gatinho arqueia o dorso, arrepia os pelos e pula pela sala com as pernas
duras. Ele fica ridículo. Não consigo deixar de rir quando ele assume essa postura clássica
de gato assustador de Halloween. Por que ele faz isso?

R: Frente ao dilema de brigar ou correr, um gato precisa lidar com o que ele percebe ser uma
situação temível. No corpo dele, há substâncias trabalhando. A adrenalina começa a
jorrar, fazendo com que os pelos se arrepiem, ele arqueie o dorso e a cauda fique ereta e
arrepiada. Resultado? Ele parece um pôster infantil para o Halloween.
Os gatos assumem essa postura para parecerem maiores fisicamente e mais intimidadores
diante de ameaças que se aproximam. Observe que seu gato também vira de lado em relação
ao agressor para aumentar ainda mais a própria aparência. Exteriormente, o gato parece mau e
pronto para a luta, mas interiormente ele está esperando que o agressor (seja um cão
desconhecido, seja um convidado estranho, seja um som surpreendente na televisão) vá
embora e o deixe em paz.

Essa é uma postura felina clássica. Pode parecer cômica para nós, mas para os gatos a
ameaça é real e a postura é uma reação instintiva. Se essa postura não funciona, o gato tem
duas opções: fugir ou se ​preparar para lutar.

Olhos nos olhos


P: Minha gata Daphne tem belos olhos redondos e dourados. Ela é uma bengal que adotei
quando filhote, há cerca de três anos. Daphne se tornou muito afetuosa, adora brincar e
me segue por todos os cômodos. Às vezes tento fazer, de brincadeira, um concurso de quem
pisca por último com ela. Achava que os gatos pudessem nos vencer, mas ela sempre desvia o
olhar e começa a piscar para mim. O que ela está me dizendo?

R: Ah, você é o orgulhoso receptor do piscar de um felino. Os gatos que gentilmente piscam
os olhos para pessoas selecionadas estão exibindo não apenas afeição, mas também
confiança. Daphne está lhe dizendo, na linguagem cândida de gato, que ela te adora. Faça sua
gata feliz respondendo com piscadelas lentas. Ela pode se surpreender com seus
conhecimentos sobre gatos e exibir outras formas de amizade.
Quanto ao concurso de quem pisca por último, os gatos reservam aquele olhar intenso para
quando estão em alerta ou sentindo raiva, então é melhor evitar olhar diretamente nos olhos de
seu gato se você quiser manter aqueles sentimentos felizes.

Comunicação entre gatos


P: Pelo que percebo, meus quatro gatos se dão bastante bem. Eles não se envolvem em lutas
sangrentas nem em trocas de uivos desagradáveis. São todos adultos, variando de 3 a 10
anos de idade. Cada um chegou em uma época diferente. Como posso saber se eles se gostam
ou apenas se toleram?

R: Apesar da variedade de sons descrita na página 67, os gatos confiam menos em sons e
mais em posturas corporais e no odor para se comunicar entre si. No entanto, alguns
sibilam para um companheiro felino quando se sentem na defensiva
ou ​ameaçados.
Os gatos geralmente são vistos como criaturas solitárias, que desfrutam da companhia apenas
quando vão acasalar ou amamentar; no entanto, muitos formam laços de amizade. Por quê?
Essa é uma questão complexa, que ainda está sendo estudada por behavioristas de animais. O
que se sabe é que, entre gatos, o espaço importa. Estou falando do espaço físico entre dois
animais que compartilham a mesma casa.
Gatos que no mínimo se toleram, e no melhor dos casos se gostam, exigem bem menos
separação física que gatos rivais. Além da sala suficientemente espaçosa, a disponibilidade de
recursos também desempenha um papel importante na manutenção da paz. Se houver bastante
ração para todos, há menos chances de brigas por comida. O mesmo com o número de caixas
de areia. A regra é ter ao menos uma caixa de areia por gato.
Nem todo gato se aconchega a outro ou brinca junto, mas isso não significa que eles não
estejam contentes em dividir uma casa. Não se preocupe se seus gatos se ignorarem ou se
apenas se ​cheirarem ​ocasionalmente, mas esteja alerta a sinais de estresse, como orelhas
abaixadas, pupilas dilatadas, sibilos e rabos baixos. Pela descrição, aposto que seus quatro
felinos exibem com mais frequência posturas relaxadas e que todos se sentem seguros e bem
alimentados. Não há necessidade de competir quando os quatro são mimados.
JARDIM DE INFÂNCIA
Aulas para cãezinhos são bem conhecidas, mas até recen temente, aulas para gatinhos não eram tão
populares. As primeiras começaram há mais de uma década, na Austrália, ministradas pelo veterinário
behaviorista Kersti Seksel.
O jardim de infância de gatinhos tem dois objetivos: socializar filhotes e ajudar as pessoas a
compreender melhor a mente felina. Os animais aprendem a ser manipulados, escovados e examinados
e a explorar novos espaços com confiança. Alguns brincam entre si, enquanto outros preferem passar o
tempo com as pessoas que lhes dão petiscos.
A época ideal para a matrícula é quando o filhote tem entre 3 e 4 meses – ápice do período de
socialização de um jovem felino.
No entanto, o jardim de infância de gatinhos não está isento de polêmicas. Alguns especialistas felinos
dizem que essas aulas de socialização são mais bem aproveitadas por gatinhos órfãos ou de abrigos, não
por aqueles que experimentaram uma vida normal e aprenderam regras felinas de mães e irmãos.

Cinquenta tons de branco


P: Toda vez que coloco uma calça escura, é certo que meu gato branco, Toby, vai entrar no
aposento e começar a se esfregar em minhas pernas. Em pouco tempo, então, a calça está
coberta de pelo branco do joelho para baixo. Tento afastá-lo gentilmente, mas ele insiste. Por
que ele faz isso e como posso impedi-lo?

R: Quando um gato se esfrega em suas pernas ou roça o rosto em suas mãos, ele está
transmitindo dois sinais. O primeiro é uma forma de bajulação. Você é o recipiente
sortudo de sua afeição. Eu sei, bajulação não vai levá-lo a lugar nenhum, exceto, neste caso, ao
canto em que você guarda o rolo de fita aderente para remover a assinatura peluda de Toby.
O segundo sinal tem a ver com a proteção do território. Gatos têm glândulas odoríferas nos
lábios, no queixo, na testa e na cauda. Não podemos sentir o resíduo oleoso que é depositado
por essas glândulas, mas outros gatos (e cães) certamente podem. Quando Toby se esfrega em
suas pernas, ele está alertando outras criaturas a se afastarem e respeitarem a propriedade
“dele”.
Ao empurrar gentilmente Toby, você, sem querer, reforça o comportamento dele. Quando o
afasta de suas pernas, ele gosta do toque de sua mão; ao mesmo tempo, ele deixa esse cartão de
visitas em suas roupas. Vitória dupla!
Está claro que você trata bem Toby e que ele o ama. Talvez vocês possam chegar a um
acordo. Crie um pouco de “tempo para Toby” todos os dias, durante o qual você lhe dá carinho
e conversa suavemente com ele. Escove-o regularmente para retirar o excesso de pelos. Eis
uma dica de escovação: passe a mão úmida na direção contrária ao nascimento da pelagem de
seu gato. Isso retira os pelos melhor que a escovação. Você não apenas retira os pelos mortos
(os únicos que os gatos perdem), mas também estimula o crescimento de fios novos. Um
banho completo ou mesmo uma lavagem a seco com xampu de vez em quando também ajuda a
manter a quantia de pelos mortos mais manejável.
Se Toby continuar insistindo em se esfregar em suas pernas, considere tornar suas roupas
menos convidativas. Jorre levemente citronela ou um spray repelente de gatos em suas calças
(antes, leia as instruções de manuseio para garantir que não vai estragar o tecido). Uma
fungada, e Toby irá para o lado oposto enquanto você segue para a porta com roupas limpas.
Mas não espere que ele aprenda que tem problema se esfregar em sua calça social, mas não em
seu jeans – ou você aceita alguns pelos ou desencoraja totalmente essa exibição afeto.

Saltar e atacar
P: Meu gatinho de 5 meses, Rex, costuma saltar de lado na frente de nosso velho cachorro,
Gus. Gus olha para Rex como se este fosse de outro planeta. Ele se esforça para ignorar o
gato, mas Rex persiste. Ele às vezes chega a bater no focinho de Gus com a pata e, então,
correr. O que isso significa?

R: Rex está fazendo um convite para brincar. Gatinhos geralmente arqueiam as costas,
arrepiam a cauda (com a ponta para baixo) e fazem essa dança lateral de discoteca para
fingir que estão com medo. Obviamente, Rex não se sente ameaçado por Gus, mas ele pode
estar se sentindo entediado. Ele quer que Gus brinque com ele de pega-pega.

Está claro que Rex precisa brincar mais. O velho Gus não é indicado para isso, então
encorajo você e o restante da família a jogar bolas de papel pelos corredores para Rex pegá-las
ou arrastar um cordão para ele perseguir. Ele também pode se divertir com um laser na parede.
Só se certifique de que a área esteja livre de objetos que possam se quebrar. Também tome
cuidado com a mobília pesada, que pode ferir um gatinho que se move rapidamente e que pula
sem parar. Até mesmo o mais ágil dos filhotes comete erros de julgamento e bate em móveis.
Ai!
Rex parece ser um encanto e merece companheiros de brincadeiras dispostos a se juntar a ele
em uma diversão felina diária.

Lidar com a surdez


P: Recentemente adotei Lizzy, uma gatinha de 5 meses branca e de olhos azuis. No primeiro
check-up , o veterinário me informou que ela é surda. Claro que planejo continuar com a
gata, mas como vai ser a comunicação?

R: Lizzy é uma gatinha de sorte por tê-la como cuidadora. Gatos surdos possuem alguns
desafios extras, mas isso só os torna mais especiais.
Alguns gatos nascem surdos. E aqui vai uma lição breve de genética: a surdez está associada
ao gene branco dominante autossômico simples, especialmente na combinação com olhos
azuis. A chance de surdez em gatinhos brancos de olhos azuis aumenta dramaticamente se
ambos os pais são brancos. E quanto aos gatos siameses? Embora famosos por seus olhos
azuis, eles não nascem surdos porque não têm o gene branco dominante.
Gatos como Lizzy, com pelos brancos e dois olhos azuis, são geneticamente mais propensos
à surdez devido à degeneração do ducto coclear no ouvido. O mecanismo responsável pela
pigmentação nos olhos também controla o desenvolvimento auditivo. Quando as ​células de
pigmento responsáveis pela cor são interrompidas prematuramente, a audição é afetada.
Outros gatos ficam surdos devido a infecções graves no ouvido, a envenenamentos ou a
traumas na cabeça. A idade avançada é outra causa. Não importa a causa, gatos surdos
costumam se assustar facilmente, ainda mais se você se aproximar deles por trás ou se cutucá-
los enquanto dormem. Alguns gatos surdos são bem barulhentos porque não conseguem
escutar a própria voz nem controlar o volume de seus miados.
Não deveria ser preciso dizer que, por motivos de segurança, gatos surdos precisam viver
estritamente dentro de casa. Sugiro que você marque uma consulta com o veterinário para
implantar um microchip em Lizzy e coloque o endereço na coleira dela, indicando que ela é
surda, no caso de alguém a encontrar na rua. Coloque um sininho na coleira para seguir seus
movimentos.
Já que Lizzy não pode escutá-la, você precisa se aproximar dela de frente para não assustá-la,
senão ela pode sentir medo e arranhar você. Abordá-la de frente é a forma de prepará-la para a
interação. Não se esqueça de pedir às visitas para fazerem o mesmo. Se você precisar acordá-
la, bata no chão perto dela para que ela possa sentir as vibrações. Se ela estiver dormindo em
uma cama para gatos ou em um móvel, empurre a superfície perto dela em vez de tocá-la.
Você pode ensinar um gato surdo a se aproximar quando chamado, a se sentar e a fazer
outros truques usando gestos. Também pode se comunicar usando uma lanterna ou uma caneta
a laser. Use a luz da lanterna para guiar seu gato para onde você deseja que ele vá. Luzes de
lanternas também podem ser utilizadas para distrair um gato surdo que pode estar em um
balcão da cozinha, arranhando o sofá ou cometendo outro delito felino.
Resumindo: com ajuda, gatos surdos podem desfrutar de uma vida plena. Eles são
notavelmente adaptáveis e compensam a surdez confiando mais nos outros sentidos, como
visão e olfato.
Falar com gatos
P: Quando digo a palavra “petisco” a Totó, meu gato, ele vem correndo. Se digo “andar”, ele
vai até a porta, onde deixo sua guia. Ele adora fazer caminhadas curtas na rua. Gatos
conseguem entender palavras do mesmo modo que cães?

R: Assim como os cães, os gatos são mais hábeis interpretando tons de voz e linguagem
corporal que palavras. Eles medem constantemente as sílabas faladas e os gestos para
determinar se estamos fazendo um elogio ou passando um sermão. Mesmo sem palavras
específicas, eles captam emoções e intenções.
Aqui vai um desafio. Sem usar gestos, faça contato visual com Totó e, com uma voz brava,
diga: “Que gatinho bonzinho! Vou lhe dar um pouco de catnip ”. Em seguida, faça contato
visual e diga, em tom alegre: “Gatinho mau. Odeio quando você arranha a mobília”. Aposto
que Totó vai estar mais propenso a se aproximar quando você falar num tom de voz feliz do
que quando falar de modo duro e repreensivo.
Esse exercício demonstra que geralmente não é o que você diz, mas como diz que conta.
Embora falemos línguas diferentes, os espertos felinos prestam atenção a nossas expressões e
nossos hábitos. Alguns associam rapidamente o som de seus nomes com seus donos querendo
atenção.
Minha gata Callie vai para a porta telada no terraço quando pergunto se ela quer sair. É claro,
enquanto digo isso também estou indo para o terraço, estendendo minha mão para abrir a
porta. Se fizesse os mesmos gestos e mantivesse a voz feliz, mas mudasse as palavras para “ei,
Callie, você quer surfar?”, ela me seguiria feliz até a porta do terraço para conseguir um pouco
de ar fresco – sem temer ter uma única gota do poderoso oceano em sua pelagem.

PERSONAGENS PITORESCOS
Joan Miller, jurada da Associação dos Criadores de Gatos, é especialista em traços de personalidade
felina. Embora não haja prova científica para validar por que gatos com pelagem laranja podem
agir como “malucos” se comparados aos irmãos de pelagem totalmente preta na ninhada, muitos
apreciadores de gatos concordam que gatos com pelagem de casco de tartaruga, tricolores e fêmeas
rajadas de pelos laranja costumam apresentar animação e coragem extras.
Miller relata que a “teoria do gene laranja” está de certa forma conectada a traços de
personalidade. Ela destaca que o Gato de Cheshire, no clássico infantil Alice no país das maravilhas ,
era laranja. E sabemos como ele era maluco!
O gene laranja está ligado ao sexo (X) e não está no mesmo cromossomo que os outros genes de
cor. Por isso apenas as gatas fêmeas, que têm dois genes X, podem ter pelagens de cor laranja e preta
ao mesmo tempo. Machos, com cromossomos XY, podem ser pretos ou laranja, mas não essas duas
cores. Isso significa que felinos de pelagem de casco de tartaruga ou tricolores são sempre fêmeas – e,
de toda maneira, gatas frequentemente não são tão calmas quanto os machos.
Minha barriga, minhas regras
P: Alexis, minha tricolor de 1 ano de idade, não se importa se eu coço debaixo de seu queixo
ou se faço carinho em sua cabeça, mas definitivamente não gosta quando esfrego sua
barriga. Tive outros gatos e cachorros que pareciam implorar para que eu coçasse a barriga
deles. Por que ela não gosta que eu toque nessa parte de seu corpo?

R: Não sei há quanto tempo você tem Alexis, mas as tricolores tendem a ser um pouco
apreensivas e cautelosas, especialmente em seus primeiros anos. Além disso, não importa
a cor do gato, a barriga é uma das partes mais vulneráveis do corpo de um bichano, e muitos
felinos temem expor esse ponto delicado.
Gatos precisam se acostumar a ser tocados pelas pessoas e, para isso, a confiança deve ser
conquistada. Por enquanto, respeite o desejo de sua gata e evite esfregadelas na barriga. Dê a
ela tempo para se acostumar a ser tocada por você e para aprender que você não irá impor
atenção indesejada sobre ela. Se Alexis mostrar a barriga e parecer relaxada perto de você,
elogie-a, mas não toque na barriga até ter certeza de que é um convite para fazer isso.
Em vez disso, dê a Alexis outros carinhos específicos: massageie a espinha dorsal dela para
cima e para baixo, usando o dedo e o polegar (não as unhas). Ganhe a confiança dela fazendo
carinho em sua cabeça e debaixo de seu queixo e recebendo-a em seu colo ou ao seu lado
enquanto estiver lendo ou assistindo à televisão.
Alexis pode se tornar um bichinho amoroso, que pede carinhos amigáveis, inclusive na
barriga. Senão, apenas entenda que alguns gatos têm certas áreas em que não gostam de ser
tocados.

Mi-AÚÚÚ
P: Tenho dois gatos siameses, um macho chamado Kai e uma fêmea chamada Kiki. Ambos
têm cerca de 6 anos de idade, já foram castrados e são da mesma ninhada. Kiki se
comporta bem, mas Kai não. Assim que o sol se põe, ele começa a andar pela casa uivando o
mais alto que pode. Tentei acalmá-lo dando-lhe atenção, mas não importa o que eu faça, ele
continua uivando. Não consigo dormir. Como posso acalmá-lo?

R: Gatos são naturalmente criaturas noturnas, isto é, dormem bastante durante o dia e ficam
mais ativos ao entardecer e ao amanhecer. Quando o sol se põe, Kai está com muita
energia e começa a andar e a vocalizar, talvez frustrado por não poder se juntar às atividades
felinas do lado de fora.
Já que seu uivo se tornou uma questão séria, o primeiro passo é determinar o que provoca
essa hipervocalização. Você pode culpar a genética. Afinal, siameses são predispostos à
tagarelice. O aumento dos uivos também pode estar relacionado à necessidade de Kai chamar
atenção ou pode ter uma causa médica. Aconselho você a levá-lo ao veterinário para descartar
quaisquer ferimentos ou doenças que possam causar dor. Alguns gatos se tornam bastante
verbais quando desenvolvem hipertireoidismo, por exemplo.
A causa do uivo também pode ser emocional, como ansiedade ou medo. Trabalhe com o
veterinário para selecionar tratamentos ou remédios adequados.
Se você determinar que o uivo dele é apenas demanda de atenção, pode extinguir o
comportamento ignorando propositadamente suas vocalizações em alto volume. Isso não vai
ser fácil; de início, Kai provavelmente uivará ainda mais alto e com mais frequência quando
descobrir que você não reage. Quando ele começar, não diga nada – resista à tentação de
mandá-lo ficar quieto. Apenas saia do aposento ou feche a porta para que ele não o veja.
À noite, mantenha-o fora do quarto e não lhe dê a mínima atenção – nem mesmo para
mandá-lo ficar quieto. Você pode dar sinais de que planeja ignorá-lo fazendo um som especial,
como o cacarejar de um pato. Isso é conhecido como um estímulo de transição, usado para
alertar um gato de que seu tutor está prestes a retirar a ​atenção. O segredo é ser paciente e
evitar o castigo. Afinal, qualquer atenção, mesmo bronca, ainda é atenção na mente de Kai.
Outro passo é modificar seus horários de alimentação e de sono. Se possível, brinque mais
com ele durante o dia, o que reduzirá o tempo das sonecas diurnas, deixando Kai mais cansado
à noite. Dê a principal refeição no período noturno, pouco antes do horário de você ir para a
cama. Um gato com barriga cheia fica mais propenso a dormir do que a ficar ativo.
Em alguns casos, um gato que uiva vai se acalmar se for colocado em uma caixa confortável
na hora de dormir (deve ser grande o bastante para incluir uma caixa de areia, com algum
espaço entre ela e a área da soneca). Essa tática não funciona com todos os gatos, mas vale a
tentativa. Certifique-se de que criou um bom canto, com uma cama macia e talvez um petisco
ou um pouco de catnip , não um lugar de castigo.

Morde e assopra
P: Minha gata Peaches é uma mistura de vira-lata com siamês. Ela adora se aconchegar em
mim, mas às vezes, quando a estou afagando, ela me morde. Em alguns casos a mordida é
forte o bastante para me fazer sangrar. Por que ela morde? Posso treiná-la para não me morder
mais mesmo depois de doze anos vivendo comigo?

R: Peaches morde a mão que a alimenta, sem pedir desculpas. É fácil confundir o motivo
por trás da mordida. Peaches não está dando uma mordida de amor, mas uma clara
indicação de que já suportou o bastante da bondade humana. Sua mordida pode ser ​traduzida
como “faça o favor de parar de me acariciar ou vou morder mais forte”.
Alguns gatos mordem porque, quando filhotes, tiveram a permissão de brincar de “luta de
mãos” com os donos, que consideravam um gesto bonitinho. Eles cresceram pensando que não
há nada demais em morder e golpear mãos. Mas quando fazem isso adultos, com grandes
dentes e garras afiadas, não é mais tão bonitinho.
Outros gatos mordem porque estão assustados ou não se sentem bem, mas como isso vem
acontecendo com Peaches durante toda a sua vida, parece um caso clássico de agressão
induzida pelo carinho. Embora alguns gatos tolerem ser acariciados, outros se sentem superes​-
timulados pela sensação e atacam como uma reação automática. ​Peaches provavelmente te
morde como um último recurso, depois de fazer o que ela acredita ter servido como
advertência antes do ataque – por exemplo, agitação da cauda, orelhas para trás, pupilas
dilatadas, mudança de posição, músculos tensionados e a interrupção do ronronar. Quando
Peaches mostrar esses sinais de advertência, entenda que ela está pedindo para você parar de
fazer carinho. Ela comunicou, da melhor maneira que conseguiu, que já não suporta mais ser
acariciada.
Não fique tão ansiosa em acariciar Peaches. Saúde-a em um tom amigável, mas evite
acariciá-la por alguns dias. Isso a fará desejar atenção física. Quando você fizer carinho nela,
faça por apenas alguns segundos e então pare. Ficando mais sintonizada com os sinais
corporais de sua gata, você vai parar antes que Peaches se sinta oprimida – e vai poupar sua
mão de uma mordida indesejada.

O valentão
P: Nunca achei que fosse ver o dia em que um cachorro sofreria bullying de um gato. Mas é
o caso. Meu malhado de 3 anos, Roo, persegue, azucrina e até mesmo bate em Tigger,
meu cão. Tigger é uma mistura de poodle toy e terrier, que tem 2 anos e pesa praticamente o
mesmo que o gato. Por que Roo atormenta Tigger e o que posso fazer para parar esse
comportamento? Tenho medo de que eles se machuquem.

R: Acolegas
verdade é que nem sempre os cães são os valentões. Alguns gatos atormentam seus
caninos. Não se trata de tamanho físico, mas de atitude. Já vi um gato dominar
um pastor alemão e fazer o grandalhão fugir de medo. Gatos valentões como Roo querem
controlar a situação. Eles podem até mesmo tentar controlar as pessoas ao redor, exigindo
refeições quando querem e mordendo mãos quando decidirem que já tiveram carinho
suficiente.
Esse tipo de gato não aceita castigos nem ser corrigido, mas tem um ponto fraco: quer
atenção. Aproveite isso e ajude Tigger. ​Treinar um felino mandão é bem parecido com treinar
um cão alfa. Comece brincando com Roo com mais frequência a fim de gastar parte da sua
energia excessiva e também de mudar a atenção dele para você como companheiro de
brincadeiras, não o pobre Tigger. ​Proteja suas mãos envolvendo-o em jogos com uma vara de
pesca ou com um cat teaser (fio enrolado, com um pequeno feixe de madeira leve em uma
extremidade, que se move de forma errática, imitando o movimento de uma borboleta).
Em relação a Tigger, o primeiro passo é parar o ataque. Fique atento a indícios e interrompa
a briga antes que ela comece. Pouco antes de atacar, os gatos costumam afundar a cabeça,
arquear a parte traseira do corpo e a balançar um pouco. Se notar algum desses sinais,
permaneça calmo. Bronca e gritos agudos podem apenas aumentar a agressividade de Roo
contra Tigger. Em vez disso, tente distrair Roo com petiscos ou com seu brinquedo favorito ou
passe um momento fazendo carinho debaixo de seu queixo. Gatos não conseguem ficar felizes
e bravos ao mesmo tempo.
Separe os dois quando não estiver perto para supervisioná-los. Evite mantê-los juntos durante
momentos de alta energia, como ​refeições ou quando você chega em casa. Volte a reuni-los
quando estiverem cansados – por exemplo, depois de você ter brincado com Roo e levado
Tigger para uma caminhada. Quando os reunir, mantenha Tigger na coleira e deixe-o aprender
os sinais de Roo. Faça isso até ver que os dois animais estão calmos. Então, tire Tigger da
coleira. Por fim, certifique-se de que as garras de Roo estejam aparadas para evitar ferimentos
em Tigger.

Felinos briguentos
P: Tenho dois gatos com menos de 2 anos que não são parentes. Primeiro, adotei Abby; dois
meses depois, levei Buster para casa. Desde o primeiro dia eles se deram bem. Mas na
semana passada Abby tornou-se hostil com Buster. Agora estou mantendo os dois separados
em casa. Quando a porta se abre acidentalmente, Abby ataca Buster, que sibila e foge para se
esconder. Amo muito os dois gatos e gostaria que eles voltassem a ser amigos. O que posso
fazer para restaurar a paz?

R: Gatos são mestres em esconder a dor e o desconforto. Uma condição médica subjacente
pode ser a causa das explosões repentinas de temperamento de Abby, então meu primeiro
conselho é que você peça ao veterinário para examiná-la. Não é raro, no entanto, que gatos que
coexistiram pacificamente comecem de repente a se estranhar. Tente lembrar quando o
comportamento de Abby mudou. A causa da agressão redirigida pode estar aí.
Às vezes gatos que vivem ​dentro de casa ficam zangados ou chateados ao ver um gato ou
outro animal no lado de fora. Sentindo-se frustrado, ou ​talvez ameaçado, o gato de casa lança
sua hostilidade no alvo mais próximo – geralmente, outro gato da residência. Ou quando um
dos gatos volta de uma consulta ao veterinário com um cheiro peculiar para seu colega felino,
que então responde sibilando ou atacando esse repentino intruso.
Dentro de casa os gatos tendem a usar uma abordagem de “divisão de tempo” com seus
locais favoritos. Um gato pode monopolizar o sofá de manhã, enquanto o outro vai para aquele
lugar à tarde. Algumas casas viram zonas de combate quando há alguma mudança na rotina ou
quando um dos gatos, ou ambos, sente a necessidade de defender seu território em determinado
horário do dia.

Você está tomando as medidas iniciais corretas ao separar Abby e Buster para garantir a
segurança deles e reduzir os níveis de estresse. Cada gato deve ter acesso a todas as
amenidades felinas que merece. Essa lista inclui: uma janela para observar o lado de fora, uma
caixa de areia, alimento, água, petiscos, brinquedos e um lugar para dormir. Troque eles de
lugar todos os dias, mas deixe as tigelas de comida e as caixas de areia. Essas táticas fazem
com que se acostumem com a ideia de viver juntos e de dividir lugares e objetos.
Quando você se aproximar de cada gato, leve um pano levemente úmido e o esfregue no
dorso de Abby, depois no de Buster, e novamente em Abby para dividir seus odores. O
objetivo é misturar os cheiros na esperança de que se aceitem melhor. Embora essa seja uma
técnica comum usada para apresentar dois gatos pela primeira vez, também é eficaz para fazer
com que gatos residentes que começaram a brigar se tornem mais amigos, familiarizados ou,
pelo menos, tolerantes.
Depois de alguns dias, abra uma fresta da porta que separa o ambiente dos dois gatos para
que eles se enxerguem, mas não sejam capazes de se tocar. Depois de mais alguns dias,
coloque uma tela ou um portão alto para bebês na porta para que consigam se ver de forma
mais completa.
Se tudo correr bem, confine os gatos em um aposento, mas coloque um em uma caixa de
transporte e deixe o outro livre. Então, troque-os de lugar.
Se ambos continuarem a se comportar bem, você pode, gradualmente, permitir que eles
voltem a ficar juntos. Se houver briga, no entanto, volte um passo ou dois para reforçar o
processo. Reunir Abby e Buster pode levar tempo, então seja paciente enquanto se esforça para
restaurar a paz. Em casos extremos você talvez precise consultar um veterinário para obter
temporariamente remédios a fim de alterar o humor e diminuir a agressão de Abby e o medo
de Buster.
Meu conselho final é que você resista à tentação de confortar Buster ou de gritar com Abby.
Sem querer, pode reforçar o medo e a agressão.

A temida campainha
Minha gata de 2 anos, Sugar, sempre foi medrosa. Quando a campainha da porta soa, ela corre
e se esconde debaixo da cama ou entre os lençóis. Quando tento apresentá-la a visitas,
P: Sugar tenta desesperadamente fugir de meus braços. Ela já chegou a me arranhar tentando
escapar. Por que ela é tão medrosa e o que posso fazer para acalmá-la?

R: Durante os quatro primeiros anos de vida, minha gata Callie desaparecia sempre que
meus convidados apareciam. Alguns nem acreditavam que ela existia! Da mesma forma,
Sugar está exibindo um comportamento antissocial em resposta a algo novo em seu meio,
principalmente pessoas. Não se sabe o que faz com que alguns gatos da ninhada sejam
medrosos e outros sejam extrovertidos, mas estudiosos do comportamento animal identificam
várias razões possíveis.
PREDISPOSIÇÃO GENÉTICA. Alguns gatos parecem nascer com a predisposição de ter
um medo agudo de novas pessoas, lugares e objetos. Mesmo com manipulação gentil e
experiências positivas quando filhotes, continuam tímidos e um pouco reservados com
estranhos.
IMITANDO O COMPORTAMENTO DA RAINHA. Filhotes formam hábitos imitando a
mãe entre as idades de 4 e 8 semanas. Se a mãe tem medo de estranhos, os filhotes vão
aprender a ter medo. Dependendo da predisposição genética do gatinho, essa timidez inicial
pode sumir com a maturidade e com a repetição de boas experiências.
FALTA DE SOCIALIZAÇÃO. Para gatinhos, o período da primeira socialização com as
pessoas acontece entre 2 e 7 semanas de idade. Durante esse tempo, é importante que os
filhotes sejam manipulados de maneira agradável por diferentes pessoas. Gatinhos com falta de
socialização tendem a temer estranhos e podem sibilar, cuspir, atacar ou fugir.
EXPERIÊNCIAS TRAUMÁTICAS. Gatos de qualquer idade podem desenvolver
síndrome do pânico se forem expostos a uma situação traumática, como sofrer abusos físicos,
estar perdido ou ser atacado por um cão.
Quanto mais experiências positivas com diferentes pessoas, lugares e situações você oferecer
a Sugar, melhor ela se adaptará a futuras exposições. Enquanto trabalha para aumentar a
confiança dela, seja paciente e reconheça que não irá convertê-la, da noite para o dia, em uma
gata que gosta de conhecer e cumprimentar pessoas. Concentre-se em progressos pequenos,
mas firmes, e esteja consciente de que talvez você nunca consiga transformá-la em uma
festeira.
Já que você sabe que os visitantes são a causa do medo, recrute alguns amigos calmos e que
gostem de gatos. Peça a eles que entrem, sentem-se calmamente e não chamem a atenção de
Sugar. Para evitar que ela fuja, coloque-a em um cômodo em que você possa fechar a porta e
impedi-la de fugir e de se esconder. Então, convide seus amigos a entrar no aposento com
Sugar para assistir a um filme ou ouvir uma música suave. O objetivo é fazer com que sua gata
veja e perceba que eles não vão machucá-la.
Crie associações positivas para Sugar fazendo com que os convidados lhe ofereçam petiscos.
Primeiro, coloque um pouco de boa ração ou um petisco especial para gatinhos perto de seus
amigos para que ela se aproxime sem ter que interagir. Você quer que ela se saia bem, e vai
levar tempo para acostumá-la. Por fim, Sugar vai perceber que essas pessoas não vão persegui-
la. Ela pode desenvolver a confiança de se aproximar delas e de realmente pegar um petisco.
Deixe-a tomar a decisão de se aproximar e pare a experiência se reagir de modo assustado.
Callie foi uma gata assustada durante os primeiros quatro anos. Mas eu sabia que ela não
resistia a petiscos. Fazia com que meus amigos deixassem petiscos no topo da escada e se
afastassem para que ela pudesse reunir a coragem de subir e comê-los. Agora ela pega os
petiscos na mão deles. Sugar pode nunca ir para o colo de seus convidados, mas essas dicas
podem ajudar a mitigar alguns de seus medos e deixá-la mais confortável em casa quando há
visitas.
O lado “mudo” de Bella
Ninguém gosta de um gato TAGARELA , especialmente de um que uiva no meio da noite.
Descrita, na melhor das hipóteses, como uma gata muito falante, Bella adquiriu o costume de
gritar e a chorar, principalmente entre uma e sete horas da manhã. Ela andava pelo
apartamento uivando. Quando a dona dela, Lori, entrou em contato comigo, estava cansada de
sua tricolor esterilizada de 3 anos e ansiosa por uma noite completa de sono.
Lori e eu discutimos as muitas causas para a hipervocalização felina, inclusive chamar
atenção, sentir dor ou fome, agressão, ansiedade, medo e problemas de saúde. Um exame de
saúde descartou uma infecção crônica no trato urinário, hipertireoidismo ou outra condição
médica subjacente. Ao obter sua história detalhada, descobri algumas pistas por trás dos
bramidos de Bella que apontavam para causas comportamentais.
A gata foi adotada de um abrigo quando era pequena e não tinha problemas com os outros
gatos da família. Na verdade, ela brincava e dava banho no outro gato regularmente. Mas a
falação escandalosa começou mais ou menos na época em que Lori começou a ​trabalhar em
tempo integral longe de casa. No caso de Bella, chamar atenção e/ou ansiedade eram as
explicações mais prováveis para a hipervocalização.

Miados insistentes de um gato costumam ser dirigidos aos donos, não a outros gatos. Os
gritos de Bella obtinham o que ela queria: a atenção de Lori. Toda vez que Lori respondia
repreendendo Bella, ela sem querer recompensava e reforçava o comportamento.
Para acalmar Bella, instruí Lori a ignorar a falação da gata. Adverti que de início a teimosia
felina de Bella se mostraria, e que ela responderia vocalizando mais alto e por mais tempo.
Lori seguiu meu conselho e ignorou os uivos exigentes de Bella, até que a gata percebeu que
não receberia atenção nenhuma com seus modos barulhentos.
Para suprir a natureza carente de Bella, instruí Lori a programar atividades e brincadeiras
com Bella de noite para cansá-la. Lori também seguiu outras sugestões: introduzir o
treinamento com sons e fornecer a Bella um lugar para escalar ou um quarto cheio de
brinquedos para brincar, ficar de olho lá fora e atacar. Colocar um comedouro de aves perto da
janela deu à Bella um lugar perfeito para observar e mantê-la entretida durante o tempo em que
Lori estava no trabalho.
Depois da hora de brincar, Lori começou a alimentar Bella com uma refeição enlatada de
boa qualidade pouco antes do horário de ir para a cama. Isso tinha por objetivo mudar o ciclo
de sono de Bella. Gatos bem exercitados, mentalmente estimulados e alimentados no horário
de ir para a cama tendem a ficar mais satisfeitos durante as longas horas em que os humanos
dormem.
Durante o processo, Lori foi realista e soube que não deveria esperar sucesso da noite para o
dia. Ela foi persistente e consistente, até que, por fim, atingiu seu objetivo: uma gata que
dormia profundamente, mais tranquila e feliz.
Contribuição de Alice Moon-Fanelli, behaviorista animal certificada
SINAIS DE ESTRESSE
Gatos que estão se sentindo estressados podem exibir quaisquer um dos seguintes comportamentos:
• Limpeza excessiva, a ponto de criar áreas sem pelos.
• Busca de esconderijos.
• Comportamento agressivo.
• Comer menos ou mais que o habitual.
• Deixar de usar a caixa de areia ou borrifar urina pela casa.
• Indicar depressão com falta de reação e/ou sono excessivo.

Gatos e crianças
P: Estamos planejando adotar um gato. Nossos filhos, de 7 e 10 anos, vêm pedindo um bicho
de estimação há algum tempo e prometeram ajudar a tomar conta de um gato. Eles têm
amigos que têm felinos e gostam de brincar com eles. O que você recomendaria para uma
relação segura entre crianças e um gato?

R: Crescer com um gato ou qualquer outro bicho de estimação certamente engrandece a


infância. Meu primeiro animal de estimação foi um gato chamado Corky, que se uniu à
família quando eu tinha 8 anos de idade. Corky adorava nadar no lago do quintal com nossos
dois cachorros. Quatro décadas mais tarde, ainda tenho lembranças vívidas daquele
companheiro felino.
Faça uma reunião familiar para falar sobre os prós e os contras de adotar um gato adulto ou
filhote. Gatinhos são muito brincalhões e destrutivos. Durante o primeiro ano, eles exploram o
ambiente. Então, crescem rápido, e seu gatinho fofo e amigável pode virar um adulto retraído.
Se você adotar um gato adulto em um abrigo terá uma ideia melhor da verdadeira
personalidade dele – afetuosa ou reservada. Procure gatos que consigam tolerar residências
agitadas, com televisão ou som alto, crianças correndo para cima e para baixo e pessoas indo e
vindo. Fique longe de gatos tímidos, que podem se esconder ou se assustar com a confusão
doméstica.
Algumas raças de pedigree têm a fama de serem amistosas com crianças. Um bom exemplo é
a abissínia. Essa raça se dá muito bem em residências barulhentas com crianças e costumam
implorar por carinho e atenção!
Antes de levar seu novo animal de estimação para casa, crie um programa de cuidados com o
gato e cole na porta da geladeira ou em um mural. Todos na família devem ter tarefas: limpar a
caixa de areia, colocar água fresca, alimentar o gato ou escová-lo.
Eduque seus filhos sobre a melhor maneira de interagir com os bichanos. Por exemplo,
felinos não gostam quando as pessoas correm em direção a eles e os amassam em abraços
apertados. Um gato novo pode se sentir um pouco inseguro de início, então seus filhos podem
ajudá-lo a se sentir em casa sendo tranquilos e gentis. Diga-lhes para se sentarem, ficarem
quietos e deixarem o gato se aproximar deles. Quando isso acontecer, peça para estenderem as
mãos para que o gato possa farejá-las e se esfregar nelas.

Alerte seus filhos para não perturbarem um gato que esteja dormindo ou usando a caixa de
areia. Ele pode se sentir assustado ou encurralado e reagir, mordendo ou arranhando. Mostre-
lhes a maneira certa de segurar um gato, colocando a mão ou o braço debaixo das pernas
dianteiras do gato e apoiando as pernas traseiras na outra mão ou braço. Diga-lhes também
para respeitar quando um gato se agitar e indicar que quer descer.
A maioria dos gatos não vai tolerar ser vestida nem empurrada em carrinhos de bebê, mas
sempre há exceções. Se seu novo gato não gosta desse tipo de atenção, seus filhos precisam
saber que há outros modos de brincar com o animal. Explique que eles não devem nunca brigar
de forma rude com um gato nem o encorajar a atacar e a morder seus dedos. Em vez disso,
faça com que usem brinquedos com varas ou que atirem ratos de mentira para o gato perseguir.
Finalmente, mostre a eles a maneira certa de acariciar um gato e como escovar a pelagem.
Gatos em geral preferem ser acariciados da cabeça ao rabo, sem receber tapinhas na cabeça.
Passar com gentileza a mão úmida na direção contrária à pelagem retira pelos mortos e é uma
boa maneira de cuidar e acariciar ao mesmo tempo. Essas atividades vão ajudar a reforçar a
amizade entre seus filhos e o novo companheiro deles.

Como cães e gatos


P: Nossas gatas, Kate e Allie, de 3 anos de idade, têm personalidades muito diferentes. Kate
é extrovertida, amigável e de boa natureza.
Allie é tímida, um pouco nervosa e afetuosa conosco, mas não com convidados. Adotamos
recentemente um filhote de labrador chamado Marley. Ele tem cerca de 5 meses e está muito
interessado nas gatas. Ele as observa o tempo todo e quer persegui-las. Kate mantém seu
território e golpeia Marley no focinho. Ele recua imediatamente. Allie, no entanto, corre e se
esconde quando Marley se aproxima. Como posso fazer para que Allie se imponha e revide?

R: Gatos, assim como as pessoas, têm personalidades diferentes. Obviamente, Kate e Allie
lidam de maneira distinta com relação a filhotes brincalhões. Kate projeta confiança e
está ensinando Marley o que Aretha Franklin canta: r-e-s-p-e-i-t-o. Ao ser um pouco dura,
também está ensinando boas maneiras a Marley. No entanto, certifique-se de que ela tenha as
garras aparadas regularmente; afinal, você não quer que ela machuque o cãozinho com um
golpe afiado.
Infelizmente, essas lições estão sendo contrariadas pelas ações de Allie. Como resultado,
você pode acabar com um filhote confuso. Allie não tem a mesma sensação de segurança de
Kate e enxerga essa enorme besta canina como ameaça. Em vez de disputar pata a pata com
ele, prefere fugir. Não está na natureza de Allie defender seu território.
O melhor momento para apresentar gatos e cachorros é quando são jovens. Os primeiros 2 ou
3 meses de vida é o principal período de socialização, época importante para cães e gatos
cultivarem ​amizades. Mas não é tarde demais para trabalhar nas habilidades de Marley de
saudar gatos e de aumentar a autoconfiança de Allie.
Vamos começar com Marley. Labradores tendem a ser alegres, afetuosos e ansiosos para
agradar, então você tem isso a seu favor. Sua missão é ensinar a Marley dois comandos de
obediência importantes – sentado e parado – para que ele permaneça no lugar mesmo quando
Allie entrar no cômodo. Para prepará-lo, coloque uma longa guia ou uma corda na coleira a
fim de controlar seu movimento quando você estiver por perto para supervisionar. Segure a
outra extremidade ou amarre-a a um móvel pesado, que aguente a força de um labrador
puxando. Quando não estiver em casa, mantenha Marley em uma área separada dos gatos.
Tenha um saco de petiscos à mão. Quando Marley avistar Allie, redirecione sua atenção
mostrando-lhe um petisco. Instrua-o ​calmamente a sentar-se ou a ficar parado. Não grite,
porque você irá apenas ​aumentar a euforia dele e o medo de Allie. Se Marley ignorar os
comandos e o petisco e perseguir Allie, pise na corda ou na guia para impedi-lo. Quando
Marley demonstrar consistentemente que não irá perseguir Allie, deixe-o mover-se à vontade
pela casa, com a guia se arrastando atrás dele. Se ele começar a perseguir Allie, pise na guia.
Quanto à Allie, certifique-se de que ela tenha rotas de fuga sem estresse e zonas livres de
cachorros. Limpe debaixo da cama e forneça uma alta árvore para gatos ou prateleiras firmes
em que ela possa subir para ficar fora do alcance do cachorro. Se puder, instale portões para
bebês nos batentes dos cômodos em que você mantém as tigelas de comida e água e as caixas
de areia dos gatos.
Deixe Allie fugir para o lugar em que ela se sente segura quando ela estiver sentindo-se
ameaçada. Não corra atrás dela nem tente enchê-
-la de carinho ou de palavras amorosas. Essas táticas têm o efeito oposto ao desejado, já que
convencem Allie de que ela deveria se preocupar com esse grande cachorro. Aja de maneira
despreocupada e fale em um tom animado.
Nunca force os dois animais a ficarem juntos. Gatos sentem-se mais seguros quando as
quatro patas tocam o solo. Controle o contato entre eles e vá devagar. Sempre mantenha
controle sobre Marley e deixe Allie entrar e sair livremente do aposento.
Alguns cães e gatos podem formar relacionamentos fortes. Outros apenas se toleram.
Contanto que se sinta segura – e Marley obedeça a seus comandos –, a vida vai se tornar
menos assustadora para Allie.

An f itriões travessos
P: Meu gato Simon é extrovertido e corre pela casa como se fosse o dono dela. Embora
tenha sido castrado e se comporte bem (ao menos comigo), suas reações com visitas
variam, dependendo de quem é, do tempo que fica e de como a estadia interrompe a rotina
dele. Às vezes ele é bem amigável, outras chega a ser mau. Uma vez, ele urinou na mala aberta
de meu tio. Meu outro gato, Garfunkel, trata todos os hóspedes da mesma forma. Ele se
esconde e tenta ficar fora de vista. O que posso fazer para diminuir o medo de Garfunkel e
fazer com que Simon trate melhor nossos hóspedes?

FATO FELINO
Celebridades na história conhecidas por serem fãs de gatos: Leonardo da Vinci, Charles Dickens, Ernest
Hemingway, Abraham Lincoln, Sir Winston Churchill, Sir Isaac Newton, Florence Nightingale, Guimarães Rosa,
Ferreira Gullar.

R: Com nomes como esses, é uma pena que haja falta de harmonia com os hóspedes. Um de
seus problemas pode ser que os gatos gostam de uma rotina estabelecida. Em geral, eles
preferem uma vida tranquila e indulgente, e não gostam de surpresas. Por exemplo, a chegada
de uma pessoa com cheiros diferentes que pode rudemente tomar posse do quarto em que eles
estão acostumados a tirar suas sonecas da tarde. Mudanças demais, rápido demais e sem
planejamento adequado, provocam estresse agudo e infelicidade. Até mesmo gatos sociáveis
como Simon podem ficar chateados ou superestimulados por conta de hóspedes.
A forma como cada animal reage também vai depender bastante de sua idade, sua saúde, seu
temperamento, sua personalidade, seu estilo de vida e sua experiência anterior com pessoas
desconhecidas. Alguns ficam zangados o bastante para marcar território urinando sobre os
pertences dos convidados.
Uma coisa que você pode fazer para que as visitas ocorram de forma mais tranquila é alertar
seus convidados sobre os hábitos peculiares de seus companheiros peludos. Por exemplo, meu
gato de 19 anos está ficando um pouco senil e parcialmente cego, então ele mia bastante e
ocasionalmente esbarra nas paredes. Além disso, meus gatos gostam de dormir com as visitas,
então eu alerto as pessoas a fecharem a porta dos quartos se não quiserem companhia de noite.
Também menciono algumas regras da casa com relação aos peludos:
• não dar a eles restos de comida;
• tomar cuidado com as portas que dão para a rua, pois meus gatos só vivem em casa;
• não se aproximar correndo deles – deixar que eles se aproximem primeiro.
Quanto a Simon e Garfunkel, alguns dias antes da chegada de seus convidados, se possível,
realoque lentamente o lugar de dormir dos gatos – do quarto de hóspedes a um novo local
seguro, como o closet, a lavanderia ou um banheiro pequeno.
Quando os hóspedes chegarem, esforce-se para manter o máximo de rotina possível. Isso
significa limpar as caixas de areia regularmente e alimentar seus gatos no horário e no local
habituais. Passe pelo menos alguns minutos por dia brincando com os bichanos e fazendo-lhes
carinho. Você pode mascarar ruídos altos ou não familiares (como o ronco forte de seu tio ou
as risadas agudas de sua irmã) ligando um rádio ou um CD de música suave no espaço seguro
de seus gatos. Não obrigue seus bichos de estimação a interagir com os convidados.
Para gatos que exibem sinais de estresse, vale diminuir a ansiedade com um produto
chamado Feliway. Ele imita um feromônio facial de conforto produzido por gatos e vem em
um aparelho que é acoplado na tomada. Esse produto, disponível em pet shops , espalha os
feromônios no cômodo.
Se seu gato começar a urinar onde não deve ou apresentar outro comportamento destrutivo,
reconheça que ele está demonstrando sinais de estresse e que sente a necessidade de marcar
seu território. Não o castigue, porque isso pode aumentar o mal-estar.

Ou ele, ou eu!
P: Meu gato Bailey tem cerca de 6 anos e está comigo desde filhote. Ele tem todo tipo de
brinquedo que você possa imaginar, e eu o amo muito. Ele me ama, mas parece odiar meu
namorado, Nick. Sempre que Nick está em casa, Bailey cospe, rosna e sibila. Se Nick tenta se
aproximar dele, Bailey sibila e o golpeia ou sai correndo da sala. Isso está causando problemas
em nosso relacionamento. Eu nunca abriria mão de Bailey, mas realmente gosto desse cara.
Por que meu gato não gosta do meu namorado? O que fazer para que Bailey pelo menos tolere
Nick?

R: Bem-vinda ao mundo em que um gato tem a palavra em sua vida amorosa. Lembro-me
de uma amiga, Florence, que me ensinou muito sobre namoros quando eu estava na
faculdade. Eu alugava o andar de cima da casa dela em Crown Point, Indiana. Vivi ali com
meu gato da infância, Corky, que tinha 12 anos na época. Corky podia andar pela casa toda, e
Florence julgava meus namorados pelo modo como eles tratavam Corky e como Corky reagia
a eles. Ela costumava dizer: “Se um homem não consegue amar um animal, ele não vai amar
você”. Ela estava certa.
No caso, Bailey está se sentindo um pouco ameaçado por esse novo cara que está tomando
tanto de seu tempo e de sua atenção. Ele está reagindo da única maneira que sabe: sibilando,
atacando, ​encarando e correndo para outro cômodo. Você não disse como seu namorado reage
ao mau temperamento de Bailey. Se ele não gosta de gatos, Bailey certamente está ciente disso
e reage a essas vibrações.
No entanto, se esse rapaz está disposto a fazer a relação funcionar, a melhor estratégia é
torná-lo mais popular aos olhos de Bailey. Comece pedindo a Nick que exiba uma postura
amigável, mas indiferente, com Bailey. Em outras palavras, ele não deve se esforçar muito
para conquistar o bichano, forçando afeto. Instrua-o a nunca olhar diretamente nos olhos de
Bailey nem a fazer qualquer tipo de abordagem direta, já que gatos enxergam isso como
ameaça.
O passo seguinte é fazer Nick subornar Bailey com petiscos deliciosos e bem aromáticos.
Deixe que seu namorado seja o único a dar os petiscos favoritos de Bailey, para que este
associe Nick a algo positivo.
Por fim, peça a Nick para levar brinquedos ou se engajar nas brincadeiras favoritas de seu
gato. Os dois precisam desenvolver uma relação própria. Vai levar tempo, mas a recompensa
pode ser o início de uma linda amizade.

Meu gato está senil?


P: Meu gato de 17 anos, Sammy, anda pela casa tarde da noite, uivando tristemente. Às
vezes ele entra em um cômodo durante o dia e fica parado ali, parecendo estar confuso.
Ele costumava saudar seus visitantes favoritos com um feliz trinado, mas agora, quando vão
até ele, Sammy não parece reconhecê-los. Ele costumava pular em meu colo, mas agora eu
tenho que me abaixar e pegá-lo. O mal de Alzheimer é tão cruel nas pessoas... Gatos também
desenvolvem essa doença?

R: Por fora, nossos felinos costumam parecer mais jovens do que de fato são. E, com idade
avançada, infelizmente, não estão imunes à disfunção cognitiva.
Levo regularmente meu gato idoso (ele tem 19 anos e exibe muitos dos comportamentos
descritos por você) para ser examinado pelo veterinário e encorajo você a fazer o mesmo com
Sammy para descartar qualquer condição médica subjacente. Hipertireoidismo, doença
hepática ou renal e infecção no trato urinário são exemplos de males que podem provocar
hipervocalização ou confusão. Alguns gatos que ficam surdos também começam a uivar com
frequência.
Há bichanos que começam a exibir sinais que denunciam uma disfunção cognitiva por volta
dos 12 anos. Muitos behavioristas de animais usam o acrônimo DISH para se referir a sintomas
e sinais mais comumente associados à senilidade felina.
“D” É PARA DESORIENTAÇÃO. Gatos desorientados costumam andar sem rumo,
encarar paredes, ficar “presos” nos cantos, parecer perdidos na própria casa ou perder o
equilíbrio e cair.
“I” É PARA INTERAÇÕES. Gatos com função mental comprometida em geral exibem
mudanças na interação com as pessoas. Eles são menos propensos a saudar as pessoas quando
elas chegam em casa ou a buscar colo, como no caso de Sammy.
“S” É PARA SONO. Gatos que costumavam dormir a noite toda podem ficar inquietos,
vocalizando enquanto vagueiam.
“H” É PARA HÁBITOS. Costumes como o de usar a caixa de areia geralmente se perdem,
não por motivos de saúde nem por não aceitarem o estado de uma caixa de areia, mas porque o
gato se esquece de como usá-la.
Para amenizar os uivos noturnos, tente romper o ciclo de sono diurno de seu gato acordando-
o algumas vezes, de forma gentil, durante o dia. Ou ofereça a Sammy pedaços de peru ou leite
sem lactose na hora de ir para a cama. Ambos contêm triptofano, aminoácido que possui
propriedades sedativas. A ideia é deixá-lo mais cansado à noite. Alguns gatos velhinhos vão
dormir a noite toda se você os deixar em uma almofada ou em um cobertor quentinho. Se esses
métodos não funcionarem, peça ao veterinário que receite um anti-histamínico, que pode
provocar sonolência.

Tente manter o máximo de rotina possível com Sammy. Adicione caixas de areia em
aposentos diferentes e em cada andar de sua casa. Isso vai ajudar a reduzir quaisquer
oportunidades “perdidas” de usar a areia. Evite as caixas de areia cobertas, já que gatos velhos
acham difícil entrar nelas, e prefira as que tenham as bordas mais baixas, já que as pernas
traseiras de gatos idosos às vezes ficam rígidas.

FATO FELINO
O coração de um gato bate cerca de duas vezes mais rápido que o de um ser humano, a um ritmo de 155 vezes por
minuto.

O mais importante: inunde Sammy de amor. Passe muito tempo acariciando-o e falando com
ele em tom tranquilizador. Desfrute do tempo que você ainda tem com seu eterno prodígio.

Saber o momento de dizer adeus


P: Detesto o fato de os gatos não viverem tanto quanto nós. Meu último gato, Ozzie, foi
diagnosticado com doença hepática. Quando o adotei, há treze anos, ele era uma bolinha
de pelos levada e feliz. Ao longo dos anos, ele cresceu e se transformou em um gato amoroso e
bondoso. Estou trabalhando com meu veterinário em um plano de tratamento, mas sei que essa
doença avança rapidamente. Eu me preocupo com Ozzie. Não quero que ele sofra. Como
saberei quando é o momento certo para a eutanásia?

R: Decidir quando dizer adeus a um gato leal é certamente uma das escolhas mais difíceis da
vida. Quando um gato ou outro bicho de estimação torna-se um doente terminal, ou está
gravemente ferido, ou quando o custo do tratamento está financeiramente além de nossas
possibilidades, a eutanásia pode ser a melhor opção.
Aplaudo você por trabalhar em conjunto com o veterinário no tratamento de Ozzie. Durante
uma das próximas consultas, discuta os detalhes envolvidos no procedimento da eutanásia.
Você pode se surpreender ao descobrir como o procedimento é pacífico e livre de dor.
Descubra se o veterinário está disposto a fazer uma consulta a domicílio. Você precisará
decidir se quer que o corpo do gato seja enterrado ou cremado. Pense em suas próprias
necessidades e determine se, após o procedimento, prefere ficar só ou com algum amigo.
Quanto ao melhor momento, é uma escolha individual. Deixe que a qualidade de vida de
Ozzie sirva como guia. Você provavelmente vai saber quando chegou a hora. Ele pode parar
de comer, ser incapaz de usar a caixa de areia sozinho, parar de se limpar ou começar a dormir
o tempo todo. Observe, também, qualquer sinal de desconforto que não possa ser atenuado
com remédios.
Mantenha isto em mente: a definição de eutanásia é “morte fácil”. Esse procedimento é capaz
de pôr fim ao sofrimento físico de nossos animais – como uma última dádiva que podemos
lhes dar.
PARTE 3

Peculiaridades de felinos engraçados


Quando pequena , meu programa de televisão favorito era Kids Say the Darndest Things,
com o apresentador Art Linkletter. Ele ​deixava à vontade os convidados, e estes respondiam
suas perguntas com comentários que surpreendiam e divertiam os espectadores. Na época, eu
queria que houvesse um programa como aquele com cães e gatos.
Afinal, muitas coisas estranhas e divertidas ocorreram na casa de minha infância graças a
nossos dois cães e a um gato muito engraçado. Quando Crackers e Peppy não estavam
impressionando os vizinhos com duetos de uivos, nosso gato, Corky, estava impressionando a
todos devido ao seu hábito de nadar em nosso lago. Tais maluquices não ocorriam apenas em
nossa casa. O vizinho tinha um boston terrier acima do peso que espirrava em vez de latir, e
havia um gato com a tendência a aparecer em uma garagem diferente toda manhã.
Encare os fatos felinos: gatos podem fazer as coisas mais bizarras – e sem dar nenhuma
explicação. Eles podem ser intrigantes e incompreensíveis, mas nunca são monótonos. Nesta
seção, vou ajudá-lo a pensar mais como um gato para que você compreenda melhor seu
bichano e aprecie a necessidade de afofar, a atração por torneiras, o entusiasmo com catnip e
mais.
Pega-pega com a cauda
P: Minha gata de pelos longos, Peanuts, de 8 anos, tem grandes discussões com a cauda. Ela
rosna e sibila para o rabo, às vezes o morde e ocasionalmente corre em círculos tentando
pegá-lo. Ela também se lambe a ponto de arrancar pelos. Se eu intervenho e a pego, ela fica
agitada, sai de meus braços e corre para outro lugar. Você tem ideia do que provoca isso? O
que posso fazer para impedir Peanuts de importunar sua cauda e de arrancar seus pelos?

R: Perseguir o rabo pode ser consequência de problemas físicos que causam dores ou
desconforto na área ao redor ou na própria cauda; mais raramente, pode ser um problema
comportamental (sim, de um tipo bem estranho). Em ambos os casos, é um problema que exige
intervenção profissional. Marque uma consulta com o veterinário para descartar um possível
ferimento na cauda, infecção na área sacro-anal, problema na coluna espinhal ou doença
neurológica antes de tratar isso como uma questão comportamental.
Pela descrição, Peanuts pode sofrer de hiperestesia felina. De acordo com Alice Moon-
Fanelli, behaviorista animal certificada, essa complicada condição inclui comportamentos
neurológicos e compulsivos. Tipicamente, um gato com essa condição exibirá pupilas
dilatadas, excessiva agitação da pele e frenéticas lambidas autoinfligidas que podem resultar
em queda de pelos. O gato costuma lamber com esse cuidado excessivo a área da cauda e do
flanco. Alguns se tornam barulhentos e agressivos e podem dar a impressão de alucinar ao agir
com medo do próprio rabo, exibir um olhar excitado e maníaco e fugir de ​aposentos. Esses
gatos são extremamente sensíveis ao toque quando experimentam esses sintomas e podem
atacar as pessoas ao tentar impedir que elas os toquem.

Por motivos desconhecidos, os episódios de hiperestesia felina tendem a ocorrer com mais
frequência no início da manhã ou da noite. O comportamento agressivo pode se dar
espontaneamente e sem razão aparente. Depois de um episódio, o pobre gato vai parecer
confuso.
De início, alguns donos veem tais comportamentos felinos como engraçadinhos ou atraentes.
Mas, quando o problema começa a ocorrer com mais frequência e com duração maior, torna-se
motivo de preocupação. Trabalhe com o veterinário ou behaviorista para analisar a situação
que possa ter feito Peanuts começar a perseguir a cauda.
Gamado na orelha
P: Tenho Smokey, um gato de 2 anos, desde que ele tinha 7 semanas de vida. Ele é muito
afetuoso, mas às vezes insiste em me escalar e lamber o lóbulo de minhas orelhas. Ele
chega a abraçar meu pescoço com as patas para se aproximar mais, então usa a língua áspera
em meus lóbulos – isso machuca! Gosto de afagá-lo, mas tenho que empurrá-lo para que ele
pare. Por que ele age assim e o que eu posso fazer para que ele pare?

R: Sete semanas é muito cedo para ser separado da mãe, então é possível que o
comportamento de Smokey derive de ter sido desmamado antes do tempo. Seja qual for a
razão, Smokey está cuidando de você. Tenha em mente que gatos costumam lamber uns aos
outros. Este é um comportamento normal entre amigos felinos. Não importa se é de gato a
gato, de gato a cachorro ou, em seu caso, de gato a pessoa favorita. Smokey adora você a ponto
de fazer isso. Esse fetiche pelo lóbulo de sua orelha pode ter efeito calmante para o seu gato.
Você não mencionou há quanto tempo Smokey lambe seus lóbulos. Muitos hábitos felinos
indesejáveis começam na infância. E muitos desses hábitos são reforçados sem querer pelos
apreciadores de gatos, que ao afagar seus jovens felinos dão a eles um sinal de aprovação. Na
mente de Smokey, se você gostava disso quando ele era um filhote – então, por que de repente
não seria tão fã das lambidas felinas agora que ele é adulto?
Para interromper esse fetiche com orelhas, levante-se e saia da sala assim que ele subir em
você, colocar as patas ao redor de seu pescoço e fizer o movimento de lamber seus lóbulos.
Não grite com ele nem o afaste brutalmente, apenas o coloque no chão e saia. Ao se afastar,
você retira a atenção, algo que Smokey obviamente busca de você.
Agora vem a segunda parte do plano. Espere alguns minutos e, então, volte. Realize uma
atividade de que ambos gostem, como caçar uma pena amarrada a uma vara, ensinar um truque
a ele ou buscar uma bolinha de papel. É importante que você não se afaste apenas, mas dê a
Smokey uma alternativa adequada para interagir. Afinal, você não quer enfraquecer o laço
maravilhoso entre ambos. Se ​Smokey persistir com as lambidas, você vai precisar de um
último recurso. Faça um ruído de que ele não goste, como bater palmas fortemente ou emitir o
som de um sibilo. Mas lembre-se: a ideia é interromper o comportamento de Smokey, não o
prejudicar nem o assustar.

Mamãe, eu quero mamar


P: Meu gato siamês Sake em muitos aspectos se parece com um cachorro. Ele vai buscar
brinquedos, anda de coleira e se aproxima quando é chamado. Por mais maravilhoso que
seja, tem um hábito que eu adoraria interromper: ele mastiga e chupa itens feitos de lã.
Encontro minhas meias de lã ensopadas de saliva. É nojento. Por que ele é tão obcecado por
lã?
Saquê parece muito com meu primeiro gato, Corky, que também era siamês. Quando estava n
R: ensino médio, minha avó me deu um lindo colete cinza de lã. Eu o adorava e o usava
bastante. Quer dizer, até o dia em que voltei para casa e descobri Corky na cama chupando
meu colete. Eu o peguei e havia um buraco gigante no meio. Gritei com Corky, que fugiu
correndo.

FATO FELINO
Embora tenham atuado como líderes e conquistadores do mundo, Júlio César, Henrique II, Carlos XI e Napoleão
tinham medo de gatos.

Eu não sabia que chupar lã era algo comum entre algumas raças, como siamês e cruzamentos
com siameses. Na verdade, pesquisas veterinárias descobriram uma forte predisposição
genética a esse estranho fetiche. Especialistas relatam que gatos siameses representam cerca de
50% da população felina que chupa lã, por razões que permanecem obscuras. A maior parte
dos gatos abandona esse comportamento ao chegar aos 2 anos de idade.
Com relação ao comportamento, ele não é bem compreendido. Além da predisposição
genética, uma teoria sugere que gatinhos retirados de suas mães antes das 6 semanas de idade
são atraídos por materiais de lã porque não foram completamente desmamados. Eles buscam
cobertores de lã e outras roupas como forma de compensar o período de amamentação
encurtado.
No caso de um gato viciado em lã, a prevenção é o melhor remédio. Você precisa fazer um
esforço consciente para tirar da vista (e da boca) de seu gato tudo o que for de lã. Coloque
meias e suéteres em gavetas e ponha outras roupas deste material em armários com portas
fechadas. Durante o inverno, certifique-se de que Sake não consiga alcançar nenhum cobertor
de lã na cama.
Em seguida, torne o objeto de desejo dele menos atraente, espalhando perfume nas roupas de
lã. Por mais tentador que possa ​parecer, não ​castigue Sake – esse foi um erro que eu cometi
quando ​adolescente com Corky. Gritar vai deixá-lo mais ansioso e instigá-lo a ser mais furtivo
para conseguir o material “proibido”.

Pergunte ao veterinário sobre a dieta de Sake. Alguns felinos que sugam lã se saem melhor
quando são alimentados com uma ração seca rica em fibras. Por último, dê a seu gato alguns
“incentivadores mentais”. Faça-o caçar a própria comida ao colocar porções de ração em bolas
furadas ou espalhe a comida pelo cômodo. Dê a ele, também, muitos brinquedos interativos. O
objetivo é aumentar seu nível de atividade e prolongar seu tempo de alimentação para distraí-lo
de outras ocupações.

Tirando os gatos da rede elétrica


P: Alimento meu gatinho de 10 meses, Sunrise, duas vezes ao dia, mas ultimamente o flagrei
mastigando fios elétricos na sala de estar. Descobri esse hábito dele quando liguei um
abajur. Achei que a lâmpada tinha queimado, mas percebi que o fio tinha sido mastigado e se
partido. Ouvi falar de gatos comendo coisas estranhas, como tecidos e jornal, mas qual é a
atração por fios plásticos? O que posso fazer para impedi-lo? Não quero que ele leve um
choque ou provoque um incêndio.

R: Embora muitos animais comam itens que não sejam alimentos (hábito chamado de
alotriofagia) por desenvolverem deficiências alimentares, Sunrise provavelmente mastiga
os fios porque está entediado. Ele precisa de mais atenção e de atividades estimulantes para
preencher seu dia. Certifique-se de que ele tenha acesso a brinquedos, uma janela para olhar o
lado de fora e muita interação com você.
Considere cultivar um vaso ou dois com grama fresca para Sunrise mastigar dentro de casa,
satisfazendo, dessa maneira, sua necessidade de mordiscar.
Você está certa em se preocupar com o risco de incêndio em sua casa ou de Sunrise se
machucar. Felizmente, há alguns produtos eficazes para tornar os fios à prova de gatos. Em pet
shops é possível encontrar coberturas para fios elétricos bem fáceis de instalar. Você também
pode aplicar um spray formulado para deixar os fios com um gosto ruim.

Splash!
P: Juro que minha gata tem um quê de guaxinim! Chloe insiste em colocar as patas na tigela
de água. Às vezes, mesmo quando não vai matar a sede, ela joga água para todo lado. Ela
também faz bagunça na hora da refeição ao tirar parte da comida da tigela e espalhá-la pelo
chão da cozinha. Ela nem sempre come esses pedaços de comida espalhados, e eu fico
limpando eternamente a sujeira. Há como mudar esse comportamento?

R: Apesar da reputação de tolerar apenas ambientes secos, muitos gatos na verdade gostam
de água. Alguns, como Chloe, gostam de brincar na água parada, enquanto outros ficam
fascinados pela água corrente e preferem matar a sede em uma torneira. Há várias teorias e
lendas urbanas sobre esse comportamento, mas ninguém sabe ao certo. A atração por água
corrente pode refletir um comportamento adaptativo de um passado selvagem. Talvez porque a
água corrente tenha menos contaminantes, muitos animais selvagens preferem beber de
córregos do que de lagoas.
A brincadeira de Chloe espalhando água com a pata também pode ser atribuída à necessidade
de testar a água para garantir que é segura. A pata é uma das regiões mais sensíveis no corpo
de um gato. Chloe pode estar pegando água com a pata para checar possíveis “perigos” ou
testar a temperatura. A visão à longa distância de um gato é ótima, e eles enxergam qualquer
coisa em movimento, mas sua visão de perto é de relativamente fraca. Por isso, eles confiam
nos focinhos para testar a comida e nas patas para testar a água. Além disso, Chloe pode estar
se divertindo vendo as miniondas provocadas por suas patas na tigela.
Certifique-se de fornecer a Chloe água fresca todos os dias, mesmo se ela fizer bagunça.
Disponha mais de uma tigela de água em sua casa. Se você não se importar de ela subir na pia
do banheiro, deixe um ou dois centímetros de água para ela brincar ali durante o dia. Pense em
comprar uma fonte barata, que jorre água continuamente. Muitos gatos acham isso irresistível.
Elas estão disponíveis em pet shops , por exemplo.
Outra ideia é pegar um galão de água de plástico e cortar um buraco de cerca de cinco
centímetros no fundo. Faça o buraco um pouco maior que a cabeça de Chloe (não se esqueça
de deixar espaço para os bigodes!) para que ela entre nele para beber água, mas não consiga
espalhar muita água no chão. Para evitar que derrube o galão, você pode prendê-lo na parede.
Quanto ao hábito bagunceiro de Chloe na hora da refeição, comece se certificando de que
não se trata de um problema dentário. Alguns gatos com dentes ruins ou gengivas inflamadas
têm dificuldades em mastigar e engolir ração. Verifique se os dentes e a gengiva de Chloe
estão saudáveis. Se não for isso, seguem outras sugestões.
Sua gata pode estar cansada de comer a mesma ração todos os dias. Você pode esquentar um
pouco a ração seca para que ela solte mais aroma ou pode pôr um pouco de aventura na hora
da refeição. Como você, tive uma gata que adorava espalhar comida. Coloquei comida em
pequenas porções na cozinha e na sala de jantar para que Sam as encontrasse e comesse. Ela se
divertia e parecia bem satisfeita com o processo. Tente isso com Chloe e elogie-a quando ela
achar e consumir a “presa”. Ela pode ficar mais apta a entrar na “caçada” pela comida e menos
a espalhar ração. Uma bola com furos recheada de petiscos também pode resolver o problema.
Para conter a bagunça, esqueça os pires. Eles são pequenos demais. Opte por uma bandeja
grande, com borda alta, para evitar que a comida se espalhe pelo chão. Ou aumente a área
protegida com uma toalha de plástico, que você pode colocar no chão da cozinha durante a
hora da refeição. A toalha pode ser facilmente levada para fora, onde os restos de migalhas
serão sacudidos, e limpa com uma esponja. Então é só dobrá-la e colocá-la na despensa ou no
armário até a refeição seguinte.
Por fim, preste atenção onde você serve as refeições. Alguns gatos têm preferências
definidas. Há os que gostam de cerâmica ou aço, não de plástico, que pode transmitir um
cheiro ou gosto. Alguns gostam de tigelas com aberturas bem largas para que os bigodes não
toquem nos lados quando comem. Tente trocar a tigela de Chloe por uma de outro material.
Talvez isso faça com que ela coma de forma mais educada.
DICA FELINA PARA BEBER
Fontes de água para bichos de estimação geralmente apresentam um filtro de carvão para manter a
água fresca e absorver os odores. O som da água circulando e em movimento atrai alguns gatos. Não
importa como você a sirva, a água é necessária para a saúde geral de seu felino. Certifique-se de que
haja bastante água limpa disponível.

Baba, baby
P: Chamo minha casa de “lar da babação”. Não só tenho Jimbo, um buldogue, mas também
um gato que começa a babar quando eu o afago bastante. Bogart é um malhado que adotei
de um abrigo há um ano. Achamos que ele tem cerca de 3 anos. Ele baba tanto que tenho que
manter um pano ao alcance para limpar sua boca quando ele se senta em meu colo e ronrona.
Por que ele faz isso?

R: Sabemos que os gatos ronronam quando estão contentes, mas alguns felinos também
babam quando ficam relaxados e felizes. Por que fazem isso permanece um dos mistérios
felinos da vida. Assim como os famosos cães de Pavlov, que babavam quando escutavam o
sino tocar, Bogart se condicionou a babar quando recebe certo tipo de afeição. No caso, é
quando ele está em seu colo, desfrutando de afagos maravilhosos. Você tem sorte por Bogart
vê-lo como um aliado confiável, alguém que o deixa ser ele mesmo – com piscina de baba e
tudo.
Ser estimulado em certas áreas do corpo pode provocar um excesso de saliva como resposta.
O mais provável é que ele babe quando você massageia sua cabeça, o queixo e áreas do
pescoço. Experimente ​apenas dar leves tapinhas nessas áreas na próxima vez que ele subir em
seu colo. Veja se ele começa a babar e por quanto tempo. Na vez seguinte, restrinja seus afagos
ao dorso. Fale calmamente com ele. Você pode descobrir que ele baba menos quando uma área
menos sensível é acariciada.
É esperto de sua parte manter o pano à mão para limpar o queixo de Bogart e impedir que a
saliva caia em seu colo ou no sofá. O ato de babar é um comportamento difícil de corrigir. Em
alguns casos, porém, a hipersalivação se deve a uma condição médica, então comente isso com
o veterinário.
Na bancada, não!
P: Quando chego em casa à noite, sempre encontro Salt e Pepper, minha dupla de persas, nas
bancadas da cozinha. Detesto pensar em suas patas cobertas de areia pisando onde
preparo a comida. É constrangedor quando convidados veem meus gatos lá. Eles são ótimos
em outros âmbitos, mas como posso romper esse hábito nojento?

R: Ode hábito felino de subir nas bancadas da cozinha é um aborrecimento para muitos donos
gatos. Concordo que tira o apetite pensar em patas sujas pisando nas superfícies onde
se prepara alimento. Além disso, pode ser pe-
rigoso. Um gato curioso pode saltar sobre o fogão ainda quente ou aterrissar em uma faca
afiada deixada sobre uma tábua de cortar.

Para manter seus ágeis felinos longe desses locais, você precisa entender por que eles saltam
ali. Pense como um gato. O balcão é alto. Gatos adoram vasculhar o ambiente de um local
elevado e seguro. E as bancadas da cozinha oferecem um bônus: cheiram bem. Mesmo depois
de uma boa limpeza, para seus gatos elas ainda cheiram a frango assado, caçarola de atum ou
bifes fritos.

FATO FELINO
Gatos podem saltar aproximadamente sete vezes a altura deles.

O hábito de subir em móveis pode ser direcionado a lugares verticais mais seguros em sua
casa. Para isso, você deve tornar a mesa de jantar e as bancadas da cozinha menos atraentes, o
que exige uma “redecoração” temporária nesses lugares.
Comece colocando fita adesiva dupla face nas beiradas das bancadas e da mesa de jantar.
Gatos detestam a sensação da fita grudenta em suas patas. Uma boa maneira de fazer isso sem
ter que tirar a fita quando for cozinhar ou comer é colocar a fita dupla face no jogo americano
e posicioná-los nas bancadas.
No meio da bancada, coloque bandejas cheias de água. Um gato que tenha passado pela fita
grudenta vai aterrissar na água e cair fora. A fita e as bandejas rasas não podem ser vistas do
nível do chão, o que acrescenta um elemento surpresa. Uma terceira tática é usar detergentes
que contenham limão, aroma que os gatos detestam.
Você também pode ser high-tech , se dinheiro não for um problema. Há vários detectores de
movimento no mercado criados para dissuadir gatos a saltar sobre bancadas. Quando o felino
salta em um balcão, um alarme soa e jatos rápidos de ar inofensivo são liberados. Isso seria o
bastante para me assustar e me dissuadir a entrar onde não devo!
É igualmente importante oferecer um lugar ou dois que sejam adequados para seus gatos
ficarem no alto. Se eles encontrarem um lugar em uma estante de livros ou mesmo na lareira e
isso for aceitável, mantenha esses locais livres para eles. Recomendo colocar uma árvore de
gatos sólida em uma área bastante movimentada de sua casa, como no canto da sala de estar,
onde Salt e Pepper possam checar a ​movimentação na casa de uma posição elevada. Ou
coloque uma dessas árvores perto de uma janela, para que possam observar o que está
acontecendo na vizinhança. Atraia seus gatos a essas árvores espalhando um pouco de catnip e
deixe petiscos para eles encontrarem quando você não estiver em casa. Recompense-os com
petiscos especiais quando você os vir na árvore.

Playlist felina
P: Meu gato é muito medroso e uma mínima alteração em sua rotina já parece deixá-lo
pânico. Li que certos ritmos musicais podem ajudar a acalmar gatos. É verdade? Se for,
que tipo de música funciona melhor?

R: Seharpa.
você está procurando um modo de acalmar seu felino, a resposta pode ser terapia com
Está bem documentado que esse procedimento pode fornecer prazer ou uma
distração bem-vinda para as pessoas, principalmente as que lidam com doenças terminais. A
música pode minimizar a dor, diminuir a ansiedade e servir como uma poderosa distração para
pacientes. O mesmo parece ocorrer com nossos bichos de estimação.
Sue Raimond, violinista e compositora, é considerada pioneira musicoterapia com harpa para
animais. Especialista no campo da cimática e da vibroacústica, ela serve como palestrante-
adjunta especializada em manejo da dor na Universidade da Califórnia, em San Diego. Ela
testou os efeitos do som produzido pela harpa em lobos, cães, gatos, cabras, ovelhas, burros e
gorilas e escreveu vários estudos sobre sua pesquisa.
Sua terapia com harpa está atraindo o interesse de importantes veterinários e behavioristas de
animais, que enxergam a música como ferramenta complementar na modificação de
comportamentos indesejáveis que podem ser causados por estresse nos bichos de estimação.
Instituições como a Escola de Medicina Veterinária Cummings da Universidade Tufts e a UC-
Davis na Califórnia recomendam os CDs de Sue para ajudar animais com ansiedade de
separação.
Dr. Patrick Melese, veterinário e behaviorista animal certificado de San Diego, recomenda
música de harpa para bichos de estimação muito ansiosos, dizendo que a música tem de fato
ajudado gatos e cachorros a se acalmar, relaxar e adormecer. Outros especialistas concordam e
acrescentam que a música clássica parecer domar feras. Possíveis benefícios incluem ritmo
cardíaco mais lento e menor nível de pressão sanguínea, respiração mais controlada, níveis de
endorfina elevados e diminuição dos hormônios de estresse. Especula-se que ouvir música
diminui o estresse e a ansiedade em animais que aguardam cirurgia e ajuda a acelerar o tempo
de recuperação.
Como funciona o trabalho de terapia com harpa? Raimond diz que uma corda tocada envia
sobretons – alguns inaudíveis ao ouvido humano. O som produz sobretons harmônicos que
parecem funcionar em nível celular para diminuir a pressão sanguínea e reduzir os níveis de
estresse, embora seja necessária mais pesquisa científica para validar isso. Pode-se considerar
um pouco new age , mas vale a pena experimentar a terapia com harpa enquanto pesquisadores
estudam o poder de cura da música na saúde humana.
Sempre que Raimond precisa transportar seus gatos para a clínica veterinária, ela coloca um
CD de harpa no som do carro enquanto faz o passeio de vinte minutos. Ela diz que os três
gatos uivam se a música não estiver ligada, mas ficam calmos quando toca. Segundo ela, para
a música funcionar, um gato deve ouvi-la por pelo menos três minutos. Geralmente, a essa
altura, Raimond diz que a maioria dos gatos começa a se acalmar. Entre dez e vinte minutos, a
maior parte dos gatos se deita relaxada, e alguns até dormem. Isso, sim, soa como música a
nossos ouvidos.

Bolhas de sabão
P: Sempre que vou tomar um banho de espuma, minha gata entra no banheiro assim que
escuta a água jorrar. Ela se empoleira na beirada da banheira durante meu banho. Uma
vez ela escorregou e caiu na água! Mesmo coberta por bolhas, ela não desistiu e voltou na
noite seguinte. Por que o interesse nos banhos de banheira?

R: Conforme explicado em “S plash!”, na página 112, muitos gatos são fascinados por água
corrente, não importa se a fonte é uma banheira, a pia ou o chuveiro. Alguns até mesmo
se sentam na beirada da banheira enquanto o chuveiro estiver ligado. No entanto, um banho de
banheira tem uma atração especial. Pense nisto: na banheira, você costuma relaxar, se acalmar
e não se mexe muito, traços que atraem o felino. E as bolhas fornecem uma textura fascinante
na qual bater.
Sugiro que você desfrute desse momento com sua gata. Não há perigo nenhum para ela, a
não ser, claro, ficar ainda mais próxima de você. Encorajo você a chamar sua gata antes de
abrir a torneira. Desse modo, você pode reforçar o comando para ela vir de maneira bem-
vinda. Depois, deixe as bolhas fluírem e desfrute da companhia da gatinha enquanto você fica
de molho.

O indesejado ajudante de Papai Noel


P: Todos os anos, quando montamos a árvore de Natal, nosso gato Leo decide testar suas
habilidades de alpinista. Todas as manhãs, encontro os enfeites – vários quebrados – no
chão da sala. Certa vez, ele pulou na árvore com tanta força que a derrubou. O que posso fazer
para impedir Leo de incomodar nossa árvore durante as festas?

R: Oobjetos
Natal costuma acordar o duende em nossos gatos. Muitos ficam curiosos com novos
que aparecem em seu território, principalmente objetos tão interessantes quanto
uma árvore cheia de ​bolinhas coloridas. Leo provavelmente ama o pisca-pisca tanto quanto
você. Ele vê a árvore como um maravilhoso presente antecipado de Natal.
Os enfeites cintilantes também são uma grande tentação. Leo descobriu que uma leve batida
faz esses objetos se moverem e outra batida os transforma em divertidos brinquedos que
correm pelo chão.
Uma terceira atração pode ser o que está debaixo da árvore. Se brinquedos com catnip e
presentes com comida forem embrulhados e colocados debaixo da árvore alguns dias antes da
chegada do Papai Noel, Leo não saberá que é preciso aguardar até 25 de dezembro. Espere
para colocar esses presentes quando estiver pronta para abri-los com sua família.
Há algumas maneiras de tornar sua árvore menos atraente, ou pelo menos mais segura, para
Leo.
• Coloque um gancho no teto ou em cima da janela mais próxima da árvore e use uma linha de
pesca forte para segurá-la no lugar. Dois ganchos são ainda melhores!
• Coloque seus enfeites mais estimados e os que podem se quebrar nos galhos mais altos ou
considere colocá-los em outro lugar, não na árvore – por exemplo, em cima de uma estante.
Sempre que possível, prefira ornamentos que não quebrem.
• Coloque brinquedos de gato que não quebrem no chão perto da árvore para distrair a
curiosidade do gatinho.
• Coloque cascas de laranja ou de grapefruit debaixo da árvore. Gatos não gostam do cheiro
cítrico.
• Considere colocar Leo em um aposento diferente, que tenha muitos brinquedos, para evitar
qualquer problema festivo quando você estiver fora de casa ou dormindo.
• Gatos adoram brincar com fios e enfeites brilhantes, ou mesmo mastigá-los, mas podem
adoecer se os engolirem. Ou você deixa esses enfeites de lado, ou só os pendura nos galhos
mais altos.
• Se sua árvore for natural, cubra o vaso com uma saia ou uma toalha de mesa colorida para
que o gato não consiga beber a água, pois ela pode fazer mal a ele.
Gato-aranha
P: Vivemos em uma velha casa que herdamos de minha avó. Adoramos nossa mobília antiga
e as cortinas maravilhosas adornando a grande janela panorâmica na sala de estar. Meu
gato, Reggie, também ama as cortinas e insiste em escalá-las. Quando grito com ele para sair,
ele obedece, mas não posso vigiá-lo o tempo todo. Infelizmente, as cortinas já estão com
marcas de arranhões. O que podemos fazer para que Reggie pare de brincar com elas?

R: Gatos são alpinistas natos e têm necessidade de ficar em lugares altos. Suas adoradas
cortinas antigas são uma versão felina daquelas paredes para escaladas que atraem atletas
de fins de semana.
Aqui vão algumas opções: você pode colocar armadilhas, equilibrando latas de alumínio
sobre as hastes da cortina. Coloque algumas moedas em cada lata para aumentar o valor do
choque. O som dessas latas caindo no chão deve assustar o alpinista de cortinas e convencê-lo
de que são assustadoras demais para outras aventuras.
Ou você pode pendurar temporariamente uma cortina ou um cobertor leve no varão. Quando
Reggie tentar escalar as cortinas, ele não conseguirá se segurar e subir. A cortina falsa cairá,
desencorajando o explorador. Ou, ainda, tente dobrar temporariamente as cortinas em dois
sobre as hastes. Você também pode espalhar odor cítrico ou outro cheiro repugnante na parte
debaixo do tecido para dissuadi-lo.
Essas táticas temporárias são feitas para comunicar a Reggie que as cortinas não são
atraentes nem seguras. Assim que isso ocorrer, você pode recuperar o visual decorativo
desejado.
Contudo, está claro que Reggie precisa de uma chance adequada para exibir seus talentos de
alpinista. Além de desencorajá-lo a escalar as cortinas, dê a ele uma árvore de gato acarpetada.
Se você tiver colunas, considere forrá-las com corda de sisal. Então aplauda quando Reggie
exibir surpreendentes manobras de ginástica felina. Se tiver espaço, deixe um grande galho ou
um pedaço de árvore em um canto para que ele possa subir. Também é possível pendurar uma
rede de cordas com uma das extremidades presa alto em uma parede, e a outra, no chão.
Se é a vista que o atrai, tente colocar um parapeito na janela para que ele possa subir. Como
último recurso, considere substituir as cortinas por persianas. Em casas com gatos, persianas
verticais são uma escolha melhor que as horizontais. Elas são mais difíceis de escalar, mesmo
para o mais ágil dos felinos.

O terror dos papéis


P: Ainda bem que papéis higiênicos e lenços de papel são baratos. Abigail, nossa gata
abissínia, parece se divertir muito ao tirar o papel higiênico da sua base ou roubar lenços
da caixa para rasgá-los em minúsculos pedaços. Tentamos nos lembrar de fechar a porta do
banheiro, mas Abigail aproveita qualquer oportunidade para destruir objetos de papel. Alguma
explicação e sugestões?

R: Abissínios são as encarnações da palavra ativo. Odeiam se sentir entediados e se


divertem sozinhos se for preciso. Está claro que Abigail precisa de mais tempo de
brincadeiras e mais jogos estimulantes para sua atenção e sua energia. Ofereço-lhe algumas
soluções para quando se esquecer de fechar a porta do banheiro.
• Vire as caixas de lenço com o bocal para baixo quando não estiverem sendo usadas,
dificultando para Abigail pegar um lenço e rasgá-lo.
• Instale uma base para o papel higiênico que cubra a parte de cima do rolo, evitando que
patas peguem a ponta do papel e desenrolem tudo.
• Passe um spray de cheiro repugnante (para o gato) em um tecido e coloque-o em cima da
caixa de papel ou do rolo de papel higiênico para desencorajar sua amiga brincalhona.
• Faça do rolo uma armadilha, colocando uma xícara pequena de água em cima dele. Tente
com meia xícara de água. Se o gato se molhar, ele vai se sentir desencorajado a rasgar papel.
Por que Filbert enlouqueceu?
A dona de um gatinho de quatro semanas veio à clínica totalmente estupefata. Seu gatinho,
que costumava ser doce e brincalhão, ficava encarando o vazio como um zumbi ou sibilava e
rosnava como se estivesse possuído pelo demônio. Ficou claro, desde o início do exame, que
havia algo errado. Primeiro porque o gatinho branco e preto estava bem abaixo do peso.
“Ele não cresceu muito desde que o pegamos, embora coma bastante”, disse a dona. Filbert
mostrava-se mentalmente lento, sem interesse em caçar ou perseguir uma bola amarrada a um
barbante. Para um gatinho saudável, isso é estranho.
Foram feitos hemograma completo, avaliação de parâmetros bioquímicos séricos e análise da
urina. O sangue de Filbert mostrou microcitose. A avaliação bioquímica mostrou elevações em
várias enzimas hepáticas. Essas descobertas sugeriam um distúrbio congênito do fígado. Mais
um exame de sangue, chamada de dosagem de ácidos biliares, foi necessário para confirmar as
hipóteses. Como suspeitava, o exame de ácidos biliares mostrou que o gatinho tinha desvio
portossistêmico (DPS), também conhecido como shunt portossistêmico.

DPS é um defeito anatômico pelo qual a maior parte do sangue do trato intestinal contorna o
fígado – ou dele é desviado. O fígado é incapaz de desintoxicar o sangue de forma adequada, e
as toxinas entram na corrente circulatória, causando uma variedade de sintomas. Alguns são
físicos, como ato de babar, tremores, crescimento inibido, pupilas dilatadas, vômitos, diarreia,
sede excessiva e micção. Com frequência, os gatos também mostram sinais comportamentais,
como ​letargia, estupor, olhar para o espaço ou agressividade. Chamamos isso de encefalopatia
hepática, que pode ser traduzida como transtorno mental resultante de um distúrbio hepático.
Um ultrassom abdominal revelou um shunt “extra-hepático”, quer dizer, um único vaso
sanguíneo responsável por desviar o sangue do trato intestinal ao redor do fígado. Seria
necessária uma complica​da cirurgia.
Depois de receber alta, os donos de Filbert disseram que sua personalidade levada e afetuosa
logo voltou. Seis semanas depois, ​Filbert foi até mim para ser castrado, e eu testemunhei a
transformação. Sua curiosidade e sua impaciência impossibilitaram que eu escutasse seu
coração. Quando finalmente consegui detê-lo tempo suficiente para colocar o estetoscópio em
seu peito, foi impossível ouvir seu coração, porque ele ronronava alto demais!
O caso de Filbert é um exemplo clássico de como uma condição comportamental
(encefalopatia hepática) pode ser resultado de um transtorno anatômico (desvio
portossistêmico).
Contribuição de Arnold Plotnick, veterinário
Presente de grego
P: Minha gata Lucy usa a portinha do cachorro para sair para o quintal (que é cercado).
Temos um comedouro para pássaros lá fora, e de vez em quando encontro uma ave morta
em meu travesseiro. Quase desmaio. Quero repreender Lucy, mas ela olha para mim com tanto
orgulho! Lucy tem cerca de 8 anos de idade, mas é saudável como um filhote. Por que ela faz
isso?

R: Gatos têm maneiras singulares de mostrar que nos amam e que são bons caçadores.
Minha Callie certa vez me deu um enorme rato morto – como você, quase desmaiei. Não
importa se esses “presentes” são pássaros, ratos ou grilos mortos, nossos gatos estão exibindo
instintos de caça. Podemos manter suas tigelas de comida cheias, mas nossos felinos
domesticados não caçam por fome.
Alguns trazem a presa para dentro de casa com planos de comê-la no lanche mais tarde, mas
a maioria apenas deixa a carcaça em algum canto. Especialistas no comportamento felino
especulam que os gatos podem levar esses “presentes” para nos treinar. ​Talvez tenham
percebido como somos péssimos caçadores. Ou talvez o façam porque querem nossa
aprovação. Eles não podem sair e comprar presentes caros com o cartão de crédito, então
caçam e nos oferecem o que enxergam como presentes valiosos.
De qualquer forma, você não vai exterminar a necessidade de Lucy de caçar. Está implantada
em seu cérebro (veja “Um dia da caça, outro do caçador”, na página 24). Em vez disso, dê as
essas pequenas criaturas mais chance de lutar colocando um sininho na coleira de Lucy. Se sua
gata costuma sair, você provavelmente não deveria colocar um comedouro para aves – isso
costuma ser feito para distrair gatos que ficam dentro de casa, observando o comedouro através
da janela. Como alternativa, ofereça a Lucy uma presa falsa para emboscar e caçar dentro de
casa, como um rato de brinquedo movido a pilha que se mova de forma errática. Boa caçada!

Rolando na terra
P: Sempre achei que gatos fossem meticulosos e bem limpos, mas minha gata é um ímã de
sujeira. Ela adora rolar na terra. Ela cava meu canteiro de ervas e exibe, feliz, patas e
barriga sujas. Sua linda pelagem negra fica toda bagunçada e empoeirada. Por que ela faz isso?

R: De modo geral, gatos se orgulham de apresentar pelagens bem escovadas e passam horas
se limpando. No entanto, sua gata está em uma missão motivada pelo odor e pela textura.
Embora seja comum cães rolarem em coisas malcheirosas, a maioria dos gatos não procura
locais fedidos, preferindo rolar na terra ou no piso. Eles fazem isso por muitas razões.
A principal é remover pelos mortos para ajudar em suas sessões diárias de banho. A terra e a
poeira que salpicam a pele desencorajam pulgas e outras pestes. Os gatos também podem rolar
na terra e no jardim para se livrar de cheiros indesejados, como o forte perfume de sua tia Kate
ou o cigarro fedido do primo Jim. Além disso, eles se sentem bem dando uma boa revirada em
uma superfície áspera – seria como uma minimassagem!
Minha gata Callie costumava rolar em qualquer lugar quando ia para fora de casa, mas agora
eu a ajudo a permanecer limpa escovando-a regularmente para que sua pelagem, em grande
parte branca, não fique imunda. Ela adora a atenção, e a escovação é tão boa quanto rolar em
meu corredor de tijolos.
Muitos gatos irão rolar pelo chão ao ver um humano amigável se aproximando. Parece um
modo de dizer “confio o bastante em você para lhe mostrar minha barriga; talvez você queira
se aproximar e coçar minhas orelhas, já que sou tão fofo!”. É claro, quando você se aproxima,
seu gato se levanta num pulo e sai correndo... Então, como saber o que ele está realmente
pensando?
Você mencionou um canteiro de ervas. O focinho de sua gata a leva para esse lugar de
cheiros sensacionais, onde ela pode desfrutar da sensação da terra na parte acolchoada de suas
patas e do bom aroma dos itens plantados. Rolar na terra é só um prazer a mais em estar ao ar
livre.

Loucos por catnip


P: Espero que você consiga resolver uma aposta familiar. Eu digo que todos os gatos reagem
ao cheiro de catnip , mas meu marido diz que não. Nossa Gigi vem correndo quando
espalho catnip fresco em sua árvore. Ela sobe correndo a árvore e começa a rolar no catnip e a
comê-lo. Mas meu marido tinha um gato que ignorava totalmente a erva. Ao se tratar de catnip
, o que acontece com os gatos?

R: Espero que você não tenha apostado dinheiro com seu marido, porque ele ganhou.
Embora uma incrível variedade de gatos, de todos os tamanhos, de malhados
domesticados a leões-da-montanha, rolem, esfreguem a cara e torçam o corpo sobre essa erva
aromática, não podemos dizer que absolutamente todos os bichanos fazem isso. Pesquisas
relatam que até 70% dos gatos expostos a catnip exibem algum tipo de reação e que o nível de
resposta parece ser influenciado pela genética. Filhotes não gostam de catnip até atingirem
pelo menos 6 semanas de idade, e cerca de 30% dos gatos adultos não exibem nenhuma reação
especial. Mesmo sendo da mesma ninhada, gatos podem mostrar respostas diferentes à erva,
variando de ignorar ou se orritar a uma adoração total.
O catnip (Nepeta cataria ) é da família da hortelã. O óleo das folhas contém um químico
chamado nepetalactona, cujo odor parece uma substância presente na urina de uma fêmea
felina. Pesquisadores não sabem como funciona o estímulo, mas a nepetalactona deve ser
inalada para chegar aos receptores de odor vomeronasais e provocar reação. A maioria dos
gatos vai esfregar o queixo e a face ou rolar o corpo todo no catnip , enquanto outros vão
lamber e mastigar a erva. Os ​efeitos duram, em média, de cinco a quinze minutos.
Uma pitada ou duas de catnip , fresco ou seco, é o bastante para provocar reações no gato. É
interessante observar que essa resposta psicossexual não pode ser provocada de novo por pelo
menos uma hora antes de ser exposto ao catnip . Por alguma razão, os gatos necessitam de um
tempo entre as doses para renovar seus sentidos. Ofereça a seus gatos um pouco de catnip
cerca de vinte minutos antes do horário de dormir. A erva deve estimulá-los o bastante para se
exercitar, o que os cansará o suficiente para dormirem a noite toda.
Recomendo que você dê a seu gato brinquedos recheados de catnip orgânico, que é a melhor
qualidade dessa erva favorita dos felinos. Guarde o catnip a granel em um recipiente seco e a
vácuo, longe da luz direta do sol. Não mantenha na geladeira, porque o frio e a umidade vão
enfraquecer a potência da erva.
Você pode tentar fazer uma xícara de chá de catnip fresco para si mesmo. Para os humanos,
funciona como sedativo, não como estimulante, tornando-o a escolha perfeita para nos ajudar a
cair no sono.

O PODER DA MADRESSILVA
Se seu gato não é fã de catnip , tente lhe dar brinquedos cheios de pó de madressilva ou um punhado
de madressilva em pau. Você pode encontrá-la em pet shops e para compra on-line . A espécie Lonicera
tartarica do arbusto de madressilva desencadeia uma reação similar, embora menos intensa, à do
catnip . Você deve umedecer a madressilva para ativar seu odor.
Não deixe seu gato mastigar paus crus de madressilva nem os frutos da planta e fique atento, pois
algumas variedades de madressilva são tóxicas.
Aqui vai uma informação interessante para dividir com seus amigos apreciadores de gatos:
cientistas relatam que cerca de 30% dos gatos (os que não exibem reações ao catnip ) respondem ao
aroma da madressilva.

Jogo de gato e rato no computador


P: Trabalho em casa e adoro que meu gato, Spam, fique no escritório comigo. Em geral, ele
dorme em uma cama no canto da minha escrivaninha. Passo muito tempo ao computador,
e às vezes Spam insiste em andar sobre o teclado ou em ficar entre o monitor e eu. É chato ter
que movê-lo o tempo todo. Também temo que ele pise na tecla errada e me faça perder
informações. Não quero expulsá-lo do escritório. Alguma sugestão?

R: Computadores e gatos não combinam. Um gato andando e sentando no teclado,


empoleirando-se no monitor e esfregando-se nas torres pode encerrar programas, deletar
arquivos, digitar besteiras ou provocar danos no disco rígido. Também gosto que meus gatos
fiquem por perto enquanto trabalho no computador. Uma delas costumava se posicionar entre
o monitor e minha pessoa a fim de chamar minha atenção. Então, preparei uma cama em uma
cadeira no escritório e a coloquei ao lado de minha cadeira. Satisfeita, a gata não tenta mais
dançar no teclado enquanto estou digitando.
Manter os gatos longe do teclado pode ser mais complicado que mantê-los longe das
bancadas. Spam já tem um cantinho próprio na escrivaninha, então seu trabalho é ensiná-lo que
ele não tem permissão de entrar em sua área de trabalho. Você não pode se arriscar a jogar
água nele, porque não quer danificar seu equipamento. Quando ele subir no teclado, pegue-o e
coloque-o no chão. Talvez você tenha que fazer isso várias vezes no começo, até que ele
entenda que o computador está fora do limite permitido.
Faça um jogo diferente de gato e rato, jogando um rato de ​brinquedo pela sala para distraí-lo
do teclado. Você também pode brincar com seu gato por um intervalo de dez a quinze minutos
antes de começar a trabalhar, assim quem sabe ele fique mais propenso a tirar uma soneca.
Além disso, certifique-se de que ele comeu antes de você se sentar para suas tarefas, assim ele
não vai incomodá-lo por um lanche. Às vezes só pegar o gato e afagá-lo por alguns minutos já
satisfaz a necessidade que ele tem de atenção e ele vai sair para encontrar outro passatempo.
Se você tem um gato que brinca com o teclado quando você não está por perto, instale uma
prateleira retrátil que possa empurrar para baixo da escrivaninha quando não estiver sendo
usada para que não seja acessível ao curioso felino. Ou apenas use uma proteção de plástico
duro sobre o teclado quando não estiver digitando.
Você também pode se prevenir de problemas causados pelo andar do gato no teclado com
uma ferramenta high-tech : PawSense é um programa de software que protege os
computadores dos felinos. O ​programa detecta o peso de um gato sobre o teclado e bloqueia os
comandos. No monitor, aparece a seguinte mensagem: “Detectada digitação parecida com a de
gato”. Para desbloquear o computador, você digita a palavra “humano”. Os usuários têm a
opção de selecionar um som irritante, que é ativado quando a pata pisa em um teclado mesmo
quando você não estiver na sala.
A solução mais simples: mantenha a porta do escritório fechada quando você estiver no
computador. Torne o lugar uma zona proibida a gatos. Sei que você não quer essa opção, mas
pode tentá-la por um ou dois dias e ver se é o suficiente para desencorajar seu gato apreciador
de teclados.
Gato de Cheshire
P: Ohipnótico
que está acontecendo com meu gato Mambo? Às vezes ele parece entrar em um estado
ao farejar algo intensamente. Ele abre ligeiramente a boca, franze o focinho,
sorri e arreganha os lábios. É uma pose estranha! Geralmente acontece quando ele cheira
alguns arbustos. Nunca o vi fazer isso em casa. É algo que só gatos fazem? O que significa?

R: Mambo está exibindo a reação Flehmen. A cara engraçada que ele faz não se limita aos
gatos. Muitos outros mamíferos, inclusive leões, morcegos e cavalos, reagem assim a
cheiros particulares. O focinho de Mambo o alerta para possíveis fêmeas no cio ou machos
invasores na vizinhança. O odor citado, no caso, é urina.

Pela explicação científica, quando Mambo fareja o ar ele envia o cheiro por um saco
especializado conhecido como órgão de Jacobson ou órgão vomeronasal. Este está localizado
no céu da boca, onde prende moléculas de odor e envia a informação ao cérebro. Flehmen
pode ocorrer com muitos odores, mas geralmente acontece quando um animal – macho ou
fêmea – sente cheiro de urina.
Mambo está fixando os feromônios, substâncias químicas geradas por animais, que servem
como uma espécie de comunicação aromática. Uma fungada forte, e ele acessa todos os tipos
de informação sobre o outro animal, como se essa criatura tivesse deixado um cartão de visitas.
Ele pode descobrir o gênero, o status reprodutor e a saúde de outros animais que deixaram
marcas na parede. Se você quiser ficar a par das fofocas na vizinhança, pergunte a Mambo –
com seu focinho, ele certamente sabe!

Colo de luxo
P: Todos os gatos que tive antes de Jessie ficavam satisfeitos em se sentar perto de mim.
Jessie, não. Ela insiste em subir no meu colo, onde se ajeita e ronrona. Ela é muito rápida.
Assim que me sento, ela surge não se sabe de onde e, alguns segundos depois, pula em meu
colo. Ela pode se sentar em qualquer lugar. Por que quer estar no colo o tempo todo?

R: Gatos são como pessoas. Eles têm preferências distintas sobre onde se sentem mais
confortáveis. Meu gato Little Guy é muito doce, mas há bastante tempo deixei de tentar
transformá-lo em um gato de colo. Ele se sente desconfortável, então respeito seu desejo de se
sentar perto de mim no sofá.
Para os felinos que gostam de se aconchegar, colos oferecem três vantagens. Primeiro, são
elevados. Gatos gostam de ficar acima do solo, onde podem vigiar as atividades ao redor deles.
Segundo, colos são quentes. O calor corporal atrai os gatos, especialmente durante os meses
mais frios. Terceiro, são seguros. Aconchegado à pessoa favorita, o gato desfruta de uma
sensação de segurança.
Alguns gatos aproveitam os momentos em que estão com você para enterrar suas garras em
movimentos rítmicos de subir e descer (ai!) em suas pernas (veja “A necessidade de afofar”, na
página 37). Afofar os ajuda a reviver os gloriosos dias em que era filhote, quando mamavam e
se sentiam totalmente sãos e salvos. Você pode apreciar mais esses momentos de ligação se
aparar as unhas de seu felino – senão, coloque um cobertor ou uma toalha no colo para
proteger suas pernas.
Enxergue-se como uma pessoa de sorte por Jessie ser um amigo felino afetuoso, que busca o
colo. A presença dela também pode lhe proporcionar sensações de felicidade e relaxamento.

Música para os ouvidos felinos


P: Minha gata pode estar dormindo, mas se pego um pedaço de papel ou de celofane e o
amasso, ela instantaneamente acorda e dá a impressão de estar pronta para caçar. Ela
adora o som de amassar e corre atrás de qualquer bola de papel que eu jogo no corredor. Se eu
amasso um saco de pão , ela vem correndo. Ela chega a entrar no saco se eu o deixo no chão.
Qual é a grande atração felina por objetos que fazem esse som ao ser amassados?

R: Embora esses itens domésticos rotineiros sejam inanimados, os sons que produzem ao ser
amassados imitam o trepidar agudo de aves, grilos, ratos e camundongos, provocando,
dessa forma, uma reação predadora no gato. A imaginação de sua gata está totalmente
engajada enquanto ela finge que esses itens são reais. Você está lhe dando a chance de
aperfeiçoar suas habilidades de caça e de se exibir um pouco.
Alguns gatos mostram o mesmo interesse por objetos brilhantes. Algumas raças,
principalmente manx, bobtails japoneses e munchkins, têm tendência a colecionar objetos
brilhantes, como joias e moedas de prata, e estocá-las em lugares estranhos, como dentro de
sapatos ou debaixo de uma poltrona reclinável.

FATO FELINO
Os munchkins, que são gatos anões, possuem pernas curtas devido a um gene dominante mutante. Eles foram
batizados em homenagem aos anões do clássico filme O mágico de Oz.

MANX MANIA
Manx é uma curiosa raça de gatos que não possuem rabo. É uma das raças de gatos mais antigas, mas
sua história é um mistério. Há uma lenda que diz que o gato manx foi a última das criaturas de Deus
a subir na arca, quase não conseguindo entrar antes que Noé fechasse a porta, cortando seu rabo.
Chateado, o gato fugiu da arca e nadou do Ararat até a Isle of Man, onde encontrou uma casa.
Outra lenda diz que os irlandeses roubavam gatinhos para usar as caudas como talismãs de boa
sorte. Para salvar seus filhotes, as sábias mães gatas arrancavam a cauda dos gatinhos de sua
ninhada a mordidas, produzindo gatos sem rabo.
A verdadeira razão por trás das caudas perdidas? É provável que a raça tenha se desenvolvido a
partir de gatos desembarcados de navios que passavam pela Isle of Man, ilha situada no mar da
Irlanda, entre a Inglaterra e a Irlanda. Séculos de endogamia em um ambiente isolado resultaram
em uma mutação espontânea e no sumiço do rabo dessa raça amigável e afetuosa.

Alguns manx têm rabo, seja de comprimento total ou pela metade. Embora ainda sejam
considerados de pedigree , não podem ser exibidos em campeonatos oficiais. Apenas os manx
“rumpy”, completamente sem caudas, e os manx “rumpy riser”, com uma ou duas vértebras, podem
competir, embora gatos com “tocos” de rabo, ou os raros “ longies ”, com rabos quase que no
comprimento normal, ainda sejam valiosos para acasalamento ou como bichos de estimação.

Cauda para cima


P: Meu gato JJ levanta instantaneamente o bumbum e deixa a cauda bem ereta no ar sempre
que afago ou coço seu dorso. É óbvio que ele gosta do contato e não parece se importar
em me mostrar a bunda, mas não é algo que me agrade. Por que ele faz isso? Posso impedi-lo?
JJ está demonstrando o que é conhecido entre os fãs de felinos como “elevador de bumbum”.
R: Você aperta o botão ao coçar o ponto certo, e ele não consegue não levantar o bumbum
bem alto. ​Afinal, faz isso desde que nasceu.
Gatinhos levantam a parte traseira e deixam o rabo bem eretos para que as mães o
inspecionem e limpem. Essa estimulação inicial era tanto funcional quanto prazerosa. Agora,
adulto, a ação de ​mostrar o traseiro de JJ é apenas um modo de dizer que você é digno de coçar
uma região sensível que faz bem a ele.
Impedir tal comportamento seria como tentar manter os olhos abertos quando espirra.
Impossível. Apenas relaxe e aprecie o prazer que ele tem ao receber atenção. Se ele fizer isso
na frente de visitas (e você sabe que fará), deixe que o humor seja seu guia e simplesmente
diga que é hora do “elevador de bumbum”. Se isso o constrange, não coce o dorso de seu gato
na frente de convidados!

Extra! Extra!
P: Um de meus rituais matinais é bebericar uma xícara de café enquanto leio o jornal
sentado no sofá. Desde que adotei Gizmo, um bobtail muito brincalhão, mal tenho a
chance de ler as manchetes antes que ele pule no jornal. Ele me surpreendeu algumas vezes e
terminei derramando café por todo lado. Por que ele faz isso?

R: Gatos não sabem ler, claro, mas são imensamente curiosos. Gizmo é membro de uma
raça ativa e brincalhona, então está ainda mais interessado no que você faz e em tentar
chamar sua atenção. Quando opta por dar uma olhada mais de perto, ele se joga – literalmente.
Tente fazer assim: pegue algumas folhas de seções que não lê, talvez os classificados.
Coloque-as como uma tenda perto de você. Dê tapinhas nas laterais para atrair a atenção de
Gizmo. Esconda um brinquedo ou um pequeno petisco debaixo das páginas. Encoraje-o a pular
e a mergulhar em seu próprio pedaço de jornal, deixando o restante apenas para você.
Também é possível transformar seções indesejadas do jornal em uma corrida de tapete
mágico para seu gato. Coloque-as no início de um longo corredor sem carpete e encoraje seu
gato a correr, saltar sobre o jornal e deslizar pelo corredor. Inclusive, descobri que os panfletos
de propaganda com folhas lustrosas funcionam bem melhor que as seções de notícias do jornal.
GATOS DE RUA QUE VIRARAM ESTRELAS
A baleia assassina pode ser a principal atração do Sea World, mas dezenas de gatos talentosos estão
fazendo fama no parque temático. Os antigos gatos de rua estrelam um show simples chamado “Pets
Rule”, que também exibe cães, aves e um porco gorducho e confiante. Felinos que saltam de uma
torre de três metros para os ombros de um treinador são a prova de que gatos podem se apresentar
com a mesma habilidade que cães e baleias.
Durante o show , gatos e cachorros entram correndo no palco – todos sem coleira e sem se deixar
distrair pela plateia que aplaude. Os gatos cruzam cordas esticadas, correm por túneis e passam
pelas pernas de um treinador enquanto ele caminha. Em determinada cena, três gatos pretos saltam
em uma enorme garrafa de leite no palco e três gatos brancos saem dela.

O renomado treinador de animais Joel Slaven me contou que não há nada mais gratificante que
adotar um gato tímido e sem treino de um abrigo e vê-lo se transformar em um artista confiante e
feliz. Slaven seleciona gatos que foram abandonados por comportamentos indesejáveis, como escalar
cortinas, perambular por bancadas e pular das prateleiras.
O treinador descobriu que os gatos mais fáceis de treinar são os atentos e de personalidade
extrovertida, altamente motivados por alimento, elogios ou sessões de cuidados. Ele observa o
comportamento natural de cada gato e seleciona os truques baseando-se nas atividades preferidas
deles. Um gato que goste de escalar cortinas, por exemplo, pode ser treinado para subir uma corda.
Um gato que o derruba esfregando-se em suas pernas pode ser direcionado a andar entre as pernas
de alguém, seguindo um comando.
Slaven identifica paciência e positividade como as duas coisas mais importantes para o sucesso do
treinamento felino. Ele usa cada pequena realização para obter mais sucesso e conduz sessões de
treinamento breves, encorajando os gatos com elogios e petiscos.
CHEIO DE DEDOS
Conte o número de dedos na pata da frente de seu gato – devem ser cinco. Agora cheque as patas de
trás – você deve contar quatro em cada uma. Alguns gatos, no entanto, exibem até sete dedos em
cada pata. Ter dedos extras, ou polidactilia, é uma anomalia genética, mas não uma preocupação de
saúde. Qualquer raça de felino pode exibir dedos extras, embora a CFA não aceite gatos com essa
anomalia para exibições.
Diz a lenda que os marinheiros do século XVII viam gatos com essa anomalia como bons
presságios, porque os dedos extras faziam com que fossem melhores caçadores e lhes davam mais
equilíbrio durante o tempo agitado no mar.
Quem visita a casa onde morou o grande escritor (e apreciador de gatos) Ernest Hemingway, nos
Estados Unidos, o faz não apenas para se maravilhar com seu talento com as palavras, mas para
conhecer e encontrar os vários bichanos com ​polidactilia que passeiam pelo terreno. Cerca de
sessenta animais vivem em sua propriedade e são protegidos pelos termos de seu testamento. Isso
explica por que gatos com polidactilia são às vezes chamados de “gatos de Hemingway ”. Outros
admiradores os chamam de “gatos de polegar” ou “gatos-luvas”.
PARTE 4

Pensando fora da caixa


Como editora da Catnip , sempre recebo perguntas de leitores confusos ou em pânico
com a conduta de seus gatos, que não usam a caixa de areia da forma adequada. Essa é uma
questão séria para as pessoas e de vida e morte, literalmente, para muitos gatos, pois o
principal motivo comportamental de os bichanos serem expulsos das casas e descartados em
abrigos de animais é a excreção inapropriada.
Os proprietários acabam se cansando de limpar a sujeira em seus tapetes, pisos e mesmo em
suas camas. Ou o cônjuge dá um ultimato: persuadir o gato a usar a caixa de areia ou se livrar
do animal.
Muitas razões explicam por que alguns gatos ignoram a caixa de areia e vão fazer suas
necessidades em outra parte. A verdadeira causa pode ser uma condição médica, mudanças
indutoras de estresse na rotina doméstica ou a desaprovação das “instalações” disponíveis. De
qualquer modo, seu gato está lhe transmitindo que algo está errado. Cabe a você agir como um
detetive e reunir as pistas.
Nesta seção, compartilho alguns cenários com a esperança de que minhas respostas capacitem
você e seu gato a desfrutarem de muitos anos felizes e livres de incidentes, em uma casa que
cheira sempre como um lindo dia de primavera.
Lições sobre caixas de areia
P: Estamos planejando adotar nosso primeiro gatinho, e eu achava que gatinhos soubessem
instintivamente usar a caixa de areia, mas amigos com filhotes dizem que nem sempre é
assim. Se o gatinho que levarmos para casa precisar de ajuda para aprender a usar a caixa, qual
é a melhor forma de treiná-lo?

R: Aposto que você nunca imaginou que acrescentaria “tutora de caixa de areia” a sua lista
de realizações. Pode não ser tão impressionante quanto neurocirurgiã ou a melhor mãe do
mundo, mas para seu gatinho uma orientação sobre como usar a caixa de areia vai garantir que
ele pratique bons hábitos no banheiro por toda a vida.
Na verdade, a maioria dos gatinhos gosta da areia como gatos crescidos gostam de catnip .
Gatos instintivamente enterram suas fezes e cobrem seus depósitos de urina – comportamento
que data de milhares de anos, quando gatos selvagens precisavam evitar a detecção por
possíveis predadores. É por isso que os que vão para fora de casa escolhem o jardim ou a caixa
de areia de playgrounds para fazer suas necessidades, para a infelicidade de jardineiros e pais.
A maioria dos filhotes aprende das mães o básico das lições de caixas de areia quando tem
cerca de 1 mês de idade, por um processo de imitação. Se são órfãos ou foram afastados de
suas mães muito cedo, no entanto, podem não conhecer a etiqueta das caixas de areia. E há
também os aprendizes lentos.
Aqui vão algumas dicas para ajudar seu novo filhote a tirar nota máxima nas lições da caixa
de areia e começar com a pata direita.
• Compre uma pequena caixa de areia com laterais baixas (não mais que sete centímetros de
altura) para que ele, com as ​pernas curtas, possa escalá-la com facilidade. Caixas de areia
grandes, com laterais de dez centímetros ou mais, ou as do tipo com cobertura podem ser
intimidadoras para filhotes.

• Coloque a caixa de areia em um lugar que seja de fácil acesso, mas não em uma área
barulhenta ou muito movimentada, como a cozinha. Nunca coloque a caixa de areia perto das
tigelas de comida e água. Gatos são criaturas limpas e abominam ter que mastigar perto do
banheiro. Se você mora em uma casa de vários andares, coloque uma caixa de areia em cada
andar.
• Quando levar seu gatinho para casa, leve-o até a caixa de areia (que deve estar com cerca de
três centímetros de areia) e coloque-o lá. Gentilmente, mova as patas dianteiras dele pela
areia limpa. Depois, deixe-o explorar a caixa e sair dela sozinho.
• Nos primeiros dias depois de sua chegada, coloque-o na caixa de areia quando ele acordar,
depois de comer, depois de brincar e depois de tirar uma soneca.
• Depois de colocá-lo na caixa de areia, afaste-se com cautela e deixe-o sozinho.
Diferentemente de filhotes de cachorros, que adoram ouvir seus donos exclamarem “muito
bem!” em uma voz feliz, a maioria dos felinos prefere privacidade e não quer que você
aplauda quando cumprirem a missão. Seja discreto.
• Certifique-se de tirar as fezes diariamente para manter limpa a caixa de areia.
Pratique as duas regras do treinamento da privada: paciência e nenhum castigo. Seu filhote
pode precisar de algumas idas à caixa de areia – ou de algumas semanas – para entender como
a coisa funciona. Resista à tentação de dar bronca ou de gritar ou jogar água nele, porque o
castigo em geral é um tiro que sai pela culatra. Seu filhote pode ficar tão assustado que vai
evitar a caixa de areia e procurar lugares menos assustadores, como debaixo de sua cama ou
dentro de seu armário.
Se notar qualquer sinal de diarreia ou se vir seu filhote se esforçando ou ouvi-lo chorar
quando estiver usando a caixa de areia, leve-o ao veterinário para ser examinado. Ele pode
estar com algum problema, como infecção urinária ou parasitas intestinais. Boa sorte!

POR QUE OS GATOS PERDEM SUAS CASAS?


O Conselho Nacional sobre o Estudo e a Política da População de Animais de Estimação dos Estados
Unidos oferece uma visão abrangente sobre por que gatos são abandonados em abrigos. Ao olhar
estritamente para as questões comportamentais, sujar a casa é a principal razão, representando
43,2% dos casos. De forma genérica, esse conselho relata os principais motivos de gatos serem
levados a abrigos:
• estilo de vida do humano (gatos demais na casa, alergias, problemas pessoais);
• questões domésticas (mudanças, problemas com as pessoas, instalações inadequadas);
• problemas comportamentais (sujeira, questões com outros bichos).
CAIXA DE AREIA: SEGREDOS PARA O SUCESSO
Desenvolva o costume de tirar as fezes e a urina da caixa de areia diariamente. A cada duas semanas,
retire toda a areia e limpe a caixa com detergente neutro e água quente. Se possível, deixe a caixa
secar ao sol para matar os germes. Se usar alvejante para desinfetar, aplique uma solução bem fraca
e tire todo o produto com água antes de secar. O forte odor do alvejante pode afastar o gato.
Recomendo uma caixa de areia extra para encher de areia fresca enquanto a outra estiver
secando. Se tiver várias caixas, limpe uma por vez para que seus gatos tenham sempre uma para
usar.

A ladainha da areia
P: Socorro! Estou confusa com todos os tipos de areia disponíveis no mercado. Pode ser de
argila, de milho e até mesmo de jornal reciclável. Há a regular, a que forma montes e as
que podem ser jogadas na privada. Algumas areias têm aroma. E podem ser bem caras. Qual é
o melhor tipo?

R: Você tem razão. Areia não é barata nem leve. Dividir uma casa com três gatos é um
golpe em meu orçamento e exige esforço de meus músculos toda vez que levo para casa
um saco de areia.
A areia sanitária evoluiu comercialmente da mesma maneira que o café. Lembra-se dos dias
em que as escolhas de café eram entre puro ou com leite? Agora, quando pedimos um
cafezinho, precisamos conhecer palavras como mocha , latte e espresso .
A areia sanitária chegou às lojas há mais de cinquenta anos. O crédito vai para um rapaz
esperto chamado Edward Lowe, que trabalhava na empresa de absorventes do pai. Certo dia,
uma amiga de Lowe reclamou sobre o cheiro e a bagunça de usar terra e cinzas em uma caixa
para seu gato. Lowe sugeriu que ela espalhasse um pouco do material absorvente da empresa
na caixa a fim de amenizar o cheiro repugnante. E voilà ! Surgiu a areia sanitária.
Hoje há uma infinidade de areias disponíveis. A maior parte das marcas alega controlar os
odores, mas isso é discutível. As de argila são a escolha mais popular, porque formam
montinhos fáceis de retirar. No entanto, a poeira da argila pode provocar problemas
respiratórios em pessoas e em gatos.
Empresas com mente ecológica criaram uma opção feita de pinho e grãos que absorve bem e
é biodegradável. Os grãos contêm uma enzima natural que ameniza o forte odor de amônia da
urina do gato. Uma nova geração de areias inclui as produzidas a partir de papel ​reciclado, as
de folhas de chá verde que podem ser jogadas na privada, as de sílica e as de gel. Algumas
areias sanitárias vêm com ingredientes como bicarbonato de sódio, perfumes ou cítricos que
são colocados para eliminar odores.
Para auxiliá-lo nessa seleção, mantenha em mente que o focinho de um felino é pelo menos
cem vezes mais sensível que o nariz de uma pessoa. Além disso, gatos não são muito fãs de
cítricos nem de perfumes. O que seu nariz pode detectar como um leve e bem-vindo toque
cítrico pode ser demais para um gato com um focinho apurado e pode até provocar um boicote
à caixa de areia. Isso também se aplica a produtos desodorizantes que ficam nas paredes ou nas
caixas de areia. Abandone essa ideia e use, em vez disso, purificadores de ar perto das caixas.
O tamanho também importa. Coloque-se no lugar do gato por um momento. Você preferiria
andar sobre uma superfície arenosa fina ou sobre uma estrada de pedregulhos repleta de
pelotas enormes? Seu gato pode pertencer à maioria felina e preferir a argila de grãos finos ou
pode surpreendê-lo ao gostar do tipo de grandes pelotas.
Em resumo, coloque em primeiro lugar as necessidades e os desejos dele. Teste a preferência
comprando sacos pequenos de tipos diferentes de areia sanitária. Coloque uma em uma caixa e
a outra na segunda caixa e veja qual ele visita com mais frequência. Um sinal claro de que seu
gato não gosta da escolha de areia é ele fazer as necessidades perto da caixa. Ele está
mostrando que pretende fazer a coisa certa, mas que não quer entrar em contato com aquele
tipo de areia.
O caso de Tom
Quando Pat e Peter chegaram com Tom , um gato macho castrado de 8 meses de idade,
disseram que ele estava letárgico, não se interessava por comida e tinha começado a comer a
areia sanitária.
No exame físico, as gengivas de Tom estavam brancas. Um exame de sangue revelou que ele
tinha uma anemia forte. Anemia pode ser categorizada como “regenerativa”, que é quando a
medula óssea tenta reabastecer a corrente sanguínea com novos glóbulos vermelhos, ou “não
regenerativa”, caso em que a medula óssea não reabastece os glóbulos vermelhos. Pedi exames
e, dada a gravidade de sua anemia, Tom recebeu uma transfusão de sangue.
Depois de alguns dias, os exames do sangue de Tom revelaram uma anemia não
regenerativa. Para descobrir o motivo, obtive uma amostra da medula óssea, e a análise revelou
ausência quase total das células que em geral dão origem aos glóbulos vermelhos. Diagnóstico:
aplasia pura de células vermelhas (PRCA, na sigla em inglês), distúrbio visto ocasionalmente
em gatos jovens, entre 8 meses e 3 anos de idade. Acredita-se que a causa seja um sistema
imunológico um pouco confuso que tenha atacado a própria medula óssea do gato. É
necessário tratamento intensivo e prolongado, com medicamentos que suprimem o sistema
imunológico.

Administramos a medicação adequada a Tom, e ele respondeu muito bem. A contagem de


seus glóbulos vermelhos aumentou de forma estável. Em poucas semanas, havia normalizado.
Começamos a diminuir lentamente a medicação para a dose mais baixa necessária para
controlar a anemia. Enquanto isso, Pat e Peter trocaram a areia sanitária de argila costumeira
por uma areia baseada em trigo para dissuadir o gatinho de outras tentativas de comê-la.
Pareceu funcionar. Tom não mostrou desejo pela nova areia e estava ativo e brincalhão.
Mas várias semanas depois ele teve uma recaída. Suas gengivas estavam pálidas, e a
contagem de glóbulos vermelhos tinha despencado. Os donos mencionaram que encontraram
Tom lambendo talheres, algo que ele nunca tinha feito antes. Felizmente, Tom respondeu bem
a uma dosagem aumentada da medicação. O interessante é que, assim que a anemia foi
resolvida, o hábito de lamber talheres foi superado.
A ingestão voluntária de materiais não comestíveis é responsável por cerca de 2,5% do
comportamento anormal no gato doméstico. Embora a causa seja desconhecida, deficiências
minerais ou distúrbios psicológicos são típicos culpados. O comportamento incomum de Tom
ocorreu quando ele estava bastante anêmico. Seu comportamento estranho acabou quando a
anemia foi controlada. Essas pistas indicaram que o desejo de Tom por areia sanitária e
talheres não era um desvio mental, mas uma necessidade de fundo fisiológico.
Contribuição de Arnold Plotnick, veterinário
PRINCIPAIS RAZÕES QUE LEVAM OS GATOS A EVITAR A CAIXA DE AREIA
(sem ordem específica)
• Caixa de areia suja.
• Poucas caixas de areia para os gatos da casa.
• Rejeição da textura da areia sanitária.
• Nova marca de areia usada.
• Renovações na casa.
• Mudança para uma casa nova.
• Chegada de novo gato, cão ou pessoa à casa.
• Mudança na rotina do dono.
• Ameaças de gatos de fora.
• Problemas de saúde, como infecção urinária.
• Desconforto físico ao entrar e sair da caixa de areia.

Colocando uma tampa


P: Temos dois gatos, com idades de 4 e 5 anos. Estamos nos mudando, e quero aproveitar
essa oportunidade para comprar novas caixas de areia. Sempre usamos caixas abertas,
mas gosto da ideia de caixas cobertas. Meus gatos nunca tiveram nenhum problema em usar as
caixas de areia. Eles vão se adaptar ao novo modelo?

R: Caixas de areia são encontradas em diferentes designs – as opções, como as da própria


areia, são diversas. Além da clássica caixa aberta e rasa, há modelos cobertos, caixas que
se limpam sozinhas, caixas redondas e outras que se encaixam em cantos. Para os preocupados
com a decoração, há até mesmo caixas de areia que podem ser colocadas dentro de um móvel.
Algumas têm porta, e os gatos aprendem a abri-la e fechá-la.
Já que seus dois gatos usam as caixas abertas sem problemas, eu recomendaria que
mantivesse as caixas antigas por enquanto e introduzisse uma terceira, com cobertura, para
testar. Alguns felinos se sentem mais seguros usando uma caixa de areia com cobertura porque
lhes dá mais privacidade. Caixas de areia cobertas mantêm mais areia na bandeja,
principalmente quando usadas por gatos que gostam de fazer bagunça ao enterrar suas
necessidades. Esse tipo de caixa também dificulta as inspeções feitas pelos cães da casa.
No entanto, caixas de areia cobertas mantêm o odor. Você deve estar atenta e limpar a areia
diariamente, além de higienizar as caixas semanalmente usando água quente e detergente
neutro, deixando-as secar ao ar livre. Caixas de areia cobertas podem dar a impressão de
apertadas para gatos maiores se posicionarem ou agacharem sem bater nos lados ou com a
cabeça.
Se você estiver disposta a fazer sua patrulha diária, introduza o tipo coberto e deixe seus
gatos escolherem. Talvez, com o tempo, seja possível substituir as velhas caixas pelas novas,
cobertas.

Localização é tudo
P: Temos uma casa de dois andares, com três quartos e três banheiros. Também temos um
quintal fechado. Temos dois gatos que não saem de casa, com idade de 7 e 14 anos. Eu
quero colocar a caixa de areia no banheiro principal, onde eu poderia limpá-la facilmente, mas
meu marido insiste que coloquemos no porão. Onde é o melhor lugar para colocar uma caixa
de areia?

R: Faça com que a caixa de areia funcione. Veterinários e behavioristas de animais


recomendam esta equação: uma caixa por gato e uma adicional; em seu caso, seriam três.
Dar a seus gatos opções aumenta a probabilidade de que usem rotineiramente uma caixa em
vez de escolher um canto da sala de estar. Se um gato monopolizar uma caixa em particular, o
segundo ainda tem outra para ir.
Além disso, é importante colocar uma caixa de areia em cada andar da casa. Você quer que
elas estejam acessíveis para garantir que serão usadas. E, no caso, seu gato mais velho pode ter
dificuldades em subir e descer as escadas. Ele precisa – e merece – ter um banheiro felino que
seja acessível em cada andar.
Quanto ao local, pense por um instante como um corretor de imóveis peludo. Quando se trata
de gatos e caixas de areia, tudo gira em torno da localização. Gatos gostam de caixas em locais
tranquilos, com privacidade. Isso pode significar um canto no quintal fechado, em um recanto
discreto e no banheiro principal, como você sugeriu. Resista à tentação de esconder as caixas
de areia em lavanderias ou porões úmidos e escuros. Claro, elas ficarão fora da vista e do
pensamento, mas seus gatos podem achar esses lugares barulhentos e assustadores. E quanto
menos conveniente elas forem para limpar, menos provável que você transforme a retirada da
areia suja em um hábito regular.
Nunca coloque as caixas de areia perto de tigelas de comida e de água. É um erro comum
achar que esse arranjo vai servir como lembrete para os gatos usarem o banheiro depois das
refeições. No entanto, é mais provável que você provoque um boicote à caixa de areia, porque
gatos não gostam de fazer necessidades perto de onde comem e bebem.
Por fim, posicione as caixas de areia para que ofereçam uma rota de entrada e fuga. Isso é
importante para evitar que um gato que esteja usando uma caixa de areia se assuste ou seja
atormentado. Certifique-se de escoltar seus gatinhos até a nova localização de cada caixa para
que eles conheçam as opções de banheiro.
E mais uma dica: se tiver cães, principalmente os que tendem a pegar um “lanche” da caixa
de areia, coloque uma barreira (como aqueles portões de bebês) na porta que leva ao cômodo
em que está a caixa. Eu uso um portão com barras verticais e o posiciono cerca de quinze
centímetros acima do chão. Meus gatos têm a opção de pular sobre o portão ou de passar por
baixo dele, e meu cão de 27 quilos, Chipper, não consegue fazer visitas surpresas. Barras
verticais são melhores que horizontais, que talvez facilitem que um cão esperto atravesse o
portão.

COMEÇANDO DO ZERO
Com frequência, a razão de um gato não usar a caixa de areia é uma condição médica ou física. Uma
infeção urinária ou da bexiga, um ferimento, parasitas intestinais – há muitas causas. Se um gato
sente dor enquanto urina ou defeca, ele pode associar a caixa à dor e ir a outro lugar, na tentativa de
amenizar o mal-estar.
Sempre que o gato exibir uma mudança nos hábitos de evacuação, a primeira coisa que o dono
deve fazer é marcar uma consulta no veterinário para descartar quaisquer problemas físicos.
Preste atenção a este conselho: se seu gato não consegue urinar há mais de dois dias, contate
imediatamente o veterinário. Trata-se de uma emergência que pode ser fatal, porque depois de dois
dias sem urinar o felino pode morrer de falência renal.

Casa nova, problema novo


P: Tenho um gato de pelo curto de 3 anos, castrado, chamado Winston. Mudei com meu
marido de um apartamento de dois quartos para uma casa de quatro quartos. Não percebi
urina na caixa de areia, então procurei e descobri que Winston tinha feito xixi em uma caixa
ainda não aberta em um dos quartos. Mudamos um colchão para o porão para que pudéssemos
nos sentar até chegar o sofá, e Winston também urinou no colchão. Agora estamos
encomendando o novo sofá. Como garantir que ele não urine nele?

R: Gatos se comportam como Zorros do mundo dos animais de estimação: gostam de deixar
uma marca em seu território. Na maior parte do tempo, fazem isso esfregando glândulas
odoríferas dos pés, da face e da cauda em vários cantos da casa. Mas às vezes eles marcam
com urina para reclamar a posse ou para se comunicar com outros gatos da casa ou que
espreitam do lado de fora.
Gatos que vivem dentro de casa protegem seu território de forma tão cuidadosa quanto os
que vivem fora. A casa representa um lugar de segurança e conforto. Além disso, eles gostam
de rotina e abominam mudanças. Não é incomum para um gato em uma nova casa reagir
“esquecendo” hábitos anteriores de ir ao banheiro. Winston faz o que é natural para um gato
nervoso: ele marca o novo território com seu cheiro a fim de se sentir mais em casa. Os itens
que você mencionou contêm cheiros do apartamento de que Winston sente falta, e, para
aumentar a confiança, ele pode sentir necessidade de reforçar sua marca neles.

Estudos veterinários identificaram várias causas comuns por trás da marcação urinária:
interações com outros gatos fora de casa, interações com gatos dentro de casa, acesso limitado
ao exterior, relocação em uma nova casa e mudanças na rotina do dono.
Embora machos e fêmeas marquem território, machos não castrados são mais propensos a
fazer isso. Eles usam sua urina forte e pungente como maneira de atrair as fêmeas da
vizinhança. Felizmente, seu gato foi castrado, o que diminui o odor.
Descarte qualquer possível condição médica que possa ser responsável pelas mudanças nos
hábitos de Winston. Se estiver saudável, a estratégia seguinte é tornar sua nova casa mais
acolhedora a ele.
Comece providenciando novas caixas e areia sanitária. Lave as caixas de areia diariamente.
Limite o acesso de Winston a alguns cômodos quando você não estiver em casa e,
definitivamente, faça do porão uma zona proibida. Não grite com Winston. Você só vai
aumentar o nível de estresse dele e provavelmente incitá-lo a fazer mais marcações. À medida
que ele se sentir mais confortável no novo território, você pode gradualmente aumentar o
acesso dele ao resto da casa.
A urina contém feromônios que comunicam o estado de humor e a saúde do gato. Há um
produto, o Feliway, que é comprovadamente eficaz em conter essa marcação de urina por
motivação comportamental. Feliway é uma versão química do feromônio facial felino.
Funciona porque gatos não tendem a marcar com urina os locais em que já deixaram seus
feromônios faciais.
Esse produto é encontrado em spray e como difusor, que é ligado a uma tomada. O difusor
solta esse odor sintético (humanos não ​conseguem senti-lo) 24 horas por dia e dura cerca de
um mês. Você pode jogar Feliway diretamente nas marcas de urina e nos itens de sua casa,
como sofás, cobertas e batentes de portas, sem temer que manche.
Em casos extremos, gatos que fazem marcação com urina podem precisar de medicação
calmante por um período. Estudos mostraram que essas drogas reduzem os incidentes de
marcação com urina em até 75%. Sugiro que trabalhe com o veterinário na administração
desses medicamentos e que, gradualmente, diminua a dose.
Temos sorte de contar com muito mais soluções disponíveis hoje do que há uma década para
conter a marcação com urina, mas este é um comportamento que exige paciência, consistência
e obediência com as recomendações do veterinário ou behaviorista.

SPRAYING OU MARCAÇÃO?
Os dois termos podem ser usados. A única diferença é a posição corporal e, às vezes, o volume de
urina.
SPRAYING ocorre quando um gato fica perto de uma superfície vertical e esguicha urina de pé.
Tanto machos quanto fêmeas podem fazer isso, embora o comportamento seja bem mais comum em
machos não castrados, que agem assim como forma de propaganda sexual e para ameaçar outros
machos.
MARCAÇÃO é quando um gato se agacha e urina em uma superfície horizontal, como na cama.
Esse comportamento é provocado por estresse emocional ou apreensão de modo geral (ao ver seu
amado dono fazer a mala, por exemplo).
Tanto o spraying quanto a marcação devem ser vistos como questões comportamentais. No
entanto, lembre-se de que alguns gatos evitam a caixa de areia simplesmente porque não gostam da
localização dela, detestam o tipo de areia sanitária (principalmente as de cheiros cítricos) ou não
conseguem fazer necessidades normalmente devido a um problema de saúde.
A fujona da caixa de areia
Cocoa, uma siamesa de 8 anos , foi descrita por sua dona como descontraída e sociável com
estranhos. Betty me contou que a adotou em uma sociedade protetora de animais quando a gata
tinha cerca de 1 ano. Betty adorava a natureza carinhosa de Cocoa, que estava sempre
ronronando, mas ficou frustrada e confusa quando a gata começou a defecar fora da caixa de
areia, escolhendo áreas acarpetadas da casa. Os episódios ocorriam algumas vezes por semana.
Exames médicos descartaram qualquer condição física como causa da mudança de
comportamento de Cocoa com relação às idas ao banheiro. Expliquei a Betty que alguns gatos
defecavam fora das caixas de areia como maneira de marcar território. No caso de Cocoa,
considerando seu temperamento relaxado, o motivo provavelmente era a preferência de
superfície ou material (carpete versus caixa de areia), não motivação territorial.
O plano era que Betty limpasse as áreas sujas com um limpador neutro bactericida ou
enzimático para tirar completamente o cheiro de fezes, que pode servir como forte estímulo
para o animal voltar ao mesmo lugar. Em seguida, para ajudar na escolha da localização da
caixa de areia, sugeri que Betty mantivesse um registro dos momentos e dos lugares em que
Cocoa fazia necessidades.

Betty confessou que pegou Cocoa no ato uma vez e que deu bronca nela, fazendo com que a
gata fugisse do quarto. Expliquei que castigar a gata não impediria o comportamento
indesejado. Na verdade, poderia fazer com que ela continuasse a cometer a má ação quando
Betty estivesse longe.
Para interromper o ciclo, fiz com que durante alguns dias Betty confinasse Cocoa em um
cômodo sem carpete e com uma nova caixa de areia. O ambiente incluía amenidades felinas,
como brinquedos, uma árvore de gatos, uma janela com vista, comida, água e uma cama
quente. Em vez da caixa de areia coberta que Cocoa usava, recomendei uma versão aberta,
pois alguns gatos não se importam de urinar em uma caixa coberta, mas preferem não estar
fechados ao defecar.
Uma vez que Betty morava em uma casa grande, também sugeri que tivesse uma segunda
caixa de areia e enchesse ambas com areia sanitária sem odor em vez do tipo com perfume que
ela costumava comprar. Sugeri que mantivesse uma profundidade entre cinco e dez
centímetros de areia e limpasse a caixa diariamente. Por fim, fiz com que tornasse menos
atraentes as áreas acarpetadas que eram alvo da gata, colocando em cima delas um pedaço de
cartolina cheia de fita adesiva com o lado colante para cima. Ela também espalhou odores
cítricos para impedir que Cocoa passasse tempo nessas áreas.
Com a nova areia, as caixas abertas e o carpete grudento cheirando a cítrico, Cocoa voltou a
defecar na caixa de areia regularmente.
Contribuição de Alice Moon-Fanelli, behaviorista animal certificada
Xixi na cama
P: Costumo chamar Benny, meu gato castrado de 3 anos, de Chiclete, porque ele me segue
por todo lado quando estou em casa. Ele também dorme comigo todas as noites,
geralmente se acomodando na cama antes de mim. Estava tudo bem, até eu adotar uma
cachorrinha, a Gracie, que tem cerca de 8 meses e é muito doce. Benny sibila para ela e não
gosta quando Gracie tenta dormir comigo à noite. Em algumas ocasiões, Benny fez xixi na
cama. O que fazer para que Benny aceite Gracie?

R: Alguns gatos irritadiços ou solitários em uma casa se tornam muito apegados aos donos.
Parafraseando Shakespeare, cuidado com o ciúme felino – é o monstro de olhos verdes.
Benny não vai deixar uma mí sera vira-lata aparecer e tirá-lo do posto de principal gato da casa.
Já que seu príncipe mijão não consegue se engajar em uma conversa com Gracie, ele se
comunica da melhor maneira que sabe, ou seja, marcando o território disputado.
Meu conselho é dar a Gracie uma cama em seu quarto. Motive-a a ficar na caminha deixando
petiscos ali de noite. Pense nisso como uma versão canina das balinhas de menta deixadas nos
travesseiros em alguns quartos de hotel. Talvez você precise reforçar o novo arranjo para
dormir, dizendo calmamente “saia” se ela subir em sua cama. Leve-a de volta à caminha e
recompense-a por deitar-se ali. Gracie deve ficar satisfeita por estar no mesmo quarto que você
e o companheiro felino, Benny.
Reforce a posição de Benny cumprimentando-o primeiro quando chegar em casa e
alimentando-o antes de Gracie. Benny definitivamente vai prestar atenção nisso e notará que
Gracie ficou em segundo plano. O tempo é seu aliado. Quando Benny vir que o filhote fofo
não vai embora e que, ainda assim, é ele ainda reina, ele vai ficar mais confiante e não vai
precisar marcar território.
Também aconselho você a manter fechada a porta do quarto quando estiver fora, limitando o
acesso de Benny ao local. Para tirar o cheiro da urina dele da roupa de cama, limpe tudo com
um limpador enzimático proteico, disponível em pet shops ou em clínicas veterinárias.

Problemas com o número 2


P: Adotamos um gatinho saudável de 3 meses. De início, nós o deixávamos no banheiro à
noite e quando saíamos de casa. Ele fazia xixi na caixa de areia, mas fazia cocô na
banheira. Agora que está mais velho, tem acesso total à casa. Limpamos a caixa de areia todos
os dias, mas ele continua fazendo cocô no piso de azulejo perto da caixa de areia. Estou
cansada de limpar. O que posso fazer para que ele use a caixa de areia?

R: Omóveis.
bom é que o filhote está mirando em superfícies fáceis de limpar, não em tapetes ou
Uma vez acostumado à superfície lisa da banheira, ele continua usando uma
superfície similar. Seu gatinho jovem, mas esperto, quer lhe dizer que não gosta muito do
tamanho ou da forma da caixa de areia, da localização dela ou do tipo de areia sanitária. As
pessoas costumam esquecer que a caixa de areia deve se adequar a partir do ponto de vista do
gato, não do dono. Lembre-se de que o ato de urinar leva bem menos tempo que o de defecar.
Seu gatinho pode não gostar de passar muito tempo na caixa de areia e opta por defecar fora
dela.
Talvez a caixa seja pequena ou grande demais para o gosto dele. Tente acrescentar uma
segunda caixa de areia de tamanho diferente e sem cobertura. Posicione-a perto da “cena dos
crimes de cocô”, mas não coloque areia nela. Em vez disso, deixe-a vazia ou coloque um forro
de plástico para criar uma superfície lisa e atrair seu gatinho. Você verá que ele vai agradecer
você por esse novo banheiro felino customizado.
Como de costume nesses casos, você deveria levar seu gatinho ao veterinário para um exame
completo a fim de verificar se não há problema de saúde. Alguns machos não castrados podem
defecar para marcar território, então, marque um horário para castrar seu gato se você ainda
não o fez. Isso costuma reduzir questões relacionadas à evacuação inadequada e também reduz
o risco de o animal desenvolver câncer de próstata.

COMO IDENTIFICAR O CULPADO


Se você divide a casa com dois ou mais gatos e um está boicotando a caixa de areia, como saber qual
é o culpado?
D ê a um dos gatos algumas gotas de corante alimentício vermelho ou verde, colocando direto na
boca ou em algum alimento enlatado. As fezes terão um aspecto claramente mais vibrante que a dos
outros gatos. Se você tiver mais de dois bichanos em casa, espere alguns dias e teste outro gato ou dê
a cada gato uma cor diferente, o que é um pouco mais eficiente!
Se a questão é urinar fora da caixa, peça ao veterinário um corante oftálmico chamado
fluoresceína, que você pode ministrar oralmente. Não se preocupe – não vai fazer mal ao gato. À
noite, você pode usar luz negra pela casa atrás de pontos de urina, que aparecem com um tom
fluorescente.
Assim que identificar qual gato está deixando de usar a caixa, marque uma consulta veterinária
para descartar possíveis causas de saúde antes de recorrer a táticas comportamentais descritas nesta
seção.

Uivo na caixa de areia


P: Meu gato Billy sempre usou a caixa de areia, desde filhote. Agora ele tem 9 anos e vive
dentro de casa. Não houve mudança na rotina doméstica. Nenhuma visita recente, móvel
novo nem mudança no que ele come. Ultimamente, percebi que Billy faz visitas frequentes à
caixa de areia, mas tem produzido pouco xixi. Às vezes ele se agacha, mas nada sai, e ele uiva
como se sentisse dor. O que está acontecendo?

R: Quando um gato bem treinado de repente evita a caixa de areia mesmo sem mudança na
rotina, a causa é geralmente de saúde, não comportamental. Leve Billy a uma consulta
imediatamente. Ele pode ter uma doença felina do trato urinário inferior. Ele está exibindo os
sintomas clássicos: visitas frequentes ao banheiro, dor e produção de gotas – em vez de poças
– de urina.
Com a idade dele, também corre risco de doença renal, diabetes (principalmente se estiver
acima do peso), hipertireoidismo ou doença hepática. Essas condições médicas graves podem
tornar doloroso o ato de urinar ou defecar. Além disso, artrite, doença do saco anal e perda de
visão podem dificultar a entrada e saída da caixa de areia. O tratamento dessas condições de
saúde pode ajudar a resolver esse problema comportamental. Considere, ainda, acrescentar
algumas caixas de areia (tente modelos com bordas mais baixas) em áreas em que Billy passa a
maior parte do tempo. Essas estratégias podem ser úteis para fazê-lo voltar a usar normalmente
a caixa de areia.

Táticas para treinamento de banheiro


P: Adoro minha gata, Bica, mas não sua caixa de areia. Detesto o cheiro e a bagunça e odeio
ter que limpá-la. Moro em um apartamento com um banheiro e um lavabo, então tenho
duas privadas. Recentemente, comecei a trabalhar em casa. Não quero ter que tirar a areia todo
dia nem ter que limpar a caixa toda semana e, certamente, não desejo trabalhar perto dela em
meu pequeno espaço. Li sobre gatos que usam a privada. Bica é uma gata esperta e amigável, e
acho que poderia ensiná-la a fazer isso. Algum conselho?

R: Treinar um gato para usar a privada não é para todo mundo – nem para qualquer gato.
Mas é mais fácil do que você imagina. Alguns gatos aprendem a fazer isso em até três
semanas, mas a maioria precisa de alguns meses. A chave é paciência e persistência. O
treinamento pode ser confuso no início, então você vai precisar manter seu banheiro limpo
para Bica, para você e para qualquer outra pessoa que use o vaso sanitário.
Gatos confiantes e dominantes podem ser os melhores candidatos a usar a privada, porque
eles tendem a não cobrir a urina e as fezes nas caixas de areia. Gatos com essa personalidade
são mais extrovertidos e dispostos a aprender. O treinamento para usar a privada, no entanto,
pode ser mais desafiador com gatos tímidos e submissos. Em geral, esses felinos preferem
cobrir seus excrementos para amenizar qualquer sinal ou odor e não gostam de mudanças na
rotina da casa.
Você tem o que é preciso para ser uma verdadeira professora e ensiná-lo a usar a privada? As
chances de sucesso são maiores entre pessoas genuinamente interessadas em seus gatos,
motivadas e que sejam muito pacientes. Pessoas que não gostam de limpar a caixa e que
querem poupar dinheiro com areia são as mais motivadas a aprender. Parece ser o caso.
Essa tática funciona melhor quando você tem um banheiro que pode ser designado para
treinar seu gato e outro separado para humanos. Você deve manter a porta do segundo
banheiro fechada para que seu gato não tenha acesso ao banheiro para humanos, mas deixar
sempre aberta a porta do banheiro para gatos.
Antes de começar, reúna os seguintes materiais: areia que possa ser jogada na privada; fita
adesiva; saco de lixo ou filme de PVC de cozinha; caixa de areia; jornais e uma bandeja de
alumínio (30 × 20 centímetros, com cerca de 7 centímetros de profundidade). Quando tiver
todos os itens, siga estas recomendações.
1. Coloque na porta um cartaz de “Gato em treinamento” e outro, acima do vaso sanitário, em
que se lê “Mantenha sempre o assento levantado”.
2. Coloque a caixa de areia no banheiro, empoleirada sobre uma pilha de 7 centímetros de
jornais por um período de cinco a sete dias. Recompense sua gata com petiscos sempre que
ela usar a caixa de areia.
3. Depois de alguns dias, vá levantando a caixa de areia, de 2 a 5 centímetros por vez, até a
caixa estar da mesma altura do assento da privada. Sua gata pode começar a andar pelo
assento. Elogie-a.
4. Coloque a caixa de areia na tampa fechada da privada por alguns dias para acostumar a gata
a ficar em cima do vaso sanitário.
5. Substitua a caixa de areia por uma bandeja de alumínio preenchida com 7 centímetros de
areia. Coloque a bandeja dentro do vaso sanitário, segurando-a com fita adesiva em ambos os
lados. Feche o assento do vaso (não a tampa) em cima da bandeja por uma semana.
6. Use uma chave de fenda para fazer um buraco do tamanho de uma moeda de um real no
centro do fundo da bandeja. Nesse ponto, coloque dentro da bandeja apenas uma pequena
quantia de areia que dilui, para não entupir a privada. A cada dia, aumente o buraco. Depois
de duas semanas, corte o fundo inteiro da bandeja.
7. Quando o gato estiver usando a privada de forma confiável, retire a bandeja e a fita adesiva.
Lembre-se de manter a tampa do vaso sanitário para cima para que seu gato se equilibre no
assento. Importante: nunca dê descarga quando ele estiver no vaso sanitário!
Faça isso lentamente e espere alguns reveses. Se Bica cometer um erro, volte um passo por
alguns dias para reforçar o comportamento adequado. Pode ser frustrante, mas é a única
maneira de superar a resistência ao novo aprendizado. Você também deve ter o hábito de
sempre deixar a porta do banheiro aberta e a tampa do vaso sanitário levantada para fornecer
acesso a Bica 24 horas. Senão, corre o risco de acidentes e problemas de comportamento.
Assim que Bica dominar essa façanha, você pode assombrar seus convidados mostrando os
talentos da gata no banheiro. E aproveitar que nunca mais terá de trocar a areia. Por falar nisso,
há kits para treinar gatos a usar a privada. Alguns estão disponíveis em sites que fornecem
produtos para animais de estimação.

Banheiro inusitado
P: Lifazerquexixigatosno não gostam da sensação do plástico. Por isso, para impedir minha gata de
sofá, na cama e em certas áreas do tapete, cobri de plástico esses lugares.
Adivinha? Ela agora vai mais ao banheiro de plástico que à caixa de areia. Ela também urina
em sacos de compras de plástico se os deixo vazios no chão da cozinha. É uma gata que não
sai de casa, é ca strada e tem cerca de 4 anos. Como posso impedi-la de fazer xixi sobre o
plástico?

R: Oclaramente
plástico costuma dissuadir gatos de urinar nos lugares errados, mas sua gata é
a exceção à regra. Alguns preferem fazer as necessidades sobre uma
superfície lisa a fazê-la sobre um monte de areia, então urinam no fundo de uma caixa de areia
recém-limpa antes que os donos tenham tempo de enchê-la de novo com areia sanitária.
Questão de gosto. Se você descartou um motivo de saúde para não usar a caixa, então lhe dê
uma caixa limpa com pouca ou nenhuma areia. Veja “Localização é tudo”, na página 151, para
saber mais sobre onde colocar a caixa de areia.
Enquanto se esforça para tornar a caixa de areia mais aceitável, precisa ser mais esperto que
sua gata marcadora, colocando outros materiais menos atraentes para ela. Considere usar tiras
de papel-alumínio nas áreas usadas por ela no sofá. Ou, melhor ainda, cole uma fita dupla face
nos lugares em que sua gata não deveria ir. Os felinos detestam a sensação grudenta nas patas e
logo começam a evitar essas áreas. Você pode fazer uma versão maior, com papelão e papel
Contact (com o lado grudento para fora). Uma folha ou uma toalha em que tenha sido
borrifado um spray repelente para gatos também pode ser eficaz.
Não se preocupe. A decoração de sua casa só vai ser temporariamente alterada. A maioria
dos gatos começa a evitar as áreas em poucas semanas. Então, retire esses dissuasores.
Ataques à caixa de areia
P: Tenho uma persa meiga e tímida chamada Princess e um abissínio ousado chamado Max.
Comprei Princess antes de comprar o filhote Max, há cerca de um ano. Princess tem 3.
Eles se davam bem, até Princess tentar usar a caixa de areia. Max parece gostar de espreitá-la e
pular em cima dela enquanto ela tenta fazer suas necessidades. A caixa de areia está localizada
no canto de um closet no quarto de hóspedes. Grito com Max, mas isso não o detém. A pobre
Princess está se tornando extremamente tensa. Ela não fez nenhuma sujeira fora da caixa de
areia, mas temo que comece a fazer isso. Alguma resposta?

R: Gatinhos são agitados, mas isso não é aceitável. Em uma situação com vários gatos, o
dominante tende a azucrinar o tímido. Persas, pela natureza da raça, costumam ser
tranquilos, afetuosos e evitar o confronto. Abissínios, por outro lado, são mais extrovertidos e
ousados. Além disso, Max é mais jovem e indisciplinado, enquanto Princess deixou seus dias
de bobagens de filhote para trás.
Com a única caixa de areia no canto de um closet, Princess não tem como fugir quando
atacada. Ela se sente em uma armadilha, e você está certa em temer que, com o tempo, ela
comece a urinar atrás do sofá ou em outros lugares. A primeira coisa a fazer é acrescentar
outras duas caixas de areia. O número recomendado é uma por gato e uma caixa extra. Max
não pode guardar as três caixas de areia ao mesmo tempo. Com mais lugares para escolher, ele
pode se sentir menos inclinado a proteger “sua” caixa de areia.
Coloque as novas caixas de areia em aposentos diferentes. Posicione-as longe das paredes e
em áreas mais abertas para que Princess veja o aposento ou enxergue a porta. Isso lhe dará um
pouco mais de tempo para ver Max se aproximar e se preparar.
Por mais tentador que seja, não grite com ele. Você só irá aumentar a tensão e a ansiedade
que os dois animais estão sentindo. Em vez disso, distraia Max quando vir Princess indo para a
caixa de areia – envolva-o em uma brincadeira ou suborne-o com um petisco. Por fim, se ainda
não castrou Max, por favor, faça-o, pois vai reduzir a tendência a praticar bullying .
COMO ELIMINAR ODORES E MANCHAS
Infelizmente, muitos produtos de limpeza vão esconder apenas temporariamente o pungente cheiro de
urina, vômito ou fezes que apodrecem as fibras do carpete ou do piso de madeira. Mas sua casa não
precisa cheirar como o zoológico local. O doce aroma do sucesso exige uma compreensão básica da
estrutura química de urina, fezes e vômito. Composta de aminas orgânicas, enxofre, amônia e
mercaptanos, esses compostos ricos em carbono e nitrogênio atraem naturalmente bactérias. Os odores
pungentes que parecem piorar depois de certos produtos de limpeza domésticos são o resultado de
subprodutos voláteis criados por processos bacterianos normais.
Atacar a sujeira feita pelos animais de estimação com produtos de limpeza ou soluções caseiras
contendo amônia ou vinagre pode piorar o mau cheiro e solidificar a mancha. A amônia vai, na
realidade, atrair o gato de volta àquele lugar. A amônia é um subproduto da urina, e usá-la vai reforçar o
odor em vez de removê-lo. O vinagre age basicamente como desinfetante e costuma inibir apenas por
um tempo a bactéria de produzir o odor.
Outro erro comum é tentar eliminar as manchas do carpete com limpador a vapor. Esses limpadores
funcionam bem para remover a sujeira diária, mas o calor cozinha as manchas orgânicas nas fibras do
carpete, deixando um odor permanente.

O tempo é fundamental. Quanto mais rápido você remover a urina, o vômito e as fezes, menos cheiro
serão deixados. O cocô é mais fácil de retirar com papel higiênico ou saco plástico, mas as manchas de
urina são mais difíceis. Antes de substituir o carpete e acolchoado ou refazer o piso de madeira, aqui
vão algumas dicas para uma casa com um cheiro mais agradável.
SEQUE. Retira o máximo de urina possível com papel-
-toalha, jornal ou pano de algodão. Continue pressionando esses materiais até que você não enxergue
mais nenhuma mistura amarelada. Esfregar o local faz com que a urina penetre mais no carpete.
NEUTRALIZE O ODOR. Aplique um limpador enzimático nas manchas dos animais de estimação no
local. Siga as instruções na embalagem e deixe a solução agir antes de enxugá-la com papel ou pano.
Seja paciente. Produtos enzimáticos precisam de pelo menos 24 horas para limpar de forma bem-
sucedida a área.
USE BICARBONATO DE SÓDIO. Para roupas de cama ou outros materiais ensopados de urina e
que podem ser lavados à máquina, acrescente 400 gramas de bicarbonato de sódio junto com
detergente e lave em água fria. O bicarbonato de sódio absorve naturalmente os odores e desencoraja o
crescimento bacteriano. Evite a água quente, porque o calor pode fixar o odor no tecido.
ENXERGANDO VELHAS MANCHAS. Pode ser difícil localizar sujeira antiga de animais de
estimação, principalmente urina. Se você não conseguir determinar um local cheirando-o, compre uma
lâmpada de luz negra na loja de ferragens local. Ligue-a à noite e analise o chão. Manchas antigas
aparecem com um brilho fluorescente verde-amarelado. Use carvão ou outro material fácil de limpar
para contornar a antiga mancha e garantir a limpeza total.
PARTE 5

Questões básicas sobre comer e se embelezar


Gatos nasceram para se cuidar. De verdade. Se você registrasse um dia típico de
seu gato, descobriria que ele passa cerca de um terço das horas desperto, limpando a pelagem.
Quando foi a última vez que você passou essa quantia de tempo arrumando o cabelo? Quando
os gatos não estão se arrumando ou dormindo – ou sonhando acordados em se embelezar e
dormir –, estão comendo ou pensando em comer. O resto do tempo é consumido buscando
colos convidativos e cobertores confortáveis, pensando nos ratos de brinquedo e,
ocasionalmente, provocando o cão da família.
Talvez o motivo de você ter adotado um gato seja a reputação exigente do felino. Afinal, você
nunca escutou alguém declarar, com nojo: “Argh! Que cheiro de gato!”. Não, essa frase
costuma ser lançada contra cães – e meias velhas.
Nesta seção, compartilho alguns segredos sobre os dois passatempos favoritos dos felinos:
embelezamento e comida.
Perdendo o equilíbrio, mas nunca a pose
P: Sei que felinos são muito ágeis e possuem ótimo equilíbrio. Então, não pude deixar de rir
quando meu gato Chandler calculou mal a distância até a beirada de uma janela, pulou,
errou e caiu no chão. A distância entre a janela e o chão não é muito grande, e ele nunca se
machuca. Mas não importa o que aconteça, ele imediatamente começa a se lamber. Chandler é
um gato branco e preto de pelo curto, com cerca de 4 anos. Sua pelagem está sempre brilhante
e limpa. Por que ele começa a se lamber logo depois de cair?

R: Gatos são criaturas dignas. Embora costumem agir de forma brincalhona ou tola, ficam
facilmente desconcertados com eventos inesperados ou surpresas. Muitos donos
percebem que seu gato se afasta rapidamente de uma experiência surpreendente e começa uma
minissessão de limpeza. No caso, as lambidas tem funções importantes que vão muito além da
saúde e da limpeza.
Os benefícios da limpeza pessoal começam no nascimento. As mães felinas limpam
meticulosamente os filhotes. As lambidas vigorosas transmitem o poder do toque e reforçam a
conexão emocional entre mãe e gatinho. Irmãos de ninhadas e gatos que dividem a casa
costumam se lamber como um modo de desenvolver um laço social. As lambidas também
ajudam os gatos a se livrar do estresse. Especialistas veterinários relatam que a frequência
cardíaca deles realmente diminui durante uma sessão de autolimpeza.
Quanto a Chandler, não parece que ele tenha futuro como equilibrista de circo. Quando gatos
são flagrados fazendo algo que os assusta ou os surpreende, eles instintivamente começam a se
limpar, como uma forma de se acalmar, reunir os pensamentos e restaurar a dignidade. É como
se dissessem: “O quê? Quem caiu, eu? Você deve estar brincando. Imagine, estou apenas me
arrumando para ficar maravilhoso”.
Embora seja difícil resistir a uma gargalhada e apontar para Chandler, tente sufocar o riso.
Em vez disso, seja um bom camarada e calmamente o chame para uma coçada na cabeça ou
para lhe dar um petisco. Ele vai apreciar o gesto.

Embelezadora em ação
P: Meu gato Zeus tem 18 anos e está comigo desde filhote. É um gato malhado marrom de
pelo curto. Nunca pensei muito em sua pelagem, porque ele parece mantê-la limpa e
arrumada. Mas ultimamente percebi que minha outra gata, Vênus, que tem 6 anos, começou a
lamber Zeus. Ela lambe a cabeça dele, dentro de suas orelhas e até a base de sua cauda. Eu
achava que gatos fossem criaturas solitárias. Você pode explicar por que Vênus está cuidando
de Zeus?
Ao contrário da noção popular, mas equivocada, de que gatos são solitários, eles
R: frequentemente formam laços sociais. Zeus e Vênus dividem a casa e o dono. Eles fazem
parte de uma família harmoniosa. O toque é uma maneira importante pela qual se
comunicam.
Sua gata está mostrando afeto pelo amigo mais velho da melhor maneira que sabe –
ajudando-o a manter a pelagem limpa e saudável. Em minha casa, Callie e Murphy fazem o
mesmo com Little Guy (​também conhecido como Dude), meu malhado de 19 anos. Little Guy
não é mais tão ágil como era quando jovem, e as outras duas gatas mais novas parecem
reconhecer que ele está menos flexível. Então, elas se unem para manter limpas as áreas mais
difíceis de ele alcançar. Ele não reclama.

Gatos que passam muito tempo juntos, principalmente os que vivem dentro de casa e que se
dão bem, com frequência vão se engajar nesse tipo de atividade “você coça minhas ​costas, eu
coço as suas”. Solidifica o laço social. Essa limpeza mútua, conhecida como limpeza social, é
comum em mais de quarenta espécies de animais, incluindo ratos, cervos, cães, macacos e
gado. Além do aspecto social, esses animais cuidam um do outro tratando as feridas, domando
as tensões e tirando insetos, como pulgas.
Embora seja encantador Vênus cuidar de Zeus, mantenha o olho nele. Se Zeus não está mais
se limpando, ele pode ter algum problema de saúde que necessite atenção. Sem a assistência de
Vênus, há uma boa chance de a pelagem de Zeus se tornar seca, opaca e cheia de caspa.

ATAQUE AO PELO EMBARAÇADO!


Domine os pelos longos embaraçados usando um pente de dentes largos. Comece separando
cuidadosamente os nós com os dedos ou com um desembolador. Segure o pelo embaraçado pela base e
comece a escovar com o pente de forma gentil, mas firme, da ponta até a base.
Usar tesouras pode parecer a solução rápida, mas não aconselho, porque você pode cortar sem
querer a pele do gato. Para os nós que não conseguir escovar sozinho, busque a ajuda de um
profissional.

Crie um gato glamouroso


P: Nossa família adquiriu recentemente uma gata adorável chamada Princess, que tem lindos
e longos pelos cinzentos. Adoro o visual de pelos longos, mas sua pelagem fica
facilmente embaraçada e ela tem vários nós no dorso e na barriga. Achava que ela saberia se
cuidar sozinha, mas preciso ajudar. Tentei penteá-la algumas vezes, mas devo ter puxado forte
demais e ela sibilou. Agora, quando me aproximo com escova e pente nas mãos, ela olha, corre
e se esconde. O que fazer para tornar a escovação uma experiência mais agradável?

R: Geralmente, os gatos fazem um bom trabalho ao se cuidarem sozinhos, mas todos podem
se beneficiar da assistência de uma pessoa munida de escova. Gatos de pelos longos e os
com pelos muito finos e fofos podem ter a pelagem transformada em tufos embaraçados e de
má aparência se não tiverem atenção regular – até mesmo diária. Na primavera e no outono,
quando muitos gatos perdem mais pelos que o habitual, um cuidado extra de seus
companheiros humanos os ajuda a ter uma aparência melhor.
Depois das primeiras sessões com Princess, ela relaciona a escova e o pente com a dor dos
pelos sendo puxados – não é de se admirar que fuja de você. E você provavelmente fica
hesitante e relutante em se aproximar dela, dando mais um motivo para ela pensar que há algo
errado. É tempo de reagrupar. Já teve aulas de ioga ou meditação? Lembra-se das lições sobre
inspirar e expirar de forma profunda a partir do diafragma? Fique calma e respire fundo ao
trabalhar com Princess. Se você estiver relaxada, ela vai sentir que sua intenção não é
machucá-la.

Comece as primeiras sessões apenas falando de modo suave e acariciando gentilmente a


pelagem, do topo da cabeça à cauda. Mova-se de forma lenta e firme e retire-se se ela começar
a se afastar ou parecer tensa. Quando ela relaxar, o motor de ronronar vai funcionar. Use esse
tempo para passar gentilmente os dedos pela pelagem procurando embaraços, nós,
protuberâncias, cortes ou evidências de pulgas. Nos primeiros dias, pare a sessão de cuidados
nesse ponto, já que está tentando recuperar a confiança que Princess tinha em você.
Para as sessões seguintes, tenha as ferramentas certas: um desembolador, um pente de dentes
largos e uma escova de cerdas macias. Há ​muitas marcas diferentes no mercado, mas os
especialistas recomendam uma escova de cerdas largas ou pentes feitos especificamente para
gatos de pelo longo. Por quê? Você quer se livrar dos pelos mortos que causam os nós.
Primeiro, retire todos os nós. Segure o pelo entre a pele e o nó e use o desembolador. Sua
segunda ferramenta para a barriga de Princess deve ser uma escova mais macia para alisar os
pelos. Termine a escovação afastando a pelagem do corpo com um pente de dentes largos para
dar uma linda aparência de volume (a fim de evitar nós, a maioria dos gatos de pelo longo com
pelagem fina precisa ser escovada todo dia; passe o pente a partir da raiz dos pelos). Se a
pelagem de Princess estiver sedosa e bonita, passe depois da escovação uma luva feita para
deixar os pelos mais macios e brilhantes.
Dê batidinhas fluidas em Princess com o pente de dentes largos, movendo-o na direção do
crescimento do pelo. Comece na cabeça e siga até a cauda e, então, nas pernas. Faça uma
pausa e afague Princess; outra possibilidade é dar a ela um de seus petiscos favoritos. Se ela
mostrar resistência, deixe-a ir e tente de novo no dia seguinte. Não pense que vai escovar a
pelagem toda em uma única sessão. Fique ​satisfeita por atacar um ou dois nós por dia, até que
todos tenham sumido.
Separe cinco minutos por dia para se tornar o cabelereiro particular de sua gata. Escolha
momentos relaxados, como à noite, quando estiver assistindo à televisão ou lendo um livro, ou
de manhã, quando acordar e Princess ainda estiver um pouco sonolenta e esfomeada.
Aproveite a barriga vazia dela e recompense com petiscos o bom comportamento durante a
escovação. Em pouco tempo, Princess vai esperar ansiosa por essas sessões de glamour com
você.
Se Princess estiver aflita com muitos nós ou se houver muitos nós próximos demais à pele,
você pode levá-la a um profissional para que sua pelagem fique em melhores condições para,
então, continuar com os cuidados diários em casa. Não negligencie um gato de pelos longos os
nós pequenos podem se transformar em emaranhados que terão que ser raspados. Uma última
dica: gatos de pelo longo podem se beneficiar muito de banhos regulares, já que sua pelagem
retém óleos corporais e poeira, o que agrava o problema dos nós. O banho também remove os
pelos mortos melhor do que a escovação. Seu gato não apenas terá que se acostumar com o
processo do banho, mas com o do secador também. Use um secador na velocidade média e
com calor moderado que funcione bem – a maioria dos gatos gosta do ar quente. O que eles
detestam é um secador barulhento.

Conhecimento sobre unhas


P: Quando pego minha gata, ela enfia as longas e afiadas unhas em meu ombro e meu
pescoço. Dói. Embora ela não saia para a rua, não quero cortar suas garras. Como posso
manter suas unhas aparadas, poupando minha pele dos arranhões?
Minhas gatas Callie e Murphy têm todas as garras e aceitam facilmente ter as unhas aparadas
R: regularmente. Para ajudá-la a sobreviver ao momento de cortar as unhas, você precisa
pensar como um gato. Se tiver oportunidade, o bicho vai tentar fugir da cena. É por isso
que recomendo que você faça essa “manicure animal” em um aposento pequeno, como o
banheiro. Assim que um gato vasculha os arredores e percebe que não há saída, ele se acalma.
Mas se não o fizer, vai ser mais fácil pegá-lo!

FATO FELINO
Tiger, um gato com 27 dedos, de Alberta, no Canadá, entrou, em 2002, no livro Guinness World Records como o
felino com mais dedos.

Comece brincando com as patas de sua gata para que ela se acostume a ter pessoas tocando
em seus dedos. Aperte com gentileza a parte acolchoada para expor as unhas. Faça isso sempre
que a afagar ou a escovar.
Quando estiver pronta para cortar as unhas dela, separe as ferramentas necessárias: cortador
de unhas para gatos, uma toalha grossa, pó adstringente (apenas para o caso de você cortar
demais e sangrar). Então, leve a gata ao banheiro e lhe dê um pequeno petisco para começar o
procedimento em bom tom. Trate-a bem. Por mais tolo que pareça, tente cantar uma canção
alegre. Não se preocupe se desafinar – sua gata não vai contar a ninguém. Ou pelo menos fale
de forma suave enquanto trabalha. Sente-se no chão ou em uma cadeira e segure sua gata com
o dorso dela apoiado em seu colo, para que consiga segurar uma pata com uma das mãos e o
cortador com a outra.
Se sua gata lutar demais nessa posição ou tentar lhe arranhar, envolva-a na toalha grossa,
expondo a cabeça e a pata. Segure ​firmemente a pata. Posicione seu polegar no topo da pata e
seus outros dedos debaixo da mesma e pressione um pouco para expor as garras. Corte a ponta
de cada garra, incluindo a do dedo do lado. Não corte a parte branca, e tenha cuidado para
evitar a veia que há em cada garra.
Fique atento à reação da gata. Se ela começar a se debater, faça apenas uma pata nessa
primeira vez. Você não quer transformar uma tarefa rotineira em uma batalha. Veja se um
petisco saboroso vai acalmá-la. Se ela estiver muito nervosa, espere e faça a segunda pata no
dia seguinte. Paciência é sua aliada. Dependendo do gato, você vai precisar aparar as unhas a
cada duas ou quatro semanas, então faça com que seja algo prazeroso para o animal.
Se você sem querer cortar muito e acertar a veia, vai sangrar. É aí que entra o pó
adstringente. Aplique um pouco do pó na unha por alguns segundos e pressione, até que o
sangramento pare.
Lembre-se de fazer elogios durante a sessão. Quando acabar, abra a porta e deixe sua gata
sair andando (ou correndo). Conte até dez antes de sair também para que sua gata não pense
que você a está perseguindo. Eu costumo andar na direção contrária; meus gatos param no
corredor, olhando para mim, e começam espontaneamente a se lamber para se acalmar. Em um
minuto, mais ou menos, estão me seguindo como sempre.

Gatos gulosos
P: Minha gata, Emma, se comporta como cachorro na hora de comer, implorando por
comida. Ela dá a volta na mesa, indo de pessoa a pessoa. Chega a bater com a pata em
nossas pernas ou nosso colo. A hora da refeição se transformou em uma luta de vontades. O
que posso fazer para desfrutar de minha refeição e acabar com essa mania do meu bicho de
estimação?

R: Cães não têm o monopólio de mendigar comida, mas gatos costumam ser mais recatados
e versáteis. Eles olham para você com aqueles adoráveis olhos esmeralda e piscam ou
batem suavemente em seu queixo com uma pata, de maneira afetuosa, enquanto você se
prepara para dar uma garfada. Ou eles aterrissam habilmente em seu colo e começam a
ronronar. Você sucumbe e dá ao gato um bocado de sua comida.
Enxerga o padrão? Sem querer, Emma “treinou” sua família para que sejam os servidores
pessoais de comida dela. Alguns gatos desenvolvem as habilidades na hora das refeições a
ponto de alcançar status de PhD. Alguns larápios viram ladrões ousados, que pulam na mesa e
pegam comida. Outros desenvolvem tal gosto pela cozinha humana que torcem o nariz à ração
que você coloca nas tigelas e o convencem a lhes preparar refeições caseiras.
Há duas razões para desencorajar a mendicância à mesa. A primeira é sua tranquilidade; a
segunda é a saúde de seu gato. Se você está com problemas em dizer não aos pedintes peludos,
lembre-se de que os restos da mesa costumam ter alto teor de caloria e baixo valor nutritivo,
principalmente se você deixar Emma lamber o molho ou devorar a gordura de um pedaço de
lombo. Alimentação errada pode provocar vômito, diarreia, obesidade e uma série de outros
males à saúde felina.
Petiscos saudáveis feitos para gatos são alternativas bem melhores para o lanche entre as
refeições, e você pode usar esses “subornos” alimentares para reforçar o bom comportamento.
Mas também não exagere nos petiscos saudáveis – limite-os a cerca de 10% da alimentação
diária de seu gato.
Para frear a mendicância, implemente uma nova política de alimentar seus animais de
estimação apenas nas tigelas de comida. Se você deixar Emma na sala de jantar durante a
refeição, a única maneira de parar o comportamento dela é ignorando-a completamente. Gritar
ou empurrá-la não é eficaz e pode, na verdade, aumentar sua determinação de buscar atenção.
De início, é esperado que Emma fique ainda mais insistente na hora de pedir comida, mas com
o tempo ela vai aprender que não haverá recompensas.
Outra solução é fazer com que as refeições dela aconteçam ao mesmo tempo que as suas.
Alimente-a em um cômodo diferente, com a porta fechada. Mantenha-a ali até depois de os
pratos terem sido retirados da mesa. Então, abra a porta e lhe dê um pouco de carinho. Seja
paciente. Tenha tempo e persistência para introduzir essa nova rotina e a fim de fazer com que
Emma pare de importunar quando comida humana estiver à disposição.
Naturalmente, o melhor conselho é não criar o costume de alimentar seu gato com restos da
mesa. Dessa forma, ele nunca saberá o que está perdendo. E você vai garantir que ele
permaneça com um peso estável.

O PODER DA PROTEÍNA
Você pode se perguntar se há problema em alimentar seu gato com comida para cachorro. A
resposta é: com certeza. Cães e gatos têm diferentes necessidades alimentares. A ração canina não
possui alguns nutrientes de que os gatos precisam, como taurina. Esse aminoácido é necessário para a
saúde dos olhos dos gatos, pois digere gorduras e mantém os músculos cardíacos saudáveis. Gatos
são carnívoros, e cães, onívoros. Em bom português, isso significa que gatos precisam mais de
proteína animal que cães. Algumas mordidelas no prato do cachorro não farão mal, mas garanta
que a principal refeição de seu gato seja ração para felinos, não comida para cães.

É pra ver ou é pra comer?


P: Quando vou até a porta para sair pro trabalho, dou a meu cachorro um osso de couro, que
parece mantê-lo feliz o dia todo. Tentei dar a meu gato, Garfield (sim, ele é grande e
laranja!), um pequeno osso de couro para mastigar. Ele apenas o cheirou e ignorou. Por que ele
não mastiga osso, como Buddy?

R: Amastigam
verdade sobre gatos e cães é que eles têm estruturas diferentes de mandíbula. Comem e
de forma diferente. Gatos são estritamente carnívoros, enquanto cães são
onívoros e ingerem uma ampla variedade de alimentos. Gatos exibem dentes afiados e bons
para cortar, feitos para apanhar, segurar e destroçar pequenas presas, como camundongos e
aves. Usam a língua áspera para raspar pedaços de carne em vez de confiar apenas nos dentes.
A mandíbula felina se move para cima e para baixo, enquanto a canina é feita para moer ossos
e se move para frente e para trás.
Garfield provavelmente gostaria mais do osso se você o salpicasse com um pouco de
cheddar e o deixasse lambê-lo como um pirulito. Em geral, gatos são mais exigentes com o
que colocam na boca que seus excêntricos camaradas caninos. Isso explica por que é mais fácil
enrolar um cão escondendo um comprimido em um pedaço de queijo do que enrolar um gato.
A maioria dos cachorros vai engolir o petisco de queijo sem hesitar, mas a maioria dos gatos
vai cheirar o comprimido repugnante e/ou vai comer de forma cirúrgica o queijo e deixar o
comprimido intacto – isso se não sair de perto sem olhar para trás.
Tanto cães quanto gatos têm fixações orais. Geralmente, os cães passam o tempo e se
acalmam mastigando ossos. Isso os ajuda a relaxar. Os gatos costumam se voltar ao hábito de
se lamber quando se sentem estressados ou inquietos. Gostam do contato da língua áspera na
pele. Lamber-se é a atividade preferida para seu conforto, não mastigar um osso nojento e
cheio de baba de cachorro.

Passe as verduras, por favor


P: Juro que minha gata deve ser meio vaca! Maggie é branca e preta, tem cerca de 3 anos e
está comigo desde filhote. Ela vive a maior parte do tempo dentro de casa, mas às vezes
sai, principalmente quando estou no quintal. Quando isso acontece, Maggie vai direto para o
gramado e começa a mastigar. Às vezes come muito, só para vomitar fo lhas de grama mais
tarde. Ela está bem? Por que parece gostar de grama?

R: Sua Maggie, embora seja uma verdadeira carnívora, gosta de uma salada. Comer grama
é, na verdade, uma atividade bem comum entre felinos. Eles têm um instinto natural para
comer grama e outras plantas, suplementando, desse modo, suas necessidades dietéticas.
Nutricionistas veterinários relatam que uma dieta só de carne não fornece certas vitaminas e
minerais que os gatos parecem saber que são encontradas na grama e em verduras.
Um segundo motivo possível de Maggie seguir para o gramado é o fato de que as folhas de
grama ajudam a eliminar bolas de pelos e acalmar estômagos revirados. Sim, o resultado é uma
poça nojenta (de ​preferência em seu quintal, não dentro de casa), mas Maggie entende o poder
da Mãe Natureza.
Aconselho você a manter Maggie longe do gramado se você utilizar algum tipo de composto
químico ou pesticida. Nesse caso, dê a ela um pouco de grama orgânica dentro de casa. É fácil
cultivar e ela se espalha rapidamente. Melhor ainda, cultive um pouco de catnip fresco. Essa
erva resistente é fácil de cultivar a partir de sementes. Coloque o vaso em uma área escura e
úmida para permitir que as sementes brotem e, em seguida, leve-o para um ambiente
ensolarado. Recomendo um lugar em que Maggie goste de tomar sol – talvez, perto de uma
janela na sala.
Você também pode consultar o veterinário sobre fornecer a Maggie algum produto para
evitar bolas de pelo. Além disso, passar a mão úmida regularmente em sua gata pode ajudar a
retirar os pelos mortos e reduzir os episódios com bolas de pelo.

Comedores exigentes
P: Tive gatos a vida toda e sempre fui capaz de encher uma tigela, me afastar e vê-los comer.
Fácil, certo? Não mais. Recentemente peguei uma gata de rua. Acho que ela tem cerca de
3 anos. Pensei que a gata ficaria agradecida por ter um lar, mas ela é bem exigente com o que
come. Meus outros dois gatos comem a ração seca sem problemas, já Gabby adora salmão e
atum. No entanto, não posso bancar seus gostos caros.

R: Embora gatos tenham a reputação de comedores exigentes, prefiro vê-los como


comedores cuidadosos. Você precisa avaliar o que está acontecendo. Gabby está sendo
realmente exigente ou há algo a mais em jogo? Pegue um bloco de anotações e registre os
hábitos alimentares de Gabby nos próximos dias. Há várias possíveis explicações de por que
ela não engole a ração. Ela pode estar satisfeita com os petiscos e os restos da mesa, como
aqueles pedaços deliciosos de salmão e atum que você lhe dá. Talvez os outros dois gatos a
impeçam de chegar à tigela de comida. Tente colocar outra tigela para diminuir a competição.
Falando em tigelas, alguns gatos não gostam que os bigodes toquem nas bordas e vão se
afastar da ração se a tigela não for “adequada”. Gabby pode precisar de uma tigela mais larga
ou mais rasa.
A localização também pode ser um problema, especialmente se a tigela de comida estiver em
uma área barulhenta e por onde passa muita gente, como a cozinha. Alguns gatos gostam de
comer sem muito movimento ao redor.

Gabby passa algum tempo fora de casa? Ela pode ter seduzido algum vizinho para lhe dar
petiscos saborosos ou se satisfazer com roedores e pardais.

FATO FELINO
Em 1986, o australiano Himmy foi parar no livro Guinness World Record , como o gato mais pesado já registrado. À
época, ele pesava 21 quilos.

Por fim, não descarte alguma condição de saúde. Gabby pode estar com as gengivas
sensíveis ou sem algum dente, o que torna o ato de mastigar um desafio.
Gatos gostam de rotina. Se você alimenta os seus com várias rações secas, Gabby pode estar
aguardando, na esperança de algo mais saboroso que a comida atual. É melhor ficar com
apenas uma marca de ração. Você pode incrementar a refeição jogando por cima um pouco de
caldo, mas quando encontrar uma ração de qualidade que Gabby pareça apreciar, fique com
essa. Se a saúde dela exigir alguma mudança, troque gradualmente por outro tipo de comida.
Recomendo que escolha em conjunto com o veterinário. Boa sorte!

Pensando a alimentação
P: Estou prestes a adotar um casal de gatos. Eles têm apenas 1 ou 2 anos de idade e são da
mesma ninhada. Não quero que fiquem gordos por comerem demais. Devo manter uma
grande tigela de ração disponível para eles o tempo todo ou alimentá-los apenas duas vezes ao
dia?

R: Bem-vindo ao grande debate felino sobre comida. Há prós e contras tanto sobre deixar a
comida à vontade quanto sobre estabelecer horários de refeições. Muitos gatos, não
importa se vivem sozinhos ou com outros gatos, parecem se dar bem com a comida à vontade.
Comem a quantidade de que precisam e param antes de ficarem obesos. Ao contrário dos cães,
que tendem a engolir não importa o que é colocado na frente deles, os gatos ficam mais
confortáveis em mordiscar dez a vinte vezes ao dia.
Na situação citada, eu checaria com os funcionários do abrigo de animais como esses irmãos
felinos foram alimentados. Pergunte se comiam duas vezes ao dia ou se tinham a comida à
disposição o dia todo e se houve algum incidente de um deles fazendo bullying ou afastando o
outro das tigelas de comida.

FATO FELINO
Um gato saudável exibe uma temperatura de 38 o C.

Preste atenção aos hábitos alimentares de seus novos gatos e pese-os regularmente. Se
parecerem manter o peso, então comida à vontade é uma boa opção. Só se certifique de limpar
as tigelas com frequência – todos os dias, se você os alimenta com comida enlatada.
Alguns gatos, no entanto, enxergam a comida à vontade como um bufê ininterrupto e se
enchem até que a barriga se arraste pelo chão. Eles simplesmente não conseguem dizer não à
comida. Considere uma informação surpreendente: um quilo extra em um gato de quatro quilos
é o equivalente a colossais dezoito quilos extras em uma pessoa que pese 54 quilos. O aumento
de peso pode colocar em risco tanto a saúde dos gatos como a dos humanos.
Para o caso de um dos gatos comer demais e o outro, de menos, é recomendado programar
horários de refeições específicos para cada um. Isso permite que você controle melhor a dieta
de seus animais. Para evitar que o guloso engula toda a comida, alimente-o em um ambiente
separado. Depois de cerca de quinze minutos, pegue as tigelas de comida. Outra opção é
alimentar o gato menos faminto com uma refeição extra à noite, enquanto o bichano mais
pesado passa a noite, sem comida, sozinho em uma sala.
Alimentação controlada também funciona quando surge um problema de saúde, como
diabetes. Gatos com essa condição precisam ter seus níveis de insulina e açúcar monitorados
diariamente. Dar pequenas quantias várias vezes ao dia também ajuda um gato que come
demais e vomita logo em seguida.
Se não puder estar em casa nos horários de refeições específicos de seus gatos, considere
comprar um comedouro cronometrado. Esses dispositivos liberam porções controladas de
ração em horários determinados. Colocar duas bolas de golfe no prato de comida também
ajuda a diminuir o potencial glutão, assim como espalhar a ração em uma bandeja ou um prato
raso.

SEM PALADAR PARA DOCES


Abra uma lata de atum e veja como seu gato aparece correndo para dividir o lanche; mas mostre-lhe
um pedaço de doce ou um saco de biscoitos e é provável que ele permaneça totalmente indiferente.
Isso porque a maioria dos gatos não está interessada em doces.
Todos os mamíferos têm na língua células receptoras, que transmitem sinais de paladar ao
cérebro. As papilas gustativas humanas podem detectar cinco sensações principais de paladar:
salgado, doce, azedo, amargo e umami , que é um gosto saboroso ou substancial.
Cientistas descobriram recentemente que duas proteínas regulam os receptores para o gosto doce.
No caso dos gatos, uma dessas proteínas, a TIR2, não existe. Por esse motivo, eles são, no mínimo,
indiferentes ao açúcar – e provavelmente incapazes de detectá-lo.
Então, por que alguns gatos pedem um pouco de sorvete ou de iogurte? Esses produtos lácteos
contêm grande quantidade de uma proteína chamada caseína, que é feita de aminoácidos que
integram a dieta felina. Produtos lácteos também tendem a conter gordura, que os gatos conseguem
digerir bem.

Argh! Bolas de pelos!


P: Minha gata de pelo longo, Pretty Kitty, parece cuidar muito bem de sua pelagem cinzenta.
Ela só vive dentro de casa e tem quase 5 anos. Pelo menos uma ou duas vezes por
semana, encontro uma bola de pelo cuspida no carpete. Ela nunca parece escolher os pisos
fáceis de limpar, como o azulejo da cozinha. Pretty Kitty é submetida a check-ups regulares, e
meu veterinário não encontrou problema de saúde. Então, por que as bolas de pelo?

R: Infelizmente, bolas de pelo podem ser um incômodo constante, pois gatos normalmente
engolem pelos quando se lambem – seja os de pelo longo ou os de pelo curto. Os
filamentos minúsculos em sua língua agem como uma escova, pegando os pelos soltos. Na
maior parte das vezes, esses pelos engolidos passam sem problemas pelo sistema digestivo.
No entanto, quando os gatos têm muito pelo ou quando os estão perdendo, os fios engolidos
se acumulam no estômago, de modo que podem irritar o revestimento estomacal e interferir na
digestão. Quando a bola de pelos chega a determinado tamanho, o gato vomita, expelindo um
montinho de pelos, alimentos digeridos, saliva e secreções gástricas – os ingredientes da típica
bola de pelos felina. Argh!
Aconselho você a consultar o veterinário novamente se o número de incidentes com bola de
pelos aumentar ou se sua gata der a impressão de estar desconfortável quando vomita. Pode ser
necessária uma radiografia para determinar se há uma bola de pelos em seu estômago. Em
alguns casos, bolas de pelo fixadas devem ser removidas cirurgicamente.
Embora Pretty Kitty seja exigente com a aparência, você pode ajudar a reduzir os incidentes
com bolas de pelos escovando-a e penteando-a diariamente. Esses cuidados também ajudam a
verificar ​quaisquer ​problemas de pele ou na pelagem, como caroços, inchaços e pulgas, a
remover pele morta e a minimizar os pelos embaraçados. Suas roupas e seus móveis também
vão se beneficiar, porque haverá menos pelos de gato circulando. Você também pode marcar ​-
regularmente banhos no pet shop .

FATO FELINO
“Bola de pelos” é uma expressão tão nojenta! O nome científico para aquela bagunça expelida é “tricobezoar
gástrico”.

Outra maneira de combater as bolas de pelo é dar ao gato um lubrificante à base de petróleo,
disponível em clínicas veterinárias ou pet shops . Alguns gatos toleram vaselina, mas muitos
não gostam do sabor. Independentemente da marca, coloque um pouquinho no focinho ou na
pata de sua gata. Ela vai lamber a área e ingerir o lubrificante. A maioria tem sabor que
encoraja os gatos a enxergá-los como petiscos. Não use manteiga nem óleo vegetal, já que são
ricos em calorias e não são bem absorvidos por gatos. Azeite extravirgem pode ser usado de
vez em quando.
Por que no carpete, não no piso azulejado? Isso permanece um dos mistérios felinos. A maior
parte de minha casa tem piso laminado e azulejos, mas, sempre que meus gatos estão com o
estômago revirado, eles deixam a prova apenas na área acarpetada: meu quarto e o corredor do
andar de cima.
Amber se lambe demais
Amber, uma gata de pelo curto de 11 anos, castrada, vive com Sylvia desde que tinha 2
meses. Ela não sai de casa e costumava exibir uma pelagem limpa, brilhante e bem cuidada.
Embora sumisse de vista sempre que a campainha da porta tocasse, gostava de ficar por perto
quando o namorado de Sylvia a visitava.
Há cerca de um ano, o companheiro felino de Amber, Poolie, adoeceu gravemente e foi
eutanasiado. Sylvia me contou que Amber viu quando ela colocou Pookie na caixa de
transporte e saiu de casa, voltando sem o gato. Depois da morte de seu companheiro, Amber
começou a lamber de forma excessiva seu abdômen e as pernas traseiras. Também começou a
perder peso, embora Sylvia não tenha feito nenhuma mudança na dieta dela.
Em conjunto com o veterinário, Sylvia descartou quaisquer condições de saúde e possíveis
reações alérgicas a parasitas, alimentos, pó, pólen ou bolor. Informei Sylvia de que Amber
estava sofrendo de alopecia psicogênica felina. Os gatos costumam se lambem em excesso,
como um comportamento deslocado, quando estão momentaneamente estressados, mas em
alguns casos a frequência e a duração das sessões levam muito mais tempo do que é
considerado funcional. Quando exacerbadas pelo estresse, as lambidas podem se tornar
repetitivas e excessivas, às vezes resultando em áreas sem pelos e em marcas de mordidas na
pele.
A alopecia psicogênica ocorre mais frequentemente em fêmeas que em machos, em qualquer
idade. É vista predominantemente, mas não exclusivamente, em gatos com pedigree da raça
oriental e é bastante associada a gatos com temperamento ansioso. Claramente, Amber sentia a
falta de Poolie. O outro gato da casa, Honey Boy, se comportava como um valentão, então
aconselhei Sylvia a colocar um sininho em sua coleira para que Amber pudesse saber onde ele
estava, a fim de evitar confronto.
Recomendei que Sylvia engajasse Amber em exercícios interativos de cinco a dez minutos e
brincasse com ela algumas vezes ao dia. Brinquedos de penas, ratos de catnip e objetos com
barulhos são os favoritos de muitos gatos. Enriquecer o ambiente com redes felinas, para que
os gatos possam subir nelas, e lhes dar bolas com petiscos para brincar ajudou a acalmar e a
distrair Honey Boy, e isso diminuiu a ansiedade de Amber.
Como medida interina, sugeri também que Sylvia consultasse o veterinário sobre dar
temporariamente um remédio calmante para tratar transtornos compulsivos, como a alopecia
psicogênica. O comportamento de Amber melhorou, e sua pelagem recuperou a aparência
brilhante e saudável.
Contribuição de Alice Moon-Fanelli, behaviorista animal certificada
HUMOR E LEITE AZEDOS
Embora muitas pessoas achem que gatos e leite combinam como ratos e queijo, os veterinários
costumam ser contra dar ao gato um grande pires de leite. Gatos adultos não produzem lactase
suficiente para digerir de maneira adequa​da a lactose encontrada no leite. Mesmo em pouca quan
tidade, o leite pode provocar diarreia ou vômito. Por que correr o risco?

Excesso de gostosura
P: Adoro meu gatão, gostoso de abraçar, Leo, mas meus amigos fazem piada com o tamanho
dele. Eles o chamam de Leo, o Grande, e me perguntam se não seriam dois gatos, em vez
de um. Ele tem 8 anos e pesa sete quilos. Digo a meus amigos que ele tem apenas uma grande
ossatura, mas sei que ele está acima do peso. No entanto, não parece ter nenhum problema de
saúde. O que há de errado em um gato gorducho?

R: Muita coisa. Sei por experiência. Minha gata mais jovem, Murphy, sempre foi a atleta de
meu trio felino, até uns anos atrás. Toda manhã, eu a levava para caminhar pelo bairro.
Ela vinha correndo até a porta quando eu mostrava a coleira e a guia. Então, adicionei um cão
à família, depois outro. Em vez de levar Murphy para caminhar ou jogar uma bola de papel no
corredor para ela buscar, comecei a andar e a correr com meus cães.
Murphy ficava sentada em casa e comia, comia. Entre ração e petiscos, ela foi acumulando
peso até alcançar quase sete quilos. Como você, tive que lidar com a dificuldade que é criar um
gato gordo. ​Infelizmente, você e eu não estamos sozinhos. Até 40% dos gatos nos Estados
Unidos estão registrados como acima do peso ou obesos.
Gatos acima do peso sofrem maior risco de desenvolver diabetes, doenças cardíacas, artrite e
uma série de outros transtornos de saúde. À medida que a barriga se expande, eles ficam
menos motivados a fazer algo além de comer, dormir e ir ocasionalmente à caixa de areia.
Costumam beber menos água, o que os torna candidatos a desenvolver pedras nos rins ou
infecções urinárias.
Vamos ajudar Leo a emagrecer de forma inteligente. Tire uma foto de “antes” dele e
coloque-a em um lugar visível, como a porta da geladeira. Comece um registro alimentar e
pese Leo a cada três dias. Se você mantém a tigela de comida sempre cheia, pare. Peça
conselho a um veterinário sobre comida dietética de qualidade (algumas têm mais fibras, o que
ajuda o gato a se sentir saciado) e lentamente desabitue-o de sua comida normal, passando para
a versão com menos calorias. Estabeleça horários de refeições específicos e meça cada porção
de acordo com as instruções no pacote. Use uma xícara de medição de verdade, não um
contêiner plástico nem outra medida imprecisa. Espalhe petiscos em uma folha para assar
biscoitos, não em uma tigela. Isso fará com que ele leve mais tempo comendo.
Trabalhe com o veterinário para diminuir lentamente as porções de Leo. Você não quer
reduzir a comida de modo drástico. Quando se trata de gatos, os perigos de “uma dieta radical”
podem levar à lipidose hepática, mais comumente conhecida como doença do fígado gordo.
O objetivo é que Leo perca alguns gramas por semana, para que o peso em excesso
desapareça gradualmente e não volte. Assim que os gramas começarem a sumir, atraia o filhote
que ainda há em Leo e o encoraje a brincar e a se movimentar mais. Se tiver escadas em casa,
coloque um petisco de baixa caloria, como lascas de peixe Bonito, no topo da escada quando
Leo estiver embaixo. Mostre a ele o petisco. Arraste um brinquedo em uma corda para que ele
o persiga. Compre para ele um brinquedo interativo que atraia sua atenção quando você estiver
fora.

Tire fotos progressivas de Leo, mensalmente. Em seis meses, mais ou menos, seus amigos
vão começar a chamá-lo de Leo, o Esbelto.

ALIADO NO COMBATE ÀS GORDURAS?


Nutricionistas veterinários estão estudando os possíveis benefícios que a L-carnitina pode oferecer
para aumentar o metabolismo da gordura quando acrescentada à ração felina. Eles também estão
analisando diferentes tipos de fibras. A L-carnitina (abreviação para levocarnitina) é um aminoácido
que pode ajudar a diminuir os níveis de colesterol e lipídios (gordura) no sangue. Esse suplemento
está disponível em catálogos de fornecedores e lojas para animais de estimação. Como no caso de
qualquer suplemento, fale com o veterinário antes de adicioná-lo à dieta de seu gato.

Banho? Não, obrigado


P: Meu cão Max é um bulmastife gentil que adora nadar e tomar banho. Minha gata, Star,
definitivamente resiste a ficar molhada. No entanto, eu tenho que banhá-la de vez em
quando porque Max gosta de lambê-la, e ela fica cheirando a cachorro. Por que gatos detestam
tanto tomar banho?

R: Gatos são extremamente conscientes da higiene pessoal. Se fossem pessoas, seriam


provavelmente tachadas de obsessivos-
-compulsivas, porque lavariam as mãos várias vezes ao dia. Nunca sairiam usando uma
camiseta suja nem roupas descombinadas. Gatos gostam de exibir uma pelagem limpa e bem
cuidada. Deve ser por isso que os com pelagem branca e preta são afetuosamente chamados de
gatos de smoking 2 .
Embora o encontro com um gambá ou o contato com uma substância oleosa ou grudenta, por
exemplo, demande uma intervenção humana, a maioria dos gatos não precisa ser banhada
nunca. Uma boa escovada (diariamente, para felinos peludos, e menos regularmente para gatos
de pelagem curta) ajuda a manter saudáveis a pele e o pelo. A menos que Star fique com
frequência encharcada de baba de cachorro, deixe que ela cuide sozinha do problema. Se ela
ainda estiver cheirando mal, tente usar xampu ou mousse a seco ou lenços sem perfume e sem
álcool, em vez de submetê-la a um banho completo.
Se você sentir que ela precisa tomar banho, comece enchendo a pia ou a banheira com água
na temperatura ambiente, apenas o suficiente para molhar as patas. Use um copo para jogar
água no dorso (a torneira pode ser assustadora), faça uma massagem gentil, seque com a toalha
e deixe a gata ir embora. Acostume-a a sessões curtas sem xampu, então adicione,
gradualmente, uma rápida massagem com a espuma do xampu e lave tudo.
Quanto à noção de que todos os gatos fogem da água, não é bem assim. Alguns felinos
selvagens, como tigres e jaguatiricas, podem se refrescar do calor da selva nadando ou entrar
na água para pegar peixes e outras criaturas aquáticas. Corky, o gato que tive na infância,
adorava nadar com nossos cães no lago no quintal de casa e seguiria qualquer um que estivesse
com uma vara de pesca, na esperança de jantar peixe. ​Muitos gatos domésticos são fascinados
pela água, embora não gostem de nadar, e alguns chegam a gostar de banhos regulares. Já vi
diversos gatos parecerem bem felizes a bordo de barcos de pesca nos portos do sul da ​-
Califórnia, embora de fato não estivessem dentro da água!

Ah, não! Hora do remédio!


P: Oremédio
veterinário determinou durante a última consulta que meu gato, Cosmo, deve tomar
duas vezes ao dia devido a uma condição médica. Sei que a medicação vai fazê-
lo sentir-se melhor, mas está ficando mais difícil dar as pílulas. Ele parece ter um sexto sentido
sobre quando pretendo lhe dar o remédio e corre para se esconder. Como ele pode saber o que
vou fazer?

R: Para começo de conversa, gatos são criaturas de hábitos. Por isso, se você vem dando a
Cosmo o remédio no mesmo horário, ele já espera que você o “ataque”, no mesmo
horário, todos os dias. Provavelmente também está associando o barulho do frasco de
comprimidos ao desagradável evento. Gatos são versados em medir nossas emoções. Parece
que você fica estressada e frustrada quando é hora de dar os comprimidos a Cosmo. Ele estuda
sua linguagem corporal, vê a tensão ganhar força e sabe exatamente o que está por vir.
Dar remédio a animais de estimação nunca ficará no topo da lista de nossas atividades
favoritas, mas pense que está fazendo um ótimo trabalho cuidando de seu gato. Cerca de 40%
dos donos não conseguem cumprir as instruções dos veterinários para medicar seus animais de
estimação. O principal motivo? É aborrecimento demais.
Já que você deve dar os comprimidos a Cosmo duas vezes ao dia, tente colocar o frasco em
um lugar onde ele goste de ficar, como perto do sofá, de uma poltrona reclinável ou no criado-
mudo. Pegue o comprimido do frasco e espere um pouco. Deixe Cosmo se aproximar. Ajude-o
a ficar tranquilo – e fique também –, fazendo-lhe uma massagem terapêutica. Ouça o motor de
ronronar e perceba o corpo dele relaxar. Então, discretamente, pegue o comprimido e,
enquanto ainda está falando com suavidade, de forma calma e confiante, abra a boca de Cosmo
e jogue o comprimido lá dentro, certificando-se de que está bem dentro da garganta, para que
ele não possa cuspi-lo. Segure a boca fechada por alguns segundos e gentilmente afague sua
garganta para ter certeza de que ele vai engolir.

FATO FELINO
Há três formatos de olhos felinos: amendoado, redondo e oblíquo.

Se isso não for viável, eis o plano B: motive o gato a ir até você na hora de dar o
comprimido, associando um petisco favorito (estamos falando de favorito no nível máximo,
como atum em lata, não ração velha) ao barulho do frasco de comprimidos. Recompense-o por
ir até você. Sem movimentos apressados, pegue-o e lhe dê o comprimido – ou sente-se no chão
se você consegue segurá-lo melhor desse jeito. Talvez precise enrolá-lo em uma toalha para
evitar que ele arranhe você.
E também há o plano C, que funciona mais com cães do que com gatos, mas sempre há
exceções felinas. Você pode moer o comprimido até virar pó, escondê-lo em uma colher de
sopa de ração enlatada ou papinha de bebê sabor carne ou enrolá-la em queijo derretido.
Alguns gatos adoram suplementos de vitamina ou remédios para bolas de pelo em um tubo, e
um pouco disso, ocultando o remédio, pode ser colocado no céu da boca, onde vai grudar.
Confirme com o veterinário antes para garantir que, ao moer o comprimido, a potência dele
não será comprometida.
Seja qual for a opção que escolher, fale de forma animada e lembre-​
-se de respirar tranquilamente para evitar que seu corpo fique tenso. Se Cosmo se esconder
antes da hora do comprimido, ignore-o e ande na direção oposta ou fique onde está e leia ou
assista à TV. Você quer que ele entenda que a hora do remédio não é nada demais.
2 Tuxedo cats em inglês. Em português, essa pelagem característica é denominada “frajola”. [N. T.]
Pumpkin, o gato que amava plástico
Quando donos de gatos relatam que seus bichanos estão vomitando , é necessário um
esforço de detetive para obter um diagnóstico preciso. Nesse caso, a dona de Pumpkin facilitou
meu trabalho ao declarar: “Pumpkin gosta de comer plástico, especialmente sacolas de
supermercado”.
Com essa informação, Pumpkin e eu fizemos um pequeno passeio até a mesa de raios X.
Sacos plásticos, infelizmente, são radiolucentes – ou seja, não aparecem direito em raios X. No
entanto, notei um padrão de gás anormal no intestino e algo errado no abdômen. Diagnóstico:
era bem provável que Pumpkin tivesse engolido algo que estava obstruindo seu trato intestinal.
Nenhuma comida que ingerisse passaria pela obstrução.

O cheiro de vômito sugeria que a obstrução estava longe o bastante no trato intestinal para
que a comida estivesse no processo de ser transformada em fezes ao atingir a obstrução e
voltar. Menciono isso não para gerar nojo, mas para ilustrar que, às vezes, uma observação
aparentemente trivial – o cheiro era terr í vel – dá pistas importantes para os veterinários.
Pumpkin foi internado, reidratado com fluidos intravenosos e posto sob antibióticos pré-
operatórios. Durante a cirurgia exploratória, parte de seu intestino mostrou-se inflamada com
uma protuberância reveladora. Fiz a incisão e vi uma sacola de plástico. Percebi depois outros
dois pedaços menores de plástico, possivelmente cupons de compra que estiveram em um
pacote de fraldas descartáveis.
O que há nas sacolas de plástico que tanto atrai os gatos? Alguns especulam que seja a
frieza, a textura ou o som que elas fazem quando são lambidas ou tocadas. A razão mais lógica
seria a de que os gatos fazem isso porque há gelatina na composição de alguns sacos plásticos.
Gelatina é um produto animal, e alguns gatos são atraídos pelo cheiro dela. Embora isso ainda
seja uma teoria, faz sentido para mim.
O caso de Pumpkin é um bom exemplo de como uma questão comportamental – um desejo
louco por plástico – pode levar a uma condição de saúde potencialmente perigosa: a obstrução
gastrointestinal. A dona de Pumpkin pode considerar as velhas fraldas de pano com alfinetes
para o seu próximo bebê.
Contribuição de Arnold Plotnick, veterinário
UMA COLHER DE AÇÚCAR (OU DE ATUM)
Quem disse que remédio tem que ter gosto ruim para fazer efeito? Pergunte ao veterinário sobre
diluir os comprimidos de seu gato em líquidos aromatizados e facilmente ​administrados. Empresas
farmacêuticas agora oferecem uma dezena ou mais de sabores bem aceitos por felinos, como atum
grelhado, carneiro assado e bife, em mais de 350 prescrições.
Além disso, as empresas podem tirar o amargor de remédios como metronidazol ou prednisolona
enquanto mantêm sua potência. Alguns remédios para hipertireoidismo podem ser transformados
em géis transdérmicos, aplicados em massagens na ponta da orelha do gato, para serem absorvidos
pela pele em vez de engolidos.

Um golpe no queixo
P: Estava coçando o queixo de meu gato William, de 3 anos, quando senti algumas
protuberâncias cascudas e percebi flocos do que parecia ser terra. Sei que ele não tem
pulgas e que sempre cuidou bem de sua pelagem. Fiquei com medo de que fosse sarna ou
mesmo câncer de pele, mas o veterinário diagnosticou acne felina. Nunca tinha ouvido falar
disso. Do que se trata?

R: Adolescentes não são os únicos que desenvolvem acne – alguns gatos também o fazem.
Medicamente falando, acne felina é um distúrbio de queratinização, um modo chique de
dizer que os poros sob o queixo ficaram bloqueados com pedaços de células, causando cravos.
Se não forem tratados, esses poros podem inchar e ​infeccionar. Eles se rompem e criam cascas
sangrentas, lesões e pedaços de pele sem pelo. Gatos com queixos brancos chegam a parecer
bodes.

FATO FELINO
Os principais motivos para um gato desenvolver comichão na pele são reações alérgicas, pulgas e outros parasitas,
doenças como diabetes e hipertireoidismo, ambiente seco, dieta pobre, falta de cuidados pessoais e infecções
bacterianas ou por fungos.

Especialistas veterinários não sabem o que causa essa condição nem qual é a predominância
entre a população felina. Teorias populares apontam como possíveis causas estresse, uso de
tigelas de comida de plástico, mordidas de pulgas, predisposição genética ou alergia. A acne
felina pode aparecer apenas uma vez e desaparecer para sempre ou pode durar a vida toda.
Manter um caso de acne felina sob controle exige trabalho em conjunto com o veterinário e,
possivelmente, um dermatologista veterinário. Há vários tratamentos disponíveis, de pomadas
de venda livre às com prescrições médicas , mas o difícil é encontrar o melhor para seu gato.
Aqui estão alguns tratamentos comuns:
PENTE CONTRA PULGAS. Passe o pente gentilmente debaixo do queixo do gato, todos
os dias, para levantar e retirar as cascas secas e os cravos.
ALGODÃO COM REMÉDIO CONTRA ACNE. Passe-o no queixo de seu gato, uma ou
duas vezes ao dia, para evitar que piore. Deixe a região secar sozinha.
COMPRESSA DE SAL EPSOM. Segure uma compressa morna no queixo, durante três a
cinco minutos por dia, para secar a região e reduzir a inflamação. Aplique uma pomada de
vitamina A para reparar as células de pele danificadas.
XAMPU COM RECEITA. Aplique-o com compressas quentes para limpar e esfoliar a pele
morta na região do queixo. Cheque com o veterinário as instruções de dosagem.
GEL DE PERÓXIDO DE BENZOÍLA. Esse remédio é vendido com receita e contém
tipicamente 2,5% a 3% de peróxido de benzoíla, que penetra profundamente nos folículos
pilosos para retirar cravos. Cuidado: o peróxido pode manchar tecido se o gato tratado com ele
esfregar o queixo nos móveis ou no tapete.
ANTIBIÓTICOS ORAIS. Em comprimidos ou na forma líquida, a medicação deve ser
receitada se a acne infeccionar.
Meus amigos veterinários oferecem um último conselho: não esprema espinha no queixo de
seu gato – você pode provocar uma infecção.

FORMAS DE AFAGAR SEU GATO


Uma das melhores maneiras de nos comunicarmos com nossos gatos é pelo toque. A maioria dos
gatos adora ser acariciada, afagada e coçada. A maioria das pessoas gosta da sensação daquela
pelagem sedosa e da visão de uma cara feliz e ronronante. Quando feito de maneira adequada, o
toque proporciona muitos benefícios saudáveis e terapêuticos.
Uma das melhores maneiras de tocar é com massagem. Massagens diárias podem lhe ajudar a
detectar pulgas ou carrapatos. Você também pode procurar cortes ou protuberâncias suspeitas. A
massagem, além disso, pode desem​penhar um papel importante em condições crônicas como artrite.
Embora não cure, reduz a rigidez das juntas e a dor ao passar sangue oxigenado àqueles pontos
problemáticos.
Ela reforça o laço entre humano e animal de estimação, ajuda a reduzir a agressão e outros
comportamentos indesejáveis e melhora a sociabilidade do gato com pessoas e animais. Outra
vantagem é que gatos massageados ​regularmente se acostumam a ser manuseados. Eles associam o
toque a experiências positivas. Isso pode retirar o estresse do ato de pentear e escovar, de cortar as
unhas, de viagens de carro, de idas ao veterinário e de exposições de raça, tanto para o gato quanto
para o dono.
Comece com uma massagem básica conhecida como effleurage . Essa palavra francesa significa
“fluir, deslizar” ou “roçar a superfície”. A effleurage é sempre feita em direção ao coração, na direção
do fluxo de sangue venoso, ajudando a remover os resíduos e as toxinas e renovando tecidos e
músculos. Nas pernas de um gato, por exemplo, trabalhe dos dedos em direção aos joelhos e ao
quadril.
Aqui vão algumas sugestões:
DESLIZAR. O toque dessa massagem clássica é um simples movimento contínuo e direto. Mova os
dedos ou a palma da mão do topo da cabeça até a cauda.
FAZER CÍRCULOS. Mova a ponta dos dedos em círculos do tamanho de uma moeda, no sentido
horário ou no anti-horário.
EM ONDAS. Dê batidinhas laterais com a palma da mão aberta e os dedos esticados (imite os
movimentos de um limpador de para-brisa).

CONCENTRE-SE EM AGITAR. Finja que está escovando levemente migalhas imaginárias de


uma mesa. Você pode fazer isso com um, dois ou três dedos.
FRICÇÃO REAL. Mova as mãos lentamente ao longo do corpo do gato, exercendo pressões leves e
medianas. Veja a qual pressão ele responde melhor.
CUIDADO AO AMASSAR. Essa gentil carícia usa um movimento de abrir e fechar da palma de
sua mão e de todos os cinco dedos. É ideal para a área da coluna.
E algumas sugestões finais para uma sessão de massagem relaxante e satisfatória, tanto para você
quanto para o gato.
• Aproxime-se lentamente do gato e fale com ele em um tom tranquilizador.
• Não force a massagem.
• Não o massageie quando você estiver estressado ou preocupado.
• Mantenha limpas as mãos – não há necessidade de óleos, cremes nem loções.
• Preste atenção a ronronados, viradas para o lado, o ato de afofar com as patas e o piscar lento dos
olhos. Pare a massagem se o gato se esquivar, sibilar, afundar o dorso das costas debaixo de sua
mão ou miar em protesto.
• Não pressione muito – você pode machucá-lo.
• Não tente usar a massagem como substituta de um trata mento de saúde para condições como
artrite. Deixe que ela complemente o plano de cuidados feito por um veterinário.
PARTE 6

As complexidades de viver com gatos


Seu gato está por dentro? Com isso não estou perguntando se ele é um gato
moderno, mas se vive de forma segura, em casa. Gatos seguros não perambulam pela rua sem
supervisão.
Os tempos mudaram. Uma geração atrás, a maioria dos gatos domésticos passeava aonde a
curiosidade os levasse. O gato de minha infância, Corky, costumava ficar fora a noite toda, até
que voltou para casa mancando, com uma ferida aberta pela lâmina de ventilação de um carro.
Ele tinha encontrado um lugar quente para tirar uma soneca: num motor. Essa foi a última vez
que ele passou um tempo sozinho na rua.
Os gatos ainda perseguem a vida ao ar livre, mas muitas pessoas optaram por manter os
amigos felinos dentro de casa. Os bichanos podem viver felizes sem sair, desfrutando da vista
através das janelas, subindo em árvores feitas especialmente para eles e brincando para
espantar o tédio. Você escolhe a liberdade ou a segurança? A opção é sua, que agora conhece
minha opinião.
Ao ler as páginas a seguir, mantenha a mente aberta. Encontre maneiras de tornar sua casa
realmente adequada para seu felino. E, se seu gato o deixar maluco, busque respostas sobre
como dividir sua cama, ensinar novos truques a um gato velho e viajar com (ou sem) seu
companheiro.

Travesseiro de bichano
P: Minha gatinha, Bebe, é aventureira e doce de dia, mas se transforma em uma ladra de
travesseiros à noite. Na hora de dormir ela se ajeita aos pés da cama enquanto escovo os
dentes. Quando entro debaixo dos lençóis, ela se arrasta e se aconchega ao lado. Mas no meio
da noite, quando estou em sono profundo, ela toma conta do travesseiro. Ela anda em cima de
mim e me acorda. Gosto que ela fique comigo na cama, mas como posso mantê-la longe do
travesseiro?

R: Quando se trata de dividir a cama com o gato, você não está sozinho. Cerca de um terço
dos donos de gatos dorme com seus felinos atualmente. Não é de se espantar. Os corpos
peludos e o ronronar tranquilizador costumam ajudar as pessoas a cair no sono. Um estudo
conduzido no Centro de Transtornos de Sono da Clínica Mayo, em Jacksonville, Flórida, no
entanto, descobriu que cerca de metade das pessoas que disseram dividir a cama com bichos de
estimação de noite sofria de sono interrompido, – o que resulta em cansaço toda manhã. Os
pesquisadores também descobriram que muitas pessoas são tão apegadas a seus bichos de
estimação que estão dispostas a tolerar um sono ruim para ficarem perto deles à noite.
Admito ter culpa no cartório – meus gatos ficam na parte inferior da cama. No entanto,
durmo de barriga para cima, que é uma posição ideal para gatos que desejam dormir com a
cabeça pousada em tornozelos ou panturrilhas. Felizmente, tenho sono pesado (e eles também
assim que se ajeitam, tendem a dormir até de manhã).
Bebe, porém, parece uma gata mandona. Ela se sente no direito de dormir onde escolher, não
importa a sua preferência. Por mais fofa que ela seja, você precisa recuperar o controle da
cama e do travesseiro e dar limites. Comece deixando os pés da cama mais atraentes. Dê a
Bebe seu próprio travesseiro ou um cobertor macio de lã. ​Elogie-a quando ela se acomodar
nele. Seja consistente sobre deixá-la nos pés da cama antes de você cair no sono. Ou ceda um
pouco, dando a Bebe um travesseiro próprio, colocado perto do seu.
Para tornar seu travesseiro menos atraente, considere espalhar sobre ele um pouco de odor
cítrico (de que você goste). Gatos não apreciam esse aroma. Se ela a acordar no meio da noite,
coloque-a de volta ao lugar ou no chão. Depois de expulsos algumas vezes, gatos tendem a
entender a ideia e a se ajustar às novas regras.

Você pode ter que sacrificar algumas noites de sono para ensinar Bebe sobre a nova zona
proibida no travesseiro, mas ela logo vai saber que tem um lugar ótimo nos pés da cama.
Doces sonhos!

NINHO DE GATOS
Toda noite, Bob Walker e Frances Mooney dividem a cama de casal com nada menos que oito gatos
em sua casa em San Diego (veja mais na página 228 sobre acomodações extremamente favoráveis aos
gatos desse casal).
Walker diz que ele geralmente dorme de bruços e que um gato sempre divide seu travesseiro. Ele é
conhecido por fazer contorcionismos para não perturbar o felino adormecido em suas pernas.
Ao saber do estudo da Clínica Mayo sobre como bichos de estimação contribuem para a insônia,
ele se mostrou resignado. “O que é um pouco de sono a menos se você pode deixar seus gatos
felizes?”, ele pergunta. “Não consigo me lembrar da última vez que tive oito horas de sono
ininterruptas. Para mim, você não é um verdadeiro apreciador de gatos se consegue dormir
profundamente.”

Ah, esse mundão!


P: Meu gato Bruno é grande e musculoso. Ele é muito afetuoso e de fácil convívio. Desde
filhote, Bruno se aventurava pela vizinhança. Nossa propriedade tem cerca de 4.000 m² e
um bosque. Meu gato hoje tem 10 anos e parece ter desacelerado um pouco. Além disso, os
invernos aqui são muito frios e um acréscimo de um projeto habitacional recente na vizinhança
criou mais trânsito na rua. Por todas essas razões, gostaria que Bruno passasse a viver dentro
de casa. Qual é a melhor maneira de fazer isso sem magoá-lo?

R: Lembre-se de que suas ações são feitas por amor e preocupação genuínos. Você está
dando a Bruno o melhor presente: uma vida mais longa e sadia. Você reconhece que a
idade dele, com a piora do clima e o aumento do tráfego, aumenta as chances de ele se
machucar ou adoecer devido ao estilo de vida ao ar livre. Com Bruno dentro de casa, não será
preciso se preocupar com ele desenvolvendo um abcesso ao receber um arranhão de um gato
de rua, sendo exposto aos produtos venenosos de jardins nem tendo uma doença contagiosa,
como leucemia felina.
É natural sentir-se um pouco culpada no começo. Você provavelmente supõe que Bruno
sentirá que a liberdade lhe foi arrancada. De fato, ele pode reagir de maneiras indesejadas,
marcando território com urina, uivando na porta ou arranhando o sofá, por exemplo.
Para evitar esses maus comportamentos, torne o território dentro de casa mais estimulante e
atraente que a cena exterior à qual ele está acostumado. Um gato que vive fora de casa se
exercita mais e usa mais seus sentidos, então você precisará substituir as visões, os cheiros e os
sons de fora. Bruno pode ter 10 anos, mas provavelmente ainda tem muito de filhote nele. Ele
precisa de exercício diário e sessões de brincadeiras para ser feliz e não ansiar pela vida ao ar
livre. Ratos com catnip , varetas para gatos e brinquedos com penas podem ser usados para
destacar o predador brincalhão em Bruno e lhe dar vazão à vontade de caçar e perseguir.
Procure brinquedos com os quais ele possa se divertir sozinho, como uma bola em um trilho
redondo ou um rato em uma corda elástica que você pendura no vão da porta. Coloque alguns
grãos de ração em um brinquedo oco no qual ele possa bater para que a ração saia.
Se ele demonstrar interesse em assistir à televisão, você pode colocar programas
especialmente feitos para prender a atenção de gatos. Dê a ele locais adequados para arranhar e
afiar as garras e um lugar confortável de onde possa ver o que está acontecendo fora de casa.
Posicione arranhadores em cômodos em que vocês dois passam bastante tempo, como a sala de
estar e o quarto. Instale uma prateleira perto da janela que fique diante de um comedouro para
pássaros ou de uma árvore em que os passarinhos gostem de ficar.
A última tendência na decoração felina são gabinetes externos que permitem que o gato
desfrute um pouco do mundo exterior sem correr perigo. Cercas para gatos também estão
disponíveis (veja “Leve o exterior para dentro de casa”, na página 225).
Se Bruno começar a fazer exigências barulhentas na porta, seu instinto natural pode ser o de
gritar para ele ficar quieto. Não vai funcionar. Vocês dois só vão entrar em uma disputa de
“quem grita mais alto”. E adivinha? Você vai perder. Em vez disso, ignore-o. Não será fácil no
começo, e sua paciência será testada. Quando ele estiver quieto, nem que seja por alguns
segundos, chame-o e lhe dê um petisco, coce seu queixo ou brinque com ele. Seus uivos vão
diminuir quando ele perceber que você não está cedendo a
seus pedidos.
Quero falar sobre a questão da excreção inadequada, que pode ser um problema para um gato
na transição para a vida dentro de casa. Se Bruno costumava fazer necessidades no lado de
fora, você pode precisar ensiná-lo a usar uma caixa de areia. Recomendo que tranque Bruno
em um cômodo pequeno, mas confortável, por cerca de uma semana. Dê a ele uma caixa de
areia, que será limpa todos os dias. Coloque sua cama e suas tigelas de comida e água do outro
lado do ambiente, longe da caixa. O ideal é que esse aposento tenha uma janela para ele olhar.
Considere colocar música tocando em volume baixo e passe algum tempo brincando e
afagando-o todos os dias. Certifique-se de que ele tenha muitos brinquedos com os quais
brincar.
Você não controla a natureza e nem impede o progresso, mas pode tomar as medidas
necessárias em sua própria casa para torná-la aconchegante para Bruno.

DENTRO DE CASA É MELHOR


Gatos que não saem de casa vivem mais que seus colegas que vivem no exterior. Estatísticas da
Sociedade Protetora dos Animais dos Estados Unidos mostram que gatos que vivem ao ar livre chegam,
em média, aos 5 anos de idade. Gatos que ficam dentro de casa em geral vivem até 20 anos ou mais.
Embora alguns gatos que vivem fora consigam ter uma vida saudável e longa, eles estão expostos a
mais perigos. Enfren tam um risco maior de ferimentos e doenças. Muitos terminam debaixo das rodas
de carros ou vítimas de outros animais.

POLÊMICA EM TORNO DA ONICOTOMIA


A onicotomia, ou remoção das garras, é uma opção fácil para quem não quer ter a pele ou a mobília
arranhadas, mas é um procedimento muito desagradável para os gatos. Seria como alguém remover
as pontas de seus dedos. Gatos sem garras não experimentam o prazer de se coçar. Eles são
vulneráveis no exterior porque perderam as armas de proteção e não podem subir em árvores para
escapar, então qualquer gato sem garras deve viver estritamente dentro de casa.
Anos atrás, a onicotomia parecia fazer parte de um pacote ideal. Quando um gato chegava para
ser castrado, a opção de remover as garras das patas da frente era oferecida. Foi o que aconteceu
com meu Little Guy. Já que eu queria um gato que ficasse em casa, o veterinário realizou o
procedimento sem muita discussão. Isso foi antes de eu conhecer realmente as consequências da
remoção de garras.
Em 2003, a Associação Médica Veterinária Americana aconselhou os veterinários a informar os
tutores de gatos sobre alternativas à cirurgia e sobre os riscos associados a qualquer procedimento
cirúrgico. A Cat Fanciers’ Association (CFA) desaprova a rotina de remoção de garras, porque o
procedimento é desnecessário e não oferece benefícios ao animal. Alguns apreciadores de gatos
sustentam que a remoção pode ter um impacto negativo no comportamento felino, mas isso ainda
não foi provado cientificamente.
Ninguém gosta de ter a mobília arranhada, mas nenhum gato merece ser abandonado por fazer o
que faz parte de sua natureza e por usar suas garras. Outras opções incluem aparar as garras da
frente a cada duas ou quatro semanas, aplicar coberturas de vinil nas garras e fornecer ao gato
arranhadores para esse fim.
Em casos de alto risco de ferimentos para crianças, pessoas idosas com pele fina, pessoas
hemofílicas ou vulneráveis à transmissão de doenças por causa de sistemas imunológicos
comprometidos, a onicotomia pode ser justificada a fim de manter o laço entre gato e humano. Se
nenhuma alternativa teve sucesso, ainda é melhor para o gato ficar em sua casa do que ser levado a
um abrigo ou abandonado.
Observação final: a tendinectomia, cirurgia que é às vezes sugerida como alternativa à onicotomia,
não é recomendada pela CFA nem pela AVMA.

Soluções para arranhar


P: Aceitei o fato de que minha gata precisa arranhar coisas. O problema é que não tive muita
sorte em escolher o que poderia ser arranhado. Tentei um pequeno arranhador que estava
com um bom preço, mas ela o derrubava o tempo todo. Depois levei para casa uma enorme
árvore para gatos que achei em uma venda de garagem, mas ela a cheirou e ignorou. Não quero
gastar mais dinheiro, mas também não quero minha mobília danificada.
Por que ela é tão exigente?

R: Essa história parece a versão felina de Cachinhos dourados e os três ursos. No entanto,
sua gata está se comportando da maneira normal. O motivo de sua gata rejeitar o primeiro
arranhador é porque ele era simplesmente pequeno demais para acomodar o peso ou a
musculatura dela. Seria como você tentar desfrutar uma refeição em um restaurante sentado em
um cadeirão para bebês.
A questão com a segunda opção é “piolhos de gatinho”. Você achou ter feito um bom
negócio comprando uma árvore de gato usada, mas sua gata rapidamente sentiu pelo cheiro o
usuário antigo da árvore. Gatos não costumam gostar de compartilhar com estranhos.
Claramente, sua gata demonstrou desdém pela árvore de gatos de segunda mão, evitando-a.
Antes de investir em uma terceira opção, observe sua gata enquanto ela busca um lugar para
arranhar. Ela se estica para alcançar o braço do sofá ou se alonga no carpete? Use esses hábitos
para lhe dar alternativas e fornecer a ela a opção mais adequada.
Uma superfície horizontal deve ser larga o bastante para acomodar ambas as patas e firme o
bastante para ficar no lugar enquanto for usada. Muitos gatos gostam do papelão ondulado
deste estilo de arranhador, que não é muito caro.
Para um arranhador vertical, certifique-se de que a base seja pesada e larga o bastante para
acomodar o peso e as puxadas de sua gata. Arranhadores devem ser altos o bastante para que
sua gata fique de pé nas patas traseiras e alongue totalmente as da frente. Procure um de 81
centímetros de altura. Se tremer ou se mover quando você o cutucar, não vai ficar de pé ao ser
usado por um gato.
Também é preciso avaliar que material mais atrai sua gata. Alguns gatos preferem texturas
táteis, como sisal (corda), cortiça ou madeira. Outros felinos aglomeram-se em torno de tecidos
de lã ou em saliências. Alguns gostam de designs simples feitos de tapete ou papelão. Outros
não conseguem resistir a ​aranhadores ou árvores para ​arranhar que exibem ​brinquedos em
molas ou cordas penduradas. Atenda à preferência de sua gata quando for às compras.

Coloque o arranhador ou a árvore em um local onde sua gata passe bastante tempo. Torne-o
mais tentador espalhando um pouco de ​catnip fresco nele. Dê a ela algumas opções em
diferentes cômodos.
Como editora da revista Catnip , supervisiono o teste de produtos. Todo mês um grupo de
gatos (adultos e filhotes) de testes e um redator colaborador avaliam vários produtos feitos para
felinos. Quando testamos arranhadores e árvores para gatos, os vencedores foram os que se
mostraram mais estáveis, os que se acomodavam com conforto nos braços de sofás e os que
ofereciam ângulos para arranhar, tanto horizontal quanto verticalmente.
Todo gato merece ter a própria mobília para soltar as garras. Por isso pense como um gato
quando for às compras. Não é o momento de economizar. No fim, você vai poupar seu sofá – e
sua sanidade – ao escolher um arranhador ou uma árvore que servirá por muitos anos.

Prontos para ter um gato


P: Durante anos, meu marido e eu tivemos cães. Estamos quase nos aposentando, e nosso
amado cão faleceu. Nós dois temos limitações físicas e achamos melhor não termos outro
cachorro, mas ainda queremos um animal de estimação. Decidimos adotar um gato. Que
preparativos devemos fazer antes de levar para casa nosso novo amigo?

R: Cumprimento ambos por reconhecer que um gato é mais adequado ao estilo de vida dessa
faixa etária. Comparando com o cachorro, o gato realmente tem necessidades diferentes,
embora algumas sejam as mesmas. Para começar, seu carrinho de compras precisa conter: duas
caixas de areia, areia sanitária, pá, tigela de comida e de água, coleira com identificação (com
número de telefone), escova e pente, cortador de unhas, comida adequada (depende da idade
do gato), petiscos, um arranhador firme, uma cama confortável, guia, peitoral e, mais
importante, brinquedos!
Selecione brinquedos seguros. Evite os com peças pequenas, como olhos falsos, que seu gato
pode arrancar e engolir. As melhores escolhas são aquelas que vão de encontro à natureza
predadora de seu gatinho, como penas em varetas, luvas de camundongo (luvas de tecido com
dedos longos e soltos) e bolas de petiscos.
Vasculhe cada aposento da casa e procure qualquer coisa que possa oferecer perigo ao felino.
Certifique-se de não deixar fio dental, novelos, linha de costura nem outro fio ao alcance (no
Natal, atenção aos fios brilhantes!). Esses itens podem causar estrangulamento ou ser ingeridos
por um gato curioso, gerando possíveis lesões internas fatais.
Os investimentos iniciais podem chocar, mas assim que tiver o essencial seu orçamento
mensal não será tão afetado pela presença de um gato. Minha recomendação final é que
adquira um plano de saúde para animais de estimação. Embora seu gato possa estar destinado a
uma vida saudável e longa dentro de casa, não há como prever quando vai ocorrer um
ferimento ou doença. Proteja seu gato – e seu bolso – ao fazer um plano de saúde enquanto seu
bichinho é jovem e o seguro é mais em conta.

Procura-se quarto com vista


P: Meu gato, Chuckles, é um palhaço. Adora brincar e correr pela casa. Ele também insiste
em acomodar seu corpanzil na beirada estreita da janela da sala de estar. Está sempre
pulando lá e caindo. Há um peitoril na janela do escritório, no segundo andar, largo o bastante
para ele deitar, mas quando o coloco ali ele desce. Por que Chuckles insiste em ficar na beirada
que é claramente estreita demais para ele?

R: Chuckles sabe onde consegue ter a melhor visão das atividades ao ar livre nas
redondezas. Gatos são vizinhos enxeridos. Adoram passar horas vendo o que está
acontecendo no quintal e na casa do vizinho. Chuckles está claramente lhe dizendo que quer
conferir o lado de fora da janela da sala de estar. Provavelmente, ele consegue ver mais aves
ou outras criaturas dali que da janela do andar de cima.
A solução fácil – e que ainda pode se misturar à decoração de sua casa – é instalar uma
prateleira que possa acomodar sua larga circunferência. Não se preocupe. Você não terá que
fazer nenhuma perfuração nem abrir buracos na parede. Algumas são presas firmemente com
ventosas ou tiras adesivas. Elas também exibem coberturas felpudas ou de linho, que vêm em
várias cores e podem ser facilmente lavadas à máquina.
Se não quiser adicionar uma plataforma no parapeito de sua janela, considere colocar um
arranhador com uma plataforma para que Chuckles sente-se com conforto. Outra solução pode
ser uma cadeira da sala de jantar, com uma toalha para proteger o estofamento e que pode ser
facilmente removida quando você tiver companhia e recolocada a tempo para a visualização do
dia seguinte.
Dê a Chuckles uma cadeira confortável na sala de estar, onde ele possa ocupar boa parte do
tempo que passa sozinho em casa observando a vizinhança, e ele será menos apto a apresentar
qualquer comportamento indesejável. Enquanto você estiver em casa, ele pode até miar para
que você veja um pássaro raro ou confira as meias engraçadas que seu vizinho está usando.

Disparando porta afora


P: Sempre que saio ou entro em casa pela porta que leva à garagem, meu grande malhado
laranja, Morris, tenta fugir porta a fora. Às vezes não consigo fechar a porta da garagem
antes de ele escapar para a calçada. Ele vive dentro de casa, então tenho que correr atrás para
trazê-lo de volta, o que pode levar algum tempo. O que posso fazer para impedir que Morris
saia correndo?

R: Ofarejar
que faz um gato que vive dentro de casa sentir a necessidade de sair? Morris pode
e ouvir outros gatos, principalmente quando há gatas no cio por perto, ou pode
estar curioso com as árvores e a grama que avista pela janela (sem mencionar as aves!). É
evidente que ele detesta ser um gato caseiro. Não entende que está mais seguro no interior.
Além disso, acha que pode mandar em você.
É possível treinar Morris para que ele o encontre e cumprimente em um determinado lugar
quando você sair ou voltar para casa. Tente atrai-lo a um local especial, como o parapeito de
uma janela ou a árvore para gatos. Despeça-se sempre nesse lugar. Dê a ele um petisco
especial ou uma pitada de catnip para ocupá-lo enquanto você sai. Se ele gosta de perseguir
coisas, amasse uma bola de papel e jogue-a na direção oposta da porta. Ou atire para ele um
rato de brinquedo. Você também pode escolher portas diferentes para entrar e sair. Um gato
não consegue esperar sentado em três saídas diferentes.
Quando voltar para casa, abra a porta com cuidado e feche o mais rápido possível. Se Morris
estiver te esperando na porta, ignore-o e vá diretamente ao local escolhido. Chame-o,
cumprimente-o e lhe ofereça um petisco. A ideia é motivar Morris a se afastar da porta quando
você sair e quando voltar para casa – tudo em troca de uma recompensa saborosa no parapeito
da janela ou na árvore de gatos.
Outro método é desencorajá-lo a se aproximar da porta. Uma de minhas amigas tinha um
problema parecido com seu gato fujão. Ela colocou armas de água dos dois lados da porta.
Quando ela estava chegando ou saindo, mirava a arma para baixo e disparava no peito do gato.
Isso o pegava de surpresa e foi o bastante para fazer com que ele não ficasse mais tão perto da
porta. Só tome cuidado para não molhar Morris na cara. Também é possível usar um chocalho
barulhento (você pode fazer um com uma lata vazia de refrigerante e algumas moedas dentro),
ou bater palmas bem forte para afugentá-lo o suficiente para que você passe seguramente pela
porta.
Considere satisfazer a necessidade de seu gato de experimentar o ar livre instalando uma tela
na janela ou levando-o para passear. Coloque-o em uma coleira e deixe-o farejar e explorar o
que está acontecendo no quarteirão. Muitos gatos se acostumam a usar guia se você fizer isso
aos poucos e recompensá-los pelas conquistas (veja “Venha por aqui”, na página 243, para
saber mais sobre treinamento com peitorais).
Se Morris escapar, não grite com ele nem o castigue quando ele voltar para casa. Você só vai
confundi-lo e, possivelmente, desencorajar sua vontade de voltar para casa na próxima vez.

Na busca por um novo ambiente


P: Gostaria de melhorar um pouco o interior de minha casa para acomodar meus quatro
gatos, que não saem para a rua e cujas idades variam de 2 a 10 anos. Eles se dão bem, mas
suspeito que fiquem um pouco entediados enquanto estou no trabalho. Eles dormem bastante e
precisam se exercitar mais. Mas não quero gastar muito dinheiro nem transformar minha casa
em um ambiente de gatos! Não quero ser tachada de a louca dos gatos. Também não quero
morar em um lugar que não conseguirei vender no futuro. Alguma dica sobre projetos de
design para gatos?

R: Seu quarteto é muito sortudo por tê-la por perto. Não se preocupe, você não é a louca dos
gatos. Na verdade, você é cuidadosa e caprichosa. É possível renovar a casa e torná-la
mais atraente a felinos sem a transformar em um lugar que teria apelo limitado aos futuros
compradores.
Se for hábil com furadeira e martelo, instale uma prateleira firme em um canto para que seus
gatos possam se empoleirar nela – não é preciso mudar o visual inteiro da sala com uma
passarela que percorra a extensão de uma parede. Você também pode recostar uma prancha
forrada de sisal em um nicho da estante, ou mesmo cobrir parcialmente com sisal um poste que
vá do chão ao teto da sala para que os gatos ajam como bombeiros felinos, subindo e descendo
do poste.

FATO FELINO
Um grupo de filhotes de gatinhos é chamado de “ninhada”; um grupo de gatos adultos é chamado de “gataria”.

Se estiver hesitante em abrir buracos nas paredes, pode fazer sua casa parecer uma vitrine de
moda enquanto responde às necessidades de seus gatos. Entre os novos produtos disponíveis
para felinos e proprietários preocupados com a decoração há travesseiros grandes e macios,
móveis para gatos que combinam com o ambiente, tigelas de água e comida com design
moderno e caixas de areia disfarçadas de vasos de plantas.
Por fim, aproveite certas características em sua casa para esconder itens necessários para os
gatos, como as caixas de areia. A consul​tora behaviorista Alice Moon-Fanelli compartilha uma
solução de design oferecida a uma cliente cujo gato urinava fora da caixa de areia, inclusive na
lareira. A cliente não queria colocar uma caixa de areia na sala. Após muita pesquisa, a dra.
Moon-Fanelli descobriu que a lareira não estava funcionando bem e nunca era usada. Então,
sugeriu que a cliente colocasse a caixa na lareira e cobrisse a abertura com uma tela decorativa.
As necessidades do gato foram atendidas, a decoração da sala não foi prejudicada e não foi
relatado mais nenhum incidente impróprio com urina.
Essas são apenas algumas ideias, que não implicam esvaziar seu bolso para serem
implementadas. Você pode descobrir outras maneiras criativas de tornar seu lar mais
aconchegante para seu quarteto fantástico.
Apresentações abissínias
Edna e Al esperavam ansiosamente pela chegada de Ruffian , uma gatinha de 4 meses da
raça abissínia. Os criadores enviaram fotos, uma areia sanitária especial, petiscos e um manual
de cuidados para esse filhote prestes a se juntar a uma casa com dois outros gatos. Sabendo que
a aceitação dos felinos residentes poderia ser complicada, forneci um plano de introdução.
O “príncipe” especial de Edna era um macho abissínio castrado de 8 anos que acreditava na
tese de “um gato por pessoa” e que tinha um alto nível de energia. A “grande dama”, aos 19
anos, era bastante frágil e mostrava sinais de senilidade. Ela preferia uma existência tranquila
sentada no colo e uma rotina bem-estabelecida. Ambos eram mais ligados aos donos do que
um ao outro.
Geralmente, um abissínio bem socializado de 4 meses é autocon-
fiante e vai conhecer de forma entusiasmada novos gatos e humanos. Gatos adultos, no entanto,
inicialmente não recebem bem um recém-
-chegado. Como seus primos selvagens, os gatos domésticos exibem traços territoriais
protetores e exigem exposição gradual durante
as apresentações.
Mesmo depois de um longo voo e de uma viagem de carro, Ruffian chegou à nova casa
querendo brincar. Um banheiro tinha sido preparado para recebê-la, com um cobertor
confortável e aconchegante, brinquedos, areia e comida, mas quando ela pulou na bancada
ficou chocada ao ver outro gato no espelho. O primeiro passo nas minhas instruções de
apresentação – fornecer um “ambiente seguro” – de repente se transformou em uma catástrofe.
Uma gatinha medrosa e aterrorizada viu o espelho ser coberto com páginas de jornal para
bloquear sua visão.
Assim que Ruffian se acalmou, estávamos prontos para o segundo passo: a troca de cheiros
durante alguns dias. Essa etapa envolvia ​permitir que, em um quarto fechado, os gatos
residentes farejassem os objetos de Ruffian, enquanto ela conhecia o resto da casa.
O passo seguinte previa o primeiro vislumbre entre os gatos residentes e o filhote através de
uma porta de vidro. Na ocasião, houve sibilos, mas Ruffian ficou excitada em finalmente ver
outro abissínio. Ela correu feliz, pulando na bancada da cozinha e batendo nas tigelas de água
dos outros gatos. Daí para frente ficou claro que ela não estava mais satisfeita com a vida
enclausurada em seu aposento seguro.
Então chegamos ao passo final: o contato. Os gatos residentes foram segurados para que
pudessem farejar e saudar Ruffian, que também estava na coleira. A gata fêmea mais velha
agiu sem interesse, mas expressou protesto saindo do quarto. O macho pareceu nervoso, mas
educadamente evitou atacar. Por fim, com o horário da refeição como distração, os tr ês
começaram a se misturar pacificamente.
Hoje os três gatos podem não ser os melhores amigos, mas existe harmonia.
Quanto a Ruffian, ela exibe uma personalidade típica de abissínios, com seu jeitinho
brincalhão e sempre pronta para um cafuné.
Contribuição de Joan Miller, jurada de concursos de animais
Leve o exterior para dentro de casa
P: Meu gato está me deixando maluca! Eu o adotei há alguns meses. Ele tem cerca de 1 ano
e quero que fique dentro de casa, mas ele está constantemente exigindo sair. Tenho que
tomar muito cuidado quando abro a porta, pois ele tenta escapar. Tenho uma casa com quintal,
mas não tenho dinheiro para cercar tudo. Tentei treiná-lo para passear de coleira, mas foi um
desastre. Há outras maneiras de satisfazer, de maneira segura, sua necessidade de estar ao ar
livre?

R: Claramente, seu gatinho anseia por aspectos, sons e cheiros do ar livre. É provável que
ele fosse um gato de rua antes de você adotá-lo, mas, com paciência, provavelmente você
conseguirá persuadi-lo a se adaptar à vida dentro de casa. Você não quer que as exigências
dele ou suas tentativas de fuga pela porta aumentem e se transformem em problemas de
comportamento. Contudo, viver no restrito espaço de dentro de casa pode causar mais estresse
e ansiedade ao seu gato, então lhe ofereça distrações.
Muitas empresas criativas projetam uma variedade de cercados externos que dão aos gatos a
possibilidade de aproveitar um tempo ao ar livre, sem perigo. Esses cercados variam em
tamanho e preço, abrangendo os feitos para janelas até gabinetes independentes, do tipo
gazebo, para quintal. Alguns são independentes, enquanto outros são ligados à casa e têm
acesso por meio de uma porta basculante específica para gatos. Todos esses cercados são feitos
para manter seu bichano seguro enquanto passa um tempo no exterior.
Alguns desses modelos podem estar fora de seu orçamento, mas podem valer a pena se o
gato ficar mais calmo e feliz ao ter um escape ao ar livre. Mesmo algo simples como um
cercado para janelas dará a seu gato a chance de absorver vitamina D do sol e ficar fora do
alcance das patas de predadores como cães.
Cercados mais elaborados têm design que pode ocupar uma boa parte de seu quintal. Neles, o
gato pode brincar na grama, subir em uma árvore e caçar insetos de forma segura. Você
também pode ​colocar postes e árvores para gatos dentro do cercado para que seu bichano possa
arranhar, escalar e se aconchegar em buracos.

FATO FELINO
Sir Isaac Newton, descobridor dos princípios da gravidade, também inventou a porta para gatos.

Priorize a segurança ao escolher um cercado. Certifique-se de que ele fique ligado à casa ou
que seja de fácil acesso. A parte cercada deve oferecer locais tanto ensolarados quanto
assombreados, conter água fresca e estar de acordo com quaisquer leis de zoneamento de seu
município.

O poder da brincadeira
Meus dois cães gostam de brincar juntos e também conosco. Mas minha gata, Mandy, fica
P: satisfeita apenas em observar. Os gatos deixam de gostar de brincar depois de adultos?
Eles precisam de brincadeiras? Mandy parece feliz cuidando de si mesma, sentando-se em meu
colo, comendo e dormindo. Deveria ficar preocupada?

R: Gatos adultos não são peças de mobília peludas e colecionadoras de poeira. Assim como
sua contraparte canina, os felinos querem – e precisam – brincar. Todo o cuidado com a
aparência, a soneca e a comilança podem tornar Mandy uma gata entorpecida. Sou uma grande
entusiasta de brincadeiras. Ensinar sua gata a brincar pode efetivamente melhorar as
habilidades sociais dela e sua condição física. Brincadeiras mantêm o coração felino saudável,
as juntas flexíveis e os músculos fortes. É brincando que os gatos praticam habilidades de caça
e de briga e reforçam a conexão com seus tutores. Manter sua gata ativa vai evitar que ela
fique obesa. E exercício regular também a manterá mentalmente alerta.
Gatinhos aprendem a se comportar com as brincadeiras supervisionadas por suas mães. A
base da brincadeira para gatos cai em duas áreas: a social e a orientada ao objeto. Brincadeira
social envolve outros gatos, os demais animais de estimação da família – como seus dois
cachorros – e as pessoas. Já a orientada ao objeto envolve manipular um brinquedo ou um
outro item que desenvolva a destreza de um gato.

FATO FELINO
O recorde de captura de ratos por um felino pertence a Towser, um malhado escocês que matou 28.899 ratos ao
longo de 21 anos. É uma média de quatro ratos por dia! Towser morreu em 1987.

Embora alguns gatos tenham nascido para brincar, Mandy parece precisar de um pequeno
incentivo. Uma maneira de motivá-la é com o brinquedo certo. Meu irmão, Kevin, tem um baú
com vários objetos para seu gato, Lager, brincar. Entre eles, há uma bola de pingue-pongue,
ratos de catnip com cordas e bolas de papel, além de papel-laminado. Como muitos gatos
brincalhões, Lager começa as brincadeiras se esfregando nas pernas de Kevin e, então,
correndo para longe. Outras pistas de que ele quer brincar incluem bater com a pata em seu
braço e encarar meu irmão olho no olho.
Se seus cães gostarem de gatos, inclua-os nas brincadeiras. Tente amarrar um longo cordão
na coleira de seu cachorro. Enquanto ele anda pela casa, vai arrastar o fio pelo chão. Isso deve
incitar as tendências de perseguição de Mandy. Lembre-se de que, com gatos, movimento é
tudo. Eles gostam de caçar, fazer emboscadas e perseguir objetos que se movem. Só se
certifique de que os cachorros estejam com humor para as travessuras da gata. Por motivos de
segurança, supervisione de perto e termine a brincadeira em um tom amigável.
Seja persistente e encorajadora. Pode levar algum tempo para Mandy se transformar em uma
gata brincalhona. Certifique-se de elogiá-la e mostrar-se feliz para que ela saiba que esse é um
tempo especial com você. Assim que Mandy a enxergar como a rainha da brincadeira felina e
sentir que ela é tão valiosa como parceira quanto seus dois cachorros, você pode descobrir um
novo e maravilhoso lado da personalidade dela.

MESTRES DE DESIGN FELINO


Meus amigos Bob Walker e Frances Mooney dividem uma casa em San Diego com uma dezena de
gatos resgatados. Apesar da multidão, os gatinhos não têm desavenças nem marcam a casa com
urina, porque Bob e Frances criaram uma terra da fantasia felina. Esse casal talentoso usou
materiais baratos para criar um ginásio selvagem capaz de satisfazer o mais agitado e curioso dos
gatos.
Graças a arranhadores montados em colunas que vão do piso ao teto, passarelas, rampas e
pequenos compartimentos, há gatos por todos os lados. Mais de 120 metros de corda sisal envolvem
uma coluna e uma prateleira alta em que os gatos dormem satisfeitos. Uma “rodovia suspensa”, feita
de madeira compensada pintada, atravessa os aposentos. Há até buracos nas paredes para oferecer
passagem entre as salas. Tinta em cores vivas e detalhes engraçados incrementam o visual.
No livro que lançaram, The Cat’s House , Bob e Frances compartilham dicas sobre como construir
rampas, passarelas e outros itens felinos. Todos os anos eles abrem a casa para excursões, e o
dinheiro arrecadado é destinado a uma sociedade local protetora de gatos.

Nessa casa ninguém tem receio de o sofá ser arranhado ou meias serem roubadas. O mobiliário é
tão funcional e divertido que ocupa completamen​te a mente dos gatos, além de suprir as
necessidades físicas deles. Como diz Bob, “nosso lar é realmente dos gatos. Afinal, eles ficam na casa
mais que nós”.

A delícia dos brinquedos


P: Meu gato de 5 anos, Indie, tem tanta energia que me deixa exausta. Ele está
constantemente me atormentando para brincar, embora eu lhe dê bastante atenção. Você
pode sugerir alguns brinquedos seguros que o manterão ocupado, permitindo que eu leia sem
suas persistentes patadas?

R: Tem certeza de que não possui um filhote de labrador disfarçado de gato? Não consigo
não sorrir ao ouvir sobre felinos que adoram brincar mesmo depois de adultos. No
entanto, entendo seu pedido de poder ler um livro, ver televisão ou trabalhar no computador de
vez em quando sem as súplicas persistentes de Indie.
Ele parece ter uma necessidade gigantesca de se exercitar. Já que gatos não são bem-vindos
em academias para suar um pouco e liberar as energias reprimidas, você precisa levar a
academia a ele. Não estou falando de levar ratos vivos para que Indie os capture nem plantar
uma árvore no centro da sala para que ele a escale, embora ele provavelmente gostasse dessas
ideias! Mas forneça a ele alguns lugares onde possa pular – talvez uma árvore de gatos
acarpetada, com vários níveis, ou uma prateleira em um canto que dê para a sala de televisão.
Outra sugestão é encorajar Indie a brincar com a comida. Em vez de encher sua tigela, torne
a hora da refeição uma saborosa caça ao tesouro. Pegue a ração e coloque grãos nos degraus da
escada ou em um corredor para que Indie fareje e coma aos poucos. Faça isso toda manhã
antes de sair para o trabalho para ocupar o tempo dele e novamente de noite quando voltar para
casa e quiser relaxar. Você também pode colocar petiscos especiais em bolas que têm
pequenas aberturas. Quando cutucadas ou quando recebem patadas, as bolas se movem e
liberam petiscos saborosos. Observe Indie quando ele sair em uma caça à comida.
Como editora da revista Catnip já testei produtos, inclusive brinquedos, para nossos amigos
felinos. Aqui vão alguns produtos testados e aprovados.
CAIXA DE BOLINHAS. Esse brinquedo é como a versão felina dos jogos de encaixe.
Alguns dos mais populares exibem caixas quadradas, com buracos em cima e nas laterais
grandes o bastante para inserir bolas de brinquedo para gatos “pescarem” com suas patas.
CIRCUITO COM BOLINHA. Para gatos que adoram uma perseguição, teste esta pista
circular de plástico em que há uma bolinha que desliza a cada patada. No centro do circuito há
blocos de papelão ou tecido ideais para arranhar. Ou seja: além de brincar com a bolinha, ele
ainda conseguirá afiar as garras.
BRINQUEDOS INTERATIVOS COM CONTROLE REMOTO. Movidos a bateria e
controle remoto, giram e se movem de modo errático para imitar o movimento de um inseto.
Alguns vêm no formato de personagens de gato populares em desenhos animados, como
Garfield.
Meu último conselho: reserve de dez a quinze minutos de brincadeiras interativas por dia
com Indie. Ensine alguns truques ou apresente a ele a agilidade dentro de casa (veja “Clique!
Clique! Treine seu gato”, na página 232, e “Abra caminho para os atletas felinos”, na página
235). Você está fazendo sua parte ao desenvolver a confiança dele e mantê-lo em forma. Por
mais valiosos que sejam os brinquedos, eles nunca devem ser usados como substitutos para
aquele tempo especial em que você pode formar laços com seu cãozinho, ops, quer dizer,
gatinho brincalhão!
BRINQUEDOS PROIBIDOS
Não deixe seu gato brincar com os seguintes itens, já que podem ser facilmente engolidos ou podem
estrangulá-lo:
• Fios.
• Fio dental.
• Elásticos de borracha.
• Clipes de papel.
• Sacos plásticos.
• Cordões de cortina.

Como uma sombra


P: Todos os meus gatos me seguem quando saio para passear com o cachorro, mas a maioria
desiste depois de um quarteirão. Riley, no entanto, é muito persistente e nos segue não
importa a distância. Ela uiva e mia, até que eu pare e a espere nos alcançar. Geralmente,
encurtamos nossos passeios quando somos “pegos” por Riley, mas uma vez ela nos seguiu até
uma quadra de tênis nas redondezas. Ela atravessou ruas e andou em várias áreas abertas para
nos acompanhar. Por que ela me segue se parece ficar tão estressada?

R: Esse é um caso de gato vê, gato vai. Está claro que Riley é muito segura e que confia em
você, em seu cão, em sua vizinhança e em si mesma. Gatos não costumam andar em
áreas abertas se percebem qualquer perigo. Eles preferem se esconder e ficar de olho nos
galhos de árvore mais próximos em caso de surpresas assustadoras.
Mas não a sra. Riley. Esse hábito pode ser explicado por sua forte personalidade. Não
entendo sua vocalização como estresse, e sim como desejo de conversar nos passeios.
Responda a ela em um tom animado. Ela só quer fazer parte do bando. Você deveria entender
isso como um grande cumprimento felino.
Meu gato Corky seguia qualquer um que carregasse uma vara de pesca, porque ele associava
a vara com uma deliciosa refeição de peixe. Eu cheguei a testá-lo algumas vezes, saindo pela
porta da frente com uma vara na mão, mas indo na direção oposta ao lago. Mesmo assim,
Corky trotava feliz ao meu lado. Talvez ele tenha pensado que eu estava apenas pegando um
caminho mais bonito para o lago cheio de peixes.
Parece que seu bairro é tranquilo, não tem muito trânsito, e que você fica de olho em seu
séquito felino, principalmente na andarilha Riley. Mesmo assim, recomendo que treine Riley
para andar com uma guia específica para gatos. Dessa forma, você pode puxá-la no caso de
aparecer alguma ameaça. E é uma boa ideia fazer uma contagem para garantir que todos os
gatos estejam em casa antes de você e seu cão saírem para uma longa caminhada ou uma
corrida.

FATO FELINO
A maioria dos gatos não tem cílios.

Clique! Clique! Treine seu gato


P: Meu marido e eu temos opiniões diferentes sobre a capacidade de gatos aprenderem
truques. Meu marido acredita que felinos estão determinados a agradar apenas a si
mesmos e não têm interesse em fazer alguns dos truques que os cães fazem de bom grado. Eu
acredito que, com a motivação certa, podemos treinar nosso gato para dar a pata, sentar e
acatar outros comandos. Qual de nós tem razão?

R: Você ganhou essa aposta. Gatos não costumam ser vistos como artistas, mas muitos
participam de circos, de espetáculos de rua e de filmes. Um método eficaz de trabalhar
com gatos é pelo treinamento com o clicker . Esse treinamento envolve o uso de um som
distinto para reforçar as ações desejadas. Karen Pryor, behaviorista animal mundialmente
renomada, usou esse método primeiro em golfinhos. Depois, começou a empregar em cães,
gatos e outros animais. Ela é vista como a pioneira nessa técnica de treinamento para animais
de estimação.
O treinamento com clicker se baseia no condicionamento operante para moldar uma ação ou
um comportamento sem usar força ou ​persuasão. A premissa é simples: encorajar o animal a
fazer as ações desejadas, recompensando o comportamento adequado. O treinamento funciona
porque não há castigo envolvido. Você atrai a atenção para os comportamentos que busca em
seu gato e ignora as outras ações.
Quanto ao felino, aqui vão algumas maneiras de destacar seus verdadeiros talentos por meio
do treinamento com clicker . Você pode comprar um clicker pequeno, de plástico, vendido na
maioria das lojas de produtos para animais de estimação, ou usar uma caneta esferográfica
retrátil. O importante é que fique sempre com a mesma caneta para que o som distinto sirva
como pista para seu aluno felino. Faça o som do clique e depois ofereça um pequeno petisco.
Nas primeiras sessões, você apenas apresenta o som para seu gato e estabelece que este som
representa o ganho de um petisco.
O intervalo de tempo é fundamental para o sucesso do treinamento com o clicker . Quando
seu gato fizer algo que você aprova, como levantar a pata da frente, você precisa pressionar o
clicker , entregar um petisco pequeno e imediatamente dizer “pata” para reforçar o
comportamento desejado. Com o tempo, ele começará a reconhecer a ligação entre a palavra
“pata” e o som do clique de reforço.

Para usar um clicker e ensinar seu gato a se sentar com uma ordem, comece atraindo-o a uma
posição de sentado com um petisco ou uma varinha, que você vai mover lentamente da cabeça
dele até o dorso. Deixe a gravidade ser sua aliada. Conforme o olhar (e a cabeça) dele segue o
petisco, seu dorso naturalmente toca o chão. Quando isso ocorrer, clique e entregue o petisco.
Os cliques sinalizam “missão cumprida”. Se ele não se sentar, não faça nada. Não lhe dê um
petisco nem diga nada. Deixe-o descobrir o que faz com que ele ganhe uma saborosa
gratificação.
Você só precisa investir alguns minutos por dia nas sessões. Felinos aprendem melhor em
minissessões, não em maratonas. A atenção deles tende a evaporar depois de cinco ou dez
minutos. Realize suas sessões de treinamento em um local tranquilo, sem distrações. Faça o
treinamento antes de uma refeição, para que seu gato faminto fique mais motivado a aprender.
Ao usar um clicker , você pode treinar seu gato a cumprir alguns comandos básicos, além de
outras coisas limitadas apenas por sua imaginação e as preferências de seu gato. Você pode
ensinar seu gato a dançar o chá-chá-chá, por exemplo, se ele gostar de andar para frente e para
trás quando a segue pela cozinha. Você também pode treiná-lo para se mover em círculos,
acenar com a pata da frente ou mesmo miar sob um comando.
A beleza do treinamento com clicker vem com a recompensa. Ao fim dele, você terá um gato
mais mentalmente estimulado e estabelecerá um laço mais forte de amizade com ele. Quando
seu gato completar de forma consistente alguns truques treinados pelo clicker , faça uma
apresentação e veja a surpresa de seu marido com as façanhas felinas.
(Para saber mais sobre gatos artistas, veja “Gatos de rua que viraram estrelas”, na página
138; para informações sobre a agilidade de gatos, veja “Mestres da pista”, na página 249.)

AS 10 PRINCIPAIS REGRAS PARA TREINAR GATOS


1. Para ter a atenção de seu gato, sempre diga o nome dele antes de dar qualquer comando.
2. Seja consistente com seus gestos e sinais verbais.
3. Preste atenção ao humor do felino. Treine-o quando ele estiver receptivo a aprender, não quando
as li ções forem mais convenientes para você.
4. Selecione um momento e um ambiente tranquilos para que você possa estar sozinho com seu gato.
5. Seja positivo, paciente e encorajador.
6. Forneça pequenas recompensas com comida e o elogie entusiasticamente logo após cada sucesso,
não importa o quão pequeno seja.
7. Comece com os comandos básicos de vir, sentar e ficar.
8. Ensine o comportamento desejado em passos pequenos e aperfeiçoe cada um deles aos poucos.
9. Ensine apenas um truque ou comportamento por vez. Gatos não são mestres em multitarefa s.
10.Mantenha as sessões de treinamento curtas e simples – não mais de cinco a dez minutos por vez.

Abra caminho para os atletas felinos


P: Nos últimos anos, tive o prazer de participar de competições de agilidade com meu pastor
australiano. É um bom exercício e muita diversão para nós dois. Recentemente, adotei de
um grupo de resgate uma gata siamesa muito e sperta . Simone tem 2 anos e nós criamos laços
muito rápido. Ela me segue pela casa como um cão, fala comigo e gosta de aprender. Ela se
senta e balança a pata quando mando. Li sobre as competições de agilidade felina. Você pode
me contar mais sobre isso?

R: Cachorros não detêm o monopólio quando se trata de demonstrar habilidades atléticas em


público. A agilidade trata de percorrer uma pista de obstáculos de maneira cronometrada.
Esse esporte relativamente novo se popularizou principalmente na América do Norte, entre
gatos atléticos e com personalidade extrovertida. Em geral, siameses saem-se bastante bem em
competições de agilidade por causa de sua inteligência e, ouso dizer, sua natureza parecida
com a do cão quando se trata de aprender.
FATO FELINO
Os gatos domésticos alcançam uma velocidade de até 48 quilômetros por hora. Seus parentes selvagens, os
guepardos, chegam a correr a 110 quilômetros por hora.

Um competição de agilidade felina consiste em um percurso cronometrado em uma pista de


obstáculos. Os gatos competem um por vez em percursos que incluem degraus acarpetados,
postes de marcação, rampa de salto, túneis e obstáculos de várias alturas. Algumas
competições incluem escadas, mesas e rampas. Os treinadores motivam os animais fazendo
com que sigam uma isca ou um alvo.
Como você já sabe por conta das competições caninas de que participou, precisão é mais
importante que velocidade. Os competidores ganham pontos ao conquistar obstáculos de forma
bem-sucedida em uma ordem prescrita. Suas chances de vitória decrescem se não fizerem um
obstáculo ou se os fizer fora de ordem.

Alguns gatos podem ser grandes atletas em agilidade, mas preferem ficar em casa. Se isso
descreve Simone, você pode criar para ela uma pista de atividade em casa usando cadeiras da
sala de jantar, mesas, poltronas e caixas de plástico firmes com tampas. Use a imaginação –
um bambolê pode servir de arco para que sua gata o atravesse com um pulo. Não importa se
você viaja para participar de competições ou se apenas brinca na privacidade de seu lar, a
agilidade é um grande exercício para seu gato e uma ótima chance para se exibir. Que os jogos
e a diversão comecem! Veja “Mestres da pista”, na página 249, para saber mais sobre
agilidade.

Primeira e única
P: Adoramos nossa gata, Polly. Muitos de nossos amigos têm dois ou mais gatos. Alguns
comentam que Polly deve se sentir sozinha. Nós achamos que ela está bem. Como
podemos saber se ela se sente sozinha ou se gosta de ser nosso único animal de estimação?

R: Não se sinta pressionada por seus amigos bem-intencionados a ter outro bicho de
estimação. Não há nada de errado em ter um único gato. Muitas pessoas gostam de ter
apenas um gato para cobri-lo de atenção e afeto. O truque é encontrar o gato certo e conhecer
os sinais que indicam se ele está, ou não, satisfeito sem um companheiro felino.
Minha amiga Debb tem um siamês de 2 anos, o Kri, que manda na casa. Debb trabalha
muito, mas, quando enfia a chave na porta da frente, Kri está lá, esperando com seu brinquedo
favorito de pelúcia, sr. Lion, na boca. Debb imediatamente cumprimenta Kri e brinca com ele
alguns minutos antes mesmo de tirar o casaco.
Quando Debb viaja, Kri fica na casa de uma amiga. O mundo desse gato gira em torno de
uma pessoa e funciona perfeitamente bem assim. Ele não precisa e nem quer uma companhia
felina porque recebe muito amor e atenção de Debb.
Alguns gatos se saem melhor como primeiro e único da casa. Prováveis candidatos ao status
de gato único incluem gatos mais velhos, que têm problemas de saúde delicados, portadores de
FIV, que são territorialistas ou que são muito tímidos ou nervosos. Gatos que cresceram com
irmãos da ninhada ou que viveram felizes com outros gatos provavelmente vão gostar mais de
ter um colega de casa felino.
Ao contrário de cachorros, gatos sozinhos raramente, se é que o fazem alguma vez, exibem
sinais clássicos de ansiedade de separação. Você não vai ver seu gato que ficou sozinho em
casa arranhar a porta da frente ou escavar o tapete – comportamentos comuns em cães
ansiosos. Há maneiras, porém, de um gato que é extremamente ligado a alguém demonstrar
que sentiu saudades quando essa pessoa esteve longe. Esses comportamentos incluem cuidado
excessivo com a pelagem, vocalização ou urinar fora da caixa de areia.

FATO FELINO
O primeiro espetáculo com gatos nos Estados Unidos foi realizado em 1895 no Madison Square Garden, na cidade
de Nova York.

Só porque Polly é o único animal de estimação da casa não significa que ela esteja solitária
ou entediada. Certifique-se de brincar e de falar com ela todos os dias, além de lhe oferecer
meios para que possa se distrair sozinha. Você pode dar a ela brinquedos para perseguir, passar
vídeos de animais na televisão e lhe oferecer árvores para escalar e/ou
uma área cercada onde ela possa observar o exterior. Duas ideias: posicionar um comedouro
para aves em frente à janela, para que ela possa observar, e comprar um aquário de peixes. Só
seja bondosa com esses novos moradores, certificando-se de que o aquário tenha uma tampa à
prova de gatos.
Na parte médica e emocional, há algumas vantagens em ter apenas um gato na casa. Você é
capaz de detectar problemas de saúde mais cedo. Também tende a notar as mudanças nos
hábitos de alimentação ou da caixa de areia mais rápido que seus amigos que têm dois ou mais
bichanos. Perceber os sinais de um problema mais cedo pode aumentar as chances de um
diagnóstico e um tratamento bem-sucedidos.

Puf! Gato desaparecido!


P: Recentemente, o bobtail japonês de meu vizinho se perdeu quando alguém deixou a porta
de trás da casa aberta. Organizamos uma busca no bairro e, felizmente, encontramos Jinx no
dia seguinte escondido nos arbustos três casas adiante. Como dona de dois gatos que vivem
dentro de casa, eu me preocupo com o que aconteceria se eles de repente se encontrassem na
rua. Por que gatos satisfeitos que vivem dentro de casa iriam se aventurar lá fora sozinhos?
Que dica oferecer para realizar uma boa busca ao procurá-los?

R: Você está em boa companhia. Todos nós, com gatos que vivem dentro de casa, ficamos
um pouco nervosos quando pensamos na possibilidade de nossos bichos mimados
enfrentarem os perigos da rua. Quando era jovem, tive uma gata chamada Samantha que
adorava passear no jardim com uma corrente leve amarrada em sua coleira. Eu sempre a
supervisionava, mas uma vez entrei para atender ao telefone e, quando voltei, cinco minutos
depois, ela tinha sumido! Tudo o que havia restado era sua coleira ainda ligada à corrente.
Chamei e procurei por dias, mas não a vi por quase dois meses, quando ela apareceu na
varanda do vizinho. Ela precisava de cuidados veterinários, estava desidratada, mas sobreviveu
e achei que tive sorte por tê-la de volta.
Mesmo felinos caseiros satisfeitos possuem instintos de caça e curiosidade. Visões, sons e
cheiros de fora da casa podem se mostrar mais sedutores do que simplesmente tomar sol no
sofá. Gatos pensam no momento. Uma porta se abre, e ele escapa. Ele não faz planos de
contingência para o que acontecer no caso de ele esquecer o caminho de volta. Mas podemos
melhorar as chances de encontrar nossos gatos se reconhecermos os comportamentos típicos de
gatos perdidos.
A maioria dos gatos que vivem dentro de casa e que fogem não vai muito longe. Gatos
caseiros tendem a se esconder em vez de fugir, ​porque seria a resposta instintiva. Dito isso,
eles podem ser muito bons em se esconder e extremamente difíceis de serem persuadidos a
saírem dos lugares de difícil acesso.
Conheça a personalidade de seu gato. Isso é importante porque ajuda a encontrá-lo. Você
pode achar interessante que gatos são classificados segundo quatro tipos gerais de
personalidade. Deixe-me compartilhar a melhor estratégia para encontrar cada um desses tipos.
GATOS XENOFÓBICOS têm medo de qualquer coisa nova ou desconhecida. Tendem a
correr e a se esconder quando convidados aparecem em casa e se recusam a reaparecer até
horas depois de as pessoas partirem. Ao ar livre, esses gatos tendem a ficar paralisados de
medo e não vão muito longe. Se você tiver um gato assim que se perdeu, o melhor plano é
colocar uma armadilha humanizada com isca perto de sua casa. Coloque um prato de atum
dentro para atraí-lo.
GATOS CAUTELOSOS desaparecem inicialmente quando visitas chegam a sua casa, mas
depois entram lentamente na sala para checar quem apareceu. Se seu gato condiz com essa
descrição, conduza uma busca pelas casas vizinhas e coloque armadilhas humanizadas nos
jardins dos vizinhos. Esses gatos, assim que reúnem coragem, tendem a sair do esconderijo
depois de cerca de um dia e tentam refazer os passos de volta para casa. Eles podem miar
enquanto estão escondidos se escutarem sua voz.
GATOS INDIFERENTES vão evitar as pessoas que não conhecem, incluindo membros de
um grupo de busca e resgate. Esse tipo vai sair do esconderijo e aparecer miando em sua porta
ou começar a andar por aí. Para esses gatos, o melhor plano é colocar armadilhas humanizadas
de iscas em toda a vizinhança, enquanto você vasculha jardins e outras áreas próximas.
GATOS EXTROVERTIDOS e curiosos agem como o embaixador da casa. Eles gostam de
reuniões e saúdam convidados. Se você tiver um gato que se enquadre nessa descrição, fique
ciente de que ele ​provavelmente vai passear, já que não se amedronta facilmente. A melhor
estratégia com esse tipo envolve falar com vizinhos, porque seu gato pode ter seduzido um
deles para levá-lo para dentro e alimentá-lo.

FATO FELINO
Em 1952, uma malhada do Texas chamada Dusty bateu o recorde de progenitura: no total, foram mais de 420
filhotes. Ela teve a última ninhada aos 18 anos.

Ao procurar seu gato, resista ao impulso de correr, porque movimentos bruscos podem
assustá-lo e fazer com que ele se esconda ainda mais. Não peça apenas aos vizinhos que
procurem por ele. Em vez disso, pergunte se pode xeretar no quintal e em outros esconderijos.
É mais provável que seu gato vá até você, não para um estranho.
Se você tem mais de um gato que vive dentro de casa e se eles se dão bem, considere colocar
o companheiro felino em uma caixa transportadora e levá-la com você quando estiver
vasculhando a área. O cheiro desse gato pode ser o bastante para atrair o gato perdido.
Independentemente da situação, espalhe cartazes coloridos em um raio de vários quarteirões.
Torne os cartazes atraentes e inclua uma foto do gato, o nome, seu contato e talvez uma
recompensa. E não se esqueça de passar em outros lugares, como clínicas veterinárias, abrigos
locais, controle de animal e departamento de polícia local.
Uma última estratégia: se possível, deixe uma porta deslizante aberta alguns centímetros ou a
porta de trás ou da garagem um pouco aberta. Alguns gatos esperam até anoitecer para sair do
esconderijo e podem voltar para casa quando sentirem que é seguro fazer isso. Você pode ficar
aliviada de manhã ao ver seu gato “perdido” sentado perto da tigela dele, esperando o café da
manhã.

Documentos, por favor


P: Meu gato Chance, que vive dentro de casa, usa identificação na coleira. Ele parece nunca
querer sair. Meu beagle, por outro lado, nem sempre vem quando é chamado. Gastei
dinheiro em um microchip para o cachorro, mas não vejo necessidade de fazer o mesmo para
Chance. Estou errada?
Embora Chance adore a vida caseira, ele pode se perder um dia. Não há como controlar os
R: movimentos de nossos gatos o tempo todo. Ele pode se perder durante uma viagem de
carro, ao esquecermos a porta aberta ou em outras circunstâncias.
Hoje em dia o custo de colocar um microchip não é tão alto, e o preço de reunir bichos
perdidos e donos agradecidos é incalculável. Contate o veterinário ou um abrigo de animal
local para saber mais sobre o procedimento. Muitas clínicas e abrigos oferecem descontos na
colocação de microchips em alguns dias do mês ou em uma época específica. Há também
algumas instituições que realizam o implante de forma gratuita.
Embora Chance use uma plaquinha de identificação, ele pode perder a coleira. É por isso que
sou uma grande entusiasta de colocar microchips em animais de estimação. O microchip não
garante automaticamente o retorno de seu gato perdido, mas aumenta a probabilidade de isso
acontecer.
Esse é um procedimento rápido e praticamente indolor. Seu gato não precisa ser anestesiado.
Um veterinário usa uma agulha especial para inserir o microchip (que tem o tamanho de um
grão de arroz) sob a pele do animal, entre as omoplatas. Um gato encontrado sem
identificação, mas com microchip, pode ser rastreado usando um dispositivo especial
comumente encontrado em abrigos de animais e clínicas veterinárias. O microchip fornece o
contato do tutor, da clínica veterinária e do fabricante do chip.
Infelizmente, cerca de 40% das pessoas que colocam microchip em seus animais deixam de
dar o último passo no processo. O processo é inútil se não contiver suas informações. A
inscrição deve ser atualizada se você mudar de endereço – e ter um serviço de recuperação
disponível 24 horas por dia, sete dias por semana, é a melhor proteção.

Venha por aqui


P: Minha gata Sissy é bastante curiosa e alegre. Acabei de me mudar para um bairro bom e
tranquilo, depois de viver com ela em um apartamento por anos. Gostaria de levá-la para
passear e lhe dar a chance de ficar ao ar livre. Não quero me arriscar a perdê-la, então quero
ensiná-la a andar com coleira. Como fazer isso? Ela vai conseguir?

R: Seu sucesso em treinar sua gata para andar de coleira na rua depende primeiro de sua
atitude. Acredite, gatos enxergam através das aparências. Se você estiver apreensiva ou
insegura com o processo ou ficar impaciente, ela vai captar a mensagem em alto e bom som.
Em segundo lugar, siga esta regra básica: quando se trata de passear com uma corda, os gatos
mandam. Não espere que Sissy desfile como um poodle que acabou de se graduar no curso de
obediência. Sissy vai liderar, e você vai seguir.
Terceiro, uma guia apenas não vai funcionar. Você precisa colocar um peitoral para que não
haja chance de Sissy se assustar e escapar da coleira e se perder. Não use um peitoral feito para
cães pequenos. Você precisa de um feito para gatos. Os melhores são os que têm o formato do
número oito ou umas jaquetas para caminhadas.
O treinamento para usar o peitoral é mais bem-sucedido quando as seguintes etapas são
seguidas.
1. Quando levar para casa a guia e o peitoral, deixe-os por alguns dias perto da tigela de
comida de Sissy ou do arranhador. Não diga nada. Deixe que ela se aproxime por conta
própria para investigá-los.
2. Quando Sissy estiver relaxada, de bom humor, engaje-a em uma pequena brincadeira com o
peitoral e a guia. Deslize o peitoral e deixe-a golpeá-lo. Leve a guia para o chão para que ela
a persiga e pule sobre ela. Você está associando essas ferramentas de treinamento com
diversão e jogos na mente de sua gata.
3. Em seguida, coloque o peitoral em Sissy dentro de casa e ofereça muitos elogios e alguns
petiscos. Deixe que ela ande livremente usando-o. Se ela lutar ou tentar arrancar o peitoral,
remova-o com cautela e repita o segundo passo antes de tentar de novo. Se ela parecer
confortável, deixe-a usar o peitoral por alguns minutos.
4. É hora de amarrar a guia ao peitoral usado por sua gata. De novo, fique dentro de casa e
monitore o nível de aceitação de Sissy. Nem todo gato é fã de peitorais, e você tem que
respeitar as preferências.
5. Quando ela concordar em andar pela casa com o peitoral, é hora de sair. Limite a primeira
saída a um local seguro, como seu quintal ou a varanda. Lembre-se, o objetivo é aproveitar
cada sucesso.
6. Depois de alguns dias, vocês devem estar prontas para andar pelo caminho da entrada e,
possivelmente, pela calçada. Escolha uma hora tranquila no bairro para limitar possíveis
distrações.
Você quer tornar essa uma experiência agradável. A menos que tenha aquele gato raro que
anseia por uma longa caminhada, ​mantenha ​curtos os passeios. Se morar em uma rua
movimentada, coloque a gata em um carrinho específico e vá a um lugar tranquilo, como um
parque, onde ela se sinta mais segura.
Minha gata Murphy se orgulha de usar peitorais e andar de peitoral. Acho que ela fica um
pouco enciumada quando me vê pegar a coleira de meus dois cães. Mas quando volto com
eles, sempre pego sua guia e peitoral e digo: “Quer ir lá fora?”. Ela corre até a porta da frente.
Com os cães, trata-se da distância percorrida, mas Murphy prefere uma caminhada com
paradas para cheirar flores, deitar-se na calçada iluminada pelo sol e mordiscar folhas de
grama. Podemos não ir longe, mas nossos breves passeios provaram ser cheios de aventura
para Murphy.

Quem tem medo do veterinário?


P: Eu simplesmente abomino levar meu gato para consultas regulares ao veterinário. Mesmo
quando não faço nada fora do comum, Oscar parece sentir que estou prestes a levá-lo ao
veterinário e se esconde debaixo da cama. Ele sempre me arranha quando tento tirá-lo de lá.
Ele uiva o caminho todo e, uma vez na clínica, se transforma num gato do mal. É difícil
examiná-lo. Oscar é saudável, vive dentro de casa. Posso simplesmente deixar de levá-lo a
essas consultas? Parece mais tortura que ajuda.

R: AOscar
maioria dos gatos não é fã de três Cs: carro, ca ixa de transporte e clínica veterinária .
definitivamente não coloca nenhum desses na lista de favoritos. Embora você ache
que não demonstra, Oscar está atento a mudanças químicas em seu organismo (ansiedade) e à
linguagem corporal (músculos mais tensos). É tudo de que precisa para iniciar a fuga para
debaixo da cama.
Alguns gatos se saem bem quando são tratados por veterinários voltados apenas para felinos,
porque não há nenhum daqueles temidos c-a-c-h-o-r-r-o-s na sala de espera. Mas gatos como
Oscar se sairiam muito melhor se fossem examinados em casa. Ao examinar em seu próprio
território gatos assustados, terrivelmente agressivos e com fobia de pessoas, veterinários a
domicílio são capazes de fazer leituras mais acuradas sobre a saúde dos pacientes. Por
exemplo, alguns gatos exibem níveis artificialmente elevados de glicose no sangue e de
pressão arterial devido ao estresse quando examinados em uma clínica. Veterinários a
domicílio também podem reunir informações sobre o ambiente em que vive um gato e isso
pode ajudar no tratamento de condições médicas. Eles conseguem ver onde estão as caixas de
areia e testemunham a interação do gato com os outros bichos da família.

FATO FELINO
Gatos têm 290 ossos no corpo; já humanos, apenas 206.

Veterinários que atendem em casa também são uma opção para pessoas com três ou mais
gatos; levar tantos gatos de uma vez para a clínica seria bem difícil. Você corre o risco de um
escapar ou de ter sua sanidade testada. Em casa, você recebe cuidados de uma só vez, de modo
que não precisa marcar várias consultas.
Veterinários a domicílio ainda são a solução para pessoas atribuladas, que têm dificuldade
em conciliar a consulta do gato entre o ensaio da banda e o jogo de futebol das crianças; para
quem não sabe dirigir; para os com condições médicas próprias; e para celebridades que
preferem não ser incomodadas por caçadores de autógrafos em uma clínica veterinária.
Taxas para atendimento a domicílio não são tão altas quanto você pode imaginar, mas os
preços variam de acordo com o local. Então, poupe seu braço dos arranhões e evite que o
estresse de Oscar aumente. Peça indicações ou procure na internet.

Argh! Estamos de mudança!


P: Daqui a seis meses vou me mudar para um novo apartamento com Misha, minha gata de
11 anos. Estou imaginando o que fazer para tornar a mudança menos estressante para ela.
Misha teve um histórico de problemas no trato urinário – tudo resolvido –, e com isso veio um
hábito de se lamber a ponto de arrancar o pelo. Ela fica sozinha o dia todo, mas brincamos à
noite. Eu poderia me referir a ela como uma gata um pouco nervosa. Algum conselho de como
tornar a mudança mais leve para ela?

R: Mudanças são estressantes para todo mundo. Gatos detestam alterações na rotina. A visão
de mobília sendo retirada, itens sendo empacotados e estranhos indo e vindo de seu
“castelo” felino pode cobrar um preço de autoconfiança e causar comportamentos indesejados
(como se esconder, não comer ou urinação inadequada).
Gatos também são territorialistas. Eles não gostam de sair de seus domínios e, em lugares
estranhos, sentem-se inseguros e estressados com novos sons, cheiros e a busca para encontrar
zonas de segurança.
Você mencionou que Misha é um pouco nervosa. Já que mudanças são sofridas para todos os
integrantes da casa, você também sente o estresse, e ela detecta seus sinais de tensão. Assim, a
gata pode supor que algo está terrivelmente errado.
Felizmente, há muito que você pode fazer para preparar Misha para a mudança e o novo
apartamento. O passo mais importante é fazê-la se sentir segura em uma caixa de transporte
um bom tempo antes do dia da mudança. Comece deixando a caixa de transporte no local onde
Misha gosta de tirar uma soneca. Torne-a tentadora, colocando um cobertor confortável dentro
dela e deixando a porta aberta. Borrife um pouco de catnip no interior, se sua gata gostar do
odor. Você está criando boas associações com a caixa.
Assim que Misha se sentir confortável na caixa de transporte, feche-a lá dentro e leve-a até o
carro. Apenas fique com ela alguns minutos sem ligar a ignição. Gradualmente, leve-a para
passeios curtos no carro.
À medida que o dia da mudança se aproxima, tente estabelecer uma rotina, se possível. Por
mais estranho que seja, conte a Misha sobre a mudança e o que está acontecendo. Use um tom
animado e positivo. Verdade, ela não vai entender as palavras, mas vai ler seu humor e sua
postura. Deixe-a farejar e explorar as caixas de mudança, as fitas e outros itens.
Recomendo tanto para você quanto para ela uma mistura herbal calmante chamada Rescue
Remedy. Essa mistura de óleos essenciais botânicos não exige receita e está disponível em pet
shops e farmácias. Não é tóxica nem viciante. Coloque algumas gotas em um copo de água
para você e esfregue algumas gotas na ponta das orelhas de Misha (entra no corpo dela por
minúsculos capilares nas orelhas). Alguns gatos podem exigir um remédio calmante com
receita – cheque com o veterinário.
Se possível, leve uma camiseta que você tenha usado e não tenha lavado para o novo local.
Sim, esse é um pedido estranho, mas corretores de imóveis estão acostumados a tudo. Peça que
o corretor ou o proprietário do imóvel esfregue a camiseta nos rodapés de seu novo
apartamento para oferecer um odor conhecido à futura inquilina Misha.
No dia da mudança, mantenha Misha em sua caixa de transporte em um cômodo vazio e
coloque um grande cartaz alertando à equipe da mudança a não abrir a porta. Você pode
considerar deixá-la durante o dia em uma instalação que receba gatos ou na casa de um amigo,
onde haja um quarto tranquilo só para ela.
Enquanto se ajeita em sua nova casa, mantenha Misha confinada em um ambiente com tudo
de que ela precisa (tigelas de comida e de água, caixa de areia, cama, brinquedos). Deixe a
caixa de transporte com ela para que ela se esconda se quiser. Pode deixar alguma música
tocando para abafar os sons das coisas sendo desempacotadas. Deixe-a explorar esse cômodo
por um dia antes de apresentá-la aos outros ​cômodos do apartamento.
Essas estratégias ajudam todos os gatos, incluindo os nervosos, a se sentir rapidamente em
casa. Boa sorte!
Mestres da pista
As competições de agilidade felina , as mais novas e fascinantes atividades da Cat Fanciers’
Association, decolaram nos Estados Unidos, no Japão e na Europa. Embora sejam similares no
conceito às competições de cães, há algumas diferenças. Quando o gato entra no ringue com o
treinador, ele recebe um tempo para investigar os arredores e o equipamento. O sinal de que
ele está pronto para começar é quando levanta a cauda. O mestre do ringue inicia, então, o
relógio, enquanto o treinador encoraja o gato com uma vareta, um brinquedo ou uma caneta
laser para subir escadas e passarelas, correr por buracos e túneis e subir postes o mais rápido
possível.
Gatos de pedigree , animais de raça aleatória e gatos adotados de abrigos são bem-vindos.
Ver como eles reagem durante as competições nos tem fornecido percepções inesperadas sobre
diferenças comportamentais e traços de raça.
Por exemplo, os abissínios, em geral ativos e reativos, são “naturais” na arena. Eles seguem a
isca e são capazes de correr rápido, mas costumam perder tempo porque são alertas demais.
Um abissínio vai parar e olhar as pessoas na plateia.
Bobtail japonês é outra raça que está entre as primeiras em competições de agilidade. Em
uma exibição recente no Madison Square ​Garden, de Nova York, um bobtail de 6 meses fez o
percurso em dezessete segundos. Essa raça ativa tende a ser extremamente reativa à isca, mas
pode se entediar. Os exibidores aprenderam a pular a sessão de treinos permitida e ir direto
para a competição.
Entre os melhores competidores estão os van turcos. Esses gatos fortes e grandes, de pelos
longos, são disciplinados e não perdem um obstáculo. Os maine coons vão terminar o
percurso, mas tendem a ser lentos. São uma raça pensativa e às vezes fazem uma pausa, talvez
para se perguntar o que poderia haver no túnel antes de seguirem o caminho.
As raças siamesa e oriental são facilmente distraídas. Elas reagem à isca e podem correr
rápido, mas se perdem e se sentam. Simplesmente, não têm motivação para terminar nada com
pressa. Os cornish rex também costumam ser avoados e inconsistentes, mas podem ser rápidos
quando querem.
É divertido ver filhotes de persa na pista de agilidade. Tipicamente destemidos e raramente
distraídos, eles se concentram na isca, atravessam o túnel e saltam os obstáculos. Já os gatos
adultos dessa raça não são tão rápidos. Eles podem fazer pose no topo da escada, permitindo
que todos admirem sua beleza.
Contribuição de Joan Miller, jurada de concursos de animais
CAPITÃO FELINO
Gatos podem ser companheiros ideais para a vida em barcos. Os melhores gatos do mar têm pelo
curto (mais fáceis de manter limpos com a maresia) e garras (para serem capazes de escalar uma
escada de cordas no caso de caírem da embarcação). Eles precisam se sentir confortáveis em viajar
em caixas de transporte e ter personalidade tranquila. Também precisam de treinamento com guia e
aceitar prontamente usar um peitoral.

Caindo na estrada
P: Meu marido está terminando a residência médica em Boston. Depois pretendemos
atravessar de carro o país e viver em Seattle. Estou preocupada se minha gata, Lucy, vai
reagir bem à longa viagem. Ela adora conversar e exige atenção quando estamos em casa. Já
andou de carro na caixa de transporte até a clínica veterinária e outros percursos locais. Às
vezes ela mia; noutras vezes, fica quieta. Pensar em passar tantos dias em um carro com Lucy
me deixa nervosa, mas queremos ver um pouco do país. Algum conselho?

R: Uma viagem de carro pelo país com um gato vai definitivamente testar sua paciência. Sei
o que está passando, já tive que transportar dois gatos de carro do sul da Flórida até o
leste da Pensilvânia há vários anos. Little Guy e Callie viajaram em caixas de transporte no
banco de trás – cada caixa presa por um cinto de segurança. ​Callie foi um amor de felino, mas
Little Guy começou a jornada uivando como um cantor que queria quebrar o recorde mundial
de ca ntar a plenos pulmões . Ah, meus ouvidos! No segundo dia, fiquei esperta e dei a Little
Guy um pouco de Rescue Remedy, uma mistura natural de óleos essenciais que o acalmaram a
ponto de ele apenas dar alguns miados esporádicos pelo resto da viagem.
Vamos olhar sua odisseia do ponto de vista de Lucy. Uma viagem de carro é repleta de sons
estranhos como buzinas, ar-condicionado ou aquecedor, além de um rádio retumbante. Presa
em uma caixa de transporte, que é a maneira mais segura de viajar, ela não tem ideia do que
pode acontecer – não consegue olhar pela janela e certamente não sabe ler um mapa. A
vibração da estrada e o balanço do veículo é preocupante e pode deixá-la enjoada. À noite, ela
sairá em outro quarto desconhecido de hotel, onde deve se instalar e dormir.
E há a questão das pausas para banheiro. Em cada uma das caixas de transporte de meus
gatos coloquei uma minicaixa de areia. Eles confiavam no equilíbrio e na agilidade para usá-
las, mesmo a 100 quilômetros por hora ou em uma estrada sinuosa.
É bom que Lucy tenha feito algumas viagens em que o destino não fosse a clínica veterinária.
Ela precisa desenvolver associações positivas ao ser colocada em uma caixa de transporte
dentro do carro. Encorajo você a continuar fazendo esses passeios divertidos com ela para
estabelecer uma “milhagem” prazerosa.
Não pegue Lucy no colo, tirando-a de sua caixa de transporte durante a viagem. O melhor
lugar para um gato em um veículo em movimento é dentro da caixa transportadora. Quando
ficam assustados, o primeiro pensamento deles é buscar um lugar para se esconder – como
debaixo dos pedais ou dos assentos. Isso significa perigo!
Não se espante se Lucy não fizer suas necessidades nem comer até chegar ao hotel. Assim
que ela se acalmar da viagem, ficará mais inclinada a usar a caixa de areia, a comer e a tomar
água.
Não deixe Lucy no carro quando for jantar em um restaurante, principalmente se o clima
estiver extremamente quente ou frio. Só são precisos alguns minutos para um gato ficar doente,
ou até mesmo morrer, de calor. Busque lugares que permitam a entrada de animais em caixas,
como cafés ao ar livre.
Dê a Lucy muitas massagens terapêuticas e afagos todas as noites no hotel. Isso vai ajudar a
transmitir que, embora esteja na estrada, ela está com duas pessoas que a amam e a mantêm
segura.
Se seu gato tende a enjoar e vomitar no carro, consulte o veterinário sobre remédios que
possam tornar a viagem mais fácil para ambos.

LISTA DO GATO VIAJANTE


Antes de pegar a estrada com sua gata, abasteça o carro com os seguintes itens.
• Uma caixa de transporte bem ventilada com uma almofada fácil de limpar.
• Água engarrafada e uma tigela que não derrube líquido.
• Ração seca, tigela pequena e petiscos.
• Brinquedos.
• Cobertor familiar e confortável.
• Uma guia e uma coleira extra e tarjas de identificação com um número de telefone.
• Kit de primeiros-socorros para gatos.
• Caixa de areia para viagem, areia sanitária e itens de limpeza.
• Calmantes sem receita, como Rescue Remedy.
• Foto de sua gata para o caso de ela se perder.
• Histórico de saúde de sua gata.
• Rolo de papel higiênico e sacolas plásticas.

Hospedar ou não hospedar, eis a questão


P: Estamos planejando três semanas de férias na Europa no próximo verão, com toda a
família – meus pais, meu marido e nossos filhos. Estamos animados, mas discutindo se
vamos hospedar nossos dois gatos ou se vamos contratar uma babá para cuidar deles. Como
viajaremos todos juntos, não temos nossos cuidadores costumeiros. As duas opções são caras,
mas não queremos nos preocupar enquanto estivermos longe. Bonnie e Clyde são irmãos, têm
cerca de 4 anos e são muito ligados. Eles são basicamente gatos que vivem dentro de casa e já
viajaram conosco à casa de meus pais, para passar o fim de semana, sem muito alarde. Que
opção funcionaria melhor para eles?

R: Você não vai encontrar muitos gatos tirando passaportes. O lar é onde está o coração
felino. Se fossem pessoas, alguns gatos seriam tachados de agorafóbicos. Uma vez que
seus gatos iriam provavelmente escolher ficar em casa, a opção de arrumar uma babá
definitivamente deve ser levada em conta. O principal benefício de uma babá é que Bonnie e
Clyde ficariam com todos os seus “confortos”. Embora sua ausência desordene a rotina deles,
eles estariam cercados de odores familiares e confortados por estarem no próprio território.
Assim como acontece com os resorts para bichos de estimação, a profissão de babá de
animais é um mercado em expansão. Recomendo entrevistar babás que tenham licença e sejam
ligadas a alguma organização nacional. As babás são treinadas para alimentar seu gato, dar
remédios e limpar as caixas de areia.
O lado ruim é que as babás de animais de estimação tendem a ser muito ocupadas. Elas
fazem tipicamente uma ou duas visitas por dia a sua casa. Se houver um problema de saúde ou
outra complicação com Bonnie e Clyde, talvez se passem 24 horas até que alguém perceba.
Se tiver a sorte de contar com um amigo, parente ou vizinho confiável, que esteja disposto a
fazer essa função, é uma opção. Sou menos favorável a contratar estudantes ou outras pessoas
que não sejam profissionalmente treinadas como babás de animais, pois são motivados por
dinheiro e podem não colocar as necessidades de seus gatos como prioridade; não por
maldade, mas por desconhecer as necessidades felinas. Sempre forneça uma lista de instruções
por escrito sobre como cuidar deles e o que fazer no caso de uma emergência médica.

FATO FELINO
Gatos ronronam a uma frequência de 25 vibrações por segundo.

Agora vamos considerar a opção da hospedagem. Além da hospedagem tradicional em uma


clínica veterinária, há uma variedade crescente de gatis especializados que satisfazem cada
capricho de seu bicho. Em vez de atender a cães, esses lugares atendem a gatos. Alguns
parecem miniapartamentos, com televisão, música, cama de veludo, dois andares, vistas pela
janela e outras amenidades. Pela última contagem, havia mais de 9 mil gatis de hospedagem na
América do Norte, e esse número está crescendo rapidamente à medida que mais gente viaja –
e mais pessoas estão dispostas a gastar um bom dinheiro em instalações de hospedagem
chiques para seus animais.
Se decidir hospedar Bonnie e Clyde, procure locais apenas para gatos, principalmente se os
seus não têm muita relação com cães. Um ambiente felino será mais calmante, sem todo os
latidos, os uivos e os lamentos. É importante que você visite os locais antes de fazer a reserva,
em vez de apenas confiar em anúncios ou na ​informação coletada pelo telefone.

FATO FELINO
Puss reina como o Matusalém dos felinos. O gato britânico morreu em 1939 com veneráveis 36 anos.

Quando for até lá, preste atenção a como os funcionários interagem com os convidados
felinos. Você com certeza vai querer “gente que goste de gatos”, que afague e chame seus
gatos pelo nome. Pergunte qual é a proporção de funcionários e gatos, se há funcionários 24
horas por dia e se há um veterinário de plantão para lidar com emergências. O gatil deve ser
limpo e você não deve detectar nenhum odor. Dê uma olhada atenta aos convidados felinos e
determine se parecem satisfeitos ou se agem de maneira inquieta ou assustada. E não se
esqueça de fazer arranjos para que Bonnie e Clyde dividam a estadia. Já que são próximos,
ficar juntos ameniza a angústia de estar longe de casa.
Já que sua viagem não vai acontecer por vários meses, encorajo-a a fazer um teste reservando
uma ou duas noites no gatil. Se Bonnie e Clyde parecerem muito estressados quando você os
buscar, é sinal de que a vida no gatil, mesmo em um resort felino elegante, não é para eles.
Então, qual é meu voto? Decisão difícil. Tente a hospedagem por alguns dias, espere uma
semana e, então, na próxima vez que planejar ver seus pais durante um fim de semana, deixe
Bonnie e Clyde com uma babá e veja como se saem. Você vai ser capaz de avaliar, pelo
comportamento deles, qual opção faz mais sentido para sua dupla. Com nomes como Bonnie e
Clyde, você vai querer mantê-los felizes!

IDADE DE UM GATO EM ANOS HUMANOS

Descobrir a idade de seu felino pode ser um exercício frustrante. O mito de “um ano de gato equivale a sete anos humanos”
é apenas isso – um mito. Gatos são considerados idosos aos 7 anos e geriátricos aos 12.
Embora não haja um método científico para converter a idade de seu gato em anos humanos, especialistas relatam que um
gato de 1 ano de idade equivale a uma pessoa de cerca de 15 anos. A tabela a seguir dá uma ideia mais clara sobre isso.

Idade do gato Compar ável à idade humana Idade do gato Compar ável à idade humana
1 15 12 64
2 24 13 68

3 28 14 72

4 32 15 76

5 36 16 80

6 40 17 84

7 44 18 88

8 48 19 92

9 52 20 96

10 56 21 100

11 60
1
CONSULTORES

ALICE MOON-FANELLI é uma behaviorista animal certif icada e professora-


-assistente na clínica da Escola Cummings de Medicina Veterinária da Universidade Tufts, em North Grafton, Massachusetts.
Trabalha no Centro de Comportamento Animal, que oferece um serviço de consulta a distância. Fez doutorado e mestrado em
etiologia e genética do comportamento canino pela Universidade de Connecticut. Especialista no comportamento de gatos,
cães e lobos, é colaboradora regular das revistas Catnip e Your Dog .
JOAN MILLER é jurada de concursos de animais e coordenadora legislativa da Cat Fanciers’ Association (CFA), o maior
cartório do mundo de registro de gatos com pedigree . Criadora de gatos há mais de duas décadas, é considerada uma das
maiores autoridades do mundo em história, genética e traços de personalidade de várias raças felinas. É ex-presidente da
Winn-Feline Foundation, grupo sem f ins lucrativos que concede bolsas para a pesquisa sobre felinos. Mora em San Diego
(Califórnia, Estados Unidos). Para saber mais sobre a CFA, acesse: www.cfainc.org.
ARNOLD PLOTNICK é certif icado pela Faculdade Americana de Medicina Veterinária Interna e pelo Conselho Americano
Veterinário. Um dos poucos especialistas em gatos certif icados nos Estados Unidos, ele dirige uma clínica apenas para gatos
chamada Manhattan Cat Specialists (www.manhattancats.com), em Nova York. É o editor de saúde da revista Catnip , tem
uma coluna médica mensal na Cat Fancy , faz parte do conselho editorial do Fórum de Veterinária. Concluiu doutorado em
medicina veterinária pela Universidade da F lórida em Gainesville.
SOBRE A AUTORA

Arden Moore faz um pouco de tudo no mundo dos animais de estimação. É consultora de
comportamento de cães e gatos, palestrante profissional, editora da revista Fido Friendly e
escritora – já publicou mais de 24 livros sobre pets. Ela também escreve artigos para as
principais revistas americanas sobre o assunto e já apareceu em diversos programas de TV nas
redes CNN, Fox e NBC. Arden é ainda uma instrutora certificada de primeiros socorros para
animais de estimação, dando aulas em diversas instituições nos Estados Unidos. Ela mora na
Califórnia com dois cachorros, dois gatos e um aspirador de pó bastante sobrecarregado. Saiba
mais sobre a autora em www.ardenmoore.com.